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Psicologia Aplicada ao Direito

Psicologia e Direito

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Nesta webaula, buscaremos compreender a estreita ligação entre a psicologia e o direito, sua ligação com áreas
como o Direito Civil, Penal e Trabalhista, e sua possível aplicação em casos concretos. Além disso, estudaremos
algumas
das principais abordagens em psicologia são a psicanálise, o behaviorismo e as abordagens humanistas.

Introdução à Psicologia

Contextualização histórica

Para começar nossos estudos faremos uma introdução do que é a psicologia, seus principais aspectos, suas
interfaces com o direito e a importância da psicologia no direito. A psicologia, desde a criação de seu primeiro
laboratório experimental, com Wundt, o que é tido como um dos marcos de suas criação e formalização, passou, e
passa, por uma “crise” de identidade e cientificidade, devido às diversas formas de se conceber seu
objeto de
estudo, bem como sua natureza, sua epistemologia e metodologia. 

Wilhelm Wundt

Fonte: Wikipedia.

Como veremos mais adiante, a psicologia é, de certa forma, fragmentada em diferentes abordagens, cada
abordagem entende de forma diferente qual o objeto de estudo da psicologia, como lidar com ele, e também
a visão de mundo
que se tem, que guia todo esse processo.

Sobre as diferenças abordadas com relação a diferentes abordagens, existiu, e continua a existir, uma questão
relacionada sobre a legitimidade científica da psicologia. Dentro das diversas crises de cientificidades pelas quais
a
psicologia passou desde sua constituição, podemos considerar alguns pontos principais, como: “o objeto de
estudo da psicologia é observável?”; “limitações éticas”; “seus dados são mensuráveis?”.

Algumas correntes de pensamento dentro da filosofia da ciência, notadamente mais voltados à tendências
positivistas e das “hard sciences”, tenderam a vetar a psicologia enquanto ciência, com apontamentos como os
citados
acima, de caráter epistemológico ou metodológico, ou através da redução da psicologia enquanto apenas
um seguimento da biologia ou de outras ciências, questionando sua razão ontológica.

Em seu atual momento, ainda que ainda haja uma grande fragmentação dentro da ciência psicológica e que
muitos desses questionamentos ainda se apresentem, grande parte desses questionamentos já tiveram soluções
apontadas
por algumas linhas dentro da ciência psicológica. Também é válido lembrar que questionamentos
ontológicos e crises de cientificidade também ocorrem e ocorreram em outros campos da ciência, como por
exemplo na física
com a questão do relativismo quântico.

Cabe lembrar também que o surgimento da psicologia enquanto ciência independente, por volta do final do
século XIX, com a criação do primeiro laboratório de psicologia de Wundt, conforme mencionamos
anteriormente,
apenas “oficializa” seu desligamento com a filosofia, fazendo assim com que a psicologia
criasse métodos próprios e tivesse uma intervenção com o ser humano e com a sociedade mais específica e
direta.

Com isso queremos dizer que diversos estudos e questões relacionadas à psicologia já vinham sendo debatidas e
estudadas por muitos pensadores, notadamente dentro do ramo da filosofia, desde os filósofos da Grécia antiga,
como Hipócrates, Aristóteles e Platão, de onde inclusive vem etimologicamente a palavra psicologia (psique-alma,
logos-doutrina), que influenciaram em grande medida o que conhecemos hoje por psicologia.

Psicologia científica e senso comum

A ciência (segundo Ernest Nagel) pode ser definida como uma atividade com seis características básicas: 

Forma sistêmica da organização do conjunto de leis.

Definição de métodos de investigação.

Redução de fenômenos a um nível ontologicamente mais básico.

Objetividade (no sentido de ser controlável, reproduzível e intersubjetivamente observável).

Claridade das leis e teorias estabelecidas em linguagem formalmente impecável e semanticamente unívoca.

Incompletude e falibilidade do conhecimento produzido.

A forma de conhecimento que hoje se denomina como ciência é aquela que permite ao menos uma
aproximação do conhecimento universalmente válido e empiricamente testável. Ciência é aquele modo de
obtenção
de conhecimento que aspira a formular teorias gerais e leis universais que expliquem e prevejam,
de forma cada vez mais acurada, ainda que probabilisticamente, fenômenos da realidade objetiva.

Dentro das diversas formas de se caracterizar o conhecimento científico, uma das características iniciais na sua
definição é diferenciá-lo dos outros tipos de conhecimento. Dessa forma, o conhecimento diferencia-se do
conhecimento
popular, do conhecimento religioso e do conhecimento filosófico.

