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Desafios essenciais à unidade cristã

Efésios 4.1-8(NVI)
1
Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam.
2
Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor.
3
Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
4
Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só;
5
há um só Senhor, uma só fé, um só batismo,
6
um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos.
7
E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo.
8
Por isso é que foi dito: "Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu
dons aos homens".

Introdução:

A epístola aos efésios – uma carta escrita na prisão.

Há uma vasta literatura que foi produzida na prisão e a partir dela. É interessante perceber quantas obras
foram feitas por pessoas encarceradas, exiladas, aprisionadas.

Há toda uma literatura secular na prisão

 Graciliano Ramos, preso durante a ditadura de Getúlio Vargas (1953), escreveu “Angústia” e
“Memórias do cárcere”, onde descreveu as torturas a que foi submetido
 Miguel de Cervantes escreveu o clássico “Dom Quixote” (o herói sem causas) quando esteve
preso em Servilha
 Luis de Camões estava preso num cárcere em Macau quando escreveu boa parte do “O Lusíadas”
 O excelente cartas da prisão de Nelson Mandela, líder sul-africano, uma série de
correspondências que abarca os vinte e sete anos em que esteve encarcerado como preso
político.

No campo da literatura cristã há também importantes obras do pensamento cristão que foram
produzidas também na prisão:

 Jonh Bunyan escreveu o clássico cristão “O peregrino” durante o período em que esteve preso em
Bedford no século XVII. Livro que se tornou um dos mais impressos e publicados em todo o
mundo acima de qualquer outro, exceto a Bíblia.

 Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo alemão, escreveu “Resistência e submissão”, título para o
português, que é uma série de anotações e cartas que escreveu quando esteve encarcerado na
prisão militar em Tergel, Berlim.

 João, o evangelista, exilado em Pátimos escreveu o fascinante livro das revelações – o Apocalipse.
2

Contudo, não pode haver dúvidas quanto ao fato de que ninguém produziu tantas obras na prisão quanto
o Apóstolo São Paulo. Atribui-se à sua autoria uma série de escritos denominados “epístolas da prisão”
ou “cartas do cativeiro”. São quatro cartas tradicionalmente associadas ao período em que Paulo esteve
preso em Roma, em meados do primeiro século: Filipenses, Colossensses, Filemom e Efésios.

Notas sobre a epístola: destinatários, tempo, lugar e conteúdo

Paulo está encarcerado quando escreve esse texto (3.1; 4.1). Ele está preso a correntes numa úmida e
fria masmorra romana em meados dos anos 90 d.C. E Sob a penumbra de uma luz o velho apóstolo
escreve esta epístola à comunidade em Éfeso.

Entre os muitos temas que Paulo trabalha na epístola, a UNIDADE é um dos mais urgentes e enfáticos.
UNIDADE é um dos temas mais recorrentes nos escritos do velho apóstolo. A primeira preocupação é
pelo comportamento eclesial. Daí o apelo a unidade. 1 A proposta e desafio de Paulo é que a vivência e
convivência cristãs aconteçam no solo da unidade. Sem ela, podemos ser qualquer coisa, uma ONG, uma
confraria, um ponto de encontro, um clube, um sindicato, menos igreja.

Sem unidade a espiritualidade e vida da igreja estarão inevitavelmente comprometidas. Jesus nos lembra
em Marcos 3:24,25 que
“Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir.
Se uma casa estiver dividida contra si mesma, também não poderá subsistir”

Unidade é o sonho do pastoreio para a igreja local. Era o sonho de Jesus para seus discípulos - João 17:21
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em
nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”

Um entre muitos dilemas identificáveis na igreja de Corinto, o partidarismo era um dos mais graves. Um
fã clube havia se estabelecido daquela igreja: “Porque dizendo um: “Eu sou de Paulo; outro: outro> eu
sou de Cristo. sou de Apolo...” Está Cristo devidido?” (1Co. 2.5)

Transição:
Como viver em unidade? O nosso texto sinaliza alguns princípios, alguns caminhos, alguns desafios no
caminho da unidade cristã. Vejamos o que ele tem a nos ensinar

3 princípios para guardarmos

1. Unidade são virtudes em exercício, com todas as suas implicações


A unidade cristã não acontece com mágica, com um seminário de final de semana ensinando “sete passos
mágicos importados” para se obter a tão sonhada unidade. Unidade é uma construção, e nessa
construção algumas virtudes se tornam necessárias, imprescindíveis. Eu as chamo de virtudes cardeais
da unidade cristã.

