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PSICOMOTRICIDADE TERAPÊUTICA

Pequeno Resumo

Psicomotricidade, enquanto ciência surge em 1907, quando o neuropsiquiatra


francês Ernest Dupré enfatiza a relação psiquismo-motricidade, afirmando que há
independência entre o sintoma psicomotor (ou debilidade motora, como era chamado
na época) e um possível correlato neurológico. Em outras palavras, não há necessidade
de uma lesão cerebral para haver um problema motor.

Em 1925, o médico e psicólogo francês Henry Wallon, coloca a afetividade


como um dos aspectos centrais do desenvolvimento humano . “Admite o organismo como
condição primeira do pensamento, afinal toda função psíquica supõe um equipamento
orgânico. Adverte, contudo, que não lhe constitui uma razão suficiente, já que o objeto da ação
mental vem do exterior, isto é, do grupo ou ambiente no qual o indivíduo se insere. Entre os
fatores de natureza orgânica e os de natureza social as fronteiras são tênues, é uma complexa
relação de determinação recíproca. O homem é determinado fisiológica e socialmente, sujeito,
portanto, a uma dupla história, a de suas disposições internas e a das situações exteriores que
encontra ao longo de sua existência.” 01 Um bom modelo para exemplificar o exposto, é o
filme Divertida Mente, da Disney. Ele trata das cinco emoções básicas que formam a
nossa personalidade: Alegria, Tristeza, Medo, Nojo, Raiva. Sempre que um indivíduo
(entenda-se por indivíduo, pessoa independente de sexo ou idade) é impedido pelo
ambiente (núcleo familiar) de sentir medo, ou de ficar triste, ou de ter raiva, ou de ter
nojo de alguma coisa, e é obrigado a sempre estar alegre, há prejuízo no
desenvolvimento neuropsicomotor pois, toda atividade humana está relacionada a um
sentimento básico. Essas emoções básicas irão formar a personalidade de cada um e,
determinar o estado de consciência e nível de atenção que interferem diretamente no
comportamento social e na aprendizagem.

Em resumo, Psicomotricidade é a ciência que tem por objeto de estudo o homem


em movimento e em relação com seu mundo interno e externo, e o objetivo de
compreender as diversas formas de manifestação de comportamento diante das
possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo,
em todas as etapas da vida.

Psicomotricidade em Contexto

Enquanto área de desenvolvimento humano, a psicomotricidade se desenvolve


até os dezesseis anos, aproximadamente. Sempre que o indivíduo sofre uma alteração
física importante, como nos estirões de crescimento e nas alterações físicas ocorridas na
puberdade, ele é compelido a readequar suas noções de espaço, lateralidade, esquema
corporal e organização espacial. É comum aos 12 e aos 16 anos, o jovem ser
classificado como “desastrado” ou “desajeitado” por esbarrar e derrubar coisas que não
estão no contexto da situação. Isso se deve ao fato de que, ao crescer fisicamente o
“novo corpo” precisa de mais espaço e, fatores psicomotores como noção espacial,
esquema corporal e organização precisam se reajustar.

01 – Galvão, Izabel. Henry Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Ed Vozes, 1995
As habilidades desenvolvidas dentro das práticas psicomotoras exercem
influência direta na aprendizagem da criança. Em outras palavras, quando uma criança
apresenta dificuldade de aprendizagem, o detalhe crucial pode estar no desenvolvimento
psicomotor. Pessoas canhotas que foram ensinadas a escrever com a mão direita,
crianças que pularam etapas ao aprender a andar, indivíduos que, desde bebês,
brincam com aparelho eletrônico ao invés de brinquedos apropriados à sua faixa etária,
ou ficam muito presos dentro de casa, não têm experiência de ir a um parquinho, ou de
brincar com outras crianças, são pessoas que, apesar de parecer que não, mais tarde
terão dificuldades de aprendizagem, dificuldade relacional com os outros e consigo
mesmo e, desajustes emocionais que poderão trazer prejuízo, inclusive, à vida
profissional.

Considerando que o funcionamento cerebral depende também da ativação do


meio ambiente (núcleo familiar), as anomalias decorrentes de fatores biológicos ou
hereditários, podem sim, ser remediadas, alteradas ou inibidas por estímulos ambientais
ou terapêuticos. Nesse sentido, a Psicomotricidade Terapêutica pode ser uma grande
auxiliar no acompanhamento de pacientes com sintomas motores ou doenças
degenerativas do sistema neuromotor.

As sessões de psicomotricidade seguem uma rotina com ritual de entrada, sessão


e ritual de saída. As intervenções se apóiam em objetos com valores simbólicos como
bolas, tecidos, caixas, entre outros.

Seus aspectos fundamentais são:

 Foco nas potencialidades – Valorização dos aspectos positivos e das


capacidades da criança para contribuir com a construção de uma
autoimagem positiva.
 Comunicação não verbal – Foco na linguagem corporal: no movimento,
no corpo, no olhar. A ênfase na comunicação não verbal ajuda a criança a
expressar sentimentos e emoções inconscientes a partir da projeção de
imagens mentais inscritas no corpo.
 Jogo espontâneo – Uma metodologia que desperta a espontaneidade da
criança, sem direcionamento da terapeuta. O jogo ajuda a criança a
construir sua consciência corporal de forma prazerosa e favorece sua
entrada no jogo simbólico.
 Materiais – Os materiais usados na psicomotricidade são simples, mas
permitem que a criança se expresse através deles pelo jogo espontâneo,
pois carregam significados simbólicos.
 Trabalho em grupo – A dificuldade de interagir pode ser superada
através das vivências com seus pares, em um ambiente que acolhe a
comunicação corporal e a individualidade através da aceitação.

Para pacientes diagnosticados com TEA, o trabalho psicomotor é um grande


auxiliar no desenvolvimento de suas personalidades, já que é realizado a partir do
simbólico. O movimento espontâneo, muito valorizado dentro dos jogos simbólicos,
leva ao autoconhecimento e ao reconhecimento de emoções e sentimentos não
expressos. Não é um brincar direcionado pela terapeuta, mas cada movimento, material
ou espaço dentro da sala tem um conteúdo simbólico. Por exemplo, uma criança que
gosta de brincar de carrinho. Dentro desse espaço simbólico, a terapeuta acolhe sua
preferência, deixando que a criança brinque de carrinho, mas insere novos elementos,
materiais e propostas a cada dia, ampliando as possibilidades de atuação com a criança,
já que as crianças com TEA precisam experimentar coisas novas, incluindo relações e
brincadeiras.

Referências

SIMEÃO. Débora Lima de Oliveira e colaboradores. Os efeitos do Programa de


Intervenção da Psicomotricidade Relacional com Criança Autista na Construção das
Relações Afetivas – Atena Editora, 2019

Galvão, Izabel. Henry Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento


infantil. Ed Vozes, 1995

O impacto da Psicomotricidade no Tratamento de Crianças com TEA: revisão


integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde / Electronic Journal Collection Health /
ISSN 2178-2091

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