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ISLAMISMO

Uma das quatro religiões monoteístas baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632
d.C.), chamado “O Profeta”, contidos no livro sagrado islâmico, o Corão. A palavra islã
significa submeter, e exprime a submissão à lei e à vontade de Alá. Seus seguidores são
chamados de muçulmanos, que significa aquele que se submete a Deus.

História do Islamismo

Maomé nasceu na cidade de Meca, na Arábia Saudita, centro de animismo e idolatria.


Como qualquer membro da tribo Quirache, Maomé viveu e cresceu entre mercadores.
Seu pai, Abdulá, morreu por ocasião do seu nascimento, e sua mãe, Amina, quando ele
tinha seis anos. Aos 40 anos, Maomé começou sua pregação, quando, segundo a
tradição, teve uma visão do anjo Gabriel, que lhe revelou a existência de um Deus
único. Khadija, uma viúva rica que se casou com Maomé, investiu toda sua fortuna na
propagação da nova doutrina. Maomé passou a pregar publicamente sua mensagem,
encontrando uma crescente oposição. Perseguido em Meca, foi obrigado a emigrar para
Medina, no dia 20 de Junho de 622. Esse acontecimento, chamado Hégira (emigração),
é o marco inicial do calendário muçulmano até hoje. Maomé faleceu no ano 632.

Segundo os muçulmanos, o Corão contém a mensagem de Deus a Maomé, as quais lhe


foram reveladas entre os anos 610 a 632. Seus ensinamentos são considerados
infalíveis. É dividido em 114 suras (capítulos), ordenadas por tamanho, tendo o maior
286 versos. A segunda fonte de doutrina do Islã, a Suna, é um conjunto de preceitos
baseados nos ahadith (ditos e feitos do profeta).

Os muçulmanos estão divididos em dois grandes grupos: os Sunitas e os Xiitas. Os


Sunitas subdividem-se em quatro grupos menores: Hanafitas, Malequitas, Chafeitas e
Hambanitas. Os Sunitas são os seguidores da tradição do profeta, continuada por All-
Abbas, seu tio. Os Xiitas são partidários de Ali, marido de Fátima, filha de Maomé. São
os líderes da comunidade e continuadores da missão espiritual de Maomé.

O Islamismo é atualmente a segunda maior religião do mundo, dominando acima de


50% das nações em três continentes. O número de adeptos que professam a religião
mundialmente já passa dos 935 milhões.

O objetivo final do Islamismo é subjugar o mundo e regê-lo pelas leis islâmicas, mesmo
que para isso necessite matar e destruir os “infiéis ou incrédulos” da religião. Segundo
eles, Alá deixou dois mandamentos importantes: o de subjugar o mundo militarmente e
matar os inimigos do Islamismo -- judeus e cristãos. Algumas provas dessa
determinação foi o assassinato do presidente do Egito, Anwar Sadat, por ter feito um
tratado de paz com Israel e o massacre nas Olimpíadas de Munique em 1972.

A guerra no Kuweit, nada mais foi do que uma convocação de Saddam Hussein aos
muçulmanos para uma “guerra santa”, também chamada de Jihad, contra os países do
Ocidente (U.S.A.) devido à proteção dada a Israel. Vinte e seis países entraram em uma
guerra, gastaram bilhões de dólares, levaram o Estados Unidos a uma recessão que se
sente até hoje, para combater um homem que estava lutando por razões religiosas. Eles
aparentemente perderam a guerra, mas, como resultado, houve 100 atos terroristas
cometidos contra a América e Europa no mesmo mês. O “espírito” da liga muçulmana
em unificar os países islâmicos e a demonstração do que podem fazer ficou bem patente
aos olhos do mundo.

Artigos de Fé do Islamismo

O Islamismo crê que existe um só Deus verdadeiro, e seu nome é Alá

Alá não é um Deus pessoal, santo ou amoroso, pelo contrário, está distante e indiferente
mesmo de seus adeptos. Suas ordens expressas no Corão são imperativas, injustas e
cruéis. Segundo Maomé, ele é autor do bem e do mal. Num dos anais que descreve as
mensagens de Alá para Maomé, ele diz: “Lutem contra os judeus e matem-nos”. Em
outra parte diz: “Oh verdadeiros adoradores, não tenha os judeus ou cristãos como
vossos amigos. Eles não podem ser confiados, eles são profanos e impuros”.

O Islamismo crê erroneamente em anjos

Segundo eles, Gabriel foi quem transmitiu as mensagens de Alá para Maomé. É
ensinado que os anjos são inferiores aos homens, mas intercedem pelos homens.

O Islamismo crê que exista um só livro sagrado dado por Alá, o Corão, escrito em
Árabe

Os muçulmanos creêm que Alá deu uma série de revelações, incluindo o Antigo e Novo
Testamentos, que é chamado de Corão. Segundo eles, as antigas revelações de Alá na
Bíblia foram corrompidas pelos cristãos, e, por isso, não são de confiança.

O Islamismo crê que Maomé é o último e o mais importante dos profetas

Conforme o Islamismo, Alá enviou 124,000 profetas ao mundo, apesar de unicamente


trinta estarem relacionados no Corão. Os seis principais foram:

Profeta Adão, o escolhido de Alá

Profeta Noé, o pregador de Alá

Profeta Abraão, o amigo de Alá

Profeta Moisés, o porta-voz de Alá

Profeta Jesus, a palavra de Alá

Profeta Maomé, o apóstolo de Alá

Islamismo crê na predestinação do bem e do mal


Tudo o que acontece, seja bem ou mal, é predestinado por Alá através de seus decretos
imutáveis.

O Islamismo crê que haverá o dia da ressurreição e julgamento do bem e do mal

Neste grande dia, todos os feitos do homem, seja bem ou mal, serão colocados na
balança. Os muçulmanos que adquiriram suficientes méritos justos e pessoais em favor
de Alá irão para o céu; todos os outros irão para o inferno.

Cinco Colunas do Islamismo

A vida religiosa do muçulmano tem práticas bastante rigorosas, as quais são chamadas
de “Colunas da Religião”.

Recitação do credo islâmico: Não existe nenhum deus além de Alá e Maomé, o seu
profeta.

Preces cotidianas: chamadas de slãts, feitas cinco vezes ao dia, cada vez em uma
posição diferente (de pé, ajoelhado, rosto no chão, etc), e virados em direção à Meca. A
chamada para a oração é feita por uma corneta, denominada de muezim, desde uma
torre chamada de minarete, a qual faz parte de um santuário ou lugar público de
adoração conhecido como mesquita.

Observação do mês de Ramadã: o qual comemora a primeira revelação do Corão


recebida por Maomé. Durante um mês, as pessoas jejuam desde o nascer até o pôr do
sol. Segundo eles, os portões do paraíso abrem, os do inferno fecham, e os que jejuam
têm seus pecados perdoados.

Pagamento do zakat: imposto anual de 2.5% do lucro pessoal, como forma de


purificação e ajuda aos pobres. Também ofertam para a riquíssima Liga Muçulmana.

Peregrinação para Meca: ou Hajj, ao lugar do nascimento de Maomé, na época de Eid el


Adha (festa islâmica que rememora o dia em que o profeta Abraão aceitou a ordem de
sacrificar um carneiro em lugar de seu filho), pelo menos uma vez na vida por todo
muçulmano dotado de condições físicas e econômicas.

O Jihad, ou guerra santa: é a batalha por meio da qual se atinge um dos objetivos do
islamismo, que é reformar o mundo. Qualquer muçulmano que morra numa guerra
defendendo os direitos do islamismo ou de Alá, já tem sua vida eterna garantida. Por
esta razão, todos que tomam parte dessa “guerra santa”, não têm medo de morrer ou de
passar por nenhum risco.

Verdades Bíblicas

Deus: Cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas, o Pai,


o Filho e o Espírito Santo, Dt 6.24; Mt 28.19; Mc 12.29.

Jesus: Cremos no nascimento virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em


sua ressurreição corporal de entre os mortos, e em sua ascensão gloriosa aos céus, Is
7.14; Lc 1.26-31; 24.4-7; At 1.9.
Espírito Santo: Cremos no Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade, como
Consolador e o que convence o homem do pecado, justiça e do juízo vindouro. Cremos
no batismo no Espírito Santo, que nos é ministrado por Jesus, com a evidência de falar
em outras línguas, e na atualidade dos nove dons espirituais, Jl 2.28; At 2.4; 1.8; Mt
3.11; I Co 12.1-12.

Homem: Cremos na na criação do ser humano, iguais em méritos e opostos em sexo;


perfeitos na sua natureza física, psíquica e espiritual; que responde ao mundo em que
vive e ao seu criador através dos seus atributos fisiológicos, naturais e morais, inerentes
a sua própria pessoa; e que o pecado o destituiu da posição primática diante de Deus,
tornando-o depravado moralmente, morto espiritualmente e condenado a perdição
eterna, Gn 1.27; 2.20,24; 3.6; Is 59.2; Rm 5.12; Ef 2.1-3.

Bíblia: Cremos na inspiração verbal e divina da Bíblia Sagrada, única regra infalível de
fé para a vida e o caráter do cristão, II Tm 3.14-17; II Pe 1.21.

Pecado: Cremos na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus, e que


somente através do arrependimento dos seus pecados e a fé na obra expiatória de Jesus
o pode restaurar a Deus, Rm 3.23; At 3.19; Rm 10.9.

Céu e Inferno: Cremos no juízo vindouro, que condenará os infiéis e terminará a


dispensação física do ser humano. Cremos no novo céu, na nova terra, na vida eterna de
gozo para os fiéis e na condenação eterna para os infiéis, Mt 25.46; II Pe 3.13; Ap
21.22; 19.20; Dn 12.2; Mc 9.43-48.

Salvação: Cremos no perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita, e na eterna


justificação da alma, recebida gratutitamente, de Deus, através de Jesus, At 10.43; Rm
10.13; Hb 7.25; 5.9; Jo 3.16.

Profissão de Fé: Para uma mais ampla informação sobre a doutrina bíblica fundamental,
acesse aqui a Profissão de Fé da Igreja Pentecostal Betânia e do Sepoangol World
Ministries.

Fonte: www.sepoangol.org

ISLAMISMO

Origem, crenças e tradições

Origem

O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu
fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos
conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por
intermédio do Anjo Gabriel.

Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e do judaísmo,


as raízes de Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé seria seu
descendente. Abraão construiu a Caaba, em Meca, principal local sagrado do islamismo.
Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão.
Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de
seguidores foram perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a
Medina. A migração, conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em
Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado.

O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da


religião islâmica. Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era
muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China. Na
virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3
bilhão de adeptos.

Profeta Maomé

Maomé nasceu em Meca, no ano de 570. Órfão de pai e mãe, foi criado pelo tio,
membro da tribo dos coraixitas. De acordo com historiadores, tornou-se conhecido pela
sabedoria e compreensão, tanto que servia de mediador em disputas tribais. Adepto da
meditação, ele realizava um retiro quando afirmou ter recebido a primeira revelação de
Deus através do anjo Gabriel. Na época, ele tinha 40 anos. As revelações prosseguiram
pelos 23 anos restantes da vida do profeta.

Contrário à guerra entre tribos na Arábia, Maomé foi alvo de terroristas e escapou de
várias tentativas de assassinato. Enquanto conquistava fiéis, empregava as escrituras na
tentativa de pacificar sua terra - tarefa que cumpriu antes de morrer, aos 63 anos, depois
de retornar a Meca. Para os muçulmanos, Maomé é uma figura digna de extrema
admiração e respeito, mas não é o alvo de sua adoração. Ele foi o último dos profetas a
trazer a mensagem divina, mas só Deus é adorado.

Conversão

Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião.
Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão. Uma
pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que
"não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de Deus". O processo
de conversão extremamente simples é apontado como um dos motivos para a rápida
expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática completa da fé, contudo, é
muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos devem ajudar no ensinamento.

Crenças

A base da fé islâmica é o cumprimento dos desejos de Deus, que é único e


incomparável. A própria palavra Islã quer dizer "rendição", ou "submissão". Assim, o
seguidor da religião islâmica deve obedecer às escrituras, orar e glorificar apenas seu
Deus e ser fiel à mensagem que Maomé trouxe.

Os muçulmanos enxergam nas escrituras divulgadas por Maomé a continuação de uma


grande linhagem de profecias, trazidas por figuras que fazem parte dos livros sagrados
dos judeus e cristãos - como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Os cristãos e
judeus, aliás, são chamados no Corão Povos das Escrituras, com garantia de respeito e
tolerância.
O seguidor do islamismo tem como algumas de suas obrigações "promover o bem e
reprimir o mal", evitar a usúria e o jogo e não consumir o álcool e a carne de porco. Um
dos principais desafios do muçulmano é obter êxito na jihad - que, ao contrário do que
muitos acreditam no Ocidente, não significa exatamente "guerra santa", mas sim o
esforço e a luta do muçulmano para agir corretamente e cumprir o caminho indicado por
Deus.

Os muçulmanos acreditam no dia do juízo final e na vida após a morte, quando o


praticante da religião recebe sua recompensa ou sua punição pelo que fez na Terra.
Acreditam também na unidade da "nação" do Islã - uma crença simbolizada pela
gigantesca peregrinação anual a Meca, que reune muçulmanos do mundo todo, lado a
lado.

Cinco pilares

Os cinco pilares do islamismo formam a estrutura de vida do seguidor da religião. São


eles:

• Pronunciar a declaração de fé intitulada "chahada": "Não há outra divindade além de


Deus e Mohammad é seu Mensageiro".

