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Apostila Concurso IFCE 2021

ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO

Sumário
LÍNGUA PORTUGUESA ..................................................................................................... 3
Compreensão e interpretação de textos literários e/ou informativos; Recursos estilÌsticos
(ou figuras de linguagem); Coesão e coerência; .................................................................. 4
Ortografia: uso dos acentos gráficos; Grafia de palavras. ................................................. 49
Uso do sinal indicativo de crase ........................................................................................ 66
Morfologia: classes gramaticais e processos de flexão das palavras ................................. 73
Sintaxe de concordância e regência. ............................................................................... 137
Uso dos sinais de pontuação; Semântica: sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia;
Polissemia (denotação e conotação)............................................................................... 166
Redação de correspondÍncias oficiais.............................................................................. 187
LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA ............................................................................................. 212
Código de ética do Servidor Público (Decreto Federal nº 1.171, de 22 de junho de 1194)..
....................................................................................................................................... 212
Regime Jurídico Único (Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990) ................................... 218
Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (Lei n° 9.784, de 29
de janeiro de 1999). ........................................................................................................ 298
Lei n° 11.892, de 29 de dezembro de 2008: 1. Seção II - Das Finalidades e Características dos
Institutos Federais; 2. Seção III - Dos Objetivos dos Institutos Federais; 3. Seção IV - Da
Estrutura Organizacional dos Institutos Federais. ........................................................... 317
Estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (Lei nº
11.091, de 12 de janeiro de 2005). .................................................................................. 322
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ................................................................................... 332
Raciocínio Lógico: Estruturas lógicas básicas: Proposições e Conectivos; Implição e
equivalência lógicas; Regras de dedução. ....................................................................... 333
Aritmética básica e relação de ordem nos inteiros .......................................................... 371
Noções básicas de conjuntos .......................................................................................... 377
Análise combinatória ..................................................................................................... 386
Noçõees de Informática: Conhecimentos básicos de informática (Hardware e software) 401
Sistema operacional de computadores (Windows) ......................................................... 416
Linux .............................................................................................................................. 443
Software livre e proprietários. ........................................................................................ 452

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Organização e gerenciamento de informações, arquivos e pastas .................................. 454


Editores de texto ............................................................................................................ 457
Planilhas eletrônicas ...................................................................................................... 502
Editor de apresentação eletrônica de slide ..................................................................... 535
Gerenciador de banco de dados...................................................................................... 543
Internet e intranet .......................................................................................................... 552
E-mail ............................................................................................................................. 562
Conhecimentos básicos de segurança da informação ..................................................... 571
Dispositivos de armazenamento ..................................................................................... 584
Noções de Administração: Administração: Conceito, Objetivo, Princípios Básicos e Funções
....................................................................................................................................... 586
Tipos de organização. Teoria Geral dos Sistemas ............................................................ 590
Gestão de Pessoas .......................................................................................................... 595
Noções de Planejamento estratégico; Administração da Qualidade ............................... 610
Noções de Arquivo.......................................................................................................... 614
Ética e Responsabilidade Social. ..................................................................................... 656
Noções Básicas de Legislação: Normas Constitucionais sobre Administração Pública e
servidores públicos (Constituição Federal/88, com suas alterações)................................ 658
Licitações e Contratos (Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e suas alterações) ............. 672
Noções de Direito Administrativo: Princípios .................................................................. 696
Atos Administrativos ...................................................................................................... 700
Servidores públicos ......................................................................................................... 710
Administração Pública; Ética no serviço público. ............................................................. 730

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LÍNGUA PORTUGUESA

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Compreensão e interpretação de textos literários e/ou informativos; Recursos estilÌsticos


(ou figuras de linguagem); Coesão e coerência;

Texto, Contexto e Elementos Paratextuais

Você já se perguntou o que é, de fato, um texto? Geralmente, entendemos o texto como um conjunto
de frases, ou seja, algo que foi feito para ser lido. Mas a definição de texto não é tão simples quanto
parece.

Imagine, por exemplo, que você está lendo um livro e, de repente, encontra em uma página qualquer
um papel com a palavra “madeira”. Ora, certamente você ficará intrigado ou simplesmente não dará
importância a isso.

Agora, vamos imaginar outra situação: você está no meio de uma floresta e ouve alguém gritar:
“Madeira!”. Bem, se você pretende preservar sua vida, sua reação imediata é sair correndo. Isso
acontece porque a situação em que você se encontra levou-o a interpretar o grito como um sinal de
alerta.

A partir desses exemplos simples, podemos chegar a algumas conclusões importantes:

1º - os textos não são apenas escritos, eles também podem ser orais;

2º - os textos não são simples amontoados de palavras ou frases, ou seja, eles precisam fazer sentido.

Na segunda situação, uma única palavra foi capaz de transmitir uma mensagem de sentido completo,
por isso ela pode ser considerada um texto. Mas o que leva um texto a fazer sentido?

Existem elementos que nos ajudam a interpretar os textos que estão a nossa volta, mas para que se
possa compreender bem um texto é necessário identificar o contexto (social, cultural, estético,
político) no qual ele está inserido.

O contexto pode ser explícito, quando é expresso por palavras (o texto em que se encontra a frase ou
a frase em que se encontra a palavra), ou implícito, quando está embutido na situação em que o texto
é produzido. Logo, a simples mudança de contexto faz com que a palavra “madeira” seja interpretada
de maneiras diferentes. Na primeira situação, embora a palavra esteja dentro de um livro, ela está
totalmente fora decontexto, por isso não produz sentido algum.

Para deixar ainda mais claro, numa frase o que seria o contexto e qual importância dele. Observe o
seguinte enunciado:

“Que belo dia!”

Sem se levar em conta o contexto, não se pode explicar o sentido desta frase. Poderia se imaginar que
ela poderia se referir a um dia agradável, que a rotina flui sem imprevistos, ou poderia ter sido dita por
alguém que ganhou na loteria. Não se sabe a que contexto se refere, se a um dia de sol após um
período chuvoso ou se é um dia de chuva após meses de sol escaldante. Como não foi apresentada a
situação em que esse enunciado foi proferido, há várias possibilidades de sentido nesta frase.

Observe o texto abaixo retirado de um site de notícias:

Por Bernardo Caram,G1, Brasília 11/12/2016

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“Delator da Odebrecht cita doações não declaradas a mais de 30 políticos

Em informações prestadas ao Ministério Público Federal (MPF) para a assinatura de acordo de delação
premiada, o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho apresentou valores
repassados a políticos com a finalidade de obter vantagens para a empreiteira.

O depoimento, que veio a público na sextafeira (9), traz nomes, valores, circunstâncias e motivação dos
repasses. Parte dos recursos foi paga por meio de doações eleitorais oficiais, mas também há registro
de propina e de caixa 2.

Em alguns casos, como o dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), o
dinheiro era entregue a uma pessoa, mas serviria para abastecer um grupo dentro do partido. Em
outros casos, não é possível identificar se a doação foi oficial.

Cláudio atuava na relação da Odebrecht com o Congresso Nacional. Segundo ele, alguns pagamentos
eram feitos para garantir aaprovação de projetos de interesse da empreiteira. ”

Para compreendermos melhor sobre a informação retratada no texto é necessário que estejamos
atentos a situação política do nosso país.

Conhecimento de mundo

Ao longo de sua vida, o leitor adquire conhecimentos utilizados durante a leitura dos extos. O leitor
constrói o sentido do texto quando articula diferentes níveis de conhecimento, entre eles o
conhecimento de mundo. Esse tipo de conhecimento costuma ser adquirido informalmente, através
de nossas experiências pessoais e convívio em sociedade. Ativar seu conhecimento de mundo no
momento certo pode ser útil tanto para salvar sua vida no meio da floresta ou para resolver questões
de concursos.

Agora observe a seguinte imagem:

O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A
propaganda utiliza recursos “verbais” e “não verbais”. Os recursos verbais referem-se à palavra
“açúcar”, escrita no saco, e ao slogan “mude sua embalagem”. O conteúdo verbal da propaganda é
reforçado pela parte não verbal, ou seja, a imagem do saco de açúcar semelhante a uma barriga gorda,
que contrasta com a imagem do adoçante no canto inferior, bem fininho.

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Textos verbais e visuais

Até aqui, vimos que os textos podem ser orais ou escritos. Mas essa noção precisa ser ampliada, pois
há textos que não contam com o auxílio da palavra, seja ela escrita ou oral. É o caso, por exemplo, da
fotografia e da pintura. Dizemos, então, que há textos verbais e visuais. Há ainda textos que utilizam
os dois recursos, como no exemplo anterior, assim também como os filmes, que usam imagens,
diálogos e legendas.

Então, chegamos a conceito de texto mais ampliado e consistente: todo enunciado que faz sentido
para um determinado grupo em uma determinada situação. No concurso, essa noção mais moderna
de texto é a que vale.

Em resumo temos que:

Texto: Tomando como definição de texto a de Costa Val (1999:3), para quem “texto é uma ocorrência
linguística, falada ou escrita, de qualquer extensão, dotado de unidades sócio comunicativa semântica
e formal”.

Contexto: O contexto situacional é formado por informações que estão fora do texto, sejam elas
históricas, geográficas, sociológicas, literárias. Ele é essencial para uma leitura mais eficaz,
aproximando o interlocutor/leitor do sentido que o locutor/escritor quis imprimir ao texto.

Além do texto e do contexto temos ainda os elementos paratextuais. A sabedoria popular diz que não
devemos “julgar um livro pela capa”. Isso acontece porque muitas vezes a capa de um livro acaba
despertando ou não nosso interesse pelo texto. Porém, quando abrimos um livro, podemos nos
deparar com outros elementos, como contracapa, biografia do autor, prefácio, dedicatória, índice,
notas de rodapé, citações, posfácio e ilustrações. Esses elementos que margeiam o texto são chamados
de elementos paratextuais.

Portanto, paratextos são elementos que estão para além do texto, ou seja, informações que
acompanham uma obra. Como podem motivar a aquisição e a leitura livros, os elementos paratextuais
são muito privilegiados pela indústria editorial.

De todos os elementos paratextuais, o mais importante é o título, pois funciona como uma espécie de
“slogan” do texto, ou seja, algo que faça com que o leitor “compre” suas ideias. Alguns especialistas já
chegaram a sugerir que o título não é relevante para a leitura de um texto, mas não é bem assim. Um
título adequado pode direcionar a compreensão do texto, ajudando o leitor a criar expectativas de
leitura.

Em alguns casos, o título fornece pistas importantes para que o leitor levante hipóteses sobre o que
vai ler. Por exemplo, diante de um título como “Conheça as angiospermas”, o leitor espera ler um texto
que trará explicações sobre as angiospermas, seus tipos e exemplares na natureza. Com a ajuda de
outros elementos paratextuais, como a ilustração de uma flor, o leitor poderá imaginar que se trata
de plantas.

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A partir do título desses livros é possível especular qual será o enredo da história. Sobre o título “A
culpa é das estrelas” de John Green, é possível imaginar que se trata de uma história romântica já que
o título parece fazer alusão a expressão “escrito nas estrelas”, já o segundo título “ Para todos os
amores errados” de Clarissa Corrêa, podemos interpretar que a história apesar de uma história
romântica vai tratar mais especificamente de desilusões amorosas. Todos esses apontamentos são
apenas suposições feitas a partir do título.

Definições e concepções de leitura: as essências

O tema Leitura

Segundo Orlandi (2000:7), o termo leitura é polissêmico, isto é, permiti distinguir vários sentidos.
Podemos 7ubst.7-lo, em sua acepção mais ampla, como atribuição de sentidos, tanto em relação à
linguagem escrita como em relação à linguagem oral.

Qualquer expressão linguística, de qualquer natureza, permite uma leitura.

Leitura também pode significar concepção, e é nesse sentido que o termo é usado quando falamos em
leitura de mundo, isto é, quando usamos a palavra leitura para refletir o conhecimento de cada leitor,
considerando-se ou não sua escolaridade.

No sentido acadêmico – mais restrito -, leitura pode significar a construção das bases teóricas
metodológicas que permitem chegar a um texto: são várias as leituras de Rubem Alves, ou de um texto
de Paulo Freire.

Em um sentido ainda mais específico, o termo leitura pode ser entendido como estrita aprendizagem
formal, quando se vincula leitura e alfabetização.

Uma reflexão mais aprofundada sobre leitura nos permite concluir que o leitor precisa recorrer a
estratégias que lhe permitam alcançar o sentido do texto. Além disso, devemos lembrar que há
diferentes modos de leitura, em relação direta com a vida intelectual do leitor, isto é, com sua maneira
de estabelecer os sentidos daquilo que lê.

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Leitura e sentido

As palavras significam o que o grupo social convencionou que elas devem significar, mas a
comunicação exige muito mais que apenas usar e aceitar passivamente significados preestabelecidos.

Ler, então, é mais que decifrar: ler é ser capaz de atribuir um significado ao texto, partindo do próprio
texto, de modo que cada leitor consiga relacioná-lo a todos outros textos significativos, seja capaz de
reconhecer o tipo de leitura que o autor pretendia, e possa, depois, dono da própria vontade, entregar-
se à leitura ou rejeitá-la.

Para que tudo isso aconteça, é preciso que autor e leitor interajam ao longo de um texto. Ao autor
cabe delinear o caminho percorrido durante a produção do texto, direcionando o efeito de sentido
desejado e a intenção comunicativa pretendida; ao leitor compete ler, reler, analisar, comparar, fazer
inferências, ativar conhecimentos.

Todo leitor, ao ler um texto, deve participar da produção de leitura desse texto. Para isso, deve
construir, através do que passaremos a chamar de pistas textuais que o próprio texto fornece, um
sentido para ele (o texto) – mas somente o sentido que o próprio texto autorizar. Procurar essas pistas
faz parte do processo de leitura, porque é a partir delas que o autor formula e reformula hipóteses,
aceita ou rejeita conclusões.

Agora, pedimos que você coloque em ordem, numerando de 1 a 4, as diferentes etapas de participação
do leitor na produção de leitura de um texto.

( ) construção de sentido autorizado pelo texto

( ) identificação de pistas textuais

( ) aceitação ou rejeição de conclusões

( ) formulação e reformulação de hipóteses

Esperamos que Você tenha respondido que o leitor procura, em primeiro lugar, pistas textuais; em
seguida, constrói, por meio dessas peitas, um sentido autorizado pelo próprio texto; depois, de posse
dessas pistas, formula e reformula hipóteses, para, finalmente, aceitar ou rejeitar conclusões.

Informações implícitas

Muitos candidatos se perguntam como melhorar sua capacidade de interpretação dos textos.
Primeiramente, é preciso ter em mente que um texto é formado por informações explícitas e
implícitas. As informações explícitas são aquelas manifestadas pelo autor no próprio texto. As
informações implícitas não são manifestadas pelo autor no texto, mas podem ser subentendidas.
Muitas vezes, para efetuarmos uma leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou seja, ler nas
entrelinhas.

A partir de elementos presentes no texto, é possível ao leitor recuperar as informações implícitas, para
que possa, efetivamente, chegar a produção de sentido. Por isso, o leitor precisa estabelecer relações
dos mais diversos tipos do texto e o contexto, de forma a interpretar adequadamente o enunciado.

Por exemplo, observe este enunciado: - Patrícia parou de tomar refrigerante. A informação explícita é
“Patrícia parou de tomar refrigerante”. A informação implícita é “Patrícia tomava refrigerante antes”.
Agora, veja este outro exemplo: -Felizmente, Patrícia parou de tomar refrigerante. A informação

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explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A palavra “felizmente” indica que o falante tem uma
opinião positiva sobre o fato – essa é a informação implícita. Com esses exemplos, mostramos como
podemos inferir informações a partir de um texto. Fazer uma inferência significa concluir alguma coisa
a partir de outra já conhecida. Nos vestibulares, fazer inferências é uma habilidade fundamental para
a interpretação adequada dos textos e dos enunciados. A seguir, veremos dois tipos de informações
que podem ser inferidas: as pressupostas e as subentendidas.

Pressupostos.

Uma informação é considerada pressuposta quando um enunciado depende dela para fazer sentido.

Considere, por exemplo, a seguinte pergunta: “Quando Patrícia voltará para casa?”. Esse enunciado só
faz sentido se considerarmos que Patrícia saiu de casa, ao menos temporariamente – essa é a
informação pressuposta. Caso Patrícia se encontre em casa, o pressuposto não é válido, o que torna o
enunciado sem sentido.

Repare que as informações pressupostas estão marcadas através de palavras e expressões presentes
no próprio enunciado e resultam de um raciocínio lógico. Portanto, no enunciado “Patrícia ainda não
voltou para casa”, a palavra “ainda” indica que a volta de Patrícia para casa é dada como certa pelo
falante.

Subentendidos Ao contrário das informações pressupostas, as informações subentendidas não são


marcadas no próprio enunciado, são apenas sugeridas, ou seja, podem ser entendidas como
insinuações.

O uso de subentendidos faz com que o enunciador se esconda atrás de uma afirmação, pois não quer
se comprometer com ela. Por isso, dizemos que os subentendidos são de responsabilidade do
receptor, enquanto os pressupostos são partilhados por enunciadores e receptores.

Em nosso cotidiano, somos cercados por informações subentendidas. A publicidade, por exemplo,
parte de hábitos e pensamentos da sociedade para criar subentendidos. Já a piada é um gênero textual
cuja interpretação depende a quebra de subentendidos.

Observemos como isso é verdadeiro e deve acontecer em todos os atos de leitura, dos mais simples
aos mais complexos. Considere a manchete do Caderno de Esporte do jornal O Liberal, de 24.08.2003:

“PAPÃO PROCURA O CAMINHO DA VITÓRIA”

Essa manchete esportiva, uma simples e curta frase declarativa, interpretada adequadamente,
desencadeia uma série de relações entre ela e o leitor, a partir de uma informação explícita de que
alguém, no caso, um clube de futebol, procura uma forma de vencer.

Estabelecidas essas relações, o leitor encontra outros sentidos além do que foi explicitado.

A primeira dessas relações, que se estabelece entre texto e contexto, leva à compreensão de que, para
vencer, é preciso uma tática de jogo, uma estratégia, sentido latente na metáfora caminho da vitória.

A segunda, linguística por natureza, requer que o leitor reconheça o valor do artigo definido o: ele
permite entender que o caminho existe, que é um preciso e determinado caminho, que só ele
conduzirá à vitória.

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A segunda, linguística por natureza, requer que o leitor reconheça o valor do artigo definido o: ele
permite entender que o caminho existe, que é um preciso e determinado caminho, que só ele
conduzirá à vitória.

A terceira, ainda no âmbito da linguagem, está centrada no significado de procura. Quem procura é
porque perdeu ou porque nunca teve. No caso do clube paraense ele conhecia bem o caminho da
vitória, porém, no dia em que a manchete foi produzida, não conhecia mais.

A quarta novamente uma relação entre texto e contexto, cumplicidade entre autor e leitor,indica que
o clube já não vencia há algum tempo.

Finalmente a quinta relação por meio da qual o autor também busca a adesão do leitor, descortina a
crítica ao clube que vinha vencendo seguidamente, enchia a sua torcida de orgulho e parara de vencer.
Uma sutil ironia sem dúvida.

Um ouvinte/leitor eficiente precisa captar não apenas as informações explícitas (postas, dadas,
expressas), como também as que estão implícitas, pois, se ele não tiver essa habilidade, passará por
cima de significados importantes, ou – o que é mais grave – concordará com ideias ou ponto de vista
que talvez rejeitasse se os percebesse.

Por que utilizamos sentidos implícitos?

Em todo grupo social, há um conjunto de tabu linguísticos. Isso não significa apenas a existência de
palavras que, em certas circunstancias, não podem ou não devem ser pronunciadas (os palavrões, por
exemplo), mas também a de temas proibidos e protegidos por uma espécie de “lei do silêncio”. Um
ditado popular traduz plenamente essa restrição: “não se fala em corda em casa de enforcado”.

Esses tabus linguísticos também se fazem presente em relação a determinada informações que uma
pessoa não pode ou não deve dar, não porque elas sejam proibidas, mas porque o ato de expressá-las
constituiria uma atitude repreensível ou comprometedora.

Além dos tabus linguísticos um outro motivo para o uso de sentidos implícitos é que toda declaração
explícita pode tornar-se temas de discussões. O que é dito pode ser contradito, de modo que não se
poderia anunciar uma opinião ou um desejo sem, ao mesmo tempo, expô-lo às eventuais objeções dos
interlocutores.

Julgue você mesmo: no dia 01.02.2003, um deputado federal reeleito em resposta ao repórter do
Jornal Nacional, que referia aos erros desse parlamentar no mandato anterior, respondeu: “a gente
não comete os mesmos erros, porque há tantos erros novos para serem cometidos...”. Como Você
observou o parlamentar admite que continuará errando apenas não pretende repetir erros já
cometidos, o que é muito grave, porque o repórter se referia a erros prejudiciais ao povo que o elegeu.

Quando se lê, considera-se não apenas o que está dito, mas também o que está implícito, isto é, aquilo
que não está dito, mas que também significando. E o que não está dito pode ser de várias naturezas:

a) O que não está dito, mas que de certa forma, sustenta o que está dito;

b) O que está suposto para que se entenda o que está dito;

c) O sentido que se opõe àquilo que está dito;

d) Outras maneiras de se dizer o que se disse.

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Em época de forte repressão, a livre manifestação do pensamento, o direto de contestar e de se


denunciar se materializam por meio de sentidos implícitos. Foi o que aconteceu no período da ditadura
militar no Brasil.

Atento a isso, leia o excerto abaixo, do poemacanção de Chico Buarque, datado de 1984, para
aprofundar seu conhecimento sobre sentidos implícitos.

(...) Num tempo

Página triste da nossa história

Passagem desbotada na

memória

Das nossas novas gerações

Dormia

A nossa pátria-mãe tão

distraída

Sem perceber que era

subtraída

Em tenebrosas transações.

(...)

Esperamos que você tenha percebido que os quatro primeiros versos significam o período da ditadura
militar, entre 1964 e o limiar da década de 80 do século XX, e que os quatro últimos denunciam a
intensa corrupção ocorrida no referido período.

Por isso, tem sido cada vez mais frequente o cuidado de “medirmos as palavras”, para evitarmos os
perigos que advêm dos sentidos literais ou explícitos da língua. O recurso que se tem mostrado mais
frequente e eficaz parece ser simplesmente o uso dos sentidos implícitos, que conseguem expressar
aquilo que queremos dizer, mas sem que corramos o risco de ser responsabilizados por aquilo que
dizemos.

Não é por acaso que, muitas vezes, pessoas de destaque no grupo social, ao falarem, o fazem de forma
tão opaca e incompreensível que seu discurso acarreta lacunas no entendimento de seus
interlocutores.

Condições De Textualidade

Para que uma sequência de enunciados seja reconhecida como texto, é preciso que ela forme um todo
significativo, nas circunstancias de uso em que os enunciados ocorrem. É sobre as condições de
textualidade, ou seja, aquelas que permitem que você avalie a qualidade do que lê e do que escreve.

A primeira dessas condições é alcançada com a coerência, isto é, o fator responsável pela unidade de
sentido; a segunda é a coesão,que permite a harmoniosa articulação entre os diferentes constituintes
do texto.

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Textualidade

Chama-se textualidade ou tecitura ao conjunto de propriedades que qualquer manifestação


linguística deve possuir para que não seja apenas uma simples sequência de palavras ou frases.

Contemplamos dois, dentre os fatores responsável pela textualidade de qualquer discurso, juntamente
os que envolvem os componentes conceitual e linguístico.

Componentes conceitual e linguístico

Um texto deve apresentar um conjunto de propriedades decorrentes da relação entre as partes que o
compõem, de tal modo que, ao final, essa relação resulte em uma unidade de sentido e estabeleça
uma ligação – nem sempre aparente – entre essas partes. No primeiro caso, manifesta-se a coerência;
no segundo a coesão.

Coerência

A coerência ou conectividade conceitual é a interdependência semântica entre os elementos


constituintes de um texto, isto é, a relação entre as partes desse texto e que resulta em unidade de
sentido. A coerência decorre da continuidade do sentido, do compromisso entre as partes que formam
a macroestrutura (estrutura semântica global do texto) e está ligada à compreensão, possibilidade de
Interpretação do que dizemos, escrevemos, ouvimos ou lemos.

Para que a coerência se realize, há três propriedades fundamentais – continuidade ou repetição, não-
contradição e progressão – que serão desenvolvidas a seguir.

A relação entre o texto e o contexto, entendido este como a unidade maior em que a unidade menor
está inserida, é relevante para a depressão das relações do sentido que compõem a globalidade do
texto. Elas devem obedecer a condições cognitivas gerais, satisfazendo às relações lógico-semânticas
entre estados e coisas, como por exemplo, relações de ordenação temporal, relações de casualidade
– entre outras. Essas relações podem se manifestar pelo vocabulário, pela combinação dos tempos
verbais, pela ordem de apresentação de conteúdo, pela adequação dos campos semânticos.

No texto abaixo, queremos mostrar-lhe como se constrói o sentido de um texto a partir de uma ideia-
chave. Acompanhe com atenção e, ao final, você constatará que, num texto, tudo significa.

Dentro do planalto: Fome de reforma

“João Pedro Stédile está afinado com o governo petista. Na semana passada, o líder do MST andou
pelos corredores do Planalto como se fosse um velho conhecido do austero prédio. Jotapê tenta
convencer o governo de que R$ 1 bilhão, previsto no Orçamento para o Incra, é pouco para tocar a
reforma agrária.

Quer abocanhar parte do capital internacional destinado ao projeto Fome Zero. Reforma agrária, diz,
é a maneira mais eficaz de combate à fome.” ( Época – 03.02.2003 – p.8).

Observe que, nesse texto, há uma idéia-chave: João Pedro Stédile. Essa idéiachave, embora não esteja
expressa no título nem no subtítulo, é uma espécie de “primeiro ponto” para o ato de “tecer o texto”.
Ela se repete, quer representar por vocábulos diferentes (João Pedro Stédile / o líder do MST / um
velho conhecido / jotapê), quer representada pelo apagamento do vocábulo que a poderia expressar.

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Essa mesma ideia-chave é responsável pelas formas verbais em 3ª pessoa do singular (está afinado/
andou/ fosse/ tentar convencer/ quer/ diz). Além disso, o seu conhecimento prévio permite que você
identifique a relação de afinidade entre João Pedro Stédile e governo petista, assim como entre João
Pedro Stédile / governo petista e entre corredores do Planalto / austero prédio / o governo / fome
zero /combate à fome.

A coerência conceitual – macroestrutura ou estrutura semântica – é um dos requisitos fundamentais


para construção de qualquer texto, quer ele seja literário, jornalístico, científico, jurídico, acadêmico,
quer seja uma conversão espontânea.

Coesão

A coesão pode ser entendida como o modo pelo qual frases ou partes delas se combinam para
assegurar o desenvolvimento textual, ou seja, é o modo como as palavras estão ligadas entre si, dentro
de uma sequência, a fim de criar uma relação semântica entre um elemento do texto e outro elemento
que é fundamental para sua interpretação.

A coesão – isto é, a articulação – será eficaz quando estabelecer não apenas a ligação de uma ideia a
outra, mas também que tipo de relação específica se institui a partir desse recurso. A coesão é marcada
linguisticamente quando, para isso, empregamos nomes, conjunções, pronomes relativos,
preposições, advérbios, locuções adverbiais, elementos de transição adequados.

Não há dúvida de que a coesão marcada por elementos linguísticos contribui para conferir coerência
ao texto. Tais elementos, no entanto, não são nem suficientes nem imprescindíveis para garantila. É
perfeitamente possível haver textos coerentes que não apresentam elementos coesivos, como no
parágrafo a seguir, extraído de uma reportagem sobre Di Cavalcanti.

“Nas vacas magras, ia de cerveja a cachaça. Nunca bêbado. Tinha um poder enorme sobre o copo.
Bebia, depois deitava, lia, relaxava..” (Veja – julho/1997).

As quatro orações do período estão separadas por ponto. Embora não haja conectores gramaticais
explícitos, é fácil perceber de que modo essas orações se combinam para formar uma sequência, pois
é fácil recuperar os elementos coesivos que não foram expressos. Nada impediria que o autor da
matéria tivesse escrito o texto assim:

Nas vacas magras, ia de cerveja a cachaça, porém nunca ficava bêbado, pois tinha um poder enorme
sobre o corpo, isto é, bebia, depois deitava, lia e relaxava…

A coesão pode ser estabelecida por elementos que fazem o texto progredir a partir da conexão por
eles operacionalizada. Esses conectores estabelecem uma relação semântica de acordo com o sentido
que expressam.

É pela coesão que se estabelece o nexo entre as partes de um texto. As relações coesivas realizam-se
por meio de um léxico da língua e suas marcas são fixadas principalmente por elementos da natureza
gramatical (pronomes, conjunções, preposições, formas verbais), elementos da natureza lexical
(sinônimos, antônimos, repetições) e por mecanismos sintáticos (subordinação, coordenação,
ordenação dos vocábulos, das orações). A coesão, como elemento responsável pela textualidade, diz
respeito a todos os processos de referenciarão ou segmentação que asseguram ou tornam recuperável
uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

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Intertextualidade

Assunto comum em provas de concursos, a intertextualidade acontece quando um texto retoma uma
parte ou a totalidade de outro texto – o texto fonte. Geralmente, os textos fontes são aqueles
considerados fundamentais em uma determinada cultura. No exemplo dado, compositores brasileiros
contemporâneos retomam um dos textos mais reverenciados da literatura portuguesa.

Nos anos 90, Pedro Luis e Fernanda Abreu lançaram a canção “Tudo vale a pena”, cujo refrão diz o
seguinte: “Tudo vale a pena, sua alma não é pequena”. O mote, na verdade, faz referência ao famoso
poema “Mar português” (1934), do poeta Fernando Pessoa:

Valeu a pena? Tudo vale a pena


Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Como podemos ver, temos dois textos que, apesar de distantes no tempo e no espaço, dialogam entre
si. A intertextualidade é exatamente essa relação, uma forma de diálogo entre dois ou mais textos.

É importante considerar que a intertextualidade pode ocorrer entre textos de mesma natureza ou de
naturezas diferentes. Como é um conceito amplo e passível de classificações, a intertextualidade pode
ser classificada em dois tipos principais: intertextualidade explícita e intertextualidade implícita.

Na intertextualidade explícita ocorre a citação da fonte do intertexto, encontrada principalmente nas


citações, nos resumos, resenhas e traduções, além de estar presente também em diversos anúncios
publicitários. Nesse caso, dizemos que a intertextualidade se localiza na superfície do texto, pois alguns
elementos nos são fornecidos para que identifiquemos o texto fonte. Observe um exemplo:

A intertextualidade, quando explícita, fornece ao leitor diversos elementos que o remetem ao texto
fonte.

No anúncio publicitário utilizado no exemplo, há uma forte referência ao texto fonte, facilmente
identificada pelo leitor através dos elementos fornecidos pela linguagem verbal e pela linguagem não
verbal. A composição do anúncio nos transporta imediatamente para o filme “Tropa de Elite”, do
cineasta José Padilha, e isso só é possível em razão do forte apelo popular da produção, que ganhou
grande projeção em nossa sociedade.

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Já a intertextualidade implícita ocorre de maneira diferente, pois não há citação expressa da fonte,
fazendo com que o leitor busque na memória os sentidos do texto. Geralmente está inserida nos textos
do tipo paródia ou do tipo paráfrase, ganhando espaço também na publicidade. Observe o exemplo:

No anúncio há um elemento verbal que permite a retomada do texto fonte, mas essa inferência
depende de um conhecimento prévio do leitor: se ele não souber que há uma referência à música
“Mania de você”, da cantora Rita Lee, provavelmente o texto não será compreendido em sua
totalidade.

Portanto, a intertextualidade é um elemento muito importante para a constituição de sentidos do


texto, colaborando em muito para a coerência textual ao reforçar a ideia de que a competência
linguística não depende apenas do conhecimento do código linguístico, mas também do conhecimento
das relações intertextuais.

A seguir, veremos vários exemplos de intertextualidade, seja em forma de citação, paródia ou


paráfrase.

Citação

Esse procedimento intertextual acontece quando um texto reproduz outro texto ou parte dele. Para
sinalizar que houve a reprodução de outro texto, são utilizados alguns marcadores, como as aspas.
Dessa forma, o texto deixa claro que o trecho ou o texto citado foi tirado de outra fonte, como no
exemplo.

A compreensão adequada de um intertexto depende, naturalmente, do conhecimento do texto fonte.


Vejamos o outro exemplo abaixo.

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No exemplo dado, a propaganda buscou inspiração no texto bíblico “Do pó vieste e ao pó voltarás”,
marcando sua reprodução por meio de aspas.

Paródia

A paródia consiste em uma subversão ao texto fonte, recriando-o de maneira satírica ou crítica.
Dizendo de outra maneira, a paródia ironiza o texto original e inverte seu sentido. “Canção do exílio”
(1847) é um dos textos mais parodiados da cultura brasileira, exercendo sua influência por várias
gerações.

Minha terra tem palmeiras,


Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Agora, leia parte da paródia composta pelo humorista e apresentador Jô Soares:

Minha Dinda tem cascatas


Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros
Da Ilha de Marajó
As aves, aqui, gorjeiam
Não fazem cocoricó.

No poema de Gonçalves Dias, do final do século XIX, o eu lírico deseja cantar a saudade que sente de
sua terra natal, o Brasil, enfatizando seus encantos e belezas naturais.

O texto de Jô Soares, do final do século XX, desconstrói o sentido do texto original, já que o eu lírico
quer distância da terra natal, pois prefere as mordomias da Casa da Dinda, como ficou conhecida a
residência oficial do Presidente da República na época, Fernando Collor de Mello.

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Através da paródia, Jô Soares faz uma crítica aos escândalos de corrupção do governo, que culminaram
no processo de “impeachment” do presidente.

Paráfrase

Fazer uma paráfrase significa reproduzir as ideias de um texto, só que utilizando outras palavras,
dentro de uma nova montagem. É o recurso intertextual que se faz presente, por exemplo, em
resumos, atas e relatórios, que fazem parte do nosso cotidiano Veja um exemplo de paráfrase da tão
parodiada “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias:

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos


Minha boca procura a “Canção do Exílio”.
Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que palmeiras
onde canta o sabiá

Perceba que o poema “Europa, França e Bahia”, de Carlos Drummond de Andrade, estabelece um
diálogo com o texto de Gonçalves Dias, mas não tem uma intenção satírica – é uma paráfrase.

Citação do discurso (direto, indireto, modalização em discurso segundo, ilha textual).

Quando o enunciador precisa citar, em seu discurso, um texto (falado ou escrito) de outrem, pode
recorrer a alguns mecanismos linguísticos, como a modalização em discurso segundo, o discurso
direto, o discurso indireto e a ilha textual.

MODALIZAÇÃO EM DISCURSO SEGUNDO

É o modo mais simples e mais direto para o enunciador mostrar que não é responsável por um
determinado discurso: apenas indica que está se apoiando em um texto alheio. Para tanto, o
enunciador utiliza-se de determinadas marcas linguísticas, como as apresentadas em destaque nos
exemplos abaixo. Ex.: Para a antropóloga americana Margaret Mead, a monogamia é o mais difícil dos
arranjos maritais. Ex.: Uma dieta rica em vegetais, segundo dizem, reduz a chance de se ter vários tipos
de câncer. Ex.: O que falta aos governos latino-americanos é profissionalismo e inteligência política,
conforme Caetano Veloso. Ex.: A adolescência, de acordo com fontes bem informadas, começa cada
vez mais cedo e termina cada vez mais tarde.

DISCURSO DIRETO

Nesse tipo de citação, o enunciador se exime de qualquer responsabilidade, por isso, ele reproduz
literalmente as falas citadas, ou seja, o discurso apresenta-se às vezes como a exata reprodução das
palavras do enunciador citado.

Ex.: “Um indivíduo faminto tende a salivar muito mais diante de um prato de comida do que alguém
com menos fome”, afirma a fisiologista Sara Shammah Lagnado, da Universidade de São Paulo (USP).

Marcas do discurso direto

a) O discurso direto vem introduzido por um verbo que anuncia a fala citada. Tais verbos são
denominados de dizer (dizer, responder, retrucar, afirmar, falar, entre outros) e podem ser colocados

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antes do discurso direto, em oração intercalada, no interior do discurso direto ou no final do discurso
direto.

Ex.: O professor esclarece: “Os jovens levam a sério o mundo dos super-heróis, mas não
completamente”.

Ex.: – Farei uma farra daquelas – disse o candidato – quando eu passar no vestibular.

Ex.: – Por que o senhor bebe? – perguntou a repórter. – Eu bebo porque é líquido. Se fosse sólido, eu
comeria – respondeu malcriado o alcoólatra.

b) A fala citada aparece nitidamente separada por elementos tipográficos como as aspas, travessões,
dois-pontos e itálico.

Ex.: A mulher perguntou ao marido: – Você bebeu? Ex.: A mulher perguntou ao marido: “Você bebeu?”

Ex.: A mulher perguntou ao marido: Você bebeu?

A opção pelo discurso direto geralmente está ligada ao gênero do discurso ou às estratégias do
enunciador de cada texto. Ao escolher esse modo de citação, o enunciador, pode estar,
particularmente, querendo:

• Criar imagem de autenticidade do que reproduziu, indicando que as palavras relatadas são
realmente proferidas;
• distanciar-se: seja porque o enunciador quer explicitar, por intermédio do discurso direto, sua
adesão respeitosa ao dito, fazendo ver o desnível entre palavras prestigiosas, irretocáveis e as
suas próprias palavras (citação de autoridade); seja porque não adere ao que é dito; 
• mostra-se objetivo;  caracterizar a fala relatada, imprimindo-lhe marcas de oralidade
espontânea, de regionalismos ou até de cacoetes linguísticos (recurso muito utilizado em
gêneros literários). 3. DISCURSO INDIRETO É o modo de citação do discurso alheio em que o
enunciador tem uma diversidade de maneiras para traduzir as falas citadas, uma vez que ele
se utiliza de suas próprias palavras para reproduzir a fala do outro. Ex.: O carnavalesco disse
que os traficantes não mandam no samba. Marcas do discurso indireto  da mesma forma do
discurso direto, vem também introduzido por um verbo de dizer;  ao contrário do discurso
direto, a fala citada é introduzida por meio de uma partícula introdutória: que ou se. A escolha
do discurso indireto está também ligada ao gênero textual e às estratégias do enunciador em
cada texto. A imprensa popular, por exemplo, prefere o discurso direto ao indireto. Para um
público leitor popular, o jornalista privilegia a citação direta. É como se o leitor estivesse
presente na situação. Para um leitor mais instruído, o jornalista constrói um enunciado que
fale à inteligência desse público e atrás desse enunciado ele (o jornalista) se apaga. Por isso,
nesse caso, haverá mais recorrência ao discurso indireto, às ilhas textuais e á modalização em
discurso segundo.

ILHA TEXTUAL

Ilha textual ou ilha enunciativa é uma forma híbrida de citação. Considere os exemplos seguintes: Ex.:
Vera disse aos prantos que tinha flagrado o marido “papando a empregada”. Ex.: O ladrão confessou
que tinha roubado para “18ubs as fome dos bruguelo”. Ex.: Segundo o Presidente da República, “é
necessário que cada posto de gasolina seje fiscalizado”. O enunciador de cada um dos grupos acima
isolou em itálico e entre aspas um fragmento que, ao mesmo tempo, ele utiliza e menciona, emprega

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e cita. Apesar de o fragmento possuir a estrutura do discurso indireto ou da modalização em discurso


segundo, há neles algumas palavras que são atribuídas aos enunciadores citados. Aqui a ilha é indicada
pelas aspas e pelo itálico. É o procedimento mais frequente na imprensa. Pode-se também encontrar
somente as aspas ou somente o itálico. Nesse tipo de citação, as marcas tipográficas permitem verificar
que essa parte do texto não é assumida pelo enunciador.

Tipologia Textual: Tipos e Gêneros

Sempre cai nas provas o assunto “Tipologia textual” (Tipos textuais) mas muita gente confunde com
“Gêneros Textuais” (gêneros discursivos).

Querem dizer a mesma coisa? Não.

Estas são duas classificações que recebem os textos que produzimos a longo de nossa vida, seja na
forma oral ou escrita.

Sendo que a primeira leva em consideração estruturas específicas de cada tipo, ou seja, seguem regras
gramaticais, algo mais formal.

Já a segunda preocupa-se não em classificar um texto por regras, mas sim levando em consideração a
finalidade do texto; o papel dos interlocutores; a situação de comunicação. São inúmeros os gêneros
textuais: Piada, conto, romance, texto de opinião, carta do leitor, noticia, biografia, seminário,
palestras, etc

O que é tipologia textual?

Como dito anteriormente, são as classificações recebidas por um texto de acordo com as regras
gramaticais, dependendo de suas características.

São as classificações mais clássicas de um texto:

A narração, a descrição, a dissertação (expositiva e argumentativa), a injunção, a predição e a


conversacional.

Narração

Modalidade em que um narrador, participante ou não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num
determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há
uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos
cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis até às piadas do cotidiano. É o tipo
predominante nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato, etc.

Descrição

Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A
classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa
abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de
anterioridade e posterioridade. Significa “criar” com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma
descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que se
agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominância em gêneros
como: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.

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Dissertação

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do
objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo.

Dissertação-Exposição

Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre


assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe
ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resumo, textos
científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc.

Dissertação-Argumentação

Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto,


além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se
pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em:
sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revistas.

Injunção / Instrucional

Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria,
empregados no modo imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do
presente do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para
montagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com regras de comportamento; textos de
orientação (ex: recomendações de trânsito); receitas, cartões com votos e desejos (de natal,
aniversário, etc.).

OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam apenas os tipos acima. Alguns outros consideram que
existe também o tipo predição.

Predição

Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por
ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas,
previsões escatológicas/apocalípticas.

OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada mais
é que o tipo narrativo aplicado em certos contextos, pois toda conversação envolve personagens, um
momento temporal (não necessariamente explícito), um espaço (real ou virtual), um enredo (assunto
da conversa) e um narrador, aquele que relata a conversa.

Dialogal / Conversacional Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante


nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc.

Gêneros textuais

Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos, sejam eles orais ou escritos.
Essas estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas, com
características comuns, procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em
situações específicas. Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que circulam em

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nossa sociedade, sejam eles formais ou informais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo
então, ser identificado e diferenciado dos demais através de suas características. Exemplos:

Carta

Quando se trata de “carta aberta” ou “carta ao leitor”, tende a ser do tipo dissertativoargumentativo
com uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou a leitores.

Quando se trata de “carta pessoal”, a presença de aspectos narrativos ou descritivos e uma linguagem
pessoal é mais comum. No caso da “carta denúncia”, em que há o relato de um fato que o autor sente
necessidade de o expor ao seu público, os tipos narrativos e dissertativoexpositivo são mais utilizados.
Observe o exemplo de uma carta ao leitor logo abaixo:

Carta ao leitor

Nunca te vi, mas sempre te amei

Por: Martha San Juan França (Diretora de redação)

De todas as tarefas que fazem parte da rotina de redação de Galileu, a mais prazerosa certamente é
ler as cartas dos leitores. Os fãs da revista são de fato especiais e suas cartas traduzem isso. São
criativos, curiosos, observadores e não deixam passar nada. Fazem perguntas tão difíceis quanto
imprevisíveis. Querem saber de tudo: do monstro do Lago Ness ao Projeto Genoma Humano. E não se
contentam com respostas pela metade. Ler as dúvidas que aparecem nas cartas, os comentários sobre
as reportagens passadas e as sugestões de futuras é gratificante para qualquer jornalista. Ainda mais
para nós, jornalistas de Galileu, que adoramos um bom desafio.

Felizmente, a revista conta com uma arma secreta para satisfazer tantas pessoas exigentes. Vou
21ubst.2121s-la agora: Luiz Francisco Senne, nosso secretário de produção, professor de português,
roqueiro, colecionador de discos de vinil e livros usados, e responsável pelo atendimento aos leitores.
Kiko, como é muito mais conhecido, sabe também driblar as angústias dos nossos jovens amigos em
apuros.

Muitos pedem ajuda a Galileu quando recebem dos professores uma tarefa complicada e não sabem a
quem recorrer. Kiko responde delicada, mas firmemente: não dá para fazer o trabalho escolar no lugar
do aluno (é festa agora?). Mas simpatiza com o drama de leitores como este cuja mensagem é
reproduzida acima: “Vocês não poderiam dar uma dica de como ir bem numa prova de física porque o
meu cérebro está cansado?” Atendendo ao apelo levado aos repórteres por Kiko, Galileu oferece a seus
leitores a matéria “Os cientistas alertam: não deveríamos existir”, do editor Marcelo Ferroni. Ela mostra
que a física pode ser criativa em vez de uma aula chata. Quer ver?

Propaganda

É um gênero textual dissertativo expositivo onde há a o intuito de propagar informações sobre algo,
buscando sempre atingir e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens que
despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo. Observe na imagem abaixo:

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Bula de remédio

Trata-se de um gênero textual descritivo, dissertativo expositivo e injuntivo que tem por obrigação
fornecer as informações necessárias para o correto uso do medicamento, como no exemplo a seguir.

Receita

É um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo informar a fórmula para preparar tal
comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado
o sentido de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. Observe na imagem a seguir:

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Reportagem

É um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por objetivo,


informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com linguagem direta.

“Mercado Central de Macapá poderá reabrir em março, prevê prefeitura”

Lojistas reclamam de transtornos durante demora nas obras de reformas. Prefeitura informou que
ponto turístico é ampliado e revitalizado.

Em obras desde novembro de 2015, o Mercado Central de Macapá deverá reabrir em março, prevê a
prefeitura. O local é um dos principais pontos turísticos da capital e reúne diversos pontos de vendas
de comidas típicas e artesanatos.

Essa é a terceira data reabertura. A primeira foi anunciada para maio de 2016 e a segunda para
setembro do mesmo ano. A obra foi orçada em aproximadamente R$ 2 milhões.

O investimento é financiado pelo Programa Calha Norte, do Governo Federal, por meio de emenda
parlamentar, e terá espaços com acessibilidade para pessoas com deficiência, segundo a prefeitura.

A Secretaria Municipal de Obras (Semob) informou além da pintura, consertos na rede elétrica e
hidráulica e substituição do telhado, novos espaços serão implantados no local, como a ampliação da
área para lanchonetes, banheiros e a montagem de um palco para atrações culturais. A última reforma
aconteceu em 2013, quando o prédio completou 60 anos de criação. ”

História em quadrinhos

É um gênero narrativo que consiste em enredos contados em pequenos quadros através de diálogos
diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de conversação. Observe o exemplo abaixo:

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Charge

É um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilustração cômica, através de caricaturas,
com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual, em sua
grande maioria.

Poema

Trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos, pode ser estruturado em estrofes.
Rimas e métrica também podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético. Dependendo
de sua estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto, epopeia, poema
figurado, dramático, etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais frequentes
neste gênero. Importante também é a distinção entre poema e poesia. Poesia é o conteúdo capaz de
transmitir emoções por meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode ser
considerado como poético. Assim, quando se aplica a poesia ao gênero poema, resulta-se em um

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poema poético, quando aplicada à prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça ou um
filme podem ser assim considerados).

Veja o exemplo de um poema poético, em Poema da purificação de Carlos Drummond De Andrade:

Poema da purificação

Depois de tantos combates

o anjo bom matou o anjo mau

e jogou seu corpo no rio

As água ficaram tintas

de um sangue que não descorava

e os peixes todos morreram.

Mas uma luz que ninguém soube

dizer de onde tinha vindo

apareceu para clarear o mundo,

e outro anjo pensou a ferida

do anjo batalhador.

Veja o exemplo de uma prosa poética, em um trecho da obra Iracema de José de Alencar: “O guerreiro
sem a esposa é como a árvore sem 25ubst. nem 25ubst.: nunca ela verá o fruto; o guerreiro sem amigo
é como a árvore solitária que o vento açouta no meio do campo: o fruto dela nunca amadurece”.

Funções da Linguagem

Para que serve a linguagem?

Sabemos que a linguagem é uma das formas de apreensão e de comunicação das coisas do mundo. O
ser humano, ao viver em conjunto, utiliza vários códigos para representar o que pensa, o que sente, o
que quer, o que faz.

Sendo assim, o que conseguimos expressar e comunicar através da linguagem? Para que ela funciona?

O estudo das funções da linguagem depende de seus fatores principais. Destacamos cada um deles em
particular:

Emissor – quem fala ou transmite uma mensagem a alguém

Receptor – (ou interlocutor) – quem recebe a mensagem

Mensagem – a informação ou o texto transmitido pelo emissor

Código – o sistema de sinais que permite acompreensão da mensagem

Referente – o contexto ou o assunto da mensagem

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Partindo desses elementos, o linguista russo Roman Jakobson elaborou seus estudos acerca das
funções da linguagem para a análise e produção de textos. Em todo processo de comunicação, a
linguagem é expressa de acord com a função que se deseja enfatizar. A multiplicidade da linguagem
pode ser sintetizada em seis funções ou finalidades básicas. Veja a seguir:

Função emotiva ou expressiva Na função emotiva (ou expressiva), 26ubst.2626sse a linguagem do


emissor que expressa sentimentos, emoções, avaliações centradas no ”eu” do seu mundo interior.
Predomina nas cartas pessoais, na poesia confessional, nas resenhas críticas ou nas canções
sentimentais, assim prevalece o uso da 1ª pessoa. Como no poema a seguir:

Carlos Drummond de Andrade: Sentimento do mundo

Tenho apenas duas mãos

e o sentimento do mundo,

mas estou cheio de escravos,

minhas lembranças escorrem

e o corpo transige

na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu

estará morto e saqueado,

eu mesmo estarei morto,

morto meu desejo, morto

o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram

que havia uma guerra

e era necessário

trazer fogo e alimento.

Sinto-me disperso,

anterior a fronteiras,

humildemente vos peço

que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,

eu ficarei sozinho

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desfiando a recordação

do sineiro, da viúva e do microscopista

que habitavam a barraca

e não foram encontrados

ao amanhecer

esse amanhecer

mais noite que a noite.

O poema que você acabou de ler é de autoria de um de nossos maiores poetas, Carlos Drummond de
Andrade, e ilustra bem a função da linguagem sobre a qual falaremos neste artigo. No poema, que
integra o livro “Sentimento do mundo”, Drummond posiciona-se em relação ao tema que está
abordando, expressando seus sentimentos e impressões pessoais. Essas características são próprias
da função emotiva da linguagem.

Função Apelativa ou Conativa

O objetivo da transmissão da mensagem é persuadir ou convencer o receptor. Os textos publicitários


apresentam essa finalidade: influenciar o comportamento do leitor, 27ubst.27-lo com uma mensagem
persuasiva. Normalmente, empregam-se verbos no Modo Imperativo, como pronomes e verbos na 2ª
ou 3ª pessoas.

A publicidade dialoga com seu público-alvo através da linguagem empregada, variando de acordo com
o tipo de público que pretende atingir.

Função Poética

Quando a mensagem é elaborada de forma inovadora, utilizando combinações sonoras ou rítmicas,


jogos de imagem ou de ideias. Desenvolve o sentido conotativo das palavras. Predomina na poesia,
mas pode ser encontrada em determinadas formas jornalísticas. Por exemplo:

Serenata sintética – Cassiano Ricardo

Rua torta

Lua morta

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Tua porta.

Função Fática

A intenção é iniciar um contato através de cumprimentos com uma abordagem coloquial – objetiva e
rápida. Em textos escritos, têm muita importância os recursos gráficos. A função fática tem o objetivo
de fazer a manutenção do canal de comunicação. Como exemplo:

Função Metalinguística

Esta função refere-se à metalinguagem, que ocorre quando o emissor explica um código usando o
próprio código. É a poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, um texto que comenta outro
texto. As gramáticas e os dicionários são exemplos de metalinguagem. Exemplo:

Vitória
Substantivo feminino 1. Ato ou efeito de sair-se vencedor, de triunfar sobre um inimigo, competidor
ou antagonista; triunfo. 2. Êxito, triunfo, sucesso alcançado.

Função Referencial

Transmite uma informação objetiva sobre a realidade. Dá prioridade aos dados concretos, fatos e
circunstâncias. É a linguagem característica das notícias de jornal, do discurso científico e de qualquer
exposição deconceitos. Coloca em evidência o referente, ou seja, o assunto ao qual a mensagem se
refere.

Observe a notícia publicada pelo G1-Amapá:

“Protesto contra estrutura precária de escola do Amapá viraliza na internet”

Estudantes publicaram fotos nas redes sociais em pontos críticos do prédio. Escola estadual Tiradentes
foi selecionada para modelo de ensino integral

Uniformizados, estudantes da escola estadual Tiradentes publicaram fotos nas redes sociais em pontos
críticos do prédio, que se encontra em situação precária, segundo eles. O protesto é para chamar a
atenção sobre a implantação, diante dos problemas, do modelo de ensino em tempo integral,
confirmado para 2017 no Amapá.

A Secretaria de Estado da Educação (SEED) destacou que uma equipe de implantação do programa de
Educação em Tempo Integral (ETI) realizou uma série de visitas às escolas que terão a nova modalidade

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de ensino e devem receber reformas. A SEED ressaltou que está aberta ao diálogo com a comunidade
escolar.

As fotos foram publicadas na página do grêmio estudantil da escola e alcançaram até o momento mais
de 2 mil compartilhamentos. Nas imagens, os alunos seguram cartazes com dizeres sobre a situação
do espaço, na visão de cada aluno, e alertas sobre perigos. ”

Figuras da Linguagem

Figuras de Linguagem são recursos especiais usados para dar maior ênfase à comunicação.

Elas são classificadas em:

Figuras de Palavras

Figuras de Pensamento

Figuras de Sintaxe

Figuras de Som

Figuras de Palavras

As Figuras de Palavras são recursos utilizados para produzir maior expressividade à comunicação. Elas
consistem na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico, seja por
uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma
similaridade.

Metáfora

A metáfora consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma
relação real, mas em virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e depreende entre
elas certas semelhanças.

Obs.: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não
aparece. Exemplo: A vida é uma nuvem que voa.

Metonímia

A metonímia consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita
afinidade ou relação de sentido.

Observe os exemplos abaixo:

a) Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)

b) Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz. (Não te afastes da religião.)

Catacrese

Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer
quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, tomase outro “emprestado”.
Assim, passamos a empregar algumas palavras fora de seu sentido original.

Exemplos:

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“asa da xícara” “batata da perna”

“maçã do rosto” “pé da mesa”

“braço da cadeira” “coroa do abacaxi”

Perífrase

Trata-se de uma expressão que designa um ser através de alguma de suas características ou atributos,
ou de um fato que o celebrizou. Veja o exemplo:

A Cidade Maravilhosa ( Rio de Janeiro) continua atraindo visitantes do mundo todo.

Obs.: quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o nome de antonomásia.

Exemplos:

a) O Divino Mestre (Jesus Cristo) passou a vida praticando o bem.

b) O Poeta dos Escravos (Castro Alves) morreu muito jovem.

c) Poeta da Vila (Noel Rosa) compôs lindas canções.

Sinestesia

Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sensações percebidas por diferentes órgãos do
sentido.

Exemplos:

a) Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (Grito = auditivo; áspero = tátil)

b) No silêncio negro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (Silêncio = auditivo; negro = visual)

Figuras de Pensamento

As figuras de pensamento trabalham com a combinação de ideias, pensamentos. Dentre as figuras de


pensamento, as mais comuns são:

Antítese

Consiste na utilização de dois termos que contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de
palavras ou expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente,
para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos
mesmos. Observe os exemplos:

a) “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)

b) O corpo é grande e a alma é pequena.

c) “Quando um muro separa, uma ponte une.”

d) “Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com os condores.” (Castro Alves) e)
Felicidade e tristeza tomaram conta de sua alma.

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Paradoxo

Consiste numa proposição aparentemente absurda, resultante da união de ideias contraditórias. Veja
o exemplo: a) Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem
dificuldades econômicas.

Eufemismo

Consiste em empregar uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para comunicar
alguma coisa áspera, desagradável ou chocante.

Exemplos: a) Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (Morreu)

b) O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (Roubou)

c) Fernando faltou com a verdade. (Mentiu)

Ironia

Consiste em dizer o contrário do que se pretende ou em satirizar, questionar certo tipo de pensamento
com a intenção de ridicularizá- lo, ou ainda em ressaltar algum aspecto passível de crítica. A ironia deve
ser muito bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal construída, pode passar uma ideia
exatamente oposta à desejada pelo emissor. Veja os exemplos abaixo:

a) Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima!

b) Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.

Hipérbole

É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia. Exemplos:

a) Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.

b) “Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac)

Prosopopeia ou Personificação

Consiste em atribuir ações ou qualidades de seres animados a seres inanimados, ou características


humanas a seres não humanos. Observe os exemplos:

a) As pedras andam vagarosamente. B) O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.

Apóstrofe

Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa personificada, de acordo com o objetivo do


discurso que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo chamamento do receptor da
mensagem, seja ele imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe a linha de pensamento
do discurso, destacando-se assim a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência
com tal invocação. Realiza-se por meio do vocativo. Exemplos:

a) Moça, que fazes aí parada?

b) “Pai Nosso, que estais no céu...” c)

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“Liberdade, Liberdade,

Abre as asas sobre nós,

Das lutas, na tempestade,

Dá que ouçamos tua voz...” (Osório Duque Estrada)

Gradação

Consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou
decrescente. Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax.

Observe este exemplo:

Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões...

O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos olhos de Joana. Para chegar a esse detalhe, ele
se refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos. Nota-se que o pensamento foi
expresso em ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:

a) “Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor”. (Olavo Bilac)

b) “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se.” (Padre Antônio Vieira).

Figuras de Sintaxe

As Figuras de Sintaxe ou Figuras de Construção são utilizadas para modificar um período, ou seja,
interferem na estrutura gramatical da frase, com o intuito de oferecer maior expressividade ao texto.
Assim, as figuras de sintaxe operam de diversas maneiras na frase, seja na inversão, repetição ou na
omissão dos termos.

Elipse

Consiste na omissão de um ou mais termos numa oração que podem ser facilmente identificados,
tanto por elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto pelo contexto. Exemplos:

a) Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho. (Ela, Regina, preferiu ir direto para o
trabalho, pois estava atrasada.)

b) As rosas florescem em maio, as margaridas em agosto. (As margaridas florescem em agosto.)

Zeugma

Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita a omissão de um termo já mencionado
anteriormente. Exemplos:

a) Ele gosta de geografia; eu, de português. B) Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
móveis modernos.

Silepse

Na silepse há concordância da ideia e não do termo utilizado. São classificadas em:


Silepse de Gênero, quando ocorre discordância entre os gêneros (feminino e masculino);

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Silepse de Número, quando ocorre discordância entre o singular e o plural;

Silepse de Pessoa, quando ocorre discordância entre o sujeito, que aparece na terceira pessoa, e o
verbo, que surge na primeira pessoa do plural.

Exemplos: São Paulo é suja. (silepse de gênero)

Um bando (singular) de mulheres (plural) gritavam assustadas. (silepse de número)

Todos os atletas (terceira pessoa) estamos (primeira pessoa do plural) preparados para o jogo. (silepse
de pessoa).

Hipérbato ou Inversão

O hipérbato é caraterizado pela inversão da ordem direta dos termos da oração, segundo a construção
sintática usual da língua (sujeito + predicado + complemento).

Exemplo: Triste estava Manuela. (Neste caso, o estado do sujeito surge antes do nome “Manuela”, que
na construção sintática usual seria: Manuela estava triste).

Assíndeto

Síndeto corresponde a uma conjunção coordenativa utilizada para unir termos nas orações
coordenadas. Feita essa observação, a figura de pensamento assíndeto é caracterizada pela ausência
de conjunções. Exemplo: Daiana comprou uvas para comer, (e) limões para fazer suco.

Polissíndeto

Ao contrário do assíndeto, o polissíndeto é caracterizado pela repetição da conjunção coordenativa


(conectivo). Exemplo: Dolores brigava, e gritava, e falava.

Anáfora

A anáfora é a repetição de termos no começo das frases, muito utilizada pelos escritores na construção
dos versos a fim de dar maior ênfase à ideia. Exemplo: Se eu amasse, se eu chorasse, se eu perdoasse.
(A repetição do termo “se” enfatiza a condicionalidade que o emissor do discurso quer propor).

Anacoluto

O anacoluto altera a sequência lógica da estrutura da frase por meio de uma pausa no discurso.
Exemplo: Esses políticos de hoje, não se pode confiar. (Numa sequência lógica, teríamos: “Esses
políticos de hoje não são confiáveis” ou Não se pode confiar nesses políticos de hoje.)

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Pleonasmo

Repetição enfática ou redundância de um termo que soa “desnecessário” no discurso, o qual pode ser
utilizado intencionalmente (pleonasmo literário) como figura de linguagem, ou por desconhecimento
das normas gramaticais (pleonasmo vicioso), nesse caso um vício de linguagem. Exemplo: A noite
escura da Amazônia. (Note que a noite já pressupõe escuridão.)

Figuras de Som

As Figuras de Som ou de Harmonia correspondem a uma categoria das figuras de linguagem associadas
à sonoridade. Elas valorizam a expressividade do texto, por meio da sonoridade, ou seja, da repetição
de sons.

Aliteração

Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo. Exemplos: a) Três pratos de trigo para três tigres tristes.

b) O rato roeu a roupa do rei de Roma.

Assonância

Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos. Exemplos: “Sou um mulato nato no
sentido lato mulato democrático do litoral.”

Onomatopeia

Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade. Exemplos:

a) Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.

b) Miau, miau. (Som emitido pelo gato).

