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“A Maritime Safety & Security Management Company”

CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA

E SAÚDE PARA TRABALHOS A

QUENTE: ATIVIDADES COM

MÁQUINAS PORTÁTEIS

ROTATIVAS – RISCOS E FORMAS

DE PREVENÇÃO

CBSSTQ-AMPR

3ª Edição - 2019
Revisada, atualizada e ampliada

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“A Maritime Safety & Security Management Company”

Copyright © 2016
Todos os direitos para a língua portuguesa no Brasil reservados à Engenharia Marítima
Offshore, conforme lei 5988 de 14/12/1973.

Autor: Equipe Técnica da Engenharia Marítima Offshore

Revisão & Diagramação: Cláudio Henrique Duarte Eiras, Master Mariner, AFNI 1218059

100 Exemplares.

ENGENHARIA MARÍTIMA OFFSHORE – CONSULTORIA, TREINAMENTO & SERVIÇOS LTDA.


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“A Maritime Safety & Security Management Company”

CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA E SAÚDE PARA TRABALHOS A


QUENTE: ATIVIDADES COM MÁQUINAS PORTÁTEIS ROTATIVAS –
RISCOS E FORMAS DE PREVENÇÃO

SIGLA: CBSSTQ-AMPR

MÓDULO GERAL: 4 H/A

SUMÁRIO

1. OBJETIVO ................................................................................................................................................... 5
2. LEGISLAÇÃO .............................................................................................................................................. 5
3. NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS ..................................................................................................... 5
4. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 5
4.1 TRABALHO A QUENTE .......................................................................................................................... 6
4.2 TRIÂNGULO DO FOGO.......................................................................................................................... 7
4.3 REAÇÃO EM CADEIA ............................................................................................................................. 8
4.4 ÁREA CLASSIFICADA ............................................................................................................................ 8
4.5 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ................................................................................. 9
4.6 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO ................................................................................................ 10
4.7 MEDIDAS DE ORDEM GERAL EM TRABALHOS A QUENTE ..................................................... 12
4.8 PROCEDIMENTOS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM TRABALHO A QUENTE..... 12
4.9 SISTEMAS DE DETECÇÃO DE FOGO E FUMAÇA ....................................................................... 13
4.10 CONTROLE DE FUMOS E CONTAMINANTES............................................................................. 14
4.11 UTILIZAÇÃO DE GASES ................................................................................................................... 15
4.12 PRÉ-OPERAÇÕES DE TRABALHO A QUENTE ........................................................................... 16
4.13 INSPEÇÃO E ACOMPANHAMENTO PÓS-TRABALHO .............................................................. 19
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 22
1.1. LIXADOR INDUSTRIAL. ...................................................................................................................... 22
1.2. COMPONENTES DA ESMERILHADEIRA ANGULAR ................................................................... 22
2. DISCOS ...................................................................................................................................................... 24
2.1. RECEBIMENTO DOS DISCOS .......................................................................................................... 24
2.2. TIPOS DE DISCOS............................................................................................................................... 24
2.3. ABRASIVOS DOS DISCOS ............................................................................................................... 25
2.4. ARMAZENAGEM DO DISCO E REBOLOS. ................................................................................... 26
2.5. VELOCIDADES DOS DISCOS ........................................................................................................... 28
2.6. VALIDADE .............................................................................................................................................. 28
2.7. INSTRUÇÕES SOBRE O DESCARTE DO DISCO ........................................................................ 29
3. ACESSÓRIOS........................................................................................................................................... 29
3.1. SELEÇÃO DOS ACESSÓRIOS. ........................................................................................................ 29
3.2. ESCOVAS ROTATIVAS. ..................................................................................................................... 29
3.3. ACESSÓRIOS AUXILIARES............................................................................................................... 31
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4. COLOCAÇÃO DE DISCOS E ESCOVAS. ........................................................................................... 32
4.2. COLOCAÇÃO DE ESCOVAS ............................................................................................................. 36
5. OPERAÇÕES DE DESBASTE E CORTE COM ESMERILHADEIRA ............................................. 37
5.1. OPERAÇÃO COM DISCO DE DESBASTE...................................................................................... 38
5.2. OPERAÇÃO COM DISCO DE CORTE. ............................................................................................ 39
5.3. OPERAÇÕES COM ESCOVAS ROTATIVAS .................................................................................. 40
5.4. CUIDADOS COM A ESMERILHADEIRA ANGULAR...................................................................... 42
6. PROBLEMAS E AÇÕES CORRETIVAS. ............................................................................................. 42
7. SEGURANÇA NAS OPERAÇÕES ........................................................................................................ 46
7.1. REGRAS GERAIS DE SEGURANÇA ............................................................................................... 46
7.2. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) .................................................................... 48

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1. OBJETIVO
Capacitar trabalhadores, os quais atuam a bordo de navios e unidades móveis marítimas, bem
como em instalações de apoio e reparos navais, a exercerem a função de Observador de
Trabalhos a Quente, cuja missão é estarem presentes em quaisquer atividades que envolvam
operações com solda, maçarico, máquinas portáteis rotativas, entre outras atividades a
quente, que possam gerar fontes de ignição, tais como aquecimento, centelha ou chama, uma
vez conhecidos os potenciais riscos e suas formas de prevenção.

2. LEGISLAÇÃO

NR 6 – Equipamento de Proteção Individual;


NR 23 – Proteção contra incêndios;
NR 26 – Sinalização de Segurança;
NR 30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário, Anexo II – Plataformas e Instalações de
Apoio;
NR 34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção e Reparação Naval.
Item 34.5 (Trabalho a Quente);

3. NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS

NBR 9441: Execução de sistemas de detecção e alarme de incêndio;


NBR 12.693: Sistemas de proteção por extintores de incêndio;
NBR 7195: Cores para segurança;
NBR 6493: Empregos de cores para identificação de tubulações.

4. INTRODUÇÃO

Historicamente, o incêndio tem sido uma das principais causas de danos e perdas de vidas na
indústria marítima, o que inclui a indústria onshore & offshore. Muitos desses incêndios poderiam
ter sido evitados, ou pelo menos controlados em sua fase inicial, caso os envolvidos tivessem
sido, adequadamente, treinados e equipados para as diferentes situações. Certamente, os danos
e perdas de vidas humanas poderiam ter sido evitados, ou pelo menos minimizados. Dessa
forma, esse treinamento foi elaborado para fornecer instrução aos colaboradores sobre como se
tornarem efetivos e competentes ao iniciar um TRABALHO a QUENTE.

“A bordo dos diversos tipos de embarcações, estejam elas envolvidas em operações


marítimas ou offshore, bem como em instalações onshore, o fogo pode ser um amigo ou
um inimigo.

Protegido e controlado, o fogo é tão parte de nossas vidas diárias que passamos a confiar nele e
em seus usos. Mas, um fogo sem controle resulta em desastre, perda de vidas e milhões em
danos à propriedade.

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Por exemplo, em 1998 aconteceram 2 incidentes de incêndio envolvendo Trabalho a Quente a
bordo de sondas na Grã-Bretanha.
Estes incidentes resultaram em 2 mortes e uma grande perda de receita.
Estes dados representam somente incidentes em que incêndio e explosão foram as causas
principais das perdas…”

4.1 TRABALHO A QUENTE

DEFINIÇÕES

Para fins da NR 34, considera-se trabalho a quente as atividades de soldagem, esmerilhamento,


corte ou outras que possam gerar fontes de ignição tais como aquecimento, centelha ou chama.
As medidas de proteção contemplam as de ordem geral e as específicas, aplicáveis,
respectivamente, a todas as atividades inerentes ao trabalho a quente e aos trabalhos em áreas
não previamente destinadas a esse fim.

1. Trabalho a Quente: Qualquer operação temporária que envolva chama exposta ou que produza
calor ou faísca, podendo causar a ignição de combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos, incluindo
corte com maçarico, solda oxi-acetilênica, solda por arco, aplicação de revestimento em teto com
chama aberta, lixamento, aquecimento ou cura com chama exposta ou outro tipo de serviço que
possa gerar fagulhas ou chamas.

2. Vigilante contra Incêndio: Pessoa devidamente treinada que tem a responsabilidade de observar
o local onde o Trabalho a Quente está sendo realizado com o objetivo de evitar a ocorrência de algum
princípio de incêndio e se o mesmo ocorrer estar preparada para o combate inicial e a comunicação
do mesmo.