• Realizar as cinco orações obrigatórias durante cada dia, no ritual chamado "salat". As
orações servem como uma ligação direta entre o muçulmano e Deus. Como não há
autoridades hierárquicas, como padres ou pastores, um membro da comunidade com
grande conhecimento do Corão dirige as orações. Os versos são recitados em árabe, e as
súplicas pessoas são feitas no idioma de escolha do muçulmano. As orações são feitas
no amanhecer, ao meio-dia, no meio da tarde, no cair da noite e à noite. Não é
obrigatório orar na mesquita - o ritual pode ser cumprido em qualquer lugar.

• Fazer o que puder para ajudar quem precisa, no chamado "zakat". A caridade é uma
obrigação do muçulmano, mas deve ser voluntária e, de preferência, em segredo. O
muçulmano deve doar uma parte de sua riqueza anualmente, uma forma de mostrar que
a prosperidade não é da pessoa - a riqueza é originária de Deus e retorna para Deus.

• Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã, todos os anos. Nesse período, todos os
muçulmanos devem permanecer em jejum do amanhecer ao anoitecer, abstendo-se
também de bebida e sexo. As exceções são os doentes, idosos, mulheres grávidas ou
pessoas com algum tipo de incapacidade física - eles podem fazer o jejum em outra
época do ano ou alimentar uma pessoa necessitada para cada dia que o jejum foi
quebrado. O muçulmano que cumpre o jejum se purifica ao vivenciar a experiência de
quem passa fome. No fim do Ramadã, o muçulmano celebra o Eid-al-Fith, uma das
duas principais festas do calendário islâmico.

• Realizar a peregrinação a Meca, o "haj". Todos os muçulmanos com saúde e condição


financeira favorável deve realizar a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Todos os
anos, cerca de 2 milhões de pessoas de todas as partes do mundo se reúnem em Meca,
sempre com vestimentas simples - para eliminar as diferenças de classe e cultura. No
fim da peregrinação, há o festival de Eid-Al-Adha, com orações e troca de presentes - a
segunda festa mais importante.
O Corão

O livro sagrado dos muçulmanos reúne todas as revelações de Deus feitas ao profeta
Maomé através do anjo Gabriel. No Corão estão instruções para a crença e a conduta do
seguidor da religião - não fala apenas de fé, mas também de aspectos sociais e políticos.
Dividido em 114 "suratas" (capítuolos), com vários versículos cada (o número varia de
3 a 286 versículos), o Corão foi escrito em árabe formal e, com o tempo, tornou-se de
difícil entendimento.

O complemento para sua leitura é a Sunna, coletânea de registros de discursos do


profeta Maomé, geralmente em linguagem mais clara e fluente. Cada uma dessas
mensagens tiradas dos discursos é conhecida como "hadith". Como os relatos foram de
pessoas diferentes, há muitas divergências entre os registros de ensinamentos do
profeta: cada um contava a mensagem da forma que o interessava. Além de
contradições, as "hadith" provocaram também uma expansão dos conceitos do Islã, ao
incorporar tradições e doutrinas sobre sociedade e justiça - aspecto importante na
formação da cultura islâmica em geral, que não ficou restrita à religião.

Sharia

É a lei religiosa do islamismo. Como o muçulmano não vê distinção entre o aspecto


religioso e o resto da sua conduta pessoal, a lei islâmica não trata só de rituais e crenças,
mas de todos os aspectos da vida cotidiana. Apesar de ter passado por um detalhado
processo de formatação, a lei islâmica ainda é aplicada de formas variadas ao redor do
mundo - os países adotam a sharia têm interpretações mais ou menos rigorosas dela.

Na Arábia Saudita, por exemplo, vigora uma das mais conservadoras versões da lei
islâmica. O Afeganistão da época da milícia Talibã teve a mais dura e radical aplicação
da sharia nos tempos modernos - proibia música e outras expressões culturais e
esportivas, restringia gravemente todos os direitos das mulheres e ordenava punições
bárbaras. A sharia, porém, é adotada formalmente numa minoria de países com grandes
populações islâmicas.

Mesquitas

As construções reservadas para as orações dos muçulmanos são chamadas mesquitas,


ou "masjids". Os prédios, contudo, não precisam ser especialmente construídos com
esse fim - qualquer local onde a comunidade muçulmana se reúne para orar é uma
mesquita.

Há dezenas de milhares de mesquitas no mundo, e elas vão desde as construções mais


esplendorosas, com arquitetura riquíssima, às mais modestas, adaptadas dentro de outras
estruturas.

A mesquita de Caaba, em Meca, é uma das mais famosas, pois é o centro da


peregrinação do "haj". A mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, também é um local muito
visitado pelos muçulmanos de todo o mundo - ela abrigaria a pedra de onde Maomé
"ascendeu ao céu".

Festas e datas
As duas principais festividades do islamismo são o Eid-Al-Adha, que coincide com a
peregrinação anual a Meca, e o Eid-al-Fith, quando se quebra o jejum do mês do
Ramadã. O mês sagrado, aliás, é o principal período do calendário islâmico.

Os muçulmanos xiitas também comemoram o Eid-al-Ghadir - aniversário da declaração


de Maomé indicando Ali como seu sucessor. Outras festas islâmicas são o aniversário
de Maomé (Al-Mawlid Al-Nabawwi) e o aniversário de sua jornada a Jerusalém (Al-
Isra Wa-l-Miraj).

A RELIGIÃO ISLÂMICA

Grupos

Os muçulmanos estão divididos entre sunitas, o grupo majoritário, e xiitas, a minoria


dentro da religião. Os sunitas formam o tronco principal da religião, ligado à
interpretação mais aceita da história islâmica, e reúnem cerca de 90% dos muçulmanos
no mundo. A diferença em relação ao Islã xiita é a aceitação à seqüência de califas da
história islâmica. Sem características comuns entre si, os muçulmanos sunitas incluem
praticantes da religião em todas as partes do mundo e de todas as tendências, dos mais
conservadores até os moderados e seculares.

Os xiitas, que reúnem cerca de 10% dos muçulmanos, surgiram como movimento
político de apoio a Ali e acabaram formando uma ramificação da religião islâmica. A
dissidência surgiu quando os xiitas se uniram para apoiar Ali, primo de Maomé, como o
herdeiro legítimo do poder no Islã após a morte do profeta, com base na suposta
declaração de que ele era seu sucessor ideal.

A evolução para uma fórmula religiosa diferente teria começado com o martírio de
Husain, o filho mais novo de ali, no ano de 680, em Karbala (no atual Iraque). Os
clérigos xiitas são os mulás e mujtahids, mas o clero não tem uma hierarquia formal. Os
xiitas foram os responsáveis pela revolução islâmica do Irã, em 1979, e têm graves
divergências com setores do islamismo sunita.

É uma religão e um projeto de organização da sociedade expresso na palavra árabe Islã,


a submissão confiante a Alá (Allah, em árabe – Deus, ou "a divindade", em abstrato).

Seus seguidores chamam-se muçulmanos (muslimun, em árabe): os que se submetem a


Deus para render-lhe a honra e a glória que lhe são devidas como Deus único.

Maomé, fundador do islamismo, nasceu em Meca (na tribo árabe coraixita), no atual
Reino da Arábia Saudita, em 570 da era cristã, portanto meio milênio depois de Cristo.
Trabalhou como mercador e pregou a existência de um só Deus, Alá, Onisciente e
Onipotente.

Se no cristianismo o verbo se faz carne, pode-se dizer que no islamismo o verbo se fez
livro, porque o islamismo repousa num só livro: o Corão, que é a "palavra de Deus".

Livro sagrado do islamismo, o Corão (que significa recitação) é revelado a Maomé pelo
arcanjo e redigido ao longo de cerca de 20 anos de sua pregação. É fixado entre 644 e
656 sob o califado de Uthman ibn Affan. São 6.226 versos em 114 suras (capítulos).
Traz o mistério do Deus-Uno e a história de suas revelações de Adão a Maomé,
passando por Abraão, Moisés e Jesus, e também as prescrições culturais, sociais,
jurídicas, estéticas e morais que dirigem a vida individual e social dos muçulmanos.

Nota: A esposa de Abraão, Sara, tinha uma escrava chamada Asgar, a qual serviu
Abraão e teve um filho chamado Ismael... Entretanto, Ismael, primogênito de Abraão,
só é considerado como primeiro filho para os muçulmanos... Enquanto que para os
judeus é considerado como primeiro o filho de Abraão com Sara, Isac...

Abaixo, um selo que ilustra o livro "The Spring of Koran", emitido em 2001 pela
República Islâmica do Irã, com valor facial de 500 Rial iranianos. Ao lado, selo do
Estado Islâmico do Afeganistão de 22/11/2003, com valor facial de 9 Afeganis e
impresso por Sahara Printing Company, o selo mostra "Coming down of the Holy
Quran".

A palavra Maomé é uma corruptela hispânica de Mohammed, nome próprio derivado do


verbo hâmada e que significa "digno de louvor". Segundo a tradição, aos 40 anos recebe
a missão de pregar as revelações trazidas de Deus pelo arcanjo Gabriel...

Muitas pessoas tem esse nome, uma delas é o famoso pachá do Egito: Mohammed Ali...
Amir significa príncipe árabe ou governador, é um título dado a um homem
descendente de Mohammed...

Seu monoteísmo choca-se com as crenças tradicionais das tribos semitas e, em 622,
Maomé é obrigado a fugir para Iatribe, atual Medina, onde as tribos árabes vivem em
permanente tensão entre si e com os judeus.

Maomé estabelece a paz entre as tribos árabes com as comunidades judaicas e começa
uma luta contra Meca pelo controle das rotas comerciais. Conquista Meca em 630.
Morre dois anos depois (632), deixando uma comunidade espiritualmente unida e
politicamente organizada em torno aos preceitos do Corão...
Os estudos na linha da História Política permitem identificar as complexas relações que
existem entre a religião e o fenômeno político.

Por esta perspectiva, percebe-se que, com relação ao Islã, o sistema religioso tornou-se
uma dimensão da política, na medida em que o espaço privilegiado para a vivência da fé
e para a concretização das promessas de Alá aos seus fiéis é o Estado Islâmico
juridicamente constituído e reconhecido enquanto tal.

Além disso, a Shariah (a jurisprudência) nasceu a partir dos textos sagrados e


regulamenta as relações políticas, sociais e religiosas do Estado com a Umma (a
comunidade muçulmana).

No Islam, o poder político e a estrutura social são benefícios de Deus, graças


concedidas para a felicidade de todos os homens. Assim, o propósito dos muçulmanos
não é tanto o de debater sobre a essência de Deus, mas, sobretudo, o de interpretar a
vontade divina e de conhecer e observar as leis que são religiosas e políticas ao mesmo
tempo.

Os governantes devem ser capazes de concentrarem em si as atribuições de chefe de


Estado e de Iman (aquele que conduz os fiéis nas orações).

Por isso, o melhor sistema de poder para o Islam, de acordo com o Corão e a Sunna, é o
califado, que foi determinado após a morte do Profeta Muhammad, e que constitui o
modelo eterno de uma forma perfeita de Estado que Deus desejou que atuasse no tempo
histórico.

A deturpação do califado, na perspectiva dos pensadores muçulmanos do século XIX,


como Rashîd Ghannîsh, da Tunísia, surgiu do desejo de se adotar a modernidade
ocidental, a ponto dos Estados de maioria muçulmana se apropriarem do princípio da
separação dos poderes temporal e espiritual, o que contribuiu para o divórcio entre
religião e política e para o enfraquecimento do poder do governante, distanciando-o da
comunidade de fé e aproximando-o dos Kafir (os ignorantes dos princípios islâmicos).

Tal fato teve como consequência o abandono da observância da Shariah, o que fez com
que diversos Estados deixassem de ser reconhecidos como Islâmicos, provocando a
restrição do espaço para a vivência da fé, pautado e orientado pelo Corão e pela Sunna.

Para se reconquistar o bem perdido tornou-se necessário percorrer o salaf (o caminho


dos antigos), porque foi no passado, ou melhor, no auge do sistema do califado, durante
a Idade Média, que os muçulmanos souberam, na perspectiva das correntes islâmicas
dos século XIX e XX, praticar corretamente os ensinamentos de Alá.

Este movimento de relembrar as virtudes dos antepassados de fé transformou o Islã, no


século XIX, em um princípio mobilizador da defesa da identidade dos povos não
europeus islamizados e também uma alternativa política e social antimperialista que
atraiu populações não muçulmanas na África e na Ásia...

Como foi comprovado no surgimento de várias revoluções islâmicas onde o percentual


de participação de aliados não convertidos foi bastante significativo, como a Mahdia no
Sudão (1881-1898), por exemplo...
Ilustração sobre o Islamismo

Comunidade do Islã

Alá é o Deus único e Maomé é o seu profeta maior e último. O islamismo se propagou
numa época em que a Arábia Saudita era politeísta, cultivava mais de 360 deuses, e os
próprios cristãos se arrebatavam com discussões sobre a Santíssima Trindade...

É permitida a poligamia com até 5 esposas legítimas, o divórcio e fomenta-se a guerra


santa, contra os infiéis, Djihad, semelhante às cruzadas, graças à qual este sistema
religioso se expandiu muito no primeiro século de sua existência. Hoje, a cultura
islâmica ocupa 21% da superfície do planeta, aproximadamente.

A fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, chamada hégira (busca de proteção)
marca o início do calendário muçulmano e indica a passagem de uma comunidade pagã
para uma comunidade que vive segundo os preceitos do Islã.

A doutrina do profeta e a idéia de comunidade do Islã (al-Ummah) formam-se durante a


luta pelo controle de Meca - todos os muçulmanos são irmãos e devem combater todos
os homens até que reconheçam que só há um Deus.
Suna – A segunda fonte doutrinal do islamismo. É um compêndio de leis e preceitos
baseados nos ahadith (ditos e feitos), conjunto de textos com as tradições relativas às
palavras e exemplos do Profeta.

