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ATIVIDADES

LÚDICAS
Um E-book Educativo
ÍNDICE PÁGINAS

03 ORIGENS E CONCEITOS
04 Introdução.
05 A origem dos jogos lúdicos e
brincadeiras.
09 A importância do
aprendizado lúdico.
11 O processo de aprendizagem
experiencial.

13 TIPOS DE JOGOS E
BRINCADEIRAS
14 Brincadeiras que desenvolvem a
coordenação motora.
21 Jogos de máscaras.
22 Brincadeiras e comportamentos.
23 O papel dos jogos lúdicos na

25
Educação Infantil.
BRINCADEIRA E
APRENDIZADO
26 Concepção de Vygotsky e
Piaget acerca da aprendizagem.
30 A expressão e os gestos no ato
de brincar.
33 Jogos lúdicos e faixas etárias.
38 Atividades lúdicas que
auxiliam na psicomotricidade.

42 ATIVIDADES LÚDICAS
DIVERSAS
43 Jogos e brincadeiras educativas.
47 A dança como atividade lúdica.
49 Xadrez: jogo de aprendizado.
51 Conclusão.
52 Bônus interativo.
Unidade 1

ORIGENS E CONCEITOS
Introdução

Brincar está presente na maior parte do nosso


tempo investido durante a infância. Além de
ser divertido,  o lúdico na aprendizagem  pode
ajudar tanto no campo cognitivo, quanto no
psicológico, social e afetivo.

Isso proporciona alegria e contemplação.


Brincando, a criança socializa melhor, exercita
a imaginação e, através disso, pode
externalizar as suas angústias e dificuldades
que não consegue expressar através de
palavras.

No presente e-book, buscaremos nos


aprofundar um pouco mais sobre um campo
técnico e de extrema importância na formação
das nossas próximas gerações.
A origem dos jogos lúdicos e brincadeiras

Quando falamos da história dos jogos e


brincadeiras, no geral, precisamos pensar em
construções humanas que envolvem diversos
fatores sociais, econômicos e culturais. Tais
atividades surgiram em consequência da força
de trabalho e do uso de ferramentas.

Esta concepção teve influências marxistas e foi


predominantemente alvo de análises de
pesquisadores soviéticos como Elkonin (1998),
Vygotsky (1984; 1990) e Leontiev (1988).
Inevitavelmente, a brincadeira pode ser
considerada uma das principais portas de
entrada da criança para as suas experiências
culturais.

Neste sentido, a história, a cultura e a


economia se fundem completamente
fornecendo subsídios e símbolos sociais com
os quais a criança se utiliza até se identificar
com determinada cultura.

Com o passar dos tempos, os jogos e


brincadeiras tiveram um papel primordial na
aprendizagem de tarefas e no desenvolvimento
de habilidades sociais, necessárias às crianças
para a sua própria sobrevivência.

O jogo deve se apresentar como uma atividade


que responde a uma demanda da sociedade em
que vivem as crianças e da qual devem chegar
a ser membros ativos.

Manipular brinquedos é, acima de tudo,


manipular símbolos. Por conta disso, nem
sempre a criança vai fazer do brinquedo o uso
que o adulto espera assim que o apresenta,
devendo haver um processo de construção.
Em outros tempos, o trabalho não tinha o valor
que lhe atribuímos atualmente, tampouco
ocupava tanto tempo do dia.

Os jogos e brincadeiras eram os principais


meios que a sociedade tinha para estreitar
seus laços coletivos e permanecer unida. Isso
se aplicava a quase todos os jogos e esse papel
social era evidenciado principalmente em
virtude da realização das grandes festas.

Adultos, jovens e crianças se misturavam em


todo tipo de atividade social, ou seja, no
entretenimento, no exercício das profissões e
tarefas diárias, no domínio das armas, nas
festas, cultos e rituais. O cerimonial dessas
celebrações não fazia questão alguma de
distinguir as crianças dos jovens e os jovens
dos adultos, muito em detrimento do fato de
que esses grupos sociais estavam muito pouco
definidos dentro de suas peculiaridades.

Outro fator a ser ressaltado nessas festas era o


seu caráter místico. Nas representações
sagradas, encontrava-se em jogo um elemento
espiritual bastante presente e importante na
nossa história.
O brinquedo e a atividade da criança nada
mais eram do que uma ferramenta de trabalho
modificada e uma adaptação da atividade dos
adultos por meio desta ferramenta.

