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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE


DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE
CURITIBA – PARANÁ

AUTOS Nº: 0000297-54.2013.8.16.0026

GEAN DEZENTENIKI, devidamente qualificado, vem por


intermédio de suas procuradoras ISAMARA MACHADO VAZ
CASTILHO e PATRICIA FOLTRAN PAULINO, ambas
devidamente qualificadas, vem com devido respeito e acatamento,
perante Vossa Excelência, com suporte no art. 528, caput, do Código
de Processo Civil, apresentar, no tríduo legal, suas

JUSTIFICATIVAS
DE IMPOSSIBILIDADE PAGAMENTO ALIMENTOS

(novo CPC, art. 528, caput)


 

Rua : Antônio Vale – Jardim Samambaia - Campo Magro – PR CEP 83.535-000 Fone -
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nos autos da presente ação de execução de título judicial que lhe move
KAROLINE, menor impúbere, FELIPE, menor impúbere, KARLA, menor
impúbere, representados pela genitora (CPC, art. 71) MARIA DAS QUANTAS,
divorciada, comerciária, residente e domiciliada na Rua X, casa 000 –
Conjunto ..... – nesta Capital, portadora do CPF(MF) nº. 444.222.333-55,
endereço eletrônico xista@xista.com.br, em face das seguintes razões de fato e
de direito.

1 - Dos fatos  

                                     Da análise da peça vestibular e dos documentos imersos,


depreende-se que o Executado, quando da homologação do divórcio, cujo termo
demora à fl. 34, arcaria com o dever de pagar pensão alimentícia mensal aos
Exeqüentes no importe de 25% (vinte e cinco por cento) de seu salário então
vigente. Naquela época, equivalente a R$ .x.x.x. ( .x.x.x.x ).

                                               Segundo alegações insertas na inicial, o Executado


inadimpliu com as parcelas referentes aos meses de xx/yyyy, zz/yyyy e
kk/yyyy. , Com isso resultou, conforme memorial acostado, em um débito no
valor de R$ .x.x.x.x ( .x.x.x.x. ), a ser pago com as parcelas sucessivas (novo
CPC, art. 323) e acessórios (honorários advocatícios e custas processuais).

                                               Recebida a petição inicial, Vossa Excelência, no exato


contexto do art. 528 do Código de Processo Civil, determinou a intimação
do ora Executado para efetuar, no prazo legal, o pagamento do débito em ensejo
ou justificar a impossibilidade de não o efetuar, sob pena de prisão.

                                               O Executado, pois, atendendo ao referido comando


legal, vem apresentar suas justificativas de escusa ao pagamento e, mais,
delimitações de importâncias processual que importam na desenvoltura da
presente ação executiva.

                                  

2 - Justitificativa da impossibilidade de pagar

O EXECUTADO SE ENCONTRA “DESEMPREGADO”

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                                      Como se observa do título executivo e da narrativa contida


na petição inicial, o Executado, na ocasião do acordo judicial, trabalhava na
empresa Xista Ltda, razão qual a pensão fora fixada em percentual fixo sobre os
ganhos salariais do Executado.

                                               Entrementes, houve substancial mudança na situação


econômica do Executado. Esse, no dia 00/11/2222, fora demitido sem justa
causa da referida empresa, o que se comprova com cópia de sua CTPS com a
devida baixa, guias de seguro-desemprego e recolhimento do FGTS. (docs.
01/04)

                                               Veja que o Executado, no afã próprio de honrar com o


compromisso judicial, mesmo após a demissão, ainda conseguiu pagar xx
parcelas da avença, as quais depositadas na conta corrente nº. 0000, da Ag.
000, do Banco Zeta S/A, de titularidade da representa legal das Exequentes.
(docs. 05/08)                  

                                      E mais, mesmo após o ajuizamento da ação executiva,


datada de 22/33/4444, o Executado ainda fizera diversos pagamentos parciais
mediante depósitos na aludida conta corrente. Por isso, sem sombra de dúvidas
implica que a ação em liça objetiva receber montante muito acima do quanto
devido. (docs. 09/14)   

                                      Destarte, a inadimplência tem razão escusável, na hipótese


o desemprego do Executado.  

