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Desenvolvimento comunitário

Apontamentos de: Filomena Tavares


E-mail:
Data: 2006

Bibliografia: Hermano Carmo, Desenvolvimento Comunitário, Lisboa, Universidade Aberta, 2007, 2ª


edição.

Nota:

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Desenvolvimento Comunitário
• O desenvolvimento social coloca a importância da comunidade como realidade social de coesão e solidariedade entre os homens a ser resgatada a partir dos seus
núcleos de vivência e existência.
• Os limites da comunidade não estão nas fronteiras físicas ou administrativas da área, mas no grau de repercussão participativa dos grupos e subgrupos de classe
que se identificam em termos de interesse e preocupações. Nesse sentido, é função do desenvolvimento comunitário ampliar as fronteiras da comunidade,
contribuindo para que os grupos e subgrupos de classe de dada área de moradia ampliem a repercussão participativa dos seus enfrentamentos, conforme interesses e
preocupações identificados e a serem identificados.
• No desenvolvimento comunitário não existe uma situação em que o desenvolvimento possa ser considerado pronto, acabado. É um processo de reflexão e luta em
favor da população.
• O desenvolvimento é o objectivo a ser alcançado pelo trabalho comunitário enquanto processo pedagógico. O homem precisa ter saúde para poder produzir bem;
precisa ser educado de modo a transformar suas potencialidades em recursos plenos; precisa ser habilitado e continuamente aperfeiçoado para poder colocar-se
integralmente ao serviço do desenvolvimento.
• O compromisso e a competência profissional são elementos indissociáveis quando se faz da profissão instrumento de um projecto de vida e de um projecto social
cujo maior objectivo é a transformação do homem e da sociedade.

2- O processo de intervenção Social em Comunidades


1- Elementos em jogo presentes em qualquer processo de intervenção social. PAG 34-35
Sistema-Cliente (pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social, com necessidades sociais que requerem qualquer tipo de
intervenção social planeada)
Sistema-Interventor (pessoa ou pessoas, que se constituem em recurso do sistema-cliente para responder às suas necessidades)
Interacção (comunicação entre os dois sistemas, através da qual se identificam recursos que permitam responder às necessidades
identificadas)
Ambiente da Intervenção (ambiente que serve de pano de fundo à interacção, proporcionando condições favoráveis ou desfavoráveis à
intervenção)
-Reconhecer a necessidade de conhecer a cultura do sistema-cliente como condição de eficácia da intervenção social.
Ao conhecer a cultura do sistema-cliente, o sistema-interventor aproxima-se deste. Quanto menor for a distância cultural entre os dois, mais fácil se torna o
processo comunicacional.
-Reconhecer a necessidade de conhecer o ponto de vista do sistemacliente como imperativo de eficácia.
Para que a intervenção seja bem sucedida, o sistema-interventor não pode prescindir de conhecer a opinião do sistema-cliente; deve saber ouvir, observar e
interpretar as necessidades, para encontrar as respostas mais adequadas.
2- O choque de culturas, questão central em qualquer mudança programada. PAG 36
O choque cultural é inevitável, uma vez que populações e técnicos têm diferentes formas de encarar a mudança, atribuindo um valor diferente
aos custos e aos benefícios das alterações subjacentes.
2.1- A comunicação intercultural
Comunicar é pôr em comum uma dada informação. Por detrás de qualquer comunicação humana esconde-se um complexo processo em
que o emissor (quem partilha informação) após variadas operações internas de selecção, comparação e codificação de informação, a emite
sob a forma de uma mensagem verbal ou não verbal para um ou mais receptores que a vão receber com os seus sensores (visuais, auditivos,
tácteis e cinestésicos) e, através de um processo de descodificação, também ele complexo, lhe vão dando sentido, de acordo com os
elementos de natureza emocional e cognitiva que possuem. Tanto no processo de codificação como de descodificação das mensagens, a
cultura dos protagonistas desempenha um papel essencial na percepção, ou no reconhecimento, filtragem e contextualização da informação.
2.2- Problemas de percepção PAG 38
É frequente mal-entendidos entre sistema-cliente e sistema interventor, em virtude das diferentes percepções da realidade. É necessário dar
importância à comunicação icónica (símbolos) como à verbal. As diversas culturas tem diferentes padrões de associação, de acordo com a
experiência de vida: a percepção ou seja a atribuição de significado à informação recebida, depende do posicionamento ou ancoragem
dessa informação no sistema cognitivo do receptor que integra toda a informação que este já possui, a qual lhe é transmitida de forma
organizada pela cultura onde foi socializado. PAG 39
-Definir o conceito de cultura, adoptado pelas Ciências Sociais.
Herança social que qualquer indivíduo recebe, ao longo da sua socialização.
-Descrever a situação de divergência de percepções em termos de processo comunicacional.
Num processo comunicacional é de toda a conveniência que as partes envolvidas falem e entendam a mesma linguagem, ou que pelo menos compreendam os
símbolos icónicos e verbais, que podem ser diferentes desde que sejam entendidos. Quem comunica deve assegurar-se que o receptor da sua mensagem
entendeu com clareza o seu significado, para evitar mal entendidos, que podem ser desastrosos num processo de intervenção social.
-Reconhecer que todo o processo de mudança tem custos e benefícios.
A mudança implica sempre uma ruptura, total ou parcial, com hábitos ou tradições que podem estar mais ou menos arreigados numa comunidade.
Essa mudança tem prós e contras. O que é realmente importante é avaliar e certificar -se que os aspectos positivos têm mais peso que os negativos, já que
ambos estão sempre presentes. Mudar é apostar na melhoria; se ela não se verificar, então a perda daquilo que se mudou pode representar um custo
demasiado elevado em relação aos benefícios daí retirados.
3- Papel do Interventor Social PAG 41
Identificar quatro elementos estratégicos no desempenho de um interventor social.
Conhecer a cultura do sistema-cliente assim como as suas especificidades (idade, género, estatuto social, etnia, linguagem…)
Conhecer-se a si próprio e exerça uma rigorosa auto-vigilancia sobre os seus actos
Conhecer o ambiente da intervenção (a nível político, económico e sociocultural) por forma a identificar possíveis ameaças e/ou
oportunidades estratégicas.
Estar atento a todos os elementos que configuram a interacção social, decorrente do processo de intervenção, nomeadamente os que
integram o sistema de comunicações em presença quer seja presencial ou à distancia.
4- Um mapa conceptual do processo de intervenção social. (Mapa da Pág. 43)
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3- As alterações do ambiente de intervenção social


1- A evolução dos condicionalismos ambientais PAG 49
Descrever a teoria das Três Vagas, de Toffler
Segundo Toffler as grandes alterações sociais registadas ao longo da História, podem dividir -se em 3 ondas (vagas) civilizacionais
A primeira vaga possibilitou a sedentarização humana em torno de uma civilização agrícola (há 10 mil anos);
A segunda vaga advém da revolução industrial, que acelerou o ritmo de mudança (séc. 18);
A terceira vaga baseia-se no desenvolvimento da informação
(2ª. metade do séc. 20).
As três civilizações coexistem, colidem, misturam-se, o que faz com que em nenhum ponto da terra se viva o impacto de apenas uma vaga de
mudança. O que se assiste é à permanente colisão de duas vagas, ou até mesmo das três. Nos países mais desenvolvidos colidem essencialmente a
2ª. e a 3ª.; enquanto nos menos desenvolvidos, se observa um enorme choque das duas primeiras, existindo já algumas bolsas da chamada
sociedade da informação.

1.1- Os condicionalismos ambientais pré-industriais (1ºVAGA) PAG 51


Identificar as principais características das sociedades pré-industriais
Tecnosfera tinha sistemas enérgicos e tecnológicos rudimentares, e economias baseadas na agricultura de subsistência.
Tecnosfera
Energia - baseada na força humana e animal; algum aproveitamento do vento e da água;
Tecnologia rudimentar;
Economia - baseada num sistema integrado de produção e consumo, divisão sexual do trabalho.
Sociosfera
Famílias - extensas;
Escola - Ensino informal, elitismo;
Unidade económica - predominantemente familiar;
Sistema Politico - Poder fragmentado, alguns imperialismos regionais.
Infosfera
Elitismo dos media;
Ideias-força: não padronização, pouca especialização, tempo cósmico (tempo físico), desconcentração.
Dependência da natureza, fatalismo.

1.2- Os condicionalismos ambientais da sociedade industrial (2ª VAGA) PAG 51


Tecnosfera
Energia - carvão, petróleo, nuclear (de fontes perecíveis).
Tecnologia – máquina a vapor, motor eléctrico, motor de combustão interna, motor nuclear.
Economia – o aparecimento do mercado leva à separação da produção e do consumo; divisão sexual assente na produção
(mitos sexistas); economia subsidiada. Na economia registou-se uma autonomização crescente do sistema de distribuição – o mercado
Sociosfera
Famílias - nucleares.
Ensino padronizado; curriculum encoberto (pontualidade, obediência, repetição).
Unidades económicas assentes numa organização centralizada e burocratizada (A Companhia).
Poder muito centralizado; um novo papel social, o integrador;
Estado-Nação; imperialismos à escala mundial.
Infosfera
Mass-media.
Ideias-força: padronização, especialização, sincronização (tempo mecânico), concentração, maximização, centralização.
Guerra à natureza, crença na evolução e no progresso.

1.3- Os condicionalismos ambientais da sociedade de informação (3º VAGA) PAG 52


Tecnosfera
Energia baseada no sol, marés, ventos, biomassa, etc. (fontes renováveis);
Tecnologia - electrónica, biologia, computador, engenharia genética, engenharia espacial, oceanologia.
Economia baseada na desconcentração da produção, descentralização do consumo, fim da economia subsidiada.
Sociosfera
Proliferação de diversos tipos de famílias;
Ensino modular, proliferação de formas e conteúdos pedagógicos;
Unidades económicas assentes numa organização ad-hocrática, desconcentrada.
Poder – crise no Estado, novas possibilidades de sistemas políticos.
Infosfera
Self-media.
6 Ideias-força: modulação, sistematização, dessincronização, desconcentração, dimensionação, descentralização.
Evolução controlada, diálogo com a natureza.
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2- A evolução da intervenção social PAG 54


