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20/01/22, 15:50 A responsabilidade civil nas relações de consumo

A responsabilidade civil nas relações de consumo

Site: Instituto Legislativo Brasileiro - ILB Impresso por: Enzo Hashioka Brambila
Introdução ao Direito do Consumidor -Turma 1 (Parceria Data: quinta, 20 jan 2022, 15:49
Curso:
ILB/ANATEL)
Livro: A responsabilidade civil nas relações de consumo

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Descrição

MÓDULO II - A RESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

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20/01/22, 15:50 A responsabilidade civil nas relações de consumo

Índice

Módulo II - A Responsabilidade Civil nas Relações de Consumo

Unidade 1 - A responsabilidade pelo fato do produto e do serviço


Pág. 2 - Fato e vício
Pág. 3 - Exemplos
Pág. 4
Pág. 5
Pág. 6 - Profissionais liberais
Síntese

Unidade 2 - A nova disciplina do vício


Pág. 2 - Vício
Pág. 3 - Tipos de vícios
Pág. 4
Síntese

Unidade 3 - As responsabilidades subsidiária do comerciante e solidária do fornecedor


Pág. 2
Pág. 3
Pág. 4
Síntese

Unidade 4 - Excludentes de Responsabilidade Civil


Pág. 2 - Exclusão da responsabilidade do fornecedor
Síntese

Exercícios de Fixação - Módulo II

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Módulo II - A Responsabilidade Civil nas Relações de Consumo

- Identificar os tipos de responsabilidades civis nas relações


de consumo e suas principais diferenças;

- conceituar e diferenciar "fato" de "vício" do produto e do


serviço;

- identificar a figura dos responsáveis pelo fato e pelo vício


do produto e do serviço, entendendo os seus alcances;

- reconhecer as hipóteses de exclusão da responsabilidade


civil nas relações de consumo.

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Unidade 1 - A responsabilidade pelo fato do produto e do serviço

 
 
Como vimos no módulo anterior, foi na Constituição de 1988 que a defesa do consumidor passou a ser considerado um direito fundamental e um
princípio geral da ordem econômica.
 
Com o zelo de não permitir qualquer descuido infraconstitucional, foi elaborado o código de defesa do consumidor (CDC), que prevê duas espécies de
responsabilidade civil nas relações de consumo, vejamos:
 
a primeira, pelo fato do produto ou serviço, com regramento previsto nos arts. 12 a 17;
e a segunda, pelo vício do produto ou serviço, com previsão legal nos arts. 18 a 25.

 
Antes de estabelecer as principais diferenças entre as modalidades de responsabilidades, vejamos o que o CDC versa sobre a matéria:
 
 
“Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua utilização e riscos.”
 

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Pág. 2 - Fato e vício

 
Vamos entender primeiramente o que caracteriza o fato
 
Fato significa ocorrência, acontecimento, evento. O CDC fala em fato acompanhado de defeito; é, portanto, o fato que apresenta um defeito causador
de um dano.
 
 
Como diferenciar “fato” de “vício”?
 
No vício, o problema encontrado no produto ou no serviço frustra o consumidor tão somente pelo erro encontrado neles próprios, acarretando o mau
ou impossível funcionamento. No fato do produto ou do serviço, por outro lado, este “erro” é externalizado, saindo do domínio do produto ou serviço
para atingir a esfera particular do consumidor, causando-lhe um dano material, físico ou moral.
 
Sérgio Cavalieri Filho (2011, p. 208) define que:
 
“A palavra-chave neste ponto é o defeito. Ambos decorrem de um defeito do produto ou do serviço só que no fato do produto ou do serviço o
defeito é tão grave que provoca um acidente que atinge o consumidor, causando-lhe dano material ou moral. O defeito compromete a
segurança do produto ou serviço. Vício, por sua vez, é defeito menos grave, circunscrito ao produto ou serviço em si; um defeito que lhe é
inerente ou intrínseco, que apenas causa o seu mau funcionamento ou não funcionamento”.

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Pág. 3 - Exemplos

 
Fato x Vício
 

Observe a foto ao lado - um carro que esquenta demais e pega fogo.

Trata-se de vício ou de fato?

