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Resenha: Repensando o ensino de história (Sônia

Nikitiuk- Organizadora) 4ª Edição. São Paulo: Cortez,


2001.

Por: Alexandre Raphael Tondo Junior


R.A: 00169487
Data: 18/06/2015

O livro da organizadora Sônia Maria Leite Nikitiuk é uma seleção de cinco


artigos voltados à prática do ensino de historia na sala de aula. Sônia possui graduação
em História pela Universidade Federal Fluminense (1970), graduação em Pedagogia
pela Sociedade Universitária Augusto Mota (1979), graduação em Teologia pela
Universidade Santa Úrsula (1980), mestrado em Educação pela Universidade Federal
Fluminense (1978) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2001).

O primeiro capítulo do livro é da própria organizadora, que possui diversas


poesias em seu leito. É expressa toda a missão de um historiador em avaliar suas fontes,
ter o cuidado com elas e que a história nunca se pode concluir por total – está sempre
em constante construção. Possui diversas citações de autores renomados dentro da
academia, como Jacques Le Goff, Burke, Veyne e com isso ela trás um panorama
análogo com o ensino de historia na sala de aula. Todo o desafio que é ser um
historiador está presente também na hora de se ensinar seus alunos temas históricos –
podemos citar aqui Paulo Freire, que sempre dizia que a educação deve se dar de forma
simples, objetiva e de maneira neutra (embora o trabalho do historiador, por mais que
ele tente, nunca será neutra) e mais importante, o ensino dentro da sala de aula deve se
dar de maneira crítica.

Todo o processo de aprendizagem se dá pela interdisciplinaridade, assim como a


nova historia, ou escola dos Analles teorizava que já era discutida pelos positivistas
Seignobos e Langlois no livro: Introdução aos estudos Históricos. O professor dentro da
sala de aula deve passar a informação aos alunos de maneira com que eles percebam a
importância do vivido, do agente histórico que ela representa – utilizando da
interdisciplinaridade como forma de auxílio em sua metodologia.

Porque Sônia utilizou-se de poesias? Poderia eu dizer que a maneira dela de


abordar um tema, escrevendo um artigo de poesias é, um tanto quanto, diferente e
inovador, não? Pode-se interpretar, a meu ver, o motivo das poesias dela no texto como
uma lição: Devemos sempre inovar e cada vez mais trazer novas idéias aos alunos,
assim como Sônia o fez em seu artigo que ficou muito interessante e peculiar.

O segundo artigo é de Paulo Knauss de Mendonça, cujo possui graduação em


História pela Universidade Federal Fluminense (1987), mestrado em História pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990) e doutorado em História pela
Universidade Federal Fluminense (1998), tendo realizado pós-doutorado na
Universidade de Estrasburgo, França (2006). Desenvolve pesquisas na área de História
sobre as relações entre Memória e Patrimônio Cultural, explorando os campos da
história da arte, história da imagem, história da cartografia, história oral, história urbana
e historiografia.

Em seu capítulo do livro; Sobre a norma e o obvio: A sala de aula como lugar de
pesquisa, e feita uma critica a docência dos professores de história - que em muitas
vezes tem a postura de não estabelecer a criticidade que cabe ao historiador em sua
prática historiográfica. É feita uma critica aos livros didáticos que não estimulam o
pensamento critico do aluno, estabelecendo aquela velha história oficial positivista do
conhecimento pronto, acabado e imutável.

Concordo com Paulo Knauss. O Ensino Médio, principalmente, deve ser um


lugar para uma prática de análises de documentos – respeitando as devidas limitações
dos alunos – e o estudo em cima de livros didáticos passa a ser marginalizada. O
professor, que antes era o detentor de todo o conhecimento, está apenas auxiliando e
ajudando os alunos a produzirem o seu próprio conhecimento, pois interpretar
documentos e questioná-las é fazer o aluno questionar a si próprio. Podemos citar a
pensadora Circe Bittencurt que em seu livro, O saber histórico em sala de aula, faz um
questionamento acerca das imagens e cartografias dos materiais didáticos. Muitos deles
passam uma visão alienadora e precipitada dos acontecimentos – como os índios que em
diversos livros didáticos é apresentado de maneira abominável, pelo fato de seu ritual
antropofágico. Evitar que os alunos tenham acesso a esses materiais, e fazê-los produzir
seu próprio conhecimento, as tornará mais criticas e conscientes de que verdades
absolutas, principalmente na história, não existem.

