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SUPLEMENTO TEOLÓGICO

Palavra ao Leitor p. 3
Tribuna:
A Declaração Conjunta de Luteranos e Católicos
Sobre a Doutrina da Justificação p. 5
Paulo W. Buss

Artigos:
A Parábola do Bom Samaritano nos Escritos de Lutero p. I]
Cláudio L. Flor
Filosofia Luterana de Educação p. 39
Egon M. Seibert
A IELB e o Aproveitamento de Candidatos não Ministeriais p. 59
Ivonelde SepÚlveda Teíxeíra
Liturgia:
Dança Litúrgica p. 73
:\Iúsica:
Kyrie Eleison p. 80
Sempre em Deus Confia p. 82
Auxílios Homiléticos p. 85
Livros Recebidos p. 99

ANO 14 No.2 1999


VOX CONCORDIANA - SUPLEMENTO TEOLÓGICO

Revista teológica semestral publicada pela Congregação de Professores da


Escola Superior de Teologia do Instituto Concórdia de São Paulo.

Conselho Editorial: Deomar Roos, editor


David Coles W.

Diagramação: Jarbas Hoffimann

Congregação de Professores: Ari Lange, Cláudio L. Flor,


David Coles W., Deomar Roos,
Erní W. Seibert, Leonardo Neitzel, •
Paulo W. Buss, Raul Blum.

Os artigos assinados são da responsabilidade dos seus autores.

ACEITA-SE PERMUTA COM REVISTAS CONGÊNERES

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA


INSTITUTO CONCÓRDIA DE SÃO PAULO
Caixa Postal 60754 Fone: (11) 5841-7652
05786-990 São Paulo, SP Fone/Fax: (11) 5841-7529'
E-mail: icspest@uol.com.br

ANO 14 - No.2 - 1999


PALA VRA AO LEITOR

o presente número da V ox COllcordiana inaugura uma nova seção


intitulada Livros Recebidos. Como sugerido pejo título, esta seção Estará as
obras recebidas pela Vox Concordiana e peja biblioteca Dr. Martinho Lute-
ro, da Escola Superior de Teologia, provenientes de várias editoras. Via de
regra. trata-se de títulos novos publicados recentemente. Outro destaque vai
para a matéria referente à dança litúrgica pub!icada neste exemplar. As
explicações e ilustrações orientarào o leitor neste assunto que certamente é
novidade para muitas congregações da IELB. O tema dos artigos deste
número volta-se para Lutem (A Parábola do Bom Samaritano 110S Escritos
de Lutem, Filosof!o Luterana da Educação) e discute a questào dos candi-
dados não ministeriais da IELB (A lELB e o Aproveitamento de Cwzdida-
tos mzo Ministeriais).
Registramos aqui a gratidão da Vox COllcordiana aos vários cola-
boradores que, com seus artigos e estudos, contribuíram para o enriqueci-
mento dos leitores.

Deomar Roos
Editor

-3 -

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TRIBUNA

"DECLARAÇÃO CONJUNTA SOBRE A DOUTRINA DA


JUSTIFICAÇÃO" E "AFIRMAÇÃO OFICIAL COIvIUM PELA
FEDERAÇÃO LUTERANA MUNDIAL E A IGREJA CATÓ·
LICA" (Incluídos os "ANEXOS")

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Paulo W, Buss

o documento sobre a doutrina da justificação assinado conjuntamen-


te pela Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica Romana no Dia da
Reforma de 1999 atraiu amplo interesse. Não apenas publicações eclesiás-
ticas. mas também jornais e revistas seculares deram destaque ao evento,
Na apreciação do significado, da importáncia e do alcance do documento ..
houve. porénl, divergências enonnes. Para alguns, a assinatura do docu-
mento significa nada menos do que a reconciliação entre católicos e lurera-
nos após quase cinco séculos de separação, Outros consideram o documen-
to fraco, ambíguo, contraditório, e, até mesmo, uma traiç5.o ao evangelho,
A Reforma de Lutero teve como núcleo e coraç5.o a compreensão da
doutrina da justificação que ele alcançou após anos de aflição espiritual e
de intenso estudo das Escrituras Sagradas. Para Lutem, esta doutrina é o
princípio e a pedra fundamental de toda a teologia. Se este artigo é perdido,
perde-se, ao mesmo tempo, toda a doutrina cristã. As Confissões Luteranas
reafirmam enfaticamente a posição de Lutero.
Enquanto muitos cristãos reconheceram que Lutero trouxera à plena
luz a verdade do evangelho bíblico, a hierarquia da igreja católica da época
não se sensibilizou com a posição de Lutero mas, pelo contrário, se aferrou
a um ensino que incluía méritos próprios e de santos na busca da obtenção
da salvação, O Concílio de T1'ento (J 545-63), que definiu e padronizou a
teologia católica romana para os tempos modernos, expressamente anate-
matizou a doutrina da justificaçÜo somente por meio da fé, Era o fim de
qualquer possibilidade de diálogo, O impasse total perdurou até o início da
década de 1960, O Concílio Vaticano n, que entÜo se reuniu, nÜo revogou
nenhum dos decretos de 1'rento, mas pode-se, finalmente, perceber uma
abertura em relação aos protestantes, De hereges excomungados, passaranl
a ser "irmãos separados". Em ] 967 começaram os contatos oficiais entre o
Vaticano e a Federação Luterana Mundial. A partir daí, houve diálogos

-5 -

-~---~---- ------
-~-
entre luteranos e católicos romanos em vários lugares. A Declaração Con-
sores dos dois ~;;:.C'rnin~i:~i
junta sobre a Doutrina da Justificação (DC) foi elaborada entre] 995 e j 997 =
U111 SLlITlário da
por teólogos católicos romanos e luteranos sob os auspícios do Vaticano e
depois clique em
da Federação Luterana Mundial (FLM).
existência do
A primeira versão da DC foi enviada às igrejas participantes em
igreja luterana,
1 995. Várias igrejas luteranas enviaram suas reações à comissão. Uma ver-
!ogia t~llha, sua
são final foi distribuída pela FLI\l em fevereiro de 1997. Após a aceitação
~ua faIta de honestidad~~'
do dOCU111ento pelas igrejas rnernbras da FLrvI, a igreja católica r0111ana
que Li De não é urna C~-~1-:-:-"
enviou sua resposta oficial à FUvl em junho de 1998. Essa resposta foi
renças dourrinirias
emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé e o Pontiffcio Conselho - - ,-
açoes na.O torarn
para a Pro111oção da LTnidade Cristã. p.~ nota catÓlica ofiC1tll reconhece que
deias refere-se Ú
urn alto grau de acordo roi alcançado. I\·'1as.deixa claro que o·alnda não
caçao t' "if/n
)JOde1110s falar de 11111 ~ elin1inaria
consenso tal Que toda a diferenca , entre
sões Luteranas,
católicos e luteranos na c0111preensão da justificação~'. Ela passa então a di,-'~'n nç
,A-,-iérn
citar vários pontos da DC que não são aceitáveis para a igreja católica. l\
maior dificuldade é encontrad:.i no ponto 4A dei De. Para os católicos a
fórmula "ao mesmo tempo justa e pecadora", como explicada no parágrafo
é inaceitÚvei. Para os católicos, no batismo, tudo o que realmente é
pecado é removido. Por isso, diz a nota, para os católicos fica difícil enten- transpan:ce é urna rendiçÜo
der como a doutrina do Sililll! iustus et peccoto}" tal como apresentada na
nal.i\ De é iguai111ente 01T1 >~, '~, ;

o solo gmtiu porque católic,_'.- ~


DC não é atingida pelos anátemas do decreto tridentino sobre o pecado
qUê seja gr{lça. Quando se enLê'-
original e a justificação. A nota ainda declara que a importància atribuída à
então as obras estão
doutrina da justificação não é a mesma para católicos e Iuteranos. Para
estes, ela tem um significado todo especial, para os católicos é uma àoutri- quando se fala ern graça
peio qual amamos a Deus e
na entre outras. O espaço não permite citar todos os pontos abordados na
tornaric"linente incluídas na
nota. Por isso, citamos apenas uma das conclusões: "O nível de concordân-
[ais na doutrina do pecadn (\L~~
cia é alto, mas ele não nos permite [ljnda afirmar que as diferenças separan-
dcr de autores dessas
do católicos e luteranos na doutrina concernente a justificação sejam sim-
Outra igreja n50 1}]er':-"_'<
plesmente uma questão de ênfase ou de linguagem. Algumas dessas
cliferencas dizem resDeito a asnectos de substância e não são -1-
Dortanto mu- respeito aos dQcun)ento~~(L-,
:> ..I. 1
ch-Llftherische I(irchc
tL1amente compatíveis. ao contrário do que é afirmado no parágrafo 40 [da
\\'\v\v.selk.dc), Ela saúda c\ ~--.
DC):' Parecia ter surgido, assim, um impasse que dificultaria a assinatura
ter sido escolhida como .~.~__
conjunta da DC.l\/las~ diÚlogos e negociações posteriores. iniciados enl
ja católicLl ronlLtna. Sua cc:n._
noven1bro de] resultaranl n~l ·'A:..firrnaçfto ()ficial Con1ulrl~' (J\OC) d~_, h;l(:;t"·~;v f-i,~
incluindo oS"Anexos" nos quais as principais divergências remanescentes
existe I'Jull1
foram discutidas. conduzindo, assim. a uma assinatura que confirmou a DC
"na sua totalidade". nlação Oficial COnlLUll~' e se'

existentes por ocasião da


Das igrejas luteranas não filiadas à FLM, a maior, em número de
certo consenso foi
membros, é a Lutheran Clmrch-Missouri Synod (LCMS). Seu presidente,
cado: na adoção do s(
Dr. A!vin Barry. solicitou uma avaliação da DC is congregações de profes-
"por fé somente"

-6 -
..;lrês. A Declaração Con- sores dos dois seminários da igreja. (O texto das avaliações, acrescido de
entre 1995 e 1997
unl sU111Úrio da CTCI<-, pode ser acessado pela internet: \v\v\v.lc111s.org,
:mspfcios do Vaticano e depois clique enl cLer/does.) Essas avaliações vêern corno algo positivo a
existência do diálogo C0111 ll1na igreja que tenl rn.uito en1 C0111UlTI C0111 a
igrejas participantes em igreja luterana. -[\,1as.,a De é tarnbén1 forten1ente criticada por sua inetodo-
_.~>::s à comissào. Uma ver- logia falha., sua linguagern teológica irnprecisa, anlbfgua e perigosa, e por
1997. Após a aceitação
_=
sua falta de honestidade em relação à história. Afirma-se expressamente
igreja católica rOlnana que a De não é urna cont'lssão apropriada da doutrina da justificaçào, Dife-
.1:: 1998. Essa resposta foi renças doutrinárias fundarnentais, que no entender dos autores dessas avali-
F~ e o Pontiffcio Conselho
ações não foranl superadas na De, tarnbérn sào 111encionadas. 1.'\. prilneira
que
delas refere-se à li11portância da doutrina da justificação. I'Ía De, a justifi-
claro
~,==-l~i~a que ·~ainda não cação é '"UU? critério , e,nquanto que para Lutero e as Confis-
r1:1 toda a diferença entre SÔêS Luteranas, ~1. 6 () centro integrador de toda fé e teologia .
. Ela passa então a i~lérl1 disso,. os !uteranos afirrnarn o caráter forense. da ,.iüstificação~ " isto é~
~ls pzu:a a igreja católica. J/}.!" Deus declara o pecador justo por causa de Cristo~ enquanto que os católicos
De. Para os católicos a defincl1J ~"ljustificação COill() unIa transfonnação interna do crente, U11i tor-
lY;Oexplicada no parágrafo nar-se justo. }6... De não resol\leu essa fundanlental. O que
tudo o que realmente é transparece é unIa rendição dos lnteranos frente à posição católicu tradicio-
~ ·~'atólicos fica difícii enten- nal. A DC é igualmente omissa na definição de graça. Ela até pode admitir
;. tal con10 apresentada na o solo gratio porque católicos e !uteranos tem cOll1preensões diferentes do
tridentino sobre o pecado que seja graça. Quando se entende graça corno o fa\lOr imerecido de Deus~
c:clê a importância atribuída à então as obras estão claranlente exclufdas no artigo da justificação, Ivlas,
:atólicos e luteranos. Para quando se fala elTI graça infusa~ UITl poder espiritual derraJnado na a1n1a
eJs católicos é uma doutri- pejo qual amamos a Deus e merecernos salvação, então as obras estão au-
. .1cs os pontos abordados na tomaticamente incluídas na justificação. Também as diferenças fundamen-
c::::.: .. o nível de concordân- tais na doutrina do pecado original não foran1 ren10vidas na De, no enten-
que as diferenças separan- der de autores dessas avaliações.
- ~= a justificação sejzl1TI SÚ11- Outra igreja não rnelnora da FLM que ÜUT1bénl se pronunciou corn
-.i'uagem. Algumas dessas respeito aos docunlentos de diálogo elTI foco foi a Selbsfiifulige Evollgelis-
·.~ia e não são portanto mu- ch-LlItherisc/le Kirche (SELK) da Alemanha (página na internet:
l·mado no parágrafo 40 [da \V\\;\v.selk.àe). Ela saúda expressarnente o fato de a doutrina da justificação
_ ~Uc:: dificultaria a assinatura ter sido escolhida como objeto de discussão teológica entre a FLM e a igre-
-=- _ posterjores~ iniciados elTI ja católica ronlana. Sua conclusão, porénl, é de que () ';consenso en1 verda-
Conll11Tij~ C/}.~OC)
des bÚsicas ua doutrina da just1ficaçã.o'j afirrnado na De na \'erdade não
_.1 \ergencias remanescentes existe. Nurn segundo docurnento a SELr..: se crn relação à '"i\fir-
. ,ttura que confirmou a DC ITlação Oficial Conlunl~' e seus GGArK:xos",Ela reconhece que questões ainda
existentes por ocasião da apresentaçÜo da DC foram trabalhadas e que um
. _.c, a maior, em nÚmero de certo consenso foi alcançado especialmente em relação ao conceito de pe-
LCMS). Seu presidente, cado: na adoção do solu fide, alterando a expressão "em fé" (DC ] 5) para
_L" congregações de profes- "por fé sornente" (iu1exo 2C); na afirmação da função central da doutrina

-7-

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- -- ---
para não pisar nos calo~~_
da justificação; na inclusão da dimensão escatológica na discussão; e na
quanto a trOlanos. /" c;u:::"
confirmação da paridade dos parceiros do diálogo. Ao mesmo terilpo, a
com fidelidade e elar:::,;:" _ .
SELK aponta questões ainda não resolvidas:
Desta perspecti\a. ~
1. O anexo 2A ainda afirma que a justificação nos toma justos. O si-
tradições presenk'
Iilll/ iu.\tus et peccator da Reforma não recebe expressão adequada.
reconhece a e\iq~'
2. O conceito de pecado. ou a questão da concupiscência. Não está
articulação teoi.",.", '.....
c]are a)~ que ponto se deve ainda falar da pecaminosidade do justificado
porém. que tai' df::'; .. ,,,.
quais luteranos e c',ltÓli c'.',· .,".
:L C sola .fi de - ou a relação entre justificação e santificação. Pela
para a outra c nlo anui~in:
primeira vez, numa declaração conjunta entre luteranos e católicos roma-
ca isso? Qual é o 11nlitc d~!."
nos, o sola gratio é complementado pelo solafide (Anexo 2C) e baseado em
diversidade"? Até que ponL' e: ..
Rm 3.28. Mas o valor das obras en1 relação à justificação não fica claro.
tórias sem cair num relati\ iq,
4. A preservaçào da graça - atnxvés àe boas obras? l~o Anexo lD a-
Não se está querendo ".
firma-se uma compreensão comum da questão. IVlas as citações das Confis-
questiona o esforço e a
sões Luteranas aduzidas como prova negam a participação de obras na
lizmente, não se chegou
preservaç5.o da vocação celestiaJ.
ineCluívoca
I da verdade bíb!icCl'~ -
5. O juIg<1111ento de acordo COITl as obras e a recompensa celestiaI. No
mesmo que chegar lá de fato. t.:" _
Ane);~o não fica claro o que reahnente nos salva no juizo final.
por cinco minutos ou por unn h:'
6. p~ doutrina da justificação COll10 critério. Afirma~se rnuito n1ais
claramente do que antes que "nenhum ensino pode contradizer este crité- fissõcs Luteranas que afirmo.l11 coce:
ou fazer alguma concessão, ai1'j,
rio" (Anexo 3). A SELK, porém, questiona por que não foi possível decla-
quer outra coisa" (AE,lIJI.5: \ç
rar a justificação como o critério.
CM, Do Credo, 33,54,55; FC L':,
7. O diálogo e a dimensão eclesioiógica. Afirma-se a paridade dos
diminuir o mérito, a glória e :,
parceiros do diálogo. Esta fora questionada na resposta da igreja católica
humanos aquilo que pertence Ui] _.
romana de 25 de junho de 1998 I\1as, a disparidade eciesiológica dos par-
ra Sagrada é clara, precisa e IÚC ~:::'
ceiros do diálogo, afirmada na DC (nota 9), não foi abolida.
tão: "pelil graça sois salvos. nk,~
Ao ler a De, a ACC e os Anexos, é importante ter em mente que os
mesmos são o resultado de anos de intenso trabalho por parte de vários Deus: não de obras para que n
Rm 4. I -8; 5.6-11. \e:U
{/O íl7lpio,
teólogos(as). Cada expressão e termo contido nos documentos foi cuidado-
cação pertenCê a Deus. ele ~L~,_
samente escolhido. Diante disso, cabe perguntar: são as formulações conti-
apóstolo é taxativo: "De Cri~t:
das nesses documentos aceitáveis do ponto de vista luterano confessional?
vos na lei, da graça decaístes.'·
Foi realmente alcançado um consenso em verdades básicas no que diz res-
Tendo dito isto, é preci,<
peito à doutrina da justificação? É possível afirmar que as condenações
doutrinárias mútuas do tempo da Reforma com respeito à doutrina da justi- nota que a primeira declara';5c ,
mana e a FLM tenha sido C':,Lc;
ficação não se aplicam ao ensino da justificação como apresentado por
luteranos e católicos romanos na DC? fato, já por si mesmo, cxprê',.,
É preciso lembrar sempre que não se está tratando de uma questão
mental deste w1iclIlus stontis c
se, passados quase 500 ano, eL
aberta ou de adiMoro. Está se tratando da definição e articulação do artigo
central da fé cristã. A questão ..por isso, não é se os documentos de diálogo igrejas como da sociedade ê1" ;:::'.
cnst!anlSmO
'." " (CA XX l'
~'..~_~.o\. Qj1.:ç .
têm ginga ou jogo de cintura suficientes para contornar todos os obstáculos,

- oo ~
para não pisar nos calos de ninguém e para, assim, agradar tanto a gregos
=~-:,C; êscatológica na discussào~ e na quanto a traianos. A questão é se os documentos conseguiram reproduzir
.:lC' diálogo. Ao mesmo tempo, a com fidelidade e clareza suficientes o ensino escriturístico sobre o tema.
Desta perspectiva. é forçoso dizer que sérias ambigüidades, lacunas e con-
'ustificação nos toma justos. O si- tradições presentes nos textos depõem contra eles. O parágrafo 40 da DC
~.=::be expressão adequada. reconhece a existência de "diferenças remanescentes na terminologia, na
~ct2co da concupiscência. Nào está articulação teológica e na ênfase da compreensão da justificação". Declara,
.:h; Decaminosidade do justificado porém, que tais diferenças são "aceitáveis" e que "as formas distintas pelas
quais luteranos e católicos articuiam a fé na justificação estão abertas uma
:= justificação e santificação. Pela para a outra e não anu~anl (}consenso nas verdades básicas.'; O que signifi-
-::ntre luteranos e católicos rOlna- ca isso? Qual é o limite da "diversidade reconciliada", e da "unidade na
'.' (Anexo 2C) e baseado em diversidade''') Até que ponto é possível estar aberto para posições contradi-
_~_~>.' ,~L'~ "';;'" -' .Ç;" ln"~
. : _c) o. Justd,ca.,uv nao uca C1Ü10. tórias sem cair num relativismo completo?
-::::_
de boas obras? No p"nexo 2D a- Não se está querendo minimizar ou negar avanços evidentes. Não se
=<ão. Mas as citações das Confis- questiona o esforço e a sinceridade dos participantes do diálogo. Mas, infe-
-2;am a participação de obras na lizmente, não se chegou ainda, nesses documentos, a uma confissão clara e
inequívoca da verdade bíblica sobre a justificação. Chegar quase lá não é o
:bras e a recompensa celestial. No mesmo que chegar lá óe fato. Em termos óe resultado final, perder o avião
.-:-nos salva no juizo final. por cinco minutos ou por uma hora de atraso não faz óifcrença. São as Con-
critério. i~finl1a-se muito rnais fissões Luteranas que afirmam que "óesse artigo a gente não se pode afastar
- ,:,inopode contradizer este crité- ou fazer alguma concessão, ainda que se desmoronem céu e terra ou qual-
.: por que n50 foi possível deda- quer outra coisa" (AE,Il/I,5; veja também CA XX,8; Ap IV,2; XII,3,] O;
CM. Do Credo, 33,54,55; FC, DS, III,6). Ceder neste artigo significaria
_"'. Afirma-se a paridade dos diminuir o mérito, a glória e a honra de Cristo, pois se atribuiria a seres
..h na resposta da igreja católica humanos aquilo que pertence unicamente a Cristo. A linguagem da Escritu-
_::~paridade eclesiológica dos par- ra Sagrada é clara, precisa e não deixa lugar para ambigÜidades nessa ques-
. não foi abolida. tão: "pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de
importante ter em mente que os Deus: não de obras para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Deus justifica
trabalho por parte de vários CIO (/77 pio, Rm 4.1-8; 5.6-11, veja também Fp 3.8,9. Toda a glória na justifi-
-:L.=,nos documentos foi cuidado- cação pertence a Deus, ele não a divide COI1OSco.Por isso, em GI 5.4, o
-untar: são as formulações conti- apóstolo é taxativo: "De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-
je vista luterano confessional? vos na lei, da graça decaístes."
básicas no que diz res- Tendo dito isto. é preciso reconhecer como muito positivo e digno de
=1 afirmar que as condenações nota que a primeira declaração conjunta oficial entre a Igreja Católica Ro-
_m respeito à doutrina dajusti- mana e a FLM tenha sido exatamente sobre a doutrina da justificação. Este
- --_:'l.'~ão como apresentado por fato, já por si mesmo, expressa o reconhecimento da importância funda-
mental deste m1icu/us stantis ct cadcntis ecc/csiac. Além disso, conseguiu-
,~::stá
tratando de uma questão se, passados quase 500 anos da Reforma, chamar ampla atenção tanto das
e articulação do artigo igrejas como da sociedade em geral para este "que é o artigo principal no
~ se os documentos de diálogo cristianismo" (CA XX,8). Queira Deus que toda a igreja cristã no mundo
.. _ contornar todos os obstáculos,

-9-
inteiro possa chegar a uma compreensão clara e biblicamente informada
desta doutrina e lhe atribuir o lugar central que lhe cabe. -.. j l--r-
_-Ár~ 1"]

Introdução

Há uma recO!T~ncLc
j 0.30-37) na produçilo têc
espelho, refletindo o prog,~
em sua luta contra o escoL,
sistema agostiniano de pen.<---
Lutero nunca fez unL
vez aparece uma exposi';'Jc) "
texto de forma alegórica, -'i

dela) é usada como ilustraç7,


expondo e é usada com L1lJL
maritano representa CrislO c:,'

di vindade está operando li(.


Nos primeiros texto>.
temente ancorado na teoics:'
vançam no tempo, percebe-- ~
teológicas medievais. A,
nos seus dias. Pouco a pau,'"
te para sustentar a tese dê:: ~
da graça de Deus em Cri:<
sal vaç'ão oferecida pc Ic c-_

aparece uma interpretaçÜo ~, ,


Percebe-se, atra \é ~ j-
parábola do Bom SamarID'

Professor na Escola
I i\!O:\SELEWSKI. Wernc:
pp,95-96,
- 10-
amente informada
ARTIGOS

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


NOS ESCRITOS DE LUTERO

Cláudio L. Flor

Introdução

Há uma recorrência diacrônica à parábola do Bom Samaritano (Lc


10.30-37) na produção teológica de Lutero. A parábola funciona como um
espelho, refletindo o progresso da compreensào teológica do reformador
em sua luta contra o esco!asticismo e o processo de independentizaçào cIo
sistema agostiniano de pensamento.
Lutero nunca fez uma interpretação forma! desta parábola. NenhulTla
vez aparece uma exposição sistemática deste texto nos seus escritos. Usa o
texto de forma alegórica. A parábola (normalmente apenas uma fração
dela) é usada como ilustração e confirmação do ponto teológico que está
expondo e é usada com uma forte ênfase cristológica. Normalmente o Sa-
maritano representa Cristo ou Deus e o texto é usado para descrever o que a
divindade está operando 110 ou em favor do ser humano.
Nos primeiros textos, o uso da parábola revela um Lutero ainda for-
temente ancorado na teologia medieval. Na medida em que os escritos a-
vançam no tempo. percebe-se o seu avanço e a superação das posições
teológicas medievais. A princípio, Lutero emprega a interpretação corrente
nos seus dias. Pouco a pouco, amplia sua leitura, usando-a cristologicamen-
te para sustentar a tese de que a lei não pode ajudar-nos. A salvação é obra
ela graça de Deus em Cristo. Demole, assim, passo a passo, a doutrina da
salvação oferecida pelo escolasticismo. Nas obras mais tardias, também
aparece uma interpretação ética da parábola. 1

Percebe-se, através do exame seletivo e comentado das citações da


parábola do Bom Samaritano nas obras de Lutero, que a mesma revela o

Professur na Escola Superior de Teologia. São Paulo, SP.


I \IONSELEWSK!. Werner. Der BCII7lIher:cige Salllaritcmer (Tübingen: ]. C. Mo111', ] 967).
pp. l)).l)(í.

-li -
desenvolvimento da compreensão da doutrina da salvação por parte do pecador nunca tem r!::;',,:
obra. mas o processe "~"'"
reformador e, especialmente, o momento em que começa a fazer clara dis-
I"Ja expo~içf_:"
tinção entre justificação e santificação,
dro: "'(O homem 'c"
Deus e ao seu
Primeiras preleções sobre Salmos (1513-1515)
aplicou óleo e \1'111
ma (Lc 10.34:","
A parábola do Bom Samaritano é citada três vezes nessas preleções,
O processo de ,'c'
A primeira citação ocorre no comentário do Sl 4.4, Segundo o texto;
capaz de cooperar COF: "
o Senhor não apenas fere, mas até mesmo esmurra a fim de curar
e castiga a fim de treinar (Jo 5,] 8) '" A lei somente mata, mas não (injÚndit) como uma prlL1-:- =

é capaz dê fazer revlver (isto é, 11l0stra COl110 a pessoa deveria Agora terá que esforçar.,s-:-
tas)."
morrer, mas não traz vida; isto é. não mostra como uma pessoa
N,esses "
prImeiros te\:,,',
pode revi ver), e o homem apenas sai machucado, mas não tem a
te o quanto Lutero era aind~l
sua dor aliviada, ao passo que Deus "derrama vinho e azeite" (Lc
JO,34),2
to teológico daqueie momen
longe da "'nova" teologia que '.:::
o texto reflete a arcaica teologia da cruz do jovem Lutero, Deus apa-
ção era ainda um processo qu-:- ",'
rece como o Bom Samaritano, A última sentença precisa ser lida à luz da
obra de Deus, o ser participa ~::'
primeira: A oçÚo de Delís é terapêutica, Ele atua através do sofrimento,
Enquanto a lei somente mata, a ação de Deus é dupla: Leva à morte e traz Prdecões sobre Romanos 'EE,) ~1--
de volta à vida, Deus estaria curando o homem ferido por meio do sofri-
mento,
Nessas preleções. a
A parábola volta a ser mencionada quando Lutero comenta o Sl 41,3, meira vez em Rm 4,7. onde
Forma-se a seguinte imagem: O Bom Samaritano é o Senhor CMt ] 1,28), O especialmente importante De
homem ferido representa cada cristão, O Senhor remove a tristeza e as feri- anos,
das, "mas isto acontece somente no fimÜ da existência", "Este é o signifi- O ser humano somem-:-
cado de trazer ajuda e modificar todas as coisas, isto é, tudo ao mesmo sua graça nele, A partir dai
tempo (tOtclliícr)", "0 Samaritano nos tem sempre na estalagem, onde alivia coração (carifas),
a pena com o óleo da graçu e, gradualmente, o cuidado do hospedeiro cura
Quando a pessoa de:=,.
os ferimentos":' te amar a Deus'} :\L. ~,
A ênfase aqui está em mostrar o que Deus está fazendo em nÓs. Lu- portanto, o amor ,,1=

tera ainda não faz distinção entre justificação e santificação, O poder da


niciado peja graça,
Sua graça está curando o pecador. Lutero ainda segue o pensamento de nece e que nos 1111;X_=
Agostinho: a salvação é vista como um processo que dura toda a vida, O
-+ }<'il:S1LeC!lfres Oll file Psuínls
Hilton C Oswalu (Se LOUIS: C?';.1
2 rirst Leclllres Oil the PIIl!ms (J 513), in Luther's IVorks. Am. Eu" (L Ps j -75), eu, Hilton
:i HAGGLUND, Bengt.
C Oswald (St Louis: CPH. 1(74). p, 63, 1968j,pp,114,j40.
; As cila~'ões deste mo vêm ue Firsi LecilIres 011 Pso!IIlS (1513), LW, AE, 10: 192,

- 12 -

-~- ~ - ---~-~-
-- -_.~ ~
---.-
pecador nunca tem plena certeza da sua salvação. Deus está fazendo a sua
.aç:io por parte do obra. mas o processo termina somente no final desta vida.
T;ê,;a a fazer clara dis-
Na exposição do Si j 04.16, soma-se um novo componente ao qua-
dro: "'(O homem semimorto) está agora de forma apropriada predisposto a
Deus e ao seu próximo por meio da palavra de Deus. Então o Samaritano
aplicou óleo e vinho no seu próximo. Deveríamos proceder da mesma for-
ma (Lc ]0.34)".-+
.. ::, .ezes nessas preleções.
O processo de justificação foi iniciado por Deus. Agora o homem é
Segundo o texto, capaz de cooperar com a obra de Deus. Óleo e vinho foram derramados
esmUl'ra a fim de curar
(infÚndit) como uma primeira graça. Agora ele é capaz de amar (caritas).
,'C:, somente mata, mas nao
Agora terá que esforçar-se muito para assemelhar-se a Cristo (collfonni-
.. ~. como a pessoa devena tas).)
mostra como uma pessoa
Nesses primeiros textos, o uso da parábola do Bom Samaritano refle-
-nachucado, mas não tem a
te o quanto Lutero era ainda filho do seu tempo, o quanto refletia o contex-
·.lerrama vinho e azeite" (Lc to teológico daquele momento. Há sinais de mudança, mas ele ainda está
longe da "nova" teologia que surgiria apenas alguns anos depois. Justifica-
-:lc jovem Lutero. Deus apa- çÜo era ainda um processo que envolvia toda a vida do ser humano. Embora

_ ça precisa ser lida à luz da obn de Deus, o ser participa ativamente em todo o processo.
::cÚULl através do sofrimento.

