Você está na página 1de 25

A Violência e as cidades: os jovens e o tráfico de drogas - Belo Horizonte

Poucos temas têm merecido tanta atenção hoje, como o da violência. Para muitos
autores, um dos signos da contemporaneidade é a insegurança, a impotência, o
medo de que os mais diversos tipos de violência nos atinjam, quer como membro
de uma coletividade, quer no plano da vida privada, desestabilizando
individualidades (ver entre outros, Boudon, 1993 e Bourdieu, 1997).

As curvas ascendentes de violência e criminalidade constituem um problema


crítico do século XXI, tão mais grave, na medida em que além de afetar a
integridade física, emocional e patrimonial de indivíduos, também coloca em
questão a noção de cidadania e o próprio papel do estado.

A violência se faz presente na maioria das cidades, onde elevados índices de


criminalidade são acompanhados de desigualdade social, miséria, falência do
poder público, ineficiência das políticas na área de segurança e frustrações
geradas pela sociedade de consumo. Contudo, considerando que a violência não
se restringe a lugares e grupos na pobreza, também se frisa a associação entre
violência e um individualismo narcíseo que exclui o outro, a solidariedade a ética
de convivência e a orientação por projetos político-sociais. É quando se ressalta o
desencanto com o coletivo, realização da modernidade tardia e o
hiperconsumismo (Lipovetsky, G. 2005).

Outra questão fundamental do estudo da violência é sua abrangência. A violência


atinge a todas as classes sociais, gêneros e gerações. Perpassam diferenças
geográficas, étnicas, políticas, e instala-se em todas as localidades. Muitas
situações violentas são experimentadas de modo diferente pelas pessoas. Mas
pode também ter contornos e singularidades não somente porque alguns tipos de
violências são mais recorrentes a indivíduos de determinada inscrição identitário,
mas porque são constitutivos de relações que se constroem socialmente pelo seu
exercício, sendo construtos de processos sociais de classe, gênero, geração e
raça, por exemplo. Assim a exploração e o desemprego são construtos de classe,
que vitimizam alguns; assim a violência domestica não por acaso é contra
mulheres e crianças; as discriminações raciais, contra negros e indígenas e a
homofobia contra os homossexuais.

A violência é um fenômeno social que preocupa a sociedade e os governos na


esfera pública e privada. O termo está em constante mutação visto que não é
fácil defini-lo, pois não existe um conceito absoluto. Não há dúvida que estamos
em uma época difícil onde essa violência permea os espaços que vivemos que
freqüentamos, que convivemos.

Quando se estuda o fenômeno da violência segundo Wieviorka (2004) é preciso


levar em conta tanto o seu aspecto empírico, racional-o número de crimes
cometidos em uma sociedade, a guerra, como também, o seu peso subjetivo, ou
seja, a maneira como a violência é vivida, representada, observada de forma
distinta por indivíduos, grupos, sociedades. O ponto de vista objetivo é mais
universalista, o subjetivo pode ser relativizado segundo o lugar ou a pessoa que
anuncia.

Enquanto um conceito mais restrito pode deixar de fora parte das vítimas, uma
definição muito ampla recorre no perigo de não levar em conta as micro violências,
a violência verbal, a violência simbólica, moral, do cotidiano.

O sentido mais restrito refere-se à violência física como a intervenção de um


indivíduo ou grupo contra a integridade de outro(s) individuo(s) ou grupo(s) e
também contra si mesmo. Tal definição abarca desde os suicídios, espaçamentos
de vários tipos, roubos, assaltos e homicídios até a violência no transito
(camuflada sobre o nome de “acidentes”) e todas as diversas formas de agressão
sexual, ou seja, a violência que se encontra no código civil ou segundo Chesnais
(1981) a “violência dura”.

No entanto é necessário ampliar e repensar o conceito de violência, levando em


conta as várias manifestações sobre a questão, seus atores, suas vítimas, seus
discursos, pensando que a violência além de destruir fisicamente, ela destrói
moralmente, mexendo com a subjetividade dos envolvidos.

Roché (1994) aponta que violências delimitadas pelo Código Penal consistem
apenas em um dos níveis da violência - o mais elevado, sem dúvida; mas elas não
são as mais comuns, nem as mais freqüentes e não são necessariamente as que
causam angústia e perturbam os sujeitos no seu dia a dia. Desse modo, a
categorização proposta pelo Código Penal (crimes e delitos contra a pessoa, a
propriedade e a Nação, o Estado e a vida pública) é útil, mas não dá conta da
extensão do fenômeno.
Roché (idem) também considera limitada a abordagem que restringe o conceito de
violência à violência física, na medida que tal definição não leva em conta que
pode existir um componente forte de subjetividade no entendimento que um
indivíduo tem do fenômeno. E, mais do que isso, tal leitura desconsidera que a
percepção do que é ou não violência, nem sempre se sustenta em fatos
concretos, e sim em sensações e em “rumores” que circulam no social - um
exemplo é o que se conhece como sentimento de insegurança, que leva as
pessoas a se recolherem em si mesmas e nos espaços privados, às vezes
simplesmente porque têm medo do risco de serem vítimas de violência.

