Disciplina

Estrutura, Política e Gestão Educacional
Coordenador da Disciplina

Prof. Paulo Meireles Barguil

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Créditos desta disciplina Coordenação Coordenador do Curso
Profa. Dra. Vládia Maria Cabral Borges

Coordenador de Tutoria
Prof. Ms. João Tobias Lima Sales

Coordenador da Disciplina
Prof. Dr. Paulo Meireles Barguil

Conteúdo Autor da Disciplina
Prof. Dr. Paulo Meireles Barguil

Colaborador
Profª. Gabrielle Silva Marinho Profa. Dra. Maria Isabel Filgueiras Lima Ciasca

Núcleo de Tecnologia da Informação Coordenação Geral Prof. Henrique Sérgio Centro de Produção I - (Material Didático) Gerente: Nídia Maria Barone Transição Didática Equipe Pedagógica
Elicélia Gomes Karla Colares Maria de Fátima Silva Ofélia Pessoa Rafaelli Monteiro

Formatação
Allan Santos José Almir da S. Costa Filho José André Loureiro Tiago Lima Venâncio

Design, Impressão e Modelagem 3D Subgerente
Márllon Lima

Audiovisual Subgerente
Ismael Furtado

Equipe
Andrea Pinheiro Otacílio Vieira

Publicação
Marcelo Goulart

Equipe
Afonsina Soares Andrei Bosco Eduardo Ferreira Fred Lima Iranilson Pereira

Centro de Produção II - (Desenvolvimento) Gerente: Wellington Wagner Sarmento Programadores
Bianca Stephani Bruno Neves Cleber Sena Diego Barbosa George Gomes Glaudiney Moreira Humberto Osório John Cordeiro Lucas Abreu Patrícia Paula Paulo André Lima Rafael Costa Ricardo Palácio

Equipe de Suporte Gerente: Paulo de Tarso Cavalcante Equipe de Suporte
Alex Ramos Davi Linhares Hellânio Costa

Sumário
Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. ............................................................. 1  Tópico 01: Tipos de Educação: formal, não-formal e informal ................................................................ 1  Tópico 02: A Educação Brasileira na Colônia .......................................................................................... 5  Tópico 03: A Educação Brasileira no Império ........................................................................................ 11  Tópico 04: A Educação Brasileira na República (1889-1930)................................................................ 15  Tópico 05: A Educação Brasileira na República (1889-1930)................................................................ 20  Tópico 06: A Educação Brasileira na República (1964-2010)................................................................ 25  Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. .............................................................................................. 30  Tópico 01: Legislação educacional ......................................................................................................... 30  Tópico 02: O sistema de ensino brasileiro .............................................................................................. 38  Tópico 03: Os níveis de ensino ............................................................................................................... 41  Tópico 04: As modalidades de ensino..................................................................................................... 44  Tópico 05: Formação dos profissionais da Educação ............................................................................. 46  Aula 03: Política educacional. Gestão educacional. Financiamento da Educação. Avaliação do sistema escolar brasileiro. ........................................................................................................................ 52  Tópico 01: Políticas públicas educacionais ............................................................................................. 52  Tópico 02: Gestão educacional ............................................................................................................... 62  Tópico 03: Financiamento da Educação ................................................................................................. 66  Tópico 04: Avaliação do sistema escolar brasileiro ................................................................................ 71

Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 01: Tipos de Educação: formal, não-formal e informal
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Cada espécie da natureza, que representa um elo de uma corrente, para sobreviver requer certas condições indispensáveis. A ausência dessas põe em perigo a perpetuação da própria coletividade, afinal o ecossistema é uma rede complexa. A grande maioria dos filhotes de outras espécies é capaz de interagir razoavelmente com a natureza logo após o nascimento ou pouco tempo depois. O mesmo não ocorre com o bebê humano, cuja dependência em relação aos seus pais e/ou membros adultos da comunidade é notória, pois ele é incapaz de sobreviver apenas com o instinto. A forma como a espécie humana se relaciona com a natureza é totalmente diversa do padrão de comportamento das outras espécies, pois ela não se limita a repetir as ações, mas é capaz de avaliá-las, de confrontá-las com a realidade mutante, transformando-as para atingir resultados cada vez mais satisfatórios, que considerem os seus sonhos, valores, sentimentos e saberes. O desenvolvimento das crianças, portanto, não é mera maturação das funções biológicas, transmitidas hereditariamente, resulta da combinação dessas com o meio ambiente no qual aquelas vivem e interagem.

Na família (que é o grupo social mais primário propiciador dos cuidados básicos de alimentação, higiene e proteção), os bebês humanos (e, posteriormente, as crianças) aprendem (ou não) as primeiras lições sobre a importância da coletividade, as quais se somam aos conhecimentos biológicos. Posteriormente, outros espaços desempenharão esse papel educador: a rua, a escola, a Igreja, o clube ... É no mundo que cada pessoa se realiza, que transforma (ou não) o seu potencial em ação, expandindo a sua percepção do mistério que é a vida, envolta em suaves e agudas charadas, capazes de surpreendê-la incessantemente. O Homem, para afirmar e indagar, não pode prescindir do mundo, pois está intimamente ligado a ele, conforme declara Coreth (1973, p. 62): “Não há para o homem autorealização sem realização do mundo, auto-experiência sem experiência do mundo, nem autocompreensão sem compreensão do mundo. Faz parte da natureza do homem ser no mundo e ter um mundo”. 1

Estrutura, Política e Gestão Educacional
Para que esse processo de auto-realização seja o mais proveitoso possível para todas as gerações, as mais adultas devem ter consciência da sua missão ontológica – cuidar com zelo das mais novas – e também da necessidade de propiciar e fomentar o desenvolvimento da autonomia dessas, com o objetivo de propiciar o acréscimo da sua autoconfiança. Não é fácil para as gerações mais experientes aceitarem essa missão. Mais difícil ainda é vivenciá-la, uma vez que elas precisam decidir o momento e o conteúdo que incentivam e impulsionam as demais. (BARGUIL, 2006, p. 99) Em decorrência dessa imperiosa necessidade de conviver com seu semelhante, é compreensível que toda pessoa tenha, diariamente, situações que demandam negociação, uma vez que na maioria das vezes as partes envolvidas têm interesses diversos. Preocupante é quando elas não conseguem reconhecer o direito do outro de desejar e de pensar diferente e querem impor a sua opção, manifestando, assim, a vontade de controlar a vida alheia, inibindo a salutar e necessária troca de conhecimento, que enriquece todos os envolvidos.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

O Homem está sempre aprendendo e ensinando, porém, a depender da natureza dessas situações, a Educação pode ser formal (sistemas formais de ensino oferecidos por instituições – escolas, faculdades, universidades e outras – públicas e particulares, nos diferentes níveis), não-formal (atividade organizada fora do sistema de ensino, com objetivos definidos) e informal (processo contínuo, assistemático e não organizado, que contempla as vivências cotidianas do sujeito). Essa distinção entre os tipos de Educação não significa que eles não se enriquecem mutuamente, sobretudo quando se assiste, cada vez mais, ao crescimento de fontes (mídias) de informação (jornal, rádio, tv, computador, internet), as quais podem e devem ser potencializadas pela Educação formal. O objetivo principal da disciplina Estrutura, Política e Gestão Educacional é analisar a Educação formal no Brasil.

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Leitura Complementar
Entenda melhor sobre a diferença entre os tipos de Educação: Educação Formal (http://www.inep.gov.br/pesquisa/thesaurus/thesaurus.asp?te1=122175&te2= 122350&te3=37488). Educação Não-Formal (http://www.inep.gov.br/pesquisa/thesaurus/thesaurus.asp?te1=122175&te2= 122350&te3=37499). Educação Informal (http://www.inep.gov.br/pesquisa/thesaurus/thesaurus.asp?te1=122175&te2= 122350&te3=37527). O que é Educação? (http://www.planetaeducacao.com.br/novo/impressao.asp?artigo=781). Função social da escola (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Educação Formal e Não-Formal (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR) Educação Não-Formal (http://www.kinderland.com.br/anexo%5C40920052337687.doc)

Referências
BARGUIL, Paulo Meireles. Reflexões sobre a relação professor-aluno a partir das pesquisas de Piaget e Vygotsky. In: PASCUAL, Jesus Garcia; DIAS, Ana Maria Iorio (Orgs.). Construtivismo e Educação contemporânea. Fortaleza: Brasil Tropical, 2006. p. 93-125. CORETH, Emerich. Questões fundamentais de Hermenêutica. Tradução Carlos Lopes de Matos. São Paulo: EPU, 1973. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 39. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 02: A Educação Brasileira na Colônia
Reflexão
A Educação formal desenvolvida em qualquer tempo e espaço sempre é influenciada por aspectos políticos, econômicos, sociais, epistemológicos, filosóficos e psicológicos. Para entender a estrutura educacional vigente no Brasil é necessário se conhecer a sua História, a qual está intimamente vinculada com o contexto geral. Durante estas aulas, vocês serão convidados a responder as seguintes questões: - Que acontecimentos são marcantes na Educação brasileira? - Qual é o papel da legislação na melhoria da Educação? - Como está estruturada a Educação brasileira? - As políticas educacionais podem modificar o quadro educacional brasileiro? Por que? - A gestão do processo educativo tem alguma relação com a sua qualidade? - Quais são as fontes dos recursos financeiros investidos na Educação? - Qual é a importância de avaliar o sistema educativo? Quais são os instrumentos utilizados atualmente? - Que tipo de formação docente é necessária para atender as demandas da sociedade brasileira? Os Jesuítas foram os primeiros responsáveis pelo estabelecimento de uma rede de ensino, de alcance mundial, com a constituição de espaços específicos, cujos princípios pedagógicos tiveram amplas divulgação e aplicação. Desde que chegaram ao Brasil, em 1549, com Manoel da Nóbrega e seus companheiros, eles contribuíram para a inculcação de valores e crenças sob a perspectiva do colonizador. Essa característica, infelizmente, parece que ainda permanece no imaginário da nossa Educação, apesar da nacionalidade daquele ter mudado...

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Para saber mais sobre os jesuítas
Inácio Lopes de Loyola (1491-1556), militar espanhol, preocupado com o avanço das crenças mulçumanas, criou a Companhia de Jesus em 1534, aprovada pelo papa Paulo III, em 1540, tendo como ardor missionário divulgar a fé cristã, num momento em que a Igreja formulava a Contra-Reforma. Diante da dificuldade de converter os adultos, os dirigentes da Congregação se dedicaram à educação das crianças, de modo a renovar o mundo. Com a “descoberta” de novos mundos por espanhóis e portugueses, os Jesuítas, desde a primeira hora, acompanharam as missões de colonização. Em razão do sucesso da primeira escola, aberta em Messina (1548), o próximo destino foi Roma (em 1551), que serviu de modelo para as que se seguiram. No primeiro momento, as escolas atendiam somente aqueles que pretendiam seguir a carreira missionária. Posteriormente, as matrículas foram abertas para todos os que assim pretendessem se submeter aos rígidos padrões estabelecidos. Objetivando uniformizar a organização e funcionamento dos colégios, foi elaborada a Ratio Studiorum, cuja primeira versão data de 1552. Após ter sido submetida a críticas e sugestões por quase meio século, sua publicação definitiva ocorreu em 1599, contendo quatrocentos e sessenta e seis (466) regras, que tratam de várias questões: formação dos professores, plano de estudos, metodologia de trabalho com os alunos, regime de avaliação, regras administrativas e disciplinares etc. Após cerca de cento e cinqüenta (150) anos de intenso prestígio em inúmeros países europeus, os Jesuítas começaram a sofrer pesadas críticas, em virtude do intenso poder econômico que tinham conquistado. Em pouco menos de dez (10) anos, eles são expulsos de Portugal e das colônias (1759), da França (1764) e Espanha e colônias (1767). O golpe mais duro, porém, ainda estava por vir: a dissolução da Companhia, em 1773, pelo papa Clemente XIV em todo o mundo, com exceção da Prússia e parte da Rússia. Somente em 1814, pelas mãos do pontífice Pio VII, ela foi restaurada. Extraído de Barguil (2006, p. 200-201).

Havia uma acentuada distinção entre a Educação destinada aos descendentes dos colonizadores – com uma forte influência escolástica, com o fito de seguirem fielmente os preceitos da Igreja e de formação da elite colonial – e aos nativos – reduzida a dois aspectos: religioso, para a formação de novos adeptos do catolicismo, e econômico, para a docilização da mão-de-obra. Os negros, quando chegaram, não receberam dos educadores qualquer atenção. Freire (1993, p. 32/40) declara que a educação empreendida pelos Jesuítas era permeada por uma ideologia de interdição do corpo, tanto em virtude das barreiras criadas para que mulheres, índios e negros pudessem participar da vida social através das dificuldades de terem acesso à educação, como a proibição de que homens e mulheres manifestassem a sua sexualidade. A instituição das escolas de ler e escrever possibilitou aos Jesuítas um fácil, prático e eficiente método de conversão das crianças indígenas para os idéarios defendidos por eles. Acrescente-se a isso o fato de que os colégios eram construídos com a ajuda dos índios (FRANÇA, 1994, p. 65). Após a promulgação da Ratio Studiorum (1599) – normas (burocráticas e pedagógicas) e conteúdos a serem cumpridos por todas as escolas vinculadas à Companhaia de Jesus, visando à formação uniforme dos seus estudantes – que se pautava na tríade estudar, repetir e competir, a Educação nacional privilegiou os cursos de Filosofia, Teologia e Humanidades, estruturados sobre o latim e o grego, relegando a 2º plano o ensino elementar, do qual a maioria da população necessitava. A educação na Colônia era incipiente – em razão da pequena clientela atendida e do conteúdo lecionado – e isolada do restante do mundo – vários países europeus procediam a reformas nos seus modelos educacionais, enquanto Portugal se fechava às mudanças com a defesa dos valores medievais. Acrescente-se, ainda, a distância da Colônia em relação à Metrópole e a necessidade de se deslocar daqui para lá para concluir os estudos, tendo como destino, na maioria das vezes, a Universidade de Coimbra, dirigida também pelos jesuítas. 6

Estrutura, Política e Gestão Educacional
Multimídia
Educação na Colônia: Jesuítas (1/2)1 Educação na Colônia: Jesuítas (2/2)2

Se o quadro já não era muito positivo, imagine o que aconteceu quando, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, em 1759, determinou, mediante Alvará, a expulsão dos Jesuítas de todas as colônias portuguesas. Ele desejava, inspirado pelos ideais iluministas, “(...) tirar Portugal do atraso cultural e econômico em que este submergia desde o domínio espanhol, quase há dois séculos, e dar um passo adiante para a modernização” (FREIRE, 1993, p. 46), formando um Estado forte, independente da Igreja, tendo sob seu controle o poder econômico detido por aquela e formando estudantes para servir primordialmente aos interesses do País e não os da religião. O Alvará de 28 de junho de 17593 proibiu o ensino público ou particular que não contasse com a autorização do diretor geral dos estudos; determinou a inspeção das escolas e dos professores e a necessidade desses prestarem exames, o que representou um avanço; reestruturou o ensino médio em aulas avulsas de Latim, Grego, Filosofia e Retórica, desmontando o curso regular instituído pelos Jesuítas, o que foi um retrocesso.

Para saber mais sobre a reforma educacional empreendida por Pombal
As aulas régias eram autônomas e isoladas, com professor único e uma não se articulava com as outras. Destarte, o novo sistema não impediu, a continuação do oferecimento de estudos nos seminários e colégios das ordens religiosas que não a dos jesuítas (Oratorianos, Franciscanos e Carmelitas, principalmente). Em lugar de um sistema mais ou menos unificado, baseado na seriação dos estudos, o ensino passou a ser disperso e fragmentado, baseado em aulas isoladas que eram ministradas por professores leigos e mal preparados. Com a implantação do subsídio literário, imposto colonial para custear o ensino, houve um aumento no número de aulas régias, porém ainda muito precário devido à escassez de recursos, de docentes preparados e da falta de um currículo regular. Ademais, vemos uma continuidade na escolarização baseada na formação clássica, ornamental e europeizante dos jesuítas, isto porque a base da pedagogia jesuítica permaneceu a mesma, pois os padres missionários, além de terem cuidado da manutenção dos colégios destinados à formação dos seus sacerdotes, criaram seminários para um clero secular, constituído por “tios-padres” e “capelães de engenho”, ou os chamados “padres-mestres”. Estes, dando continuidade à sua ação pedagógica, mantiveram sua metodologia e seu programa de estudos, que deixava de fora, além das ciências naturais, as línguas e literaturas modernas, em oposição ao que acontecia na Metrópole, onde as principais inovações de Pombal no campo da educação como o ensino das línguas modernas, o estudo das ciências e a formação profissional já se faziam presentes. Por isso, se para Portugal as reformas no campo da educação, que levaram a laicização do ensino representou um avanço, para o Brasil, tais reformas significaram um retrocesso na educação escolar com o desmantelamento completo da educação brasileira oferecida pelo antigo sistema de educação jesuítica, melhor estruturado do que as aulas régias puderam oferecer. Extraído de Seco e Amaral (2007).

