Você está na página 1de 11

REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO

CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO: CONTRIBUIÇÕES PARA A


REALIZAÇÃO DA PESQUISA CIENTÍFICA

ARTIGO ORIGINAL

LEITE, Edna Xenofonte 1

CARVALHO, Rita Oliveira de 2

FEITOSA, Raimunda Aureniza 3

SOUSA, Devanio Fernandes de 4

LEITE, Edna Xenofonte. Et al. Materialismo histórico dialético: Contribuições para


a realização da pesquisa científica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Ano 04, Ed. 11, Vol. 05, pp. 47-54. Novembro de 2019. ISSN: 2448-
0959, Link de
acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico

1
Graduada em Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri- URCA, Especialista
em Educação Infantil pela Universidade Federal do Ceará - UFC, Mestranda em
Educação pelo Mestrado Acadêmico Intercampi - MAIE/UECE.
2
Graduada em Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri - URCA, Especialista
em Educação Infantil pela Universidade Federal do Ceará - UFC, Mestre em
Educação pelo Mestrado Acadêmico Intercampi - MAIE –UECE.
3
Graduada em Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri - URCA, Especialista
em Gestão Escolar pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC.
4
Graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA.
Professor efetivo e gestor escolar da rede básica de ensino municipal da cidade de
Russas - CE. Mestre em Educação pelo Mestrado Acadêmico Intercampi - MAIE –
UECE.

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo apontar a importância do enfoque materialista


histórico-dialético e suas contribuições na utilização deste como metodologia de
pesquisa científica. Para desenvolver este estudo foi realizado um estudo
bibliográfico, a partir de autores que abordam uma perspectiva crítica da concepção
de mundo. Partimos do pressuposto de que a pesquisa pode contribuir para
compreender o modo de produção capitalista que vivenciamos atualmente, no qual as
formas de organizações dentro da pesquisa podem contribuir ou não para o
desvelamento de uma sociedade dividida em classes, e consequentemente, as
produções científicas foram produzidas dentro da lógica capitalista no qual
historicamente prevaleceu o pensamento burguês. Abordamos a concepção
materialista histórica e dialética e suas principais categorias metodológicas.
Concluímos que o enfoque materialista histórico-dialético é o método que melhor
abarca nossa concepção de mundo por explicar as pesquisa partindo de concepção
de totalidade.

Palavras-Chave: Pesquisa, método, materialismo histórico-dialético.

1. INTRODUÇÃO

Trataremos neste artigo sobre a questão do método utilizado para realização das
pesquisas científicas, muito embora a escolha da perspectiva aqui abordada,
materialista-histórico-dialética, não possa ser denominada por método, e sim, por
enfoque metodológico. Procuramos destacar a relevância deste "método" na
construção do processo de realização da fazer pesquisa na constituição da produção
científica.

Sabemos que a ciência rege o mundo hodierno, e o quanto ela é importante para
nossa vida diária. Embora não tenhamos no senso comum um pensamento voltado
aos questionamentos para a ciência, diariamente nos utilizamos dela, assim como
vivenciamos as produções científicas na qual o homem elaborou e elabora
cotidianamente. Podemos citar as inúmeras benesses que as descobertas científicas

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

nos trouxeram no campo das tecnologias, bem como as mazelas que esta mesma
tecnologia nos conduz quando usada para a destruição do próprio ser humano, por
exemplo, o uso do material bélico.

Partimos do pressuposto que o materialismo histórico-dialético aborda e toma para si


um contexto mais amplo do objeto a ser pesquisado produzindo assim uma melhor
compreensão sobre o real, uma vez que parte da abordagem da categoria da
totalidade sobre o conhecimento da realidade. Acreditamos que este "método" abarca
pressupostos e visões completas, embora não estejamos aqui, o colocando como
perfeito, e sim, destacando que ele contempla a visão de mais "completa" da pesquisa
que se pretende realizar (LUKÁCS, 2010).

Para realização deste artigo foi feito em estudo de caráter bibliográfico baseado nos
autores (MARX, 2002), FRIGOTTO (1991), (TONET, 2005) (NETTO, 2000), uma vez
que autores que tratam o enfoque materialista histórico-dialético como o núcleo central
de um caminho abrangente para obtenção da realidade dos dados captados dentro
de uma proposta de construir pesquisa com base na totalidade.

