Você está na página 1de 246

Instalações Elétricas,

Hidráulicas, Sanitárias
e Preventivas
Profª. Laura Silvestro

Indaial – 2021
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2021

Elaboração:
Profᵃ. Laura Silvestro

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

S587i

Silvestro, Laura

Instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias e preventivas. / Laura


Silvestro – Indaial: UNIASSELVI, 2021.

234 p.; il.

ISBN 978-65-5663-941-3
SBN Digital 978-65-5663-942-0

1. Preventivo de incêndio. - Brasil. II. Centro Universitário


Leonardo da Vinci
CDD 620

Impresso por:
Apresentação
Seja bem-vindo ao livro de Instalações Elétricas, Hidráulicas,
Sanitárias e Preventivas. Esta disciplina visa construir os conhecimentos
teóricos e práticos sobre instalações elétricas, instalações prediais de água
fria e quente, esgoto sanitário, esgoto pluvial, preventivo de incêndio e
sistema predial de distribuição de gás combustível.

Na Unidade 1 abordaremos as grandezas elétricas e luminotécnicas


necessárias para o entendimento e elaboração de projetos elétricos e a norma
técnica brasileira destinada à projetos elétricos em baixa tensão, que estabelece
os métodos de dimensionamento de condutores e eletrodutos. Além disso,
serão apresentados métodos para a determinação do iluminamento de
ambientes industriais, os dispositivos de proteção de sobrecorrentes e de
sobretensões, o conceito de seletividade, compensação reativa e aspectos
sobre motores elétricos.

Em seguida, na Unidade 2 estudaremos as partes que integram


um sistema predial de água fria e o dimensionamento da capacidade de
reservatórios e das tubulações do sistema de distribuição. Nesta unidade
também abordaremos os sistemas prediais de água quente, englobando a
estimativa do consumo de água quente, os tipos de aquecedores e fontes de
calor e o dimensionamento das tubulações que compõe este sistema predial.

Por fim, na Unidade 3 abordaremos as partes constituintes de um


sistema predial de esgoto sanitário e o dimensionamento das tubulações de
coleta e transporte dos despejos dos aparelhos sanitários, de acordo com
a NBR 8160 (ABNT, 1999). Também será apresentado o dimensionamento
de fossas sépticas, uma solução bastante simples e usual. Além disso,
apresentaremos o dimensionamento de um sistema predial de esgoto pluvial,
seguindo os aspectos estabelecidos pela NBR 10844 (ABNT, 1989). Por fim,
aprenderemos sobre o sistema de prevenção de incêndio, as medidas de
proteção adotadas e as etapas que envolvem a elaboração de um projeto
de prevenção de incêndio. Também será apresentado o sistema predial de
distribuição de gás combustível e o seu dimensionamento em acordo com a
NBR 15526 (ABNT, 2012).

Uma ótima leitura e bons estudos!

Profᵃ. Laura Silvestro


NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro


que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares,
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.

Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!


Sumário
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS................................................................................... 1

TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS......................................... 3


1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 3
2 CONCEITOS BÁSICOS...................................................................................................................... 3
2.1 ESTRUTURA ATÔMICA ............................................................................................................... 4
2.2 MATERIAIS CONDUTORES E ISOLANTES.............................................................................. 4
2.3 GRANDEZAS ELÉTRICAS............................................................................................................ 5
2.3.1 Carga elétrica........................................................................................................................... 5
2.3.2 Campo elétrico........................................................................................................................ 5
2.3.3 Potencial elétrico..................................................................................................................... 6
2.3.4 Corrente elétrica...................................................................................................................... 7
2.3.5 Resistência elétrica.................................................................................................................. 7
2.3.6 Potência elétrica...................................................................................................................... 9
2.3.7 Energia elétrica...................................................................................................................... 10
2.4 PRIMEIRA LEI DE KIRCHHOFF................................................................................................ 11
2.5 SEGUNDA LEI DE KIRCHHOFF............................................................................................... 11
2.6 GRANDEZAS LUMINOTÉCNICAS.......................................................................................... 11
2.6.1 Fluxo luminoso..................................................................................................................... 12
2.6.2 Iluminância............................................................................................................................ 12
2.6.3 Eficiência luminosa............................................................................................................... 12
2.6.4 Intensidade luminosa........................................................................................................... 13
2.6.5 Luminância............................................................................................................................ 13
2.6.6 Refletância.............................................................................................................................. 13
2.6.7 Emitância............................................................................................................................... 14
2.6.8 Índice de reprodução de cor .............................................................................................. 14
2.6.9 Temperatura de cor correlata.............................................................................................. 14
3 NORMALIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL............................................................. 14
3.1 NBR 5410 - INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO . .......................................... 15
3.2 NBR 14039 - INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE MÉDIA TENSÃO.......................................... 15
3.3 NBR 5419 - PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS................................... 16
3.4 NBR 13570 - LOCAIS DE AFLUÊNCIA DE PÚBLICO ........................................................... 16
3.5 NBR 13534 - ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE....................................... 16
3.6 NORMA REGULAMENTADORA NR10................................................................................... 17
3.7 NORMAS DA CONCESSIONÁRIA........................................................................................... 17
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 18
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 19

TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO................. 21


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 21
2 REDE DE GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA......................... 21
3 ETAPAS DA ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS.................. 22
3.1 INFORMAÇÕES PRELIMINARES ........................................................................................... 22
3.2 QUANTIFICAÇÃO DO SISTEMA.............................................................................................. 23
3.3 DETERMINAÇÃO DO PADRÃO DE ATENDIMENTO......................................................... 23
3.4 DESENHO DAS PLANTAS.......................................................................................................... 23
3.5 DIMENSIONAMENTO................................................................................................................ 23
3.6 QUADROS DE DISTRIBUIÇÃO E DIAGRAMAS.................................................................... 23
3.7 ELABORAÇÃO DOS DETALHES CONSTRUTIVOS.............................................................. 24
3.8 MEMORIAL DESCRITIVO.......................................................................................................... 24
3.9 MEMORIAL DE CÁLCULO........................................................................................................ 24
3.10 ELABORAÇÃO DAS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS........................................................... 25
3.11 ELABORAÇÃO DA LISTA DE MATERIAL ........................................................................... 25
3.12 ART................................................................................................................................................ 25
3.13 ANÁLISE DA CONCESSIONÁRIA.......................................................................................... 25
3.14 REVISÃO DO PROJETO............................................................................................................. 25
3.15 APROVAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA................................................................................. 25
4 SIMBOLOGIA E REPRESENTAÇÃO GRÁFICA........................................................................ 26
5 PREVISÃO DE CARGAS DA INSTALAÇÃO ELÉTRICA ....................................................... 28
5.1 ESTIMATIVA PRELIMINAR....................................................................................................... 28
5.2 PREVISÃO DAS CARGAS........................................................................................................... 29
5.2.1 Iluminação............................................................................................................................. 29
5.2.2 Tomadas de uso geral.......................................................................................................... 31
5.2.3 Tomadas de uso específico.................................................................................................. 32
5.2.4 Cargas especiais.................................................................................................................... 32
6 DETERMINAÇÃO DA DEMANDA DE ENERGIA.................................................................... 35
6.1 CÁLCULO DA DEMANDA DE RESIDÊNCIAS INDIVIDUAIS........................................... 36
6.2 CÁLCULO DA DEMANDA DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS DE USO COLETIVO................ 37
6.3 CÁLCULO DA DEMANDA DE UNIDADES CONSUMIDORAS
NÃO RESIDENCIAIS.................................................................................................................... 42
6.4 CÁLCULO DA DEMANDA DE EDIFÍCIOS COM UNIDADES
CONSUMIDORAS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS............................................................. 43
7 DIVISÃO DA INSTALAÇÃO EM CIRCUITOS.......................................................................... 44
7.1 COMPONENTES .......................................................................................................................... 44
7.2 LOCAÇÃO DE QUADROS TERMINAIS E DE DISTRIBUIÇÃO.......................................... 44
7.3 DIVISÃO DA INSTALAÇÃO EM CIRCUITOS TERMINAIS................................................. 46
7.4 LIGAÇÃO DOS INTERRUPTORES............................................................................................ 46
7.4.1 Interruptor simples............................................................................................................... 46
7.4.2 Interruptor paralelo.............................................................................................................. 47
7.4.3 Interruptor intermediário.................................................................................................... 47
8 DIMENSIONAMENTO DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS.......................................................... 48
8.1 CRITÉRIO DA CAPACIDADE DE CONDUÇÃO DA CORRENTE...................................... 48
8.2 CRITÉRIO DO LIMITE DE QUEDA DE TENSÃO................................................................... 55
8.3 SEÇÕES MÍNIMAS DOS CONDUTORES................................................................................. 58
9 ELETRODUTOS................................................................................................................................. 60
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 62
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 63

TÓPICO 3 — ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL, PROTEÇÃO E SELETIVIDADE...................... 65


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 65
2 ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL......................................................................................................... 65
2.1. MÉTODO DOS LUMENS............................................................................................................ 66
2.2 MÉTODO DAS CAVIDADES ZONAIS...................................................................................... 67
2.3 MÉTODO DO PONTO POR PONTO......................................................................................... 68
3 PROTEÇÃO E SELETIVIDADE...................................................................................................... 68
3.1 TIPOS DE PROTEÇÃO DOS SISTEMAS ELÉTRICOS............................................................. 68
3.1.1 Proteção de sobrecorrentes.................................................................................................. 69
3.1.2 Proteção de sobretensões..................................................................................................... 70
3.2 SELETIVIDADE............................................................................................................................. 70
3.2.1 Seletividade amperimétrica................................................................................................. 71
3.2.2 Seletividade cronométrica................................................................................................... 72
3.2.3 Seletividade lógica................................................................................................................ 73
4 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS............................. 74
4.1 Para-raios do tipo Franklin........................................................................................................... 74
4.2 Gaiola de Faraday.......................................................................................................................... 75
5 COMPENSAÇÃO REATIVA............................................................................................................ 75
6 MOTORES E ACIONAMENTOS ELÉTRICOS............................................................................ 77
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................. 79
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 81
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 82

REFERÊNCIAS....................................................................................................................................... 84

UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE.....................87

TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO......................... 89


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 89
2 PARTES CONSTITUINTES DE UM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA FRIA......................... 90
3 SISTEMAS DE ABASTECIMENTO............................................................................................... 94
3.1 SISTEMA DIRETO......................................................................................................................... 94
3.2 SISTEMA INDIRETO.................................................................................................................... 94
3.3 SISTEMA MISTO........................................................................................................................... 95
4 ESTIMATIVA DO CONSUMO DIÁRIO....................................................................................... 95
5 RESERVATÓRIOS.............................................................................................................................. 97
5.1 RESERVATÓRIO SUPERIOR....................................................................................................... 97
5.2 RESERVATÓRIO INFERIOR........................................................................................................ 99
5.3 TIPOS DE RESERVATÓRIO....................................................................................................... 100
5.4 ELEMENTOS COMPLEMENTARES........................................................................................ 101
5.5 CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS ................................................................................. 103
6 REDE DE DISTRIBUIÇÃO............................................................................................................. 104
6.1 BARRILETE.................................................................................................................................. 104
6.2 COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO, RAMAIS E SUB-RAMAIS................................................ 105
6.3 MATERIAIS UTILIZADOS ....................................................................................................... 105
6.4 DISPOSITIVOS CONTROLADORES DE FLUXO.................................................................. 106
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 108
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 109

TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA:


DIMENSIONAMENTO E PROJETO..................................................................... 111
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 111
2 RAMAL PREDIAL............................................................................................................................ 112
3 HIDRÔMETRO................................................................................................................................. 113
4 ALIMENTADOR PREDIAL............................................................................................................ 113
5 SISTEMA ELEVATÓRIO................................................................................................................ 113
6 DIMENSIONAMENTO DAS TUBULAÇÕES........................................................................... 117
6.1 VAZÃO.......................................................................................................................................... 117
6.2 VELOCIDADE ............................................................................................................................ 117
6.3 PERDA DE CARGA.................................................................................................................... 118
6.4 PRESSÕES..................................................................................................................................... 122
6.5 SUB-RAMAIS............................................................................................................................... 124
6.6 RAMAIS........................................................................................................................................ 125
6.7 COLUNAS DE ÁGUA................................................................................................................ 127
6.8 BARRILETE.................................................................................................................................. 128
7 PROJETOS DE INSTALAÇÕES PREDIAIS................................................................................ 129
7.1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA.................................................................................................. 129
7.2 ALTURA DOS PONTOS............................................................................................................. 131
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 134

TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE............................................... 135


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 135
2 PARTES CONSTITUINTES DE UM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA QUENTE..................... 136
3 SISTEMAS DE AQUECIMENTO.................................................................................................. 136
3.1 SISTEMA DE AQUECIMENTO INDIVIDUAL...................................................................... 136
3.2 SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL PRIVADO......................................................... 137
3.3 SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL COLETIVO....................................................... 138
4 ESTIMATIVA DE CONSUMO DIÁRIO...................................................................................... 140
5 TIPOS DE AQUECEDORES........................................................................................................... 140
5.1 FONTES DE CALOR DOS AQUECEDORES.......................................................................... 141
6 MATERIAIS UTILIZADOS............................................................................................................ 144
7 DIMENSIONAMENTO DAS TUBULAÇÕES........................................................................... 144
7.1 PRESSÕES MÁXIMA E MÍNIMA............................................................................................. 146
7.2 VELOCIDADE.............................................................................................................................. 146
7.3 PERDAS DE CARGA.................................................................................................................. 146
7.4 DIÂMETROS................................................................................................................................ 146
8 ISOLAMENTO TÉRMICO DAS TUBULAÇÕES...................................................................... 146
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 147
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 153
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 154

REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 155

UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO


DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL........................157

TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO.................................... 159


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 159
2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS............................................................................................ 159
2.1 SISTEMA INDIVIDUAL............................................................................................................. 160
2.2 SISTEMA COLETIVO................................................................................................................. 160
3 COMPONENTES DO SISTEMA PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO............................. 161
3.1 APARELHOS SANITÁRIOS...................................................................................................... 161
3.2 DESCONECTORES..................................................................................................................... 161
3.3 RALOS........................................................................................................................................... 162
3.4 RAMAL DE DESCARGA........................................................................................................... 163
3.5 RAMAL DE ESGOTO................................................................................................................. 164
3.6 RAMAL DE VENTILAÇÃO....................................................................................................... 164
3.7 TUBO DE QUEDA....................................................................................................................... 164
3.8 COLUNA DE VENTILAÇÃO.................................................................................................... 165
3.9 SUBCOLETORES......................................................................................................................... 165
3.10 DISPOSITIVOS DE INSPEÇÃO............................................................................................... 166
3.11 COLETOR PREDIAL................................................................................................................. 167
4 DIMENSIONAMENTO.................................................................................................................. 168
4.1 RAMAL DE DESCARGA........................................................................................................... 169
4.2 RAMAL DE ESGOTO................................................................................................................. 170
4.3 TUBO DE QUEDA....................................................................................................................... 170
4.4 COLETOR E SUBCOLETOR PREDIAL................................................................................... 171
4.5 RAMAL DE VENTILAÇÃO....................................................................................................... 172
4.6 COLUNA DE VENTILAÇÃO.................................................................................................... 172
5 MATERIAIS UTILIZADOS............................................................................................................ 175
6 PROJETO DE INSTALAÇÃO PREDIAL..................................................................................... 175
7 TRATAMENTO DE ESGOTO DOMÉSTICO............................................................................. 176
7.1 FOSSAS SÉPTICAS...................................................................................................................... 176
7.2 DISPOSIÇÃO DO EFLUENTE DA FOSSA SÉPTICA............................................................ 180
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 182
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 183

TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL.......................................... 185


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 185
2 CONCEITOS...................................................................................................................................... 186
2.1 ALTURA PLUVIOMÉTRICA..................................................................................................... 186
2.2 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA......................................................................................... 187
2.3 PERÍODO DE RETORNO........................................................................................................... 187
2.4 ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO...................................................................................................... 187
2.5 PERÍMETRO E ÁREA MOLHADA.......................................................................................... 188
3 DIMENSIONAMENTO.................................................................................................................. 189
3.1 FATORES METEOROLÓGICOS................................................................................................ 189
3.2 DETERMINAÇÃO DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO............................................................ 191
3.3 VAZÃO DE PROJETO................................................................................................................. 191
3.4 DIMENSIONAMENTO DAS CALHAS................................................................................... 192
3.5 DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTORES VERTICAIS................................................. 194
3.6 DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTORES HORIZONTAIS.......................................... 197
4 PROJETOS DE INSTALAÇÕES PREDIAIS................................................................................ 198
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 201
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 202

TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA


INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL........................ 203
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 203
2 CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS......................................................................................... 204
3 MÉTODOS DE EXTINÇÃO DO FOGO...................................................................................... 204
3.1 EXTINÇÃO POR RESFRIAMENTO......................................................................................... 204
3.2 EXTINÇÃO POR ABAFAMENTO............................................................................................ 205
3.3 EXTINÇÃO POR ISOLAMENTO.............................................................................................. 205
4 MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO.............................................................. 205
4.1 MEDIDAS ATIVAS DE PROTEÇÃO........................................................................................ 205
4.1.1 Sistema de alarme e detecção de incêndio...................................................................... 205
4.1.2 Sistema de iluminação de emergência............................................................................. 206
4.1.3 Sistema de sinalização de emergência............................................................................. 207
4.1.4 Sistema de proteção por extintores.................................................................................. 207
4.1.5 Sistema de proteção por chuveiros automáticos............................................................ 209
4.1.6 Sistema de proteção por hidrantes e mangotinhos . ..................................................... 210
4.2 MEDIDAS PASSIVAS DE PROTEÇÃO.................................................................................... 211
4.2.1 Separação entre edificações............................................................................................... 211
4.2.2 Compartimentação............................................................................................................. 211
5 ETAPAS PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIO................ 212
5.1 CLASSIFICAÇÃO DA EDIFICAÇÃO...................................................................................... 213
5.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA EDIFICAÇÃO E SISTEMAS
PREVENTIVOS EXIGIDOS........................................................................................................ 213
5.3 IDENTIFICAÇÃO DOS SISTEMAS PREVENTIVOS EXIGIDOS......................................... 215
5.4 CLASSIFICAÇÃO DA EDIFICAÇÃO QUANTO AOS RISCOS........................................... 216
5.5 VERIFICAR OS NÍVEIS DE EXIGÊNCIA E DETALHAMENTO
DE CADA SISTEMA................................................................................................................... 216
6 INSTALAÇÕES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL..................... 216
6.1 MATERIAIS EMPREGADOS..................................................................................................... 217
6.2 DIMENSIONAMENTO.............................................................................................................. 218
6.2.1 Potência adotada................................................................................................................. 218
6.2.2 Cálculo da vazão................................................................................................................. 220
6.2.3 Cálculo da velocidade........................................................................................................ 220
6.2.4 Perda de carga..................................................................................................................... 220
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 222
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 230
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 231

REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 232
UNIDADE 1 —

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender as principais grandezas elétricas e luminotécnicas;

• conhecer as simbologias e representações gráficas usuais em projetos


elétricos;

• dimensionamento de condutores e eletrodutos de instalações elétricas


de baixa tensão;

• determinar o iluminamento de um ambiente de trabalho industrial;

• conhecer os principais dispositivos de proteção de instalações elétricas


de baixa tensão.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

TÓPICO 2 – PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA


TENSÃO

TÓPICO 3 – ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL, PROTEÇÃO E


SELETIVIDADE

1
CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

2
TÓPICO 1 —
UNIDADE 1

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

1 INTRODUÇÃO

A energia elétrica tem uma importância inquestionável na vida das


pessoas e da sociedade como um todo. No ano de 2019, foram consumidos
482.083 GWh de energia elétrica no Brasil, o que corresponde a um acréscimo
de 1,4% em relação ao consumo do ano anterior (EPE, 2021). Deste total,
aproximadamente 29,4% e 34,72% foram destinados ao consumo residencial e
industrial, respectivamente. De acordo com Cervelin e Cavalin (2008), a energia
elétrica é utilizada em larga escala pelo fato de ser transportável, ou seja, pode
ser produzida em locais distantes e conduzida por linhas de transmissão até os
grandes centros consumidores e permitir a transformação em outras formas de
energia, como luz, calor e movimento.

Nesse âmbito, destaca-se que em 2019 a matriz energética brasileira


baseou-se, predominantemente, em fontes renováveis. A energia hidráulica foi
responsável por um percentual de 64,9% do total de energia elétrica produzida,
seguida pela fonte de gás natural (9,3%), eólica (8,6%) e biomassa (8,4%) (EPE,
2020). O Brasil segue uma tendência contrária da matriz elétrica mundial, que
é majoritariamente baseada em fontes não renováveis, como o carvão mineral.
Nesse sentido, isso significa que a produção de energia elétrica brasileira possui
um impacto ambiental inferior.

O uso eficiente da eletricidade é possível por meio de instalações elétricas,


executadas conforme um projeto elétrico (CERVELIN; CAVALIN, 2008). Desta
forma, neste Tópico 1 revisaremos os principais conceitos básicos e grandezas
elétricas e luminotécnicas que são requisitos para iniciar a concepção e elaboração
de um projeto elétrico. Além disso, serão apresentadas as principais resoluções
normativas e normas técnicas que embasam a elaboração de projetos elétricos
residenciais e industriais no Brasil.

2 CONCEITOS BÁSICOS
Nesta seção serão abordados os conceitos básicos relativos às principais
grandezas elétricas e luminotécnicas.

3
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

2.1 ESTRUTURA ATÔMICA


Para compreender o conceito de eletrização, é necessário revisar a estrutura
que compõe os corpos. Nesse contexto, a matéria é constituída por pequenas
estruturas denominadas átomos. Cada átomo é formado por uma parte central,
denominada núcleo, e uma parte periférica intitulada de eletrosfera (FIGURA 1).
No núcleo encontram-se os prótons e os nêutrons. Já na eletrosfera encontram-
se os elétrons, que ficam em torno do núcleo em diferentes órbitas. Os prótons
são caracterizados por uma carga positiva e os elétrons por uma carga negativa
(BONJORNO et al., 1992).

FIGURA 1 – ESTRUTURA DO ÁTOMO

FONTE: <https://www.significados.com.br/atomo/>. Acesso em: 26 mar. 2021.

Um corpo no seu estado natural é eletricamente neutro, ou seja, possui


a mesma quantidade de elétrons e prótons. Desta forma, um material estará
eletrizado quando se altera o equilíbrio entre o número de prótons e elétrons.
Se o corpo perde elétrons, fica eletrizado positivamente. Quando o corpo recebe
elétrons, encontra-se eletrizado negativamente (BONJORNO et al., 1992).

2.2 MATERIAIS CONDUTORES E ISOLANTES


Materiais caracterizados por fortes ligações químicas possuem baixa
mobilidade de elétrons livres e, portanto, não são passíveis de conduzirem
corrente elétrica. Nestes casos, os elétrons estão fortemente ligados ao átomo e
não têm liberdade de movimento. Tais materiais usualmente são utilizados como
isolantes elétricos e são empregados em instalações elétricas, a fim de impedir
a fuga de corrente elétrica para locais indesejados e para proteger pessoas de
choques. Nos materiais condutores os elétrons estão fracamente ligados ao átomo

4
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

e, por consequência, se movimentam com facilidade. Nestes casos, os elétrons


passam a não ser mais exclusividade de seus respectivos átomos e formam o
que se chama uma nuvem de elétrons ao redor dos núcleos. Nesses materiais, a
possibilidade de criação de uma corrente elétrica é altíssima (LARA, 2012).

NOTA

Materiais isolantes elétricos: borracha, madeira, vidro, cerâmica e plástico etc.


Materiais condutores elétricos: metais como o aço, ferro, alumínio, cobre, ouro, prata etc.

2.3 GRANDEZAS ELÉTRICAS


Nesta subseção serão revisadas as principais grandezas elétricas, sendo
estas: carga elétrica, campo elétrico, potencial elétrico, corrente elétrica, resistência
elétrica, potência elétrica e energia elétrica.

2.3.1 Carga elétrica


Sabe-se que o menor valor de carga elétrica (Q) encontrada na natureza é
a carga de elétron ou próton, cujo módulo é denominado de carga elementar (e), e
equivale ao valor de e = 1,6 x 10-19 coulomb (C). Isto posto, a carga elétrica dos pró-
tons é positiva e dos elétrons negativa. Além disso, a quantidade de carga elétrica
de um corpo sempre será um múltiplo inteiro de “e” (BONJORNO et al., 1992).

2.3.2 Campo elétrico


Uma carga elétrica Q produz, no seu entorno, uma região afetada por
sua presença denominada de campo elétrico (E). Como pode ser observado na
FIGURA 2, a carga Q cria um campo elétrico que exerce uma força elétrica (F)
sobre a carga q. A intensidade do campo elétrico (E) pode ser calculada pelas
Equações 1 e 2.

5
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 2 – INFLUÊNCIA DO CAMPO ELÉTRICO DA CARGA Q

FONTE: A autora (2021)

Equação 1

Equação 2

Onde:
E – Intensidade do campo elétrico (N/C - newton por coulomb);
F – Força que atua na carga q (N);
q – Carga elétrica de prova (C);
k – Constante dielétrica do meio em que as cargas estão (constante no vácuo =
8,99 x 109 N.m2/C2);
Q – Carga geradora do campo elétrico (Q);
d – Distância entre as cargas Q e q (m).

2.3.3 Potencial elétrico


Quando, entre dois pontos de um condutor, existe uma diferença entre as
concentrações de elétrons, isto é, de carga elétrica, diz-se que existe um potencial
elétrico entre esses dois pontos (NISKIER, 2016). O potencial elétrico, também é
conhecido como tensão elétrica, voltagem, f. e. m. (força eletromotriz) ou d.d.p.
(diferença de potencial elétrico). Usualmente a letra E é utilizada para denominar
a f.e.m. apresentada nos terminais de um gerador, quando o circuito está aberto.
Já a letra U é usada para representar a tensão quando o circuito está fechado
e nele está passando corrente elétrica. A letra V também pode ser usada para
indicar essa mesma grandeza (LARA, 2012).

E
IMPORTANT

A unidade do potencial elétrico no Sistema Internacional (SI) é o volt (V):

6
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

2.3.4 Corrente elétrica


Os elétrons livres dos átomos de um determinado material usualmente
se deslocam em todas as direções. Em um condutor, quando o movimento de
deslocamento dos elétrons livres é mais intenso em um determinado sentido,
diz-se que existe uma corrente elétrica. A intensidade da corrente elétrica (i) é
caracterizada pelo número de elétrons (Δq) que passa por uma determinada seção
do condutor em uma unidade de tempo (Δt), conforme descrito pela Equação 3.
A unidade de intensidade da corrente elétrica é o ampère (A) (NISKIER, 2016).

Equação 3

2.3.5 Resistência elétrica


De acordo com Niskier (2016), existe uma força de atração entre os
elétrons e o núcleo que exerce resistência contra a liberação dos elétrons para
o estabelecimento da corrente elétrica. Esta oposição ao fluxo é denominada
de resistência. Desta forma, a resistência em materiais isolantes é elevada,
diferentemente do que ocorre para materiais condutores.

A resistência de um condutor é função do tipo de material que o compõe,


do tipo de ligação química e quantidade de elétrons livres, da temperatura,
dimensões do condutor, como seção e comprimento, dentre outras condições que
podem afetar a movimentação dos elétrons (LARA, 2012).

E
IMPORTANT

A unidade de resistência elétrica é o ohm (Ω). Equivale à resistência elétrica


de um elemento tal que a diferença de potencial constante de 1 volt, faz circular nesse
elemento uma corrente invariável de 1 ampère (NISKIER, 2016).

De acordo com a 1ª Lei de Ohm, a resistência (R) dos condutores é


diretamente proporcional à diferença de potencial (U) e inversamente proporcional
à intensidade da corrente elétrica (i), conforme descrito na Equação 4.

Equação 4

7
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Pela 2ª Lei de Ohm, a resistência (R) dos condutores também pode ser
calculada pela Equação 5, onde é a resistividade do material do condutor
(Ω.m), é o comprimento do resistor (m) e é a área da seção reta transversal
do resistor (m²).

Equação 5

Em um circuito elétrico os resistores podem ser associados de duas


maneiras: em série ou em paralelo. A FIGURA 3 apresenta um exemplo de
resistores associados em série. Neste caso a corrente elétrica (i) é a mesma que
percorre todas as resistências. A tensão elétrica (V) é dividida pelos elementos que
constituem o circuito e pode ser determinada pela Equação 6. Já a tensão de cada
elementos é calculada pela Equação 7. Por fim, a resistência total equivalente (Req)
do circuito será a soma das resistências em série do circuito, conforme descrito
pela Equação 8.

FIGURA 3 – EXEMPLO DE RESISTORES ASSOCIADOS EM SÉRIE

FONTE: A autora (2021)

Equação 6

Equação 7

Equação 8

A Figura 4 apresenta um exemplo de resistores associados em paralelo.


Neste caso, as resistências estão submetidas à mesma tensão elétrica, enquanto a
intensidade da corrente elétrica total é dividida entre os elementos do circuito. A
corrente elétrica que atua em cada resistor pode ser calculada pela Equação 9. Já
a corrente total pode ser obtida através da Equação 10. A resistência equivalente
(Req) do conjunto é determinada pela Equação 11.

8
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

FIGURA 4 – EXEMPLO DE RESISTORES ASSOCIADOS EM PARALELO

FONTE: A autora (2021)

Equação 9

Equação 10

Equação 11

2.3.6 Potência elétrica


A potência elétrica é definida como o trabalho efetuado na unidade de
tempo. É obtida pelo produto da tensão elétrica (V) e pela intensidade de corrente
(i), conforme Equação 12. A unidade de potência é o watt (W) (NISKIER, 2016).

Equação 12

No caso de circuitos resistivos a potência elétrica pode ser calculada pela


Equação 13, pois somente nos resistores a energia elétrica é totalmente convertida
em calor (LARA, 2012). Onde V corresponde a tensão elétrica e R a resistência.

Equação 13

Em um circuito de corrente alternada, quando a corrente e a tensão possuem


o mesmo ângulo de fase (Ø = 0), a potência é igual ao produto da intensidade da
corrente (i) e tensão (U). Quando neste circuito é inserida uma bobina, ocorrerá
uma defasagem entre a corrente e a tensão (Ø ≠ 0), e a potência lida será inferior
ao produto i x U (NISKIER, 2016). Deste fenômeno surge o triângulo de potência,
representado na FIGURA 5.

9
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 5 – TRIÂNGULO DE POTÊNCIAS

FONTE: A autora (2021)

Nesse contexto, a potência ativa consiste na potência útil que efetivamente


será convertida em trabalho. Já a potência reativa, representa a parcela de potência
que não é aproveitada pelo sistema. Desta forma, a potência aparente corresponde
à quantidade total de potência gerada, levando em consideração a soma vetorial
das potências ativa e reativa. O fator de potência, que representa o cosseno do
ângulo de defasagem entre a tensão e corrente (cos Ø), pode ser calculado pela
Equação 14 (VIEIRA JUNIOR, 2011).

Equação 14

Embora indesejada, é a potência reativa que alimenta os campos


magnéticos de geradores e motores (VIEIRA JUNIOR, 2011). Neste âmbito,
as empresas concessionárias de energia elétrica usualmente exigem um fator
de potência igual ou superior a 0,92 (NISKIER, 2016), com o intuito de evitar
desperdícios nos sistemas.

TUROS
ESTUDOS FU

Nos tópicos a seguir serão abordadas alternativas para corrigir o baixo fator de
potência de instalações.

2.3.7 Energia elétrica


A energia elétrica consumida, ou o trabalho elétrico (𝜏) efetuado, é
dada pelo produto da potência (P) pelo tempo (t), de acordo com a Equação 15
(NISKIER, 2016). Sua unidade no SI é watt x segundo, também conhecido por
joule (J). (1 J = 1 W × 1 s).

Equação 15

10
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

UNI

Veja na TABELA 1 um resumo das principais grandezas elétricas.

TABELA 1 – RESUMO DAS GRANDEZAS ELÉTRICAS

FONTE: A autora (2021)

2.4 PRIMEIRA LEI DE KIRCHHOFF


A primeira Lei de Kirchhoff, também conhecida como Lei dos Nós, define
que a soma das intensidades das correntes que chegam a um nó, ou seja, a um
ponto de encontro de três ou mais condutores de um circuito elétrica, é igual
à soma das intensidades das correntes que dele saem, conforme descrito pela
Equação 16 (VIEIRA JUNIOR, 2011).

Equação 16

2.5 SEGUNDA LEI DE KIRCHHOFF


A segunda Lei de Kirchhoff, também denominada de Lei das Malhas,
estabelece que a soma algébrica das forças eletromotrizes (f.e.m) em um circuito
é igual à soma algébrica dos produtos da resistência e corrente elétrica em todas
as resistências da malha, de acordo com a Equação 17 (VIEIRA JUNIOR, 2011).

Equação 17

2.6 GRANDEZAS LUMINOTÉCNICAS


Neste subtópico serão revisadas as principais grandezas luminotécnicas,
sendo estas: fluxo luminoso, iluminância, eficiência luminosa, intensidade lumi-
nosa, luminância, refletância, emitância, índice de reprodução de cor e tempera-
tura de cor correlata.

11
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

2.6.1 Fluxo luminoso


O fluxo luminoso (ψ) consiste na “potência de radiação emitida por uma
fonte luminosa em todas as direções do espaço” (MAMEDE FILHO, 2017, p. 58).
A unidade do fluxo luminoso no SI é o lúmen (lm).

2.6.2 Iluminância
A iluminância (E), também conhecida como nível de iluminamento,
corresponde ao fluxo luminoso (ψ) incidente em uma determinada superfície por
unidade de área (S), conforme Equação 18 (MAMEDE FILHO, 2017).

Equação 18

E
IMPORTANT

A unidade da iluminância no SI é o lux (lx):

2.6.3 Eficiência luminosa


A eficiência luminosa (ᶯ) é a relação entre o fluxo luminoso (ψ) emitido
por uma fonte luminosa e a potência consumida ( ) em watts, conforme Equação
19 (MAMEDE FILHO, 2017).

Equação 19

A TABELA 2 apresenta a eficiência luminosa para alguns tipos usuais


de lâmpadas. É importante ressaltar que essa grandeza deve ser levada em
consideração na seleção de lâmpadas para a elaboração de projetos mais eficientes
(MAMEDE FILHO, 2017).

12
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

TABELA 2 - EFICIÊNCIA LUMINOSA DAS LÂMPADAS

FONTE: Adaptado de Mamede Filho (2017, p. 60)

2.6.4 Intensidade luminosa


A intensidade luminosa (I) “pode ser definida como sendo a potência
de radiação visível que uma determinada fonte de luz emite em uma direção
especificada” (MAMEDE FILHO, 2017). Sua unidade é denominada candela (cd).

2.6.5 Luminância
De acordo com Mamede Filho (2017, p. 61), “a luminância (L) é entendida
como a medida da sensação de claridade, provocada por uma fonte de luz ou
superfície iluminada e avaliada pelo cérebro”. Esta grandeza pode ser determinada
pela Equação 20. Sua unidade é cd/m².

Equação 20

Onde:
– Superfície iluminada (m²);
– Ângulo entre a superfície iluminada e a vertical, que é ortogonal à direção do
fluxo luminoso (graus);
I – Intensidade luminosa (cd).

O fluxo luminoso, a intensidade luminosa e a iluminância somente são visíveis


se forem refletidos em uma superfície, transmitindo a sensação de luz aos olhos.
Este fenômeno é denominado de luminância (MAMEDE FILHO, 2017).

2.6.6 Refletância
A refletância corresponde à relação entre os fluxos luminosos refletido e
incidente de uma dada superfície. Nesse contexto, é importante salientar que os
objetos refletem luz diferentemente uns dos outros. Assim, dois objetos colocados
em um ambiente de luminosidade conhecida ocasionam refletâncias diferentes
(MAMEDE FILHO, 2017).

13
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

2.6.7 Emitância
A emitância é a quantidade de fluxo luminoso emitido por uma fonte
superficial por unidade de área. Sua unidade é lúmen/m² (MAMEDE FILHO, 2017).

2.6.8 Índice de reprodução de cor


O índice de reprodução de cor (IRC) expressa “a capacidade de uma fonte
de luz, ao iluminar um objeto, de fazer com que este reproduza suas cores naturais”
(MAMEDE FILHO, 2017, p. 91). É uma grandeza que varia numericamente de 0 a
100 e é expressa percentualmente. Quanto maior o IRC, mais fielmente a cor real
dos objetos é exibida quando analisados sob a luz do sol (LARA, 2012). A Tabela
3 fornece o IRC para alguns tipos de lâmpadas.

TABELA 3 – IRC DE ALGUNS TIPOS DE LÂMPADAS

FONTE: Adaptado de Mamede Filho (2017, p. 92)

2.6.9 Temperatura de cor correlata


A temperatura de cor correlata (TCC) caracteriza a cor da luz emitida
por uma lâmpada. É uma grandeza que, por convenção, tem como unidade o
kelvin (K). De maneira geral, a TCC das lâmpadas varia entre 2700 e 6500 K
(LARA, 2012). Nesse contexto, uma lâmpada incandescente emite uma luz na cor
amarelada, que corresponde a uma TCC de cerca de 2 800 K. Já as lâmpadas que
emitem uma luz na cor branca, correspondem a uma TCC de 6500 K. Em função
disso, é usual classificar a luz emitida pelas lâmpadas em “luz quente” e “luz
fria” (MAMEDE FILHO, 2017).

3 NORMALIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL


As condições gerais de fornecimento de energia elétrica são regulamentadas
pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) através da Resolução Normativa
n⁰ 414, de 9 setembro de 2010 (ANEEL, 2010). Esta resolução apresenta todas as
disposições que devem ser observadas pelas distribuidoras e consumidores. Já
os projetos elétricos devem ser elaborados de acordo com normas técnicas que,
no Brasil, são de responsabilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas

14
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

(ABNT). Além das normas brasileiras, normas técnicas internacionais como as


elaboradas pelo International Electrotechnical Commission (IEC) também devem ser
consideradas na ausência de normas nacionais. A seguir serão apresentadas as
principais normas relativas à elaboração de projetos elétricos.

3.1 NBR 5410 - INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO


A norma NBR 5410 (ABNT, 2008) estabelece as condições que as instalações
elétricas de baixa tensão devem atender, de forma a garantir a segurança e
integridade de pessoas e animais, o funcionamento adequado da instalação e a
conservação dos bens. Nesse contexto, deve ser aplicada em circuitos elétricos
alimentados sob tensão nominal igual ou inferior a 1 kV em corrente alternada,
com frequências inferiores a 400 Hz, ou a 1,5 kV em corrente contínua. A norma em
questão também engloba as áreas externas à edificação, locais de acampamento e
instalações similares e canteiros de obras e outras instalações temporárias.

De maneira geral, a NBR 5410 (ABNT, 2008) apresenta uma definição


dos componentes das instalações elétricas e diretrizes para a previsão de carga
da instalação de iluminação, tomadas de uso geral e tomadas de uso específico.
Além disso, estabelece aspectos que devem ser atendidos para a divisão da
instalação em circuitos visando operações de manutenção e reparo da instalação
e o dimensionamento dos condutores e dispositivos de proteção de menor seção
e capacidade nominal. A NBR 5410 (ABNT, 2008) também fornece os métodos
de dimensionamento de condutores e eletrodutos, como será abordado nos
próximos tópicos desta unidade.

3.2 NBR 14039 - INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE MÉDIA


TENSÃO
A norma NBR 14039 (ABNT, 2005) estabelece diretrizes para o projeto e
execução de instalações elétricas de média tensão, de modo a garantir a segurança
e continuidade do serviço. Nessa categoria, são englobados circuitos elétricos
com tensão nominal de 1,0 kV a 36,2 kV, alimentados pela concessionária ou por
fonte própria de energia em média tensão. Esta norma se aplica a instalações
novas, reformas em instalações existentes e instalações de caráter permanente
ou temporário. As prescrições fundamentais da norma em questão que visam à
segurança dos usuários são: proteção contra choques elétricos, proteção contra
efeitos térmicos, proteção contra sobrecorrentes, seccionamento e comando,
independência da instalação elétrica, acessibilidade dos componentes, condições
de alimentação e condições de instalação.

15
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Para a elaboração do projeto de instalações elétricas de média tensão algu-


mas características da edificação devem ser determinadas, sendo estas a utilização
prevista, alimentação e estrutura geral; influências externas às quais a estrutura
estará submetida e, por fim, a manutenção necessária. Nessa conjuntura, tais carac-
terísticas serão utilizadas para a definição das medidas de proteção para garantir a
segurança e para a seleção e instalação dos componentes (NBR 14039, 2005).

3.3 NBR 5419 - PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS


ATMOSFÉRICAS
A NBR 5419-1 (ABNT, 2015) define os princípios gerais para a determinação
da proteção contra descargas atmosféricas e fornece subsídios para a elaboração
de projetos destinados a este fim. A referida norma é complementada pelas
seguintes partes:

• NBR 5419-2 (ABNT, 2018) – Parte 2: Gerenciamento de risco;


• NBR 5419-3 (ABNT, 2018) – Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida;
• NBR 5419-4 (ABNT, 2018) – Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos
na estrutura.

3.4 NBR 13570 - LOCAIS DE AFLUÊNCIA DE PÚBLICO


A norma NBR 13570 (ABNT, 1996) determina os requisitos que são exigidos
para instalações elétricas destinadas a atender locais de afluência de público, de
forma a garantir o funcionamento adequado, segurança de pessoas e a conservação
de bens. Neste âmbito, são englobados locais como auditórios, cinemas, hotéis,
bibliotecas, teatro, dentre outros estabelecimentos com capacidade de no mínimo
50 pessoas.

3.5 NBR 13534 - ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE


SAÚDE
A NBR 13534 (ABNT, 2008) aplica-se a instalações elétricas de estabeleci-
mentos assistenciais de saúde, estabelecendo requisitos específicos com o intuito
de garantir a segurança dos pacientes e profissionais de saúde. Esta norma com-
plementa, modifica ou substitui os requisitos gerais que compõem a NBR 5410
(ABNT, 2008).

16
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: CONCEITOS BÁSICOS

3.6 NORMA REGULAMENTADORA NR10


A norma regulamentadora NR10, de 7 de dezembro de 2004 (MINISTÉ-
RIO DO TRABALHO, 2004), que se aplica às fases de geração, transmissão, distri-
buição e consumo de instalações elétricas, dispõe sobre os requisitos e exigências
de sistemas de controle e prevenção visando a segurança e integridade de tra-
balhadores que interagem com as instalações e serviços de eletricidade no geral.

3.7 NORMAS DA CONCESSIONÁRIA


Além das normas previamente citadas, o projetista também deve atender
as normas particulares das concessionárias responsáveis pelo serviço público ou
particular. Estas normas levam em consideração as particularidades inerentes
ao sistema elétrico de cada empresa concessionária (MAMEDE FILHO, 2017). O
projetista também deve levar em consideração normas específicas do Corpo de
Bombeiros, Prefeitura Municipal, dentre outras instituições pertinentes.

Neste tópico foram abordadas as principais grandezas elétricas e


luminotécnicas necessárias para a elaboração de projetos elétricos de forma
segura e eficiente. Além disso, foram elencadas as normas técnicas e demais
especificações que norteiam a elaboração de projetos elétricos no Brasil. Nesse
contexto, destaca-se a NBR 5410 (ABNT, 2008) destinada a instalação em baixa
tensão, ou seja, aquelas caracterizadas por tensão nominal igual ou inferior a
1 kV em corrente alternada ou a 1,5 kV em corrente contínua. Adicionalmente,
questões especificas sobre a rede local de distribuição também são estabelecidas
pela concessionária responsável pelo fornecimento de energia e devem ser
consideradas pelo projetista.

17
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Materiais condutores apresentam elevada mobilidade de elétrons.

• Em circuitos elétricos com resistências associadas em série a tensão elétrica


total é dividida pelos elementos que constituem o circuito.

• Em circuitos elétricos com resistências associadas em paralelo a intensidade


da corrente elétrica total é dividida entre os elementos do circuito.

• A potência aparente é a soma vetorial das potências ativa e reativa.

• As grandezas luminotécnicas devem ser levadas em consideração na seleção


de lâmpadas para a elaboração de projetos elétricos mais eficientes.

• Para a elaboração de projetos elétricos devem ser observadas algumas normas


e especificações técnicas. Para instalações em baixa tensão, o projeto deve
atender à NBR 5410 (ABNT, 2008).

18
AUTOATIVIDADE

1 Calcule o valor da resistência de um chuveiro elétrico ligado a uma rede


220 V e alimentado por uma corrente elétrica de 11 A. Assinale a alternativa
CORRETA:

a) ( ) R = 16,1 Ω.
b) ( ) R = 20 Ω.
c) ( ) R = 18 Ω.
d) ( ) R = 17,5 Ω.

