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ELO FRACO DAS

CERÂMICAS
Vinicius Pavesi Fardin
Vitor Guarçoni de Paula
Fábio Cesar Lorenzoni
Gerson Bonfante

INTRODUÇÃO
A necessidade do entendimento de como os fracassos em próteses fixas dentárias acontecem
é de fundamental importância para que medidas preventivas, durante todas as fases da
reconstrução, possam ser realizadas com o objetivo de preveni-los. Essa abordagem não é
recente, pois trabalhos na década de 60 já se preocupavam em responder questões como:
! por quanto tempo uma coroa unitária ou uma prótese fixa extensa deveria se apresentar
sem falhas que justificassem sua substituição?
! quais seriam as principais razões e os fatores de risco que levariam aos fracassos?
! os controles rotineiros dos pacientes seriam capazes de evitar ou prorrogar a perda de
peças protéticas fixas?

As pesquisas que avaliam as causas dos fracassos foram primeiramente voltadas para responder
essas e outras questões em relação às próteses metaloplásticas e metalocerâmicas e, atualmen-
te, focam suas atenções em próteses ceramocerâmicas.

Considerando que as pesquisas clínicas teorizam e qualificam as causas do insucesso


e apontam os principais fatores de risco para situações clínicas específicas, por que
não utilizar esses dados a favor de uma longevidade clínica maior, aumentando a
satisfação pessoal tanto do profissional quanto do paciente?

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Se existem contraindicações para os sistemas cerâmicos, elas deveriam ser respeitadas para
aumentar a taxa de sobrevida dos trabalhos protéticos. Por exemplo, uma contraindicação
para o sistema ceramocerâmico quase absoluta na literatura e unânime entre os fabricantes
relaciona-se com os pacientes que apresentam hábitos parafuncionais, como os bruxômanos,
e a indicação principal para a reconstrução protética nesses pacientes ainda é a metalocerâmica,
com alterações no desenho da infraestrutura (I.E.) deixando a superfície oclusal em metal.
Outro elo frágil está na área de conexão entre o pôntico e o pilar das I.E.s cerâmicas, e cada
sistema cerâmico apresenta áreas mínimas específicas.

Se as áreas de conexão são conhecidas e não respeitadas, o risco de fratura precoce


aumenta em decorrência da ausência de critério durante a seleção do sistema cerâ-
mico a ser utilizado pelo profissional.

OBJETIVOS
Após a leitura deste artigo, espera-se que o leitor possa:
! identificar os principais componentes envolvidos nos insucessos dos sistemas cerâmicos;
! reconhecer a importância do entendimento do clínico frente à mecânica das falhas;
! indicar, com evidências científicas e margem de sucesso, o sistema ideal para cada
caso de reabilitação protética.

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ESQUEMA CONCEITUAL

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FRACASSO E SUCESSO
O conceito de fracasso é amplo e controverso quando analisado na literatura, pois pode ser
de origem biológica, mecânica, técnica ou combinada e reversível ou irreversível. Assim, a
ocorrência de uma pequena fratura da porcelana de revestimento de uma coroa
ceramocerâmica, que pode ser reparada por meio de um simples procedimento de polimen-
to ou de reanatomização com auxílio de sistema adesivo e de resina composta sem a substitui-
ção da peça, é classificada como um fracasso reversível (Figuras 1A-B). Considerando-se que
a prótese não foi substituída, o melhor termo a ser empregado para a situação seria fracasso
ou sucesso?

A abordagem das falhas e dos insucessos é um assunto que ainda provoca muita
polêmica e discussão, tanto na literatura específica quanto em congressos e reuniões
da classe.

A B

Figura 1 – A) Coroa ceramocerâmica de dissilicato de lítio fraturada no incisivo lateral superior. B) Coroa
ceramocerâmica reparada com resina composta.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Estudos de revisão sistemática, que se encontram no ápice da evidência científica, são capazes
de direcionar a investigação de determinado assunto a partir de critérios de inclusão e acho q tem
exclusão de estudos de acompanhamento clínico. Dessa forma, os estudos de revisão um espaço
sistemática conseguem classificar suas avaliações em dois tópicos distintos: fracasso e sucesso, entre o “ã”
o que permite que os resultados se tornem comparáveis. e o “o”

Os estudos de acompanhamento clínico são capazes de apresentar resultados durante


períodos, tanto no momento da cimentação do material restaurador quanto em
consultas de rotina. 1-2

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A classificação a seguir é encontrada frequentemente na literatura para a avaliação da
longevidade de materiais restauradores:
! sucesso – ausência de danos e complicações localizados em coroas unitárias ou próteses
parciais fixas (PPFs) de materiais restauradores;
! sobrevivência – presença de complicações reparáveis em coroas unitárias ou PPFs de
materiais restauradores, sem prejudicar os fatores funcionais e/ou estéticos, que podem
ser divididas em complicações mecânicas (na maioria das vezes, caracterizadas por
fratura da cerâmica de revestimento, fratura da I.E., perda de retenção, discrepância
marginal) e complicações biológicas (na maioria das vezes, caracterizadas por cárie
secundária, problemas de origem endodôntica, fratura de dente, doença periodontal);
! fracasso – presença de danos irreparáveis localizados em coroas unitárias e/ou PPFs
de materiais restauradores. Na maioria das vezes, tais danos caracterizam-se por fra-
tura extensa das cerâmicas, fraturas catastróficas, fratura de dentes pilares, fraturas
na região de conectores. fratura catastrófica (da porcelana de revestimento e I.E)

Os estudos de acompanhamento clínico, muitas vezes, não permitem a comparação entre


artigos por apresentarem grande variabilidade de fatores que, por fim, influenciam seus
resultados finais. Dentre eles, ressaltam-se:
! a diferença entre os sistemas cerâmicos;
! as condições e o período de tempo das avaliações;
! a variabilidade conceitual do termo “ falha ”;
! a localização da coroa (anterior ou posterior);
! a técnica e o tipo de cimento utilizado durante a cimentação;
! a análise estatística e os critérios de inclusão e de exclusão dos indivíduos nesse tipo
de pesquisa.

As projeções sobre a real efetividade do tratamento restaurador são consideradas,


no mínimo, de difícil discussão.

Dentre os fatores mencionados, o que mais chama atenção é o critério de exclusão dos
possíveis candidatos a pacientes das pesquisas clínicas.

O principal critério de exclusão para os clínicos e fabricantes é o hábito parafuncional,3-5


popularmente conhecido como bruxismo e/ou apertamento de dentes.

Alta atividade cariogênica, 6-7 pobre higiene oral, 6 doença periodontal, 3-4,8 nível de inserção
óssea 9 e mobilidade dentária 4 são fatores adicionais investigados durante o processo de seleção
dos possíveis candidatos como critérios de exclusão, diferentemente dos trabalhos de longo
prazo de restaurações metalocerâmicas, nos quais esse raciocínio de inclusão e de exclusão
de pacientes é pouco visto.

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As próteses metalocerâmicas já foram exaustivamente pesquisadas por vários centros
de estudos em acompanhamentos clínicos de longo prazo. No caso de sistemas
ceramocerâmicos, não se pode dizer o mesmo, pois o tempo de acompanhamento
clínico desses materiais ainda é restrito, com tempo médio de acompanhamento de
cinco anos para quase todos os sistemas totalmente cerâmicos. Dessa forma, conside-
ra-se que, apesar de os estudos apresentarem critérios de exclusão e tempo de
acompanhamento clínico diferentes, esses fatores complicadores são tolerados, e
comparações entre os diferentes materiais restauradores são realizadas a fim de
garantir ainda resultados proveitosos.

Desde a introdução das cerâmicas feldspáticas por Land em 1903, 10 as cerâmicas odontológicas
têm passado por diversos processos evolutivos. As primeiras coroas cerâmicas não apresenta-
vam resistência suficiente para suportar os esforços mastigatórios, principalmente na região
posterior, além de sua técnica de confecção ser extremamente complexa. A combinação da
estrutura cerâmica com I.E.s metálicas foi uma tentativa de solucionar as deficiências das cerâmi-
cas, como a baixa resistência às forças de tração. As restaurações metalocerâmicas combina-
vam a estética da cerâmica com a ductilidade e a resistência do ouro (liga de metais nobres). 11

As ligas nobres são consideradas como material de primeira escolha, mas caíram
em desuso por seu elevado custo. 12 Assim, novas ligas de metais básicos e, posterior-
mente, cerâmicas de alta resistência foram introduzidas e adaptadas como I.E.s. 13-14

A estabilidade química, a alta resistência à compressão, a estética excelente e duradoura e a


biocompatibilidade, com menores índices de aderência de biofilme, são algumas das carac-
terísticas das cerâmicas odontológicas. Além disso, o módulo de elasticidade, a dureza, a
densidade, a condutibilidade térmica e o coeficiente de expansão térmica (CET) são proprie-
dades muito semelhantes, compartilhadas pela porcelana feldspática e pelo esmalte dentário.13
Essas características colocam as porcelanas como o material de eleição destinado à repo-
sição da estrutura dentária perdida, visto que apresentam características que permitem
reproduzir, com muita eficiência, as nuances de cor, forma e textura superficial encontradas
na dentição natural15-16 (Figura 2).

Figura 2 – Imagem clínica mostrando uma coroa ce-


ramocerâmica de dissilicato de lítio no incisivo lateral
em que é possível observar o padrão de mimetização
com as estruturas dentais hígidas adjacentes (canino
e incisivo central superior).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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Embora, atualmente, as coroas metalocerâmicas sejam consideradas o padrão-ouro na
odontologia reconstrutiva por sua larga aplicação e taxa de sucesso comprovada nos últimos
40 anos, 1 elas podem apresentar alguns resultados indesejáveis no que diz respeito a
estética e biocompatibilidade, como: 1,17
! o sombreamento metálico na região gengival;
! relatos de hipersensibilidade relacionada às ligas metálicas;
! maior acúmulo de biofilme.

As complicações referidas estimularam o desenvolvimento de novos materiais cerâmicos,


mais resistentes, biocompatíveis e estéticos. O avanço científico também proporcionou a
diversificação, a difusão e a popularização das coroas totalmente cerâmicas ou ceramocerâ-
micas, tornando-as cada vez mais acessíveis para os profissionais. 12

COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS CERÂMICOS


Para o melhor entendimento da composição dos materiais cerâmicos, alguns pesquisadores18-
19
decidiram desmistificar os sistemas cerâmicos por meio de conceitos básicos. Um ponto
abordado é a correlação entre translucidez e resistência dos materiais.

As cerâmicas mais resistentes são mais opacas, enquanto as cerâmicas mais translú-
cidas são consideradas cerâmicas de estética favorável; porém, mais frágeis. 20 Logo,
translucidez e resistência podem ser consideradas características inversamente propor-
cionais.

A determinação de conceitos de cerâmicas odontológicas por meio de sua composição se faz


necessária para possibilitar o seu melhor desempenho em funções diferentes. Muitas cerâmicas
comercialmente importantes podem ser compreendidas no contexto dos dois conceitos descri-
tos a seguir. 18

1. As cerâmicas podem ser distribuídas em três categorias de composição de acordo com


alguns autores (Figura 3): 20-21
! predominantemente vítrea;
! vítrea com partículas infiltradas;
! policristalina.

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Cerâmica vítrea Cerâmica semi-cristalina Cerâmica policristalina

Figura 3 – Desenho esquemático dos tipos de matrizes cerâmicas.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Outros autores13,22 sugerem a criação de mais uma categoria além das três referidas, que
seria chamada de cristalina ou de cerâmicas infiltradas e possuiria as cerâmicas à base de
alumina (Al2O 3) infiltrada por vidro (In-Ceram Alumina, In-Ceram Spinell) e uma mistura de
com
zircônia (ZrO 2) e alumina infiltrada por vidro (In-Ceram Zircônia) como integrantes. Assim,
classificações mais recentes e confiáveis são necessárias.

2. Os dentistas podem considerar praticamente qualquer cerâmica dentro desse espectro


como um compósito, ou seja, uma composição de duas ou mais entidades. Embora os
dentistas geralmente usem o termo “ compósito ” para as resinas preenchidas por partículas,
esse conceito também deve incluir as cerâmicas dentárias, conhecidas como cerâmicas se-
micristalinas, constituídas de matriz de vidro e preenchidas ligeiramente ou altamente com
partículas (partículas cristalinas que se fundem a temperaturas elevadas). Para cerâmicas
policristalinas, aquelas que não contêm vidro, a matriz normalmente é algum óxido metáli-
co, normalmente o óxido de alumínio ou óxido de zircônio com agentes infiltrados chamados
de “ dopantes” (Figura 4). 18

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Figura 4 – Esquema determinando as diferenças entre as categorias cerâmicas.
Fonte: Adaptado de Kelly (2008). 18

Apesar do grande avanço científico e da melhora das propriedades mecânicas dos diversos
sistemas cerâmicos, nenhum trabalho científico sobre eles demonstrou uma longevidade
similar à do sistema metalocerâmico, principalmente quando as coroas são localizadas na
região posterior. 1,12 Como a maioria dos sistemas cerâmicos disponíveis é recente, os trabalhos
de acompanhamento clínico longitudinal apresentam resultados de períodos considerados
curtos (média de cinco anos) quando comparados aos encontrados com o sistema metaloce-
râmico (média acima de 10 anos). As coroas ceramocerâmicas acompanhadas por cinco anos
apresentam taxa de sobrevivência de 93,3 % contra 95,5 % das coroas metalocerâmicas.
Quando essas coroas totalmente cerâmicas são posicionadas na região posterior, a sobrevida
diminuiu para 90,1 % . 1

As porcelanas odontológicas apresentam natureza vítrea e, assim como o vidro, possuem


alta resistência às forças compressivas, mas tendem a sucumbir às forças de tração, 11,13,23-24
haja vista sua friabilidade. Com o objetivo de suprir essa deficiência, foram desenvolvidos
novos materiais cerâmicos particulados ou semicristalinos (contendo uma quantidade menor
de vidro), e cristalinos ou policristalinos (sem material vítreo). 11
e

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Do ponto de vista mecânico, a adição parcial ou mesmo total de substâncias cristalinas (em
sua maioria, óxidos metálicos) na composição das cerâmicas é extremamente benéfica, pois,
à medida que a fase cristalina sobrepõe-se à vítrea, há melhora da resistência a forças trativas
e compressivas, ao desgaste e dificuldade da propagação interna de trincas. Contudo, à
medida que ocorre esse aumento do conteúdo cristalino, observam-se, também, perdas de
diversas características ópticas, deixando o material mais opaco, o que prejudica suas característi-
cas estéticas e limita suas indicações, principalmente no que tange à região anterior. 11,13,25-26

Com o intuito de balancear estética e função, as cerâmicas semicristalinas tentam


alinhar a estética das cerâmicas vítreas com a resistência proveniente dos cristais.
Sua composição básica é uma matriz vítrea enriquecida com certa quantidade de
cristais. 11,13,26

Como o objetivo da indústria e dos pesquisadores sempre foi melhorar as propriedades dos
materiais, teste laboratoriais são necessários. Esses testes possuem a capacidade de simular,
de maneira fiel, as situações clínicas; entretanto, algumas variáveis intrabucais continuam
tendo sua reprodução limitada. Essas variáveis podem incluir:
! a geometria da restauração;
! os complexos dinâmicos do ciclo de mastigação;
! a oclusão dentária;
! as propriedades mecânicas;
! a complexidade da estrutura do dente juntamente com os tecidos de suporte;
! o tipo e a consistência de alimentos.

Infelizmente, os fatores citados ainda não estão ao alcance dos mais sofisticados simuladores
de mastigação, o que garantiria uma reprodução precisa e realista. 27

Os testes laboratoriais, por si só, podem oferecer uma previsão limitada do desempe-
nho das restaurações testadas e de sua aplicabilidade em ambiente clínico, 28 mas,
frequentemente, os resultados desses testes corroboram estudos de avaliação clínica
de longevidade.

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1. Quais são os questionamentos ainda encontrados na literatura desde a década de 60
sobre os fracassos em próteses fixas dentárias?

Resposta no final do artigo

2. Considerando que as pesquisas clínicas teorizam e qualificam as causas do insucesso e


apontam os principais fatores de risco para situações clínicas específicas, qual é o principal
objetivo de sua aplicabilidade?

Resposta no final do artigo

3. Quais são as diferenças básicas e a correlação entre estudos de revisão sistemática e


estudos de acompanhamento clínico?

Resposta no final do artigo

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4. Analise as afirmativas considerando a classificação da avaliação da longevidade de mate-
riais restauradores.
I – O sucesso consiste na ausência de danos e complicações localizados em coroas unitá-
rias ou PPFs de materiais restauradores.
II – A sobrevivência caracteriza-se pela presença de complicações reparáveis em coroas
unitárias ou PPFs de materiais restauradores, sem prejudicar os fatores funcionais e/ou
estéticos, e que podem ser divididas em complicações mecânicas e biológicas.
III – O fracasso implica a presença de danos irreparáveis localizados em coroas unitárias
e/ou PPFs de materiais restauradores, como fratura extensa das cerâmicas, fraturas
catastróficas, fratura de dentes pilares, fraturas na região de conectores.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

5. Assinale a alternativa INC ORRETA quanto às pesquisas clínicas sobre tratamento restaura-
dor.
A) O principal critério de exclusão dos possíveis candidatos a pacientes de um tratamento
restaurador é o hábito parafuncional, popularmente conhecido como bruxismo e/ou
apertamento de dentes.
B) Alta atividade cariogênica, pobre higiene oral, doença periodontal, nível de inserção
óssea e mobilidade dentária são fatores adicionais investigados durante o processo
de seleção dos possíveis candidatos como critérios de exclusão.
C) As próteses metalocerâmicas já foram exaustivamente pesquisadas por vários centros
de estudos em acompanhamentos clínicos de longo prazo, assim como os sistemas
ceramocerâmicos.
D) As ligas nobres são consideradas como material de primeira escolha, mas caíram em
desuso por seu elevado custo.
Resposta no final do artigo

6. Cite sete características das cerâmicas odontológicas.

Resposta no final do artigo

20 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


7. Quais são os resultados indesejáveis das coroas metalocerâmicas?

Resposta no final do artigo

8. Em relação à composição dos materiais cerâmicos, explique a correlação entre translucidez


e resistência.

Resposta no final do artigo

9. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) considerando os tipos de cerâmica conforme sua


composição.
( ) As porcelanas odontológicas não contêm vidro, e sua matriz normalmente é algum
óxido metálico, como o óxido de alumínio ou o óxido de zircônio com agentes infil-
trados chamados de “ dopantes” .
( ) As cerâmicas policristalinas apresentam natureza vítrea e, assim como o vidro, pos-
suem alta resistência às forças compressivas, mas tendem a sucumbir às forças de
tração.
( ) As cerâmicas semicristalinas são constituídas de matriz de vidro e preenchidas ligeira-
mente ou altamente com partículas (partículas cristalinas que se fundem a temperatu-
ras elevadas).
( ) Com o intuito de balancear estética e função, as cerâmicas semicristalinas tentam
alinhar a estética das cerâmicas vítreas com a resistência proveniente dos cristais.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) F – F – V – V.
B) F – F – V – V.
C) V – F – V – F.
D) V – V – F – F.
Resposta no final do artigo

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10. Como o objetivo da indústria e dos pesquisadores sempre foi melhorar as propriedades
dos materiais, teste laboratoriais são necessários. Esses testes possuem a capacidade de
simular, de maneira mais fiel, as situações clínicas; entretanto, algumas variáveis intrabucais
continuam tendo sua reprodução limitada. Quais são elas?

MECÂNICA E LOCALIZAÇÃO DAS FALHAS


Mesmo com os diversos sistemas cerâmicos disponíveis no mercado e os avanços científicos
desde a sua introdução, as cerâmicas odontológicas ainda são alvo de inúmeras falhas e
insucessos clínicos, dentre os quais as falhas mecânicas são as principais. Inúmeras são as
discussões em trabalhos clínicos e laboratoriais na tentativa de elucidar a mecânica e a preven-
ção das falhas com o único objetivo de melhorar o prognóstico e a satisfação tanto do
cirurgião-dentista (CD) quanto do paciente.

As restaurações totalmente cerâmicas apresentam, como maior falha resultante da propagação


de trincas, as fraturas (Quadro 1), que podem ser: 1,25
! coesivas – restritas à porcelana de cobertura;
! catastróficas – envolvendo tanto a porcelana de cobertura quanto a I.E., o que leva
à perda da restauração protética.

O sucesso do sistema cerâmico depende significativamente da prevenção da propaga-


ção das trincas.

