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ERP nas 1.

000 Maiores Empresas Brasileiras – 2009

Estamos acompanhando o mercado de ERP formado pelas 500 maiores empresas


brasileiras, consideradas nas edições anuais da Revista Exame – Maiores e Melhores,
desde 2003, e pelas 1.000 maiores, nas edições anuais da mesma revista, a partir de
2005.

Os artigos relativos a estes acompanhamentos podem ser acessados através dos links
abaixo:
http://www.lbarros.com.br/artigos/1jan2004.pdf (2003)
http://www.lbarros.com.br/artigos/erp.pdf (2004)
http://www.lbarros.com.br/artigos/erp_2005.pdf (2005)
http://www.lbarros.com.br/artigos/ERP-2006.pdf (2006)
http://www.lbarros.com.br/artigos/ERP-2007.pdf (2007)
http://www.lbarros.com.br/artigos/ERP-2008.pdf (2008)

Nos anos anteriores ocorreram fatos muito relevantes, tanto no cenário mundial, como
também no cenário brasileiro de ERP. Grandes fusões e aquisições, como a da Oracle
com a J. D. Edwards e a Peoplesoft, como a da Infor com a Baan, a SSA e a Systems
Union e como a das brasileiras Microsiga, Datasul, Logocenter e RM, formando uma
grande empresa de ERP, a Totvs, consolidaram a indústria.

Em 2009 o processo de consolidação deu uma trégua, e podemos ver a evolução do


mercado de ERP para as 500 maiores, no período entre 2003 e 2008, no gráfico abaixo:

Consideramos, no gráfico, apenas os fornecedores SAP, Oracle (com os produtos


Oracle, Peoplesoft e JDE), Totvs (com os produtos Datasul, Microsiga, Logix e RM) e
Infor (com os produtos SSA, Baan e Systems Union).

Os fornecedores que não foram considerados no gráfico, por terem menor parcela neste
mercado, foram agrupados como Outros. Alguns deles são grandes empresas de
software como, por exemplo, a Microsoft, mas não são expressivos em produtos ERP,
dentro deste mercado. Outros são importantes fornecedores de ERP, específicos para
um ramo de negócio, alguns só atendem as funções financeiras e muitos são
fornecedores, de menor porte, mas que conseguiram fornecer soluções para empresas
classificadas na elite das empresas brasileiras.

Consideramos também, soluções, que alguns chamam de “caseira”, e que preferimos a


denominação “próprio”, pois entendemos que foram produtos de desenvolvimento da
própria empresa usuária ou por ela contratados, de forma específica.

Em algumas das empresas, da relação das 500 maiores, não conseguimos identificar o
ERP adotado; a estas empresas classificamos como “não identificado”.

Para deixar o gráfico mais claro, acrescentamos abaixo uma tabela, com os valores que
o fundamentam.

Vemos, pelos dados apresentados no gráfico e na tabela, que a concentração do mercado


cresceu ligeiramente, continuando significativamente alta em 2008, com os três maiores
“players” totalizando mais de 80 % do mercado.

Como 2008 foi um ano de inflexão no crescimento econômico brasileiro, as mudanças


em um mercado, já consolidado, foram muito pequenas. A SAP praticamente não
perdeu clientes na lista, mas alcançou pouquíssimos clientes novos, o que a levou a um
crescimento ínfimo de 1 cliente. A Oracle teve uma perda líquida de três clientes, que
deixaram de pertencer as 500 maiores e a Totvs apresentou um crescimento de nove
empresas, muito significativo neste ano de poucas mudanças.

Mesmo em um ano com pouca movimentação, a Infor continua perdendo espaço na elite
das empresas brasileiras. Com uma redução de 25 % de sua base, a Infor se distancia
cada vez mais dos três grandes “players” do mercado.

Seguindo a tendência prevista, as empresas que adotam software desenvolvido


internamente continuam perdendo espaço, embora lentamente.

