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CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDO DI BIASE

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL


PRÓ-REITORIA ELISA FERREIRA S. DE ALCANTRA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SAÚDE
CURSO DIREITO

Do Contrato Social

Resumo da obra

Volta Redonda, 2020


CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDO DI BIASE
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL
PRÓ-REITORIA ELISA FERREIRA S. DE ALCANTRA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SAÚDE
CURSO DIREITO

Do Contrato Social

Resumo da obra
2° Período B - Noturno

Beatriz Oliveira Tavares de Souza

Daiana Rosa José

Eduarda Eluina Amaral

Eduardo dos Santos Reis Teixeira

Ingrid Ellen

João Victor Maia Campos

João Vitor dos Santos Gomes

Laís Duarte da Silva

Mariana Caravana Carvalheira

Melryn Cristina Rodrigues da Silva

Nathan Augusto de Oliveira

Pedro Henrique Soares de Oliveira

Stéfany Ellen Ramalho Silva

Wellington Ricardo
O contrato social.

Jean Jacques Rousseau.

Nascido em Genebra, no ano de 1712, Rousseau foi um dos maiores filósofos


de seu tempo. Dotado de inteligência, defende a ideia da volta à natureza e dos
direitos da coletividade através do contrato social.

Órfão, Jean é considerado um dos principais filósofos do iluminismo e


precursor do romantismo. Sofreu sua primeira desventura, ao perder sua mãe, 9 dias
após o seu parto. Criado pelo pai Isaac Rousseau, se afastou do mesmo aos 10 anos,
para estudar numa rígida escola religiosa.

Após sair para um passeio, retorna e encontra sua escola com os portões
fechados. Assim, Jean Jacques resolve vagar pelo mundo. Acaba tendo um romance
com uma amante rica, que lhe desperta o amor pela música e filosofia.

Rousseau criou óperas, fez parcerias, se tornou famoso na elite parisiense e


rival de Voltaire. Criou grandes obras como: Júlia ou a nova Heloísa (romance
epistolar), Emílio ou da educação (como educar crianças) e o contrato social, que será
aqui explicado.

Antes de introduzir o capítulo, deixo-vos pois algumas indagações:

_Ao alugar ou vender imóveis, o que assinamos?

_Ao empregar um funcionário, o que assinamos?

_Somos iguais?

_ Somos livres?
Livro I

Cuidarei de ligar o que o direito permite com o que o direito prescreve. A fim de
que a justiça e utilidade de modo algum se encontrem divididas.

Pergunta – se – me -á se sou príncipe ou legislador para escrever sobre


política. Se o fosse, eu o faria ou me calaria. Nascido cidadão livre, membro soberano,
mesmo em voz baixa, basta-me o direito de votar para me impor...

Assunto deste primeiro livro

Trata sobre a questão da Liberdade. Diz que todo homem nasce livre, mas se
encontra sob ferros. Enquanto o povo é constrangido a obedecer e obedece, faz bem.
Tão logo ele se sacode, faz ainda melhor.

A ordem social é um direito sagrado. É o alicerce da sociedade, não por


natureza, mas por convenção.

II

Das primeiras sociedades

A primeira grande sociedade, a mais antiga e natural é a da família. Nela, o pai


se desliga do filho, assim que deles cesse a necessidade de sua presença.

A primeira lei é da proteção e conservação até a idade da razão. Daí em diante,


o homem passa a ser o seu próprio senhor.

A família é o primeiro modelo de sociedade, onde o chefe equivale o pai e povo


equivale o filho. Todos são livres e iguais.

Grotius e Hobbes veem o homem como um rebanho de gado, cada qual aos
cuidados de seu chefe.

Calígula, Hobbes, Grotius e Aristóteles tinham a visão de que os homens não


são naturalmente iguais. Uns nascem para ser escravos e outros para serem
dominadores.
III

Do direito do mais forte

O mais forte nunca será o senhor para sempre. Se não transformar a força em
direito e a obediência em dever.

A força é uma potência física; Cede-la é um ato de necessidade, não de


vontade. A força não faz direito. Não se é obrigado a obedecer senão às autoridades
legitimas.

IV

Escravidão

A escravidão não tem muito sentindo para Rousseau, porque para ele o
homem depende da liberdade e a liberdade é a condição necessária ao homem. A
escravidão não pode ser legítima para uma população inteira, se uma pessoa se torna
escravo por vontade própria, por que populações não podem também?

