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GRUPO DE ESTUDOS LOGÍSTICOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Tecnologia da Informação Aplicada a Logística

Marina Bouzon, marinabouzon@gmail.com


Kleber Costa Corrêa, correakleber@yahoo.com.br

1. Introdução
A tecnologia da informação (TI) vem contribuindo para que a logística torne-se
mais eficiente e efetiva na geração de valor para a empresa, destacando-se como um
diferencial no mercado atual. Mas afinal, o que é tecnologia da informação?
Podemos dizer, de uma forma resumida, que TI é a aplicação de diferentes
ramos da tecnologia no processamento de informações, ou ainda que TI é o conjunto de
todas as atividades e soluções providas por recursos de computação.
A evolução da tecnologia de informação nesses últimos 20 anos possibilitou
ampla modificação do modus operanti de diversas organizações, trazendo impactos
positivos sobre o planejamento, a execução e o controle logístico. Com isso, criou-se
um ambiente favorável para inovações na área de logística, motivadas principalmente
pelo grande aumento na complexidade das operações. Por isso, a TI torna-se um recurso
inevitável para uma empresa moderna. Este avanço da TI nos últimos anos permite às
empresas executar operações que antes eram inimagináveis, visando, sobretudo, obter
reduções de custo e/ou gerar vantagem competitiva.
Um exemplo claro da atuação da TI nas reduções de custo é o caso da Dell
Computer, que investiu na venda direta e customizada de computadores pela Internet, e
obteve, assim, um faturamento de 12,3 milhões de dólares em 1998, 60% a mais que no
ano anterior. Um caso brasileiro a ressaltar é o do grupo empresarial Souza Cruz. Com
uma frota de 900 veículos para atender cerca de 200 mil clientes em todo Brasil, através
da utilização de um Roteirizador (software para a obtenção da melhor rota), a Souza
Cruz obtém 99% de eficiência e faz em média 43 entregas por dia. Estes dois exemplos
explicitam que a TI é indispensável para o desenvolvimento logístico, mas qual é o
papel da informação na Logística?

2. Papel da Informação na Logística


O fluxo de informações é de extrema importância nas operações logísticas,
como: pedidos de clientes, necessidades de estoque, movimentações nos armazéns, etc.
Há alguns autores que apelidaram este fluxo de informações logísticas de “Modal
Infoviário”. Antigamente, este fluxo se dava através de papéis, o que tornava a
comunicação lenta, pouco confiável e propensa a erros. A transferência e o
gerenciamento eletrônico de informações proporcionam uma oportunidade de reduzir
custos logísticos mediante sua melhor coordenação, junto a um aperfeiçoamento de
serviço (menos propenso a erros) e uma melhoria da oferta de informações ao cliente.

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O exemplo a seguir demonstra a grande importância da informação na logística:


No gerenciamento da cadeia de suprimentos, os varejistas podem disponibilizar
informações de seu ponto de venda para seus fornecedores, fazendo com que estes
sejam responsáveis pelo ressuprimento automático dos produtos.

3. Sistemas de Informações Logísticas


Os sistemas de informações funcionam como elos que ligam as atividades
logísticas em um processo integrado, utilizando hardwares e softwares para o
gerenciamento das operações, seja em uma só empresa como também em toda uma
cadeia de suprimentos.
Basicamente, podemos diferir os sistemas de informações em 4 níveis funcionais
ilustrados no modelo piramidal abaixo:

Figura 1 – Níveis Funcionais de um sistema de informações logísticas

Sistema Transacional: representa a base das outras operações, de onde são


retiradas as informações das atividades de planejamento e coordenação. É o local onde
são compartilhadas as informações logísticas com as outras áreas da empresa (Produção,
Marketing, Finanças, ...) ou da cadeia de suprimento.

Controle Gerencial: este nível funcional busca as informações no sistema


transacional para poder gerenciar as atividades logísticas, incluindo neste patamar as
ferramentas de mensuração como indicadores em geral.

