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Será que tudo posso naquele

que me fortalece?
Será que realmente
“Tudo posso naquele que me fortalece'?” Fp 4:13
Quatro pontos importantes que precisamos
aprender desta passagem:
1. Nem tudo que eu quero, eu posso.
2. Nem tudo que eu posso, eu devo.
3. Nem tudo que eu posso, eu faço.
4. Mas, tudo que eu preciso, eu posso.
1. Nem tudo que eu quero, eu posso.
Um Cristão quer abrir uma pequena livraria para
vender Bíblias e livros de estudo bíblico em seu bairro.
Falta o dinheiro para comprar as mercadorias e pagar
os primeiros meses de aluguel. Ele ora a Deus
fervorosamente para Deus “abrir essa porta”.
Uma irmã quer começar uma obra de ajuda a crianças
carentes num bairro perto do prédio da igreja. A
liderança da igreja não a considera apta para esta obra,
mas não tem outra pessoa que queira se envolver. Ela
pede a Deus que Ele mude os corações dos líderes. Ela
aguarda ansiosamente o dia em que vai começar a
ajudar as crianças.
Outra irmã quer casar e ser missionária em Rondônia.
Ela tem certeza que é a vontade de Deus e ora com
plena convicção de que Deus vai conceder este pedido.

Todos estes discípulos são encorajados pelos irmãos


próximos a eles. Em orações e bilhetes, em palavras e
abraços, todos recebem o apoio de seus irmãos. E
todos são fortalecidos com as palavras de Paulo – “tudo
posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13).
E não é isso mesmo que Paulo quis dizer? Ele não
estava dizendo que, em tudo de bom que queremos
fazer, Deus vai nos dar a força, a sabedoria, ou até os
recursos financeiros necessários? É claro que deve ser
algo segundo a vontade de Deus. Certamente não deve
ser por motivos egoístas. Mas, se for algo de bom, para
evangelizar, para edificar a igreja, para servir os outros,
Deus promete nos dar tudo que precisamos. Não é isso
que Paulo quis dizer?
Não. Não foi bem isso. Sabemos que não foi bem isso
que Paulo quis dizer porque nos versículos antes e
depois deste, o assunto que Paulo trata não tem nada a
ver com obras ou realizações – o que está mais em
pauta é a sobrevivência. Antes e depois Paulo fala de
como aprendeu a ficar contente em situações diversas
e adversas.
Paulo fala de como aprendeu a viver em “pobreza” (v.
11), “fartura e fome” e “abundância e escassez” (v. 12).
Depois ele expressa a gratidão dele pela igreja de
Filipos que o ajudara com suas “necessidades” (v. 16).
Paulo não está relatando grandes conquistas e
realizações. Ele está falando de como Deus lhe deu
força para enfrentar algumas das situações mais difíceis
da sua vida.
Não devemos esquecer que quando Paulo escreveu
estas palavras ele estava em cadeias (1:13,17),
prisioneiro de um império brutal e autoritário.
A maior conquista que Deus deu a Paulo não foi algo
que Deus fez por meio dele. Foi algo que Deus fez por
dentro dele. O que chamou a atenção de Paulo não foi
como Deus moveu montanhas por meio de suas
orações, mas como Deus mudou seu coração por meio
de Cristo habitando dentro dele.
Quanto a grandes conquistas ou respostas a oração,
Paulo de fato havia visto como nem sempre Deus faz o
que pedimos, mesmo quando é algo bom e para os
outros. A Paulo, um homem de fé sincera e poderosa,
foi negado algo bom e desejável que pediu ao Senhor –
uma cura. Em 2 Co 12:8-9 vimos que, apesar de toda
sua fé e amor ao Senhor, Paulo não recebeu o que
queria. Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, se
realmente for da vontade de Deus.
“Muitos de nós hoje só ouvimos a parte da frase que
diz ‘tudo posso’.
Mas, o foco de Paulo não é tanto nas realizações e
habilidades, como se ele fosse de alguma forma
superior ao homem comum; é mais sobre Cristo que
lhe dá a força para ser fiel à vontade dEle. É aquele que
me fortalece que merece o crédito e a glória. Não é que
Paulo não se importa com progresso, como ele indica
em 1:25 (embora ele o define como o desenvolvimento
de um caráter de servo e fé, não necessariamente
proeza mental ou administrativa), mas que Cristo é
quem dá a graça para tanto ‘progresso’ (1 Cor 15:10).”
Paulo tinha o dom de curar e curou muitas pessoas,
chegando a curar todos numa ilha inteira (Atos 28:7-9).
Mas, houve ocasião em que Paulo não pôde curar um
discípulo próximo a ele, Trófimo (2 Tim 4:20). Tudo
posso naquele que me fortalece? Sim, dentro dos
limites que Deus estabelece e permite.
Paulo queria pregar o Evangelho na Ásia (Atos 16:6-7).
Mas ele foi impedido de pregar lá e teve que viajar até
a Macedônia para poder pregar onde Deus queria.
Mas, somente porque algo é bom, espiritual e para
servir os outros, não quer dizer que Deus vai abençoar.
Podemos, então, dizer que O ponto de Fp 4:13 não é
sobre as minhas realizações, e sim condições para o
que Deus quer realizar através de mim ou dentro de
mim. “Tudo posso naquele que me fortalece.” A grande
questão não é se realmente posso TUDO. Talvez a
pergunta mais importante é “para que” ele está me
fortalecendo?
2. Nem tudo que eu posso, eu devo.
Como Cristãos, nós nos preocupamos em fazer sempre