Quando uma população se torna escrava, ela acaba perdendo sua liberdade e
seus bens passam para o imperador. E perdendo seus bens, nenhuma população
aceitaria isso, tornando-se então uma população ilegítima. Rousseau afirma que a
escravidão se baseia no direito de vida ou morte e este direito se baseia na escravidão
e vira um círculo vicioso.

Renunciar à própria liberdade é o mesmo que renunciar a qualidade de homem.

É preciso remontar sempre a um primeiro convênio

“Um povo, diz Grotius, pode entregar-se a um rei. Um povo é, pois, um povo
antes de se entregar a um rei”.

Essa frase relata que a submissão de um povo a um rei só pode vir depois da
constituição do próprio povo, ou seja, antes de um contrato de submissão, é
necessário um contrato de associação, visto que, em estado de natureza, os homens
não estão associados. A constituição do Povo, ou a associação das vontades
individuais depende do Pacto Social.
VI

Do pacto social

Quando os homens não tinham mais a capacidade de subsistência individual,


precisaram se unir e agregar-se. Formou-se assim o primeiro pacto social. A partir
desse momento o homem passou do estado natural para o estado civil. O contrato
social deve procurar uma agregação que defenda e proteja com toda a força os bens,
direitos e interesses de todos os indivíduos na agregação. Este contrato então acaba
por ter somente uma cláusula: a alienação de todos os indivíduos e mantê-los iguais.
Rousseau resume o pacto social a: cada um de nós põe em comum sua pessoa e
todo o seu poder sob a suprema direção da vontade geral; e recebemos,
coletivamente, cada membro como parte indivisível do todo.

VII

Do Soberano

Relata o fato da relação social entre os indivíduos e o soberano. Tornando-se


assim, uma relação de recíprocas ações entre contratantes, onde um ajuda o outro.
Referindo-se a sociedade, cada pessoa tem seus próprios interesses e o soberano
não pode interferir nisso, na vontade e intenção de cada um.

Com isso, nessa sociedade pode ocasionar diversos conflitos. Há também a


parte injusta dessa situação, onde o soberano por ter interesses diferentes dos
demais, acaba aplicando direitos para fomentar benefícios sem sofrer ações que os
outros sofrem. O contrato os forçam a serem livres.
VIII

Do Estado Civil

Antes da organização social do estado, o homem vivia em um estado de


natureza, onde apenas as leis dela eram válidas.

Quando o homem passa por essa transformação, de estado de natureza para


civil, ele carrega consigo a substituição da ação pela justiça regida pelo instinto, e
adiciona moral a sua conduta. Sendo assim, ele ganha a liberdade civil que é limitada,
onde a vontade geral molda o individual, e assim perde como era de costume a
possibilidade de passar sobre o direito dos outros

IX

Do Domínio Real

Com a força em que a comunidade aumenta, a posse de territórios é legitimada.


Os indivíduos nela inseridos entregam-se a essa posse, pois todo homem tem direito
ao que lhe é necessário; mas esse ato de tornar-se proprietário de qualquer bem, que
é visto como positivo, acaba o excluindo, deixando de lado de todas a outras questões
sociais.

Para que essa posse seja legitimada seria necessário que o terreno estivesse
vazio, que fosse ocupado só o necessário. Porém na visão de Rousseau, agraciar
esse direito de ocupação à necessidade e ao trabalho não e visto de boa forma.
Questiona com isso, se assim não poderia ser estipulado limites ao direito. Ele
também fala que, o fato do soberano dominar um território, em relação ao domínio
dos indivíduos, se torna segura. No que tange a relação de cada indivíduo e os direitos
do homem em uma sociedade, o pacto fundamental substitui a igualdade moral e
legítima aqui que a natureza traria de desigualdades física entre os homens.
Livro II

A soberania é inalienável.

Somente a ‘’ vontade popular’’ tem o poder de controlar a força do Estado. A


oposição dos interesses particulares deu origem à união em sociedade, de forma a
atender os interesses aceitos por todos. Entende-se então que a finalidade da
instituição do Estado é o bem comum, que não pode ser dado ou vendido, pois não
pode se render a uma vontade de particulares.

A vontade particular tende às preferências e a vontade geral à igualdade.

II

A soberania é indivisível.