22 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Quadro 1
SOBREVIVÊNCIA E FALHAS DE PRÓTESES TOTALMENTE CERÂMICAS

Estudo/ano Tempo de Tipo de Complicações Taxa de


acompanhamento restauração sobrevivência

Vult von 2 anos PPF de zircônia 3 fraturas 100 %


Steyern/2008 coesivas da (todas as
porcelana complicações
1 tratamento foram passíveis
endodôntico de reparo)

Oden/1998 5 anos Coroas de 2 tratamentos 97 %


alumina endodônticos
densamente 2 fraturas
sinterizadas coesivas da
(Pro Cera) porcelana
1 cárie
3 fraturas
catastróficas

Odman/2001 5 a 10,5 anos Coroas de 11 93,5 %


alumina descimentações
densamente 5 fraturas
sinterizadas coesivas da
(Pro Cera) porcelana
3 cáries
2 tratamentos
endodônticos
4 fraturas
catastróficas

Frankenberger/ 6 anos Inlays e onlays 5 fraturas 93 %


2000 de cerâmica à catastróficas
base de leucita 1 tratamento
endodôntico
2 sensibilidades
pós-operatórias

Sorensen/1998 3 anos PPF de alumina 7 fraturas 82,5 %


infiltrada por vidro (PPF posterior)

Vult von 5 anos PPF de alumina 2 fraturas 90 %


Steyern/2001 infiltrada por
vidro

McLaren/2000 3 anos Coroas de 4 fraturas 98 % coroas


alumina catastróficas anteriores
infiltrada por 2 fraturas 96 % coroas
vidro coesivas da posteriores
porcelana
3 remoções
por insatisfação

Fonte: Adaptado de Conrad HJ, et al (2007). 25

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Como foi dito anteriormente, as cerâmicas vítreas apresentam alta resistência à compressão;
porém, são extremamente fracas quando submetidas às forças de tração e incapazes de
suportar deformações acima de 0,1 a 0,3 % sem fraturar. 13,29-30

Um dano na cerâmica é iniciado quando a resistência às forças compressivas ou


trativas é vencida por alguma força externa. A partir desse momento, a falha inicia-
se, e a trinca propaga-se até ocorrer a fratura. Esse processo pode ser de evolução
rápida ou lenta.

As falhas sempre tendem a iniciar a partir do ponto mais fraco. Como a resistência à tração
é muito menor do que à compressão, as falhas geralmente partem do ponto onde a cerâmica
é tracionada (Figura 5). 11,13,31

Figura 5 – 1) A imagem ilustra uma barra cerâmica sobre duas hastes circulares sendo submetida a uma força
(seta). Quando a força é aplicada sobre a cerâmica, há formação de estresse de compressão imediatamente
abaixo da força (representada pela cor azul) e de estresse de tração (vermelho) no ponto inferior da barra em
função da tendência de flexão desta. Como a cerâmica não suporta ser tracionada, ocorre a formação de
trincas (2) que levam à fratura da peça (3).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

24 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Em vista de as falhas sempre tenderem a iniciar a partir do ponto mais fraco, as fraturas das
cerâmicas sempre partem das superfícies distantes da área de contato (local onde a força é
de origem trativa). No caso das coroas cerâmicas sobre dentes, elas partem da superfície de
cimentação ou das áreas de conectores das PPFs em sua superfície gengival (Figuras 6 e 7A-C).

Figura 6 – Ilustração indicando, em vermelho, a lo-


calização das tensões do tipo tração em PPF.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 7 – A) A imagem mostra a origem de fratura


localizada na região gengival do conector da esquer-
da. O conector da direita apresenta a zona de compe-
tição de tensão (região de tração e de compressão).
B) Extensão das trincas em diferentes sentidos advinda
de regiões distintas. A região de conectores apresenta-
se como a região mais vulnerável de PPFs. C) A região
de tração proporcionou a primeira origem da trinca.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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O dente antagonista, quando entra em contato com a cerâmica, gera uma área de compressão
e, distante a ele, a formação de uma área de tração, a qual pode facilitar a formação de
trincas e/ou fraturas. 32 Essa forma de fratura era o principal modo de falha das cerâmicas no
início do século XX, principalmente pela grande fragilidade da cerâmica disponível e pela
falta de adesão das cerâmicas à estrutura dental. 11

A incorporação das I.E.s (metálicas e cerâmicas) e da odontologia adesiva melhorou


o prognóstico das cerâmicas do ponto de vista mecânico.

IMPORTÂNCIA DAS INFRAESTRUTURAS NO MECANISMO DAS FRATURAS


O conceito da I.E. vem da utilização de materiais (metal ou cerâmicas de alta resistência) com
módulo de elasticidade maior do que a da cerâmica de revestimento, ou seja, mais rígidos. A
I.E. tem a finalidade de fornecer suporte estrutural e evitar que essa frágil cerâmica de
revestimento sofra qualquer tipo de flexão e venha a fraturar. Dessa maneira, toda força
incidida sobre a superfície da cerâmica de revestimento é convertida em força compressiva e
transportada para a I.E., que é mais resistente e preparada para tal (Figuras 8A-B). 13,24,30,33

A B

Figura 8 – Imagem esquemática. A) Coroa com porcelana de revestimento sem suporte, o que facilita a
formação de tensão de tração durante a função, predispondo à fratura dessa porcelana. B) Desenho adequado
da I.E., em que a porcelana de revestimento apresenta-se suportada, dificultando a formação das tensões
trativas, o que também dificulta a formação de trincas e fraturas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

26 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Quando é analisada a resistência das cerâmicas de cobertura isoladas, ela é muito aquém da
resistência dos materiais utilizados para I.E. (metais e/ou cerâmicas semi ou totalmente cristali-
nas); porém, quando são comparadas a resistência da I.E. isolada e a do conjunto cerâmica/
I.E., os valores são próximos23-24,33 (Tabelas 1 e 2).

Tabela 1
DADOS REFERENTES A RESISTÊNCIA FLEXURAL, MÓDULO DE ELASTICIDADE, DUREZA E
TENACIDADE À FRATURA DE ACORDO COM OS FABRICANTES

Material Resistência Módulo de Dureza Tenacidade


flexural elasticidade (GPa) à fratura
(MPa) (GPa) (MPa.m1/2)

Liga nobre (60 % Au e 30 % Pd) 782 130

Liga Ni-Cr 1.488

Liga Co-Cr 2.654

Cerâmica feldspática (porcelana) 90 68 6,4 0,9

Alumina infiltrada por vidro 500 265 11 4,4

Alumina densamente sinterizada 687 400 12,3 4,48

Dissilicato de lítio (injetado) 400 95 5,5 3

Dissilicato de lítio (C AD) 360 95 5,5 3

Zircônia (Y-TZP) 900 a 1.200 220 13,5 9

Au: ouro. Pd: paládio. Ni-Cr: níquel-cromo. Co-Cr: cobalto-cromo. C AD: computer aided design . Y-TZP: yttria-
tetragonal zirconia polycrystal .
Fonte: Adaptada de Anusavice KJ (2005). 13 Rekow D et al (2007). 24 Guess PC et al (2011)26 Vagkopoulou T et al
(2009). 34 Rocha et al (2006). 35 Ucar Y et al (2011). 36

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Tabela 2
IMPORTÂNCIA DA INFRAESTRUTURA NA RESISTÊNCIA FINAL DO SISTEMA

Grupos estudados Tensão necessária para a fratura

Zircônia 1.150MPa

Porcelana de revestimento 95MPa

Porcelana sobre a zircônia (relação oclusal) 1.210MPa

Zircônia sobre a porcelana (porção gengival de PPFs) 140MPa

Fonte: Guazzato et al. 2004. 33

Do ponto de vista clínico, a proveniência de suporte por parte da I.E. proporciona menores
estresses de tração, o que leva a menores índices de trincas. 13,24,30-31,33

As áreas das próteses que apresentam as maiores concentrações de tração são as


superfícies de cimentação e as áreas de conectores de PPF na superfície gengival
sob o contato oclusal. 23,31,33,37 As trincas formadas nesses campos sob força trativa,
em sua maioria, levam a falhas catastróficas, que são difíceis ou impossíveis de
serem reparadas, como também podem causar a fratura dos conectores tanto de
PPFs metalocerâmicas como ceramocerâmicas. 38-40

A resistência à formação de trinca nas áreas com maior concentração de tração está diretamen-
te relacionada à quantidade de suporte que a I.E. é capaz de fornecer. Em ordem crescente
de qualidade de suporte para a cerâmica vítrea, podem-se nomear: 41
! dissilicato de lítio;
! alumina infiltrada por vidro;
! zircônia infiltrada por vidro;
! alumina densamente sinterizada;
! zircônia parcialmente estabilizada.

Observações clínicas mostram que a fratura das coroas estratificadas inicia-se na parte mais
frágil. Quando uma I.E resistente e forte é revestida com uma cerâmica frágil, as falhas
geralmente ocorrem na cerâmica de cobertura ou na união entre ela e a I.E. 42 Esse tipo de
falha é conhecido como falha coesiva, na qual parte da cerâmica de cobertura sofre fratura,
expondo ou não parte da I.E. (Figuras 9A-B e 10).

28 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A B

Figura 9 – Fratura coesiva da porcelana de revestimento de uma coroa metalocerâmica no elemento 21. A)
Vista vestibular. B) Vista incisal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 10 – Fratura coesiva da porcelana de revesti-


mento de uma coroa unitária metalocerâmica com
exposição da I.E.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Max Dória Costa.

Geralmente, as falhas coesivas são passíveis de reparo com acréscimo de resina


composta, salvo quando sua extensão impeça o reparo. 43

Falhas provenientes das I.E.s ou que as atingem não são raras e, quando ocorrem, geralmente
estão ligadas a alguma sobreindicação, como: 23-24,29,44
! PPF muito extensa;
! pacientes com algum hábito parafuncional sem o uso da placa miorrelaxante;
! problemas internos do material.

A espessura do conector também pode propiciar o aumento da resistência das PPFs


ceramocerâmicas às tensões de tração, aumentando, assim, sua longevidade. 45 Autores defen-
dem o não recobrimento da I.E. na região de conectores a fim de possibilitar maior resistência
por meio do aumento da área e diminuir a presença de falhas causadas pelas tensões de
tração na área (Figura 11). 33,46-48
área de I.E. e ….

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 29


Figura 11 – PPF metalocerâmica com a área de cone-
xão fraturada (círculo) em função da pouca espessu-
ra do conector.
Fonte: Arquivo de imagens da Dra. Maiara Campos Linhares.

Os desenhos dos conectores também contribuem para a longevidade clínica de reabilitações.


Conectores com altura aumentada geram menor concentração de tensões quando comparados
a conectores de largura aumentada (Figuras 12A-C e 13A-B). 31,49-50

A B

Figura 12 – A) PPF de zircônia com conectores de


dimensões convencionais. B-C) I.E. de desenho modi-
ficado com conectores de dimensões aumentadas
(setas azuis), postes proximais e cinta lingual com o
objetivo de aumentar a longevidade da PPF.
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 13 – A) PPF de zircônia (Zr) após receber a porcelana de recobrimento (P) e com presença do poste
proximal (*). B) Região dos conectores sem cobertura de porcelana. Entretanto, o glazeamento da I.E. faz-se
necessário. Com isso, diminui-se a concentração de tensão na região gengival do conector.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

30 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Um artigo científico mostrou que, quando a anatomia da região gengival do conector
apresenta seu contorno com ângulo fechado, ou seja, similar ao desgaste proporcio-
nado por um disco diamantado, o nível de concentração de tensão na região aumen-
tará e, possivelmente, comprometerá biomecanicamente a PPF (Figuras 14A-B). 37
…aumenta, comprometendo a PPF biomecanicamente.

A B

Figura 14 – A) Acabamento realizado na região do conector com discos podendo causar maior concentração
de tensão. B) Acabamento feito de maneira correta.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

ODONTOLOGIA ADESIVA NO MECANISMO DAS FRATURAS


Quando se pensa em um piso cerâmico antes de sua instalação, sempre se tem em mente
sua fragilidade. O indivíduo que irá instalá-lo sempre toma bastante cuidado no seu manejo,
na
pois qualquer excesso de força acarretará fratura. Entretanto, após a colocação do piso sobre
a argamassa e sua presa, este pode suportar elevadas cargas sem sofrer qualquer tipo de
dano. Esse processo é possível pelo meio da adesão, em que o piso cerâmico, a argamassa e
o chão funcionam como um corpo único, e toda força incidida sobre o piso é transferida para
o material rígido que se encontra sob a argamassa.

As cerâmicas vítreas e semicristalinas à base de leucita e dissilicato de lítio são cerâmicas


conhecidas como acidossensíveis, ou seja, reagem com o ácido fluorídrico e com o silano
para permitir a cimentação por meio de cimentos à base de resina. A cimentação adesiva
dessas cerâmicas, além de proporcionar melhor retenção ao preparo, também proporciona
aumento geral da resistência, pois o conjunto formado por coroa, cerâmica e substrato dental
passa a se comportar como um corpo único. Dessa maneira, as forças incididas sobre a
superfície da cerâmica são naturalmente transmitidas para o substrato dental, 11,51 que passa
a se comportar de forma similar a uma I.E. (Figuras 15A-B).

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 31


A B

Figura 15 – A) Esquema ilustrativo mostrando, em vermelho, a película de cimento em uma coroa unitária.
Nota-se que o cimento preenche todos os espaços entre o dente preparado e a I.E. da coroa. B) Imagem de
estereomicroscópio de uma coroa unitária ceramocerâmica com I.E. de zircônia (Zr) cimentada sobre um
troquel de resina composta (RC). Nota-se que a película de cimento (delimitada com o traçado) preenche os
espaços presentes entre o troquel e a I.E. sem solução de continuidade entre a coroa e o troquel.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

INTERAÇÃO DA FADIGA COM A PROPAGAÇÃO LENTA DAS TRINCAS


É comum, no ambiente clínico, o CD, diante de uma prótese fraturada, deparar-se com o
seguinte relato do paciente: “ doutor, eu estava comendo um pedaço de pão e a coroa que-
brou ” . Na grande maioria das vezes, o alimento macio foi a força que precisava para deslocar
a fratura proveniente de um dano cumulativo imperceptível para o paciente. Esse fato
ocorre porque, dificilmente, as fraturas acontecem por alguma força extrema que causa a
ruptura da cerâmica. 52 Antes de ocorrer a fratura, os sentidos protetores do ligamento
periodontal enviam uma mensagem para o paciente abrir a boca. 53 O mesmo não pode ser
dito quando são considerados os implantes dentais, pois a ausência do ligamento periodontal
na interface implante/osso compromete esse mecanismo protetor54-55 e faz com que o paciente
morda com uma força muito maior.

Estudos de resistência à fratura por compressão axial demonstram magnitude de força na


ordem de 120 a 500KgF, 28,33,56-57 o que vai muito além dos níveis praticados em ambiente
fisiológico (magnitude variando de 5 a 36KgF). 28,58-59

Diversos mecanismos atuam na formação e na propagação da falhas quando as próteses


estão em função; dentre eles, os mais relevantes são:
! desgaste da camada de glaze por abrasão, atrição ou ajustes;
! fadiga;
! interação química da cerâmica com a água.

32 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


As restaurações de cerâmica estão em condições desfavoráveis na cavidade bucal,
pois estão constantemente sendo submetidas a forças mastigatórias de magnitude
de 5 a 36KgF aplicadas em ambiente aquoso, com temperatura de aproximadamente
37ºC, sofrendo mais de 10 milhões de ciclos mastigatórios por meio de cúspides de
4 a 8mm de diâmetro, o que resulta em uma média total de área de trabalho de
50mm 2 e gera estresses de 3,5 a 890MPa. 11,28

Grande parte das fraturas ocorridas nas próteses dentárias é decorrente da fadiga. A partir
do momento em que a coroa é cimentada e entra em função, ela passa a sofrer o carregamento
cíclico proveniente da função mastigatória. Durante diversas horas, os dentes entram em
contato, e a prótese passa a sofrer pequenas cargas repetidas. Sozinha, esse tipo de carga
não seria capaz de causar dano a estrutura, mas a sua associação com outros fatores poten-
cializam o surgimento das falhas. 11,28,60

O carregamento cíclico produz um desgaste na estrutura da cerâmica, que, ao longo


do tempo, ocasiona o surgimento de diversas microtrincas logo abaixo da área de
contato oclusal, onde há maior concentração de estresses. Com o carregamento con-
tínuo, as trincas vão se propagando e enfraquecendo a estrutura (Figuras 16A-C e
17A-D).

A B

Figura 16 – Coroa ceramocerâmica de zircônia sub-


metida ao teste de resistência à fadiga por intermédio
da ciclagem dinâmica após sofrer 1 milhão de ciclos
com intensidade de força de 3 a 30KgF. A) A ponteira
indica o local de contato do indentador. Nota-se o
dano que ocorre sob a área de contato. B) Corte trans-
versal da imagem em A que mostra duas trincas (pon-
teiras) com origem do contato oclusal e extensão até
a I.E. de zircônia. C) Vista aproximada de uma das
trincas da imagem B mostrando a extensão da trinca
(ponteiras) até a I.E.. P = porcelana. Zr = I.E. de zircô-
nia. RC = troquel de resina composta.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 33


A B

C D

Figura 17 – Coroa ceramocerâmica de dissilicato de lítio submetida ao teste de resistência à fadiga por
intermédio da ciclagem dinâmica após sofrer 1 milhão de ciclos com intensidade de força de 3 a 30KgF. A)
Indicação dos pontos de contato oclusal (ponteiras) na região de crista marginal com a presença de uma trinca
interna na estrutura da porcelana (B) delimitada pela linha vermelha. C-D) A ponteira indica a extensão da
trinca na região proximal nos tempos de 875 mil e 1 milhão de ciclos.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Dentro desse cenário, a água apresenta um papel importante, pois suas moléculas têm o
poder de romper as ligações da rede de silício da porcelana. Com as ligações rompidas, os
terminais hidroxila da água ligam-se ao silício da cerâmica e impedem que ocorra a reestru-
turação da rede, o que gera uma grande fragilidade do sistema, diminuindo a quantidade
de ciclos para causar uma falha mais severa. 60 Além disso, a penetração da água no interior
das trincas impulsionada pelo contato com o dente antagonista funciona como uma bomba
hidráulica que impulsiona a água para o seu interior, gerando tensões nas paredes da trinca
e favorecendo sua propagação, 61-62 muitas vezes, em níveis de tensão mais baixos do que
50 % da resistência inicial do material. 63

34 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Inevitavelmente, danos durante os processos de fabricação são suscetíveis de ocorrer.
Falhas pré-existentes, como bolhas no interior do material, podem aumentar a con-
centração de estresse em determinadas regiões, diminuir a resistência e atuar de
forma sinérgica com outros fatores para facilitar a propagação da trinca no local
(Figuras 18A-B). 37,44,64-66

A B

Figura 18 – A) Coroa ceramocerâmica com I.E. de Y-TZP e porcelana de revestimento estratificada, segmen-
tada no sentido vestibulolingual, mostrando área com concentração de bolhas na porcelana de revestimento.
B) Ampliação da região marcada com o quadrado na imagem anterior. Nota-se a presença da grande quanti-
dade de bolhas (ponteiras) presentes na porcelana inerentes à técnica de estratificação da porcelana.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Muitas vezes, ajustes de forma, oclusais e incisais e/ou no interior da peça são
necessários. Não é raro o CD executar esses procedimentos após o glazeamento da
peça, minutos antes ou até mesmo após a cimentação, como ocorre com as onlays
cerâmicas. Esses procedimentos acabam por remover a camada de glaze .

O glaze tem papel fundamental na resistência final da restauração, pois: 13,67-68


! fornece o polimento e o brilho necessários à coroa;
! fornece também o selamento de diversas microtrincas existentes na superfície;
! preenche as porosidades e as microporosidades da superfície;
! forma uma camada compressiva compactando e selando toda a estrutura cerâmica.

A remoção da camada protetora do glaze favorece o desgaste e a penetração de


água no interior da cerâmica. 63,69

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 35


A camada de glaze também pode sofrer danos com a função mastigatória. Estudos de
acompanhamento clínico mostraram que, em três anos, há um aumento significativo da
rugosidade e do desgaste da superfície da cerâmica nas áreas de contato oclusal;70 entretanto,
esse desgaste se mostrou semelhante ao desgaste encontrado quando há o contado de
esmalte/esmalte. 70-72

Danos introduzidos por procedimentos clínicos, como desgastes com pontas inadequa-
das, sobreaquecimento da cerâmica pelo uso de alta rotação sem irrigação, jateamento
com óxidos, dentre outros, mesmo que microscópicos, podem criar zonas de concen-
tração de tensão que se comportam como sítio para o início de alguma falha.63,69

Uma vez iniciada a trinca, é quase impossível prever quanto tempo ela irá demorar para gerar
a fratura. Muito irá depender da interação de fatores como intensidade mastigatória, fadiga
e ambiente aquoso com o tipo de material cerâmico utilizado. Muitas vezes, as trincas podem
permanecer imperceptíveis por anos para o paciente e o CD. 73

INIBIÇÃO DA PROPAGAÇÃO DAS TRINCAS


Além dos mecanismos que norteiam a propagação das trincas já citados, o tipo de material
também apresenta grande influência nesse processo.

