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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO

PARANÁ

CAMPUS TOLEDO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA E
CIÊNCIAS EXATAS

CURSO DE QUÍMICA BACHARELADO

Prática 4: Crioscopia

Relatório entregue como parte da


avaliação da disciplina de Físico-química
Experimental I, do curso de Química
Bacharelado, ministrada pela Professora
Doutora Juliana Cheleski Wiggers. 

                                        

Alunos: Vinicius Coppetti Klein   RA: 76264

Toledo - PR
13 de dezembro de 2021
1. INTRODUÇÃO

As propriedades coligativas se referem a quatro propriedades físicas, que são


características de soluções diluídas, sendo elas, o abaixamento crioscópico, pressão
osmótica, elevação do ponto de ebulição e o abaixamento da pressão de vapor,
seus comportamentos estão relacionados, pelo fato de dependerem somente do
número de partículas de soluto presente e não de sua natureza química, em uma
dada quantidade de determinado solvente. Todas têm em comum o fato de o
potencial químico do solvente no estado líquido ser diminuído na presença de um
soluto, no qual o equilíbrio com a fase vapor (para solutos não-voláteis), ou com a
fase sólida, seja estabelecido em temperaturas diferentes, em uma dada pressão, ou
a pressões diferentes em uma determinada temperatura. [1,2]
A origem molecular do abaixamento do potencial químico não é a energia de
interação das partículas do solvente e do soluto, pois em soluções ideais, nas quais
a entalpia é zero, também ocorre o abaixamento. Portanto, não sendo um efeito da
entalpia, é um efeito da entropia. Quando um soluto está presente em solução com
um líquido puro, há uma contribuição adicional para a entropia do líquido. Com uma
maior desordem da solução há uma oposição à tendência de congelamento.
Portanto, se torna necessário alcançar uma temperatura mais baixa para que se
consiga o equilíbrio entre o sólido e a solução. Assim, o ponto de congelamento fica
mais baixo. [1]
O abaixamento crioscópico pode ser definido quando o potencial químico de
um solvente na solução, é menor que o do líquido puro, enquanto o da fase sólida
permanece o mesmo. Portanto, para restaurar o equilíbrio entre as fases sólida e
líquida do solvente, a temperatura deve ser diminuída. Quando essa temperatura for
atingida há a igualdade, ou seja, o equilíbrio entre os potenciais químicos das duas
fases do solvente. A Equação 1 representa este equilíbrio. [1,2]

μ¿A (s) = μ¿A (l) + RTln x A Eq.


(1)
O lado direito da Equação 1 representa o potencial químico do solvente A na
solução, e o esquerdo, o do sólido puro, sendo que o asterisco indica as espécies
puras. [1]
A partir dessa equação, supondo que o abaixamento crioscópico seja bem
menor que a temperatura de fusão do solvente puro, se torna permitido usar o
coeficiente de atividade do solvente igual a um, assim, obtém-se a Equação 2. [1,3]

M B= ( Kc 1000 mB
∆ T f mA ) Eq.

(2)

Por meio dessa equação é possível determinar a massa molar de


determinado soluto experimentalmente, sendo mB o soluto, que é preparado em uma
solução diluída, em certa quantidade de solvente (m A ¿ e sendo Kc a constante
crioscópica, que é uma característica de cada solvente. [1,3]

2. OBJETIVOS

Por meio do experimento, verificar o efeito do soluto na temperatura de fusão


de um solvente, bem como determinar a massa molar do soluto, por meio do
abaixamento crioscópico do solvente.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Materiais

- Copos de béquer (200 mL e 100 mL)


- Tubos de ensaio
- Suporte
- Garras metálicas
- Pipetas (10 mL e 2 mL)
- Termômetro
- Fio de cobre
- Cuba de vidro
3.2. Reagentes

- Terc-butanol (C 4 H 10 O )
- Álcool etílico (C 2 H 5 OH )
- Sulfato de sódio ( NaSO 4)

3.3. Métodos

O sistema que foi utilizado para as medidas de ponto de congelamento está


ilustrado na Figura 1. No béquer A foram colocados em torno de 200 mL de água a
aproximadamente 28 ºC. No centro desse béquer foi colocado o tubo externo B
(vazio) e no centro deste o tubo interno C, ambos fixados em suporte por garras.
Com uma pipeta de 10 mL adicionou-se o terc-butanol primeiramente a um béquer,
juntamente com uma ponta de espátula de sulfato de sódio, em seguida o terc-
butanol restante do béquer foi adicionado ao tubo interno C.

Figura 1. Sistema utilizado na determinação do ponto de congelamento. A:


béquer de 400 mL, B: tubo de vidro largo, C: tubo de ensaio, D: agitador (fio de
cobre) e E: termômetro