Rousseau acredita que a soberania representa a vontade popular. O soberano


é um ser coletivo, que é representado somente por si mesmo. O motivo pelo qual ele
é visto coletividade, é que ninguém poderia exercer o poder de acordo com a vontade
de todos, por isso os homens devem transferir apenas seus poderes e não suas
vontades próprias.

A vontade declarada constitui soberania e se faz lei.

III

A vontade geral pode errar

A soberania é superior à vontade particular. No entanto, o povo e a sua vontade


em comum pode estar errada. Da mesma forma que ela é considerada inalienável,
ela é indivisível, sendo que ou ela é composta pela vontade popular ou não. A vontade
popular representa todo povo ou apenas uma parte dele, já a vontade particular pode
ser apenas um decreto.

A vontade popular e a vontade de todos se diferenciam quanto à consideração


do bem comum, que caracteriza a vontade de todos, enquanto a vontade popular tem
como base o interesse privado que representa a soma das vontades particulares.
IV

Dos limites do poder soberano

A natureza dá a cada homem um poder absoluto sobre todos os seus membros,


dá o pacto social ao corpo político um poder absoluto sobre todos os seus.A isso
chama-se soberania.

O poder soberano não pode passar dos limites das convenções gerais. Todos
os serviços que possa um cidadão prestar ao Estado, tão logo o soberano os solicite,
passam a constituir um dever.

O pacto social estabelece igualdade entre os cidadãos e os coloca sob as


mesmas condições, para que usufruam os mesmos direitos.

Do direito de vida e morte

Todo homem tem o direito de arriscar a própria vida a fim de a conservar.

O tratado social tem por objetivo a conservação dos contratantes. A vida é um


dom condicional do estado. A pena de morte é vista nesse ângulo. Todo malfeitor,
ao atacar o direito social, torna-se rebelde e traidor da pátria.

Num estado bem governado há poucas punições, não porque se concedam


muitas graças, mas por haver poucos criminosos.

VI

Da Lei

Pelo pacto social, demos a existência do corpo político. Toda justiça vem de
Deus.Só Ele é sua fonte.São vãs as leis da justiça entre os homens. Fazem o bem de
perverso e o mal de justo.

O objeto das leis é sempre geral; A lei considera os vassalos em corpo e as


ações como sendo abstratas.
VII

Do legislador

O legislador é, sob todos os pontos de vista, um homem extraordinário do


Estado. Sua função é particular e superior, nada tem em comum com o império
humano porque se aquele que manda nos homens não deve dominar as leis, aquele
que domina as leis tampouco deve mandar nos homens. Do contrário, serão leis de
tirano. Rousseau ressalta ainda outra dificuldade; os sábios que quisessem falar ao
vulgo a linguagem científica não seriam compreendidos. Assim, pois, não podendo
empregar o legislador a força nem a persuasão, é necessário recorrer a uma
autoridade de outra ordem que possa acorrentar sem violência e persuadir sem
compelir.

VIII - IX

Do povo | Continuação do capítulo precedente

Rousseau também explicou o povo no Contrato. Como o arquiteto que, antes


de construir um edifício, sonda e examina o solo para ver se pode aguentar o peso
necessário, o sábio legislador não começa redigindo leis boas por si mesmas, mas
antes examina se o povo a que são destinadas esta apto para suportá-las. Assim
como a natureza limitou a estatura do homem, não havendo fora disto senão gigantes
ou anões, há, também, comparativamente uma melhor constituição de um Estado,
pontos que limitam a extensão que pode ter a fim de que não seja nem muito grande
para poder ter um governo exemplar, nem muito pequeno para poder se auto
sustentar. Quanto mais se estende o laço social, mais se debilita, e em geral, um
Estado pequeno é proporcionalmente mais forte que um maior. Por outro lado, o
Estado deve possuir uma determinada base para ser sólido, para resistir aos abalos
que sentirá e aos esforços que será obrigado a empregar para sustentar-se.

Continuação

O corpo político é mensurado de 2 formas: pela extensão territorial e pelo


número da população. E o Estado tem interesse nessas duas grandezas, uma vez
que são os homens que fazem o Estado e é a terra que alimenta os homens. Com
isso, a população e o território precisam estar em harmonia e suprindo suas
necessidades para que não haja guerra e caos.

XI

Dos diversos sistemas da legislação

O objetivo principal da legislação deve ser atingir a liberdade e a igualdade de


todos. E é a força dos maus hábitos que tendem a ferir a igualdade e é a legislação
que deve conservar essa igualdade. Todos os homens devem ser iguais para não
haver soberania entre eles e com isso todos terem direito a sua própria liberdade.

