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Escola Secundária António Damásio

Gabriela Silva 12ºA

Fernando Pessoa Ortónimo


Poema “Ela canta, pobre ceifeira”

2021/22
Introdução
Dentro dos diversos poemas de Fernando Pessoa Ortónimo, encontra-se um poema
chamado “Ela canta, pobre ceifeira”. Este tem como tema a dor de pensar!
É aqui que é exemplificado o conflito entre o sentir e o pensar, entre a ambição da
felicidade pura e a frustração que a consciência implica.

Estrutura externa
O poema é composto por 6 estrofes, todas elas quadras.
O esquema rimático é ABAB//CDCD//EFEF//GHGH//IJIJ//KLKL, deste modo as rimas
são cruzadas.
Em relação à métrica, existem 8 sílabas métricas em cada verso, versos octossílabos.

Estrutura interna
O poema encontra-se dividido em duas partes. A primeira é constituída pelas três
primeiras estrofes e a segunda pelas restantes, as três últimas.

Na primeira parte o sujeito lírico descreve a ceifeira, o seu objeto de análise, e o seu
canto. A ceifeira é caracterizada como pobre, alegre, anónima e incerta, “De alegre e
anónima viuvez”. Ela canta despreocupadamente “julgando-se feliz talvez” naquela
sua vida, uma vida passada no campo. O seu canto é comparado a um canto de ave,
um canto suave, alegre.
O sujeito também faz referência às repercussões que a voz da mesma provoca a quem
a ouve. Em Pessoa desperta sentimentos contraditórios, sentimentos simultâneos de
alegria e tristeza, “Ouvi-la alegra e entristece”.

Na segunda parte, o sujeito lírico exprime a sua emoção “O que em mim sente 'stá
pensando” em relação ao canto inconsciente e alegre da ceifeira. Inconsciente e alegre
porque canta “como se tivesse /Mais razões p'ra cantar”, julgando-se feliz não tendo
de verdade motivos para tal. Ao contrário da parte anterior, é o sujeito poético agora o
objeto de análise, desejando ser ela, ter a sua inconsciência por ser a sua única causa
de alegria. Este é incapaz, porém, de permanecer ao nível das sensações, transforma-
as de imediato em pensamentos, ideias, “Ah, poder ser tu, sendo eu! / Ter a tua alegre
inconsciência, / E a consciência disso!”.
A nível morfossintático
No primeiro momento o tempo verbal predominante é o Presente, bem como um tipo
de pontuação mais lógica, linear, suave, próprio da descrição.
No segundo momento um aspeto importante a ter em consideração é o tom. Quando
se aproxima da ceifeira trata-a por “tu”, passando de uma pontuação lógica para uma
pontuação emotiva, verificando-se no uso de inúmeras exclamações. “Ah, canta, canta
sem razão!”; “Ah, poder ser tu, sendo eu!”.

Se observarmos, inicialmente lança um apelo ceifeira, para que continue a cantar a sua
canção inconsciente e para que a derrame no seu coração “Derrama no meu coração”,
porque a emoção que experimentou obrigou-o a pensar e a desejar ser ela sem deixar
de ser ele “Ah poder ser tu, sendo eu! /Ter a tua alegre inconsciência /E a consciência
disso!”, aspirando ao impossível (não é possível ter consciência da inconsciência”.
Quando se apercebe que está a aspirar ao impossível, pois não é possível ter
consciência da inconsciência, ao céu, ao campo e à canção. Na última quadra ansia um
fim, para que seja evitada dor, sofrimento.

Recursos expressivos
São múltiplos recursos expressivos ao longo deste poema. Alguns exemplos:
 Antítese – “Ouvi-la alegra e entristece”
 Dupla adjetivação – “Alegre e anónima viuvez”
 Comparação – “Ondula como um canto de ave”
 Apóstrofe – “Ó céu”
 Metáfora – “E há curvas no enredo suave”

Conclusão
Fernando pessoa foi um dos poetas que mais se serviu da inteligência, contudo sempre
se sentiu torturado por ser um ser pensante. Reflete sobre a intelectualização do sentir
sobre a “dor do pensar” “A ciência/Pesa tanto e a vida é tão breve!” e ambiciona a
inconsciência, algo sem solução, fonte do seu sofrimento.

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