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DETERMINAÇÃO DA ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE

ATRAVÉS DO EXPERIMENTO DO PÊNDULO SIMPLES

Jucimar Peruzzo
Professor da E.E.B. Dom Felício César da Cunha Vasconcelos e E.E.B. Isabel da Silva Telles.
Irani - SC.

Resumo: Analisando o movimento periódico de um pêndulo simples, desenvolveremos um método


para a determinação do valor da aceleração da gravidade local.
Palavras-Chaves: Pêndulo simples, movimento periódico, aceleração da gravidade.

1. INTRODUÇÃO
O pêndulo simples é um sistema mecânico que exibe movimento periódico ou
oscilatório. Através de medidas do período e do comprimento do pêndulo determinaremos
o valor da aceleração da gravidade local (g).

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O pêndulo simples consiste num pequeno corpo de massa puntiforme m suspenso
em um ponto fixo por um fio inextensível (que não estende) e de peso desprezível.
Quando afastado de sua posição de equilíbrio e abandonado, o pêndulo se movimenta
em um plano vertical sob a ação da gravidade. Esse movimento é oscilatório e periódico.
Na Fig.1 estão representadas as forças que atuam sobre o corpo suspenso, desprezando
a resistência do ar.

Figura 1 - Representação esquemática de um pêndulo simples.

Na Fig.1 temos os seguintes elementos:  é o comprimento do fio,  é o ângulo


formado entre a posição de equilíbrio e o ponto de máxima extensão, T é a força de
tração na corda, P é a força peso, Px é a força restauradora e m é a massa do pêndulo.
A componente tangencial do peso Px é a força restauradora do movimento
oscilatório do pêndulo, cuja intensidade é dada por:
Px  Psen  mgsen
Para ângulos pequenos (   10º ), temos que sen    tg . O deslocamento x será,
então, aproximadamente igual ao comprimento do arco x   . Podemos fazer a
aproximação da equação anterior por:
mgx
Px  P 

Para pequenos deslocamentos, a força restauradora é proporcional ao
deslocamento e oposta a ele. Aplicando a segunda lei de Newton ao sistema e
relacionando com a Lei de Hook: F  kx , vem que:
mg
k

O período T de um movimento oscilatório é definido por T  2 /  . Sendo
  k / m , podemos representar o período T como:

m
T  2
k
Substituindo o valor de k  mg /  na equação anterior, encontramos que o período
de oscilação de um pêndulo simples quando sua amplitude é pequena, é dado por:

T  2
g
Isolando g na equação anterior, obtemos:
4 2 
g 2
T
3. PROCEDIMENTO, RESULTADOS E ANÁLISE EXPERIMENTAL
Para a realização deste experimento utilizam-se os seguintes materiais: 1 pequeno
corpo denso (porca de parafuso, por exemplo), 2 pedaços de fio fino de roupa de
diferentes comprimentos, 1 cronômetro, 1 transferidor e 1 trena ou régua.
A montagem do experimento segue de acordo com os passos descritos a seguir.
com o material fornecido monta-se o pêndulo: prende-se o corpo denso numa ponta do fio
e a outra ponto deste fio num suporte firme, de modo que ele possa oscilar; coloca-se o
pêndulo para oscilar em ângulos menores que 10º, que pode ser medido com o auxílio de
um transferidor; faz-se uma variação da amplitude de oscilação, que é a distância máxima
da massa em relação a posição de equilíbrio do pêndulo; varia-se o comprimento do
pêndulo, marcando para cada caso o respectivo período de oscilação com o cronômetro;
sugere-se medir o tempo gasto t, em N oscilações completas, calculando T pela razão
T  t / N ; recolhem-se os dados em uma tabela e faz-se uma análise do experimento. É
importante frizar que o comprimento do pêndulo é a medida do fio mais metade da
medida da massa suspensa, que neste caso tem dimensões consideráveis.
Os dados numéricos da tabela 1 referêm-se ao experimento realizado pelo autor, o
qual serve de caráter ilustrativo.

Comprimento Tempo de 10 Período Período


 (m) oscilações (s) T (s) Médio T (s)
15,98 1,598
15,97 1,597
15,96 1,596
16,08 1,608
16,00 1,600
15,91 1,591
0,64 1,60117
16,10 1,610
16,09 1,609
15,95 1,595
16,12 1,612
16,01 1,601
15,97 1,597
Comprimento Tempo de 8 Período Período
 (m) oscilações (s) T (s) Médio T (s)
8,45 0,845
8,47 0,847
8,50 0,850
8,38 0,838
0,176 0,84338
8,40 0,840
8,42 0,842
8,44 0,844
8,41 0,841
Tabela 1 – Dados Experimentais

A partir do comprimento do pêndulo e do período médio de oscilação, calcula-se o


valor da aceleração da gravidade para cada caso, e depois faz-se uma média geral.
Calculando o valor de g em função do período T para cada comprimento de pêndulo 
através da equação g  4 2  / T 2 , encontramos g  9,855m / s 2 e g  9, 757m / s 2 . Fazendo
uma média dos dois valores, vem:
g  9,806m / s 2
Para maior precisão na determinação dos períodos de oscilação foi medido o tempo
gasto pelo pêndulo para efetuar várias oscilações, pois a probabilidade de erro em se
trabalhar com o tempo de uma única oscilação é muito grande. Isso deve-se a dificuldade
de acionamento do cronômetro no momento certo, principalmente quando os intervalos de
tempo envolvidos são curtos.
Para se ter maior precisão nos dados foram feitas medidas do período para quatro
comprimentos de pêndulo. Valores obtidos em um único comprimento  podem levar a
um g bastante afastado do valor real. Um conjunto de erros que ocorrem em um valor de
 geralmente é compensado pela diferença de g que ocorre para outro comprimento de
pêndulo.
O valor de g obtido (g= 9,806 m/s2) pela média dos valores de g para cada  nos
forneceu um valor bem próximo do real, que gira em torno de g= 9,8 m/s2.

4. CONCLUSÃO
O experimento do pêndulo simples é de grande importância para se analisar certas
propriedades do movimento oscilatório. Durante os três últimos séculos ele foi o mais
confiável medidor do tempo de que se dispôs, sendo substituído no século passado pelos
relógios de oscilações atômicas e eletrônicas.
É também um instrumento conveniente para a medição da aceleração da gravidade.
Certas informações sobre o subsolo terrestre, como a localização de jazidas de petróleo e
minerais, podem ser analisadas a partir do conhecimento das variações locais de g.
Além disso, é um experimento didático que pode ser feito em sala de aula com
alunos de ensino médio.

5. REFERÊNCIAS
BORESI, A. P.; SCHMIDT, R.J. Dinâmica. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
RESNICK, R.; HALLIDAY, D.; KRANE, K. Física 2. 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2003.
SERWAY, R. Física para Cientistas e Engenheiros. v.01, Rio de Janeiro: LTC, 1996.

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