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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO CIVIL

NOTAS DE AULA DE CONCRETO I

Professora: Eliene Pires Carvalho

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Tema 1: Propriedades Mecânicas do Concreto

1.1) Resistência à compressão

A resistência do concreto à compressão em uma idade j (fcj) é a principal propriedade mecânica desse
material. Ela é avaliada adotando-se corpos-de-prova padrão, retirados da betoneira, por meio de ensaios
de carregamento único, de curta duração e monotônicos. (figura 1.1).

Figura 1.1 – Ensaio de resistência à compressão do concreto

A idade do concreto (j), bem como o tipo de cimento utilizado em sua composição, são parâmetros
importantes ao se avaliar a sua resistência, uma vez que o processo de hidratação do cimento é
continuado (Figura 1.2).

Figura 1.2 – Evolução da resistência do concreto com a idade [1]

A evolução da resistência do concreto com a idade, mostrada na figura 1.2, pode ser obtida através de
ensaios. Na ausência desses ensaios, essa evolução pode ser estimada em função do tipo de cimento
empregado no concreto, adotando-se a expressão abaixo:

fc(j) =β1 fc(j=28) (1)

2
A tabela abaixo mostra relações fc(j)/fc(28) para alguns tipos de cimento, calculadas adotando-se a
equação 1, também preconizada pelo CEB-FIP Model Code [1].

.
Ressalta-se que a ABNT NBR 6118 recomenda o uso da expressão (1) para concretos com idades
inferiores a 28 dias. Para idades superiores a norma NBR 6118 admite-se que o crescimento da resistência
à compressão do concreto, a partir de 28 dias até 50 anos, será de apenas 16%, embora esse crescimento
possa ser superior a este valor [2].
No escritório de cálculo o projetista da estrutura especifica um valor para a resistência do concreto à

compressão denominado fck. Esse valor é adotado como ponto de partida dos cálculos de

dimensionamento e representa a resistência característica do concreto à compressão, aos 28 dias de


idade. Ele é especificado pelo projetista estrutural admitindo que somente 5% do volume de concreto do
componente estrutural terá resistência à compressão abaixo desse valor. Na obra o construtor deverá
adotar um traço de concreto que atenda a especificação de projeto, o que representa, de acordo com a
curva de Gauss mostrada na figura 1.3, que o concreto deverá ser dosado para uma resistência

correspondente a fcj,m :
Frequência (%)

fcj,m = fck + 1,65 sd


sd = desvio padrão
Resistência
Figura 1.3 – Curva de Gauss para o concreto

3
O fck refere-se a resultados de resistência à compressão de corpos-de-prova padrão, amostrados durante

a concretagem e ensaiados com carregamento único, de curta duração e monotônico.

Como relacionar a resistência à compressão de corpos-de-prova padrão com a resistência à compressão


no elemento estrutural (pilares, lajes, vigas)? Segundo [2], admite-se que a resistência dos elementos

estruturais deve sempre ser menor que o fck devido a diferenças de geometria, cura, adensamento,

segregação interna, variabilidade da resistência do concreto, etc. Para levar esta questão em consideração
no projeto estrutural, o calculista determina a resistência de cálculo do concreto à compressão, aos 28 dias
de idade:

fcd = fck / c.


Outra consideração importante, relacionada à resistência do concreto, é que os ensaios de compressão em
corpos de prova, realizados com o objetivo de avaliar a resistência do concreto numa determinada idade (j),
são de curta duração. Segundo os trabalhos realizados pelo alemão Rüsch, o resultado desse ensaio é
superior ao obtido quando o ensaio é de longa duração. Isso se deve à microfissuração interna do concreto
que diminui a capacidade resistente do CP à compressão (Figura 1.4).

Figura 1.4 – Microfissuração interna do concreto

Esse decréscimo da resistência à compressão do concreto por ação das cargas de longa duração é
denominado efeito Rüsch. Conforme o CEB-FIP Model Code o modelo matemático que melhor representa
o efeito deletério da ação das cargas de longa duração é:

fc,sus,t = resistência à compressão do concreto sob carga mantida, na idade t dias, em MPa;
fc,t0 = resistência potencial à compressão do concreto na data (idade) t0 instantes antes de aplicação da
carga de longa duração, em MPa;
t0 = idade de aplicação da carga, em dias.
t = qualquer idade do concreto “a posteriori” de t0, e em dias.

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A ABNT NBR 6118 considera que o decréscimo da resistência à compressão do concreto devido à carga
aplicada aos 28 dias, e mantida até 50anos, será de 27%, ou seja, deve-se considerar um coeficiente de
minoração igual a 0.73 [2].

Para considerar os efeitos do crescimento da resistência com a idade, combinado com as conseqüências
deletérias da ação da carga mantida e de longa duração, a ABNT NBR 6118 considera um coeficiente 
para o cálculo da tensão de cálculo do concreto à compressão (σcd).

σcd = fcd *  = fck / c * 

O coeficiente β é resultado do produto de dois coeficientes: 1 que depende da taxa de crescimento da


resistência à compressão do concreto, a partir da data de aplicação da carga, e 2 que depende da taxa de
perda de capacidade resistente por efeito da carga de longa duração (Rüsch). Sendo 1 = 1.16 e 2 = 0.73,
cujo produto resulta  = 1.16 * 0.73 = 0.85 [2].

σcd = 0,85 fcd

1.2) Diagrama Tensão (σc) x Deformação do concreto (εc)

O diagrama tensão x deformação do concreto também é obtido através de ensaios de compressão simples,
realizados em corpos de provas (Cps) com dimensões e procedimentos estabelecidos na norma ABNT NBR
8522 (figura 1.5).

Figura 1.5 – Diagramas Tensão x Deformação do concreto mais realistas [3]

Para o projeto de estruturas de concreto armado pode-se adotar um diagrama teórico (figura 1.6), conforme
especificado na NBR ABNT 6118.

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Figura 1.6 – Diagrama Tensão x Deformação do concreto idealizado: PARÁBOLA-RETÂNGULO [4]

Os valores a serem adotados para os parâmetros εc2 (deformação específica de encurtamento do

concreto no início do patamar plástico) e εcu (deformação específica de encurtamento do concreto na


ruptura) são mostrados ao lado do gráfico.

O diagrama xna compressão, apresentado na Figura 1.6 é um diagrama idealizado, onde se nota dois
trechos distintos, o primeiro curvo segundo uma parábola de grau “n”, com deformações inferiores aεc2 e
o segundo constante, com deformações variando de εc2 a εcu. Para o trecho curvo a tensão no concreto
é dada por

Onde fcd representa a resistência de cálculo do concreto= fck/1,4

Para projeto, o valor da resistência no trecho constante é considerado igual a σc = 0,85 fcd.

Um exemplo de diagramas tensão x deformação para diferentes classes de concretos é dado na figura 1.7.

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Figura 1.7 – Diagramas Tensão x Deformação PARÁBOLA-RETÂNGULO [3]

1.3) Módulo de Elasticidade do Concreto

Segundo [3] “O módulo de elasticidade longitudinal para um ponto qualquer do Diagrama Tensão (σc) x
Deformação do concreto (εc) é obtido pela derivada (dσ/dε) no ponto considerado, que representa a
inclinação da reta tangente à curva no ponto”. Ele pode ser obtido por meio de ensaios de compressão
simples, realizados em corpos de provas (Cps) com dimensões e procedimentos estabelecidos na norma
ABNT NBR 8522 (figura 1.8).

Eci = módulo elasticidade tangente inicial


Ecs = módulo elasticidade secante
Figura 1.8 – Diagramas Tensão x Deformação e módulo de elasticidade do concreto

Para o projeto das estruturas de concreto armado o módulo de elasticidade pode ser estimado, em função
da resistência do concreto. De acordo com a ABNT NBR 6118, o módulo de elasticidade ou módulo de
deformação tangente inicial (Eci) pode ser estimado pelas expressões seguintes:

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Onde Eci e fck são dados em megapascal (MPa).

O módulo de deformação secante pode ser estimado pela expressão:

Ressalta-se que:
•Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou seção transversal, pode ser adotado
módulo de elasticidade único, à tração e à compressão, igual ao módulo de deformação secante Ecs.
•Na avaliação do comportamento global da estrutura pode ser utilizado em projeto o módulo de elasticidade
inicial Eci considerando-se que:
a) existem significativas regiões da estrutura onde as tensões são baixas, abaixo de 30% de fck.
b) nessas análises uma parte das ações é usualmente dinâmica de curta duração, como o vento, por
exemplo, para as quais o concreto tem uma resposta mais rígida.

O módulo de elasticidade numa idade menor que 28 dias pode ser avaliado pelas expressões a seguir:

Eci(t) é a estimativa do módulo de elasticidade do concreto em uma idade entre 7 dias e 28 dias;
fck(t) é a resistência à compressão do concreto na idade em que se pretende estimar o módulo de
elasticidade, em megapascal (MPa).

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1.4) Resistência à tração

A resistência à tração indireta fct,sp e a resistência à tração na flexão f ct,f devem ser obtidas em ensaios
realizados segundo a ABNT NBR 7222 e a ABNT NBR 12142, respectivamente (figura 1.9). A resistência à
tração direta fct pode ser considerada igual a 0,9 fct,sp ou 0,7 fct,f.

Tração na flexão Tração indireta – Spliting test

Tração
direta
Figura 1.9 –Ensaios para avaliar a resistência do concreto à tração [6]

O ensaio de compressão diametral (Spliting test), desenvolvido pelo Prof. Lobo Carneiro, é o mais utilizado,
o mais simples e fornece resultados mais homogêneos e ligeiramente superiores ao da tração direta. Na
falta de ensaios o valor de fct pode ser avaliado por meio das equações propostas na ABNT NBR 6118:

Na tração, o diagrama σct x εct é bilinear conforme mostrado na figura 1.10.

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Figura 1.10 –Diagrama tensão x deformação do concreto na tração [4]
Bibliografia:

[1] Notas de Aula do Professor José Celso da Cunha do Curso de Mestrado em Engenharia Civil do Cefet
MG.
[2] Análise da resistência à compressão do concreto em estruturas acabadas com vistas à revisão da
segurança estrutural – Prof. Paulo Helene -Revista ALCONPAT, Volumen 1, Número 1, Enero-Abril 2011.
[3] Curvas tensão normal de compressão-deformação específica para concretos de diferentes resistências -
Prof. Ibrahim Shehata e Profa. Lidia Shehata
[4] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva; Universidade Federal de Minas Gerais.
[5] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.
[6] Apostila de Estruturas de Concreto – Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo e Sandro P. Santos.

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Tema 2: Propriedades Reológicas do Concreto

2.1 ) Retração (shrinkage)

A retração é uma deformação volumétrica do concreto devido à perda da água que não está quimicamente
associada à pasta de cimento, quando o concreto é colocado em contato com o ar (secagem). A pasta
saturada não é dimensionalmente estável, quando exposta à umidade ambiente começa a perder água e a
retrair. Ressalta-se que, de forma simplificada, pode-se considerar a água na pasta de cimento com as
seguintes formas:
água livre: sem ligações fisico-químicas com a pasta, evapora sem provocar retração;
água adsorvida: com ligação física com a pasta, ao se evaporar provocar retração e
água retida em pequenos capilares: ao se evaporar provocar retração.
A deformação devido à retração do concreto não depende da aplicação de carregamento, e acontece ao
longo da vida útil da estrutura até uma relativa estabilização que depende de vários fatores. Se as
deformações forem impedidas pela presença de apoios externos ou de outros elementos estruturais
adjacentes e solidários à própria peça estrutural considerada, pode-se dar início a um processo de
fissuração. Nesses casos a fissuração ocorrerá quando se atinge a resistência à tração do concreto (figura
2.1)

Figura 2.1 – Fissuras devido a retração hidráulica e queda de temperatura.

Portanto, a retração é uma ação que deve ser considerada no projeto de estruturas de concreto armado,
tendo-se em vista os seus efeitos nos elementos de apoio (pilares) e no controle de fissuração da estrutura.
Em casos onde não é necessária grande precisão, os valores finais da deformação específica de retração
do concreto considerando-se uma idade inicial (t0) e uma idade final considerada (t∞): εcs(t,t0) podem ser
obtidos, por interpolação linear, a partir da tabela 2.1 (ABNT NBR 6118).

Tabela 2.1 – Deformação específica de retração do concreto

A tabela 8.1 fornece o valor da deformação específica de retração cs(t,t0) em função da umidade média
ambiente e da espessura fictícia 2Ac/u, onde Ac é a área da seção transversal e u é o perímetro da seção
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transversal em contato com a atmosfera. Os valores dessa tabela são relativos a temperaturas do concreto
entre 10C e 20C, podendo-se, entretanto, admiti-los como válidos para temperaturas entre 0C e 40C.
Esses valores são válidos para concretos plásticos e de cimento Portland comum. (temperatura média
diária 20º c, concreto com abatimento de 50 mm a 100 mm).
Nos casos correntes das obras de concreto armado, em função da restrição à retração do concreto imposta
pela armadura, o valor de εcs (t, t0) pode ser adotado igual a – 0,15 mm/m. Esse valor é válido para
elementos estruturais de dimensões usuais, entre 10 cm e 100 cm, sujeitos a umidade ambiente não
inferior a 75%. Nos elementos estruturais de concreto armado com taxas geométricas de armadura
longitudinal inferiores a 0,5% ou 0,1%, o valor característico da retração deve ser alterado,
respectivamente, para -0,20 mm/m ou 0,25 mm/m. Para valores de umidade significativamente inferiores a
75% esses valores devem ser revistos (ver ANEXO A ABNT NBR 6118)

taxa geométrica de armadura :


As

Ac
As  area aço
Ac  area concreto

2.2) Fluência (Creep)

Os mesmos mecanismos de secagem da água responsáveis pela retração também são responsável pela
fluência do concreto. A diferença é que no caso da fluência uma tensão externa aplicada torna-se a força
que direciona o movimento da água adsorvida e da água retida nos pequenos capilares (figura 2.2)

Figura 2.2 – Deformação imediata e deformação devido à fluência [1]

Em casos onde não é necessária grande precisão, os valores finais do coeficiente de fluência (t,t0) do
concreto, submetido a tensões menores que 0,5 fc quando do primeiro carregamento, podem ser obtidos,
por interpolação linear, a partir da tabela 2.2

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A tabela 2.2 fornece o valor do coeficiente de fluência (t,t0) em função da umidade média ambiente e da
espessura fictícia 2Ac/u, onde Ac é a área da seção transversal e u é o perímetro da seção em contato com
a atmosfera. Os valores dessa tabela são relativos a temperaturas do concreto entre 10C e 20C,
podendo-se, entretanto, admiti-los como válidos para temperaturas entre 0C e 40C. Esses valores são
válidos para concretos plásticos e de cimento Portland comum. O valor de φ(t, t0) pode ser calculado por
interpolação dos valores da tabela 2.2.

Tabela 2.2 – Coeficiente de fluência do concreto

Nos casos em que a tensão inicial, aplicada no tempo t 0, não varie significativamente, permite-se que essas
deformações sejam calculadas simplificadamente pela expressão abaixo:

Em geral a deformação lenta é o dobro da deformação imediata e a deformação total é o triplo da


deformação imediata. O que depende muito da idade do carregamento.

Efeitos Desfavoráveis relacionados à fluência:


 Perdas de tensão em cabos de peças em concreto protendido.

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 Aumento de curvatura de pilares com cargas excêntricas.
 Aumento de flechas em vigas e lajes.

Valores mais precisos para as deformações específicas devidas à fluência podem ser calculadas segundo
indicação do anexo A da ABNT NBR 6118.

2.3) Variação Uniforme de temperatura

De acordo com a física, a seção de uma peça submetida a uma variação uniforme de temperatura

apresentará uma deformação específica axial igual a: εt= α . Δt


Segundo a ABNT NBR 6118 o coeficiente de dilatação térmica do concreto pode ser admitido como αc =
10-5/°C. Ressalta-se que o valor de α pode diminuir a baixas temperatura ou aumentar a altas
o
temperaturas, mas para valores compreendidos entre 0 C e 150º C, o coeficiente αc = 10-5/°C é
considerado satisfatório [1].
Quanto aos valores de variação de temperatura a serem considerados no projeto das estruturas salienta-se
que a variação de temperatura ambiente não se transmite imediatamente ao concreto devido ao seu baixo
grau de condutibilidade térmica, ou seja, pontos mais internos no concreto terão uma menor variação de
temperatura. Devido a essa característica a ABNT NBR 6118 recomenda que:
“A variação da temperatura da estrutura, causada globalmente pela variação da temperatura da
atmosfera e pela insolação direta, é considerada uniforme. Ela depende do local de implantação
da construção e das dimensões dos elementos estruturais que a compõem.

De maneira genérica podem ser adotados os seguintes valores:

a) para elementos estruturais cuja menor dimensão não seja superior a 50 cm, deve ser
considerada uma oscilação de temperatura em torno da média de 10°C a 15°C;

b) para elementos estruturais maciços ou ocos com os espaços vazios inteiramente fechados,
cuja menor dimensão seja superior a 70 cm, admite-se que essa oscilação seja reduzida
respectivamente para 5°C a 10°C;

c) para elementos estruturais cuja menor dimensão esteja entre 50 cm e 70 cm admite-se que
seja feita uma interpolação linear entre os valores acima indicados.

A escolha de um valor entre esses dois limites pode ser feita considerando 50% da diferença
entre as temperaturas médias de verão e inverno, no local da obra. Abaixo será apresentado um
exemplo para análise da variação de temperatura ΔT que poderá ser adotada em projeto.

a) Suponha que a estrutura de concreto será construída em BH, na tabela 2.3 são apresentadas
as temperaturas máximas e mínimas em algumas cidades do Brasil. De acordo com a tabela, em
Belo Horizonte pode-se considerar:

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ΔT=Tmáx - Tmin= 36,9 - 3,1 = 33,8o C

50%ΔT= 16,9º C

Tabela 2.3 – Temperaturas em Cidades Brasileiras [2]

Bibliografia:
[1] Curso de Concreto – Volume I – José Carlos Sussekind
[2] Notas de Aula do Professor José Celso da Cunha do Curso de Mestrado em Engenharia Civil do Cefet
MG.
[3] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva; Universidade Federal de Minas Gerais.
[4] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.

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Tema 3: Aços para Concreto Armado

Os aços empregados na armadura para peças de concreto armado são ligas de ferro com pequenas
quantidades de carbono, além de outros elementos para melhoria das suas propriedades. O percentual de
carbono é de extrema importância porque confere ao aço maior ductilidade o que possibilita que o mesmo
não se quebre quando é dobrado para execução das armaduras.

A armadura é classificada de acordo com o seu processo de produção e em função de sua tensão de
escoamento. Com relação ao processo de produção, pode-se citar as barras que são produzidas por um
tratamento a quente que consiste na laminação, forjamento ou estiramento do aço a altas temperaturas,
tais como as barras tipo CA 25 e CA 50. Barras de aço desses grupos apresentam maior trabalhabilidade,
podem ser soldadas e apresentam diagrama tensão-deformação com patamar de escoamento bem
definido.

Os fios de aço podem ser produzidos por um tratamento a frio ou encruamento. Esse tipo de produção
consiste em submeter o aço a uma deformação por meio de tração, torção ou compressão, com o objetivo
de causar um aumento da sua resistência mecânica. Os fios de aço tipo CA 60 pertencem a esse grupo e
apresentam um diagrama tensão-deformação sem patamar de escoamento.

Quanto à tensão de escoamento, os aços empregados no Brasil recebem sua nomenclatura em função de
2
valores característico (fyk) dados em kN/cm . Desta forma, os aços denominados CA 25, CA 50 e CA 60
2
devem apresentar valores característicos para suas tensões de escoamento iguais a 25, 50 e 60 kN/cm ,
respectivamente. Ressalta-se que a sigla CA significa Concreto Armado.

A aderência aço-concreto é fundamental para o funcionamento do elemento de concreto armado e por isso
os fios e barras devem ser providos de entalhes ou nervuras. Apenas as barras CA 25 podem ser lisas,
mas sua aplicação é limitada a elementos não estruturais. A capacidade aderente do tipo de barra ou fio
deve ser considerada no projeto da estrutura de concreto armado por meio do coeficiente de conformação
superficial (tabela 3.1).

Tabela 3.1 – Coeficientes de aderência [1]

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Os valores nominais dos diâmetros, das áreas das seções transversais e da massa por metro mais usados
estão indicados na tabela 3.2.
Tabela 3.1 – Barras e Fios de aço para Concreto Armado [2]

No que diz respeito às propriedades dos aços para concreto armado pode-se adotar os seguintes valores:

3
- Massa específica (ρs) = 7850 kg/m .

5 o
- Coeficiente de dilatação térmica (αs )= 10- / C, para intervalos de temperaturas entre -20º C e 150º C .

2
- Módulo de elasticidade (Es) = 210 GPa = 21000 kN/cm

O diagrama tensão-deformação do aço também é de extrema importância para o dimensionamento dos


elementos de concreto armado e, portanto, para o projeto das estruturas. Na ausência de ensaios, pode-se

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adotar no dimensionamento o diagrama tensão-deformação simplificado mostrado na figura (3.1), para os
aços com ou sem patamar de escoamento (CA 50 ou CA 60).