Deveres dos Muçulmanos

Todo muçulmano deve prestar o testemunho (chahada), ou seja, professar publicamente


que Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta.

Fazer a oração ritual (salat) cinco vezes ao dia (ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio
da tarde, ao pôr-do-sol e à noite), voltado para Meca e prostrado com a fronte por terra.

Dar a esmola legal (zakat) para a purificação das riquezas e a solidariedade entre os
fiéis.

Jejuar do nascer ao pôr-do-sol, durante o nono mês do calendário muçulmano


Ramadãm.

Fazer uma peregrinação (hadjdj) à Meca ao menos uma vez na vida, seja pessoalmente,
se tiver recursos, ou por meio de procurador, se não tiver.

Mesquita na cidade de Meca - centro de peregrinação muçulmana


Em 28/12/2005, o Reino da Arábia Saudita emitiu uma série de 2 selos e um bloco
sobre Meca - Cidade Capital da Cultura Muçulmana (Mecca - Capital City of the
Moslem Culture). Abaixo, um dos selos, com valor facial de 2 Rial Sauditas que marca
o Al Hajj 1426H. O bloco (imagem reduzida), tem valor facial de 5 Rial Sauditas e
mostra o centro de peregrinação na cidade de Meca. Ambos foram impressos por Saudi
Arabia State Printing House.
Festas Islâmicas

Ramadãm ou Ramadan (fevereiro/março)? durante o nono mês do calendário


muçulmano....
Pequena Festa (Eid Al-Fitr), celebrada nos três primeiros dias do mês de Shaual
(março/abril), ao final do jejum do mês de Ramadãm, comemora a revelação do Corão.
Grande Festa ou Festa do Sacrifício (Eid Al-Adha) é celebrada no dia 10 do mês de
Thul-Hejjah (maio/junho).

Hégira (fuga de Maomé de Meca), marca o Ano-novo do calendário muçulmano, no dia


1° do mês de Al-Moharam (junho/julho).

Aniversário de nascimento do Profeta, no dia 12 do mês de Rabi'I (agosto/setembro).

Calendário muçulmano – Mede o ano pelas 12 revoluções completas da Lua em torno


da Terra e é, em média, 11 dias menor do que o ano solar. O ano 1994/1995 foi o 1.415°
da hégira.

Abaixo, um de uma série de 4 selos, emitida 29/11/2004 pelo Irã, com valor facial de
500 Rial iranianos, sobre "The First International Biennial of Islamic World Poster". O
selo mostra a meia-lua, um dos símbolos do Islã.
Divisões do Islamismo

Os muçulmanos estão divididos em dois grandes grupos, os sunitas e os xiitas. Essas


tendências surgem da disputa pelo direito de sucessão a Maomé. A divergência
principal diz respeito à natureza da chefia:

Para os xiitas, o Imã ou "Imam" (líder da comunidade) é herdeiro e continuador da


missão espiritual do Profeta.

Para os sunitas, o Imã é apenas um chefe civil e político, sem autoridade espiritual, a
qual pertence exclusivamente à comunidade como um todo (umma).

Sunitas e xiitas fazem juntos os mesmos ritos e seguem as mesmas leis (com diferenças
irrelevantes), mas o conflito político é profundo.

Sunitas – Os sunitas são os partidários dos califas abássidas, descendentes de all-Abbas,


tio do Profeta. Em 749, eles assumem o controle do Islã e transferem a capital para
Bagdá. Justificam sua legitimidade apoiados nos juristas (alim, plural ulemás) que
sustentam que o califado pertenceria aos que fossem considerados dignos pelo consenso
da comunidade.

A maior parte dos adeptos do islamismo é sunita (cerca de 85%). No Iraque a maioria
da população é xiita, mas o ex-governo (2003) era sunita...

Xiitas – Partidários de Ali, casado com Fátima, filha de Maomé, os xiitas não aceitam a
direção dos sunitas.

Argumentando que só os descendentes do Profeta são os verdadeiros imãs: guias


infalíveis em sua interpretação do Corão e do Suna, graças ao conhecimento secreto que
lhes fora dado por Deus. São predominantes no Irã e no Iêmen.

A rivalidade histórica entre sunitas e xiitas se acentua com a revolução iraniana de 1979
que, sob a liderança do aiatolá Khomeini (xiita), depõe o xá Reza Pahlevi e instaura a
República Islâmica do Irã.

Selo da Arábia Saudita emitido em 27/12/2004, com valor facial de 2 Rial Sauditas,
impresso por Saudi Arabia State Printing House, para promover a paz no Islamismo:
Islã é Paz!
Outros grupos – Além dos sunitas e xiitas, existem outras divisões do islamismo, entre
eles os zeiitas, hanafitas, malequitas, chafeitas, bahais, drusos e hambaditas. Algumas
destas linhas surgem no início do Islã e outras são mais recentes. Todos esses grupos
aceitam Alá como deus único, reconhecem Maomé como fundador do Islamismo e
aceitam o Corão como livro sagrado. As diferenças estão na aceitação ou não da Suna
como texto sagrado e no grau de observância das regras do Corão.

Fonte: www.sergiosakall.com.br

ISLAMISMO

A religião que mais cresce vive ma hora decisiva


ADA VEZ MAIOR: peregrinação anual a Meca, um dos pilares do Islã

O mundo islâmico vem sendo rotineiramente devassado nos meios acadêmicos há muito
tempo. Contudo, até 11 de setembro de 2001, quando dezenove muçulmanos praticaram
o maior atentado terrorista da História, as multidões nos países ocidentais não sabiam
que o universo dos turbantes era muito mais complexo do que parecia. Depois do fim do
comunismo, os Estados Unidos e seus aliados - os países industrializados da Ásia e da
Europa - convenceram-se de que a modernidade, a democracia e a economia de
mercado são desejadas em todo o mundo. Devido a outra escala de valores, porém, tais
novidades não são bem-vindas para um número significativo de muçulmanos. Foi a
descoberta de que o Islã era um dos limites da globalização, até então despercebido.

Após o choque resultante da carnificina cometida em nome de Alá, o mundo islâmico


foi repentinamente iluminado por um holofote. Nunca, até onde a memória alcança,
uma civilização foi tão escrutinada como a muçulmana está sendo nos dias atuais. Uma
cultura e uma fé que viviam relegadas à periferia do mundo dito civilizado despertam
agora um interesse voraz em pessoas que até outro dia dispunham de pouquíssimas
referências sobre o universo islâmico. Os governos das nações poderosas também estão
ávidos por entender e agir de forma a evitar uma explosão nas sociedades dos turbantes
que elegeram como seu herói o terrorista Osama bin Laden e como bandeira a guerra
santa aos valores ocidentais. E, no decorrer desse processo de exploração, a opinião
pública mundial descobriu que esse universo era menos administrável do que se
imaginava.

20% do mundo - Para elevar ainda mais o grau de importância dessa revelação,
pesquisas realizadas ao redor do globo mostraram que o islamismo é a religião que mais
cresceu nas últimas décadas, e que essa tendência não mudou depois do 11 de setembro.
Em 1973, havia 36 países com maioria muçulmana no planeta; exatos trinta anos
depois, eles já eram 47. Também no início dos anos 70, o islamismo reunia cerca de 370
milhões de fiéis. Três décadas depois, eles chegaram a 1,3 bilhão. Hoje, quase 20% da
população do mundo é muçulmana, e estima-se que, em 2020, de cada quatro habitantes
do planeta um seguirá o islamismo. Essa explosão demográfica - em parte provocada
pela proibição religiosa do uso de métodos contraceptivos - está devolvendo ao
islamismo uma força considerável.

E não é só no Oriente: com o liberalismo religioso da maior parte do Ocidente, os


muçulmanos também se espalham com alguma facilidade. Só na Europa, berço da
civilização cristã, existem 20 milhões de muçulmanos, e quase metade deles está
instalada na Europa Ocidental. Há mesquitas até na Roma dos papas. Outro fator que
emprestou maior visibilidade aos países islâmicos está em sua imensa riqueza
estratégica: são donos das mais generosas reservas de petróleo do mundo. Entre os
cinco maiores produtores de óleo do Oriente Médio, o PIB conjunto quadruplicou nos
últimos trinta anos, enquanto o PIB mundial apenas dobrou de tamanho. O crescimento
do rebanho e a fartura do petróleo, no entanto, produziram um barril de pólvora.

Bomba-relógio - Em geral, os regimes dos países islâmicos são ditaduras teocráticas e a


riqueza não é distribuída, deixando a maior parte da população relegada à miséria. É
dentro desse caldeirão paradoxal que ressurgiu a força da religião, em especial depois da
Revolução Islâmica no Irã, em 1979. O Islã é multifacetado por várias nações, mas tem
uma característica curiosa: não produziu um só país democrático e desenvolvido. O
contraste entre a pobreza dos fiéis e a riqueza do Ocidente fomentou rancor.

A resposta às dificuldades materiais e à falta de liberdade, levantada nas mesquitas, é a


de que a identidade religiosa supera todos os valores políticos. A questão tornou-se
urgente depois do 11 de setembro, mas até agora não se encontrou uma resposta: como
desarmar a bomba-relógio do radicalismo islâmico? Enquanto os nós não forem
desfeitos, é possível que o extremismo e o fanatismo, embora restritos a grupos
minoritários, sigam achando espaço para ensangüentar a história humana.

Fonte: veja.abril.com.br

ISLAMISMO

RAÍZES DE UMA RELIGIÃO PACÍFICA

Mensagem do profeta Maomé era de tolerância


FANATISMO É MINORIA: muçulmanas oram pela paz depois do 11/9
A ligação entre a carnificina provocada pelos terroristas muçulmanos e as raízes
verdadeiras da fé islâmica é o maior problema enfrentado nos dias atuais pela religião
mais praticada do planeta. Dezenas de milhões de pessoas, em especial no Ocidente,
confundem o islamismo com uma prática religiosa radical e raivosa, que convoca seus
seguidores a matar inocentes, permite (e recompensa) o suicídio em nome de Deus e
não tolera crenças diferentes. De acordo com a esmagadora maioria dos especialistas,
religiosos e fiéis, contudo, a verdadeira face do Islã é exatamente oposta: a de uma fé
que estimula o entendimento e desencoraja o conflito.

A própria origem do termo Islã - ou "rendição", em árabe - está ligada à palavra salam,
que significa "paz". O fundador do islamismo, o profeta Maomé, dedicou sua vida à
tentativa de promover a paz em sua terra, a Arábia. Antes do Islã, as tribos árabes
estavam presas num círculo vicioso de ataques, revides e vinganças. O próprio Maomé e
seus primeiros seguidores escaparam de dezenas de tentativas de assassinato e de uma
grande ofensiva para exterminá-los em Meca. O profeta teve de lutar, mas em nome da
própria sobrevivência - quando acreditou estar a salvo, passou a dedicar-se
exclusivamente à reconciliação das tribos, através de uma grande campanha ideológica
de não-violência. Quando morreu, no ano de 632, a meta havia sido cumprida - e
justamente em função de seus ensinamentos sobre paz e tolerância.

Espírito de caridade - Quando revelou a base da crença islâmica pelos versos do Corão,
Maomé convivia com uma guerra em larga escala em sua terra. Assim, muitas
passagens das escrituras sagradas dos muçulmanos tratam de conflitos armados, da
execução de inimigos, da guerra em nome de sua crença.

Os terroristas e radicais de hoje, contudo, gostam de citar o Corão apenas nos trechos
em que se convoca a luta, e não nos versos em que se prega a paz e o entendimento.
Pouco depois do ataque de 11 de setembro de 2001, a escritora americana Karen
Armstrong, autora de vários livros sobre a religião islâmica, compilou alguns desses
versos. A seguir, alguns deles:

• No Corão, os muçulmanos recebem a ordem de Deus para "eliminar os inimigos onde


quer que eles estejam". A frase é uma das preferidas de Osama bin Laden e seus
discípulos do terror. No verso seguinte, contudo, a mensagem é a segunte: "Se eles
deixarem-no em paz e não fomentarem guerra, e oferecerem a paz, Deus não permite
que sejam machucados".

• O texto sagrado dos muçulmanos diz que a única forma aceitável de guerra é aquela
conduzida em auto-defesa. Os muçulmanos jamais devem iniciar as hostilidades. A
guerra é sempre manifestação do mal, indica o Corão, mas às vezes é preciso lutar para
preservar seus valores - ou, como fez o profeta Maomé em Meca, para combater
perseguições e se livrar dos opressores.

• Em certo trecho, o Corão cita a Torá, escritura sagrada dos judeus, ao dizer que é
permitido ao muçulmano retribuir uma agressão - olho por olho, dente por dente. O
texto ressalta, porém, que perdoar e deixar de lado as vinganças em nome de um espírito
de caridade é uma atitude digna de mérito e admiração.

• Quando a guerra é necessária e justificada, as hostilidades contra o inimigo devem


acabar logo que for possível. A guerra termina quando o inimigo acena com um gesto
de paz. O Corão também diz que os outros povos, mesmo quando forem inimigos,
jamais devem ser forçados a seguir a crença dos muçulmanos: "Não deve haver coerção
nos assuntos da fé!"

• Na mais famosa distorção a respeito da doutrina muçulmana, a palavra "jihad" é


traduzida no Ocidente como "guerra santa" - quando, na verdade, equivale a "luta",
"esforço", "empenho". O termo se refere ao esforço que deve ser empregado para que a
vontade de Deus seja colocada em prática em todos os aspectos da vida - não só na
política, como também na vida pessoal e social. Há relatos de que Maomé disse certa
vez, ao retornar de uma batalha: "Estamos voltando da jihad menos importante para a
jihad maior", que seria a tentativa de curar os males da sociedade.

