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GRUPO

Educação a Distância

Caderno de Estudos

TÓPICOS ESPECIAIS

UNIASSELVI
2015

NEAD
Copyright  UNIASSELVI 2015

Elaboração:
Ana Clarisse Alencar Barbosa
Arildo João de Souza
Fábio Roberto Tavares
Francieli Stano Torres
Graciela Márcia Fochi
Grazielle Jenske
Greisse Moser
Luciane da Luz
Lírio Ribeiro
Maquiel Duarte Vidal
Meike Schubert
Vânia Konell
Vera Lúcia Hoffmann Pieritz

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

370
B238t Barbosa, Ana Clarisse Alencar
Tópicos especiais / Ana Clarisse Alencar Barbosa
[et al.] Indaial : UNIASSELVI, 2015.

293 p. : il.

ISBN 978-85-7830-908-4

1. Educação.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
APRESENTAÇÃO

Olá, acadêmico! Vamos iniciar os estudos do Caderno Tópicos Especiais. Este caderno
está dividido em três unidades e tem o intuito de reforçar, conforme orientação do INEP, art. 3º:

Elementos integrantes do perfil profissional: letramento crítico; atitude ética;


comprometimento e responsabilidades sociais; compreensão de temas que
transcendam ao ambiente próprio de sua formação, relevantes para a reali-
dade social; espírito científico, humanístico e reflexivo; capacidade de análise
crítica e integradora da realidade; e aptidão para socializar conhecimentos com
públicos diferenciados e em vários contextos.

A partir desta orientação, queremos apresentar o caderno, que traz conteúdos gerais
para você estar bem preparado para o ENADE e para o que a vida lhe apresentar. São temas
pertinentes, atuais, abrangentes e que fazem parte da vida de todos nós. Vamos começar?

Na primeira unidade, que vai tratar sobre cidadania e sociedade, seremos conduzidos
por um mundo intrínseco do comportamento humano em sociedade e suas regras de conduta
e participação social, política e econômica, no qual trabalharemos a questão da formação dos
princípios morais e éticos dos homens que vivem e convivem em sociedade, além de abordarmos
questões pertinentes à democracia, à ética e à cidadania. Desta forma, compreenderemos os
significados dos princípios norteadores da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma
reflexão e uma discussão sobre as questões ético-morais, na relação indivíduo e sociedade.

Ainda nesta unidade vamos apresentar algumas definições e conceitos a respeito dos
problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças entre coisas e seres,
que por consequência geram os mais diversos preconceitos, desigualdades e conflitos sociais.
Vamos também identificar a necessidade e a essencialidade da inclusão como uma forma de
democratização das relações sociais, principalmente na emancipação e na sutileza do trato
com o outro, seja em relação aos “iguais” ou entre iguais e diferentes, que de alguma forma,
ainda não foram incluídos no contexto social.

Relacionado à sociedade e suas relações, vamos trabalhar o conceito de multiculturalismo,


enfatizando as origens do surgimento do movimento e os campos de conhecimento que acolhem
os estudos multiculturais

Para finalizar esta unidade, estudaremos a cultura e a arte como áreas que interagem
entre si e com as demais áreas de conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes
culturas e suas manifestações artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre
os sujeitos no meio social. A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme o
tempo e o espaço. A cultura e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: erudita,
popular e de massa.

TÓPICOS ESPECIAIS iii


Vamos caminhando para a segunda unidade? Começamos esta unidade adentrando
nos assuntos relacionados à Ciência, Tecnologia e Sociedade. Veremos como se faz necessário
entendermos os fundamentos da ciência sob diferentes óticas e também analisar definições e
pensamentos acerca da tecnologia e algumas formas de interpretar a sociedade.

Muito próximo dessa temática, avançaremos sobre as tecnologias da informação


e comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação, das
transformações resultantes do processo da globalização de mercados e dos avanços do uso
dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos.

Concluímos os estudos deste caderno com a terceira unidade. Nela, vamos estudar
sobre as políticas públicas, sobre a vivência nos meios urbanos e rurais e a questão ecológica,
temas tão importantes para o desenvolvimento da sociedade como um todo.

Queremos evidenciar a importância das políticas públicas para a concretização dos


direitos e deveres do Estado em relação às pessoas que compõem a sociedade e, assim como
o estado, gozam de seus direitos civis e políticos. Veremos também que estamos sujeitos ao
conjunto de normas jurídicas e sociais, formando assim um marco regulatório previamente fixado
no que diz respeito à distribuição harmônica dos elementos que formam os direitos, deveres
e responsabilidades em prol do desenvolvimento educacional, político, econômico e social.
Nesta via de mão dupla vamos perceber que a vida em sociedade está ligada à política e não
há ação social sem ação política, quer seja promovida pelo Estado ou pela sociedade. Vamos
ainda tratar sobre a saúde e sua gestão, a habitação e moradia como direitos constitucionais
e a segurança em âmbito nacional.

Esperamos que este estudo possa auxiliá-lo na compreensão de tantos temas que
compõem este caderno, preparar-se bem para o ENADE e leve para a vida as abordagens
aqui feitas.

Bons estudos!

UNI
Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas.
Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações.
Desejo a você excelentes estudos!

UNI

TÓPICOS ESPECIAIS iv
SUMÁRIO

UNIDADE 1 - CIDADANIA E SOCIEDADE ....................................................................... 1

TÓPICO 1 - DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA .......................................................... 3


1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 3
2 A DEMOCRACIA EM PAUTA ......................................................................................... 3
3 A QUESTÃO DA ÉTICA .................................................................................................. 9
4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA .................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................. 18
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 20

TÓPICO 2 - SOCIEDADE E A DIVERSIDADE ................................................................ 23


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 23
2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL .............. 23
3 DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL .......................................... 24
4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE ................................................ 33
5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE HUMANA ............................... 33
6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO SABER APRENDIDO .............................. 39
RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................. 41
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 42

TÓPICO 3 - MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA


E RELAÇÕES DE GÊNERO ............................................................................................ 45
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 45
2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO ................................................................. 45
3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO ................................................................ 47
4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O MULTICULTURALISMO .............. 48
5 ESTUDOS DE GÊNERO .............................................................................................. 49
5.1 FEMINISMO ............................................................................................................... 49
5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA ................................................................................ 50
5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA ................................................................................ 50
5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE
GÊNERO .......................................................................................................................... 52
6 CONCEITUANDO GÊNERO ......................................................................................... 52
7 ESTUDOS DE GÊNERO .............................................................................................. 53
RESUMO DO TÓPICO 3 .................................................................................................. 57
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 59

TÓPICO 4 - RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E


TERCEIRO SETOR .......................................................................................................... 63
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 63
2 SETOR PRIVADO ......................................................................................................... 64

TÓPICOS ESPECIAIS v
3 TERCEIRO SETOR ....................................................................................................... 64
3.1 HISTÓRICO ............................................................................................................... 65
3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL ..................................... 67
4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS ....................................................... 68
RESUMO DO TÓPICO 4 .................................................................................................. 71
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 72

TÓPICO 5 - CULTURA E ARTE ...................................................................................... 75


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 75
2 CULTURA ..................................................................................................................... 76
3 ARTE ............................................................................................................................. 79
RESUMO DO TÓPICO 4 .................................................................................................. 87
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................ 88
AVALIAÇÃO ..................................................................................................................... 90

UNIDADE 2 - POLÍTICA, TECNOLOGIA E GLOBALIZAÇÃO: OS IMPACTOS SOBRE A


SOCIEDADE .................................................................................................................... 91

TÓPICO 1 - CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE ................................................... 93


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 93
2 CIÊNCIA ........................................................................................................................ 93
3 TECNOLOGIA ............................................................................................................... 95
4 SOCIEDADE ................................................................................................................ 97
5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA ....................................................... 99
6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE (CTS) – INTERPRETAÇÕES SOBRE
A NOVA FORMAÇÃO ................................................................................................... 100
6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS ...................................................................................... 100
6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS .............................................................. 101
6.3 CTS SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER ................................................................... 103
7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL ................................................................... 105
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................ 107
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 108

TÓPICO 2 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) .................111


1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................111
2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR
DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO .......................111
3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC ..................................114
RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................118
AUTOATIVIDADE ...........................................................................................................119

TÓPICO 3 - AVANÇOS TECNOLÓGICOS .................................................................... 121


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 121
2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI ............................................ 121

TÓPICOS ESPECIAIS vi
3 COMUNIDADES VIRTUAIS ........................................................................................ 122
3.1 REDES SOCIAIS ..................................................................................................... 124
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................ 125
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 126

TÓPICO 4 - GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL ................................... 129


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 129
2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA ............................................... 130
2.1 O TERCEIRO SETOR .............................................................................................. 132
3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO ............................................................................. 132
4 A POLÍTICA INTERNACIONAL .................................................................................. 134
5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO ............................................................. 234
6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA ............................................................... 235
7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À POLÍTICA INTERNACIONAL ....................... 137
RESUMO DO TÓPICO 4 ................................................................................................ 139
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 140

TÓPICO 5 - RELAÇÕES DE TRABALHO .................................................................... 141


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 141
2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO ................................................ 141
3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .......................... 146
4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS .............................................. 147
4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL ................................................ 148
4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO BRASIL ................ 149
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 151
RESUMO DO TÓPICO 4 ................................................................................................ 153
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 154
AVALIAÇÃO ................................................................................................................... 156

UNIDADE 3 - POLÍTICAS PÚBLICAS .......................................................................... 157

TÓPICO 1 - POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO ...................................................... 159


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 159
2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL ...................................................................................... 159
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................ 172
AUTIATOVIDADE .......................................................................................................... 173

TÓPICO 2 - POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE .............................................................. 175


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 175
2 CONCEITO DE SAÚDE .............................................................................................. 177
3 SAÚDE: DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO ............................................. 180
4 AS REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE ...................................................................... 181
5 DIVERSOS ATENDIMENTOS EM SAÚDE ................................................................ 184
5.1 POLÍTICAS DE SAÚDE E PROGRAMAS ESPECÍFICOS ..................................... 185

TÓPICOS ESPECIAIS vii


RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................ 189
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 190

TÓPICO 3 - HABITAÇÃO E SANEAMENTO ................................................................ 193


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 193
2 DIREITO À MORADIA ................................................................................................ 194
3 SANEAMENTO ........................................................................................................... 200
4 SANEAMENTO BÁSICO ............................................................................................ 201
5 PRECARIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO ........................................................ 205
6 AVANÇOS NO SANEAMENTO .................................................................................. 207
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................ 210
AUTOATIVIDADE ...........................................................................................................211

TÓPICO 4 - TRANSPORTES E SEGURANÇA .............................................................. 215


1 TRANSPORTES ......................................................................................................... 215
2 CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSPORTES .................................................................. 217
2.1 TERRESTRES ......................................................................................................... 217
2.2 AQUAVIÁRIOS ......................................................................................................... 219
2.3 AÉREO ..................................................................................................................... 221
3 INFRAESTRUTURA ................................................................................................... 221
RESUMO DO TÓPICO 4 ................................................................................................ 224
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 225

TÓPICO 5 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM ÂMBITO NACIONAL ..... 226


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 226
2 A SEGURANÇA PÚBLICA E AS CONTRIBUIÇÕES COMUNITÁRIAS .................... 228
3 SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA CRIMINAL ...................................................... 229
4 SEGURANÇA PÚBLICA E O PAPEL DO ESTADO ................................................... 233
RESUMO DO TÓPICO 5 ................................................................................................ 236
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 237

TÓPICO 6 - VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA ..................................................... 239


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 239
2 VIDA URBANA ............................................................................................................ 239
3 VIDA RURAL .............................................................................................................. 241
4 SEMELHANÇAS OU DIFERENÇAS .......................................................................... 244
5 ECOLOGIA ................................................................................................................. 247
6 ECOSSISTEMA ........................................................................................................... 248
6.1 ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS ..................................................................... 249
6.2 EXEMPLOS DE ECOSSISTEMAS .......................................................................... 252
6.3 DIVERSIDADE DO ECOSSISTEMA ........................................................................ 252
7 OS GRANDES BIOMAS ............................................................................................. 253
7.1 FATORES QUE DETERMINAM OS BIOMAS .......................................................... 253
RESUMO DO TÓPICO 6 ................................................................................................ 255

TÓPICOS ESPECIAIS ix
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 256

TÓPICO 7 - MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ................... 259


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 259
2 QUESTÕES AMBIENTAIS – UMA REFLEXÃO SOCIOAMBIENTAL ....................... 259
3 SUSTENTABILIDADE: SURGIMENTO ..................................................................... 262
3.1 RELATÓRIO BRUNDTLAND OU “NOSSO FUTURO COMUM” .............................. 263
3.2 AGENDA 21 .............................................................................................................. 264
3.3 CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL – RIO+20 ............................................................................................. 264
4 SUSTENTABILIDADE: CONCEITUAÇÃO ................................................................. 265
4.1 OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE .................................................................. 266
5 AS FERRAMENTAS PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL .......................................... 268
5.1 PACTO GLOBAL ..................................................................................................... 270
5.2 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO - ODM ................................. 270
5.3 PROTOCOLO DE KYOTO ....................................................................................... 271
5.4 ABNT NBR 14064 – INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO
ESTUFA .......................................................................................................................... 272
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................... 272
RESUMO DO TÓPICO 7 ................................................................................................ 276
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 277
AVALIAÇÃO ................................................................................................................... 279
REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 280

TÓPICOS ESPECIAIS iix


TÓPICOS ESPECIAIS x
UNIDADE 1

CIDADANIA E SOCIEDADE

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Esta unidade tem por objetivos:

 compreender diferentes conceitos de democracia, ética, cidadania


e sociodiversidade;
 verificar a evolução da conduta moral e do multiculturalismo ao
longo dos anos;
 identificar a importância da responsabilidade social e os três
setores: público, privado e terceiro setor para uma sociedade
equânime;
 entender a importância da cultura e da arte no desenvolvimento
da sociedade.

PLANO DE ESTUDOS

Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No final de cada


um deles você encontrará um resumo e atividades que reforçarão o
seu aprendizado.

TÓPICO 1 – DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA

TÓPICO 2 – SOCIODIVERSIDADE E INCLUSÃO


T
TÓPICO 3 – MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, Ó
TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E
RELAÇÕES DE GÊNERO P
I
TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADE SOCIAL: C
SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E O
TERCEIRO SETOR S

TÓPICO 5 – CULTURA E ARTE E


S
P
E
C
I
A
I
S
T
Ó
P
I
C
O
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 1

TÓPICO 1

DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA

1 INTRODUÇÃO

Entraremos no mundo intrínseco do comportamento humano em sociedade e suas


regras de conduta e participação social, política e econômica, no qual trabalharemos a questão
da formação dos princípios morais e éticos dos homens que vivem e convivem em sociedade,
além de abordarmos questões pertinentes à democracia e à cidadania.

Para tanto, abordaremos a compreensão dos significados dos princípios norteadores


da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma discussão sobre as
questões ético-morais, na relação indivíduo e sociedade.

2 A DEMOCRACIA EM PAUTA
T
Ó
Estamos vivendo em um país apresentado como democrático! Mas, será que todos P
nós compreendemos o sentido real da democracia e seus reflexos na sociedade brasileira? I
C
Em outros termos, o que realmente é este Estado Democrático de Direito em que vivemos? O
S
Neste sentido, Moisés (2010, p. 277) expõe que “o significado mais usual da democracia
E
se refere aos procedimentos e aos mecanismos competitivos de escolha de governos através de S
eleições”. Ou seja, a democracia é compreendida habitualmente somente como um processo de P
escolha dos nossos representantes legais em todas as esferas, tanto local, municipal, estadual E
C
e federal, no qual a população destas esferas, por meio de seu voto, seleciona e elege o seu I
representante para legislar em nome desta mesma população. A
I
S
4 TÓPICO 1 UNIDADE 1

Assim, “podemos considerar que a democracia nada mais é do que um sistema de


governo, no qual o povo governa para sua própria sociedade”. (PIERITZ, 2013, p.133) Deste
modo, pode-se observar que a democracia pode ser exercida de duas formas distintas, pois
ela pode ser direta ou indireta.

QUADRO 1 – FORMAS DE DEMOCRACIA

FORMAS DE DEMOCRACIA
Na qual o povo decide diretamente, por meio de referendo/plebiscito, se
Democracia
aceita ou não determinadas questões políticas e administrativas de sua
direta
localidade, Estado ou país.
Nesta, o povo participa democraticamente, por meio do voto, elegendo
D e m o c r a c i a seu representante político, ou seja, uma pessoa que o represente nas
indireta diversas esferas governamentais, para tomar decisões cabíveis em nome
do povo que o elegeu.
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 133)

Este conceito de democracia é notoriamente o entendimento de toda massa populacional


brasileira nos dias de hoje, pois quando se indaga às pessoas com relação ao conceito de
democracia, é este conceito de escolha de nossos representantes legais, por intermédio do
voto popular, que aparece nos discursos da população de nosso país.

Cunha (2011, p. 105) expõe que a democracia pode ser compreendida como “método
de organização social e política tendente à maior realização da liberdade e da igualdade. É um
Sistema político em que o povo constitui e controla o governo, no interesse de todos”.