~ dupla'. Leva à morte e traz Preleções sobre Romanos (1515-1516)


, em ferido por meio do sofri-
Nessas preleções, a parábola do Bom Samaritano é usada pela pri-
Lutero comenta o SI 41.3. meira vez em Rm 4.7, onde Lutem faz referência a Lc 10.27. Esta citação é
uno é o Senhor (Mt 11.28). O especialmente importante por revelar a forma de pensar de Lutem naqueles
<-:hOf rernove a tristeza e as feri- anos.

__. existência". ·'Este é o signlfi- o ser humano somente pode cumprir a lei depois que Deus derramou
~'oisas, isto é, tudo ao mesmo sua graça nele. A partir daí o ser humano pode amar a Deus com todo o seu
'C'mpre na estalagem, onde alivia coração (caritas).
_u:~ c cuidado do hospedeiro cura Quando a pessoa deseja e ama alguma outra coisa, pode realmen-
te amar a Deus? Mas esta concupiscência está sempre em nós e,
._ Deus está fazendo em nóS. Lu- portanto, o amor de Deus nunca está ern nós, li menos que seja i-
e santificação. O poder da niciado pela graça, e até que a concupiscência que ainda perma-
ainda segue o pensamento de nece e que nos impede de "amar a Deus de todo o nosso coração"
.:.:'c,cessO que dura toda a vida. O
011 lhe Psul/llS ( 1513/] 5] 5), in Luther's
4 Fin'l LeCI/lres W OIks, Am. Ed. (lI, Ps 76-] 26), ed.
Hilton C. Os\vald (St. Louis: CPH. 1976), V. 11, p. 335.
\. Am. Ed .. (I. Ps ] -75). cel. Hilton .i HAGGLUND. Bcngt. Hilton 0/ Tlzeology. Trad. Gene j, Lund (St. Louis/London: CPH,
!96í\).pp. ]]4-140.
P,i/!ms (1513), LW, At. 1O:192.
- 13 -
(Lc 10.27) seja curada e, por misericórdia, não imputada a nós
curado,
como pecado, e até que ela seja completamente removida e o per-
çou a cur2-1:~
feito amor de Deus seja dado aos crentes e àqueles que persisten-
temente 1_uram por e.e
1,
ate o j"i 1m.6 A fórmula
nificado pleno que- 1=:-...:
Indubitavelmente. o texto reflete o pensamento de Santo Agostinho.
totalmente. O sel =:',=
Quando Deus concede sua graça ao pecador, este pode dirigir seu amor
injusto. Foi reno\~j' ::"
para o alto. em direção ao bem supremo. Concupiscência é a enfermidade
No con1enLiric:
que não permite o "pelfeito amor". Como um ser enfermo, o ser deve lutar
física de Âristóte]es e:

contra a moléstia e precisa ser curado. "Curar" equivale aqui a "por miseri-
ao esco]asticismo. A di ":
córdia. não imputando a nós como pecado".
batismo aparecerá sempre: ..::::
A exposição de Rm 4.7 é, portanto, um dos textos que melhor repre-
Os escolásticos afirm(l\~:l' -
senta a teologia do jovem Lutero. Observe-se como ele usa a parábola:
permanecia pecado no
Cristo, nosso Samaritano, trouxe o seu semimorto para a hospeda- I ",
lon1el11 eSpirItual para (1 .~ _
ria para ser atendido e começou a curá-Io, prometendo-lhe cura 'I110. I'- O ser I1Umano preCiSe.,
.
completa até a vida eterna e não imputa pecados ... mas, enquanto
isso, na esperança da prometida recuperação, proíbe-o de fazer ou Apenas àqueles "i"-
suas faltas, i!1vOC(l;:,-'-
omitir coisas pelas quais sua cura possa sofrer interrupção e seu
a carne é a sua
pecado. isto é, sua concupiscência, possa incrementar-se. i
lei de Deus, ele é ,= ,,,"-

Segundo o texto, a justificação não foi completada. Deus apenas co- vos. mostra a debil:..:_~c
meçou a cura, mas durante o tempo em que a cura está em andamento, ele em processo de CUL:
não condena o ser enfermo. Não apenas "não imputa os pecados", mas ao
"Desejos lascivos" kl'-,
mesmo tempo gera e"pemnço. Deve-se notar, no entanto, que não se fala bem".14
aqui que Deus imputa a justiça de Cristo. A expressão "não imputação" é
A próxima citação é un, ::'
típica do pensamento agostiniano. Por causa da confissão e da auto-
rábola do Bom Samaritano ; L'
acusação do homem. "Cristo encobre os pecados que permanecem. O pro-
QU"I'ulo
. Lt! "11""";"'-
o u(. 11d1 i \.._,
cesso real de cura ou renovaç5.o ... é, pelo menos em parte, a base da não
. _ - ,,:S mimorto), este 1120 :::_
llnputaçao .
cuperação. EntEio, I- ..•
O homem semimorto é justo apenas em esperança (in spe), mas não
cesso de melhora.. :=:-
ainda em realidade (in re).
Ele está realmente doente, mas está bem por causa da promessa
firme do doutor, em quem confia e quem já o vê como realmente
'I
Lec!ums on RO!/lalls (] 5] Si' ~,
10 Lec!ures 011RO!/lw/s (] 515: '"
(; LeClures 011ROI7lClIIS(]5í5!l516), in Luther's Works, Am. Ed., (St. Louis: CPH, ]972), V.
1I Lec!UresollRolllans (1515":
25. fl 262.
I~
11 Lecturcs 011 ROlll([!1S (] 51 5,..: '" ,"--
7 Lec{ures on RO!/lwo' 0515/1516), L\V. AE, 25:260.
.. LeClllles 01/ RO!/lans ( 1515.' " .c
S Saarnivaara. Umas. Lut!zerDisc01'frs the Cospe! (St. Louis. CPHl. p. 81.
I-lLeClllresonRomans (]515 "
- 14 -
,cila, nao imputada a nós curado, porque está seguro de que vai curá-lo. De fato, já come-
::,~imc:nteremovida e ° per- çou a curá-Ia e já não o identifica como um paciente terminal.9
~::' ç àqueles que persisten- A fórmula sim III iustus et peccator aparece no texto, mas sem o sig-
nificado pleno que terá no Lutem maduro, Ainda falta aqui o radical tatus -
_ <crnento de Santo Agostinho, totalmente. O ser enfermo ainda não é totalmente justo, nem totalmente
C'Ste pode dirigir seu amor
injusto. Foi renovado em parte, mas ainda está enfermo.]O
No comentário de Rm 7. j 7, Lutero está lutando contra "a falsa meta-
'.:upiscência é a enfermidade
ser enfermo, o ser deve lutar física de Aristóteles e a filosofia humana tradicional",]! Está referindo-se

.. equivale aqui a "por miseri- ao escolasticismo. A discussão presente sobre o pecado no homem após o
batismo aparecerá sempre de novo nos seus textos até o final da sua vida.
-", dos textos que melhor repre- Os escolásticos afirmavam que após o batismo ou arrependimento já não
:: como ele usa a parábola: permanecia pecado no homem, Lutero afirma que "permanece pecado no
: ,eu semimorto para a hospeda- homem espiritual para o exercício da graça, para tornar humilde o orgu-
curá-lo, prometendo-lhe cura Iho.l:' O ser humano precisa dar duro para eliminar o pecado.
Apenas àqueles que batalham corajosamente e lutam contra as
"'puta pecados ,,, mas, enquanto
suas faltas, invocando a graça de Deus, Ele não imputa pecado ...
::.:uperação, proíbe-o de fazer ou
a carne é a sua fraqueza, ou sua ferida, e na medida em que ama a
.' possa sofrer
,
interrupção
7
e seu
lei de Deus, ele é espírito; mas na medida em tem desejos lasci-
_.0, possa mcrementar-se,
vos, mostra a debilidade do espírito e a ferida da carne, que está
completada, Deus apenas co- em processo d e cura. 13
:'.:e a cura está em andamento, ele
.,não imputa os pecados", mas ao "Desejos lascivos" tem o mesmo significado de "fraqueza para o
bem".I~
:: 11:tar, no entanto, que não se fala
A expressão "não imputação" é A próxima citação é um exemplo típico do uso que Lutem faz da pa-
causa da confissão e da auto- rábola do Bom Samaritano (Lc 1 0,30 e ss.):
Quando o Samaritano derramou vinho e óleo nas feridas (do se-
_~ pecados que permanecem, O pro-
menos em parte, a base da não mimorto), este não recuperou-se imediatamente, mas iniciou a re-
cuperação. Então, nosso enfermo está tanto débil quanto em pro-
.::nas em esperança (i/1 spe), mas não cesso de melhora. Enquanto saudável, deseja fazer o bem, mas

~::,mas está bem por causa da promessa


confia e quem já o vê como realmente
__ c

9 Lecfures 0/1 RO/l1ans (1 515/! 516), LW, AE, 25:260.


10 Lecrum.\' 0/1 RO/l1a/1s (1515/1516), LVI, AE, 25:260.

. . ,,'s WOI*S, Am. Ed" (St, Louis: CPH, 1972), V.


I1 Lecfures 0/1 RO/l1clIIS I
(15 5/1516), LW, AE, 25:338 .
12 Lecfures 0/1 RO/l1a/1s (1515/] 516), LW, AE, 25:339.
i1 LeCtltlES 011 ROllla/1s (15]5/1516), LW, AE, 25:339.
-"E 25:260.
I~ Lecrur".\' 011 ROllla/1s (151511516), LW, AE, 25:340.
(St. Louis, CPH), p. 81.

- 15 -
- 14 -

-. - -~-- --
-
~-
como enfermo quer algo mais e é compelido a ceder à sua debili- enaltcce a
dade, o que ele mesmo não quer realmente fazer. 15 to nosso
gunao a caril'::::
Justificação aparece como um processo progressivo através do qual
Deus está purificando o pecador. Este início de caminhada terapêutica leva e rnalor do ~~''"'>_

o homem a contribuir na sua cura. A diferenciação entre "culpa por debili- que dos an l
Xl1110 na
dade" e "culpa movida pela vontade" sugere que o homem tem agora uma
opção. Ele pode desejar fazer a vontade de Deus. 16 Lutero continua
Segundo Lutero, Rm 14.23 significa "que qualquer pessoa que não elo honlerrt a Bíblia uso
] f'e peca mesmo quan d"o pratIca uma boa ora".
ten.1él b" 17 Q uan d o alguem
" cre, A
i11enl. Os apóstolos são n:l'c;
sua boa obra torna-se proveitosa. "Falta de fé" significa aqui o mesmo que
vezes a expressão é usad~i p~:
"deficiência de fé" ou "fraqueza de fé". Essa deficiência de fé é apenas um seguir, explica
L;\ Li razão CL.l

pecado venial, embora seria um pecado mortal se, em sua graça, "Deus não O hon1en1 é de.\ign~~,~
fosse misericordioso e não se abstivesse de imputá-Io como tal por causa da pois rcaiInente é \...'~ll-;--
., ll11Cla
cura .Ia ... I
d a ,,18 no .10mem rienao.
., "O·"
L OlS ueus '1,evantou-o' . ( aSSlII7I pSit. ) Poj.s deste I110UO Lll1
para aperfeiçoá-io e para fazê-Ia saudávei, como o Samaritano fez com o ça, sabedona e
]10mem que fOi
.. ' a b anronado
d .. melO morto "(L. c! 10"''''
._'}.J ss.). 19
pressar sern ênfase
Nesta passagem Lutero novamente está falando sobre todo o proces- comunhão enl carne: ~
so de salvação. que apenas iniciou-se. Não há uma diferenciação entre jus- são sinlplesrnente '_
tificação e santificação. Não aparece ainda tal coisa como "imputação da carne e sangue ern ~_
justiça de Cristo", mas o processo de cura está relacionado com a não im- enl carne c sangUe
putação de pecados. O hornem n5.o é salvo pelas obras da lei. Graça é a
Â---C]uiU.lnlbénl LuterD
grande palavra. Mas Lutero precisará ainda de mais tempo para fazer as
texto reflete a distinção entre
distinções apropriadas,
('({ritus). O hOrneIll agora e.l;ui
Cristo~ ou por causa da corn:
Preleções sobre Hebreus (1517/1518)
O}Jortunidade.

Deus fez Cristo nos<c


A l1'erc'ln
.• 11~'L do B01'1C'11ra,-it'1'1n
• ...-1 JLt l(.l~U.l.U an''''pce
l!uJ. ..... "'1
11' e~pos;r;;o
A >..c!".;'{.t de Hb
..1. ')_.~ 14'1.20
,~.
tll/!77 spiritlf171), nlas tanlh~n-,
Aqui o apóstolo traça uma distinção entre a fraternidade que exis-
Cristo cstÜ mais perto de 11~:.
te ente nós e os anjos daquela que existe entre Cristo e nós. Ele
dentificado com o próxinL'
U111fafIna exc lu si va (une/c'
I) Lecill!'es (m RO!líalls (j 5 15/1516). L W. AE. 25:3-!-0.
16 Lecfu!'es Oll ROIIIClIlS (1515/15 j 6), LV\'. AE. 25:3-!-0. posta ao intérprete da Iej r>~'
17 Leclures Oll ROIIIClIlS (lSI5I1S1ÓJ. L\V. A.E. 25:507 época, as obras do crisu1c
IS [ecrures Oll ROIIICII1S (] 5] 511516). LW. AE. 25:507
I'J Leclu!'es Oll RO/iIUIlS (151511516). L \V, AE. 25:507 ~) !-lchrcH',) (I5j7/15JXL L\\
20 O texto aparece assim na Bíblia, \'tTsão revista e atualizada de A.lmeida: "Visto, pois. que ~7 f!ehn'I".\ (í517/15!i-:!. L\\
os filhos têm participação comum de carne e sangue. destes também ele, igualmente. parti- " DI'. Murlill Llff!zcl:\ !!
CipOU 1:-::-:6. V. -!-2.126.

- 'r.
10-

~-
-;-ê lido a ceder 21sua debili- enaitece a abundância do amor de Deus, a saber, que Ele fez Cris-
.-~-lente fazer.I5 to nosso irmão não apenas segundo o espírito, mas também se-
gundo a carne~ de tal forn1â que ao iTlesrno tenlpO o 111eSi110 Cristo
progressivo através do qual é rnalor do que os anjos~ conlO nós, e está Dlais cerca de nós do
::lminhada terapêutica leva
que dos anjos. Portanto ele tambérn ChalTIa a si 1l'leSn10 nosso pró-
entre "culpa por debili- T r 1(';
vin-JO
-1-1'1
/\_~-- '1'1r'í'ool:1
(. rL~-('- J_~ Qt()
~ .S"nl'lrita ~ el'1
U.•• u..~••.(. no '" 0;0-17 • 21
'J. __
~L ~"'" _

o homem tem agora uma


Lutero continua falando do dupio significaào de carne. ft~pós a queda
qualquer pessoa que não do hornelTi~ a BíbJia uso os tern10S ··carne e sangue~' para descre\"er o ho-
. ,.170 _uan d o aIguem
ot,ra', -, cre, A mem. Os apóstolos sÜo referidos por esta expressão em GI 1.16. Algumas
" significa aqui o mesmo que vezes a expressão é usada para descrever a natüreza depravada do hornen1.

-,1 deficiência de fé é apenas um p~seguiL explica a razüo da distinção:

se, em sua graça, "Deus não O hornern é designado pelo que ele é e tarnbél11 pelo que ele ama;
pois realrnente é carne e sangue; e tarnbénl arna carne e sangue .
. rnputá-lo como tal por causa da
-: Deus 'levantou-o' (assumpsit) Pois deste 1110do lfu11bénl é chanlado justo ... quando alTIf.1 a justi-
:omo o Samaritallo fez com o ça, sabedoria e bondade. Portanto aqui o apóstolo não quer ex-
'.~: 'n
Iv,.'.
'J,:\ ss ..) 19 pressar senl ênfase que os filhos sào carne e sangue, e que Htênl

-:: :: ,.1:,\ ralando sobre todo o proces- cornunhão enl carne e sangue", a fi1n de demonstrar que eles não
- hei uma diferenciação entre jus- sÜo simplesmente carne e sangue, mas que apenas compartilham
:Ll tal coisa como "imputação da carne e sangue ern Cristo~ que tarnbénl tern cOll1unhão C0111 eles
está relacionado com a não im- ern carne e sangue.

o pejas obras da lei. Graça é a .i4.qui lanlbénl Lutero segue o pensa.nlento de Santo i\gostinho. O
Hida de mais tempo para fazer as texto reflete a distinção entre o arnor inferior e o alTIOr superior (clfjJiditas et
('{{ritos). O h0l11ern agora está unido com Cristo. Por causa desta união corn
Cristo. ou por causa da cOlTIunhão C0111 ele, o hornern tern agora Ui11a nova
oportunidade.

Deus fez Cristo nosso irmão não apenas segundo o espírito (seclIn-
'c.·c',"P
,~ nn aVDOS1'Ca~0
~.o.. c.' dav Hb ').......•..
'\,1a·20
\....-.1\1
dum mas também segundo
spirirwJ!), a carne (seciflldllíll comem). Agora
entre a fraternidade que exis- Cristo estÚ mais perto de nós. Cristo, nosso irmão (frutrem nostrum), é i-
:n.1eexiste entre Cristo e nós. Ele dentificado CO!ll o próxlrno (pro).:inllfln) da parábola do BOlTI Sanlaritano de
, •. I' J~ ..,......, ,,-
unl f-ornla exclusl"/(l (unde et se SOlUl71 CljJpelLot prOXl!JiUIJ1).-- j:,sta e a res-
- - < :.lC1
posta ao intérprete da lei no texto. Segundo a cOl11preensÜo de Lutero nessa
época. as obras do cristão são oirecionadas a Cristo~ a grande ll1eta do que

.'! }f"j,U'\\S (lSI7115IS). L\V . .A.E. 29:13-+,


- _~_~:5()7

e ,ltualizada de Almeida: "Visto, pois. que


.'.' Hclm'\iS i j 5 171151 Si. L W, AE. 29: 134.

destes também ele. igualmente. parli- .',;lh Merl/II Llllhl'!:\' Werkc (Kritische Gesammtausgabe). Weimm: Herman BÜhlalls,
I !-:!-:Ó. V. 42: 126