Figura 3.1– Diagrama tensão-deformação para armadura [1]

Sendo fyd=fyk/1,15

εyd=deformação do aço correspondente à tensão de escoamento ( εyd=fyd/Es);


εsu=deformação última de ruptura do aço ( εsu=0,010 como valor convencional)

Ressalta-se que o aço CA-25 é pouco usado no Brasil, o CA-60 é normalmente empregado para flexão em
lajes e como estribos, e o aço CA-50 é o mais utilizado nos elementos de concreto armado.

Bibliografia:
[1] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.
[2] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva; Universidade Federal de Minas Gerais.
[3] Curso de Concreto – Volume I – José Carlos Sussekind

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Tema 4: Solicitações Normais e Domínios de deformação

O que é uma solicitação normal?

Força Nomal, Momento Fletor ou ambos atuando simultaneamente no


elemento estrutural.

As solicitações normais produzem tensões (σ) e deformações (ε) normais na


seção transversal do elemento estrutural (tração e/ou compressão), mostrados
na figura 4.1.

Flexão

Tração

Figura 4.1– Solicitações Normais [1]

No caso dos elementos de concreto armado, as seções transversais são compostas de aço e concreto e
estes dois materiais devem resistir às solicitações aplicadas até que seja atingida a sua resistência
(ruptura). Observa-se na figura 4.2 que o carregamento provoca a fissuração da região tracionada da viga e
que, nesta região, o aço é responsável por resistir à solicitação de tração apresentando uma deformação
denominada εs. O Concreto resiste às tensões de compressão e apresenta uma deformação denominada
εc. Quando o aço ou o concreto chega à deformação (ε) de ruptura, considera-se para o projeto que a
estrutura chegou ao Estado Limite Último (ELU).

Figura 4.2– Comportamento de uma viga de Concreto Armado submetida à flexão [2]
19
Para o projeto das estruturas de concreto armado o ELU está relacionado a limites de deformação
convencionalmente adotados para o aço e para o concreto. Segundo a ABNT NBR 6118, a ruptura do
concreto à compressão é definida por um limite de deformação εcu para seções parcialmente comprimidas e
varia de ε2 a εcu para seções totalmente comprimidas. Os valores para ε2 e εcu foram discutidos no tema 1,
figura 1.6.
A ruptura do aço à tração é definida por um limite de deformação ε su=1 %, também já discutido no tema 3,
figura 3.1. Ressalta-se que esse limite de deformação para o aço tem por objetivo limitar a fissuração do
concreto que envolve a armadura. O alongamento real de ruptura do aço é bem superior a esse valor (5%
para aço CA60 e 8% para aço CA50).

Os limites de deformação associados às solicitações de projeto são apresentados na ABNT NBR 6118
como Domínios de deformação:
Domínio 1: corresponde à solicitação de tração uniforme ou flexo-tração do elemento de concreto armado
(figura 4.3)

Figura 4.3– Solicitação correspondente ao domínio 1 de deformação [3]

Nesse caso do Domínio 1 a seção está inteiramente tracionada e a linha neutra não corta a seção
transversal do elemento. Esse domínio caracteriza-se pela aplicação de força normal de tração ou a
combinação de força normal e momento fletor, enquanto a seção estiver inteiramente tracionada. Ele tem,
portanto, um limite superior e um limite inferior que serão definidos pela posição da linha neutra (LN).
Convencionalmente o limite superior do domínio 1 é considerado pela posição x da linha neutra = - ∞ e o
limite inferior é considerado pela posição da linha neutra tangenciando a face superior da seção transversal
x=0 (ver figura 4.8). Ressalta-se que se a linha neutra cortar a seção transversal significa que parte da
seção está tracionada e parte da seção está comprimida e, portanto, a solicitação está fora do domínio 1 e
começa a caracterizar o domínio 2. Ao analisar as solicitação normais do domínio 1 verifica-se que, uma

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vez que no ELU o concreto não resiste à tração, o aço será o responsável pela resistência da peça de
concreto armado. Desta forma a ruptura será caracterizada pela deformação do aço εsu=1 % .
Domínio 2: corresponde à solicitação de flexão simples ou composta (flexo-tração ou flexo-compressão) do
elemento de concreto armado (figura 4.4).

Figura 4.4– Solicitação correspondente ao domínio 2 de deformação [3]

No Domínio 2 a seção está parcialmente tracionada e parcialmente comprimida com a linha neutra
cortando a seção transversal do elemento. Esse domínio caracteriza-se pela aplicação de flexão simples ou
composta sem ruptura à compressão do concreto. Convencionalmente o limite superior do domínio 2 é
considerado pela posição da linha neutra tangenciando a face superior da seção transversal x=0 e o limite
inferior é considerado pela posição da linha neutra x=x2L (ver figura 4.8). No domínio 2 a ruptura será
caracterizada pela deformação do aço εsu=1 % e as deformações no concreto serão menores que as
deformações de ruptura.

Domínio 3: corresponde à solicitação de flexão simples ou flexo-compressão do elemento de concreto


armado (figura 4.5).

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Figura 4.5– Solicitação correspondente ao domínio 3 de deformação [3]

No Domínio 3 a seção também está parcialmente tracionada e parcialmente comprimida com a linha neutra
cortando a seção transversal do elemento, mas observe que ela está mais afastada da face superior da
seção transversal, indicando que aumentou a região comprimida. Esse domínio caracteriza-se pela
aplicação de flexão simples ou flexo-compressão, com ruptura à compressão do concreto e com
escoamento da armadura (s  yd). Convencionalmente o limite superior do domínio 3 é considerado pela
posição da linha neutra x=x2L e o limite inferior é considerado pela posição da linha neutra x=x 3L (ver figura
4.8). No domínio 3 a ruptura será caracterizada pela deformação do aço s  yd e as deformações no
concreto εc = εcu.

Domínio 4 : corresponde à solicitação de flexão simples ou flexo-compressão do elemento de concreto


armado.

No Domínio 4 a seção também está parcialmente tracionada e parcialmente comprimida com a linha neutra
cortando a seção transversal do elemento, neste caso ela está mais afastada ainda da face superior da
seção transversal, indicando que aumentou a região comprimida. Esse domínio caracteriza-se pela
aplicação de flexão simples ou flexo-compressão, com ruptura à compressão do concreto e com o aço
tracionado sem escoamento (s < yd). Convencionalmente o limite superior do domínio 4 é considerado pela
posição da linha neutra x=x3L e o limite inferior é considerado pela posição da linha neutra x=d, onde d é a
altura útil da seção (ver figura 4.8). No domínio 4 a ruptura será caracterizada pela deformações no
concreto εc = εcu. e a deformação do aço s < yd .

22
Domínio 4a: corresponde à solicitação de flexo-compressão do elemento de concreto armado com as
armaduras comprimidas (figura 4.6).

Figura 4.6– Solicitação correspondente ao domínio 4a de deformação [3]

No Domínio 4a a seção está inteiramente comprimida Esse domínio caracteriza-se pela aplicação de flexo-
compressão, com ruptura à compressão do concreto. Convencionalmente o limite superior do domínio 4a é
considerado pela posição da linha neutra x=d no centro de gravidade da armadura inferior e o limite inferior
é considerado pela posição da linha neutra x=H. No domínio 4a a ruptura será caracterizada pela
deformação do concreto εc = εcu.
Domínio 5: corresponde à solicitação de flexo-compressão ou compressão centrada do elemento de
concreto armado. No Domínio 5 a seção está inteiramente comprimida Esse domínio caracteriza-se pela
aplicação de flexo-compressão com as deformações de compressão do concreto variando de εcu ate εc2.
Convencionalmente o limite superior do domínio 5 é considerado pela posição da linha neutra x=H e o
limite inferior é considerado pela posição da linha neutra x5L= - ∞ (ver figura 4.7). Este domínio vai até a
reta b da compressão centrada onde o limite da linha neutra x 5L= - ∞ (ver figura 4.8).

Figura 4.7– Solicitação correspondente ao domínio 4a de deformação [3]

23
Figura 4.8– Domínios de deformação e posição (x) da linha neutra (LN)

No domínio 2 a profundidade da LN varia desde X=0 até a profundidade limite X=X2L que pode ser
determinada por semelhança de triângulos (figura 4.9).

24
Figura 4.9– Profundidade limite do domínio 2 = X2L [4]

No domínio 3 a profundidade da LN varia desde X=X2L até a profundidade limite X=X3L que também pode
ser determinada por semelhança de triângulos (figura 4.10).

Figura 4.10 – Profundidade limite do domínio 3 = X3L [1]

A figura 4.11 representa a situação de deformação correspondente aos limites entre o final do domínio 4a e
o início do domínio 5. Nessa situação onde X = h, a distância a0-2 é obtida por regra de três simples
resultando:

25
Figura 4.11– Início do domínio 5 – localização do ponto C [4]

Destaca-se que no domínio 5 a flexão simples não é possível, sendo o mesmo caracterizado pela flexo-
compressão com excentricidades maiores e capazes de comprimir inteiramente a seção transversal. Esse
domínio vai desde a situação mostrada na figura x até a reta “b”, da compressão centrada, onde a
profundidade limite da LN é X5L = + ∞.

A ABNT NBR 6118 apresenta a figura 4.12 onde são representados todos os domínios de estado limite
último de uma seção transversal de concreto armado

Figura 4.12– Domínios de deformação (ELU) ABNT NBR 6118

26
Para que serve a teoria relacionada aos domínios de deformação?

Para determinar a resistência de um elemento de concreto armado (vigas,


pilares e tirantes) quando ele for submetido à Força Nomal, Momento Fletor ou
ambos atuando simultaneamente.

Uma vez determinada as dimensões da seção transversal de concreto e as


barras de aço pode-se, em seguida, verificar quais os esforços a que esta
seção resiste, considerando cada um dos domínios de deformação.

Para se calcular os esforços a que uma seção de concreto resiste, a NBR ABNT 6118 considera as
seguintes hipóteses básicas:

a) as seções transversais se mantêm planas após a deformação;


b) a deformação das barras de aço deve ser a mesma do concreto em seu entorno;
c) as tensões de tração no concreto, normais à seção transversal devem ser desprezadas no ELU;
d) a distribuição de tensões no concreto se faz de acordo com o diagrama parábola-retângulo, definido
na figura 1.6, com tensão de pico igual a 0,85 fcd. Esse diagrama, mostrado na figura 4.13, pode ser
substituído pelo retângulo de profundidade y = λx, onde o valor do parâmetro λ pode ser tomado igual
a:

 λ = 0,8 para fck ≤ 50 MPa; ou

 λ = 0,8 – (fck -50)/400 para fck > 50 MPa.

Figura 4.13– Diagramas tensão-deformação para o concreto [4]

Uma visualização da distribuição de tensões na seção de concreto também pode ser vista na figura 4.14.

27
Figura 4.14– Distribuição de tensões e resultantes na seção de concreto [6]

As diferenças de resultados obtidos com esses dois diagramas são pequenas e aceitáveis, sem
necessidade de coeficiente de correção adicional.

No diagrama retangular a tensão (fc) é considerada constante e atuante até a profundidade y e pode ser
tomada igual a:

 αc fcd no caso da largura da seção, medida paralelamente à linha neutra, não diminuir a partir
desta para a borda comprimida ou 0,9 αc fcd no caso contrário (Ver figura 4.15).

sendo αc definido como:

 para concretos de classes até C50; αc = 0,85

para concretos de classes de C50 até C90: αc = 0,85 . [1,0 - (fck - 50) / 200]

Figura 4.15 – Valores de fc para o diagrama σxε retangular simplificado [4]

d) a tensão nas armaduras deve ser obtida a partir dos diagramas tensão-deformação, com valores de
cálculo, conforme mostrado na figura 3.1.

A consideração dessas hipóteses, para cada domínio e os respectivos cálculos dos esforços resistentes de
uma determinada seção de concreto serão mostrados por meio do exemplo 1 abaixo.

Exemplo 1 baseado na Apostila de Concreto I do Prof. Ney Amorim Silva – Universidade Federal de Minas
Gerais 2015

2
Traçar o diagrama de interação NxM que representa a resistência da seção retangular de 20x40 cm , com
fck=25 MPa e aço CA 50 com 6 bitolas longitudinais ᶲL =12,5 mm, conforme figura abaixo:
28
Solução:
Como a resistência do concreto desse exemplo é menor que 50 MPa: εc2 = 2‰, εcu = 3,5‰, λ = 0,8 e αc =

0,85.

Como é aço CA 50: εyd =fyd/Es = (50/1,15) / 21 000= 0,00207 = 2,07‰.


2
fc = 0,85x2,5 / 1,4 = 1,518 kN/cm
2
fyd = 50 / 1,15 = 43,48 kN/cm
2 2
AsΦ= área de uma barra de aço de 12,5 mm = πx1,25 / 4 = 1,227 cm

Para traçar o diagrama de forma simplificada, determinam-se os pontos correspondentes aos pares (N x M)

para algumas posições da LN no estado limite último ligando-os posteriormente. Os pontos escolhidos são

aqueles correspondentes às posições limites da LN que definem os domínios de deformação.

1) Profundidade X = - ∞ (início do domínio 1)

Para X = - ∞ a seção deformada no estado limite último (ELU) é a apresentada na figura abaixo. Essa

posição é correspondente à reta “a” dos domínios de deformação figura 4.12, onde todos os pontos da

seção transversal têm a mesma deformação εc=εs=0,010=10‰. Portanto:

εs1=εs2=εs3 = 10‰ e σs1=σs2=σs3 = fyd=43,48 kN/cm2


2
As1=As2=As3=2x1,227 = 2,454 cm e Rs1=Rs2=Rs3=2,454x43,48=106,70 KN

29
Neste exercício serão adotados os sentidos positivos dos esforços solicitantes Nd e Md como indicado na

figura 2.16, ou seja, normal de compressão e momento fletor tracionando os pontos da parte inferior da

seção. Os esforços internos, resultantes Rs1, Rs2, Rs3, conforme indicados são todos de tração, uma vez

que está sendo avaliado o domínio 1. As equações de equilíbrio ficam:

ΣFh=0 Nd + Rs1 + Rs2 + Rs3 = 0 Nd = - 3x106,70 = - 320,10 kN

ΣMCG=0 Md + Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0 Md = 0

Na segunda equação de equilíbrio d’’=h-d e representa a distância entre a face inferior da seção de

concreto e o centro de gravidade da armadura As3. . Considera-se d= altura útil da seção = 40 -4 = 36 cm,

d´= 4 cm e d’’=4 cm. Os valores das solicitações de serviço N e M para X = -∞ são obtidos dividindo-se os

valores de cálculo Nd e Md pelo coeficiente de majoração das ações γf. Assim:

N = Nd / 1,4 = -320,10 / 1,4 ≈ - 229 kN (tração)

M = Md / 1,4 = 0

2) Profundidade X = 0 (final do domínio 1 e início do domínio 2)

Para X = 0, a seção deformada no estado limite último (ELU) é a apresentada na figura abaixo. Essa
posição é correspondente aos limites entre os domínios 1 e 2, onde todos os pontos da seção transversal
ainda estão tracionados. Nesse caso o ELU é definido por deformação plástica excessiva do aço, ficando a
armadura As3 com a deformação εs3 = εsu = 10‰. As deformações εs1 e εs2 são obtidas por semelhança de
triângulos.

30
Dividindo-se os valores de cálculo por γf = 1,4 obtém-se os valores das solicitações de serviço N e M para
X = 0.

N = Nd / 1,4 = -270,66 / 1,4 ≈ - 193 kN (tração)

M = 791,04/ 1,4 = 565,03 kN x m

3) Profundidade X = X2L (final do domínio 2 e início do domínio 3)

X2L = 0,259 d = 0,259 x 36 = 9,33 cm

A figura abaixo mostra a situação em que se têm comprimidas a região do concreto com hachuras e a
armadura As1. Embora existam na mesma seção transversal alongamentos (região tracionada) e
encurtamentos (região comprimida), os valores das deformações calculadas a seguir, estão

31
desacompanhados de sinais, portanto em valores absolutos. Qualquer dúvida sobre a natureza das
deformações, tensões ou resultantes pode ser tirada na figura.

y=0,8 X =0,8 x 9,33 = 7,46 cm Rcc = fc x b x y = 1,518 x 20 x 7,46 = 226,67 kN

2
εs1 = 2‰ < εyd = 2,07‰ σs1=Es x εs1=21000x2‰=21x2 = 42 kN/cm (compressão)
2
εs2=4‰>εyd=2,07‰ σs2= σs3 = fyd = 43,48 kN/cm (tração)
Rs1=2,454x42 = 103,07 kN (C) Rs2= Rs3=106,70 kN (T)
ΣFh=0 Nd - Rcc - Rs1 + Rs2 + Rs3 = 0
Nd = 266,67 + 103,07 – 2 x 106,70 = 156,34 kN N ≈ 112 kN (Compressão)
ΣMCG=0
Md – Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = 266,67(20-7,46/2)+103,07(20-4)+106,70(20-4) = 7695,20 kN.cm
M ≈ 5497 kN.cm

4) Profundidade X = X3L (final do domínio 3 e início do domínio 4)

X = X3L = 0,628 d = 0,628 x 36 = 22,62 cm

32
A figura ilustra essa situação em que se têm além da região comprimida do concreto (parte com hachuras
da seção transversal) as armaduras As1 e As2 também comprimidas.

y=0,8 X =0,8x22,62 = 18,10 cm Rcc=fc x b x y=1,518 x 20 x 18,09 = 549,33 kN

2
εs1=0,00288=2,88‰>εyd=2,07‰ σs1= fyd = 43,48 kN/cm (Compressão)
2
εs2=0,00041=0,41‰<εyd=2,07‰ σs2=21x0,41 = 8,61 kN/cm (Compressão)
Rs1 = 106,70 kN (C) Rs2=2x1,227x8,61 = 21,12 kN (C) Rs3 = 106,70 kN (T)
ΣFh=0
Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 + Rs3 = 0
Nd = 549,33 + 106,70 + 21,12 - 106,70 = 570,45 kN N ≈ 407 kN (C)
ΣMCG=0
Md - Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = 549,33(20-18,10/2)+106,70(20-4)+106,70(20-4) = 9531,75 kN.cm
M ≈ 6736 kN.cm

33
5) Profundidade X = X4L (final do domínio 4 e início do domínio 4a)

X = X4L = d = 36 cm

A região comprimida abrange quase toda a seção transversal, as armaduras (As1) e (As2) trabalham
comprimidas e (As3) não sofre deformação, isto é σs3=0.

y=0,8 X =0,8x36 = 28,8 cm Rcc=fc x b x y=1,518 x 20 x 28,8 = 874,29 kN

2
εs1 = 3,11‰ > εyd=2,07‰ σs1= fyd = 43,48 kN/cm (compressão)
2
εs2 = 1,56‰ < εyd=2,07‰ σs2=21x1,56 = 32,67 kN/cm (compressão)
Rs1 = 106,70 kN (C) Rs2=2x1,227x32,67 = 80,16 kN (C) Rs3 = 0
ΣFh=0
Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 + Rs3 = 0
Nd = 874,29 + 106,70 + 80,16 + 0 = 1061,15 kN N ≈ 758 kN (C)
ΣMCG=0
Md – Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = 874,29(20-28,8/2)+106,70(20-4) = 6601,60 kN.cm
M ≈ 4715 kNcm

34
6) Profundidade X = X4aL (final do domínio 4a e início do domínio 5)

X = X4aL = h = 40 cm
A seção está inteiramente comprimida, a deformação na fibra inferior é nula e em um ponto a [(εcu- εc2) /
εcu] h = [(3,5-2) / 3,5] h = (3/7) h da borda mais comprimida é igual a εc2 = 2‰, ponto C dos domínios de
deformações. Essa situação está ilustrada na figura:

y=0,8 X =0,8x40 = 32 cm Rcc=fc x b x y=1,518 x 20 x 32 = 971,43 kN

2
εs1 = 3,15‰ > εyd=2,07‰ σs1= fyd = 43,48 kN/cm (compressão)
2
εs2 = 1,56‰ < εyd=2,07‰ σs2=21x1,75 = 36,75 kN/cm (compressão)
2
εs3 = 0,35‰ < εyd=2,07‰ σs3=21x0,35 = 7,35 kN/cm (compressão)
Rs1=106,70 kN (C) Rs2=2x1,227x36,75=90,18 kN (C) Rs3=2x1,227x7,35=18,04 kN (C)
ΣFh=0
Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 - Rs3 = 0
Nd = 971,43 + 106,70 + 90,18 + 18,04 = 1186,35 kN N ≈ 847 kN (C)
ΣMCG=0
Md – Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) + Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = 971,43(20-32/2)+106,70(20-4)–18,04(20-4) = 5881,56 kN.cm
M ≈ 4201 kN.cm

35
6) Profundidade X = X5L= ∞ (final do domínio 5)

A seção está uniformemente comprimida, com a mesma deformação tanto para o concreto quanto para o
aço, εc = εs = 2 ‰, correspondendo à reta “b” dos domínios de deformações.

y>h Rcc = fc x b x y = fc x Ac = 1,518x20x40 = 1214,29 kN


εs1=εs2=εs3 = 2‰ < εyd, σs1 = σs2 = σs3 = 21x2 = 42 kN/cm2
Rs1 = Rs2 = Rs3 = 2x1,227x42 = 103,07 kN (C)
ΣFh=0
Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 - Rs3 = 0
Nd = 1214,29 + 3x103,07 = 1523,49 kN N ≈ 1088 kN (C)
ΣMCG=0
Md – Rcc(0) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) + Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = 103,07(20-4) – 103,07(20-4) = 0
M=0

Traçado do diagrama de interação NxM que representa a resistência da seção estudada:

Com os pares (N,M) calculados nos itens 1 a 6 traça-se o diagrama de interação mostrado na figura
seguinte em linha mais grossa. Foram traçados de forma análoga, com linha fina, os outros diagramas para
a mesma seção transversal de concreto com 6Φ16, 6Φ10 e sem armação (As = 0). Nota-se que os quatros
diagramas de interação são semelhantes, sendo que a seção sem armadura não apresenta força normal
de tração. Para a seção com 6Φ12.5 os domínios de 1 a 5 foram marcados nesta figura. Para um valor de
força normal N só existe um único valor correspondente de momento M que a seção, com geometria
específica, suporta no estado limite último. Já para um mesmo valor de M existem dois valores de N que
podem solicitar a seção no ELU. Assim fixando-se N = 750 kN (compressão), existe apenas o valor M ≈
4760 kN.cm, obtido na escala, para a seção com 6Φ12.5 mm. Fixando-se para a mesma seção, M = 4000
kN.cm existem dois valores possíveis N ≈19 kN e N ≈ 859 kN, ambos de compressão e obtidos na escala.

