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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

[NOME DO ALUNO]

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA GEOGRAFIA CULTURAL NAS ESCOLAS


BRASILEIRAS

[CIDADE]
2022
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

[NOME DO ALUNO]

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA GEOGRAFIA CULTURAL NAS ESCOLAS


BRASILEIRAS

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito parcial à
obtenção do título de [Nome do curso]

[CIDADE]
2022
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DA GEOGRAFIA CULTURAL NAS ESCOLAS
BRASILEIRAS

Autor1

Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja
parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e
corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de
investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação
aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços)

RESUMO. O presente trabalho apresenta uma revisão narrativa de bibliografia utilizando, entre outras
fontes, a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – com o intuito de analisar as competências e
habilidades que abordam a temática cultural no ensino da Geografia, bem como realizar reflexões
sobre a importância da Geografia Cultural no processo de ensino e aprendizagem. O percurso
utilizado na pesquisa foi, primeiramente, a circunscrição da concepção de cultura a partir de como ele
surge no ensino de Geografia, a compreensão da educação a partir das categorias de competência e
habilidades, a Geografia Cultural a partir da BNCC e, por fim, o ensino da Geografia cultural nas
escolas. Verificou-se que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que o ensino da
Geografia Cultural venha a ser discutida em sala de aula de forma significativa com o uso de
metodologias e didáticas que auxiliem no processo de ensino e de aprendizagem por meio da
realidade da vida dos estudantes. Neste sentido, é necessário que os professores estejam
preparados para desenvolver as temáticas culturais a partir das vivências dos estudantes.

PALAVRAS-CHAVE: Cultura; Geografia Cultural; BNCC; Ensino e Aprendizagem.

1
E-mail do autor:
1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende refletir sobre a geografia cultural inserida no


processo de ensino e aprendizagem da educação brasileira. O intuito da pesquisa é
compreender a geografia cultural a partir de uma prática didática que considere os
elementos culturais das escolas e dos alunos.
Sem dúvida, o tema cultura deve estar inserido no ambiente escolar, como
parte do processo de ensino e aprendizagem, pois fomenta, socializa e fornece aos
alunos conceitos e significados para o conhecimento do estudante. Neste sentido, é
muito importante que os alunos tomem consciência da cultura em que estão
ingressando e que o currículo escolar contenha os elementos necessários para que
o aluno conheça diversas culturas tornando o ensino significativo.
Atualmente, na escola, o ensino das diferentes disciplinas, com diferentes
metodologias e procedimentos precisam ser pensadas em razão da cultura dos
alunos, da cultura escolar e do conhecimento sistematizado. A tensão em relação a
definição de um conhecimento para formação de um currículo, a organização do
trabalho pedagógico na escola, e a identidade de alunos e professores, precisam ser
o fundamento que define o trabalho docente. Nesta perspectiva, ensinar a Geografia
Cultural precisa, inicialmente, ter uma relação com a cultura dos estudantes, para
que haja, neste sentido, alguma aplicabilidade na vida cotidiana deste, o que, por
fim, facilita o processo de ensino e aprendizagem.
Com isto em vista a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, busca definir
o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens fundamentais que todos os
alunos precisam desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação
Básica, de modo que assegurem a aprendizagem e seu desenvolvimento cognitivo
em conformidade com que preceitua o Plano Nacional de Educação.
A metodologia utilizada nesta pesquisa foi uma revisão de bibliografia
narrativa que visa analisar criticamente a literatura sobre um determinado tema sem
critérios explícitos ou sistemáticos e sem buscar esgotar o assunto. Desta forma, o
desenvolvimento da pesquisa foi dividido em quatro tópicos: 1) considerações sobre
o conceito de cultura; 2) a educação a partir de competências e habilidades; 3) A
geografia cultural a partir da BNCC; 4) O ensino da Geografia Cultural na escola.
2. DESENVOLVIMENTO