Outro fator que não podemos esquecer é que, quando falamos em democracia, também
falamos de Estado Democrático de Direito. Segundo Cunha (2011, p. 138), o “Estado de
direito [é aquele] que se organiza e opera democraticamente”. Nossa Carta Magna de 1988,
T já em seu preâmbulo, instituiu um Estado Democrático de Direito, ou seja, a Constituição da
Ó
P República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas normativas em prol de um Estado
I Democrático, no qual a democracia deverá ser a base fundamental da República Federativa
C do Brasil.
O
S
Assim sendo, segundo Pieritz (2013, p. 133), “este sistema de governo democrático
E possui formatos diferentes nas diversas sociedades, pois em cada uma existem regras e
S
normas diferentes, e isto acontece por causa da constituição dos princípios ético-morais de
P
E cada localidade”.
C
I
Resumidamente, a Figura 1, a seguir, apresenta o primeiro entendimento da definição
A
I e o significado da democracia e o Estado Democrático de Direito:
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 5

FIGURA 1 - DEMOCRACIA E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

DEMOCRACIA E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

FONTE: Os autores

Vale salientar que a democracia vai muito além deste discurso sintético de representação
e de voto, pois Moisés (2010, p. 277, grifos nossos) coloca-nos que:

existem outras perspectivas que ampliam a compreensão do conceito, incluin-


do tanto as dimensões que se referem aos conteúdos da democracia, como
também os seus resultados práticos esperados no terreno da economia e
da sociedade. Por uma parte, acompanhando a abordagem minimalista de
Schumpeter (1950) e a procedimentalista de Dahl (1971), vários autores defi- T
niram a democracia em termos de competição, participação e contestação Ó
pacífica do poder. P
I
C
Neste sentido, no que tange a esta conotação que a democracia tem de competição, O
participação e contestação pacífica do poder, pode-se expor que falar de democracia também S
está atrelado ao conceito do “jogo de poderes”, principalmente a disputa e concorrência de
E
cargos em todas as esferas governamentais ou não, além da competição entre partidos políticos S
e outros grupos econômicos, políticos, culturais e sociais. P
E
C
Além disso, não podemos esquecer um elemento fundamental da democracia, que é a I
questão da “participação do povo”, no qual cada cidadão brasileiro é elemento fundamental no A
processo democrático do Brasil, pois direta ou indiretamente é parte do processo democrático I
S
6 TÓPICO 1 UNIDADE 1

instaurado neste país. Ao preferir sua escolha, independentemente do que for ou de que escolha
fora feita, torna-se automaticamente parte do Estado Democrático de Direito e integra-se ao
sistema vigente de democracia daquele determinado Estado.

Maciel (2012, p. 73, grifos do autor) complementa expondo que a democracia “tornou-
se uma aspiração universal, por ser o regime de governo mais propenso a garantir os direitos
individuais, porém não se resume simplesmente ao ato de votar, sendo que o direito à
participação tornou-se uma atividade importante diante da constituição da cidadania”.

Por conseguinte, pode-se expor que democracia denota participação direta ou indireta
da população em todos os espaços que necessitem do veredito do povo em prol de objetivos
comuns a ele mesmo. Assim, Beethan apud Maciel (2012, p. 73, grifos nossos) complementa
expondo que:

o direito à participação pode ser tanto reativo quanto proativo. Em sua forma
reativa, a participação consiste na articulação coletiva de respostas a polí-
ticas de desenvolvimento. Na forma proativa, ela invoca a responsabilidade
popular no desencadeamento da articulação de políticas de desenvolvimento.
No primeiro caso, os governos propõem e os cidadãos reagem; no segundo,
os cidadãos propõem e os governos reagem. Em ambas as formas, o direito
de participação assume a lógica de colaborar com o desenvolvimento.
No coração da democracia repousa, assim, o direito do cidadão de opinar nos
assuntos públicos e de exercer controle sobre o governo, em pé de igualdade
com os demais.

Deste modo, pode-se expor que um dos elementos da democracia é a articulação coletiva
do povo em prol de uma determinada demanda social, política, cultural ou econômica. Para
que se possa debater coletivamente os prós e contras, no que tange aos assuntos pertinentes
ao interesse coletivo, dando assim respostas a esta mesma demanda.

Vale salientar que a não participação e a omissão também são formas de participação,
pois retratam a sua alienação, indiferença, contestação ou o seu descontentamento com
relação ao sistema vigente. Então, isto não quer dizer que aquele cidadão que se omitiu ou
T
Ó apenas não quis participar não fez parte do processo democrático de um país, pelo contrário,
P todo cidadão tem o direito de participar ou não, mesmo que o voto no Brasil seja obrigatório,
I
pois ao votar ele exprime a sua vontade, ou o seu desejo.
C
O
S Aqui fica claro que a população, ao exercer seu direito de participação de forma proativa,
demonstra seus direitos e responsabilidades perante os efeitos da decisão coletiva.
E
S
P Entretanto, também existem quatro condições necessárias para que se possa instaurar
E
um regime governamental pautado na democracia, estas serão vistas no Quadro 2, disposto
C
I a seguir.
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 7

QUADRO 2 - CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O REGIME DEMOCRÁTICO

CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O REGIME DEMOCRÁTICO

1. Direito dos cidadãos de ESCOLHEREM GOVERNOS por


meio de eleições com a participação de todos os membros
adultos da comunidade política.

2. ELEIÇÕES regulares, livres, competitivas, abertas e significa-


tivas.

Disponível em: <http:// 3. GARANTIA DE DIREITOS de expressão, reunião e organiza-


rafaelsilva.over-blog.es/ ção, em especial, de partidos políticos para competir pelo poder.
article-objetivo-demo-
cracia-iv-124370354. 4. Acesso a fontes alternativas de INFORMAÇÃO sobre a
html> ação de governos e a política em geral.

FONTE: Adaptado de Moisés (2010, p. 277)

Estas quatro condições mínimas para implantar um regime democrático são de


fundamental importância para que haja a participação democrática de um povo em prol dos
objetivos comuns do próprio povo, uma vez que a democracia vai muito além da simples
representação e de voto, ela se efetiva e concretiza-se com a participação, com a competição
e a contestação dos processos pacíficos da busca do poder no Estado Democrático de Direito.

Sucintamente, a Figura 2 apresenta a ampliação da compreensão do entendimento do


significado da democracia, ou seja, o seu conceito ampliado:

T
Ó
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C
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S

E
S
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E
C
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I
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8 TÓPICO 1 UNIDADE 1

FIGURA 2 - CONCEITO AMPLIADO DE DEMOCRACIA

FONTE: Os autores

IMPO
RTAN
TE!

Caro aluno, para colaborar com seus estudos, veja que a junção
T
das Figuras 1 e 2 proporciona o entendimento global do que é
Ó democracia.
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UNIDADE 1 TÓPICO 1 9

3 A QUESTÃO DA ÉTICA

O tema que abordaremos neste momento é relativo à questão da ética, a qual permeia
constantemente nosso dia a dia, seja no âmbito familiar, social ou profissional. Aparentemente
compreendemos o seu significado e seus efeitos, mas será que realmente compreendemos o
seu sentido real? Será que sabemos o que é certo ou errado para nós na sociedade em que
vivemos?

Neste sentido, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89) expõem que “a ética é uma das áreas
da filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros [...]”. Em outros
termos, as nossas ações perante a sociedade em que vivemos são orientadas por princípios
éticos e morais, e esta própria sociedade é que forma esta consciência moral do certo e do
errado, do bem e do mal.

Assim, no que tange a esta problemática relativa à ética, Pieritz (2013, p. 3) expõe que
“a ética não é facilmente explicável, mas todos nós sabemos o que é, pois está diretamente
relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja, ao nosso comportamento,
ao nosso modo de vida e de convivência com os outros integrantes da sociedade”. E que estes
valores éticos são construídos historicamente pelos povos, de geração em geração.

Mas, o que são valores?

Paulo Netto expõe que Agnes Heller cita que “VALOR é tudo aquilo que contribui para
explicar e para enriquecer o ser genérico do homem, entendendo como ser genérico um
conjunto de atributos que constituiriam a essência humana”. (PAULO NETTO apud BONETTI
et al., 2010, p. 22-23, grifos do autor).

Deste modo, vejamos no Quadro 3 quais são estes atributos na perspectiva de Heller: T
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10 TÓPICO 1 UNIDADE 1

QUADRO 3 - ATRIBUTOS DOS VALORES HUMANOS

- que se expressa prioritariamente por intermédio do trabalho;


OBJETIVAÇÃO - que proporciona sair do subjetivo e passar para o real e concre-
to.

- que se expressa com a convivência com o outro, em grupo;


SOCIALIDADE - aprendizagem com o outro;
- assimilação de normas sociais.

- tomar ciência dos fatos ou de alguma coisa;


- reconhecimento da realidade;
CONSCIÊNCIA
- descoberta de algo;
- capacidade de perceber as coisas.

- universal;
UNIVERSALIDADE - o todo;
- fazer parte de um determinado grupo.

LIBERDADE - livre-arbítrio.

FONTE: Adaptado de Paulo Netto (apud BONETTI et al., 2010, p. 23)

Então, os atributos dos valores humanos apresentados no Quadro 3 são os elementos


constitutivos do ser humano, do ser social, que formam os nossos valores morais.

Complementando, no Quadro 4 apresentamos mais exemplos dos valores e virtudes


do ser humano, que vive e convive em sociedade.

QUADRO 4 - EXEMPLOS DOS VALORES E VIRTUDES HUMANOS


T
Ó AMIZADE JUSTIÇA OBEDIÊNCIA RESPEITO SIMPLICIDADE
P
I
C LEALDADE COMPREENSÃO SINCERIDADE PUDOR GENEROSIDADE
O
S PACIÊNCIA ORDEM HUMILDADE AUTOESTIMA LIBERDADE

E FONTE: Os autores
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UNIDADE 1 TÓPICO 1 11

Deste modo, podemos expor que “todos nós possuímos princípios e valores que foram
e são constituídos por nossa sociedade. E, com relação a estes valores, cada um de nós possui
uma visão do que é certo e errado, do que é o bem e o mal.” (PIERITZ, 2012, p. 57)

Não podemos nos esquecer de que “esta consciência moral é determinada por um
consenso coletivo e social, ou seja, o conjunto da sociedade é que formula e compõe as normas
de conduta que o regem. Como exemplo, temos a nossa Constituição Federal e outras regras
e normas de nossa sociedade”. (PIERITZ, 2013, p. 4)

São estas regras e normativas jurídicas e sociais que determinam o nosso agir em
sociedade, e cada grupo social possui suas características, ou seja, não se pode dizer que
todos nós somos iguais, que todas as nações e Estados são iguais, porque não somos, pois,
independentemente do Estado, do país ou grupo social, fomos moldando nossos valores e
princípios de forma diferente ao longo de nossa existência.

Segundo Valls (2003, p. 8),

costuma-se separar os problemas teóricos da ética em dois campos: num, os


problemas gerais e fundamentais (como liberdade, consciência, bem, valor,
lei e outros); e no segundo, os problemas específicos, de aplicação concreta,
como os problemas da ética profissional, de ética política, de ética sexual, de
ética matrimonial, de bioética etc.

Em outros termos, os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em


sociedade. Neste sentido, vale salientar que “cada sociedade possui suas normas de conduta
comportamental e seus princípios morais, ou seja, cada grupo social constituiu o que é certo e
errado, o que é o bem e o mal para o seu povo, portanto, nem sempre o que é certo para nós
pode ser certo para um outro grupo social e vice-versa”. (PIERITZ, 2013, p. 4)

Então, como desvelar esta situação? Ou seja, como saber se estamos no caminho
certo? Se estamos fazendo certo ou errado? Ou se realmente estamos fazendo o bem ou o
mal a alguém? São muitas indagações! T
Ó
P
I
Neste sentido, podemos observar que: C
O
S
os problemas éticos se distinguem da moral pela sua característica genérica,
enquanto que a moral se caracteriza pelos problemas da vida cotidiana. O que
há de comum entre elas é fazer o homem pensar sobre a responsabilidade E
das consequências de suas ações. A ética faz pensar sobre as consequências S
universais, sempre priorizando a vida presente e futura, local e global. A moral P
faz pensar as consequências grupais, adverte para normas culturalmente for- E
muladas ou pode estar fundamentada num princípio ético. A ética pode, desta C
forma, pautar o comportamento moral. (TOMELIN; TOMELIN, 2002, p. 90) I
A
I
Então, podemos expor que existem diferenças nítidas entre ética e moral, sendo que
S
12 TÓPICO 1 UNIDADE 1

a ética regula a moral, a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente


construído e legitimado pelo seu povo.

Enfim, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89, grifos do autor) complementam expondo que “a
palavra ética provém do grego ethos e significa hábitos, costumes, e se refere à morada de
um povo ou sociedade. A palavra moral provém do latim moralis e significa costume, conduta”.

Logo, conforme Pieritz (2012, p. 58, grifo nosso):

A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada


pessoa ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que é certo ou errado,
o que é bom ou mal. Porém, este comportamento sempre partirá do ponto de
vista dos princípios morais de cada sociedade, ou seja, seu grupo social. A
ética auxilia no esclarecimento e na explicação da realidade cotidiana de cada
povo, procurando sempre elaborar seus conceitos conforme o comportamento
correspondente de cada grupo social.

Por conseguinte, “o ético transforma-se assim numa espécie de legislador do


comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade”. (VÁZQUEZ, 2005, p. 20), ou seja, a
ética está para regular o nosso comportamento em sociedade.

Complementando, Vázquez (2005, p. 21) coloca-nos que “a ética é teoria, investigação


ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de comportamento dos homens [...]”,
ou seja, “o valor de ética está naquilo que ela explica – o fato real daquilo que foi ou é –, e não
no fato de recomendar uma ação ou uma atitude moral”. (PIERITZ, 2013, p. 7, grifo nosso)

Devemos compreender as diferenças conceituais de ética e moral, pois “podemos


afirmar que a ética estuda e investiga o comportamento moral dos seres humanos. E esta
moral é constituída pelos diferentes modos de viver e agir dos homens em sociedade, que
é formada por suas diretrizes morais da vida cotidiana, transformando-se no decorrer dos
tempos”. (PIERITZ, 2013, p. 19)

T
Ó Porém, o que é a moral?
P Segundo Aranha e Martins (2003, p. 301, grifos das autoras), “a MORAL vem do
I
latim mos, moris, que significa ‘costume’, ‘maneira de se comportar regulada pelo uso’, e de
C
O moralis, morale, adjetivo referente ao que é ‘relativo aos costumes’”. Assim sendo, a moral é
S compreendida como um conjunto de regras de condutas socialmente admitidas em determinadas
épocas ou por um grupo de pessoas. Ou seja, “a moralidade dos homens é um reflexo direto
E
S do modo de ser e conviver em sociedade, no qual o caráter, os sentimentos e os costumes
P determinam o seu comportamento individual e social, que foi ou está sendo perpetuado num
E
espaço de tempo”. (PIERITZ, 2013, p. 35)
C
I
A Ainda de acordo com Pieritz (2013, p. 38),
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 13

A moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações e de nossos


comportamentos em sociedade, mas é a moral que determina quais são os
nossos direitos e deveres perante a sociedade em que vivemos. Estes deve-
res são conectados ao nosso modo de ser e conviver em sociedade, gerando
certas responsabilidades com relação a si próprio e aos outros, tais como:
• sentimentos;
• escolhas;
• desejos;
• atitudes;
• posicionamentos diante da realidade;
• juízo de valor;
• senso moral;
• consciência moral.

Sob estas concepções de ética e moral, apresentamos as suas principais diferenças


na figura abaixo:

FIGURA 3 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL

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FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90) I
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14 TÓPICO 1 UNIDADE 1

Assim, podemos observar que existem diferenças concretas entre estes dois conceitos,
no entanto ainda devemos compreender as diferenças apontadas na figura a seguir:

FIGURA 4 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL

FONTE: Adaptado de Paulo Netto (apud BONETTI et al., 2010, p. 23)

Assim sendo, podemos concluir que a moral

Vem se constituindo historicamente, mudando no decorrer da própria evolução


do homem em sociedade. Em que seus hábitos e costumes são constituídos
por esta relação social, em que a essência humana é pautada por estes prin-
cípios morais. E estes, por sua vez, constituem o ser social que somos. E a
ética nesta questão chega para simplesmente regular e analisar estes preceitos
morais. (PIERITZ, 2013, p. 21)

Por conseguinte, segundo Pieritz (2013, p. 21, grifo nosso), “a ética é precursora da
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL dos diversos sistemas ou estruturas sociais. Sistemas estes que
imprimiam suas mudanças sociais, tais como: Capitalismo e Socialismo”.