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ic28PaXiM14 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=HGr_MQMWPfY 3 Fonte: http://www.unicamp.br/iel/memoria/crono/acervo/tx12.html

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Multimídia
Educação na Colônia: Pombal (1/3)4 Educação na Colônia: Pombal (2/3)5 Educação na Colônia: Pombal (3/3)6 Com a vinda da corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, D. João VI criou a Impressão Régia, a Biblioteca Pública, o Jardim Botânico e o Museu Nacional, tendo em vista a imperiosa necessidade de dotar a Colônia de uma infra-estrutura mínima. Neste período, foram instaladas poucas unidades, nos diferentes níveis, em vários locais do País, para atendimento das exigências dessa nova sociedade. Em razão da defesa do território, são criadas a Academia Real da Marinha e a Academia Real Militar. A demanda por médicos e cirurgiões possibilitou a instauração, no Rio de Janeiro, dos cursos de Cirurgia, Anatomia e Medicina (RIBEIRO, 1989, p. 40). Registre-se, também, a instauração, na Bahia, dos cursos de Cirurgia, Economia, Agricultura, Química e Desenho Técnico.

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=LLp6dcAaQes Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=D-7TcpO08Mo 6 http://www.youtube.com/watch?v=KfqFQtD4QE0

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

O ensino primário continuava restrito ao mero ler e escrever, representando ao mesmo tempo um preparo para o ensino secundário e a possibilidade de ocupar pequenos cargos burocráticos. Enquanto isso, o ensino secundário, ainda estruturado nas aulas régias, teve a implantação de outras modalidades: Matemática, Desenho, História, Inglês e Francês. 9

Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Escolha algum tema para complementar seus estudos: • A Educação no Período Jesuítico7 • Ratio Studiorum e a missão no Brasil (Acesse o SOLAR) • A Educação no Período Pombalino 8 • A Educação no Período Joanino9 • Sistema de aulas régias instituído pela Reforma Pombalina 10

Olhando de Perto
• Hegemonia Jesuítica(Acesse o SOLAR) • Reforma Pombalina(Acesse o SOLAR) • Educação Brasileira no período pombalino(Acesse o SOLAR)

Referências
BARGUIL, Paulo Meireles. O Homem e a conquista dos espaços – o que os alunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola. Fortaleza: Gráfica e Editora LCR, 2006. FRANÇA, Lilian Cristina Monteiro. Caos – Espaço – Educação. São Paulo: Annablume, 1994. FREIRE, Ana Maria Araújo. Analfabetismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1993. RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira – A organização escolar. 9. ed. São Paulo: Cortez, 1989. SECO, Ana Paula; AMARAL, Tania Conceição Iglesias do. Marquês de Pombal e a reforma educacional brasileira. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_ introdutorios_periodos/intr_%20periodo%20pombalino%20Ana%20Seco.doc. Acesso em: 26 set. 2007.

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Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb02.htm Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb03.htm 9 Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb04.htm 10 Fonte: http://coralx.ufsm.br/revce/revce/2005/02/a2.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 03: A Educação Brasileira no Império

A Proclamação da Independência do Brasil, em 1822, não modificou o panorama da Educação Nacional. O que se observa no cenário nacional, desde então, é a tentativa do Poder Público (federal, estadual e municipal) de transformar a realidade através da lei, o que, via de regra, não trouxe os resultados esperados em virtude da falta de suporte financeiro, que evidencia a falta de compromisso político dos governantes para resolver os problemas educacionais estruturais seculares: falta de professores, precariedade das escolas, falta de material didático adequado... Deve ser destacado, desse período, o início da legislação nacional: o Decreto, de 1823, que instituiu o Método Lancaster11, conhecido como ensino mútuo, no qual os estudantes com maior aproveitamento (monitores ou decuriões) auxiliavam os demais, cada monitor/decurião orientava dez colegas; a Constituição Brasileira12, outorgada em 1824, no seu art. 179, inciso XXXII, garante “A Instrucção primaria e gratuita a todos os Cidadãos”, e a Lei da Instrução Pública13, de 15 de outubro de 1827, que estabelece, no seu art. 1º: “Em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos haverão as escolas de primeiras letras que forem necessárias”. O Ato Adicional de 183414, que instituiu a Regência Una, no seu art. 10, inciso II, descentralizou o ensino, mantendo a competência da União para legislar sobre o ensino superior e atribuindo às províncias a responsabilidade pela escola primária e secundária.

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Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_metodo_lancaster.htm Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao24.htm 13 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/3_Imperio/lei 15-10-1827 lei do ensino de primeiras letras.htm 14 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Adicional

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Ato Adicional de 1834 15

Em 1837, na cidade do Rio de Janeiro, é fundado o Colégio Pedro II16, que, sob as bençãos da Coroa, deveria ser o padrão de escola secundária. Tal intenção, porém, não se materializou, uma vez que as suas condições de funcionamento eram bem melhores que as dos colégios das províncias, que careciam, dentre outras coisas, de professores qualificados. Para diminuir tal deficiência, foram instaladas as escolas normais em Niterói (1835), Bahia (1836), Ceará (1845) e São Paulo (1846), o que não atendia a grande demanda. Na República, o Colégio Pedro II continuou a ser referência educacional a nível secundário para ginásios estaduais e escolas particulares. A partir de 1840, a economia do Império, antes baseada na produção açucareira do Nordeste, encontra no café um novo produto de exportação, estabelecendo uma nova sociedade, pois as cidades começaram a ocupar um papel de destaque na economia nacional, em substituição ao campo. A acumulação de capitais deu início à industrialização, exigindo uma mão-de-obra apta a lidar com as máquinas, responsabilidade atribuída à educação. A resposta estatal ocorreu, embora que timidamente: a maior parte das medidas ficou circunscrita ao Município da Corte. A criação das escolas normais, apesar de algumas dificuldades – os cursos eram noturnos, o que implicava a realização de poucas aulas práticas, não havia garantia da profissionalização, além da má preparação dos professores – permitiu uma discreta melhoria da qualidade do ensino primário, ainda restrito às aulas de leitura, escrita e cálculo. A instrução secundária, cuja responsabilidade pela organização era das províncias, ainda era marcada pelas aulas régias, o que contribuía para que fosse vista apenas como um passaporte para o ensino superior, devendo preparar os estudantes aos exames de admissão. Quanto ao ensino superior, os cursos se restringiam aos: jurídicos, em Olinda e São Paulo; médicos, na Bahia e Rio de Janeiro; militares, no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Fortaleza; de minas, em Ouro Preto; de marinha e ensino artístico, no Rio de Janeiro; e de ensino religioso, em 6 seminários. Entre 1832 e 1850, vários relatórios foram escritos sobre a educação, tendo em comum os seguintes pontos: quadro caótico da educação primária, insuficiência do método lancasteriano, preocupação com a qualidade dos prédios escolares, necessidade de fiscalização das escolas, quadro docente muitas vezes despreparado para desempenhar a contento a sua função. A Reforma de Couto Ferraz, de 1854, revela a tentativa do Governo Federal de criar normas que orientassem a educação nacional, ampliadas com o Decreto de Leôncio de Carvalho, de 1878, o qual precisava da aprovação do Legislativo, motivo pelo qual Rui Barbosa (1849-1923)17 elaborou dois pareceres, em 1882: um sobre o ensino secundário e superior e o outro sobre o ensino primário e instituições complementares. A partir da relação estabelecida entre desenvolvimento econômico, político e social de algumas nações, com o grau da instrução primária alcançado, o Parecer apontava a educação como o caminho a ser trilhado na extinção da ignorância que assolava a nossa pátria, propondo a criação de um Ministério da Instrução Pública. Uma novidade consistia na defesa da implantação, no Brasil, dos jardins de infância, inspirados nos kindergartens propostos por Friedrich Fröbel (1782-1852) na década de 30, destinados às crianças de 3 a 7 anos.

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Fonte: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1033609 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Colégio_Pedro_II 17 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Barbosa

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Fröbel (Acesse o SOLAR)

A 2ª metade do século XIX foi marcada pela implantação de estabelecimentos de nível secundário dedicados ao público feminino. Até então, somente uma pequena parcela da população feminina recebia aulas de primeiras letras, prendas domésticas e boas maneiras, sendo que uma parcela ainda mais reduzida é que tinha acesso ao estudo das línguas modernas, de ciências e disciplinas pedagógicas. Quanto mais o café gerava riqueza para os fazendeiros paulistas, mais decaía a importância do açúcar na economia nacional. É interessante lembrar que essa aristocracia tradicional estava profundamente ligada à Monarquia, enquanto a emergente aristocracia não tinha vínculos tão profundos com tal regime, o que contribuiu para que paulatinamente essa desejasse maior participação nas decisões do Governo, o que levou à fundação do Partido Republicano, em 1870. É nesse contexto de mudança que as novas ideias ganham cada vez mais espaço, notadamente as relacionadas ao Positivismo18, cujo maior expoente foi Augusto Comte (1798-1857). Refutando o pensamento católico conservador, os republicanos defendiam a posição de que a Ciência deveria guiar os passos da sociedade, imprimindo-lhe o progresso tão almejado em todos os recantos do País. Estima-se que, em 1867, apenas 10% da população tinha acesso à escola primária. O analfabetismo, em 1890, atingia a marca de 67,2%, revelando a falta de zelo do Poder Público nesse período pela Educação (ARANHA, 2002, p. 154-155). Assistiu-se, portanto, desde o final do século XVIII e boa parte do século XIX até a proclamação da República, a uma série de medidas isoladas – instituição das aulas régias, criação das escolas de primeiras letras e escolas normais, reformas educacionais... – as quais foram insuficientes para elaborar um sistema educacional nacional.
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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Leitura Complementar
A Educação no Período Imperial19 O Império e as primeiras tentativas de Organização da Educação Nacional20

Multimídia
Educação no Império: Educação Secundária (1/3)21 Educação no Império: Educação Secundária (2/3)22 Educação no Império: Educação Secundária (3/3)23

Olhando de Perto
Crianças e escolas na passagem do Império para a República24

Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2002. BARGUIL, Paulo Meireles. O Homem e a conquista dos espaços – o que os alunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola. Fortaleza: Gráfica e Editora LCR, 2006. BATISTA, Maria Aparecida Camargo. O primeiro “kindergarten” na província de São Paulo. 1996. Dissertação (Mestrado em Educação). USP, São Paulo. BENITO, Agustín Escolano. Tiempos y espacios para la escuela – Ensayos históricos. Madrid: Biblioteca Nueva, 2000. FRAGO, Antonio Viñao. Do Espaço escolar e da escola como lugar: propostas e questões. In: FRAGO, Antonio Viñao; ESCOLANO, Agustín. Currículo, espaço e subjetividade: a arquitetura como programa. Tradução Alfredo Veiga-Neto. Rio de Janeiro: DP&A, 1998. p. 59-139.

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Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb05.htm Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_imperial_intro.html 21 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=mNMvgOHkDPA 22 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=JFPSvYtmWXo 23 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=BzFj7Qx7OME 24 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01881999000100004&script=sci_arttext&tlng=en

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 04: A Educação Brasileira na República (1889-1930)

Com a Proclamação da República, a situação mudou ... no discurso e, efetivamente, pouco no concreto! Conforme Faria Filho (2000, p. 27-28), estima-se que, na primeira década do século passado, cerca de 5% da população em idade escolar era atendida pela instrução pública, conforme estimativa do próprio Estado. Isso, porém, não era o pior: a baixa qualidade da escola era denunciada por inúmeros diagnósticos que relatavam a desorganização do sistema de instrução, o despreparo (para não dizer incompetência) da maioria dos professores. A produtividade dessa escola era baixíssima: a frequência estava perto de 50% dos matriculados e o aproveitamento oscilava entre 30 e 40% dos frequentes, quando muito. Esses dados permitem-me concluir que apenas 1% da população nacional obtinha sucesso na escola!

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Educação na República: Alfabetizar... Ou Alfabetizar (1/2)25 Educação na República: Alfabetizar... Ou Alfabetizar (2/2)26 A escola isolada é uma resposta muito precária diante da necessidade de um espaço adequado para fomentar a socialização das crianças. O processo era simples: um professor, ou quem as suas vezes quisesse fazer, devia encontrar na sua região um número mínimo de crianças e, assim, requeria a criação de uma cadeira de instrução primária no local. Essa costumava agregar estudantes de níveis diferentes. A pressão social, manifestada via de regra por abaixo-assinados, contribuía para que a demanda fosse atendida pelo governo, estabelecendo, dessa forma, uma proximidade da comunidade com o professor, o qual precisaria, mediante uma conduta moral e pedagógica, fazer jus à confiança nele depositada. Ao mesmo tempo, o professor vinculava-se ao Estado, numa relação de mão dupla: esse pagava o salário daquele que se submetia à fiscalização empreendida pelo poder público, uma vez que as estatísticas escolares efetuadas pelos próprios educadores, por vezes, eram eivadas de fraudes ... (FARIA FILHO, 2000, p. 28-29)

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=aLxB2vP8UN8 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=KGF26GUfAlo

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Conforme os relatórios dos inspetores e das autoridades de ensino, esse panorama se perpetuava em virtude de um precário sistema de inspeção do trabalho escolar e das péssimas condições de trabalho: além do tradicional baixo salário, os inadequados locais e materiais didáticos, dentre outros. Muitas dessas escolas funcionavam na casa do próprio professor, não apenas em salas, tendo caixotes servindo como mesas e cadeiras, desprovidas, ainda, de um mínimo de higiene, ensejando críticas de que essa educação pública jamais realizaria a tarefa salvacionista, própria do ideário republicano, pois pouco contribuía para a “integração do povo à nação e ao mercado de trabalho assalariado”. Diante desse quadro, é que surge um movimento para “refundar a escola pública”. (FARIA FILHO, 2000, p. 30).

É nesse contexto que a concepção do grupo escolar é adotada como a solução dos crônicos problemas da Educação Nacional, possibilitando a transição “do arcaico para o moderno, do velho para o novo, dos pardieiros aos palácios”. (FARIA FILHO, 2000, p. 21). Para tanto, ele deveria propiciar novos ritos e símbolos escolares, elaborar outra identidade para os profissionais envolvidos na missão, o que ocorreria dentro de uma mudança mais profunda que contemplava a organização do ensino, das suas metodologias e conteúdos, a construção de espaço e tempo escolares, uma nova identidade, baseada numa divisão racional do trabalho, além da possibilidade de maior controle dos atores pedagógicos (FARIA FILHO, 2000, p. 31/34-35).

Parada Obrigatória
Prédios escolares no início da República(Acesse o SOLAR)

Os ideais positivistas, que inspiraram a proclamação da República, ganham espaço no cenário nacional, inclusive na Educação. Em 1890, é colocada em prática a Reforma Benjamim Constant, que tinha como princípios a liberdade e laicidade do ensino, além da gratuidade do ensino primário. Freire (1993, p. 184/190) afirma que a Reforma de Benjamim Constant – que parece ter contemplado algumas propostas do projeto de Rui Barbosa, apesar de conter alguns pontos que sugeriam revelar o esforço para se descentralizar a Educação, bem como para empreender uma ampla alfabetização no Território Nacional – está permeada de aspectos em favor da centralização e de uma concepção elitista de Educação. A Constituição de 189127 determina a descentralização do ensino, cabendo à União legislar sobre o ensino superior na Capital Federal, delegando aos estados a responsabilidade de organizar todo o seu sistema escolar. A Educação na República é marcada desde o início por três características: i) a

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Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao91.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
tendência de se querer modificar a realidade através da implantação de reformas, de leis – a de Epitácio Pessoa (1901), a de Rivadávia Corrêa (1911), a de Carlos Maximiliano (1915) e a de Luís Alves/Rocha Vaz (1925), que refletiam a tendência de ora valorizar mais o lado literário, ora o lado científico; ii) a inconstância política do governo federal em assumi-la, expressa na oscilização entre centralização x descentralização; iii) a preocupação com o analfabetismo. Quando da Proclamação da República, para os nacionalistas, o Brasil tinha “(...) dois grandes 'inimigos': o externo, os estrangeiros que poderiam nos invadir contaminados pela prática das guerras na Europa; e o interno, a 'chaga nacional', o analfabetismo” (FREIRE, 1993, p. 180). Assim, a alfabetização deveria tanto formar os jovens para o serviço à Pátria, como para eliminar aquela praga que nos assolava.