2.1. CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE CULTURA

A Geografia, entendida como uma ciência, tem uma relevante função na


formação da sociedade, sendo uma ferramenta central para a compreensão do
espaço geográfico. Por isso, é importante que no processo pedagógico,
especificamente, o do ensino da Geografia, ocorra a promoção de uma reflexão
critica que introduza no ambiente escolas as questões culturais relativas ao cotidiano
dos alunos. (SILVA, 2012, p. 21).
Assim, torna-se relevante citar definições culturais, pois através da
diversidade cultural é possível aprender mais sobre nossa cultura e nossa história,
atribuindo significado e identidade as nossas expressões culturais, conforme explica
Mota (2015, p. 48) “ao conhecer seus elementos será possível a mudança social,
transformando o conhecimento e a ação, estabelecendo novos níveis de consciência
política que apresentem respeito à diversidade cultural por meio do currículo na
escola.”
Percebe-se, assim, que existem muitas considerações, das quais é possível
derivar o conceito de cultura, e podem ser tomadas de um sistema linguístico,
sociológico ou filosófico. De acordo com Claval (2011) a cultura pode ser entendida
como

O conjunto de práticas, conhecimentos, atitudes e crenças que não é


inato: eles são adquiridos. Daí o papel central dos processos de
transmissão, de ensino, de aprendizagem, de comunicação na
geografia cultural: a natureza e o conteúdo da cultura de cada
indivíduo refletem os meios através dos quais ele adquiriu as suas
práticas e os seus conhecimentos: transmissão direta pela palavra e
pelo gesto; utilização da escrita; utilização das mídias modernas.
(CLAVAL, 2011, p. 16).

Os modos de transmissão da cultura e a sua consolidação se dá nos mais


diversos espaços e, é possível compreender que o sujeito produtor da cultura é, ao
mesmo tempo produto desta, em decorrência de suas crenças e ideias, conforme
confirma Laraya (2001, p. 33) ao apresentar a cultura como “a compreensão da
própria natureza humana, tema perene da incansável reflexão humana”. Percebe-se
que, para o autor, o debate em torno do conceito de cultura não se esgota, por se
tratar de um conceito dinâmico, de constante renovação.
De modo semelhante, Geertz (1989) argumenta que o conceito de cultura é,
fundamentalmente, semiótico:

o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele


mesmo teceu, assumo a cultura com o sendo essas teias e a sua
análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de
leis, mas com o uma ciência interpretativa, à procura do significado.
É justamente uma explicação que eu procuro ao construir
expressões sociais enigmáticas na sua superfície. (GERTZ, 1989, p
15).

A cultura apresenta múltiplas interpretações, visto que é produzida, expressa


e ressignificada pelo próprio ser humano.
Neste sentido, é possível entender que o termo cultura se refere a um
conjunto de valores que tem influência significativa no comportamento de um dado
grupo e, da mesma forma, as ações desse grupo moldam a cultura. Assim, Laraya
(2001, p. 14) explica que a cultura "tomado em seu amplo sentido etnográfico é este
todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou
qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma
sociedade".
Em síntese, para Laraya (2001, p. 16) “o homem é o único ser possuidor de
cultura”.
De acordo com Moreira e Candau (2007, p. 26) a cultura “tal como as elites a
concebem, corresponde ao bem apreciar música, literatura, cinema, teatro, pintura,
escultura, filosofia”. Entende-se que a cultura de um grupo social estabelece as
regras por meio das quais uma civilização deve se guiar, bem como, os modos de
vida, as tradições e costumes, as hierarquias sociais, dentre outros fatores que
produzem distinção entre uma comunidade e outra.
Quando se diz “cultura” como uma pluralidade de manifestações, está se
querendo dizer sobre diferentes modos de vida, valores e significados
compartilhados por diferentes grupos, em variados períodos históricos, o que aponta
para uma percepção antropológica da cultura que enfatiza os conteúdos culturais
compartilhados por grupos comuns (MOREIRA, CANDAU, 2007).
Laraia (2001) ao falar sobre essa percepção antropológica da cultura, explica
que

O termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os


aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra
francesa Civilization referia-se principalmente às realizações
materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por
Edward Tylor (1832-1917) [...] e, com isso, criou-se o vocábulo inglês
culture que, “tomado em seu amplo sentido etnográfico é todo este
complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis,
costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo
homem como membro de uma sociedade” (LARAIA, 2001. 14).

