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Decantador 1

4 – SEDIMENTAÇÃO - DECANTADORES

O processo de decantação é uma das etapas de clarificação, devendo ser aplicado conforme
as características de cada efluente e do processo de tratamento.
No caso dos processos que gerem lodos orgânicos deve-se evitar a permanência exagerada
desses no fundo dos decantadores para reduzir a sua anaerobiose e a conseqüente formação de gases
que causam a flutuação de aglomerados de lodos. Isto pode ocorrer por simples anaerobiose com a
formação de metano e gás carbônico e pela desnitrificação com a redução dos íons nitratos a gás
nitrogênio. Pode ocorrer também a formação de gás sulfídrico pela redução do íon sulfato.
A decantação é um processo físico, logo se deve evitar nos decantadores as condições para
ocorrência da atividade microbiana. Nos casos de lodos originados nos processos químicos ou com
efluentes originados em processos industriais inorgânicos pode-se admitir um tempo de retenção
maior dos lodos no fundo dos decantadores. Os decantadores apresentam diversas formas
construtivas e de remoção de lodo, com ou sem mecanização. Os decantadores podem ser circulares
(Figura 1) ou retangulares, com limpeza de fundo por pressão hidrostática ou com remoção de lodo
mecanizada por raspagem ou sucção. No caso da presença de escumas (materiais flutuantes), é
necessário um removedor de escuma. Como qualquer outra unidade de tratamento os tanques de
decantação são projetados para um equipamento específico ou sistema de limpeza, não sendo viáveis
alterações posteriores ao projeto.

Figura 1. Modelo de decantador primário

No processo de lodos ativados, a separação sólido-líquido, por sedimentação, ocorre nas


seguintes fases do processo:
a) Caixa de areia: nessa fase é removida a matéria sólida de natureza inorgânica (em geral,
partículas de areia carreadas pelas águas pluviais).

b) Sedimentador ou decantador primário: essa unidade de separação sólido-liquido


precede a unidade de aeração (reator biológico) e nela são removidas as partículas de natureza
orgânica de pequenas dimensões. Os sólidos retidos neste decantador, que são continuamente
retirados pelo fundo, podem ser descartados da mesma forma que os demais sólidos orgânicos mas,
em geral, são diretamente conduzidos ao reator anaeróbio, onde são decompostos por via biológica
anaeróbia.

c) Sedimentador ou decantador secundário: essa unidade vem após o tratamento


secundário e remove a massa de microrganismos (lodo ativado) que se desenvolveu. Parte desses
sólidos é retornado para a unidade de tratamento secundário e o excesso é conduzido ao reator
anaeróbio para digestão.
Decantador 2

As formas de sedimentação: dependem, essencialmente, da natureza das partículas sólidas


presentes na suspensão e pode ser designada por:

1 - Sedimentação discreta: as partículas sólidas em processo de sedimentação mantêm-se


isoladas das demais, ou seja, não ocorre aglomeração entre elas e desse modo cada partícula mantém
inalteradas as suas características físicas (forma, tamanho, densidade). Por exemplo, sedimentação
das partículas de areia na caixa de areia.
2 - Sedimentação floculenta: ocorre aglomeração das partículas acarretando alterações
consideráveis de suas características físicas e, conseqüentemente, das suas características de
sedimentabilidade. Por exemplo, sedimentação das partículas de natureza orgânica que ocorre no
decantador primário do processo de lodo ativado.
3 - Sedimentação zonal ou em massa: a sedimentação se dá na forma de um bloco. Aparece
quase que instantaneamente uma interface límpida sólido-líquido que vai baixando na bacia de
sedimentação como um todo. Por exemplo, sedimentação do lodo ativado no decantador secundário
e a sedimentação de flocos de hidróxido de alumínio resultantes do processo de coagulação-
floculação (tratamento físico-químico) de despejos oleosos (emulsões).

