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Noções de acessibilidade

arquitetônica para avaliação de


projetos e edificações

Elaboração de projetos
arquitetônicos acessíveis e
avaliação de ambientes

Prof. Clayton Silva Mendes


Elaboração de projetos arquitetônicos acessíveis e avaliação de ambientes1

1. O que é preciso para elaborar projetos arquitetônicos acessíveis?

Para conceber ambientes acessíveis, o primeiro passo é projetá-los considerando a


diversidade e respeitando as diferenças dos seres humanos.

A partir dessa reflexão, os projetos devem considerar SEIS itens importantes que foram
extraídos da legislação (principalmente o nº Decreto 5.296/2004) e da Norma Técnica NBR-
9050/2015 e que estão presentes praticamente em todas as edificações. São eles, segundo
Ronchetti (2016):

1. Garantir acesso ao interior da edificação;


2. Garantir o acesso a todas as áreas de uso comum ou abertas ao público, no interior
do imóvel;
3. Possuir um balcão de atendimento acessível;
4. Possuir sanitários acessíveis;
5. Vagas de estacionamento acessíveis;
6. Dispor de sinalização visual, tátil e sonora.

Vejamos em detalhes, quais os itens que devem ser observados em cada passo:

1. Garantir acesso ao interior da edificação: a primeira etapa é permitir que todas as


pessoas a partir da área externa (calçada) tenham condições de entrar no imóvel,
com independência.

Figura 1: Representação do acesso ao interior da edificação.

Fonte: NBR-9050/2015

1
Clayton Silva Mendes possui graduação em Engenharia Ambiental, Especialização em Educação Ambiental, Licenciatura em
Geografia, Mestrado em Planejamento e Análise de Políticas Públicas e Doutorando em Ciência, Tecnologia e Sociedade.
Atualmente é servidor licenciado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais e possui
experiência em implantação e acompanhamento de processos e legislações educacionais, abertura cursos, registros e controles
acadêmicos e planejamento e análise de políticas públicas.
 A rua deve possui faixa de pedestre e a calçada deve ter uma faixa livre de 1,20 m
e rampa adequada para cadeirantes.

2. Garantir o acesso a todas as áreas de uso comum ou abertas ao público, no interior


do imóvel: Após o ingresso da pessoa no interior do imóvel, deve-se garantir que
todos os ambientes de uso comum ou abertos ao público estejam livres de barreiras
arquitetônicas. Os seguintes itens devem ser acessíveis:

 Rampas.
 Escadas.
 Portas.
 Corrimão.

3. Possuir um balcão de atendimento acessível: os balcões de atendimento devem ser


adaptados para que as pessoas com deficiência sejam atendidas em iguais condições
em relação às demais pessoas.

 O balcão ou mesa de atendimento deve ser de fácil localização e acesso.

4. Sanitários acessíveis: toda edificação que dispuser de sanitário para uso coletivo,
deve ter cabines acessíveis para pessoas com deficiência. Os itens básicos que devem
ser corretamente dimensionados e dispostos são:

 Entrada independente.
 Alarme de emergência.
 Puxadores e barras.
 Válvula e alavancas.
 Acessórios obrigatórios (saboneteiras, toalheiro, espelho, porta-objetos).

5. Vagas de estacionamento acessíveis: nos estacionamentos externos ou internos às


edificações, deverão reservar vagas para veículos que transportem pessoas
portadoras de deficiência física ou visual e idosos.

 As vagas internas ou externas devem ser demarcadas e corretamente


dimensionadas, com sinalização para deficientes e idosos.

6. Dispor de sinalização visual, tátil e sonora: todas as barreiras, desníveis e obstáculos


ao longo das rotas acessíveis devem ser sinalizados.

 O ambiente deve possuir piso tátil, sinalização nas portas, alarme de entrada e saída
de garagem, entre outros.
2. Avaliando a acessibilidade arquitetônica de um ambiente.

Qualquer pessoa é capaz de avaliar a acessibilidade de um ambiente, se munida de


instrumentos avaliativos apropriados. Para isso, disponibilizamos aos alunos deste curso um
Instrumento de Avaliação que auxiliará nesse processo. O instrumento foi extraído do
trabalho de Mendes (2018) e foi produzido em conformidade com a legislação em vigor,
tendo como base os seis itens apresentados anteriormente.
O formato adotado levou à construção de sete colunas, conforme Figura 2. A
primeira coluna se refere ao número dos itens a conferir. A segunda coluna apresenta os
aspectos a avaliar na forma de perguntas. A terceira coluna é composta pelo item
correspondente, disposto na NBR 9050/2015 ou no DF nº 5296/2004 e possibilita a consulta
à legislação e à norma sempre que surgirem dúvidas. Nesta coluna existem alguns itens que
não estão referenciados pela legislação, cuja avaliação é recomendada devido sua
importância para a acessibilidade. A quarta, quinta e sexta colunas, intituladas
respectivamente “sim”, “não” e “não se aplica” devem ser preenchidas durante a avaliação.
As respostas afirmativas significam que os itens conferidos atendem integralmente ao
questionamento e as negativas indicam a presença de problemas a serem resolvidos. A
opção “não se aplica” deve ser marcada nos casos em que o item conferido não exista na
edificação ou não se aplica ao tipo de avaliação. Na sétima coluna, denominada
“observações”, o avaliador pode inserir comentários ou registros importantes e necessários
ao item avaliado, bem como esclarecimentos e informações adicionais.
Independente da função a que o imóvel se destina, seu projeto de edificação deve
atender, no mínimo, aos seis aspectos apresentados anteriormente, para que seja
considerado um ambiente acessível. É importante lembrar que, caso a edificação possua
elevador, este deve seguir normas próprias.

Figura 2: Instrumento de avaliação de acessibilidade.

Fonte: Mendes (2018)


Disponibilizamos o Instrumento de Avaliação elaborado por Mendes (2018) nos materiais
complementares! O Instrumento está divido nas 6 etapas citadas anteriormente.

No material complementar você também encontrará o trabalho


completo de Mendes (2018) com a avaliação e proposição de
soluções de acessibilidade em escolas. Dê uma conferida!

Referências Bibliográficas:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Acessibilidade de pessoas portadoras de
deficiências a edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos: NBR 9050. Rio de
Janeiro, 2015.

BRASIL. Decreto nº 5.296 de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8


de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida, e dá outras providências. Brasília, DF, dez 2004.

MENDES, C. S. Análise das condições de acessibilidade em equipamentos públicos


educacionais no município de Passos – MG. 2018. 163 f. Monografia (Mestrado) - Curso de
Mestrado em Planejamento e Análise de Políticas Públicas. Universidade Estadual Paulista,
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. Franca, 2018.

RONCHETTI, E. Acessibilidade Aplicada. EAE Educação Continuada, 2016.

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