Cada material se comporta de maneira diferente frente à propagação das trincas


em seu interior.

A cerâmica feldspática (porcelana) tem pouca ou nenhuma influência para impedir que a
trinca se propague em seu interior. No lado completamente oposto, a zircônia apresenta um
mecanismo extremamente dinâmico e eficaz no combate à propagação de trincas no seu
interior, o que a torna um material muito especial nesse quesito. Em um meio termo, são
encontrados os outros materiais cerâmicos, como a leucita, o dissilicato de lítio e a alumina.

CERÂMICAS FELDSPÁTICAS
No que tange às cerâmicas feldspáticas, a propagação de trincas sob condições subcríticas,
ou seja, em baixo nível de estresse, resulta principalmente da reação assistida por estresse de
fadiga com a corrosão pelas moléculas de água na extremidade da trinca. 13,60 Por elas serem
compostas basicamente de uma matriz vítrea frágil e uma fase cristalina muito pobre, 13,74 as
trincas evoluem com mais facilidade no seu interior, principalmente nas regiões que se apresen-
tam sem um suporte estrutural por parte da I.E., tanto metálica quanto cerâmica (Figura
19). 13-14,30,61,75-80

36 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Cerâmica feldspática

Figura 19 – Esquema ilustrativo de uma matriz de


cerâmica feldspática trincada. Nota-se que as partí-
culas da cerâmica não desempenham praticamente
nenhum papel para impedir a propagação da trinca.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

As cúspides e as regiões interproximais são as que mais sofrem em razão da grande massa de
porcelana em relação às outras regiões, sem contar que são áreas onde ocorrem os maiores
estresses gerados pelos contatos oclusais. 32,81

Segundo a literatura, a cerâmica de cobertura deve apresentar espessura de 1 a


2mm, e valores abaixo ou acima comprometem a resistência do material e facilitam
o aparecimento de falhas. 13-14,30,75-77 Além disso, a técnica de aplicação das cerâmicas
feldspáticas (incremental com pincel) promove a incorporação de inúmeras bolhas,
mesmo com o processo de sinterização ocorrendo em forno fechado a vácuo. 82-83

Uma solução encontrada para reduzir a quantidade de bolhas na cerâmica foi a introdução
de sistemas com base em cerâmicas prensadas. 14,84 Nesses sistemas, as coroas são confeccio-
nadas a partir do enceramento, da mesma maneira que as restaurações metálicas fundidas. 14,85
Dentre eles, destacam-se a leucita e o dissilicato de lítio.

LEUCITA
O sistema metalocerâmico está presente na odontologia desde a década de 60. Seu conceito
se emprega na utilização de uma I.E. metálica que será recoberta por uma porcelana com o
intuito de promover uma camada estética. Esse processo somente tornou-se possível com a
adição de certa quantidade de leucita (15 a 25 %) na porcelana, cuja principal função era
torná-la compatível termicamente com o metal. Todavia, quando esse acréscimo de cristais
de leucita à matriz vítrea era aumentado para 35 a 45 % , a resistência da cerâmica dobrava. 86
Esse tipo de material foi e é utilizado nos primeiros sistemas de cerâmica injetáveis (o antigo
IPS Empress e agora o atual IPS Esthetic, ambos da Ivoclar Vivadent).

O aumento da resistência é influenciado pela dispersão dos finos cristais de leucita no interior
da matriz vítrea. Adicionalmente, os cristais de leucita criam uma zona de tensão compressiva
ao seu redor que funciona como uma área de deflexão para as trincas, o que, por sua vez,

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 37


melhoram
melhora as propriedades mecânicas da cerâmica, pois, para a trinca se propagar, deverá
contornar os cristais. 87-88 Normalmente, as trincas tendem a se propagar na matriz vítrea,
entre os cristais e, com pouca frequência, atravessam os cristais de leucita (Figura 20). 89

Cerâmica a base de leucita

Figura 20 – Esquema ilustrativo de uma cerâmica à


base de leucita com a propagação de uma trinca no
interior da matriz vítrea, contornando os cristais de
leucita, que formam uma área de deflexão e mudam
a direção da trinca.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Um ponto relevante que compromete o sistema da cerâmica à base de leucita é a presença


significativa de bolhas internas, em torno de 9 % , 89 o que é considerável em se tratando de
um sistema de cerâmica prensada em que todo o processo de injeção e sinterização ocorre a
vácuo; 90 entretanto, essa ocorrência é muito menor quando a cerâmica à base de leucita é
comparada à cerâmica feldspática.

DISSILICATO DE LÍTIO
A segunda geração de cerâmicas prensáveis apresenta uma concentração de aproximada-
mente 65 % de dissilicato de lítio, 34 % de fase vítrea e apenas 1 % de porosidades, quantida-
de muito menor do que a das cerâmicas à base de leucita. 89

O dissilicato de lítio apresenta um mecanismo similar ao da leucita para dificultar a propagação


das trincas. Os cristais de dissilicato formam uma zona de tensão compressiva na matriz
vítrea ao redor dos cristais, o que causa a deflexão das trincas. Mas, diferentemente dos
cristais de leucita, que são poligonais, os cristais de dissilicato são alongados (como se fos-
sem bastões) e formam uma rede de cristais interlaçados que dificultam a propagação das
trincas entre os planos, exigindo um alto número de deflexões e desvios para que a fratura
ocorra 89-91 (Figura 21).

38 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Cerâmica a base de dissilicato de lítio

Figura 21 – Esquema ilustrativo de uma cerâmica à


base de dissilicato de lítio com propagação de trinca
na matriz vítrea contornando os cristais de dissilicato
lítio. Os cristais de dissilicato formam uma zona
compressiva ao seu redor, o que promove a deflexão
da trinca, e sua conformação dificulta a propagação
da trinca.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Do ponto de vista mecânico, o dissilicato de lítio apresenta o dobro de resistência das


cerâmicas à base de leucita, e sua boa performance laboratorial71,84,92-94 e clínica 95-99
levou à expansão de suas indicações. 90

ZIRCÔNIA
Quimicamente, os cristais de zircônia podem se arranjar de três maneiras diferentes: 13,34,100
! cúbica – estável apenas em temperaturas acima de 2.370ºC e com propriedades me-
cânicas moderadas;
! tetragonal – estável em temperaturas entre 1.170 e 2.370ºC e com boas propriedades
mecânicas;
! monoclínica – estável em temperatura ambiente até 1.170ºC e com pobres proprie-
dades mecânicas.

A adição de uma pequena quantidade de estabilizante, como, por exemplo, 2 a 3mol% de


óxido de ítrio (Y2O 3), estabiliza parcialmente a zircônia na fase tetragonal em temperatura
ambiente. A estabilização parcial promove uma metaestabilidade, ou seja, ainda existe energia
acumulada no sistema para promover a transformação da fase tetragonal para monoclínica
estável. Sabe-se que um alto estresse localizado à frente de uma trinca em propagação é
suficiente para estimular essa transformação de fase dos cristais ao redor da extremidade da
trinca. Quando isso ocorre, há um aumento de volume em torno de 4 a 5 % , comprimindo a
trinca e impedindo a sua propagação. 11,13,29,34,100-101

A transformação de fase faz com que a zircônia parcialmente estabilizada por ítrio
(Y-TZP) apresente a maior tenacidade à fratura dentre os materiais cerâmicos, em
torno de 9MPa.m1/2, sendo chamada por alguns autores de aço cerâmico 13,29,34
(Figura 22).
1/2 deve ser em sobrescrito

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 39


Zircônia parcialmente estabilizada por ítrio

Figura 22 – Esquema ilustrativo de propagação de


trinca em zircônia parcialmente estabilizada por ítrio.
A trinca propaga-se entre os cristais de zircônia, e o
estresse gerado pela sua propagação estimula a trans-
formação de fase dos cristais, fazendo-os passarem
por um processo de expansão volumétrica, o que pro-
move a compressão da trinca e dificulta a sua propa-
gação.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

11. Assinale a alternativa correta considerando a mecânica e a localização das falhas em


sistemas cerâmicos.
A) As restaurações totalmente cerâmicas apresentam, como maior falha resultante da
propagação de trincas, as fraturas, que podem ser coesivas (restritas à I.E.) ou catas-
tróficas (envolvendo tanto a porcelana de cobertura quanto a I.E., o que leva à perda
da restauração protética).
B) As cerâmicas vítreas apresentam alta resistência à tração; porém, são extremamente
fracas quando submetidas às forças de compressão e incapazes de suportar defor-
mações acima de 0,1 a 0,3 % sem fraturar.
C) Um dano na cerâmica é iniciado quando a resistência às forças compressivas ou
trativas é vencida por alguma força externa.
D) Como a resistência à compressão é muito menor do que à tração, as falhas geral-
mente partem do ponto onde a cerâmica é comprimida.
Resposta no final do artigo

12. Quais são as tensões geradas por um dente da arcada oposta ao entrar em contato com
material cerâmico restaurador? No caso de PPFs, onde se localizam essas tensões?

Resposta no final do artigo

40 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


13. Qual é a finalidade da I.E.?

Resposta no final do artigo

14. Assinale a alternativa que indica o material que, segundo os fabricantes, apresenta 500MPa
de resistência flexural, 265GPa de módulo de elasticidade, 11GPa de dureza e 4,4MPa.m1/
2 de tenacidade à fratura.
A) Alumina infiltrada por vidro.
B) Liga Ni-Cr.
C) Dissilicato de lítio (injetado).
D) Zircônia (Y-TZP).
Resposta no final do artigo

15. Assinale a alternativa que apresenta o material com maior resistência à fratura.
A) Zircônia.
B) Porcelana de revestimento.
C) Porcelana sobre a zircônia (relação oclusal).
D) Zircônia sobre a porcelana (porção gengival de PPFs).
Resposta no final do artigo

16. Quais são os mecanismos mais importantes que atuam na formação e na propagação
das falhas quando as próteses estão em função?

Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 41


17. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) quanto à importância das I.E.s no mecanismo das
fraturas.
( ) A resistência à formação de trinca nas áreas com maior concentração de tração está
diretamente relacionada à quantidade de suporte que a I.E. é capaz de fornecer.
( ) Falhas que atingem as I.E.s geralmente estão ligadas a alguma sobreindicação, como
PPF muito extensa, pacientes com algum hábito parafuncional sem o uso da placa
miorrelaxante ou problemas internos do material.
( ) Autores defendem o recobrimento da I.E. na região de conectores a fim de possibi-
litar maior resistência por meio do aumento da área e diminuir a presença de falhas
causadas pelas tensões de tração na área.
( ) Conectores com largura aumentada geram menor concentração de tensões quando
comparados a conectores de altura aumentada.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) F – F – V – V.
B) F – V – F – V.
C) V – F – V – F.
D) V – V – F – F.
Resposta no final do artigo

18. Analise as afirmativas considerando a odontologia adesiva no mecanismo das fraturas.


I – Por meio da adesão, o piso cerâmico, a argamassa e o chão funcionam como um
corpo único, e toda força incidida sobre o piso é transferida para o material rígido
que se encontra sob a argamassa.
II – As cerâmicas vítreas e semicristalinas à base de zircônia e dissilicato de lítio são
cerâmicas conhecidas como acidossensíveis, ou seja, reagem com o ácido fluorídrico
e com o silano para permitir a cimentação por meio de cimentos à base de resina.
III – A cimentação adesiva das cerâmicas vítreas e semicristalinas, além de proporcionar
melhor retenção ao preparo, também proporciona aumento geral da resistência,
graças ao conjunto formado por coroa, cerâmica e substrato dental.
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) Todas.
Resposta no final do artigo

42 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


19. Como a saliva, representada muitas vezes por água em pesquisas laboratoriais, pode
favorecer a propagação de trinca em materiais cerâmicos?

Resposta no final do artigo

20. O que pode inibir o contato da saliva com o material cerâmico cimentado na boca?

Resposta no final do artigo

21. Quais são as regiões de uma coroa cerâmica que apresentam maior concentração de
tensão e por quê?

Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 43


22. Assinale a alternativa INC ORRETA quanto ao comportamento dos materiais restauradores
diante da propagação de trincas.
A) No que tange às cerâmicas feldspáticas, a propagação de trincas sob condições
subcríticas, ou seja, em baixo nível de estresse, resulta principalmente da reação
assistida por estresse de fadiga com a corrosão pelas moléculas de água na extremi-
dade da trinca.
B) Os cristais de leucita criam uma zona de tensão compressiva ao seu redor que funci-
ona como uma área de deflexão para as trincas, o que, por sua vez, melhora as
propriedades mecânicas da cerâmica, pois, para a trinca se propagar, deverá contor-
nar os cristais.
C) Os cristais de dissilicato formam uma zona de tensão compressiva na matriz vítrea
ao redor dos cristais que causa a deflexão das trincas e, assim como os cristais de
leucita, são alongados e formam uma rede de cristais interlaçados que dificultam a
propagação das trincas entre os planos.
D) A transformação de fase (cúbica, tetragonal e monoclínica) faz com que a zircônia
parcialmente estabilizada por ítrio (Y-TZP) apresente a maior tenacidade à fratura
dentre os materiais cerâmicos, em torno de 9MPa.m1/2, sendo chamada por alguns
autores de aço cerâmico.
Resposta no final do artigo

SISTEMAS CERÂMICOS –
EVIDÊNCIAS TEÓRICAS E CLÍNICAS
A seguir, são apresentadas evidências teóricas e clínicas sobre os sistemas cerâmicos.

SISTEMA METALOCERÂMICO
Como já conceituado anteriormente, o sistema metalocerâmico é composto por uma I.E.
metálica (atualmente confeccionada a partir de ligas não nobres) revestida por uma cerâmica
de cobertura feldspática que reproduz a anatomia, a cor e a textura da estrutura dentária
perdida. Tradicionalmente, esse sistema vem sendo empregado em razão de sua ampla ver-
satilidade, visto que pode:
! ser utilizado tanto para coroas unitárias quanto para pontes fixas (independentemen-
te de sua extensão) dento ou implantossuportadas;
! estar associado a encaixes tipo macho e fêmea para reabilitação com prótese parcial
removível;
! ser utilizado em coroas curtas, em casos com restrição de espaço interoclusal e em
pacientes bruxômanos.

44 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Embora as restaurações totalmente cerâmicas venham ganhando espaço e populari-
dade, o sistema metalocerâmico pode ainda ser considerado a opção mais comum 102
e talvez a mais segura do ponto de vista mecânico. Sob esse ponto de vista, talvez o
sistema metalocerâmico apresente uma das maiores confiabilidades de que o profis-
sional pode dispor. 57,61,68,103-104

Uma revisão sistemática apontou que a frequência de fraturas coesivas em restaurações à


base de zircônia foi significativamente maior do que nas metalocerâmicas. 105-106 Svanborg e
colaboradores106 apontaram falhas coesivas na porcelana de cobertura de 3,5 % , enquanto
não foram observadas falhas adesivas durante um período de cinco anos para o sistema
metalocerâmico. De forma semelhante, Pelaez e colaboradores107 apontaram que, enquanto
as PPFs metalocerâmicas não apresentaram fraturas da porcelana de cobertura em quatro
anos, aquelas à base de zircônia mostraram fraturas dessa porcelana em 10 % das PPFs acom-
panhadas.

Um estudo recente comparou coroas unitárias (metalocerâmicas e de zircônia) na região de


molares de forma prospectiva pelo período médio de três anos e mostrou que a taxa de
falhas de fraturas coesivas nas metalocerâmicas foi de 1,63 % ao ano, um pouco maior do
que a apresentada por Pjetursson e colaboradores, 1 de 1,17 % . Contudo, essa taxa de falha
relativamente maior pode ser explicada pelo fato de que as coroas somente foram instaladas
na região de molares, ao contrário do que ocorreu no estudo conduzido por Pjetursson e
colaboradores. 1

As taxas de fraturas da porcelana de cobertura para o sistema metalocerâmico variam


de 2,5 a 8 % em cinco anos, 108 19,4 % em três anos109 a 18,1 % em 20 anos. 110

Outro fator importante que se deve discutir a respeito das falhas mecânicas ou técnicas está
relacionado com os insucessos decorrentes da descimentação. Svanborg e colaboradores106
apontaram que 5 % das 190 PPFs acompanhadas de forma retrospectiva durante cinco anos
apresentaram falhas relacionadas à descimentação, das quais seis apresentavam cantilever
para distal. Vale ressaltar que todas elas foram cimentadas com cimento de fosfato de zinco.
Abrindo um parêntese em relação às próteses com cantilever, pode-se dizer que elas são
mais propensas a falhas de cimentação. 111-112

De acordo com o trabalho de Svanborg e colaboradores,106 enquanto as próteses com cantilever


apresentaram taxa da falha de 8 % relacionada à descimentação, as sem apresentaram so-
mente 3 % . Essa falha pode estar relacionada à ausência de adesão entre a I.E. metálica e os
cimentos disponíveis e, mais provavelmente, a falhas durante o preparo dentário para rece-
ber uma coroa total.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 45


Recentemente, uma pesquisa laboratorial apontou claramente para coroas à base
de zircônia que a altura da parede proximal e a inclinação do preparo dentário
influenciam diretamente tanto a retenção quanto a resistência de coroas de zir-
cônia. 113

É imperativo relembrar que, embora não exista uma real adesão entre a estrutura de zircônia
e os agentes cimentantes, existe uma união físico-química 114 que provavelmente deve ser
superior à união experimentada entre metal e cimento. Portanto, se, para coroas de zircônia,
fatores pouco comentados e discutidos no presente artigo, como a importância do preparo
dentário, influenciam a sua capacidade de retenção, pode-se afirmar que a permanência das
coroas metalocerâmicas em função por longo prazo está fortemente relacionada à retenção
mecânica oriunda da capacidade de retenção, resistência e de estabilidade fornecida pelo
preparo dentário associado a uma linha de cimento que se pode somente dizer que deveria
ser “ adequada ” .

Dados da literatura salientam que os problemas mecânicos relacionados com as restaurações


metalocerâmicas são pouco reportados. De posse de tais informações, pode-se inferir que o
elo fraco desse sistema talvez não esteja atrelado a sua capacidade de permanecer em função
sem apresentar fraturas da porcelana de cobertura, visto que a literatura pouco discute essas
fraturas como tópico principal nas falhas que ocorrem com o sistema.

Outro tipo de falha relacionado às fraturas é aquele que ocorre na conexão entre pôntico e
pilar ou entre pônticos, quando não foram respeitados os limites mínimos (altura e largura)
para a confecção das I.E. metálicas para PPFs (extensas ou não). Contudo, o trabalho de
Svanborg e colaboradores106 não revelou fraturas da I.E. metálica. De forma contrária, Hey,
Bensel e Boeckler115 encontraram uma fratura de I.E. metálica construída por meio do siste-
ma de C AD/C A M (computer-aided design/computer-aided manufacturing). Essa fratura foi
observada em uma peça extensa de seis unidades substituindo dois pré-molares e dois molares
na maxila.

Sempre vale à pena ressaltar que PPFs fixas longas apresentam maior risco de falhas
do que as curtas. 116

De forma contrária ao observado em qualquer sistema totalmente cerâmico, as falhas relaci-


onadas com os aspectos biológicos exercem maior pressão nas taxas de sucesso em longo
prazo para o sistema metalocerâmico. Dentre essas falhas, destacam-se a recidiva de cárie
nos dentes pilares e os problemas de ordem periodontal.

As falhas de caráter biológico acarretam maior pressão nas taxas de fracasso quando se
observam as taxas de fracasso das próteses metalocerâmicas. 110 A falha mais associada a
fracassos/insucessos com próteses metalocerâmicas é a recidiva de cárie. 117-121 Karlson 122
sugeriu que a cárie ao redor de pilares é uma sequela da perda de retenção do pilar

46 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


(descimentação). Contudo, Walton, em 1999, 123 não observou a cárie como o fator mais
preponderante na taxa de insucesso de coroas unitárias metalocerâmicas. Na ocasião, o autor
sugeriu que tal resultado pode ter sido consequência de um preparo dentário cuidadoso,
especialmente relacionado com a característica de resistência do preparo, incluindo sulcos de
retenção nos pilares.