A história do brinquedo e dos jogos ilustra


toda uma representação de infância e à
modificação da imagem da criança,
acompanha a modificação de seus jogos e
brinquedos, estando as suas relações
organicamente vinculadas à da mudança do
seu patamar na sociedade, não podendo ser
compreendida fora desta ótica.

Esse lugar nos dá a chave para a explicação de


como os jogos e brincadeiras ocupam o seu
desenvolvimento.

A título de exemplificação, a criança indígena


brasileira quando brinca de arco e flecha está
manipulando uma atividade própria dos
adultos e que ela terá que aprender muito cedo
para a sobrevivência de sua comunidade.

A natureza dos jogos infantis só pode ser


compreendida pela correlação existente entre
eles e a vida da criança na sociedade.
A importância do aprendizado lúdico

Lúdico nada mais é do que a forma de


desenvolver a criatividade e os conhecimentos,
potencializados pelos jogos, músicas, danças e
brincadeiras.

O intuito é educar se divertindo e interagindo


com os outros. O lúdico está em suas diversas
modalidades, como brinquedos, brincadeiras,
jogos, acompanhando nossa trajetória de vida,
do nascimento à terceira idade, contribuindo
para a nossa saúde física e mental de forma
integrada.

Esse tipo de atividade traz benefícios,


conhecimento e diversão para todas as faixas
etárias, além de otimizar o aperfeiçoamento de
nossas qualidades e a superação de nossas
dificuldades.

O aprendizado lúdico tem o objetivo de


produzir conhecimento com prazer e diversão.
Quem pratica esta atividade percebe que ela
vem acompanhada de inúmeras brincadeiras
para enriquecer nossa carga intelectual de
forma prazerosa na educação.
Nos jogos e brincadeiras, as crianças
desenvolvem a coordenação, a atenção, a
imitação, o sentido das regras, a imaginação e
a memória.

Quem brinca sabe que a alegria se encontra


precisamente no desafio e na dificuldade.
Letras, palavras, números, formas, bichos,
plantas, objetos, comidas, músicas, todos são
desafios que fazem as crianças refletirem sob
diversos aspectos de aprendizagem.

A maior evidência que temos sobre a


dificuldade de levar o lúdico para a sala de aula
está relacionada ao fato de que, durante muito
tempo, coube aos alunos a tarefa de ficarem
sentados em suas carteiras, obedientes,
silenciosos e passivos, pois essa era tida como
a receita para uma aprendizagem eficaz.

Reconhecer o lúdico é reconhecer a linguagem


dos nossos tempos, é abrir portas e janelas
para novas formas de aprendizagem e
descobertas de conhecimento.
O processo de aprendizagem experiencial

A maneira com que a criança brinca reflete em


seu modo de agir. O lúdico na aprendizagem é
capaz de desenvolver habilidades importantes,
como atenção, imitação, memória e até
imaginação.

O cérebro humano se desenvolve por


estímulos recebidos nos primeiros sete anos
de vida. Por isso, é necessário incentivar todos
os aspectos: cognitivo, motor e afetivo.

A grande exposição tecnológica atual, estimula


de maneira extremamente potente a área
cognitiva, mas a criança não desenvolve a
parte motora e afetiva. Por esse motivo, é
indispensável que haja diversidade nas
experiências proporcionadas.
O desenvolvimento dos pequenos deve
acontecer em equilíbrio, levando em
consideração o indivíduo como um todo.

Quando esta evolução acontece apenas em


uma área, as demais ficarão deficitárias,
causando a falta de equilíbrio que é totalmente
prejudicial.

Através de brincadeiras, a criança tem apoio


para superar dificuldades de aprendizado.
Dessa forma, aprender brincando melhora não
só o rendimento escolar, mas o ganho no
conhecimento, na comunicação e também no
modo psicoemocional.
Unidade 2

TIPOS DE JOGOS E BRINCADEIRAS


Brincadeiras que desenvolvem a coordenação
motora

A infância tem papel determinante para outras


etapas da nossa vida. A  coordenação motora,
por exemplo, representa um dos aspectos mais
importantes para o desenvolvimento de um
indivíduo.

