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MEMÓRIA E INVENÇÃO

PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL PARA


LIMOEIRO DE ANADIA-AL

ISABEL FRANÇA DE SOUZA


UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CAMPUS ARAPIRACA
ARQUITETURA E URBANISMO

ISABEL FRANÇA DE SOUZA

MEMÓRIA E INVENÇÃO: PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL PARA


LIMOEIRO DE ANADIA-AL

ARAPIRACA
2020
Isabel França de Souza

Memória e invenção: projeto de um Centro Cultural para Limoeiro de Anadia-AL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Arquitetura e Urbanismo, da
Universidade Federal de Alagoas/Campus
Arapiraca, como parte dos requisitos para
obtenção do Grau de Bacharel em Arquitetura
e Urbanismo.

Orientador: Prof.ª Dr.ª Simone Carnaúba


Torres
Coorientador: Prof. Me. Edler Oliveira Santos

Arapiraca
2020
Isabel França de Souza

Memória e invenção: projeto de um Centro Cultural para Limoeiro de Anadia-AL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Arquitetura e Urbanismo, da
Universidade Federal de Alagoas/Campus
Arapiraca, como parte dos requisitos para
obtenção do Grau de Bacharel em Arquitetura e
Urbanismo.

Data de Aprovação: 10/07/2020.

Banca Examinadora

_________________________________________________________________________________________________________________________________________

Profa. Dra. Simone Carnaúba Torres


Universidade Federal de Alagoas
Campus Arapiraca
(Orientadora)

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Profa. Ma. Renata Torres Sarmento de Castro Cavalcante


Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Campus Arapiraca
(Examinadora)

Prof. Me. Edler Oliveira Santos


Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Campus Arapiraca
(Examinador)

Arquiteta e Urbanista, Ma. Thaysa Gabriela de Oliveira Gonçalves


(Examinadora)
Este trabalho é dedicado à minha família,
aos meus amigos e aos meus professores
por todo amor, incentivo e dedicação.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pela vida, por ter me dado sabedoria, paz e
coragem. Sou eternamente grata por ter me sustentado nos momentos mais difíceis,
por sua misericórdia mesmo quando eu não merecia e por ter colocado em minha
vida pessoas que me incentivaram a prosseguir.
Aos meus familiares por todo apoio, compreensão e companheirismo. Em
especial aos meus pais, Ivo França e Lúcia Maria de França, que se esforçaram
bastante para garantir o estudo dos filhos. Aos meus irmãos, Viviane, Isaías, Josué
e Samuel, grandes incentivadores e apoiadores dos meus estudos. Vocês são
dádivas de Deus para mim.
À minha amiga Isadora Alves, por ter sido minha parceira nos trabalhos da
graduação, agradeço imensamente por todo o seu carinho, companheirismo, fé e
paciência. Agradeço também a Marisa Michelle Folha, Vinicius Silva, Laryssa
Emanuelle Brancaglion, João Diego Pacheco, Eduardo Cadete, Taísa Maria Nunes,
Joseph Deodato, Ruan Victor Amaral, Lucas Emmanuel e Eloá da Silva, meus
amigos de turma que me incentivaram e ofereceram apoio.
Também a todos os meus amigos da Cru Campus Arapiraca, por todo
incentivo, ajuda, orações e sorrisos, em especial a Maria Eduarda Amaral, Deyse
Lima, Alydia Silva, Raisa Rodrigues, Sara Ribeiro, Viviane Santos e Eraldo Jr.
Macêdo. Com vocês a minha jornada na universidade foi mais cheia do amor de
Cristo, agradeço imensamente.
A todos os meus professores que contribuíram para a minha formação
pessoal e profissional. Em especial a Maria Luciene, minha primeira professora do
ensino fundamental, a Gilberto Barbosa Filho, querido professor de história e
historiador, a Cícero Maciel, querido professor de matemática, a Maria Aldineide
Pessoa (in memorian), querida professora de artes, a minha orientadora Dra.
Simone Carnaúba e ao meu coorientador Me. Edler Oliveira por toda dedicação e
competência.
Enfim, a todos que contribuíram direta ou indiretamente na minha formação e
na elaboração deste trabalho.
RESUMO

A identidade de uma população é caracterizada por suas manifestações culturais,


por isso, é primordial que elas sejam transmitidas de geração em geração. Desse
modo, os centros culturais são essenciais por propiciar a integração sociocultural e
funcionarem como um equipamento informacional. Limoeiro de Anadia-AL, cidade
da região Agreste de Alagoas, possui inúmeros artistas que produzem pinturas,
esculturas e artesanatos, muitos deles desconhecidos pela falta de divulgação. Entre
outros motivos, isso se deve à ausência de um espaço cultural destinado a promover
a cultura e a arte local. Diante dessa problemática, este trabalho tem como objetivo
geral elaborar um anteprojeto arquitetônico de um centro cultural para a cidade de
Limoeiro de Anadia, com foco na cultura popular e na arquitetura bioclimática. De
modo que contribua para a preservação da cultural do município, para a valorização
da paisagem local e para o convívio social. Para isso, foi realizada uma revisão
bibliográfica acerca dessa temática, uma pesquisa de campo com a população local,
a fim de verificar as principais demandas culturais do município, e uma análise dos
condicionantes projetuais. A proposta arquitetônica final consegue aliar os princípios
da arquitetura bioclimática, cultura popular, integração com o entorno,
funcionalidade, acessibilidade e preservação ambiental.

Palavras-chave: Cultura. Arte popular. Centro cultural. Arquitetura bioclimática.


ABSTRACT

The identity of a population is characterized by its cultural manifestations, so it is


paramount that they are transmitted from generation to generation. Thus, cultural
centres are essential because they foster socio-cultural integration and function as
information equipment. Limoeiro de Anadia-AL, a city in the Agreste region of
Alagoas, has numerous artists who produce paintings, sculptures and handicrafts,
many of them unknown due to the lack of publicity. Among other reasons, this is due
to the absence of a cultural space to promote local culture and art. Faced with this
problem, this work has as a general objective to elaborate an architectural project of
a cultural center for the city of Limoeiro de Anadia, focusing on popular culture and
bioclimatic architecture. In such a way that it contributes to the preservation of the
city's culture, to the appreciation of the local landscape and to social interaction. To
this end, a bibliographic review was carried out on this theme, a field research with
the local population, in order to verify the main cultural demands of the municipality,
and an analysis of the project conditions. The final architectural proposal manages to
combine the principles of bioclimatic architecture, popular culture, integration with the
surroundings, functionality, accessibility and environmental preservation.

Keywords: Culture. Popular art. Cultural center. Bioclimatic architecture.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Exposição Bahia no Ibirapuera na Bienal de São Paulo, em 1959...........22


Figura 2 - Exposição Nordeste no Solar do Unhão em 1963.....................................23
Figura 3 - Exposição A Mão do Povo Brasileiro, no MASP em 1969.........................24
Figura 4 - Festa Junina em Maceió-AL......................................................................25
Figura 5 - Roda de Samba no Rio de Janeiro-RJ......................................................26
Figura 6 - Centro Georges Pompidou........................................................................28
Figura 7 - Fachada do Centro Cultural de Jabaquara................................................29
Figura 8 - Vista interna do Centro Cultural São Paulo...............................................29
Figura 9 - Vista do Sesc Pompéia..............................................................................30
Figura 10 - Implantação do Cais do Sertão................................................................38
Figura 11 - Fachada oeste do novo edifício do Cais do Sertão.................................39
Figura 12 - Corte longitudinal do Cais do Sertão.......................................................39
Figura 13 - Planta baixa do pavimento térreo do Cais do Sertão..............................40
Figura 14 - Planta baixa do primeiro pavimento do Cais do Sertão...........................40
Figura 15 - Planta baixa do segundo pavimento do Cais do Sertão..........................41
Figura 16 - Planta baixa do terceiro pavimento do Cais do Sertão............................41
Figura 17 - Exposição de Luiz Gonzaga....................................................................41
Figura 18 - Exposição permanente............................................................................41
Figura 19 - Vista dos cobogós do Cais do Sertão......................................................42
Figura 20 - Vista do terraço jardim.............................................................................43
Figura 21 - Implantação do Le Carton Voyageur.......................................................43
Figura 22 - Elevação oeste........................................................................................44
Figura 23 - Plantas baixas dos pavimentos térreo e primeiro do Le Carton
Voyageur....................................................................................................................44
Figura 24 - Plantas baixas dos pavimentos segundo e terceiro do Le Carton
Voyageur....................................................................................................................45
Figura 25 - Vista da fachada leste..............................................................................45
Figura 26 - Vista da biblioteca....................................................................................46
Figura 27 - Vista dos tetos verdes..............................................................................46
Figura 28 - Implantação do Centro Botín...................................................................47
Figura 29 - Fachada norte do Centro Botín................................................................47
Figura 30 - Vista das passarelas do Centro Botín e da Baía de Santander...............48
Figura 31 - Planta baixa do pavimento térreo do Centro Botín..................................48
Figura 32 - Planta baixa do primeiro pavimento do Centro Botín..............................49
Figura 33 - Planta baixa do segundo pavimento do Centro Botín..............................49
Figura 34 - Vista do revestimento do Centro Botín....................................................50
Figura 35 - Vista das esquadrias................................................................................50
Figura 36 - Localização de Limoeiro de Anadia em Alagoas.....................................52
Figura 37 - Mapa de Limoeiro de Anadia com rios e riachos.....................................53
Figura 38 - Limoeiro de Anadia em 1957...................................................................54
Figura 39 - Apresentação do Quilombo em Limoeiro de Anadia, 2014.....................57
Figura 40 - Apresentação do Quilombo Juvenil em Limoeiro de Anadia, 2014.........58
Figura 41 - Apresentação da Banda Cheiro da Terra................................................59
Figura 42 - Apresentação da Banda de Fanfarra da Escola Nossa Senhora da
Conceição..................................................................................................................60
Figura 43 - Grupo de Capoeira Águia Negra de Limoeiro de Anadia........................61
Figura 44 - Quadro pintado à mão do artista Jackson Lima......................................62
Figura 45 - Esculturas feitas com materiais recicláveis do artista Jackson Lima.......62
Figura 46 - Escultura em madeira do artista Wallan Souza.......................................62
Figura 47 - Anfiteatro de Limoeiro de Anadia.............................................................64
Figura 48 - Biblioteca de Limoeiro de Anadia.............................................................65
Figura 49 - Manifestações culturais mais conhecidas pelos alunos...........................66
Figura 50 - Avaliação do aluno acerca da qualidade dos espaços culturais
existentes...................................................................................................................66
Figura 51 - Atividades que um centro cultural para o munícipio deveria oferecer
segundo os estudantes..............................................................................................67
Figura 52 - Localização do terreno.............................................................................69
Figura 53 - Dimensões e topografia do terreno..........................................................70
Figura 54 - Vista frontal do terreno.............................................................................70
Figura 55 - Mapa de uso e ocupação do entorno do terreno.....................................71
Figura 56 - Mapa de gabaritos do entorno do terreno................................................72
Figura 57 - Vista da rua Cônego Jacinto....................................................................72
Figura 58 - Gráfico de temperatura do ar média mensal de Arapiraca em 2010.......74
Figura 59 - Gráfico de umidade relativa do ar média mensal de Arapiraca em
2010............................................................................................................................74
Figura 60 - Gráfico de precipitação média mensal de Arapiraca, de 2009 a 2016....75
Figura 61 - Rosa dos ventos com velocidade e frequência dos ventos de Arapiraca
em 2010......................................................................................................................75
Figura 62 - Zoneamento bioclimático brasileiro, NBR 15220-3..................................76
Figura 63 - Carta Bioclimática de Arapiraca com dados de 2010..............................77
Figura 64 - Esquema de direção dos ventos e trajetória solar no terreno.................79
Figura 65 - Localização da Área de Preservação Permanente no terreno ..................82
Figura 66 - Esquema que representa o conceito do projeto......................................87
Figura 67 - Painel semântico com as inspirações, materiais e cores do projeto........88
Figura 68 - Diagrama isométrico de trajetória solar e direção dos ventos................89
Figura 69 - Diagrama isométrico de acessos e fluxos...............................................90
Figura 70 - Diagrama programático isométrico explodido..........................................91
Figura 71 - Diagrama com setorização dos ambientes..............................................92
Figura 72 - Croqui da fachada nordeste.....................................................................93
Figura 73 - Croqui da fachada noroeste.....................................................................94
Figura 74 - Implantação do edifício............................................................................94
Figura 75 - Planta de layout do pavimento térreo......................................................95
Figura 76 - Vista da praça de acesso do centro cultural............................................96
Figura 77 - Vista do estacionamento do centro cultural.............................................97
Figura 78 - Vista da fachada noroeste do centro cultural...........................................98
Figura 79 - Vista do vão livre no térreo do centro cultural..........................................99
Figura 80 - Vista do mirante na fachada sudeste do centro cultural........................100
Figura 81 - Vista do mirante do centro cultural.........................................................101
Figura 82 - Planta de layout do pavimento inferior...................................................102
Figura 83 - Planta de layout do pavimento superior.................................................103
Figura 84 - Cobogós cerâmicos do projeto..............................................................104
Figura 85 - Vista do hall do pavimento inferior.........................................................105
Figura 86 - Vista sala de estar no hall do pavimento inferior...................................106
Figura 87 - Vista do interior do auditório..................................................................107
Figura 88 - Vista do palco do auditório.....................................................................108
Figura 89 - Vista do interior da sala de exposições temporárias..............................109
Figura 90 - Vista do interior da biblioteca.................................................................110
Figura 91 - Corte perspectivado mostrando o aproveitamento da iluminação e
ventilação natural.....................................................................................................111
Figura 92 - Perspectiva explodida do centro cultural...............................................113
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Resumo das estratégias bioclimáticas.....................................................37


Quadro 2 - Resumo das referências projetuais..........................................................51
Quadro 3 - Necessidades dos grupos culturais..........................................................68
Quadro 4 - Resumo de características climáticas de Arapiraca.................................73
Quadro 5 - Resumo das diretrizes construtivas definidas pela NBR 15220-3 para a
Zona 8........................................................................................................................77
Quadro 6 - Diretrizes propostas pela NBR 15220-3 e pela carta de Givoni para
Arapiraca....................................................................................................................78
Quadro 7 - Parâmetros urbanísticos para o centro cultural........................................81
Quadro 8 - Programa de necessidades e o pré-dimensionamento............................85
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 13
2 CULTURA E ARQUITETURA .............................................................................. 17
2.1 Cultura, patrimônio e identidade ......................................................................... 17
2.2 Cultura popular ................................................................................................... 20
2.3 Centros culturais ................................................................................................. 26
3 PRINCÍPIOS DA ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA ............................................. 33
3.1 Estratégias bioclimáticas..................................................................................... 34
3.1.1 Inércia térmica .................................................................................................. 34
3.1.2 Aquecimento solar passivo ............................................................................... 35
3.1.3 Resfriamento evaporativo ................................................................................. 35
3.1.4 Sombreamento ................................................................................................. 36
3.1.5 Ventilação natural ............................................................................................. 36
3.1.6 Síntese das estratégias bioclimáticas ............................................................... 37
4 REFERÊNCIAS PROJETUAIS DE CENTROS CULTURAIS ............................... 38
4.1 Cais do Sertão .................................................................................................... 38
4.2 Le Carton Voyageur ............................................................................................ 43
4.3 Centro Botín ........................................................................................................ 46
4.4 Comparativo das referências projetuais .............................................................. 51
5 DIAGNÓSTICO DE LIMOEIRO DE ANADIA ....................................................... 52
5.1 Aspectos geográficos .......................................................................................... 52
5.2 Aspectos históricos ............................................................................................. 53
5.3 Aspectos socioculturais....................................................................................... 55
5.3.1 Quilombo .......................................................................................................... 56
5.3.2 Quilombo Juvenil .............................................................................................. 57
5.3.3 Banda Cheiro da Terra ..................................................................................... 58
5.3.4 Banda de Fanfarra da Escola Nossa Senhora da Conceição ........................... 59
5.3.5 Grupo de Capoeira Águia Negra....................................................................... 60
5.3.6 Outras manifestações culturais ......................................................................... 61
5.4 Política de preservação do patrimônio cultural ................................................... 63
5.5 Demandas culturais do município ....................................................................... 65
6 CONDICIONANTES PROJETUAIS ...................................................................... 69
6.1 Análise do terreno e entorno ............................................................................... 69
6.2 Condicionantes físico-ambientais ....................................................................... 73
6.3 Condicionantes legais e normativos ................................................................... 79
6.3.1 Plano Diretor de Limoeiro de Anadia ................................................................ 79
6.3.2 Código Florestal Brasileiro ................................................................................ 82
6.3.3 NBR 9050 ......................................................................................................... 82
6.3.4 NBR 9077 e Instrução Técnica de Segurança contra Incêndio e Pânico no
Estado de Alagoas .................................................................................................... 84
7 ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO .................................................................... 85
7.1 Programa de necessidades e pré-dimensionamento .......................................... 85
7.2 Conceito do projeto ............................................................................................. 87
7.3 Implantação e setorização .................................................................................. 89
7.4 Proposta arquitetônica ........................................................................................ 93
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 115
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 117
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO SOBRE A CULTURA DE LIMOEIRO DE ANADIA
APLICADO A ESTUDANTES DA REDE PÚBLICA DO MUNICÍPIO ..................... 122
APÊNDICE B – FORMULÁRIO APLICADO AOS GRUPOS CULTURAIS
LOCAIS....................................................................................................................123
APÊNDICE C – PLANTA DE SITUAÇÃO E PLANTA DE LOCAÇÃO E
COBERTA................................................................................................................124
APÊNDICE D – PLANTA BAIXA DO PAVIMENTO INFERIOR..............................125
APÊNDICE E – PLANTA BAIXA DO PAVIMENTO TÉRREO................................126
APÊNDICE F – PLANTA BAIXA DO PAVIMENTO SUPERIOR............................127
APÊNDICE G – CORTES........................................................................................128
APÊNDICE H – FACHADAS NORDESTE E NOROESTE......................................129
APÊNDICE I – FACHADAS SUDOESTE E SUDESTE...........................................130
13

1 INTRODUÇÃO

Enquanto o estudo da arte e cultura popular em muitos países é tomado como


ponto de maior importância na estruturação do ensino de crianças e jovens, no
Brasil, apesar de sua diversidade artística e cultural, ainda é pouco valorizado. Os
espaços destinados a esse fim, mesmo havendo uma grande procura, são escassos
no país, e, além disso, a grande maioria deles não oferecem estrutura adequada.
Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) elaborou a Convenção sobre a Proteção e Promoção da
Diversidade das Expressões Culturais, documento no qual destaca a importância de
preservar e valorizar as manifestações culturais genuínas de cada povo, e de
promover intercâmbios culturais globais.
A identidade de uma população é caracterizada por suas manifestações
culturais, por isso, é primordial que essas manifestações sejam transmitidas de
geração em geração. Também a cultura representa um fator para o desenvolvimento
humano na medida em que age na formação intelectual do indivíduo e permite a
consolidação da memória individual e coletiva de uma comunidade (NEVES, 2013).
Como em outros municípios brasileiros, Limoeiro de Anadia, que está
localizado no agreste alagoano e possui uma área de 316 km² e população de
26.992 habitantes (IBGE, 2010), é rico em manifestações artísticas e culturais. Entre
essas se destacam o Quilombo, a Capoeira, a banda de pífanos e a banda fanfarra.
Também, há no município inúmeros artistas que produzem pinturas, esculturas e
artesanatos, muitos deles desconhecidos pela falta de divulgação. Entre outros
motivos, isso se deve à ausência de um espaço cultural destinado a promover a
cultura e a arte local.
Diante dessa problemática, é perceptível a necessidade de construção de um
centro cultural que ofereça espaço para a divulgação da história do município e da
arte produzida pelos artistas regionais, com infraestrutura para a formação de novos
artistas. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo geral elaborar um
anteprojeto arquitetônico de um centro cultural para a cidade de Limoeiro de Anadia,
com foco na cultura popular e na arquitetura bioclimática. De modo que contribua
para a preservação da cultura do município, para a valorização da paisagem local e
para o convívio social.
14

A proposta de um edifício público que possua espaços de convivência e lazer


é outro fator que contribui para melhoria na qualidade de vida dos habitantes. Além
disso, a presença de um centro cultural pode ser um importante atrativo turístico e
de investimentos para a cidade.
Para isso, foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos:
revisão bibliográfica; pesquisa de referências projetuais; pesquisa de campo;
seleção do terreno; levantamento e avaliação dos condicionantes físico-ambientais,
legais e normativos; elaboração do programa de necessidades, da setorização, do
conceito da proposta e do projeto arquitetônico.
A revisão bibliográfica e a pesquisa de referências projetuais foram realizadas
através de consulta em livros, revistas e sites especializados em arte, cultura,
arquitetura e urbanismo. Nesta última, foram selecionados centros culturais que
possuem atributos que coincidem com a intenção do projeto a ser desenvolvido.
A pesquisa de campo consistiu na aplicação de questionários com cem
estudantes da rede pública de ensino da cidade de Limoeiro de Anadia acerca das
manifestações culturais locais e as principais necessidades a esse respeito (ver
Apêndice A). Também foram realizadas entrevistas estruturadas com os principais
representantes dos grupos culturais do município, através de um formulário que
abordou questões acerca de sua história, suas características e suas necessidades
quanto a infraestrutura (ver Apêndice B). Os resultados obtidos dos questionários e
formulários foram utilizados no desenvolvimento da proposta do centro cultural, com
o intuito de projetar um edifício que atenda as principais necessidades apontadas
por seus usuários.
A seleção do terreno foi realizada após visitas de campo à cidade, aplicação
dos questionários com estudantes e a realização de entrevistas com artistas locais e
o secretário de cultura do município. Foram adotados dois critérios para essa
escolha, possuir área adequada para a construção de um centro cultural que atenda
as principais necessidades do município e localização mais próxima ao centro da
cidade, de modo a facilitar a acessibilidade dos usuários e garantir a vitalidade do
centro histórico da cidade.
Após essa seleção, o terreno e o seu entorno foram levantados e avaliados os
condicionantes físico-ambientais, legais e normativos. Quanto aos condicionantes
físico-ambientais, foram analisados o comportamento das variáveis climáticas locais
(pluviosidade, temperatura do ar, umidade relativa do ar, amplitude térmica,
15

velocidade e frequência dos ventos) e as estratégias bioclimáticas indicadas para