Um novo e promissor caminho para o debate sobre a complexidade do tema


violência, é precisamente mais refletir sobre cultura de violências, processos que
sustentam a sua construção e o porquê da não reação. É quando o conceito de
violência simbólica traz possibilidades compreensivas sobre tal complexidade e
variação temática, em particular quando se sai da sua compreensão de senso
comum, ou seja, achar que violência simbólica seria apenas a de caráter moral ou
a que se sustenta por símbolos. A violência simbólica refere-se ao abuso do poder
baseado no consentimento que se estabelece e se impõe mediante o uso de
símbolos de autoridade, como a violência verbal e também a violência
institucional, a marginalização, preconceitos e práticas de assujeitamento
utilizadas por instituições diversas que instrumentalizam estratégias de
discriminação.
Bourdieu utiliza o conceito de violência simbólica, para enfatizar a recorrência a
símbolos, em particular à linguagem, que seduzem que fazem dos vitimizados
cúmplices da violência que sofrem. Nesse tipo de violência, o sistema, o estado
ou o ator é tão dominante, que não deixa os que são dominados, produzir
categorias que permitam refletir e criticar a sua dominação. Para o autor, (1989)
os “sistemas simbólicos” se estruturam por relações de poder, portanto as
violências simbólicas operam por símbolos de poder legitimados, que dão força
sem que necessariamente se tenha que empregar a força para conseguir a
dominação.

Michaud (1989) considera que existe violência quando numa situação de


interação, um ou vários atores, direta ou indiretamente, causam prejuízos a um ou
vários indivíduos em graus variáveis. Ou seja, significa a incursão em uma atitude
que pode ferir não apenas a integridade física, mas também a moral, o patrimônio,
assim como as representações simbólicas.
Apesar das dificuldades para definir violência existe uma tendência na literatura
de conceituar a violência de forma mais abrangente ao invés de relacioná-la
apenas com os atos que causam danos físicos a indivíduo(s) ou grupo(s) e
também contra si mesmo. Esta definição abrange suicídios, espancamentos,
roubos, assaltos, homicídios e diversas formas de agressão sexual. Chauí (1999:
3-5), por exemplo, define violência como:
1) Tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de
alguém (é desnaturar);
2) todo ato de força contra a espontaneidade, à vontade e a
liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar);
3) todo ato de transgressão contra o que alguém ou uma sociedade
define como justo e como direito. Conseqüentemente, violência é um
ato de brutalidade, sevícia e abuso físico ou psíquico contra alguém
e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela
opressão e intimidação, pelo medo e pelo terror (...).
No Brasil a violência está intimamente ligada à condição de vulnerabilidade social
de certos extratos populacionais, como por exemplo, os jovens. Atualmente, esses
atores sofrem riscos de exclusão social sem precedentes devido a um conjunto de
desequilíbrios provenientes do mercado, Estado e sociedade que tendem a
concentrar a pobreza entre os membros deste grupo e distanciá-los do “curso
central” do sistema social. (Vignoli, 2001).

Juventudes

Juventude é um conceito, segundo Margullis ( 1996 p. 11) esquivo, é uma


construção histórica e social e não meramente uma condição de idade. Cada
época e cada setor postulam diferentes maneiras de ser jovem, dentro de
situações sociais e culturais específicas.
Convencionalmente, são estabelecidas faixas de idade para a definição de
juventude e essas faixas ainda que apresentem uma complexa variação de
acordo com as sociedades, etnias e culturas analisadas, simbolizam importantes
mudanças às quais permitem a compreensão da juventude “como o período que
vai desde o momento em que se atinge a maturidade fisiológica até a maturidade
social” . ( UNESCO: 2004)

A definição, de caráter biopsicológico, deve se agregar outras dimensões de


análise que ressaltem a heterogeneidade presente na vivência da juventude de
acordo com variados contextos e circunstâncias. Isso equivale a dizer que as
experiências, representações e significados que definem a juventude não são
únicos e, portanto, “nem todas as pessoas de uma mesma idade percorrem esse
período vital da mesma forma, nem atingem tal meta ao mesmo tempo.”
(UNESCO, 2004:25)

No ano de 1985, a Assembléia Geral das Nações Unidas apresentou uma


definição na qual, o jovem seria o indivíduo que pertence ao grupo populacional
localizado entre 15 e 24 anos Essa identificação, no entanto, admite certa
flexibilidade, estendendo a faixa etária definida tanto na direção da idade mínima,
como no sentido de ampliar os limites pré-estabelecidos. Dessa forma, por
exemplo, a idade pode ser deslocada para incluir o grupo de 10 a 14 anos, quando
a referência à áreas de extrema pobreza. Ou ainda, podem-se considerar como
jovens aqueles indivíduos entre 25 e 29 anos pertencentes aos estrados sociais
médios e altos urbanizados.

Parte-se da afirmação de que não há somente uma juventude, mas juventudes


que se constituem em um conjunto diversificado com diferentes parcelas de
oportunidades, dificuldades, facilidades e poder na nossa sociedade. A juventude
por definição é uma construção social, uma produção de uma determinada
sociedade, relacionada com formas de ver os jovens, inclusive por estereótipos,
momentos históricos, referências diversificadas e situações de classe, gênero,
raça, grupo, contexto histórico entre outras. Ressalta-se que o emprego do
termo juventudes no plural, antes de patrocinar uma perspectiva fracionada, na
qual aparecem modelos de jovens separados, sinaliza a existência de elementos
comuns ao conjunto dos jovens.