Diante disso, podemos compreender a forma institucional como os hábitos,


crenças e tradições de uma sociedade podem ser entendidos em termos culturais,
permitindo-nos entrelaçar passado e presente, e articular tradições e valores
culturais para gerações futuras. Moreira e Candau (2007) incluem a estas
concepções, a ideia de cultura popular, introduzida através dos meios de
comunicação em massa.
Considera-se, portanto, que a cultura tem se produzido variadas formas de
comunicações, criando novas identidades sociais e, bem como, individuais, no
espaço geográfico. Desta forma a Geografia Cultural passa a ser compreendida
como fundamental para compreender as formas de influência e manifestação da
cultura no espaço. Desponta daí a importância do ensino da Geografia, que “deve
fornecer ao aluno elementos para a leitura da realidade, de maneira que o
instrumentalize para a compreensão da dinâmica do espaço geográfico, nas
dimensões culturais, econômicas e políticas, bem como das práticas sociais que
constroem e formam esse espaço. (SILVA, 2012, p. 21).

2.2. EDUCAÇÃO A PARTIR DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

No campo da educação, o conceito de competência surgiu para substituir a


ideia de capacidade e aptidão. A competência permite ao sujeito a obtenção da
aprendizagem, bem como, a possibilidade para enfrentar e regular de forma ativa
um conjunto de tarefas e situações educativas (DIAS, 2010, p.74).
De acordo com Perrenoud (1999), competência significa a capacidade de agir
de forma efetiva em uma situação, utilizando-se da capacidade cognitiva, sem
limitar-se a esta. Conforme as situações se apresentem, geralmente são
necessários recursos adicionais visando a percepção, compartilhamento e a
transmissão do conhecimento.
Dias (2010) apresenta os principais componentes da competência:

saber-saber, saber-fazer, saber-ser. Definir competência através de


cada uma destas componentes pode ser, no entanto, uma tentação
perigosa, uma vez que (1) os saberes fazem parte da competência,
mas não se podem confundir com ela; (2) as competências são
descritas como ações, mas não é o facto de descrever as ações que
explica ou que possibilita a ação ou o êxito; (3) as competências
estão diretamente relacionadas com o contexto e o saber ser não
tem implícito esse contexto. (DIAS, 2010, p. 74).

Assim, na educação, o processo de ensino e aprendizagem por competências


incentiva a percepção dos saberes como instrumentos mobilizados na resolução de
problemas, na implementação e reutilização de didáticas, no planejamento e
desenvolvimento de projetos com os alunos, na promoção da autonomia, na
integração disciplinar e, acima de tudo, na potencialização do ensino, que passa a
ser orgânico, adquirindo sentido no aprendizado dos estudantes (DIAS, 2010, p. 76).
De modo semelhante, a escola deve visar uma educação crítica e de
qualidade e que conduza à formação de cidadãos capazes de uma intervenção
eficaz na sociedade. Assim, é importante que sejam desenvolvidas as competências
e habilidade que permitam a produção e a disseminação de novos conhecimentos
(MEDEIROS, 2010, p. 121).
O ensino da Geografia Cultural deve visar o desenvolvimento das
competências e habilidades que ajudem na compreensão do espaço geográfico,
produzindo a capacidade observar as paisagens, distinguindo elementos naturais e
culturais, utilizando dados estatísticos e cartográficos e, bem como, compreender a
distribuição espacial por meio da resolução de situações didáticas
problematizadoras (CAVALCANTI, 1999).
Portanto, de acordo com a BNCC (BRASIL, 2018), o desenvolvimento de
competências é definido como a capacidade dos alunos de se reconhecerem em
contextos históricos e culturais, de se comunicar, colaborar com outros, criar e
inovar, e analisar criticamente a sociedade.