Variação Linguística

É um fenômeno que acontece com a língua e pode ser compreendida por intermédio das variações
históricas e regionais. Em um mesmo país, com um único idioma oficial, a língua pode sofrer diversas
alterações feitas por seus falantes. Como não é um sistema fechado e imutável, a língua portuguesa
ganha diferentes nuances. O português que é falado no Nordeste do Brasil pode ser diferente do
português falado no Sul do país. Claro que um idioma nos une, mas as variações podem ser
consideráveis e justificadas de acordo com a comunidade na qual se manifesta. Observe a imagem a
seguir:

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As variações acontecem porque o princípio fundamental da língua é a comunicação, então é


compreensível que seus falantes façam rearranjos de acordo com suas necessidades comunicativas.
Os diferentes falares devem ser considerados como variações, e não como erros. Quando tratamos as
variações como erro, incorremos no preconceito linguístico que associa, erroneamente, a língua ao
status.

No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido
a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:

Fatores regionais

É possível notar a diferença do português falado por um habitante da região nordeste e outro da região
sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também há variações no uso da língua. No estado do
Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na
capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.

Fatores culturais

O grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores que colaboram
para os diferentes usos da língua.

Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da pessoa que não teve acesso à
escola.

Fatores contextuais

Nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos: quando conversamos
com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos discursando em uma
solenidade de formatura.

Fatores profissionais

O exercício de algumas atividades requer odomínio de certas formas de língua chamadas línguas
técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente restrito ao
intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e da informática,
biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas.

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Fatores naturais

O uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. Uma criança não
utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem
adulta.

As diferentes variações linguísticas

De acordo com esses fatores podemos classificar as variações da seguinte forma:

Variações diafásicas

São as variações que se dão em função do contexto comunicativo, isto é, a ocasião determina o modo
como falaremos com o nosso interlocutor, podendo ser formal ou informal.

Variações históricas

A língua é dinâmica e sofre transformações ao longo do tempo. Um exemplo de variação histórica é a


questão da ortografia: a palavra “farmácia” já foi escrita com “ph” (pharmácia). A palavra “você”, que
tem origem etimológica na expressão de tratamento de deferência “vossa mercê” e que
setransformou sucessivamente em “vossemecê”,“vosmecê”, “vancê”, até chegar na que utilizamos
hoje que é, muitas vezes (principalmente na Internet), abreviado para “vc”.

Variações diatópicas

Representam as variações que ocorrem pelas diferenças regionais. As variações regionais,


denominados dialetos, são as variações referentes a diferentes regiões geográficas, de acordo com a
cultura local. Um exemplo deste tipo de variação é a palavra “mandioca” que, em certos lugares,
recebe outras denominações, como “macaxeira” e “aipim”. Nesta modalidade também estão os
sotaques, ligados às marcas orais da linguagem.

Variações diastráticas

São as variações ocorridas em razão da convivência entre os grupos sociais. As gírias, os jargões e o
linguajar caipira são exemplos desta modalidade de variação linguística. É uma variação social e
pertence a um grupo específico de pessoas. As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos
grupos, como os policiais, cantores de rap, surfistas, estudantes, jornalistas, entre outros.

Já os jargões estão relacionados com as áreas profissionais, caracterizando um linguajar técnico.

Como exemplo, podemos citar os profissionais da Medicina, os advogados, os profissionais da


Informática, dentre outros.

QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Fuvest – Primeira Fase)

A civilização “pós-moderna” culminou em um progresso inegável, que não foi percebido


antecipadamente, em sua inteireza. Ao mesmo tempo, sob o “mau uso” da ciência, da tecnologia e da
capacidade de invenção nos precipitou na miséria moral inexorável. Os que condenam a ciência, a

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tecnologia e a invenção criativa por essa miséria ignoram os desafios que explodiram com o
capitalismo monopolista de sua terceira fase.

Em páginas secas premonitórias, E. Mandel1 apontara tais riscos. O “livre jogo do mercado” (que não
é e nunca foi “livre”) rasgou o ventre das vítimas: milhões de seres humanos nos países ricos e uma
carrada maior de milhões nos países pobres. O centro acabou fabricando a sua periferia intrínseca e
apossou-se, como não sucedeu nem sob o regime colonial direto, das outras periferias externas, que
abrangem quase todo o “resto do mundo”.
1
: Ernest Ezra Mandel (1923-1995): economista e militante político belga.

O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive, para indicar que ela

I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;


II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;
III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.
Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes no texto:

A. “pós-moderna” (L. 1);


B. “mau uso” (L. 2);
C. “livre jogo do mercado” (L.6);
D. “livre” (L. 7);
E. “resto do mundo” (L. 9).
As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verificam-se, respectivamente, em

a) A, C e E
b) B, C e D
c) C, D e E
d) A, B e E
e) B, D e A

02. (Enem – Segundo Dia)

“Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um romancista que
colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”. Assim era José de Alencar
(1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema, tido como o pai do romance no Brasil.

Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, ele foi
também folhetinista, diretor de jornal, autor de peças de teatro, advogado, deputado federal e até
ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas desse personagem do século XIX,
parte de seu acervo inédito será digitalizada. História Viva, n.° 99, 2011.

Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar e da futura digitalização de sua obra,
depreende-se que

a) a digitalização dos textos é importante para que os leitores possam compreender seus romances.

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b) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque deixou uma vasta obra literária
com temática atemporal.

c) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da digitalização, demonstra sua importância
para a história do Brasil Imperial.

d) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação da memória
linguística e da identidade nacional.

e) o grande romancista José de Alencar é importante porque se destacou por sua temática indianista.

03. (Enem – Segundo Dia)

A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um


dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em
relação à aplicação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica.

Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter
existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos
quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”,
não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial
com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.

Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua.
Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir
o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante
de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?

CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado, In: Cadernos de Letras da UFF, n.° 36, 2008. Disponível em:
www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).

Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que:

a) o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.

b) os estudo clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.

c) a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.

d) a adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
e) os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.

04. (UERJ)

“Todo abacate é verde. O incrível Hulk é verde. O incrível Hulk é um abacate.”


Todo argumento pode se tornar um sofisma: um raciocínio errado ou inadequado que nos leva a
conclusões falsas ou improcedentes.

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O último parágrafo do texto é um exemplo de sofisma, considerando que, da constatação de que


todo abacate é verde, não se pode deduzir que só os abacates têm cor verde.

Esse é o tipo de sofisma que adota o seguinte procedimento:

a) enumeração incorreta
b) generalização invertida
c) representação imprecisa
d) exemplificação inconsistente

05. (ETEC )
“Em um mundo marcado por conflitos em diferentes regiões, as operações de manutenção da paz das
Nações Unidas são a expressão mais visível do compromisso solidário da comunidade internacional
com a promoção da paz e da segurança.
Embora não estejam expressamente mencionadas na Carta da ONU, elas funcionam como instrumento
para assegurar a presença dessa organização em áreas conflagradas, de modo a incentivar as partes
em conflito a superar suas disputas por meio pacífico – razão pela qual não devem ser vistas como
forma de intervenção armada.” Acesso em: 26.08.2016. Adaptado.

Historicamente, o Brasil envia soldados para participar de operações de paz. Em 2004, foi criada pelo
Conselho de Segurança da ONU a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah).

De acordo com o texto, essa missão foi criada para:

a) restabelecer a segurança e normalidade institucional do Haiti após sucessivos episódios de


turbulência política e de violência, que marcaram esse país no início do século XXI.

b) atacar os garimpos ilegais de diamantes no interior do Haiti, que usavam mão de obra infantil nas
minas onde esse minério é encontrado.

c) combater o narcotráfico comandado pelo Cartel de Medelin, que a partir do Haiti distribuía drogas
para todos os países da América Latina.

d) acabar com os problemas ambientais crônicos no Haiti, pois esse país era o principal responsável
pela poluição ambiental no Caribe.

e) extinguir a rede de trabalho escravo existente no Haiti, que utilizava esse tipo de mão de obra nas
plantações de soja e trigo.

06 (Fatec – 1º Semestre – Prova) Leia o texto para responder às questões.

O labirinto dos manuais


Há alguns meses troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era
capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar.
Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira,
tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava
prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções!

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Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não
achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme
de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.

— Manual só confunde – disse didaticamente. – Dá uma de curioso.

Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não
consigo botar a campainha de volta!

Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na
capa, a promessa: “Rápido e fácil” – um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada
instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando
cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar!
Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?

Tudo foi criado para simplificar. Mas até o microndas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca,
que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o
fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens.
O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia,
a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde
o início do ano!

Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é?
Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho
realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
(Walcyr Carrasco, Veja SP, 19.09.2007. Adaptado)

1) Livro do escritor russo Liev Tolstói. Com mais de mil páginas e centenas de personagens, é
considerada uma das maiores obras da história da literatura.

Pelos comentários feitos pelo narrador, pode-se concluir corretamente que

a) a leitura de obras-primas da literatura é atividade mais produtiva do que utilizar celulares e


computadores.

b) os manuais cujas diversas instruções os usuários não conseguem compreender e pôr em prática são
improdutivos.

c) a vendedora foi convincente, pois o narrador comprou o celular, embora duvidasse das qualidades
prometidas pelo aparelho.

d) o manual sobre computadores, ao contrário de outros do gênero, cumpria a promessa assumida


nos dizeres impressos na capa.

e) os jovens deveriam ensinar computação aos mais velhos, pois, dessa forma, estes últimos
entenderiam as funções básicas do equipamento.

2) Analise as afirmações sobre trechos do texto e assinale a correta.

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a) Em – Há alguns meses, troquei meu celular. –, o verbo haver indica tempo decorrido e pode ser
substituído, corretamente, por Fazem.

b) Em – Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. –, o termo em destaque
expressa a ideia de exclusão.

c) Em – Virou um labirinto de instruções! –, o termo em destaque foi empregado em sentido figurado,


indicando confusão, incompreensibilidade.

d) Em – Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. –, o termo em destaque pode ser substituído,
corretamente e sem alteração do sentido do texto, por limitada.

e) Em – Mas não posso me alimentar só de pipoca! –, a conjunção em destaque expressa a ideia de


comparação.

07. (Fuvest – Primeira Fase)


A essência da teoria democrática é a supressão de qualquer imposição de classe, fundada no postulado
ou na crença de que os conflitos e problemas humanos – econômicos, políticos, ou sociais – são
solucionáveis pela educação, isto é, pela cooperação voluntária, mobilizada pela opinião pública
esclarecida. Está claro que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos melhores conhecimentos
existentes e, assim, a pesquisa científica nos campos das ciências naturais e das chamadas ciências
sociais deverá se fazer a mais ampla, a mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conhecimentos,
a mais completa, a mais imparcial e em termos que os tornem acessíveis a todos.
(Anísio Teixeira, Educação é um direito. Adaptado.)

No trecho “chamadas ciências sociais”, o emprego do termo “chamadas” indica que o autor

a) vê, nas “ciências sociais”, uma panaceia, não uma análise crítica da sociedade.

b) considera utópicos os objetivos dessas ciências.

c) prefere a denominação “teoria social” à denominação “ciências sociais”.

d) discorda dos pressupostos teóricos dessas ciências.

e) utiliza com reserva a denominação “ciências sociais”.

08. (Unesp – 1ª fase)

Texto 1
Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma
existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma
mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há
sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. […] Se, ao contrário,
a morte é como uma passagem deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram
todos os mortos, qual o bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este? Porque, se chegarmos
ao Hades, libertando-nos destes que se vangloriam serem juízes, havemos de encontrar os verdadeiros

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juízes, os quais nos diria que fazem justiça acolá: Monos e Radamante, Éaco e Triptolemo, e tantos
outros deuses e semideuses que foram justos na vida; seria então essa viagem uma viagem de se fazer
pouco caso? Que preço não seríeis capazes de pagar, para conversar com Orfeu, Museu, Hesíodo e
Homero?

(Platão. Apologia de Sócrates, 2000.)

Texto 2
Ninguém sabe quando será seu último passeio, mas agora é possível se despedir em grande estilo.
Uma 300C Touring, a versão perua do sedã de luxo da Chrysler, foi transformada no primeiro carro
funerário customizado da América Latina. A mudança levou sete meses, custou R$ 160 mil e deixou o
carro com oito metros de comprimento e 2 340 kg, três metros e 540 kg além da original. O Funeral
Car 300C tem luzes piscantes na já imponente dianteira e enormes rodas, de aro 22, com direito a
pequenos caixões estilizados nos raios. Bandeiras nas pontas do capô, como nos carros de diplomatas,
dão um toque refinado. Com o chassi mais longo, o banco traseiro foi mantido para familiares
acompanharem o cortejo dentro do carro. No encosto dos dianteiros, telas exibem mensagens de
conforto. O carro faz parte de um pacote de cerimonial fúnebre que inclui, além do cortejo no Funeral
Car 300C, serviços como violinistas e revoada de pombas brancas no enterro.

(Funeral tunado. Folha de S.Paulo, 28.02.2010.)

Confrontando o conteúdo dos dois textos, pode-se afirmar que:

a) embora os dois textos transmitam concepções divergentes acerca da morte, eles tratam de visões
concernentes à mesma época, a saber, a sociedade atual.

b) sob o ponto de vista filosófico, não há diferenças qualitativas entre uma e outra concepção sobre a
morte.

c) os comentários do texto grego sobre a morte são coerentes com uma filosofia de forte valorização
do corpo em detrimento da alma, e do mundo sensível sobre o mundo inteligível.

d) o texto de Platão evidencia uma cultura monoteísta, enquanto que o segundo é politeísta.

e) enquanto no primeiro texto transparece a dignidade metafísica da morte, no segundo sugere-se a


conversão do funeral em espetáculo da sociedade de consumo.

09. (Enem)
Adolescentes: mais altos, gordos e preguiçosos
A oferta de produtos industrializados e a falta de tempo têm sua parcela de responsabilidade no
aumento da silhueta dos jovens. “Os nossos hábitos alimentares, de modo geral, mudaram muito”,
observa Vivian Ellinger, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM),
no Rio de Janeiro. Pesquisas mostram que, aqui no Brasil, estamos exagerando no sal e no açúcar, além
de tomar pouco leite e comer menos frutas e feijão.

Outro pecado, velho conhecido de quem exibe excesso de gordura por causa da gula, surge como
marca da nova geração: a preguiça. “Cem por cento das meninas que participam do Programa não
praticavam nenhum esporte”, revela a psicóloga Cristina Freire, que monitora o desenvolvimento
emocional das voluntárias.

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Você provavelmente já sabe quais são as consequências de uma rotina sedentária e cheia de gordura.
“E não é novidade que os obesos têm uma sobrevida menor”, acredita Claudia Cozer, endocrinologista
da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Mas, se há cinco anos
os estudos projetavam um futuro sombrio para os jovens, no cenário atual as doenças que viriam na
velhice já são parte da rotina deles. “Os adolescentes já estão sofrendo com hipertensão e diabete”,
exemplifica Claudia.

DESGUALDO, P. Revista Saúde. Disponível em: http://saude.abril.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado).

Sobre a relação entre os hábitos da população adolescente e as suas condições de saúde, as


informações apresentadas no texto indicam que

a) a falta de atividade física somada a uma alimentação nutricionalmente desequilibrada constituem


fatores relacionados ao aparecimento de doenças crônicas entre os adolescentes.

b) a diminuição do consumo de alimentos fontes de carboidratos combinada com um maior consumo


de alimentos ricos em proteínas contribuíram para o aumento da obesidade entre os adolescentes.

c) a maior participação dos alimentos industrializados e gordurosos na dieta da população adolescente


tem tornado escasso o consumo de sais e açúcares, o que prejudica o equilíbrio metabólico.

d) a ocorrência de casos de hipertensão e diabetes entre os adolescentes advém das condições de


alimentação, enquanto que na população adulta os fatores hereditários são preponderantes.

e) a prática regular de atividade física é um importante fator de controle da diabetes entre a população
adolescente, por provocar um constante aumento da pressão arterial sistólica.

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10. (UERJ)

A última fala da tirinha causa um estranhamento, porque assinala a ausência de um elemento


fundamental para a instalação de um tribunal: a existência de alguém que esteja sendo acusado.

Essa fala sugere o seguinte ponto de vista do autor em relação aos usuários da internet:

a) proferem vereditos fictícios sem que haja legitimidade do processo


b) configuram julgamentos vazios ainda que existam crimes comprovados
c) emitem juízos sobre os outros mas não se veem na posição de acusados
d) apressam-se em opiniões superficiais mesmo que possuam dados concretos

GABARITO

1. Alternativa A: (A, C e E.)

2. Alternativa D: a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação
da memória linguística e da identidade nacional.

3. Alternativa E: os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição


linguística.

4 Alternativa B: generalização invertida.

5 Alternativa A: restabelecer a segurança e normalidade institucional do Haiti após sucessivos


episódios de turbulência política e de violência, que marcaram esse país no início do século XXI.

6 Alternativa B: os manuais cujas diversas instruções os usuários não conseguem compreender e pôr
em prática são improdutivos. Alternativa c: Em – Virou um labirinto de instruções! –, o termo em
destaque foi empregado em sentido figurado, indcando confusão, incompreensibilidade.

7 Alternativa E: utiliza com reserva a denominação “ciências sociais”.

8 Alternativa E: enquanto no primeiro texto transparece a dignidade metafísica da morte, no


segundo sugere-se a conversão do funeral em espetáculo da sociedade de consumo.

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9 Alternativa A: a falta de atividade física somada a uma alimentação nutricionalmente


desequilibrada constituem fatores relacionados ao aparecimento de doenças crônicas entre os
adolescentes.

10 Alternativa C: emitem juízos sobre os outros mas não se veem na posição de acusados.

Sinônimos, antônimos, parônimos e homônimos


Semântica é o estudo da significação das palavras e das suas mudanças de significação através do
tempo ou em determinada época. A maior importância está em distinguir sinônimos e antônimos
(sinonímia / antonímia) e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).

Sinônimos

São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto – abecedário; brado, grito – clamor; extinguir,
apagar – abolir.

Duas palavras são totalmente sinônimas quando são substituíveis, uma pela outra, em qualquer
contexto (cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quando, ocasionalmente, podem
ser substituídas, uma pela outra, em determinado enunciado (aguardar e esperar).

Observação: A contribuição greco-latina é responsável pela existência de numerosos pares de


sinônimos: adversário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; contraveneno e
antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antítese.

Antônimos

São palavras que se opõem através de seu significado: ordem – anarquia; soberba – humildade; louvar
– censurar; mal – bem.

Observação: A antonímia pode se originar de um prefixo de sentido oposto ou negativo: bendizer e


maldizer; simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e inativo; esperar e
desesperar; comunista e anticomunista; simétrico e assimétrico.

Homônimos e Parônimos

- Homônimos = palavras que possuem a mesma grafia ou a mesma pronúncia, mas significados
diferentes. Podem ser

a) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia:

rego (45ubst..) e rego (verbo); colher (verbo) e colher (45ubst..); jogo (45ubst..) e jogo (verbo);
denúncia (45ubst..) e denuncia (verbo); providência (45ubst..) e providencia (verbo).

b) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita:

acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmonizar) e consertar (reparar); cela (compartimento)
e sela (arreio); censo (recenseamento) e senso (juízo); paço (palácio) e passo (andar).

c) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou perfeitas): São palavras iguais na escrita e na


pronúncia:

caminho (45ubst..) e caminho (verbo); cedo (verbo) e cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).

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- Parônimos = palavras com sentidos diferentes, porém de formas relativamente próximas. São
palavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte)
e sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre) e iminente (que está para ocorrer), osso
(substantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo),
comprimento (medida) e cumprimento (saudação), autuar (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar
pena) e infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (divergir), suar (transpirar) e soar (emitir som),
aprender (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e tráfego
(relativo a movimento, trânsito), mandato (procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à
superfície) e imergir (mergulhar, afundar).

Hiperonímia e Hiponímia

Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem a um mesmo campo semântico (de sentido),
sendo o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o hiperônimo, mais abrangente.

O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipônimo, criando, assim, uma relação de dependência
semântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hiperonímia com carros, já que veículos é uma
palavra de significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. Veículos é um hiperônimo de
carros.

Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em quaisquer contextos, mas o oposto não é possível.
A utilização correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita a repetição desnecessária de termos.

Denotação e Conotação

Exemplos de variação no significado das palavras:

Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido literal)

Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido figurado)

Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)

As variações nos significados das palavras ocasionam o sentido denotativo (denotação) e o sentido
conotativo (conotação) das palavras.

Denotação

Uma palavra é usada no sentido denotativo quando apresenta seu significado original,
independentemente do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado mais objetivo e
comum, aquele imediatamente reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado que
aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra.

A denotação tem como finalidade informar o receptor da mensagem de forma clara e objetiva,
assumindo um caráter prático. É utilizada em textos informativos, como jornais, regulamentos,
manuais de instrução, bulas de medicamentos, textos científicos, entre outros. A palavra “pau”, por
exemplo, em seu sentido denotativo é apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos:

O elefante é um mamífero.

As estrelas deixam o céu mais bonito!

Conotação

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Uma palavra é usada no sentido conotativo quando apresenta diferentes significados, sujeitos a
diferentes interpretações, dependendo do contexto em que esteja inserida, referindo-se a sentidos,
associações e ideias que vão além do sentido original da palavra, ampliando sua significação mediante
a circunstância em que a mesma é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico. Como no
exemplo da palavra “pau”: em seu sentido conotativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau),
reprovação (tomei pau no concurso).

A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da mensagem, através da


expressividade e afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa linguagem poética e na
literatura, mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios
publicitários, entre outros. Exemplos:

Você é o meu sol!

Minha vida é um mar de tristezas.

Você tem um coração de pedra!

* Dica: Procure associar Denotação com Dicionário: trata-se de definição literal, quando o termo é
utilizado com o sentido que consta no dicionário.

Polissemia

Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir multiplicidade de sentidos, que só se explicam


dentro de um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, mas que abarca um grande número
de significados dentro de seu próprio campo semântico.

Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebemos que o prefixo “poli” significa


multiplicidade de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-se em consideração as
situações de aplicabilidade. Há uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a ocorrência da
polissemia:

O rapaz é um tremendo gato.

O gato do vizinho é peralta.

Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.

Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua sobrevivência

O passarinho foi atingido no bico.

Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de computadores e rede elétrica, por exemplo, temos
em comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a
palavra “xadrez”, que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou “jogo” – o sentido comum
entre todas as expressões é o formato quadriculado que têm.

Polissemia e homonímia

A confusão entre polissemia e homonímia é bastante comum. Quando a mesma palavra apresenta
vários significados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando duas ou mais palavras
com origens e significados distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia.

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A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode significar uma fruta ou uma parte de uma
camisa. Não é polissemia porque os diferentes significados para a palavra “manga” têm origens
diferentes. “Letra” é uma palavra polissêmica: pode significar o elemento básico do alfabeto, o texto
de uma canção ou a caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes significados
estão interligados porque remetem para o mesmo conceito, o da escrita.

Polissemia e ambiguidade

Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na interpretação. Na língua portuguesa, um


enunciado pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpretação. Esta ambiguidade pode
ocorrer devido à colocação específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em uma frase.
Vejamos a seguinte frase:

Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são felizes.

Neste caso podem existir duas interpretações diferentes:

As pessoas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação
equilibrada.

De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que
uma interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito importante saber qual o contexto em
que a frase é proferida.

Muitas vezes, a disposição das palavras na construção do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até
mesmo, comicidade. Repare na figura abaixo:

Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, mas duas seriam:

Corte e coloração capilar

ou

Faço corte e pintura capilar.

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Ortografia: uso dos acentos gráficos; Grafia de palavras.

Ortografia

A ortografia é a parte da Fonologia que trata da correta grafia das palavras. É ela quem ordena qual
som devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são grafados segundo acordos
ortográficos.

A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender ortografia é realizar muitos exercícios, ver as
palavras, familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras é necessário, mas não basta, pois há
inúmeras exceções e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de etimologia (origem da
palavra).

Regras ortográficas

O fonema s

S e não C/Ç

palavras substantivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender -
pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir -
repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir – consensual

SS e não C e Ç

nomes derivados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced, prim ou com verbos terminados
por tir ou -meter: agredir - agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão /
exceder - excesso / percutir - percussão / regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
compromisso / submeter – submissão.

*quando o prefixo termina com vogal que se junta com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a +
simétrico - assimé- trico / re + surgir – ressurgir.

*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exemplos: ficasse, falasse.

C ou Ç e não S e SS

• vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.


• vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, Ju- çara, caçula, cachaça, cacique.
• sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer,
carniça, caniço,esperança, carapuça, dentuço.
• nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / deter - detenção / ater - atenção / reter –
retenção.
• após ditongos: foice, coice, traição.
• palavras derivadas de outras terminadas em -te, to(r):
• marte - marciano / infrator - infração / absorto – absorção.

O fonema z

S e não Z

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• sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo, ou em gentílicos e títulos
nobiliárquicos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa.
• sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, metamorfose.
• formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, quiseste.
• nomes derivados de verbos com radicais terminados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão
/ empreender - empresa / difundir – difusão.
• diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
• após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
• verbos derivados de nomes cujo radical termina com“s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) +
ar – pesquisar.

Z e não S

• sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo
– beleza.
• sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de origem não termine com s): final - finalizar /
concreto – concretizar.
• consoante de ligação se o radical não terminar com “s”:

pé + inho - pezinho / café + al - cafezal

Exceção: lápis + inho – lapisinho.

O fonema j

G e não J

• palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, gesso.


• estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim.
• terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas exceções): imagem, vertigem,
penugem, bege, foge.Exceção: pajem.
• terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, litígio, relógio, refúgio.
• verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir, mugir.
• depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, surgir.
• depois da letra “a”, desde que não seja radical terminado com j: ágil, agente.

J e não G

• palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.


• palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,manjerona.
• palavras terminadas com aje: ultraje.

O fonema ch

X e não CH

• palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi, xucro.


• palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, lagartixa.
• depois de ditongo: frouxo, feixe.
• depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.

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Exceção: quando a palavra de origem não derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)

CH e não X

• palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chassi,


• mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.

As letras “e” e “i”

• Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
• Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue.
Escrevemos com “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.

* Atenção para as palavras que mudam de sentido quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
área (superfície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir (vir à tona), imergir
(mergulhar) / peão (de estância, que anda a pé), pião (brinquedo).

* Dica:

- Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à ortografia de uma palavra, há a possibilidade de


consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado pela Academia Brasileira
de Letras. É uma obra de referência até mesmo para a criação de dicionários, pois traz a grafia
atualizada das palavras (sem o significado). Na Internet, o endereço é www.academia.org.br.

Informações importantes

- Formas variantes são formas duplas ou múltiplas, equivalentes: aluguel/aluguer,


relampejar/relampear/relampar/relampadar.

- Os símbolos das unidades de medida são escritos sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para
indicar plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, 20km, 120km/h.

Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.

- Na indicação de horas, minutos e segundos, não deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo:
14h, 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três minutos e trinta e quatro segundos).

- O símbolo do real antecede o número sem espaço:

R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma barra vertical ($)

Hífen

O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para ligar os elementos de palavras compostas
(como ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei).
Serve igualmente para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, separar uma
palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).

Uso do hífen que continua depois da Reforma Ortográfica:

1. Em palavras compostas por justaposição que formam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
que se unem para formarem um novo significado: tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
coronel, segunda- -feira, conta-gotas, guarda-chuva, arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.

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2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,


abóbora- menina, erva-doce, feijão-verde.

3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número,
recém-casado.

4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas exceções continuam por já estarem
consagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-demeia, água-de-colônia,
queima-roupa, deus-dará.

5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte RioNiterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas


combinações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, etc.

6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super- quando associados com outro termo que é
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc.

7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.

8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-
graduação, etc.

9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra- ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.

10. Nas formações em que o prefixo tem como segundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-
hepático, geo--história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar, super-homem.

11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina com a mesma vogal do segundo
elemento: micro -ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc.

** O hífen é suprimido quando para formar outros termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem,
reabilitar.

Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mudança de linha), caso a última palavra a ser escrita
seja formada por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório e, ao final,
coube apenas “anti-”. Na próxima linha escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas as linhas).

Não se emprega o hífen:

1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se em
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom,
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.

2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, autoaprendizagem,
hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.

3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h”
inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.

4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o segundo elemento começar com “o”:
cooperação, coobriga- ção, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.

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5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção de composição: pontapé, girassol, paraquedas,
paraquedista, etc.

6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, benquerer, benquerido, etc. - Os prefixos
pós, pré e pró, em suas formas correspondentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte, não
havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado, pressuposto, propor.

- Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso, auto-observação, contra-ataque, semi-


interno, sobre-humano, super-realista, alto-mar.

- Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, antisséptico, antissocial, contrarreforma,


minirrestaurante, ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, autoajuda, autoelogio,
autoestima, radiotáxi.

Questões

1-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS – 2014) De acordo com a nova ortografia, assinale o
item em que todas as palavras estão corretas:

A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.

B) supracitado – semi-novo – telesserviço.

C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.

D) contrarregra – autopista – semi-aberto.

E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

1-) Correção:

A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial = correta

B) supracitado – semi-novo – telesserviço = seminovo

C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som = hidroelétrica, ultrassom

D) contrarregra – autopista – semi-aberto = semiaberto

E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor = infraestrutura

RESPOSTA: “A”.

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2-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS) De acordo com a nova ortografia, assinale o item
em que todas as palavras estão corretas:

A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial.

B) supracitado – semi-novo – telesserviço.

C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som.

D) contrarregra – autopista – semi-aberto.

E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor.

2-) Correção:

A) autoajuda – anti-inflamatório – extrajudicial = correta

B) supracitado – semi-novo – telesserviço = seminovo

C) ultrassofisticado – hidro-elétrica – ultra-som = hidroelétrica, ultrassom

D) contrarregra – autopista – semi-aberto = semiaberto

E) contrarrazão – infra-estrutura – coprodutor = infraestrutura

RESPOSTA: “A”.

3-) (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/ UFAL/2014)

Armandinho, personagem do cartunista Alexandre Beck, sabe perfeitamente empregar os parônimos


“cestas” “sestas” e “sextas”. Quanto ao emprego de parônimos, dadas as frases abaixo,

I. O cidadão se dirigia para sua _____________ eleitoral.

II. A zona eleitoral ficava ___________ 200 metros de um posto policial.

III. O condutor do automóvel __________ a lei seca.

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IV. Foi encontrada uma __________ soma de dinheiro no carro.

V. O policial anunciou o __________ delito.

Assinale a alternativa cujos vocábulos preenchem corretamente as lacunas das frases.

A) seção, acerca de, infligiu, vultosa, fragrante.

B) seção, acerca de, infligiu, vultuosa, flagrante.

C) sessão, a cerca de, infringiu, vultosa, fragrante.

D) seção, a cerca de, infringiu, vultosa, flagrante.

E) sessão, a cerca de, infligiu, vultuosa, flagrante.

3-) Correção: Questão que envolve ortografia.

I. O cidadão se dirigia para sua SEÇÃO eleitoral. (setor)

II. A zona eleitoral ficava A CERCA DE 200 metros de um posto policial. (= aproximadamente)

III. O condutor do automóvel INFRINGIU a lei seca. (relacione com infrator)

IV. Foi encontrada uma VULTOSA soma de dinheiro no carro. (de grande vulto, volumoso)

V. O policial anunciou o FLAGRANTE delito. (relacione com “pego no flagra”)

Seção / a cerca de / infringiu / vultosa / flagrante

RESPOSTA: “D”.

Acentuação gráfica
Quanto à acentuação, observamos que algumas palavras têm acento gráfico e outras não; na
pronúncia, ora se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. Por isso, vamos às regras!

Regras básicas – Acentuação tônica

A acentuação tônica está relacionada à intensidade com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como são
pronunciadas com menos intensidade, são denominadas de átonas.

De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas como:

Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a última sílaba. Ex.: café – coração – Belém –
atum – caju – papel

Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi –
leque – sapato – passível

Proparoxítonas - São aquelas cuja sílaba tônica está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara –
tímpano – médico – ônibus.

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Há vocábulos que possuem mais de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com uma sílaba
somente: são os chamados monossílabos.

Os acentos

acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras
representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
da tonicidade, timbre aberto: herói – médico – céu (ditongos abertos).

acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
fechado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs .

acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles

trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmente abolido das palavras. Há uma exceção: é
utilizado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: mülleriano (de Müller)

til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã

Regras fundamentais

Palavras oxítonas:

Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará
– café(s) – cipó(s) – Belém.

Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:

- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há

- Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo,
compô-lo

Paroxítonas:

Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:

- i, is: táxi – lápis – júri

- us, um, uns: vírus – álbuns – fórum

- l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps

- ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos

- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de “s”: água – pônei – mágoa – memória

** Dica: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê? Repare que esta palavra apresenta as terminações
das paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais
fácil a memorização!

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Regras especiais:

Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos abertos), que antes eram acentuados, perderam
o acento de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em palavras paroxítonas.

Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda
são acentuados: dói, escarcéu.

Acento Diferencial

Representam os acentos gráficos que, pelas regras de acentuação, não se justificariam, mas são
utilizados para diferenciar classes gramaticais entre determinadas palavras e/ou tempos verbais. Por
exemplo:

Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito perfeito de Indicativo do verbo “poder”) X pode
(presente do Indicativo do mesmo verbo).

Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas: terminada em “o” seguida de “r” não deve ser
acentuada, mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, para que saibamos se se trata
de um verbo ou preposição.

Os demais casos de acento diferencial não são mais utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo
(substantivo), pelo (preposição). Seus significados e classes gramaticais são definidos pelo contexto.

Polícia para o trânsito para realizar blitz. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, preposição (com
relação de finalidade).

** Quando, na frase, der para substituir o “por” por “colocar”, estaremos trabalhando com um verbo,
portanto:

“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex: Faço isso por você. / Posso pôr (colocar) meus livros
aqui?

Regra do Hiato:

Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, for a segunda vogal do hiato, acompanhado ou não de
“s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca – baú – país – Luís.

Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z.
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz.

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Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-
to-i-nha.

Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-
u-ba.

Observação importante:

Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando hiato quando vierem depois de ditongo (nas
paroxítonas):

** Dica: Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos que, no plural, dobram o “e”, mas que não
recebem mais acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.

Repare:

1-) O menino crê em você. / Os meninos creem em você.

2-) Elza lê bem! / Todas leem bem!

3-) Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os garotos deem o recado!

4-) Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!

Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm à tarde!

As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e
seguido de “e” ou “i” não serão mais acentuadas:

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Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pessoa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem –
eles vêm (verbo vir)

A regra prevalece também para os verbos conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém – eles convêm

Questões

1-) (PREFEITURA DE SÃO PAULO/SP – AUDITOR FISCAL TRIBUTÁRIO MUNICIPAL – CETRO) Assinale a
alternativa que contém duas palavras acentuadas conforme a mesma regra.

(A) “Hambúrgueres” e “repórter”.

(B) “Inacreditáveis” e “repórter”.

(C) “Índice” e “dólares”.

(D) “Inacreditáveis” e “atribuídos”.

(E) “Atribuídos” e “índice”.

Comentários:

(A) “Hambúrgueres” = proparoxítona / “repórter” = paroxítona

(B) “Inacreditáveis” = paroxítona / “repórter” = paroxítona

(C) “Índice” = proparoxítona / “dólares” = proparoxítona

(D) “Inacreditáveis” = paroxítona / “atribuídos” = regra do hiato

(E) “Atribuídos” = regra do hiato / “índice” = proparoxítona

RESPOSTA: “B”.

2-) (SEFAZ/RS – AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – FUNDATEC)

Analise as afirmações que são feitas sobre acentuação gráfica.

I. Caso o acento das palavras ‘trânsito’ e ‘específicos’ seja retirado, essas continuam sendo palavras da
língua portuguesa.

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II. A regra que explica a acentuação das palavras ‘vários’ e ‘país’ não é a mesma.

III. Na palavra ‘daí’, há um ditongo decrescente.

IV. Acentua-se a palavra ‘vêm’ para diferenciá-la, em situação de uso, quanto à flexão de número.

Quais estão corretas?

A) Apenas I e III.

B) Apenas II e IV.

C) Apenas I, II e IV.

D) Apenas II, III e IV.

E) I, II, III e IV.

Comentários:

I. Caso o acento das palavras ‘trânsito’ e ‘específicos’ seja retirado, essas continuam sendo palavras da
língua portuguesa = teremos “transito” e “especifico” – serão verbos (correta)

II. A regra que explica a acentuação das palavras ‘vá- rios’ e ‘país’ não é a mesma = vários é paroxítona
terminada em ditongo; país é a regra do hiato (correta)

III. Na palavra ‘daí’, há um ditongo decrescente = há um hiato, por isso a acentuação (da - í) = incorreta.

IV. Acentua-se a palavra ‘vêm’ para diferenciá-la, em situação de uso, quanto à flexão de número =
“vêm” é utilizado para a terceira pessoa do plural (correta)

RESPOSTA: “C”.

Pontuação

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem para compor a coesão e a coerência textual,
além de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Um texto escrito adquire diferentes
significados quando pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação depende, em certos
momentos, da intenção do autor do discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente
relacionados ao contexto e ao interlocutor.

Principais funções dos sinais de pontuação

Ponto (.)

1- Indica o término do discurso ou de parte dele, encerrando o período.


2- Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Companhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
de período, este não receberá outro ponto; neste caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
de período. Exemplo:

Estudei português, matemática, constitucional, etc. (e não “etc..”)

3- Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do ponto, assim como após o nome do autor de uma
citação:

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Haverá eleições em outubro

O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)

4- Os números que identificam o ano não utilizam ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem
como os números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.

Ponto e Vírgula ( ; )

1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho;
os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito
dão pelo pão a alma...” (VIEIRA).

2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor;
outros, montanhas, frio e cobertor.

3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, decreto de lei, etc.


Ir ao supermercado;

Pegar as crianças na escola;

Caminhada na praia;

Reunião com amigos.

Dois pontos (:)

1- Antes de uma citação

Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:

2- Antes de um aposto

Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.

3- Antes de uma explicação ou esclarecimento

Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a rotina de sempre.


4- Em frases de estilo direto

Maria perguntou: - Por que você não toma uma decisão?

Ponto de Exclamação (!)

1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc. Sim! Claro que eu quero me
casar com você!

2- Depois de interjeições ou vocativos

Ai! Que susto!

João! Há quanto tempo!

Ponto de Interrogação (?)

Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.

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“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

Reticências (...)

1- Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, canetas, cadernos...

2- Indica interrupção violenta da frase.

“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”

3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida:

Este mal... pega doutor?

4- Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, depois, o coração falar...

Vírgula (,)

Não se usa vírgula:

* separando termos que, do ponto de vista sintático,

ligam-se diretamente entre si:

Usa-se a vírgula:

- Para marcar intercalação:

a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.

b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades de
alimentos.

c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens,
isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.

- Para marcar inversão:

a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):

Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.

b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo:

Aos pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.

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c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de 1982.

- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em enumeração):

Era um garoto de 15 anos, alto, magro.

A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.

- Para marcar elipse (omissão) do verbo:

Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.

- Para isolar:

- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, possui um trânsito caótico.

- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

Observações:

- Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão latina et cetera, que significa “e outras
coisas”, seria dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo ortográfico em vigor no
Brasil exige que empreguemos etc. Precedido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc.

- As perguntas que denotam surpresa podem ter combinados o ponto de interrogação e o de


exclamação: Você falou isso para ela?!

- Temos, ainda, sinais distintivos:

1-) a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separação de siglas (IOF/UPC);

2-) os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
opção aos parênteses, principalmente na matemática;

3-) o asterisco ( * ) = usado para remeter o leitor a uma nota de rodapé ou no fim do livro, para
substituir um nome que não se quer mencionar.

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Questões

1-) (SAAE/SP - FISCAL LEITURISTA - VUNESP - 2014)

Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pontuação está correta em:

A) Hagar disse, que não iria.

B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes e lagostas, aos vizinhos.

C) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para Hagar e Helga

D) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar à Helga.

E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos Stevensens, para jantar bifes e lagostas.

Comentários:

A) Hagar disse que não iria. = não há vírgula entre verbo e seu complemento (objeto)

B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir bifes e lagostas aos vizinhos. = não há vírgula entre
verbo e seu complemento (objeto)

C) Chegou o convite dos Stevensens: bife e lagostas para Hagar e Helga.

D) “Eles são chatos e nunca param de falar”, disse Hagar à Helga.

E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos Stevensens, para jantar bifes e lagostas.

RESPOSTA: “E”.

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2-) (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO TRABALHO – CESPE)

A correção gramatical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as mais comuns em
todo o mundo” seria prejudicada, caso se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Comentários:

Não se deve colocar vírgula entre sujeito e predicado, a não ser que se trate de um aposto (1),
predicativo do sujeito (2), ou algum termo que requeira estar separado entre pontuações. Exemplos:

O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa!

Os meninos, ansiosos (2), chegaram!

RESPOSTA: “CERTO”.

3-) (PRODAM/AM – ASSISTENTE – FUNCAB) Em apenas uma das opções a vírgula foi corretamente
empregada. Assinale-a.

A) No dia seguinte, estavam todos cansados.

B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas.

C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas perplexas.

D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e fundamental.

E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em pequena parte do território.

Comentários:

A) No dia seguinte, estavam todos cansados. = correta

B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas = não se

separa sujeito do predicado (o sujeito está no final).

C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas perplexas = não se separa sujeito do predicado.

D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e fundamental = não se separa sujeito do predicado.

E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em pequena parte do território. = não se separa sujeito
do predicado

RESPOSTA: “A”

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Uso do sinal indicativo de crase


A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais idênticas, relacionadas ao emprego da preposição
“a” como artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pronomes demonstrativos – aquela(s),
aquele(s), aquilo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais). Casos estes em que
tal fusão encontra-se demarcada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às quais.

O uso do acento indicativo de crase está condicionado aos nossos conhecimentos acerca da regência
verbal e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo regido. Ou seja, o termo regente é o
verbo - ou nome -que exige complemento regido pela preposição “a”, e o termo regido é aquele que
completa o sentido do termo regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).

Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela contratada recentemente.

Após a junção da preposição com o artigo (destacados entre parênteses), temos:

Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada recentemente.

O verbo referir, de acordo com sua transitividade classifica-se como transitivo indireto, pois sempre
nos referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e com o artigo
feminino a + o pronome demonstrativo aquela (àquela).

Observações importantes:

Alguns recursos servem de ajuda para que possamos confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis
alguns:

• Substitui-se a palavra feminina por uma masculina equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s),
a crase está confirmada.

Os dados foram solicitados à diretora.

Os dados foram solicitados ao diretor.

• No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte
na expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.

Faremos uma visita à Bahia.

Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)

Não me esqueço da viagem a Roma.

Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos jamais vividos.

FIQUE ATENTO!

Nas situações em que o nome geográfico se apresentar modificado por um adjunto adnominal, a crase
está confirmada.

Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas praias.

Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo:

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Vou a Campinas. = Volto de Campinas.

(crase pra quê?)

Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)

Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase. Veja:

Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”.

Irei à Salvador de Jorge Amado. A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo
receberão o acento grave se o termo regente exigir complemento regido da preposição “a”.

Entregamos a encomenda àquela menina.

(preposição + pronome demonstrativo)

Iremos àquela reunião.

(preposição + pronome demonstrativo)

Sua história é semelhante às que eu ouvia quando criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)

(preposição + pronome demonstrativo)

A letra “a” que acompanha locuções femininas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o
acento grave:

• locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às pressas, à vontade...

• locuções prepositivas: à frente, à espera de, à procura de...

• locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que.

Cuidado: quando as expressões acima não exercerem a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:

Eu adoro a noite!

Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer

objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não preposição.

Casos passíveis de nota:

• A crase é facultativa diante de nomes próprios femininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.

• Também é facultativa diante de pronomes possessivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
empresa.

• Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja ficará aberta até as (às) dezoito horas.

• Constata-se o uso da crase se as locuções prepositivas à moda de, à maneira de apresentarem-se


implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)

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• Não se efetiva o uso da crase diante da locução adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
observamos a queima de fogos a distância.

Entretanto, se o termo vier determinado, teremos uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O
pedestre foi arremessado à distância de cem metros.

• De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade -, faz-se necessário o emprego da crase.

Ensino à distância.

Ensino a distância.

• Em locuções adverbiais formadas por palavras repetidas, não há ocorrência da crase.

Ela ficou frente a frente com o agressor.

Eu o seguirei passo a passo.

Casos em que não se admite o emprego da crase:

Antes de vocábulos masculinos.

As produções escritas a lápis não serão corrigidas.

Esta caneta pertence a Pedro.

Antes de verbos no infinitivo.

Ele estava a cantar.

Começou a chover.

Antes de numeral.

O número de aprovados chegou a cem.

Faremos uma visita a dez países.

Observações:

• Nos casos em que o numeral indicar horas – funcionando como uma locução adverbial feminina –
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove horas.

• Diante de numerais ordinais femininos a crase está confirmada, visto que estes não podem ser
empregados sem o artigo: As saudações foram direcionadas à primeira aluna da classe.

• Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quandoessa não se apresentar determinada: Chegamos
todos exaustos a casa.

Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos


todosexaustos à casa de Marcela.

• Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa indicar chão firme: Quando os navegantes
regressaram a terra, já era noite.

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Contudo, se o termo estiver precedido por um determinante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá
crase.

Paulo viajou rumo à sua terra natal.

O astronauta voltou à Terra.

• Não ocorre crase antes de pronomes que requerem o uso do artigo.

Os livros foram entregues a mim.

Dei a ela a merecida recompensa.

• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos à senhora, senhorita e madame admitirem artigo,
o uso da crase está confirmado no “a” que os antecede, no caso de o termo regente exigir a preposição.
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.

• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado em sentido genérico ou indeterminado:
Estamos sujeitos a críticas.

Refiro-me a conversas paralelas.EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017)

O acentoindicativo de crase está empregado corretamente em:

a) O personagem evita considerar à internet responsável por suas atitudes.


b) O personagem reconheceu que já tinha uma propensão à jogar o tempo fora.
c) O personagem tinha um comportamento indiferente àqualquer influência da internet.
d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar com relação ao tempo.
e) O personagem revelou à pessoa com quem conversava que jogava o tempo fora.

Resposta: Letra E. Aos itens: Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto
direto)

Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem acento grave indicativo de crase antes de verbo
no infinitivo)

Em “c”, tinha um comportamento indiferente à qualquer influência = a qualquer (antes de pronome


indefinido)

Em “d”, refere-se à uma maneira = a uma (antes de artigo indefinido)

Em “e”, O personagem revelou à pessoa com quem conversava que jogava o tempo fora = revelou o
quê? que jogava o tempo fora; revelou a quem? à pessoa (objeto indireto, com preposição) = correta.

2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir.

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Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de atendimento _____ presos da Casa de Detenção, em
São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao fim de
uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de “Estação Carandiru” (1999), que mostra ________
entranhas daquela que foi ________maior prisão da América Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre
os funcionários que trabalham no sistema prisional, Varella agora faz um retrato das detentas da
Penitenciária Feminina da Capital, também na capital paulista, onde cumprem pena mais de duas mil
mulheres. (https://oglobo.globo.com. Adaptado).

a) à … às … a

b) a … as … a

c) a … às … a

d) à … às … à

e) a … as … à

Resposta: Letra B. Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de atendimento a (preposição –


regência nominal de “atendimento”, mas sem acento grave por
estar diante de palavra masculina) presos da Casa de Detenção, em São Paulo, o médico oncologista
Drauzio Varella chega ao fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de “Estação Carandiru”
(1999), que mostra as (objeto direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela que foi a (artigo definido)
maior prisão da América Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que trabalham no
sistema prisional, Varella agora faz um retrato das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
também na capital paulista, onde cumprem pena mais de duas mil mulheres. Teremos: a / as / a.

3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP – OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO –


VUNESP-2018)

Assinale a alternativa em que o acento indicativo de crase está empregado corretamente.

a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer com dores de cabeça.

b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à episó- dios de nosso passado.

c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas pessoas.

d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente os momentos dolorosos.

e) Ao nos atermos à uma experiência ruim, desconsideramos o que ela traz de bom.

Resposta: Letra D. Aos itens: Em “a”, chegam à sofrer = a sofrer (antes de verbo no
infinitivo não se usa acento grave).

Em “b”, que nos fazem voltar à episódios = a episódios (palavra masculina e no plural)

Em “c”, pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas = a determinadas (palavra no plural e
presença só da preposição)

Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se refere, refere-se a algo ou a alguém).

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Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma (antes de artigo indefinido).

4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL - VUNESP-2018)

De acordo com a norma- -padrão, o acento indicativo da crase está corretamente empregado em:

a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão detalento: quem não tem, não vai nunca
aprender.

b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada pela clareza e precisão, afastando o leitor da
confusão ou tédio.

c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como um tecido coeso e claro, instigando, assim, o
leitor.

d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões semelhantes, no entanto elas seguem pelo lado
oposto.

e) Também não estamos falando só de correção gramatical e ortográfica. Estamos nos referindo à
pensamento.

Resposta: Letra A. Em “a”, O leitor aludiu à escrita =correta (regência do verbo “aludir” pede
preposição)

Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a uma (antes de artigo indefinido)
Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre palavras repetidas)

Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões = a conclusões (antes de palavra no plural
e o “a” está “sozinho” = somente preposição)

Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a pensamento (palavra masculina)

5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES-SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO -


VUNESP-2018)

No começo do século 20, a rápida industrialização nos Estados Unidos deu origem _______ algumas
das maiores fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vanderbilt e os Rockefeller investiram em
ferrovias, petróleo e aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________ ostentar sua riqueza. O
período ficou conhecido como Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até
agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia de serviços financeiros, feito em parceria com
a consultora PwC.

Para os autores do documento, a primeira Era Dourada aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a
atual começou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10 a 20 anos, prolongada pelo desempenho
econômico da Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
(IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado) Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser
preenchidas, respectivamente, com:

a) a … a … a

b) à … à … à

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c) a … à … à

d) à … à … a

e) a … a … à

Resposta: Letra E. Vamos aos trechos: a rápida industrialização nos Estados Unidos deu origem a
algumas das maiores fortunas = antes de pronome indefinido e passaram a ostentar sua riqueza =
antes de verbo no infinitivo e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal de “ligados” pede
preposição

6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -VUNESP-2017)

Assinale a alternativa correta quanto aoemprego do acento indicativo da crase.

a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quaischegam à um grande público devido à rapidez
da internet, é favorável à formação de ondas de credulidade.

b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam à muitas pessoas devido a rapidez da
internet, favorece que se formem ondas de credulidade.

c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais chegam a muitas pessoas devido à rapidez da
internet, é favorável à formação de ondas de credulidade.

d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam a um grande número de pessoas devido
à rapidez da internet, é favorável as ondas de credulidade que se formam.

e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam a muitas pessoas devido a rapidez da
internet, favorece à formação de ondas de credulidade.

Resposta: Letra C Acertos entre parênteses: Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público
devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à formação (ok)

Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas) pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet

Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet, é favorável à formação =
correta

Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande número de pessoas devido à rapidez (ok) da
internet, é favorável as ondas (às ondas)

Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok) pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet,
favorece à formação (a formação) Observação: quanto à regência verbal de “favorecer” = pede
complemento verbal direto (favorece o quê? favorece quem?); já a regência nominal de “favorá- vel”
pede preposição (favorável a quem? a quê?).

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Morfologia: classes gramaticais e processos de flexão das palavras

Em linguística, Morfologia é o estudo da estrutura, da formação e da classificação das palavras. A


peculiaridade da morfologia é estudar as palavras olhando para elas isoladamente e não dentro da sua
participação na frase ou período. A morfologia está agrupada em dez classes, denominadas classes de
palavras ou classes gramaticais. São elas: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo,
Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.

Substantivo

Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo é a classe gramatical de palavras
variáveis, as quais denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos
também nomeiam:

- lugares: Alemanha, Porto Alegre...

- sentimentos: raiva, amor...

- estados: alegria, tristeza...

- qualidades: honestidade, sinceridade...

- ações: corrida, pescaria...

Morfossintaxe do substantivo

Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em geral exerce funções diretamente relacionadas
com o verbo: atua como núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou indireto) e do
agente da passiva. Pode ainda funcionar como núcleo do complemento nominal ou do aposto, como
núcleo do predicativo do sujeito ou do objeto ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de adjuntos adverbiais - quando essas funções
são desempenhadas por grupos de palavras.

Classificação dos Substantivos

Substantivos Comuns e Próprios

Observe a definição:

s.f. 1: Povoação maior que vila, com muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em oposição aos bairros).

Qualquer "povoação maior que vila, com muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas" será
chamada cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo comum.

Substantivo Comum é aquele que designa os seres de uma mesma espécie de forma genérica.

Por exemplo: cidade, menino, homem, mulher, país, cachorro.

Veja agora este outro exemplo:

Estamos voando para Barcelona.

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O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espécie cidade. Esse substantivo é próprio.

Substantivo Próprio é aquele que designa os seres de uma mesma espécie de forma particular.

Por exemplo: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.

Substantivos Concretos e Abstratos

Exemplos: LÂMPADA, MALA.

Os substantivos lâmpada e mala designam seres com existência própria, que são independentes de
outros seres. São assim, substantivos concretos.

Substantivo Concreto é aquele que designa o ser que existe, independentemente de outros seres.

Obs.: os substantivos concretos designam seres do mundo real e do mundo imaginário.

Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, Brasília, etc.

Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d'água, fantasma, etc.

Observe agora:

Beleza exposta

Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.

O substantivo beleza designa uma qualidade.

Substantivo Abstrato é aquele que designa seres que dependem de outros para se manifestar ou
existir.

Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser observada. Só podemos observar a beleza numa
pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra
beleza é um substantivo abstrato.

Os substantivos abstratos designam estados, qualidades, ações e sentimentos dos seres, dos quais
podem ser abstraídos, e sem os quais não podem existir. Por exemplo: vida (estado), rapidez
(qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).

Substantivos Coletivos

Observe os exemplos:

Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra abelha, mais outra abelha.

Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.

Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.

Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi necessário repetir o substantivo: uma abelha, outra
abelha, mais outra abelha...

No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural.

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No terceiro caso, empregou-se um substantivo no singular (enxame) para designar um conjunto de


seres da mesma espécie (abelhas).

O substantivo enxame é um substantivo coletivo.

Substantivo Coletivo é o substantivo comum que, mesmo estando no singular, designa um conjunto
de seres da mesma espécie.

Lista de substantivos coletivos

abelha - enxame, cortiço, colmeia;

abutre - bando;

acompanhante - comitiva, cortejo, séquito;

alho - (quando entrelaçados) réstia, enfiada, cambada;

aluno - classe;

amigo - (quando em assembleia) tertúlia;

bala - saraiva, saraivada;

bandoleiro - caterva, corja, horda, malta, súcia, turba;

bêbado - corja, súcia, farândola;

cabelo - (em geral) chumaço, guedelha, madeixa, (conforme a separação) marrafa, trança;

cabo - cordame, cordoalha, enxárcia;

cabra - fato, malhada, rebanho;

Formação dos Substantivos

Substantivos Simples e Compostos

Observe a definição:

Chuva: subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra.

O substantivo chuva é formado por um único elemento ou radical. É um substantivo simples.

Substantivo Simples é aquele formado por um único elemento.

Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc.

Veja agora:

O substantivo guarda-chuva é formado por dois elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é
composto.

Substantivo Composto é aquele formado por dois ou mais elementos.

Outros exemplos: beija-flor, passatempo.

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Substantivos Primitivos e Derivados

Veja:

Meu limão meu limoeiro,

meu pé de jacarandá...

O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de nenhum outro dentro de língua portuguesa.

Substantivo Primitivo é aquele que não deriva de nenhuma outra palavra da própria língua
portuguesa.

O substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir da palavra limão.

Substantivo Derivado é aquele que se origina de outra palavra.

Flexão dos Substantivos

O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável quando sofre flexão (variação). A palavra
menino, por exemplo, pode sofrer variações para indicar:

Plural: meninos

Feminino: menina

Aumentativo: meninão

Diminutivo: menininho

Flexão de Gênero

Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar sexo real ou fictício dos seres. Na língua
portuguesa, há dois gêneros: masculino e feminino.

Pertencem ao gênero masculino os substantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
Veja estes títulos de filmes:

O velho e o mar

Um Natal inesquecível

Os reis da praia

Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:

A história sem fim

Uma cidade sem passado

As tartarugas ninjas

Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes

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Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar nomes de seres vivos, geralmente o gênero da
palavra está relacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para o masculino e
outra para o feminino.

Observe:

gato - gata

homem - mulher

poeta - poetisa

prefeito - prefeita

Substantivos Uniformes são aqueles que apresentam uma única forma, que serve tanto para o
masculino quanto para o feminino.

Classificam-se em:

Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos. Por exemplo:

a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré fêmea.

Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas. Por exemplo:

a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo.

Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas por meio do artigo. Por exemplo: o colega e a
colega, o doente e a doente, o artista e a artista.

Saiba que:

- Substantivos de origem grega terminados em -ema ou - oma são masculinos.

Por exemplo: o axioma, o fonema, o poema, o sistema, o sintoma, o teorema.

- Existem certos substantivos que, variando de gênero, variam em seu significado.

Por exemplo:

o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora)

o capital (dinheiro) e a capital (cidade)

Formação do Feminino dos Substantivos Biformes

a) Regra: troca-se a terminação -o por -a. Por exemplo:

aluno - aluna

b) Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao masculino. Por exemplo:

freguês - freguesa

c) Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de três formas:

- troca-se -ão por -oa. Por exemplo:

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patrão - patroa

- troca-se -ão por -ã. Por exemplo:

campeão - campeã

-troca-se -ão por ona. Por exemplo:

solteirão - solteirona

Exceções:

barão - baronesa

ladrão- ladra

sultão – sultana

d) Substantivos terminados em -or:

- acrescenta-se -a ao masculino. Por exemplo:

doutor - doutora

- troca-se -or por -triz:

imperador - imperatriz

e) Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:

f) Substantivos que formam o feminino trocando o -e final por -a:

elefante - elefanta

g) Substantivos que têm radicais diferentes no masculino e no feminino:

bode - cabra

boi - vaca

h) Substantivos que formam o feminino de maneira especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
anteriores:

czar - czarina

réu – ré

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Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes

Epicenos

Observe:

Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas
uma forma para indicar o masculino e o feminino.

Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para designar os dois sexos. Esses substantivos
são chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver a necessidade de especificar o sexo,
utilizam-se palavras macho e fêmea.

Por exemplo: a cobra

A cobra macho picou o marinheiro.

A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.

Sobrecomuns

Entregue as crianças à natureza.

A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse
caso, nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o sexo dos seres a que se refere a
palavra. Veja:

A criança chorona chamava-se João.

A criança chorona chamava-se Maria.

Outros substantivos sobrecomuns:

a criatura

João é uma boa criatura.

Maria é uma boa criatura.

o cônjuge

O cônjuge de João faleceu.

O cônjuge de Marcela faleceu.

Comuns de Dois Gêneros:

Observe a manchete:

Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.

Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?

É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma vez que a palavra motorista é um substantivo
uniforme. O restante da notícia nos informa que se trata de um homem.

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A distinção de gênero pode ser feita através da análise do artigo ou adjetivo, quando acompanharem
o substantivo. Exemplos:

o colega - a colega

o imigrante - a imigrante

um jovem - uma jovem

artista famoso - artista famosa

repórter francês - repórter francesa

Flexão de Número do Substantivo

Em português, há dois números gramaticais:

O singular, que indica um ser ou um grupo de seres;

O plural, que indica mais de um ser ou grupo de seres.

A característica do plural é o s final.

Plural dos Substantivos Simples

a) Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e n fazem o plural pelo acréscimo de s. Por
exemplo:

pai - pais

ímã - ímãs

hífen - hifens (sem acento, no plural).

Exceção: cânon - cânones.

b) Os substantivos terminados em m fazem o plural em ns. Por exemplo:

homem - homens.

c) Os substantivos terminados em r e z fazem o plural pelo acréscimo de es. Por exemplo:

revólver - revólveres

raiz - raízes

Atenção: O plural de caráter é caracteres.

d) Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no plural, trocando o l por is. Por exemplo:

quintal - quintais

caracol - caracóis

hotel - hotéis

Exceções: mal e males, cônsul e cônsules.

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e) Os substantivos terminados em il fazem o plural de duas maneiras:

- Quando oxítonos, em is. Por exemplo:

canil - canis

- Quando paroxítonos, em eis. Por exemplo:

míssil - mísseis.

Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras:

répteis ou reptis (pouco usada).

f) Os substantivos terminados em s fazem o plural de duas maneiras:

- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo de es. Por exemplo:

ás - ases

retrós - retroses

- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis. Por exemplo:

o lápis - os lápis

o ônibus - os ônibus.

g) Os substantivos terminados em ão fazem o plural de três maneiras.

- substituindo o -ão por -ões:

Por exemplo:

ação - ações

- substituindo o -ão por -ães:

Por exemplo:

cão - cães

- substituindo o -ão por -ãos:

Por exemplo:

grão - grãos

h) Os substantivos terminados em x ficam invariáveis.

Por exemplo:

o látex - os látex

Plural dos Substantivos Compostos

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A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de
palavras que formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados
sem hífen comportam-se como os substantivos simples:

aguardente e aguardentes

girassol e girassóis

pontapé e pontapés

malmequer e malmequeres

Para pluralizar os substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen, observe as
orientações a seguir:

a) Quando as duas palavras forem substantivos, pode-se optar por colocar apenas o primeiro elemento
ou ambos no plural:

palavra-chave = palavras-chave ou palavras-chaves

couve-flor = couves-flor ou couves-flores

bomba-relógio = bombas-relógio ou bombas-relógios

peixe-espada = peixes-espada ou peixes-espadas

b) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:

substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos

adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens

numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

c) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:

verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas

palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes

palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos

d) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:

substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia

substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor

e) Permanecem invariáveis, quando formados de:

verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora

verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas

f) Casos Especiais

o louva-a-deus e os louva-a-deus

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o bem-te-vi e os bem-te-vis

o bem-me-quer e os bem-me-queres

o joão-ninguém e os joões-ninguém

Flexão de Grau do Substantivo

Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as variações de tamanho dos seres. Classifica-
se em:

Grau Normal

Indica um ser de tamanho considerado normal Por exemplo: casa.