“(...) dando ênfase especial à identidade juvenil se considera que


existem diferentes culturas juvenis, com características comuns,
inclusive por influência da cultura de massas e dos processos de
globalização.” ( UNESCO,2004:p.25)

Recentemente foi realizada uma pesquisa Juventude, juventudes: o que une e o


que separa, com 10.010 entrevistas em todo o Brasil representativas para o
conjunto da população jovem de 15 a 29 anos no Brasil (47.832.671 pessoas)

O questionário tratou dos mais variados temas como Educação, Trabalho,


Composição Familiar, Esporte, Lazer, Cultura, Saúde, Sexualidade, Valores,
Organização e Participação Política e etc.

Todas as variáveis foram cruzadas pelas seguintes estratificações:

 Sexo (masculino e feminino);


 Grupo de Idade (15 a 17, 18 a 20, 21 a 23, 24 a 26 e 27 a 29);

 Instrução (até a 4ª série do ensino fundamental, de 5ª a 8ª série do


ensino fundamental, ensino médio e ensino superior)

 Critério Econômico Brasil (Classe A/B, Classe C, Classe D/E)

 Situação do Município (Urbano metropolitano, Urbano não


metropolitano e rural).

Quando questionados sobre o marco que define o início da juventude 42,7% dos
respondentes concentraram-se nas opções que englobaram a faixa etária de 13 a
15 anos. É válido apontar, conforme a tabela em destaque, que desses 20,6
assinalaram a opção de 15 anos, como marco que inaugura a juventude, o que
coincide com os parâmetros dos que trabalham sobre as juventudes. No entanto
um número significativo considera ser jovem dos 10 aos 12 anos de idade (20%),
mostrando que a condição de passar de criança ao reconhecimento de ser jovem
é esperada, com certa ansiedade, mesmo que seja em termos formais.

Tabela - Distribuição da População Jovem segundo idade em que a pessoa deixa de ser
criança e passa a ser jovem, Brasil - 2004

Idade em que a pessoa deixa de ser criança e passa a ser jovem N %

Até 10 anos 1.887.481 3,9


11 a 12 anos 7.678.884 16,1
13 a 14 anos 10.593.272 22,1
15 anos 9.838.952 20,6
16 a 17 anos 7.531.128 15,7
18 anos ou mais 6.537.520 13,7
Depende de cada pessoa 2.986.308 6,2
Não sabe/ Não opinou 779.127 1,6
Total 47.832.671 100,0
FONTE: Pesquisa “ Juventude, juventudes: o que une e o que separa) UNESCO, 2004.

Foi perguntado ao jovem: Na sua opinião, qual a idade que uma pessoa deixa de ser criança e se transforma em um
jovem?

Segundo Pais (1977: 22) nas representações mais comuns sobre juventude, os
jovens são tomados como fazendo parte de um grupo “unitário”. Mas o que se
coloca como importante para a sociologia é poder explorar tanto as similaridades
como as diferenças sociais que existem entre os jovens, ou seja, a sua
diversidade.
Há (idem: 23) duas tendências para se analisar a juventude:
1- Quando prevalece a busca de aspectos uniformes e homogêneos que
caracterizam esta fase da vida
2- Quando se considera a juventude como um conjunto social diversificado,
levando em conta a classe social, situações econômicas, interesses,
facilidades e dificuldades.

Na segunda tendência a juventude é tomada como um conjunto social, que


possui em comum ser de uma determinada faixa etária. A juventude não é uma
unidade social, um grupo constituído somente com opiniões comuns senão
juventudes no plural com interesses e aspirações distintas. Há diferentes sentidos
para a Juventude. Como afirma Bourdieu (ano; p145) é um abuso de linguagem
colocar em um mesmo contexto, universos que são tão diferentes.

Portanto, não há uma cultura juvenil unitária, um bloco monolítico, homogêneo,


senão culturas juvenis, com pontos convergentes e divergentes, com
pensamentos e ações comuns, mas que são muitas vezes completamente
contraditórias entre si.

As diferentes juventudes não são estados de espírito e sim uma realidade


palpável que tem sexo, idade, raça, fases, uma época que passa cuja duração
não é para sempre. Depende, fundamentalmente, de suas condições materiais e
sociais, de seus contextos de suas linguagens e formas de expressão. Nos
últimos anos a condição juvenil foi prolongada, tanto pela maior permanência no
sistema educacional, como pela dificuldade de ingressar no mercado de trabalho
e com isso adquirir autonomia e independência econômica, inclusive para a
constituição de nova família.
Pode-se afirmar que a juventude é um “rito de passagem” entre ser criança e
adulto, passando por uma “irresponsabilidade provisória”. (ERNESTO Rodriguez)
Existe, no entanto, algumas características que são comuns como a procura do
novo, dar respostas às situações, jogar com o sonho e com a esperança, mas o
mais importante é que a sociedade até hoje, tem tido muita dificuldade em
conceber o jovem com identidade própria, considerando-o adulto para algumas
exigências e infantilizando-os em outras ocasiões.
Dessa forma os jovens são vistos:
1- De uma maneira dualista. Se de um lado são concebidos como o futuro
das nações, são tidos como irresponsáveis no presente. Segundo Carrano () “os
jovens são hostis às doutrinas que lhes prometem um futuro melhor. O acento é
colocado muito mais na brevidade e na emergência do tempo. Os dias são
breves. O futuro distante passou a ser considerado por sua imprevisibilidade. A
juventude canta/grita/dança que o futuro é agora”. Ora, Mead ( ver onde) já
afirmava que a juventude não é simplesmente a esperança do futuro, senão o
ponto de emergência de uma cultura para outra, o que pode ser transformado. Os
jovens são os primeiros habitantes de um novo país, são os que tornam visíveis
as mudanças na nossa sociedade e são a chave da solução de nossos
problemas.
2- De uma forma adultocrata na medida em que existe uma relação
assimétrica e tensa entre adultos e jovens. Os jovens sempre foram vistos como
capazes de contestar, transgredir e reverter a ordem. Os adultos, por sua vez,
partem de posturas conservadoras, rígidas e são desprovidos de referências para
orientar os jovens.
3- Com uma visão culpabilizante. Criminaliza-se a figura do jovem,
associando-o com ameaça social, criminalidade, “delinqüência”. Existe, portanto
uma visão repressiva sobre as juventudes, uma espécie de populismo punitivo
segundo Ernesto Rodriguez, (p) e um exemplo claro dessa concepção é a
discussão recorrente sobre a redução da idade penal.