Os principais defeitos construtivos ou operacionais dos decantadores podem ser verificados


na Tabela 1 a seguir:

Tabela 1. Defeitos construtivos ou de instalação dos decantadores


Defeitos Conseqüências
Desnivelamento, baixa inclinação da zona de Desenvolvimento de atividade microbiana com a
lodo ou zonas mortas. conseqüente formação de gases e arraste do lodo
para a superfície e perda de lodo.
Removedores do lodo com velocidades Ressuspensão de lodo com a possibilidade de
periféricas superiores a 18 raio/t (m/min). arraste.
Taxas de aplicação de carga hidráulica muito Arraste de lodo não sedimentado.
altas > 1m3 m-2 h-1.
Taxa de aplicação de carga hidráulica baixa.< 0,5 Desenvolvimento de atividade microbiana com a
m3 m2-h-1 (para lodos orgânicos). formação de gases e arraste do lodo para a
superfície; perda de lodo.
Ausência de placa defletora ou cilindro defletor Arraste de lodo.
central na entrada dos decantadores.

a) Sedimentação discreta – Desarenadores


Pela sedimentação é possível separar todos os sólidos suspensos cuja densidade seja maior do
que a densidade da água circundante. O tamanho crítico, das partículas sedimentáveis, encontram-se
em torno de 0,5 µm, sendo partículas menores são mantidas em suspensão (Kunz, 1990). Considera-
se que as partículas se depositaram quando elas, durante a circulação através da estrutura do
decantador, alcançam o fundo e não são mais atingidas pela sucção na saída. Disso resulta que o
tempo de sedimentação t s precisa ser menor do que o tempo de circulação t c.
Considerando que uma partícula individual Fe
mantém seu tamanho, forma e densidade durante a Fa
sedimentação, em um líquido em repouso, esta partícula
sedimenta com força resultada (em equilíbrio) em
relação à força de empuxo (Fe) e de atrito (Fa) que são
contrárias à aceleração da gravidade (Fg) (Figura 2),
sedimentando com uma velocidade constante (Lei de Fg
Newton e estudos de Stokes). Figura 2. Forças que atuam na partícula.
Decantador 3

Tanque de sedimentação ideal


Um tanque de sedimentação retangular pode ser dividido em quatro zonas:

 Zona de Zona de sedimentação  Zona de


entrada Zona de lodo saída

De acordo com o esquema acima, as seguintes hipóteses são formuladas: o escoamento é


uniforme; a concentração de partículas em suspensão (de mesmo tamanho) é uniforme ao longo das
seções em ângulo reto de escoamento; uma partícula na zona de lodo não sai mais dela; todas as
partículas mantêm sua dimensão e forma, assim (Figura 3):
x A vh A'
v
h
x vh
h1 v1
x x A A'
x x
L
Figura 3. Trajetória das partículas individuais no tanque ideal retangular.

Considerando a menor partícula com diâmetro D que é adicionada na parte superior do


tanque, que apresenta uma altura h. Sua trajetória é dada por AA’, com um tempo de retenção t:
L = t . vh vh = velocidade horizontal de escoamento
h=t.v v = velocidade de sedimentação
a) Partículas de igual diâmetro D e densidade: seguem a trajetória AA’, atingem o fundo no
tempo menor que t, antes de alcançar L (100% removidas).
b) D’ > D  100% de remoção, sedimentação superior a v.
c) Partículas de diâmetro D’ < D:
L = t . vh
h1 = t . v1
As partículas que estiverem acima da profundidade h1 passam pelo tanque no efluente, com
uma remoção dada por h1/h = v1/v

A velocidade de sedimentação pode ser obtida através de um cone de Imhoff (v = h/t)

Taxa ou vazão de escoamento superficial (TSE)


A velocidade de sedimentação v é fisicamente igual a vazão que flui sobre a área superficial
A de sedimentação. Considerando o volume do tanque (V) e a vazão (Q), temos Q = V/t:
Q.h Q.h Q
v= h = = =
t V A.h A
Considerando a lei de Stokes (v = kD2, sendo k = [g(s – l)/18]), que a sedimentação é
função do diâmetro das partículas, da viscosidade do líquido e das massas específicas das partículas
e do líquido, temos:
D2 = k Q
A indicando que a menor partícula a ser removida é uma função da vazão
superficial ou velocidade de sedimentação (da área superficial, da vazão). O mesmo se aplica para
decantadores circulares (Figura 4).
Decantador 4

Figura 4. Trajetórias das partículas individuais no tanque ideal circular.