3. Funcionário autorizado para emissão de Autorização de Trabalho a Quente: Pessoa


devidamente treinada e qualificada (Bombeiro, Técnico de Segurança ou outro) para avaliar o local e
as condições onde o trabalho a quente será realizado, definir sobre a necessidade de Vigilância
Contra Incêndio e emitir uma autorização por escrito a executante.

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4.2 TRIÂNGULO DO FOGO

Para a efetiva prevenção e combate a incêndio, é necessário conhecimento sobre o fogo:


conhecer suas características e propriedades. Para facilitar esta compreensão o fogo é
representado simbolicamente por um triângulo, ao qual denominamos Triângulo do Fogo.
Os elementos que representam a combustão são: COMBUSTÍVEL, COMBURENTE, CALOR. Na
prática, retirando-se qualquer um dos lados desse triângulo a combustão perde sustentação e o
fogo se extingue.

COMBURENTE: É todo elemento que, associando-se quimicamente ao combustível, é capaz de


fazê-lo entrar em combustão. O oxigênio é o comburente mais facilmente encontrado na natureza
(21%).

COMBUSTÍVEL: É toda a substância capaz de queimar e alimentar a combustão (madeira,


papel, pano, estopa, tinta, alguns metais etc). É o elemento que serve de campo de propagação
ao fogo.

CALOR: São todas as fontes de energia caloríficas capaz de inflamar ou provocar o aumento de
temperatura dos combustíveis, podem ser originadas pelos seguintes processos:

Chama: fósforo, tocha de balão, velas etc.


Brasa: fagulhas de chaminé, fogueiras etc.
Eletricidade: centelhas elétricas, aquecimento etc.
Mecânica: atrito, fricção, compressão etc.
Química: água na cal, no potássio, no magnésio etc.

É necessária uma mistura ideal, ou seja, que eles apareçam em proporções adequadas.

Exemplificando:

 Mistura pobre: pouco vapor de combustível, muito ar;


 Mistura ideal: presença dos três elementos do fogo, na proporção adequada;
 Mistura rica: muito vapor de combustível e pouco ar.

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4.3 REAÇÃO EM CADEIA

Uma reação em cadeia é uma sequência de reações provocadas por um elemento ou grupo de
elementos que gera novas reações entre elementos possivelmente distintos, tal como ocorre
durante a fissão nuclear.
Tetraedro do fogo e seus quatro elementos formadores.
Em se tratando de incêndios, a reação em cadeia é um dos itens do chamado "tetraedro do fogo"
(que, além da reação em cadeia, é composto por outros três elementos básicos para a existência
do fogo, quais sejam: o combustível, o comburente e o calor. Neste sentido, a reação em cadeia é
uma sequência de reações que ocorrem durante o fogo, produzindo sua própria energia de
ativação (o calor) enquanto há comburente e combustível para queimar.

Dessa forma, temos:

COMBUSTÍVEL + OXIGÊNIO + CALOR → (FOGO) LUZ + GASES + CALOR


CALOR + COMBUSTÍVEL + OXIGÊNIO → (FOGO) LUZ + GASES + CALOR…

Tal reação é o que mantém o fogo, até que um dos reagentes (combustível, comburente ou calor)
seja retirado da reação, extinguindo-se assim o fogo. Tal entendimento é a base dos métodos de
extinção de incêndios.

4.4 ÁREA CLASSIFICADA

Área classificada: Área na qual uma atmosfera de gás, ou vapor explosivo ou pós combustíveis
estão presentes, ou na qual é provável sua ocorrência a ponto de exigir precauções especiais
para a construção, instalação, utilização e manutenção de equipamentos elétricos;

DEFINIÇÕES DE ZONEAMENTOS

Zona 0 – Local onde a ocorrência de mistura inflamável/explosiva por gases ou vapores é

continua ou existe por longos períodos.

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Zona 1 - É um local onde a atmosfera explosiva está presente em forma ocasional e em

condições normais de operação, sendo normalmente geradas por fontes de risco de grau

primário.

Zona 2 - É um local onde a atmosfera explosiva está presente somente em condições anormais

de operação e persiste somente por curtos períodos de tempo, sendo geradas normalmente por

fontes de risco de grau secundário.

Atmosfera Explosiva, é a mistura com o ar, em condições atmosféricas, de substâncias


inflamáveis sob a forma de gases, vapores, névoas ou poeiras, na qual, após ignição, a
combustão se propague a toda a mistura não queimada. Simplificando: é uma área onde existe a
possibilidade de ocorrer explosões.

4.5 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

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Todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de
riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

Todos os acessórios e sistemas de ancoragem devem ser selecionados considerando-se a carga


aplicada aos mesmos e o respectivo fator de segurança, quando da queda.

Antes do início dos trabalhos deve ser efetuada e registrada a inspeção de todos os EPI’s a
serem utilizados, recusando-se os que apresentem falhas ou deformações ou que tenham sofrido
impacto de queda, quando se tratar de cintos de segurança.

Entende-se como Equipamento Conjugado de Proteção Individual, todo aquele composto por
vários dispositivos, que o fabricante tenha associado contra um ou mais riscos que possam
ocorrer simultaneamente e que sejam suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

4.6 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO

No planejamento do trabalho, devem ser adotadas as seguintes medidas:

 Medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução;
 Medidas que elimine o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de execução
do trabalho e de outra forma;
 Medidas que minimizem a distância e as consequências da queda, quando o risco de
queda não puder ser eliminado.

A APR (Análise Preliminar de Risco), para os trabalhadores em altura, deve ser realizada e
considerar:

 As condições meteorológicas adversas;


 O local em que os serviços serão executados;
 A autorização dos envolvidos;
 A seleção, forma de utilização e limitação de uso de equipamentos de proteção coletiva e
individual, atendendo aos princípios da redução do impacto e dos fatores de queda;

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 O risco de queda de materiais;
 As situações de emergências, especialmente, as rotas de fuga ou meios de abandono
devidamente sinalizados.

Antes do início de qualquer trabalho em altura, deve ser emitida Permissão do Trabalho, que
contemple:

 A inspeção das proteções coletivas e dos equipamentos de proteção individual;


 As medidas para prevenção de queda de ferramentas e materiais;
 O isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
 A proibição do trabalho de forma isolada;
 A relação de todos os envolvidos e suas autorizações;
 O planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a reduzir o tempo da suspensão
inerte do trabalhador;
 O sistema de comunicação;
 A disponibilidade dos equipamentos de combate a incêndio no local de trabalho, conforme
APR.

Todo o trabalho em altura será planejado, organizado e executado por trabalhadores capacitados
e autorizados.

TRABALHADOR CAPACITADO

Aquele que foi submetido a treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de 8 horas,
cujo conteúdo programático deve incluir, além dos riscos presentes na atividade:

Os equipamentos de proteção coletiva e individual para trabalho em altura: seleção, inspeção e


limitação de uso;
As condutas em situações de emergência (suspensão inerte, princípios de incêndio, salvamento e
rota de fuga, dentre outras).

TRABALHADOR QUALIFICADO

É considerado trabalhador qualificado aquele que comprovar conclusão de curso específico para
sua atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino.

TRABALHADOR AUTORIZADO

Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado e cujo estado de
saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade.

PROFISSIONAL LEGALMENTE HABILITADO

É considerado profissional legalmente habilitado o trabalhador previamente qualificado e com


registro no órgão de competência.

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EXAMES MÉDICOS

Quanto à avaliação do estado de saúde dos trabalhadores capacitados, qualificados e


autorizados, para trabalho em altura, cabe à empresa:

 Garantir que a avaliação seja feita periodicamente, considerando os riscos envolvidos a


cada situação;
 Assegurar que os exames e a sistemática de avaliação sejam partes integrantes do
PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional);
 Garantir protocolo de exames específicos para investigar problemas relacionados à:
epilepsia, hipertensão, cardiopatias, distúrbios na coordenação motora, vertigens tonteiras,
obesidade, perda da audição, ansiedade, acrofobia, distúrbios do sono, alcoolismo/drogas,
uso de medicação controlada, entre outras.