Limoeiro de Anadia.
Quanto aos condicionantes legais e normativos foram analisados o Plano
Diretor de Limoeiro de Anadia – 2008, o Código de Urbanismo e Edificações de
Maceió/AL – 2007, pela ausência de código de obras em Limoeiro de Anadia, o
Código Florestal Brasileiro – 2012, a Norma Brasileira de Acessibilidade – NBR
9050, a Norma Brasileira de Saídas de Emergência em Edifícios – NBR 9077 e a
Instrução Técnica de Segurança contra Incêndio e Pânico do Estado de Alagoas –
2013.
Após a realização das etapas anteriores, foram elaborados o programa de
necessidades, o pré-dimensionamento (ver Quadro 8), o conceito da proposta e a
setorização do centro cultural, com base principalmente nas demandas verificadas
nos resultados dos questionários e formulários aplicados. Por fim, foi realizado o
projeto arquitetônico do centro cultural a nível de anteprojeto (ver Apêndices C, D, E,
F, G, H e I).
O presente trabalho está dividido em sete capítulos e as considerações finais.
O primeiro capitulo refere-se à introdução, apresenta o tema da pesquisa, menciona
a importância de estudar esse tema, explicita o propósito do trabalho e menciona os
procedimentos para elaborar o trabalho. O segundo capítulo compreende os
conceitos sobre cultura, patrimônio, identidade, cultura popular e centro cultural,
apresentando o histórico e atributos dos centros culturais.
O terceiro capítulo aborda a temática do conforto ambiental na arquitetura. É
apresentado o conceito de arquitetura bioclimática e as principais estratégias para
possibilitar o conforto ambiental interno da edificação com o aproveitamento dos
recursos naturais. O quarto capítulo apresenta uma análise de três edifícios que
funcionam como centros culturais, os quais possuem as soluções projetuais que
coincidem com a intenção do projeto a ser desenvolvido.
O quinto capítulo aborda características de Limoeiro de Anadia, é
apresentado um diagnóstico que engloba aspectos geográficos, históricos e
socioculturais, a política de preservação do patrimônio cultural do município e as
principais demandas do município a esse respeito, segundo os resultados da
pesquisa de campo.
O sexto capítulo aborda características do terreno onde o equipamento
arquitetônico será implantado e do seu entorno. Em seguida, é apresentado os
16

condicionantes físico-ambientais, legais e normativos que foram considerados para


desenvolver uma proposta arquitetônica adequada ao ambiente na qual se insere.
Por fim, o sétimo capítulo apresenta a proposta arquitetônica desenvolvida,
abordando o programa de necessidades, o pré-dimensionamento, a conceituação da
proposta, a setorização, a implantação e o projeto arquitetônico com a descrição da
inserção urbanística, das soluções funcionais, dos aspectos formais, das estratégias
bioclimáticas empregadas e do sistema construtivo.
17

2 CULTURA E ARQUITETURA

2.1 Cultura, patrimônio e identidade

A fim de compreender os conceitos de cultura, patrimônio e identidade é


fundamental entender a complexidade desses termos e a linha tênue que os
tangenciam. Nesse sentido, Alfredo Bosi (1998 apud RAMOS, 2007), entre outros
autores, aponta a origem do termo cultura do latim colo, o qual significa eu moro, eu
ocupo a terra. O particípio passado é cultus, que se refere ao campo que foi
plantado por gerações sucessivas, significando algo cumulativo. Também, Bosi
relaciona esse termo com a palavra grega paideia, que significa a criação, instrução
de crianças; se referia a transmissão de conhecimentos e costumes de geração em
geração.
Dessa forma, a cultura consiste no que pode ser aprendido, cultivado e
transmitido. O conjunto das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que
são transmitidos às novas gerações para garantir a reprodução de um estado de
coexistência social (BOSI, 1998 apud RAMOS, 2007).
O antropólogo inglês Edward Burnett Tylor (1832-1917) foi o primeiro a definir
cultura no meio cientifico e foi um dos responsáveis pelo surgimento de disciplinas
cientificas dedicadas ao estudo dessa temática. Segundo Tylor (1877) a cultura é
um complexo que inclui conhecimento, crença, arte, lei, aptidões e costumes
adquiridos pelo homem como um membro da sociedade.
Segundo Marilena Chauí (2009), a partir da segunda metade do século XX, o
termo cultura passa a abranger a produção e criação da linguagem, da religião, da
sexualidade, das formas de trabalho, da habitação, da culinária, da música, da
dança e dos sistemas de relações sociais. Dessa forma, expressa as complexas
realidades dos agrupamentos humanos e as características que se unem e
diferenciam.
Assim, apesar de ser um conceito de várias acepções, a cultura pode ser
definida como o conjunto de conhecimentos, crenças, artes, leis, costumes e hábitos
que caracterizam um agrupamento humano, um povo ou nação. Também representa
um fator para o desenvolvimento humano na medida em que age na formação
intelectual do indivíduo e permite a consolidação da memória individual e coletiva.
18

O termo patrimônio do latim patrimonium deriva de pater, que significa pai.


Esse termo se referia ao conjunto dos bens pertencentes aos pais que eram
transmitidos aos seus sucessores. Assim sendo, patrimônio era o que se herdava,
tratava-se de uma herança (MENDES, 2012).
Portanto, no que se refere à cultura, o patrimônio é a herança cultural.
Abrange elementos materiais ou imateriais que fazem parte da história de um
agrupamento de pessoas. Logo, o patrimônio cultural representa o legado de uma
cultura, compõe sua identidade. Como Mendes destaca:

O património cultural, núcleo da identidade colectiva, não só possibilita


que nos reconheçamos mas também que sejamos reconhecidos; é ele que,
contrastada e caracterizadamente, diferencia e distingue dos demais a
fisionomia física e moral de um lugar, uma cidade, uma região, um país [...]
(MENDES, 2012, p. 17, grifo do autor).

Dessa forma, o patrimônio cultural refere-se a bens cuja conservação é de


interesse público. Conforme o Artigo 216 da Constituição da República Federativa
do Brasil (BRASIL, 2016) conceitua, patrimônio cultural são “os bens de natureza
material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de
referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da
sociedade brasileira”. Assim, inclui as formas de expressão, as obras, objetos,
documentos, edificações, criações cientificas e os conjuntos urbanos ou sítios de
valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e
científico.
Por sua vez, a identidade de uma população está relacionada com a
memória coletiva, que é desempenhada pelo patrimônio cultural. Este fomenta nos
indivíduos um sentimento de pertencer a uma mesma comunidade, na qual é
possível estabelecer uma ligação com sua própria história (MENDES, 2012).
Portanto, a identidade coletiva se refere à noção de pertencimento a uma cultura.
As diversas manifestações culturais caracterizam a identidade de uma
população, por isso é primordial que essas manifestações sejam transmitidas de
geração em geração. Para isso, a fim de manter viva a memória coletiva é
fundamental o reconhecimento do patrimônio cultural e políticas de preservação
patrimonial que tenham a participação de toda a sociedade, de modo que não
favoreça apenas um segmento da sociedade.
19

Nesse sentido, em 2005, a Organização das Nações Unidas para a


Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) elaborou a Convenção sobre a
Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, documento no qual
destaca a importância de preservar e valorizar as manifestações culturais genuínas
de cada povo, e de promover intercâmbios culturais globais. Para isso teve como
objetivos específicos: criar condições para que as culturas possam florescer e
interagir; reconhecer a natureza específica das atividades, bens e serviços culturais
como veículos de identidade, valores e significados; identificar novos arranjos para a
cooperação internacional; reafirmar os direitos soberanos dos Estados manterem,
adotarem e implementarem as políticas e medidas que julguem adequadas para a
proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais nos seus territórios,
enquanto asseguram o livre fluxo de pensamentos e obras (UNESCO, 2005).
No Brasil, as políticas culturais começaram a ser implantadas durante o
governo de Getúlio Vargas (1930-1945). Nesse período foram adotadas várias
medidas, a fim de fornecer uma maior institucionalidade para o setor cultural. Tendo
como destaque a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(SPHAN) em 1937, que atualmente é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN) e é responsável pela preservação e divulgação do patrimônio
material e imaterial do país (RUBIM; BARBALHO, 2007).
As políticas culturais foram ampliadas com a criação do Ministério da Cultura
em 1985, no governo de José Sarney. No qual foi criada a chamada Lei Sarney, Lei
n° 7.505, de 2 de julho de 1986, primeira legislação federal de incentivo fiscal à
produção cultural. A partir daí outras tantas leis de incentivo à cultura foram criadas
nos âmbitos do governo Estadual e Municipal. Essas leis foram responsáveis por um
forte crescimento do setor cultural (RUBIM; BARBALHO, 2007).
Após a publicação no Diário Oficial da União em 1° de janeiro de 2019 da
medida provisória n° 870, as atividades que pertenciam ao Ministério da Cultura
foram destinadas ao Ministério da Cidadania e a Cultura ganhou status de
secretaria. No dia 20 de maio de 2020, após o Decreto n° 10.359 do presidente Jair
Bolsonaro, a Secretaria Especial da Cultura foi transferida para o Ministério do
Turismo (BRASIL, 2020).
Atualmente, apesar das instabilidades na Secretaria, está em vigor a Lei de
Incentivo à Cultura, principal ferramenta de fomento às manifestações culturais no
Brasil, pois contribui para que milhares de projetos culturais aconteçam, todos os
20

anos, em todas as regiões do país. Por meio dela, empresas e pessoas físicas
podem patrocinar exposições, shows, livros, museus, galerias e várias outras formas
de expressão cultural e abater o valor total ou parcial do apoio do Imposto de Renda
(BRASIL, 2019).
A Lei também contribui para ampliar o acesso dos cidadãos à Cultura, já que
os projetos patrocinados são obrigados a oferecer uma contrapartida social, ou seja,
eles têm que distribuir parte dos ingressos gratuitamente e promover ações de
formação e capacitação junto às comunidades. Criado em 1991 pela Lei 8.313, o
mecanismo do incentivo à cultura é um dos pilares do Programa Nacional de Apoio à
Cultura - Pronac, que também conta com os Fundos de Investimento Cultural e
Artístico - Ficarts, que ainda não foram regulamentados, e o Fundo Nacional de
Cultura - FNC, que representa o investimento do Estado brasileiro para estimular a
Cultura (BRASIL, 2019).
Esses são os principais mecanismos brasileiros que apoiam e incentivam as
manifestações culturais, seguindo o entendimento de que o acesso à cultura, às
artes, à memória e ao conhecimento é um direito constitucional e condição
fundamental para o exercício pleno da cidadania (BRASIL, 2019). Embora possuam
importante impacto no cenário cultural, esses mecanismos ainda precisam ser
aprimorados e ampliados para que a cultura brasileira seja preservada e valorizada
em sua integridade.

2.2 Cultura popular

Cultura popular é um conceito controverso, por possuir diversas definições e


ser utilizado em diferentes contextos ao longo da história. Por isso, para melhor
compreender o que constitui a cultura popular é necessário estudar a transformação
do significado dessa expressão.
Essa expressão começou a ser mais utilizada em meados do século XIX, na
Europa, época na qual os modernos países estavam em formação e as cidades
estavam em rápida expansão, graças ao avanço da industrialização. Nesse período,
a cultura popular representava a tradição camponesa que estava ameaçada diante
da modernização. Isso compreendia canções, contos, poesias, peças artesanais,
costumes e crenças (CULTURA, 2015).
21

Nesse contexto surge o termo folklore, que significa saber do povo, criado
pelo arqueólogo inglês William John Thoms em 1846, com o intuito de englobar o
material coletado nas pesquisas da época. Esses estudos tiveram início com o
Romantismo, movimento artístico, político e filosófico que valorizava o nacionalismo
e buscava legitimar uma identidade nacional (CATENACCI, 2001).
Seguindo os estudos europeus, os intelectuais brasileiros também se
interessaram pela cultura popular, preocupados com a construção de uma
identidade cultural nacional brasileira. Buscavam fundar essa identidade na
mestiçagem e para isso procuraram identificar as contribuições especificas dos
índios, negros e brancos. Esses intelectuais constituíram o Movimento Folclórico
Brasileiro, que teve maior expressão nacional a partir da década de 1930
(CULTURA, 2015). Segundo Alves (2013) esse Movimento organizou sucessivos
congressos e semanas de folclore com intuito de reunir folcloristas e pesquisadores
em torno de temas comuns a esse campo de conhecimento.
Em 1958, foi criada a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, primeiro
órgão permanente dedicado a esse campo e que atualmente constitui o Centro
Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). Também, o Movimento Folclórico
Brasileiro foi responsável por criar vários museus dedicados a cultura popular, entre
os quais se destaca o Museu de Folclore Edison Carneiro, criado em 1968 no Rio de
Janeiro (ALVES, 2013).
Entretanto, a partir da década de 1950, com o desenvolvimento dos estudos
de Ciências Humanas e Sociais no Brasil, os estudos do folclore foram criticados e
desprezados nas universidades por serem tidos como não científicos (CATENACCI,
2001). A cultura popular passou a ser analisada no contexto de modernização,
mudanças sociais e desigualdades sociais que o país enfrentava.
A cultura popular, como expressão cultural das classes subalternas seria
resultado da distribuição desigual de bens econômicos e culturais. Por outro lado,
essa cultura poderia ser um modo de resistência a cultura hegemônica. Essa
concepção estava relacionada ao objetivo de construir uma cultura nacional popular
que visasse à transformação da sociedade brasileira em uma sociedade mais
igualitária e justa (CATENACCI, 2001).
Nessa época surgem diversos estudos sobre as contraposições popular
versus erudito, tradicional versus moderno e subalterno versus hegemônico. Ainda
nesse contexto há o crescimento da indústria cultural e, por consequente, da cultura
22

de massas, na qual o termo popular se refere ao que alcança altos índices de venda
e agrada a maioria. O que é tradição perde o valor para a popularidade efêmera da
indústria cultural (CULTURA, 2015).
Nesse contexto, com o intuito de valorizar a produção negligenciada pela
história da arte no Brasil, surgem as primeiras exposições de arte popular em
renomados museus de arte. Em 1949, ocorreu a Exposição Arte Popular
Pernambucana no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP,
sendo pioneira nesse aspecto.
Em 1959, ocorreu a Exposição Bahia no Ibirapuera na Bienal de São Paulo
(Figura 1), com a organização da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), que nasceu
na Itália e se encantou com a cultura brasileira, principalmente do Nordeste. Essa
exposição apresentou diversos objetos cotidianos do Nordeste, com o objetivo de
revelar a riqueza da cultura popular e a vivência do homem nordestino de forma
poética (FERRAZ, 2018).

Figura 1 - Exposição Bahia no Ibirapuera na Bienal de São Paulo, em 1959

Fonte: Ferraz (2018).

Lina se mudou para o Brasil em 1946 com seu esposo Pietro Maria Bardi
(1900-1999), jornalista e galerista que foi responsável pela criação e gestão do
MASP. Lina, por sua vez, foi responsável pelo projeto arquitetônico do MASP,
23

trabalho que desenvolveu de forma brilhante. Além de ter sido uma das
responsáveis pela valorização e divulgação da cultura popular brasileira, em suas
obras possibilitou a fusão da tradição com o moderno e do popular com o erudito
(CAMPOY, 2014).
A arquiteta ainda organizou a Exposição Nordeste no Solar do Unhão (Figura
2), em salvador em 1963. Essa exposição inaugurou o Museu de Arte Popular do
Unhão, que foi reformado com o projeto de restauro também de Lina em 1959.
Semelhante a exposição Bahia no Ibirapuera, essa exposição apresentou inúmeros
objetos do cotidiano, muitos confeccionados com lixo. Com o intuito de valorizar o
desenho artesanal e industrial ligado à produção técnica mais próxima da realidade
humana (FERRAZ, 2018).

Figura 2 - Exposição Nordeste no Solar do Unhão em 1963

Fonte: Ferraz (2018).

Outra grande exposição da produção e cotidiano popular foi apresentada no


MASP em 1969, A Mão do Povo Brasileiro (Figura 3). Essa exposição contou a
organização da Lina e com o apoio de seu esposo Pietro Maria Bardi, do cineasta
Glauber Rocha e do diretor teatral Eros Martim Gonçalves. Havia cerca de mil
objetos manufaturados, como carrancas, ex-votos, tecidos, roupas, móveis,
24

ferramentas, utensílios domésticos, gaiolas, maquinários, instrumentos musicais,


adornos, brinquedos, objetos religiosos, pinturas e esculturas (FERRAZ, 2018).

Figura 3 - Exposição A Mão do Povo Brasileiro, no MASP em 1969

Fonte: Ferraz (2018).

A diversidade de objetos colocados lado a lado procurou ressaltar o


sincretismo e a riqueza da cultura brasileira. Ao apresentar objetos do cotidiano
popular como obras de arte, essas exposições provocaram questionamentos acerca
da categorização de museu, coleção, arte e cultura popular (FERRAZ, 2018). Além
disso, essa união de cultura popular e modernidade demonstrou que é possível o
diálogo entre a tradição e a inovação.
A esse respeito, os novos estudos interdisciplinares consideram que a
tradição e a transformação devem ser complementares e não excludentes. A maioria
dos estudiosos apontam que a cultura popular se refere a um contexto social
complexo, que envolve fatores socioculturais, econômicos e políticos (CORÁ, 2014).
Segundo o antropólogo Néstor García Canclini (2013) é necessário desfazer a
divisão entre popular, erudito e cultura de massas, a fim de investigar como e por
quais motivos a cultura tradicional e popular mudam e de que modo interagem com
a modernidade. Ainda segundo Canclini (2013) atualmente há uma hibridação
cultural, decorrente principalmente da globalização. Assim a tradição e a
25

modernidade coexistem na sociedade, o que garante cruzamentos, fusões e


conflitos culturais.
Conforme escreveu a jornalista e pesquisadora de culturas populares Maria
Alice Amorim, “a tradição está em permanente adaptação, atualização, frente à
realidade contemporânea” (AMORIM, 2004, p. 6). Desse modo, a cultura popular
está em constante transformação, sendo um campo complexo onde há
multiplicidade cultural, dinamicidade, saberes distintos e interesses antagônicos.
Ainda representa as vozes da população mais carente, a qual, muitas vezes,
reivindica direito e denuncia descriminações. Apesar das dificuldades em definir ou
delimitar a cultura popular, é fundamental valorizá-la e garantir sua existência e
desenvolvimento.
O Brasil é rico em manifestações culturais populares, principalmente por
conta da diversidade de povos que participaram de sua formação. A cultura popular
brasileira está nas festas populares, na literatura, nos ritmos musicais, nas danças,
no teatro, no cinema, nas artes plásticas, nos artesanatos, na culinária, nos objetos
cotidianos, nas crenças e nas brincadeiras infantis (MADRUGA; BIEMBENGUT,
2014).
Entre as festas populares pode-se citar como referência de cultura popular
brasileira: o Carnaval, as Festas Juninas (Figura 4), o Círio de Nazaré, a Festa de
Paratins e a Festa do Divino. Estas festas atraem grande público e ajudam na
preservação de costumes e tradições culturais brasileiras (AMARAL, 1998).

Figura 4 - Festa Junina em Maceió-AL

Fonte: Lessa (2015).


26

Quanto a literatura popular, alguns exemplos são: a Literatura de Cordel, os


Provérbios Populares e as Lendas (MARTINS, 2017). Já no que se refere à música
popular, destacam-se as Músicas Folclóricas, o Samba (Figura 5), o Frevo, a Moda
de Viola e o Baião (BAIA, 2011).

Figura 5 - Roda de Samba no Rio de Janeiro-RJ

Fonte: Basilio (2016).

A dança popular brasileira também é bastante rica, compreende o Frevo, o


Samba, as Quadrilhas, o Maracatu, o Carimbó, Coco de Roda, o Forró, o Xaxado,
entre outras danças. Outra expressão cultural popular brasileira é a capoeira, que
surgiu durante a época de escravidão no Brasil, que mistura luta, dança e música
(BRASILEIRO, 2010).
Todas essas manifestações culturais estão sempre sofrendo atualizações e
adaptações à medida que a sociedade muda. Um bom exemplo disso são as
quadrilhas juninas, as chamadas quadrilhas estilizadas, que incorporam nos
espetáculos elementos do contexto atual, como músicas contemporâneas e
movimentos oriundos de outras manifestações.

2.3 Centros culturais

Os centros culturais começaram a ser disseminados na segunda metade do


século XX na Europa. França e Inglaterra foram os pioneiros na criação de centros
27

de arte e cultura, com o objetivo de democratizar a cultura (RAMOS, 2007).


Entretanto, Milanesi (2003) aponta que a origem dos centros culturais está na
Antiguidade Clássica, sendo a Biblioteca de Alexandria o maior exemplo.
A Biblioteca de Alexandria constituía um complexo cultural, semelhante aos
centros culturais atuais. A função da mesma era preservar e disseminar os saberes
da época por meio de documentos que continham estudos nos campos da mitologia,
astronomia, filosofia, religião, medicina, zoologia e geografia. Em suas instalações,
havia espaço para exposições de obras artísticas, descobertas científicas e
elementos naturais. Além disso, ela era composta pelos seguintes ambientes:
anfiteatro, observatório, refeitório, jardim botânico e zoológico (CABRAL, 2014).
Segundo Teixeira Coelho (1997 apud RAMOS, 2007) os primeiros centros
culturais da Era Moderna foram frutos da ação cultural. Essa, por sua vez,
corresponde ao conjunto de procedimentos envolvendo recursos humanos e
materiais, que visa pôr em prática os objetivos de uma determinada política cultural.
Trata-se do processo de criação ou organização das condições necessárias para
que as pessoas e grupos inventem seus próprios fins no universo da cultura.
Os centros de cultura ingleses que surgiram no século XIX já possuíam
indícios desse tipo de ação. Mas, somente na década de 50 na França são
realizadas as primeiras ações sociais, as quais são responsáveis por uma
abordagem social da cultura. Pelo entendimento de que a cultura é feita por todos e,
por isso as artes devem ser vivenciadas por todos (RAMOS, 2007).
Nesse período, os espaços culturais foram criados como uma opção de lazer
para os operários franceses, a fim de melhorar as relações interpessoais no
trabalho. Para isso, foram criados centros sociais, áreas de convivência, quadras
esportivas e casas de cultura (RAMOS, 2007).
O Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou (Figura 6),
inaugurado em 1975, serviu de modelo para o resto do mundo, impulsionou a
criação de inúmeros centros de cultura. Segundo Milanesi (2003), esse impacto se
deve às inúmeras novidades empregadas nesse edifício. A primeira é a própria
arquitetura, com estrutura metálica e tubulações das instalações aparentes.
28

Figura 6 - Centro Georges Pompidou

Fonte: Fracalossi (2012).

A dimensão do prédio é o que o torna monumental, destacando-se do


entorno. Outra inovação se refere à diversidade e ineditismo das atividades
realizadas no seu interior, pois abriga a mais importante coleção de Arte Moderna e
Contemporânea da Europa, a maior biblioteca pública da Europa, um centro para
música e pesquisas acústicas, um centro de criações industriais, entre outras
atividades (CENTRE POMPIDOU, 2019). Além disso, livros, telas, esculturas e
objetos são dispostos de forma a estabelecer uma conexão com os visitantes. Por
tudo isso, a França impôs um novo estilo de espaço cultural e proporcionou o
desenvolvimento da ação cultural.
No Brasil, embora desde a década de 1960 já houvesse interesse na
construção de espaços culturais, somente na década de 1980 efetivou-se com a
criação do Centro Cultural do Jabaquara e do Centro Cultural São Paulo, ambos na
cidade de São Paulo (NEVES, 2013).
O Centro Cultural do Jabaquara (Figura 7) desenvolve, além das atividades
próprias de uma biblioteca pública, outras de cunho didático e informativo, como
palestras, exposições, apresentações de música, teatro e projeção de filmes, assim
29

como atividades ligadas ao ensino das artes plásticas, fotografia, culinária,


artesanato e outros dedicados à comunidade local (YAU; ROCHA FILHO, 2018).

Figura 7 - Fachada do Centro Cultural de Jabaquara

Fonte: Yau; Rocha Filho (2018).

Já o Centro Cultural São Paulo (Figura 8) destaca-se pela intenção de marcar


os espaços com elementos de referência para orientação do visitante, que podem
ser registrados em sua memória e, portanto, criar uma relação de identidade do
usuário com o lugar. Na experiência do cotidiano das pessoas, o conjunto desses
elementos é o que caracteriza a arquitetura do edifício: o enorme gramado
descoberto, a escada curva e vermelha, as grandes rampas azuis e o palco em
arena (NASCIMENTO; TEIXEIRA,2014).