Explicitar os ambientes de intervenção social, de acordo com os níveis de complexidade e com a natureza da intervenção exigida
A definição do ambiente da intervenção social depende de dois critérios:
Nível de Actuação – define contextos de intervenção, desde aqueles em que a interacção ocorre entre sistemas individuais
(sistema-cliente e sistema-interventor são indivíduos), até aos que configuram situações em que os protagonistas são sistemas
mais complexos (grupos, organizações nacionais e internacionais, comunidades, etc.)
Natureza Dominante da Actividade – foca a intervenção social na área das necessidades sócio-económicas, sócio-políticas ou sócio-culturais.
2.1- A intervenção social nas sociedades pré-industriais PAG 54
Nas sociedades pré-industriais o ambiente da intervenção social se caracteriza por um nível de actuação de baixa complexidade (individual,
grupal, por vezes organizacional e raramente comunitário) focado em aspectos de natureza sócio-económica.
Situação geral:
Identificar os modelos de intervenção social característicos dos três tipos de sociedade referidos
A intervenção social nas sociedades pré-industriais visa resolver necessidades de subsistência que se prendem com causas não controláveis
pelo homem (seca, pobreza, doença, morte...). Os sistemas- cliente são pessoas e famílias e na maior parte das vezes os interventores também
o são. A intervenção é quase exclusivamente de ordem ético-religiosa. O modelo de intervenção é claramente assistencial.
2.2- A intervenção social na sociedade industrial PAG 56
Nas sociedades industriais acentuam-se as diferenças sociais, com a concentração da riqueza nas mãos de uns em detrimento de outros, que
cada vez se encontram mais na miséria. A complexidade dos problemas sociais levou a sociedade civil a organizar-se sob a forma de
movimentos sociais, obrigando o Estado a assumir o papel de regulador do sistema social e económico. Surge assim um modelo de Estado
Providência. Após a 2ª. Guerra Mundial, a partir das contribuições doutrinárias de Keynes e Beveridge e da experiência colhida antes e
durante o conflito, consolidou-se um modelo de protecção social mais amplo estendido a todos os cidadãos, crismado por Ramesh Mishra de
Estado-Providência Keynesiano (EPK), de acordo com ele a politica social do EPK tem três ingredientes básicos: PAG 57
A finalidade de promover o pleno emprego
Um conjunto de serviços universais ou quase universais para satisfazer necessidades básicas da população
O empenho em manter um nível mínimo de condições de vida para todos os cidadãos.
Mishra caracteriza o modelo de estado em 3 periodos, pré-crise, crise e pós-crise. PAG 58
Na sociedade industrial a intervenção foi, portanto, partilhada entre a sociedade civil e o Estado. Apesar de terem maiores dificu ldades, os
grupos mais carenciados eram os menos assistidos pelo Estado, que remetia para as organizações da sociedade civil o papel de responder às
necessidades de subsistência.
2.3- A intervenção social na sociedade de informação PAG 59
Identificar os modelos de intervenção social característicos dos três tipos de sociedade referidos
A intervenção social nas sociedades da informação tende a adequar as respostas sociais à diversidade e complexificação dos problemas.
A sociedade contemporânea confronta-se com duas tendências aparentemente opostas: a globalização (da economia, do
crime, da solidariedade, etc.) e a singularização. A intervenção social, na actualidade, tem de se adequar aos vários níveis de actuação,
posicionando-se numa óptica integrada, ultrapassando a perspectiva meramente sócio-económica e assumindo um papel sócio-político e
sócio -cultural.

4- O desenvolvimento comunitário: enquadramento geral


Explicitar o valor de uma aproximação teórico-conceptual a questões práticas
A teoria e a prática devem funcionar em paralelo. Sistematizar a informação numa boa teoria permite ao investigador gerir melhor os seus recursos
e orientar as estratégias de pesquisa. Uma boa teoria funciona, ou pelo menos deve funcionar, como bússola de qualquer processo de investigação.

1- Conceito-base PAG 67
O conceito de desenvolvimento comunitário integra quatro conceitos que são: Desenvolvimento, comunidade, organização comunitária e
serviço social de comunidades.
1.1 – O conceito de Desenvolvimento
Um ponto de partida: o conceito de problema social PAG 68
Situação que afecta um número considerável de pessoas e é julgada por estas ou por um número significativo de outras, como uma fonte de
dificuldade ou infelicidade, e considerada susceptível de melhoria.
Perspectiva de Lebret: PAG 69
Ideias força:
- trata -se um processo dinâmico e inacabado, de uma direcção que se toma e não de ponto que se alcança. (nenhum país se deve
considerar desenvolvido)
- inerentes a ele são os critérios de pragmatismo e economicidade, tendo de avaliar custos e benefícios.
- está ligado à noção de solidariedade intra e internacional, o que lhe confere uma ideia de globalidade e radicalismo.
Através de uma dinâmica de crescimento e maturação; é uma direcção que se toma e não um ponto que se alcança: “série de passagens,
para uma população determinada, de uma fase menos humana para uma fase mais humana, ao ritmo mais rápido possível, ao custo
financeiro e humano menos elevado possível, tendo em conta a solidariedade entre todas as populações”.
O Banco Mundial fala de desenvolvimento sustentado: “que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das
futuras gerações para satisfazer as próprias”. O aspecto mais interessante desta definição é a ideia de solidariedade inter -geracional.
O PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) define desenvolvimento humano como um processo que conduz ao
alargamento das possibilidades oferecidas a cada um, por forma a atingir um melhor nível de vida. Em princípio elas são ilimitadas e
evoluem com o tempo.
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Posição do banco Mundial e do PNUD PAG 70
PNDU propôs um indicador de desenvolvimento humano (IDH) calculado a partir de 4 outros indicadores: PAG 70
Esperança média de vida à nascença
Taxa de alfabetização de adultos
Duração média da escolaridade para a população maior que 25 anos
Rendimento per capita corrigido
Em qualquer das fontes referidas, a noção de desenvolvimento apresenta-se ligada a dois critérios: PAG 70
de uma situação que concede o acesso a recursos e serviços, que permitem, a uma população desfrutar um melhor nível de vida.
de uma situação que permite tirar partido e aperfeiçoar o potencial humano de um dado conjunto social.
A educação para o desenvolvimento - 10 Áreas-chave e aprendizagem PAG 71
Áreas transversais:
Mudança - aprender a adaptar -se à mudança
- aprender a gerir a mudança
Autonomia - aprender a ser autónomo
Democracia - aprender competências comunicacionais indispensáveis ao exercício da democracia (ler, escrever, falar e escutar)
- aprender competências para o exercício da democracia representativa (escolher, respeitar e substituir representantes)
- aprender competências para o exercício da democracia participativa (preparar, tomar e executar decisões)
Solidariedade - aprender a ser solidário no espaço (nas dimensões individual, familiar, comunitária, etc.)
- aprender a ser solidário no tempo (para com as gerações futuras e passadas)
Áreas especificas:
Ambiente - aprender a viver com qualidade, protegendo o ambiente como património comum da humanidade actual e futura
População - educação para a paternidade e maternidade responsáveis
Saúde - educação para a nutrição
- educação para a prevenção de doenças
- treinamento sanitário básico
Cidadania Económica - educação para a produção
- educação para a gestão de recursos
- educação para a distribuição de bens e serviços
- educação para o consumo
Mulheres - como agentes estratégicos de desenvolvimento
- como agentes estratégicos de democratização
Interculturalidade - educação para a identidade cultural
- educação para a diversidade cultural
- educação para o ecumenismo (o Mundo – uma Família)
1.2- O conceito de Comunidade PAG 72
Referir vários contextos em que é aplicada a palavra comunidade e identificar a característica que une estas designações referente aos
agregados - comunidade rural/urbana ; referente a grupos profissionais – comunidade médica, comunidade científica ; referente a
organizações
– comunidade escolar; referente a sistemas mais complexos, como países – comunidade nacional; referente a regiões – comunidade europeia;
referente ao mundo – comunidade internacional ou mundial. Característica comum a estas designações: a presença de uma semelhança, que
confere uma identidade ao sistema designado por comunidade, e que determina a fronteira entre os elementos que lhe pertencem daqueles que
lhe são alheios.
Discutir o conceito de comunidade proposto por Ander-Egg à luz da conjuntura do final do século PAG 73
Conceito de comunidade proposto por Ander-Egg: “Agrupamento organizado de pessoas assente na unidade social, cujos elementos
participam de algum interesse, elemento, objectivo ou função comum, com consciência de pertença, situados em determinada área
geográfica na qual a pluralidade de pessoas as liga entre si, mais do que em qualquer outro contexto”. Existem neste conceito duas idéias-
força: a de um agregado social com um conjunto de interesses vitais comuns e a de uma proximidade geográfica que permite uma
estruturação sólida de tais interesses.
O conceito de comunidade na sociedade contemporânea PAG 74
Nomear algumas alterações a fazer na formação dos interventores sociais em função das mudanças ocorrida. A conjuntura social e política
(multicultura, derivada da grande concentração de massas populacionais portadoras de diferentes culturas) e o desenvolvimento de novas
tecnologias de informação e comunicação (NTICs) (que levou à formação de comunidades telemáticas ou ciber- comunidades em que a
barreira da distância deixou de existir), fizeram renascer a reflexão sobre o conceito de comunidade. A par desta nova conjuntura social surge
também a necessidade de incluir na formação dos interventores sociais que trabalham com comunidades, componentes como a Ciência
Política, a gestão de conflitos e competências no domínio das novas tecnologias.

1.3- A organização comunitária e o Serviço Social de Comunidades PAG 76


Necessário decisões estratégicas para a organização comunitária: - Identificar recursos | - Estabelecer prioridades | - Articular recursos
Definir os objectivos do serviço social de comunidades e sua operacionalização para o sistema-cliente e para o interventor social
- Tomar consciência de necessidades e recursos
- Assumir uma posição crítica sobre a realidade
- Organizar recursos de forma dinâmica para responder às necessidades
O sistema-cliente deve: tomar consciência de uma dada situação problema, valorá-la criticamente comparando-a a situações alternativas
desejáveis e agir para a modificar.
O interventor social deve: assumir -se como recurso do sistema cliente, ajudando-o a responder a situações de carência, dinamizando
processos que criem condições para o desenvolvimento de sistemas de liderança eficazes e participados, que levem à coesão da comunidade e
à integração desta no ambiente que a rodeia.
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2- O desenvolvimento Comunitário PAG 77


Definir desenvolvimento comunitário e discutir as dimensões do conceito
As Nações Unidas (1950) definem Desenvolvimento Comunitário como “processo tendente a criar condições de progresso económico e social
para toda a comunidade, com a participação activa da sua população e a partir da sua iniciativa”. Ander-Egg caracteriza-o como “uma técnica
social de promoção do homem e de mobilização de recursos humanos e institucionais, mediante a participação activa e democrática da
população, no estudo, planeamento, e execução de programas ao nível de comunidades de base, destinados a melhorar o seu nível de vida”.
2.1- Dimensões do conceito: PAG 78
Doutrinária – pela filosofia personalista que defende.
Teórica - pelos pré-requisitos de análise sociológica e económica a que se obriga
Metodológica – pelos propósitos de mudança planeada que defende
Prática – pelas consequências que a sua aplicação têm no terreno.
2.2- As raízes (Descrever a evolução do desenvolvimento comunitário, das suas raízes à actualidade) PAG 78
Segundo Ander-Egg e Miriam Baptista as raízes do Desenvolvimento Comunitário situam-se no período que mediou as duas grandes
guerras , a partir de práticas experimentadas em dois contextos diferentes: a prática de formação de líderes locais, desenvolvida no sistema
colonial britânico de administração indirecta; a experiência americana de organização comunitária.
Depois da segunda guerra mundial o Desenvolvimento Comunitário estabelece-se como método complementar de intervenção social para
fazer face aos problemas sociais da conjuntura.
1948 – Conferência Internacional de Cambridge – reconhece a utilidade do Desenvolvimento Comunitário como instrumento de
desenvolvimento dos territórios em vias de descolonização.
1950 – Relatório da ONU, intitulado Progresso Social através do Desenvolvimento Comunitário, legitimou este sistema de intervenção aos
olhos da comunidade internacionais.
1956 – realizou-se um seminário na Holanda que consagrou a noção de região-problema como conceito fundamental do Desenvolvimento
Comunitário.
1958 – realizou-se um seminário em Itália onde se deu um novo passo na construção deste domínio cognitivo, através da ligação da
investigação à acção.
1959 – no Reino Unido fecha-se a primeira fase do ciclo de vida desta técnica de intervenção, com a realização de um seminário sobre a
aplicação do Desenvolvimento Comunitário às zonas urbanas.
Nos últimos 40 anos, as experiências de Desenvolvimento Comunitário foram-se multiplicando e diversificando por todos os continentes.
Os seus princípios e metodologia têm sido aplicados a diversos níveis de sistemas-clientes. Os conteúdos e estilos de actuação apresentam
também uma enorme diversidade. Movimentos vanguardistas dos Direitos Cívicos e algumas organizações públicas foram protagonistas de
projectos comunitários, muito influenciados não tanto pela política intervencionista do Estado, mas sobretudo pela gigantesca vaga de fundo
promovida pelo Concílio Vaticano II e pelo pensamento de alguns dos seus mentores, como o padre Lebret.
2.3- Os princípios PAG 80
Explicitar os princípios do desenvolvimento comunitário
Princípio das necessidades sentidas – defende que todo o projecto de desenvolvimento comunitário deve partir das necessidades sentidas
pela população e não apenas das necessidades consciencializadas pelos técnicos;
Princípio da participação – afirma a necessidade do envolvimento profundo da população no processo do seu próprio desenvolvimento;
Princípio da cooperação – refere como imperativo de eficácia a colaboração entre sector público e privado nos projectos de
Desenvolvimento Comunitário;
Princípio da auto-sustentação – defende processos de mudança equilibrados e sem rupturas, susceptíveis de manutenção pela população -
alvo e dotados de mecanismos que previnam efeitos perversos ocasionados pelas alterações provocadas;
Princípio da universalidade – afirma que um projecto só tem êxito se tiver como alvo uma dada população na sua globalidade, e como
objectivo a alteração das condições que estão na base da situação de subdesenvolvimento.