4.7 MEDIDAS DE ORDEM GERAL EM TRABALHOS A QUENTE

Proteção contra Incêndio

Cabe aos empregadores tomar as seguintes medidas de proteção contra incêndio nos locais
onde se realizam trabalhos a quente:

 Providenciar a eliminação, ou manter sob controle, possíveis riscos de incêndios;


 Instalar proteção física adequada contrafogo, respingos, calor, fagulhas ou borras, de
modo a evitar o contato com materiais combustíveis ou inflamáveis, bem como interferir em
atividades paralelas ou na circulação de pessoas;
 Manter desimpedido e próximo à área de trabalho sistema de combate a incêndio,
especificado conforme tipo e quantidade de inflamáveis e/ou combustíveis presentes;
 Inspecionar o local e as áreas adjacentes ao término do trabalho, a fim de evitar princípios
de incêndio.

4.8 PROCEDIMENTOS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM TRABALHO A QUENTE

O critério de determinação das áreas onde é necessária a vigilância contra incêndio fica a cargo
do funcionário autorizado para emissão de Autorização de Trabalho a Quente, no momento da
emissão desta, desde que o mesmo não contrarie os preceitos desta norma.

A indicação de pessoal para fazer a vigilância contra incêndio deverá seguir a ordem descrita
abaixo, sendo que não havendo acordo entre o funcionário autorizado para emissão de
Autorização de Trabalho a Quente e a Manutenção / Operação, o Trabalho a quente não será
realizado até uma melhor oportunidade:

A vigilância contra incêndio poderá ser feita por funcionário treinado de empresas contratadas
somente quando funcionários destas mesmas empresas estiverem executando o Trabalho a
Quente.

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Trabalhos a Quente poderão ter vigilância contra incêndio com funcionários próprios, obedecendo
a seguinte ordem de prioridade e disponibilidade:
 Funcionário do Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho em casos de alto risco
de incêndio;
 Funcionário da Área de Manutenção ou de Construção e Montagem;
 Funcionário da Área de Operação;

Havendo disponibilidade, a vigilância contra incêndio conduzida por funcionários próprios tem
preferência sobre aquela realizada por empresas contratadas.

Os procedimentos relacionados com a operação de trabalho a quente são divididos em três fases:

 Pré-Operações de Trabalho a Quente;
 Durante as Operações de Trabalho a Quente;
 Inspeção e Acompanhamento Pós Operação de Trabalho a Quente.

4.9 SISTEMAS DE DETECÇÃO DE FOGO E FUMAÇA

São sistemas criados para a detecção automática da presença de focos de incêndios. Estes
podem ser MANUAIS ou AUTOMÁTICOS. Os detectores de fumaça, de calor ou de temperatura
acionam automaticamente o aviso. O alarme deve ser audível em todos os setores da área
abrigada pelo sistema de segurança.

As verificações nos alarmes precisam ser feitas periodicamente e a edificação deve contar com
um plano de ação para otimizar os procedimentos de abandono do local, quando do acionamento
do alarme. Segue abaixo os principais sistemas de detecção:

Detectores de Fumaça: Normalmente são instalados nos módulos de acomodações, camarotes,


corredores, dentro de tetos falsos etc. Este tipo de detector não é instalado em área onde a
fumaça e vapores podem ocasionalmente estar presentes como, por exemplo, cozinha e sala de
gerador. Geralmente operam pelo princípio da ionização ou ótico (fotoelétrico).

Detectores de Chama: Detectam o fogo rapidamente e de forma segura através da sensibilidade


à radiação emitida pela chama em numerosas bandas das faixas do espectro de ultravioleta e
infravermelho. Estes equipamentos são utilizados especialmente na detecção de incêndios em
áreas de líquidos e gases inflamáveis de combustão pura, como petróleo, querosene, solvente,
dentro de casulo de turbo geradores e turbo compressores, onde existe um rápido crescimento de
fogo intenso. Normalmente são instalados em petroquímicas e unidades offshore.

Detectores de Calor: São designados para deter o fogo em estágios mais avançados quando a
temperatura na área protegida começa a aumentar. Os efeitos do calor que fornecem os
princípios da operação básicos para os detectores de calor são: derretimento (ou fusão) de
metais; expansão de sólidos, gases e líquidos; efeito elétrico.

Detectores de Gás: Do tipo point watcher que operam segundo o princípio da absorção de raios
infravermelhos. Estão localizados em áreas de processos onde há fontes potenciais de vazamen-

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tos de produtos inflamáveis e combustíveis e onde há anteparas, estruturas e equipamentos que
dificultam e obstruem a ventilação natural, favorecendo o acúmulo de nuvens inflamáveis. Para
monitorar as áreas onde possa ocorrer concentração de gases, o sistema mede continuamente a
concentração de gás.

4.10 CONTROLE DE FUMOS E CONTAMINANTES

Para o controle de fumos e contaminantes decorrentes dos trabalhos a quente devem ser
implementadas as seguintes medidas:

 Limpar adequadamente a superfície e remover os produtos de limpeza utilizados, antes de


realizar qualquer operação;
 Providenciar renovação de ar a fim de eliminar gases, vapores e fumos empregados e/ou
gerados durante os trabalhos a quente.

Sempre que ocorrer mudança nas condições ambientais estabelecidas as atividades devem ser
interrompidas, avaliando-se as condições ambientais e adotando-se as medidas necessárias para
adequar a renovação de ar.

Quando a composição do revestimento da peça ou dos gases liberados no processo de


solda/aquecimento não for conhecida, deve ser utilizado equipamento autônomo de proteção
respiratória ou proteção respiratória de adução por linha de ar comprimido, de acordo com o
previsto no Programa de Proteção Respiratória - PPR.

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4.11 UTILIZAÇÃO DE GASES

Nos trabalhos a quente que utilizem gases devem ser adotadas as seguintes medidas:

 Utilizar somente gases adequados à aplicação, de acordo com as informações do


fabricante;
 Seguir as determinações indicadas na Ficha de Informação de Segurança de Produtos
Químicos - FISPQ;
 Usar reguladores de pressão calibrados e em conformidade com o gás empregado;
 É proibida a instalação de adaptadores entre o cilindro e o regulador de pressão;
 No caso de equipamento de oxiacetileno, deve ser utilizado dispositivo contra retrocesso
de chama nas alimentações da mangueira e do maçarico.

Quanto ao circuito de gás, devem ser observadas:

 A inspeção antes do início do trabalho, de modo a assegurar a ausência de vazamentos e


o seu perfeito estado de funcionamento;
 Manutenção dentro da periodicidade estabelecida no procedimento da empresa, conforme
especificações técnicas do fabricante/fornecedor;
 Somente é permitido emendar mangueiras por meio do uso de conector, em conformidade
com as especificações técnicas do fornecedor/fabricante.

OS CILINDROS DE GÁS DEVEM SER:

 Mantidos em posição vertical, fixados e distantes de chamas, fontes de centelhamento,


calor ou de produtos inflamáveis;
 Instalados de forma a não se tornar parte de circuito elétrico, mesmo que acidentalmente;

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 Transportados na posição vertical, com capacete rosqueado, por meio de equipamentos
apropriados, devidamente fixados, evitando-se colisões;
 Quando inoperantes e/ou vazios, mantidos com as válvulas fechadas e guardados com o
protetor de válvulas (capacete rosqueado).

É proibida a instalação de cilindros de gases em ambientes confinados.


Sempre que o serviço for interrompido, devem ser fechadas as válvulas dos cilindros, dos
maçaricos e dos distribuidores de gases.
Ao término do serviço, as mangueiras de alimentação devem ser desconectadas.
Os equipamentos inoperantes e as mangueiras de gases devem ser mantidos fora dos espaços
confinados.

4.12 PRÉ-OPERAÇÕES DE TRABALHO A QUENTE

INSPEÇÃO PRELIMINAR

Nos locais onde se realizam trabalhos a quente, deve ser efetuada inspeção preliminar, de modo
a assegurar que:

 O local de trabalho e áreas adjacentes estejam limpos, secos e isentos de agentes


combustíveis, inflamáveis, tóxicos e contaminantes;
 A área somente seja liberada após constatação da ausência de atividades incompatíveis
com o trabalho a quente;
 O trabalho a quente seja executado por trabalhador qualificado.

Ao receber uma solicitação para autorização de trabalho a quente, a pessoa responsável pela
emissão da autorização entrará em contato com a supervisão do departamento ou outras
pessoas autorizadas pela área onde o trabalho será executado. Em conjunto, eles devem efetuar
uma inspeção na área de trabalho e, conforme apropriado, nas áreas vizinhas. Eles devem
verificar as precauções a serem tomadas antes de emitir a autorização por escrito.