 
 
Vejamos como é fácil identificar quando se lida com o vício e quando é o fato que atinge o consumidor, por meio dos seguintes exemplos:

1. O seu refrigerador parou de gelar


Vício: Foi inserido pouco gás refrigerante no refrigerador de ar, que, por isso, para de gelar.
Fato: Ao invés do gás refrigerante normal, foi colocado um gás letal no refrigerador de ar, intoxicando as pessoas que ali estavam.
 
2. Um cosmético que promete eliminar rugas
Vício: Simplesmente não faz qualquer efeito.
Fato: O cosmético que promete eliminar rugas causa dilacerações na pele.
 
3. Um carro cujo motor esquenta demais
Vício: O motor do carro esquenta demais e para de funcionar.
Fato: O motor do carro esquenta demais e pega fogo.
 
4. Serviço de limpeza contratado
Vício: A empresa que deixa partes sujas.
Fato: O mesmo serviço de limpeza usa um produto que causa fortes náuseas nas pessoas que ali habitam.
 
 

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Pág. 4

 
Estando clara a noção de fato, é hora de conhecer os possíveis responsáveis.
 
Nesse ponto, em vez de simplesmente imputar a responsabilidade aos fornecedores, quis o CDC restringir os personagens. Então, de acordo com seu
art. 12, são responsáveis pelo fato do produto e do serviço:
 
o fabricante - aquele que fabrica e coloca no mercado de consumo produtos industrializados;

o produtor - aquele que fabrica e coloca no mercado de consumo produtos não industrializados;

o construtor, nacional ou estrangeiro - aquele que introduz produtos imobiliários no mercado de consumo, através de fornecimento de bens ou
serviços;

o importador - aquele que faz circular produto estrangeiro dentro do país.

Atenção

Logo se percebe a ausência do comerciante, contudo sua exclusão não é


absoluta, há exceção, conforme se verificará mais à frente.

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Pág. 5

 
A responsabilidade pelo fato do produto ou serviço é objetiva e solidária:
 
Objetiva, porque independe da demonstração de culpa (imprudência, imperícia ou negligência) do responsável. Basta, portanto, a demonstração de
que houve um dano, e o nexo causal entre este e o defeito no produto ou serviço que o gerou. Assim, a simples colocação no mercado de
determinado produto, ou prestação de serviço, ao consumidor, já é suficiente para ensejar a responsabilização.

Solidária, uma vez que havendo mais de um responsável pela colocação do produto, ou serviço, defeituoso à disposição dos consumidores, todos
podem ser demandados, e a responsabilidade de um não exclui a do outro.

 
Em todos os casos, concorre solidariamente o fabricante da peça ou do componente do produto fabricado, produzido, construído ou importado, assunto
a ser abordado mais detalhadamente na Unidade 3.
 

Ver jurisprudência: Fato do produto e do serviço

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Pág. 6 - Profissionais liberais

 
Haveria alguma diferença no entendimento das responsabilidades dos profissionais liberais?
 

“Art. 14 (...)

 
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.”
 
 
O CDC incluiu a possibilidade de responsabilização dos profissionais liberais (médicos, advogados, dentistas etc.), conforme o § 4º do art. 14, acima
descrito. Entretanto, nesse caso em particular, há uma quebra da regra da objetividade e, assim, sua responsabilização será verificada mediante
verificação de culpa. Em outras palavras, não basta o dano e o nexo causal com o defeito no serviço do profissional liberal: há que se verificar a
existência de negligência, imperícia ou imprudência do profissional, com o fim de responsabilizá-lo pessoalmente.
 

Veja jurisprudência: Profissionais Liberais

Há, na doutrina, quem defenda que o termo “fato” do produto e do serviço não sinônimo de
acidente de consumo e que, portanto, assim não deveria ser tratado, como define Rizzato
Nunes (2011, p.317), quando afirma que “Diga-se, de qualquer maneira, que se tem usado
tanto “fato” do produto e do serviço, quanto “acidente de consumo”, para definir o defeito.
Porém, o mais adequado é guardar a expressão “acidente de consumo” para as hipóteses
em que tenha ocorrido mesmo um acidente: queda de avião, batida do veículo por falha do
freio, quebra da roda gigante no parque de diversões, etc., e deixar fato ou defeito para as
demais ocorrências danosas.”