a vontade de Deus. Às vezes uma idéia chama a nossa
atenção. Vemos uma necessidade ou oportunidade e
logo pensamos numa solução. Oramos um pouco e
depois de algum tempo começamos a criar convicção
que Deus quer realizar tal obra. Irmãos e amigos, vendo
que o nosso projeto é bom e espiritual, começam a nos
encorajar. Todos afirmam que deve ser da vontade de
Deus. Mas, será que é?
Nem sempre tudo que eu posso, eu devo. Às vezes eu
terei condições de fazer algo, para o qual talvez tenha
orado por muito tempo e desejado profundamente.
Quando vejo as condições, logo penso que é isso
mesmo que Deus quer. Mas, pode não ser. Vemos três
exemplos da vida de Davi, um homem que vivia
segundo o coração de Deus (Atos 13:22). Em cada
exemplo Davi descobriu que o que parecia uma
resposta de Deus, não era.
1 Sam 24:1-7: Davi, o ungido de Deus, estava sendo
injustamente perseguido por Saul, um rei que foi
desobediente e rejeitado pelo Senhor. Certamente Davi
queria se livrar dessa perseguição. No episódio relatado
em 1 Sm 24:1-7, Saul caiu nas mãos de Davi e Davi
podia ter acabado com Saul e toda sua perseguição
injusta.
1 Sam 26:8-9: Mais tarde, em outra ocasião, parecia
que Deus havia entregue Saul novamente nas mãos de
Davi. Abisai, o irmão de Joabe, disse: “Deus te
entregou...”
Certamente Davi havia orado por livramento. Apareceu
o que parecia um milagre – uma oportunidade de
acabar com seu pior inimigo, uma oportunidade de por
fim à injustiça e perseguição. Davi, por um instante,
podia fazer o impossível. Mas ele escolheu não fazer.
3. Nem tudo que eu posso, eu faço.
Vimos que nem tudo que eu quero, eu posso.
Descobrimos que nem tudo que podemos, devemos.
Mas, ainda precisamos admitir que nem tudo que
podemos e devemos, de fato fazemos.
Cristãos às vezes pensam que precisam fazer algo. Eles
concluem que é algo bom e necessário. É para ajudar os
outros, é espiritual. Eles tentam fazer e se frustram
quando não conseguem.
O mesmo Paulo que afirmou “tudo posso naquele que
me fortalece” também declarou “...somos feitura dele,
criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus
de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef
2:10) Se as obras e realizações foram preparadas “de
antemão” por Deus, certamente não faltarão condições
para que sejam realizadas. Talvez o que falta é nós
reconhecermos as obras que Ele preparou.
Dentro da vontade soberana (e para nós muitas vezes
misteriosa) de Deus, podemos afirmar que o homem
pode fazer o que precisa. Mas esse fazer nem sempre
será o que ele quer. Prova disso é que há muita coisa
que, além de podermos fazer, devíamos fazer, mas nem
sempre fazemos.
4. Mas, tudo que eu preciso, eu posso.
John Henry Jowett contou a história de uma pequena
aldeia onde uma senhora de idade faleceu. Ela faleceu
sem dinheiro, sem educação, sem sofisticação, mas,
durante sua vida, seu serviço sem pensar em si mesma,
havia causado um grande impacto para Cristo. Na
lápide dela foram escritas as seguintes palavras: “Ela
fez o que não podia”.
Esta epígrafe poderia ser para qualquer Cristão que
deixar Cristo viver por meio dele: ELE pode fazer por
meio de nós o que nós não podemos sozinhos. Paulo
aprendeu e quis compartilhar com os Cristãos de Filipos
que, nas dificuldades, no sofrimento, na perda e na
escassez, Deus nos dará força para tudo.
Charles Bugg percebeu o ponto de Paulo em Fp 4:13
quando observou o seguinte: “A fé de Paulo, ‘Tudo
posso naquele que me fortalece’, diz mais sobre a
mudança dentro dele do que nas suas circunstâncias. O
segredo que o Apóstolo havia aprendido era de que
algumas coisas têm que ser aceitas e que Deus pode
nos dar força para suportar as circunstancias mais
difíceis.
Por incrível que pareça, Filipenses é a história de
alguém que descobriu sua provisão em Cristo, e com
esta presença imutável podia enfrentar com segurança
todas os desafios da vida. Paulo estava na prisão, mas
estava em Cristo. Paulo estava em perigo, mas estava
em Cristo. Em Cristo – este era o segredo – seja qual for
a sua situação, Paulo estava em Cristo.
A maioria de nós já aprendemos que as circunstâncias
nem sempre acabam como queríamos. Sonhos
morrem, relacionamentos acabam e as melhores
esperanças que temos para nós e outros não
acontecem de acordo com o nosso roteiro. Como então
devemos viver? Paulo diria ‘em Cristo’.” [3]
A vida pode trazer situações diversas e adversas. Mas,
para aqueles que estão em Cristo, tudo podem, sem
dúvida, no sentido de permanecer fiéis a Jesus – em
Cristo. Não há lugar ou situação melhor. Não há obra
ou realização mais importante do que simplesmente o
que Paulo, contente nas cadeias e na prisão, estava
afirmando – ele estava em Cristo e era isso que
importava.
Que Deus nos dê o contentamento para realizar tudo
que ele preparou para nós, e não nos preocupar com
nada que não seja da vontade dEle para nós. E que
possamos, até o fim dos nosso dias, fazer aquilo que é
mais importante para cada discípulo – permanecer em
Cristo. Que Deus abençoe a todos.

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