Existem valores máximos da taxa vazão (ABNT) para decantação primária e decantação
secundária. A Figura 5 mostra os gráficos adotados na antiga norma (ABNT – PNB 570) que
relacionam a remoção da matéria em suspensão e da DBO em relação à taxa de vazão superficial.
80 100

Taxa de escoamento superficial (m m dia )


-1
Remoção de matéria em suspensão (%)

70 -2
3

60

50

40

30

20

10
10 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
3 -2 -1 Remoção de DBO (%)
Taxa de escoamento superficial (m m dia )
Figura 5. Remoção da matéria em suspensão e da DBO em função da taxa de escoamento
superficial.

b) Sedimentação floculenta
As partículas floculam durante a sedimentação, originando aglomerados de diferentes
tamanhos, formas e pesos (Figura 6).

Figura 6. Trajetória na sedimentação floculenta.

Determinação da sedimentação em escala piloto


Para avaliar a sedimentação floculenta deve-se realizar testes numa coluna cilíndrica com 
 150 mm e h  ao do decantador. Em determinados intervalos de altura (ex. 0,60 m) coloca-se
registros para a coleta da amostra e determina-se a percentagem de SS em função do tempo (Figura
7).
Decantador 5

Exemplo: Considere o esgoto de uma  150 mm


suspensão floculenta com concentração de
sólidos suspensões de 350 mg L-1, cujas as
características de sedimentação deseja-se
determinar. O seguinte procedimento é
aplicado:
1 – enche a coluna de sedimentação
com a amostra; Coleta de h1
amostras
2 – em determinados intervalos de
tempo é retirada uma amostra, de cada 1 060 m
profundidade, e determina-se o SS; altura
3 – determina a % de SS em cada aproximada
profundidade; h2 do decantador
% = (conc. incial – conc. presente)/conc. inicial

4 – monta-se uma tabela com os dados


2 0,60 m
(Tabela 2);
5 – entre os pontos mencionados (1, 2 e
3, ...), interpolam-se curvas de percentagem
constante (25%, 35%, até 90%) representado na
Figura 8;
h3
6 – para a profundidade h da zona de
sedimentação (ex. 1,80 m) se verifica, para cada 3 0,60 m
curva de % de remoção de SS, a velocidade de
sedimentação (v), v = h/t, construindo assim a
Tabela 3;
7 – assim, para a profundidade fixada,
sólidos com a velocidade de sedimentação v
igual ou maior que 1,89 m h-1 são 70% 0,60 m
removidos;
Partículas com v < 1,89 m h-1 serão
removidas na razão v/v1 = h1/h. Na Figura 8,
para o tempo 57 min (corresponde à remoção
de 70% na profundidade h3 = 1,80 m), observa-
se ainda:
_ 70% são removidos a 1,80 m e 85%
a 0,72 m; Figura 7. Coluna para o ensaio de sedimentação.
_ a profundidade média que as partículas sedimentam, na faixa de 70-85% é 1,26 m.
Assim, a remoção de partículas com v1 < v é nesta faixa;
(1,26/1,80)x(85-10) = 10,5%
_ na faixa de 85-90%, 85% sedimentam a 0,72m, e 90% a 0,58 m; assim, sendo 0,60 m a
profundidade média em que são removidas. A remoção de partículas com v1 < v é:
(0,65/1,80)(90-85) = 1,8%
Para este tempo de 57 minutos e velocidade de sedimentação corresponde, a remoção total
será a soma dos valores assim calculados: 70 + 10,5 + 1,7 = 82,2%
Este trabalho é realizado, sucessivamente, para todos os tempos, até se preencher a Tabela 4.