Conhecimento religioso 
O conhecimento religioso, apesar de ser sistemático na maior parte das vezes, não é verificável, infalível e
exato, diferenciando-se assim do conhecimento científico.

Conhecimento filosófico 

O conhecimento filosófico também é sistemático, exato e racional. No entanto também é caracterizado como
infalível e não verificável, diferenciando-se assim do conhecimento científico.

Conhecimento popular 

O conhecimento popular, adquirido de forma empírica, no cotidiano, de forma acidental ou por observação.
No entanto, esse conhecimento não é produzido de forma sistemática e sem método regular, o que o
diferencia
do conhecimento científico.

Quanto a diferenciação do conhecimento científico entre os outros tipos de conhecimento (religioso, popular e
filosófico), cabe nos lembrar dois importantes pontos:

1. Dentro do exercício profissional do psicólogo, bem como de áreas correlatas, com o direito, que tem relação
direta com o saber da psicologia e suas práticas, cabe tão somente o conhecimento científico, relacionado a
psicologia,
em suas práticas.

2. Esses demais saberes, o filosófico, o religioso e o senso comum, não devem ser relegados ou
menosprezados. Conforme vimos, por exemplo, o conhecimento filosófico foi (e é) a fonte de bases e de
inspirações para o conhecimento
científico. Os demais conhecimentos também tem suas relações com o
conhecimento científico. No entanto, devemos nos ater, dentro de nossas práticas profissionais, apenas aos
conhecimentos científicos, sabendo que ao mesmo
dentro dos saberes tidos como científicos, não existe uma
unanimidade, pelo menos dentro do ramo das ciências humanas, o que engloba a psicologia.

As abordagens nomotéticas e idiográficas são abordagens metodológicas que se distinguem. 

A abordagem nomotética, que etimologicamente se refere à “nomos” (leis), busca leis universais para a explicação
dos fenômenos. Essa abordagem remete às ideias positivistas e às ciências da natureza. Uma
de suas
prerrogativas é a neutralidade e distanciamento entre o sujeito que faz a sua pesquisa e seu objeto, enquanto
forma de validação da objetividade da explicação das causas do fenômeno estudado.

Principais características das abordagens nomotéticas:

Busca de leis universais para explicação dos fenômenos.

Separação e distanciamento entre sujeito e objeto da pesquisa.

Busca de uma explicação para o fenômeno estudado.

Em contraposição a abordagem nomotética apresentada anteriormente, temos a abordagem idiográfica, que


busca o registro daquilo que é único, singular, individual. Essa abordagem compreende a relação entre o sujeito
que pesquisa
e o que é estudado de forma mais igualitária, “sujeito-sujeito” no lugar de “sujeito-objeto”, com o
intuito de compreender o objeto, enquanto experiência humana, e não apenas explicá-lo de forma neutra (por
não considerar
que tal análise de forma neutra seja possível de ser realizada). Dessa forma, ela busca encontrar os
sentidos do sujeito estudado, seu lugar nas relações e seu contexto. Tal abordagem remete-se a abordagem
hermenêutica
apresentada anteriormente, estando ligada também mais às ciências humanas do que as ciências
da natureza.

Principais características das abordagens idiográficas:

Busca pelo individual, singular, que não pode ser generalizado.

Relação sujeito-objeto substituída pela relação sujeito-sujeito (sem distanciamento ou neutralidade).

Busca a compreensão do objeto de estudo (enquanto experiência humana).

05 - Texto
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Principais abordagens psicológicas

Psicanálise
A psicanálise foi um método de investigação e de atuação clínica criada por Sigmund Freud, um médico
neurologista austríaco, entre o final do século XIX e início do século XX. Ela foi desenvolvida através de estudos
clínicos, acompanhados por Freud, principalmente, no início, relacionado à neuroses de mulheres (casos de
sintomas sem causa orgânica, como cegueira e paralisia). A partir destes estudos, Freud desenvolveu categorias
e
relações que explicavam esses fenômenos através de um conceito até então relativamente novo, o inconsciente,
pois, apesar de Freud não ter sido o primeiro a conjecturar essa noção e o uso dessa palavra, ele foi
o primeiro a
desenvolver essa categoria com maior qualidade dentro do âmbito acadêmico.

Sigmund Freud

Fonte: Wikipedia.

Veremos a seguir a descrição das principais características ou fundamentos da psicanálise.