Grau Aumentativo

Indica o aumento do tamanho do ser. Classifica-se em:

Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que indica grandeza.

Por exemplo: casa grande.

Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de aumento.

Por exemplo: casarão.

Grau Diminutivo

Indica a diminuição do tamanho do ser. Pode ser:

Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que indica pequenez. Por exemplo: casa
pequena.

Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de diminuição. Por exemplo: casinha.

Artigo

Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, indica se ele está sendo empregado de maneira
definida ou indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o gênero e o número dos
substantivos.

Classificação dos Artigos

Artigos Definidos

Determinam os substantivos de maneira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu comprei o carro.

Artigos Indefinidos

Determinam os substantivos de maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo:

Eu comprei um carro.

Combinação dos Artigos

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É muito presente a combinação dos artigos definidos e indefinidos com preposições. Este quadro
apresenta a forma assumida por essas combinações:

- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com o artigo definido a. Essa fusão de vogais
idênticas é conhecida por crase.

- As formas pelo(s)/pela(s) resultam da combinação dos artigos definidos com a forma per, equivalente
a por.

Adjetivo

Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se "encaixa" diretamente
ao lado de um substantivo.

Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos que além de expressar uma qualidade,
ela pode ser "encaixada diretamente" ao lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa,
pessoa bondosa.

Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido
dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto, não é adjetivo, mas
substantivo.

Morfossintaxe do Adjetivo:

O adjetivo exerce sempre funções sintáticas relativas aos substantivos, atuando como adjunto
adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

Classificação do Adjetivo

Explicativo: exprime qualidade própria do ser. Por exemplo: neve fria.

Restritivo: exprime qualidade que não é própria do ser. Por exemplo: fruta madura.

Formação do Adjetivo

Quanto à formação, o adjetivo pode ser:

Adjetivo simples: Formado por um só radical.

Por exemplo: brasileiro, escuro, magro, cômico.

Adjetivo composto: Formado por mais de um radical.

Por exemplo: luso-brasileiro, castanho-escuro, amarelo-canário.

Adjetivo primitivo: É aquele que dá origem a outros adjetivos.

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Por exemplo: belo, bom, feliz, puro.

Adjetivo derivado: É aquele que deriva de substantivos, verbos ou até mesmo de outro adjetivo.

Por exemplo: belíssimo, bondoso, magrelo.

Adjetivo Pátrio

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.

Observe alguns deles.

Estados e cidades do Brasil

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Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e,


normalmente, erudita. Observe alguns exemplos:

Locução Adjetiva

Locução = reunião de palavras.

Sempre que são necessárias duas ou mais palavras para contar a mesma coisa, tem-se locução. Às
vezes, uma preposição + substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva
(expressão que equivale a um adjetivo.)

Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem freio (paixão desenfreada). Observe outros
exemplos:

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Obs.: nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado. Por
exemplo:

Vi as alunas da 5ª série.

O muro de tijolos caiu.

Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma


semelhante aos substantivos, classificam-se em:

Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo
e ativa, mau e má, judeu e judia.

Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento. Por exemplo:
o moço norte-americano, a moça norte-americana.

Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino. Por exemplo: homem
feliz e mulher feliz.

Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino. Por exemplo: conflito político-social
e desavença político-social.

Número dos Adjetivos

Plural dos adjetivos simples

Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão
numérica dos substantivos simples. Por exemplo:

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mau e maus

feliz e felizes

ruim e ruins

boa e boas

Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja,
se a palavra que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua
forma primitiva. Exemplo: a palavra cinza é originalmente um substantivo, porém, se estiver
qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Ficará, então invariável.

Por exemplo: camisas cinza, ternos cinza.

Veja outros exemplos:

Motos vinho (mas: motos verdes)

Paredes musgo (mas: paredes brancas).

Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

Adjetivo Composto

Adjetivo composto é aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos
são ligados por hífen. Apenas o último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os
demais ficam na forma masculina, singular.

Caso um dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o
adjetivo composto ficará invariável.

Por exemplo: a palavra rosa é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um


elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo
composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Por
exemplo:

Camisas rosa-claro.

Ternos rosa-claro.

Olhos verde-claros.

Calças azul-escuras e camisas verde-mar.

Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Obs.:

- Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são
sempre invariáveis.

- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os dois elementos flexionados.

Grau do Adjetivo

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Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do
adjetivo: o comparativo e o superlativo.

Comparativo

Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais
características atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade ou de
inferioridade. Observe os exemplos abaixo:

1) Sou tão alto como você. Comparativo De Igualdade

No comparativo de igualdade, o segundo termo da comparação é introduzido pelas palavras como,


quanto ou quão.

2) Sou mais alto (do) que você. Comparativo De Superioridade Analítico

No comparativo de superioridade analítico, entre os dois substantivos comparados, um tem qualidade


superior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a "mais...do que" ou "mais...que".

3) O Sol é maior (do) que a Terra. Comparativo De Superioridade Sintético

Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim.
São eles:

bom-melhor pequeno-menor

mau-pior alto-superior

grande-maior baixo-inferior

Adjetivos comparativos

Observe que:

a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais
mau, respectivamente.

b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (melhor, pior, maior e menor), porém, em
comparações feitas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas
mais bom, mais mau, mais grande e mais pequeno. Por exemplo:

Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois elementos.

Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas qualidades de um mesmo elemento.

4) Sou menos alto (do) que você. Comparativo De Inferioridade

Sou menos passivo (do) que tolerante.

Superlativo

O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou em grau máximo. O grau superlativo
pode ser absoluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:

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Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada, sem relação com outros
seres. Apresenta-se nas formas:

Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O secretário é muito inteligente.

Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo de sufixos. Por exemplo:

O secretário é inteligentíssimo.

Observe alguns superlativos sintéticos:

benéfico beneficentíssimo

bom boníssimo ou ótimo

célebre celebérrimo

comum comuníssimo

cruel crudelíssimo

difícil dificílimo

doce dulcíssimo

fácil facílimo

fiel fidelíssimo

frágil fragílimo

frio friíssimo ou frigidíssimo

humilde humílimo

jovem juveníssimo

livre libérrimo

magnífico magnificentíssimo

magro macérrimo ou magríssimo

manso mansuetíssimo

mau péssimo

nobre nobilíssimo

pequeno mínimo

pobre paupérrimo ou pobríssimo

preguiçoso pigérrimo

próspero prospérrimo

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sábio sapientíssimo

sagrado sacratíssimo

Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada em relação a um conjunto


de seres. Essa relação pode ser:

De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.

De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.

Note bem:

1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio dos advérbios muito, extremamente,
excepcionalmente, etc., antepostos ao adjetivo.

2) O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas formas : uma erudita, de origem latina, outra
popular, de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do adjetivo latino + um dos
sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo.

A forma popular é constituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo: pobríssimo,


agilíssimo.

3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariíssimo, necessariíssimo, preferem-se, na


linguagem atual, as formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desagradável hiato i-í.

Numeral

Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéricos, isto é, que atribui quantidade aos seres
ou os situa em determinada sequência. Exemplos:

Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.

[quatro: numeral = atributo numérico de "ingresso"]

Eu quero café duplo, e você?

...[duplo: numeral = atributo numérico de "café"]

A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!

...[primeira: numeral = situa o ser "pessoa" na sequência de "fila"]

Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os números indicam em relação aos seres. Assim,
quando a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais, mas sim de
algarismos.

Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a ideia expressa pelos números, existem mais
algumas palavras consideradas numerais porque denotam quantidade, proporção ou ordenação. São
alguns exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena.

Classificação dos Numerais

Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico. Por exemplo: um, dois, cem mil, etc.

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Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada. Por exemplo: primeiro, segundo,
centésimo, etc.

Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão dos seres. Por exemplo: meio, terço, dois
quintos, etc.

Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, indicando quantas vezes a quantidade foi
aumentada. Por exemplo: dobro, triplo, quíntuplo, etc.

Coletivos: se referem ao conjunto de algo, indicando o número exato de seres que compõem esse
conjunto. Por exemplo: dezena, dúzia, milheiro, etc.

Leitura dos Numerais

Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de
centenas e, no início, também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; as
unidades ligam-se pela conjunção e. Por exemplo:

1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte e seis.

45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.

Flexão dos numerais

Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de
duzentos/duzentas em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc.

Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, etc. variam em número: milhões, bilhões, trilhões, etc. Os
demais cardinais são invariáveis.

Os numerais ordinais variam em gênero e número:

primeiro segundo milésimo

primeira segunda milésima

primeiros segundos milésimos

primeiras segundas milésimas

Numerais multiplicativos

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas. Por exemplo:

Fizeram o dobro do esforço e conseguiram o triplo de produção.

Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número. Por exemplo:

Teve de tomar doses triplas do medicamento.

Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe:

um terço/dois terços

uma terça parte

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duas terças partes

Os numerais coletivos flexionam-se em número. Veja:

uma dúzia

um milheiro

duas dúzias

dois milheiros

É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou


especialização de sentido. É o que ocorre em frases como:

Me empresta duzentinho...

É artigo de primeiríssima qualidade!

O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os
ordinais até décimo e a partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:

Ordinais Cardinais

João Paulo II (segundo)

D. Pedro II (segundo)

Ato II (segundo)

Século VIII (oitavo)

Canto IX (nono)

Tomo XV (quinze)

Luís XVI (dezesseis)

Capítulo XX (vinte)

Século XX (vinte)

João XXIII (vinte e três)

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:

Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)

Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas são considerados numerais. Significam "um e outro", "os dois" (ou "uma e outra", "as
duas") e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Por
exemplo:

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Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora
participam das atividades comunitárias de seu bairro.

Obs.: a forma "ambos os dois" é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação,
artificialismo.

Pronome

Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele se refere, ou ainda, que acompanha o
nome qualificando-o de alguma forma.

Exemplos:

A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!

[substituição do nome]

A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!

[referência ao nome]

Essa moça morava nos meus sonhos!

[qualificação do nome]

Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos, isto é, essas palavras só adquirem
significação dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que está
sendo colocado por meio dos pronomes no ato da comunicação.

Com exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes têm por função principal
apontar para as pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no tempo ou
no espaço. Em virtude dessa característica, os pronomes apresentam uma forma específica para cada
pessoa do discurso.

Exemplos:

Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.

[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala]

Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?

[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala]

A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.

[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala]

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em


número (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência através do pronome seja coerente em
termos de gênero e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, mesmo quando este se
apresenta ausente no enunciado.

Exemplos:

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[Fala-se de Roberta]

Ele quer participar do desfile da nossa escola neste ano.

[nossa: pronome que qualifica "escola" = concordância adequada]

[neste: pronome que determina "ano" = concordância adequada]

[ele: pronome que faz referência à "Roberta" = concordância inadequada]

Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos e


interrogativos.

Pronomes Pessoais

São aqueles que substituem os substantivos, indicando diretamente as pessoas do discurso.

Quem fala ou escreve assume os pronomes eu ou nós, usa os pronomes tu, vós, você ou vocês para
designar a quem se dirige e ele, ela, eles ou elas para fazer referência à pessoa ou às pessoas de quem
fala.

Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que exercem nas orações, podendo ser do
caso reto ou do caso oblíquo.

Pronome Reto

Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exerce a função de sujeito ou predicativo do
sujeito. Por exemplo:

Nós lhe ofertamos flores.

Os pronomes retos apresentam flexão de número, gênero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa
última a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa forma, o quadro dos
pronomes retos é assim configurado:

- 1ª pessoa do singular: eu

- 2ª pessoa do singular: tu

- 3ª pessoa do singular: ele, ela

- 1ª pessoa do plural: nós

- 2ª pessoa do plural: vós

- 3ª pessoa do plural: eles, elas

Atenção: esses pronomes não costumam ser usados como complementos verbais na língua-padrão.
Frases como "Vi ele na rua" , "Encontrei ela na praça", "Trouxeram eu até aqui", comuns na língua oral
cotidiana, devem ser evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua formal, devem ser usados
os pronomes oblíquos correspondentes: "Vi-o na rua", "Encontrei-a na praça", "Trouxeram-me até
aqui".

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Obs.: frequentemente observamos a omissão do pronome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá


porque as próprias formas verbais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo indicadas
pelo pronome reto. Por exemplo:

Fizemos boa viagem. (Nós)

Pronome Oblíquo

Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sentença, exerce a função de complemento verbal
(objeto direto ou indireto) ou complemento nominal. Por exemplo:

Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)

Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma variante do pronome pessoal do caso reto. Essa
variação indica a função diversa que eles desempenham na oração: pronome reto marca o sujeito da
oração; pronome oblíquo marca o complemento da oração.

Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com a acentuação tônica que possuem, podendo
ser átonos ou tônicos.

Pronome Oblíquo Átono

São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são precedidos de preposição.

Possuem acentuação tônica fraca. Por exemplo:

Ele me deu um presente.

O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:

- 1ª pessoa do singular (eu): me

- 2ª pessoa do singular (tu): te

- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, o, a, lhe

- 1ª pessoa do plural (nós): nos

- 2ª pessoa do plural (vós): vos

- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, os, as, lhes

Observações:

O lhe é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união
entre o pronome o ou a e preposição a ou para. Por acompanhar diretamente uma preposição, o
pronome lhe exerce sempre a função de objeto indireto na oração.

Os pronomes me, te, se, nos e vos podem tanto ser objetos diretos como objetos indiretos.

Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como objetos diretos.

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Pronome Oblíquo Tônico

Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos por preposições, em geral as preposições a,
para, de e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de objeto indireto da oração.
Possuem acentuação tônica forte.

O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim configurado:

- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo

- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo

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- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela

- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco

- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco

- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas

- Observe que as únicas formas próprias do pronome tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda
pessoa (ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.

- As preposições essenciais introduzem sempre pronomes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome
do caso reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal, os pronomes costumam
ser usados desta forma:

Não há mais nada entre mim e ti.

Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.

Não há nenhuma acusação contra mim.

Não vá sem mim.

- A combinação da preposição "com" e alguns pronomes originou as formas especiais comigo, contigo,
consigo, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequentemente exercem a função de
adjunto adverbial de companhia. Por exemplo:

Ele carregava o documento consigo.

- As formas "conosco" e "convosco" são substituídas por "com nós" e "com vós" quando os pronomes
pessoais são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou algum numeral.
Por exemplo:

Você terá de viajar com nós todos.

Estávamos com vós outros quando chegaram as más notícias.

Ele disse que iria com nós três.

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Pronome Reflexivo

São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem como objetos direto ou indireto, referem-se
ao sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo.

O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:

- 1ª pessoa do singular (eu): me, mim. Por exemplo:

Eu não me vanglorio disso.

Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.

- 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.Por exemplo:

Assim tu teprejudicas.

Conhece a ti mesmo.

- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.Por exemplo:

Guilherme já se preparou.

Ela deu a si um presente.

Antônio conversou consigo mesmo.

- 1ª pessoa do plural (nós): nos.Por exemplo:

Lavamo-nos no rio.

- 2ª pessoa do plural (vós): vos.Por exemplo:

Vós vos beneficiastes com a esta conquista.

Por exemplo:

- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo. Por exemplo:

Eles se conheceram.

Elas deram a si um dia de folga

A Segunda Pessoa Indireta

A chamada segunda pessoa indireta se manifesta quando utilizamos pronomes que, apesar de
indicarem nosso interlocutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.

É o caso dos chamados pronomes de tratamento, que podem ser observados no quadro seguinte:

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Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. "O senhor" e "a senhora"
são empregados no tratamento cerimonioso; "você" e "vocês", no tratamento familiar. Você e vocês
são largamente empregados no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso
frequente, em outras, é muito pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica,
ultraformal ou literária.

Observações:

a) Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de tratamento que possuem "Vossa (s)" são
empregados em relação à pessoa com quem falamos. Por exemplo:

Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

Emprega-se "Sua (s)" quando se fala a respeito da pessoa. Por exemplo:

Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu
com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos
interlocutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos
endereçando à excelência que esse deputado supostamente tem para poder ocupar o cargo que
ocupa.

b) 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento se dirijam à 2ª pessoa, toda a concordância deve


ser feita com a 3ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos
empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa. Por exemplo:

Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem
reconhecidos.

c) Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido


mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se
começamos a chamar alguém de "você", não poderemos usar "te" ou "teu". O uso correto exigirá,
ainda, verbo na terceira pessoa. Por exemplo:

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Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)

Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)

Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de
algo (coisa possuída). Por exemplo:

Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

Observe o quadro:

Note que:

A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam
com o objeto possuído.Por exemplo:

Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

Observações:

1 - A forma seu não é um possessivo quando resultar da alteração fonética da palavra senhor. Por
exemplo:

Muito obrigado, seu José.

2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Podem ter outros empregos, como:

a) indicar afetividade. Por exemplo:

Não faça isso, minha filha.

b) indicar cálculo aproximado.Por exemplo:

Ele já deve ter seus 40 anos.

c) atribuir valor indefinido ao substantivo. Por exemplo:

Marisa tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.

3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o pronome possessivo fica na 3ª pessoa. Por
exemplo:

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Vossa Excelência trouxe sua mensagem?

4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo. Por exemplo:

Trouxe-me seus livros e anotações.

5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos átonos assumem valor de possessivo. Por
exemplo:

Vou seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)

Pronomes Demonstrativos

Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a posição de uma certa palavra em relação
a outras ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, tempo ou discurso.

No espaço:

Compro este carro (aqui).

O pronome este indica que o carro está perto da pessoa que fala.

Compro esse carro (aí).

O pronome esse indica que o carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da pessoa que
fala.

Compro aquele carro (lá).

O pronome aquele diz que o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com quem falo.

Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto por meio de correspondência, que é uma
modalidade escrita de fala), são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro localiza os
seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los pode causar
ambiguidade.

Exemplos:

Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar informações sobre o concurso vestibular.
(trata-se da universidade destinatária).

Reafirmamos a disposição desta universidade em participar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se


da universidade que envia a mensagem).

No tempo:

Este ano está sendo bom para nós. O pronome este refere-se ao ano presente.

Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse refere-se a um passado próximo.

Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele está se referindo a um passado distante.

Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou invariáveis, observe:

Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s).

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Invariáveis: isto, isso, aquilo.

- Também aparecem como pronomes demonstrativos:

o (s), a (s): quando estiverem antecedendo o que e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
aquilo. Por exemplo:

Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)

Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que te indiquei.)

mesmo (s), mesma (s):

Por exemplo:

Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.

próprio (s), própria (s):

Por exemplo:

Os próprios alunos resolveram o problema.

semelhante (s):

Por exemplo:

Não compre semelhante livro.

tal, tais:

Por exemplo: Tal era a solução para o problema.

Note que:

a) Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em construções redundantes, com finalidade


expressiva, para salientar algum termo anterior. Por exemplo:

Manuela, essa é que dera em cheio casando com o José Afonso.

Desfrutar das belezas brasileiras, isso é que é sorte!

b) O pronome demonstrativo neutro o pode representar um termo ou o conteúdo de uma oração


inteira, caso em que aparece, geralmente, como objeto direto, predicativo ou aposto. Por exemplo:

O casamento seria um desastre. Todos o pressentiam.

c) Para evitar a repetição de um verbo anteriormente expresso, é comum empregar-se, em tais casos,
o verbo fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que faz as vezes de). Por exemplo:

Ninguém teve coragem de falar antes que ela o fizesse.

Diz-se corretamente:

Não sei que fazer. Ou: Não sei o que fazer.

Mas: Tenho muito que fazer. (E não: Tenho muito o que fazer.)

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d) Em frases como a seguinte, este refere-se à pessoa mencionada em último lugar, aquele à
mencionada em primeiro lugar. Por exemplo:

O referido deputado e o Dr. Alcides eram amigos íntimos: aquele casado, solteiro este. [ou então: este
solteiro, aquele casado.]

e) O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica. Por exemplo:

A menina foi a tal que ameaçou o professor?

f) Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
deste, desta, disso, nisso, no, etc. Por exemplo:

Não acreditei no que estava vendo. (no = naquilo)

Pronomes Indefinidos

São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou
expressando quantidade indeterminada. Por exemplo:

Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-plantadas.

Não é difícil perceber que "alguém" indica uma pessoa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto)
de forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que seguramente existe,
mas cuja identidade é desconhecida ou não se quer revelar.

Classificam-se em:

Pronomes Indefinidos Substantivos

Assumem o lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase.

São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo. Por exemplo:

Algo o incomoda?

Quem avisa amigo é.

Pronomes Indefinidos Adjetivos

Qualificam um ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada.

São eles: cada, certo(s), certa(s). Por exemplo:

Cada povo tem seus costumes.

Certas pessoas exercem várias profissões.

Note que:

Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pronomes indefinidos adjetivos:

algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s),
nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que,
quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.

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Por exemplo:

Poucos vieram para o passeio.

Poucos alunos vieram para o passeio.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe o quadro:

São locuções pronominais indefinidas:

cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja quem for, seja qual for,
todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc. Por
exemplo:

Cada um escolheu o vinho desejado.

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Pronomes Relativos

São pronomes relativos aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os
quais se relacionam. Introduzem as orações subordinadas adjetivas. Por exemplo:

O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.

(que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo "que" refere-se à palavra "sistema" e introduz uma oração subordinada. Diz-se
que a palavra "sistema" é antecedente do pronome relativo "que".

Os pronomes relativos "que" e "qual" podem ser antecedidos pelos pronomes demonstrativos "o",
"a", "os", "as" (quando esses equivalerem a "isto", "isso", "aquele(s)", "aquela(s)", "aquilo".). Por
exemplo:

Não sei o que você está querendo dizer.

Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso. Por exemplo:

Quem casa, quer casa.

Observe o quadro abaixo:

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Note que:

a) O pronome "que" é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal.
Pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais" quando seu antecedente for um
substantivo. Por exemplo:

O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)

A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)

Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)

As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

b) O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos: por isso, são utilizados
didaticamente para verificar se palavras como "que", "quem", "onde" (que podem ter várias
classificações) são pronomes relativos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por
motivo de clareza ou depois de determinadas preposições. Por exemplo:

Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. (O uso de "que"
neste caso geraria ambiguidade.)

Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (Não se poderia usar "que" depois de
"sobre".)

c) O relativo "que" às vezes equivale a "o que", "coisa que" e se refere a uma oração. Por exemplo:

Não chegou a ser padre, mas deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.

Obs.: os pronomes relativos podem vir precedidos de preposição de acordo com a regência verbal dos
verbos da oração. Por exemplo:

Havia condições com que não concordávamos. (concordar com)

Havia condições de que desconfiávamos. (desconfiar de)

d) O pronome "cujo" não concorda com o seu antecedente, mas com o consequente. Equivale a "do
qual", "da qual", "dos quais", "das quais". Por exemplo

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e) "Quanto" é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou
variações) e tudo: Por exemplo:

f) O pronome "quem" refere-se a pessoas e vem sempre precedido de preposição. Por exemplo:

g) "Onde", como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação
de lugar. Por exemplo:

A casa onde morava foi assaltada.

h) Na indicação de tempo, deve-se empregar "quando" ou "em que". Por exemplo:

Sinto saudades da época em que (quando) morávamos no exterior.

i) Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:

- como (= pelo qual)

Por exemplo:

Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

- quando (= em que)

Por exemplo:

Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

j) Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase. Por exemplo:

O futebol é um esporte.

O povo gosta muito deste esporte.

O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

k) Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo "que". Por
exemplo:

A sala estava cheia de gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.

Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes
indefinidos, referem-se à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso.

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São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações).

Por exemplo:

Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.

Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas preferes.

Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quantos passageiros desembarcaram.

Pronomes Substantivos e Pronomes Adjetivos

Pronomes Substantivos são aqueles que substituem um substantivo ao qual se referem. Por
exemplo:

Nem tudo está perdido. (Nem todos os bens estão perdidos.)

Aquilo me deixou alegre.

Obs.: ao assumir para si as características do nome que substitui, o pronome seguirá todas as demais
concordâncias (gênero - número - pessoa do discurso - marca de sujeito inanimado - marca de
situação no espaço).

Pronomes Adjetivos são aqueles que acompanham o substantivo com o qual se relacionam,
juntando-lhe uma característica. Por exemplo:

Este moço é meu irmão.

Alguma coisa me deixou alegre.

Observação: a classificação dos pronomes em substantivos ou adjetivos não exclui sua classificação
específica. Por exemplo:

Muita gente não me entende. (muita = pronome adjetivo indefinido).

Trouxe o meu ingresso e o teu. (meu = pronome adjetivo possessivo / teu = pronome substantivo
possessivo)

Conjunção

Além da preposição, há outra palavra também invariável que, na frase, é usada como elemento de
ligação: a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas palavra de mesma função em uma
oração:

O concurso será realizado nas cidades de Campinas e São Paulo.

A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.

Morfossintaxe da Conjunção

As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem propriamente uma função sintática: são
conectivos.

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Classificação da Conjunção

De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as conjunções podem ser classificadas em
coordenativas e subordinativas.

No primeiro caso, os elementos ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse
isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de sentido que cada um dos elementos possui.

Já no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção depende da existência do outro.
Veja:

Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.

Podemos separá-las por ponto: Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.

Temos acima um exemplo de conjunção (e, consequentemente, orações coordenadas) coordenativa –


“mas”.

Já em: Espero que eu seja aprovada no concurso!

Não conseguimos separar uma oração da outra, pois a segunda “completa” o sentido da primeira (da
oração principal):

Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período temos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal).

Conjunções Coordenativas

São aquelas que ligam orações de sentido completo e independente ou termos da oração que têm a
mesma função gramatical. Subdividem-se em:

1) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (=
e não), não só... mas também, não só... como também, bem como, não só... mas ainda.

A sua pesquisa é clara e objetiva.

Não só dança, mas também canta.

2) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, expressando ideia de contraste ou compensação. São
elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante.

Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

3) Alternativas: ligam orações ou palavras, expressando ideia de alternância ou escolha, indicando


fatos que se realizam separadamente. São elas: ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja,
talvez... talvez.

Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.

4) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração que expressa ideia de conclusão ou
consequência. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso, assim.

Marta estava bem preparada para o teste, portanto não ficou nervosa.

Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

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5) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração que a explica, que justifica a ideia nela contida.
São elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.

Não demore, que o filme já vai começar.

Falei muito, pois não gosto do silêncio!

Conjunções Subordinativas

São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente,
introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada. Veja o exemplo:

O baile já tinha começado quando ela chegou.

O baile já tinha começado: oração principal

quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)

ela chegou: oração subordinada

As conjunções subordinativas subdividem-se em integrantes e adverbiais:

1. Integrantes - Indicam que a oração subordinada por elas introduzida completa ou integra o sentido
da principal.

Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou seja, as orações subordinadas substantivas. São
elas: que, se.

Quero que você volte. (Quero sua volta)

2. Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exerce a função de adjunto adverbial da principal.
De acordo com a circunstância que expressam, classificam-se em:

a) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque,
que, como (= porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde
que, etc.

Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.

b) Concessivas: introduzem uma oração que expressa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
impedir sua realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais
que, posto que, conquanto, etc.

Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.

c) Condicionais: introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da
principal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que,
etc.

Se precisar de minha ajuda, telefone-me.

** Dica: você deve ter percebido que a conjunção condicional “se” também é conjunção integrante. A
diferença é clara ao ler as orações que são introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia da condição
para que recebamos um telefonema (se for preciso ajuda). Já na oração:

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Não sei se farei o concurso...

Não há ideia de condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração principal (sei) pede complemento
(objeto direto, já que “quem não sabe, não sabe algo”). Portanto, a oração em destaque exerce a
função de objeto direto da oração principal, sendo classificada como oração subordinada substantiva
objetiva direta.

d) Conformativas: introduzem uma oração que exprime a conformidade de um fato com outro. São
elas: conforme, como (= conforme), segundo, consoante, etc.

O passeio ocorreu como havíamos planejado.

e) Finais: introduzem uma oração que expressa a finalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
principal.

São elas: para que, a fim de que, que, porque (= para que), que, etc.

Toque o sinal para que todos entrem no salão.

f) Proporcionais: introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à


ocorrência do expresso na principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as
combinações quanto mais... (mais), quanto menos... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos...
(menos), etc.

O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam.

* Observação: são incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida
em que.

g) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso
na oração principal. São elas: quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as vezes que,
desde que, sempre que, assim que, agora que, mal (= assim que), etc.

A briga começou assim que saímos da festa.

h) Comparativas: introduzem uma oração que expressa ideia de comparação com referência à oração
principal.

São elas: como, assim como, tal como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do que,
quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (combinado com menos ou mais), etc.

O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

i) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa a consequência da principal. São elas: de sorte
que, de modo que, sem que (= que não), de forma que, de jeito que, que (tendo como antecedente na
oração principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, tamanho), etc.

Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do exame.

Atenção: Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, portanto, ser
classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contexto.

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O bom relacionamento entre as conjunções de um texto garante a perfeita estruturação de suas frases
e parágrafos, bem como a compreensão eficaz de seu conteúdo. Interagindo com palavras de outras
classes gramaticais essenciais ao inter-relacionamento das partes de frases e textos - como os
pronomes, preposições, alguns advérbios e numerais -, as conjunções fazem parte daquilo a que se
pode chamar de “a arquitetura textual”, isto é, o conjunto das relações que garantem a coesão do
enunciado. O sucesso desse conjunto de relações depende do conhecimento do valor relacional das
conjunções, uma vez que estas interferem semanticamente no enunciado.

Dessa forma, deve-se dedicar atenção especial às conjunções tanto na leitura como na produção de
textos. Nos textos narrativos, elas estão muitas vezes ligadas à expressão de circunstâncias
fundamentais à condução da história, como as noções de tempo, finalidade, causa e consequência.
Nos textos dissertativos, evidenciam muitas vezes a linha expositiva ou argumentativa adotada - é o
caso das exposições e argumentações construídas por meio de contrastes e oposições, que implicam
o uso das adversativas e concessivas.

Verbo

Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar,
entre outros processos:

ação (correr);

estado (ficar);

fenômeno (chover);

ocorrência (nascer);

desejo (querer).

O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus possíveis significados. Observe que
palavras como corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos
mencionados acima; não apresentam, porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
possuem.

Estrutura das Formas Verbais

Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresentar os seguintes elementos:

a) Radical: é a parte invariável, que expressa o significado essencial do verbo. Por exemplo:

fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical fal-)

b) Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
exemplo:

fala-r

São três as conjugações:

1ª - Vogal Temática - A - (falar)

2ª - Vogal Temática - E - (vender)

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3ª - Vogal Temática - I - (partir)

c) Desinência modo-temporal: é o elemento que designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:

falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo.)

falasse (indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)

d) Desinência número-pessoal: é o elemento que designa a pessoa do discurso (1ª, 2ª ou 3ª) e o


número (singular ou plural). Por exemplo:

falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)

falavam(indica a 3ª pessoa do plural.)

Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª
conjugação, pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal "e", apesar de haver desaparecido do
infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

Formas Rizotônicas e Arrizotônicas

Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura dos verbos com o conceito de acentuação tônica,
percebemos com facilidade que nas formas rizotônicas, o acento tônico cai no radical do verbo: opino,
aprendam, nutro, por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai no radical, mas sim
na terminação verbal: opinei, aprenderão, nutriríamos.

Classificação dos Verbos

Classificam-se em:

a) Regulares: são aqueles que possuem as desinências normais de sua conjugação e cuja flexão não
provoca alterações no radical. Por exemplo:

canto

cantei

cantarei

cantava

cantasse

b) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou nas desinências. Por exemplo:

faço

fiz

farei

fizesse

c) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação completa. Classificam-se em impessoais,
unipessoais e pessoais.

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Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normalmente, são usados na terceira pessoa do
singular. Os principais verbos impessoais são:

a) haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais). Por
exemplo:

Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)

Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)

Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão)

Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz)

b) fazer, ser e estar (quando indicam tempo). Por exemplo:

Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.

Era primavera quando a conheci.

Estava frio naquele dia.

c) Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear,
trovejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, "Amanheci mal-humorado", usa-se
o verbo "amanhecer" em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido
figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal. Por exemplo:

Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)

Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)

Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

d) São impessoais, ainda:

1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo. Ex.: Já passa das seis.

2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indicando suficiência. Ex.: Basta de tolices.
Chega de blasfêmias.

3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica
mal, sem referência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o sujeito
como hipotético, tornando-se, tais verbos, então, pessoais.

4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de "ser possível". Por exemplo:

Não deu para chegar mais cedo.

Dá para me arrumar uns trocados?

Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas do singular e
do plural. Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de animais, como:

bramar (tigre)

bramir (crocodilo)

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cacarejar (galinha)

coaxar (sapo)

cricrilar (grilo)

Os principais verbos unipessoais são:

1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário, etc.).

Observe os exemplos:

Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante)

Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)

É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que. Observe os exemplos:

Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fumar)

Vai para dez anos que não vejo Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)

Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.

Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos morfológicos ou eufônicos.

Por exemplo: verbo falir

Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o
que provavelmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.

Por exemplo: verbo computar

Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de
sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não
impedem o uso efetivo de formas verbais repudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio
verbo computar, que, com o desenvolvimento e a popularização da informática, tem sido conjugado
em todos os tempos, modos e pessoas.

d) Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse
fenômeno costuma ocorrer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou
-ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular). Observe:

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e) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo:

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O
verbo principal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de
verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

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Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

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g) Pronominais

São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando
a ideia já implícita no próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:

1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se.
São poucos: abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos
pronominais essenciais a reflexibilidade já está implícita no radical do verbo.

Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que
recai sobre ela mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo
átono é apenas uma partícula integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo.
Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio
verbo.

Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):

Eu me arrependo

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Tu te arrependes

Ele se arrepende

Nós nos arrependemos

Vós vos arrependeis

Eles se arrependem

2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o
objeto representado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação
que recai sobre ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos
podem ser conjugados com os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva.

Por exemplo: Maria se penteava.

A reflexibilidade se diz acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa.
Por exemplo: Maria penteou-me.

Observações:

1- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não
possuem função sintática.

2- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são
essencialmente pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de
se encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas.

Por exemplo: Eu me feri. --- Eu (sujeito)-1ª pessoa do singular

me (objeto direto) - 1ª pessoa do singular

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato. Em português,
existem três modos:

Indicativo - indica uma certeza, uma realidade. Por exemplo: Eu sempre estudo.

Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade. Por exemplo: Talvez eu estude amanhã.

Imperativo - indica uma ordem, um pedido. Por exemplo: Estuda agora, menino.

Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes
(substantivo, adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

a) Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor
e função de substantivo. Por exemplo:

Viver é lutar. (= vida é luta)

É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

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O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma


composta). Por exemplo:

É preciso ler este livro.

Era preciso ter lido este livro.

b) Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do


singular, não apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se
da seguinte maneira:

2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres (tu)

1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)

2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)

3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)

Por exemplo:

Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

c) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:

Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)

Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função adjetivo)

Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída.
Por exemplo:

Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.

Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.

d) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica
geralmente o resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por
exemplo:

Terminados os exames, os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume
verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo:

Ela foi a aluna escolhida para representar a escola.

Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em
diversos tempos. Veja:

1. Tempos do Indicativo

Presente - Expressa um fato atual. Por exemplo:

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Eu estudo neste colégio.

Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi
completamente terminado. Por exemplo:

Ele estudava as lições quando foi interrompido.

Pretérito Perfeito (simples) - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi
totalmente terminado. Por exemplo:

Ele estudou as lições ontem à noite.

Pretérito Perfeito (composto) - Expressa um fato que teve início no passado e que pode se prolongar
até o momento atual. Por exemplo:

Tenho estudado muito para os exames.

Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado. Por


exemplo:

Ele já tinha estudado as lições quando os amigos chegaram. (forma composta)

Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples)

Futuro do Presente (simples) - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação
ao momento atual. Por exemplo:

Ele estudará as lições amanhã.

Futuro do Presente (composto) - Enuncia um fato que deve ocorrer posteriormente a um momento
atual, mas já terminado antes de outro fato futuro. Por exemplo:

Antes de bater o sinal, os alunos já terão terminado o teste.

Futuro do Pretérito (simples) - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado
fato passado. Por exemplo:

Se eu tivesse dinheiro, viajaria nas férias.

Futuro do Pretérito (composto) - Enuncia um fato que poderia ter ocorrido posteriormente a um
determinado fato passado. Por exemplo:

Se eu tivesse ganhado esse dinheiro, teria viajado nas férias.

Tempos do Subjuntivo

Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual. Por exemplo:

É conveniente que estudes para o exame.

Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido. Por exemplo:

Eu esperava que ele vencesse o jogo.

Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição
ou desejo. Por exemplo:

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Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.

Pretérito Perfeito (composto) - Expressa um fato totalmente terminado num momento passado. Por
exemplo:

Embora tenha estudado bastante, não passou no teste.

Pretérito Mais-Que-Perfeito (composto) - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado.
Por exemplo:

Embora o teste já tivesse começado, alguns alunos puderam entrar na sala de exames.

Futuro do Presente (simples) - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao
atual. Por exemplo:

Quando ele vier à loja, levará as encomendas.

Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por
exemplo:

Se ele vier à loja, levará as encomendas.

Futuro do Presente (composto) - Enuncia um fato posterior ao momento atual mas já terminado antes
de outro fato futuro. Por exemplo:

Quando ele tiver saído do hospital, nós o visitaremos.

Formação dos Tempos Simples

Quanto à formação dos tempos simples, estes dividem-se em primitivos e derivados.

Primitivos:

Presente do indicativo

Pretérito perfeito do indicativo

Infinitivo impessoal

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Derivados do Presente do Indicativo:

Presente do subjuntivo

Imperativo afirmativo

Imperativo negativo

Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo:

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

Pretérito imperfeito do subjuntivo

Futuro do subjuntivo

Derivados do Infinitivo Impessoal:

Futuro do presente do indicativo

Futuro do pretérito do indicativo

Imperfeito do indicativo

Gerúndio

Particípio

Tempos Primitivos

Pretérito Perfeito do Indicativo

O pretérito perfeito do indicativo é marcado basicamente pela desinência pessoal.

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Infinitivo Impessoal

Tempos Derivados do Presente do Indicativo

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular


do presente do indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos
verbos de 2ª e 3ª conjugação).

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Imperativo

Imperativo Afirmativo ou Positivo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu)
e a segunda pessoa do plural (vós) eliminando-se o "S" final. As demais pessoas vêm, sem alteração,
do presente do subjuntivo. Veja:

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Observações:

- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma
ordem, pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão,
utiliza-se você/vocês.

- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Tempos Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo

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Pretérito mais-que-perfeito

Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do


singular do pretérito perfeito. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -RA mais a desinência
de número e pessoa correspondente.

Existem gramáticos que afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do plural do pretérito
perfeito (cantaram/venderam/partiram), mediante a supressão do m final e acréscimo da desinência
de número e pessoa.

Ou simplesmente:

tema + {-ra, -ras, -ra, -ramos, -reis, -ram (1ª, 2ª e 3ª conj.)

Observe o quadro:

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito
perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -
R mais a desinência de número e pessoa correspondente.

Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito
(cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -am final e acréscimo da desinência de
número e pessoa.

Ou simplesmente:

tema + { -r, -res, -r, -rmos, -rdes, -rem (1ª, 2ª e 3ª conj.)

Observe o quadro:

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Atenção:

Sempre que tivermos dúvidas sobre a conjugação do futuro do subjuntivo, bastar-nos-á verificar a 3ª
p. p. do pretérito perfeito. Se formos confrontar o futuro do subjuntivo com o infinitivo pessoal,
notaremos haver igualdade de forma para muitos verbos, o que não ocorre sempre. O verbo fazer, por
exemplo, conjuga-se no infinitivo pessoal: fazer, fazeres, fazer, fazermos, fazerdes, fazerem; mas no
futuro do subjuntivo veremos as formas: quando eu fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem, pois
este tempo se origina da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo.

Tempos Derivados do Infinitivo Impessoal

Futuro do Presente do Indicativo

Infinitivo Impessoal + { -ei, -ás, -á, -emos, -eis, -ão (1ª,2ª e 3ª conj.) }

Veja:

Futuro do Pretérito do Indicativo

Infinitivo Impessoal + { -ia, -ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam (1ª, 2ª e 3ª conj.)

Veja:

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Infinitivo Pessoal

Infinitivo Impessoal + { -es (2ª pessoa do singular), -mos (1ª pessoa do plural), -des (2ª pessoa do
plural), -em ( 3ª pessoa do plural) (1ª, 2ª e 3ª conj.)

Questões sobre Verbo

1-) (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS – 2014) A assertiva correta quanto à conjugação
verbal é: A) Houveram eleições em outros países este ano.

B) Se eu vir você por aí, acabou.

C) Tinha chego atrasado vinte minutos.

D) Fazem três anos que não tiro férias.

E) Esse homem possue muitos bens.

Comentários:

A) Houveram eleições em outros países este ano = houve

C) Tinha chego atrasado vinte minutos = tinha chegado

D) Fazem três anos que não tiro férias = faz três anos

E) Esse homem possue muitos bens = possui

RESPOSTA: “B”.

2-) (POLÍCIA CIVIL/SC – AGENTE DE POLÍCIA – ACAFE/2014) Complete as lacunas com os verbos, tempos
e modos indicados entre parênteses, fazendo a devida concordância.

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• O juiz agrário ainda não _________ no conflito porque surgiram fatos novos de ontem para hoje.
(intervir - preté- rito perfeito do indicativo)

• Uns poucos convidados ___________-se com os vídeos postados no facebook. (entreter - pretérito
imperfeito do indicativo)

• Representantes do PCRT somente serão aceitos na composição da chapa quando se _________ de


criticar a atual diretoria do clube, (abster-se - futuro do subjuntivo)

A sequência correta, de cima para baixo, é:

A-) interveio - entretinham - abstiverem

B-) interviu - entretiveram - absterem

C-) intervém - entreteram - abstêm

D-) interviera - entretêm - abstiverem

E-) intervirá - entretenham – abstiveram

Comentários: O verbo “intervir” deve ser conjugado como o verbo “vir”. Este, no pretérito perfeito do
Indicativo fica “veio”, portanto, “interveio” (não existe “interviu”, já que ele não deriva do verbo “ver”).
Descartemos a alternativa B. Como não há outro item com a mesma opção, chegamos à resposta
rapidamente!

RESPOSTA: “A”.

3-) (POLÍCIA MILITAR/SP – OFICIAL ADMINISTRATIVO – VUNESP/2014) Considere o trecho a seguir.

Já __________ alguns anos que estudos a respeito da utilização abusiva dos smartphones estão sendo
desenvolvidos. Os especialistas acreditam _________ motivos para associar alguns comportamentos
dos adolescentes ao uso prolongado desses aparelhos, e _________ alertado os pais

para que avaliem a necessidade de estabelecer limites aos seus filhos.

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser preenchidas,
correta e respectivamente, com:

(A) faz … haver … têm

(B) fazem … haver … tem

(C) faz … haverem … têm

(D) fazem … haverem … têm

(E) faz … haverem … tem

Comentários: Já FAZ (sentido de tempo: não sofre flexão) alguns anos que estudos a respeito da
utilização abusiva dos smartphones estão sendo desenvolvidos. Os especialistas acreditam HAVER
(sentido de existir: não varia) motivos para associar alguns comportamentos dos adolescentes ao uso
prolongado desses aparelhos, e TÊM (concorda com o termo “os especialistas”) alertado os pais para
que avaliem a necessidade de estabelecer limites aos seus filhos. Temos: faz, haver, têm.

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RESPOSTA: “A”.

Locuções Verbais

Outro tipo de conjugação composta - também chamada conjugação perifrástica - são as locuções
verbais, constituídas de verbos auxiliares mais gerúndio ou infinitivo.

São conjuntos de verbos que, numa frase, desempenham papel equivalente ao de um verbo único.
Nessas locuções, o último verbo, chamado principal, surge sempre numa de suas formas nominais; as
flexões de tempo, modo, número e pessoa ocorrem nos verbos auxiliares. Observe os exemplos:

Estou lendo o jornal.

Marta veio correndo: o noivo acabara de chegar.

Ninguém poderá sair antes do término da sessão.

A língua portuguesa apresenta uma grande variedade dessas locuções, conseguindo exprimir por meio
delas os mais variados matizes de significado. Ser (estar, em algumas construções) é usado nas
locuções verbais que exprimem a voz passiva analítica do verbo. Poder e dever são auxiliares que
exprimem a potencialidade ou a necessidade de que determinado processo se realize ou não. Veja:

Pode ocorrer algo inesperado durante a festa.

Deve ocorrer algo inesperado durante a festa.

Outro auxiliar importante é querer, que exprime vontade, desejo. Por exemplo:

Quero ver você hoje.

Também são largamente usados como auxiliares: começar a, deixar de, voltar a, continuar a, pôr-se a,
ir, vir e estar, todos ligados à noção de aspecto verbal.

Vozes do Verbo

Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indicar se o sujeito gramatical é agente ou
paciente da ação.

São três as vozes verbais:

a) Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo. Por exemplo:

b) Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo. Por exemplo:

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c) Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação.
Por exemplo:

O menino feriu-se.

Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade. Por exemplo:

Os lutadores feriram-se. (um ao outro)

Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.

1- Voz Passiva Analítica

Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:

A escola será pintada.

O trabalho é feito por ele.

Obs. : o agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a
construção com a preposição de. Por exemplo:

A casa ficou cercada de soldados.

- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja explícito na frase. Por exemplo:

A exposição será aberta amanhã.

- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a
transformação das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)

O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indicativo)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)

O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)

O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da
voz ativa. Observe a transformação da frase seguinte:

O vento ia levando as folhas. (gerúndio)

As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva analítica com outros verbos que podem
eventualmente funcionar como auxiliares. Por exemplo:

A moça ficou marcada pela doença.

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2- Voz Passiva Sintética

A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome
apassivador SE. Por exemplo:

Abriram-se as inscrições para o concurso.

Destruiu-se o velho prédio da escola.

Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase. Por exemplo:

Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa passará a agente da passiva e
o verbo ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.

Observe mais exemplos:

Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.

Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mestres.

Eu o acompanharei.

Ele será acompanhado por mim.

Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não haverá complemento agente na passiva.
Por exemplo:

Prejudicaram-me.

Fui prejudicado.

Saiba que:

1) Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos, são chamados neutros. Por exemplo:

O vinho é bom.

Aqui chove muito.

2) Há formas passivas com sentido ativo. Por exemplo:

É chegada a hora. (= Chegou a hora.)

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Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)

És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)

3) Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo. Por exemplo:

Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)

Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)

4) Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados
passivos, logo o sujeito é paciente. Por exemplo:

Chamo-me Luís.

Batizei-me na Igreja do Carmo.

Operou-se de hérnia.

Vacinaram-se contra a gripe.

QUESTÕES

1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA/GO – ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/- adaptada) A frase “que foi trazida
pelo instituto Endeavor” equivale, na voz ativa, a:

(A) que o instituto Endeavor traz;

(B) que o instituto Endeavor trouxe;

(C) trazida pelo instituto Endeavor;

(D) que é trazida pelo instituto Endeavor;

(E) que traz o instituto Endeavor.

Comentários: Se na voz passiva temos dois verbos, na ativa teremos um: “que o instituto Endeavor
trouxe” (manter o tempo verbal no pretérito – assim como na passiva).

RESPOSTA: “B”.

2-) (PRODAM/AM – ASSISTENTE – FUNCAB/- adaptada) Ao passarmos a frase “...e É CONSIDERADO


por muitos o maior maratonista de todos os tempos” para a voz ativa, encontramos a seguinte forma
verbal:

A) consideravam.

B) consideram.

C) considerem.

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D) considerarão.

E) considerariam.

Comentários - É CONSIDERADO por muitos o maior maratonista de todos os tempos = dois verbos na
voz passiva, então na ativa teremos UM: muitos o consideram o maior maratonista de todos os
tempos.

RESPOSTA: “B”.

3-) (TRT-16ª REGIÃO/MA - ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC)

Transpondo-se para a voz passiva a frase “vou glosar uma observação de Machado de Assis”, a forma
verbal resultante deverá ser

(A) terei glosado

(B) seria glosada

(C) haverá de ser glosada

(D) será glosada

(E) terá sido glosada

Comentários: “vou glosar uma observação de Machado de Assis” – “vou glosar” expressa “glosarei”,
então teremos na passiva: uma observação de Machado de Assis será glosada por mim.

RESPOSTA: “D”.

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Sintaxe de concordância e regência.

Colocação Pronominal

Colocação Pronominal trata da correta colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase.

* Dica: Pronome Oblíquo é aquele que exerce a função de complemento verbal (objeto). Por isso,
memorize:

OBlíquo = OBjeto!

Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas
normas devem ser observadas na linguagem escrita.

Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. A próclise é usada:

1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:

a) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc.: Não se desespere!

b) Advérbios: Agora se negam a depor.

c) Conjunções subordinativas: Espero que me expliquem tudo!

d) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se esforçou.

e) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportunidade.

f) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.

2) Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem lhe disse isso?

3) Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto se ofendem!

4) Orações que exprimem desejo (orações optativas): Que Deus o ajude.

5) A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome reto ou sujeito expresso:

Eu lhe entregarei o material amanhã.

Tu sabes cantar?

Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do verbo. A mesóclise é usada:

Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos não
estejam precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:

Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo.

Repare que o pronome está “no meio” do verbo “realizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração
alguma palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria. Veja:

Não se realizará...

Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.

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(Com presença de palavra que justifique o uso de pró- clise: Não fossem os meus compromissos, EU te
acompanharia nessa viagem).

Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise
não forem possíveis:

1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo: Quando eu avisar, silenciem-se todos.

2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não era minha intenção machucá-la.

3) Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se inicia período com pronome oblíquo).

Vou-me embora agora mesmo.

Levanto-me às 6h.

4) Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo no concurso, mudo-me hoje mesmo!

5-) Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.

Colocação pronominal nas locuções verbais

- após verbo no particípio = pronome depois do verbo auxiliar (e não depois do particípio):

Tenho me deliciado com a leitura!

Eu tenho me deliciado com a leitura!

Eu me tenho deliciado com a leitura!

- não convém usar hífen nos tempos compostos e nas locuções verbais:

Vamos nos unir!

Iremos nos manifestar.

- quando há um fator para próclise nos tempos compostos ou locuções verbais: opção pelo uso do
pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos
preocupar”).

Observações importantes:

Emprego de o, a, os, as

1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram.

Chame-o agora.

Deixei-a mais tranquila.

2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:

(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.

(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

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3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para
no, na, nos, nas.

Chamem-no agora.

Põe-na sobre a mesa.

* Dica:

Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que significa “antes”! Pronome antes do verbo!

Ênclise – “en”... lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome depois
do verbo!

Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do verbo

Pronome Oblíquo – função de objeto

Repare que o pronome está “no meio” do verbo “realizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração
alguma palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria. Veja:

Não se realizará...

Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.

(Com presença de palavra que justifique o uso de pró- clise: Não fossem os meus compromissos, EU te
acompanharia nessa viagem).

Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise
não forem possíveis:

1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo: Quando eu avisar, silenciem-se todos.

2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não era minha intenção machucá-la.

3) Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se inicia período com pronome oblíquo).

Vou-me embora agora mesmo.

Levanto-me às 6h.

4) Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo no concurso, mudo-me hoje mesmo!

5-) Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.

Colocação pronominal nas locuções verbais

- após verbo no particípio = pronome depois do verbo auxiliar (e não depois do particípio):

Tenho me deliciado com a leitura!

Eu tenho me deliciado com a leitura!

Eu me tenho deliciado com a leitura!

- não convém usar hífen nos tempos compostos e nas locuções verbais:

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Vamos nos unir!

Iremos nos manifestar.

- quando há um fator para próclise nos tempos compostos ou locuções verbais: opção pelo uso do
pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos
preocupar”).

Observações importantes:

Emprego de o, a, os, as

1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram.

Chame-o agora.

Deixei-a mais tranquila.

2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:

(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.

(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para
no, na, nos, nas.

Chamem-no agora.

Põe-na sobre a mesa.

* Dica:

Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que significa “antes”! Pronome antes do verbo!

Ênclise – “en”... lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome depois
do verbo!

Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do verbo

Pronome Oblíquo – função de objeto

Questões

1-) (IBGE - SUPERVISOR DE PESQUISAS – ADMINISTRAÇÃO - CESGRANRIO/2014) Em “Há políticas que


reconhecem a informalidade”, ao substituir o termo destacado por um pronome, de acordo com a
norma-padrão da língua, o trecho assume a formulação apresentada em:

A) Há políticas que a reconhecem.

B) Há políticas que reconhecem-a.

C) Há políticas que reconhecem-na.

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D) Há políticas que reconhecem ela.

E) Há políticas que lhe reconhecem.

Comentários: Primeiramente identifiquemos se temos objeto direto ou indireto. Reconhece o quê?


Resposta: a informalidade. Pergunta e resposta sem preposição, então: objeto direto. Não utilizaremos
“lhe” – que é para objeto indireto.

Como temos a presença do “que” – independente de sua função no período (pronome relativo, no
caso!) – a regra pede próclise (pronome oblíquo antes do verbo): que a reconhecem.

RESPOSTA: “A”.

2-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) A substituição do elemento grifado pelo pronome


correspondente foi realizada de modo INCORRETO em:

(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu

(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os

(C) para fazer a dragagem = para fazê-la

(D) que desviava a água = que lhe desviava

(E) supriam a necessidade = supriam-na

Comentários:

(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu = correta

(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os = correta

(C) para fazer a dragagem = para fazê-la = correta

(D) que desviava a água = que lhe desviava = que a desviava

(E) supriam a necessidade = supriam-na = correta

RESPOSTA: “D”.

3-) (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014) “cruzando os desertos do oeste da China − que
contornam a Índia − adotam complexas providências Fazendo-se as alterações necessárias, os
segmentos grifados acima foram corretamente substituídos por um pronome, respectivamente, em:

(A) os cruzando - que contornam-lhe - adotam-as

(B) cruzando-lhes - que contornam-na - as adotam

(C) cruzando-os - que lhe contornam - adotam-lhes

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(D) cruzando-os - que a contornam - adotam-nas

(E) lhes cruzando - que contornam-a - as adotam

Comentários: Não podemos utilizar “lhes”, que corresponde ao objeto indireto (verbo “cruzar” pede
objeto direto: cruzar o quê?), portanto já desconsideramos as alternativas “B” e “D”. Ao iniciarmos um
parágrafo (já que no enunciado temos uma oração assim) devemos usar ênclise: (cruzando-os); na
segunda oração temos um pronome relativo (dá para substituirmos por “o qual”), o que nos obriga a
usar a próclise (que a contorna); “adotam” exige objeto direto (adotam quem ou o quê?), chegando à
resposta: adotamnas (quando o verbo terminar em “m” e usarmos um pronome oblíquo direto,
lembre-se do alfabeto: jklM – N!).

RESPOSTA: “D”.

Concordância nominal e verbal; Regência nominal e verbal

Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou
um nome (regência nominal) e seus complementos.

Regência Verbal = Termo Regente: VERBO

A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os
complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). Há verbos
que admitem mais de uma regência, o que corresponde à diversidade de significados que estesverbos
podem adquirir dependendo do contexto em que forem empregados.

A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, contentar.

A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar agrado ou prazer”, satisfazer.

Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agradar a alguém”.

Saiba que:

O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos aspectos fundamentais do estudo da


regência verbal (e também nominal). As preposições são capazes de modificar completamente o
sentido daquilo que está sendo dito.

Cheguei ao metrô.

Cheguei no metrô.

No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é o meio de transporte por mim
utilizado.

A voluntária distribuía leite às crianças.

A voluntária distribuía leite com as crianças.

Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado como transitivo direto (objeto direto: leite) e
indireto (objeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo direto (objeto direto: crianças; com
as crianças: adjunto adverbial).

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Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de acordo com sua transitividade. Esta,
porém, não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas em frases distintas.

1-) Verbos Intransitivos

Os verbos intransitivos não possuem complemento. É importante, no entanto, destacar alguns


detalhes relativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.

- Chegar, Ir

Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de lugar. Na língua culta, as preposições


usadas para indicar destino ou direção são: a, para.

- Comparecer

O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a.

Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último jogo.

2-) Verbos Transitivos Diretos

Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos diretos. Isso significa que não exigem
preposição para o estabelecimento da relação de regência. Ao empregar esses verbos, lembre-se de
que os pronomes oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes podem assumir
as formas lo, los, la, las (após formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
objetos indiretos.

São verbos transitivos diretos, dentre outros: abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar,
acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, condenar, conhecer,
conservar, convidar, defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger,
respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o
verbo amar:

Amo aquele rapaz. / Amo-o.

Amo aquela moça. / Amo-a.

Amam aquele rapaz. / Amam-no.

Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.

Observação: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para indicar posse (caso em que
atuam como adjuntos adnominais):

Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)

Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)

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Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)

3-) Verbos Transitivos Indiretos

Os verbos transitivos indiretos são complementados por objetos indiretos. Isso significa que esses
verbos exigem uma preposição para o estabelecimento da relação de regência. Os pronomes pessoais
do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para
substituir pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos
indiretos. Com os objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos
tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.

Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:

- Consistir - Tem complemento introduzido pela preposição “em”: A modernidade verdadeira


consiste em direitos iguais para todos.

- Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complementos introduzidos pela preposição “a”:

Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.

Eles desobedeceram às leis do trânsito.

- Responder - Tem complemento introduzido pela preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto
para indicar “a quem” ou “ao que” se responde.

Respondi ao meu patrão.

Respondemos às perguntas.

Respondeu-lhe à altura.

Observação: o verbo responder, apesar de transitivo indireto quando exprime aquilo a que se
responde, admite voz passiva analítica:

O questionário foi respondido corretamente.

Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.

- Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos introduzidos pela preposição “com”.

Antipatizo com aquela apresentadora.

Simpatizo com os que condenam os políticos que governam para uma minoria privilegiada.

4-) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos

Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de um objeto direto e um indireto.


Merecem destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São verbos que apresentam objeto
direto relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas.

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- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com particular cuidado:

Agradeci o presente. / Agradeci-o.

Agradeço a você. / Agradeço-lhe.

Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.

Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.

Paguei minhas contas. / Paguei-as.

Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes

Informar

- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.

Informe os novos preços aos clientes.

Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos preços)

- Na utilização de pronomes como complementos, veja as construções:

Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.

Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre eles)

Observação: a mesma regência do verbo informar é usada para os seguintes: avisar, certificar,
notificar, cientificar, prevenir.

Comparar

Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposições “a” ou “com” para introduzir o
complemento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança.

Pedir

Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente naforma de oração subordinada substantiva) e
indireto de pessoa.

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Saiba que:

- A construção “pedir para”, muito comum na linguagem cotidiana, deve ter emprego muito limitado
na língua culta. No entanto, é considerada correta quando a palavra licença estiver subentendida.

Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.

Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz uma oração subordinada adverbial final
reduzida de infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).

Preferir

Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto introduzido pela preposição “a”:

Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.

Prefiro trem a ônibus.

Observação: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem termos intensificadores, tais como:
muito, antes, mil vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente no próprio
verbo (pre).

Mudança de Transitividade - Mudança de Significado

Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade, apresentam mudança de significado. O


conhecimento das diferentes regências desses verbos é um recurso linguístico muito importante, pois
além de permitir a correta interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades expressivas a
quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão:

AGRADAR

- Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, acariciar, fazer as vontades de.

Sempre agrada o filho quando.

Aquele comerciante agrada os clientes.

- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege
complemento introduzido pela preposição “a”.

O cantor não agradou aos presentes.

O cantor não lhes agradou.

*O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto:

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O cantor desagradou à plateia.

ASPIRAR

- Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma.
(Aspirava-o)

- Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter como ambição: Aspirávamos a um emprego
melhor. (Aspirávamos a ele)

* Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes”
não são utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.

Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)

ASSISTIR

- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar assistência a, auxiliar.

As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.

As empresas de saúde negam-se a assisti-los.

- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar, estar presente, caber, pertencer.

Assistimos ao documentário.

Não assisti às últimas sessões.

Essa lei assiste ao inquilino.

*No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intransitivo, sendo acompanhado de adjunto
adverbial de lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa conturbada cidade.

CHAMAR

- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a atenção ou a presença de.

Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá chamá-la.

Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere
predicativo preposicionado ou não.

A torcida chamou o jogador mercenário.

A torcida chamou ao jogador mercenário.

A torcida chamou o jogador de mercenário.

A torcida chamou ao jogador de mercenário.

- Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:

Como você se chama? Eu me chamo José.

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CUSTAR

- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto
adverbial:

Frutas e verduras não deveriam custar muito.

- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma
oração reduzida de infinitivo.

*A Gramática Normativa condena as construções que atribuem ao verbo “custar” um sujeito


representado por pessoa:

Custei para entender o problema. = Forma correta: Custou-me entender o problema.

IMPLICAR

- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:

a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes implicavam um firme propósito.

b) ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, provocar: Uma ação implica reação.

- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em
questões econômicas.

* No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indireto e rege com preposição “com”:
Implicava com quem não trabalhasse arduamente.

NAMORAR

- Sempre transitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

OBEDECER - DESOBEDECER

- Sempre transitivo indireto:

Todos obedeceram às regras.

Ninguém desobedece às leis.

*Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos
desobedecem a elas.

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PROCEDER

- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se,
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.

As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.

Você procede muito mal.

- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento
introduzido pela preposição “a”) é transitivo indireto.

O avião procede de Maceió.

Procedeu-se aos exames.

O delegado procederá ao inquérito.

QUERER

- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter

vontade de, cobiçar.

Querem melhor atendimento.

Queremos um país melhor.

- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

VISAR

- Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.

O homem visou o alvo.

O gerente não quis visar o cheque.

- No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição
“a”.

O ensino deve sempre visar ao progresso social.

Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

ESQUECER – LEMBRAR

- Lembrar algo – esquecer algo

- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele
esqueceu o livro.

No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”.
São, portanto, transitivos indiretos:

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- Ele se esqueceu do caderno.

- Eu me esqueci da chave.

- Eles se esqueceram da prova.

- Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo
sofre leve alteração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil
encontrá-la em textos clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo,
fez uso dessa construção várias vezes. Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)

Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)

Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=momentos é sujeito)

SIMPATIZAR - ANTIPATIZAR

- São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:

Não simpatizei com os jurados.

Simpatizei com os alunos.

Importante: A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam
usados com a preposição “a”:

Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.

Cláudia desceu ao segundo andar.

Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos
por esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição.

No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente
o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos,
conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes
correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:

Obedecer a algo/ a alguém.

Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal,
ela será completiva nominal (subordinada substantiva).

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Questões
1-) (PRODAM – AUXILIAR - MOTORISTA – FUNCAB/2014) Assinale a alternativa em que a frase
segue a norma culta da
língua quanto à regência verbal.
A) Prefiro viajar de ônibus do que dirigir.
B) Eu esqueci do seu nome.
C) Você assistiu à cena toda?

D) Ele chegou na oficina pela manhã.


E) Sempre obedeço as leis de trânsito.

Comentários:
A) Prefiro viajar de ônibus do que dirigir. = prefiro viajar de ônibus a dirigir

B) Eu esqueci do seu nome. = Eu me esqueci do seu nome

C) Você assistiu à cena toda? = correta

D) Ele chegou na oficina pela manhã. = Ele chegou à oficina pela manhã

E) Sempre obedeço as leis de trânsito. = Sempre obedeço às leis de trânsito

RESPOSTA: “C”.

2-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO/SP – MÉDICO LEGISTA – VUNESP/2014 - adaptada)

Leia o seguinte trecho para responder à questão. A pesquisa encontrou um dado curioso: homens
com baixos níveis de testosterona tiveram uma resposta imunológica melhor a essa medida, similar
_______________ .

A alternativa que completa, corretamente, o texto é:

(A) das mulheres

(B) às mulheres

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(C) com das mulheres

(D) à das mulheres

(E) ao das mulheres

Comentários: Similar significa igual; sua regência equivale à da


palavra “igual”: igual a quê? Similar a quem? Similar à (subentendido: resposta imunológica) das
mulheres.

RESPOSTA: “D”.

Concordância Verbal e Nominal

Concordância verbal consiste na harmonia estabelecida entre o sujeito (considerando número e


pessoa) e o verbo empregado. Exemplos:

Eu amo quando as folhas caem no outono.

Elas amam quando as folhas caem no outono.

Lúcia e Rodrigo entraram na livraria.

Concordância nominal: acontece quando existe a harmonia em gênero (feminino ou masculino) e


número (singular ou plural) entre o substantivo e o adjetivo atribuído a ele. Exemplos:

O menino estudioso passou na prova.

Os meninos estudiosos passaram na prova.

A menina estudiosa passou na prova.

As meninas estudiosas passaram na prova.

A regra de ouro com relação à concordância nominal é a de que, um adjetivo, quando caracteriza
apenas um substantivo, concorda em gênero e número com esse substantivo. Ainda que a regra acima
seja predominante, também é possível que ocorra a concordância nominal entre um pronome ou
numeral substantivo assim como outros termos da oração que possuem relação com ele, tais como
particípios, artigos, numerais adjetivos e pronomes adjetivos.

Dúvidas específicas sobre concordância verbal

Ainda que o conteúdo de concordância verbal e nominal pareça um assunto simples, são várias as
ocasiões em que surgem dúvidas e é sobre elas que vamos falar a seguir.

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Sujeito formado por pessoas gramaticais diferentes.

O verbo vai para o plural e deve concordar com a pessoa, conforme ordem de prioridade. Exemplo:

Maurício e eu conseguimos comprar um carro.

Neste caso, a primeira pessoa do singular tem prioridade. Passando para o plural, ela equivale a nós
(nós conseguimos comprar um carro).

Sujeitos ligados por ou.

Os verbos que são ligados por “ou” devem ir para o plural nos casos em que a ação fizer referência a
todos os elementos do sujeito. Exemplos:

Balas ou chocolates desagradam a menina. Quando o “ou” é usado com a finalidade de retificação, o
verbo deve concordar com o último elemento.

Maria ou Ana ganhará mais tempo. Já quando o verbo é aplicado a somente um dos elementos, ele
deve ficar no singular.

Indicações de datas.

Há duas variações, sendo que em uma delas o verbo deve concordar com a palavra “dia”. Exemplos:

Hoje são 2 de novembro.

Hoje é dia 2 de novembro.

Sujeitos formados por sinônimos

Nessa situação, o verbo pode ir para o plural ou também ficar no singular, concordando com o núcleo
que estiver mais próximo. Exemplos:

Eficácia e agilidade destacaram aquela empresa.

Eficácia e agilidade destacou aquela empresa.

Verbos impessoais: O verbo sempre deve ser conjugado na terceira pessoa do singular. Exemplos:

Havia muitos pratos naquela mesa.

Houve dois anos sem mudanças.

Sujeitos ligados por com: O verbo vai para o plural quando é semelhante à ligação “e”. Exemplo:

A atriz com seus convidados chegaram às 7 horas.

Entretanto, quando o com representa a ideia de “em companhia de”, o verbo deve concordar com o
antecedente e o segmento “com” é grafado entre vírgulas: Exemplo:

A pintora, com todas as ajudantes, decidiu mudar a data do evento.

Sujeito formado por palavras em enumeração e graduação: o verbo pode flexionar para o plural e
também concordar com o núcleo que estiver mais próximo. Exemplos:

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Um mês, um ano, uma vida de poder não supriu a saúde.

Um mês, um ano, uma vida de poder não supriram a saúde.

Pronome relativo quem: o verbo pode ser conjugado na terceira pessoa do singular como também
pode concordar com o antecedente do pronome quem. Exemplos:

Fui eu quem falou.

Fui eu quem falei.

Sujeito seguido por tudo, nada, ninguém, nenhum, cada um

Em todos esses casos o verbo fica no singular.

Exemplo:

João, Bruna, Henrique, ninguém o convenceu de mudar a atitude.

Pronome relativo que

O verbo deve concordar com o antecedente do pronome que.

Exemplos:

Fui eu que levou.

Foi ele que levou.

Sujeitos ligados por nem.

O verbo deve ir para o plural.

Exemplo:

Nem frio nem chuva são bem recebidos na cidade.

Locuções é muito, é pouco, é mais de, é menos de.

No caso dessas locuções que se referem a peso, preço e quantidade, o verbo deve ficar sempre no
singular.

Exemplo:

Cinco vezes é muito.

Partícula “se.”

Quando a palavra se indica indeterminação do sujeito, o verbo é conjugado na terceira pessoa do


singular.

Exemplo:

Respeita-se a todos.

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Já quando a palavra se é utilizada na voz passiva, o verbo é conjugado com o sujeito da oração.

Exemplos:

Construiu-se uma empresa.

Construíram-se novas empresas.

Expressões mais de, menos de, cerca de.

De forma geral, o verbo concorda com o numeral.

Exemplos:

Mais de uma senhora quis trocar os produtos.

Mais de três pessoas chegaram.

Quando a expressão mais de é repetida indicando reciprocidade, o verbo deve ir para o plural.

Exemplo:

Mais de uma aluna se abraçaram.

Sujeitos ligados por “não só, mas também”, “tanto, quanto”, “não só, como.”

O verbo pode ir para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo.

Exemplos:

Tanto Pedro como Rebeca participaram da exposição.

Tanto Pedro como Rebeca participou da exposição.

Sujeito coletivo.

Geralmente o verbo fica no singular.

Exemplo:

A multidão ultrapassou o cercado.

Nos casos em que o coletivo estiver especificado, é possível que o verbo seja conjugado no singular
ou no plural.

Exemplos:

A multidão de pessoas ultrapassou o cercado.

A multidão de pessoas ultrapassaram o cercado.

Verbos dar, soar, bater + hora(s)

O verbo sempre concorda com o sujeito.

Exemplos:

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Soaram três horas.

Deu uma hora que espero.

Expressão “um dos que.”

O verbo pode ser conjugado no singular e também no plural.

Exemplos:

Ele foi um dos que mais contribuiu.

Ele foi um dos que mais contribuíram.

Sujeitos ligados por como, assim como, bem como

O verbo é conjugado no plural.

Exemplo:

O talento, assim como a confiança, fizeram dela uma mulher valente.

Coletivos partitivos (“grande número de”, “a maioria de”, “a maior parte de”.)

O verbo pode ser conjugado no singular ou no plural

Exemplos:

Grande número dos participantes se retirou.

Grande número dos participantes se retiraram.

Dúvidas específicas sobre concordância nominal:

Substantivos e um adjetivo

Quando há mais de um substantivo e somente um adjetivo, há duas maneiras de fazer a


concordância:

A – Nas situações em que o adjetivo vem antes dos substantivos, o adjetivo precisa concordar com o
substantivo que está mais próximo.

Exemplo:

Linda menina e bebê.

B – Quando o adjetivo vem após os substantivos, o adjetivo precisa concordar com o substantivo que
está mais próximo ou com todos os substantivos, neste caso, prevalece o masculino.

Exemplos:

Vocabulário e pronúncia perfeita.

Pronúncia e vocabulário perfeito.

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Vocabulário e pronúncia perfeitos.

Pronúncia e vocabulário perfeitos.

Adjetivos e um substantivo

Nos casos em que existe mais do que um adjetivo para um substantivo, os adjetivos precisam
concordar com gênero e número com o substantivo.

Exemplo:

Amava comida gordurosa e temperada.

QUESTÕES

1. (CESCEM–SP) Já ___ anos, ___ neste local árvores e flores. Hoje, só ___ ervas daninhas.

a) fazem, havia, existe

b) fazem, havia, existe

c) fazem, haviam, existem

d) faz, havia, existem

e) faz, havia, existe

Gabarito: alternativa d.

Comentários:

O verbo fazer impessoal (que indica tempo) sempre é conjugado na 3.ª pessoa do singular: Faz
anos.

O mesmo acontece com o verbo haver impessoal (que indica tempo ou que tem o sentido de
"existir"): Havia (existia) neste local árvores e flores.

O verbo existir, por sua vez, não é impessoal. Por esse motivo, ele deve concordar com o sujeito:
Só existem ervas daninhas.

2. (Cesgranrio) Tendo em vista as regras de concordância, assinale a opção em que a forma verbal está
errada:

a) Existem na atualidade diferentes tipos de inseticidas prejudiciais à saúde do homem.

b) Podem provocar sérias lesões hepáticas, os defensivos agrícolas à base de DDT.

c) Faltam aos países subdesenvolvidos uma legislação mais rigorosa sobre os agrotóxicos.

d) Persistem por muito tempo no meio ambiente os efeitos nocivos dos inseticidas clorados.

e) Possuem elevado grau de toxidade os defensivos do tipo fosforado.

GABARITO Alternativa c:

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Correção: Falta aos países subdesenvolvidos uma legislação mais rigorosa sobre os agrotóxicos.

O verbo deve concordar com o sujeito. É mais fácil se mudarmos a ordem da oração: Falta uma
legislação mais rigorosa sobre os agrotóxicos aos países subdesenvolvidos.

Mude a ordem das orações restantes:

a) Existem diferentes tipos de inseticidas prejudiciais à saúde do homem na atualidade .

b) Os defensivos agrícolas à base de DDT podem provocar sérias lesões hepáticas.

d) Os efeitos nocivos dos inseticidas clorados persistem por muito tempo no meio ambiente.

e) Os defensivos do tipo fosforado possuem elevado grau de toxidade .

3. (Fatec) Assinale a alternativa que completa corretamente as frases.

___ , entre analistas políticos, que, se o governo ___ essa política salarial e se o empresariado não ___
as perdas salariais ___ sérios problemas estruturais a serem resolvidos, e, quando os sindicatos ___ ,
estará instalado o caos total.

a) Comentam-se; manter; repor; haverão; intervierem.

b) Comenta-se; mantiver; repuser; haverão; intervirem.

c) Comenta-se; mantesse; repuser; haverão; intervierem.

d) Comenta-se; mantiver; repuser; haverá; intervierem.

e) Comentam-se; manter; repor; haverá; intervirem.

Gabarito: Alternativa d:

A partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito. Neste caso, o verbo deve ficar na 3.º pessoa
do singular: Comenta-se.

O verbo manter está na 3.ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo, cuja forma é mantiver: Se
o governo mantiver.

O mesmo acontece com o verbo repor, que na 3.ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo fica
repuser. Se o empresariado não repuser.

O verbo verbo haver impessoal (neste caso, com o sentido de "existir") sempre é conjugado na 3.ª
pessoa do singular: Haverá sérios problemas.

O verbo intervir está na 3.ª pessoa do plural do futuro do subjuntivo, cuja forma é intervierem:
Quando os sindicatos intervierem.

4. (FCC) A ocorrência de interferências ___ -nos a concluir que ___ uma relação profunda entre
homem e sociedade que os ___ mutuamente dependentes.

a) leva, existe, torna

b) levam, existe, tornam

c) levam, existem, tornam

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d) levam, existem, torna

e) leva, existem, tornam

GABARITO: Alternativa a:

O verbo está concordando com o sujeito: A ocorrência leva.

O verbo existir também deve concordar com o sujeito: Uma relação profunda existe.

O mesmo acontece com o verbo "tornar", concorda com o sujeito: Uma relação que torna homens
e mulheres ...

5. (FGV) Nas questões abaixo, ocorrem espaços vazios. Para preenchê-los, escolha um dos seguintes
verbos: fazer, transpor, deter, ir. Utilize a forma verbal mais adequada.

a) Se ___ dias frios no inverno, talvez as coisas fossem diferentes.

b) Quando o cavalo ___ todos os obstáculos, a corrida terminará.

c) Se o cavalo ___ mais facilmente os obstáculos, alcançaria com mais folga a linha de chegada.

d) Se a equipe econômica não se ___ nos aspectos regionais e considerar os aspectos globais, a
possibilidade de solução será maior.

e) Caso ela ___ ao jogo amanhã, deverá pagar antecipadamente o ingresso.

6. (CESGRANRIO) Há concordância nominal inadequada em:

a) clima e terras desconhecidas;

b) clima e terra desconhecidos;

c) terras e clima desconhecidas;

d) terras e clima desconhecido;

e) terras e clima desconhecidos.

GABARITO: Letra C: Na frase 'terras e clima desconhecidas', o adjetivo 'desconhecidas' está


concordando com o sujeito feminino plural 'terras' apenas. De acordo com a regra, quando o sujeito
é composto, o adjetivo deve concordar com o substantivo masculino, se houver.

Crase

A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais idênticas, relacionadas ao emprego da preposição
“a” como artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pronomes demonstrativos – aquela(s),
aquele(s), aquilo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais). Casos estes em que
tal fusão encontra-se demarcada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às quais.

O uso do acento indicativo de crase está condicionado aos nossos conhecimentos acerca da regência
verbal e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo regido. Ou seja, o termo regente é o
verbo - ou nome -que exige complemento regido pela preposição “a”, e o termo regido é aquele que
completa o sentido do termo regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).

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Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela contratada recentemente.

Após a junção da preposição com o artigo (destacados entre parênteses), temos:

Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada recentemente.

O verbo referir, de acordo com sua transitividade classifica-se como transitivo indireto, pois sempre
nos referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e com o artigo
feminino a + o pronome demonstrativo aquela (àquela).

Observações importantes:

Alguns recursos servem de ajuda para que possamos confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis
alguns:

• Substitui-se a palavra feminina por uma masculina equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s),
a crase está confirmada.

Os dados foram solicitados à diretora.

Os dados foram solicitados ao diretor.

• No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte
na expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.

Faremos uma visita à Bahia.

Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)

Não me esqueço da viagem a Roma.

Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos jamais vividos.

FIQUE ATENTO!

Nas situações em que o nome geográfico se apresentar modificado por um adjunto adnominal, a crase
está confirmada.

Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas praias.

Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo:

Vou a Campinas. = Volto de Campinas.

(crase pra quê?)

Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)

Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase. Veja:

Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”.

Irei à Salvador de Jorge Amado. A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo
receberão o acento grave se o termo regente exigir complemento regido da preposição “a”.

Entregamos a encomenda àquela menina.

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(preposição + pronome demonstrativo)

Iremos àquela reunião.

(preposição + pronome demonstrativo)

Sua história é semelhante às que eu ouvia quando criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)

(preposição + pronome demonstrativo)

A letra “a” que acompanha locuções femininas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o
acento grave:

• locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às pressas, à vontade...

• locuções prepositivas: à frente, à espera de, à procura de...

• locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que.

Cuidado: quando as expressões acima não exercerem a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:

Eu adoro a noite!

Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer

objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não preposição.

Casos passíveis de nota:

• A crase é facultativa diante de nomes próprios femininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.

• Também é facultativa diante de pronomes possessivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
empresa.

• Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja ficará aberta até as (às) dezoito horas.

• Constata-se o uso da crase se as locuções prepositivas à moda de, à maneira de apresentarem-se


implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)

• Não se efetiva o uso da crase diante da locução adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
observamos a queima de fogos a distância.

Entretanto, se o termo vier determinado, teremos uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O
pedestre foi arremessado à distância de cem metros.

• De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade -, faz-se necessário o emprego da crase.

Ensino à distância.

Ensino a distância.

• Em locuções adverbiais formadas por palavras repetidas, não há ocorrência da crase.

Ela ficou frente a frente com o agressor.

Eu o seguirei passo a passo.

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Casos em que não se admite o emprego da crase:

Antes de vocábulos masculinos.

As produções escritas a lápis não serão corrigidas.

Esta caneta pertence a Pedro.

Antes de verbos no infinitivo.

Ele estava a cantar.

Começou a chover.

Antes de numeral.

O número de aprovados chegou a cem.

Faremos uma visita a dez países.

Observações:

• Nos casos em que o numeral indicar horas – funcionando como uma locução adverbial feminina –
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove horas.

• Diante de numerais ordinais femininos a crase está confirmada, visto que estes não podem ser
empregados sem o artigo: As saudações foram direcionadas à primeira aluna da classe.

• Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quandoessa não se apresentar determinada: Chegamos
todos exaustos a casa.

Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos


todosexaustos à casa de Marcela.

• Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa indicar chão firme: Quando os navegantes
regressaram a terra, já era noite.

Contudo, se o termo estiver precedido por um determinante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá
crase.

Paulo viajou rumo à sua terra natal.

O astronauta voltou à Terra.

• Não ocorre crase antes de pronomes que requerem o uso do artigo.

Os livros foram entregues a mim.

Dei a ela a merecida recompensa.

• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos à senhora, senhorita e madame admitirem artigo,
o uso da crase está confirmado no “a” que os antecede, no caso de o termo regente exigir a preposição.
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.

• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado em sentido genérico ou indeterminado:
Estamos sujeitos a críticas.

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Refiro-me a conversas paralelas.

EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017)

O acentoindicativo de crase está empregado corretamente em:

a) O personagem evita considerar à internet responsável por suas atitudes.


b) O personagem reconheceu que já tinha uma propensão à jogar o tempo fora.
c) O personagem tinha um comportamento indiferente àqualquer influência da internet.
d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar com relação ao tempo.
e) O personagem revelou à pessoa com quem conversava que jogava o tempo fora.

Resposta: Letra E. Aos itens: Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto
direto)

Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem acento grave indicativo de crase antes de verbo
no infinitivo)

Em “c”, tinha um comportamento indiferente à qualquer influência = a qualquer (antes de pronome


indefinido)

Em “d”, refere-se à uma maneira = a uma (antes de artigo indefinido)

Em “e”, O personagem revelou à pessoa com quem conversava que jogava o tempo fora = revelou o
quê? que jogava o tempo fora; revelou a quem? à pessoa (objeto indireto, com preposição) = correta.

2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir.

Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de atendimento _____ presos da Casa de Detenção, em
São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao fim de
uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de “Estação Carandiru” (1999), que mostra ________
entranhas daquela que foi ________maior prisão da América Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre
os funcionários que trabalham no sistema prisional, Varella agora faz um retrato das detentas da
Penitenciária Feminina da Capital, também na capital paulista, onde cumprem pena mais de duas mil
mulheres. (https://oglobo.globo.com. Adaptado).

a) à … às … a

b) a … as … a

c) a … às … a

d) à … às … à

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e) a … as … à

Resposta: Letra B. Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de atendimento a (preposição –


regência nominal de “atendimento”, mas sem acento grave por
estar diante de palavra masculina) presos da Casa de Detenção, em São Paulo, o médico oncologista
Drauzio Varella chega ao fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de “Estação Carandiru”
(1999), que mostra as (objeto direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela que foi a (artigo definido)
maior prisão da América Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que trabalham no
sistema prisional, Varella agora faz um retrato das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
também na capital paulista, onde cumprem pena mais de duas mil mulheres. Teremos: a / as / a.

3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP – OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO –


VUNESP-2018)

Assinale a alternativa em que o acento indicativo de crase está empregado corretamente.

a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer com dores de cabeça.

b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à episó- dios de nosso passado.

c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas pessoas.

d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente os momentos dolorosos.

e) Ao nos atermos à uma experiência ruim, desconsideramos o que ela traz de bom.

Resposta: Letra D. Aos itens: Em “a”, chegam à sofrer = a sofrer (antes de verbo no
infinitivo não se usa acento grave).

Em “b”, que nos fazem voltar à episódios = a episódios (palavra masculina e no plural)

Em “c”, pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas = a determinadas (palavra no plural e
presença só da preposição)

Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se refere, refere-se a algo ou a alguém).

Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma (antes de artigo indefinido).

4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL - VUNESP-2018)

De acordo com a norma- -padrão, o acento indicativo da crase está corretamente empregado em:

a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão detalento: quem não tem, não vai nunca
aprender.

b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada pela clareza e precisão, afastando o leitor da
confusão ou tédio.

c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como um tecido coeso e claro, instigando, assim, o
leitor.

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d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões semelhantes, no entanto elas seguem pelo lado
oposto.

e) Também não estamos falando só de correção gramatical e ortográfica. Estamos nos referindo à
pensamento.

Resposta: Letra A. Em “a”, O leitor aludiu à escrita =correta (regência do verbo “aludir” pede
preposição)

Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a uma (antes de artigo indefinido)
Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre palavras repetidas)

Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões = a conclusões (antes de palavra no plural
e o “a” está “sozinho” = somente preposição)

Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a pensamento (palavra masculina)

5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES-SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO -


VUNESP-2018)

No começo do século 20, a rápida industrialização nos Estados Unidos deu origem _______ algumas
das maiores fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vanderbilt e os Rockefeller investiram em
ferrovias, petróleo e aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________ ostentar sua riqueza. O
período ficou conhecido como Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até
agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia de serviços financeiros, feito em parceria com
a consultora PwC.

Para os autores do documento, a primeira Era Dourada aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a
atual começou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10 a 20 anos, prolongada pelo desempenho
econômico da Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
(IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado) Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser
preenchidas, respectivamente, com:

a) a … a … a

b) à … à … à

c) a … à … à

d) à … à … a

e) a … a … à

Resposta: Letra E. Vamos aos trechos: a rápida industrialização nos Estados Unidos deu origem a
algumas das maiores fortunas = antes de pronome indefinido e passaram a ostentar sua riqueza =
antes de verbo no infinitivo e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal de “ligados” pede
preposição

6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -VUNESP-2017)

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Assinale a alternativa correta quanto aoemprego do acento indicativo da crase.

a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quaischegam à um grande público devido à rapidez
da internet, é favorável à formação de ondas de credulidade.

b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam à muitas pessoas devido a rapidez da
internet, favorece que se formem ondas de credulidade.

c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais chegam a muitas pessoas devido à rapidez da
internet, é favorável à formação de ondas de credulidade.

d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam a um grande número de pessoas devido
à rapidez da internet, é favorável as ondas de credulidade que se formam.

e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais chegam a muitas pessoas devido a rapidez da
internet, favorece à formação de ondas de credulidade.

Resposta: Letra C Acertos entre parênteses: Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público
devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à formação (ok)

Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas) pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet

Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet, é favorável à formação =
correta

Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande número de pessoas devido à rapidez (ok) da
internet, é favorável as ondas (às ondas)

Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok) pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet,
favorece à formação (a formação) Observação: quanto à regência verbal de “favorecer” = pede
complemento verbal direto (favorece o quê? favorece quem?); já a regência nominal de “favorá- vel”
pede preposição (favorável a quem? a quê?).

Uso dos sinais de pontuação; Semântica: sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia;


Polissemia (denotação e conotação)
Pontuação

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem para compor a coesão e a
coerência textual, além de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Um texto
escrito adquire diferentes significados quando pontuado de formas diversificadas. O uso da
pontuação depende, em certos momentos, da intenção do autor do discurso. Assim, os sinais
de pontuação estão diretamente relacionados ao contexto e ao interlocutor.
Principais funções dos sinais de pontuação
Ponto (.)
1- Indica o término do discurso ou de parte dele, encerrando o período.
2- Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Companhia). Se a palavra abreviada aparecer

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em final de período, este não receberá outro ponto; neste caso, o ponto de abreviatura marca,
também, o fim de período. Exemplo:
Estudei português, matemática, constitucional, etc. (e não “etc..”)
3- Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do ponto, assim como após o nome do autor
de uma citação:
Haverá eleições em outubro
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
4- Os números que identificam o ano não utilizam ponto nem devem ter espaço a separá-los,
bem como os números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
Ponto e Vírgula ( ; )
1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma importância: “Os pobres dão pelo pão
o trabalho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os
de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA).
2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e
calor; outros, montanhas, frio e cobertor.
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, decreto de lei, etc.
Ir ao supermercado;
Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.
Dois pontos (:)
1- Antes de uma citação
Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
2- Antes de um aposto
Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a rotina de sempre.
4- Em frases de estilo direto
Maria perguntou: - Por que você não toma uma decisão?
Ponto de Exclamação (!)

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1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc.


Sim! Claro que eu quero me casar com você!
2- Depois de interjeições ou vocativos
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo!
Ponto de Interrogação (?)
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)
Reticências (...)
1- Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, canetas, cadernos...
2- Indica interrupção violenta da frase.
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida:
Este mal... pega doutor?
4- Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, depois, o coração falar...
Vírgula (,)
Não se usa vírgula:
* separando termos que, do ponto de vista sintático,
ligam-se diretamente entre si:

Usa-se a vírgula:
- Para marcar intercalação:
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.

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b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades
de alimentos.
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas
vantagens, isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.
- Para marcar inversão:
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo:
Aos pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de 1982.
- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em enumeração):
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
- Para marcar elipse (omissão) do verbo:
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
- Para isolar:
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, possui um trânsito caótico.
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Observações:

- Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão latina et cetera, que significa “e


outras coisas”, seria dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo ortográfico
em vigor no Brasil exige que empreguemos etc. Precedido de vírgula: Falamos de política,
futebol, lazer, etc.
- As perguntas que denotam surpresa podem ter combinados o ponto de interrogação e o de
exclamação: Você falou isso para ela?!
- Temos, ainda, sinais distintivos:
1-) a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separação de siglas (IOF/UPC);
2-) os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como
primeira opção aos parênteses, principalmente na matemática;

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3-) o asterisco ( * ) = usado para remeter o leitor a uma nota de rodapé ou no fim do livro,
para substituir um nome que não se quer mencionar.

Questões

1-) (SAAE/SP - FISCAL LEITURISTA - VUNESP - 2014)

Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, a pontuação está correta em:


A) Hagar disse, que não iria.
B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir, bifes e lagostas, aos vizinhos.
C) Chegou, o convite dos Stevensens, bife e lagostas: para Hagar e Helga
D) “Eles são chatos e, nunca param de falar”, disse, Hagar à Helga.
E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos Stevensens, para jantar bifes e
lagostas.

Comentários:
A) Hagar disse que não iria. = não há vírgula entre verbo e seu complemento (objeto)
B) Naquela noite os Stevensens prometeram servir bifes e lagostas aos vizinhos. = não há
vírgula entre verbo e seu complemento (objeto)
C) Chegou o convite dos Stevensens: bife e lagostas para Hagar e Helga.
D) “Eles são chatos e nunca param de falar”, disse Hagar à Helga.

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E) Helga chegou com o recado: fomos convidados, pelos Stevensens, para jantar bifes e
lagostas.
RESPOSTA: “E”.

2-) (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – MÉDICO DO TRABALHO – CESPE)


A correção gramatical do trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as mais
comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se inserisse uma vírgula logo após a palavra
“vinhos”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Comentários:
Não se deve colocar vírgula entre sujeito e predicado, a não ser que se trate de um aposto (1),
predicativo do sujeito (2), ou algum termo que requeira estar separado entre pontuações.
Exemplos:
O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa!
Os meninos, ansiosos (2), chegaram!
RESPOSTA: “CERTO”.

3-) (PRODAM/AM – ASSISTENTE – FUNCAB) Em apenas uma das opções a vírgula foi
corretamente empregada. Assinale-a.
A) No dia seguinte, estavam todos cansados.
B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas.
C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas perplexas.
D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e fundamental.

E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em pequena parte do território.

Comentários:
A) No dia seguinte, estavam todos cansados. = correta
B) Romperam a fita da vitória, os dois atletas = não se
separa sujeito do predicado (o sujeito está no final).
C) Os seus hábitos estranhos, deixavam as pessoas perplexas = não se separa sujeito do
predicado.

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D) A luta em defesa dos mais fracos, é necessária e fundamental = não se separa sujeito do
predicado.
E) As florestas nativas do Brasil, sobrevivem em pequena parte do território. = não se separa
sujeito do predicado
RESPOSTA: “A”
Semântica é o estudo da significação das palavras e das suas mudanças de significação através
do tempo ou em determinada época. A maior importância está em distinguir sinônimos e
antônimos (sinonímia / antonímia) e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
Sinônimos
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - abecedário; brado, grito - clamor;
extinguir, apagar - abolir.
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são substituíveis, uma pela outra, em
qualquer contexto (cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quando,
ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela outra, em determinado enunciado
(aguardar e esperar).
Observação: A contribuição greco-latina é responsável pela existência de numerosos pares de
sinônimos: adversário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo; transformação e metamorfose;
oposição e antítese.

Antônimos
São palavras que se opõem através de seu significado: ordem - anarquia; soberba - humildade;
louvar - censurar; mal - bem.
Observação: A antonímia pode se originar de um prefixo de sentido oposto ou negativo:
bendizer e maldizer; simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo
e inativo; esperar e desesperar; comunista e anticomunista; simétrico e assimétrico.
Homônimos e Parônimos
- Homônimos = palavras que possuem a mesma grafia ou a mesma pronúncia, mas
significados diferentes. Podem ser
a) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia:
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher (subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo);
denúncia (subst.) e denuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).
b) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita:

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acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmonizar) e consertar (reparar); cela


(compartimento) e sela (arreio); censo (recenseamento) e senso (juízo); paço (palácio) e passo
(andar).
c) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou perfeitas): São palavras iguais na escrita e
na pronúncia:
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
- Parônimos = palavras com sentidos diferentes, porém de formas relativamente próximas.
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (receptáculo de vime; cesta de
basquete/esporte) e sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre) e iminente (que está
para ocorrer), osso (substantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ ou verbo “ser” no
imperativo) e cede (verbo), comprimento (medida) e cumprimento (saudação), autuar
(processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e infringir (violar), deferir (atender a) e diferir
(divergir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender (conhecer) e apreender (assimilar;
apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato
(procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à superfície) e imergir (mergulhar, afundar).
Hiperonímia e Hiponímia
Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem a um mesmo campo semântico (de
sentido), sendo o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o hiperônimo, mais
abrangente.

O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipônimo, criando, assim, uma relação de


dependência semântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hiperonímia com carros,
já que veículos é uma palavra de significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
Veículos é um hiperônimo de carros.
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em quaisquer contextos, mas o oposto não é
possível. A utilização correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita a repetição
desnecessária de termos.
Denotação e Conotação
Exemplos de variação no significado das palavras:
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido literal)
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido figurado)
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
As variações nos significados das palavras ocasionam o sentido denotativo (denotação) e o
sentido conotativo (conotação) das palavras.

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Denotação
Uma palavra é usada no sentido denotativo quando apresenta seu significado original,
independentemente do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado mais objetivo
e comum, aquele imediatamente reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro
significado que aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra.
A denotação tem como finalidade informar o receptor da mensagem de forma clara e objetiva,
assumindo um caráter prático. É utilizada em textos informativos, como jornais,
regulamentos, manuais de instrução, bulas de medicamentos, textos científicos, entre outros.
A palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas um pedaço de madeira.
Outros exemplos:
O elefante é um mamífero.
As estrelas deixam o céu mais bonito!
Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando apresenta diferentes significados, sujeitos
a diferentes interpretações, dependendo do contexto em que esteja inserida, referindo-se a
sentidos, associações e ideias que vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma é utilizada, assumindo um sentido
figurado e simbólico. Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido conotativo ela pode
significar castigo (dar-lhe um pau), reprovação (tomei pau no concurso).

A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da mensagem, através


da expressividade e afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa linguagem
poética e na literatura, mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em
anúncios publicitários, entre outros. Exemplos:
Você é o meu sol!
Minha vida é um mar de tristezas.
Você tem um coração de pedra!
* Dica: Procure associar Denotação com Dicionário: trata-se de definição literal, quando o
termo é utilizado com o sentido que consta no dicionário.
Polissemia
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir multiplicidade de sentidos, que só se
explicam dentro de um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, mas que abarca
um grande número de significados dentro de seu próprio campo semântico.
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebemos que o prefixo “poli” significa
multiplicidade de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-se em consideração as

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situações de aplicabilidade. Há uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a


ocorrência da polissemia:
O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua sobrevivência
O passarinho foi atingido no bico.
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de computadores e rede elétrica, por
exemplo, temos em comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de
“entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, que pode ser utilizada representando
“tecido”, “prisão” ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões é o formato
quadriculado que têm.
Polissemia e homonímia
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante comum. Quando a mesma palavra
apresenta vários significados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando
duas ou mais palavras com origens e significados distintos têm a mesma grafia e fonologia,
temos uma homonímia.
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode significar uma fruta ou uma parte de
uma camisa. Não é polissemia porque os diferentes significados para a palavra “manga” têm
origens diferentes. “Letra” é uma palavra polissêmica: pode significar o elemento básico do
alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os
diferentes significados estão interligados porque remetem para o mesmo conceito, o da
escrita.
Polissemia e ambiguidade
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na interpretação. Na língua portuguesa,
um enunciado pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpretação. Esta
ambiguidade pode ocorrer devido à colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são felizes.
Neste caso podem existir duas interpretações diferentes:
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são felizes porque têm uma
alimentação equilibrada.

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De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode induzir uma pessoa a fazer mais
do que uma interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito importante saber qual
o contexto em que a frase é proferida.
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção do enunciado pode gerar ambiguidade
ou, até mesmo, comicidade. Repare na figura abaixo:

Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, mas duas seriam:


Corte e coloração capilar
ou
Faço corte e pintura capilar.
Figura de Linguagem, Pensamento e Construção
Figura de Palavra
A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego
figurado, simbólico, seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma
associação, uma comparação, uma similaridade.
Estes dois conceitos básicos - contiguidade e similaridade - permitem-nos reconhecer dois
tipos de figuras de palavras: a metáfora e a metonímia.
Metáfora
Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma
relação real, mas em virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e percebe
entre elas certas semelhanças. É o emprego da palavra fora de seu sentido normal.
Observação: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento
comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes.

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Neste exemplo não há mais uma comparação (note a ausência da partícula comparativa), e
sim símile, ou seja, qualidade do que é semelhante.
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me.
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Esta é a verdadeira metáfora.
Observe outros exemplos:
1) “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pessoa)
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de
semelhança entre um rio subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a fluidez,
a profundidade, a inatingibilidade, etc.).
2) Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum.
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso
dessa expressão que indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente inútil), há
uma comparação subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma
estrada de terra que leva a lugar algum.
A Amazônia é o pulmão do mundo.
Em sua mente povoa só inveja.
Metonímia
É a substituição de um nome por outro, em virtude de existir entre eles algum relacionamento.
Tal substituição pode acontecer dos seguintes modos:
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (= Gosto de ler a obra literária de Machado
de Assis).
2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As lâmpadas iluminam o mundo).
3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz. (= Não te afastes da religião).
4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso Havana. (= Fumei um saboroso charuto).
5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Só- crates tomou veneno).
6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho. (= Moro no campo e como o
alimento que produzo).
7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Bebeu todo o líquido que estava no
cálice).
8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores. (= Os
repórteres foram atrás dos jogadores).

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9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente. (= Várias pessoas passavam
apressadamente).
10 - Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo. (= Os homens pensam
e sofrem nesse mundo).
11 - Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos. (= As
mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher).
12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= Minha filha adora o iogurte que é da
marca Danone).
13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns astronautas foram à Lua).
14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado. (= A justiça ficará do teu
lado).
Saiba que: Sinédoque se relaciona com o conceito de extensão (como nos exemplos 9, 10 e
11, acima), enquanto que a metonímia abrange apenas os casos de analogia ou de relação.
Não há necessidade, atualmente, de se fazer distinção entre ambas as figuras.
Catacrese
Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, cristalizou-se. A catacrese costuma
ocorrer quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro
“emprestado”.
Assim, passamos a empregar algumas palavras fora de seu sentido original. Exemplos: “asa da
xícara”, “batata da perna”, “maçã do rosto”, “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do
abacaxi”.
Perífrase ou Antonomásia
Trata-se de uma expressão que designa um ser através de alguma de suas características ou
atributos, ou de um fato que o celebrizou. É a substituição de um nome por outro ou por uma
expressão que facilmente o identifique:
A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua atraindo visitantes do mundo todo.
A Cidade-Luz (=Paris)
O rei das selvas (=o leão)
Observação: quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o nome de antonomásia.
Exemplos:
O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida praticando o bem.
O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito jovem.

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O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.


Sinestesia
Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sensações percebidas por diferentes órgãos
do sentido. É o cruzamento de sensações distintas.
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil)
No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; escuro =
visual)
Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
Antítese
Consiste no emprego de palavras que se opõem quanto ao sentido. O contraste que se
estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se
conseguiria com a exposição isolada dos mesmos. Observe os exemplos:
“O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
O corpo é grande e a alma é pequena.
“Quando um muro separa, uma ponte une.”
Não há gosto sem desgosto.
Paradoxo ou oximoro
É a associação de ideias, além de contrastantes, contraditórias. Seria a antítese ao extremo.
Era dor, sim, mas uma dor deliciosa.

Ouvimos as vozes do silêncio.


Eufemismo
É o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para comunicar
alguma coisa áspera, desagradável ou chocante.
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (= morreu)
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)
Faltar à verdade. (= mentir)
Ironia
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário do que as palavras ou frases expressam,
geralmente apresentando intenção sarcástica. A ironia deve ser muito bem construída para

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que cumpra a sua finalidade; mal construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à
desejada pelo emissor.
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota mínima.
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.
O governador foi sutil como um elefante.
Hipérbole
É a expressão intencionalmente exagerada com o intuito de realçar uma ideia.
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac)
O concurseiro quase morre de tanto estudar!
Prosopopeia ou Personificação
É a atribuição de ações ou qualidades de seres animados a seres inanimados, ou características
humanas a seres não humanos. Observe os exemplos:
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
Chora, violão.
Apóstrofe
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa personificada, de acordo com o
objetivo do discurso, que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo
chamamento do receptor da mensagem, seja ele imaginá- rio ou não. A introdução da
apóstrofe interrompe a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim a entidade a
que se dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência com tal invocação. Realiza-se por
meio do vocativo.
Exemplos:
Moça, que fazes aí parada?
“Pai Nosso, que estais no céu”
Deus, ó Deus! Onde estás?
Gradação

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Apresentação de ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem ascendente


(clímax) ou descendente (anticlímax). Observe este exemplo:
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões...
O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dosolhos de Joana. Para chegar a este
detalhe, ele se refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos.
Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem decrescente de intensidade. Outros
exemplos:
“Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor”. (Olavo Bilac)
“O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
As figuras de construção (ou sintática, de sintaxe) ocorrem quando desejamos atribuir maior
expressividade ao significado. Assim, a lógica da frase é substituída pela maior expressividade
que se dá ao sentido.
Elipse
Consiste na omissão de um ou mais termos numa ora- ção e que podem ser facilmente
identificados, tanto por elementos gramaticais presentes na própria oração, quanto pelo
contexto.
A catedral da Sé. (a igreja catedral)
Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao estádio)
Zeugma
Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita a omissão de um termo já mencionado
anteriormente.
Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de português)
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só modernos. (só havia móveis)
Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
Silepse
A silepse é a concordância que se faz com o termo que não está expresso no texto, mas, sim,
subentendido. É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz com um termo oculto,
facilmente identificado. Há três tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.
Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino e feminino. Ocorre a silepse de gênero quando
a concordância se faz com a ideia que o termo comporta. Exemplos:
1) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o calor intenso.

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Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando com o termo Porto Velho, que
gramaticalmente pertence ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo (a cidade
de Porto Velho).
2) Vossa Excelência está preocupado.
O adjetivo preocupado concorda com o sexo da pessoa, que nesse caso é masculino, e não
com o termo Vossa Excelência.
Silepse de Número - Os números são singular e plural. A silepse de número ocorre quando o
verbo da oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da oração, mas com a ideia que
nele está contida. Exemplos:
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade de Salvador.
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.
Note que nos exemplos acima, os verbos andaram e gritavam não concordam
gramaticalmente com os sujeitos das orações (que se encontram no singular, procissão e
povo, respectivamente), mas com a ideia que neles está contida. Procissão e povo dão a ideia
de muita gente, por isso que os verbos estão no plural.
Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais:
eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles (as três do plural). A silepse de pessoa
ocorre quando há um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não concorda com o
sujeito da oração, mas sim com a pessoa que está inscrita no sujeito. Exemplos:

O que não compreendo é como os brasileiros persistamos em aceitar essa situação.


Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho.
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins públicos.” (Machado de Assis)
Observe que os verbos persistamos, temos e somos não concordam gramaticalmente com os
seus sujeitos (brasileiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira pessoa), mas com a
ideia que neles está contida (nós, os brasileiros, os agricultores e os cariocas).

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Polissíndeto / Assíndeto
Para estudarmos as duas figuras de construção é necessário recordar um conceito estudado
em sintaxe sobre período composto. No período composto por coordenação, podemos ter
orações sindéticas ou assindéticas. A oração coordenada ligada por uma conjunção
(conectivo)
é sindética; a oração que não apresenta conectivo é assindética. Recordado esse conceito,
podemos definir as duas figuras de construção:
1) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela repetição enfática dos conectivos. Observe o
exemplo: O menino resmunga, e chora, e grita, e ninguém faz nada.
2) Assíndeto - É uma figura caracterizada pela ausência, pela omissão das conjunções
coordenativas, resultando no uso de orações coordenadas assindéticas. Exemplos:
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
“Vim, vi, venci.” (Júlio César)
Pleonasmo
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as mesmas palavras ou não. A finalidade do
pleonasmo é realçar a ideia, torná-la mais expressiva.
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo.
Nesta oração, os termos “o problema da violência” e “lo” exercem a mesma função sintática:
objeto direto. Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o pronome “lo”
classificado como objeto direto pleonástico. Outro exemplo:
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome “lhes” exerce a função de
objeto indireto pleonástico.
Observação: o pleonasmo só tem razão de ser quando confere mais vigor à frase; caso
contrário, torna-se um pleonasmo vicioso:
Vi aquela cena com meus próprios olhos.
Vamos subir para cima.
Ele desceu pra baixo.
Anáfora
É a repetição de uma ou mais palavras no início de várias frases, criando, assim, um efeito de
reforço e de coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em causa é posta em destaque,

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permitindo ao escritor valorizar determinado elemento textual. Os termos anafóricos podem


muitas vezes ser substituídos por pronomes.
Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te conhecia.
“Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.” (Padre Vieira)
Anacoluto
Consiste na mudança da construção sintática no meio da frase, ficando alguns termos
desligados do resto do período. É a quebra da estrutura normal da frase para a introdução de
uma palavra ou expressão sem nenhuma ligação sintática com as demais.
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
Morrer, todo haveremos de morrer.
Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo, deveria exercer a função de sujeito. No
entanto, há uma interrupção da frase e esta expressão fica à parte, não exercendo nenhuma
função sintática. O anacoluto também é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde a
uma interrupção na sequência lógica do pensamento.
Observação: o anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva em casos muito especiais.
Em geral, evite-o.
Hipérbato / Inversão
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da ordem direta dos termos da oração,
fazendo com que o sujeito venha depois do predicado:
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio)
Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas)
* Observação:
O nosso Hino Nacional é um exemplo de hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos:
“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.
Figuras de Som
Aliteração - Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo
ou como efeito sonoro significativo.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

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Assonância - Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos:


“Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.”
Onomatopéia - Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da
realidade:
Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.

Questões

1-) (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR


ESPECIALIZADO EM BIBLIOTECONOMIA – FGV - adaptada) Ao dizer que os shoppings são
“cidades”, o autor do texto faz uso de um tipo de linguagem figurada denominada
(A) metonímia.
(B) eufemismo.
(C) hipérbole.
(D) metáfora.

(E) catacrese.

Comentários: A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional


(denotativo) e transportá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de
uma comparação implícita, de uma similaridade existente entre as duas.

RESPOSTA: “D”.

2-) (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS –


CONPASS
Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

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A) metonímia
B) prosopopeia
C) hipérbole
D) eufemismo

E) onomatopeia

Comentários: “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos
agressiva, para comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da
tirinha, é utilizada a expressão “deram suas vidas por nós” no lugar de “que morreram por
nós”.
RESPOSTA: “D”.

3-) (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/ UFAL/) Está tão quente que dá para
fritar um ovo no asfalto. O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem.
Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário do dia em que o calor é mais intenso, a
temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a 65ºC. Para fritar
um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.
O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa
uma figura de linguagem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?
A) Eufemismo.
B) Hipérbole.
C) Paradoxo.
D) Metonímia.

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E) Hipérbato.

Comentários: A expressão é um exagero! Ela serve apenas para representar o calor excessivo
que está fazendo. A figura que é utilizada “mil vezes” (!) para atingir tal objetivo é a hipérbole.
RESPOSTA: “B”.

Redação de correspondÍncias oficiais.


Conceito

Entende-se por Redação Oficial o conjunto de normas e práticas que devem reger a emissão
dos atos normativos e comunicações do poder público, entre seus diversos organismos ou nas
relações dos órgãos públicos com as entidades e os cidadãos.

A Redação Oficial inscreve‑se na confluência de dois universos distintos: a forma rege‑se pelas
ciências da linguagem (morfologia, sintaxe, semântica, estilística etc.); o conteúdo submete‑se
aos princípios jurídico‑administrativos impostos à União, aos Estados e aos Municípios, nas
esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Pertencente ao campo da linguagem escrita, a Redação Oficial deve ter as qualidades e


características exigidas do texto escrito destinado à comunicação impessoal, objetiva, clara,
correta e eficaz.

Por ser “oficial”, expressão verbal dos atos do poder público, essa modalidade de redação ou
de texto subordina‑se aos princípios constitucionais e administrativos aplicáveis a todos os
atos da administração pública, conforme estabelece o artigo 37 da Constituição Federal:

“A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eifciência ( ... )”.

A forma e o conteúdo da Redação Oficial devem convergir na produção dos textos dessa
natureza, razão pela qual, muitas vezes, não há como separar uma do outro. Indicam‑se, a
seguir, alguns pressupostos de como devem ser redigidos os textos oficiais.

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Padrão culto do idioma

A redação oficial deve observar o padrão culto do idioma quanto ao léxico (seleção vocabular),
à sintaxe (estrutura gramatical das orações) e à morfologia (ortografa, acentuação gráfica
etc.).

Por padrão culto do idioma deve‑se entender a língua referendada pelos bons gramáticos e
pelo uso nas situações formais de comunicação. Devem‑se excluir da Redação Oficial a
erudição minuciosa e os preciosismos vocabulares que criam entraves inúteis à compreensão
do significado. Não faz sentido usar “perfunctório” em lugar de “superficial” ou “doesto” em
vez de “acusação” ou “calúnia”. São descabidos também as citações em língua estrangeira e
os latinismos, tão ao gosto da linguagem forense. Os manuais de Redação Oficial, que vários
órgãos têm feito publicar, são unânimes em desaconselhar a utilização de certas formas
sacramentais, protocolares e de anacronismos que ainda se leem em documentos oficiais,
como: “No dia 20 de maio, do ano de 2011 do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que
permanecem nos registros cartorários antigos.

Não cabem também, nos textos oficiais, coloquialismos, neologismos, regionalismos, bordões
da fala e da linguagem oral, bem como as abreviações e imagens sígnicas comuns na
comunicação eletrônica.

Diferentemente dos textos escolares, epistolares, jornalísticos ou artísticos, a Redação Oficial


não visa ao efeito estético nem à originalidade. Ao contrário, impõe uniformidade,
sobriedade, clareza, objetividade, no sentido de se obter a maior compreensão possível com
o mínimo de recursos expressivos necessários. Portarias lavradas sob forma poética,
sentenças e despachos escritos em versos rimados pertencem ao “folclore”
jurídico‑administrativo e são prática inaceitáveis nos textos oficiais. São também inaceitáveis
nos textos oficiais os vícios de linguagem, provocados por descuido ou ignorância, que
constituem desvios das normas da língua‑padrão. Enumeram‑se, a seguir, alguns desses
vícios:

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- Barbarismos: São desvios:

‑ da ortografa: “advinhar” em vez de adivinhar; “excessão” em vez de exceção.

‑ da pronúncia: “rúbrica” em vez de rubrica.

‑ da morfologia: “interviu” em vez de interveio.

‑ da semântica: desapercebido (sem recursos) em vez de despercebido (não percebido, sem


ser notado).

‑ pela utilização de estrangeirismos: galicismo (do francês): “mise‑en‑scène” em vez de


encenação; anglicismo (do inglês): “delivery” em vez de entrega em domicílio.

- Arcaísmos: Utilização de palavras ou expressões ana‑ crônicas, fora de uso. Ex.: “asinha” em
vez de ligeira, de pressa.

- Neologismos: Palavras novas que, apesar de forma das de acordo com o sistema morfológico
da língua, ainda não foram incorporadas pelo idioma. Ex.: “imexível” em vez de imóvel, que
não se pode mexer; “talqualmente” em vez

de igualmente.

- Solecismos: São os erros de sintaxe e podem ser:

‑ de concordância: “sobrou” muitas vagas em vez de sobraram.

‑ de regência: os comerciantes visam apenas “o lucro” em vez de ao lucro.

‑ de colocação: “não tratava‑se” de um problema sério em vez de não se tratava.

- Ambiguidade: Duplo sentido não intencional. Ex.: O desconhecido falou‑me de sua mãe.
(Mãe de quem? Do desconhecido? Do interlocutor?)

- Cacófato: Som desagradável, resultante da junção de duas ou mais palavras da cadeia da


frase. Ex.: Darei um prêmio por cada eleitor que votar em mim (por cada e porcada).

- Pleonasmo: Informação desnecessariamente redundante. Exemplos: As pessoas pobres, que


não têm dinheiro, vivem na miséria; os moralistas, que se preocupam com a moral, vivem
vigiando as outras pessoas.

A Redação Oficial supõe, como receptor, um operador linguístico dotado de um repertório


vocabular e de uma articulação verbal minimamente compatíveis com o registro médio da
linguagem. Nesse sentido, deve ser um texto neutro, sem facilitações que intentem suprir as
deficiências cognitivas de leitores precariamente alfabetizados.

Como exceção, citam‑se as campanhas e comunicados destinados a públicos específicos, que


fazem uma aproximação com o registro linguístico do público‑alvo. Mas esse é um campo que

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refoge aos objetivos deste material, para se inserir nos domínios e técnicas da propaganda e
da persuasão.

Se o texto oficial não pode e não deve baixar ao nível de compreensão de leitores
precariamente equipados quanto à linguagem, fica evidente o falo de que a alfabetização e a
capacidade de apreensão de enunciados são condições inerentes à cidadania. Ninguém é
verdadeiramente cidadão se não consegue ler e compreender o que leu. O domínio do idioma
é equipamento indispensável à vida em sociedade.

Impessoalidade e Objetividade

Ainda que possam ser subscritos por um ente público (funcionário, servidor etc.), os textos
oficiais são expressão do poder público e é em nome dele que o emissor se comunica, sempre
nos termos da lei e sobre atos nela fundamentados.

Não cabe na Redação Oficial, portanto, a presença do “eu” enunciador, de suas impressões
subjetivas, sentimentos ou opiniões. Mesmo quando o agente público manifesta‑se em
primeira pessoa, em formas verbais comuns como: declaro, resolvo, determino, nomeio,
exonero etc., é nos termos da lei que ele o faz e é em função do cargo que exerce que se
identifica e se manifesta.

O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteúdo, o objeto da informação. A


impessoalidade contribui para a necessária padronização, reduzindo a variabilidade da
linguagem a certos padrões, sem o que cada texto seria suscetível de inúmeras interpretações.

Por isso, a Redação Oficial não admite adjetivação. O adjetivo, ao qualificar, exprime opinião
e evidencia um juízo de valor pessoal do emissor. São inaceitáveis também a pontuação
expressiva, que amplia a significação (! ... ), ou o emprego de interjeições (Oh! Ah!), que
funcionam como índices do envolvimento emocional do redator com aquilo que está
escrevendo.

Se nos trabalhos artísticos, jornalísticos e escolares o estilo individual é estimulado e serve


como diferencial das qualidades autorais, a função pública impõe a despersonalização do
sujeito, do agente público que emite a comunicação. São inadmissíveis, portanto, as marcas
individualizadoras, as ousadias estilísticas, a linguagem metafórica ou a elíptica e alusiva. A
Redação Oficial prima pela denotação, pela sintaxe clara e pela economia vocabular, ainda
que essa regularidade imponha certa “monotonia burocrática” ao discurso. Reafirma‑se que
a intermediação entre o emissor e o receptor nas Redações Oficiais é o código linguístico,
dentro do padrão culto do idioma; uma linguagem “neutra”, referendada pelas gramáticas,
dicionários e pelo uso em situações formais, acima das diferenças individuais, regionais, de
classes sociais e de níveis de escolaridade.

Formalidade e Padronização

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As comunicações oficiais impõem um tratamento polido e respeitoso. Na tradição


ibero‑americana, afeita a títulos e a tratamentos reverentes, a autoridade pública revela sua
posição hierárquica por meio de formas e de pronomes de tratamento sacramentais.
“Excelentíssimo”, “Ilustríssimo”, “Meritíssimo”, “Reverendíssimo” são vocativos que, em
algumas instâncias do poder, tornaram‑se inevitáveis. Entenda‑se que essa solenidade tem
por consideração o cargo, a função pública, e não a pessoa de seu exercente.

Vale lembrar que os pronomes de tratamento são obrigatoriamente regidos pela terceira
pessoa. São erros muito comuns construções como “Vossa Excelência sois bondoso(a)”; o
correto é “Vossa Excelência é bondoso(a)”.

A utilização da segunda pessoa do plural (vós), com que os textos oficiais procuravam
revestir‑se de um tom solene e cerimonioso no passado, é hoje incomum, anacrônica e
pedante, salvo em algumas peças oratórias envolvendo tribunais ou juízes, herdeiras, no
Brasil, da tradição retórica de Rui Barbosa e seus seguidores.

Outro aspecto das formalidades requeridas na Redação Oficial é a necessidade prática de


padronização dos expedientes. Assim, as prescrições quanto à diagramação, espaçamento,
caracteres tipográfcos etc., os modelos inevitáveis de ofício, requerimento, memorando, aviso
e outros, além de facilitar a legibilidade, servem para agilizar o andamento burocrático, os
despachos e o arquivamento.

É também por essa razão que quase todos os órgãos públicos editam manuais com os modelos
dos expedientes que integram sua rotina burocrática. A Presidência da República, a Câmara
dos Deputados, o Senado, os Tribunais Superiores, enfim, os poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário têm os próprios ritos na elaboração dos textos e documentos que lhes são
pertinentes.

Concisão e Clareza

Houve um tempo em que escrever bem era escrever “difícil”. Períodos longos, subordinações
sucessivas, vocábulos raros, inversões sintáticas, adjetivação intensiva, enumerações,
gradações, repetições enfáticas já foram considerados virtudes estilísticas. Atualmente, a
velocidade que se impõe a tudo o que se faz, inclusive ao escrever e ao ler, tornou esses
recursos quase sempre obsoletos. Hoje, a concisão, a economia vocabular, a precisão lexical,
ou seja, a eficácia do discurso, são pressupostos não só da Redação Oficial, mas da própria
literatura. Basta observar o estilo “enxuto” de Graciliano Ramos, de Carlos Drummond de
Andrade, de João Cabral de Melo Neto, de Dalton Trevisan, mestres da linguagem altamente
concentrada.

Não têm mais sentido os imensos “prolegômenos” e “exórdios” que se repetiam como
ladainhas nos textos oficiais, como o exemplo risível e caricato que segue:

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“Preliminarmente, antes de mais nada, indispensável se faz que nos valhamos do ensejo para
congratularmo‑nos com Vossa Excelência pela oportunidade da medida proposta à apreciação
de seus nobres pares. Mas, quem sou eu, humilde servidor público, para abordar questões de
tamanha complexidade, a respeito das quais divergem os hermeneutas e exegetas.

Entrementes, numa análise ainda que perfunctória das causas primeiras, que fundamentaram
a proposição tempestivamente encaminhada por Vossa Excelência, indispensável se faz uma
abordagem preliminar dos antecedentes imediatos, posto que estes antecedentes
necessariamente antecedem os consequentes”.

Observe que absolutamente nada foi dito ou informado.

As Comunicações Oficiais.

A redação das comunicações oficiais obedece a preceitos de objetividade, concisão, clareza,


impessoalidade, formalidade, padronização e correção gramatical.

Além dessas, há outras características comuns à comunicação oficial, como o emprego de


pronomes de tratamento, o tipo de fecho (encerramento) de uma correspondência e a forma
de identificação do signatário, conforme define o Manual de Redação da Presidência da
República. Outros órgãos e instituições do poder público também possuem manual de
redação próprio, como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Ministério das Relações
Exteriores, diversos governos estaduais, órgãos do Judiciário etc.

Pronomes de Tratamento

A regra diz que toda comunicação oficial deve ser formal e polida, isto é, ajustada não apenas
às normas gramaticais, como também às normas de educação e corte‑ sia. Para isso, é
fundamental o emprego de pronomes de tratamento, que devem ser utilizados de forma
correta, de acordo com o destinatário e as regras gramaticais.

Embora os pronomes de tratamento se refiram à segunda pessoa (Vossa Excelência, Vossa


Senhoria), a concordância é feita em terceira pessoa.

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Concordância verbal:

Vossa Senhoria falou muito bem.

Vossa Excelência vai esclarecer o tema.

Vossa Majestade sabe que respeitamos sua opinião.

Concordância pronominal:

Pronomes de tratamento concordam com pronomes possessivos na terceira pessoa.

Vossa Excelência escolheu seu candidato. (e não “vosso...”)

Concordância nominal:

Os adjetivos devem concordar com o sexo da pessoa a que se refere o pronome de


tratamento.

Vossa Excelência ficou confuso. (para homem)

Vossa Excelência ficou confusa. (para mulher)

Vossa Senhoria está ocupado. (para homem)

Vossa Senhoria está ocupada. (para mulher)

Sua Excelência ‑ de quem se fala (ele/ela).

Vossa Excelência ‑ com quem se fala (você)

Emprego dos Pronomes de Tratamento

As normas a seguir fazem parte do Manual de Redação da Presidência da República.

Vossa Excelência: É o tratamento empregado para as seguintes autoridades:

‑ Do Poder Executivo - Presidente da República; Vice‑presidente da República; Ministros de


Estado; Governadores e vice‑governadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais generais
das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários‑executivos de Ministérios e demais
ocupantes de cargos de natureza especial; Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.

‑ Do Poder Legislativo - Deputados Federais e Senadores; Ministro do Tribunal de Contas da


União; Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.

‑ Do Poder Judiciário - Ministros dos Tribunais Superiores; Membros de Tribunais; Juízes;


Auditores da Justiça Militar.

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Vocativos

O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos chefes de poder é Excelentíssimo


Senhor, seguido do cargo respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República;
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Excelentíssimo Senhor Presidente
do Supremo Tribunal Federal.

As demais autoridades devem ser tratadas com o vocativo Senhor ou Senhora, seguido do
respectivo cargo:

Senhor Senador / Senhora Senadora; Senhor Juiz/ Senhora Juíza; Senhor Ministro / Senhora
Ministra; Senhor Governador / Senhora Governadora.

Endereçamento

De acordo com o Manual de Redação da Presidência, no envelope, o endereçamento das


comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, deve ter a seguinte
forma:

A Sua Excelência o Senhor

Fulano de Tal

Ministro de Estado da Justiça

70064‑900 ‑ Brasília. DF

A Sua Excelência o Senhor

Senador Fulano de Tal

Senado Federal

70165‑900 ‑ Brasília. DF

A Sua Excelência o Senhor

Fulano de Tal

Juiz de Direito da l0ª Vara Cível

Rua ABC, nº 123

01010‑000 ‑ São Paulo. SP

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Conforme o Manual de Redação da Presidência, “em comunicações oficiais, está abolido o uso
do tratamento digníssimo (DD) às autoridades na lista anterior. A dignidade é pressuposto
para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida evocação”.

Vossa Senhoria: É o pronome de tratamento empregado para as demais autoridades e para


particulares. O vocativo adequado é: Senhor Fulano de Tal / Senhora Fulana de Tal.

No envelope, deve constar do endereçamento:

Ao Senhor

Fulano de Tal

Rua ABC, nº 123

70123‑000 – Curitiba.PR

Conforme o Manual de Redação da Presidência, em comunicações oficiais “fica dispensado o


emprego do superlativo Ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa
Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor. O Manual
também esclarece que “doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico”. Por isso,
recomenda‑se empregá‑lo apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham
concluído curso de doutorado. No entanto, ressalva‑se que “é costume designar por doutor
os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina”.