3- Tipos de Desenvolvimento Comunitário


3.1- Tipologia geográfica PAG 81 e 82
Tipo Situação Objectivos Estratégias
Americano Bairros dormitórios Criar comunidades através do Consciencializar necessidades comuns
(EUA) • Escolas comunitárias despertar do espírito de • Descobrir formas de cooperação, optimizando os
• Centros de saúde cooperação recursos existentes
Afro- Países sem recursos ou com Reconstruir a estrutura social e Integrar o DC no Plano Nacional (centralização
Asiático recursos naturais não económica numa alta autoridade)
(Índia..) optimizados • Optimizar os recursos • Pôr o aparelho de Estado ao serviço do DC
• Más condições estruturais existentes a nível nacional
(sociais e económicas)
• Falta grave de quadros
Latino Países e Regiões com Suplantar dicotomias inter- Definir regiões e zonas-problema
dualismos estruturais regionais e assimetrias • Concentrar recursos nessas zonas para provocar
cidadecampo efeitos de mudança rápida e colher efeitos de
demonstração
Europeu Países e Regiões com sistemas Utilizar o DC como meio para Integração dos dois níveis de desenvolvimento
de Desenvolvimento Regional dinamizar o Desenv. Regional (Regional e Local)
A tipologia geográfica tem o inconveniente de homogeneizar artificialmente os projectos regionais. Nas diferentes regiões do mundo o que se
observa é a existência de mais de um tipo.
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3.2- Tipologia conceptual PAG 82


Tipo Integrado – correspondente, na tipologia anterior, ao afroasiático, caracterizado pela aplicação das técnicas de desenvolvimento
comunitário à escala nacional;
Tipo Adaptado – análogo ao europeu, sempre que o projecto tenha escala regional;
Tipo Projecto-Piloto – semelhante ao latino e ao americano, quando a escala de intervenção é mais restrita.
3.3- Tipologia de modelos de intervenção de Rothman PAG 83
- Modelo de Desenvolvimento Local (A) – intervenção muito localizada (perspectiva microssocial), orientada para o processo de criação de
grupos de auto-ajuda em que o interventor assume um papel facilitador com uma forte componente sócio-educativa;
- Modelo de Planeamento Social (B) – intervenção de componente meso e macro mais evidente, voltada para a resolução de problemas
concretos (orientações para o resultado) em que o interventor assume o papel de gestor de programas sociais;
- Modelo de Acção Social (C) – intervenção de perspectiva integrada (macro, meso, micro). O interventor assume o papel de activista, advogado
do sistema-cliente e negociador, aproximando-se da figura do militante. Modelo de preocupação sócio-politica. VER esquema da pág. 84

4- Relato de algumas experiências (LER relatos de experiências, pág. 85 a 93)


5- O desenvolvimento Comunitário na década de noventa
Descrever as principais tendências sociais do desenvolvimento comunitário indiciadas pela investigação publicada e pela oferta educativa
5.1- Tendências da Investigação PAG 93
• Dissertações – (essencialmente baseadas nos modelos A e B de Rothman.
Registe -se a inexistência de dissertações sobre aspectos do modelo C): estudo sobre minorias; aspectos teóricos, metodológicos e políticos do
DC; saúde; infância e juventude; família.
• Monografias e Artigos – além dos temas referidos nas dissertações, acrescentam-se ainda aqueles que investigam no domínio do trabalho,
emprego e idosos.
5.2- Tendências do Ensino PAG 97
As tendências do ensino do Desenvolvimento Comunitário podem inferir-se da abundância de materiais educativos produzidos, sob a forma de
artigos, monografias ou manuais, e pela diversidade dos programas lectivos oferecidos nas várias instituições de ensino.
• Instituições de Ensino Presencial – Ciência Política e da Administração; Ciências da Educação; Sociologia; Antropologia;
Serviço Social e Política Social
• Instituições de Ensino à Distância
(Ler as páginas 93 a 100)

5- Antropologia aplicada e desenvolvimento comunitário


Definir Antropologia Aplicada, aculturação, assimilação, integração e subcultura
Antropologia Aplicada – estilo de fazer antropologia, que aplica o património de conhecimentos, técnicas e atitudes desta ciência social a projectos
de mudança planeada.
Aculturação – processo de contacto entre duas ou mais diferentes culturas.
Assimilação – efeito da aculturação caracterizado pela cultura dominar assimilar a cultura dominada.
Integração – combinação das culturas existentes sob a forma de uma cultura resultante.
Sub-culturas – unidades identitárias menores que coexistem com uma cultura dominante, num mesmo espaço.

1- Evolução dos interesses dominantes da Antropologia aplicada


1.1- O que é a antropologia aplicada? PAG 107
De acordo com George Foster a Antropologia Aplicada divide-se em três períodos distintos:
• Até à primeira guerra mundial, em que a Antropologia foi chamada a apoiar a administração colonial e a acção missionária;
• Entre as duas guerras , em que se debruçou sobre os processos de aculturação, decorrentes da rápida concentração de populações em cidades
africanas, fruto da conjugação do êxodo rural de regiões deprimidas com o efeito de atracção desses centros populacionais em fase de
industrialização;
• Após a segunda guerra mundial, em que se especializou ao serviço de diversos programas públicos e privados, contribuindo para a resolução
de problemas de ordem prática, ocorridos em vários domínios.
1.2- A Antropologia Aplicada no Reino Unido PAG 108
Os antropólogos britânicos, no início do séc. XX foram chamados a estudar desafios colocados pela política colonial de administração indirecta.
Torna-se difícil citar uma obra de antropologia britânica que não tivesse ligação directa ou indirecta com necessidades administrastrivas.
Defendeu -se mesmo, na época, o facto de ser indispensável formar os funcionários da administração colonial britânica no domínio da
Antropologia. Assim, em 1908 foi assinado um Protocolo entre a administração colonial e as Universidades de Oxford e de Cambridge, de
acordo com o qual estas universidades passaram a oferecer um programa de formação de administradores. Foi ao abrigo desse acordo que
cientistas sociais fizeram vários estudos sobre diversas etnias.
Seligman – antropólogo britânico, médico de formação inicial, fez trabalho de campo na Nova Guiné, Ceilão e Sudão. Foi ao serviço do governo
deste território que produziu estudos de grande interesse para a administração local (1909-1922)
Pritchard – Professor da Universidade de Oxford, com trabalhos de campo sobretudo feitos em territórios africanos (Sudão, Zaire, Quénia,
Etiópia e outros), este antropólogo notabilizou-se pelos seus estudos ao serviço da administração colonial.
Nadel – ficou conhecido pelos trabalhos de antropologia aplicada que realizou na Nigéria e Sudão ao serviço do governo britânico. No período
entre guerras , a antropologia aplicada dedicava-se ao estudo sobre o impacto da mudança nas culturas tradicionais e estudava também o
fenómeno de “destribalização”. Após a segunda guerra mundial, devido aos processos de descolonização, a antropologia aplicada britânica
deixou de ter expressão significativa.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 7
1.3- A Antropologia Aplicada nos Estados Unidos PAG 109
Nos Estados Unidos os antropólogos dirigiam os seus olhares para o estudo de culturas alienígenas, como resposta aos excessos da corrente
evolucionista unilinear do séc. 19, que havia desenvolvido grandes teorias dedutivas sobre a evolução do Homem, sem grande fundamentação.
No período entre as duas grandes guerras, antropólogos como Franz Boas, Herskowits ou Margaret Mead, dedicaram-se ao estudo de pequenas
comunidades, culturalmente homogéneas, numa perspectiva monográfica. Durante a 2ª. guerra mundial PAG 110 a situação alterou-se, dada
a necessidade de entender diferentes locais e gentes. Os serviços dos antropólogos foram procurados por muitos departamentos das Forças
Armadas, na busca de apoio na elaboração de manuais de sobrevivência (dado o conhecimento que detinham das estratégias de sobrevivência
dos povos em territórios desconhecidos para os americanos). Os militares pretendiam ainda compreender o comportamento do inimigo. Neste
âmbito ficou célebre o estudo de Ruth Benedict sobre a cultura japonesa. Ainda no quadro da 2ª. Guerra Mundial, os antropólogos eram
chamados a treinar os quadros para administrar zonas ocupadas, o que permitiu um controle inteligente das referidas zonas, sem o recurso à
humilhação das populações dos países vencidos, nomeadamente do Japão e da Alemanha.
Depois da 2ª guerra, PAG 111 a Antr. Aplicada americana tem vindo a dedicar-se a diversos serviços especializados em diversos domínios:
• Colaboração em programas de cooperação com países da América Latina, nomeadamente no campo da saúde pública e do desenvolvim.rural;
• Consultoria aos serviços da marinha e à administração civil, em matéria de administração de territórios;
• Apoio a programas de Desenvolvimento Comunitário promovidos por organizações não governamentais (ONGs);
• Apoio à gestão de empresas no âmbito de estudos sobre cultura organizacional.

2- Valor da contribuição da antropologia para o trabalho comunitário


A Antropologia Aplicada portuguesa abrange diversas áreas, nas quais foram publicadas diversas obras. As aplicações dominantes dos estudos são:
aculturação, desenvolvimento rural, educação, organização, ordenamento do território, pastoral, promoção da mulher, saúde pública, trabalho, etc.
2.1- Valor Politico PAG 113
A Antropologia Aplicada é acusada por alguns críticos de ser etnocêntrica e de prestar serviço a potências dominantes. No entanto, apesar dela
ter sido utilizada como instrumento por algumas potências coloniais e imperiais, o trabalho dos cientistas sociais proporcionou o conhecimento
de outras culturas e contribuiu para a formação de um pensamento universal. Assim, não se pode considerar que a Antropologia Aplicada se
limite a ser uma mera engenharia social ao serviço dos poderes dominantes, assumindo-se também como consciência crítica, reivindicando o
direito de ter um estatuto autónomo e de ser ouvida nos processos de tomada de decisão. A Antropologia Aplicada contribuiu ainda para a
formação de uma consciência anticolonialista e para a sedimentação dos Direitos Humanos. Em termos político-doutrinários destacam-se duas
fortes contribuições da Antropologia Aplicada:
• Permitiu demonstrar que não há culturas superiores nem inferiores, mas apenas diferentes estádios de desenvolvimento;
• Permitiu demonstrar que a mudança é sempre um instrumento e nunca um fim em si mesmo.
2.2- Valor Cognitivo PAG 115
É importante que o interventor social tenha um conhecimento profundo do sistema-cliente e da cultura do mesmo, bem como da sua própria.
É aqui que a Antropologia Aplicada fornece ao interventor conhecimentos indispensáveis ao entendimento das comunidades onde trabalha e
previne-o contra eventuais preconceitos, decorrentes de elementos culturais que tenha interiorizado no seu processo de socialização.
São quatro os tipos de saberes que a Antropologia Aplicada fornece ao trabalho comunitário: PAG 116
• Cultura do sistema-cliente
• Cultura do sistema interventor
• Eventuais pontos críticos que podem constituir obstáculos à mudança
• Eventuais pontos a explorar que podem constituir estímulos à mudança
2.3- Valor prático PAG 117 e 118
Segundo George Foster, o valor metodológico-prático, tem quatro momentos particularmente importantes:
• Fase de Pré-Estudo
O contributo do antropólogo reside na recolha de dados disponíveis sobre o sistema-cliente, formando um quadro de referência. Cabe ao
antropólogo proceder ao estudo detalhado dos elementos da cultura do sistem-cliente que possam ter relação com o projecto de intervenção.
• Fase de Planeamento
Aqui o antropólogo colabora em três tipos de tarefas: operacionalização do problema e discussão do programa de intervenção; análise dos
obstáculos; recomendação de medidas que permitam ultrapassar os referidos obstáculos.
• Fase de Análise Continuada
No decorrer da intervenção o antropólogo deve funcionar como olhos e ouvidos dos sitema-interventor, no sentido de proceder à detecção
precoce de incidentes críticos e propor correcções à intervenção.
• Fase de Avaliação Final
Neste importante momento da intervenção o antropólogo ajuda a equipa a identificar valores e contravalores do projecto, discutir como foram
identificados e removidos os obstáculos e capitalizar o conhecimento através do registo da experiência, permitindo que próximas intervenções
beneficiem da experiência acumulada anteriormente.