2 No circuito em série a seguir as resistências são R1 = 42,9 Ω; R2 = 36,4 Ω;


R3 = 18,5 Ω. Se for aplicada uma tensão de 220 V, qual será a corrente que
percorrerá o circuito? Qual a tensão correspondente a cada resistência?

3 No circuito em paralelo a seguir, as resistências são: R1 = 2,5 Ω; R2 = 4,0 Ω;


R3 = 6,0 Ω. Considerando que o circuito é percorrido por uma corrente de
25 A, determine as respectivas parcelas de corrente de cada resistência.

4 A energia elétrica é essencial para o desenvolvimento de diversas atividades


da nossa sociedade. Nesse contexto, as grandezas elétricas estão presentes
em qualquer circuito de uma instalação elétrica. A respeito das grandezas
elétricas, assinale a alternativa CORRETA.

19
I- A diferença de potencial (d.d.p) também é conhecida como tensão elétrica
e é medida na unidade volt.
II- No triângulo de potências, a potência aparente corresponde à potência
útil, ou seja, a parcela da potência que é efetivamente convertida em
trabalho.
III- Em circuitos ligados em paralelo, as resistências são submetidas à
mesma diferença de potencial, enquanto a intensidade de corrente é
dividida entre os elementos que compõem o circuito.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.


b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.

5 O motor de um equipamento é ligado a 380 V. A intensidade da corrente


elétrica é de i = 14,47 A. Calcule a potência do motor, o trabalho elétrico após
8 horas de uso e o preço para o consumo, considerando o custo do kWh de
R$ 20,00. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

a) ( ) P = 4,3822 kW – = 35,05 kWh – R$ 701,15.


b) ( ) P = 5,4986 kW – = 43,98 kWh – R$ 879,77.
c) (   ) P = 7,8309 – = 62,64 kWh – R$ 1252,94.
d) ( ) P = 5,1572 - = 41,25 kWh – R$ 825,15.

20
TÓPICO 2 —
UNIDADE 1

PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS


DE BAIXA TENSÃO

1 INTRODUÇÃO

O termo projetar remete ao desenvolvimento de soluções possíveis de


serem implementadas para a resolução de determinados problemas, visando
atender a uma necessidade ou objetivo. Nessa conjuntura, o problema objeto de
estudo de um projeto elétrico pode ser entendido como a forma que a energia
elétrica será conduzida da rede de distribuição até os pontos de utilização em
uma determinada edificação (LIMA FILHO, 2001).

O projeto de uma instalação elétrica consiste basicamente em quantificar


e determinar a localização dos pontos de utilização de energia elétrica, tais como
lâmpadas e tomadas, criar e dimensionar circuitos elétricos e suas respectivas
ligações, bem como dimensionar os condutores e os dispositivos de proteção, de
comando, de medição e demais acessórios (LARA, 2012).

Desta forma, neste Tópico 2 abordaremos as etapas que compõem um


projeto de instalações elétricas, a simbologia e representação gráfica usualmente
adotadas em projetos desta natureza, a previsão das cargas da instalação, o
cálculo do fator de demanda, a divisão da instalação em circuitos e, por fim, o
dimensionamento dos condutores e eletrodutos.

2 REDE DE GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE


ENERGIA
A FIGURA 6 apresenta um esquema simplificado de todo o sistema de
geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Como pode ser observado,
a energia elétrica é gerada a partir de fontes hidroelétricas, térmicas, nucleares,
eólica e entre outras. Posteriormente, a energia elétrica é conduzida pelas linhas
de transmissão, que tem origem na subestação elevadora e fim nas subestações
abaixadoras. As estações elevadoras usualmente são construídas próximas às
usinas geradoras e as estações elevadoras são posicionadas próximas às entradas
dos centros consumidores. Por fim, a energia elétrica é conduzia à rede de
distribuição, a qual propicia as condições necessárias para que a energia elétrica
chegue até o consumidor (CERVELIN; CAVALIN, 2008).

21
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 6 – ESQUEMA SIMPLIFICADO DA REDE DE GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO


DE ENERGIA ELÉTRICA

FONTE: Vieira Junior (2011, p. 28)

3 ETAPAS DA ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE INSTALAÇÕES


ELÉTRICAS
A Figura 7 contém um fluxograma com todas as etapas que compõem
a elaboração de um projeto de instalações elétricas. A seguir cada um dos itens
apresentados será abordado com maiores detalhes.

FIGURA 7 – FLUXOGRAMA COM AS ETAPAS QUE COMPÕEM A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO


ELÉTRICO

FONTE: A Autora (2021)

3.1 INFORMAÇÕES PRELIMINARES


Nesta etapa deverão ser coletadas todas as informações necessárias para
a concepção do projeto elétrico. O projetista deve considerar a planta de situação
com a localização da edificação, bem como da rede elétrica da concessionária,
o projeto arquitetônico da edificação e os projetos complementares, prezando
sempre pela compatibilização entre os diversos projetos da edificação e possíveis
interferências (LIMA FILHO, 2001).

22
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

3.2 QUANTIFICAÇÃO DO SISTEMA


Após a obtenção de todas as informações preliminares anteriormente
mencionadas, o projetista deverá realizar um levantamento da previsão de
cargas do projeto, considerando os pontos de utilização e a potência nominal
de cada ponto. Nessa etapa é realizada a previsão de tomadas, de pontos de
iluminação, bem como a previsão de cargas especiais, como elevadores, bombas
de água, de combate a incêndio, dentre outras. É fundamental que o projetista
desenvolva a previsão de cargas tendo como base as normas técnicas aplicáveis
(LIMA FILHO, 2001).

3.3 DETERMINAÇÃO DO PADRÃO DE ATENDIMENTO


Após a etapa de previsão de cargas do projeto, o projetista deverá
determinar a demanda e a categoria de atendimento do consumidor e a provável
demanda do edifício e a classificação de entrada de serviço (LIMA FILHO, 2001).

3.4 DESENHO DAS PLANTAS


Esta etapa engloba o desenho dos pontos de utilização, a localização dos
quadros de distribuição e quadros terminais, a divisão das cargas em circuitos
terminais, o desenho das tubulações nos circuitos terminais, o traçado da fiação
dos circuitos terminais, localização das caixas de passagem, localização do quadro
geral, desenho das tubulações dos circuitos de distribuição, traçado da fiação dos
circuitos de distribuição (LIMA FILHO, 2001).

3.5 DIMENSIONAMENTO
Nesta etapa é realizado o dimensionamento dos condutores, das tubula-
ções, dos dispositivos de proteção e dos quadros que compõem o projeto elétri-
co (LIMA FILHO, 2001). Instalações elétricas em baixa tensão são elaboradas de
acordo com a NBR 5410 (ABNT, 2008).

3.6 QUADROS DE DISTRIBUIÇÃO E DIAGRAMAS


Nesta etapa são elaborados os quadros de distribuição de carga do
projeto. Engloba os quadros de distribuição, os diagramas unifilares dos quadros
de distribuição e o diagrama unifilar geral (LIMA FILHO, 2001).

23
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

3.7 ELABORAÇÃO DOS DETALHES CONSTRUTIVOS


Os detalhes construtivos têm como objetivo facilitar a interpretação e a
execução do projeto elétrico. Recomenda-se que os detalhes construtivos sejam
amplamente explorados. A FIGURA 8 exemplifica o detalhe construtivo de uma
luminária com saída vertical. Como pode ser observado, a ilustração é rica em
detalhes e facilita a compressão do projeto, evitando erros de execução e desvios
entre o projetado e o executado.

FIGURA 8 – EXEMPLO DE DETALHE CONSTRUTIVO

FONTE: <https://www.qualiproj.com.br/projetos-de-instalacao-eletrica>. Acesso em: 7 maio


2021.

3.8 MEMORIAL DESCRITIVO


O memorial descritivo tem como intuito a descrição do projeto, bem como
da justificativa das soluções adotadas. É composto por quatro itens, sendo estes:
dados básicos de identificação, dados quantitativos, descrição geral e, por fim,
toda a documentação pertinente relativa ao projeto (LIMA FILHO, 2001).

3.9 MEMORIAL DE CÁLCULO


O memorial de cálculo engloba todos os cálculos e dimensionamentos
do projeto elétrico, tais como: cálculo das previsões de carga, determinação da
demanda provável, dimensionamento dos condutores, dimensionamento dos
eletrodutos e dimensionamento dos dispositivos de proteção (LIMA FILHO, 2001).

24
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

3.10 ELABORAÇÃO DAS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS


As especificações técnicas compreendem o detalhamento dos materiais
que serão empregados e os procedimentos de execução dos serviços. Além disso,
também descrevem as normas técnicas que deverão ser levadas em consideração
na execução dos serviços (LIMA FILHO, 2001).

3.11 ELABORAÇÃO DA LISTA DE MATERIAL


A lista de materiais deve conter todos os materiais que serão empregados
para a execução do projeto de elétrico, assim como as especificações pertinentes e
as respectivas quantidades.

3.12 ART
A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do responsável técnico
pelo projeto elétrico deve ser emitida junto à jurisdição do Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia (CREA) local.

3.13 ANÁLISE DA CONCESSIONÁRIA


A concessionária local analisará a adequação do projeto elétrico às normas
técnicas e padrões de fornecimento estabelecidos. De maneira geral, engloba a
análise do cálculo da demanda, do padrão de fornecimento, da entrada de serviço
e da rede até os quadros terminais (LIMA FILHO, 2001).

3.14 REVISÃO DO PROJETO


Se necessário, o projetista deverá realizar possíveis adequações e
modificações do projeto elétrico a fim de atender às especificações e padrões
estabelecidos pela concessionária local.

3.15 APROVAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA


Como última etapa do processo de elaboração de um projeto elétrico, tem-
se a aprovação do mesmo pela concessionária local. Desta forma, a concessionária
fornecerá um termo técnico que atesta que o projeto está de acordo com as suas
normas técnicas, possibilitando o consumidor efetivar o pedido de ligação das
instalações à rede de distribuição de energia (LIMA FILHO, 2001).

25
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

DICAS

Alguns exemplos de projetos elétricos podem ser consultados no link a seguir:

https://jonatasalexandre.com.br/projetos-eletricos-autocad-dwg/

4 SIMBOLOGIA E REPRESENTAÇÃO GRÁFICA


As simbologias e representações gráficas usuais em projetos elétricos são
apresentadas nos Quadros 1 a 4. Essa simbologia é baseada na NBR 5444 (ABNT,
1989). De acordo com Niskier (2016), corresponde à representação consagrada
pela maioria dos projetistas de instalações prediais. Contudo, é importante
ressaltar que nem todos os projetistas adotam a mesma representação. Desta
forma, é imprescindível a apresentação de uma legenda com a descrição de cada
símbolo utilizado no projeto.

E
IMPORTANT

Embora a simbologia e representação gráfica usualmente encontrada nos


projetos elétricos prediais seja a descrita na NBR 5444 (ABNT, 1989), é importante ressaltar
que a referida norma foi recentemente cancelada e substituída pela EC 60417 - Graphical
symbols for use on equipment.

QUADRO 1 - SÍMBOLOS PARA DUTOS E DISTRIBUIÇÃO

26
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FONTE: NBR 5444 (ABNT, 1989, p. 2)

QUADRO 2 – SÍMBOLOS PARA QUADROS DE DISTRIBUIÇÃO

FONTE: NBR 5444 (ABNT, 1989, p. 3)

QUADRO 3 – SÍMBOLOS PARA INTERRUPTORES

FONTE: NBR 5444 (ABNT, 1989, p. 4)

27
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

QUADRO 4 – SÍMBOLOS PARA LÂMPADAS E TOMADAS

FONTE: NBR 5444 (ABNT, 1989, p. 5-6)

5 PREVISÃO DE CARGAS DA INSTALAÇÃO ELÉTRICA


A etapa de previsão de cargas tem como intuito a determinação de todos
os pontos de utilização de energia elétrica que compõem a instalação. Engloba a
definição da potência, quantidade e localização dos pontos de consumo de energia
elétrica da instalação. Nos subtópicos a seguir será apresentada uma estimativa
preliminar para fins de anteprojetos e orçamentos preliminares, assim como as
diretrizes para determinação da previsão de cargas de iluminação, tomadas de
uso geral e específico e de cargas especiais do projeto.

5.1 ESTIMATIVA PRELIMINAR


A Tabela 4 apresenta cargas usuais de iluminação e tomadas de uso geral
que podem ser utilizadas na estimativa preliminar de um projeto de instalação
elétrica. É importante salientar que as tabelas citadas não incluem as tomadas de
uso específico. Para a obtenção da densidade de carga na Tabela 4, incialmente
define-se o tipo de utilização da edificação e, posteriormente, de acordo com a área
total, é possível estimar qual será a densidade de carga em VA. Para exemplificar,
considerando uma residência unifamiliar com área de 230 m², estima-se uma
densidade de carga de cerca de 6900 VA.

28
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

TABELA 4 – DENSIDADE DE CARGA PARA ILUMINAÇÃO E TOMADAS DE USO GERAL

FONTE: Niskier (2016, p. 80)

5.2 PREVISÃO DAS CARGAS


De acordo com a NBR 5410 (ABNT, 2008) a determinação da potência de
alimentação é fundamental para a concepção econômica e segura de um projeto
elétrico. Nesse sentido, a norma estabelece algumas prescrições para a previsão
de cargas da instalação:

• A carga de um equipamento de utilização é a potência nominal por ele


absorvida. Pode ser determinada pelo valor fornecido pelo fabricante ou pode
ser calculada a partir da tensão nominal, corrente nominal e fator de potência;
• Quando for informada a potência nominal do equipamento, ou seja, a
potência de saída e não a potência absorvida, no cálculo deve ser levado em
consideração o rendimento e o fator de potência.

5.2.1 Iluminação
Deve ser previsto pelo menos um ponto de luz fixo no teto em cada
cômodo ou dependência, o qual deve ser comandado por um interruptor de
parede. Em relação à potência mínima de iluminação podem ser seguidos os
seguintes critérios (ABNT NBR 5410, 2008):

• Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m², deve ser


prevista uma carga mínima de 100 VA;
• Em cômodo ou dependências com área superior a 6 m², deve ser prevista
carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada
aumento de 4 m² inteiros.

29
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

E
IMPORTANT

A norma NBR ISSO/CIE 8995-1 (ABNT, 2013) especifica os requisitos


de iluminação para locais de trabalho internos e os requisitos para que as pessoas
desempenhem tarefas visuais de forma eficiente, com conforto e segurança.

Exemplo de cálculo:
Para determinar a potência de iluminação da sala de estar ilustrada na Figura
9, inicialmente é necessário calcular a área do ambiente. A sala de estar possui
uma área de 24 m². Desta forma, de acordo com os critérios da NBR 5410 (ABNT,
2008), deve-se prever uma carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m² e, para
o restante da área, 60 VA para cada 4 m² inteiros.

FIGURA 9 - EXEMPLO DE CÁLCULO DA POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO

FONTE: A Autora (2021)

Fração TOTAL:
6 m² 4 m² 4 m² 4 m² 4 m² 2 m²
da área 24 m²

Potência 100 VA + 60 VA + 60 VA + 60 VA + 60 VA + 0 340 VA

Desta forma, a potência mínima de iluminação para a sala de estar deve


ser de 340 VA.

30
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

5.2.2 Tomadas de uso geral


As tomadas de uso geral são destinadas à ligação de aparelhos portáteis
como abajures, eletrodomésticos, televisores, liquidificadores, batedeiras, geladeiras
etc. A NBR 5410 (ABNT, 2008) estabelece os seguintes critérios para o número de
pontos de tomadas:

• Em banheiros deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada, próximo


ao lavatório;
• Em cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos, deve
ser previsto no mínimo um ponto de tomada para cada 3,5 m, ou fração de
perímetro. Acima da bancada devem ser previstas no mínimo duas tomadas
de corrente, no mesmo ponto ou em pontos distintos;
• Em varandas deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada;
• Em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada
para cada 5 m, ou fração de perímetro, devendo estes pontos ser espaçados
tão uniformemente quanto possível;
• Nos demais cômodos e dependências da habitação deve se previsto um ponto
de tomada, se a área do cômodo for igual ou inferior à 2,25 m². Um ponto
de tomada, se a área do cômodo for superior a 2,25 m² e igual ou inferior a 6
m². Um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração de perímetro, se a área do
cômodo for superior a 6 m².

No que tange à potência mínima das tomadas de uso geral, a NBR 5410
(ABNT, 2008) define que:

• Em banheiros, cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos,


no mínimo 600 VA por tomada, para as três primeiras tomadas, e 100 VA para
cada um excedente;
• Nos demais cômodos e dependências atribuir 100 VA por tomada.

Exemplo de cálculo:
Para determinar o número de tomadas de uso geral do dormitório ilustrado
na FIGURA 10, inicialmente é necessário calcular o perímetro do ambiente. O
dormitório possui um perímetro de 15 m. Desta forma, de acordo com os critérios
da NBR 5410 (ABNT, 2008), deve-se prever pelo menos um ponto de tomada para
cada 5 m, ou fração de perímetro. Desta forma o número de tomadas pode ser
calculado: N = 15 m/ 5 m = 3 tomadas.

31
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 10 – EXEMPLO DE CÁLCULO DO NÚMERO DE TOMADAS DE USO GERAL

FONTE: A Autora (2021)

5.2.3 Tomadas de uso específico


As tomadas de uso específico são destinadas à ligação de equipamento
fixos ou estacionários, como chuveiros elétricos, torneiras elétricas, aparelhos
de ar-condicionado, secadoras e lavadoras de roupas etc. (NISKIER, 2016). A
quantidade de tomadas é determinada de acordo com o número de aparelhos
de utilização. A potência da tomada de uso específico deve ser igual a potência
nominal do equipamento a ser alimentado ou à soma das potências nominais
dos equipamentos a serem alimentados. Além disso, os pontos de tomada de uso
específico devem ser localizados no máximo a 1,5 m do ponto previsto para a
localização do equipamento a ser alimentado (ABNT NBR 5410, 2008).

5.2.4 Cargas especiais


As cargas especiais de um projeto elétrico englobam equipamentos como
motores para elevadores, bombas para recalque d’água, bombas de drenagem
de águas pluviais e esgotos, bombas para combate a inocência, sistemas de
aquecimento central etc. A determinação da potência dessas cargas usualmente é
definida pelos fornecedores dos sistemas (LIMA FILHO, 2001).

Exemplo de cálculo:
A Figura 11 consiste na planta baixa de uma residência unifamiliar. Os valores
indicados na planta estão em metros. A seguir faremos a previsão de cargas de
iluminação e tomadas de uso geral e uso específico para todos os cômodos da
residência.

32
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FIGURA 11 – EXEMPLO DE PREVISÃO DE CARGAS DE ILUMINAÇÃO E TOMADAS DE USO GERAL

FONTE: A Autora (2021)

Sala de Estar:
• Área = 2,75 x 2,75 = 7,5 m²
• Perímetro = 2,75 + 2,75 + 2,75 + 2,75 + 2,75 = 11 m

Iluminação (I):
• Em cômodo ou dependências com área superior a 6 m², deve ser prevista
carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada
aumento de 4 m² inteiros.
• Primeiros 6 m² - 100 VA
• Área restante: 7,5 m² - 6 m² = 1,5 m² - 0 VA
• I = 100 VA

Tomadas de uso geral (T.U.G):


• Em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada
para cada 5 m, ou fração de perímetro
• T.U.G. = 11 m / 5 m = 2,2 = 3 tomadas
• Atribuir 100 VA por tomada

Tomadas de uso específico (T.U.E.):


• Não serão previstas tomadas de uso específico para esse ambiente.

Dormitório (Suíte):
• Área = 2,96 x 3,75 = 11,10 m²
• Perímetro = 2,96 + 2,96 + 3,75 + 3,75 = 13,42 m

33
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Iluminação (I):
• Em cômodo ou dependências com área superior a 6 m², deve ser prevista
carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada
aumento de 4 m² inteiros.
• Primeiros 6 m² - 100 VA
• Restante da área: 11,10 m² - 6 m² = 5,1 m² - 1 x 60 VA = 60 VA
• I = 100 VA + 60 VA
• I = 160 VA

Tomadas de uso geral (T.U.G):


• Em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada
para cada 5 m, ou fração de perímetro
• T.U.G. = 13,42 m / 5 m = 2,68 = 3 tomadas
• Atribuir 100 VA por tomada

Tomadas de uso específico (T.U.E.):


• Será prevista uma tomada para ar-condicionado de 1500 VA.

Dormitório:
• Área = 4,75 x 2,35 = 11,16 m²
• Perímetro = 4,75 + 4,75 + 2,35 + 2,35 = 14,2 m

Iluminação (I):
• Em cômodo ou dependências com área superior a 6 m², deve ser prevista
carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada
aumento de 4 m² inteiros.
• Primeiros 6 m² - 100 VA
• Restante da área: 11,16 m² - 6 m² = 5,16 m² - 1 x 60 VA = 60 VA
• I = 100 VA + 60 VA
• I = 160 VA

Tomadas de uso geral (T.U.G):


• Em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada
para cada 5 m, ou fração de perímetro
• T.U.G. = 14,2 m / 5 m = 2,84 = 3 tomadas
• Atribuir 100 VA por tomada

Tomadas de uso específico (T.U.E.):


• Será prevista uma tomada para ar-condicionado de 1500 VA.

Banheiro:
• Área = 2,20 x 1,64 = 3,61 m²
• Perímetro = 2,20 + 2,20 + 1,64 + 1,64 = 7,68 m

Iluminação (I):
• Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m², deve ser
prevista uma carga mínima de 100 VA
• I = 100 VA
34
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

Tomadas de uso geral (T.U.G):


• Em banheiros deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada, próximo
ao lavatório;
• T.U.G. = 1 tomada
• Em banheiros, cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos,
no mínimo 600 VA por tomada, para as três primeiras tomadas, e 100 VA para
cada um excedente

Tomadas de uso específico (T.U.E.):


• Será prevista uma tomada de uso específico para o chuveiro de 6 500 VA.

Corredor:
• Área = 4,83 m²

Iluminação (I):
• Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m², deve ser
prevista uma carga mínima de 100 VA
• I = 100 VA

Tomadas de uso geral (T.U.G):


• Nos demais cômodos e dependências da habitação deve se previsto um ponto
de tomada, se a área do cômodo for superior a 2,25 m² e igual ou inferior a 6 m²
• T.U.G. = 1 tomada
• Atribuir 100 VA por tomada

Tomadas de uso específico (T.U.E.):


• Não serão previstas tomadas de uso específico para esse ambiente.

6 DETERMINAÇÃO DA DEMANDA DE ENERGIA


Na prática todos os pontos de uma instalação não funcionam
simultaneamente, desta forma não é razoável do ponto de vista técnico e
econômico dimensionar a carga da edificação como sendo a soma de todas as
potências instaladas. Levando isso em consideração, pode ser definidos os
seguintes conceitos (LIMA FILHO, 2001; NISKIER, 2016):

• Potência instalada (Pinst) ou potencial nominal: é a soma das potências


nominais de todos os equipamentos de utilização;
• Potência demandada (Pd), potência de alimentação, provável demanda ou
demanda máxima: corresponde à demanda máxima da instalação. É o valor
utilizado para o dimensionamento dos condutores e dispositivos de proteção;
• Fator de demanda (FD): é a razão entre a provável demanda e a potência
instalada, conforme Equação 21.

Equação 21

35
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

A determinação do fator de demanda deve considerar aspectos como a


classe do consumidor (residencial, comercial, industrial), a grandeza e o tipo de
carga, dentre outros. De maneira geral, o fator de demanda pode ser estimado
em função da experiência do projetista, do levantamento de instalações elétricas
semelhantes já construídas e de informações preliminares sobre o funcionamento
dos equipamentos que serão instalados (LIMA FILHO, 2001).

Nos subtópicos a seguir, serão apresentadas as equações para cálculo da


demanda de residências individuais, de edifícios residenciais de uso coletivo,
de unidades consumidoras não residenciais e de edifícios com unidades
consumidoras residenciais e comerciais.

6.1 CÁLCULO DA DEMANDA DE RESIDÊNCIAS INDIVIDUAIS


Para residências individuais, como casas e apartamentos, a provável de-
manda pode ser calculada de acordo com o Método do Comitê Brasileiro de Eletri-
cidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações (COBEI), conforme Equação 22.

Equação 22

Onde:
PD – Provável demanda, potência de alimentação ou potência demandada;
FD – Fator de demanda, determinado de acordo com a TABELA 5;
P1 – Soma das potências nominais atribuídas à iluminação e tomadas de uso geral;
P2 – Soma das potências nominais atribuídas a tomadas de uso específico.

TABELA 5 – FATORES DE DEMANDA PARA RESIDÊNCIAS INDIVIDUAIS

FONTE: Niskier (2016, p. 99)

36
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

Como pôde ser observado na Tabela 5, o fator de demanda é determinado


em função da potência de iluminação e tomadas de uso geral da edificação. Isto
posto, considerando que o total de cargas (iluminação + tomadas de uso geral)
para uma residência unifamiliar seja de 1,7 kW, o fator de demanda adotado deve
ser de 0,75.

Exemplo de cálculo:
Calcular a provável demanda de um sobrado com as seguintes cargas instaladas:
• Iluminação = 2.200 VA
• T.U.G. = 3.600 VA
• T.U.E. = 12.000 VA

PD = (FD x P1) + P2
P1 = iluminação + tomadas de uso geral
P1 = 2200 + 3600 = 5800 VA = 5,8 kVA
Com P1 = 5,8 kVA, consultar TABELA 5 – fator de demanda = 0,45
P2 = tomadas de uso específico
P2 = 12000 VA = 12,0 kVA
PD = (0,45 x 5,8) + 12,0 = 14,61 kVA

6.2 CÁLCULO DA DEMANDA DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS


DE USO COLETIVO
Para a determinação da demanda de edifícios residenciais de uso coletivo
existem diversas metodologias de cálculo. Desta forma, destaca-se que é importante
consultar os procedimentos específicos estabelecidos pela concessionária da área
de fornecimento de energia elétrica (LIMA FILHO, 2001).

Neste contexto, nesse material será apresentado o critério proposto na


RDT-27 elaborado pelo Comitê de Distribuição de Energia Elétrica (CODI) para o
cálculo da demanda em edifícios residenciais de uso coletivo compostos por 4 a
300 apartamentos (Equação 23).

Equação 23

Onde:
– Demanda total do edifício;
– Demanda atribuída aos apartamentos;
– Demanda atribuída ao condomínio.

A demanda atribuída aos apartamentos pode ser calculada através da


Equação 24.

Equação 24

37
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Onde:
F1 – fator de diversidade obtido no QUADRO 5 em função do número de
apartamento residenciais da edificação.
F2 – valor da demanda do apartamento em função da área da unidade
(QUADRO 6).

Salienta-se que os valores apresentados no QUADRO 6 são referentes à


área útil do apartamento e, portanto, não englobam áreas de garagem e outras
áreas comuns do edifício. No caso de edifícios compostos por apartamentos com
áreas distintas, recomenda-se a utilização de um valor de área média, calculado
a partir da média ponderada das áreas dos apartamentos. Além disso, destaca-se
que o QUADRO 6 é aplicável apenas para apartamentos com área de até 400 m².
Para apartamentos com área superior a este valor, a demanda ( ) por ser
calculada a partir da Equação 25, onde A é a área útil do apartamento (m²).

Equação 25

QUADRO 5 – FATOR DE DIVERSIDADE EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE APARTAMENTOS

N⁰ N⁰ N⁰ N⁰ N⁰ N⁰
F1 F1 F1 F1 F1 F1
Aptos Aptos Aptos Aptos Aptos Aptos
1 1,00 51 31,90 101 63,59 151 74,74 201 80,89 251 82,73
2 1,96 52 36,46 102 63,84 152 74,89 202 80,94 252 82,74
3 2,92 53 37,02 103 64,09 153 75,04 203 80,99 253 82,75
4 3,88 54 37,58 104 64,34 154 75,19 204 81,04 254 82,76
5 4,84 55 38,14 105 64,59 155 75,34 205 81,09 255 82,77
6 5,80 56 38,70 106 64,84 156 75,49 206 81,14 256 82,78
7 6,76 57 39,26 107 65,09 157 75,64 207 81,19 257 82,79
8 7,72 58 39,82 108 65,34 158 75,79 208 81,24 258 82,80
9 8,68 59 40,38 109 65,59 159 75,94 209 81,29 259 82,81
10 9,64 60 40,94 110 65,84 160 76,09 210 81,34 260 82,82
11 10,42 61 41,50 111 66,09 161 76,24 211 81,39 261 82,83
12 11,20 62 42,06 112 66,34 162 76,39 212 81,44 262 82,84
13 11,98 63 42,62 113 66,59 163 76,54 213 81,49 263 82,85
14 12,76 64 43,18 114 66,84 164 76,59 214 81,54 264 82,86
15 13,54 65 43,74 115 67,09 165 76,84 215 81,59 265 82,87
16 14,32 66 44,30 116 67,34 166 76,99 216 81,64 266 82,88
17 15,10 67 44,86 117 67,59 167 77,14 217 81,69 267 82,89
18 15,88 68 45,42 118 67,84 168 77,29 218 81,74 268 82,90
19 16,66 69 45,98 119 68,09 169 77,44 219 81,79 269 82,91
20 17,44 70 46,54 120 68,34 170 77,59 220 81,84 270 82,92
21 18,04 71 47,10 121 68,54 171 77,74 221 81,89 271 82,93
22 18,65 72 47,66 122 68,84 172 77,84 222 81,94 272 82,94
23 19,25 73 48,22 123 69,09 173 78,04 223 81,99 273 82,95
24 19,86 74 48,78 124 69,34 174 78,19 224 82,04 274 82,96
25 20,46 75 49,34 125 69,59 175 78,34 225 82,09 275 82,97
26 21,06 76 49,90 126 69,79 176 78,44 226 82,12 276 83,00
27 21,67 77 50,46 127 69,99 177 78,54 227 82,14 277 83,00
28 22,27 78 51,58 128 70,19 178 78,64 228 82,17 278 83,00
29 22,88 79 51,58 129 70,39 179 78,74 229 82,19 279 83,00

38
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

30 23,48 80 52,14 130 70,59 180 78,84 230 82,22 280 83,00
31 24,08 81 52,70 131 70,79 181 78,94 231 82,24 281 83,00
32 24,69 82 53,26 132 70,99 182 79,04 232 82,27 282 83,00
33 25,29 83 53,82 133 71,19 183 79,14 233 82,29 283 83,00
34 25,90 84 54,38 134 71,39 184 79,24 234 82,32 284 83,00
35 26,50 85 54,94 135 71,59 185 79,34 235 82,34 285 83,00
36 27,10 86 55,50 136 71,79 186 79,44 236 82,37 286 83,00
37 27,71 87 56,06 137 71,99 187 79,54 237 82,39 287 83,00
38 28,31 88 56,62 138 72,19 188 79,64 238 82,42 288 83,00
39 28,92 89 57,18 139 72,39 189 79,74 239 82,44 289 83,00
40 29,52 90 57,74 140 72,59 190 79,84 240 82,47 290 83,00
41 30,12 91 58,30 141 72,79 191 79,94 241 82,49 291 83,00
42 30,73 92 58,86 142 72,99 192 80,04 242 82,52 292 83,00
43 31,33 93 59,42 143 73,19 193 80,14 243 82,54 293 83,00
44 31,94 94 59,98 144 73,39 194 80,24 244 82,57 294 83,00
45 32,54 95 60,54 145 73,59 195 80,34 245 82,59 295 83,00
46 33,10 96 61,10 146 73,79 196 80,44 246 82,62 296 83,00
47 33,66 97 61,66 147 73,99 197 80,54 247 82,64 297 83,00
48 34,22 98 62,22 148 74,19 198 80,64 248 82,67 298 83,00
49 34,78 99 62,78 149 74,39 199 80,74 249 82,69 299 83,00
50 35,34 100 63,34 150 74,59 200 80,84 250 82,72 300 83,00
FONTE: Niskier (2016, p. 107-108)

QUADRO 6 - DEMANDA DO APARTAMENTO EM FUNÇÃO DA ÁREA ÚTIL

A A A A A A A A
kVA kVA kVA kVA kVA kVA kVA kVA
(m²) (m²) (m²) (m²) (m²) (m²) (m²) (m²)
- - 51 1,18 101 2,17 151 3,12 201 4,03 251 4,91 301 5,78 351 6,63
- - 52 1,20 102 2,19 152 3,13 202 4,04 252 4,93 302 5,80 352 6,65
- - 53 1,22 103 2,21 153 3,15 203 4,06 253 4,95 303 5,81 353 6,66
- - 54 1,24 104 2,23 154 3,17 204 4,08 254 4,96 304 5,83 354 6,68
- - 55 1,26 105 2,25 155 3,19 205 4,10 255 4,98 305 5,85 355 6,70
- - 56 1,28 106 2,27 156 3,21 206 4,12 256 5,00 306 5,86 356 6,72
- - 57 1,30 107 2,29 157 3,23 207 4,13 257 5,02 307 5,88 357 6,73
- - 58 1,32 108 2,31 158 3,25 208 4,15 258 5,03 308 5,90 358 6,75
- - 59 1,34 109 2,33 159 3,26 209 4,17 259 5,05 309 5,92 359 6,77
- - 60 1,36 110 2,35 160 3,28 210 4,19 260 5,07 310 5,93 360 6,78
- - 61 1,38 111 2,37 161 3,30 211 4,20 261 5,09 311 5,95 361 6,80
- - 62 1,40 112 2,39 162 3,32 212 4,22 262 5,10 312 5,97 362 6,82
- - 63 1,43 113 2,40 163 3,34 213 4,24 263 5,12 313 5,98 363 6,83
- - 64 1,45 114 2,42 164 3,36 214 4,26 264 5,14 314 6,00 364 6,85
- - 65 1,47 115 2,44 165 3,37 215 4,28 265 5,16 315 6,02 365 6,87
- - 66 1,49 116 2,46 166 3,39 216 4,29 266 5,17 316 6,04 366 6,88
- - 67 1,51 117 2,48 167 3,41 217 4,31 267 5,19 317 6,05 367 6,90
- - 68 1,53 118 2,50 168 3,43 218 4,33 268 5,21 318 6,07 368 6,92
- - 69 1,55 119 2,52 169 3,45 219 4,35 269 5,23 319 6,09 369 6,93
- - 70 1,57 120 2,54 170 3,47 220 4,36 270 5,24 320 6,10 370 6,95
21 1,00 71 1,59 121 2,56 171 3,48 221 4,38 271 5,26 321 6,12 371 6,97
22 1,00 72 1,61 122 2,57 172 3,50 222 4,40 272 5,28 322 6,14 372 6,98
23 1,00 73 1,63 123 2,59 173 3,52 223 4,42 273 5,29 323 6,16 373 7,00
24 1,00 74 1,65 124 2,61 174 3,54 224 4,44 274 5,31 324 6,17 374 7,02

39
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

25 1,00 75 1,67 125 2,63 175 3,56 225 4,45 275 5,33 325 6,19 375 7,03
26 1,00 76 1,69 126 2,65 176 3,57 226 4,47 276 5,35 326 6,21 376 7,05
27 1,00 77 1,71 127 2,67 177 3,59 227 4,49 277 5,36 327 6,22 377 7,07
28 1,00 78 1,73 128 2,69 178 3,61 228 4,51 278 5,38 328 6,24 378 7,09
29 1,00 79 1,75 129 2,71 179 3,63 229 4,52 279 5,40 329 6,26 379 7,10
30 1,00 80 1,76 130 2,73 180 3,65 230 4,54 280 5,42 330 6,27 380 7,12
31 1,00 81 1,78 131 2,74 181 3,67 231 4,56 281 5,43 331 6,29 381 7,14
32 1,00 82 1,80 132 2,76 182 3,68 232 4,58 282 5,45 332 6,31 382 7,15
33 1,00 83 1,82 133 2,78 183 3,70 233 4,59 283 5,47 333 6,33 383 7,17
34 1,00 84 1,84 134 2,80 184 3,72 234 4,61 284 5,49 334 6,34 384 7,19
35 1,00 85 1,86 135 2,82 185 3,74 235 4,63 285 5,50 335 6,36 385 7,20
36 1,00 86 1,88 136 2,84 186 3,76 236 4,65 286 5,52 336 6,38 386 7,22
37 1,00 87 1,90 137 2,86 187 3,77 237 4,67 287 5,54 337 6,39 387 7,24
38 1,00 88 1,92 138 2,88 188 3,79 238 4,68 288 5,55 338 6,41 388 7,25
39 1,00 89 1,94 139 2,89 189 3,81 239 4,70 289 5,57 339 6,43 389 7,27
40 1,00 90 1,96 140 2,91 190 3,83 240 4,72 290 5,59 340 6,44 390 7,29
41 1,00 91 1,98 141 2,93 191 3,85 241 4,74 291 5,61 341 6,46 391 7,30
42 1,00 92 2,00 142 2,95 192 3,86 242 4,75 292 5,62 342 6,48 392 7,32
43 1,01 93 2,02 143 2,97 193 3,88 243 4,77 293 5,64 343 6,50 393 7,34
44 1,03 94 2,04 144 2,99 194 3,90 244 4,79 294 5,66 344 6,51 394 7,35
45 1,05 95 2,06 145 3,01 195 3,92 245 4,81 295 5,68 345 6,53 395 7,37
46 1,08 96 2,08 146 3,02 196 3,94 246 4,82 296 5,69 346 6,55 396 7,39
47 1,10 97 2,10 147 3,04 197 3,95 247 4,84 297 5,71 347 6,56 397 7,40
48 1,12 98 2,12 148 3,06 198 3,97 248 4,86 298 5,73 348 6,58 398 7,42
49 1,14 99 2,14 149 3,08 199 3,99 249 4,88 299 5,74 349 6,60 399 7,44
50 1,16 100 2,16 150 3,10 200 4,01 250 4,89 300 5,76 350 6,61 400 7,45

FONTE: Lima Filho (2001, p. 37)

A demanda atribuída ao condomínio ( ) pode ser calculada pela


soma das demandas das cargas de iluminação, de tomadas e de motores
instalados nas áreas comuns do edifício, de acordo com a Equação 26. Para
a determinação das cargas do edifício devem ser considerados os seguintes
critérios (LIMA FILHO, 2001):
• Para as cargas de iluminação adotar 100% para os primeiros 100 kW e 25%
para o excedente;
• Para as cargas de tomadas adotar 20% da carga total.

Equação 26

Onde:
I1 – Parcela de carga de iluminação do condomínio até 10 kW;
I2 – Parcela de carga de iluminação do condomínio acima de 10 kW;
T – Carga total de tomadas;
M – Demanda total dos motores do condomínio, determinada de acordo com
o QUADRO 7 para motores trifásicos e de acordo com o QUADRO 8 para
motores monofásicos.

40
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

QUADRO 7 – DEMANDA DE MOTORES TRIFÁSICOS (KVA) EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE


MOTORES
Quantidade de motores
Potência
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
motor
Fator diversidade
(cv)
1 1,5 1,9 2,3 2,7 3 3,3 3,6 3,9 4,2
1/3 0,65 0,98 1,24 1,50 1,76 1,95 2,15 2,34 2,53 2,73
1/2 0,87 1,31 1,65 2,00 2,35 2,61 2,87 3,13 3,39 3,65
3/4 1,26 1,89 2,39 2,90 3,40 3,78 4,16 4,54 4,91 5,29
1 1,52 2,28 2,89 3,50 4,10 4,56 5,02 5,47 5,93 6,38
1 1/2 2,17 3,26 4,12 4,99 5,86 6,51 7,16 7,81 8,46 9,11
2 2,70 4,05 5,13 6,21 7,29 8,10 8,91 9,72 10,53 11,34
3 4,04 6,05 7,68 9,29 10,91 12,12 13,33 14,54 15,76 16,97
4 5,03 7,55 9,56 11,57 13,58 15,09 16,60 18,11 19,62 21,13
5 6,02 9,03 11,44 13,85 16,25 18,06 19,87 21,67 23,48 25,28
7 1/2 8,65 12,98 16,44 19,90 23,36 25,95 28,55 31,14 33,74 36,33
10 11,54 17,31 21,93 26,54 31,16 34,62 38,08 41,54 45,01 48,47
12 1/2 14,09 21,14 26,77 32,41 38,04 42,27 46,50 50,72 54,95 59,18
15 16,65 24,98 31,63 38,29 44,96 49,95 54,95 59,94 64,93 69,93
20 22,10 33,15 41,99 50,83 59,67 66,30 72,93 79,56 86,19 92,82
25 25,83 38,75 49,08 59,41 69,74 77,49 85,24 92,99 100,74 108,49
30 30,52 45,78 57,99 70,20 82,40 91,56 100,72 109,87 119,03 128,18
40 39,74 59,61 75,51 91,40 107,30 119,22 131,14 143,06 154,99 166,91
50 48,73 73,10 92,59 112,08 131,57 146,19 160,81 175,43 190,05 204,67
60 58,15 87,23 110,49 133,74 157,01 174,45 191,90 209,34 226,79 244,23
75 72,28 108,48 137,33 166,24 195,16 216,84 238,52 260,21 281,89 303,58
100 95,56 143,34 181,56 219,79 258,01 286,68 315,35 344,02 372,68 401,35
125 117,05 175,58 222,40 269,22 316,04 351,15 386,27 421,38 456,50 491,61
150 141,29 211,94 263,45 324,97 381,48 423,87 466,26 508,64 551,03 593,42
200 190,18 285,27 361,34 437,41 513,49 570,54 627,59 684,65 741,70 798,76
FONTE: Niskier (2016, p. 117)

QUADRO 8 – DEMANDA DE MOTORES MONOFÁSICOS (KVA) EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE


MOTORES
Quantidade de motores
Potência
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
motor
Fator diversidade
(cv)
1 1,5 1,9 2,3 2,7 3 3,3 3,6 3,9 4,2
1/4 0,66 0,99 1,25 1,52 1,78 1,98 2,18 2,38 2,57 2,77
1/3 0,77 1,16 1,46 1,77 2,08 2,31 2,54 2,77 3,00 3,23
1/2 1,18 1,77 2,24 2,71 3,19 3,54 3,89 4,25 4,60 4,96
3/4 1,34 2,01 2,55 3,08 3,62 4,02 4,42 4,82 5,23 5,63
1 1,56 2,34 2,96 3,59 4,21 4,68 5,15 5,62 6,08 6,552
1 1/2 2,35 3,53 4,47 5,41 6,35 7,05 7,76 8,46 9,17 9,87
2 2,97 4,46 5,64 6,83 8,02 8,91 9,80 10,69 11,58 12,47
3 4,07 6,11 7,73 9,36 10,99 12,21 13,43 14,65 15,87 17,09

41
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

5 6,16 9,24 11,70 14,17 16,63 18,48 20,33 22,18 24,02 25,87
7 1/2 8,84 13,26 16,80 20,33 23,87 26,52 29,17 31,82 34,476 37,128
10 11,64 17,46 22,12 26,77 31,43 34,92 38,41 41,90 45,40 48,89
12 1/2 14,94 22,41 28,39 34,36 40,34 44,82 49,30 53,78 58,266 62,748
15 16,94 25,41 32,19 38,96 45,74 50,82 55,90 60,98 66,07 71,15
FONTE: Niskier (2016, p. 117)

6.3 CÁLCULO DA DEMANDA DE UNIDADES CONSUMIDORAS


NÃO RESIDENCIAIS
A demanda de unidades consumidoras não residenciais, tais como escolas,
restaurantes, auditórios, escritórios, dentre outros, pode ser calculada de acordo
com a Equação 27.

Equação 27

Onde:
PD – Provável demanda da unidade não residencial;
D1 – Demanda de iluminação e tomadas de uso geral, calculada com base nos
fatores de demanda apresentados na TABELA 6.
D2 – Demanda dos aparelhos de ar-condicionado, calculada conforme fatores de
demanda listados na TABELA 7. No caso de unidades centrais de condicionamento
de ar, considerar fator de demanda igual a 100% (LIMA FILHO, 2001).
D3 – Demanda dos aparelhos eletrodomésticos e de aquecimento, de acordo com
os fatores de demanda da TABELA 7 e considerando fator de potência igual a 1.
Recomenda-se considerar cada tipo de aparelho separadamente (LIMA FILHO,
2001).
D4 – Demanda dos motores, considerando o fator de manda do QUADRO 7 e
QUADRO 8.

TABELA 6 – FATOR DE DEMANDA PARA ILUMINAÇÃO E TOMADAS DE USO GERAL DE


UNIDADES CONSUMIDORAS NÃO RESIDENCIAIS

FONTE: Lima Filho (2001, p. 44)

42
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

TABELA 7 – FATOR DE DEMANDA PARA APARELHOS DE AR-CONDICIONADO EM UNIDADES


CONSUMIDORAS NÃO RESIDENCIAIS

FONTE: Lima Filho (2001, p. 44)

TABELA 8 – FATOR DE DEMANDA PARA APARELHOS ELETRODOMÉSTICOS E DE


AQUECIMENTO EM UNIDADES CONSUMIDORAS NÃO RESIDENCIAIS

FONTE: Lima Filho (2001, p. 45)

6.4 CÁLCULO DA DEMANDA DE EDIFÍCIOS COM UNIDADES


CONSUMIDORAS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS
O cálculo da demanda de edifícios compostos por unidades consumidoras
residenciais e comerciais pode ser realizado a partir da Equação 28.