4- Com um teor maniqueísta, ou seja, ao mesmo tempo em que são


considerados responsáveis pelo futuro, são percebidos como irresponsáveis no
presente; assim como unanimemente são vistos como a esperança de um mundo
melhor, também representam o medo e a falta de confiança que a sociedade
deposita nesta parcela da população e, são vistos como aqueles que não
produzem Segundo Paes (idem), a juventude é vista como uma fase da vida
marcada pela instabilidade e por “problemas sociais”, são tidos como
“irresponsáveis’, ‘desinteressados”, ‘marginais’ e ‘passivos’. A construção social
sobre o jovem é socialmente vista como geradora de problemas, como negativa e
esta percepção da sociedade para com as juventudes tem conseqüências tanto no
seu cotidiano como na sua relação com as diversas instituições sociais que faz
parte, como família, escola etc.

Juventude é vista também como um valor positivo: um ideal, uma estética


desejada pela maioria, um valor simbólico associado à beleza, o que faz com que
a sociedade possa comercializar os seus diversos atributos, em forma de
mercadorias, onde a imagem se compra e se vende, intervém no mercado do
desejo como veículo de distinção e legitimidade (Margulis e Urresti, p. 17)
Ser jovem hoje não é o mesmo que ser jovem há 20 anos atrás, as diferentes
juventudes constroem seus espaços, seu modo de vida a partir de novas formas
de agir e pensar. Assim questões como sexo, meio ambiente, direitos,
democracia, são colocados dentro de uma ética global, onde a subjetividade
ganha importância, assim como as relações de gênero, a relação com o corpo e
as relações entre os indivíduos de uma maneira geral. (KrasKOF)
Os jovens encontram-se em uma etapa de construção de sua identidade, buscam
sua autonomia, são gregários, procuram galeras, turmas, gangues e mesmo a
incorporação no tráfico de drogas. Eles vivem em constante movimento, são
ávidos, para conhecer, provar o novo, consumir aprender. Vivem momentos de
encantamento e desencanto com a nossa sociedade, vivenciando hostilidades,
falta de compreensão, ambientes ríspidos. O que necessitam é segurança,
estímulo, sentimentos de confiança na nossa sociedade, conhecimento,
pertencimento e fazer-se escutar.

Abramovay (1994) assinala ainda que, nesse período de “passagem” que a


sociedade lhes impõe, os jovens “(...) tendem, então, a formar grupos
espontâneos de pares, (...) que se tornam importante locus de geração de
símbolos de identificação e de laços de solidariedade” (p.4).

Se pensarmos a proporção da atual população jovem a nível mundial, suas


especificidades e importância qualitativa e quantitativa enquanto grupo social
específico, que hoje chega à cerca de 1,03 bilhões de jovens, e que
enfaticamente nos países em desenvolvimento reúnem 85% dessa população
mundial; torna-se fundamental reconhecer a necessidade de um projeto de vida
específico inclusivo para os jovens.
Há cinco elementos são cruciais para a definição da condição juvenil em termos
ideais-objetivos, quais sejam:
 A obtenção da condição adulta, como uma meta;
 A emancipação e a autonomia, como trajetória;
 A construção de uma identidade própria, como questão central,
 As relações entre gerações, como um marco básico para atingir tais
propósitos.
 As relações entre jovens para modelar identidades, ou seja, a
interação entre pares como processo de socialização.
Portanto os jovens possuem uma importância crucial para o entendimento das
sociedades modernas, o seu funcionamento e suas transformações. Entender a
juventude é compreender a própria modernidade em diversos aspectos como a
arte, a cultura, o lazer, o consumo entre outros.
Além de o jovem possuir, como já foi assinaladas, características que dependem
de sua classe, raça/cor, gênero, idade etc, as juventudes desenvolvem formas de
pensar e atuar característicos de sua condição de jovem. Ser jovem não depende
somente da idade, de características biológicas, do corpo. Não depende
exclusivamente da classe social a que pertencem seu gênero, sua raça/cor. Há
que se considerar a circunstância cultural com a qual as juventudes estão sendo
socializadas, seus hábitos, sua maneira de perceber e vivenciar o mundo onde
vivem. Nestes aspectos as várias juventudes podem ser semelhantes, na
diferença. Segundo Charlot (Juventudes Sergipanas – Relatório de pesquisa,
Bernard Charlot, Aracaju, 2006: 2):

É inegável que se encontram vários tipos de jovens, bastante


diferentes entre eles. Todavia é difícil descartar a idéia de que há
elementos comuns entre eles, por mais diferentes que sejam. Além
da “cultura jovem”, ou melhor, dos traços comuns ás várias “culturas
jovens”, sempre há pelo menos características comuns a todos,
inclusive na abordagem de Bourdieu: esses jovens são considerados
jovens pelos adultos e por si mesmos. Portanto, quando se pensa
em juventude e jovens, não se pode renunciar nem ao plural, nem
ao singular. Ao jovens são diferentes mas tem em comum o fato de
serem considerados jovens e terem que lidar com os adultos. Essa
relação entre gerações é fundamental para entender como são os
jovens e o que é juventude em um determinado lugar e momento da
história. ( 2006:2).