Para saber mais sobre a Educação no início do século XX
Em 1915, foi criada no Clube Militar do Rio de Janeiro a Liga Brasileira Contra o Analfabetismo, sendo seu principal objetivo dar de presente ao País no centenário da sua Independência a erradicação do analfabetismo. Ela desejava conseguir a obrigatoriedade do ensino primário, encargo a ser assumido pelo poder central. Através de jargões carregados para designar o analfabetismo – "muralhas do obscurantismo", "praga negra", "maior inimigo do Brasil", "vergonha que não pode continuar", "mais funesto de todos os males ", "cancro social da nossa Pátria" –, seus membros defendiam uma guerra para tirar da escuridão todos aqueles que se encontravam presos nas suas garras, pois o País pagava um alto preço. Havia uma identificação pejorativa entre o analfabeto e o seu valor como pessoa. Por uma série de razões históricas, durante séculos, o negro foi considerado como inferior, fosse do ponto de vista moral, fosse devido à cor da sua pele. Agora, mais um fardo lhe é acrescentado, denegrindo a sua imagem: o fato de ser analfabeto. O pior de tudo isso é o fato desse preconceito esconder as verdadeiras raízes do problema: fatores econômicos e políticos (FREIRE, 1993, p. 201/206). Um fato relevante desse período é o início da coleta de dados quantitativos, os quais nos forneceram um quadro vexatório a que a educação nacional estava submetida, revelando a pouca eficácia das políticas educacionais dos governos federais empreendidas até então. Por outro lado, eles instigaram discussões políticas sobre a premência da alfabetização no Território Nacional, pois permitiram o acompanhamento da evolução dessa realidade. Eles também denunciaram o progressivo aumento da clientela escolar, bem como o incremento da quantidade de alunos aprovados, além da diminuição do analfabetismo. A existência de classes conjugadas – um professor ensina ao mesmo tempo crianças de diferentes séries – ainda é uma realidade! Os desafios atuais são a melhoria da qualidade do ensino, para o que devem ser enfrentadas as seguintes questões: qualificação do corpo docente, currículo, material didático, dentre outras. Apesar da maior quantidade de alunos ingressando na faculdade, ainda em número reduzido, se considerado o universo de pessoas que ingressam na escola, o título de doutor ainda tem um certo status social, embora não seja garantia de emprego. Deve-se, ainda, alertar para a existência de uma forte tendência literária, pois o conteúdo científico apresentado costuma ter o cunho enciclopédico, despido do caráter investigativo. Há de se observar, ainda, a existência do ensino profissionalizante, destinado primordialmente aos membros das camadas menos favorecidas, uma vez que o ensino literário objetivava a formação das elites. Extraído de Barguil (2000, p. 258-260).

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
As décadas de 10 e 20 foram marcadas por uma série de acontecimentos sociais: O Anarquismo28 – tendo inclusive fundado algumas escolas, que em razão da falta de apoio oficial não prosperaram (FREIRE, 1993, p. 207) – o Modernismo29 – caracteriza-se pela busca de imprimir às diversas manifestações culturais um estilo nacional, cuja expressão maior se deu com a Semana de Arte Moderna30 de São Paulo (1922) – o Tenentismo31 – representando a insatisfação de segmentos da classe média e de militares de patente superior com as decisões políticas do governo central, notadamente no que se refere ao apoio à oligarquia cafeeira, cujo marco foi O Levante do Forte de Copacabana, também conhecido como os 18 do Forte, em 1922 - a Revolução Paulista de 192432 e a Coluna Prestes33, que percorreu o interior do País de 1924 a 1927, propagando ideias contra o governo federal. Os anos 20 assistiram a um fenômeno semelhante ao que havia ocorrido no final da Monarquia – quando o poder dos produtores ligados ao açúcar foi transferido aos produtores de café – pois esses, paulatinamente, em consequência das sucessivas crises do café no cenário internacional, foram perdendo a sua força econômica, bem como a política, para os emergentes burgueses ligados à nascente indústria nacional. Como decorrência direta, reformas educacionais foram implementadas no nível primário em vários estados – Ceará (1922), Bahia (1925), Minas Gerais (1927) e Pernambuco (1928) – bem como no Distrito Federal (1928), todas sob a influência da Escola Nova.34

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Escola Nova35

A Educação na Primeira República é marcada por dois movimentos ideológicos: entusiasmo da educação e otimismo pedagógico. Enquanto o primeiro tinha um caráter mais quantitativo, enfatizando a expansão da rede escolar e a alfabetização do povo, o segundo, com uma perspectiva qualitativa, visava à otimização do ensino, com a melhora das condições didáticas e pedagógicas da rede. Do ponto de vista pedagógico, três correntes/concepções pedagógicas compuseram o cenário da Educação, cada uma delas associada a um setor social: Tradicional, Nova e a Libertária. Nas décadas seguintes, as ideias das duas primeiras continuaram a polarizar a discussão sobre os rumos da Educação Nacional.

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Educação na República: Alfabetizar ... para Votar (1/2)36 Educação na República: Alfabetizar ... para Votar (2/2)37

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo 30 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Semana_de_Arte_Moderna 31 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tenentismo 32 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_Paulista_de_1924 33 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coluna_Prestes 34 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Nova 35 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Lr5xe2LXoqs 36 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=YfLP164dQ1U 37 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=XNw-D_Rp7ts

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
A Educação na 1ª República38

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Educação e Sociedade na Primeira República(Acesse o SOLAR) Primeira República: Educação e Iluminismo39 A Educação Libertária40 A Educação Anarquista no Brasil41 A Educação Anarquista em São Paulo42 A quem cabe educar?43

Referências
BARGUIL, Paulo Meireles. Há sempre algo novo! – Algumas considerações filosóficas e psicológicas sobre a Avaliação Educacional. Fortaleza: ABC Fortaleza, 2000. ______. O Homem e a conquista dos espaços – o que os alunos e os professores fazem, sentem e aprendem na escola. Fortaleza: Gráfica e Editora LCR, 2006. FARIA FILHO, Luciano Mendes de. Dos Pardieiros aos palácios: cultura escolar e urbana em Belo Horizonte na Primeira República. Passo Fundo: Universidade de Passo Fundo, 2000. FREIRE, Ana Maria Araújo. Analfabetismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1993. WOLFF, Silvia Ferreira Santos. Espaço e Educação: os primeiros passos da arquitetura das escolas públicas paulistas. 1992. Dissertação (Mestrado em Arquitetura). USP, São Paulo.

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Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb06.htm Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios_periodos/intr_primeira republica Jorge.doc 40 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_015.html 41 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_052.html 42 Fonte: 04_arquivos/Educacao_Anarquista.pdf 43 Fonte: 04_arquivos/A_Quem_Cabe_Educar.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 05: A Educação Brasileira na República (1889-1930)

Após a Revolução de 1930, Getúlio Vargas44 ascende ao poder, representando o setor ligado à industrialização, voltada principalmente ao consumo interno, daí originando-se a sua ideologia – nacional-desenvolvimentista – em oposição ao modelo anterior pautado na agricultura voltada ao mercado externo. Nesse ano, é criado o Ministério da Educação e Saúde Pública. Em 1931, ocorreu a reforma de Francisco Campos, destinada ao ensino superior, secundário e comercial. Em 1932, é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova45, cujos educadores, por entenderem que a Educação Tradicional incentivava o individualismo, próprio de uma concepção burguesa, defendiam uma Escola Nova46 com os seguintes princípios: i) ensino laico, gratuito e obrigatório; ii) escola única e comum, não atendendo a privilégios de uma minoria; e iii) professores com formação universitária. O Manifesto se constituiu, portanto, num marco da luta por melhores condições de ensino no Brasil, aprofundando ainda mais a discussão de dois grupos de educadores sobre os rumos da educação nacional. Por um lado, havia quem defendia a ideia de que a Educação deveria ser subordinada à doutrina religiosa, em separado (no que se refere ao sexo dos estudantes), diferenciada para os sexos, particular e atribuindo à família a responsabilidade pela atividade educacional. Do outro, defendia-se a laicidade, a co-educação, a gratuidade e a responsabilidade pública pela Educação. Todos concordavam com a extinção do monopólio do Estado sobre a Educação, para que essa ficasse livre das ideologias de esquerda e de direita.

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Getúlio_Vargas Fonte: http://turmaz.files.wordpress.com/2007/03/manifesto-dos-pioneiros.doc 46 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Nova

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
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Os Pioneiros da Educação Nova (1/2)47 Os Pioneiros da Educação Nova (2/2)48

Parada Obrigatória
A Educação nos anos 1930.49

Gustavo Capanema50, que foi ministro da Educação e Saúde Pública, no período de 1934 a 1945, formulou várias Leis Orgânicas do Ensino51, que foram promulgadas a partir de 1942. As Constituições de 193452, 193753, 194654, 196755 e 198856 dedicaram capítulos inteiros à Educação, manifestando a crescente preocupação dos legisladores sobre o tema. Conforme veremos na próxima aula, a Lei não tem força para transformar a realidade, embora permita que se lute pela sua implementação. É importante, por exemplo, que exista um comando constitucional determinando um limite mínimo para aplicação dos recursos dos municípios, dos estados e da União na Educação. A gratuidade e a obrigatoriedade do ensino devem ser buscadas paralelamente à sua qualidade. Um fato importante na Educação Nacional foi que a Constituição de 1946 determinou a competência da União para elaborar a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), inaugurando uma fase de intensos debates sobre os caminhos educacionais. Nesse sentido, dois anos depois, o Ministro da Educação e Saúde, Clemente Mariani, enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei, o qual só foi aprovado em 1961 (Lei nº 4.024). Em 1953, Getúlio Vargas cria o Ministério da Educação e Cultura (MEC), separando-o da Saúde. Os temas centrais dos debates que ocorreram durante a discussão desta LDB foram: a centralização ou descentralização da Educação, os princípios da escola pública e da particular e o financiamento. Dois grupos polarizaram o acirrado debate: estatista e liberalista. O primeiro defendia que o Estado tem a responsabilidade de educar, formando o indivíduo (cidadão) para o bem da sociedade, sendo a escola particular uma concessão do poder público. O segundo entendia que a Educação é um dever da família (e não do Estado), a qual deve escolher entre as escolas particulares aquela que lhe agrada, cabendo ao Estado conceder, a quem necessitasse, bolsas de estudo para permitir o acesso àquelas. É importante destacar que esses grupos já vinham lutando pela implantação das suas ideias desde o início dos anos 1930. Em 1959, um grupo de mais de 150 intelectuais lança um novo documento – Manifesto dos Educadores: mais uma vez convocados57 – no qual, em prol de uma educação democrática,

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=f6LTmh7Vn04 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Ybp6pzgLyQ8 49 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios_periodos/intr_governo vargas Azilde.doc 50 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Capanema 51 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_leis_organicas_de_ensino_de_1942_e_1946.htm 52 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao34.htm 53 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao37.htm 54 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao46.htm 55 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao67.htm 56 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm 57 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/doc2_22e.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
reafirmam os princípios do Manifesto de 1932: a igualdade de oportunidades para todos, a liberdade de pensamento, a escola democrática e progressista. No governo de Juscelino Kubitschek58, houve uma crescente participação do capital estrangeiro na economia nacional, o que já havia sido uma das causas que levaram o presidente Getúlio Vargas ao suicídio – pois ele defendia o fortalecimento da economia brasileira a partir de empresas nacionais. Se por um lado a maior participação das divisas internacionais permitiu o enriquecimento do País, inspirando um movimento conhecido como nacional-desenvolvimentismo, por outro manteve e aprofundou certas estruturas sociais injustas, como, por exemplo, o isolamento da região nordestina e a política agrária.

Parada Obrigatória
Nacional-desenvolvimentismo.(Acesse o SOLAR)

A Lei nº 4.024/61 organizou o ensino da seguinte forma: Nível Ensino Primário Ciclo Ginasial do Ensino Médio Ciclo Colegial do Ensino Médio Ensino Superior

Duração 4 anos 4 anos 3 anos variável

Devem ser citadas as seguintes características: • A passagem do Primário para o Ensino Médio (ciclo Ginasial) era feita através de uma prova de acesso: Exame de Admissão. • No Ensino Médio, os ciclos Ginasial e Colegial eram divididos em: secundário, comercial, industrial, agrícola, normal e outros. Os anos 60 foram marcados por uma profunda inquietação social, merecendo destaque os movimentos de educação popular: os centros populares de cultura (CPC), os movimentos de cultura popular (MCP) e o Movimento de Educação de Base (MEB). A contribuição de Paulo Freire59 para esta efervescência cultural, com forte preocupação social e política, é intensa, não somente por ter formulado um método de alfabetização, num país com grande contingente de pessoas iletradas, mas devido à concepção de conhecimento, de Educação a ela vinculada. Ler a palavra e ler a realidade, para compreender e atuar no mundo, denunciando, desta forma, a educação bancária, a qual não percebe os estudantes como sujeitos, que interpretam e criam significado, mas, tão-só, gavetas para guardar informações que poderão ser úteis no futuro... O sucessor de Juscelino foi Jânio Quadros, que renunciou ao governo em 25 de agosto de 1961. Os ministros militares impediram a posse do vice de Jânio, João Goulart (Jango)60, a qual só se efetivou, após duas semanas, com a implantação do Parlamentarismo. Com a restauração do Presidencialismo, no início de 1963, Jango propôs realizar as mudanças que julgava necessárias para corrigir a economia nacional. O embate social a que se assistiu entre os que eram a favor e contrários a essa proposta foi grande e culminou com o movimento militar de 1964.61

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Juscelino_Kubitschek Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire 60 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Goulart 61 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_de_1964

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Leitura Complementar
A Educação na 2ª República62 A Educação no Estado Novo63 A Educação na Nova República64 O Manifesto dos Educadores (1959) à luz da História65 A “geração Capanema” contesta nos anos 6066

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Educação na República: Democratização (1/2)67 Educação na República: Democratização (2/2)68

Olhando de Perto
Escolha um assunto de sua preferência: A Educação e o Nacional-Desenvolvimentismo69 A efervescência cultural dos anos 196070 A formação do professor primário71 A ideia da ascensão social via Educação 72 As reformas educacionais e a formação de professores73 O público e o privado na Educação74 O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova(Acesse o SOLAR) O Movimento de Educação de Base75 LDB de 1961: disputa entre escola pública e escola privada.76

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Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb07.htm Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb08.htm 64 Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb09.htm 65 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v28n99/a13v2899.pdf 66 Fonte: http://www.rj.anpuh.org/resources/rj/Anais/1998/autor/Marilena Ramos Barboza.doc 67 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=YSbXYSdJ_2Q 68 Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=YAGejbVm18Y 69 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios_periodos/Intr_nacional-desenvolvimentismo Nelito.doc 70 Fonte: 05_arquivos/efervescencia_cultural_1960.pdf 71 http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_055.html 72 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_023.html 73 http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_039.html 74 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_064.html 75 Fonte: http://www.alasru.org/cdalasru2006/08 GT Delma P. Neves.pdf 76 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/art10_22.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Referências
ANDREOTTI, Azilde L. O Governo Vargas e o equilíbrio entre a Pedagogia Tradicional e a Pedagogia Nova. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios _periodos/intr_governo%20vargas%20Azilde.doc. Acesso em: 26 set. 2007. NASCIMENTO, Manoel Nelito M. Educação e Nacional-Desenvolvimentismo no Brasil. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios_periodos/Intr_nacional-desenvol vimentismo%20Nelito.doc. Acesso em: 26 set. 2007.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 01: Tipos de Educação. História da Educação brasileira. Tópico 06: A Educação Brasileira na República (1964-2010)
As reformas empreendidas, nos anos 1960 e 1970, no cenário educacional, expressavam o momento nacional: desenvolvimento. O desafio do ensino, portanto, era formar o capital humano, o que demandava uma estreita relação entre Educação e mercado de trabalho. Essas duas décadas sofreram grande influência norte-americana, inclusive nos caminhos da Educação Nacional, explicitada pelos acordos MEC/USAID, e que fundamentaram a orientação das leis editadas posteriormente.

Parada Obrigatória
Adequação do Brasil às demandas internacionais. (Acesse o SOLAR)

Conforme estudamos, o método de alfabetização formulado por Paulo Freire tinha uma forte conotação política. Em virtude disso, o Governo Militar para enfrentar o problema do analfabetismo aprovou, mediante a Lei nº 5.379/67, o Plano de Alfabetização Funcional e Educação Continuada de Adolescentes e Adultos, cujo Órgão executor era o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Embora mantivesse a estrutura das palavras geradoras, a metodologia adotada no MOBRAL não valorizava a problematização da realidade e utilizava a mesma apostila em todo o Brasil.