3- A questão da pobreza e o contributo da Antropologia PAG 119


3.1- Actualidade da questão da Agenda Internacional
A questão da pobreza ganhou particular relevância na actualidade, devido à conjugação de vários factores, agrupados em duas macrotendências:
• O agravamento da qualidade de vida de substanciais massas populacionais, em virtude da explosão demográfica; de uma política de ajuda
aos países do terceiro mundo que leva ao seu endividamento, e consequentemente ao alargamento fosso entre países ricos e pobres; da
concentração de imigrantes pobres em países ricos; da ocorrência de conflitos armados com recurso a meios extremamente eficazes, etc.
• A maior visibilidade da situação dada pelos meios de comunicação social, levando por vezes os operadores de comunicação a desempenhar
o papel de porta-vozes de preconceitos e medos.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 8
Este posicionamento na agenda internacional é facilmente ilustrado pelo relatório da UNICEF de 1994. Ele identifica a pobreza como um dos
quatro macro-problemas da humanidade, que interagem num processo de realimentação mútua. Esse processo é identificado como Espiral PPA
(P de pobreza, P de população e A de ambiente), que interagem ainda com uma quarta variável: a instabilidade. PAG 120
(VER p. 121) A Espiral PPA - Para descrever os principais problemas sociais do mundo contemporâneo faz referencia a 4 questões estratégicas
Pobreza, População, Ambiente, Instabilidade. PAG 121
A resposta a este conjunto de problemas é complexa , a Unicef apresenta 4 tipos de politicas para fazer face aos problemas sociais,
apresentando-se sob a forma de uma espiral ascendente, que integra políticas de saúde e nutrição, de educação (especialmente de meninas) de
planeamento familiar e progressos contra problemas PPA (pobreza, crescimento populacional, desgaste ambiental). (VER p. 122)

3.2- Aspectos conceptuais: a pobreza como carência e como presença

Conceitos de pobreza PAG 124

Conceito Critério Descrição Situações


Pobreza Absoluta Rendimento (R) Grupos ou pessoas portadores de um Rendimento • Campos de refugiados
abaixo do qual não podem fazer a despesa mínima • Bairros de lata, favelas,
necessária à manutenção da vida. Distingue-se em muceques, etc.
Pobreza Primária (R < mínimo necessário à
manutenção meramente física) e Pobreza
Secundária (R < despesas primárias de habitação,
transportes, etc.)
Pobreza Relativa Espaço (cultural) e Representação social da pobreza numa dada cultura • Ser pobre em Portugal, hoje, é
Tempo (histórico) e num dado momento histórico. diferente de o ser há 30 anos, e de o
ser, hoje na Dinamarca ou em
Angola.
Pobreza Subjectiva Auto-imagem Representação da pobreza feita pelo próprio, de • O mesmo R tem diferentes
acordo com a sua experiência existencial de luta significados e usos para os velhos
pela sobrevivência. pobres ou para os novos pobres.
Pobreza Convencional Norma Ex: considera-se pobre aquele que tiver um R < X • Atribuição do Rendimento
(sendo x um valor que pode variar) Mínimo Garantido.
Pobreza Total/Parcial Extensão da Total: carece de todo o tipo de recursos • Famílias multicarenciadas
Carência Parcial: carece de alguns recursos • Famílias com carências
delimitadas
Pobreza Permanente / Duração Permanente: de longa duração. • Desempregados há mais de um
Temporária Temporária: situação conjuntural ou de curta ano
duração. • Desempregados recentes

A pobreza como presença PAG 125


Segundo Oscar Lewis, a pobreza tem tendência a desenvolver-se em sociedades que apresentam as seguintes características:
• Fortes assimetrias na qualidade de vida dos vários estratos sociais;
• Dualismo económico – tensão entre sistemas de economia monetária, virada para o lucro e sistemas de economia de subsistência, com
ocorrência de elevadas taxas de desemprego e subemprego;
• Participação cívica desestimulada;
• Existência de valores dominantes que estimulam a acumulação de riqueza e que interpretam a pobreza como um fracasso pessoal.

Oscar Lewis elaborou uma listagem composta por cerca de 60 elementos que permitem caracterizar uma subcultura de pobreza. Esses elementos
agrupam-se em quatro tipos de indicadores: a relação da comunidade com o meio envolvente; a dinâmica intra-comunitária; as características da
família; as características individuais.
Economia de Sobrevivência Saúde Precária Baixa Instrução Família em risco ou desagregada Alimentação deficiente Elevada patologia de
natureza social Elevada patologia de natureza social Habitação/espaços degradados

Descrever 8 aspectos essenciais de uma cultura de pobreza PAG 127


• Economia de sobrevivência – conquista da sobrevivência diária
• Habitação e espaços envolventes degradados
• Saúde precária – altas taxas de morbilidade e maior mortalidade infantil
• Alimentação quantitativa e qualitativa, deficientes
• Elevada patologia de natureza psicológica
• Baixa instrução − Níveis de instrução e formação profissional extremamente baixos
• Elevada patologia de natureza social -índices elevados de patologia psicológica, problemas sociais de comportamento desviado (alcoolismo,
toxicodependência, prostituição)
• Família em risco ou já desagregada
(Ler a experiência do caso CASU, p. 128-131)
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 9

6- Sociologia de intervenção e desenvolvimento comunitário


1- Domínio e vertentes da Sociologia de intervenção
Distinguir a Sociologia de Intervenção da Sociologia Clássica PAG 139
Sociologia participante ou comprometida, que não teme interferir no processo de mudança social e que não tem o menor interesse em encobrir os
traços de uma realidade social. Considera a estrutura social como um processo em constante e rápida transformação.
Sociologia Clássica
Sociologia mais utópica do que científica, comprometida com uma ideologia de imobilismo. Tem uma imagem estática da sociedade, considerada
como definitiva e perfeita. (resumo da definição de Josué de Castro)
1-1- O que é a Sociologia de Intervenção? PAG 140
Remi Hess define em primeira fase o Efectuar o Pedido, em segunda fase a definição da encomenda
Expressão de uma necessidade social, por parte do sistema-cliente. O sistema-interventor deve, em diálogo com o primeiro, identificar o
problema desencadeador do pedido formulado.
Definição da Encomenda
Negociação entre as partes, com o objectivo de chegar a um acordo sobre os direitos e deveres de cada um no processo de intervenção.
Discutir a importância, para a intervenção subsequente, das fases de formulação do pedido e de definição da encomenda
A formulação do pedido é a primeira fase da intervenção, desafiando as partes a desconfiar do óbvio, identificar e pôr de lado preconceitos sobre
a realidade em questão e exercer o papel de analistas sociais.
Só depois de ter caracterizado o problema de forma objectiva e o pedido de modo claro e rigoroso é que o interventor fica em condições de
passar a uma segunda fase: a definição da encomenda.
O importante, agora, é reconhecer que a intervenção exige um esforço de todos os protagonistas e não apenas do sistema-interventor; é também
nesta fase que se definem os papéis que cabem às partes envolvidas.
O desprezo por estas duas fases iniciais condiciona negativamente todo o processo em três aspectos:
• Inutiliza-se o capital de experiência do sistema cliente e tende a ignorar-se a sua cultura;
• A rejeição da participação do sistema-cliente impede a realização de qualquer estratégia que conduza à sua autonomia;
• O desprezo pela contribuição do sistema-cliente leva a que este não possa assumir o papel de espelho do interventor, impedindo este último de
se vigiar relativamente aos seus próprios condicionamentos culturais.
1.2- Precursores da sociologia de Intervenção
Explicitar a contribuição de Le Play, dos marxistas e de Freud como percursores da Sociologia de Intervenção
Le Play (1806-1882) PAG 142
Figura marcante que com os seus estudos monográficos sobre famílias operárias, procurou descrever padrões de vida dos operários da época e
propor medidas para melhorar a sua qualidade de vida. Le Play ao estudar o orçamento familiar conseguia obter informações sobre os recursos
das famílias e o modo como eram utilizados.
Corrente Marxista
Marx, Engels, Lenin e Mao-Tse-Tung postularam que para a melhoria da qualidade de vida das populações seria indispensável uma alteração
dos sistemas de poder existente, precedido do respectivo estudo da situação. A intervenção proposta difere da de Le Play pela sua tónica sócio-
política como pela sua postura macro-social.
Freud
Num contexto intimista de relação médico-doente, Freud defende que a mudança passa por um processo de intervenção em que o terapeuta
ajuda o paciente a recordar e verbalizar situações esquecidas da sua infância. Deste modo, a cura é precedida de uma investigação partilhada
sobre o passado. A identificação e análise dos acontecimentos que marcaram o desenvolvimento psicológico do paciente constitui, assim, parte
indispensável do processo de cura (resultado desejado).
1.3- A sociologia de Intervenção em contexto micro. PAG 142 e 143
Referir a contribuição de Lewin, Moreno, Mayo, Elliot Jacques, Crozier, escola de análise institucional, Schein, Alinsky, Dolci e Lebret para a
Sociologia de Intervenção Dinâmica de Grupos
Com Kurt Lewin e o seu método de pesquisa-acção em situação de grupo e com Jacob Moreno e os seus trabalhos sobre sociometria,
psicodrama e sociodrama, eles demonstraram que o grupo pode ser usado como unidade de intervenção social eficaz tanto para:
- mudar comportamentos dos elementos que o integram, bem
- como operar mudanças no próprio ambiente externo ao próprio grupo.
A diferença do método destes autores em relação a Freud é que este último baseava o campo de investigação-acção no Passado, enquanto Lewin
e Moreno se baseiam no Presente. O Passado e o Futuro não são ignorados, mas surge como raiz e como expectativa do Presente.
1.4- A Sociologia de Intervenção em contexto meso
A partir das intervenções de Elton Mayo ficou provada a influência das relações humanas na produtividade das organizações, dando início ao
chamado movimento das relações humanas. PAG 143
A partir dos seus trabalhos Elliot Jacques publicou um ensaio sobre a intervenção e mudança na empresa. Para além da aplicação dos
conhecimentos da psicanálise a sócio-análise confere um importante papel ao sistema-cliente.
Numa linha próxima da sócio-análise de Elliot Jacques posiciona-se a chamada Escola de Análise Institucional (Lapassade, Lourau, Lobrot e
Ardoino). Para estes autores é extremamente importante o sistema de poder nas organizações. A sua intervenção começa por pôr em causa o
poder instituído e fazer emergir o poder instituinte, para depois, por negociação, reequilibrar os dois pólos do sistema. A estratégia de actuação
de Michel Crozier consiste na realização de um inquérito clássico à organização em análise e na posterior apresentação e discussão dos
resultados com o sistema-cliente. No entanto Crozier confere um papel passivo ao sistema-cliente, não o envolvendo nas fases de pedido,
encomenda, nem na recolha e análise de dados. Shein centra sua atenção em termos interventivos na gestão da cultura organizacional,
apresentando a sua intervenção o mesmo tipo de limitações de Crozier. Tavares da Silva assenta a sua prática numa ética de intervenção
fortemente respeitadora da liberdade e da integridade do sistema-cliente, baseada na integração teórica da psicanálise, na teoria do Gestalt e na
dinâmica de grupos.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 10
1.5- A sociologia de Intervenção em contexto macro PAG 144
O sociólogo francês Alain Touraine baseava os seus estudos em resultados de inquéritos, que eram a sua técnica de recolha de dados, em que os
inquiridos participavam apenas como fornecedores de informação. Numa segunda fase do seu trabalho, Touraine passa a pesquisar através da
observação de movimentos sociais. A obra de Lebret representa o compromisso entre uma postura doutrinária, marcada pela sua fé cristã, e uma
sólida preparação científica que utilizou como instrumento de entendimento da realidade social.
A sua técnica de inquérito-participação integrava os seguintes passos: PAG 146
1- reconhecimento da comunidade; 2- selecção de uma pequena equipa de voluntários para realizar levantamento de problemas da comunidade;
3- treino da equipa; 4- realização do levantamento; 5- análise dos dados; 6- difusão dos resultados e debate sobre a estratégia de mudança.
Saul Alinsky, talvez devido às suas raízes (nasceu e foi criado num bairro de lata em Chicago) realizou vários trabalhos de campo sobre grupos
marginais. A sua técnica de trabalho é construir grupos ou organizações comunitárias, enraizadas num bairro e cujo fim é ajudar os habitantes a
organizarem-se e a defender os seus direitos. De referir apenas a título de curiosidade que, no intuito de atingir os objectivos de investigação
sobre a delinquência, conseguiu penetrar na quadrilha de Al Capone, que estudou durante dois anos. À semelhança de Lebret, Dolci baseia a sua
acção transformadora na criação e treino de pequenos grupos de militantes cívicos que deveriam assumir um papel de fermento que leveda a
massa. Muito forte na sua estratégia é a componente sócio-política. Tal como A linsky, Dolci manifesta uma preocupação evidente em ensinar
estratégias eficazes de actuação às comunidades excluídas, respeitando os princípios da não-violência activa. PAG 148