 
 

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Síntese

Síntese
Vimos nesta unidade que fato do produto pode ser explicado  pelo "erro"
apresentado no produto ou no serviço, que extrapola o simples problema de
funcionamento, causando ao consumidor um dano material, físico ou moral.
Certamente, agora você já está apto a identificar os possíveis responsáveis,
de acordo com a norma legal vigente.

Seguiremos buscando compreender a nova disciplina do vício. Bons estudos!

Ver jurisprudência: Fato do produto e do serviço

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Unidade 2 - A nova disciplina do vício

Vamos relembrar.

Na unidade anterior, vimos que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê duas espécies de responsabilidade civil nas relações de consumo:
 
- a primeira, pelo fato do produto ou serviço; e
 
- a segunda, pelo vício do produto ou serviço, com previsão legal nos arts. 18 a 25, que veremos a seguir.
 
 
Então, analisemos o que o CDC versa sobre a matéria:
 
 
“Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.”
 
 

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Pág. 2 - Vício

 
 
O que é o vício do produto e serviço?
 
Quando falamos em vício do produto ou do serviço, estamos nos referindo a qualquer problema relacionado ao produto ou ao serviço que, de alguma
forma, prejudique sua funcionalidade e os tornem imperfeitos para o fim ao qual se destinam.
 
No vício, ao contrário do que vimos em relação ao fato, a falha não extrapola a esfera do produto ou serviço. Não atinge pessoalmente a figura do
consumidor, de forma a lhe causar um dano material, físico ou moral. É a falha sem acidentes ou consequências graves.
 

Pode-se dizer que o fato é um vício com algo a mais?


 
Sim, esse algo a mais seria o dano pessoal. Diz-se também que todo fato por origem é um vício, uma vez que para gerar o dano ao consumidor, o
produto ou serviço tem necessariamente que apresentar uma falha antecessora e causadora do dano. Já a recíproca, obviamente, não é verdadeira.
 

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Pág. 3 - Tipos de vícios

 
 
Quais são os tipos de vícios?
 
Além dos “vícios ocultos” previstos no Código Civil de 1916 pelos chamados “vícios redibitórios”, o CDC inovou acrescentando os “vícios de qualidade” e
“vícios de quantidade”, ainda que aparentes ou de fácil constatação, quando tornam os produtos impróprios ou inadequados ao consumo a que se
destinam ou lhe diminuam o valor.
 

Acrescente-se, ainda, que o CDC facultou ao consumidor uma gama de possibilidades de


reparação mais abrangente que o Código Civil, incluindo a substituição do produto por outro
da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos, o abatimento
proporcional do preço, a complementação do peso ou medida.

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Vejamos os seguintes tipos de vícios:

 
1. Vícios redibitórios
 
Os vícios redibitórios são os defeitos ocultos da coisa, que fazem com que o negócio jurídico de compra e venda não produza um dos efeitos ao qual
se destina, qual seja a perfeição do bem alienado.
 
Além da exigência de que o vício seja oculto, nos vícios redibitórios a coisa recebida deve originar-se de uma relação contratual e possuir defeito grave
e contemporâneo à celebração do contrato. A nova disciplina do vício derrubou essas amarras. A responsabilização quanto ao vício, como previsto no
CDC, independe de um contrato entre as partes, não há distinção quanto à gravidade, e pode ocorrer antes, durante ou depois da realização do
negócio.
 
Exemplos: comprar um cavalo manco ou estéril; alugar uma casa que tem muitas goteiras; receber em pagamento um carro cujo motor aquece nas
subidas.

 
 
2. Vícios de qualidade 

Apresentam-se nos produtos ou serviços com erros que diminuem as


funções ou o valor que é normal se esperar deles. A qualidade que se
encontra é inferior à corretamente presumida pelo consumidor.

 
Exemplos: televisão cujo som não funciona, carro com problemas de
aquecimento, ferro de passar roupa que esquenta pouco, roupa
descosturada, serviço de limpeza mal executado, prazo de validade
vencido etc.

Ver jurisprudência: Vício de Qualidade

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Síntese

 
 
3. Vícios de quantidade
 
Nos produtos ou serviços em que a prestação pode ser quantificada, o consumidor recebe menos do que o que lhe foi ofertado. Decorrem das
disparidades com as indicações constantes do recipiente, embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de
sua natureza, que se dá quando a perda de certo conteúdo durante o processo distributivo já é esperada como consequência natural do produto.
 
