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Corridas no hipódromo (Telmo Carona)

1. Excerto escolhido
2. Inserção do tema na globalidade da obra
3. Justificação da escolha do tema
4. Personagens do capítulo X
5. Objetividade e funcionalidade do episódio
6. Descrição do hipódromo
7. Pequena descrição do bufete
8. As corridas (1ª/2ª/3ª/4ª corrida)
9. Questões sociais retratadas
10.Intenção critica do episódio
Página 317/318 - "No domingo seguinte, pelas duas horas, Carlos
no seu faetonte de oito molas, levando ao lado Craft, que
durante os dois dias de corridas se instalara no Ramalhete, parou
ao fim do Largo de Belém, no momento em que para o lado do
hipódromo estavam já estalando foguetes. (...) E aquele domingo
de festa, o grande sol, a gente pelas ruas, vestida de casimiras e
de sedas de missa, enchiam-no de melancolia e de mal-estar."
------» Excerto escolhido
Externamente situa-se no Capítulo X, na crónica de costumes
numa crítica à sociedade e internamente é precedido pelo
momento em que os Maias se encontram em Lisboa, a viver no
Ramalhete, Carlos possui o seu consultório e laboratório e cuida
da filha, que está doente, de uma brasileira que chegou a Lisboa
e em quem tem interesse.
-------» inserção do tema na obra
Escolhi um tema que pertencesse à crónica dos costumes pois
acho mais interessante analisar um episódio destes do que um
da intriga principal com a história da família Maia. Já a crónica é
onde se dá a crítica à sociedade, aos seus comportamentos,
sendo uma verdadeira sátira por parte de Eça de Queirós. Possuo
a vantagem de estudar também um pouco da intriga principal,
com o romance de Maria Eduarda e Carlos.
-----» justificação da escolha do tema
Personagens:
Carlos da Maia
No início do capítulo mostra-se aborrecido, mas no decorrer dele
começa a ficar entusiasmado. Assiste ás corridas com o único
objetivo: rever Maria Eduarda (visão caricatural da sociedade).
Condessa de Gouvarinho
Neste capítulo a condessa de Gouvarinho representa o adultério
e também os comportamentos desajustados das senhoras.
Craft
Era um homem de origem inglesa amigo de Carlos e Ega.
Colecionava antiguidades (bric-a-brac) e era um homem de
hábitos rígidos. Conseguia observar criticamente tudo o que o
rodeava.
Dâmaso Salcede
-apresenta-se nas corridas “como um noivo de província, de
camélia ao peito, plastrão azul-celeste "e destaca-se assim neste
capítulo pela negativa graças ao ridículo das suas roupas.
-Representa o novo-riquismo, os vícios de lisboa na 2ªmetade do
seculo XIX e ainda o provincianismo. Como habitual sobressai a
sua linguagem e gestos como “chique a valer”.
D. Maria da Cunha
Faz parte da alta sociedade não perdia um evento social da
época. Neste capítulo ela é a única mulher que desce para ir ter
com os homens mostrando uma exceção entre as mulheres.
Tomás de Alencar
-Era um poeta romântico e simboliza o romantismo que na época
estava a ser ultrapassado pelo realismo.
-Eça serve-se desta personagem para construir discussões entre
naturalistas e românticos numa versão caricatural da questão
coimbrã.
-É visto por Ega, no final do romance, como o “único português
genuíno” nesta “Lisboa postiça”.

Maria Eduarda
Neste capítulo Maria continua a ser uma mulher misteriosa para
Carlos da Maia e ambos trocam olhares e Carlos acha-a uma
mulher bela e atraente.
Objetividade e funcionalidade do episódio
Neste episódio o autor critica uma sociedade que apoia a
organização das corridas devido ao desejo de imitar o que há de
melhor no estrangeiro, porém assistimos a um grande fiasco. O
autor critica o cosmopolitismo postiço da sociedade e a sua falta
de civismo entre outras características negativas da sociedade
face a este evento. A sociedade mostrava que a mesma estava
bastante atrasada em relação a outras sociedades e faltava-lhe
carácter, originalidade e estava convencida que o que era de fora
é que era chique, servindo-se duma mentalidade provinciana.
Neste episódio também há a possibilidade de Carlos encontrar
novamente a mulher que viu à entrada do Hotel Central sendo
este o seu objetivo.
O episódio é descrito através da perspetiva de Carlos, marcada
pela superioridade.
Este evento serviu de palco para a ostentação da classe
burguesa, mas há uma contradição pois apesar de as pessoas
quererem mostrar todo o seu requinte, tiveram
comportamentos inadequados que são ridicularizados por Eça.
Descrição do hipódromo
O hipódromo está situado numa colina, sob a aragem vinda do
rio que provoca uma sensação de frescura e paz.