Felizmente, as empresas com ERP Não Identificado continuam sendo reduzidas no


período, o que vêm mostrando que nosso levantamento ganha qualidade a cada ano.
Neste levantamento, reduzimos uma empresa na categoria de “não identificado”.
Finalmente, os fornecedores menores, agrupados no que chamamos “Outros”, tiveram
estabilidade, mantendo a mesma parcela de mercado do levantamento anterior. Embora
a expectativa seja que este grupo deva diminuir, vemos que, em todo período de análise,
isto não vem ocorrendo, o que nos leva a perguntar qual a razão para tal.

Maiores 501-1000

Já o mercado formado pelas 500 empresas seguintes, por ser menos maduro, permite
maiores mudanças na participação dos fornecedores, como vemos no gráfico e na tabela
abaixo:

A maior variação neste mercado, em relação ao mercado das maiores, ocorre por vários
motivos. A mudança entre as empresas participantes deste grupo é muito mais intensa
do que no primeiro, a mudança de ERP nestas empresas também é maior e o número de
empresas que tinham ERP não identificado era muito grande no início, em 2005, e vem
reduzindo, rapidamente, a cada ano.

A soma destes mercados forma o mercado das 1.000 maiores, que pode ser mostrado na
tabela abaixo:
Veremos, então, para cada fornecedor destacado nos quadros acima, a evolução de seu
mercado no período 2003 a 2009.

SAP

A SAP lidera, com folga, no segmento das 500 maiores, e, após a fusão da Datasul com
a Totvs, perde para esta no mercado das 500 seguintes. A empresa é líder também no
mercado formado pela soma dos dois, sendo que, na faixa superior, sua liderança é
indiscutível, tendo superado 50 % de participação em número de empresas. Na faixa
inferior apresenta menos da metade da participação computada no mercado superior.

No mercado das 500 maiores, a menos do ano de 2006, a SAP tem crescido
continuamente e deve, no mínimo, manter sua parcela de mercado nos próximos anos.
Em 2009 este crescimento foi mínimo, mas, ainda assim, a tendência de crescimento se
manteve.

Já no mercado inferior, a SAP continua tendo crescimento, em alguns casos pela


migração de Erps de outros fornecedores ou de soluções próprias. O crescimento em
2009 foi apenas pouco inferior ao revelado em 2008, que foi um crescimento muito
expressivo.

Como ainda há, especialmente no mercado das menores entre as 1.000 maiores, uma
grande quantidade de empresas com produtos de Outros Fornecedores ou de
desenvolvimento próprio ou de fornecedores não identificados, entendemos que
continua existindo espaço para a SAP crescer, independente da conquista de empresas
que hoje usam produtos de seus principais concorrentes.

Oracle

A Oracle é a segunda colocada no mercado das maiores, bem distante da líder SAP, mas
também muito acima da 3ª colocada, a Totvs, mesmo após a aquisição da Datasul.

A soma das bases instaladas da Oracle com as adquiridas Peoplesoft e J. D. Edwards


permitiu que a Oracle ocupasse uma parcela grande do mercado superior, com 80
empresas entre as 500 maiores. É uma parcela inferior a um terço da ocupada pela SAP
e pouco menor do que a do dobro da ocupada pela terceira colocada, a Totvs.
No entanto, passado o período das fusões, o mercado da Oracle vem perdendo tamanho,
lentamente, de 84 empresas, em 2004, para as 80 empresas de hoje. Acreditamos que o
patamar alcançado se mantenha pouco alterado, pois se não vemos novas grandes
empresas buscando o ERP Oracle, também não vemos forte movimento no sentido
contrário.

A maior fragilidade da Oracle é sua menor competitividade no mercado das empresas


entre 501ª e milésima, onde é apenas a terceira colocada bem atrás da SAP e da Totvs.

O risco que a Oracle parece correr é o de não ser a maior entre as marcas internacionais
e, portanto, perder mercado das grandes empresas para a líder SAP e não ser uma
empresa local e menor, o que pode torná-la menos atraente para as empresas brasileiras
menores.