Paulo Knauss, assim como Paulo Freire, cita a importância do diálogo em sala
de aula. Uma aula ministrada apenas com o professor como agente detentor do
conhecimento, se torna uma docência monologa, e o conhecimento se dá através do
dialogo entre professor – aluno, quebrando uma grande barreira do conservadorismo
existente nas práticas docentes e ideológicas das escolas.

O terceiro capítulo foi redigido por Ubiratan Rocha. O mesmo possui graduação
em História pela Universidade Federal Fluminense (1972), graduação em Ciências
Econômicas pela Universidade Federal Fluminense (1976), mestrado em História pela
Universidade Federal Fluminense (1979) e doutorado em Educação pela Universidade
de São Paulo (2001).

Reconstruir a historia a partir do imaginário do aluno. Esse capítulo nos diz


sobre a postura tanto do professor, como da instituição de ensino deve agir perante a
presença dos alunos para melhor prepará-los. Colégios mais tradicionais e
conservadores costumam a ter a velha história positivista de dar aula e,
conseqüentemente, práticas modernas de docências são muitas vezes negligenciadas –
como o caso da utilização da tecnologia em favor do ensino. Projetores multimídia
podem colaborar e muito com a metodologia que o professor pretende utilizar em sala –
seja por meio de mapas, imagens, e o mais importante de tudo isso é que possui uma
praticidade e facilidade muito grande ao se manusear esses equipamentos. O uso
frenético e exagerado pode também comprometer e muito a educação dos alunos.

Professores que apenas sabem apresentar uma aula por via de material
multimídia – aonde na maioria das vezes entope o slide e assim, cansa a visão e a
atenção do aluno – estão colaborando com o velho método Comteano de trabalhar a
história. Sendo assim, a aula fica mais voltada a um monólogo e a compreensão do
imaginário ou do subconsciente do aluno não consegue assimilar o conteúdo tratado. É
importantíssimo que o aluno conheça sua própria visão acerca do assunto e isso deve ser
trabalhado de maneira aberta e com diálogos em sala de aula. Negligenciando essa
atitude, o aluno deixa de absorver conteúdos e o próprio professor também fica ausente
na recepção do conhecimento de seus alunos. Segundo Paulo Freire, em sua obra,
Pedagogia da autonomia, diz que existe uma transferência de conhecimentos entre
educador e educando, sendo assim necessário o diálogo em sala de aula.

O quarto capítulo do livro, O ensino de historia no contesto das transições


paradigmáticas da historia e da educação, foi elaborada por Marília Beatriz Azevedo
Cruz. Estudou na UFF e na UERJ. Atualmente trabalha na instituição Federal
Fluminense.

É visível neste capítulo a indagação acerca das transformações ocorridas na


historiografia. A revolução científica que ocorreu no Séc. XX mudou a perspectiva de
ciência, principalmente nas ciências humanas, e até hoje ela vem se transformando e
adaptando-se. Existe até hoje uma grande discussão sobre a história ser ciência ou não –
muitos pesquisadores e historiadores defendem bravamente a cientificidade da
historiografia, com métodos e normas a serem compridas – mas a solução dessa
incógnita ainda está em aberto.

Marília cita grandes nomes da historiografia do Séc. XX, sobretudo historiadores


da nova escola, como Marc Bloch e Peter Burke. A reviravolta no mundo
historiográfico acompanha o mundo da docência em sala de aula – se por uma vez o
positivismo está como ideologia ultrapassada, deve-se repensar o ensino de história em
sala de aula. A influencia da escolástica presente na educação jesuítica – modelo único
de ensino durante o período colonial brasileiro – segundo a autora, ainda permeia o
modo de se pensar a docência no Brasil.