As precauções a serem tomadas incluem, mas não se limitam aos seguintes itens:

 As operações de trabalho a quente serão proibidas, necessariamente, onde sprinklers


automáticos, ou outro sistema de proteção contra incêndio estejam fora de operação e um
sistema alternativo seja ineficaz;

 Detectores de fumaça para sistemas de supressão gasosos poderão ser colocados fora de
serviço, enquanto se executa trabalho a quente para eliminar a ativação falsa desses
sistemas;

 Todos os combustíveis terão que ser relocados para uma distância mínima de 11 metros
do local do trabalho. Se a relocação não for possível, os materiais combustíveis terão que
ser protegidos cobrindo-os com material resistente ao fogo;

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 Se o trabalho tiver que ser executado em um equipamento, esse terá que ser limpo de todo
excesso de óleo, poeira acumulada, lixo e combustíveis de processo;

 As aberturas dentro do equipamento e/ou edificações conduzindo a outros níveis do prédio


ou áreas adjacentes tem que ser adequadamente seladas ou cobertas e/ou manter
vigilância contra incêndio nos níveis aplicáveis;

 Se o trabalho tiver que ser feito em um tanque, vaso, tubulação ou outro equipamento
utilizado para manuseio de líquidos, gases, poeiras ou outro material combustível,
precauções necessárias deverão ser tomadas para assegurar que todos os traços de
vapores e poeiras inflamáveis/combustíveis foram purgados do ambiente e limpos antes do
início do trabalho a quente. Leituras de concentração de gases combustíveis tem que ser
tiradas para assegurar as condições de segurança. (a fim de complementar a segurança,
consultar a Norma sobre Trabalho em Espaços Confinados de cada unidade).

 Os pisos terão que ser limpos. Pisos de material combustível deverão ser molhados ou
protegidos com chapas metálicas ou outra cobertura adequada.

 Sistemas de dutos e transporte que possam carregar fagulhas tem que ser
adequadamente protegidos e/ou fechados. Os dutos terão que ser limpos. Sacos
combustíveis em coletores de pó também terão que ser removidos.

 Isolamentos térmicos combustíveis sobre ou dentro de dutos, ou outros equipamentos


terão que ser removidos ou protegidos;

 Calhas de cabeamentos e instalações de chaves seccionadoras terão que ser


adequadamente protegidas por coberturas resistentes ao fogo;

 Onde o trabalho a quente for executado próximo de paredes, divisórias, forros ou telhados
de construção combustível, proteções resistentes ao fogo terão que ser providenciadas
para prevenir ignição;

 O responsável pela autorização do Serviço a Quente deverá certificar-se acerca dos itens
abaixo estão adequados, conforme treinamento de qualificação recebido.

 Conjunto de solda elétrica


 Conjunto Oxi-acetilênico
 Conjunto de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)
 Conjunto Argônio
 Sistema de Transporte de cilindros
 Sistema de Armazenagem de cilindros
 Equipamento de Proteção Individual
 Isolamento de área
 Sistema de ventilação e exaustão
 Proteção de isolamentos, paredes, divisórias, forros e telhados combustíveis

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 Depois que as inspeções estiverem concluídas e todas as precauções tomadas, a
autorização para trabalho a quente terá que ser emitida pelo funcionário autorizado;

 Uma autorização para trabalho a quente terá que ser usada, e ser emitida em 2 vias,
ficando uma de posse do executante, no local do serviço, e outra de posse do emitente. O
próprio cartão da seguradora, ou outro que contenha, no mínimo, essas informações
também pode ser usado pela unidade;

 A autorização para trabalho a quente terá que ser preenchida totalmente, e assinada pelas
pessoas responsáveis depois que as precauções adequadas tiverem sido tomadas. A
autorização será, necessariamente, dada ao executante do serviço, que terá que assiná-la
também. O executante ficará com essa autorização em sua posse, ou no local do serviço,
durante o tempo que durar sua execução e terá que apresentá-la se for solicitada;

A duração máxima de uma autorização de Trabalho a Quente deverá estar especificada no


campo (horário em que expira) da autorização.

 Uma autorização terá que ser emitida para cada serviço de trabalho a quente, exceto se
muitos deles com características semelhantes forem ser executados no mesmo local e
pelo mesmo executante. Cada executante terá que receber autorizações individuais.

DURANTE AS OPERAÇÕES DE TRABALHO A QUENTE

Uma vigilância contra incêndio adequadamente treinada terá que ser estabelecida durante todas
as operações de trabalho a quente fora das áreas designadas para Trabalho a Quente.

A vigilância contra incêndio terá que ser provida de extintores portáteis apropriados para o tipo de
incêndio que possa provavelmente ocorrer.

Mangueiras de incêndio são requeridas para áreas de alto risco, conforme definido pelo
funcionário autorizado para emissão de Autorização de Trabalho a Quente.

A vigilância contra incêndio terá que ser treinada sobre o que vigiar durante as operações de
trabalho a quente, bem como ser treinada no uso correto de equipamentos de extinção de
incêndio. Terá, também, que conhecer o método usado para solicitar assistência na
eventualidade de um incêndio (telefone mais próximo, rádios de comunicação etc). Todo
treinamento terá que ser documentado.

A área do trabalho a quente não poderá ficar sem a presença de um Vigilante Contra Incêndio
antes do encerramento da autorização emitida. Isso se aplica ao final de expediente, horário de
refeição ou qualquer interrupção do trabalho, exceto em caso de fuga de emergência.

Se um trabalho a quente tiver que ser executado em áreas de alto risco, incluindo a
armazenagem, construções combustíveis etc, linhas de mangueiras de incêndio pressurizadas
terão que estar posicionadas para uso imediato. Se não houver postos de mangueiras internos
disponíveis, linhas de outras áreas ou hidrantes externos terão que ser providenciadas.

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Todas as precauções tomadas terão que ser deixadas no local durante toda a execução das
operações de trabalho a quente.

Se as condições mudarem e precauções adicionais se tornarem necessárias, as operações de


trabalho a quente terão que ser interrompidas, a área inspecionada e uma nova autorização
emitida.

4.13 INSPEÇÃO E ACOMPANHAMENTO PÓS-TRABALHO

Depois que o trabalho a quente estiver terminado, o executante e a vigilância contra incêndio
devem verificar a área quanto a possíveis fagulhas ocultas que possam causar um incêndio mais
tarde. Em seguida a essa verificação, o executante assinará o encerramento da autorização para
trabalho a quente e devolverá a quem emitiu, ou outro funcionário autorizado para emissão de
Autorização de Trabalho a Quente.

A vigilância contra incêndio terá que permanecer no local por um mínimo de 30 minutos após o
término do trabalho para detectar quaisquer focos de combustão lenta. Quando apropriado, a
área acima e abaixo do local do serviço, ou salas adjacentes, também, terão que ser verificadas
durante esse período.

Em se tratando de áreas de alto risco de incêndio, por um período de 2 horas do término do


trabalho, deverão ser promovidas fiscalizações por funcionário autorizado responsável pela
emissão da autorização, ou por quem vier a substituí-lo.

