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Salimata Camara

Virginia João Zico

Psicoterapia de Grupo

(Licenciatura em Psicologia Educacional com Habilitações em Intervenção em Desenvolvimento Humano


e Aprendizagem)

Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Salimata Camara

Virgínia João Zico

Psicoterapia de Grupo

Trabalho de carácter avaliativo,


pertencente Faculdade de Educação e
Psicologia, ao curso de Psicologia
Educacional, 4° ano, regime laboral, na
Cadeira de Teorias e Técnicas
Psicoterapêuticas, Cadeira pela qual
Leccionada pela:

M.A Lúcia Maurício

Universidade Rovuma

Nampula

2021
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Índice
Introdução...................................................................................................................................3

1. Grupo terapêutico................................................................................................................4

1.1. Critérios de conceituação.................................................................................................4

2. Grupo de auto ajuda.............................................................................................................4

2.1. Características dos GAA..................................................................................................5

2.2. Objectivos básicos do GAA / GAM................................................................................6

2.3. Tipos de GAA..................................................................................................................6

2.4. Vantagens.........................................................................................................................7

2.5. Contacto na psicoterapia de grupo...................................................................................7

3. Terapia familiar e de casal...................................................................................................8

Conclusão..................................................................................................................................10

Bibliografia...............................................................................................................................11
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Introdução

O presente trabalho com o tema Psicoterapia de Grupo ira abordar sobre os grupos de auto
ajuda que nele abordara sobre definição d o que é um grupo de auto-ajuda, apresenta
informações sobre o desenvolvimento dos grupos, caracteriza seu funcionamento, diferencia
alguns tipos de grupos, considera a respeito do processo da auto-ajuda e sugere alternativas de
actuação para psicólogos junto aos grupos assim como da terapia familiar e de casal
remigrando do pressuposto em acreditar que esteja recebendo o tratamento apropriado e
vantajoso contribuindo para o auto ajuste fornecendo um ambiente seguro e de apoio para os
membros a assumir riscos, alargando o seu repertório de comportamento interpessoal e
melhorando suas habilidades sociais.
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1. Grupo terapêutico

Ribeiro (1994), descreve que um grupo terapêutico deve transformar-se em um grupo


primário, cuja definição é a seguinte: “ É um grupo de pessoas caracterizado por uma
associação ou cooperação face a face. Ele é o resultado de um integração íntima e de certa
fusão de individualidades em todo comum, de tal modo que a meta e a finalidade do grupo
são a vida em comum, objectivos comuns e um sentido de pertencimento, com um sentimento
de simpatia e identidade.”, (p. 33)

Rodrigues et al, (1999) fala de um grupo psicológico que tem uma atmosfera própria. Forma-
se principalmente pela proximidade física e também pela identidade de pontos de vista de
seus constituintes e, à medida que a interacção continua valores, objectivos, papéis, normas
vão se formando progressivamente.

1.1. Critérios de conceituação

Os critérios mais utilizados são os seguintes:

 Autogestão – os próprios integrantes encarregam-se de todos os procedimentos


necessários para a manutenção do grupo;
 Independência de instituições e profissionais de saúde – GAA são leigos e
autónomos;
 Participação voluntária – a frequência ao grupo é totalmente livre;
 Nenhum interesse financeiro – GAA não visam lucro; sustentam-se com doações
espontâneas dos integrantes;
 Dirigidos para um único problema – os grupos têm um foco: alcoolismo, drogadição,
problemas emocionais, compulsão alimentar;
 Experiências pessoais como principal fonte de ajuda – GAA não utilizam
conhecimento científico ou literatura especializada; o conhecimento partilhado é
experiencial.

Fique claro que esses são os critérios mais comumente utilizados para definir um GAA
segundo os estudos de Levy (1976) e Rootes e Aanes (1992).