                                     

                                      Nesse diapasão, reza a Carta Política que: 

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Art. 5º - ( ... )

LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do
depositário infiel.

( destacamos ) 

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                                               Nesse ínterim, mister que a prisão seja


moderadamente utilizada.

                                               Por essas razões, não pode ensejar a decretação da


prisão dívida de alimentos parcialmente adimplida (docs. 05/08).  Como
asseverado alhures, a prisão civil decorrente da aplicação do rito previsto no
artigo 528, é medida extrema, que somente deve ser decretada quando não
esteja havendo quaisquer pagamentos, de forma a trazer prejuízo ao
alimentando.

                                               A respeito do assunto professa Luiz Guilherme


Marinoni, verbo ad verbum: 

Caso o inadimplemento decorra de justificativa legítima ou de causa


involuntária (como o caso fortuito ou a força maior), não se poderá recorrer à
prisão civil. Assim, se o devedor encontrar-se impossibilitado de cumprir a
prestação porque, por exemplo, não dispões de recursos em razão de estar
desempregado, ou por causa da iliquidez do patrimônio, descabe a aplicação
da medida [ ... ]

                       

                                               Apropriadas também as lições de Carlos Roberto


Gonçalves:

          Em razão da gravidade da execução da dívida alimentar por coerção


pessoal, a Constituição Federal condiciona a sua aplicabilidade à
voluntariedade e inescusabilidade do devedor em satisfazer a obrigação (art.
5º, LXVII). A aludida limitação está a recomentar uma perquirição mais
ampla do elemento subjetivo identificado na conduta do inadimplente, com
possibilidade assim de se proceder às investigações necessárias, ainda que de
ofício, sem vinculação à iniciativa probatória das partes.

            Assim, a falta de pagamento de pensão alimentícia não justifica, por


si, a prisão do devedor, medida excepcional ‘que somente deve ser empregada
em casos extremos de contumácia, obstinação, teimosia, rebeldia do devedor

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que, embora possua os meios necessários para saldar a dívida, procura por
todos os meios protelar o pagamento judicialmente homologado [ ... ] 

                                               A respeito do tema, colacionamos os seguintes


julgados:

HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. ALIMENTANTE QUE ESTEVE


DESEMPREGADO RECEBENDO AUXÍLIO-DOENÇA DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL. TRANSTORNO PSIQUIÁTRICO
INCAPACITANTE. CIRCUNSTÂNCIAS CAPAZES DE AFASTAR O
INADIMPLEMENTO VOLUNTÁRIO E INESCUSÁVEL. ORDEM
PARCIALMENTE CONCEDIDA.

É possível suspender o mandado de prisão civil do devedor de alimentos que


esteve e está desempregado e acometido por grave enfermidade. Isso porque,
ambas as circunstâncias são capazes de afastar o inadimplemento voluntário e
inescusável, requisitos essenciais para a excepcional prevalência da prisão [ ... ]

HABEAS CORPUS PREVENTIVO. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.


PRISÃO CIVIL IMINENTE. SEGREGAÇÃO QUE NÃO POSSUI
CARÁTER PUNITIVO, MAS COERCITIVO. PERDA DA NATUREZA
EMERGENCIAL DA VERBA. ALIMENTADAS QUE ATINGIRAM A
MAIORIDADE E EXERCEM ATIVIDADE REMUNERADA. SITUAÇÃO
FÁTICA DO ALIMENTANTE QUE ESTÁ A INDICAR INEFICÁCIA DO
OBJETIVO COERCITIVO DA DETERMINAÇÃO DA SEGREGAÇÃO.
INDICADA CONVERSÃO PARA O RITO DE EXPROPRIAÇÃO DE
BENS. ORDEM CONCEDIDA.

[...] a prisão civil por dívida de alimentos é medida coercitiva de natureza


excepcional e que subverte a lógica das relações obrigacionais segundo a qual a
execução, em regra, é essencialmente patrimonial. A excepcionalidade da
medida, aliás, somente se justifica diante de um muito provável dano
irreparável ou de difícil reparação ao credor dos alimentos, que, se não for
adequadamente tutelado com garantias diferenciadas que confiram verdadeira
efetividade à execução de alimentos, poderá ter em risco e até mesmo perder o
seu bem maior. A própria vida. Logo se percebe que a prisão civil por débito
alimentar não se relaciona com a busca pela punição do devedor em virtude de
seu inadimplemento, mas, ao revés, é uma técnica coercitiva que tem por
finalidade única compelir o devedor a pagar periodicamente, o quanto deve ao
alimentado, sempre com o intuito de provê-lo com o que há de melhor,
observadas, evidentemente, as suas reais necessidades e as possibilidades do
próprio devedor" (HC n. 401.887-SC, Rel. Min. Nancy andrighi, j.