Vossa Magnificência: É o pronome de tratamento dirigido a reitores de universidade.


Corresponde‑lhe o vocativo: Magnífico Reitor.

Vossa Santidade: É o pronome de tratamento empregado em comunicações dirigidas ao Papa.


O vocativo cor‑ respondente é: Santíssimo Padre.

Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima: São os pronomes empregados em


comunicações dirigidas a cardeais. Os vocativos correspondentes são: Eminentíssimo Senhor
Cardeal, ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal.

Nas comunicações oficiais para as demais autoridades eclesiásticas são usados: Vossa
Excelência Reverendíssima (para arcebispos e bispos); Vossa Reverendíssima ou Vossa
Senhoria Reverendíssima (para monsenhores, cônegos e superiores religiosos); Vossa
Reverência (para sacerdotes, clérigos e demais religiosos).

Fechos para Comunicações

De acordo com o Manual da Presidência, o fecho das comunicações oficiais “possui, além da
finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário”, ou seja, o fecho é a maneira
de quem expede a comunicação despedir‑se de seu destinatário.

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Até 1991, quando foi publicada a primeira edição do atual Manual de Redação da Presidência
da República, havia 15 padrões de fechos para comunicações oficiais. O Manual simplificou a
lista e reduziu‑os a apenas dois para todas as modalidades de comunicação oficial. São eles:

Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive o presidente da República.

Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior.

“Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que


atenderem a rito e tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do
Ministério das Relações Exteriores”, diz o Manual de Redação da Presidência da República.

A utilização dos fechos “Respeitosamente” e “Atenciosamente” é recomendada para os


mesmos casos pelo Manual de Redação da Câmara dos Deputados e por outros manuais
oficiais. Já os fechos para as cartas particulares ou informais ficam a critério do remetente,
com preferência para a expressão “Cordialmente”, para encerrar a correspondência de forma
polida e sucinta.

Identificação do Signatário

Conforme o Manual de Redação da Presidência do República, com exceção das comunicações


assinadas pelo presidente da República, em todas as comunicações oficiais devem constar o
nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo de sua assinatura. A forma da
identificação deve ser a seguinte:

(espaço para assinatura)

Nome

Chefe da Secretaria‑Geral da Presidência da República

(espaço para assinatura)

Nome

Ministro de Estado da Justiça

“Para evitar equívocos, recomenda‑se não deixar a assinatura em página isolada do


expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho”, alerta o
Manual.

Padrões e Modelos

O Padrão Ofício

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O Manual de Redação da Presidência da República lista três tipos de expediente que, embora
tenham finalidades diferentes, possuem formas semelhantes: Ofício, Aviso e Memorando. A
diagramação proposta para esses expedientes é denominada padrão ofício.

O Ofício, o Aviso e o Memorando devem conter as seguintes partes:

- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede. Exemplos:

Of. 123/2002‑MME

Aviso 123/2002‑SG

Mem. 123/2002‑MF

- Local e data. Devem vir por extenso com alinhamento à direita. Exemplo:

Brasília, 20 de maio de 2011

- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:

Assunto: Produtividade do órgão em 2010.

Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores.

- Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso do


ofício, deve ser incluído também o endereço.

- Texto. Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente
deve conter a seguinte estrutura:

Introdução: que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto


que motiva a comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”,
“Cumpre‑me informar que”, empregue a forma direta;

Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre
o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à
exposição;

Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada


sobre o assunto.

Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam
organizados em itens ou títulos e subtítulos.

Quando se tratar de mero encaminhamento de documentos, a estrutura deve ser a seguinte:

Introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a


remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da

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comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento


encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual
está sendo encaminhado, segundo a seguinte fórmula:

“Em resposta ao Aviso nº 112, de 10 de fevereiro de 2011, encaminho, anexa, cópia do Ofício
nº 34, de 3 de abril de 2010, do Departamento Geral de Administração, que trata da requisição
do servidor Fulano de Tal.”

ou

“Encaminho, para exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama nº 112, de 11 de


fevereiro de 2011, do Presidente da Confederação Nacional de Agricultura, a respeito de
projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”

Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do


documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento; em caso
contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em aviso ou ofício de mero
encaminhamento.

‑ Fecho.

‑ Assinatura.

‑ Identificação do Signatário

Forma de Diagramação

Os documentos do padrão ofício devem obedecer à seguinte forma de apresentação:

‑ deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas
citações, e 10 nas notas de rodapé;

‑ para símbolos não existentes na fonte Times New Roman, poder‑se‑ão utilizar as fontes
symbol e Wíngdings;

‑ é obrigatório constar a partir da segunda página o número da página;

‑ os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impressos em ambas as faces do papel.
Neste caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares
(“margem espelho”);

‑ o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;

‑ o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo 3,0 cm de largura;

‑ o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;

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‑ deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo,
ou, se o editor de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;

‑ não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado,
sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a
sobriedade do documento;

‑ a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão colorida
deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações;

‑ todos os tipos de documento do padrão ofício devem ser impressos em papel de tamanho
A‑4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm;

‑ deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Rich Text nos documentos de
texto;

‑ dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto


preservado para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;

‑ para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte maneira:
tipo do documento + número do documento + palavras‑chave do conteúdo. Exemplo:

“Of. 123 ‑ relatório produtividade ano 2010”

Aviso e Ofício (Comunicação Externa)

São modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas. A única diferença entre eles
é que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma
hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm
como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública
entre si e, no caso do ofício, também com particulares.

Quanto a sua forma, Aviso e Ofício seguem o modelo do padrão ofício, com acréscimo do
vocativo, que invoca o

destinatário, seguido de vírgula. Exemplos:

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

Senhora Ministra,

Senhor Chefe de Gabinete,

Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente:

‑ nome do órgão ou setor;


‑ endereço postal;

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‑ telefone e endereço de correio eletrônico.


Obs: Modelo no final da matéria.

Memorando ou Comunicação Interna

O Memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo


órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata‑se,
portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna.

Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a exposição de projetos,
ideias, diretrizes etc. a serem adotados por determinado setor do serviço público.

Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão


deve pautar‑se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos.

Para evitar desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos ao


memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso de falta de espaço, em folha
de continuação. Esse procedimento permite formar uma espécie de processo simplificado,
assegurando maior transparência a tomada de decisões, e permitindo que se historie o
andamento da matéria tratada no memorando.

Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de que
seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos:

Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração

Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos.

Obs: Modelo no final da matéria.

Exposição de Motivos

É o expediente dirigido ao presidente da República ou ao vice‑presidente para:

‑ informá‑lo de determinado assunto;

‑ propor alguma medida; ou

‑ submeter a sua consideração projeto de ato normativo.

Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de


Estado. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de
motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão,
chamada de interministerial.

Formalmente a exposição de motivos tem a apresentação do padrão ofício. De acordo com


sua finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela que tenha

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caráter exclusivamente informativo e outra para a que proponha alguma medida ou submeta
projeto de ato normativo.

No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva algum assunto ao


conhecimento do Presidente da República, sua estrutura segue o modelo antes referido para
o padrão ofício.

Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presidente da República a sugestão


de alguma medida a ser adotada ou a que lhe apresente projeto de ato normativo, embora
sigam também a estrutura do padrão ofício, além de outros comentários julgados pertinentes
por seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar:

‑ na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida ou do ato normativo


proposto;

‑ no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato normativo o ideal para
se solucionar o problema, e eventuais alternativas existentes para equacioná‑lo;

‑ na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual ato normativo deve ser
editado para solucionar o problema.

Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à exposição de motivos, devidamente


preenchido, de acordo com o seguinte modelo previsto no Anexo II do Decreto nº 4.1760, de
28 de março de 2010.

Anexo à exposição de motivos do (indicar nome do Ministério ou órgão equivalente) nº


______, de ____ de ______________ de 201_.

‑ Síntese do problema ou da situação que reclama providências;

‑ Soluções e providências contidas no ato normativo ou na medida proposta;

‑ Alternativas existentes às medidas propostas. Mencionar:

‑ se há outro projeto do Executivo sobre a matéria;

‑ se há projetos sobre a matéria no Legislativo;

‑ outras possibilidades de resolução do problema.

‑ Custos. Mencionar:

‑ se a despesa decorrente da medida está prevista na lei orçamentária anual; se não, quais as
alternativas para custeá‑la;

‑ se a despesa decorrente da medida está prevista na lei orçamentária anual; se não, quais as
alternativas para custeá‑la;

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‑ valor a ser despendido em moeda corrente;

‑ Razões que justificam a urgência (a ser preenchido somente se o ato proposto for medida
provisória ou projeto de lei que deva tramitar em regime de urgência). Mencionar:

‑ se o problema configura calamidade pública;

‑ por que é indispensável a vigência imediata;

‑ se se trata de problema cuja causa ou agravamento não tenham sido previstos;

‑ se se trata de desenvolvimento extraordinário de situação já prevista.

‑ Impacto sobre o meio ambiente (somente que o ato ou medida proposta possa vir a tê‑lo)

‑ Alterações propostas. Texto atual, Texto proposto;

‑ Síntese do parecer do órgão jurídico.

Com base em avaliação do ato normativo ou da medida proposta à luz das questões
levantadas no item 10.4.3.

A falta ou insuficiência das informações prestadas pode acarretar, a critério da Subchefe para
Assuntos Jurídicos da Casa Civil, a devolução do projeto de ato normativo para que se
complete o exame ou se reformule a proposta.

O preenchimento obrigatório do anexo para as exposições de motivos que proponham a


adoção de alguma medida ou a edição de ato normativo tem como finalidade:

‑ permitir a adequada reflexão sobre o problema que se busca resolver;

‑ ensejar mais profunda avaliação das diversas causas do problema e dos defeitos que pode
ter a adoção da medida ou a edição do ato, em consonância com as questões que devem ser
analisadas na elaboração de proposições normativas no âmbito do Poder Executivo (v. 10.4.3.)

‑ conferir perfeita transparência aos atos propostos.

Dessa forma, ao atender às questões que devem ser analisadas na elaboração de atos
normativos no âmbito do Poder Executivo, o texto da exposição de motivos e seu anexo
complementam‑se e formam um todo coeso: no anexo, encontramos uma avaliação profunda
e direta de toda a situação que está a reclamar a adoção de certa providência ou a edição de
um ato normativo; o problema a ser enfrentado e suas causas; a solução que se propõe, seus
efeitos e seus custos; e as alternativas existentes. O texto da exposição de motivos fica, assim,
reservado à demonstração da necessidade da providência proposta: por que deve ser adotada
e como resolverá o problema.

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Nos casos em que o ato proposto for questão de pessoal (nomeação, promoção, ascenção,
transferência, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, recondução, remoção,
exoneração, demissão, dispensa, disponibilidade, aposentadoria), não é necessário o
encaminhamento do formulário de anexo à exposição de motivos.

Ressalte‑se que:

‑ a síntese do parecer do órgão de assessoramento jurídico não dispensa o encaminhamento


do parecer completo;

‑ o tamanho dos campos do anexo à exposição de motivos pode ser alterado de acordo com
a maior ou menor extensão dos comentários a serem alí incluídos.

Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente que a atenção aos requisitos básicos
da Redação Oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padronização e uso do
padrão culto de linguagem) deve ser redobrada. A exposição de motivos é a principal
modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pelos Ministros.

Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder
Judiciário ou, ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo ou em parte.

Mensagem

É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente


as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar
sobre fato da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião da abertura de
sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de deliberação
de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja
de interesse dos poderes públicos e da Nação.

Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Ministérios à Presidência da República, a


cujas assessorias caberá a redação final.

Telegrama

Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os procedimentos burocráticos, passa a


receber o título de telegrama toda comunicação ofcial expedida por meio de telegrafa, telex
etc. Por se tratar de forma de comunicação dispendiosa aos cofres públicos e
tecnologicamente superada, deve restringir‑se o uso do telegrama apenas àquelas situações
que não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência justifique sua
utilização e, também em razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação deve
pautar‑se pela concisão.

Não há padrão rígido, devendo‑se seguir a forma e a estrutura dos formulários disponíveis nas
agências dos Correios e em seu sítio na Internet.

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Obs: Modelo no final da matéria.

Fax

O fax (forma abreviada já consagrada de fac‑símile) é uma forma de comunicação que está
sendo menos usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de
mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há
premência, quando não há condições de envio do documento por meio eletrônico. Quando
necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe.

Se necessário o arquivamento, deve‑se fazê‑lo com cópia xerox do fax e não com o próprio
fax, cujo papel, em certos modelos, se deteriora rapidamente.

Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que lhes são inerentes. É
conveniente o envio, juntamente com o documento principal, de folha de rosto, isto é, de
pequeno formulário com os dados de identificação da mensagem a ser enviada.

Correio Eletrônico

O correio eletrônico (“e‑mail”), por seu baixo custo e celeridade, transformou‑se na principal
forma de comunicação para transmissão de documentos.

Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não
interessa definir forma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve‑se evitar o uso de
linguagem incompatível com uma comunicação oficial.

O campo assunto do formulário de correio eletrônico mensagem deve ser preenchido de


modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário quanto do remetente.

Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, preferencialmente, o formato Rich
Text. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu
conteúdo.

Sempre que disponível, deve‑se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não seja
disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento.

Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio eletrônico tenha valor
documental, isto é, para que possa ser aceita como documento original, é necessário existir
certificação digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabelecida em lei.

Apostila

É o aditamento que se faz a um documento com o objetivo de retificação, atualização,


esclarecimento ou fixar vantagens, evitando‑se assim a expedição de um novo título ou
documento. Estrutura:

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‑ Título: APOSTILA, centralizado.

‑ Texto: exposição sucinta da retificação, esclarecimento, atualização ou fixação da vantagem,


com a menção, se for o caso, onde o documento foi publicado.

‑ Local e data.

‑ Assinatura: nome e função ou cargo da autoridade que

constatou a necessidade de efetuar a apostila.

Não deve receber numeração, sendo que, em caso de documento arquivado, a apostila deve
ser feita abaixo dos textos ou no verso do documento.

Em caso de publicação do ato administrativo originário, a apostila deve ser publicada com a
menção expressa do ato, número, dia, página e no mesmo meio de comunicação oficial no
qual o ato administrativo foi originalmente publicado, a fim de que se preserve a data de
validade.

Ata

É o instrumento utilizado para o registro expositivo dos fatos e deliberações ocorridos em uma
reunião, sessão ou assembleia. Estrutura:

‑ Título ‑ ATA. Em se tratando de atas elaboradas sequencialmente, indicar o respectivo


número da reunião ou sessão, em caixa‑alta.

‑ Texto, incluindo: Preâmbulo ‑ registro da situação espacial e temporal e participantes;


Registro dos assuntos abordados e de suas decisões, com indicação das personalidades
envolvidas, se for o caso; Fecho ‑ termo de encerramento com indicação, se necessário, do
redator, do horário de encerramento, de convocação de nova reunião etc.

A ATA será assinada e/ou rubricada por todos os presentes à reunião ou apenas pelo
presidente e relator, dependendo das exigências regimentais do órgão.

A fim de se evitarem rasuras nas atas manuscritas, deve‑se, em caso de erro, utilizar o termo
“digo”, seguido da informação correta a ser registrada. No caso de omissão de informações
ou de erros constatados após a redação, usa‑se a expressão “Em tempo” ao final da ATA, com
o registro das informações corretas.

Carta

É a forma de correspondência emitida por particular, ou autoridade com objetivo particular,


não se confundindo com o memorando (correspondência interna) ou o ofício
(correspondência externa), nos quais a autoridade que assina expressa uma opinião ou dá
uma informação não sua, mas, sim, do órgão pelo qual responde. Em grande parte dos casos

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da correspondência enviada por deputados, deve‑se usar a carta, não o memorando ou ofício,
por estar o parlamentar emitindo parecer, opinião ou informação de sua responsabilidade, e
não especificamente da Câmara dos Deputados. O parlamentar deverá assinar memorando
ou ofício apenas como titular de função oficial específica (presidente de comissão ou membro
da Mesa, por exemplo). Estrutura:

‑ Local e data.

‑ Endereçamento, com forma de tratamento, destinatário, cargo e endereço.

‑ Vocativo.

‑ Texto.

‑ Fecho.

‑ Assinatura: nome e, quando necessário, função ou cargo.

Se o gabinete usar cartas com frequência, poderá numerá‑las. Nesse caso, a numeração
poderá apoiar‑se no padrão básico de diagramação.

O fecho da carta segue, em geral, o padrão da correspondência oficial, mas outros fechos
podem ser usados, a exemplo de “Cordialmente”, quando se deseja indicar relação de
proximidade ou igualdade de posição entre os correspondentes.

Declaração

É o documento em que se informa, sob responsabilidade, algo sobre pessoa ou


acontecimento. Estrutura:

‑ Título: DECLARAÇÃO, centralizado.

‑ Texto: exposição do fato ou situação declarada, com finalidade, nome do interessado em


destaque (em maiúsculas) e sua relação com a Câmara nos casos mais formais.

‑ Local e data.

‑ Assinatura: nome da pessoa que declara e, no caso de autoridade, função ou cargo.

A declaração documenta uma informação prestada por autoridade ou particular. No caso de


autoridade, a comprovação do fato ou o conhecimento da situação declarada deve serem
razão do cargo que ocupa ou da função que exerce.

Declarações que possuam características específicas podem receber uma qualificação, a


exemplo da “declaração funcional”.

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Despacho

É o pronunciamento de autoridade administrativa em petição que lhe é dirigida, ou ato


relativo ao andamento do processo. Pode ter caráter decisório ou apenas de expediente.
Estrutura:

‑ Nome do órgão principal e secundário.

‑ Número do processo.

‑ Data.

‑ Texto.

‑ Assinatura e função ou cargo da autoridade.

O despacho pode constituir‑se de uma palavra, de uma expressão ou de um texto mais longo.

Ordem de Serviço

É o instrumento que encerra orientações detalhadas e/ ou pontuais para a execução de


serviços por órgãos subordinados da Administração. Estrutura:

‑ Título: ORDEM DE SERVIÇO, numeração e data.

‑ Preâmbulo e fundamentação: denominação da autoridade que expede o ato (em maiúsculas)


e citação da legislação pertinente ou por força das prerrogativas do cargo, seguida da palavra
“resolve”.

‑ Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser dividido em itens, incisos, alíneas etc.

‑ Assinatura: nome da autoridade competente e indicação da função.

A Ordem de Serviço se assemelha à Portaria, porém possui caráter mais específico e


detalhista. Objetiva, essencialmente, a otimização e a racionalização de serviços.

Parecer

É a opinião fundamentada, emitida em nome pessoal ou de órgão administrativo, sobre tema


que lhe haja sido submetido para análise e competente pronunciamento.

Visa fornecer subsídios para tomada de decisão. Estrutura:

‑ Número de ordem (quando necessário).

‑ Número do processo de origem.

‑ Ementa (resumo do assunto).

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‑ Texto, compreendendo: Histórico ou relatório (introdução); Parecer (desenvolvimento com


razões e justificativas); Fecho opinativo (conclusão).

‑ Local e data.

‑ Assinatura, nome e função ou cargo do parecerista.

Além do Parecer Administrativo, acima conceituado, existe o Parecer Legislativo, que é uma
proposição, e, como tal, definido no art. 126 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

O desenvolvimento do parecer pode ser dividido em tantos itens (e estes intitulados) quantos
bastem ao parecerista para o fim de melhor organizar o assunto, imprimindo‑lhe clareza e
didatismo.

Portaria

É o ato administrativo pelo qual a autoridade estabelece regras, baixa instruções para
aplicação de leis ou trata da organização e do funcionamento de serviços dentro de sua esfera
de competência. Estrutura:

‑ Título: PORTARIA, numeração e data.

‑ Ementa: síntese do assunto.

‑ Preâmbulo e fundamentação: denominação da autoridade que expede o ato e citação da


legislação pertinente, seguida da palavra “resolve”.

‑ Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser dividido em artigos, parágrafos, incisos,
alíneas e itens.

‑ Assinatura: nome da autoridade competente e indicação do cargo.

Certas portarias contêm considerandos, com as razões que justificam o ato. Neste caso, a
palavra “resolve” vem depois deles.

A ementa justifica-se em portarias de natureza normativa.

Em portarias de matéria rotineira, como nos casos de nomeação e exoneração, por exemplo,
suprime‑se a ementa.

Relatório

É o relato expositivo, detalhado ou não, do funcionamento de uma instituição, do exercício de


atividades ou acerca do desenvolvimento de serviços específicos num

determinado período. Estrutura:

‑ Título ‑ RELATÓRIO ou RELATÓRIO DE...

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‑ Texto ‑ registro em tópicos das principais atividades desenvolvidas, podendo ser indicados
os resultados parciais e totais, com destaque, se for o caso, para os aspectos positivos e
negativos do período abrangido. O cronograma de trabalho a ser desenvolvido, os quadros,
os dados estatísticos e as tabelas poderão ser apresentados como anexos.

‑ Local e data.

‑ Assinatura e função ou cargo do(s) funcionário(s) relator(es).

No caso de Relatório de Viagem, aconselha‑se registrar uma descrição sucinta da participação


do servidor no evento (seminário, curso, missão oficial e outras), indicando o período e o
trecho compreendido. Sempre que possível, o Relatório de Viagem deverá ser elaborado com
vistas ao aproveitamento efetivo das informações tratadas no evento para os trabalhos
legislativos e administrativos da Casa.

Quanto à elaboração de Relatório de Atividades, deve‑se atentar para os seguintes


procedimentos:

‑ abster‑se de transcrever a competência formal das unidades administrativas já descritas nas


normas internas;

‑ relatar apenas as principais atividades do órgão;

‑ evitar o detalhamento excessivo das tarefas executadas pelas unidades administrativas que
lhe são subordinadas;

‑ priorizar a apresentação de dados agregados, grandes metas realizadas e problemas


abrangentes que foram solucionados;

‑ destacar propostas que não puderam ser concretizadas, identificando as causas e indicando
as prioridades para os próximos anos;

‑ gerar um relatório final consolidado, limitado, se possível, ao máximo de dez páginas para o
conjunto da Diretoria, Departamento ou unidade equivalente.

Requerimento (Petição)

É o instrumento por meio do qual o interessado requer a uma autoridade administrativa um


direito do qual se julga detentor. Estrutura:

‑ Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou seja, da autoridade competente.

‑ Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do requerente (grafado em letras maiúsculas)


e respectiva qualificação: nacionalidade, estado civil, profissão, documento de identidade,
idade (se maior de 60 anos, para fins de preferência na tramitação do processo, segundo a Lei
10.741/03), e domicílio (caso o requerente seja servidor da Câmara dos Deputados,

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precedendo à qualificação civil deve ser colocado o número do registro funcional e a lotação);
Exposição do pedido, de preferência indicando os fundamentos legais do requerimento e os
elementos probatórios de natureza fática.

‑ Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.

‑ Local e data.

‑ Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.

Quando mais de uma pessoa fizer uma solicitação, rei‑ vindicação ou manifestação, o
documento utilizado será um abaixo‑assinado, com estrutura semelhante à do requerimento,
devendo haver identificação das assinaturas.

A Constituição Federal assegura a todos, independentemente do pagamento de taxas, o


direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder (art. 51, XXXIV, “a”), sendo que o exercício desse direito se instrumentaliza por meio
de requerimento. No que concerne especificamente aos servi‑

dores públicos, a lei que institui o Regime único estabelece que o requerimento deve ser
dirigido à autoridade competente para decidi‑lo e encaminhado por intermédio daquela a que
estiver imediatamente subordinado o requerente (Lei nº 8.112/90, art. 105).

Protocolo

O registro de protocolo (ou simplesmente “o protocolo“) é o livro (ou, mais atualmente, o


suporte informático) em que são transcritos progressivamente os documentos e os atos em
entrada e em saída de um sujeito ou entidade (público ou privado). Este registro, se
obedecerem a normas legais, têm fé pública, ou seja, tem valor probatório em casos de
controvérsia jurídica.

O termo protocolo tem um significado bastante amplo, identificando-se diretamente com o


próprio procedimento. Por extensão de sentido, “protocolo” significa também um trâmite a
ser seguido para alcançar determinado objetivo (“seguir o protocolo”).

A gestão do protocolo é normalmente confiada a uma repartição determinada, que recebe o


material documentário do sujeito que o produz em saída e em entrada e os anota num registro
(atualmente em programas informáticos), atribuindo-lhes um número e também uma posição
de arquivo de acordo com suas características.

O registro tem quatro elementos necessários e obrigatórios:

‑ Número progressivo.

‑ Data de recebimento ou de saída.

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‑ Remetente ou destinatário.

‑ Registro, ou seja, breve resumo do conteúdo da correspondência

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LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA
Código de ética do Servidor Público (Decreto Federal nº 1.171, de 22 de junho de 1194)..

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994

Aprova o Código de Ética Profissional do


Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos
IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116
e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de
2 de junho de 1992,

DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal, que com este baixa.

Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta


implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de
Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três
servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente.

Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da


Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros
titulares e suplentes.

Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.

ITAMAR FRANCO

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Romildo Canhim

Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.6.1994.

ANEXO

Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

CAPÍTULO I

Seção I

Das Regras Deontológicas

I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são


primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função,
ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos,
comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos
serviços públicos.

II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta.
Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente
e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o
desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.

III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal,
devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a
legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a
moralidade do ato administrativo.

IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou


indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a
moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação
e de sua finalidade, erigindo-se, como conseqüência, em fator de legalidade.

V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser


entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da
sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.

VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na
vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-
a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior


do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente

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declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui
requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o
bem comum, imputável a quem a negar.

VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda
que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública.
Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da
opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais
a de uma Nação.

IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público


caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta
ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer
bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não
constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os
homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus
esforços para construí-los.

X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor
em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie
de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de
desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos.

XI - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores,
velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os
repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e
caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública.

XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de


desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações
humanas.

XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando


seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua
atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação.

Seção II

Dos Principais Deveres do Servidor Público

XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que


seja titular;

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b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou


procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente diante de
filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que
exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;

c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter,
escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para
o bem comum;

d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens,
direitos e serviços da coletividade a seu cargo;

e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de


comunicação e contato com o público;

f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam
na adequada prestação dos serviços públicos;

g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as


limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de
preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e
posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral;

h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer
comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;

i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados


e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência
de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;

j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e


da segurança coletiva;

l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao
trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;

m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao


interesse público, exigindo as providências cabíveis;

n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais


adequados à sua organização e distribuição;

o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício


de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;

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p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;

q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação


pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;

r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de


seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo
sempre em boa ordem.

s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;

t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas,
abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço
público e dos jurisdicionados administrativos;

u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com


finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e não
cometendo qualquer violação expressa à lei;

v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste


Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.

Seção III

Das Vedações ao Servidor Público

XV - E vedado ao servidor público;

a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para


obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;

b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que


deles dependam;

c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este
Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;

d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por


qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu


conhecimento para atendimento do seu mister;

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f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de


ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou
com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores;

g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira,


gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares
ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor
para o mesmo fim;

h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências;

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços


públicos;

j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;

l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento,


livro ou bem pertencente ao patrimônio público;

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em


benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;

n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;

o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade
ou a dignidade da pessoa humana;

p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de


cunho duvidoso.

CAPÍTULO II

DAS COMISSÕES DE ÉTICA

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta


autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas
pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e
aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o
patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de
procedimento susceptível de censura.

XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução


do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de
instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira
do servidor público.

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XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua
fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com
ciência do faltoso.

XIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público
todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de
natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira,
desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as
autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.

***

Regime Jurídico Único (Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990)


O que é a Lei 8.112/1990

A Lei 8.112/1990 é um manual guia de direitos e deveres enquanto as atribuições e funções


de um funcionário público no exercício do seu cargo na administração pública.
Composta por IX Títulos, ela faz ênfase na relação do servidor com o Estado e com as pessoas
requerentes das suas específicas atividades. Passando por uma revogação pela Lei nº 8.745,
de 9.12.93, o título VII (artigos 232, 233, 234 e 235), que tratava da contratação temporária
de excepcional interesse público, foi excluído da Lei.
O título I, coloca à disposição de todos a conexão do servidor com o cargo público, ou seja,
um trabalhador que serve ao Estado ocupando um cargo público para atuar nas suas
específicas funções para a qual foi ocupado. O Art. 3º conceitua cargo público da seguinte
forma:
Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura
organizacional que devem ser cometidas a um servidor.
Lei 8.112/90
Para Hely L. Meirelles (2011, p. 524) o “cargo público é o lugar instituído na organização do
serviço público, com denominação própria, atribuições e responsabilidades específicas e
estipêndio correspondente, para ser provido e exercido por um titular, na forma estabelecida
em lei.”
Cargo Público
Entendendo o conceito, origem e criação de um cargo público nos basta definir o servidor
como aquela “pessoa legalmente investida em cargo público.” (Art. 2 o)
Os cargos ocupados pelos servidores públicos devem passar por regras sobre as formas de
Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição.

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No mapa mental a seguir você observa toda a estrutura detalhada do Título II da Lei 8.112,
que trata das fases e processos da seleção para a ocupação do cargo público:

O provimento é conceituado por Hely L. Meirelles (2011, p. 530) como “… o ato pelo qual se
efetua o preenchimento do cargo público, com a designação de seu titular.”
Dessa forma, o provimento de um servidor público ocorre quando um cargo público é
ocupado, mas sempre cumprindo os requisitos estabelecidos no art. 5 o da Lei 8.112:
I – A nacionalidade brasileira;
II – O gozo dos direitos políticos;
III – A quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV – O nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V – A idade mínima de dezoito anos;
VI – Aptidão física e mental.

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Lei 8.112/90
Às pessoas com alguma deficiência física, a Constituição Federal e a Lei também reservam o
direito a participar do processo de provimento a cargo público:
Veja o Art. 5 § 2º da referida Lei:
…para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no
concurso.
Já a Constituição Federal, em seu artigo 37, inciso VIII, diz o seguinte:
A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão.
CF/88
Formas de Provimento
Segundo Hely Lopes Meirelles, existem duas formas de provimento:
O provimento pode ser originário ou inicial e derivado. Provimento inicial é o que se faz
através de nomeação… Já, o provimento derivado, que se faz por transferência, promoção,
remoção, acesso, reintegração, readmissão, enquadramento, aproveitamento ou reversão, é
sempre uma alteração na situação de serviço do provido.
Hely L. Meirelles
Provimento Originário – Formas de Nomeação
A Lei 8.112/90 estabelece duas formas de nomeação:
Art. 9º, I – em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de
carreira;
Art 9º, II – em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Cargo Isolado
Hely L. Meirelles (2011, p. 525) define da seguinte forma o que chama de “cargo isolado”:
Os cargos isolados constituem exceção no funcionalismo, porque a hierarquia administrativa
exige escalonamento das funções para aprimoramento do serviço e estímulo aos servidores,
através da promoção vertical.
Hely L. Meirelles
Cargo Comissionado
Já o cargo comissionado:

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É o que só admite provimento em caráter provisório. São declarados em lei de livre nomeação
(sem concurso público) e exoneração (art. 37, II), destinando-se apenas às atribuições de
direção, chefia e assessoramento (CF, art. 37, V).
Hely L. Meirelles
Resumindo então, as duas formas de nomeação de um servidor público consistem: na efetiva
(através de concursos públicos) e na comissionada (livre nomeação, sem necessidade de
concurso).
Concurso Público
“O concurso é o meio técnico posto à disposição da Administração Pública para obter-se
moralidade, eficiência e aperfeiçoamento do serviço público e, ao mesmo tempo, propiciar
igual oportunidade a todos os interessados que atendam aos requisitos da lei, fixados de
acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, consoante determina o art.
37, II, da CF”, diz Hely Lopes Meirelles.
Para a realização do concurso público, é fundamental a presença de uma regulamentação
prévia e que esteja publicada em cada edital, para assim informar ao futuro servidor a
efetuação do mesmo.
Por meio do Art. 11 da Lei 8.112/90, observam-se as regras e a validade do concurso, que será
de até 2 anos (podendo ser prorrogado uma vez pelo mesmo período).
Posse e Exercício

A posse é um ato administrativo que se conclui com a assinatura do termo (Art. 13), no qual
consta as atribuições, deveres, responsabilidades e direitos do servidor que ocupará o cargo.
Após empossado, o servidor conta com 15 dias (desde a data da posse) para entrar em
exercício.
Uma vez apresentado e em exercício, o servidor público deverá cumprir com uma jornada de
trabalho fixa de uma duração máxima semanal de quarenta horas, no lapso de seis a oito
horas diárias, cumprindo um estágio probatório de 24 meses, onde serão observados alguns
fatores referentes a sua aptidão e capacidade ao cargo, de acordo com o Art. 20 da Lei 8.112:
Assiduidade;
Disciplina;
Capacidade de iniciativa;
Produtividade; e
Responsabilidade.
Estabilidade e Efetividade

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A estabilidade é uma garantia constitucional de permanência no serviço público concedida ao


servidor nomeado para cargo de provimento efetivo, em virtude de concurso público,
havendo passado pelo estágio probatório.
Já a efetividade é apenas uma consequência da nomeação no cargo, ocorrida mediante um
concurso público.
Provimentos Derivados
Agora vamos conhecer os 5 tipos de Provimento Derivado:
Readaptação
A readaptação é a designação do servidor em ocupação diferente do cargo original, e ocorre
por causa de alguma limitação física ou mental do servidor julgado incapaz. Veja o que diz a
Lei 8.112:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades
compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada
em inspeção médica.
Reversão
A reversão, é o retorno do servidor aposentado às suas antigas funções. Pode acontecer a
pedido ou de ofício. O único fator impeditivo para a reversão é o servidor ter completado 70
anos de idade.
Reintegração

Já a reintegração consiste em reinvestir o cargo que um dia chegou a ocupar, retomando as


suas antigas funções, na qual foi invalidado por meio de decisão administrativa ou judicial por
causa da negativa de sua demissão:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado,
ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão
administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
Recondução
A recondução acontece com o retorno do servidor pelo mesmo objetivo da reintegração,
porém, por causas distintas. Nesta, o servidor regressa às suas funções antigas pela
inabilitação no estágio probatório ou pela reintegração de outro servidor.
Aproveitamento
Por fim, o aproveitamento, que ocorre com o retorno do servidor em disponibilidade ao cargo
de atribuições e remuneração compatíveis com o anteriormente ocupado:

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Art. 32. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor
não entrar em exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por junta médica oficial.
Remoção e Redistribuição
A remoção e redistribuição de um servidor público não são mais que procedimentos internos
da Administração Pública:
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo
quadro, com ou sem mudança de sede.
Podem ocorrer a pedido, para casos de acompanhamento de cônjuges, de saúde do servidor,
dependentes; ou de oficio, pelo interesse da administração. Já a redistribuição, acontecerá
pelos seguintes preceitos contemplados no Art. 37 da Lei:
Interesse da administração;
Equivalência de vencimentos;
Manutenção de essência das atribuições do cargo;
Vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;
Mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;
Compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou
entidade.
Substituição
O servidor titular de uma unidade administrativa tem direito a um substituto indicado
internamente ou previamente dirigente máximo do órgão ou entidade (Art. 38).
Direitos e Vantagens dos Servidores Públicos
Analisando o título III da Lei, observam-se os direitos e vantagens que os servidores públicos
adquirem ao exercer suas funções. Entre os direitos, esse título menciona dois:
O Vencimento (Art. 40), que é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com
valor fixado em lei.
A Remuneração (Art. 41), que é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens
pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.
A remuneração é o direito de receber vantagens financeiras em função do cargo ocupado. A
regulamentação está prevista no Art. 62 para cargos comissionados e no § 1º do art. 93 para
cargos comissionados de órgãos dos estados e municípios.
O vencimento são todas as vantagens de caráter permanente que se adicionam aos benefícios
do servidor público.

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A Lei contempla as vantagens que especificamente fazem parte do exercício funcional de um


servidor público. O servidor público recebe pelo exercício das suas funções as indenizações,
gratificações e adicionais.
Indenizações
Entre as indenizações contempladas na Lei, encontramos a ajuda de custo, que é concedida
para o servidor que passa a atuar em uma nova sede e se vê obrigado em razão das suas
funções a mudar de domicílio (Art. 53).
Já as diárias são concedidas para o servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter
eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a
passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com
pousada, alimentação e locomoção urbana.
Também são indenizações o vale-transporte e o auxílio-moradia. O primeiro visando cobrir
despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços
externos, e o segundo para o ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo
servidor com aluguel de moradia.
Gratificações
As gratificações estão especificadas na Lei são as seguintes:
Gratificações e adicionais pelo exercício de chefia.
Gratificação natalina (corresponde a 1/12 do salário – Art. 63).

Adicional insalubre (sendo destinado àquelas atividades com substâncias tóxicas ou


radioativas – Art. 68).
Gratificação por encargo de curso ou concurso atuando como instrutor, banca examinadora,
logística ou aplicação. (Art. 76-A)
Adicionais
O adicional pela prestação de serviço extraordinário é remunerado com acréscimo de 50%
em relação à hora normal de trabalho (Art. 73); o adicional noturno (das 22:00 as 05:00)
receberá o valor adicional por hora trabalhada de 25% (Art. 75).
O adicional férias, corresponde a 1/3 da remuneração do período das férias (Art. 76), o
servidor terá direito a 30 dias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos
(Art. 77).
O servidor público também terá direito a licenças que são listadas no Art. 81 da referida Lei:
Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença:
I – por motivo de doença em pessoa da família;

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II – por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;


III – para o serviço militar;
IV – para atividade política;
V – para capacitação; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
VI – para tratar de interesses particulares;
VII – para desempenho de mandato classista.
Deveres do Servidor
O Artigo 116 traz a lista de 12 importantes deveres que precisarão ser cumpridos pelo servidor
público em exercício das suas funções, tais como:
Atuar com zelo e dedicação nas atividades destinadas ao seu cargo,
Ser leal;
Estar atento com as normas e regulamentos;
Cumprir com as ordens dos seus superiores;
Atender ao público com rapidez;
Dar conhecimento ao superior das irregularidades do cargo, caso tenha confirmação ou
suspeita de atos ilícitos;
Cuidar do material e do patrimônio público;
Guardar sigilo de alguns assuntos que se requeira;
Preservar por uma conduta integra moralmente administrativa;

Ser presente e pontual ao serviço;


Prestar um trato amável ao público em geral; e
Atuar contra a ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Além disso, existem proibições explícitas ao servidor no exercício das suas atividades:
Ausentar-se e retirar-se do serviço sem autorização;
Recusar fé a documentos públicos;
Se opor a resistência no andamento de algum documento ou processo, promover
manifestações;
Coagir aos demais servidores o direito de se filiarem a associação profissional ou sindical;
Valer-se do cargo para lograr proveito pessoa;

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Participar da gerencia ou administração de sociedade privada ou exercer o comercio;


Receber propina ou comissão em razão de suas atribuições aqui ou de um estado estrangeiro;
Praticar usura;
Proceder de forma desidiosa;
Utilizar pessoal ou recursos da repartição para atividades particulares;
Exercer atividades incompatíveis com o exercício do cargo e com o horário de trabalho;
Recusar-se a atualizar os dados cadastrais quando for solicitado.
Responsabilidade Civil, Penal e Administrativa
O incumprimento dos deveres e das proibições levam o servidor público a responder pelas
ações que foram executadas irregularmente nas suas atribuições.
Poderá responder civilmente, quando a obrigação é imposta para reparar o dano causado à
Administração por culpa ou dolo no desempenho de suas funções; penalmente, por crimes e
contravenções praticadas; e administrativamente, no caso da violação de normas internas da
Administração.
Administrativamente, as penalidades a que os servidores estão sujeitos são as seguintes:
Advertência (quando não há necessidade de punição mais severa).
Suspensão (90 dias de afastamento).
Demissão (crime contra a administração pública; abandono de cargo; inassiduidade habitual).
Destituição (incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal,
pelo prazo de 5 anos).
Processo Administrativo Disciplinar
Diz o artigo 148 da Lei 8.112:
Art. 148. O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de
servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as
atribuições do cargo em que se encontre investido.
É também importante atentar para as fases do Processo Disciplinar, definidas no artigo 151:
Art. 151. O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases:
I – instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão;
II – inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório;
III – julgamento.

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Veja quais são os casos e autoridades competentes que devem iniciar ou fazer cumprir o
processo disciplinar em contra do servidor, a continuação se observa cada um deles:
Casos de demissão e cassação de aposentadoria: o Presidente da República, Presidentes das
Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais, Procurador-Geral da República.
Casos de Suspensão superior a 30 dias: autoridades administrativas de hierarquia
imediatamente inferior ao anterior.
Casos de advertência ou suspensão de até 30 dias: chefe da repartição e outras autoridades
na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos.
Casos de destituição de cargo em comissão: autoridade que houver feito a nomeação.
As três fases da punibilidade do servidor acusado
A primeira fase se inicia com o afastamento do servidor de suas funções.
A segunda com a constituição de uma comissão que irá determinar as causas do ato, com a
produção de provas e a instauração do relatório que irá ser passado a julgamento.
A terceira, uma revisão do processo que poderá resultar na exoneração ou inocência, a
depender do que for apurado.
A Seguridade Social do Servidor
O título VI da Lei 8.112 consagra o desfrute de benefícios através de um plano de seguridade
social para si e para a família do servidor.
O plano de seguridade social cobre os gastos do servidor e dos dependentes em situações de
doença, invalidez, velhice, acidente em serviço, inatividade, falecimento e reclusão.
Determinando garantias para as condições individuais (do próprio servidor) e dos seus
dependentes comprovados.
Benefícios Inidividuais
Os benefícios destinados ao próprio servidor são os seguintes:
Aposentadoria.
Auxílio-natalidade.
Salário-família.
Licença para tratamento de saúde.
Licença à gestante, à adotante e licença-paternidade.
Licença por acidente em serviço.
Assistência à saúde.

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Garantia de condições individuais e ambientais de trabalho satisfatórias.

Benefícios para os Dependentes


Os dependentes do servidor têm direito aos seguintes benefícios:
Pensão vitalícia e temporária.
Auxílio-funeral.
Auxílio-reclusão.
Assistência à saúde.

Lei 8.11290 na íntegra

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990


Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores
públicos civis da União, das autarquias e das
fundações públicas federais.
PUBLICAÇÃO CONSOLIDADA DA LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990, DETERMINADA
PELO ART. 13 DA LEI Nº 9.527, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1997.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:
Título I
Capítulo Único
Das Disposições Preliminares
Art. 1o Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das
autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais.
Art. 2o Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente investida em cargo
público.

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Art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na


estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei,
com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em
caráter efetivo ou em comissão.
Art. 4o É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei.
Título II
Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição
Capítulo I
Do Provimento
Seção I
Disposições Gerais
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.

§ 1o As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos


estabelecidos em lei.
§ 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em
concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a
deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por
cento) das vagas oferecidas no concurso.
§ 3o As universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica federais poderão
prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as
normas e os procedimentos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.515, de 20.11.97)
Art. 6o O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da autoridade
competente de cada Poder.
Art. 7o A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.

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Art. 8o São formas de provimento de cargo público:


I - nomeação;
II - promoção;
III - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
IV - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V - readaptação;
VI - reversão;
VII - aproveitamento;
VIII - reintegração;
IX - recondução.
Seção II
Da Nomeação
Art. 9o A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de
carreira;
II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança
vagos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial
poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem
prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela
remuneração de um deles durante o período da interinidade. (Redação dada pela Lei
nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo
depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos,
obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor
na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema
de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos. (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Seção III
Do Concurso Público
Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títulos, podendo ser realizado em duas
etapas, conforme dispuserem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira,
condicionada a inscrição do candidato ao pagamento do valor fixado no edital, quando
indispensável ao seu custeio, e ressalvadas as hipóteses de isenção nele expressamente
previstas. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (Regulamento)
Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos, podendo ser prorrogado
uma única vez, por igual período.
§ 1o O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em
edital, que será publicado no Diário Oficial da União e em jornal diário de grande circulação.
§ 2o Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso
anterior com prazo de validade não expirado.
Seção IV
Da Posse e do Exercício
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar
as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que
não poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de
ofício previstos em lei.

§ 1o A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação do ato de


provimento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o Em se tratando de servidor, que esteja na data de publicação do ato de provimento,
em licença prevista nos incisos I, III e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV,
VI, VIII, alíneas "a", "b", "d", "e" e "f", IX e X do art. 102, o prazo será contado do término do
impedimento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o A posse poderá dar-se mediante procuração específica.
§ 4o Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por nomeação. (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 5o No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem
seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função
pública.
§ 6o Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não ocorrer no prazo
previsto no § 1o deste artigo.
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial.

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Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e
mentalmente para o exercício do cargo.
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função
de confiança. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em
exercício, contados da data da posse. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o ato de sua
designação para função de confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste
artigo, observado o disposto no art. 18. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for nomeado ou
designado o servidor compete dar-lhe exercício. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§ 4o O início do exercício de função de confiança coincidirá com a data de publicação do
ato de designação, salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer outro
motivo legal, hipótese em que recairá no primeiro dia útil após o término do impedimento,
que não poderá exceder a trinta dias da publicação. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do exercício serão registrados no
assentamento individual do servidor.

Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará ao órgão competente os


elementos necessários ao seu assentamento individual.
Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo
posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o
servidor. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ter sido
removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá, no mínimo,
dez e, no máximo, trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retomada do
efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o tempo necessário para
o deslocamento para a nova sede. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afastado legalmente, o prazo
a que se refere este artigo será contado a partir do término do
impedimento. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o É facultado ao servidor declinar dos prazos estabelecidos no caput. (Incluído
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em razão das atribuições
pertinentes aos respectivos cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal de
quarenta horas e observados os limites mínimo e máximo de seis horas e oito horas diárias,
respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)
§ 1o O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança submete-se a regime de
integral dedicação ao serviço, observado o disposto no art. 120, podendo ser convocado
sempre que houver interesse da Administração. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§ 2o O disposto neste artigo não se aplica a duração de trabalho estabelecida em leis
especiais. (Incluído pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)
Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo
ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a
sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados
os seguinte fatores: (vide EMC nº 19)
I - assiduidade;
II - disciplina;
III - capacidade de iniciativa;
IV - produtividade;
V- responsabilidade.

§ 1o 4 (quatro) meses antes de findo o período do estágio probatório, será submetida à


homologação da autoridade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada
por comissão constituída para essa finalidade, de acordo com o que dispuser a lei ou o
regulamento da respectiva carreira ou cargo, sem prejuízo da continuidade de apuração dos
fatores enumerados nos incisos I a V do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº
11.784, de 2008
§ 2o O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável,
reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, observado o disposto no parágrafo único do
art. 29.
§ 3o O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer cargos de provimento
em comissão ou funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de
lotação, e somente poderá ser cedido a outro órgão ou entidade para ocupar cargos de
Natureza Especial, cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento
Superiores - DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou equivalentes. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)

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§ 4o Ao servidor em estágio probatório somente poderão ser concedidas as licenças e os


afastamentos previstos nos arts. 81, incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento para
participar de curso de formação decorrente de aprovação em concurso para outro cargo na
Administração Pública Federal. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 5o O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e os afastamentos previstos
nos arts. 83, 84, § 1o, 86 e 96, bem assim na hipótese de participação em curso de formação,
e será retomado a partir do término do impedimento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
Seção V
Da Estabilidade
Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento
efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anos de efetivo
exercício. (prazo 3 anos - vide EMC nº 19)
Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada
em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla
defesa.
Seção VI
Da Transferência
Art. 23. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Seção VII
Da Readaptação
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou
mental verificada em inspeção médica.
§ 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.
§ 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de
cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de
vaga. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Seção VIII
Da Reversão
(Regulamento Dec. nº 3.644, de 30.11.2000)

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Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (Redação dada


pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
II - no interesse da administração, desde que: (Incluído pela Medida Provisória
nº 2.225-45, de 4.9.2001)
a) tenha solicitado a reversão; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)
b) a aposentadoria tenha sido voluntária; (Incluído pela Medida Provisória nº
2.225-45, de 4.9.2001)
c) estável quando na atividade; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação; (Incluído
pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
e) haja cargo vago. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 1o A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua
transformação. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 2o O tempo em que o servidor estiver em exercício será considerado para concessão da
aposentadoria. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

§ 3o No caso do inciso I, encontrando-se provido o cargo, o servidor exercerá suas


atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. (Incluído pela Medida
Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 4o O servidor que retornar à atividade por interesse da administração perceberá, em
substituição aos proventos da aposentadoria, a remuneração do cargo que voltar a exercer,
inclusive com as vantagens de natureza pessoal que percebia anteriormente à
aposentadoria. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 5o O servidor de que trata o inciso II somente terá os proventos calculados com base
nas regras atuais se permanecer pelo menos cinco anos no cargo. (Incluído pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 6o O Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo. (Incluído pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Art. 26. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Art. 27. Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos de
idade.

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Seção IX
Da Reintegração
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por
decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
§ 1o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade,
observado o disposto nos arts. 30 e 31.
§ 2o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo
de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade.
Seção X
Da Recondução
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e
decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado
em outro, observado o disposto no art. 30.
Seção XI
Da Disponibilidade e do Aproveitamento
Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á mediante
aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o
anteriormente ocupado.
Art. 31. O órgão Central do Sistema de Pessoal Civil determinará o imediato
aproveitamento de servidor em disponibilidade em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou
entidades da Administração Pública Federal.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no § 3o do art. 37, o servidor posto em
disponibilidade poderá ser mantido sob responsabilidade do órgão central do Sistema de
Pessoal Civil da Administração Federal - SIPEC, até o seu adequado aproveitamento em outro
órgão ou entidade. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 32. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o
servidor não entrar em exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por junta médica
oficial.

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Capítulo II
Da Vacância
Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:
I - exoneração;
II - demissão;
III - promoção;
IV - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V- (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
VI - readaptação;
VII - aposentadoria;
VIII - posse em outro cargo inacumulável;
IX - falecimento.
Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício.
Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:
I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;
II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo
estabelecido.
Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-
á: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

I - a juízo da autoridade competente;


II - a pedido do próprio servidor.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Capítulo III
Da Remoção e da Redistribuição
Seção I
Da Remoção
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.

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Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de
remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da
Administração: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar,
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi
deslocado no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às
suas expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por
junta médica oficial; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de
interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo
órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
Seção II
Da Redistribuição
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou
vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder,
com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes
preceitos: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - interesse da administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - equivalência de vencimentos; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
III - manutenção da essência das atribuições do cargo; (Incluído pela Lei nº 9.527,
de 10.12.97)
IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das
atividades; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação
profissional; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão
ou entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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§ 1o A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e da força de


trabalho às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou
criação de órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará mediante ato conjunto entre o
órgão central do SIPEC e os órgãos e entidades da Administração Pública Federal
envolvidos. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou
declarada sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for
redistribuído será colocado em disponibilidade, até seu aproveitamento na forma dos arts. 30
e 31. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 4o O servidor que não for redistribuído ou colocado em disponibilidade poderá ser
mantido sob responsabilidade do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em outro
órgão ou entidade, até seu adequado aproveitamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
Capítulo IV
Da Substituição
Art. 38. Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes
de cargo de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso
de omissão, previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade. (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que
ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nos
afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do cargo,
hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo
período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou
chefia ou de cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais
do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva
substituição, que excederem o referido período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 39. O disposto no artigo anterior aplica-se aos titulares de unidades administrativas
organizadas em nível de assessoria.
Título III
Dos Direitos e Vantagens
Capítulo I
Do Vencimento e da Remuneração

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Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor
fixado em lei.
Parágrafo único. (Revogado pela Medida Provisória nº 431, de
2008). (Revogado pela Lei nº 11.784, de 2008)
Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens
pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.
§ 1o A remuneração do servidor investido em função ou cargo em comissão será paga na
forma prevista no art. 62.
§ 2o O servidor investido em cargo em comissão de órgão ou entidade diversa da de sua
lotação receberá a remuneração de acordo com o estabelecido no § 1o do art. 93.
§ 3o O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter permanente, é
irredutível.
§ 4o É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou
assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as
vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.
§ 5o Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao salário mínimo. (Incluído
pela Lei nº 11.784, de 2008
Art. 42. Nenhum servidor poderá perceber, mensalmente, a título de remuneração,
importância superior à soma dos valores percebidos como remuneração, em espécie, a
qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes, pelos Ministros de Estado, por membros
do Congresso Nacional e Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Parágrafo único. Excluem-se do teto de remuneração as vantagens previstas nos incisos
II a VII do art. 61.
Art. 43. (Revogado pela Lei nº 9.624, de 2.4.98) (Vide Lei nº 9.624, de
2.4.98)
Art. 44. O servidor perderá:
I-a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem motivo
justificado; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - a parcela de remuneração diária, proporcional aos atrasos, ausências justificadas,
ressalvadas as concessões de que trata o art. 97, e saídas antecipadas, salvo na hipótese de
compensação de horário, até o mês subseqüente ao da ocorrência, a ser estabelecida pela
chefia imediata. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Parágrafo único. As faltas justificadas decorrentes de caso fortuito ou de força maior


poderão ser compensadas a critério da chefia imediata, sendo assim consideradas como
efetivo exercício. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 45. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a
remuneração ou provento. (Vide Decreto nº 1.502, de 1995) (Vide Decreto nº
1.903, de 1996) (Vide Decreto nº 2.065, de 1996) (Regulamento) (Regulamento)
§ 1o Mediante autorização do servidor, poderá haver consignação em folha de pagamento
em favor de terceiros, a critério da administração e com reposição de custos, na forma
definida em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 13.172, de 2015)
§ 2o O total de consignações facultativas de que trata o § 1o não excederá a 35% (trinta e cinco
por cento) da remuneração mensal, sendo 5% (cinco por cento) reservados exclusivamente
para: (Redação dada pela Lei nº 13.172, de 2015)
I - a amortização de despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou (Incluído
pela Lei nº 13.172, de 2015)
II - a utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de crédito. (Incluído pela
Lei nº 13.172, de 2015)
Art. 46. As reposições e indenizações ao erário, atualizadas até 30 de junho de 1994,
serão previamente comunicadas ao servidor ativo, aposentado ou ao pensionista, para
pagamento, no prazo máximo de trinta dias, podendo ser parceladas, a pedido do
interessado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 1o O valor de cada parcela não poderá ser inferior ao correspondente a dez por cento
da remuneração, provento ou pensão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-
45, de 4.9.2001)
§ 2o Quando o pagamento indevido houver ocorrido no mês anterior ao do
processamento da folha, a reposição será feita imediatamente, em uma única
parcela. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
§ 3o Na hipótese de valores recebidos em decorrência de cumprimento a decisão liminar,
a tutela antecipada ou a sentença que venha a ser revogada ou rescindida, serão eles
atualizados até a data da reposição. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-
45, de 4.9.2001)
Art. 47. O servidor em débito com o erário, que for demitido, exonerado ou que tiver sua
aposentadoria ou disponibilidade cassada, terá o prazo de sessenta dias para quitar o
débito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Parágrafo único. A não quitação do débito no prazo previsto implicará sua inscrição em
dívida ativa. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

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Art. 48. O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto,


seqüestro ou penhora, exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão
judicial.
Capítulo II
Das Vantagens
Art. 49. Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens:
I - indenizações;
II - gratificações;
III - adicionais.
§ 1o As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento para qualquer efeito.
§ 2o As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos
e condições indicados em lei.
Art. 50. As vantagens pecuniárias não serão computadas, nem acumuladas, para efeito
de concessão de quaisquer outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título ou
idêntico fundamento.
Seção I
Das Indenizações
Art. 51. Constituem indenizações ao servidor:
I - ajuda de custo;
II - diárias;
III - transporte.
IV - auxílio-moradia. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
Art. 52. Os valores das indenizações estabelecidas nos incisos I a III do art. 51, assim como
as condições para a sua concessão, serão estabelecidos em regulamento. (Redação dada pela
Lei nº 11.355, de 2006)
Subseção I
Da Ajuda de Custo
Art. 53. A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor
que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio
em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no

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caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter
exercício na mesma sede. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o Correm por conta da administração as despesas de transporte do servidor e de sua
família, compreendendo passagem, bagagem e bens pessoais.
§ 2o À família do servidor que falecer na nova sede são assegurados ajuda de custo e
transporte para a localidade de origem, dentro do prazo de 1 (um) ano, contado do óbito.
§ 3o Não será concedida ajuda de custo nas hipóteses de remoção previstas nos incisos II
e III do parágrafo único do art. 36. (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
Art. 54. A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servidor, conforme se
dispuser em regulamento, não podendo exceder a importância correspondente a 3
(três) meses.
Art. 55. Não será concedida ajuda de custo ao servidor que se afastar do cargo, ou
reassumi-lo, em virtude de mandato eletivo.
Art. 56. Será concedida ajuda de custo àquele que, não sendo servidor da União, for
nomeado para cargo em comissão, com mudança de domicílio.
Parágrafo único. No afastamento previsto no inciso I do art. 93, a ajuda de custo será
paga pelo órgão cessionário, quando cabível.
Art. 57. O servidor ficará obrigado a restituir a ajuda de custo quando,
injustificadamente, não se apresentar na nova sede no prazo de 30 (trinta) dias.

Subseção II
Das Diárias
Art. 58. O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório
para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias
destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com pousada, alimentação e
locomoção urbana, conforme dispuser em regulamento. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)
§ 1o A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida pela metade quando
o deslocamento não exigir pernoite fora da sede, ou quando a União custear, por meio
diverso, as despesas extraordinárias cobertas por diárias. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)
§ 2o Nos casos em que o deslocamento da sede constituir exigência permanente do
cargo, o servidor não fará jus a diárias.
§ 3o Também não fará jus a diárias o servidor que se deslocar dentro da mesma região
metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, constituídas por municípios limítrofes e

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regularmente instituídas, ou em áreas de controle integrado mantidas com países limítrofes,


cuja jurisdição e competência dos órgãos, entidades e servidores brasileiros considera-se
estendida, salvo se houver pernoite fora da sede, hipóteses em que as diárias pagas serão
sempre as fixadas para os afastamentos dentro do território nacional. (Incluído pela
Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 59. O servidor que receber diárias e não se afastar da sede, por qualquer motivo, fica
obrigado a restituí-las integralmente, no prazo de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único. Na hipótese de o servidor retornar à sede em prazo menor do que o
previsto para o seu afastamento, restituirá as diárias recebidas em excesso, no prazo previsto
no caput.
Subseção III
Da Indenização de Transporte
Art. 60. Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com
a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força
das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento.
Subseção IV
Do Auxílio-Moradia
(Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
Art. 60-A. O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente
realizadas pelo servidor com aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado
por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da despesa pelo
servidor. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
Art. 60-B. Conceder-se-á auxílio-moradia ao servidor se atendidos os seguintes
requisitos: (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
I - não exista imóvel funcional disponível para uso pelo servidor; (Incluído pela
Lei nº 11.355, de 2006)
II - o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe imóvel funcional; (Incluído
pela Lei nº 11.355, de 2006)
III - o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja ou tenha sido proprietário,
promitente comprador, cessionário ou promitente cessionário de imóvel no Município aonde
for exercer o cargo, incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de construção, nos
doze meses que antecederem a sua nomeação; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
IV - nenhuma outra pessoa que resida com o servidor receba auxílio-
moradia; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

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V - o servidor tenha se mudado do local de residência para ocupar cargo em comissão ou


função de confiança do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, níveis 4, 5 e 6, de
Natureza Especial, de Ministro de Estado ou equivalentes (Incluído pela Lei nº 11.355,
de 2006)
VI - o Município no qual assuma o cargo em comissão ou função de confiança não se
enquadre nas hipóteses do art. 58, § 3o, em relação ao local de residência ou domicílio do
servidor; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
VII - o servidor não tenha sido domiciliado ou tenha residido no Município, nos últimos
doze meses, aonde for exercer o cargo em comissão ou função de confiança,
desconsiderando-se prazo inferior a sessenta dias dentro desse período; e (Incluído
pela Lei nº 11.355, de 2006)
VIII - o deslocamento não tenha sido por força de alteração de lotação ou nomeação para
cargo efetivo. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)
IX - o deslocamento tenha ocorrido após 30 de junho de 2006. (Incluído pela Lei
nº 11.490, de 2007)
Parágrafo único. Para fins do inciso VII, não será considerado o prazo no qual o servidor
estava ocupando outro cargo em comissão relacionado no inciso V. (Incluído pela Lei nº
11.355, de 2006)
Art. 60-C. (Revogado pela Lei nº 12.998, de 2014)

Art. 60-D. O valor mensal do auxílio-moradia é limitado a 25% (vinte e cinco por cento)
do valor do cargo em comissão, função comissionada ou cargo de Ministro de Estado
ocupado. (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
§ 1o O valor do auxílio-moradia não poderá superar 25% (vinte e cinco por cento) da
remuneração de Ministro de Estado. (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
§ 2o Independentemente do valor do cargo em comissão ou função comissionada, fica
garantido a todos os que preencherem os requisitos o ressarcimento até o valor de R$
1.800,00 (mil e oitocentos reais). (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
§ 3o (Incluído pela Medida Provisória nº 805, de 2017) (Vigência encerrada)
§ 4o (Incluído pela Medida Provisória nº 805, de 2017) (Vigência encerrada)
Art. 60-E. No caso de falecimento, exoneração, colocação de imóvel funcional à
disposição do servidor ou aquisição de imóvel, o auxílio-moradia continuará sendo pago por
um mês. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

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Seção II
Das Gratificações e Adicionais
Art. 61. Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei, serão deferidos aos
servidores as seguintes retribuições, gratificações e adicionais: (Redação dada pela
Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e
assessoramento; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - gratificação natalina;
III - (Revogado pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
IV - adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;
V - adicional pela prestação de serviço extraordinário;
VI - adicional noturno;
VII - adicional de férias;
VIII - outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.
IX - gratificação por encargo de curso ou concurso. (Incluído pela Lei nº 11.314 de
2006)
Subseção I
Da Retribuição pelo Exercício de Função de Direção, Chefia e Assessoramento
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 62. Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido em função de direção, chefia ou
assessoramento, cargo de provimento em comissão ou de Natureza Especial é devida
retribuição pelo seu exercício. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. Lei específica estabelecerá a remuneração dos cargos em comissão de
que trata o inciso II do art. 9o. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 62-A. Fica transformada em Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada - VPNI a
incorporação da retribuição pelo exercício de função de direção, chefia ou assessoramento,
cargo de provimento em comissão ou de Natureza Especial a que se referem os arts. 3 o e 10
da Lei no 8.911, de 11 de julho de 1994, e o art. 3o da Lei no 9.624, de 2 de abril de
1998. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Parágrafo único. A VPNI de que trata o caput deste artigo somente estará sujeita às
revisões gerais de remuneração dos servidores públicos federais. (Incluído pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

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Subseção II
Da Gratificação Natalina
Art. 63. A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que
o servidor fizer jus no mês de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano.
Parágrafo único. A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias será considerada como mês
integral.
Art. 64. A gratificação será paga até o dia 20 (vinte) do mês de dezembro de cada ano.
Parágrafo único. (VETADO).
Art. 65. O servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina, proporcionalmente
aos meses de exercício, calculada sobre a remuneração do mês da exoneração.
Art. 66. A gratificação natalina não será considerada para cálculo de qualquer vantagem
pecuniária.
Subseção III
Do Adicional por Tempo de Serviço
Art. 67. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 2001, respeitadas as
situações constituídas até 8.3.1999)
Subseção IV
Dos Adicionais de Insalubridade, Periculosidade ou Atividades Penosas
Art. 68. Os servidores que trabalhem com habitualidade em locais insalubres ou em
contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a
um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo.
§ 1o O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá
optar por um deles.
§ 2o O direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das
condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão.
Art. 69. Haverá permanente controle da atividade de servidores em operações ou locais
considerados penosos, insalubres ou perigosos.
Parágrafo único. A servidora gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a
gestação e a lactação, das operações e locais previstos neste artigo, exercendo suas atividades
em local salubre e em serviço não penoso e não perigoso.
Art. 70. Na concessão dos adicionais de atividades penosas, de insalubridade e de
periculosidade, serão observadas as situações estabelecidas em legislação específica.