• O Corão diz que os "Povos das Escrituras", os cristãos e judeus - principais alvos dos
extremistas islâmicos hoje, - devem ser respeitados. Em um de seus últimos discursos, o
profeta Maomé teria dito: "Formamos nações e tribos para que conhecessem uns aos
outros" - ou seja, não para que os povos conquistassem outros povos e tentassem
oprimir suas crenças.

Reação à modernidade - Se a brutalidade contra outros povos e religiões é proibida, se a


guerra é uma manifestação do mal, se o inimigo só pode ser atacado se agredir primeiro,
por que os radicais muçulmanos continuam usando a religião para justificar seus atos de
terrorismo? Para quase todos os especialistas, essa pergunta não tem uma resposta
sensata - o que significa que a luta dos extremistas é, de fato, ilegítima e injustificada.
Na avaliação de Karen Armstrong, a forma militante de culto religioso surgida no
século XX sob a classificação de fundamentalismo é uma reação à modernidade. Seus
seguidores estão convencidos de que a sociedade liberal e secular visa acabar com a
religião - assim, os princípios de sua fé acabam desvirtuados e distorcidos em nome de
uma luta irracional. Desta forma, enxergar em Osama bin Laden e em seus seguidores
terroristas uma representação legítima da tradição e da fé islâmica é um erro gravíssimo.
Resta à maioria dos muçulmanos, que condenam os atos terroristas e as interpretações
radicais das escrituras, a árdua missão de reverter essa imagem e reforçar as raízes
pacíficas de sua crença.

MINORIA QUE AGRIDE E ASSUSTA

CONTRA O OCIDENTE: protesto anti-EUA na tensa Karachi, Paquistão

ANÁLISE

A minoria que agride e assusta


O que está por trás do extremismo no mundo islâmico?

CONTRA O OCIDENTE

protesto anti-EUA na tensa Karachi, Paquistão

Com o surgimento dos primeiros indícios de que a onda de terror de 11 de setembro de


2001 nos Estados Unidos foi obra de radicais islâmicos, uma questão tornou-se
inevitável: quem é essa gente que se suicida jogando aviões contra edifícios? Que se
veste de bombas e se explode em supermercados e pizzarias de Israel? Que estoura
carros recheados de explosivos contra muros de quartéis? Quem é, enfim, essa gente
que se mata em nome de Alá? Atualmente, calcula-se que exista em torno de 1,3 bilhão
de muçulmanos no mundo, divididos em diversas correntes religiosas - e apenas uma
parcela pequena está disposta a entregar a vida pela causa.

São muçulmanos que integram ramificações extremistas da religião, como os sunitas do


Afeganistão e os xiitas do Líbano, para os quais o suicídio em nome de Alá,
normalmente cometido aos gritos de "Deus é grande", é uma forma suprema de entrega
ao amor divino. A maioria dos muçulmanos, no entanto, repudia os ataques suicidas e
os considera pecado extremo, uma ofensa contra Alá, na medida em que atenta contra o
dom da vida - um dom divino. "O primeiro equívoco comum entre ocidentais e cristãos
é considerar todo islâmico um extremista suicida e, por extensão, um terrorista em
potencial", adverte a historiadora Maria Aparecida de Aquino, da Universidade de São
Paulo.

O islamismo é a religião que mais cresce no planeta, e ganhou visibilidade nas últimas
décadas em função de sua imensa riqueza estratégica: eles são donos das mais generosas
reservas de petróleo do mundo. O crescimento do rebanho e a fartura do petróleo, no
entanto, produziram um barril de pólvora. Em geral, os regimes dos países islâmicos são
ditaduras teocráticas e a riqueza não é distribuída, deixando a maior parte da população
relegada à miséria. É dentro desse caldeirão paradoxal que ressurgiu a força da religião,
em especial depois da Revolução Islâmica no Irã, em 1979. "Num ambiente de carência
social e autoritarismo político, a religião funciona como uma poderosíssima válvula de
escape", define a historiadora Maria Aparecida de Aquino, da USP.

Mas isso não é tudo. Até pouco tempo atrás, a América Latina também convivia
simultaneamente com miséria e ditadura - e, no entanto, nunca se viram grupos
extremistas de latino-americanos promovendo atos de terrorismo pelo mundo afora em
nome de sua libertação econômica e política. Por que então alguns grupos de fanáticos
islâmicos chocam o mundo com espetáculos inimagináveis de terror? A explicação
sobre o que move esses extremistas, segundo alguns especialistas, talvez esteja num
dado mais sutil: o choque de civilizações.

Cimitarra no coração - "Os Estados nacionais permanecerão como os atores mais


poderosos no cenário mundial, mas os principais conflitos globais ocorrerão entre
nações e grupos de diferentes civilizações", aposta o professor Samuel P. Huntington,
especialista em estudos internacionais da Universidade Harvard e autor de um livro
dedicado ao assunto. "O choque de civilizações será a linha divisória das batalhas do
futuro." Nem todos os estudiosos do assunto concordam com a tese de Huntington, mas
não há como negar que, num mundo cada vez menor, cada vez mais próximo, a religião
também funciona como um instrumento de afirmação da identidade nacional. E a
globalização crescente é um processo que se desenrola sob o comando inequívoco do
mundo ocidental - em especial, do império americano.

As potências ocidentais não trilham sua trajetória segundo parâmetros da Bíblia, da fé


cristã, dos ensinamentos de Jesus, mas, mesmo assim, elas acabam por se contrapor,
culturalmente, aos países muçulmanos, muitos dos quais se pautam pelo Corão, pela fé
islâmica, pelos ensinamentos de Maomé.

Hoje, as potências ocidentais encontram-se no auge do poder. Os Estados Unidos, com


sua incomparável pujança econômica, seu formidável poderio militar e sua vigorosa
influência política e cultural sobre os destinos do mundo, representam o triunfo dos
valores ocidentais - pelo menos aos olhos de fundamentalistas islâmicos, que, é sempre
bom lembrar, são uma minoria entre os muçulmanos. Daí por que o terror de 11 de
setembro não se esgotou na destruição de arranha-céus e na morte de inocentes.
Pretendeu, sobretudo, cravar uma cimitarra no coração e no orgulho da maior potência
ocidental.

McDonalds no Líbano - Os extremistas, que enxergam o mundo pela oposição entre


Jesus e Maomé, se ressentem da avassaladora influência ocidental sobre o planeta - nos
costumes, nos hábitos de consumo, no modo de vida. Tanto que, em países dominados
por radicais islâmicos, especialmente os talibãs do Afeganistão, tudo o que lembra a
cultura ocidental é proibido e severamente punido. Mas, de novo, isso não é uma regra.
No Irã, há grandes anúncios de produtos ocidentais pelas ruas de Teerã, existem
mulheres procurando cirurgiões plásticos, num sinal de vaidade antes inadmissível, e é
muito expressivo o contingente feminino que freqüenta a universidade - uma raridade
em algumas nações islâmicas que confinam a mulher aos limites do lar. "Há aspectos do
capitalismo ocidental que são plenamente aceitos pelas populações muçulmanas", diz
um diplomata brasileiro que serviu por oito anos no Líbano. "As cadeias de fast food,
como o McDonald's, fazem sucesso do Marrocos ao Líbano," diz ele.

"Sem dúvida, o extremismo religioso está ligado às frustrações, principalmente entre os


mais jovens, pois os países árabes têm economia fraca, analfabetismo e desemprego
crescente", afirma Sharif Shuja, professor de relações internacionais da Universidade
Bond, na Austrália. "Mas, além disso, o massacre de muçulmanos na Bósnia, na
Chechênia, na Palestina e na Caxemira faz o mundo árabe imaginar que o Ocidente está
contra ele", completa o especialista. A melhor maneira de reduzir o crescimento do
extremismo talvez esteja na expansão democrática dos países islâmicos - tema ao qual
as potências ocidentais vinham dedicando pouca atenção até 11 de setembro. A riqueza
econômica do petróleo, por si só, não foi capaz de melhorar esse cenário. "Na verdade,
ocorreu o contrário", analisa o professor Michael Hudson, da Universidade Georgetown.
"Jordânia, Líbano, Marrocos e Palestina, que não têm reservas petrolíferas, hoje são
países muito mais abertos que os ricos em petróleo, como Arábia Saudita, Iraque e
Líbia." A exceção é o Irã, único islâmico rico que vive um acelerado processo de
democratização.

'Todas as armas' - Osama bin Laden e sua corte de fanáticos vivem na clandestinidade,
enfurnados em cavernas do Afeganistão, envoltos numa aura de mistério, mas seus
objetivos são bem claros. Basta consultar os escritos do milionário que virou o mais
exaltado dos radicais islâmicos. Primeiro, ele pretende expulsar os militares americanos
das bases que eles mantêm na Arábia Saudita, onde a mera presença de não-
muçulmanos é vista pelos fanáticos como uma profanação do solo santo onde nasceu o
Islã.

"Todos os esforços devem ser concentrados em combater, destruir e matar o inimigo até
que, pela graça de Alá, esteja completamente aniquilado", esclarece Laden, em
documento datado de 1996. Realizada a primeira missão divina, ele pretende partir para
a segunda, de alcance mais amplo: unir todos os muçulmanos numa mesma
comunidade, governada de acordo com a interpretação mais literal e estrita dos
preceitos do Corão.

Para isso, os governos dos países muçulmanos considerados corrompidos pela


influência ocidental - ou seja, todos - devem ser varridos do mapa. Sem fronteiras
nacionais, unificados sob esse governo ideal, chamado califado, os verdadeiros crentes
se lançariam então rumo à etapa final - arrebatar o resto do planeta. "Chegará o tempo
em que vocês desempenharão papel decisivo no mundo, de forma que a palavra de Alá
seja suprema e as palavras dos infiéis sejam subjugadas", prometeu ele a seus
seguidores. Em qualquer uma dessas etapas, o dever dos muçulmanos é empregar todas
as armas possíveis para atacar os inimigos de Alá. O título do documento em que faz
essa afirmação diz tudo: "A Bomba Nuclear do Islã". Parece coisa de uma mente
delirante, dos gênios do mal caricaturados no cinema ou nas histórias em quadrinhos. A
forma aberrante de fanatismo religioso pregada por Laden, porém, tem raízes bem
fincadas na história da religião muçulmana, constantemente marcada por esse desejo de
mergulhar na fonte original, de beber da palavra mais pura do Corão, de reviver um
passado mítico.

Período de decadência - Uma comparação que ajuda a entender a mentalidade


fundamentalista é com a Igreja Católica na fase em que se encontrava quando tinha a
mesma "idade" do Islã hoje. Naquela época, os padres da Santa Inquisição queimavam
pessoas que não acreditassem em dogmas católicos.

Torturavam e matavam suspeitos de crimes como bruxaria. Qualquer idéia inovadora


era condenada, mesmo que fosse uma idéia científica defendida por pesquisadores de
talento, como Galileu Galilei, que sofreu perseguição no século XVII por ter afirmado
que a Terra girava em torno do Sol. Os historiadores também coincidem ao apontar as
razões desse movimento de refluxo: em comparação com seu passado glorioso, os
países islâmicos vivem hoje um período de decadência. O Ocidente cristão, com o qual
conviveram e combateram ao longo dos séculos em pé de igualdade, às vezes até de
superioridade, superou-os vastamente em matéria de progresso material, científico,
administrativo e tecnológico. A primeira organização fundamentalista moderna, a
Fraternidade Muçulmana, foi criada em 1928 pelo xeque Hasan al-Banna num Egito
humilhado pelo colonialismo britânico. Também ganharam contornos de males a ser
combatidos as liberdades individuais, a emancipação das mulheres, as mudanças nos
padrões familiares e outras transformações que se sucederam nas sociedades ocidentais.

Chegamos, assim, àquilo que distingue o fundamentalismo em sua vertente mais


extremada: o recurso à violência como meio não só legítimo como obrigatório.
Ancorados em textos do Corão ou ensinamentos do profeta e seus seguidores,
evidentemente interpretados da maneira mais literal, os fundamentalistas aperfeiçoam
há séculos uma teoria da violência total. "Aqueles que ignoram tudo do Islã pretendem
que ele recomende não fazer a guerra. São insensatos. O Islã diz: 'Matem todos os
infiéis da mesma maneira que eles os matariam'", escreveu um dos aiatolás que
lançaram as bases da revolução fundamentalista que derrotou o regime do xá Reza
Pahlevi no Irã. O aiatolá complementa: "Aqueles que estudam a guerra santa islâmica
compreendem por que o Islã quer conquistar o mundo inteiro. Todos os países
subjugados pelo Islã receberão a marca da salvação eterna. Pois eles viverão sob a luz
da lei celestial". Quando Osama bin Laden diz que "matar americanos e seus aliados,
civis e militares, é um dever individual de todo muçulmano que tenha condições de
fazer isso, em qualquer lugar onde seja possível fazer isso", ele está seguindo
exatamente o mesmo raciocínio.