8 – A Figura 9 é obtida através dos valores da velocidade de sedimentação relacionados à


percentagem total de SS removida. Através desta figura, poderá selecionar a taxa de vazão
superficial empregada e relacionar a remoção de SS com o tempo de detenção.
Decantador 6

Tabela 2. SS presente e % de SS removido na coluna de ensaio (SS inicial = 350 mg L -1)


Profundidade h1 = 0,60 m h2 = 1,20 m h3 = 1,80 m
SS  Presente Removido Presente Removido Presente Removido
-1 -1 -1
Tempo (min)  (mg L ) (%) (mg L ) (%) (mg L ) (%)
0 350 0 350 03 350 03
10 255 27 266 24 273 22
20 220 37 241 31 245 30
30 143 59 192 45 217 38
40 122 65 164 53 168 52
50 70 80 105 70 136 61
60 38 89 77 78 91 74
70 28 92 49 86 66 81
80 - - 31 91 42 88

Tabela 3. % de remoção das partículas que sedimentam com velocidade v = h3/t.


Curva de % de remoção Tempo de sedimentação Velocidade de sedimentação
de SS t para h3 = 1,80 m V = h/t = (1,80/t)x60 (m h-1)
25 12 9,00
35 25 4,32
50 38 2,84
60 49 2,20
70 57 1,89

Figura 8. Curva característica da remoção de SS.


Decantador 7

Tabela 4. Remoção de todas as no cilindro de ensaio


t (min) Veloc. de Taxa sup. % remida % remoção com veloc. < v , entre as curvas
sedimen. de sedim. com v  v1 25-35 35-50 50-60 60-70 70-85 85- % total
v (m h-1) (m3 m-2 d-1) 90 removida
57 1,89 45,4 70 - - - - 10,5 1,7 82,1
49 2,20 52,8 60 - - - 8,6 7,5 1,1 77,2
38 2,84 68,2 50 - - 7,8 3,8 3,7 0,5 65,8
25 4,32 103,7 35 - 10,0 2,7 1,7 1,2 0,2 50,6
12 9,00 216,0 25 6,1 2,2 0,5 0,2 0,1 0,0 34,1

Tempo de detenção

Figura 9. Curva de remoção de SS x taxa de vazão superficial

Exemplo: Deseja determinar as dimensões de um decantador destinado a reduzir o teor de SS a 150


mg L-1, de um esgoto cujas características são referidas no caso anterior (SS inicial de 350 mg L -1),
sendo a vazão de projeto de 21600 m3 d-1.

1) Redução desejada de SS = (350 – 150)/350 = 57,14


2) na curva da da Figura 9, temos, para redução de 57,14%:
_ taxa de escoamento superficial = 83 m3 m-2 d-1
_ tempo de detenção = 32 min;
Usualmente tomar-se um coeficiente de segurança de 1,5 (50%), uma vez que as condições
de escoamento não são ideais, e a nova taxa será de 83/1,5 = 55,3 m3 m-2 d-1.
_ área superficial do decantador = Q/Taxa = 21600/55,3 = 390,6 m2
_ diâmetro do decantador, considerando circular (A = r2)
d = 2r = 22 m;
_ volume útil do decantador V = Q.t = [(21600.32)/(60*24)]*1,5 = 720 m3
_ altura útil do decantador = V/A = 720/390,6 = 1,84 m

Partículas floculentas são aquelas, que podem variar sua velocidade de sedimentação, devido
à modificação de sua forma, dimensão e densidade, durante o processo de sedimentação. A
abrangência do fenômeno é a floculação, que depende da possibilidade de choques entre as
partículas. Esses efeitos podem ser quantificados, através de testes de sedimentação, não sendo
possível equacioná-los, em função das características das partículas e do fluido; ao contrário do que
ocorre com as partículas discretas.
Decantador 8

4.1 – DECANTADORES PRIMÁRIOS


Operação unitária concebida com o objetivo principal de garantir a remoção de parte dos
sólidos em suspensão totais passíveis de serem removidas da fase líquida por ação da gravidade.
Os decantadores são unidades dimensionadas, para que o líquido tenha uma baixa velocidade,
possibilitando assim, a sedimentação de algumas partículas.
Finalidade dos decantadores primários  remover sólidos sedimentáveis, dos efluentes que
passaram pelos processos de tratamento preliminar (grade e desarenadores) de tal forma a permitir
que os esgotos estejam em condições de serem lançados nos corpos receptores ou de serem
submetidos a tratamentos secundários.
Remoção da ordem de 40 a 60% nos SS e de 30 a 40% na DBO. Valores inferiores a esta
faixa indica má operação. Nos decantadores primários é comum existir dispositivos para remover
gordura e escuma que não foram removidos nos tratamentos preliminares.