Figura 8 - Vista interna do Centro Cultural São Paulo

Fonte: Souza (2017).


30

Outro projeto cultural desse período foi o SESC Pompéia (Figura 9), centro
cultural e de lazer projetado por Lina Bo Bardi em 1986 (FERRAZ, 2018). Esse
projeto alia o passado com o presente, combina restauração de antigos galpões
industriais com a criação de novos edifícios de arquitetura contemporânea.

Figura 9 - Vista do Sesc Pompéia

Fonte: Fracalossi (2013).

O conjunto abriga oficinas de arte, teatro, sala multiuso, três ginásios


poliesportivos, vestiários, áreas para leitura, piscina coberta, solário,
café/lanchonete, espaços de arte e tecnologia, entre outros. Além disso, os
elementos empregados demonstram a preocupação de Lina com a percepção
humana, como as aberturas irregulares que permitem a ventilação, uso de
passarelas elevadas para conectar os edifícios e de espelho de água para
representar o Rio São Francisco (FERRAZ, 2018).
Após a construção desses edifícios, os centros culturais começaram a
proliferar pelas grandes cidades do país. Segundo dados do anuário Cultura em
Números (2010) do extinto Ministério da Cultura, em 2006 24,8% dos municípios
brasileiros possuíam centros culturais.
31

O centro cultural é um espaço propício à integração sociocultural, por


funcionar como um equipamento informacional. Embora seja difícil a sua
conceituação, por conta das divergências quanto ao significado do termo cultura, o
centro cultural pode ser definido por sua funcionalidade:

[...] o centro cultural pode ser definido pelo seu uso e atividades nele
desenvolvidas. Podendo ser tanto um local especializado, de múltiplo uso,
proporcionando opções como consulta, leitura em biblioteca, realização de
atividades em setor de oficinas, exibição de filmes e vídeos, audição
musical, apresentação de espetáculos, etc, tornando-se um espaço
acolhedor de diversas expressões ao ponto de propiciar uma circulação
dinâmica da cultura (NEVES, 2013, p. 02).

Assim, os centros culturais devem comportar uma estrutura de uso coletivo


adequada para as diversas manifestações culturais. Contendo ambientes para
leitura, ensaios, apresentações musicais, teatrais e de dança, realizar palestras e
oficinas e exibir filmes. Também, deve possuir atributos relacionados com a
democratização do espaço como acessibilidade, áreas de convivência, iluminação
adequada e integração do interior com o exterior (NEVES, 2013).
Além disso, esses são espaços para manter a cultura viva por meio da crítica,
criatividade, coletividade e multidisciplinaridade. Como Milanesi (2003, p. 180)
destacou, “a criação permanente é o objetivo de um centro de cultura, ele deve ser o
gerador contínuo de novos discursos e propostas”. Ainda segundo Milanesi (2003), é
fundamental incorporar ao projeto arquitetônico e à gestão de um centro cultural três
verbos: informar, discutir e criar.
O verbo informar consiste na ação de elaborar processos e procedimentos
que asseguram ao público o acesso à informação. As atividades relacionadas a esse
verbo podem ser realizadas em bibliotecas, centros multimídias, teatros, auditórios e
espaços de exposição. A partir de informação e dos conhecimentos, o cidadão
torna-se mais preparado para discutir e criar (MILANESI, 2003).
O segundo verbo, discutir, refere-se à necessidade de superar a absorção
passiva de informações. Por meio de discussões, reflexões e críticas o cidadão
torna-se capaz de fazer suas próprias conclusões a respeito das informações
recebidas. Por isso, deve-se criar seminários e ciclos de debates, além de espaços
como salas de reunião, pátios e espaços de convivência (MILANESI, 2003).
O verbo criar, por sua vez, é essencial por dá sentido aos verbos informar e
discutir. A criação é um produto de interação entre a informação e a discussão,
32

através dos conhecimentos e da discussão é possível gerar ideias e propostas. Por


isso, além de salas de acervo e de reunião, são necessários espaços que instiguem
a criatividade como ateliês e laboratórios de invenção (MILANESI, 2003).
Independente das condições de atuação, um centro de cultura deve ser um
espaço de inovação, de redescobrimento da realidade. Nesse sentido, só faz sentido
a sua existência se estiver comprometido com a formação de pessoas e sua
inserção na coletividade. Isso é fundamental para formação de uma sociedade que
valorize a diversidade (RAMOS, 2007).
Segundo Neves (2013) deve-se assegurar a relação entre o centro de cultura
e a realidade local, de modo a não fazer cultura fora da realidade onde se encontram
o edifício. Assim, é preciso criar conexões com a comunidade local. Esses espaços
também devem atender às necessidades e formulações culturais do mundo
contemporâneo, atuando também como equipamento informacional. O centro deve
ser convidativo às pessoas e estimular seus usuários a expressarem seus
sentimentos e concepções. É importante possibilitar que se apropriem do espaço,
participando ativamente como produtores. Para isso, deve proporcionar práticas
interessantes, educativas e dinâmicas (RAMOS, 2007).
Além disso, todos os espaços devem apresentar adequação ambiental, em
especial, as salas de exposições e teatros. As salas de exposições devem
apresentar dimensões adequadas para facilitar a circulação e permitir diferentes
condições de ventilação e iluminação, atributos essenciais para a apreciação das
obras (NEVES, 2013). Ainda segundo Neves (2013), os sistemas de iluminação
realçam os objetos expostos tornando-os mais atrativos e auxiliam na delimitação do
espaço arquitetônico. Já em teatros os condicionantes acústicos são os principais
responsáveis por determinar o espaço arquitetônico.
Outro fator que pode ser destacado é que para o funcionamento adequado de
um Centro Cultural, são necessários espaços de apoio, contendo dependências
administrativas, almoxarifado, reservas técnicas, sanitários. Assim como, ambientes
propícios à reunião dos usuários como restaurantes, lanchonetes e cafés. Como
estes espaços podem funcionar fora do horário de atendimento do centro cultural,
são importantes para manter o centro em constante uso.
33

3 PRINCÍPIOS DA ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA

Este capítulo aborda a temática do conforto ambiental na arquitetura. É


apresentado o conceito de arquitetura bioclimática e as principais estratégias para
propiciar o conforto ambiental interno da edificação com o aproveitamento das
condições ambientais locais.
A arquitetura bioclimática consiste em projetar um edifício levando em
consideração as especificidades do clima e características ambientais do local em
que se insere. Assim, pretende-se atingir a eficiência energética e o conforto
ambiental interno através do aproveitamento de recursos passivos e das condições
ambientais (OLGYAY, 1998).
Para conceber esse tipo de arquitetura é fundamental considerar as variáveis
climáticas como temperatura, umidade, radiação solar e movimento do ar. Também
é imprescindível ter conhecimento do desempenho térmico de materiais da
envoltória e da cobertura do solo do entorno.
Além desses fatores climáticos e ambientais, a arquitetura bioclimática
engloba aspectos culturais e socioeconômicos. Na medida em que atua na criação
de padrões arquitetônicos a partir da necessidade climática e fisiológica local,
promove a identidade arquitetônica regional e contribui para a redução de custos
com sistemas de iluminação, ventilação e climatização. Por isso, trata-se de uma
complexa trama das relações entre as dimensões ambiental, cultural, social e
econômica (FERREIRA, 2015).
Ao longo da história da arquitetura é possível ver o uso de princípios
biclimáticos. Em razão da ausência de tecnologias de climatização e iluminação os
projetistas utilizavam técnicas construtivas e materiais adaptados às condições
climáticas e ambientais locais, a chamada arquitetura vernacular (LAMBERTS;
DUTRA; PEREIRA, 2014). O melhor exemplo dessa arquitetura no Brasil é a oca
indígena, que possui estrutura de madeira e taquaras e cobertura de palha ou folhas
de palmeira. (MOREIRA, 2019).
Diante da tendência moderna de criar um modelo de arquitetura internacional,
desprovido de adequação ambiental, em meados da década de 1960 surgiram
pesquisas acerca da relação entre ambiente construído, clima e seus processos de
troca de energia, tendo como objetivo final o conforto ambiental. Os irmãos Victor e
Aladar Olgyay foram percussores desse estudo, aplicaram conceitos da
34

bioclimatologia à arquitetura, criaram a expressão projeto bioclimático e


desenvolveram um diagrama bioclimático que propõe artifícios para adaptação da
arquitetura ao clima (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).
Mais especificamente sobre eficiência energética, para obter um menor
consumo de energia é necessário empregar de forma adequada sistemas passivos e
ativos. Em relação aos sistemas ativos é indicado o uso de sistemas de iluminação e
condicionamento do ar eficientes. Já os sistemas passivos normalmente fazem parte
do edifício, por conseguinte o edifício transforma-se num sistema de captação,
controle, regulação, acumulação e distribuição de energia necessária ao conforto
dos seus usuários (MONTEIRO, 2011). Para tanto, é indicado o uso de estratégias
bioclimáticas que contribuam para redução do consumo de energia.

3.1 Estratégias bioclimáticas

As estratégias bioclimáticas são alternativas ou soluções que visam atingir a


eficiência energética e o conforto ambiental interno através do aproveitamento das
condições ambientais. Para isso, essas estratégias devem ser definidas na fase
inicial da concepção arquitetônica, tomando-se como parâmetro o perfil climático da
localidade de implantação do projeto (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).
Através do estudo das variáveis climáticas ao longo do ano, para empregá-las no
projeto arquitetônico de forma integrada. A seguir são descritas as principais dessas
estratégias.

3.1.1 Inércia térmica

A inércia térmica é uma estratégia que pode ser útil tanto em períodos frios
quanto em quentes. O desempenho dessa estratégia depende das propriedades dos
materiais empregados na edificação. É preferível que sejam densos, de alta
capacidade térmica e baixa transmitância térmica (PROJETEEE, 2019).
O uso de parede constituída por materiais de alta inércia térmica possibilita
um atraso térmico do fluxo de calor, em razão de sua capacidade de armazenar
calor (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). Por isso é indicada para regiões que
sofrem grandes amplitudes térmicas em pequenos espaços de tempo.
35

Em períodos frios, as paredes e cobertura podem ser aquecidas pela


insolação direta e armazenar o calor à noite, quando as temperaturas são mais
baixas. Além do uso de fechamentos espessos, pode-se utilizar internamente
elementos de alta capacidade térmica, de forma que recebam radiação solar direta.
Já em períodos quentes, essa estratégia pode ser utilizada para resfriar o
interior do edifício. Para isso, é necessário o sombreamento das aberturas, a
redução da ventilação natural durante o dia e possibilitar a ventilação seletiva à noite
para retirar o calor acumulado durante o dia (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).
Outras aplicações para resfriamento são o teto jardim e a parede verde. A
composição solo e vegetação proporciona o aumento da massa térmica dos
fechamentos. Por conta do seu processo de fotossíntese, a vegetação absorve mais
calor e consequentemente contribui para a redução da temperatura interna do
edifício (LABAKI et al., 2011).

3.1.2 Aquecimento solar passivo

O aquecimento solar passivo consiste no uso da radiação solar direta para


aumentar a temperatura do interior do edifício. Por sua vez, esse aquecimento pode
ser direto ou indireto. O primeiro é feito através de aberturas ou superfícies
transparentes que permitem a passagem da radiação solar, que é refletida pelas
superfícies internas na forma de ondas longas. Como o vidro é quase opaco para
ondas desse tipo, há a retenção de calor (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).
Já o aquecimento indireto consiste no uso de elementos de alta inercia
térmica orientados para receber maior insolação ou associados com superfícies
envidraçadas. A Parede Trombe é um bom exemplo disso, que é composta por
materiais de alta capacidade térmica e uma superfície de vidro, que impede a perda
de calor por convecção e radiação para o exterior (PROJETEEE, 2019).

3.1.3 Resfriamento evaporativo

O resfriamento evaporativo é uma estratégia indicada para o resfriamento em


locais de clima seco e consiste na retirada de calor do ambiente por meio da
evaporação de água ou evapotranspiração de plantas. Quanto ao seu desempenho,
quanto mais rápida a evaporação da água maior é queda de temperatura do ar
(PROJETEEE, 2019).
36

Uma das possibilidades é o uso de gramado e árvores, que por conta de seu
metabolismo liberam água, contribuindo para a criação de um microclima. Também
pode ser utilizado teto jardim ou parede verde. Já outra aplicação é o uso de fontes
e espelhos d’água no exterior ou interior.

3.1.4 Sombreamento

O sombreamento é uma estratégia essencial para reduzir o impacto da


radiação solar. Para a sua aplicação pode ser usado elementos arquitetônicos como
beirais, toldos, marquises e brises, que sejam projetados para não prejudicar a
iluminação natural. Além disso, é necessário que o edifício seja bem orientado para
minimizar o uso de elementos adicionais. Também, árvores e outras plantas podem
ser utilizadas para sombrear o edifício (PROJETEEE, 2019).

3.1.5 Ventilação natural

A ventilação natural é uma estratégia que se baseia na diferença de pressão


do ar e pode ser usada para o seu resfriamento e renovação. Por isso, as aberturas
para ventilação precisam estar dimensionadas e posicionadas de forma a
proporcionar um fluxo de ar adequado para o ambiente. Também, por promover o
aumento das trocas de calor por convecção, a ventilação gera uma sensação de
conforto térmico (FROTA; SCHIFFER, 2007).
A ventilação cruzada e a ventilação por efeito chaminé são os dois principais
tipos de ventilação passiva, que podem ser adotados separadamente ou
conjuntamente. A primeira é resultado das diferenças de pressão do ar promovidas
pelo vento na edificação. Por isso é fundamental posicionar as aberturas em zonas
de pressão oposta.
Já a ventilação por efeito chaminé depende da pressão do ar resultante das
diferenças de densidade do ar. O ar mais frio, que é mais denso, exerce pressão sob
o ar quente, que é menos denso, forçando-o a subir e sair pela cobertura. Para isso,
pode ser utilizado lanternins, aberturas zenitais ou exaustores eólicos na cobertura.
37

3.1.6 Síntese das estratégias bioclimática

Para uma melhor compreensão das estratégias bioclimáticas estudadas,


nesse item é apresentado um quadro resumo com ilustrações e as principais
características de cada uma dessas estratégias (ver Quadro 1).

Quadro 1 - Resumo das estratégias bioclimáticas

Estratégia Ilustração Descrição

Consiste no uso de parede espessas


constituídas por materiais de alta
capacidade térmica, possibilita um
Inércia térmica
atraso térmico do fluxo de calor, sendo
indicada para localidades que
apresentam amplitude térmica elevada

Consiste no uso da radiação solar direta


Aquecimento para aumentar a temperatura do interior
solar passivo do edifício. Sendo indicado para
períodos frios do ano

Consiste na retirada de calor do


ambiente por meio da evaporação de
Resfriamento
água ou evapotranspiração de plantas,
evaporativo
sendo indicada para o resfriamento em
locais de clima seco

Para a sua aplicação pode ser usado


elementos arquitetônicos como beirais,
toldos, marquises e brises, que sejam
Sombreamento projetados para não prejudicar a
iluminação natural. Também, árvores e
outras plantas podem ser utilizadas para
sombrear o edifício

É uma estratégia que se baseia na


Ventilação diferença de pressão do ar, sendo
natural indicada para o resfriamento de
ambientes internos

Fonte: Adaptado de Projeteee (2019).


38

4 REFERÊNCIAS PROJETUAIS DE CENTROS CULTURAIS

Foram descritos e analisados três edifícios que funcionam como centros


culturais, os quais possuem as soluções projetuais que coincidem com a intenção do
projeto a ser desenvolvido. As principais soluções analisadas se referem à inserção
urbana, à disposição da volumetria e dos ambientes para contribuir para o convívio
social e ao uso de soluções arquitetônicas que aproveitam as condições ambientais
locais a fim de obter conforto térmico no interior do edifício. Esse estudo visa
complementar a fundamentação teórica concebida anteriormente e auxiliar na
concepção do projeto em questão.

4.1 Cais do Sertão

O Centro Cultural Cais do Sertão está localizado no centro histórico da cidade


de Recife às margens do rio Capiberibe e foi projetado pelos arquitetos Francisco
Fanucci e Marcelo Ferraz (Figura 10). A sua construção teve início em 2012 e foi
concluído em 2018. Possui área construída de 7.000 m² e um vasto acervo de
exposições sobre o estilo sertanejo e a trajetória do cantor Luiz Gonzaga
(GRUNOW, 2018).

Figura 10 - Implantação do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Google Earth Pro (2019).1

1GOOGLE EARTH PRO 7.3.3.7699. Centro Cultural Cais do sertão, Recife, Brasil. Coordenadas
8°03'38.45"S, 34°52'12.40"O. Elevação 10m. Imagem de 16 nov. 2019. Visualização em 14 out. 2019.
39

O partido arquitetônico foi desenvolvido a partir das características do local de


implantação. Em conformidade com a proposta urbanística do Município de manter
os galpões do porto, o projeto foi realizado com o aproveitamento de um deles para
abrigar a exposição permanente. Para isso, precisou ser reconstruído por apresentar
problemas estruturais. Já no seu lado foi construído um novo edifício, destinado a
abrigar exposições temporárias e outros ambientes (Figura11).

Figura 11 - Fachada oeste do novo edifício do Cais do Sertão

Fonte: Vada (2018).

Esta conexão do galpão com o edifício novo representa a relação entre


história e contemporaneidade. Também para valorizar a vista do mar o novo edifício
foi projetado com um vão livre de aproximadamente 60m. Além de reforçar a
conexão da cidade com as águas, cria um amplo espaço de convívio e que pode ser
utilizado para a realização de apresentações e exposições ao ar livre (Figura 12). Já,
com o propósito de aproximar os elementos arquitetônicos da cultura local e
inspirado na cor do solo do sertão nordestino, o concreto aparente foi pigmentado
em tonalidade amarelo ocre (VADA, 2018).

Figura 12 - Corte longitudinal do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Vada (2018).


40

A parte do Centro Cultural composto pelo galpão apresenta pé-direito duplo


com mezanino, estrutura em concreto protendido, fechamento em alvenaria e
cobertura com estrutura e telha metálicas (Figura 12). Já o novo edifício possui três
pavimentos, um terraço e estrutura em concreto protendido (VIEIRA, 2014).
Os ambientes estão distribuídos de forma linear, o que facilita a compreensão
dos ambientes, porém gera circulações horizontais extensas. A entrada principal do
Cais do Sertão fica em frente a uma praça construída para abrigar um juazeiro,
árvore típica do semiárido brasileiro. Essa praça contribui para a integração do
exterior com o interior e a convivência social. No pavimento térreo localiza-se
também a recepção, a sala multimídia de projeção 360°, a sala de exposição
permanente, a sala de espetáculo multimídia, a loja, o café e o vão livre (Figura 13).

Figura 13 - Planta baixa do pavimento térreo do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Vada (2018).

O segundo pavimento abriga a biblioteca, a discoteca multimídia, onde os


visitantes podem gravar versões de músicas do Rei do Baião, sala de exposição da
vida do músico, o salão de exposições temporárias 1, o auditório para 270 pessoas,
apoio e sala de produção das exposições (Figura 14).

Figura 14 - Planta baixa do primeiro pavimento do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Vada (2018).


41

O segundo pavimento possui duas salas de exposições temporárias, a


administração, a reserva técnica e a galeria do auditório (Figura 15). Por fim, no
terceiro pavimento estão localizados o restaurante, a área técnica e o terraço jardim
(Figura 16).

Figura 15 - Planta baixa do segundo pavimento do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Vada (2018).

Figura 16 - Planta baixa do terceiro pavimento do Cais do Sertão

Fonte: Adaptado de Vada (2018).

Objetos de Luiz Gonzaga e característicos do sertão (Figura 17), fotografias,


instalações interativas são expostas ao longo do Centro Cultural, com iluminação de
destaque que proporciona um cenário dramático (GRUNOW, 2018). Também há um
rebaixo no piso que simboliza o rio São Francisco e convida os visitantes a
percorrerem todas as exposições (Figura 18).

Figura 17 - Exposição de Luiz Gonzaga Figura 18 - Sala de exposição permanente

Fonte: Vieira (2014). Fonte: Vieira (2014).


42

Para possibilitar a eficiência energética e o conforto ambiental interno em uma


cidade de clima tropical, as fachadas noroeste e sudeste, as mais extensas, foram
cobertas com 2,2 mil cobogós (Figura 19). Os cobogós possuem dimensão de 1x1m
e foram desenhados exclusivamente para esse projeto, a forma foi inspirada na
galhada da Caatinga (VIEIRA, 2014). A superfície formada por esse cobogós filtra a
luz solar e sombreia as fachadas, consequentemente ameniza as temperaturas
internas e reduz o consumo do ar condicionado.

Figura 19 - Vista dos cobogós do Cais do Sertão

Fonte: Vada (2018).

A composição dos cobogós forma uma espécie de renda branca, que permite
uma vista agradável aos que estão dentro e fora do edifício. Também se optou pelo
uso de cobogós por terem origem justamente em Recife, assim trata-se também de
uma homenagem à arquitetura local.
Outra solução bioclimática empregada foi o uso do teto jardim com mais de
1200 m² (Figura 20). Como já mencionado, o teto jardim proporciona o aumento da
massa térmica na cobertura e reduz a temperatura dos ambientes internos. Para
esse projeto paisagístico foram utilizadas espécies vegetais do sertão e do agreste
brasileiro (VIEIRA, 2014).
43

Figura 20 - Vista do terraço jardim

Fonte: Vada (2018).

O Cais do Sertão consegue apresentar a vida do sertanejo de forma


encantadora e com grande tecnologia arquitetônica e expositiva. Também possui
uma arquitetura de grandes proporções e ao mesmo tempo adequada ao contexto
onde está inserida, como já foi mencionado. Por tudo isso, o Centro Cultural Cais do
Sertão é um símbolo da arquitetura cultural brasileira e um marco urbano na
paisagem da cidade de Recife.

4.2 Le Carton Voyageur

O Le Carton Voyageur localiza-se em Baud, cidade do noroeste da França. Foi


projetado em 2016 pelo Studio para um concurso, em que foi vencedor (Figura 21).
A proposta foi conceber um centro cultural que comportasse um importante acervo
de cartões postais e que possuísse arquitetura contemporânea, para se destacar em
relação as edificações do seu entorno, em sua maioria do estilo provençal.
(DELAQUA, 2016).

Figura 21 - Implantação do Le Carton Voyageur

Fonte: Adaptado de Google Earth Pro (2019).2

2GOOGLE EARTH PRO 7.3.3.7699. Le Carton Voyageur, Baud, França. Coordenadas


47°52'29.90"N, 3°48'15.13"O. Elevação 4m. Imagem de 08 jul. 2019. Visualização em 15 out. 2019.
44

Também, a topografia acidentada do terreno foi determinante na escolha do


partido arquitetônico. Para preservar o relevo, foram projetadas cinco volumes que
estão distribuídos na forma de cascata (Figura 22). Cada volume está rotacionado
com o ângulo de 20° em relação ao anterior, o que gera uma volumetria bastante
interessante e possibilita que cada um dos volumes possua uma vista única do
exterior. Ademais, essa distribuição evidencia os principais espaços do edifício:
auditório, biblioteca e exposições (BOSA, 2017).

Figura 22 - Elevação oeste

Fonte: Bosa (2017).