- 17-

-~ - -~~~
- ~------
~- ~ - ~~
~~~--
~-
nenhum e«
se produz de bom. Nosso próximo não é aquele que está ao nosso redor,
mas aquele que está num nível muito mais elevado, lá em cima, numa posi-
ção superior.
da teologia de L'.
Explanação das 95 teses (1518) \:ação de
cristão têTn
As referências à parábola na Explanação das 95 teses são escassas e próximo
um pouco diferentes das anteriores. Aparece uma referência na explicação santos são coloc;J.ck":- '_
da tese 80. Nela Lutero não usa a parábola de forma alegórica. Simples- estÚ ajudando e sêndc
mente compara a atitude dos bispos e teólogos do seu tempo com a do sa-
cerdote e do levita da parábola, que passaram pela vítima sem atendê-Ia. ~Preleções sobre Gá13tas
Lutero discute a forma correta de lidar com os ensinamentos distor-
cidos da igreja. O homem semimorto aqui seria a própria igreja: Está doen- En1 GÚlatas (15 I 9
"
te e precisa ser tratada. O que deveria ser feito então? Lutero 111enClOnaa ~, ~~
O reformador primeiramente identifica as obras dos heréticos: 2. j 7. E diffcil saber exm~llL:--
Esses pícaros, nossos próximos, ... um povo infeliz que se aiegra sagern. O contexto sugere ...
com o mau cheiro de Roma como o fariseu que se gabou do pu- prir a lei. O qüe Deus fez
blicano (Lc I8.l0), em vez de mostrar misericórdia dele ... e que fazer o que Deus dele
passa pelo semimorto (Lc 10.30) com a atitude de quem tem me- mente depois de 1530,
do de receber os respingos dos pecados de outros. risdição sobre o cristão. Eie
não existe. O cristão
Continua dizendo: "Por causa desse medo bobo, esses heréticos fi-
irnputada por Deus.
cam tão preocupados que não têm vergonha de vangloriar-se dizendo que
eles fogem para que não se tornem eles mesmos impuros. Tão grande é o
a conlentÚrio de (ii;
perto do seu conceito
seu amor". Segundo Lutero, não é possível "calar sobre esses temas e apro-
se anterior ainda dornina c~
vá-Ias". "Conhecemos nossa condição e sentimos tristeza por ela, mas não
são suficientemente
fugimos como os heréticos".2-\ Então conclui:
Enl Gl 2.16~ argurn~
V ejam de CJue forma miserável opera a igreja. Nós a defendemos
justiça das obras da 1ê1, p_~
com tanta lealdade e nos apressamos em ajudar com lágrimas, o-
Cristo. ft~firnla que hÔ. (IC
rações, admoestações e súplicas, pois o amor nos constrange a 1 •• ~

que esses GOlS CamInilC-. ::<


"levar as cargas uns dos outros" (Ga 6.2), não como o amor dos
n1inho externo", por ln::,:\~
heréticos atua, amor que procura apenas tirar vantagem do outro
cUl11prir a lei. O
de modo que possa ser apoiado e ao mesmo tempo não agüentar
prImeiro caminho

2-\ A, cila~'õe, do parágrafo foram extraídas de E\plw)(/Iirms of Ihc Ninct\'-Fil'c Thcsis


( 15 I f)). Corcel' Ihc R 'jl)}7llcr:!. in LlIlher's W o r.l:s. AE. ed. Harold 1Gril1l11l (Philadel-
-' L\piollOlicl1s
phia: I'vluhlenberg Press. ] 957), 31 :244-246.

- 18 -
nenhum espinho dos pecados dos outros. Imaginem se Cristo e os
.....
~ está ao nosso redor,
,,' . seus santos tI.....
vessem agIdo ass1111,quem tena Si'd'0 sa Ivo.-· "OS

. i:1 em cnna, numa POSI-


A menção do tema da parábola não traz novidades quanto ao quadro
da teologia de Lutero formado pelas citações anteriores. amor é a moti- a
vação de Lutero para lutar contra o ensino distorcido da igreja. As ações do
cristão têm dupla direção: Ajudar a levar as cargas uns dos outros como o
..' 95 teses são escassas e próximo (Cristo e os seus santos) o ajuda a levar as suas cargas, Cristo e os
.. rêferência na explicação santos são colocados como exemplo. Quando o cristão segue o exemplo,
- 7·.)rma alegórica. Simples- está ajudando e sendo ajudado.
.> seu tempo com a do sa-
:, ,,{tima sem atendê-Ia . ;' Preleções sobre Gá.!atas (1519)
• 111 os ensinamentos distor-
.. própria igreja: Está doen- Ern Gi5.hltas (1519)~ o ten1a do Bom Sanlaritano aparece duas vezes .
Lutero rnenclona a parábola prirneirarnente quando está explicando G1
·~,bras dos heréticos: 2.17. E difícil saber exatarnente o que Lutero está tentando dizer nessa pas-
. povo infeliz que se alegra sagem. O contexto sugere que o homem ainda recebe a habilidade de cum-
c,ll'iseu que se gabou do pu- prir a lei. O que Deus fez nele e o que Cristo fez por ele é a condição para
misericórdia dele ... e que razer o que Deus dele pede. Ele ainda tem uma tarefa a cumprir. Especial-
:i atitude de quem tem me- mente depois de 1 530, Lutero afirma explicitamente que a lei não tem ju-
:' de outros. risdição sobre o cristão. Ele morreu para a lei. A rererência antropológica já

.:~,0 bobo, esses heréticos fi-


não existe, a
cristão depende inteiramente da justiça de Cristo (extra nos)
imputada por Deus .
..~ \angloriar-se dizendo que
..> impuros. Tão grande é o
a
comentário de Oálatas de 15 9 revela que Lutem estava já muito
J

peno do seu conceito definitivo de justificw;ão, mas a forma de expressar-


.ir sobre esses temas e apro-
se anterior ainda domina o discurso do rerormador. As distinções ainda não
--_':;tristeza por ela, mas não são suficientemente claras.
Em 01 2. 6. argumenta que ninguém é justificado ante Deus pela
J

.. ~Ligreja. Nós a defendemos


justiça das obras da lei. Portanto, o caminho da justificação é o da fé em
ê'm ajudar com lágrimas, 0-
Cristo. Afirma que há dois caminhos para alcançar-se a justificação, mas
, o amor nos constrange a
que esses dois caminhos estão ern completa oposição. a primeiro é o "ca-
.2), não corno o amor dos
minho externo", por meio de obras. Depende do esforço do homem em
.' ~'i,lS tirar vantagem do outro
cU111prir a lei. O segundo é o "carninho interior~', por 111eio de fé e graça. O
m~smo tempo não agüentar
pnmeiro caminho "não favorece em nada a glória vindoura". O segundo

lhe Nil1e/y-Fi\'e Thesis


~; Harolà J. Grimm (Pl1ilaàel- Tlzesis (1518). LV!. AE. 31:246.
:'5 [\:p!Wf{uiUI1S of lhe

- 19 -

•••

-- -- ~-- --~
.----- - ~ ~~--- - ---- -
abre as portas do céu. Afirma que justificação "é nada mais que invocar o rações o seu
nome de Deus".26
amor e os taz ê' __ '
Lutero explica: sos sobre toclc :"
Mas invocar o nome de Deus ... mostra que o coração e o nome das as leis e oe:
do Senhor são um e estão grudados um no outro. Por esta razão, é tido e a lei é eu' '- ,
impossível para este coração não compartilhar das virtudes nas
Lutero está descrê' ce"
quais o nome do Senhor abunda. Mas é através da fé que o cora-
vor. Sem nenhum mérito. =:::"
ção e o nome do Senhor estão grudados (cf. Rm 10.17). A fé, no
entanto. vem pela paiavra de Cristo, pela qual o nome do Senhor seu amor. Este amor. junu:'.'~
é pregado".27 "Portanto, assim como o nome do Senhor é puro, pode ser cumprida por este L,
E' l'ml-Jol'!;)"te
.1 -!.~!!~·1l)e]"~el-"'-'r
"- L,,-~ '__ ,_~
santo, justo, verdadeiro ... assim também. se ela toca, ou é tocado,
pelo coração (o que acontece através da fé), faz o coraçâo inteiro não se fala aqui de imputa,;':::: "
como eia mesíllo".2S Segue o reformador:
Esta é uma justip
Lutero ainda usa o conceito "palavra de Cristo" como "radioativa", é dirigi da a Cristo _
isto é, ela irradia as suas virtudes para aquilo que toca. Mais tarde, em Lu- justiça de Cristo tê _

tero. "palavra" terá o significado de meio de graça, porque Deus dá a pala- com a outra de uma {:
vra de Cristo de forma completa ao homem. A palavra de Cristo transfere
Lutero chama esta
de forma transformadora os atributos ao coração. O coração está unido com
illstitia). mas ela não acontece
o que Cristo é.
coração do homem. Ante DêL',
Lutero continua: "Para aqueles que confiam no nome do Senhor, to-
dos os pecados são perdoados (dollentur 011111ia peccata) e a justiça é impu- valor e não ajustiça que pro\~--
tada a eles (illstitia eis implItetur) ... porque este nome é digno de confian- Nas páginas seguinte", L .:::
ça.
~,2()
tes espécies de obras (obras J: ::ce_
de paz e perfeito bem-estar i ;:~'.
A linguagem de Lutem aqui já é muito diferente daquela dos seus
primeiros escritos. A luta entre a terminologia antiga e a nova mostram que tem obras, nega que o home:-'

Lutero está chegando a uma compreensão mais clara do conceito de justifi- relação entre fé e justiça" F:ce . _
cação. Mas ainda não é a justiça de Cristo a que o homem recebe. Lutero Lutem afirmará que o crisÜ: _
continua: aqui ainda expressa a espeL::::
vive nele. Lutero continua:
Mas quando o coração tem sido assim justificado por meio da fé
que é em seu nome, Deus dá a eles o poder de tornarem-se filhos O apóstolo declar,:
de Deus (10 !, 12) ao derramar imediatamente dentro dos seus co- penas por meio Ó :~
mento da lei é j
bras, não se pode ê:C:ce.
2(;LeclUres 011 Colm/ol1s (] 5 19. caps, 1-6). in Lwhcr's W orks, AE. eu. Jaros]av Pelikan (SI.
Louis. CPH, 1964).27:119.
'; LeClures 011 Colot/olls (15] 9). LW. AE, 27:110 . .10 Lecllfres Oll Galatialls { 1:S 1
25 LeClUres 011 Colat/ol1s (1519), LW. AE, 27:221. 31 Lectures 011 Colot/c/I1s (151
29 Leclures 011 Culot/ul1s (1519). LW. AE. 27:111. .'2 LeClUres Oll Culm/ulls I ] 5]

- 20-
= ",:ida mais que invocar o rações o seu Santo Espírito (Rm 5.5), que os enche com o seu
amor e os faz pacíficos, alegres, ativos em toda boa obra, vitorio-
sos sobre todo mal, desdenhosos até de morte e inferno. Aqui to-

',' que o coração e o nome das as leis e obras da lei logo cessam; tudo agora é livre e permi-
, ;',::,outro. Por esta razão, é tI'd o e a Iel. e/ cumpn 'd a por meIO
. da f/e e dO amor.' 10
:~Jrtilhar das virtudes nas Lutero está descrevendo tudo o que Cristo conquistou em nosso fa-
e' através da fé que o cora- vor. Sem nenhum mérito, Deus concede isto ao homem. Infundiu-o com o
-, lef. Rm 10.17). A fé, no seu amor. Este amor, juntamente com a fé, cumpre agora a lei. A lei ainda
>~ia qual o nome do Senhor pode ser cumprida por este novo homem.
nome do Senhor é puro, É importante perceber que amor e fé aparecem associados, mas ainda
se ela toca, ou é tocado, não se fala aqui de imputação da justiça.
da fé)Jaz o coração inteiro Segue o reformador:
Esta é uma justiça p, dada ... d,e forma antecipada. De fato, como
"~ Cristo" como "radioativa". é dirigida a Cristo e seu nome, que é justo, o resultado é que a
justiça de Cristo e a do cristão é uma só e a mesma, unida uma
:;ue toca. Mais tarde, em Lu-
com a outra de uma forma indescritíve1.31
"~ ;raça, porque Deus dá a pala-
,,,- palavra de Cristo transfere Lutero chama esta justiça que justifica de "justiça de outro" (aliena
,::~iO,O coração está unido com iustÚio), mas ela não acontece extra nos. É o resultado da obra de Deus no
coração do homem. Ante Deus, apenas a justiça dada interiormente tem
.•·ifiam no nome do Senhor. to- valor e não a justiça que provém das obras da lei.
iU peccata) e a justiça é impu- Nas páginas seguintes, Lutem faz uma distinção entre quatro diferen-
:: e'ste nome é digno de confi,ll1- tes espécies de obras (obras do pecado, obras da lei, obras da graça e obras
de paz e perfeito bem-estar).32 Segundo ele, o apóstolo não nega que exis-
)1lO diferente daquela dos seus tem obras, nega que o homem seja justificado por meio delas. Qual é a
,:U, antiga e a nova mostram que relação entre fé e justiça? Fé é justiça porque ela cumpre a lei. Mais tarde
"',ais clara do conceito de justifi- Lutero afirmará que o cristão é absolutamente incapaz de cumprir a lei, mas
J, que o homem recebe. Lutero aqui ainda expressa a esperança de cumpri-Ia com a ajuda de Cristo que
vi ve nele. Lutero continua:
:,SSÚ11 justificado por meio da fé O apóstolo deClara de forma consistente que a lei é cumprida a-
::':5 o poder de tornarem-se filhos penas por meio da fé, não por meio de obras. Porque o cumpri-
.'idiatamente dentro dos seus co- mento da lei é justiça e isto é certamente matéria de fé, não de o-
bras, não se pode entender que as obras da lei signifiquem aquelas
Works. AE. eu. Jaros]av Pelikan (St.

LCClilrcs 011Ca!ar!alls (] 5 ]9). LW. AE, 27:221-


.1I Lcclilrcs (}II Ca!ar!alls (I 5] 9). LW, AE. 27:222.
)2 Lcclilrcs 011Ca!ar!al/S (I 5] 9). L\V.AE. 27:224.

- 21 -

..
obras pelas quais a lei é satisfeita. Então como seguimos? A regra
do apóstolo é esta: Não são as obras que cumprem a lei, mas o
cumprimento da lei produz obras. Ninguém se torna justo por pra-
ticar obras justas. Não, se produz obras justas depois de tornar-se
justo. Justiça e cumprimento da lei vêm primeiro, antes que as o-
bras sejam feitas, porque o posterior procede do anterior. ... O ú-
nico que fica é que as obras da lei não são obras de justiça."

Esta é a forma como Lutero opera aqui. Ao criar esta diferenciação


entre "obras da lei" e "obras da graça ou de Deus", pode manter ainda a
idéia de que de alguma forma o cristão cumpre a lei. Deus o está fazendo
através dele e com ele.
Lutem passa agora a explicar Gl 2.17. Aqui chama Cristo de "agente
da nossa justi ficação". Cristo ainda não é descrito como "nossa justiça".
"Cristo, o agente da nossa justificação, ... cumpriu o qU.eMoisés exigiu por
meio da lei".3"
Após toda esta exposição sobre a justiça, ilustra sua afirmação fa-
zendo uso da parábola do Bom. Samarital:o:
Todo aquele que crê em Cristo é justo, não ainda plenamente de
fato, mas em esperança. Pois começou a ser justificado e curado,
como o homern que estava semimorto (Lc j 0.30). Neste meio
tempo, no entanto, enquanto está sendo justificado e curado, o
pecado que resta na carne não é imputado a ele. Isto é assim por-
que Cristo, que é totalmente sem pecado, tornou-se um com o
cristão e intercede por ele junto ao Pai .. " Muito pecado ainda
permanece; mas não é imputado para condenação '" Portanto to-
das as declarações que enaltecem o justo devem ser entendidas da
mesma maneira, a saber, que o justo não é totalmente perfeito em
si mesmo, mas Deus o considera jmto e perdoa-o por causa da
sua fé em seu filho Jesus Cristo, que é nossa propiciação.3:i

Resumindo, Lutero afirma que aquele que crê em Cristo é justo (ius-
rus).Esta justificação ainda não acontece em realidade (in re), mas em es-
perança (in spe). No Gálatas de 1535, Lutero usará a mesma linguagem,

'.' Lecl/{res (m GU/U{ZUlIS i


(15 9), LW. AE. 27:223-225.
~~ Lec{/lres Oil GU!clliilllS (1519). LW, AE, 27:226.
'c Lectures 011 GU/atiilllS (1519), LW, AE, 27:227-228.

- 22-
_:':,0 seguimos? A regra mas lá refere-se totalmente ao processo de santificação no cristão."6 Aqui
, c :umprem a lei, mas o --' justificação ainda não é diferenciada de santificacão. É um ]JrDcesso 0lue
-' .'> -

-] se:: torna justo por pra-


acontece durante toda a vida. O homem ferido recém começou a ser curado.
,,[:15 depois de tornar-se
Fala de justificação ern termos de "união com Cristo". A tangente está qua-
.imeiro, antes que as 0- se tocando o círculo. Sua teologia começa a mudar. De acordo com Green,
ede do anterior. ... O ú- neste período "já não é mais tanto o Cristo como o Bom Samaritano ou
obras de justiça."" como o grande médico que justifica por transformação moral, mas é o Cris-
- criar esta diferenciação to que. habitando no interior cristão, toma o crente aceitável a Deus" .37
Continua dizendo:
_ pode manter ainda a
_ .. lei, Deus o está fazendo Ao fazer distinção entre justiça aliena e atual, Lutero estava já a-
vançando em dire,~ão a um posicionamento maduro e para a pos-
- -.:,i chama Cristo de "agente terior distinção feita pelas Confissões e pelo Luteranismo Orto-
__ -ito como "nossa justiça". doxo entre justificação e santificação. A justificação dependia de
";U o que Moisés exigiu por uma justiça aliena. A vida cristã conseqÜente (santificação) era
resultado da justificação, não sua causa. Lutero afirmava que o
ilustra sua afirmação fa- cristão, portanto, nunca deveria estar inseguro quanto a se está a-
gradando a Deus; caso contrário, não está na fé e tudo o que faz é
'8
.' ;ec. não ainda plenamente de pecado,'"
. ,u a ser justificado e curado, A referência ao Bom SanEritano em GI 5. 7 confirma que Lutero J

,:'rto (Lc 10.30). Neste meio nessa época ainda não havia cheg,l,cloa UlTIé1. compreensão completa da jus-
,:::ndo justificado e curado. o tificação. O texto apresenta alguns conceitos antropológicos de Lutero. Ele
-utado a ele. Isto é assim por- está descrevendo a Juta entre a carne e o espírito. Para ele, os termos repre-
l'~cado, tornou-se um com o sentam o homem em sua totalidade. Já não é em parte justo e em parte pe-
,__ Pai .... Muito pecado ainda cador, o que aponta para uma nova forma de Lutero faJar sobre o ser huma-
;':1 condenação ... Portanto to- no.
devem ser entendidas da O mesmo homem ... é espírito na medida em que saboreia as coi-
, não é totalmente perfeito em sas que são de Deus (Mt ]6.23), mas é came na medida em que é
e perdoa-o por causa da influenciado pela sedução da carne; e se consente com ela, é to-
-" -;~
,..."

:'.l'é: e nossa prOplClaçao."

-::-::que crê em Cristo é justo (i llS-


-::mrealidade (in re), mas em es-
:-::1'0 usará a mesma linguagem,

,,6 Lectlll'cs on Cu/miuns i] 535, caps. 5-6). in Lwher's IV01*.1, AE, ed. laroslav Pelikan (St.
Louis: ePH, 1964), 27:20ss,
.'! GREE:\, Lowell C. H(!II' M e/ullciltoll He/ped Lllthe!' Discover tile Cospe/, (Fallbrook:
Vcredict Publications. 1980). p, 167,
38 lbid .. pp, 167.168.

- 23 -
tal mente carne ... por outro lado, se consente com a lei, é total-
/. 39
mente espmto.

É apenas um ser o que está sendo transformado. Lutero diz, então:


Longe, a ilustração mais bonita de ambas verdades é este homem
semimorto de Lucas (10.30 ss.) que, ao ser socorrido pelo Sama-
ritano, estava realmente sendo curado, mas ainda não teve a sua
saúde totalmente restaurada. Da mesma forma nós, na igreja, es-
tamos realmente no processo de cura, mas ainda não somos to-
talmente saudáveis. Chamamos esta última parte de "carne"; a an-
terior, de "espírito". É o homem na sua totalidade (totus h(1110)
que ama a castidade, e o mesmo homem total que sente cócegas
pela sedução da sensualidade (libidinis). Há dois homens em sua
totalidade e há apenas um homem em sua totalidade. Daí vem que
o homem luta contra si mesmo e está em oposição a si mesmo.
Tem boa vontade e não tem boa vontade. E esta é a glória da gra-
ça dDe eus, e Ia nos f'"
,az mumgos d/e nos mesmos. 40

Nesta passagem o Samaritano não é identificado, mas sua atuação


decisivamente melhora a saúde do semimorto. Justificação novamente é
vista como um processo (Samaritano susceptus quidem curari). O processo
terapêutico começou, mas ainda não está concluído. Está sendo curado
enquanto está na igreja (hospedaria). Não há distinção entre o PUl1ctus /J1a-
them aticw71 da justificação e o resultado dela.
Como comentado acima, constata-se aqui uma compreensão diferen-
te do sim Lll iustlts et peccator. Em 1515/16, Lutero afirmou que o homem é
justo apenas em esperança, não de fato, em realidade. Esta justificação
proléptica estava baseada na esperança de que Deus completaria a obra no
futuro. Neste texto, Lutero diz que o homem é pecador em relação a sua
.• - /. 4]
carne, mas Justo em reiaçao ao seu espmto.

30 Lectlires 011 Galatialls 0535, caps. 1-4), in Luther's W orks, AE. ed. Jaros1av Pelikan (St.
Louis: CPH. ] 963) 26:363.
40 Lectllres 011 Galatians (535), LW, AE, 26:363-364.
41 Lectures 011 Galatial1s (1535). LW. AE. 26:363.

- 24-
- :)111 a lei, é tota1- Quatorze consolações (1520)

Este escrito devocional foi produzido em agosto de 1519, mas foi


Lutero diz, então: publicado apenas em 1520. Contém uma citação da última parte da parábo-
:::dades é este homem la, onde Jesus diz ao intérprete da lei: "Vai e procede tu de igual modo" (Lc
c ,cKorrido pelo Sama-
10.37). Apesar do título da publicação, é estranho o consolo que oferece .
..' :Ünda não teve a sua Lembra mais o Lutero jovem. Diz, por exemplo: "Toda punição parece, no
. lma nós, na igreja, es- momento, não ser para o nosso bem estar, e sim para o nosSo pesar; mas
.. c.' ainda não somos to-
depois, oferece o pacífico fruto da justiça àqueles que têm sido exercitados
.. lparte de "carne"; a an- por e I a. ".1'- O sOlflll1ento
r' /.
aparece como um exerclclO /'1 que pro d uz J+'rutos
utl,
:omlidade (tatus 1101110) de justiça.
· c·· total que sente cócegas Quem pode ser confortado de forma mais plena do que aquele
Há dois homens em sua que ouve que aqueles que são castigados, são amados pelo Se-
: .: totalidade. Daí vem que nhor, que são filhos de Deus, que são membros da comunhão dos
oposição a si mesmo.
=111
santos, e que aqueles que sofrem nunca estão sós? Uma exortação
· :::. E esta é a glória da gra- - po derosa deve f azer do
tao ' castlgo
. a Igo que ceve
' ser ama do ..4,
40
· - rnesmos.
Ele segue:
-dicado, mas sua atuação Se você sofre por causa dos seus pecados, então você deve se ale-
Justificação novamente é grar porque está sendo purificado dos seus pecados. Então não e-
é]uidem o/rari). O processo ram os' santos também pecadores? Você tem medo de ser como
,cluído. Está sendo curado Herodes ou o bandido crucificado ao lado esquerdo de Jesus (Lc
'::;stinção entre o PU/1ctus ma- 23.39-43)? Você não é, se tiver paciência. De que forma o bandi-
do do lado esquerdo é diferente daquele do lado direito senão pela
:~.>juma compreensão diferen- paciência de um e pela impaciência de outro? Se você é um peca-
_')Lera afirmou que o homem é dor, beml O bandido também era um pecador, mas pela sua paci-
,,~, realidade. Esta justificação ência, mereceu a glória da justiça e santidade. Vai e procede tu de
.. :e Deus completaria a obra no
igual modo (Lc lO.37). Sempre que você sofre, é por causa dos
Ui é pecador em relação a sua seus pecados ou da sua justificação. As duas espécies de sofri-
mento santificam e salvam (sanctificat et beatlis facit) se você
amá-Ias .... Sempre que a confissão de pecados for sincera, ela
justifica e santifica (iust{ficat et sanctificat). Então, no próprio
momento da sua confissão, você já não está sofrendo pelos seus
pecados, mas pela sua inocência. O justo sempre sofre inocente-

\\orks, AE, ed. Jaroslav Pelikan (St.


-12 FOll!1cen Conso!mions (l 520). Dcvotiona! Wlitings, in Luthcr's W 01*, AE, ed. Martin
Dictrich (PhiladeJphia: Fortrcss Press, 1969),42:138.
-I, FOlll1ccn Conso!ations (l 520), LW. AE, 42: 138.

- 25 -
mente. Você é feito justo pela confissão dos seus merecidos so-
r • ~ Ll
rnmentos e pecados ...

Lutero usa aqui as duas palavras lado a lado: justificaç-ão e santifica-


ção. n1as apareCelTI COlTIOsinônÜnZts. Al.inda não há distinção entre elas. A
linguagern usada aqui é muito sÜ11ilar àquela que Lutero usará mais tarde
para referlf-se à santificação. é causa;
Fala sobre o fruto da justiça. I',\}"ão
i11RS resultado do processo. Mas tambénl é preciso chamar a atenção de que
o texto ainda não aponta para Cristo como a principal e a única justiça.
O texto reflete a teojogia da cruz do Lutem jovem. Faja de justiça re-
tributiva, alegria no sofrimento~ sofrirnento em inocência, O pecador reco-
nhece os seus pecados, confessa-os e, justificado, sofre pacientemente. O
texto tarnbérn está ainda carregado da terminologia do Lutero jovelTi. Afir-
nla~ por exenlplo; que o rnalfeitor crucificado ,: do lado direito de Jesus, ~'pela
sua paciência 111ereceu a glória da justiça';.'1-_: pjnda luta corn a linguageri1.
Estas formulações não podem ser tomadas como definitivas.

Defesa e explanação de todos os artigos (1521)

Este documento foi produzido ao redor de março de 1521. A referên-


cia à parábola do Bom Samaritano aparece na explanação do segundo arti-
go~ que é chan1ado por Lutero ~'quase o n1elhor e mais importante de to~
d05" ..J6
o contexto onde a parábola é citada é rouito similar àquele de Gála-
tas (1519). Lutem demonstra com abundância de exemplos bíblicos que o
pecado permanece depois do batismo e que a vida do batizado na terra é
uma luta permanente entre duas forças internas e opostas: carne e espírito.
O ser humano é pecador e justo ao mesmo tempo, mas o espírito prevalece.
Lutem diz:
Carne e espírito são uma pessoa ... Por causa do espírito, este ho-
mem é piedoso; por causa da carne é um pecador '" E já que a
mais nobre, melhor e mais importante parte do homem, o espírito,

.j.j FOl/l1ecn Conso!atio!1s (1520). LV/. AE, 42:140 .


.j:i Fo/(rleen COl1so!alions (1520), LV/. AE. 42: 140 .
.1(,De(ense (l!1d L\p!ol1atiol1s of aI! lhe A l1icles, Coreer of tile R efol7lzcr Ií. in Lwiler's
\V!Jlks. AE. ec]. Gcorgc W. Forell (Phiíadeiphia: ivluhlenberg Press. 1958), 32:28.

- 26-
>:: seus merecidos so- permanece piedosa e justa pela fé, Deus não conta o pecado que
permanece na menor parte, a carne, para a sua con denaçao.
- 47

ustificação e santifica- Na última parte do artigo, Lutero diz:


distinção entre elas. A Pois esta é a abundante graça ... do Pai que, através do batismo e
:C Lutem usará mais tarde do arrependimento, começamos a nos tornar piedosos e puros.
justiça. Não é causa, Deus não mantém contra nós qualquer pecado que ainda necessite
-harnar a atenção de que ser expelido, por causa do que já temos feito em piedade e por
~',lie a única justiça. causa da nossa finne batalha contra o pecc.do que continuamos a
_-:::''>'eD1. Fala de justiça re- expulsar ... ele nos deu um bispo, a saber, Cristo, que não tem pe-
. ,::211cia. O pecador reco- cado e que deve ser o nosso representante até que nos tomemos
sofre pacientemente. O inteiramente puros como ele ... enquanto isso, a justiça de Cristo
. 48

do Lutero jovem. Afir- precisa ser nossa couraça.


,do direito de Jesus, "pela A seguir Lutero cita Agostinho para confirmar a tese de que o peca-
-~ .. :LJ luta COlTI a linguagelTI. do permanece depois do batismo. Deus não imputa pecado ao cristão por
causa da sua fé em Cristo e por causa da sua permanente luta contra o pe-
cado:") Como Lutero ilustra as suas afirmações? Diz:
Nesse ponto, as parábolas do evangelho ilüminam o problema.
Primeiro aquela sobre o Samaritano que colocou o semimorto so-
de 1521. A referên- bre o seu animal, derramou vinho e óleo em suas feridas e pediu
~.planaçào do segundo arti- ao hospedeiro que tomasse conta dele. Não o curou de uma vez
e: mais importante de to- só. Da mesma forma, tampouco estamos totalmente curados pelo
batismo ou arrependimento, mas houve um começo em nós e a
.. ,' similar àquele de Gála- atadura da primeira graça adere às nossas feridas de tal forma que
~_ exernplos bíblicos que o nossa cura pode prosseguir dia a dia até que estejamos curados '"
~.~Lldo batizado na terra é Enquanto vivermos sobre a terra, crendo na sua palavra, somos
~ c-postas: carne e espírito. obra que Deus começou, mas ainda não concluiu; mas depois da
nas o espírito prevalece. morte seremos perfeitos, uma obra divina sem pecado ou falta.50

~ausa do espírito, este ho- Está Lutero aqui falando de justificação ou santificação? Este é um
dos textos de transição. A linguagem usada aqui é similar à linguagem de
-=- :lrn pecador '" E já que a
·.:.rte do homem, o espírito, santificação usada mais tarde. Mas o conceito de justificação também já

47 fJe(Í'l1se and Explal1atiol1 (~rA II lhe A 11ieles (1521), LW, AE, 32:21 .
.j' DefÍ'l1se and E\plwwtiol1 of A 11 lhe A nieles (1521), LW, AE, 32:28 .
IJ, in Luther's .j() Detcl1se ul1d Explwwtiol1 ofA fi the A rlieles (152 J), LW. AE, 32:28.
?:\::~,s. 1958)~ 32:28. :'0 fJetÍ'nse and Expl(/lwtiol1 Df Ali the A rtieles (1521), LW, AE, 32:24.

~27 -

------- -
~ . -
está l1nplícito aqui. Lutero ainda fala de salvação con10 UlTI processo~ não
sendo ainda totalrnente preciso na distinção de justificação e santificaç-ão,
O Sa111aritano é identificado corn Deus que já iniciou a sua obra tera-
pêutica no hOri1eln~ filas esta obra ainda não está cOlnp]eta. Por rneio do
batisrno e do arrependimento, Deus coloca ~~aatadura da primeira graça"
{der ersten GnCl{le) nas feridas do sernimorto. De agora ern diante o enfer-
nlO vai lnelhorar. Precisará de toda a sua vida para recobrar-se~ rnas estará
totalrnente recuperado na eternidade. Toda a obra de Deus está inlplíclta
(lC11Ui,desde a p. . rirneira ~ até a eternidade,
graca
"- É correta esta afirlnação?
-
L,utero está defendendo a tese de que o pecado perlYÚlneCe depois do batis-
1110. E este o ponto de partida para o novo homern? Provavelnlente Lutero
ainda não tinha unia resposta sufic!entenlente madura nesse ponto,

Contra LatonlUS (1521)

!-\. 111enção da parábola ào Born S!unaritano na obra Contra Latnl!llfS,


alguns nleses rnais tarde, revela rnudanças na linguagern usada por Lutero.
Foi escrita elTI junho de 1521. I\1art1n Brecht afirnla que ··quanto ao seu
conteúdo, essa refutação foi uma das exposições mais consistentes e clara-
n1ente slsternatizadas da doutrina '" da graça e da natureza huroana que
anareceu antes da obra Servid3~o da Vontade,5]
11l~ tese proposta por Lutero é que 4'toda boa obra é pecado": ~·Digo e
ensino dessa rnaneira para que todo hornen1 possa saber que ten1 tanto pe-
cado enl cada unIa das suas obras quanto a SOITia de pecado que ainda resta
nele. Tal árvore, tal fruto.,,52
O ponto enl discussão era o conceito de pecado. Pecado para Lutero
era toda prática enl desacordo com a lei de Deüs. Peja prirrleira vez Lutero
faz nnja diferenciação explícita entre "dádi"vu" e ··graça". Tambérn faz uma
cJara exposição da doutrina da justificação, onde deixa claro que o hOlTlem
não telu nela absoJutanlente nenhurna Darticipacão.5~
Á> _

fv1ovendo-nos para a citação do Born Samaritano, é necessário apon-


tar a dupla tese de Lutero: Todos os h01TIenS~ inClusive os batizados, peCalTI

~] BRECHT. 1vl. 111011inLutherShClping Clnd I]efining t!te Refol111tlrion (1521-1532). trad.


Jan1eS L. Schaaf (I\'linneapo1is: Fortress Press, 1990), p. 7.
:;2A g(ljnst Lu/onuls (1521). Currer of the R.efonner IÍ; ern Lurher' s VVGrks, i\.E. ed. George
W, Forei i (ivluhlenberg Press/Phi1adelphia, 1958), 32:230,
K->--<l,j.l.] 'b'd pp. ~o
'3 -B~F~!-l~ J • 0-/.
" '

- 28 -

- - - ---
- - -
-
-..:;;:,.:::; - -
-
-
-- - - -
~-~- --
_emo um processo, não durante toda a sua existência terrena e suas obras são pecaminosas. Ao
e santificação . mesmo tempo, "não há nenhum pecado ou obra pecaminosa neles da pers-
1111Ciou a sua obra ter a-
. da graça de
pectlva - D
. eus " .-,4 "D eve .haver arrepenCdmento
l' - de
e renovaçao
completa. Por meio do tal forma que o pecado possa ser expelido enquanto há pregação, enquanto
I1a~ VI'd""
a '-' Entao
- Lutero mtro d,uz o texto O<l
T • ' para'b ola
- para l.ustrar
'1 o que
da primeira graça"
está dizendo:
::igora em diante o enfer-
Li,recobrar-se, mas estará A parábola do semimorto curado pelo Samaritano (Lc 10.30ss.)
C'E, de Deus está irnplícita
também relaciona-se integralmente e em primeira mão a este as-
E correta esta afirrnação? sunto. Este homem não foi curado de uma vez, mas.foi levantado
de limo sÓ vez afim de ser cumdo (Qui 11Oi1 simlll SaJwtliS, simul
permanece depois do batis-
Provavehnente Lutero tamen susceptus esT c/!mri). O levita e o sacerdote, ministros da

"""dura nesse ponto. lei, passaram por ele, mas não o ajudaram. Então, como tenho di-
to, a lei torna o pecado conhecido, mas é Cristo que sara através
da fé e resgata através da graça de Deus. Assim também João
I\ L1.
'", j'0\ "Q-,uem .Ia
J: . , se I'
oanl1ou ... esta" todo llmpo
,. " , a sa b er, pela
'

.rano na obra C~ontraLat0!11 US,


graça; e ainda é por meio da fé ativa que os pés, isto é, os pecados
remanescentes, são purificados, IvIais, nós somos os ramos de
'-la linguagen1 usada por Lutero.
Cristo. a videira, porque produzimos frutos como se estivéssemos
~_">~.~ ht afirma que '"quanto ao seu
totalmente limpos, e ainda assim o vinicultor celestial nos poda
-- -,.ições mais consistentes e clam-
para que possamos prodUZlr ' .. mms Trutos
" ~ ?) ..,,)6
(J'o D._
e da natureza humana que
Pela primeira vez, a parábola do Bom Samaritano é mencionada
,..." boa obra é pecado": "Digo e mostrando uma distinção entre justificação e santificação. Aparece uma
--:empossa saber que tem tanto pe- nova forma de expressar-se. Lutero já não fala aqui de um processo global
, soma de pecado que ainda resta não diferenciado, mas aparecem dois momentos distintos: o semimorto é
primeiramcl1te "levantado de IIllia sÓ vez afim de ser curado" e, segundo
-=eito de pecado. Pecado para Lutero momento, então começa o processo de santificação - a purificação dos
~ de Deus. Pela primeira vez Lutero pecados que permanecem. Este leitura é confirmada pela citação de Jo
e ;'graça". Também faz uma ]3.1 O: "O homem está totalmente limpo (totll'\;) e Het tamen !c/vat perfidem
"
onde deixa claro que o homem apemntel7l"'- '
,_'poxticipação.)Ô
:::" Bom Samaritano, é necessário apon-
':Jmens, inclusive os batizados, pecam

lhe Refo177latioll (1521-1532), trad. )4, i\ gmllS!


' r
~a!OIllIlS (l52] l, LW, AE, 32:231.
j 9(0). p. 7. " A goillS! LatOlllllS (]521), LW, AE, 32:232.
11, ern Luther' s \'Ai orks, AE~eo. Georgc
.'b A gainst Lmollllls (152] ), LW. AE. 32:232.
i 958),32:230.
o] ;\ gC/ius! [O!O/llIlS (1521), LW. AE. 32:232.

- 29 -
~28-
Epístolas católicas (1522)

Nesse cornentário, escrito provavelmente em 1522, a parábola do


Bonl San1aritano é usada duas vezes em lPedro (Serrnões), As. parábola
aparece primeiro em 2.11-12. Os temas aqui são semelhantes dos de Contra
LOiO/ilI!S. Como entender a presença de pecado na vida do batizado? Lutero
responàe C0111 111aÍsclareza, el11pregando os rnesmos textos usados elTi COíl-
trel Loro!lll!S (Lc 1O.34ss.; Mt 13.33; Jo 13.10).
o ponto de partida: ""Pedra quer charnar a atenção de que nenhU1TI
santo na terra pode ser completan1ente perfeito e puro." De acordo com
Lutero, "os cristãos estão divididos em dois: ser interior, que é a fé, e ser
. / ~;:;;fl .. ,....,,,.. 1 .,,-
exterIor, que e a carne.' - - Quando o crlstao e Visto na perspectIva da fe,
é puro e cornpletarnente l1rnpo, pois a pahl'vra de Deus não encon-
tra inlpureza nele. E quando entra no coração de tal fornla que o
coração se apega a ela:: tambérü torna o coração totalmente li1npo .
.' f ' em
ror esse nlotlvo, todas as cOIsas sao peLeJtas
.•...• _ 4 '''"' f"~
Te.
59

i'\gora a citação do texto da parábola:


V ocê. pode ente.nder isso a partir de Ullla parábola ein Lc 10
(34ss.) que fala de um h0111em que desceu de Jerusalérn a lericó e
caiu nas mãos de salteadores, que bateram nele e o deixaram se-
mimorto. l\1ais tarde o Samaritano socorreu-o, colocou ataduras
em seus ferimentos, tomou conta dele e encaminhou-o para que
continuasse sendo atendido. Você pode perceber aqui que desde
que esse homem recebeu cuidados, já nâo é mais um doente ter-
mino!. mas tem certez.a de que sobreviverá. Falta apenas uma coi-
sa: Ele não está completamente bem. Está vivo, mas ainda não
tem perfeita saúde e ainda precisa estar aos cuidados dos médi-
cos. Ainda precisa receber cuidados. Da mesma forma, também
temos o Senhor Cristo inteiramente e temos cel1e:a da vida eter-
!lU. No entanto~ ainda não gozanlos de perfeita saúde. Algo do ve-
A d-ao aInda
.,lno~r .. pernlanece na carne. 60

's The COlho!ic El'isl/es (] 522 L in LlIlher's W OIh. AE, ed. Jaroslav Peiikan (St Louis:
CPI-!. 19(7).30:6:-\.
,lJ Tile Cill/lO/ic Epislles (i 522). LW, AE. 30:68.