Quais são elas? Vamos ao texto. Versículos 2 e 3: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam
pacientes, suportando uns aos outros com amor.Façam todo o esforço para conservar a unidade do
Espírito pelo vínculo da paz.
1
COMBLAN, José, Comentário Bíblico: Epístola aos Efésios, Petrópolis/RJ, Ed. Vozes, 1987, p. 64.
3

Aqui estão descritas as virtudes necessárias para a unidade. É por elas que Paulo começa, e também por
elas que nós devemos começar.

1. Em primeiro lugar, humildade. Nenhuma convivência será possível sem a sua presença. Humildade é
essencial a unidade. É a virtude do povo simples. 2 O orgulho, a empáfia, a arrogância, a bravata está
sempre por detrás de toda discórdia. Gente arrogante tornam o ambiente denso, pesado; pessoas
humildes arejam os espaços por onde passam. Stanley Jones acertou: “A essência do divino é a
humildade. E o primeiro passo para encontrar a Deus é destruir o orgulho”. Agostino, teólogo negro
nascido na Argélia, bispo de Hipona disse que foi “o orgulho que transformou anjos em demônios; e é a
humildade que faz com que homens sejam anjos”.3

Agostinho define orgulho como “o desejo perverso pelas alturas”. A sindrome de Lúcifer,

O orgulhoso não faz perguntas, pois pensa saber de tudo, não aceita a opinião de ninguém e, muito
menos, aceita ser corrigido.

Portanto, Para que a convivência seja possível é preciso que se abaixe a bola; é necessário que se admita
inadequações e fragilidades. O prepotente é solitário porque não sobra espaço no seu mundo.

2. Em segundo lugar, doçura ou mansidão. Jesus se descreveu como sendo “manso”, doce de coração
(Jo.11.23). Doçura é um desafio à unidade cristã. Doçura nas palavras, nos gestos, na conduta, na vida,
nas relações com o outro. André Conte-Sponville, em Pequeno tratado das grandes virtudes escreve algo
belo sobre doçura

“...é coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera[...] A doçura é uma força,
por isso é uma virtude: é força em estado de paz, força tranqüila e doce, cheia de paciência e de
mansuetude[...] A compaixão sofre com o sofrimento do outro; a doçura se recusa a produzi-lo ou
aumentá-lo. A generosidade quer fazer o bem ao outro; a doçura se recusa a lhe fazer mal[...]
Podemos viver sem caridade, toda história da humanidade o prova. Mas sem um mínimo de
doçura, não”.4

3. Em terceiro lugar, tolerância. Tolerância é a disposição de suportar o outro com suas inadequações,
defeitos e imperfeições. Na linguagem bíblica, tolerância é a longaminidade, é a idéia de alguma coisa
esticada ao máximo sem se arrebentar. Sem tolerância, a convivência inferniza-se; a relações
insustentáveis. Porque precisamos ser tolerantes? Primeiro porque Deus é tolerante no modo como ele
lida conosco (Ex. 34.6-7). Segundo porque todos nós também já fizemos besteiras na vida (Tt. 3.3). Na
maioria das vezes somos intolerantes com o joio, nossa disposição imediata é a de arrancá-lo, de eliminá-
lo do nosso meio. Aliás, a parábola do joio é uma parábola acerca da tolerância.