Os ambientes foram dispostos em quatro níveis, no térreo está o acesso


principal do edifício, sala multimídia, ateliê, escritórios, auditório e biblioteca (Figura
23.a). Esses dois últimos possuem pé-direito duplo. O primeiro pavimento abriga
cozinha, arquivo, sala de atividades e escritórios (Figura 23.b).

Figura 23 - Plantas baixas dos pavimentos térreo e primeiro do Le Carton Voyageur

(a) (b)

Hall
Escritório/ área técnica Hall
(a) Sanitários (b) Escritório/ área técnica
ACESSO Circulação vertical Sanitários
Circulação horizontal Circulação vertical
Biblioteca Circulação horizontal
Auditório Biblioteca
(a) Sala multimídia (b) Sala cênica
Recepção Cozinha
Atelier Arquivo
Sala de atividades

(a) (b)

PLANTA BAIXA PAVIMENTO TÉRREO PLANTA BAIXA PRIMEIRO PAVIMENTO

Fonte: Adaptado de Bosa (2017).

Já no segundo pavimento se encontra o acesso de serviços, administração e


áreas técnicas (Figura 24.a). Por fim, a Figura 24b apresenta o terceiro pavimento,
que abriga uma área para exposição permanente, a qual compreende uma coleção
45

de cartões postais, sala de exposições temporárias e sala de preservação


(DELAQUA, 2016).
Figura 24 - Plantas baixas dos pavimentos segundo e terceiro do Le Carton Voyageur

(a) (b)

(a) Hall (b)


Hall
Administração Escritório/ área técnica
Sanitários Sanitários
ACESSO Circulação vertical Circulação vertical
SERVIÇOS
(a) Circulação horizontal Circulação
(b) horizontal
Oficinas e áreas Exposição temporária
técnicas Exposição permanente
Sala de preservação
Atelier
(a) (b)

PLANTA BAIXA SEGUNDO PAVIMENTO PLANTA BAIXA TERCEIRO PAVIMENTO

Fonte: Adaptado de Bosa (2017).

Como pode ser observado nas plantas baixas, em todos os pavimentos os


ambientes estão posicionados em torno de um eixo, que é composto pela escada,
elevador e sanitários. Esse eixo funciona como o núcleo estrutural de edifício e
permite que cada ambiente seja facilmente acessado, o que garante uma circulação
eficiente.
A estrutura do Centro Cultural é de concreto armado, por ter ótima
durabilidade e se adaptar bem a volumetria escolhida. Já para proporcionar mais
leveza e harmonia ao edifício, utilizou-se amplas esquadrias de vidro com perfil
metálico na cor branca e revestimento externo metálico na cor branca (Figura 25).

Figura 25 - Vista da fachada leste

Fonte: Delaqua (2016).


46

Já para possibilitar o conforto dos usuários em uma cidade de clima


temperado marítimo, os principais ambientes foram projetados com grandes
aberturas nas fachadas leste e sul para recebem iluminação natural (Figura 26).
Como pode ser observado na Figura 27, foram feitos tetos verdes, o que garante
maior isolamento térmico e acústico nos ambientes (DELAQUA, 2016).

Figura 26 - Vista da biblioteca Figura 27 - Vista dos tetos verdes

Fonte: Delaqua (2016). Fonte: Delaqua (2016).

Por tudoFigura
isso,1o- Implantação
projeto do do
Centro cultural de Baud conseguiu vencer, além do
Centro Botín Fonte: www.archdaily.com.br
concurso, as dificuldades de sua implantação de forma inteligente. Possui uma
Fonte:
arquitetura de www.archdaily.com.br
destaque e, ao mesmo tempo, adaptada às condições ambientais do
local onde está inserido.

Figura 2 - Implantação do Fonte: www.archdaily.com.br


4.3 Centro Botín Centro Botín

O Centro Botín de Arte e Cultura localiza-se em Santander, cidade do norte


Figura 3 - Fachada norte do
da Espanha. FoiCentro
projetado pelo Atelier
BotínFigura 4- Renzo Piano Building Workshop e inaugurado
Fonte: www.archdaily.com.br
em 2017. FoiImplantação
concebido docom objetivo
Centro Botín de fomentar a atividade cultural na cidade e

reabilitar a zona
Fonte:portuária, onde está inserido (Figura 28). Essa região faz parte do
www.archdaily.com.br
centro histórico e é famosa pelos Jardins de Pereda, que foram construídos em 1905
e foram reformados para se integrarem ao Centro Botín (FUNDAÇÃO BOTÍN, 2013).
Figura 5 - Implantação do
Centro Botín

Fonte: www.archdaily.com.br
47

Figura 28 - Implantação do Centro Botín

Fonte: Adaptado de Google Earth Pro (2018).3

O edifício funciona como um elo entre a cidade e o mar. É composto por dois
volumes de tamanhos diferentes e arredondados que são unidos por passarelas
(Figura 29). Esses volumes estão parcialmente suspensos por pilotis, tendo parte
dos dois volumes em balanço sobre o mar (SBEGHEN, 2017). Essa disposição
permite que os visitantes contemplem a vista do mar tanto do térreo como das
passarelas e interior das exposições (Figura 30).

Figura 29 - Fachada norte do Centro Botín

Fonte: Sbeghen (2017).

3GOOGLE EARTH PRO 7.3.3.7699. Centro Botín, Santander, Espanha. Coordenadas 43°27'38.
26"N, 34°52'12.40"O. Elevação 10m. Imagem de 18 ago. 2018. Visualização em 16 out. 2019.
48

Figura 30 - Vista das passarelas do Centro Botín e da Baía de Santander

Fonte: Sbeghen (2017).

O volume maior abriga as exposições, restaurante e loja. Já o volume menor


abriga o centro educacional, composto pelo auditório, sala de oficinas e salas
multiusos (FUNDAÇÃO BOTÍN, 2013). Os ambientes estão distribuídos em torno
dos dois eixos de circulação vertical, o que garante a eficiência da circulação. No
térreo se encontra a loja e o restaurante (Figura 31).

Figura 31 - Planta baixa do pavimento térreo do Centro Botín

Fonte: Adaptado de Fundação Botín (2013).


49

No primeiro pavimento está sala de exposições 1, o auditório e a sala de


oficinas (Figura 32). Já no segundo pavimento está a sala de exposições 2 e as
salas multiuso (Figura 33). E na cobertura se encontra um terraço, para que os
visitantes possam melhor contemplar a vista de Santander e do mar.

Figura 32 - Planta baixa do primeiro pavimento do Centro Botín

Fonte: Adaptado de Fundação Botín (2013).

Figura 33 - Planta baixa do segundo pavimento do Centro Botín

Fonte: Adaptado de Fundação Botín (2013).

Todos esses espaços foram planejados com a máxima flexibilidade, a fim de


possibilitar a realização de diversas atividades. O auditório foi concebido como um
espaço multifuncional, pois tem uma área destinada a realização de concertos,
50

palestras, festivais e cerimônias. As salas apresentam diferentes tamanhos e podem


abrigar oficinas de artesanato, música, dança e cozinha (SBEGHEN, 2017).
Quanto ao sistema construtivo, a estrutura é composta por pilares e grandes
treliças de aço, que permitem vencer grandes vãos. Todo edifício é revestido com
280.000 peças cerâmicas arredondadas de cor pérola, que refletem a luz solar e o
brilho da água da Baía de Santander, como a Figura 34 apresenta (FUNDAÇÃO
BOTÍN, 2013.
Figura 34 - Vista do revestimento do Centro Botín

Fonte: Sbeghen (2017).

Como estratégia bioclimática foram utilizadas grandes esquadrias de vidro


nas fachadas sul e norte, garantindo iluminação natural e aquecimento solar passivo
(Figura 35). Além disso, a sala de exposições 2, iluminada zenitalmente, possui uma
cobertura composta por 4 camadas: a superior, de vidro serigrafado; abaixo desta,
está uma segunda camada de vidro; a terceira é composta de persianas de alumínio
controladas por sensores que possibilitam uma iluminação natural adequada à
demanda de luz e a camada inferior possui uma tela branca semitransparente que
distribui uniformemente a luz (SBEGHEN, 2017).

Figura 35 - Vista das esquadrias

Fonte: Sbeghen (2017).


51

Por apresentar uma arquitetura contemporânea, high tech e muito bem


integrada com a paisagem local, o Centro Botín de Arte e Cultura é um símbolo da
arquitetura internacional e marco da cidade de Santander. Também conseguiu
reabilitar a zona portuária juntamente com a renovação dos Jardins de Pereda.

4.4 Comparativo das referências projetuais

Para complementar a análise das referências projetuais, foi elaborado um


quadro resumo/comparativo (Quadro 2) reunindo os parâmetros considerados
relevantes para o desenvolvimento da proposta arquitetônica deste trabalho. São
eles: inserção no contexto urbano; condições ambientais do local; aspectos da
volumetria; programa arquitetônico; sistema estrutural e estratégias bioclimáticas.
Quadro 2 - Resumo das referências projetuais

Parâmetro Referências projetuais


avaliado
Cais do Sertão Centro Cultural de Baud Centro Botín
Apresenta arquitetura Apresenta arquitetura que Apresenta arquitetura que
que contrasta com contrasta com edifícios funciona como elo entre
Inserção no
edifícios existentes e existentes, se adequa ao os Jardins de Pereda e o
contexto
permite o convívio social relevo do terreno e mar e permite o convívio
urbano
e a contemplação do permite a contemplação social e a contemplação
entorno do entorno do entorno
Terreno plano localizado Terreno acidentado Terreno plano localizado
Condições
às margens do mar de localizado no centro de na Baía de Santander,
ambientais do
Recife, cidade que Baud, que possui clima cidade que possui clima
local
possui clima tropical temperado marítimo temperado marítimo
É composto por dois
É composto por cinco É composto por dois
volumes diferentes: um
Aspectos da blocos que estão volumes arredondados
galpão e um edifício em
volumetria posicionados na forma de apoiados sobre pilotis e
forma de bloco com
cascata unidos por passarelas
grande vão livre
Os ambientes estão
Os ambientes estão Os ambientes estão
distribuídos em torno em
distribuídos de forma distribuídos em torno do
Programa dos dois eixos de
linear e legível, mas eixo de circulação vertical,
arquitetônico circulação vertical e foram
exige grandes o que garante uma
desenhados com máxima
circulações horizontais circulação eficiente
flexibilidade
Apresenta sistema
Apresenta sistema
Sistema estrutural misto, com o É composto por estrutura
estrutural de concreto
estrutural uso predominante de metálica treliçada de aço
armado
concreto armado
Sombreamento com Aquecimento solar Aquecimento solar
cobogós e inércia passivo através do uso de passivo através do uso de
Estratégias
térmica para amplas esquadrias de amplas esquadrias de
bioclimáticas
resfriamento com uso de vidro e inércia térmica vidro e iluminação zenital
terraço jardim com o uso de tetos verdes com controle automático

Fonte: A autora (2019).


52

5 DIAGNÓSTICO DE LIMOEIRO DE ANADIA

Este capítulo aborda características de Limoeiro de Anadia, município para o


qual o projeto de centro cultural desenvolvido neste trabalho é destinado. É
apresentado um diagnóstico que engloba aspectos geográficos, históricos e
socioculturais e a política de preservação do patrimônio cultural do município.

5.1 Aspectos geográficos

Limoeiro de Anadia é um município brasileiro que fica localizado na


mesorregião do Agreste Alagoano e na microrregião de Arapiraca, com uma área de
316 km² (81,48 h/km²) e uma população recenseada em 2010 em 26.992 mil
habitantes. Se limita ao norte com os municípios de Coité do Noia e Taquarana, ao
sul com o município de Junqueiro, a leste com o município de Anadia, a oeste com o
município de Arapiraca, e a sudeste com o município de Campo Alegre (Figura 36).
Já o acesso a partir de Maceió é feito através das rodovias pavimentadas BR-316,
BR-101 e AL-220 (IBGE, 2010).

Figura 36 - Localização de Limoeiro de Anadia em Alagoas

Fonte: Adaptado de Abreu (2011).

O relevo do município de Limoeiro de Anadia, predominantemente (cerca


60%) faz parte da unidade dos Tabuleiros Costeiros. Esta unidade acompanha o
litoral de todo o Nordeste, apresenta altitude média de 50 a 100 metros. O restante
de sua área (cerca de 40%), se insere na unidade geoambiental do Planalto da
53

Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude variando entre 650 a
1.000 metros (CPRM, 2005).
Além disso, a bacia hidrográfica do município é composta pelo Rio Coruripe,
seu principal curso d'água com extensão de 16 km, seguido pelo Rio das Cruzes, na
divisa com Taquarana, extensão de 12 km, Rio Jequiá na divisa com Anadia e Rio
Piauí. Também é composta pelas lagoas de Jacaré, Pé Leve e Genipapo e os
riachos de Andrequicé, Caldeirão, Terra Nova e Gulandim, como a Figura 37
apresenta (BARBOSA FILHO, 2011).

Figura 37 - Mapa de Limoeiro de Anadia com rios e riachos

Fonte: Limoeiro de Anadia (2008).

5.2 Aspectos históricos

A cidade de Limoeiro de Anadia teve origem no final do século XVIII, quando


Antônio Rodrigues da Silva e sua família se mudaram de Taperagua, atual município
de Marechal Deodoro, para uma propriedade às margens do rio Coruripe, a fim de
criar bovinos. Em 1789, Antônio Rodrigues ao lado de sua residência construiu uma
54

capela, em torno da qual surgiu um vilarejo. Com o passar dos anos esse vilarejo se
desenvolveu e tornou-se um povoado conhecido como Limoeiro, que estava
localizado na região de Anadia (BARBOSA FILHO, 2011).
Quanto ao surgimento do nome do município, existe uma versão popular que
relaciona ao início do seu povoamento, quando os caçadores descansavam à
sombra de frondosos limoeiros, e por isso o povoado ficou conhecido como
Limoeiro. Há outra versão que relata o nascimento de um limoeiro ao lado da capela
construída por Antônio Rodrigues, a qual foi consagrada à Santa Cruz e à Nossa
Senhora da Conceição de Limoeiro (BARBOSA FILHO, 2011).
Em 1882 Limoeiro consegue emancipação política, com a criação da vila e do
município. Em 1901 a vila é elevada à categoria de cidade (Figura 38). No início do
século XX o município era composto pelos territórios dos atuais municípios de
Arapiraca, Craíbas, Lagoa da Canoa, Coité do Noia e Taquarana. Em 1943 houve a
mudança do nome do município para Limoeiro de Anadia e no decorrer do século
XX passou por várias divisões territoriais (BARBOSA FILHO, 2011).

Figura 38 - Limoeiro de Anadia em 1957

Fonte: IBGE (2010).

Quanto a economia, no século XX a agropecuária e o comércio eram as


principais atividades econômicas do município. No que se refere ao comércio, a feira
livre era o principal setor e oferecia uma grande variedade de produtos. Nas
atividades industriais, o município era representado com fábricas de vapor, para
55

beneficiamentos de algodão, engenhos de açúcar; alambique de aguardente; casas


de farinha e olarias para a fabricação de telhas e tijolos (BARBOSA FILHO, 2011).
Quanto à educação, até meados do século XX, como na maioria dos
povoados da antiga província alagoana, os padres eram os únicos que
alfabetizavam os menos favorecidos. Já os ricos proprietários de terras e os
comerciantes mandavam seus filhos estudarem na capital. Porém, devido ao baixo
desenvolvimento do setor educacional, poucas pessoas tinham condições para
estudar. A primeira escola foi construída em 1939, o Grupo Escolar Estadual
Francisco Domingues da Silva (BARBOSA FILHO, 2011).
Segundo o censo do IBGE (2010), limoeiro de Anadia possui 22 postos de
saúde, 20 escolas infantis, 24 escolas de ensino fundamental,1 escola de ensino
médio, 1 banco, 34 entidades sem fins lucrativos nas áreas de educação e pesquisa,
5 instituições religiosas e 148 empresas atuantes. Além disso, atualmente possui 13
secretarias municipais, entre as quais a Secretaria de Cultura.

5.3 Aspectos socioculturais

Já a formação cultural é resultado dos povos que habitaram esse território:


índios, colonos e afrodescendentes. Os índios foram os primeiros habitantes das
terras de Limoeiro de Anadia. Embora, não exista ajuntamentos indígenas na
região, os vários vestígios arqueológicos encontrados comprovam isso. Entre esses
vestígios se destacam as igaçabas, potes cerâmicos que eram utilizados para
guardar água e passavam a servir como urnas funerárias, quando morriam os
habitantes da aldeia (BARBOSA FILHO, 2011).
Os colonos foram responsáveis por introduzir a religião católica, festividades
juninas, a criação bovina, o plantio de cana-de-açúcar, a produção de açúcar e o
comércio na região. Segundo Rafael (1994) no município de Limoeiro existiam 14
engenhos para a fabricação de açúcar e rapadura. Diferente de outros municípios
alagoanos, em Limoeiro as fazendas não possuíam a casa grande, apenas as casas
de engenho que eram menores (DIÉGUES, 2006, apud BARBOSA FILHO, 2011).
Também os donos de escravos tinham poder aquisitivo menor, a maioria
possuía no máximo cinco escravos. Com a libertação dos escravos após a Lei
Áurea, os engenhos passaram a ter muita dificuldade para manterem as produções,
o que resultou na desativação da maioria. Quanto a contribuição dos
56

afrodescendentes para a cultura de Limoeiro de Anadia se destacam os grupos de


capoeira, as taeiras, grupos de dança de caráter religioso afro-brasileiro que faz
louvação a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário, e a dança folclórica dos
Quilombos (BARBOSA FILHO, 2011).
Além disso, a produção artesanal desde o início do século XX era bastante
expressiva, inclusive artistas mestres locais faziam oficinas. Essa atuação contribuiu
para o desenvolvimento simultâneo dos setores cultural e econômico locais. Assim,
os aprendizes poderiam comercializar suas próprias produções. Como Gilberto
Barbosa Filho (2011, p. 151) escreveu:

[...]existiam oficinas, onde artistas populares como Manuel Martins da Silva


Limoeiro, João Canuto de Andrade e João Alves da Silva trabalhavam,
desde fins do século XIX, fazendo peças de barro, de ferro e outros
materiais. Todos esses acontecimentos foram primordiais para a melhoria
do nível de vida da população.

Com o desenvolvimento do município, a produção e as apresentações


artístico-culturais aumentaram significativamente. Desde a década de 1930 as
festividades são animadas por bandas musicais e peças teatrais. Na década de
1950 fez muito sucesso nas festividades a banda de pífano de Antônio Braúna. Já
na década de 1990, surgiram outras bandas musicais, o Pastoril, o Reisado, desfile
de carroças nas festas juninas, entre outras manifestações culturais (BARBOSA
FILHO, 2011).
Infelizmente, muitas manifestações culturais deixaram de existir por falta
engajamento popular e do poder público. Atualmente, há cinco grupos culturais mais
atuantes no Município: o Quilombo, o Quilombo Juvenil, a Banda Cheiro da Terra, a
Banda Fanfarra da Escola Nossa Senhora da Conceição e o Grupo de Capoeira
Águia Negra. Os principais grupos e manifestações culturais de Limoeiro de Anadia
estão descritos a seguir:

5.3.1 Quilombo

O Quilombo é um folguedo que surgiu em Limoeiro de Anadia no final do


século XIX, sob a organização de um ex-escravo, conhecido como João Gruta. Esse
folguedo se caracteriza pela luta entre negros, brancos e índios e pelo uso de
figurinos coloridos e bastante ornamentados. Atualmente o grupo é organizado pelo
Mestre Nelson Antônio, que participa do folguedo há 34 anos, e possui trinta e dois
57

integrantes, com faixa etária de 17 a 72 anos. Quanto às apresentações, eles se


apresentam nas festividades dedicadas ao padroeiro São Sebastião e em outras
festividades culturais alagoanas (Figura 39).

Figura 39 - Apresentação do Quilombo em Limoeiro de Anadia

Fonte: Acervo de Mônica Maria (2019).

Os ensaios são realizados nos dias que antecedem os eventos no anfiteatro


da cidade. Segundo o Mestre Nelson Antônio4, o espaço é adequado e não
enfrentam problemas a esse respeito. Já no que se refere ao vestuário, eles
enfrentam problemas quanto ao armazenamento. Conforme relatou, os figurinos e
adereços, que são produzidos artesanalmente com muitos ornamentos, são
guardados dentro de caixas de papelão na residência de um funcionário da
Secretaria de Cultura do Município, o que prejudica a conservação dos mesmos.

5.3.2 Quilombo Juvenil

Já o grupo Quilombo Juvenil foi criado em 2008 pela professora de história


Mônica Maria com o apoio do Mestre Nelson Antônio, com o intuito de preservar o
folguedo Quilombo no Município, através do ensino para crianças e adolescentes.
Atualmente é organizado pela professora Mônica Maria e possui 18 integrantes com

4 Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com o Mestre Nelson Antônio, através de
formulário (Apêndice B), no dia 17 de novembro de 2019, Limoeiro de Anadia-AL.
58

faixa etária de 8 a 18 anos, que residem no povoado Cadoz. O grupo se apresenta


geralmente em eventos escolares do Município e já se apresentaram em outras
cinco cidades (Figura 40).
Os ensaios contam com o ensino do Mestre Nelson Antônio e ocorrem na
casa da professora Mônica Maria localizada também no povoado Cadoz, pois a
Secretaria de Cultura não disponibiliza espaços apropriados para esse tipo de
atividade. Os figurinos também são armazenados na casa da professora, embora
não possua infraestrutura para isso5.

Figura 40 - Apresentação do Quilombo Juvenil em Limoeiro de Anadia

Fonte: Acervo de Mônica Maria (2019).

5.3.3 Banda Cheiro da Terra

A Banda Cheiro da Terra é uma banda de pífanos que surgiu na década de


1990 sob a liderança do Mestre Antônio Argemiro. A Banda possui seis integrantes,
que tocam dois pífanos, uma zabumba, uma caixa, um tarol e um par de pratos. As
bandas de pífanos são tracionais no Município, todas as apresentações do Quilombo
ocorrem ao som de uma banda de pífanos (Figura 41). Além disso, a Banda se
apresenta em outras festividades de Alagoas. Os ensaios ocorrem normalmente nas
casas dos integrantes da banda, onde se sentem confortáveis. Atualmente, os
integrantes residirem em localidades distantes, o que dificulta um pouco a realização

5Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com a professora Mônica Maria, através
de formulário (Apêndice B), no dia 17 de novembro de 2019, Limoeiro de Anadia-AL.
59

dos ensaios. Dois dos integrantes moram em Coité do Nóia e um em Taquarana.


Apesar das dificuldades, a Banda Cheiro da Terra luta para preservar a tradição6.

Figura 41 - Apresentação da Banda Cheiro da Terra

Fonte: Acervo de Iuri D’ Magalhães (2014).

5.3.4 Banda de Fanfarra da Escola Nossa Senhora da Conceição

A Banda de Fanfarra da Escola Nossa Senhora da Conceição surgiu em


2003, e conta com cerca de 40 integrantes, com faixa etária de 14 a 20 anos. Desde
2004 tem como responsável o policial militar Gilvan Gonçalves, que também
desempenha a função de maestro. A banda se apresenta nas diversas festividades
do Munícipio e já se apresentou em outras quinze cidades alagoanas (Figura 42).
Inclusive já recebeu diversos prêmios, sendo campeã em duas competições de
bandas fanfarras do estado de Alagoas.
Os ensaios ocorrem três vezes por semana na Quadra Poliesportiva da
cidade. Segundo o maestro7, o espaço é adequado, pois é amplo e localiza-se longe
da escola. Dessa maneira, os ruídos não interferem na realização de aulas. Os
figurinos e instrumentos são armazenados na Escola Nossa Senhora da Conceição,

6Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com João Domingos, ex-músico da
Banda Cheiro da Terra e tocador de pífano há 69 anos, através de formulário (Apêndice B), no dia 22
de novembro de 2019, Limoeiro de Anadia-AL.

7Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com o maestro Gilvan Gonçalves,
através de formulário (Apêndice B), no dia 20 de janeiro de 2020, Arapiraca-AL.
60

em uma sala exclusiva para isso. Ainda segundo o maestro esse espaço está
adequado para as necessidades da banda.
Figura 42 - Apresentação da Banda de Fanfarra da Escola Nossa Senhora da Conceição

Fonte: Acervo de Gilvan Gonçalvez (2019).

5.3.5 Grupo de Capoeira Águia Negra

O grupo de capoeira de Limoeiro de Anadia começou em 2016, com a


organização geral do professor Edson Pedro e faz parte do Grupo de Capoeira
Águia Negra, que tem sede na cidade de Marechal Deodoro/AL. Atualmente possui
27 integrantes com faixa etária de 4 a 45 anos (Figura 43). O grupo se apresenta
principalmente no mês de novembro, em razão do Dia Nacional da Consciência
Negra, em escolas, eventos culturais do Município e em eventos organizados pelo
próprio grupo8.

8Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com o Gabriel Paulino, capoeirista e
organizador do Grupo de Capoeira Águia Negra de Limoeiro de Anadia, através de formulário
(Apêndice B), no dia 20 de dezembro de 2019, Limoeiro de Anadia -AL.
61

Figura 43 - Grupo de Capoeira Águia Negra de Limoeiro de Anadia

Fonte: Acervo de Edson Santos (2019).

O grupo além de ter o objetivo de preservar e valorizar a cultura afro-


brasileira, o grupo é um instrumento de ação social. Muitos alunos que são
recebidos no grupo enfrentam problemas com vandalismo, para contornar essa
realidade é dado apoio através da Capoeira e é fortalecido o trabalho em equipe. Os
treinos ocorrem três vezes por semana na Quadra Poliesportiva do povoado
Genipapo. O espaço é amplo, mas não tem equipamentos específicos para o treino
de luta, o que dificulta os treinos9.

5.3.6 Outras manifestações culturais

Também existem diversos artistas plásticos e artesãos que fazem pinturas,


esculturas, bordado, crochê, (Figuras 44, 45 e 46). O artista plástico Jackson Lima,
que faz esculturas com material reciclado e pinturas, já teve seu trabalho exposto
em diversas cidades de Alagoas e em outros três estados brasileiros. Ademais, já
recebeu convite para apresentar suas obras na Europa10. Entretanto, a maioria dos
artistas plásticos do município são desconhecidos pela falta de divulgação. Entre

9Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com o Gabriel Paulino, capoeirista e
organizador do Grupo de Capoeira Águia Negra de Limoeiro de Anadia, através de formulário
(Apêndice B), no dia 20 de dezembro de 2019, Limoeiro de Anadia -AL.

10Entrevista estruturada realizada pela autora deste trabalho com o artista plástico Jackson Lima,
através de formulário (Apêndice B), no dia 19 de setembro de 2019, Limoeiro de Anadia –AL.
62

outros motivos, isso se deve à ausência de um centro cultural destinado a promover


a cultura e a arte local.

Figura 44 - Quadro pintado à mão do artista Jackson Lima

Fonte: A autora (2019).

Figura 45 - Esculturas feitas com materiais Figura 46 - Escultura em madeira do


recicláveis do artista Jackson Lima artista Wallan Souza

Fonte: A autora (2019). Fonte: Acervo de Wallan Souza (2019).


63

O município também possui bandas de forró e cantores independentes.


Geralmente esses artistas se apresentam nas festas juninas organizadas pelas
escolas, na festa de emancipação política e nas festas dos padroeiros do município
São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, festividades que atraem um grande
público.

5.4 Política de preservação do patrimônio cultural

O Plano Diretor é o principal instrumento que estabelece procedimentos


normativos para a política de desenvolvimento do setor cultural de Limoeiro de
Anadia. Apresenta objetivos, diretrizes e propostas para preservar e promover o
patrimônio histórico, artístico, cultural e arqueológico do município.
Segundo o Plano Diretor de Limoeiro de Anadia, as referências para o
patrimônio cultural material são: templos religiosos; Cemitério Municipal; feira livre;
casa do Sr. Valmir, casa do pai de Eurico, cartório do Sr. Valdomiro; prefeitura;
coreto da Praça Romão Gomes; mirante da cidade; Escola Francisco Domingues;
Ginásio de Esportes; praças públicas; Reservatório de Água Nossa Senhora da
Conceição; casa grande da Fazenda Genipapo; cemitérios do Peri-peri e Genipapo
e sítios arqueológicos em Mamoeiro e Taquarana (LIMOEIRO DE ANADIA, 2008).
Já as referências para o patrimônio cultural imaterial são: festas religiosas;
Semana Santa; festas juninas; comemoração da Emancipação Política; festas de
Natal e Ano Novo; Carnaval e as outras diversas manifestações culturais de
literatura, poesia, artes plásticas e visuais, artes cênicas, artesanato, música e
dança (LIMOEIRO DE ANADIA, 2008).
Os objetivos centrais da política de preservação do patrimônio cultural de
Limoeiro de Anadia se referem ao fortalecimento, à divulgação e à integração da
cultura local, conforme o Art. 43 do Plano Diretor. Entre as diretrizes destacam-se:
implantação de espaços culturais em diversas localidades; estímulo a preservação
das manifestações existentes que valorizem a cultura; criação e manutenção de
espaços públicos culturais descentralizados, devidamente equipados e capazes de
garantir a produção, divulgação e apresentação das manifestações culturais,
científicas e artísticas do município (LIMOEIRO DE ANADIA, 2008).
Além disso, no Art. 46 são indicadas propostas para o setor cultural, entre
elas destacam-se: criar um espaço cultural na zona urbana para a permanente
64

exposição das riquezas culturais e artísticas do município, destinar espaço


específico para a realização de oficinas de artesanato e cursos profissionalizantes
junto ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), valorizar a história local
e investir nas manifestações culturais do município, buscando assim promover e
fortalecer a geração de emprego e renda (LIMOEIRO DE ANADIA, 2008).
Atualmente, na cidade de Limoeiro de Anadia existe apenas dois espaços
culturais: um anfiteatro (Figura 47) e uma biblioteca pública (Figura 48). O anfiteatro
é destinado a apresentações artísticas, possui palco, arquibancada, uma pequena
sala que foi construída para funcionar como camarim e um banheiro. Segundo o
Secretário de Cultura Daniel Wagne da Silva Duarte, o anfiteatro também será
utilizado para a realização de oficinas e cursos de artesanato, música e pintura 11,
devido à ausência de espaços mais adequados para esse fim.

Figura 47 - Anfiteatro de Limoeiro de Anadia

Fonte: A autora (2019).

A biblioteca pública funciona no mesmo edifício da Secretaria da Cultura


(Figura 48). Conta um pequeno acervo de livros e computadores para a realização
de pesquisas. Entretanto, por ser um pequeno edifício, há choque entre esses dois
usos, pois os computadores são utilizados também pelos funcionários da secretaria.

11
Entrevista semiestruturada realizada pela autora deste trabalho com o Secretário de Cultura Daniel
Wagne da Silva Duarte, no dia 19 de setembro de 2019, Limoeiro de Anadia-AL.
65

Assim, percebe-se a necessidade de construção de novos espaços para abrigar as


diversas manifestações culturais do município.

Figura 48 - Biblioteca de Limoeiro de Anadia

Fonte: A autora (2019).

5.5 Demandas culturais do município

Com o intuito de projetar um centro cultural que atenda as principais


necessidades apontadas por seus usuários, foram aplicados questionários com cem
estudantes da rede pública de ensino da cidade de Limoeiro de Anadia acerca das
manifestações culturais locais e as principais necessidades a esse respeito (ver
Apêndice A). Também foram realizadas entrevistas estruturadas com os principais
representantes dos grupos culturais do município, através de um formulário que
abordou questões acerca de sua história, suas características e suas necessidades
quanto a infraestrutura (ver Apêndice B).
Conforme os estudantes responderam nos questionários quanto às
manifestações culturais do município que conhecem, 24 dos 100 estudantes não
conhecem ou não se lembram de manifestações culturais locais, percentual
preocupante. Já os outros 76 estudantes conhecem ao menos uma manifestação
cultural, conforme responderam: 50 conhecem o Quilombo; 33 conhecem ao menos
um grupo de música ou cantores; 21 conhecem ao menos um artista plástico; 18
conhecem o Grupo de Capoeira; 17 conhecem as festas juninas organizadas pelas
66

escolas; 2 conhecem as festas religiosas e 2 conhecem pelo menos um grupo de


dança (Figura 49).

Figura 49 - Manifestações culturais mais conhecidas pelos alunos

Fonte: A autora (2019).

Os estudantes também avaliaram os espaços culturais existentes, conforme a


Figura 50 apresenta. Trinta e um por cento dos estudantes consideram os espaços
adequados e suficientes. Os outros 69% consideram que esses espaços são
inadequados ou insuficientes. Esses mesmos estudantes sugeriram a criação de
uma biblioteca ampla, de salas de oficinas, museu, espaço para mostra
cinematográficas, espaço para realizações de ensaios e laboratório de informática.

Figura 50 - Avaliação do aluno acerca da qualidade dos espaços culturais existentes

Fonte: A autora (2019).

Todos os cem estudantes indicaram em sua opinião quais as atividades que


um centro cultural para o munícipio deveria oferecer. Conforme a Figura 51
apresenta, as atividades mais indicadas foram shows musicais, aulas de dança,
67

peças teatrais, aulas de música e de pintura. Embora as outras atividades elencadas


(exposições de história, exposição de arte, venda de obras de arte e aulas de
escultura) tenham recebido menos indicações, todas as atividades receberam uma
votação expressiva, o que demonstra o interesse dos estudantes pela realização das
mesmas.

Figura 51 - Atividades que um centro cultural para o munícipio deveria oferecer segundo os
estudantes

Fonte: A autora (2019).

A partir do resultado das entrevistas realizadas com os artistas, foi possível


agrupar as suas principais necessidades, conforme o Quadro 3 apresenta. O grupo
Quilombo necessita de espaço adequado para a armazenagem de figurinos e
camarim. O Quilombo Juvenil precisa de amplo espaço para a realização de
ensaios, espaço adequado para a armazenagem de figurinos e camarim.
As bandas Cheiro da Terra e a Fanfarra da Escola Nossa Senhora da
Conceição têm como necessidade apenas espaço para as apresentações. Conforme
relato não possuem problemas quanto aos ensaios e armazenamento de
instrumentos e figurinos. O Grupo de Capoeira necessita de equipamentos de treino
e de luta e espaço amplo para apresentações (ver Quadro 3).
Os artistas plásticos e artesãos precisam de Salas de exposições, loja de
obras de arte e artesanato, assim como de salas de oficinas. Os cantores e músicos
precisam de sala de espetáculo, camarins e sala de aula de música (ver Quadro 3).
68

Quadro 3 - Necessidades dos grupos culturais

Grupo cultural Principais necessidades quanto a espaço cultural

Quilombo Espaço adequado para a armazenagem de figurinos, camarim

Amplo espaço para a realização de ensaios, espaço adequado para a


Quilombo juvenil
armazenagem de figurinos e camarim

Banda Cheiro da Terra Espaço para as apresentações ao ar livre

Banda de fanfarra Espaço amplo para as apresentações ao ar livre

Equipamentos de treino de luta, espaço amplo para apresentações ao


Grupo de Capoeira
ar livre

Artistas plásticos Salas de exposições, loja de artesanato, sala de oficinas

Cantores e músicos Sala de espetáculo, camarins, sala de aula de música

Fonte: A autora (2019).

Assim, a partir das entrevistas e dos questionários aplicados constatou-se a


necessidade dos seguintes espaços: espaço amplo para apresentações ao ar livre;
espaço amplo para ensaios; camarins; espaço adequado para a armazenagem de
figurinos; espaço amplo para a realização de shows musicais; sala de espetáculos;
salas de aula de dança e de música; salas de oficinas de pintura e artesanato;
museu de história de artes populares; biblioteca pública em espaço adequado e loja
de artesanato e obras de arte produzidas pelos artistas locais. Tendo como base
essas necessidades, foi desenvolvida a proposta de um Centro Cultural para
Limoeiro de Anadia.
69

6 CONDICIONANTES PROJETUAIS

Neste Capítulo são apresentados os diversos fatores que influenciaram


diretamente no processo de concepção do Centro Cultural. São abordadas as
características do terreno e do seu entorno. Em seguida, são apresentados os
condicionantes físico-ambientais, legais e normativos que foram considerados para
desenvolver uma proposta arquitetônica adequada ao ambiente na qual se insere.

6.1 Análise do terreno e entorno

Para a realização do projeto do Centro Cultural para Limoeiro de Anadia foi


escolhido um terreno que se encontra no centro da cidade. Além de ter uma
localização privilegiada, tem uma ótima vista do rio Coruripe e da paisagem de
morros do entorno da cidade e possui dimensões razoáveis para comportar um
projeto de Centro Cultural para a cidade. O terreno apresenta fácil acesso e está
próximo de importantes edifícios públicos como a Prefeitura, a Biblioteca pública, a
Secretaria de Cultura, o Anfiteatro e a Igreja Nossa Senhora da Conceição do
Limoeiro, como ilustra a Figura 52.

Figura 52 - Localização do terreno

Fonte: Adaptado de Google Earth Pro (2016).12

12GOOGLE EARTH PRO 7.3.3.7699. Limoeiro de Anadia, Brasil. Coordenadas 9°49'17"S 36°30'11"
O. Elevação 159m. Imagem de 07 jun. 2016. Visualização em 12 nov. 2020.
70

O terreno ao todo possui área de 5680,6m², com frente de 43m para a Rua
Cônego Jacinto, fundos para o Rio Coruripe. Além disso, o terreno é bastante
acidentado, possui declive de 21m (Figura 53).

Figura 53 - Dimensões e topografia do terreno

Fonte: A autora (2020).

Esse terreno abrange quatro terrenos: um terreno vazio, dois ocupados com
edificações em ruínas e um ocupado com um pequeno edifício público de saúde que
atende a gestantes, chamado Casa Mamãe e Bebê. Esse atendimento pode ser
realocado para a Unidade Mista de Saúde Nossa Senhora das Dores, que
recentemente foi ampliada e já presta esse atendimento (Figura 54).

Figura 54 - Vista frontal do terreno

Fonte: A autora (2020).


71

As duas edificações em ruínas são residências. A primeira foi construída em


alvenaria há cerca de dez anos, entretanto, por ter sido abandonada, está em
processo de degradação. Por outro lado, a segunda residência foi construída há
mais de setenta anos, possui estrutura de taipa de mão e encontra-se em grave
estado de degradação.
Além disso, parte do terreno se encontra na Área de Preservação
Permanente do Rio Coruripe, que corresponde a uma faixa não edificante. O entorno
é composto principalmente por estabelecimentos comerciais, edifícios públicos,
residenciais e mistos (Figura 55).

Figura 55 - Mapa de uso e ocupação do entorno do terreno

Fonte: A autora (2020).


72

Quanto ao gabarito, a maioria dessas edificações possui um pavimento, como


pode ser observado na Figura 56. Quanto aos estilos arquitetônicos, a maioria são
em estilo Art Déco, estilo Eclético e estilo Moderno (Figura 57).

Figura 56 - Mapa de gabaritos do entorno do terreno

Fonte: A autora (2020).

Figura 57 - Vista da rua Cônego Jacinto

Fonte: A autora (2020).


73

6.2 Condicionantes físico-ambientais

Como abordado no quarto capítulo, a fim de adequar a proposta ao clima


local, é necessário analisar o comportamento das variáveis climáticas da região.
Entretanto, não existem dados climáticos de Limoeiro de Anadia, por isso foram
considerados os dados climáticos de Arapiraca, cidade vizinha que está distante 20
km aproximadamente.
O clima de Arapiraca é semiárido, composto basicamente de duas estações:
uma úmida, no período entre os meses de maio e setembro, no qual as
temperaturas do ar são menos elevadas e a umidade relativa do ar é alta; e a outra
seca, no período entre os meses de outubro e abril, quando as temperaturas
atingem níveis relativamente altos e a umidade do ar é baixa (SILVA, 2017).
Além disso, apresenta pluviosidade extremamente irregular, com um regime
de chuvas concentradas nos meses de maio, junho e julho (SILVA, 2017). O Quadro
4 descreve esses dois períodos climáticos quanto as variáveis temperatura do ar,
umidade relativa do ar, amplitude térmica e pluviosidade.

Quadro 4 - Resumo de características climáticas de Arapiraca

Quente e úmido Quente e seco


Variáveis
Maio - Setembro Outubro - Abril

Temperatura média geralmente


Temperatura média geralmente acima dos
abaixo dos 25°C. com mínimas
25°C, com mínimas absolutas acima de
Temperatura absolutas próximas aos 17°C e
18°C e máximas absolutas por volta de
máximas absolutas geralmente
35°C
abaixo dos 33°C
Umidade relativa média abaixo dos 80%,
Umidade relativa média próxima aos
com mínima absoluta geralmente abaixo
Umidade 85%, com mínima absoluta por volta
de 40% podendo atingir valores menores
relativa de 45% e máxima absoluta acima de
que 20% e máxima absoluta acima de
90% o ano inteiro
90% o ano inteiro

Amplitude geralmente abaixo dos Amplitude geralmente acima dos 10°C,


Amplitude
10°C, com mínima de 6,6°C e com mínima por volta de 8,3°C e máxima
térmica
máxima de 11,9°C de 13,5°C

Pluviosidade média acima de Pluviosidade geralmente abaixo dos


Pluviosidade 100mm, de 2,2mm à máxima de 100mm, com mínima de 0mm e máxima
304,2mm de 226,2mm

Fonte: Adaptado de Silva (2017).


74

A Figura 58 apresenta as temperaturas do ar médias de Arapiraca no ano de


2010, considerado o Ano Climático de Referência dessa cidade. Como pode ser
observado, na primavera e verão as temperaturas são mais altas e no inverno as
temperaturas são mais baixas. Dezembro foi o mês mais quente, com máxima média
de 33,2°C e o mês mais frio foi agosto, com mínima média de 18,6°C. A amplitude
térmica foi maior nos meses do verão, com valores médios acima de 10°C (SILVA,
2019).

Figura 58 - Gráfico de temperatura do ar média mensal de Arapiraca em 2010

Fonte: Silva (2019).

Quanto a umidade do ar, como a Figura 59 ilustra, nos meses do verão foram
registrados os menores valores, alcançando aproximadamente 33% de umidade
relativa mínima, enquanto que no inverno foram registrados os maiores valores,
alçando aproximadamente 94% (SILVA, 2019).

Figura 59 - Gráfico de umidade relativa do ar média mensal de Arapiraca em 2010

Fonte: Silva (2019).

A precipitação em Arapiraca se concentra no período do ano com


temperaturas do ar mais baixas e maiores valores de umidade relativa do ar, que
corresponde ao intervalo de abril a setembro (SILVA, 2019). A precipitação máxima
75

média mensal entre os anos de 2009 e 2016 foi de 145,6mm, correspondente ao


mês junho. Já a precipitação mínima média mensal entre os anos de 2009 e 2016 foi
de 13,0mm, correspondente ao mês novembro (Figura 60).

Figura 60 - Gráfico de precipitação média mensal de Arapiraca, de 2009 a 2016

Fonte: Adaptado de Silva (2019).

Como pode ser observado na Figura 61, as velocidades dos ventos


predominantes máximas médias correspondem a aproximadamente 3,2m/s,
registradas nas direções sudeste e leste na primavera e verão. As velocidades dos
ventos predominantes mínimas médias correspondem a aproximadamente 0,5m/s,
registradas nas direções oeste e noroeste no outono e inverno. Além disso, as
direções leste e sudeste possuem maior frequência de ventos. No verão e primavera
cerca de 60% dos ventos são da direção leste e no outono e inverno a frequência de
ocorrência dos ventos é superior na direção sudeste, que corresponde
respectivamente a 25% e a 45%.

Figura 61 - Rosa dos ventos com velocidade e frequência dos ventos de Arapiraca em 2010

Fonte: A autora, desenvolvida com o software Analysis SOL-AR (2019).


76

Para a escolha das estratégias bioclimáticas para o a proposta do projeto,


foram analisadas as indicações da norma NBR 15220-3:2005 – Desempenho
térmico de edificações e da Carta de Givoni. A NBR 15220-3 de 2005, Norma de
Desempenho Térmico de Edificações – Parte 3, estabelece o Zoneamento
bioclimático brasileiro e apresenta diretrizes construtivas que otimizam o
desempenho térmico de habitações. Embora essa norma não seja direcionada para
habitações unifamiliares de interesse social e o zoneamento apresentado seja
considerado generalista por muitos pesquisadores, este contribui para a
identificação de estratégias bioclimáticas aplicáveis à envoltória da edificação, a fim
de obter condições mínimas de conforto térmico.
O Zoneamento bioclimático brasileiro é composto por oito zonas bioclimáticas
(Figura 62). A cidade de Limoeiro de Anadia está localizada na Zona Bioclimática 8,
assim como Arapiraca. Como o Quadro 5 apresenta, as indicações para essa zona
são: ventilação cruzada durante todo o ano; uso de aberturas grandes e
sombreadas, com área superior a 40% do piso; paredes e coberturas leves e
refletoras, com transmitância térmica igual ou inferior a 3,6 W/m2.K e 2,3 W/m2.K
respectivamente (ABNT, 2005).

Figura 62 - Zoneamento bioclimático brasileiro, NBR 15220-3.

Fonte: Adaptado de ABNT (2005).


77

Quadro 5 - Resumo das diretrizes construtivas definidas pela NBR 15220-3 para a Zona 8
Aberturas para
Zona
Estratégia Sombreamento Parede Cobertura
ventilação (% da
das aberturas U* U*
Verão Inverno área do piso)
≤3,6
Ventilação ≤2,3
Grandes Sombrear Parede
8 cruzada _______ Leve
A>40% aberturas leve
permanente refletora
refletora
* Transmitância térmica (W/m2.K), que corresponde ao inverso da resistência térmica total do componente.
Fonte: Adaptado de Lamberts; Dutra; Pereira (2014).

Os dados climáticos também foram analisados a partir da carta de Givoni,


diagrama psicrométrico com zonas que indicam as estratégias para adequar a
arquitetura ao ambiente, geradas pelo software Analysis Bio. Por meio desses
dados, foi possível identificar estratégias bioclimáticas para o local (Figura 63).
Segundo Silva (2019) com o uso dos dados climáticos de 2010, Ano Climático de
Referência de Arapiraca, através do Analysis Bio foi possível identificar que para a
primavera e verão as principais estratégias indicadas são ventilação, alta inércia,
resfriamento evaporativo e sombreamento. Já para o outono e inverno as principais
estratégias indicadas são ventilação, alta inércia e sombreamento.

Figura 63 - Carta Bioclimática de Arapiraca com dados de 2010


UR [%]

U [g/kg]
]
C

U
B
T

TBS [°C]
UFSC - ECV - LabEEE - NPC
Fonte: Silva (2019).