W Tilc CUlilolic E/lisl/c.\' (1522). LW. AE, 30:68-69.

- 30-

--- ---~ - -
-
- - --=--
-
---~-~----
Nesse texto há clara diferenciação entre justificação e santificação. O
semimorto está em processo de santificaçào, "mas tem certeza de que so-
\ 522, a parábola do breviverá (.1st des lebens sicher.)". É a rimeira vez que Lutero exnressa
Dr • <

Sermões). A parábola nesses textos a certeza da salvação. E confirma esta certeza na aplicação do
-::'nelhantes dos de Contra texto: Também temos o Senhor Cristo completamente e temos certeza da
dJ. do batizado? Lutem vida eterna. É o mesmo que dizer: Fomos justificados. Agora o médico está
; Textos usados em Con- tomando conta de nós. Precisamos continuar recebendo os cuidados dele
(santificação). Este é o efeito. A causa foi a justificação. Mas "você está
atenção de que nenhum -
completamente 'd' posse
puro e em plena . ·61
a JusttÇZL'
~. puro." De acordo com ""',segunda referência à parábola do Bom Samaritano nessa obra apa-
~nterior, que é a fé, e ser rece na exposição de 4. j -3. O pensamento de Lutero flui da seguinte forma:
da perspectiva da fé, Cristo nos foi dado como dádiv(! e como exemplo. Como dádiva, nos é
-1:\\'1':1 de Deus não enCOl1- dado peltJ fé, Corno exernplo~ Cristo é
de tal forma que o um modelo a ser seguido, pois se agora temos Cristo como uma
.:oração totalmente limpo. dádiva através da fé, devemos ir adiante e proceder como ele pro-
'~'f=itas em fé.5~ cedeu conosco. Deveríamos imitá-Ia em toda a nossa vida e em
todo o nosso sofrllnento.62

_: uma parábola em Lc 10 De acordo com Lutem, como cristãos, faremos obras "através da
_=<eu de Jerusalém a }ericá e guais a fé é fortaiecida de tal forma que mortificarnos o pecado na carne e
- .ê::ram nele e o deixaram se- assIm r o nosso proxnno
. somos capazes d'e serVlf meihor ,. ..,,6' l\Jovamente aqUI.
: : correu-o, colocou ataduras justificação é uma coisa e outra a santificação. Estão diferenciados.
_ ~. e e encaminhou-o para que Temos dito com suficiente freqüência que ernbora sejamos justos
- ---le perceber aqui que desde pela fé e que tenhamos o Senhor Cristo como nosso, mesmo as-
iíc70 é mais um doente tcr- sim somos obrigados a realizar boas obras e a servir o nosso vizi-
erá. Falta apenas uma coi- nho, pois nunca nos tornamos perfeitamente puros enquanto vi-
Está vivo, mas ainda não vermos nesta terra e toda pessoa ainda encontra maus desejos ern
=ol:lr aos cuidados dos médi- seu corpo .. , a fé começa a matar o pecado e dar o céu, mas ainda
Da mesma forma, também não se tornou perfeita e realmente forte, como Cristo fala do Sa-
, temos cel1e;:a da vida eter- maritano (Lc j 0.33ss.), cujas feridas ainda não estão curadas.
:~ç:perfeita saúde. Algo do ve- Mas ele recebeu curativos e cuidados para que suas chagas pudes-
sem ser sanadas. Aqui também é assim. Se nós cremos, nosso pe-
cado, isto é, as feridas que trazemos desde Adão, receberam cura-
tivos e começam a curar-se. Mas em uma pessoa esse processo

_3. jaroslav pc1ikan (St Louis:


(,: The Cu!ho/ic El'ist!es (1522). LW. AE. 30:69.
(,' The CUI!IO/ic LJ!isl!es (] 522). L W, AE. 30: 1 ] 7.
(,.1 Thc Curho/ic L;!istles (1522). LW, AE. 30:1 17.

- 31 -
curativo é mais curto, em outra é mais longo. Quanto mais cada
UI~11 (H'stia'lr
_u. b( e sub]·ua·,'·
~ :::,.:";'1 a c"rnp
a. 1 _o, ""'''' 'l'a'c.•.~.1 +;"'~e7'1
"'"'\..1:1: 1_:. 11 .u~_&-.<U c.lp rre,.,í 6-\ '--1;"./ '" l'~.
Lutero fez uso da parábola para descrever o processo de santificaçào,
enlbora a terrninologia específica venha a sürgir sornente rnais tarde. Na
terra. a realidade hunlana será sernpre a realidade das coisas lmperfeitas.
lvI'lS
L o crist'io
c. L
'-lut"r')
!.\. Ü CO'1tra
: _' u. '-'til. 1 . i: ;ww'o,·t"'r·tp
'" "''''-''e 1111}.!
J 1
.L.J'1"S;,-,·.1'1""qei
(.•. (1.,-_ l_ (a p'url''''ca
.I.. .•..( •. 1.• UU.l1 ~
~'"J~ 111U..:.::.d

de linguagern. Lutero já nÜa se expressa dizendo que quanto n1a1s o homem


sofre, n1a1s certeza ele tenl de que Deus está fazendo a sua obra nele; n1as
diz que quanto rnais o hOlnern sofre, COITI il1ais firn1eza. ele crê. jl::,. luta do
ser humano durante a santificação é na certeza de que foi justificado por
Deus e na esperança de que Deus está curando-o.
Ferin1ento é identificado neste texto COl11 o pecado original. Sin1boli-
can1ente l\dão foi o hOITiem assaltado pelo pecado e abandonado SelTllrnOr-
to. Desde PlLdão todo ser hurnano traz consigo as feridas do pecado e precisa
de cura. O contexto apresenta esta sugesti\/(l seqüência de pahrvras que
apresentan1 a possibilidade de cura: Palavra - fé - arnor.
Charnanl0S a atenção para outra mudança: Quen1 é o nosso próxin10?
f~o Lutero joven1. Cristo aparece COlno sendo o nosso próxi1no. Agora o
próximo já não é Cristo, mas todo aquele que tem alguma necessidade.
A esta altura jél foi possível demonstrar a tese proposta. Através das
citações da parábola do Bom Samaritano, foi possível apreciar mudanças
teológicas que marcam a transição entre o Lutero jovem e o Lutero maduro,
especialmente o nascimento da distinção entre justificação e santificação. O
reforrnador continuará enlpregando este texto cristo!ogicamente, lnas SelTI-
pre em referência à santificação.

Gálatas (535)

Nesse comentário, explicando o sentido de Gl 3.10, Lutero diz:


Em teologia, aqueles que foram justificados, fazem coisas boas ...
nós, justificados pela fé, produzimos boas obras .. , I'vlas porque
temos apenas os primeiros frutos do espírito ... e porque permane-
ce em nós um remanescente de pecado, não guardamos a lei per-
feitamente. Mas isto não é imputado a nós que cremos em Cris-

"4 lhe Catho/ic Episllcs (1522), LW. AE, 30: 118.

- 32-

-- - ~ - ~ - ---~--- - -
Quanto mais cada to ... Sornas aquele hornern ferido que caiu entre salteadores, cujas
::,':~zaele crerá.6~ feridas fOralTI lilTlpas pelo Samaritano corn óleo e vinho e a quem
ele sentou sobre o seu anÍ1nal, trouxe para a hospedaria e cuidou;
':êSSO de santificação,
a quern tanlbénl deixou encarregado ao hospedeiro depois da sua
,',,-,ente mais tarde. Na
partida corri as palavras: ~~Cuida deste hOD1ero;" (Le 10.30-35).
C" coisas imperfeitas.
Dessa fornla sornas nutridos enquanto esta1110S na hospedaria, até
aqui a mudança
que o Senhor estenda a sua lnão pela Segunda 'vez,,,,~65
,lê quanto mais o homem
::0 u sua obra nele; mas ..~qui Lutero prirneiramente enfatiza que está falando daqueles que já
"(neza ele crê. ,0., iuta do estão justificados. O resultado é ~·boas obras)}. Usa nO\lanlente a parábola
_. que foi justificado por para ilustrar a ação do Senhor corno o santificador, que está cuidando do
cristão com carinho.

original. Simboli- Quando expõe Gl 5.14, reaparece o tema:


abandonado semimor- Agora nosso próximo é qualquer ser hurnano, especiahnente a-
,;:,ridas do pecado e precisa quele que precisa da nossa ajuda, como Cristo o interpreta erl1

>~qüência de pala\Tas que L,ucas 10,30-37. IvIesrno aquele que rne causou algurl1 tipo de in-
- amor. júria ou dano ... não deixa de ser meu próximo. Portanto, enquanto
é o nosSO próximo?
t=2u.elTi a natureza hUrnana perrnanece nele. o inandarnento de amar per-
rjl;]jleCe "O'1~1toa"] " ,'1"
••.. f,~.,·('"
v~~w... 66
nosso próximo. Agoru o ~ ~ 1.,..' 1 •. u"-+uC J_ •.

';:'}11 alguma necessidade. Já nào é Cristo o nosso prÓxirno. :r~ossos olhos não precisam fixar~se
_L tese proposta. Através das nas alturas, !nas olhar ao redor onde há pessoas em necessidade: ali está o
possível apreciar mudanças nosso vlz1nho.
'~ro jovem e o Lutero maduro,
.__ ·ustificação e santificação. O Contra Hanswurst (1541)
:ristologicamente, mas sem-
Ern ] 541 ~a parábola aparece DO escrito Contra I--Jans~Vllrst, nU1T1 con-
texto onde Lutero discute a relação entre "igreja" e "palavra de Deus",
Quando a igreja é juigada pela forrna de vida daque]es que pertencem a ela~
não aparece sem pecado, porque a vida nunca é sem pecado. Mas a função
__ de Gl 3.10, Lutero diZ:
da igreja é pregar n jJura palavra ele Deus. Onde pode ser encontrada a igre~
:<ificados, fazem coisas boas ...
ja? ~·O verdadeiro sinai da verdadelra santa igreja tern sido sempre humil-
--.'cs boas obras ... Mas porque , ' e teI110r na p(.Lavra
]' ae D
. , aude ! eus.' ,,67 -r-iIas
- ,
a palavra '" LJeus pura e sern
de
espmto ... e porque permane- 111isturas se!llpre é pregada por instrurnentos frágeis. Entào diz Lutero:
não guardanlos a lei per-
_,eic a nós que cremos em Cris- h) Lecrures O!l Caia/ia!?s (1535). L \\/~ AE, 26:260.
(;(,Lectures 011 Calatic!!Is (j 535), LW, AE, 26:58-59,
()! A [!,cÚnsr HOllS\I'llrSí (1541), Church anel lV!inistry; in Luther1s ~Vo!'ks, ed. Eric \V. Gritsch
IPhiladelphia: Forlress Prcss. 1966),41:218.

- 33 -

••
Mas a vida, que deveria diariamente conduzir-se, purificar-se e
santificar-se pela doutrina, ainda não é inteiramente pura ou san-
ta, enquanto este corpo bichado de carne e sangue estiver vivo.
Mas enquanto está no processo de purificação e santificação, sen-
do curada continuamente pelo Samaritano e não mais degradan-
do-se em sua própria impureza, é graciosamente desculpada e
perdoada pela palavra, pela qual é curada e purificada; por isso
precisa ser chamada de pura. Por esta razão a santa igreja cristã
não é uma prostituta ou pecadora, porque continua a sustentar-se
e a permanecer com a palavra (que é sua santidade) sem mancha e
- 68
com poder.

A igreja é santa porque a palavra que justifica e santifica é pregada


por vidas santificadas, Esta é a síntese do conteúdo dessa seção, Lutero está
novamente descrevendo aspectos da santificação pela parábola do Bom
Samaritano. Enfatiza-se o rol da palavra de Deus na vida cristã. Já não se
trata da "palavra radioativa" do Lutero jovem, mas da palavra que concede
o que promete. A palavra externa (externwn verbwn) também é uma dádi-
va. pois é meio de graça.

Sermão na igreja do castelo de Torgau (1544)

Nesse sermão, Lutero expõe a correta compreensão do mandamento


que ordena a guarda do último dia da semana, Emprega a lei em seu tercei-
ro uso e relaciona-a com Cristo como exemplo que deve ser seguido pelos
cristãos. Lembra a sua audiência de que a segunda tábua dos mandamentos
"fala em particular a respeito do nosso próximo e ordena ajudá-Ia nas ne-
cessl .daoes IlSICaS
c''·
1 ."
e em qualquer area em que necessIte. '..J" .69
ajUua
Diz também:
Quando vejo meu próximo em necessidade e em apertos e perigo
de vida, que eu não passe de largo por ele, como o sacerdote e o
levita, e deixando-o lá deitado, pereça (Lc ] 0.31-37), de tal forma
que na minha pretensão de guardar o Sábado puro, acabe toman-
do-me assassino do meu irmão; antes o sirva e ajude, como o Sa-

68 Aguinst HaI1S\\'llw (] 541), LW, AE, 41 :218


69 A I Torgall Custle Churc/z (1544), Sel1110I1s], in LUlhel"s \Ã/orks, AE, ed, e trad. John W.
Doberstein {philadelphia: Muhlenberg Press, 1959).59:344,

- 34-

~ - ~~~--- -- ~ - - -- ---
--
~)ZL-Se, purificar-se e maritano que cuidou do homem ferido, colocou-o sobre o seu a-
:::::-a_mentepura ou san- - - e -levou-o para a "_ospe
l1lmai h d',ana. 70
e ;': sZtngue estiver vivo.
Lutero novamente lembra-nos quem é o nosso próximo. O foco do
_.J'J e santificação, sen- texto é novamente a justificação vivida pelo cristão no mundo, o que signi-
__ '" não mais degradan-
fica santificação.
,amente desculpada e
:.lie purificada; por isso Gênesis (1544)
z50 a santa igreja cristã
__
e continua a sustentar-se
A parábola é citada duas vezes nesse comentário de 1544. Primeiro
<J.l1tidade) sem mancha e
na exposição de Gn 42.29-34. O tema é novamente o pecado na vida do
cristão. Lutero faz uma distinção entre pecado original e atual. Escreve
fica e santifica é pregada contra aqueles que negam o pecado original depois do batismo. Diz:
- ~J dessa seção. Lutero está As feridas do semimorto receberam atenção, como declara a pa-
pela parábola do Bom rábola em Lc 10.34. Óleo e vinho foram derramados sobre elas e
< Tia vida cristã. Já não se a dádiva do Espírito Santo (dollum Spiritus Sancti) começou. No
:us da palavra que concede entanto, os ferimentos ainda são mortais. Recebeu cuidado para
também é uma dádi- curá-Ias, mas ainda não está totalmente recuperado. Se você quer
afirmar que não há ferimento, que não há perigo, tente descobrir
se um semimorto pode caminhar, trabalhar e fazer tudo o que uma
.- ,-.- pessoa saudável faz. Foi carregado pelo animal em que foi colo-
cado. Não tem condições de trabalhar, não caminha. Da mesma
::l11preensão do mandamento forma, quando fomos batizados, fomos colocados sobre o animal
Ernprega a lei em seu tercei- de carga de Deus, isto é, o mais precioso sacrifício por nós (sacri-
i:' que deve ser seguido pelos ficiuIII 17m lZobis), ou a humanidade de Cristo, pela qual fomos
tábua dos mandamentos carregados. Embora tenhamos sido aceitos imediatamente, ainda
:,10 e ordena ajudá-Io nas ne- recebemos cuidados e somos curados dia a dia.7!
.. -,,69
. neceSSite ajuda ,
Percebe-se que Lutero refere-se tanto à justificação quanto à santifi-
cação, que estão diferenciados no texto. A justificação está marcada pela
~. e,.sidade e em apertos e pengo
frase: "aceitos imediatamente". Quando Deus nos chama, somos totalmente
= - por ele, corno o sacerdote e o dele, mesmo que agora seja começado o programa de recuperação, que
_:_:~a (Lc 10.31-37), de tal forma dura toda a vida (santificação).
___r c Sábado puro, acabe tornan-
_:.,,:_ o sirva e ajude, como o Sa-

7U AI TO/gOl! Casl!e Church (1544), LW. AE, 5]:344.


s IV orks, AE, ed. e tíad. Jolm W. 71 Lecll!;"(s 011 Genesis (] 544, caps. 38·44), iu Luther's Vil orks, AE, ed. Jaws1av Pelikan (31.
Louis_ CPH, 1965). 7:282,

- 35 -

••
-~----- - -- -_.--
-.-- -~ ~- ~- - --- - -
Descreve a \llda de santific.ação dizendo Que "as feridas aInda ;:;,tu

ITlortais':. Será urn retorno de Lutero à sua antjga 1inguagern? A:o- questão
aqui é diferente, O texto pode ser usado de duas útaneiras: Pode-se tOlTiar o
carninho da le.i ou (} do e\/ange.lho. O texto contérn (: 111ais pre.cIoso evange-
lho~ 1118.S relernbra que o cristão luta contra o pecado.
il~segunda citação aparece em Gn 45,14-15. Estes verslculos relerI1-
branl o ernotivü encontro entre José e Benjarrl1rn depois de anos de separa-
ção. José conforta o seu irmão. Lutero cOl11para o exernp10 de José COlil a.
ressurreiçÜo de Cristo. /1. I11eSrna coisa acontece G1ariarnente na igreja. Aqui
o Szunaritano s5.o os bispos e pastores que o seu trabalho através da
palavra das Santas Escrituras. LuterG ci1z:

Portanto o ferido é curado na hospedaria depois de ter óleo e '\;'1-


nho derra.rnados sobre ele , Lc 10.30-35). Pois as Igrejas não
~ . ~ ~ ~.
S2tOnada fIlalS ao que nOSpeG3XlaS dessa especle~ onde a pessoa
que sente pecado;. a rnorte e os terrore.s e ",./ergonhas de urna
C:

consciêncIa, aflita r· é sarada. t1el e diligente cuidado


, ,
rlpvp ser exercIdo pelos ITilll1srros Dor rllel0 GO derrarnarüento de
mUlto
,
cruel e a
.
njp:: e vinho, porque o pecado :.; =in:r~
.~ .. , 72
conSClenCla uma COIsa rnu1to

Ern terrnos de consoloi há uma grande diferenca entre este texto e


aqueles da prínleira fase elo reforn:1ador~ onde [)eus é apresentado como 1.1rn

ferreiro que golpeia contll1üamente para Ctlra.rl

Ultimo serrnãü en1 \Vittenberg (1546)

i;,,- Últirna rnenç50


- da -parábola do Born Sarnaritano aparece
- no ··LJlti-
1110Serrnào enl \\litternbt{g;i E ri confirrnação de que o reformador fez uso
- de toda a sua carreira. Ll1tero l1cyvamente cita o
desta -pan.1bola. ao Ion,go
texto para descrever o processo de santificação na vida do cristão. I~unl
parágrafo~ usando a parábola de fOrrDB. alegórica" descreve Ct queda e a re-
denção da hurnanidade, i\dão é nO"\l(llTIente apresentado C0l1I0 o norrlern
ferido. C~risto reaparece COITtO o Sarnaritano. Lutero afirn1a: ·'Estall10S agora
sob os cuidados do grande rnédico .,. Portanto, esta vida é UITl hospital; o

Lecrures Oil G'elle~\'is (1544. caps. 45-50)~ in Luther's ~Voiks. A.E, eu. ]arosla\r Pelikan (St.
Louis. CPH, 1966). t::54.
-rerlCias pecado foi realmente perdoado; mas ainda não fomos totalmente cura-
d os. ,,73
J.~ questao
._~~_.-"Pode-se tOlTIar o
Conclusão
;~:1SprecIoso evange~

:- ,;:reç, 'versfculos relen1- Confirma-se que a parábola do Bom Samaritano como usada por Lu-
anos de se.para- tera serve de espelho que ajuda a perceber o desenvolvimento da sua teolo-
gia. Quando as citações são lidas pela primeira vez e fora do seu contexto,
_~-~rnentena igreja. p.~qui tem-se a impressão de que o reformador está dizendo sempre a mesma coi-
_.::',-l). trabalho através da sa. As palavras são quase as mesmas, mas há uma profunda diferença no
seu significado. Esta diferença é marcada especialmente pelo contexto em
..... ~ .
que aparecem.
de ter Oieo e. \:'i~
Pois A tradição medieval costumava aplicar o texto da parábola a partir
CinGe a pessoa do versículo 35 de Lucas 10. A mensagem da mesma estava relacionada
com o "tesouro de méritos" e às "obras de supererogação". Lutero mudou
e diligente CUidado esta tradição. O seu ponto de partida passou a ser o versículo 23 de Lucas
',-,::.:n do derrarnarnento de 10, o que levaria a Ullla leitura diferente do texto. Contra as obras de justiça
. .
1TIll1to cruel e a própria, diria que o homern é salvo apenas pela graça de Deus .
Como o exanle das citações rei.relou5 Lutero apresentava um conceito
de salvação que lTIudaria totaln1ente anos mais tarde. Primeiro~ salvação era
.iferença entre este texto e um processo que durava toda a vida. Deus operava uma "justificação sana-
- -='~_1S é apresentado como um
ti\r'a5~ que começava ül11 processo de cura. rv1ais tarde faria uma clara distin-
ção entre justificação e santificação: Deus aceita "todo o homem", que pela
justiça de Cristo, imputada a ele, já pode ter plena segurança da sua salva-
ção~ iniciando-se então o processo de cura ou santificação.
No Lutero jovem, o ser humano nunca estava completamente seguro
nlax1tanO aparece no U\Jitl-
da sua salvação; no Lutero lnadufo5 tinha certeza >6de que viveria". No Lu-
o reformado!' fez uso
tero jovem, o Senhor expunha à morte e castigava a fim de curar (ação
Lutero novarrlente CIta o
terapêutica), no Lutem maduro, as igrejas eram lugar de consolo (lei e e-
--.na vida do cristão. Nurn
vangelho compreendidos de forma apropriada). No Lutero jovem, o ser
descreve a queda e a re-
... ~~L
humano era parcialmente justo e parcialmente enfermo; no Lutero maduro,
~~-Te5entado corno o hornern
era totalrnente justo e totalmente pecador ao mesmo tempo. No Lutero jo-
_F:::fO afirrna: ~"Estan10S agora
vem, Cristo era um exemplo a fim de que o homem pudesse tornar-se um
esta vida é urn hospital; o
bom filho de Deus. No Lutero maduro, Cristo continuava sendo exemplo,

,Ó,,,E,cd. JrrToslav Pelikan (St. ,.; The Lasl 51'/7II0n in íVillenbelg (1546), Semwlls i, em Luther's Works, AE, ed. e trad.
John W. Doberstein (PhiladeJphia: MuhJenberg Press, ] 959), S] :373.

- 37 -

-------

--- ~ ~~-- - ~ - - --
mas não era o que fazia de alguém um cristão. No Lutero jovem, Cristo era
o meu único próximo; no Lutero maduro, meu próximo era todo ser em
necessidade, porque santificação significa justificação vivida no mundo.

- 38 -

-
_ .-::,'0 jovem, Cristo era FILOSOFIA LUTERANA DE EDUCAÇÃO
:mo era todo ser em
\1\'ida no mundo. Egol1 M m1in Seibert'

Introdução

Educar, eis um verbo que talvez esteja trazendo à mente de cada alu-
no de Pedagogia desta Universidade a seguinte preocupação com respeito
ao seu presente ou ao seu futuro como educador: educar, mas para que fim?
Com certeza, se a cada um de nós fosse dada a oportunidade de apre-
sentar o seu pensamento, poderíamos relacionar finalidades diferentes.
Ao manifestar meu desejo de apresentar, como trabalho de aula, a-
quilo que pensa sobre o assunto a Igreja à qual a mantenedora desta Uni-
versidade está fiiiada, foi-me permitido expor a vocês aquilo que julgo ser a
Filosofia Luterana de Educação.
, . neste trabalho, apresentar o ,Densamento de Lutero
É nossa intencão.
expresso em alguns de seus escritos e, a partir dali, mostrar que sua visão
Lluxiliou a moldar uma teoria de educação que tem objetivos ciaramente
definidos, que reconhece agentes especiais na tarefa de educar, e que é
aplij:ada nas escolas luteranas semeadas pelo Brasil.

2. Lutero ~ Reformador da Educação

2.1 O Contexto Educacional de Luteiv

Nas primeiras décadas do século XVI a educaço.o em geral era des-


prestigiada pela maioria das pessoas. Esta atitude negativa devia-se em
parte ao espírito materialista que acompanhou, passo a passo, a rápida ex-
pansão do comércio de então. A não ser que um jovem estivesse destinado
para uma profissão que exigisse dele conhecimentos mais especializados
como por exemplo a advocacia, medicina ou teologia, pais e filhos viam
pouco ou nenhum valor em estudar aquilo que no.o estivesse diretamente
relacionado ao mundo dos negócios. Tempo gasto na escola, assim pensa-
vam, podia ser melhor utilizado ganhando-se a vida. De fato, o pensamento

Professor na Universidade Lutcrana do Brasil. Trabalho apresentado para a disciplina de


Sociologia da Educação na ULBRA.

- 39-

••
da época era tão contrário à educação formal que havia UH1 ditado larga-
mente conhecido na Alemanha e que dizia: "Gelehrte sind verkehrte" 1, isto
é, os cultos são errados.
No entanto, não somente este espírito materialista foi responsável pe-
la atitude anti-educação das massas de então, Unl segundo e talvez mais
significativo fator podernos encontrar na reação popular à Reforma. Um
dos prilneiros resultados do 1TIOvirnento da Reforrna foi o abandono em
larga escala da vida nos mosteiros e conventos por parte de rnonges e frei-
ras. As autoridades seculares~ por razões práticas~ religiosas e econômicas
confiscararn as propriedades e os fundos destes rnosteiros e corr··/entos a-
bandonados. Embora sem esta intenção, esta ação causou o colapso das
escolas que estavam sob a sua supervisão3 direção e manutenção.
lJro terceiro inotivo poden1os ainda encontrar no fato de que a Re-
forn1a trouxe à luz erros graves de doutrina que erarn ensinados nestas
escolas e que tinharn a ver sobre a vida e morte eterna. Por que então ainda
enviar filhos a estas escolas se lá os mesmos poderiam ser desencaminha-
dos da salvação?
Foi debaixo desta pressão anri-educaç3.o e diante do colapso do sis-
telna educacional que Lutero lançou seus apelos erG prol de uma educação
renovada do povo alemão. Através de tratados e de sermões dirigiu-se aos
príncipes e senhores pedindo-lhes reformas educacionais e constrangendo
pastores e pais a proporcionar boa educação aos filhos.

2.2 Cm1a A bei1a à Nobreza Cristã da Nação A lemâ (j 520)

A Carta Aberta à Nobreza Cristã da Naçã,o Alemã é, talvez, o mais


famoso dos escritos de Lutero. Redigida em meados de 1520, foi publicada
em agosto. Causou enorme repercussão na opinião pública alemã ao ponto
de numa semana ter esgotada a sua primeira edição que alcançou a tiragem
de 4.000 exemplares.
A Carta Aberta de Lutero pode ser dividida elTitrês partes. Na pri-
meira ele ataca violentamente a Cúria (não a Igreja corno tal!) e as doutri-
nas sobre as quais fundamentava-se a ordem eciesiástica, social e polftica
da Idade Média. Afirma que todos os cristãos são iguais diante de Deus e

Ditado citado por Robert Schultz na introdução do "Sermão sobre o Dever de Enviar Fi-
lhos À Escola, contido na obra Sclcctcd W ritil1gs of !ví(iI1in Lutha, 1529-1546, p. 1 n.

- 40-

- - -- -
- - -
- ..=
~ -
~
- - -- ~------ ------ -~ - - - --
um ditado larga-
1:.1 nega os privilégios até entao COnCedlQOS 0
dos clérigos e ao próprio
ind verkehrte"l, isto papaao,

l\Ta segunda parte ele chama a atenção para os assuntos que, no seu
<tu foi responsável pe- entendec merecian1 ser tratados nU111 Concílio verdadeiramente livre. Criti-
::::gundo e talvez mais ca então o escândaio da pornpa e da ganância da Sé Romana que contrasta-
à Reforma. lJn1 de Cristo e dos seus apóstolos,
"'/a co1'n a pobreza
rOl o abandono em Na terceira parte Lu[cro apresenta suas propostas de rl1eIhorarnentos da
p:lrte de monges e frei- Igreja. Sugere 26 reforrnas concretas e~ entre eias, a das universidades (Lutero~
{ê'ligiosas e econômicas 1989~ p. 328). Entre as suas propostas que dize111 respeito à educaçào encon-
tra-se a abolição dos li\TOS Física, Tratado da ft~lrna e Etica de
causou o colapso das i~ristóteles que ele julga\"a danosos à fé cristã por: adrcátirem felicidade senl
111anutenção. Cristo e negarern a ressUITe:jç;Io ciOSrnortos. ele atlfrna que apre-
cr~ll'no fato de que a Re- ciaria que os ~ivros Lógic8 Retórica e. Poética do 111eSmO autor, em edições
_é: erarn ensinados nestas não corn.entadas fossern. rnantidos ou até rnesrno resurnidos, recoI11endando
c-:::rna. Por que entào ainda sua leitura pelos jo\'ens para que estes se exercitassem no oorIl discurso e
: :,e1'iam ser desencaminha- na pregação. Lutero sugere que se estudenl1atim, grego e hebraico~ além de
11latel11ática e história.
diante do colapso do SlS- uç Direito
= que a reforrna deveria passar pela
cl11 prol de urna educação ·"~tinção do estudo do direito canônlco; erú particular as decretais, Embora
:::de sermões dirigiu-se aos 1 :conhecesse que o direito secular se transform.ado nurn ern.aranhado,
::-__.·~·lClonalS e constrangendo considerava o mesmo ~'mais douto e justo'~ que (;
- nH10S. Qttanto ao estudo dos Quatro L·ivros de Sentenças de autoria de Pe-
eira Lombardo ..2 Lutero cria que o 111eSnJO ser reservado aos teólo-
cl( 1520) gos J0'\/ens. enquanto que. o estudo Sagrada deveria
ser tarefa dos doutores. Segundo p n estudo d.asSentenças na
Alemã é, talvez, o maiS ocasião era muito n18.1Senfatizada que da Bfb1ia, Sua críti-
U2 idos de 1520, foi pub1icada ca é severa quando afirma:
-:- •.• ~'. o '"

'~:lão pública alernã ao ponto lJeVer-Se-lam reQUZH~t3JTIbern os tec:lógicos e selecionar os


que alcançou a tiragem melhores, pois livros em grande quantidade não tornanl. a pessoa
dou ta, rnuita leitura tampouco~ frias ler coisas boas e com fre-
i1(!~1 en1 três partes. Na prl- é que torna douto na Escritura e
como tal!) e as doutri- ainda por cima piedoso, V3 e.scrltos de todos os santos pais
::.':jesiástica~ social e política sornente deVerHl111 ser lIdOS durante
ternpo para; por InClO
uv iguais diante de Deus e deles, chegar a e.m 'vez nos os lemos apenas para

}J sobre o Dever de Enviar Fi-


Lulher, 1529-1546. p. 117.

.c 1M
ficar nelas e jamais chegar à Escritura. Nisto somos iguais àque-
les que olham para os marcos que mostram o caminho, mas ja-
mais seguem o carrÜnho. Com seus escritos, os caros pais quise-
ram introduzir-nos na Escritura; nós, porém, os usamos para
afastar-nos dela, quando a Escritura é nossa Única vinha~ na qual
todos deveríamos exercitar-nos e trabalhar. (Lutero, 1989, p. 332)
Para Lutero a lição mais importante e comum nas escolas e universi-
dades deveria ser a Bíblia. Ele acreditava que se isso acontecesse, formar-
se-iam pessoas altamente entendidas nas Escrituras ao contrário da situação
reinante quando se constatava até mesmo que os eruditos, prelados e bispos
não conhec1f:uTI o evangelho de Jesus Cristo.
Ele encerra a sua Carta J.},.bertadeixando claro seu desejo de que a fé
cristã e a Bíblia fossem a base do currículo bem como sua preocupação de
que, se isso não acontecesse, as escolas e universidades viessem a ser
"grandes portões para o inferno" (Lutem, 1989, p. 333).

2.3 A os Prefeitos de Todas as Cido.des da Alemanha (1524)

Este tratado cujo nome completo é Aos Prefeitos de Todas as Cida-


des da Alemanha: Sobre o Dever de Fundar e J\lÍanter Escolas (Lutero,
1967, 1523-1526, pp. 39-70), escrito provavelmente em janeiro de 1524,
foi impresso em fevereiro daquele ano. Ele não apresenta um sistema com-
pleto de educação; esta tarefa é cumprida mais tarde por Filipe Melanchton,
o Preceptor da Alemanha. O que Lutero fez aqui foi oferecer um conselho
prático às autoridades responsáveis das cidades alemãs e responder aos
argumentos daqueles que lideravam na i\.Jemanha um movimento contrário
à educação.
Ern primeiro lugar Lutero faz uma constatação neste documento: O
estado lamentável ern que se encontravam as escolas e universidades na
Alemanha. Em seguida ele demonstra que a educação é necessária para o
crescimento espiritual de meninos e meninas, e igualmente essencial para
que se tornem cidadãos íntegros e úteis da sociedade. Contra o argumento
de que pais não poderiam dispensar seus filhos das atividades domésticas
para que fossem à escola, ele sugere que eles atendam a escola uma hora ao
dia.

- 42-
.:oto somos iguais àque- Quanto ao estudo do grego, hebraico e latim, diante da afirmação de
.. ··.:111 o caminho, mas ja- que o mesmo não mais era necessário visto ter ele mesmo, Lutero, traduzi-
.ecs. os caros pals qmse- do já então o Novo Testamento para o alemão, ele argumenta dizendo que o
?orém, os usamos para mesmo é preciso para que se consiga ter um bom entendimento das Escrituras
'y' sa única vinha, na qual e para que se preparem "homens capazes de reger domínios e mulheres habili-
.u·i.E. (Lutero, 1989, p. 332) ~ .
tadas para governar filhos e emoregados".3
~.

nas escolas e universi-


···.o:lT]
Lutero recomenda aos prefeitos que tenham uma especial atenção na
- :: isso acontecesse, formar- formação de boas bibliotecas em tomo das Escrituras, das línguas e artes
·J.S ao contrário da situação
liberais quando da criação de escolas. Sobre li necessidade de bibliotecas
para a preservação do evangelho e das artes, ele afirma:
: c eruditos, prelados e bispos
Isto é essencial, que não somente aqueles que virão a ser nossos
_'laro seu desejo de que a fé líderes espirituais e temporais tenham livros para ler e estudar,
mas que também os bons livros sejam preservados e não perdi-
: ~nj como sua preocupação de
versidades viessem a ser dos, juntamente com as artes e línguas que agora temos pela graça
de Deus. (Lutero, 1967, 1523-1526, p. 65)
:.;. p. 333).
Para a formação de uma boa biblioteca Lutero recomenda primeiro a
Clnha (] 524) aquisição das Escrituras Sagradas em latim, grego, hebraico, alemão e em
qualquer outra língua possível. Além destas, o maior número de comentá-
~ c. Prefeitos de Todas as Cida- rios bíblicos. Enl seguida livros que auxiliern no aprendizado das línguas,
'jij" e Manter Escolas (Lutem, como os poetas e oradores, cristãos ou não, romanos ou gregos, desde que
êlmente em janeiro de 1524, auxiliem a aprender gramática. Seguem então livros sobre as artes liberais
~ ::':Ia apresenta um sistema com- que englobavam a gramática, retórica, diaiética, música, aritmética, geome-
tarde por Filipe rvIelanchton, tria e astronomia, e todas as outras artes. Também deveriam ser adquiridos
"(aqui foi oferecer um conselho livros de lei e de medicina, livros de crônicas e de histórias e até mesmo
alemãs e responder aos que contivessem contos infantis. Ele encerra seu apelo às autoridades afir-
um movimento contrário mando:
Por isso, eu vos suplico, meus prezados senhores, que deixeis este
:cnstatação neste documento: O meu sincero esforço dar fruto entre vós. Se houver entre vós quem
'.1 2.S escolas e universidades na me julgue tão insignificante para lucrar com meu conselho, ou que
:: :l. educação é necessária para o me despreze como um que foi condenado pelos tiranos, eu peço para
'::"".'1:b. e igualmente essencial para que considerem que não procuro vantagens para mim, mas o bem-
.. :a sociedade. Contra o argumento estar e a salvação da Alemanha. (Lutero, 1967, 1523-1526, p. 69 e
c.' filhos das atividades domésticas 70)
.C 2.es atendam a escola uma hora ao

, Afirmação feita pelo Dr. Nestor Beek em palestra proferida no dia 8 de novembro de 1983
no Instituto Cultural Bras'deiro Alemão - instituto Goethe de Porto Alegre, c publicada no
lino IgrcJa. Socicdade & Educaç'Üo, 1988, p. 86.

- 43 -

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culpados; porque do modo como os criamos, temos filhos e súdi-
tos estragados e desobedientes. (Livro de Concórdia, p. 421)
o reformador tern
e crianças rec.ebarrl
2.5 Sei7l1ão Sobre o Devere/e Mandaras Filhos à Escola (j530)
de ser U111 serrl1ao
}~~-lT'JJ Lutero deixa claro
o ape] o de 1524, endereçado aos prefeitos alemães, teve um sucesso
- ~~~~.=s e bern formados cida-
relativo. Cidades como Magdeburg, Nordhausen, Haiberstadt e Gotha res-
(estado e igreja). Ele
ponderam positivamente. Eis]eben, sua cidade natal, e Nürnberg, atende-
é responsabilidade
-~~-~e dos
ram-no em ] 525 e 1526 respectivamente.
~J\pesar disso, muitos pais seguiam firmes na intenção de não enviar
, - seus filhos à escola. Lutero tendo conhecimento disso, já em 1529, no pre-
-.-le\'eTas nao nos Doupemos
fácio do livro de seu amigo Justus Menius, Oeconomia Christiana, demons-
e educar os nossos
tra a sua preocupação quanto a este assunto e declara que no futuro trataria
(1 Deus e ao rrrundo.
do mesmo mais especificamente num livro.
~rnontoar-lhes dinheiro e.
.. No verão europeu de 1530, em junho e julho, no Castelo de Coburg,
_-~ntar e enrIquecer senl nós,
durante a dieta de Augsburgo, Lutero escreveu o manuscrito que ficou co-
>~D.tesn.os deu e confiou- fi-
.. nhecido como o Sermão Sobre o Dever de Mandar os Filhos à Escola. A
:::~-nemos de acordo com sua
sua carta dedicatória do sermão ele dirige a Lázaro Spreng1er, síndico da
----n~~"
necessidade teria de pai e
cidade de NÜrenberg. Nela, preocupado diante da possibilidade de haver,
que é seu dever, sob pena
apesar dos esforços do mesmo, pessoas que dessem mau exemplo afirman-
~>=GS filhos., acilna de tudo, no
do que para seus filhos bastaria que soubessem ler em alemão e fazer COTI-
~ Corem aptos~ dar~lhes opor- tas, ele afirma:
rn. de que possarr:_ ser úteis
Toda comunidade, e especialmente uma grande cidade, precisa ter
se fizesse, Deu.s hav:eria
outras pessoas além de mercadores. Deve haver pessoas que sai-
-:,y,' a graça de se educarem
bam fazer mais do que simplesmente somar e subtrair, e ler em
~'T~ia terra e o povo. Teríarnos~
alemão. Livros em alemão são feitos a princípio para o homem
cidadãos~ e mulheres
comum ler em casa. Mas para pregar, governar e administrar jus-
então filhos e serviçais
tiça, tanto no Estado espiritual como no material, todo o ensino e
perpetuas quando ne~
línguas no mundo são pouco, quanto mais somente o aJema.o.
dever de educar o teu filho de
(Lutero, 1967, 1529-1546, p. 123)
disso te oneras de todo o pe-
liierno en1 teus próprios filhos, No prefácio, dirigido aos pastores, Lutero pede-lhes para que conti-
.:: santo, t· porque se despreza nuem insistindo junto aos pais para que não descuidem da instrução da
- . -
juventude. Para ele o dever de adrnoestar, exortar e aconselhar para que a
-.::rrnatao aterradora~ que nao
-:-<lZ. E aliás todos 1astirnarnos educaçÜo dos jovens nÜo seja negligenciada é tarefa essencial dos pastores
nos meS1110S)somos os e por isso ele apela aos mesmos para que dêem seu apoio a fim de encorajar
os pais a fim de que continuem a enviar seus filhos à escola e sustentar