T Por fim, Pieritz (2013, p. 21) expõe que “quando é constituída uma nova estrutura social, a
Ó ética, os valores e princípios morais são modificados para constituir assim esta nova concepção
P
I de sociedade”. Ou seja, historicamente, com as transformações sociais, políticas e econômicas
C de um povo, automaticamente o sistema de valores morais e éticos se transforma, para que
O assim seja possível constituir um novo padrão sócio-histórico daquele determinado grupo.
S

E Salientando ainda que neste processo de transformação social devemos respeitar a


S permanência de alguns valores socialmente construídos, como, por exemplo, a solidariedade,
P a igualdade e a fraternidade, para que todos possamos construir uma sociedade mais justa,
E
C ética, democrática e cidadã.
I
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 15

4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL
DA CIDADANIA

No que tange às questões pertinentes à cidadania, partiremos de sua concepção advinda


do Título I – “Dos Princípios Fundamentais” da Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988, a qual assim expressa:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático
de direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Neste sentido, podemos observar que um dos princípios fundamentais da Carta Magna
brasileira é a cidadania. Mas você sabe o seu significado?

Vejamos: cidadania “é um conjunto de direitos e deveres que denotam e fundamentam


as condições do comportamento de cada indivíduo em relação à sociedade, ou seja, a cidadania
designa normas de conduta para o convívio social, determinando nossas obrigações e direitos
perante os outros integrantes da nossa sociedade”. (PIERITZ, 2013, p. 132)

Neste sentido,

Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade, para melhorar


suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca esquecer das pessoas
que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições
de ensino e meios de comunicação, para o bem-estar e desenvolvimento da
nação. A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não T
pichar os muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim
Ó
como todas as outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer
obrigado, desculpe, por favor e bom dia quando necessário [...], até saber P
lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das I
crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso C
país. ‘A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir O
os interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos S
aos cidadãos’. Juarez Távora - Militar e político brasileiro. (WEB CIÊNCIA,
2009, apud PIERITZ, 2013, p. 132) E
S
P
Então, podemos observar que a cidadania possui três dimensões, que estão descritas
E
no Quadro 5. C
I
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16 TÓPICO 1 UNIDADE 1

QUADRO 5 - DIMENSÕES DA CIDADANIA

DIMENSÕES DA CIDADANIA

São aqueles direitos advindos da LIBERDADE de cada indiví-


duo, como, por exemplo:
Cidadania • o livre-arbítrio para expressar nossos pensamentos;
civil • o direito de propriedade (venda e compra de um imóvel,
um bem ou serviço);
• entre outros.
Podemos considerar que a cidadania política se legitima quan-
do os homens exercem seu poder político de ELEGER e SER
Cidadania
ELEITOS para o exercício do poder político, independentemente
política
da instituição pública ou privada na qual venham exercer suas
atribuições.
Compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao
Cidadania
CONFORTO de cada cidadão, no que tange à sua vida econômi-
social
ca e social, ou seja, do seu bem-estar social.
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 132-133)

Assim, podemos observar que a cidadania expressa os direitos e deveres de todas as


pessoas que vivem e convivem em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que
tange ao respeito a si, ao próximo e ao patrimônio público e privado. Além de que a cidadania
é participação nos espaços públicos de discussão, a qual permeia as questões de democracia
e ética de toda a população daquele determinado grupo social, político ou econômico.

Deste modo, Maciel (2012, p. 29) expõe que hoje em dia a cidadania é “sinônimo
de participação que remete ao exercício da democracia para além das eleições. Somos
‘controladores’ da política, do orçamento, ou seja, das ações do Estado como um todo”. Ou
seja, cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços democráticos do
T
Ó seu município, Estado ou Federação.
P
I Neste sentido, tem-se a participação como um mecanismo do exercício da cidadania,
C
ou seja, “O conceito contemporâneo de cidadania transcende à simples lógica da garantia de
O
S direitos legais. Segundo a concepção de Dallari (2004), a cidadania expressa um conjunto
de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar da vida e do governo de seu povo”.
E
(MACIEL, 2012, p. 31). Portanto, a palavra de ordem é “participar”, fazer parte do processo
S
P democrático, pois, de acordo com Maciel (2012, p. 32), quem não exerce sua cidadania “está
E excluído da vida social e da tomada de decisões. A cidadania não significa apenas uma conquista
C
legal de alguns direitos, mas sim a realização destes direitos. Ela é construída e conquistada
I
A a partir da nossa capacidade de organização, participação e intervenção social”.
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 17

Vale salientar que a cidadania é conquistada pela nossa participação nos momentos
das discussões e decisões coletivas, portanto a cidadania se dá pela participação ativa de
nossa vida em sociedade e na vida pública.

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18 TÓPICO 1 UNIDADE 1

RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico vimos:

• A compreensão do significado mais usual da democracia denota que a democracia é com-


preendida como um sistema de governo, no qual o povo governa para sua própria socie-
dade.

• Vimos que a democracia pode ser exercida de duas formas distintas, pois ela pode ser
direta ou indireta.

•  Observamos que a democracia é compreendida popularmente como a escolha de nossos


representantes legais, por intermédio do voto popular.

• Estudamos sobre o Estado Democrático de direito, que é aquele Estado que se organiza e
opera democraticamente.

• Vimos que a Constituição da República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas


normativas em prol de um Estado Democrático, no qual a democracia deverá ser a base
fundamental da República Federativa do Brasil.

• Falamos que a democracia também está atrelada ao conceito do “jogo de poderes”, princi-
palmente a disputa e concorrência de cargos em todas as esferas governamentais ou não.

• É importante relembrar que o elemento fundamental da democracia, é a “participação do


povo”.

T • Verificamos que a ética é uma das áreas da filosofia que investiga o agir humano na convi-
Ó
P vência com os outros.
I
C •  Vimos que a ética está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em so-
O ciedade, ou seja, ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com
S
os outros integrantes da sociedade.
E
S • Estudamos que todos nós possuímos princípios e valores que foram e são constituídos por
P nossa sociedade. E, com relação a estes valores, cada um de nós possui uma visão do
E
C que é certo e errado, do que é o bem e o mal.
I
A • Vimos que a consciência moral é determinada por um consenso coletivo e social, ou seja,
I o conjunto da sociedade é que formula e compõe as normas de conduta que o regem.
S
UNIDADE 1 TÓPICO 1 19

• Vimos que os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em sociedade.

• Estudamos que existem diferenças nítidas entre ética e moral, sendo que a ética regula a
moral, a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente construído e
legitimado pelo seu povo.

• A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada pessoa ou
grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que é certo ou errado, o que é bom ou mal.

• O valor de ética está naquilo que ela explica, o fato real daquilo que foi ou é, e não no fato
de recomendar uma ação ou uma atitude moral.

• Vimos que um dos princípios fundamentais da Carta Magna brasileira é a cidadania.

• Estudamos que a cidadania designa normas de conduta para o convívio social, determi-
nando nossas obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa sociedade.

• Vimos que a cidadania expressa os direitos e deveres de todas as pessoas que vivem e
convivem em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que tange o respeito a
si, ao próximo e ao patrimônio público e privado.

• A cidadania é sinônimo de participação.

• Vimos que cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços demo-
cráticos do seu município, Estado ou Federação.

• A participação é compreendida como um mecanismo do exercício da cidadania.

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20 TÓPICO 1 UNIDADE 1


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE 2010, Formação Geral, Questão 09) As seguintes acepções dos termos
democracia e ética foram extraídas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

democracia. POL. 1 governo do povo; governo em que o povo exerce


a soberania 2 sistema político cujas ações atendem aos interesses
populares 3 governo no qual o povo toma as decisões importantes a
respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou circunstan-
cial, mas segundo princípios permanentes de legalidade 4 sistema
político comprometido com a igualdade ou com a distribuição equita-
tiva de poder entre todos os cidadãos 5 governo que acata a vontade
da maioria da população, embora respeitando os direitos e a livre
expressão das minorias.
ética. 1 parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios
que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento
humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas,
valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade
social. 2 p.ext. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa
e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001.

Considerando as acepções acima, elabore um texto dissertativo, com até 15 linhas,


acerca do seguinte tema: Comportamento ético nas sociedades democráticas

Em seu texto, aborde os seguintes aspectos:


a) conceito de sociedade democrática;
b) evidências de um comportamento não ético de um indivíduo;
c) exemplo de um comportamento ético de um futuro profissional comprometido com
T a cidadania.
Ó
P
2 (ENADE 2010, Formação Geral, Questão 02)
I
C
O
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E
S
P
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A
I
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UNIDADE 1 TÓPICO 1 21

A charge acima representa um grupo de cidadãos pensando e agindo de modo


diferenciado, frente a uma decisão cujo caminho exige um percurso ético. Considerando
a imagem e as ideias que ela transmite, avalie as alternativas que se seguem.

I- A ética não se impõe imperativamente nem universalmente a cada cidadão; cada um


terá que escolher por si mesmo os seus valores e ideias, isto é, praticar a autoética.
II- A ética política supõe sujeito responsável por suas ações e pelo seu modo de agir
na sociedade.
III- A ética pode se reduzir ao político, do mesmo modo que o político pode se reduzir
à ética, em um processo a serviço do sujeito responsável.
IV- A ética prescinde de condições históricas e sociais, pois é no homem que se situa
a decisão ética, quando ele escolhe os seus valores e as suas afinidades.
V- A ética se dá de fora para dentro, como compreensão do mundo, na perspectiva do
fortalecimento dos valores pessoais.

Estão corretas:
a) ( ) I e II. 
b) ( ) I e V. 
c) ( ) II e IV. 
d) ( ) III e IV. 
e) ( ) III e V.

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22 TÓPICO 1 UNIDADE 1

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UNIDADE 1

TÓPICO 2

SOCIEDADE E A DIVERSIDADE

1 INTRODUÇÃO

Vamos iniciar o nosso tópico apresentando algumas definições e conceitos a respeito


dos problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças entre coisas e seres,
que por consequência geram os mais diversos preconceitos, desigualdades e conflitos sociais.

Vamos reconhecer a necessidade e a essencialidade da inclusão como uma forma de


democratização das relações sociais, principalmente na emancipação e na sutileza do trato
com o outro, seja em relação aos “iguais” ou entre iguais e diferentes, o que significa apenas
uma concepção criada para diferenciar pessoas ou grupos sociais que, de alguma forma, ainda
não foram incluídos no contexto social.

2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL


E DESIGUALDADE SOCIAL
T
Ó
A diversidade cultural e a desigualdade social, apesar de terem conceitos distintos, P
desempenham uma ampla relação entre seus termos, isto é, quanto maior for a diversidade I
C
cultural, maior será a desigualdade social. O
S
A diversidade cultural brasileira se deu pelo processo de miscigenação entre brancos,
E
índios e negros e foi marcada por uma série de crenças, hábitos, costumes e conceitos S
contraditórios, alimentando assim uma discussão permanente a respeito dos direitos e deveres P
dos seres humanos. Principalmente no combate aos preconceitos remanescentes e oriundos E
C
dessa relação, que perdurou por séculos, trazendo sérias consequências a uma imensa I
população de oprimidos, incluindo-se aí os negros, os índios, os pobres, os portadores de algum A
tipo de deficiência, tipos de preferências, relações e diferenças sexuais, doenças crônicas, I
S
24 TÓPICO 2 UNIDADE 1

dentre outras formas de relações consideradas por uma boa parte da sociedade como algo
fora da normalidade e, por esse motivo, não aceitável.

3 DIVERSIDADE CULTURAL E
DESIGUALDADE SOCIAL

A diversidade no contexto cultural significa uma grande quantidade de coisas, ações,


pensamentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos sociais ou dentro de
uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão, apelos, protestos, discórdia
e geralmente acabam em conflitos, chegando até às desigualdades sociais.

Por isso, a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre garante


um trato positivo dessa diversidade. Os diferentes contextos históricos, sociais
e culturais, permeados por relações de poder e dominação, são acompanhados
de uma maneira tensa e, por vezes, ambígua de lidar com o diverso. Nessa
tensão, a diversidade pode ser tratada de maneira desigual e naturalizada
(GOMES, 2007, p. 19).

No entanto, existem pontos de vista convergentes e pontos de vista divergentes, ambos


discriminatórios, um no sentido positivo e outro no sentido negativo, isto é, no primeiro caso,
trata-se daquilo que já foi estipulado pela sociedade como regras relacionadas com bom senso;
já no segundo caso, são ações que não condizem com a ordem preestabelecida através
das leis, normas e regras que regulam e inibem o que podemos definir como procedimentos
absurdos. Portanto, a desigualdade social tem os seus princípios pautados nas tendências e
nas diferenças de cada indivíduo. Vejamos:

A pobreza: é uma condição que faz parte de um determinado grupo de pessoas que
vivem à margem da sociedade, que são carentes dos recursos existentes, como moradia,
alimentação, situação financeira etc. O que, na visão de alguns autores, é a condição que
T
mais degrada o ser humano e a que mais se aproxima e se identifica como um fator ou um
Ó
P elemento causal do desequilíbrio econômico e da desigualdade social.
I
C
Raça: trata-se da discriminação social, o que é muito presente nos dias de hoje por
O
S alguns grupos inescrupulosos que agridem com palavras ou pela violência física pessoas que
não são da mesma etnia, não têm a mesma cor da pele, ou são de diferentes religiões ou, até
E
mesmo, por causa de seu comportamento sexual.
S
P
E Esses indivíduos, apesar de viverem no século XXI, onde existe um processo de
C
evolução tecnológica e humana, mesmo assim são discriminados e violentados por sua maneira
I
A de ser, principalmente por grupos radicais. Podemos citar como exemplo o que aconteceu com
I os judeus, conhecido como o holocausto, ou o caso da África do Sul, que teve repercussão
S
mundial, também conhecido como segregação racial (Apartheid), o que significa separação
entre negros e os brancos das classes dominantes.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 25

S!
DICA

Sugerimos que você assista ao filme Mandela, que fala sobre a


vida do ex-presidente da África do Sul e líder da luta contra o
Apartheid. O filme tem como diretor Justin Chadwick.

Como podemos perceber, o preconceito, a discriminação e o descaso com algumas


pessoas têm ocasionado uma série de sofrimento e dor, principalmente para aquelas que são
rejeitadas por uma grande parte da sociedade, onde as mesmas são julgadas e condenadas
ao mesmo tempo, após serem classificadas como diferentes, porém, diferentes no sentido
tendencioso e pejorativo, e muitas vezes essas pessoas são taxadas e rotuladas como
pervertidas, no caso dos homossexuais, e frágeis, no caso das mulheres. Vejamos:

Mulher: infelizmente, as estatísticas comprovam que apesar das várias leis existentes,
no caso específico da Lei Maria da Penha, instituída para a proteção da integridade da mulher
brasileira contra casos de violências domésticas, ainda existem casos absurdos de desrespeito
à dignidade humana, não discriminando raça, religião ou posição social.

Homossexualidade: é o comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo, e para


alguns indivíduos esse tipo de comportamento fere as normas de conduta universal. No entanto,
já existem projetos no Congresso Nacional que criminalizam certas atitudes discriminatórias
contra essa parcela da sociedade, o que significa um avanço na busca de um espaço alternativo,
o que é perfeitamente compreensivo em uma sociedade cultural democrática.

De acordo com Silva (2007, p. 133), “[...] os diferentes grupos sociais, situados em
posições diferenciadas de poder, lutam pela imposição de seus significados à sociedade mais
ampla”.

Assim, é fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades não de forma T


Ó
natural, mas como uma construção histórica possível de ser desestabilizada em sua forma P
rígida, para ser transformada em algo que possa ser identificado e reconhecido como base I
para a construção de relações interpessoais mais democráticas dentro da sociedade, isto é, C
O
devemos pensar e repensar o seu conceito histórico e a sua trajetória futura, pois, de acordo S
com Gomes (2007, p. 22):
E
S
A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Nem sempre aquilo que julgamos P
como diferença social, histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas E
diferentes sociedades. Além disso, o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e C
I
diverso. Por isso, a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. Ou seja, A
as características, os atributos ou as formas ‘inventadas’ pela cultura para distinguir tanto o I
sujeito quanto o grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade S
26 TÓPICO 2 UNIDADE 1

e da relação que mantêm entre si e com os outros.

Portanto, o caráter multicultural de nossas sociedades revela-se hoje temática quase


obrigatória nas discussões sobre sociedade e sobre educação. Porém, refletir sobre a
diversidade exige um posicionamento crítico diante de uma realidade cultural e racialmente
miscigenada, assunto que, apesar de já ter sido discutido anteriormente, achamos prudente e
viável inserir neste parágrafo outra opinião, que confirma as anteriores a respeito do processo
de miscigenação.

Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos,


socioeconômicos e políticos tensos, marcados por processos de colonização e dominação.
Estamos, portanto, no terreno das desigualdades, das identidades e das diferenças (GOMES,
2007, p. 22).

E ainda segundo Gomes (2003, p. 73):

O reconhecimento dos diversos recortes dentro da ampla temática da diversidade cultural


(negros, índios, mulheres, portadores de necessidades especiais, homossexuais, entre outros)
coloca-nos frente a frente com a luta desses e outros grupos em prol do respeito à diferença.
Coloca-nos também diante do desafio de implementar políticas públicas em que a história e a
diferença de cada grupo social e cultural sejam respeitadas dentro das suas especificidades,
sem perder o rumo do diálogo, da troca de experiências e da garantia dos direitos sociais. A
luta pelo direito e pelo reconhecimento das diferenças não pode se dar de forma separada e
isolada e nem resultar em práticas culturais, políticas e pedagógicas solidárias e excludentes.