Método psicanalítico 

A psicanálise, enquanto teoria, são aspectos grandemente intrincados, pois um dos principais objetos de
estudo da psicanálise, o inconsciente, não é acessível por métodos comuns. O método de associação livre,
juntamente
com o falar livremente, dentro do contexto da análise, são princípios fundamentais do método
por permitirem que, dessa forma, sem cortes e tolhimentos, o conteúdo recalcado no inconsciente possa vir
a tona,
ao consciente.

As duas tópicas 

As duas tópicas são pontos fundamentais dentro da teoria psicanalítica, que da base para a análise através
dos métodos descritos anteriormente. A primeira tópica diz respeito a divisão entre o inconsciente,
o pré-
consciente e o consciente, que se refere ao que temos acesso ou não em nossas mentes. A segunda tópica se
divide entre o Id, o ego e o super-ego, categorias que explicam o modelo estrutural de personalidade
descrito
por Freud.

Complexo de édipo 

O complexo de Édipo foi, e talvez ainda seja, um dos mais polêmicos pontos na teoria psicanalítica. Ele é
baseado em um conto grego antigo, de Sófocles, e ele retrata o que acontece durante o desenvolvimento
infantil.
Tal nome foi escolhido pois Freud considerou que ele conta, de forma análoga, o que acontece no
desenvolvimento infantil: a identificação da criança com um de seus progenitores, e ao fim, elege o seu
objeto
de desejo sexual. Disso, se desenvolve a noção do complexo de castração, o medo da perda do falo.
Devemos considerar nisso o caráter simbólico e representativo considerado nesses conceitos dentro do
universo
infantil, bem como a noção de sexualidade forma mais geral, considerada por Freud.

Fases da sexualidade infantil 

Ligado ao complexo de Édipo, Freud também desenvolveu dentro de sua teoria as 4 fases do
desenvolvimento da sexualidade infantil.

Dentre essas fases compreende-se: a fase oral, fase anal, fase fálica e fase genital. Essas fases correspondem
ao desenvolvimento de zonas erógenas (fontes de prazer) dentro do desenvolvimento da criança e que estão
ligadas a atividades práticas da vida comum da criança, como a amamentação, o controle de esfíncter e a
descoberta dos genitais / gêneros.

Para além de Freud, que além de criador foi o mais proeminente psicanalista, devemos considerar também os
trabalhos de outros psicanalistas que contribuíram e deram continuidade ao trabalho de Freud, ainda que nem
sempre seguindo
ortodoxamente a sua teoria. Dentre esses autores podemos destacar:

Carl Jung.

Erik Eriksson.

Melanie Klein.

Jean Lacan.

Winnicott.

Gestalt
Inicialmente iremos diferenciar duas formas de terapia que possuem em seu nome Gestalt, palavra que vem da
língua alemã e que significa “forma”. A psicologia da Gestalt, ou “gestáltica”, surgiu primeiro e se refere
ao
processo de dar forma a algo. Alguns aspectos são preconizados nessa abordagem, como por exemplo aquilo que
está explícito, em um primeiro plano, e aquilo que está implícito, em um plano de fundo. Dessa relação,
pode-se
fazer necessário com que aquilo que esteja implícito, no plano de fundo, tenha que ver ao primeiro plano. Outro
conceito importante dentro dessa abordagem é o de super soma, ou seja, de que não podemos conhecer
o todo
através de uma simples soma das partes. Dentre os principais representantes dessa abordagem podemos
apontar para Koffka, Kurt Lewin, Wertheimer e Kohler.

Fritz Perls

Fonte: Wikipedia.

Além da psicologia gestáltica temos a Gestalt terapia, um método de terapia desenvolvida pelo psicanalista e
psicoterapeuta alemão Perls, em conjunto com sua esposa, Laura, durante as décadas de 40 e 50.

Outro ponto importante dentro dessa abordagem de psicoterapia é relacionado a responsabilidade pessoal de
cada indivíduo, bem como o enfoque em suas ações no momento presente. A relação terapeuta cliente, o
ambiente e o contexto
social de cada indivíduo também são levados em consideração dentro dessa abordagem.
Dentro de seu fundamento a Gestalt terapia tem diversas influências, como a fenomenologia, a psicanálise, a
teoria dos sistemas, teoria dos
campos

Humanismo
O humanismo na psicologia, ou a psicologia humanista, surge como uma alternativa as formas de psicologia
vigentes no seu contexto de criação, a psicanálise e o behaviorismo (comportamentalismo). De forma geral, ela
busca superar o determinismo presente, de diferentes naturezas, nas abordagens comportamentalista e
psicanalista, e acredita na capacidade positiva do ser humano de se auto realizar. Essa abordagem é fortemente
influenciada pela corrente de pensamento filosófica do humanismo e do existencialismo, assim como pela
fenomenologia.