2.3. A GEOGRAFIA CULTURAL A PARTIR DA BNCC


A legislação educacional enfatiza a importância de uma Base Nacional
Comum Curricular para a educação no Brasil, pois trata daquele conteúdo que os
alunos devem aprender em todos os níveis e modalidades da educação.
A BNCC apresenta as competências da área das Ciências Humanas e do
Componente Curricular Geografia, especificada por unidades temáticas, objetos de
conhecimento e habilidades. Também facilita o desenvolvimento do raciocínio
geográfico, fomentando a atribuição dos alunos ao mundo da leitura por meio do
pensamento espacial.
Segundo a BNCC:

Essa é a grande contribuição da Geografia aos alunos da Educação


Básica: desenvolver o pensamento espacial, estimulando o raciocínio
geográfico para representar e interpretar o mundo em permanente
transformação e relacionando componentes da sociedade e da
natureza. Para tanto, é necessário assegurar a apropriação de
conceitos para o domínio do conhecimento fatual (com destaque
para os acontecimentos que podem ser observados e localizados no
tempo e no espaço) e para o exercício da cidadania (BRASIL, 2018,
p. 360)

Segundo a BNCC (2018) para que os estudantes da educação básica


desenvolvam o pensamento espacial, se faz necessário que p raciocínio geográfico
sejam incentivados a partir de alguns dos princípios metodológicos da geografia, tais
como: analogia, conexão, extensão, distribuição, localização e ordem. Além disso, A
Base Nacional Comum Curricular também descreve os conceitos básicos da
Geografia, como território, localização, região, natureza e paisagem.
Os elementos curriculares da Geografia na BNCC são divididos em cinco
blocos temáticos comuns ao longo do Ensino Fundamental, reunindo um total de 67
habilidades, conforme mostrado na Figura 1.
Figura 1: Estrutura de Unidades temáticas e divisão de habilidades

Fonte: Brasil (2018)

O desdobramento da proposta da BNCC, demonstrado na Figura 1, aponta


para uma estrutura específica do conteúdo que orienta professores e alunos na
educação.
Relativamente aos alunos do Ensino Fundamental – anos finais (6ª ao 9º ano)
– o documento afirma que “é possível analisar os indivíduos como atores inseridos
em um mundo em constante movimento de objetos e populações e com exigência
de constante comunicação”. (BRASIL, 2018, p. 355).
Diante disso, é possível constatar que nesta fase da educação escolar os
alunos desenvolvem competências que permitem realizar o necessário diálogo e a
socialização através das diferentes linguagens geográfico-espaciais, potencializando
as compreensões e, bem como, os questionamentos relativos as manifestações
culturais, aos povos e, sobretudo, as formas de organização da sociedade.

2.4. O ENSINO DA GEOGRAFIA CULTURAL NA ESCOLA

A definição de Currículo pode apresentar múltiplas interpretações e pontos de


vista, uma vez que sua construção está intimamente ligada à temática da
escolaridade e ao universo do conhecimento. Assim, o currículo, como muitas vezes
pensamos, não é um conjunto de disciplinas, nem uma lista de coisas. O currículo é
a construção de uma cultura (MEDEIROS, 2010, p. 88).
O termo “currículo” segundo Moreira e Candau (2008) possui uma variedade
de conceitos que surgem da diversidade de formas como a educação é
compreendida historicamente, bem com, das influências teóricas que se tornam
hegemônicas ao longo do tempo, podendo ser entendido como: 1) os conteúdos
ensinados e aprendidos; 2) a experiência de aprendizagem vivenciada pelos
estudantes; 3) as estratégias pedagógicas desenvolvidas por professores, escolas e
sistemas de ensino; 4) os objetivos do processo de ensino e aprendizagem; 5) o
processo avaliativo, que, em última análise, afetará o conteúdo e os procedimentos
aplicáveis nos diferentes níveis de ensino (MOREIRA; CANDAU, 2007, p. 17).
Neste sentido, com o avanço das tecnologias de informação e comunicação,
e com a explosão das mídias sociais, ocorreu um favorecimento na perspectiva da
diversidade cultural, fato que segundo Cavalcanti (2010) potencializou as pesquisas
relativas a Geografia Cultural.