Ainda, produtos com peso ou, quando divisíveis, em número menor que o anunciado. Está diretamente ligado ao dever do fornecedor de informar.
 
 
Exemplos: frango congelado cuja quantidade de água eleva o peso real do produto; vidro de mostarda de 200ml que só tem 150ml; caderno de 100
páginas com apenas 80; serviço de tevê por assinatura que retira canais de sua programação sem o prévio aviso ao consumidor etc.

 
Ver jurisprudência: Vício de Quantidade

Síntese
Nesta unidade, vimos que vício do produto e do serviço pode ser caracterizado
por qualquer problema relacionado a eles que, de alguma forma, prejudique
sua funcionalidade e os tornem imperfeitos para o fim ao qual se destinam.
Ainda aqui, percebemos o alcance do Código de Defesa do Consumidor, que
permitiu ao consumidor uma gama de possibilidades de reparação ,
mostrando-se bem mais abrangente e pormenorizado que o Código Civil.

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Unidade 3 - As responsabilidades subsidiária do comerciante e solidária do


fornecedor

 
 

 
Agora que já identificamos as diferenças entre fato e vício do produto e do serviço, vamos estudar os principais conceitos e a abrangência das
responsabilidades dos agentes da relação de consumo.
 
Iniciaremos por conhecer as responsabilidades subsidiárias do comerciante.
 
Por responsabilidade subsidiária, para efeito do estatuído no CDC, entenda-se aquela em que B passa a ser responsável quando A não pode ser
identificado. Já na responsabilidade solidária, tanto A quanto B são responsáveis, e é uma faculdade do consumidor escolher se vai demandar A, B ou
ambos. Vejamos:

“Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:
 
 I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;
 
 II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;
 
 III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.”
 

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Com a imputação da responsabilidade subsidiária do comerciante, o CDC previne duas situações que poderiam gerar falhas no processo de
responsabilização pelo fato:
 
1. Com a retirada do comerciante da regra de responsabilização porque com isso evita-se que ele pague por erro que não cometeu. O que se quer
nos casos em que a segurança do consumidor está sob risco é punir e educar aquele que de fato deu causa para a ocorrência do dano.
2. Ao prever a responsabilidade do comerciante nos casos em que os responsáveis originários não puderem ser identificados com precisão. Nada
mais justo. Afinal, ao colocar o produto em circulação sabendo que o responsável pela sua fabricação, construção, produção ou importação não
pode ser identificado com clareza, o comerciante assume o risco e atrai para si, então, essa responsabilização. É como se o comerciante
dissesse: “Ok, esse produto não é identificável, mas eu o garanto”.

Ver jurisprudência: Responsabilidade subsidiária do comerciante

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Vamos agora à responsabilidade solidária do fornecedor:
 
“Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.” (Grifos nossos.)
 

O termo “solidariamente” que remete diretamente ao princípio da solidariedade, em que


mais de uma pessoa pode ser titular de um direito ou dever, está presente, no CDC, em
vários artigos além do acima citado, ao imputar responsabilidade comum àquelas pessoas
que contribuíram para a colocação, no mercado, de produto ou serviço defeituoso.

 
→ Consulte: CDC - arts. 7º, parágrafo único; 19; 25, §§ 1º e 2º; 28, § 3º; e, 34. 

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No vício do produto ou serviço, a solidariedade é a regra. Porém, há duas exceções. São elas:
 
1.    Produtos in natura, isto é, produtos artesanais, que não sofreram processo de industrialização. Nesse caso, quando não identificado claramente
o seu produtor, o responsável será o fornecedor imediato. - Art. 18, § 5º do CDC. 
2.    Produtos pesados ou medidos na presença do consumidor utilizando instrumento (balança, trena etc.) não aferido segundo os padrões oficiais.
Igualmente, responsabilidade do fornecedor imediato. - Art. 19, § 2º do CDC.

 
Exemplo:

João compra um carro e ao dirigi-lo à noite percebe que os faróis subitamente se apagam e voltam a acender algum tempo depois. João, nesse caso,
pode demandar o fabricante do carro, assim como aquele que fornece a peça para o fabricante e, ainda, tendo ocorrido somente o vício e não o fato, o
comerciante que vendeu o carro para João. Caso seja impossível identificar o fabricante do carro e o fornecedor da peça, João pode demandar o
comerciante inclusive quando o defeito gerou um dano passível de configuração do fato do produto, como já vimos na responsabilidade subsidiária do
comerciante.