4.1.1 - Características
a) De acordo com a forma:
Os tanques de sedimentação, quanto à sua estrutura construtiva, são diferenciados entre:
_ tanques retangulares planos com fluxo horizontal paralelo;
_ tanques circulares planos com fluxo horizontal radial;
_ tanques em forma de funil com fluxo radial ascendente.

b) De acordo com o fundo:


_ fundo pouco inclinado;
_ fundo inclinado;
_ fundo com poços de lodo.
Tanques planos devem ser providos de uma instalação de remoção do lodo enquanto que nos
tanques em forma de funil, o lodo depositado, em função da gravidade, vai acumulando-se na ponta
do funil.

c) Sistema de remoção do lodo:


_ mecanizado;
_ manual.

d) Sentido de fluxo:
_ horizontal;
_ vertical.
Os dispositivos de entrada de um decantador são os vertedores simples, cortinas perfuradas,
canalizações múltiplas, canalização central. Os principais dispositivos de saída são os vertedores
(triangular), calhas e canelatas.

4.1.2 – Eficiência
A eficiência dos decantadores está relacionada com a capacidade do tanque em permitir que
os sólidos contidos nos efluentes sejam convenientemente decantados sem que haja perturbação ou
arraste destes sólidos antes de sua remoção ou transferência.
A decantação por processos químicos depende, dentre outros fatores, das propriedades
químicas dos reagentes, do tempo de reação, pH, das características dos produtos formados.
As condições de decantação: dependem da velocidade de sedimentação, ou seja, à taxa de
escoamento superficial. Pode-se relacionar, também ao tempo de detenção no decantador. Para
esgotos, normalmente o tempo de detenção é de duas horas (2 h), sedimentando praticamente todos
os SS. Tempos de detenção elevados podem apresentar anaerobiose e gerar maus odores e gases.
O tempo de detenção hidráulica (TDH) representa o tempo médio de permanência das
moléculas de água em uma unidade de tratamento, alimentado continuamente.
Decantador 9

Taxa de escoamento superficial (TES) Tempo de detenção hidráulica (TDH)

Q.h Q.h Q Q Q
v= h = = =
t V A.h A
V
V TDH =
Q

A proporção de moléculas de água que permanecem na unidade por tempo t, maior ou menor
que TDH teórico, indicam a existência de curto circuito e zona morta.

4.1.3 – Dimensionamento (NB – 570)


Os principais modelos de decantadores estão representados pelas Figuras 10 a 15.
A configuração dos tanques deve preencher as seguintes condições:
_ a água que entra no tanque deve se acalmar rapidamente e deve-se suprimir a
energia cinética na zona de alimentação (zona de perturbação), o comprimento da zona de
perturbação compreende mais ou menos à profundidade do tanque;
_ calma na parte principal, a zona de sedimentação do tanque, para que seja realizado
o processo de deposição;
_ o mínimo possível de perturbação na zona de escoamento;
_ fluxos especialmente estáveis e calmos na zona onde se acumula o lodo na base,
para evitar que o lodo depositado seja dispersado novamente;
_ o mínimo possível de perturbação por ocasião da remoção do lodo depositado bem
como de sua condução para o compartimento de coleta;
_ retenção do lodo flutuante.

No dimensionamento do decantador, as seguintes considerações devem ser adotadas:


_ material que se deseja decantar (granular ou flocos);
_ forma do tanque (circular o retangular);
_ tipo de remoção de lodo (mecanizada ou manual);
_ variação da vazão;
_ balanço de massa (SS total e SS removido);
_ dispositivo de entrada (distribuição do afluente);
_ dispositivo de saída (vertedor);
_ taxa de escoamento superficial (TES);
_ volume e tempo de retenção;
_ as calhas e os poços de acumulação de escumas;
_ dimensões (altura, área superficial, diâmetro ou comprimento e largura).

a) Decantadores circulares
São usados nos tratamentos primários e secundários, com alimentação, normalmente, pelo
centro e ascendente. As principais vantagens e desvantagens constam na Tabela 5.