O quinto e ultimo do livro, Construindo um novo currículo de historia, é da


autora Arlette Medeiros Gasparello. Possui Doutorado em Historia da Educação pela
PUC-SP (2002). Mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (1961),
graduada em Pedagogia pela Sociedade Universitária Augusto Motta (1980).

As perspectivas curriculares no Brasil, como abordado no capítulo IV, vêm de


influencias dos jesuítas desde o período colonial. Agora, com interesses partidários e
políticos cada vez mais presentes na sociedade, os currículos passam a ter interesses
ocultos que devem ser analisados pelos historiadores – acredito que aqui cabe não
apenas ao professor de história, e sim para todos os profissionais da área da docência.
Suas entrelinhas expressam toda a manipulação do conhecimento que deve ser
caracterizado como alienação e doutrinação. Durante a ditadura militar, mais
precisamente após a década de 70, como a autora cita, não era propriamente dito
História e sim Estudos Sociais, que englobavam história geografia e sociologia em uma
única matéria. Durante esse período, os estudos estavam focados em uma regionalização
do ensino, isto é, a priorização das regionalidades e não de um Brasil como um todo –
vale ressaltar também que era imposta a nacionalização e a personificação de heróis
brasileiros.

Novamente, no livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, é exposta a


dificuldade de mudanças nos quadros educacionais brasileiros, mas isso não impede que
os professores se unam e que lutem para uma educação mais critica. Assim como
Arlette Medeiros Gasparello, a Nova História prioriza um estudo interdisciplinar e
assim podemos puxar um gancho do livro inteiro onde essa tecla e repetida
incansavelmente. Positivismo, Nova História, Marxismo (que foi amplamente utilizada
em métodos educacionais, sobretudo no Rio de Janeiro, como está presente no livro de
Circe Bitterncourt, O saber histórico na sala de aula) a interdisciplinaridade e a
criticidade precisam ser revistas e repensadas: Professores do Brasil trabalham com
essas perspectivas de que maneira? Seria prudente negligenciar totalmente um método
Positivista de se dar aula? O que fazer para conciliar história e outras ciências na prática
do ensino? Nossos alunos são críticos?

CONCLUSÃO:

O livro de forma geral é muito bom. Acredito que o bater na mesma tecla que
caracteriza o livro de forma quase geral é interessante em um primeiro momento. No
livro Apolo da História, Marc Bloch deixa explícito o compromisso que o historiador
deve ter com sua escrita, nunca a deixando de maneira que apenas doutores possam
entendê-la. No livro de Sônia, essa ideologia foi utilizada porem, por ter suas temáticas
envolvendo problemas semelhantes na prática docente, a leitura se torna enjoativa. O
que me surpreendeu foi a poesia presente no primeiro capítulo que possibilitou uma
nova visão sobre como escrever história dentro do mundo educacional. Seu conteúdo
em si eu concordo com quase a totalidade – e fazendo um adendo – o conhecimento,
grande incógnita que ruminou as mentalidades dos filósofos modernos pode ser
utilizado em prol da prática educacional. Ser professor é ensinar, mas como o
conhecimento é obtido? Racionalmente ou Empiricamente? O modelo de poesia pode
muito bem exercitar a prática racional do indivíduo e, além disso, a experiência, o
contato, o vivido é algo a ser mais explorado dentro das salas de aula. Seguir apenas
David Hume não seria o mais adequado, assim como a prática racionalista de Descartes
não deve ser tomada por completo nas docências. Kant veio para nos mostrar que ambos
os métodos racionalistas e empiristas se completam e é desta maneira que se deve
pensar o ensino dos alunos. Criticidade, interdisciplinaridade, empirismo, racionalismo
e aspectos de cada corrente historiográfica devem se contemplar e, aproveitando um
pouco de cada dicotomia ou um pouco de cada valor filosófico/sociológico, uma aula
deve ser criada para revolucionar os mundos acadêmicos docentes.

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