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ENSINO DE FRAÇÕES EM LIVROS DESTINADOS À FORMAÇÃO DE

PROFESSORES DE MATEMÁTICA

Vitor Luis Sobrinho Altarego¹

1 Aluno do curso de Licenciatura em Matemática, IFSP, campus Bragança Paulista,


vitor.altarego@gmail.com.

RESUMO: O objetivo principal deste artigo é mostrar algumas formas de abordagem dos
números racionais em um curso de formação de professores de matemática e como isso pode
auxiliar ou dificultar posteriormente em relação ao ensino de frações por esses futuros
professores na formação de seus futuros alunos. Vamos analisar dois livros “Números
Racionais, Reais e Complexos” (2006) e “Guia Mangá – Números complexos” (2015) que
possuem propostas diferentes sobre a abordagem de frações, e não somente como uma
divisão e como isso pode auxiliar a compreensão do aluno com operações fracionárias.
Analisaremos qual desses dois livros é o melhor ou se um pode complementar o outro na
aprendizagem do graduando em matemática.

Palavras-chave: Número fracionário. Abordagem de frações. Ensino do graduando.

ABSTRACT: The main objective of this article is to show some ways of approaching
rational numbers of a teacher training course in mathematics and how this may help or hinder
later on the teaching of fractions by these future teachers in the training of their future
students. Let's analyze two books “Números Racionais, Reais e Complexos” (2006) e “Guia
Mangá – Números Complexos” (2015) that have different proposals on the fractions
approach, and not only as a division and how this can help the understanding of pupil with
operations fractional. We will analyze which of these two books is the best or one can
complement the other in the student's learning in mathematics.

Key-words: Fractional number. Fraction approch. Gradution teaching.

Introdução

Este artigo tem como base uma problemática citada em entrevista realizada no
Instituto Federal de São Paulo (IFSP) no campus de Bragança Paulista, com um professor de
matemática, onde foi apontada a dificuldade na compreensão de frações como números, por
partes dos alunos.
A dificuldade relatada por esse professor é corroborada pela avaliação do PISA
(Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) em que 2/3 dos alunos do ensino médio,
no Brasil, não sabem lidar com operações matemáticas básicas (adição, subtração,
multiplicação e divisão). A dificuldade do aluno em resolver operações básicas reflete na
aprendizagem de frações, visto que a base para o desenvolvimento de operações fracionárias
exige domínio sobre a divisão. Segundo Santos (1993 apud SILVA, 1997, p. 2):

A adoção de novos pontos de vista e de novos estilos de prática


pedagógica, em alinhamento com as novas orientações, faz ressaltar a
importância do estudo das dificuldades dos professores na sua
concretização. Traz também para o primeiro plano os problemas do
desenvolvimento profissional e da formação, exigindo que estes
sejam objeto de investigação. Impõe igualmente uma relativação do
valor atribuído a estas orientações, que não podem mais ser vistas
como dogmas perfeitamente estabelecidos, mas antes como
perspectivas didáticas cuja aplicação educativa, tem de passar pela
criatividade pedagógica do professor.

Para superar esse desafio o professor pode ensinar a fração sob diferentes
perspectivas, não necessariamente como uma divisão, mas como um número. Portanto, o
objetivo deste artigo é fazer um comparativo entre as abordagens dos livros “Números
racionais, reais e complexos” (2006) e “Guia Mangá – Números complexos” (2015),
utilizadas para o ensino das frações.

Ideia de fração

Segundo Ivan Niven no seu livro “Números Racionais e Irracionais (1984) ”: “[...]um
número racional (ou fração ordinária) é um número que pode ser colocado na forma a/d, onde
a e d são inteiros e d não é zero[...]”.

Exemplo:

Caso (1): a=40, d=8, a/d=40/8=5/1=5

Caso (2): a=40, d=9, a/d=40/9=4,444...

Com isso todo número racional e inteiro pode ser escrito em uma forma fracionária,
tornando o estudo bem amplo para o aprendizado, por poder representar diversos números de
diversas maneiras diferentes com frações equivalentes.
Baseado nisso iremos fazer análise de livros didáticos disponíveis e destinados para formação
de professores de Matemática, com foco na abordagem usada para ensino de frações.

