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Justiça Eleitoral

PJe - Processo Judicial Eletrônico

04/02/2022

Número: 0600405-33.2020.6.14.0019
Classe: AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL
Órgão julgador: 019ª ZONA ELEITORAL DE MONTE ALEGRE PA
Última distribuição : 15/12/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Abuso - De Poder Econômico, Abuso - De Poder Político/Autoridade
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LIRLEY ROVANIA NERI CORREA (REQUERENTE) ERIKA AUZIER DA SILVA (ADVOGADO)
HANNA DE ASSIS MACEDO (ADVOGADO)
DANILO COUTO MARQUES (ADVOGADO)
MATHEUS ALMEIDA DOS SANTOS (INVESTIGADO) SALAZAR FONSECA JUNIOR (ADVOGADO)
LEONARDO ALBARADO CORDEIRO (INVESTIGADO) SALAZAR FONSECA JUNIOR (ADVOGADO)
JARDEL VASCONCELOS CARMO (INVESTIGADO) SALAZAR FONSECA JUNIOR (ADVOGADO)
ADEMIR BRASIL DA MOTA (INVESTIGADO) SALAZAR FONSECA JUNIOR (ADVOGADO)
PROMOTOR ELEITORAL DO ESTADO DO PARÁ (FISCAL
DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
10250 03/02/2022 10:52 Decisão Decisão
5178
JUSTIÇA ELEITORAL
019ª ZONA ELEITORAL DE MONTE ALEGRE PA

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (11527) Nº 0600405-33.2020.6.14.0019 / 019ª ZONA ELEITORAL


DE MONTE ALEGRE PA
REQUERENTE: LIRLEY ROVANIA NERI CORREA
Advogados do(a) REQUERENTE: ERIKA AUZIER DA SILVA - PA22036, HANNA DE ASSIS MACEDO - PA28607,
DANILO COUTO MARQUES - PA23405-A
INVESTIGADO: MATHEUS ALMEIDA DOS SANTOS, LEONARDO ALBARADO CORDEIRO, JARDEL
VASCONCELOS CARMO, ADEMIR BRASIL DA MOTA
Advogado do(a) INVESTIGADO: SALAZAR FONSECA JUNIOR - PA7014
Advogado do(a) INVESTIGADO: SALAZAR FONSECA JUNIOR - PA7014
Advogado do(a) INVESTIGADO: SALAZAR FONSECA JUNIOR - PA7014
Advogado do(a) INVESTIGADO: SALAZAR FONSECA JUNIOR - PA7014

DECISÃO

Vistos, etc.

Trata-se de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pelos Investigados


no presente processo de AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL em face da
sentença de ID 100512310, alegando, em síntese, que por ocasião da prolação da sentença em
questão, este juízo proferiu decisão contraditória, obscura e omissa.
Os embargados apresentação contrarrazões e o Ministério Público Eleitoral
manifestou-se sobre a questão.

É o relato necessário. DECIDO.

Os Embargos de Declaração é o meio de impugnação de matéria vinculada, o que


impõe ao embargante apontar a obscuridade ou eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou
questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; ou/e corrigir erro
material, em qualquer decisão judicial, nos precisos termos do art. 1.022, incisos I a III, do Código
de Processo Civil. Adiante, o parágrafo único do aludido artigo, dispõe que é omissa a decisão
que: “I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em
incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II - incorra em qualquer
das condutas descritas no art. 489, § 1º.

Os embargantes insurgiram-se contra suposta contradição, obscuridade e omissão

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da sentença de id 100512310, NOS SEGUINTES TERMOS: "(...) a sentença é fundamentada no
sentido de que a edição do Decreto n°330/2020 o qual determinou a Secretaria de Administração
de Finanças de Monte Alegre a antecipação quinzenal de 40% do salário dos servidores públicos
municipais, entretanto, que não dá conta de que forma ocorreu a “benesse de caráter financeiro”
dado aos servidores municipais, eis que não houve incremento em verbas salariais e nem nada
nesse sentido, mas somente a antecipação descontada em folha mensal corrente. Portanto, é
patente que a sentença, data máxima vênia, é omissa nesse aspecto. Não se verificaram provas,
tampouco argumentação nesse sentido."