De Backer e colaboradores110 constataram que a principal causa relacionada ao insucesso ou


à falha de restaurações metalocerâmicas foi a cárie (24,3 %) em uma análise de 18 anos
englobando mais de 1.000 coroas metalocerâmicas com I.E. de ouro. Interessante foi a indi-
cação de que as coroas que experimentaram falhas irreversíveis apresentaram anteriormente
falhas classificadas como reversíveis. 110

Recentemente, Svanborg e colaboradores106 encontraram resultados relacionados à recidiva


de cárie no pilar que divergem dos apresentados na literatura passada. Dentre os 743 pilares
observados por cinco anos, apenas 16 (2,2 %) mostraram sinais de recidiva de cárie. Foi
sugerido que esse resultado estava relacionado com o sistema de consultas de acompanha-
mento frequentes. Em contraste, Pelaez e colaboradores107 não encontraram falhas de cará-
ter biológico (incluindo ausência de cáries nos pilares) em 20 PPFs metalocerâmicas após
acompanhamento de quatro anos, o que também foi observado por Hey, Bensel e Boeckler115
ao analisarem 31 PPFs durante seis anos.

Walton, em 1999, 123 apontou que as fraturas coronorradiculares (24 %) ou fraturas


radiculares (32 %) foram as falhas mais frequentes em um estudo que analisou 688 coroas
metalocerâmicas. Também apontou que a doença periodontal e a recidiva de cárie foram
fatores importantes relacionados com o insucesso dessas coroas. Por comparação, a falha
mecânica mais frequente foi a descimentação (16 %). O autor fez também um comentário
interessante ao apontar que as falhas tenderam a ocorrer após um período médio de 5,5
anos de serviço e que não existem dúvidas de que, após esse período, o número de falhas ou
uma “segunda onda ” de falhas surge; por fim, acrescentou que uma vida média de 8 a 10
anos das coroas é completamente compreensível.

Embora o sistema metalocerâmico apresente vantagens relacionadas à taxa de su-


cesso clínico em longo prazo comprovada em estudos, 110 ao menor custo, à versa-
tilidade e à indicação tanto para próteses unitárias quanto para próteses fixas, suas
desvantagens estão principalmente relacionadas com a estética e as reações de
hipersensibilidade. A presença de linha acinzentada pode afetar a estética da região
cervical da coroa, pois o tecido periodontal pode não ser capaz de bloquear essa
coloração ou a margem metálica pode ficar exposta se ocorrer uma recessão, apre-
sentando, como resultado final, uma aparência não natural.

Com o objetivo de prover melhores resultados estéticos em razão de uma demanda estética
maior, novos materiais e técnicas têm sido indicados com a finalidade de substituir a I.E
metálica pela cerâmica. Os sistemas totalmente cerâmicos apresentam características estéticas

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 47


e de biocompatibilidade superiores às dos metalocerâmicos, 124 e a indicação desses novos
sistemas tem aumentado nos últimos anos. Adicionalmente, têm sido indicadas como material
de escolha por mimetizarem as características naturais da dentição. 125

É evidente que, atualmente, o fator “ estética ” pode guiar a seleção de um sistema


totalmente cerâmico para a restauração dos dentes anteriores em razão de possí-
veis resultados negativos com relação ao possível acinzentamento da margem cervical
d a rest a uraç ã o o u à p ossível exp osiç ã o d a m arg e m m e t álic a d as c oro as
metalocerâmicas. Entretanto, deve-se salientar que um biotipo gengival delgado
não seria capaz de mascarar o escurecimento oriundo de um tecido dentário escu-
recido. Nesse cenário, nenhum sistema cerâmico seria capaz de produzir o efeito
estético necessário. Assim, é salutar alertar o paciente de que o resultado estético
final nessa situação poderá ficar aquém do ideal em razão das condições impostas.

Outro fator importante que se deve comentar em relação à tão falada e, talvez, ensinada
estética dentária é que ela pode estar muito mais presente no olho ou na necessidade do
profissional do que ser propriamente um anseio do paciente.

DIÓXIDO DE ZIRCÔNIO (ZIRCÔNIA)


A descoberta da mudança de fase da zircônia na década de 70 fez com que ela se tornasse
um dos materiais cerâmicos mais importantes. Sua utilização pôde ser diversificada e abran-
geu diferentes áreas de atuação: medicina, engenharia e odontologia. Na odontologia, já foi
e continua sendo empregada na confecção de:
! I.E. de coroas e PPF;
! implantes; 126
! intermediários;
! pinos intracanais; 127
! bráquetes ortodônticos, 128 dentre outros.

Na área biomédica, materiais à base de zircônia foram introduzidos inicialmente na ortope-


dia para artroplastia total do quadril por apresentarem biocompatibilidade e excelentes pro-
priedades mecânicas. 129

O processo de manufatura da zircônia pode ser o principal fator para se determinar a


longevidade do material. No entanto, o processo não é tão simples, pois o zircônio (Zr) é um
metal que apresenta uma estrutura cristalina hexagonal de coloração acinzentada.

O zircônio não ocorre na natureza em estado puro. Ele pode ser encontrado em conjunto
com óxido de silicato, classificado como mineral zircão (ZrO 2 x SiO 2) ou como um óxido livre
(zircônia, ZrO 2), classificado como mineral baddeleita. Esses minerais não podem ser usados
como matérias-primas na odontologia em razão das impurezas de outros elementos metáli-

48 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


cos que colorem sua massa e de radionuclídeos naturais que a deixam radioativa (ex: urânio
e tório).

Para a produção de zircônia pura em pó, processos complexos e demorados resultam na


separação efetiva de tais elementos para sua utilização. O material pode ser utilizado após
sua purificação como biomaterial cerâmico. 130

Apesar de sua baixa translucidez, similar à das ligas metálicas, a zircônia pura em
pó não apresenta substrato acinzentado, sendo favorecida pela desnecessidade
de técnicas adicionais para mascarar a cor da I.E.

A zircônia pura (ZrO 2) tem alto ponto de fusão (2.680°C) e baixa condutividade térmica. No
entanto, seu polimorfismo restringe o uso generalizado na indústria cerâmica. A zircônia
pura ocorre em três formas cristalográficas: monoclínica (M), tetragonal (T) e cúbica (C).
Durante o processo de aquecimento, a zircônia sofre um processo de transformação de
fase. 130

A forma monoclínica da zircônia é estável a partir da temperatura ambiente até 1.170°C.


Acima dessa temperatura, transforma-se na fase tetragonal mais densa, com 5 % do seu
volume diminuído e com a criação de fissuras na sua estrutura. 131 A forma tetragonal da
zircônia é estável entre 1.170 e 2.370°C. Em temperaturas superiores a 2.370°C, a zircônia
adquire uma estrutura cristalina cúbica. Ao considerar-se seu resfriamento, a transformação
T-M ocorre na faixa de temperatura entre 100 e 1.070°C, causando sua expansão volumétrica
de aproximadamente 3 a 4 % e, consequentemente, o aumento de tensões. 130 Essas ten-
sões, induzidas durante a fase de transformação, resultam na formação de trincas na
zircônia. 131

ESTABILIZAÇÃO DA ZIRCÔNIA
A adição de óxidos de estabilização (PSZ) à zircônia pura, como cálcio (CaO), magnésio (MgO),
óxido de cério (CeO 2) ou ítrio (Y2O 3), pode inibir as transformações de fase do material e
p erm i t e g erar u m m a t eri a l m u l t i f ásic o e m t e m p era t ura a m b i e n t e , d e n o m i n a d o
estabilizadores de zircônia. 130-131
2 em subescrito
Os agentes estabilizadores ou dopantes de zircônia são capazes de estabilizar a fase tetragonal
metaestável à temperatura ambiente. 132 A concentração desses componentes tem um papel
determinante no desempenho do material. Quando adicionada uma grande quantidade de
dopante (8-12 %), uma fase cúbica totalmente estabilizada pode ser manufaturada, o que
inviabiliza a transformação de fase T-M, diminuindo, assim, seu desempenho. Entretanto, ao
se adicionar quantidades menores (3-5 %), adquire-se a zircônia tetragonal parcialmente es-
tabilizada. A zircônia tetragonal é estável em temperatura ambiente; porém, sob tensão,
pode sofrer alteração para a fase monoclínica, provocando expansão de, aproximadamente,

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 49


4,5% em volume. Esse processo, chamado de tenacificação por transformação, é o principal
responsável pelas superiores propriedades mecânicas da zircônia 100,130-131,133 (Figuras 23A-D).

A B

C D

Figura 23 – A-D) Mecanismo de tenacificação por transformação de fase da zircônia. Em D, o aumento


volumétrico de partículas decorrente da transformação T-M comprime a trinca e dificulta sua propagação.
Fonte: Arquivo de imagens da da Dra. Denise Gusmão.

Atualmente, o processo de manufatura de zircônia parcialmente estabilizada mais utilizado é


o 3Y-TZP. Policristais de zircônia tetragonal estabilizados por ítrio (3 mol%) resultam em
material cerâmico de elevada tenacidade e dureza. 100

A capacidade de interromper a propagação de trincas pela adição de agentes


estabilizadores à zircônia simula o efeito encontrado em dentes naturais. Os dentes
humanos frequentemente apresentam microtrincas no esmalte que não se propa-
gam através do dente como um todo. Essas trincas são bloqueadas pela peculiar
interface da junção esmalte-dentina e pela microestrutura cristalina do esmalte 134
(Figura 24).

50 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Figura 24 – Trincas presentes nos elementos 11 e 21
acompanhadas por 16 anos.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

FATORES QUE INFLUENCIAM A FORMAÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO DA FASE


CRISTALINA TETRAGONAL PARA A MONOCLÍNICA
Os sistemas cerâmicos à base de zircônia apresentam a fase cristalina tetragonal em tempe-
ratura elevada, como também a fase cristalina metaestável na temperatura ambiente. Essa
ocorrência já foi amplamente investigada; entretanto, a formação da fase tetragonal, sua
estabilidade e transformação para a fase monoclínica ainda não foram completamente de-
terminadas. A fase tetragonal, quando transformada na fase monoclínica, propicia o au-
mento da tenacidade à fratura do sistema cerâmico de zircônia, mudança que depende
de vários fatores agindo concomitantemente. Esses fatores atuam de forma interdependente
e podem ser assim descritos: 135
! defeitos – presença de defeitos e/ou vacâncias de oxigênio que dificulta a transfor-
impedir os movimentos
mação de fases cristalinas por meio do impedimento dos movimentos atômicos ne-
cessários para se obter a fase mais estável – a fase monoclínica;
! partículas ou grãos – grãos finos são mais propensos à transformação de fases
cristalinas do que grãos grossos. Existe um tamanho de grão crítico, pois, abaixo dele,
não ocorre a transformação de fase (que permanece tetragonal) e, acima, a transfor-
mação ocorre espontaneamente;
! tipo e quantidade do dopante/agente de estabilização – uma quantidade exata
de cada agente de estabilização deve ser adicionada à cerâmica de zircônia pura a fim
de otimizar a quantidade tetragonal metaestável presente. Essa quantidade é depen-
dente do tipo de microestrutura, do soluto, da uniformidade do tamanho dos grãos e
da distribuição do estabilizante. À medida que a quantidade de agente estabilizante é
aumentada, gera-se a diminuição de energia livre associada à transformação de fase,
e, consequentemente, as partículas maiores também são induzidas a permanecer na
forma tetragonal metaestável;
! energia do sistema – a transformação da partícula é administrada pela energia da
matriz, e, com a adição de dopantes, a energia química livre pode influenciar de tal
modo que a fase cúbica e/ou tetragonal pode ser estabelecida em temperatura ambi-
ente. Além disso, o efeito da energia superficial também contribui para a estabilidade
das fases em zircônias puras e dopadas. A energia (tensão) aplicada ao material con-
tribui para a transformação de fase da partícula;
! temperatura – a estabilidade dimensional da 3Y-TZP pode ser considerada proble-
mática, pois a transformação conhecida como ‘’degradação em baixa temperatura ”
(DBT) está presente e já tem sido amplamente documentada. 136-138

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 51


O fenômeno da DBT é caracterizado da seguinte forma: nas fases iniciais e na presença de
água, a fase de transformação tetragonal para monoclínica ocorre em temperaturas relativa-
mente baixas (65-300ºC). O processo de degradação procede gradualmente a partir da su-
perfície externa em direção ao íntimo do material cerâmico. Posteriormente, micro e
macrotrincas desenvolvem-se na direção da expansão de volume associado à fase de trans-
formação. Logo, o resultado encontrado é de uma superfície rugosa, 139 capaz de afetar
negativamente as propriedades mecânicas da Y-TZP. 138

Várias hipóteses foram propostas para explicar a relação de causa e efeito entre a presença
de água e as transformações de fase T-M. Uma explicação alternativa concluiu que a fase de
transformação é atribuída a tensões internas associadas com a difusão de radicais de água
dentro da rede de zircônia por um mecanismo de difusão de vacâncias de oxigênio. 138
2 em subescrito
A suscetibilidade da Y-TZP à DBT depende de uma variedade de fatores. A degradação au-
menta quando o conteúdo de Y2O 3 (agente de estabilização) é baixo e os grãos apresentam
dimensões grandes. Além disso, o índice de transformação aumenta com a elevação da
temperatura e do tempo de envelhecimento. 138 Efeitos adicionais podem derivar de tensões
residuais induzidas durante o preparo da superfície 140 e da fase cúbica atuando como locais
de nucleação para a transformação T-M. 141

Em se tratando de aplicações clínicas na odontologia, a zircônia está em contato com fluidos


orais intermitentemente. A suscetibilidade da DBT está associada às seguintes condições
intraorais: 138 intrabucais
! quando a massa de um implante dentário é de zircônia;
! quando a zircônia é usada em pilares protéticos para coroas e PPFs, sem receber
cobertura de cerâmica de revestimento;
! quando a I.E. de próteses dentárias fixas for usinada em zircônia e não revestida com
cerâmica de revestimento ou quando a camada de glaze foi removida durante os
ajustes oclusais ou fraturada sob cargas oclusais.

Como a DBT prossegue em ritmo lento, não há dados disponíveis atualmente na literatura
sobre a DBT à temperatura do corpo. Previsões de tempo de vida útil a 37ºC são baseadas em
testes de envelhecimento acelerado. No entanto, mesmo sem exatidão, dados gerados a
partir de testes laboratoriais podem ser extrapolados para qualquer valor entre 1 e 12 anos,
enquanto outros autores sugeriram que 5 horas de esterilização a vapor a 134ºC simula o
equivalente a 15-20 anos de degradação a 37ºC. 138

ESTUDOS DE AVALIAÇÃO CLÍNICA (ZIRCÔNIA)


A crescente demanda por restaurações estéticas e livres de metal tem impulsionado o desen-
volvimento de restaurações totalmente cerâmicas por elas apresentarem boa estética e esta-
bilidade mecânica. Estudos clínicos recentes já investigaram o uso de dióxido de zircônia
como I.E. para coroas completas pela fabricação por CAD/CAM. 142

52 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A evidência atual sugere que materiais à base de zircônia podem ser indicados para
restaurações unitárias e PPFs localizadas tanto na região anterior como posterior,
pois possuem longevidade clínica aceitável e fator estético favorável. 1,41,143-144

Em geral, os índices de fratura são menores para materiais restauradores localizados na re-
gião anterior quando comparada à região posterior. 1,41 Essa ocorrência pode ser explicada
pelo fato de que existe uma alavanca do tipo interpotente gerada pela mandíbula, isto
é, quanto maior a proximidade do fulcro, mais intensas serão as forças desenvolvidas (Figura
25).

Figura 25 – Alavanca do tipo interpotente gerada


pela mandíbula. F = fulcro; E = força aplicada; R =
área de resistência.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Estudos clínicos de coroas unitárias de zircônia


Um estudo de revisão sistemática 142 avaliou a taxa de sobrevivência de coroas unitárias de
zircônia cimentadas na região anterior e posterior comparadas com coroas metalocerâmicas.
O total de 3.621 coroas foi incluso no estudo, mas apenas o grupo do sistema metalocerâmico
apresentou resultados de longo prazo. Foram avaliadas 300 coroas de zircônia, e 82 delas
foram cimentadas na região anterior enquanto 218 foram cimentadas na região posterior. A
estimativa da taxa de sobrevivência em três anos foi de 100 % para a região anterior e 95,5 %
para a região posterior, resultando na média total de 95,9 % . No caso das coroas
metalocerâmicas, 3.321 coroas foram avaliadas e estavam distribuídas da seguinte forma:
209 coroas cimentadas na região anterior e 1.290 cimentadas na região posterior. Muitos
dos trabalhos inclusos nesse estudo de revisão não indicavam a localização das coroas. A
taxa de sobrevivência foi de 95,2 % para a região anterior e 95,7 % para a região posterior,

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 53


com média total de 95,4 % . Esses valores demonstram, com cautela, que a zircônia apresen-
ta resultados equivalentes ou até mesmo superiores, como os vistos na avaliação das próteses
anteriores, aos dos sistemas metalocerâmicos; porém, os valores estimados gerados foram
para um período curto, de apenas três anos.

Outro estudo recente de coorte retrospectivo 144 avaliou o total de 1.132 coroas de dióxido de
zircônia cimentadas tanto na região anterior (343) como na região posterior (789). Dezesseis
dentistas, membros da academia de prótese dentária, com alto nível de experiência em rea-
bilitação, realizaram os tratamentos. As coroas foram confeccionadas por 15 técnicos dentários
com alto teor de conhecimento em restaurações de cerâmica. Diferentemente de outros
estudos, esse não excluiu pacientes com hábitos parafuncionais, mas os classificou como
pacientes que possuíam parafunção leve, moderada e severa. Além disso, também avaliou os
tipos de términos utilizados: chanferete (700), chanfrado (419) e ombro (13) – Figura 26.

Chanfrete Chanfrado Ombro

Figura 26 – Términos de preparos dentários.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Os resultados mostraram taxa de sobrevivência de 94,3 % após cinco anos, sendo 96,2 %
para coroas cimentadas na região anterior e 93,4 % para coroas cimentadas na região posterior.
O estudo indicou que houve moderada associação entre parafunção e falha do sistema
cerâmico e, além disso, relatou que não houve correlação entre o tipo de término do preparo
dentário usado com qualquer tipo de falha. Cáries secundárias não foram detectadas sob as
margens das restaurações de zircônia, e nenhuma reação adversa foi encontrada nos tecidos
moles localizados ao redor das coroas.

O resultado apresentado pelo estudo referido pode estar associado com a excelente
adaptação marginal da I.E. de dióxido de zircônia em combinação com o sistema de
C AD/C A M e o selamento confiável obtido a partir de cimentos convencionais e
resinosos.

54 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Estudos clínicos de próteses parciais fixas de zircônia
Um estudo de revisão sistemática de PPFs de zircônia 2 estimou valores para taxa de sucesso,
taxa de sobrevivência, assim como complicações mecânicas e biológicas a partir de 310 PPFs
de três a quatro elementos e 20 PPFs apresentando mais de quatro elementos após cinco
anos de acompanhamento clínico. Apenas 33 PPFs foram classificadas como perdidas e não
puderam ser avaliadas; assim, os resultados foram gerados a partir de 297 próteses.

Os valores da taxa de sobrevivência estimados para todas as PPFs em período de cinco anos
foi de 94,29 % . As complicações técnicas mais encontradas foram do tipo “ chipping ” , pre-
sentes em 42 PPFs e principalmente localizadas na região dos dentes pilares das próteses.
Sua estimativa de presença em período de cinco anos foi de 20,56 %; assim, apenas 79,44 %
das próteses não apresentariam esse tipo de complicação. 2

A literatura define como “ chipping ” ou lascamento a fratura que se localiza apenas


na cerâmica de revestimento sem a exposição da I.E. Nos casos em que a I.E. se
torna exposta, a definição correta é delaminação.

Os casos de fraturas das I.E.s foram encontrados em apenas duas PPFs. Uma fratura foi
encontrada na região do conector de uma prótese de cinco elementos e outra foi encontrada
na coroa de dente pilar de uma PPF de três elementos. O motivo da fratura em um dos casos
foi o trauma oclusal. 2

A escolha do cimento apropriado para o sistema é necessária, e o sucesso da PPF


pode estar muito mais relacionado à angulação do preparo dentário do pilar como
sua altura.

A descimentação das PPFs foi encontrada apenas em sete PPFs, e, dessas, cinco foram
cimentadas com cimento convencional; entretanto, os resultados não mostraram diferença
significativa entre os cimentos, pois as PPFs cimentadas com cimento convencional se apre-
sentavam em maior quantidade. 2

Outro fator muito questionado na literatura é a desadaptação das próteses na região do


término. Todavia, atualmente, com o avanço da tecnologia do C AD/C A M convencional, essa
dificuldade já foi superada.