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MÓDULO ESPECÍFICO: 4 H/A

SUMÁRIO

1. OBJETIVO ................................................................................................................................................... 5
2. LEGISLAÇÃO .............................................................................................................................................. 5
3. NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS ..................................................................................................... 5
4. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 5
4.1 TRABALHO A QUENTE .......................................................................................................................... 6
4.2 TRIÂNGULO DO FOGO.......................................................................................................................... 7
4.3 REAÇÃO EM CADEIA ............................................................................................................................. 8
4.4 ÁREA CLASSIFICADA ............................................................................................................................ 8
4.5 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ................................................................................. 9
4.6 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO ................................................................................................ 10
4.7 MEDIDAS DE ORDEM GERAL EM TRABALHOS A QUENTE ..................................................... 12
4.8 PROCEDIMENTOS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO EM TRABALHO A QUENTE..... 12
4.9 SISTEMAS DE DETECÇÃO DE FOGO E FUMAÇA ....................................................................... 13
4.10 CONTROLE DE FUMOS E CONTAMINANTES............................................................................. 14
4.11 UTILIZAÇÃO DE GASES ................................................................................................................... 15
4.12 PRÉ-OPERAÇÕES DE TRABALHO A QUENTE ........................................................................... 16
4.13 INSPEÇÃO E ACOMPANHAMENTO PÓS-TRABALHO .............................................................. 19
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 22
1.1. LIXADOR INDUSTRIAL. ...................................................................................................................... 22
1.2. COMPONENTES DA ESMERILHADEIRA ANGULAR ................................................................... 22
2. DISCOS ...................................................................................................................................................... 24
2.1. RECEBIMENTO DOS DISCOS .......................................................................................................... 24
2.2. TIPOS DE DISCOS............................................................................................................................... 24
2.3. ABRASIVOS DOS DISCOS ............................................................................................................... 25
2.4. ARMAZENAGEM DO DISCO E REBOLOS. ................................................................................... 26
2.5. VELOCIDADES DOS DISCOS ........................................................................................................... 28
2.6. VALIDADE .............................................................................................................................................. 28
2.7. INSTRUÇÕES SOBRE O DESCARTE DO DISCO ........................................................................ 29
3. ACESSÓRIOS........................................................................................................................................... 29
3.1. SELEÇÃO DOS ACESSÓRIOS. ........................................................................................................ 29
3.2. ESCOVAS ROTATIVAS. ..................................................................................................................... 29
3.3. ACESSÓRIOS AUXILIARES............................................................................................................... 31
4. COLOCAÇÃO DE DISCOS E ESCOVAS. ........................................................................................... 32
4.2. COLOCAÇÃO DE ESCOVAS ............................................................................................................. 36
5. OPERAÇÕES DE DESBASTE E CORTE COM ESMERILHADEIRA ............................................. 37
5.1. OPERAÇÃO COM DISCO DE DESBASTE...................................................................................... 38
5.2. OPERAÇÃO COM DISCO DE CORTE. ............................................................................................ 39
5.3. OPERAÇÕES COM ESCOVAS ROTATIVAS .................................................................................. 40
5.4. CUIDADOS COM A ESMERILHADEIRA ANGULAR...................................................................... 42
6. PROBLEMAS E AÇÕES CORRETIVAS. ............................................................................................. 42
7. SEGURANÇA NAS OPERAÇÕES ........................................................................................................ 46
7.1. REGRAS GERAIS DE SEGURANÇA ............................................................................................... 46
7.2. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) .................................................................... 48
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1. INTRODUÇÃO

1.1. LIXADOR INDUSTRIAL.

É o profissional que opera esmerilhadeira angular manual que é uma máquina portátil
desenvolvida para executar os mais variados tipos de serviços tais como: corte, desbaste e
rebarbação em metais e soldas em caldeirarias, serralherias, fundições, departamentos de
manutenção industrial, funilarias, metalúrgicas, etc. Empregada, também no desbaste ou
acabamento em concreto aparente. Podem ser fabricas com propulsão elétrica ou ar comprimido
(pneumática), conforme mostra as figuras 1.1 e 1.2, respectivamente e ambas utilizam como
ferramenta disco de material abrasivo e a elétrica desenvolve maiores rotações se comparada
com a pneumática.

1.2. COMPONENTES DA ESMERILHADEIRA ANGULAR

Comercialmente existem vários tipos e modelos de esmerilhadeira e cada modelo possui as suas
particularidades, entretanto pode haver detalhes comuns entre os vários modelos. A figura 1.3
enumera alguns componentes que são comuns aos modelos de esmerilhadeira.

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Da figura 1.3 podemos citar os seguintes componentes:

1. Interruptor.
2. Cabo.
3. Proteção da guarda do disco.
4. Corpo da máquina.
5. Punho lateral (2 posições).
6. Botão de trava do eixo.
Conforme podemos observar nas figuras 1.3 e

1.4 o punho lateral também chamado de empunhadeira lateral pode ser ajustado adequadamente
em duas posições diferentes dependendo de preferência pessoal e uso. A empunhadeira deve
ser utilizada em todos os momentos para manter controle adequado da ferramenta e é fixada na
esmerilhadeira via parafuso.

O botão de bloqueio de eixo atua como uma trava objetivando prevenir que o eixo se movimente
durante a instalação ou remoção de discos que deve ser utilizada somente quando a ferramenta
estiver desligada e desplugada da tomada de força. Para encaixar a trava, aperte o botão de
trava (C) e gire o eixo até não poder mais.
A esmerilhadeira é equipada com um anel de montagem que permite fácil instalação e remoção
de discos.

Nota: Nunca aperte o botão de trava do eixo, enquanto a esmerilhadeira estiver em


funcionamento ou ligada à tomada, muito menos ligue-a enquanto o botão do eixo estiver
pressionado, uma vez que isso poderá resultar em danos à ferramenta.

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2. DISCOS

2.1. RECEBIMENTO DOS DISCOS

No ato do recebimento deve ser feita uma inspeção visual nos discos para identificar possíveis:
 Danos provocados por transporte inadequado;

 Trincas;

 Dentre outras informações técnicas pertinentes.

2.2. TIPOS DE DISCOS

 Neste trabalho serão mencionados apenas os discos de uso nos processos de cortes
metálicos associados à soldagem. Nas figuras 2.1 e 2.2 as letras A, B e C são dimensões
que variam de acordo com o modelo do disco.

2.2.1. DISCOS DE CORTE

 Na figura 2.1 vemos detalhe de disco de corte.

São utilizados em máquinas fixas do tipo "cut-off" e portáteis tipo esmerilhadeira angular e
proporcionam grande velocidade na execução de cortes, em comparado com serras de aço o
disco de corte abrasivos é tanto mais vantajoso quanto mais duros e tenazes forem os materiais a
ser cortado. São fabricados com telas de reforço de fibra de vidro e proporcionam rapidez na
operação, devendo ser utilizados a 90° em relação à peça.

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Principais aplicações: cortes de tubos, barras e chapas metálicas, refratários, pedras, concreto,
materiais ferrosos e não ferrosos em geral. Estes discos não devem ser utilizados para corte de
madeira.

2.2.2. DISCOS DE DESBASTE

Na figura 2.2, vemos um exemplo de disco de desbaste.

Estes produtos operam em máquinas portáteis e se caracterizam pela remoção de grande


quantidade de material por unidade de tempo.

Principais aplicações: desbaste de cordões de solda, rebarbação de peças fundidas, remoção de


defeitos e imperfeições superficiais, limpeza de superfície antes da solda e preparação superficial
para pintura ou revestimento.

2.3. ABRASIVOS DOS DISCOS

Os discos são fabricados com diferentes tipos de abrasivos que serão utilizados dependendo do
material que será trabalhado (cortado ou desbastado). O tipo de abrasivo com sua respectiva
indicação, geralmente, vem indicada no rotulo do disco, assim como outras informações.

Destes abrasivos podemos citar:

a) Óxido de Alumínio (A): Indicado para aplicações em materiais ferrosos com alta
resistência à tração, tais como aço e suas ligas, ferro fundido nodular e maleável;

b) Carbeto de Silício (37C): Indicado para aplicações em materiais de baixa resistência à


tração como ferro fundido cinzento, materiais não-ferrosos e não-metálicos;

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c) Óxido de Alumínio Zirconado: Indicado para aplicações em materiais de alta resistência
à tração. Apresenta capacidade de remoção superior aos grãos abrasivos convencionais,
proporcionando maior rendimento e durabilidade do disco;

d) Oxido de alumínio Marrom: Indicado para corte de materiais ferrosos em geral, aços e
suas ligas, ferro fundido nodular e aço inoxidável;

e) Óxido de Alumínio Branco: Desenvolvidos especialmente para corte de aço inoxidável e


aço de alta dureza. Isento de contaminantes de ferro.

Os discos de corte são feitos de grãos abrasivos do disco e unidos por ligas resinóides o
que proporciona vantagens como:

 Menores esforços no serviço diminuindo a fadiga do operador;


 Menor esforço mecânico;
 O abrasivo fica em ação por mais tempo;
 Remoção mais rápida de material;
 Operação de corte ou desbaste com menor geração de calor.

Na composição de disco de corte e desbaste, além dos grãos abrasivos, que têm a função de
executar o corte ou desbaste, e da liga, a qual mantém os grãos unidos, também temos as telas
de fibra de vidro, para proporcionar resistência mecânica aos discos durante a operação, evitando
que se rompam, causando acidentes. Os discos podem possuir diversos diâmetros: 4½”, 7”, 9”,
10” e 12”.

2.4. ARMAZENAGEM DO DISCO E REBOLOS.

O armazenamento inadequado pode comprometer a qualidade do produto.