XII

Divisão das leis

O Estado tem o poder soberano de aplicar as leis públicas, mas o povo tem o
direito de muda-las, uma vez que a lei é para promover o bem, então se causa
discórdia não deve ser aplicada. Outrossim é o direito do cidadão de ser
independente, mas ainda assim dependente do Estado para viver em comunidade,
segundo assim as leis civis. Além disso, deve-se haver punições para aqueles que
desobedecem as leis, e essas punições são regulamentadas pelas leis criminais. E
ainda tem o a mais importante lei, que é o costume e as crenças de uma sociedade,
essas são independentes do Estado tem são responsáveis por carregar a identidade
de cada povo.

LIVRO III

I – II- III

Do governo em geral | Do princípio que constitui as diversas formas de


governo | Divisão dos governos

Rousseau inicia o primeiro capítulo do livro três, ponderando sobre a ação livre,
a partir disto, ele apresenta como causas da ação livre, tanto a moral quanto a física,
e atribui a estas duas polaridades da ação livre desta maneira: a moral – relativa à
vontade que determina o ato (poder legislativo), e a física – o poder que executa o ato
(poder executivo).
Desta forma o corpo político para que possa agir necessita da lei e do governo,
a lei como expressão da soberania e o governo como corpo intermediário entre os
indivíduos e a coletividade, sendo o exercício legitimo do poder executivo.
Rousseau chama a atenção para o corpo do governo composto de magistrados
(administradores), e a este corpo ele denomina: o príncipe. Para Jean, o corpo político
é formado da soberania (o exercício da vontade geral, perspectiva ativa do povo), do
estado (que seria a perspectiva passiva do povo) e o príncipe (corpo do governo).
Desta forma, o governo seria em pequena escala o que o corpo político é em grande
escala, pois o Estado existe em si mesmo e o governo existe devido o soberano.
Assim como o Estado e o Soberano são as duas faces do povo, o governo e o
príncipe seriam as duas faces do poder executivo. Visto que, o governo seria a
perspectiva passiva do executivo e o príncipe seria sua perspectiva ativa, ou seja,
quanto mais numeroso o governo, mais poderoso é o governo sobre os magistrados
(príncipe). De tal forma que a decisão pautada nas vontades individuais são menos
prováveis quando o poder não é acumulado em um grupo pequeno ou um único
indivíduo.
A partir disto, Rousseau apresenta as três formas da vontade inerente ao
príncipe: A vontade individual que deveria ser a menos importante, a vontade comum
dos magistrados (interesses do corpo de magistrados), e a vontade do povo (que
deveria ser a vontade superior a qualquer outra, pois esta é soberana).
Assim, diferentes formas de governo podem ser estabelecidas, considerando o
número de magistrados: A democracia, que o poder seria posto a uma parcela maior
da população, a aristocracia que restringiria o poder a uma parcela menor da
população, e a monarquia que delimitaria o poder a um único indivíduo. Após explicitar
as diferentes formas de governo Rousseau conclui atribuindo o princípio que já havia
definido nos capítulos anteriores. Sobre a democracia, seria aplicável com um certo
êxito em um estado pequeno, a aristocracia em um estado mediano, e a monarquia
seria aplicável em um estado grande. E essas diferenças se dão devido a dinâmica
do poder em relação as vontades individuais e o bem comum. No entanto, Rousseau
não descarta a possibilidade de que certas situações são capazes de gerar exceções.
IV

Democracia

Quem faz as leis, sabe melhor que ninguém como deve ser ela executada e
interpretada.

Não é conveniente que quem redija as leis as execute, nem que o corpo do
povo desvie a atenção dos alvos gerais para a concentrar nos alvos particulares.

Rigorosamente falando, nunca existiu verdadeira democracia, nem jamais


existirá. Contraria a ordem natural o grande número governar e ser o pequeno
governado.

Quando as funções governamentais são partilhadas, entre diversos tribunais,


os menos numerosos adquirem cedo ou tarde a maior autoridade.

Um Estado bastante pequeno, em que seja fácil congregar o povo, e onde cada
cidadão possa conhecer todos os outros.

Se houvesse um governo de Deuses, ele se governaria democraticamente. Tão


perfeito governo não convém aos homens.

Aristocracia

Aristocracia seria o governo dos melhores.