Apoio à Decisão: este patamar da pirâmide de funcionalidade dos sistemas de


informações logísticas utiliza softwares como ferramenta decisória para as atividades
operacionais e estratégicas complexas, para que estas não sejam praticadas com
embasamento somente no feeling.

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Planejamento Estratégico: as informações logísticas obtidas das três níveis


abaixo do topo entram como suporte para o desenvolvimento e para a melhoria contínua
da estratégia logística.

4. Tipos de Softwares
4.1. Sistemas ERP
O sistema ERP é uma plataforma de software desenvolvida para integrar os
diversos departamentos de uma empresa, possibilitando a automatização e
armazenamento de todas as informações de negócios. Sendo assim, existe a
possibilidade de haver um único banco de dados, uma única aplicação e uma interface
unificada ao longo de toda empresa.
Os benefícios alcançados com este tipo de sistema são:
• Integração e padronização dos dados;
• Maior confiabilidade dos dados (monitorados em tempo real);
• Revisão dos processos;
• Redução de Custos;
• Otimização do fluxo de informações;
• Nova dinâmica na tomada de decisões;
• Homogeneização das práticas operacionais e formas de gerenciamento
(filiais).

Os custos com aquisição e implementação destes pacotes variam, em geral, entre


R$ 400 mil e R$ 20 milhões. Esses valores dependem principalmente do tamanho da
empresa (número de usuários e instalações) e de sua operação (módulos escolhidos do
sistema). Em geral, estima-se que para cada R$ 1 gasto com a aquisição da licença, são
gastos R$ 2 com consultoria, e entre R$ 0,5 e R$ 1,5 com equipamentos.

Algumas das principais empresas fornecedores desse tipo de software no mundo


já estão no Brasil. A SAP, além de ocupar a liderança mundial neste mercado, como
pode-se observar na Figura 2, também ocupa essa posição no Brasil, com 38% das
vendas de licença de software; por outro lado, a Datasul possui o maior número de
clientes, com 23% do mercado.

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Participação no Mercado Global

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%

SAP

Oracle Applications

PeopleSoft

Baan

J.D. Edwards

Outros

Figura 2 – Faturamento dos principais fornecedores de ERP.

Sob o ponto de vista logístico, o principal objetivo de um sistema ERP é atuar


como um sistema transacional, solucionando problemas com a ausência de integração
entre atividades logísticas. Entretanto, nem todas implementações de ERP consideram
as atividades logísticas de maneira integrada. Isso resulta da falta de foco na Logística, o
que após o processo de implementação pode trazer uma série de problemas para a
gestão da Logística.

Alguns exemplos de sucesso da implantação de sistemas ERP:


• Autodesk - Passou a embarcar 98% de seus pedidos dentro de 24 horas
após a implantação de um ERP;
• A divisão Storage Systems, da IBM -Ppassou a poder refazer sua lista de
preços em cinco minutos, contra os anteriores cinco dias; o tempo de embarque de uma
peça de reposição caiu de 22 para 3 dias;
• Votorantim - O giro do estoque melhorou de 30 a 40% e o número de
funcionários administrativos pôde ser reduzido em 30%, resultando em ganhos de US$
6 milhões anuais;
• Indústria média norte-americana de autopeças - Reduziu o tempo
entre o pedido e a entrega de seis para duas semanas. Outra diferença notável: a troca de
documentos entre departamentos que demorava horas ou mesmo dias caiu para minutos
e até segundos.

Ressalta-se que embora um sistema ERP possua atributos que contribuem para
melhorar a gestão da empresa, ele não possui ferramentas de apoio a decisão. Além
disso, o ERP é visto por muitos como uma das formas mais caras de obter retorno nulo
ou negativo sobre o investimento, como no caso da FoxMeyer Drug que após anos de
investimento na implantação de um sistema acabou falindo.