36
Diagramas de interação para a seção abaixo, adotando-se concreto com fck =25 MPa.

Bibliografia:
[1] Resistência dos Materiais – Ferdinand P. Beer e E. Russel Johnston.
[2] LEONHARDT, F. ; MÖNNIG, E. Construções de concreto – Princípios básicos do dimensionamento de
estruturas de concreto armado, v. 1, Rio de Janeiro, Ed. Interciência, 1982.
[3] Notas de Aula do Professor José Celso da Cunha do Curso de Mestrado em Engenharia Civil do Cefet
MG.
[4] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva - Universidade Federal de Minas Gerais.
[5] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.
[6] Apostila sobre Flexão Simples – Rovadávia Aline Jesus Ribas.
37
Tema 5: Vigas de concreto armado

As vigas de concreto armado são elementos que recebem as cargas das lajes e paredes e levam as cargas
até os pilares (figura 5.1).

Figura 5.1 – Modelo de um edifício com lajes, vigas e pilares [1]

O primeiro passo para o dimensionamento das vigas é definir a resistência do concreto e do aço e o
cobrimento da armadura. Em seguida deve-se definir as dimensões das seções transversais das vigas, o
que pode ser feito com regras de pré-dimensionamento. Posteriormente são levantadas as ações atuantes
na viga e define-se o modelo estrutural para a determinação dos esforços solicitantes: força cortante e
momento fletor. Finalmente determina-se a armadura para viga, considerando-se, em geral, a seção mais
solicitada. Cada uma dessas etapas será descrita a seguir.

a) Definição da resistência do concreto e do cobrimento da armadura.

A resistência do concreto e o cobrimento da armadura devem atender a critérios que visam a durabilidade
das estruturas de concreto armado. Desta forma, ao iniciar o projeto da estrutura deve ser feita uma
classificação da classe de agressividade do meio em que ela vai ficar exposta durante a sua vida útil. A
classificação da agressividade do meio pode ser feita considerando-se a tabela 5.1:

Tabela 5.1 – Classificação da agressividade do ambiente [2]

38
As primeiras perguntas a serem feitas são:
Em qual meio será inserida a estrutura Ou partes dela?
Qual a umidade relativa desse meio?
Posso considerar um ambiente sempre seco?
Quais os agentes de deterioração do aço?
Quais os agentes de deterioração do concreto?

-
Segundo [2], os principais agentes agressivos à armadura são o gás carbônico CO2 e os cloretos Cl .
Portanto, para se avaliar o risco de deterioração da armadura é importante avaliar o meio em que a
estrutura ou partes dela será inserida (tabela 5.2).
Tabela 5.2 – Classificação da agressividade do ambiente visando a durabilidade das armaduras [2]

No que diz respeito aos agentes de deterioração do concreto pode-se considerar a tabela 5.3:
Tabela 5.3 – Classificação da agressividade do ambiente visando a durabilidade do concreto [2]

Ressalta-se que a definição da classe de agressividade é de extrema importância para o projeto da


estrutura visando a durabilidade da mesma. A ABNT NBR 6118 apresenta a seguinte tabela para
avaliação da agressividade do meio:

39
Tabela 5.4– Classificação da agressividade do ambiente visando a durabilidade do concreto [3]
Classe de
Classificação geral do tipo de ambiente para Risco de deterioração da
agressividade Agressividade
efeito de projeto estrutura
ambiental
Rural
I Fraca Insignificante
Submersa

II Moderada Urbana1), 2) Pequeno

Marinha1)
III Forte Grande
Industrial1), 2)
Industrial 1), 3)
IV Muito forte Elevado
Respingos de maré
1)
Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) para ambientes internos secos
(salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes
com concreto revestido com argamassa e pintura).
2)
Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) em: obras em regiões de clima seco, com umidade
média relativa do ar menor ou igual a 65%, partes da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos, ou
regiões onde chove raramente. 3) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento em
indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.
Uma classificação mais completa da agressividade do meio, para os elementos de concreto armado, pode
ser encontrada na norma BS E 206 (British Standard).

Uma vez definida a classe de agressividade ambiental pode-se determinar parâmetros de qualidade do
concreto e o cobrimento da armadura, importantes para a durabilidade da estrutura (Fig. 5.2)

Figura 5.2 – Exemplo do detalhamento de uma viga de concreto armado [1]

Detalhe do cobrimento da armadura

40
Segundo a ABNT NBR 6118, o concreto deve seguir as especificações mostradas na tabela 5.5

Tabela 5.5 – Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto [3]

Classe de agressividade (tabela 6.1)


Concreto Tipo
I II III IV

Relação CA  0,65  0,60  0,55  0,45


água/cimento em
massa CP  0,60  0,55  0,50  0,45

Classe de concreto CA  C20  C25  C30  C40


(ABNT NBR 8953) CP  C25  C30  C35  C40
NOTAS
1 O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir com os requisitos estabelecidos na
ABNT NBR 12655.
2 CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
3 CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.

Não é permitido o uso de aditivos à base de cloreto em estruturas de concreto, devendo ser obedecidos os
limites estabelecidos na ABNT NBR 12655.

O cobrimento da armadura deve seguir as especificações abaixo:

Tabela 5.6 – Correspondência entre classe de agressividade e cobrimento nominal para c = 10 mm [3]

Classe de agressividade ambiental


3)
Componente ou I II III IV
Tipo de estrutura
elemento
Cobrimento nominal
Mm
2)
Laje 20 25 35 45
Viga/Pilar 25 30 40 50
Concreto armado
Elementos estruturais
em contato com o 30 40 50
solo
2)
Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com
revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento tais
como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos e outros as exigências desta
tabela podem ser diminuídos conforme critérios apresentados abaixo, respeitado um cobrimento
nominal 15 mm.
3)
Nas faces inferiores de lajes e vigas de reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto,
condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente
agressivos, a armadura deve ter cobrimento nominal 45 mm.
4)
No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a armadura deve ter
cobrimento nominal 45 mm.

41
Para garantir o cobrimento mínimo (cmin) o projeto e a execução devem considerar o cobrimento
nominal (cnom), que é o cobrimento mínimo acrescido da tolerância de execução (c). Nas obras
correntes o valor de c deve ser maior ou igual a 10 mm.

Os cobrimentos nominais e mínimos estão sempre referidos à superfície da armadura externa,


em geral à face externa do estribo. O cobrimento nominal de uma determinada barra deve
sempre ser:

cnom barra;

A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado no concreto não pode superar
em 20% espessura nominal do cobrimento, ou seja:

dmáx 1,2 cnom

Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos definidos na


Tabela 5.6 podem ser reduzidos em até 5 mm.

b) Definição das dimensões das seções transversais da viga

De acordo com a ANBT NBR 6118, as vigas não devem apresentar largura menor que 12cm. Esse limite
pode ser reduzido, respeitando-se um mínimo absoluto de 10cm em casos excepcionais, sendo
obrigatoriamente respeitadas as seguintes condições:
• alojamento das armaduras e suas interferências com as armaduras de outros elementos estruturais,
respeitando os espaçamentos e coberturas estabelecidos.
• Espaço para lançamento e vibração do concreto de acordo com a NBR 14931.
Sempre que possível, a largura das vigas deve ser adotada de maneira que elas fiquem embutidas nas
paredes. Porém, nos casos de grandes vãos ou de tramos muito carregados, pode ser necessário adotar
larguras maiores.
No caso da altura da viga, pode-se adotar regras de pré-dimensionamento práticas, baseadas no
comprimento do vão da viga (figura 5.3). As medidas adotadas devem ser verificadas nos cálculos
posteriores e corrigidas, se for o caso. Uma estimativa para a altura das vigas é dada por:
• tramos intermediários: hest = vão da viga/12
• tramos extremos ou vigas biapoiadas: hest = vão da viga/10
• balanços: hest = vão da viga/5
Figura 5.3– Estrutura composta de vigas e pilares [1]

O vão efetivo das vigas pode ser calculado por:

 ef   0  a 1  a 2

42
com a1 igual ao menor valor entre (t1/2 e 0,3h) e a2 igual ao menor valor entre (t2/2 e 0,3h), conforme figura
5.4.

Figura 5.4– Vão efetivo de vigas [3]

a) Apoio de vão extremo b) Apoio de vão intermediário

Nas vigas em balanço o vão efetivo é a distância até o centro do apoio.

Deve-se lembrar que a altura das vigas não pode invadir os espaços de portas e de janelas e, segundo [4],
considera-se a abertura de portas com 2,20m de altura. Ao lançar a estrutura (vigas, lajes e pilares) é
importante considerar que a padronização das dimensões, sempre que possível, simplificará a execução
das formas. Esse procedimento pode, eventualmente, gerar a necessidade de armadura dupla, em alguns
trechos [4].

c) Definição das ações atuantes nas vigas, do modelo estrutural e determinação dos esforços
solicitantes

Em projetos usuais de edifícios, as ações nas vigas são: peso próprio, reações de apoio das lajes e peso
de paredes. Elas também podem receber cargas de outras vigas ou cargas de pilares, nos casos de vigas
de transição ou em vigas de fundação. As cargas provenientes de outras vigas ou de pilares são
consideradas concentradas, os demais carregamentos podem ser admitidos como uniformemente
distribuídos [4] (figura 5.5)

43
Figura 5.5– Carregamento nas vigas [1]

O peso próprio das vigas, das lajes e das paredes são denominados ações permanente e as outras ações
de uso da laje são denominadas ações (ou cargas) acidentais.

Ações permanentes são as que ocorrem com valores praticamente constantes durante toda a vida da
construção. Também são consideradas como permanentes as ações que crescem no tempo, tendendo a
um valor limite constante. As ações permanentes devem ser consideradas com seus valores
representativos mais desfavoráveis para a segurança. As massas específicas dos materiais de construção
a serem adotadas para o cálculo das ações permanentes podem ser avaliadas com base nos valores
indicados na ABNT NBR 6120.

As ações variáveis diretas são constituídas pelas cargas acidentais previstas para o uso da construção,
pela ação do vento e da água, devendo-se respeitar as prescrições feitas por Normas Brasileiras
específicas. As cargas acidentais correspondem normalmente a cargas verticais de uso da construção.
Essas cargas devem ser dispostas nas posições mais desfavoráveis para o elemento estudado. Quando a
carga acidental é maior que 20% da carga total deve-se considerar três situações de carregamento no
cálculo de uma viga contínua com carga uniforme, para se determinar a combinação mais desfavorável: (a)
todos os tramos totalmente carregados, (b) tramos alternados totalmente carregados ou com valor nulo da
carga variável e (c) idem, alterando a ordem dos carregamentos, isto é, os tramos totalmente carregados
passam a ter carga variável nula e vice-versa. A combinação das cargas permanentes e acidentais
constituem a carga total a que a viga deve resistir. Ao se fazer um projeto de uma estrutura de concreto
armado ou outro material, deve-se consultar a norma ABNT NBR 6120 que trata das ações a serem
consideradas. As ações devem ser combinadas (somadas), aplicando-se a cada uma delas um respectivo
coeficiente de segurança, de acordo com a verificação a ser feita (ELU ou ELS). Para o dimensionamento
de vigas submetidas à flexão simples, considera-se combinação mostrada abaixo:

Fd = gFgk +  q Fqk 

Fd é o valor de cálculo das ações para combinação última;


Fgk representa as ações permanentes diretas;

44
Fqk representa as ações variáveis diretas

g = q = 1,4

Uma vez determinadas combinações de ações atuantes na viga, avalia-se o modelo estrutural a ser
adotado para a determinação dos esforços solicitantes nas mesmas, ou seja, os diagramas de força
Cortante e Momento fletor (figura 5.6).

Figura 5.6– Diagrama s de Esforços Solicitantes de viga submetida à carga uniformemente distribuída [4]

No caso da figura 5.6 optou-se por um modelo estrutural de viga biapoiada nos pilares. Ressalta-se que
este é o modelo mais simples e fácil determinação dos esforços nas vigas, mas existem outros modelos
estruturais que representam melhor a ligação das vigas com os pilares, tais como os pórticos planos ou
espaciais.

d) Cálculo da armadura para a viga e verificação de sua seção transversal

O cálculo da armadura para a viga segue a teoria dos domínios de deformação estudada
anteriormente. Ou seja, deve-se ter em mente que a seção transversal de concreto, com
determinada quantidade de barras de aço deve resistir ao momento fletor a que viga está sendo
submetida. Nesses casos de flexão simples a força normal (N)=0 e a força cortante será avaliada
posteriormente. Ressalta-se que é importante conhecer o comportamento da viga quando está
submetida à flexão simples para escolher e detalhar a posição das barras de aço na seção
transversal. Inicialmente pode-se lembrar que o concreto é muito resistente à compressão, mas
relativamente fraco na tração e, consequentemente, onde houver tensões de tração, mesmo com valores
baixos, haverá fissuras no concreto (figura 5.8)

45
Figura 5.8 - Fissuração do concreto tracionado [5]

Se a viga estiver submetida à flexão pura, o momento fletor poderá produzir tensões de tração superiores
àquelas que o concreto pode suportar, surgindo fissuras de flexão, transversais ao eixo da barra, próximas
ao centro da viga (figura 5.9)

Figura 5.9 – Armadura de flexão [6]

Devido a este comportamento, as arrmaduras de aço devem ser capazes de absorver os esforços internos
de tração nas vigas de concreto armado, pode-se considerar que as armaduras “costuram” as fissuras [6].
De acordo com a teoria dos domínios de deformação, convenciona-se que a ruína de uma seção à flexão
simples é alcançada quando, pelo aumento da solicitação, é atingida a ruptura do concreto à compressão
ou da armadura à tração. Como não há a atuação de força normal, os domínios possíveis são 2, 3 ou 4,
mas a ABNT NBR 6118 prescreve limites para a posição da LN nas seções transversais das vigas de
concreto armado, de forma a garantir as condições de ductilidade da viga evitando ruptura frágil:

a) (x/d) ≤0,45 para concretos com fck ≥50 MPa; ou


b) (x/d) ≤0,35 para concretos com 50 MPa < fck ≤ 90 MPa.

Com esses limites pode haver a necessidade da adoção de armadura de compressão (A’s) na seção da
viga, garantindo que ela trabalhe nos domínios 2 ou 3 (figura 5.10).
De acordo com [6], no caso da seção retangular, pode-se adotar para os domínios 2 e 3 o diagrama
retangular para as tensões no concreto apresentado na figura 5.10.

46
Figura 5.10 –Seção retangular submetida à flexão simples [6]

b – largura da seção retangular (na NBR 6118:2014 é dado por bw)


h – altura total da seção retangular
d – altura útil da seção transversal (profundidade da armadura As)
d’ – profundidade da armadura A’s (borda mais comprimida até o CG de A’s)
X – profundidade da linha neutra para o diagrama σxε parábola-retângulo
y – profundidade da linha neutra para o diagrama σxε retangular
z – braço de alavanca do binário interno resistido pelo concreto (distância entre Rcc e Rst)
λ – parâmetro de redução da altura do diagrama retangular simplificado, dado nas equações (2.4)
αc – parâmetro de redução da resistência do concreto na compressão, dado nas equações (2.5)
Rcc – resultante interna de compressão no concreto
Rst – resultante interna de tração na armadura As
R’sd – resultante interna de compressão na armadura A’s
Md - momento externo solicitante de cálculo (até agora dado por MSd)

De acordo com a figura 5.10, pode-se escrever duas equações de equilíbrio: o somatório de momentos é
nulo em relação ao ponto de aplicação de As e o somatório de forças horizontais também é nulo:

O dimensionamento de seções retangulares submetidas à flexão simples encontra-se de forma resumida


na próxima página, de acordo com a apostila de Concreto I do Prof. Ney Amorim.

47
48
e) Prescrições da NBR ABNT 6118 referente às vigas

Depois de calculada a armadura para as vigas deve-se fazer algumas verificações e seguir algumas
orientações para o detalhamento da armadura, com o objetivo de se evitar que a viga tenha armadura
menor que uma taxa mínima, ou evitar fissuração excessiva da viga. Também existe a necessidade de
fazer um detalhamento que facilite o lançamento e adensamento do concreto. Logo, a ABNT NBR 6118
prescreve as seguintes orientações:

 Armadura longitudinal mínima de tração

A armadura mínima de tração, em elementos estruturais armados deve ser determinada pelo
dimensionamento da seção a um momento fletor mínimo dado pela expressão a seguir, respeitada a taxa
mínima absoluta de 0,15 %.

Onde:
W 0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo à fibra mais tracionada; W 0=
I/y
I= momento de inércia da seção com relação ao CG e y= distância do CG da seção à fibra mais
tracionada.
fctk,sup é a resistência característica superior do concreto à tração (ver tema 1 – Propriedades Mecânicas do
Concreto).

 Armadura de pele

Nas vigas altas em que toda a armadura está concentrada na face inferior do banzo tracionado, existe a
tendência à arborização das fissuras, o que pode provocar maiores aberturas superficiais ao longo da
altura da viga (figuras 5.11)

Para se evitar esse fenômeno é necessário adotar ao longo da altura da viga uma armadura longitudinal
secundária, chamada de armadura de pele. A armadura mínima de pele, ou armadura de costela, deve ser
0,10 % Ac,alma em cada face da alma da viga e composta por barras de aço CA 50 ou CA 60, dispostas
longitudinalmente, com espaçamento não maior que 20 cm ou d/3 (figura 5.12). A armadura de pele deve
ser devidamente ancorada no apoios das vigas.
.Além disto, toda armadura de pele tracionada deve manter um espaçamento menor ou igual a 15Φ da
2
bitola longitudinal. Não é necessário armadura superior a 5 cm /m por face e em vigas com altura menor ou

49
igual a 60 cm, pode ser dispensada a utilização de armadura de pele. Ressalta-se que as armaduras
principais de tração e de compressão não podem ser consideradas no cálculo da armadura de pele.

Figura 5.11 – Fissuração em vigas altas [7]

Figura 5.12 – Armadura de pele em vigas altas

 Armadura total na seção transversal (tração e compressão)

De acordo com a ABNT NBR 6118: “A soma das armaduras de tração e de compressão (As + A’s) deve ser
menor que 4%Ac, calculada na região fora da zona de emendas.”

 Distribuição transversal das armaduras longitudinais em vigas


Conforme citado anteriormente, o detalhamento da armadura na seção transversal deve ser feito de forma
a facilitar o lançamento e adensamento do concreto. Por isto devem ser respeitados espaçamentos
mínimos entre as barras da armadura, conforme mostrado na figura 5.13:
na direção horizontal (ah) ≥
- 20 mm;
- diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
- 1,2 vez a dimensão máxima característica do
agregado graúdo;
na direção vertical (av)
- 20 mm
- diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
- 0,5 vez a dimensão máxima característica do
agregado graúdo”.