Mas o que é ser jovem na nossa sociedade, qual a situação dessa vasta camada
da população, tão escondida até recentemente e descoberta em função de suas
transgressões, de denúncias sobre o seu comportamento, de comentários sobre
sua forma de vestir, de falar, sobre seus piercings e sua música?

Viver em grupo, ser veloz, buscar de forma incessante novidades é quase uma
condição do ser jovem. Ser transgressor, com aspas e sem aspas, pode
desencadear comportamentos violentos ou abrir margem para a discussão de
soluções para os problemas que tenham como base as capacidades e os recursos
que os jovens possuem são características das Juventudes.
Os jovens vivem em uma época onde acontecem profundas transformações
econômicas e de valores na nossa sociedade, o que afeta a sua transição para a
vida de adulta. Existem muitos e diversos grupos juvenis, com características
particulares e específicas, que sofrem influências multi-culturais e que de certa
forma são globalizados, além da presença que os bens de consumo possuem em
suas vidas. Vivemos em uma sociedade de consumo ostentatória que suscita no
conjunto das juventudes aspirações e frustrações, no seio de uma sociedade que
apresenta fortes desigualdades sociais.

Características da juventude

Quando se avalia à proporção que a população jovem representou em relação à


população total do país nas últimas três décadas, constata-se um movimento de
elevação de seu pico em 1980. Em 1970, os jovens representavam 26,9% do total
da população do país. A proporção aumentou em 1980 e os jovens chegaram a
representar 29% do total da população brasileira. Em 1991, a proporção diminuiu
para 28,1% e manteve-se praticamente estável em 2000, com ligeiro aumento de
0,1%, indo para 28,2%.

Tabela – Proporção da População Jovem em Relação à População Total, Brasil,


1970-2000.

Ano
População
1970 1980 1991 2000
Total da População
93.139.037 118.562.549 146.639.039 169.799.170
Brasileira
Jovens de 15 a 29 anos 25.043.157 34.531.408 41.220.428 47.930.995
Proporção de Jovens em
26,9% 29,0% 28,1% 28,2%
Relação a População Total

FONTE: IBGE (censos demográficos, 1970, 1980, 1991 e 2000)

Segundo esse critério, a maior parte da população jovem no Brasil se encontra


nas classes hierarquizadas como mais baixas (51,8% dos jovens pertencem às
classes D e E, sendo que 41,4% pertencem à classe D e 14,4% à classe E). As
proporções diminuem com a elevação das classes, chegando a 1,3% o número de
jovens que pertencem à classe classificada como mais alta (A) e a 11,2% na
classe B.

Tabela – População Jovem segundo Classe* Socioeconômica, Brasil, 2004.

Classe Socioeconômica N %
Classe A 621.158 1,3%
Classe B 5.393.905 11,2%
Classe C 15.112.448 31,6%
Classe D 19.798.177 41,4%
Classe E 6.906.983 14,4%
Total 47.832.671 100,0%

FONTE: Pesquisa “Juventudes Brasileiras”. UNESCO, 2004.

*
Classe segundo critério de classificação econômica Brasil, ver metodologia.

Quando se trata especificamente dos jovens, tem-se que 53,5% desses se auto-

classificam como pardos ou morenos. Os que se consideram brancos representam

33,5% e os que se referem como negros 11,4%. 0,9% dos jovens brasileiros

pertencem à etnia indígena e 0,2% são de origem oriental. Se a perspectiva do

movimento negro e vários autores sobre a questão racial no Brasil forem seguidos,

ou seja, de considerar como da raça negra, os que se declaram quer como pardos

ou morenos, quer como negros têm-se que os jovens da raça negra perfazem

67,9% da população jovem brasileira.

Tabela – População Jovem segundo Cor/Raça Auto Atribuída, Brasil, 2004.

Cor/Raça Auto Atribuída N %


Branco(a) 16.035.983 33,5%
Negro(a) 5.442.528 11,4%
Pardo(a)/moreno(a) 25.580.067 53,5%
Indígena 453.909 0,9%
Oriental 105.093 0,2%
Outra 95.603 0,2%
Não opinou 119.487 0,2%
Total 47.832.671 100,0%

FONTE: Pesquisa “Juventudes Brasileiras”. UNESCO, 2004.

Foi perguntado ao jovem: “Você se considera?”

Na segunda metade do século XX, o Brasil atravessou um processo acelerado e


contínuo de industrialização e urbanização que o transformou, em um espaço
relativamente curto de tempo, de um país rural em um país caracteristicamente
urbano. A proporção de jovens que vivem hoje nos municípios urbanos chega a
70,7%, sendo que 40,4% vivem nos municípios urbanos não metropolitanos e
30,3% vivem nos municípios urbanos metropolitanos. Os demais 29,3% dos
jovens vivem nos municípios rurais.

Tabela 3 – População Jovem segundo Condição do Município, Brasil,


2004.