- 45 -

I
aqueles lnestres-escolas honestos e virtuosos qüe buscavarn educar os seus
filhos de r;'llaneira digna e honrada (p. ] 26).
N o seu serrnão propriamente dito, Lutero fala da inlportãncia de se
fornlar ministros religiosos; cultos~ conhecedores da Pala'vTé1 de Deus. Ele
pergunta onde serão buscados tais hornens se naquele rnornento nern 4000
alunos estavan1 estudando em rneia AJelTlanha, l\Jérn disso~ onde encontrar
pessoas capazes para ocupar postos de liderança no governo secular; nos
cursos de rnedicina, ad'v'ocacia e assim por diante? i\lérn de responsabilizar
o governo secular para que se rnantivessenl boas escolas C01Ti bons profes-
sores~ Lutero responsabiliza os pais e afirrna que é dever cristão dos rnes-
n105 enviá~los às escolas para que ti\leSSe rnédicos~ pregadores e juristas.
Deste 111odo ele rnostrou quão llTlportLlnte era o papel da educação para ~1

continuidade da existência da Igreja e da própria sociedade.


Neste rnesrno serrnào L,utera enaltece a figura do professor ao falar
sobre a tarefa de ensinar. Ele afirITlou sobre o assunto:
Eu quero simplesmente dizer com brevidade que jarnais o traba-
lho de Ulll l11estre-escola ou diligente e correto~ ou al-
guém que fielrnente treina e ensina rnerl1110S adequadarnente
recompensado ou pago em dinheiro r~~TGentanto, este trabalho é
vergonhosamente desprezado entre n6s como se nào valesse nada.
E ainda nos chamamos cristãos Se eu pudesse deixar o rneu ofí-
cio de pregador e rneus outros deveres~ ou fosse. obrigado a fazê~,
, eu -proclIraria a não ser o de. rnestre-
!O~não existe outro ofício que
escola ou professor de menirtos; porque eu sei que próximo ao de
pregar~ este é o lnelhor, maior e rnais Útil oficio que existe. (Lüte-
ro, 1967, 1529-1546, p. 161)

No final de seu serrnão Lutero dá a entender qUê as autorIdades


nbanl o direito de obrigar os pais que não queriarn atender a este deverG a
enviar seus filhos à esco1a (Lutero, 1967, ]529-1546, p. 164), Também
1TIOstra que é dever da igreja e dos ricos de providenciar auxílio financeiro
para que seja dada a educação aos meninos pobres, e que Deus teria nisto
alegria e prazer (Lutero, 1967,1529-1546, p.

- 4f1 -
àrn eGUcar os seus 2.6 Outras Obras L/e Lutero

j) inroortáncia de se o Dr. Nestor Beck ern seu livro Igreja? Sociedade & Educação
PJ.la\Tâ de Deus, Ele (Beck" I 988~ p. 90) aponta para outros escritos de Lutero onde ele enfatiza
-2 nlomento nern 4000 a necessidade da educaçào da mocidade e do povo alemão em geral. São
onde encontrar cItados por ele corno recursos didáticos e estímulos para as grandes refor-
,
gcr\lernO seCUlar, nos rnas educacionais qlle visavarn a recuperação da própria Igreja e da socie-
1~Tn de responsabilizar dade de entào o prefácio à Yv1issaAlemã de 15267 o prefácio à obra de Fili-
_.:-.>Jlas COITI bons profes- pe Jvlelanchton entitulado Instruções dos Visitadoresj de 1528, o
2ê\"er cristão dos rne-s- Enchiridion: Pequeno Catecismo para e Pregadores elTI Geral, de
< "

nregaciores e JurIstas. 1529. o Catecisrno i~Jernão. ÜUTibén1 de 1529, e a própria Bíblia Alemã,
d~Jeducação para a cuja traduçào fOl cOinpletada flor Lutero enl 1534.

2.7 O
-ur~ do professor ao I'-tiLiI

que Jamais o traba- :rJUI11a época errl que existia urna Alemanha que era explorada l1npie-
e correto .. ou ai- dosarnente. por taxas abusi\/as que eram en'viadas aos cofres da Igreja eul
adequadamente R_o 11:1(1,L,utero1 111ai5 do que.
- qualquer
- - outro~ reconheceu os erros doutriná-
entanto, este trabalho é nos que fizeran1 carn que a Igreja se tornasse na potência que era e que
(:orno se não valesse nada, t1v'esse o poder que tinha; doutrinas que contribuirarn para o estado de coi-
Dudesse deixar C: meu ofi- sas ern que se encontra\/â a sua pátria.
ou fosse obrigado a fazê- Reconheceu ele que parte daquilo devia-se à forma corno o povo era
_,""
a.ria a não ser o de rnestre- educado. Sabia que ha\/ia, prerI1editadarnente ou não, ur.n descaso para com
. " . ~ o estudo
,_->= :~u sei que proxlíno ao Ge E-scrituras Sagradas. Onde não houvesse conhecimento da
Pala\lra de
que existe. (Lute- poder-se-ia ensinar qualquer coisa como sendo tal e, cer-
tan1ente, nadtl contestado. El11 disso Lutem cria que a transfor-
rnação da sociedade, sua conscientizaç-ão e reconhecimento a respeito ào
que Deus dizia ern sua Palavra, a Bíblia, teria que passar obrigatoriamente
_-,2l"léUl1 atender a este de'ver~ a
lJelos bancos da escola.
~529-1546? p. 164). TarClbén~t
p.~proposta de reforrna das uni'versidades que ele trazia tinha ero seu
auxílio financeIro
bojo esta U111 povo que conhecesse em primeiro lugar as
e que Deus teria nisto
Escrituras. o sentido de suas palavras nas línguas originais, naturalmente
traria beneficios à causa de Deus, sua Igreja; e à própria sociedade .

- - - - ---- -~ - ~--~-~-
------~ •
,
Douglas Moacir Flor,~ em seu artigo "A Igreja Luterana e a Educa-
ção", ao C0111entar a preocupação e. o zelo que Lutero expressou pela edu-
cação enl 1524 na sua Carta Aberta, afirmou que o rnesrl10 argumenta en1
favor dos estudos clássicos com vistas à formação de lideranças para a Igre-
ja e o Estaào e que ele caracteriza a educação como obra do amor cristão
que atende às necessidades individuais e coletivas dos seres hurmmos (Ku-
chenbecker, 1996, p. 93). Ele também diz que a !T1iliorcrítica de Lutem foi
quanto à falta de escolas cristàs nas quais os jovens deveriam encontrar a
verdadeira educação e os valores adequados para a vida (Kuchenbecker,
1996, p. 94). Chan1Ll a atenção ainda para a visão futurista que Lutero tinha
ao tecer os seguintes cOfnentários:
Ele afirma a irnportáncia da educação para o progresso de U1TIa

cidade dizendo que esse progresso não depende apenas do


acúrnulo de grandes tesouros, da construção de nluros~ de casas
bonitas~ de rnuitos canhões e da fabricação de muitas arnladuras.
Antes de tudo isso; o lnelhor e mais fico progresso para UITla ci-
dade é quando possui homens bem instruidos bern instruídos,
n1uitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados. A partir
disso, estes poderian1 aculTIular, preservar e usar corretarnente ri-
quezas e todo o tipo de bens" (!<uchenbecker; 1996, p. 94).

Para Lutero, a educação era irnprescindfvel para o ben1 da humani-


dade. Aiém disso ele via o esforço da educação como u.m serviço prestado a
Deus. Sobre isso o Dr. Nestor Beck diz o seguinte:
Observamos que Lutero vê a educação como serviço que os pais e
autoridades, pastores e mestres, prestam a Deus. Educar as novas
gerações é cooperar, voluntarÍalnente ou não~ no regjme ou go-
verno secular de Deus sobre o llTundo. Educá~los cristãmente é,
aàemais~ participar voluntária e espontanearnente no governo es-
piritual de Deus~ que visa à redenção da hurDanidade. (Beck~
1988,p.92)

Senl dúvida, esta interpretação a respeito do qüe Lutero entendia por


educação é correta, Para Lutem e certamente também para o educador cris-
tão ··na educação cristÜ está a esperança durna renovação da sociedade hu-

-. Douglas Flor é professor de Cu1tura Religiosa na ULBR;l ..\ pastor auxiliar em Canela, RS.
Ele é urn dos eo-autores do livro O I-lo111enI e o Sagrudo que tenl enl \!a1ter Kuchcnbecker o
seu coordenador.

- 48-
Luterana e a Educa- mana pelo amor decorrente da fé" (Beck, 1988, p. 92). E esta é a base, sóli-

_,: ê'xpressou pela edu- da e firme, que a partir de Lutero vem a constituir a Filosofia Luterana da
mesmo argumenta em Educação que, em maiores detalhes, passaremos a descrever no próximo
_~ 1ideranças para a Igre- capítulo deste trabalho.
:,0 obra do amor cristão
, --lu:;; seres humanos (Ku-
crítica de Lutero foi 3. A Filosofia Luterana d.e Educação
"~115 deveriam encontrar a
,,:2 a vida (Kuchenbecker, 3.] Por que Filosofia Luterana de Educação?
futurista que Lutero tinha
Para podermos falar de uma Filosofia de Educação precisamos pri-

o progresso de uma meiramente responder à pergunta: O que é filosofia? Marilena Chaui, na


introdução de seu livro Convite à Filosofia, ao explicar o que ela é, deixa
não depende apenas do
claro que não existe apenas uma definição para a mesma, mas várias. Por
>trução de muros, de casas
de muitas armaduras. isso ela apresenta quatro definições gerais que seguem sumarizadas.
, . Na primeira ela mostra que filosofia é a visão de mundo de um povo,
nco progresso para uma Cl-
0-' instruídos bem instruídos. de uma civilização, de uma cultura. Ela diz que a filosofia
" e bem-educados. A partir corresponde. de modo vago e geral, ao conjunto de idéias, o mun-

"'~~.'~r-"/ar e usar corretamente ri- do e a si mesmo, definindo para si o tempo e o espaço, o sagrado
,-,,,1,,0 e C",\..
__:. / U, p. 94) '
~Ou I , I' 9C)h
e o profano, o bom e o mau, o justo e o injusto, o belo e o feio, o
verdadeiro e o falso, o possível e o impossível, o contingente e o
ndível para o bem da humani- necessário. (Chaui, 1995, p.lO)
,'.10 como um serviço prestado a
Na segunda definição ela demonstra que filosofia é sabedoria de vi-
..
como serviço que os paiS e da. Aqui ela explica que a filosofia "é identificado. com a definição e a ação
~:,~stam a Deus. Educar as novas de algumas pessoas que pensam sobre a vida moral, dedicando-se à contem-
'~"':ênte ou não, no regirne ou go- plação do mundo para aprender com ele a controlar e dirigir suas vidas de mo-
Educá-Ias cristãmente é~ do ético e sábio" (Chaui 1995, p. 16).
Na terceira ela assegura que a filosofia é o esforço racional para con-
c .::pontaneamente no governo es-
ceber o universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido. Aqui
~-~jenção da hUlnanidade. (Beck,
há uma distinçào, segundo a autora, entre filosofia e religião e até mesmo
uma oposição pois "ambas possuem o mesmo objeto (compreender o Uni-
, _, do que Lutero entendia por
1:' _ •• _
verso), mas a primeira o faz através do esforço racional, enquanto a segun-
-~-_::ntetambén1 para o educador cris- da, por confiança (fé) numa revelação divina" (Chaui, 1995, p. 16) .
.juma renoYaç5~o da sociedade hu- Na última Marilena Chaui procura demonstrar que a filosofia e a
fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas, isto é,
LLBR.Â., pastor auxiliar en1 Canela, RS,
que tem em Valtcr Kuchcnbccker o descreve a filosofia como uma análise das condições da ciência, da religião,

- 49 ~

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da arte e da moral cornu
para conhecer-se enquanto capacidade p2:-ra () conhecirnento; o ser~time.ntQ e·
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dizer QUe. a Filc:sc:fizl é c: TD.8.1Sútil de. todos os sat:eres de qUê- os

gamos ser DOSSl\lel que caiba no vasto C.ê:.rnpo dz~ ,-u


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norma correta do conhecimento reiigioso e da verdade e como a revelação
inspirada dele mesmo, de sua natureza, de suas intenções e propósitos, de
sua vontade e das suas relações com o seu povo e o mundo.
Além disso a 19reja Luterana crê que Deus criou todas as coisas, es-
tando inclusa a criação do homem. Este foi criado à sua imagem, isto é, ser
perfeito e imortal. Através do pecado da desobediência, porém, ele perdeu
este estado de perfeição e encontra-se desde então em inimizade com Deus
e sob o seu julgamento e condenação.
Embora o homenl nada merecesse, Deus, por amor, providenciou um
meio através do qual concede ao homem perdão e, conseqüentemente, paz
e vida. Esta providência é chan1ada na teologia luterana àe Hgraça divina';;,
isto é. o amor sem limites de Deus que lança o castigo sobre Jesus Cristo e
aceita como seu filho todo aquele que arrependido confia neste ato salvífi-
co.
Esta salvação conquistada por Jesus Cristo através de sua rnorte
substitutiva e de sua ressurreição:; que torna-se propriedade do ser hurnano
quando este crê (tem fé), é a força motivadora que age no cristão ao ponto
de ele colocar-con1o aivo de süa vida viver para a honra e glória do próprio
Deus. Neste vi\'er ele busca a perfeição no curnprirnento dos seus cl1anda-

lnentos~ atn.l'vés dos quais denlonstra que arna a Deus acinla de tod,-lS as
coisas e ao próximo COlT10 a si mesmo,
Apesar de não alcançar a perfeição aqui no mundo (ela só será com-
pleta na eternidade, após a segunda vinda de Cristo e a ressurreição que
naquele dia haverá de acontecer), o cristão prossegue para este alvo confi-
ando que Deus, por causa de Cristo, lhe perdoará as imperfeições e lhe
concederá unI dia U111corpo e mente perfeitos; para uma vida sern fim ao
seu lado nos novos céus e terra que por ele serão criados.