Temos aqui duas pessoas morais distintas, o governo e o soberano. Duas


vontades gerais: a dos cidadãos e a dos membros da administração.

As primeiras sociedades governaram-se aristocraticamente.

Os chefes de família deliberavam entre si sobre negócios públicos e os mais


jovens cediam perante a experiência.

A medida que a desigualdade de instituição sobrepujou a desigualdade natural,


a riqueza ou o poder foi preferido à idade. E a aristocracia passou a ser eletiva.
O poder transmitido com os bens dos pais aos filhos torna o governo
hereditário.

Há pois três espécies de aristocracia: natural, eletiva e hereditária.

A ordem mais justa e natural é que os mais sábios governem a multidão, em


prol dela e não em benefício próprio.

VI

Monarquia

Na monarquia o indivíduo representa o ser coletivo. A vontade particular impera


e domina mais do que as outras formas de governo. Há uma distância entre o príncipe
e o povo. É preciso um grande monarca para que o Estado seja bem governado.
Rousseau não aprova a monarquia hereditária. Ele fala que na monarquia, o
despotismo, em vez de deixar o povo feliz, torna o povo miserável. É duro sustentar o
luxo da corte.

O governo simples é o melhor, conclui Rousseau, mas na realidade não há


governos simples. As pessoas públicas não produzem e consomem. Quem trabalha
são os membros, o povo. O Estado só pode existir quando o produto dos trabalhos do
homem é maior que suas necessidades. Rousseau fala que os povos do norte são
mais desenvolvidos e vivem com muito. Quanto mais ao sul mais se vive com pouco.
Mas os alimentos são mais substanciosos nos países quentes. O governo se
degenera quando se restringe ou quando o estado se dissolve. O Estado se dissolve
quando o príncipe usurpa o poder soberano. O corpo deve se reunir em assembleia
para deliberar sobre os problemas comuns.

VII
Dos governos mistos

Rousseau aponta a complexidade da estrutura de um governo, e comenta


sobre a questão de que em um governo é necessário que haja um indivíduo central e
outros magistrados a sua disposição. Ele comenta sobre ocorrências entre as distintas
divisões de poder, de forma igualitária (quando as partes estão em mútua
dependência) e quando a divisão do poder é feita as partes são independentes (ocorre
nesta última, a falta de unidade do governo). Ele faz uma pergunta sobre qual a forma
de governo é melhor, simples ou mista. Aponta o governo simples como melhor, pelo
fato de ser simples. No entanto traz a luz a necessidade de uma divisão do governo
quando este em unidade apresenta força suficiente para sobrepujar o soberano. O
mesmo pode ser feito quanto ao estabelecimento de magistrados intermediários,
gerando um equilíbrio entre os poderes do estado, alterando a forma mista do
governo, para uma forma temperada. Quando o oposto acontece, ou seja, quando um
governo é fraco, pode se utilizar da mesma estratégia, estabelecendo tribunais, a fim
de fortalecê-lo. Contudo neste capítulo Rousseau afirma que é possível dividir um
governo, tanto com o propósito de enfraquecê-lo quanto com a prerrogativa de
fortalecê-lo

VIII
Nem toda forma de governo é apropriada para todos os países

No capítulo oito, Rousseau relaciona as condições produtivas dos países aos


princípios previamente estabelecidos, onde ele atribui uma maior utilidade de
determinadas formas de governo a determinados tamanhos de população dos
estados. Além de relacionar as condições de produção, Rousseau traça paralelos
entre os países meridionais, países mais frios e mais quentes, atribuindo essas
características a determinadas formas de governo e o êxito da distribuição das
riquezas (plantio, colheita, consumo).

IX
Dos sinais de um bom governo

Rousseau reluta ao responder à pergunta: qual a melhor forma de governo?


Sua relutância se dá pois, são inúmeras combinações possíveis, tornando a questão
insolúvel e indeterminada, contudo, ele finaliza o capítulo atribuindo sua resposta ao
resultado aparente ao observar as populações governadas. Ele diz:_ “O governo sob
o qual, sem meios estranhos, sem naturalizações, sem colônias, os cidadãos habitam
e se multiplicam por mais tempo é infalivelmente o melhor, aquele sob o qual um povo
diminui e perece, é o pior.”
X

Do abuso do governo e de sua tendência a degenerar

O abuso do governo se dá quando o estado retrocede ou dissolve. O governo


esforça-se contra a soberania, e este esforço altera diretamente a constituição, e
como não há outra vontade que faça equilíbrio com a vontade do príncipe, logo ele
deve romper o tratado social com o soberano. O vício inerente tende a destruir o corpo
político.