O Quadro 6 compila resumidamente as principais estratégias bioclimáticas


recomendadas pela norma NBR 15220-3 e pela carta de Givoni para que haja um
bom desempenho térmico da edificação. Como pode ser observado, a maioria das
78

estratégias são correspondentes ou complementares. A diferença está que a NBR


15220-3 indica o uso de aberturas grandes, enquanto a carta de Givoni não faz esse
tipo de especificação. Também a carta de Givoni indica o resfriamento evaporativo e
o uso de alta inércia, enquanto a 15220-3 não indica o primeiro e indica paredes
leves e refletoras.

Quadro 6 - Diretrizes propostas pela NBR 15220-3 e pela carta de Givoni para Arapiraca

Métodos NBR 15220-3 (ZB-8) Carta de Givoni

Ventilação durante todo o ano,


Ventilação cruzada permanente
principalmente no verão
Aberturas grandes (A>40%) -
Sombreamento durante todo o
Sombrear as aberturas
ano
Parede leve refletora Alta inércia para resfriamento no
Diretrizes
Cobertura leve refletora período quente

O condicionamento passivo será insuficiente Ar condicionado em dias mais


durante as horas mais quentes quentes

Resfriamento evaporativo na
-
primavera e verão
Fonte: A autora (2019).

Em síntese, as estratégias bioclimáticas para Arapiraca correspondem ao uso


de aberturas grandes sombreadas, de ventilação cruzada durante todo o ano, de
resfriamento evaporativo e de ar condicionado em dias mais quentes e de paredes e
coberturas leves e refletoras. Não foi considerada a indicação da Carta de Givoni
quanto ao uso de alta inércia, pois a cidade não sofre grandes variações de
temperatura ao longo do dia.
Além disso, para potencializar o uso de estratégias bioclimáticas é importante
orientar os ambientes do edifício de modo adequado. Através da análise do
esquema de direção dos ventos e trajetória solar no terreno, apresentado na Figura
64, percebe-se que as faces noroeste e sudoeste do terreno são as que recebem
maior incidência solar. Quanto à ventilação natural, percebe-se que os ventos são
predominantemente da direção leste. Desse modo, os ambientes de uso prolongado
devem ser posicionados nas fachadas nordeste e sudeste para o aproveitamento da
ventilação natural e eficiência energética.
79

Figura 64 - Esquema de direção dos ventos e trajetória solar no terreno

Fonte: A autora (2019).

Com base nessas considerações, o projeto do Centro Cultural para Limoeiro


de Anadia será realizado com a utilização das estratégias bioclimáticas citadas de
modo a melhor adequar-se ao clima local. Principalmente para oferecer aos
ambientes internos ventilação e iluminação natural.

6.3 Condicionantes legais e normativos

Este subitem trata de condicionantes legais e normativos que foram


considerados para a concepção do projeto. Foram analisados os seguintes
documentos: Plano Diretor de Limoeiro de Anadia, Código de Urbanismo e
Edificações de Maceió, Norma Brasileira de Acessibilidade - NBR 9050, Norma
Brasileira de Saídas de Emergência em Edifícios - NBR 9077 e Instrução Técnica de
Segurança contra Incêndio e Pânico do Estado de Alagoas.

6.3.1 Plano Diretor de Limoeiro de Anadia

Segundo o zoneamento urbano proposto no Plano Diretor do Município de


2008, o terreno escolhido se encontra na Área Consolidada da Cidade, que está
situada na região central do perímetro urbano e caracteriza-se por ter uso
80

predominantemente comercial, atividades de prestação de serviços, áreas


produtivas e significativa presença do uso habitacional (LIMOEIRO DE ANADIA,
2008).
Entre os objetivos estabelecidos para essa zona destacam-se: desenvolver
programa de preservação do patrimônio arquitetônico do núcleo histórico da cidade;
conscientizar a comunidade da relevância da identidade cultural e histórica do
município; incentivar as atividades culturais e de lazer nas áreas comerciais, visando
garantir um ambiente urbano agradável e sustentável através de espaços que
promovam a convivência urbana como praças, áreas verdes e infraestrutura urbana
(LIMOEIRO DE ANADIA, 2008).
Entretanto o Plano Diretor não apresenta parâmetros urbanísticos de uso e
ocupação do solo, como taxa de ocupação do terreno máxima, coeficiente de
aproveitamento e recuos mínimos. Como também Limoeiro de Anadia não possui
código de obras, no qual os parâmetros urbanísticos poderiam ser estabelecidos.
Por isso, no presente trabalho foram utilizadas as considerações do Código de
Urbanismo e Edificações de Maceió/AL.
Para a utilização de parâmetros urbanísticos de Maceió foi escolhida a zona
da cidade mais semelhante a zona onde o terreno está localizado, quanto ao uso e
ocupação do solo e aos objetivos propostos nos respectivos Planos Diretores. A
partir desse comparativo, selecionou-se a Zona Especial de Preservação Cultural 2
(ZEP-2 Centro), que é constituída pelo sítio histórico do Centro, tendo sua
preservação direcionada à vocação comercial, de moradia, de lazer, de cultura e de
turismo.
Essa por sua vez se divide em quatro setores, dos quais foi selecionado o
Setor de Preservação do Entorno Cultural 2 (SPE-2), que possui as seguintes
diretrizes: verticalização permitida até 8 pavimentos, compatível com a preservação
do patrimônio cultural; atividades comerciais, de serviços e industriais, até o grupo
III, compatibilizadas com a preservação do patrimônio cultural e estímulo à
implantação do uso residencial (MACEIÓ, 2007).
O grupo III, que é descrito no Art. 250 desse Código, compreende Instituições
científicas, culturais, tecnológicas e filosóficas, entre outros usos. Dessa forma, no
SPE-2 é permitido a construção de centros culturais. Conforme o Código (MACEIÓ,
2007) os parâmetros urbanísticos para os usos do Grupo III nesse setor são os
seguintes:
81

 A taxa de ocupação máxima do terreno varia de 60% a 90;


 A altura máxima da edificação, que corresponde à altura medida a
partir do nível do meio fio até o ápice do prédio, permitida é de 2
pavimentos. Podendo chegar até 6 pavimentos, sendo que a partir do
3º piso deve obedecer às regras do uso Uso Residencial 5;
 O recuo mínimo frontal é de 5m e é isento de manter recuos mínimos
laterais e de fundo;
 O coeficiente de aproveitamento do terreno é 3.

Como pretende-se construir um edifício com 3 pavimentos, utilizou-se os


parâmetros do Uso Residencial 5:

 A taxa de ocupação máxima do terreno é de 60%;


 O recuo mínimo frontal deve ser calculado pela fórmula R= 3 + [(n-
2)/2], na qual n corresponde ao número de pavimentos que serão
construídos;
 Os recuos mínimos laterais e de fundo deve ser calculado pela fórmula
R= 1,5 + [(n-2)/2], na qual n corresponde ao número de pavimentos
que serão construídos;
 O coeficiente de aproveitamento do terreno é 3.

Ainda de acordo com esse Código, os recuos mínimos devem ser 5m de


frente, 3,5m de lateral e 3m de fundo, mesmo que os resultados das fórmulas sejam
inferiores. A partir desses parâmetros, constatou-se que o terreno em questão deve
ter taxa de ocupação máxima de 60%, recuo frontal mínimo de 5m, recuo lateral
mínimo de 3,5m e recuo de fundo mínimo de 3m, conforme apresentado no Quadro
7, no qual estão indicados os parâmetros aplicados no projeto do Centro Cultural.

Quadro 7 - Parâmetros urbanísticos para o Centro Cultural

Taxa de
Altura da edificação Recuo frontal Recuo Recuo Coeficiente de
ocupação
(nº de pavimentos) mínimo Lateral fundo aproveitamento
máxima

60% 3 5m 3,5m 3,0m 3

Fonte: A autora (2019).


82

6.3.2 Código Florestal Brasileiro

Como o limite do fundo do terreno corresponde a um rio, conforme a Lei nº


12.651 de 25 de maio de 2012 que instituiu o Novo Código Florestal, é necessário
reservar uma Área de Preservação Permanente (APP) para resguardar esse recurso
hídrico, proteger o solo e a biodiversidade local.
Conforme o Novo Código Florestal (BRASIL, 2012), para o terreno em
questão a APP deve ter 50m de largura no mínimo, considerando que o trecho do rio
Coruripe que margeia a cidade Limoeiro de Anadia tem largura de cerca de 25 m.
Como pode ser observado na Figura 65, a APP nesse terreno correspondeu a 2237,9m² da
área total, restando 3442,7m² para comportar o edifício do centro cultural.

Figura 65 - Localização da Área de Preservação Permanente no terreno

Fonte: A autora (2020).

6.3.3 NBR 9050

A Norma NBR 9050 de 2015 estabelece critérios e parâmetros técnicos a


serem observados quanto ao projeto, construção, instalação e adaptação do meio
urbano e rural, e de edificações às condições de acessibilidade. Esta norma visa
proporcionar a utilização de maneira autônoma, independente e segura do ambiente,
edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos a maior quantidade
83

possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de


mobilidade ou percepção (ABNT, 2015).
Dentre os diversos critérios normativos estabelecidos, os principais que foram
levados em consideração para a concepção do projeto de um Centro Cultural para a
cidade de Limoeiro de Anadia:

 Circulação com largura mínima de 0,90m;


 Área de manobra sem deslocamento para cadeirantes de 1,20m x
1,20m para rotação de 90°, 1,50m x 1,20m para rotação de 180° e
diâmetro de 1,50m para rotação de 360°;
 As rampas devem ter inclinação máxima de até 8,33%, com exceção
para desníveis entre a plateia e o palco em auditórios, que podem ter
inclinação máxima de 16,66%;
 As escadas devem ter largura mínima de 1,20m, espelho com
dimensão entre 16cm e 18cm, piso entre 28cm e 32cm e patamares a
cada 3,2m de desnível ou se houver mudança de direção;
 Os estacionamentos devem ter no mínimo 1 vaga acessível quando
possuir de 11 a 100 vagas e 1% de vagas acessíveis quando o número
de vagas for superior a 100;
 Sanitários e vestiários devem ter no mínimo 5% do total de cada peça
instalada acessível, respeitada no mínimo 01 de cada. E as dimensões
mínimas para o boxe de bacia sanitária acessível são 1,50mx1,70m e
para os boxes de chuveiro são de 0,90m x 0,95m;
 Em ambientes como auditórios ou similares, deve-se prever espaços
para portadores de deficiência em uma rota acessível vinculada a uma
rota de fuga.

As demais recomendações relativas ao projeto acessível podem ser


consultadas através da Norma NBR 9050. Essa norma servirá de embasamento
para a elaboração do programa de necessidades e do pré-dimensionamento do
projeto, a fim de que proporcione condições de utilização do ambiente de forma
segura para todos os públicos.
84

6.3.4 NBR 9077 e Instrução Técnica de Segurança contra Incêndio e Pânico no


Estado de Alagoas

A Norma NBR 9077 de 2001, fixa as condições exigíveis que as edificações


devem possuir a fim de que sua população possa abandoná-las com segurança em
caso de incêndio e para permitir o fácil acesso de bombeiros para o combate ao fogo
e a retirada da população (ABNT, 2001).
Para os efeitos desta Norma, as edificações são classificadas em grupos
quanto à ocupação e as características construtivas. O Centro Cultural proposto
pode ser considerado do grupo F-1, que corresponde a locais onde há objetos de
valor inestimáveis, como museus e bibliotecas. Para essa classificação e
considerando que o edifício terá altura de aproximadamente 10m, área do maior
pavimento superior a 750m² e resistência mediana ao fogo, a NBR 9077 (ABNT,
2001) indica que:

 O edifício possua no mínimo duas saídas de emergência


 Faça uso de escada do tipo enclausurada protegida;
 A distância máxima a ser percorrida para edifícios com chuveiros
automáticos e com duas saídas deve ser de 45m;
 Para o dimensionamento das saídas considerar a população de uma
pessoa por 3m² de área e que a capacidade da unidade de passagem
para acessos e descargas é 100, para escadas e rampas é 75 e para
portas é 100.

A partir desses valores é possível projetar saídas de emergência adequadas


ao tipo e porte do edifício. Para complementar também pode-se fazer uso da
Portaria n.º 178 de 12 de junho de 2013, que estabelece a Instrução Técnica Geral
Provisória da Segurança contra Incêndio e Pânico no Estado de Alagoas.
Considerando que o Centro Cultural terá as características já mencionadas nesse
subitem, segundo essa Instrução deve-se adotar ainda as seguintes medidas de
segurança: possuir acesso de viaturas; brigada de incêndio; iluminação de
emergência; alarme de incêndio; sinalização de emergência; extintores; hidrante;
mangotinhos e chuveiros automáticos (ALAGOAS, 2013). Essas considerações
servirão de base para a realização de um Centro Cultural que proporcione condições
de segurança para o público.
85

7 ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO

Neste capítulo é apresentada o projeto arquitetônico desenvolvido. São


abordados o programa de necessidades, o pré-dimensionamento, o conceito da
proposta, a setorização, a implantação e a proposta arquitetônica, com a descrição
da inserção urbanística, das soluções funcionais, dos aspectos formais, do sistema
construtivo e das estratégias bioclimáticas empregadas.

7.1 Programa de necessidades e pré-dimensionamento

O programa de necessidades e o pré-dimensionamento do Centro Cultural


(Quadro 8) foram realizados com base nas análises das referências projetuais e das
demandas da cidade acerca de espaços culturais, apresentadas no capítulo 3 deste
trabalho. Além disso, para dimensionar os ambientes foram consideradas
informações coletadas em Neufert (2013) e na NBR 9050. Como pode ser
observado no quadro, os ambientes foram agrupados em seis setores: área de
convivência; administrativo; acervos; oficinas; auditório e serviços.

Quadro 8 - Programa de necessidades e o pré-dimensionamento


Setor

Área útil
Ambiente Quant. Observação
(m²)

Praça de acesso - 1
convivência

Vão livre 740 1


Área de

Terraço/mirante - 1
Hall 160 1
Sala de estar 50 1 Deve conter sofás e mesa de centro
Varanda - 1
Deve conter 1 mesa para 10 cadeiras e
Sala de reunião 28 1
espaço para armários
Deve conter 1 estação de trabalho para 4
Coordenação 38 1
Administrativo

funcionários e espaço para armários


Sala destinada a realização de
Conservação e intervenções de conservação e restauro
50 1
restauro de obras de arte, deve conter 2 mesas e
espaço para armários e prateleiras
Espaço para armários especiais para a
Reserva técnica 40 1 guarda de obras/ambiente com controle
de iluminação e temperatura
Sala de exposição Espaço amplo com diversas
160 1
permanente possibilidades de layout
Acervos

Sala de exposição Espaço amplo com diversas


150 1
temporária possibilidades de layout
Capacidade para 32 pessoas, deve
Biblioteca 125 1 conter 1 estação de trabalho para 2
funcionários, estantes, 1 mesa com 8
86

cadeiras, 4 mesas com 4 cadeiras e 8


cabines com cadeiras e computadores
Sala multiuso 43 1 Capacidade para 32 pessoas
Sala de música 65 1 Capacidade para 20 pessoas
Capacidade para 10 pessoas, deve
Sala de pintura 65 1 conter 10 cavaletes para pintura, pia e
Oficinas

armários
Sala de Deve ter barras de apoio e espelho nas
80 1
dança/teatro paredes
Tem capacidade para 16 pessoas, deve
Sala de conter 16 pranchetas A1 com cadeiras,
65 1
desenho/escultura mesa do professor com cadeira, pia e
armários
Loja 55 1
Deve conter balcão de atendimento,
Lanchonete 40 1
cozinha e mesas
Deve conter 1 estação de trabalho para
Recepção 10 3 1 funcionário com espaço para
guarda-volumes
Camarim feminino 25 1
Camarim masculino 25 1
Depósito de
70 1 Deve conter araras e prateleiras
figurinos
Deve conter 2 cabines com sanitários, 6
Vestiário masculino 46 1 cabines com chuveiro, 3 mictórios, 4
lavatórios, armários e 1 banco
Deve conter 3 cabines com sanitários, 7
Serviços

Vestiário feminino 46 1 cabines com chuveiro, 4 lavatórios,


armários e 1 banco
Depósito geral 15 2 Sala com espaço para prateleiras
Deve conter 3 cabines, 2 mictórios e 5
Sanitário masculino 21 3
lavatórios
Sanitário feminino 21 3 Deve conter 5 cabines e 5 lavatórios
Deve conter 1 sanitário, um lavatório e
Banheiro acessível
8 3 um chuveiro, sendo acessível segundo a
unissex
NBR 9050
Deve conter 1 pia, 1 armário e 1 mesa
Copa 18 2
com 8 cadeiras
Área de serviço 11 2 Deve conter 1 pia e 1 armário
7 vagas para motocicletas e 17 vagas
Estacionamento - 1 para automóveis, sendo 1 para
cadeirantes e 1 para idosos
Piso técnico - 1
Casa de máquinas 6 1
Auditório 255 1 Capacidade para 162 pessoas
Auditório

Antecâmara - 2
Sala técnica 6,5 1 Controle de luz e som do auditório
Depósito 20 1

Área útil total 2581,5

Área de circulação e
paredes - 30% da área útil 774,45
total
Área construída total 3355,95

Fonte: A autora (2020).


87

7.2 Conceito do projeto

O projeto foi definido a partir de cinco diretrizes principais, que foram


consideradas determinantes para a proposta: criar espaços livres; valorizar a
paisagem circundante; preservar o terreno e tomar partido de sua topografia;
incorporar elementos simbólicos da arquitetura bioclimática e utilizar materiais locais
(Figura 66).

Figura 66 - Esquema que representa o conceito do projeto

Criar espaços
livres

Valorizar a
Utilizar
paisagem
materiais locais
circundante

CONCEITO DO
PROJETO

Incorporar
Preservar o
elementos
terreno e tomar
simbólicos da
partido de sua
arquitetura
topografia
bioclimática

Fonte: A autora (2020).

A criação de espaços livres visa permitir a realização de atividades culturais,


convívio social e a contemplação do entorno. Já a preservação do terreno foi
considerada como diretriz a fim de proporcionar a permeabilidade do mesmo e
aproveitar a sua declividade. Para isso, utilizou-se estrutura de aço, que gera uma
quantidade menor de resíduos, garante racionalização da construção e é mais leve
em relação a de concreto, o que garante a redução das cargas de fundação.
A incorporação de elementos simbólicos da arquitetura bioclimática, consistiu
no uso de grandes aberturas sombreadas, do teto verde, tijolos de solo-cimento e
88

cobogós cerâmicos. Esses dois últimos elementos são também resposta a diretriz de
utilizar materiais locais. Esta diretriz visa criar um edifício de caráter regional, pois o
barro era amplamente utilizado em construções e objetos, como as igaçabas
indígenas (Figura 67).
O Centro Cultural proposto busca funcionar como elo entre o antigo e o
contemporâneo, a arte antiga e arte atual. Além de oferecer ambientes com usos
que corroboram com esse elo, essa relação é externada na aparência do edifício, ao
empregar tijolos e cobogós feitos com barro e estrutura de aço (Figura 67).

Figura 67 - Painel semântico com as inspirações, materiais e cores do projeto

Fonte: A autora (2020).

Assim, no processo de concepção projetual foram adotados os


condicionantes enumerados no capítulo anterior e diretrizes. Além disso, os
materiais e as cores empregados foram inspirados na arte local, tanto antiga como
contemporânea. Com isso, além de criar um caráter regional ao edifício, contribui
para a valorização da história e das manifestações culturais do município. Como
89

mencionado no Capítulo 5, entre as propostas indicadas no Plano Diretor para o


setor cultural está: valorizar a história local e investir nas manifestações culturais do
município.

7.3 Implantação e setorização

O edifício foi locado de modo a conservar a Área de Preservação


Permanente, tomar partido do terreno e permitir a contemplação da paisagem. A
volumetria sugerida é formada por três volumes sobrepostos com diferentes
dimensões. O volume inferior se encontra suspenso por estacas e está abaixo do
nível da rua. O volume intermediário é menor e conecta o volume inferior com o
superior, que possui a forma de um prisma retangular e é suspenso parcialmente por
pilares. Essa composição forma um grande vão livre, que permite o convívio social e
a ventilação cruzada. Além disso, essa permeabilidade atrai o olhar de quem passa
na rua para a paisagem que envolve a cidade (Figura 68).

Figura 68 - Diagrama isométrico de trajetória solar e direção dos ventos

Fonte: A autora (2020).

Os acessos ao edifício se encontram no térreo, na fachada noroeste, que está


voltada para a principal via da cidade. Há dois acessos, um social e outro de
serviços. O primeiro deles, por uma praça e o segundo através do estacionamento.
90

Os usuários têm acesso aos outros pavimentos do Centro Cultural através das
escadas e do elevador localizados neste mesmo andar (Figura 69).

Figura 69 - Diagrama isométrico de acessos e fluxos

Fonte: A autora (2020).

Quanto à setorização, a partir do programa de necessidades, elaborou-se um


diagrama programático isométrico explodido (Figura 70) e um diagrama com a
setorização dos ambientes (Figura 71). Os ambientes foram distribuídos de modo
que o edifício tenha um melhor desempenho funcional e de conforto ambiental.
No pavimento superior foram dispostos os ambientes dos setores serviços,
administrativo e acervos. No pavimento térreo há locais de convivência e serviços,
com grande extensão para proporcionar o vínculo social e o lazer. No pavimento
inferior encontram-se outros espaços de serviço, oficinas, auditório e área de
convivência (Figura 69).
O auditório está estrategicamente situado na parte mais baixa do terreno
disponível para construção, seguindo as curvas de nível do mesmo. Dessa forma, foi
possível aproveitar o próprio declive do terreno para a composição do volume
(Figura 70 e Corte CC’ – Apêndice G).
91

Figura 70 - Diagrama programático isométrico explodido

PAV. SUPERIOR

PAV. TÉRREO

PAV. INFERIOR

Fonte: A autora (2020).

Como pode ser observado na Figura 71, os ambientes de maior permanência,


como salas de exposição e oficinas, foram posicionados nas fachadas nordeste e
sudeste, que recebem menor insolação no período da tarde e mais ventos. Os
ambientes de serviços, muitos dos quais constituem áreas molhadas estão
localizados nas fachadas noroeste e sudoeste, que recebem mais insolação no turno
da tarde. Já o setor administrativo foi posicionado próximo ao setor de acervos, a fim
de facilitar a manutenção e conservação dos itens das salas de exposições e da
biblioteca.
92

Figura 71 - Diagrama com setorização dos ambientes

SALA

Fonte: A autora (2020).


93

Para facilitar o deslocamento dos usuários foram criados dos eixos de


circulação vertical. O primeiro eixo trata-se de uma escada posicionada dentro do
vão livre e o segundo eixo, corresponde a uma escada enclausurada e um elevador,
posicionado na fachada sudoeste.

7.4 Proposta arquitetônica

Para a elaboração da proposta arquitetônica foram realizados croquis da


volumetria (Figuras 72 e 73). Como pode ser observado na Figura 72, o edifício
proposto é marcado pela cor terracota dos tijolos de solo-cimento e pela estrutura
aparente de aço.
Também, se destaca pela permeabilidade do pavimento térreo, que possui
uma grande área livre com quatro pilares compostos por três perfis. Além disso, o
edifício se destaca por tocar o solo sutilmente através de estacas. Dessa forma, o
terreno é preservado e valorizado, bem como a paisagem local.

Figura 72 - Croqui da fachada nordeste

Fonte: A autora (2020).