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4.2. Integração da Cadeia de Suprimentos (SCM)


Atualmente é difícil citar a logística sem entrarmos dentro do contexto de Supply
Chain, ou Cadeia de Suprimento. O Supply Chain aborda tudo que diz respeito ao fluxo
de produtos, informações e recursos financeiros.
Os softwares de Supply Chain Management agregam conjuntos de ferramentas
de previsão de demanda, de otimização da rede logística, planejamento de transporte,
planejamento e sequenciamento da produção, entre outros. A abrangência deste
software é integrada com outras empresas da cadeia.
Surgem fortes evidências de que empresas da mesma cadeia de suprimentos
cada vez mais irão integrar-se aos meios de sistemas de informação, reduzindo
incertezas, duplicações de esforços e, consequentemente, o custo com a operação.
Os principais fornecedores no mercado deste tipo de software são:
• SAP: Através do software MySap.com é líder nacional e internacional,
detendo 36% do mercado mundial. Possui um custo elevado.
• Oracle: Através do software Oracle Supply Chain Management, é a
segunda colocada no mercado mundial, detendo 20% do mesmo. Atingiu o crescimento
através da compra de grandes empresas como Siebel e PeopleSoft
• Microsoft: O software Microsfot Navision possui menos de 5% de
participação no mercado.
• Zemeter: Seu programa, o Supply Chain Consultants é implementado
em grandes empresas como IBM, Philip Morris e a Philips.
A tendência atual é que os fornecedores de softwares ERP migrem para a
abordagem de SCM, que complementa seus poderosos sistemas transacionais.

4.3. Softwares de Simulação


Os softwares de simulação realizam, através do uso de modelos, o estudo de
problemas de natureza complexa, por meio da experimentação computacional. As
principais etapas numa aplicação prática da simulação são:
1. Construção do modelo;
2. Transformação deste modelo conceitual em um modelo computacional
próprio ao processo de experimentação;
3. Teste experimental de alternativas de ação para a escolha das mais
adequadas.
As aplicações deste tipo de ferramenta na logística são diversas, como por
exemplo:
• Dimensionamento de operações de carga e descarga;
• Dimensionamento de Estoques;
• Estudo de movimentação de material;

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• Sistema de Transporte;
• Fluxo de Produção;
• Serviços de Atendimento em Geral.
Como exemplos, poderíamos estar interessados em avaliar se o efeito da
implantação de um novo sistema de picking sobre o tempo de carregamento de veículos
em um Centro de Distribuição valeria a pena. Da mesma forma, poderíamos avaliar o
efeito de diferentes políticas de estoque sobre o nível de serviço prestado aos clientes,
em termos de disponibilidade de produto e custo de estoque.
Os principais softwares encontrados no mercado são:
• ARENA;
• AutoMod;
• Extend;
• GPSS H;
• SIMPLE ++;
• Taylor II.

4.4. Sistemas de Informações Geográficas (GIS)


Os sistemas de informações geográficas são ferramentas que associam banco de
dados a mapas digitalizados, auxiliando no processo de tomada de decisão. Através
deste software é possível realizar análises do tipo, quantos e quais clientes são atendidos
numa certa região. Além disso, podem-se fazer análises e gerar mapas temáticos
utilizando mapas digitalizados que contêm rodovias, ferrovias, hidrovias e informações
sobre dados georeferenciados. Existe ainda a possibilidade da aplicação dessa
ferramenta a problemas de localização, seja de pontos comercias, seja de fábricas.
As áreas de aplicação destes sistemas são diversas, como o apoio ao marketing,
localização de pontos comerciais, localização de fábricas e CD’s/Roteamento, análise de
sistemas logísticos, etc.
Alguns softwares disponíveis no mercado são:
• Arc-Info;
• DeskMapp (tem no Brasil, custando menos de R$ 1000);
• MapInfo;
• Maptitude;
• MaxiCAD;
• Tactician.

Está sendo esperado um aumento significativo da utilização destes softwares nas


empresas. Pois há um crescimento do número de variáveis, principalmente geográficas,

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consideradas nas análises. Com isso o processo decisório torna-se cada vez mais
complexo, e a necessidade do uso de tal ferramenta torna-se fundamental para a
competitividade da empresa.