Fonte: veja.abril.com.br

ISLAMISMO

DEMOCRACIA PODERÁ PROSPERAR

POUCOS PODEM VOTAR: muçulmana na eleição presidencial argelina

Entre mais de meia centena de países com maioria muçulmana, apenas três nações
adotaram regimes com características democráticas: Turquia, Bangladesh e Indonésia.
Com exceção da Turquia, no entanto, nenhum governo islâmico seria reconhecido como
democrata pelos padrões ocidentais. Eles são governados por teocracias, monarquias
absolutas, ditaduras de partido único e presidentes perpétuos. Mesmo na Turquia a
situação é bastante diferente se comparada às democracias ocidentais. Na fundação do
país sobre as ruínas do Império Otomano, o Estado tornou-se laico na marra: foram
impostas roupas ocidentais, o uso do véu feminino em repartições e escolas públicas foi
proibido e o alfabeto árabe foi substituído pelo latino no prazo recorde de seis meses.
Os militares turcos trataram de impedir, desde então, que os fundamentalistas
chegassem ao poder - na única vez em que isso ocorreu, na década de 90, eles caíram
um ano depois de assumir o governo. O Estado supervisiona a educação religiosa,
nomeia os 80.000 clérigos do país e paga seus salários. Mesmo assim, o islamismo
continua forte. De cada dez turcos, nove fazem o jejum no mês do Ramadã e metade
reza cinco vezes por dia para Alá.

A esperança de democracia no Oriente Médio se assenta principalmente na


multiplicação dos muçulmanos moderados. Esses personagens não oferecem perigo ao
Ocidente. Eles são, no entanto, uma ameaça para os regimes totalitários da região - que
ganharam a tolerância do Ocidente por tanto tempo justamente por combaterem os
extremistas - na verdade, oprimindo qualque voz forte de oposição. Serão necessárias
centenas de milhares deles em dezenas de países para que a química explosiva da região
encontre um mínimo de equilíbrio. Para muitos analistas ocidentais, essa possibilidade
não passa de uma utopia. Mas todos concordam que a única barreira real de longo prazo
para deter o terrorismo religioso são os moderados islâmicos. A eficiência dos serviços
de contenção dos radicais prestados por regimes totalitários pró-ocidentais na região
está se exaurindo. Essa tendência deve acentuar-se com a presença dos Estados Unidos
no Iraque, na exata medida em que os americanos sejam bem-sucedidos na instalação de
um governo minimamente representativo no país que já foi de Saddam Hussein e seus
asseclas.

Maldição do petróleo

Se no mundo islâmico em geral a democracia é raridade, nos países árabes ela inexiste.
Segundo especialistas, a dificuldade de criar regimes democráticos em países árabes
decorre de fatores históricos e culturais, mas se agrava hoje em dia em razão de dois
aspectos. De um lado, existe um estado permanente de beligerância, pela vizinhança
com Israel, o que tende a concentrar o poder nas mãos de um líder ou de um grupo. O
constante clima de guerra, além disso, torna prioridade o fortalecimento do Exército, do
serviço de inteligência, da polícia secreta, da guarda nacional, instituições que também
servem para conter aspirações populares malvistas pelos dirigentes.

De outro lado, a comunidade árabe é dividida pela glória e pela desgraça do petróleo.
Quem tem senta-se sobre ele. Quem não tem usa sua influência junto aos países ricos
em petróleo para garantir investimentos e ajuda externa. Assim, tanto os com-petróleo
quanto os sem-petróleo, excessivamente amarrados à dependência de capital externo,
tendem a ignorar as demandas internas por maior participação política. "A principal
barreira à democracia no mundo árabe não é o islamismo ou a cultura árabe. É o
petróleo", diz o jornalista Fareed Zakaria, jornalista da revista Newsweek e professor da
Universidade Harvard. "Como bastava furar o chão para o dinheiro jorrar, não houve a
necessidade de criar uma economia capitalista moderna, que exige trabalho duro.
Costumo dizer que o petróleo é a maldição do mundo árabe. Pelo menos no que diz
respeito à modernização econômica e política. De todos os países com petróleo, apenas
um, a Noruega, é democrático."

Sinais de mudança

Na avaliação de outro importante especialista no assunto, o escritor Bernard Lewis, os


exemplos de democracia no mundo islâmico são "raros, mas não impossíveis". "É um
processo lento e difícil. Não podemos esquecer que generalizações são sempre
imprecisas. Quando discutimos o Islã, estamos falando de mais de catorze séculos de
história, mais de cinqüenta países, uma tradição cultural de uma diversidade enorme. O
Islã pode ser interpretado de várias formas", diz ele. É inegável que os sinais de
mudança estão aparecendo. Além dos casos do Iraque e do Afeganistão, em que os
americanos investem pesado para estimular a democracia, e do Irã, onde o rígido regime
islâmico não impediu uma onda de apoio popular às reformas democráticas, há vários
episódios animadores:

• Horas depois da queda da capital iraquiana, o presidente do Egito, Hosni Mubarak,


anunciou sua desistência de fazer o filho, Gamal, seu sucessor no poder. O Egito está
submetido a variações de estado de sítio desde 1931 e seus principais órgãos de
imprensa são estatais. Portanto, o gesto de Mubarak tem um peso.

• O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, anunciou em 2003 o
desencadeamento de um plano de "aprimoramento econômico e político" que, segundo
Alkebsi, prevê a eleição de um Parlamento. Monarquia religiosa, a Arábia Saudita é o
país formalmente mais alinhado com o Ocidente na região. Mas existem evidências
desconcertantes de que, nos bastidores, a dinastia saudita dá sustentação a grupos
terroristas. O aceno com a possibilidade de eleger um Parlamento é a melhor notícia
ventilada daquele lado do deserto há dezenas de anos.

• Em setembro de 2002, o Marrocos promoveu as primeiras eleições livres de sua


história. A ida às urnas foi fiscalizada por monitores internacionais. Um partido ligado
ao clero islâmico ganhou um bom número de cadeiras no Parlamento, e o governo
reconheceu oficialmente o resultado.

• Também no fim de 2002, o Barein, um pequeno país do Golfo com menos de 1 milhão
de habitantes, convocou eleições gerais em que, pela primeira vez, as mulheres também
puderam votar e se candidatar a cargos eletivos.

Do Iraque à Suíça

A empolgação sobre a possibilidade de espalhar a democracia pelo mundo islâmico


contagia os ocidentais, mas os próprios defensores da idéia de que vale a pena semear
democracia no deserto alertam para os perigos. O mais evidente deles é o fato de que
naturalmente os políticos com ligações com o clero islâmico serão, pelo menos no
primeiro momento, os mais populares. Há possibilidade também de que os radicais
sejam os mais votados e até que cheguem ao poder pelo voto. Na Argélia, em 1992, os
militares deram um golpe preventivo assim que as pesquisas não deixavam mais
dúvidas de que os fundamentalistas chegariam ao poder nas eleições gerais daquele ano.
O que fazer nesses casos?

Esse é um ponto crucial, pois, se os eleitores dos países árabes suspeitarem que a
democracia só vale quando forem eleitos políticos com simpatia pelo Ocidente, todo o
processo ficará desmoralizado. "Não esqueçamos que Adolf Hitler chegou ao poder na
Alemanha por meio de uma eleição. Se a democracia for introduzida de forma
prematura, é possível que tenha vida curta", afirma Bernard Lewis. "Uma eleição livre é
o fim de um processo de democratização, não o começo. A democracia é um remédio
forte que tem de ser tomado em doses pequenas e com cuidado. Não se pode importar a
democracia como quem compra um brinquedo com instruções no estilo monte você
mesmo. O Iraque não vai transformar-se numa Suíça da noite para o dia."

O islão, islã, islame ou islamismo é uma religião monoteísta que surgiu na Península
Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Muhammad
(Maomé) e numa escritura sagrada, o Alcorão.

Cerca de duzentos anos após o seu nascimento na Arábia, o islão já se tinha difundido
em todo o Médio Oriente, no Norte de África e na Península Ibérica, bem como na
direcção da antiga Pérsia e Índia. Mais tarde, o islão atingiu a Anatólia, os Balcãs e a
África subsariana. Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no
sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades
muçulmanas nestes territórios.

A mensagem do islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta
acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês
do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de
Meca.

O islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se
relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais,
financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e
temporal é, em teoria, alheia ao islão.

Etimologia

Mesquita Hassan II em Marrocos

Islão e islã são aportuguesamentos (segundo as normas, portuguesa e brasileira,


respectivamente) da palavra árabe Islam, que significa "submissão (voluntária e
incondicional à vontade de Deus)" e que é descrita em árabe como um "Deen", o que
significa "modo de vida" e/ou "religião". Possui uma relação etimológica com outras
palavras árabes como Salaam ou Shalam, que significam "paz".

Muçulmano, por sua vez, é aportuguesamento da palavra árabe Muslim, relacionada


com islam, que significa "vassalo" de Deus, e "aquele que se rendeu" ou se submeteu (a
Deus). Os muçulmanos vêem a homenagem a Deus como sinal de distinção, e o termo
não tem conotações negativas. Homenagear significa servir a vontade de Deus acima e
para além dos objectivos pessoais de cada um.

Em textos mais antigos, os muçulmanos eram conhecidos como "maometanos", mas


este termo tem vindo a cair em desuso porque implica, incorrectamente, que os
muçulmanos adoram Maomé (como, durante alguns séculos, por completo
desconhecimento, o Ocidente pensou), o que torna o termo ofensivo para muitos
muçulmanos. Durante a Idade Média e, por extensão, nas lendas e narrativas populares
cristãs, os muçulmanos eram também designados como Sarracenos e também por
Mouros (embora este último termo designasse mais concretamente os muçulmanos
naturais do Magrebe que se encontravam na Península Ibérica).

Islão com maiúscula refere-se ao conjunto dos países que seguem esta religião (a
jurisprudência islâmica utiliza neste caso a expressão Dar-al-Islam, "a Casa do Islão").

Crenças

O islão ensina seis crenças principais:

A crença em Allah, único Deus existente;


A crença nos Anjos, seres criados por Allah;
A crença nos Livros Sagrados, entre os quais se encontram a Torá, os Salmos e o
Evangelho. O Alcorão é o derradeiro e completo livro sagrado, constituindo a
colectânea dos ensinamentos revelados por Allah ao profeta Muhammad;
A crença em vários profetas enviados à Humanidade, dos quais Muhammad é o último;
A crença no dia do Julgamento Final, no qual as acções de cada pessoa serão avaliadas;
A crença na predestinação: Allah tudo sabe e possui o poder de decidir sobre o que
acontece a cada pessoa.

Deus

Allah em árabe

A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no monoteísmo. Deus é considerado


único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (excepto dois capítulos) começa com "Em
nome de Deus, o beneficente, o misericordioso". Uma das passagens do Alcorão
frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo
(sura) 59:

"Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, Que conhece o invisível e o visível. Ele é o
Clemente, o Misericordioso!

Ele é Deus e não há outro deus senão ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o
Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os
homens Lhe associam!

Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-
24).

Os Anjos
Os Anjos foram criados por Allah a partir da luz e desempenham diversos papéis, entre
os quais o anúncio da revelação divina aos profetas. Protegem e vigiam os seres
humanos, registrando todas as suas acções. Para além dos anjos, existem os jinnis,
espíritos que habitam o mundo dos homens e que podem influenciar os acontecimentos;
alguns deles são bons, outros maus. Um desses espíritos maus é Iblis (Satanás, por
vezes também retratado como um anjo), que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar
o mal.

Os Livros Sagrados

Os muçulmanos acreditam que Deus usou profetas para revelar escrituras aos homens.
A revelação dada a Moisés) foi a Taura (Torá), a David foram dados os Salmos e a
Jesus, o Evangelho. Deus foi revelando a sua mensagem em escrituras cada vez mais
abrangentes que culminaram com o Alcorão, o derradeiro livro revelado a Muhammad.

Os Profetas

O nome Muhammad em caligrafia árabe

O islão ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade através de profetas.
Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos
homens a vontade divina (anbiya; singular: nabi) e os que para além desta função lhes
foi entregue uma escritura revelada (rusul; singular: rasul, "mensageiro")

Cada profeta foi encarregue de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade


de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos a lista dos profetas inclui Adão,
Abraão (Ibrahim), Moisés (Musa), Jesus (Isa) e Muhammad, todos eles pertencentes a
uma sucessão de homens guiados por Deus. Muhammad é visto como o 'Último
Mensageiro', trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do
Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Muhammad
fundou o islamismo, ele não achou que estava fundando uma religião, mas sim levando
a velha fé no Deus único para os árabes, que nunca tiveram um profeta.

Estes indivíduos eram humanos mortais comuns; o islão exige que o crente aceite todos
os profetas, não fazendo distinção entre eles. No Alcorão é feita menção a vinte e cinco
profetas específicos. Os muçulmanos acreditam que Muhammad foi um homem leal,
como todos os profetas, e que os profetas são incapazes de acções erradas (ou mesmo
testemunhar acções erradas sem falar contra elas), por vontade de Allah.

O dia do Julgamento Final


Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o
momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus
pelas acções que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados
directamente para o Paraíso, enquanto que os pecadores devem permanecer algum
tempo no Inferno antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que
permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se
diziam muçulmanos mas de facto nunca o foram.

Segunda a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários
sinais, como o nascimento do sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento
de uma besta. De acordo com o Alcorão o mundo não acabará verdadeiramente, mas
sofrerá antes uma alteração profunda.

A predestinação

Os muçulmanos acreditam no qadar, uma palavra geralmente traduzida como


predestinação, mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade ou
qualidade". Uma vez que para o islão Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres
humanos, e sendo uma das suas características a onisciência, ele já sabia quando
procedeu à criação as características de cada elemento da sua obra teria. Assim sendo,
cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus. Esta crença não
implica a rejeição do livre arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a
faculdade da razão, pelo que pode escolher entre praticar acções positivas ou negativas.

Os cinco pilares do islão

A peregrinação (Hajj) a Meca é um dos "cinco pilares do islão"

Os cinco pilares do islão são cinco deveres básicos de cada muçulmano:

A recitação e aceitação do credo (Chahada ou Shahada);


Orar cinco vezes ao longo do dia (Salat ou Salah);
Pagar dádivas rituais (Zakat ou Zakah);
Observar o jejum no Ramadão (Saum ou Siyam)
Fazer a peregrinação a Meca (Hajj ou Haj)
Alguns grupos Kharijitas existentes na Idade Média consideravam a jihad como o
"sexto pilar do islão". Actualmente alguns grupos do Xiismo Ismailita entendem "A
fidelidade ao Imam" como sexto pilar do Islão.