2. A CONSTRUÇÃO DA PESQUISA A PARTIR DO MATERIALISMO

HISTÓRICO DIALÉTICO

Não há como construir ciência sem "método", a pesquisa requer uma ação pensada,
sistematizada, uma série de passos a serem seguidos para se chegar ao resultado
científico. De acordo com Freitas (2007) "Todos sabemos que o método é essencial
em uma pesquisa - depois de identificado o problema. Problema e método têm uma
relação direta" (p. 45). De forma simplista a definição do dicionário Aurélio (2010),
resume em poucas linhas o conceito atribuído a método como um conjunto de regras
básicas utilizado em uma investigação científica para obter resultados verídicos.

O método científico como se apresenta hoje é resultante de inúmeras obras de


pensadores que foram tecendo teorias ao longo da história até chegar no "Discurso
do Método" de René Descartes, que acabou sendo chamado de "modelo cartesiano"
e tem por base a concepção de que tudo e todos podem ser analisados e estudados

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

separadamente, pois para compreender o todo, se faz necessário compreender as


partes. Com este método houve uma grande evolução científica a partir de Descartes,
porém mais tarde, pesaria as consequências desse reducionismo, uma vez que entra
em contradição com o princípio da universalidade que é próprio do homem
(DESCARTES, 1996).

Não há um manual sobre como o cientista deve caminhar na busca para obter
resultados científicos, assim, o cientista tem autonomia, sobre a perspectiva que
deseja adquirir com sua pesquisa, sendo que existem duas grandes concepções
epistemológicas, sobre o mundo, no qual o pesquisador tem como base: a concepção
metafísica e a concepção materialista. São enfoques divergentes e conflitantes nas
formas de apreender a realidade do mundo. De acordo com Konder (1981)

A concepção metafísica prevaleceu, ao longo da história, porque


correspondia, nas sociedades divididas em classes, aos interesses das
classes dominantes, sempre preocupadas em organizar
duradouramente o que já está funcionando, sempre interessadas em
'amarrar' bem tanto os valores e conceitos, como as instituições
existentes, para impedir que os homens cedam à tentação de querer
mudar o regime social vigente (p. 19).

Esta concepção, trazida para o campo da pesquisa orienta os métodos de forma


linear, a - histórica, é organicista, lógica e harmônica, é neutra e objetiva. Porém
sabemos que não há uma concepção "neutra" na construção do conhecimento.
Apoiamo-nos no autor supracitado, por que melhor sintetiza nossa ideia sobre a
permanência desta concepção de mundo que prevaleceu ao longo da história, e que
prevalece até os dias de hoje (FRIGOTTO, 1991).

Já a orientação de mundo de cunho materialista histórico dialética, busca entender a


realidade do mundo a partir da totalidade. Esta concepção parte do pressuposto de
que tudo no universo tem uma existência material, concreta, e que tudo pode ser
racionalmente conhecido. "No materialismo histórico, o conhecimento se dá na e pela
práxis, a reflexão teórica tem função da ação para transformar" (Ibidem, p. 82).

O materialismo histórico-dialético criado por Karl Marx e Friedrich Engels é um


enfoque teórico, metodológico que busca compreender a realidade do mundo a partir

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

das grandes transformações da história e das sociedades humanas. É importante


colocar que o termo "materialismo" diz respeito à condição material da existência
humana, e o termo "histórico" revela a compreensão de que existência do ser humano
é condicionada historicamente, e o termo dialético, é o movimento da contradição
produzida na própria história. Karl Marx foi um crítico ferrenho do sistema capitalista
de sua época, e foi em Paris que conheceu seu companheiro Engels, onde vivenciou
a realidade dos trabalhadores da grande indústria do século XIX (MARX, 2002).

Marx postulou que o motor da história é a luta de classes, que o proletariado é a classe
desprovida de todos os direitos e de todos os bens materiais, sendo assim
protagonista da revolução que pode por fim à exploração no qual está submetida
dentro da estrutura da sociedade capitalista. Marx estuda a forma como a sociedade
está organizada, e percebeu que o foco da estrutura societal tem suas bases na
propriedade privada e na exploração mantida sobre a classe operária. Assim, tudo
nesta sociedade tem base nestes dois constituintes, inclusive a ciência produzida
ocorria para favorecer a classe burguesa.