Em 1985, o MOBRAL foi extinto e substituído pela Fundação EDUCAR, que durou até 1990, quando foi extinta sem a proposição de qualquer instituição. Em 1996, o governo federal apoiou a criação do Programa Alfabetização Solidária (PAS), com atuação inclusive em países que falam o Português.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

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MOBRAL.77

A Lei nº 5.540/68 empreendeu reformas no ensino superior, tendo instituído o vestibular classificatório, o ciclo básico, os departamentos e a matrícula por disciplina. A Lei nº 5.692/7178 fixou diretrizes para o ensino de 1º e 2º graus, tendo organizado a Educação Nacional da seguinte forma:

Nível Ensino de Primeiro Grau Ensino de Segundo Grau Ensino Superior

Duração 8 anos 3 a 4 anos variável

São características desta Lei: • Com a fusão do Ensino Primário com o ciclo Ginasial do Ensino Médio, desapareceu o Exame de Admissão. • A duração normal do Ensino de 2º grau era de 3 anos. Esse prazo era ultrapassado no caso de curso profissionalizante. • Os Ensinos de 1º e 2º Graus tinham como limites mínimos: uma carga horária anual de 720 horas e o ano letivo de 180 dias (ou seja, 4 horas por dia). Os anos 80 assistiram à consolidação da redemocratização, que foi coroada com a Constituição de 1988, que obriga o Poder Público à aplicação de um percentual mínimo para a Educação.

A Educação nos anos 80
A derrocada da Ditadura Militar representou uma importante mudança no cenário político brasileiro na década de 1980. A chamada “transição democrática” levou a termo o processo de abertura “lenta, gradual e segura” iniciada pelo Governo Geisel (1974-9) e combatida pela chamada linha dura do Exército brasileiro. A democratização consistia, de um lado, na destituição dos militares do poder após 21 anos; de outro lado, marcava a ascensão de importantes movimentos sociais organizados, que fizeram dos 80, não a “década perdida”, mas um período de intensa mobilização social e de conquistas importantes na história da educação brasileira. Esta ascensão inaugurou, também, uma intensa participação social nos processos decisórios do Poder Legislativo brasileiro, nunca antes testemunhado na história, cuja culminância ocorreu no processo de elaboração da Constituição Federal de 1988. A abertura política do país, entretanto, não ocorreu como movimento histórico autônomo, ainda que marcado por diversas contradições. Situava-se dentro de um contexto de mudanças nas relações políticas internacionais, relacionadas ao processo de reestruturação capitalista que tem início nos primeiros anos de 1970. A revolução tecnológica de base microeletrônica, geradora da tecnologia da informática, criou novas bases materiais para a expansão do capital. O processo da globalização tornava possível a ocupação de amplos espaços do globo terrestre, bem como de setores da produção e da

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Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10a.htm Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5692.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
reprodução das relações sociais (como as políticas sociais, por exemplo) até então não determinados inteiramente pela lógica do capital. As forças do capital encontravam-se progressivamente livres de suas barreiras nacionais (territoriais) e de seus limites técnicos, o que abria possibilidades inéditas de expansão/acumulação.

Os anos 90 foram marcados pela discussão das ideias de Piaget e Vygotsky, que possibilitou uma reflexão mais intensa sobre o cotidiano escolar, vislumbrando novos horizontes para vários temas importantes: currículo – o que ensejou que o MEC elaborasse os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (Acesse o SOLAR) – e a interdisciplinaridade. Ocorreu, ainda, a aprovação da nova LDB, a Lei nº 9.394/96 (que será analisada detalhadamente na próxima aula).

Leitura Complementar
PCN do Ensino Fundamental II79 PCN do Ensino Médio80 A Lei nº 9.394/96 organizou o ensino da seguinte forma: Nível Educação Infantil Ensino Fundamental Educação Ensino Médio Básica Educação Superior Duração Variável 9 anos* 3 anos Variável

* A partir de 2007, passou de 8 para 9 anos, em virtude da Lei nº 11.274/06.

Devem ser citadas as seguintes características: • Os níveis da Educação Escolar passam a ser dois: Básica e Superior (Art. 21). • A Educação Profissional, a Educação de Jovens e Adultos, a Educação Especial, a Educação Escolar Indígena e a Educação a Distância são modalidades de ensino. • A Educação Básica tem como limites mínimos: uma carga horária anual de 800 horas e o ano letivo de 200 dias (Art. 24, inciso I).

Parada Obrigatória
A Educação nos anos 90.(Acesse o SOLAR)

79

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12657%3Aparametros-curricularesnacionais-5o-a-8o-series&catid=195%3Aseb-educacao-basica&Itemid=859 80 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12598%3Apublicacoes&Itemid=859

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Multimídia
Educação na República: Ditadura (1/2)81 Educação na República: Ditadura (2/2)82

Leitura Complementar
A Educação no Período Militar83 A Educação na Redemocratização84

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: O público e o privado na Educação Brasileira(Acesse o SOLAR) O público e o privado na Educação Brasileira(Acesse o SOLAR) A alfabetização de adultos85 Concepções pedagógicas na História da Educação Brasileira86

Atividade de Portfólio
Leia um artigo das seções Olhando de Perto desta aula e redija um texto com as seguintes informações: i) O título e o(a) autor(a); ii) As principais ideias do documento; e iii) Sua opinião (concorda ou discorda), com argumentos, sobre as ideias citadas no item anterior e o que você aprendeu (e/ou as dúvidas que surgiram) com esta atividade. Coloque a sua produção (Aula1_AP1.doc) no seu portfolio.

Fórum
Posicione-se (favoravelmente ou contrariamente), citando algumas contribuições teóricas desta aula e situações do cotidiano, sobre a seguinte afirmação: “A História da Educação Brasileira revela que ela não tem jeito: a escola pública nunca atenderá as necessidades da grande maioria da sociedade!”. Comente, com argumentos e/ou exemplos, a participação de um(a) colega.

81 82

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=YqDgaGNDads Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=C6m7EYMZ27A 83 Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10.htm 84 Fonte: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb11.htm 85 Fonte: http://www.tvbrasil.org.br/saltoparaofuturo/entrevista.asp?cod_Entrevista=45 86 Fonte: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_036.html

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Referências
MINTO, Lalo Watanabe. Globalização, Transição Democrática e Educação (Inter)Nacional (1984....). Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_transicao_democratica _intro.html. Acesso em: 26 set. 2007. SILVA, Romeu Adriano. Golpe Militar e Adequação Nacional à Internacionalização Capitalista (1964-1984). Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/textos_introdutorios _periodos/intr_%20governo%20militar%20Romeu.doc. Acesso em: 26 set. 2007.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. Tópico 01: Legislação educacional

http://www.geocities.com/TheTropics/3416/congresso3.jpg

O conhecimento da legislação nacional, estadual e municipal que trata da Educação (Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Estatuto da Criança e do Adolescente, Constituição do Estado do Ceará e Lei Orgânica do Município) é de fundamental importância, pois as determinações legais obrigam o ente público a oferecer oportunidades educacionais, que devem vir acompanhadas do direito à alimentação, ao material didático, à saúde e ao transporte. Cabe, portanto, à sociedade civil a fiscalização da qualidade da Educação ministrada, objetivando o fiel cumprimento dos ditames legais, denunciando, quando necessário for, o desrespeito a estes. Antes de analisar as determinações vigentes sobre a Educação, é necessário conhecer alguns elementos do universo das leis. Uma lei é um instrumento normativo, elaborado pelo poder público, que determina, sob a inspiração da justiça, normas (deveres e direitos) que devem ser seguidas por todos os cidadãos.

Para conhecer o ciclo de criação de uma lei
1. Iniciativa: alguém (ou um grupo de pessoas) propõe a regulamentação de um tema que deve ser analisada pelo Poder Legislativo respectivo; 2. Discussão: o Poder Legislativo, composto pelos representantes do povo (senadores, deputados federais e estaduais, e vereadores, de acordo com a esfera da lei), discute a matéria, que, muitas vezes, é analisada (e votada) em diversas comissões específicas antes de ser votada no plenário; 3. Votação: o colegiado dos representantes vota pela sua aprovação ou não; 4. Sanção: o Poder Executivo ratifica, confirma (sanciona) a deliberação do Poder Legislativo, podendo, todavia, apresentar vetos (com as pertinentes justificativas), os quais devem ser analisados pelo Poder Legislativo; 5. Promulgação: o Poder Executivo determina a publicação da lei; 6. Publicação: a lei torna-se pública, com a veiculação no respectivo meio (Diário Oficial da União, do Estado ou do Município, de acordo com a esfera da lei), e começa a entrar em vigor nesta data, salvo expressa determinação em contrário; 7. Fiscalização: ao Poder Judiciário compete garantir a execução do diploma legal, bem como a compatibilidade dele com a Constituição Federal e/ou Estadual. 30

Estrutura, Política e Gestão Educacional
Artigo I. Fluxo do Processo Legislativo

Multimídia
Ciclo de criação de uma lei no Congresso Nacional http://www.youtube.com/watch?v=6eIA3KiNGfw Uma lei é composta por artigos, que são grafados em números ordinais até o art. 9º, empós adota a numeração cardinal: Art. 10. Os artigos têm uma cabeça (caput, em latim) e podem ser subdivididos em parágrafos (cujo símbolo é ), que são grafados da mesma forma que os artigos; incisos, grafados em algarismos romanos; e alíneas, grafadas em letras alfabéticas minúsculas, seguidas de parêntese. Os artigos podem ser agrupados em Seções, Capítulos e Títulos. No que se refere à hierarquia, a Constituição Federal87 (Texto atualizado), as suas emendas e as respectivas Leis Complementares ocupam o topo da pirâmide, devendo todas as demais (Leis Federais – ordinárias, delegadas, medidas provisórias e decretos legislativos – Constituição Estadual, suas emendas e respectivas Leis Complementares, Leis Estaduais – ordinárias e decretos legislativos – e Leis Municipais – ordinárias e decretos legislativos) respeitarem os seus ditames. As determinações legais são uníssonas em afirmar que a Educação é um direito inalienável do cidadão, sendo dever do Estado oferecê-lo.

O art. 6o, da Constituição Federal (CF), de 1988, inserto no Capítulo II (Dos Direitos Sociais) do Título II (Dos Direitos e Garantias Individuais), assevera in verbis: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (grifo nosso)

87

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
O art. 205, da CF, inserto no Capítulo III (Da Educação, da Cultura e do Desporto) do Título VIII (Da Ordem Social), afirma in verbis: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”. (grifo nosso) Na mesma direção, é o art. 2o, da Lei nº 9.39488 (Texto atualizado), de 20 de dezembro de 1996, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), inserto no Título II (Dos Princípios e Fins da Educação Nacional), in verbis: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”. (grifo nosso) Por sua vez, a Lei no 8.06989 (Texto atualizado), de 13 de julho de 1990, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)*, declara no art. 4º, in verbis: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”. (grifo nosso)

88 89

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Na Constituição Estadual 90(CE), o art. 15, inserto no Título III (Da Organização Estadual), afirma que, in verbis, “É competência do Estado, da União e dos Municípios: ... V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência”. (grifo nosso) A Educação é tratada em Capítulos específicos nas Constituições Federal – Título VIII (Da Ordem Social), Capítulo III (Da Educação, da Cultura e do Desporto), Seção I (Da Educação), os arts. 205 a 214 – e Estadual – Título VIII (Das Responsabilidades Culturais, Sociais e Econômicas), Capítulo II (Da Educação), os arts. 215 a 232, e, em ambos os casos, também noutros artigos.

Leitura Complementar
Artigos da CF que tratam da temática educacional (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR). LDB na íntegra (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR). Artigos da CE que tratam da temática educacional (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR). Na CF, no Título III (Da Organização do Estado), é declarada, no Capítulo I, a competência comum dos entes públicos dos diferentes níveis, tanto para oferecer Educação, quanto para legislar sobre ela: no art. 23, in verbis, “É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (...) V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência” (grifo nosso), e no art. 24, in verbis, “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (...) IX - educação, cultura, ensino e desporto” (grifo nosso). O art. 30, por sua vez, no Capítulo II, do mesmo Título, determina, in verbis, que “Compete aos Municípios: (...) VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental” (grifo nosso), que foi transcrita para o art. 28, inciso V, no Título IV (Do Município), no Capítulo I (Disposições Gerais), da Constituição Estadual. A Lei no 8.069/90, nos seus artigos 53 a 59, que compõem o Capítulo IV (Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer), repete alguns dispositivos constitucionais, mas apresenta inovações que merecem a nossa atenção, por constituírem avanços sociais. De destacar, inicialmente, é a garantia do direito da criança e do adolescente de ter, in verbis, “acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência” (inciso V, do art. 53). No artigo seguinte, que trata do dever do Estado de assegurar à criança e o adolescente oportunidades educacionais compatíveis com a sua idade, o 2o dispõe, in verbis, que “O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente”. No art. 55, fica determinado ser obrigação dos pais e/ou responsáveis a matrícula de seus filhos na rede regular de ensino. Finalmente, no art. 56, é estabelecido que os dirigentes das escolas de Ensino Fundamental deverão comunicar ao Conselho Tutelar os casos de, in verbis, “I – maus-tratos envolvendo seus alunos; II – reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III – elevados níveis de repetência”.

90

http://www.al.ce.gov.br/publicacoes/constituicaoestadual_56.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Na mesma direção, o art. 10o, da Constituição Estadual (CE), inserto no Título II (Da Participação Popular), afirma que, in verbis, “É direito de todos o ensino de 1o e 2o graus, devendo o Estado e os Municípios dar condições ao setor educacional para o alcance desse objetivo” (grifo nosso).

http://3.bp.blogspot.com/_HQbvWtM1yjA/S7FXhHs_BI/AAAAAAAAANg/imDjYJArD1w/s1600/Crian%C3%A7a+na+Escola.jpg

Como se percebe, em todos esses diplomas legais, está resguardado, de forma clara e límpida, o direito da população de ter acesso à Educação, bem como a determinação de que os entes públicos se organizem e prestem apoio aos municípios para que estes ofereçam programas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Neste sentido, merece especial destaque o art. 208, da CF, o qual determina que, in verbis:

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Semelhante orientação tem o art. 5o, da LDB, in verbis: “O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo”. Em caso de descumprimento, os parágrafos 3o e 4o, do mesmo artigo, determinam, in verbis, respectivamente, que “Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do 2º do art. 208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente” e “Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade”. A CF, no seu art. 206, assevera que, in verbis:

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Com a promulgação, em novembro de 2009, da Emenda Constitucional (EC) nº 5991, o direito à Educação, antes restrito na faixa de 6 a 14 anos de idade, é ampliado para de 4 a 17 anos de idade, contemplando, portanto, a Educação Infantil e o Ensino Médio. Esta EC determina que este dispositivo deverá ser implementado, progressivamente, até 2016, nos termos do Plano Nacional de Educação, com apoio técnico e financeiro da União. Percebe-se, portanto, que a legislação garante o direito tanto ao acesso à Educação quanto a qualidade do ensino. O descaso do poder público em relação à Educação, a despeito desse aparato legal, não deve ser motivo de desalento, mas inspirar a luta pela reversão do cenário. Para tanto, é necessário compreender como está organizado o Sistema de Ensino no Brasil, assunto do próximo tópico. .

http://www.entrekulturas.pt/Media/EParaAbanar/right%20to%20education.jpg

Leitura Complementar
Aprenda mais sobre a importância do direito à Educação: O direito à Educação e a exclusão social http://www.redebrasil.inf.br/0artigos/educacao.htm O direito à Educação e o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5633 Por que a Educação tem tantas leis? http://www.direitonet.com.br/artigos/x/58/44/584/

Olhando de Perto
Direito à Educação: direito à igualdade, direito à diferença http://www.scielo.br/pdf/cp/n116/14405.pdf

91

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc59.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. Tópico 02: O sistema de ensino brasileiro
Sistema é um conjunto de elementos inter-ligados. No caso da Educação, os componentes deste sistema são: fluxo de entrada (estudantes), processo de transformação (processo educacional/ação docente), administração (Secretaria, escola, sala de aula), objetivos educacionais (saberes, comportamentos, valores) e fluxo de saída (formandos). Com abrangências decrescentes, a Educação tem os seguintes sistemas: Sistema Educacional (todos os agentes sociais que educam), Sistema de Ensino (escolas, instituições e pessoas vinculadas ao ensino sistemático) e Sistema Escolar (rede de escolas e sua estrutura). O Sistema Escolar é um sistema aberto, uma vez que seus elementos não estão isolados, mas interagem com o Sistema Social. A rede do Sistema Escolar tem duas dimensões: vertical (diferentes níveis de ensino) e horizontal (diversas modalidades). A estrutura do Sistema Escolar é composta de elementos não-materiais (disposições legais, metodologia de ensino e conteúdo), entidades mantenedoras – públicas (federal, estadual e municipal) e privadas (particulares, comunitárias, confessionais e filantrópicas) – e administração (órgãos). O art. 211, da CF, dispõe que, in verbis:

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

O Sistema de Ensino no Brasil é composto, portanto, de três esferas (Federal, Estadual e Municipal), as quais têm responsabilidades específicas, devendo, todavia, trabalharem de forma colaborativa. A LDB, nos artigos 8º a 20, que compõem o TÍTULO IV (Da Organização da Educação Nacional), detalha esta determinação. O art. 8º92, da LDB repete o artigo constitucional supra. As atribuições da União, do Estado, dos Municípios, dos estabelecimentos de ensino e dos docentes estão elencadas, respectivamente, nos artigos 9º, 10, 11, 12 e 13. O artigo 14 apresenta os princípios que os sistemas de ensino devem observar quando definirem as normas da gestão democrática do ensino público. A autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira das unidades escolares públicas é garantida no artigo 15. Conforme os artigos 16, 17 e 18, da LDB, cada sistema de ensino é composto por instituições e órgãos de Educação, os quais têm a responsabilidade de administrar (Ministério e Secretarias de Educação) e deliberar (Conselhos de Educação), com normas, as gestoras do sistema e as instituições-fim (escolas) que compõem os respectivos sistemas. Sistemas e suas instituições
 Esfera Federal

Instituições de ensino mantidas pela União Instituições de Educação Superior criadas e mantidas pela iniciativa privada
 Esfera Estadual

Instituições de ensino mantidas pelo Poder Público estadual Instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal Instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada
 Esfera Municipal

Instituições de ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal Instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada

92

Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Sistemas e seus órgãos

Esfera Federal Ministério da Educação (MEC) Conselho Nacional de Educação (CNE) Secretaria Estadual de Educação (SEE) Conselho Estadual de Educação (CEE)

 Esfera Estadual

 Esfera Municipal

Secretaria Municipal de Educação (SME) Conselho Municipal de Educação (CME)

O artigo 19 divide as instituições de ensino em duas categorias: públicas – criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público – e privadas – mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. As instituições privadas de ensino, conforme o artigo 20, podem ser: particulares – instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo – comunitárias – instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de pais, professores e alunos que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade – confessionais – instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior – e filantrópicas – na forma da lei.