Isto talvez explique a queda de sua posição, tanto no mercado das maiores, como
também no mercado das menores entre as maiores.

Totvs

Com a aquisição da Datasul, a Totvs é a única empresa brasileira com a parcela de


mercado de ERP expressiva entre as grandes empresas brasileiras.

No mercado das 500 maiores, a Totvs enfrenta, com dificuldades, a líder SAP e a vice-
líder Oracle, ambas as empresas internacionais e com produtos de grande reputação. É
muito difícil para a Totvs ocupar este mercado, não sendo rara a ocorrência de migração
de um de seus clientes para a SAP e, em muito menor freqüência, para a Oracle.

No segmento das 500 maiores a Totvs vinha perdendo espaço, embora muito lentamente,
caindo de 58 empresas, em 2003, para 55 empresas em 2008. Em 2009, no entanto, a
Totvs cresceu significativamente, superando, inclusive, a sua marca de 2003 e
alcançando um total de 64 clientes, entre os maiores.

Com isso, a empresa é a líder indiscutível, entre as nacionais, neste mercado, que, no
entanto, se mostra pouco receptivo para soluções locais.

Quando analisamos o mercado abaixo, de 501 a 1000, a Totvs, com a aquisição da


Datasul, atingiu a liderança, com uma parcela de mercado muito expressiva e, mais
importante que isso, tem crescido continuamente nestes últimos três anos.

Neste mercado a migração tem funcionado ao contrário; ao invés das empresas


migrarem da Totvs para produtos internacionais, ocorre a migração de empresas com
produtos de fornecedores menores para a Totvs. E como os fornecedores menores ainda
têm grande parcela neste mercado, as perspectivas da Totvs podem ser vistas como
favoráveis.

A perspectiva da Totvs, vendo a série histórica, poderia ser considerada como de


estabilidade no segmento superior, compensada pelo ganho de mercado no segmento
imediatamente abaixo.
No ano passado lançamos a pergunta: Como reagirá o mercado após a aquisição da
Datasul? Entenderá que houve um fortalecimento da empresa resultante ou a
descaracterização da Datasul, que possuía a maior parcela de mercado?

Pela resposta isolada de 2009, a resposta parece ter sido claramente favorável à Totvs.

Infor

A Infor reúne os Erps das antigas empresas, Baan, SSA e Systems Union, que,
especialmente as duas primeiras, tiveram expressiva parcela de mercado no Brasil na
década passada.

Com o acirramento da disputa de mercado, quando a faixa superior deste já se mostrava


consolidado, as aquisições começaram e estes três fornecedores foram adquiridos pela
Infor, que se tornou um “player” visível no mercado mundial.

A empresa resultante, no entanto, perdeu muito se comparada às participações isoladas


que a SSA e a Baan, adquiridas, tinham no mercado brasileiro, especialmente no
mercado das maiores.

Em 2003 as empresas que hoje compõem a Infor tinham, juntas, 38 clientes e em 2009
esta participação caiu para apenas 12. A expectativa é que esta queda continue, uma vez
que a migração, neste segmento, se orienta no sentido da SAP.

Já no mercado inferior, a Infor também teve uma forte queda de 2005 para 2008.

No mercado das 1.000 maiores empresas a Infor cai de 61 empresas para 30, no período
de 2005 para 2009.

Nossa expectativa é de que esta participação continue em queda, acompanhando,


inclusive, a perda de mercado que este fornecedor vem apresentando internacionalmente.

Outros

Os outros fornecedores de ERP englobam várias empresas, de características muito


diferenciadas e que tem, em comum, o fato de possuírem, individualmente, pequena
participação neste mercado.

Dentre os fornecedores, classificados como “Outros”, temos a gigante Microsoft, as


multinacionais IFS, QAD e GEAP, as especializadas em indústrias específicas MV e
Track Health (Saúde), Gemco (Varejo), Mincom (Mineração), Datacorp (Cooperativas
agrícolas), as nacionais Interquadram, Procenge, Senior, Riosoft, entre outras.