Carl Rogers

Fonte: Wikipedia.

Podemos considerar diversos autores dentro da psicologia e de diferentes sub abordagens como sendo da
psicologia humanista, como o próprio Perls, citado aqui anteriormente, Moreno, do psicodrama, e o próprio
Maslow, autor responsável
pela famigerada pirâmide de Maslow.

No entanto, podemos considerar como o principal expoente dessa área da psicologia o autor Carl Rogers,
precursor da abordagem centrada na pessoa.

A abordagem centrada na pessoa, proposta por Rogers, pressupõe que os seres humanos são, de forma
inerente, atuantes de forma positiva, com o desejo de agir e viver de forma efetiva. Essa posição se contrapõe
a
visão freudiana, vigente e com grande influência na época em que Rogers fez essas postulações, de que o
ser humano é regido por impulsos negativos, que dentro da psicodinâmica, podem levar a comportamentos
destrutivos.

Considerando que por si o ser humano tem essa tendência positiva, voltamos ao ponto de que basta ao
conselheiro que dê as condições e estímulos necessários, que o cliente tenderá a autodescoberta e o crescimento
pessoal.

Para Rogers, dentro dessa concepção não-diretiva, o cliente tem em si as condições e capacidades para conduzir
seus próprios assuntos. Nessa abordagem, os sentimentos do cliente sobre si passam a ser considerados centrais,
pois
constituem o autoconceito. Segundo o autor, o autoconceito tem um papel central na forma em que uma
pessoa responde aos eventos e desafios de sua vida.

Behaviorismo

Um dos principais pressupostos da análise de comportamento é que todo comportamento é aprendido e,


portanto, pode ser mudado por estratégias implementadoras para produzir nova aprendizagem. A personalidade
é considerada
como produto de aprendizagem acumulada. Uma das principais categorias utilizadas por essa
abordagem é o condicionamento operante, que diz respeito ao procedimento através do qual é modelada uma
resposta no organismo
através de reforço diferencial e aproximações sucessivas. É onde a resposta gera uma
consequência e esta consequência afeta a sua probabilidade de ocorrer novamente; se a consequência for
reforçadora, aumenta a
probabilidade, se for punitiva, além de diminuir a probabilidade de sua ocorrência futura,
gera outros efeitos colaterais.

B. F. Skinner

Fonte: Wikipedia.

De forma gera, retomando os conceitos que apresentamos na primeira sessão dessa unidade, o behaviorismo se
aproxima mais de uma abordagem nomotética, por prezar mais por aspectos voltados os positivismo enquanto as
outras abordagens
apresentadas tem maior alinhamento com a linha ideográfica, por ter forte influência da
hermenêutica em sua constituição.

A importância dos fenômenos psicológicos para o Direito

Fenômenos psicológicos e sua importância

Antes de descrever os fenômenos psicológicos e sua importância para a área do direito aqui, cabe lembrar que no
Brasil, a atividade profissional de psicólogo foi regularizada em agosto de 1962. No âmbito jurídico, a psicologia
foi
se inserindo gradualmente no decorrer da década de 60.

Sobre os fenômenos psicológicos, retomamos inicialmente um questionamento inconcluso: qual o objeto de


estudo da psicologia? Essa questão talvez não tenha uma única resposta, variando a depender do ponto de vista
metodológico ou
de abordagem utilizada. No entanto, de forma geral, mesmo sem considerar um fenômeno
específico, podemos considerar diversos objetos de estudos da psicologia, fenômenos psicológicos a serem
considerados, como a personalidade,
o comportamento, a identidade, o inconsciente, ou a subjetividade, de forma
mais geral.

Estes fenômenos, podemos considerar ainda como fenômenos considerados superiores. No entanto, dentro
dos fenômenos psicológicos passíveis de estudos, podemos considerar os fenômenos psicológicos básicos,
conforme
veremos adiante.

Apesar de menores ou maiores diferenças nas formas de se conceber o fazer e as teorias dessas abordagens em
psicologia, a seguir podemos identificar alguns conceitos básicos gerais que são de grande importância para
entendermos
o funcionamento psíquico.

