2. DA UNIFORMIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA 2.1.

Considerações iniciais O presente estudo refere-se, em suma, à importância, à função e aos mecanismos de uniformização de jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio, notadamente aqueles pertinentes à processualística civil, com especial enfoque para a influência que o precedente jurisprudencial assume nos dias atuais. Cumpre tecer, desde logo, breves comentários acerca da importância da uniformização jurisprudencial. Regra geral, a jurisprudência padronizada resulta na confiança da sociedade quanto aos seus direitos, bem como no estrito conhecimento sobre a exegese das normas materiais e formais vigentes. Acarreta, portanto, em segurança jurídica. Saliente-se ainda que outra benesse naturalmente decorrente da aplicação deste instituto é a redução da provocação do Poder Judiciário, vez que a sociedade, conhecendo de maneira pretérita e abstrata as possibilidades de obtenção da tutela jurisdicional, deixa de instaurar litígios em que se conhece previamente a possibilidade de insucesso. Outro benefício louvável da utilização deste instituto é o de que a existência de entendimento jurisprudencial pacífico acerca da matéria litigiosa constitui um sólido embasamento à decisão do juiz monocrático. Usualmente, o precedente consolidado resulta no exaurimento da função jurisdicional, inclusive com a manifestação dos nossos Tribunais Superiores, servindo de referência segura a todos os julgadores monocráticos de casos semelhantes. Todavia, não se pode deixar de considerar (e essa é a grande crítica à adoção deste sistema) que o esforço excessivo em se criar uma jurisprudência uniformizada poderia resultar na subversão da supremacia da lei que vigora no ordenamento jurídico brasileiro. A Garantia Constitucional de acesso à Justiça (artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal), está intimamente atrelada à prerrogativa do magistrado de julgar o caso fático em tela, sendo que nada, exceto à lei, poderia vincular a sua decisão.

. 2. contar-se-á da data: (. que os que defendem a padronização da jurisprudência apontam seus benefícios práticos. que significa "sumário" ou "resumo". do latim..Têm-se. transferindo ao Judiciário função de cunho tipicamente legislativo que não lhe foi outorgada pela Constituição Federal de 1988. portanto. que conta com a seguinte redação: Art. (grifo nosso) . é mencionada no Código de Processo Civil em seu artigo 506. cumpre conceituar e explanar o significado do termo jurídico “súmula”.2. Da conceituação do termo jurídico “súmula” Antes de conceituar e explicar o que é exatamente e como se procede a uniformização da jurisprudência.) III . que podem ser desde ordem econômica até de ordem social. aplicável em todos os casos o disposto no art. 184 e seus parágrafos. 506. A palavra "súmula" é originária de summula. não é outro senão a edição de uma súmula. Juridicamente.da publicação da súmula do acórdão no órgão oficial. O prazo para a interposição do recurso. as súmulas podem referir-se ao teor abreviado de determinado julgamento (como sinônimo de ementa). ou ao enunciado jurisprudencial que reflete entendimento pacificado de determinado tribunal (como sinônimo do termo súmula propriamente dito). A primeira acepção do termo. posto que a vinculação de magistrados monocráticos a decisões colegiadas de órgãos superiores acabaria por ferir a supremacia da legislação e subvertendo o preceito fundamental da separação dos poderes. Aqueles que se posicionam contrariamente à adoção deste instituto alertam para os perigos formais que a uniformização jurisprudencial pode trazer consigo. posto que o resultado final de todo e qualquer incidente de uniformização jurisprudencial (como veremos mais adiante). a título exemplificativo.