3. Em quarto lugar, amor. O amor é a base de toda boa convivência entre as pessoas. Sem amor não há
humildade, não há tolerância, não há doçura, e não há unidade.

Unidade é amor em exercício com todas as sua implicações possíveis - 1 Co 13.4-7:

2
Ibidem, 65.
3
LOPES, Henrnandes Dias, Removendo máscaras, São Paulo: Hagnos, 2004, p. 25.
4
SPONVILLE, André Conte, Pequeno tratado das grandes virtudes, São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1999, p. 47
4

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não
maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se
alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta”

Essas virtudes nos humanizam e, por isso mesmo, torna nosso mundo um lugar melhor. Elas nos tornam
mais humanos, e quanto mais humanos mais espirituais. Quanto mais humanos formos mais perto de
Deus estaremos. Esta é a nossa vocação!

Transição:
Mas há ainda um segundo princípio do nosso texto que merece a nossa atenção:

2. Unidade não é uniformidade

Gosto do modo como a Bíblia A Mensagem, tradução de Eugene Peterson traduz os versículos 4 a 7:

“Vocês todos foram chamados para andar no mesmo caminho, para seguir na mesma direção. Por
isso, permaneçam juntos de coração e na caminhada. Vocês têm um só Senhor, uma só fé, um só
batismo, um só Deus e Pai de todos, que governa sobre todos, age por intermédio de todos e está
presente em todos. Tudo que vocês são, pensam e fazem é permeado por essa linda Unidade.
Mas isso não quer dizer que todos sejam iguais! Nem todos falam e fazem a mesma coisa. A
verdade é que, pela graça generosa de Cristo, cada um de nós tem seu dom”

O plano de Jesus para a igreja não uniformidade nem unanimidade, mas unidade. Unidade convive com o
outro diferente mais diferente.

A igreja não é uma fábrica de bonequinhos feitos em série, todo mundo igualzinho a todo mundo. Todo
mundo pensando igual, falando igual, vestindo igual. Isso não é unidade, é uniformidade e uniformidade;
invariavelmente, é intolerante. Esse é o problema do fundamentalismo e do dogmatismo religioso, que
não permite o diferente, a opinião divergente, o ponto de vista que difere, que destoa da maioria. E O
destino inevitável daquele que não reza o mesmo terço da maioria, que não recita o mesmo catecismo
que os outros, é a cruz, a fogueira inquisitória, o exílio, a marginalização. Sempre foi.

A palavra de ordem é: “use o uniforme”; “Creia como eu creio, pense como eu penso, nem mais nem
menos. Se não pensas assim, caia fora”. Isso é uniformidade. A uniformidade conspira contra a
individualidade, subtraindo-a, apequenando-a.

Filipe Melanchton era amigo de Lutero, homem de fortes convicções. Ele dizia: “Nas coisas essenciais,
união. Nas coisas não essenciais, liberdade. E em todas as coisas, amor”

Jesus nunca esperou uniformidade dos seus discípulos. O colégio apostólico de Jesus era composto por
doze indivíduos absolutamente distintos uns dos outros.
 Pedro era impulsivo, temperamental, sanguíneo
 Filipe era tímido, introspectivo
 Tiago e João, os irmãos Boanerges era chamados de “os filhos do trovão”, uma referencia ào
temperamento colérico
5

 Tomé, de certo modo, cético.


 Judas, ambicioso
Eram discípulos de Jesus, mas tinham temperamentos diferentes, personalidades diferentes, virtudes e
deficiências diferentes. O que os distinguia era insignificante diante daquilo que os unia – o amor por
Cristo e seu Reino. Eles eram discípulos, e não bonequinhos de chumbo. Ao salvá-los, Jesus não extraiu
suas individualidades.