O processo de globalização tem sido apontado como uma das


principais características da contemporaneidade. Trata-se de um
processo complexo e diverso, no qual participam, mas de modo
diferente, grande parte dos países, sem que isso implique maior
justiça social e maior aproximação entre seus desempenhos sociais
e econômicos. Nesse processo, observa-se maior interdependência
entre as escalas nas quais os fenômenos e fatos espaciais ocorrem,
maior e mais intensa comunicação entre pessoas, empresas e
instituições, levando à experiência simultânea (mas não homogênea)
com esses fenômenos e fatos, ao adensamento de pessoas em
territórios urbanos globais e globalizados, a padronizações de estilos
de vida, mas também à acentuação da diversidade cultural.
(CAVALCANTI, 2010, p. 4).

Como forma de dar suporte a tais mudanças, Callai (2001) afirma que o
currículo e a formação escolar também devem acompanhar essas mudanças,
ressaltando a importância do estudo da Geografia para compreensão das questões
da atualidade.
Conforme ressalta Martins (2018, p. 19), redesenhar o conteúdo escolar não
significa abandonar disciplinas curriculares ou apenas acrescentar temas atuais a
elas, é preciso ressignificar o conteúdo. O autor argumenta que proposições
posteriores sobre o ensino da Geografia enfatizaram a necessidade de um trabalho
sistemático, crítico, criativo e abrangente nas escolas, buscando fomentar sua
interação e prática com outros saberes de extrema importância relativos ao lugar no
mundo.
De acordo como Silva (2018) o que pode ser visto nas escolas é a
permanência de um distanciamento no ensino de Geografia com relação a questões
culturais, o ensino ainda é praticado em um sentido tradicionalista tanto nos livros
didáticos, quanto na prática docente. Fato que tem feito a escola se colocar à
margem das importantes questões da Geografia cultural.
O ensino da Geografia Cultural deve fornecer aos estudantes, elementos que
possam ser instrumentalizados na leitura da realidade, conhecendo os problemas
culturais, econômicos, políticos e sociais e, bem como, incentivá-los a se construir e
transformar o espaço em que vive.
Cavalcanti (2010, p. 4) aponta

ensinar conteúdos geográficos, com a contribuição dos


conhecimentos escolares, requer um diálogo vivo, verdadeiro, no
qual todos, alunos e professores, têm legitimidade para se
manifestar, com base no debate de temas realmente relevantes e no
confronto de percepções, de vivências, de análises, buscando um
sentido real dos conteúdos estudados para os alunos.

O conteúdo da Geografia em sala de aula precisa ser formulado pelos


professores considerando as diferentes linguagens, promovendo nos alunos a
capacidade de perceber os fenômenos que ocorrem na realidade, tanto em âmbito
local, quanto global, facilitando, desta forma, o processo de ensino e aprendizagem.
Nesta perspectiva, Ascenção e Valadão (2014) defendem que

o contexto político e o teor pedagógico das novas direções indicam


abertamente a necessidade de superação da transmissão de
conteúdos fragmentados, dicotomizados e superficiais que, pouco ou
nada, contribuem para que os educandos compreendam as
organizações espaciais. O conhecimento geográfico, mais do que
nunca, passou a ser afirmado não como fim, mas como um meio
para que se favoreçam aos alunos instrumentos teóricos-conceituais
metodológicos através dos quais esses poderão interpretar
espacialidades vividas, percebidas e concebidas. (ASCENÇÃO &
VALADÃO, 2014, p. 3).

Para Moreira e Candau (2007) os conhecimentos escolares são fundamentais


para que os estudantes compreendem a realidade de vida em que estão inseridos,
além de ampliar o horizonte cultural.
Neste sentido, o ensino da Geografia Cultural se apresenta como
fundamental, pois os objetos de conhecimento são os saberes que devem ser
desenvolvidos na escola em relação ao espaço geográfico, e esse conhecimento
provêm de uma cultura que também é desenvolvido geograficamente
(CAVALCANTI, 2012).
Assim, o ensino da Geografia Cultural mostra aquilo que é de fundamental
importância para a vida em sociedade, no que se refere a espacialidade através do
desenvolvimento do pensamento geográfico.
Nesta perspectiva, Cavalcanti (2012, p. 45) afirma que:

A escola é, um lugar de encontro de culturas, de saberes, de saberes


científicos e de saberes cotidianos, ainda que o seu trabalho tenha
como referência básica os saberes científicos. A escola lida com
culturas, seja no interior da sala de aula, seja nos demais espaços
escolares, e a geografia escolar é uma das mediações pelas quais o
encontro e o confronto entre culturas acontecem. (CAVALCANTI,
2012, p. 45).