Dessa forma:

 Armazene em lugar seco e longe do calor excessivo;

 Os discos e rebolos devem ser armazenados na posição horizontal, em prateleiras planas,


de preferência em sua embalagem original.

 Mantenha o disco e rebolos preferencialmente em sua própria embalagem.

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Legenda da figura 2.3:

1. Rebolos retos.
2. Rebolos copo cônico.
3. Rebolos prato.
4. Anéis de parede fina ou mole.
5. Cartão ondulado, para colocação de um rebolo sobre o outro.
6. Rebolos retos – grandes.
7. Rebolos grandes.
8. Rebolos pequenos tipo vaso e anéis.
9. Rebolos especiais com perfil.
10. Discos de corte.
11. Placa de aço para apoio.
12. Anéis de parede grossa ou dura.
13. Rebolos retos médios e de pequena altura.
14. Prateleira inclinada para rebolos pequenos.
15. Prateleira reta para discos e rebolos de forma.
16. O rebolo não deve ficar saliente.
17. Duas guias de apoio.
18. Parte traseira curvada para proteção.
19. Placa de aço para apoio.

Devemos ainda considerar o fato de que estes materiais quando estiverem em suas prateleiras
estas não devem estar curvas conforme mostra a figura 2.4. Uma outra opção para armazenagem
é mantê-los suspensos pelo furo verticalmente.

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2.5. VELOCIDADES DOS DISCOS

As velocidades de trabalhos dos discos de corte geralmente são indicadas nos rótulos dos
mesmos. E variam em função do diâmetro deste conforme mostra a tabela 1.

2.6. VALIDADE

Desde que conservado de maneira adequada, o disco de corte pode ser utilizado até o término de
sua camada diamantada, quando, então deverá ser descartado conforme instrução do fabricante.

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2.7. INSTRUÇÕES SOBRE O DESCARTE DO DISCO

Não descarte o disco de corte diamantado em vias publicas ou em outros locais não autorizados.
Preservar o meio ambiente é um dever de todos. Descarte-o de acordo com a legislação
ambiental em vigor.

3. ACESSÓRIOS

3.1. SELEÇÃO DOS ACESSÓRIOS.

É importante escolher adequadamente os acessórios tais como protetores, discos de borracha,


flanges, dentre outros. Estes acessórios devem ter sido especificados para uma velocidade de no
mínimo, a velocidade recomendada pela etiqueta de especificação da ferramenta. Quando se
usam discos e outros acessórios com uma velocidade acima da velocidade especificada estes
podem se desprender da ferramenta, causando sérios acidentes. Devendo considerar a utilização
de discos e escovas específicas para o tipo de material que estará usinado a fim de se obter a
maior eficiência possível.

3.2. ESCOVAS ROTATIVAS.

Estes acessórios utilizados para uma limpeza superficial mais específica.

3.2.1. ESCOVA ROTATIVA CIRCULAR DO TIPO TRANÇADA.

A figura 3.1 mostra duas escovas rotativas circulares do tipo trançadas.

Destina-se ao tratamento de varões, perfis, cordões de solda, pontas serradas, dentes de


engrenagens, chavetas, estrias, rasgos e superfícies estreitas.

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Para altas rotações, a escova circular do tipo trançada é indicada para aplicações difíceis, como
desbaste, polimento, rebarbação, remoção de carepas e ferrugem, arredondamento de arestas,
remoção de excesso de solda e acabamento rústico de madeira.

3.2.2. ESCOVA ROTATIVA DO TIPO COPO

A figura 3.2 mostra uma escova rotativa do tipo copo.

Este tipo de escova oferece alto rendimento, quando empregada em grandes áreas de superfícies
planas, permitindo escovamento suave, mas, ao mesmo tempo, agressivo e sem vibrações.
É empregada em esmerilhadeiras angulares, para aplicações pesadas, tais como rebarbação,
limpeza de soldas, remoção de respingos, ferrugem, corrosão, remoção de carepas, tratamentos
superficiais e pinturas.

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3.3. ACESSÓRIOS AUXILIARES

Os discos são presos por flanges de apoio sendo um superior e outro inferior, entretanto, para
fazer esta fixação são utilizados os instrumentos mostrados nas figuras 3.3 até a figura 3.5.

Na figura 3.3 temos uma chave com dois pinos utilizada para apertar e desapertar as porcas
redondas.

A guarda de proteção, figura 3.6, deve ser usada com todos os tipos de discos (desbaste, de
corte, flap, escovas dentre outros).

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Para manuseio da guarda de proteção desligue e desplugue (aperte e solte o gatilho para se
certificar) a ferramenta antes de fazer quaisquer ajustes, ou antes de remover ou instalar
acessórios

A figura 3.7 mostra a guarda de proteção que é obrigatória na sequência de montagem


independente do tipo de disco e de escova.

4. COLOCAÇÃO DE DISCOS E ESCOVAS.

4.1. COLOCAÇÃO DE DISCOS DE DESBASTE E CORTE

Desligue o plugue da tomada e certifique-se de que o resguardo se encontra colocado. Coloque a


flange interior no eixo conforme mostra a figura 4.1 no ponto ‘a’ e certifique-se de que ela entra
em contato com as duas superfícies planas.

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Coloque o disco abrasivo no eixo e no flange interior, conforme a figura 4.2 no ponto ‘b’, e
certifique-se de que se encontra corretamente colocado.
Em seguida, coloque o flange exterior roscado, conforme a figura
4.2 no ponto ‘c’, certificando-se de que se encontra na direção
correta para o tipo de disco colocado. Para discos de retificação, o
flange da figura 4.2 no ponto ‘c’ é colocado com a zona saliente
virada para o disco. Para discos de corte, o flange da figura 4.2 no
ponto ‘c’ é colocado com a zona interior virada para fora do disco.

Mantenha a chave de porcas nas superfícies planas do eixo para


evitar a rotação do disco, e aperte o flange exterior com a chave de
porcas fornecida. Pressione o botão de bloqueio do eixo, e rode-o
até que se encontre bloqueado, conforme mostra a figura 4.3, e
mantenha o botão de bloqueio pressionado, apertando o flange
exterior com a chave de porcas da máquina.

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Para remoção do disco reverta o procedimento acima descrito.

CUIDADO: Falha no encaixe adequado do disco contra o anel de montagem antes de ligar a
ferramenta pode resultar em danos à ferramenta e/ou ao disco, caso não ocorram acidentes.
No manuseio da esmerilhadeira, às vezes, faz-se necessário a movimentação da guarda de
proteção, que poderá ser feita conforme mostra a figura 4.4, por meio de uma chave de fenda
afrouxando o parafuso em (1), no sentido anti-horário, movimentando-se a guarda de proteção e,
em seguida, girando no sentido horário apertando (2), fixando a guarda de proteção.

É muito importante para segurança do esmerilhador que a guarda de proteção, durante os


trabalhos, esteja sempre com seu lado convexo voltado para o lixador a fim de se conter qualquer
estilhaço de disco em caso de acidentes.

Na figura 4.5, vemos que tanto a instalação como a remoção dos discos (corte e desbaste) são
feitos com o uso da devida chave da esmerilhadeira e pressionando-se o botão de bloqueio do
fuso, pois sem a devida pressão neste botão não há bloqueio do fuso, impossibilitando a troca
dos discos. Existe uma sequência para montagem e instalação de discos na esmerilhadeira: para
disco de desbaste o lado convexo da porca de pressão (flange) deve estar voltado para baixo, o
contrário se aplica ao disco de corte.

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Como os discos (corte e desbaste) são frágeis, se o aperto na porca de pressão for
demasiadamente severo poderá rachar ou romper o disco, se demasiadamente leve poderá haver
o afrouxamento, o que prejudicará o trabalho.

É importante observar que a guarda de proteção deverá, sempre, estar voltada para o
esmerilhador, a fim de se evitar acidentes com estilhaços dos discos.

A figura 4.6 mostra a sequência de montagem com o disco de corte.

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4.2. COLOCAÇÃO DE ESCOVAS

Desligue e desplugue a ferramenta e antes de re-conectar a ferramenta, aperte e solte o gatilho


para se certificar de que a ferramenta está desligada. As escovas de aço devem ser trabalhadas
acima da velocidade mínima para acessórios que são designados na ferramenta.