2- O método Paulo Freire, paradigma da sociologia da intervenção - PAG 149


2.1- Trajectória existencial (Ler trajectória existencial – pág. 149-152)
Paulo Freire marcou uma ruptura na história pedagógica de seu país e da América Latina. Através da criação da concepção de educação popular
ele consolidou um dos paradigmas mais ricos da pedagogia contemporânea rompendo radicalmente com a educação elitista e comprometendo-se
verdadeiramente com homens e mulheres. Num contexto de massificação, de exclusão, de desarticulação da escola com a sociedade, Freire dá
sua efectiva contribuição para a formação de uma sociedade democrática ao construir um projecto educacional radicalmente democrático e
libertador. Assim sendo, o seu pensamento e a sua obra são, e continuarão sendo, um marco na pedagogia nacional e internacional.
Identificar os principais factores de socialização que influenciaram a formação do seu pensamento e obra
Ao longo da sua militância educacional, social e política, Freire jamais deixou de lutar pela superação da opressão e desigualdades sociais
entendendo que um dos factores determinantes para que ela se dê é o desenvolvimento da consciência crítica através da consciência histórica.
Seu projecto educacional sempre contemplou essa prática, construindo a sua teoria do conhecimento com base no respeito pelo educando, na
conquista da autonomia e no diálogo, enquanto princípios metodológicos.
Contextualizar a produção de cada um dos seus principais livros no espaço e no tempo PAG 150
• Educação como Prática de Liberdade (Chile – exílio – 1967) | • Educação e Extensionismo Rural (México – 1968) | • Acção Cultural para a Libertação (1968)
• Extensão ou Comunicação? (Estados Unidos – 1969) | • Pedagogia do Oprimido (Estados Unidos – 1970) | • Cartas à Guiné Bissau (Suíça – 1977)
• Quatro Cartas aos Animadores e Animadoras Culturais de S. Tomé e Príncipe (Brasil – amnistiado – 1980) | • Educação na Cidade (Brasil – 1991)
• Pedagogia da Esperança (Brasil - 1993) | • À Sombra desta Mangueira (Brasil - 1995) | • Pedagogia da Autonomia (Brasil - 1996)
2.2- A obra PAG 152
Referir as ideias-chave neles expressas e relacioná-las com obras anteriores
• Educação como Prática de Liberdade (Chile – exílio – 1967) Como refere Gadotti, trata-se da primeira das suas grandes obras, publicada
inicialmente no Chile, no exílio, e depois em vários países. Nela Freire desenvolve as teses que havia proposto na sua dissertação para professor
da Universidade do Recife: - A educação é um acto político, pois ensinador e educador ensinam e aprendem…conceitos integradores do
pensamento de Paulo Freire: Acção cultural, é desencadeada por pessoas que aprendem a ler e escrever a sua realidade e que a transformam,
como criadores da cultura. Codificação, representação de uma situação vivida eplo educando através de linguagem icónica (desenhos…) afim de
proceder À sua problematização. Problematização, acção de reflectir sobre o que se disse, procurando o porquê e para quê dos objectos de
análise. Ver outros pensamentos na PAG 153
- A educação é um instrumento de libertação; com dificuldades em sociedades com valores e padrões culturais autoritários.
• Educação e Extensionismo Rural PAG 154. (México – 1968) Contrapõe o conceito de educação problematizadora ao de educação ingénua ou
bancária, através da formação de uma consciência crítica; expõe metodologia para a pesquisa de temas geradores para a alfabetização; reflecte sobre o papel do
trabalhador social no processo de mudança; faz sugestões aos coordenadores dos círculos de cultura. Acção Cultural para a Libertação (1968) Acerca da
humanização da educação e do papel educativo das Igrejas na América Latina.
• Extensão ou Comunicação? (Estados Unidos – 1969) Aborda criticamente o conceito de extensão rural, técnica sócio-educativa para ensinar melhores
técnicas agrícolas aos camponeses. Propõe a prática de uma educação problematizadora sob a forma de comunicação entre técnicos e camponeses.
• Pedagogia do Oprimido PAG 155. (Estados Unidos – 1970) O principal objectivo da educação é libertar o oprimido e o opressor das suas respectivas
condições. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens libertam-se em comunhão. Os homens educam-se entre si.
• Os registos Africanos PAG 156. – Em cartas à Guiné-bissau (Suíça – 1977) A principal tónica do livro reside na ideia que no processo de ajuda
internacional, ajudados e cooperantes se empenhem numa relação de diálogo. Quatro Cartas aos Animadores e Animadoras Culturais de S. Tomé e Príncipe
(Brasil – amnistiado – 1980) Retoma o diálogo com os animadores locais, procurando com eles reflectir a sua experiência de criação de círculos de cultura.
• As obras da reaprendizagem do Brasil PAG 156/7. (regressa do exílio) – Em Educação na Cidade (Brasil – 1991) compila diversas entrevistas que
registam a experiência como secretário municipal de educação de S. Paulo. Nele observa-se o modelo político e educativo adoptado: dar voz aos agentes
educativos que normalmente a não têm; reforma curricular; qualidade de vida nas escolas; associações educativas. Na Pedagogia da Esperança: um reencontro
com a Pedagogia do Oprimido (Brasil - 1993). Procura reflectir sobre a realidade latino -americana nos 25 anos que mediaram as duas obras, retratando diversas
lutas sociais que entretanto se travaram. Em À Sombra desta Mangueira (Brasil - 1995). Prossegue a reflexão da obra anterior, procurando desmistificar as teses
do neoliberalismo dos anos noventa. O papel do educador, concebe como inventor social e politico, sintetiza num livro a Pedagogia da Autonomia (Brasil - 1996).
2.3- O método Paulo Freire PAG 158 e 159
Descrever os principais procedimentos do método Paulo Freire: 1− Levantamento do universo vocabular dos futuros educandos; 2− Selecção de
palavras geradoras; 3− Criação de temas geradores, a partir das duas etapas anteriores; 4− Concepção de materiais educativos (fichas-roteiros com os temas e
palavras geradores, decompostos em famílias fonéticas; materiais icónicos). 5− Desenvolvimento do trabalho de alfabetização (apresentação de um desafio ao
grupo, sob a forma de situação codificada; animação do grupo com o objectivo de descodificar a situação e de fazer emergir as palavras geradoras; trabalho com o
grupo sobre as palavras geradoras, descobrindo as respectivas famílias e encontrando novas palavras e frases através da sua combinação) 6− O trabalho avança e
o grupo conquista auto-estima, e descobre que é possível ser-se sujeito da sua própria história; o educando toma consciência da sua condição de cidadão.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 11
3- Empowerment e advocacy, dois conceitos integrados PAG 159 e 160
Processo de reconhecimento, criação e utilização de recursos, que se traduz num acréscimo de poder a todos os níveis que permite aos sujeitos
aumentar a eficácia do exercício da sua cidadania.
3.1- Raízes do empowerment PAG 160
O objectivo do empowerment é possibilitar ao sistema-cliente dotar-se de um acréscimo de poder, que se traduz na capacidade de: • Influenciar o
pensamento e o comportamento dos outros; | • Ter acesso a recursos e processos disponíveis e capacidade para influenciar a sua distrituição; | • Tomar decisões
e fazer escolhas próprias e ter capacidade de as pôr em prática; | • Vigiar e resistir, se necessário, ao poder dos outros.
O empowerment tem as suas raízes em seis movimentos sociais: PAG 161
➭ Movimentos de luta pelos direitos cívicos | ➭ Movimentos anti-coloniais | ➭ Correntes da nova esquerda | ➭ Movimentos de auto-ajuda
➭ Correntes de renovação religiosa | ➭ Novas correntes de intervenção social
3.2- A advocacy PAG 161
Acção do sistema-interventor em defesa ou em representação do sistema-cliente.
3.3- Metodologia do empowerment e da advocacy PAG 162
• Estabelecer um relacionamento de parceria com o cliente, encarando-o como alguém com direitos e deveres, potencialidades e carências; | • Dar ênfase à
expansão das capacidades, potencialidades e recursos do cliente e do seu meio envolvente; | • Contextualizar o cliente e a sua situação (meio); | • Direccionar
a prática para populações historicamente marginalizadas e oprimidas; | • Não apressar o ritmo. Ser perseverante; | • Definir programas e intervenções com
base nas necessidades identificadas.