2. Na concepção doutrinária de Wambier. procedimento do qual trataremos na sequencia e. a jurisprudência interna dos tribunais". assim. uniformizando. vislumbra-se nossa Lei de Ritos referir-se à palavra súmula como sinônimo de ementa (resumo) dos julgamentos proferidos nas instâncias superiores. portanto. 269) assim definem com maestria: “Na jurisprudência (súmula). representam a formalização pelos tribunais de seus entendimentos jurisprudenciais. 742). etc. p. revelando sua orientação para casos análogos". Para o presente estudo. da padronização de seu entendimento quanto a determinadas matérias de direito. haja vista a exigência de que a uniformização decorra do voto da maioria absoluta dos membros do colegiado em questão.3. embargos infringentes. porém. Objetivamente falando.No dispositivo supra. que pelo seu grau acentuado de formalismo. (grifo nosso) . portanto. indica a condensação de série de acórdãos do mesmo tribunal. confere ao entendimento sumular uma confiabilidade e segurança maiores que aqueles comumente conferidos aos julgamentos costumeiros de acórdãos. que Costa e Aquaroli (1999. conforme predispõe o artigo 479 do CPC. As súmulas. Do conceito e natureza jurídica da uniformização jurisprudencial O termo “uniformização jurisprudencial” encontra diversas definições pelos mais variados doutrinadores pátrios. a uniformização de jurisprudência: "é um expediente cujo objeto é evitar a desarmonia de interpretação de teses jurídicas. mais relevante é a segunda acepção da palavra. tudo em função do elevado interesse público envolvido em procedimento desta natureza. p. Almeida e Talamini (1999. cabendo aqui colacionar aquelas consideradas mais elucidativas.. as súmulas são julgamentos revestidos de maior presunção de consonância do tribunal quanto à matéria tratada.

ao final. desde que este atue no processo. 476). observa-se que o incidente de uniformização de jurisprudência pode ser instaurado pelo juiz. faz o nosso Código de Processo Civil previsão expressa a despeito da maneira pela qual tal incidente deve tramitar junto aos tribunais deste País em seus artigos 476.4.4. 2. outrossim. Da legitimidade para propositura e hipóteses de cabimento Como mencionado anteriormente. Não podendo ser diferente. na sequencia do raciocínio. p. atribuindo-lhe natureza tipicamente instrumental incidental. Por sua vez. de natureza incidental (aos recursos). diante de tais informações é possível concluir que a uniformização de jurisprudência não é recurso e sequer sucedâneo recursal. que visa a padronização do entendimento de determinado tribunal quanto a determinadas matérias de direito.Da análise do conceito retro. Da análise do artigo 476 do Código de Processo Civil. as hipóteses de cabimento encontram previsão nos incisos I e II do artigo 476 do CPC. a uniformização da jurisprudencial é manejável através de instrumento processual que possui natureza incidental. almejando. percebe-se que ou doutrinadores se utilizaram do termo “expediente” para definir a natureza jurídica deste instituto. um procedimento. a edição de uma súmula sobre a divergência suscitada. É. incluindo-se aqui o Ministério Público. mas um meio disciplinador de um incidente cujo objetivo é extinguir uma divergência jurisprudencial. 477.1. Ora. DO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA 2. ou pela parte. lecionam que esse incidente de uniformização de jurisprudência: "é destinado a fazer com que seja mantida a unidade da jurisprudência interna de determinado tribunal". 478 e 479. quais sejam: . Nery Junior e Nery (2001. pois.

Do juízo de admissibilidade Quando suscitado o incidente de uniformização. os Tribunais pátrios consagraram o entendimento de que a instauração se trata apenas de uma faculdade do magistrado. os autos seguem ao presidente do tribunal para que seja marcada data de julgamento do incidente. 476. Saliente. o órgão julgador competente pelo caso fático que o ensejou deverá emitir juízo de admissibilidade.4. quando: I – verificar que. que o julgamento obedeça ao disposto neste artigo. segundo as hipóteses de cabimento anteriormente mencionadas. câmara. II – no julgamento recorrido a interpretação for diversa do que lhe haja dado outra turma.Art. ao dar o voto na turma. porém. que se fundará na existência da divergência. Nesse sentido: RSTJ 17/452 e STJ-RT 664/175. Compete ao juiz. grupo de câmaras ou câmaras cíveis reunidas. solicitar o pronunciamento prévio do tribunal acerca da interpretação do direito. a seu respeito. o que faz parecer que os desembargadores ou ministros teriam a obrigação de efetuar a instauração do incidente de uniformização quando configuradas as hipóteses de cabimento.2. No parágrafo único do mesmo artigo. que muito embora a redação do caput do artigo 476 do CPC indique que "compete ao juiz" suscitar o incidente em questão (quando verificadas as hipóteses acima elencadas).. câmara. 476. fundamentalmente.) Parágrafo único. Na sequência. é garantido o direito da parte de também promover o requerimento do incidente: Art. 2. É a sequencia de tramites predisposta no artigo 477 do Código de Processo Civil: . ocorre divergência. ou grupo de câmaras. requerer. (. ao arrazoar o recurso ou em petição avulsa. A parte poderá. lavrando um acórdão acerca da questão..