A profissão de fé (Chahada)
A profissão de fé consiste numa frase - que deve ser dita com a máxima sinceridade -
através da qual cada muçulmano atesta que "não há outro deus senão Allah e
Muhammad é seu servo e mensageiro"; os muçulmanos xiitas têm por costume
acrescentar "e Ali ibn Abi Talib é amigo de Deus". Esta frase também é dita quando se
chama à oração (adhan). De acordo com a maioria das escolas islâmicas, para se
converter ao islão é necessário proclamar três vezes a chahada perante duas
testemunhas.

A oração (Salat)

A palavra salat deriva de salla que significa "santificar". Assim, o segundo pilar consiste
na santificação e glorificação de Deus através da prática da oração, que deve ser
efectuada cinco vezes por dia em períodos concretos. Esses períodos não correspondem
a horas, mas a etapas do curso do Sol.

A primeira oração deve ser realizada antes do sol nascer (fajr), a segunda ao meio-dia
(zuhr), a terceira no momento médio entre o meio-dia e o pôr-do-sol (asr), a quarta ao
pôr-do-sol (maghrib) e a última entre o pôr-do-sol e a meia-noite (isha).

A oração pode ser efectuada individual ou colectivamente em qualquer local, desde que
este esteja asseado. O crente deve também ter o seu corpo e as suas roupas limpas. A
oração é precedida de abluções, wudu, que consistem em lavar as mãos, os antebraços, a
boca, as narinas, a cara, em passar água pelas orelhas, pela nuca, pelo cabelo e pelos
pés. Se um muçulmano se encontrar numa área sem água ou numa área onde o uso da
água não é aconselhável (porque poderia causar uma doença), pode substituir as
abluções pelo uso simbólico de areia ou terra (tayammum).

A oração abre-se com a orientação do crente na direcção de Meca (qibla).

A contribuição de purificação (Zakat)

O islão estabelece que cada muçulmano deve pagar anualmente uma certa quantia,
calculada a partir dos seus rendimentos, que será distribuída pelos pobres ou por outros
beneficiários definidos pelo Alcorão (prisioneiros, viajantes, endividados...). Esta
contribuição é encarada como uma forma de purificação e de culto. A quantia
corresponde a 2,5% do valor dos bens em dinheiro, ouro e prata, mas o valor pode
variar se se tratar, por exemplo, de produtos agrícolas (neste caso a contribuição pode
chegar a 10% da colheita agrícola).

Quem tiver possibilidades pode ainda contribuir, de forma voluntária, com outras
doações (sadaqa), mas é importante que o faça em segredo e sem ser movido pela
vaidade. O anúncio destas doações somente poderá ser feito se isto contribuir para que
outras pessoas sejam motivadas a fazer o mesmo (caso de personalidades e pessoas
proeminentes da sociedade), e este ato deve ser sincero, mesmo que em público.

O jejum no Mês do Ramadão (Saum)

Durante o Ramadão (o nono mês do calendário islâmico) cada muçulmano adulto deve
abster-se de alimento, de bebida, de fumar e de ter relações sexuais desde o nascer até
ao pôr-do-sol. Os doentes, os idosos, os viajantes, as grávidas ou as mulheres lactantes
estão dispensados do jejum. Em compensação estas pessoas devem alimentar um pobre
por cada dia que faltaram ao jejum ou então realizá-lo noutra altura do ano. O jejum é
interpretado como uma forma de purificação, de aprendizagem do auto-controlo e de
desenvolvimento da empatia por aqueles que passam fome ou outras necessidades. O
mês de Ramadão termina com o festival de Eid ul-Fitr, durante o qual os muçulmanos
agradecem a Deus a força que lhes foi concedida para levar a cabo o jejum. As casas são
decoradas e é hábito visitar os familiares. Este festival serve também para o perdão e a
reconciliação entre pessoas desavindas.

A peregrinação (Hajj)

Este pilar consiste na peregrinação a Meca, obrigatória pelo menos uma vez na vida
para todos os que gozem de saúde e disponham de meios financeiros. Ocorre durante o
décimo segundo mês do calendário islâmico.

Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca,
para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes.

Durante toda a peregrinação não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de
praticarem sete voltas em torno da Kaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de
Safa e Marwa. Na última parte do Hajj os muçulmanos devem passar uma tarde na
planície de Arafat, onde Muhammad disse o seu "Último Sermão". Os rituais chegam ao
fim com o sacrifício de carneiros e bodes.

O Alcorão

A primeira sura do Alcorão, intitulada Al-Fatiha ("A Abertura")

Os ensinamentos de Allah (a palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão


(Qur'an, "recitação"). Os muçulmanos acreditam que Muhammad recebeu estes
ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel (Jibreel) através de revelações
que ocorreram entre 610 e 632. Muhammad recitou estas revelações aos seus
companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que
tinham à disposição (omoplatas de camelo, folhas de palmeira, pedras...).

As revelações a Muhammad foram mais tarde reunidas em forma de livro. Considera-se


que a estruturação do Alcorão como livro ocorreu entre 650 e 656 durante o califado de
Otman.

O Alcorão está estruturado em 114 capítulos chamados suras. Cada sura está por sua
vez subdividida em versículos chamados ayat. Os capítulos possuem tamanho desigual
(o mais pequeno possui apenas 3 versículos e os mais longo 286 versículos) e a sua
disposição não reflecte a ordem da revelação. Considera-se que 92 capítulos foram
revelados em Meca e 22 em Medina. As suras são identificadas por um nome, que é em
geral uma palavra distintiva surgida no começo do capítulo (A Vaca, A Abelha, O
Figo...).

Uma vez que os muçulmanos acreditam que Muhammad foi o último de uma longa
linha de profetas, eles tomam a sua mensagem como um depósito sagrado, e tomam
muito cuidado assegurando que a mensagem tenha sido recolhida e transmitida de uma
maneira a não trair esse legado. Esta é a principal razão pela qual as traduções do
Alcorão para as línguas vernáculas são desencorajadas, preferindo-se ler e recitar o
Alcorão em árabe. Muitos muçulmanos memorizam uma porção do Alcorão na sua
língua original; aqueles que memorizaram o Alcorão por inteiro são conhecidos como
hafiz (literalmente "guardião").

A mensagem principal do Alcorão é a da existência de um único Deus, que deve ser


adorado. Contém também exortações éticas e morais, histórias relacionadas com os
profetas anteriores a Muhammad (que foram rejeitados pelos povos aos quais foram
enviados), avisos sobre a chegada do Dia do Juízo Final, bem como regras relacionadas
com aspectos da vida diária como o casamento e o divórcio.

Além do Alcorão, as crenças e práticas do islão baseiam-se na literatura Hadith, que


para os muçulmanos clarifica e explica os ensinamentos do profeta.

Autoridade religiosa

Não há uma autoridade oficial que decide se uma pessoa é aceite ou excluída da
comunidade de crentes. O islão é aberto a todos, independentemente de raça, idade,
género, ou crenças prévias. É suficiente acreditar na doutrina central do islão, acto
formalizado pela recitação da chahada, o enunciado de crença do islão, sem o qual uma
pessoa não pode ser considerada um muçulmano.

Embora não exista no islão uma estrutura clerical semelhante à existente nas
denominações cristãs, existe contudo um grupo de pessoas reconhecidas pelo seu
conhecimento da religião e da lei islâmica, denominadas ulemás. Os homens que se
destacam pelo seu grande conhecimento da lei islâmica podem receber o título de mufti,
sendo responsáveis pela emissão de pareceres sobre determinada questão da lei
islâmica; em teoria estes pareceres (fatwas) só devem ser seguidos pela pessoa que os
solicitou.
Ramos do Islão

Há várias denominações no islão, cada uma com diferenças ao nível legal e teológico.
Os maiores ramos são o Islão Sunita e o Islão Xiita.

O profeta Muhammad faleceu em 632 sem deixar claro quem deveria ser o seu sucessor
na liderança da comunidade muçulmana (a Umma). Abu Bakr, um dos primeiros
convertidos ao islão e companheiro do profeta, foi eleito como califa ("representante"),
função que desempenhou durante dois anos. Depois da sua morte a liderança coube
durante dez anos a Omar e logo de seguida a Otman durante doze anos.

Quando Otman faleceu ocorreu uma disputa em torno de quem deveria ser o novo
califa. Para alguns essa honra deveria recair sobre Ali, primo de Muhammad que era
também casado com a sua filha Fátima. Para outros, o califa deveria ser o primo de
Otman, Muawiyah. Quando Ali é eleito califa em 656 Muawiyah contesta a sua eleição,
o que origina uma guerra civil entre os partidários das duas facções. Ali acabaria por ser
assassinado em 661 e Muawiyah conquista o poder para si e para a sua família,
fundando a dinastia dos Omíadas. Contudo, o conflito entre os dois campos continua e
em 680 Hussein, filho de Ali, é massacrado pelas tropas de Yazid, filho de Muawiyah.

Estas lutas estão na origem dos dois principais ramos em que actualmente se divide o
islão. Os partidários de Ali (shiat ali, ou seja, xiitas) acreditam que os três primeiros
califas foram usurpadores que retiraram a Ali o seu direito legítimo à liderança. Esta
crença é justificada em "hadiths" interpretados como reveladores de que quando
Muhammad se encontrava ausente ele nomeava Ali como líder momentâneo da
comunidade.

O Islão Sunita compreende actualmente cerca de 90% de todos os muçulmanos. Divide-


se em quatro escolas de jurisprudência (madhabs), que interpretam a lei islâmica de
forma diferente. Essas escolas tomam o nome dos seus fundadores: maliquita (forte
presença no Norte de África), shafiita (presente no Médio Oriente, Indonésia, Malásia,
Filipinas), hanefita (presente na Ásia Central e do Sul, Turquia) e hanbalita (dominante
na Arábia Saudita e Qatar).

O muçulmanos xiitas acreditam que o líder da comunidade muçulmana - o imã - deve


ser um descendente de Ali e de sua esposa Fátima.

O Islão Xiita pode por sua vez ser subdividido em três ramos principais, de acordo com
o número de imãs que reconhecem: xiitas duodecimanos, ismailitas e zaiditas. Todos
estes grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros imãs.
Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de
Hussein, Muhammad al-Baquir, era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o
irmão de al-Baquir, Zayd bin Ali (zaiditas).

Os xiitas que não reconheceram Zayd como imã permaneceram unidos durante algum
tempo. O sexto imã, Jafar al-Sadiq (702-765), foi um grande erudito que é tido em
consideração pelos teólogos sunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o
nome de jafarita por sua causa.
Após a morte de Jafar al-Sadiq ocorreu uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã
o filho mais velho de al-Sadiq, Ismail bin Jafar (m. 765), enquanto que para outros o
imã era o filho mais novo, Musa al-Kazim (m. 799). Este último grupo continuou a
seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo, Muhammad al-Mahdi (falecido, ou
de acordo com a visão religiosa, desaparecido em 874 para retornar no fim do mundo).
Os primeiros ficaram conhecidos como ismailitas, enquanto que os que seguiram uma
cadeia de doze imãs ficaram conhecidos como os xiitas duodecimanos; o termo "xiita" é
geralmente usado hoje em dia como um sinónimo dos xiitas duodecimanos, que são
maioritários no Irão.

Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filho Muhammad ibn Ismael como seu sucessor,
tendo a linha sucessória dos imãs continuado com ele e os seus descendentes. O
ismailismo dividiu-se por sua vez em vários grupos.

Outra denominação que tem origem nos tempos históricos do islão é a dos Kharijitas.
Historicamente, consideravam que qualquer homem, independentemente da sua origem
familiar, poderia ser líder da comunidade islâmica, opondo-se às polémicas de sucessão
entre sunitas e xiitas. Os membros deste grupo hoje são mais comumente conhecidos
como muçulmanos ibaditas. Um grande número de muçulmanos ibaditas vive hoje em
Omã.

Mesquita do Profeta em Medina, onde se encontra o túmulo de Muhammad

Ramos do Islão

Há várias denominações no islão, cada uma com diferenças ao nível legal e teológico.
Os maiores ramos são o Islão Sunita e o Islão Xiita.

O profeta Muhammad faleceu em 632 sem deixar claro quem deveria ser o seu sucessor
na liderança da comunidade muçulmana (a Umma). Abu Bakr, um dos primeiros
convertidos ao islão e companheiro do profeta, foi eleito como califa ("representante"),
função que desempenhou durante dois anos. Depois da sua morte a liderança coube
durante dez anos a Omar e logo de seguida a Otman durante doze anos.

Quando Otman faleceu ocorreu uma disputa em torno de quem deveria ser o novo
califa. Para alguns essa honra deveria recair sobre Ali, primo de Muhammad que era
também casado com a sua filha Fátima. Para outros, o califa deveria ser o primo de
Otman, Muawiyah. Quando Ali é eleito califa em 656 Muawiyah contesta a sua eleição,
o que origina uma guerra civil entre os partidários das duas facções. Ali acabaria por ser
assassinado em 661 e Muawiyah conquista o poder para si e para a sua família,
fundando a dinastia dos Omíadas. Contudo, o conflito entre os dois campos continua e
em 680 Hussein, filho de Ali, é massacrado pelas tropas de Yazid, filho de Muawiyah.