2. Grupo de auto ajuda

De início, é importante destacar que, conforme o processo básico de funcionamento desses


grupos, a denominação mais adequada é a de ajuda mútua (Sanchez Vidal, 1991). O autor
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propõe uma integração das duas expressões: são grupos de auto-ajuda (GAA) na medida em
que mantêm total autonomia em relação a instituições e profissionais (ou seja, o grupo ajuda a
si mesmo) e são grupos de ajuda mútua porque baseiam sua actuação na mutualidade (os
participantes ajudam uns aos outros).

Os Grupos de Auto-ajuda (GAA) e os Grupos de Ajuda-Mútua (GAM) são uma das formas
terapêuticas de Reabilitação Psicossocial, permitindo o acesso a um espaço de partilha de
experiências e saberes, no combate ao estigma, solidão e isolamento, tendo em vista ganhos
de saúde e maior qualidade de vida e cidadania activa. São grupos homogéneos no sentido de
que os seus participantes passam ou passaram pela mesma experiencia de vida derivada de um
diagnóstico de doença.

Um GAA / GAM é um grupo de pessoas que partilham o mesmo problema e que se


encontram de forma periódica, para falarem do mesmo, para procurarem soluções em
conjunto e que se apoiam mutuamente.

Os GAA / GAM baseiam-se no conceito de que ajudando os outros, as pessoas se ajudam a si


próprias; partilharem experiências, e perceberem como os outros superam situações
semelhantes, torna-se vantajoso para a pessoa. Os grupos proporcionam também o acesso à
Psicoeducação que fomenta o conhecimento e a responsabilidade na gestão da doença.

2.1. Características dos GAA

 Partilha;
 Conhecimento da experiencia;
 Companheirismo;
 Flexibilidade;
 Heterogeneidade;
 Participação voluntária e fluida;
 Suporte continuado e permanente;

A mutualidade é o mecanismo fundamental dos GAA (Sanchez Vidal, 1991). É resultante de


relações simétricas, nas quais se dá e se recebe o mesmo, informação ou apoio emocional, ao
contrário de relações assimétricas (típicas dos serviços profissionais), nas quais uma parte tem
um problema e a outra tem conhecimentos para solucionar o problema.
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2.2. Objectivos básicos do GAA / GAM

 Apoio emocional que facilite às pessoas superar a sua instabilidade emocional e o seu
isolamento, mediante o contacto com pessoas que tiveram experiências idênticas e que
possuem respostas e estratégias positivas para o problema;
 Adquirir e reforçar atitudes positivas face à integração em diferentes contextos
(família, amigos, trabalho, comunidade);
 Facilitar a expressão de sentimentos, emoções e pensamentos ligados à doença;
 Favorecer o processo de adaptação às diferentes situações geradas pelo diagnóstico;
 Melhorar a “Auto compreensão” sobre a doença e o autoconhecimento;
 Favorecer o conhecimento e a mobilização de recursos pessoais;
 Melhorar a qualidade de vida;
 Combate ao estigma;
 Conhecimento das Doenças Unipolar e Bipolar;
 Reconhecimento dos sinais de alarme da doença;
 Prevenção de recaídas;
 Partilha de experiências e saberes;
 Definir e identificar as estratégias para superar a adversidade;
 Obter ganhos de saúde.

2.3. Tipos de GAA

Em vista da variedade de grupos existentes, alguns trabalhos propõem tipologias para melhor
caracterizar a actuação dos GAA.

Levy (1976) apresenta quatro tipos de grupos, considerando propósitos e composição:

I. Tipo I – grupos voltados para reorganização de conduta ou controle do


comportamento, nos quais os membros desejam eliminar ou controlar um
comportamento problemático (A/A, por exemplo);
II. Tipo II – grupos de pessoas que compartem uma característica geradora de estresse e
se reúnem para discutir maneiras de lidar com o problema, que é permanente
(deficientes físicos);
III. Tipo III – grupos orientados para a sobrevivência de específicos estilos de vida
socialmente discriminados (grupos gays ou raciais);
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IV. Tipo IV – grupos cujo objectivo é o crescimento pessoal e a autoatualização, nos


quais não há um problema comum entre os participantes, mas a ideia de que podem
ajudar uns aos outros a viverem melhor.