Em qualquer caso. A secretaria distribuirá a todos os juízes cópia do acórdão. caso contrário. Por essa razão. na função de custus legis. É acórdão que não discute o mérito da questão. Saliente-se que o acórdão de que trata o dispositivo mencionado prestase tão somente a reconhecer o cabimento do incidente de uniformização. nas hipóteses em que haja decisões recentes com entendimento contrário. será ouvido o chefe do Ministério Público que funciona perante o tribunal.3. O parágrafo único do artigo 478 exige também o parecer do Ministério Público acerca da matéria..479). 477. (. senão veja-se: Art. RJTJESP 128/253. 2. sob pena de impossibilidade de fixação de súmula acerca da matéria em questão.Art. Nesse sentido: RT 605/137. que o incidente só será admitido quando a divergência for ativa. Reconhecida a divergência. Cumpre asseverar. por fim. Do julgamento do incidente Recebidos os autos do incidente. na qual necessariamente deverá ser alcançada a maioria absoluta dos seus membros (art. o Presidente do Tribunal designará sessão de julgamento. os Tribunais têm rejeitado o incidente quando a divergência apontada encontra-se superada.) Parágrafo único. mas só expõe a controvérsia (que deverá ser unicamente de direito) e os julgamentos divergentes ao órgão competente para o julgamento (tal competência é geralmente definida pelos regimentos internos dos tribunais). será lavrado o acórdão. devendo ser obedecido pela turma que julgar o recurso original.4. indo os autos ao presidente do tribunal para designar a sessão de julgamento.. . ou seja. o julgamento que não obtiver maioria absoluta dos juízes titulares com direito a voto valerá apenas para o caso concreto. Saliente-se que o julgamento do incidente deve decidir por maioria a edição da súmula. 478.

Pela regra geral constitucional. Já em relação aos casos futuros relativos à mesma matéria apreciada. Turma ou Grupo de Câmaras competente para decidir o caso originário. O tradicional doutrinador processualista Vicente . retoma-se a polêmica acerca da imperatividade dos precedentes jurisprudenciais sobre a qual discorremos no introito desta narrativa. 2. será objeto de súmula e constituirá precedente na uniformização da jurisprudência. após seu julgamento retornam os autos para a Câmara. Parágrafo único. inexiste efeito vinculante em relação à tese firmada pelo Tribunal pleno (tal efeito só existe na constituição para as sumulas expedidas pelo pleno do STF).4.4. Os regimentos internos disporão sobre a publicação no órgão oficial das súmulas de jurisprudência dominante. a vinculação da decisão proferida no julgamento do incidente é obrigatória. 479. tomado pelo voto da maioria absoluta dos membros que integram o tribunal. o qual deverá observar o entendimento recém firmado pelo pleno do tribunal. É o que determina o artigo 479 do nosso Código de Ritos: Art.Ao final. fixada a interpretação do direito pela maioria absoluta dos membros do tribunal. devendo a tese vencedora ser aplicada ao caso concreto de maneira cogente. Finda a consumação da finalidade uniformizadora do incidente. que nada mais é que uma síntese da tese consolidada pelo julgamento. é elaborada a súmula. Dos efeitos da decisão sumulada Os efeitos da fixação de jurisprudência promovida pelo tribunal pleno devem ser considerados quanto ao caso fático que ensejou o incidente e quanto ao poder vinculante quanto aos casos futuros que debateram no Judiciário sobre o mesmo tema de direito uniformizado No que tange aos autos originários (os autos do recurso em que foi instaurado o incidente de uniformização). O julgamento.