Situações que fazem parte do cotidiano da


criança são essenciais para impulsionar esse
conjunto de habilidades. O primeiro contato
com objetos, os trabalhinhos do jardim de
infância e a manipulação de pequenos itens
significam as descobertas daquele pequeno
universo para a criança.

A partir dos três ou quatro anos, meninos e


meninas começam a ter um certo controle de
sua preensão (ato de pegar as coisas), do
equilíbrio das pernas e tronco, embora ainda
possam cambalear.

As tarefas pedagógicas e as brincadeiras que


fazem parte de sua vida exercem uma
influência imprescindível no seu
desenvolvimento.
É válido ressaltar que para uma  coordenação
motora regular, o pequeno deve mexer, tocar,
descobrir, movimentar-se.

As brincadeiras, então, representam uma


excelente oportunidade para que seus filhos
possam colocar em prática as habilidades,
cujos benefícios os acompanharão por toda a
sua vida.

A psicomotricidade é um exemplo. Há uma


série de atividades lúdicas que podem ser
realizadas não somente no ambiente escolar,
mas também em casa. Portanto, pegue papel e
caneta, anote nossas dicas e aproveite com o
seu pequeno.

Como o leque de opções é muito grande,


podemos falar sobre alguns jogos e
brincadeiras cujas características exercem o
papel de desenvolvimento nas habilidades
motoras da criança.

Convidar outras crianças para as atividades


pode ser um meio de desenvolver a
coordenação motora promovendo a diversão,
sendo o melhor caminho para todos eles.
Massinha

Sabe aquela famosa massinha que todos nós já


brincamos um dia? Esse material oferece uma
textura própria para que os pequenos
amassem, enrolem, puxem e criem o que eles
desejam. O trabalho exercido com os músculos
das mãos é imenso. A criança se distrai tanto
que nem percebe o exercício que realiza.
Amarelinha

Quem nunca brincou de amarelinha durante a


infância? Todos nós sabemos como a atividade
nos proporciona um maior controle das
pernas, impulsionando o equilíbrio e a
psicomotricidade em geral.
Pega-pega

Uma das brincadeiras mais clássicas da


infância é uma das práticas mais benéficas
para o corpo da criança. Os próprios
movimentos já falam por si.
Pular corda

Atividade ideal para trabalhar a força dos


membros inferiores, importantes para a
locomoção.
Pintura com tinta guache

Atividade é ideal para a preensão do pincel e,


consequentemente, o fortalecimento das mãos
ao pintar ou colorir as imagens.
Jogos de máscaras

O principal objetivo dos jogos de máscaras é


abordar a imaginação e a criatividade a favor da
experimentação e comunicação da criança
nesse espaço, oferecendo a elas a oportunidade
de conhecer e criar em meio ao lúdico.

Neste tipo de atividade, a socialização se


desenvolverá considerando, por exemplo, as
nossas festas típicas que encontram nos
movimentos da música, dança e das atividades
lúdicas, a sua concepção enquanto plataforma
cultural, sendo uma forma de desenvolver sua
linguagem, trabalhar seu raciocínio, ou até
mesmo a coordenação motora.

Elas têm origem na


pintura corporal, sendo
adotadas desde períodos
pré-históricos com várias
simbologias. O seu uso
pode significar abrir mão
de uma personalidade
cotidiana para assumir as
qualidades do personagem
que ela irá representar.
Brincadeiras e comportamentos

É incontestável que brincar se tornou uma


atividade essencial na formação dos
comportamentos humanos. As brincadeiras
possuem características específicas como:

Serem intrinsecamente motivadas, sem


que a criança seja forçada por fatores
externos;

Terem os seus próprios “meios” e “fins”,


sendo um comportamento não voltado
para metas;

Não serem dirigidas por códigos de


controle, se distinguindo dos jogos com
regras. Durante as brincadeiras, as
crianças impõem seus próprios
significados aos objetos, indo além da
descoberta de suas propriedades.

Envolverem objetos transformados (a caixa


de papelão que se torna um carro) e as
pessoas assumem identidades não literais
(a criança que se torna uma princesa
famosa dos contos de fadas).
O papel dos jogos lúdicos na Educação
Infantil

Neste cenário, os jogos lúdicos acabam


assumindo diversas formas quando as crianças
exploram as propriedades dos objetos para
usá-los de forma lúdica.