O mercado representado pelos “Outros” é o mais visado pelos maiores fornecedores,


mas mostra um pequeno ganho de participação no período, o que, aparentemente, seria
incoerente. Este ganho, no entanto, é explicado pela correspondente queda de
participação do ERP Não Identificado, pois, freqüentemente, ao descobrirmos o ERP de
uma empresa, até então não identificado, este software provem de um fornecedor menos
conhecido, que em nosso levantamento agrupamos em “Outros”.

No mercado superior a participação dos ERP de Outros fornecedores cresceu de 34, em


2003, para, 48 em 2009. Esta participação já vem caindo, uma vez que empresas com
ERP não Identificado estão tendendo a desaparecer no levantamento.

No mercado inferior está participação é ainda maior, como era esperado, mas já está se
estabilizando. Em 2005 era de 93 empresas, subiu nos anos seguintes e logo reverteu
esta tendência, sendo que em 2009 conta com 92 empresas, bem inferior à parcela de 98
obtida em 2007. Por isso, acreditamos que esta participação tenda a cair, mas com
menor intensidade que na faixa superior.

No total das 1.000 maiores, “Outros” partiu de 140 empresas, em 2005, atingiu até 159
empresas em 2007 e retornou a 140, em 2009, participação inferior apenas as da SAP e
da Totvs, superior, portanto, a da Oracle.

Somadas ao ERP Não Identificado, a participação no mercado das 1.000 maiores, em


2005, era de 282 empresas, caindo para 172 em 2009, mostrando que o crescimento de
Outros foi mais fortemente provocado pela melhor qualidade do levantamento, do que
pelo crescimento de mercado dos pequenos fornecedores.

Ainda assim, a parcela de mercado dos fornecedores menores é muito grande e deve
provocar a cobiça dos fornecedores maiores.

Nossa expectativa é de que esta parcela, que já começou a encolher, mantenha esta
tendência de redução de mercado.

Desenvolvimento Próprio

As empresas com ERP desenvolvidos internamente deveriam estar em queda, uma vez
que, no passado, esta era a realidade predominante e que vem sendo substituída pelos
Erps.

Isto, no entanto, não é muito nítido em nosso levantamento, e a parcela de solução


própria tem ficado por volta de 30 empresas, dentro das 500 maiores. Verificando as 25
empresas que, em 2009, ainda tinham soluções proprietárias, encontramos oito estatais,
sete ligadas ao agro-negócio, cinco comerciais, sendo três de atuação regional, e apenas
cinco de outros setores, o que mostra que as soluções específicas se concentram em três
setores.

No mercado das menores entre as mil maiores, também há uma estabilidade de parcela
de mercado com solução própria, com 41 empresas. Neste mercado, encontramos treze
estatais, nove ligadas ao agro-negócio, seis empresas comerciais, de atuação regional e
treze empresas de outros setores.

Acreditamos que, nos próximos levantamentos, o mercado para softwares de


desenvolvimento próprio deverá continuar a cair, mas lentamente, pois as empresas dos
três setores que destacamos se mostram resistentes a adotar soluções de mercado.
Concentração do Setor

Se considerarmos apenas a 500 maiores, vemos no gráfico abaixo, que o mercado está
gradativamente se concentrando:

No mercado superior, a parcela alcançada pelas três maiores, se aproxima de 82 %.


Podemos esperar um crescimento médio, desta parcela, da ordem de 2 % ao ano,
possivelmente para os próximos três anos.

Para as 500 colocadas entre 501 e 1.000, a concentração das três maiores é bem menor,
sendo da ordem de 65 %.
O crescimento da parcela das três maiores, no entanto, têm sido maior, da ordem de 4 %
e deve continuar assim, possivelmente também para os próximos três anos.

Para as 1000 maiores, a concentração é intermediária entre a das suas duas metades e
atinge 73 %.

O crescimento também deve continuar próximo a 3 %, possivelmente também para os


próximos três anos.