porém. mormente quando se discute alternativas para desembaraçar o Poder Judiciário. porque se reconhece desde . muitos tribunais têm acrescentado em seus regimentos internos a proibição de que os julgamentos de seus órgãos sustentem tese superada por súmula. Considerações finais Tem-se reconhecido cada vez mais a importância da jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio. porque o processo. dentre eles o artigo 518 § 1º que oferece impeditivo de admissibilidade ao conhecimento do recurso de apelação quando a causa tiver sido julgada pelo juízo a quo em consonância a entendimento sumulado por tribunal superior. só pode seguir o entendimento fixado pelo pleno. Como é cediço que a coercibilidade da norma jurídica como um todo se encontra justamente na sua efetiva aplicação pelo Poder Judiciário. que muito embora o a doutrina sinalize que o precedente não possui tal eficácia vinculante. o que se percebe da prática diária forense é a cada vez maior utilização pelos magistrados de julgados emitidos por Órgãos hierarquicamente superiores no embasamento de suas decisões. Tais situações legais e jurisprudências nada mais fazem do que na prática. a uniformização reforça a segurança no próprio ordenamento jurídico. Isso porque. Cumpre esclarecer. Tal impedimento recursal encontra-se estampado ainda em dispositivos legais inseridos no Código de Processo Civil.Greco Filho leciona com maestria e esclarece um pouco sobre o assunto com as seguintes lições (p. em atenção ao Princípio da Primazia Legislativa que norteia o Ordenamento Jurídico brasileiro. transferindo ao jurisdicionado parcela de poder legislativo. 348): O valor desse precedente é relativo. Ele tem força vinculante para o caso concreto cujo julgamento está em curso. Turma ou Grupo de Câmaras para aplicar a lei ao caso concreto. voltando à Câmara. mas para os casos futuros terá apenas a autoridade de uma decisão já tomada pelo órgão mais elevado do tribunal.5. ainda que meticulosamente. 2. atribuir efeito vinculante aos entendimentos sumulados.

103-A. nas esferas federal. a partir de sua publicação na imprensa oficial. visando suprir. o ordenamento jurídico caminha de maneira inevitável para a adoção de mais e mais medidas dessa natureza. pela padronização dos julgados. 103-A da Constituição Federal nos traz a seguinte redação: Art.logo pela sociedade a exegese da norma. Do conceito Acrescentado pela Emenda Constitucional de nº 45 do ano de 2004. hão de ser aceitos por aclamação e ratificados pela sociedade como um todo. Medidas tais como a que se tem notícias de que será adotada pelo novo Código de Processo Civil (projeto de lei em trâmite em Brasília). DA SÚMULA VINCULANTE 3. aprovar súmula que. À margem da polêmica discussão acerca da constitucionalidade do chamado efeito vinculante. O Supremo Tribunal Federal poderá. após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. independentemente da força cogente que os precedentes exerçam. A verdade é que. e Justiça morosa é Justiça ineficaz. mediante decisão de dois terços dos seus membros. o art. de ofício ou por provocação. De maneira tal que quaisquer mecanismos que visem e obtenham sucesso no acréscimo da celeridade processual.1. Destaca-se que. a sociedade como um todo clama pela eficácia da Justiça. deficiências de cunho estrutural que tanto atravacam e arrastam os milhões de procedimentos judiciais nação afora. 3. . a par das exaustivas discussões doutrinárias levantadas a despeito do assunto. independentemente da Constitucionalidade formal do instituto. que pretende criar meios de julgamento simultâneo de causas que versem sobre os mesmos assuntos. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. consagrada pelas súmulas emitidas pelos nossos Órgãos Colegiados. a uniformização de jurisprudência representa tema de fundamental importância.

nas esferas federal.2. a aprovação. Da origem da Súmula Vinculante Para entendermos a origem da súmula vinculante. de 19/12/2006 foi criada para regulamentar este instituto. Ou seja. 860). atribuindo competência exclusiva ao STF para a edição. dando-lhes a interpretação que o Supremo Tribunal Federal. caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que. julgando-a procedente. enfim. direta e indireta. na forma estabelecida em lei. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei. estadual e municipal. § 1º A súmula terá por objetivo a validade. 578/579). Conforme ensinamento de Pedro Lenza. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar. julgar mais adequada. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. segundo Lenza (2009. conforme o caso. positivado. 3. esta possui o escopo de declarar a eficácia e a validade das normas.estadual e municipal. no tocante à sua interpretação em relação à matéria constitucional. modelo do direito codificado. p." Ernane Fidélis Santos (2007. revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. em sua obra Direito Constitucional Esquematizado (2009. 581).417. p. p. a Lei nº 11. em seu Manual de Processo Civil. mais centrado na primazia da lei escrita. anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. devemos remontar às duas grandes famílias jurídicas existentes: a) a civil law. mais ligado às normas gerais e organizadoras. guardião da Constituição. . e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula. revisão e o cancelamento do enunciado das súmulas vinculantes. b) a common law. acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. afirma que a súmula vinculante foi criada com o intuito de vincular os órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública.