4- A não violência activa, uma estratégia de intervenção social


4.1- Aspectos conceptuais PAG 163 e 164
Violência- Fenómeno social pelo qual pessoas e bens são parcial ou totalmente afectados na sua integridade funcional pela força, situação essa
considerada condenável à luz dos direitos humanos.
Não Violência Activa- É desencadeada por uma reacção a uma situação considerada injusta, tendo como pressupostos um projecto de sociedade
e de um homem novo, bem como uma metodologia própria, o que lhe confere um cariz fortemente dinâmico e antecipativo.
4.2- Fundamentos filosóficos da NVA PAG 165
• Reflexão ética assente na ideia de que o homem é um fenómeno que não se repete; | • Coerência entre a reflexão ética e a prática política;
• Coerência entre meios e fins (segundo Gandhi são como as sementes e as plantas)
A estratégia de NVA pode acarretar, no entanto, três tipos de problemas éticos:
1- o facto de a NVA ser um tipo de violência moral: uma vez que pressiona de algum modo os adversários no sentido desejável; | 2- os prejuízos
causados aos adversários: ao fazer valer os seus direitos, um movimento de NVA pode prejudicar não só o adversário, como terceiros, inocentes;
| 3- o risco de desencadeamento de violência: pelo eventual descontrole de uma situação causada por uma acção não violenta.
4.3- Fundamentos sócio-políticos da NVA PAG 167
A estratégia da Não-Violência Activa tem objectivos básicos semelhantes aos de qualquer sistema político: promover a coesão social e a
orientação para os projectos colectivos. A coesão social deve estar associada à coerência entre legalidade e legitimidade, sem a qual não pode
haver paz social. Em termos orientação colectiva, a NVA propõe:
• Programa construtivo: qualquer acção de NVA não pode ficar-se pela mera denúncia da injustiça, mas deve conter elementos que preconizem
alternativas viáveis. | • Organização: no sentido de manter a coerência entre meios e fins a organização deve cuidar os seguintes aspectos:
direcção coesa e centralizada, formação de quadros, repartição de papéis.
Conclui-se que em termos sócio-políticos, a NVA procura alterar os processos de comando social a partir duma visão personalista da
intervenção social. Apela ao exercício do poder por parte de cada cidadão, tornando-se sujeito da sua história e protagonista solidário de uma
história colectiva em construção.
4.4 Metodologia da NVA (não violência activa)PAG 168
➭ 1º passo: Análise da Situação pretende-se atingir 2 objectivo: PAG 169
• Conhecer as características da injustiça (a verdade acima de tudo –princípio enunciado por Gandhi e seguido pelos doutrinadores da NVA.
Defende a busca da verdade, pelo método da não -violência, devendo aceitar o sofrimento que daí decorrer)
• Avaliar a relação de forças em presença (fazer um retrato rigoroso da situação, confrontá-lo com a matriz ética defendida, localizar a injustiça
a denunciar e combater, identificar potenciais aliados, identificar redes de poder de decisão, identificar a ideologia do poder, identificar o quadro
jurídico que dá cobertura à situação de injustiça.
➭ 2º passo: Escolha do Objectivo
• Deve ser exequível, isto é, possível de alcançar. | • Deve ser preciso e limitado no tempo e no espaço. | • Deve ter consideração a futura
reconciliação com o adversário.
➭ 3º Passo: Primeiras Negociações
• Visam abrir canais de comunicação entre as partes litigantes. | • Visam reduzir os filtros comunicacionais. | • Servem para expressar aos
representantes do adversário as conclusões da análise da situação e os objectivos do movimento. | • Servem para dar testemunho da
metodologia não-violenta. | • Servem para apresentar uma imagem de determinação.
➭ 4º passo: Apelo à Opinião Pública (caso não resultem as primeiras negociações) PAG 170
• Alargar o conflito à praça pública
• Tomar a iniciativa de controlar a informação que passa para a opinião pública verificando previamente o seu rigor e veracidade.
➭ 5º passo: Envio de Ultimatos e Acções Directas PAG 171
• O ultimato é a união entre as tentativas de acordo negociado e a prova de força da acção directa.
• As acções directas de não cooperação têm por objectivo retirar o apoio ao adversário, usando o poder de não cooperar com ele.
• Acções directas de intervenção visam a confrontação directa com o adversário, não desistindo enquanto não forem reconhecidos os direitos
reivindicados.
➭ 6º passo: Acções Directas de intervenção directa. Devolução de Títulos e condecorações Greve Boicote Recusa colectiva ao imposto
Objecção de Consciência Sit-in e Die-in Obstrução usurpação Civil Governo Paralelo Parcial Geral de fome limitada
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 12
7- Metodologia da intervenção comunitária
1- Uma bússola para a intervenção comunitária a abordagem sistémica PAG 181
Multiplicidade de pontos de vista sobre a mesma realidade.
1.1- O macroscópio (macro, grande e skopein, observar) PAG 181/2
Necessidade de uma visão global para discernir o domínio infinitamente complexo. Instrumento para conhecimento cientifico do universo.
1.2- O nevoeiro informacional PAG 182
Complexidade da realidade social, para a exprimir Edgar Morin propõe o conceito de nevoeiro informacional, que impede o homem
contemporâneo de enxergar convenientemente a realidade que o rodeia. Para ele o nevoeiro… Integra três componentes que funcionam como
filtros entre o observador e a realidade:
A Sobre-Informação: Traduz-se no excesso de informação inútil em que o interventor é imerso. Tal excesso de informação irá dificultar-lhe a
análise do real, indispensável para poder desenvolver a acção adequada. A Sub-Informação : Decorre dos insuficientes dados sobre o que nos
envolve. A Pseudo-Informação : Conjunto de informações deliberada ou involuntariamente deformadas sobre a realidade social.
1.3- A questão da informação no trabalho comunitário PAG 183
1.4- O que é a abordagem sistémica?
A abordagem sistémica parte da constatação de que o Universo é constituído, não por unidades singulares, mas por sistemas ou conjuntos de
elementos que interagem entre si. Cada sistema está contido num macrossistema e contém diversos subsistemas.
Dentro da fronteira de cada sistema distinguem-se os seguintes conjuntos: PAG 184
Subsistemas que o compõem; | Relações entre os diversos subsistemas; | Inputs , elementos que entram no sistema, provenientes do
sistema contextual (macrossistema) | Outputs , ou elementos que saem do sistema para o macrossistema.
1.5- Aplicação da abordagem sistémica ao trabalho comunitário PAG 184
A abordagem sistémica constitui uma ferramenta de grande utilidade para descrever os aspectos mais relevantes de uma da realidade,
seleccionando a informação mais relevante e eliminando os elementos de sobre-informação. Partindo de uma comunidade como se fosse um
sistema, podemos fazer 3 interrogações básicas que nos podem servir de guia para formular o diagnóstico, que posteriormente servirá de
fundamento do programa de actuação: PAG 185 1- Questionar quanto ao ambiente externo (macrossistema) – conhecer o meio exterior, seus
aspectos e características, que condicionam a vida da comunidade, no sentido do seu desenvolvimento ou do seu atraso. Questionar quanto ao
ambiente interno – como responde aos inputs do macrossistema, ao modo como está organizado, padrões de comunicação, principais valores e
comportamentos. Questionar quanto aos outputs da comunidade face ao macrossistema, o que é que os habitantes produzem para a comunidade
e para o exterior, que expectativas têm sobre o futuro individual e colectivo. 2- Depois da 1ª. Aproximação ou primeira análise, agora importa
distinguir o que realmente é importante em termos de oportunidades ou ameaças no ambiente externo, ou seja os inputs relevantes. Tais inputs
podem ser agrupados sob a forma de exigências que o ambiente externo faz à comunidade (solicitações de produção, procura de mão de obra) e
de recursos (investimentos, quadros técnicos, equipamentos). 3- Finalmente na 3ª. Aproximação, importa saber com que rapidez e com que
qualidade responde a comunidade às exigências referidas.
Variáveis relevantes na abordagem sistémica de uma comunidade: ambiente, comunidade, produtos PAG 184
- Ambiente externo da comunidade: -> Ameaças, Oportunidades - - Ambiente interno da comunidade: -> Circuitos, estrutura formal e
informal, rede comunicacional, cultura - Produtos da comunidade: -> Imagens de futuro, bens, serviços

2- Passos para a intervenção em comunidades PAG 187


2.1- Aspectos gerais - Enunciar as diversas fases do trabalho comunitário: Estudo e diagnóstico | Planeamento | Execução do plano | Avaliação final
2.3- Estudo e diagnóstico PAG 189
2.3.1- Vertentes do estudo e do diagnóstico preliminar -fase de estudo preliminar em 5 procedimentos: PAG 189 a 193
1. Lançar Pontes: Estabelecer contactos e canais que possibilitem a comunicação, uma vez que esta é crucial na intervenção social. Lançar
pontes entre sistema-cliente e sistema-interventor, entre segmentos da comunidade, entre comunidade e ambiente. 2. Proceder a uma
caracterização preliminar da comunidade: Fazer um primeiro retrato da comunidade e dos factores que poderão ter influência na acção e que
possam constituir obstáculos ou estímulos à mudança, sem esquecer que um mesmo factor pode resvestir –se dos dois aspectos. Nesta
primeira caracterização deve ter -se em conta a dimensão geográfica, dimensão económica, dimensão sociológica, dimensão ideológica. 3.
Fazer o levantamento de experiências anteriores: Para esse levantamento deve o interventor socorrer-se de documentação existente, que
permita a caracterização da comunidade em causa (estatísticas, legislação, relatórios, informação difundida na comunicação social,
documentos pessoais, etc.), tendo sempre o cuidado de confrontar os dados recolhidos com as suas próprias observações directas, uma vez
que os primeiros podem constituir fontes de nevoeiro informacional. 4. Identificar necessidades: A identificação das necessidades deve ser
feita em conjunto com elementos da população. Deve estabelecer-se uma hierarquia de necessidades, que ajude a estabelecer prioridades de
actuação. 5. Identificar recursos: O acto de identificar recursos exige inteligência e criatividade. Tal como as necessidades eles podem ser
visíveis ou ocultos, de natureza material ou imaterial. Depois de identificados devem ser hierarquizados, em colaboração com o sistema-
cliente. Cada vez mais se valorizam os recursos humanos, dada a sua capacidade de gerar novos recursos. Sem descurar os recursos materiais,
o interventor deve dar especial atenção aos recursos humanos.
O Diagnóstico- Após os procedimentos anteriores faz o diagnostico preliminar. PAG 194
Técnicas de recolha de dados mais usadas em trabalho comunitário: Técnica de Observação é conveniente não esquecer 2
aspectos, a escolha do observatório e o envolvimento do observador. O interventor social deve fazer observações múltiplas em diversos
momentos e locais. Quanto mais se envolve com a comunidade mais acede a informações, no entanto arrisca-se a perder objectividade e a
perder a visão de conjunto, dado o seu envolvimento. Técnica de Entrevista Deverá ser usada para recolher informação junto de
informadores qualificados, sendo recomendável assumir um formato não demasiado estruturado, a fim de não se perder informação
importante. Inquérito Deve ser o mais abrangente possível, em termos de amostra, por forma a permitir identificar as principais
necessidades e caracterizar a comunidade, bem como o ambiente que a envolve. Pesquisa Documental As fontes devem ser diversificadas,
de modo a permitir a confrontação da informação. Não esquecer a importância da análise crítica da informação recolhida.
2.3.2- Investigação geral: variáveis relevantes – Organizar informação pa conhecer a comunidade e dessa forma a ajudar a desenvolver.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 13