XI

Da morte do corpo político

O governo pode ser durável se for bem constituído, entretanto, nunca poderá
ser eterno pois, segundo Rousseau, o corpo político começa a morrer desde o seu
nascimento e tem em si mesmo as causas de sua destruição. Logo, o que for melhor
constituído será o mais estável e durável.

XII

Como se mantém a autoridade soberana

A autoridade soberana se mantem através do poder legislativo, das leis. O


soberano não tendo forças além do poder legislativo, só age por meio das leis, sendo
as leis mais que atos autênticos da vontade geral, não poderia o soberano agir senão
quando o povo se encontra reunido.

XIII

Continuação

Neste capítulo Rousseau ressalta que não bastava o povo ter se reunido uma
vez e sancionando um corpo de leis, constituindo um governo perpetuo, promovido
eleição dos magistrados ou fixado a constituição do Estado e que além das
assembleias extraordinárias que podiam ser exigidas, em casos imprevistos, era
necessário tê-las fixas periodicamente e que não poderia ser desmarcadas tendo o
povo legitimamente convocado pela lei.

Qualquer outra assembleia popular, que não fossem convocadas pelos


magistrados nomeados, era anulada tudo que se apresentava nela e era considerada
ilegítima. Os retornos das assembleias legitimas dependiam de algumas
considerações e, com isso, podia se dizer que quanto mais força tinha o governo mais
devia se mostrar soberano. Podemos observar que, para ele, a autoridade soberana
é simples e indivisa e não se podia reparti-la sem a destruir. Uma cidade, bem como
a nação, não pode ser legitimamente submetida a outra, por a essência do corpo
político está no acordo da obediência e da liberdade.

Ainda se pode notar que unir inúmeras cidades em uma só sempre se constituiu
um mal e com a insistência de união das mesmas, não se podia evitar os
inconvenientes naturais. Além disso não era preciso alegar o abuso dos grandes
estados a quem só desejava os pequenos.

XIV

Continuação

Quando o povo estava reunido legitimamente cessava qualquer jurisdição do


governo, o poder executivo ficava suspenso e a pessoa do último dos cidadãos era
tão sagrada e inviolável quanto a do primeiro magistrado. Com isso onde se
encontrava o representado deixava de haver o representante e a maioria dos tumultos
ocorridos em Roma, durante os comícios começou por ter sido negligenciado ou
ignorado a regra. Os cônsules não eram senão os presidentes do povo, os tribunos,
simples oradores o senado não era coisa alguma.

Os príncipes só reconheciam ou deveriam reconhecer um superior atual nos


intervalos de suspensão. Nos quais, esses intervalos eram sempre temíveis, as
assembleias do povo que era o amparo do corpo político e o freio do governo foi o
horror dos chefes em todo o tempo, os quais também não economizava cuidados,
objeções, dificuldades ou promessas na finalidade de desanimar os cidadãos.
XV

Dos deputados ou representantes

Quando o Serviço público deixou de ser a principal preocupação dos cidadãos,


preferem servir com bolsa que pessoalmente já se encontra próximo a ruína o Estado.

Com o interesse de ganhos havia um confusão que era a lassidão e o amor da


comodidade que trocava os serviços pessoas por dinheiro do comércio e das artes.
Para aumentar o prazer cedia-se uma parte dos lucros. O estado quanto melhor
estiver constituído, mas os negócios públicos prevaleciam sobre os particulares no
espírito dos cidadãos.

A cidade que era bem dirigida, todos votavam nas assembleias, sob um mal
governo ninguém dava um passo se quer para participar por saber que a vontade da
maioria não seria acatada.

