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DEPARTAMENTO DE LÍNGUAS – PORTUGUÊS/ 12º ANO ANO LETIVO 2019- 2020

SABER MAIS Cesário Verde

Ave-Marias – Parte I
1. Localiza, no período do dia, os acontecimentos narrados, estabelecendo conexões com o título.
Os acontecimentos situam-se no final da tarde, quando os sinos tocam as ave-marias, isto é, por
volta das 18h, correspondendo ao período do dia apresentado no título.
2. Explica a dimensão épica presente no poema.
A dimensão épica é activada pelo recurso à memória, tal como comprovam os versos que
integram a sexta estrofe, onde claramente se vê a referência às descobertas marítimas; à luta
contra os mouros, à acção de Camões, um passado grandioso que o “eu” não verá jamais, como o
próprio afirma.
3. Clarifica a associação que se pode estabelecer entre a referência às varinas e o naufrágio de
Camões.
Tal como Camões passou por várias tormentas, entre as quais o naufrágio, também os filhos das
varinas terão como destino a pesca, actividade onde muitos pescadores, ainda hoje, perdem a
vida.
4. Identifica três marcas linguísticas reveladoras da subjetividade do sujeito poético.
O uso da primeira pessoa gramatical ao nível dos pronomes pessoais e formas verbais, o emprego
de vocabulário de conotação negativa na caracterização do espaço e ainda o recurso aos pontos
de exclamação, sugerem a emotividade do “eu” deambulante.
5. Identifica duas características temáticas da poesia de Cesário Verde, fundamentando a tua
resposta com elementos textuais pertinentes.
As características temáticas da poesia de Cesário Verde presentes nesta composição poética são:
- a atenção aos trabalhadores, reveladora de uma consciência social, quando se refere aos
operários (carpinteiros e calafates);
- a observação impressionista de aspectos do real quotidiano;
- a transfiguração do real, presente na comparação das edificações em madeira com gaiolas e dos
carpinteiros com morcegos;….

Noite fechada – Parte II


1. As afirmações que se seguem sistematizam, por estrofe, o seu assunto.
1.1. Identifica o número da estrofe correspondente a cada alínea.
a) A visão de uma realidade luminosa conduz à imaginação de espectáculos.
b) O estado doentio do eu lírico agudiza-se: suspeita de um quadro clínico grave.
c) A clausura na cidade que afeta, sobretudo, os mais frágeis.
d) A observação negativa do clero lembra um passado de repressão inquisitorial.
e) Surge, contrastante, um símbolo épico e glorioso da nação.
f) O eu sente-se muralhado pelas construções citadinas e pelos seus sons.
g) Sentimentos mórbido do sujeito lírico, em oposição às “elegantes” alegres.
h) Toada a realidade serve de matéria poética.
i) A doença e a morte surgem imediatamente após o fôlego épico.
j) Diversos tipos de mulheres cruzam-se nas lojas.
k) Nova evasão, desta feita para a Idade Média.

a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k)
3 2 1 4 6 5 9 11 7 10 8

6. Atenta na estrofe seis e explicita o contraste aí presente.


“Num recinto público e vulgar”, com “exíguas pimenteiras”, actual, ergue-se a estátua (de
Camões), épica e gloriosa que evoca uma época áurea da nação. Há assim uma discrepância ao
nível do tempo – um passado ilustre e um presente trivial. Por outro lado, o monumento