As precárias condições das tribunas e do espaço envolvente:
- “A tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de
repartição; as tribunas públicas com o feitio de traves mal
pregadas, mal pintadas e com fendas; o recinto da tribuna
fechado por um tapume de madeira”. Concluímos assim que o
hipódromo parecia um palanque de arraial.
As pessoas não sabem ocupar os seus lugares: «... havia uma fila
de senhoras quase todas de escuro encostadas ao rebordo,
outras espalhadas pelos primeiros degraus; e o resto das
bancadas permanecia deserto e desconsolado...»;
Nota-se que é um local que foi improvisado, iniciativa sem base
sólida e com retoques sem gosto e com remendos.
Quem vai frequentar as corridas são homens e mulheres da alta
sociedade da capital.
Pequena descrição do bufete
O bufete está instalado debaixo da tribuna e mostra falta de
higiene e aspeto nojento: «... dois criados, estonteados e sujos,
achatavam à pressa as fatias de sanduíches com as mãos
húmidas da espuma da cerveja.»
Era um espaço pobre: «... o tabuado nu, sem sobrado, sem um
ornato, sem uma flor.» - assemelha-se a uma taberna;
As corridas
1ª corrida: a do 1ºPrémio dos “Produtos”
2ª corrida: a do Grande Prémio Nacional
3ª corrida: a do Prémio de El-Rei
4ª corrida: a do Prémio da Consolação
1ª corrida: a do 1ºPrémio dos “Produtos”
Na 1ª corrida além de não existirem apostas também não existia
interesse pela mesma pois todos os homens fumavam e
contemplavam mulheres de costas voltadas para a pista. Esta
corrida acaba sem se saber quem ganhou e vivem-se momentos
de grande tensão e pancadaria por causa da burla. Esta corrida
mostra-nos que há uma quebra do estatuto de civilização e
requinte social que a sociedade pretendia passar, deixando
emergir o provincianismo, assim como a inadequação do
ambiente cosmopolita das corridas á vivência da sociedade.
Ser (provinciano) é diferente de parecer (civilizado)
• «Isto é um país que só suporta hortas e arraiais...»;
• «Corridas, como muitas outras coisas civilizadas lá de fora,
necessitam primeiro gente educada.»;
• «Do que gostamos é de vinhaça, e viola, e bordoada...».
2ª corrida: a do Grande Prémio Nacional
Nesta corrida estão inscritos quatro cavalos (favorito é rabino e
representa a glória pública). Carlos decide apostar em
“Vladimiro” (menos favorito), então as pessoas decidiram
apostar contra Carlos procurando «aproveitar-se daquela
fantasia de homem rico...».
Contra todas as probabilidades o cavalo em que Carlos apostou
conseguiu ganhar a corrida o que suscitou irritação dos restantes
que perderam. A sorte de Carlos ganhando as apostas é indício
de futura desgraça (sorte no jogo …azar no amor).
A intenção critica de Eça nesta corrida foi o oportunismo pois as
pessoas pretendem-se aproveitar de Carlos que apostou no
cavalo menos favorito. Além disso pretende mostrar o desejo
português de ser o 1º em tudo, mas consequentemente o não
saber perder.
3ª corrida: a do Prémio de El-Rei
Nesta corrida não acontece nada de emocionante, apenas um
cavalo solitário atravessa a meta sem se apressar, num galope
pacato, e só muito tempo depois chega um outro cavalo, uma
pileca branca arquejando, num esforço doloroso, numa altura
em que o jóquei do cavalo vencedor se encontrava já a conversar
com os amigos, encostado à corda da pista.
4ª corrida: a do Prémio da Consolação
Na última corrida o interesse tinha desaparecido.
No final da corrida, á saída do hipódromo, Vargas esmurra um
criado do bufete
«... tudo é bom quando acaba bem.».
Questões sociais retratadas
Desejo de imitar o estrangeiro
A sociedade da época achava-se chique e achava que tudo de
boa vinha do estrangeiro, o que levava a quererem imitar países
como Inglaterra e França. Um exemplo disso é a utilização dos
estrangeirismos por parte da sociedade lisboeta para se sentirem
mais chiques e cosmopolitas. Por oposição temos Afonso da
Maia que reprova constantemente a imitação do estrangeiro,
pois é um verdadeiro patriota, ou seja, no lugar das corridas de
cavalos achava que se devia fazer por exemplo uma tourada.
No entanto, nada do que encontramos no Hipódromo tem o
requinte, a elevação, a preparação, a decoração do espaço e o
espírito civilizado das demais capitais europeias, em vez disso
são feitas sem cuidado e sem elegância.
Um exemplo de uma grande corrida de cavalos de grande
prestígio são as corridas de Ascot.