Quanto às complicações biológicas, como cáries secundárias, complicações endodônticas,


fratura do dente pilar e doenças periodontais, o estudo apresentou uma estimativa de ausên-
cia dessas complicações de 91,72 % em um período de cinco anos, e as lesões cariosas ainda
foram as mais encontradas. 2

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 55


Outro estudo de revisão sistemática considerou apenas o elo fraco dos sistemas de zircônia
para PPFs: a dimensão de conectores e a técnica de aplicação da cerâmica de revestimen-
to. 143 O estudo avaliou 387 PPFs encontradas em 12 artigos da literatura.

O fator mais prevalente de complicações técnicas foi “ chipping ” ou lascamento da


cerâmica de revestimento seguida de fratura da I.E., perda da retenção (descimenta-
ção) e desadaptação do término. 143

Quanto às complicações biológicas, a maior prevalência foi na seguinte ordem: cáries se-
cundárias, complicações endodônticas, fratura do dente pilar e doença periodontal, diferen-
t e m e n t e d o q u e f oi e nco n tra d o e m o u tro est u d o d e revisã o sist e m á tica d e PPFs
metalocerâmicas, o qual citou a principal complicação biológica como sendo endodôntica
(6,1 %). 145 Tal ocorrência pode se explicar pela necessidade de maior desgaste de dentes
pilares no intuito de favorecer a estética.

Os autores concluíram que as fraturas catastróficas das PPFs de zircônia estavam presentes
apenas em casos isolados. Enfatizou-se que esse resultado satisfatório foi tão expressivo pelo
fato de as I.E.s apresentarem espessura mínima de 0,5 a 0,7mm e os conectores apresenta-
rem área total de 9 a 12mm, 2 dependendo da extensão da prótese. Por outro lado, a fratura
da cerâmica de revestimento foi classificada como a complicação mais frequente. Fatores
determinantes para a diminuição deste podem estar associados ao protocolo de resfriamento
lento das cerâmicas de revestimento, 146-149 à diferença de coeficiente térmico entre a I.E. de
zircônia e a cerâmica de revestimento, causando o aumento de tensão residual, 150 como
também à técnica de aplicação da cerâmica de revestimento, pois outro estudo mostrou que
cerâmicas de revestimento de PPFs confeccionadas pela técnica prensada não apresentaram
fratura do tipo “ chipping ” após três anos. 151

Um dos motivos para a investigação tão criteriosa das falhas mecânicas é o alto
índice de fratura das cerâmicas de revestimento sobre I.E.s de zircônia. 1

Um estudo investigou os tipos de danos nas cerâmicas de revestimento de PPFs de zircônia,


metalocerâmicas e de alumina e constatou que o dano tipo “ chipping ” foi o segundo mais
encontrado (n = 189), com valores inferiores apenas aos danos do tipo aumento da rugosidade
da superfície cerâmica (n = 191). As delaminações também estavam presentes no estudo,
mas com prevalência muito inferior (n = 10). 152 Esses danos podem desapontar dentistas e
pacientes, principalmente quando o fator responsável pela falha não é esclarecido.

Atualmente, por meio de análises fractográficas, já foram determinadas as principais cau-


sas das fraturas do tipo lascamento e delaminação sobre sistemas cerâmicos de zircônia
(Quadro 1). 56

56 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Quadro 2
PRINCIPAIS CAUSAS DAS FRATURAS DO TIPO LASCAMENTO E DELAMINAÇÃO SOBRE
SISTEMAS CERÂMICOS DE ZIRCÔNIA

“ Chipping ”/lascamento Delaminação

! Defeito de superfície ! Fraca resistência entre a união da I.E. e a


! Impacto com objeto duro cerâmica de revestimento e pouca dureza
! Falta de apoio dado pela I.E. ! Transformação de fase ou elevação da
! Sobrecarga e fadiga superfície da I.E.
! Acabamento inapropriado da superfície da I.E.
! Defeitos da interface
! Aplicação e confecção do liner de forma
inapropriada
! Estresse térmico

Fonte: Aboushelib MN et al (2009). 56

DISSILICATO DE LÍTIO
Dentre os sistemas semicristalinos presentes no mercado atual, o dissilicato de lítio recebe
atenção especial pelos diversos resultados promissores relatados na literatura. 71,84,92,95-96 O
dissilicato de lítio é basicamente composto por uma base de cerâmica vítrea (similar à cerâmica
feldspática) enriquecida com cristais de dissilicato de lítio (60 a 65 %). Esses cristais apresentam
grande função na resistência final do material (Tabela 2 – propriedades dos materiais).

Comercialmente, o dissilicato de lítio era conhecido com o nome IPS Empress II (Ivoclar
Vivadent®), mas, após algumas reformulações químicas, passou a ser chamado de IPS e.max
Press e IPS e.max C AD (Ivoclar Vivadent®), dependendo do tipo de manufatura. 89-90,153
sobrescrito
A segunda geração do dissilicato de lítio apresenta cristais de menor tamanho, dispostos
mais homogeneamente, e também a melhora de algumas propriedades físicas (resistência
flexural e tenacidade à fratura cerca de 10 % maior do que a do seu precursor). 154 Os sistemas
de dissilicato de lítio são extremamente versáteis em se tratando do método de confecção e
da indicação clínica.

O método de confecção dos sistemas de dissilicato de lítio pode ser por técnica de
injeção (IPS e.max Press), 85 em que a restauração final é obtida a partir de um mo-
delo encerado (Figura 27A-I), ou por técnica de C AD/C A M (IPS e.max C AD), 155 em
que o preparo dental é digitalizado, e, sobre o modelo digital em três dimensões, é
realizado o desenho desejado da restauração. Posteriormente, um bloco de dissilicato
de lítio é fresado conforme as indicações do desenho digital 14 (Figuras 28A-E).

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 57


A B

C D E

G H I

Figura 27 – Sequência laboratorial da confecção de duas coroas monolíticas de dissilicato de lítio pela técnica
prensada (e.max Press) nos elementos 11 e 21. Inicialmente, as coroas são enceradas sobre os troqueis de
gesso (A), e os padrões de cera são posicionados na base formadora do anel (C), cuja haste central apresenta
o diâmetro exato da pastilha de dissilicato de lítio. Logo após, o anel de silicone é posicionado (D) para, então,
o material de revestimento ser vazado (E). O técnico de laboratório seleciona a pastilha de dissilicato de lítio
ideal para o caso segundo as informações apresentadas pelo CD (F). A pastilha é posicionada no interior do
revestimento, e o conjunto é levado ao forno para o processo de injeção da cerâmica (G). Terminado o proces-
so de injeção e resfriamento do revestimento, o técnico de laboratório remove a peça cerâmica do interior do
revestimento com o auxílio de pontas diamantadas e jatos de pérola de vidro (H). Removida do revestimento,
a peça passa pelos processos de limpeza, acabamento, estratificação da porcelana (se for o caso), caracteriza-
ção com corantes e glaze para, então, ser provada e cimentada em boca (B).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

58 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


B

A C

D E

Figura 28 – Sequência laboratorial da confecção de uma coroa ceramocerâmica de dissilicato de lítio pela
técnica de C AD/C A M. Inicialmente, o troquel de gesso é escaneado (A), e um modelo em 3D é gerado pelo
software do próprio sistema (B). Por meio do modelo em 3D, o técnico de laboratório faz o desenho digital do
elemento em questão (I.E., caso opte pela técnica estratificada, ou a coroa no caso de estruturas monolíticas).
O desenho digital é enviado para a máquina de fresagem, que será responsável por tornear um bloco de
dissilicato de lítio com o auxílio de pontas diamantadas (C). Ao ser finalizado esse passo, a peça cerâmica é
levada ao formo para completar sua maturação e atingir as propriedades mecânicas e ópticas ideais. Assim, a
peça cerâmica, no caso ilustrado, uma I.E. de um pré-molar, estará pronta para ser provada clinicamente (D) e
estratificada pelo técnico de laboratório (E).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 59


A cerâmica dos sistemas de dissilicato de lítio pode ser indicada para a confecção de próteses
de cerâmica pura, incluindo: 85,155
! coroas unitárias anteriores e posteriores;
! inlays;
! onlays;
! facetas;
! PPFs de três elementos para dente anterior e posterior até segundo pré-molar.

A cerâmica dos sistemas de dissilicato de lítio apresenta algumas contraindicações e limi-


tações segundo o fabricante, como: 85,155
! PPFs com o último pilar sendo o primeiro molar;
! PPFs de mais de quatro elementos, ou seja, até dois pônticos consecutivos;
! PPFs retidas por inlays;
! preparo intrassulcular profundo devido à necessidade de cimentação adesiva e impos-
sibilidade de controle de umidade para a mesma;
! PPFs com cantilever;
! pacientes com atividade parafuncional (bruxismo);
! áreas de conexão delgadas (limite mínimo de 16mm 2);
! estratificação somente realizada com a porcelana do próprio sistema (IPS e.max Ceram
– Ivoclar Vivadent).

VERSATILIDADE DO SISTEMA À BASE DE DISSILICATO DE LÍTIO sobrescrito


As pastilhas e blocos de dissilicato de lítio (IPS e.max – Ivoclar Vivadent®) apresentam quatro
diferentes graus de translucidez, que variam de elevado até totalmente opaco. Dentro de
cada um dos graus de translucidez, existe a opção da seleção da cor das pastilhas (Figura 29).
Esse leque de opções possibilita a indicação para dentes com ou sem alteração cromática e
também para aqueles com a presença de núcleos metálicos fundidos.

Figura 29 – Exemplo de três tipos de pastilhas de


dissilicato de lítio do sistema IPS e.max Press (Ivoclar
Vivadent). HO = alta opacidade. Grupo de cor 1/M O
= média opacidade. Grupo de cor 1/HT = alta
translucidez, cor A2.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

60 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A versatilidade do sistema à base de dissilicato de lítio permite a condição de trabalho com a
confecção de uma I.E. de dissilicato de lítio que, posteriormente, será revestida com uma
cerâmica feldspática ou vítrea, que é extremamente estética (Figuras 30A-C), ou a confecção
de uma estrutura em monocamada de dissilicato de lítio (monolítica) já com a pastilha
de translucidez e cor indicada para o caso final (Figuras 31A-D). 14,85,155

A B

Figura 30 – Caso clínico de uma coroa ceramocerâ-


mica de dissilicato de lítio cimentada sobre um núcleo
metálico fundido (A). Nota-se que a cor metálica do
núcleo não atrapalhou o resultado estético tanto na
prova da I.E. (B) quanto após a aplicação da porcelana
(C).
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 61


A

Figura 31 – Caso clínico de quatro


coroas monolíticas de dissilicato de
lítio sobre dentes vitais. A) Prepa-
ros para coroas totais nos dentes
44, 45, 46 e 47. B) Coroas monolí-
B C
ticas de dissilicato de lítio, logo
após a prensagem, adaptadas aos
seus respectivos troqueis. C) Após
o acabamento e o polimento, é
realizada a caracterização das co-
roas com pigmentação extrínseca
(“ maquiagem ”) a fim de conferir
a elas refinamento estético. D) Co-
roas cimentadas.
Fonte: Arquivo de imagens dos auto-
D res.

Cada modo de confecção apresenta suas vantagens e desvantagens. O modelo de


aplicação com utilização da I.E. recoberta com porcelana apresenta a grande vanta-
gem de alinhar a resistência do dissilicato de lítio com a estética superior da porce-
lana. Já o modelo monolítico tenta maximizar a resistência com a utilização de uma
camada mais espessa de material, cerca de 1 a 2mm de espessura frente aos 0,8mm
de uma I.E. 14,26,84,156

ESPESSURA E FORMA DA CERÂMICA X RESISTÊNCIA MECÂNICA


A seguir, é apresentada a relação da espessura e da forma da cerâmica com sua resistência
mecânica.

Coroas unitárias
Cada material apresenta suas propriedades mecânicas, como resistência flexural, módulo de
elasticidade, dureza e tenacidade à fratura. Entretanto, elas não são o bastante para impedir
as falhas.

62 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Independentemente do tipo de material empregado, a forma e a espessura de cada
componente das próteses são extremamente relevantes no que tange a sua resis-
tência final aos esforços mastigatórios.

A versatilidade da cerâmica à base de dissilicato de lítio, que permite desde a confecção de


I.E. para posterior cobertura com porcelana até a confecção de próteses em monocamadas,
não exclui a necessidade de seguir um protocolo básico para a maximizar a resistência e
tornar o prognóstico o mais favorável possível.

O dissilicato de lítio permite espessuras muito finas de material, podendo chegar


até 0,3mm em se tratando de facetas de dentes anteriores. Entretanto, é na região
posterior que o material cerâmico apresenta seu maior desafio e onde ocorrem as
menores taxas de sobrevivência. 1,108,123

Quando são observados estudos de longevidade para as coroas unitárias de dissilicato de


lítio, podem ser encontradas taxas de sucesso de aproximadamente 95 % em período de até
10 anos. A maior parte das falhas encontradas ocorre em decorrência das fraturas, 73,157 en-
quanto, nas coroas metalocerâmicas, as principais falhas são de origem biológica, como
perda da vitalidade pulpar e cáries. 1,108 Em PPFs de três elementos, a taxa de sucesso pode ser
de apenas 93 % em até oito anos, e a principal falha é a fratura da área de conector, 52,158 ao
passo que as taxas das PPFs metalocerâmicas são de 95 a 97,7 % em um período de cinco
anos de acompanhamento. 159

As PPFs metalocerâmicas tendem a falhar muito mais por problemas biológicos do


que por mecânicos, como acontece nos sistemas ceramocerâmicos. 108 Em termos
de fratura, as PPFs metalocerâmicas apresentam taxas de 2,7 a 5,5 % em um perío-
do de 15 anos. 118,159

O dissilicato de lítio pode ser utilizado como I.E. para ser então recoberto por porcelana
feldspática. Segundo o fabricante do sistema, uma espessura mínima de 0,8mm de I.E. deve
ser respeitada nas áreas oclusais, 85 mantendo-se a porcelana de revestimento entre 1 e 2mm
de espessura. 77

O desrespeito das espessuras mínimas pode levar à falha tanto da I.E. de dissilicato
quanto da porcelana de revestimento. 157

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 63


Em um estudo de 10 anos de acompanhamento clínico com 261 coroas unitárias de dissilicato
de lítio, observou-se que todas as falhas do sistema foram de origem mecânica, com fratura
da porcelana de revestimento ou da I.E.; entretanto, os autores salientaram que essas falhas
foram associadas com a pouca espessura da I.E. e ajustes oclusais mal executados. 157

A principal função da I.E. é promover um suporte estrutural e impedir a flexão da


porcelana de revestimento, que é um material extremamente friável.

Como dito anteriormente, não somente as propriedades mecânicas do material são impor-
tantes, mas também a espessura, pois, quanto maior a espessura, maior será a força neces-
sária para causar a flexão e, consequentemente, tanto a fratura da porcelana que reveste a
coroa ou PPF quanto a própria I.E. Além da espessura, a I.E. deve obedecer a alguns princí-
pios básicos na tentativa de reduzir o estresse e as forças de tração que incidem sobre
as próteses. Esses princípios têm origem no sistema metalocerâmico e podem facilmente ser
aplicados nos sistemas cerâmicos atuais. Dentre eles, destacam-se: 14,30,61,77-78,85
! ângulos internos da I.E. arredondados para evitar zonas de tensão sob a porcelana;
! junção externa entre I.E. e porcelana em ângulo reto;
! espessura mínima de 0,6 e 0,8mm de dissilicato de lítio nos dentes anteriores e poste-
riores, respectivamente;
! rigidez suficiente para que não haja deformação durante a função;
! espessura da porcelana de revestimento uniforme em toda a sua extensão, não me-
nor do que 1mm e maior do que 2mm.

A uniformidade e a espessura da porcelana de revestimento são extremamente importantes


para o prognóstico da peça protética. 68,160

Espessuras inferiores a 1mm deixam o material muito fino e quebradiço (Figura


32A); por outro lado, espessuras superiores a 2mm facilitam a formação de áreas
sem suporte (Figura 32B), o que predispõe à ação das forças de tração e,
consequentemente, à formação de trincas e fraturas (Figura 33). 11,13,160

64 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A B

Figura 32 – Imagem de coroa ceramocerâmica de zircônia seccionada em seu longo eixo com o objetivo de
ilustrar as proporções entre a I.E de zircônia (Zr) e a porcelana (P). A) Nota-se que a espessura da porcelana (x)
está aquém do ideal, pois se encontra com aproximadamente metade da espessura da I.E. (2x), e a proporção
ideal seria o inverso, isto é, a I.E. deveria apresentar, no mínimo, 0,5mm de espessura, e a porcelana entre 1 e
2mm de espessura. B) Nota-se que a espessura da porcelana (x) está além do ideal, com um volume muito
maior, e boa parte da porcelana sem suporte por parte da I.E. RC = troquel de resina composta.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 33 – Imagem ilustrativa de um coroa ceramocerâmica


com suporte inadequado por parte da I.E., o que proporciona
uma massa cerâmica além do ideal. Esse excesso de porcelana
sem suporte facilita o aparecimento de trincas e fraturas na
porcelana de revestimento.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Estudos clínicos mostram certa inconsistência quanto à espessura da porcelana de revestimento.


Valores de 0,5 a 2mm foram relatados em um estudo prévio, 105 o que, de certa forma, pode
explicar o grande número de falhas em alguns sistemas cerâmicos.

A espessura excessiva da porcelana de revestimento ou o suporte insuficiente por


parte da I.E. podem ser resultado de erros do CD ou do técnico em prótese. A sob
ou sobrerredução do preparo dentário, o desenho inadequado da I.E., problemas
de origem operacional durante a confecção laboratorial ou mesmo negligência duran-
te a aplicação da porcelana são erros geralmente encontrados durante a confecção
das próteses. 152 A análise clínica das falhas permite dizer que a origem das fraturas
é atribuída a desenhos de I.E. inadequados. 44,78-79,161

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 65


Uma solução para as falhas relacionadas à espessura ou ao suporte insuficiente é a utilização
de I.E.s anatômicas, cujo material (mais resistente) preenche todos os defeitos e excessos de
desgaste do preparo com a finalidade de proporcionar melhor suporte e uniformidade da
camada de porcelana, semelhante ao que é observado na relação dentina/esmalte, ou seja, a
I.E. deveria ocupar a posição da dentina e a porcelana a do esmalte, com espessura dentro do
preconizado (Figuras 34 e 35A-C). 68,160-161

Figura 34 – Primeiro pré-molar superior seccionado


em seu longo eixo com o objetivo de mostrar a relação
entre a dentina e o esmalte, em que a dentina tende
a ser uma versão reduzida do esmalte acompanhando
seu contorno.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B C

Figura 35 – Esquema mostrando uma coroa total protética em um pré-molar a fim de ilustrar o conceito de
I.E. anatômica. A) Situação ideal, com o preparo dental para a coroa total bem conduzido, I.E. acompanhando
o contorno tanto do preparo quanto da forma final da estrutura e preenchimento uniforme por parte da
porcelana. B) Situação em que houve maior desgaste da estrutura dental, e a I.E. foi responsável por preen-
cher todos os defeitos e excessos de desgaste do preparo com a finalidade de proporcionar melhor suporte e
uniformidade da camada externa de porcelana. C) Situação desfavorável em que houve excesso de desgaste
do preparo, e a simples manutenção da espessura uniforme da I.E. sem a preocupação com o contorno final
da restauração promoveu a falta de suporte adequado e uniformidade da porcelana de revestimento, o que
predispõe ao aparecimento de trincas e fraturas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

66 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


O emprego de I.E.s anatômicas promove suporte e uniformidade adequada à por-
celana de revestimento, diminui a concentração de estresse e melhora a confiabilidade
do sistema. 160,162 Clinicamente, há o reflexo na diminuição da fratura ou mesmo a
dificuldade de seu surgimento. A diminuição da extensão das fraturas na porcelana
é traduzida de forma benéfica, pois elas são passíveis de polimento ou, se sua
extensão não comprometer a estrutura, o reparo com resina composta é indicado
(Figuras 36A-B). 43

A B

Figura 36 – A) PPF metalocerâmica com uma fratura na cúspide lingual do primeiro pré-molar superior
(ponteira). B) A localização e a extensão da fratura permitiram o seu reparo com o auxílio de resina composta.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A modificação da forma das I.E.s ceramocerâmicas tem sido objeto de estudos em pes-
quisas laboratoriais57,61,80,104,160,163-164 e clínicas. 75,78-79,161 Seu conceito é retirado das coroas
metalocerâmicas, nas quais I.E.s metálicas devem apresentar colar lingual metálico (cinta
lingual) conectado a dois postes proximais (um na mesial e outro na distal) com função tanto
de auxiliar o suporte da porcelana em áreas consideradas críticas (áreas proximais) quanto
aumentar a sua rigidez estrutural 14,30,61,77-78,85 (Figuras 37A-B, 38A-B, 39 e 40A-B).