Dedif = 1, 20 x (Daptos + Dcond + Dcomer � Equação 28

Onde:
– Demanda total do edifício;
– Demanda atribuída aos apartamentos;
– Demanda atribuída ao condomínio;
– Demanda atribuída às unidades comerciais.

43
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

7 DIVISÃO DA INSTALAÇÃO EM CIRCUITOS


Neste tópico serão apresentados os componentes de um sistema elétrico,
recomendações para a determinação da localização dos quadros terminais e de
distribuição e a divisão da instalação em circuitos e, por fim, os esquemas das
ligações fundamentais dos interruptores.

7.1 COMPONENTES
Um esquema básico da instalação elétrica de um edifício é apresentado
na FIGURA 12. Como pode ser observado, os circuitos terminais alimentam
diretamente os pontos de utilização, os equipamentos e as tomadas. Estes
circuitos terminais partem de quadros de distribuição que são designados de
quadros terminais. Já os circuitos de distribuição alimentam um ou mais quadros
de distribuição, partindo do quadro geral (NISKIER, 2016).

FIGURA 12 – ESQUEMA BÁSICO DA INSTALAÇÃO ELÉTRICA DE UM EDIFÍCIO

FONTE: A Autora (2021)

7.2 LOCAÇÃO DE QUADROS TERMINAIS E DE DISTRIBUIÇÃO


Em relação à locação dos quadros terminais e de distribuição, recomenda-
se que os quadros sejam instalados preferencialmente no centro de cargas da
instalação, que será definido como o ponto onde se concentram as maiores
potências do sistema. Entretanto, o posicionamento dos quadros também deve
atender à critérios como facilidade de acesso, funcionalidade e segurança (LIMA
FILHO, 2001).

Nesse contexto, para determinação do centro de cargas pode ser empregado


o método do baricentro. Incialmente, sobre a planta baixa da edificação deverá ser
definido um sistema de eixos cartesianos e, posteriormente, deverão ser marcados
os pontos com as suas respectivas potências nominais (Pi) e suas distâncias em
relação à origem (XI; YI), conforme exemplificado na FIGURA 13. O baricentro de
cargas é o ponto de coordenadas X e Y, calculadas pela Equação 29 e Equação 30,
respectivamente.

44
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

X1 x P1 + X2 x P2 + X3 x P3 + Xn x Pn
X= Equação 29
P1 + P2 + P3 + Pn

Y1 x P1 + Y2 x P2 + Y3 x P3 + Yn x Pn
Y= Equação 30
P1 + P2 + P3 + Pn

FIGURA 13 – DETERMINAÇÃO DO BARICENTRO DE CARGAS

FONTE: A Autora (2021)

A Figura 14 ilustra um quadro de distribuição. De maneira geral os quadros


de distribuição são compostos por disjuntores gerais e dos circuitos terminais,
barramentos dos condutores fase, barramento neutro, barramento de proteção,
dispositivo de proteção Diferencial Residual (DR, dispositivo de proteção contra
surtos (DPS), tampa e demais componentes estruturais.

FIGURA 14 – EXEMPLO DE QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO

FONTE: <https://bit.ly/39uSS9a>. Acesso em: 7 jun. 2021.

45
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

7.3 DIVISÃO DA INSTALAÇÃO EM CIRCUITOS TERMINAIS


Uma instalação elétrica deve ser dividida em circuitos terminais, com o
intuito de facilitar a operação, manutenção e verificação de defeitos e reparos
da instalação, reduzir a interferência entre os pontos de utilização e para
possibilitar o dimensionamento dos condutores e dispositivos de proteção de
menor seção e capacidade nominal (ABNT NBR 5410, 2008). Nessa conjuntura,
em relação à divisão da instalação em circuitos terminais, recomenda-se que
(ABNT NBR 5410, 2008):

• Os circuitos terminais devem ser individualizados pela função dos


equipamentos de utilização que alimentam. Devem ser previstos circuitos
terminais distintos para pontos de iluminação e para pontos de tomada;
• As cargas devem ser distribuídas de modo a obter-se o maior equilíbrio possível;
• Todo ponto de utilização previsto para alimentar equipamento com corrente
nominal superior a 10 A deve constituir um circuito independente;
• Os pontos de tomada de cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais
semelhantes devem ser atendidos por circuitos exclusivamente destinados à
alimentação de tomadas desses locais;
• Todo circuito terminal deve ser protegido contra sobrecorrentes por dispositivo
que assegure o seccionamento simultâneo de todos os condutores de fase.

7.4 LIGAÇÃO DOS INTERRUPTORES


Nos subtópicos a seguir serão abordados alguns dos esquemas funda-
mentais de ligações, sendo estes: interruptor simples, interruptor paralelo e in-
terruptor intermediário.

7.4.1 Interruptor simples


O interruptor simples acende ou apaga uma só lâmpada ou grupo de
lâmpadas funcionando em conjunto. Ao interruptor vai o fio fase F e volta à caixa
do ponto de luz um fio que passa a chamar-se retorno, designado por R, conforme
representado na FIGURA 15 (NISKIER, 2016).

46
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FIGURA 15 – INTERRUPTOR SIMPLES A) ESQUEMA ELÉTRICO E B) REPRESENTAÇÃO EM


PLANTA BAIXA

FONTE: Vieira Junior (2011, p. 35-36)

7.4.2 Interruptor paralelo


O interruptor paralelo, também conhecido como three-way, é aquele que,
operando com outro da mesma espécie, acende ou apaga, de pontos diferentes,
o mesmo ponto útil de luz. Usualmente é utilizado em corredores, escadas ou
cômodos de grandes dimensões. Nesse tipo de ligação, as caixas estão interligadas,
conforme representado na FIGURA 16 (NISKIER, 2016).

FIGURA 16 – INTERRUPTOR PARALELO A) ESQUEMA ELÉTRICO E B) REPRESENTAÇÃO EM


PLANTA BAIXA

FONTE: Vieira Junior (2011, p. 36)

7.4.3 Interruptor intermediário


O interruptor intermediário, também denominado de four-way, é um
interruptor colocado entre interruptores paralelos, que acende e apaga, de
qualquer ponto, o mesmo ponto ativo de luz. Geralmente é empregado para a
iluminação de corredores e escadas de um prédio (NISKIER, 2016). O esquema
de ligação elétrica e a representação gráfica deste tipo de interruptor são
apresentados na FIGURA 17.

47
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 17 – INTERRUPTOR INTERMEDIÁRIO A) ESQUEMA ELÉTRICO E B) REPRESENTAÇÃO


EM PLANTA BAIXA

FONTE: Vieira Junior (2011, p. 37)

8 DIMENSIONAMENTO DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS


Em um projeto de instalação elétrica, para a realização do dimensionamento
dos condutores, inicialmente deve-se calcular a intensidade de corrente que
passa por eles. Após o cálculo da intensidade da corrente de projeto (IP), o
dimensionamento do condutor considera que o mesmo deve permitir, sem
excessivo aquecimento e com uma queda de tensão pré-determinada, a passagem
de corrente elétrica. Além disso, os condutores devem ser compatíveis com a
capacidade dos dispositivos de proteção contra sobrecargas e curto-circuito
(NISKIER, 2016).

Inicialmente determinam-se as seções dos condutores conforme a ca-


pacidade de condução de corrente e do limite de queda de tensão, adotando
como resultado a maior seção. Depois de determinadas as seções do condutor,
calculadas de acordo com os critérios previamente mencionados, escolhe-se a
seção que mais se aproxima dos valores padronizados e comercializados. Sa-
lienta-se que a seção do condutor adotada deverá ser igual ou superior à seção
calculada (LIMA FILHO, 2001).

A seguir serão apresentados os dois critérios para o dimensionamento


dos condutores de circuitos elétricas e as seções mínimas estabelecidas.

8.1 CRITÉRIO DA CAPACIDADE DE CONDUÇÃO DA


CORRENTE
Este critério leva em consideração que o condutor não pode ser submetido
a um aquecimento excessivo, provocado pela passagem da corrente elétrica.
O roteiro para dimensionamento da capacidade de condução da corrente é
descrito a seguir:

48
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

• 1 – Tipo de isolação e de cobertura do condutor. Inicialmente deve-se escolher


o tipo de isolação. Em instalações prediais usualmente são utilizados cabos e
fios com isolação de PVC. A TABELA 9 apresenta as temperaturas admissíveis
do condutor, supondo que a temperatura ambiente é de 30 ⁰C. Como pode ser
observado, em função do material da isolação do condutor (PVC, EPR ou
XLPE), a norma estabelece quais as temperaturas admissíveis de serviço, de
limite de sobrecarga e de curto-circuito. Esses limites devem ser considerados
para evitar o aquecimento excessivo dos condutores.

TABELA 9 – TEMPERATURAS ADMISSÍVEIS NO CONDUTOR

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 100)

• 2 – Maneira de instalar os cabos. Considera a maneira como os condutores


serão instalados. Deve-se consultar a Tabela 10. Como pode ser observado,
em função da forma de instalação dos cabos a norma fornece um código
composto por uma letra e um número que será utilizado posteriormente nas
tabelas de dimensionamento dos condutores. Para exemplificar, para cabos
isolados em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria, obtém-se
através da Tabela 10, que para esse tipo de configuração o número do método
de instalação é o “7” e o método de referência é o “B1”. Tais informações
serão utilizadas nas próximas etapas do dimensionamento. Destaca-se que a
Tabela 10 apresenta apenas alguns tipos de linhas elétricas. Os demais tipos
existentes podem ser consultados na NBR 5410 (ABNT, 2008).

49
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

TABELA 10 – TIPOS DE LINHAS ELÉTRICAS

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 90)

• 3 – Número de condutores carregados. Neste caso, os condutores carregados


são aqueles que efetivamente são percorridos pela corrente. A TABELA 11
fornece o número de condutores carregados a ser adotado em função do
tipo de circuito. Para exemplificar, considerando um circuito monofásico
de dois condutores, de acordo com a TABELA 11, o número de condutores
carregados a ser considerado é de 2. Este valor será utilizado nas demais
etapas de dimensionamento dos condutores, como será apresentado a seguir.

TABELA 11 – NÚMERO DE CONDUTORES CARREGADOS A SER ADOTADO

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 112)

50
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

• 4 – Bitola do condutor supondo uma temperatura ambiente de 30 ⁰C. A


determinação da bitola do condutor é feita com base no QUADRO 9 (isolação
PVC) e no QUADRO 10 (isolação de EPR ou XLPE). Devem ser utilizados
como dados de entrada a corrente de projeto, o tipo de isolação, o tipo de
condutor, o número de condutores (TABELA 11) e a maneira de instalação
dos cabos (TABELA 10).

Exemplo de dimensionamento:
Para o dimensionamento de um condutor de cobre (isolação em PVC) utilizaremos
o Quadro 9. Neste quadro, inicialmente entra-se com o método de referência
previamente determinado através da Tabela 10. Considerando cabos isolados em
eletroduto de seção circular embutido em alvenaria, o número de referência é “7
– B1”. Além disso, considerando um circuito monofásico de dois condutores, de
acordo com a Tabela 11, o número de condutores carregados a ser considerado
é de 2. Utiliza-se como dados de entrada no Quadro 9: i) o método de referência
B1 e ii) o número de condutores 2 e, posteriormente, iii) com o valor da corrente
de projeto em ampère, obtém-se o diâmetro do condutor. Considerando uma
corrente de projeto de 30 A, verifica-se no Quadro 9, que o valor que mais se
aproxima para as condições previamente descrita é o valor de 32 A, que resulta
em um condutor com seção de 4 mm².

QUADRO 9 – CAPACIDADES DE CONDUÇÃO DE CORRENTE, EM AMPÈRES, PARA OS


MÉTODOS DE REFERÊNCIA A1, A2, B1, B2, C E D. CONSIDERANDO CONDUTORES DE COBRE
E ALUMÍNIO, ISOLAÇÃO DE PVC, TEMPERATURA DO CONDUTOR DE 70 ⁰C, TEMPERATURA DE
REFERÊNCIA NO AMBIENTE 30 ⁰C (AR) E 20 ⁰C (AR)

51
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 101)

QUADRO 10 – CAPACIDADES DE CONDUÇÃO DE CORRENTE, EM AMPÈRES, PARA OS


MÉTODOS DE REFERÊNCIA A1, A2, B1, B2, C E D. CONSIDERANDO CONDUTORES DE
COBRE E ALUMÍNIO, ISOLAÇÃO DE EPR OU XLPE, TEMPERATURA DO CONDUTOR DE 90 ⁰C,
TEMPERATURA DE REFERÊNCIA NO AMBIENTE 30 ⁰C (AR) E 20 ⁰C ≥

52
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 102)

• 5 – Fator de correção da temperatura (FCT) quando as temperaturas ambientes


são diferentes de 30 ºC para linhas não-subterrâneas e de 20 ºC (temperatura
do solo) para linhas subterrâneas. Os valores apresentados no QUADRO 9 e
QUADRO 10 consideram que a temperatura do ar é de 30 ⁰C e do solo é de
20 ⁰C. Desta forma, para aplicações em diferentes temperaturas, é necessário
utilizar um fator de correção para o dimensionamento dos condutores. Este
fator de correção é dado pela TABELA 12. Como pode ser observado, para a
obtenção do FCT a partir da TABELA 12, utiliza-se como dados de entrada a
temperatura do ambiente ou do solo e o tipo de isolação do condutor (PVC,
EPR ou XLPE).

TABELA 12 – FATORES DE CORREÇÃO PARA TEMPERATURAS AMBIENTES DIFERENTES DE 30 °C


PARA LINHAS NÃO-SUBTERRÂNEAS E DE 20 °C PARA LINHAS SUBTERRÂNEAS

53
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 106)

• 6 – Fator de correção de agrupamento (FCA) deve ser aplicado em linhas


elétricas contendo um total de condutores superior às quantidades
indicadas nos Quadros 9 e 10. Como os Quadros 9 e 10 apresentam valores
de dimensionamento para até 3 condutores carregados, para situações com
um número superior de condutores, é necessário utilizar o FCA. A obtenção
deste fator é bastante simples. Utiliza-se como dados de entrada no Quadro
11 o número de cabos e a forma de agrupamento dos condutores e, a partir
disso, obtém-se diretamente o valor do FCA. Para exemplificar, considerando
condutores embutidos (método de referência B1), com 3 circuitos, deve-se
aplicar um fator FCA = 0,70.

54
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

QUADRO 11 – FATORES DE CORREÇÃO APLICÁVEIS A CONDUTORES AGRUPADOS EM FEIXE


(EM LINHAS ABERTAS OU FECHADAS) E A CONDUTORES AGRUPADOS NUM MESMO PLANO,
EM CAMADA ÚNICA

FONTE: NBR 5410 (ABNT, 2008, p. 108)

A corrente de projeto (IP) deverá ser corrigida pelos fatores de correção FCT
(Tabela 12) e FCA (Quadro 11), de acordo com a Equação 31. É com esse valor da cor-
rente de projeto corrigida ( ) que será realizado o dimensionamento dos condutores.
IP
IP′ = Equação 31
FCT x FCA

8.2 CRITÉRIO DO LIMITE DE QUEDA DE TENSÃO


Este critério leva em consideração que a queda de tensão provocada pela
passagem de corrente elétrica deve estar dentro de determinados limites máximos
para não prejudicar o funcionamento dos equipamentos. Uma queda de tensão
acentuada pode levar os equipamentos de uma instalação elétrica a receber uma
tensão inferior aos valores nominais, o que é prejudicial para o desempenho dos
mesmos e poderá afetar a vida útil destes equipamentos (LIMA FILHO, 2001).

De acordo com a NBR 5410 (ABNT, 2008), em qualquer ponto de


utilização da instalação, a queda de tensão verificada não deve ser superior aos
valores apresentados a seguir, dados em relação ao valor da tensão nominal da
instalação (Figura 18):

• 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT,


no caso de transformador de propriedade da(s) unidade(s) consumidora(s);
• 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT
da empresa distribuidora de eletricidade, quando o ponto de entrega for aí
localizado;
• 5%, calculados a partir do ponto de entrega, nos demais casos de ponto de
entrega com fornecimento em tensão secundária de distribuição;
• 7%, calculados a partir dos terminais de saída do gerador, no caso de grupo
gerador próprio;
• A queda de tensão nos circuitos terminais não pode ser superior a 4%.
55
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 18 - ILUSTRAÇÃO DOS LIMITES DE QUEDA DE TENSÃO

FONTE: <https://bit.ly/2ZeIjVF>. Acesso em: 7 jun. 2021.

NOTA

Usualmente a condução da energia elétrica nas linhas de transmissão é feita


em alta tensão com o intuito de reduzir o diâmetro dos condutores e as perdas de cargas.
Contudo, ao se aproximar da entrada das cidades a tensão é reduzida visando diminuir as
interferências em ruas e avenidas, diminuindo também o risco de eventuais problemas e
acidentes que venham a ser causados à população. Como pode ser observado na Figura 20,
as subestações e os transformadores têm como finalidade reduzir a alta tensão para valores
de distribuição ou consumo, ou seja, são responsáveis pela redução das altas tensões em
médias ou baixas tensões (MT/BT).

Para o dimensionamento do condutor pelo limite de queda de tensão


inicialmente é necessário identificar as seguintes informações (NISKIER, 2016):

• O material do eletroduto, identificando se é magnético ou não magnético;


• Tipo de circuito (monofásico ou trifásico);
• Corrente de projeto (IP) em ampères;
• O fator de potência do circuito (cos Ø);
• A queda de tensão admissível (e) para o caso, em porcentagem (%);

56
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

• O comprimento do circuito (l) em quilômetros;


• A tensão entre fases (U) em volts.

Para o dimensionamento dos condutores, inicialmente é necessário


calcular a queda de tensão unitária ( ), conforme a Equação 32, cuja unidade
é volt/ampère x km.
e % xU
ΔUunit = Equação 32
IP x l

Posteriormente, este valor de queda de tensão unitária ( ) é utilizado


como dado de entrada na Tabela 13 para a obtenção da seção nominal do condutor.
É importante destacar que o valor de queda de tensão da obtido na Tabela 13
deve ser igual ou imediatamente inferior à queda de tensão calculada.

TABELA 13 – QUEDA DE TENSÃO UNITÁRIA PARA CONDUTORES ISOLADOS DE PVC EM


ELETRODUTO OU CALHA FECHADA

FONTE: Niskier (2016, p. 162)

Após a determinação do material do eletroduto ou calha (não magnético


ou magnético), do tipo de circuito (monofásico ou trifásico) e do fator de potência
do circuito (Ø), utiliza-se como dado de entrada na Tabela 13 o valor da queda de
tensão unitária previamente calculado e, a partir disso, determina-se o diâmetro
do condutor.

Exemplo de dimensionamento:
Dimensionar o diâmetro do condutor a partir do critério do limite de queda de
tensão considerando as seguintes características do circuito:
57
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

• Eletroduto de PVC;
• Circuito monofásico;
• Fator de potência do circuito de 0,8;
• Queda de tensão unitária de 7 (V/A x km).

A partir das características apresentadas, utiliza-se a Tabela 13 para o dimen-


sionamento do condutor. O valor de queda de tensão unitária imediatamente
inferior ao valor de 7 V/A x km é o valor de 6 V/A x Km, que resulta em um
diâmetro de 6 mm².

Destaca-se que é importante adotar o valor de queda de tensão na Tabela 13


imediatamente inferior ao valor da queda de tensão calculado, uma vez que se for
utilizado um valor superior, pode ocorrer um subdimensionamento do condutor.
Para esse exemplo, se fosse considerado o intervalo imediatamente superior a 6
V/A x Km na TABELA 13 (8,9 V/A x km), o dimensionamento resultaria em um
diâmetro de 4 mm².

8.3 SEÇÕES MÍNIMAS DOS CONDUTORES


A NBR 5410 (ABNT, 2008) também define as seções mínimas dos
condutores de fase, neutro e proteção, conforme apresentado na Tabela 14, Tabela
15 e Tabela 16, respectivamente. Em relação ao condutor neutro, este deve possuir
a mesma seção que os condutores fase nos seguintes casos:

• Em circuitos monofásicos e circuitos com duas fases e neutro, qualquer que


seja a seção;
• Em circuitos trifásicos, quando a seção do condutor fase for inferior ou igual
a 25 mm², em cobre ou em alumínio;
• Em circuitos trifásicos, quando for prevista a presença de harmônicos,
qualquer que seja a seção.

TABELA 14 – SEÇÃO MÍNIMA DOS CONDUTORES DE FASE

58
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FONTE: NBR 5410 (2008, p. 113)

TABELA 15 – SEÇÃO REDUZIDA DO CONDUTOR NEUTRO

FONTE: NBR 5410 (2008, p. 115)

TABELA 16 – SEÇÃO MÍNIMA DO CONDUTOR DE PROTEÇÃO

FONTE: NBR 5410 (2008, p. 150)

Como pode ser observado na Tabela 14, a seção mínima do condutor fase
é determinada de acordo com o tipo de linha e dos condutores, bem como da
utilização do circuito e do material do condutor. Para exemplificar, considerando
um condutor fase de cobre destinado a um circuito de iluminação, o mesmo deve
possuir diâmetro de no mínimo 1,5 mm².

59
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Em relação à Tabela 15, verifica-se que o dimensionamento do condutor


neutro é feito com base no diâmetro do condutor fase. Quando o diâmetro
do condutor fase for igual ou inferior a 25 mm², o neutro deverá ter o mesmo
diâmetro do condutor fase. Contudo, para diâmetros maiores do condutor fase,
a norma NBR 5410 (ABNT, 2008) permite reduções na seção do condutor neutro.
Para exemplificar, considerando um circuito com um condutor fase com diâmetro
de 50 mm², a seção do condutor neutro pode ser reduzida para 25 mm².

Por fim, a Tabela 16 determina a seção mínima do condutor de proteção.


De maneira análoga ao que ocorre para o condutor neutro, o condutor de proteção
também é dimensionado de acordo com a seção do condutor fase. Quando o
diâmetro do condutor fase for inferior a 16 mm², o condutor de proteção deve ter
diâmetro mínimo igual ao diâmetro da fase. Já quando o diâmetro do condutor
fase for superior a 35 mm², a norma estabelece diâmetros mínimos para o condutor
de proteção de metade do valor do diâmetro do condutor fase. Destaca-se que a
Tabela 16 é válida apenas se o condutor de proteção for constituído do mesmo
metal que os condutores de fase (NBR 5410, 2008).

9 ELETRODUTOS
Os eletrodutos são tubos destinados à colocação e proteção de condutores
elétricos e possuem como finalidade a proteção dos condutores contra ações
mecânicas, contra corrosão e proteção do meio ambiente contra incêndios
resultantes do superaquecimento ou da ocorrência de curtos-circuitos. Além
disso, os eletrodutos também funcionam como um envoltório metálico aterrado
para os condutores, contribuindo para evitar choques elétricos (NISKIER, 2016).

Podem ser classificados quanto à flexibilidade em eletrodutos rígidos


e flexíveis, quanto à forma de conexão em roscáveis e soldáveis e quanto à
espessura da parede em leve, semipesado e pesado (LIMA FILHO, 2001). Os
materiais usualmente empregados nos eletrodutos são: aço-carbono, alumínio,
PVC, plástico com fibra de vidro, polipropileno e polietileno de alta densidade.

De maneira geral, os eletrodutos rígidos usualmente são utilizados em


pisos, lajes e superfícies concretadas, pois são mais resistentes à choques externos.
Já os eletrodutos flexíveis são utilizados em paredes e locais que exigem uma alta
flexibilidade. Nesse contexto os eletrodutos de PVC rosqueáveis são o tipo mais
utilizado em instalações prediais, isto porque o PVC consiste em um material leve
de fácil manuseio e instalação, com características de isolação térmica, isolação
elétrica e isolação contra umidade. Além disso, este tipo de material não está
sujeito à corrosão, como pode ocorrer com os eletrodutos metálicos. A FIGURA
19 exemplifica eletrodutos de PVC rígidos e flexíveis

60
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

FIGURA 19 – EXEMPLOS DE ELETRODUTOS DE PVC: RÍDIGO (A) E FLEXÍVEL (B)

FONTE: <https://bit.ly/3AAIvMF>. Acesso em: 7 jun. 2021.

De acordo com a NBR 5410 (ABNT, 2008), a taxa de ocupação do


eletroduto, dada pela relação entre a soma das áreas das seções transversais dos
condutores previstos, calculada com base no diâmetro externo, e a área útil da
seção transversal do eletroduto, não deve ser superior a:

• 53% no caso de um condutor;


• 31% no caso de dois condutores;
• 40% no caso de três ou mais condutores.

A Figura 20 apresenta um esquema com os diâmetros de um eletroduto


que devem ser considerados para o cálculo da taxa de ocupação. A área útil da
seção transversal do eletroduto (Sútil) pode ser calculada pela Equação 33.

FIGURA 20 – DIÂMETROS A CONSIDERAR EM UM ELETRODUTO

FONTE: A autora

π
Sútil = x (D2 − d2 � Equação 33
4
Acadêmico, neste tópico foram abordadas as etapas de compõem a
elaboração de um projeto elétrico e como efetuar a previsão de cargas de iluminação
e tomadas de uso geral e uso específico de uma edificação. Adicionalmente foram
apresentadas as metodologias de cálculo do fator de demanda de residências
individuais, edifícios residenciais e unidades não residenciais e diretrizes para a
divisão da instalação em circuitos e para locação dos quadros de distribuição. Por
fim foram apresentados os métodos de dimensionamento dos condutores através
do critério da condução de corrente e critério do limite da queda de tensão e
dimensionamento de eletrodutos, em concordância com a NBR 5410 (ABNT, 2008).

61
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A elaboração de um projeto elétrico é uma atividade complexa, composta por


diversas etapas que vão desde a coleta de informações preliminares sobre a
edificação até a aprovação final da concessionária local.

• A previsão de cargas de uma instalação elétrica deve ser realizada de acordo


com a NBR 5410 (ABNT, 2008).

• O cálculo da demanda de uma edificação deve considerar um fator de


demanda de acordo com a classe do consumidor, o tipo de carga, dentre
outros aspectos relevantes.

• Os condutores elétricos são dimensionados através dos critérios da capacidade


de condução de corrente e do limite da queda de tensão.

62
AUTOATIVIDADE

1 A partir das especificações para previsão de cargas estabelecidas pela NBR


5410 (ABNT, 2008), determinar a potência dos pontos de iluminação de
uma sala de estar com área de 24 m² e perímetro de 20 m.

a) ( ) P = 250 VA.
b) ( ) P = 340 VA.
c) ( ) P = 400 VA.
d) ( ) P = 310 VA.

2 A partir das especificações para previsão de cargas estabelecidas pela NBR


5410 (ABNT, 2008), determinar a quantidade de tomadas de uso geral de
um dormitório com área de 13,5 m² e perímetro de 15 m.

a) ( ) N = 1.
b) ( ) N = 2.
c) ( ) N = 3.
d) ( ) N = 4.

3 Do ponto de vista técnico e econômico, dimensionar a carga da edificação


como sendo a soma de todas as potências instaladas não é viável. Nesse
contexto, surgem os contextos de fator de demanda e demanda provável.
Tendo isso em vista, calcular a provável demanda de um apartamento com
as seguintes cargas instaladas: iluminação: 2600 VA, tomadas de uso geral:
3600 VA, tomadas de uso específico: 16000 VA.

a) ( ) 15,74 kVA
b) (   ) 17,53 kVA
c) (   ) 18,48 kVA
d) (   ) 19,02 kVA

4 Determinar a seção do condutor de um circuito (fase-fase) de um chuveiro


elétrico (P = 4500 W). Considerar tensão de 220 V, condutores com isolação
de PVC, eletroduto de PVC embutido na alvenaria e temperatura ambiente
de 30 ⁰C.

5 Considerar um circuito de 1200 W de iluminação, de fase e neutro, que


passa no interior de um eletroduto embutido de PVC, juntamente com
quatro condutores isolados de outros circuitos em cobre, PVC = 70 ⁰C. A
temperatura ambiente é de 35 ⁰C. A tensão é de 120 V. Considerar condutores
isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular embutido
em alvenaria. Determinar a seção do condutor das tomadas de uso geral
através do critério de capacidade de condução de corrente. Considerar no
dimensionamento que são 6 condutores carregados, correspondentes a 3
circuitos monofásicos
63
64
TÓPICO 3 —
UNIDADE 1

ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL, PROTEÇÃO


E SELETIVIDADE

1 INTRODUÇÃO

A iluminação é responsável por uma parcela de 17% de toda a energia


consumida no Brasil, sendo 1,8% atribuído ao consumo do setor industrial. Neste
âmbito, um projeto de iluminação deve garantir um nível de iluminamento sufi-
ciente para o desenvolvimento das atividades de trabalho e a distribuição espa-
cial da luz no ambiente. Além disso, deve considerar a escolha adequada da cor
das luzes e seus respectivos rendimentos, a escolha apropriada dos aparelhos de
iluminação, bem como a iluminação de acesso (MAMEDE FILHO, 2017).

Outro aspecto relevante em sistemas elétricos está relacionado com os


dispositivos de proteção que tem por objetivo evitar efeitos térmicos e mecânicos
que podem trazer prejuízos aos condutores, terminais e equipamentos, garantido
assim que os sistemas operem de maneira segura e confiável.

Diante disso, neste Tópico 3 abordaremos os principais métodos para


determinação do iluminamento interior de ambientes industriais, os tipos de
proteção de sistemas elétricos, apresentaremos o conceito de seletividade e sua
classificação e os métodos de proteção mais usuais contra descargas atmosféricas.
Além disso, também será apresentado o conceito de compensação da potência
reativa e os dispositivos utilizados para este fim. Por fim, brevemente serão
apresentados os tipos mais usuais de motores elétricos.

2 ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL
Inicialmente destaca-se que para a elaboração de um projeto de iluminação
industrial o projetista deve levar em consideração os valores de iluminância
estabelecidos na NBR ISSO/CIE 8995-1 (ABNT, 2013) de acordo com tipo de
ambiente, tarefa ou atividade a ser desenvolvida.

Nesse contexto, para a determinação do iluminamento de um ambiente


de trabalho podem ser utilizados três métodos, sendo estes: método dos
lumens, método das cavidades zonais e método do ponto por ponto. Destaca-
se que o método dos lumens é de resolução simplificada e possui uma menor
precisão dos resultados. Já o método das cavidades zonais é mais complexo e
pode levar a resultados mais confiáveis. Por fim, o método do ponto por ponto,
também conhecido como método das intensidades luminosas, permite calcular

65
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

o iluminamento em qualquer ponto da superfície de trabalho considerando


o iluminamento individual dos equipamentos. Este último método também
é caracterizado por elevada complexidade (MAMEDE FILHO, 2017). Nos
subtópicos os métodos anteriormente citados serão apresentados.

2.1. MÉTODO DOS LUMENS


O método dos lumens é baseado na determinação do fluxo luminoso
necessário para atingir o iluminamento médio desejado. Pode ser determinado
através da Equação 34 (MAMEDE FILHO, 2017).
ExS
ψt = Equação 34
Fu x Fdl

Onde:
– Fluxo total a ser emitido pelas lâmpadas (lumens);
E – Iluminamento médio requerido pelo ambiente (lux);
S – área do ambiente (m²);
Fdl – fator de depreciação do serviço da luminária (adimensional);
Fu – fator de utilização do recinto (adimensional).

O número de luminárias pode ser calculado pela Equação 35. Já a


distribuição das mesmas é função da sua altura útil. Recomenda-se que a distância
máxima entre os centros das luminárias deve ser de 1 a 1,5 m da sua altura útil.
Já o espaçamento da luminária à parede deve corresponder à metade desse valor,
como pode ser observado na FIGURA 21 (MAMEDE FILHO, 2017).
ψt
Nlu = Equação 35
Nla x ψl

Onde:
– Fluxo luminoso emitido por uma lâmpada (lumens) – Consultar TABELA 2.
- Número de lâmpadas por luminárias.

FIGURA 21 – ESPAÇAMENTO DAS LUMINÁRIAS

FONTE: Mamede Filho (2017, p. 97)

Como pode ser observado na FIGURA 21, as distâncias X e Y entre


luminárias deve ser entre 1 e 1,5 o valor da sua altura útil (Hlp). Entretanto, em
relação à distância da luminária às paredes da edificação (X1 e Y1), recomenda-

66
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

se que estes valores sejam a metade dos espaçamentos X e Y previamente


calculados. Desta maneira, considerando espaçamentos X = 3 m e Y = 4,5 m entre
as luminárias, a distância das mesmas em relação à parede da edificação deve ser
metade dos valores de X e Y (X1 = 1,5 m e Y1 = 2,25 m).

2.2 MÉTODO DAS CAVIDADES ZONAIS


Assim como o método dos lumens, o método das cavidades zonais
é embasado na teoria da transferência de fluxo, em que são consideradas
superfícies uniformes, refletindo o fluxo luminoso de modo preciso. As cavidades
consideradas no método, representadas na FIGURA 22, são as descritas a seguir
(MAMEDE FILHO, 2017):

• Cavidade do teto – consiste no espaço entre o plano das luminárias e o teto;


• Cavidade do ambiente – é o espaço entre o plano das luminárias e o plano de
trabalho, geralmente considerado a 0,8 m do piso;
• Cavidade do piso – consiste no espaço existente entre o plano de trabalho
e o piso.

FIGURA 22 – REPRESENTAÇÃO DAS CAVIDADES ZONAIS

FONTE: Mamede Filho (2017, p. 100)

A determinação do fluxo luminoso pelo método das cavidades zonais é


feita a partir da Equação 36. Percebe-se que a referida equação é semelhante à
empregada no método dos lumens. Destaca-se, porém, que o fator de utilização é
determinado a partir das refletâncias efetivas das cavidades do teto e das paredes,
bem como da relação da cavidade do ambiente e de uma curva de distribuição
das luminárias. Já o fator de depreciação do serviço da iluminação (Fdi) leva em
consideração os seguintes fatores: a) depreciação do serviço da luminária, b)
depreciação das superfícies do ambiente devido à sujeira, c) fator de redução do
fluxo luminoso por queima de lâmpada, d) fator de depreciação do fluxo luminoso
da lâmpada, e) fator de fluxo luminoso do reator (MAMEDE FILHO, 2017).

67
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

ExS
ψt = Equação 36
Fu x Fdi

Onde:
– Fluxo total a ser emitido pelas lâmpadas (lumens);
E – Iluminamento médio requerido pelo ambiente (lux);
S – área do ambiente (m²);
Fu – fator de utilização do recinto.
Fdi – fator de depreciação do serviço da iluminação.

2.3 MÉTODO DO PONTO POR PONTO


O método do ponto por ponto permite a determinação para cada ponto da
área o iluminamento correspondente à contribuição de todas as fontes luminosas
que atingem o ponto em questão. Os iluminamentos horizontal e vertical
podem ser calculados pelas Equações 37 e 38, respectivamente. Nesse contexto,
a soma algébrica de todas as contribuições horizontais e verticais determina os
iluminamentos horizontal e vertical naquele ponto (MAMEDE FILHO, 2017).
I x cos 3 α
Eh = Equação 37
H2
I x sen3 α
Ev = Equação 38
D2

Onde:
– Iluminamento horizontal (lux);
I – Intensidade do fluxo luminoso (cd);
– Ângulo entre uma dada direção do fluxo luminoso e a vertical que passa pelo
centro da lâmpada;
H – Altura vertical da luminária (m);
– Iluminamento vertical (lux);
D – Distância entre a luminária e o ponto localizado no plano vertical (m).

3 PROTEÇÃO E SELETIVIDADE
Nas subseções a seguir, serão apresentados os principais tipos de proteção
de sistemas elétricos, bem como o conceito e tipos de seletividade.

3.1 TIPOS DE PROTEÇÃO DOS SISTEMAS ELÉTRICOS


Para que um sistema elétrico possa operar com maior confiabilidade e de
maneira segura é necessária a utilização de um conjunto de proteções, cada uma
específica para um determinado evento. Nos subtópicos a seguir serão abordados
os principais tipos de proteção para os eventos mais usuais em sistemas elétricos.
Os tipos de proteção podem ser divididos em: proteção de sobrecorrentes e
proteção de sobretensões.

68
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

3.1.1 Proteção de sobrecorrentes


As sobrecorrentes são os eventos mais recorrentes em sistemas elétricos
e são aqueles que ocasionam aos componentes elétricos os maiores níveis de
desgaste, impactando diretamente na vida útil dos mesmos. Neste âmbito, as
sobrecorrentes podem ser classificadas em sobrecargas e curtos-circuitos. As
sobrecargas são variações moderadas que ocorrem na corrente e, desde que
ocorram dentro de um limite de intensidade e tempo limitado, não prejudicam
os componentes do sistema elétrico. Já os curtos-circuitos são variações extremas
da corrente do sistema elétrico. Nestes casos os dispositivos de proteção devem
ser extremamente rápidos e devem possuir capacidade adequada para operar em
condições extremas de corrente (MAMEDE FILHO; MAMEDE, 2013). De acordo
com Lima Filho (2001), a ocorrência de curto-circuito provoca, por consequência,
elevadas solicitações térmicas e mecânicas aos condutores e demais dispositivos
que compõem o sistema.

De acordo com Niskier (2016), os dispositivos de proteção podem ser


classificados em: i) dispositivos que asseguram a proteção contra curto-circuito
e, ii) dispositivos que protegem o sistema contra sobrecargas. Neste âmbito,
os dispositivos empregados na proteção contra curto-circuito são os fusíveis
e os disjuntores (FIGURA 23). Os fusíveis são dispositivos adequadamente
dimensionados para interromper a corrente, sendo os mais usados os fusíveis de
rolha, de cartucho ou Diazed, também conhecido como, tipo “D”. Já os disjuntores
são dispositivos capazes de estabelecer, conduzir e interromper correntes em
condições normais do circuito, bem como estabelecer e conduzir por tempo
especificado e interromper correntes em condições anormais (curto-circuito).

Os disjuntores podem ser equipados com bobinas eletromagnéticas,


que atuam mecanicamente desligando o disjuntor em caso de curto-circuito, e
com dispositivos bimetálicos (relés térmicos), caracterizados por uma dilatação
desigual das lâminas decorrente do aquecimento provocado por uma sobrecarga,
o que ocasiona a interrupção da passagem de corrente do circuito. Este tipo de
disjuntor, denominado de termomagnético, protege contra curto-circuito e contra
sobrecargas prolongadas (NISKIER, 2016).

FIGURA 23 – DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO CONTRA CURTO-CIRCUITO: A) DISJUNTORES E B)


FUSÍVEIS

FONTE: <https://bit.ly/3CC6pZ1>. Acesso em: 7 jun. 2021.

69
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

No que tange aos dispositivos de proteção contra sobrecarga, existem


os relés térmicos ou bimetálicos. Os relés térmicos (Figura 24) consistem em um
dispositivo que protege um equipamento ou circuito contra danos térmicos de
origem elétrica. São utilizados principalmente em circuitos de motores. Já os
relés bimetálicos de sobrecarga são acoplados aos contadores magnéticos, que
constituem o dispositivo de comando do circuito (LIMA FILHO, 2001).

FIGURA 24 – EXEMPLO DE RELÉS TÉRMICO

FONTE: <https://bit.ly/3hZ7G4m>. Acesso em: 7 jun. 2021.

3.1.2 Proteção de sobretensões


Os sistemas elétricos têm como limite a tensão máxima de operação
durante a ocorrência de uma falta. As sobretensões podem aparecer nos sistemas
elétricos por meio de diferentes origens, sendo estas: descargas atmosféricas,
chaveamento e curtos-circuitos monopolares (MAMEDE FILHO; MAMEDE,
2013). Nesse contexto, as descargas atmosféricas são fenômenos naturais que
podem ocasionar diversas perturbações nas redes de transmissão e distribuição
de energia elétrica. Isto porque, essas descargas podem induzir picos de tensão
que atingem centenas de kV nas redes aéreas de transmissão e distribuição das
concessionárias de energia elétrica (MAMEDE FILHO, 2017).

Os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas serão abordados


nos subtópicos a seguir, sendo estes: para-raios do tipo Franklin e gaiola de
Faraday. Em relação às sobretensões por chaveamento, as mesmas usualmente
são decorrentes da rejeição de grandes blocos de cargas, desligamentos
intempestivos de alimentadores e perda de sincronismo entre dois subsistemas.
Por fim, em sistemas aterrados submetidos a uma impedância elevada, quando
ocorrem os curtos-circuitos monopolares surgem sobretensões entre a fase a
terra que podem atingir os valores de tensão de fase do sistema (MAMEDE
FILHO; MAMEDE, 2013).

3.2 SELETIVIDADE
O conceito de seletividade está atrelado à característica que um sistema
de proteção deve ter para que, ao ser submetido a eventos anormais, faça atuar
os dispositivos de proteção de maneira a desenergizar somente a parte do
circuito afetado (MAMEDE FILHO; MAMEDE, 2013). De acordo com Niskier
(2016), representa a escolha adequada de fusíveis e disjuntores, de modo que,
70
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

ao ocorrer um ponto da ligação, o desligamento afeta apenas uma parte mínima


da instalação. Nessa conjuntura, a seletividade de um sistema de proteção pode
ser efetuada por meio de três diferentes formas, as quais são classificadas como
seletividade amperimétrica, seletividade cronométrica e seletividade lógica,
conforme explicitado a seguir.

3.2.1 Seletividade amperimétrica


A seletividade amperimétrica, também denominada de seletividade
por corrente, fundamenta-se no princípio de que as correntes de curto-circuito
aumentam à medida que o ponto de defeito se aproxima da fonte de suprimento. A
FIGURA 25 exemplifica a aplicação deste tipo de seletividade. Para uma corrente
de defeito no ponto A de valor igual a Ics e valores de ajuste das proteções P1 e P2
iguais a Ip1 e Ip2, respectivamente, a seletividade amperimétrica está satisfeita se:
Ip2 > Ics > Ip1. Recomenda-se os seguintes valores para as correntes das proteções
(MAMEDE FILHO; MAMEDE, 2013):

• A primeira proteção a montante do ponto de defeito deve ter corrente: Ip1


≤ 0,8 x Ics;
• As proteções situadas fora da zona protegida devem ter corrente nominal
com valores superiores à corrente de curto-circuito, isto é: Ip2 > Ics.

FIGURA 25 – EXEMPLO DE SELETIVIDADE AMPERIMÉTRICA

FONTE: Mamede Filho e Mamede (2013, p. 66)

71
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

3.2.2 Seletividade cronométrica


A seletividade cronométrica fundamenta-se no princípio de que a
temporização do dispositivo de proteção próximo ao ponto de defeito deve ser
inferior à temporização do dispositivo de proteção a montante. Desta maneira, este
princípio consiste em retardar uma proteção instalada a montante, com o intuito
de que a proteção instalada a jusante tenha tempo suficiente para atuar isolando a
falha. Para exemplificar este tipo de seletividade é apresentada a Figura 26.

FIGURA 26 – EXEMPLO DE SELETIVIDADE CRONOMÉTRICA

FONTE: Mamede Filho e Mamede (2013, p. 67)

Como pode ser observado na Figura 26, um curto-circuito na barra D gera


uma corrente de valor igual a Ics. Como pode ser observado, a proteção P1 tem
um retardo de 100 ms. Já a proteção P2 tem um tempo de atuação de 400 ms,
enquanto as proteções P3 e P4 deve atuar em 700 e 1000 ms, respectivamente.
Entretanto, é necessário tomar cuidado uma vez que este tipo de seletividade
pode conduzir a tempos de atuação bastante elevados em pontos próximos à
fonte de suprimento (MAMEDE FILHO; MAMEDE, 2013).

72
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

3.2.3 Seletividade lógica


A seletividade lógica consiste em um sistema lógico que combina esquemas
de proteção e comunicação utilizando fio piloto ou outro meio equivalente,
caracterizando uma proteção com intervalos de tempo extremamente reduzidos,
porém seletivos. Nesse contexto, a função do fio piloto é conduzir o sinal lógico
de bloqueio. É o tipo de seletividade mais moderna desenvolvida, eliminando
os inconvenientes característicos dos esquemas de seletividade amperimétrica
e cronométrica. A Figura 28 apresenta um exemplo do funcionamento da
seletividade lógica. Destaca-se que o funcionamento pode ser resumido em
(MAMEDE FILHO; MAMEDE, 2013):

• A primeira proteção a montante do ponto de defeito é a única responsável


pela atuação do dispositivo de abertura do circuito.
• As proteções situadas a jusante do ponto de defeito não receberão sinal digital
de mudança de estado.
• As proteções situadas a montante do ponto de defeito receberão os sinais
digitais de mudança de estado para bloqueio ou para atuação.
• As proteções são ajustadas com tempo de 50 a 100 ms.
• Cada proteção é ajustada para garantir a ordem de bloqueio durante um
tempo definido pelo procedimento da seletividade lógica, cuja duração pode
ser admitida entre 150 e 200 ms.