Observa-se da petição de embargos de declaração que os investigados não


lograram êxito em demonstrar que na sentença de id 100512310 houve omissão, contradição e
obscuridade. Compulsando os autos, analisando a questão posta não padece de omissão alguma, senão vejamos:

A sentença trata a benesse concedida como adiantamento salarial e nesses exatos


termos, tal qual o é de fato, e o considera abuso de poder. Ocorre que, para este juízo a
concessão de adiantamento salarial juntamente com o pagamento do décimo terceiro salário às
vésperas da eleição não pode ser considerado fato irrelevante para um município de pequeno
porte, tal qual Monte Alegre, o que está muito claro na sentença.

Ressalto que, a partir da nova redação do art. 22 da LC 64/90, com a inclusão inciso
XVI não cabe mais considerar a potencialidade de o fato alterar da o resultado da eleição, mas
apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.

No caso, é incontroverso o mero inconformismo dos embargantes com o resultado


do julgamento e a nítida tentativa de rediscussão da matéria já posta e decidida por esta
instância, o que não dá ensejo à oposição de aclaratórios. Ressalte-se inclusive que houve a
apresentação de novos documentos em sede de embargos de declaração, o que é inadmissível.

A mencionada petição tem patente caráter de recurso para este juízo reforme a
decisão proferida.
Consoante Jurisprudência do Tribunal Regional Eleitoral sobre o tema:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE E
OMISSÃO. PRETENSÃO DO
EMBARGANTE DE REDISCUTIR
MATÉRIA JÁ APRECIADA. APLICAÇÃO
DE MULTA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS.

1. A oposição de embargos declaratórios


sem que os requisitos previstos no Código
Eleitoral e no CPC, denota o uso
equivocado desse recurso que, em
princípio, deveria ser utilizado como um
mecanismo predisposto para o
aperfeiçoamento da atividade jurisdicional;
2. Não é cabível o recurso de Embargos
de Declaração com o intuito de
rediscussão do mérito da causa, senão
apenas para aperfeiçoar a decisão
judicial obscura, omissa ou
contraditória;

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3. O acordão delineou e fundamentou as
razões a nota fiscal com data de validade
vencida não foi suficiente para
comprovação de despesas realizadas com
dinheiro público, ainda que discriminado o
serviço possivelmente prestado, não tem o
condão de emprestar regularidade,
confiabilidade e consistência às contas
apresentadas pela agremiação partidária;
4. Anota fiscal vencida somada a todas as
demais impropriedades elencadas pela
Unidade Técnica, examinadas em conjunto,
atestaram o comprometimento da
regularidade das contas;
5. Não vislumbro existência de qualquer
obscuridade ou contradição no Acordão
embargado, estando clara a pretensão
do embargante de reabrir fase instrutória
do feito, já superada, o que atrai a
incidência da preclusão.
6. Embargos de declaração rejeitados.
Embargante condenado ao pagamento de
multa de 1 (um) salário mínimo, na forma do
art. 275, §6º do Código Eleitoral.

(TRE-PA. Prestação de Contas n 6137,


ACÓRDÃO n 31236 de 15/10/2020,
Relator(aqwe) JUIZ EDMAR SILVA
PEREIRA, Publicação: DJE - Diário da
Justiça Eletrônico, Tomo 27, Data
10/02/2021, Página 16-17 )

Nessa via, os embargos de declaração, a teor do que disciplinam os artigos 1.022


do Código de Processo Civil, constituem recurso de contornos processuais rígidos, sendo
necessário, para o seu acolhimento, que estejam presentes os pressupostos legais de cabimento,
não se prestando a rediscutir matéria já analisada e decidida.
Os embargos de declaração não servem para reexame de matéria de mérito quando
a matéria controvertida foi resolvida na sentença; ou para obrigar o Juiz a renovar ou reforçar a
fundamentação do decisório. O candidato busca através de embargos, no presente caso, discutir
matéria já analisada e decidida por este Juízo, algo incabível para a via eleita.

Portanto, a decisão ora embargada não apresenta qualquer desses vícios, assim,
tornar-se inviável o pleito do embargante. Não havendo contradição, omissão, ou obscuridade na
sentença recorrida, REJEITO os embargos ora analisados.

Monte Alegre, 03/02/2022.

Thiago Tapajós Gonçalves


Juiz Eleitoral 19ª ZE

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