Esses valores se aplicam também as regiões de


emenda por traspasse das barras.
Com base na figura 5.13, obtém-se a largura útil (bútil)
Figura 5.13 – Detalhamento da armadura [6]
da vigar:
bútil = bw – 2(c + Φt)
Onde:
- c é o cobrimento nominal da armadura e
Φt é o diâmetro da armadura transversal (estribo).
50
Exemplos de flexão normal simples com seção retangular
- Exemplo 1 [8]

Calcular e detalhar a armadura de flexão para uma viga V1 biapoiada com vãoefetivo= 410 cm, seção 22x40
2
cm (d= 35,5 cm), fck = 25 MPa, aço CA 50. A viga V1 se apoia em outras duas vigas. As ações sobre a
viga com seus valores característicos são: peso próprio da viga, reação das lajes e alvenaria de tijolos
furados com espessura de 25 cm e altura de 2,8 m sobre a viga. Considere classe II de agressividade
ambiental (c= 3,0 cm)

Modelo estrutural:
Solução:

a) Carga sobre a viga a) Cálculo da armadura de flexão

Peso próprio pp = 0,22 x 0,4 x 25 = 2,2 kN/m


Momento positivo:
Peso da alvenaria palv = 0,25 x 2,80 x 13 = 9,1 kN/m 2
fc = 0,85 x 2,5/1,4=1,518 kN/cm
Reação das lajes parcela permanente = 20 kN/m 2
K = (10384) / [1,518 x 22 x (35,5) ] =
Reação das lajes parcela acidental q = 4 kN/m
0,247 < KL = 0,295
Fd = gFgk +  q Fqk K’ = K = 0,247

Reação total Fd = 1,4 Fgk + 1,4 Fqk = 1,4 x (31,3 + 4) = 49,42 As,calc = As1 = (1,518 x 22 x 35,5 / 43,5)
1/2 2
kN/m x [1 – (1 – 2 x 0,247) ] = 7,87 cm

b) Esforços:
-Verificação de Asmin.:
Diagrama de momento fletor
2
As,min = 0,15% x 22 x 40 = 1,32 cm < As
2
= 7,87cm (ok!)
Usando ΦL= 16 mm (2,011 cm2) 4

Momento Positivo: Φ16 mm;


2
As,ef = 4 x 2,011 ≈ 8,0 cm
2
Md= 49,42 x 4,1 /8=103,84 kNm = 10384 kN x cm

-Verificação do Mdmin.: b) Detalhamento da seção


transversal

3 3 4
I= bh /12 = 20x50 /12=2083333,3 cm e Y=25 cm, W 0=I/y
2/3 2/3 2
fctk,sup=1,3x0,3fck =1,3x0,3x25 =3,34 MPa=0,334 kN/cm

Md,min=0,8 x 8333,33x0,334=2226,7 kN x cm

Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md

51
- Exemplo 2 [6]

Calcular as armaduras de flexão para a viga da figura abaixo para alguns valores de momento fletor M.

a) Ms,máx = 2000 kNcm

Solução:
Md= 1,4 x 2000 = 2800 kN x cm

-Verificação do Mdmin.:

Verificação de Asmin.:

2 2
As,min = 0,15% x 20 x 60 = 1,8 cm > As = 1,17cm → adotar As,min
W 0=I/y
3 3 4
I= bh /12 = 20x60 /12=360000 cm
Para atender a armadura final pode-se usar uma das duas hipóteses
de bitolas abaixo:
Y=30 cm
2 2
2/3 2/3 4Φ8 mm As,e=4x0,503 = 2,01 cm > As = 1,80 cm
fctk,sup=1,3x0,3fck =1,3x0,3x20 =2,88
2
MPa=0,288 kN/cm 2 2
3Φ10 mm As,e=3x0,785 = 2,36 cm > As = 1,80 cm
Md,min=0,8 x 8333,33x0,288=2764,8 kN
Onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.
x cm

Md > Mdmin → calcular As para


resistir a Md

52
b) Ms,máx = 6000 kNcm c) Ms,máx = 15000 kNcm

Solução: Solução:

Md= 1,4 x 6000 = 8400 kN x cm Md= 1,4 x 15000 = 21000 kN x cm

-Verificação do Mdmin.: -Verificação do Mdmin.:

Md > Mdmin → calcular As para Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md


resistir a Md
K=0,276 < KL = 0,295 K’ = K = 0,276
K=0,110 < KL = 0,295 K’ = K =
2 2
0,110 As = As1 = 10,33 cm > As,min = 1,8 cm
2
As = As1 = 4,51 cm > As,min = 1,8 Para atender a armadura final pode-se usar uma das hipóteses de
2
cm bitolas abaixo:

Para atender a armadura final pode-


2 2
se usar uma das hipóteses de 9Φ12,5 mm As,e=9x1,227 = 11,04 cm > As= 10,33 cm
bitolas abaixo:
2 2
6Φ16 mm As,e=6x2,01 = 12,07 cm > As= 10,33 cm
6Φ10 mm As,e=6x0,785 = 4,71
2 2 2 2
cm > As = 4,51 cm 4Φ20 mm As,e=4x3,142 = 12,57 cm > As= 10,33 cm

4Φ12,5 mm As,e=4x1,227 = 4,98


2 2
cm > As= 4,51 cm Considerando-se um cobrimento c = 2,5 cm e estribo com Φt =
5mm, bútil é dada por:
3Φ16 mm As,e=3x2,011 = 6,03
2 2
cm > As = 4,51 cm bútil = bw-2(c+Φt)=20-2x(2,5+0,5)=14 cm

O detalhamento da seção pode ser feito da seguinte forma:


Considerando-se um cobrimento c =
2,5 cm e estribo com Φt = 5mm,
bútil é dada por:

bútil = bw-2(c+Φt)=20-2x(2,5+0,5)=14
cm

Podem ser adotadas as 4 Φ12,5


mm em uma única camada.

53
d) Ms,máx = 20000 kNcm O detalhamento da seção pode ser feito da
seguinte forma:

Solução:

Md= 1,4 x 20000 = 28000 kN x cm

-Verificação do Mdmin.:

Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md

K=0,368 > KL = 0,295 K’ = KL = 0,295


2
As1 = 11 cm
2
As2 = 2,8 cm
2
As= As1 +As2 = 13,8 cm > Asmin

d'/d = 4/56 = 0,071 <0,184 →φ=1 (página x )


2
A’s=As2/φ=2,8 cm

Para atender a armadura final de tração As pode-se usar


uma das hipóteses de bitolas abaixo:
2 2
7Φ16 mm As,e=7x2,01 = 14,08 cm > As = 13,8 cm
2 2
5Φ20 mm As,e=5x3,142 = 15,71 cm > As = 13,8 cm
2 2
3Φ25 mm As,e=3x4,909 = 14,71 cm > As = 13,8 cm

Para atender a armadura final de compressão A’s pode-se


usar uma das hipóteses de bitolas abaixo:
2 2
4Φ10 mm As,e=4x0,785 = 3,14 cm > As = 2,8 cm
2 2
3Φ12,5 mm As,e=3x1,227 = 3,68 cm > As = 2,8 cm

54
Exemplo 3: Calcular e detalhar a armadura de pele para a viga com seção mostrada abaixo (medidas em
cm)

Bibliografia

[1] http://www.tqs.com.br (software para cálculo estrutural)


[2] Durabilidade das Estruturas de Concreto Armado – Paulo R.L.Helene
[3] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento
[4] Fundamentos do Concreto e Projeto de Edifícios – Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo e Sandro
P. Santos
[5] Concreto Protendido – Roberto Buchaim
[6] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva - Universidade Federal de Minas Gerais
[7] Técnica de armar as estruturas de concreto – Péricles Brasiliense Fusco
[8] ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação

55
Tema 6: Vigas de concreto armado com seção T ou L

Segundo [1] é comum nas construções usuais a ocorrência de pisos estruturais normalmente compostos
por lajes que descarregam em vigas. Durante a construção as lajes e vigas podem ser concretadas
monoliticamente e, dessa forma, elas passam a trabalhar em conjunto para resistir ao carregamento,
podendo-se considerar que parte da laje atua como seção da viga [figura 6.1].

Figura 6.1 – Vigas de Concreto armado com seção T (T beams) [2]


Quando se considera parte da laje na seção da viga têm-se uma viga T ou L. Ao observar o
comportamento de uma viga fletida no Estado Limite Último mostrado na figura 6.2, percebe-se que a
consideração da seção T só será relevante na região de momento positivo da viga (seção A-A), uma vez
que a região comprimida se encontra na parte superior da seção transversal (onde existe a laje). Na região
de momento negativo as fissuras estão na laje, o que não contribui para o aumento da resistência da seção
da viga. Resumindo, a consideração da seção T só terá sentido se for possível considerar parte da laje
para resistir às tensões de compressão a que será submetida a seção transversal.

Figura 6.2 – Momentos Positivos e Negativos na viga T [2]

56
De acordo com a ABNT NBR 6118 [3], quando a estrutura for modelada sem a consideração automática da
ação conjunta de lajes e vigas, esse efeito pode ser considerado mediante a adoção de uma largura
colaborante (bf) da laje associada à viga, compondo uma seção transversal T. A largura colaborante bf deve
ser dada pela largura da viga bw acrescida de no máximo 10% de a (0,1a) para cada lado da viga em que
houver laje colaborante, conforme mostrado na figura 6.3:

Figura 6.3 – Largura de mesa colaborante – adaptada [3]

Na figura 6.3, a letra a refere-se à distância entre pontos de momento fletor nulo, considerando-se o

diagrama de momento fletor da viga em estudo. A distância a pode ser estimada, em função do
comprimento  do tramo considerado, como se apresenta a seguir:

 viga simplesmente apoiada: a = 1,00  ;

 tramo com momento em uma só extremidade: a = 0,75  ;

 tramo com momentos nas duas extremidades: a = 0,60  e tramo em balanço: a = 2,00  .

No caso de vigas contínuas, permite-se calculá-las com uma largura colaborante única para todas as
seções, inclusive nos apoios sob momentos negativos, desde que essa largura seja calculada a partir do
trecho de momentos positivos onde a largura resulte mínima. Ressalta-se que devem ser respeitados os
limites b1 e b3 conforme indicado na figura 6.3. O dimensionamento da seção pode ser feito de forma
simplificada adotando-se as expressões abaixo [4]. É importante citar que, segundo [4], o limite k ≤ 0 será o
utilizado para se ter a mesa parcialmente comprimida, ou seja, dimensionamento da seção como se fosse
uma seção retangular bf x h (figura 6.4).

Figura 6.4 – viga T com linha neutra cortando a mesa [5]

57
58
EXEMPLO 1 [4]
Calcular os valores da mesa colaborante bf para as vigas do projeto de formas apresentado na figura
abaixo, considerando as seções da viga com os máximos valores de momentos positivos e negativos
mostrados no diagrama de momentos fletores.

59
Solução:
Vigas V1, V2 e V3: Seção adotada para a viga 1 para os momentos

Vigas com dois tramos ou vãos, o primeiro com positivos:


comprimento (295+20/2+20/2) = 315 cm e o segundo com
(365+20/2+20/2) = 385 cm. Na figura correspondente ao
projeto de formas, M1 e M2 são os momentos positivos
(tracionam a parte inferior da viga) e X é o momento
negativo (traciona a parte superior da viga). Os pontos de
momentos nulos do diagrama estão indicados na figura
com as distâncias x1 e x2, referenciadas ao apoio central.

Viga V1:
Para o momento negativo X a seção só pode
A mesa está comprimida para os momentos M1 e M2 e
tracionada para o momento negativo X. Essa viga só pode funcionar como seção retangular de (20 x 40 ) cm.
funcionar como T, ou no caso L, apenas nos trechos
Viga V2:
positivos do diagrama de momentos.
No caso dessa viga há continuidade da laje em
Para o momento M1 a parcela da largura colaborante do
ambos os lados, logo:
lado da nervura em que a laje tem continuidade, b1 é dada
por:

Seção adotada para a viga 2 para os momentos


positivos:

b1= 24 cm; o lado oposto a b1 não tem laje, portanto:

b3 =b4=0 e bf=bw+b1+b3=20+24+0=44 cm
Para o momento negativo X a seção só pode
Será considerada uma largura colaborante única para todas as
funcionar como seção retangular de (20 x 40 ) cm.
seções da viga V1 com momentos positivos.

60
Solução:
Viga V3:
Para M1 tem-se
Os valores de b1 e b3 são os mesmos já calculados
b1 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
para a viga V1. A diferença deve-se ao novo valor de
b1 ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm
b2 = 295 cm, que não interfere nos resultados finais
de b1. → b1 = 24 cm
b3 = b4 = 0 (a laje L1 está invertida, portanto
Para M1 tem-se: tracionada).

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 24 + 0 = 39 cm bf = bw + b1 + b3 = 15 + 24 + 0 = 39 cm

Será considerada uma largura colaborante única para todas Será considerada uma largura colaborante única para todas
as seções da viga V3 com momentos positivos. as seções da viga V4 com momentos positivos.

Seção adotada para a viga 3 para os momentos Para o momento negativo X, como a única laje
positivos: comprimida (L1) está do lado do balanço, sem
continuidade, tem-se:

b3 ≤ 0,10 (x1 + x2) = 0,10x(78,75 + 100) ≈ 18 cm

b3 = 18 cm

b3 ≤ b4 = 30 cm

b1 = 0 (a laje L2 está tracionada)

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 0 + 18 = 33 cm
Para o momento negativo X a seção só pode
funcionar como seção retangular de (15 x 40) cm. Viga V5:

Viga V4: De forma análoga ao calculado para V2, obtém-


se:
Essa viga tem um balanço do lado esquerdo da
nervura que está 30 cm abaixo do nível das demais 1 = 315 cm e a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm
lajes. Assim, têm-se mesas comprimidas tanto do lado As parcelas da largura colaborante dos lados Esquerdo
e Direito da nervura, são dadas por:
superior direito, quanto do inferior esquerdo da
nervura, fazendo a viga funcionar como seção L, para
momentos positivos e negativo.

1 = 315 cm 2 = 400 cm

a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm

a2 = 0,75 2 = 0,75x400 = 300 cm

x1 = 0,25 1= 0,25x315 = 78,75 cm Para o momento negativo X a seção só pode funcionar

x2 = 0,25 2 = 0,25x400 = 100 cm como seção retangular de (20 x 40 ) cm.

61
Viga V6:

1 = 315 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm

Para os momentos positivos:

b1 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b1 = 24 cm
b1 ≤ (b2/2) = (365/2) = 182,5 cm

b3 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b3 = 24 cm
b3 ≤ b4 = 50 cm

bf = bw + b1 + b3 = 20 + 24 + 24 = 68 cm

Para o momento negativo X a seção só pode funcionar como seção retangular de (15 x 40) cm.

EXEMPLO 2 [4]

Calcular as armaduras para uma viga T, com bf = 90 cm, bw = 20 cm, h = 50 cm, d = 45 cm, hf = 10 cm.
Considere concreto fck = 30 MPa, aço CA 50 e os momentos solicitantes na viga:
 M=15000 kN.cm
 M=40000 kN.cm
Solução:
fc=0,85x3/1,4 = 1,821 kN/cm2 ) e fyd=50/1,15 = 43,48 kN/cm2

a) Ms,máx = 15000 kNcm


Solução:

Md= 1,4 x 15000 = 21000 kN x cm

-Verificação do Mdmin.:

Md,min = 0,8 W 0 fctk,sup,


O centro geométrico para a seção T de concreto em relação ao limite inferior da nervura bw (largura paralela ao
eixo x da seção transversal) vale:

ycg = (90x 10x 45 + 20x40x 20) / (90x10 + 20x40) = 33,24 cm

3 2 3 2
Ix,cg = [(90x50 )/12+90x50x(33,24-25) ]–[(70x40 )/12+70x40x(33,24-20) ]=378873 cm4

2/3
fctk,sup = 0,39 x 30 = 3,77 MPa ≈ 0,38 kN/cm2

Md,min = 0,8 x [(378873) / 33,24] x 0,38 = 3463 kNcm

Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md


62
Verificação de Asmin.:

2 2
As,min = 0,15% x (90x10) + (20 x 40) = 2,55 cm < As = 11,09 cm → adotar As,calculado

Comentário:
Se optasse por calcular a viga com seção retangular 20/50, desprezando-se a contribuição da
mesa, a armadura seria As,Ret = 12,96 cm2 > As,T = 11,09 cm2 mostrando que quando possível, o
cálculo como seção T é sempre mais econômico.

b) Ms,máx = 40000 kNcm


Solução:

Md= 1,4 x 40000 = 56000 kN x cm

-Verificação do Mdmin.:

Md,min = 0,8 x [(378873) / 33,24] x 0,38 = 3463 kNcm ; Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md

2 2
As,min = 0,15% x (90x10) + (20 x 40) = 2,55 cm < As = 31,97 cm → adotar As,calculado

Bibliografia

[1] Curso de Concreto – Volume I – José Carlos Sussekind


[2] Reinforced Concrete Mechanics and Design – James G. MacGregor and James k. Wight.
[3] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento
[4] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva - Universidade Federal de Minas Gerais
[5] Fundamentos do Concreto e Projeto de Edifícios – Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo e Sandro
P. Santos.
[5] Concreto Protendido – Roberto Buchaim

63
Tema 7: Vigas Contínuas e pórticos planos

No caso de estruturas usuais de edifícios, a ABNT NBR 6118 permite a adoção do


modelo de viga contínua para a determinação dos momentos positivos e dos momentos
negativos das vigas. A figura 7.1 mostra a planta de formas e o corte de uma estrutura de
um edifício e a figura 7.2 mostra o modelo estrutural de viga contínua.

Figura 7.1 – Planta de formas e Corte da estrutura de um Edifício [2]

Figura 7.2 – modelo de viga contínua [2]


64
Salienta-se que, de acordo com [3], na ligação viga-pilar existe certa rigidez (não é uma
rótula) e o momento fletor transmitido pela viga não pode ser desprezado (Figura 7.3).

Figura 7.3 – Ligação entre vigas e pilares [3]

Nesta metodologia considera-se, inicialmente, os pilares extremos como apoios simples e


os momentos fletores são calculados para a viga conforme mostrado na figura 7.4. O
momento fletor de ligação entre a viga e os pilares extremos é calculado fazendo-se
equilíbrio do momento fletor de engastamento perfeito no nó extremo.

Figura 7.4 – Momento de ligação da viga aos pilares extremos [2]


65
Os momentos negativos nas vigas, considerando-se a sua ligação aos apoios extremos
podem ser calculados pelas seguintes relações (Figura 7.5):

Na extremidade da viga:

Figura 7.5 – Condições de vinculação nos apoios extremos de vigas contínuas [4]

Em que:

-rinf, rsup, rviga é a rigidez de cada elemento i no nó em foco (pilar inferior, superior e viga);

- , sendo Ii a inércia do elemento e li conforme a Figura 7.5;

-Meng é o momento de engastamento perfeito na ligação viga-pilar;

Segundo a ABNT NBR 6118, para a utilização do modelo clássico de viga contínua,
simplesmente apoiada nos pilares, deve-se fazer as seguintes correções adicionais:

-Não devem ser considerados momentos positivos menores que os que se obteriam se
houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos (figura 7.6).

66
Figura 7.6 – Momentos fletores máximos positivos nos vãos de vigas contínuas [2]

-Quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, medida na
direção do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do pilar, não pode ser
considerado momento negativo de valor absoluto menor do que o de engastamento
perfeito nesse apoio (figura 7.7)

Figura 7.7 – Condições de vinculação nos apoios internos de vigas contínuas [2]

67
EXEMPLO:

Calcular e detalhar a armadura longitudinal de uma viga contínua de 3 vãos, de um pavimento


intermediário, com altura l dos pilares igual a 3,0 m, concreto fck = 35 MPa, aço CA 50. A seção transversal
da viga é de 15x50 cm2 e d= 45 cm. os pilares são todos de 20x20 cm2 , as cargas, vãos e diagrama de
momento fletor estão apresentados na figura abaixo.

Solução:

Os momentos negativos sobre os apoios extremos para a viga contínua acima:

 Apoio extremo da esquerda

Rigidez dos pilares no nó considerado = rsup = rinf =

Isup / li sup = (20 x 203 /12) / 150 = 88,8

Rigidez da viga no nó considerado = rvig = Ivig / lvig =


(15 x 503 /12) / 400 = 390,6

Meng = (40x42 /12) = 53,33 kNm

(obtido das tabelas de momentos de engastamento


perfeito de barras biengastadas abaixo).

68
= α = (88,8 +88,8)/(88,8+88,8+390,6)=177,6/568,2=0,31

M extr,viga = α X Meng = 0,31 x 53,33 = 16,7 kN.m

 Apoio extremo da direita: idem apoio da esquerda.

 Correções:

a) O momento positivo máximo no segundo vão considerando engaste perfeito nos apoios é:

M*max = 40 x 4,02 / 24 = 26,7 kNm (ver figura 7.6).

Esse é o valor a ser dimensionado, que além de positivo é maior que o encontrado no diagrama de
Momentos, M = 16 kNm. Para o primeiro e terceiro vãos não será necessário fazer essa verificação,
pois com os momentos de extremidades nulos os diagramas de momentos positivos nesses dois
trechos resultam em valores maiores que os encontrados na situação de engaste perfeito.

Desenhar o diagrama corrigido com os momentos negativos de extremidade.