No entanto, a diversidade e a diferença dizem respeito não somente aos sinais que
podem ser vistos a olho nu, mas também aquelas que são construídas socialmente ao longo
de um processo histórico, tendo as mesmas os seus pontos divergentes e convergentes, que
são construídos através das relações sociais e, principalmente, nas relações de poder e de
T submissão, e para algumas pessoas, nem sempre esse posicionamento é entendido dessa
Ó forma.
P
I
C Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986 apud GOMES, 2007, p. 25), “por diversas
O vezes, os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”.
S

E Pensar na diversidade cultural é pensar em sociedade, que envolve pensamento,


S ideia, ação e mudanças, isto é, significa pensar não apenas no reconhecimento do outro, mas
P pensar na relação entre o eu e o outro, pois, quando consideramos o outro estamos também
E
C considerando a nossa história, o nosso grupo e o nosso povo, mas não apenas como um
I simples padrão de comparação, e sim em sua totalidade.
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 27

FIGURA 5 - DIVERSIDADE CULTURAL

FONTE: Disponível em: <http://


educacaobilingue.com/2010/01/17/
indigena/>. Acesso em: 12 fev. 2014.

Nesta perspectiva, percebemos que “somos todos iguais como seres humanos. Por isso
devemos combater qualquer forma de discriminação e de arrogância, agindo solidariamente uns
com os outros”. (AQUINO et al., 2002, p. 16). O ser humano veio ao mundo não somente para
compor ou contribuir para o povoamento da Terra, mas para ser útil, participativo, democrático,
ético, moral e solidário para com os seus semelhantes.

Essas são as diversas opções existentes, que além de motivadoras, também servem
como estímulo na adaptação do ser humano, bem como no seu processo de desenvolvimento
pessoal frente às diversidades existentes no universo, que poderíamos denominá-las de um
conjunto de atos e fatos diferentes entre si que formam a sociedade como um todo. Para Saji
(2005, p. 13), “o tema diversidade é bastante amplo. Sua abordagem vai desde definições
restritas às questões de raça, etnia e gênero, até as mais abrangentes, que consideram como
diversidade qualquer diferença individual entre as pessoas”.


DE T
ATIVIDA
AUTO Ó
P
Chegou sua vez! I
Escreva o seu conceito para Diversidade. C
____________________________________________________ O
____________________________________________________ S
____________________________________________________
____________________________________________________
E
____________________________________________________
___________________________________________________ S
___________________________________________________ P
___________________________________________________ E
___________________________________________________ C
___________________________________________________ I
___________________________________________________ A
___________________________________________________ I
S
28 TÓPICO 2 UNIDADE 1

Assim, a diversidade faz parte da natureza das coisas existenciais, sendo elas a
diversidade relacionada com a situação socioeconômica, com a diversidade cultural, onde as
mesmas foram se transformando em essência no decorrer dos tempos, principalmente em
se tratando das diferenças relacionadas às diferentes raças e suas manifestações culturais,
incluindo-se aí a sua descendência, que, por consequência, deixam de fazer parte da cultura
original e passam a fazer parte de outra cultura produzida para atender a uma demanda
econômica.

Como foi o caso da cultura da cana-de-açúcar, explorada pelos grandes latifundiários,


gerando um longo período de uma relação conflitante e tumultuada entre o poder destes
grupos de exploradores e a submissão dos negros, dos índios, das mulheres, das crianças e
adolescentes.

Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, através de séculos,
sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne
daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa
que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer
de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.
Descendentes de escravos e de senhores de escravos, seremos sempre servos da malignidade
destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para
doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças
convertidas em pasto de nossa fúria (RIBEIRO, 1995, p. 120).

Então, caro acadêmico! Existe uma diversidade de coisas diferentes e uma diversidade
de pessoas diferentes em todos os seus aspectos. A esse tipo de diversidade denominamos
de diversidade cultural, o que significa na prática o relacionamento comunitário, ou melhor,
o relacionamento em diferentes comunidades, podendo este relacionamento contribuir
significativamente no sentido cooperativo ou na geração de conflitos, que são chamados de
conflitos sociais.
T
Ó Portanto, são essas diferenças que geram o princípio da desigualdade social, que vão
P além das características humanas, ultrapassando o bom senso, descaracterizando o princípio
I
C da igualdade e do amor ao próximo, modificando ou alterando outros princípios considerados de
O grande importância para as questões relacionadas com o respeito, a dignidade, a reciprocidade
S e as boas práticas das relações humanas no contexto social.

E
S
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 29


IDADE
ATIV
AUTO

Qual o seu conceito para desigualdade social?


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Acadêmicos! É preciso que haja um basta nesta triste trajetória de descaso e


discriminação entre os seres humanos, principalmente frear os impulsos daqueles mais
exaltados, que ferem com palavras e atos e cada vez mais maculam a imagem e obscurecem
a identidade do indivíduo, como pessoa e como cidadão com direitos e deveres. Dessa forma,
contribuindo para o desenvolvimento econômico e social. Isso é cidadania, isso é respeito e é
também uma forma de inclusão social.

Sendo assim, a desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou


coisas que compõem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no respeito
para com o outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana, que na maioria
das vezes está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos de violências e pelas suas
relações conflitantes dentro do contexto social. Exemplo: a desigualdade socioeconômica, as
desigualdades raciais, a falta de segurança, a falta de acesso à moradia, ao saneamento básico,
dentre outras formas de exclusão social. Muitas vezes, essas diferenças são ocasionadas pela
falta de oportunidade, excluindo até o mais digno do ser humano, o que não deixa de ser uma
T
forma preconceituosa de relação e convivência social.
Ó
P
Aquino et al. (2002, p.34-35) afirmam que: I
C
O
Toda vez que julgamos uma pessoa, um grupo ou mesmo um povo sem co-
nhecê-los, estamos usando de preconceito. [...]. O termo preconceito significa
S
o conjunto de opiniões formadas antecipadamente sobre o outro, sem levar em
conta suas qualidades ou suas capacidades. Os preconceituosos têm atitudes E
intolerantes com as pessoas que são diferentes deles. Julgam-se superiores S
e, por isso, desvalorizam e desrespeitam outras pessoas. Preconceito e into- P
lerância andam sempre juntos. E
São atitudes que acontecem no dia a dia, por meio de atos, gestos ou pala- C
vras que tentam diminuir, rebaixar os modos de ser, agir e sentir dos outros. I
E, algumas vezes, elas ocorrem sem que as percebamos com clareza, até A
senti-las na própria pele – por exemplo, quando não somos aceitos por alguém
I
ou por um grupo. Neste caso, somos vítimas de um preconceito aberto, direto
S
30 TÓPICO 2 UNIDADE 1

e explícito. E isso já aconteceu com todos nós, de um modo ou de outro. Mas


há também o preconceito indireto, implícito, como as piadas de mau gosto,
que ofendem as pessoas só por causa de sua raça, nacionalidade, sexo e
outras características.

Ainda com relação aos preconceitos, segundo a denominação de inclusão e exclusão


social, estas são pautadas e divididas em grupos ou classes sociais, que, por sua vez, são
classificadas hierarquicamente de acordo com o seu poder aquisitivo, sua relação social,
diferenças culturais, a cor da pele, sexualidade, etnia, deficiências físicas, idade, crenças etc.

Portanto, a diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento de


unificação dos seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que nem
todos têm as mesmas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas formas de
preconceito. Alguns deles, no modo de ver do seu praticante, lhe soam como se isso fosse uma
espécie de elogio ao próximo. Exemplo: E aí, negão!? Essa expressão, que parece simples, é
uma forma disfarçada de discriminação. “Algumas expressões corriqueiras que falamos sem
pensar são carregadas de preconceito”. (AQUINO et al., 2002, p. 44).

Aquino et al. (2002, p. 44) trazem mais exemplos: “é o caso de determinadas expressões
preconceituosas, como: os negros que têm ‘almas brancas’, os homossexuais que parecem
‘pessoas normais’, os idosos que parecem ‘jovens’, os obesos que são ‘engraçados’, as pessoas
pobres que são ‘limpas’. E assim por diante”.

Como sabemos, o descaso e as práticas discriminatórias em relação a essas pessoas,
que fazem parte, assim como todos nós, de um mesmo espaço planetário, não deveriam
existir, mesmo porque a diferença existente entre os seres de todas as espécies faz parte
de um processo natural, ou melhor, da natureza das coisas existentes. E os seres humanos
vão além das diferenças, pois nós somos dotados de raciocínio e discernimento para avaliar
e distinguir o certo do errado, comportamento esse que deveria ser institucionalizado pelas
tradições, pelos valores éticos e morais, sem a necessidade de uma imposição legal, como é
T o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ó
P No entanto, parece que pouco têm efeito as leis que reprimem essas práticas
I
C discriminatórias, preconceituosas e racistas, visto que, infelizmente, parece existir uma
O autorrejeição por parte de algumas pessoas ou grupos que ainda mantêm certos padrões de
S comportamento que não mais condizem com a realidade dos padrões atuais e universais, dos
E direitos constituídos e com o processo democrático, com as leis de proteção às crianças, aos
S idosos, aos negros, às mulheres, aos indígenas, aos deficientes físicos, entre outros. São seres
P humanos que sofrem discriminação e negação de direitos que estão incluídos na Declaração
E
C Universal dos Direitos Humanos, conforme citado no parágrafo acima.
I
A Nesta perspectiva, não se desconsidera que as diferenças existam e estejam
I colocadas socialmente, porém, elas não significam, necessariamente, exclusão
S social. Por exemplo, a condição de raça, gênero, religião, entre outras, não
UNIDADE 1 TÓPICO 2 31

seria elemento de exclusão, mas de diferenciação entre as pessoas, não as


tornando ‘desiguais’. As pessoas são diferentes umas das outras e isto nada
tem a ver com privilégios. Assim, racismos e preconceitos se fundamentam no
entendimento da diferença/diversidade como desigualdade. Nestes termos, as
pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença os
inferioriza e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza.
(SANTOS apud MARQUES, 2009, p. 68).

Portanto, para que possamos entender e discursar sobre o conceito de diversidade, não
é tão fácil como parece, pois é preciso nos aprofundarmos sobre o seu real significado e a sua
real importância no equilíbrio natural e social, na relação homem-natureza, e principalmente
na relação entre seres humanos, tanto no que diz respeito à tolerância e ao respeito mútuo
entre seres da mesma espécie, bem como a compreensão e o sentimento solidário, que são
a base do princípio da igualdade.

Sem diversidade, não há estímulos para pensar diferente, não há estímulos para pensar
no princípio da igualdade. Portanto, pensar diferente é o caminho para viver e compreender
o sentimento solidário que devemos ter. Apesar de que, no dia a dia, relacionar-se com as
inúmeras diferenças humanas e sociais do mundo atual nem sempre traz harmonia.

Assim, seguindo o raciocínio de Aquino (2002) o problema é o seguinte: se todas as


pessoas são únicas e especiais a seu modo, quem haveria de ser “mais” ou “melhor” do que o
outro? Em outras palavras, somos únicos como indivíduos, e por isso somos diferentes, somos
iguais como seres humanos. A isso se dá o nome de equidade. Convém lembrar que ser igual
não é ser idêntico. Ao contrário, somos semelhantes, embora diversos.

Afinal de contas, em que nos diferenciamos uns dos outros? A resposta é obvia: em
praticamente tudo. A começar pela nossa história de vida, passando pelas características
biológicas (raça, cor, sexo), até as de cunho social (escolaridade, condição econômica, opções
políticas etc.). Mas, mesmo sendo únicos, continuamos a pertencer à mesma espécie, a raça
humana. Por essa razão, não há seres humanos “superiores” ou “inferiores”. Cada um é especial
a seu modo. Só teremos um convívio democrático e pacífico se tratarmos o outro da mesma T
forma que gostaríamos de ser tratados. Ó
P
I
C
FONTE: Aquino et al. (2002) O
S

E
Todos esses conceitos fazem parte de uma cultura geral, ou seja, da construção e da
S
desconstrução do processo de desenvolvimento humano, e da sua própria sobrevivência. P
A cultura é, pois “o conteúdo da construção histórica da humanidade dos seres humanos, E
humanizando-os ou desumanizando-os” (SOUZA, 2002, p.53). Mas o principal objetivo do C
I
nosso estudo é justamente conscientizar os nossos acadêmicos rumo a uma reflexão mais A
humanista a respeito das nossas ações e na superação definitiva da desigualdade social, o I
S
32 TÓPICO 2 UNIDADE 1

que diz respeito ao cidadão e à sua relação com o meio em que ele vive, onde o respeito pelas
diferenças forma o espírito da academia e a humanização social.

Com base no que foi dito e analisado até aqui, nos parece que o ponto de partida
para a solução, pelo menos de parte dos problemas raciais, das diferenças, da exclusão e
da inclusão social, pode estar na educação de base, ou seja, se o aluno tiver uma educação
inicial que possa motivá-lo a ultrapassar essas barreiras. A partir daí, ele poderia formar uma
base sólida para que pudesse ingressar na faculdade melhor preparado, o que sem dúvida é
parte integrante para o seu desenvolvimento profissional e pessoal.

S!
DICA

Você quer descansar um


pouco, sem deixar de
refletir sobre o conteúdo?
Assista ao filme “O
Visitante”, para contribuir
com seus estudos.

Sinopse: Walter, solitário


professor universitário,
tem 62 anos e já não
encontra prazer na vida.
Ao viajar a Nova York
para uma conferência,
encontra o casal Tarek e
Zainab, imigrantes sem
documentos, morando
em seu apartamento. Eles
não têm para onde ir, e
Walter acaba deixando
que fiquem. Para retribuir,
o talentoso Tarek ensina
Walter a tocar o tambor
africano e os dois ficam
T amigos. Quando a polícia prende o jovem e decide deportá-lo,
Ó Walter faz de tudo para ajudá-lo, com uma garra que há muito
P não sentia. Surge então a mãe de Tarek em busca do filho e um
I improvável romance tem início.
C FONTE: Disponível em: <http://www.interfilmes.com/filme_21106_o.
O visitante.html>. Acesso em: 10 mar. 2014.
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 33

4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL


DA DIVERSIDADE

Acadêmicos! Já compreendemos o caráter plural de nossas sociedades e as complexas


relações estabelecidas socialmente. Diante disso, percebemos que vivemos em uma sociedade
dividida em classes, onde a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais é constante.

Nesse sentido, lutamos em favor da inclusão escolar, em favor de currículos mais


inclusivos, abertos às diferenças sociais, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais e
ideológicas, no intuito de respeitar o caráter plural da nossa sociedade, contribuindo para
formar sujeitos autônomos, críticos e criativos, aptos a compreender como as coisas são e
por que são assim.

O principal objetivo é a possibilidade da mudança, da construção de uma ordem social


mais justa e menos excludente. Sendo isto um legado do presente para as gerações futuras, o
que pode ser uma prática aprendida e reproduzida a partir da família e da escola, que são os
agentes formadores de opinião, e que juntamente com a sociedade, esses mesmos agentes
irão definir o sucesso ou o fracasso no contexto social.

5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL


DA DIVERSIDADE HUMANA

Acadêmico! A inclusão escolar tem sido mal interpretada tanto por parte da escola,
seja ela comum ou especial, quanto dos profissionais da educação. “O certo, porém, é que
os alunos jamais deverão ser desvalorizados e inferiorizados pelas suas diferenças, seja nas
escolas comuns, seja nas especiais” (MANTOAN, 2006, p. 190). T
Ó
P
Ainda com base neste raciocínio, “[...] a educação escolar não pode ser pensada nem I
realizada senão a partir da ideia de uma formação integral do aluno – segundo suas capacidades C
e seus talentos – e de um ensino participativo, solidário, acolhedor”. (MANTOAN, 2006a, p. 9). O
S
Mas, reverter o que historicamente foi construído é difícil, implica em construir alternativas que
possibilitem a emancipação social dos diferentes sujeitos, fazendo uma clara opção política E
por um compromisso contra as discriminações, as desigualdades e o respeito à diversidade S
P
cultural. O que, de acordo com Mantoan (2006a, p. 9, grifo da autora), trata-se de um trabalho E
de ‘ressignificação’ do papel da escola com professores, pais e comunidades interessadas, C
bem como de adoção de formas mais solidárias e plurais de convivência. Para terem direito à I
A
escola, não são os alunos que devem mudar, mas a própria escola!”. E a autora continua: “O I
S
34 TÓPICO 2 UNIDADE 1

direito à educação é natural e indisponível. Por isso, não faço acordos quando me proponho a
lutar por uma escola para todos, sem discriminações, sem ensino à parte para os mais e para
os menos privilegiados”. (MANTOAN, 2006a, p. 9)

Dessa forma, a escola pode fazer o anúncio da construção de novos tempos na


educação, contribuindo para formar alunos não conformistas, e sim, questionadores, reagentes
e competentes, aptos a rejeitar valores celebrados pela nova ordem mundial, como o egoísmo
e o individualismo. Mantoan (2006a, p. 14) nos coloca que, seja ou não “uma mudança radical,
toda crise de paradigma é cercada de muita incerteza e insegurança, mas também de muita
liberdade e ousadia para buscar outras alternativas, novas formas de interpretação e de
conhecimento [...] para realizar a mudança”.