Condição do
N %
Município
Urbano
14.517.107 30,3%
Metropolitano
Urbano não
19.317.137 40,4%
Metropolitano
Rural 13.998.427 29,3%
Total 47.832.671 100,0%

FONTE: Pesquisa “Juventudes Brasileiras”. UNESCO, 2004.

Juventude, a Violência Urbana

Não há dúvida que vivemos épocas difíceis onde a violência permea os espaços
que freqüentamos que convivemos. Os jovens são os mais atingidos em nossa
sociedade, pela violência. Segundo o Mapa da Violência, do ano 2000, 2/3 de
nossos jovens morreram por causas externas e o maior responsável foi o
homicídio principalmente nas capitais brasileiras. O Mapa da Violência de 2004
mostra que a taxa de homicídios dos jovens em 1993 era de 34,5 em 100.000
habitantes enquanto que em 2002 elevou-se para 54,7. Se a análise é realizada
por raça/cor. Enquanto que a dos jovens negros é de 68,4 por 100.000 habitantes
de jovens brancos é de 39,2.

Peralva(2000) assinala as razões para o aumento da violência entre a juventude:

1- o aumento do acesso a armas

2- a juvenilização da criminalidade

3- a violência policial

4- ampliação do mercado de drogas

5- cultura consumista- que deriva em frustração e expectativas não satisfeitas.

A pesquisa citada anteriormente, mostra como os jovens sofrem agressões no seu


cotidiano. Dos respondentes 30,3% afirmam já terem sido assaltados, 30%
ameaçados, 21,5% furtados e em números absolutos chama a atenção que quase
600.000 jovens já sofreram tentativa de homicídio, como mostra a tabela a seguir.

Agressão física sofrida por jovens

Porcentagem
Tipo de Agressão N de
Respostas
Foi assaltado 4.395.357 30,3%
Foi ameaçado por alguma
3.765.097 25,9%
pessoa
Foi furtado e/ou roubado 3.129.238 21,5%
Sofreu tentativa de homicídio 597.230 4,1%
Sofreu agressão policial 1.825.088 12,6%
Sofreu agressão a mais de 2
281.919 1,9%
anos
Nenhuma destas 535.196 3,7%
Total 14.529.126 100,0%

FONTE: Pesquisa “Juventude, juventudes: o que une e o que separa”

As percepções sobre os bairros onde vivem são importantes, para os jovens, na


medida em que tem uma influência direta no seu cotidiano e na sua maneira de
viver. Quando o bairro e a comunidade são vistos como ameaças, os jovens levam
consigo um sentimento de medo e insegurança.

Assim quando 44 % afirmam terem seus bairros consumo de drogas; 51,7%


brigas; 29,2% assaltos; 18% tráfico de drogas; 8,5% presença de gangues e 8%
violência policial, mostram uma situação de insegurança, um sentimento de medo
e uma sensação de vulnerabilidade.

Tabela - Freqüência de ocorrências de violência no bairro onde


moram

OCORRÊNCIAS
DE VIOLÊNCIA
SEXO Total
NO BAIRRO
QUE MORA
MAS FEM
Brigas 11.774.438 12.954.579 24.729.017
24,6% 27,1% 51,7%-1
Violência policial 2.312.428 1.519.363 3.831.790
4,8% 3,2% 8,0%
Tiroteios 3.157.973 3.287.098 6.445.071
6,6% 6,9% 13,5%
Casos de estupro e/ 449.148 1.017.649 1.466.797
0,9% 2,1% 3,1%
Extorsão por parte d 215.048 210.255 425.304
0,4% 0,4% 0,9%
Ameaças 2.174.257 1.901.983 4.076.239
4,5% 4,0% 8,5%
Presença de
1.839.201 2.063.634 3.902.834
“gangues
3,8% 4,3% 8,2%
Consumo de drogas 10.167.203 10.936.481 21.103.684
21,3% 22,9% 44,1%-2
Tráfico 4.691.492 3.941.536 8.633.028
9,8% 8,2% 18,0%-4
Trânsito 2.517.897 2.121.391 4.639.287
5,3% 4,4% 9,7%
Assaltos 6.502.179 7.452.762 13.954.942
13,6% 15,6% 29,2%-3
Nenhuma destas 3.451.606 3.388.833 6.840.439
7,2% 7,1% 14,3%
Não opinou 492.235 506.512 998.747
1,0% 1,1% 2,1%
Total 23.696.849 24.135.821 47.832.671
49,5% 50,5% 100,0%

FONTE: Pesquisa “Juventude, juventudes: o que une e o que separa”. 2004.

No Brasil a violência está intimamente ligada à condição de vulnerabilidade social


de certos extratos populacionais, como por exemplo, os jovens. Atualmente, esses
atores sofrem riscos de exclusão social sem precedentes devido a um conjunto de
desequilíbrios provenientes do mercado, Estado e sociedade que tendem a
concentrar a pobreza entre os membros deste grupo e distanciá-los do “curso
central” do sistema social. (Vignoli, 2001).

Os jovens sofrem influências multiculturais e vivem dois problemas em comum: a


globalização do crime ligada ao narcotráfico e a violência. Segundo Castells(1997
p. 217), nas últimas décadas organizações criminosas tem levado a cabo
operações em escala internacional, aproveitando da globalização econômica e
das novas tecnologias dei informação. Em torno do narcotráfico foi-se organizando
uma poderosa rede de crimes como o tráfico de armas, tráfico de imigrantes,
prostituição internacional, contrabando etc. Todas as transações se baseiam na
coesão mediante uma violência extraordinária.