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26.09.2017).situação fática que registra peculiaridades no sentido de evidenciar


a maioridade das alimentadas, que já exercem atividade remunerada e da
situação de desempregado e impossibilitado de trabalhar, do alimentante, em
virtude de seus problemas de saúde (obesidade mórbida, diabetes e hipertensão
arterial). Técnica coercitiva com objetivo de compelir o devedor, ao pagamento,
ineficaz [ ... ]

HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.

Prisão civil decretada por sessenta dias. Apresentação de acordo para quitação
de parte do saldo devedor e desconto mensal sobre benefício previdenciário
percebido pelo avô paterno do alimentando. Alimentante desempregado.
Medida segregacional excepcional, que somente se justifica nos casos de
inadimplemento voluntário e injustificado. Caráter de urgência da obrigação
alimentícia afastado. Sobrevivência do alimentando garantida.
Constrangimento ilegal caracterizado. Ordem concedida [ ... ] 

3 - Cobrança ilegal 

 OS CÁLCULOS DA INICIAL, IMPOSTOS PARA PAGAMENTO,


CONTEM HONORÁRIOS E CUSTAS

FLAGRANTE ILEGALIDADE

                                               As justificativas acima são suficientes para afastar a


possibilidade da prisão civil almejada. Todavia, não sendo esse o entendimento,
o que se diz apenas por argumentar, tal pleito por mais outros motivos não
podem prosperar.

                                               Encontram-se nos cálculos e no pedido indicados para


pagamento valores concernentes a custas e honorários advocatícios. Trata-se de
uma aberração jurídica e, mais, que poderá trazer sequelas severas ao
Executado.

                                               Com efeito, mais uma vez urge transcrever o


magistério de Luiz Guilherme Marinoni:

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Vale sublinhar que a prisão só pode ser decretada diante do inadimplemento


de crédito estritamente alimentar. Assim, se o devedor deposita a importância
deve a este título, mas não paga a multa de dez por cento – incidente em razão
do não cumprimento da sentença no prazo de quinze dias --, os honorários de
sucumbência ou as despesas processuais, não se pode decretar ou manter a
prisão [ ... ]

(sublinhamos e negritamos) 

                                                           Segundo as lições de Cristiane Chaves de


Farias e Nelson Rosenvald:

Somente o descumprimento da pensão alimentícia enseja a prisão civil, não se


incluindo outras verbas, como despesas processuais e honorários de advogado
[ ... ] 

                                               No mesmo sentido, alinha-se Maria Berenice Dias:

A prisão civil só pode ser decretada diante do inadimplemento de crédito


estritamente alimentar. Assim, se o devedor deposita a importância devida a
este título, mas não paga a multa, os honorários de sucumbência ou, as
despesas processuais, não é possível decretar ou manter a prisão [ ... ] 

                                               Nesse mesmo sentido:

HABEAS CORPUS PREVENTIVO. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.


PRISÃO CIVIL. ERRO NO CÁLCULO.

É ilegal o Decreto prisional embasado em cálculo da dívida alimentar que


contém equívocos. Necessidade de elaboração de novos cálculos. Ordem
concedida [ ... ]

AGRAVO DE INSTRUMENTO.