Mudança essa que é direito expresso na Constituição Federal de 1988. A Constituição


respalda em seu artigo 206, inciso I, que o ensino será ministrado em “igualdade de condições
para o acesso e permanência na escola”. Portanto, temos que entender que:

Ao garantir a todos o direito à educação e ao acesso à escola, a Constituição


Federal não usa adjetivos. Por essa razão, toda escola deve atender aos
princípios constitucionais sem excluir nenhuma pessoa em decorrência de
sua origem, raça, sexo, cor, idade ou deficiência. Apenas esses dispositivos
já bastariam para que não se negasse a qualquer pessoa, com ou sem defici-
ência, o acesso à mesma sala de aula que qualquer outro aluno (MANTOAN,
2006a, p. 26-27).

Percebe-se então que os discursos precisam ser revistos, compreendendo a diversidade


humana como algo positivo, liberto de olhares preconceituosos, possibilitando a valorização
pela cultura do outro. Portanto, a inclusão

[...] exige uma mudança de mentalidade e de valores nos modos de vida e é


algo mais profundo do que simples recomendações técnicas, como se fos-
sem receitas. Requer complexas reflexões de toda a comunidade escolar e
humana para admitir que o princípio fundamental da educação inclusiva é a
valorização da diversidade, presente numa comunidade humana. (STRIEDER;
T ZIMMERMANN, 2014, p. 146)
Ó
P E na sequência os autores continuam afirmando que a escola:
I
C Foi e continua sendo um espaço de padronizações ao promover a construção
O de conhecimentos com pouco significado, formalizado, pronto, sem relação
e sentido com a vida dos seres humanos que lá estão, sejam alunos ou do-
S
centes. Ela é construtora de pensamentos, ações e movimentos que denotam
igualdade e repetição.
E É importante a escola oportunizar vivências capazes de desconstruir a realidade
S do igual, da repetição, para valorizar a diferença, acreditando na diversidade
P da vida, das cores, sabores e movimentos. (STRIEDER; ZIMMERMANN,
E 2014, p. 148)
C
I
A Assim, falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização humana
I na democratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que fazem parte
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 35

do contexto social como um todo, independentemente de credo, raça, poder aquisitivo ou


posição social, visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e as diferenças fazem parte
integrante do equilíbrio social e da própria espécie humana. No entanto, fica aqui a indagação:
quais as oportunidades que estão sendo oferecidas pelos agentes sociais a essa massa de
desamparados e excluídos do sistema social?

De acordo com texto publicado no livro “Ética e cidadania: construindo valores na escola
e na sociedade”, desenvolvido pelo Ministério da Educação, a escola pode e deve ser um ponto
de partida na formação de cidadão e cidadã comprometidos com a construção dos valores
éticos e morais, tanto no contexto escolar, como no âmbito das relações sociais.

Aprender a ser cidadão e cidadã é, entre outras coisas, aprender a agir com
respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não violência; aprender a
usar o diálogo nas mais diferentes situações e comprometer-se com o que
acontece na vida da comunidade e do país. Esses valores e essas atitudes
precisam ser aprendidos e desenvolvidos pelos estudantes e, portanto, podem
e devem ser ensinados na escola.
Para que o(a)s estudantes possam assumir os princípios éticos, são neces-
sários pelo menos dois fatores:
- que os princípios se expressem em situações reais, nas quais o(a)s estudantes
possam ter experiências e conviver com a sua prática;
- que haja um desenvolvimento da sua capacidade de autonomia moral, isto
é, da capacidade de analisar e eleger valores para si, consciente e livremente.
Outro aspecto importante desse processo é o papel ativo dos sujeitos da
aprendizagem, estudantes e docentes, que interpretam e conferem sentido aos
conteúdos com que convivem na escola, a partir de seus valores previamente
construídos e de seus sentimentos e emoções (LODI; ARAÚJO, 2006, p. 69)

Com relação aos agentes citados nos parágrafos anteriores, também concordamos
que a partir da inclusão escolar, principalmente no tocante à educação básica, ela deveria ser
um espaço voltado para a harmonização da convivência social e não simplesmente uma mera
reprodução de saberes. Onde, na maioria das vezes, esses saberes são direcionados apenas
para produzir agentes econômicos, dando pouca ou quase nenhuma ênfase às questões
relacionadas com a ética e as características comportamentais do ser humano, como uma
forma de equilíbrio no convívio das relações sociais, o que já é um processo discriminatório e de T
exclusão, ou, no mínimo, uma forma de omissão do próprio sistema de ensino, principalmente Ó
com relação aos índios e negros. P
I
C
A luta travada em torno da educação do campo, indígena, do negro, das co- O
munidades remanescentes de quilombos, das pessoas com deficiência, tem
S
desencadeado mudanças na legislação e na política educacional, revisão de
propostas curriculares e dos processos de formação de professores. Também
tem indagado a relação entre conhecimento escolar e o conhecimento produ- E
zido pelos movimentos sociais. (GOMES, 2007, p. 32) S
P
E
E na continuação o autor chega às seguintes conclusões: C
I
A diversidade é muito mais do que o conjunto das diferenças. Ao entrarmos A
nesse campo, estamos lidando com a construção histórica, social e cultural I
S
36 TÓPICO 2 UNIDADE 1

das diferenças a qual está ligada às relações de poder, aos processos de co-
lonização e dominação. Portanto, ao falarmos sobre a diversidade (biológica e
cultural) não podemos desconsiderar a construção das identidades, o contexto
das desigualdades e das lutas sociais.
A diversidade indaga o currículo, a escola, as suas lógicas, a sua organização
espacial e temporal. No entanto, é importante destacar que as indagações
aqui apresentadas e discutidas não são produtos de uma discussão interna à
escola. São frutos da inter-relação entre escola, sociedade e cultura e, mais
precisamente, da relação entre escola e movimentos sociais. Assumir a diver-
sidade é posicionar-se contra as diversas formas de dominação, exclusão e
discriminação. É entender a educação como um direito social e o respeito à
diversidade no interior de um campo político. (GOMES, 2007, p. 41)

Assim, é através dos movimentos sociais que podemos melhorar o sistema educacional
e corrigir as distorções sociais, que são frutos de um processo longo que vem se arrastando
através dos tempos, onde pouco ou quase nada tem sido feito como forma de reparar ou pelo
menos minimizar os seus efeitos negativos e na reparação dos erros cometidos. Portanto, é
de extrema necessidade a inserção e a interação de todos os seres humanos, independente
de suas características ou condições sociais.

Para Stainback (1999), a total inclusão de todos os membros da humanidade,


de quaisquer raças, religiões, nacionalidades, classes socioeconômicas, cul-
turas ou capacidades, em ambientes de aprendizagem e comunidade, pode
facilitar o desenvolvimento do respeito mútuo, do apoio mútuo e do aprovei-
tamento dessas diferenças para melhorar nossa sociedade. É durante seus
anos de formação que as crianças adquirem o entendimento das diferenças,
o respeito e o apoio mútuos em ambientes educacionais que promovem e
celebram a diversidade humana.
A construção de sociedades e escolas inclusivas, abertas às diferenças e à
igualdade de oportunidades para todas as pessoas, é um objetivo prioritário
da educação nos dias atuais. Nesse sentido, o trabalho com as diversas
formas de deficiências e uma ampla discussão sobre as exclusões geradas
pelas diferenças social, econômica, psíquica, física, cultural, racial, de gênero
e ideológica, devem ser foco de ação das escolas. Buscar estratégias que se
traduzam em melhores condições de vida para a população, na igualdade de
oportunidades para todos os seres humanos e na construção de valores éticos
socialmente desejáveis por parte dos membros das comunidades escolares é
uma maneira de enfrentar essas exclusões e um bom caminho para um trabalho
que visa à democracia e à cidadania (ARAÚJO, 2007, p. 16-17).
T
Ó
P Portanto, as mudanças comportamentais e as inclusões sociais relacionadas com todos
I os povos não podem e não devem ser somente responsabilidade da família e das instituições de
C
classes, mas também de responsabilidade das escolas inclusivas e dos seus agentes sociais.
O
S
Neste sentido, reafirmamos que a inclusão escolar
E
S Só será viável se o professor e toda a comunidade escolar mudarem seu jeito
P de lidar com a diferença, via aceitação de formas relacionais de afetividade,
E de escuta e de compreensão, suspendendo juízos de valores como pena,
C repulsa e descrença. Uma mudança como desejo interior, porque algo interior
I nos diz que vale a pena mudar (STRIEDER; ZIMMERMANN, 2014, p. 148).
A
I
S E quando falamos em mudanças, estamos nos referindo a uma mudança estrutural, onde
UNIDADE 1 TÓPICO 2 37

todas as partes se relacionam, interagem e se complementam para a harmonização do todo,


que por sua vez é parte de uma estrutura maior, que podemos chamar de estrutura social, que
é composta, dentre outras, pela escola, família, igreja, governo com suas políticas públicas,
instituições financeiras, jurídicas e organizações sociais propriamente ditas, as ONGs. Como
podemos perceber, tudo isso constitui um grande desafio rumo a uma mudança significativa.
E, por estas e outras razões, nos parece que a sociedade está caminhando no rumo certo.


DE
ATIVIDA
AUTO

Então, acadêmico, você acredita que ainda existe perspectiva e


esperança de dias melhores?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Vejamos o que nos propõem os autores Assmann e Sung (2000, p. 103):

A esperança humana, da qual estamos falando, é um horizonte de futuro tecido


com desejo. Não o desejo de um único indivíduo, nem o desejo de subir na
‘escada do sucesso’ segundo os parâmetros da eficiência do mercado regendo
todos os aspectos da nossa vida, mas o desejo do reconhecimento mútuo e
respeitoso entre pessoas e grupos sociais, o desejo de uma vida mais digna
e prazerosa para todos\as. O desejo de um mundo onde caibam muitos e
muitos mundos.

E concluindo o seu pensamento:

É esse horizonte de esperança que nos mostra, nos revela, a mesquinhez e T


a irracionalidade de uma sociedade centrada na exclusão e insensibilidade, Ó
e a desumanidade de uma vida humana voltada para negar a sua condição P
humana. I
Horizonte de esperança não é algo que se toma dentre as ofertas do merca- C
do, nem pode ser produzido individualmente. Como todo horizonte de com- O
preensão, ele deve ser tecido no diálogo, na construção de uma linguagem S
e esperanças comuns. Por isso, um horizonte de esperança que nos abra e
nos interpele para a sensibilidade solidária só pode ser fruto de um desejo de
E
dialogar com os\as que estão dentro e fora da sociedade, do nosso mundo (o
mundo de cada um, o mundo de cada grupo social). Diálogo que pressupõe
S
o reconhecimento mútuo. (ASSMANN E SUNG, 2000, p. 103) P
E
C
O que Assmann e Sung (2000) nos esclarecem é que o ser humano precisa, em primeiro I
lugar, se conscientizar do seu papel na sociedade, e que isso não pode ser uma ação única e, A
I
sim, uma ação conjunta, como um grande suporte em prol da democratização solidária. Essa S
38 TÓPICO 2 UNIDADE 1

solidariedade deve trazer benefícios tanto para o indivíduo quando analisado separadamente,
quanto na sua convivência em sociedade, ou seja, a relação do indivíduo com ele mesmo ou
no convívio social. E na sequência os autores analisam com muita propriedade o resultado
ocasionado por esse processo de interação:

Quando imergimos nesse horizonte, descobrimos algumas verdades humanas


básicas. A descoberta da minha condição humana não se dá fora do reconhe-
cimento da condição humana (da dignidade humana) dos que estão ‘dentro e
fora’ da sociedade. Eu não posso me descobrir como pessoa humana se não
‘descobrir’ o\a outro\a, o\a diferente, como participante da mesma condição
humana. É o reconhecimento do\a diferente como ‘igual’, isto é, coparticipante
da mesma condição humana, que me possibilita encontrar comigo mesmo.
Na década de 70 havia uma propaganda que mostrava um menino e uma
menina, cada um olhando dentro do short de banho do\a outro\a. Acima do
desenho, a frase: ‘Ah! Descobri a diferença!’ É a descoberta de que existe um
sexo diferente na mesma espécie humana, que me faz descobrir que eu sou
um ser sexuado, masculino ou feminino. (ASSMANN E SUNG, 2000, p. 104)

E para finalizar, os autores fazem um breve resumo a respeito das relações de convivência
e de reciprocidade humana, principalmente para aqueles que possam ter algumas dificuldades
para entender a complexidade a respeito da inclusão social e escolar da diversidade humana.

Em resumo, tentar encontrar-se consigo mesmo e realizar-se como ser humano


negando o\a outro\a que lhe revela e lhe lembra as suas angústias e medos
inerentes à sua condição humana é um caminho trágico, no sentido grego
desse conceito, isto é, não como destino, mas como tomada de consciência
de um desafio radical que parte da nossa condição humana. A única forma de
nos realizarmos como seres humanos é reconhecendo e assumindo a nossa
condição humana. É isto que nos possibilita vivermos as alegrias da vida, mas
também os momentos tristes e angustiantes. Esse assumir a nossa condição
humana pressupõe o reconhecimento do(a) outro(a) que nos lembra das nos-
sas inseguranças. Este reconhecimento mútuo só é possível se cultivarmos
e vivermos a sensibilidade solidária e o horizonte de esperança. Educar para
a esperança é uma das chaves para educar para a sensibilidade solidária.
(ASSMANN E SUNG, 2000, p. 104)

Mas, estamos nos referindo ao processo de educação e aprendizagem, e já ficou


T evidente que esse é o caminho. No entanto, é preciso levantar algumas bandeiras e eliminar
Ó algumas barreiras, principalmente as do descaso, da arrogância e da intolerância, que são
P
I ações que principiam e dão origem ao preconceito e à desigualdade social, que, pelo visto,
C parece povoar e circular por quase todas as fases da questão educacional. A começar pelas
O dificuldades de acesso à educação de base, ou pela falta de espaço adequado, não só em
S
termos de locomoção e acesso, mas, principalmente, para aquelas pessoas com certo grau
E de dificuldades.
S
P
E Com relação às dificuldades de acesso, estas parecem não ser privilégio somente
C daqueles com alguma deficiência física, mas de todos aqueles motivados por razões
I circunstanciais, sejam elas pela distância, pelas condições de transporte ou, ainda, pelo
A
I descaso das autoridades, que deveriam ser os mentores, incentivando e facilitando o acesso às
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 39

escolas da rede pública e privada, oferecendo escolas e ensino de qualidade, com professores
qualificados e comprometidos com o processo educacional. Isto evitaria, pelo menos em parte, a
desagregação, a degradação e o êxodo escolar, onde o abandono ou o afastamento de alunos
das salas de aulas podem ter diversos motivos, muitos deles justificados pelas condições
precárias de algumas escolas, bem como a falta de compromisso e atitude das autoridades,
a improbidade administrativa, o desvio de verbas, dentre outras formas de descaso da coisa
pública.

Observe, acadêmico, que ainda existe uma série de problemas a serem resolvidos
nas instituições escolares. De acordo com Prieto (2006, p. 33), “as instituições escolares,
ao reproduzirem constantemente o modelo tradicional, não têm demonstrado condições de
responder aos desafios da inclusão social e do acolhimento às diferenças, nem de promover
aprendizagens necessárias à vida em sociedade [...]”.

Acadêmicos, percebemos que os que mais sofrem com essa situação de penúria são
os menos afortunados, os que não possuem as mínimas condições de frequentar uma escola
particular, ou os deficientes físicos, que, muitas vezes, além das condições financeiras, também
lhes faltam as condições principais ao acesso e permanência no âmbito escolar.

6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO
SABER APRENDIDO

Assim, de acordo com o que foi aprendido até agora, podemos afirmar que a diversidade,
as diferenças, a identidade, a exclusão e a inclusão, quando reparadas na sua desarmonia
social, representam partes integrantes da vida em comunidade, onde são introduzidas as
mudanças necessárias ao desenvolvimento social e, ao mesmo tempo, produzidas outras
formas de relacionamentos, outras formas de diversidade, ou até mesmo outras maneiras e
T
meios de abordagens no processo de interação do eu com o outro. Isso faz parte integrante
Ó
da natureza humana, ou seja, um estado em movimento, de renovação e de mudanças. P
I
C
Dessa maneira, a sociedade continuará a produzir saberes e realidades relativas,
O
seja em relação à diversidade existente, seja em relação ao comportamento humano na S
convivência social, ou na interação da pessoa com ela mesma, com os outros, bem como, as
E
abordagens relacionadas aos contrastes da vida cotidiana, caracterizadas pelas desigualdades
S
sociais. Portanto, estas verdades continuarão a ser questionadas, até que outras verdades as P
sobreponham. E
C
I
Assim, a exclusão e a inclusão social das diferenças são formas de construção e A
desconstrução de uma variedade de elementos históricos e atuais, distintos e circunstanciais I
S
40 TÓPICO 2 UNIDADE 1

e que, muitas vezes, vão além da nossa compreensão.

Caros acadêmicos, de acordo com o que vimos, percebemos que uma das verdades
absolutas é que: sempre haverá o eu e o outro, e esse outro será sempre diferente do eu, e
essa diferença continuará sendo o fio condutor responsável pela diversidade cultural e pelos
diversos tipos de conflitos sociais, seja no sentido negativo ou no sentido positivo.