Do ponto de vista químico e mecânico, as porcelanas de revestimento aplicadas


sobre as I.E.s cerâmicas são muito semelhantes às usadas nos sistemas metalocerâ-
micos; 13 portanto, apresentam as mesmas deficiências, dentre as quais a friabilidade
ou a incapacidade de suportar deformações superiores a 0,3 % sem fraturar é a
maior. 13,29-30

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 67


A B

Figura 37 – Fratura na região proximal de uma coroa metalocerâmica no primeiro pré-molar inferior direito
devida à falta de suporte por parte da I.E. pela ausência de contorno adequado e do poste proximal na I.E. É
possível notar a grande quantidade de porcelana de revestimento que estava sem qualquer tipo de suporte
indicada pela linha pontilhada, a qual demonstra o possível contorno original da coroa. As ponteiras indicam
a possível origem da fratura. A) Vista oclusal. B) Vista vestibular.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A B

Figura 38 – I.E. metalocerâmica com a presença da cinta lingual ligada aos dois postes proximais com o
objetivo de melhorar o suporte da porcelana de revestimento. A) Vista oclusal. B) Vista proximal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 39 – I.E. de dissilicato de lítio comumente fei-


ta nos laboratórios de prótese sem qualquer tipo de
estrutura de suporte e espessura uniforme.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

68 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A B

Figura 40 – I.E. de dissilicato de lítio com a presença da cinta lingual ligada aos dois postes proximais com o
objetivo de melhorar o suporte da porcelana de revestimento. A) Vista oclusal. B) Vista proximal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Alguns autores indicam o uso do desenho de I.E. consagrado no sistema metalocerâmico nas
peças ceramocerâmicas com objetivo de aumentar a resistência aos esforços mastigatórios
pelo suporte adequado à porcelana de revestimento. 57,61-62,78,80,161

A presença da cinta lingual e dos postes proximais aumenta a confiabilidade e a resistên-


cia das coroas e diminui a extensão da trinca quando seu surgimento é inevitável57,61,80,165
(Figuras 41A-B, 42A-B e 43A-B). Na presença de pequenas fraturas, há chance da
execução de um pequeno acabamento e polimento, se não ocorrer o comprometimento
da função e da estética dentária, ou até mesmo pequenos reparos com resina composta.

A B

Figura 41 – A cinta lingual e o poste proximal são estruturas que têm a função de transformar as forças de
tração e cisalhamento incididas sobre a porcelana em forças compressivas. A) I.E. sem as estruturas de supor-
te, o que deixa a porcelana refém das forças de tração e cisalhamento, facilitando o surgimento de fraturas. B)
I.E. com presença da cinta lingual e do poste proximal, o que tende a transformar forças potencialmente
trativas em compressivas, que são mais toleradas pelas porcelanas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 69


A B

Figura 42 – Coroa ceramocerâmica com I.E. de dissilicato de lítio sem qualquer tipo de estrutura de suporte.
A coroa em questão foi submetida a um teste de resistência à fadiga com contato oclusal situado na crista
marginal mesial até a fratura. A falta de suporte por parte da I.E. gerou uma linha de fratura extensa que
inviabilizaria qualquer tipo de reparo. A) Vista oclusal da linha de fratura com envolvimento da crista marginal
mesial e parte da cúspide mesiolingual. B) Vista proximal da fratura com a indicação pela ponteira do local do
contato oclusal e de onde se iniciou a fratura. A linha pontilhada mostra a extensão proximal da fratura.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Uma análise de elemento finito mostrou que as I.E.s com desenho modificado (postes
proximais e cinta lingual com alturas de 2,5mm) apresentaram maior concentração
de tensões na I.E. durante a simulação de carregamento quando comparadas com
I.E.s com desenho padrão (0,5mm em toda a extensão). 163 Tal resultado indica que
a porcelana sobre a I.E. com desenho modificado está sob menor tensão quando
cargas são aplicadas. De certa forma, essa análise de elemento finito pode explicar
o melhor comportamento mecânico de coroas que apresentam I.E. com desenho
modificado, pois grande parte das forças é suportada pela I.E., que foi projetada
para esse tipo de serviço e apresenta propriedades mecânicas superiores às da por-
celana de revestimento, considerada, muitas vezes, o elo fraco do sistema. 23-24,26,68

o
Apesar de suas diversas limitações, como uso de dados simplificados para a construção do
material, desconsiderações de falhas e estresses internos presentes nos materiais, a análise
computacional de elemento finito tem o objetivo de mostrar como ocorre a distribuição das
forças no interior de cada material. 165

70 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Em uma análise comparativa feita por Silva e colaboradores, 165 os resultados da
análise computacional mostraram que a distribuição do estresse durante o carrega-
mento de coroas cerâmicas com I.E.s convencionais e modificadas (cinta lingual de
2,5mm de altura estendendo-se até as proximais) era da porcelana de revestimento
para a I.E. quando o desenho modificado era utilizado. O teste mecânico mostrou
maior confiabilidade das coroas cerâmicas com I.E. modificada quando comparadas
com as mesmas coroas cerâmicas sem modificação. Os autores ressaltaram que a
menor quantidade de porcelana de revestimento presente nas coroas com I.E. mo-
dificada diminuiu a chance da presença de defeitos internos (como bolhas), o que
também pode ter contribuído para a melhora da confiabilidade desse sistema.

A espessura final da coroa é muito importante na resistência do material, pois coroas


formadas por uma I.E. recobertas por porcelana devem respeitar a proporção de cada mate-
rial. Uma I.E. com espessura insuficiente pode ocasionar a incapacidade de a cerâmica impe-
dir as falhas; por outro lado, uma I.E. demasiadamente espessa pode dificultar a escultura e
a caracterização estética da coroa (Figuras 43A-B). Contudo, a porcelana de revestimento
tem comportamento distinto, uma vez que grandes espessuras de porcelana não irão gerar o
aumento da resistência, pois a falta de suporte aliada à friabilidade da porcelana aumenta a
probabilidade de falhas com tempo.

Coroas de dissilicato de lítio com espessura de 0,4mm de I.E. e 1,2mm de porcelana


apresentam quase o dobro de chance de sofrer fraturas em 10 anos em compara-
ção às mesmas coroas com espessura de 0,8mm de I.E. e 0,8mm de porcelana. 94
Entretanto, o aumento da espessura de 0,4 para 0,8mm nas I.E.s de dissilicato de
lítio não traz tantas melhoras em relação à distribuição de estresse, o que reforça o
fato de que espessuras acima de 0,5mm não trazem melhoras significativas para a
resistência, 94,166 levando a crer que, nesse ponto, o elo fraco é a porcelana de reves-
timento.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 71


A B

Figura 43 – A pouca espessura da porcelana de revestimento ocasionada tanto pela insuficiência de preparo
dental quanto pelo excesso de espessura por parte da I.E. gera maior dificuldade de escultura pelo técnico,
perda da estética pela exposição da I.E. no ambiente bucal e perda da resistência da porcelana, o que compro-
mete o prognóstico das próteses. A) Imagem clínica de uma coroa metalocerâmica com exposição da I.E.
metálica (ponteiras) e com uma escultura oclusal deficiente, sem definição clara das cúspides e dos sulcos em
razão da pouca espessura de porcelana. B) Imagem clínica de uma coroa ceramocerâmica de zircônia com
exposição da I.E. (ponteira) em decorrência do excesso de espessura de zircônia na área em questão.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A técnica convencional de aplicação da cerâmica é extremamente sensível e passí-


vel de erros. A variabilidade devida à construção individual e ao processo de
sinterização pode incorporar diversas falhas estruturais que comprometem o siste-
ma. 44,167 Existem diversos tipos de falhas estruturais que podem estar localizadas na
superfície, no interior do material e na interface porcelana/I.E., que levam à concen-
tração de estresse e atuam como sítios de iniciação de falhas. 147 A resistência pode
ser influenciada por gaps, espaços ou bolhas, fatores que interferem nas proprieda-
des intrínsecas do material. 67,167

Um fato interessante quando é considerado o dissilicato de lítio é a sua interação com a


porcelana de revestimento (feldspática). 168 Apesar da baixa resistência flexural tanto da
porcelana de revestimento quanto do dissilicato de lítio, quando comparados com as cerâmicas
policristalinas cristalinas (ex. zircônia e alumina densamente sinterizada), a resistência da camada de união
entre porcelana/dissilicato é maior do que a da porcelana/zircônia. Segundo Vidotti, 168 a
resistência ao cisalhamento da interface é de aproximadamente 27MPa para o dissilicato de
lítio, 22MPa para a zircônia e 18MPa para a alumina infiltrada por vidro. Além disso, o autor
observou que as falhas decorrentes do cisalhamento ocorriam mais distantes da interface no
dissilicato de lítio do que nos outros grupos observados, em que as falhas eram na interface
ou extremamente próximas a ela. Esse fato leva a crer que a resistência adesiva desses dois
materiais pode ser considerada até mais forte do que a resistência coesiva do próprio material.

A resistência inicial da porcelana de revestimento e a confiabilidade da interface porcelana/


I.E. podem, muitas vezes, ser consideradas a chave de sucesso par a performance desse tipo
de sistema. 56,167 Defeitos na interface, como a presença de bolhas, podem comprometer a
resistência e facilitar o surgimento de falhas.

72 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Em seu estudo laboratorial com coroas de dissilicato de lítio revestidas com porcela-
na e coroas monocamadas de dissilicato de lítio, Zhao e colaboradores167 observa-
ram que as falhas interfaciais estavam sempre associadas com algum defeito na
interface.

As coroas de dissilicato de lítio revestidas com porcelana normalmente têm o início da falha
sob a região de contato oclusal, com a trinca propagando-se no interior da porcelana sem
comprometer a interface entre o dissilicato de lítio. 167 Segundo Dundar e colaboradores, 169 a
fratura coesiva da porcelana de revestimento pode ser correspondente a 90 % das falhas
desse tipo de sistema. A presença de cúspides muito agudas e inclinadas pode também
predispor às falhas, principalmente quando contatos laterais e deflectivos estão presentes. 52,170

O processo de sinterização e estratificação da camada de porcelana aplicada sobre


as I.E.s é extremamente sensível a erros, além de apresentar grande quantidade de
bolhas incorporadas em razão da técnica de aplicação, o que pode introduzir zonas
de tensões indesejadas e comprometer a resistência final do material. 44,165 Adicio-
nalmente, nessa técnica, ocorre a formação de uma interface com propriedades
mecânicas extremamente complexas. 13,167-168,171

A porcelana utilizada como revestimento das I.E.s (metálicas ou cerâmicas) apresenta resis-
MPa
tência flexural de apenas 90N, enquanto as cerâmicas com dissilicato de lítio apresentam
MPa
valores em torno de 360 a 400N. 24,26,84 A construção de coroas em monocamadas elimina
tanto a aplicação de uma porcelana de cobertura quanto a complexa interface que une dois
materiais muito distintos. Portanto, do ponto de vista mecânico, tem-se uma estrutura muito
menos complexa, pois é formada por um único material e com grande estabilidade (devida à
sua homogeneidade), e há um número reduzido de bolhas no interior da cerâmica. 84

O uso somente da cerâmica à base de dissilicato de lítio configura um ganho de resistência


as
quase duas vezes maior em comparação a coroas de molares em monocamadas de 2mm de
espessura oclusal com I.E.s de 1,3mm recobertas com 0,7mm de porcelana em testes de
resistência à fratura. Essa ocorrência deve-se principalmente ao fato de a porcelana necessi-
tar de menor quantidade de carga para falhar. 167 Os fatores citados podem explicar os moti-
vos pelos quais coroas em monocamadas apresentam resultados tão promissores quanto
100 % (dois anos), 99 96 % (três anos)73 e 98,5 % (quatro anos). 71 Vale ressaltar que o estudo
que apontou 96 % de sucesso foi realizado por meio da injeção da porcelana, enquanto os
outros dois foram desenvolvidos com o sistema de C AD/C A M.

Um estudo laboratorial indicou que a resistência à fadiga acelerada para coroas em


monocamadas de dissilicato de lítio foi superior à daquelas estratificadas com I.E.s
em zircônia. 84

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 73


Apesar de as coroas em monocamadas não possuírem uma porcelana de cobertura nem,
tecnicamente, uma I.E. convencional, apresentam espessuras mínimas, como 1,5mm nas
paredes circundantes e 2mm na oclusal (na região das cúspides de trabalho). Nas pontas de
cúspide não funcionais e em fundo de sulco, essa espessura pode ser de 1mm. 73

Silva e colaboradores92 compararam laboratorialmente coroas em monocamadas por C AD/


C A M de dissilicato de lítio com 1mm e 2mm de espessura oclusal, coroas metalocerâmicas e
de zircônia sem modificação de I.E. (0,5mm de espessura de I.E. e 1,5mm de porcelana) e
coroas de zircônia com modificação (acréscimo de uma cinta lingual de 2,5mm de altura
estendendo-se até as proximais). Observaram que as coroas em monocamadas de 1mm
apresentaram comportamento similar ao das coroas metalocerâmicas, e as coroas em
m o n oca m a d as co m 2 m m a prese n t ara m m elh or co m p ort a m e n t o fre n t e às coro as
metalocerâmicas, embora similar ao das coroas de 1mm. As coroas à base de zircônia apre-
sentaram resultados muito aquém dos referentes a outros sistemas estudados. Tal constatação
encoraja, com certas ressalvas, a redução da espessura oclusal. Essa redução da espessura
oclusal permite a preservação de maior quantidade de tecido dental e a possibilidade da
utilização desse material em dentes com coroas clínicas curtas que exigem preparos com
pouco espaço interoclusal sem comprometimento severo da resistência do material e das
características de retenção dos preparos.
…gera a dúvida da aceleração….
O uso do dissilicato de lítio exposto ao ambiente bucal em contato direto com o esmalte
dental antagonista gera a aceleração do desgaste do dente natural por se tratar de uma
cerâmica muito mais resistente do que a porcelana de revestimento tradicionalmente utiliza-
da. Contudo, um estudo clínico mostrou que, além das coroas monolíticas de dissilicato de
lítio serem resistentes ao desgaste, elas apresentam a mesma capacidade de desgaste dental
das cerâmicas tradicionalmente utilizadas. 71

As coroas monolíticas de dissilicato de lítio não são apenas estéticas, mas também
clinicamente duráveis e resistentes ao desgaste. 71,95 Entretanto, ainda existem pou-
cos estudos científicos laboratoriais e de acompanhamentos clínicos em longo pra-
zo para a utilização desse sistema em larga escala. Os recentes estudos promissores
permitem indicar, com certa cautela e segurança, o uso nos casos de coroas unitá-
rias posteriores em substituição às metalocerâmicas ou totalmente cerâmicas à base
de zircônia. 95-96,98-99

Prótese parcial fixa de dissilicato de lítio


Estudos clínicos têm demonstrado taxas de sobrevivência de PPFs ceramocerâmicas entre 90
e 93 % em um período de apenas cinco anos, 47,52,172 isto é, mais baixas do que as taxas
observadas nas próteses fixas metalocerâmicas, 95 a 97,7 % , entre cinco e sete anos. 47,159
Comparadas com as próteses metalocerâmicas, as próteses ceramocerâmicas apresentam
falhas mecânicas grandes, cujas possíveis causas são: 173

74 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


! a baixa resistência flexural e a tenacidade à fratura das cerâmicas em relação às ligas
metálicas;
! a suscetibilidade de propagação das trincas na presença de falhas microscópicas;
! a sensibilidade aos estresses de tração e flexão nas I.E.

As próteses fixas ceramocerâmicas eram construídas com a presença de uma I.E. cerâmica
para, posteriormente, serem recobertas com porcelana de revestimento. Essa porcelana é
muito suscetível a fraturas, pois apresenta baixa resistência flexural e tenacidade à fratura
e, 173 como discutido anteriormente, é a responsável por boa parte do início das falhas encon-
tradas.

A possibilidade de construção de uma prótese fixa com uma estrutura cerâmica


mais resistente, como o dissilicato de lítio, melhorou o prognóstico das próteses
fixas totalmente cerâmicas.

Segundo o fabricante do sistema, o dissilicato de lítio pode ser indicado para a confecção de
PPFs de três elementos com o último pilar em primeiro molar. 85,155 Segundo Kern e
colaboradores, 97 a taxa de sobrevivência de PPFs de três elementos monolíticas de dissilicato
de lítio foi de 100 % nos primeiros cinco anos e de 87,9 % em 10 anos, similar às taxas
encontradas paras as PPFs metalocerâmicas97 (Figura 44).

PPF convencional PPF monolítica

Figura 44 – Esquema ilustrativo mostrando a diferença entre uma PPF convencional com a presença de uma
I.E. recoberta por uma porcelana de revestimento e uma PPF monolítica, construída inteiramente por um
único material cerâmico (ex.: dissilicato de lítio). No segundo caso, toda a estética é dada pela pigmentação
extrínseca por meio da técnica da maquiagem com corantes para cerâmica.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Quando se comparam as taxas de sobrevivência, as PPFs convencionais metalocerâmicas


apresentam taxas entre 87 e 89,2 % em 10 anos, 145,174 algo bem próximo do encontrado para
as PPF monolíticas de dissilicato de lítio.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 75


As PPFs monolíticas de dissilicato de lítio tendem a apresentar fraturas nas áreas dos
conectores, principalmente quando são instaladas com o primeiro ou o segundo molar
como pilar. 173 Esquivel-Upshaw e colaboradores173 não encontraram diferenças entre as taxas
de falhas de PPFs monolíticas de dissilicato de lítio quando eram utilizados primeiro ou se-
gundo molares como pilares; entretanto, nenhuma falha foi encontrada vizinha a um pré-
molar. Segundo os autores, grande parte das falhas está relacionada mais à altura do conector
do que à sua largura, já que foi observado que conectores curtos tendiam a falhar precoce-
mente em um acompanhamento clínico de quatro anos – 4 das 30 PPFs monolíticas falharam
em decorrência de fratura dos conectores.

As evidências clínicas, fractográficas e de elemento finito indicam que, com a elimi-


nação da porcelana de revestimento, como ocorre nas próteses monolíticas, o elo
fraco das PPFs passa a ser os conectores. 31,37,52,173

Em PPFs, a área dos conectores pode ser considerada um fator de risco, pois a carga
flexural originada pelos contatos oclusais sobre os pônticos aumenta o estresse de
tração nas áreas gengivais de conexão. 37 A fratura do conector é um cenário catas-
trófico para a PPF, pois seu acontecimento leva à impossibilidade de qualquer tipo
de reparo, indicando a troca imediata da prótese. 43,173

Evidências das análises das fraturas indicam que as falhas nos conectores iniciam-se na por-
ção distal, no sentido gengivo-oclusal, até formar a fratura. Posteriormente, o conector mesial
sofre o efeito cantilever e, como a cerâmica não apresenta a capacidade de deformar-se
plasticamente, a concentração de tensões no conector mesial causa a fratura do tipo ocluso-
gengival37,52,175 (Figura 45). Segundo o estudo de Oh e Anusavice, 176 que utilizou carga até
a fratura, todas as falhas encontradas foram em conectores. utilizaram

1o 2o

Figura 45 – Esquema ilustrando a sequência de fratura de conectores normalmente encontrada nos conectores
de PPFs. Geralmente, a falha inicia-se no conector distal por estar na área de maior concentração de cargas
(seta azul). (1º) Inicialmente, a falha ocorre na porção gengival do conector em decorrência da concentração
do estresse de tração (setas vermelhas), que tende a favorecer a propagação da linha de fratura no sentido
gengivo-oclusal. (2º) Após a formação do fragmento, o pôntico comporta-se como cantilever posterior, colo-
cando a região oclusal do conector mesial em estresse de tração (setas vermelhas). Esse processo favorece o
surgimento e a propagação de trincas na direção gengival até a fratura completa do pôntico.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

76 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


A resistência à fratura das restaurações cerâmicas é controlada por diversos fatores; contudo,
a espessura da cerâmica apresenta suma importância. 52,177 Portanto, quanto menor a es-
pessura, maior a probabilidade de falha. A altura do conector é extremamente relevante
para a resistência final do sistema. 14 Segundo o fabricante, 4mm de dissilicato de lítio seria a
altura mínima para a construção das PPFs, 85,155 mas alguns estudos demonstraram redução
de até 50 % do estresse quando são usados conectores mais altos (com mais de 3mm de
altura). 49,177-178

Análises de elemento finito demonstraram que conectores curtos e/ou com grande
distância interpilares (mais de dois pônticos consecutivos) resultaram no aumento
dos níveis de estresse em até quatro vezes. 32,67

Grande parte do estresse durante a função de uma PPF é acumulado na porção gengival do
conector, o que coloca a porção cerâmica desse conector sob tração. 31-32 Sabe-se que tal tipo
de estresse é pouco tolerado pelas cerâmicas, principalmente pelas cerâmicas de baixa resis-
tência, como as porcelanas de revestimento comumente utilizadas. Com o objetivo de con-
é indicado o uso de
tornar esse problema nas PPFs totalmente cerâmicas, usam-se materiais cerâmicos mais resis-
tentes, como a zircônia ou o dissilicato de lítio em sua forma monolítica. Entretanto, por
melhores que sejam as suas propriedades mecânicas, eles estão muito aquém das ligas metá-
licas. 13,68

A relação entre altura e largura dos conectores deve ser tratada com esmero, pois o
sacrifício dessa relação por quesitos puramente estéticos pode trazer certos riscos à
resistência e à longevidade do trabalho.