 Novo fenômeno de criminalidade moderna e da violência urbana da qual


faz parte, propulsor da violência.
 Se origina da relação entre urbanização, desigualdades sócio-territoriais e
o fortalecimento do crime organizado.

Vamos discutir em um primeiro momento a transgressão, ou seja, os grupos de


jovens que estão ligados ao tráfico e as gangues. É preciso afirmar que esta parte
da juventude não representa OS JOVENS, senão teríamos uma população jovem
“delinqüente” e “marginal”. Os jovens que estão no tráfico não são a maioria, mas
muitas vezes as representações que a sociedade faz são de um grupo que se
constitui como uma ameaça social. Segundo Freixo, pesquisador da ONG, Justiça
Global, dos 180.000 moradores da Favela da Rocinha, os envolvidos no tráfico
são mais ou menos 70 pessoas e dos jovens, menos de 1%.

As gangues aparecem como uma alternativa para alguns jovens, é formada de


forma não deliberada e muitas vezes quase por acaso. Em pesquisa realizada
sobre as gangues do Distrito Federal, as razões para se aderir a esse tipo de
grupo, é uma busca de resposta para as suas necessidades básicas, de
pertencimento, de uma maior identidade, auto-estima, proteção e a solução para
os problemas que devem ser resolvidos a curto prazo.(1999p.108). A gangue é
considerada um tipo de família, onde existe laços de solidariedade e valores
compartidos.

Hoje menos se escuta falar sobre gangues e o tráfico tomou um vulto conhecido
por todos nós. Esse fenômeno está, sem dúvida, relacionado com aprofunda crise
de nossas instituições, já que há determinadas metas de sucesso que os jovens
não podem atingir por meios legítimos ( Merton, 1949), o que acarreta um grande
sentimento de impotência individual, com desconfiança na sociedade , eclodindo
as relações de cidadania, criando sub-culturas do crime e ditando suas próprias
regras, códigos de valores e comportamentos alheios aos da sociedade em geral,
com efeitos dramáticos para a juventude.

A perspectiva de trabalho, de uma rápida ascensão social faz com que jovens
façam a opção pelo tráfico ou como dizia um dos entrevistados de uma pesquisa
realizada no Rio de Janeiro: Eu sei que vou viver pouco, mas quero viver bem:
um Nike, roupa de marca ,e uma loira.

No entanto essa esfera alternativa promete uma vida onde o consumo é


fundamental e a morte é certa, como mostra o depoimento de um jovem: Pra nós
dinheiro é muita coisa. Dinheiro é importante demais. Dinheiro é igual sangue: se
não tiver dinheiro, não vive . O pessimismo, a falta de esperança, a descrença na
sociedade aparece também nos depoimentos seguintes, onde não existem mais
expectativas: Dos 35 não passa. Ele que vai te matar ou alguém vai chegar e fazer
extermínio em você? A maioria é assim, a maioria da gente que tem a cabeça
estourada não passa disso não. Você não vai falar, tu não vai chegar.

O futuro é uma incógnita, visto com um real pessimismo: O futuro, se ele existe-
não vou ter futuro não- é (...) fora da lei e perto da morte e depende de conseguir
sair vivo de uma guerra de poder sobreviver cada dia.

E ser traficante pode significar um sonho e uma realidade:O que que a gente tem
chance de ser? O máximo que chega é ser traficante. O máximo de sonho que a
gente tem. O futuro da gente depende deles. O futuro da gente aqui é ser
traficante. Eu penso em ter uma casa, um carro, uma família, mas não dá. Se a
gente quiser ter futuro.vamos ser traficantes.

O tráfico aproveita de todas as carências, de diversão, de falta de trabalho e de


uma escola sem interesse e qualidade. Entrar para o tráfico pode servir como um
mecanismo de resolução de conflitos internos e obtenção de recursos. A
experiência de exclusão gera não somente desigualdades, mas um sentimento de
frustração e desencanto levando a que alguns jovens busquem uma integração
social perversa que podem preencher as expectativas e cuja marca principal é a
transgressão.

No livro Falcão um dos meninos ligados ao tráfico dá o seguinte depoimento:


Pó, to aqui porque a sociedade aí fora, não dá nenhum meio de vida pra
gente agir aí fora. (...) Eu não sou bandido não, eu to aqui porque eu
preciso certo, ajudar dentro de casa (...) A gente aqui ta pra trabalhar. É civil
comum. Gente que luta pra sobreviver.

Dowdney( 2003) analisa os principais atrativos que fazem com que crianças e
jovens entrem no mundo do tráfico:

1- status´,ser considerado uma pessoa importante e temido

2- ter dinheiro e acesso aos bens de consumo

3- emoção e adrenalina

4- possuir um grupo de referência

Os jovens têm potencialidade, querem afirmar a sua identidade, possuem


capacidade de mudança para novas situações e possibilidades de jogar com o
sonho e a esperança. Temos que ajudar a romper com a invisibilidade dos jovens,
fazer com que tenham uma aceitação, não bloqueando as formas positivas de
atuação que propõem os diferentes grupos.

Se conseguirmos acreditar nas juventudes como novos atores sociais, com


identidades próprias, diversidade e formas próprias de ver o mundo e a
sociedade , como adultos, vamos ajudá-los a combater a uma visão pessimista
sobre eles próprios, colaborando para que tenham sentimento de confiança e de
pertencimento na sociedade.