. muito embora ambos os sistemas sejam radicalmente opostos e aparentemente incompatíveis. conforme o qual todos os juízes deverão julgar os casos concretos de acordo com as decisões do órgão hierarquicamente superior. por seu sistema federalista juridicamente descentralizado. provocado pelo próprio STF. 861). certa influência do direito português. provocava diversas discussões em relação a determinados temas de repercussão. O autor ainda nos mostra. ainda. foi a aceitação de parte dos princípios costumeiros e centrados nas decisões dos juízes do sistema common law pelo direito brasileiro. preliminarmente. haja vista que os juízes poderiam decidir de diversas maneiras diferentes. surgiu o instituto dos precedentes. uniformizando as decisões. Podemos observar. se deve ou não proceder ao julgamento da questão. para garantir a segurança jurídica e evitar o risco de instabilidade.3 Da legitimidade para provocação da Súmula Vinculante De acordo com Fidélis Santos (2007.modelo do precedente judicial anglo-saxão. segundo Lenza. consagrou a idéia de “vinculação geral” e de “força de lei” às decisões de seu Tribunal Constitucional no controle das leis. Desta forma. que a súmula vinculante tem sua origem em países como os Estados Unidos. em seu ordenamento constitucional de 1976. p. 3. a edição de uma nova súmula vinculante pode ser de ofício. fato que indubitavelmente inspirou o legislador brasileiro. criando leis contraditórias. que. que proporcionou o surgimento da súmula vinculante em nosso ordenamento jurídico. para que o próprio órgão delibere. citando André Ramos Tavares. Há ainda. adepto do sistema civil law. mais ligado aos costumes e centrado na primazia das decisões judiciais. o que forçou ao judiciário daquele país a adotar o efeito vinculante aos precedentes judiciais. tal qual ocorre com a súmula vinculante brasileira. que. que. feito por qualquer um de seus onze ministros.

868/99: Art. 11.a Mesa do Senado Federal. 2º. III . VI . em seu art.417/2006..o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.partido político com representação no Congresso Nacional. VII – partido político com representação no Congresso Nacional.o Procurador-Geral da República. I a IX da Lei nº 9. VI a XI. . II . 2o Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade: I . a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante: (. tal relação também se encontra no art. IV . 3o São legitimados a propor a edição. VIII .o Governador de Estado ou o Governador do Distrito Federal.O parágrafo segundo do art. Por sua vez.confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.o Defensor Público-Geral da União.a Mesa de Assembléia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal.o Presidente da República.a Mesa da Câmara dos Deputados. a Lei n. VII .) VI . 103-A da Constituição Federal enuncia que todos aqueles que possuem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade podem provocar a elaboração de uma súmula vinculante.. V . estendeu tal legitimidade: Art. 3º. IX .

haja vista que o parágrafo primeiro do art. requerse que haja reiteradas decisões a respeito de matéria constitucional inerente às normas as quais exista. IX – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal.VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. revisão e cancelamento de súmulas vinculantes é exclusiva do Supremo Tribunal Federal. p. Aprofundando-se na questão do procedimento de elaboração da súmula. Consequentemente à deflagração do processo de criação da súmula vinculante. os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. 103-A de nossa Carta Magna ressalva tal possibilidade. a edição. para a edição de uma súmula vinculante. os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios. conforme art. a manifestação de terceiros no processo (nos termos do Regimento Interno do STF). revisão e cancelamento da Súmula Vinculante Como já visto anteriormente. colhida a manifestação do Procurador-Geral da República. Da produção. a competência para edição. X . p. seja esta admitida ou não por decisão irrecorrível do relator. os Tribunais Regionais do Trabalho. XI . 584) nos traz.417/2006. 584) mostra que haverá sempre a manifestação do Procurador-Geral da República para que tal seja feita. 2º. 3. com exceção das propostas que este mesmo tiver formulado. controvérsia atual que culmine em grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º da Lei nº 11. Vale salientar ainda que. entre órgãos judiciais ou entre estes e os entes da administração pública. que o faz de ofício ou mediante provocação. é o que Lenza (2009.4.o Governador de Estado ou do Distrito Federal. Lenza (2009. os Tribunais Regionais Federais.os Tribunais Superiores. revisão e o . Sendo tal acréscimo válido.