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Art. 71. O adicional de atividade penosa será devido aos servidores em exercício em
zonas de fronteira ou em localidades cujas condições de vida o justifiquem, nos termos,
condições e limites fixados em regulamento.
Art. 72. Os locais de trabalho e os servidores que operam com Raios X ou substâncias
radioativas serão mantidos sob controle permanente, de modo que as doses de radiação
ionizante não ultrapassem o nível máximo previsto na legislação própria.
Parágrafo único. Os servidores a que se refere este artigo serão submetidos a exames
médicos a cada 6 (seis) meses.
Subseção V
Do Adicional por Serviço Extraordinário
Art. 73. O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinqüenta por
cento) em relação à hora normal de trabalho.
Art. 74. Somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações
excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada.
Subseção VI
Do Adicional Noturno
Art. 75. O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas)
horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e
cinco por cento), computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos.

Parágrafo único. Em se tratando de serviço extraordinário, o acréscimo de que trata este


artigo incidirá sobre a remuneração prevista no art. 73.
Subseção VII
Do Adicional de Férias
Art. 76. Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias,
um adicional correspondente a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias.
Parágrafo único. No caso de o servidor exercer função de direção, chefia ou
assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a respectiva vantagem será considerada no
cálculo do adicional de que trata este artigo.
Subseção VIII
Da Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso
(Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
Art. 76-A. A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso é devida ao servidor que, em
caráter eventual: (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006) (Regulamento)

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I - atuar como instrutor em curso de formação, de desenvolvimento ou de treinamento


regularmente instituído no âmbito da administração pública federal; (Incluído pela Lei
nº 11.314 de 2006)
II - participar de banca examinadora ou de comissão para exames orais, para análise curricular,
para correção de provas discursivas, para elaboração de questões de provas ou para
julgamento de recursos intentados por candidatos; (Incluído pela Lei nº 11.314 de
2006)
III - participar da logística de preparação e de realização de concurso público envolvendo
atividades de planejamento, coordenação, supervisão, execução e avaliação de resultado,
quando tais atividades não estiverem incluídas entre as suas atribuições
permanentes; (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
IV - participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas de exame vestibular ou de concurso
público ou supervisionar essas atividades. (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
§ 1o Os critérios de concessão e os limites da gratificação de que trata este artigo serão fixados
em regulamento, observados os seguintes parâmetros: (Incluído pela Lei nº 11.314 de
2006)
I - o valor da gratificação será calculado em horas, observadas a natureza e a complexidade da
atividade exercida; (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
II - a retribuição não poderá ser superior ao equivalente a 120 (cento e vinte) horas de trabalho
anuais, ressalvada situação de excepcionalidade, devidamente justificada e previamente
aprovada pela autoridade máxima do órgão ou entidade, que poderá autorizar o acréscimo
de até 120 (cento e vinte) horas de trabalho anuais; (Incluído pela Lei nº 11.314 de
2006)
III - o valor máximo da hora trabalhada corresponderá aos seguintes percentuais, incidentes
sobre o maior vencimento básico da administração pública federal: (Incluído pela Lei
nº 11.314 de 2006)
a) 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento), em se tratando de atividades previstas
nos incisos I e II do caput deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.501, de 2007)
b) 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento), em se tratando de atividade prevista nos
incisos III e IV do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.501, de 2007)
§ 2o A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso somente será paga se as atividades
referidas nos incisos do caput deste artigo forem exercidas sem prejuízo das atribuições do
cargo de que o servidor for titular, devendo ser objeto de compensação de carga horária
quando desempenhadas durante a jornada de trabalho, na forma do § 4o do art. 98 desta
Lei. (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)

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§ 3o A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso não se incorpora ao vencimento ou


salário do servidor para qualquer efeito e não poderá ser utilizada como base de cálculo para
quaisquer outras vantagens, inclusive para fins de cálculo dos proventos da aposentadoria e
das pensões. (Incluído pela Lei nº 11.314 de 2006)
Capítulo III
Das Férias
Art. 77. O servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o
máximo de dois períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que
haja legislação específica. (Redação dada pela Lei nº 9.525, de 10.12.97) (Vide
Lei nº 9.525, de 1997)
§ 1o Para o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze) meses de
exercício.
§ 2o É vedado levar à conta de férias qualquer falta ao serviço.
§ 3o As férias poderão ser parceladas em até três etapas, desde que assim requeridas
pelo servidor, e no interesse da administração pública. (Incluído pela Lei nº 9.525, de
10.12.97)
Art. 78. O pagamento da remuneração das férias será efetuado até 2 (dois) dias antes do
início do respectivo período, observando-se o disposto no § 1o deste artigo. (Vide Lei
nº 9.525, de 1997)

§ 1° e § 2° (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)


§ 3o O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização
relativa ao período das férias a que tiver direito e ao incompleto, na proporção de um doze
avos por mês de efetivo exercício, ou fração superior a quatorze dias. (Incluído pela
Lei nº 8.216, de 13.8.91)
§ 4o A indenização será calculada com base na remuneração do mês em que for publicado
o ato exoneratório. (Incluído pela Lei nº 8.216, de 13.8.91)
§ 5o Em caso de parcelamento, o servidor receberá o valor adicional previsto no inciso
XVII do art. 7o da Constituição Federal quando da utilização do primeiro
período. (Incluído pela Lei nº 9.525, de 10.12.97)
Art. 79. O servidor que opera direta e permanentemente com Raios X ou substâncias
radioativas gozará 20 (vinte) dias consecutivos de férias, por semestre de atividade
profissional, proibida em qualquer hipótese a acumulação.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Art. 80. As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública,
comoção interna, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do
serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou entidade. (Redação dada pela
Lei nº 9.527, de 10.12.97) (Vide Lei nº 9.525, de 1997)
Parágrafo único. O restante do período interrompido será gozado de uma só vez,
observado o disposto no art. 77. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Capítulo IV
Das Licenças
Seção I
Disposições Gerais
Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença:
I - por motivo de doença em pessoa da família;
II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
III - para o serviço militar;
IV - para atividade política;
V - para capacitação; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
VI - para tratar de interesses particulares;
VII - para desempenho de mandato classista.
§ 1o A licença prevista no inciso I do caput deste artigo bem como cada uma de suas
prorrogações serão precedidas de exame por perícia médica oficial, observado o disposto no
art. 204 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 2o (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença prevista
no inciso I deste artigo.
Art. 82. A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mesma
espécie será considerada como prorrogação.
Seção II
Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Família
Art. 83. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou
companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que

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viva a suas expensas e conste do seu assentamento funcional, mediante comprovação por
perícia médica oficial. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 1o A licença somente será deferida se a assistência direta do servidor for indispensável
e não puder ser prestada simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante
compensação de horário, na forma do disposto no inciso II do art. 44. (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o A licença de que trata o caput, incluídas as prorrogações, poderá ser concedida a cada
período de doze meses nas seguintes condições: (Redação dada pela Lei nº 12.269, de
2010)
I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor;
e (Incluído pela Lei nº 12.269, de 2010)
II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem remuneração. (Incluído pela Lei
nº 12.269, de 2010)
§ 3o O início do interstício de 12 (doze) meses será contado a partir da data do deferimento
da primeira licença concedida. (Incluído pela Lei nº 12.269, de 2010)
§ 4o A soma das licenças remuneradas e das licenças não remuneradas, incluídas as
respectivas prorrogações, concedidas em um mesmo período de 12 (doze) meses, observado
o disposto no § 3o, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos nos incisos I e II do §
2o. (Incluído pela Lei nº 12.269, de 2010)

Seção III
Da Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge
Art. 84. Poderá ser concedida licença ao servidor para acompanhar cônjuge ou
companheiro que foi deslocado para outro ponto do território nacional, para o exterior ou
para o exercício de mandato eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo.
§ 1o A licença será por prazo indeterminado e sem remuneração.
§ 2o No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou companheiro também seja servidor
público, civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, poderá haver exercício provisório em órgão ou entidade da Administração
Federal direta, autárquica ou fundacional, desde que para o exercício de atividade compatível
com o seu cargo. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Seção IV
Da Licença para o Serviço Militar
Art. 85. Ao servidor convocado para o serviço militar será concedida licença, na forma e
condições previstas na legislação específica.

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Parágrafo único. Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 (trinta) dias sem
remuneração para reassumir o exercício do cargo.
Seção V
Da Licença para Atividade Política
Art. 86. O servidor terá direito a licença, sem remuneração, durante o período que
mediar entre a sua escolha em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo, e a
véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.
§ 1o O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde desempenha suas funções e
que exerça cargo de direção, chefia, assessoramento, arrecadação ou fiscalização, dele será
afastado, a partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral,
até o décimo dia seguinte ao do pleito. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o A partir do registro da candidatura e até o décimo dia seguinte ao da eleição, o
servidor fará jus à licença, assegurados os vencimentos do cargo efetivo, somente pelo
período de três meses. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Seção VI
Da Licença para Capacitação
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 87. Após cada qüinqüênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da
Administração, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por
até três meses, para participar de curso de capacitação profissional. (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (Vide Decreto nº 5.707, de 2006)
Parágrafo único. Os períodos de licença de que trata o caput não são
acumuláveis. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 88. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 89. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 90. (VETADO).
Seção VII
Da Licença para Tratar de Interesses Particulares
Art. 91. A critério da Administração, poderão ser concedidas ao servidor ocupante de
cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório, licenças para o trato de assuntos
particulares pelo prazo de até três anos consecutivos, sem remuneração. (Redação
dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

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Parágrafo único. A licença poderá ser interrompida, a qualquer tempo, a pedido do servidor
ou no interesse do serviço. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)

Seção VIII
Da Licença para o Desempenho de Mandato Classista
Art. 92. É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o
desempenho de mandato em confederação, federação, associação de classe de âmbito
nacional, sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão ou,
ainda, para participar de gerência ou administração em sociedade cooperativa constituída por
servidores públicos para prestar serviços a seus membros, observado o disposto na alínea c
do inciso VIII do art. 102 desta Lei, conforme disposto em regulamento e observados os
seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 11.094, de 2005) (Regulamento)
I - para entidades com até 5.000 (cinco mil) associados, 2 (dois)
servidores; (Redação dada pela Lei nº 12.998, de 2014)
II - para entidades com 5.001 (cinco mil e um) a 30.000 (trinta mil) associados, 4 (quatro)
servidores; (Redação dada pela Lei nº 12.998, de 2014)
III - para entidades com mais de 30.000 (trinta mil) associados, 8 (oito)
servidores. (Redação dada pela Lei nº 12.998, de 2014)

§ 1o Somente poderão ser licenciados os servidores eleitos para cargos de direção ou de


representação nas referidas entidades, desde que cadastradas no órgão
competente. (Redação dada pela Lei nº 12.998, de 2014)
§ 2o A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser renovada, no caso de
reeleição. (Redação dada pela Lei nº 12.998, de 2014)
Capítulo V
Dos Afastamentos
Seção I
Do Afastamento para Servir a Outro Órgão ou Entidade
Art. 93. O servidor poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade dos
Poderes da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos Municípios, nas seguintes
hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 8.270, de 17.12.91) (Regulamento) (Vide
Decreto nº 4.493, de 3.12.2002) (Vide Decreto nº 5.213, de 2004) (Vide Decreto nº
9.144, de 2017)

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I - para exercício de cargo em comissão ou função de confiança; (Redação dada pela


Lei nº 8.270, de 17.12.91)
II - em casos previstos em leis específicas. (Redação dada pela Lei nº 8.270, de
17.12.91)
§ 1o Na hipótese do inciso I, sendo a cessão para órgãos ou entidades dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios, o ônus da remuneração será do órgão ou entidade
cessionária, mantido o ônus para o cedente nos demais casos. (Redação dada
pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)
§ 2º Na hipótese de o servidor cedido a empresa pública ou sociedade de economia
mista, nos termos das respectivas normas, optar pela remuneração do cargo efetivo ou pela
remuneração do cargo efetivo acrescida de percentual da retribuição do cargo em comissão,
a entidade cessionária efetuará o reembolso das despesas realizadas pelo órgão ou entidade
de origem. (Redação dada pela Lei nº 11.355, de 2006)
§ 3o A cessão far-se-á mediante Portaria publicada no Diário Oficial da
União. (Redação dada pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)
§ 4o Mediante autorização expressa do Presidente da República, o servidor do Poder
Executivo poderá ter exercício em outro órgão da Administração Federal direta que não tenha
quadro próprio de pessoal, para fim determinado e a prazo certo. (Incluído pela Lei
nº 8.270, de 17.12.91)

§ 5º Aplica-se à União, em se tratando de empregado ou servidor por ela requisitado, as


disposições dos §§ 1º e 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.470, de
25.6.2002)
§ 6º As cessões de empregados de empresa pública ou de sociedade de economia mista,
que receba recursos de Tesouro Nacional para o custeio total ou parcial da sua folha de
pagamento de pessoal, independem das disposições contidas nos incisos I e II e §§ 1º e
2º deste artigo, ficando o exercício do empregado cedido condicionado a autorização
específica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, exceto nos casos de ocupação
de cargo em comissão ou função gratificada. (Incluído pela Lei nº 10.470, de
25.6.2002)
§ 7° O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com a finalidade de promover
a composição da força de trabalho dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal,
poderá determinar a lotação ou o exercício de empregado ou servidor, independentemente
da observância do constante no inciso I e nos §§ 1º e 2º deste artigo. (Incluído pela
Lei nº 10.470, de 25.6.2002) (Vide Decreto nº 5.375, de 2005)
Seção II
Do Afastamento para Exercício de Mandato Eletivo

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Art. 94. Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-se as seguintes disposições:


I - tratando-se de mandato federal, estadual ou distrital, ficará afastado do cargo;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar
pela sua remuneração;
III - investido no mandato de vereador:
a) havendo compatibilidade de horário, perceberá as vantagens de seu cargo, sem
prejuízo da remuneração do cargo eletivo;
b) não havendo compatibilidade de horário, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado
optar pela sua remuneração.
§ 1o No caso de afastamento do cargo, o servidor contribuirá para a seguridade social
como se em exercício estivesse.
§ 2o O servidor investido em mandato eletivo ou classista não poderá ser removido ou
redistribuído de ofício para localidade diversa daquela onde exerce o mandato.
Seção III
Do Afastamento para Estudo ou Missão no Exterior
Art. 95. O servidor não poderá ausentar-se do País para estudo ou missão oficial, sem
autorização do Presidente da República, Presidente dos Órgãos do Poder Legislativo e
Presidente do Supremo Tribunal Federal. (Vide Decreto nº 1.387, de 1995)
§ 1o A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo, somente
decorrido igual período, será permitida nova ausência.
§ 2o Ao servidor beneficiado pelo disposto neste artigo não será concedida exoneração
ou licença para tratar de interesse particular antes de decorrido período igual ao do
afastamento, ressalvada a hipótese de ressarcimento da despesa havida com seu
afastamento.
§ 3o O disposto neste artigo não se aplica aos servidores da carreira diplomática.
§ 4o As hipóteses, condições e formas para a autorização de que trata este artigo,
inclusive no que se refere à remuneração do servidor, serão disciplinadas em
regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 96. O afastamento de servidor para servir em organismo internacional de que o Brasil
participe ou com o qual coopere dar-se-á com perda total da remuneração. (Vide
Decreto nº 3.456, de 2000)
Seção IV
(Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)

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Do Afastamento para Participação em Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu no País


Art. 96-A. O servidor poderá, no interesse da Administração, e desde que a participação não
possa ocorrer simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante compensação de
horário, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, para
participar em programa de pós-graduação stricto sensu em instituição de ensino superior no
País. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 1o Ato do dirigente máximo do órgão ou entidade definirá, em conformidade com a
legislação vigente, os programas de capacitação e os critérios para participação em programas
de pós-graduação no País, com ou sem afastamento do servidor, que serão avaliados por um
comitê constituído para este fim. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 2o Os afastamentos para realização de programas de mestrado e doutorado somente serão
concedidos aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo órgão ou entidade há pelo
menos 3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para doutorado, incluído o período de
estágio probatório, que não tenham se afastado por licença para tratar de assuntos
particulares para gozo de licença capacitação ou com fundamento neste artigo nos 2 (dois)
anos anteriores à data da solicitação de afastamento. (Incluído pela Lei nº 11.907, de
2009)
§ 3o Os afastamentos para realização de programas de pós-doutorado somente serão
concedidos aos servidores titulares de cargos efetivo no respectivo órgão ou entidade há pelo
menos quatro anos, incluído o período de estágio probatório, e que não tenham se afastado
por licença para tratar de assuntos particulares ou com fundamento neste artigo, nos quatro
anos anteriores à data da solicitação de afastamento. (Redação dada pela Lei nº
12.269, de 2010)
§ 4o Os servidores beneficiados pelos afastamentos previstos nos §§ 1o, 2o e 3o deste artigo
terão que permanecer no exercício de suas funções após o seu retorno por um período igual
ao do afastamento concedido. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 5o Caso o servidor venha a solicitar exoneração do cargo ou aposentadoria, antes de
cumprido o período de permanência previsto no § 4o deste artigo, deverá ressarcir o órgão ou
entidade, na forma do art. 47 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dos gastos com seu
aperfeiçoamento. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 6o Caso o servidor não obtenha o título ou grau que justificou seu afastamento no período
previsto, aplica-se o disposto no § 5o deste artigo, salvo na hipótese comprovada de força
maior ou de caso fortuito, a critério do dirigente máximo do órgão ou
entidade. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 7o Aplica-se à participação em programa de pós-graduação no Exterior, autorizado nos
termos do art. 95 desta Lei, o disposto nos §§ 1o a 6o deste artigo. (Incluído pela Lei nº
11.907, de 2009)

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Capítulo VI
Das Concessões
Art. 97. Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar-se do serviço:
I - por 1 (um) dia, para doação de sangue;
II - pelo período comprovadamente necessário para alistamento ou recadastramento
eleitoral, limitado, em qualquer caso, a 2 (dois) dias; (Redação dada pela Lei nº 12.998,
de 2014)
III - por 8 (oito) dias consecutivos em razão de :
a) casamento;
b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados,
menor sob guarda ou tutela e irmãos.
Art. 98. Será concedido horário especial ao servidor estudante, quando comprovada a
incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, sem prejuízo do exercício do
cargo.
§ 1o Para efeito do disposto neste artigo, será exigida a compensação de horário no órgão
ou entidade que tiver exercício, respeitada a duração semanal do trabalho. (Parágrafo
renumerado e alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o Também será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência,
quando comprovada a necessidade por junta médica oficial, independentemente de
compensação de horário. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o As disposições constantes do § 2o são extensivas ao servidor que tenha cônjuge, filho
ou dependente com deficiência. (Redação dada pela Lei nº 13.370, de 2016)
§ 4o Será igualmente concedido horário especial, vinculado à compensação de horário a
ser efetivada no prazo de até 1 (um) ano, ao servidor que desempenhe atividade prevista nos
incisos I e II do caput do art. 76-A desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.501, de 2007)
Art. 99. Ao servidor estudante que mudar de sede no interesse da administração é
assegurada, na localidade da nova residência ou na mais próxima, matrícula em instituição de
ensino congênere, em qualquer época, independentemente de vaga.
Parágrafo único. O disposto neste artigo estende-se ao cônjuge ou companheiro, aos
filhos, ou enteados do servidor que vivam na sua companhia, bem como aos menores sob sua
guarda, com autorização judicial.
Capítulo VII
Do Tempo de Serviço

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Art. 100. É contado para todos os efeitos o tempo de serviço público federal, inclusive o
prestado às Forças Armadas.
Art. 101. A apuração do tempo de serviço será feita em dias, que serão convertidos em
anos, considerado o ano como de trezentos e sessenta e cinco dias.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 102. Além das ausências ao serviço previstas no art. 97, são considerados como de
efetivo exercício os afastamentos em virtude de: (Vide Decreto nº 5.707, de 2006)
I - férias;
II - exercício de cargo em comissão ou equivalente, em órgão ou entidade dos Poderes da
União, dos Estados, Municípios e Distrito Federal;
III - exercício de cargo ou função de governo ou administração, em qualquer parte do
território nacional, por nomeação do Presidente da República;
IV - participação em programa de treinamento regularmente instituído ou em programa
de pós-graduação stricto sensu no País, conforme dispuser o regulamento; (Redação
dada pela Lei nº 11.907, de 2009) (Vide Decreto nº 5.707, de 2006)
V - desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal,
exceto para promoção por merecimento;
VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;
VII - missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme dispuser
o regulamento; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (Vide Decreto nº
5.707, de 2006)
VIII - licença:
a) à gestante, à adotante e à paternidade;
b) para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao
longo do tempo de serviço público prestado à União, em cargo de provimento
efetivo; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
c) para o desempenho de mandato classista ou participação de gerência ou administração
em sociedade cooperativa constituída por servidores para prestar serviços a seus membros,
exceto para efeito de promoção por merecimento; (Redação dada pela Lei nº 11.094,
de 2005)
d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional;
e) para capacitação, conforme dispuser o regulamento; (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)

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f) por convocação para o serviço militar;


IX - deslocamento para a nova sede de que trata o art. 18;
X - participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar
representação desportiva nacional, no País ou no exterior, conforme disposto em lei
específica;
XI - afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com
o qual coopere. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 103. Contar-se-á apenas para efeito de aposentadoria e disponibilidade:
I - o tempo de serviço público prestado aos Estados, Municípios e Distrito Federal;
II - a licença para tratamento de saúde de pessoal da família do servidor, com
remuneração, que exceder a 30 (trinta) dias em período de 12 (doze) meses. (Redação
dada pela Lei nº 12.269, de 2010)
III - a licença para atividade política, no caso do art. 86, § 2o;
IV - o tempo correspondente ao desempenho de mandato eletivo federal, estadual,
municipal ou distrital, anterior ao ingresso no serviço público federal;
V - o tempo de serviço em atividade privada, vinculada à Previdência Social;
VI - o tempo de serviço relativo a tiro de guerra;
VII - o tempo de licença para tratamento da própria saúde que exceder o prazo a que se
refere a alínea "b" do inciso VIII do art. 102. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o O tempo em que o servidor esteve aposentado será contado apenas para nova
aposentadoria.
§ 2o Será contado em dobro o tempo de serviço prestado às Forças Armadas em
operações de guerra.
§ 3o É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado concomitantemente
em mais de um cargo ou função de órgão ou entidades dos Poderes da União, Estado, Distrito
Federal e Município, autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista e empresa
pública.
Capítulo VIII
Do Direito de Petição
Art. 104. É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa
de direito ou interesse legítimo.

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Art. 105. O requerimento será dirigido à autoridade competente para decidi-lo e


encaminhado por intermédio daquela a que estiver imediatamente subordinado o
requerente.
Art. 106. Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou
proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado. (Vide Lei nº 12.300, de
2010)
Parágrafo único. O requerimento e o pedido de reconsideração de que tratam os artigos
anteriores deverão ser despachados no prazo de 5 (cinco) dias e decididos dentro de 30
(trinta) dias.
Art. 107. Caberá recurso: (Vide Lei nº 12.300, de 2010)
I - do indeferimento do pedido de reconsideração;
II - das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos.
§ 1o O recurso será dirigido à autoridade imediatamente superior à que tiver expedido o
ato ou proferido a decisão, e, sucessivamente, em escala ascendente, às demais autoridades.
§ 2o O recurso será encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver
imediatamente subordinado o requerente.
Art. 108. O prazo para interposição de pedido de reconsideração ou de recurso é de 30
(trinta) dias, a contar da publicação ou da ciência, pelo interessado, da decisão
recorrida. (Vide Lei nº 12.300, de 2010)

Art. 109. O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo, a juízo da autoridade
competente.
Parágrafo único. Em caso de provimento do pedido de reconsideração ou do recurso, os
efeitos da decisão retroagirão à data do ato impugnado.
Art. 110. O direito de requerer prescreve:
I - em 5 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou que afetem interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de
trabalho;
II - em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em
lei.
Parágrafo único. O prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato
impugnado ou da data da ciência pelo interessado, quando o ato não for publicado.
Art. 111. O pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a
prescrição.

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Art. 112. A prescrição é de ordem pública, não podendo ser relevada pela administração.
Art. 113. Para o exercício do direito de petição, é assegurada vista do processo ou
documento, na repartição, ao servidor ou a procurador por ele constituído.
Art. 114. A administração deverá rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de
ilegalidade.
Art. 115. São fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos neste Capítulo, salvo motivo
de força maior.
Título IV
Do Regime Disciplinar
Capítulo I
Dos Deveres
Art. 116. São deveres do servidor:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas
por sigilo;

b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de


situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da
autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de
outra autoridade competente para apuração; (Redação dada pela Lei nº 12.527, de
2011)
VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;

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XI - tratar com urbanidade as pessoas;


XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via
hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada,
assegurando-se ao representando ampla defesa.
Capítulo II
Das Proibições
Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-45, de
4.9.2001)
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe
imediato;
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou
objeto da repartição;
III - recusar fé a documentos públicos;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução
de serviço;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o
desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou
sindical, ou a partido político;
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da
dignidade da função pública;
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou
comanditário; (Redação dada pela Lei nº 11.784, de 2008
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando
se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de
cônjuge ou companheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de
suas atribuições;

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XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;


XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares;
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em
situações de emergência e transitórias;
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho;
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. (Incluído
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica
nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008
I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que
a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade
cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e (Incluído pela Lei nº
11.784, de 2008
II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei,
observada a legislação sobre conflito de interesses. (Incluído pela Lei nº 11.784, de
2008
Capítulo III
Da Acumulação
Art. 118. Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação
remunerada de cargos públicos.
§ 1o A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em autarquias,
fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito
Federal, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios.
§ 2o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da
compatibilidade de horários.
§ 3o Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego
público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas
remunerações forem acumuláveis na atividade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)

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Art. 119. O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso
previsto no parágrafo único do art. 9o, nem ser remunerado pela participação em órgão de
deliberação coletiva. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à remuneração devida pela
participação em conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de
economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades
em que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital social, observado o
que, a respeito, dispuser legislação específica. (Redação dada pela Medida Provisória
nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Art. 120. O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acumular licitamente dois cargos
efetivos, quando investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado de ambos
os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com o
exercício de um deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades
envolvidos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Capítulo IV
Das Responsabilidades
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular
de suas atribuições.
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou
culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
§ 1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na
forma prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela
via judicial.
§ 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda
Pública, em ação regressiva.
§ 3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será
executada, até o limite do valor da herança recebida.
Art. 123. A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao
servidor, nessa qualidade.
Art. 124. A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo
praticado no desempenho do cargo ou função.
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de
absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.

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Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou


administrativamente por dar ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de
envolvimento desta, a outra autoridade competente para apuração de informação
concernente à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em
decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública. (Incluído pela Lei nº
12.527, de 2011)
Capítulo V
Das Penalidades
Art. 127. São penalidades disciplinares:
I - advertência;
II - suspensão;
III - demissão;
IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade; (Vide ADPF nº 418)
V - destituição de cargo em comissão;
VI - destituição de função comissionada.
Art. 128. Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da
infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias
agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais.
Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento
legal e a causa da sanção disciplinar. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição
constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em
lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais
grave. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com
advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a
penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
§ 1o Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que,
injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela
autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez cumprida a
determinação.
§ 2o Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser
convertida em multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por dia de vencimento ou
remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço.

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Art. 131. As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados,


após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor
não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar.
Parágrafo único. O cancelamento da penalidade não surtirá efeitos retroativos.
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
III - inassiduidade habitual;
IV - improbidade administrativa;
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI - insubordinação grave em serviço;
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria
ou de outrem;
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI - corrupção;
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.

Art. 133. Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou


funções públicas, a autoridade a que se refere o art. 143 notificará o servidor, por intermédio
de sua chefia imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de dez dias, contados
da data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará procedimento sumário para a sua
apuração e regularização imediata, cujo processo administrativo disciplinar se desenvolverá
nas seguintes fases: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por
dois servidores estáveis, e simultaneamente indicar a autoria e a materialidade da
transgressão objeto da apuração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e relatório; (Incluído
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
III - julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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§ 1o A indicação da autoria de que trata o inciso I dar-se-á pelo nome e matrícula do


servidor, e a materialidade pela descrição dos cargos, empregos ou funções públicas em
situação de acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de ingresso,
do horário de trabalho e do correspondente regime jurídico. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)
§ 2o A comissão lavrará, até três dias após a publicação do ato que a constituiu, termo de
indiciação em que serão transcritas as informações de que trata o parágrafo anterior, bem
como promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, ou por intermédio de sua chefia
imediata, para, no prazo de cinco dias, apresentar defesa escrita, assegurando-se-lhe vista do
processo na repartição, observado o disposto nos arts. 163 e 164. (Redação dada pela
Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência
ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, opinará
sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal e remeterá
o processo à autoridade instauradora, para julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§ 4o No prazo de cinco dias, contados do recebimento do processo, a autoridade
julgadora proferirá a sua decisão, aplicando-se, quando for o caso, o disposto no § 3o do art.
167. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§ 5o A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé,
hipótese em que se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro
cargo. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 6o Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de
demissão, destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos
cargos, empregos ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os
órgãos ou entidades de vinculação serão comunicados. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§ 7o O prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar submetido ao rito
sumário não excederá trinta dias, contados da data de publicação do ato que constituir a
comissão, admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as circunstâncias o
exigirem. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 8o O procedimento sumário rege-se pelas disposições deste artigo, observando-se, no
que lhe for aplicável, subsidiariamente, as disposições dos Títulos IV e V desta
Lei. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 134. Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver
praticado, na atividade, falta punível com a demissão. (Vide ADPF nº 418)

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Art. 135. A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo
será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.
Parágrafo único. Constatada a hipótese de que trata este artigo, a exoneração efetuada
nos termos do art. 35 será convertida em destituição de cargo em comissão.
Art. 136. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dos incisos IV,
VIII, X e XI do art. 132, implica a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem
prejuízo da ação penal cabível.
Art. 137. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência do art. 117,
incisos IX e XI, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal,
pelo prazo de 5 (cinco) anos. (Vide ADIN 2975)
Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for
demitido ou destituído do cargo em comissão por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X
e XI.
Art. 138. Configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço por
mais de trinta dias consecutivos.
Art. 139. Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa justificada,
por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses.
Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será
adotado o procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente
que: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - a indicação da materialidade dar-se-á: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do período de ausência
intencional do servidor ao serviço superior a trinta dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa
justificada, por período igual ou superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período
de doze meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à
inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos,
indicará o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo, sobre a
intencionalidade da ausência ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo à
autoridade instauradora para julgamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas:
I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos
Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da República, quando se tratar de demissão e

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cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder,


órgão, ou entidade;
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas
mencionadas no inciso anterior quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias;
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos
ou regulamentos, nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de
cargo em comissão.
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
§ 1o O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.
§ 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares
capituladas também como crime.
§ 3o A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a
prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente.
§ 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em
que cessar a interrupção.
Título V
Do Processo Administrativo Disciplinar
Capítulo I
Disposições Gerais
Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo
disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
§ 1o (Revogado pela Lei nº 11.204, de 2005)
§ 2o (Revogado pela Lei nº 11.204, de 2005)
§ 3o A apuração de que trata o caput, por solicitação da autoridade a que se refere,
poderá ser promovida por autoridade de órgão ou entidade diverso daquele em que tenha
ocorrido a irregularidade, mediante competência específica para tal finalidade, delegada em

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caráter permanente ou temporário pelo Presidente da República, pelos presidentes das Casas
do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da República, no âmbito
do respectivo Poder, órgão ou entidade, preservadas as competências para o julgamento que
se seguir à apuração. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 144. As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que
contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito,
confirmada a autenticidade.
Parágrafo único. Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar ou
ilícito penal, a denúncia será arquivada, por falta de objeto.
Art. 145. Da sindicância poderá resultar:
I - arquivamento do processo;
II - aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 (trinta) dias;
III - instauração de processo disciplinar.
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias,
podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.
Art. 146. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade
de suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a instauração de
processo disciplinar.

Capítulo II
Do Afastamento Preventivo
Art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração
da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar
o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo
da remuneração.
Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual
cessarão os seus efeitos, ainda que não concluído o processo.
Capítulo III
Do Processo Disciplinar
Art. 148. O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de
servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as
atribuições do cargo em que se encontre investido.

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Art. 149. O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores
estáveis designados pela autoridade competente, observado o disposto no § 3o do art. 143,
que indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior
ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do
indiciado. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o A Comissão terá como secretário servidor designado pelo seu presidente, podendo
a indicação recair em um de seus membros.
§ 2o Não poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge,
companheiro ou parente do acusado, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o
terceiro grau.
Art. 150. A Comissão exercerá suas atividades com independência e imparcialidade,
assegurado o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da administração.
Parágrafo único. As reuniões e as audiências das comissões terão caráter reservado.
Art. 151. O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão;
II - inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório;
III - julgamento.
Art. 152. O prazo para a conclusão do processo disciplinar não excederá 60
(sessenta) dias, contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a
sua prorrogação por igual prazo, quando as circunstâncias o exigirem.
§ 1o Sempre que necessário, a comissão dedicará tempo integral aos seus trabalhos,
ficando seus membros dispensados do ponto, até a entrega do relatório final.
§ 2o As reuniões da comissão serão registradas em atas que deverão detalhar as
deliberações adotadas.
Seção I
Do Inquérito
Art. 153. O inquérito administrativo obedecerá ao princípio do contraditório, assegurada
ao acusado ampla defesa, com a utilização dos meios e recursos admitidos em direito.
Art. 154. Os autos da sindicância integrarão o processo disciplinar, como peça
informativa da instrução.
Parágrafo único. Na hipótese de o relatório da sindicância concluir que a infração está
capitulada como ilícito penal, a autoridade competente encaminhará cópia dos autos ao
Ministério Público, independentemente da imediata instauração do processo disciplinar.

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Art. 155. Na fase do inquérito, a comissão promoverá a tomada de depoimentos,


acareações, investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova, recorrendo,
quando necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir a completa elucidação dos fatos.
Art. 156. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o processo pessoalmente ou
por intermédio de procurador, arrolar e reinquirir testemunhas, produzir provas e
contraprovas e formular quesitos, quando se tratar de prova pericial.
§ 1o O presidente da comissão poderá denegar pedidos considerados impertinentes,
meramente protelatórios, ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos fatos.
§ 2o Será indeferido o pedido de prova pericial, quando a comprovação do fato
independer de conhecimento especial de perito.
Art. 157. As testemunhas serão intimadas a depor mediante mandado expedido pelo
presidente da comissão, devendo a segunda via, com o ciente do interessado, ser anexado aos
autos.
Parágrafo único. Se a testemunha for servidor público, a expedição do mandado será
imediatamente comunicada ao chefe da repartição onde serve, com a indicação do dia e hora
marcados para inquirição.
Art. 158. O depoimento será prestado oralmente e reduzido a termo, não sendo lícito à
testemunha trazê-lo por escrito.
§ 1o As testemunhas serão inquiridas separadamente.

§ 2o Na hipótese de depoimentos contraditórios ou que se infirmem, proceder-se-á à


acareação entre os depoentes.
Art. 159. Concluída a inquirição das testemunhas, a comissão promoverá o interrogatório
do acusado, observados os procedimentos previstos nos arts. 157 e 158.
§ 1o No caso de mais de um acusado, cada um deles será ouvido separadamente, e
sempre que divergirem em suas declarações sobre fatos ou circunstâncias, será promovida a
acareação entre eles.
§ 2o O procurador do acusado poderá assistir ao interrogatório, bem como à inquirição
das testemunhas, sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e respostas, facultando-se-lhe,
porém, reinquiri-las, por intermédio do presidente da comissão.
Art. 160. Quando houver dúvida sobre a sanidade mental do acusado, a comissão
proporá à autoridade competente que ele seja submetido a exame por junta médica oficial,
da qual participe pelo menos um médico psiquiatra.
Parágrafo único. O incidente de sanidade mental será processado em auto apartado e
apenso ao processo principal, após a expedição do laudo pericial.

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Art. 161. Tipificada a infração disciplinar, será formulada a indiciação do servidor, com a
especificação dos fatos a ele imputados e das respectivas provas.
§ 1o O indiciado será citado por mandado expedido pelo presidente da comissão para
apresentar defesa escrita, no prazo de 10 (dez) dias, assegurando-se-lhe vista do processo na
repartição.
§ 2o Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será comum e de 20 (vinte) dias.
§ 3o O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para diligências reputadas
indispensáveis.
§ 4o No caso de recusa do indiciado em apor o ciente na cópia da citação, o prazo para
defesa contar-se-á da data declarada, em termo próprio, pelo membro da comissão que fez a
citação, com a assinatura de (2) duas testemunhas.
Art. 162. O indiciado que mudar de residência fica obrigado a comunicar à comissão o
lugar onde poderá ser encontrado.
Art. 163. Achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital,
publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último
domicílio conhecido, para apresentar defesa.
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o prazo para defesa será de 15 (quinze) dias a
partir da última publicação do edital.
Art. 164. Considerar-se-á revel o indiciado que, regularmente citado, não apresentar
defesa no prazo legal.
§ 1o A revelia será declarada, por termo, nos autos do processo e devolverá o prazo para
a defesa.
§ 2o Para defender o indiciado revel, a autoridade instauradora do processo designará
um servidor como defensor dativo, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de
mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 165. Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório minucioso, onde resumirá
as peças principais dos autos e mencionará as provas em que se baseou para formar a sua
convicção.
§ 1o O relatório será sempre conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do
servidor.
§ 2o Reconhecida a responsabilidade do servidor, a comissão indicará o dispositivo legal
ou regulamentar transgredido, bem como as circunstâncias agravantes ou atenuantes.

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Art. 166. O processo disciplinar, com o relatório da comissão, será remetido à autoridade
que determinou a sua instauração, para julgamento.
Seção II
Do Julgamento
Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade
julgadora proferirá a sua decisão.
§ 1o Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da autoridade instauradora do
processo, este será encaminhado à autoridade competente, que decidirá em igual prazo.
§ 2o Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o julgamento caberá à
autoridade competente para a imposição da pena mais grave.
§ 3o Se a penalidade prevista for a demissão ou cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, o julgamento caberá às autoridades de que trata o inciso I do art. 141.
§ 4o Reconhecida pela comissão a inocência do servidor, a autoridade instauradora do
processo determinará o seu arquivamento, salvo se flagrantemente contrária à prova dos
autos. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 168. O julgamento acatará o relatório da comissão, salvo quando contrário às provas
dos autos.
Parágrafo único. Quando o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a
autoridade julgadora poderá, motivadamente, agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou
isentar o servidor de responsabilidade.
Art. 169. Verificada a ocorrência de vício insanável, a autoridade que determinou a
instauração do processo ou outra de hierarquia superior declarará a sua nulidade, total ou
parcial, e ordenará, no mesmo ato, a constituição de outra comissão para instauração de novo
processo. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 1o O julgamento fora do prazo legal não implica nulidade do processo.
§ 2o A autoridade julgadora que der causa à prescrição de que trata o art. 142, § 2o, será
responsabilizada na forma do Capítulo IV do Título IV.
Art. 170. Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade julgadora determinará o
registro do fato nos assentamentos individuais do servidor.
Art. 171. Quando a infração estiver capitulada como crime, o processo disciplinar será
remetido ao Ministério Público para instauração da ação penal, ficando trasladado na
repartição.

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Art. 172. O servidor que responder a processo disciplinar só poderá ser exonerado a
pedido, ou aposentado voluntariamente, após a conclusão do processo e o cumprimento da
penalidade, acaso aplicada.
Parágrafo único. Ocorrida a exoneração de que trata o parágrafo único, inciso I do art.
34, o ato será convertido em demissão, se for o caso.
Art. 173. Serão assegurados transporte e diárias:
I - ao servidor convocado para prestar depoimento fora da sede de sua repartição, na
condição de testemunha, denunciado ou indiciado;
II - aos membros da comissão e ao secretário, quando obrigados a se deslocarem da sede
dos trabalhos para a realização de missão essencial ao esclarecimento dos fatos.
Seção III
Da Revisão do Processo
Art. 174. O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou de
ofício, quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência
do punido ou a inadequação da penalidade aplicada.
§ 1o Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer pessoa
da família poderá requerer a revisão do processo.
§ 2o No caso de incapacidade mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo
curador.

Art. 175. No processo revisional, o ônus da prova cabe ao requerente.


Art. 176. A simples alegação de injustiça da penalidade não constitui fundamento para a
revisão, que requer elementos novos, ainda não apreciados no processo originário.
Art. 177. O requerimento de revisão do processo será dirigido ao Ministro de Estado ou
autoridade equivalente, que, se autorizar a revisão, encaminhará o pedido ao dirigente do
órgão ou entidade onde se originou o processo disciplinar.
Parágrafo único. Deferida a petição, a autoridade competente providenciará a
constituição de comissão, na forma do art. 149.
Art. 178. A revisão correrá em apenso ao processo originário.
Parágrafo único. Na petição inicial, o requerente pedirá dia e hora para a produção de
provas e inquirição das testemunhas que arrolar.
Art. 179. A comissão revisora terá 60 (sessenta) dias para a conclusão dos trabalhos.
Art. 180. Aplicam-se aos trabalhos da comissão revisora, no que couber, as normas e
procedimentos próprios da comissão do processo disciplinar.

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Art. 181. O julgamento caberá à autoridade que aplicou a penalidade, nos termos do art.
141.
Parágrafo único. O prazo para julgamento será de 20 (vinte) dias, contados do
recebimento do processo, no curso do qual a autoridade julgadora poderá determinar
diligências.
Art. 182. Julgada procedente a revisão, será declarada sem efeito a penalidade aplicada,
restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição do cargo em
comissão, que será convertida em exoneração.
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento de
penalidade.
Título VI
Da Seguridade Social do Servidor
Capítulo I
Disposições Gerais
Art. 183. A União manterá Plano de Seguridade Social para o servidor e sua família.
§ 1o O servidor ocupante de cargo em comissão que não seja, simultaneamente, ocupante
de cargo ou emprego efetivo na administração pública direta, autárquica e fundacional não
terá direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social, com exceção da assistência à
saúde. (Redação dada pela Lei nº 10.667, de 14.5.2003)

§ 2o O servidor afastado ou licenciado do cargo efetivo, sem direito à remuneração,


inclusive para servir em organismo oficial internacional do qual o Brasil seja membro efetivo
ou com o qual coopere, ainda que contribua para regime de previdência social no exterior,
terá suspenso o seu vínculo com o regime do Plano de Seguridade Social do Servidor Público
enquanto durar o afastamento ou a licença, não lhes assistindo, neste período, os benefícios
do mencionado regime de previdência. (Incluído pela Lei nº 10.667, de 14.5.2003)
§ 3o Será assegurada ao servidor licenciado ou afastado sem remuneração a manutenção
da vinculação ao regime do Plano de Seguridade Social do Servidor Público, mediante o
recolhimento mensal da respectiva contribuição, no mesmo percentual devido pelos
servidores em atividade, incidente sobre a remuneração total do cargo a que faz jus no
exercício de suas atribuições, computando-se, para esse efeito, inclusive, as vantagens
pessoais. (Incluído pela Lei nº 10.667, de 14.5.2003)
§ 4o O recolhimento de que trata o § 3o deve ser efetuado até o segundo dia útil após a
data do pagamento das remunerações dos servidores públicos, aplicando-se os
procedimentos de cobrança e execução dos tributos federais quando não recolhidas na data
de vencimento. (Incluído pela Lei nº 10.667, de 14.5.2003)

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Art. 184. O Plano de Seguridade Social visa a dar cobertura aos riscos a que estão sujeitos
o servidor e sua família, e compreende um conjunto de benefícios e ações que atendam às
seguintes finalidades:
I - garantir meios de subsistência nos eventos de doença, invalidez, velhice, acidente em
serviço, inatividade, falecimento e reclusão;
II - proteção à maternidade, à adoção e à paternidade;
III - assistência à saúde.
Parágrafo único. Os benefícios serão concedidos nos termos e condições definidos em
regulamento, observadas as disposições desta Lei.
Art. 185. Os benefícios do Plano de Seguridade Social do servidor compreendem:
I - quanto ao servidor:
a) aposentadoria;
b) auxílio-natalidade;
c) salário-família;
d) licença para tratamento de saúde;
e) licença à gestante, à adotante e licença-paternidade;
f) licença por acidente em serviço;
g) assistência à saúde;
h) garantia de condições individuais e ambientais de trabalho satisfatórias;

II - quanto ao dependente:
a) pensão vitalícia e temporária;
b) auxílio-funeral;
c) auxílio-reclusão;
d) assistência à saúde.
§ 1o As aposentadorias e pensões serão concedidas e mantidas pelos órgãos ou entidades
aos quais se encontram vinculados os servidores, observado o disposto nos arts. 189 e 224.
§ 2o O recebimento indevido de benefícios havidos por fraude, dolo ou má-fé, implicará
devolução ao erário do total auferido, sem prejuízo da ação penal cabível.

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Capítulo II
Dos Benefícios
Seção I
Da Aposentadoria
Art. 186. O servidor será aposentado: (Vide art. 40 da Constituição)
I - por invalidez permanente, sendo os proventos integrais quando decorrente de
acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável,
especificada em lei, e proporcionais nos demais casos;
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo
de serviço;
III - voluntariamente:
a) aos 35 (trinta e cinco) anos de serviço, se homem, e aos 30 (trinta) se mulher, com
proventos integrais;
b) aos 30 (trinta) anos de efetivo exercício em funções de magistério se professor, e 25
(vinte e cinco) se professora, com proventos integrais;
c) aos 30 (trinta) anos de serviço, se homem, e aos 25 (vinte e cinco) se mulher, com
proventos proporcionais a esse tempo;
d) aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e aos 60 (sessenta) se mulher, com
proventos proporcionais ao tempo de serviço.
§ 1o Consideram-se doenças graves, contagiosas ou incuráveis, a que se refere o inciso I
deste artigo, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna,
cegueira posterior ao ingresso no serviço público, hanseníase, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, paralisia irreversível e incapacitante, espondiloartrose anquilosante, nefropatia
grave, estados avançados do mal de Paget (osteíte deformante), Síndrome de
Imunodeficiência Adquirida - AIDS, e outras que a lei indicar, com base na medicina
especializada.
§ 2o Nos casos de exercício de atividades consideradas insalubres ou perigosas, bem
como nas hipóteses previstas no art. 71, a aposentadoria de que trata o inciso III, "a" e "c",
observará o disposto em lei específica.
§ 3o Na hipótese do inciso I o servidor será submetido à junta médica oficial, que atestará
a invalidez quando caracterizada a incapacidade para o desempenho das atribuições do cargo
ou a impossibilidade de se aplicar o disposto no art. 24. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)

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Art. 187. A aposentadoria compulsória será automática, e declarada por ato, com
vigência a partir do dia imediato àquele em que o servidor atingir a idade-limite de
permanência no serviço ativo.
Art. 188. A aposentadoria voluntária ou por invalidez vigorará a partir da data da
publicação do respectivo ato.
§ 1o A aposentadoria por invalidez será precedida de licença para tratamento de saúde,
por período não excedente a 24 (vinte e quatro) meses.
§ 2o Expirado o período de licença e não estando em condições de reassumir o cargo ou
de ser readaptado, o servidor será aposentado.
§ 3o O lapso de tempo compreendido entre o término da licença e a publicação do ato
da aposentadoria será considerado como de prorrogação da licença.
§ 4o Para os fins do disposto no § 1o deste artigo, serão consideradas apenas as licenças
motivadas pela enfermidade ensejadora da invalidez ou doenças
correlacionadas. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 5o A critério da Administração, o servidor em licença para tratamento de saúde ou
aposentado por invalidez poderá ser convocado a qualquer momento, para avaliação das
condições que ensejaram o afastamento ou a aposentadoria. (Incluído pela Lei nº
11.907, de 2009)
Art. 189. O provento da aposentadoria será calculado com observância do disposto no
3o
§ do art. 41, e revisto na mesma data e proporção, sempre que se modificar a remuneração
dos servidores em atividade.
Parágrafo único. São estendidos aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens
posteriormente concedidas aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes de
transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria.
Art. 190. O servidor aposentado com provento proporcional ao tempo de serviço se
acometido de qualquer das moléstias especificadas no § 1 o do art. 186 desta Lei e, por esse
motivo, for considerado inválido por junta médica oficial passará a perceber provento integral,
calculado com base no fundamento legal de concessão da aposentadoria. (Redação
dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
Art. 191. Quando proporcional ao tempo de serviço, o provento não será inferior a 1/3
(um terço) da remuneração da atividade.
Art. 192. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 193. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Art. 194. Ao servidor aposentado será paga a gratificação natalina, até o dia vinte do mês
de dezembro, em valor equivalente ao respectivo provento, deduzido o adiantamento
recebido.
Art. 195. Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas,
durante a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 5.315, de 12 de setembro de
1967, será concedida aposentadoria com provento integral, aos 25 (vinte e cinco) anos de
serviço efetivo.
Seção II
Do Auxílio-Natalidade
Art. 196. O auxílio-natalidade é devido à servidora por motivo de nascimento de filho,
em quantia equivalente ao menor vencimento do serviço público, inclusive no caso de
natimorto.
§ 1o Na hipótese de parto múltiplo, o valor será acrescido de 50% (cinqüenta por cento),
por nascituro.
§ 2o O auxílio será pago ao cônjuge ou companheiro servidor público, quando a
parturiente não for servidora.
Seção III
Do Salário-Família
Art. 197. O salário-família é devido ao servidor ativo ou ao inativo, por dependente
econômico.
Parágrafo único. Consideram-se dependentes econômicos para efeito de percepção do
salário-família:
I - o cônjuge ou companheiro e os filhos, inclusive os enteados até 21 (vinte e um) anos
de idade ou, se estudante, até 24 (vinte e quatro) anos ou, se inválido, de qualquer idade;
II - o menor de 21 (vinte e um) anos que, mediante autorização judicial, viver na
companhia e às expensas do servidor, ou do inativo;
III - a mãe e o pai sem economia própria.
Art. 198. Não se configura a dependência econômica quando o beneficiário do salário-
família perceber rendimento do trabalho ou de qualquer outra fonte, inclusive pensão ou
provento da aposentadoria, em valor igual ou superior ao salário-mínimo.
Art. 199. Quando o pai e mãe forem servidores públicos e viverem em comum, o salário-
família será pago a um deles; quando separados, será pago a um e outro, de acordo com a
distribuição dos dependentes.

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Parágrafo único. Ao pai e à mãe equiparam-se o padrasto, a madrasta e, na falta destes,


os representantes legais dos incapazes.
Art. 200. O salário-família não está sujeito a qualquer tributo, nem servirá de base para
qualquer contribuição, inclusive para a Previdência Social.
Art. 201. O afastamento do cargo efetivo, sem remuneração, não acarreta a suspensão
do pagamento do salário-família.
Seção IV
Da Licença para Tratamento de Saúde
Art. 202. Será concedida ao servidor licença para tratamento de saúde, a pedido ou de
ofício, com base em perícia médica, sem prejuízo da remuneração a que fizer jus.
Art. 203. A licença de que trata o art. 202 desta Lei será concedida com base em perícia
oficial. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 1o Sempre que necessário, a inspeção médica será realizada na residência do servidor
ou no estabelecimento hospitalar onde se encontrar internado.
§ 2o Inexistindo médico no órgão ou entidade no local onde se encontra ou tenha
exercício em caráter permanente o servidor, e não se configurando as hipóteses previstas nos
parágrafos do art. 230, será aceito atestado passado por médico particular. (Redação
dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o No caso do § 2o deste artigo, o atestado somente produzirá efeitos depois de
recepcionado pela unidade de recursos humanos do órgão ou entidade. (Redação dada
pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 4o A licença que exceder o prazo de 120 (cento e vinte) dias no período de 12 (doze)
meses a contar do primeiro dia de afastamento será concedida mediante avaliação por junta
médica oficial. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
§ 5o A perícia oficial para concessão da licença de que trata o caput deste artigo, bem
como nos demais casos de perícia oficial previstos nesta Lei, será efetuada por cirurgiões-
dentistas, nas hipóteses em que abranger o campo de atuação da odontologia. (Incluído pela
Lei nº 11.907, de 2009)
Art. 204. A licença para tratamento de saúde inferior a 15 (quinze) dias, dentro de 1 (um)
ano, poderá ser dispensada de perícia oficial, na forma definida em
regulamento. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
Art. 205. O atestado e o laudo da junta médica não se referirão ao nome ou natureza da
doença, salvo quando se tratar de lesões produzidas por acidente em serviço, doença
profissional ou qualquer das doenças especificadas no art. 186, § 1o.

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Art. 206. O servidor que apresentar indícios de lesões orgânicas ou funcionais será
submetido a inspeção médica.
Art. 206-A. O servidor será submetido a exames médicos periódicos, nos termos e
condições definidos em regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.907, de
2009) (Regulamento).
Parágrafo único. Para os fins do disposto no caput, a União e suas entidades autárquicas e
fundacionais poderão: (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
I - prestar os exames médicos periódicos diretamente pelo órgão ou entidade à qual se
encontra vinculado o servidor; (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
II - celebrar convênio ou instrumento de cooperação ou parceria com os órgãos e entidades
da administração direta, suas autarquias e fundações; (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
III - celebrar convênios com operadoras de plano de assistência à saúde, organizadas na
modalidade de autogestão, que possuam autorização de funcionamento do órgão regulador,
na forma do art. 230; ou (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
IV - prestar os exames médicos periódicos mediante contrato administrativo, observado o
disposto na Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, e demais normas
pertinentes. (Incluído pela Lei nº 12.998, de 2014)
Seção V
Da Licença à Gestante, à Adotante e da Licença-Paternidade

Art. 207. Será concedida licença à servidora gestante por 120 (cento e vinte) dias
consecutivos, sem prejuízo da remuneração. (Vide Decreto nº 6.690, de 2008)
§ 1o A licença poderá ter início no primeiro dia do nono mês de gestação, salvo
antecipação por prescrição médica.
§ 2o No caso de nascimento prematuro, a licença terá início a partir do parto.
§ 3o No caso de natimorto, decorridos 30 (trinta) dias do evento, a servidora será
submetida a exame médico, e se julgada apta, reassumirá o exercício.
§ 4o No caso de aborto atestado por médico oficial, a servidora terá direito a 30 (trinta)
dias de repouso remunerado.
Art. 208. Pelo nascimento ou adoção de filhos, o servidor terá direito à licença-
paternidade de 5 (cinco) dias consecutivos.
Art. 209. Para amamentar o próprio filho, até a idade de seis meses, a servidora lactante
terá direito, durante a jornada de trabalho, a uma hora de descanso, que poderá ser parcelada
em dois períodos de meia hora.