Parada Obrigatória
Artigos 8º a 20, da LDB (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Criação dos sistemas municipais de ensino http://www.scielo.br/pdf/es/v26n93/27285.pdf O público e o privado na educação brasileira http://www.direitonet.com.br/artigos/x/30/15/3015/ Gestão, avaliação e sucesso escolar: recortes da trajetória cearense. http://www.scielo.br/pdf/ea/v21n60/a04v2160.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. Tópico 03: Os níveis de ensino
Conforme vimos na aula anterior, o art. 21, da Lei 9.394/96, determina que a educação escolar é composta da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educação superior: Nível Educação Infantil Ensino Fundamental Educação Ensino Médio Básica Educação Superior Duração Variável 9 anos* 3 anos Variável

* A partir de 2007, passou de 8 para 9 anos, em virtude da Lei nº 11.274/06.

A LDB, nos artigos 22 a 38, que compõem o TÍTULO V (Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino), detalha a Educação Básica (EB), a qual, consoante o art. 22, objetiva, in verbis: “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.” A organização da EB é detalhada nos artigos 23 (séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar) e 24 (no inciso I, são fixados os limites mínimos: uma carga horária anual de 800 horas e o ano letivo de 200 dias). O artigo 25 atribui a cada sistema de ensino a responsabilidade de alcançar a, in verbis, “relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as condições materiais do estabelecimento.”. Os artigos 26 e 27 tratam da questão curricular, ou seja, dos conteúdos que devem ser ensinados, e o art. 28 enfatiza que eles precisam ser adequados à peculiaridade de cada local. A Educação Infantil (EI) é a primeira etapa da educação básica e visa ao desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (art. 29). A EI será oferecida, para crianças de até três anos, em creches, ou entidades equivalentes, e para crianças de quatro a seis anos de idade, em pré-escolas (art. 30). A avaliação da criança na EI se pautará no, in verbis, “acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental” (art. 31). O Ensino Fundamental (EF) obrigatório tem a duração de nove anos (conforme a Lei nº 11. 274/06), é gratuito na escola pública e inicia-se aos 6 (seis) anos de idade, tendo como objetivo a formação básica do cidadão (art. 32). O ensino religioso, de matrícula facultativa, compõe a formação básica do cidadão, devendo respeitar a diversidade cultural religiosa brasileira (art. 33). A jornada escolar no EF é contemplada no art. 34. O Ensino Médio (EM), etapa final da educação básica, tem a duração mínima de três anos, com finalidades (art. 35) e diretrizes específicas (art. 36). 41

Estrutura, Política e Gestão Educacional
A Lei nº 11.741/08 incluiu a Seção IV-A, que trata da Educação Profissional Técnica de Ensino Médio. Nos seus artigos, 36-A, 36-B, 36-C e 36-D, são contempladas: a possibilidade de o educando ser preparado para o exercício de profissões técnicas, as possibilidades para a sua oferta e a validade nacional dos diplomas, desde que registrados. Os artigos 37 e 38 tratam da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que será abordada no próximo tópico, em virtude de ser uma modalidade.

Parada Obrigatória
Artigos 21 a 38, da LDB (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

A LDB, nos artigos 43 a 57, que compõem o TÍTULO V (Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino), aborda a Educação Superior (ES): suas finalidades (art. 43), seus cursos e programas (art. 44) e as instituições que o ministrará (art. 45). O artigo 46 trata da autorização e reconhecimento de cursos e do credenciamento de instituições de educação superior (IES). Consoante o artigo 47, na ES, o ano letivo regular deverá ter, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. Os artigos 48, 49, 50 e 51 tratam, respectivamente, da validade dos diplomas de cursos superiores reconhecidos; da transferência de alunos regulares; da abertura de matrículas a alunos não regulares e da necessidade das universidades, ao fixar critérios e normas de seleção e admissão de estudantes, levarem em conta as consequências dos critérios sobre a orientação do ensino médio. As universidades, conforme o artigo 52, são instituições pluridisciplinares de formação profissional a nível superior, sendo-lhes garantida a autonomia (art. 53), devendo, as que forem mantidas pelo Poder Público, ter estatuto jurífico especial de acordo com suas peculiaridade (art. 54). A União deve garantir os recursos suficientes para a manutenção e desenvolvimento das instituições de ensino superior de seu sistema (art. 55), as quais deverão obedecer o princípio da gestão democrática (art. 56). Nestas instituições, o professor deve ter pelo menos oito horas semanais de aulas (art. 57).

Multimídia
LDB – Educação Básica (1/2)93 LDB – Educação Básica (2/2)94

Parada Obrigatória
Artigos 43 a 57, da LDB (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=hNZe6cC3K7E Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=RfOMFAl2vz4

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Educação Básica: A Educação Básica no Brasil95 Um salto para o presente: a educação básica no Brasil.96 Educação Infantil: As crianças de 0 a 6 anos nas políticas educacionais no Brasil: educação infantil e/é fundamental97 O referencial curricular nacional para a educação infantil no contexto das reformas98 Ensino Fundamental: Ensino Fundamental de 9 anos: estamos preparados para implantá-lo?99 O Ensino Fundamental no Brasil: avanços, perplexidades e tendências100 Ensino Médio: Ensaios de inovação no Ensino Médio101 Ensino Médio: função do estado ou da empresa?102 O Ensino Médio agora é para a vida: entre o pretendido, o dito e o feito103 Ensino Médio e Ensino Técnico na América Latina: Brasil, Argentina e Chile104 A escola média: um espaço sem consenso105 Os jovens do Ensino Médio e suas representações sociais106 A reforma do Ensino Médio: a nova formulação curricular e a realidade da escola pública107 A reforma do Ensino Médio no Ceará e suas contradições108 Refundar o Ensino Médio? Alguns antecedentes e atuais desdobramentos das políticas dos anos de 1990109 Educação Superior: Do acesso à permanência no ensino superior: percursos de estudantes universitários de camadas populares110 Ensino universitário, corporação e profissão: paradoxos e dilemas brasileiros111 O ensino superior brasileiro nos anos 90112

95 96

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v23n80/12929.pdf Fonte: http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9798.pdf 97 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v27n96/a09v2796.pdf 98 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v23n80/12935.pdf 99 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v15n54/a05v1554.pdf 100 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v26n92/v26n92a15.pdf 101 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n116/14404.pdf 102 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v22n75/22n75a11.pdf 103 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v21n70/a03v2170.pdf 104 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n111/n111a03.pdf 105 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n120/a10n120.pdf 106 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n112/16107.pdf 107 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v21n70/a05v2170.pdf 108 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/v35n124/a1035124.pdf 109 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v26n92/v26n92a16.pdf 110 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v11n32/a03v11n32.pdf 111 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/soc/n17/a08n17.pdf 112 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9801.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. Tópico 04: As modalidades de ensino
Conforme a LDB, são cinco as modalidades do ensino: a Educação Profissional (EP), a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Educação Especial (EE), a Educação Escolar Indígena (EEI) e a Educação a Distância (EAD). A EP é abordada nos artigos 39, 40, 41 e 42, os quais tratam, respectivamente, do objetivo de desenvolver aptidões para a vida produtiva; da articulação da EP com o ensino e dos locais adequados; da avaliação da EP; e do oferecimento de cursos especiais das escolas técnicas e profissionais à comunidade. Conforme vimos no tópico anterior, a Lei nº 11.741/08 incluiu a Seção IV-A, com os artigos, 36-A, 36-B, 36-C e 36-D que tratam da Educação Profissional Técnica de Ensino Médio. A EJA será destinada a quem não teve acesso ou continuidade à Educação Básica na idade própria (art. 37), devendo os sistemas de ensino manterem cursos e exames supletivos, permitindo o prosseguimento de estudos (art. 38). A EE se refere ao atendimento, preferencialmente na rede regular de ensino, de educandos portadores de necessidades especiais (art. 58), cujos direitos, que deverão ser assegurados pelos sistemas de ensino, estão descritos no artigo 59. Instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas em educação infantil, se atenderem critérios determinados por órgãos normativos dos sistemas de ensino, poderão receber apoio técnico e financeiro do Poder Público (art. 60). A EEI, que contemplará programas integrados de ensino e pesquisa, será ofertada mediante educação escolar bilíngue e intercultural, cujo desenvolvimento caberá ao sistema de ensino da União (art. 78), devendo essa apoiar, técnica e financeiramente, os sistemas de ensino que dela participarem (art. 79). De 16 a 20 de novembro de 2009, foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena113, que debateu sobre a oferta da educação intercultural indígena, no fito de aperfeiçoar as bases das políticas e a gestão de programas e ações para a abordagem adequada da sociodiversidade indígena. A EAD, em todos os níveis e modalidades de ensino, será incentivada pelo Poder Público (art. 80), sendo permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais, se respeitar esta Lei (art. 81).

Parada Obrigatória
Artigos 36-A a D, 39 a 42 (EP), 37 e 38 (EJA), 58 a 60 (EE), 78 e 79 (EEI) e 80 e 81 (EAD), da LDB. (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR)

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http://coneei.mec.gov.br/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Educação Profissional: Educação profissional numa sociedade sem empregos114 A divisão de tarefas na educação profissional brasileira115 Educação de Jovens e Adultos: Expansão do Ensino Médio: temores sobre a Educação de Jovens e Adultos 116 Educação Especial: A nova LDB e as necessidades educativas especiais117 Políticas para a educação especial e as formas organizativas do trabalho pedagógico118 Educação Escolar Indígena: Educação escolar indígena: um modo próprio de recriar a escola nas aldeias Guarani119 Representações da Educação Karajá120 Projeto pedagógico xavante: tensões e rupturas na intensidade da construção curricular121 Educação a Distância: Desafios da educação à distância ao sistema de educação superior: novas reflexões sobre o papel da avaliação122 Tecnologias na formação de professores123

114 115

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n109/n109a03.pdf Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n112/16108.pdf 116 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/n119/n119a03.pdf 117 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000300002&lng=pt&nrm=iso 118 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v12n3/01.pdf 119 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200006&lng=pt&nrm=iso 120 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v22n75/22n75a09.pdf 121 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a06v2361.pdf 122 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/er/n28/a11n28.pdf 123 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ep/v29n2/a06v29n2.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 02: Legislação educacional. Sistema educacional brasileiro. Níveis e modalidades de ensino. Formação dos profissionais da Educação. Tópico 05: Formação dos profissionais da Educação
No Brasil, durante séculos, a Educação foi um privilégio de poucos, sendo recente o crescente acesso de setores sociais a este direito social básico. Para atender uma clientela cada vez maior, é necessário ampliar (e melhorar) a infra-estrutura material (escolas, livros e recursos didáticos...) e humana (professores e demais profissionais da área).

Fonte:http://3.bp.blogspot.com/_1LcrRC3ExIA/S7M9-28-M-I/AAAAAAAAAOE/iMzzQLQ-z1Q/s1600/HPIM1191.jpg

No século passado, especialmente no Nordeste rural, convivemos com a figura do professor leigo, um profissional que, muitas vezes, não tinha a formação necessária e percebia uma remuneração indigna. Acrescente-se, ainda, a famigerada classe multiseriada, onde o docente precisava ministrar conteúdos de várias séries no mesmo espaço-tempo! Várias iniciativas foram desenvolvidas, nos anos 80 e 90, como o pró-docente rural, pela UFC, no sentido de melhorar a qualificação destes profissionais, respeitando e valorizando a cultura local. Ciente da importância da qualificação docente para incrementar os resultados educacionais, a LDB, nos artigos 61 a 67, que compõem o TÍTULO VI (Dos Profissionais da Educação), aborda o perfil do profissional da Educação, que, conforme o artigo 61, deve ter uma formação que contemple a associação entre teoria e prática, além de aproveitar as experiências na área. O docente para atuar na Educação Básica deve ter nível superior, mas se admite que o profissional que atue na Educação Infantil e no Fundamental I (os cinco primeiros anos) tenha apenas o nível médio, na modalidade Normal (art. 62). O artigo 63 trata da competência dos institutos superiores, enquanto que no artigo 64 é determinado que a formação de profissionais de educação para as funções além da docência (administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica) seja feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. 46

Estrutura, Política e Gestão Educacional
A formação docente, exceto para a Educação Superior, terá prática de ensino com, pelo menos, trezentas horas (art. 65). A qualificação do docente que leciona no Ensino Superior, conforme o artigo 66, requer nível de Pós-Graduação, prioritariamente Mestrado e Doutorado.

Valorização do profissional da Educação na LDB
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurandolhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim; III - piso salarial profissional; IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho; V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho; VI - condições adequadas de trabalho. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico.

Parada Obrigatória
Artigos 61 a 67, da LDB (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

Conforme o Censo Escolar da Educação Básica de 2006 – realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)124 com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de educação e com a participação de todas as escolas públicas e privadas do País – no Ensino Fundamental, o contingente de professores é de 1.705.840, sendo que a formação deles é: 9.056 (0,53%) com apenas o fundamental, 472.328 com nível médio (27,69%) e 1.224.456 com nível superior (71,78%). No Ensino Médio, o contingente de professores é de 519.935, sendo que a formação deles é: 22 (0,00%) com apenas o fundamental, 23.704 têm o nível médio (4,56%) e 496.209 com nível superior (95,44%). Em ambos os níveis, proporcionalmente, o cenário na zona rural é pior do que na zona urbana. No Ensino Fundamental, o contingente de professores na zona urbana é de 1.390.771, sendo que a formação deles é: 3.120 (0,53%) com apenas o fundamental, 287.028 com nível médio (20,64%) e 1.100.623 com nível superior (79,14%). Na zona rural, o contingente de professores é de 315.069, sendo que a formação deles é: 5.936 (1,88%) com apenas o fundamental, 185.300 com o nível médio (58,81%) e 123.833 com nível superior (39,30%).

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http://www.inep.gov.br/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
No Ensino Médio, o contingente de professores na zona urbana é de 503.355, sendo que a formação deles é: 15 (0,00%) com apenas o fundamental, 21.568 com o nível médio (4,28%) e 481.772 com nível superior (95,71%). Na zona rural, o contingente de professores é de 16.580, sendo que a formação deles é: 7 (0,00%) com apenas o fundamental, 2.136 com o nível médio (12,88%) e 14.437 com nível superior (87,07%).