69
 Cálculo da armadura de Flexão:

* *
X esq = X direita = 1670 kNcm
2
fc=0,85 x 3,5/1,4 =2,125 kN/cm
Xd= 1,4 x 1670 = 2338 kN x cm
K=0,0362 ≤ KL
2
-Verificação do Xdmin.: As = 1,22 cm

Verificação de Asmin.:

2 2
W 0=I/y As,min = 0,15% x 15 x 50 = 1,12 cm < As = 1,22 cm →
3 3
I= bh /12 = 15x50 /12=156250 cm
4 adotar As

Y=25 cm
Para atender a armadura final adotar 2Φ10 mm
2/3 2/3
fctk,sup=1,3x0,3fck =1,3x0,3x35 =4,18MPa 2 2
=0,418 kN/cm
2 As,e=2 x0,785 = 1,57cm > As = 1,22 cm

Xd,min= 0,8 x 6250x0,418 =2090 kN x cm Onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.

Xd > Xdmin → calcular As para resistir a Xd

X = 6400 kNcm
Verificação de Asmin.:
Xd= 1,4 x 6400 = 8960 kN x cm
2 2
As,min = 0,15% x 15 x 50 = 1,12 cm < As = 4,95 cm →
-Verificação do Xdmin.: adotar As

Xd,min= 0,8 x 6250x0,418 =2090 kN x cm


Para atender a armadura final adotar 3Φ16,0 mm
Xd > Xdmin → calcular As para resistir a Xd
2 2
As,e=3 x 2 = 6,0 cm > As = 4,95 cm
2
fc=0,85 x 3,5/1,4 =2,125 kN/cm
Onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.
K=0,139 ≤ KL
2
As = 4,95 cm

70
M = 5120 kNcm
Verificação de Asmin.:
Md= 1,4 x 5120 = 7168 kN x cm
2 2
As,min = 0,15% x 15 x 50 = 1,12 cm < As = 3,89 cm →
-Verificação do Mdmin.: adotar As

Md,min= 0,8 x 6250x0,418 =2090 kN x cm


Para atender a armadura final adotar 3Φ12,5 mm
Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md
2 2
As,e=3 x 1,226 = 3,68 cm ~ As = 3,89 cm
2
fc=0,85 x 3,5/1,4 =2,125 kN/cm
Onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.
K=0,111 ≤ KL
2
As = 3,89 cm

M* = 2670 kNcm
Verificação de Asmin.:
Md= 1,4 x 2670 = 3738 kN x cm
2 2
As,min = 0,15% x 15 x 50 = 1,12 cm < As = 1,97 cm →
-Verificação do Mdmin.: adotar As

Md,min= 0,8 x 6250x0,418 =2090 kN x cm


Para atender a armadura final adotar 3Φ10 mm
Md > Mdmin → calcular As para resistir a Md
2 2
As,e=3 x 0,785 = 2,35 cm > As = 1,16 cm
2
fc=0,85 x 3,5/1,4 =2,125 kN/cm
Onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.
K=0,0579 ≤ KL
2
As = 1,97 cm

 Detalhamento Simplificado da viga:

71
PÓRTICO PLANO:

Embora a norma considere o modelo de viga contínua para a determinação dos esforços
solicitantes nas vigas e pilares, o que ocorre, na verdade, é que o sistema de vigas e
pilares que compõe a estrutura da edificação funciona como um pórtico. Por essa razão,
os momentos na ligação viga-pilar calculados segundo a metodologia simplificada,
apresentada na ABNT NBR 6118, são apenas uma aproximação [3].

Os momentos fletores nas vigas e pilares podem ser obtidos a partir da consideração da
ligação entre pilares e vigas como pórticos monolíticos, conforme apresentado na figura
7.8.

Figura 7.8 – Diagrama de momento fletor – Pórtico Plano

Bibliografia:

[1] Fonte: LEMES et al, 2015

[2] Apostila UNESP – Estruturas de Concreto II – Vigas de Edifícios. Prof. Dr. Paulo
Sérgio dos Santos Bastos.

[3] Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto armado – Roberto Chust


Carvalho e Libânio Miranda Pinheiro.

[4] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento.


72
Tema 8: Cisalhamento em vigas de concreto armado

Conforme visto nas aulas anteriores, o dimensionamento de uma viga de concreto


armado geralmente começa pela determinação das armaduras longitudinais para os
momentos fletores máximos, considerando-se a seção transversal da viga: retangular, T
ou L. Em seguida a armadura transversal (estribos) é calculada considerando-se a
resistência da viga à força cortante.
A figura 1 mostra o detalhe de uma viga biapoiada submetida ao carregamento composto
por duas cargas concentradas e a seção transversal da viga com a armadura longitudinal
e o estribo.

Figura 1 - Viga biapoiada (ABNT 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação)

Neste tópico das notas de aula vamos tratar da avaliação da resistência da viga à força
cortante e da determinação e detalhamento dos estribos.

a) Ensaios e modelos de cálculo

Conforme apresentado por Leonhardt e Monnig (1977) uma boa noção do


comportamento de uma viga de concreto armado pode ser obtida por meio de
ensaios. Muitos deles foram realizados para avaliar as variáveis que podem
influenciar na resistência das vigas de concreto armado à força cortante. Durante um
ensaio, tal como apresentado na figura 2, a ruptura por efeito de força cortante é
iniciada após o surgimento de fissuras inclinadas, causadas pela combinação de força
cortante e momento fletor.
73
Figura 2 – Comportamento de uma viga de concreto armado -Leonhardt e Monnig (1977)

Aumentando-se a carga P tem-se, como consequência, o aumento do número de fissuras


que crescem na direção do banzo comprimido da viga. A figura 3 mostra o ensaio de uma
viga com seção T e o padrão de fissuração para valores elevados de carregamento.

Figura 3 – Configuração de fissuras e ruptura de uma viga T -Leonhardt e Monnig (1977)

De forma simplificada pode-se considerar que a armadura transversal vai “costurar” as


fissuras, aumentando a resistência da viga ao esforço cortante e impedindo que ocorra
74
uma ruptura frágil. Considera-se que, após a fissuração da viga (estádio II) haverá uma
redistribuição das forças internas e as forças de tração que surgem no concreto serão
absorvidas pelas armaduras transversais, que impedirão a maior abertura das fissuras.
Na figura 4 é mostrado um detalhe da viga com a armadura transversal composta por
estribos e por barras dobradas.

Figura 4 – Detalhamento de uma viga de concreto armado -Leonhardt e Monnig (1977)

Ressalta-se que é mais comum o uso de estribos na viga, conforme mostrado na figura 4.
O uso de barras dobradas é pouco usual. Portanto, iremos adotar somente estribos
verticais para os exemplos dessas notas de aula.

A partir dos ensaios de vigas de concreto armado foi proposto um modelo de cálculo
baseado numa treliça com banzos paralelos (treliça de Morsch) apresentada na figura 5.

Figura 5 –Modelo de funcionamento de viga ao cisalhamento como treliça – Apostila


concreto I UFMG (2015)

75
Neste modelo Riitter e Morsch admitiram que, após a fissuração, a viga funcionaria
segundo uma treliça, com o banzo superior comprimido constituído pelo concreto e o
banzo tracionado pela armação inferior. As diagonais tracionadas seriam constituídas por
armação com inclinação α (limitada entre 45º e 90º) e as diagonais comprimidas
constituídas pelo concreto com inclinação θ=45º (figura 5).

Segundo Leonhardt e Monnig (1977) verificou-se, com base nos resultados de pesquisas
experimentais, que a inclinação das fissuras é geralmente inferior a 45º e as diagonais
comprimidas do concreto têm inclinações menores, podendo chegar a ângulos de 30º.
Essa variação ocorre em função, principalmente, da quantidade de armadura transversal
e da relação entre as larguras da alma e da mesa, em seções T e I.

Outro aspecto importante com relação à resistência de vigas à força cortante está
relacionado à atuação de mecanismos complementares ao modelo de treliça (MacGregor
e Wight, 2005). Serão destacados três mecanismos de transferência da força cortante em
viga com armadura transversal: Vcz relacionado ao banzo de concreto comprimido, V ay
relacionado ao engrenamento dos agregados ou atrito entre as superfícies nas fissuras
inclinadas, e Vd relacionado à ação de pino da armadura longitudinal (figura 6).

P’

Figura 6 –Forças internas em uma viga com estribos – MacGregor e Wight (2005)
76
Na figura 6 observa-se que a zona não fissurada de concreto comprimido pela flexão
(banzo de concreto) proporciona uma parcela de resistência à força cortante, que é a
componente Vcz, mostrada na figura 6. Há nesse trecho não fissurado uma pequena
parcela de transferência da força cortante. Também considera-se que, em uma fissura
inclinada, existe uma resistência ao deslizamento entre as duas superfícies do concreto,
devido à rugosidade e ao engrenamento dos agregados. Essa componente de
transferência de força cortante é Va. A componente Vd relaciona-se à transferência da
força cortante por ação de pino da armadura longitudinal. A ação de pino de uma barra
de aço inserida no concreto proporciona um mecanismo de transferência de força
cortante como mostrado na figura 7 (POLI, PRISCO e GAMBAROVA (1992))

Figura 7 -Transferência de força cortante por ação de pino – POLI, PRISCO e


GAMBAROVA (1992)

Todas essas componentes (Vcz, Va e Vd) proporcionam transferência de força cortante


e definem, juntamente com os estribos, a resistência da viga ao cisalhamento.
Segundo MacGregor e Wight (2005) é difícil quantificar separadamente as
contribuições de Vcz, Va e Vd. Nas normas de projeto essas componentes são
normalmente agrupadas e consideradas como VC. Logo a resistência da viga ao
cisalhamento é:

VR= Vc + Vs

Vc= parcela correpondente aos mecanismos complementares e

Vs= parcela correspondente ao estribo.


77
b) Prescrições da ABNT NBR-6118:2014

- Modelos de Cálculo

De acordo com a NBR-6118:2014 a teoria para o cálculo de vigas de concreto armado


pressupõe a analogia com o modelo em treliça de banzos paralelos, conforme
apresentado na figura 5. Essa norma admite dois modelos de cálculo em função da
inclinação “ɵ” das diagonais comprimidas de concreto (“bielas” de compressão).
Associados a esses modelos a norma considera ainda, os mecanismos resistentes
complementares, representados por uma componente adicional denominada Vc.

A resistência do elemento estrutural, numa determinada seção transversal, deve ser


considerada satisfatória quando verificadas, simultaneamente, as seguintes condições:

VSd VRd2

VSd VRd3 = Vc + Vsw

VSd é a força cortante solicitante de cálculo na seção;

VRd2 é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína das diagonais


comprimidas de concreto (figura 8).

Figura 8 –Resultante resistente da diagonal comprimida

– Apostila concreto I UFMG (2015)

VRd3 = Vc + Vsw, é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração
diagonal. Vc é a parcela de força cortante absorvida por mecanismos
complementares ao de treliça e Vsw a parcela resistida pela armadura transversal.
78
Figura 9 –Resultante resistente da diagonal tracionada – Apostila concreto I UFMG

Na região dos apoios, os cálculos devem considerar as forças cortantes agentes nas
respectivas faces. Conforme citado, a norma NBR-6118:2014 admite dois modelos de
cálculo em função da inclinação “ɵ” das diagonais comprimidas de concreto. Esses
modelos serão descritos nos tópicos seguintes.

 Modelo de cálculo I

O modelo I admite diagonais de compressão inclinadas de  = 45 em relação ao eixo


longitudinal do elemento estrutural e admite ainda que a parcela complementar Vc tenha
valor constante. No cálculo considera-se as seguintes expressões:

a) verificação da compressão diagonal b) cálculo da armadura transversal:


do concreto:
VRd3 = Vc +Vsw
VRd2 = 0,27 αv2 fcd bw d
Vsw = (Asw / s) 0,9 d fywd (sen α+ cos α)
αv2 = (1 - fck / 250) e fck, em megapascal.
Vc=Vc0 = 0,6 fctd bw d
f
fcd  ck
1, 4 fctd = fctk,inf/γc

 2 
fctk ,inf  0, 7 fctm  0, 7  0,3 fck 3 
 
 

fck, em megapascal. γc=1,4

79
onde:

bw é a menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil d;

d é a altura útil da seção, igual à distância da borda comprimida ao centro de


gravidade da armadura de tração;

s é o espaçamento entre elementos da armadura transversal Asw, medido segundo o


eixo longitudinal do elemento estrutural;

fywd é a tensão na armadura transversal passiva, limitada ao valor fyd no caso de


estribos não se tomando valores superiores a
435 MPa;

α é o ângulo de inclinação da armadura transversal (estribos) em relação ao eixo


longitudinal do elemento estrutural, nestas notas de aula tomaremos α=90º.

 Modelo de cálculo II

O modelo II admite diagonais de compressão inclinadas de  em relação ao eixo


longitudinal do elemento estrutural, com  variável livremente entre 30 e 45. Admite
ainda que a parcela complementar Vc sofra redução com o aumento de VSd.

No cálculo considera-se as seguintes expressões:

e) verificação da compressão diagonal do f) cálculo da armadura transversal:


concreto:
VRd3 = Vc +Vsw
VRd2 = 0,54 αv2 fcd bw d sen2 θ(cotg α+ cotg θ)
Vsw = (Asw / s) 0,9 d fywd (cotg α+ cotg θ)
αv2 = (1 - fck / 250) e fck, em megapascal. sen α

Vc=Vc1
f
fcd  ck
1, 4
Vc1 = Vc0 quando VSd ≤ Vc0

Vc0= 0,6 fctd bw d

Vc1 = 0 quando VSd = VRd2 , interpolando-se


linearmente para valores intermediários.

Ver figura 10.

80
Figura 10 –Consideração do valor de Vc (modelo de cálculo II)

- Armadura Mínima e especificações para o estribo

As vigas submetidos a força cortante devem conter armadura transversal mínima


constituída por estribos, com taxa geométrica:

A sw f ct ,m
 sw   0,2
b w s sen f ywk
onde:

Asw é a área da seção transversal dos estribos;

s é o espaçamento dos estribos, medido segundo o eixo longitudinal do elemento estrutural;

α é a inclinação dos estribos em relação ao eixo longitudinal do elemento estrutural;

bw é a largura média da alma, medida ao longo da altura útil da seção,

fywk é a resistência característica ao escoamento do aço da armadura transversal;

fctm  0,3 fck 2 3 , fck, em megapascal.

81
Os estribos para forças cortantes devem ser fechados através de um ramo horizontal,
envolvendo as barras da armadura longitudinal de tração, e ancorados na face oposta.
Quando essa face também puder estar tracionada, o estribo deve ter o ramo horizontal
nessa região, ou complementado por meio de barra adicional.

Figura 11 – Detalhe de estribo fechado

O diâmetro da barra que constitui o estribo deve ser maior ou igual a 5 mm, sem exceder
1/10 da largura da alma da viga.

O espaçamento (s) mínimo entre estribos, medido segundo o eixo longitudinal do


elemento estrutural, deve ser suficiente para permitir a passagem do vibrador, garantindo
um bom adensamento da massa (Figura 12).

Figura 12 – Distribuição dos estribos ao longo do eixo da viga.

82
O espaçamento (s) máximo deve atender às seguintes condições:

 se Vd ≤ 0,67 VRd2 , então smáx = 0,6 d ≤300 mm;

 se Vd > 0,67 VRd2 , então smáx = 0,3 d ≤200 mm.

O espaçamento transversal entre ramos verticais sucessivos da armadura constituída por


estribos não deve exceder os seguintes valores:

 se Vd ≤ 0,20 VRd2 , então st,máx = d ≤ 800 mm;

 se Vd > 0,20 VRd2 , então st,máx = 0,6 d ≤ 350 mm.

Nos casos de vigas largas pode-se adotar estribos conforme mostrado na figura 13.

Figura 13 – Detalhe de estribos para seções de vigas largas.

A ancoragem dos estribos deve necessariamente ser garantida por meio de ganchos ou
barras longitudinais soldadas. Os ganchos dos estribos podem ser:

g) semicirculares ou em ângulo de 45° (interno), com ponta reta de comprimento igual a


5 ϕt, porém não inferior a 5 cm;

h) em ângulo reto, com ponta reta de comprimento maior ou igual a 10 ϕt, porém não
inferior a 7 cm.

O diâmetro interno da curvatura dos estribos deve ser, no mínimo, igual ao valor dado na
tabela abaixo.

83
Diâmetro dos pinos de dobramento para estribos

Bitola Tipo de aço


mm CA-25 CA-50 CA-60
 10 3 Φt 3 Φt 3 Φt
10 < Φ< 20 4 Φt 5 Φt -
 20 5 Φt 8 Φt -

- Exemplo (Livro ABNT NBR 6118:2003 Comentários e Exemplos de Aplicação)

Determinar os estribos e verificar a seção de concreto para a viga esquematizada na


figura abaixo. Considere P = 65 kN, concreto de classe C 25, aço CA-50,
Classe de Agressividade Ambiental I, c = 2,5 cm e d = 46 cm para a altura útil da
seção. Adotar modelo de cálculo I.

(I) (II) (III)

84
Solução

Utilizando o modelo de cálculo I (α=90o e θ=45o):

a) verificação da compressão diagonal do b) cálculo dos estribos:

concreto:
Nos trechos (I) e (III)
VRd2 = 0,27 αv2 fcd bw d
Vc=Vc0 = 0,6 fctd bw d fctd = fctk,inf/γc
αv2 = (1 - fck / 250)= (1-25/250)=0,9
 2 
fctk ,inf  0, 7 fctm  0, 7  0,3.25 3   1, 78 MPa
f 25  
fcd  ck   17,86 MPa  1,78 kN / cm2  
1, 4 1, 4 1, 79
fctd   1, 28 MPa  0,128 kN / cm2
1, 4
VRd2 = 0,27. 0,9 .1,78 .12 .46 = 238,8 kN
Vc=Vc0 = 0,6.0,128.12.46=42,39 kN
Vsd = 1,4 x 65 = 91 kN
Análise para o cálculo dos estribos:
VSd VRd2 91< 238,8 OK!
Vsd = Vc + Vsw

Vsw = Vsd - Vc = 91-42,39=48,6 kN

Isto significa que na seção com força cortante


igual a 91 kN, a parcela correspondente a
42,39 kN é resistida por mecanismos
complementares (Vc). Os estribos serão
determinados para resistir ao restante da força
cortante. Logo:

Vsw = (Asw / s) 0,9 d fywd (sen α+ cos α)

48,6 = (Asw / s).0,9.46. 43,5 .(sen 90+ cos 90)

(Asw / s)=48,6/0,9.46.43,5=0,027 cm2/cm

Considerando-se um trecho com s=100 cm:

(Asw / s)= 2,7 cm2/m

85
• Taxa mínima:

Trechos I e III

Adota-se (Asw / s)= 2,7 cm2/m maior que (Asw/s)mim. Considerando-se estribos de dois ramos
verticais (Asw= 2 As1) , tem-se:

ϕ As1 s
Asw = 2 As1
mm cm2 cm
5 0,2 0,4 14

o diâmetro dos estribos (Φt) deve ser:

5,0 mm ≤ ϕt ≤ bw/10 = 12 mm

para o espaçamento (s) entre estribos:

7 cm ≤ s ≤0,6d ou 30 cm (sendo que VSd < 0,67VRd2) (VER PÁGINA 79)

0,6 d = 0,6x46 = 27,6 cm > 14 cm OK!!

A distância da face interna do apoio até a carga é de 144 cm (150-6=144 cm). Portanto tem-se
144/14=10,3 cm, portanto 11 estribos nos trechos (I) e (III).

Trecho II (entre as cargas concentradas) (V = 0)

Adota-se (Asw/s)mim=1,2 cm2/m. Considerando-se estribos de dois ramos verticais (Asw= 2 As1) ,
tem-se:
86
Φ As1 s
Asw = 2 As1
mm cm2 cm
5 0,2 0,4 33 > ssmax = 27

o diâmetro dos estribos (Φt) deve ser:

5,0 mm ≤ ϕt ≤ bw/10 = 12 mm

para o espaçamento (s) entre estribos:

7 cm ≤ s ≤0,6d ou 30 cm (sendo que VSd < 0,67VRd2) (VER PÁGINA 79)

0,6 d = 0,6x46 = 27,6 cm < 33 cm não OK! (adota-se o menor espaçam.).

Deve-se adotar, então, ϕ5 c/ 27. O comprimento do trecho é de 160 cm. Por


tanto, tem-se 160/27 = 5,9, portanto 6 estribos neste trecho.

Arranjo dos estribos

A Figura abaixo apresenta o detalhamento dos estribos para a viga analisada. Adotou-se
cobrimento mínimo da armadura de 2,5 cm.

C = 2(45 + 7) + 2 x 7 = 118 cm
28 Φ5 com C = 118

Nota – Conforme 9.4.6.1 da NB-1, o gancho do estribo não deve ser inferior a 7cm para α= 90º

87
- Armadura de suspensão

Quando os apoios das vigas são constituídos pelos pilares.considera-se que eles são apoios diretos.
Se as vigas se apoiam em outras vigas têm-se os casos de apoios indiretos e torna-se importante
avaliar a necessidade de se adotar uma armadura de suspensão. Essa avaliação leva em
consideração a altura das vigas suportes com relação à altura das vigas apoiadas.