Tabela 5. Principais vantagens e desvantagens de um decantador circular.


Vantagens Desvantagens
_ de menor tempo de detenção para o lodo _ maior propensão a curto circuito;
decantado; _ distribuição desuniforme de cargas de lodo
_ sistema de coleta mais simples; no mecanismo coletor;
_ manutenção facilitada. _ maior probabilidade de arraste de lodo
com o efluente.
Decantador 10

Dimensões típicas: diâmetro de 3,0 até 60 m (não são recomendados grandes diâmetros);
profundidade lateral de 2,5 a 4,0 m (usual 3,0 a 3,5 m); inclinação de fundo 1:12.

a) Decantadores retangulares
Recomendados quando há limitação na área disponível para implantação da ETAR.
As principais vantagens e desvantagens constam na Tabela 6.

Tabela 6. Principais vantagens e desvantagens de um decantador retangular.


Vantagens Desvantagens
_ menor área ocupada e de custos na _ maior tempo de detenção para o lodo
construção; decantado;
_ no escoamento tipo “fluxo pistão”, menor _ menor eficiência nos casos de carga de
possibilidade de curtos-circuitos; sólidos muito elevada.
_ menor facilidade de arrasto de lodo;
_ melhor efeito e adensamento do lodo no
próprio decantador.

Dimensões típicas: relação comprimento/profundidade, menor ou igual a 25; profundidade


lateral de 3,0 a 3,5 (esgoto primário); comprimento/largura de 3 a 10; inclinação de fundo 1:12
(limpeza mecanizada); largura de 3 a 27 m e comprimento de 10 a 100 m.
tanque de sedimentação
água depurada
zona de alimentação zona de escoamento

água bruta

zona de lodo

compartimento de coleta do lodo


descarga

Figura 10. Representação esquemática de um


tanque de sedimentação
Figura 11. Tanque circular com fluxo radial
ascendente e fundo cônico

1.removedor de lodo 2.compartimento de coleta do lodo 3.calha de escoamento 4.alimentação

Figura 12. Tanque circular com fluxo radial horizontal com remoção de lodo
Decantador 11

água bruta câmara raspadeira placas água clarificada


de entrada de lodo de clarificação
entrada saída

funil de lodo

Figura 13. Tanque de sedimentação com clarificador de placas inclinadas

4.1.4 – Remoção de escuma e lodo


a) Remoção de escuma: a raspagem de escuma (gordura) é realizada continuamente e
encaminhada para digestores.
b) Coleta e remoção do lodo: os decantadores do tipo Dortmund são mais adotados como
decantadores secundários. Os raspadores mecanizados arrastam o lodo para o poço de acumulação.

4.1.5 – Perturbações na operação


Os efeitos que causam as principais perturbações observadas no sistema de decantação
primária e sua prevenção são:
a) Lodo flutuando
_ proveniente da decomposição do lodo no tanque;
_ remover o lodo com maior freqüência.
b) Material preto e com odor desagradável:
_ esgoto séptico;
_ desconectar as fossas sépticas; excluir os despejos industriais orgânicos.
c) acidentes freqüentes com os raspadores:
_ carga excessiva para o dispositivo de raspagem;
_ remoção de lodo com maior freqüências.

4.1.6 – Avaliação do sistema


a) Determinação de sólidos
_ sólidos decantáveis (remoção > 70-80%) e sólidos em suspensão (40-60%);
_ sólidos totais e voláteis do lodo: indica a quantidade e qualidade de lodo a ser tratado,
b) DBO (remoção de 30-40%) e DQO; pH, gordura.

Exercício: Considere uma cidade que apresenta uma população de 100.000 habitantes e a produção
per capita de SST é de 60g/hab.dia. Considerando a eficiência de remoção de 55% no decantador
primário. Sabendo-se que o teor de sólido no efluente equivale a 1,5%, e a massa específica do lodo
é de 1,020 kg m-3, a taxa de escoamento superficial é de 48 m3 m-2 d-1 e tempo de detenção
hidráulica de 70 min, determine:
a) a vazão do efluente;
b) a área superficial do decantador;
c) o diâmetro de um decantador circular;
d) a altura útil do decantador.