T
Ó
P
I
C
O
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 41

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você aprendeu que:

• A diversidade, no contexto cultural, significa uma grande quantidade de coisas, ações, pen-
samentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos sociais ou dentro de
uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão, apelos, protestos, discór-
dia e geralmente acabam em conflitos, chegando até às desigualdades sociais.

• É fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades, não de forma natural, mas


como uma construção histórica possível de ser desestabilizada em sua forma rígida, para ser
transformada em algo que possa ser identificado e reconhecido como base para a construção
de relações interpessoais mais democráticas dentro da sociedade, isto é, devemos pensar e
repensar o seu conceito histórico e a sua trajetória futura.

• A desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou coisas que com-
põem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no respeito para com o
outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana, que na maioria das vezes
está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos de violência e pelas suas relações
conflitantes dentro do contexto social.

• A diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento de unificação dos


seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que nem todos têm as mes-
mas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas formas de preconceito, algu-
mas delas no modo de ver do seu praticante.

• Falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização humana na demo-
cratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que fazem parte do contexto T
Ó
social como um todo, independentemente de credo, raça, poder aquisitivo ou posição social,
P
visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e as diferenças fazem parte integrante do I
equilíbrio social e da própria espécie humana. C
O
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
42 TÓPICO 2 UNIDADE 1


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE 2014, Pedagogia) Da visão dos direitos humanos e do conceito da cidadania


fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação dos sujeitos, decorre
uma identificação dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na
regulação e produção de desigualdades. Essa problematização explicita os processos
normativos de distinção dos alunos em razão de características intelectuais, físicas,
culturais, sociais e linguísticas, estruturantes do modelo tradicional de educação escolar.

BRASIL, MEC: Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação


Inclusiva, 2008, p. 6 (adaptado).

As questões sucintas no texto ratificam a necessidade de novas posturas docentes, de


modo a atender à diversidade humana presente na escola. Nesse sentido, no que diz
respeito ao seu fazer docente frente aos alunos, o professor deve:
I- Desenvolver atividades que valorizem o conhecimento historicamente elaborado pela
humanidade e aplicar avaliações criteriosas com o fim de aferir, em conceitos ou notas,
o desempenho dos alunos.
II- Instigar ou compartilhar as informações e a busca pelo conhecimento de forma coletiva,
por meio de relações respeitosas aceitas pelos diversos posicionamentos dos alunos,
promovendo o acesso às inovações tecnológicas.
III- Planejar ações pedagógicas extracurriculares, visando ao convívio com a diversidade,
selecionar e organizar os grupos, a fim de evitar conflitos.
IV- Realizar práticas avaliativas que evidenciem as habilidades e competências dos alunos,
instigando esforços individuais para que cada um possa melhorar o desempenho escolar.
T V- Utilizar recursos didáticos diversificados, que busquem atender às necessidades de
Ó
todos e de cada um dos alunos, valorizando o respeito individual e coletivo.
P
I
C É correto apenas o que se afirma em:
O
a) ( ) I e II
S
b) ( ) II e V
E c) ( ) II, III e IV
S d) ( ) I, II, IV e V
P
E e) ( ) I, III, IV e V
C
I 2 (IFC 2015) Sobre a Educação Inclusiva, marque V para as afirmativas verdadeiras e
A
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 2 43

F para as falsas:
( ) Na Educação Inclusiva, os alunos com deficiência têm a chance de se prepararem
para a vida em sociedade, os professores de melhorarem suas habilidades profissionais
e a sociedade passa a valorizar a igualdade para todos.
( ) Na Educação Inclusiva, o aluno com deficiência tem a facilidade de construir
conhecimento como os demais e de demonstrar a sua capacidade cognitiva,
principalmente nas escolas que mantêm um modelo conservador de atuação e uma
gestão autoritária e centralizadora.
( ) Na Educação Inclusiva, a escola se baseia na lógica do concreto e na repetição
alienante e descontextualizada das atividades.
( ) A Educação Inclusiva requer que os sistemas educacionais modifiquem não apenas
as suas atitudes e expectativas em relação aos alunos com deficiência, mas que se
organizem para construir uma real escola para todos, onde o currículo leve em conta a
diversidade e seja concebido com o objetivo de reduzir barreiras atitudinais e conceituais
e se pautar por uma ressignificação do processo de aprendizagem na sua relação com
o desenvolvimento humano.

Assinale a alternativa com a sequência correta.


a) ( ) V – F – F – V.
b) ( ) F – F – V – V.
c) ( ) V – V – F – V.
d) ( ) F – V – V – F.

T
Ó
P
I
C
O
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
44 TÓPICO 2 UNIDADE 1

T
Ó
P
I
C
O
S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 1

TÓPICO 3

MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA,
TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA
E RELAÇÕES DE GÊNERO

1 INTRODUÇÃO

Neste tópico vamos trabalhar o conceito de multiculturalismo, enfatizando as origens do


surgimento do movimento e os campos de conhecimento que acolhem os estudos multiculturais.
Nesse sentido, temos como objetivo situar o multiculturalismo do ponto de vista político
(movimentos sociais multiculturais e políticas públicas) e teóricos (ciências multiculturalistas),
visando oferecer conteúdo de base para a interpretação deste campo de estudos.

2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO

Como a própria etimologia da palavra nos sugere, o termo “multi” significa vários, o
termo “culturalismo” refere-se à cultura e o sufixo “ismo” está associado às posições assumidas
ou ideias aceitas sobre a possibilidade do conhecimento, ou seja, no caso do multiculturalismo
significa uma posição assumida sobre as diferentes relações entre as várias culturas. T
Ó
O ‘multiculturalismo’ é um termo polissêmico e existem, pelo menos, dois P
sentidos diferentes em que este pode ser utilizado. Um primeiro sentido é I
descritivo e reporta a um fato da vida humana e social, que é a diversidade C
cultural étnica, religiosa que se pode observar no tecido social, ou seja, um O
certo cosmopolitismo que atualmente é fácil de ver em qualquer grande ci- S
dade da Europa e da América do Norte. Um segundo sentido é prescritivo e
está associado às chamadas políticas de reconhecimento da identidade e/ou
da diferença que os poderes públicos prosseguem, ou deveriam prosseguir,
E
segundo os seus defensores, em nome dos grupos minoritários e/ou ‘subal- S
ternos’. (FERNANDES, 2011, p. 2, grifos do autor) P
E
C
Dito de outra forma, multiculturalismo significa a existência de grupos de diversas I
culturas, assim como o embate político, econômico e social travado pelos diferentes grupos A
I
sociais na luta pelo respeito à diversidade. Por isso, além de estudos teóricos e empíricos, o
S
46 TÓPICO 3 UNIDADE 1

termo implica na conquista de reivindicações das chamadas minorias ou grupos marginalizados,


como os negros, índios, mulheres, homossexuais e outros tantos que buscam assegurar seus
direitos sociais através de políticas públicas de ação afirmativa.

FIGURA 6 – MULTICULTURALISMO, DIVERSIDADE E DESAFIO DO HOMEM PARA O SÉCULO 21

FONTE: Disponível em:<http://fadivagrupo7.blogspot.com/>. Acesso em: 20 jun. 2011

O multiculturalismo é pluralista, porque as diferenças coexistem em um mesmo país


ou região. Ali convivem diferentes culturas, valores e tradições. Há o diálogo e convivência
pacífica entre as culturas diversas. No entanto, esta coexistência pacífica não significa negar
as diferenças entre as culturas, nem homogeneizá-las, mas compreendê-las, a partir de uma
visão dialética sobre os termos igualdade e diferença, na medida em que não se pode falar
em igualdade sem levar em conta as diferenças culturais, e não se pode relacionar a diferença
como medida de valor.

Nesse sentido, entendemos que igualdade e diferença não são termos opostos. Na
verdade, a igualdade opõe-se à desigualdade, enquanto diferença opõe-se à padronização, à
homogeneização, à produção em série. O que o multiculturalismo quer é lutar pela igualdade
e pelo reconhecimento das diferenças.

Por este motivo, um dos temas centrais para o multiculturalismo tem sido o Direito à
Diferença e à Diminuição das Desigualdades, bandeira de luta de vários movimentos sociais
UNIDADE 1 TÓPICO 3 47

contemporâneos espalhados pelo mundo inteiro.

3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO

O termo multiculturalismo é relativamente recente e sua utilização ocorreu pela primeira


vez na Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970. De acordo com Fernandes (2006), o
multiculturalismo surgiu na linguagem oficial do Canadá e na Austrália, para designar as políticas
públicas com o objetivo de valorizar e/ou promover a diversidade cultural. Ainda neste período,
o autor destaca que outros países anglo-saxônicos, como o Reino Unido, a Nova Zelândia e
os EUA, também iniciam políticas públicas qualificadas como multiculturais.

NOT
A!

Países anglo-saxônicos: são países cujos descendentes são
provenientes de povos germânicos (anglos, saxões e jutos). Esta
denominação é resultado da fusão desses povos que se fixaram
ao sul e leste da Grã-Bretanha, no século V.

Tomando como base o caso dos Estados Unidos, o multiculturalismo surge como
movimento organizado na década de 60, a partir dos primeiros movimentos sociais, como:
o negro, feminista, hippie, ambientalista, entre outros. No entanto, para entender o motivo
pelo qual estes movimentos surgiram, devemos resgatar o aspecto da constituição histórica
dos Estados Unidos, marcada por um longo processo de colonização, que teve como base a
eliminação e a opressão das diversas tribos indígenas que ali estavam. Além disso, prezado
acadêmico, devemos levar em conta o processo de escravidão que ocorreu no país, no qual
os negros serviram como base para o desenvolvimento da nação.

Essas posturas dos colonizadores norte-americanos foram influenciadas pelos valores


religiosos de igrejas protestantes, comuns à maioria dos colonos de origem anglo-saxã. Esta
influência permeou o pensamento e as atitudes dos colonizadores norte-americanos em relação
aos demais grupos, desencadeando, mais tarde, uma série de movimentos pela busca de
justiça social.

O que queremos destacar neste momento é que, a exemplo do caso dos EUA, o
movimento multiculturalista surgiu em grande escala nas sociedades nas quais o direito à
diversidade cultural foi historicamente negado.
48 TÓPICO 3 UNIDADE 1

Segundo Silva (2000), o multiculturalismo teve início em países em que a diversidade


cultural era vista como um problema para a construção da unidade nacional. Muitas nações
construíram suas identidades por intermédio de processos autoritários, pela imposição de uma
cultura, dita superior, a todos os membros da sociedade.

4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE


ABRIGAM O MULTICULTURALISMO

Já entendemos que o multiculturalismo é, ao mesmo tempo, uma rede de movimentos


sociais em prol da afirmação dos grupos minoritários, historicamente excluídos pela sociedade.
Neste sentido, podemos compreender que o multiculturalismo é um campo de estudos que
aborda a problemática destes grupos, de forma multidisciplinar. Portanto, vamos tratar agora
alguns aspectos sobre o caráter científico do multiculturalismo, que são os estudos multiculturais.

Prezados acadêmicos, vocês sabiam que os estudos multiculturais são provenientes


de várias áreas do conhecimento?

Pois bem, entre as áreas de conhecimento podemos destacar os campos da Antropologia


Cultural, Psicologia Social, História e Sociologia, que abordam diferentes problemas relativos ao
multiculturalismo. Algumas áreas se ocupam do ponto de vista histórico do movimento, outras
se ocupam da genealogia dos mesmos, outras se ocupam dos processos políticos e sociais
que os movimentos promovem, e ainda outras áreas se ocupam de aspectos epistemológicos
do estudo dos movimentos. Enfim, há uma variedade de estudos sobre o tema, nas mais
diferentes áreas disciplinares.

NOT
A!

GENEALOGIA: estudo da origem das famílias.
EPISTEMOLOGIA: estudo do grau de certeza do conhecimento
científico em seus diversos ramos.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 49

Portanto, o estudo do multiculturalismo requer uma compreensão interdisciplinar


do contexto histórico, socioeconômico e cultural desses diferentes grupos sociais e da sua
diversidade cultural construída conforme seu tempo e suas condições humanas e geográficas.

NOT
A!

Abordagem Interdisciplinar: refere-se ao trabalho e estudo de
profissionais de diversas áreas do conhecimento ou especialidades
sobre um determinado tema ou área de atuação, implicando
necessariamente na integração dos mesmos para uma compreensão
mais ampla do assunto.

Daí a complexidade em se abordar a temática do multiculturalismo em todas as regiões


do planeta, levando em consideração a diversidade e a história dos seus diversos povos em
cada um dos cinco continentes e seus diferentes países. No entanto, o multiculturalismo já
alcançou um elevado nível na discussão acadêmica. De acordo com Sidekum (2003, p.
9), “esse alcance é a marca principal das últimas décadas do século XX, consolidando-se,
especialmente, pelos estudos comparados da cultura, desenvolvidos pela antropologia cultural
e pela psicologia aplicada, também conhecida por psicologia social intercultural”.

5 ESTUDOS DE GÊNERO

O surgimento dos estudos atuais sobre a condição feminina, os Estudos de Gênero, só


foi possível porque, ao longo do tempo, o movimento social de mulheres “fez muito barulho”,
denunciando as situações de opressão, preconceito e dominação que sofreram. A amplitude do
movimento feminista não pode e não deve ser reconhecida apenas como um dos movimentos
de luta das mulheres, porque muitas mulheres com perfis e histórias diferentes participaram. Se
hoje o gênero representa uma categoria de análise tão importante para as ciências humanas e
sociais, é porque se fez legítimo pelas tantas batalhas dos movimentos feministas, tornando-se
fundamental para a compreensão das relações humanas.

5.1 FEMINISMO

O feminismo é um conceito múltiplo. Ele possui uma dimensão política, que se refere
aos movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere aos estudos da
condição feminina. A dimensão acadêmica, ou seja, o campo de pesquisa e de conhecimento
50 TÓPICO 3 UNIDADE 1

sobre as mulheres, pode ser considerada multidisciplinar, porque ocorre em diferentes campos
disciplinares, como: Antropologia, História, Educação, Sociologia, Direito e vários outros.
O principal objetivo do movimento feminista não foi alcançar a igualdade entre homens e
mulheres, mas sim a equidade entre eles. Para assegurar a igualdade não deve ser necessário
que as mulheres assumam posturas “masculinas”. Elas devem preservar suas identidades.
Por isso a ideia de “equidade” e não igualdade.

Com relação ao Movimento Feminista, ele surgiu no século XVIII, na Europa,


especialmente na Inglaterra e França, mas logo repercutiu em outros países e se desenvolveu
de diferentes formas e expressões até os dias atuais. Para dar uma ideia de totalidade ao
movimento, ele foi dividido em três grandes momentos, que explicam as diferentes concepções
e lutas do movimento.

5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA

Esse primeiro momento do feminismo, chamado “Primeira Onda Feminista”, se refere


a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século XIX e fim do século XX,
no Reino Unido, na França e Estados Unidos, que tinha o foco originalmente na promoção da
igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição
de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus
maridos. No entanto, no fim do século XIX, o ativismo passou a se focar, principalmente, na
conquista de poder político, especialmente o direito ao sufrágio (voto) por parte das mulheres.

FONTE: Disponível em: <http://reporterdecristo.com/o-feminismo-contra-a-igreja-catolica>. Acesso


em: 20 out. 2011

Ainda assim, muitas feministas já faziam campanhas pelos direitos sexuais, reprodutivos
e econômicos das mulheres.

Na França do século XVIII, envolvidas pelo ideal de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”


da Revolução Francesa, mulheres de todas as classes sociais juntaram-se ao movimento
revolucionário. Elas acreditavam que, uma vez estabelecida a democracia, seus direitos ao
voto, à vida pública, ao divórcio e à emancipação social (já que eram subordinadas ao pai ou
marido) seriam assegurados. Muitas mulheres lutaram nos fronts de batalha na revolução, e
algumas morreram guilhotinadas, por defenderem suas convicções depois que a Revolução
se consolidou e lhes negou, de forma desleal, seus direitos.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 51

5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA

A Segunda Onda Feminista vai culminar com os movimentos sociais em andamento


nos Estados Unidos, e o país será, desta vez, a referência do movimento para o restante do
mundo. A segunda onda se refere a um período da atividade feminista que começa no início
da década de 60 e dura até o fim da década de 80.

As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das mulheres (direitos
de contrato, direitos de propriedade, direitos ao voto), pelo direito da mulher à sua autonomia
e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto e pelos direitos reprodutivos (incluindo
o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade), pela proteção de mulheres e
garotas contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro, pelos direitos trabalhistas,
incluindo a licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação.

FONTE: Disponível em: <http://igualdadedegeneroeraca.blogspot.com/2011/09/movimento-feminista.


html>. Acesso em: 20 out. 2011

Uma das autoras mais importantes da segunda onda é Betty Friedan e seu famoso livro
A Mística Feminina (The Feminine Mystique, 1963).

No livro, Friedan levanta a hipótese de que as mulheres seriam vítimas de um sistema


falso de crenças, que exige que elas encontrem identidade e significado em suas vidas através
de seus maridos e filhos; este sistema faz com que a mulher perca completamente a sua
identidade para a de sua família.

