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A importância dos Espaços Verdes Urbanos

O conceito de espaço verde urbano e respectivas funções sofreram profundas alterações ao


longo do tempo, sendo actualmente aceites de forma unânime os seus múltiplos papéis de
fundamental importância para o bem-estar da população urbana.

Cláudia Fulgêncio

A necessidade de espaços verdes urbanos é uma das consequências da evolução que


as cidades têm sofrido ao longo do tempo.

Foi a partir da era industrial, com o êxodo da população rural para a cidade, que surgiu
o conceito de “espaço verde urbano”, como espaço que tinha por objectivo recriar a
presença da natureza no meio urbano. No século XIX os espaços verdes funcionavam
como locais de encontro, de estadia ou de passeio público.

Nas cidades mais industrializadas surge, posteriormente, o conceito de “pulmão


verde”, ou seja, o de espaço verde com dimensão suficiente para produzir o oxigénio
necessário à compensação das atmosferas poluídas. Foi à luz deste conceito que
surgiu o Parque de Monsanto, em Lisboa. Mais tarde, este conceito evoluiu para o de
“cintura verde” a rodear a “cidade antiga”, separando-a da “zona de expansão”.

No início do século XX surgiu a teoria do continuum naturale, baseada na necessidade


da paisagem natural penetrar na cidade de modo tentacular e contínuo, assumindo
diversas formas e funções: espaço de lazer e recreio; enquadramento de infra-
estruturas e edifícios; espaço de produção de frescos agrícolas e de integração de
linhas ou cursos de água com os seus leitos de cheia e cabeceiras. Este objectivo é
realizado quer através da criação de novos espaços, quer da recuperação dos
existentes, e da sua ligação através de “corredores verdes”, integrando caminhos de
peões e vias.

É esta a lógica que ainda hoje se mantém. Os espaços verdes urbanos, quer públicos
quer privados, assumem uma crescente importância nas políticas regionais e
municipais, procurando-se uma lógica de contínuo vivificador de todo o tecido urbano
e de ligação ao espaço rural envolvente.
Padrões recomendados para a estrutura verde urbana

Cada ser humano tem necessidade de uma quantidade média de oxigénio igual à que
pode ser fornecida por uma superfície foliar de 150 m2. Tendo por base esta
superfície, o valor global considerado desejável para a estrutura verde urbana é de 40
m2/habitante.

Esta estrutura deverá ser constituída por duas subestruturas, para as quais se
apontam as seguintes dimensões: estrutura verde principal – 30 m2/habitante e
estrutura verde secundária – 10 m2/habitante.

A estrutura verde principal engloba os espaços verdes localizados nas áreas de maior
interesse ecológico ou nas mais importantes para o funcionamento dos sistemas
naturais (vegetação, circulação hídrica e climática, património paisagístico, etc.). Com
esta estrutura pretende-se assegurar a ligação da paisagem envolvente ao centro da
cidade e o enquadramento das redes de circulação viária e pedonal, por integração
dos espaços que constituem os equipamentos colectivos verdes de maior dimensão e
de concepção mais naturalista.

A estrutura verde secundária penetra nas zonas edificadas, apresentando portanto um


carácter mais urbano, e modificando-se ao longo do seu percurso, para constituir ora
um espaço de jogo e recreio, ora uma praça arborizada, ora um separador entre
trânsito e peões.

Funções dos espaços verdes no tecido urbano

Dadas as alterações e influências negativas que a intensificação da edificação provoca


no clima urbano, uma das importantes funções da vegetação consiste no controle do
microclima, contribuindo para a sua amenização, através das suas propriedades de
termorregularização, controle da humidade, controle das radiações solares, absorção
de CO2 e aumento do teor em O2, protecção contra o vento, contra a chuva e o granizo
e protecção contra a erosão.
Os espaços verdes são também úteis na separação física do trânsito automóvel da
circulação de peões, filtram os gases tóxicos produzidos pelos automóveis, absorvem
parte do ruído provocado e reduzem o encadeamento.

Têm um papel importante na ligação dos vários espaços diferenciados entre si e na


amenização de ambientes, pelo contraste entre a suavidade do material vivo inerente
à vegetação e o carácter inerte e rígido dos pavimentos e outras superfícies
construídas.

Desempenham ainda funções culturais, de integração, de enquadramento, didácticas,


de suporte de uma rede contínua de percursos para peões, de jogo, lazer e recreio. O
interesse cultural do espaço verde urbano pode sintetizar-se na possibilidade de
incentivar as pessoas à apreensão e vivência dos objectos e dos conjuntos em que se
organizam.

As espécies vegetais, de diferentes formas, cores e texturas, constituem elementos


plásticos com os quais se pode aumentar o interesse estético dos espaços urbanos.

A observação e contemplação da vegetação pela população urbana possibilitam a


percepção da sequência do ritmo das estações, e de outros ciclos biológicos, o
conhecimento da fauna e flora espontânea e cultivada, o conhecimento dos
fenómenos e equilíbrios físicos e biológicos.

Não obstante o reconhecimento das funções essenciais associadas à presença dos


espaços verdes, a sua implementação encontra-se sujeita a múltiplas ameaças, entre
as quais se destaca a excessiva densificação da malha urbana, associada a situações
de especulação fundiária e a ausência de um planeamento adequado.

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