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Resenha: O saber histórico na sala de aula (Circe

Bittencourt- Organizadora)

Por: Alexandre Raphael Tondo Junior


R.A: 00169487
Data: 07/04/2015

O trabalho de ser professor de historia é uma tarefa desafiadora e árdua. É preciso muita
atitude e coragem de enfrentar uma missão repleta de desafios e responsabilidades.
Entre a mais importante delas está a de formar um jovem critico e de mentalidade
aberta, que muitas vezes é difícil em meio a uma sociedade conservadora e dotada de
valores tradicionais muito fortes ainda.

O livro, ‘O saber histórico na sala de aula’ da organizadora Circe Bittencourt, reúne


diversos artigos de Professores e Doutores da área da educação. Cada Doutor ou
Professor nos mostra um artigo redigindo sobre aspectos diversos que um regente
enfrenta e faz alguns alertas a respeito. Nos trás uma discussão pertinente a ferramentas
que podem ser usadas como auxilio no saber histórico, como por exemplo, os filmes,
por mais que eles fujam muitas vezes dos fatos históricos, eles são uma maneira
divertida, que incentiva o aluno, e se for escolhido com cuidado pode ajudar muito na
construção histórica factual do estudante.

Um artigo que me chamou bastante a atenção foi o da própria organizadora, Circe


Bittencourt, intitulado: Livros didáticos entre textos e imagens. Nesse artigo a autora faz
uma crítica muito grande e muito pertinente aos livros didáticos e a imagem muitas
vezes errônea que eles nos passam sobre diversos temas. A infância e a adolescência e
um período em que toda informação e muito bem absorvida e é nessa etapa da vida que
devemos ter muito cuidado com o que as crianças e jovens aprendem. A autora
problematiza a imagem que os livros didáticos passam dos índios. Muitas pessoas já
ouviram a expressão ‘Índio bom é índio morto’ e com certeza, se mostrarmos uma visão
distorcida dos índios, a pessoa leva isso até o resto de sua vida. É feita uma abordagem
sobre como as imagens nos livros didáticos mudaram e evoluíram, uma vez que outrora
a visual dos indígenas era parecida com a que os portugueses tinham em relação a eles
quando chegaram no Brasil. Uma população selvagem, aculturada e inferior. Dentre os
diversos aspectos da vida indígena está o desapego a coisas materiais, o convívio
pacífico entre os seus irmãos de mesma aldeia. Porem o livro dá ênfase ao ritual
antropofágico indígena que, levando em conta o termo antropológico de relativismo
cultural, é preciso respeitá-lo e entender que faz parte da cultura desse povo, é algo
intrínseco a eles.
Uma criança do Ensino Fundamental ao visualizar isso e ao ler essa descrição
totalmente alienadora e tendenciosa, naturalmente vai associar o indígena como um ser
de outro planeta (no mau sentido). Muito bem abordada a critica dela, dentre todos os
artigos presentes no livro, eu considero esse o mais inovador e interessante.

Outra abordagem interessantíssima do livro é sobre as correntes historiográficas e o


modo de como trabalhá-las em sala de aula. No primeiro artigo o positivismo é
fortemente criticado e em um artigo posterior e mostrada que não se deve esquecer
totalmente o positivismo. Esses antagonismos são de importante preocupação para o
leitor, uma vez que trazidas as duas idéias opostas, o leitor pode refletir tirar suas
próprias conclusões acercas do assunto. O marxismo também é abordado como um
grande expoente para o trabalho com história política que com a nova história foi
deixado de lado. A meu ver devemos relacionar e utilizar todas as correntes
historiográficas, pois cada uma tem um aspecto que pode facilitar e trazer um
conhecimento novo ao aluno.

Todos nós somos agentes históricos e sociais, portanto, por mais que não pareça,
estamos fazendo historia involuntariamente. O professor de historia ao entrar em sala de
aula precisa deixar claro essa idéia ao seu aluno. Uma idéia bastante abordada no
decorrer do livro é a de que o professor muitas vezes tem uma postura errada e,
obviamente, isso é causada pela falta de preparo do mesmo. Ao chegar a uma sala de
aula o professor deve, primeiramente, ter planejado a aula e pensar na maneira mais
didática e acessível a todos dentro de seu ambiente de trabalho. Precisa perceber a
diferença entre os alunos e trabalhar o conteúdo de uma maneira com que todos possam
sair da aula entendendo o conteúdo e pensando ‘Puxa, foi tão fácil entender o conteúdo
hoje’. Para ser professor não basta ter doutorado em Harvard, é necessário,
essencialmente, compreender como dialogar com os alunos e trabalhar de forma
divertida e empolgante.

Conclusão:
A obra é muito boa, devendo ser abordada em cursos de licenciatura para o melhor
preparo do professor de historia na sala de aula. A leitura fácil e dividida em artigos
torna mais dinâmica a leitura do livro inteiro. Com certeza foi uma grande obra da
organizadora Circe Bittencourt e recomendo tanto a professores de historia como os de
outras áreas, sendo pertinente a leitura até para a população em geral, para poder
mostrar um pouco sobre o que é o mundo do professor de historia com sua grande tarefa
de tornar a sociedade critica e a fazê-los perceberem que como são conjuntos do meio
social, estão fazendo historia mesmo involuntariamente, pois são agentes históricos que
poderão ser utilizados como fonte para novas pesquisas historiográficas futuramente.

Referência Bibliográfica:
Bittencourt. Circe. O saber histórico na sala de aula. Editora Contexto 2004, São Paulo

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