3.3 0.\' O~j(!tiv()s (10 Filosqf'ia Luternna rle Educoçào

A Igreja Luterana está consciente de que nenl todos os alunos que


procl1rarn suas escoias são cristztos. Apesar de que rnuitos não crêenl no
salvador Jesus; a Igreja Luterana crê que os descrentes estejanl debaixo do
governo di'v'ino tanlbénl. Eles rénl necessidade de conhecer a vontade de
Deus que, em Últin1Ll aná1ise~ reSUlne-se na vontade que ele tenl de que eles
sejanl igualn1ente salvos e ViVZllTIpara a sua honra e glória, servindo-o e ao
seu sernelhante. Mesrno que não creian1 em Deus e no seu e\'angelho~ de
- 52-

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- ~ - - --~~- -- -
-=c :: ::Jn10 a revelação acordo com o Dr. Nestor Beck, a educação cristã terá por finalidade para
com os descrentes
propósitos, de
.. ,preservar e fomentar as condições e bens favoráveis à educação,
, .
::.::~:dasas COIsas, es- portanto terá por alvo formar o homem como pessoa moral e ra-
1111agelTIí isto é, ser cional, que faça uso da razão para promover o bem próprio e dos
'_ :,. porém, ele perdeu outros, Será o homern que saiba gerir a própria vida, prover o
''1imizade com Deus próprio sustento pelo trabalho e participar da gestão da coisa pú-
blica, Será, pois, o homem capaz de conduzir-se honradamente na
:-,CL l)l'OVldenclOU UlT1 família, na economia, na política, nas artes, (Beck, 1988, p. í 02)
- _,,~'nse.qÜentelYlente, paz Quanto ao cristão, o Dr. l"'Testor Beck afirma que a educação, através
:lla de "graça divina7~, da ação renovadora do Espírito Santo, terá por finalidade consolidar e ex-
- _ -2',) sobre J esüs Cristo e
pandir o Reino de Deus entre os homens e que o alvo da mesma será o ho-
,>:=~nfianeste ato salvífi-
mem que, tendo ouvido a pregação de arrependimento, reconhece e crê que
Deus o absolve e aceita por amor de Cristo, passando a servi-!o, de acordo
através de sua rnorte
com os mandamentos, nas funções em que Deus o colocou na própria soci-
do ser hurnano
edade (Beck, 1988, p. 101-103).
~,ge no cristão ao ponto A Igreja Luterana, através de sua filosofia de educação, tem por
-cmra e glória do próprio objetivo, portanto. preparar pessoas para a vida, confrontando-as com o
" ":lT';ento dos seus manda-
evangciho de Jesus Cristo. E!a crê que o educando descrente, ao ser
I)eus de todas as
aCiiTIa
confrontado com ° mesmo, pode vir a ser transformado em um cristão e ser
motivado pelo amor de Deus a uma vida de serviço onde, ao invés de ser
n1undo (ela só será C0111-
egoísta, buscará a honra e glória de seu criador e o bem-estar do seu
~,to e a ressurreIção que semelhante através de sua própria vocação. E quanto ao cristão, a Igreja
gue para este 3.1 vo confi-
, -=:~
Luterana crê que ele, através da confrontação constante com o evangelho
__<irá as ll11Derfeições e lhe
que revela a graça salvaàora de Deus, terá fortalecida a sua fé e continuará
~~;~iraunIa vida SelTI fim ao
a receber motivação para que continue a viver uma vida de serviço a Deus e
, laGOS.
ao seu próximo.

4. Os Agentes da Educação Lute:rana

nem todos os alunos que


4. j EnUl11eroçÜo cios Princip{lis ,4 gentes
~ ;.=jl1emuitos não crêenl no
__<,"('ntes estejam debaixo do Certamente que existem muitos outros agentes da educação. Por e-
_.:: dç conhecer a vontade de
xelrlplo~ urn dos que não rnencionaren1os é o próprio professor. No entanto,
'_~~Jê que ele ten1 de que eles julgamos que não seja necessário que aqui seja aberto Ulll espaço especial
-ri e glória, servindo-o e ao para falar de sua importância que também foi reconhecida pelo próprio
e no seu e\langelho~ de
- 53 -

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~.".d~d-,-"U, '1
u! -)rórT1~
-"- jJ-"d),

igreja e a escola cristã. p."A respeito desses agentes pretendemos dissertar


neste capítulo,

4.2 i:1 F{unflin

Já destaCa1110S que lvlartinh.o L.utero deixou berl1 claro era ';fúrias OCâ-
siões que aos pais cabia educar de rnaneira cristã os seus filhos. São eles, na
sua opinião, substitutos e representantes de Deus e cabe-Ines dar aos filhos
a educação (Li\TO de Concórdia, Catecisrno Maior l, 4.0, 108).
}~pesar de a farnÍlia estar atua1rnente sob suspeita devido à alta taxa
de separações. onde ainda irnperar o arDor e houver aqu.ilo que Lutero tanto
queria, isto é, a instrução na Palavra de Deus, ali terernos a influência posi-
tiva que Dais DoderT1exercer com sua conduta e ,/ida sobre seus -fiihos.
A A A

AJénl disso, IJode-se ainda observar na nlaioria dos iares cristãos,


1.0) U111boni relacionarne.nto entre pais e filhos; 2.0) corno resultado p05iti-
\/0 o relacionafTlento dos filhos corn o seu seme1hante decorrente da autori-
dade que pais exercern sobre os lTIeSrnOS de maneira responsável; 3.0) a
confiança que a rnaioria dos filhos têrn nos ; 4.0) as situ.ações naturais
de aprendizagern que ar são encontradas.
lJrn lar está\/el, harnlonioso, onde cada integrante conhece suas li1'ni-
tações~ onde o ,unor é compartilhado em sua plenitude através de atos nos
quais rnajs inlportante que receber é dar; onde o perdoar e o pedir perdão
são buscados~ onde o que vale é estender 1.111"1 ao outro a 1118.0 para que 8.con-
teça a reconciliação, este é o lugar ideal onde a educação deve iniciar. E, no
entender de Lutero~ esta educação de'\/e ter sua base extraída dos princípios
divinos ensinados pela Bíblia Sagrada.

o Senhor T L:l.C11
J\"-·L)U,,)
c
Cristo, antes sua subida aos ceus, dIsse:
"~... fazei discípulos
- de todas as nações,
- batIzando-os ern norne do Pai e
do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que

(. Lutero afirnlOU que se não Cosse !111nistro religioso, certalllcntc seria rnestre-esco!a. Ell1
seu sernlJ.o de 1530, sobre o "'De"ver de IVlandar os Filhos à Escola" afinnou: "l'-Jão há re-
con1pensa que faça justiça. ncn1 dinheiro que pague U111professor ou 111estre piedoso e apli-
cado que educa c in:-:.trui fiellnenle os lneninosll•

- 54-

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--
-- -
~
-=;~1='~!:/~.~farnília, a própria eu vos tenho ordenado" (Mateus 28.19-20). Neste texto bíblico encontra-
pretendemos dissertar se a fundamentação para uma das grandes tarefas da Igreja de Cristo na
terra: o ensino. O Dr. Martim \Varth afirmou a esse respeito:
A Igreja, que é a comunhão dos pais e filhos cristãos, reconhece
que o verdadeiro 'ensino do sábio' que é 'fonte de vida' é o ensi-
no do amor de Deus em Jesus Cristo. Nesse sentido ajuda os pais
,.,JUbell1 claro em várias oca- a ensinarem os seus filhos a orarem ao Pai Celestial; a amarem o
-- -:IÜ os seus filhos, São eles, na Salvador Jesus, e a viverem uma vida de amor na família e na
-=::~use cabe-Ihes dar aos filhos comunidade em que vivem. (Warth, j 986).
'0rI,4.o~ 1(8).
Esta tarefa educacional, confiada à Igreja, é por ela desenvolvida no
suspeita devido à alta taxa
meio luterano através do culto público onde se realizam leituras bíblicas e a
"-i:JU\Ter aquilo que L,utero tanto
pre2:acão
- L-.:> da Palavra através do serrnão. Além disso existe o ensino sistemá-
alI teren10S a intllJência posi-
tico que acontece através do estudo do Catecismo, tanto aos infantes ou
'" vida sobre seus filhos.
adolescentes bem como aos adultos que desejam ingressar na Igreja. Con-
na Inaiaria dos lares cristãos~
vém lembrar que a Igreja Luterana divide parte de seu trabalho em setores
-"lhc}s~2.0) C01110 resultado positi-
chamados de departamentos (casais, senhoras, homens; jovens, crianças, ido-
>~'rne1hante decorrente da autori-
sos), nos quais, primordialmente, o encontro acontece ao redor do ensino ou
de maneira re.sponsável; 3.0) a estudo da Palavra de Deus.
< pais; 4.0) as situações naturais
4.4 A Escola Cristâ
-,~-:_da
integrante conhece suas limi-
~>uaolenitude atra'lés de atos nos
Lutero queria escolas cristãs para o seu povo. A escola, pública ou
c:nde o perdoar e o pedir perdão
, - particular, deveria preparar crianças e adolescentes para a vida, aqui e na
"jCYl ao OUlro a lnao para que acon-
eternidade. Para que esse objetivo fosse alcançado era imprescindível que
na escola acontecesse o estudo da Bíblia Sagrada em todos os níveis.
sua base extraída dos princípios
Vivemos numa sociedade pluralista onde, além de existirem as mais
diferentes ideologias políticas, também encontrarrl-se religiões contrastan-
teso Em razão disso, embora gostaríamos que na escola pública houvesse
ensino religioso qualificado na Palavra de Deus, temos consciência de que
cabe à Igreja nlanter escolas onde, além de urna educação secular com qua-
_~: cic sua subida aos céus, cllsse: l, 1" Nestar B'eCk,' 7
-=
., ..
2'. batlzando-os
~.
el11 nome do r'al e
_waCie, ensma-se '\
o evangeL10 -" jesus L.nsto.
de ,-, . " -
,:;egundo o T'\
0r.
• 4 •• a escola cristã é aquela que
'~:iC~OS a guardar todas as COlsas que

ccrtarncntc serla. mestre-escola, Enl


Filhos à Escola'~ afinllou: ;\l'~ãohá re- , Nestor Beck. dissertou sobre o tema "Lutem e a Educa~'ão Cristã da Juventude" durante o
~;U'2 U111professor ou rnestrc piedoso e apli- XV! Congresso Nacional da Juventude Evangélica Luterana do Brasil em Lajeado. RS, em
2-1-de janeiro de ]983.
: - 55 -

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para. re.sgatar 0-; q~j:: eSIa~,:~,:UTl


8Gb a IC.l-:: a fim de que

que. a InstarEi tem CCHTIG


cenIro a. encarnaçãc do Pilhe: e C{)lllGa1-

I2:relCi uma esccda"


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e de;./ere-s. Que estivesse sern.Dre dist)()sta C:- :;e.rvir fi Deus e ao seu sClrlclhan-
te COiu obras (fe 3-InOr

()s lutc:tEtnos têm consclênc1U de que ccn1i ~JSirnpostos que. pagarn es-

outro lado-:: no G1reito de rnantere.rn e.scolas part1cu1z:xes de acordo


COiT! suas cc;nsciências a sua
. , ~ filosofia
~ de educziçãe: possa Se.r aplicada e os
:"'C-::1::' .• ,.-.""" '--':" ••. _.~,~-=~~
.~.:-:;~.c:;':'"~'::.-.r: ~-•.-,r:."'.--"Õ--.~
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':.J", :'_-ll··:";'~_;:_;' U~''--;' "':"'llllL:

Jesus Cristo para salvá-Ic: da rnorte. eterna através de sua 11lc:tte substituti··./li.
:- nde que "todos os tesouros Assurnindo a culpa do hornem, pagando com sua vida o preço do seu resga-
te. ele o sal vou,
- ',- ocultos" (Colossenses 2.3)
Jeneza, a história, a cultura e A Igreja Luterana crê que todo aquele que confiar nesta morte substi-
_ c: Deus, o Criador e Sustenta- tutiva de Cristo, de acordo com as promessas da Bíblia, é perdoado e tam-
,:-cessários à vida, através dos bém aceito por Deus como seu filho, e que mesmo que venha a morrer,
ressuscitará no dia do retorno de Jesus para uma vida sem fim.
:- mãos, conforme a explicação
~Ll'raa história da humanidade A Igreja Luterana crê que todo o que confia em Jesus, como resposta
ao seu amor, vive, não enfurnado num mosteiro, mas junto à sociedade,
~c::1hor dos Exércitos, que 'vindo
nascido de mulher, nasci- uma vida nova através da qual, fazendo uso de sua razão, se conduz honra-
dalTIente, servindo ao próprio Deus e ao seu sernelhante.
:- :-stavam sob a lei, a fim de que
Gálatas 4.4-6). Mostra, assim, Diante disso a Igreja L.uterana crê que seja uma de suas tarefas pri-

, encarnação do Filho e como al- mordiais ensinar, educar, para que os propósitos de Deus - a salvação do
homem e uma vida de serviço deste homern redimido a Deus e ao próximo
nações; ... orienta os alunos para
:::3. cristã e dos Dez Mandamen- - sejam alcançados. Na visão do Df. Nestor Beck, a educação deveria ter
por alvo
_,"e educam não só com palavras,
, "sagrada ao Senhor. (Beck, 1983) ... formar o homem como pessoa moral e racional, que faça uso da
razão para promover o bem próprio e dos outros. Será o homem
--~~, Luterana tem se destacado no se-
que saiba gerir a própria vida, prover o próprio sustento pelo tra-
:-iTJa que dizia: "Ao lado de cada balho e participar da gestão da coisa pública. Será, pois, o homem
e segundo graus foram semeadas capaz de conduzlr-se honradarnente na falní1ia, na economia, na
= ~ 1uterano
segundo as doutrinas da política, nas artes. (Beck, 1988, p. 102)
ciedade consciente de seus direitos
servir a Deus e ao seu semelhan- Para isso, a partir das doutrinas que Lutero extraiu da Bíblia, ela pro-
cura pelo ensino da Bíblia Sagrada, educar o ser humano. E este seu objetivo
ela procura alcançar, de uma maneira bem especial, através da criação e
-~lue (om os impostos que pagam es-
manutenção de escolas cristãs.
___::\0 entanto julgam-se também, por
Na introdução deste trabalho colocamos a nossa preocupação na per-
~,colas particulares onde, de acordo
gunta: educar para que fim? Diante de tudo o que analisamos até agora,
ie educação possa ser aplicada e os
cremos que podemos dizer que o grande objetivo seja educar para a liber-
dade. Contudo, também cremos que para educar para a liberdade é impres-
cindível educar o homem na Palavra de Deus onde está registrada esta a-
firlTlação de Jesus Cristo, o Mestre dos mestres: "Se vós permanecerdes na
~riou os céus e a terra, todo o uni ver- minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a ver-
dade e a verdade vos libertará" (João 8-31-32).
,têm e protege o homem.
Esta é a Filosofia L4uterana de Educação. Ela tem um manual: a Bí-
; quer que este homem, por ele criado,
" e que, para tanto, enviou seu Filho blia Sagrada. Ela tcm um objetivo: confrontar o educando com esta Palavra
:erna através de sua morte substitutiva.

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para que seja tocado e movido pelo amor de Deus, em Jesus Cristo, li uma
vida de ser\/iço a Deus e à sociedade em que vive.

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Tradução e notas de AmaIdo SchüIer, 1 ed. São Leopoldo/Parto


Alegre: SinodalíConcórdia, 1980.
LlJTERO, Martinho. iDelo Evan~,?elho cle Cristo: Obras Selecioltculas
cle M onlcnto.Y Deci.';ivos cla I(efor7na. São Leopoldo/Porto A~le-
gre: SinodalíConcórdia, 1984.
LUTERO, Martinho. Obras Selecimwdas, VV. 1 e 2. São Leopol-
do/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia, 1987.
TAPPERT, Theodore G., ed. Selected Writings of lv!m1in Luther
fI5)'')-1''''16)
\, ~ _.1 Jk Phibd'
.~ 1. hia'.1~ortrA'S
Hua e,p.u ~, .n" 10'7
·••• "'s. preç;:ç; L/O'.
TAPPERT, Theodore G., ed. Selected Writings of lvim1in Luther
(1529-1546). Philadelphia: Fortress Press, 1967.
WARTH, Martim Car!os. Filosofia Lutemna de Educaçõo, 1n: Congresso
Nacional de Educação Luterana., São Leopoldo, 1986.

- 58 ~
~
_~ ueus, em J esus C nsto,
. a, uma A IELB E O APROVEITAMENTO
--"
_ '..~
'.1 ",'P
'i V.
DE CANDIDATOS NÃO MINISTERIAIS

lvonelde SepÚlveda TeixciIU

erei da Juventude. 11: Con- Introdução


o-=élica Luterana do Brasil,
o ensino teológico é de fundamental importância para o sustento e
. Estudos em Tomo de crescimento da igreja. Na realidade da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
(IELB), o ensino teológico é indispensável para a formação de pastores.
Rio de Janeiro: Por conseguinte, pessoas consagradas têm recorrido aos seminários para
fazerem o curso de teologia. Dentre essas pessoas. há aquelas que não que-
1995. rem ou não podem tornar-se pastores, O primeiro caso diz respeito aos
homens que alegam não ter o dom para tal e o segundo, são as mulheres.
Educaçõo. Trad. Mar- Em ambos os casos, há o interesse por conhecimentos bíblicos mais apro-
Concórdia, 1987, fundados e a disponibilidade de atuar no serviço missionário da igreja. ,
I-lolnell1 e (] .Sagr"{}do." A l?e- Ocorre que, quando tais candidatos não ministeriais ingressam no
'-,3,Doas: ULBRA5 1996. bacharelado em teologia, nem sempre são aproveitados posteriormente para
o • Igreja Evangélica Luterana. o trabalho da igreja e, quando o são, não recebem o salário digno de todo o
::i'. 1 ed. São Leopoldo/Porto trabalhador. Por causa disso, não tendo o reconhecimento de sua qualifica-
ção. têrn de buscar o seu sustento em outras atividades, podendo dedicar
Cristo: Obras S eleciOlwdas apenas uma parte diminuta e sacrificada de seu tempo àquilo para o que
estudaram e se formaram.
'!. São Leopoldo/Porto Ale-
Em vista desses casos serem cada vez mais presentes na IELB, as
páginas seguintes procurarão estudar esta problemática, partindo-se de uma
. VV.1 e 2. São Leopol-
1. 1987. apreciação do relacionamento entre ensino teológico e missão e, daí, enfo-
cando mais de perto a figura dos teólogos não-pastores. Num momento
\;itings of Mm1in Luther final, serão sugeridos uma nomenclatura a estas pessoas, bem como manei-
-,:- Press, 1967. ras de integrá-Ias mais eficazmente no trabalho da igreja.
T ;·itings af M artin Luthe r
: -< Press, 1967. A missão é de todos
de Educação. In: Congresso
::"::opoldo, j 986. Em Mateus 28. j 8-20, vemos que toda a igreja deve estar envolvida
no trabalho de levar a salvaçào para toda a humanidade. Todos são convi-

Bacharel em teologia. terminal idade em educação cristão. da Escola Superior de Teologia,


São Paulo. SP.

- 59 -

------
." ~~~- ---~-
----
dados a trabalhar - ricos, pobres, feios, bonitos, altos, baixos, letrados, anal-
fabetos, hornens, mulheres, etc, As pessoas cristãs são instrumentos de
Deus e luz do mundo (Mateus 5.16-21).
Q}ualquer
.. - na conG!çao
crlstao, " - em que esta,/ e/ utl1
/ " ao .
re1TIO de D A
i eus. _\
pessoa rnais humilde pode ser urn(a) missionário(a)~ urn(a) evangelista.
Deus faz uso das pessoas sem levar em conta sua capacidade mental ou
física. A forrnação teológica nào é pré-requisito para atuar como instru.men-
to de Deus na salvação do mundo. rrodavia, Deus instituiu o ofício sacerdo-
tal a fim de que o seu povo fosse instruído nas verdades bíblicas e no meio
do mesmo os sacramentos fossern ministrados.
Além de pastores, o reino de Deus precisa de professores, mestres e
doutores que auxiliem os pastores e ensinem a palavra divina de maneira
pura. Esses professores, mestres e doutores são lTIUitO importantes na ins-
trução dos nO\lOS cristãos e no preparo de líderes e futuros pastores. l\ igre-
ja é grata a esses conhecedores e defensores das \/erdades cristãs, os quais
Deus verI1 colocando no mundo desde longas datas, a saber, no j.\ntigo Tes-
talnento, no Novo Testalnento, na época da ReforlTla, etc,
O grupo de teólogos que lutou no período da Reforma para que a pa-
lavra de Deüs fosse pregada e111 toda a su.a pureza não era formado só por
pastores. Em seu meio achamos pessoas como Filipe l\/Ielanchton, que era
versado enl teologia, grego, retórica e direito.
O proveito do estudo de teologia não deveria ser apenas pessoal, mas
a formação teológica deveria ter um benefício coletivo. A igreja deveria
tirar um proveito positivo destes homens e mulheres que se dedicam ao
estudo da Bíblia. O estudante de teologia deveria ser utilizado na roissão de
maneira mais intensa. Essas cabeças cristãs que, de quando em quando,
surgenl ern nosso rneio, deveriam ser "agarradas com unhas e dentes'\ pois
as lnesrnas podem ser müito úteis no Reino de Deus.