Programas do MEC para valorização dos trabalhadores em Educação
Ciente destes números, o MEC desenvolve vários programas que visam à qualificação e valorização dos trabalhadores em Educação: 1. Rede Nacional de Formação Continuada de Professores 125 2. Pró-Letramento 126 3. Pró-Licenciatura 127 4. Proinfantil 128 5. Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas 129 6. Profuncionário – Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação 130

Leitura Complementar
Censo Escolar 131

Conforme estudaremos na próxima aula, o capítulo IV do PNE trata do Magistério da Educação Básica, sendo dividido em três tópicos (Diagnóstico, Diretrizes e Objetivos e Metas) e enfatizando a valorização do magistério, a qual contempla a formação profissional inicial, as condições de trabalho, salário e carreira e a formação continuada.

Leitura Complementar
Capítulo IV da Lei nº 10.172/01 (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR).

O MEC elaborou vários mapas com os números da Educação Básica, do Ensino Superior, da Pós-Graduação e do Ensino Profissional, permitindo-nos conhecer melhor o complexo cenário educacional brasileiro e a formulação de diversos programas/ações, os quais devem ser acompanhados e fiscalizados pela população.

125 126

Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=231&Itemid=332) Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12346:pro-letramentoapresentacao&catid=301:pro-letramento&Itemid=698) 127 Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12349:pro-licenciaturaapresentacao&catid=303:pro-licenciatura&Itemid=708) 128 Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12321:proinfantilapresentacao&catid=288:proinfantil&Itemid=548) 129 Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12370:projeto-saude-e-prevencao-nasescolas-spe&catid=310:projeto-saude-e-prevencao-nas-escolas-spe&Itemid=578) 130 Fonte: (http://portal.mec.gov.br/index.php/?option=com_content&view=article&id=12365) 131 Fonte: (http://www.inep.gov.br/basica/censo/default.asp).

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
No caso da Educação Básica, são apresentados dados referentes a financiamento (Fundeb, salário-educação, orçamento, Fundescola...), acesso e permanência (merenda escolar e transporte escolar), qualidade (livros e equipamentos didáticos, formação de professores e ensino fundamental em nove anos), gestão democrática (conselhos escolares, fortalecimento das secretarias municipais ...) e avaliação (ENEM, SAEB e Prova Brasil). Em maio de 2009, o MEC lançou o primeiro Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica132, que tem como objetivo formar na graduação em que atuam, nos próximos cinco anos, 330 mil professores, sem a qualificação respectiva (professores sem graduação, professores com licenciatura em área diversa e bacharéis). Também serão ofertados cursos de formação continuada. O governo federal deverá investir cerca de R$ 1 bilhão nesta política educacional. No 2° semestre de 2009, através da Plataforma Paulo Freire133, as Universidades cadastradas ofertaram, em vários municípios, cursos de formação inicial e continuada, presencial ou a distância, e os professores interessados manifestaram sua preferência. No Ceará, as seguintes instituições estão cadastradas: IFCE, UECE, UFC, URCA e UVA. A SEDUC está ofertando vários cursos de formação continuada, na modalidade a distância, relacionados à inclusão digital e ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Apesar do avanço verificado na qualificação docente, a rede municipal continua com os piores índices, o que torna necessárias e urgentes políticas públicas para a mudança deste quadro. Neste sentido, a APEOC consultou o Conselho de Educação do Ceará134 (CEC) sobre o uso de recursos do FUNDEF para habilitar os professores leigos, o que ensejou o Parecer nº 867/98. O CEC, conforme o art. 230, da Constituição Estadual, é um órgão normativo, deliberativo e consultivo do Sistema de Ensino do Estado. O CEC é dividido em duas Câmaras: da Educação Básica e da Educação Superior e da Educação Profissional. A ele compete: i) definir normas para o Sistema Estadual e os municípios de ensino; ii) interpretar a legislação do ensino; e iii) credenciar, acompanhar e avaliar o ensino (particular e oficial).

Nível de formação dos docentes do estado do Ceará
Conforme dados da SEDUC, de 2005, a rede estadual era composta por 23.982 profissionais em exercício, dos quais 23.302 (97,16%) tinham nível superior. Na rede municipal, o cenário é bem diverso, pois dos 77.901 profissionais em exercício, 41.802 (53,66%) têm nível. A rede particular tem 25.692 profissionais em exercício, dos quais 16.750 (65,20%) têm nível superior. Em 2006, a rede estadual tinha 24.695 profissionais em exercício, sendo que 23.646 (95,75%) destes tinham nível superior. Na rede municipal, o cenário é bem diverso, pois dos 79.955 profissionais em exercício, 46.759 (58,48%) tinham nível superior. A rede particular tem 25.867 profissionais em exercício, dos quais 17.209 (66,53%) têm nível superior. Comparando-se os índices dos dois anos, percebe-se que houve uma significativa melhora no percentual de professores com nível superior na rede municipal (de 53,66% a 58,48%), enquanto que nas redes estadual e particular aconteceu uma leve oscilação negativa e positiva, respectivamente (de 97,16% para 95,75% e de 65,20% para 66,53%).

132 133

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13583&Itemid=971 http://freire.mec.gov.br/index/principal/ 134 http://www.cec.ce.gov.br/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Parada Obrigatória
Indicadores demográficos e educacionais de seu município 135

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para aprender mais sobre a Formação de Professores: A formação de educadores e a constituição da educação de jovens e adultos como campo pedagógico.136 A Qualidade da Educação Infantil Brasileira: alguns resultados de pesquisa.137 Como e Onde Formar Professores: espaços em confronto.138 Docência: formação e prática139 Gestão pública, formação e identidade de profissionais de educação infantil.140 Política de formação profissional para a educação infantil: Pedagogia e Normal Superior141

Atividade de Portfólio
Leia um artigo das seções Olhando de Perto desta aula e redija um texto com as seguintes informações: i) O título e o(a) autor(a); ii) As principais ideias do documento; e iii) Sua opinião (concorda ou discorda), com argumentos, sobre as ideias citadas no item anterior e o que você aprendeu (e/ou as dúvidas que surgiram) com esta atividade. Coloque a sua produção (Aula2_AP1.doc) no seu portfolio.

Fórum
1. Posicione-se (favoravelmente ou contrariamente), citando algumas contribuições teóricas desta aula e situações do cotidiano, sobre a seguinte afirmação: “Para ser um bom profissional, o licenciado, além de domínio de conteúdo, precisa conhecer a Legislação Educacional Brasileira e lutar pela sua implementação”. Comente, com argumentos e/ou exemplos, a participação de um(a) colega. 2. Posicione-se (favoravelmente ou contrariamente), citando algumas contribuições teóricas desta aula e situações do cotidiano, sobre a seguinte afirmação: “O licenciado, se tiver uma boa formação inicial, não precisa da formação continuada”. Comente, com argumentos e/ou exemplos, a participação de um(a) colega.

135 136

Fonte: (http://portal.mec.gov.br/ide/). Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v20n68/a10v2068.pdf 137 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/v36n127/a0536127.pdf 138 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v21n70/a08v2170.pdf 139 Fonte: (Para baixar o arquivo acesse o ambiente SOLAR) 140 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/cp/v37n131/a1037131.pdf 141 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v20n68/a04v2068.pdf.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm. Acesso em: 29 out. 2007. ______. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm. Acesso em: 29 out. 2007. ______. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm. Acesso em: 29 out. 2007. ______. Lei nº 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação. Disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm. Acesso em: 20 nov. 2007. CEARÁ. Constituição (1989). Constituição do Estado do Ceará. http://www.al.ce.gov.br/publicacoes/constituicaoestadual_56.pdf. Acesso em: 29 out. 2007. Disponível

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 03: Política educacional. Gestão educacional. Financiamento da Educação. Avaliação do sistema escolar brasileiro. Tópico 01: Políticas públicas educacionais
Conforme vimos na aula passada, é obrigação do Estado atender a clientela que requer Educação, para tanto os governos federal, estadual e municipal devem desenvolver políticas que, articulando esforços e recursos (humanos, físicos, financeiros, didáticos ...), cumpram essa determinação legal.

Brasil
O Ministério da Educação (MEC), órgão da administração direta do governo federal, é o maior responsável pela proposição de políticas públicas, bem como de promover o fortalecimento dos diversos órgãos encarregados pela Educação nas esferas Estadual e Municipal.

Fonte: http://portal.mec.gov.br As áreas de competências do MEC são: i) política nacional de educação; ii) educação infantil; iii) educação em geral, compreendendo ensino fundamental, ensino médio, educação superior, ensino supletivo, educação tecnológica, educação de jovens e adultos, educação profissional, educação especial e educação a distância, exceto ensino militar; iv) avaliação, informação e pesquisa educacional; v) pesquisa e extensão universitárias; vi) magistério; e vii) coordenação de programas de atenção integral a crianças e adolescentes. No MEC, a Educação Básica é de competência da Secretaria de Educação Básica (SEB)142 e a Educação Superior é atribuição da Secretaria de Educação Superior (SESU).143 Navegue nessa Secretarias e conheça, dentre outras coisas, os programas e as ações desenvolvidos por elas. No Brasil, em 2009, a Educação Básica tinha 52.580.452 estudantes, sendo 45.270.710 (86,10%) na rede pública e 7.309.742 (13,90%) na rede privada. Esse dados revelam quão grande é a rede pública no Brasil e a importância que as políticas desenvolvidas pelo MEC tem na melhoria da Educação nacional.

142 143

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=293&Itemid=810 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=287&Itemid=819

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Conforme o Censo Escolar 2010, divulgado em 20 de dezembro de 2010, a Educação Básica tinha 51.549.889 estudantes, sendo 43.989.507 (85,33%) na rede pública e 7.560.382 (14,67%) na rede privada. No período de 2009-2010, aconteceu uma leve diminuição (0,02%) do quantitativo de matrículas nesse nível, tendo a rede pública cedido 0,77% das matrículas para a rede privada.

Leitura Complementar
Censo da Educação Básica 2010144 (Informações principais) Censo da Educação Básica 2010 145(Apresentação dos resultados) Censo da Educação Básica 2010 146(Resumo Técnico) Conforme a LDB, são cinco as modalidades do ensino: a Educação Profissional (EP), a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Educação Especial (EE), a Educação Escolar Indígena (EEI) e a Educação a Distância (EAD).

Programas e ações do MEC nas modalidades de ensino
As ações do MEC para a Educação Profissional (EP) são de competência da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC).147 O MEC desenvolve, mediante a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD)148, vários programas que visam à melhoria da Educação de Jovens e Adultos (EJA): Brasil Alfabetizado • Conexões de Saberes • Diversidade na Universidade • Escola Que Protege • Projovem Campo – Saberes da Terra • Mais Educação Em 2005, o Governo Federal lançou a Política Nacional de Juventude, que, mediante a Lei nº 11.129/05 , se efetivou, com: i) a criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude; e ii) a instituição do Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária (ProJovem).
149

Em virtude das demandas sociais históricas, em 2007, foi constituído o Grupo de Trabalho Juventude (GT Juventude), com a participação de representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, da Casa Civil e dos Ministérios da Educação, do Desenvolvimento Social, do Trabalho e Emprego, da Cultura, do Esporte e do Planejamento.

144 145

Fonte: http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/censo/escolar/news10_04.htm Fonte: http://www.inep.gov.br/download/censo/2010/apresentacao_divulgacao_censo_2010.pdf 146 Fonte: http://www.inep.gov.br/download/censo/2010/divulgacao_censo2010_201210.pdf 147 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=286&Itemid=799 148 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=290&Itemid=816 149 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11129.htm

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
O GT Juventude, articulando as noções de oportunidade para todos e direitos universalmente assegurados, propôs o ProJovem Integrado, que contempla as seguintes modalidades (e responsáveis): o ProJovem Adolescente150 (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), ProJovem Urbano151 (Secretaria Nacional de Juventude), ProJovem Campo – Saberes da Terra152 (Ministério da Educação) e ProJovem Trabalhador153 (Ministério do Trabalho e Emprego). A Lei nº 11.692/08154 apresenta esta nova configuração do ProJovem. Em 2007, foi instituído pela Portaria Interministerial nº 17/2007, o Programa Mais Educação , que visa ao aumento do tempo que o estudante fica na escola pública, com a oferta de atividades que contemplam acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde, educomunicação, educação científica e educação econômica.
155

O MEC desenvolve na área da Educação Especial (EE), mediante a Secretaria de Educação Especial (SEESP)156, vários programas que visam à melhoria desta modalidade: • Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade • Apoio à Educação de Alunos com Deficiência Visual • Apoio à Educação de Alunos com Surdez e Deficiência Auditiva • Apoio à Educação Infantil • Apoio à Educação Profissional • Apoio Técnico e Pedagógico aos Sistemas de Ensino • Projeto de Informática na Educação Especial - PROINESP • Programa de Apoio à Educação Especial - PROESP • Projeto Educar na Diversidade • Edital Programa INCLUIR - Igualdade de oportunidades para estudantes com deficiências O MEC desenvolve, mediante a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), diversas ações que objetivam ao incremento da Educação Escolar Indígena (EEI)157: • Formação inicial e continuada de professores indígenas em nível médio (Magistério Indígena) • Formação de Professores Indígenas em Nível Superior • Produção de material didático específico em línguas indígenas, bilíngues ou em português • Apoio político-pedagógico aos sistemas de ensino para a ampliação da oferta de educação escolar em terras indígenas • Promoção do Controle Social Indígena • Apoio Financeiro à Construção, Reforma ou Ampliação de Escolas Indígenas Objetivando estimular o desenvolvimento de projetos de cursos na área das Licenciaturas Interculturais em instituições de ensino superior públicas federais e estaduais foi criado o Programa de Formação Superior e Licenciaturas Indígena (Prolind)158. Na UFC, funcionam os cursos de Magistério Indígena Tremembé Superior e Magistério Indígena Superior Intercultural dos Povos Pitaguary, Tapeba, Kanindé, Jenipapo-Kanindé e Anacé.

150 151

Fonte: http://www.mds.gov.br/suas/guia_protecao/projovem Fonte: http://www.projovemurbano.gov.br/site/interna.php?p=material&tipo=Conteudos&cod=11 152 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12306&Itemid=817 153 Fonte: http://www.mte.gov.br/projovem/default.asp 154 Fonte: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11692.htm 155 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12372&Itemid=817 156 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=288&Itemid=825 157 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12315&Itemid=817 158 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12258&Itemid=817

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
A Secretaria de Educação a Distância (SEED)159 é responsável por vários programas e projetos que utilizam as novas tecnologias e a Educação a Distância (EAD) para melhorar a qualidade da educação brasileira: • Domínio Público • DVD Escola • E-Proinfo • E-Tec Brasil • Formação pela escola • Mídias na Educação • PAPED • Proinfantil • Proinfo • Proformação • Pró Letramento • Pró Licenciatura • Rádio Escola • RIVED • Salto para o Futuro • Tv Escola • UAB • Webeduc O Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado mediante a Lei nº 10.172/01160, constituindo-se em importante instrumento de política educacional, uma vez que orienta as ações (políticas) do Poder Público nos três níveis (Federal, Estadual e Municipal). Sua vigência é de dez anos. Em 2011, a partir das decisões do CONAE (apresentado no final desse tópico), um novo PNE será elaborado. O PNE está amparado na Constituição de 1988 e na LDB (arts. 9º, inciso I, e 87, 1º)161, tendo sido aprovado após três anos de tramitação no Congresso Nacional. Infelizmente, a Lei não contemplou muitas das expectativas da sociedade civil, notadamente no que se refere à ampliação da obrigação do Estado com a oferta da Educação Básica e do Ensino Superior, as quais só podem ocorrer se houver a respectiva dotação orçamentária, fruto de determinação política da União, a qual se fez ausente, conforme os vetos apresentados pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Este documento legal é divido em seis capítulos: I – Introdução; II – Níveis de Ensino; III – Modalidades de Ensino; IV – Magistério da Educação Básica; V – Financiamento e Gestão e Acompanhamento e VI – Avaliação do Plano. O Capítulo I é divido em dois tópicos: Histórico e Objetivos e Prioridades. No Histórico, são relatados alguns acontecimentos no cenário educacional na República, de modo a contextualizar a elaboração do Plano Nacional de Educação. Em Objetivos e Prioridades, são apresentados os quatro objetivos – a elevação global do nível de escolaridade da população; a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; e democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos

159 160

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=289&Itemid=356 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm 161 Fonte: 01_arquivos/exemplo1.htm?keepThis=true&TB_iframe=true&height=160&width=470

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes – e as cinco prioridades – 1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino; 2. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram; 3. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino; 4. Valorização dos profissionais da educação; e 5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino. À luz destes objetivos e prioridades, o Plano estabelece: diretrizes para a gestão e o financiamento da Educação (Capítulo V); diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino (Capítulos II e III); e, ainda, diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação (Capítulo IV).