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Execuções de alimentos ajuizadas pelo rito dos artigos 732 e 733 do CPC
[CPC/2015, art. 528, caput e § 8º]. Despacho de emenda à inicial. Apresentação
de documentos para análise da justiça gratuita. Retificação de cálculos
apresentados com exclusão de honorários e multa do art. 475 - J do CPC
[CPC/2015, art. 523]. Insurgência dos exequentes. Benefício da justiça gratuita.
Concessão superveniente pelo juízo a quo. Perda do objeto. Não conhecimento
das razões recursais no ponto. Honorários advocatícios. Afastamento. Inclusão
indevida. Os honorários advocatícios por não integrarem a obrigação alimentar
devem ser afastados dos cálculos inaugurais da execução de alimentos, uma vez
que tal verba deve ser devidamente arbitrada pelo magistrado que conduz os
autos executivos. Conforme entendimento desta corte, "é inadmissível, para os
fins do procedimento insculpido no artigo 733 do código de processo civil
[CPC/2015, art. 528, caput e § 8º], que se incluam, no cálculo do quantum
devido, a título de pensão, verbas estranhas à prestação alimentícia, como
custas processuais e honorários advocatícios, pena de ferir-se o preceito
constitucional de que não há prisão civil por dívida, salvo a do provedor
inescusavelmente inadimplente com suas obrigações alimentares (CF, art. 5º,
LXVII)" (TJSC, habeas corpus n. 2004.007166-3, Rel. Des. Luiz Carlos
freyesleben, j. 20-05-2004). Multa do art. 475 - J do CPC [CPC/2015, art. 523].
Inaplicabilidade no caso concreto. Sanção que pressupõe prévia intimação do
devedor, na pessoa de seu procurador, para cumprimento voluntário da
obrigação e sua inércia no prazo legal. Entendimento consolidado da corte da
cidadania. Ato processual não realizado. Cômputo indevido no cálculo
inaugural. Rito diverso optado pelos credores. Execução apresentada na forma
do art. 732 [CPC/2015, art. 528]. Reclamos parcialmente conhecidos e
desprovidos [ ... ] 

                                               Ao revés disso, destaca-se no despacho inaugural que


Vossa Excelência determinou o pagamento desse aludido e inadequado débito,
sob pena de prisão. E, ressalve-se, o pretenso “débito” aludido na decisão é
alicerçado no memorial de débito apontado pelos Exequentes, o qual, sem
sombra de dúvidas, estipula um acréscimo de custas e honorários (fls. 04).

                                               Nesse ponto, a eventual imposição de prisão não pode


prosperar. Há na conta do débito parcelas estranhas à obrigação alimentar.

4 - Necessida de produção de provas

EXISTIRAM PAGAMENTOS 

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                                               O Executado, ora em suas justificativas de defesa,


sustenta sua inadimplência atual no pagamento do débito alimentar pela
circunstância do desemprego. De outro importe, também defendeu que foram
feitos diversos depósitos diretos na conta da genitora dos Exequentes, o que
importa em uma redução significativa do débito.

                                               Diante disso, forçoso que, antes de qualquer


providência no sentido de determinar a prisão civil do Executado, seja avaliado
o montante exato do débito.

                                               Qualquer decisão contrária, ou seja, sem a devida


fundamentação e sem a possibilidade de se enfrentar a redução do débito
perseguido, importará em nulidade da decisão por força da ausência de
fundamentação e cerceamento de defesa. (CPC, art. 489, § 1º)

                                               Com essa vertente de entendimento:

HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. ALIMENTOS. PRISÃO CIVIL.


PRAZO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. ILEGALIDADE.
REDUÇÃO.

1. Não se conhece de questões ligadas ao mérito da ação principal. 2. Impõe-se


reduzir de 60 para 30 dias o prazo de duração da prisão ante a falta de
motivação da decisão, ocasionando a soltura do paciente. Ordem parcialmente
conhecida e, nessa parte, concedida [ ... ] 

HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. CITAÇÃO PARA


PAGAR, COMPROVAR QUE O FEZ OU JUSTIFICAR A
IMPOSSIBILIDADE DE FAZÊLO, SOB PENA DE PRISÃO (ART. 733, §
1º DO CPC) [CPC/2015, art. 528]. PROVA DE PAGAMENTO
PARCIAL. AMORTIZAÇÃO DESCONSIDERADA PELO JUÍZO A QUO.
VALOR EXECUTADO QUE NÃO CORRESPONDE À QUANTIA
REMANESCENTE EFETIVAMENTE DEVIDA. IRREGULARIDADE
FORMAL DO DECRETO PRISIONAL CERCEAMENTO DE DEFESA E
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO (ART. 93, IX DA CF). ORDEM
CONCEDIDA.