Análise

O estudo foi feito separadamente, com a leitura dos dois livros já citados, para uma
comparação entre-os, a fim de chegar em um conceito de qual abordagem seria melhor para a
formação de um professor de Matemática, sobre o conteúdo de fração, para que os seus
futuros alunos não tenham dificuldades em lidar com tal.
Ao analisar as definições de números racionais fornecidas pelo livro “Números Racionais,
Reais e Complexos” (2006), partimos da hipótese de que o leitor já possui uma ideia de
fração adquirida no ensino médio, a abordagem das propriedades básicas das operações
aritméticas e das relações entre fração e número racional é mais teórica.
Segundo Whitney (1973 apud RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 99)
“A primeira crise na matemática ensinada na escola ocorre com o estudo das frações. O stress
é causado particularmente pela tremenda confusão das ideias associadas. ”
De acordo com Ripoll, C.; Ripoll, J.; Silveira, (2006, p. 104), o número racional é descrito
como um novo tipo de objeto matemático que foi utilizado para formalizar matematicamente
a ideia intuitiva de quantidade, ligada a frações, visualizaremos o número racional como uma
classe de frações equivalentes. A palavra classe expressa o mesmo que conjunto e é utilizado
quando se trabalha com um conjunto de objetos matemáticos que são equivalentes entre si,
números racionais é a classe de todas as frações equivalentes a uma dada fração. Podemos
dizer então que dois números racionais serão iguais se suas classes pertencerem ao mesmo
conjunto. Que no caso de números racionais é indicado pela letra Q.

O conjunto Q dos números racionais não é o conjunto das frações de


números inteiros, mas sim o conjunto das quantidades numéricas que
elas representam. Mais precisamente: um número racional não é uma
fração, mas sim um conjunto de frações equivalentes. Este “
equivalentes” traduz rigorosamente o fato intuitivo de que a cada
uma dessas frações está associada uma mesma quantidade (RIPOLL,
C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 108).

Toda a fração da classe de frações que equivale em um determinado número racional


é descrita com uma representação fracionária do número em questão. Em outras palavras, a
notação r = a/b indica que a fração a/b é a reprodução do número racional r (RIPOLL, C.;
RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 104).
A exemplo da definição acima, temos que a fração 2/3 designa o número racional
{2/3, 4/6, 8/12, ...}, então 2/3 e 4/6 reproduzem duas das infinitas representações fracionárias
do mesmo. A letra r expressa o número racional, então r = 2/3 e r = 4/6, respectivamente
(RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 105).
O único número racional que pode ter representações fracionárias positivas ou
negativas, tanto em seu numerador, quanto em seu denominador é o zero, que integra a classe
{0/1, 0/2, 0/3, ..., 0/-1, 0/-2, ...} (RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p.
105).
Um número racional r, representado pela fração a/b, é equivalente a um racional s
dado pela fração c/d, apenas se tivermos que essas duas frações são equivalentes, ou seja, r =
s respectivamente a/b = c/d (RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 105).

Usamos, e usaremos, alguns abusos de notação que são tradicionais e


que exploram o fato de estarmos trabalhando com relações de
equivalência. Assim, quando escrevemos: r = 2/3 =4/6. É importante
que o leitor esteja bem consciente de que os iguais utilizados têm um
significado diferente. Com efeito, o primeiro está indicando que a
fração 2/3 representa o número racional r, enquanto que o segundo
igual está dizendo que as frações 2/3 e 4/6 são equivalentes
(RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 108).

Uma fração a/b é considerada irredutível, quando a e b forem relativamente primos. O