A relação entre altura e largura dos conectores segue a lei física das barras: considerando-
se a PPF como uma barra metálica medindo 1x de altura e 1x de largura submetida à força
“ F ” em seu centro, essa barra produzirá uma resistência “R” no sentido contrário com a
mesma intensidade para neutralizar a ação da força “ F ” . Contudo, se essa barra tiver a
largura aumentada para 2x e a mesma força “ F ” for incidida no mesmo local, a barra ofere-
cerá resistência duas vezes maior do que a original, ou seja, “ 2R” . Assim, para a barra, o
aumento da largura é diretamente proporcional ao aumento da resistência. Entretanto, se a
mesma barra com 1x de altura e 1x de largura tiver a altura aumentada para 2x e for mantida
a mesma força, será 8 vezes mais resistente do que a original, ou seja, a resistência aumenta
no fator exponencial de 3 (Figura 46). O inverso é verdadeiro, isto é, a redução da altura
diminui a resistência ao cubo, e a diminuição da largura comprometerá a resistência pela
metade. 179-180 Portanto, esse é, então, um ponto crítico, pois, muitas vezes, o dentista ou
mesmo o técnico, querendo oferecer o máximo de estética, passa por cima desses fatores,
reduzindo as dimensões mínimas dos conectores. Tal medida é comumente empregada a fim
de se obter espaço tanto para a papila quanto para as ameias oclusais.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 77


Figura 46 – Esquema ilustrativo da lei das barras. O aumento da largura dobra a resistência da barra (b),
enquanto o aumento da altura aumenta a resistência ao cubo (c). F = força; R = resistência.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Outro fator interessante é que o aumento do comprimento da barra também compromete


sua resistência à flexão. Assim, o aumento do número de pônticos amplia a possibilidade de
flexão da PPF. 179-180 Por isso, o comprimento máximo da área dos pônticos deve ser levado em
consideração e compensado com os princípios relacionados à lei física das barras para evitar
a sua fratura.

Falhas também podem ser originárias de problemas internos da cerâmica. Estudos


fractográficos, além de demonstrarem grande quantidade de bolhas nas estruturas cerâmi-
cas, apontam-nas como coadjuvantes no processo de falha. 37,44,64-66 Elas podem atuar como
áreas de concentração de estresse e auxiliar no início e na propagação das trincas, levando às
fraturas. 37,167

As falhas podem ser introduzidas nas cerâmicas durante os procedimentos de apli-


cação ou serem inerentes ao próprio material, como rachaduras em torno dos cris-
tais cerâmicos, levando a alterações das propriedades de expansão térmica, e tam-
bém originárias de poros desenvolvidos durante a queima da cerâmica. 65

A aplicação manual da cerâmica pela técnica de estratificação aumenta muito a incorpora-


ção de bolhas no interior da cerâmica, 65,167 enquanto procedimentos atuais como os proces-
sos de injeção e o C AD/C A M reduzem significativamente esse problema.

78 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


O processo por C AD/C A M é o que apresenta melhor padronização de resultados
por se tratar de um bloco cerâmico de confecção totalmente industrial, homogêneo
e com processo de obtenção da peça protética totalmente automatizado, o que
permite uma quantidade muito pequena ou nula de falhas internas. 84

Pode ser observado aumento da confiabilidade do sistema cerâmico quando este elimina ou
diminui a forma de confecção artesanal, como ocorre no C AD/C A M. 181

O desenho dos conectores também pode influenciar na probabilidade de falha. Como dito
anteriormente, durante a função de uma PPF, são encontrados picos de estresses compressivos
na superfície oclusal e picos de tração na superfície gengival das próteses; contudo, conectores
com ângulos gengivais muito fechados tendem a apresentar maior concentração de estresse
e necessitam de menor quantidade de carga para fraturar do que ângulos maiores. Portanto,
o uso de conectores com maior ângulo diminui a probabilidade de falhas nas PPFs. 37,176

É preciso considerar que, durante a falha, um fator não ocorre sozinho. O que irá ditar a
resistência final da prótese é a associação de diversos fatores, como:
! o desenho da estrutura;
! o tipo de material utilizado;
! a presença de danos ou falhas internas, como bolhas;
! o acúmulo de danos nas próteses devido à função (fadiga).

A concentração de estresse de tração nas porções gengivais dos conectores proporciona o


aparecimento de microtrincas, que, por intermédio da fadiga, evoluem ao longo do tempo
até a fratura. 37 É indubitável que, quanto maior a magnitude do estresse, maior a velocidade
da evolução. Fatores como desenho, área e tipo de material dos conectores, bem como força
mastigatória, presença de bruxismo e/ou apertamento influenciam diretamente nesses casos.

23. Quais são as indicações clínicas do dissilicato de lítio?

Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 79


24. Analise as afirmativas considerando a versatilidade do sistema à base de dissilicato de
lítio.
I – As pastilhas e blocos de dissilicato de lítio apresentam apenas dois graus de
translucidez: elevado e opaco.
II – A versatilidade do sistema à base de dissilicato de lítio permite a condição de traba-
lho com a confecção de uma I.E. de dissilicato de lítio que, posteriormente, será
revestida com uma cerâmica feldspática ou vítrea.
III – O modelo de aplicação com utilização da I.E. recoberta com porcelana apresenta a
grande vantagem de alinhar a resistência do dissilicato de lítio com a estética supe-
rior da porcelana.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

25. Assinale a alternativa INC ORRETA quanto à relação da espessura e da forma da cerâmica
com sua resistência mecânica em coroas unitárias.
A) O dissilicato de lítio permite espessuras muito finas de material, podendo chegar até
0,3mm em se tratando de facetas de dentes anteriores; entretanto, é na região
posterior que o material cerâmico apresenta seu maior desafio e onde ocorrem as
menores taxas de sobrevivência.
B) Espessuras inferiores a 1mm deixam o material muito fino e quebradiço, enquanto
espessuras superiores a 2mm facilitam a formação de áreas sem suporte, o que
predispõe à ação das forças de tração e, consequentemente, à formação de trincas
e fraturas.
C) Uma solução para as falhas relacionadas à espessura ou ao suporte insuficiente é a
utilização de I.E.s anatômicas, o que promove suporte e uniformidade adequada à
porcelana de revestimento, diminui a concentração de estresse e melhora a
confiabilidade do sistema.
D) Coroas de dissilicato de lítio com espessura de 0,4mm de I.E. e 1,2mm de porcelana
apresentam a mesma chance de fraturas em 10 anos em comparação às mesmas
coroas com espessura de 0,8mm de I.E. e 0,8mm de porcelana.
Resposta no final do artigo

80 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


26. Qual é o objetivo de se utilizar I.E.s com cinta lingual e postes proximais?

Resposta no final do artigo

27. Assinale a alternativa correta quanto à interação do dissilicato de lítio com a porcelana
de revestimento.
A) Apesar da baixa resistência flexural tanto da porcelana de revestimento quanto do
dissilicato de lítio, quando comparados com as cerâmicas cristalinas (ex. zircônia e
alumina densamente sinterizada), a resistência da camada de união entre porcelana/
dissilicato é menor do que a da porcelana/zircônia.
B) As cerâmicas com dissilicato de lítio apresentam resistência flexural de apenas 90N,
enquanto a porcelana utilizada como revestimento das I.E.s (metálicas ou cerâmicas)
apresenta valores em torno de 360 a 400N.
C) O uso do dissilicato exposto ao ambiente bucal em contato direto com o esmalte
dental antagonista gera a aceleração do desgaste do dente natural por se tratar de
uma cerâmica muito mais resistente do que a porcelana de revestimento tradicional-
mente utilizada.
D) As coroas monolíticas de dissilicato não são apenas estéticas, mas também clinica-
mente duráveis e resistentes ao desgaste, e os estudos científicos laboratoriais e de
acompanhamentos clínicos em longo prazo indicam a utilização desse sistema em
larga escala.
Resposta no final do artigo

28. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) quanto à PPF de dissilicato de lítio.


( ) O dissilicato de lítio pode ser indicado para a confecção de PPFs de três elementos
com o último pilar em segundo molar.
( ) A área dos conectores pode ser considerada um fator de risco, pois a carga flexural
originada pelos contatos oclusais sobre os pônticos aumenta o estresse de tração
nas áreas gengivais de conexão.
( ) Conectores curtos e/ou com grande distância interpilares (mais de dois pônticos
consecutivos) resultam no aumento dos níveis de estresse em até quatro vezes, ao
passo que o uso de conectores com menor ângulo diminui a probabilidade de falhas
nas PPFs.
( ) A concentração de estresse de tração nas porções gengivais dos conectores propor-
ciona o aparecimento de microtrincas, que, por intermédio da fadiga, evoluem ao
longo do tempo até a fratura.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 81


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) F – F – V – V.
B) F – V – F – V.
C) V – F – V – F.
D) F – V – V – F.
Resposta no final do artigo

DECISÕES A SEREM TOMADAS PELO O CLÍNICO


A filosofia de tratamento deve ser decidida a partir do material, da técnica e das exigências
estéticas do paciente.

Tanto os parâmetros clínicos como a avaliação dos dentes individualmente se fazem


necessários para garantir um prognóstico favorável. 182

Decisões sobre o material cerâmico a ser utilizado em cada paciente fazem parte da rotina do
CD. Com o objetivo de facilitar a escolha dos materiais frente às inovações de materiais
dentários, um estudo sugeriu uma escala de classificação para PPFs que aborda o fator resis-
tência dos materiais em estudos de acompanhamento clínico. A classificação de um mate-
rial cerâmico deveria ser a seguinte:183
! desempenho superior – todas as PPFs com taxa de sobrevivência de 100 % e taxa de
sucesso de 95-100 % em período inferior a cinco anos;
! excelente desempenho – todas as PPFs com taxa de sobrevivência de 95-100 % e
taxa de sucesso de 90-95 % em período inferior a cinco anos;
! bom desempenho – todas as PPFs com taxa de sobrevivência de 90-95 % e taxa de
sucesso de 90-95 % em período inferior a cinco anos;
! fraco desempenho – todas as PPFs com taxa de sobrevivência de 90 % e taxa de
sucesso abaixo de 90 % em período inferior a cinco anos.

Mediante a escala apresentada, o CD determinaria, sem dificuldades, o sistema a ser empre-


gado. No entanto, os resultados, na maioria dos estudos, divergem entre si; logo, a forma
apropriada para se determinar o sistema a ser escolhido seria a partir de estudos de revisão
sistemática que avaliam estudos ou projetam valores estimados de cinco anos de acompa-
nhamento clínico.

82 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Outro fator importante relacionado ao ambiente clínico é o momento em que a substitui-
ção das próteses fixas dentárias se faz necessária. Surpreendentemente, as publicações
ainda não informam, de maneira exata, quando condenar uma restauração, pois se sabe que
os resultados de estudos de revisão sistemática consideram somente as complicações bioló-
gicas e mecânicas, mas não detalham informações essenciais sobre trincas, lascamento e
delaminação (tamanho, localização, características do paciente, critérios do dentista para
julgar o sucesso ou o fracasso das restaurações) tanto quanto as dimensões das restaurações,
a oclusão do paciente e evidências do bruxismo. Entretanto, recentemente, uma abordagem
criteriosa sobre os fenômenos relacionados à fratura foi criada 105 e aperfeiçoada em 2012, 183
com o objetivo de determinar o real momento da substituição do material restaurador em
função do seu grau de comprometimento. 183

Muitas das fraturas apresentam diferentes condutas e certos graus de reparos. Os reparos
mais encontrados na literatura são de polimento da superfície de fratura de uma PPF de
zircônia. O reparo com resina composta está presente, mas sua prevalência diverge em
alguns estudos, podendo apresentar-se com índices maiores ou menores quando compara-
dos aos de reparos do tipo polimento da fratura. Quando se trata de fraturas extensas, que
exigem a substituição das próteses, sua prevalência foi pequena, e alguns estudos nem mes-
mo encontraram esse tipo de dano (Quadro 3 e Figura 47).

Quadro 3
TIPO DE ABORDAGEM APÓS FALHAS DE PRÓTESES

Grau 1 Superfícies das fraturas polidas

Grau 2 Superfícies das fraturas reparadas com resina composta

Grau 3 Fraturas extensas com necessidade de substituição das próteses

Fonte: Adaptado de Heintze and Rousson (2010). 105

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 83


Figura 47 – Tipo e frequência de abordagem após falhas de próteses.
Fonte: Adaptado de Heintze e Rousson.

Com base no estudo de Heintze e Rousson, 105 foram propostos outros critérios para se deter-
minar quais seriam os danos por fratura capazes de comprometer as próteses de tal maneira
que somente a sua substituição seria proveniente. 183 São eles:
! a superfície de fratura prolonga-se para uma área funcional, e o reparo se torna inviável;
! a remodelação resultará na alteração da forma anatômica original, sendo, assim, ina-
ceitável;
! a remodelação elevará o risco de um trauma pulpar por meio da geração de calor;
! a restauração provocará alterações estéticas inaceitáveis ao paciente.

BRUXISMO

O nome “ bruxismo ” surgiu porque se acreditava que esse problema era atribuído
ao enfeitiçamento por bruxaria. A pós conhecimento mais apurado, o termo
parafunção, ou seja, atividade não funcional diferente de atividades funcionais,
como mastigação, fala e deglutição, passou a ser adotado.

84 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Atualmente, a classificação segundo a American Academy of Orofacial Pain (2008) para o
bruxismo é a seguinte: atividade parafuncional diurna ou noturna, incluindo ranger, apertar
e cerrar dos dentes.

Como é realizado de forma inconsciente, o bruxismo pode ser detectado a partir da


presença de facetas de desgaste que não sejam interpretadas como resultado da
função mastigatória. Atualmente, o bruxismo pode ser diagnosticado por meio de
gravações em laboratórios do sono.

Ao se abordar as consequências dos tratamentos restauradores em pacientes bruxômanos, a


evidência de complicações técnicas torna-se maior, e os resultados mostram que as principais
falhas são a perda de retenção e fratura do material restaurador. 145,184

Além de evitar tais falhas, sugere-se a confecção de materiais restauradores com superfície
oclusal metálica quando a arcada antagonista apresenta-se com dentes hígidos; no entanto,
a realidade brasileira e internacional não propicia a utilização de ligas nobres como material
de confecção de I.E. em razão de seu alto custo. No caso de superfícies oclusais dos materiais
restauradores em cerâmica, o seu polimento e glazeamento se fazem necessários para
minimizar o desgaste do esmalte dentário da arcada antagonista (Figuras 48A-B). 185

A B

Figura 48 – A) Vista oclusal dos dentes preparados. B) Face oclusal das próteses fixas com superfície oclusal
em metal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Outros fatores comprometedores do bruxismo também são considerados além do risco de


desgaste do material restaurador, como, por exemplo, o esmalte dos dentes localizados na
arcada antagonista. As coroas protéticas sempre devem ser cimentadas após receberem o
glazeamento ou o polimento criterioso da cerâmica de cobertura.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 85


As restaurações metalocerâmicas convencionais ou as restaurações com oclusais metálicas
ainda são os materiais mais seguros, 186 embora, sob condições extremas, não exista um
material capaz de durar de forma intacta durante longo período de tempo.

Nos últimos anos, novas cerâmicas, como zircônia e dissilicato de lítio monolíticos,
têm demonstrado propriedades mecânicas melhoradas, podendo ser uma opção
promissora no tratamento de pacientes bruxômanos.

No bruxismo, fatores biomecânicos devem ser enfatizados, pois as restaurações se tornam


vulneráveis à falha em razão da alta concentração de estresse oriunda de desgastes elevados,
planejamentos inadequados e contatos oclusais mal distribuídos.

Uma forma eficaz de aumentar a retenção de coroas totais convencionais sobre


pilares curtos é incluir, no preparo, caixas, canaletas, ranhuras ou pinos paralelos. 186-
187
Além disso, deve-se lançar mão da cimentação adesiva com o objetivo de mini-
mizar a possibilidade de descimentação da restauração. 188

Recentemente, foi determinado um protocolo de indicação da cimentação adesiva ou con-


vencional (Quadro 4).

Quadro 4
PROTOCOLO DE INDICAÇÃO DA CIMENTAÇÃO ADESIVA OU CONVENCIONAL

Cimentação adesiva Cimentação convencional com ionômero


de vidro

! Altura do dente pilar preparado inferior ! Altura do dente pilar preparado


ou igual a 4mm superior a 4mm
! Ângulo de convergência das paredes ! Ângulo de convergência das paredes
axiais superior a 10º axiais inferior a 10º
! Pacientes alérgicos à composição dos
cimentos adesivos
! Local de difícil isolamento

Fonte: Adaptado de Gehrt et al (2013). 188

86 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Nos casos de cimentação adesiva, o isolamento absoluto faz-se necessário, se pos-
sível; caso contrário, deverá ser usado o isolamento relativo com fios retratores, sem
estarem embebidos em solução adstringente. 188

Apesar das indicações para cimentação adesiva, deve-se atentar para a espessura dos mate-
riais restauradores, pois esse aspecto influencia o grau de conversão dos cimentos resinosos
duais, 189 principalmente os cimentos resinosos que apresentam uma alta dependência da
luz. 190-191

Entre os clínicos, bem como em manuais, é frequentemente proposto que os pacientes com
desgaste dentário severo e reabilitados com PPFs extensas recebam uma placa oclusal de
proteção para uso noturno. 192 Mesmo que pareça ser uma recomendação prudente e pro-
porcione tranquilidade ao dentista, não existem estudos publicados que relatam a eficácia
desse dispositivo de proteção no tratamento reabilitador de dentes naturais.

Quanto às restaurações implantossuportadas, um estudo relatou maior frequência de fratu-


ras de cerâmica de revestimento em pacientes com bruxismo que não usavam um dispositivo
oclusal de proteção. 193 Assim, mesmo após reabilitações protéticas extensas tendo como
consequência a mudança dos movimentos cêntricos e excêntricos, a força mastigatória dos
pacientes permanece elevada, pelo menos em alguns deles, 194 e a indicação da placa oclusal
de proteção se faz necessária.

CONTATOS OCLUSAIS
Os contatos oclusais estão presentes quando os dentes de arcos opostos se antagonizam
mediante a máxima intercuspidação (MI), que também pode ser chamada de oclusão habitual,
posição intercuspidiana (PI) e oclusão cêntrica (O C), 195 diferentemente de relação cêntrica,
que em apenas 8 % dos indivíduos é coincidente com a MI. 196

Atualmente, de acordo com The glossary of prosthodontic terms, 197 a O C é definida


como a oclusão de dentes opostos quando a mandíbula está em relação cêntrica. Já
a posição de MI é definida como a intercuspidação completa dos dentes opostos
independente da posição dos côndilos.

As falhas em sistemas cerâmicos sempre estiveram presentes em ambiente clínico; porém, a


descrição da prevalência do local das falhas na cerâmica de revestimento ainda não está
disponível em estudos científicos. Atualmente, encontram-se, nos artigos científicos, ima-
gens de fratura em cerâmica de revestimento predominantemente associadas às cristas mar-
ginais de coroas metalocerâmicas e de coroas com I.E.s de Y-TZP. 26,73,78,104,152,198-200 A oclusão
é considerada a principal responsável por tal acontecimento. 55

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 87


Os contatos oclusais, provenientes de dentes localizados em arcos opostos, estão presentes
entre cúspides e cristas marginais (Figuras 49A-C). 201-207

A B

Figura 49 – A) Contato oclusal entre cúspide e crista


marginal. B-C) Arcadas reproduzidas em gesso para
melhor visualização. O tipo de contato em C é nítido
na região de pré-molares dessas arcadas.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Os dentes molares apresentam uma diversidade maior de tipos de contatos oclusais simultâ-
neos207-210 por apresentarem uma mesa oclusal aumentada. 211 Mesmo assim, esses contatos
podem estar presentes somente sobre uma crista marginal (Figuras 50A-B). 205,207

A B

Figura 50 – A) Presença de maior número de contatos no primeiro molar. B) Presença de apenas um contato
oclusal forte na crista marginal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Quando o contato oclusal ocorre, as tensões geradas sobre cristas marginais de coroas clínicas
tornam-se aumentadas. Estudos já mostraram esses resultados mesmo com uma aplicação
de carga em locais diversificados da superfície dentária. 81,212-213

88 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Dados sugerem que contatos oclusais localizados diretamente sobre cristas marginais
deveriam ser evitados ou redistribuídos em outros planos da superfície oclusal a fim de
evitar o comprometimento da longevidade das coroas de diferentes sistemas cerâmicos.