o ensino teológico na IELB c suas tcrminaHdades

São várias as passagens bíblicas que apontam para o valor do estudo


da palavra de Deus, bem como o ensino da mesma. üm exemplo é Provér-
bios 22.6: '~Ensina a criança no caminho enl que deve andar, e, ainda quan-
do for velho, não se desviará dele.'; A função de ensinar é de grande res-
ponsabilidade. O teólogo, como qualquer cristão, terá que prestar contas a
Deus. Provérbios 14.35: "O servo prudente goza do favor do rei, mas o qüe
- 60-
letrados~ anal- procede indignamente é objeto do seu furor." O benefício que o teólogo
• instrumentos de proporciona à comunidade cristã é como o proporcionasse ao próprio Deus .
Mateus 25.40 diz: "O Rei, respondendo, Ihes dirá: Em verdade vos afirmo
ao reino de Deus. A que. sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o
:l'. um(a) evange!ista. fizestes.
;:,a.pacidade mental ou Deus promete reC0rI1penSar a todos que fazem o bem aos seus segui-
atuar como instrumen- dores. Mateus j 0.42 promete: "Lembrem-se disto: Quem der ainda que seja
.:Ltituiu o ofício sacerdo- um copo de água fria ao menor dos meus seguidores, porque este é meu
<:Lldes bíblicas e no meio seguidor, com toda a certeza receberá a sua recompensa." (BLH)
A Escola Superior de Teologia do Instituto Concórdia de São Paulo
:le professores, mestres e reconhece a importância do ensino teológico. A prova disso encontramos
·::ilavra divina de maneira no Catálogo Acadênlico 1997-1999, em que lerDos:
muito importantes na ins- O propósito específico para o qual foi criada a Escola Superior de
~ e futuros pastores. A igre- Teologia do Instituto Concórdia de São Paulo é formar pastores e
___~ \erdades cristãs, os quais v~hreil'oç ._,li'luxi1iares
J. .~ par1(.~,-,0. trabalho
~~~ ~ -•. __ __' lU io-reJ"l
__ p~ b , .j

...us. a saber, no Antigo Tes-


Os cursos oferecidos pela Escola Superior de Teologia são os se-
-~-=--'.~;lTna,etc.
guintes: Curso de Teologia (com bacharelado em Ministério Pas-
:' da Reforma para que a pa-
toral e em Educação Cristã) ... 2
- era rorma
:eza nao ~ do so/ por
Filipe Melanchton, que era Este curso confere o título de Bacharel em Teologia e forma pas-
tores para a Igreja Evangélica Luterana do Brasi!, especialmente
~'eria ser apenas pessoal, mas habilitados para o trabalho missionário, Tem a duração de 5 anos,
coletivo. A igreja deveria um dos quais é o ano de estágio. Para quem deseja estudar teolo-
- 'mIlheres que se dedicam ao gia sem tornar-se pastor, incluindo as vocações femininas, a EST
- ::'ri3. ser utilizado na missão de oferece, paralelo a este, o Curso de Teo!ogia com especialização
que, de quando em quando . em Educação Cristã. O pré-requisito para ingresso neste curso é
•ter o uegun
" d10 lJf3-U
~ , • .3
complelo
. .c":L\S com unhas e dentes", pois
..:::'lJeus.
O curso de Teologia conduz o aluno a duas terminalidade distin-
tas: Bacharelado em Teologia - Ministério Pastoral e Bacharelado
__ o :nalidades
em Teologia - Educaçã.o Cristã. A terminalidade Ministério visa
formar pastores especialmente habilitados para o trabalho paro-
para o valor do estudo quial e missionário. A terminalidade Educação Cristã visa formar
ma. Um exemplo é Provér-
1'\1,,,,5
professores de Educação Cristã para escolas de ! o e 20 Graus, que
C]llê
- deve andar~ e, ainda quan-
-
de ensinar é de grande res-
j Catálogo acadênl1co da Escola Superior de Teologia, p. 8.
terá que prestar contas a 2 Catálogo acadêmico da Escola Superior de Teologia. p. 12.
~,=;Z~l cio do reL roas o que .~ Cat{dogo acadêlnico da Escola Superior de Teologia, p. 12.

- 61 -
estejam habilitados a dirigir e executar o programa de educação
cristã tanto em congregações como em escolas. As exigências
quanto ao número de créditos necessários em ambos os cursos são
semelhantes sendo que a diferença se verifica em determinadas
disciplinas do currículo. Ambas as terminalidades formam Bacha-
, ~I .
rei em 1eo agia. 4

Nos Estatutos, Regimento e Códiçao de Ética Pastoral da !ELB 00-


~ <

demos observar a preocupação da Igreja Luterana em dar continuidade ao


ensino teológico, visto que o mesmo forma a liderança da IELB. Eis alguns
artigos do estatuto que demostram o interesse que a Igreja Luterana tem em
pregar o e\!angelho, enl forlnar lideres e lnantê-los:
Art. 4° - A igreja tem por fim propagar o evangelho de Jesus Cris-
to por meio da palavra, do livro, do jornal, do rádio e outros mei-
os condignos.
Art. 5° - Para cumprir com sua finalidade:
A - a IELB
a) formará pastores, professores, diáconos, evangelistas e outras
categorias de obreiros;
b) organizará e manterá escolas de todos os níveis, instituições
missionárias e promoverá cursos de treinamento;
c) produzirá e distribuirá livros e material religioso, fundando e
mantendo entidades com essa finalidade:
d) organizará e manterá serviços de assistência social, tais como
asilos, orfanatos, hospitais, creches e outras entidades congêneres;
e) adquirirá ou locará estações de rádio, televisão ou outros equi-
pamentos de comunicação;
Art. 70íII - Promover cursos, congressos, incentivar cultos evan-
gelísticos e colaborar com os Educandários Oficiais da !ELB para
um efetivo preparo evangelfstico dos atuais e futuros obreiros.
Art. 70/IV - planificar as necessidades humanas e financeiras que
a expansão missionária requer a curto e longo prazos.
Art. 7líI - incentivar e assessorar todos os organismos, congrega-
ções, instituições e obreiros da IELB na criação e prestação de
serVIço SOC1aIS;

I
- Catálogo acadêmico da Escola Superior de Teologia, p. 19.

- 62-
:rograma de educação Art. 7] /IV - dar especial atenção ao amparo dos obreiros necessi-
As exigências tados e suas famf1ias;
: ~n-i ambos os cursos são Art. 7] /VII - zelar pela inscrição dos obreiros e seus familiares
:elifica em determinadas em instituições de previdência e saúde e incentivar as congrega-
'u~_:lidades formam Bacha- ções a custeá-Ias integral ou parcialmente.
Art. 73/1 - criar, manter e incentivar a criação de estabelecimentos
de ensino em todos os níveis, dentro da filosofia cristã-Iuterana e
Pastoral da !ELB po-
em consonância com os objetivos da !ELB;
c:m dar continuidade ao
Art. 73/1V - manter prontuário de pessoas habilitadas no campo
_:etclnçada !ELB. Eis alguns
da educação, colocando-os à disposição da !ELB;
.:e ~'-Igrej a Luterana tem em
Art. 73/V1 .. planejar o recrutamento de estudantes aptos para o
futuro exercício do ministério, magistério e diaconia na !ELB, e
evangelho de Jesus Cris-
C\
fiscalizar a execução desses planos;
IIEll, do rádio e outros rnei-
Art. 73/Vll - providenciar recursos para bolsas de estudos para
alunos e obreiros, elaborar critérios de concessão e fiscalizar a
- -~,~,_...
--.,--lL::>.o

execução desses critérios;


Art. 73/IX - estimular e aprovar programas de estudos especiais e
..:onos, evangelistas e outras
de pós-graduação para obreiros e leigos, em entendimento com os
Conselhos Administrativos dos Educandários Oficiais da !ELB;
c todos os níveis, instituições
Art. 73/X - estimular e apoiar candidatos a programas de pós-
. ::r::ll1amento;
graduação no Brasil e no exterior.
c·nlerial religioso, fundando e
Art. 96 - Ministro Auxiliar é aquele formado pela !ELB, através
de seus Educandários Oficiais, para servir como auxiliar dos pas-
.: assistência social, tais como
tores, em harmonia e sob a sua supervisão.
:: outras entidades congêneres: Art. 97 - São considerados ministros auxiliares: Diáconos em E-
- ..dio, televisão ou outros equi-
ducação Cristã, em Evangelização, em Serviço Social e em Músi-
ca.
incentivar cultos evan-
, . ;1'::5S0S,
~lndários Oficiais da 1ELB para o Dr. Martinho Lutero por várias vezes lutou pela educação das cri-
_'JSatuais e futuros obreiros. anças e dos jovens. Nos trechos que seguem, veremos o quanto Lutero es-
~.ldes humanas e financeiras que tima a educação e o ensino, ficando no dilema entre lecionar e pastorear:
~.:rt()e longo prazos. Por isso vos imploro a todos, meus caros senhores e amigos, por
:Jdos os organismos, congrega- amor de Deus e da pobre juventude, que não considereis esta cau-
"-=LB na criação e prestaçào de sa de somenos importância, como o fazem muitos que não enxer-
gam a intenção do príncipe do mundo. Pois se trata de uma causa
séria e importante, da qual muito depende para Cristo e para o
mundo, que ajudemos e aconselhemos a juventude. Isso é a solu-
19.

- 63 -

--~---
~
,----- --~- ----~- ----~- - -
- ---
-
-
ção também para nós e para todos. E tende consciência de que es-
te ataque silencioso, secreto e traiçoeiro do diabo pode ser
combatido somente com profunda seriedade cristã. Caros senho-
res, anualmente é preciso levantar grandes somas para armas,
estradas, pontes, diques e inún1eras outras Obíâ.S semelhantes,
para que uma cidade possa viver em paz e segurança temporal.
Por que não levantar iguaJ soma para a pobre juventude
necessitada, sustentando U1TI ou dois hOfl1ens competentes COlTIO

professor?)

Resumidamente quero dizer o seguinte: a um professor ou mestre


dedicado e piedoso ou a quem quer que seja que eduque e instrua
fielmente os meninos, jamais se pode recornpensar o suficiente e
não há dinheiro que o pague, como tambérn diz o gentio Aristóte-
Íes. No entanto, entre nós essa tarefa continua desprezada tão es-
candalosamente~ como se não valesse nada. De minha parte, se
pudesse ou tivesse que abandonar o ministério da pregação e ou-
tras inculnbências, nada nlais eu desejaria tanto quanto ser profes-
sor ou educador de raeninos, Pois sei qUê, ao lado do rninistério
da pregaçào, esse rninistério é o mais útil, o rnai" importante e o
'1
melnor. I nc 1USlVetenho
. , . GUVluassoare
l/ri ' qual, aeles
,',' ,,6
e o melhor.
Infelizmente, o que Lutero constata em seu discurso continua acon-
tecendo nos dias de hoje, dentro e fora da igreja. Na IELB, quando o estu-
dante de teologia não ministerial termina o seu curso, o mesmo nem sempre
é aproveitado como deveria, correndo até o risco de acabar no esquecimen-
to. Quando isso não ocorre, o estudante de teologia vai atuar em uma con-
gregação luterana de forma anônima e sem salário pelo serviço prestado. O
Livro de Concórdia diz qual deve ser a atitude dos cristãos com relação aos
seus mestres (professores, doutores, teólogos) e curas d'alma (pastores):
Comei e bebei do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador
do seu salário,j~ J-Iucas 10. 'bOrdenou o Senhor aos que pregarn o
evangelho, que vÍ\-'arn do evangelho.7' leo 9. "P.~quele que está
sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas bo-
as aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zom-

'i Lutem. Obras Selecio!1adcL', v. 5, p. 305,


(; L utero. O'InciS S"eleClOl1aaaS,
, . j-59 .
v. ),- p.

- 64-

---~---- -~ -- - - - -- - -- ~ -
----
--
." ..
_ J:ê conSClenCla de que es~ ba." GI 6. "Devem ser considerados merecedores de dobrada hon-
do diabo pode ser
~ ::: ll"C'
ra os presbfteros que presidem bem, com especialidade os que se
=- _ .:: i:ide, cristã. Caros senho- afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não
=: .. ,nCies somas para armas, amordaces o boi, quando pisa o grão. E ainda: O trabalhador é di-
-'~}IraS obras semelhantes, gno do seu salário." ] Tm 5. "Rogarnos, irmãos, que acateis com
C.i.Z e segurança temporaL apreço os que trabalham entre vós, e os que vos presidem no Se-
,xu'a a pobre juventude nhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima
~"l:JrDenScompetentes como consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz
com eles." ITs 5. "Obedecei aos vossos guias, e sede submissos
para com eles; pois velam por vossas almas, como quem deve
a Uln professor ou il1estre
prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo;
POlqU~
04 't n7'()
1 P :1S.0 <)nr -"1 ~h),
"av "t-',o,e'lu a v.,.,
nC' ~l':"""'n'~'i~Hh
OL.d.JS. u j'J
__,. 7
~:' recompensar o suficiente e
":~l1Tlbém diz o gentio i\ristóte- O teólogo luterano não pastor precisa sair do anonimato e ser reco-
continua desprezada tão es- nhecido como um servo de Deus corn direito a viver do seu trabalho .
. . ::e nada, De minha parte, se
rninistério da pregaçfio e Oli- A nomenclatura dos teólogos não pastores na IELB
aria tanto quanto ser profes-
-:;~ gue~ ao lado do ministério Para que o teólogo luterano não pastor saia do anonimato e seja re-
:5 útil, o mais importante e o conhecido como um servo de Deus com direito a viver do seu trabalho,
"',ré"
-'---~.1-r'lIal r1e1en
U..I. P n __,,,,.]hnr
0,-,V __ V_. 6
,,-,..l. m.

primeiramente, faz-se necessário um nome que defina a sua posição como


:T1 seu discurso continua aCOl1- teólogo.
Atualmente, na !ELB, muitos nomes são dados para as pessoas que
g:-eja. Na IELB, quando o estu-
'eu curso, o mesmo nem sempre atuam nas congregações. Todavia, esses nomes não chegam a um consenso.
C,code acabar no esqüecimen- Quando se fala em -pastor, todos os luteranos - se trata. Quan-
sabem do que

I~ologia vai atuar em uma C011-


do se fala de obreiros auxiliares,8 começa a surgir uma dificuldade. Quem

H ~alário pelo serviço prestado. O são os obreiros de uma congregação? Pastores, professores de escola domi-
...dos
.],je -
cnstaos ] -
com re.açao aos nical, líderes dos departamentos, recepcionistas? Quando falamos de pro-

;Js! e curas d'alma (pastores): fessor de educação cristã,9 estamos nos referindo a toda liderança que lida
com a escola dominical, escola bíblica, instrução de confirmandos, dirigen-
.. .l'r" porque digno é o trabalhador
_"'!leu o Senhor aos que pregam o tes de grupos de estudos bíblicos, etc? Quem, dentro da igreja, ocupa a

'·g=lho." ICo 9. "Aquele que está função de evangelista ou missionário?ío O que dizer a respeito de diáconos,

;-'articipante de todas as coisas bo- leigos, capelães, ministros auxiliares?


~, enganeis: de Deus não se zom-
, Li!' ro de Concórdia. p. 38!.
S Catálogo acadêmico da Escola Superior de Teologia, p. 8.
o) Catálogo acadêmico da Escola Superior de Teologia, p. ] 3.
lU Faller. Mulheres Ji;fissioncÍrias. p. 66.

- 6S -

~ ---------------
-
- -- --~---~ -- - - - -
Nenhum destes termos apresenta uma problema em si. li~verdade é
que muitos desses "títulos" são usados à revelia, sem a preocupação com a
função ou formação de cada indivíduo que compõe a liderança congrega-
cional. Seria interessante que o teólogo fosse reconhecido como tal. Não é
justo que um médico que passou seis anos estudando seja intitulado de
enfermeiro. Portanto, para não sermos injustos com oCa) estudante de teo-
logia, ou seja, oCa) teólogo(a), aquele(a) que passou seus cinco oü seis anos
estudando em um dos seminários da IELB e se formou e recebeu o certifi-
cado de Bacharel em Teologia - Educação Cristã, tomaremos a liberdade
de, doravante, tratá-loCa) de Professor(a) Sinodal. Este termo, em verdade,
já está por ser extinto na IELB, mas desejamos reavivá-lo associando-o aos
teólogos não pastores.

OCa) Professor(a) Sinodal x o Pastor

A partir desse momento, passaremos a designar algumas atividades


em que oCa) professor(a) sinodal poderá atuar. OCa) professor(a) sinodal
tem plena capacidade de atuar: como professor(a) em uma escola; como
capelão(ã) em escolas, hospitais, entidades assistenciais e corporações mili-
tares (exército, marinha e aeronáutica); como auxiliar do pastor em uma
congregação.
Visto que a capelania escolar e o trabalho congregacional estão mais
presentes na vida da IELB, passamos a Estar algumas das atividades práti-
cas que um(a) professor(a) sinodal poderia desempenhar nestas duas fren-
11

tes.

Algumas atividades práticas da capelania escolar:


1. Ministrar aulas de ensino religioso;
2. Dirigir devoções em salas ele aula, bem como em reuniões peda-
gógicas, reuniões de pais de alunos, datas comemorativas e eventos;
3, Dirigir estudos bíblicos em reuniões pedagógicas;
4. Participar do planejamento e execução de cultos evange1fsticos,
programações em datas comemorativas e eventos;

11 Essa lista de ali vidades práticas foi baseada e adaptada tendo como ponto de partida o
plano de atividades práticas sugeridas pelo Rev. Amo i3essc1 à sua estagiária de Teologia
em Educação Cristã do ano de 1998, no Instiluto Concórdia de São Paulo.

- 66-
._problema em si. A verdade é 5. Fazer visitas a familiares de alunos;
~~l sem a preocupação com a 6. Ministrar aulas a prospectos missionários;
... :ompõe a liderança congrega-
7. Atuar como conselheiro de professores, funcionários, alunos e pais
":' reconhecido como tal. Não é de alunos.
':s estudando seja intitulado de
.'IOS com o(a) estudante de teo-
.. Algumas atividades práticas em uma congregação:
" _.:'passou seus CIl1COou seIS anos I. Dirigir escolas dominicais;
::::"'3 :' se formou e recebeu o certifi-
2. Dirigir devoções em reuniões de senhoras, jovens, diretoria, etc;
~J Cristã, tomaremos a liberdade
3. Dirigir estudos bíblicos em reuniões de senhoras, jovens, diretoria
Sinodal. Este termo, em verdade,
e congregação;
_ c; ~.lmos reavivá-Io associando-o aos
4. Participar ativamente do planejamento e das programações con-
gregaclOnals;
5. Realizar visitas;
6. Ministrar instrução de crianças, adolescentes e adultos;
7. Abrir novas missões .
. ~mos a designar algumas atividades
:::r2 atuar. O(a) professor(a) sinodal
Apesar do(a) professor(a) sinodal ser auto-suficiente na execução de
Drofessor(a) em uma escola; como
suas atividades, há alguns limitações, principalmente no que se refere a
..-ceIesassistenciais e corporações mili-
atividades exclusivas do ofício do ministério público, ponderando-se o
como auxiliar do pastor em uma
seguinte:

~ o trabalho congregacional estão mais


Deve-se fazer uma distinção entre "ofício" e "função". A falha
listar algumas das atividades práti-
em fazer tal distinção resultará em confusão. Por exemplo, quan-
aderia desempenhar nestas duas fren-
do uma congregação está temporariamente sem um homem para
preencher o ofício do ministério público em seu meio, ela pode
solicitar que um professor ou um líder leigo, devidamente super-
_, capelama escolar:
visionados, realizem algumas funções do ofício do ministério pú-
• ~.lglOSO;
blico. Isto é feito em situação de emergência e não como simples
J:, aula, bem como em reuniões peda-
iatas comemorativas e eventos: conveniência. Entretanto, a execução de tais funções não torna
aqueles que as realizam pessoas que estejam no ofício do ministé-
reuniões pedagógicas;
rio público. Mesmo em tais situações de emergência, a congrega-
e execução de cultos evangelísticos,
ção solicita que um homem que ocupe o ofício do ministério pú-
as e eventos;
blico e esteja servindo como pastor em uma congregação vizinha,
que ele assuma aquele ofício junto a eles, como "pastor em va-
,c.da e adaptada tendo como ponto de partida o cância" ou "supervisor interino". Assim, a supervisão e responsa-
Rev. Amo Bessel à sua estagiária de Teologia bilidade continuam com alguém a quem a igreja chamou e desig-
c ato Concórdia de São Paulo.

- 66 -
- 67 -

~ - --
" --- - - -
-~ ---
nou como pastor e que supervisiona aqueles que temporariamente
desempen h_L'
,am algumas mnçoes pastorms.'-p
- •

Pessoas com formação teológica poderão, por certo, ser uma bên-
ção em qualquer lugar que estiverem. Na igreja poderão ser de
grande auxílio na edificação dos irmãos, seja em estudos bíblicos,
mensagens, devoções, visitas missionárias, departamentos e co-
missões. Isso vale também para as mulheres. E, no desempenho
de funções, reconhecerão a supervisão do ministro constituído por
Deus e chamado por intermédio da congregação. O desempenho
das funções através de lnuitas pessoas, mulheres e homens, por
isso, não irá obscurecer o fato de que há um ministério instituído
por Deus e que neste ministério a pessoa não entra em função de
uma qualidade especial que tem, mas através do chamado que
veus d'a por melO
i\ . da Tigreja. ...li

O professor sinodal, por ser homem, em algumas situações especiais


pode, como acabamos de ver, realizar algumas funções do ofício do minis-
tério público desde que devidamente supervisionado. Todavia, o mesmo
não acontece com a professora sinodal. Sendo assim, ela não pode pregar
nos cultos da congregação, liderar publicamente os cultos da igreja, admi-
nistrar publicamente os sacramentos e nem administrar publicamente o
ofício das chaves. Mas pode exercer todo o serviço de educação cristã em
c .
acorao1 com o OllCIOpastora I -
e nao oposto a e,e.
1 í4

Quanto à participação das mulheres, bem como das professoras sino-


dais, nos cultos, ela podem fazer as leituras bíblicas, cantar, orar, ou seja, a
exemplo de todo bom cristão, participar ativamente dos cultos. Porém, para
evitar confusão e escândalos, deve-se evitar que ela auxilie na distribuição
da Santa Ceia. No tocante à sua "cidadania" na igreja, a mulher pode votar
e ser votada para qualquer cargo dentro da igreja, exceto em setores que
cuidem especialmente do ofício pastoral. Quanto às suas capacidades inte-
lectuais, as mulheres podem exercer autoridade sobre o homem, fazendo
uma palestra sobre um assunto que ela domina e até podendo ensinar em
escola bíblica para adultos onde há homens. E, finalmente, a mulher pode

11 Linden. /v1inistério Feminino. p. 24.


13 Linden. l\1inistério Feminino. p. 44.
I,) WOlllell in the chllrch. p. 41.

- 68 -
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1) ~'Vo!J!en ir: fhe church~ pp. 41-4'7


;{,Faller, i~}uíhere:'; tvfis~-;;ionâri([s. p. -""-'"
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:s ~iC~~~~I:'~
~;;;:lc;~:i;;~!i);!!t ifi[; C!istL?,p. _ ...
\leitado Il0 trabalho da i.gre.ia. e receba o de\ljdo reconhecirnento. Eis aJ.gu-
rnas propc:stas:
1) Incentivar e proporcionar (: ingresso de pessoas do sexo
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nos sernUIDX10S ~,.~
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tantü ern. S5~oPaulo carne: ern São
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Leopolcio'/ ~.2ue tal dar as H1eSrns.s cl-iances para rnoças e. rapaze.s e.studarelTI
teologia?
2'i Fazer com que
~ o curso de teolc;g:ia
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cristã.
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UITia ou duas linhas ql.lê se
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urn tanto incoerente abrir urn curso e dôse~ar Que-o meSIT1C: não tenha. aJunos
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curso de bacharel em v ~_:u.~,


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rnesrnos de.\/eres e privi]égios Q()S prc:fessc:res dos


~~))
[lar (': nCH11e de SInodal D3.r3. os homens e mulheres

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l)l\:'uigar o trabaiho dos(as) protesscrês(as) slnc:d{us~ e cc:lc?cá-
los(as) a disposição das di~/ersas cong._~regaç:ões7
- escolas {)u quaiscpler
- - enti- -

ciades luterrrn85~ dentro e fora dc: BrasiL ()s(as) -professores(as) podem


- tra~

do ou inde.te.rminado.
8) Proporcionar aos professores(as) sinc:dais (: ~ ------~-
r.
--
••.. ,H~~
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-.--., ._..•.o~.-,
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' •.••••• ---~ -

9) Criar a possibil1dade. dos(as) professores(as) sinodais poderenl e-


xercer a cape.iania
- em escolas~ hOsDitais~
~-
enÜdades assÜ;Ienciais~ ' COrDGra.- .:..

quaisquer parte do Brasil ou do rnundo. l)este modo~ os (as) professores(as)


sinodais estariarn enquadrados nos p.~rts. 93~ 94 e 95 dos estatuto da IELB~
~ ~.' ~ .-'-
pn:TP n'-' fY::t"'-:n n:::c':c::<':::
~I:> :7: -:-n-n_
..
r:ara que nao houvesse "'-'-'-":'''-'':''-' :-':..~"--':.'-'--'--'--:...:. "-' '--~ ",-"-,-..:.:...:.",-,, .:..'--~-'--'-

.
do proressor( .a), aos professores( as) sinodais '-..
-..
deveria resDonder -Dositl'"lamente ao art.
79ila: TI~L b; c~d e e dcs estatutos da IELB:
. "" ,
i 2) Criar a possibilidade doCa) professür(a) SlllOdEUDocer VIr a ser
IeológlcOS .. sendo enquadrados( as)
91, 92 dos estatutos da IELB;
Slo Faul0 cornG ern São O(a) professor(a) sinodal deveria ser desligado(a) da congrega-
1TiC>;US e rapazes estudarem pelos rnotivos descritos no 'lrr. 100 § 5° do estatuto da TRLB~
()(a) professor(a} sinoGaJ deveria estar sujeito a avaliaç-ões perió-
cristã seja cc:nhe~ dicus conron.ne o arte 100 § 6° do estatuto da IELB~
o,..., •~•
orgarnzaçoes aux11El- ...
-Doderia DarticiDar
- - de conselhos distri-
~., ' ,. _.' o o ~o o.
canCElOS reg1onals, convençoes naC10na1S C01T1curerfO a vGtG,
ele teologia en1 educação Nenhurna destas prc;r:::ostas têrn corn:o finalidade con.frontar ou des-

no reino de Densó C)crescirnerlIc: do c.nsinQ~ beTn corno o auxílio ao Dastor.

Creio que~ .:o1'n o reccHlhecirnenlo do CUfSO de I':,OlOgl3. lVlinisté-


Ienlpo inregrai~ rio G:i Educacáo e C:ulrUf8 (~IEC')~ ha"./erá urn scnsi\lcl aurnento do número
de candidaIos para o 111eSrno. IELB deve estar preparada para essa nO\7â. Ji.;.

eiS nornens e. rrrülheres realidade. P-;.igreja também precisar pensar desde agora enl forrnas de inte-
grar os forrnandos em teologia erú edLlC,lCJlO ao carnpo trabalf100

C2uundc: 1T1ais genTe esti"/cr trabalhando no Reino de l)eus~ mais palavra de


/
...----.. ,~- . ~ -.

lJens c serneaGa e lTlâlS o KelDO nad.e crescer.


Dfofessores(as) pc:dern tl3.-

Escola Superior de Teologia" Sãc: Paulo. 1997-1000

Igreja E-"/3Jlgélica Luteranêl L)Q Brasil. Esran,:Ios: l?egirnento e CÓdigo de

use as) profess(}res( as) :/ :..-...


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~.. ~ .
..-.,:_~_,~..-."
"" _
__._
Linden, Gerson Luis. "Ministério Feminino", in Vox Concordiana - Su-
plemento TeolÓgico, ano 12.1, São Paulo, ]997, pp. 21-45.
Livro de ConcÓrdia. Trad. Arnaldo Schü1er, Porto Alegre/São Leopoldo,
Concórdia/Sinodal, 1981.
Lutero, Martinho. Obras Selecionadas - Ética: Fundamentos - Oração-
Sexualidade Educação - Economia, v. 5, Porto Alegre/São Leopoldo:
Concórdia/Sinodal, 1995.
Seibert, Erní W. "O Papel da Mulher na Igreja", in Vox Concordiana-
Suplemento TeolÓgico, ano 5.1, 1989, pp. 40-48.
Seminário Concórdia. Catálogo A cadêmico, São Leopoldo, 1999.
"Women in the Church: Scriptural Principies and Ecclesial Practice". A
Report of the Comission on Theology and Church Relations of The
Lutheran Church - Missouri Synod, September 1985.

- 72-
COllcordiana - SU-
. ~i~. pp. 21-45 . LITURGIA
. : Alegre/São Leopoldo,
DANÇA LITÚRGICA
:domentos - OraçÜo-
Ralll Blll/71
[,ti ).Jegre/São Leopoldo:

\,"ox COllcordiall(l- o Instituto Concórdia de São Paulo (ICSP) celebrou o 5 J o aniversá-


-;-.+8. rio (22 de agosto de J 999) com um Culto Cantate no qual também se apre-
sentaram duas danças litúrgicas que ilustraram dois hinos congregacionais
•.•. Leopoldo, 1999.
do Hinário Luterano: no. ]40 ("Vem Espírito Di vi no") e no. J 9 J ("Saudai o
. ,i Ecclesial Practice". A nome de Jesus") .
. Cnurch Relations of The
A dança litúrgica ainda não é uma prática rotineira na Igreja Evangé-
de;:,!" !985. Iica Luterana do Brasil (!ELB). No entanto, em algumas congregações ela
está sendo praticada e apreciada como auxiliar da expressão dos sentimen-
tos daquilo que se canta ou se representa.
A dança litúrgica não é coisa nova. Já no Antigo Testamento vemos
a dança ligada a atos de culto. Um exemplo bem claro disso é o Salmo 150
que. além de estimular o louvor a Deus através de instrumentos variados,
também inclui a dança como algo que faz parte do louvor a Deus (v. 4).
Já usamos diversos instrumentos musicais em nossos cultos. Grada-
tivamente estamos utilizando cada vez mais instrumentos de cordas, de
sopro e de percussão, além do tradicional órgão. Isto condiz com o que o
Salmo 150 nos recomenda. Mas, a dança litúrgica ainda é bastante desco-
nhecida. Talvez chegou a hora de tentarmos ilustrar nossos sentimentos
com esta arte tornando-a um recurso a mais na divulgação do evangelho.
Para que mais congregações possam se beneficiar desta arte, trans-
crevemos nas páginas seguintes os movimentos que foram criados para o
hino "Vem, Espírito Divino". Esta é uma criação do grupo de dança litúrgi-
ca da congregação Ebenézer, vizinha do ICSP. O grupo é liderado pela
Patrícia Miquelin Seh e a parte musical é coordenada pelo Prof. Raul
B!um. As ilustrações foram criadas por Arina Sano Pereira.

- 73 -

J ..
Divino, *

(\làos ahcrtlls Cnl/éllll-SC)

Nobre Ensinador.

(I\li mas das I11<\OS

\ oltadas para o alto)

* Vem. revela em teu ensino *

N osso Redentor.

t1
"

* Dallç'ai" de u])]!:ido pam o outro cOlljim))~ o ritmo da mlÍslC:J. *

- 74-
* REFRAo:

1 teu el1SlIlO *

. " "n/nw do nni,,,,o. " I


Que o pecado traz,

*
"
~""i"Ó

E da perdição
1""""'''' p ""pó'

"
A mansào da paz.

fi (~t:ío~ em funna
de j1lll11ba \ll,mdo)

"

(REFRAo)

- 76-
3- * Vem,

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j tr ..su
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+~
:"''-'~;;''';' __
A
c_' _
>.1:3.0~ no coração)

~a

"
:a
n
Recon - duze os trans viados

4~ Ao pastor Jesus.
ç,,,,op,mr9

'1 (Vim ,om o ""M)

(REFRÃO)

- 77 -
I
4-
(Volta para posição inicial, dc costas para o altar)
Vera
"* ... osentre
Tu
operas povos

s
conversao,

~
~
I

fiÓ
'* Novo '*'* pensamentos
Dá-lhes coração novos,
ti"cnte sobre a testa)

*
fi Q (Mãos voltadas para (Mãos no coração)

(REFRÃO)

IIlustrações: AnDa Sano Pereira. I

- 78 -
os povos *'
MÚSICA

~ IVIÚSICÁ PÁRÁ CORÁIS


;,ê, para O altar)
Raul Elum

Mais uma vez estamos oferecendo música coral para dois tipos dife-
rentes de coros: coro misto e coro de vozes iguais. O Kyrie Eleison que
estamos publicando é para a formação mais utilizada para coros: soprano,
contralto, tenor e baixo. Esta música também precisa do acompanhamento
de Órgão. Foi composta por Léo Schneider.
Léo Schneider era organista, regente e compositor, membro da Igreja
~:crvos, * Evangélica de Confissão LuLerana no Brasil. ,~,tuou como organista na Igre-
ja Martin Luther de Porto Alegre. RS. Hoje, sua filha Anne Schneider é