FIGURA 27 – EXEMPLO DE SELETIVIDADE LÓGICA

FONTE: Mamede Filho e Mamede (2013, p. 70)

73
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

4 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS


ATMOSFÉRICAS
As descargas atmosféricas podem causar grandes danos às redes de
transmissão e distribuição de energia elétrica. Diante disso, são projetados sistemas
de proteção contra descargas atmosféricas com o intuito de interceptar as descargas
elétricas que atingem diretamente a parte superior e as laterais de uma edificação.
Esses sistemas têm como objetivo conduzir a corrente elétrica até a terra, sem causar
prejuízos à vida e aos bens materiais (MAMEDE FILHO, 2017). A seguir serão
abordados os dois principais sistemas de proteção contra descargas atmosféricas,
sendo estes o para-raios do tipo Franklin e a gaiola de Faraday.

4.1 Para-raios do tipo Franklin


Os para-raios comuns, também conhecido como tipo Franklin, recebem
este nome em homenagem ao seu inventor, Benjamin Franklin. Este tipo de captor
consiste em uma haste captora em forma de ponta, fixada a uma base, na qual é
ligada condutores metálicos denominados de condutores de descida (NISKIER,
2016). O campo de proteção deste tipo de paio-raios é representado na Figura 28.

FIGURA 28 – CONE DE PROTEÇÃO DE UM PARA-RAIOS COMUM

FONTE: <https://www.eletrojr.com.br/2020/03/21/tipos-de-para-raios/>. Acesso em: 24 abr.


2021.

E
IMPORTANT

A instalação de para-raios com captores comuns é descrita na NBR 5419-1


(ABNT, 2015).

74
TÓPICO 2 — PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

4.2 Gaiola de Faraday


Este tipo de sistema de proteção é caracterizado por utilizar como captores,
condutores instalados em malha num formado quadricular, envolvendo toda a
estrutura a ser protegida (Figura 29). Oferece uma elevada proteção, contudo
devido ao seu alto custo, normalmente é utilizado em instalações de elevado grau
de responsabilidade (LIMA FILHO, 2001).

FIGURA 29 – EXEMPLO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO TIPO GAIOLA DE FARADAY

FONTE: <https://www.mundodaeletrica.com.br/y/2645/pontos-aterramento-910x1024-720-720.
jpg>. Acesso em: 24 abr. 2021

5 COMPENSAÇÃO REATIVA
Conforme previamente apresentado do Tópico 1 desta Unidade, as
concessionárias de energia elétrica estabelecem que o fator de potência deve ser
igual ou superior a 0,92 (NISKIER, 2016), com o intuito de evitar desperdícios nos
sistemas. Desta forma, em determinadas situações é necessário a compensação
da potência reativa. A Figura 30 exemplifica o conceito de compensação reativa.
Como pode ser observado, existe uma potência efetiva (P) e, em decorrência do
fator de potência (cos Ɵ1), uma potência aparente (Pa1) e uma potência reativa
(Pr1). Para a redução do fator de potência, supõe-se que Pr1 deve ser igual à Pr2,
mantendo o valor da potência efetiva P. As Equações 39 e 40 descrevem a Pr1 e
Pr2, respectivamente. Desta forma, considerando Pr1 = Pr2, é possível calcular a
potência capacitiva (Pc) necessária para essa redução através da Equação 41.

75
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 30 – DIAGRAMA VETORIAL DA COMPENSAÇÃO REATIVA

FONTE: A Autora (2021)

Pr1 = P x tg Ɵ1 Equação 39

Pr2 = P x tg Ɵ2 Equação 40

Pc = Pr1 − Pr2 = P x (tg Ɵ1 − tg Ɵ2) Equação 41

De acordo com Brito (2015), a compensação da potência reativa traz


diversos benefícios ao sistema, reduzindo as perdas, ampliando a capacidade
de condução de uma linha pela redução da corrente aparente e melhorando o
nível de tensão de um barramento. Usualmente é realizada através da instalação
de bancos de capacitores, em função do baixo custo do método (BRITO, 2015).
Nesse contexto, os capacitores são dispositivos estáticos que tem como objetivo
introduzir capacitância em um circuito elétrico, compensando ou neutralizando
o efeito de indução das cargas indutivas.

A especificação destes dispositivos é realizada de acordo com a potência


reativa nominal. Além disso, podem ser monofásicos e trifásicos e destinados
a redes de alta ou baixa tensões. Em relação à localização dos capacitores,
recomenda-se a instalação o mais próximo possível das cargas, já que assim
reduzem as perdas nos circuitos elétricos, elevam a tensão nos pontos de
consumo, melhoram as condições de funcionamento e aliviam a solicitação do
transformador (NISKIER, 2016).

Segundo Santos (2006), em função da localização dos dispositivos de


compensação, existem três tipos de soluções, sendo estas: a) compensação global
ou central, b) compensação parcial, setorial ou por grupos e c) compensação
local, individual ou independente, conforme representado na Figura 31. Na
compensação global o dispositivo de compensação fica localizado na entrada
da instalação. Na compensação por grupos, os dispositivos de compensação são
ligados por setores, ou seja, ligados aos quadros parciais da instalação. Por fim, na
compensação direta o dispositivo é ligado diretamente à máquina a compensar. É
o tipo mais usual empregado em bombas, motores ou transformadores.

76
TÓPICO 3 — ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL, PROTEÇÃO E SELETIVIDADE

FIGURA 31 – EXEMPLOS DE COMPENSAÇÃO REATIVA: A) GLOBAL; B) POR GRUPO; C)


INDIVIDUAL

FONTE: <http://circutor.com/docs/MitjaTensio_PT_Cat.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2021.

6 MOTORES E ACIONAMENTOS ELÉTRICOS


Os motores elétricos consistem em máquinas que transformam energia
elétrica em energia mecânica de utilização, utilizando campos magnéticos que
interagem entre si (MAMEDE FILHO, 2017). De acordo com o tipo de fonte de
alimentação os motores elétricos podem ser divididos em motores de corrente
contínua e de corrente alternada. Os motores de corrente contínua são aqueles
acionados a partir de uma corrente contínua. São caracterizados por um controle
preciso de velocidade e por um ajuste fino e, portanto, são largamente utilizados
em aplicações que exijam tais características (FRANCHI, 2008). Já os motores
de corrente alternada são aqueles acionados a partir de uma fonte de corrente
alterada. É o tipo mais utilizado em aplicações industriais. De acordo com Franchi
(2008), estima-se que 90% dos motores fabricados são deste tipo.

De acordo com Petruzella (2013), como pode ser observado na Figura


32, o funcionamento de um motor de corrente contínua é mais complexo em
comparação a de um motor de corrente alternada. Isso porque motores de
corrente contínua são compostos por comutador, escovas e enrolamentos da
armadura, os quais requerem uma manutenção superior em relação aos motores
de corrente alternada. Isto posto, destaca-se que um motor de corrente alternada
não demanda comutador ou escova. Em contrapartida, estes tipos de motores são
equipados com barras no rotor de gaiola em substituição aos fios de enrolamentos
de cobre

77
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

FIGURA 32 – EXEMPLO DE MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA (A) E CORRENTE ALTERNADA (B)

FONTE: Petruzella (2013, p. 118-141)

Os motores em corrente contínua podem apresentar três configurações,


sendo estas: motores em série, motores de derivação e motores compostos. Nos
motores em séries a corrente de carga é utilizada como corrente de excitação,
ou seja, as bobinas de campo são ligadas em série às bobinas do induzido. Nos
motores de derivação, o campo está ligado à fonte de alimentação e em paralelo
com o induzido. Por fim, os motores compostos são constituídos por duas bobinas,
uma ligada em série e outra em paralelo ao induzido (MAMEDE FILHO, 2017).

No que tange aos motores de corrente alternada, os mesmos podem ser


classificados em monofásicos ou trifásicos e em assíncronos ou síncronos. Dentre
os tipos de motores existentes, os motores trifásicos assíncronos de indução são
os mais utilizados em função da simplicidade de construção, vida útil longa,
custo reduzido de compra e manutenção (MAMEDE FILHO, 2017).

78
TÓPICO 3 — ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL, PROTEÇÃO E SELETIVIDADE

LEITURA COMPLEMENTAR

COMO ELABORAR PROJETOS DE ILUMINAÇÃO INDUSTRIAL


VISANDO À REDUÇÃO DO CONSUMO DE ELETRICIDADE

Julian Villelia Padilla

Nos projetos de iluminação industrial, existem diversos tópicos a serem


considerados a fim de proporcionar custos operacionais mais baixos do ponto
de vista energético. As oportunidades de economia estão presentes na escolha
do conjunto lâmpadas e luminárias, na definição de sua altura de fixação, nos
automatismos de comando (sensores de presença, temporizadores e sensores
de iluminação), na distribuição dos circuitos elétricos, no aproveitamento da
iluminação natural e na localização dos interruptores para atender às necessidades
de iluminação do local e de seus usuários.
O ponto de partida para um projeto de iluminação é definir o nível de luz do
ambiente, que leva em consideração as atividades que serão realizadas e o público
a ser atendido. A norma brasileira ABNT NBR 5413 – Iluminância de interiores
define a quantidade de lux necessária para diversos locais. Considerando que há
uma subjetividade importante na percepção de uma boa iluminação, é essencial
que as recomendações normativas sejam atendidas. Para confirmar a correção da
iluminação, é necessário realizar uma verificação prática por meio da medição do
nível de iluminação com um luxímetro e comparar com os valores normativos
para dirimir qualquer dúvida quanto à qualidade da iluminação.
Os fabricantes têm apresentado desenvolvimentos expressivos com a
intenção de proporcionar produtos cada vez mais eficientes e duráveis. Hoje
existem alternativas energeticamente mais eficientes na iluminação industrial, que
englobam lâmpadas e luminárias com rendimentos luminosos bem superiores
aos verificados no passado.
Quanto às luminárias, o aumento do rendimento luminotécnico é alcança-
do pelas geometrias refletivas adequadas à fonte luminosa, sendo utilizadas su-
perfícies espelhadas para direcionar a luz gerada pelas lâmpadas ao ambiente de
trabalho. Em ambientes industriais, é necessário levar em consideração aspectos
relacionados com a facilidade de manutenção do conjunto luminária e lâmpada
e, caso existir no ambiente industrial a possibilidade de vazamentos de produtos
inflamáveis, os invólucros deverão ser à prova de explosão para melhorar a segu-
rança da instalação.
Os fabricantes tradicionais de lâmpadas e luminárias oferecem programas
de computador que rapidamente permitem quantificar o número de lâmpadas
e luminárias e a sua distribuição física para atender aos níveis de iluminação
normalizados e necessários para o ambiente em estudo.
Cabe ao projetista analisar duas ou três alternativas técnicas de iluminação
considerando seus custos de implantação e custos operacionais relativos à energia
elétrica. Deverão ser discutidas essas alternativas juntamente com os outros
profissionais do empreendimento, visando a conciliar os aspectos arquitetônicos
e funcionais, investimentos envolvidos, facilidades de operação e manutenção e
custos operacionais. O tempo gasto nestes estudos é plenamente justificado pelas
economias que podem ser alcançadas em uma análise mais abrangente

79
UNIDADE 1 — INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

A seguir, há algumas recomendações práticas a serem consideradas durante


a fase de projeto, objetivando tornar a iluminação energeticamente mais eficiente:
• Aproveitar sempre que possível a iluminação natural. Em galpões industriais,
é possível utilizar telhas translúcidas que durante o dia permitem manter a
iluminação artificial total ou parcialmente desligada sem comprometer as
atividades do local e atender aos níveis de iluminação normativos;
• Distribuir os circuitos de alimentação das luminárias para facilitar os
desligamentos parciais conforme a iluminação natural existente.
• A altura de fixação da luminária tem uma influência importante na quantidade
necessária de luminárias para atender a um determinado nível de iluminação.
A quantidade de lux é função do inverso do quadrado da distância entre a
fonte luminosa e o plano de trabalho, de forma que quanto menor for a altura
de fixação das luminárias menor será a sua quantidade para atender ao limite
normativo de iluminação;
• Uma boa prática dependendo do tipo de indústria é projetar uma iluminação
ambiente para circulação das pessoas e movimentação de materiais e
adicionalmente pontos de iluminação específica e localizados com as máquinas
para proporcionar adequados níveis de iluminação para os seus operadores;
• Escolher criteriosamente o nível de iluminação recomendado por norma para
evitar uma quantidade de pontos de iluminação sem necessidade;
• Além do investimento inicial, calcular os custos operacionais (reposição, mão
de obra e energia);
• Em ambientes menores ou setores diferenciados, prever interruptores
individuais para comando da iluminação;
• Estudar a adoção de automatismos como sensores de presença e sensores
de iluminação para desligar a iluminação artificial quando esta não for
efetivamente necessária.
As grandes oportunidades de conservação de energia na iluminação estão
na fase do projeto e requerem uma análise cuidadosa e criteriosa para selecionar as
alternativas mais econômicas. Um projeto energeticamente mal concebido depois
de instalado requer novos investimentos e nem sempre é possível aproveitar o
que já foi instalado.
Uma iluminação industrial bem projetada melhora o ambiente de trabalho,
aumenta a segurança dos funcionários, proporciona melhor produtividade,
reduz custos operacionais e, principalmente, contribui para a preservação do
meio ambiente.

FONTE: <https://www.osetoreletrico.com.br/como-elaborar-projetos-de-iluminacao-industrial-
visando-a-reducao-do-consumo-de-eletricidade/ link>. Acesso em: 26 abr. 2021.

Acadêmico, neste tópico foram apresentados três métodos para deter-


minação do iluminamento de um ambiente de trabalho industrial. Enquanto o
método dos lúmens é caracterizado por aplicação simplificada, os métodos das
cavidades zonais e do ponto por ponto possuem aplicação complexa, embora re-
sultem em valores mais confiáveis. Outro aspecto abordado, diz respeito às even-
tuais falhas que podem ocorrer em sistemas elétricos, as quais são classificadas
em sobrecorrente e sobretensão. Os dispositivos de proteção de sobrecorrente são
os fusíveis, disjuntores, relés térmicos e relés bimetálicos. Já os dispositivos de
proteção contra sobretensão no que tange às descargas atmosféricas são os para
raios do tipo Franklin e Gaiola de Faraday.

80
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• O iluminamento de um ambiente de trabalho industrial pode ser determinado


pelo método dos lúmens, método das cavidades zonais ou método do ponto
por ponto.

• A seletividade de um sistema de proteção pode ser amperimétrica, cronométrica


ou lógica.

• Os dois principais sistemas de proteção contra descargas atmosféricas são o


para-raios do tipo Franklin e a gaiola de Faraday.

• A compensação reativa usualmente é feita através da instalação de capacitores.


Em função da localização dos dispositivos de compensação, pode ser
classificada em compensação global, por grupos ou individual.

• Os motores de corrente alternada são os mais utilizados, com destaque para


os motores trifásicos assíncronos de indução.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

81
AUTOATIVIDADE

1 Determine o iluminamento de um galpão industrial com dimensões de 12


x 17 m através do método dos lumens. Considerar que o iluminamento
médio requerido para a atividade desenvolvida no galpão é de 500 lux, que
o fator de utilização é igual a 0,66 e que o fator de depreciação é de 0,70.

2 Com base nos dados do exercício anterior, determinar o número de


luminárias necessárias, considerando que o fluxo luminoso emitido por
cada luminária que será utilizada na instalação é de 22.000 lumens.

3 O iluminamento de um ambiente de trabalho pode ser calculado através


de diversos métodos. Diante disso, através do método ponto por ponto,
calcular a iluminância horizontal no ponto A, considerando que H= 2m, α =
30⁰ e I = 1296 cd.

a) ( ) 180 lux.
b) ( ) 210 lux.
c) ( ) 245 lux.
d) ( ) 315 lux.

4 No método ponto por ponto, a soma algébrica das contribuições verticais


determina o iluminamento e vertical naquele ponto. Isto posto, calcular a
iluminância vertical no ponto B, considerando que D= 1,5m, α = 30⁰ e I =
1296 cd.

82
a) ( ) 56 lux.
b) ( ) 63 lux.
c) ( ) 72 lux.
d) ( ) 109 lux.

5 Determinar a potência de um capacitor que altere o fator de potência de 0,85


para 0,92. Considerar que a potência efetiva (P) do sistema é igual a 200 Kw.

a) ( ) 35,87.
b) ( ) 36,91.
c) ( ) 38,72.
d) ( ) 42,63.

83
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:
Instalações elétricas de baixa tensão, Rio de Janeiro, 2008.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-


1: Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 1: Princípios Gerais. Rio de
Janeiro, 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-2:


Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 2: Gerenciamento de risco. Rio de
Janeiro, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-3:


Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 3: Danos físicos a estruturas e
perigos à vida. Rio de Janeiro, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-4:


Proteção contra descargas atmosféricas – Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos
internos na estrutura. Rio de Janeiro, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5444:


Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais. Rio de Janeiro, 1989.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISSO/CIE


8995-1: Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: Interior. Rio de Janeiro,
2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13534:


Instalações elétricas de baixa tensão — Requisitos específicos para instalação em
estabelecimentos assistenciais de saúde. Rio de Janeiro, 2008.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13570:


Instalações elétricas em locais de afluência de público – Requisitos específicos.
Rio de Janeiro, 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14039:


Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Rio de Janeiro, 2005.

BONJORNO, R. F. S. A.; BONJORNO, J. R.; BONJORNO, V.; RAMOS, C. M.


Física 3: eletricidade. São Paulo: FTD, 1992.

BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa n⁰ 414, de 9 de setembro de 2010.


Estabelece as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica. Disponível
em: http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2010414.pdf. Acesso em: 28 mar. 2021.

84
BRITO, M. E. C. Dispositivos de compensação de energia reativa e controle
da tensão para redução de perdas técnicas em sistemas de distribuição. 2015.
177 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica,
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015.

CERVELIN, S.; CAVALIN, G. Instalações elétricas prediais: Teoria e Prática.


Curitiba: Base Livros Didáticos, 2008.

EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Balanço Energético Nacional


Interativo, 2020. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-
energetica-e-eletrica#ELETRICA. Acesso em: 28 mar. 2021.

EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Consumo Anual de Energia


Elétrica por classe (Nacional), 2021. Disponível em: https://www.epe.gov.br/
pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/consumo-de-energia-eletrica. Acesso
em: 28 mar. 2021.

FRANCHI, C. M. Acionamentos elétricos. 4 ed. São Paulo: Editora Érica, 2008.

LIMA FILHO, D. L. Projetos de instalações elétricas prediais. 6 ed. Editora


Érica, 2001.

MAMEDE FILHO, J. Instalações Elétricas Industriais. 9 ed. Rio de Janeiro: LTC,


2017.

MAMEDE FILHO, J.; MAMEDE, D. R. Proteção de sistemas elétricos de


potência. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma


brasileira NBR 5419:2015 / João Mamede Filho. 9 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

MINISTÉRIO DO TRABALHO. Portaria n⁰ 598, de 7 de dezembro de 2004.


Norma regulamentadora NR10. Diário Oficial da União, 2004.

NISKIER, J. Manual de Instalações Elétricas. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

PETRUZELLA, F. D. Motores elétricos e acionamentos. Porto Alegre: AMGH,


2013.

SANTOS, J. N. Compensação do factor de potência. Faculdade de Engenharia


(FEUP), Universidade do Porto, 2006.

VIEIRA JUNIOR, N. Fundamentos de Instalações Elétricas. Curso Técnico em


Manutenção e Suporte em Informática, Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Minas Gerais: IFMG, 2011.

85
86
UNIDADE 2 —

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA


FRIA E ÁGUA QUENTE

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as partes constituintes e os sistemas de abastecimento de um


sistema predial de água fria;

• dimensionar a capacidade total de água potável a ser armazenada nos


reservatórios;

• dimensionar as tubulações de sistemas prediais de água fria;

• estimar o consumo de água quente de uma edificação;

• conhecer os tipos e fontes de calor dos aquecedores;

• dimensionar as tubulações de sistemas prediais de água quente;

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

TÓPICO 2 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA:


DIMENSIONAMENTO E PROJETO

TÓPICO 3 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

87
CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

88
TÓPICO 1 —
UNIDADE 2

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

1 INTRODUÇÃO

As instalações prediais de água fria, ou seja, aquelas destinadas à condução


de água na temperatura ambiente, correspondem ao conjunto de tubulações,
equipamentos, reservatórios e dispositivos, destinados ao abastecimento de
aparelhos e pontos de utilização de água em uma edificação. Este sistema deve
ser independente de outras instalações que conduzam água, como, por exemplo,
água para reuso ou de qualidade insatisfatória ou questionável (CARVALHO
JÚNIOR, 2017).

A norma técnica que estabelece os requisitos para projeto, execução, operação


e manutenção de sistemas prediais de água fria é a NBR 5626 (ABNT, 2020). De
acordo com a referida norma, os sistemas de água fria devem ser projetados, de
modo que, durante a vida útil de projeto, atendam as seguintes especificações:

• Preservar a potabilidade de água potável;


• Assegurar o fornecimento de água de forma contínua, em quantidade
adequada e com pressões e vazões compatíveis com o funcionamento previsto
dos aparelhos sanitários;
• Deve considerar acesso para verificação e manutenção;
• Prever setorização adequada do sistema;
• Evitar níveis de ruído inadequados;
• Minimizar a ocorrência de patologias;
• Garantir a manutenibilidade.

Destaca-se também a norma NBR 15575 – 6 (ABNT, 2013), a qual estabelece
os requisitos de desempenho para os sistemas hidrossanitários. Esta norma
explora conceitos que usualmente não são abordados em normas prescritivas,
como, por exemplo, a durabilidade dos sistemas, manutenção da edificação e o
conforto dos usuários.

Nesse contexto, o Tópico 1 deste livro abordará as partes constituintes de


um sistema predial de água fria, os tipos de sistemas de abastecimento, a estimativa
do consumo diário de uma edificação, os reservatórios para armazenamento de
água, bem como aspectos pertinentes ao subtópico, como tipos de reservatórios,
localização no projeto e estimativa da capacidade dos mesmos. Por fim, será
apresentada a rede de distribuição de um sistema de água fria e os materiais
usualmente empregados.

89
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

E
IMPORTANT

É importante ressaltar que a norma de sistemas prediais de água fria


recentemente passou por uma revisão, dando origem a NBR 5626 (ABNT, 2020).

2 PARTES CONSTITUINTES DE UM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA


FRIA
A Figura 1 ilustra as principais partes constituintes de um sistema predial
de água fria, sendo estas: ramal predial, cavalete, alimentador predial, reservatório
inferior, conjunto elevatório, tubulações de sucção e recalque, reservatório
superior, barrilete, colunas e ramais de distribuição. A seguir cada um destes
elementos constituintes serão apresentados com maiores detalhes.

FIGURA 1 – PARTES CONSTITUINTES DE UM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA FRIA

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 19)

90
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

Quando a instalação da edificação é alimentada pela rede pública, a


entrada de água é feita através do ramal predial que corresponde à tubulação
que interliga a rede pública de distribuição à instalação predial, como pode
ser observado na Figura 2. Nesse contexto, a execução do ramal predial é
responsabilidade da concessionária que efetua o abastecimento da rede pública
(CARVALHO JÚNIOR, 2017). Desta forma, no início da obra solicita-se a ligação
provisória do ramal predial, a qual, se já estiver definitivamente locada, torna-se
a ligação definitiva da edificação (BOTELHO; RIBEIRO JÚNIOR, 2014).

FIGURA 2 – ENTRADA DE ÁGUA FRIA EM UMA EDIFICAÇÃO

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 26)


Quando a instalação de água é feita pela rede pública, instala-se um medidor
de consumo, denominado de hidrômetro (Figura 3). Desta forma, o hidrômetro
visa quantificar o consumo de água de uma edificação para fins de cobrança e,
em função disso, deve possuir fácil acesso. Este dispositivo deve estar localizado
em um compartimento de alvenaria ou concreto, conforme ilustrado na Figura 4,
o qual tem como objetivo garantir a segurança do hidrômetro e protegê-lo contra
danos, deterioração, vandalismos e furtos. A canalização existente nessa região
é chamada de cavalete (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Nesse contexto, segundo
definição da NBR 10925 (ABNT, 2016), o termo cavalete refere-se ao conjunto de
tubos, conexões e registros do ramal predial, destinado à instalação do hidrômetro
e respectivos tubetes ou limitador de consumo, em posição afastada do piso. Isto
posto, a norma estabelece os requisitos para recebimento de cavaletes de PVC
com diâmetro nominal de 20 mm destinados a ramais prediais para hidrômetros
de até 3 m³/h (ANBT NBR 10925, 2016).

FIGURA 3 – EXEMPLO DE UM HIDRÔMETRO

FONTE: <https://www.filbras.com.br/hidrometro-de-agua/>. Acesso em: 8 jun. 2021.

91
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 4 – COMPARTIMENTAO DE PROTEÇÃO DO HIDRÔMETRO

FONTE: <http://www.emasa.com.br/emasa/noticias/caixa-padrao-e-obrigatoria-para-solicitacao-
de-nova-ligacao-de-agua>. Acesso em: 8 jun. 2021.

O alimentador predial é a tubulação compreendida entre o ramal


predial e a primeira derivação ou válvula do reservatório, inferior ou superior
(CARVALHO JÚNIOR, 2017). Desta forma, como pode ser observado na Figura 5,
o alimentador predial corresponde à tubulação que conduz a água do hidrômetro
até a edificação.

FIGURA 5 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DO ALIMENTADOR PREDIAL

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 30)

A Figura 6 ilustra os elementos que compõe o conjunto elevatório. Como


pode ser observado, o mesmo é constituído por bombas centrífugas, motores
elétricos de indução, tubulação de sucção e de recalque e registros de gaveta e
válvulas de retenção nas tubulações de sucção e de recalque.

92
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

FIGURA 6 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DO CONJUNTO ELEVATÓRIO

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014)

O barrilete é o conjunto de tubulações que tem origem no reservatório


e na qual se derivam as colunas de distribuição. Já as colunas de distribuição
de água correspondem às tubulações que saem do barrilete, descem na posição
vertical e alimentam os ramais de distribuição nos pavimentos que, por sua vez,
alimentam os sub-ramais dos pontos de utilização, como pode ser observado na
FIGURA 7 (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 7 – ILUSTRAÇÃO DO BARRILETE, COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO E RAMAIS DE


DISTRIBUIÇÃO

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2017)

93
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

3 SISTEMAS DE ABASTECIMENTO
Para a definição do tipo de abastecimento, deve ser considerado o consumo
da edificação, características da oferta de água, a constância do abastecimento, as
necessidades mínimas de reserva e, no caso de captação local de água, as características
da água, o nível do lençol subterrâneo e a avaliação do risco de contaminação (ABNT
NBR 5626, 2020). Nesse âmbito, o sistema de abastecimento pode ser do tipo direto,
indireto ou misto, conforme será exposto nos subtópicos a seguir.

3.1 SISTEMA DIRETO


No sistema de abastecimento do tipo direto, a alimentação da rede
predial é feita diretamente da rede pública de abastecimento, conforme pode ser
observado na Figura 8. Nestes casos, não existem reservatórios na edificação para
armazenamento da água. Desta forma, embora este sistema possua um baixo
custo de instalação, qualquer interrupção no fornecimento de água do sistema
pública ocasionará a falta de água na edificação (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

FIGURA 8 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DIRETO

FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 4)

3.2 SISTEMA INDIRETO


O sistema de abastecimento indireto é caracterizado pela utilização de
reservatórios que visam minimizar os problemas decorrentes da interrupção,
irregularidades ou variações na pressão do abastecimento da rede pública,
conforme ilustrado na Figura 9. Esta forma de abastecimento pode ser subdivida
em sistema indireto sem bombeamento, quando a pressão da rede é suficiente
para alimentar o reservatório superior e em sistema indireto com bombeamento,
quando a pressão da rede não é suficiente para alimentar diretamente o reservatório
superior. No último caso citado, usualmente adota-se um reservatório inferior,
de onde a água é bombeada para o reservatório superior através de um sistema
de recalque. Por fim, a alimentação da rede é feita por gravidade a partir do
reservatório superior (CARVALHO JÚNIOR, 2014).
94
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

FIGURA 9 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO INDIRETO

FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 5)

3.3 SISTEMA MISTO


Já no sistema de abastecimento misto, uma parcela da alimentação da
rede de distribuição é feita diretamente pela rede pública e uma parcela pelo
reservatório superior (Figura 10). De acordo com Carvalho Júnior (2014), este
sistema é o mais utilizado e o mais vantajoso em relação aos demais, visto que
alguns pontos de utilização podem ser alimentados diretamente pela rede, como
torneira externas, áreas de serviço, situados no pavimento térreo. Nestes casos,
estes pontos de utilização terão uma pressão de água maior, visto que a pressão
da rede pública é superior à obtida a partir do reservatório superior.

FIGURA 10 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO MISTO

FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 8)

4 ESTIMATIVA DO CONSUMO DIÁRIO


O consumo de água de uma edificação é função de diversos fatores como
disponibilidade de água, tipo do sistema de abastecimento, aspectos culturais e
socioeconômicos dos usuários, dentre outros. De acordo com Carvalho Júnior
(2017), o consumo diário per capita no Brasil varia entre 50 e 200 L de água.
Nessa conjuntura, de acordo com dados divulgados pela Secretaria Nacional de

95
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

Saneamento (SNS), em 2019 o consumo médio diário de água per capita no Brasil
foi de 153,9 L. O consumo mais elevado per capita é na região Sudoeste, com
um valor de 177,4 L. Em contrapartida, o menor consumo é atribuído à região
Nordeste, com um valor de 120,6 L (SNS, 2019).

Equação 1

Onde:
Cd - consumo diário (L/dia);
P - população que ocupará a edificação;
q - consumo per capita (L/dia).

TABELA 1 – TAXA DE OCUPAÇÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE UTILIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO

FONTE: Adaptado de Creder (2006)

TABELA 2 – CONSUMO DIÁRIO PER CAPITA

FONTE: Adaptado de Creder (2006)

96
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

Exemplo de cálculo:
Para exemplificar, iremos determinar o consumo de água diário de um escritório
que possui uma área de 430 m². Inicialmente é necessário estimar a taxa de
ocupação do ambiente, de acordo com os valores apresentados na Tabela 1.
Como pode ser observado, para um escritório recomenda-se adotar uma taxa
de ocupação de 1 pessoa a cada 6 m². Desta forma, estima-se uma ocupação
de 430 m²/6m² = 72 pessoas. Posteriormente, é necessário consultar a TABELA
2 para obter qual o consumo per capita usual em função do tipo de utilização
da edificação. Para um escritório é estabelecido um valor de consumo diário per
capita de 50 L/dia. Após a definição destes dois parâmetros é possível calcular o
consumo diário a partir da Equação 1.
P = 72 pessoas
q = 50 L/dia
Cd = P x q = 72 x 50 = 3600 L/dia.

5 RESERVATÓRIOS
Conforme previamente apresentado, no sistema de abastecimento indireto
é necessária a instalação de um reservatório para armazenamento de água, visando
a garantia da sua regularidade (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013). De acordo
com Carvalho Júnior (2017), em países da Europa e Estados Unidos o abastecimen-
to de água usualmente é feito diretamente pela rede publicação. Já no Brasil as edi-
ficações brasileiras normalmente utilizam reservatório superior, o que faz com que
as instalações funcionem sob baixa pressão. O autor salienta que estes reservatórios
são utilizados com o intuito de compensar eventuais faltas de água na rede pública,
em função de falhas existentes no sistema e rede de distribuição.

A NBR 5626 (ABNT, 2020) estabelece que os reservatórios devem fornecer


proteção contra a incidência de luz; devem permitir a constatação visual e o
reparo de vazamentos e impossibilitar a contaminação da água por qualquer
agente externo e, por fim, devem ser resistentes à corrosão ou ser provido de
internamente de outros meios de proteção, como um revestimento protetor
anticorrosivo adequado.

Nos subtópicos a seguir serão abordadas as características dos reserva-


tórios superior e inferior, os tipos de reservatórios existentes e recomendações a
respeito da altura, localização e capacidade destes locais destinados ao armaze-
namento de água.

5.1 RESERVATÓRIO SUPERIOR


O reservatório superior pode ser alimentado diretamente pelo
alimentador predial ou pelo sistema de recalque em função do tipo de sistema
de abastecimento adotado. De acordo com a NBR 5626 (ABNT, 2020), com
exceção das residências unifamiliares isoladas, nos demais casos, os reservatórios
elevados devem ser divididos em dois ou mais compartimentos para possibilitar

97
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

operações de manutenção sem que ocorra a interrupção na distribuição de água


para os pontos de utilização do edifícios. A norma ainda cita que a capacidade
do menor compartimento deve ser suficiente para atender à demanda do maior
período de pico de consumo do edifício, considerando o intervalo de tempo
estimado necessário para a realização da operação de manutenção.

Em relação à altura do reservatório superior, como ele alimenta os diversos


pontos de utilização por gravidade, deve estar situado sempre a uma altura
superior a qualquer ponto de consumo. Considerando que a pressão da água na
rede pública apresenta variações em função da posição na rede de distribuição,
o reservatório superior deve ficar em uma altura que possibilite que a pressão
da rede seja suficiente para alimentá-lo. Desta forma, recomenda-se como limite
prático que a altura do reservatório em relação à via pública não deve ser superior
a 9 m. Nesse contexto, quando a pressão da rede pública não for suficiente para
abastecer diretamente o reservatório superior, utiliza-se um sistema de recalque,
composto por um reservatório inferior e superior (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

No que diz respeito à localização do reservatório superior, quando


abastecido diretamente pela rede pública, em prédios residenciais, usualmente
localiza-se na cobertura, o mais próximo possível dos pontos de consumo, visando
reduzir a perda de carga do sistema. Isto porque, quanto maior a perda de carga,
menor a pressão dinâmica nos pontos de utilização. Em residências de pequeno
e médio porte, normalmente estão localizados sob o telhado. Já nos prédios com
três ou mais pavimentos, o reservatório usualmente é localizado sobre a caixa
da escada, em função da proximidade dos pilares nessa região, como pode ser
observado na Figura 11 (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 11 – RESERVATÓRIO LOCALIZADO SOBRE A CAIXA DE ESCADA

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 42)

98
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

5.2 RESERVATÓRIO INFERIOR


Conforme previamente mencionado, quando o reservatório superior
não pode ser alimentado diretamente pela rede pública, utiliza-se um sistema
de recalque, que é composto por dois reservatórios, sendo um superior e
outro inferior. Neste sistema, o reservatório inferior é alimentado pela rede de
distribuição, o qual através de um sistema de recalque, alimenta o reservatório
superior. Já o reservatório superior alimentará os pontos de utilização por meio
da gravidade. Desta forma, o reservatório inferior usualmente é utilizado em
prédios com três ou mais pavimentos, ou seja, com mais de 9 metros de altura,
visto que para valores superiores a esse, a pressão na rede pública geralmente não
é suficiente para abastecer o reservatório superior, como exemplificado na Figura
12 (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 12 – EDIFÍCIO COM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA FRIA COM RESERVATÓRIOS

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2017)

A NBR 5626 (ABNT, 2020) estabelece que o reservatório inferior pode


ser constituído por apenas um compartimento sempre que o volume de água
destinada ao consumo do reservatório superior superar o valor necessário durante
o período estimado para a operação de limpeza do reservatório inferior. Nestes
casos, não há a necessidade da subdivisão em compartimentos independentes do
reservatório inferior.

Carvalho Júnior (2017) apresenta algumas recomendações a respeito da lo-


calização do reservatório inferior. O autor menciona que o mesmo deve ser insta-
lado em locais de fácil acesso e afastado das tubulações de esgoto, visando evitar
eventuais vazamentos e contaminações. Além disso, quando localizados no subsolo,
devem possuir tampas elevadas pelo menos 10 cm em relação ao piso acabado, com
o intuito de também evitar contaminações e infiltrações no reservatório. Por fim, o
autor salienta que o projeto arquitetônico deve considerar um espaço destinado para
o sistema elevatório, usualmente denominado de “casa de bombas”.
99
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

5.3 TIPOS DE RESERVATÓRIO


Os reservatórios podem ser classificados em reservatórios moldados
in loco e reservatórios industrializados. Os reservatórios moldados in loco são
destinados ao armazenamento de grandes volumes de água, como pode ser
observado na FIGURA 13. Além disso, usualmente são construídos juntos à
estrutura de edificação e podem ser de concreto armado, alvenaria, ou outros
tipos de materiais (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 13 – EXEMPLO DE RESERVATÓRIO DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO

FONTE: <https://www.hopase.com.br/imagens/informacoes//torre-agua-concreto-03.jpg>.
Acesso em: 9 jun. 2021.

A capacidade do reservatório vai ser função do consumo da edificação


e de reservas destinadas ao combate de incêndio. Nesse contexto, o volume do
mesmo pode ser calculado através das Equações 2 e 3, para reservatórios com
formato de paralelepípedo ou cilindro, respectivamente.

V = A x h Equação 2

Onde:
V – volume do reservatório (m³);
A – área do reservatório (m²);
h – altura do reservatório (m).

V = π x r2 x h Equação 3

Onde:
V – volume do reservatório (m³);
r – raio do cilindro (m);
h – altura do reservatório (m).

100
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

E
IMPORTANT

Para reservatórios moldados in loco, devem ser consideradas as normas: NBR


6118 (ABNT, 2014) para execução de projetos de estruturas de concreto e a NBR 9575
(ABNT, 2010) que estabelece algumas recomendações sobre impermeabilização.

Já os reservatórios industrializados são fabricados com fibrocimento, fibra


de vidro, PVC, polietileno, dentre outros (Figura 14). Usualmente são utilizados
para o armazenamento de pequenas ou médias quantidades de água, com
capacidade máxima na ordem de 1000 a 2000 litros. Nessa conjunta destaca-se
os reservatórios de plástico, que apresentam superfície interna lisa, que reduz o
acúmulo de sujeira em relação aos demais tipos e são mais leves, o que facilita o
transporte, instalação e manutenção (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 14 – RESERVATÓRIOS D'ÁGUA INDUSTRIALIZADOS A) FIBRA DE VIDRO B) POLIETILENO


E C) FIBROCIMENTO

FONTE: <https://bit.ly/3zGkT89>. Acesso em: 8 jun. 2021.

E
IMPORTANT

As normas brasileiras para reservatórios de plástico são as descritas a seguir:


• NBR 14799 (ABNT, 2018) - Reservatório com corpo em polietileno, com tampa em
polietileno ou em polipropileno, para água potável de volume nominal até 3 000 L -
Requisitos e métodos de ensaio;
• NBR 14800 (ABNT, 2018) - Reservatório com corpo em polietileno, com tampa em
polietileno ou em polipropileno, para água potável de volume nominal até 3 000 L -
Transporte, manuseio, instalação, operação, manutenção e limpeza

5.4 ELEMENTOS COMPLEMENTARES


Neste subtópico serão abordados os elementos complementares de
reservatórios, conforme ilustrado na Figura 15.

101
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 15 – ELEMENTOS COMPLEMENTARES DE UM RESERVATÓRIO

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 51)

A tubulação de alimentação da caixa d’água consiste no local em que onde


ocorrerá a entrada de água proveniente do sistema público/privado de abastecimento.

O extravasor, também conhecido como “ladrão”, é uma tubulação que


tem como função escoar os eventuais excessos no nível de água do reservatório,
evitando o seu transbordamento. O extravasor deve escoar livremente, de modo
a indicar rapidamente a ocorrência de falhas no sistema. Nesse contexto, são
utilizados dispositivos para controlar a entrada de água e manutenção do nível
operacional desejado. Para este fim são utilizadas torneira de boia ou automático
de boia. A torneira de boia é o dispositivo geralmente utilizado quando o
abastecimento ocorre por gravidade. Já o automático de boia é empregado
quando o abastecimento é composto por sistema de recalque. Este dispositivo fica
localizado em ambos os reservatórios e aciona o motor bomba quando o nível da
água atinge um nível mínimo determinado no reservatório superior, desligando-
se ao atingir o nível máximo do reservatório. Isto posto, o sistema funciona de
maneira independente (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

Como pode ser observado na Figura 15, a tubulação de saída (consumo)


deve preferencialmente estar localizada na parede oposta à da alimentação, com o
intuito de evitar a formação de áreas de estagnação de água. Por fim, também deve
ser prevista uma tubulação de limpeza, destinada à higienização periódica e para
o total esvaziamento em caso de manutenção. Desta forma, deve estar posicionada
em um dos cantos do reservatório (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

O reservatório também apresenta como elemento complementar uma


tubulação de ventilação, com saída veda por uma tela, que tem como finalidade
evitar a retrossifonagem da água e a sua eventual contaminação. A retrossifonagem
corresponde ao refluxo de água servida, contaminada ou poluída para o sistema
de abastecimento de água potável, que ocorre em decorrência de pressões
negativas no sistema.

102
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

5.5 CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS


Para a definição da capacidade total de água potável a ser armazenada, deve
ser considerada a frequência e a duração de eventuais interrupções do abastecimento.
Isto posto, o volume total de água reservado deve atender no mínimo 24 horas
de consumo normal do edifício e deve levar em consideração o volume adicional
de água para combate a incêndio, quando este estiver armazenado conjuntamente
(ABNT NBR 5626, 2020). Carvalho Júnior (2017) destaca que a reserva de incêndio
deverá ser acrescida à capacidade destinada ao consumo quando armazenada no
reservatório superior ou em um reservatório independente.

De acordo com Creder (2006), recomenda-se prever reservatórios com


a capacidade suficiente para dois diais de consumo, de forma que 60% sejam
armazenados no reservatório inferior e 40% no reservatório superior. Além disso,
o autor salienta que deve ser previsto uma reserva destinada ao combate de
incêndios, estimada em 15 a 20% do consumo diário. Para residências de pequeno
porte, Carvalho Júnior (2017) recomenda uma reserva mínima de 500 L. Desta
forma, a capacidade de um reservatório pode ser calculada pela Equação 4.

CR = 2 x Cd Equação 4

Onde:
CR – capacidade total do reservatório (L);
Cd – consumo diário (L/dia).

Nesse contexto a NBR 5626 (ABNT, 2020) define que o volume total de
água potável armazenada no reservatório deve ser limitado a um valor que
assegure a sua potabilidade dentro do período de detenção médio. Contudo,
na impossibilidade de determinar o volume máximo permissível, recomenda-se
limitar o volume total ao valor que corresponda a três dias de consumo diário.

Exemplo de cálculo:
Vamos dimensionar a capacidade de armazenamento dos reservatórios superior
e inferior de um edifício com 10 pavimentos, com quatro apartamentos por
pavimento, sendo que cada apartamento possui dois dormitórios.
Considerando 2 pessoas por quarto :
P = (2 x 2) = 4 pessoas/apartamento
N = 10 x 4 = 40 apartamentos
P = 4 pessoas/apartamento x 40 apartamentos = 160 pessoas
De acordo com a TABELA 2, considerando que para apartamentos o consumo per
capita é de 200 L/dia calculamos o consumo diário:
Cd = P x q = 160 x 200 = 32.200 L
O volume a ser reservado corresponde ao dobro do consumo diário:
CR = 2 x Cd = 2 x 32.000 = 64.000 L
Considerando que a reserva destinada ao combate de incêndio deve ser de 15% a
20% o consumo diário, a reserva de incêndio (RIC):
RIC = 0,2 x Cd = 0,2 x 32.200 = 6.400 L

103
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

Considerando que a reserva destinada ao combate de incêndio será armazenada


no reservatório superior e que 60% do volume destinado ao consumo será
armazenado no reservatório inferior e 40% no superior:
RS = 0,4 x CR = 0,4 x 64.000 + 6.400 = 25.600 + 6.400 = 32.000 L
RI = 0,6 x CR = 0,6 x 64.000 = 38.400 L

6 REDE DE DISTRIBUIÇÃO
A rede de distribuição de um sistema predial de água fria é composta por
um conjunto de tubulações que interligam os pontos de utilização ao reservatório
da edificação. Nesse contexto, recomenda-se a divisão da rede de distribuição em
função dos pontos de consumo. Para isso, os pontos de consumo dos banheiros
usualmente são alimentados por uma tubulação independente, e os pontos
de consumo da cozinha e lavanderia por outra tubulação. Essa divisão torna a
canalização mais econômica, visto que quanto menor o número de pontos de
utilização de uma rede, menor o diâmetro da canalização e, assim, menor o seu
custo (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

6.1 BARRILETE
O conjunto de tubulações que saem do reservatório e alimentam as colunas
de distribuição são denominadas de barrilete. O barrilete pode ser classificado
em dois tipos, sendo estes: concentrado ou ramificado, conforme ilustrado na
FIGURA 16. O tipo concentrado permite que os registros de operação fiquem
localizados em uma área restrita, facilitando a segurança e controle do sistema.
Já o tipo ramificado apresenta os registros com um maior espaçamento e é mais
econômico, visto que possibilita uma menor quantidade de tubulações junto ao
reservatório (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

FIGURA 16 – BARRILETE A) CONCENTRADO E B) RAMIFICADO

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 17)

104
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

6.2 COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO, RAMAIS E SUB-RAMAIS


As colunas de distribuição são as tubulações que saem do barrilete e
desenvolvem-se verticalmente alimentando os ramais. De acordo com a NBR
5626 (ABNT, 2020), deve ser prevista setorização através da utilização de
registro de fechamento ou de dispositivo de idêntica finalidade na coluna de
distribuição, posicionado à montante do primeiro ramal, conforme pode ser
observado na Figura 17.