Neste caso, podemos nos questionar, qual sentido embasar a pesquisa científica no
materialismo histórico-dialético criado pro Marx e Engels? Conforme Lukács (2010)
“[...] o ser só pode ser abordado como ser se for objetivamente determinado em todos
os sentidos. Um ser privado de determinações é apenas produto do pensamento: uma
abstração de todas as determinações [...]" (p. 171). A pesquisa não pode envolver
somente um aspecto, por isso o enfoque postulado por Marx, contempla nossa
necessidade de fazer pesquisa, uma vez que, como bem cita Lukács, o ser não pode
ser entendido sem entender o complexo que o cerca, principalmente após a década
de 1990 quando há um arrocho das políticas neoliberais, se torna essencial
compreender qualquer pesquisa a partir do enfoque materialista.

Outrossim, concordamos com Frigotto (1991), quando aponta a relevância do


materialismo histórico-dialético para produção de um conhecimento crítico no qual
tenhamos a consistência de conhecer o objeto pesquisado não apenas
superficialmente ou sobre a perspectiva da metafísica apontada por Konder (1981). A
perspectiva materialista revela um conhecimento sobre categorias como: totalidade,

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

contradição, reprodução, hegemonia que vai além de uma reflexão teórica gerando
possibilidades de uma transformação social.

Dentro do enfoque teórico materialista histórico-dialético precisamos compreender a


importância das categorias na pesquisa. A categoria contradição é o oposto a
linearidade que prevaleceu historicamente dentro da ciência. A categoria mediação
entende que o homem é o autor da intervenção do real, portanto mediador das
relações sociais. A categoria de reprodução revela que o modo de produção capitalista
para manter-se, reproduz-se na própria estrutura capitalista. A categoria de
hegemonia reproduz a concepção de que a sociedade é hegemônica, através da
ideologia de as ideias que prevalecem pertencem a todos, e que existe um consenso
de igualdade perante a sociedade. A categoria de totalidade compreende que é
necessário conhecer o todo para entender a particularidade, pois a particularidade faz
parte do conjunto.

Ao compreendermos e nos depararmos com estas categorias trazendo para a


pesquisa cientifica, entendemos que o pesquisador na investigação do objeto busca
responder a algo socialmente construído através do desvelamento do real, e para isso,
faz-se necessário estabelecer as máximas relações possíveis que caracterizam a
realidade observada, estabelecendo conexões entre os determinantes da
problemática verificada, neste caso, o fenômeno investigado passa a ser visto a partir
de uma perspectiva de totalidade.

Ainda de acordo com Frigotto apud Fazenda (2000) "Na perspectiva materialista
histórica, o método está vinculado a uma concepção de realidade, de mundo e de vida
no seu conjunto. A questão da postura, neste sentido, antecede ao método" (p.77). E
o homem, é um ser social e histórico que vive em um determinado contexto político,
cultural e econômico, sujeito de sua própria realidade. Dessa forma o enfoque
materialista contempla a concretude entendida como a historicidade do ser, e seus
determinantes econômicos, históricos, culturais.

Para Marx, só importa uma coisa: descobrir a lei do fenômeno de cuja


investigação ele se ocupa. E para ele é importante não só a lei que os
rege, à medida que eles têm forma definida e estão numa relação que

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

pode ser observada em determinado período de tempo. Para ele o mais


importante é a lei de sua modificação, de seu desenvolvimento, isto é,
transição de uma forma para outra, de uma ordem de relações para
outra. Uma vez descoberta essa lei, ele examina detalhadamente as
consequências por meio das quais ela se manifesta na vida social (...).
Por isso Marx só se preocupa com uma coisa: provar mediante
escrupulosa pesquisa cientifica a necessidade de determinados
ordenamentos de relações sociais e, tanto quanto possível, constatar de
modo irrepreensível os fatos que lhe servem de apoio (MARX, 1983 apud
FAZENDA, 2000, p. 79).