2.4- Planeamento e programação em desenvolvimento Comunitário


O que é planear? PAG 196
O planeamento comunitário é um processo dedutivo que parte da definição de grandes orientações decorrentes do querer comum – a que se dá o
nome de estratégias, politicas, etc. – para a definição de metas claramente avaliáveis e de meios a afectar para as alcançar.
Procedimentos obrigatórios nos actos de planear e organizar:
1- As estratégias e objectivos devem ser clara e rigorosamente formulados, 2- resultados numa hierarquia clara por forma a identificar os
prioritários. 3- O planeamento deve contemplar procedimentos de avaliação, que servem para monitorizar a execução. 4- Para cada objectivo
deve ser feita uma previsão de recursos a afectar…
2.5 Execução e administração de programas em desenvolvimento comunitário
O que é administrar? Integra as seguintes acções: PAG 197
Planeamento – definição de rumos
Organização – identificação, hierarquização e articulação de meios
Controle – comparação de resultados obtidos com os previstos e introdução de medidas de correcção
Comunicação – concepção de um sistema de comunicações que funcione em pleno
Motivação – capacidade de convencer os protagonistas do valor do projecto e de manter a coesão possível para os conduzir aos objectivos
definidos.
2.6- Motivação e liderança em intervenção comunitária: aproximações teóricas PAG 198
Teoria da pirâmide de necessidades de Maslow. Segundo ele existem 5 tipos de necessidades humanas com esta ordem de prioridades:
A - Necessidades Fisiológicas; (mal nutrição…)
B – Necessidades de Segurança; (insegurança nas ruas…)
C – Necessidades de Pertença;
D – Necessidades de Estima; (baixa auto-estima…)
E – Necessidades de auto-realização. (analfabetismo elevado…)
Teoria da realização pessoal de McClelland PAG 199
Para estarem motivadas para uma determinada acção, as pessoas têm que se sentir realizadas. Nesse sentido, os líderes em particular, necessitam
tomar parte na formulação dos objectivos, na escolha objectivos difíceis que funcionem como desafios; ser recompensados de forma a ser-lhes
aumentada a satisfação pessoal. Sem motivação, gera-se desinteresse pela acção.
Teoria de Homans
Segundo este autor certas tarefas exigem um nível mínimo de comunicabilidade para ser eficazes. O interventor deve identificar, controlar,
melhorar e manter a rede de comunicações e promover programas de formação que desenvolvam as competências de comunicar e cooperar.
Teoria do processo de maturação de Argyris PAG 200
O interventor comunitário deverá promover uma estratégia sócio-educativa para ajudar a comunidade a ter comportamentos considerados
maduros e responsáveis, fazendo-a passar do modelo comportamental A para o B, de acordo com o seguinte quadro:
Variáveis A – Modelo Imaturo B – Modelo Maduro
Atitude Global Passiva Activa
Atitude perante os outros Dependente Independente
Comportamentos Padronizados Adequados
Interesses Superficiais Profundos
Atitude face ao tempo Curto Prazo Médio Prazo
Consciência de si Estereotipada Objectivada
Teoria da análise transaccional de ‘de Bern’ e Harris e teorias X e Y de McGregor PAG 200 e 2001
Segundo estes autores as transacções comunicacionais entre os seres humanos efectuam-se de acordo com três modelos de relacionamento:
Pai Criança; Criança Pai; Adulto ou Adulto Adulto e assentes em atitudes de desconfiança ou de confiança básica. O interventor
comunitário deverá desenvolver estratégias de relacionamento que privilegiem uma relação e desenvolver um clima de confiança básica.
Teoria de Argyris sobre estilos de supervisão
De acordo com este autor os estilos de supervisão contemplam quatro tipos de variantes:
Pressupostos básicos do interventor A - controlador directivo B - liberal, participativo, facilitador
face ao cliente (Mc Gregor)
X - Desconfiança XA XB
Y- Confiança YA YB
Teoria da liderança de Blake e Mouton PAG 202
O estilo de liderança pode exercer-se de acordo com o valor que os actores sociais atribuem às tarefas a realizar ou às relações sociais a
desenvolver. O resultado é expresso em quatro tipos de comportamento, dos quais três deles podem assumir papéis de liderança (A, C e D)
Tipo A – Alta prioridade à relação, Baixa prioridade à tarefa Tipo C – Alta prioridade à relação, alta prioridade à tarefa

Tipo B – Baixa prioridade à relação, Baixa prioridade à tarefa Tipo D – Baixa prioridade à relação, Alta prioridade à tarefa

Estes autores dizem que o interventor comunitário deverá desenvolver estratégias de relacionamento com a comunidade de modo a:
Seleccionar líderes,
Formar líderes,
Aproveitar os três tipos de líderes existentes
Propor a distribuição de tarefas de acordo com as suas características de liderança.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 14

2.7- Avaliação de Programas PAG 203


A avaliação deve ser utilizada ao longo da intervenção e não só no seu final. Ela é uma ferramenta que serve para monitorar a execução do
plano, ao longo das várias etapas do processo.
No entanto, sempre que um projecto termina deve ser realizado um balanço geral sobre a acção desenvolvida. A chamada avaliação final,
deve responder a quatro questões:
Qual foi a eficácia absoluta do projecto? (será que os resultados obtidos estão de acordo com os objectivos planeados?)
Qual foi a eficácia relativa do projecto? (como comparar a eficácia deste projecto com a de outros projectos análogos realizados noutras
alturas e noutros lugares?)
Qual foi a eficiência absoluta do projecto? (qual a relação entre os resultados obtidos e os recursos que foram afectados para os atingir –
relação entre custos e benefícios)
Qual foi a eficiência relativa do projecto? (como comparar a eficiência deste projecto com a de outros projectos análogos realizados noutras
alturas e noutros lugares?)

8- Campos específicos do desenvolvimento comunitário


1- Desenvolvimento Comunitário e educação PAG 209
1.1- A mudança na educação – formação inicial perde peso relativo e alarga a formação continua.
1.2 – Relação da escola com a comunidade: um exemplo PAG 210
Qualquer intervenção sobre este tipo de problemas deve ser precedida de um estudo cuidado, feito o mais precocemente possível, de modo a
poderem ser implementadas medidas de prevenção adequadas.
O absentismo pode ser limitado a certos dias da semana, a certas disciplinas ou certos tempos escolares. Pode ainda apresentar-se sob a
forma de ausências prolongadas, resultantes de doença, de acidente ou de dificuldades de acesso à escola, ou ainda como reacção a situações de
insucesso.
O insucesso pode ser limitado a alguns períodos escolares, a uma deficiente interacção com determinados professores ou a certas disciplinas.
Pode ainda ser generalizado, criando condições para a ocorrência de reprovações.
O abandono escolar pode dever-se a razões extra-escolares, como à necessidade de desempenhar precocemente papéis de adulto, ou ser
consequência de situações ligadas à escola (insucessos académicos, problemas de natureza disciplinar).
No estudo deste tipo de situações deve ter-se em conta que cada caso é um caso que exige respostas personalizadas, ainda que se possam
estabelecer medidas preventivas que criem um ambiente dissuasor da sua ocorrência.
A intervenção deve visar o desenvolvimento pessoal e social e a criação de uma rede social que apoie este processo.
1.3- Comentário PAG 212
Em qualquer das três situações, a comunidade exterior à escola desempenha um papel activo, quer como parte do problema quer como
instrumento para a sua solução. As áreas chave da actuação do interventor são:
Prevenção Primária de problemas que possam afectar a igualdade de oportunidades dos estudantes, tanto no que respeita ao acesso ao
ensino como no que concerne ao seu sucesso académico;
Despiste e diagnóstico precoce desses problemas:
Intervenção precoce para reduzir os seus efeitos.
No caso do trabalho comunitário com instituições de ensino pré-escolar ou ensino básico deve ser procurada uma forte ligação à família e à
comunidade de residência, numa estratégia integrada de socialização.
A intervenção em escolas de ensino secundário e superior deve ser conduzida em duas vertentes: de modo a que as instituições se assumam
como instrumentos de socialização da população discente; e no sentido de se poderem vir a instituir como instituições socialmente activas nas
comunidades onde estão inseridas.
1.4- A educação intercultural e a intervenção comunitária PAG 213 e 214
O modo de gerir a crescente diversidade social e, particular os efeitos no sistema educativo, tem variado. Em termos simplificados podemos
dizer que existem três modos principais de encarar a diversidade social que designaremos como doutrinas de assimilação cultural, da
integração cultural e do pluralismo cultural.:
- Doutrina da Assimilação Cultural: Parte de pressupostos etnocêntricos, é a perspectiva típica das doutrinas racistas. Considera haver uma
cultura de referência, à qual todas as outras inferiores se devem aproximar.
- Doutrina da Integração Cultural: Defende que, no mesmo espaço, todas as culturas devem misturar-se e transformar-se numa que delas
resulte. Considera a diversidade cultural como um mal a eliminar, e assim propõe a junção de todas as culturas numa só.
- Doutrina do Pluralismo Cultural: Contrário ás anteriores considera a diversidade como um valor a preservar, sob um conjunto de padrões de
convivência comuns.
A corrente da educação intercultural baseia -se nesta última doutrina, assumindo que a crescente diversidade étnica, linguística, de género, de
estatuto social e de capacidade de aprendizagem, deve ser considerada como recurso educativo, apesar de constituir um problema.
O ponto de partida para atingir os objectivos da educação intercultural é criar programas de formação de formadores em educação intercultural,
que por sua vez aplicarão os seus conhecimentos o que terá um efeito multiplicador junto da população.
Um grupo estratégico: os formadores
Os formadores podem ter efeitos benéficos na população. Naturalmente que para se desenvolver tais estratégias o formador tem que estar
disponível, ele próprio para se assumir como aprendente,
- assumindo a sua condição de migrante no Tempo em processo de constante adaptação à mudança e aos seus desafios e
- aprendendo a coabitar com a diversidade nas suas variadas vertentes (geracional, linguística, tecnológica, económica, social, religiosa, cultural)

PAG 215
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 15
Tipos de Formadores Exemplos Efeitos Previsíveis

Formadores de Educadores de Infância Redução de comportamentos racistas e xenófobos por parte dos
Crianças Enfermeiros educadores das crianças e, indirectamente das suas famílias.
Professores Interiorização de atitudes de respeito pela diferença.
Produtores/realizadores de rádio e televisão Criação de hábitos de cooperação entre culturas.
educativa Redução do absentismo e do abandono escolar.
Aumento do sucesso escolar.
Formadores de Jovens Professores Redução do absentismo escolar
Líderes juvenis Aumento sucesso do ensino/formação
Líderes comunitários Redução do abandono escolar
Profissionais Int. So cial Prevenção de problemas sociais de comportamento desviado
Profissionais Com. Social
Formadores de Os mesmos referidos para os jovens Os mesmos resultados que para jovens
Adultos Gestores rec. Humanos Emergência de mais grupos de cidadãos activos e competentes no seio das
comunidades.
Melhoramento da produtividade
Formadores de Idosos Profissionais de Intervenção Social Melhoramento da qualidade de vida dos idosos
Alteração da imagem social do idoso de problema para recurso.

Com efeito os ‘professores’ a formar são muitos, encontram-se geograficamente dispersos, possuem diferentes qualificações, desempenham
papéis muito diversos, apresentam em regra disponibilidade de tempo muito reduzida e pertencem, por vezes, a comunidades linguísticas
diversas, o que dificulta o processo de comunicação educacional.
É neste quadro de dificuldades que as estratégias de desenvolvimento comunitário se tornam indispensáveis, tirando partido dos recursos
locais e criando sinergias (elos de colaboração conjunta) com meios externos às comunidades.