Para montagem aperte o botão de trava do eixo e use uma chave para apertar o anel retentor da
escova para firmá-lo. E para remover a escova, pressione a trava do eixo e use uma chave no
anel da escova para afrouxá-la.
A figura 4.7 mostra o esquema de montagem com escova rotativa circular trançada e de forma
análoga a figura 4.8 mostra o esquema de montagem com uma escova de aço do tipo copo.

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5. OPERAÇÕES DE DESBASTE E CORTE COM ESMERILHADEIRA
Tanto nas operações de desbaste quanto nas operações de corte o profissional deve está atento
para:
a) O resguardo deve ser montado de forma a que a parte exposta do disco se encontre
oposta ao utilizador.

b) Cuidado com as faíscas quando o disco tocar no metal.

c) Esteja sempre utilizando os EPI’s adequados.

d) Verifique se o disco está adequado quanto à velocidade e o tipo de material.

e) Verifique se a peça está devidamente presa.

Durante os trabalhos com esmerilhadeira devemos manter a peça que será trabalhada fixada
imóvel para que o trabalho seja executado adequadamente. A figura 5.1 mostra algumas formas
de fixação da peça.

Tanto nos trabalhos de desbaste como nos trabalhos de corte, conforme mostra a figura 5.2,
segure bem a esmerilhadeira com uma mão em volta da empunhadura lateral e com a outra mão
segure em volta do corpo da esmerilhadeira.

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Antes de se iniciar qualquer trabalho, é interessante fazer uma inspeção visual.
Independentemente do trabalho (corte ou desbaste), nunca se deve pressionar o disco contra a
peça de trabalho, porque este poderá fraturar e ocasionar acidentes. Deve-se, ainda, considerar
que a remoção de material varia de acordo com o tipo de abrasivo e a sua granulometria.

Jamais permita que haja impactos entre o disco e a peça de trabalho, porque, fazendo assim,
você poderá causar a desfragmentação do disco resultando em acidentes.

Sempre verifique se o cabo da esmerilhadeira está próximo do disco.

5.1. OPERAÇÃO COM DISCO DE DESBASTE.

Nas operações de desbaste deve-se manter um ângulo entre o disco e a superfície de trabalho de
aproximadamente 15 a 30° conforme mostra a figura 5.3, para se obter um bom rendimento do
disco. Esse procedimento aumentará a capacidade de remoção do disco e evitará sobrecargas
desnecessárias.

Nunca utilize disco de corte em trabalhos de desbaste, porque eles não têm resistência em
suas laterais para este tipo de trabalho.

Para se obter uma superfície homogênea, proceda ao trabalho com passos sucessivos
deslizando na superfície segundo um ângulo frontal. Mantenha sempre uma angulação constante
durante seu trabalho, a fim de se evitar irregularidades na superfície das peças.

A figura 5.4 mostra que a esmerilhadeira deve se mover constantemente em linha reta para
prevenir queimadura ou desbaste excessivo da superfície de trabalho. Movimentando-se de A
para B e vice-versa, sem pressionar o disco contra a peça.

Nunca descanse a esmerilhadeira sobre a superfície de trabalho em posição estagnada ou


movendo-se em círculos porque pode ocorrer a queima e produção de marcas sobre a
superfície de trabalho.
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Quando forem executados trabalhos de acabamento na superfície da peça de trabalho, o ideal é
diminuir progressivamente o ângulo de trabalho, para aproximadamente 15º. Em trabalhos nos
contornos das peças deve-se aumentar ligeiramente o ângulo de trabalho.

Em peças que tenham a superfície muito irregular é bom começar pela área mais irregular. Por
exemplo, numa peça cortada por maçarico comece pelas asperezas mais grossas antes de se
polir o corte das arestas.

Cuidado: Uma sobrecarga danificará o motor da esmerilhadeira, resultando na diminuição da


vida útil desse equipamento. Não tente, em qualquer circunstância, exercer demasiada pressão
sobre a esmerilhadeira com o intuito de acelerar o trabalho. Além do mais, os discos abrasivos
são mais eficazes quando é exercida, apenas, uma leve pressão sobre a máquina, de forma a
evitar quebras de velocidade.

5.2. OPERAÇÃO COM DISCO DE CORTE.

De forma análoga à operação de desbaste, segure a esmerilhadeira conforme mostra a figura 5.2.

Nesta operação, a esmerilhadeira deverá estar com a guarda de proteção disposta de forma
adequada, e a peça devidamente presa, conforme figura 5.5.

Nas operações de corte com esmerilhadeira devemos:

1) Permitir que a ferramenta alcance velocidade máxima antes de entrar em contato com a
superfície de trabalho.

2) Usar o mínimo de pressão para trabalhar sobre a superfície, permitindo que a ferramenta
opere em velocidade máxima.

3) Uma vez iniciado o corte, mantenha o ângulo do disco de corte em relação à superfície de
trabalho para evitar que o disco dobre o que poderia resultar na ruptura do disco e sérios
danos, conforme a figura 5.6.

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4) Remova a ferramenta da superfície de trabalho antes de desligá-la e permita que ela pare
de funcionar completamente antes de deixá-la.

5.3. OPERAÇÕES COM ESCOVAS ROTATIVAS

As escovas de aço podem ser usadas para remover ferrugem, incrustações e tinta, além de
homogeneizar superfícies irregulares, dentre outras aplicações.

A figura 5.7 mostra um exemplo de uma montagem com uma escova rotativa circular do tipo
copo.

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Para o uso correto dessas escovas devemos:

1. Permitir que a ferramenta alcance velocidade máxima antes de tocar na superfície de


trabalho;

2. Usar o mínimo de pressão para trabalhar sobre a superfície, permitindo que a ferramenta
funcione em velocidade máxima;

3. Manter um ângulo de 5° a 15° entre a ferramenta e a superfície de trabalho quando usar


escova de aço giratória;

4. Quando utilizar o disco de aço, mantenha contato entre a extremidade do disco e a peça
de trabalho.

5. Mova a ferramenta de forma contínua de frente para trás para evitar a formação de
irregularidades na superfície de trabalho. Não permita que a ferramenta descanse sobre a
superfície estagnada, ou girando-a em movimentos circulares porque resultará na queima
e formação de marcas de sobre a superfície de trabalho.

6. Não coloque a ferramenta na bancada antes de desligá-la. Permita que a ferramenta pare
por completo, antes de deixá-la.

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5.4. CUIDADOS COM A ESMERILHADEIRA ANGULAR

Mantenha os resguardados, orifícios de ventilação, e caixa do motor, limpos de poeira e sujeiras.


Limpe-os com um pano limpo e aplique uma leve pressão de ar. Uma acumulação excessiva de
limalha de ferro poderá provocar uma transmissão de corrente elétrica, das peças internas para
as peças de metal expostas.

Não sobrecarregue a esmerilhadeira, porque a sobrecarga provocará uma redução na velocidade


e eficiência, fazendo com que o equipamento aqueça demasiadamente, e pare de funcionar. Se
tal acontecer, desligue a máquina e espere para ligar, até que atinja a temperatura normal de
funcionamento, sem qualquer carga durante um ou dois minutos.

Se desligar a esmerilhadeira, enquanto ela encontrar-se sob carga, isso contribuirá para a
redução da vida útil do interruptor.

6. PROBLEMAS E AÇÕES CORRETIVAS.


Existem fatores adversos que contribuem para prejudicar o desempenho dos discos, afetando
diretamente seu comportamento. São no geral, práticas incorretas, inadequações operacionais e
irregularidades de toda ordem, que produzem consequências danosas à operação, alteram o
rendimento e reduzem, sensivelmente, a desempenho dos discos de corte.

Tais incorreções podem ser identificadas com alguma facilidade, e devem ser eliminadas. Alguns
indícios básicos permitem diagnosticá-las e, rapidamente, efetuar as correções e ajustes
adequados. Para isso, é necessário conhecer alguns parâmetros elementares, referentes ao
funcionamento dos discos, como as suas especificações e fatores operacionais.

É possível, entretanto, com uma simples observação, reconhecer que o disco apresenta um
problema, definir algumas causas prováveis e identificar alguns caminhos viáveis de solução.

Na tabela 2, abaixo, tratamos de alguns problemas comuns na utilização dos discos de corte, com
suas respectivas causas prováveis, e soluções sugeridas.