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Art. 210. À servidora que adotar ou obtiver guarda judicial de criança até 1 (um) ano de
idade, serão concedidos 90 (noventa) dias de licença remunerada. (Vide Decreto nº
6.691, de 2008)
Parágrafo único. No caso de adoção ou guarda judicial de criança com mais de 1 (um) ano
de idade, o prazo de que trata este artigo será de 30 (trinta) dias.
Seção VI
Da Licença por Acidente em Serviço
Art. 211. Será licenciado, com remuneração integral, o servidor acidentado em serviço.
Art. 212. Configura acidente em serviço o dano físico ou mental sofrido pelo servidor,
que se relacione, mediata ou imediatamente, com as atribuições do cargo exercido.
Parágrafo único. Equipara-se ao acidente em serviço o dano:
I - decorrente de agressão sofrida e não provocada pelo servidor no exercício do cargo;
II - sofrido no percurso da residência para o trabalho e vice-versa.
Art. 213. O servidor acidentado em serviço que necessite de tratamento especializado
poderá ser tratado em instituição privada, à conta de recursos públicos.
Parágrafo único. O tratamento recomendado por junta médica oficial constitui medida de
exceção e somente será admissível quando inexistirem meios e recursos adequados em
instituição pública.
Art. 214. A prova do acidente será feita no prazo de 10 (dez) dias, prorrogável quando as
circunstâncias o exigirem.
Seção VII
Da Pensão
Art. 215. Por morte do servidor, os seus dependentes, nas hipóteses legais, fazem jus à
pensão por morte, observados os limites estabelecidos no inciso XI do caput do art. 37 da
Constituição Federal e no art. 2º da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004. (Redação
dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
Art. 216. (Revogado pela Medida Provisória nº 664, de
2014) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 13.135, de 2015)
Art. 217. São beneficiários das pensões:
I - o cônjuge; (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
a) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
b) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

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c) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)


d) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
e) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
II - o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato, com percepção de pensão
alimentícia estabelecida judicialmente; (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
a) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
b) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
c) Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
d) (Revogada); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
III - o companheiro ou companheira que comprove união estável como entidade
familiar; (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
IV - o filho de qualquer condição que atenda a um dos seguintes requisitos: (Incluído pela
Lei nº 13.135, de 2015)
a) seja menor de 21 (vinte e um) anos; (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
b) seja inválido; (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
c) (Vide Lei nº 13.135, de 2015) (Vigência)
d) tenha deficiência intelectual ou mental; (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
V - a mãe e o pai que comprovem dependência econômica do servidor; e (Incluído pela
Lei nº 13.135, de 2015)

VI - o irmão de qualquer condição que comprove dependência econômica do servidor e atenda


a um dos requisitos previstos no inciso IV. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 1o A concessão de pensão aos beneficiários de que tratam os incisos I a IV
do caput exclui os beneficiários referidos nos incisos V e VI. (Redação dada pela Lei nº
13.135, de 2015)
§ 2o A concessão de pensão aos beneficiários de que trata o inciso V do caput exclui o
beneficiário referido no inciso VI. (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 3o O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do servidor
e desde que comprovada dependência econômica, na forma estabelecida em
regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 4º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019)

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Art. 218. Ocorrendo habilitação de vários titulares à pensão, o seu valor será distribuído
em partes iguais entre os beneficiários habilitados. (Redação dada pela Lei nº 13.135, de
2015)
§ 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
Art. 219. A pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado que
falecer, aposentado ou não, a contar da data: (Redação dada pela Lei nº 13.846, de
2019)
I - do óbito, quando requerida em até 180 (cento e oitenta dias) após o óbito, para os filhos
menores de 16 (dezesseis) anos, ou em até 90 (noventa) dias após o óbito, para os demais
dependentes; (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
II - do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inciso I do caput deste artigo;
ou (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
III - da decisão judicial, na hipótese de morte presumida. (Redação dada pela Lei nº
13.846, de 2019)
§ 1º A concessão da pensão por morte não será protelada pela falta de habilitação de outro
possível dependente e a habilitação posterior que importe em exclusão ou inclusão de
dependente só produzirá efeito a partir da data da publicação da portaria de concessão da
pensão ao dependente habilitado. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
§ 2º Ajuizada a ação judicial para reconhecimento da condição de dependente, este poderá
requerer a sua habilitação provisória ao benefício de pensão por morte, exclusivamente para
fins de rateio dos valores com outros dependentes, vedado o pagamento da respectiva cota
até o trânsito em julgado da respectiva ação, ressalvada a existência de decisão judicial em
contrário. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
§ 3º Nas ações em que for parte o ente público responsável pela concessão da pensão por
morte, este poderá proceder de ofício à habilitação excepcional da referida pensão, apenas
para efeitos de rateio, descontando-se os valores referentes a esta habilitação das demais
cotas, vedado o pagamento da respectiva cota até o trânsito em julgado da respectiva ação,
ressalvada a existência de decisão judicial em contrário. (Redação dada pela Lei nº
13.846, de 2019)
§ 4º Julgada improcedente a ação prevista no § 2º ou § 3º deste artigo, o valor retido será
corrigido pelos índices legais de reajustamento e será pago de forma proporcional aos demais
dependentes, de acordo com as suas cotas e o tempo de duração de seus
benefícios. (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019)

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§ 5º Em qualquer hipótese, fica assegurada ao órgão concessor da pensão por morte a


cobrança dos valores indevidamente pagos em função de nova habilitação. (Incluído
pela Lei nº 13.846, de 2019)
Art. 220. Perde o direito à pensão por morte: (Redação dada pela Lei nº 13.135,
de 2015)
I - após o trânsito em julgado, o beneficiário condenado pela prática de crime de que tenha
dolosamente resultado a morte do servidor; (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
II - o cônjuge, o companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer tempo, simulação
ou fraude no casamento ou na união estável, ou a formalização desses com o fim exclusivo de
constituir benefício previdenciário, apuradas em processo judicial no qual será assegurado o
direito ao contraditório e à ampla defesa. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
Art. 221. Será concedida pensão provisória por morte presumida do servidor, nos
seguintes casos:
I - declaração de ausência, pela autoridade judiciária competente;
II - desaparecimento em desabamento, inundação, incêndio ou acidente não
caracterizado como em serviço;
III - desaparecimento no desempenho das atribuições do cargo ou em missão de
segurança.
Parágrafo único. A pensão provisória será transformada em vitalícia ou temporária,
conforme o caso, decorridos 5 (cinco) anos de sua vigência, ressalvado o eventual
reaparecimento do servidor, hipótese em que o benefício será automaticamente cancelado.
Art. 222. Acarreta perda da qualidade de beneficiário:
I - o seu falecimento;
II - a anulação do casamento, quando a decisão ocorrer após a concessão da pensão ao
cônjuge;
III - a cessação da invalidez, em se tratando de beneficiário inválido, ou o afastamento da
deficiência, em se tratando de beneficiário com deficiência, respeitados os períodos mínimos
decorrentes da aplicação das alíneas a e b do inciso VII do caput deste artigo; (Redação dada
pela Lei nº 13.846, de 2019)
IV - o implemento da idade de 21 (vinte e um) anos, pelo filho ou irmão; (Redação
dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
V - a acumulação de pensão na forma do art. 225;
VI - a renúncia expressa; e (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

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VII - em relação aos beneficiários de que tratam os incisos I a III do caput do art.
217: (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
a) o decurso de 4 (quatro) meses, se o óbito ocorrer sem que o servidor tenha vertido 18
(dezoito) contribuições mensais ou se o casamento ou a união estável tiverem sido iniciados
em menos de 2 (dois) anos antes do óbito do servidor; (Incluído pela Lei nº 13.135,
de 2015)
b) o decurso dos seguintes períodos, estabelecidos de acordo com a idade do pensionista na
data de óbito do servidor, depois de vertidas 18 (dezoito) contribuições mensais e pelo menos
2 (dois) anos após o início do casamento ou da união estável: (Incluído pela Lei nº
13.135, de 2015)
1) 3 (três) anos, com menos de 21 (vinte e um) anos de idade; (Incluído pela Lei
nº 13.135, de 2015)
2) 6 (seis) anos, entre 21 (vinte e um) e 26 (vinte e seis) anos de idade; (Incluído pela
Lei nº 13.135, de 2015)
3) 10 (dez) anos, entre 27 (vinte e sete) e 29 (vinte e nove) anos de idade; (Incluído
pela Lei nº 13.135, de 2015)
4) 15 (quinze) anos, entre 30 (trinta) e 40 (quarenta) anos de idade; (Incluído pela
Lei nº 13.135, de 2015)
5) 20 (vinte) anos, entre 41 (quarenta e um) e 43 (quarenta e três) anos de
idade; (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
6) vitalícia, com 44 (quarenta e quatro) ou mais anos de idade. (Incluído pela Lei nº
13.135, de 2015)
§ 1o A critério da administração, o beneficiário de pensão cuja preservação seja motivada
por invalidez, por incapacidade ou por deficiência poderá ser convocado a qualquer momento
para avaliação das referidas condições. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 2o Serão aplicados, conforme o caso, a regra contida no inciso III ou os prazos previstos na
alínea “b” do inciso VII, ambos do caput, se o óbito do servidor decorrer de acidente de
qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, independentemente do
recolhimento de 18 (dezoito) contribuições mensais ou da comprovação de 2 (dois) anos de
casamento ou de união estável. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 3o Após o transcurso de pelo menos 3 (três) anos e desde que nesse período se verifique o
incremento mínimo de um ano inteiro na média nacional única, para ambos os sexos,
correspondente à expectativa de sobrevida da população brasileira ao nascer, poderão ser
fixadas, em números inteiros, novas idades para os fins previstos na alínea “b” do inciso VII
do caput, em ato do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, limitado o

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acréscimo na comparação com as idades anteriores ao referido incremento. (Incluído


pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 4o O tempo de contribuição a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) ou ao Regime
Geral de Previdência Social (RGPS) será considerado na contagem das 18 (dezoito)
contribuições mensais referidas nas alíneas “a” e “b” do inciso VII do caput. (Incluído
pela Lei nº 13.135, de 2015)
§ 5º Na hipótese de o servidor falecido estar, na data de seu falecimento, obrigado por
determinação judicial a pagar alimentos temporários a ex-cônjuge, ex-companheiro ou ex-
companheira, a pensão por morte será devida pelo prazo remanescente na data do óbito, caso
não incida outra hipótese de cancelamento anterior do benefício. (Redação dada pela
Lei nº 13.846, de 2019)
§ 6º O beneficiário que não atender à convocação de que trata o § 1º deste artigo terá o
benefício suspenso, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 95 da Lei nº 13.146,
de 6 de julho de 2015. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019)
§ 7º O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de microempreendedor
individual, não impede a concessão ou manutenção da cota da pensão de dependente com
deficiência intelectual ou mental ou com deficiência grave. (Incluído pela Lei nº
13.846, de 2019)
§ 8º No ato de requerimento de benefícios previdenciários, não será exigida apresentação de
termo de curatela de titular ou de beneficiário com deficiência, observados os procedimentos
a serem estabelecidos em regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019)
Art. 223. Por morte ou perda da qualidade de beneficiário, a respectiva cota reverterá
para os cobeneficiários. (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
I - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
II - (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)
Art. 224. As pensões serão automaticamente atualizadas na mesma data e na mesma
proporção dos reajustes dos vencimentos dos servidores, aplicando-se o disposto no
parágrafo único do art. 189.
Art. 225. Ressalvado o direito de opção, é vedada a percepção cumulativa de pensão
deixada por mais de um cônjuge ou companheiro ou companheira e de mais de 2 (duas)
pensões. (Redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

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Seção VIII
Do Auxílio-Funeral
Art. 226. O auxílio-funeral é devido à família do servidor falecido na atividade ou
aposentado, em valor equivalente a um mês da remuneração ou provento.
§ 1o No caso de acumulação legal de cargos, o auxílio será pago somente em razão do
cargo de maior remuneração.
§ 2o (VETADO).
§ 3o O auxílio será pago no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, por meio de
procedimento sumaríssimo, à pessoa da família que houver custeado o funeral.
Art. 227. Se o funeral for custeado por terceiro, este será indenizado, observado o
disposto no artigo anterior.
Art. 228. Em caso de falecimento de servidor em serviço fora do local de trabalho,
inclusive no exterior, as despesas de transporte do corpo correrão à conta de recursos da
União, autarquia ou fundação pública.
Seção IX
Do Auxílio-Reclusão
Art. 229. À família do servidor ativo é devido o auxílio-reclusão, nos seguintes valores:
I - dois terços da remuneração, quando afastado por motivo de prisão, em flagrante ou
preventiva, determinada pela autoridade competente, enquanto perdurar a prisão;
II - metade da remuneração, durante o afastamento, em virtude de condenação, por
sentença definitiva, a pena que não determine a perda de cargo.
§ 1o Nos casos previstos no inciso I deste artigo, o servidor terá direito à integralização
da remuneração, desde que absolvido.
§ 2o O pagamento do auxílio-reclusão cessará a partir do dia imediato àquele em que o
servidor for posto em liberdade, ainda que condicional.
§ 3o Ressalvado o disposto neste artigo, o auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições
da pensão por morte, aos dependentes do segurado recolhido à prisão. (Incluído pela
Lei nº 13.135, de 2015)
Capítulo III
Da Assistência à Saúde
Art. 230. A assistência à saúde do servidor, ativo ou inativo, e de sua família compreende
assistência médica, hospitalar, odontológica, psicológica e farmacêutica, terá como diretriz

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básica o implemento de ações preventivas voltadas para a promoção da saúde e será prestada
pelo Sistema Único de Saúde – SUS, diretamente pelo órgão ou entidade ao qual estiver
vinculado o servidor, ou mediante convênio ou contrato, ou ainda na forma de auxílio,
mediante ressarcimento parcial do valor despendido pelo servidor, ativo ou inativo, e seus
dependentes ou pensionistas com planos ou seguros privados de assistência à saúde, na
forma estabelecida em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 11.302 de 2006)
§ 1o Nas hipóteses previstas nesta Lei em que seja exigida perícia, avaliação ou inspeção
médica, na ausência de médico ou junta médica oficial, para a sua realização o órgão ou
entidade celebrará, preferencialmente, convênio com unidades de atendimento do sistema
público de saúde, entidades sem fins lucrativos declaradas de utilidade pública, ou com o
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 2o Na impossibilidade, devidamente justificada, da aplicação do disposto no parágrafo
anterior, o órgão ou entidade promoverá a contratação da prestação de serviços por pessoa
jurídica, que constituirá junta médica especificamente para esses fins, indicando os nomes e
especialidades dos seus integrantes, com a comprovação de suas habilitações e de que não
estejam respondendo a processo disciplinar junto à entidade fiscalizadora da
profissão. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o Para os fins do disposto no caput deste artigo, ficam a União e suas entidades
autárquicas e fundacionais autorizadas a: (Incluído pela Lei nº 11.302 de 2006)

I - celebrar convênios exclusivamente para a prestação de serviços de assistência à saúde


para os seus servidores ou empregados ativos, aposentados, pensionistas, bem como para
seus respectivos grupos familiares definidos, com entidades de autogestão por elas
patrocinadas por meio de instrumentos jurídicos efetivamente celebrados e publicados até 12
de fevereiro de 2006 e que possuam autorização de funcionamento do órgão regulador, sendo
certo que os convênios celebrados depois dessa data somente poderão sê-lo na forma da
regulamentação específica sobre patrocínio de autogestões, a ser publicada pelo mesmo
órgão regulador, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da vigência desta Lei, normas essas
também aplicáveis aos convênios existentes até 12 de fevereiro de 2006; (Incluído pela
Lei nº 11.302 de 2006)
II - contratar, mediante licitação, na forma da Lei n o 8.666, de 21 de junho de 1993,
operadoras de planos e seguros privados de assistência à saúde que possuam autorização de
funcionamento do órgão regulador; (Incluído pela Lei nº 11.302 de 2006)
III - (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.302 de 2006)
§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.302 de 2006)
§ 5o O valor do ressarcimento fica limitado ao total despendido pelo servidor ou
pensionista civil com plano ou seguro privado de assistência à saúde. (Incluído pela
Lei nº 11.302 de 2006)

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Capítulo IV
Do Custeio
Art. 231. (Revogado pela Lei nº 9.783, de 28.01.99)
Título VII
Capítulo Único
Da Contratação Temporária de Excepcional Interesse Público
Art. 232. (Revogado pela Lei nº 8.745, de 9.12.93)
Art. 233. (Revogado pela Lei nº 8.745, de 9.12.93)
Art. 234. (Revogado pela Lei nº 8.745, de 9.12.93)
Art. 235. (Revogado pela Lei nº 8.745, de 9.12.93)
Título VIII
Capítulo Único
Das Disposições Gerais
Art. 236. O Dia do Servidor Público será comemorado a vinte e oito de outubro.
Art. 237. Poderão ser instituídos, no âmbito dos Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário, os seguintes incentivos funcionais, além daqueles já previstos nos respectivos
planos de carreira:
I - prêmios pela apresentação de idéias, inventos ou trabalhos que favoreçam o aumento
de produtividade e a redução dos custos operacionais;
II - concessão de medalhas, diplomas de honra ao mérito, condecoração e elogio.
Art. 238. Os prazos previstos nesta Lei serão contados em dias corridos, excluindo-se o
dia do começo e incluindo-se o do vencimento, ficando prorrogado, para o primeiro dia útil
seguinte, o prazo vencido em dia em que não haja expediente.
Art. 239. Por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, o servidor
não poderá ser privado de quaisquer dos seus direitos, sofrer discriminação em sua vida
funcional, nem eximir-se do cumprimento de seus deveres.
Art. 240. Ao servidor público civil é assegurado, nos termos da Constituição Federal, o
direito à livre associação sindical e os seguintes direitos, entre outros, dela decorrentes:
a) de ser representado pelo sindicato, inclusive como substituto processual;
b) de inamovibilidade do dirigente sindical, até um ano após o final do mandato, exceto
se a pedido;

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c) de descontar em folha, sem ônus para a entidade sindical a que for filiado, o valor das
mensalidades e contribuições definidas em assembléia geral da categoria.
d) (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
e) (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 241. Consideram-se da família do servidor, além do cônjuge e filhos, quaisquer
pessoas que vivam às suas expensas e constem do seu assentamento individual.
Parágrafo único. Equipara-se ao cônjuge a companheira ou companheiro, que comprove
união estável como entidade familiar.
Art. 242. Para os fins desta Lei, considera-se sede o município onde a repartição estiver
instalada e onde o servidor tiver exercício, em caráter permanente.
Título IX
Capítulo Único
Das Disposições Transitórias e Finais
Art. 243. Ficam submetidos ao regime jurídico instituído por esta Lei, na qualidade de
servidores públicos, os servidores dos Poderes da União, dos ex-Territórios, das autarquias,
inclusive as em regime especial, e das fundações públicas, regidos pela Lei nº 1.711, de 28 de
outubro de 1952 - Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União, ou pela Consolidação das
Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, exceto os
contratados por prazo determinado, cujos contratos não poderão ser prorrogados após o
vencimento do prazo de prorrogação.
§ 1o Os empregos ocupados pelos servidores incluídos no regime instituído por esta Lei
ficam transformados em cargos, na data de sua publicação.
§ 2o As funções de confiança exercidas por pessoas não integrantes de tabela
permanente do órgão ou entidade onde têm exercício ficam transformadas em cargos em
comissão, e mantidas enquanto não for implantado o plano de cargos dos órgãos ou entidades
na forma da lei.
§ 3o As Funções de Assessoramento Superior - FAS, exercidas por servidor integrante de
quadro ou tabela de pessoal, ficam extintas na data da vigência desta Lei.
§ 4o (VETADO).
§ 5o O regime jurídico desta Lei é extensivo aos serventuários da Justiça, remunerados
com recursos da União, no que couber.
§ 6o Os empregos dos servidores estrangeiros com estabilidade no serviço público,
enquanto não adquirirem a nacionalidade brasileira, passarão a integrar tabela em extinção,

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do respectivo órgão ou entidade, sem prejuízo dos direitos inerentes aos planos de carreira
aos quais se encontrem vinculados os empregos.
§ 7o Os servidores públicos de que trata o caput deste artigo, não amparados pelo art. 19
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, poderão, no interesse da Administração
e conforme critérios estabelecidos em regulamento, ser exonerados mediante indenização de
um mês de remuneração por ano de efetivo exercício no serviço público
federal. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 8o Para fins de incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de
rendimentos, serão considerados como indenizações isentas os pagamentos efetuados a
título de indenização prevista no parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)
§ 9o Os cargos vagos em decorrência da aplicação do disposto no § 7 o poderão ser
extintos pelo Poder Executivo quando considerados desnecessários. (Incluído pela Lei
nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 244. Os adicionais por tempo de serviço, já concedidos aos servidores abrangidos
por esta Lei, ficam transformados em anuênio.
Art. 245. A licença especial disciplinada pelo art. 116 da Lei nº 1.711, de 1952, ou por
outro diploma legal, fica transformada em licença-prêmio por assiduidade, na forma prevista
nos arts. 87 a 90.

Art. 246. (VETADO).


Art. 247. Para efeito do disposto no Título VI desta Lei, haverá ajuste de contas com a
Previdência Social, correspondente ao período de contribuição por parte dos servidores
celetistas abrangidos pelo art. 243. (Redação dada pela Lei nº 8.162, de 8.1.91)
Art. 248. As pensões estatutárias, concedidas até a vigência desta Lei, passam a ser
mantidas pelo órgão ou entidade de origem do servidor.
Art. 249. Até a edição da lei prevista no § 1o do art. 231, os servidores abrangidos por
esta Lei contribuirão na forma e nos percentuais atualmente estabelecidos para o servidor
civil da União conforme regulamento próprio.
Art. 250. O servidor que já tiver satisfeito ou vier a satisfazer, dentro de 1 (um) ano, as
condições necessárias para a aposentadoria nos termos do inciso II do art. 184 do antigo
Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União, Lei n° 1.711, de 28 de outubro de 1952,
aposentar-se-á com a vantagem prevista naquele dispositivo. (Mantido pelo Congresso
Nacional)
Art. 251. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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Art. 252. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, com efeitos financeiros a
partir do primeiro dia do mês subseqüente.
Art. 253. Ficam revogadas a Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952, e respectiva
legislação complementar, bem como as demais disposições em contrário.
Brasília, 11 de dezembro de 1990; 169o da Independência e 102o da República.
FERNANDO COLLOR
Jarbas Passarinho
Este texto não substitui o publicado no DOU de 12.12.1990 e republicado em 18.3.1998

QUESTÕES DE CONCURSOS
01. Julgue os itens a seguir, relativos à Constituição Federal e à Lei n.º 8.112/1990.
Na linha do entendimento jurisprudencial do STF, medida provisória que regulamente
contratação de pessoal por tempo determinado para cargos típicos de carreira relativos à área
jurídica não poderá deixar de prever concurso público.
Certo
Errado
02. Para ter direito à aposentadoria voluntária, um servidor público titular de cargo efetivo
poderá, para fins de contagem de tempo de contribuição, valer-se de lei que venha
estabelecer a possibilidade de cômputo de tempo fictício.
Certo
Errado
03. Julgue os itens subseqüentes, acerca do regime disciplinar dos servidores públicos.
Advertência, suspensão e demissão são modalidades de penalidades administrativas
aplicáveis a servidores públicos em caso de cometimento de falta funcional.
Certo
Errado
04. Uma das causas da vacância é a exoneração de cargos em comissão. Esses cargos
destinam-se apenas às atribuições de
a) assessoramento, secretaria e assistência.
b) chefia, assessoramento e secretaria.
c) direção, chefia e assessoramento.

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d) secretaria, assistência e direção.


e) assistência, chefia e secretaria.
05. Assinale a alternativa CORRETA.
De acordo com a Lei no 8.112, de 11/12/90 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da
União), a Ação Disciplinar prescreverá:
a) Em 3 (três) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria
ou dis-ponibilidade e destituição de cargo em comissão.
b) Em 2 (dois) anos, quanto à suspensão.
c) Em 120 (cento e vinte) dias, quanto à advertência.
d) Todas as alternativas estão erradas.
06. No que concerne aos servidores públicos, é correto afirmar:
a) Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável se aposentará com
remuneração proporcional ao tempo de serviço.
b) A única hipótese em que o servidor estável perde o cargo é através de sentença judicial
transitada em julgado.
c) São estáveis após dois anos de efetivo exercício os servidores nomeados para o cargo de
provimento efetivo em virtude de concurso público.
d) Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado e o
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem.
e) Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação semestral de
desempenho.
07. Paulo, servidor público federal, recebeu determinada gratificação e Sergio recebeu
indenização. Nesses casos, tendo em vista a Lei no 8.112 de 11/12/1990, a primeira vantagem
a) incorpora-se ao vencimento, nos casos e condições indicados em lei, sendo que a segunda
não se incorpora ao vencimento para qualquer efeito.
b) não se incorpora ao vencimento para qualquer efeito, sendo que a segunda incorpora-se à
remuneração.
c) e a segunda, quando pecuniárias, serão computadas para efeito de concessão de quaisquer
outros acréscimos ulteriores, sob o mesmo título.
d) e a segunda incorporam-se à remuneração quando for para efeito de aposentadoria e
disponibilidade.

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e) nunca se incorpora ao vencimento, de regra, sendo que a segunda incorpora-se ao


vencimento desde que destinada ao transporte do servidor.
08. Assinale, no rol abaixo, a situação que acarreta a pena de demissão, mas não veda o
retorno ao serviço público federal
a) Crime contra a administração pública.
b) Improbidade administrativa.
c) Aplicação irregular de dinheiros públicos.
d) Lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional.
e) Revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo.
09. Analise as afirmativas sobre os serviços sociais autônomos e assinale a alternativa correta.
I. Submetem-se à lei 8.112/90, Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos, no que
concerne à contratação de pessoal.
II. Submetem-se à lei 8.666/93, Lei de Licitação e Contratos, no que concerne às necessidades
de aquisição de bens e serviços.
III. Possuem privilégios tributários.
IV. Podem receber servidores públicos de outros órgãos da administração direta ou indireta,
sob a forma de cessão.
V. Podem firmar contratos de gestão com o Poder Público para o fomento de atividades.
a) Todas as afirmativas estão certas.
b) Apenas as afirmativas I e II estão certas.
c) Apenas as afirmativas I, II e III estão certas.
d) Apenas as afirmativas III e IV estão certas.
e) Apenas as afirmativas III e V estão certas.
10. A respeito do regime previdenciário dos servidores públicos, é correto afirmar que
a) os ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, emprego público ou contratados em
caráter temporário são contribuintes do Regime Geral de Previdência Social.
b) aos servidores titulares de cargos efetivos ou cargos em comissão criados por lei, da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações é
assegurado regime previdenciário próprio.
c) é vedado aos servidores públicos ocupantes de cargo efetivo o acesso à previdência
complementar.

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d) é livre a instituição no âmbito do regime próprio dos servidores públicos de benefícios


diversos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, desde que mantido o equilíbrio
financeiro e atuarial.
e) o regime próprio dos servidores ocupantes de cargo efetivo possui caráter contributivo,
mas admite, nos casos previstos em lei, a contagem de tempo de contribuição fictício.
GABARITO:
01 – ERRADO
02 – ERRADO
03 – ERRADO
04 – C
05 – B
06 – D
07 – A
08 – E
09 – E
10 – A

Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (Lei n° 9.784, de 29


de janeiro de 1999).
1- Conceito.

Processo administrativo se configura por uma série concatenada de atos administrativos,


respeitando uma ordem posta por lei, com uma finalidade específica, ensejando a prática de
um ato final.
O processo administrativo disciplinar se faz necessário, pois é por meio dele que quaisquer
penalidades administrativas serão aplicadas.
No âmbito da Administração Pública federal, o processo administrativo disciplinar tem
previsão legal na Constituição Federal, na Lei nº 8.112/90, especificamente nos Títulos IV –
“Do Regime Disciplinar” - e V – “Do Processo Administrativo Disciplinar”.
2- Princípios.
Em todo o processo administrativo devem ser observados os princípios que regem a
Administração Pública, descritos no art. 37 da Constituição. Além desses, outros tem
observância obrigatória, a saber:

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Princípio do Devido Processo Legal (art. 5.º, LIV): o devido processo legal é um princípio
supremo (super princípio), norteador de todo ordenamento jurídico. Busca como fim
assegurar relação participativa e igualitária (partes
têm direito de se defender, de decisão imparcial, etc.). Tenta evitar abusos, arbitrariedade.
Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório: o princípio do contraditório tem base política,
ninguém pode ser processado sem ser ouvido num processo. Ao chamar a parte ao processo
dá-se uma paridade inicial entre as partes. A ideia é que qualquer desigualdade gere um
prejuízo (igualdade de direitos).
Já a ampla defesa busca essa paridade processual. Por ampla defesa entendemos dar à parte
a oportunidade de se defender. Basta dar a parte o direito de se defender (dar oportunidade).
Se a parte irá ou não se defender não importa, o que interessa é dar a oportunidade para
tanto. A
oportunidade de defesa deve ser real, efetiva.
Princípio do Informalismo Moderado: os atos do processo administrativo não dependem de
forma determinada, a não ser que haja previsão legal.
Princípio da Verdade Real: a Comissão Disciplinar, por esse princípio, fica obrigada a buscar
sempre o que de fato aconteceu, ou seja a verdade real sobre o ocorrido.
Princípio da Presunção de Inocência (art. 5º, LVII, CF): segundo esse princípio ninguém pode
ser considerado culpado senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

Princípio da Motivação: qualquer decisão administrativa deve ter expostas suas razões e
fundamentos.
3- Sindicância.
É processo administrativo simplificado, será oportuno para a aplicação das penalidades de
advertência ou suspensão por até 30 dias.
Esse procedimento não é adequado para a apuração de infrações mais graves.
Deve ser finalizada no prazo máximo de 30 dias, podendo ser prorrogável por igual período.
Atenção! esse prazo de 30 dias é impróprio, por tal motivo, sua inobservância pela
administração pública não gera nulidade.
Da sindicância podem decorrer três situações:
a- Arquivamento do processo: quando não for apurada nenhuma infração ou se o servidor não
foi o autor da irregularidade.
b- Aplicação de penalidade: diante da comprovação da autoria e da existência da infração.
c- Instauração do PAD: se no decorrer da sindicância ficar apurado a existência de infração
mais grave.

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Cuidado! A sindicância não é indispensável para instauração do Processo Administrativo


Disciplinar.
4- Processo Administrativo Disciplinar (P.A.D.). Fases do Processo Administrativo
a) Instauração.
O processo administrativo é instaurado após a designação de uma comissão processante. Essa
comissão deverá ser composta obrigatoriamente por 3 (três) servidores estáveis que não
sejam cônjuges ou parentes até o terceiro grau civil do acusado.
b) Instrução.
Nesta fase ocorre a produção de provas. As provas podem ser por meio de depoimento da
parte, oitiva de testemunhas, inspeções, perícias, juntada de documentos; pode ocorrer,
também, o colhimento de informações, laudos e pareceres que irão ajudar na decisão do
processo administrativo.
c) Defesa.
No silêncio da lei específica a defesa será feita em 10 dias (norma geral).
d) Relatório.
É a síntese de tudo o que foi apurado no processo administrativo; pode ser feito pela
autoridade responsável ou por comissão processante, conforme o caso. O relatório não
vincula a decisão no processo.
e) Julgamento.

Última fase do processo, apresenta a decisão a despeito do objeto do processo.


f) Recurso.
Via de regra, após a decisão, cabe recurso para a autoridade hierarquicamente superior.
Embora não haja uma sistematização, pode-se afirmar que os recursos têm efeito devolutivo,
podendo alguns ter efeito suspensivo.
g) Pedido de Reconsideração: é cabível quando o interessado tiver novos argumentos e desejar
que a decisão seja reconsiderada. Será encaminhado a autoridade julgadora.
A autoridade julgadora tem prazo de 05 dias para reconsiderar.

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Lei Completa

LEI Nº 9.784 , DE 29 DE JANEIRO DE 1999.

Regula o processo administrativo no âmbito


da Administração Pública Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da
Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos
administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração.

§ 1o Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário
da União, quando no desempenho de função administrativa.

§ 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:

I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura


da Administração indireta;

II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica;

III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de poder de decisão.

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,


finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios
de:

I - atuação conforme a lei e o Direito;

II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou


competências, salvo autorização em lei;

III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes


ou autoridades;

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IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;

V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na


Constituição;

VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em


medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;

VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;

VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;

IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança
e respeito aos direitos dos administrados;

X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de


provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas
situações de litígio;

XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;

XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos


interessados;

XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do


fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS

Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de


outros que lhe sejam assegurados:

I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício
de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações;

II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de


interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as
decisões proferidas;

III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de
consideração pelo órgão competente;

IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a


representação, por força de lei.

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CAPÍTULO III
DOS DEVERES DO ADMINISTRADO

Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros


previstos em ato normativo:

I - expor os fatos conforme a verdade;

II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;

III - não agir de modo temerário;

IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos
fatos.

CAPÍTULO IV
DO INÍCIO DO PROCESSO

Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.

Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral,
deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados:

I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;

II - identificação do interessado ou de quem o represente;

III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações;

IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;

V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.

Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de


documentos, devendo o servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de eventuais
falhas.

Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar modelos ou formulários


padronizados para assuntos que importem pretensões equivalentes.

Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e


fundamentos idênticos, poderão ser formulados em um único requerimento, salvo preceito
legal em contrário.

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CAPÍTULO V
DOS INTERESSADOS

Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo:

I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais
ou no exercício do direito de representação;

II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser
afetados pela decisão a ser adotada;

III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;

IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses


difusos.

Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de dezoito anos,
ressalvada previsão especial em ato normativo próprio.

CAPÍTULO VI
DA COMPETÊNCIA

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi
atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal,
delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam
hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos
órgãos colegiados aos respectivos presidentes.

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.

§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação


do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter
ressalva de exercício da atribuição delegada.

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§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.

§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e


considerar-se-ão editadas pelo delegado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente
justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão publicamente os locais das


respectivas sedes e, quando conveniente, a unidade fundacional competente em matéria de
interesse especial.

Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado
perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir.

CAPÍTULO VII
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que:

I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;

II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se


tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;

III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge


ou companheiro.

Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à
autoridade competente, abstendo-se de atuar.

Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave, para
efeitos disciplinares.

Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou
inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges,
companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.

Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem efeito
suspensivo.

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CAPÍTULO VIII
DA FORMA, TEMPO E LUGAR DOS ATOS DO PROCESSO

Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão
quando a lei expressamente a exigir.

§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local
de sua realização e a assinatura da autoridade responsável.

§ 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver
dúvida de autenticidade.

§ 3o A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão


administrativo.

§ 4o O processo deverá ter suas páginas numeradas seqüencialmente e rubricadas.

Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias úteis, no horário normal de
funcionamento da repartição na qual tramitar o processo.

Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário normal os atos já iniciados, cujo
adiamento prejudique o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou à
Administração.

Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo
processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco
dias, salvo motivo de força maior.

Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser dilatado até o dobro, mediante
comprovada justificação.

Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se preferencialmente na sede do órgão,


cientificando-se o interessado se outro for o local de realização.

CAPÍTULO IX
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS

Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a
intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.

§ 1o A intimação deverá conter:

I - identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa;

II - finalidade da intimação;

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III - data, hora e local em que deve comparecer;

IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar;

V - informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento;

VI - indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.

§ 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de


comparecimento.

§ 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de
recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado.

§ 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a


intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial.

§ 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o
comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade.

Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos,
nem a renúncia a direito pelo administrado.

Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao


interessado.

Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado
em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os
atos de outra natureza, de seu interesse.

CAPÍTULO X
DA INSTRUÇÃO

Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à


tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo
processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias.

§ 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à
decisão do processo.

§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar-se do modo
menos oneroso para estes.

Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.

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Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão
competente poderá, mediante despacho motivado, abrir período de consulta pública para
manifestação de terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo para a parte
interessada.

§ 1o A abertura da consulta pública será objeto de divulgação pelos meios oficiais, a fim de
que pessoas físicas ou jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo para
oferecimento de alegações escritas.

§ 2o O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de interessado do


processo, mas confere o direito de obter da Administração resposta fundamentada, que
poderá ser comum a todas as alegações substancialmente iguais.

Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade, diante da relevância da questão,
poderá ser realizada audiência pública para debates sobre a matéria do processo.

Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria relevante, poderão estabelecer


outros meios de participação de administrados, diretamente ou por meio de organizações e
associações legalmente reconhecidas.

Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e de outros meios de participação de


administrados deverão ser apresentados com a indicação do procedimento adotado.

Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a audiência de outros órgãos ou entidades
administrativas poderá ser realizada em reunião conjunta, com a participação de titulares ou
representantes dos órgãos competentes, lavrando-se a respectiva ata, a ser juntada aos autos.

Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever
atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.

Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos
existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão
administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos
documentos ou das respectivas cópias.

Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar
documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações
referentes à matéria objeto do processo.

§ 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da


decisão.

§ 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas


pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.

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Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos
interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data,
prazo, forma e condições de atendimento.

Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender
relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão.

Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários
à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração
para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.

Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência
mínima de três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização.

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá ser
emitido no prazo máximo de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade
de maior prazo.

§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo


não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao
atraso.

§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o


processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da
responsabilidade de quem se omitiu no atendimento.

Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser previamente obtidos laudos
técnicos de órgãos administrativos e estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado, o
órgão responsável pela instrução deverá solicitar laudo técnico de outro órgão dotado de
qualificação e capacidade técnica equivalentes.

Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo máximo
de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado.

Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá motivadamente adotar
providências acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado.

Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias
reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos
de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.

Art. 47. O órgão de instrução que não for competente para emitir a decisão final elaborará
relatório indicando o pedido inicial, o conteúdo das fases do procedimento e formulará
proposta de decisão, objetivamente justificada, encaminhando o processo à autoridade
competente.

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CAPÍTULO XI
DO DEVER DE DECIDIR

Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos
administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.

Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até
trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada.

CAPÍTULO XII
DA MOTIVAÇÃO

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos
fundamentos jurídicos, quando:

I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;

II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;

III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;

IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;

V - decidam recursos administrativos;

VI - decorram de reexame de ofício;

VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres,


laudos, propostas e relatórios oficiais;

VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.

§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de


concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas,
que, neste caso, serão parte integrante do ato.

§ 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que
reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos
interessados.

§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará


da respectiva ata ou de termo escrito.

CAPÍTULO XIII
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO

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Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente
do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.

§ 1o Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia atinge somente quem a tenha


formulado.

§ 2o A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não prejudica o


prosseguimento do processo, se a Administração considerar que o interesse público assim o
exige.

Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua
finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
superveniente.

CAPÍTULO XIV
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos.

Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos
favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram
praticados, salvo comprovada má-fé.

§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da


percepção do primeiro pagamento.

§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa


que importe impugnação à validade do ato.

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem
prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados
pela própria Administração.

CAPÍTULO XV
DO RECURSO ADMINISTRATIVO E DA REVISÃO

Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de
mérito.

§ 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar
no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior.

§ 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução.

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§ 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula


vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar,
explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade
ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de
2006). Vigência

Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas,
salvo disposição legal diversa.

Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo:

I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo;

II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida;

III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;

IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.

Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso
administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida.

§ 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no
prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente.

§ 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado por igual período, ante
justificativa explícita.

Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor
os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar
convenientes.

Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo.

Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente
da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a
pedido, dar efeito suspensivo ao recurso.

Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para dele conhecer deverá intimar os
demais interessados para que, no prazo de cinco dias úteis, apresentem alegações.

Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:

I - fora do prazo;

II - perante órgão incompetente;

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III - por quem não seja legitimado;

IV - após exaurida a esfera administrativa.

§ 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe


devolvido o prazo para recurso.

§ 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato


ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa.

Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou
revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência.

Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação
do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão.

Art. 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão


competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade
da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Vigência

Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de
enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão
competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões
administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas
cível, administrativa e penal. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Vigência

Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a
qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias
relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.

Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção.

CAPÍTULO XVI
DOS PRAZOS

Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da
contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento.

§ 1o Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em
dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal.

§ 2o Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo.

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§ 3o Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do vencimento


não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do
mês.

Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se
suspendem.

CAPÍTULO XVII
DAS SANÇÕES

Art. 68. As sanções, a serem aplicadas por autoridade competente, terão natureza pecuniária
ou consistirão em obrigação de fazer ou de não fazer, assegurado sempre o direito de defesa.

CAPÍTULO XVIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria,
aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.

Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os procedimentos


administrativos em que figure como parte ou interessado: (Incluído pela Lei nº 12.008,
de 2009).

I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.008,
de 2009).

II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental; (Incluído pela Lei nº 12.008, de


2009).

III – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase,


paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson,
espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da
doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de
imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em conclusão da medicina
especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do
processo. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 1o A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando prova de sua condição, deverá


requerê-lo à autoridade administrativa competente, que determinará as providências a serem
cumpridas. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 2o Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que evidencie o regime


de tramitação prioritária. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

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§ 3o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília 29 de janeiro de 1999; 178 o da Independência e 111o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Renan Calheiros
Paulo Paiva

Questões

01. (PC-AC - Agente de Polícia Civil – IBADE) Sobre o processo administrativo e as disposições
constantes da Lei n° 9.784/1999, é correto afirmar:

(A) Salvo disposição legal em contrário, o recurso administrativo tem efeito suspensivo.

(B) Um dos critérios a ser observado nos processos administrativos é o da interpretação da


norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se
dirige, permitindo-se, inclusive, aplicação retroativa de nova interpretação.

(C) Uma das diferenças do instituto da revisão do processo


administrativo para o instituto do recurso administrativo, é
que na revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção anteriormente
imposta, enquanto o recurso administrativo poderá resultar em agravamento da situação do
recorrente.

(D) Salvo disposição legal em sentido contrário, o recurso administrativo tramitará no máximo
por duas instâncias administrativas.

(E) O recurso administrativo apenas tem cabimento em face de questões de legalidade. As


questões de mérito devem ser discutidas judicialmente.

02. (PC-AC - Agente de Polícia Civil – IBADE)

Relativamente ao tema da competência administrativa no contexto da Lei n° 9.784/1999, há


afirmativa correta em:

(A) As decisões adotadas por delegação devem mencionar


explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pela autoridade delegante.

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(B) E vedada, como regra, a delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos
presidentes, pois seria um caso de violação do princípio da colegialidade.

(C) Não podem ser objeto de delegação de competência a edição de atos de caráter
normativo, a decisão de recursos administrativos e as matérias de competência exclusiva de
órgão ou autoridade.

(D) A delegação de competência é vedada quando tem por


razão circunstâncias de índole econômica ou jurídica.

(E) É permitida a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente


inferior. Para tanto, basta que a autoridade edite o ato administrativo avocatório no Diário
Oficial, pois a dispensa da fundamentação, quanto aos motivos, decorre do próprio dever-
poder hierárquico.

03. (UFT - Assistente em Administração - COPESE – UFT/) Considerando as normas


pertinentes ao início do processo administrativo contidos na Lei n° 9.784/1999 (Lei de
Processo Administrativo), assinale a alternativa INCORRETA.

(A) O processo administrativo somente se inicia a partir do pedido de interessado.

(B) O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral,
deve ser formulado por escrito.

(C) É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de documentos, devendo o


servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas.

(D) Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar modelos ou formulários


padronizados para assuntos que importem pretensões equivalentes.

04. (TRT - 24ª REGIÃO (MS) - Técnico Judiciário – Área Administrativa – FCC/) Considere as
seguintes assertivas concernentes à Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo
no âmbito da Administração pública federal:

I. As disposições da Lei no 9.784/1999 também se aplicam ao Poder Judiciário, quando no


exercício de função administrativa.

II. A Lei no 9.784/1999 traz o conceito de “entidade”, definindo-a como a unidade de atuação
que pode ou não ter personalidade jurídica.

III. O administrado poderá optar por não prestar informações que lhes são solicitadas,
tratando-se tal postura de um de seus direitos, expressamente previsto na Lei no 9.784/1999.

IV. Um dos critérios a serem observados nos processos administrativos regidos pela Lei no
9.784/1999 é a indicação dos pressupostos fáticos que tenham determinado a decisão, não se

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exigindo a indicação de pressupostos de direito, justamente pela informalidade e objetividade


que vigora em tais processos administrativos.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) III e IV.

(B) II e III.

(C) I e IV.

(D) I, II e III.

(E) I.

05. (UFSBA - Assistente em Administração – UFMT Segundo a Lei nº 9.784/1999, que regula
o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, as decisões
administrativas que negam, limitam ou afetam direitos devem conter a exposição dos fatos e
dos
fundamentos jurídicos, em observância ao princípio da

(A) Motivação.

(B) Instrução.

(C) Comunicação.

(D) Finalidade.

Respostas
01. C. / 02. C / 03. A / 04. E. / 05. A.

Lei n° 11.892, de 29 de dezembro de 2008: 1. Seção II - Das


Finalidades e Características dos Institutos Federais; 2. Seção III - Dos Objetivos dos
Institutos Federais; 3. Seção IV - Da Estrutura Organizacional dos Institutos Federais.

Seção II

Das Finalidades e Características dos Institutos Federais

Art. 6o Os Institutos Federais têm por finalidades e características:

I - ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades,


formando e qualificando cidadãos com vistas na atuação profissional nos diversos setores da
economia, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional;

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II - desenvolver a educação profissional e tecnológica como processo educativo e


investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais
e peculiaridades regionais;

III - promover a integração e a verticalização da educação básica à educação profissional


e educação superior, otimizando a infra-estrutura física, os quadros de pessoal e os recursos
de gestão;

IV - orientar sua oferta formativa em benefício da consolidação e fortalecimento dos


arranjos produtivos, sociais e culturais locais, identificados com base no mapeamento das
potencialidades de desenvolvimento socioeconômico e cultural no âmbito de atuação do
Instituto Federal;

V - constituir-se em centro de excelência na oferta do ensino de ciências, em geral, e de


ciências aplicadas, em particular, estimulando o desenvolvimento de espírito crítico, voltado
à investigação empírica;

VI - qualificar-se como centro de referência no apoio à oferta do ensino de ciências nas


instituições públicas de ensino, oferecendo capacitação técnica e atualização pedagógica aos
docentes das redes públicas de ensino;

VII - desenvolver programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica;

VIII - realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo,


o cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico;

IX - promover a produção, o desenvolvimento e a transferência de tecnologias sociais,


notadamente as voltadas à preservação do meio ambiente.

Seção III

Dos Objetivos dos Institutos Federais

Art. 7o Observadas as finalidades e características definidas no art. 6 o desta Lei, são


objetivos dos Institutos Federais:

I - ministrar educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de


cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação
de jovens e adultos;

II - ministrar cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores, objetivando a


capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais, em todos
os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e tecnológica;

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III - realizar pesquisas aplicadas, estimulando o desenvolvimento de soluções técnicas e


tecnológicas, estendendo seus benefícios à comunidade;

IV - desenvolver atividades de extensão de acordo com os princípios e finalidades da


educação profissional e tecnológica, em articulação com o mundo do trabalho e os segmentos
sociais, e com ênfase na produção, desenvolvimento e difusão de conhecimentos científicos
e tecnológicos;

V - estimular e apoiar processos educativos que levem à geração de trabalho e renda e


à emancipação do cidadão na perspectiva do desenvolvimento socioeconômico local e
regional; e

VI - ministrar em nível de educação superior:

a) cursos superiores de tecnologia visando à formação de profissionais para os diferentes


setores da economia;

b) cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica, com


vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e
matemática, e para a educação profissional;

c) cursos de bacharelado e engenharia, visando à formação de profissionais para os


diferentes setores da economia e áreas do conhecimento;

d) cursos de pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e especialização, visando à


formação de especialistas nas diferentes áreas do conhecimento; e

e) cursos de pós-graduação stricto sensu de mestrado e doutorado, que contribuam para


promover o estabelecimento de bases sólidas em educação, ciência e tecnologia, com vistas
no processo de geração e inovação tecnológica.

Art. 8o No desenvolvimento da sua ação acadêmica, o Instituto Federal, em cada


exercício, deverá garantir o mínimo de 50% (cinqüenta por cento) de suas vagas para atender
aos objetivos definidos no inciso I do caput do art. 7o desta Lei, e o mínimo de 20% (vinte por
cento) de suas vagas para atender ao previsto na alínea b do inciso VI do caput do citado art.
7o.

§ 1o O cumprimento dos percentuais referidos no caput deverá observar o conceito de


aluno-equivalente, conforme regulamentação a ser expedida pelo Ministério da Educação.

§ 2o Nas regiões em que as demandas sociais pela formação em nível superior


justificarem, o Conselho Superior do Instituto Federal poderá, com anuência do Ministério da
Educação, autorizar o ajuste da oferta desse nível de ensino, sem prejuízo do índice definido
no caput deste artigo, para atender aos objetivos definidos no inciso I do caput do art.
7o desta Lei.

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Seção IV

Da Estrutura Organizacional dos Institutos Federais

Art. 9o Cada Instituto Federal é organizado em estrutura multicampi, com proposta


orçamentária anual identificada para cada campus e a reitoria, exceto no que diz respeito a
pessoal, encargos sociais e benefícios aos servidores.

Art. 10. A administração dos Institutos Federais terá como órgãos superiores o Colégio
de Dirigentes e o Conselho Superior.

§ 1o As presidências do Colégio de Dirigentes e do Conselho Superior serão exercidas


pelo Reitor do Instituto Federal.

§ 2o O Colégio de Dirigentes, de caráter consultivo, será composto pelo Reitor, pelos


Pró-Reitores e pelo Diretor-Geral de cada um dos campi que integram o Instituto Federal.

§ 3o O Conselho Superior, de caráter consultivo e deliberativo, será composto por


representantes dos docentes, dos estudantes, dos servidores técnico-administrativos, dos
egressos da instituição, da sociedade civil, do Ministério da Educação e do Colégio de
Dirigentes do Instituto Federal, assegurando-se a representação paritária dos segmentos que
compõem a comunidade acadêmica.

§ 4o O estatuto do Instituto Federal disporá sobre a estruturação, as competências e as


normas de funcionamento do Colégio de Dirigentes e do Conselho Superior.

Art. 11. Os Institutos Federais terão como órgão executivo a reitoria, composta por 1
(um) Reitor e 5 (cinco) Pró-Reitores. (Regulamento)

§ 1o Poderão ser nomeados Pró-Reitores os servidores ocupantes de cargo efetivo da


Carreira docente ou de cargo efetivo com nível superior da Carreira dos técnico-
administrativos do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, desde
que possuam o mínimo de 5 (cinco) anos de efetivo exercício em instituição federal de
educação profissional e tecnológica. (Redação dada pela Lei nº 12.772, de 2012)

§ 2o A reitoria, como órgão de administração central, poderá ser instalada em espaço


físico distinto de qualquer dos campi que integram o Instituto Federal, desde que previsto em
seu estatuto e aprovado pelo Ministério da Educação.

Art. 12. Os Reitores serão nomeados pelo Presidente da República, para mandato de 4
(quatro) anos, permitida uma recondução, após processo de consulta à comunidade escolar
do respectivo Instituto Federal, atribuindo-se o peso de 1/3 (um terço) para a manifestação
do corpo docente, de 1/3 (um terço) para a manifestação dos servidores técnico-
administrativos e de 1/3 (um terço) para a manifestação do corpo discente. (Regulamento)

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§ 1o Poderão candidatar-se ao cargo de Reitor os docentes pertencentes ao Quadro de


Pessoal Ativo Permanente de qualquer dos campi que integram o Instituto Federal, desde que
possuam o mínimo de 5 (cinco) anos de efetivo exercício em instituição federal de educação
profissional e tecnológica e que atendam a, pelo menos, um dos seguintes requisitos:

I - possuir o título de doutor; ou

II - estar posicionado nas Classes DIV ou DV da Carreira do Magistério do Ensino Básico,


Técnico e Tecnológico, ou na Classe de Professor Associado da Carreira do Magistério
Superior.

§ 2o O mandato de Reitor extingue-se pelo decurso do prazo ou, antes desse prazo, pela
aposentadoria, voluntária ou compulsória, pela renúncia e pela destituição ou vacância do
cargo.

§ 3o Os Pró-Reitores são nomeados pelo Reitor do Instituto Federal, nos termos da


legislação aplicável à nomeação de cargos de direção.

Art. 13. Os campi serão dirigidos por Diretores-Gerais, nomeados pelo Reitor para
mandato de 4 (quatro) anos, permitida uma recondução, após processo de consulta à
comunidade do respectivo campus, atribuindo-se o peso de 1/3 (um terço) para a
manifestação do corpo docente, de 1/3 (um terço) para a manifestação dos servidores
técnico-administrativos e de 1/3 (um terço) para a manifestação do corpo
discente. (Regulamento)

§ 1o Poderão candidatar-se ao cargo de Diretor-Geral do campus os servidores


ocupantes de cargo efetivo da carreira docente ou de cargo efetivo de nível superior da
carreira dos técnico-administrativos do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos
em Educação, desde que possuam o mínimo de 5 (cinco) anos de efetivo exercício em
instituição federal de educação profissional e tecnológica e que se enquadrem em pelo menos
uma das seguintes situações:

I - preencher os requisitos exigidos para a candidatura ao cargo de Reitor do Instituto


Federal;

II - possuir o mínimo de 2 (dois) anos de exercício em cargo ou função de gestão na


instituição; ou

III - ter concluído, com aproveitamento, curso de formação para o exercício de cargo ou
função de gestão em instituições da administração pública.

§ 2o O Ministério da Educação expedirá normas complementares dispondo sobre o


reconhecimento, a validação e a oferta regular dos cursos de que trata o inciso III do § 1 o deste
artigo.

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Estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (Lei nº


11.091, de 12 de janeiro de 2005).
Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 11.091, DE 12 DE JANEIRO DE 2005.

Dispõe sobre a estruturação do Plano de


Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em
Educação, no âmbito das Instituições Federais de
Vide Lei nº 12.702, de 2012 Ensino vinculadas ao Ministério da Educação, e dá
outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Fica estruturado o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação,


composto pelos cargos efetivos de técnico-administrativos e de técnico-marítimos de que trata a Lei
nº 7.596, de 10 de abril de 1987, e pelos cargos referidos no § 5º do art. 15 desta Lei.

§ 1º Os cargos a que se refere o caput deste artigo, vagos e ocupados, integram o quadro de
pessoal das Instituições Federais de Ensino.

§ 2º O regime jurídico dos cargos do Plano de Carreira é o instituído pela Lei nº 8.112, de 11 de
dezembro de 1990, observadas as disposições desta Lei.

Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são consideradas Instituições Federais de Ensino os órgãos e
entidades públicos vinculados ao Ministério da Educação que tenham por atividade-fim o
desenvolvimento e aperfeiçoamento do ensino, da pesquisa e extensão e que integram o Sistema
Federal de Ensino.

CAPÍTULO II

DA ORGANIZAÇÃO DO QUADRO DE PESSOAL

Art. 3º A gestão dos cargos do Plano de Carreira observará os seguintes princípios e diretrizes:

I - natureza do processo educativo, função social e objetivos do Sistema Federal de Ensino;

II - dinâmica dos processos de pesquisa, de ensino, de extensão e de administração, e as


competências específicas decorrentes;

III - qualidade do processo de trabalho;

IV - reconhecimento do saber não instituído resultante da atuação profissional na dinâmica de


ensino, de pesquisa e de extensão;

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V - vinculação ao planejamento estratégico e ao desenvolvimento organizacional das


instituições;

VI - investidura em cada cargo condicionada à aprovação em concurso público;

VII – desenvolvimento do servidor vinculado aos objetivos institucionais;

VIII - garantia de programas de capacitação que contemplem a formação específica e a geral,


nesta incluída a educação formal;

IX - avaliação do desempenho funcional dos servidores, como processo pedagógico, realizada


mediante critérios objetivos decorrentes das metas institucionais, referenciada no caráter coletivo do
trabalho e nas expectativas dos usuários; e

X - oportunidade de acesso às atividades de direção, assessoramento, chefia, coordenação e


assistência, respeitadas as normas específicas.

Art. 4º Caberá à Instituição Federal de Ensino avaliar anualmente a adequação do quadro de


pessoal às suas necessidades, propondo ao Ministério da Educação, se for o caso, o seu
redimensionamento, consideradas, entre outras, as seguintes variáveis:

I - demandas institucionais;

II - proporção entre os quantitativos da força de trabalho do Plano de Carreira e usuários;

III - inovações tecnológicas; e

IV - modernização dos processos de trabalho no âmbito da Instituição.

Parágrafo único. Os cargos vagos e alocados provisoriamente no Ministério da Educação


deverão ser redistribuídos para as Instituições Federais de Ensino para atender às suas
necessidades, de acordo com as variáveis indicadas nos incisos I a IV deste artigo e conforme o
previsto no inciso I do § 1º do art. 24 desta Lei.

CAPÍTULO III

DOS CONCEITOS

Art. 5º Para todos os efeitos desta Lei, aplicam-se os seguintes conceitos:

I - plano de carreira: conjunto de princípios, diretrizes e normas que regulam o desenvolvimento


profissional dos servidores titulares de cargos que integram determinada carreira, constituindo-se em
instrumento de gestão do órgão ou entidade;

II – nível de classificação: conjunto de cargos de mesma hierarquia, classificados a partir do


requisito de escolaridade, nível de responsabilidade, conhecimentos, habilidades específicas,
formação especializada, experiência, risco e esforço físico para o desempenho de suas atribuições;

III - padrão de vencimento: posição do servidor na escala de vencimento da carreira em função


do nível de capacitação, cargo e nível de classificação;

IV - cargo: conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional


que são cometidas a um servidor;

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V - nível de capacitação: posição do servidor na Matriz Hierárquica dos Padrões de Vencimento


em decorrência da capacitação profissional para o exercício das atividades do cargo ocupado,
realizada após o ingresso;

VI - ambiente organizacional: área específica de atuação do servidor, integrada por atividades


afins ou complementares, organizada a partir das necessidades institucionais e que orienta a política
de desenvolvimento de pessoal; e

VII - usuários: pessoas ou coletividades internas ou externas à Instituição Federal de Ensino


que usufruem direta ou indiretamente dos serviços por ela prestados.

CAPÍTULO IV

DA ESTRUTURA DO PLANO DE CARREIRA DOS CARGOS TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS


EM EDUCAÇÃO

Art. 6º O Plano de Carreira está estruturado em 5 (cinco) níveis de classificação, com 4 (quatro)
níveis de capacitação cada, conforme Anexo I-C desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11,784, de
2008)

Art. 7º Os cargos do Plano de Carreira são organizados em 5 (cinco) níveis de classificação, A,


B, C, D e E, de acordo com o disposto no inciso II do art. 5º e no Anexo II desta Lei.

Art. 8º São atribuições gerais dos cargos que integram o Plano de Carreira, sem prejuízo das
atribuições específicas e observados os requisitos de qualificação e competências definidos nas
respectivas especificações:

I - planejar, organizar, executar ou avaliar as atividades inerentes ao apoio técnico-


administrativo ao ensino;

II - planejar, organizar, executar ou avaliar as atividades técnico-administrativas inerentes à


pesquisa e à extensão nas Instituições Federais de Ensino;

III - executar tarefas específicas, utilizando-se de recursos materiais, financeiros e outros de


que a Instituição Federal de Ensino disponha, a fim de assegurar a eficiência, a eficácia e a
efetividade das atividades de ensino, pesquisa e extensão das Instituições Federais de Ensino.

§ 1º As atribuições gerais referidas neste artigo serão exercidas de acordo com o ambiente
organizacional.

§ 2º As atribuições específicas de cada cargo serão detalhadas em regulamento.

CAPÍTULO V

DO INGRESSO NO CARGO E DAS FORMAS DE DESENVOLVIMENTO

Art. 9º O ingresso nos cargos do Plano de Carreira far-se-á no padrão inicial do 1º (primeiro)
nível de capacitação do respectivo nível de classificação, mediante concurso público de provas ou de
provas e títulos, observadas a escolaridade e experiência estabelecidas no Anexo II desta Lei.

§ 1º O concurso referido no caput deste artigo poderá ser realizado por áreas de
especialização, organizado em 1 (uma) ou mais fases, bem como incluir curso de formação, conforme
dispuser o plano de desenvolvimento dos integrantes do Plano de Carreira.

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§ 2º O edital definirá as características de cada fase do concurso público, os requisitos de


escolaridade, a formação especializada e a experiência profissional, os critérios eliminatórios e
classificatórios, bem como eventuais restrições e condicionantes decorrentes do ambiente
organizacional ao qual serão destinadas as vagas.

Art. 10. O desenvolvimento do servidor na carreira dar-se-á, exclusivamente, pela mudança de


nível de capacitação e de padrão de vencimento mediante, respectivamente, Progressão por
Capacitação Profissional ou Progressão por Mérito Profissional.

§ 1º Progressão por Capacitação Profissional é a mudança de nível de capacitação, no mesmo


cargo e nível de classificação, decorrente da obtenção pelo servidor de certificação em Programa de
capacitação, compatível com o cargo ocupado, o ambiente organizacional e a carga horária mínima
exigida, respeitado o interstício de 18 (dezoito) meses, nos termos da tabela constante do Anexo III
desta Lei.

§ 2º Progressão por Mérito Profissional é a mudança para o padrão de vencimento


imediatamente subseqüente, a cada 2 (dois) anos de efetivo exercício, desde que o servidor
apresente resultado fixado em programa de avaliação de desempenho, observado o respectivo nível
de capacitação.

§ 3º O servidor que fizer jus à Progressão por Capacitação Profissional será posicionado no
nível de capacitação subseqüente, no mesmo nível de classificação, em padrão de vencimento na
mesma posição relativa a que ocupava anteriormente, mantida a distância entre o padrão que
ocupava e o padrão inicial do novo nível de capacitação.

§ 4º No cumprimento dos critérios estabelecidos no Anexo III, é permitido o somatório de cargas


horárias de cursos realizados pelo servidor durante a permanência no nível de capacitação em que se
encontra e da carga horária que excedeu à exigência para progressão no interstício do nível anterior,
vedado o aproveitamento de cursos com carga horária inferior a 20 (vinte) horas-aula. (Redação dada
pela Lei nº 12.772, de 2012)

§ 5º A mudança de nível de capacitação e de padrão de vencimento não acarretará mudança


de nível de classificação.

§ 6º Para fins de aplicação do disposto no § 1º deste artigo aos servidores titulares de cargos de
Nível de Classificação E, a conclusão, com aproveitamento, na condição de aluno regular, de disciplinas
isoladas, que tenham relação direta com as atividades inerentes ao cargo do servidor, em cursos de
Mestrado e Doutorado reconhecidos pelo Ministério da Educação - MEC, desde que devidamente
comprovada, poderá ser considerada como certificação em Programa de Capacitação para fins de
Progressão por Capacitação Profissional, conforme disciplinado em ato do Ministro de Estado da
Educação. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

§ 7º A liberação do servidor para a realização de cursos de Mestrado e Doutorado está


condicionada ao resultado favorável na avaliação de desempenho. (Incluído pela Lei nº 11,784, de
2008)

§ 8º Os critérios básicos para a liberação a que se refere o § 7º deste artigo serão estabelecidos
em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e da
Educação. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

Art. 10-A. A partir de 1º de maio de 2008, o interstício para Progressão por Mérito Profissional na
Carreira, de que trata o § 2º do art. 10 desta Lei, passa a ser de 18 (dezoito) meses de efetivo
exercício. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

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Parágrafo único. Na contagem do interstício necessário à Progressão por Mérito Profissional de


que trata o caput deste artigo, será aproveitado o tempo computado desde a última
progressão. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

Art. 11. Será instituído Incentivo à Qualificação ao servidor que possuir educação formal
superior ao exigido para o cargo de que é titular, na forma de regulamento.

Art. 12. O Incentivo à Qualificação terá por base percentual calculado sobre o padrão de
vencimento percebido pelo servidor, na forma do Anexo IV desta Lei, observados os seguintes
parâmetros: (Redação dada pela Lei nº 11,784, de 2008)

I - a aquisição de título em área de conhecimento com relação direta ao ambiente


organizacional de atuação do servidor ensejará maior percentual na fixação do Incentivo à
Qualificação do que em área de conhecimento com relação indireta; e

II - a obtenção dos certificados relativos ao ensino fundamental e ao ensino médio, quando


excederem a exigência de escolaridade mínima para o cargo do qual o servidor é titular, será
considerada, para efeito de pagamento do Incentivo à Qualificação, como conhecimento relacionado
diretamente ao ambiente organizacional.

§ 1º Os percentuais do Incentivo à Qualificação não são acumuláveis e serão incorporados aos


respectivos proventos de aposentadoria e pensão.

§ 2º O Incentivo à Qualificação somente integrará os proventos de aposentadorias e as


pensões quando os certificados considerados para a sua concessão tiverem sido obtidos até a data
em que se deu a aposentadoria ou a instituição da pensão. (Redação dada pela Lei nº 11.233, de
2005)

§ 3º Para fins de concessão do Incentivo à Qualificação, o Poder Executivo definirá as áreas de


conhecimento relacionadas direta e indiretamente ao ambiente organizacional e os critérios e
processos de validação dos certificados e títulos, observadas as diretrizes previstas no § 2º do art. 24
desta Lei.

§ 4º A partir de 1º de janeiro de 2013, o Incentivo à Qualificação de que trata o caput será


concedido aos servidores que possuírem certificado, diploma ou titulação que exceda a exigência de
escolaridade mínima para ingresso no cargo do qual é titular, independentemente do nível de
classificação em que esteja posicionado, na forma do Anexo IV. (Incluído pela Lei nº 12.772, de 2012)

CAPÍTULO VI

DA REMUNERAÇÃO

Art. 13. A remuneração dos integrantes do Plano de Carreira será composta do vencimento
básico, correspondente ao valor estabelecido para o padrão de vencimento do nível de classificação
e nível de capacitação ocupados pelo servidor, acrescido dos incentivos previstos nesta Lei e das
demais vantagens pecuniárias estabelecidas em lei.

Parágrafo único. Os integrantes do Plano de Carreira não farão jus à Gratificação Temporária -
GT, de que trata a Lei nº 10.868, de 12 de maio de 2004, e à Gratificação Específica de Apoio
Técnico-Administrativo e Técnico-Marítimo às Instituições Federais de Ensino - GEAT, de que trata
a Lei nº 10.908, de 15 de julho de 2004.