2- Desenvolvimento Comunitário e saúde. PAG 216 - 217


No domínio da protecção da saúde das populações podem identificar-se 3 campos em que as técnicas de intervenção comunitária tem sido usadas
com êxito:
1- no apoio a cidadãos fragilizados por condições de saúde particulares (idosos, doentes crónicos…)
2- em programas de cuidados primários de saúde
3- em instituições de cuidados diferenciados de saúde
2.1- Apoio a cidadãos fragilizados por condições de saúde particulares
Em termos gerais e salvaguardando as especificidades de cada grupo, o tipo de apoio requerido pode agrupar-se em duas vertentes:
Ajuda logística – pretende criar condições materiais que proporcionem uma melhor autonomia ao sistema-cliente em situação de risco.
(apoio medicamentoso a doentes crónicos, programas de troca de seringas para toxicodependentes, apoio domiciliário para idosos e doentes,
instalação de sistemas de telecomunicações para isolados e a adaptação do espaço doméstico a certos tipos de deficiências).
Apoio psico-social – visa reduzir o sofrimento solitário, criando uma rede social de apoio que contribua para melhorar a sua qualidade de vida.
(centros de dia para idosos e deficientes, visitas domiciliárias a doentes crónicos, programas de apoio para grupos de doentes mentais,
alcoólicos, toxicodependentes, seropositivos, portadores de Sida e doentes terminais.
2.2- Em Centros de Saúde
Os Centros de Saúde estão particularmente vocacionados para a prestação de cuidados de saúde primários e podem melhorar substancialmente
os seus serviços, recorrendo às técnicas de intervenção comunitária (campanhas de vacinação em massa, programas de apoio a grávidas em geral
e a certos grupos de risco – mães demasiado novas ou demasiado velhas acções de educação para a saúde e programas de prevenção de
epidemias).
2.3- Acção a partir de instituições de cuidados diferenciados de saúde.
Os hospitais são as instituições que prestam cuidados diferenciados de saúde. A intervenção comunitária tem um papel importante a
desempenhar, servindo de interface entre o cidadão e a comunidade hospitalar e entre o hospital e a comunidade envolvente. Neste sentido
devem ser desenvolvidas acções que permitam ao doente sentir-se tratado como pessoa, sem perda dos seus direitos de cidadania, durante a sua
estadia no hospital; contar com a ajuda logística e apoio psico-social após ter alta.

3- Desenvolvimento Comunitário e exclusão social. PAG 219


3.1- Crianças e jovens em situação de exclusão social
A UNICEF considera sete grupos de alto risco:
1-crianças em estratégia de sobrevivência | 2- crianças maltratadas e abandonadas | 3 - crianças institucionalizadas | 4- crianças em conflito
armado | 5- crianças em desastres naturais e ecológicos | 6- crianças com necessidades específicas | 7 - crianças de rua
São crianças obrigadas a trabalhar; são crianças a viver nas ruas das grandes cidades, por terem fugido de casa, por terem sido abandonadas ou
por terem ficado órfãs. A maioria destas crianças é privada de cuidados de saúde e educação e quase todas enfrentam a difícil escolha entre
resistir ou aderir à violência, ao crime, à prostituição e ao uso de drogas.
A resposta a este tipo de situações tem de ser de natureza comunitária, envolvendo um trabalho:
com a própria criança, ajudando-a a construir um projecto de vida que pode passar pela sua reintegração na família, na escola e/ou num
posto de trabalho;
com a família (quando existe);
com a rede de instituições públicas e privadas de protecção social;
com a comunidade de residência (de onde fugiram);
com a comunidade de fuga (para onde foram residir).
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 16

3.2- Adultos em situação de exclusão social. PAG 220


São muitos os grupos de adultos em situação de exclusão social. As mais graves são as famílias em situação de pobreza absoluta, os imigrantes e
minorias étnicas excluídas, os sem abrigo, os desempregados e os reclusos ou ex -reclusos.
A questão da pobreza requer medidas de alta complexidade que envolvem toda a comunidade, no sentido de combater os seus efeitos imediatos
(medidas que garantam níveis de alimentação, saúde, habitação, emprego e rendimento mínimo, que permitam evitar o agravamento da situação
social do sistema-cliente), mas também evitar a sua reprodução (programas
de educação geral e para a cidadania, orientação e formação profissional).
Os imigrantes e minorias étnicas são grupos particularmente vulneráveis a todo o género de exploração. A intervenção comunitária passa pelo
desenvolvimento de programas de educação intercultural, e passa ainda pela necessidade de integrar nesses programas, estratégias claras de
prevenção do racismo e xenofobia.
O trabalho com os sem abrigo ou desalojados deve passar pela conjugação de intervenções personalizadas de natureza psicossocial, com acções
de (re)construção da rede social de apoio.
O desemprego é um dos principais factores de exclusão social, actualmente. Além das medidas de carácter político que devem ser
implementadas, a intervenção comunitária é extremamente importante no apoio à criação de ILE’s (iniciativas locais de emprego), Clubes de
Emprego, procurando conjugar acções de empowerment (incentivo) do sistema-cliente com a adovcacy (protecção) do sistema interventor.
O grupo dos reclusos e ex-reclusos é extremamente marcado pela exclusão social, quer no que respeita ao emprego, quer ao restabelec imento
de laços de vizinhança. Estes casos exigem apoio personalizado para a sua reinserção na comunidade.
3.3- Idosos em situação de exclusão social. PAG 221
O trabalho comunitário com idosos deve visar:
Tipos de Idade de referencia Características Objectivos do trab. comunitário Tipos de formação para
idosos populações idosas
Novos Dos 55-60 - Autónomos - a sua adaptação à situação de - Formação de 2ª
idosos Aos 75-80 - Devido a campanhas anti- reforma, sobretudo ajudando a oportunidade
anos tabágica, pela alimentação descobrir que o tempo livre pode ser - Formação para o
racional pelo fomento de utilizado para seu proveito, desempenho de papeis
exercício físico, regista-se desenvolvimento pessoal e para o sociais sociais
melhoria da saúde. desempenho de papéis socialmente compatíveis com a sua
úteis (compatíveis com a sua idade e idade e experiência.
experiência).
- Ajudar a reorganizar o dia-a -dia.
- Ajudar a definir novas metas de
vida.
Velhos Acima dos - cada vez são mais dependentes - garantir apoio psicossocial
idosos 75-80 anos - carecem de saúde física e mental - e apoio logístico
O objectivo do trabalho comunitário nesta área é levar a sociedade a entender o idoso como um cidadão de corpo inteiro, com potencialidades e
limitações como qualquer outro cidadão.

4- Desenvolvimento Comunitário e acção macrossocial. PAG 223


4.1- Planeamento e organização comunitárias
A intervenção comunitária, nesta área, visa a articulação entre os protagonistas do processo uma vez que se trata de sistemas colectivos. É
fundamental que para além dos aspectos técnicos adequados a cada situação, a própria comunidade seja entendida como um sistema cliente, que
merece cuidados especiais para que se atinjam os objectivos desejados, ou de serem conseguidos através de custos demasiado elevados.
4.2- Programas de defesa dos Direitos Humanos
Os programas de direitos humanos requerem cuidados especiais da parte do sistema-interventor. Requerem uma maturidade emocional por parte
dos interventores, dado o seu envolvimento directo na defesa do sistema-cliente (advocacy) obrigando-o, no entanto a um distanciamento, dada
a sua condição técnica.
Muitas vezes o sistema cliente não é organização estruturada, mas um movimento social. A estratégia da não -violência activa (NVA) parece ser
nestes casos uma escolha recomendável.
4.3- Organização comunitária em situações de ameaça à protecção civil. PAG 224
Também aqui é exigida grande maturidade ao interventor comunitário, uma vez que vai ter que lidar e dar resposta a situações delicadas como a
ocorrência de cheias, terramotos, epidemias, conflitos armados, etc.
É exigido ao interventor que actue com a máxima eficácia e eficiência, num curto espaço de tempo, devendo:
Caracterizar a situação-problema, distinguindo os problemas que requerem acção imediata, daqueles que sendo importantes, podem passar
para segundo plano.
Desenhar um plano de intervenção, com resultados a atingir de imediato, a curto e a médio prazo.
Identificar, mobilizar e organizar recursos necessários à intervenção.
4.4- Trabalho comunitário em programas internacionais. PAG 226
A acção social internacional exige uma grande capacidade de organização,
dado o apoio político, militar e logístico que implica. Neste tipo de projectos é indispensável ao sucesso das operações em curso, a existência de
um bom sistema de comunicações. Exemplos de acções de trabalho comunitário internacional são as desenvolvidas pelas Nações Unidas, Cruz
Vermelha Internacional, Médicos sem Fronteiras, etc ., com auxílio humanitário, interposição entre beligerantes, programas de desenvolvimento
social. Este tipo de acções exigem grande especialização técnica e fortes conhecimentos da língua e da cultura dos sistemas-clientes.
2571- Desenvolvimento Comunitário …………………………………………….. Filomena Tavares- 2006 - pag 17

5- Rumos promissores para o século XXI

5.1- Desenvolvimento Comunitário e educação para uma democracia renovada. PAG 227
Neste campo é imperiosa uma acção permanente e organizada de educação dos cidadãos para o exercício dos seus direitos democráticos.
Variáveis em jogo na educação da democracia
As ideias-chave que devem estar presentes em qualquer programa de educação para a democracia, sintetizam-se no esquema da pág. 228
Papel do Desenvolvimento comunitário PAG 229
As técnicas de desenvolvimento comunitário adequam-se na perfeição a programas de educação para a democracia, nas suas duas vertentes:
- Democracia como meta a alcançar - Uma vez que o desenvolvimento comunitário é entendido como um processo tendente a criar
condições de progresso económico e social para toda a comunidade, com a participação activa da população e a partir da sua iniciativa. O
desenvolvimento das sociedades baseia-se numa concepção democrática.
- Democracia como método de aperfeiçoamento do funcionamento social - A prática do desenvolvimento comunitário leva os cidadãos a
comunicar melhor, a preparar, tomar e executar decisões que lhe dizem respeito de forma mais responsável e participada. Prepara as
sociedades para actos políticos típicos das democracias representativas como escolher, respeitar e substituir representantes.

5.2- Desenvolvimento Comunitário e educação aberta e à distância. PAG 230


A análise dos resultados dos sistemas de ensino aberto e à distância em termos de eficácia e eficiência, traduz-se num saldo positivo, com
particular destaque para o efeito multiplicador de oportunidades a custos mais baixos que os do ensino presencial, contribuindo para a
aceleração do desenvolvimento socioeconómico dos países onde estão implantados.
Na formação de quadros locais para o desenvolvimento o ensino à distância tem integrado três tipos de estratégias educativas:
- O EAD e a educação para a resolução de problemas básicos
Em países com problemas estruturais de subdesenvolvimento, o ensino à distância tem assumido o papel de instrumento da política educativa
para a resolução de problemas básicos da população. A formação intensiva de técnicos de desenvolvimento comunitário é uma preocupação
constante. Depois de formados os técnicos estão aptos a dar apoio às populações, desenvolvendo programas diversos nas áreas da educação
para a saúde, gestão de recursos, educação paramédica, entre outros.
- O EAD e o reforço à educação formal
Esta função tem sido a preocupação dominante dos sistemas de ensino à distância de países de desenvolvimento intermédio. Aqui impera a
preocupação com a formação de quadros para o desenvolvimento, nomeadamente no respeitante à formação de recursos humanos, no sentido
de uma progressiva modernização.
- O EAD e o desenvolvimento da educação contínua
Nos países mais industrializados o ensino à distância tem tido uma importante contribuição através de acções de formação contínua que
permitem a actualização e especialização de grupos periféricos, constituindo um poderoso factor de democratização da distribuição do
conhecimento.

PAG 232
Tal êxito tem sido legitimado pelo cuidado posto numa trilogia de estratégicas educativas:
- em primeiro lugar, pela elaboração de materiais escritos, audiovisuais e informáticos de alta qualidade cientifica e andragógica;
- em segundo lugar, pela criação de sistemas de comunicação educacional diversificados;
- finalmente, pela implementação de exigentes procedimentos de avaliação tanto dos estudantes como dos próprios sistemas ensinantes.

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