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1 Cabe a impetração de Habeas Corpus "sempre que alguém sofrer ou se achar


ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder", conforme preceitua o art. 5º, LXVIII, da
Constituição Federal e, ainda, os arts. 647 e 648 do Código de Processo Penal. 2
O destrame deste writ gravita sobre os critério de legalidade do Decreto
prisional impugnado, proferido, segundo o impetrante, sem fundamentação e
de modo a cercear o direito de defesa do paciente. E, realmente, debruçandome
sobre o feito, diviso que a decisão restritiva de liberdade, induvidosamente,
ostenta feições de ilegalidade do ponto de vista formal, porque, como ensaiou o
impetrante, carece de fundamentação e cerceia o direito de defesa do paciente,
circunstância que malfere a ordem constitucional e infraconstitucional. Explico.
3 A constrição de liberdade em execução de alimentos, autorizada pelo art. 733,
§ 1º do Código de Processo Civil [CPC/2015, art. 528], constitui medida
excepcionalíssima, justificável somente por meio de decisão devidamente
fundamentada (art. 93, inciso IX, da Constituição Federal), cujo conteúdo
normativo seja capaz de afastar qualquer dúvida quanto à necessidade da ordem
de prisão, voltada, como se sabe, exclusivamente a garantir o pagamento da
verba alimentar. 4 Em outras palavras, não é o rito do citado dispositivo
processual que, por si só, determina o ergástulo, mas a incúria do
alimentante/devedor em proceder ao pagamento do débito e/ou prestar
justificativa plausível para o inadimplemento, tal como disciplina a norma,
cabendo ao julgador, portanto, aferir, no caso concreto, todas as nuances fáticas
que envolvem a lide, a exemplo de quitação parcial do débito para fins de
dedução do montante a ser efetivamente executado. 5 Pois bem, voltando ao
caso concreto, embora se saiba que o pagamento parcial dos alimentos não elide
a prisão do devedor, é fato mais que incontroverso que o paciente procedeu a
diversos depósitos bancários em favor do menor, amortizando sua dívida dentro
daquilo que diz suportar o seu padrão remuneratório. Entretanto, a decisão
acostada às fls. 202 sequer toca no assunto, ordenando, sob pena de prisão, o
pagamento de alimentos no valor de R$ 8.791,20 (oito mil setecentos e noventa
e um reais e vinte centavos), quantia que, sem dúvida, não corresponde ao valor
efetivamente devido pelo paciente. 6 Cabia ao douto judicante a quo, após a
citação do paciente, analisar e precisar o débito remanescente, fazendo constar
na sentença o exato encargo a que se deveria desincumbir no prazo de 03 (três)
dias, considerando, por certo, os valores já efetivamente pagos, até porque a
prestação jurisdicional deve ser concedida de forma racional, a fim de
estabilizar as relações sociais. 7 Neste contexto, compreendo que a decisão que
autoriza a prisão civil do paciente, ignorando a efetiva amortização do débito
alimentar (comprovada por meio de diversos extratos de depósitos realizados
em favor do menor), cerceialhe o direito de defesa, além de que carece da devida
fundamentação, ao impor, sob pena de prisão e sem qualquer critério de
avaliação quanto à sua utilidade e adequação, duvidoso encargo alimentício
quanto ao valor a ser pago, malferindo a norma do art. 93, inciso IX da
Constituição Federal. 8 Ordem concedida [ ... ] 

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HABEAS CORPUS. DÉBITO ALIMENTAR. PRISÃO CIVIL. PRAZO.


AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CONCESSÃO.

A prisão civil deve durar prazo razoável e, não tendo o magistrado justificado a
sua fixação por período superior ao mínimo previsto, impõe-se a redução para
01 (um) mês e soltura do paciente, porquanto segregado por mais de 30 (trinta)
dias. Ordem concedida [ ... ] 

HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. ARTIGO 733 DO


CPC. PRISÃO CIVIL DO DEVEDOR. ARTIGO 5º, LXVII, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO PRISIONAL FIXADO EM 90
DIAS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. ARTIGO 93, IX, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REDUÇÃO. DEFERIMENTO. ORDEM
PARCIALMENTE CONCEDIDA.