Leitura Complementar
Capítulo I da Lei nº 10.172/01.(Acesse o SOLAR) Avaliação do Plano Nacional de Educação.162 No que se refere às Instituições de Ensino Superior (IES), descatam-se como políticas públicas federais o PROUNI e o REUNI. Antes de apresentá-los, é importante destacar o incremento de matrículas que ocorreu, nas últimas duas décadas, neste nível. Em 1991, havia quase 1 milhão e 600 mil estudantes matriculados. Em 2008, o montante saltou para um pouco mais de 5 milhões e 800 mil estudantes. Esta expansão, na ordem de 271,11%, foi impulsionada, principalmente, pela rede privada: • em 1995, do total de 1.759.703 estudantes matriculados nas IES, a rede pública tinha 700.540 estudantes (39,81%) e a rede particular tinha 1.059.163 estudantes (60,19%); • em 2008, do total de 5.808.017 estudantes matriculados nas IES, a rede pública tinha 1.552.953 estudantes (26,74%) e a rede particular tinha 4.255.064 estudantes (73,26%). Em 2008, o ensino presencial tinha 5.080.056 estudantes (87,47%) e a educação a distância tinha 727.961 estudantes (12,53%). É interessante mencionar que, em 2002, apenas 40.174 estudantes estavam matriculados em cursos a distância. A Lei nº 11.096/05 institucionalizou o Programa Universidade para Todos (PROUNI)163, que concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior, as quais recebem, em contrapartida, isenção de alguns tributos. O PROUNI164 contempla estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais, com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos. A seleção é feita por um sistema informatizado e impessoal, utilizando como critério a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Nestes cinco anos de duração, já foram contemplados cerca de 600 mil estudantes, sendo que cerca de 70% com bolsa de estudo integral.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=234:pneapresentacao&catid=156:pne&Itemid=278 163 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11096.htm 164 Fonte: http://prouniportal.mec.gov.br/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Multimídia
PROUNI165

No âmbito das universidades públicas federais, em 2007 foi instituído, mediante o Decreto nº 6.096/07166, o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI)167, objetivando expandir as vagas destas instituições, dotando-as de recursos para ampliar o acesso e a permanência dos estudantes. Embora o PROUNI e o REUNI possibilitem a democratização de acesso às IES, os estudiosos questionam notadamente: i) o fato de o governo federal utilizar, no PROUNI, o dinheiro público em instituições privadas, quando deveria alocá-lo nas instituições públicas; e ii) a precarização do trabalho docente, no REUNI, com o aumento de matrículas em cursos antigos e novos, sem a compatível contratação de docentes e servidores técnico-administrativos, e o compromisso de melhorar o índice de concluintes, que, em 2008, era 67% (a meta é 90%), o que pode ensejar a diminuição da qualidade do ensino, uma vez que fatores externos à Universidade também influenciam a trajetória discente nela.

Leitura Complementar
PROUNI: democratização de acesso às IES?.(Acesse o SOLAR) REUNI ou DESUNI?.168 Em abril de 2007, o presidente Lula lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) , com a promessa de promover mudanças na estrutura educacional brasileira, que padece de problemas de rendimento, frequência e permanência do estudante na escola.
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Leitura Complementar
As quarenta e uma (41) as ações do PDE.170 Análise do PDE171. Tendo em vista a realização, em abril de 2008, da Conferência Nacional de Educação Básica172, os Estados promoveram Conferências Estaduais.

165 166

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=hNEaUH5Z1J0 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6096.htm 167 Fonte: http://reuni.mec.gov.br/ 168 Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/06/15/296303286.asp 169 Fonte: http://www.vdl.ufc.br/solar/aula_link/llpt/semestre06/epge/aula_03/01_arquivos/PDE.pdf 170 Fonte: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pde/default.html 171 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v28n100/a2728100.pdf 172 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=8810

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
No Ceará, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação e do Conselho de Educação, a Assembléia Legislativa e a UNDIME/APRECE (UNDIME: União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação; APRECE: Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará) promoveram a Conferência Estadual da Educação173, que contemplou Audiências Públicas, Conferências Regionais, Encontros Temáticos e outras atividades, as quais culminaram na etapa final que ocorreu no período de 07 a 09 de novembro de 2007.

Leitura Complementar
Conferência Nacional de Educação Básica.174

Em 16 de julho de 2008, mediante a Lei nº 11.738175, foi instituído o piso nacional do professor do ensino básico. É importante ressaltar que essa lei regulamenta a alínea “e”, do inciso III, do caput do art. 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Federal de 1988. Somente após quase 20 anos, os professores foram contemplados por um direito previsto na Lei maior nacional. O valor atual do piso é R$ 1.024,67. Outra conquista importante oriunda dessa Lei é a garantia de que o professor deve ter no máximo 2/3 da sua carga horária em sala de aula (§ 4º, do art. 2º), o que garante 1/3 para o planejamento. Descata-se, ainda, o art. 6º, in verbis: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar ou adequar seus Planos de Carreira e Remuneração do Magistério até 31 de dezembro de 2009, tendo em vista o cumprimento do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica, conforme disposto no parágrafo único do art. 206 da Constituição Federal.176“ No período de 28 de março a 1º de abril de 2010, foi realizada a Conferência Nacional de Educação (CONAE), com tema “Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação: O Plano Nacional de Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação”. Para tanto, o MEC organizou, em 2009, conferências preparatórias: nos municípios (no 1° semestre) e nos Estados e no Distrito Federal (no 2° semestre). As conferências estaduais tinham como objetivo consolidar e aprofundar o documento formado a partir das conferências municipais.

173 174

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=8810 Fonte: http://portal.mec.gov.br/arquivos/conferencia/index.html 175 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11738.htm 176 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art206

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Fonte: http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/educacao/grande-CONAE-2010.jpg

A CONAE177 é um espaço democrático, instituído pelo Poder Público, para que a sociedade participe do desenvolvimento da educação nacional. Nas conferências estaduais, foram eleitos representantes – gestores das diversas esferas, trabalhadores de escolas públicas e particulares, membros dos conselhos de Educação, estudantes e pais de estudantes – da Educação Básica, da Educação Profissional e da Educação Superior, conforme o seguinte quadro (Acesse o SOLAR)

Leitura Complementar
Documento-Referência da CONAE. (Acesse o SOLAR)

Em 15 de dezembro de 2010, o Presidente da República e o Ministro da Educação enviaram ao Congresso Nacional o projeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE) do decênio 2011-2020. O documento apresenta dez (10) diretrizes as quais se expressam em vinte (20) metas, com respectivas estratégias.

Leitura Complementar
Principais pontos do projeto de lei do novo PNE.178 Projeto de Lei do Plano Nacional de Educação 2011-2020. (Acesse o SOLAR) Tramitação do projeto de lei do PNE 2011-2020 (PL-8035/2010).179 No período de fevereiro a abril de 2009, o MEC promoveu encontros com os secretários municipais de educação, visando à divulgação dos programas, projetos e ações da Educação Básica, troca de informações e esclarecimento de dúvidas, ampliando, desta forma, o diálogo entre o MEC e os municípios, tão necessário para o melhoramento da colaboração entre estas esferas, que se expressa na proposição de políticas públicas.

177 178

Fonte: http://conae.mec.gov.br/ Fonte: http://conae.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=362:lula-envia-ao-congresso-nacional-plcom-as-metas-para-2011-2020&catid=102:destaque 179 Fonte: http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=490116

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Plano de Desenvolvimento da Educação180.

Ceará
A Secretaria de Educação Básica do Estado do Ceará (SEDUC) tem por “finalidade definir diretrizes e prioridades educacionais e coordenar o sistema de educação básica em nível estadual, garantindo a oferta de um ensino de qualidade e assegurando a concretização das políticas educacionais adotadas, bem como, a manutenção e o funcionamento dos Estabelecimentos Oficiais de Ensino Público do Estado”. (CEARÁ, slide 02)

Dica
Estrutura Organizacional da SEDUC181.

A SEDUC é composta de vinte e uma (21) Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (CREDE), as quais têm a responsabilidade de coordenar as políticas educacionais junto às setecentas e oitenta e duas (782) escolas estaduais e as Secretarias Municipais de Educação, de acordo com a jurisdição.

Dica
Para conhecer as sedes das CREDEs e os municípios que as compõem (a 21ª CREDE é em Fortaleza)

Em relação às Políticas Educacionais implantadas pela SEDUC-CE, devem ser citados: o Programa Alfabetização na Idade Certa (PAIC)182, que objetiva melhorar os índices de leitura e escrita dos estudantes cearenses, uma vez que, na Prova Brasil de 2005, os nossos estudantes obtiveram o 8° pior índice de proeficiência em Português, e o Primeiro Aprender!183, que pretende o desenvolvimento e a consolidação de conceitos e competências dos estudantes do Ensino Médio nas diversas disciplinas, com foco em compreensão de textos, raciocínio, articulação lógico-abstrata de conteúdos e resolução de problemas.

180 181

Fonte: http://www.cenpec.org.br/modules/news/article.php?storyid=16 Fonte: http://download.seduc.ce.gov.br/documentos/powerpoint/estrutura_organizacional_da_seduc.ppt 182 Fonte: http://www.idadecerta.seduc.ce.gov.br/ 183 Fonte: http://portal.seduc.ce.gov.br/images/arquivos/primeiro_aprender.pdf

60

Estrutura, Política e Gestão Educacional
As disciplinas são divididas em dois blocos (I – Língua Portuguesa, História, Língua Inglesa, Filosofia, Educação Física e Arte; II – Matemática, Física, Biologia, Química e Geografia), cada um com três apostilas/módulos.184 O desafio, portanto, é continuarmos lutando pela melhoria da Educação, em todos os níveis, notadamente aquele que acontece nas instituições públicas, com práticas que valorizem a participação da comunidade, que se manifesta, na sala de aula, no cuidado e no respeito com os saberes discentes e as relações interpessoais.

Olhando de Perto
Informações Educacionais do Estado do Ceará.(Acesse o SOLAR) A Reforma da Educação Básica no Ceará.185

184

Fonte: http://portal.seduc.ce.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=633:seduc-divulga-chamada-publicasobre-processo-de-escolha-de-diretor&catid=14:lista-de-noticias&Itemid=76 185 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n42/v15n42a06.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 03: Política educacional. Gestão educacional. Financiamento da Educação. Avaliação do sistema escolar brasileiro. Tópico 02: Gestão educacional
No art. 206, inciso VI, da CF, está resguardada, in verbis, “(..) gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei”, a qual se constitui num dos princípios que devem orientar o ensino. A LDB, no seu art. 3º, inciso VIII, ampliou esta determinação, quando afirmou que o ensino será ministrado com base na, in verbis: “a gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino”.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/img/ce_roda.jpg

Estudamos na aula 2 que os artigos 14 e 15, da LDB, respectivamente, tratam da gestão do ensino e da autonomia das escolas. Enquanto o artigo 14 apresenta os princípios que os sistemas de ensino devem observar quando definirem as normas da gestão democrática do ensino público, o artigo 15 garante a autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira das unidades escolares públicas.

Artigos 14 e 15, da LDB
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.

Brasil
O MEC, no caso da Educação Básica, desenvolve vários programas que visam ao fortalecimento da gestão democrática: • Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação - Pradime • Programa Nacional de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Educação • Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares • Programa de Fortalecimento Institucional das Secretarias Municipais de Educação do Semi-Árido • Escola de Gestores da Educação Básica • PDE - Escola 62

Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Programas e ações do MEC na Educação Básica.186

Conforme o Censo Escolar de 2004, cerca de 30% dos gestores escolares tem apenas o nível médio, motivo pelo qual o Governo Federal tem envidado esforços no sentido de melhorar a sua qualificação, o que se percebe na Escola de Gestores187, que objetiva formar gestores escolares das escolas públicas da Educação Básica numa perspectiva de gestão democrática e de efetivação do direito à Educação. O Conselho Escolar é composto por representantes da comunidade – escolar (direção, representação dos professores, dos trabalhadores em educação não-docentes, dos estudantes e pais/responsáveis pelos estudantes) e local – os quais têm a responsabilidade de deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas e financeiras da escola. Para tanto, o Conselho Escolar precisa determinar as ações e o meios necessários para alcançar as finalidades desejadas, as quais deverão constar do respectivo projeto político-pedagógico. Mas, o que é o projeto político-pedagógico (PPP)(Acesse o SOLAR) de uma escola e qual é a sua importância para a transformação da Educação? O PPP, cuja elaboração compete ao Conselho Escolar, deve expressar os anseios da comunidade – escolar e local – enunciando as prioridades e os objetivos de cada unidade acadêmica, bem como os problemas que precisam ser superados e as estratégias (práticas) coletivas necessárias para alcançar as metas estabelecidas. Percebe-se, portanto, o quanto o Conselho Escolar constitui-se num importante e indispensável instrumento para a democratização do cenário escolar, uma vez que ele propicia a participação da comunidade em todos os momentos do cotidiano educacional (planejamento, execução e avaliação), favorecendo o desenvolvimento de uma cultura democrática, cidadã, que contempla a maioria, e afastando a cultura patrimonialista, segregacionista, que favorece apenas alguns, notadamente os próximos dos “detentores” do poder escolar.

Quais são as funções do Conselho Escolar?
a) Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro. b) Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares.

186 187

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12492&Itemid=811 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12337:escola-de-gestores-da-educacaobasica-apresentacao&catid=300:escola-de-gestores-da-educacao-basica&Itemid=693

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
c) Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. d) Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo assim para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação. Extraído de: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad1.pdf

Leitura Complementar
Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares.188 Cadernos publicados pelo MEC sobre os Conselhos Escolares.189 Gestão Democrática e Conselho Escolar.(Acesse o SOLAR)

Ceará
É importante destacar as políticas desenvolvidas pela SEDUC no sentido de propiciar a gestão democrática da educação, com a valorização da participação da comunidade, como se depreende, por exemplo, nas eleições diretas para diretor (1995, 1998, 2001 e 2004), na constituição dos núcleos gestores – Diretor, Coordenador Pedagógico, Coordenador Administrativo-Financeiro, Coordenador Escolar (Gestão) e Secretário (composição no caso da escola ser de nível A, com mais de 1.500 estudantes) – e dos conselhos escolares. É claro que isso não basta para se ter uma gestão democrática no ambiente escolar, nem é a garantia de que as decisões emanarão do coletivo, mas representa um avanço, tendo em vista o clientelismo que campeou, durante décadas, em terras alencarinas (não somente!). A Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC) desenvolveu a Gestão Integrada da Escola (GIDE), com o intuito de integrar os documentos de gestão – Projeto Político Pedagógico (PPP), Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) e Programa de Modernização e Melhoria da Educação Básica (PMMEB) – e incrementar os resultados obtidos por eles.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12384:conselhos-escolaresapresentacao&catid=316:conselhos-escolares&Itemid=655 189 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12619%3Apublicacoes-dos-conselhosescolares&catid=195%3Aseb-educacao-basica&Itemid=859

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Leitura Complementar
Parecer do Conselho Estadual de Educação sobre a GIDE.(Acesse o SOLAR)

Como vimos neste tópico, a concepção vigente de gestão educacional rejeita a anterior em que o poder se concentrava nas mãos apenas do secretário, diretor e/ou professor e privilegia as práticas que incentivam a ampla participação dos demais agentes. No cenário escolar, o desafio assume tons mais fortes, tendo em vista que, em virtude do tempo que passamos (profissionais da educação e estudantes) nesta instituição, podemos (ou não) ter lições proveitosas sobre cidadania, cujo aprendizado nos habilitará para a vida numa sociedade permeada de injustiça, a qual demanda um esforço coletivo para sua transformação.

Multimídia
LDB – Gestão Democrática e Autonomia Pedagógica (1/2)190 LDB – Gestão Democrática e Autonomia Pedagógica (2/2)191

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: Criação dos sistemas municipais de ensino192 Gestão educacional e as políticas federal e municipal193 A GIDE194

190 191

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=2jO9LMgS86E Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=jcyv7Uz8qdU 192 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v26n93/27285.pdf 193 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-25551998000200003&lng=pt&nrm=iso 194 Fonte: http://www.seduc.ce.gov.br/gide.asp

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 03: Política educacional. Gestão educacional. Financiamento da Educação. Avaliação do sistema escolar brasileiro. Tópico 03: Financiamento da Educação
Para transformar as políticas públicas em realidade, é necessário, dentre outras coisas, dinheiro ($)! Nesse tópico, estudaremos as fontes de financiamento da Educação. Temos assistido, recentemente, a dois fenômenos interessantes. De um lado, uma progressiva redistribuição de responsabilidades, notadamente no campo educacional, da União para Estados e Municípios, o que pode permitir ações e gestões mais democráticas. Por outro lado, o incremento dos percentuais legais dos recursos financeiros destinados à Educação.