Professora: Sílvia Brandã o Pá gina 1


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contrasta com o espaço físico e humano de degradação que vem sendo descrito (prisões,
doenças…).
7. Explicita o sentido dos versos “E eu sonho a Cólera, imagino a Febre. / Nesta acumulação de
corpos enfezados” (vv.69-70).
A partir da observação do real, “corpos enfezados”, ativa-se a imaginação hiperbólica do eu lírico,
evocando epidemias como a “Cólera” e a “Febre”.
8. Transcreve das segunda e quarta estrofes um exemplo de hipérbole e de dupla adjectivação,
referindo-te aos seus valores expressivos.
Hipérbole: “E eu desconfio, até, de um aneurisma” (v.49); enfatiza o estado doentio/mórbido do
sujeito poético.
Dupla adjetivação: “lançam a nódoa negra e fúnebre do clero” (v.58), agudiza-se a crítica ao clero,
relacionando-o com a ideia de morte.
9. Justifica o título do poema, recorrendo a dois exemplos textuais.
O título aponta para um período do dia em que é necessário recorrer à luz artificial e a uma maior
vigilância, factos que são comprovados nos versos “A espaços, iluminam-se os andares” (v.53) e
“Partem patrulhas de cavalaria” (v.73).
10. Classifica as orações destacadas.
a) “…Som/Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!” (vv.45-46)
“Que mortifica “ - Oração subordinada adjetiva relativa restritiva
“e deixa umas loucuras mansas” – coordenada copulativa
b) “… Eu temo que me avives / uma paixão defunta!...” (vv. 77-78).
“que me avives “ - Oração subordinada substantiva completiva.

Ao gás – Parte III


1. Na primeira estrofe desta secção, recupera-se o tema da doença para mostrar que a sociedade
está enferma.
1.1. Indica o motivo por que podemos afirmar que, nas estrofes 1 a 3, a doença é fisiológica,
moral e psicológica.
Para mostrar a doença da cidade, alude-se aos hospitais (doença fisiológica), às prostitutas
(“impuras”; enfermidade moral) e ao histerismo das freiras (doença psicológica).

2. Explicita de que forma a vitalidade e a condição saudável da cena da estrofe 4 contrasta com as
situações das estrofes anteriores.
Contrastando a doença e a frouxidão, enaltece-se o que existe de saudável, de enérgico, na cidade: o
trabalho do forjador e do padeiro. Faz-se o elogio do trabalho.

2.1. Identifica as sensações sugeridas na representação desta cena e comenta a pertinência


desta utilização.
Através das sensações visuais (“rubramente”, auditivas (“maneja o malho”) e olfactivas (“cheiro”),
representa-se expressivamente a vitalidade, a energia que ainda existe na cidade entre os que
trabalham e são genuínos.

Horas mortas – parte IV

1. Justifica o desejo de “transmigrar” expresso pelo sujeito poético na primeira estrofe.


O desejo de transmigrar resulta da necessidade de se libertar, de fugir de um espaço geográfico que é
uma espécie de prisão fantasmagórica que lhe retira a liberdade e o amor e do qual o poeta tem de se
afastar.
2. Mostra que o desejo de fuga se inscreve nas dimensões espacial e temporal, recorrendo a
elementos textuais para comprovar a tua resposta.
A ânsia de liberdade inscreve-se nos domínios espacial e temporal, uma vez que no presente
claustrofóbico da cidade surge o desejo de, no futuro, “explorar todos os continentes/E pelas

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vastidões aquáticas seguir!” (VV.155-156), ou seja, a opressão, a solidão, o confinamento e a morte,
associados à cidade, devem ser substituídos por uma maior nitidez, pela libertação e pelo amor
possível noutro espaço, aqui representados metaforicamente pelas “vastidões aquáticas”.

3. Evidencia a presença da dimensão épica na última parte do poema.


A dimensão épica está presente na referência às frotas dos avós e à exploração de novos continentes
através domar, como se pode ver na sexta estrofe.

4. Comprova a existência de simetrias ao nível temático e expressivo nos quatro textos que
compõem “O sentimento dum ocidental”.
A nível temático, em todos os poemas sobressai o retrato disfórico da cidade, feito por um sujeito
poético que percorre as ruas, numa viagem nocturna, que começa às 18horas e que termina noite
dentro. Nesse deambular, surgem evocações do passado ou projecções futuras que contrastam
com a realidade vivenciada. Estilisticamente também se veem simetrias, cada uma das quatro
secções do poema apresenta onze quadras, o mesmo tipo de métrica (decassílabos) e rima
(interpolada e emparelhada).
5. Identifica aspectos deste poema (vocabulário, construção frásica, verso, etc.) que o aproximem
do discurso da prosa.
O poema não recorre a uma retórica pesada, usa vocabulário do quotidiano e organiza-se em versos
longos, em vários casos, ligados por encavalgamento.

Professora: Sílvia Brandã o Pá gina 3

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