Além disso, optou-se pelo uso de brises na fachada sudeste e de cobogós


cerâmicos nas fachadas noroeste e sudoeste. Como pode ser observado na Figura
73, esses cobogós foram propostos para cobrir toda a fachada do pavimento
superior, formando uma trama que garante o sombreamento e permitem a ventilação
natural.
94

Figura 73 - Croqui da fachada noroeste

Fonte: A autora (2020).

Com a evolução da proposta o projeto foi melhor definido. Quanto à inserção


urbanística, foi proposta uma praça de acesso convidativa para os visitantes
adentrarem no Centro Cultural. Apresenta paisagismo contemporâneo, com pisos
cimentícios formando desenhos geométricos, bancos em concreto que seguem o
contorno dos canteiros de plantas. Essa praça funciona como uma extensão do vão
livre, inclusive o mesmo tipo de piso da praça se estende por todo o pavimento
térreo. Ademais, das árvores existentes nessa parte do terreno foram mantidas
quatro, sendo proposto o plantio de outras três para oferecer sombreamento na
praça (Figuras 74, 76 e 78 e Apêndice C).

Figura 74 - Implantação do edifício

Fonte: A autora (2020).


95

Além disso, é proposto um estacionamento com cinco vagas para


motocicletas e dezesseis vagas para automóveis, sendo uma para pessoa com
deficiência e uma para idoso, de acordo com a norma NBR 9050. Vale ressaltar que
foi priorizado o pedestre, por isso esse estacionamento possui um número mínimo
de vagas (Figuras 75 e 77 e Apêndice C). O térreo possui ainda uma loja destinada
à venda de obras de arte produzidas pelos artistas locais, sanitários, uma recepção
com balcão circular e guarda-volumes, uma lanchonete, um mirante e o vão livre,
que pode receber apresentações e exposições ao ar livre (Figuras 75 e 79 e
Apêndice E).

Figura 75 - Planta de layout do pavimento térreo

Fonte: A autora (2020).

Seguindo a diretriz de valorizar a paisagem, esse pavimento foi projetado


para permitir a contemplação do entorno. A lanchonete foi posicionada voltada para
o mirante, atraindo mais usuários para este ambiente. Também a escada presente
no vão livre foi projetada seguindo essa diretriz. Trata-se de uma escada helicoidal
de concreto armado, posicionada mais próximo da extremidade sudeste do edifício,
a fim de proporcionar a contemplação da paisagem (Figuras 79 e 80).
96

Figura 76 - Vista da praça de acesso do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


97

Figura 77 - Vista do estacionamento do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


98

Figura 78 - Vista da fachada noroeste do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


99

Figura 79 - Vista do vão livre no térreo do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


100

Figura 80 - Vista do mirante na fachada sudeste do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


101

Figura 81 - Vista do mirante do centro cultural

Fonte: A autora (2020).


102

O pavimento inferior abriga o auditório, salas de oficinas, sala multiuso,


camarins, depósito de figurinos, vestiários, copa e depósitos (Figura 82 e Apêndice
D). Ao descer do térreo pela escada helicoidal, os usuários adentram no hall do
pavimento inferior, que é integrado com uma recepção e uma sala de estar. Esse
ambiente possui ambientação de característica regional, contribuindo para o
reconhecimento e valorização da cultura local (Figuras 85 e 86).

Figura 82 - Planta de layout do pavimento inferior

Fonte: A autora (2020).

Pelo hall os usuários podem acessar facilmente o auditório, bem como os


outros ambientes desse pavimento. O auditório possui duas antecâmaras, uma sala
técnica e um depósito (Figura 83 e Apêndice D). Comporta 162 pessoas sentadas e
atende as diretrizes da NBR 9050. Além disso, foi projetado com atenção especial
103

ao desempenho acústico, para isso foram inseridos painéis difusores de madeira


nas laterais, nuvens acústicas e carpete (Figuras 87 e 88).
A fim de melhor atender a todos os grupos culturais do município, os camarins
e vestiários foram posicionados fora do auditório. Assim, estes usuários acessam
esses ambientes com maior facilidade. Estão posicionados próximos à copa e ao
depósito de figurinos, no qual serão armazenados trajes e acessórios de grupos
culturais locais.
As salas de oficinas foram projetadas para comportar diversos layouts,
podendo receber outras oficinas além das indicadas. Além disso recebem
iluminação e ventilação natural através de amplas esquadrias.
O pavimento superior possui duas salas de exposições, a biblioteca, uma
recepção, uma copa, uma área de serviço, a sala de conservação e restauro, a sala
de reserva técnica, sala de reunião e a coordenação do centro cultural (Figura 83 e
Apêndice F).
Figura 83 - Planta de layout do pavimento superior

Fonte: A autora (2020).


104

Ao subir pela escada helicoidal do térreo os visitantes adentram na recepção


e podem acessar a sala de exposição permanente ou a de exposição temporária
(Figura 89). Como essas salas também estão integradas, é possível visitar os
respectivos acervos de forma sequencial. Além dessas possibilidades, a ampla
esquadria de vidro com brises horizontais na fachada sudeste permite que a
iluminação natural seja filtrada e que os visitantes possam visualizar a paisagem
externa.
Essas duas salas permitem a criação de diversos layouts de acordo com os
acervos a serem apresentados. Além disso, a sala de reserva técnica e a sala de
preservação e restauro foram posicionadas ao lado da sala de exposição
permanente, a fim de que a manutenção e restauro das peças sejam realizados com
mais eficiência.
A biblioteca foi projetada para comportar até 32 pessoas sentadas, possui
cabines com computadores para pesquisa online, mesas de estudo, prateleiras de
livros e recepção (Figuras 90). O seu acesso também está próximo à recepção do
pavimento, o que torna a circulação mais eficiente.
Quanto ao detalhamento do projeto, foram desenhados dois tipos de cobogós
cerâmicos e agrupados de modo que formam uma superfície semelhante a um
bordado (Figura 84). Além de filtrar a iluminação natural, esses cobogós permitem o
sombreamento das fachadas e constituem um importante elemento estético do
edifício, que remete à arte local e contribuí para a caracterização regional do edifício.

Figura 84 - Cobogós cerâmicos do projeto

Fonte: A autora (2020).


105

Figura 85 - Vista do hall do pavimento inferior

Fonte: A autora (2020).


106

Figura 86 - Vista sala de estar do pavimento inferior

Fonte: A autora (2020).


107

Figura 87 - Vista do interior do auditório

Fonte: A autora (2020).


108

Figura 88 - Vista do palco do auditório

Fonte: A autora (2020).


109

Figura 89 - Vista do interior da sala de exposições temporárias

Fonte: A autora (2020).


110

Figura 90 - Vista do interior da biblioteca

Fonte: A autora (2020).


111

Figura 91 - Corte perspectivado mostrando o aproveitamento da iluminação e ventilação natural

Fonte: A autora (2020).


112

Na cobertura foi utilizado teto verde composto por manta asfáltica, substrato e
grama. Além disso, para a cobertura foi projetada uma cúpula que funciona como
um lanternim, possui aberturas no eixo vertical, abas no eixo horizontal que
protegem as aberturas da chuva e superfícies translucidas de policarbonato. Dessa
forma, permite iluminar adequadamente os ambientes internos com luz natural, a
captação de ventos e a ventilação por efeito chaminé (Figuras 91 e 92).
Assim, por meio das várias aberturas inseridas no edifício é possível ter uma
adequada ventilação cruzada e iluminação natural nos ambientes internos. A
orientação adequada e o sombreamento dessas aberturas também contribuem para
o conforto térmico interno do edifício. Além disso, o teto verde contribui para a
redução das temperaturas internas do edifício por meio do resfriamento evaporativo.
A preservação da vegetação existente e a inserção de mais plantas também
corrobora para isso.
Quanto ao sistema estrutural e aos outros materiais empregados, a fundação
é por estaca do tipo Strauss, as vigas e pilares são de perfis W de aço e as lajes do
tipo Steel Deck. As vigas compõem estruturas em grelha, que possibilita vãos
maiores. Como divisórias e fechamento utilizou-se alvenaria de solo-cimento, que
gera menos resíduos, apresenta ótimo acabamento, boa resistência e bom
desempenho térmico e acústico (Figura 92).
Empregou-se forro acústico de lã de vidro nos ambientes que exigem maior
desempenho acústico. No vão livre empregou-se forro metálico por apresentar ótima
resistência e praticidade. Já as janelas são de vidro e alumínio, sendo cobertas por
brises horizontais de madeira na fachada sudeste e pelos cobogós nas fachadas
noroeste e sudoeste do pavimento superior (Figura 92).
113

Figura 92 - Perspectiva explodida do centro cultural

Fonte: A autora (2020).

No que se refere à acessibilidade, além da reserva de vagas do


estacionamento, cadeiras e vagas para deficientes no auditório, foi inserido um
elevador, um banheiro acessível em cada pavimento e escadas acessíveis,
conforme a NBR 9050. Além disso, os ambientes foram projetados de acordo com a
largura mínima para passagem de pessoas, bem como as saídas de emergências.
114

Quanto à preservação ambiental, além de conservar a área de Preservação


Permanente, o projeto proposto possui sistema de captação e armazenamento das
águas pluviais. A chuva que cai nos tetos verdes é direcionada para um filtro e
reservatório inferior, depois é bombeada para um reservatório superior e direcionada
para as saídas de água. Esse sistema visa complementar o sistema de
abastecimento de água público.
Ainda sobre esse aspecto, diante da ausência de sistema de tratamento de
esgoto na cidade, nesse projeto é proposto um biossistema de tratamento de
esgoto. Para esse sistema foi previsto um biodigestor com filtro anaeróbico, zona de
raízes e um tanque de macrófitas, a fim de possibilitar que a água tratada seja
direcionada ao rio que limita o terreno.
115

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As análises abordadas acerca da problemática que envolve o planejamento


de um Centro Cultural, desde o estudo sobre o conceito de cultura até a sua
funcionalidade, foram indispensáveis para a elaboração do projeto em questão.
Como apresentado no referencial teórico, as discussões sobre essa temática são
amplas, envolvendo também a cultura popular. Esta por sua vez, é bastante
presente em Limoeiro de Anadia. Entretanto pouco valorizada e até desconhecida
por parte da população. Como também os espaços culturais existentes não são
suficientes e pouco adequados para todas as demandas culturais do município.
Considerando a necessidade de preservar e promover a cultura local, foi
proposto o projeto de um centro cultural que visa, além de divulgar as manifestações
culturais e formar novos artistas, valorizar a paisagem local e possibilitar o conforto
dos usuários, através do aproveitamento dos condicionantes ambientais. Por isso,
somou-se às analises já mencionadas o estudo da arquitetura bioclimática, no que
concerne às estratégias bioclimáticas adequadas para o clima local.
O estudo dos projetos existentes de Centros Culturais, tanto regionais, como
internacionais, foi fundamental para o desenvolvimento da proposta arquitetônica,
pois foram resgatadas as potencialidades e os principais aspectos considerados na
concepção desse tipo de espaço. Também influenciou no processo de concepção do
projeto a análise dos condicionantes físico-ambientais, legais e normativos.
Além disso, o edifício para abrigar o Centro Cultural de Limoeiro de Anadia foi
projetado tendo como base as demandas apontadas pela população local. Essas
informações obtidas por meio de questionários e entrevistas com possíveis usuários
do centro cultural foi imprescindível para desenvolver uma proposta arquitetônica
adequada às necessidades dos usuários.
O projeto resultante conseguiu aliar as diretrizes adotadas no conceito, sua
inserção urbanística que valoriza a paisagem circundante e preserva o terreno,
possui espaços livres que permitem a realização de atividades culturais e o convívio
social e fez-se uso dos princípios bioclimáticos desde a escolha dos materiais até a
setorização dos ambientes. Ademais, foram pensadas em estratégias bioclimáticas
adequadas ao clima local.
Esse projeto, também, funciona como um elo entre arquitetura e cultura
popular, os materiais e as cores empregados foram inspirados nas manifestações
116

artísticas do município. Inclusive a ambientação do Centro Cultural incorpora a


produção artística local. Com isso, além de criar um caráter regional ao edifício,
contribui para a valorização da cultura do município.
A maior dificuldade consistiu na análise dos condicionantes legais e
normativos municipais, diante da ausência de parâmetros de uso e ocupação do
solo no Plano Diretor e de código de edificações da cidade. Apesar disso, ao adotar-
se os parâmetros de uma zona de Maceió semelhante a zona na qual está inserido o
terreno, não houve prejuízos para o desenvolvimento do projeto.
Vale ressaltar que este trabalho pode contribuir para a realização de trabalhos
futuros acerca da cultura popular de Limoeiro de Anadia, de centros culturais e da
aplicação de estratégias bioclimáticas. Por fim, destaca-se que a realização do
Centro Cultural desenvolvido neste trabalho pode auxiliar significativamente na
preservação e valorização das manifestações culturais de Limoeiro de Anadia.
117

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jabaquara-shieh-arquitetos-associados. Acesso em: 23 set. 2019.
122

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO SOBRE A CULTURA DE LIMOEIRO DE


ANADIA APLICADO A ESTUDANTES DA REDE PÚBLICA DO MUNICÍPIO
123

APÊNDICE B – FORMULÁRIO APLICADO AOS GRUPOS CULTURAIS LOCAIS

1. Como surgiu esse grupo? Em que ano? Quem foram os responsáveis?

2. Em que ano você começou a participar desse grupo?

3. Que função você desempenha? E qual função desempenha atualmente?

4. Quando o grupo surgiu possuía quantos componentes? E atualmente possui


quantos?

5. Qual a faixa etária dos componentes?

6. Em qual local vocês treinam/ensaiam? O local é adequado? Quais as


dificuldades que vocês enfrentam a esse respeito?

7. Com que frequência vocês treinam/ensaiam?

8. Vocês se apresentam em quais festividades ou eventos?

9. Em quantas cidades já se apresentaram?

10. Já ganharam algum prêmio?


Prefeitura

Secretaria Municipal de Cultura

19,33
Tv. Roberto Francisco

102,75
°
91

10

Rio
19,99

Cor
TERRENO DO CENTRO
42,70
Rua Cônego Jacinto

urip
CULTURAL

e
A=5680,6m²

28,1
93

8
°

°
63
137,41

Secretaria Municipal de Viação,


Obras e Serviços Urbanos

Sindicato dos trabalhadores rurais

Anfiteatro
N
Igreja Nossa Senhora da
Conceição do Limoeiro

USO INSTITUCIONAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EDIFICAÇÕES A SEREM DEMOLIDAS

PLANTA DE SITUAÇÃO
1 ESCALA 1/1000

19,33
N
24,95
,22 ,12 6,23 ,12 18,14 ,12
,12 ,12

,12

102,75
°
91
2,98
5,35

05
A
5,84
6,07
,12

4,00
41,95
8,00 ,15 27,50 ,15 6,11
,15

,15
ESTACIONAMENTO 10
16,34


A=378,9m²
0.00
13,00
ACESSO
SOCIAL

11,40

11,70

IDOSO

CÚPULA

19,99
18,53
R3
0,8

B' B
9,20
05 05
RUA CÔNEGO JACINTO

26,70
PASSEIO PÚBLICO
42,70

34,70

35,00

113
°

TETO VERDE
16,25

A=867,3m²
12,9
4
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRAÇA CAMPUS ARAPIRACA
24,73

A=906,9m²
arquitetura
0.00
C' urbanismo ARQUITETURA E URBANISMO
26,35
25,95

arapiraca
05
ACESSO
SOCIAL

102
°
,15

RESERVATÓRIO MIRANTE
A=369,3m² Título:
0.00
: PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL
C PARA LIMOEIRO DE ANADIA-AL
11,61

TETO 05 Discente:
6,50

VERDE ISABEL FRANÇA DE SOUZA


5,41

A=22,9m²

28,1
Orientadora:

8
SIMONE CARNAÚBA TORRES
Coorientador:
1,50 ,15

,15 3,53 102


° EDLER OLIVEIRA SANTOS
,15 1,34
93
°
,13 ,12 1,29 ,09

,15
1,50
3,50

22,63 2,00 8,32 ,15 15,32 7,05 5,12 ,15 15,71


32,95 27,80 15,71
5,18

CULTURAL DE LIMOEIRO DE ANADIA

PLANTA DE LOCAÇÃO E COBERTA 137,41

°
63
2
05
A'

ESCALA 1/150 TERRENO _____________5.680,6 m²

ÁREA CONSTRUÍDA ____3.437,67m²

TAXA DE OCUPAÇÃO_______25,8%

CCLA CENTRO CULTURAL DE


LIMOEIRO DE ANADIA
TAXA DE PERMEABILIDADE__62,4%

Tipo de projeto:
ANTEPROJETO

Localização: APÊNDICE C
RUA CÔNEGO JACINTO, CENTRO, LIMOEIRO DE ANADIA- AL

Assunto: Prancha:

PLANTA DE SITUAÇÃO

Escala:
PLANTA DE LOCAÇÃO E COBERTA

Data:
01/07
INDICADA JUNHO/2020
QUADRO DE ESQUADRIAS

ALTURA PEITORIL
CÓDIGO LARGURA TIPO QNTD. DESCRIÇÃO
(m) (m) (m)

PORTAS

PORTA EM MADEIRA COMPENSADA 36mm, A


P1 0.80 1.65 ------- GIRO 42 20cm DO PISO COM PINTURA ESMALTE NAS
DUAS FACES NA COR BRANCO NEVE
PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM
P2 0.80 2.10 ------- GIRO 2
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P3 0.90 2.10 GIRO 31
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P4 0.90 2.10 CORRER 1
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P5 0.90 2.10 GIRO 3
PUXADOR HORIZONTAL E FECHADURA
PORTA CORTA-FOGO CLASSE P-90 EM AÇO
GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P6 0.90 2.10 ------- GIRO 4 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA CORTA-FOGO DUPLA CLASSE P-90 EM
AÇO GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P7 1.60 2.10 ------- GIRO 5 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA EM VIDRO TEMPERADO 10mm,
P8 0.90 2.10 ------- GIRO 2 1FOLHA 0,90x2,10m C/ FECHADURA E
PUXADOR VERTICAL E VISOR DE 0,90x1,40m
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 2
P9 1.60 2.10 ------- GIRO 2 FOLHAS 0,8x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL E
FECHADURA
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 4
P10 2.60 2.10 ------- CORRER 1 FOLHAS 0,65x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL
E FECHADURA
DIAGRAMA DE LOCAÇÃO DO PAVIMENTO INFERIOR JANELAS

JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E


J1 7.60 3.00 0.50 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J2 5.00 3.00 0.50 CORRER 7
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J3 2.20 0.60 1.10 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM DUAS
FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO

N J4 1.30 0.60 1.80 MAXIM-AR 12


TRANSLÚCIDO 7mm
REGULAGEM INTERNO
E SISTEMA DE

JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM QUATRO


FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO
J5 2.55 0.60 1.80 MAXIM-AR 55 TRANSLÚCIDO 7mm E SISTEMA DE
REGULAGEM INTERNO
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J6 34.50 4.00 ------- CORRER 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J7 6.50 3.00 0.50 CORRER 1 VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm

JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E


J8 2.50 1.50 1.10 FIXO 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm

Projeção pavimento superior


QUADRO DE MATERIAIS

05
A
PISO

A PISO GRANILITE NA COR CINZA NATURAL 120X120cm

B PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm

37,52 PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm; PISO CIMENTÍCIO AREIA 50X50X2,3cm; PISO
C
,13 8,47 ,13 8,69 ,13 8,68 ,13 8,50 ,13 2,55 CIMENTÍCIO VERMELHO JACARANDÁ 50X50X2,3cm E PISO CIMENTÍCIO PALHA 50X50X2,3cm

,13

,13

,13
J2 J2 J2 D PISO CIMENTÍCIO DRENANTE CINZA 11X22X6cm
J2
E CARPETE CINZA CLARO ADESIVADO NETFELTROS 149X100X3cm OU SIMILAR

F PISO LAMINADO EUCAFLOOR AMBIENCE ANDORRA 25X135,7X0,8cm OU SIMILAR

PAREDE

1 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE

OFICINA DE DESENHO/ ESCULTURA 2 MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE BRANCO OU SIMILAR
7,61

7,61
A=10,70m² OFICINA DE PINTURA OFICINA DE MÚSICA MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE CINZA NOBRE OU SIMILAR E
-4,72 A=10,70m² A=10,70m² 3
-4,72 -4,72
PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 243X16cm OU SIMILAR

9,73
Aa OFICINA DE DANÇA VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA
1 Aa 4
Aa A=10,70m² DECORA MATTE TOQUE DE CINZA OU SIMILAR
1
1 -4,72
5 PORCELANATO ELIZABETH BIANCO POLIDO 50X101cm OU SIMILAR
F a
1 6 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; PORCELANATO ELIZABETH PORTO RICO
P3 P3 P3 62,5X62,5cm OU SIMILAR;
J5 J5 J5 J5
,13

,13
7 PINTURA MURAL
CIR.

17,50
TETO

2,00
A=10,70m²
-4,72 VARANDA
P3 A=10,70m² a FORRO ACÚSTICO ISOVER PRISMA PLUS 62,5X62,5cm OU SIMILAR
-4,75

,13

,13
P4 b FORRO DRYWALL STANDARD BRANCA KNAUF 180X120cm OU SIMILAR
8,53 ,13 9,05 ,13 3,92 4,35 8,63
A c

5,43
5,45

1 c FORRO METÁLICO HUNTER DOUGLAS LINHA B 18X300cm OU SIMILAR


J2 SALA MULTIUSO 13,
61
A=10,70m²
B' B d NUVENS ACÚSTICAS COM PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 80X120cm OU SIMILAR
05 -4,72 Aa 05
J5

32
1
16 15

R2,
18 17
19 14
20 13 J2
12
21
SALA DE ESTAR

6,20
22 11
R,78 10 A=54,3m²
,15

23
09
24 -4,72

7,52
DEPÓSITO FIGURINOS 25
26
,19 08
07
A=68m² 06
01 02 03 04
05 Aa
-4,72

1,30
1

e
sob
P1 P1 P1 P1 P1
A b ,46

,12
1
J5 J5
P8
VESTIÁRIO MASCULINO 3,70
5,47

A=46,5m² A b

,36
-4,72 5
33,50

,95
113
3,62
P3 10

°
P1 P1 P1 HALL

,13
A=164,2m²
-4,72 2,03

4,27
P3
RECEPÇÃO

4,06

ce
A b

Des
,15

1,7 A=8,25m²
CAMARIM MASCULINO
3,40
J5
A=23,5m²
-4,72
A b
1 2,19 RAM 8,75 15,5
PA 6
P3 14,2 i=10
P1 P1 P1 CIR. 3 %

,15

78

1
,13

A=14,15m² 10

3,9
°
-4,72
VESTIÁRIO FEMININO ANTEC.
5,47

P3
J5 A=46,5m² A b A=6,13m²
-4,72 5
P7

3,27
CAMARIM FEMININO A b
A=23,5m² 1
3,43

J5 P7 4,78
P1 P1 P1 P1 P1 P1 P1 A b -4,72 ,15 01
-4,72
1 C' 2,00 02

Desce

0
1,20
,26

2,3
03
05 2,85 04

1,19
05 °
P3 105

Sobe

102
1,00 06

,15
1,00 07

°
SALA TÉCNICA 1,00 08 01 02
,15

,13

09 03 04
1,00 ,30,30
7,23 ,13 1,15 ,15 2,00 ,13 6,92 ,13 A=6,45m² 1,00 ,30
P3 -4,72 1,00
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

2,50
CIR. J8
1,00
1,00
2,00

A=20,9m² A b
P3 CAMPUS ARAPIRACA

4,09
-4,72 2,58 1 3,00

arquitetura
AUDITÓRIO urbanismo ARQUITETURA E URBANISMO

,15
5,00
P7 ANTEC. A=173m² arapiraca
,15 ,90

P3 P5 A=3,8m² 162 PESSOAS ,26


J5 P3 P3

1,88

6,49
A b
1 P7 E d
P6 3

7,56
7 8° PALCO

10,08
BWC

Desce
1,20
1,86

COPA A=44,6²
2,00

A b C
8,67

-5,42

10
sobe
DEPÓSITO A=18,4m² ACESS.