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Tabela 2: Problemas, causas e soluções no corte com esmerilhadeira

Problemas Causas Prováveis Soluções Sugeridas

 Avanço insuficiente;  Corrigir o equipamento


para a máxima potência
 Baixa pressão de disponível;
trabalho;
 Use disco de grão mais
 Grão muito grosso; fino ou aumente a
 Disco muito duro; potência motora;
1. Queima na peça obra  Use disco mais mole;
 Disco com variação
axial/ radial;  Verifique o eixo e
 Velocidade periférica variação axial do disco;
muito baixa.  Verifique se o disco não
está deslizando sobre
os flanges.

 Ajuste a velocidade para


o nível correto.

 Disco muito duro;  Use disco mais mole;

 Eixo com  Use disco de grão mais


irregularidades, fino;
2. Cortes irregulares e não rolamentos gastos;
perpendiculares.  Verifique variação radial
 Peça obra não está do eixo, rolamentos e
fixada firmemente. mancais;

 Verifique sistema de
fixação.

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 Potência insuficiente;  Aumente o avanço e a
pressão e corrija a
 Disco muito duro; potência;
 Área de contato muito  Use disco mais mole ou,
grande; se possível, disco de
 Disco de grão muito menor espessura;
3. Baixa ação de corte grande;  Reduza a área de
 Disco com variação contato ao mínimo
radial/ axial compatível;

 Use disco com grão


mais fino;

 Verifique variação no
eixo e variação axial do
disco.

Dependendo do aspecto do disco de corte, podemos identificar os problemas apresentados pelos


mesmos.

Na tabela 3, abaixo, podemos detalhar alguns desses problemas:

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7. SEGURANÇA NAS OPERAÇÕES

7.1. REGRAS GERAIS DE SEGURANÇA

Na figura 7.1 temos algumas dicas de segurança quanto ao uso da esmerilhadeira angular.

Figura 7.1: Dicas de segurança

Siga sempre as recomendações do fabricante, conforme especificado, porque o emprego


indevido poderá causar sérios acidentes.

Advertências:

1. NUNCA permita o uso de discos de corte diamantado por pessoas não treinadas.

2. NUNCA use máquinas sem a capa de proteção.

3. NUNCA use máquinas que não estejam em boas condições de operações.

4. NUNCA force o disco no dispositivo de montagem ou modifique o tamanho do furo central.

5. NUNCA ultrapasse a velocidade máxima de operação indicada no disco.

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6. NUNCA utilize máquinas com flanges que não estejam limpas.

7. NUNCA ligue a máquina com o disco em contato com a peça de trabalho.

8. NUNCA utilize discos com segmentos faltantes ou com alguma parte quebrada.

9. NUNCA utilize produtos para corte a seco quando o produto está indicando corte úmido.

10. NUNCA realize operações de corte próximo a materiais inflamáveis.

11. SEMPRE verificar o estado de conservação do anel de borracha, a cada rebolo que for
montado.

12. SEMPRE faça o teste de som no rebolo, assim como observar o prazo de validade do
mesmo antes de montá-lo na máquina.

13. SEMPRE deixe que o rebolo montado pela primeira vez, gire livremente por um minuto,
antes de usá-lo.

14. SEMPRE verificar os flanges de fixação dos abrasivos

15. SEMPRE use a capa protetora cobrindo pelo menos metade do rebolo. Se não estiver em
condições, deverá ser substituída imediatamente. Caso haja necessidade de diminuição ou
alteração da configuração original, a chefia deverá analisar / aprovar, tal alteração,
retornando imediatamente após o uso à configuração original.

16. SEMPRE que for plugar o cabo no conversor, CERTIFIQUE-SE antes se a chave da
máquina está desligada.

17. SEMPRE use a chave adequada para apertar ou desapertar o rebolo ou disco.

18. SEMPRE que possível solicite o manual do aparelho, equipamento ou da ferramenta, pois
este lhe passará as informações necessárias para melhor manuseio, aumentando seus
conhecimentos técnico e teórico.

19. SEMPRE use discos de acordo com a norma ABNT NB-33 e ANSI B-7.1.

20. SEMPRE mantenha a guarda de proteção sempre voltada para o lado do esmerilhador por
que se houver uma desfragmentação do disco este não o atingirá. A figura 7.2 mostra uma
repentina desfragmentação do disco e a proteção do trabalhador pela guarda de proteção
contra os estilhaços do disco.

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7.2. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)

No trabalho de corte e desbaste vários fatores que, agindo isoladamente ou em conjunto,


representam sério risco à saúde do trabalhador por envolverem fatores como: calor, ruído, fumos,
gases, fogo e eletricidade devem ser mantidos sob controle, exigindo medida de proteção tanto
individuais como ambientais, no sentido de proteger, não só o trabalhador envolvido diretamente
na operação, como, também, outras pessoas, máquinas, equipamentos e instalações. A
inobservância a tais fatores pode conduzir à formação de um ambiente inseguro, com graves
consequências, caso um acidente venha a ocorrer resultando em prejuízos, mutilações ou até
mesmo a perda de preciosas vidas humanas.

O EPI é de uso pessoal e intransferível, a menos que sejam submetidos a rigorosos critérios de
limpeza, manutenção e desinfecção.

Quanto ao uso de EPI nas operações de corte, devemos fazer as seguintes observações:

a) Área protegida pelas máscaras: a face, testa, pescoço e olhos contra as radiações e
faíscas provenientes do processo. Ver figura 7.4.

As máscaras são fabricadas com materiais resistentes, leves, isolantes térmicos e elétricos, não
combustíveis ou alto extinguíveis e opacos.

Tanto os capacetes e máscaras, como também os óculos, devem ter a possibilidade de ser
desinfetados.

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FALTA OU MÁ UTILIZAÇÃO DOS EPI’S

Alguns ferimentos graves causados pela não utilização ou mau uso de Equipamentos de
Proteção Individual:

b) Vestuário de proteção: varia de acordo com a natureza, tamanho e localização do trabalho


a ser desenvolvido. Esses vestuários são utilizados para proteger as áreas expostas do
trabalhador. Como exemplo:
 Avental de couro;
 Manga de couro;
 Luva de couro;
 Perneiras de couro;
 Sapatos de segurança;
 Capacete de proteção;
 Óculos de segurança;
 Ombreira de couro.

c) Luvas: todos os trabalhadores devem usar luvas em bom estado nas duas mãos, na figura
7.6 mostra alguns pares de luvas. As luvas protegem as mãos contra queimaduras e
choques elétricos. Para trabalhos leves, podem ser usadas luvas de raspa de couro, de
vaqueta ou de couro de porco.

d) Macacões, casacos, aventais, mangas e perneiras: devem ser usados em função do tipo
de trabalho realizado. Podem ser feitos de couro ou outro material resistente ao fogo, e
que proporcionam proteção adicional às áreas expostas do corpo do trabalhador contra

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e) faíscas. A superfície das roupas devem estar totalmente isentas de óleo ou graxa ou
qualquer outro material inflamável.

f) Vestuário tratado quimicamente: são também utilizadas vestimentas de materiais tratados


com retardadores de fogo, após cada lavagem ou limpeza, as vestimentas devem sofrer
um novo tratamento.

g) Capuz ou gorro para cabeça: fabricado com material resistente ao fogo e deve ser utilizado
durante as operações de corte e desbaste para evitar lesões e queimaduras na cabeça e
pescoço do trabalhador.

h) Botina: protege os pés, através do uso de biqueira de aço, solado injetado e sem cadarços
(fixação por elásticos laterais) é um EPI de uso obrigatório. A figura 7.9 mostra dois
exemplos destes EPI’s.

i) Protetores auriculares: os protetores auriculares devem ser utilizados nos lugares


determinados pelo setor de segurança da fábrica. Os protetores auriculares em forma de
concha têm a vantagem de proteger o pavilhão auricular contra a projeção de faíscas ou
partículas metálicas, proporcionando o bem estar ao funcionário, e evitando problemas de
saúde como, a irritabilidade, dores de cabeça, dentre outros.

j) Equipamentos de proteção respiratória: a utilização destes equipamentos faz-se


necessária quando ocorrem operações de soldagem e corte em áreas confinadas e
quando são usados processos e/ou materiais com alto teor tóxico, nas ocasiões em que o
oxigênio for deficiente ou houver acúmulo de gases tóxicos. Os filtros descartáveis podem
ser utilizados em conjunto com alguns outros tipos de mascaras.

De acordo com as normas ABNT NB 33 e ANSI B 7.1, utilize sempre os equipamentos de


proteção individual (EPI).

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