1 - A Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso LXVII, prevê a possibilidade


de prisão civil. Pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
alimentícia. 2- em harmonia com o texto constitucional, o artigo 733, § 1º, do
código de processo civil [CPC/2015, art. 528], dispõe acerca da aludida prisão
civil, na hipótese de o devedor não pagar, nem se escusar., devendo ser
decretada pelo prazo de até três meses. 3- ao exacerbar o tempo prisional, em
virtude de inadimplemento de obrigação alimentícia, deve o julgador trazer
fundamentação para tanto, sob pena de não observância ao disposto no artigo
93, IX, da Constituição Federal. 4. A prisão civil, em face de inadimplemento de
alimentos, não é pena, mas meio de coerção de pagamento de obrigação
alimentar, e como importa em restrição do direito de liberdade, revela-se
medida extrema, de sorte que, se adotada, exige decisão fundamentada,
especialmente quando se observa a exasperação da medida, por prazo superior
ao mínimo legal. 5. Carecendo a decisão de fundamentos para o afastamento do
mínimo legal, deve haver a redução do tempo da prisão civil. 6. Ordem
parcialmente concedida [ ... ]

HABEAS CORPUS.

Execução. Alimentos. Prisão civil. Alegação de redução financeira que, por si só,
não autoriza a concessão da ordem. Habeas corpus que não é a via adequada
para produção de provas e exame aprofundado de aspectos fáticos acerca das
possibilidades econômicas do alimentante. Pagamento parcial que não afasta o
Decreto prisional. Execução que aparentemente observa os termos da Súmula
nº 309, do Superior Tribunal de Justiça. Ausência, contudo, de fundamentação
suficiente para fixação do período de prisão acima do mínimo legal. Redução do
prazo prisional para trinta dias, que, ademais, já teria sido cumprido pelo
paciente. Ordem concedida em parte [ ... ]

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DOS FATOS

1 - Na Ação de Alimentos proposta contra o agravante, foi


determinado o pagamento de verba alimentar mensal na ordem de
40% do salário mínimo nacional vigente, o equivalente a R$
400,00, ( quatrocentos reais) a época, a título de alimentos
provisórios;

2 - Ocorre que tal decisão não pode subsistir, pois os recursos


financeiros do alimentante, ora agravante, não suportam a
obrigação que lhe foi imposta, visto que o mesmo encontra-se
desempregado, se recuperando do Covid 19, pois lhe restaram
algumas sequelas da doença sendo uma delas e a mais grave
dificuldades respiratórias, conforme teste de covid anexo,
laborava de tratador de cavalos e seus ganhos mensais
remontavam ao ínfimo valor de 1.100,00 (mil e cem reais).

Excelencia, no momento o executado não está trabalhando,


vivendo apenas de doações, pois o auxílio emergencial recebido
pelo governo e mais alguns valores recebidos de taxas diárias e
doações deposita pra sua filha, nunca deixou de depositar os
alimentos de sua filha, mas o fazia dentro de suas possibilidades.

E quando precisa de material escolar, roupas e sapatos, não se


nega a contribuir para compra ou mesmo as compra sozinho, sem
ajuda.

Estamos vivendo um momento muito delicado para todo tipo de


trabalhador em nosso país, devido a pandemia, muitos
trabalhadores encontra-se desempregados e é o caso do

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executado, mas mesmo assando por tantas dificuldades, sempre


colaborou para o sustento da filha.

O caso em tela cinge-se à interpretação do artigo 400 do Código


Civil, in verbis:

“Art. 400. Os alimentos devem ser fixados na proporção das


necessidades do alimentante e dos recursos da pessoa
obrigada”

A despeito da generalidade e imprecisão da regra aludida, que


atribui ao juiz o encargo de fixar a prestação alimentícia
embasado no exame do caso concreto, esta decisão, conquanto
discricionária, não pode ser arbitrária, devendo pautar-se nos
parâmetros legais, quais sejam, necessidade e possibilidade, sob
pena de ilegalidade.

1 - Entende-se por necessidade a ausência de bens e a


incapacidade de manter-se pelo próprio trabalho.