A brincadeira de “faz-de-conta”, por exemplo,


é definida com uma alternativa à realidade
representada mentalmente em um contexto de
brincadeira.

A brincadeira de luta é uma atividade física na


qual as crianças interagem de forma que
conotam a agressão, mas, de fato, é um “faz-
de-conta”.

É por meio dessas diversas formas de diversão


que as crianças aprendem as habilidades que
necessitam para estarem preparadas para as
interações sociais, a escola e o mundo exterior.
Por meio delas, as crianças aprendem a
cooperar e a demonstrar um comportamento
socialmente apropriado, além de inibirem
comportamentos impulsivos e a planejarem
reações mais adaptáveis
Brincar é algo voluntário, espontâneo e alegre.

As atividades de aprendizagem por meio de


jogos e brincadeiras são essenciais para o
desenvolvimento social saudável das crianças.

As crianças que brincam mais são mais


autorreguladas, cooperativas, atenciosas,
amigáveis e socialmente competentes. Elas
apresentam comportamentos mais
apropriados socialmente, habilidades de
enfrentamento e sentem maior aceitação.

Trabalhos recentes mostram um avanço


promissor sobre como melhor incorporar as
brincadeiras à vida das crianças na escola e no
lar.

É preciso haver mais pesquisas sobre como


oferecer oportunidades de aprendizagem por
meio de jogos e brincadeiras a partir do ensino
fundamental, como também para crianças de
contextos mais carentes.

O objetivo é que eles tenham um papel central


nas salas de aula da primeira infância e na vida
de todas as crianças.
Unidade 3

BRINCADEIRA E APRENDIZADO
Concepção de Vygotsky e Piaget acerca da
aprendizagem

A teoria de aprendizagem de Vygotsky,


psicólogo bielorrusso que morreu há mais de
oitenta anos, tem uma ênfase importante no
papel das relações sociais no desenvolvimento
intelectual.

Para ele, o homem é um ser que se forma em


contato com a sociedade. “Na ausência do
outro, o homem não se constrói homem”,
afirma ao longo de suas importantes obras
acerca do tema.

Sua compreensão é a de que a formação se dá


na relação entre o sujeito e a sociedade a seu
redor. Assim, o indivíduo modifica o ambiente
e este o modifica de volta.

Dessa maneira, a  interação  que cada pessoa


estabelece com um ambiente, a experiência
pessoalmente significativa, é muito importante
para ela. Por isso, a teoria de aprendizagem de
Vygotsky ganhou o nome de sócio
construtivismo e tem como temas centrais o
desenvolvimento humano e a aprendizagem.
Estudioso do processo de aprendizagem,
Vygotsky defende que ela é resultante da
atividade de cada pessoa e da reflexão que ela
consegue fazer a partir daquilo. Ou seja, cada
aluno é um agente ativo nesse processo.

Dessa forma, o papel do professor consiste em


guiá-lo enquanto fornece as ferramentas
adequadas para que seu desenvolvimento
cognitivo ocorra da forma mais apropriada
possível.

Assim, a função do profissional é conduzir o


indivíduo até a aquisição do conhecimento.
Afinal de contas, o primeiro contato da criança
com novas  atividades, habilidades ou
informações deve ter sempre a participação de
um adulto.

Depois que internaliza um procedimento, ela


se apropria dele e o torna voluntário.

O papel do educador, então, é ativo e


determinante nesse processo de aquisição do
conhecimento que ocorre por mediação,
convivência, partilha e assim por diante até
que diversas estruturas sejam internalizadas.
Além de Vygotsky, outro estudioso do
desenvolvimento humano, Jean William Fritz
Piaget, foi biólogo, psicólogo e epistemólogo
suíço, concluiu que tanto os organismos vivos
podem se adaptar a um novo meio, quanto
existe uma relação evolutiva entre eles e o
ambiente.

Assim, a criança reconstrói ações e ideias


quando se relaciona com novas experiências
proporcionadas pelo ambiente.

Para ele, o conhecimento humano é construído


a partir da interação entre o homem e o meio.

Para adaptar-se ao ambiente, o indivíduo deve


equilibrar uma ação com outras ações. A base
desse processo está na assimilação e na
acomodação.