Disponível em: <http://www.veracruz.edu.br/


palavradeprofessor/2010/cinema1.htm>
52 TÓPICO 3 UNIDADE 1

Friedan, especificamente, localiza este sistema nas comunidades suburbanas de classe


média pós-Segunda Guerra Mundial; ao mesmo tempo, o boom econômico pós-guerra nos
Estados Unidos levou ao desenvolvimento de novas tecnologias que tornaram o trabalho das
donas de casa menos difícil, mas que frequentemente tinham o resultado de tornar o trabalho
das mulheres menos significante e menos valorizado.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo>. Acesso em: 20 out. 2011

5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O


SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE GÊNERO

De acordo com Grossi, o movimento feminista e o movimento gay merecem destaque


como aqueles que de fato questionaram as relações “afetivo-sexuais” no espaço privado. A partir
de então, esses questionamentos começaram a adentrar o espaço universitário, e pesquisas
passaram a ser desenvolvidas no interior de várias disciplinas.

No Brasil, a partir dos anos 70/80 começam a se desenvolver estudos sobre a condição
feminina, onde basicamente se discutia a opressão das mulheres em uma sociedade patriarcal.
Já a partir dos anos 80 surgem os estudos sobre as mulheres, pois: “[...] se percebe que não
é possível falar de uma única condição feminina no Brasil, uma vez que existem inúmeras
diferenças, não apenas de classe, mas também regionais, de classes etárias, de ethos, entre
as mulheres brasileiras”. (GROSSI, s/d, p. 3-4)

Nesse período, várias teses são desenvolvidas, porém, segundo esta autora, a referência
utilizada para o reconhecimento das mulheres enquanto grupo está ainda associada a uma
“unidade biológica (vagina, útero, seios)” (GROSSI, s/d, p. 4).

6 CONCEITUANDO GÊNERO

O conceito de gênero surge no Brasil através das pesquisadoras norte-americanas, que


vão tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças biológicas como
constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a perspectiva de que somos
construídos a partir de determinados mecanismos sociais. Uma das pensadoras responsáveis
por essa nova perspectiva é a autora Joan Scott. No artigo intitulado “Gênero: uma categoria
útil de análise histórica”, ela diz que:

O gênero torna-se uma maneira de indicar ‘construções sociais’ – a criação


inteiramente social de ideias sobre os papéis adequados aos homens e às
UNIDADE 1 TÓPICO 3 53

mulheres. É uma maneira de se referir às origens exclusivamente sociais das


identidades subjetivas dos homens e das mulheres. O gênero é, segundo esta
definição, uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado (SCOTT,
1990, p. 7).

Para a estudiosa Françoise Heritier (1996), o conceito de gênero é relacional, ou seja,


se constrói na relação entre homens e mulheres, haja visto que ninguém vive só, pois todas
as pessoas se relacionam desde que nascem, independente das regras sociais e culturais.

Segundo Grossi (s/d), papéis de gênero são as representações (tomadas como


representações de uma personagem no teatro) de cada sexo, ou seja, papéis sexuais são
as características atribuídas a cada sexo, de acordo com sua cultura. São modelos do que é
próprio e concernente a cada sexo. Sabe-se, através de relatos de historiadores, que os papéis
de gênero podem ser alterados dentro de uma mesma sociedade, dependendo das situações.

Com relação à identidade de gênero, ela se forma, segundo Grossi (s/d), a partir da
socialização de valores e comportamentos que são internalizados logo nas primeiras fases da
infância. Esses valores e comportamentos que são repassados são diferentes para cada sexo
e também variam de uma cultura para outra.

Um dos estudos de uma autora clássica da Antropologia (MEAD, 1979) poderá ilustrar
o que procuramos dizer até aqui. Essa autora procura nos fazer refletir como, nas diferentes
sociedades, são construídos padrões de conduta, comportamento, culturas, atribuindo-se
valores a algumas coisas e a outras não, como idade e sexo, ritmo de nascimento, maturação
e velhice, a estrutura do parentesco consanguíneo.

Em seu livro “Sexo e Temperamento”, essa antropóloga aborda três grupos diferentes
em uma ilha da Nova Guiné: os montanheses Arapesh, os canibais Mundugumor e os caçadores
de cabeças de Tchambuli. A autora faz o estudo com estes três grupos porque as diferenças
de sexo fazem parte da organização sociocultural dos mesmos, ainda que estas diferenças
sejam percebidas e dramatizadas de formas diferentes.

A partir dessa observação, a autora constata: ainda que, de uma forma geral, as
sociedades se organizem levando em conta as diferenças entre os sexos, não significa dizer
que essa organização esteja baseada em sistemas de oposição ou dominação.

7 ESTUDOS DE GÊNERO

Nos últimos tempos, os estudos de gênero passaram a se preocupar com várias


54 TÓPICO 3 UNIDADE 1

questões relativas ao universo das relações sociais. Observar a realidade a partir da análise
de gênero possibilitou novas interpretações sobre o comportamento humano e a reprodução
das desigualdades de gênero. Vejamos a seguir alguns estudos de gênero e suas principais
contribuições.

A construção social da desigualdade de Gênero (Educação Diferenciada): Os


estudos compreendem que há uma educação diferenciada para meninos e meninas desde o
seu nascimento. Nesta educação, se reproduzem idealizações e modelos de papéis destinados
a homens e mulheres na sociedade. Por exemplo, os meninos brincam de bola e carrinho,
enquanto as meninas brincam de boneca e casinha, deixando claro o espaço que cada um
ocupará dentro da sociedade. Por este motivo é que se organizam papéis diferenciados para
homens e mulheres.

Papéis femininos ou Feminilidades: De acordo com os estudos, os modelos de


feminino em nossa sociedade são criados a partir de símbolos antagônicos: Eva e Maria, bruxa
e fada, mãe e madrasta. Sendo que essas definições propõem o que é bom para as mulheres
e culpam-nas quando não correspondem a este padrão. A sociedade espera que as mulheres
cuidem da casa, dos filhos e do marido. Que sejam as guardiãs da moral da família, que sejam
meigas, atenciosas, maternais e frágeis. Outras expressões de feminino são marginalizadas.

Papéis masculinos ou Masculinidades: Os estudos sobre masculinidade tratam


da construção da identidade masculina e das diferentes masculinidades. Além disso, tratam
do discurso sobre o masculino, a idealização dele e os padrões de masculinidade. O que a
sociedade espera do papel desempenhado pelos homens é que sejam provedores, fortes e
viris. Outras expressões de masculinidade também são consideradas desviantes.

Violência de gênero: Os estudos apontam que a violência de gênero é demonstrada


no exercício de poder dos homens (na forma de espancamentos, insultos, ameaças, estupros,
assédio, assassinatos, e outros) sobre as mulheres e demais pessoas consideradas "inferiores"
(homossexuais, crianças, idosos etc.). Estes estudos demonstram uma série de situações em
que as mulheres têm sido historicamente violentadas em seus direitos, tanto no aspecto físico,
quanto psicológico.

Famílias: Muitos estudos reconhecem que há uma visão tradicional de família que não
reconhece a existência de núcleos familiares chefiados somente por mulheres ou a constituição
de famílias compostas por "agrupamento". De igual forma, são abordadas aqui as questões
relativas aos papéis tradicionais desempenhados por homens e mulheres dentro das estruturas
familiares.
 
A imagem das mulheres nos meios de comunicação: os estudos demonstram que
os meios de comunicação parecem dar às mulheres "visibilidade" e "espaço para discussão",
mas que reforçam constantemente o seu papel de "objeto de consumo", de "utilidade pública"
UNIDADE 1 TÓPICO 3 55

e "sexual".

A educação escolar: Os estudos reforçam que a educação escolar é transmissora


de valores, atitudes e preconceitos, reprodutora das desigualdades de gênero e homofobia.
Isso porque, no universo das instituições de ensino do nosso país, assuntos como Gênero
e Sexualidade têm sido tratados historicamente como tabus. Quando se permite falar sobre
estes temas, a escola tende a tratar a questão como uma dimensão da vida adulta, ligada à
constituição da família e da reprodução, através de uma perspectiva biológica. Desta forma,
tanto o exercício da sexualidade por si mesma, quanto as orientações homoafetivas, neste
espaço disciplinar, são negadas. A escola tem assumido, entre outros, o papel de vigiar os
limites entre as identidades e os papéis de gênero. Nesta função, de acordo com Louro (1997), a
norma a ser mantida e reafirmada pela instituição valoriza, prioritariamente, o modelo tradicional
dos papéis de gênero e o comportamento heterossexual, reafirmando os padrões da moral
dominante vigente na sociedade, tomando por modelo as relações hierárquicas e desiguais
entre os sexos e o homem e a mulher branca heterossexual de classe média urbana e cristã.
Os que escapam a este modelo são considerados como tendo um comportamento "desviante".
Silva (1999) destaca que “ninguém é essencialmente diferente, ninguém é essencialmente o
outro; a diferença é sempre constituída a partir de um dado lugar que se toma como centro".

Mesmo que a escola seja uma instituição reprodutora de preconceitos e discriminações,


várias iniciativas têm sido tomadas, tanto em âmbito local como nacional. Os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN) e a Secretaria de Educação Continuada (SECAD/MEC) possuem
a perspectiva de que os temas gênero, identidade de gênero e orientação sexual devem ser
considerados pela política educacional como uma questão de direitos humanos. Por este motivo
é que existe no Brasil uma agenda de enfrentamento ao sexismo e homofobia através do Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) e do Programa Brasil sem Homofobia (BSH).

Público e Privado: Os estudos demonstram que, a partir da consolidação do capitalismo,


se consolida também a ideologia de que existe uma esfera pública e outra privada. Esfera
privada: Lugar próprio das mulheres, do doméstico, da subjetividade, do cuidado, da honra.
Esfera pública: Espaço dos homens, da objetividade, dos iguais, da liberdade e do direito. Desta
maneira, convencionou-se nas sociedades ocidentais o espaço privado para a mulher, a casa,
o cuidado com os filhos e marido; e o espaço público ao homem, relações sociais, políticas e
de trabalho. Essa “ordem” social criou diferenças e justificou desigualdades sexuais ao longo
da história, sendo que muitas ainda permanecem nos dias de hoje.

A divisão sexual do trabalho: Os estudos demonstram que historicamente a divisão


sexual do trabalho enfatiza para os homens a produção e a subsistência da família e para as
mulheres a reprodução e a educação das crianças.
56 TÓPICO 3 UNIDADE 1

A produção foi sempre mais valorizada do que a reprodução, por este motivo é que as
atividades ditas reprodutivas, como as funções domésticas, são desvalorizadas. De acordo
com Faria (1997), referindo-se ao trabalho das mulheres rurais no Brasil:

Carpir no sertão nordestino era uma tarefa dos homens e era considerado
um trabalho pesado. Carpir no brejo paraibano era tarefa das mulheres e era
considerado trabalho leve. Como se vê, no cultivo da cana o que caracteriza-
va um trabalho como leve ou pesado não era a força física necessária para
realizá-lo, mas o valor social de quem o fazia. (FARIA, 1997, p. 14)

Nesse sentido, a desigualdade sexual não é refletida como um problema de gênero, ela
é naturalizada. Essa postura é que mantém o padrão de desvalorização do trabalho feminino,
e é o que explica porque muitas mulheres ainda ganham menos que os homens, mesmo
ocupando cargos iguais.
Por outro lado, após a expansão do capitalismo, quando as mulheres entram no mercado
de trabalho permanecem ainda com as atividades domésticas, o cuidado com a casa e com
os filhos. De acordo com o IBGE (2005):

O IBGE mostra que a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho


não reduziu a jornada delas com os afazeres domésticos. Pelo contrário, na faixa etária de 25
a 49 anos de idade, onde a inserção das mulheres nas atividades remuneradas é maior e que
coincide com a presença de filhos menores, o trabalho doméstico ocupa 94% das mulheres.
Aumentando o tempo de trabalho da mulher em função da dupla jornada de trabalho.

FONTE: Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2012/anais/122f.pdf>. Acesso em: 2 jun.


2015

Dupla Jornada de Trabalho:


A partir da segunda metade do século XX, com a expansão do capitalismo, as mulheres
entraram definitivamente no mercado de trabalho. Fato que, por um lado, possibilitou a inserção
da mulher no mundo do trabalho “produtivo” e no espaço público, e por outro, lhe manteve a
condição de trabalhadora doméstica, pois ela continuou com a integralidade das atividades
do lar. Ocorre, assim, o acúmulo de funções, chamado de dupla jornada de trabalho. Além
disso, do ponto de vista do desenvolvimento do capitalismo, a contratação de mulheres foi
estrategicamente conveniente, pois a remuneração do trabalho feminino era mais baixa do
que a masculina, dada a sua condição histórica de inferioridade. Por esse motivo, ainda nos
dias de hoje, em alguns setores, o trabalho feminino é menos valorizado do que o masculino.

FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/05524964992/Downloads/607-1164-1-PB.pdf>. Acesso em: 2


jun. 2015
UNIDADE 1 TÓPICO 3 57

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico vimos:

• Que o multiculturalismo significa a existência de grupos de diversas culturas, assim como:


o embate político, econômico e social travado pelos diferentes grupos sociais na luta pelo
respeito à diversidade.

• Que o termo “multiculturalismo” é recente, e sua utilização ocorreu pela primeira vez na
Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970.

• A ideia de que os estudos multiculturais são multidisciplinares, na medida em que são


provenientes de diversos campos de conhecimento, como: Antropologia Cultural, Psicologia
Social, História, Sociologia, entre outros.

• O direito à diferença e a diminuição das desigualdades são temas centrais para o multicul-
turalismo, bandeira de luta de vários movimentos sociais contemporâneos espalhados pelo
mundo inteiro.

• Que o conceito de cultura corresponde ao conjunto das regras sociais aceitas como nor-
mas pela sociedade ou grupo que as compõe.

• Que etnocentrismo é a maneira de ver os “outros” com base nos nossos padrões culturais,
com os nossos valores sociais, morais e éticos, e não os valores do outro.

• Que relativismo cultural significa uma perspectiva mais ampla sobre o outro, uma perspec-
tiva que vê e compreende o outro a partir dos parâmetros e regras sociais do outro.

• O feminismo como conceito múltiplo. Ele possui uma dimensão política, que se refere aos
movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere aos estudos da
condição feminina.

• O Movimento Feminista surgiu no século XVIII, na Europa, e foi dividido em três grandes
momentos, sendo a 1ª, a 2ª e a 3ª onda feminista.

• A primeira onda feminista se refere a um período extenso de atividade feminista, ocorrido


durante o século XIX e fim do século XX, na Europa. Sendo que o foco original do movimento
se concentrou na promoção da igualdade, nos direitos contratuais e de propriedade.

• A segunda onda feminista tem como cenário de surgimento os Estados Unidos já no século
58 TÓPICO 3 UNIDADE 1

XIX, na medida em que o processo de industrialização se acelera. O movimento feminista,


neste momento histórico, luta por melhores condições de trabalho e renda, além de questio-
nar as relações na família.

• Com a terceira onda, vem a introdução da discussão da desigualdade de gênero no meio


acadêmico, momento em que surge o conceito de gênero.

• O conceito de gênero surge no Brasil através de pesquisadoras norte-americanas, que vão


tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças biológicas como
constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a perspectiva de que somos
construídos a partir de determinados mecanismos sociais.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 59


IDADE
ATIV
AUTO

1 As mulheres frequentam mais os bancos escolares que os homens, dividem seu


tempo entre o trabalho e os cuidados com a casa, geram renda familiar, porém, conti-
nuam ganhando menos e trabalhando mais que os homens.

As políticas de benefícios implementadas por empresas preocupadas em facilitar a


vida das funcionárias que têm criança pequena em casa já estão chegando ao Brasil.
Acordos de horários flexíveis, programas como auxílio-creche, auxílio-babá e auxílio-
-amamentação são alguns dos benefícios oferecidos.

FONTE: Adaptado de <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul.2 013

FONTE: Disponível em: <http://ipea.gov.br>. Acesso em: 30 jul. 2013

Considerando o texto e o gráfico, avalie as afirmações a seguir.


I- O somatório do tempo dedicado pelas mulheres aos afazeres domésticos e ao trabalho
remunerado é superior ao dedicado pelos homens, independentemente do formato da
família.
II- O fragmento do texto e dos dados do gráfico apontam para a necessidade de criação
de políticas que promovam a igualdade entre os gêneros no que concerne a tempo
médio dedicado ao trabalho e remuneração recebida.
III- No fragmento de reportagem apresentado, ressalta-se a diferença entre o tempo
dedicado por mulheres e homens ao trabalho remunerado, sem alusão aos afazeres
domésticos.
60 TÓPICO 3 UNIDADE 1

É correto o que se afirma em:


( ) I, apenas.
( ) III, apenas.
( ) I e II, apenas.
( ) II e III apenas.
( ) I, II e III.