Se as reações são aplicadas junto à face superior da viga suporte, provavelmente não haverá a
necessidade da armadura de suspensão (figura 14).

Viga suporte

Viga suporte

Figura 14 – Apoio indireto com altura da viga suporte bem maior que da viga apoiada

Exemplo de um Projeto Completo de um Edifício de Concreto Armado – EPUSP (2001)

No caso em que a viga apoiada tem a altura maior do que a da viga suporte, haverá grande
necessidade de armadura de suspensão (figura 15).
Viga suporte

Viga suporte

Figura 15 – Apoio indireto com altura da viga suporte menor que da viga apoiada

Exemplo de um Projeto Completo de um Edifício de Concreto Armado – EPUSP (2001)

Um caso intermediário pode ser visto na figura 16:

88
Viga suporte

Viga suporte

Figura 16 – Apoio indireto altura da viga suporte maior que viga apoiada – EPUSP (2001)

Sendo Rd a reação de apoio, a força de suspensão pode ser estimada em


Zd = Rd (h / ha) ≤ Rd
Onde:
h = altura da viga apoiada
ha = altura da viga suporte
A armadura de suspensão será dada por
Asusp = Zd / fywd.

Observe que, para o caso de viga apoiada maior do que a da viga suporte (figura 15), haverá a
necessidade de armadura de suspensão para a reação total, isto é, Zd = Rd.
Na situação intermediária, mostrada na figura 16, observa-se a necessidade de suspender apenas
parte da reação, uma vez que o restante pode ser transferido para a treliça simulada na viga
suporte, através do esquema usual. A armadura de suspensão Asusp pode ser distribuída na zona de
suspensão, junto ao cruzamento das vigas, conforme a figura 17.

Viga suporte

Figura 17 – Detalhamento da armadura de suspensão – EPUSP (2001)

Deve-se observar que a zona de suspensão já contém alguns estribos normais das vigas. Estes
estribos podem ser contados na armadura de suspensão.
89
B ib l i o graf ia :
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, NBR 6118.
Rio de Janeiro, ABNT, 2014, 238p.
A BNT N BR 6 1 18 C om en t ár i os e Ex em p los d e A p lic aç ã o. E d: I B RA CO N
LEONHARDT, F. ; MÖNNIG, E. Construções de concreto – Princípios básicos do dimensionamento de estruturas de
concreto armado, v. 1, Rio de Janeiro, Ed. Interciência, 1982, 305p.
MACGREGOR, J.G. ; WIGHT, J.K. Reinforced concrete – Mechanics and design. 4a ed., Upper Saddle River, Ed.
Prentice Hall, 2005, 1132p.
NE Y A MO RI M S I L V A – Ap os ti l a d e C o nc r et o Arm ad o I – Un i v ers i da d e Fe d er al d e M i na s G era is -
De p art am ent o d e E n g en h ar ia de Es tr ut ur as , 2 0 15 .
POLI, S.D. ; PRISCO, M.D. ; GAMBAROVA, P.G. Shear response, deformations, and subgrade stiffness of a dowel bar
embedded in concrete. ACI Structural Journal, v.89, n.6, 1992, pp.665-675.
Lauro Modesto dos Santos ; ƒ Ricardo Leopoldo e Silva França; ƒ Hideki Hishitani; ƒ Claudinei Pinheiro Machado; Túlio
Nogueira Bittencourt; ƒ Rui Nobhiro Oyamada; ƒ Luís Fernando Kaefer; ƒ Umberto Borges e Rafael Alves de Souza –
Apostila Exemplo de um Projeto Completo de um Edifício de Concreto Armado – EPUSP (2001)

90
Tema 9: Aderência, ancoragem das armaduras e detalhamento de vigas de concreto armado

Aderência

A aderência entre a armadura e o concreto é de fundamental importância para a existência do concreto


armado e garante que os materiais trabalhem de forma conjunta, conferindo resistência às vigas, lajes e
pilares. A resistência de aderência de cálculo (fbd) entre a armadura e o concreto pode ser determinada,
segundo a ABNT NBR 6118, pela seguinte expressão:

fbd = 1 2 3 fctd

fctd = fctk,inf/c

1 = 1,0 para barras lisas

1 = 1,4 para barras entalhadas

1 = 2,25 para barras nervuradas

2 = 1,0 para situações de boa aderência

2 = 0,7 para situações de má aderência

3 = 1,0 para < 32 mm;

3 = (132)/100 , para  32 mm; onde: é o diâmetro da barra, em milímetros.

Consideram-se em boa situação quanto à aderência os trechos das barras que estejam em uma das posições
seguintes (figura 1):

a) Barras com inclinação maior que 45 sobre a horizontal;

b) Barras horizontais ou com inclinação menor ou igual a 45 sobre a horizontal, desde que:

 para elementos estruturais com h < 60 cm, barras localizadas no máximo 30 cm acima da face
inferior do elemento ou da junta horizontal de concretagem mais próxima;

 para elementos estruturais com h 60 cm, barras localizadas no mínimo 30 cm abaixo da face
superior do elemento ou da junta de concretagem mais próxima.

91
Figura 1 – trechos de boa (I) e má (II) aderência (Prof. PAULO BASTOS, 2018)

fctk,inf = 0,7 fct,m


 para concretos de classes até C50:

fct,m = 0,3 fck2/3


 para concreto de classes de C50 até C90:

fct,m = 2,12 ln (1 + 0,11 fck)


onde:

fct,m e fck são expressos em megapascal.

Ancoragem da armadura longitudinal positiva nos apoios extremos

A figura 2 mostra os apoios extremos e o apoio interno (intermediário) de uma viga contínua.

Figura 2 – Apoios de uma viga contínua (Prof. PAULO BASTOS, 2018)

Antes de se definir os comprimentos de ancoragem da armadura positiva nos apoios extremos, deve-se
calcular a armadura positiva para resistir aos esforços que surgem nos apoios das vigas. O cálculo dessa

92
armadura pode ser feito considerando-se a decalagem (al) do diagrama de momentos fletores no apoio,
conforme mostrado na figura 3.

Figura 3 – Apoios de uma viga contínua (Prof. PAULO BASTOS, 2018)

Observe que no diagrama inicial o momento positivo no apoio era igual a zero e devido à decalagem al,
surge um momento fletor que traciona a borda inferior do apoio (figura 3) :
Md,apoio = VSd . al

VSd = força cortante solicitante de cálculo no apoio.


Portanto, deve-se calcular uma armadura para resistir a este momento fletor no apoio (As,apoio) e essa
armadura deve ser convenientemente ancorada no apoio:

A norma ABNT NBR 6118 exige que As,apoio também atenda as seguintes condições:

Mapoio = momento fletor no apoio (extremo ou intermediário);


Mvão = máximo momento fletor positivo no tramo adjacente ao apoio;
As,vão = armadura longitudinal de tração do vão.

93
Desta forma deve-se determinar quantas barras da armadura longitudinal deverão ser prolongadas até o
apoio. Ressalta-se, também, que a armadura nos apoios extremos deve ser composta pelo prolongamento
de, no mínimo, duas barras da armadura longitudinal, geralmente as dos vértices inferiores dos estribos.

As barras da armadura calculadas para o apoio, obedecendo aos valores mínimos dados acima, devem ser
convenientemente ancoradas a partir da face interna do apoio (geralmente viga ou pilar). Inicialmente
procura-se estender as barras dentro do apoio num comprimento reto, como mostrado na figura 4.

Figura 4 – Ancoragem armadura de tração no apoio (Prof. PAULO BASTOS, 2018)

Para fazer uma ancoragem reta o comprimento de ancoragem efetivo ou disponível do apoio (b,ef = b – c)
deve ser maior que o comprimento de ancoragem básico (b). Sendo c o cobrimento de concreto e b a
dimensão do apoio na direção da armadura a ancorar.

O valor do comprimento de ancoragem básico (b) é definido pela ABNT NBR 6118 como o comprimento reto
necessário para uma barra de armadura passiva ancorar a força limite Rst =As . fyd , admitindo, ao longo
desse comprimento, resistência de aderência uniforme e igual a fbd (figura 5)

Figura 5 – Comprimento de ancoragem básico lb

Conforme mostrado na figura 5, a força na barra (Rst =As . fyd) é equilibrada pela força resultante das tensões
de aderência aplicadas ao concreto na superfície da barra:

94
Se o comprimento efetivo (b,ef) do apoio for menor que o comprimento de ancoragem básico, pode-se
tomar as seguintes medidas:
a) adotar um comprimento reto seguido de gancho .
b) Aumentar a área de aço efetiva no apoio (As,ef).
Se forem adotados ganchos ou se o número de barras adotadas no apoio (As,ef) for maior que o número
de barras calculadas (As,calc apoio), o comprimento de ancoragem pode ser reduzido, e será recalculado
como o comprimento de ancoragem necessário (lbnec) (ver figura 6):

Figura 6 – Ancoragem armadura de tração no


apoio (Prof. PAULO BASTOS, 2018)

95
 = 1,0 para barras sem gancho;  = 0,7 para barras tracionadas com gancho, com cobrimento no plano
normal ao do gancho ≥ 3;

 b,min é o maior valor entre 0,3 b , 10 e 100 mm e

R+5,5 Φ, onde R é o raio de curvatura dos ganchos (ver tabela 1)

Ressalta-se que o gancho na extremidade da barra deve possuir diâmetro de dobramento e detalhamento
com as seguintes características:

Tabela 1 – Diâmetro mínimo para ganchos

Os ganchos só podem ser adotados para armaduras tracionadas.

As barras comprimidas devem ser ancoradas sem ganchos para diminuir a possibilidade de flambagem da
barra, o que poderia levar ao rompimento do cobrimento de concreto, como mostrado na figura 7.

Figura 6 – Ganchos em barras comprimidas (LEONHARDT e MÖNNIG, 1982)

Ancoragem da armadura longitudinal positiva nos apoios intermediários

A área de armadura que deve ser levada e ancorada nos apoios internos ou intermediários (As,apoio) é
estabelecida pela ABNT NBR 6118:

96
Em apoios intermediários, o comprimento de ancoragem pode ser igual a 10 ϕ a partir da face do apoio,
desde que não haja qualquer possibilidade da ocorrência de momentos positivos na região dos apoios. Esses
momentos podem ser provocados por situações imprevistas, particularmente por efeitos de vento e recalques.
Quando essa possibilidade existir, as barras devem ser contínuas ou emendadas sobre o apoio.

Ancoragem de armadura negativa em apoios extremos

Recomenda-se que a ancoragem da armadura negativa da viga no pilar seja feita como mostrado na figura 7.

Figura 7 – Detalhamento para a armadura negativa (Leonhardt e Monnig, 1982)

Os diâmetros dos pinos de dobramento (D) devem ser maiores ou iguais a 15 Φ para CA-50 e 18 Φ para
CA60. Esses diâmetros de curvatura podem ser reduzidos proporcionalmente à redução da tensão de cálculo
nessas armaduras de tração em relação à tensão de escoamento de cálculo (fyd) respeitando-se os valores
exigidos para os ganchos (ver tabela 1). Segundo LEONHARDT e MÖNNIG (1982), o comprimento do
gancho da armadura negativa deve se estender 35Φ no pilar além do centro do pino de dobramento (figura
7). Os estribos do pilar devem ter espaçamento menor que 10 cm dentro do trecho de comprimento 2b + h,
como indicado na figura 7. A barra inclinada unindo a viga ao lance superior do pilar é também indicada,
porém, não é prática comum a sua aplicação.

97
Ancoragem da Armadura Longitudinal de flexão em vigas

Neste item será verificado como deve ser feito o detalhamento da armadura longitudinal de tração em vigas,
ou seja: qual o comprimento das barras e também como será feita a ancoragem das mesmas ao longo da
viga.
Para se determinar o comprimento das barras da armadura longitudinal deve-se, inicialmente, fazer a
decalagem ou deslocamento do diagrama de momento fletor. A decalagem deve ser feita para se
compatibilizar o valor da força atuante na armadura tracionada, determinada no banzo tracionado da treliça
de Ritter-Mörsch, com o valor da força calculada segundo o diagrama de momentos fletores de cálculo. Para
isto, o diagrama de momento fletor deve ser decalado, aplicando-se aos pontos uma translação paralela ao
eixo da peça, de valor al. conforme mostrado na figura 8.

Figura 8 – Decalagem do diagrama de momentos – Alberto V. Chaer e Maria das Graças Duarte (Estruturas
Concreto I – Notas de aula)

O valor da decalagem al deve ser adotado em função do modelo de cálculo escolhido no dimensionamento
da armadura transversal. De forma mais simplificada pode-se adotar para al a metade da altura h da viga.

Após a decalagem do diagrama de momento fletor, deve-se fazer o detalhamento da armadura longitudinal de
acordo com figura 9, seguindo-se os seguintes passos:
- divide-se o diagrama pelo número de barras de aço calculadas para resistir aos momentos máximos
atuantes na viga que, no caso da figura 9, são 4Φ para o momento máximo positivo e 4Φ para o momento
máximo negativo.

98
Figura 9 – Ancoragem da armadura longitudinal – Alberto V. Chaer e Maria das Graças Duarte (Estruturas
Concreto I – Notas de aula)

Para a determinação do ponto de início da ancoragem (lbnec) será adotado um procedimento simplificado e a
favor da segurança, que consiste em se considerar as barras, em qualquer situação, ancoradas a partir de
seus pontos B. Com este procedimento, o diagrama resistente é representado por degraus, que tangenciam o
diagrama solicitante nos pontos B.

Armadura transversal na região de ancoragem

Segundo a ABNT NBR 6118, à exceção das regiões situadas sobre apoios diretos, as ancoragens por
aderência devem ser confinadas por armaduras transversais ou pelo próprio concreto, considerando-se este
caso quando o cobrimento da barra ancorada for maior ou igual a 3 ϕ e a distância entre barras ancoradas for
maior ou igual a 3 ϕ (figuras 10 e 11).

99
.Figura 10 – Armadura transversal na região de ancoragem (Prof. JOSÉ CELSO DA CUNHA, 2007)

Figura 11 – Ancoragem com barra reta e gancho (Prof. JOSÉ CELSO DA CUNHA, 2007)

No caso se ser necessária armadura transversal, a norma especifica que para barras com ϕ < 32 mm, ao
longo do comprimento de ancoragem deve ser prevista armadura transversal capaz de resistir a 25 % da
força longitudinal de uma das barras ancoradas. Se a ancoragem envolver barras diferentes, prevalece, para
esse efeito, a de maior diâmetro (figura 12). Podem ser consideradas as armaduras transversais existentes
ao longo do comprimento de ancoragem.

Ao se escolher a região (seção transversal) para início da ancoragem das barras deve-se evitar as zonas de
altas solicitações de flexão porque nessas regiões as tensões nas armaduras são altas e podem provocar o
aparecimento de fissuras de grande abertura, mesmo para cargas de serviço.

100
Exemplo (Baseado na Apostila de Concreto Armado I – UFMG, Prof. Ney Amorim Silva)

Calcular e detalhar a armadura de flexão para uma viga biapoiada com vão = 500 cm, seção 20x50 cm2
(d= 46 cm), fck = 25 MPa, aço CA 50, apoio da esquerda com largura cesq = 25 cm e da direita cdir = 30 cm.
Reação das lajes na viga biapoiada = RL = GL + QL = 22 + 8 = 30 kN/m, alvenaria de tijolos furados com
espessura de 25 cm e altura de 2,8 m sobre a viga. Considerar o cobrimento da armadura igual a 3 cm.

Solução:
Carga sobre a viga
Peso próprio da viga = pviga = 0,2 x 0,5 x 25 = 2,5 kN/m
Peso da alvenaria palv = 0,25 x 2,80 x 13 = 9,1 kN/m
Reação das lajes parcela permanente = 22 kN/m
Reação das lajes parcela acidental q = 8 kN/m
Reação total p = g + q = 33,6 + 8 = 41,6 kN/m
Esforços
Reações de apoio = R = p / 2 = 41,6 x 5 / 2 = 104 kN e

força cortante máxima Vsk = 104 kN


Vsd = 1,4 x 104 = 145,6 kN

Mk = p 2 / 8 = (41,6) x 52 / 8 = 130 kNm

Md = 130 x 1,4 = 182 kN x m

Completar com a verificação do Mdmin:

101
Cálculo da armadura de flexão
fc = 1,518 kN/cm2
K = 18200 / [1,518 x 20 x (46)2] = 0,283 < KL = 0,295 K’ = K = 0,283
As,calc = As1 = (1,518 x 20 x 46 / 43,5) x [1 – (1 – 2 x 0,283)1/2] = 10,96 cm2
As,min = 0,15% x 20 x 50 = 1,5 cm2 < As = 10,96 cm2 (ok)
Usando = 16 mm (2,011 cm2) 6 16 mm As,ef = 6 x 2,011 ≈ 12,1 cm2

Detalhamento da seção transversal

Cálculo dos comprimentos de ancoragem por ader ência

O comprimento básico de ancoragem para situação de boa aderência (armadura no fundo da viga) é

fbd = 1 2 3 fctd

fctd = fctk,inf/c = 0,7 x 0,3 x fck2/3/ 1,4 = 1,28 MPa

1 = 2,25 para barras nervuradas (aço CA50)

2 = 1,0 para situações de boa aderência

3 = 1,0 para < 32 mm;

fbd = 1 2 3 fctd = 2,25 x 1 x 1 x 1,28 = 2,89 Mpa = 0,289 kN/cm2

fyd = 50/1,15=43,48 kN/cm2

lb = x fyd/fbd=
lb = 37,6 = 37,6 x 1,6 = 60,2 cm.

102
 Ancoragem nos apoios
Considerando-se al=0,5 h = 25 cm:

Além desta especificação deve-se ter:

Logo:
6 Φ/3 = 2 barras devem ser levadas até o apoio, totalizando As,apoio=4,02 cm2 >1,82 cm2.
Ressalta-se que sempre deve ser considerado o maior valor. Desta forma será considerado:
As,cal apoio= 4,02 cm2

O comprimento de ancoragem efetivo disponível para o apoio mais estreito = (l,bef = b – c = 25 – 3 = 22 cm).
Nesse trecho não é possível fazer uma ancoragem reta porque o comprimento de ancoragem básico
calculado anteriormente é igual a 60,2 cm. Logo será avaliado o comprimento de ancoragem necessário:

Para diminuir o comprimento de ancoragem será adotado um gancho (α=0,7) e sera mantido As,cal apoio = As,ef apoio:

Verificamos que esse valor ainda é maior que o comprimento disponível para a ancoragem no pilar (22 cm), logo
levaremos 4 barras até o apoio (As,ef apoio = 4 x 2,011 cm2 = 8,04 cm2) para diminuir o valor de lb,nec :
(As,calc/Asef = 4,02/8,04 = 0,5):

 b,min é o maior valor entre 0,3 . 60,3= 18,1 cm, 10. 1,6= 16 cme 100 mm .

lb,nec (21,1 cm) > lb, min (18 cm) OK!

103
Conforme citado no texto, além das especificações acima, a ABNT NBR 6118 estabelece que o
comprimento de ancoragem, a partir da face do apoio seja maior ou igual aos seguintes valores:
- lb,nec (21,1 cm)
- R+5,5 Φ, onde R é o raio de curvatura dos ganchos (ver tabela 1), logo 8 Φ= 12,8 cm (ok!)

Desta forma será adotado o comprimento de ancoragem das barras nos apoios igual a 21,1 cm que é um
valor menor que o comprimento disponível para a ancoragem no pilar (22 cm). Lembrando-se que deve-se
levar 4 barras até o apoio. No detalhamento da seção apresentado anteriormente serão escolhidas as barras
N4 para serem levadas até o apoio.

 Ancoragem no vão
Após a análise da ancoragem nos apoios e da determinação do número de barras que chegariam até o
apoio, será feita a análise das barras que serão ancoradas no vão. O comprimento de ancoragem
necessário para as barras que serão interrompidas antes do apoio, sem gancho (1 = 1), para As,cal
=10,96 cm2, é dado por:

b,nec = 1 x 60,3 x (10,96 / 12,1) = 55 cm > lb,min = 0,3 x 60,3 ≈ 18 cm (OK!) (as demais verificação já foram
feitas no item anterior)

O detalhamento das barras inicia-se com a decalagem do diagrama de momento fletor e posteriormente
a divisão do diagrama no número de barras calculadas para a viga, de acordo com a figura seguinte.

Ressalta-se que o diagrama de momentos fletores deve ser desenhado em escala.