De acordo com Piaget, para adquirir


pensamento e linguagem, a criança passa por
várias fases de desenvolvimento psicológico,
do individual para o social. Assim, sua
evolução mental ocorre a partir de sua
interação com o meio, de forma lenta e em
vários estágios.
Em síntese, com relação as concepções de
Vygotsky e Piaget acerca da aprendizagem,
podemos notar uma diferença substancial
quanto ao conceber desse processo de
desenvolvimento.

Piaget acredita que a aprendizagem


subordina-se ao desenvolvimento e tem pouco
impacto sobre ele. Com isso, ele minimiza o
papel da interação social.

Vygotsky, ao contrário, postula que


desenvolvimento e aprendizagem são
processos que se influenciam reciprocamente,
de modo que, quanto mais aprendizagem, mais
desenvolvimento.
A expressão e os gestos no ato de brincar

Quando as crianças brincam, observa-se a


satisfação que elas expressam ao participar
das atividades. Sinais de alegria, risos,
excitação são componentes desse prazer,
embora a contribuição do brincar vá além de
impulsos parciais. É um libertar de emoções.

Consequentemente, as emoções são


importantes para a racionalidade. Na relação
entre sentimento e pensamento, a faculdade
emocional guia nossas decisões a cada
momento, trabalhando de mãos dadas com a
mente racional e capacitando, ou
incapacitando, o próprio pensamento.

A aptidão emocional é uma capacidade que


determina até onde podemos usar bem
quaisquer habilidades e linguagem incluindo a
linguagem expressiva.

Tomar o brincar como linguagem, no entanto,


obriga-nos a diferenciá-lo do que se entende
por linguagem verbal, por ser ele uma forma
de linguagem fundamentalmente marcada pela
expressão de imagens, gestos e ações.
Enquanto jogo de imagens, gestos e ações, o
brincar não pode ser considerado como um
equivalente pleno das associações livres, por
seu caráter de ambiguidade e imprecisão, por
suas diferenças lógicas em relação à linguagem
verbal.

Para o que diz respeito ao processo


psicanalítico, é necessário, portanto, ampliar
sua definição, compreendendo-o como uma
manifestação não linguística que é capaz de
condensar sentidos, produzir associações, mas
que proporciona fundamentalmente a
articulação com o significante linguístico.

Ao interagir com colegas ou manipular objetos,


a criança desenvolve capacidade de construir
referenciais de comunicação, pois, quanto
maior o número de trocas com o meio, maior o
repertório gestual e, por conseguinte, as
possibilidades de comunicação por meio da
linguagem corporal.

As palavras são realidades, antes de se


tornarem expressão dos desejos e
instrumentos do pensamento, elas são, de
início, o prolongamento do gesto.
No bom emprego do corpo, que permite um
bom emprego do tempo, nada deve ficar
ocioso ou inútil: tudo deve ser chamado a
formar o suporte do ato requerido. Um corpo
bem disciplinado forma o contexto de
realização do mínimo gesto. Uma boa
caligrafia, por exemplo, supõe uma ginástica,
uma rotina cujo rigoroso código abrange o
corpo por inteiro, da ponta do pé à
extremidade do indicador.

O corpo da criança é a ferramenta pela qual ela


interage com o mundo e o brincar é a
estratégia mais usada e preferida para trocar
experiências com o meio, vivenciando
situações e estabelecendo contatos que a
aproximem cada vez mais do viver em
sociedade.

Por meio dos movimentos, a criança faz uso de


uma linguagem que tem valor insubstituível
em suas primeiras relações com o mundo, que
ajudam a construir sua personalidade, porém é
substituída em prol da linguagem escrita que
também possui fundamental importância, mas
não pode ser priorizada como forma única e
insubstituível de interação com o mundo.
Jogos lúdicos e faixas etárias

Embora qualquer atividade possa ser adaptada


a todas as faixas etárias, é preciso sempre
respeitar as características de cada idade.

Características de 0 a 2 anos:
Egocentrismo. Descoberta (tato, movimento,
texturas, reproduzir sons, engatinhar, andar).
Coordenação motora (abrir, fechar, empilhar,
encaixar, puxar, empurrar, comunicar).

Exemplos de atividades:
Brincadeiras referentes à educação sensório
motora (sentir/executar). Exploração, canto,
perguntas e respostas, esconder.
Características de 2 a 4 anos:
Continuam com as características anteriores.
Fantasia e invenção. Criatividade.