Processos psicológicos básicos 

Esses processos, como o próprio nome indica, se refere a processos de ordem mais simples, literalmente
orgânicos, ou com grande determinação de processos orgânicos (fisiológicos).

Funções psicológicas superiores 

As funções psíquicas superiores se referem a processos complexos, multifacestados e multideterminados,


que se dão através da relação e influências dos processos psicológicos básicos e também através do
processo
de formação social do homem, bem como de aspectos culturais específicos de sua história.

Fenômenos psicológicos e sua importância

Podemos observar por exemplo, no trabalho de Lourenço e Campos (2009), que a temática da psicologia é
bastante presente nos artigos da faculdade de direito de uma universidade federal, em pesquisa de revisão
realizada por eles.
Mesmo assim, vemos a tendência da redução deste fenômenos a poucas possibilidades de
fenômenos, como a determinação prévia das causas do crime (seja por um determinismo organicista ou cultural),
ou sobre o papel da educação
na prevenção destes crimes.

De maneira mais geral, podemos considerar que os fenômenos psicológico são importantes, e demandam
seu entendimento, no meio do direito, de forma a compreender as características do que constitui um sujeito
e de
como se dão as suas ações e comportamentos, sejam esses aspectos citados aqui relacionados ato de
um crime, ou qualquer outra área relacionada ao direito.

Outros fenômenos possíveis de serem citados que são objetos de estudo da psicologia e que são de
interesse da área do direito: vontade, interesse, necessidade, decisão e ação.

Após apontarmos para estes conceitos amplos, apontamos aqui para a necessidade da apropriação destes
conceitos psicológicos de forma crítica. Com isso queremos dizer: é importante entendermos que os fenômenos
psicológicos são multifacetados
e multideterminados. Com isso, queremos apontar para a necessidade de não se
cair em determinismos organicistas ou inatistas (pessoas com determinadas características orgânicas, ou que
nasceram de tal maneiras, sempre serão
desta forma), bem como os determinismos culturalistas (pessoas de
determinada cultura ou contexto sempre irão se comportar dessa forma).

Outro cuidado a ser tomado diz respeito a questão do reducionismo, aspecto relacionado diretamente ao
determinismo citado anteriormente. Ele diz respeito a redução (seja de causa ou determinação) de certos
fenômenos à uma relação
simples, quando na verdade são fenômenos complexos e multideterminados (como por
exemplos os conceitos de identidade, subjetividade, personalidade).

Exemplos clássicos, para não citarmos o óbvios dos racismos e preconceitos contemporâneos, e para citar
um exemplo mais conectado com a área jurídica, podemos citar os estudos de Lombroso e a teoria do
criminoso
nato.

Importância do estudo da psicologia para os futuros profissionais do direito

Inicialmente, como motivo de importância inicial, temos a pontuar que o profissional de direito poderá lidar em
sua rotina profissional com profissionais de psicologia em diversas situações. Considerando que o profissional de
psicologia
pode ser no contexto forense, dentro da psicologia criminal, com relação aos direitos do consumidor,
nos problemas relacionados à família, adolescentes e crianças, direitos humanos, casos com a necessidade de
psicodiagnóstico,
processos de mediação, entre outros, temos que levar em considerando que um entendimento
mínimo a respeito da área com certeza irá contribuir para a atuação do profissional do direito, ao entender o
papel e o que se esperar
desta ciência.

Behaviorismo

A relação da Psicologia e do Direito se mostra como uma forma de complementar o compromisso social e
comunitário, assim, a Psicologia compreende e explica o comportamento humano e o Direito procura estar atento
a formação
de normas para o convívio comum dos indivíduos conforme as regras e normas de conduta. A
psicologia também se remete à proteção da sociedade e à defesa dos direitos do cidadão, através da perspectiva
psicológica.
Há também situação de conflitos e contradições, estas, porém não são um grande problema para o
uso das duas ciências conjuntamente.

Carl Rogers

Fonte: Shutterstock.

Dessa forma, a psicologia, através de seus conhecimento construídos com base em pesquisa científica, assim
como pode ocorrer com outras ciências o sociais, pode auxiliar o sistema legal, campo do direito, através da
aplicação de
suas pesquisas. (Huss, 2011) Outro conceito importante na relação entre a psicologia e o direito é o
conceito de Jurisprudência terapêutica.