A igreja de Antioquia nos lembra esse princípio. Umas das características marcantes da comunidade de
Antioquia tinha a ver com sua diversidade cultural e étnica. Isso fica evidente quando lemos Atos 13.1:

“E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão
chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo”

Cada um dos cinco nomes identificados, possui um perfil étnico e cultural bem distinto:
 Barnabé era originário de Chipre, era um levita, grupo judaico responsável pelo cuidado com o
templo e com os ritos que nele aconteciam.
 Simeão, apesar do nome hebreu, era conhecido pelo apelido de “Niger”, raiz da palavra Nigéria, o
que significa que era um africano.
 Lúcio, como diz o texto era de Cirene, atual Líbia, isso significa que seus traços eram de árabe e
sua pele parda. Um sujeito absolutamente alheio as práticas e pensamentos judaicos.
 Manaém. Era irmão de criação de Herodes Antipas. Isso indica que ele foi criado nos corredores
dos palácios e convivia com gente do poder.
 Saulo. Saulo era tanto judeu como romano, pois tinha dupla cidadania.

Não há aqui apenas cinco nomes, mas cinco etnias e culturas diferentes que convivem em comunhão
dentro de uma mesma comunidade. Pensamentos diferentes, gostos diferentes, costumes diferentes,
mentalidades diferentes, cosmovisões diferentes, mas a fé em Jesus rompeu as barreiras culturais e os
preconceitos étnicos possibilitando viverem em comunhão. O fundamental é isso: eles eram diferentes.
Havia unidade na diversidade.

E nessa tentativa de uniformização de comportamentos, condutas e, sobretudo do pensar, a gente


acaba ostracizando e marginalizando o diferente. E nesse processo queremos monopilzar Deus e a
sua graça. É a atitude do tipo: Deus é da minha tribo, do meu gueto, da minha escola de pensamento,
da minha igreja, da minha paróquia, da minha denominação. Queremos uniformizar Deus, e
uniformizar significa colocar dentro de uma única forma.

E um deus que cabe dentro de uma forma é um deus pequeno demais

Um deus que cabe dentro de uma religião é um deus diminuto demais. Ele é maior que o templo.

Um deus que cabe dentro das teologias, dos catecismos por mais bem elaboradas e sofisticadas que
seja que sejam, não é Deus, é um ídolo.

Gosto daquilo que Rubens Alves escreveu


6

Teologia não é rede que se teça para apanhar Deus em suas malhas, porque Deus não é peixe, mas
Vento que não se pode segurar...5

Logo me lembrei das palavras de Jesus a Nicodemus: “O vento sopra onde quer, ouve-se a sua voz, mas
não sabes de onde vem, e nem para onde vai...” (Jo.3.8)

Deus é vento. É indomável, indomesticável, incontrolável! E sopra, sopra, sopra...sopra onde nós jamais
sopraríamos.

Soprou em Nínive, contra a vontade de Jonas, mas soprou


Soprou em Samaria, contra a aprovação dos discípulos, mas soprou – Jo. 4. 27
Soprou na Casa do pagão Cornélio, contra a vontade de Pedro, mas soprou – Atos 10. 24-46

Não existem leis e decretos que proíbam o vento de soprar. O vento é livre. Sopra onde quer. Ninguém
pode detê-lo, capturá-lo, cercá-lo e dizer: “aqui ele não sopra”.

Isaltino Gomes, pastor e teólogo batista, falecido em 2013, dizia que nós não temos copyright de Deus. O
Espírito Santo não é propriedade dos Metodistas, dos Presbiterianos, dos Assembléianos, dos Batistas.
Não Adianta tentar domesticar o Espírito Santo. É vã a tentativa de querer confinar o Espírito Santo
dentro dos limites denominacionais.

Transição
O nosso texto nos oferece ainda um último princípio digno de nossa atenção

4. A unidade da igreja acontece com a percepção da Graça


Versículos 7 e 8: “E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo.
Por isso é que foi dito: "Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu
dons aos homens".