FIGURA 17 – EXEMPLIFICAÇÃO DA SETORIZAÇÃO DAS COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013)

Os ramais correspondem às tubulações que derivam das colunas de


distribuição e são destinadas a alimentar os sub-ramais. Os sub-ramais, por sua
vez, são responsáveis por ligar os ramais aos pontos de utilização e aparelhos
sanitários. A NBR 5626 (ABNT, 2020) estabelece que deve ser previsto registro
de fechamento ou dispositivo de idêntica finalidade no ramal, posicionado a
montante do primeiro sub-ramal em ao menos um dos ambientes sanitários da
unidade autônoma

6.3 MATERIAIS UTILIZADOS


De acordo com Carvalho Júnior (2017) existem diversos componentes
que são utilizados em sistemas prediais de água fria, sendo estes: tubos e
conexões, válvulas, registros, hidrômetros, bombas, reservatórios, dentre outros.
Os materiais mais empregados para a tubulação são o cloreto de polivinila
(PVC), o aço galvanizado e o cobre. Nessa conjuntura, os tubos e conexão de
PVC são amplamente utilizados em função da leveza e facilidade de transporte
e manuseio, durabilidade, resistência à corrosão, facilidade de instalação, baixo
custo e reduzida perda de carga. Entretanto apresentam como desvantagens a
baixa resistência ao calor e a degradação quando expostos por longos períodos

105
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

ao sol. Já os tubos de aço galvanizado geralmente são utilizados em instalações


aparentes e nos sistemas de combate a incêndio. Por fim, destaca-se que as
tubulações de cobre são mais empregadas nas instalações de água quente
(CARVALHO JÚNIOR, 2017).

6.4 DISPOSITIVOS CONTROLADORES DE FLUXO


Os dispositivos controladores de fluxo têm como objetivo controlar,
interromper e estabelecer o fluxo de água nas tubulações e aparelhos sanitários.
Os dispositivos mais utilizados são: torneiras, misturadores, registros de gaveta,
registros de pressão, válvulas de descarga (Figura 18a), válvulas de retenção
(Figura 18b), válvulas de alívio ou redutoras de pressão (Figura 18c).

FIGURA 18 – EXEMPLO DE VÁLVULA DE DESCARGA (A), VÁLVULA DE RETENÇÃO (B) E VÁLVULA


REDUTORA DE PRESSÃO (C)

FONTE: <https://bit.ly/3m6jsuT>. Acesso em: 9 jun. 2021.

Nesse contexto, o registro de gaveta (Figura 19a) funciona totalmente


aberto ou fechado, e tem como finalidade fechar o fluxo de água para a manutenção
da rede. Já o registro de pressão (Figura 19b) controla a vazão que passa pela
tubulação, como exemplo cita-se o registro instalado na tubulação de um chuveiro.
A Figura 19 exemplifica bem a diferença no mecanismo de funcionamento entre
os dois tipos de registros anteriormente apresentados, enquanto o registro de
gaveta possibilita interromper totalmente o fluxo de água, o registro de pressão
permite o controle do fluxo de água (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

FIGURA 19 – EXEMPLO DE REGISTRO DE GAVETA (A) E REGISTRO DE PRESSÃO (B)

FONTE: <https://bit.ly/3zPvJJ8> Acesso em: 9 jun. 2021.

106
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: INTRODUÇÃO

Neste tópico foram apresentados os principais elementos que compõem


um sistema predial de água fria. Posteriormente, foram discutidas as formas
de abastecimento de água de uma edificação e as particularidades de cada
sistema, bem como as situações em que os sistemas direto, indireto e misto são
recomendados. Nessa conjuntura, quando existem problemas de interrupção,
irregularidades e variações na pressão na rede de abastecimento o sistema
indireto ou misto são os mais adequados. Também foram apresentadas algumas
recomendações para a estimativa do consumo diário de água de uma edificação
e do volume a ser armazenado nos reservatórios superior e inferior. Além disso,
destacou-se elementos complementares de um reservatório que são fundamentais
para o seu correto funcionamento e que tem como objetivo evitar a interrupção,
vazamentos, sobre pressões e a contaminação da água da rede de abastecimento.
Por fim, foram elencados os dispositivos controladores de fluxo que também
compõem um sistema predial de água fria.

107
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• O abastecimento de um sistema predial de água fria pode ser do tipo direto,


indireto ou misto.

• A estimativa do consumo diário de água de uma edificação leva em consideração


a população que ocupa o edifício e o consumo per capita.

• Para o dimensionamento da capacidade dos reservatórios considera-se o


consumo de água de dois dias.

• 60% do volume de água reservado deve ser armazenado no reservatório


inferior e 40% no reservatório superior.

108
AUTOATIVIDADE

1 No sistema de abastecimento indireto utiliza-se um reservatório para


armazenamento de água, visando a garantia da sua regularidade. Tendo
isso em vista, calcular a capacidade do reservatório de um hotel que pode
acomodar 40 hóspedes.

a) ( ) 4.800 L.
b) ( ) 5.300 L.
c) ( ) 6.200 L.
d) ( ) 9.600 L.

2 Quando a pressão da rede de abastecimento não é suficiente para alimentar


diretamente o reservatório superior, utiliza-se um sistema de recalque,
que é composto por dois reservatórios, sendo um superior e outro inferior.
Diante disso, calcular a capacidade dos reservatórios inferior e superior
de uma biblioteca com 1.540 m2 de área útil. Considerar o consumo de 50
litros per capita.

a) ( ) RI = 11.200 L e RS = 16.800 L.
b) ( ) RI = 16.800 L e RS = 11.200 L.
c) ( ) RI = 8.400 L e RS = 5.600 L.
d) ( ) RI = 5.600 L e RS = 8.400 L.

3 Calcular a capacidade dos reservatórios inferior e superior de um edifício


residencial de doze pavimentos, com dois apartamentos por pavimento, sendo
que cada apartamento possui dois dormitórios. Adotar reserva de incêndio de
15 mil litros, prevista para ser armazenada no reservatório superior.

4 A determinação do consumo diário e volume a ser armazenado


nos reservatórios de uma edificação são os primeiros passos para o
dimensionamento de um sistema de água fria. Tendo isso em vista, calcular
o volume de água a ser armazenado nos reservatórios de uma loja composta
por dois pavimentos, considerando que a área útil do pavimento térreo é de
350 m² e do pavimento superior é de 150 m².

5 As instalações prediais de água fria compreendem o conjunto de tubulações,


equipamentos, reservatórios e dispositivos, destinados ao abastecimento de
água em uma edificação. A respeito deste sistema classifique as afirmações
em Verdadeiras e Falsas:

109
a) ( ) O sistema de recalque é utilizado quando o reservatório superior não
pode ser alimentado diretamente pela rede pública em decorrência da
pressão insuficiente.
b) ( ) 60% da capacidade dos reservatórios deve ser armazenada no
reservatório superior e 40% no reservatório inferior.
c) ( ) O barrilete do tipo ramificado é mais econômico, uma vez que é
caracterizado por uma menor quantidade de tubulações junto ao
reservatório.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.

110
TÓPICO 2 —
UNIDADE 2

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA:


DIMENSIONAMENTO E PROJETO

1 INTRODUÇÃO

De maneira geral, o projeto de uma instalação predial de água fria


engloba três etapas, sendo estas: planejamento, dimensionamento, desenhos
e memoriais descritivos. A etapa de planejamento deve levar em consideração
todas as normas técnicas pertinentes, bem como as particularidades e os fatores
intervenientes de cada edificação. Posteriormente é realizada a estimativa do
consumo da edificação e o dimensionamento propriamente dito de todas as
tubulações, equipamentos, reservatórios e dispositivos que constituem o sistema
predial. Por fim, as plantas, isométricos e detalhes construtivos necessários para
o correto entendimento do projeto são elaborados. Nessa última etapa também é
definida a relação de materiais, equipamentos, o orçamento e os procedimentos
de execução (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

De acordo com a NBR 5626 (ABNT, 2020), os projetos de água fria devem
contemplar os seguintes elementos: premissas de cálculo; critérios e métodos de
dimensionamento; memorial descritivo; volume de armazenamento; pressões de
trabalho; fontes de abastecimento de água; previsão de dispositivos de segurança;
desenho, detalhes e diagramas verticais que facilitem a compreensão do projeto;
especificação da operação e controle de dispositivos elétricos; especificação
dos componentes e aparelhos sanitários e, por fim, a vida útil do projeto e os
procedimento e periodicidade de manutenções. Nessa conjuntura, é importante
salientar que o projeto de instalações prediais de água fria deve ser desenvolvido
de maneira concomitante aos projetos arquitetônicos, estruturais, de modo a
garantir uma compatibilização entre todos os requisitos técnicos, econômicos e
de segurança envolvidos (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

Diante disso, no Tópico 2 os dimensionamentos do ramal predial, hidrô-


metro, alimentador predial, sistema elevatório e tubulações serão apresentados.
Adicionalmente, serão abordados aspectos relacionados com a representação
gráfica de projetos prediais de água fria.

111
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

2 RAMAL PREDIAL
Para o dimensionamento do ramal predial pode-se estimar a vazão
mínima (Qmín) através da Equação 5 e o diâmetro mínimo (Dmin) com base na
Equação 6. Para o cálculo, admite-se que o abastecimento de água é contínuo e
que a vazão deve ser suficiente para atender ao consumo diário por 24 horas. Em
relação à velocidade, recomenda-se adotar valor na faixa de 0,6 m/s < V < 1,0 m/s
(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

Equação 5

Equação 6

Onde:
Cd – consumo diário (L);
Qmin – vazão mínima (L/s);
Dmin – diâmetro mínimo (m);
V – velocidade (m/s).

Botelho e Ribeiro Junior (2013) mencionam que é necessário consultar


a concessionária responsável pelo abastecimento para a definição do diâmetro
do ramal predial. Além disso, os autores comentam que o diâmetro usualmente
adotado por grande parte das concessionária é o de 25 mm (3/4”) para residências.

Exemplo de cálculo:
Considerando uma edificação com consumo diário de 20.000L dimensionaremos
o diâmetro do ramal predial que abastecerá o edifício.
Cd = 20.000 L

Após a determinação da vazão mínima, calcularemos o diâmetro mínimo da


tubulação. Para isso, adotaremos uma velocidade mínima de 0,6 m/s. Esse valor
foi adotado porque refere-se à situação mais desfavorável, ou seja, a que resultará
em maior diâmetro, evitando assim subdimensionamento da tubulação.

O diâmetro calculado é de 22,16 cm. Desta forma, adotaremos o diâmetro


comercial mais próximo deste valor, que é 25 mm.

112
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

3 HIDRÔMETRO
As características do hidrômetro, cavalete e abrigo são definidas pelas
concessionárias locais com base na vazão prevista para a edificação. Na Tabela
3 são exemplificadas algumas especificações para os hidrômetros em função
da vazão provável diária (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013). Como pode
ser observado na tabela, a partir do consumo provável diário da edificação, as
concessionárias usualmente recomendam a vazão característica do hidrômetro,
assim como o diâmetro do cavalete e as dimensões do abrigo do hidrômetro.

TABELA 3 – ESPECIFICAÇÕES HIDRÔMETRO

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 36)

4 ALIMENTADOR PREDIAL
Para o dimensionamento do alimentador predial deve-se adotar o mesmo
diâmetro calculado para o ramal predial, a partir das Equações 5 e 6 previamente
apresentadas. Destaca-se que para as edificações caracterizadas por um sistema
de abastecimento direto, o ramal predial também atuará como um sistema de
distribuição e, portanto, deverá ser dimensionado como barrilete, como será
apresentado nos subtópicos a seguir (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

5 SISTEMA ELEVATÓRIO
O trecho que conduz a água da bomba até o reservatório superior é
denominado de tubulação de recalque. O dimensionamento do diâmetro desta
tubulação é realizado com base na fórmula de Forchheimer, conforme a Equação
7 (CREDER, 2006).

Equação 7

Onde:
D – diâmetro (m);
Q – vazão (m³/s);
X – horas de funcionamento em 24 horas.

113
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

A Equação 7 originou o ábaco apresentado na Figura 20. A partir dos


dados de entrada: vazão e tempo de funcionamento, obtém-se o diâmetro da
tubulação de recalque.

FIGURA 20 – ÁBACO PARA DETERMINAÇÃO DO DIÂMETRO DA TUBULAÇÃO DE RECALQUE

FONTE: CREDER (2006, p. 31)

NOTA

O ábaco consiste em um instrumento para fazer cálculos matemáticos. Como


pode ser observado na Figura 21, simplifica o dimensionamento do diâmetro da tubulação
de recalque de um sistema elevatório.

114
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

E
IMPORTANT

A Tabela 4 apresenta a conversão de diâmetros expressos em polegadas para


a unidade de milímetros.

TABELA 4 – CONVERSÃO POLEGADAS EM MILÍMETROS

Fonte: A autora (2021)

Deve-se adotar para a tubulação de sucção no mínimo um diâmetro comer-


cial acima do diâmetro adotado para a tubulação de recalque (CREDER, 2006).

O recalque em edificações usualmente é realizado através de bombas


centrífugas acionadas por motores elétricos. Para o dimensionamento da potência
da bomba, é necessário determinar a altura manométrica, a vazão e o rendimento
do conjunto de motor-bomba (CREDER, 2006). Desta forma, como pode ser
observado na Figura 21, a altura manométrica corresponde a soma das alturas
geométricas de sucção e recalque e das alturas atribuídas às perdas dos trechos
de sucção e recalque.

FIGURA 21 – REPRESENTAÇÃO DA ALTURA MANOMÉTRICA

FONTE: A autora (2021)

115
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

TUROS
ESTUDOS FU

O conceito de perda de carga das tubulações será abordado com maior


profundidade no próximo subtópico desta apostila.

A potência do conjunto motor-bomba pode ser determinada de acordo


com a Equação 8, onde P é a potência (CV), H a altura manométrica (m), Q a
vazão (m³/s) e n o rendimento do conjunto motor-bomba (CREDER, 2006).

Equação 8

Nesse contexto, alguns fabricantes também fornecem alguns ábacos para


a determinação da potência do conjunto motor-bomba, conforme exemplificado
na Figura 22.

FIGURA 22 – ÁBACOS PARA A SELEÇÃO DO CONJUNTO MOTOR-BOMBA

FONTE: KBS (2005, p. 6)

116
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

6 DIMENSIONAMENTO DAS TUBULAÇÕES


As tubulações em sistemas prediais de água fria trabalham como condutos
forçados. Diante disso, para o dimensionamento incialmente é necessário definir
e caracterizar os seguintes parâmetros hidráulicos: vazão, velocidade, perda
de carga e pressões. A partir da definição da vazão, com base no consumo dos
diversos pontos de utilização da edificação, e da velocidade, usualmente fixada
em no máximo 3 m/s, por intermédio de ábacos obtém-se a e perda de carga
e o diâmetro mais adequado para o projeto. Definidos todos estes parâmetros,
verifica-se a pressão mínima nos diversos pontos de utilização e a pressão máxima
nos equipamentos e na tubulação (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

6.1 VAZÃO
A vazão deve atender as condições mínimas estabelecidas previamente no
projeto da instalação, de forma a evitar que o uso simultâneo de peças de utilização
possa comprometer o fornecimento de água e acarretar desconfortos ao usuário. De
maneira geral, a vazão mínima está atrelada ao bom funcionamento dos equipamen-
tos de utilização e dos sub-ramais (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

No que tange à vazão, a NBR 5626 (ABNT, 2020) estabelece que o projeto
deve elencar as vazões consideradas nos pontos de utilização dos aparelhos
sanitários para o dimensionamento de distribuição, quando um ou mais pontos
de utilização foram considerados em uso. Além disso, o projeto deve conter as
vazões máximas consideradas nos pontos de utilização.

6.2 VELOCIDADE
Em relação à velocidade das tubulações, as mesmas devem ser
dimensionadas de modo a limitar a velocidade de escoamento com o intuito de
evitar a geração e a propagação de ruídos excessivos. Além disso, a limitação da
velocidade também deve evitar golpes de aríete com intensidades que podem
trazer prejuízos aos componentes da instalação. Diante disso, recomenda-se um
limite máximo de velocidade de água de 3 m/s. Este valor não evita o golpe de
aríete, contudo limita a intensidade dos picos de sobre pressão (NBR 5626, 2020).

A velocidade pode ser verificada a partir da Equação 9, onde “Q” é a


vazão na tubulação (m³/s) e “A” a área da seção interna da tubulação (m²),

Equação 9

117
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

6.3 PERDA DE CARGA


Durante o escoamento de um fluido ocorre a perda de energia em função
do atrito resultante do movimento relativo entre suas partículas. Desta forma, a
perda de carga pode ser caracterizada como a diferença entre as energias inicial e
final de um líquido, quando o mesmo flui em uma tubulação de um ponto a outro
(CARVALHO JÚNIOR, 2014). Nesse sentido, conforme ilustrado na Figura 23, as
perdas de cargas podem ser classificadas em:

• Perda de carga distribuída: ocorre ao longo de toda a tubulação em decorrência


do atrito da água.
• Perda de carga localizada: perdas ocasionadas por conexões, válvulas, registros,
dentre outros em função da turbulência nessas regiões.

FIGURA 23 – EXEMPLOS DE PERDA DE CARGA

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 89)

E
IMPORTANT

O somatório das parcelas de perdas de carga distribuída e localizada


corresponde à perda de carga total no trecho analisado.

Nesse âmbito, a intensidade da perda de carga está atrelada a dois


aspectos, sendo estes: viscosidade e turbulência. Diante disso, quanto maior
o comprimento da tubulação e o número de conexões, maior a ocorrência de
atritos e choques e, consequentemente, maior a perda de carga. Outro fator que
exerce influência sobre as perdas de carga está relacionado com a rugosidade e
o diâmetro dos tubos. De maneira análoga, quanto maior a rugosidade e menor
o diâmetro, maiores os valores de perda de carga. Cabe salientar que quanto
maior a perda de carga de um sistema, menor a pressão disponível nas peças de
utilização, o que pode trazer problemas no funcionamento dos mesmos. Como
todo escoamento está associado a perdas de carga, deve-se buscar reduzir estes
valores a níveis aceitáveis que não comprometam o fornecimento de pressão das
peças de utilização (CARVALHO JÚNIOR, 2014).
118
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

A perda de carga distribuída pode ser calculada através de diversas


equações. A fórmula de Fair-Whipple-Hsiao usualmente é indicada para o
dimensionamento da tubulação de instalações prediais de água fria e quente, as
quais são caracterizadas por trechos curtos de tubulação, diâmetros inferiores
geralmente inferiores a 100 mm. A perda de carga distribuída de tubulações de
aço galvanizado e ferro fundido podem ser calculadas a partir da Equação 10. Já
as perdas de carga de tubulações de cobre ou plástico são calculadas através da
Equação 11.

Q=27,113 x J^⁰,⁶³² x D^²,⁵⁹⁶ Equação 10

Q=55,934 x J^⁰,⁵⁷¹ x D^²,⁷¹⁴ Equação 11

Onde:
Q – vazão (m³/s);
J – perda de carga (m/m);
D – diâmetro (m).

Além disso, também podem ser utilizados ábacos para simplificar o


dimensionamento das tubulações. A Figura 24 contém o ábaco de Fair-Whipple-
Hsiao para a determinação da perda de carga de tubulações de aço galvanizado e
ferro fundido. E a Figura 25 o ábaco para as tubulações de cobre e PVC.

FIGURA 24 – ÁBACO DE FAIR-WHIPPLE-HSIAO PARA TUBULAÇÕES DE AÇO GALVANIZADO E


FERRO FUNDIDO

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 92)

119
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 25 – ÁBACO DE FAIR-WHIPPLE-HSIAO PARA TUBULAÇÕES DE


COBRE E PLÁSTICO

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 93)

A utilização dos ábacos apresentados na Figura 24 e Figura 25 é bastante


simples. Para a determinação da perda de carga distribuída (m/m), basta entrar
no ábaco com o diâmetro da tubulação ( polegadas ou mm) e com a vazão (L/s),
traçando uma reta passando pelos respectivos valores de D e Q e verificar em
qual valor a linha intercepta o eixo relativo à perda de carga. Para exemplificar,
considerando uma tubulação de PVC com D = 40 mm e Q = 1,2 L/s, obtém-se uma
perda de carga de aproximadamente J= 0,03 m/m, conforme pode ser observado
na Figura 26.

120
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

FIGURA 26 – EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO ÁBACO DE FAIR-WHIPPLE-HSIAO PARA


TUBULAÇÕES DE PLÁSTICO

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 93)

É pertinente salientar que em relação aos tubos de aço galvanizado e ferro,


os tubos de PVC resultam em menores perdas de carga, porque são caracterizados
por paredes mais lisas (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

As perdas de carga localizadas são convertidas em um comprimento


equivalente de tubulação, conforme apresentado na Figura 27.

121
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 27 – PERDA DE CARGA LOCALIZADA - COMPRIMENTOS EQUIVALENTES EM METROS


DE TUBULAÇÃO DE PVC

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 94)

6.4 PRESSÕES
Em relação as pressões nas tubulações prediais, podem ser definidos
três conceitos: pressão estática, aquela que ocorre nos tubos quando a água está
parada, pressão dinâmica, que ocorre quando a água está em movimento e , por
fim, pressão de serviço, que consiste na máxima pressão que pode ser aplicada na
tubulação, conexão, ou qualquer outro tipo de dispositivo quando em uso normal
(CARVALHO JÚNIOR, 2014). A Figura 28 ilustra as pressões estática e dinâmica.

FIGURA 28 – PRESSÕES ESTÁTICA E DINÂMICA

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 77 e 78)

122
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

NOTA

As pressões são expressas nas unidades descritas a seguir:


1 kgf/cm² = 10 m.c.a (metro de coluna d’água) = 100 kPa = 0,1 MPa.

A NBR 5626 (ABNT, 2020) define que nos pontos de utilização a pressão
dinâmica de água não pode ser inferior a 10 kPa (1 m.c.a). Já no sistema de
distribuição, a pressão dinâmica deve ser de pelo menos 5 kPa (0,5 m.c.a). Esses
valores objetivam impedir que o ponto crítico da rede de distribuição possa
apresentar pressão negativa e para que as peças de utilização tenham um bom
funcionamento (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

No que tange à pressão estática, a NBR 5626 (ABNT, 2020) estabelece


que o valor não pode superar 400 kPa (40 m.c.a) nos pontos de utilização. Essa
restrição tem o intuito de limitar a pressão e a velocidade da água, a fim de evitar
ruídos indesejados, o golpe de aríete e atender o limite de pressão nas tubulações
e aparelhos de consumo. Tendo isto em vista, a diferença entre a altura do
reservatório superior e o ponto mais baixo da instalação não deve ser superior a 40
metros. Desta maneira, considerando um pé-direito de 3 m, um número superior
a 13 pavimentos não pode ser abastecido diretamente pelo reservatório superior,
sem a devida proteção do sistema (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

Segundo Carvalho Júnior (2014), a solução mais usual em edifícios altos,


caracterizados por pressão estática superior a 40 m.c.a, é a utilização de válvulas
automáticas de redução de pressão. Esses dispositivos reguladores de pressão
podem ser instalados em pontos intermediários da edificação ou no subsolo do
prédio. Uma alternativa também é a utilização de reservatórios intermediários.
As duas soluções mencionadas anteriormente são ilustradas na FIGURA 29.

FIGURA 29 – SOLUÇÕES PARA A REDUÇÃO DA PRESSÃO DE ÁGUA EM EDIFÍCIOS ALTOS

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 82 e 83).

123
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

Adicionalmente, a NBR 5626 (ABNT, 2020) também menciona que


eventuais sobre pressões também devem ser consideradas no dimensionamento
das tubulações. Em relação a isso, a norma define que as sobre pressões em relação
à pressão dinâmica de projeto, não devem superar 200 kPa (20 m.c.a).

Exemplo de cálculo:
Determinar a perda de carga total de uma tubulação de PVC com 11 metros de
comprimento com uma vazão de Q = 0,95 L/s e diâmetro D = 40 mm. Considerar
que na tubulação existe um registro de gaveta e um joelho de 90⁰.

A perda de carga distribuída pode ser determinada a partir do ábaco da Figura 25.
D = 40 mm e Q = 0,95 L/s – Ábaco da FIGURA 25 – J = 0,02 m/m
Perda de carga distribuída – J x L = 0,02 m/m x 11 m = 0,22 m.c.a
A perda de carga localizada pode ser determinada a partir da FIGURA 27.
Registro de gaveta – 0,4 m
Joelho 90⁰ - 2 m
Comprimento equivalente – Leq = 2 m + 0,4 m = 2,4 m – Leq = 2,4 m
Perda de carga localizada – J x Leq = 0,02 m/m x 2,4 m = 0,048 m.c.a

Perda de carga total = perda de carga distribuída + perda de carga local


Perda de carga total = 0,22 + 0,048 = 0,268 m.c.a

6.5 SUB-RAMAIS
Cada equipamento de utilização deve ter o seu sub-ramal com um diâmetro
mínimo, de acordo com a TABELA 5. Além disso, é importante considerar que
cada equipamento possui uma pressão mínima de serviço para apresentar um
bom funcionamento, assim como um limite máximo para as pressões dinâmicas
e estáticas Carvalho Júnior (2014).

TABELA 5 – DIÂMETROS MÍNIMOS DOS SUB-RAMAIS

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 48)

124
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

6.6 RAMAIS
Após a definição de quais aparelhos de utilização serão atendidos
por cada ramal, inicia-se o dimensionamento dos mesmos. Nesse contexto,
existem duas abordagens para o dimensionamento das tubulações, sendo
estas: consumo máximo possível e consumo máximo provável. A abordagem
do consumo máximo possível considera que todos os aparelhos de um ramal
podem funcionar ao mesmo tempo. Este tipo de abordagem é recomendado para
locais onde a utilização de peças é simultânea, como, por exemplo em quartéis,
escolas, estabelecimentos industriais, dentre outros. Contudo, como em termos
práticos a utilização de todos os aparelhos é pouco usual, surge a abordagem do
consumo máximo provável, a qual se baseia na hipótese de que o uso simultâneo
dos aparelhos de um mesmo ramal é pouco provável e que a probabilidade
do uso simultâneo diminuir com o aumento no número de aparelhos. Diante
disso, é evidente que a última abordagem citada conduz a diâmetros inferiores,
em comparação ao método do consumo máximo possível (BOTELHO; RIBEIRO
JUNIOR, 2013).

Nesse contexto, no método do consumo provável, foram estabelecidos


pesos para os equipamentos de utilização, conforme pode ser observado na Tabela
6. Já a vazão do trecho analisado pode ser calculada pela Equação 12 (BOTELHO;
RIBEIRO JUNIOR, 2013).

Equação 12

Onde:
Q – vazão (L/s);
C – coeficiente de descarga, adotado como 0,3 L/s;
P – soma dos pesos dos equipamentos de utilização do trecho analisado.

TABELA 6 – PESOS ATRIBUÍDOS AOS EQUIPAMENTOS DE UTILIZAÇÃO

125
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 54)

Após a obtenção dos pesos dos equipamentos de utilização, somam-se


os pesos para cada trecho analisado e, posteriormente, utiliza-se o nomograma
de pesos, vazões e diâmetros, apresentado na Figura 30 para a obtenção dos
diâmetros e vazões prováveis. Salienta-se que esse nomograma já leva em
consideração a velocidade máxima estabelecida pela norma de água fria
(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

FIGURA 30 – NOMOGRAMA DE PESOS, VAZÕES E DIÂMETROS

FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 52)

126
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

Para exemplificar a utilização do ábaco da Figura 30 vamos determinar o


diâmetro de uma tubulação que alimenta aparelhos de utilização que totalizam
um somatório de pesos ΣP = 5,0. Basta entrar no ábaco com o somatório de pesos
(ΣP = 5,0) e o diâmetro é obtido diretamente, que no caso do exemplo é de D = 25
mm, como pode ser observado na FIGURA 31.

FIGURA 31 – EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO NOMOGRAMA DE PESOS, VAZÕES E DIÂMETROS

FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2013, p. 52)

6.7 COLUNAS DE ÁGUA


O dimensionamento das colunas de água é feito de maneira análoga ao
dimensionamento dos ramais. O procedimento consiste em efetuar a soma dos
pesos dos aparelhos de utilização em cada trecho e, posteriormente, determinar
a vazão e, por fim, o diâmetro das tubulações. Destaca-se que cada coluna deve
conter um registro de gaveta localizado a montante do primeiro ramal. Além disso,
as colunas que alimentam equipamentos de utilização sujeitos a retrossifonagem
(pressão negativa ou refluxo), devem ter ventilação própria, de forma que o
diâmetro da coluna de ventilação deverá ser igual ou superior ao diâmetro da
coluna de distribuição de onde deriva (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

127
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

E
IMPORTANT

Recomenda-se utilizar coluna específica para válvulas de descarga, para


segurança contra refluxo e para evitar interferências com os demais pontos de utilização
(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

6.8 BARRILETE
Quanto ao dimensionamento do barrilete, inicialmente é necessário definir
se o mesmo será do tipo ramificado ou concentrado. Posteriormente, o cálculo
é feito com base no mesmo procedimento de dimensionamento das colunas e
ramais. Deve-se somar os pesos das colunas e calcular o diâmetro do barrilete,
trecho a trecho. Recomenda-se adotar o diâmetro comercial imediatamente
superior ao valor calculado, para evitar o subdimensionamento das tubulações
(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2013).

NOTA

A Figura 32 exemplifica os diâmetros comerciais de tubos soldáveis de PVC.


Como pode ser observado, os diâmetros variam entre 20 e 110 mm. Neste contexto,
considerando que o valor do diâmetro calculado de um tubulação de PVC é de 23 mm,
recomenda-se adotar o diâmetro comercial imediatamente superior ao valor calculado,
que para este exemplo é de 25 mm.

FIGURA 32 – EXEMPLOS DE DIÂMETROS COMERCIAIS PARA TUBULAÇÃO DE ÁGUA


FRIA - TUBO DE PVC SOLDÁVEL

FONTE: <https://bit.ly/3ieKbVf>. Acesso em: 10 jun. 2021

128
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

Exemplo de cálculo:
Dimensionaremos o diâmetro de uma coluna d’água de uma residência que
alimenta um banheiro com um lavatório, um chuveiro elétrico e uma banheira.
Inicialmente determinaremos o peso de cada aparelho de utilização consultando
a Tabela 6.
Lavatório – P = 0,3
Chuveiro – P = 0,1
Banheira – P = 1,0
Posteriormente realizamos a soma dos pesos dos equipamentos de utilização
ΣP = 0,3 + 0,1 + 1,0 = 1,4
Após isso, calculamos a vazão:

Utilizar o ábaco da FIGURA 30 para determinar o diâmetro da tubulação


Entrar com o ΣP = 1,4 e Q = 0,35 L/s - Obtemos o diâmetro D = 20 mm

7 PROJETOS DE INSTALAÇÕES PREDIAIS


Nos subtópicos a seguir serão abordados aspectos sobre a representação
gráfica de projetos de instalações prediais de água fria e as alturas usuais dos
pontos de entrada de água.

7.1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA


Considerando que o traçado das instalações prediais de água fria é base-
ado no projeto arquitetônico, é de fundamental importância que as peças sanitá-
rias e o equipamentos estejam corretamente definidos e identificados (CARVA-
LHO JÚNIOR, 2014). Nesse contexto, com o intuito de facilitar a compreensão do
projeto de água fria, também é usual a utilização de esquemas verificais, como o
exemplificado na Figura 33.

129
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 33 – EXEMPLO DE ESQUEMA VERTICAL DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA

FONTE: <https://bit.ly/3m8I5qS>. Acesso em: 22 maio 2021.

Além disso, uma alternativa para melhorar a visualização da rede de


distribuição de água fria é a utilização de esquemas isométricos (Figura 34) para a
representação dos equipamentos sanitários. Desta forma, os detalhes isométricos
geralmente são elaborados na escala 1:20 ou 1:25 (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

130
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA: DIMENSIONAMENTO E PROJETO

FIGURA 34 – EXEMPLO DE DETALHE ISOMÉTRICO

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 68)

Como pode ser observado na Figura 34, os detalhes isométricos facilitam


o entendimento e a representação do projeto de instalação de água fria, com a
identificação dos aparelhos de utilização, dos sub-ramais, ramais e colunas
d’água. Este tipo de detalhe possibilita a identificação do diâmetro das tubulações
e a representação de dispositivos controladores de fluxo como, no caso deste
exemplo, da válvula de descarga (VD), registro de gaveta (RG) e registro de
pressão (RP). Além disso, conforme previamente citado, a coluna d’água que
alimenta a válvula de descarga (AF1) é independente dos demais aparelhos
para evitar a interferência com os demais pontos de utilização, como pode ser
verificado na figura em questão.

7.2 ALTURA DOS PONTOS


A localização dos pontos de entrada de água e demais elementos de
um projeto de água fria pode variar em função dos modelos dos equipamentos
de utilização. Contudo, as alturas mais utilizadas para os diversos tipos de
equipamentos são apresentadas na Tabela 7 (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

131
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

TABELA 7 – ALTURA USUAL DOS PONTOS DE UTILIZAÇÃO

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014)

Neste tópico foram abordados os métodos de dimensionamento de


um sistema predial de água fria, desde o ramal predial até os sub-ramais que
alimentam os aparelhos de utilização. De maneira geral, o dimensionamento é
feito a partir de equações e ábacos, em função do material da tubulação. Nesse
contexto, a velocidade nas tubulação não pode ser excessiva e o sistema deve ser
dimensionado de forma a minimizar as perdas de carga localizadas e distribuídas.
Por fim, foram discutidos alguns aspectos sobre a representação gráfica de
projetos de instalações de água fria.

132
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Recomenda-se um limite máximo da velocidade de água nas tubulações de 3 m/s.

• A perda de carga em uma tubulação pode ser do tipo distribuída ou localizada.

• A pressão dinâmica de água não pode ser inferior a 10 kPa (1 m.c.a) nos pontos
de utilização.

• A pressão estática não pode ser superior a 400 kPa (40 m.c.a) nos pontos de
utilização.

133
AUTOATIVIDADE

1 Considere uma instalação predial caracterizada por um reservatório com


o nível mínimo de água localizado na cota 42 m e um chuveiro localizado
na cota 35 m, com perda de carga total entre o reservatório e o chuveiro de
2 m. Qual a pressão dinâmica no chuveiro? O mesmo atenderá a pressão
dinâmica mínima estabelecida pela NBR 5626 (ABNT, 2020)?

a) ( ) 2 m.c.a.
b) ( ) 3 m.c.a.
c) ( ) 4 m.c.a.
d) ( ) 5 m.c.a.

2 Determinar a perda de carga total de uma tubulação de PVC com 23 metros


de comprimento com uma vazão de Q = 1,2 L/s e diâmetro D = 50 mm.
Considerar que na tubulação existe um registro de gaveta, um joelho de 90⁰
e um joelho de 45⁰.

a) ( ) 0,253 m.c.a.
b) ( ) 0,257 m.c.a.
c) ( ) 0,307 m.c.a.
d) ( ) 0,410 m.c.a.

3 Determine o diâmetro do barrilete que alimenta quatro colunas de água com


equipamentos de utilização que totalizam um somatório de pesos de ΣP =
160 . Considerar tubulação de PVC e que a perda de carga é de J = 0,08 m.

a) ( ) 40 mm.
b) ( ) 50 mm.
c) ( ) 55 mm.
d) ( ) 60 mm.

4 O dimensionamento das tubulações de água fria usualmente é realizado


atribuído pesos relativos aos aparelhos de utilização. Tendo isso em vista,
determinar o diâmetro de uma coluna de água que alimenta um lavatório,
uma caixa acoplada, um bidê e um chuveiro.

5 Determine a potência necessária para um conjunto motor-bomba alimentar


um sistema elevatório com Q = 0,005 m³/s, considerando que a altura
manométrica é de 34 m e o rendimento do sistema é de 52%.

134
TÓPICO 3 —
UNIDADE 2

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

1 INTRODUÇÃO

Em algumas edificações o fornecimento de água quente é imprescindível,


tais como hospitais, lavanderias, hotéis, dentre outros. Nesse contexto, a TABELA
8 apresenta alguns valores de temperaturas indicadas para os pontos de utilização
em função do tipo da edificação e necessidades dos usuários. Isto posto, de acordo
com a NBR 5626 (ABNT, 2020), o sistema de armazenamento e distribuição de
água quente deve atender às necessidades dos usuários e aos usos pretendidos.

TABELA 8 – TEMPERATURAS INDICADAS

FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 95)

Nessa conjuntura, o projeto do sistema de distribuição de água quente e,


quando aplicável de armazenamento, deve especificar qual o tipo de sistema de
aquecimento previsto, o volume de água aquecida, as temperaturas máximas e
mínimas de operação, assim como a fonte de calor e a sua respectiva potência.
Além disso, os materiais e componentes especificados devem ser adequados ao
valor máximo de temperatura de utilização. A norma também destaca que devem
ser previstos meios de alívio e proteção dos componentes da tubulação quando a
temperatura exceder o valor máximo previsto (NBR 5626, 2020).

Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos as partes constituintes de um


sistema predial de água quente, os tipos de sistemas de aquecimento, o cálculo
para estimativa do consumo diário de água quente, os tipos de aquecedores
existentes, as fontes de calor dos aquecedores, os materiais usualmente utilizados
no sistema de distribuição, o dimensionamento das tubulações e aspectos sobre o
isolamento térmico das tubulações.

135
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

2 PARTES CONSTITUINTES DE UM SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA


QUENTE
Como pode ser observado na FIGURA 35, o sistema predial de água
quente é composto por: (1) tubulação de água fria para alimentar o sistema de
distribuição de água quente; (2) aquecedores, que podem ser de passagem ou
de acumulação, como será abordado nos tópicos a seguir; (3) dispositivos de
segurança; (4) tubulação de distribuição de água quente e (5) peças de utilização,
como chuveiros, duchas, torneiras, entre outras. Dentre os dispositivos de
segurança destaca-se as válvulas termostáticas e os controladores de pressão. As
válvulas termostáticas visam o controle da temperatura da rede de distribuição,
evitando superaquecimentos que podem trazer prejuízos ao sistema. Já as
válvulas controladoras de pressão visam evitar sobre pressões na tubulação.

FIGURA 35 – PARTES CONSTITUINTES DO SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA QUENTE

FONTE: <https://bit.ly/3EYjYUz>. Acesso em: 24 maio 2021.

3 SISTEMAS DE AQUECIMENTO
Os sistemas de aquecimento podem ser classificados em sistema de
aquecimento individual, aquecimento central privado e aquecimento central
coletivo. Nos subtópicos a seguir, cada tipo de sistema será abordado assim como
as vantagens e desvantagens de cada método.

3.1 SISTEMA DE AQUECIMENTO INDIVIDUAL


O sistema de aquecimento individual é caracterizado pela alimentação
de apenas um ponto de utilização, como, por exemplo, um chuveiro ou torneira
elétrica, como exemplificado na FIGURA 36 (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Como
nesse sistema o equipamento que gera água quente fica localizado no próprio

136
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

ponto de utilização, apresenta como principal vantagem os custos reduzidos, uma


vez que não é necessário um sistema de distribuição de água quente. Além disso,
apresenta uma fácil instalação. Contudo, a vazão de aquecimento fica limitada,
não sendo recomendado para grandes demandas de água quente.

FIGURA 36 – EXEMPLOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO INDIVIDUAIS

FONTE: <https://bit.ly/39Kh5Z8>. Acesso em: 9 jun. 2021.

3.2 SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL PRIVADO


O sistema de aquecimento central privado é caracterizado por atender
a demanda de água quente de uma unidade habitacional inteira, ou seja, é
responsável por alimentar os vários pontos da unidade, como por exemplo de um
apartamento (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Como pode ser observado na Figura
37, cada apartamento possui um aquecedor para atender a demanda de água
quente. Esse sistema é composto por um equipamento que realiza o aquecimento
da água e por uma rede de distribuição, que conduz a água aquecida até os pontos
de utilização. Em decorrência disso, possui um custo de instalação superior em
comparação ao sistema individual de aquecimento. Recomenda-se este tipo de
sistema de aquecimento quando a demanda por água quente é mais elevada e
quando se deseja a instalação de uma rede de água quente.

137
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 37 – EXEMPLO DE SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL PRIVADO

FONTE: <https://bit.ly/3zNAtiu>. Acesso em: 10 jun. 2021.

3.3 SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL COLETIVO


Por fim, o sistema de aquecimento central coletivo é caracterizado por um
único conjunto de aquecimento, responsável pelo abastecimento de água quente
em várias unidades de um edifício, como pode ser observado na Figura 38.
Este sistema usualmente é utilizado em edifícios residenciais, hotéis, hospitais,
dentre outros (CARVALHO JÚNIOR, 2014). De acordo com Ghisi e Gugel (2005),
este sistema é recomendado quando não há rateio na conta e quando se dispõe
de pouco espaço físico no interior dos apartamento, ou quando não se deseja
a instalação de aparelhos de aquecimento no interior dos apartamentos. Os
autores ainda destacam que, quando dimensionado de maneira adequada, o
sistema central coletivo oferece maiores vazões de água em todos os pontos de
utilização. Entretanto, os mesmos salientam que as perdas de calor são maiores
em comparação ao sistema central privado.

138
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

FIGURA 38 – EXEMPLO DE SISTEMA DE AQUECIMENTO CENTRAL COLETIVO

FONTE: <https://bit.ly/3zNAtiu>. Acesso em: 10 jun. 2021.

Como pode ser observado na Figura 39, os sistemas centrais coletivos


podem ter distribuição ascendente, descendente ou mista. A distribuição
ascendente é caracterizada por um barrilete inferior que alimenta as colunas
de água. Já na distribuição descendente, a alimentação das colunas é feita por
um barrilete superior. Por fim, o sistema misto é uma combinação dos dois
sistemas apresentados anteriormente. Este tipo de sistema resulta em uma maior
economia, visto que resulta em um menor número de colunas de distribuição de
água (GHISI; GUGEL, 2005).

FIGURA 39 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS TIPOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO


CENTRAIS COLETIVOS

FONTE: <https://eec-ufg.tripod.com/IHSP/AQ.pdf>. Acesso em: 24 maio 2021.

139
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

4 ESTIMATIVA DE CONSUMO DIÁRIO


Para a estimativa do consumo diário de água quente de uma edificação
deve-se levar em consideração aspectos como as condições climáticas do local e
as características de utilização do sistema (CARVALHO JÚNIOR, 2014). Nesse
contexto, de maneira semelhante ao consumo diário de água fria, a estimativa
do consumo de água quente pode ser realizada através da Equação 13 (GHISI;
GUGEL, 2005). Onde Cd é o consumo diário de água quente (L/dia), C é o
consumo per capita (consultar TABELA 9) e P a população da edificação.

Equação 13

TABELA 9 – ESTIMATIVA DE CONSUMO DE ÁGUA QUENTE

FONTE: NBR 7198 (ABNT, 1993)

5 TIPOS DE AQUECEDORES
Os aquecedores podem ser classificados em aquecedores de passagem e de
acumulação, de acordo com o seu princípio de funcionamento. Nesse contexto, os
aparelhos de aquecimento de passagem, também conhecidos como instantâneos,
ocasionam o aquecimento da água à medida que a mesma passa pelo aparelho,
ou seja, sem reserva. Já nos aquecedores de acumulação, a água é aquecida e
reservada para posterior uso (GHISI; GUGEL, 2005).

De acordo com Carvalho Júnior (2014), os aquecedores de acumulação


propiciam um maior conforto aos seus usuários, visto que a água é aquecida
para o consumo posterior. Além disso, a acumulação permite uma maior vazão
nos pontos de utilização e fornece água quente de imediato e na temperatura
desejada, em vários pontos de consumo, simultaneamente. O autor ainda destaca
que o seu bom funcionamento não é dependente da pressão de água do sistema
de distribuição.