2 - A possibilidade consiste no fornecimento SEM desfalque do


próprio sustento;

3 - Nesse diapasão, os alimentos devem ser fixados tendo-se em


consideração, de um lado, as necessidades do credor, e de outro,
as possibilidades do devedor, isso quer dizer que, se as
necessidades do alimentado forem grandes, porém pequenas as
possibilidades do alimentante, moderados serão os alimentos
devidos;

4 - Nesse caso, os alimentos têm por limite as possibilidades do


alimentante (JOSÉ ROBERTO PACHECO DI FRANCESCO,
Aspectos da Obrigação Alimentar), Revista do Advogado nº 58,
março/2000, p. 109).

5 - Como ensina Maria Helena Diniz, o alimentante deverá:

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“cumprir seu dever sem que haja desfalque do


necessário ao seu próprio sustento; daí ser preciso
verificar sua capacidade financeira, porque se tiver
apenas o indispensável, injusto seria obriga-lo a
sacrificar-se e passar privações, para socorrer parente
necessitado, tanto mais que pode existir parente mais
afastado que esteja em condições de cumprir tal
obrigação alimentar, sem grandes sacrifícios” (Curso
de Direito Civil Brasileiro?, v. 5/288, p. 289);

6 - Esta é a correta interpretação do artigo 400 do Código Civil,


pois não se pode olvidar que o instituto dos alimentos tem caráter
eminentemente social e não é fonte de renda;

7 - A necessidade varia de cada indivíduo e deflui do tipo de


roupa, do lugar, que é frequentado pelo alimentado, o transporte,
a necessidade de concorrência com outros, etc. Nenhum desses
fatores foram demonstrados nos autos, dificultando a defesa do
agravante e a fixação correta dos alimentos em discussão;

8 - No tocante à possibilidade, alega a agravada que em síntese,


que o agravante é profissional autônomo, e que possui renda
mensal de R$ ****************, não comprovando suas
alegações, constituindo verdadeiras falácias;

9 - foram deferido o pedido de alimentos provisórios no montante


de 40% do salário mínimo nacional vigente cujo pagamento
deveria ser realizado todo dia 15 de cada mês.

10 – Os argumentos da executada, entretanto, não se coadunam


com a realidade;

11 - Ademais, a Constituição Federal de 1988 igualou os


homens e as mulheres nos direitos e deveres, e dispõe no artigo
229 que: Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos
menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os
pais na velhice, carência ou enfermidade. Por conseguinte, ambos

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os pais são responsáveis pela guarda, sustento e educação dos


filhos.

20 - Deve ser destacado que importância da concessão da liminar


no caso em tela, nos termos do Código de Processo Civil, sob
pena de gerar lesão grave e de difícil reparação para o executado,
uma vez que o não cumprimento da ordem judicial impugnada
poderá gerar a sua prisão civil.

- DO PEDIDO

1 - Ante o exposto, considerando os documentos acostados ao


presente recurso e o destacado prejuízo que o executado está
prestes a sofrer, aguarda o pronto DEFERIMENTO DE
LIMINAR CONSUBSTANCIADA EM EFEITO
SUSPENSIVO, a qual deverá obstar o ilegal e injusto
pronunciamento judicial que determinou a fixação dos alimentos
provisórios no patamar 40% do salário mínimo nacional),
determinando a redução para valor de ** sobre **% dos
rendimentos comprovados, qual seja valor equivalente à R$
** , ou ficando a critério de Vossas Excelências, dentro do justo e
razoável, conforme parecer da Ilustre Representante do Parquet;

2 - Requer que o presente recurso SEJA RECEBIDO,


CONHECIDO E PROVIDO, nos termos da liminar supra
solicitada, devendo o efeito suspensivo ser mantido até o
julgamento definitivo da ação;

3 - Solicita, ainda, caso este seja o entendimento de Vossa


Excelência, a requisição de informações, no prazo legal, ao juiz
da causa, bem como, se for o caso a intimação do agravado, nos
termos do artigo 527, III, do Código de Processo Civil.

4 - Isto ocorrendo, mais uma vez, estar-se-á praticando a


verdadeira justiça.

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5 - O agravado seja intimado no prazo de 15 (quinze) dias,


conforme estabelece o artigo 1.019, II, do Código de Processo
Civil;

Termos que pede,

Espera deferimento.

Campo Magro/PR, 14 de junho de 2021

Isamara Machado Vaz Castilho

OAB/PR 81.501

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