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FICHA DE SEGURANÇA E AMBIENTE

TRABALHOS COM ANDAIMES SUSPENSOS


(BAILÉUS)

1. Caracterização

Um Bailéu é constituído por uma plataforma nivelada por 4 órgãos de suspensão e de manobra,
fixados a pontos de ancoragem ou a dispositivos de suspensão.
A plataforma tem normalmente um comprimento máximo até 8 m e uma largura mínima de 0,55 m,
com as seguintes protecções contra a queda de pessoas:

 Nos 3 lados exteriores, guarda-corpos, com uma guarda colocada a 1 m de altura do estrado
e uma guarda intermédia a 0,45 m, e um rodapé com, pelo menos 0,15 m de altura.

 No lado do trabalho, uma barra amovível colocada a 0,70 m de altura e um rodapé.

 Os guarda-corpos devem ser suportados por montantes solidamente fixados ao estrado,


espaçados no máximo de 1,75 m.

O Bailéu tem 4 órgãos de suspensão, constituídos cada um deles por um estribo, onde assenta a
plataforma, um guincho e um dispositivo pára-quedas. O guincho deverá conter um dispositivo duplo
de segurança que impeça a descida acidental da plataforma.
O dispositivo pára-quedas, normalmente incorporado no guincho, destina-se a suportar a plataforma
em caso de rotura do cabo de elevação ou de falha do guincho.
Os andaimes suspensos podem ser suportados por vigas em balanço, ganchos ou dispositivos
especiais de aço, tais como, tirantes ou braços de suspensão, desde que apoiados/fixados sobre
uma estrutura adequada.

2. Perigos e impactes ambientais mais frequentes

 Queda em altura
 Choque com objectos na subida/ descida
 Queda de objectos
 Electrização ou electrocussão (na vizinhança de instalações em tensão).

O primeiro passo para a protecção dos riscos associados à utilização de bailéus é conhecer bem o
funcionamento do equipamento. As causas de acidentes mais frequentes com bailéus são:

 Oscilação ou queda da plataforma devido a:

- Sobrecarga estática ou dinâmica excessiva


- Instabilidade do dispositivo de amarração
- Resistência insuficiente dos órgãos de suspensão, de manobra ou do dispositivo de
amarração
- Mau estado do material
- Mau funcionamento dos dispositivos pára-quedas

 Rotura da plataforma devido a:


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- Sobrecarga estática ou dinâmica


- Resistência insuficiente dos elementos que a compõem

 Queda dos trabalhadores a partir da plataforma devido a:

- Ausência ou ineficácia dos guarda-corpos


- Queda por cima do guarda-corpos, a partir de um plano de trabalho sobrelevado
- Deslocação da plataforma na sequência de um empurrão exercido por um trabalhador
situado na construção
- Abalroamento do andaime por uma carga que está a ser elevada

 Queda dos trabalhadores durante a montagem e desmontagem do bailéu devido a:

- Falta de equipamento individual de protecção anti-queda

 Queda de objectos:

- A partir do andaime
- A partir da edificação ou de um equipamento de elevação de cargas sobre o bailéu

3. Medidas de mitigação

3.1 Sinalização

 É obrigatória a balizagem/protecção de uma área circundante na vertical do bailéu, de modo a


prevenir o risco de queda de objectos ou materiais.

 Sempre que se efectuem trabalhos com andaimes na proximidade de condutores ou peças nuas
em tensão, sinaliza-las de forma a torná-las mais visíveis para evitar a aproximação dos
trabalhadores ou de objectos que estes possam manusear.

3.2 Na montagem/ desmontagem do andaime

 O espaçamento máximo entre dois dispositivos de guindar será de 3 metros, devendo ser
accionados simultaneamente durante a movimentação do andaime, de modo a manter sempre a
horizontalidade da estrutura.

 É proibida a ligação de módulos parcelares constituindo andaimes suspensos pesados com


comprimento superior a 8 m, devendo a(s) respectiva(s) articulação(ões) ser feita com fechos de
segurança.

 Considerando a carga máxima que o andaime deve suportar, realizar um ensaio estático, a baixa
altura, com uma carga de 5 vezes a carga máxima de trabalho durante 1 hora.
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 No caso de o andaime ser içado através de motores, o prévio dimensionamento será testado
com um acréscimo de 20% à carga máxima de trabalho, simulando a avaria em cada um dos
guinchos.

 Na recepção, em obra, fazer uma vistoria cuidada de todos os elementos constituintes do(s)
andaime(s) suspenso(s). Deve ser fornecido pelo instalador um certificado de instalação e ensaio
do bailéu.

 Antes do início dos trabalhos, colocar, bem visível no interior do bailéu, o sinal de “protecção
individual obrigatória contra quedas”.

3.3 Utilização

 Nos trabalhos em bailéus, usar em permanência um sistema antiquedas (arnês + dispositivo


pára-quedas) ligado a um cabo de segurança fixado na construção, em ponto independente da
estrutura de suporte do andaime.

 Fixar convenientemente à construção a posição de trabalho, a fim de evitar movimentos


oscilatórios.

 Respeitar escrupulosamente a carga máxima de utilização do bailéu e distribuir as cargas sobre


todo o comprimento da plataforma.

 Não saltar, nem lançar ou arrastar objectos pesados sobre a plataforma.

 Não é permitido aos utilizadores debruçarem-se em demasia ou treparem sobre o guarda-costas.

 Nunca retirar as protecções colectivas (guarda-corpos e rodapé) do lado exterior. Do lado


interior, se for imprescindível retirar o guarda-corpos. Tal só poderá ser feito depois de o bailéu
ter sido fixado à construção. Reciprocamente, o bailéu só pode ser solto da construção depois de
recolocado o guarda-corpos.

 A movimentação do bailéu deverá ser lenta e em simultâneo, para que a plataforma seja mantida
sensivelmente na horizontal. Não deixar nenhum dos cabos dos guinchos ficar excessivamente
lasso; os cabos devem ser sempre enrolados e tensão.

 Proteger os guinchos e cabos contra o emprego de produtos corrosivos, chamas ou projecção de


areias.

 A utilização dos guinchos deve respeitar o respectivo anual de instruções.

3.4 Manutenção/ Conservação

 Manter os mecanismos dos guinchos e dos pára-quedas, bem como os cabos, sempre limpos e
em bom estado de conservação. Lubrificá-los de acordo com as indicações do fabricante.
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 No caso de o cabo ser enrolado em vazio, utilizar o dispositivo previsto pelo fornecedor para
realizar o enrolamento em tensão, evitando assim a deterioração do cabo e movimentos bruscos
do bailéu na descida.

 Semanalmente, fazer inspecção aos cabos de sustentação, devendo estes ser obrigatoriamente
substituídos se for observada alguma das seguintes situações:

 Ruptura de mais de 2 fios num comprimento de cerca de 25 cm


 Corrosão interior ou exterior
 Deformação exterior (esmagado, distorcido, com barrigas, vincado e com laçada)
 Redução de diâmetro de 10%

 Verificar o estado das roldanas e cabos das talhas.

4. Equipamentos de Protecção Individual e Colectiva

 Capacete de protecção;
 Sistema anti-quedas (arnês e dispositivo pára-quedas retráctil que deve ser fixo num ponto
sólido da construção, independente do bailéu ou da fixação deste);
 Luvas de protecção mecânica;
 Botas de protecção mecânica;

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