Estas lutas estão na origem dos dois principais ramos em que actualmente se divide o
islão. Os partidários de Ali (shiat ali, ou seja, xiitas) acreditam que os três primeiros
califas foram usurpadores que retiraram a Ali o seu direito legítimo à liderança. Esta
crença é justificada em "hadiths" interpretados como reveladores de que quando
Muhammad se encontrava ausente ele nomeava Ali como líder momentâneo da
comunidade.

O Islão Sunita compreende actualmente cerca de 90% de todos os muçulmanos. Divide-


se em quatro escolas de jurisprudência (madhabs), que interpretam a lei islâmica de
forma diferente. Essas escolas tomam o nome dos seus fundadores: maliquita (forte
presença no Norte de África), shafiita (presente no Médio Oriente, Indonésia, Malásia,
Filipinas), hanefita (presente na Ásia Central e do Sul, Turquia) e hanbalita (dominante
na Arábia Saudita e Qatar).

O muçulmanos xiitas acreditam que o líder da comunidade muçulmana - o imã - deve


ser um descendente de Ali e de sua esposa Fátima.

O Islão Xiita pode por sua vez ser subdividido em três ramos principais, de acordo com
o número de imãs que reconhecem: xiitas duodecimanos, ismailitas e zaiditas. Todos
estes grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros imãs.
Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de
Hussein, Muhammad al-Baquir, era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o
irmão de al-Baquir, Zayd bin Ali (zaiditas).

Os xiitas que não reconheceram Zayd como imã permaneceram unidos durante algum
tempo. O sexto imã, Jafar al-Sadiq (702-765), foi um grande erudito que é tido em
consideração pelos teólogos sunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o
nome de jafarita por sua causa.

Após a morte de Jafar al-Sadiq ocorreu uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã
o filho mais velho de al-Sadiq, Ismail bin Jafar (m. 765), enquanto que para outros o
imã era o filho mais novo, Musa al-Kazim (m. 799). Este último grupo continuou a
seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo, Muhammad al-Mahdi (falecido, ou
de acordo com a visão religiosa, desaparecido em 874 para retornar no fim do mundo).
Os primeiros ficaram conhecidos como ismailitas, enquanto que os que seguiram uma
cadeia de doze imãs ficaram conhecidos como os xiitas duodecimanos; o termo "xiita" é
geralmente usado hoje em dia como um sinónimo dos xiitas duodecimanos, que são
maioritários no Irão.

Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filho Muhammad ibn Ismael como seu sucessor,
tendo a linha sucessória dos imãs continuado com ele e os seus descendentes. O
ismailismo dividiu-se por sua vez em vários grupos.

Outra denominação que tem origem nos tempos históricos do islão é a dos Kharijitas.
Historicamente, consideravam que qualquer homem, independentemente da sua origem
familiar, poderia ser líder da comunidade islâmica, opondo-se às polémicas de sucessão
entre sunitas e xiitas. Os membros deste grupo hoje são mais comumente conhecidos
como muçulmanos ibaditas. Um grande número de muçulmanos ibaditas vive hoje em
Omã.

Movimentos recentes

Um movimento recente no Islão Sunita é o dos Wahhabis, assim denominados por


pessoas exteriores ao grupo (os Wahhabis preferem ser conhecidos como Salafis). O
Wahhabismo é um movimento fundado por Muhammad ibn Abd al Wahhab no século
XVIII, naquilo que hoje é a Arábia Saudita. Os Wahhabis consideram-se sunitas e
alguns afirmam seguir a escola hanbalita. O Wahhabismo é hoje a religião oficial da
Arábia Saudita; tem uma grande influência no mundo islâmico pelo facto do governo
saudita financiar muitas mesquitas e escolas muçulmanas existentes em outros países.

Misticismo islâmico

Por vezes visto como um ramo separado do islão, o sufismo é antes uma forma de
misticismo que pretende alcançar um contacto directo com Deus através de uma série de
práticas que geralmente incluem o ascetismo e a meditação. A maioria dos sufis podem
ser facilmente considerados sunitas ou xiitas. O sufismo pretende lidar com aspectos
como a sinceridade da fé e a luta contra o próprio ego. Outras pessoas podem chamar-se
sufis quando na realidade deixaram o islão (ou nunca o seguiram).

O sufismo foi por vezes entendido pelas autoridades ortodoxas muçulmanas como uma
ameaça, tendo sido alvo de perseguições. Desde o século XIII, os sufis organizam-se em
ordens (tariqas) que seguem os métodos de um determinado mestre.

Festas muçulmanas

O calendário islâmico (também denominado calendário hegírico em função da sua


origem remontar à Hégira ou migração dos primeiros muçulmanos de Meca para
Medina em 622 d.C.) segue o ano lunar, que é cerca de onze dias mais curto que o solar.
Consequentemente, as festas muçulmanas acabam por circular por todas as estações de
ano.

As duas festas canónicas do islão são o Eid ul-Fitr, que celebra o fim do jejum do
Ramadão, e o Eid ul-Adha que marca o fim da peregrinação a Meca (Hajj).

O dia 10 do mês de Muharram (o primeiro mês do calendário islâmico) é um dia de


particular importância para os muçulmanos xiitas. Neste dia comemora-se o martírio do
terceiro imã xiita, Hussein, morto em Karbala em 680 por aqueles que os xiitas
consideram usurpadores da liderança da comunidade muçulmana. No início deste mês
as pessoas envolvem-se em actividades como ouvir contadores de histórias relatar o
martírio de Hussein ou assistir a peças de teatro que pretendem reconstituir os
acontecimentos. O dia é marcado com procissões, que incluem actos de auto-flagelação
como bater no peito ou cortar-se com uma lâmina (os membros do clero xiita
desencorajam estas práticas).
Outras festas populares incluem o Mawlid, que celebra o aniversário de Muhammad (12
do mês de Rabi al-Awwal), a Noite da Ascensão (Laylat al-Micraj, no dia 27 de Rajab),
quando se recorda o dia em que Muhammad subiu ao céu para dialogar com Deus e a
Noite do Poder (Laylat al-Qadr, na noite do 26 para 27 do mês do Ramadão), que marca
o aniversário da primeira revelação do Alcorão e durante a qual muitos muçulmanos
acreditam que Deus decide o que acontecerá durante o ano.

Lugares sagrados

A Kaaba ("O Cubo"), um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca (Al
Masjid Al-Haram) na Arábia Saudita, é o local mais sagrado do islão. De acordo com o
Alcorão, ela foi construída por Abraão (Ibrahim) para que todas as pessoas fossem ali
celebrar os ritos da Hajj. No tempo do profeta Muhammad o monoteísmo instituído por
Abraão tinha sido corrompido pelo politeísmo e pela idolatria. Segundo o islão,
Muhammad não procurou fundar uma nova religião, mas antes restabelecer o culto
monoteísta que existia no passado. Uma vez que o islão se identifica com a tradição
religiosa do patriarca Abraão é por isso classificado como uma religião abraâmica. O
islã não nega diretamente o judaísmo e o cristianismo, pelo contrário considera uma
versão antiga e perdida dessas religiões monoteístas como parte da sua herança; as suas
versões atuais teriam sido alteradas, o próprio islã considerando-se uma restauração da
verdade divina.

O segundo local sagrado do islão é Medina, cidade para a qual Muhammad e os


primeiros muçulmanos fugiram (num movimento conhecido como Hégira), e onde se
encontra o seu túmulo.

A cidade de Jerusalém é o terceiro local sagrado do islão. Este estatuto advém da sua
associação aos profetas anteriores a Muhammad e sobretudo pelo facto dos muçulmanos
acreditarem que Muhammad viajou para este local durante a noite, cavalgando um ser
denominado Buraq, numa viagem conhecida como Isra. Uma vez em Jerusalém ele terá
ascendido ao céu (Mi’raj), onde dialogou com Deus e outros profetas, entre os quais
Moisés. No local de Jerusalém onde se acredita que Muhammad subiu ao céu foi
construída a Cúpula da Rocha em cerca de 690.

Os muçulmanos xiitas consideram ainda como sagradas as cidades de Karbala e Najaf,


ambas no Iraque. Na primeira ocorreu o martírio de Hussein (filho de Ali e neto de
Muhammad) e dos seus companheiros quando este contestava o califado omíada. No
Irão, devem também ser salientadas duas cidades sagradas para os xiitas, Mashhad e
Qom.

Lei islâmica (Charia)

A lei islâmica chama-se charia. O Alcorão é a mais importante fonte da jurisprudência


islâmica, sendo a segunda a Suna ou exemplos do profeta. A Suna é conhecida graças
aos hadiths, que são narrações acerca da vida do profeta ou o que ele aprovava, que
chegaram até nós graças a uma cadeia de transmissão oral a partir dos Companheiros de
Muhammad. A terceira fonte de jurisprudência é o itijihad ("raciocínio individual"), à
qual se recorre quando não há resposta clara no Alcorão ou na Suna sobre um dado
tema. Neste caso o jurista pode raciocionar por analogia (qiyas) para encontrar a
solução.
A quarta e última fonte de jurisprudência é consenso da comunidade (ijma). Algumas
práticas chamadas Charia têm também algumas raizes nos costumes locais (Al-urf).

A jurisprudência islâmica chama-se fiqh e está dividida em duas partes: o estudo das
fontes e metodologia (usul al-fiqh, raízes da lei) e as regras práticas (furu' al-fiqh, ramos
da lei).

O islão no mundo contemporâneo

O islão é a religião com maior número de crentes a seguir ao cristianismo, segundo o


CIA World Factbook de 2005 [1]. De acordo com o World Network of Religious
Futurists [2] e o U.S. Center for World Mission [3], o islão está crescendo mais
rapidamente em número de fiéis do que qualquer outra religião.

O islão reúne hoje entre 1 bilhão a 1,3 bilhão de crentes (Adherents.com). Apenas 18%
dos muçulmanos vive no mundo árabe, um quinto encontra-se espalhado pela África
subsariana, cerca de 30% vive no Paquistão, Índia e Bangladesh, e a maior comunidade
nacional encontra-se na Indonésia. Há significantes populações islâmicas na China, Ásia
Central, e Rússia.

A Áustria foi o primeiro país europeu a reconhecer o islão como uma religião oficial
(1912), enquanto que a França tem actualmente a população mais elevada de
muçulmanos da Europa Ocidental (entre 5 a 10%).

Em Portugal existe igualmente uma comunidade muçulmana, que nada tem a ver com
os muçulmanos que viveram em Portugal durante a Idade Média. São na sua maioria
naturais das antigas colónias portuguesas de Moçambique e Guiné-Bissau, que se
fixaram em Portugal após a independência desses territórios. O Islão Xiita Ismailita
também está presente em Portugal, tendo a sua sede no Centro Ismaili de Lisboa,
construído pela Fundação Aga Khan. Estima-se que o número de muçulmanos em
Portugal ronde os 30 mil.

Segundo o censo de 2000, o Brasil regista 27239 muçulmanos [4]. Porém, para a
Federação Islâmica Brasileira o número de muçulmanos no Brasil ronda os 1,5 milhões.
A maioria dos muçulmanos brasileiros vive nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná,
mas também existem comunidades significativas no Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Grande parte destes muçulmanos são descendentes de emigrantes sírios e libaneses que
se fixaram no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial[5].

Na Guiné-Bissau o islão penetrou na Idade Média, tendo as ordens sufistas


desempenhado um importante papel na sua difusão. Reúne hoje cerca de 45% da
população. Outro país africano de língua oficial portuguesa com um número
significativo de muçulmanos é Moçambique (17,8%).

O islão contemporâneo é dominado pelo tradicionalismo, preocupado com a


manutenção de rituais e práticas antigas, como o uso do véu pelas mulheres. Existem
ainda correntes reformadoras que pretendem conciliar o islão com aspectos da
modernidade, que são principalmente activas nos Estados Unidos da América. À
semelhança do que acontece no judaísmo e no cristianismo, o islão é também marcado
pela existência de movimentos ditos integristas ou fundamentalistas.
As tradições islâmicas baseiam-se no Alcorão, nos ditos do profeta (hadith) e nas
interpretações destas fontes pelos teólogos. Ao longo dos últimos séculos, tem-se
verificado uma tendência para o conservadorismo, com interpretações novas vistas
como indesejáveis.

A charia antiga tinha um carácter muito mais flexível do que aquele hoje associado com
a jurisprudência islâmica (fiqh), e muitos académicos muçulmanos islâmicos acreditam
que ela deva ser renovada, e que os juristas clássicos deveriam perder o seu estatuto
especial. Isto implica a necessidade de formular uma nova fiqh que seja praticável no
mundo moderno, como proposto pelos defensores da islamização do conhecimento, e
iria lidar com o contexto moderno. Este movimento não pretende alterar os pontos
fundamentais do islão mas sim evitar más interpretações e libertar o caminho para a
renovação do prévio estatuto do mundo islâmico como um centro de pensamento
moderno e de liberdade.

Perspectiva islâmica de outras religiões

O islão reconhece elementos de verdade no judaísmo e no cristianismo. Todos os


profetas do judaísmo são reconhecidos também como profetas no islão, assim como
Jesus Cristo, que de acordo com a perspectiva muçulmana teria anunciado a vinda de
Muhammad. Para os seguidores destas duas crenças o Alcorão reservou a noção de
"Povos do Livro" (Ahl al-Kitab), estabelecendo que devem ser tolerados devido ao facto
de possuirem escrituras sagradas. À medida que os muçulmanos tomaram contacto com
outras religiões detentoras de revelações escritas, acabaram em alguns casos por
conceder-lhes também esse estatuto (caso do zoroastrismo).