Manuel Castells faz uma reflexão sobre a necessidade de se conhecer todos os


setores de nossas diversas juventudes: Somente restabelecendo as pontes de
contato com a nossa juventude, poderemos realmente construir o futuro. E
somente se soubermos como os jovens pensam e vivem, e porque pensam assim,
pode- se encontrar nova linguagem, fundamento de uma nova política. (Gangues,
Galeras, Chegados e Rappers, 1999, p.10).
Por último quero também deixar uma mensagem otimista. Os jovens brasileiros
têm uma visão otimista de si mesmo. Na pesquisa “Juventudes Brasileiras” 75%
afirmam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida, mostrando que estão em
uma etapa de construção de identidade, mas que necessitam segurança,
estímulo, sentimento de confiança e fazer-se escutar por parte de nossa
sociedade.

TABELA

Portanto é fundamental que tenhamos políticas publicas que fomentem a inclusão


e a emancipação juvenil, ampliando uma rede de proteção social, com
oportunidades de estudo e trabalho, com uma política de vida segura,
incentivando a prevenção da violência dos jovens e contra os jovens, combatendo
as diferentes violências existentes, sensibilizando a opinião pública e os meios de
comunicação para o tema, promovendo espaços de arte, cultura, esporte e lazer,
enfim dando respostas globais e continuadas, com políticas integradas e
transversais e principalmente confiando nas nossas juventudes.

Jovens de 15 a 29 anos segundo satisfação quanto à vida que levam hoje:


Grau de satisfação %
Muito satisfeito 6%
Satisfeito 69%
Insatisfeito 22%
Muito insatisfeito 2%
Não sabe/não responde 0%
Total 100%

Quando inquiridos a dizer, em relação à vida que vem levando hoje, 6% dos
jovens brasileiros responderam estar muito satisfeito, 69% satisfeitos, 22%
insatisfeitos e 2% muito insatisfeitos. Isto significa dizer que 75% dos jovens
brasileiros, ou 3/4 da população entre 15 a 29 anos de idade, estão muito
satisfeitos e satisfeitos.

Jovens de 15 a 29 anos segundo razões para estarem muito satisfeitos ou


satisfeitos com a vida que levam hoje:
Razões para satisfação %
Família 43%
Saúde 26%
Emprego 8%
Estudo 7%
Amigos(as) 4%
Maneira como se diverte 4%
Relação amorosa 3%
Situação do país 2%
Governo 1%
Outros 1%
Não sabe/não responde 1%
Total 100%

A família é a principal razão de 43% dos jovens para estar satisfeito ou muito
satisfeito. A segunda razão mais apontada é a saúde (26%), seguida pelo
emprego (8%).

Jovens de 15 a 29 anos segundo razões para estarem muito insatisfeitos ou


insatisfeitos com a vida que levam hoje:
Razões para insatisfação %
Emprego 60%
Governo 8%
Estudo 5%
Família 4%
Saúde 4%
Relação amorosa 2%
Situação do país 12%
Amigos(as) 1%
Maneira como se diverte 1%
Outros 1%
Não sabe/não responde 0%
Total 100%

La Juventud es más que uma palabra, Mario Margulis Editorial Biblos,Buenos


Aires, 1996)

Bourdieu (Questions de Sociologie p.145)

Michaud (1989

(Lipovetsky, G. 2005).

Chesnais (1981) a “violência dura”.

Peralva(2000)
Wieviorka (2004

PERALVA, Angelina. Violência e Democracia- O paraíso Brasileiro. Paz e Terra,


São Paulo, 2000.

CHESNAIS Jean Claude. Histoire de la Violence. Paris. Éditions Robert Laffont,


Paris, 1981
CASTELLS, M. La Era de la Información Economía, Sociedad y Cultura In.
Volume 3 Fin de Milenio. Alianza Editorial, Madrid, 1998.
UNESCO. Políticas De/Para/Com Juventudes. Brasilia: Unesco, 2004.
Braslavsky ( 1986) conceitua a juventude como um período que vai desde a
adolescência, até a independência da família, a autonomia econômica que são
condições que definem o ser adulto. Braslavsky, C ( 1986) La Juventud en
Argentina: entre herencia del pasado y la construcción del futuro, en Revista de la
CEPAL, 29, Santiago de Chile.

DELORS, Jacques. Educação, Um Tesouro a Descobrir, Relatório para a UNESCO da Comissão


Internacional sobre Educação para o século XXI, 2001

– José Machado Pais Culturas Juvenis, Imprensa Nacional, casa da Moeda, Lisboa,-
CONFIRMAR- 1997).

PERALVA, Angelina. Violência e Democracia - O paraíso Brasileiro. Paz e Terra, São Paulo, 2000.

CASTELLS, M. La Era de la Información Economía, Sociedad y Cultura In. Volume 3 Fin de


Milenio. Alianza Editorial, Madrid, 1998.

UNESCO. Políticas De/Para/Com Juventudes. Brasília: UNESCO, 2004.

Braslavsky ( 1986) conceitua a juventude como um período que vai desde a


adolescência, até a independência da família, a autonomia econômica que são
condições que definem o ser adulto. Braslavsky, C (1986) La Juventud en
Argentina: entre herencia del pasado y la construcción del futuro, en Revista de la
CEPAL, 29, Santiago de Chile.
CHESNAIS Jean Claude. Histoire de la Violence. Paris. Éditions Robert Laffont,
Paris, 1981
PERALVA, Angelina. Violência e Democracia- O paraíso Brasileiro. Paz e Terra,
São Paulo, 2000.