140
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

Quanto à definição do sistema de aquecimento, deve-se levar em


consideração os custos de instalação, a adequação dos ambientes, uma vez que
os mesmos devem apresentar ventilação permanente, e espaço físico adequado,
principalmente para os casos de aquecedores de acumulação. Outro aspecto
decisivo na escolha do sistema de aquecimento diz respeito ao traçado da
tubulação. Isto posto, trechos longos tendem a apresentar perdas de temperaturas
superiores, o que muitas vezes pode limitar a utilização de aquecedores
instantâneos. Além disso, um aquecedor instantâneo pode não ser suficiente para
alimentar mais de um ponto de utilização. Contudo, conforme já mencionado, em
função de limitações de espaço, o aquecedor de passagem pode ser uma alterativa
em comparação ao aquecedor de acumulação, dados as maiores dimensões do
último tipo citado (GHISI; GUGEL, 2005).

5.1 FONTES DE CALOR DOS AQUECEDORES


As fontes de calor para os aquecedores podem ser a eletricidade, gás ou
energia solar. Os aquecedores elétricos utilizam como fonte de calor a energia
elétrica. Os chuveiros e torneiras elétricas são exemplos de aquecedores elétricos
de passagem. Estes aparelhos são compostos por um tubulação destinada
ao aquecimento elétrico instantâneo da água. Os aquecedores elétricos por
acumulação também são conhecidos como boilers elétricos. Isto posto, a principal
vantagem dos aquecedores elétricos é sua compacidade e facilidade de instalação,
uma vez que não necessitam de tubulações. Porém, como limitantes deste tipo
de aquecedor cita-se o custo do kW, a baixa pressão e a baixa vazão de água
(CARVALHO JÚNIOR, 2014).

Em relação aos aquecedores a gás, deve-se levar em consideração a NBR


13103 (ABNT, 2020) que estabelece os requisitos de projeto, construção, reforma,
adequação e inspeção, para instalação de aparelhos a gás.

E
IMPORTANT

A NBR 8130 (ABNT, 2004) especifica as características exigíveis e os métodos


de ensaio para aquecedores de água tipo instantâneo.

A NBR 10542 (ABNT, 2015) define os métodos de ensaio para aquecedores de água de
acumulação que utilizam combustíveis gasosos.

Em comparação aos aquecedores elétricos, os aquecedores a gás apresen-


tam como vantagens: melhor pressão de água e água quente para uso imediato.
Contudo, como principal desvantagem cita-se o risco de vazamento de gás, e todos
os problemas que podem estar atrelados a isto (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

141
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

No que tange à energia solar, é crescente a tendência mundial por fontes


energéticas alternativas e mais sustentáveis. Nesse âmbito, e atrelado à redução
dos custos de instalação de sistemas de aquecimento solares, este tipo de fonte de
energia vem sendo adotada em grande escala. Ghisi e Gugel (2005) mencionam
que o aproveitamento da energia solar é limitado em decorrência da forma como
a energia se apresenta, ocorrendo de maneira disseminada e, portanto, de difícil
captação. Além disso citam a disponibilidade descontínua e as variações em fun-
ção das condições ambientais, o que pode comprometer a sua eficiência e usual-
mente demandar a utilização de sistemas mistos para contornar esses problemas.
Em contrapartida, a energia solar consiste em uma fonte não poluidora, autossu-
ficiente, silenciosa e, de maneira geral, com disponibilidade no local de consumo.

O sistema de geração de água quente com base na energia solar é compos-


to por três elementos principais, sendo estes: coletores de energia, acumulador de
energia e rede de distribuição. A Figura 40 ilustra as partes constituintes de um
sistema de aquecimento solar. Como pode ser observado, a rede de distribuição
de água fria alimenta o sistema de aquecimento solar. A água fria é conduzida
até o reservatório térmico e é este que alimenta os coletores solares. Os coletores
em função da energia solar irão ocasionar o aquecimento da água que é recon-
duzida novamente ao reservatório térmico e, posteriormente, para os pontos de
consumo. Destaca-se também a existência de um respiro, normalmente instalado
na parte mais elevada do reservatório térmico, que tem como função evitar sobre
pressões no sistema.

FIGURA 40 – COMPONENTES DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO SOLAR

FONTE: <https://bit.ly/3uiUXys>. Acesso em: 25 maio 2021.

142
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

Recomenda-se que os coletores sejam orientados para o norte da edificação


e que tenham inclinação em relação à horizontal igual à latitude do local, acrescida
de 5 a 10⁰. Além disso, para que ocorra a circulação de água em fluxo ascendente,
usualmente utiliza-se um desnível de pelo menos 60 cm entre a saída de água do
coletor e o fundo do reservatório de água quente (GHISI; GUGEL, 2005).

E
IMPORTANT

A NBR 10185 (ABNT, 2018) define os métodos de ensaios para avaliar


reservatórios termossolares destinados à sistemas de utilização térmica de energia solar.
A NBR 15747-1 (ABNT, 2009) estabelece os requisitos gerais de durabilidade, confiabilidade,
segurança e desempenho térmico de coletores solares de aquecimento.
A NBR 15747-2 (ABNT, 2009) apresenta os métodos de ensaio para avaliar os coletores
solares de aquecimento.

A estimativa da área dos coletores pode ser feita através da Equação 14,
onde Q é o calor necessário (kcal/dia), I é a intensidade de radiação solar (kcal/dia/
m²), R é o rendimento dos coletores (usualmente 50%) e A é a área dos coletores
em m² (GHISI; GUGEL, 2005)

Equação 14

A radiação solar pode ser obtida a partir de mapas solarimétricos, como o


da FIGURA 41, que apresenta a média anual da radiação solar global diária (MJ/
m².dia) em todo o Brasil. Para a obtenção da radiação solar de uma região (MJ/
m².dia), basta identificar a região no mapa e em função da cor indicada na escala a
esquerda da figura, determinar qual o valor da radiação solar. Para exemplificar,
iremos determinar a radiação solar no Distrito Federal. Como podemos observar
o Distrito Federal está representado no mapa com um cor laranja, correspondente
a um valor de radiação solar diária de 18 MJ/ m².dia.

143
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

FIGURA 41 – RADIAÇÃO SOLAR GLOBAL DIÁRIA, MÉDIA ANUAL (MJ/ M².DIA)

FONTE: Atlas solarimétricos do Brasil (2021)

6 MATERIAIS UTILIZADOS
Os materiais mais utilizados em tubulações e conexões de instalações
prediais de água quente são o cobre, o PEX (polietileno reticulado), o PPR
(polipropileno copolímetro Random) e o CPVC (policloreto de vinila clorado).
Estes materiais serão abordados com maiores detalhes na leitura complementar
desta unidade.

7 DIMENSIONAMENTO DAS TUBULAÇÕES


Para o dimensionamento das tubulações de água quente, adota-se uma
metodologia de pesos relativos semelhante à empregada em instalações de
água fria. Inicialmente determina-se a soma dos pesos das peças de utilização
para cada trecho da instalação, conforme valores apresentados na TABELA 10.
Posteriormente, com base nesse somatório de pesos determina-se o diâmetro da
tubulação a partir da TABELA 11 (CARVALHO JÚNIOR, 2014).

144
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

TABELA 10 – PESOS RELATIVOS DOS PONTOS DE UTILIZAÇÃO

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 117)

TABELA 11 – ÁBACO SIMPLIFICADO PARA O DIMENSIONAMENTO DA TUBULAÇÃO DE ÁGUA


QUENTE

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2014, p. 117)

A aplicação da Tabela 11 é baste simples e intuitiva. Após a determinação da


soma de pesos dos aparelhos de utilização, basta entrar com esse valor na primeira
linha da tabela, e o diâmetro é obtido de maneira direta. Considerando um exemplo
em que a soma de pesos dos equipamentos de utilização alimentados pela rede de
água quente é de ΣP = 3,5. Entramos com esse valor na primeira linha da tabela e
percebemos que o mesmo se encontra entre a soma de pesos de 2,9 e 8,2. Para este
intervalo, verificamos que o diâmetro da tubulação deve ser de 28 mm.

Exemplo de cálculo:
Vamos calcular o diâmetro do barrilete de um edifício de 10 andares com um
sistema de aquecimento central coletivo, considerando que cada andar possui
apenas 1 apartamento e que cada apartamento possui os seguintes pontos de
utilização de água quente: chuveiro, banheira e lavatório.
Inicialmente é necessário determinar o peso de cada ponto de utilização a partir
da TABELA 10:
Chuveiro – P = 0,4
Banheira – P = 1,0
Lavatório – P = 0,3
Posteriormente, faremos a soma dos pesos de cada apartamento:
ΣP = 0,4 + 1,0 + 0,3 = 1,7
Como o barrilete alimentará todos os andares do edifício, iremos calcular a soma
de pesos total:
ΣP = 10 x 1,7 = 17
Após a determinação da soma de pesos, basta entrar com este valor na TABELA
11 e obter diretamente o diâmetro da tubulação:
ΣP = 17 – D = 35 mm

145
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

7.1 PRESSÕES MÁXIMA E MÍNIMA


A NBR 5626 (ABNT, 2020) define que nos pontos de utilização a pressão
dinâmica de água não pode ser inferior a 10 kPa (1 m.c.a) e a pressão estática
não pode superar 400 kPa (40 m.c.a) nos pontos de utilização. Em relação as
sobre pressões a norma estabelece que, em relação à pressão dinâmica de
projeto, não devem superar 200 kPa (20 m.c.a). Adicionalmente, também devem
ser consideradas as pressões recomendadas pelos catálogos dos fabricantes,
referentes aos aquecedores.

7.2 VELOCIDADE
Conforme estabelecido para os sistemas prediais de água fria, nas
tubulações de água quente a velocidade também deve evitar a geração e
propagação de ruídos excessivos. De maneira similar, recomenda-se um limite
máximo de velocidade de água de 3 m/s (NBR 5626, 2020).

7.3 PERDAS DE CARGA


O cálculo da perda de carga nas tubulações de água quente é realizado
de maneira análoga às tubulações de água fria, levando em consideração o
tipo de material utilizado. Além disso, salienta-se que é importante limitar as
perdas de carga do sistema, com o intuito de evitar reduções nas pressões das
peças de utilização.

7.4 DIÂMETROS
De acordo com a NBR 2656 (ABNT, 2020), os diâmetros das tubulações do
sistema de distribuição de água quente devem ser definidos com base nos valores das
velocidades e vazões consideradas, da limitação de ruído e meio de isolação acústica
adotado, da forma de instalação, do tipo de material especificado e da disponibilidade
de perda de carga, atendendo-se às pressões dinâmicas mínimas necessárias para
o funcionamento dos respectivos aparelhos sanitários com as vazões de projeto
adotadas. A norma ainda estabelece que não há limitação para diâmetros nominais
mínimos de sub-ramais e respectivos engates ou tubos de ligação.

8 ISOLAMENTO TÉRMICO DAS TUBULAÇÕES


De acordo com a NBR 5626 (ABNT, 2020), os aquecedores, reservatórios
de água quente, equipamentos e tubulações do sistema predial de água quente
devem ser projetados e instalados de forma a reduzir perdas térmicas. A norma
também estabelece que o sistema de distribuição de água quente deve ter
isolamento térmico em toda a sua extensão.

146
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

LEITURA COMPLEMENTAR

ÁGUA QUENTE

Materiais poliméricos prometem maior flexibilidade e facilidade de instalação


e ganham espaço nas instalações hidráulicas de água quente, em substituição
aos tradicionais tubos e conexões metálicos

Juliana Nakamura

Conduzir água quente em uma edificação é uma tarefa que demanda da


tubulação e de seus componentes resistência, durabilidade, estanqueidade, baixa
rugosidade e boa condutibilidade. Por isso, entre os procedimentos fundamentais
para a garantia do desempenho dessas instalações, o projeto de hidráulica deve
partir da especificação adequada e do correto dimensionamento dos materiais
que integram o sistema, em especial, tubos e conexões.

A partir da identificação da necessidade de água quente, a definição do


método de aquecimento, o traçado da rede de distribuição e a seleção dos materiais
precisam ser cuidadosamente considerados para viabilizar a construção de um
sistema eficiente. "Em especial sobre a condução de água quente, a especificação
deve contemplar aspectos de durabilidade da instalação, temperatura máxima a
ser atendida em função do tipo de sistema de aquecimento selecionado, facilidade
na execução das conexões, entre outros", explica Alberto Fossa, diretor da MDJ
Engenharia Consultiva.

Nos últimos anos, novas possibilidades surgiram para atender às exigências


das instalações de água quente. O desenvolvimento de sistemas poliméricos, como
o PEX (polietileno reticulado), o PPR (polipropileno copolímetro Random) e o
CPVC (policloreto de vinila clorado), tem provocado mudanças na caracterização
desse tipo de instalação, na qual até então dominava a aplicação de sistemas
rígidos, metálicos. Ao mesmo tempo, características como facilidade e agilidade
de instalação, bem como maior flexibilidade e menor risco de vazamentos são
cada vez mais desejáveis nos sistemas prediais.

"A evolução dos materiais para instalações de água quente deve passar
pela eliminação das restrições de uso, com o desenvolvimento de soluções capazes
de transportar água quente, fria e gás – e simplicidade de instalação", acredita o
pesquisador Adilson Lourenço Rocha, coordenador do Laboratório de Instalações
Hidráulicas do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
Segundo ele, o desenvolvimento de sistemas de condução como o PEX, que por
ser semelhante a uma mangueira dispensa as juntas e consequentemente diminui
a chance de haver vazamentos, não deixa de ser um indicador de tal tendência.

147
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

Mas, na prática, o que determina a especificação de um material para


condução de água quente é o preço, a disponibilidade do material e a forma como
é utilizado. "O cobre, por ser uma commodity internacional, tem apresentado
variações maiores em comparação aos materiais plásticos, suscetíveis também às
altas dos preços do petróleo", comenta Rocha.

Por terem sido os primeiros a serem produzidos em escala industrial, os


tubos metálicos, tanto de aço galvanizado, quanto de cobre, têm um desempenho
bastante conhecido para a condução de água quente. Nas últimas décadas, os
sistemas em aço carbono com conexões rosqueadas de ferro fundido maleável
deixaram de ser especificados, sendo substituídos em princípio pelos tubos de
cobre com conexões soldadas de cobre e/ou rosqueadas de bronze/latão e, mais
recentemente, pelos tubos e conexões de materiais plásticos.

O engenheiro Sérgio Frederico Gnipper, especialista em projetos


hidráulicos, explica que, como vantagem, os tubos metálicos suportam pressões
de serviço muito elevadas. Os de aço galvanizado de menor classe, por exemplo,
suportam uma pressão de ensaio de 50 kgf/cm². No entanto, a menor durabilidade
do aço nas condições de exposição exigidas para a condução de água quente
é um limitador ao seu aproveitamento para condução de água quente, apesar
do tratamento de galvanização por imersão a quente prover maior resistência à
corrosão. "A temperatura mais elevada intensifica o processo de corrosão desses
materiais em função da maior reatividade com o oxigênio do ar dissolvido na
água quente na forma de microbolhas", informa Gnipper. Também contribuem
para a corrosão prematura das tubulações metálicas o pH da água muito baixo ou
muito elevado e a concentração acentuada de certos sais minerais, dependendo
da composição físico-química da água.

Até os tubos de cobre com conexões soldadas de cobre/bronze, no


momento a solução mais difundida para esse tipo de aplicação, estão sujeitos à
corrosão caso a água apresente pH ácido, elevada concentração de oxigênio, gás
carbônico, amônia e cloro livre dissolvidos. "Mas na maior parte das aplicações o
cobre mostrasse um material de alta durabilidade e confiabilidade, apresentando,
inclusive, propriedades germicidas, a despeito de apresentar custo relativo mais
elevado", afirma Gnipper. O pesquisador Adilson Rocha concorda. Em sua
avaliação, superado o problema de corrosão, o cobre supera os demais materiais
em relação à durabilidade. "Por serem de origem orgânica, os materiais plásticos
sofrem degeneração contínua, embora a vida útil estimada pelos fabricantes seja
de cerca de 50 anos, o que já é bastante coisa."

SISTEMAS

1 COBRE
É o material tradicionalmente empregado para condução de água quente. Os
tubos de cobre são fabricados por extrusão, sem costura, a partir de uma liga
com, no mínimo, 99% do metal.

148
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

Principais características:
• Requer uso de manta para isolamento térmico
• Os tubos são produzidos de acordo com a norma NBR 13206/94.
• Em algumas cidades, como Rio de Janeiro, foram relatados casos de corrosão
em tubos de cobre, decorrente das características agressivas da água do sistema
público de abastecimento
• Possui propriedades adequadas para condução de água quente, água fria e gás
• Não é inflamável

Instalação: a tubulação é interligada por conexões de cobre ou bronze, que podem


ser rosqueáveis ou lisas. Nesse caso, as uniões são feitas por solda.

Durabilidade: o cobre é um dos metais mais duráveis. A vida útil de uma


tubulação de cobre é estimada em centenas de anos.

2 CPVC (policloreto de vinila clorado)

É um termoplástico semelhante ao PVC rígido, mas com a vantagem de suportar


pressão existente nos sistemas de água quente, até temperaturas de 80ºC.

Principais características:
• O mesmo sistema serve para água quente ou fria. Suporta pressão de serviço
de 6,0 kgf/cm² conduzindo água a 80ºC e de 24,0 kgf/cm² conduzindo água fria
a 20ºC.
• Dispensa isolação térmica em trechos de tubulação de até 20 m de extensão.
• Emprega junta soldável a frio com adesivo plástico. Não requer mão-de-obra
especializada.

Instalação: utiliza sistema de encaixe e adesivo. Não precisa de fogo nem de


eletricidade para instalação.

Durabilidade: se instalado corretamente, a vida útil é de pelo menos 50 anos.

3 PPR (polipropileno copolímero Random – Tipo 3)

Trata-se de uma resina plástica atóxica resistente a picos de temperatura de até 95ºC.

Principais características:
• Pode conduzir água quente, fria e gelada e suportar altas pressões e temperaturas
• (80°C constantes).
• O método de instalação permite que a tubulação seja isenta de roscas, soldas,
anéis de borracha ou cola. Por isso, as uniões das conexões ficam menos
expostas a erros humanos e às tensões em operação.
• Uma instalação completa para água quente em PPR pode custar 20% menos
que a mesma instalação em cobre.

149
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

Instalação: a união entre as peças é feita pelo processo de termo fusão, ou seja,
tubos e conexões se fundem molecularmente a 260°C, passando a formar uma
tubulação contínua. A produtividade média é de 6,5 horas/homem (instalação em
um banheiro de 2,4 x 1,2 m).

Durabilidade: projetado para durar mais de 50 anos.

4 MULTICAMADA (PEX com alma de alumínio)

Os tubos são compostos por cinco camadas: polietileno reticulado, adesivo,


alumínio, adesivo e polietileno reticulado. Como revestimento externo, o
polietileno reticulado evita o contato do cimento da construção e protege a
tubulação de alumínio. Já como revestimento interno, impede a oxidação do
alumínio, evitando a contaminação da água pelo metal.

Principais características:
• Os tubos de alumínio resistem a temperaturas de até 95ºC sem dilatação.
• O sistema usa 10% do tempo de instalação do cobre.
• Condutibilidade térmica de – 0,43 W/m°C.
• Os tubos são dobráveis e permanecem na posição definida.
• Inspeção e troca podem ser feitas sem quebras de revestimentos e paredes. A
ausência de muitas conexões e emendas no sistema hidráulico evita fissuras e
futuros vazamentos.

Instalação: sistema ponto a ponto, ou seja, a água corre por tubos livres de conexões
intermediárias. A distribuição da água até os pontos servidos é contínua e individual,
sem derivações a partir dos quadros distribuidores localizados em shafts.

Durabilidade: pelo menos 50 anos

A ERA DOS PLÁSTICOS


Os materiais plásticos para condução de água quente chegaram ao
mercado brasileiro há menos de 20 anos com a introdução do CPVC. Indicadas
para pressões de serviço de até 6,0 kgf/cm², as tubulações de CPVC para água
quente dispensam as soldas e têm juntas realizadas a frio, mediante adesivo
solvente apropriado, agregando velocidade de execução.

Em seguida foram lançados o PEX e o PPR, este último com juntas


realizadas por termo fusão, após a qual a junta passa a constituir um conjunto
único com espessura reforçada. "Por isso, conforme a classe de pressão, a instalação
PPR suporta temperatura e pressão sob utilização superior à recomendada para
tubulações de CPVC", comenta Sérgio Gnipper.

O consultor em hidráulica lembra que os tubos de PPR disponíveis no


mercado com mais frequência são relativamente rígidos, permitindo curvaturas
permanentes com aplicação de ar quente, com raio não inferior a oito vezes o
valor do diâmetro externo.

150
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA QUENTE

Mais flexíveis e maleáveis, os tubos PEX são fabricados em polietileno


reticulado com ligação cruzada por processo termoquímico. No PEX do tipo A,
a reticulação é obtida por reação química com peróxido de hidrogênio, o que
lhe confere alta resistência à pressão, à temperatura e à fadiga mecânica. Menos
resistente, o PEX tipo C tem flexibilidade maior do que o tipo A.

Quanto à condutibilidade térmica, os tubos metálicos apresentam valores


elevados, exigindo o uso de isolação térmica adequada, ao passo que os tubos
plásticos podem dispensar esse isolamento. Um tubo PEX dissipa por condução
pelo menos três vezes mais calor que um tubo equivalente de CPVC operando
nas mesmas condições.

Em contrapartida, os tubos plásticos apresentam elevada dilatação térmica


em relação aos tubos metálicos. Os tubos plásticos próprios para a condução de
água quente apresentam um coeficiente de dilatação térmica entre 3,5 a 8,5 vezes
maior do que o coeficiente de uma tubulação equivalente de cobre. "Por isso,
cuidados especiais devem ser tomados nos projetos e durante a execução de
redes de distribuição de sistemas prediais de água quente, como a previsão de
folgas para a movimentação térmica das tubulações em trechos embutidos e em
elementos para absorver essas movimentações, na forma de juntas de expansão
ou através do próprio traçado", salienta Gnipper.

Recentemente, os tubos PEX e PPR incorporaram uma alma de alumínio,


com juntas de alta pressão por deformação a frio, ou seja, um delgado tubo de
alumínio revestido interna e externamente com esses materiais plásticos. "Isso
lhes conferiu maior resistência mecânica à tração, flexão e tensões radiais, e
menor dilatação térmica, procurando conjugar no mesmo produto propriedades
dos tubos metálicos com as dos tubos plásticos", explica Gnipper.

151
UNIDADE 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA FRIA E ÁGUA QUENTE

MATERIAIS PARA TUBULAÇÃO DE ÁGUA QUENTE – COMPARATIVO

FONTE: https://xdocs.com.br/doc/inst-agua-quente-plasticos-jovrjd5vp9nv

Neste tópico abordamos os tipos de sistemas de aquecimento, bem


como as particularidades de cada sistema. Retira-se que a escolha do sistema de
aquecimento deve levar em consideração a vazão de aquecimento necessária, o
número de pontos de utilização a serem atendidos, o espaço físico para a instalação
dos aquecedores e aspectos financeiros para a implementação do sistema. Em
relação ao dimensionamento das tubulações, verificamos que os métodos de
cálculo são semelhantes aos empregados em sistemas prediais de água fria,
devendo atender as pressões máximas e mínimas e o limite de velocidade definido
pela NBR 5626 (ABNT, 2020). Por fim, também foram apresentadas as fontes de
calor que alimentam estes sistemas de aquecimento.

152
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• O sistema predial de água quente é composto por tubulação de água fria para
alimentar o sistema de distribuição de água quente, aquecedores, dispositivos
de segurança, tubulação de distribuição de água quente e peças de utilização.

• Os sistemas de aquecimento podem ser do tipo individual, central privado ou


central coletivo.

• Em função do princípio de funcionamento, os aquecedores podem ser


classificados em aquecedores de passagem e aquecedores de acumulação.

• Os aquecedores podem ter como fonte de calor a eletricidade, o gás ou a


energia solar.

• O dimensionamento das tubulações de água quente pode ser realizado através


do método dos pesos relativos.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

153
AUTOATIVIDADE

1 Estimar o consumo diário de água quente de um edifício residencial de 10


andares, composto por 4 apartamentos por andar que será alimentado por
um sistema central coletivo. Considerar que cada apartamento é habitado
por 2 pessoas.

a) ( ) 2.400 L/dia.
b) ( ) 3.800 L/dia.
c) ( ) 4.800 L/dia.
d) ( ) 5.200 L/dia.

2 A estimativa do consumo de água quente de uma edificação é feita com


base na utilização da mesma. Sendo assim, estime o consumo diário de água
quente de um hotel que possui capacidade de hospedar até 45 hóspedes:

a) ( ) 1.620 L/dia.
b) ( ) 1.850 L/dia.
c) ( ) 2.100 L/dia.
d) ( ) 2.250 L/dia.

3 O dimensionamento de tubulações de sistemas prediais de água quente


é realizado através da atribuição de pesos relativos aos equipamentos de
utilização. Diante disso, determine o diâmetro do barrilete de um sistema
de água quente de uma residência que alimenta 2 chuveiros, 2 lavatórios e
1 pia de cozinha.

Consultar a Tabela para obter o peso relativo dos pontos de utilização

a) ( ) D = 15 mm.
b) ( ) D = 22 mm.
c) ( ) D = 28 mm.
d) ( ) D = 35 mm.

4 Um sistema de aquecimento individual realiza a alimentação de água


quente de apenas um ponto de utilização, como é o caso de chuveiros e
torneiras elétricas. Tendo isso em vista, determinar o diâmetro da tubulação
de água quente que alimentará apenas um chuveiro.

5 Verificar se uma tubulação com diâmetro de 22 mm é suficiente para


atender um barrilete de uma residência que alimenta os seguintes pontos
de consumo: 3 chuveiros, 2 banheiras, 3 lavatórios e 1 pia de cozinha.

154
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5626:
Sistemas prediais de água fria e água quente – Projeto, execução, operação e
manutenção. Rio de Janeiro, 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6118:


Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 7198:


Projeto e execução de instalações prediais de água quente. Rio de Janeiro, 1993.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 9575:


Impermeabilização – Seleção e Projeto. Rio de Janeiro. 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10185:


Reservatórios termossolares para líquidos destinados a sistemas de energia solar
– Método de ensaio para desempenho térmico. Rio de Janeiro, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10925:


Cavalete de PVC DN 20 para ramais prediais. Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13103:


Instalação de aparelhos a gás – Requisitos. Rio de Janeiro, 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14799:


Reservatório com corpo em polietileno, com tampa em polietileno ou em
polipropileno, para água potável de volume nominal até 3 000 L (inclusive) -
Requisitos e métodos de ensaio, Rio de Janeiro, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14800:


Reservatório com corpo em polietileno, com tampa em polietileno ou em
polipropileno, para água potável de volume nominal até 3 000 L (inclusive)
- Transporte, manuseio, instalação, operação, manutenção e limpeza, Rio de
Janeiro, 2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575 – 6:


Edificações habitacionais – Desempenho, Parte 6: Requisitos para os sistemas
hidrossanitários. Rio de Janeiro, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15747-


1: Sistemas solares térmicos e seus componentes – Coletores solares. Parte 1:
Requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2009.

155
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15747-
2: Sistemas solares térmicos e seus componentes – Coletores solares. Parte 2:
Método de Ensaio. Rio de Janeiro, 2009.

BOTELHO, M. H. C.; RIBEIRO JUNIOR, G. A. Instalações hidráulicas prediais:


Usando tubos de PVC e PPR. 3 ed. São Paulo: Blucher, 2013.

CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações prediais hidráulico-sanitárias: Princípios


básicos para elaboração de projetos. 1 ed. São Paulo: Blucher, 2014.

CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 1


ed. São Paulo: Blucher, 2017.

CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6 ed. Rio de Janeiro: LTC,


2006.

GHISI, E. GUGEL, E. C. Instalações prediais de água quente. Departamento de


Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.

KSB. Manual de curvas características. 2005. Disponível em: http://www.ufrrj.


br/institutos/it/deng/daniel/Downloads/Material/Graduacao/IT%20503/MC_
A2740_42_44_4P_E_S_5%5B1%5D.pdf. Acesso em: 21 maio 2021.

MACINTYRE , A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais. 4 ed. Rio de


Janeiro: LTC, 2017.

SECRETARIA NACIONAL DO SANEAMENTO (SNS). Diagnóstico dos


serviços de água e esgoto, 2019. Disponível em: http://www.snis.gov.br/
downloads/diagnosticos/ae/2019/Diagnostico-SNIS-AE-2019-Capitulo-07.pdf.
Acesso em: 8 maio 2021.

156
UNIDADE 3 —

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO,


PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E
DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as partes constituintes de um sistema predial de esgoto sanitário;

• dimensionar as tubulações de coleta e transporte de sistemas prediais de


esgoto sanitário;

• dimensionar os componentes de um sistema predial de esgoto pluvial;

• identificar as medidas passivas e ativas de segurança contra incêndio;

• iniciar a elaboração de um projeto de prevenção de incêndio;

• Dimensionar a rede de distribuição interna de um sistema de gás.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

TÓPICO 2 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

TÓPICO 3 – INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA


INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

157
CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim
absorverá melhor as informações.

158
TÓPICO 1 —
UNIDADE 3

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

1 INTRODUÇÃO

A disposição inadequada do esgoto pode causar diversos impactos


na saúde da população e comprometer o abastecimento de água destinada ao
consumo humano, a balneabilidade de rios, a irrigação de plantações, dentre
outras aplicações. Estima-se que no Brasil 43% da população possui esgoto
coletado e tratado, enquanto 12% utilizam fossas sépticas para a coleta do esgoto
sanitário. Estes números evidenciam que 55% da população tem um tratamento
adequado no esgoto. Em contrapartida, 18% têm seu esgoto coletado e não tratado
e um número expressivo de 27% não possuem coleta e nem tratamento (ANA,
2021). Diante do exposto, é evidente que o Brasil precisa avançar em políticas e
projetos para ampliar a rede de coleta de esgoto e implementar outros tipos de
soluções para o tratamento de esgoto, como, por exemplo, as fossas sépticas.

De acordo com definição da NBR 8160 (ABNT, 1999) o sistema predial


de esgoto sanitário tem como objetivo coletar e conduzir os despejos oriundos
dos aparelhos sanitários até um destino apropriado. Nesse contexto, este sistema
deve evitar a contaminação da água, garantindo a sua qualidade de consumo;
permitir o rápido escoamento da água utilizada, sem a ocorrência de vazamentos
e depósitos dentro das tubulações; impedir que os gases originados no interior
do sistema predial atinjam áreas da edificação; impossibilitar a entrada de corpos
estranhos ao interior do sistema e permitir que os seus componentes tenham
inspeção facilitada.

Diante disso, acadêmico, no Tópico 1, abordaremos as partes que compõe


um sistema predial de esgoto sanitário, o dimensionamento das tubulações de
coleta e transporte dos despejos dos aparelhos sanitários através da metodologia
apresentada na NBR 8160 (ABNT, 1999), os materiais usualmente aplicados nestes
sistemas e alguns aspectos sobre os projetos de esgoto sanitário. Por fim, também
será apresentado o funcionamento das fossas sépticas e como realizar o seu
dimensionamento e as formas de disposição dos efluentes provenientes das fossas.

2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS


A destinação final do esgoto sanitário dependerá da localização da edifi-
cação. Isto posto, os sistemas de esgoto sanitário podem ser classificados em siste-
mas individuais e coletivos, conforme será apresentado nos subtópicos a seguir.

159
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

2.1 SISTEMA INDIVIDUAL


Como pode ser observado na Figura 1, no sistema de esgoto sanitário
individual a edificação possui o seu próprio sistema de coleta, transporte e
tratamento. No exemplo em questão, o tratamento do esgoto é feito através de
fossa séptica e a disposição do efluente é feita através de sumidouros. Destaca-se
que nos subtópicos a seguir o princípio de funcionamento das fossas sépticas e as
formas de disposição dos efluentes serão abordadas com maiores detalhes.

FIGURA 1 – EXEMPLO DE SISTEMA DE ESGOTO SANITÁRIO INDIVIDUAL

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 164)

2.2 SISTEMA COLETIVO


Já nos sistemas de esgotos sanitários coletivos, os despejos das edificações
são conduzidos através do ramal predial até a rede coletora pública, a qual
encaminha os esgotos até um determinado local, para tratamento e posterior
lançamento a um curso de água (Figura 2).

FIGURA 2 – EXEMPLO DE SISTEMA DE ESGOTO SANITÁRIO COLETIVO

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 165)

160
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

3 COMPONENTES DO SISTEMA PREDIAL DE ESGOTO


SANITÁRIO
Os principais componentes de um sistema predial de esgoto sanitário são:
aparelhos sanitários, desconectores, ralos, ramal de descarga, ramal de esgoto, tubo
de queda, coluna de ventilação, subcoletor, dispositivos de inspeção e coletor pre-
dial (Figura 3). Cada componente será abordado a seguir com maiores detalhes.

FIGURA 3 – COMPONENTES DO SISTEMA PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 178)

3.1 APARELHOS SANITÁRIOS


Os aparelhos sanitários são aqueles ligados à instalação predial e
destinados ao uso de água para fins higiênicos ou a receber dejetos ou águas
servidas (NBR 8160, 1999). Como exemplo, cita-se os vasos sanitários, lavatórios,
ralos, chuveiros, banheira, dentre outros.

3.2 DESCONECTORES
Os desconectores são dispositivos providos de fecho hídrico que tem como
objetivo impedir a passagem de gases no sentido oposto ao deslocamento do
esgoto (NBR 8160, 1999). Como pode ser observado na Figura 4, estes dispositivos
podem ser do tipo sifão ou caixas sifonadas. Os sifões usualmente atendem apenas
um aparelho, como, por exemplo, um lavatório, e a caixa sifonada um conjunto
de aparelhos sanitários de uma unidade habitacional. De acordo com a NBR 8160
(ABNT, 1999), todos os aparelhos sanitários devem ser protegidos por desconectores,
os quais devem ter um fecho hídrico com uma altura mínima de 50 mm.

161
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 4 - EXEMPLOS DE DESCONECTORES

FONTE: https://desentupidorawl.blogspot.com/2018/08/dicas-de-tubulacao-de-esgoto-corretas.
html. Acesso em: 14 jun. 2021.

De acordo com a NBR 8160 (ABNT, 1999), todo dispositivo desconector


deverá ser ventilado. Nesse sentido, a norma estabelece na Tabela 1, a distância
máxima entre o desconector e o tubo de ventilação. Nos subtópicos a seguir, o
tubo de ventilação será abordado com maiores detalhes.

TABELA 1 – DISTÂNCIA MÁXIMA DO DESCONECTOR AO TUBO DE VENTILAÇÃO

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 11)

3.3 RALOS
Os ralos podem ser do tipo seco ou sifonado. Os ralos secos (Figura 5a) são
dispositivos sem proteção hídrica e os ralos sifonados (Figura 5b), dispositivos
dotados de desconector, ambos com grelha na parte superior (NBR 8160, 1999).
De maneira geral, os ralos secos recebem águas provenientes de chuveiro, pisos
laváveis, áreas externas, varandas, dentre outros. Contudo, este tipo de ralo não
deve receber efluentes de ramais de descarga (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

162
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

FIGURA 5 - EXEMPLO DE RALO SECO (A) E RALO SIFONADO (B)

FONTE: <https://bit.ly/3AOIapZ> Acesso em: 14 jun. 2021.

3.4 RAMAL DE DESCARGA


O ramal de descarga é a tubulação que recebe diretamente os efluentes
dos aparelhos sanitários, conforme previamente representado na Figura 3.

E
IMPORTANT

O ramal de descarga da bacia sanitária deve ser ligado diretamente no tubo de


queda (Figura 6) ou diretamente à caixa de inspeção no caso de edificação térrea.

FIGURA 6 – RAMAL DE DESCARGA DA BACIA SANITÁRIA LIGADO DIRETAMENTE AO


TUBO DE QUEDA

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 174)

163
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

3.5 RAMAL DE ESGOTO


O ramal de esgoto é a tubulação que recebe diretamente os efluentes dos
ramais de descarga ou a partir de um desconector (Figura 3). De acordo com
Carvalho Júnior (2017), em pavimentos térreos o ramal de esgoto deve ser ligado
ao subcoletor ou coletor predial por meio de caixa de inspeção e, em pavimentos
sobrepostos, a tubulação é ligada aos tubos de queda.

3.6 RAMAL DE VENTILAÇÃO


O ramal de ventilação é a tubulação que interliga o desconector, ou ramal
de descarga, ou ramal de esgoto de um ou mais aparelhos sanitários a uma coluna
de ventilação, como pode ser observado na FIGURA 3 (NBR 8160, 1999).

3.7 TUBO DE QUEDA


O tubo de queda corresponde à tubulação vertical que recebe efluentes de
subcoletores, ramais de esgoto e ramais de descarga (NBR 8160, 1999). A Figura
7 exemplifica o tubo de queda (TQ) de um edifício com mais de dois pavimentos.
Segundo a NBR 8160 (ABNT, 1999), os tubos de queda devem ser instalados em
um único alinhamento, sempre que possível. Além disso, o tubo de queda não
deve ter um diâmetro inferior ao maior diâmetro a ele ligado, que usualmente é
o ramal de descarga da bacia sanitária, que possui diâmetro de 100 mm. Para o
tubo de queda que recebe efluentes de pias de cozinha, o diâmetro mínimo deve
ser de 75 mm (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 7 – EXEMPLO DE TUBO DE QUEDA DE EDIFÍCIO COM MAIS DE DOIS PAVIMENTOS

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2017, p. 175)

164
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

3.8 COLUNA DE VENTILAÇÃO


Segundo definição da NBR 8160 (ABNT, 1999), a coluna de ventilação
consiste em um tubo ventilador vertical que se prolonga através de um ou
mais andares e cuja extremidade superior é aberta à atmosfera. Essa tubulação
tem por finalidade possibilitar a troca de ar entre as tubulações de esgoto e a
atmosfera, evitando assim possíveis rupturas do fecho hídrico de desconectores.
A extremidade superior da coluna de ventilação em contato com a atmosfera
deve situar-se a uma altura mínima de 2 m acima da cobertura quando a laje é
utilizada para outros fins além de cobertura. Nos demais casos, a altura mínima
deve ser de 0,3 m (NBR 8160, 1999). A Figura 8 exemplifica uma tubulação de
ventilação, representada em verde no projeto. Destaca-se que o projeto atende a
altura mínima de 0,3 m em relação à cobertura da edificação.

FIGURA 8 – EXEMPLO DE COLUNA DE VENTILAÇÃO CRUZANDO A COBERTURA DA


EDIFICAÇÃO

FONTE: Guido et al. (2018, p. 11).

3.9 SUBCOLETORES
Os subcoletores são tubulações horizontais que recebem os efluentes de
um ou mais tubos de queda ou ramais de esgoto. Nesse contexto, de acordo com
Carvalho Júnior (2017), os subcoletores devem preferencialmente ser construídos
na parte não edificada do terreno. Já em edifícios compostos por diversos
pavimentos, usualmente são fixados sob a laje de cobertura do subsolo, através
de braçadeiras (Figura 9).

165
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 9 – TUBULAÇÃO DE ESGOTO NO SUBSOLO DE UMA EDIFICAÇÃO

FONTE: <https://bit.ly/39KqOP7> Acesso em: 15 jun. 2021.

3.10 DISPOSITIVOS DE INSPEÇÃO


Os dispositivos de inspeção são destinados à inspeção, limpeza e
desobstrução das tubulações de esgoto. Estes dispositivos podem ser classificados
em caixa de inspeção, caixa de gordura e caixa múltipla. A Figura 10 exemplifica
uma caixa de inspeção. As mesmas devem ser instaladas em pontos de mudança
de declividade e na junção de tubulações enterradas. Além disso, devem ser
instaladas de modo a respeitar os seguintes requisitos (NBR 8160, 1999):

• a distância entre dois dispositivos de inspeção não deve ser superior a 25,00 m;
• a distância entre a ligação do coletor predial com o público e o dispositivo de
inspeção mais próximo não deve ser superior a 15,00 m;
• os comprimentos dos trechos dos ramais de descarga e de esgoto de bacias
sanitárias, caixas de gordura e caixas sifonadas, medidos entre os mesmos e os
dispositivos de inspeção, não devem ser superiores a 10,00 m.

FIGURA 10 – INSTALAÇÃO DE UMA CAIXA DE INSPEÇÃO

FONTE: <https://bit.ly/3ujDC8A>. Acesso em: 15 jun. 2021.

166
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

As caixas de gordura têm como finalidade reter, na parte superior, as


gorduras, graxas e óleos presentes no esgoto, favorecendo a formação de camadas
que devem ser removidas periodicamente, como pode ser observado na Figura
11. Estes dispositivos impedem que os resíduos de gordura entrem na rede de
esgoto, evitando a obstrução da rede. Em instalações residenciais, as caixas de
gordura normalmente são utilizadas para reter os resíduos gordurosos de pias e
cozinhas. Já as caixas múltiplas podem ser utilizadas como caixa de gordura, de
inspeção e de águas pluviais (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 11 – FUNCIONAMENTO DE UMA CAIXA DE GORDURA

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 183)

NOTA

A utilização de caixas de gorduras pode ser exigida por códigos sanitários


estaduais e municipais. Entretanto, quando não for exigida por órgão público componente,
a sua utilização fica a critério do projetista. A sua utilização em restaurantes, hospitais e
indústrias é obrigatória em todo o território nacional (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

3.11 COLETOR PREDIAL


O coletor predial corresponde à tubulação entre a última inserção de
subcoletor, ramal de esgoto ou de descarga, ou caixa de inspeção geral e o coletor
público ou sistema particular, como pode ser observado na Figura 12. Ou seja, é
a tubulação que interliga a rede de esgoto da edificação à rede pública de coleta.

167
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DO COLETOR PREDIAL DE UMA RESIDÊNCIA

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 185)

4 DIMENSIONAMENTO
O dimensionamento das tubulações de um sistema predial de esgoto
sanitário é feito com base na contribuição de cada um dos aparelhos sanitários
existentes no sistema. Essa contribuição é representada pela Unidade Hunter
de Contribuição (UHC). Isto posto, cada aparelho sanitário possui um valor
específico de UHC, que será utilizado para fins de dimensionamento. Estes
valores de UHC são estabelecidos pela NBR 8160 (ABNT, 1999). Desta forma, o
diâmetro das tubulações é feito com base no número total de UHC associadas aos
aparelhos sanitários a que servirem.

Nesse contexto, o dimensionamento das tubulações de esgotos é feito


trecho a trecho. Tendo isto em vista e considerando que as UHC vão se acumulando
à medida que aumenta o número de aparelhos sanitários contribuintes no trecho,
conforme indicado na Figura 13, a ordem do dimensionamento corresponde ao
sentido do fluxo do esgoto sanitário, ou seja, inicia no ramal de descarga e, após
isso, é realizado nos demais trechos de tubulação do sistema predial.

FIGURA 13 – FLUXOGRAMA COM AS ETAPAS DE DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA


PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO

FONTE: A autora (2021)

De acordo com Carvalho Júnior (2017), o dimensionamento das tubulações


de esgoto sanitário envolve a determinação do diâmetro das tubulações, a qual é
feita a partir da contribuição de cada aparelho através das UHC, e a definição das
declividades. O autor comenta que como o sistema de esgoto funciona por gravi-
dade, deve-se especificar as declividades das tubulações no projeto. Nesse senti-
do, usualmente adota-se os valores de declividade estabelecidos pela NBR 8160
(ABNT, 1999). De maneira geral, adota-se como declividade mínima o valor de:

168
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

• 2% para tubulações com diâmetro nominal igual ou inferior a 75 mm;


• 1% para tubulações com diâmetro nominal igual ou superior a 100 mm.

Nos subtópicos a seguir serão apresentadas as tabelas de dimensionamento


do ramal de descarga, ramal de esgoto, tubo de queda, coletor e subcoletor
predial, ramal de ventilação e coluna de ventilação.

4.1 RAMAL DE DESCARGA


A Tabela 2 apresenta as UHC de cada aparelho sanitário, as quais são
utilizadas no dimensionamento dos demais trechos do sistema predial de esgoto.
Além disso, a tabela também fornece qual deve ser o diâmetro nominal mínimo
do ramal de descarga que recebe o esgoto de cada aparelho sanitário. A utilização
da Tabela 2 é bastante simples. Para exemplificar, vamos considerar um chuveiro
de uma residência, para fins de dimensionamento este aparelho é associado a um
número de UHC de 2. Adicionalmente, o ramal de descarga que recebe o esgoto
deste aparelho deverá ter um diâmetro mínimo de 40 mm.

TABELA 2 – UHC DOS APARELHOS SANITÁRIOS E DIÂMETRO MÍNIMO DOS RAMAIS DE


DESCARGA

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 16)

169
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

4.2 RAMAL DE ESGOTO


O dimensionamento dos ramais de esgoto é feito com base na Tabela
3. Incialmente é necessário determinar o somatório das UHC de todos os
aparelhos sanitários que têm seus ramais de descarga ligados ao ramal de esgoto.
Posteriormente, a partir deste somatório, obtém-se diretamente a partir da Tabela
3 o diâmetro mínimo da tubulação. Para exemplificar, considerando um ramal
de esgoto que recebe as contribuições de dois ramais de descarga residenciais
provenientes de 1 chuveiro e 1 lavatório, o somatório das UHC será igual a 3 (Tabela
2). Portanto, o diâmetro do ramal de esgoto deverá ser de 40 mm (Tabela 3).