Psicologia e suas interfaces com o Direito

De início, cabe apontar que existe uma imagem construída do que se imagina ser a psicologia forense, talvez
através de séries e programas tv. Contudo, podemos apontar que raramente um psicólogo forense irá a uma cena
de crime ou
irá trabalhar construindo o perfil criminal de um individuo. Existe ainda um debate corrente acerca do
caráter da psicologia forense e suas funções. Além dessas questões cabe apontar para a múltiplas formas de
definição entre
redundâncias no que se refere aos termos psicologia forense, legal ou jurídica.

De forma geral, podemos definir a psicologia forense, conforme Huss 2011, como a psicologia aplicada ao
campo legal. Existe campos mais estritos, como por exemplo a psicologia clínica aplicada ao sistema legal.
Dentre as possibilidades de atuação nesse meio podemos incluir a identificação de testemunhas oculares
(psicologia cognitiva), polígrafos (psicologia fisiológica), comportamento do júri (psicologia social) e
testemunho de crianças no tribunal (psicologia do desenvolvimento).

A prática clínica da psicologia, dentro desse contexto forense, focaliza, em geral, a avaliação e tratamento dos
indivíduos dentro de um contexto legal e inclui conceitos como psicopatia, inimputabilidade, avaliação de risco,
danos
pessoais e responsabilidade civil .

Psicologia criminal

A psicologia criminal é um ramo da psicologia jurídica que que busca analisar e entender o comportamento de um
sujeito que cometeu um crime. Esse tipo de profissional, bem como o profissional formado em criminologia, tem
como papel
contribuir, com conhecimento técnico específico, na busca de dados e informações que levem a à
identificação da autoria, materialidade e circunstâncias em que ocorreu o crime. Assim, esse profissional pode
contribuir tanto
nas investigações criminais, buscando um perfil psicológico do criminoso, ou identificando
características no mesmo, como também auxiliar em entrevistas com vítimas e testemunhas, com o fim de avaliar
e orientar essas
pessoas.

Conforme citado anteriormente, podemos encontrar diversas definições, com diferentes autores, que podem
se contradizer ou se redundar no que se refere a conceitualização do que é psicologia jurídica, forense ou
criminal. Consideraremos aqui a psicologia forense como um ramo mais específico de um conceito mais
amplo, assim como a psicologia criminal, no mesmo sentido.

A psicologia Jurídica, conforme citado por Fiorelli e Mangini (2020), abrange questões amplas como família, direito
penal / sistema prisional e Direitos humanos / cidadania. A seguir descreveremos essa interface da psicologia com
essas diversas áreas do direito.

Interface nas áreas Família e Direito Civil

A psicologia, em interface com o direito civil, especificamente com relação a família e suas relações, tem ampla
possibilidade de atuação, o que significa que os saberes da psicologia, a atuação de profissionais de área, serão
recorrentes dentro destas áreas do direito.

Dentre elas podemos citar:

Processos de formação e rompimento de vínculo familiar.

Casamentos e separações.

Filhos – disputa de guarda.

Regulamentação de visitas.

Alienação parental.

Paternidade e reconhecimento de filhos.

Interdições.

Adoção.

Em todos eles, é de grande relevância a consideração de fatores emocionais e outros aspectos psicológicos que
afetam os envolvidos nos conflitos. São inúmeras as situações em que as questões de natureza psicológica
acabam sendo
determinantes para as decisões, tanto do ponto de vista estritamente legal, como sob a ótica do
bem estar dos envolvidos. As relações familiares são objeto de estudo da psicologia, compreendendo a dinâmica
familiar, fatores
sociais e de personalidade que influência no comportamento dos atores deste sistema.

Interface nas áreas do Direito Penal e sistema prisional

A psicologia, em interface com o direito penal, bem como a sua relação com o sistema prisional, apresenta os
seguintes exemplos de atuação e contribuições: 

Contribuições com relação ao fenômeno do delito e suas causas, seja ele culposo ou doloso.

Os diferentes tipo de delinquência, como a ocasional, a psicótica, a neurótica ou profilática.

As possíveis contribuições da psicologia no processo de investigação.

Questões de interrogatório e particularidades do testemunho de crianças e adolescentes; confissões.

Nessa área específica, se dá o contato com comportamentos não esperados ou não desejados dentro de nossa
sociedade. A interface da psicologia com o direito deve considerar as diferentes natureza de cada uma dessas
áreas: o direito
como uma construção social, que através da ética e de determinações legais, busca um controle
social ou convívio social harmonioso, enquanto a psicologia se caracteriza enquanto ciência, que não é uma
construção acabada e,
assim como qualquer outra ciência, não pode prever totalmente o seu objeto de estudo
(citar exemplo minority report e lombroso).