número racional também pode ser representado por uma fração irredutível de dominador
positivo (RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 106).
Ao se dizer que, um número racional r é dado por r = a/b, onde a e b são diferentes de
zero inteiro, estamos dizendo, que r é um número racional representado pela fração a/b
(RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J. F. P., 2006, p. 108).
Por fim, ao examinarmos o livro “Guia Mangá – Números complexos” (2015), cujo
objetivo é ajudar os alunos a entenderem circuitos elétricos e a calcular números complexos,
como justificativa de que os estudantes universitários de hoje são da geração de educação
incompleta.
Usa abordagem sobre frações é mais dinâmica, por se tratar do gênero literário
mangá, (história em quadrinhos em estilo japonês) assim há toda uma história envolvendo o
livro e consequentemente o ensino de frações, o guia conta a história de um jovem
universitário chamado Yuta, que devido a sua dificuldade em números complexos acaba
recebendo ajuda da Srta. Himuro, que começa a ajudá-lo com os estudos lhe mostrando um
caminho para o conhecimento dos tipos de números. No decorrer é apontado um problema na
hora de dividir dois números inteiros.
Exemplo: 1:3
“Como não é possível dividir, transformamos na fração 1/3 ou no número decimal
0,333…” (OCHI, M.; ISHINO, T.; PRO, T., 2015, p. 18).
Ao ser utilizado apenas os números inteiros, não há como expressar o resultado de
todas as divisões de um número inteiros por um número inteiro com exatidão (OCHI, M.;
ISHINO, T.; PRO, T., 2015, p. 18).
Assim, foi determinado que o número que é representado em forma de fração número
inteiro dividido por número seria chamado de número racional (OCHI, M.; ISHINO, T.;
PRO, T., 2015, p. 18).

Os números decimais que se repetem eternamente, como 0,333…,


são chamados dízimas periódicas. Elas sempre podem ser
representadas na forma número inteiro:número inteiro. Resumindo,
uma dízima periódica sempre pode ser transformada em número
racional. (OCHI, M.; ISHINO, T.; PRO, T., 2015, p. 18)

Conclusão

O princípio deste artigo é explorar quais meios didáticos são utilizados para a
formação dos professores e se estes satisfazem as necessidades intelectuais dos alunos.
Com a entrevista, descobrimos qual a dificuldade dos alunos quanto a abordagem de
números racionais e investigamos sobre como esse assunto estava sendo ensinado aos alunos
pelos professores, de certo modo, segundo Nicol (1999) os professores reproduzem o modo
como lhes foi ensinado, o que nos faz refletir sobre qual método de ensino é mais eficaz para
tal assunto. Para adaptar as situações de aprendizagem dos alunos é preciso que os
professores disponham de um sólido conhecimento profissional.
Ao analisar os livros “Números Racionais, Reais e Complexos“ e o “Guia Mangá –
Números complexos”, utilizados como material didático de apoio, concluímos que, o
“Números Racionais, Reais e Complexos“ explica de forma clara e detalhada sobre o que é
um número racional e de como interpretá-lo, mostra todo o raciocínio por trás de cada teoria
e de como se atingir o resultado esperado, já o livro “Guia Mangá – Números complexos”,
explora menos o conteúdo, não é tão profundo na abordagem do conteúdo, porém o aborda de
forma lúdica e ilustrada, o que faz com que o leitor se interesse mais pelo assunto, o
componente essencial do mangá é a habilidade em fazer com que as pessoas penetrem nas
histórias, expressando seus sentimentos e emoções, atraindo os leitores.
Concluímos então que ambos os livros são essenciais para a formação do aluno de
licenciatura, uma vez que cada um aborda de diferentes perspectivas os mesmos assuntos
estudados.

Referências

BRASIL (2012). PISA 2012. Relatório Nacional. Brasília, DF: INEP/MEC

RIPOLL, C.; RIPOLL, J. B.; SILVEIRA, J F. P. Números Racionais, Reais e Complexos.


Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2006.
NICOL, C. Learning to teach mathematics: questioning, listening, and responding.
Educational Studies in Mathematics, n. 37, p. 45-66, 1999.

NIVEN, I. Números: Racionais e Irracionais. Tradução de Renate Watanabe. Rio de


Janeiro: SMB, 1984.

OCHI, M.; ISHINO, T.; PRO, T. Guia Mangá – Números complexos. Tradução de Ivan
Luis Lopes, 2015

SANTOS, V. M. P. Matemática - Conhecimento, Concepções e Consciência


Metacognitiva de Professores em Formação e em Exercício. Anais do 1º Seminário
Internacional de Educação do Rio de Janeiro, UFRJ, 1993.

SILVA, M. J. F. Sobre a introdução do conceito de número fracionário. Editora da


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1997. Disponível em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/
Silva.pdf >. Acesso em: 27 jun. 2019.

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