Partir do materialismo histórico-dialético de Marx exige um entendimento de que é


necessário iniciar do abstrato para o concreto, requer compreender que o fundamento
de sua teoria está pautado no modo de produção capitalista, portanto o objeto de
análise a luz da teoria marxista requer um olhar atento para a contradição presente
nos objetos a serem investigados, pois há sempre uma totalidade em volta da
problemática pesquisada, independente da área do conhecimento, e cabe ao autor
escolher o caminho a ser seguido. Sobre tal aspecto Mendes apud Matos e
Vasconcelos (2002) nos relata

Na metodologia, a parte da estrada que me interessa define em grande


medida meu caminho, ao mesmo tempo, que a escolha da questão
central do que quero pesquisar revela muito o meu ponto de partida e a
trajetória a escolher, pois como um sujeito que integra as relações
sociais a minha inquietação de pesquisa situa-se num conflito social do
qual faço parte (p. 183).

Faz-se necessário ter clareza que o embasamento na teoria de Marx, implica partir de
uma concepção de homem, de sociedade e da relação do homem com o mundo. Para
ser materialista histórica e dialética, a pesquisa deve ter como núcleo a concretude, a
totalidade e o movimento social, que é construído ao longo da história.

Concordamos com Mclaren apud Silva (1993) quando afirma que há um


"reconhecimento de que o conhecimento não á autônomo, mas imerso e produzido
em situações em que existem numerosas relações econômicas, sociais, políticas,
históricas," [...] (p. 19-20). Porém ainda vivemos na sociedade da desinformação e do
desconhecimento de que nossas concepções aprendidas desde a infância sobre o
mundo foram formuladas sob o prisma da ideologia de uma classe burguesa sobre

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

uma classe operária, e que estes conhecimentos precisam ser desconstruídos, e


reaprendidos a luz da história dos excluídos e marginalizados.

De acordo com Frigotto (1987), o pesquisador deveria compreender que a ciência


serve a uma determinada concepção científica, e que a pesquisa antes de sua
realização deveria ser analisada se de fato "Trata-se de indagar sobre o sentido
histórico, social, político e técnico de nossas pesquisas. A serviço de que e de quem
despendemos nosso tempo, nossas forças, e grande parte de nossa vida?" (p 83).
Certamente não cabe a consciência de cada pesquisador fazer tal pergunta, uma vez
que se analisar de fato a questão talvez o armamento nuclear não houvesse sido
construído, já que os pesquisadores tinham clareza sobre a possível utilização dos
produtos de suas pesquisas para um possível genocídio em massa. A cerca de tal
questão, Tonet (2005) afirma que

[...] na ótica marxiana, a questão dos pressupostos não é um problema


meramente metodológico/epistemológico, mas uma problemática que
articula questões relativas ao ser (natureza do ser social, categorias
nodais do processo social) com outras relativas ao conhecer
(possibilidade, natureza e alcance do conhecimento) (p. 77).

O pesquisador deve está atento que o enfoque materialista deve analisar os dados a
partir de conexões, mediações e contradições tendo por base que a aparência tem
que ser desvelada a luz das relações entre as partes e o todo. Este processo implica
abandonar posições relativistas sobre a realidade de ver o mundo. Assim apontamos
que é extremamente necessária a apreensão do caráter histórico do fenômeno, pois
há uma relatividade, parcialidade e provisoriedade do conhecimento histórico-social
(FRIGOTTO, 1991). De acordo com Netto (2000),

[...] nenhuma formação teórico-metodológica é garantia de êxito na


investigação. Ela é um dos componentes da investigação e deve ser um
componente fundamental. Não há pesquisa rica feita por sujeito
ignorante, mas só o sujeito culturalmente rico não constitui garantia para
o êxito da pesquisa. Quase sempre nós temos uma noção muito linear
da pesquisa, sobretudo quando a gente lê as teses. O sujeito formulou
hipóteses, encontrou variáveis, fez uma pesquisa riquíssima. Quem faz
pesquisa sabe que não é assim. Há idas e vindas, você abandona
supostos, tem que reciclá-los, retificá-los, frequentemente a hipótese

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

inicial serviu só como um condutor que foi logo substituído quando você
encontrou o rumo (p. 45).

O pesquisador deve ter por ação o entendimento de que o desvelamento do real, ao


final da investigação do objeto pesquisado tem que pautar-se numa transformação da
realidade, não deve apensas limitar-se a uma análise crítica da realidade, despertando
para uma tomada de consciência para uma práxis transformadora. Conforme o autor
supracitado, a pesquisa, o bom resultado da pesquisa vai depender da riqueza cultural
do sujeito pesquisador, do conhecimento de modelos e padrões que vai apontar as
opções que direcionará a pesquisa.