Dessa forma, o entendimento acerca dos comportamento desviantes (especificamente os ilegais e


criminosos) deve ter como pano de fundo princípios éticos que direcionem as ações para práticas que
possam prevenir ou
corrigir (no sentido de recuperação e reeducação) tais comportamentos, e não em um
sentido de controle social autoritário.

interface nas áreas do Direitos Humanos e Cidadania

Os Direitos Humanos constitui uma área do conhecimento em que as questões de natureza psicológica possuem
papel determinante na compreensão, estruturação e interpretação dos fenômenos a ela correlatos. Essa temática
mostra-se
em destaque nas discussões mais contemporâneas. A infração dos direitos humanos, de forma geral,
quase sempre estão relacionadas a dois fenômenos específicos: o preconceito e a discriminação. Os preconceitos
étnicos e religiosos
são exemplos de como a não aceitação da diferença, da diversidade, conduz ao conflito. No
que tange ao Direito, especificamente, podemos apontar relacionado a este tema para recentes leis relacionadas a
estes temas: a Lei Maria
da Penha; o Estatuto do Idoso e o Estatuto da Criança e do Adolescente (esse não tão
recente, de 1990). Nesse contexto, a psicologia pode contribuir de diversas formas:

Através de seus extensos e diversos estudos relacionados a contradição e relação dialética entre o indivíduo e
a sociedade (bem como seus interesses).

Aos processos de motivação e padrões de comportamento existentes nos indivíduos.

Estudo dos comportamentos transgressivos ou desviantes.

Situação-problema

Contextualização
A psicologia, enquanto ciência da forma que a concebemos hoje existe desde o final do século XIX. Seu nascimento
enquanto ciência é marcado, ainda que de forma mais convencional, com a criação do laboratório de psicologia
em Leipzig,
por Wundt. Mas o que faz dela uma ciência? Qual a diferença do conhecimento científico para outros
tipos de conhecimento? Anteriormente à sua concepção como ciência, as temáticas relativas à psiquê já eram
estudadas e discutidas
por diversos pensadores, sejam filósofos ou religiosos. No entanto, o conhecimento
científico tem características próprias.

A ciência pode ser definida como uma atividade com seis características básicas: forma sistêmica da
organização do conjunto de leis, definição de métodos de investigação, redução de fenômenos
a um nível
ontologicamente mais básico, objetividade (no sentido de ser controlável, reproduzível e intersubjetivamente
observável), claridade das leis e teorias estabelecidas em linguagem
formalmente impecável e
semanticamente unívoca e, por fim, incompletude e falibilidade do conhecimento produzido. A forma de
conhecimento que hoje se denomina como ciência é aquela que permite
ao menos uma aproximação do
conhecimento universalmente válido e empiricamente testável. Ciência é aquele modo de obtenção de
conhecimento que aspira a formular teorias gerais e leis universais que expliquem
e prevejam, de forma cada
vez mais acurada, ainda que probabilisticamente, fenômenos da realidade objetiva.

A psicologia, bem como as outras ciências ditas humanas ou sociais, tem características diferentes das ciências
tradicionais, conhecidas como “hard sciences”. Ainda que hoje tenha se superado a ideia de um paradigma único
nas ciências
tradicionais (exemplo da física), nas ciências humanas a ideia de um paradigma único nunca vigorou.
Isso pode se explicar pela natureza de seus objetos de pesquisa, que não podem ser mensurados com a mesma
qualidade dos fenômenos
da ciência tradicional. Assim, sob influência de diversas correntes de pensamento,
elaborou-se diversas formas de lidar com os fenômenos das ciências humanas. Dessa forma, na psicologia se
desenvolveram diferentes abordagens
e correntes, cada uma com suas características específicas. Algumas estão
mais próximas de um modelo de ciência mais tradicional (positiva) e outros estão mais ligados a um modelo
hermenêutico, que possuem um ponto de vista
mais voltado às questões qualitativas e interpretativas. Conforme
vimos nesta webaula, algumas das principais abordagens em psicologia são a psicanálise, o behaviorismo e as
abordagens humanistas.