Um estudo recente 214 mostrou que coroas unitárias de primeiros molares inferiores de siste-
mas cerâmicos de Y-TZP e metalocerâmicos, com desenhos convencionais da I.E. (0,5mm em
toda sua extensão) e modificados (0,5mm de espessura além de cinta lingual de 1mm de
altura e de postes proximais de 2,5mm de altura), não apresentaram resultados diferentes
estatisticamente quando comparadas com os grupos do mesmo sistema cerâmico; no entan-
to, a cerâmica de revestimento das coroas de Y-TZP resistiu mais à fratura quando comparada
com as coroas metalocerâmicas (Figuras 51A-B e 52). Assim, determinou-se que as cristas
marginais podem ser consideradas como a zona crítica dos materiais restauradores. 214

A B

Figura 51 – A) Vista oclusal de coroa metalocerâmica com desenho da I.E. convencional apresentando fratura
da porcelana de cobertura de grande extensão. B) Vista lateral da coroa metalocerâmica com desenho da I.E
convencional expondo a I.E. e impossibilitando seu reparo. P = porcelana de revestimento. I.E.M. = I.E. metálica).
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 52 – Vista proximal de coroa metalocerâmica


com desenho da I.E. convencional apresentando fra-
tura da porcelana de cobertura (delimitada pela li-
nha pontilhada). Nesse caso, se o mesmo estivesse
em boca, o reparo poderia ser realizado com resinas
compostas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 89


A fim de minimizar as fraturas, evento desapontador para paciente e CD, o ajuste oclusal
de coroas ou PPFs deveria ser realizado logo após sua correta adaptação no dente prepara-
do, com o objetivo de diminuir as tensões inapropriadas e concentradas durante a função.

A película de carbono e o papel celofane em pequenos pedaços permitem o registro


individual dos dentes por meio de movimentos de vai e vem, assim como a ausculta
dos toques dos dentes durante fechamento se faz necessária para comprovar a
inexistência de um contato prematuro (Figuras 53A-C). A própria percepção do
paciente também auxilia na identificação desse contato quando ele se encontra
sentado na cadeira odontológica.

A B

Figura 53 – A) Coroas metalocerâmicas sobre im-


plante sendo ajustadas. B) Fita de carbono posicio-
nada entre os dentes das arcadas para permitir a iden-
tificação do contato prematuro. C) Comprovação de
que todos os contatos estão balanceados (coroa por
coroa).
C
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A distribuição dos contatos oclusais deveria ocorrer sobre toda a superfície da coroa, pois,
assim, diminuiria a concentração de tensão. Além disso, os contatos localizados sobre as
cristas marginais sempre deveriam ser evitados; entretanto, determinadas situações clínicas
não permitem tal manejo. O contato oclusal, muitas vezes, pode estar localizado diretamen-
te sobre apenas uma crista marginal, impossibilitando sua redistribuição sobre outras super-
fícies. Encontra-se facilmente essa situação quando o dente circunjacente se apresenta em
infraoclusão.

As consultas periódicas permitem o monitoramento dos contatos oclusais.

90 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


29. Assinale a alternativa INC ORRETA quanto às decisões a serem tomadas pelo o clínico
quanto ao emprego do material cerâmico.
A) Com o objetivo de facilitar a escolha dos materiais frente às inovações de materiais
dentários, um estudo sugeriu uma escala de classificação para PPFs que aborda o
fator resistência dos materiais em estudos de acompanhamento clínico, dividida em
desempenho superior, excelente, bom e fraco.
B) Quanto aos reparos indicados em caso de fraturas de uma PPF de zircônia, os mais
encontrados na literatura são os que empregam resina composta.
C) Em pacientes com bruxismo, uma forma eficaz de aumentar a retenção de coroas
totais convencionais sobre pilares curtos é incluir, no preparo, caixas, canaletas, ra-
nhuras ou pinos paralelos.
D) A fim de minimizar as fraturas, evento desapontador para paciente e CD, o ajuste
oclusal de coroas ou PPFs deveria ser realizado logo após sua correta adaptação no
dente preparado, com o objetivo de diminuir as tensões inapropriadas e concentra-
das durante a função.
Resposta no final do artigo

30. Quais são os critérios que determinam a substituição de uma prótese fixa?

Resposta no final do artigo

31. Assinale a alternativa correta quanto à indicação para a cimentação convencional com
ionômero de vidro em paciente bruxômano.
A) Altura do dente pilar preparado inferior ou igual a 4mm.
B) Ângulo de convergência das paredes axiais superior a 10º.
C) Pacientes alérgicos à composição dos cimentos adesivos.
D) Local de fácil isolamento.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 91


32. Após a finalização de uma reabilitação oral, qual dispositivo deve ser confeccionado para
o paciente?

Resposta no final do artigo

33. Quando os contatos oclusais devem ser redistribuídos ou evitados?

Resposta no final do artigo

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar da diversificação dos sistemas cerâmicos disponíveis no mercado e dos avanços cien-
tíficos desde a sua introdução, as cerâmicas odontológicas ainda são alvo de insucessos
clínicos, dentre os quais as falhas mecânicas são as principais. Inúmeras são as discussões em
trabalhos clínicos e laboratoriais na tentativa de elucidar o mecanismo e a prevenção das
falhas com o objetivo de melhorar o prognóstico e a satisfação tanto do CD quanto do
paciente. Entretanto, não há um sistema cerâmico ideal, mas vários sistemas que cobrem
uma determinada gama de indicações e que devem ser selecionados com base na individua-
lidade de cada caso clínico (Figura 54).

92 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Eliminar esse quadro
segundo o Prof. Dr. Gerson
Bonfante

Figura 54 – Esquema sugestivo de indicação dos principais materiais cerâmicos utilizados na odontologia.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Cabe ao CD manter-se atualizado e compreender como cada material cerâmico interage


frente aos estresses gerados e os métodos utilizados para dificultar o aparecimento das fa-
lhas. O completo conhecimento desse mecanismo facilita a decisão sobre qual sistema cerâmico
está indicado para o paciente em questão.

Fatores como a presença ou a ausência de hábitos parafuncionais, a aplicação dos


princípios oclusais, a cimentação adequada e o respeito das limitações de cada
material são indubitáveis para o sucesso e a longevidade das restaurações.

RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS


Atividade 1
Resposta: Os questionamentos ainda encontrados na literatura, desde a década de 60, sobre
os fracassos em próteses fixas dentárias são:
! por quanto tempo uma coroa unitária ou uma prótese fixa extensa deveria apresen-
tar-se sem falhas que justificassem sua substituição?
! quais seriam as principais razões e fatores de risco que levariam aos fracassos?
! os controles rotineiros dos pacientes seriam capazes de evitar ou prorrogar a perda de
peças protéticas fixas?

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 93


Atividade 2
Resposta: O principal objetivo das pesquisas clínicas é aumentar a longevidade clínica do
tratamento restaurador.

Atividade 3
Resposta: Estudos de revisão sistemática encontram-se no ápice da evidência científica e são
capazes de direcionar a investigação de determinado assunto a partir de critérios de inclusão
e exclusão de estudos de acompanhamento clínico. Dessa forma, os estudos de revisão siste-
mática conseguem classificar suas avaliações em dois tópicos distintos: fracasso e sucesso, o
que permite que os resultados se tornem comparáveis. Os estudos de acompanhamento
clínico são capazes de apresentar resultados durante períodos, tanto no momento da
cimentação do material restaurador, quanto em consultas de rotina. Esses estudos de acom-
panhamento clínico, muitas vezes, não permitem sua comparação entre artigos por apresen-
tarem grande variabilidade de fatores, que, por fim, influenciam seus resultados finais.

Atividade 4
Resposta: D

Atividade 5
Resposta: C
Comentário: As próteses metalocerâmicas já foram exaustivamente pesquisadas por vários
centros de estudos em acompanhamentos clínicos de longo prazo. No caso de sistemas
ceramocerâmicos, não se pode dizer o mesmo, pois o tempo de acompanhamento clínico
desses materiais ainda é restrito, com tempo médio de acompanhamento de cinco anos para
quase todos os sistemas totalmente cerâmicos.

Atividade 6
Resposta: A estabilidade química, a alta resistência à compressão, a estética excelente e
duradoura e a biocompatibilidade, com menores índices de aderência de biofilme, são algu-
mas das características das cerâmicas odontológicas. Além disso, o módulo de elasticidade, a
dureza, a densidade, a condutibilidade térmica e o CET são propriedades muito semelhantes,
compartilhadas pela porcelana feldspática e pelo esmalte dentário. Essas características colo-
cam as porcelanas como o material de eleição destinado à reposição da estrutura dentária
perdida, visto que apresentam características que as permitem reproduzir, com muita eficiên-
cia, as nuances de cor, forma e textura superficial encontradas na dentição natural.

Atividade 7
Resposta: As coroas metalocerâmicas podem apresentar alguns resultados indesejáveis no que
diz respeito à estética e à biocompatibilidade, como o sombreamento metálico na região gengival,
relatos de hipersensibilidade relacionados às ligas metálicas e maior acúmulo de biofilme.

94 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Atividade 8
Resposta: As cerâmicas mais resistentes são mais opacas, enquanto as cerâmicas mais
translúcidas são consideradas cerâmicas de estética favorável; porém, mais frágeis. Logo,
translucidez e resistência podem ser consideradas características inversamente proporcio-
nais.

Atividade 9
Resposta: B
Comentário: As porcelanas odontológicas apresentam natureza vítrea e, assim como o vidro,
apresentam alta resistência às forças compressivas, mas tendem a sucumbir às forças de
tração. As cerâmicas policristalinas não contêm vidro, e sua matriz normalmente é algum
óxido metálico, como o óxido de alumínio ou o óxido de zircônio com agentes infiltrados
chamados de “ dopantes” .

Atividade 11
Resposta: C
Comentário: As restaurações totalmente cerâmicas apresentam, como maior falha resultante
da propagação de trincas, as fraturas, que podem ser coesivas (restritas à porcelana de cober-
tura) ou catastróficas (envolvendo tanto a porcelana de cobertura quanto a I.E., o que leva à
perda da restauração protética). As cerâmicas vítreas apresentam alta resistência à compres-
são; porém, são extremamente fracas quando submetidas às forças de tração e incapazes de
suportar deformações acima de 0,1 a 0,3 % sem fraturar. Como a resistência à tração é muito
menor do que à compressão, as falhas geralmente partem do ponto onde a cerâmica é
tracionada.

Atividade 12
Resposta: As tensões geradas por um dente da arcada oposta ao entrar em contato com
material cerâmico restaurador são compressivas e trativas. As tensões compressivas são loca-
lizadas na superfície oclusal do material restaurador, e as tensões trativas são encontradas na
área gengival dos conectores.

Atividade 13
Resposta: A I.E. tem a finalidade de fornecer suporte estrutural e evitar que a frágil cerâmica
de revestimento sofra qualquer tipo de flexão e venha a fraturar. Dessa maneira, toda força
incidida sobre a superfície da cerâmica de revestimento é convertida em força compressiva e
transportada para a I.E., que é mais resistente e preparada para tal.

Atividade 14
Resposta: A

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 95


Atividade 15
Resposta: C
Comentário: A porcelana sobre a zircônia (relação oclusal) necessita de 1.210MPa de tensão
para sofrer fratura.

Atividade 16
Resposta: Os mecanismos mais importantes que atuam na formação e na propagação das
falhas quando as próteses estão em função são desgaste da camada de glaze por abrasão,
atrição ou ajustes, fadiga e interação química da cerâmica com a água.

Atividade 17
Resposta: D
Comentário: Autores defendem o não recobrimento da I.E. na região de conectores a fim de
possibilitar maior resistência por meio do aumento da área e diminuir a presença de falhas
causadas pelas tensões de tração na área. Conectores com altura aumentada geram menor
concentração de tensões quando comparados a conectores de largura aumentada.

Atividade 18
Resposta: B
Comentário: As cerâmicas vítreas e semicristalinas à base de leucita e dissilicato de lítio são
cerâmicas conhecidas como acidossensíveis, ou seja, reagem com o ácido fluorídrico e com o
silano para permitir a cimentação por meio de cimentos à base de resina.

Atividade 19
Resposta: A penetração da água no interior das trincas, impulsionada pelo contato com o
dente antagonista, funciona como uma bomba hidráulica que impulsiona a água para o seu
interior, gerando tensões nas paredes da trinca e favorecendo sua propagação.

Atividade 20
Resposta: A camada de glaze do material cerâmico pode inibir o contato da saliva com o
material cerâmico cimentado na boca.

Atividade 21
Resposta: As cúspides e regiões interproximais são as que mais sofrem em razão da grande
massa de porcelana em relação às outras regiões, sem contar que são áreas onde há os
maiores estresses gerado pelos contatos oclusais.

96 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Atividade 22
Resposta: C
Comentário: Os cristais de dissilicato formam uma zona de tensão compressiva na matriz
vítrea ao redor dos cristais que causa a deflexão das trincas, mas, diferentemente dos cristais
de leucita, que são poligonais, os cristais de dissilicato são alongados e formam uma rede de
cristais interlaçados que dificultam a propagação das trincas entre os planos.

Atividade 23
Resposta: D
Comentário: O sistema metalocerâmico apresenta ampla versatilidade, visto que pode ser
utilizado tanto para coroas unitárias quanto para pontes fixas (independentemente de sua
extensão) dento ou implantossuportadas, estar associado a encaixes tipo macho e fêmea
para reabilitação com prótese parcial removível e ser utilizado em coroas curtas, em casos
com restrição de espaço interoclusal e em pacientes bruxômanos. As taxas de fraturas da
porcelana de cobertura para o sistema metalocerâmico variam de 2,5 a 8 % em cinco anos,
19,4 % em três anos e 18,1 % em 20 anos. PPFs fixas longas apresentam maior risco de falhas
do que as curtas.

Atividade 24
Resposta: O principal fator relacionado ao fracasso de coroas metalocerâmicas e que foi
recentemente contestado pela literatura científica é a recidiva de cárie em dentes pilares.

Atividade 25
Resposta: D

Atividade 26
Resposta: Os agentes estabilizantes para zircônia são empregados para estabilizar a fase
tetragonal metaestável à temperatura ambiente a fim de interromper a propagação de trin-
cas na zircônia, simulando o efeito encontrado em dentes naturais.

Atividade 27
Resposta: A
Comentário: A presença de defeitos e/ou vacâncias de oxigênio dificulta a transformação de
fases cristalinas por meio do impedimento dos movimentos atômicos necessários para se
obter a fase mais estável – a fase monoclínica.

Atividade 28
Resposta: Em se tratando de aplicações clínicas na odontologia, a zircônia está em contato
com fluidos orais intermitentemente. A suscetibilidade da DBT está associada às seguintes

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 97


condições intraorais: quando a massa de um implante dentário é de zircônia, quando a
zircônia é usada como pilares protéticos para coroas e PPFs, sem receber cobertura de cerâ-
mica de revestimento, e quando a I.E. de próteses dentárias fixas for usinada em zircônia e
não revestida com cerâmica de revestimento ou quando a camada de glaze foi removida
durante os ajustes oclusais ou fraturada sob cargas oclusais. Além disso, como a DBT prosse-
gue em ritmo lento, não há dados disponíveis atualmente na literatura sobre a DBT à tempe-
ratura do corpo. Previsões de tempo de vida útil a 37ºC são baseadas em testes de envelhe-
cimento acelerado. No entanto, mesmo sem exatidão, dados gerados a partir de testes
laboratoriais podem ser extrapolados para qualquer valor entre 1 e 12 anos. Há autores que
sugeriram que cinco horas de esterilização a vapor a 134ºC simulam o equivalente a 15-20
anos de degradação a 37ºC.

Atividade 29
Resposta: As fraturas encontradas em materiais restauradores localizados na região posterior
acontecem com maior frequência pelo fato de que existe uma alavanca do tipo interpotente
gerada pela mandíbula, isto é, quanto maior a proximidade do fulcro, mais intensas serão as
forças desenvolvidas.

Atividade 30
Resposta: C
Comentário: Houve moderada associação entre parafunção e falha do sistema cerâmico, e
não houve correlação entre o tipo de término do preparo dentário usado com qualquer tipo
de falha. A presença de fraturas catastróficas das PPFs de zircônia apenas em casos isolados
foi atribuída ao fato de as I.E.s apresentarem espessura mínima de 0,5 a 0,7mm e os conectores
apresentarem área total de 9 a 12mm, dependendo da extensão da prótese.

Atividade 31
Resposta: B

Atividade 32
Resposta: As indicações clínicas do dissilicato de lítio são coroas unitárias anteriores e poste-
riores, inlays, onlays, facetas e PPFs de três elementos para dente anterior e posterior até
segundo pré-molar.

Atividade 33
Resposta: C
Comentário: As pastilhas e blocos de dissilicato de lítio apresentam quatro diferentes graus
de translucidez, que variam de elevado até totalmente opaco.

98 ELO FRACO DAS CERÂMICAS


Atividade 34
Resposta: D
Comentário: Coroas de dissilicato de lítio com espessura de 0,4m de I.E. e 1,2mm de porce-
lana apresentam quase o dobro de chance de sofrer fraturas em 10 anos em comparação às
mesmas coroas com espessura de 0,8mm de I.E. e 0,8mm de porcelana.

Atividade 35
Resposta: A presença da cinta lingual e dos postes proximais aumenta a confiabilidade e a
resistência das coroas e diminui a extensão da trinca, quando seu surgimento é inevitável. Na
presença de pequenas fraturas, há a chance da execução de um pequeno acabamento e
polimento, se não ocorrer o comprometimento da função e da estética dentária, ou até
mesmo pequenos reparos com resina composta.

Atividade 36
Resposta: C
Comentário: Apesar da baixa resistência flexural tanto da porcelana de revestimento quanto
do dissilicato de lítio, quando comparados com as cerâmicas cristalinas (ex. zircônia e alumina
densamente sinterizada), a resistência da camada de união entre porcelana/dissilicato é maior
do que a da porcelana/zircônia. A porcelana utilizada como revestimento das I.E.s (metálicas
ou cerâmicas) apresenta resistência flexural de apenas 90N, enquanto as cerâmicas com
dissilicato de lítio apresentam valores em torno de 360 a 400N. As coroas monolíticas de
dissilicato não são apenas estéticas, mas também clinicamente duráveis e resistentes ao des-
gaste; entretanto, ainda existem poucos estudos científicos laboratoriais e de acompanha-
mentos clínicos em longo prazo para a utilização desse sistema em larga escala.

Atividade 37
Resposta: B
Comentário: O dissilicato de lítio pode ser indicado para a confecção de PPFs de três elemen-
tos com o último pilar em primeiro molar. Conectores curtos e/ou com grande distância
interpilares (mais de dois pônticos consecutivos) resultam no aumento dos níveis de estresse
em até quatro vezes, ao passo que o uso de conectores com maior ângulo diminui a proba-
bilidade de falhas nas PPFs.

Atividade 38
Resposta: B
Comentário: Os reparos mais encontrados na literatura são de polimento da superfície de
fratura de uma PPF de zircônia. O reparo com resina composta está presente, mas sua
prevalência diverge em alguns estudos, podendo apresentar-se com índices maiores ou me-
nores quando comparados aos de reparos do tipo polimento da fratura.

| PRO-ODONTO PRÓTESE | CICLO 5 | VOLUME 4 | 99


Atividade 39
Resposta: Os critérios que determinam a substituição de uma prótese fixa são:
! a superfície de fratura prolonga-se para uma área funcional, e o reparo se torna inviável;
! a remodelação resultará na alteração da forma anatômica original, sendo, assim, ina-
ceitável;
! a remodelação elevará o risco de um trauma pulpar por meio da geração de calor;
! a restauração provocará alterações estéticas inaceitáveis ao paciente.

Atividade 40
Resposta: C
Comentário: As indicações para a cimentação convencional com ionômero de vidro são altu-
ra do dente pilar preparado superior a 4mm, ângulo de convergência das paredes axiais
inferior a 10º, pacientes alérgicos à composição dos cimentos adesivos e local de difícil isola-
mento.

Atividade 41
Resposta: Após a finalização de uma reabilitação oral, deve-se confeccionar uma placa oclusal
de proteção para o paciente.

Atividade 42
Resposta: Os contatos oclusais devem ser redistribuídos ou evitados quando estão localiza-
dos diretamente sobre cristas marginais de coroas de diferentes sistemas cerâmicos.

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