Introduziu-se o termômetro no tubo C já contendo o terc-butanol, sem deixar o


bulbo encostar nas paredes de vidro. Com agitação vertical promovida por um fio
(arame) de cobre (ou outro material inerte ao meio) foram feitas as leituras de
temperatura, introduzindo água esfriada (abaixo de 25 °C) no béquer. Mediu-se
então o ponto de congelamento do terc-butanol.
Após a leitura retirou-se o tubo interno C e foi promovido um aquecimento do
mesmo com as mãos (ao redor de 1 a 2 ºC) para provocar a fusão do solvente. Esse
procedimento foi repetido até a obtenção de valores reprodutíveis da temperatura de
congelamento. A seguir, adicionou-se o álcool etílico com pipeta graduada de 2 mL
ao terc-butanol no tubo C, repetiu-se todo o ciclo de medida. Foram efetuadas 6
medidas, conforme mostrado na Tabela 1. Calculou-se então a massa molar do
soluto, além da plotagem dos gráficos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A temperatura de congelamento obtida para o terc-butanol foi de 20,2 ºC, já a


temperatura de fusão foi de aproximadamente 23º C, se diferindo da temperatura de
fusão encontrada na literatura, de 25,1 ºC; isso se deve, principalmente pela falta de
precisão do termômetro, como também da elevada temperatura ambiente no dia do
experimento, o que pode ter interferido no procedimento.
Com a realização das medidas das temperaturas de fusão do solvente, foi
possível determinar a variação de temperatura de fusão em função da quantidade de
soluto adicionado, para o terc-butanol. Os dados encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1: Valores de variação de temperatura de fusão do terc-butanol em


função da quantidade de soluto adicionado.
T (ºC)
Soluto T inicial 100 (µL) 200 (µL) 300 (µL) 400 (µL) 500 (µL)
Terc- 26,5 2,0 6,5 10,0 13,5 16,5
butanol
Álcool 26,5 5,5 8,5 11,5 14,0 19,0
etílico

Observando a Tabela 1 já é possível perceber que quanto maior a quantidade


de soluto adicionada, maior será a variação da temperatura de congelamento,
evidenciando assim uma característica importante da crioscopia, ou seja, quando um
soluto está presente em solução com um líquido puro, há uma contribuição adicional
para a entropia do líquido. Com uma maior desordem da solução há uma oposição à
tendência de congelamento. Portanto, se torna necessário alcançar uma
temperatura mais baixa para que se consiga o equilíbrio entre o sólido e a solução;
com isso, o ponto de congelamento fica mais baixo.
Em seguida, foi possível plotar os gráficos de T (ºC) versus volume de soluto
adicionado, para então calcular a massa molar de cada um dos solutos utilizados.

Gráfico 1: Variação de temperatura em função da adição dos volumes de


Terc-butanol.
18
16 f(x) = 0.036 x − 1.1
R² = 0.994627782041443
14
12
10
ΔT (°C)

8
6
4
2
0
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550
Volume (µL)

Gráfico 2: Variação de temperatura em função da adição dos volumes de


Etanol.
20
18
f(x) = 0.0325 x + 1.95
16 R² = 0.984389561975769
14
12
ΔT (°C)

10
8
6
4
2
0
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550
Volume (µL)
Utilizando o coeficiente angular de cada uma das retas é possível calcular a
massa molar de cada soluto, por meio da Equação 3.

α=
( M B .3,909
8,3 K . Kg/mol . 1000.d B )
Eq. (3)

Sendo:
M B = Massa molar do soluto
d B = Densidade do soluto
α = Coeficiente angular da reta

Portanto, primeiramente para o terc-butanol:

( )
M B . 3,909
0,036=
Kg
8,3 K . . 1000.0,7910 g/mL
mol

236,35 g /mol
MB =
3,909

M B = 60,46 g/mol ou 0,060460 Kg/mol

Comparando com a massa molar encontrada na literatura de 74,12 g/mol, foi


um valor bem abaixo do esperado.

Agora, o cálculo da massa molar para o etanol:

( )
M B .3,909
0,0325=
Kg
8,3 K . .1000. 0,789 g/mL
mol

212,83 g /mol
MB =
3,909
M B = 54,44 g/mol ou 0,05444 Kg/mol

Comparando com a massa molar encontrada na literatura de 46,07 g/mol, foi


um valor acima do esperado.
Nos dois casos, foi possível perceber uma considerável diferença da massa
molar calculada com a massa molar encontrada na literatura, tais discrepâncias se
devem a erros no procedimento, a falta de precisão do método utilizado interferiu
nos resultados; como também o termômetro utilizado não ser o mais adequado.
Outro fator importante foi a necessidade da adição de sulfato de sódio ao terc-
butanol, pois o solvente utilizado continha água em sua composição, o que poderia
interferir na leitura da temperatura de congelamento do terc-butanol, portanto, o
sulfato de sódio serviu para retirar a água do solvente.

5. CONCLUSÃO

Com a realização do experimento, foi possível entender sobre algumas das


características da crioscopia; além de determinar o ponto de congelamento do terc-
butanol, como também seu ponto de fusão, sendo próximo ao valor encontrado na
literatura; em contrapartida, os valores de massa molar encontrados para os dois
solutos, foram consideravelmente diferentes dos valores encontrados na literatura,
esta discrepância se deve, principalmente, a erros no experimento, como a má
calibração das vidrarias, principalmente do termômetro, que não foi o mais
adequado para a leitura das temperaturas, o manuseio errado das vidrarias, além de
interferências externas, como a elevada temperatura ambiente no dia do
experimento, como também, o terc-butanol não ser totalmente puro, podendo levar a
modificações em sua constante crioscópica.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ATKINS, P.; PAULA, J. Físico-química 1. 9ª Ed. Vol. 1. LTC – Livros Técnicos e Científicos. Rio
de Janeiro - RJ, 2012.
[2] LEVINE, I.N. Físico-química. 6ª Ed. Vol 1. LTC – Livros Técnicos e Científicos. Rio de Janeiro,
2012.

[3] CASTELLAN, G. Fundamentos de Físico-química. Rio de Janeiro; São Paulo: LTC-Livros


Técnicos e Científicos. 1986.
 

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