organista na mesma congregação, fazendo também turnês por diversos
países como organista. Gentilmente Anne Schneider consentiu em que esta
peça fosse publicada pela V ox Concordiana. Agradecemos pela gentileza.
i". música "Sempre em Deus Confia" está arranjada para vozes i-
guais: soprano, meio-soprano e contralto, ou tenor, barítono e baixo. Mas
esta música também pode ser cantada por um coro misto. Para isto é neces-
•...
'-...... sário dividir as vozes masculinas e as vozes femininas em três grupos. O
descante para flauta pode ser tocado também por flauta doce soprano, vio-
lino. oboé, clarineta, trompete, sax ou mesmo por um teclado com um re-
gistro de instrumento que utilize clave de sol.

jstrações: Anna Sano Perára.1

- 79 -
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AUXÍLIOS HOMILÉTICOS

I: SEXTA-FEIRA SANTA
21 de abril de 2000
Série Trienal B, Evangelho: João 19.17-30

L O Texto no Ano Eclesiástico

1.
É Sexta-feira Santa ou Sexta-feira da Paixão de Cristo. É a segunda
das quatro datas (Natal, Sexta-feira Santa, Páscoa e Ascensão) ou aconte-
cimentos importantíssimos na vida terrena de Cristo na execução da obra
da salvação.
Todos os evangelistas enfocam aspectos importantes do que aconte-
ceu corn Jesus Cristo antes de sua morte. Porém, este texto é bem completo

-
-~=;= -d~~-===:~~=~·=~~=t;-;~I
-0-· para o dia: fala do sofrimento físico (carregar a cruz, a crucificação) e mo-
ral (ter pena de morte como se fosse um bandido, ser crucificado entre dois
bandidos, suas roupas serem repartidas entre os soldados) de Jesus, o cum-
IJ primento das Escrituras (vv. 23-24), a entrega da mãe aos cuidados de João
e termina a perícope com o ponto culminante da declaração de Jesus "Está
consumado!" e com sua morte.
go. clll
go

- 0-- .. "y:: n. O Texto no Contexto


o .~. g

o capítulo 19 de João aborda Jesus diante de Pilatos, a crucificação,


a morte e sepultamento. João procura mostrar que todos os atos ligados à
crucificação de Jesus foram atos dos judeus, embora fossem realizados
[1(1:n
pelos soldados romanos sob o comando de Pilatos. Nós bem sabemos que,
através daqueles judeus e romanos, os pecados de toda a humanidade leva-
ram Jesus Cristo à morte.
Em sua narração, João faz a sua própria seleção de eventos. Cada se-
ção é completa de detalhes e cada uma é distinta em si.

IH. O Texto

V. 17: Um costume arrepiante: o condenado à crucificação devia car-


regar nos ombros, pelas ruas de Jerusalém, sua própria cruz. Era maneira de

- 85 -

~ - ---------------
- -- - - -
--
--~
-----
declarar-se culpado. Jesus, ernbora inocente, declara-se culpado enl lugar
da humanidade. A palavra Cal vário provém do termo latino calvaria que
significa crânio e equivale à pala\Ta grega kranioll. Gólgota tem o meS1l10
significado. Esse nome era dado à colina em que Jesus foi crucificado por-
que. especialn1ente à distância, parecia com um crânio.
V. 18: João usa poucas palavras para descrever cenas tão trágicas.
·~ocrucificara1l1'~: os judeuso fizerarn através de Pilatos, ao qual forçararn
para realizar a sua vontadc~ e dos soldados romanos. pTa verdade, os nossos
pecados também crucificaram Jesus através dos judeus daquela época, atra-
vés de Pilatos e dos soldados ronlanos. Os pés de Jesus ficaram apenas a
uns 70 cm do chão, por isso o pequeno caniço de hissopo foi suficiente para
fazer chegar a esponja de vinagre à boca de Jesus (v. 29).
Os judeus pediram a Pilatos que Jesus tivesse a pena de morte apli-
cada aos crilninosos l11ais vis. O fato de Jesus ser crucificado entre dois
crirninosos era considerado corno se ele fosse de igual espécie, C:urnpre-se
Is 53.12: "foi contado C0111 os transgressorc,s7~, O próprio norne cruz trans-
mitia a idéia de opróbrio, vergonha e ignomínia.
Vv. 19,22: Mt 27.37 mostra-nos que Jesus foi acusado de aJta traição
ao imperador romano, como adversário político. Esta foi a acusação oficial,
embora o sinédrio o acusasse de blasfêmia. Roma jamais iria condenar por
acusação religiosa de blasfê-rnia contra o judafsrno. Era COlTIUlTI pendurar no
pescoço ou sobre a cabeça dos criminosos urna inscrição com a acusação da
condenação. Pilatos insiste que Jesus foi crucificado como o Rei dos Ju-
deus.
Os quatro evangelhos dão uma versão ligeiramente diferente da ou-
tra. Matem: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" (Mt 15.26). Marcos: "O Rei
dos Judeus" (Mc 15.26). Lucas: "Este é o Rei dos Judeus" (Lc 23.38). João
é o mais extenso: "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus". A inscrição foi feita
ern~. trés".'. lípo-U'lS
le {....~ (j'el"'rai,'('
\. I J ~\,...-U, lé'tinl
U ...•ll o-rpo-r,\ F
e b~--b"""}' l'''--l._,._ •.. ..",•... n'lp eu' c"ria
~ n~~sívp] lu......- u •....

Ji"o-ua
,.l,te

'~Pilatos hou\'esse escrito acusações levernente diferentes entre si~'" e cada


evangeJista ao mencionar a inscrição refere-se ao texto completo ou em
parte lnélS tirado de tlll1a língua diferente do outro. l~"i.. inscrição alertava a
todos da seguinte anleaça: este é o fim que os rOInanos darão a qüaiquer rei
dos judeus que procurar opor-se a César.
Tão grande era o ódio dos líderes religiosos judeus por Jesus que fo-
ran1 pedir a Pilatas para rnudar o texto da inscrição, pois não podianl adn1i-
til' que um mero nazareno fosse o rei deles. Pilatas não concordou. E ele

- 86-
ma Maria de "mãe" e sim de "mulher". Não significa desrespeito. Jesus
ainda era o filho de Maria, .tvlas de agora em diante ela deveria vê-Io acima
de tudo corno seu Senhor e Salvador. Prontamente João aceitou a incum-
bência de seu Mestre: levou Maria para sua casa e dela cuidou.
'lVe 28-30: Lenski acredita ter passado rnais de três horas desde a
conversa de Jesus conl tlÍaria e João até esta nO'v'{1 seçào.
'EidÔo.\' é um particípio presente de 'ore/a C~sabendo~ saber intelectu-
al""), O que Jesus está sabendo? Que todas as coisas estavalTi terrninadas,
Todos os detalhes da obra salvadora estaVDJ11 COITIDletos faltando sornente a
morte.
i\penas depois de sofrer tudo o qtle era necessário para salvar a hü-
nlanldade~ Jesus pede algo para beber ti. finl de aliviar a sua sede. Aliás,
:::,cde era un1Zl das agonias lTiais torturantes do crücificado. Já devia estZix
co1"n sede antes de chegar ao Gólgota, Logo que estava le\Tuntado na cruz
"deranl-lhe a beber vinho corn fel~ nlas ele, provando-o, não o quis beber'~
(l\'lt 27 .34)~ pois ainda preclsa\l(i sofrer pela hU1112ti1idade. Ivlas agora, estan-
do tudo pronto~ para ainda curnprif a profecia registrada no SI 69.21 ("na
rninha sede rne dcranl a beber vinagre ), Jesus pede algo para t0111ar. O
vinagre era vinho C0111U111azedo que os solda,dos do inlpério usavarn conlO
bebida. E Jesus, tomando o vinagre, disse: "Está consumado!" Tetélestai
era unla palavra conlercial que significava "está pago~ a dívida está paga!;'
Qual dívida estava paga?
O santo Deus elTI sua justiça exige que o ser hurnano seja santo
("santo sereis ...~'.Lv 19.2). f\/las o ser hürnano não consegue ser obediente a
Deus, Então Jesus Cristo, sendo Deus e homem, foi santo, obediente nos
lugar das pessoas. Obedeceu integral e perfeitamente todos os mandan1en-
tos que o Pai deu aos homens. Por isso, está paga a dívida da desobediência
humana: tetélestoi!
Era necessário que se cUlnprissenl as profecias descritas no Antigo
Test~llne.nto. E todas que cabian1 a Jesus cumprir, ele curnpriü à risca~ e as
que cabiam a outros cumprir. viu-nas serem cumpridas. Por isso, tetélestai!
Era necessário Jesus sofrer pela hun1anidade. Sofreu fisicZHllente: roi
açoitado~ pregaào na cruz~ recebeu a coroa de espinhos na cabeça, etc. No
entanto, o seu maior sofrimento foi espiritual, na sua alma: desde o momen-
to que orava no J ardi 111 do Getsê-lnani e seu suor se transforn10u enl gotas
de sangue até o 111011lento de excltl111ar "Deus lneu, Deus rneu~ por que n1e
desarnpa(aste?~' e ainda depois sofreu. Enl sua alrna, Jesus sofreu o castigo
- 88 -
desrespeito. Jesus eterno que todas as pessoas (aquelas já mortas, as vivas em sua época e as
. :c':= ela de\'eria vê-Ia aCl1na
que ainda estavam para nascer) deveriam sofrer para sempre no inferno.
J oâo aceitou a mcum-
Sem dúvida, foi um sofrimento inimaginável para nós. Por isso ... tetéles-
CUlCiou.
loi:
"'. de três horas desde a
Era nece~sÚrio JêSUS derranlaf sangue. Para os judeus sangue era vi-
-. -~1~cçao.
da. No Antigo Testamento Deus pedia que o sacerdote uma vez por ano
Hsabendo, saber intelectu-
fizesse a eXIJíacão com o sam::uc da oferta Dela pecado (Êx 30.10), Já no
:> '- .~ .•.•. '

>~'lsas estavam termmadas.


Novo Testanlento, til1 Hb 9.'='=. [1 escritor sacro afirnlou: "sel11 derrama-
:Tlpletos faltando SO!l1ente a
mento de sangue não há remis<1o". Vendo Jesus seu sangue vertendo das
mãos. dos pés e da cabeça.::cro'l de: espinhos. ek estava certo de
H: ~cessário para sal var a hu-
que esta exigência do Pai também eSLD.\Zl satisfeita. Por isso ... tetélestai! A
j~ aliviar a sua sede. Ahás~
oferta de sangue pejo ]Je:cJdo dé, hUllnnicLde' e'stC\\a dada. O mesmo apósto-
crucificado. Já devia estar
lo João em sua primeira j .~' ilTlrmc·u: o s,mgue de Jesus, seu
;:;; estava levantado na cruz
Filho. nos purifica de' todu
~'\ando-o. não o quis beber" '~E.,incl1nando a cabeça rendeu (entregou) (; esp{rito~~ . 30). Lucas
r-nanidade. IvIas agora, estan- dá mais detalhes: "Então Jesus clamou em alta voz: Pai. nas tuas mãos en-
registrada no SI 69.21 ("na trego o meu espírito! E, dito isto, expirou" (Lc 23.46), Jo5.o usa o aoristo
~<tlS pede algo para tOll1ar, O primeiro de pomdído/lli ("entregar, render"). Ele constata o fato que Jesus
~. "'.
:us ao lmpeno usavam como morreu porque entregou sua alma ao Pai. Jesus morreu porque quis, obede-
Está consumado!" TetélestCli
cendo a vontade do Pai. e tudo isto depois de todas as exigências do Pai
- :ú pago; a dívida está paga!" terem se cumprido.

_Ue' o ser humano seja santo IV. Persuasão


consegue ser obediente a
~1J.O

'~m, foi santo, obediente nos


Objeti\'o: Que meus ouvintes avancem com gratidão a Deus pelo fato de
1,'mente todos os mandamen-
Cristo ter realizado completamente a obra da salvação.
_:,2" a dívida da desobediência
Ivloléstiu: Comumente pessoas pensam e até falam como se as suas obras (ir
'rofecias descritas no Antigo á igreja. ofertar, ete.) também ajudassem para a saivação, como se a obra
-rir. ele cumpriu à risca, e as
redentora de Cristo fosse incompleta. Têm-se pouca compreensão da gravi-
1ipridas. Por isso. tetélestaii
dade da pecaminosidade humana e conseqÜentemente vaioriza-se pouco a
j,,,je. Sofreu fisicamente: foi obra salvadora de Cristo.
-==- ,::spinhos na cabeça~ etc. No
-':1 sua alma: desde o momen-
Meio: jesus Cristo satisfez todas as exigências do Pai na obra da salvaçi'io
.cr se transformou em gotas realizJda em fJvor da humanidade e seu amor demonstrado em grande
~Tl~Ll~ Deus nleu, por que rne sofrimento em nosso favor nos capJcita a avançar com gratidão a Deus.
~il
rna~ Jesus sofreu o castigo

- 89 -

---- ---
-- -~ --
-
- --- -~---- -
Tema: Está consumado!

Esboço: L Cristo obedeceu a lei


n. Cristo cumpriu as Escrituras
IIL Cristo sofreu fisica e espiritualmente
IV. Cristo verteu seu sangue

Leonério Faller

DIA DE P ASCOA
RESSURREIÇAo DO NOSSO SENHOR
23 de abril de 2000
Série Trienal B, Evangelho: João 20,1-9

L O Texto no Ano Eclesiástico

A estrutura do ano eclesiástico nos leva ao ápice da história bíblica:


assim como aqueles dois discípulos que correram ao túmul0 aberto, e viram
e creram, entendo a Escritura, assim precisamos olhar para este momento
da história de Jesus, o Cristo de Deus, e analisar para podermos ver e crer
no que a Escritura nos diz.
Uma pequena digressão se faz necessário neste momento. Quero
lembrar aos leitores do princípio escriturístico estruturado por Lutero e
utilizado em nosso estudo bíblico: o princípio do solus Christus, que está
bem latente em nosso texto e neste domingo. Sabemos que a cristologia de
Lutero foi a condi tio sine qua /1On de sua teologia, isto porque (a) Cristo é o
centro de toda a Escritura e toda a Escritura aponta para Ele (Smveit Sie
Christlll7l treibet). A Escritura recebe sua evidência clara por causa de Cris-
to, (b) Cristo é o centro da Escritura porque Ele é o objeto e o conteúdo da
dialética lei-evangelho. (c) Cristo é o centro da Escritura porque Ele mesmo
é o sujeito das ações que proclamam o evangelho. Cristo é a viva vox Dei,
o Deus encarnado, que anuncia e proclama a si mesmo como Redentor e
Salvador da humanidade pecadora. Cristo é a Escritura em carne e osso.

- 90-
n. o Contexto

Os acontecimentos narrados que antecedem e que seguem apenas


apontam e direcionam para o centro da história daquela semana ou sema-
nas; e mais do que isto: para todo o centro da Escritura. Os sofrimentos que
antecedem a ressurreição são uma preliminar para o que acontece no dia da
Ressurreição. bem como os que seguem S3.0 manifestações de que a Escri-
Leonério Faller tura foi cumprida.

IH. O Texto

SENHOR Os detalhes da história são bem conhecidos. Simão Pedra recebe


uma atenção especial no texto (é o primeiro a ser informado por Maria
. :<10 20. 1-9 Madalena) porque eJe precistl se certificar que o Evangelho. aquele que
havia rejeitado e negado momentos antes, está vivo. O outro discípulo (sa-
bemos que é João, o autor destas palavras) diz de si mesmo que "viu e
creu" naquilo que acontecera.
dOápice da história bíblica: Sobre o v. 9 não há uma citação direta, mas os textos do SI 16.8-11 e
- 2m ao túmulo aberto, e viram Jn 1.17 são citados em passagens paralelas a respeito da ressurreição de
:'os olhar para este momento Jesus. O importante é observarmos que a Escritura é testificada, confirmada
nu'ar para podermos ver e crer com momentos concretos na vida dos discípulos.

." ~"':tno neste momento. Quero IV. Persuasão


">:0 estruturado por Lutero e
, do salus Christus, que está Objetivo: Mostrar que a história bíblica culmina com a ressurreição de
Sabemos que a cristologia de Cristo. Eia é o princípio norteador dos aconteCl1Tlentos escriturísticos. So-
:gia, isto porque (a) Cristo é o \\'eit Sie Chrisllllll treiber.
.l 2ponta para Ele (SOlveit Sie

j~ncia clara por causa de Cris- lvloléstia: Assim como para os discípulos, a crise existencial se faz presente
E)e é o objeto e o conteúdo da na vida de todos. Para os discípulos, a semana que antecedeu a ressurreição
li Escritura porque Ele mesmo provocou confusão. desilusào, desespero e muito mais. Nossa vida também
gelho. Cristo é a viva vax Dei, é carregada de tudo isto. Estamos muitas vezes sem rumo.
si mesmo como Redentor e
. Escritura em carne e osso. Meio: Sem dúvida. a entendemos a Escritura (assim como Pedro e João)
quando a obra própria de Deus se revela a nós de forma objetiva e subjeti-
va. As Escrituras revelavam desde os tempos do Antigo Testamento que
Cristo seria vitorioso, mas os discípulos tiveram que passar pela experiên-
- 91 -

~---------- --~ -
cia, sentir na própria pele que isto. é verdade e que serve para nós também
] ;
.10;e.

Eshoço: As palavras que escrevi até agora nos levam a refletir sabre diver-
sos assuntos que podern ser abordados na mensagem. Destaco:

]. A clareza das Escrituras, quanto ao seu plana salvador através de Crista.


2. A justificação abjetiva e subjetiva, cansideranda a certeza de que aquilo.
que havia sido revelado desde i\..dão e Eva é válido tanlbélTI para rnirn.

Clóvis J. Prunze]

ASCENSAo DO NOSSO SENHOR


1 de junho de 2000
Série Trienal B, Evangelho.: Lucas 24.44-53

L O Texto no Ano Eclesiástico

A ascensão. é um momento limftrafe entre a abra de Crista e a obra


do Espírito Santo. Por isso. estamas na final da períada da Páscaa, introdu-
zindo. a períada de Pentecastes.

n. O Contexto

A Escritura tinha sido. cumprida quanto aos seus aspectos cristológi-


coso O próprio texto. nas remete ao centro. das Escrituras, Agara é hora de
começar outra seção na história de Deus e de seu pavo. Lucas também en-
cerra a história de Crista com sua ascensão., mas inicia a história do Espírito
Santo e de sua Igreja com a subida de Cristo aas céus (ver Atos). Portanto,
estaiTIOS num período de transição.

lIr. O Texto

Do texto., quero destacar as seguintes pontas:

- 92-
/ . /
, : :\2 para nos tambem 1. Os discípulos S8.0 testemunhas oculares dos acontecimentos bíbli-
cos. Não só Moisés. os profetas e os salmos podem falar. Temos mais um
ingrediente nesta histÓria: aqueles que viram e creram no que acontecera.
"1 a refletir sobre di ver- 2. ~vras a histÓria continua e não muda de rumo. Porque continua
' .. Destaco: sendo necessário que a mesma mensagem (vv. 46-47) seja anunciada para
todas as nações (ver a ênfase de Mateus por ocasião da ascensão).
ador através de Cristo. 3. Nesta tarefa dada aos discípulos, alguém mais estará com eles:
:i certeza de que aquilo "sereis revestidos de poder". Aqui temos a referência ao Espírito de Deus,
~-al11b em.
/ para 1111n1.
. que é poder.

Clóvis J. Prunzel IV. Persuasão

Objetil'O: Denlonstrar que ternos urna tarefa deixada por Jesus.

Alo/éstia: l\'1uitos que fCfJITl charnados para se.renl discípulos de Jesus fo-
_ .. ' 24.44-53 gem de suas responsabilidades.

/,,,1 cio: Enfatizo o que destaquei no estudo sobre a Páscoa: a justificação


objetiva e subjetiva. Verdadeiramente bem preparado para ser discípulo e
.. :: a obra de Cristo e a obra cumpridor da tarefa deixada por .Jesus é aquele que é testemunha do que
:::eriodo da Páscoa, introdu- Cristo fez por Ele.

Esboço: Os cristãos têm tarefas (o que fazer):


1. Porque não pOdelTI deixar de ralar das coisas que viran1 e ouviraln: que
Cristo ressuscitou e \:i,/e eternainente.
-,·:'5 seus aspectos cristológi- 2, Porque são os instrurnentos nas 1118.050 de Deus para continuarem a espa-
. Escrituras. Agora é hora de lhar a rnensagern que vale até o final dos ternpos,
-::u povo. Lucas também en- 3. Porque eles têm poder, eles têm o Espírito de Deus (referência ao dia de
, micia a história do Espírito Pentecostes) .
, céus (ver Atos). Portanto,
Clóvis .J. Prunzel

- 93 -
DIA DE PENTECOSTES
j j de junho de 2000
Série Trienal B, Evangelho: João 7,37-39a

L As Leituras do Domingo

!, Si 143: O rei Davi, sentindo-se desamparado e fraco diante de tan-


tos obstáculos, ora e confia no único que de fato proporciona consoio e
livramento, O v, 10 retrata a confiança fundamentado em Deus, sendo gui-
ado pelo "teu bom Espírito" (a versão revista e atualizada de Almeida indi-
ca no v, 10 "Espírito", iniciando com maiúscula; a Bíblia de Jerusalém
inicia com minúscula),
2, Ez 37.1-14: O profeta, mediante o "Espírito" (v, 1), é levado a ob-
servar uma situação de caos total. Assim se encontrava a nação de Israel,
semelhante ao vale cheio de ossos, Sem perspectiva de dias melhores, mas
de desespero tota1. Deus, manifesta o seu poder e age através do Espírito
Santo, fazendo com que a desgraça de outrora se torne numa lembrança
agradável, devido à poderosa ação de Deus em restaürar o que estava frag-
mentado e destruído. O profeta é a testemunha dos atos de Deus perante a
nação.
3, At 2,22-36: Neste texto, Pedro deixa claro (com citações do AT) e
aponta para a nova realidade: a contínua ação de Deus em salvar a humani-
dade através de Cristo. No v, 33, a ação do Espírito Santo fica evidente,
sendo atestada por todos os presentes ao seu discurso.
4, Jo 7.37-39a: O próprio Cristo enfatiza a necessidade da vinda do
Espírito Santo e as suas conseqüências.

H. Contexto

Estava próxima a "festa dos judeus, chamada dos tabernáculos" (10


7.2 e Lv 23.36). Durando a festa uma semana, neste ínterim "Jesus subiu ao
templo e ensinava" (107,14). No último dia da festa Jesus fala publicamen-
te aos presentes.

lH. Texto

- 94-
'T~37: Conforrne os textos do Li\T \' 23.36: NTrn 29,35: :\.~ ~
festa dos tabernáculos dU]',l\Ll oito dias. O fato de Jesus ter falado "De
- ~--~~9a de dia da festa~~ (sétinl0 eu oitT\'O dia) não é rele.\'ante, O conteúdo d;} rL~n-
sagen1 de Cristo foi oportuna e condizente com o 1110nlento da resta.
Jesus. levantando-se toma um lugar de destaque. A quantidade de
pessoas o obriga a elevar a voz para se fazer ouvir. "Se alguém tem sede ":
.. '::'J ê fraco diante de tan- não é de se esperar que muitos a tenham. Jesus se refere li sede espirituaJ
- - proporciona consolo e (Jô 4.14). Através da água da vida, Jesus oferece o perdão e a salvação.
l"do em Deus, sendo gui- Jesus desperta o desejo da satisfação espiritual e ao mesmo tempo satisfaz
d''~ilizada de Almeida indi- este desejo. Jesus Cristo aproveita-se do cerimonial diário: quando o sacer-
,L a Bíblia de Jerusalém dote buscava água da fonte de Siloé com um jarro de ouro, em solene pro-
cissão caminhava até o altar do sacrifício. Tratava-se da comemoração da
_ ~,"ito" (v. 1), é levado a ob- igua que jorrou da rocha de Meribá, ao satisfazer a sede da multidão. Não
- :'>:ontrava a nação de IsraeL sendo realizado o Ceril110nial~ Jesus rl1anifesta o que a palavra confere. Crer
c::llva de dias melhores, mas em Cristo implica em ter aigo que sacia para a eternidade e não somente
::1' e age através do Espírito para este mundo.
, ,lzt se torne numa lembrança V. 38: Entre os VV. 37 e 38 não existe quebra no texto (não se trata
:'i restaurar o que estava frag- de fragmento do discurso que João relata). O v. 37, mostra que o único
,i~l dos atos de Deus perante a meio de saciar a sede é crer ern Cristo; o v. 38 manifesta a promessa: ao
que crê, do seu "interior fluirão rios de água viva". Após a descida do Espí-
claro (com citações do AT) e rito Santo esta satisfação espiritual seria compartilhada com todos.
de Deus em salvar a humani- .•... como diz a Escritura ... ": É extraordinário o modo como Jesus re-

Espírito Santo fica evidente, laciona aos ouvintes as passagens do A T, apontando-as para Ele (Is 58.1 ] e
... Jlscurso. Zc 14.8). Jesus Cristo é o cumprimento das profecias do AT. Ele é o Mes-
.:iza a necessidade da vinda do sias e isto fica manifesto na sua natureza humana e divina. No AT o povo
de Deus foi levado a confiar nas prornessas de Deus anunciadas pelos pro-
fetas, que procJamarum o que pode ser comprovado mediante a Palavra de
Deus nos dias de hoje i.étção do Espírito Santo).
O cerimonial da água (sacerdote, fonte de Siloé) mantinha viva a a-
. chamada dos tabernáculos" (Jo tuação e as promessas de Deus entre o povo. Jesus Cristo mostra o cum-
.::n. neste ínterim "Jesus subiu ao primento dessas promessas à multidão: Ele é a fonte de água viva, que sacia
_J da festa Jesus fala publicamen- para a eternidade.
V. 39a: Havia necessidade de Cristo ser glorificado, isto é, voltar pa-
ra junto de Deus, o Pai. Estando a obra redentora concluída, somente resta-
va a vinda do Espírito Santo. No "b.,T havia a confiança nas promessas (vin-
da de Cristo). Agora a glorificação de Cristo (retorno ao Pai) e a vinda do

- 95 -

-
~
-----------~-~-~
~~--
~ - ----- - - ~
-~~ ~
Espírito Santo completariam estas promessas. O termo pisteysantes designa
um crer constante em todos os tempos e épocas.

IV. Persuasão

Objetivo: Que meus ouvintes sejam levados a deixar o Espírito Santo agir
"onde e quando lhe apraz".

lvloléstia:
I. Procurar se interpor à ação do Espírito Santo.
2. Negar os ensinos das Escrituras e supervalorizar manifestações humanas
(pentecostalismo ).
3. Deixar de lado a Fonte, que é Cristo, para saciar-se em cisternas com
águas poluídas.

M cio: Jesus Cristo realizou toda a obra da salvação e voltou para junto do
Pai. Não nos deixou abandonados, mas enviou o Espírito Santo para operar
eficazmente a fé e as obras.

Esboço:
Tema: O Espírito Santo - uma presença atual e constante!
1. Manifesta a obra de Cristo.
2. Transforma corações e mentes para Cristo.

Celso W ottrich

SANTÍSSIMA TRINDADE
PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTES
18 de junho de 2000
Série Trienal B, Evangelho: João 3.1-17

I. As Leituras do Domingo

96: Este salmo faz parte dos salmos que convidam para o lou-
I. SI
vor a Deus (SI 95-] 00). De forma especial, este salmo manifesta a parollsia
do Senhor (v. 10).
- 96-
sontes desIgna
2, Dt 6.4-9: Temos urna explanação do primeiro mandamento, "Deus
é único Senhor". e de\emos :mÜ-Io de todo o "coração, alma e entendimen-
to", Isso deve ser eminado ás gerações em todos os tempos e épocas. So-
mente neste Deus há salvação,
3. Rm 8,14-17: O Espírito ,14) age em nós, Com o Espírito Santo
•• 11" o Espírito Santo agir
somos capacitados para mortificar a natureza pecaminosa e suas manifesta-
ções, Somos livres para servir a Deus em amor. Podemos aproximar-nos de
Deus e chamá-Ia de Pai, Nenhum homem carnal (diálogo de Jesus com
Nicodemos) pode aproximar-se de Deus a não ser pelo Espírito Santo (nas-
cer da água e do Espírito, batismo),
- 1" manifestações humanas

H. Texto
-),_'lar-se em cisternas com

Nicodemos era Llriseu. mestr,e do "-",1 e membro do Sinédrio. Como


muitos outros. haÜl \isto alguns sinais e ensinamentos de Jesus Cristo. No
,~lo e voltou para junto do
seu coração, ele sabia que somente alguém "vindo da parte de Deus" pode
Espírito Santo para operar
fazer estes "sinais" (v, 2), Nicodemos estava com dúvidas e queria respos-
tas para suas questões, Antes de esboçar alguma reaçÜo, Jesus confronta
Nicodemos sobre o novo nascimento com o reino de Deus,

• ,.',nstante! A expressão "em verdade, em verdade "," ,3) assegura veracidade


e o enfático "te digo" expressa a autoridade de Cristo, As palavras de Jesus
estão ligadas aos vv, 5 e 1 L manifestando o que João Batista pregou em
termos de arrependimento e batismo: "Quem não nascer da água e do Espí-
Celso W ottrich rito, não pode entrar no reino de Deus" (v, 5), Jesus está falando da mudan-
ça interna~ da profundD. ll1uàança de indivíduo enl relação a Deus. Isto não
}JrOVénl da terra. 111aSdo alto: é ato de Deus~ ao agir através .:...- da água
'--' e do
Espírito Santo, O homem é passivo. somente Deus age através da água e do
~E:\TECOSTES Espírito, Isto impllca em arrependimento sincero (transformação interior)
para fazer parte do reino de Deus.
,'~iO 3,1-17 No v, 6. Jesus f:lIa do contmste da "carne"(n:ltureza pecaminosa) e
espírito (novo home'1'1'L(Er 4,22-24). Por isso, a necessidade de se nascer da
água (batiS11'lOl e do Espírito para entrar no reino de Deus, No grego o subs-
tantivo pnellll1n ,8) é utilizado tanto para "Espírito" como para "vento".
, :: que convidam para o iou- No v, J I Jesus usa a expressão "em verdade, em verdade ,,," pela terceira

<limo manifesta a porollsia vez e nos vv, 12-] 3 ele manifesta a necessidade da regeneração e fala da
sua autoridade como "Filho do homem" (v, 13),

- 97 -

-~ ~------------------------
--- ~ ----- -~-- -~-- 1-
i
Nos vv. 4-15 ternos a rnenção do evento do AT, isto é, a serpente de
bronze levantada numa haste. Não há como negar a relação com a obra de
Cristo. Com a sua morte na cruz (levantado), Jesus proporciona a salvação
a todo o que nele crê. Este fato fica claro em relação aos \IV. 15-17, onde
temos a justificação objetiva e subjetiva (v. 16). Uma verdade extraordiná-
ria. que sempre precisa ser ensinada a todos. Somente aquele que crer em
Cristo é salvo.

lHo Persuasão

Objeti,'o: Que os meus ouvintes tenharn clareza de que a regeneração do


homern é obra do Espírito Santo e não de homens.

AIo/éstia: Religiosidade criada a partir do hornern. O ser hUiTIa110 deterri1ina


como crer (cerimônias, rituais .. como interpretar às Escrituras). O Deus
triúno torna-se objeto de manipulação na mão de igrejas e homens. Estes
não deixam "Deus ser deus" e, muito menos, querem aceitar que o Espírito
Santo não é objeto de manipulação humana.

Ai eio: Jesus Cristo veio para salvar o mundo e não para o condenar (10
3.17).

Esboço:
Tema: O homem do segundo milênio!
] . Necessita nascer da "água e do Espírito" (batisrno).
2. É totalmente dependente do Espírito Santo.

Celso W ottrich

- 98 -

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':0 ~, aserpente de
com a obra de
,'porciona a salvação
A partir d:::ste nÜmero, a \l ox Concordiallo passa a divulgar os títu-
(toS vv. 15-17, onde
los das obras recebidas tanto pelo periódico como pela Biblioteca D1'. Mar-
\erdade extraordiná- tinha Lutero, da Escola Superior de Teologia (EST). Em sua maioria, trata-
..c:::tê aquele que crer ero se de títulos novos e recentemente publicados. Desta forma, a \l ox Concor-
di({/1(l contribui para divulgação destes livros. Estas obras estão disponíveis
para consulta na biblioteca da EST, podendo, também, ser adquiridas dire-
tamente das editoras que as publicam. Fica aqui registrado o "muito obri-
gado!" da Biblioteca D1'. Martinho Lutero às várias editoras pela gentileza
de oferecerem, a título de cortesia, estes livros novos que passam a fazer
2::: que a regeneração do
parte do acervo da biblioteca. Títulos novos de outras editoras serão igual-
mente benvindos e aqui publicados .

. O ser humano determina Deomar Roos


às Escrituras). O Deus Editor
:e igrejas e homens. Estes
__ c:tem aceitar que o Espírito
Editora Concórdia:

~ não para o condenar (J o Gockel. Herman W. 1999. Ergue (I Tua \l ida, 2.ed., Porto i\legre,
Concórdia.

Integrando ([ Fe. 1999. Porto Alegre, Concórdia. vols. 1 " !


Jung. Paulo K. 1999. Quundo eni dÚl'idn ... PeJ~glfllte~ Porto Alegre,
isrno). ConcÓrdia,

LSLB. 1999. R Porto flJêgre. C'oncórdia.


Celso W ottrich
LSLB. 1999. \iirr!rius que Inspiralli. Porto Alegre, Concórdia.

Lutero, Martim. 1999. Como Ora!', Porto Alegre, Concórdia.

Lutem, Martim. 1999. Ética Cristâ., Porto Alegre,


~ Concórdia.

Lutero, Marti 111. 1999. O Louvor de !viaria, Porto Alegre, Concórdia.

Rottmann, Johannes H. 1999. GlIiLHIOS, Jeslis, Porto Alegre, Concórdia.

- 99-

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L.iturgln T)iârio, 1\/1a i C: 2000. São Paulo. Fau!us.

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