Exemplos de atividades:
Brincadeiras sem regras. Brincadeiras com
regras simples. Utilização das formas básicas
de movimento (andar, correr, saltar, rolar).
Estimulação. Representação (imitação de
situações conhecidas: escolinha, casinha,
cantor, médico, motorista).
Características de 4 a 6 anos:
Muita movimentação. Começa a aceitar regras
e a compreendê-las. Maior atenção e
concentração. Interesse por números, letras,
palavras e seus significados. O grupo começa a
ter importância.

Exemplos de atividades:
Brincadeiras com ou sem regras. Atividades de
muita movimentação. Representação.
Características de 6 a 8 anos:
Muita movimentação. Boa discriminação visual
e auditiva. Atenção e memória. Aceita regras.
Convive bem em grupo. Começa a definir seus
próprios interesses. Despertar natural da
competitividade.

Exemplos de atividades:
Brincadeiras. Alguns pequenos jogos.
Atividades em equipes. Desafios (com os
outros e consigo mesmo). Atividades de muita
movimentação.
Características de 8 a 10 anos:
O grupo é cada vez mais importante. Memória
plenamente desenvolvida. Raciocínio concreto
e aquisição do raciocínio abstrato. Capacidade
de reflexão (medir consequências).

Exemplos de atividades:
Brincadeiras. Pequenos jogos. Atividades em
equipes. Atividades que envolvam estratégias.
Atividades de raciocínio. Atividades de desafio.
Atividades lúdicas que auxiliam na
psicomotricidade

A Coordenação motora é a capacidade de


coordenação de movimentos decorrente da
integração entre comando central (cérebro) e
unidades motoras dos músculos e articulações.

A  coordenação motora grossa  permite que a


criança rasteje, ande, corra, salte, pule, suba e
desça escadas. Já a  fina  dá a capacidade de
usar os pequenos músculos em movimentos
delicados, como escrever, pintar,  desenhar,
recortar, encaixar, montar e desmontar.

Ela pode ser analisada segundo três pontos de


vista: Biomecânico, dizendo respeito à
ordenação dos impulsos de força numa ação
motora e a ordenação de acontecimentos em
relação a dois ou mais eixos perpendiculares.
Fisiológico, relacionando as leis que regulam
os processos de contração muscular. E
pedagógico, relativo à ligação ordenada das
fases de um movimento ou ações parciais e a
aprendizagem de novas habilidades.

Podemos sugerir como atividades essenciais:


Cobrinha

O responsável deverá fazer uma espécie de


"cobrinha" com a corda, e a criança deverá
saltar sem tocar nela. É possível variar com
duas pessoas segurando a corda fazendo um
leve balanceio de um lado para o outro.
Minhocão

As crianças deverão formar um túnel, o


organizador distribuirá uma bexiga para cada
fila. Depois do sinal, elas deverão passá-la de
mão em mão. Vence a equipe que conseguir
transportar a bexiga primeiro.
Quebra-cabeça

No processo de  formação cognitiva  de uma


criança, os quebra-cabeças são importantes no
desenvolvimento neurológico, psicomotor,
capacidade de concentração, noção espacial e
percepção visual. Abuse e use deles.
Unidade 4

ATIVIDADES LÚDICAS DIVERSAS


Jogos e brincadeiras educativas:

Uma vez compreendido que as brincadeiras


são parte importante do desenvolvimento da
criança, pois as ajudam a entenderem o
mundo em que vivem com bom humor, a
interagirem com as outras crianças da mesma
e de diferentes idades, é possível elencar uma
série de jogos e brincadeiras que podem
auxiliar o seu filho de modo pedagógico, no
processo de alfabetização e na etapa de
aprender a falar e como lidar com os desafios
da linguagem.

Atualmente, existe uma grande variedade de


jogos para computador, jogos de videogame,
jogos de tabuleiro, cartas e cards que envolvem
objetos de todas as formas, além de filmes e
desenhos que auxiliam na educação da criança.