Porém, se o islão reconhece o papel preparatório do judaísmo e do cristianismo,


considera igualmente que os seguidores destas religiões acabaram por seguir caminhos
errados. Os judeus procederam mal ao adorarem o bezerro de ouro, tendo se tornado
idólatras, enquanto que os cristãos erraram ao considerar Jesus filho de Deus e a
defender doutrinas como a da Trindade

Geograficamente, o Islamismo, religião fundada pelo profeta Maomé, é uma fé que


predomina nos países do sol, aclimatizando-se melhor na longa faixa de terra que,
partindo das praias africanas do Atlântico, segue para o Leste pela borda meridional do
mar Mediterrâneo, inclinando-se depois em direção à Mesopotâmia, passando pela
Península Arábica, alcançando o noroeste da Índia. Dali chega, pelo Oceano Índico, até
as ilhas tropicais da Indonésia e das Filipinas. Outro dos seus longos braços avançou
célere para a Ásia Central, afastando os ritos fetichistas e pagãos, realizando conversões
em massa. Nos seus 1400 anos de existência, o islamismo conseguiu a façanha de
converter 1/5 da humanidade a sua fé. Trata-se de uma religião que abriga todas as raças
e todas as línguas. Talvez, exatamente por esse seu ecumenismo, por essa tentativa de
abraçar o mundo inteiro, é que ela terminou por conflitar-se com o cristianismo, que
também nasceu no mesmo espaço geográfico e igualmente abriga o desejo de salvar e
converter todos a fé de Cristo.

Maomé

Ao contrário de tantos outros profetas, que só conseguiram sedimentar sua mensagem


por meio de apóstolos, muito tempo depois da morte, Maomé viu ainda em vida sua
obra ser consagrada. Em 630, depois de vinte anos de pregação, ele entrou em Meca
como um vitorioso.

O cenário histórico

A região da Arábia na época de Maomé, isto é entre os séculos VI e VII, pertencia a


periferia do Império Romano do Oriente (Bizantino), também considerada área de
interesse marginal pela outra potência daquela época, o Império Persa ( Sassânida).

A Arábia por sua vez, uma península de mais de 3 milhões de km2, nada mais era do
que um imenso deserto, habitado aqui e ali por pequenas tribos beduínas que, com suas
caravanas de camelos, cortavam suas areias, dunas e montanhas, em todos as direções
daquele mundo desolado. Elas viviam em intermináveis conflitos, travando guerras
entre si, ou pela posse dos oásis ou para vingar um saque a que foram submetidas. Cada
uma das tribos tinha um culto em torno dos seus ídolos particulares. Maomé,
importando o monoteísmo de suas viagens, também trouxe na bagagem a idéia de um
império da lei e da ordem. O resultado disso foi o Islã, a fusão de um mística religiosa
baseada num deus único, omnisciente e omnipresente, com um estado de lei e ordem
comum a todos habitantes do deserto. O seu objetivo era estabelecer a paz entre eles,
sendo que o sentimento de fraternidade islâmica deveria superar os códigos limitados
dos clãs e das tribos, convertendo-as numa Umma, isto é a imensa comunidade dos
crentes em Alá.

Maomé na gruta do Monte Hira junto aos primeiros fiéis

Os preceitos da nova fé

O Islamismo é uma religião que chama a atenção por sua absoluta simplicidade.

Talvez por ter nascido no deserto e não ter encontrado de imediato nenhum império
poderoso que o acolhesse, como ocorreu com o cristianismo em Roma (tornado religião
oficial em 390) e com o zoroastrismo no Reino da Pérsia, o Profeta dispensou os
aparamentos litúrgicos mais rebuscados, bem como um cerimonial solene e pomposo,
tão comuns às outras religiões. Se bem que aceita a existência de alguns mensageiros
divinos, não há santos nem outros intermediários significativos entre o muçulmano
(aquele que se submete a Deus, o crente) e o Único (Alá). O fiel comunica-se
diretamente com o Todo-Poderoso, perante quem todos são iguais, sem distinção de
qualquer espécie. Frente a Alá, não há ricos nem pobres, nem nobres nem parias. Na sua
época, o islamismo foi o mais poderoso instrumento de igualitarismo entre os homens,
pois a pregação da caridade e da fraternidade tornou-se uma ponte que ligava os
extremos sociais e aplainava os preconceitos contra os pobres.

Interior da Mesquita de Córdoba, Espanha

Obrigações do crente

Maomé nunca se viu como divino, dotado com uma outra natureza que não fosse a
humana. O Corão, livro sagrado do islamismo, composto de suras (capítulos) e
versículos, foi-lhe inspirado por Alá, não se trata de um testemunho como os
Evangelhos cristãos, mas sim as lições do próprio Único as quais o fiel deve recitar.
Maomé considerava-se o derradeiro profeta de uma linhagem que começara com
Moisés (que trouxe a Torá), passara por Davi (que escrevera os Salmos), Jesus (que
aparece nos Evangelhos) e ele, Maomé, autor do Corão. Justamente por isso, por ele ser
o último dos profetas históricos, ele os superou. A adesão do crente ao Islã verifica-se
pela obediência e o comprometimento com o que denominou-se os cinco pilares do
muçulmanismo:

1) a declaração de fé em Alá (shahada);


2) a oração diária (salat);
3) a peregrinação à Meca (hajj ou Hégira);
4) a prática do jejum religioso (no mês do Ramadã);
5) e, finalmente, o compromisso com a caridade (em forma do dízimo, o zakat). Alguns
supõem que também faz parte das obrigações, entrando como o 6º pilar, a adesão à
jihad, a guerra santa na defesa do Islã.

Interior da mesquita

A mesquita e a prece
Tal como o judaísmo ensejou a sinagoga e o cristianismo a igreja, o islamismo também
criou o seu próprio templo: a mesquita (do árabe mosqe, derivada de masjid, lugar onde
se prostra). A primeira delas foi fundada por Maomé em pessoa, na época em que esteve
exilado na cidade de Medina. No chão dela encontram-se espalhados, em linha, os
tapetes sobre os quais os fiéis fazem a prostração e rezam as orações, sempre voltados
em direção ao mihrab, um nicho fixado na parede que indica a direção de Meca.

É obrigatório aos que a freqüentam, retirar o calçado em sinal de respeito como um


gesto de purificação (deixa-se a poeira da rua na entrada). As preces são presididas por
um imã, do alto de um minbar (púlpito), que também é o responsável pelo khutbah (o
sermão), não havendo porém um corpo oficial de sacerdotes responsáveis pela liturgia.
Na mesquita não devem existir reproduções de figuras humanas ou animais, pois esta
foi um proibição expressa pelo Profeta. Em compensação ela pode ser decorada com
passagens do Corão, escritas em bela caligrafia, ou ainda profusamente decorada com
arabescos. Para chamara o povo às preces, instalou-se no alto dos minaretes que cercam
a mesquita, o muezim, que lá de cima avisa, com voz forte e ondulada, a hora da salaah
(oração) que se divide ao longo do dia em cinco momentos: a fajr (ao amanhecer); a
zuhr (ao meio-dia); a asr (durante a tarde); magrib (ao entardecer); e a ishha (à noite).
Em cada uma delas a recitação é:

Allaabu Akbar (recitar 4 vezes: "Alá é o maior").


Ash'hadu an laa ilaaha illallaah (recitar 2 vezes: "Sou testemunha de que não há nada
senão Alá")
Ash'hadu anna Muhammadar-rasulullaah ("Sou testemunha de que Maomé é o
mensageiro de Alá").
Haya 'alas-salaah ( recitar 2 vezes: "Venham rezar").
Ilaya 'alal falaah (recitar 2 vezes: "Venham para Deus").
Allaaku Akbar (recitar 2 vezes: "Alá é o maior").
Laa ilaaha illallaah ( e uma vez: "Não há nenhum Deus senão Alá").

O Corão, livro sagrado do Islã

O Qu´ram (O Corão), livro sagrado dos muçulmanos, é um conjunto notável de


ensinamentos de Alá transmitidos ao profeta Maomé ao longo da sua existência.

Supõe-se que a maioria das 114 suras (capítulos), de que ele é composto, foram-lhe
inspirados em Medina e Meca, sendo imediatamente registradas, copiadas e recitadas,
pelos seus seguidores, entre os anos de 610, ano da conversão de Maomé, até a morte
dele em 632. Provavelmente outras passagens foram-lhe acrescentadas até o ano de 650.
Como a linguagem de Alá nem sempre é facilmente entendida, suas alusões foram
motivo do surgimento de uma ciência de interpretação, feita pelos doutores corânicos,
os teólogos islâmicos. O Corão é um imenso tratado moral e ético que serve para
orientar o crente a encontrar o bom caminho, tentando fazer com que os homens
reprimam os seus instintos piores, que resistam à maldade e à perversão, encontrando
consolo e apoio nas palavras enviadas do além diretamente por Alá. Escrito em árabe, a
língua preferida pelo Todo-Poderoso, as cópias do Corão vão estimular várias escolas
de caligrafia, cada uma delas procurando esmerar-se em tornar o texto uma obra de arte.
Por organizar-se ao redor de um só livro é que o islamismo terminou por considerar os
outros "Povos do livro", como os judeus e os cristãos, como aparentados ao
maometanismo, todos filhos de Abraão.
Mesquita de al-Hakim, no Cairo

Estrutura religiosa e civil


Os fiéis ao redor da Caaba em Meca

A sucessão do Profeta

Quando Maomé morreu em Meca, em 632, provavelmente aos 62 anos de idade, ele não
deixara nenhuma determinação quanto a sua sucessão. Seus herdeiros, Abu Bekr e
Omar, pertenciam ao seu círculo familiar, e decidiram-se autodenominar-se de califas
(os sucessores), acumulando funções religiosas e seculares, sem porém ter a pretensão
de acrescentar seja o que for à palavra e à obra do Profeta, preocupando-se mais em
preservar e em difundir seus ensinamentos.

A não existência de um corpo sacerdotal separado do estado, não gerou no mundo


muçulmano o conflito tão comum na cristandade entre o poder temporal ou secular
(exercido pelo imperador ou pelo rei) e o poder espiritual (representado pelo papa ou
pelo sacerdote). Desconhece o Islã, a não ser recentemente, a independência dos
poderes. Em geral, num país muçulmano, religião e estado encontram-se misturados,
fundidos numa coisa só - a ordem islâmica. Os principais califados, sucessores do
Profeta após a sua morte, foram o Califado de Abu Bekr (632-634), o Califado de Omar
(634-644, o Califado de Otman (644-656), o Califado de Ali (656-661) e o Califado de
Moawiya I (661-680), enquanto as principias dinastia que dividiram o vasta império
maometano entre si foram a dos Ominadas (Império Árabe), a dos Abássidas ( Império
Muçulmano) e a dos Fatímidas (o Reino do Egito).

A expansão

Nenhuma das grande religiões universais conheceu uma expansão tão acelerada como o
Islamismo. Tendo como seu berço geográfico a Península Arábica, mais precisamente a
cidade de Meca, no final do século VII ela já havia conquistado ou convertido a maior
parte das cidades do Oriente Médio, expulsando facilmente o domínio cristão-bizantino
de lá. Em 711, o general Tárik, chefe de tribos berberes do norte da África,
desembarcou no sul da Península Ibérica, dando início a sua submissão. Só não
conseguiram tomar a França porque foram derrotados por Carlos Martel em Poitiers em
732. Detidos ao ocidente, o fluxo islâmico voltou-se para o oriente. Em 751, um
exército árabe derrota os chineses no Turquestão, implantando lá a bandeira do Profeta
(verde com a lua crescente em seu meio). Outra onda de expansão parte de Bagdá, na
Mesopotâmia, e, atravessando o Golfo Pérsico, alastra-se em direção ao Irã, ao
Afeganistão e ao norte da Índia. Dali, retomando forças, desloca-se para a Malásia, para
a Indonésia, chegando até a ilha de Mindanao no sul das Filipinas. Em apenas quatro
séculos, de 650 a 1050, considerados a Idade de Ouro do Islã, uma impressionantes
extensão de terra, com milhões de habitantes, convertera-se à religião do Profeta
Maomé.

O Domo da Rocha, mesquita de Jerusalém

A reação ao islamismo

Para o historiador Henri Pirenne foi o império árabe, surgido assim quase do nada,
quem forçou a Europa, num gesto defensivo, a tentar restaurar a antiga grandeza do
império romano do Ocidente, pelas mãos de Carlos Magno, rei dos francos, que, em
800, foi proclamado em Roma Imperador do Ocidente. As Cruzadas, conclamadas pelo
papa Urbano II, em 1095, nada mais foram do que uma grande contra-ofensiva cristã
para aliviar o sufoco que a gente do Profeta submetera a cristandade oriental e ocidental.
O esfacelamento do império muçulmano em vários califados e emirados é atribuído a
um contradição típica dos povos nômades. Sendo gente do deserto, vagando de um lado
para o outro, as tribos nômades que formavam a massa das tropas islâmicas dessa
primeira fase, se bem que vocacionadas para a guerra de conquista, terminavam por
debilitar-se ao dominar os povos sedentários. Além disso, os califas não conseguiram
manter uma unidade de comunicações, como as estradas e as rotas navais foram para os
romanos, nem criar uma burocracia universal que servisse como elo de ligação entre o
todo e as partes, como por exemplo, foram os mandarins no Império da China. Com o
tempo, as províncias (Córdoba na Espanha, Damasco na Síria, Bagdá, no Iraque)
formaram califados independentes, enfraquecendo o império. Mas isso deu-se no campo
da política, porque no que toca a religião, o islamismo, tendo por base a Mesquita e o
Corão, continuou ativíssimo e altamente sedutor, convertendo milhares de homens e
mulheres à fé do Profeta, atuando num arco que se estendeu do oceano Atlântico até o
Mar da China, do coração da África Negra, no Sudão, até as estepes asiáticas da
Eurásia.
A península arábica, berço do islamismo