Parada Obrigatória
Artigos da CF que tratam do Financiamento da Educação.

A LDB, nos artigos 68 a 77, que compõem o TÍTULO VII (Dos Recursos Financeiros), contempla o financiamento da Educação. O artigo 68 apresenta as fontes dos recursos públicos destinados à Educação, enquanto o artigo 69 determina os percentuais mínimos de aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino público, da receita resultante de impostos, da União (18%) e dos Estados, Distrito Federal e Municípios (25%), nos termos do art. 212 da CF. A fiscalização dos órgãos competentes quanto aos recursos públicos priorizará os percentuais supra (art. 73). As despesas consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino são detalhadas no artigo 70, enquanto o artigo seguinte especifica as que não se enquadram. Objetivando à transparência das origem e destinação destes recursos, o artigo 72 determina que as receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público. O regime de colaboração entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios quanto ao padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental é celebrado no artigo 74. Os artigos 75 e 76 tratam, respectivamente, da ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados com vista a corrigir as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino, sendo condicionado todavia ao cumprimento, por parte dos entes federados, do disposto nesta Lei. Recursos públicos podem ser utilizados por escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, que atenderem os requisitos elencados no artigo 77.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Parada Obrigatória
Artigos 68 a 77, da LDB. (Acesse o SOLAR)

Origem dos recursos orçamentários para a Educação
O sistema de financiamento da educação no Brasil está estruturado em um conjunto de preceitos constitucionais que regem o gasto das receitas gerais, um certo número de fontes vinculadas à educação e uma variedade de instituições criadas para cumprir objetivos educacionais específicos. Em geral, a prioridade declarada tem sido colocada como sendo a educação básica, mas nem sempre, na prática, a redistribuição tem refletido essa prioridade (Xavier; Marques, 1994). No caso da União, os recursos orçamentários provêm de fontes ordinárias e de recursos orçamentários vinculados, entre os quais se destacam: a) 1/3 dos recursos do Salário-educação; b) 18%, no mínimo da receita resultante de impostos; c) operações de créditos, como os financiamentos do Banco Mundial; e d) créditos internos, como parte da receita do antigo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAZ) e Crédito Educativo. Os Estados têm obrigação constitucional de alocar para o ensino fundamental: 2/3 dos recursos do Salário-educação arrecadados no próprio Estado; 25%, no mínimo, dos recursos da receita própria de impostos, decorrentes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores e taxas diversas; 25%, no mínimo, dos recursos transferidos pela União, entre eles os do Fundo de Participação dos Estados (FPE); e outros recursos, provenientes de cotas adicionais do Salário-educação sob a responsabilidade da União e outras transferências. Nos municípios, a Educação é financiada por 25%, no mínimo, dos recursos da receita própria de impostos municipais, inclusive o Imposto Predial e Territorial Urbano, Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza e Imposto sobre Vendas a Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos; por 25%, no mínimo, dos recursos transferidos pela União, entre eles os do Fundo de Participação dos Municípios (FPM); por 25%, no mínimo, dos recursos transferidos pelo Estado; e por outros recursos provenientes da União os dos Estados, como cotas do Salário-educação ou transferências.

Durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada, em 1990, na cidade de Jomtien, na Tailândia, que foi promovida pela Unesco, Unicef, PNUD e Banco Mundial, foi aprovada uma resolução, assinada pelo Brasil, em defesa da melhoria da educação básica, propiciando a todos o direito de terem acesso aos conhecimentos básicos necessários à vida digna, marca inalienável de uma sociedade justa. Em virtude deste compromisso, o Brasil elaborou, em 1993, o Plano Decenal de Educação para Todos, cuja meta principal era assegurar, no período de 1993 a 2003, a crianças e adolescentes em idade escolar o acesso aos conteúdos mínimos em matéria de aprendizagem que respondam às necessidades elementares da vida contemporânea, que se expressaria na universalização da educação fundamental e na erradicação do analfabetismo.

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Estes acontecimentos ensejaram a criação, em 1998, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), mediante a Lei nº 9.424/96 (texto original).

Os estudiosos do FUNDEF reconhecem a importância de garantir o financiamento do Ensino Fundamental e de propiciar a descentralização financeira. Destacam, ainda, a determinação legal de destinar pelo menos 60% dos recursos do FUNDEF ao pagamento de todos os profissionais do magistério em exercício, incluindo os professores em sala de aula, os profissionais em atividades pedagógicas e a habilitação dos leigos, o que propiciou o financiamento da educação em regiões mais pobres do País. Por outro lado, eles criticam o fato de que parte dos recursos alocados neste nível provêm de outros níveis, ou seja, como se diz popularmente, “cobrindo um santo e descobrindo outro”. Outra ressalva refere-se ao valor aluno-ano pago pela União, uma vez que ele está defasado, obrigando, assim, Estados e Municípios a arcarem com o déficit contábil. Nos anos 90, foram aprovadas, pelo Congresso Nacional, duas normas que diminuíram, de forma substancial, os recursos destinados à Educação: a DRU e a Lei Kandir. Em 1994, entrou em vigor a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que permite que 20% da receita da União seja aplicada como ela desejar, o que implicava na redução do percentual da Educação de 18% para 13,4%. Em novembro de 2009, foi promulgada a Emenda Constitucional n° 59, que determina que as verbas da Educação não sejam mais retidas pela DRU. Em 2009, a retenção será de 12,5%, em 2010, o percentual cairá para 5% e em 2011, será zerada, ou seja, a Educação receberá integralmente os recursos financeiros que têm direito, conforme a Constituição. Em termos de cifras, o MEC estima que, neste período, a Educação deixou de receber cerca de R$ 100 bilhões. Com o fim da DRU na Educação, o governo liberará ao MEC, já em 2009, cerca de R$ 4 bilhões, e em 2010, cerca de R$ 7 bilhões. A Lei Kandir, de 1996, determinou a desoneração das exportações do ICMS, que incide sobre produtos e serviços. Se por um lado, esta medida incrementa a Economia, por outro lado, reduz o montante arrecadado deste imposto, o qual é, proporcionalmente, repassado a Estados e Municípios. Objetivando ampliar a sua atuação no cenário educacional, o governo federal propôs e o Congresso Nacional aprovou a substituição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), mediante a Lei nº 11.494/07.

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Leitura Complementar
FUNDEB (MEC).195 FUNDEB (FNDE).196

Parada Obrigatória
Recursos do FUNDEB: origem, utilização e fiscalização.(Acesse o SOLAR)

Uma das contribuições sociais mais importantes para a Educação pública é o salário-educação (art. 212, § 5º, da CF), que é recolhido pelas empresas contribuintes no percentual de 2,5% sobre o total de remunerações pagas ou creditadas aos segurados e repassado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma autarquia do MEC, que tem como missão prover recursos e executar ações que incrementem a Educação.

Leitura Complementar
Salário-educação.197

Ações mais significativas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

O FNDE204 também financia projetos destinados à Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Especial (EE), Educação Escolar Indígena (EEI), dentre outros.

195 196

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12407&Itemid=725 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/financ-fundeb 197 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/financ-salarioeducacao 198 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-alimentacao-escolar 199 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-dinheiro-direto-na-escola 200 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-concluidos-fundescola 201 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-livro-didatico 202 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-concluidos-promed 203 Fonte: http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-transporte-escolar 204 Fonte: http://www.fnde.gov.br/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Multimídia
Políticas públicas - FUNDEB (1/2)205 Políticas públicas - FUNDEB (2/2) 206

Olhando de Perto
Visite os seguintes endereços, para saber mais sobre: A Conferência de Jomtien207 O Banco Mundial e a Educação208 Financiamento da Educação e Políticas Públicas209 Financiamento da educação infantil(Acesse o SOLAR) Financiamento do ensino médio210 Política de Fundos e o financiamento da educação211

205 206

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=5KeNVR_4IKo Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=EexWLi4JurU 207 Fonte: http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22:a-conferencia-de-jomtiene-a-educacao-para-todos-no-brasil-dos-anos-1990&catid=4:educacao&Itemid=15 208 Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-25551998000100004&lng=pt&nrm=iso 209 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v21n55/5540.pdf 210 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v15n55/a04v1555.pdf 211 Fonte: http://www.scielo.br/pdf/es/v28n100/a1228100.pdf

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Estrutura, Política e Gestão Educacional Aula 03: Política educacional. Gestão educacional. Financiamento da Educação. Avaliação do sistema escolar brasileiro. Tópico 04: Avaliação do sistema escolar brasileiro
No contexto educacional, compreende-se, cada vez mais, que a avaliação não está apenas no final do processo, mas deve estar presente em todos os momentos. Para planejar uma política o gestor precisa conhecer a realidade, ou seja: elaborar um diagnóstico.

Brasil
Desde o final dos anos 90, o MEC tem criado diversos instrumentos para avaliar a qualidade da Educação Brasileira. Na sua prática docente, é importante que o licenciado conheça-os, motivo pelo qual os apresentamos a seguir. Com as informações colhidas, o MEC e as Secretarias estaduais e municipais de Educação identificam as áreas que demandam ações para aprimorar a qualidade da Educação e reduzir as desigualdades. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e a Prova Brasil avaliam a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro. As provas, elaboradas pelo INEP, são de Português (com foco em leitura) e Matemática (com foco na resolução de problemas). É também respondido um questionário socioeconômico. A Prova Brasil, que é censitária, abrange estudantes do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, matriculados em escolas públicas urbanas e rurais com pelo menos 20 estudantes. O Saeb, que é amostral, contempla estudantes do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, das redes pública (urbano e rural) e particular, e do 3º ano do Ensino Médio das redes pública (urbana) e particular.

Leitura Complementar
SAEB e a Prova Brasil.212 Semelhanças e diferenças entre o SAEB e a Prova Brasil.(Acesse o SOLAR) O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) foi criado em 1998 para avaliar o desempenho do estudante ao final da Educação Básica. Com caráter facultativo, o ENEM era utilizado para selecionar estudantes interessados em receber bolsa do Programa Universidade para Todos (PROUNI). Em 2009, o MEC propôs a reformulação do ENEM, com a sua utilização como forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais. Para saber mais sobre o ENEM, visite o MEC213 e o INEP214. A partir de 2010, o ENEM tornou-se obrigatório para todos os estudantes do ensino médio público, permitindo, desta forma, a certificação dos cursos. Em virtude da organização de conteúdos (Linguagens e códigos, Matemática, Ciências da natureza e Ciências humanas) e das características das questões, o novo formato do ENEM tem propiciado um debate sobre a reforma do currículo do ensino médio, com a crescente integração entre as disciplinas que compõem cada área.

212 213

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=210&Itemid=324 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13318&Itemid=310 214 Fonte: http://www.enem.inep.gov.br/index.php

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Estrutura, Política e Gestão Educacional

Multimídia
Novo ENEM215

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi criado em 2007 e é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Para que o IDEB (varia de 0 a 10) de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula. Para conhecer o IDEB, clique aqui. Os resultados do IDEB em 2005, 2007 e 2009 revelam, dentre outras coisas: • a melhoria mais significativa ocorreu nos anos iniciais do ensino fundamental; • nos anos finais do ensino fundamental, o acréscimo foi modesto, embora consistente; • no ensino médio, houve apenas uma leve mudança positiva; • a diferença entre a escola pública e a escola privada é muito grande; • a maioria das metas para 2009 foram atingidas; • a Educação ainda está muito longe das metas de 2021, embora seja significativa a caminhada registrada por esses índices.

Multimídia
IDEB

A Provinha Brasil diagnostica o nível da alfabetização e do letramento, no início e no final do ano letivo, dos estudantes matriculados no segundo ano do ensino fundamental, permitindo que os professores e os gestores escolares acompanhem, avaliem e melhorem a Educação ofertada a esta clientela, com vistas a atingir uma das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE): todas as crianças devem saber ler e escrever até os oito anos de idade. Para saber mais sobre a Provinha Brasil216 A Educação Superior também tem seus instrumentos de avaliação – das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes – que compõem o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES)217, que foi criado pela Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Os dados obtidos no SINAES permitem que as Instituições de Educação Superior (IES) avaliem a sua qualidade, que os órgãos públicos planejem políticas educacionais e que a sociedade oriente as suas escolhas considerando a realidade dos cursos e das IES. A Avaliação Institucional contempla a auto-avaliação (coordenada pela Comissão Própria de Avaliação – CPA – de cada instituição) e a avaliação externa (realizada por comissões designadas pelo INEP). Conforme o SINAES, os cursos de Graduação precisam ser avaliados periodicamente, passando por 3 momentos: autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento. A Avaliação dos

215 216

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=W3gXZnW_Nv8 Fonte: http://provinhabrasil.inep.gov.br/ 217 Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php/?option=com_content&view=article&id=12303

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
cursos de Graduação gera, dentre outras informações, o Índice Geral de Cursos (IGC) e o Conceito IDD (Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado). O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), também conhecido como Provão, avalia, com o mesmo instrumento, estudantes ingressantes (no início do curso – entre 7% e 22% da carga horária total) e concluintes (no final do curso – a partir de 80% da carga horária total), permitindo avaliar o “(...) valor agregado em relação às competências e habilidades, aos conhecimentos gerais e conteúdos profissionais específicos durante a sua formação, orientando as instituições sobre a necessidade ou não de fazer ajustes ou revisões curriculares.” (http://www.inep.gov.br/superior/enade/perguntas_frequentes.htm). No período de 1996 a 2003, os cursos de graduação eram avaliados apenas pelo Exame Nacional de Cursos.218

Leitura Complementar
Quer saber mais sobre o SINAES? Avaliação das Instituições de Educação Superior219 Avaliação dos cursos de Graduação220 Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE)221

Olhando de Perto
Possíveis impactos das políticas de avaliação no currículo escolar.(Acesse o SOLAR)

Ceará
A SEDUC implantou, em 1992, o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (SPAECE)222, que fornece informações da qualidade da Educação disponibilizada na rede pública, as quais são ponto de partida para a formulação e acompanhamento das políticas educacionais. O SPAECE tem três focos: a alfabetização (2° ano do Ensino Fundamental), o ensino fundamental (5° e 9° anos) e o ensino médio (1ª, 2ª e 3ª séries). Nestes dois últimos, as provas avaliam as competências e habilidades nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática.

218 219

Fonte: http://www.inep.gov.br/superior/provao/ Fonte: http://www.inep.gov.br/superior/avaliacao_institucional/ 220 Fonte: http://www.inep.gov.br/superior/condicoesdeensino/ 221 Fonte: http://www.inep.gov.br/superior/enade/ 222 Fonte: http://www.spaece.caedufjf.net/spaece-inst/

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Estrutura, Política e Gestão Educacional
Atividade de Portfólio
1. Leia um artigo das seções Olhando de Perto desta aula e redija um texto com as seguintes informações: i) O título e o(a) autor(a); ii) As principais ideias do documento; e iii) Sua opinião (concorda ou discorda), com argumentos, sobre as ideias citadas no item anterior e o que você aprendeu (e/ou as dúvidas que surgiram) com esta atividade. Coloque a sua produção (Aula3_AP1.doc) no seu portfolio. 2. Objetivando consolidar o que estudamos ao longo desta disciplina, vocês vão realizar, individual ou coletivamente (até quatro estudantes por equipe), uma pesquisa de campo numa escola pública, conforme o roteiro anexo(Acesse o SOLAR). Coloque o resultado (Aula3_AP2.doc) nos Portfólios individual e do grupo.

Fórum
Posicione-se (favoravelmente ou contrariamente), citando algumas contribuições teóricas desta aula e situações do cotidiano, sobre a seguinte afirmação: “A Sociedade civil é corresponsável pelo sucesso (e fracasso) das políticas educacionais”. Comente, com argumentos e/ou exemplos, a participação de um(a) colega.

Referências
BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Básica. Caderno 1: Conselhos Escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Disponível aqui223. Acesso em: 14 nov. 2007. ______. MEC. Secretaria de Educação Básica. Caderno 5: Conselho Escolar, gestão democrática de educação e escolha do diretor. Disponível aqui224. Acesso em: 14 nov. 2007. ______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível aqui225. Acesso em: 29 out. 2007. ______. Lei no 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação. Disponível aqui226. Acesso em: 14 nov. 2007. CEARÁ. Estrutura organizacional da SEDUC. Disponível aqui227. Acesso em: 29 out. 2007. FRANÇA, Magna. Financiamento da educação: política, mobilização de recursos e programas para o ensino fundamental. In: CABRAL NETO, Antônio (Org.). Política educacional: desafio e tendências. Porto Alegre: Sulina, 2004. p. 67-96.

223 224

Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad1.pdf Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf 225 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm 226 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm 227 Fonte: http://download.seduc.ce.gov.br/documentos/powerpoint/estrutura_organizacional_da_seduc.ppt

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