104
Como foram adotados 6de 16 mm para combater o momento máximo, divide-se o diagrama de
momento fletor em 6 partes iguais. Tem-se então 6 comprimentos em escala no diagrama de momentos
(sem decalagem), variando desde 500 cm (vão teórico da viga) até 204 cm.
O comprimento das barras inscritas em retângulos, calculadas de forma simplificada com a= h/2 = 25
cm, fica:
6 = 204 + 2 x (25 + 55) = 364 cm

5 = 289 + 2 x (25 + 55) = 449 cm


Não será necessário calcular os comprimentos das outras quatro primeiras barras porque já foi decidido
que elas serão levadas até o apoio. Observe que o comprimento da barra l4 é maior que o comprimento
entre as faces internas do apoio, indicando que de qualquer forma ela também deveria ser levada até o
apoio.

Detalhamento da viga

O detalhamento inicial será feito considerando-se as quatro primeiras barras levadas até os apoios e as
outras duas com os comprimentos já calculados anteriormente. As primeiras foram calculadas supondo
ancoragem com gancho, que será considerado em ângulo reto, portanto com ponta reta não inferior a
8= 8 x 1,6 ≈ 13 cm.
As barras 1 a 4 terão um comprimento reto igual ao comprimento entre as faces externas da viga
(500 + 12,5 + 15 = 527,5 cm), menos duas vezes o cobrimento (2 x 3 = 6 cm), menos 0,5de cada lado
(2 x 0,5 x 1,6 = 1,6 cm), para se ter o comprimento da barra entre eixo a eixo de ganchos.
Logo: 527,5 – 6 -1,6 = 519,9 cm.

Considerando-se D= 3 Φ = 3 x 1,6 = 4,8 cm, o comprimento reto da barra será: 519,9 – 2x4,8 =510,3 cm

105
O trecho curvo dos ganchos tem o comprimento dado por [(1/4) 2(3)] = 0,25 x 2 x x 3,0 x 1,6 ≈ 8 cm,
ou seja, um quarto do círculo cujo raio vale 3.
O comprimento da ponta reta será : 8 x 1,6 = 12,8 = 13,0 cm
O comprimento total dessas quatro barras vale
510,3 + 2 x (8 + 13) =552 cm

As seis barras estão detalhadas na figura seguinte:

Exercício Proposto

Calcular e detalhar a armadura de flexão para uma viga biapoiada com vão = 500 cm, seção 20x50 cm2 (d=
46 cm), fck = 25 MPa, aço CA 50, apoio da esquerda com largura cesq = 25 cm e da direita cdir = 30 cm.
Reação das lajes RL = GL + QL = 6 + 3 = 9 kN/m, alvenaria de tijolos furados com espessura de 25 cm e
altura de 2,8 m sobre a viga. Considerar o cobrimento da armadura igual a 3 cm.

106
Tema 10: Lajes de concreto armado

Segundo a ABNT NBR 6118, as lajes podem ser consideradas como elementos de superfície plana, sujeitos
principalmente a ações normais a seu plano. Observe que elas possuem uma dimensão (espessura) que é relativamente
pequena quando comparada às demais dimensões (figura 10.1).

Funcionamento da laje à flexão

Figura 10.1 – Modelo de um edifício com lajes, vigas e pilares [1]

De acordo com [2] as lajes também podem ter o comportamento de chapas sob a ação de cargas atuantes em seu
próprio plano. Esta situação acontece quando as lajes funcionam como elementos que transmitem cargas horizontais do
vento aos pilares de contraventamento (figura 10.2).

Figura 10.2 – Funcionamento das lajes [2]

Elas ajudam a sustentar os pilares contraventados fazendo parte do sistema estrutural que garante a estabilidade global
do conjunto, com uma importante contribuição na estabilidade global de edifícios altos. A consideração do
comportamento da laje como placa ou chapa que faz parte do sistema estrutural que garante a estabilidade do conjunto,
conduz a importantes restrições para o cálculo e detalhamento da laje. Nesse curso não será abordado o cálculo de
edifícios altos e em todos os conceitos e prescrições apresentados, a seguir, as lajes serão consideradas como placas.
Ressalta-se que, segundo a ABNT NBR 6118, placas com espessura maior que um terço do vão devem ser calculadas
como placas espessas.

107
O primeiro passo para o dimensionamento das lajes, assim como visto anteriormente para as vigas, é definir a
resistência do concreto e o cobrimento da armadura. Em seguida, deve-se definir a espessura da laje, o que pode ser
feito com regras de pré-dimensionamento e, também, considerando-se as especificações da ABNT NBR 6118.
Posteriormente são levantadas as ações atuantes na laje e define-se o modelo de cálculo para a determinação dos
momentos fletores na laje e das reações de apoio nas vigas. Finalmente determina-se a armadura para a laje, bem como
o seu detalhamento. Cada uma dessas etapas será descrita a seguir.

a) Definição da resistência do concreto e do cobrimento da armadura.

A resistência do concreto e o cobrimento da armadura também devem atender a critérios que visam a durabilidade das
lajes de concreto armado. Do mesmo modo que foi descrito para as vigas, deve-se fazer uma classificação da classe de
agressividade do meio em que as lajes ficarão expostas durante a sua vida útil (tabelas 5.1 a 5.4)

Uma vez definida a classe de agressividade ambiental pode-se determinar os parâmetros de qualidade do concreto e o
cobrimento da armadura (tabelas 5.5 e 5.6)

b) Definição dos vãos efetivos e da espessura da laje (h)

A espessura das lajes pode ser pré-determinada adotando-se a expressão abaixo (figura 10.3)

Figura 10.3 – Altura útil de lajes de concreto armado

Sendo:
d= altura da laje
Φ= diâmetro das barras de aço e
C= cobrimento nominal da armadura.

108
Segundo [3], para lajes com bordas apoiadas ou engastadas, a altura útil (d) pode ser estimada por meio da seguinte
expressão:

Para lajes em balanço, pode ser usado o critério da NBR 6118 (1978):

Os coeficientes ψ2 e ψ3 dependem da vinculação e do tipo de aço, respectivamente e podem ser encontrados nas
tabelas de PINHEIRO (1993).

Segundo a ABNT NBR 6118, quando os apoios puderem ser considerados suficientemente rígidos quanto à translação
vertical, o vão efetivo das lajes deve ser calculado pela seguinte expressão:
 ef   0  a 1  a 2

com a1 igual ao menor valor entre (t1/2 e 0,3h) e a2 igual ao menor valor entre (t2/2 e 0,3h), conforme figura 10.4

Figura 10.4– Vão efetivo de lajes [3]


109
Quando à espessura mínima a ser adotada para as lajes, devem ser respeitados os seguintes limites para a espessura h
de lajes maciças [4]:

7 cm para lajes de forro não em balanço;


8 cm para lajes de piso não em balanço;
10 cm para lajes em balanço;
10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 KN;
12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 KN;

No dimensionamento das lajes em balanço, os esforços solicitantes de cálculo a serem considerados devem ser
multiplicados por um coeficiente adicional γ n de acordo com o indicado na tabela 10.1:

Tabela 10.1 – Valores do coeficiente adicional para lajes em balanço

c) Definição das ações atuantes nas lajes

As ações atuantes na laje são geralmente constituídas pelo seu peso próprio, pelo peso de revestimentos e pelas cargas
de uso do piso. As tabelas 10.2 e 10.3 mostram, respectivamente, o peso específico de alguns materiais e valores de
cargas acidentais verticais que atuam nos pisos das edificações, referentes aos carregamentos devido a pessoas,
móveis, utensílios e veículos. Estas cargas acidentais são supostas uniformemente distribuídas sobre o piso.

Para os projetos de pisos de garagem e estacionamento de veículos, deve ser considerado um coeficiente ϕ de
majoração das cargas acidentais, a ser determinado da seguinte forma:

ϕ = 1,0 ....................................quando  ≥ 0
ϕ = (0/) ≤ 1,43 ......................... quando  ≤ 0.

Sendo:
 = vão de uma viga ou o vão menor de uma laje
0 = 3 m para o caso das lajes e 0 = 5 m para o caso das vigas.
Nota: O valor de ϕ não precisa ser considerado no cálculo das paredes e pilares.

110
Tabela 10.2 – Peso específico de alguns materiais [5]

111
Tabela 10.3 – Valores mínimos de carga acidental vertical [5]

112
113
d) Determinação dos esforços solicitantes, cálculo da armadura e detalhamento das lajes

O cálculo dos esforços solicitantes nas lajes pode ser feito considerando-se que elas estão estruturalmente desligadas
das vigas que as sustentam, ou seja, as lajes são calculadas isoladamente das vigas como se estivessem sobre apoios
rígidos. Não se leva em conta a deformabilidade das vigas que sustentam as lajes quando elas são submetidas aos
carregamentos.
Esta consideração é apenas uma hipótese que, para se aproximar do comportamento real da estrutura, depende da
relação entre a rigidez da laje e de suas vigas de sustentação. Segundo [2], se for considerada uma laje simplesmente
apoiada sobre 4 vigas, com carregamento uniformemente distribuído, o comportamento real da laje se aproximará do
comportamento teórico se:

I laje
1
I viga Lmaior
Lmaior Lmenor

Onde Ilaje é o momento de inércia de uma faixa de largura unitária, dado por:

h3
I laje 
12(1   2 )
Iviga é o momento de inércia da viga, dado por:

bw H 3
I viga 
12
Lmaior e Lmenor são os comprimentos dos lados da laje, admitindo-se que as quatro vigas de borda tenham igual rigidez.
h= espessura total da laje, H= altura total das vigas e bw= largura da alma das vigas.

Lajes apoiadas em uma direção

A figura 10.5 mostra exemplos de lajes apoiadas em uma direção. Essas lajes podem ser calculadas como vigas de
largura unitária com o vão correspondente entre as vigas de apoio.

114
Figura 10.5– Lajes apoiadas em uma direção [6]

As condições de contorno de cada laje podem ser analisadas considerando-se os lados apoiados sem engastamento
(L1) ou lajes com continuidade sobre o apoio (lado comum entre L2 e L3). Observe que no caso de lajes contínuas existe
um momento negativo sobre os apoios que provocarão esforços de tração capazes provocar fissuras na ligação entre as
lajes 2 e 3 (figura 10.5).

Portanto, os modelos teóricos para o cálculo de lajes apoiadas em uma direção podem ser resumidos como mostrado na
figura 10.6:

Figura 10.6– Lajes apoiadas em uma direção – Reações e Momentos [5]

115
Considera-se que a=  ef

Os valores das reações de apoio das lajes nas vigas e dos momentos nas lajes podem ser calculados adotando-se as
expressões mostradas na tabela 10.4, elaboradas de acordo com a teoria do regime rígido-plástico:

Tabela 10.4 – Expressões para o cálculo de momentos e reações em lajes apoiadas em uma direção [5]

Deve ser adotada, para lajes retangulares, razão mínima de 1,5:1 entre momentos de borda (com continuidade e apoio
indeslocável) e momentos no vão.

O cálculo da armadura para resistir aos momentos positivos e negativos das lajes pode ser feito considerando-se uma
viga de largura unitária, conforme mostrado na figuras 10.6 e 10.7.

Figura 10.7– Lajes apoiadas em uma direção – Seção Transversal com armadura [5]

Como não há a atuação de força normal, os domínios possíveis são 2, 3 ou 4, mas a ABNT NBR 6118 prescreve limites
para a posição da LN nas seções transversais das lajes de concreto armado, de forma a garantir as condições de
ductilidade da laje para o regime rígido-plástico:
116
(x/d) ≤0,25 para concretos com fck ≤50 MPa; ou
(x/d) ≤0,15 para concretos com 50 MPa < fck ≤ 90 MPa.

Com essas condições os valores para KL passam a ser:

KL = 0,18 para concretos com fck ≥50 Mpa ou


KL = 0,113 para concretos com 50 MPa < fck ≤ 90 MPa.

O dimensionamento de seções retangulares de lajes submetidas à flexão simples encontra-se de forma resumida na
próxima página, de acordo com a apostila de Concreto I do Prof. Ney Amorim. Ressalta-se que para lajes b=100 cm.

117
118
Prescrições da NBR ABNT 6118 referente às lajes apoiadas em uma direção

Depois de calculada a armadura para as lajes, deve-se fazer algumas verificações e seguir algumas orientações para o
detalhamento da armadura, com o objetivo de se evitar que a laje tenha armadura menor que uma taxa mínima, ou evitar
fissuração excessiva. Também existe a necessidade de fazer um detalhamento que facilite o lançamento e adensamento
do concreto. Logo, a ABNT NBR 6118 prescreve as seguintes orientações:

 Armadura longitudinal mínima de tração

A armadura mínima de tração, em elementos estruturais armados deve ser determinada pelo dimensionamento da seção
a um momento fletor mínimo dado pela expressão a seguir, respeitada a taxa mínima absoluta de 0,15 % (ρmin)

Onde:
W 0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo à fibra mais tracionada; W 0= I/y
I= momento de inércia da seção com relação ao CG e y= distância do CG da seção à fibra mais tracionada.
fctk,sup é a resistência característica superior do concreto à tração (ver tema 1 – Propriedades Mecânicas do Concreto).

Ressalta-se que devido ao comportamento das lajes, alguns valores de ρmin podem ser diminuídos:
- Armaduras negativas de bordas sem continuidade ρs ≥ 0,67 ρmin

Nos apoios de lajes que não apresentem continuidade com planos de lajes adjacentes e que tenham ligação
com os elementos de apoio, deve-se dispor de armadura negativa de borda. Essa armadura deve se estender
até pelo menos 0,15 do vão menor da laje a partir da face do apoio.

 Armadura Secundária em lajes armadas em uma direção

A ABNT NBR 6118 prescreve uma armadura secundária para lajes apoiadas em uma direção igual a:

As,sec  0,20 As,princ


As,sec  0,9 cm2 /m
s  0,5 min

119
Deve-se escolher o maior valor entre as três especificações e a armadura calculada deverá ser disposta na direção
perpendicular á direção principal da laje.

 Armadura total na seção transversal (tração e compressão)

De acordo com a ABNT NBR 6118: “A soma das armaduras de tração e de compressão (As + A’s) deve ser menor que
4%Ac, calculada na região fora da zona de emendas.”

 Distribuição das armaduras longitudinais em lajes

As armaduras devem ser detalhadas no projeto de forma que, durante a execução, seja garantido o seu posicionamento
durante a concretagem.

Qualquer barra da armadura de flexão deve ter diâmetro no máximo igual a h/8.

As barras da armadura principal de flexão devem apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20 cm,
prevalecendo o menor desses dois valores na região dos maiores momentos fletores.

Nas lajes maciças armadas em uma direção, em que seja dispensada armadura transversal (cisalhamento), e quando
não houver avaliação explícita dos acréscimos das armaduras decorrentes da presença dos momentos volventes nas
lajes, toda a armadura positiva deve ser levada até os apoios, não se permitindo escalonamento desta armadura. A
armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm além do eixo teórico do apoio.

A armadura secundária de flexão deve ser igual ou superior a 20% da armadura principal, mantendo-se, ainda, um
espaçamento entre barras de, no máximo, 33 cm.

As barras negativas deverão, no mínimo, ser prolongadas para cada lado dos eixos dos apoios um quarto (0,25) do
maior dos menores lados (vãos) das lajes contíguas que se engastam. Nas extremidades, para garantir a perfeita
ancoragem, as barras deverão ser dobradas com um comprimento igual a (h – 2c) (Figura 10.8)

Figura 10.8– Detalhamento de armadura negativa em lajes com continuidade [6]

120
Quando a laje for em balanço, a armadura negativa deve ter o comprimento no mínimo igual a duas vezes o vão do
balanço.

A quantidade de barras (positivas ou negativas), em um determinado trecho é obtida dividindo-se o comprimento livre do
trecho pelo espaçamento calculado das barras, adotando-se o número inteiro imediatamente superior dessa divisão.

As bordas livres e as faces das lajes maciças junto a aberturas devem ser adequadamente protegidas por
armaduras transversais e longitudinais. Os detalhes típicos sugeridos para reforço mostrados na figura 10.9
são indicativos e devem ser adequados em cada situação, considerando a dimensão e o posicionamento das
aberturas, o carregamento aplicado nas lajes e a quantidade de barras que está sendo interrompida pelas
aberturas.

Figura 10.9– Detalhamento da armadura de borda [6]

Avaliação da força cortante em Lajes submetidas à flexão simples

Conforme ABNT NBR 6118, As lajes maciças podem prescindir de armadura transversal para resistir aos
esforços de tração oriundos da força cortante, quando a força cortante de cálculo, a uma distância d da face
do apoio, obedecer à expressão:

VSd  VRd1

Sendo a força cortante resistente de cálculo dada por:

VRd1 = [Rd k (1,2 + 40 1) + 0,15 cp] bwd

121
onde:

Rd = 0,25 fctd

fctd = fctk,inf / c

As1
1  , não maior que 0,02
bw d

cp = NSd / Ac

k é um coeficiente que tem os seguintes valores:

 para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: k = 1;

 para os demais casos: k = 1,6 - d, não menor que 1, com d em metros;

onde:

Rd é a tensão resistente de cálculo do concreto ao cisalhamento;

As1 é a área da armadura de tração que se estende até não menos que d + b,nec além da seção
considerada (figura 10.10)

bw é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d;

NSd é a força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (a compressão é considerada


com sinal positivo).

Figura 10.10- Verificação de Cisalhamento em Lajes [4]

No caso da necessidade de armadura para resistir à força cortante, plicam-se os critérios estabelecidos para
as vigas, observando-se a seguinte prescrição:

a resistência dos estribos pode ser considerada com os valores máximos, sendo permitida interpolação linear:

 250 MPa, para lajes com espessura até 15 cm;

 435 MPa (fywd , para lajes com espessura maior que 35 cm.

122
Exemplo de laje apoiada em uma direção

- Exemplo 1 [6]

Calcular e detalhar a armadura para as lajes L1 e L2 mostradas na planta de formas da figura abaixo.
Considere classe I de agressividade ambiental (c= 2,0 cm), d=7,5 cm, fck = 25 Mpa.
2
Adotar Aço CA50 (fyk = 50 kN/cm ).
As lajes serão usadas como escritórios em um edifício comercial.

123
Solução:

a)Carga sobre a laje

Carga permanente:
2
Peso próprio pp = 0,1 x 25 = 2,5 kN/m
2
Revestimento do piso = 1,0 kN/m
2
Total = 3,5 kN/m

Carga acidental:
2
2,0 kN/m (ver tabela 10.3 )

Combinação de ações:
2
(3,5 + 2,0) x 1,4 = 7,7 kN/m

b)Reações das lajes sobre as vigas de apoio


e momentos fletores nas lajes: (ver figura c) Verificação do Mdmin.:
10.6 e tabela 10.4 - )

3 3 4
I= bh /12 = 100x10 /12= 8333,33 cm e Y= 5 cm, W 0=I/y
2/3 2/3 2
fctk,sup=1,3x0,3fck =1,3x0,3x25 = 3,33 MPa=0,333 kN/cm

Md,min=0,8 x 1666,67 x 0,333= 445 kN x cm = 4,45 kN x m

a= 4,0 m e p = 7,7 kN/m2 M > Mdmin → calcular As para resistir a M (armadura positiva)
X > Mdmin → calcular As para resistir a X (armadura negativa)
RA = 0,387 pa = 11,92 kN/m
(reação por faixa de 1m de laje) d)Cálculo da armadura Positiva principal

2
RE = 0,613 pa = 18,88 kN/m fc = 0,85 x 2,5/1,4=1,52 kN/cm
(reação por faixa de 1m de laje) 2
K = (924) / [1,52 x 100 x (7,5) ] = 0,108 < KL = 0,180
2
M = pa /13,33 = 9,24 kN x m/ m K’ = K = 0,108
(momento por faixa de 1m de laje)
As,calc = As1 =
1/2
X = 1,5 M = 13,86 kN x m / m (1,52 x 100 x 7,5 / 43,5) x [1 – (1 – 2 x 0,108) ] =
(momento por faixa de 1m de laje) 2
As,calc = 3,0 cm /m
Para facilitar a visualização, as reações de -Verificação de Asmin.:
2 2
apoio e os momentos positivos e negativo são As,min = 0,15% x 100 x 10 = 1,5 cm /m < As,calc = 3,0 cm /m
apresentados na figura seguinte:
(ok!)

124
e)Cálculo da armadura Positiva secundária

As,sec  0,20 As,princ Tabela de bitolas e espaçamentos

As,sec  0,9 cm2 /m Armadura principal Armadura


secundária
s  0,5 min
Φ (mm) 8,0 5,0
As,sec  0,20 x 3,0 cm2/m = 0,6 cm2/m AΦ (cm2) 0,5 0,2
As,sec  0,9 cm /m
2
As calc (cm2) 3,0 0,9
s  0,5 x 1,5 = 0,75 cm /m
2

Espaçamento
(s) calculado
2 16,7 22,22
Escolher o maior valor: As,sec = 0,9 cm /m
(cm)

f)Detalhamento da armadura Positiva Espaçamento


(s) adotado
17 22
Para escolher o diâmetro das barras de aço e fazer o
(cm)
detalhamento da armadura deve-se consultar as
prescrições da norma ABNT NBR 6118:

Para calcular o espaçamento s entre as barras deve-se


- Qualquer barra da armadura de flexão deve ter fazer a seguinte consideração:
diâmetro no máximo igual a h/8: 10/8 = 1,25 cm = n = numero de barras por metro laje = As calc/AΦ
12,5 mm
Espaçamento s = 100/n
- As barras da armadura principal de flexão devem
O detalhamento completo da armadura positiva é
apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20 mostrado na figura seguinte. Observe os detalhes de
cm, prevalecendo o menor desses dois valores: ancoragem das barras e das barras que chegam nas
extremidades livres das lajes.
Adotar smáx = 20 cm para armadura principal

Para facilitar a execução da laje deve-se adotar um


espaçamento mínimo entre as barras igual a 8 cm.