Moreira e Candau (2007, p. 45) defendem que é importante entender a escola


como um espaço onde o conhecimento e a cultura se cruzam, permitindo aos alunos
compreendes as relações e expressões culturais. Nessa compreensão, Cavalcanti
(2012) destaca a importância do ensino escolar e dos modos de pensar da escola a
partir da cultura escolar, dos sistemas de ciências e também da cultura do próprio
aluno.
Castellar e Vilhena (2011) destacam que o processo de ensino e
aprendizagem da Geografia Cultural permite que o aluno seja capaz de construir o
espaço em que vive, processo que se inicia com o reconhecimento dos lugares,
assim, o registro e análise crítica deve ser parte do ambiente didático criado pelo
professor, na tentativa de empenhar os alunos, dando-lhes uma significados e
sentidos aos espaços geográficos observados.
Porém, é necessário que a escola e os professores definam os temas e
debates no espaço escolar, que tenham como foco o cotidiano dos alunos,
colocando-os em contato com sua realidade de vida e, bem como, com diferentes
saberes e manifestações culturais.
3. CONCLUSÃO

A BNCC valoriza e enfatiza a aprendizagem dos alunos a partir de sua


participação ativa na construção do conhecimento. Entretanto, fica evidente que
ainda existe um caminho a percorrer para que o ensino da Geografia Cultural venha
a ser discutida com maior ênfase em sala de aula, bem como, que os conteúdos
curriculares selecionados e desenvolvidos pelos professores sejam referenciados
nos livros didáticos abordando aspectos culturais que, em sua maioria, são distantes
da realidade vivida pelos estudantes.
Dessa forma, a relação entre cultura e educação estão intrinsecamente
relacionados, pois estes são os elementos que fazem do indivíduo um socializador e
modificador do espaço, assim como do modo de pensar. Portanto, é importante que
a cultura faça parte do processo de ensino e aprendizagem, possibilitando que o
indivíduo seja protagonista no próprio processo educativo. A cultura é o conteúdo
essencial e substancial da educação, ou seja, a própria Cultura torna-se a fonte da
educação. Nessa perspectiva, não se pode falar de educação fora da Cultura, assim
como de Cultura sem educação.
Verificou-se que as instituições desempenham um papel na promoção de
encontros de formação com seus professores e, em colaboração com a secretaria
de educação da cidade. A aprendizagem ao longo da vida como princípio da rede
pública de ensino pode proporcionar atualização constante não só no campo
metodológico, mas também facilitar o diálogo e o debate com os professores,
buscando orientá-los para novas práticas, fundamentos teóricos neste campo que
são constantemente atualizados por pesquisadores e também chamar a atenção
sobre assuntos e processos que visam a educação geográfica e a relevância para
as questões culturais.

4. REFERÊNCIAS

ASCENÇÃO, V. O. R.; VALADÃO, R. C. Professor de Geografia: entre o estudo do


fenômeno e a interpretação da espacialidade do fenômeno. COLÓQUIO
INTERNACIONAL DE GEOCRÍTICA, XIII, 2014. Anais... Geocrítica, Barcelona, 5 a
10 mai. 2014.
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CASTELLAR, S.; VILHENA, J. Ensino de Geografia. São Paulo: Cengage Learning,


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CAVALCANTI, L. S. A Geografia e a realidade escolar contemporânea: Avanços,


Caminhos, Alternativas. SEMINÁRIO Nacional: Currículo em Movimento –
Perspectivas atuais, I, 2010. Anais... Currículo em Movimento, 2010. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/7167-3-3-geografia-
realidadeescolar-lana-souza/file. Acesso: 09 jan. 2022.

CAVALCANTI, L. S. O ensino de geografia na escola. Campinas, SP: Papirus, 2012.

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DIAS, I. S. Competências em Educação: conceito e significado pedagógico. Revista


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LARAIA, R. de B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Editor Zahar,


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