Corridas de Ascot
As corridas de Ascot são conhecidas como:
- É considerada a corrida de cavalos mais prestigiadas do mundo
-Atmosfera mediática de elegância e estilo
-Requinte, grande decoração e preparação da mesma
-Observa-se um verdadeiro show de elegância do homens e
mulheres com exemplo da chapelaria das mulheres que desfilam
com os mesmos
-Presença da família real e pessoas de alta importância
-Espaço de convivência entre pessoas
-efetuam-se apostas que geram bastante dinheiro
------» Imagens enquanto falo dos tópicos acima
Todos os tópicos dizer sem imagens, só com a principal.
Primeiras imagens - Presença da família real e pessoas de alta
importância
Segundas imagens - Espaço de convivência entre pessoas
-efetuam-se apostas que geram bastante dinheiro
Terceiras/quartas- Observa-se um verdadeiro show de elegância
do homens e mulheres com exemplo da chapelaria das mulheres
que desfilam com os mesmos
Mentalidade provinciana
Toda a alta sociedade revelava diversas atitudes provincianas
-Má decoração do hipódromo
-Pobre seleção da música
-Organização do hipódromo
-As pessoas foram vestidas de forma exagerada e mostravam-se
entediadas e desinteressadas pelas corridas.
-Falta de civismo, espírito arruaceiro e cobiçoso e em situação de
desacordo a situação acaba em insultos e pancadaria.
Um cenário que deveria ostentar a exuberância de um
acontecimento como as corridas de cavalos, demonstra uma
imagem provinciana indesmentível da sociedade lisboeta.
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"No recinto em declive, entre a tribuna e a pista, havia só
homens, a gente do Grémio, das secretarias e da Casa Havanesa,
a maior parte à vontade, com jaquetões claros, e de chapéu-
coco; outros mais em estilo, de sobrecasaca e binóculo a tiracolo,
pareciam embaraçados e quase arrependidos do seu chique.
Falava-se baixo, com passos lentos pela relva, entre leves
fumaraças de cigarro. Aqui e além um cavalheiro, parado, de
mãos atrás das costas, pasmava languidamente para as
senhoras. Ao lado de Carlos dois brasileiros queixavam-se de
preço dos bilhetes achando aquilo tudo uma tremenda sem
sabedoria ou como diziam uma "sensaboria de rachar” - página
325/327
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Visão caricatural da sociedade feminina
A critica feita á sociedade feminina foi a
-Forma de vestir inapropriada com vestidos de missas, algumas
delas com chapéus emplumados que se começavam a usar.
-Também critica o comportamento da mulher (“que nada fazia
de útil”)
-Ambiente corrompido pela falta de gosto pelas corridas de
cavalo e a falta de vontade de assisti-las e para não desobedecer
ás regras de etiqueta não falavam com ninguém ficando no seu
lugar constrangidas.
-A exceção é D. Maria da Cunha que abandona a tribuna e se vai
sentar perto dos homens pois “não aturava a seca de estar lá em
cima perfilada, à espera da passagem do Senhor dos Passos”
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“-Vamos nós ver as mulheres, disse Carlos. Seguiram devagar ao
comprido da tribuna. Debruçadas no rebordo, numa fila muda,
olhando vagamente, como duma janela em dia de procissão,
estavam ali todas as senhoras que vêm no High-life dos jornais,
as dos camarotes de S. Carlos, as das terças-feiras dos
Gouvarinhos. A maior parte tinha vestidos sérios de missa. Aqui e
além um desses grandes chapéus emplumados à Gainsborough,
que então se começavam a usar, carregava duma sombra maior
o tom trigueiro duma carinha miúda. E na luz franca da tarde, no
grande ar da colina descoberta, as peles apareciam murchas,
gastas, moles, com um baço de pó de arroz.” - página 328
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Dentro das intenções críticas
-Temos a critica ao ensino que é refletida com o diálogo de Craft
com Marques, onde abordam temas como a diferença entre o
ensino português com o ensino inglês e obrigatoriedade do
ensino. Eça critica a não importância dada ao ensino português
que se refletiu posteriormente na educação e mentalidade da
sociedade portuguesa naquela época.
-Sobre o adultério, O adultério é representado por Gouvarinho.
Durante todo este capítulo, sempre que esta personagem entra
em ação, ela tem o objetivo de estar perto de Carlos e querer
falar com ele tentando-o convencer do seu plano de ir passar
uma noite a um hotel em Santarém.
-Sobre o “o que é nacional não é bom”
Eça pretende criticar o facto de a sociedade lisboeta não dar o
devido valor ao seu país e ter a necessidade de copiar outras
sociedades de maior influência o que revela a falta de
patriotismo da sociedade.