2.4. Vantagens

Barrón, Lozano e Chacón (1993) assinalam quatro vantagens dos GAA, comparados com as
intervenções profissionais tradicionais:

 Os GAA permitem intervir com várias pessoas simultaneamente, o que implica em


economia de tempo, dinheiro e esforço;
 Os grupos não necessitam de coordenação profissional, sendo dirigidos pelos próprios
integrantes, ainda que profissionais possam actuar como assessores;
 Estimulam o sentimento de comunidade, com o apoio provindo do próprio grupo e não
de uma instituição ou de um profissional.

2.5. Contacto na psicoterapia de grupo

No início de um grupo terapêutico, geralmente, os membros não se conhecem, o ambiente é


novo e todos se reúnem com o objectivo de cuidar de suas questões. Entretanto, esse é um
objectivo um tanto quanto delicado e falar de coisas íntimas e pessoais em um grupo, que mal
se conhece pode ser difícil. “A exposição é perigosa, quer seja aos elementos, ao desdém, ou
às exigências dos outros” (POLSTER, 2001, p.134).

Por isso, compete ao terapeuta deixar bem clara a importância de manter confidencial tudo
que é exposto no grupo, que os membros não devem comentar nada a respeito com pessoas de
fora do grupo, com a finalidade de preservar a identidade dos demais participantes e suas
histórias.

Segundo Yalom (2006), a necessidade de pertencer é característica do ser humano e quando


um grupo inicia-se o que está em jogo é o compartilhamento afectivo do mundo interior de
cada um e a aceitação dos outros membros do grupo.

“O fato de ser aceito pelos outros desafia a crença do paciente de que ele é basicamente
repugnante, inaceitável e detestável. O grupo aceitará um indivíduo desde que ele siga as
regras de procedimento do grupo, independentemente de experiências de vida, transgressões
ou fracassos sociais passados” (p. 63).
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Ribeiro (1994) concorda com a ideia de que o grupo acolhe quem quer que seja, independente
de suas vivências.

“O grupo aceita e respeita a dor, a confusão, o medo do outro. Ainda quando o grupo pareça
ser desrespeitoso da intimidade e do movimento próprio do outro, ainda aqui não quer
destruir, mas criar atmosfera de clareza, onde adjectivos não sejam necessários para adoçar o
ambiente” (p. 169).

Yalom (2006b) relata três estágios que o grupo terapêutico passa, mas o próprio autor destaca,
que a estruturação desses estágios é um esquema útil dos desenvolvimentos dos grupos,
apesar de não ser uma regra para todos os grupos, uma vez que, trata-se de relacionamentos
interpessoais, com variáveis imprevisíveis.

O estágio inicial é de orientação, participação hesitante, busca por significado e dependência.


Neste estágio, os participantes mostram-se preocupados em fazer parte do grupo, em serem
aceitos e de envolverem-se com os demais membros do grupo.

O segundo estágio é o de conflito, dominação, rebeldia, no qual os membros do grupo


encontram-se preocupados com o status, com o controle e o poder que exercem ou não dentro
do grupo.

O terceiro estágio é o de desenvolvimento da coesão, que diz respeito aos membros do grupo
buscarem transformar o grupo em uma unidade coesa.

Para o autor, a medida em que o grupo acontece, há uma significativa mudança na


comunicação entre os membros, que passam a falar de suas experiências mais pessoais,
afectivas e menos intelectuais. Tendem a ficar mais no “aqui-agora”, oferecendo feedbacks
mais construtivos, sendo o grupo mais autodirigido e sendo menor a participação do terapeuta.

3. Terapia familiar e de casal

A terapia de casal não pode ser vista como uma terapia individual de um dos cônjuges com a
presença do outro. Segundo Caillé (1994), a terapia conjugal é uma intervenção na relação do
casal com a presença de ambos que são, ao mesmo tempo, criadoras e criaturas da relação. No
entanto, se o trabalho for realizado com apenas um dos membros do casal, “o outro pode, sem
querer, continuar a reforçar a construção que o terapeuta tenta tornar menos rígida”.
(ELKAÏM, 2008, p.105).
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Geralmente, um casal procura terapia quando se encontra em conflito, ou quando existe uma
insatisfação com a vida conjugal, seja por dificuldade na regulação da intimidade, disputa
pelo poder, ciúmes, traição de um dos cônjuges, insatisfação sexual. (MONTORO, 2006).

