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POLÍTICAS MIGRATÓRIAS NA AMÉRICA LATINA

Vamos entender aqui por política migratória um conjunto de normas ou regras estabelecidas em
leis, relativas aos imigrantes e emigrantes, pelos governos dos países.

De modo geral, as políticas migratórias dos governos dos países latino-americanos tinham por base,
até recentemente, suas Doutrinas de Segurança Nacional.

Entre os anos de 1950 e 1970, foram implantados regimes ditatoriais repressivos às livres
manifestações de suas sociedades: censuras aos meios de comunicação (jornais, revistas, TVs,
rádios etc.); proibição de greves de trabalhadores e estudantes; controle de partidos políticos,
pessoas, escolas, universidades, professores; restrição à imigração; além de outras medidas, com
a justificativa de que eram necessárias para a segurança nacional. No Paraguai e na Guatemala,
os governos militares se instalaram em 1954; no Brasil, em 1964; no Peru, em 1968; na Bolívia, em
1972; no Uruguai e no Chile, em 1973; e na Argentina, em 1976 (imagem 01).

Após a redemocratização desses países — no Brasil, isso ocorreu a partir de 1985 —, várias leis
desse período, pouco a pouco, foram substituídas, entre elas as que se referiam aos imigrantes e
emigrantes como questão de segurança nacional.

A Lei de Imigração do Brasil — o Estatuto do Estrangeiro —, vigente até 2017, considerava o


imigrante como um estranho e como provável ameaça à segurança nacional e, além disso, como
pessoa de menor importância em relação aos brasileiros.

Há anos, o Brasil pretendia fazer a reforma de sua legislação sobre migração. E isso foi conseguido
em 2017, com a Nova Lei de Migração, que considerou o deslocamento populacional sob a óptica
dos direitos humanos, ou seja, como um direito humano, abandonando a ultrapassada concepção
de migração como uma questão de segurança nacional (imagem 02). Foi, assim, um grande avanço.
Em outros países latino-americanos essa concepção também está sendo ultrapassada.

Imagem 01. Repressão militar durante manifestação Imagem 02. Manifestantes em apoio à Nova Lei de
das Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, que Migração, no Congresso Nacional, Brasília (2017).
protestavam contra o desaparecimento de seus
familiares durante a ditadura argentina (1982).

Regime ditatorial: Modo autoritário de governar, em que o poder está nas mãos de uma única pessoa ou
um único grupo e é exercido de modo absoluto, sem consulta aos governados.

Redemocratização: Ato ou efeito de democratizar-se, ou seja, restauração da democracia em países que


passaram por períodos de ditadura ou governos autoritários.

FONTE: ADAS, Melhem; ADAS, Sérgio. Expedições geográficas, volume 3. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2018, p. 72.

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