Unidade acontece no ambiente da graça. Onde a graça é percebida, discernida e encarnada, ali há vida
em unidade, vida em comunhão. Graça é Don, é dádiva, é presente, é doação gratuita. Unidade nasce da
consciência de que tudo que somos e temos é provém da Graça: talentos, aptidões, habilidades, dons.
Tudo é graça.

A lei nos divide, nos separa, cria pontes. A graça nos permite viver em unidade

A lei exclui. A graça inclui.

Lei é amar quem nos ama. Graça amar quem nos odeia.

Lei é certeza. Graça é pergunta

Lei é dever. Graça é prazer

Lei é fardo que nos enverga. Graça é alivio que nos levanta

Lei é forma, padrão. Graça é diversidade de forma, é criatividade


5
ALVES, Rubens, Variações sobre a vida e a morte: O feitiço erótico-herético da teologia, São Paulo: Loyola, 2005, p.
7

Lei é grito. Graça é sussurro

Lei é gramática. Graça é poesia

Lei é imposição. Graça é convite

Lei é doença. Graça é saúde

Lei é veneno. Graça é remédio.

Lei é cárcere. Graça é liberdade

Lei é gaiola. Graça são asas

Lei é noite escura. Graça é manha radiante

Lei é sol causticante. Graça é sombra refrescante

Lei é distancia. Graça é abraço

Lei é amargura. Graça é doçura

Lei é pobreza. Graça é leveza

Lei é chumbo. Graça é algodão

Lei é beco apertado. Graça é larga avenida

Lei é tédio. Graça é festa

Lei é perda. Graça é reencontro

Lei é dedo que acusa. Graça é mão que afaga

Lei é despedida. Graça é retorno

Lei é o filho que parte. Graça é o pai que o recebe de volta

Lei é muro. Graça é ponte

Lei é fim. Graça é recomeço

Lei é Jonas. Graça é José

Lei é Caim. Perdão é Abel

Lei é Elias na caverna. Graça é a voz que o convida a sair

Lei é Judas enforcado. Graça é Pedro arrependido

Lei é Saulo que cai. Graça é Paulo que se levanta


8

Lei é religião com pedras nas mãos. Graça é o dedo escreve na areia

Lei é passado. Graça é futuro

Lei é sepulcro. Graça é sepulcro vazio

Lei é inferno. Graça é céu

Lei é derrota. Graça é vitória

Lei é o que éramos. Graça é o que agora somos Naquele que é o Deusa de toda Graça!!!

O que faz a Graça nesse sentido? Jonh A. T. Robinson em Um Deus diferente, escreve de forma
brilhante

Experimentamos a graça de sermos capazes de aceitar a vida dos outros, mesmo que nos seja
hostil e nociva, porque, pela Graça, sabemos que essa vida pertence ao mesmo fundo a que nós
pertencemos e pelo qual fomos aceitos[...]. Experimentamos a graça que é capaz de vencer a
barreira trágica das diferenças, das gerações, das nações, das raças, e mesmo a mais completa
separação entre o homem e Deus. A Graça aparece, por vezes, em todas estas separações para nos
reunir àquele a quem pertencemos”6

Graça não excepcionaliza ninguém. O legalismo nos distingue, nos divide em categorias morais: santos e
pecadores, puros e impuros, merecedores e não merecedores, dignos e indignos, melhores e piores. A
Graça, no entanto, nos nivela.

O legalismo é o vilão da UNIDADE. Ele cria cercas e muros; separa, põe à parte, isola, bate a porta.

Graça e Unidade coexistem mutuamente.

A Graça é uma grande arca onde todos são convidados a entrar – todos: “Porque a graça de Deus se
manifestou salvadora a todos os homens” (Tt. 2.11). Não a alguns privilegiados; não a alguns
merecedores, não a uns poucos, mas todos. Todos somos amados e queridos por Ele.

Unidade é o desejo de Deus, e uma responsabilidade nossa! Que Deus nos ajude!

6
ROBINSON, John A. T.  – Um Deus diferente, Portugal: Moraes Editores, 1968, p. 123.
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