no prazo de dez dias após a sessão em que se editou. a partir da publicação de seu enunciado na imprensa oficial. se tal ocorresse. o Supremo deverá publicar. impedindo a adequação da mesma à evolução da sociedade. revisão ou cancelamento de súmula vinculante não autoriza a suspensão de processo judicial que trate da mesma matéria discutida pelo STF. conforme art. p. além de repercutir no Poder Executivo e dos demais órgãos da Administração Pública direta e indireta. impediria o Supremo de revisar ou cancelar a súmula editada. por pelo menos dois terços dos membros do Supremo. por dois terços de seus membros. se mostra totalmente .5. Vale lembrar que. e ainda que a súmula tenha sido aprovada por unanimidade. assim como esta também não repercute no próprio STF. a súmula terá efeito vinculante. 3. com relação às instâncias hierarquicamente inferiores ao STF no Poder Judiciário. a proposta de edição. 589) comenta que a súmula vinculante. social ou de segurança pública. a súmula vinculante não repercute no Poder Legislativo. poderá limitar os efeitos vinculantes ou definir a eficácia desta para a partir de uma determinada data ou momento. pois. 585).cancelamento de súmula. que é a de editar as normas jurídicas. modificou ou cancelou a súmula vinculante. dependerão de decisão tomada. em sessão oficial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União o enunciado da mesma. Finalmente. o STF. No tocante à restrição dos efeitos da súmula vinculante. introduzida em nosso ordenamento jurídico pela Reforma do Judiciário. Considerações finais Pedro Lenza (2009.6. p. Por uma questão de lógica. em sessão plenária. Contudo. atendendo a interesses de ordem econômica. com efeito vinculante. 3. 6º da referida Lei. Ernane Fidélis Santos ensina que esta possui eficácia imediata. pois isso o impediria de exercer sua principal função. Dos efeitos Conforme ensinamento de Lenza (2009.

ainda. podemos observar que o além de constitucional.417/2006.constitucional. §1º da Lei nº 11. uma vez que a própria norma que a regula prevê a revisão e até mesmo o cancelamento dos enunciados editados pelo STF. . controvérsia atual que culmine em grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica Diante do exposto. que o Supremo Tribunal Federal editará súmula vinculante apenas em relação a matérias e assuntos específicos e desde que sejam observados os requisitos expostos pelo art. interpretação e eficácia de ordenamento jurídico determinado. acerca do qual haja frequentes decisões a respeito de matéria constitucional inerente às normas as quais exista. o Poder Judiciário de milhares de causas que versam a respeito de matérias repetidas. consequentemente. Vale lembrar. 2º. uma vez que visa obter segurança jurídica. sendo um grande erro relacioná-la a um fenômeno de engessamento do judiciário. a súmula vinculante é amplamente necessária em nosso ordenamento jurídico. entre órgãos judiciais ou entre estes e os entes da administração pública. conforme o mesmo doutrinador. devendo o enunciado da súmula versar sobre validade. “desafogando”.

São Paulo: WVC Editora. Nelson. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 5. Direito Processual Civil . Eduardo. São Paulo. 1999.Volume 1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: COSTA. WAMBIER. ALMEIDA. 11.Volume 2. 2001. LENZA.ed. NERY JUNIOR. Luiz Rodrigues.ed. São Paulo: Editora Saraiva. Direito Processual Civil Brasileiro . ed. São Paulo: Editora Saraiva. e AQUAROLI. 2009. Código de Processo Civil Comentado. Ernani Fidélis. Renato Correia de. ed. ed. Rosa Maria de Andrade. . São Paulo: Editora Saraiva. Dicionário Jurídico. Marcelo.13. Curso Avançado de Processo Civil. Direito Constitucional Esquematizado . Wagner Veneziani. Vicente. 2. GRECO FILHO. Pedro. 12. 2007. SANTOS. NERY. 1996.4. e TALAMINI.

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