Apesar de menores ou maiores diferenças nas formas de se conceber o fazer e as teorias dessas abordagens
em psicologia, podemos identificar alguns conceitos básicos gerais que são de grande importância para
entendermos
o funcionamento psíquico. Inicialmente, podemos identificar o que se denomina de processos
psicológicos básicos. Esses processos, como o próprio nome indica, se refere a processos de ordem mais
simples, literalmente
orgânicos, ou com grande determinação de processos orgânicos (fisiológicos). Já as
funções psíquicas superiores se referem a processos complexos, multifacestados e multideterminados, que
se dão através da relação
e influências dos processos psicológicos básicos e também através do processo de
formação social do homem, bem como de aspectos culturais específicos de sua históra.

Considere agora a seguinte situação:

Você, quanto profissional, está lidando com um caso que envolveu uma situação de acidente de trânsito. A
questão principal se dá por conta a falta de consenso e diversos testemunhos diferentes dos participantes desta
situação.
Uma parte dos testemunhos aponta para um dos culpados, que se encontrava em grande dificuldade e
não parou no momento certo. Em seguida, o mesmo desceu do carro e agiu de forma agressiva e com linguagem
de baixo calão. No entanto,
outra parte dos testemunhos proferiu um relato diferente, em que não houve um
culpado aparente pelo acidente e que a discussão que se seguiu após o ocorrido não foi fora da normalidade.

Considerando esta situação hipotética, quais fatores podemos apontar que podem ter influenciado para essa
divergência de testemunhos? Quais processos psicológicos básicos e funções psicológicas superiores
podemos
indicar que podem ter influenciado de alguma maneira essa situação.

Resolução da situação-problema

Os processos psicológicos básicos, conforme já indicamos anteriormente, dizem respeito a processos mais
ligados, ou sendo literalmente, processos orgânicos ou fisiológicos. A sensação pode ser colocada como um
processo inteiramente fisiológico, enquanto os outros processos, apesar de assim não o serem, estão ainda bem
próximos deste processo. Assim, uma pessoa que teve pouco sono, não poderá gozar de uma atenção, percepção
ou memória
plena. Dessa forma, podemos apontar tais processos poderiam ter influenciado diretamente no
acidente, no sentido de por conta de falta de atenção ou percepção alterada tê-lo causado, bem como a questão
do testemunho pode ter
sido influenciada pela memória do ocorrido por parte daqueles que o testemunharam,
bem como a percepção que tiveram, podendo ter sido influenciados pelo grau de atenção ou ângulo que
perceberam o ocorrido.

As funções psicológicas superiores dizem respeito a processos mais complexos que são aprendidos durante o
desenvolvimento de um indivíduo. Assim, podemos citar como exemplo a própria linguagem, o pensamento,
imaginação,
a capacidade de planejar algo, o pensamento abstrato, raciocínio, etc. Conforme citamos, estas
funções são aprendidas, dessa forma, a influência cultural e social nelas é determinante. Com isso, podemos
indicar alguns pontos
relacionados a situação problema, como a noção de culpa, de acidente e de normalidade
por cada membro. Ainda que do ponto de vista legal e estrito, objetivo, o fato em si seja concreto, a forma com
que as pessoas concebem e
interpretam em um momento não usual como esse será particularmente influenciado
por diversas questões. Então a questão da linguagem utilizada, a percepção de agressividade ou não no incidente,
podem ser interpretadas de maneira
diferente devido ao background cultural de cada pessoa.

Apesar de podermos identificar diversas questões que podem ter influenciado e determinado em algum grau tal
situação, devemos levar em consideração que sempre devemos fazer essas considerações de forma crítica. Com
isso queremos
dizer: é importante entendermos que os fenômenos psicológicos são multifacetados e
multideterminados. Assim, cabe apontar para a necessidade de não se cair em determinismos organicistas ou
inatistas (pessoas com determinadas
características orgânicas, ou que nasceram de tal maneiras, sempre serão
desta forma), bem como os determinismos culturalistas (pessoas de determinada cultura ou contexto sempre irão
se comportar dessa forma).
Outro cuidado a ser tomado diz respeito a questão do reducionismo, aspecto
relacionado diretamente ao determinismo citado anteriormente. Ele diz respeito a redução (seja de causa ou
determinação) de certos
fenômenos à uma relação simples, quando na verdade são fenômenos complexos e
multideterminados (como por exemplos os conceitos de identidade, subjetividade, personalidade). Finalmente,
apesar de podermos identificar diversos
aspectos através deste conceito, devemos não levar eles como
determinantes, não fazendo julgamentos inexatos com isso.

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