5 P1 P1 05
,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30

01 26 01 -6,3
-4,72 A=8,1m² 02
GERAL 02 25 03
F b Título:
,56

24 04
03
A=40,4m² P1 05 3 : PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL
-4,72
SANIT. P1
SANIT. A b A 04 23 A b
1
06
5,60

5 1 05 22 07
PARA LIMOEIRO DE ANADIA-AL
J5 MASC. FEM. A b 08

4,78
CASA DE 06
2
21
DEPÓSITO
09
1,83

A b A=20,7m² P1 P1 A=21,3m²
-4,72 07 20
Discente:

3,91

10
1
MÁQ. A=20,9m²


P3 -4,72 08 19
3,45

-4,72
09 18 -4,72 ISABEL FRANÇA DE SOUZA
J4 ÁREA DE SERVIÇO P1
J4 A=6,2m²

2,30
10 17
,15

A=10,5m² A b A b -4,72 01 02
Orientadora:
A b 11 12 13 14 15 16 03 04

Sobe
-4,72 5

1,19
5 5 2°
1,20

P3 10 SIMONE CARNAÚBA TORRES


1,35

P1 P3
P3 J5 P3 J5 J5 J4 J5 J5 P7 Coorientador:
,13

01 02 03 04 05 06 07 08 09
,13 3,90 ,15 4,55 ,15 3,80 ,15 3,80 ,15 1,99 ,15 1,80 ,15 3,60 ,15 4,03 ,26 18,48
EDLER OLIVEIRA SANTOS
Desce
1,50

1,53

,30 10
-4,72
3,00

Sobe
1,50

1,50

,30
Projeção pavimento superior
18,77 28,32
CULTURAL DE LIMOEIRO DE ANADIA

TERRENO _____________5.680,6 m²

PLANTA BAIXA PAVIMENTO INFERIOR ÁREA CONSTRUÍDA ____3.437,67m²

3 ESCALA 1/100 TAXA DE OCUPAÇÃO_______25,8%

CCLA CENTRO CULTURAL DE


05

TAXA DE PERMEABILIDADE__62,4%
A'

LIMOEIRO DE ANADIA

Tipo de projeto:
ANTEPROJETO

Localização: APÊNDICE D
RUA CÔNEGO JACINTO, CENTRO, LIMOEIRO DE ANADIA- AL

Assunto: Prancha:

PLANTA BAIXA PAVIMENTO INFERIOR

Escala: Data:
02/07
1/100 JUNHO/2020
QUADRO DE ESQUADRIAS

ALTURA PEITORIL
CÓDIGO LARGURA TIPO QNTD. DESCRIÇÃO
(m) (m) (m)

PORTAS

PORTA EM MADEIRA COMPENSADA 36mm, A


P1 0.80 1.65 ------- GIRO 42 20cm DO PISO COM PINTURA ESMALTE NAS
DUAS FACES NA COR BRANCO NEVE
PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM
P2 0.80 2.10 ------- GIRO 2
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P3 0.90 2.10 GIRO 31
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P4 0.90 2.10 CORRER 1
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P5 0.90 2.10 GIRO 3
PUXADOR HORIZONTAL E FECHADURA
PORTA CORTA-FOGO CLASSE P-90 EM AÇO
GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P6 0.90 2.10 ------- GIRO 4 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA CORTA-FOGO DUPLA CLASSE P-90 EM
AÇO GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P7 1.60 2.10 ------- GIRO 5 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA EM VIDRO TEMPERADO 10mm,
P8 0.90 2.10 ------- GIRO 2 1FOLHA 0,90x2,10m C/ FECHADURA E
PUXADOR VERTICAL E VISOR DE 0,90x1,40m
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 2
P9 1.60 2.10 ------- GIRO 2 FOLHAS 0,8x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL E
FECHADURA
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 4
P10 2.60 2.10 ------- CORRER 1 FOLHAS 0,65x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL
E FECHADURA
DIAGRAMA DE LOCAÇÃO DO PAVIMENTO TÉRREO JANELAS

JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E


J1 7.60 3.00 0.50 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J2 5.00 3.00 0.50 CORRER 7
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J3 2.20 0.60 1.10 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM DUAS
FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO

N
J4 1.30 0.60 1.80 MAXIM-AR 12
TRANSLÚCIDO 7mm E SISTEMA DE
REGULAGEM INTERNO
JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM QUATRO
FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO
J5 2.55 0.60 1.80 MAXIM-AR 55
TRANSLÚCIDO 7mm E SISTEMA DE
REGULAGEM INTERNO
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J6 34.50 4.00 ------- CORRER 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
24,73
,22 ,12 ,12 ,12 JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
6,23 18,14 J7 6.50 3.00 0.50 CORRER 1 VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
,30 ,12
,12

,12
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J8 2.50 1.50 1.10 FIXO 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
3,34
3,22

QUADRO DE MATERIAIS
5,10

6,07
16 15 14 13 12 11 10

05
A
PISO

05 04 03 02 01 A PISO GRANILITE NA COR CINZA NATURAL 120X120cm


2,00

B PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm

,12
PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm; PISO CIMENTÍCIO AREIA 50X50X2,3cm; PISO
,79 1,20 1,20 1,20 1,20 1,20 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 ,54 41,95 C
CIMENTÍCIO VERMELHO JACARANDÁ 50X50X2,3cm E PISO CIMENTÍCIO PALHA 50X50X2,3cm

D PISO CIMENTÍCIO DRENANTE CINZA 11X22X6cm

E CARPETE CINZA CLARO ADESIVADO NETFELTROS 149X100X3cm OU SIMILAR

2,76
F PISO LAMINADO EUCAFLOOR AMBIENCE ANDORRA 25X135,7X0,8cm OU SIMILAR
ESTACIONAMENTO
5,80

5,60

A=378,9m² PAREDE

5,00
5,00
,45
0.00
1 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE
4,7
D 8
°
65
13,00

2 MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE BRANCO OU SIMILAR
VEÍCULOS
ACESSO

MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE CINZA NOBRE OU SIMILAR E
3
,63 5,10 2,50 2,50 2,50 2,50 2,50 2,60 1,20 2,60 PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 243X16cm OU SIMILAR

76°
,20

VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA


4
DECORA MATTE TOQUE DE CINZA OU SIMILAR
IDOSO
2,30

01 5 PORCELANATO ELIZABETH BIANCO POLIDO 50X101cm OU SIMILAR


7,26

6 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; PORCELANATO ELIZABETH PORTO RICO


09 62,5X62,5cm OU SIMILAR;
5,50

5
,20

5,10

03 04 05 06 07
7,2

21,52
08 7 PINTURA MURAL

6,85
39° TETO
2,30

02

18,53
a FORRO ACÚSTICO ISOVER PRISMA PLUS 62,5X62,5cm OU SIMILAR
1,00 7,69 1,00 10,90 4,24

R3,83
b
,20

FORRO DRYWALL STANDARD BRANCA KNAUF 180X120cm OU SIMILAR


,72
67
38°

c
60

12,15 FORRO METÁLICO HUNTER DOUGLAS LINHA B 18X300cm OU SIMILAR


°

51°

12,50
B' B d NUVENS ACÚSTICAS COM PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 80X120cm OU SIMILAR
05 8,77 05

R2,3
2
10 11 12
4,90

7,3 09

1,43
08 13
2

5
4,1

07
5,9

09
06
6

08
05 9,50
07
Projeção pavimento superior

04
03 06
7 5°
63°

1,30

R,7
,19
02 05
01 04

8
2,60

Projeção pavimento superior


03
137° 01
02

ce
,46
6

s
RUA CÔNEGO JACINTO

3,2

De

Sobe
,45
PASSEIO PÚBLICO

4,22
4,40
6
2,4 137°
2,0
0

63°

17,50 5,15

35,00
7

°
2,1

135
VÃO LIVRE
2,0

113
116
0

° A=339,2m²

°
16,76

4,01 0.00

B c

4,47
1 RECEPÇÃO
12,9
4

5
9,3

R1
,70
8,02

,50
26,35

PRAÇA C'

11,91
A=906,9m² 05

102
C 0.00

°
ACESSO
SOCIAL

1
117° 3 ,9
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

7,44
4,0 8
148° CAMPUS ARAPIRACA
arquitetura
urbanismo ARQUITETURA E URBANISMO
,13

6,86
57°
57°

arapiraca
J7 P8
,15 ,75

P5 P6 P6
P3 P3 MIRANTE
1,88

3,7 130° 5 A=369,3m²


7 3,7 4,54
3,1
3 0.00 0.00 0.00
,45

123°
91°
1,86
,15

1,20
2,00

6,17 6,7
1
A b C
°

10 Sobe Desce B
77

9° P1 P1 5
05

,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30

11,61
01 01
,45
5,27

02 02
122

,32

Título:
9

130° 03 03
LOJA
4,6

6,55

SANIT. P1 P1 : PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL


A=58m² A b SANIT. BWC 04 04
4,56

1 MASC.
05
A b
05
LANCHONETE PARA LIMOEIRO DE ANADIA-AL
ACESS.
5,49

+0.03 FEM. 06 06
2,08

2,10

2
4,62

A=20,7m² P1 P1 A=8,1m² A=26,6m²


3,78

A=21,3m² 07 07
Discente:

3,95
4,10
0.00 08 08 +0.03
° 0.00 0.00
116 J4 09 ISABEL FRANÇA DE SOUZA
,15

2,61 110 P1 10
A b A b
° Orientadora:
,45
5 A b 16 15 14 13 12 11 1,6
°
96

5
1,20
1,20
1,19

P1 SIMONE CARNAÚBA TORRES


°
63

162° 5,42 J5 J5 J5 J5 J5
7,59 Coorientador:

,15
,13
2,70

1,20

8,63 ,12 8,71 ,15 3,80 ,15 3,80 ,15 2,00 ,15 1,80 ,15 3,60 ,15 P3 6,77 EDLER OLIVEIRA SANTOS
98

4,28 6,35
1,50

1,50
°

154° 2°
8,83 10
1,50

162°
144°
4,0
5 3,27 1,37 31,48 15,71
°4
10

Desce
1,50

1,50
30°

,12
,13

22,63 2,00
76,47 CULTURAL DE LIMOEIRO DE ANADIA

PLANTA BAIXA PAVIMENTO TÉRREO TERRENO _____________5.680,6 m²

4 ESCALA 1/100 ÁREA CONSTRUÍDA ____3.437,67m²

TAXA DE OCUPAÇÃO_______25,8%

CCLA CENTRO CULTURAL DE


05

TAXA DE PERMEABILIDADE__62,4%
A'

LIMOEIRO DE ANADIA

Tipo de projeto:
ANTEPROJETO

Localização: APÊNDICE E
RUA CÔNEGO JACINTO, CENTRO, LIMOEIRO DE ANADIA- AL

Assunto: Prancha:

03/07
PLANTA BAIXA PAVIMENTO TÉRREO

Escala: Data:

1/100 JUNHO/2020
QUADRO DE ESQUADRIAS

ALTURA PEITORIL
CÓDIGO LARGURA TIPO QNTD. DESCRIÇÃO
(m) (m) (m)

PORTAS

PORTA EM MADEIRA COMPENSADA 36mm, A


P1 0.80 1.65 ------- GIRO 42 20cm DO PISO COM PINTURA ESMALTE NAS
DUAS FACES NA COR BRANCO NEVE
PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM
P2 0.80 2.10 ------- GIRO 2
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P3 0.90 2.10 GIRO 31
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P4 0.90 2.10 CORRER 1
FECHADURA

------- PORTA EM MADEIRA MACIÇA 30mm COM


P5 0.90 2.10 GIRO 3
PUXADOR HORIZONTAL E FECHADURA
PORTA CORTA-FOGO CLASSE P-90 EM AÇO
GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P6 0.90 2.10 ------- GIRO 4 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA CORTA-FOGO DUPLA CLASSE P-90 EM
AÇO GALVANIZADO, COM PRENCHIMENTO EM
P7 1.60 2.10 ------- GIRO 5 MANTA CERÂMICA, BARRAS ANTIPÂNICO,
VISOR E PINTURA ELOTROSTÁTICA BRANCO
PORTA EM VIDRO TEMPERADO 10mm,
P8 0.90 2.10 ------- GIRO 2 1FOLHA 0,90x2,10m C/ FECHADURA E
PUXADOR VERTICAL E VISOR DE 0,90x1,40m
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 2
P9 1.60 2.10 ------- GIRO 2 FOLHAS 0,8x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL E
FECHADURA
PORTA EM VIDRO LAMINADO 7mm, 4
P10 2.60 2.10 ------- CORRER 1 FOLHAS 0,65x2,10m C/ PUXADOR VERTICAL
E FECHADURA
DIAGRAMA DE LOCAÇÃO DO PAVIMENTO SUPERIOR JANELAS

JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E


J1 7.60 3.00 0.50 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J2 5.00 3.00 0.50 CORRER 7
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J3 2.20 0.60 1.10 CORRER 2
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM DUAS
FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO

N
J4 1.30 0.60 1.80 MAXIM-AR 12
TRANSLÚCIDO 7mm E SISTEMA DE
REGULAGEM INTERNO
JANELA DE ALUMÍNIO ANODIZADO COM QUATRO
FOLHAS, FECHAMENTO EM VIDRO LAMINADO
J5 2.55 0.60 1.80 MAXIM-AR 55 TRANSLÚCIDO 7mm E SISTEMA DE
REGULAGEM INTERNO
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J6 34.50 4.00 ------- CORRER 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm
JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E
J7 6.50 3.00 0.50 CORRER 1 VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm

JANELA EM ALUMÍNIO ANODIZADO NATURAL E


J8 2.50 1.50 1.10 FIXO 1
VIDRO LAMINADO TRANSPARENTE LISO 7mm

QUADRO DE MATERIAIS

05
A
PISO

A PISO GRANILITE NA COR CINZA NATURAL 120X120cm

B PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm

PISO CIMENTÍCIO CINZA CLARO 50X50X2,3cm; PISO CIMENTÍCIO AREIA 50X50X2,3cm; PISO
C
,07 ,11 ,13 4,75 ,13 5,85 ,13 16,39 ,26 CIMENTÍCIO VERMELHO JACARANDÁ 50X50X2,3cm E PISO CIMENTÍCIO PALHA 50X50X2,3cm

,13

,13

,13
D PISO CIMENTÍCIO DRENANTE CINZA 11X22X6cm
P3
E CARPETE CINZA CLARO ADESIVADO NETFELTROS 149X100X3cm OU SIMILAR

F PISO LAMINADO EUCAFLOOR AMBIENCE ANDORRA 25X135,7X0,8cm OU SIMILAR

PAREDE

1 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE

RESERVA EXPOSIÇÃO 2 MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE BRANCO OU SIMILAR
PERMANENTE

7,80
J1 CONSERVAÇÃO TÉCNICA A=159,2m² 3
MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA DECORA MATTE CINZA NOBRE OU SIMILAR E

8,87
A=45,6m² PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 243X16cm OU SIMILAR
+4,72
E RESTAURO +4,72
A=40,7m² VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; MASSA CORRIDA + TINTA ACRÍLICA CORAL FOSCA
Aa 4
+4,72 A b 1 DECORA MATTE TOQUE DE CINZA OU SIMILAR
1
A b
1 5 PORCELANATO ELIZABETH BIANCO POLIDO 50X101cm OU SIMILAR

6 VERNIZ ACRÍLICO HIDROREPELENTE; PORCELANATO ELIZABETH PORTO RICO


P9 62,5X62,5cm OU SIMILAR;
3,53 1,22 5,85 7,55 3,82 5,05

,13
P3 P3
7 PINTURA MURAL
J5
TETO
CIRCULAÇÃO

6,
2,00

23
,13

A=12,1m²
a FORRO ACÚSTICO ISOVER PRISMA PLUS 62,5X62,5cm OU SIMILAR

R3,83
+4,72

b FORRO DRYWALL STANDARD BRANCA KNAUF 180X120cm OU SIMILAR

,13
P3 P3
12,39 c FORRO METÁLICO HUNTER DOUGLAS LINHA B 18X300cm OU SIMILAR
B' B d NUVENS ACÚSTICAS COM PAINÉIS NEXACUSTIC 32 CEREZZO 80X120cm OU SIMILAR

10,84
05 05

R2,32
6,12

J2 RECEPÇÃO 12 13 14
COORDENAÇÃO SALA DE 11
15
16

5,06
A=33,70m² 10 17
A=30,1m² 09 18
+4,72
+4,72 REUNIÃO 08 19
26,70

J5 07
20

R,78
A=20,4m² 06
21
+4,72 A b 22
05
1 04 ,19 23
03
A b A b 02 01

9
4,0
1 1 149°

Desce

5,75
5,20 ,13 4,00 ,13 2,97
,46
,15

,15

4,5
5

J5

34,58
35,00
P9
J6
P10
9,67

9,67

J1
BIBLIOTECA
A=151,7m² CIR.
A=15,2m²

7,59
+4,72
+4,72
A a
4

C'
05
16,14 ,15 2,00 ,15 8,80

EXPOSIÇÃO
,15

,15

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS


TEMPORÁRIA
CIRCULAÇÃO CAMPUS ARAPIRACA
1,50

A b A=153,1m²

16,94
DEPÓSITO A=10,70m² 1
+4,72
arquitetura
2,75

J4 A=8,9m²
urbanismo ARQUITETURA E URBANISMO
,15

,15

+4,72
arapiraca
Aa
A b P5 2
1 P2 P3 P3
,12

P6
P3 A b A b +4,72
5 2
2,00

1,20
+4,72 Desce C
P1 P1
05
,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30

26 01

COPA 25 02
Título:
TETO VERDE 24 03
4,00

A=19,3m²
6,50

6,50

SANIT. P1 P1 : PROJETO DE UM CENTRO CULTURAL


A=22,9m² J3 +4,72 SANIT. BWC
23 04

MASC.
22 05
PARA LIMOEIRO DE ANADIA-AL
FEM. ACESS. 21 06
2,10

A b P1
5 A=20,7m² P1 A=21,3m² 20 07
Discente:
+4,72 A=8,1m² 19 08
+4,72
J4 18 09 ISABEL FRANÇA DE SOUZA
P1 17 10
,13

A b Orientadora:
5 A b 16 15 14 13 12 11
P3 5
1,20

1,20

P1 SIMONE CARNAÚBA TORRES


ÁREA DE J5 J5 J5
A b Coorientador:
2,50
,15

,15

5 SERVIÇO +4,72 EDLER OLIVEIRA SANTOS


A=12,1m²
1,43
1,50

P2 A PISO TÉCNICO +4,72


,07,10 ,13

J3

,07,07,15
1 A=25m²
,07

,15 3,53 ,07 ,11 ,13 4,86 ,13 3,83 ,15 3,80 ,15 1,99 ,15 1,80 ,15 3,60 ,15 6,63 ,13
3,67 27,80

CULTURAL DE LIMOEIRO DE ANADIA

PLANTA BAIXA PAVIMENTO SUPERIOR TERRENO _____________5.680,6 m²

5 ESCALA 1/100 ÁREA CONSTRUÍDA ____3.437,67m²

TAXA DE OCUPAÇÃO_______25,8%

CCLA CENTRO CULTURAL DE


05

TAXA DE PERMEABILIDADE__62,4%
A'

LIMOEIRO DE ANADIA

Tipo de projeto:
ANTEPROJETO

Localização: APÊNDICE F
RUA CÔNEGO JACINTO, CENTRO, LIMOEIRO DE ANADIA- AL

Assunto: Prancha:

PLANTA BAIXA PAVIMENTO SUPERIOR

Escala: Data:
04/07
1/100 JUNHO/2020
LAJE STEEL DECK 130mm

,61

,61
,51,05
BRISES DE MADEIRA
FORRO DE LÃ DE VIDRO FORRO DE DRYWALL FORRO DE DRYWALL FORRO DE DRYWALL COBOGÓS CERÂMICOS

1,61
,60

3,00
4,01
4,05

4,05
5,27
LAJE STEEL DECK 150mm

1,80
EXPOSIÇÃO

1,10
+4,72 +4,72 +4,72
PERMANENTE RECEPÇÃO COORDENAÇÃO

,50
SALA DE REUNIÃO

,60

,61
FORRO METÁLICO PLANO

4,07
GUARDA CORPO DE ALUMÍNIO

1,10
0,00 0,00 0,00
MIRANTE VÃO LIVRE PRAÇA

,66

,57 ,05
FORRO ACÚSTICO DE LÃ DE VIDRO

,57
FORRO DE DRYWALL FORRO DE DRYWALL

1,67
3,00

,60

4,07

4,16
3,00

3,00
1,85
1,10

-4,75 -4,72 -4,72 -4,72

,50

,50
VAR. HALL DEPÓSITO DE FIGURINOS SALA MULTIUSO LAJE STEEL DECK 150mm
,63

,31 ,61
FUNDAÇÃO POR ESTACA
6,43

CORTE AA'
6 ESCALA 1/100

TETO VERDE COMPOSTO POR MANTA


ASFÁLTICA, SUBSTRATO E GRAMA

,05 ,31,13,12
LAJE STEEL DECK 130mm

FORRO DE LÃ DE VIDRO

BRISES DE MADEIRA

4,01
+4,72
EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA

,05,41 ,20
TETO VERDE COMPOSTO POR MANTA
ASFÁLTICA, SUBSTRATO E GRAMA VIGA DE AÇO PERFIL W617X230 FORRO METÁLICO PLANO
,05,51 ,31,13 ,11

LAJE STEEL DECK 130mm


,61

4,07
FORRO DE LÃ DE VIDRO FORRO DE DRYWALL FORRO DE LÃ DE VIDRO
COBOGÓS CERÂMICOS GUARDA CORPO DE ALUMÍNIO
FORRO DE DRYWALL
1,88

1,70

1,13
4,05
5,27

0,00
MIRANTE
3,50

LAJE STEEL DECK 150mm

,05,41 ,20
LAJE STEEL DECK 150mm

,66
2,13

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

,05
,64 ,05

,18
1,80

FORRO DE DRYWALL FORRO DE DRYWALL

,65

1,31
+4,72 +4,72 +4,72 +4,72
CAMPUS ARAPIRACA

1,47
EXPOSIÇÃO PERMANENTE RECEPÇÃO BIBLIOTECA CIR. SANITÁRIO FEM. VIGA DE AÇO PERFIL W617X230
NUVENS ACÚSTICAS
,05,41 ,20

,05,57 ,41 ,20

arquitetura
ARQUITETURA E URBANISMO
,61

urbanismo
arapiraca
FORRO METÁLICO PLANO

4,07
4,11

1,50
4,94
FORRO DE DRYWALL

4,30
1,10

5,69
2,97

PAINÉIS NEXACUSTIC

1,10
,60
4,06
4,07

-4,72 -4,72
GUARDA CORPO DE ALUMÍNIO S. TÉCNICA
3,50

,41 ,20
,18
LAJE STEEL DECK 150mm