TABELA 3 – DIÂMETRO NOMINAL MÍNIMO DOS RAMAIS DE ESGOTO

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 17)

4.3 TUBO DE QUEDA


O diâmetro nominal dos tubos de queda é determinado a partir do
número de pavimentos da edificação e do somatório das UHC das tubulações
contribuintes, como pode ser observado na Tabela 4. Isto posto, como o tubo
de queda deve possuir diâmetro constante, considera-se no dimensionamento
o somatório das UHC de todos os aparelhos sanitários dos ramais de esgoto
conectados ao tubo.

E
IMPORTANT

No dimensionamento do tubo de queda é importante considerar que


(CARVALHO JÚNIOR, 2017):
• O diâmetro do tubo de queda não pode ser inferior ao diâmetro dos seus ramais
contribuintes;
• Para o tubo de queda que recebe efluentes de pias de cozinha, o diâmetro mínimo deve
ser de 75 mm.

170
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

TABELA 4 – DIMENSIONAMENTO DOS TUBOS DE QUEDA

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 18)

4.4 COLETOR E SUBCOLETOR PREDIAL


Como pode ser observado na Tabela 5, o dimensionamento dos subcoletores
e coletores prediais é feito em função da declividade mínima estabelecida e do
somatório das UHC das tubulações contribuintes.

TABELA 5 – DIMENSIONAMENTO DO COLETOR E SUBCOLETOR PREDIAL

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 18)

171
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

E
IMPORTANT

O coletor predial deve ter diâmetro nominal mínimo de 100 mm. Além disso,
para o dimensionamento do coletor predial e dos subcoletores de prédios residenciais,
deve ser considerado apenas o aparelho de maior descarga de cada banheiro para o
somatório de UHC. Entretanto, nos demais casos devem ser considerados todos os
aparelhos contribuintes para o cálculo do número de UHC (NBR 8160, 1999).

4.5 RAMAL DE VENTILAÇÃO


O dimensionamento dos ramais de ventilação é feito com base na Tabela
6. Como pode ser observado, o diâmetro destas tubulações depende do somatório
das UHC das tubulações ligadas ao ramal de ventilação e se existem bacias
sanitárias conectadas à instalação.

TABELA 6 – DIMENSIONAMENTO DOS RAMAIS DE VENTILAÇÃO

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 21)

4.6 COLUNA DE VENTILAÇÃO


Por fim, o diâmetro nominal das colunas de ventilação pode ser
determinado a partir da Tabela 7. Verifica-se que o diâmetro das colunas é função
do somatório das UHC, do diâmetro do tubo de queda ou ramal de esgoto e do
comprimento da tubulação de ventilação. De maneira geral, o comprimento da
tubulação é estimado a partir da altura da edificação. Para facilitar a compressão,
vamos realizar um exemplo de dimensionamento da coluna de ventilação de
um tubo de queda com diâmetro de 100 mm (somatório de UHC = 120) de um
prédio com 15 andares. Desta forma, considerando um pé-direito de 3 m, a
altura total do edifício é de 45 m. Inicialmente na Tabela 7 identifica-se as linhas
correspondentes ao diâmetro do tubo de queda de 100 mm e, posteriormente,
determina-se qual a linha que mais se aproxima do valor de UHC = 120, que no
caso desse exemplo é o valor de UHC = 140. Nesse sentido, recomenda-se sempre
adotar o valor imediatamente superior, uma vez que, se for adotado o limite

172
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

inferior, pode ocorrer um subdimensionamento da tubulação. Posteriormente,


considerando que a altura da edificação é de 45 m, o valor de comprimento
imediatamente superior é o valor de 61 m. Por fim, obtém-se que o diâmetro da
coluna de ventilação deve ser de 75 mm.

TABELA 7 – DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS DE VENTILAÇÃO

FONTE: NBR 8160 (1999, p. 12)

173
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Exemplo de dimensionamento:
Dimensionar os ramais de descarga, ramal de esgoto, tubo de queda (TQ), ramal
de ventilação, coluna de ventilação e subcoletor que recebe o TQ de um edifício
residencial com 12 pavimentos, com 1 apartamento por pavimento e 1 banheiro
por apartamento. Considerar que cada banheiro é composto por 1 bacia sanitária,
1 chuveiro e 1 lavatório. Além disso, adotar uma declividade de i=1%.

• Ramais de descarga:
O dimensionamento dos ramais de descarga da bacia sanitária, do chuveiro e do
lavatório é feito a partir da Tabela 2.
D bacia sanitária = 100 mm
D chuveiro = 40 mm
D lavatório = 40 mm

• Ramal de esgoto
Conforme anteriormente mencionado, o ramal de descarga da bacia sanitária
deve ser ligado diretamente ao tubo de queda. Desta forma, o ramal de esgoto
do banheiro que estamos dimensionamento receberá contribuições apenas do
chuveiro e do lavatório. Para o dimensionamento do ramal de esgoto, primeiro
é necessário determinar o somatório dos aparelhos de utilização ligados a este
ramal. As UHC do chuveiro e do lavatório também é determinada a partir da
Tabela 2.
UHC chuveiro = 2
UHC lavatório = 1
ΣUHC = UHC chuveiro + UHC lavatório = 2 + 1 = 3
O dimensionamento do ramal de esgoto é feito a partir da Tabela 3.
Para ΣUHC = 3 – D ramal esgoto = 40 mm

• Tubo de queda
O tubo de queda será dimensionado considerado a contribuição de todos os
aparelhos de utilização de todos os andares do edifício.
Inicialmente determina-se o somatório de UHC por andar. Neste caso a bacia
sanitária também é considerada no cálculo.
ΣUHC andar = UHC chuveiro + UHC lavatório + UHC bacia sanitária = 2 + 1 + 6
=9
Como a edificação é composta por 12 pavimentos, a contribuição total dos
aparelhos corresponde:
ΣUHC total = 12 x 9 = 108
Por fim, o dimensionamento do tubo de queda é feito a partir da Tabela 4.
ΣUHC total = 108 e edificação Σ 3 andares - D tubo de queda = 100 mm.

• Subcoletor
Para o dimensionamento do subcoletor de um prédio residencial, deve ser
considerado apenas o aparelho de maior descarga de cada banheiro para o
somatório de UHC. Desta forma, para este exemplo, será considerado no cálculo
apenas a bacia sanitária de cada banheiro.

174
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

UHC bacia sanitária = 6


ΣUHC total = 12 x 6 = 72
O dimensionamento do subcoletor é feito a partir da Tabela 5.
i = 1% e ΣUHC total = 72 – D subcoletor = 100 mm.

• Ramal de ventilação
ΣUHC andar = UHC chuveiro + UHC lavatório + UHC bacia sanitária = 2 + 1 + 6 = 9
O dimensionamento do ramal de ventilação é feito a partir da Tabela 6.
ΣUHC andar = 9 e grupo com bacia sanitária – D ramal de ventilação = 50 mm

• Coluna de ventilação
D tubo de queda = 100 mm
ΣUHC total = 108
Considerando que o edifício possui 12 pavimento e cada andar tem um pé-direito
de 3 m, a altura total do edifício é de 36 m.
O dimensionamento da coluna de ventilação é feito a partir da TABELA 7.
D tubo de queda = 100 mm - ΣUHC = 108 – Comp. = 36 m – D coluna de ventilação
= 75 mm

5 MATERIAIS UTILIZADOS
Os materiais usualmente utilizados para as tubulações e conexões de sis-
temas prediais de esgotos sanitários são o PVC (série normal e reforçada), o ferro
fundido e a manilha cerâmica. O PVC é o material mais utilizado, em decorrência
da sua flexibilidade e leveza. As tubulações de ferro fundido são incombustíveis,
possuem alta resistência contra choques mecânicos e elevada resistência à produ-
tos químicos e a altas temperaturas. Em função destas características, esse mate-
rial geralmente é aplicado em instalações aparentes, principalmente em garagens
de subsolos. Já as manilhas cerâmicas de maneira geral são empregadas em siste-
mas de esgoto de efluentes industriais. Além disso, possuem elevada resistência
à ação de solos agressivos (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

6 PROJETO DE INSTALAÇÃO PREDIAL


Em relação aos projetos de instalações prediais de esgoto sanitário, a
Figura 14 apresenta as simbologias usuais para representação das tubulações,
caixas e ralos deste tipo de sistema predial. De maneira geral, as tubulações de
esgoto são representadas por linhas contínuas e as tubulações de ventilação por
linhas tracejadas. Além disso, o tubo de queda é representado pela sigla TQ e a
coluna de ventilação pela sigla CV.

175
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 14 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PROJETO DE ESGOTO SANITÁRIO

FONTE: CARVALHO JÚNIOR (2017, p. 244)

No que diz respeito ao traçado das tubulações de esgoto sanitário,


recomenda-se posicionar os pontos de descida dos tubos de queda o mais
próximo possível de pilares, ou da projeção dos pilares e paredes do térreo. Além
disso, é recomendável evitar mudanças bruscas de direção no traçado das redes
e o posicionamento da caixa sifonada próxima da ligação com o ramal de esgoto
para facilitar a instalação da ventilação (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

7 TRATAMENTO DE ESGOTO DOMÉSTICO


Nesta seção serão apresentados o conceito e o princípio de funcionamento
e dimensionamento de uma fossa séptica. Também serão abordadas as principais
formas de disposição do efluente de uma fossa séptica.

7.1 FOSSAS SÉPTICAS


A ausência de serviços de públicos de esgoto sanitário em áreas urbanas,
suburbanas e rurais exige a implantação de alternativas para a disposição dos
esgotos das edificações locais, visando evitar a contaminação do solo e da água.
Nesse contexto, as fossas sépticas são amplamente utilizadas nessas situações. As
fossas sépticas consistem em um dispositivo de tratamento de esgoto destinado a
receber as contribuições de esgoto de uma ou mais residências e dar ao esgoto um
grau de tratamento compatível com o seu custo e forma de funcionamento. Como
pode ser observado na Figura 15, estes dispositivos são câmaras destinadas a
reter o esgoto por um determinado período, permitindo a sua sedimentação e a
retenção de material graxo, como óleos e gorduras (JORDÃO; PESSÔA, 2011).

176
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

FIGURA 15 – ILUSTRAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA FOSSA SÉPTICA

FONTE: <https://bit.ly/39Q0WBe>. Acesso em: 15 jun. 2021.

O funcionamento das fossas sépticas de maneira geral, envolve quatro


etapas. Incialmente, ocorre a retenção do esgoto por um período de 12 a 24 horas.
Posteriormente ocorre a sedimentação do esgoto. Cerca de 60 a 70% dos sólidos
presentes no esgoto são sedimentados, originando uma camada semilíquida que
se deposita no fundo da câmara. Já os óleos e gorduras são retidos na superfície
livre do líquido e usualmente são denominados de escuma. Em seguida, inicia-
se o processo de digestão anaeróbia do lodo. Nesta etapa, o lodo e a escuma são
degradados por bactérias anaeróbias, provocando a destruição total ou parcial
dos organismos patogênicos. Por fim, ocorre a redução do volume final do lodo.
Após essa etapa, o material adquire características que possibilitam que o efluente
da fossa séptica seja disposto em melhores condições, evitando a contaminação
do solo e água (JORDÃO; PESSÔA, 2011).

O dimensionamento do volume da fossa séptica pode ser realizado através


da Equação 1, a qual considera o volume correspondente as período de detenção
do efluente e o volume de acumulação do lodo digerido (NBR 7229, 1997).

V = 1000 + N (C x T + K x Lf) Equação 1

Onde:
V – volume útil da fossa séptica (L);
N – número de pessoas ou unidades de contribuição;
C – contribuição de despejos, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia
(Tabela 8);
T – tempo de detenção (dias), consultar Tabela 9;
K – taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de
acumulação de lodo
fresco (Tabela 10);
Lf - contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia
(Tabela 8).

177
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

TABELA 8 – CONTRIBUIÇÃO DIÁRIA DE ESGOTO (C) E DE LODO FRESCO (LF) POR TIPO DE
PRÉDIO E DE OCUPANTE (EM LITROS)

FONTE: NBR 7229 (1997, p. 4

TABELA 9 – PERÍODO DE DETENÇÃO DOS DESPEJOS EM FUNÇÃO DA FAIXA DE


CONTRIBUIÇÃO DIÁRIA

FONTE: NBR 7229 (1997, p. 5)

TABELA 10 – TAXA DE ACUMULAÇÃO TOTAL DE LODO (K) EM DIAS, POR INTERVALO ENTRE
LIMPEZAS E TEMPERATURA DO MÊS MAIS FRIO

FONTE: NBR 7229 (1997, p. 5)

178
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

Como pode ser observado, a Tabela 8 fornece os valores de contribuição


diária de esgoto e de lodo fresco por pessoa que serão utilizados para o
dimensionamento da fossa séptica em função do tipo da edificação. Na primeira
coluna da tabela são apresentados alguns tipos de edificações que se dividem em
ocupações permanentes, como no caso de residências; e ocupações temporárias,
como no caso de escritórios, fábricas, entre outras.

Em relação às ocupações permanentes, são especificadas três categorias,


sendo estas de alto, médio ou baixo padrão. Isto posto, destaca-se que o padrão
da edificação está atrelado à área da edificação, número de quartos, padrão de
acabamento da mesma, entre outros aspectos. Para exemplificar, considerando
uma residência unifamiliar com 60 m² do projeto Minha Casa Minha Vida, é
possível classificá-la na categoria de baixo padrão. A Tabela 9 especifica qual deverá
ser o período de detenção do lodo na fossa séptica. Como pode ser observado,
esse período é função do valor total da contribuição diária da edificação. Por fim,
a Tabela 10 fornece os valores da taxa de acumulação de lodo digerido em dias, a
qual é função da temperatura ambiente do local da edificação e dos intervalos de
limpeza da fossa séptica.

Exercício de dimensionamento:
Determinaremos o volume de uma fossa séptica que recebe o esgoto de uma
residência de alto padrão, habitada por 7 pessoas. Consideraremos que a
temperatura do mês mais frio é de 17 ⁰C e que a limpeza da fossa será realizada
de 5 em 5 anos.

O dimensionamento do volume da fossa séptica pode ser realizado através da


Equação 1
V = 1000 + N (C x T + K x Lf)
N = 7 pessoas
As contribuições de esgoto (C) e lodo fresco (Lf) são determinadas a partir da
Tabela 8.
Considerando uma residência de alto padrão – C = 160 L e Lf = 1,0 L
Para a determinação do tempo de detenção (T), inicialmente calculamos a
contribuição diária da residência:
Cd = N x C = 7 x 160 = 1120 L/dia
Cd = 1120 L/ dia – consultando a Tabela 9 – T = 1 dia
Posteriormente determinamos a taxa de acumulação de lodo digerido em dias
(K), a partir da Tabela 10.
t = 17 ⁰C e tempo de limpeza = 5 anos – K = 225 dias

V = 1000 + N (C x T + K x Lf) = 1000 + 7 (160 x 1 + 225 x 1)


V = 3695 L = 3,7 m³

179
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

7.2 DISPOSIÇÃO DO EFLUENTE DA FOSSA SÉPTICA


A escolha da forma de disposição do efluente líquido proveniente da fossa
séptica deve levar em consideração aspectos como a porosidade do solo e altura
do lençol freático e o possível contato do efluente com as águas do subsolo que,
direta ou indiretamente, podem ser utilizadas para o consumo humano. Nesse
contexto, a disposição dos efluentes líquidos de fossas sépticas pode ser feito
através do lançamento em corpos de água receptores, de sumidouros, valas de
infiltração, valas de filtração e filtros de areia (JORDÃO; PESSÔA, 2011).

Nessa conjuntura, uma solução para melhorar a qualidade do efluente


líquido de fossas sépticas é a utilização de um filtro biológico anaeróbio. Esses
filtros consistem em tanques cheios de pedras, através do qual o efluente percola,
entrando em contato com microrganismos anaeróbios. Como pode ser observado
na Figura 16, o fluxo do esgoto ocorre no sentido ascendente e o efluente é coletado
na parte superior do filtro. Nesse processo, a atividade biológica que ocorre
possibilita uma eficiência global de remoção da demanda bioquímica de oxigênio
(DBO) de 70% a 85%, em relação ao afluente da fossa (JORDÃO; PESSÔA, 2011).

FIGURA 16 – FUNCIONAMENTO DE UM FILTRO BIOLÓGICO ANAERÓBIO

FONTE: Gonçalves (2006, p. 246)

NOTA

A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) indica a quantidade de oxigênio


necessária para degradação da matéria orgânica. É o parâmetro mais empregado para
avaliar a poluição. Desta forma, quanto maior o valor do DBO de um efluente, maior o
impacto no corpo receptor.

Neste tópico abordamos sobre os componentes de um sistema predial


de esgoto sanitário e sobre o dimensionamento das tubulações deste sistema,
que é feito de acordo com a NBR 8160 (ABNT, 1999). De maneira geral, esse
180
TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO

dimensionamento é feito com base na contribuição de cada um dos aparelhos


sanitários existentes no sistema, representada pela Unidade Hunter de
Contribuição (UHC). Também foi apresentado o princípio de funcionamento e o
dimensionamento de fossas sépticas, as quais consistem em uma alternativa para
a disposição dos esgotos das edificações em situações de inexistência de sistema
público de coleta de esgoto.

UNI

Para relembrar, a Tabela apresenta todas as normas citadas neste tópico.

TABELA 11 – RESUMO DAS NORMAS APRESENTADAS NO TÓPICO

Norma Título

Sistemas prediais de esgoto sanitário -


NBR 8160 (ABNT, 1999)
Projetos e ezecução

Projeto, construção e operação de


NRB 7229 (ABNT, 1997)
sistemas de tanques sépticos

FONTE: A autora (2021)

181
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• O dimensionamento das tubulações de esgoto é feito com base nas Unidades


Hunter de Contribuição (UHC) dos aparelhos sanitários.

• A NBR 8160 (ABNT, 1999) determina o método de dimensionamento das


tubulações de esgoto que compõem este tipo de sistema predial.

• As fossas sépticas possibilitam a sedimentação do esgoto e a retenção de


material graxo.

• Filtros biológicos anaeróbios podem ser utilizados para melhorar a qualidade


do efluente líquido de fossas sépticas.

182
AUTOATIVIDADE

1 Os ramais de esgoto são as tubulações que recebem os efluentes dos


ramais de descarga ou a partir de um desconector. Tendo isso em vista,
dimensionar o diâmetro de um ramal de esgoto que receberá contribuições
dos ramais de descarga de uma banheira, um chuveiro e um lavatório de
uma residência.

a) ( ) D = 40 mm.
b) ( ) D = 50 mm.
c) ( ) D = 75 mm.
d) ( ) D = 100 mm.

2 Dimensionar o tubo de queda de um edifício residencial com 18 pavimentos


que receberá as contribuições de esgoto de banheiros compostos por 1 bacia
sanitária, 1 chuveiro, 1 banheira e 1 lavatório. Considerar um apartamento
por andar e um banheiro por apartamento.

a) ( ) D = 50 mm.
b) ( ) D = 75 mm.
c) ( ) D = 100 mm.
d) ( ) D = 150 mm.

3 Dimensionar a coluna de ventilação de um tubo de queda de um edifício


residencial com 18 pavimentos que receberá as contribuições de esgoto
de banheiros compostos por 1 bacia sanitária, 1 chuveiro, 1 banheira e
1 lavatório. Considerar um apartamento por andar e um banheiro por
apartamento.

a) ( ) D = 75 mm.
b) ( ) D = 100 mm.
c) ( ) D = 150 mm.
d) ( ) D = 200 mm.

4 Dimensionar o volume de uma fossa séptica de um edifício com 8 pavimento


e 4 apartamentos por andar. Considerar apartamentos de médio padrão
com 5 moradores por unidade. Além disso, considerar que esse edifício está
localizado no nordeste brasileiro, e que a temperatura mínima é de 22 ⁰ C.
Adotar um intervalo de limpeza da fossa séptica de 4 anos.

5 Dimensionar o volume de uma fossa séptica de uma residência habitada


por 5 moradores. Considerar que a edificação possui um padrão médio de
acabamento e que a mesma está localizada na região sul do Brasil, ou seja,
que as temperaturas no inverno atingem valores inferiores a 10 ⁰C. Além
disso, adotar uma periodicidade de limpeza da fossa séptica de 2 anos.

183
184
TÓPICO 2 —
UNIDADE 3

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

1 INTRODUÇÃO

Os sistemas prediais de esgoto pluvial têm como objetivo a captação e o


escoamento da água das chuvas, evitando assim alagamentos e erosões no solo.
Além disso, visam proteger a edificação do contato com umidade excessiva, que
pode ocasionar diversas manifestações patológicas, principalmente infiltrações.
Nesse contexto, o sistema de esgoto pluvial deve ser destinado exclusivamente
à coleta e condução da água das chuvas, não sendo permitido interligações
com outras instalações prediais, como a rede de esgoto sanitário (CARVALHO
JÚNIOR, 2017).

Como pode ser observado na Figura 17, o sistema predial de esgoto pluvial
é composto por calhas, condutores verticais e horizontais e demais dispositivos
responsáveis por captar a água da chuva e conduzi-la a um destino adequado.
As calhas coletam a água de chuva que cai sobre o telhado e a encaminha aos
condutores verticais (prumadas de descida). Posteriormente, essa água é
conduzida até os coletores horizontais, que têm a finalidade de recolher as águas
pluviais dos condutores verticais ou da superfície do terreno e conduzi-la até os
locais permitidos pelos dispositivos legais.

FIGURA 17 – ELEMENTOS CONSTITUINTES DO SISTEMA PREDIAL DE ESGOTO PLUVIAL

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 203)

185
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

A norma brasileira que estabelece as exigências e critérios necessários aos


projetos das instalações de drenagem de água pluviais é a NBR 10844 (ABNT,
1989), a qual visa garantir níveis aceitáveis de funcionalidade, segurança, conforto,
durabilidade e economia. Isto posto, este tipo de projeto de instalação predial deve
ser concebido de forma a atender as seguintes exigências: a condução da vazão
até os locais permitidos, estanqueidade, possibilitar a limpeza e desobstrução,
não provocar ruídos excessivos e resistir às pressões a que podem estar sujeitas.

Diante disso, abordaremos alguns conceitos necessários para a concepção


de projetos de esgoto pluvial, a determinação dos fatores meteorológicos, da
área de contribuição, vazão de projeto e, por fim, o dimensionamento das calhas
e condutores verticais e horizontais. Por fim, serão abordados alguns aspectos
sobre a representação gráfica deste tipo de projeto predial.

2 CONCEITOS
Nos subtópicos a seguir serão abordados alguns conceitos que são
fundamentais para a concepção de projetos de esgoto pluvial.

2.1 ALTURA PLUVIOMÉTRICA


A altura pluviométrica corresponde ao volume de água precipitada por
unidade de área horizontal. Essa altura usualmente é expressa em milímetros e
determinada através de aparelhos denominados de pluviômetro, como pode ser
observado na Figura 18.
FIGURA 18 – REPRESENTAÇÃO DA ALTURA PLUVIOMÉTRICA E PLUVIÔMETRO

FONTE: <https://bit.ly/3opTCoq.> Acesso em: 17 jun. 2021.

186
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

2.2 INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA


A intensidade pluviométrica corresponde ao quociente entre a altura
pluviométrica precipitada num intervalo de tempo e este intervalo (NBR 10844,
1989). Esse parâmetro será utilizado para o cálculo da vazão de projeto, a qual
é utilizada no dimensionamento de calhas e condutores verticais e horizontais,
conforme será apresentado nos subtópicos seguintes

2.3 PERÍODO DE RETORNO


O período de retorno, também conhecido como intervalo de recorrência
ou tempo de recorrência, consiste no número médio de anos em que uma
determinada intensidade pluviométrica é igualada ou ultrapassada apenas uma
vez (NBR 10844, 1989). Esse parâmetro indica a probabilidade da ocorrência
de um evento, sendo uma medida estatística baseada em dados históricos que
indicam o intervalo médio de ocorrência deste evento. A NBR 10844 (ABNT, 1989)
determina o período de retorno a ser adotado, em função das características da
área a ser drenada, conforme apresentado na Tabela 12.

TABELA 12 – TEMPO DE RETORNO DETERMINADO A PARTIR DA ÁREA A SER DRENADA

FONTE: A autora (2021)

2.4 ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO


A área de contribuição corresponde à soma das áreas das superfícies que,
interceptando chuva, conduzem as águas para determinado ponto da instalação
(NBR 10844, 1989). De acordo com Carvalho Júnior (2017), a área de contribuição,
que engloba a área das coberturas e aquelas externas às edificações, devem ser
bem indicadas no projeto arquitetônico, para que o dimensionamento conduza
à instalação mais econômica e adequada para a drenagem das águas pluviais.
Nesse contexto, a NBR 10844 (ABNT, 1989) estabelece que no cálculo da área
de contribuição também devem ser considerados os incrementos devidos à
inclinação da cobertura e as paredes que interceptam água da chuva. Na Figura
19 são apresentados alguns exemplos para o cálculo da área de contribuição.

187
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 19 – EXEMPLOS DA DETERMINAÇÃO DE ÁREAS DE CONTRIBUIÇÃO

FONTE: Adaptado de Ghisi e Gugel (2005)

Como pode ser observado na Figura 19, são apresentadas diversas


equações para o cálculo da área de contribuição de uma cobertura para diferentes
configurações. Para uma superfície plana horizontal, basta multiplicar as duas
dimensões da cobertura para obtenção da área de contribuição. Além disso,
existem configurações em que há contribuição das superfícies verticais, as quais
também englobadas no cálculo da área de contribuição, visto que conduzem água
e devem ser levadas em consideração no dimensionamento de calhas e condutores
verticais e horizontais.

2.5 PERÍMETRO E ÁREA MOLHADA


A área molhada pode ser definida como a área útil de escoamento em
uma seção transversal de um condutor ou calha, como pode ser observado na
Figura 20. Já o perímetro molhado corresponde à linha que limita a seção molhada
junto às paredes e ao fundo do condutor ou calha (NBR 10844, 1989). Essas duas
definições são importantes para a definição do conceito de raio hidráulico. De
acordo com a Equação 2, o raio hidráulico (Rh) é a relação entre a área molhada
(S) e o perímetro molhado (P). O raio hidráulico será utilizado no cálculo da vazão
para o dimensionamento das calhas, como será abordado nos subtópicos a seguir.

Equação 2

Onde:
Rh – Raio hidráulico (m);
S – Área molhada (m²);
P – Perímetro molhado (m).

188
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

FIGURA 20 – REPRESENTAÇÃO PERÍMETRO E SEÇÃO MOLHADA

FONTE: A autora (2021)

3 DIMENSIONAMENTO
Como pode ser observado na Figura 21, o dimensionamento de sistemas
prediais de esgotos pluviais envolve basicamente seis etapas. Inicialmente é
necessário determinar os fatores meteorológicos do local da edificação, a área
de contribuição da cobertura e a vazão de projeto. Posteriormente é feito o
dimensionamento das calhas e condutores verticais e horizontais. Nos subtópicos
a seguir cada uma dessas etapas será detalhada.

FIGURA 21 – ETAPAS DO DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

FONTE: A autora (2021)

3.1 FATORES METEOROLÓGICOS


Essa etapa engloba a determinação da intensidade pluviométrica (I),
que deve ser feita a partir da fixação da duração da precipitação e do tempo
de retorno. Nesse sentido, a NBR 10844 (ABNT, 1989) estabelece que a duração
da precipitação deve ser igual a 5 minutos. Em relação ao tempo de retorno,
conforme previamente apresentado na Tabela 12, o mesmo é função da área a
ser drenada. A norma brasileira NBR 10844 (ABNT, 1989) apresenta os valores
de intensidade pluviométrica (I) para diversas regiões do país, conforme pode
ser consultado na Tabela 13. Para locais não mencionados na tabela da norma,
recomenda-se adotar uma correlação com dados dos postos mais próximos que

189
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

tenham condições meteorológicas semelhantes às do local em questão. Além


disso, a NBR 10844 (ABNT, 1989) estabelece que para obras de até 100m2 de área
de projeção horizontal, de maneira geral, pode-se adotar I = 150 mm/h.

TABELA 13 – CHUVAS INTENSAS NO BRASIL - DURAÇÃO DE 5 MINUTOS

FONTE: NBR 10844 (1989, p. 11)

190
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

3.2 DETERMINAÇÃO DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO


Conforme anteriormente apresentado, a NBR 10844 (ABNT, 1989) define
que no cálculo da área de contribuição também devem ser considerados os
incrementos devidos à inclinação da cobertura e as paredes que interceptam
água da chuva. Isto posto, a Figura 19 exemplifica como determinar a área de
contribuição em algumas situações.

3.3 VAZÃO DE PROJETO


A vazão de projeto dos componentes dos sistemas prediais de esgoto
pluvial pode ser determinada a partir da Equação 3.

Equação 3

Onde:
Q – Vazão de projeto (L/min);
I – Intensidade pluviométrica (mm/h);
A – Área de contribuição (m²)

Adicionalmente, a NBR 10844 (ABNT, 1989) define que quando a saída de


água de calhas em beiral ou platibanda, estiver a menos de 4 m de uma mudança
de direção, conforme representado na Figura 22, a vazão de projeto deverá ser
multiplicada pelos coeficientes apresentados na Tabela 14.

FIGURA 22 – CALHAS COM SAÍDA DE ÁGUA A MENOS DE 4 m DE UMA MUDANÇA DE


DIREÇÃO

FONTE: A autora (2021)

TABELA 14 – COEFICIENTES DE MULTIPLICAÇÃO DA VAZÃO DE PROJETO

FONTE: NBR 10844 (1989, p. 6)

191
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Exemplo de dimensionamento:
Qual a vazão de contribuição do condutor vertical de um telhado com 2 águas de
95 m² cada, representado na Figura 23? Considerar no cálculo uma intensidade
pluviométrica de I = 174 mm/h.

FIGURA 23 – EXERCÍCIO PARA DETERMINAÇÃO DA VAZÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE UM


CONDUTOR VERTICAL

FONTE: A autora (2021)

Vazão na calha:
Q= =275,5 L/min
Vazão de contribuição do condutor vertical:
Q = 2 x 275,5 L/min = 551 L/min

3.4 DIMENSIONAMENTO DAS CALHAS


Para o dimensionamento das calhas é utilizada a Equação 4, também conhecida
como Equação de Manning-Strickler.

Equação 4

Onde:
Q – Vazão de projeto (L/min);
S – Área molhada (m²);
Rh – Raio hidráulico (m);
i – Declividade da calha (m/m);
η - Coeficiente de rugosidade, determinado pela TABELA 15 em função do tipo
de material;
K = 60.000.

192
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

TABELA 15 – COEFICIENTE DE RUGOSIDADE EM FUNÇÃO DO MATERIAL

FONTE: NBR 10844 (1989, p. 6)

Para simplificar o cálculo do raio hidráulico da seção da calha, também


é possível utilizar a Tabela 16 para dimensionamento das calhas. A tabela em
questão é válida para calhas semicirculares, como coeficiente de rugosidade de η
= 0,011. Os valores de vazão que constam na Tabela 16 foram calculados a partir
da fórmula de Manning-Strickler, considerando uma lâmina de água igual à
metade do diâmetro interno.

TABELA 16 – CAPACIDADES DE CALHAS SEMICIRCULARES COM COEFICIENTES DE RUGOSI-


DADE η = 0,011 (VAZÃO L/MIN)

FONTE: NBR 10844 (1989, p. 6)

Exemplo de dimensionamento:
Determinar o diâmetro de uma calha semicircular de PVC para atender
uma vazão de projeto de 250 L/min. Considerar uma declividade de 1%.

Considerando que se trata de uma calha semicircular de PVC (η = 0,011),


podemos utilizar a Tabela 16 para o dimensionamento. Basta consultar a Tabela
16 para a determinação do diâmetro da calha. Uma calha com diâmetro de 100
mm possui uma capacidade de vazão de 183 L/min. Desta forma, precisaremos
de um diâmetro maior. Analisando um diâmetro de 125 mm, verificamos que
o mesmo possui uma capacidade de vazão de 333 L/min, atendendo o valor de
projeto de 250 L/min. Desta forma, para este exemplo, a calha deve apresentar
D=125 mm.

193
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Para verificar estes valores, aplicaremos a fórmula de Manning-Strickler


(Equação 4).
Inicialmente calcularemos o raio hidráulico de uma tubulação com 125 mm. A
Tabela 16 considera uma lâmina de água igual à metade do diâmetro interno,
desta forma:

Área de uma circunferência: A = π x R2


A seção molhada corresponde à metade da área da circunferência:
S= =0,006136 m²

Comprimento de uma circunferência: C = 2 x π x R


O perímetro molhado corresponde à metade do comprimento da circunferência:
P= =0,19634 m

Cálculo do raio hidráulico:


Rh= =0,03125 m

Posteriormente calculamos a vazão através da fórmula de Manning-Strickler:


Q= =332,05 L/min

3.5 DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTORES VERTICAIS


Em relação ao dimensionamento dos condutores verticais, a NBR 10844
(ABNT, 1989) estabelece que, sempre que possível, os condutores devem ser
projetos em prumada única e, quando houver necessidades de desvios, os mesmos
devem ser feitos a partir de curvas de 90⁰ de raio longo, curvas de 45⁰ ou através
de dispositivos de inspeção. Além disso, a norma também define que o diâmetro
interno mínimo de condutores verticais de seção circular deve ser de 70 mm.

O dimensionamento dos condutores verticais é bastante simples e feito a


partir de ábacos existentes na NBR 10844 (ABNT, 1989). A norma fornece dois ábacos
para dimensionamento, em função do tipo de saída das calhas. Isto posto, o diâmetro
de calhas com saída em aresta viva pode ser determinado através da Figura 24. Já o
diâmetro de calhas com funil de saída deve ser obtido a partir da Figura 25.

194
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

FIGURA 24 – ÁBACO PARA A DETERMINAÇÃO DO DIÂMETRO DE CONDUTORES VERTICAIS


COM CALHA COM SAÍDA EM ARESTA VIVA

FONTE: Adaptado de NBR 10844 (1989, p. 8)

FIGURA 25 – ÁBACO PARA A DETERMINAÇÃO DO DIÂMETRO DE CONDUTORES VERTICAIS


COM CALHA COM FUNIL DE SAÍDA

FONTE: Adaptado de NBR 10844 (1989, p. 8

195
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Exemplo de dimensionamento:
Qual o diâmetro do condutor vertical para escoar 1400 L/min em um condutor
com 3 metros? Considerar calha com funil de saída.
Como pode ser observado na Figura 26, inicialmente entra-se com o valor da
vazão em L/min no eixo horizontal do ábaco. Posteriormente, prolonga-se a linha
até que a mesma intercepte a curva correspondente ao compirmento (L=3 m). Por
fim, obtem-se de maneira direta o diâmetro da calha (D = 90 mm). O diâmetro
comercial mais próximo ao valor calculado é D = 100 mm.

FIGURA 26 – EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO CONDUTORES VERTICAIS

FONTE: Adaptado de NBR 10844 (1989, p. 8)

Na Tabela 17, Carvalho Júnior (2017) apresenta um método simplificado


para o pré-dimensionamento de condutores verticais que leva em consideração
a área da cobertura e a seção do condutor. Compo pode ser observado, a tabela
indica a relação entre o diâmetro do condutor e a área máxima da cobertura que
pode ser drenada pelo mesmo. Para o pré-dimensionamento, inicialmente fixa-
se o diâmetro do condutor e determina-se o número de condutores necessários,
considerando a área máxima de cobertura que cada tubulação poderá escoar.

TABELA 17 – ÁREA MÁXIMA DE COBERTURA PARA CONDUTORES VERTICAIS DE SEÇÃO


CIRCULAR

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 221)

196
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

Exemplo de dimensionamento:
Calcular o número de condutores verticais necessário para o escoamento de águas
pluviais de um telhado cuja área de contribuição é 300 m². Considerar diâmetro
de 100 mm para os condutores e seção circular.

O número de condutores pode ser determinado a partir da Equação 5, onde n é o


número de condutores verticais, At é a área de contribuição do telhado (m²) e Ac
é a área máxima de cobertura drenada pelo condutor.

Equação 5

A área de contribuição é de At = 300 m². Para determinar a área máxima de


cobertura drenada pelo condutor basta consultar a TABELA 17. Um condutor
circular com diâmetro de 100 mm pode drenar uma área de até 90 m² (Ac = 90 m²).
Desta forma, serão necessários 4 condutores para drenar toda a área do telhado.

3.6 DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTORES HORIZONTAIS


No que tange ao dimensionamento dos condutores horizontais de
sistemas prediais de esgoto pluvial, a norma NBR 10844 (ABNT, 1989) define que
os mesmos devem ser projetados sempre que possível com declividade uniforme,
com valor mínimo de 0,5%. O dimensionamento dos condutores horizontais pode
ser realizado através da Tabela 18. A tabela em questão é válida para condutores
de seção circular, considerando um escoamento com lâmina de altura igual a 2/3
do diâmetro interno do tubo. Como pode ser observado, o dimensionamento é
função do coeficiente de rugosidade do material, da declividade adotada e da
vazão de projeto (L/min).

TABELA 18 – CAPACIDADE DE CONDUTORES HORIZONTAIS DE SEÇÃO CIRCULAR (VAZÕES


EM L/MIN)

FONTE: NBR 10844 (1989, p. 9)

197
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Exemplo de dimensionamento:
Qual deve ser o diâmetro do condutor horizontal circular de PVC para escoar
uma vazão de 1200 l/min? Suponha declividade de 2%. Como pode ser observado
na Figura 27, incialmente entra-se com a rugosidade do PVC (η = 0,011) e com a
declividade adotada (2%). Posteriormente, verifica-se qual valor atende à vazão
de 1200 L/min, que no caso do exemplo é o valor de 2570 L/min. Por fim, obtém-se
de maneira direta o diâmetro do condutor horizontal (D = 200 mm).

FIGURA 27 – EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO CONDUTOR HORIZONTAL

FONTE: Adaptado de NBR 10844 (1989, p. 9)

4 PROJETOS DE INSTALAÇÕES PREDIAIS


Em relação aos projetos de instalações prediais de esgoto pluvial, a Figura
28 apresenta as simbologias usuais para representação das tubulações, caixas de
inspeção e demais componentes.

FIGURA 28 – SIMBOLOGIA DE PROJETOS DE INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

FONTE: Carvalho Júnior (2017, p. 245)

198
TÓPICO 2 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO PLUVIAL

A Figura 29 exemplifica o projeto de esgoto pluvial de uma residência.


A água da chuva percorre os condutores verticais e os condutores horizontais,
os quais irão conduzi-la até um destino adequado. Outro aspecto que deve ser
destacado neste projeto é a existência de caixas de inspeção ou de areia nos
pontos de ligação entre os condutores verticais e horizontais, conforme exigido
pela NBR 10844 (ABNT, 1989).

FIGURA 29 – EXEMPLO DE PROJETO DE ESGOTO PLUVIAL DE UMA RESIDÊNCIA

FONTE: <http://site1364604808.tempsite.ws/hidro.html>. Acesso em: 17 jun. 2021.

Acadêmico, neste tópico o dimensionamento de calhas e condutores


verticais e horizontais foi abordado, em conformidade com a norma
brasileira NBR 10844 (ABNT, 1989), a qual é destinada à elaboração de
projetos de sistemas prediais de esgoto pluvial. Conforme já abordamos, este
dimensionamento também envolve a definição de parâmetros meteorológicos
como a intensidade pluviométrica da região da edificação e a definição da
área de contribuição da cobertura.

199
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

UNI

Para relembrar, a Tabela 19 apresenta todas as normas citadas neste tópico.

TABELA 19 – RESUMO DAS NORMAS APRESENTADAS NO TÓPICO

FONTE: A autora (2021)

200
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A intensidade pluviométrica é função da localização da edificação.

• A área de contribuição da cobertura leva em consideração os incrementos


devidos à inclinação do telhado e as paredes que interceptam água da chuva.

• A NBR 10844 (ABNT, 1989) determina o método de cálculo de sistemas prediais


de esgoto pluvial.

• O dimensionamento de calhas é feito a partir da Equação de Manning-Strickler.

201
AUTOATIVIDADE

1 Previamente ao dimensionamento das calhas e condutores verticais e


horizontais de um sistema predial de esgoto pluvial é necessário determinar
a vazão de projeto. Tendo isto em vista, determine qual a vazão de projeto
de uma residência localizada em Curitiba (PR), que terá uma área de
contribuição de 210 m². Considerar um período de retorno de 5 anos.

a) ( ) 714 L/min.
b) ( ) 823 L/min.
c) ( ) 867 L/min.
d) ( ) 902 L/min.

2 Dimensionar o diâmetro de uma calha de seção semicircular que irá


conduzir uma vazão de projeto de 150 L/min. Considerar que o material da
calha será de PVC. Adotar uma lâmina de água igual à metade do diâmetro
interno da calha e uma declividade de 1%.

a) ( ) D = 100 mm.
b) ( ) D = 125 mm.
c) ( ) D = 150 mm.
d) ( ) D = 200 mm.

3 Dimensionar o diâmetro de uma calha de seção semicircular que irá


conduzir uma vazão de projeto de 426 L/min. Considerar que o material da
calha será de PVC. Adotar uma lâmina de água igual à metade do diâmetro
interno da calha e uma declividade de 2%.

a) ( ) D = 100 mm.
b) ( ) D = 125 mm.
c) ( ) D = 150 mm.
d) ( ) D = 200 mm.

4 Qual é o número de condutores verticais necessário para o escoamento de


águas pluviais de um galpão industrial que tem uma área de contribuição
de 700 m². Adotar uma seção circular para os condutores verticais e um
diâmetro de 125 mm.

5 Dimensionar o diâmetro de condutor horizontal circular de ferro fundido


de um edifício que deverá escoar uma vazão de projeto de 2450 L/min?
Adotar uma declividade de 2% e um escoamento com lâmina de altura
igual a 2/3 do diâmetro interno da tubulação.

202
TÓPICO 3 —
UNIDADE 3

INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO


CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO
DE GÁS COMBUSTÍVEL

1 INTRODUÇÃO

É evidente a importância de sistemas e instalações adequadas de prevenção


e combate ao incêndio para garantir a segurança e integridade da edificação
e de seus usuários. No Brasil, após a ocorrência do incêndio da Boate Kiss em
Santa Maria (RS), que resultou na morte de centenas de vítimas, evidenciou-se
a importância de um sistema adequado de combate e prevenção à incêndios e
a importância do atendimento das normativas pertinentes. Além das normas
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), cada estado possui uma
legislação de segurança contra incêndio e pânico distinta, que também deve ser
atendida pelos projetistas (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

NOTA

As instruções normativas do Estado de Santa Catarina contra incêndio


podem ser consultadas no link a seguir: https://dsci.cbm.sc.gov.br/index.php/pt/cidadao/
instrucoes-normativas-in

De acordo com a NBR 15575-1 (ABNT, 2013), as instalações prediais


de prevenção contra incêndio objetivam proteger a vida dos ocupantes das
edificações e áreas de risco em caso de incêndio, dificultar a propagação do
incêndio, reduzindo danos ao meio ambiente e ao patrimônio, proporcionar
meios de controle e extinção do incêndio e dar condições de acesso para as
operações do Corpo de Bombeiros. Adicionalmente, a norma estabelece que a
resistência ao fogo de elementos estruturais tem o intuito de possibilitar a saída
dos ocupantes da edificação em condições de segurança, garantir condições
para o socorro público e minimizar danos à própria edificação, às edificações
adjacentes, à infraestrutura pública e ao meio ambiente. Diante disso, neste tópico
abordaremos a classificação dos incêndios, os métodos de extinção do fogo, as
medidas de proteção contra incêndio e as etapas para elaboração do projeto de
prevenção de incêndio.

203
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Além disso, neste tópico também abordaremos sobre o sistema de distribui-


ção de gás combustível. Nessa conjuntura, devem ser seguidos os requisitos esta-
belecidos pela NBR 15526 (ABNT, 2016). A referida norma se aplica para o projeto
e execução de redes de distribuição interna de gases combustíveis em instalações
residenciais que não excedam pressão de operação de 150 kPa e que são abastecidas
por canalização de rua ou por uma central de gás, sendo o gás conduzido até os
pontos de utilização através de um sistema de tubulações. A norma possui aplica-
ção para os seguintes gases combustíveis: gás natural (GN), gases liquefeitos de
petróleo, como o GLP, propano, butano, e em mistura ar-GLP. Tendo isso em vista,
será apresentado o método de dimensionamento de um sistema de distribuição de
gás, conforme estabelecido pela NBR 15526 (ABNT, 2016).