Ver jurisprudência: Responsabilidade Solidária do Fornecedor

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Síntese

 
Síntese
Nesta unidade pudemos perceber a diferença entre a responsabilidade subsidiária
e a solidária. Exemplificando, à luz do CDC, a primeira é aquela em que B passa a
ser responsável quando A não pode ser identificado, e a segunda, tanto A quanto
B são responsáveis e é uma faculdade do consumidor escolher se vai demandar A,
B ou ambos.

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Unidade 4 - Excludentes de Responsabilidade Civil

Entendendo a responsabilidade subsidiária do comerciante e a solidária do fornecedor, passaremos, agora, aos casos de exclusão da responsabilidade
do fornecedor, de acordo com o CDC.
 
Analise atentamente o caput do art. 12 do CDC e seu § 3º:
 
 
“Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua utilização e riscos.
(...)
§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:
I - que não colocou o produto no mercado;
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.”

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Pág. 2 - Exclusão da responsabilidade do fornecedor

 
 
Como se percebe, são três as hipóteses de exclusão da responsabilidade do fornecedor:

 
1.   Quando provar que não colocou o produto no mercado: Naturalmente, estando o produto no mercado presume-se que o fornecedor o
colocou. Cabe, porém, a este, rebater essa presunção, quando puder demonstrar através de provas que não foi o responsável. Tal situação pode
ocorrer quando, por exemplo, há produtos falsificados em circulação ou quando o fornecedor foi vítima de furto ou roubo de produto ainda
incompleto para ser colocado no mercado.
 
2.   Inexistência do defeito: Ainda que posto em circulação normal, o fornecedor prova que na verdade não há defeito. Aqui, sendo provado que o
defeito inexiste, o próprio fato gerador da responsabilidade é fulminado. Trata-se do caso em que há uma percepção equivocada por parte do
consumidor quanto ao defeito questionado. É o caso, por exemplo, da pessoa que pensa ter passado mal por causa da ingestão de um queijo,
quando percebe que este se encontra mofado. Eis que o fornecedor demonstra que o bolor encontrado nesse queijo não só é tolerado como
desejado, que é uma característica intrínseca daquele tipo de queijo e que o passar mal do consumidor, portanto, não teve qualquer ligação com
um defeito naquele laticínio, sendo tal defeito, assim, inexistente.

3.     Culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro: Igualmente à inexistência do defeito, mais uma vez, caso provada pelo fornecedor a culpa
exclusiva do consumidor ou de terceiro, o fato gerador da responsabilidade, qual seja, o defeito, é desconstituído. Pois se há culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiro, não há o que se falar em defeito do produto. Este foi posto em circulação pelo fornecedor em sua perfeição; porém,
ao alcançar seu destinatário (o consumidor) ou o terceiro, estes provocam o problema, seja por descuido, mau uso ou até mesmo
intencionalmente. Tal condição pode ser verificada, por exemplo, quando a despeito de aviso claro no medicamento sobre a posologia, o
indivíduo toma o dobro da dose recomendada. Ou seja, não há defeito no medicamento e sim culpa exclusiva daquele que tomou dose superior
à que se indicou.
 
 

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Síntese

Síntese
Constatado o vício ou fato do produto ou serviço, verificamos que as hipóteses nas
quais o fornecedor é eximido de responsabilidade são: quando ele provar que não
colocou o produto no mercado, quando da inexistência do defeito ou quando
provada a culpa do consumidor ou de terceiro.

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Exercícios de Fixação - Módulo II

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo II do curso Introdução ao Direito do


Consumidor (parceria ILB e ANATEL).

Como parte do processo de aprendizagem, sugerimos que você faça uma releitura
do mesmo e resolva os Exercícios de Fixação. O resultado não influenciará na sua
nota final, mas servirá como oportunidade de avaliar o seu domínio do conteúdo.
Lembramos ainda que a plataforma de ensino faz a correção imediata das suas
respostas!

Para ter acesso aos Exercícios de Fixação, clique aqui.

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