Adotar smin = 8 cm para armadura principal

A armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm


além do eixo teórico do apoio.

Para a armadura secundária o espaçamento entre


barras deve ser, no máximo, igual a 33 cm.

Adotar smáx = 33 cm para armadura secundária

Adotar smin = 8 cm para armadura secundária

125
DETALHAMENTO DA ARMADURA INFERIOR (POSITIVA)

Barras N3:

Comprimento da barra: ((400+7+7) – 2) + 6 = 418 cm

Número de barras: (400÷17) + 1 = 24,5 = 25 barras

Barras N4:

Comprimento da barra: (400 – 2 - 2) + (2 x 6) + (2 x 42) = 492 cm

Número de barras: (400÷22) + 1 = 19 barras

Detalhe de Borda: Ver figura 10.9 e considerar lb=44 Φ:

2h + lb = 2x10 + 44x0,5 = 42 cm

126
g)Cálculo da armadura Negativa

fc = 0,85 x 2,5/1,4=1,52 kN/cm


2 A armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm além
2
K = (1386) / [1,52 x 100 x (7,5) ] = 0,162 < KL = 0,180 do eixo teórico do apoio.

K’ = K = 0,162 Para a armadura secundária o espaçamento entre barras


As,calc = As1 = deve ser, no máximo, igual a 33 cm.
1/2
(1,52 x 100 x 7,5 / 43,5) x [1 – (1 – 2 x 0,162) ] =
2 Adotar smáx = 33 cm para armadura secundária
As,calc = 4,66 cm /m
-Verificação de Asmin.: Adotar smin = 8 cm para armadura secundária
2
As,min = 0,15% x 100 x 10 = 1,5 cm /m < As,calc = 4,66
2
cm /m (ok!) Tabela de bitolas e espaçamentos
h)Cálculo da armadura Negativa secundária
Armadura principal Armadura
secundária
As,sec  0,20 As,princ
As,sec  0,9 cm2 /m Φ (mm) 10,0 5,0

s  0,5 min AΦ (cm2) 0,79 0,2

As calc (cm2) 4,66 0,93


As,sec  0,20 x 4,66 cm /m = 0,93 cm /m
2 2

Espaçamento
As,sec  0,9 cm2 /m (s) calculado
16,95 21,5
s  0,5 x 1,5 = 0,75 cm2/m
(cm)

Escolher o maior valor: As,sec = 0,9 3 cm /m


2 Espaçamento
(s) adotado
17 21
(cm)
i)Detalhamento da armadura Negativa

Para escolher o diâmetro das barras de aço e fazer o


detalhamento da armadura deve-se consultar as Para calcular o espaçamento s entre as barras deve-se
fazer a seguinte consideração:
prescrições da norma ABNT NBR 6118:
n = numero de barras por metro laje = As calc/AΦ

- Qualquer barra da armadura de flexão deve ter Espaçamento s = 100/n


diâmetro no máximo igual a h/8: 10/8 = 1,25 cm = 12,5
O detalhamento completo da armadura negativa é
mm mostrado na figura seguinte. Observe os detalhes de
ancoragem das barras na figura 10.8.
- As barras da armadura principal de flexão devem
apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20
cm, prevalecendo o menor desses dois valores:

Adotar smáx = 20 cm para armadura principal

Para facilitar a execução da laje deve-se adotar um


espaçamento mínimo entre as barras igual a 8 cm.

Adotar smin = 8 cm para armadura principal

127
DETALHAMENTO DA ARMADURA SUPERIOR (NEGATIVA)

Barras N1:

Comprimento da barra: (0,25 x 400 x 2) + (2 x 6) = 418 cm

Número de barras: (400÷17) + 1 = 24,5 = 25 barras

Barras N2:

Comprimento da barra: (200 – 2 - 2) + (2 x 6) = 408 cm

Número de barras: (200÷21) + 1 = 11 barras

128
Detalhe de Borda:

- Armaduras negativas de bordas sem continuidade ρs ≥ 0,67 ρmin


Nos apoios de lajes que não apresentem continuidade com planos de lajes adjacentes e que tenham ligação
com os elementos de apoio, deve-se dispor de armadura negativa de borda. Essa armadura deve se estender
até pelo menos 0,15 do vão menor da laje a partir da face do apoio.

Desta forma será detalhada a armadura de borda:

s 0,67x 0,15% = 0,1% 0,1% x Ac = 0,1/100 x 100 x 10 = 1,0 cm2 = Φ 5,0 c/ 20

Barras N5:

Ancoragem na viga: 25 x Φ = 25 x 0,5 = 12,5 = 13 cm

Comprimento da barra: (0,15 x 400) + 7 - 2 = 65 + 13 + 6 = 84 cm

Número de barras: (400÷20) = 21 barras

Barras N6:

0,67 x 1 = 0,67 cm2 = Φ 5,0 c/29

Comprimento da barra: (400 – 2 - 2) + (2 x 6) = 408 cm

Número de barras: (65÷29) + 1 = 3 barras

129
Lajes apoiadas em duas direções

A figura 10.11 mostra exemplos de lajes apoiadas em duas direções. Essas lajes podem ser calculadas como vigas de
largura unitária com o vão correspondente entre as vigas de apoio, em cada direção separadamente.

Figura 10.11– Lajes apoiadas em duas direções [6]

As condições de contorno de cada laje podem ser analisadas considerando-se os lados apoiados sem engastamento ou
lajes com continuidade sobre o apoio. Observe que no caso de lajes contínuas existe um momento negativo sobre os
apoios que provocarão esforços de tração capazes provocar fissuras na ligação entre as laje (figura 10.12)

130
Figura 10.12– Representação genérica das reações e momentos nas lajes [5]

Os modelos teóricos para o cálculo de lajes apoiadas em duas direções podem ser resumidos como mostrado na figura
10.13:

131
Figura 10.13– Lajes apoiadas em duas direções

Os valores das reações de apoio das lajes nas vigas e dos momentos nas lajes podem ser calculados adotando-se as
expressões mostradas nas tabela 10.5 e 10.6, elaboradas de acordo com a teoria do regime rígido-plástico:

132
Tabela 10.5 – Reações de apoio em lajes retangulares (Tepedino) [5]

133
Tabela 10.6 – Momentos Fletores, regime rígido-plástico, carga uniforme (Tepedino) [5]

134
Deve ser adotada, para lajes retangulares, razão mínima de 1,5:1 entre momentos de borda (com continuidade e apoio
indeslocável) e momentos no vão.

O cálculo da armadura para resistir aos momentos positivos e negativos das lajes pode ser feito considerando-se uma
viga de largura unitária, considerando-se cada direção separadamente, da mesma forma que foi citado para lajes
apoiadas em uma direção.

Considerações importantes sobre lajes apoiadas em duas direções:

Segundo [7] as lajes apoiadas em duas direções transmitem suas cargas aos apoios pelo caminho mais curto por meio
da flexão em duas direções. Desta forma, para a mesma solicitação são possíveis que as lajes sejam mais esbeltas que
as lajes apoiadas em uma direção. Mas o comportamento resistente depende muito da relação entre os lados da laje.
Em lajes compridas (lx ≥ 2ly) as lajes se comportam como lajes apoiadas em uma direção e são denominadas lajes
armadas em uma direção (armadura principal na menor direção), conforme mostrado na figura 10.14. Na outra direção
deve-se adotar apenas uma armadura secundária.

Figura 10.14– Laje armada em uma direção

Prescrições da NBR ABNT 6118 referente às lajes apoiadas em duas direções

Depois de calculada a armadura para as lajes, deve-se fazer algumas verificações e seguir algumas orientações para o
detalhamento da armadura, com o objetivo de se evitar que a laje tenha armadura menor que uma taxa mínima, ou evitar
fissuração excessiva. Também existe a necessidade de fazer um detalhamento que facilite o lançamento e adensamento
do concreto. Logo, a ABNT NBR 6118 prescreve as seguintes orientações:

 Armadura longitudinal mínima de tração

Segue os mesmos critérios apresentados anteriormente e deve ser avaliada em cada direção, separadamente.
Ressalta-se que devido ao comportamento das lajes, alguns valores de ρmin podem ser diminuídos:

135
- Armaduras negativas de bordas sem continuidade ρs ≥ 0,67 ρmin
- Armaduras positivas de lajes armadas em duas direções ρs ≥ 0,67 ρmin

Nos apoios de lajes que não apresentem continuidade com planos de lajes adjacentes e que tenham ligação
com os elementos de apoio, deve-se dispor de armadura negativa de borda. Essa armadura deve se estender
até pelo menos 0,15 do vão menor da laje a partir da face do apoio.

 Armadura total na seção transversal (tração e compressão)

De acordo com a ABNT NBR 6118: “A soma das armaduras de tração e de compressão (As + A’s) deve ser menor que
4%Ac, calculada na região fora da zona de emendas.”

 Distribuição das armaduras longitudinais em lajes

As armaduras devem ser detalhadas no projeto de forma que, durante a execução, seja garantido o seu posicionamento
durante a concretagem.

Qualquer barra da armadura de flexão deve ter diâmetro no máximo igual a h/8.

As barras da armadura principal de flexão devem apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20 cm,
prevalecendo o menor desses dois valores na região dos maiores momentos fletores.

Nas lajes maciças armadas em duas direções, em que seja dispensada armadura transversal (cisalhamento), e quando
não houver avaliação explícita dos acréscimos das armaduras decorrentes da presença dos momentos volventes nas
lajes, toda a armadura positiva deve ser levada até os apoios, não se permitindo escalonamento desta armadura. A
armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm além do eixo teórico do apoio.

A armadura secundária de flexão deve ser igual ou superior a 20% da armadura principal, mantendo-se, ainda, um
espaçamento entre barras de, no máximo, 33 cm.

As barras negativas deverão, no mínimo, ser prolongadas para cada lado dos eixos dos apoios um quarto (0,25) do
maior dos menores lados (vãos) das lajes contíguas que se engastam. Nas extremidades, para garantir a perfeita
ancoragem, as barras deverão ser dobradas com um comprimento igual a (h – 2c).

Quando a laje for em balanço, a armadura negativa deve ter o comprimento no mínimo igual a duas vezes o vão do
balanço.
A quantidade de barras (positivas ou negativas), em um determinado trecho é obtida dividindo-se o comprimento livre do
trecho pelo espaçamento calculado das barras, adotando-se o número inteiro imediatamente superior dessa divisão.

As bordas livres e as faces das lajes maciças junto a aberturas devem ser adequadamente protegidas por
armaduras transversais e longitudinais. Os detalhes típicos sugeridos para reforço mostrados na figura 20.1

136
são indicativos e devem ser adequados em cada situação, considerando a dimensão e o posicionamento das
aberturas, o carregamento aplicado nas lajes e a quantidade de barras que está sendo interrompida pelas
aberturas.

Avaliação da força cortante em Lajes submetidas à flexão simples

A avaliação é a mesma já apresentada para lajes apoiadas em uma direção.

Exemplo de laje apoiada em duas direções

- Exemplo 2 [6]

Calcular e detalhar a armadura para as lajes L1 a L8 mostradas na planta de formas da figura abaixo.
Considere classe I de agressividade ambiental (c= 2,0 cm), d=7,5 cm, fck = 25 Mpa.
2
Adotar Aço CA50 (fyk = 50 kN/cm ).
As lajes serão usadas como escritórios em um edifício comercial.

137
Solução:

a)Carga sobre a laje Laje L1:


Carga permanente:
R = r(pa)
Peso próprio pp = 0,1 x 25 = 2,5 kN/m
2 r´a= 0,183 R´a= 5,63 kN/m
2 r´´a= 0,317 R´´a= 9,76 kN/m
Revestimento do piso = 1,0 kN/m
2
r´b= 0,244 R´b= 7,52 kN/m
Total = 3,5 kN/m r´´b= 0,423 R´´b= 13,03 kN/m

138
M = pa2/m
Carga acidental:
2
2,0 kN/m (ver tabela 10.3) ma = 21,9 Ma=5,62 kN x m/ m
Xa = 1,5 Ma = 8,43 kN x m/ m
Combinação de ações:
2
(3,5 + 2,0) x 1,4 = 7,7 kN/m mb = 49,3 Mb=2,49 kN x m/ m
Xb = 1,5 Mb = 3,74 kN x m/ m
Observe que a planta de formas possui dois eixos de
Laje L2:
simetria, eixos sobre as vigas V3 e V7. Portanto
somente duas lajes serão dimensionadas (L2 e L3). R = r(pa)
r´a= 0,144 R´a= 4,43 kN/m
r´´a= 0,250 R´´a= 7,7 kN/m
b)Reações das lajes sobre as vigas de apoio e
rb= 0,369 Rb= 11,36 kN/m
momentos fletores: (ver figura 10.13 e tabelas 10,5 e
10.6)
M = pa2/m

ma = 27,7 Ma= 4,45 kN x m/ m


Xa = 1,5 Ma = 6,67 kN x m/ m

mb = 93,4 Mb=1,32 kN x m/ m
Xb = 1,5 Mb = 1,98 kN x m/ m

Para facilitar a visualização, as reações de apoio e os


momentos positivos e negativo são apresentados na
figura seguinte:

p = 7,7 kN/m2

c) Verificação do Mdmin.:
d)Cálculo da armadura Positiva principal

Laje L1:

Ma=5,62 kN x m/ m
2
fc = 0,85 x 2,5/1,4=1,52 kN/cm
2
K = (562) / [1,52 x 100 x (7,5) ] = PAREI AQUI < KL =

139
0,180
K’ = K =
As,calc = As1 =
1/2
(1,52 x 100 x 7,5 / 43,5) x [1 – (1 – 2 x 0,108) ] =
2
As,calc = 3,0 cm /m
-Verificação de Asmin.:
2
As,min = 0,15% x 100 x 10 = 1,5 cm /m < As,calc = 3,0
2
3 3 4 cm /m (ok!)
I= bh /12 = 100x10 /12= 8333,33 cm e Y= 5 cm,
W 0=I/y
2/3 2/3
fctk,sup=1,3x0,3fck =1,3x0,3x25 = 3,33 MPa=0,333
2
kN/cm

Md,min=0,8 x 1666,67 x 0,333= 445 kN x cm = 4,45 kN x


m

Laje L1:

Mb=2,49 kN x m/ m < Mdmin (adotar Mdmin)


Xb = 3,74 kN x m/ m < Mdmin (adotar Mdmin)

Laje L2:

Mb=1,32 kN x m/ m < Mdmin (adotar Mdmin)


Xb = 1,98 kN x m/ m < Mdmin (adotar Mdmin)

e)Cálculo da armadura Positiva secundária

As,sec  0,20 As,princ Tabela de bitolas e espaçamentos

As,sec  0,9 cm2 /m Armadura principal Armadura


secundária
s  0,5 min
Φ (mm) 8,0 5,0
As,sec  0,20 x 3,0 cm2/m = 0,6 cm2/m AΦ (cm2) 0,5 0,2
As,sec  0,9 cm /m 2
As calc (cm2) 3,0 0,9
s  0,5 x 1,5 = 0,75 cm /m 2

Espaçamento
(s) calculado
2 16,7 22,22
Escolher o maior valor: As,sec = 0,9 cm /m
(cm)

f)Detalhamento da armadura Positiva Espaçamento


(s) adotado
17 22
Para escolher o diâmetro das barras de aço e fazer o
(cm)
detalhamento da armadura deve-se consultar as
prescrições da norma ABNT NBR 6118:

Para calcular o espaçamento s entre as barras deve-se


- Qualquer barra da armadura de flexão deve ter fazer a seguinte consideração:

140
diâmetro no máximo igual a h/8: 10/8 = 1,25 cm = 12,5 n = numero de barras por metro laje = As calc/AΦ
mm
Espaçamento s = 100/n
- As barras da armadura principal de flexão devem O detalhamento completo da armadura positiva é
apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20 mostrado na figura seguinte. Observe os detalhes de
ancoragem das barras e das barras que chegam nas
cm, prevalecendo o menor desses dois valores: extremidades livres das lajes.

Adotar smáx = 20 cm para armadura principal

Para facilitar a execução da laje deve-se adotar um


espaçamento mínimo entre as barras igual a 8 cm.

Adotar smin = 8 cm para armadura principal

A armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm além


do eixo teórico do apoio.

Para a armadura secundária o espaçamento entre


barras deve ser, no máximo, igual a 33 cm.

Adotar smáx = 33 cm para armadura secundária

Adotar smin = 8 cm para armadura secundária

141
DETALHAMENTO DA ARMADURA INFERIOR (POSITIVA)

142
g)Cálculo da armadura Negativa

fc = 0,85 x 2,5/1,4=1,52 kN/cm


2 A armadura deve ser prolongada no mínimo 4 cm além
2
K = (1386) / [1,52 x 100 x (7,5) ] = 0,162 < KL = 0,180 do eixo teórico do apoio.

K’ = K = 0,162 Para a armadura secundária o espaçamento entre barras


As,calc = As1 = deve ser, no máximo, igual a 33 cm.
1/2
(1,52 x 100 x 7,5 / 43,5) x [1 – (1 – 2 x 0,162) ] =
2 Adotar smáx = 33 cm para armadura secundária
As,calc = 4,66 cm /m
-Verificação de Asmin.: Adotar smin = 8 cm para armadura secundária
2
As,min = 0,15% x 100 x 10 = 1,5 cm /m < As,calc = 4,66
2
cm /m (ok!) Tabela de bitolas e espaçamentos
h)Cálculo da armadura Negativa secundária
Armadura principal Armadura
secundária
As,sec  0,20 As,princ
As,sec  0,9 cm2 /m Φ (mm) 10,0 5,0

s  0,5 min AΦ (cm2) 0,79 0,2

As calc (cm2) 4,66 0,93


As,sec  0,20 x 4,66 cm /m = 0,93 cm /m
2 2

Espaçamento
As,sec  0,9 cm2 /m (s) calculado
16,95 21,5
s  0,5 x 1,5 = 0,75 cm2/m
(cm)

Escolher o maior valor: As,sec = 0,9 3 cm /m


2 Espaçamento
(s) adotado
17 21
(cm)
i)Detalhamento da armadura Negativa

Para escolher o diâmetro das barras de aço e fazer o


detalhamento da armadura deve-se consultar as Para calcular o espaçamento s entre as barras deve-se
fazer a seguinte consideração:
prescrições da norma ABNT NBR 6118:
n = numero de barras por metro laje = As calc/AΦ

- Qualquer barra da armadura de flexão deve ter Espaçamento s = 100/n


diâmetro no máximo igual a h/8: 10/8 = 1,25 cm = 12,5
O detalhamento completo da armadura negativa é
mm mostrado na figura seguinte. Observe os detalhes de
ancoragem das barras na figura 10.8.
- As barras da armadura principal de flexão devem
apresentar espaçamento no máximo igual a 2h ou 20
cm, prevalecendo o menor desses dois valores:

Adotar smáx = 20 cm para armadura principal

Para facilitar a execução da laje deve-se adotar um


espaçamento mínimo entre as barras igual a 8 cm.

Adotar smin = 8 cm para armadura principal

143
DETALHAMENTO DA ARMADURA SUPERIOR (NEGATIVA)

Nos apoios de lajes que não apresentem continuidade deve-se dispor de armadura negativa de borda
considerando-se s 0,67min. Essa armadura deve se estender até pelo menos 0,15 do vão menor da laje, a
partir da face do apoio. Desta forma será detalhada a armadura de borda:

s 0,67x 0,93 = 0,623 cm2 = Φ 5,0 c/ 32 (adotar Φ 5,0 c/ 20)

0,15 x 400 = 60 cm

60 + 7-2 = 65 cm

Ancoragem na viga = 25 Φ = 25 x 0,5 = 12,5 cm Adotar 13,0 cm

144
Bibliografia

[1] http://www.tqs.com.br (software para cálculo estrutural)


[2] Técnica de armar as estruturas de concreto – Péricles Brasiliense Fusco
[3] Fundamentos do Concreto e Projeto de Edifícios – Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo e Sandro P. Santos.
[4] ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento
[5] Apostila de Concreto Armado I – Professor Ney Amorim Silva - Universidade Federal de Minas Gerais
[6] ABNT NBR 6118:2014 Comentários e Exemplos de Aplicação
[7] LEONHARDT, F. ; MÖNNIG, E. Construções de concreto – Princípios básicos do dimensionamento de estruturas de
concreto armado, v. 1, Rio de Janeiro, Ed. Interciência, 1982.

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