A terapia de casal e de família tem como função ajudar o cliente a revisar os seus modelos de
funcionamento do mundo e do self. Por isso, o terapeuta busca promover uma comunicação
aberta entre os membros, para entender a opinião individual a respeito dos assuntos
importantes para o casal, ou para a família.

É por meio desta comunicação aberta, que o terapeuta irá co construir com o casal,
alternativas, seja para darem continuidade a um projecto de vida juntos, ou separados. Por
isso, é necessário criar um espaço terapêutico colaborativo e reflexivo, no qual os cônjuges se
sintam à vontade para abrir as bagagens que trouxeram para o casamento, bem como
externalizar seus pensamentos, e auxiliar o casal a estabelecer uma boa comunicação.
Somente assim, torna-se possível construir novos espaços relacionais e novos contractos a
respeito da rotina do casal, podendo incluir discussões a respeito do uso do dinheiro,
frequência sexual, colaboração nos cuidados da casa e dos filhos, com o que e como empregar
o tempo livre, dentre outros.

O terapeuta que adopta o pensamento sistémico não age como um expert, que define as
verdades e o caminho que o casal deverá seguir. Age como participante activo em uma
conversa que, mediante seus conhecimentos e habilidades, construirá melhores caminhos para
o crescimento, juntamente com o cliente. Para Elkaïm (2008), a psicoterapia é uma
experiência por meio da qual o indivíduo se abre para possibilidades que não se tinha acesso.
E o terapeuta irá abrir este caminho por meio dos recursos terapêuticos oferecidos pelo
próprio casal.
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Conclusão

Chegado ao final do trabalho concluímos que sem dúvida, o estudo dos GAA pode
proporcionar importantes informações sobre como tratar ou lidar com diversos tipos de
problemas e sobre como as pessoas – leigas – podem desenvolver entendimentos e estratégias
para superar problemas. A precariedade do serviço público de saúde e a pobreza de boa parte
da população de alguns países incluindo o nosso obrigam a pensar que os GAA podem ser
importantes aliados de uma eficiente rede de serviços de saúde.
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Bibliografia

Barrón, A.; Lozano, P. e Chacón, F. (1993). Autoayuda y apoio social. In A. Martín; F.


Chacón & M. Martínez, Psicología Comunitária (pp. 205-225). Madrid: Visor.

Caillé, P. (1994). Um e um são três. São Paulo: Summus,

Elkaïm, M. (2008). Como Sobreviver à Própria Família. São Paulo: Integrare,

Levy, L.H. (1976). Self-help groups: types and psychological processes. Journal of Applied
Behavioral Science, 12, 310-322.

Montoro, G.C.F. (2006). A regulação da intimidade conjugal. In: COLOMBO, S.F. Gritos e
Sussurros: Intersecções e ressonâncias, trabalhando com casais. Volume II. São Paulo: Vetor,
P. 107-142.

Polster, E. & Polster, M. (2001). Gestalt-terapia integrada; tradução: Sonia Augusto. São
Paulo: Summus,

Ribeiro, J.P (1994). Gestalt-terapia: o processo grupal: uma abordagem fenomenológica da


teoria do campo e holística. São Paulo: Summus,

Rodrigues, A. & Jablonsky, B. & Assmar,E. (1999). Psicologia Social. 22ª Edição, Rio de
Janeiro: Vozes.

Sanchez Vidal, A. (1991). Psicologia comunitária: bases conceptuales y organizativas,


métodos de intervención. Barcelona: PPU.

Yalom, I.D & Yalom, M.L. (2006). Psicoterapia de grupo: teoria e prática; tradução Ronaldo
Cataldo Costa. Porto Alegre: Artemed.

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