2 CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS


A classificação dos incêndios é feita com base nas características dos
combustíveis. Isto posto, de maneira geral os combustíveis podem ser classificados
em cinco categorias, conforme pode ser observado na tabela 20

TABELA 20 – CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS

FONTE: Adaptado de Carvalho Júnior (2017)

3 MÉTODOS DE EXTINÇÃO DO FOGO


Os métodos de extinção do fogo podem ser classificados em: extinção por
resfriamento, extinção por abafamento e extinção por isolamento.

3.1 EXTINÇÃO POR RESFRIAMENTO


A extinção por resfriamento é caracterizada pela redução da temperatura
e, desta forma, do calor. Este método tem como objetivo eliminar a geração de
gases e vapores do combustível, fazendo com que o mesmo se apague. De maneira
geral, o agente resfriador mais utilizado é a água (SIMIANO; BAUMEL, 2013).

204
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

3.2 EXTINÇÃO POR ABAFAMENTO


O princípio básico da extinção por abafamento consiste em impedir que
o material comburente (oxigênio) permaneça em contato com o combustível
em uma quantidade que permita a alimentação da combustão. Considerando o
oxigênio, para concentrações abaixo de 16%, a combustão deixará de ocorrer. Para
o combate de incêndio por abafamento podem ser utilizados diversos materiais
que devem efetivamente impedir a entrada de oxigênio. Além disso, deve-se
tomar o cuidado de utilizar um material que não possa servir como combustível
para o incêndio (SIMIANO; BAUMEL, 2013).

3.3 EXTINÇÃO POR ISOLAMENTO


Por fim, em relação à extinção por isolamento, existem duas alternativas,
sendo estas: através da retirada do material que está queimando e através da
retirada do material que está próximo ao fogo e que também poderá entrar em
combustão (SIMIANO; BAUMEL, 2013).

4 MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO


As medidas de segurança contra incêndio englobam todos os conjuntos
e sistemas que são instalados nas edificações que visam evitar a ocorrência de
incêndio, limitar sua propagação e possibilitar a sua extinção (CARVALHO
JÚNIOR, 2017). Como abordaremos a seguir, as medidas existentes podem ser
classificadas em dois sistemas, sendo estes: medidas ativas de proteção e medidas
passivas de proteção.

4.1 MEDIDAS ATIVAS DE PROTEÇÃO


As medidas ativas de proteção são aquelas que entrarão em ação na
ocorrência de um incêndio. Podem ter acionamento através de sistemas manuais
ou automáticos (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Nos subtópicos a seguir serão
apresentados alguns exemplos das medidas ativas de proteção.

4.1.1 Sistema de alarme e detecção de incêndio


Os sistemas de alarme de incêndio podem ter acionamento automático
ou manual (FIGURA 30). Recomenda-se que os acionadores de sistemas manuais
fiquem localizados próximos aos hidrantes. No caso dos sistemas automáticos,
usualmente o acionamento é realizado através de detectores de fumaça,
temperatura ou calor. Com o intuito de aumentar a segurança destes dispositivos,
alguns sistemas de alarme podem utilizar mais de uma tecnologia de detecção.

205
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Além disso, é imprescindível que o sistema de alarme possa ser ouvido em toda
a área da edificação abrangida pelo sistema de segurança e que a edificação
contenha um plano de ação para otimizar as rotas de fuga quando o alarme for
acionado (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 30 – EXEMPLO DE ALARMA DE INCÊNDIO COM ACIONAMENTO MANUAL

FONTE: <https://bit.ly/3ilkXEu> Acesso em: 21 jun. 2021.

4.1.2 Sistema de iluminação de emergência


O sistema de iluminação de emergência tem como principal função fornecer
um nível de iluminação mínimo que possibilite o acesso às saídas da edificação
caso ocorra a falta de energia elétrica. Desta forma, seu uso é exigido em escadas,
corredores, rotas de fuga e outros lugares que apresentem riscos ao fluxo de
pessoas. O sistema deve acender automaticamente na ausência de energia elétrica
e deve desligar automaticamente após o seu retorno. A Figura 31 exemplifica
uma luminária de emergência destinada a este fim. Quanto à alimentação deste
sistema, o mesmo pode ser realizado por grupos motogeradores, por central de
baterias ou por baterias de bloco autônomo (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 31 – EXEMPLO DE ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA

FONTE: <https://bit.ly/3F6ogJo>. Acesso em: 21 jun. 2021.

206
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

E
IMPORTANT

A NBR 10898 (ABNT, 2013) estabelece diversas características a respeito do


sistema de iluminação de emergência.

4.1.3 Sistema de sinalização de emergência


A sinalização de emergência é composta por diversos símbolos e mensa-
gens (Figura 32) que devem ser posicionados de maneira estratégica no interior da
edificação e demais áreas de risco. Em situações corriqueiras, este tipo de sinaliza-
ção tem como objetivo auxiliar na redução da ocorrência de incêndios, identifican-
do e alertando possíveis riscos existentes. Já em situações de incêndio, o sistema de
sinalização de emergência visa orientar ações de combate e auxiliar na localização
de equipamentos e rotas de fuga da edificação (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 32 – EXEMPLOS DE SINALIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA

FONTE: <https://bit.ly/3B0Q4gc>. Acesso em: 21 jun. 2021.

4.1.4 Sistema de proteção por extintores


Os extintores têm por finalidade realizar o combate imediato e rápido
de pequenos focos de incêndio (SIMIANO; BAUMEL, 2013). São constituídos
por substâncias com diversas características tais como: água, espuma, neblina
de água, gás carbônico, pó carboquímico, dentre outras. O tipo de extintor mais

207
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

adequado para cada situação é definido com base na classificação do incêndio,


conforme pode ser consultado na Tabela 21. Como pode ser observado na Figura
33, os extintores podem ser do tipo portáteis ou sobre rodas, também conhecidos
como extintores sobre carretas

TABELA 21 – TIPOS DE EXTINTORES E SUAS RESPECTIVAS CLASSES DE INCÊNDIO

FONTE: Adaptado de Macintyre (1990)

FIGURA 33 – EXEMPLO DE EXTINTOR PORTÁTIL (A) E EXTINTOR SOBRE RODAS (B)

FONTE: <https://bit.ly/3CYSwnK>. Acesso em: 22 jun. 2021.

E
IMPORTANT

A seleção e instalação de extintores de incêndio deve ser realizada de acordo


com a NBR 12693 (ABNT, 2021).

208
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Quanto ao posicionamento dos extintores, os mesmos devem estar


localizados em regiões de fácil acesso, visíveis aos usuários e protegidos contra
choques mecânicos. Estes componentes não devem ser localizados em escadas e
em locais que possam ser bloqueados pelo fogo em caso de incêndio. Além disso,
devem estar acompanhados de sinalização de emergência, conforme previamente
apresentado (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

4.1.5 Sistema de proteção por chuveiros automáticos


O sistema de proteção por chuveiros automáticos, também conhecidos
como sprinklers, é um dos métodos mais eficientes de combate a incêndios, uma
vez que o seu funcionamento não depende da ação humana. Nesse sentido, este
sistema tem ação imediata e automática após o início do incêndio. Como pode
ser observado na Figura 34, de maneira geral o sprinkler é composto por uma
estrutura externa de proteção e um elemento termo sensível. O bico do sprinkler
é ligado a uma tubulação pressurizada, a qual permanece fechada por meio do
elemento termo sensível. Esse elemento quando submetido a temperaturas altas,
expande ocasionando o destravamento do sistema que iniciará o alagamento do
local (CARVALHO JÚNIOR, 2017).

FIGURA 34 – ESTRUTURA DE UM SPRINKLER

FONTE: <https://www.incen.com.br/wp-content/uploads/2020/12/fire-sprinkler-on-the-ceiling-
1280x853.jpg>. Acesso em: 21 jun. 2021.

NOTA

Quer saber mais sobre o funcionamento dos sprinklers?


Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=govqI5kqh54

209
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Além das Instruções Técnicas cabíveis em função da localização da


edificação, a elaboração dos sistemas de proteção por sprinklers também deve
atender as especificações da NBR 10897 (ABNT, 2020). Esta norma estabelece os
requisitos para instalação de sistemas de proteção por chuveiros automáticos,
bem como aspectos como características de suprimento de água, seleção dos
tipos de chuveiros e todos os materiais necessários. A NBR 10897 (ABNT, 2020)
também fornece critérios para determinação do espaçamento, localização e área
de cobertura dos chuveiros automáticos.

4.1.6 Sistema de proteção por hidrantes e mangotinhos


Os hidrantes e mangotinhos podem ser definidos como pontos de
tomada de água, compostos por válvulas, mangueiras e demais acessórios (NBR
13714, 2000). O princípio de funcionamento de ambos os sistemas é similar e as
principais diferenças entre os hidrantes e mangotinhos estão no material das
mangueiras e na capacidade de vazão. Como pode ser observado na Figura
35, a mangueira dos mangotinhos é semirrígida. Além disso, verifica-se que o
diâmetro dos hidratantes é maior, o que confere a este sistema uma capacidade
de vazão superior e, portanto, uma maior capacidade de extinção de incêndios.
Em contrapartida, como os diâmetros são superiores, o manuseio das mangueiras
dos hidrantes é mais complexo em relação ao sistema de mangotinhos, os quais
são caracterizados por mangueiras leves e de fácil e rápido manuseio.

FIGURA 35 – EXEMPLO DE HIDRANTE (A) E MANGOTINHO (B)

FONTE: <https://bit.ly/2ZIgO7j>. Acesso em: 21 jun. 2021.

E
IMPORTANT

A NBR 13714 (ABNT, 2000) fixa as condições exigíveis para dimensionamento,


instalação, manutenção, aceitação e manuseio, bem como as características, dos
componentes de sistemas de hidrantes e de mangotinhos para uso exclusivo de
combate a incêndio.

210
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

4.2 MEDIDAS PASSIVAS DE PROTEÇÃO


Já as medidas passivas são independentes da ação do incêndio, ou seja,
são consideradas no projeto arquitetônico da edificação. Como exemplo cita-se a
previsão de saídas de emergência, a compartimentação, tempo de resistência ao
fogo da estrutura, controle dos materiais de acabamento e revestimento, dentre
outras (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Nos subtópicos a seguir serão abordadas
com maiores detalhes duas medidas, sendo estas: separação entre as edificações
e compartimentação.

4.2.1 Separação entre edificações


A separação entre edificações tem por objetivo evitar a propagação do
incêndio por radiação de calor, convecção de gases e transmissão de calor, evitando
assim que o incêndio que eventualmente ocorra em uma edificação, não atinja as
demais circunvizinhas (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Isto posto, a separação entre
as edificações pode ser feita através de um distanciamento entre as estruturas
(Figura 36a) e através de barreiras entre edifícios contínuos (Figura 36b).

FIGURA 36 – (A) PROPAGAÇÃO DO FOGO ENTRE FACHADAS E (B) PAREDE CORTA-FOGO

FONTE: Adaptado de Corpo de Bombeiros (2012)

4.2.2 Compartimentação
A compartimentação de uma edificação pode ser do tipo horizontal e
vertical. A compartimentação horizontal visa impedir a propagação de incêndios
para outros ambientes no mesmo plano horizontal. Paredes e portas-fogo (Figura
37), registros corta-fogo nos dutos, afastamentos horizontais entre as aberturas,
dentre outras soluções se enquadram nessa categoria. Nesse contexto, destacam-
se as portas corta-fogo que também asseguram o isolamento e proteção das rodas
de fuga em situações de incêndio. Intuitivamente, a compartimentação vertical
é destinada a impedir a propagação de incêndios entre pavimentos. Alguns
exemplos deste tipo de compartimentação são: pisos corta-fogo, enclausuramentos
de poços de elevadores e escadas, dentre outros.

211
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 37 – PORTA CORTA-FOGO

FONTE: <https://bit.ly/3CXAimH>. Acesso em: 21 jun. 2021.

5 ETAPAS PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PREVENÇÃO


DE INCÊNDIO
A elaboração de um projeto de prevenção de incêndio envolve
resumidamente cinco etapas, conforme indicado na Figura 38. A seguir cada uma
das etapas será abordada com maiores detalhes.

FIGURA 38 – ETAPAS PARA ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIO

Fonte: A autora (2021)

212
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

5.1 CLASSIFICAÇÃO DA EDIFICAÇÃO


Inicialmente para a determinação dos sistemas e medidas de segurança
contra incêndio, a edificação deve ser classificada de acordo com a sua ocupação
e finalidade, como pode ser definido a partir do Quadro 1. Destaca-se que o
projetista deverá consultar as Instruções Normativas específicas de cada estado.
Para fins didático, nesta apostila apresentaremos algumas especificações do
Corpo de Bombeiros Militar (CBM) do Estado de Santa Catarina.

QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES

FONTE: IN 1 – PARTE 2 (CBM, 2021, p. 14)

5.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA EDIFICAÇÃO E SISTEMAS


PREVENTIVOS EXIGIDOS
Conforme estabelecido pela IN 1 – Parte 2 (CBM, 2021), para definição das
exigências dos sistemas e medidas de segurança contra incêndio e pânico devem
ser considerados os seguintes itens:

• a ocupação ou uso;
• a área total construída;
• a altura ou número de pavimentos;
• a carga de incêndio;
• a capacidade de lotação;
• os riscos especiais.

213
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Nesse contexto, a IN 4 (CBM, 2020) define carga de incêndio como a soma


das energias caloríficas que podem ser liberadas pela combustão completa de todos
os materiais combustíveis no interior da edificação, inclusive os revestimentos
de: paredes, divisórias, pisos e tetos. Já a carga de incêndio específica pode ser
compreendida como o valor da carga de incêndio dividido pela área de piso
do espaço considerado. Os valores da carga de incêndio específica podem ser
calculados pelo método determinístico expresso pela Equação 6 (IN 3, 2020).

Equação 6

Onde:
qfi - valor de carga de incêndio específica, em megajoule por metro quadrado de
área de piso considerado para o cálculo (MJ/m²);
mi - massa de cada componente i do material combustível, em quilograma (kg);
Hi - potencial calorífico específico de cada componente do material combustível,
conforme QUADRO 2;
Af - área do piso considerado para o cálculo, em metro quadrado (m²).
Exemplo de cálculo:
Um armazém com 800 m² de área construída possui os seguintes materiais: 15
ton. de celulose, 1,5 ton. de madeira e 20 ton. de plástico. Calcularemos a carga de
incêndio específica da construção.
Inicialmente é necessário determinar o potencial calorífico de cada material
(QUADRO 2).
Celulose – 16 MJ/kg;
Madeira – 19 MJ/kg;
Plástico – 31 MK/kg
Cálculo da carga de incêndio:

Desta maneira, a carga de incêndio do armazém é de 1 110,63 MJ/m².

QUADRO 2 – POTENCIAL CALORÍFICO ESPECÍFICO EM FUNÇÃO DO TIPO DE MATERIAL

214
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FONTE: IN 3 (CBM, 2020, p. 16)

5.3 IDENTIFICAÇÃO DOS SISTEMAS PREVENTIVOS EXIGIDOS


Como pode ser observado no Quadro 3, com base na classificação da
edificação em função do tipo de ocupação e das características do imóvel como
área e altura, são definidos quais os sistemas e medidas de segurança contra
incêndio e pânico são exigidos.

QUADRO 3 – EXIGÊNCIAS DE SISTEMAS E MEDIDAS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO


(IMÓVEIS COM ÁREA ≤ 750 M2 E ALTURA ≤ 12 M)

FONTE: IN 1 – PARTE 2 (CBM, 2021, p. 18)

215
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

5.4 CLASSIFICAÇÃO DA EDIFICAÇÃO QUANTO AOS RISCOS


A IN 3 (CBM, 2020) classifica o risco de incêndio de uma edificação com
base no valor da carga de incêndio específica (qfi) nas seguintes categorias:

• I - Carga de incêndio desprezível: qfi ≤ 100;


• II - Carga de incêndio baixa: 100 < qfi ≤300;
• III - Carga de incêndio média: 300 < qf i≤1200;
• IV - Carga de incêndio alta: qfi >1200.

5.5 VERIFICAR OS NÍVEIS DE EXIGÊNCIA E DETALHAMENTO


DE CADA SISTEMA
Nesta etapa devem ser considerados as especificidades de cada projeto e
as particularidades de cada edificação e Instruções Normativa cabíveis. Deve-se
verificar quais os desenhos necessários, quais são os padrões de apresentação e
qual o nível de detalhamento exigido e que facilite a compreensão do projeto.

6 INSTALAÇÕES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS


COMBUSTÍVEL
De acordo com Macintyre (1990) as instalações de distribuição de gás
combustível são aquelas destinadas a distribuir o gás no interior de uma edificação,
para fins de aquecimento e para consumo em fogões, aquecimento de água e
equipamentos industriais. Nesse contexto, conforme previamente mencionado,
a norma que fornece os requisitos para redes de distribuição interna de gases
combustíveis é a NBR 15526 (ABNT, 2012), a qual será utilizada como base neste
tópico do livro.

Como pode ser observado na Figura 39, o sistema de distribuição da


edificação é ligado à rede geral. Como a pressão da rede usualmente é superior aos
aparelhos que serão alimentados a gás, deve ser utilizado um regulador de pressão.
Também são utilizados medidores que devem ser adequadamente selecionados
visando atender à vazão previsão, à máxima pressão especificação e a queda de
pressão da rede de distribuição interna (NBR 15526, 2012). Por fim, a rede de
distribuição conduz o gás através de tubulações até os pontos de utilização, no caso
do exemplo em questão, até os fogões e aquecedores da edificação.

216
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

FIGURA 39 – REPRESENTAÇÃO DE UMA REDE DE DISTRIBUIÇÃO INTERNA DE GÁS

FONTE: NBR 15526 (ABNT, 2012)

6.1 MATERIAIS EMPREGADOS


Quanto ao material das tubulações, a NBR 15526 (ABNT, 2012) cita tubos
de aço-carbono, de cobre rígido e flexível e de polietileno. As tubulações de
polietileno devem ser utilizadas em trechos enterrados e externos à edificação. Em
locais suscetíveis a choques mecânicos, quando as tubulações forem aparentes,
devem ser devidamente protegidas. Além disso, deve ser prevista proteção contra
a corrosão das tubulações, principalmente para materiais metálicos.

E
IMPORTANT

De acordo com a NBR 15526 (ABNT, 2021), a rede de distribuição interna


aparente deve ser identificada através de pintura da tubulação na cor amarela, como
exemplificado na Figura 40a. Em fachadas e no interior das residências a norma permite
a pintura da tubulação na cor da fachada ou com cor adequada, desde que a tubulação e
os suportes de fixação sejam identificados com a palavras gás no máximo a cada 10 m. Já
a rede de distribuição interna enterrada deve ser identificada através da colocação de fita
plástica de advertência por toda a sua extensão (Figura 40b).

FIGURA 40 – TUBULAÇÃO DE GÁS (A) E FITA DE IDENTIFICAÇÃO (B)

FONTE: <https://bit.ly/3omd3P2>. Acesso em: 24 jun. 2021.

217
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

6.2 DIMENSIONAMENTO
Para o dimensionamento do sistema de distribuição de gás deve ser
levantado o perfil de consumo de gás da edificação, ou seja, quais os aparelhos
de gás que serão utilizados. O dimensionamento da tubulação de gás deve ser
realizado de modo a atender à máxima vazão necessárias para alimentar os
aparelhos a gás, considerando a pressão adequada para sua operação. Isto posto,
cada trecho de tubulação deve ser dimensionado através da soma das vazões
dos aparelhos a gás por ele servidos e a perda de carga máxima admitida. Nessa
conjuntura, para o dimensionamento das tubulações devem ser observados os
seguintes aspectos (NBR 15526, 2012):

• A pressão máxima da rede de distribuição interna deve ser 150 kPa;


• A pressão da rede de distribuição interna de unidades habitacionais deve ser
limitada a 7,5 kPa;
• A perda de carga máxima admitida para cada trecho de rede que alimenta
diretamente um aparelho a gás deve ser de 10 % o valor da pressão de operação;
• A perda de carga máxima admitida para cada trecho de rede que alimenta um
regulador de pressão deve ser de 30 % o valor da pressão de operação;
• A velocidade máxima admitida na rede é de 20 m/s.

6.2.1 Potência adotada


Inicialmente, é necessário determinar a potência computada (C) no trecho
considerado, através do somatório das potências nominais dos aparelhos a gás
que esse trecho irá alimentar. As potências nominais dos aparelhos a gás podem
ser determinadas através da Tabela 22. Para os equipamentos que não constam na
tabela, devem ser adotadas as informações fornecidas pelo fabricante do produto.

218
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

TABELA 22 – POTÊNCIA NOMINAL DOS APARELHOS A GÁS

FONTE: Adaptado de NBR 15526 (2012)

Posteriormente, realiza-se o cálculo da potência adotada (A), através da


Equação 7. Como pode ser observado, para o cálculo do cálculo do consumo da
rede de distribuição interna comum a várias unidades habitacionais, utiliza-se
um fator de simultaneidade (F) que pode ser determinado através da Tabela 23.

Equação 7

Onde:
A – Potência adotada (kcal/h);
F – Fator de simultaneidade (adimensional);
C – Potência computada (kcal/h).

219
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

TABELA 23 – FATOR DE SIMULTANEIDADE EM FUNÇÃO DA POTÊNCIA COMPUTADA

6.2.2 Cálculo da vazão


Em seguida, efetua-se o cálculo da vazão de gás (Q), através da Equação 8.

Equação 8

Onde:
Q – Vazão de gás, expressa em normal metros cúbicos por hora (Nm³/h);
A – Potência computada (kcal/h);
PCI – Poder calorífico inferior do gás (kcal/m³). Adotar o valor de 8 600 kcal/m³ para
o gás natural (GN) e de 24 000 kcal/m³ para o gás liquefeito de petróleo (GLP).

6.2.3 Cálculo da velocidade


A velocidade pode ser calculada através da Equação 9. Reitera-se que a
NBR 15526 (ABNT, 2012) estabelece uma velocidade máxima de 20 m/s na rede
de distribuição de gás.

V=354 x Q x (P+1,033)^⁻¹ x D⁻² Equação 9

Onde:
V – Velocidade (m/s);
Q – Vazão de gás (Nm³/h);
P – Pressão manométrica de operação (kgf/m²);
D – Diâmetro interno da tubulação (mm).

6.2.4 Perda de carga


O comprimento total do sistema deve ser calculado somando-se o trecho
horizontal, o trecho vertical e as perdas de carga localizadas. Isto posto, para
determinação das perdas de carga localizadas, são considerados os valores
fornecidos pelos fabricantes das conexões e válvulas ou aqueles estabelecidos na
literatura (NBR 15526, 2021). A NBR 15526 (ABNT, 2012) apresenta alguns valores
de comprimento equivalente para as perdas de carga localizadas que podem ser
adotados, na ausência de dados dos fabricantes (Tabela 24).

220
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

TABELA 24 – COMPRIMENTO EQUIVALENTE (M)

FONTE: Adaptado de NBR 15526 (2012)

NOTA

Perda de carga localizada: perdas ocasionadas por conexões, válvulas,


registros, dentre outros (CARVALHO JÚNIOR, 2014). Usualmente é expressa através de um
comprimento de tubulação equivalente.

Exemplo de cálculo:
Determinaremos a vazão de gás da rede de distribuição interna de uma residência
que contêm os seguintes aparelhos a gás: fogão de 6 bocas com forno, aquecedor
de passagem com vazão de 10 L/min e secadora de roupa. Iremos adotar a
utilização de gás natural.

Inicialmente é necessário determinar a potência nominal de cada aparelho a partir


da Tabela 22.
Fogão de 6 bocas com forno – 13.390 kcal/h
Aquecedor de passagem (10 L/min) – 15.000 kcal/h
Secadora de roupa – 6.020 kcal/h

Em seguida calcularemos o valor da potência computada.


C = 13.390 + 15.000 + 6.020 = 34.410 kcal/h

Para residência unifamiliar não é recomendado adotar coeficiente de


simultaneidade. Desta forma, a potência adotada terá o mesmo valor da potência
computada.
A = 34.410 kcal/h.

Posteriormente, calcularemos a vazão de gás a partir da Equação 8.


Considerando um sistema com gás natural – PCI = 8 600 kcal/m³.

A vazão de gás da rede de distribuição é de 4 m³/h.

221
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

LEITURA COMPLEMENTAR

PARÂMETROS PARA GARANTIA DA QUALIDADE DO PROJETO DE


SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM EDIFÍCIOS ALTOS

Rosaria Ono

É possível agrupar as medidas a serem tomadas para garantir a segurança


contra incêndio em medidas de prevenção e medidas de proteção. As medidas
de prevenção são aquelas que se destinam a prevenir a ocorrência do início do
incêndio, isto é, controlar o risco do início do incêndio. As medidas de proteção
são aquelas destinadas a proteger a vida humana e os bens materiais dos efeitos
nocivos do incêndio que já se desenvolve. Em conjunto, essas medidas visam a
manter o risco de incêndio em níveis aceitáveis.

Berto (1991) estabelece oito elementos que compõem as medidas de


prevenção e proteção contra incêndio, relacionando-os às etapas de crescimento
do fogo, a saber:

(a) precaução contra o início do incêndio: o único composto de medidas de


prevenção que visam a controlar eventuais fontes de ignição e sua interação com
materiais combustíveis;
(b) limitação do crescimento do incêndio: composto de medidas de proteção que
visam a dificultar, ao máximo, o crescimento do foco do incêndio, de forma que
este não se espalhe pelo ambiente de origem, envolvendo materiais combustíveis
presentes no local e elevando rapidamente a temperatura interna do ambiente;
(c) extinção inicial do incêndio: composto de medidas de proteção que visam a
facilitar a extinção do foco do incêndio, de forma que ele não se generalize pelo
ambiente;
(d) limitação da propagação do incêndio: composto de medidas de proteção que
visam a impedir o incêndio de se propagar para além do seu ambiente de origem;
(e) evacuação segura do edifício: visa a assegurar a fuga dos usuários do edifício,
de forma que todos possam sair com rapidez e em segurança;
(f) precaução contra a propagação: visa a dificultar a propagação do incêndio
para outros edifícios próximos daquele de origem do fogo; (g) precaução contra o
colapso estrutural: visa a impedir a ruína parcial ou total da edificação atingida.
As altas temperaturas, em função do tempo de exposição, afetam as propriedades
mecânicas dos elementos estruturais, podendo enfraquecê-los, até que provoquem
a perda de sua estabilidade; e
(h) rapidez, eficiência e segurança das operações: visa a assegurar as intervenções
externas para o combate ao incêndio e o resgate de eventuais vítimas.

As medidas de proteção contra incêndio podem ser, por sua vez, divididas
em duas categorias: as medidas de proteção passiva; e as medidas de proteção
ativa. As principais medidas de proteção passiva e ativa são apresentadas no
Quadro 1, classificadas em função dos objetivos da proteção definidos pelos
elementos propostos por Berto (1998).
222
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Verifica-se, conforme mostrado no Quadro 1, que as medidas passivas de


proteção contra incêndio têm papel destacado na segurança contra incêndio das
edificações. Dessa forma, é importante garantir que tais medidas apresentem o
desempenho desejado numa situação de incêndio.

QUADRO 4 - MEDIDAS DE PROTEÇÃO ATIVA E PASSIVA

Avaliação do desempenho das medidas de proteção passiva


Do planejamento urbano

Por mais que se tomem medidas preventivas e de proteção contra incêndio


na própria edificação, elas podem falhar, e o incêndio, sair do controle. Nesse
caso, poderá ser necessário contar com a intervenção do Corpo de Bombeiros,
para evitar que o fenômeno se torne uma tragédia de grandes proporções.

O acesso à edificação é um ponto crítico nesse processo e deve ser entendido


como o trajeto do posto de bombeiros até o local da ocorrência. As dimensões
(largura e altura livre) das vias urbanas de acesso são fatores importantes a
serem considerados no rápido deslocamento e na manobra dos equipamentos de
combate, assim como as condições topográficas das vias e do entorno da edificação
considerada. Nas grandes cidades, outro fator a considerar é o tráfego pesado e
os congestionamentos, que podem aumentar, significativamente, o tempo para o
atendimento da ocorrência, denominado “tempo-resposta”.

Da implantação do edifício no interior do lote

223
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Uma vez que o veículo de bombeiro chega ao local da ocorrência


propriamente dito, ou seja, à entrada do lote ou do condomínio, ele pode enfrentar
graves problemas, como a dificuldade de acesso e manobra em vias internas, que
muitas vezes não estão dimensionadas para suportar veículos de grande porte.

A possibilidade de acesso da via até pelo menos uma das fachadas do edifício
atingido utilizando os equipamentos dos bombeiros é sempre desejável, pois permite
que intervenções de combate ou salvamento pelo exterior sejam viabilizadas.

Além do colapso do edifício, o pior fenômeno que se pode esperar na


evolução do incêndio é o da conflagração, nome dado ao fenômeno em que edifícios
adjacentes são sucessivamente envolvidos no incêndio. A propagação do incêndio
entre edifícios isolados pode ocorrer por meio dos seguintes mecanismos:

(a) radiação térmica, emitida pelo edifício incendiado, através de: aberturas
existentes na fachada; da cobertura; chamas que saem pelas aberturas na fachada
ou pela cobertura; e, ainda, chamas desenvolvidas pela própria fachada, quando
esta for composta de materiais combustíveis; e
(b) convecção, quando os gases quentes emitidos pelas aberturas existentes na facha-
da ou pela cobertura do edifício incendiado atingem a fachada do edifício adjacente.

A avaliação da radiação térmica emitida pela fachada de uma edificação


com paredes externas resistentes ao fogo dependerá, principalmente, das
dimensões das aberturas por onde a radiação será transmitida e sua proporção
em relação à fachada em questão, e da carga-incêndio existente no interior do
edifício em chamas, que determinará a intensidade e a duração do incêndio.

Assim, a avaliação de desempenho dessa medida de proteção passiva deve-


ria ser realizada com base no projeto arquitetônico apresentado e com comprova-
ção por cálculos que permitiram a obtenção de valores de distanciamento seguro.

Do projeto da edificação

A compartimentação é uma medida de proteção passiva que visa à


contenção do incêndio em seu ambiente de origem e é obtida pela subdivisão
do edifício em células capazes de suportar a ação da queima dos materiais
combustíveis nelas contidos, impedindo o rápido alastramento do fogo. Essa
medida, adicionalmente, restringe a livre movimentação da fumaça e dos gases
quentes no interior do edifício e tende a facilitar o abandono seguro dos seus
ocupantes, assim como as operações de combate ao fogo. Daí a sua importância,
discutida com profundidade por Costa et al. (2005) e também abordada na
Instrução Técnica nº 09 – Compartimentação Horizontal e Compartimentação
Vertical (CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2004).

224
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

A compartimentação horizontal se destina a impedir a propagação do


incêndio no interior do próprio pavimento em que este se originou, de forma
que grandes áreas de pavimento não sejam afetadas, e pode ser obtida através da
composição dos seguintes dispositivos:

(a) paredes corta-fogo para subdivisão de grandes áreas de pavimento, do piso


ao teto ou à cobertura;
(b) portas corta-fogo, nas aberturas das paredes corta-fogo destinadas à circulação
de pessoas e de equipamentos; e
(c) registros corta-fogo, nos dutos de ventilação e nos dutos de exaustão, entre
outros, que transpassam as paredes corta-fogo; e
(d) selos corta-fogo, nas passagens de cabos elétricos e em tubulações por paredes
corta-fogo.

A compartimentação vertical se destina a impedir a propagação do


incêndio entre pavimentos adjacentes e deve ser obtida de tal forma que cada
pavimento componha um compartimento isolado em relação aos demais. Para
isso é necessária a composição com:

(a) fachadas cegas, abas verticais e abas horizontais com resistência ao fogo sob as
aberturas na envoltória do edifício, que dificultam a propagação de chamas e dos
gases quentes pelas aberturas nos pisos consecutivos da fachada;
(b) enclausuramento de caixas de escadas através de paredes e portas corta-fogo,
pois estas intercomunicam vários pavimentos, podendo se tornar um meio de
propagação vertical de chamas, calor e fumaça internamente ao edifício;
(c) registros corta-fogo, nos dutos de ventilação, dutos de exaustão, entre outros,
que intercomunicam os pavimentos;
(d) entrepisos corta-fogo; e
(e) selos corta-fogo, nas passagens de cabos elétricos e em tubulações entre os
pavimentos.

A avaliação da compartimentação no projeto e na construção deve ser


realizada pela verificação de sua existência e dos detalhes específicos de proteção
de aberturas como portas, janelas, dutos e shafts. No entanto, é necessário,
numa etapa anterior, certificar-se da eficácia do sistema construtivo proposto
na composição da compartimentação, assim como o atendimento ao tempo
requerido de resistência ao fogo (TRRF) dele. Tal avaliação é normalmente
realizada mediante ensaios de resistência ao fogo das paredes e dos vedadores
(portas, dampers, etc.) neles instalados.

Ao contrário do que ocorre com os ensaios de reação ao fogo, os ensaios de


resistência ao fogo acompanham, mundialmente, uma curva padrão de elevação
de temperatura a que o corpo-de-prova deve ser submetido no interior do forno
de resistência ao fogo – o que permite a comparação de resultados de avaliação de
desempenho realizados em laboratórios de várias partes do mundo.

225
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

Para a avaliação e a classificação da resistência ao fogo de elementos


(portas, janelas, dampers, etc.) e sistemas construtivos de vedação horizontal ou
vertical (paredes e pisos), são considerados os seguintes critérios:

(a) estanqueidade: permite avaliar se as chamas e os gases quentes desenvolvidos


no interior do ambiente em combustão são liberados por fissuras ou aberturas no
elemento construtivo, podendo expor as pessoas e os objetos que se encontram na
face não exposta ao fogo aos efeitos do incêndio;
(b) isolamento térmico: permite avaliar se o calor transmitido por radiação
e condução através da superfície do elemento construtivo pode ameaçar a
segurança das pessoas e dos objetos que se encontram na face não exposta ao
fogo aos efeitos do incêndio; e
(c) estabilidade: permite avaliar se o elemento ou sistema construtivo não perde
seu caráter funcional (seja este portante ou simplesmente de vedação), ou seja,
não apresenta ruína durante o tempo de ensaio.

Tais critérios são definidos nos seguintes métodos de ensaio:

a) NBR 6479 – Portas e vedadores – Determinação da resistência ao fogo – Método


de ensaios (ABNT, 1992); e
(b) NBR 10646 – Paredes divisórias sem função estrutural – Determinação da
resistência ao fogo – Método de ensaio (ABNT, 1989).
As estruturas dos edifícios, em função dos materiais e da geometria que as
constituem, devem ser dimensionadas de forma a possuírem resistência ao fogo
compatível com a magnitude do incêndio a que possam vir a ser submetidas.
A avaliação das estruturas diante do fogo tem sido realizada, tradicionalmente,
por ensaios de resistência ao fogo nos elementos estruturais específicos. Pode-se
citar como exemplo o método de ensaio descrito na NBR 5628 – Componentes
construtivos estruturais – Determinação da resistência ao fogo (ABNT, 1980). No
entanto, nas últimas décadas, o desenvolvimento de modelos computacionais
de cálculo estrutural, associado aos modelos computacionais de estimativa da
intensidade do fogo baseada na carga incêndio, tem possibilitado o cálculo e a
avaliação dos elementos estruturais de forma mais expedita e com custos menores,
como pode ser encontrado na NBR 14432 – Exigência de resistência ao fogo de
elementos de construção de edificação – Procedimento (ABNT, 2000).

Ainda assim, os ensaios de resistência ao fogo não são totalmente dispensá-


veis, principalmente no caso da necessidade de caracterização de novos materiais e
elementos em face do fogo, para efeito de pesquisa e de coleta de dados que podem
ser introduzidos posteriormente nos modelos computacionais de cálculo.

Uma das grandes vantagens dos modelos computacionais é a possibilidade


que eles apresentam de estimar as deformações que podem surgir na estrutura,
considerando grandes trechos nas análises e não se limitando, geometricamente,
às dimensões do forno de ensaio. Normas brasileiras têm sido desenvolvidas para

226
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

tanto, como a NBR 14323 – Dimensionamento de estrutura de aço em situação de


incêndio – Procedimento (ABNT, 1999) e NBR 15200 – Projeto de estruturas de
concreto em situação de incêndio – Procedimento (ABNT, 2004).

As rotas de fuga ou saídas de emergência são projetadas para garantir a


saída dos ocupantes de edifícios em situações emergenciais, de forma segura e
rápida, de qualquer ponto até um local seguro, normalmente representado por
uma área livre e afastada do edifício. Um projeto adequado deve permitir que
todos abandonem as áreas de risco num período mínimo através das saídas.

Quanto maior o risco, mais fácil deve ser o acesso até uma saída,
pois, dependendo do tipo de construção, das características dos ocupantes
e dos sistemas de proteção existentes, o fogo e/ou a fumaça podem impedir
rapidamente sua utilização. Para evitar tal inconveniência, a provisão de duas
saídas independentes é fundamental, exceto onde o edifício ou o ambiente em
questão apresentam dimensões tão pequenas ou são arranjados de tal forma que
uma segunda saída não aumentaria a segurança dos ocupantes.

Além de permitir o abandono seguro dos edifícios pelos seus ocupantes,


um bom projeto de saídas de emergência deve, também, proporcionar às equipes
de salvamento e combate ao fogo um fácil acesso ao interior do edifício. Disso
pode depender o sucesso das operações dessas equipes em salvar vidas e reduzir
perdas patrimoniais.

O dimensionamento das partes que compõem as saídas depende da


lotação das edificações e é definido de acordo com a classe de ocupação do local
(que está relacionada ao seu risco) por normas, como a NBR 9077 – Saídas de
emergência em edifícios (ABNT, 1993) e regulamentações.
A avaliação do desempenho das rotas de fuga se faz, portanto, mediante a
análise do projeto de saídas de emergência e em conjunto com os dados relativos
ao desempenho dos elementos construtivos que as compõem, quando se tratar de
medidas de proteção passiva.

A quantidade de materiais combustíveis existente num compartimento


tem relação direta com a intensidade que um incêndio pode alcançar nesse mesmo
local, sendo, portanto, um grande definidor do risco de incêndio daquele ambiente
e, consequentemente, um importante parâmetro para a definição dos sistemas de
proteção contra incêndio compatíveis com esse risco. O termo técnico utilizado
para definir a quantidade de material combustível denomina-se carga-incêndio.

Como medida de proteção passiva, o controle da carga-incêndio tem papel


fundamental no projeto, à medida que se definem os elementos construtivos que
serão empregados na construção da edificação. Os fabricantes deveriam estar aptos
a fornecer o poder calorífico dos seus produtos, para que se possa estimar o que
se pode denominar “carga incêndio permanente ou fixa” do edifício projetado,
priorizar aqueles que possuam índices menores ou nulos, ou prever outros sistemas
de proteção que reforcem o projeto de segurança contra incêndio como um todo.

227
UNIDADE 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

A avaliação da combustibilidade de materiais assim como da


quantidade de calor liberado na sua combustão é realizada por meio de ensaios
laboratoriais mundialmente conhecidos e denominados genericamente de
Ensaio de Incombustibilidade e Ensaio de Determinação do Poder Calorífico,
respectivamente.

Na etapa de especificação dos produtos de acabamento e revestimento


que irão compor o projeto de um edifício, os produtos combustíveis, que no caso
de um princípio de incêndio podem propagar as chamas rapidamente, podem ser
incorporados inadvertidamente.

FONTE: https://seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/view/3731

228
TÓPICO 3 — INSTALAÇÕES PREDIAIS DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO E DE DISTRIBUIÇÃO DE GÁS COMBUSTÍVEL

UNI

Para relembrar, a Tabela 25 apresenta um resumo de todas as normas citadas


neste tópico.

TABELA 25 – RESUMO DAS NORMAS APRESENTADAS NO TÓPICO

FONTE: A autora (2021)

229
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A classificação dos incêndios é feita com base nas características dos


combustíveis;

• As principais medidas ativas de proteção contra incêndio são sistemas de


alarme e detecção, iluminação, sinalização, proteção por extintores, proteção
por chuveiros automáticos e proteção por hidrantes e mangotinhos.

• As principais medidas passivas de proteção são: previsão de saídas de


emergência, compartimentação e separação entre as edificações.

• A elaboração do projeto de prevenção de incêndio deve levar em consideração


as Instruções Normativas cabíveis, as quais variam em função da localização
da edificação.

• O dimensionamento da rede de distribuição interna de gás combustível é feito


de acordo com a NBR 15526 (ABNT, 2012).

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

230
AUTOATIVIDADE

1 Os incêndios são comumente classificados nas classes A, B, C, D e K de


acordo com as características dos combustíveis que os originam. Tendo isto
em vista, assinale a alternativa CORRETA a respeito da classe de incêndio
das seguintes situações:

I- Incêndio em uma bomba de abastecimento de um posto de gasolina.


II- Incêndio no estoque de uma fábrica de papel.
III- Incêndio ocasionado por equipamento elétrico energizado.

a) ( ) Classe A; Classe K; Classe C.


b) ( ) Classe A; Classe B; Classe C.
c) ( ) Classe B; Classe A; Classe C.
d) ( ) Classe C; Classe B; Classe A.

2 Considerando que a carga de incêndio corresponde à soma das energias


caloríficas que podem ser liberadas pela combustão completa de todos os
materiais combustíveis no interior de uma edificação, determinar a carga de
incêndio específica de um galpão industrial com 1200 m² de área construída
que armazena 30 ton. de plástico.

a) ( ) 470 MJ/m².
b) ( ) 585 MJ/m².
c) ( ) 612 MJ/m².
d) ( ) 775 MJ/m².

3 Determinar a classe de risco de incêndio de um depósito com 2.000 m2,


contendo 25.000kg de petróleo e 1.500kg de madeira, com base na Instrução
Normativa IN 3 do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina.

a) ( ) Carga de incêndio desprezível.


b) ( ) Carga de incêndio baixa.
c) ( ) Carga de incêndio média.
d) ( ) Carga de incêndio alta.

4 Determinar a vazão de gás da rede de distribuição interna de uma


residência que contêm os seguintes aparelhos a gás: fogão de 4 bocas com
forno, aquecedor de passagem com vazão de 15 L/min e secadora de roupa.
Adotar um sistema com gás liquefeito de petróleo (GLP).

5 Determinar a vazão de gás da rede de distribuição interna de um edifício


residencial com 16 andares, composto por 1 apartamento por andar.
Considerar que cada apartamento possui os seguintes aparelhos a gás:
fogão de 6 bocas com forno e aquecedor de passagem com vazão de 10 L/
min. Adotar um sistema com gás liquefeito de petróleo (GLP).
231
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA) – Atlas Esgotos: Despoluição
de bacias hidrográficas. 2021. Disponível em: http://atlasesgotos.ana.gov.br/.
Acesso em: 14 jun. 2021.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 7229:


Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro,
1997.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 8160:


Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução. Rio de Janeiro, 1997.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10844:


Instalações prediais de águas pluviais. Rio de Janeiro, 1989.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10897:
Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos – Requisitos.
Rio de Janeiro, 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 12693:


Sistemas de proteção por extintores de incêndio. Rio de Janeiro, 2021.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13714:


Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio. Rio de
Janeiro, 2000.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR


15526: Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações
residenciais – Projeto e execução. Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575-


1: Edificações habitacionais – Desempenho Parte 1: Requisitos Gerais. Rio de
Janeiro, 2013.

CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações prediais hidráulico-sanitárias: Princípios


básicos para elaboração de projetos. 1 ed. São Paulo: Blucher, 2014.
CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 1
ed. São Paulo: Blucher, 2017.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR (CBM). IN 1 – Parte 2 - Sistemas e medidas


de segurança contra incêndio e pânico. Santa Catarina, 2021.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR (CBM). IN 3 – Carga de incêndio. Santa


Catarina, 2020.

232
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR (CBM). IN 4 – Terminologia de segurança
contra incêndio. Santa Catarina, 2020.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR. NPT 007 – Separação entre edificações


(isolamento de riscos). Paraná, 2021.

GHISI, E.; GUGEL, E. C. Instalações prediais de águas pluviais. Departamento


de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
2005.

GONÇALVES, R. F. Uso racional de água em edificações. ABES: Rio de


Janeiro, 2006.

GUIDO, L. M. M.; NETO, S. A.; SOUZA JUNIOR, F. N.; IZQUIEREDO, I. S.;


SERRA, S. M. B. Tecnologia BIM aplicada a compatibilização de projeto na
construção civil. In: XXV Simpósio de Engenharia de Produção, Bauru, 2018.

JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 6 ed. São


Paulo: ABES, 2011.

MACINTYRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Editora


Guanabara, Rio de Janeiro, 1990.

SIMIANO, L. F.; BAUMEL, L. F. S. Manual de prevenção e combate a


princípios de incêndio. Governo do Estado do Paraná, 2013.

233
234

Você também pode gostar