4.5. Data Mining e Data Warehouse


Segundo Douglas Lambert, a estruturação do sistema logístico depende das
quatro principais decisões do Marketing Mix: produto (Qual produto será vendido? Em
qual região será comercializado?), promoção (Que tipo de promoção será feita? Quais
serão os descontos?), preço (Qual o preço de cada produto para cada ponto de venda?),
praça (Como será feita a distribuição? Qual nível de serviço será oferecido?).
Embasados nas respostas das perguntas do Marketing Mix, serão feitos o
planejamento e a estruturação das atividades logísticas. Mas como decidir sobre as
diversas variáveis do marketing mix para que as atividades logísticas sejam adequadas e
eficientes?
Aí, surgem os dois conceitos muito empregados atualmente no varejo: Data
Mining e Data Warehouse.

4.5.1. Data Warehouse (Armazém de Dados)


Podemos interpretar o Data Warehouse como um depósito de informações
integrado, disponíveis para busca (através de filtros) e análise. Estas informações são
provenientes de diferentes fontes operacionais da empresa (marketing, finanças, etc) e
armazenadas em um só local, o banco de dados central, onde ocorre um
compartilhamento visando a maior integração das atividades da empresa. Além dos
dados da própria empresa, o Data Warehouse também pode comportar informações de
fontes externas, tais como dados demográficos de consumidores, informações pessoais
de cada cliente, entre outras.

4.5.2. Data Mining (Mineração de dados)


O Data Mining, por sua vez, é uma metodologia que procura uma descrição
lógica ou matemática, normalmente complexa, de possíveis padrões existentes em um
conjunto de dados. Em outras palavras, é uma ferramenta capaz de lidar com grandes
massas de dados de uma maneira mais eficiente que a estatística, definindo padrões para
fenômenos complexos dependentes de muitos parâmetros. Em uma definição mais
simples, pode-se dizer que o Data Mining é um recurso para analisar e organizar dados,
ajudando a resolver problemas, obtendo informações de um grande volume de dados.
Por isso, afirma-se que para que as técnicas do Data Mining possam ser empregadas, é
necessário que a empresa tenha um grande banco de dados central, o Data Warehouse,
tornando este último um requisito para a implementação de um projeto de Data Mining.
Alguns exemplos de ferramentas para o Data Mining: redes neurais,
árvores de decisão, algoritmos genéticos, aproximações híbridas, etc.

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5. Conclusão
A logística moderna, sem dúvida, foi fortemente influenciada pela evolução da
tecnologia de informação. Essa evolução tecnológica proporcionou vantagens para as
operações logísticas, que passaram a ser mais rápidas, confiáveis, com custos reduzidos
e mais eficientes. Além disso, outra importante contribuição deste ambiente
informatizado foi a maior disponibilidade de informações sobre os processos e a
possibilidade de analisar tais informações utilizando ferramentas quantitativas mais
sofisticadas, que até pouco tempo eram privilégio de poucas organizações de grande
porte.
O grande desafio das organizações na implementação de sistemas de
informação, é avaliar o “valor” que esses pacotes, sejam eles transacionais ou de apoio a
decisão, trarão para os negócios da organização. As empresas não podem deixar-se levar
por “modismos”, e sim ter a convicção da escolha mais adequada de suas necessidades.

6. Bibliografia

FLEURY, P. F. & WANKE, P. & FIGUEIREDO, K. F. Logística


Empresarial: A Perspectiva Brasileira. Atlas, Rio de Janeiro, 2000.

SILVA, L.G. & PESSÔA, M.S.P. Gestão da Informação: uma Visão dos
Sistemas ERP. VI SIMPEP – Simpósio de Engenharia de Produção, Anais, Nov.
1999.

Wikipédia ERP (Enterprise Resource Planning) disponível em:


http://pt.wikipedia.org/wiki/ERP

CARBALLO, Santiago. O Modal Infoviário. disponível em:


http://www.netcomex.com.br

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