É preciso se manter atento quanto as


brincadeiras que envolvem o dia a dia das
crianças, dando todo o suporte e deixando à
disposição tudo o que precisa para aprender
coisas novas, como frases e números. Nesta
unidade, elencaremos algumas brincadeiras
que são educativas e ajudarão o seu pequeno
no seu desenvolvimento pedagógico.
Alfabeto de frutas

Uma atividade excelente em aulas de


português introdutório. Tudo que o
responsável precisa fazer é falar, uma por
uma, as letras que compõem o alfabeto e pedir
que as crianças associem a uma fruta.
Teatro de fantoches

Crianças de diferentes idades adoram teatro


de fantoches, seja participando ou assistindo.
Vale ainda cada um fazer o seu próprio
fantoche. Esta brincadeira ajuda muito na
imaginação, gesticulação e fala.
Jogo da Memória

Esse é um dos jogos mais clássicos e um dos


que a criançada mais gosta ainda hoje. O jogo
da memória pode ser jogado em formato de
tabuleiros e com cartas, auxiliando funções
relacionadas à memória e ao aprendizado.
A dança como atividade lúdica

Muito mais do que um simples passatempo ou


divertimento, a dança possui um grande valor
voltado para o desenvolvimento da criança e
do adolescente.

Se uma criança na pré-escola teve a


oportunidade de participar de aulas de dança,
certamente, terá mais facilidade para ser
alfabetizada.

Ela consiste em uma expressão representativa


da linguagem social que permite a transmissão
de sentimentos, emoções, afetividade vivida e
dimensões da religiosidade, do trabalho, dos
costumes, hábitos, da saúde e etc. 

Devemos encará-la como uma prática da


cultura corporal a ser desenvolvida de forma
interdisciplinar na escola, fazendo parte dos
programas da educação.

Pode interagir com diversos campos de


conhecimento, e sendo uma atividade de
integração se adapta bem a qualquer
disciplina. 
Nesse processo lúdico de aprendizagem, a
dança deve proporcionar oportunidades para
que a criança possa desenvolver os domínios
do comportamento pela diversificação e
complexidade do movimento como expressão
histórico-social.

A atividade de trabalho proposta deve ter


como fundamento o movimento e sua
contextualização, evoluindo no domínio do seu
corpo, desenvolvendo e melhorando suas
possibilidades de movimentação, descobrindo
novos espaços, formas, superação de suas
limitações e condições para enfrentar novos
desafios em relação aos aspectos motores,
sociais, afetivos e cognitivos.
Xadrez: jogo de aprendizado lúdico

A proposta pedagógica de inserir o jogo de


xadrez no processo de ensino-aprendizagem
visa preparar o aluno para que seja capaz de
tomar decisões em situações que exigem o
raciocínio rápido, e em busca de formar
cidadãos íntegros através de uma atividade
lúdica.

A prática do xadrez desenvolve habilidades


como: memória, concentração, planejamento e
tomadas de decisões. O jogo possui um
excelente suporte pedagógico visto que se
relaciona com diversas disciplinas, tais como
matemática, artes, história, geografia e etc.

Na Matemática explora-se inicialmente o


tabuleiro e a movimentação das peças
associadas com a Geometria e suas dimensões.

Nas Artes, exploram-se as formas das peças


através do uso da argila, pintura, técnicas com
materiais recicláveis.
Na História, pode ser trabalhada a questão da
origem do xadrez, a cultura dos seus povos e a
relação entre aspectos sociais e políticos. Na
Geografia, pode ser abordada a localização
onde o jogo de xadrez era praticado.

E, finalizando, quando se faz referência à ética,


seria quanto à importância das regras e o
respeito que deve existir para com o parceiro
de jogo.

É de fundamental importância que os


responsáveis transmitam às crianças os
objetivos de trabalhar com o jogo de xadrez
desde a infância.
Conclusão.

Se analisarmos as famosas premissas de que "o


brinquedo é um diálogo da criança com o seu
meio" e que "não se pode escrever uma história
dos povos sem uma história do jogo",
perceberemos que o estudo das brincadeiras,
possibilita o resgate de toda uma cultura
infantil, configurada como parte da identidade
de determinada sociedade.

O presente E-book buscou detalhar as


características lúdicas dos jogos e brincadeiras
por acreditar que tais comportamentos
caracterizam-se por atividades importantes na
percepção cultural compreendida entre
crianças, dentro de contextos sociais
específicos.

A constituição da cultura lúdica ao longo da


história, interessa pelo fato desta ser uma
construção humana, marcada por estreitas
relações sócio-culturais particulares a cada
sociedade. Conhecer tais determinações
configura-se como tarefa imprescindível às
pessoas interessadas na educação de crianças
na atualidade
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