3. CONSIDERAÇÕES

O enfoque que tem por núcleo a teoria de Marx, não é uma opção de fácil aplicação
teórica na pesquisa, uma vez que requer conhecer e abandonar a linearidade a qual
aprendemos a concepção de mundo. Perceber-se em tal posição não é tarefa simples,
saber que não existe neutralidade na pesquisa, e agir nesta pesquisa na produção do
conhecimento exige um esforço, exige, sobretudo, abandonar o prisma de constituição
de ciência positivista.

O contexto político de reformas e posturas neoliberais que enfrentamos


hodiernamente exige um pesquisador focado em desvelar esse contexto, e buscar
uma consciência crítica que permita analisar os oportunismos de concepções
apontam o marxismo como uma concepção que não responde às necessidades da
globalização. Marx se mantém atual no desvelamento das relações sociais
constituídas pela sociedade burguesa que dominou e domina, não só a ciência, mas
toda história do homem.

Concluímos que o pensamento marxista se apresenta na contemporaneidade como


exponencial revolucionário e a forma como os homens usam a ciência é que será o
grande diferencial nos processos de construção de pesquisas. No campo das ciências
sociais, a construção dessas pesquisas ao longo do tempo, sempre favoreceu
determinada classe, acreditamos que esse deve ser o caminho que o pesquisador
deve ter como pressuposto antes mesmo da problemática que envolve sua pesquisa.

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

REFERÊNCIA

DESCARTES, RENÉ. Discurso do método. (tradução Maria Ermantina Galvão).


São Paulo: Martins Fontes, 1996.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o dicionário da língua


portuguesa. 8° ed. Curitiba: Positivo, 2010.

FREITAS, Luiz Carlos de. Materialismo histórico-dialético: pontos e


contrapontos. In: II Seminário Nacional "o MST e a Pesquisa". Cadernos do
ITERRA. Veranópolis. Ano VII - N° 14 - Dezembro, 2007.

FRIGOTTO, G. O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa


educacional. In: FAZENDA, IVANI. (Org). Metodologia da pesquisa educacional.
São Paulo: Cortez, 2000.

FRIGOTTO, G. O enigma da teoria nas pesquisas e análises da relação trabalho-


educação: pontos para debate. Rio de Janeiro, IESAR/FGV, 1987, Mimeo.

KELMA Socorro Lopes de, VASCONCELOS, José Gerardo (Org). Registros de


Pesquisas na Educação. Fortaleza LCR - UFC, 2002.

KONDER, Leandro. O Que é Dialética. São Paulo: Brasiliense, 1981.

LUKÁCS, G. Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de


princípios para uma ontologia hoje tornada possível. São Paulo: Boitempo, 2010.

MARX, K. O capital: crítica da economia política: Livro I; tradução de Reginaldo


Santana, 18 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

MCLAREN, Peter. Pós-Modernismo, Pós-Colonialismo e Pedagogia. In : SILVA,


Tomaz Tadeu da. Teoria Educacional Crítica em Tempos Pós-Modernos. (Org).
Teoria educacional crítica em tempos modernos. Porto Alegre: Ates Médicas,
1993.

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico
REVISTA CIENTÍFICA MULTIDISCIPLINAR NÚCLEO DO
CONHECIMENTO ISSN: 2448-0959

https://www.nucleodoconhecimento.com.br

MENDES, José Ernandi. Com que roupa eu vou par o samba que você me
convidou? Reflexões de iniciativas Metodológicas em Pesquisa sobre Trabalho
Docente apud MATOS, NETTO, J. P. Relendo a Teoria Marxista da História. In:
SAVIANI, D.; LOMBARDI, J. C.; SANFELICE, J. L. (Orgs.). História e História da
Educação: O Debate Teórico- Metodológico Atual. Campinas – SP: Autores
Associados, 2000.

TONET, Ivo. A questão dos fundamentos. In: TONET, I. Educação, cidadania e


emancipação humana. Ijuí: Unijuí, 2005. p. 35-78.

Enviado: Junho, 2019.

Aprovado: Novembro, 2019.

RC: 41960
Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/materialismo-historico

Você também pode gostar