XVI

Quando a instituição do governo não é um contrato

Rousseau sustenta que só há um contrato possível e legitimo no estado, que é


a associação. Ele relata sobre a ilegitimidade de um contrato, cujo as partes estipulem
a um mandar e todos os outros obedecer, e também anula a hipótese de que exista a
possibilidade de todos obterem uma igualdade em virtude do contrato social, visto
que, com isso, estaria posto uma confusão entre o direito e o fato, ou seja, não
saberíamos distinguir o que é lei e o que não o é. Rousseau diz que o estabelecimento
do poder executivo deve ser conforme a essência do legislativo, pois o executivo se
opera através de atos particulares, e não obtendo a essência do legislativo, estaria
naturalmente separado deste.
XVII
Da Instituição do governo

Rousseau indica que o ato de instituir um governo é complexo, e se compõe de


outros dois. O primeiro seria o ato da vontade soberana na composição de um
estatuto, cuja finalidade repousa em definir sobre a forma com a qual deve se
estabelecer o governo. O segundo está relacionado com a nomeação dos chefes a
partir da vontade do povo, de modo que o segundo ato não constitui uma lei, apenas
complementa a lei anterior.

XVIII
Meios de prevenir as ações do governo.

Rousseau inicia este capítulo reforçando o que foi dito nos dois capítulos
anteriores: o ato instituidor do governo não é de forma alguma um contrato, no
entanto, uma lei. Com isso Rousseau demonstra que os chefes escolhidos pelo povo,
não são dos últimos, seus senhores. Rousseau aponta como forma de prevenir os
abusos do corpo político as assembleias periódicas, com o intuito de realizar a
manutenção do tratado social, tendo como objetivo duas proposições: saber se é
pertinente a vontade soberana conservar esta forma de governo, e saber se ao povo
é benéfico que se mantenha o corpo político em seu lugar de administrador. Destaca-
se no final deste capítulo que não há lei que não possa ser revogada nem mesmo o
pacto social, porque se o povo se reunisse com o intuito de dele dar cabo, ninguém
poderia duvidar que tal rompimento fosse legitimo.

LIVRO IV

Rousseau apresenta em seu quarto livro a “vontade geral”, que seria uma
espécie de vontade de todos, onde cada indivíduo pensaria de forma coletiva e as leis
a serem promulgadas, não se discutiria o mérito ou legalidade, ou tão pouco se aprova
ou desaprova, mas sim se a lei está de acordo com a vontade geral da sociedade, de
que homens simples e que pensam de forma única, unânime é uma sociedade ideal
e que a partir de quando o indivíduo pensa de forma contrária, seria considerado um
estrangeiro.

Outro ideal mostrado no livro, seria o da eleição ideal com poucos defeitos,
realizada na forma de sorteio, ao contrário da eleição propriamente dita, isto na
concepção de Rousseau, tanto para magistratura, tanto para o “príncipe” (chefe do
executivo).

Mais um conceito presente no livro é o da religião, onde prevalece a ideia de


quebra das religiões e de que se manifesta nos pensamentos de esquerda até hoje.

IV

Dos comícios romanos

Ao início de Roma, os povos foram divididos em classes que a partir da mesma


tiveram o nome dado de tribos que por assim foram subdivididas em cúrias e nessa
cada uma tinha decúrias onde era colocadas chefes em cada uma das dez divisões,
porém elas foram crescendo e com isso foi ficando difícil. Os comícios eram
conhecidos por serem o centro político das cidades e eram distintas por cúrias,
centúrias e tribos onde a cúria pertencia à Rômulo à centúria à Sérvio e as tribos aos
povos, não era possível realizar eleições se não fosse pelos comícios ou sancionar
leis.

Do Tribunato

Eram conservadores das leis e do poder legislativo e com isso tinham mais
forças como defensor das leis do que o próprio príncipe, por serem respeitados,
tinham um forte apoio da constituição mas também poderiam ter um reviravolta por se
dizerem moderadores e apenas serem a favor das leis que os favoreceriam.

VI

Da Ditadura

Nesta época, as leis não eram mudadas com tanta facilidade pois poderiam
fazer mal ao estado. Esparta por sua vez preferiu deixar suas leis de fora porem não
com o intuito de mudanças mas de concentrar o poder nas mãos de um ou dois líderes
sua administração. Se a lei criada tivesse algum empecilho a sua frente eles
nomeavam um mestre supremo que fizesse com suprisse todas as leis já criadas e
tinha o pode de suspender a autoridade soberana. O povo tinha com intuito que o
Estado não caísse. Podiam vetar o magistrado porem não podiam ditas as leis ao
povo. O estado não tinha uma base firme com isso ficava mais vulnerável a ter um
ditador que poderia abusar de sua autoridade acima da lei.

Concluímos que a presente obra mostra como o autor enxerga como a


coletividade é a uma das coisas mais importantes na sociedade, o pensamento
coletivo é algo crucial para o ser humano construir a sociedade de forma unânime.

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