Art. 13-A. Os servidores lotados nas Instituições Federais de Ensino integrantes do Plano de
Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação não farão jus à Vantagem Pecuniária

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Individual - VPI instituída pela Lei nº 10.698, de 2 de julho de 2003. (Incluído pela Lei nº 11,784, de
2008)

Art. 14. Os vencimentos básicos do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em


Educação estão estruturados na forma do Anexo I-C desta Lei, com efeitos financeiros a partir das
datas nele especificadas. (Redação dada pela Lei nº 11,784, de 2008)

Parágrafo único. Sobre os vencimentos básicos referidos no caput deste artigo incidirão os
reajustes concedidos a título de revisão geral da remuneração dos servidores públicos federais.

CAPÍTULO VII

DO ENQUADRAMENTO

Art. 15. O enquadramento previsto nesta Lei será efetuado de acordo com a Tabela de
Correlação, constante do Anexo VII desta Lei.

§ 1º O enquadramento do servidor na Matriz Hierárquica será efetuado no prazo máximo de 90


(noventa) dias após a publicação desta Lei, observando-se:

I - o posicionamento inicial no Nível de Capacitação I do nível de classificação a que pertence o


cargo; e

II - o tempo de efetivo exercício no serviço público federal, na forma do Anexo V desta Lei.

§ 2º Na hipótese de o enquadramento de que trata o § 1º deste artigo resultar em vencimento


básico de valor menor ao somatório do vencimento básico, da Gratificação Temporária - GT e da
Gratificação Específica de Apoio Técnico-Administrativo e Técnico-Marítimo às Instituições Federais
de Ensino - GEAT, considerados no mês de dezembro de 2004, proceder-se-á ao pagamento da
diferença como parcela complementar, de caráter temporário. (Vide Lei nº 12.772, de 2012)

§ 3º A parcela complementar a que se refere o § 2º deste artigo será considerada para todos os
efeitos como parte integrante do novo vencimento básico, e será absorvida por ocasião da
reorganização ou reestruturação da carreira ou tabela remuneratória, inclusive para fins de aplicação
da tabela constante do Anexo I-B desta Lei. (Vide Lei nº 12.772, de 2012)

§ 4º O enquadramento do servidor no nível de capacitação correspondente às certificações que


possua será feito conforme regulamento específico, observado o disposto no art. 26, inciso III, e no
Anexo III desta Lei, bem como a adequação das certificações ao Plano de Desenvolvimento dos
Integrantes da Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, previsto no art. 24 desta
Lei.

§ 5º Os servidores redistribuídos para as Instituições Federais de Ensino serão enquadrados no


Plano de Carreira no prazo de 90 (noventa) dias da data de publicação desta Lei.

Art. 16. O enquadramento dos cargos referido no art. 1º desta Lei dar-se-á mediante opção
irretratável do respectivo titular, a ser formalizada no prazo de 60 (sessenta) dias a contar do início da
vigência desta Lei, na forma do termo de opção constante do Anexo VI desta Lei. (Vide Lei nº 11,784,
de 2008)

Parágrafo único. O servidor que não formalizar a opção pelo enquadramento comporá quadro
em extinção submetido à Lei nº 7.596, de 10 de abril de 1987, cujo cargo será transformado em cargo
equivalente do Plano de Carreira quando vagar.

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Art. 17. Os cargos vagos dos grupos Técnico-Administrativo e Técnico-Marítimo do Plano Único
de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos, de que trata a Lei nº 7.596, de 10 de abril de
1987, ficam transformados nos cargos equivalentes do Plano de Carreira de que trata esta Lei.

Parágrafo único. Os cargos vagos de nível superior, intermediário e auxiliar, não organizados em
carreira, redistribuídos para as Instituições Federais de Ensino, até a data da publicação desta Lei,
serão transformados nos cargos equivalentes do Plano de Carreira de que trata esta Lei.

Art. 18. O Poder Executivo promoverá, mediante decreto, a racionalização dos cargos
integrantes do Plano de Carreira, observados os seguintes critérios e requisitos:

I - unificação, em cargos de mesma denominação e nível de escolaridade, dos cargos de


denominações distintas, oriundos do Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e
Empregos, do Plano de Classificação de Cargos - PCC e de planos correlatos, cujas atribuições,
requisitos de qualificação, escolaridade, habilitação profissional ou especialização exigidos para
ingresso sejam idênticos ou essencialmente iguais aos cargos de destino;

II - transposição aos respectivos cargos, e inclusão dos servidores na nova situação, obedecida
a correspondência, identidade e similaridade de atribuições entre o cargo de origem e o cargo em que
for enquadrado; e

III - posicionamento do servidor ocupante dos cargos unificados em nível de classificação e nível
de capacitação e padrão de vencimento básico do cargo de destino, observados os critérios de
enquadramento estabelecidos por esta Lei.

Art. 19. Será instituída em cada Instituição Federal de Ensino Comissão de Enquadramento
responsável pela aplicação do disposto neste Capítulo, na forma prevista em regulamento.

§ 1º O resultado do trabalho efetuado pela Comissão de que trata o caput deste artigo será
objeto de homologação pelo colegiado superior da Instituição Federal de Ensino.

§ 2º A Comissão de Enquadramento será composta, paritariamente, por servidores integrantes


do Plano de Carreira da respectiva instituição, mediante indicação dos seus pares, e por
representantes da administração superior da Instituição Federal de Ensino.

Art. 20. Para o efeito de subsidiar a elaboração do Regulamento de que trata o inciso III do art.
26 desta Lei, a Comissão de Enquadramento relacionará, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a
contar da data de sua instalação, os servidores habilitados a perceber o Incentivo à Qualificação e a
ser enquadrados no nível de capacitação, nos termos dos arts. 11, 12 e 15 desta Lei.

Art. 21. O servidor terá até 30 (trinta) dias, a partir da data de publicação dos atos de
enquadramento, de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 15 desta Lei, para interpor recurso na Comissão
de Enquadramento, que decidirá no prazo de 60 (sessenta) dias.

Parágrafo único. Indeferido o recurso pela Comissão de Enquadramento, o servidor poderá


recorrer ao órgão colegiado máximo da Instituição Federal de Ensino.

CAPÍTULO VIII

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 22. Fica criada a Comissão Nacional de Supervisão do Plano de Carreira, vinculada ao
Ministério da Educação, com a finalidade de acompanhar, assessorar e avaliar a implementação do
Plano de Carreira, cabendo-lhe, em especial:

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I - propor normas regulamentadoras desta Lei relativas às diretrizes gerais, ingresso, progressão,
capacitação e avaliação de desempenho;

II - acompanhar a implementação e propor alterações no Plano de Carreira;

III - avaliar, anualmente, as propostas de lotação das Instituições Federais de Ensino, conforme
inciso I do § 1º do art. 24 desta Lei; e

IV - examinar os casos omissos referentes ao Plano de Carreira, encaminhando-os à apreciação


dos órgãos competentes.

§ 1º A Comissão Nacional de Supervisão será composta, paritariamente, por representantes do


Ministério da Educação, dos dirigentes das IFES e das entidades representativas da categoria.

§ 2º A forma de designação, a duração do mandato e os critérios e procedimentos de trabalho da


Comissão Nacional de Supervisão serão estabelecidos em regulamento.

§ 3º Cada Instituição Federal de Ensino deverá ter uma Comissão Interna de Supervisão do
Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação composta por servidores
integrantes do Plano de Carreira, com a finalidade de acompanhar, orientar, fiscalizar e avaliar a sua
implementação no âmbito da respectiva Instituição Federal de Ensino e propor à Comissão Nacional
de Supervisão as alterações necessárias para seu aprimoramento.

Art. 23. Aplicam-se os efeitos desta Lei:

I - aos servidores aposentados, aos pensionistas, exceto no que se refere ao estabelecido no art.
10 desta Lei;

II - aos titulares de empregos técnico-administrativos e técnico-marítimos integrantes dos


quadros das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação, em relação às
diretrizes de gestão dos cargos e de capacitação e aos efeitos financeiros da inclusão e
desenvolvimento na Matriz Hierárquica e da percepção do Incentivo à Qualificação, vedada a
alteração de regime jurídico em decorrência do disposto nesta Lei.

Art. 24. O plano de desenvolvimento institucional de cada Instituição Federal de Ensino


contemplará plano de desenvolvimento dos integrantes do Plano de Carreira, observados os
princípios e diretrizes do art. 3º desta Lei.

§ 1º O plano de desenvolvimento dos integrantes do Plano de Carreira deverá conter:

I - dimensionamento das necessidades institucionais, com definição de modelos de alocação de


vagas que contemplem a diversidade da instituição;

II - Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento; e

III - Programa de Avaliação de Desempenho.

§ 2º O plano de desenvolvimento dos integrantes do Plano de Carreira será elaborado com base
em diretrizes nacionais estabelecidas em regulamento, no prazo de 100 (cem) dias, a contar da
publicação desta Lei.

§ 3º A partir da publicação do regulamento de que trata o § 2º deste artigo, as Instituições


Federais de Ensino disporão dos seguintes prazos:

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I - 90 (noventa) dias para a formulação do plano de desenvolvimento dos integrantes do Plano


de Carreira;

II – 180 (cento e oitenta) dias para formulação do programa de capacitação e aperfeiçoamento; e

III – 360 (trezentos e sessenta) dias para o início da execução do programa de avaliação de
desempenho e o dimensionamento das necessidades institucionais com a definição dos modelos de
alocação de vagas.

§ 4º Na contagem do interstício necessário à Progressão por Mérito Profissional, será


aproveitado o tempo computado entre a data em que tiver ocorrido a última progressão processada
segundo os critérios vigentes até a data da publicação desta Lei e aplicáveis ao Plano Único de
Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos e a data em que tiver sido feita a implantação do
programa de avaliação de desempenho, previsto neste artigo, em cada Instituição Federal de Ensino.

Art. 25. O Ministério da Educação, no prazo de 12 (doze) meses a contar da publicação desta
Lei, promoverá avaliação e exame da política relativa a contratos de prestação de serviços e à
criação e extinção de cargos no âmbito do Sistema Federal de Ensino.

Art. 26. O Plano de Carreira, bem como seus efeitos financeiros, será implantado gradualmente,
na seguinte conformidade:

I - incorporação das gratificações de que trata o § 2º do art. 15 desta Lei, enquadramento por
tempo de serviço público federal e posicionamento dos servidores no 1º (primeiro) nível de
capacitação na nova tabela constante no Anexo I desta Lei, com início em 1º de março de 2005;

II - implantação de nova tabela de vencimentos constante no Anexo I-B desta Lei, em 1º de


janeiro de 2006; e

III - implantação do Incentivo à Qualificação e a efetivação do enquadramento por nível de


capacitação, a partir da publicação do regulamento de que trata o art. 11 e o § 4º do art. 15 desta Lei.

Parágrafo único. A edição do regulamento referido no inciso III do caput deste artigo fica
condicionada ao cumprimento do disposto nos arts. 16 e 17 da Lei Complementar nº 101, de 4 de
maio de 2000.

Art. 26-A. Além dos casos previstos na legislação vigente, o ocupante de cargo do Plano de
Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação poderá afastar-se de suas funções para
prestar colaboração a outra instituição federal de ensino ou de pesquisa e ao Ministério da Educação,
com ônus para a instituição de origem, não podendo o afastamento exceder a 4 (quatro)
anos. (Incluído pela Lei nº 11.233, de 2005)

Parágrafo único. O afastamento de que trata o caput deste artigo será autorizado pelo dirigente
máximo da IFE e deverá estar vinculado a projeto ou convênio com prazos e finalidades
objetivamente definidos. (Incluído pela Lei nº 11.233, de 2005)

Art. 26-B. É vedada a aplicação do instituto da redistribuição aos cargos vagos ou ocupados, dos
Quadros de Pessoal das Instituições Federais de Ensino para outros órgãos e entidades da
administração pública e dos Quadros de Pessoal destes órgãos e entidades para aquelas
instituições. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica às redistribuições de cargos entre
Instituições Federais de Ensino. (Incluído pela Lei nº 11,784, de 2008)

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Art. 27. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 12 de janeiro de 2005; 184º da Independência e 117º da República.

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CONHECIMENTOS
ESPECÍFICOS

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Raciocínio Lógico: Estruturas lógicas básicas: Proposições e Conectivos; Implicão e


equivalência lógicas; Regras de dedução.
ESTRUTURAS LÓGICAS

1.1 Proposição

Denomina-se proposição a toda sentença, expressa em palavras ou símbolos, que exprima um juízo ao
qual se possa atribuir, dentro de certo contexto, somente um de dois valores lógicos possíveis:
verdadeiro ou falso.

Somente às sentenças declarativas pode-se atribuir valores de verdadeiro ou falso, o que ocorre
quando a sentença é, respectivamente, confirmada ou negada. De fato, não se pode atribuir um valor
de verdadeiro ou falso às demais formas de sentenças como as interrogativas, as exclamativas e outras,
embora elas também expressem juízos.

São exemplos de proposições as seguintes sentenças declarativas:

O número 6 é par.
O número 15 não é primo.
Todos os homens são mortais.
Nenhum porco espinho sabe ler.
Alguns canários não sabem cantar.
Se você estudar bastante, então aprenderá tudo.
Eu falo inglês e espanhol.
Míriam quer um sapatinho novo ou uma boneca.

Não são proposições:


Qual é o seu nome?
Preste atenção ao sinal.
Caramba!

1.2 Proposição Simples

Uma proposição é dita proposição simples ou proposição atômica quando não contém qualquer outra
proposição como sua componente. Isso significa que não é possível encontrar como parte de uma
proposição simples alguma outra proposição diferente dela. Não se pode subdividi-la em partes
menores tais que alguma delas seja uma nova proposição.

Exemplo:
A sentença “Cíntia é irmã de Maurício” é uma proposição simples, pois não é possível identificar como
parte dela qualquer outra proposição diferente. Se tentarmos separá-la em duas ou mais partes
menores nenhuma delas será uma proposição nova.

1.3 Proposição Composta

Uma proposição que contenha qualquer outra como sua parte componente é dita proposição
composta ou proposição molecular. Isso quer dizer que uma proposição é composta quando se pode
extrair como parte dela, uma nova proposição.

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1.4 Conectivos Lógicos

Existem alguns termos e expressões que estão freqüentemente presentes nas proposições compostas,
tais como não, e, ou, se ... então e se e somente se aos quais denominamos conectivos lógicos. Os
conectivos lógicos agem sobre as proposições a que estão ligados de modo a criar novas proposições.

Exemplo:
A sentença “Se x não é maior que y, então x é igual a y ou x é menor que y” é uma proposição composta
na qual se pode observar alguns conectivos lógicos (“não”, “se ... então” e “ou”) que estão agindo
sobre as proposições simples “x é maior que y”, “x é igual a y” e “x é menor que y”.

Uma propriedade fundamental das proposições compostas que usam conectivos lógicos é que o seu
valor lógico (verdadeiro ou falso) fica completamente determinado pelo valor lógico de cada
proposição componente e pela forma como estas sejam ligadas pelos conectivos lógicos utilizados,
conforme estudaremos mais adiante.

As proposições compostas podem receber denominações especiais, conforme o conectivo lógico


usado para ligar as proposições componentes.

Conjunção: A e B

Denominamos conjunção a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que
estejam ligadas pelo conectivo “e”.

A conjunção A e B pode ser representada simbolicamente como:

A∧B

Exemplo:
Dadas as proposições simples:

A: Alberto fala espanhol.

B: Alberto é universitário.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a conjunção ”A


∧ B” corresponderá à interseção do conjunto A com o conjunto B. A ∩ B.

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Uma conjunção é verdadeira somente quando as duas proposições que a compõem forem verdadeiras,
Ou seja, a conjunção ”A ∧ B” é verdadeira somente quando A é verdadeira e B é verdadeira também.
Por isso dizemos que a conjunção exige a simultaneidade de condições.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da conjunção “A e B” para


cada um dos valores que A e B podem assumir.

Disjunção: A ou B

Denominamos disjunção a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que estejam
ligadas pelo conectivo “ou”.

A disjunção A ou B pode ser representada simbolicamente como: A ∨ B Exemplo:

Dadas as proposições simples:

A: Alberto fala espanhol.

B: Alberto é universitário.

A disjunção “A ou B” pode ser escrita como:

A ∨ B: Alberto fala espanhol ou é universitário.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a disjunção “A


∨ B” corresponderá à união do conjunto A com o conjunto B.

Uma disjunção é falsa somente quando as duas proposições que a compõem forem falsas. Ou seja, a
disjunção “A ou B” é falsa somente quando A é falsa e B é falsa também. Mas se A for verdadeira ou
se B for verdadeira ou mesmo se ambas, A e B, forem verdadeiras, então a disjunção será verdadeira.

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Por isso dizemos que, ao contrário da conjunção, a disjunção não necessita da simultaneidade de
condições para ser verdadeira, bastando que pelo menos uma de suas proposiçoes componentes seja
verdadeira.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da disjunção “A ou B” para


cada um dos valores que A e B podem assumir.

Condicional: Se A então B

Denominamos condicional a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que
estejam ligadas pelo conectivo “Se ... então” ou por uma de suas formas equivalentes.

A proposição condicional “Se A, então B” pode ser representada simbolicamente como:

Exemplo:
Dadas as proposições simples:
A: José é alagoano.
B: José é brasileiro.
A condicional “Se A, então B” pode ser escrita como:
: Se José é alagoano, então José é brasileiro.

Na proposição condicional “Se A, então B” a proposição A, que é anunciada pelo uso da conjunção
“se”, é denominada condição ou antecedente enquanto a proposição B, apontada pelo advérbio
“então” é denominada conclusão ou conseqüente.

As seguintes expressões podem ser empregadas como equivalentes de “Se A, então B”:

Se A, B.
B, se A.
Todo A é B.
A implica B.
A somente se B.
A é suficiente para B.
B é necessário para A.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a disjunção “A


∨ B” corresponderá à união do conjunto A com o conjunto B.

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Uma condicional “Se A então B” é falsa somente quando a condição A é verdadeira e a conclusão B é
falsa, sendo verdadeira em todos os outros casos. Isto significa que numa proposição condicional, a
única situação que não pode ocorrer é uma condição verdadeira implicar uma conclusão falsa.

Na tabela-verdade apresentada a seguir podemos observar os resultados da proposição condicional


“Se A então B” para cada um dos valores que A e B podem assumir.

Bicondicional: A se e somente se B

Denominamos bicondicional a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que
estejam ligadas pelo conectivo “se e somente se”.

A proposição bicondicional “A se e somente se B” pode ser representada simbolicamente como:

Exemplo:

Dadas as proposições simples:

A: Adalberto é meu tio.

B Adalberto é irmão de um de meus pais.

A⊂B

B: Adalberto é irmão de um de meus pais.

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A proposição bicondicional “A se e somente se B” pode ser escrita como:

Adalberto é meu tio se e somente se Adalberto é irmão de um de meus pais.

Como o próprio nome e símbolo sugerem, uma proposição bicondicional “A se e somente se

B” equivale à proposição composta “se A então B”.

Podem-se empregar também como equivalentes de “A se e somente se B” as seguintes expressões:

A se e só se B.

Todo A é B e todo B é A.

Todo A é B e reciprocamente.

Se A então B e reciprocamente.

A somente se B e B somente se A.

A é necessário e suficiente para B.

A é suficiente para B e B é suficiente para A.

B é necessário para A e A é necessário para B.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a proposição


bicondicional “A se e somente se B” corresponderá à igualdade dos conjuntos A e B.

A proposição bicondicional “A se e somente se B” é verdadeira somente quando A e B têm o mesmo


valor lógico (ambas são verdadeiras ou ambas são falsas), sendo falsa quando A e B têm valores lógicos
contrários.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da proposição bicondicional


“A se e somente se B” para cada um dos valores que A e B podem assumir.

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Negação: Não A

Dada uma proposição qualquer A denominamos negação de A à proposição composta que se obtém a
partir da proposição A acrescida do conectivo lógico “não” ou de outro equivalente. A negação “não
A” pode ser representada simbolicamente como:

Podem-se empregar, também, como equivalentes de “não A” as seguintes expressões:

Não é verdade que A. É falso que A.

Se a proposição A for representada como conjunto através de um diagrama, a negação “não A”


corresponderá ao conjunto complementar de A.

Uma proposição A e sua negação “não A” terão sempre valores lógicos opostos.
Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da negação “não A” para
cada um dos valores que A pode assumir.

Tautologia
Uma proposição composta formada pelas proposições A, B, C, ... é uma tautologia se ela for sempre
verdadeira, independentemente dos valores lógicos das proposições A, B, C, ... que a compõem.

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Exemplo:
A proposição “Se (A e B) então (A ou B)” é uma tautologia, pois é sempre verdadeira,
independentemente dos valores lógicos de A e de B, como se pode observar na tabela-verdade abaixo:

Contradição
Uma proposição composta formada pelas proposições A, B, C, ... é uma contradição se ela for sempre
falsa, independentemente dos valores lógicos das proposições A, B, nC, ... que a compõem.

Exemplo:
A proposição “A se e somente se não A” é uma contradição, pois é sempre falsa, independentemente
dos valores lógicos de A e de não A, como se pode observar na tabela-verdade abaixo:

O exemplo acima mostra que uma proposição qualquer e sua negação nunca poderão ser
simultaneamente verdadeiros ou simultaneamente falsos.
Como uma tautologia é sempre verdadeira e uma contradição sempre falsa, tem-se que: a negação de
uma tautologia é sempre uma contradição enquanto a negação de uma contradição é sempre uma
tautologia.

1.5 Proposições Logicamente Equivalentes

Dizemos que duas proposições são logicamente equivalentes ou simplesmente equivalentes quando
são compostas pelas mesmas proposições simples e suas tabelas-verdade são idênticas. Uma
conseqüência prática da equivalência lógica é que ao trocar uma dada proposição por qualquer outra
que lhe seja equivalente, estamos apenas mudando a maneira de dizê-la.

A equivalência lógica entre duas proposições, A e B, pode ser representada simbolicamente como:

Da definição de equivalência lógica pode-se demonstrar as seguintes equivalências:

Leis associativas:

1. (A ∧ B) ∧ C ⇔ A ∧ (B ∧ C)

2. (A ∨ B) ∨ C ⇔ A ∨ (B ∨ C)

Leis distributivas:

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3. A ∧ (B ∨ C) ⇔ (A ∧ B) ∨ (A ∧ C)

4. A ∨ (B ∧ C) ⇔ (A ∨ B) ∧ (A ∨ C)

Lei da dupla negação:

5. ~(~A) ⇔ A

Equivalências da Condicional

1.6 Negação de Proposições Compostas

Um problema de grande importância para a lógica é o da identificação de proposições equivalentes à


negação de uma proposição dada. Negar uma proposição simples é uma tarefa que não oferece
grandes obstáculos. Entretanto, podem surgir algumas dificuldades quando procuramos identificar a
negação de uma proposição composta.

Como vimos anteriormente, a negação de uma proposição deve Ter sempre valor lógico oposto ao da
proposição dada. Deste modo, sempre que uma proposição A for verdadeira, a sua negação não A
deve ser falsa e sempre que A for falsa, não A deve ser verdadeira.

Em outras palavras, a negação de uma proposição deve ser contraditória com a proposição dada.

A tabela abaixo mostra as equivalências mais comuns para as negações de algumas


proposições compostas:

Argumento
Denomina-se argumento a relação que associa um conjunto de proposições P1, P2, ... Pn, chamadas
premissas do argumento, a uma proposição C a qual chamamos de conclusão do argumento.

No lugar dos termos premissa e conclusão podem ser usados os correspondentes hipótese e tese,
respectivamente.

Os argumentos que têm somente duas premissas são denominados silogismos.


Assim, são exemplos de silogismos os seguintes argumentos:

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I. P1: Todos os artistas são apaixonados.


P2: Todos os apaixonados gosta de flores.
C: Todos os artistas gostam de flores.
II. P1: Todos os apaixonados gosta de flores.
P2: Míriam gosta de flores.
C: Míriam é uma apaixonada.

Argumento Válido

Dizemos que um argumento é válido ou ainda que ele é legítimo ou bem construído quando a sua
conclusão é uma conseqüência obrigatória do seu conjunto de premissas. Posto de outra forma:
quando um argumento é válido, a verdade das premissas deve garantir a verdade da conclusão do
argumento. Isto significa que jamais poderemos chegar a uma conclusão falsa quando as premissas
forem verdadeiras e o argumento for válido.

É importante observar que ao discutir a validade de um argumento é irrelevante o valor de verdade


de cada uma das premissas. Em Lógica, o estudo dos argumentos não leva em conta a verdade ou
falsidade das proposições que compõem os argumentos, mas tão-somente a validade destes.

Exemplo:
O silogismo:
“Todos os pardais adoram jogar xadrez.
Nenhum enxadrista gosta de óperas.
Portanto, nenhum pardal gosta de óperas.”

está perfeitamente bem construído (veja o diagrama abaixo), sendo, portanto, um argumento válido,
muito embora a verdade das premissas seja questionável.

Op = Conjunto dos que gostam de óperas

X = Conjunto dos que adoram jogar xadrez

P = Conjunto dos pardais

Pelo diagrama pode-se perceber que nenhum elemento do conjunto P (pardais) pode pertencer ao
conjunto Op (os que gostam de óperas).

Argumento Inválido

Dizemos que um argumento é inválido, também denominado ilegítimo, mal construído ou falacioso,
quando a verdade das premisssas não é suficiente para garantir a verdade da conclusão.

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Exemplo:
O silogismo:

“Todos ps alunos do curso passaram.


Maria não é aluna do curso.
Portanto, Maria não passou.”

é um argumento inválido, falacioso, mal construído, pois as premissas não garantem (não obrigam) a
verdade da conclusão (veja o diagrama abaixo). Maria pode Ter passado mesmo sem ser aluna do
curso, pois a primeira premissa não afirmou que somente os alunos do curso haviam passado.

P = Conjunto das pessoas que passaram.


C = Conjunto dos alunos do curso.
Na tabela abaixo, podemos ver um resumo das situações possíveis para um argumento:

LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO

1.Introdução
Desde suas origens na Grécia Antiga, especialmente de Aristóteles (384-322 a.C.) em diante, a lógica
tornou-se um dos campos mais férteis do pensamento humano, particularmente da filosofia. Em sua
longa história e nas múltiplas modalidades em que se desenvolveu, sempre foi bem claro seu objetivo:
fornecer subsídios para a produção de um bom raciocínio.

Por raciocínio, entende-se tanto uma atividade mental quanto o produto dessa atividade. Esse, por
sua vez, pode ser analisado sob muitos ângulos: o psicólogo poderá estudar o papel das emoções sobre
um determinado raciocínio; o sociólogo considerará as influências do meio; o criminólogo levará em

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conta as circunstâncias que o favoreceram na prática de um ato criminoso etc. Apesar de todas
estas possibilidades, o raciocínio é estudado de modo muito especial no âmbito da lógica. Para ela,
pouco importam os contextos psicológico, econômico, político, religioso, ideológico, jurídico ou de
qualquer outra esfera que constituam o “ambiente do raciocínio”.

Ao lógico, não interessa se o raciocínio teve esta ou aquela motivação, se respeita ou não a moral
social, se teve influências das emoções ou não, se está de acordo com uma doutrina religiosa ou não,
se foi produzido por uma pessoa embriagada ou sóbria. Ele considera a sua forma. Ao considerar a
forma, ele investiga a coerência do raciocínio, as relações entre as premissas e a conclusão, em
suma, sua obediência a algumas regras apropriadas ao modo como foi formulado etc.

Apenas a título de ilustração, seguem-se algumas definições e outras referências à lógica:

“A arte que dirige o próprio ato da razão, ou seja, nos permite chegar com ordem, facilmente e sem
erro, ao próprio ato da razão – o raciocínio” (Jacques Maritain).

“A lógica é o estudo dos métodos e princípios usados para distinguir o raciocínio correto do incorreto”
(Irving Copi).

“A lógica investiga o pensamento não como ele é, mas como deve ser” (Edmundo D. Nascimento).

“A princípio, a lógica não tem compromissos. No entanto, sua história demonstra o poder que a mesma
possui quando bem dominada e dirigida a um propósito determinado, como o fizeram os sofistas, a
escolástica, o pensamento científico ocidental e, mais recentemente, a informática” (Bastos; Keller).

Lógica formal e Lógica material

Desde Aristóteles, seu primeiro grande organizador, os estudos da lógica orientaram-se em duas
direções principais: a da lógica formal, também chamada de “lógica menor” e a da lógica material,
também conhecida como “lógica maior”.

A lógica formal preocupa-se com a correção formal do pensamento. Para esse campo de estudos da
lógica, o conteúdo ou a matéria do raciocínio tem uma importância relativa. A preocupação sempre
será com a sua forma. A forma é respeitada quando se preenchem as exigências de coerência
interna, mesmo que as conclusões possam ser absurdas do ponto de vista material (conteúdo). Nem
sempre um raciocínio formalmente correto corresponde àquilo que chamamos de realidade dos
fatos.No entanto, o erro não está no seu aspecto formal e, sim, na sua matéria. Por exemplo, partindo
das premissas que

(1) todos os brasileiros são europeus


e que
(2) Pedro é brasileiro,
formalmente, chegar-se-á à conclusão lógica que
(3) Pedro é europeu.

Materialmente, este é um raciocínio falso porque a experiência nos diz que a premissa é falsa.

No entanto, formalmente, é um raciocínio válido, porque a conclusão é adequada às premissas. É nesse


sentido que se costuma dizer que o computador é falho, já que, na maioria dos casos, processa
formalmente informações nele previamente inseridas, mas não tem a capacidade de verificar o valor
empírico de tais informações.

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Já, a lógica material preocupa-se com a aplicação das operações do pensamento à realidade, de acordo
com a natureza ou matéria do objeto em questão. Nesse caso, interessa que o raciocínio não só seja
formalmente correto, mas que também respeite a matéria, ou seja, que o seu conteúdo corresponda
à natureza do objeto a que se refere. Neste caso, trata-se da correspondência entre pensamento e
realidade.

Assim sendo, do ponto de vista lógico, costuma-se falar de dois tipos de verdade: a verdade formal e
a verdade material. A verdade formal diz respeito, somente e tão-somente, à forma do discurso; já a
verdade material tem a ver com a forma do discurso e as suas relações com a matéria ou o conteúdo
do próprio discurso. Se houver coerência, no primeiro caso, e coerência e correspondência, no
segundo, tem-se a verdade.

Em seu conjunto, a lógica investiga as regras adequadas à produção de um raciocínio válido,por meio
do qual visa-se à consecução da verdade, seja ela formal ou material. Relacionando a lógica com a
prática, pode-se dizer que é importante que se obtenha não somente uma verdade formal, mas,
também, uma verdade que corresponda à experiência. Que seja, portanto, materialmente válida. A
conexão entre os princípios formais da lógica e o conteúdo de seus raciocínios pode ser denominada
de “lógica informal”. Trata-se de uma lógica aplicada ao plano existencial, à vida quotidiana.

1.2. Raciocínio e Argumentação

Três são as principais operações do intelecto humano: a simples apreensão, os juízos e o raciocínio.

A simples apreensão consiste na captação direta (através dos sentidos, da intuição racional, da
imaginação etc) de uma realidade sobre a qual forma-se uma idéia ou conceito (p. ex., de um objeto
material, ideal, sobrenatural etc) que, por sua vez, recebe uma denominação (as palavras ou termos,
p. ex.: “mesa”, “três” e “arcanjo”).

O juízo é ato pelo qual os conceitos ou idéias são ligadas ou separadas dando origem à emissão de um
“julgamento” (falso ou verdadeiro) sobre a realidade, mediante proposições orais ou escritas. Por
exemplo: “Há três arcanjos sobre a mesa da sala”

O raciocínio, por fim, consiste no “arranjo” intelectual dos juízos ou proposições, ordenando
adequadamente os conteúdos da consciência. No raciocínio, parte-se de premissas para se chegar a
conclusões que devem ser adequadas. Procedendo dessa forma, adquirem-se conhecimentos novos e
defende-se ou aprofunda-se o que já se conhece. Para tanto, a cada passo, é preciso preencher os
requisitos da coerência e do rigor. Por exemplo: “Se os três arcanjos estão sobre a mesa da sala, não
estão sobre a mesa da varanda” .

Quando os raciocínios são organizados com técnica e arte e expostos de forma tal a convencera platéia,
o leitor ou qualquer interlocutor tem-se a argumentação. Assim, a atividade argumentativa envolve o
interesse da persuasão. Argumentar é o núcleo principal da retórica, considerada a arte de convencer
mediante o discurso.

Partindo do pressuposto de que as pessoas pensam aquilo que querem, de acordo com as
circunstâncias da vida e as decisões pessoais (subjetividade), um argumento conseguirá atingir mais
facilmente a meta da persuasão caso as idéias propostas se assentem em boas razões, capazes de
mexer com as convicções daquele a quem se tenta convencer. Muitas vezes, julga-se que estão sendo
usadas como bom argumento opiniões que, na verdade, não passam de preconceitos pessoais, de

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modismos, de egoísmo ou de outras formas de desconhecimento. Mesmo assim, a habilidade no


argumentar, associada à desatenção ou à ignorância de quem ouve, acaba, muitas vezes, por lograr a
persuasão.

Pode-se, então, falar de dois tipos de argumentação: boa ou má, consistente/sólida ou


inconsistente/frágil, lógica ou ilógica, coerente ou incoerente, válida ou não-válida, fraca ou forte etc.

De qualquer modo, argumentar não implica, necessariamente, manter-se num plano distante da
existência humana, desprezando sentimentos e motivações pessoais. Pode-se argumentar bem sem,
necessariamente, descartar as emoções, como no caso de convencer o aluno a se esforçar nos estudos
diante da perspectiva de férias mais tranquilas. Enfim, argumentar corretamente (sem armar
ciladas para o interlocutor) é apresentar boas razões para o debate, sustentar adequadamente um
diálogo, promovendo a dinamização do pensamento. Tudo isso pressupõe um clima democrático.

1.3. Inferência Lógica

Cabe à lógica a tarefa de indicar os caminhos para um raciocínio válido, visando à verdade. Contudo,
só faz sentido falar de verdade ou falsidade quando entram em jogo asserções nas quais se declara
algo, emitindo-se um juízo de realidade. Existem, então, dois tipos de frases: as assertivas e as
não assertivas, que também podem ser chamadas de proposições ou juízos.

Nas frases assertivas afirma-se algo, como nos exemplos: “a raiz quadrada de 9 é 3” ou “o sol brilha à
noite”. Já, nas frases não assertivas, não entram em jogo o falso e o verdadeiro, e, por isso, elas não
têm “valor de verdade”. É o caso das interrogações ou das frases que expressam estados emocionais
difusos, valores vivenciados subjetivamente ou ordens. A frase “toque a bola”, por exemplo, não é
falsa nem verdadeira, por não se tratar de uma asserção (juízo).

As frases declaratórias ou assertivas podem ser combinadas de modo a levarem a conclusões


conseqüuentes, constituindo raciocínios válidos. Veja-se o exemplo:

(1) Não há crime sem uma lei que o defina;

(2) não há uma lei que defina matar ET’s como crime;

(3) logo, não é crime matar ET’s.

Ao serem ligadas estas assertivas, na mente do interlocutor, vão sendo criadas as condições lógicas
adequadas à conclusão do raciocínio. Esse processo, que muitas vezes permite que a conclusão seja
antecipada sem que ainda sejam emitidas todas as proposições do raciocínio, chamase inferência. O
ponto de partida de um raciocínio (as premissas) deve levar a conclusões óbvias.

1.4. Termo e Conceito

Para que a validade de um raciocínio seja preservada, é fundamental que se respeite uma exigência
básica: as palavras empregadas na sua construção não podem sofrer modificações de significado.
Observe-se o exemplo:

Os jaguares são quadrúpedes;

Meu carro é um Jaguar

logo, meu carro é um quadrúpede.

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O termo “jaguar” sofreu uma alteração de significado ao longo do raciocínio, por isso, não tem
validade.

Quando pensamos e comunicamos os nossos pensamentos aos outros, empregamos palavras tais
como “animal”, “lei”, “mulher rica”, “crime”, “cadeira”, “furto” etc. Do ponto de vista da lógica, tais
palavras são classificadas como termos, que são palavras acompanhadas de conceitos. Assim sendo, o
termo é o signo lingüístico, falado ou escrito, referido a um conceito, que é o ato mental
correspondente ao signo.

Desse modo, quando se emprega, por exemplo, o termo “mulher rica”, tende-se a pensar no conjunto
das mulheres às quais se aplica esse conceito, procurando apreender uma nota característica comum
a todos os elementos do conjunto, de acordo com a ‘intencionalidade’ presente no ato mental.

Como resultado, a expressão “mulher rica” pode ser tratada como dois termos: pode ser uma pessoa
do sexo feminino cujos bens materiais ou financeiros estão acima da média ou aquela cuja trajetória
existencial destaca-se pela bondade, virtude, afetividade e equilíbrio.

Para que não se obstrua a coerência do raciocínio, é preciso que fique bem claro, em função do
contexto ou de uma manifestação de quem emite o juízo, o significado dos termos empregados no
discurso.

1.5. Princípios lógicos

Existem alguns princípios tidos como conditio sine qua non para que a coerência do raciocínio, em
absoluto, possa ocorrer. Podem ser entendidos como princípios que se referem tanto à realidade das
coisas (plano ontológico), quanto ao pensamento (plano lógico), ou seja, se as coisas em geral devem
respeitar tais princípios, assim também o pensamento deve respeitá-los. São eles:

a) Princípio da identidade, pelo qual se delimita a realidade de um ser. Trata-se de conceituar


logicamente qual é a identidade de algo a que se está fazendo referência. Uma vez conceituada uma
certa coisa, seu conceito deve manter-se ao longo do raciocínio. Por exemplo, se estou falando de um
homem chamado Pedro, não posso estar me referindo a Antônio.

b) Princípio da não-contradição. Se algo é aquilo que é, não pode ser outra coisa, sob o mesmo aspecto
e ao mesmo tempo. Por exemplo, se o brasileiro João está doente agora, não está são, ainda que,
daqui a pouco possa vir a curar-se, embora, enquanto João, ele seja brasileiro, doente ou são;

c) Princípio da exclusão do terceiro termo. Entre o falso e o verdadeiro não há meio termo, ou é falso
ou é verdadeiro. Ou está chovendo ou não está, não é possível um terceiro termo: está meio chovendo
ou coisa parecida.

A lógica clássica e a lógica matemática aceitam os três princípios como suas pedras angulares, no
entanto, mais recentemente, Lukasiewicz e outros pensadores desenvolveram sistemas lógicos sem o
princípio do terceiro excluído, admitindo valor lógico não somente ao falso e ao verdadeiro, como
também ao indeterminado.

2. Argumentação e Tipos de Raciocínio

Conforme vimos, a argumentação é o modo como é exposto um raciocínio, na tentativa de convencer


alguém de alguma coisa. Quem argumenta, por sua vez, pode fazer uso de diversos tipos de raciocínio.
Às vezes, são empregados raciocínios aceitáveis do ponto de vista lógico, já, em outras

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ocasiões, pode-se apelar para raciocínios fracos ou inválidos sob o mesmo ponto de vista. É bastante
comum que raciocínios desse tipo sejam usados para convencer e logrem o efeito desejado,
explorando a incapacidade momentânea ou persistente de quem está sendo persuadido de avaliar o
valor lógico do raciocínio empregado na argumentação.

Um bom raciocínio, capaz de resistir a críticas, precisa ser dotado de duas características fundamentais:
ter premissas aceitáveis e ser desenvolvido conforme as normas apropriadas.

Dos raciocínios mais empregados na argumentação, merecem ser citados a analogia, a indução e a
dedução. Dos três, o primeiro é o menos preciso, ainda que um meio bastante poderoso de
convencimento, sendo bastante usado pela filosofia, pelo senso comum e, particularmente, nos
discursos jurídico e religioso; o segundo é amplamente empregado pela ciência e, também, pelo senso
comum e, por fim, a dedução é tida por alguns como o único raciocínio autenticamente lógico, por
isso, o verdadeiro objeto da lógica formal.

A maior ou menor valorização de um ou de outro tipo de raciocínio dependerá do objeto a que se


aplica, do modo como é desenvolvido ou, ainda, da perspectiva adotada na abordagem da natureza e
do alcance do conhecimento.

Às vezes, um determinado tipo de raciocínio não é adequadamente empregado. Vejam-se os seguintes


exemplos: o médico alemão Ludwig Büchner (1824-1899) apresentou como argumento contra a
existência da alma o fato de esta nunca ter sido encontrada nas diversas dissecações do corpo humano;
o astronauta russo Gagarin (1934-1968) afirmou que Deus não existe pois “esteve lá em cima” e não o
encontrou. Nesses exemplos fica bem claro que o raciocínio indutivo, baseado na
observação empírica, não é o mais adequado para os objetos em questão, já que a alma e Deus são de
ordem metafísica, não física.

2.1. Raciocínio analógico

Se raciocinar é passar do desconhecido ao conhecido, é partir do que se sabe em direção àquilo que
não se sabe, a analogia (aná = segundo, de acordo + lógon = razão) é um dos caminhos mais comuns
para que isso aconteça. No raciocínio analógico, compara-se uma situação já conhecida com uma
situação desconhecida ou parcialmente conhecida, aplicando a elas as informações previamente
obtidas quando da vivência direta ou indireta da situação-referência.

Normalmente, aquilo que é familiar é usado como ponto de apoio na formação do


conhecimento, por isso, a analogia é um dos meios mais comuns de inferência. Se, por um lado, é fonte
de conhecimentos do dia-a-dia, por outro, também tem servido de inspiração para muitos gênios das
ciências e das artes, como nos casos de Arquimedes na banheira (lei do empuxo), de Galileu na catedral
de Pisa (lei do pêndulo) ou de Newton sob a macieira (lei da gravitação universal). No entanto,
também é uma forma de raciocínio em que se cometem muitos erros. Tal acontece porque é difícil
estabelecer-lhe regras rígidas. A distância entre a genialidade e a falha grosseira é muito pequena. No
caso dos raciocínios analógicos, não se trata propriamente de considerá-los válidos ou não-válidos,
mas de verificar se são fracos ou fortes. Segundo Copi, deles somente se exige “que tenham alguma
probabilidade” (Introdução à lógica, p. 314).

A força de uma analogia depende, basicamente, de três aspectos:

a) os elementos comparados devem ser verdadeiros e importantes;

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b) o número de elementos semelhantes entre uma situação e outra deve ser significativo;

c) não devem existir divergências marcantes na comparação.

No raciocínio analógico, comparam-se duas situações, casos, objetos etc. semelhantes e tiramse as
conclusões adequadas. Na ilustração, tal como a carroça, o carro a motor é um meio de transporte que
necessita de um condutor. Este, tanto num caso quanto no outro, precisa ser dotado de bom senso e
de boa técnica para desempenhar adequadamente seu papel.

Aplicação das regras acima a exemplos:

a) Os elementos comparados devem ser verdadeiros e relevantes, não imaginários ou insignificantes.tc


"a) Os elementos comparados devem ser verdadeiros e relevantes, não imaginários ou insignificantes."

Analogia forte - Ana Maria sempre teve bom gosto ao comprar suas roupas, logo, terá bom gosto ao
comprar as roupas de sua filha.

Analogia fraca - João usa terno, sapato de cromo e perfume francês e é um bom advogado; Antônio
usa terno, sapato de cromo e perfume francês; logo, deve ser um bom advogado.

b) O número de aspectos semelhantes entre uma situação e outra deve ser significativo.tc "b) O
número de aspectos semelhantes entre uma situação e outra deve ser significativo."

Analogia forte - A Terra é um planeta com atmosfera, com clima ameno e tem água; em Marte, tal
como na Terra, houve atmosfera, clima ameno e água; na Terra existe vida, logo, tal como na Terra,
em Marte deve ter havido algum tipo de vida.

Analogia fraca - T. Edison dormia entre 3 e 4 horas por noite e foi um gênio inventor; eu dormirei
durante 3 1/2 horas por noite e, por isso, também serei um gênio inventor.

c) Não devem existir divergências marcantes na comparação.tc "c) Não devem existir divergências
marcantes na comparação.."

Analogia forte - A pescaria em rios não é proveitosa por ocasião de tormentas e tempestades; a
pescaria marinha não está tendo sucesso porque troveja muito.

Analogia fraca - Os operários suíços que recebem o salário mínimo vivem bem; a maioria dos operários
brasileiros, tal como os operários suíços, também recebe um salário mínimo; logo, a maioria dos
operários brasileiros também vive bem, como os suíços.

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Pode-se notar que, no caso da analogia, não basta considerar a forma de raciocínio, é muito
importante que se avalie o seu conteúdo. Por isso, esse tipo de raciocínio não é admitido pela lógica
formal. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão não o será necessariamente, mas
possivelmente, isto caso cumpram-se as exigências acima.

Tal ocorre porque, apesar de existir uma estrutura geral do raciocínio analógico, não existem regras
claras e precisas que, uma vez observadas, levariam a uma conclusão necessariamente válida. O
esquema básico do raciocínio analógico é:

A é N, L, Y, X;

B, tal como A, é N, L, Y, X;

A é, também, Z

logo, B, tal como A, é também Z.

Se, do ponto de vista da lógica formal, o raciocínio analógico é precário, ele é muito importante na
formulação de hipóteses científicas e de teses jurídicas ou filosóficas.

Contudo, as hipóteses científicas oriundas de um raciocínio analógico necessitam de uma avaliação


posterior, mediante procedimentos indutivos ou dedutivos.

Observe-se o seguinte exemplo:

John Holland, físico e professor de ciência da computação da Universidade de Michigan, lançou a


hipótese (1995) de se verificar, no campo da computação, uma situação semelhante à que ocorre no
da genética.

Assim como na natureza espécies diferentes podem ser cruzadas para obter o chamado melhoramento
genético - um indivíduo mais adaptado ao ambiente -, na informática, também o cruzamento de
programas pode contribuir para montar um programa mais adequado para resolver um determinado
problema.

“Se quisermos obter uma rosa mais bonita e perfumada, teremos que cruzar duas espécies: uma com
forte perfume e outra que seja bela” diz Holland. “Para resolver um problema, fazemos o mesmo.
Pegamos um programa que dê conta de uma parte do problema e cruzamos com outro programa que
solucione outra parte. Entre as várias soluções possíveis, selecionam-se aquelas que parecem mais
adequadas. Esse processo se repete por várias gerações - sempre selecionando o melhor programa -
até obter o descendente que mais se adapta à questão. É, portanto, semelhante ao processo de seleção
natural, em que só sobrevivem os mais aptos”. (Entrevista ao JB, 19/10/95, 1º cad., p. 12).

Nesse exemplo, fica bem clara a necessidade da averiguação indutiva das conclusões extraídas desse
tipo de raciocínio para, só depois, serem confirmadas ou não.

2.2. Raciocínio Indutivo - do particular ao geral

Ainda que alguns autores considerem a analogia como uma variação do raciocínio indutivo, esse último
tem uma base mais ampla de sustentação. A indução consiste em partir de uma série de casos
particulares e chegar a uma conclusão de cunho geral. Nele, está pressuposta a possibilidade dacoleta
de dados ou da observação de muitos fatos e, na maioria dos casos, também da verificação

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experimental. Como dificilmente são investigados todos os casos possíveis, acaba se aplicando o
princípio das probabilidades.

Assim sendo, as verdades do raciocínio indutivo dependem das probabilidades sugeridas pelo número
de casos observados e pelas evidências fornecidas por estes. A enumeração de casos deve ser realizada
com rigor e a conexão entre estes deve ser feita com critérios rigorosos para que sejam indicadores da
validade das generalizações contidas nas conclusões.

O esquema principal do raciocínio indutivo é o seguinte:

B é A e é X;
C é A e também é X;
D é A e também é X;
E é A e também é X;
logo, todos os A são X

No raciocínio indutivo, da observação de muitos casos particulares, chega-se a uma conclusão de


cunho geral.

Aplicando o modelo:

A jararaca é uma cobra e não voa;


A caninana é uma cobra e também não voa;
A urutu é uma cobra e também não voa;
A cascavel é uma cobra e também não voa;
logo, as cobras não voam.

Contudo,

Ao sair de casa, João viu um gato preto e, logo a seguir, caiu e quebrou o braço. Maria viu o mesmo
gato e, alguns minutos depois, foi assaltada. Antonio também viu o mesmo gato e, ao sair do
estacionamento, bateu com o carro. Logo, ver um gato preto traz azar.

Os exemplos acima sugerem, sob o ponto de vista do valor lógico, dois tipos de indução: a indução
fraca e a indução forte. É forte quando não há boas probabilidades de que um caso particular discorde
da generalização obtida das premissas: a conclusão “nenhuma cobra voa” tem grande probalidade de
ser válida. Já, no caso do “gato preto”, não parece haver sustentabilidade da conclusão, por se tratar
de mera coincidência, tratando-se de uma indução fraca. Além disso, há casos em que uma simples
análise das premissas é suficiente para detectar a sua fraqueza.

Vejam-se os exemplos das conclusões que pretendem ser aplicadas ao comportamento da totalidade
dos membros de um grupo ou de uma classe tendo como modelo o comportamento de alguns de seus
componentes:

1. Adriana é mulher e dirige mal;

Ana Maria é mulher e dirige mal;

Mônica é mulher e dirige mal;

Carla é mulher e dirige mal;

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logo, todas as mulheres dirigem mal.

2. Antônio Carlos é político e é corrupto;

Fernando é político e é corrupto;

Paulo é político e é corrupto;

Estevão é político e é corrupto;

logo, todos os políticos são corruptos.

A avaliação da suficiência ou não dos elementos não é tarefa simples, havendo muitos exemplos na
história do conhecimento indicadores dos riscos das conclusões por indução. Basta que um caso
contrarie os exemplos até então colhidos para que caia por terra uma “verdade” por ela sustentada.
Um exemplo famoso é o da cor dos cisnes. Antes da descoberta da Austrália, onde foram
encontrados cisnes pretos, acreditava-se que todos os cisnes fossem brancos porque todos os até
então observados eram brancos. Ao ser visto o primeiro cisne preto, uma certeza de séculos caiu por
terra.

2.2.1. Procedimentos indutivos

Apesar das muitas críticas de que é passível o raciocínio indutivo, este é um dos recursos mais
empregados pelas ciências para tirar as suas conclusões. Há dois procedimentos principais de
desenvolvimento e aplicação desse tipo de raciocínio: o da indução por enumeração incompleta
suficiente e o da indução por enumeração completa.

a. Indução por enumeração incompleta suficiente

Nesse procedimento, os elementos enumerados são tidos como suficientes para serem tiradas
determinadas conclusões. É o caso do exemplo das cobras, no qual, apesar de não poderem ser
conferidos todos os elementos (cobras) em particular, os que foram enumerados são representativos
do todo e suficientes para a generalização (“todas as cobras...”)

b. Indução por enumeração completa

Costuma-se também classificar como indutivo o raciocínio baseado na enumeração completa.

Ainda que alguns a classifiquem como tautologia, ela ocorre quando:

b.a. todos os casos são verificados e contabilizados;

b.b. todas as partes de um conjunto são enumeradas.

Exemplos correspondentes às duas formas de indução por enumeração completa:

b.a. todas as ocorrências de dengue foram investigadas e em cada uma delas foi constatada uma
característica própria desse estado de morbidez: fortes dores de cabeça; obteve-se, por conseguinte,
a conclusão segura de que a dor de cabeça é um dos sintomas da dengue.

b.b. contam-se ou conferem-se todos as peças do jogo de xadrez: ao final da contagem, constata-se
que são 32 peças.

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Nesses raciocínios, tem-se uma conclusão segura, podendo-se classificá-los como formas de indução
forte, mesmo que se revelem pouco criativos em termos de pesquisa científica.

O raciocínio indutivo nem sempre aparece estruturado nos moldes acima citados. Às vezes, percebe-
se o seu uso pela maneira como o conteúdo (a matéria) fica exposta ou ordenada. Observemse os
exemplos:

- Não parece haver grandes esperanças em se erradicar a corrupção do cenário político brasileiro.

Depois da série de protestos realizados pela população, depois das provas apresentadas nas CPI’s,
depois do vexame sofrido por alguns políticos denunciados pela imprensa, depois do escárnio popular
em festividades como o carnaval e depois de tanta insistência de muitos sobre necessidade de
moralizar o nosso país, a corrupção parece recrudescer, apresenta novos tentáculos, se disfarça de
modos sempre novos, encontrando-se maneiras inusitadas de ludibriar a nação.

- Sentia-me totalmente tranquilo quanto ao meu amigo, pois, até então, os seus atos sempre foram

pautados pelo respeito às leis e à dignidade de seus pares. Assim, enquanto alguns insinuavam a sua
culpa, eu continuava seguro de sua inocência.

Tanto no primeiro quanto no segundo exemplos está sendo empregando o método indutivo porque o
argumento principal está sustentado pela observação de muitos casos ou fatos particulares que, por
sua vez, fundamentam a conclusão. No primeiro caso, a constatação de que diversas tentativas de
erradicar a corrupção mostraram-se infrutíferas conduzem à conclusão da impossibilidade de sua
superação, enquanto que, no segundo exemplo, da observação do comportamento do amigo infere-
se sua inocência.

2.2.1 Analogia, indução e probabilidade

Nos raciocínios analógico e indutivo, apesar de boas chances do contrário, há sempre a possibilidade
do erro. Isso ocorre porque se está lidando com probabilidades e estas não são sinônimas de certezas.

Há três tipos principais de probabilidades: a matemática, a moral e a natural.

a) A probabilidade matemática é aquela na qual, partindo-se dos casos numerados, é possível calcular,
sob forma de fração, a possibilidade de algo ocorrer – na fração, o denominador representa os casos
possíveis e o numerador o número de casos favoráveis. Por exemplo, no caso de um sorteio usando
uma moeda, a probabilidade de dar cara é de 50% e a de dar coroa também é de 50%.

b) A probabilidade moral é a relativa a fatos humanos destituídos de caráter matemático. É o caso da


possibilidade de um comportamento criminoso ou virtuoso, de uma reação alegre ou triste etc.

Exemplos: considerando seu comportamento pregresso, é provável que Pedro não tenha cometido o
crime, contudo... Conhecendo-se a meiguice de Maria, é provável que ela o receba bem, mas...

c) A probabilidade natural é a relativa a fenômenos naturais dos quais nem todas as possibilidades são
conhecidas. A previsão meteorológica é um exemplo particular de probalidade natural. A teoria do
caos assenta-se na tese da imprevisibilidade relativa e da descrição apenas parcial de alguns eventos
naturais.

Por lidarem com probabilidades, a indução e a analogia são passíveis de conclusões inexatas.

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Assim sendo, deve-se ter um relativo cuidado com as suas conclusões. Elas expressam muito bem a
necessidade humana de explicar e prever os acontecimentos e as coisas, contudo, também revelam as
limitações humanas no que diz respeito à construção do conhecimento.

2.3. Raciocínio dedutivo - do geral ao particular

O raciocínio dedutivo, conforme a convicção de muitos estudiosos da lógica, é aquele no qual são
superadas as deficiências da analogia e da indução.

No raciocínio dedutivo, inversamente ao indutivo, parte-se do geral e vai-se ao particular. As


inferências ocorrem a partir do progressivo avanço de uma premissa de cunho geral, para se chegar a
uma conclusão tão ou menos ampla que a premissa. O silogismo é o melhor exemplo desse tipo de
raciocínio:

Premissa maior: Todos os homens são mamíferos. universal

Premissa menor: Pedro é homem.

Conclusão: Logo, Pedro é mamífero. Particular

No raciocínio dedutivo, de uma premissa de cunho geral podem-se tirar conclusões de cunho
particular.

Aristóteles refere-se à dedução como “a inferência na qual, colocadas certas coisas, outra diferente se
lhe segue necessariamente, somente pelo fato de terem sido postas”. Uma vez posto que todos os
homens são mamíferos e que Pedro é homem, há de se inferir, necessariamente, que Pedro é um
mamífero. De certo modo, a conclusão já está presente nas premissas, basta observar algumas

regras e inferir a conclusão.

2.3.1. Construção do Silogismo

A estrutura básica do silogismo consiste na determinação de umavpremissa maior (ponto de partida),


de uma premissa menor (termo médio) e de uma conclusão, inferidava partir da premissa menor. Em
outras palavras, o silogismo sai de uma premissa maior, progride através da premissa menor e infere,
necessariamente, uma conclusão adequada.

Eis um exemplo de silogismo:

Todos os atos que ferem a lei são puníveis Premissa Maior

A concussão é um ato que fere a lei Premissa Menor

Logo, a concussão é punível Conclusão

O silogismo estrutura-se por premissas. No âmbito da lógica, as premissas são chamadas de


proposições que, por sua vez, são a expressão oral ou gráfica de frases assertivas ou juízos. O termo é
uma palavra ou um conjunto de palavras que exprime um conceito. Os termos de um silogismo são
necessariamente três: maior, médio e menor. O termo maior é aquele cuja extensão é maior
(normalmente, é o predicado da conclusão); o termo médio é o que serve de intermediário ou de
conexão entre os outros dois termos (não figura na conclusão) e o termo menor é o de menor extensão
(normalmente, é o sujeito da conclusão). No exemplo acima, punível é o termo maior, ato que fere a
lei é o termo médio e concussão é o menor.

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2.3.1.1. As Regras do Silogismo

Oito são as regras que fazem do silogismo um raciocínio perfeitamente lógico. As quatro primeiras
dizem respeito às relações entre os termos e as demais dizem respeito às relações entre as premissas.
São elas:

2.3.1.1.1. Regras dos Termos

1) Qualquer silogismo possui somente três termos: maior, médio e menor.

Exemplo de formulação correta:

Termo Maior: Todos os gatos são mamíferos.

Termo Médio: Mimi é um gato.

Termo Menor: Mimi é um mamífero.

Exemplo de formulação incorreta:

Termo Maior: Toda gata(1) é quadrúpede.

Termo Médio: Maria é uma gata(2).

Termo Menor: Maria é quadrúpede.

O termo “gata” tem dois significados, portanto, há quatro termos ao invés de três.

2) Os termos da conclusão nunca podem ser mais extensos que os termos das premissas.

Exemplo de formulação correta:

Termo Maior: Todas as onças são ferozes.

Termo Médio: Nikita é uma onça.

Termo Menor: Nikita é feroz.

Exemplo de formulação incorreta:

Termo Maior: Antônio e José são poetas.

Termo Médio: Antônio e José são surfistas.

Termo Menor: Todos os surfistas são poetas.

“Antonio e José” é um termo menos extenso que “todos os surfistas”.

3) O predicado do termo médio não pode entrar na conclusão.

Exemplo de formulação correta:

Termo Maior: Todos os homens podem infringir a lei.

Termo Médio: Pedro é homem.

Termo Menor: Pedro pode infringir a lei.

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Exemplo de formulação incorreta:

Termo Maior: Todos os homens podem infringir a lei.

Termo Médio: Pedro é homem.

Termo Menor: Pedro ou é homem (?) ou pode infringir a lei.

A ocorrência do termo médio “homem” na conclusão é inoportuna.

4) O termo médio deve ser tomado ao menos uma vez em sua extensão universal.

Exemplo de formulação correta:

Termo Maior: Todos os homens são dotados de habilidades.

Termo Médio: Pedro é homem.

Termo Menor: Pedro é dotado de habilidades.

Exemplo de formulação incorreta:

Termo Maior: Alguns homens são sábios.

Termo Médio: Ora os ignorantes são homens

Termo Menor: Logo, os ignorantes são sábios

O predicado “homens” do termo médio não é universal, mas particular.

2.3.1.1.2. Regras das Premissas

5) De duas premissas negativas, nada se conclui.

Exemplo de formulação incorreta:

Premissa Maior: Nenhum gato é mamífero

Premissa Menor: Lulu não é um gato.

Conclusão: (?).

6) De duas premissas afirmativas, não se tira uma conclusão negativa.

Exemplo de formulação incorreta:

Premissa Maior: Todos os bens morais devem ser desejados.

Premissa Menor: Ajudar ao próximo é um bem moral.

Conclusão: Ajudar ao próximo não (?) deve ser desejado.

7) A conclusão segue sempre a premissa mais fraca. A premissa mais fraca é sempre a de caráter
negativo.

Exemplo de formulação incorreta:

Premissa Maior: As aves são animais que voam.

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Premissa Menor: Alguns animais não são aves.

Conclusão: Alguns animais não voam.

Exemplo de formulação incorreta:

Premissa Maior: As aves são animais que voam.

Premissa Menor: Alguns animais não são aves.

Conclusão: Alguns animais voam.

8) De duas premissas particulares nada se conclui.

Exemplo de formulação incorreta:

Premissa Maior: Mimi é um gato.

Premissa Menor: Um gato foi covarde.

Conclusão: (?)

2.4 Diagramas Lógicos

Os diagramas lógicos são usados na resolução de vários problemas. Uma situação que esses diagramas
poderão ser usados, é na determinação da quantidade de elementos que apresentam uma
determinada característica.

Assim, se num grupo de pessoas há 43 que dirigem carro, 18 que dirigem moto e 10 que dirigem carro
e moto. Baseando-se nesses dados, e nos diagramas lógicos poderemos saber: Quantas pessoas têm
no grupo ou quantas dirigem somente carro ou ainda quantas dirigem somente motos. Vamos
inicialmente montar os diagramas dos conjuntos que representam os motoristas de motos e
motoristas de carros. Começaremos marcando quantos elementos tem a intersecção e depois
completaremos os outros espaços.

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Marcando o valor da intersecção, então iremos subtraindo esse valor da quantidade de elementos dos
conjuntos A e B. A partir dos valores reais, é que poderemos responder as perguntas feitas.

a) Temos no grupo: 8 + 10 + 33 = 51 motoristas.

b) Dirigem somente carros 33 motoristas.

c) Dirigem somente motos 8 motoristas.

No caso de uma pesquisa de opinião sobre a preferência quanto à leitura de três jornais. A, B e C, foi
apresentada a seguinte tabela:

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Para termos os valores reais da pesquisa, vamos inicialmente montar os diagramas que representam
cada conjunto. A colocação dos valores começará pela intersecção dos três conjuntos e depois para as