2 O conceito de feminismo possui uma perspectiva política, que se refere ao movimento


social em prol de políticas de reconhecimento e uma perspectiva acadêmica, que se
refere aos estudos feministas. Com relação ao conceito de feminismo e à atuação do
movimento feminista, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 

(    ) O feminismo é um movimento social e um campo de conhecimento que tem como


objetivo defender a igualdade entre homens e mulheres, seja do ponto de vista jurídico,
político ou econômico.
(    ) O movimento feminista está dividido historicamente em três "ondas", sendo que a
primeira onda refere-se ao feminismo do século XVIII, e tem como referências países
como França e Inglaterra.
(    ) Os estudos feministas têm como objetivo denunciar as desigualdades biológicas
entre homens e mulheres, no sentido de garantir direitos apenas para as mulheres.
(    ) Os estudos feministas podem ser classificados como multidisciplinares, pois são
desenvolvidos a partir de várias áreas de estudos.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( )V - V - F - V.
b) (  )F - V - F - F.
c) (  )F - F - V - F.
d) (  )F - V - F - V.

3 O feminismo é um movimento social e um campo de estudos cujo objetivo é


defender a igualdade entre os sexos. Na história do feminismo, convencionou-
se dividir o movimento em três momentos: primeira, segunda e terceira onda
feminista. Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 

(    ) Na Segunda Onda, a revolucionária Olímpia de Gouges escreveu uma declaração


muito importante, argumentando que as mulheres deveriam ter os mesmos direitos que
os homens, podendo participar da vida política, governando e formulando leis.
(    ) Uma das autoras mais importantes da Primeira Onda Feminista é Betty Friedan.
Ela ficou conhecida por escrever o livro "A Mística Feminina". Nele a autora critica a
vida vazia das donas de casa de classe média nos Estados Unidos.
(    ) A Segunda Onda Feminista vai culminar com os movimentos sociais em andamento
UNIDADE 1 TÓPICO 3 61

nos Estados Unidos. Esse momento do feminismo começa na década de 1960 e dura
até o fim da década de 1980. 
(    ) A Terceira Onda Feminista inicia na década de 1990, com o objetivo de compreender
os problemas femininos de um ponto de vista mais amplo, e não apenas do ponto
de vista das "mulheres brancas de classe média-alta", como fez a segunda onda.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( )F - F - V - V.
b) (  )F - V - F - F.
c) (  )V - F - V - F.
d) (  )V - V - F - V.
62 TÓPICO 3 UNIDADE 1
UNIDADE 1

TÓPICO 4
RESPONSABILIDADE SOCIAL:
SETOR PÚBLICO, SETOR
PRIVADO E TERCEIRO SETOR

1 INTRODUÇÃO

Nosso tempo apresenta enormes desafios éticos que decorrem da diversidade cultural
das sociedades contemporâneas, do consumismo, do individualismo, do hedonismo, do
desprezo ao próximo e à natureza, gerando um quadro de crise que tem sérias implicações
sobre a ética, sobre os valores e sobre a responsabilidade social.

Podemos notar um triplo aspecto nesta crise: primeiro, o agravamento da desigualdade


social, com crescente pobreza e miséria de uma parte considerável da população mundial. A
desigualdade hoje se mostra tão grande que pode até levar à desumanização de uma parte
considerável das pessoas, com os laços de cooperação e solidariedade atingindo níveis tão
baixos como nunca vistos antes na história de nossa espécie.

Em segundo lugar, vemos uma crise do sistema de trabalho, com o desemprego, a


perda dos postos de trabalho para a automação, e a exclusão social, que colocam o problema
ético de como construir uma sociedade que não gere destituídos dela.
T
Ó
Em terceiro lugar, vemos a crise ecológica, com os níveis de consumo atuais esgotando P
os recursos naturais e degradando a natureza a ponto de comprometer a sobrevivência dos I
seres vivos, o que nos chama a atenção para a necessidade de uma nova ética em nossa C
O
relação com a natureza. S

E
S
P
E
C
I
A
I
S
64 TÓPICO 4 UNIDADE 1

2 SETOR PRIVADO

Toda essa realidade que vimos anteriormente vem acompanhada do entendimento de


que cada setor da sociedade tem suas responsabilidades.

O setor privado, por mais óbvio que seja, não deveria ter participação do setor público.
Este setor também é conhecido como ‘iniciativa privada’ e tem papel preponderante na economia
e desenvolvimento de um país.

3 TERCEIRO SETOR

Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma lógica


política administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de ordem pública ou de
ordem privada. As organizações que estão fora desses dois grupos, que não apresentam objetivo
meramente lucrativo ou não (apenas) desempenham funções públicas, são as organizações
sociais, ou seja, todas as organizações residuais são definidas nesse guarda-chuva, o que
abarca um conjunto muito heterogêneo de tipos e práticas. Não podemos aqui confundir com o
terceiro setor do ponto de vista econômico, ou também conhecido como setor terciário, que se
caracteriza por desenvolver as atividades de comércio da produção industrial, e por serviços,
como transportes, telecomunicações e energia.

“A expressão ‘terceiro setor’ pode considerar-se também adequada na medida em


que sugere uma terceira forma de propriedade entre a privada e a estatal, mas se limita ao
não estatal enquanto produção, não incluindo o não estatal enquanto controle”. (BRESSER-
T PEREIRA; GRAU, 1999, p. 16)
Ó
P
Pode-se notar que existe um problema de definição conceitual sobre o que abrange
I
C o terceiro setor. “[...] o conceito de terceiro setor descreve um espaço de participação e
O experimentação de novos modos de pensar e fazer sobre a realidade social. É um campo
S
marcado por uma irredutível diversidade de atores e formas de organização”. (CARDOSO,
E 1997 apud BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 37)
S
P
É importante levar em conta que a Organização Social é um tipo específico de ator
E
C dentro do terceiro setor. Apesar disso, algumas características podem ser apontadas como
I típicas das Organizações Sociais (BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999), que aqui são listadas:
A
- iniciativas privadas que buscam suprir uma utilidade de ordem pública. Ou seja, seus
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 4 65

fins são públicos;


- constituído em grande parte por voluntários. Isso quer dizer que alguns membros
devem trabalhar sem remuneração;
- sem fins lucrativos (o que não quer dizer que não haverá salário para alguns membros,
mas sim que o objetivo não é enriquecer);
- deve ser formalmente constituída. Isso não significa que deve necessariamente ser
uma instituição legalizada, mas sim possuir regras, procedimentos que assegurem a existência
e atuação da organização;
- a gestão é própria, não deve ser realizada por grupos externos;
- passar por processo de regulamentação nesses últimos anos.

Assim sendo, pode-se afirmar que o terceiro setor não é público nem privado. Ele se
situa num entremeio, preenchendo lacunas do Estado através de uma atuação na esfera
privada. Assim, as organizações visam prestar serviços com fins de atender demandas sociais
em áreas como saúde, educação, cultura etc. Seu formato típico não é da Organização Não
Governamental (ONG), e sim do setor estatal e do setor privado, que visam suprir as falhas
do Estado e do setor privado no atendimento às necessidades da população, numa relação
conjunta. Entretanto, algumas organizações estão evitando tal denominação, motivos explicados
por Fischer e Falcone (1998, p. 4):

Esta característica pode ser observada quando se analisa a adoção do termo


ONG – Organização Não Governamental – pelas entidades brasileiras. O termo
foi adotado mais por influência dos financiadores internacionais do que por
uma tendência espontânea das organizações brasileiras. Até, pelo contrário,
muitas entidades atualmente não aceitam esta denominação por considerá-la
restritiva, ou mesmo porque ela omite princípios e valores que lhe são mais
caros do ponto de vista ideológico, ou que, na sua opinião, expressam com
mais clareza sua missão institucional.

De fato, a imagem das Organizações Sociais colou nas ONGs, mas elas são, na
verdade, múltiplas e assumem vários formatos. Uma das críticas a essas organizações seria
sobre uma atuação que serviria apenas a fins privados, não abrangendo a dimensão social da
questão. Outro ponto seria sobre o enriquecimento de algumas organizações, que obtinham T
Ó
lucro irregularmente. Entretanto, as organizações sociais se apresentam como uma alternativa P
que, quando considerados todos os seus preceitos, funcionam efetivamente junto à população. I
C
O
S

E
S
3.1 HISTÓRICO
P
E
O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do último quarto C
I
do século XX, a partir da proposta de Estado mínimo nos anos 80 pelo neoliberalismo, que
A
significa a maior redução possível do Estado na economia, o que significou um corte nos I
S
66 TÓPICO 4 UNIDADE 1

programas destinados ao apoio da população. Na década de 1990 essa proposta começa a


se mostrar irreal e se inicia um retorno do Estado a uma posição mais atuante.

O contexto foi agravado pela abertura do capitalismo na década de 1990 e a globalização.


O processo de globalização e o fortalecimento das estruturas capitalistas no mundo, com o
fracasso dos sistemas socialistas, aumentam a competitividade entre as empresas, que a
partir deste momento não concorrem apenas com as nacionais, mas com aquelas situadas
em outras partes do mundo.

Assim, o Estado nacional teve dificuldade em proteger as empresas nacionais e os seus


trabalhadores, o que levou à crise. “Esta crise levou o mundo a um generalizado processo de
concentração de renda e a um aumento da violência sem precedentes, mas também incentivou
a inovação social na resolução dos problemas coletivos e na própria reforma do Estado”.
(BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 15)

Uma dessas inovações refere-se justamente ao fortalecimento do controle social através


do público não estatal. Isso a tal ponto que se pode afirmar que o século XXI é o momento em
que o público não estatal torna-se chave para a manutenção da vida social. Outro ponto que
fortalece é a visão dessas organizações como espaço possível para a prática da cidadania,
tornando efetiva a democracia participativa.

No Brasil, existem algumas particularidades sobre o histórico dessas organizações.


Na verdade, desde o período militar, em meados do século XX, o Estado brasileiro realizou
intervenção maciça na economia. Na década de 1990 esse modelo começou a ser criticado,
algumas críticas em direção do desvio da função do papel do Estado (BRASIL, 1997), outras
em direção do gasto gerado por essa atuação.

Na década de 90 surge, de fato, uma reação a essa conjuntura:

Só em meados dos anos 90 surge uma resposta consistente com o desafio de


T superação da crise: a ideia da reforma ou reconstrução do Estado, de forma a
Ó resgatar sua autonomia financeira e sua capacidade de implementar políticas
P públicas conjuntamente com a sociedade. (BRASIL, 1997, p. 8)
I
C
Desta forma, o Estado inicia um processo de repensar o desenvolvimento. Ele toma para
O
S si outros papéis, o de promotor e regulador do desenvolvimento, deixando de se responsabilizar
diretamente, como o fazia antigamente. Nesse sentido, por um lado, ele deixa a função de
E
prestador direto de serviços sociais, principalmente saúde e educação, para assumir a sua
S
P regulação. Por outro lado, enquanto promotor, ele oferece subsídios a esses novos atores que
E assumirão essa atuação direta (BRASIL, 1997).
C
I
A Nesse contexto, surgem as Organizações Sociais, figura fundamental para o processo
I da reforma do Estado. O Estado, na verdade, fomenta esse novo ator. Ainda está em curso
S
UNIDADE 1 TÓPICO 4 67

essa troca de atores, da saída do Estado para a ocupação das Organizações Sociais, que foi
impulsionada pela regularização da sua atuação promovida na última década.

3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES


SOCIAIS NO BRASIL

Possuir um título de Organização Social no Brasil, atualmente, garante o recebimento


de benefícios do Estado, que abrangem dotações orçamentárias, isenções fiscais, subsídios
etc. Reiterando que as Organizações Sociais devem atender a uma demanda específica da
comunidade.

Elas se fazem presentes atualmente na gestão de hospitais, santas casas, museus,


institutos de fomento à pesquisa, de projetos voltados a algumas áreas específicas (saúde
e cultura, esporte, no caso de alguns estados), manutenção de grupos (como a Fundação
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).
FIGURA 7 – MELHORANDO A SOCIEDADE

T
FONTE: Disponível em: <http://inventta.net/wp-content/uploads/2014/05/objetivos_milenio.jpg>. Ó
Acesso em: 20 maio 2015 P
I
Essas Organizações Sociais realizam a gestão do espaço público e querem melhorar C
a vida das pessoas, e, por consequência, a sociedade como um todo. O
S
O espaço continua sendo público, ou seja, do Estado, mas quem administra os recursos,
E
os negócios e as pessoas? (BRASIL, 1997). Isso significa dizer que a associação de um museu S
faz desde a gestão dos funcionários que ali trabalham até o controle da bilheteria, programação P
E
cultural, peças e curadoria das peças.
C
I
O Estado de São Paulo foi pioneiro na implantação do sistema na área de saúde. A
I
A seleção envolve uma convocatória pública exigindo a experiência mínima na área de
S
68 TÓPICO 4 UNIDADE 1

gerenciamento. Esse método visa garantir que entidades sólidas assumam a frente das
instituições e o sucesso do modelo.

Segundo avaliação da experiência de São Paulo pelo Banco Mundial em 2006 (apud
CAMARGO et al., 2013), a solução gerou uma experiência de modernização positiva em
relação ao modelo anterior, mais produtiva e barata. Entretanto, há muitas críticas na proposta,
a primeira seria o desvio de função, com alta probabilidade de as organizações passarem a
atuar para fins privados; segundo, que há pouca transparência na sua atuação em relação
à disponibilidade de informações (CAMARGO et al., 2013). Isso não apenas por parte das
organizações, como também a postura do próprio Estado.

Assim, o MST amplia sua dimensão de atuação:

O objetivo material imediato (a terra) ‘não basta’, como dizem, deve vir acom-
panhado de lutas pelos direitos sociais (a cidadania plena) e em direção
à construção de uma sociedade mais justa (a socialista). Para atingir este
objetivo é que a educação, considerada como um direito essencial, deve se
desenvolver como um processo que inclui educação formal (ensino funda-
mental) e informal (participação no movimento, nas mobilizações, em ações
de solidariedade etc.), incluindo neste processo todas as gerações e gêneros.
(SCHERER-WARREN, 2000, p. 48)

O trabalho e o estudo são compreendidos como essenciais para humanizar o indivíduo.


Além disso, o trabalho principal é aquele que provê os meios de vida. Já o estudo é responsável
pelo desenvolvimento humano. São eles que transformam as pessoas e a sua realidade
(SCHERER-WARREN, 2000). Nesse sentido, há um intenso investimento na educação dentro
dos acampamentos, não financeiro, mas de conhecimento humano através de parcerias com
universidades e capacitação constante dos professores.

T 4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS


Ó
P No Brasil, as Organizações Não Governamentais (as ONGs) surgem no país no contexto
I
C da entrada da sociedade civil de forma orgânica, quer dizer, da sua participação efetiva nos
O rumos do país através da política. Isso acontece nas últimas décadas do século XX, ou seja,
S pouco mais de 20 anos.

E
S Entretanto, qual seria de fato o espaço ocupado pelas ONGs em relação à sociedade
P civil na atualidade? Elas atuam politicamente?
E
C
[...] no Brasil, temas como direitos humanos, meio ambiente e fome têm tido
I
como porta-voz, em grande parte, um conjunto de ONGs, que toma a iniciativa
A diante do Estado, propondo políticas diretamente ao Poder Executivo ou pres-
I sionando o Congresso Nacional para aprovações de leis. (PINTO, 2006, p. 654)
S
UNIDADE 1 TÓPICO 4 69

Exercendo o papel de pressionar governantes, as ONGs tratam de temas relativos


a grupos e questões não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas de atuação
política. Como exemplo, podemos citar a questão do meio ambiente. Dentro das plataformas
dos partidos, recentemente a discussão surgiu, e mesmo assim algo ainda raso, que não
compreende o problema de forma profunda.

NOT
A!

É interessante pensar que quem começa com as discussões
ambientais são as ONGs. Na Amazônia, não se sabe ao certo o
número de ONGs que atuam. As informações variam de 1.000 a
100.000. Abaixo, seguem os símbolos de algumas delas.

Outros temas relativos a grupos minoritários no país, como sobre as mulheres, direitos
homoafetivos, indígenas, moradores de rua, são sistematicamente trabalhados e elaborados
pelas ONGs. É bom esclarecer que as vozes desses grupos não são substituídas pelas
ONGs, mas elas servem como intermediadoras na realização de projetos e sistematização
das demandas, já que possuem uma preocupação maior em termos de organização que os
movimentos sociais (PINTO, 2006). Dentro das ONGs também atuam indivíduos pertencentes
a essas minorias, não existe uma fronteira, mas uma integração.

No que concerne às formas como as ONGs se movem no espaço público,


vale chamar a atenção para o potencial de construção de redes, abrangendo T
os espaços locais, regionais e globais, como também as potencialidades de Ó
incluir, nessas redes, desde organizações internacionais, como as do sistema P
ONU e fundações financiadoras, até grupos semimarginalizados em bairros I
da periferia das grandes cidades. A noção de rede em relação às ONGs pode
C
ser pensada de duas formas: uma é a rede entre ONGs incluindo também os
O
movimentos sociais, na qual cada organização é ponto de transmissão para
outras, maiores ou menores, locais ou globais. Outra forma de pensar a rede S
é como um espaço tridimensional onde as ONGs funcionam não apenas como
pontos de transmissão, mas como pontos nodais, que acumulam e distribuem E
informações, acumulam poder, credenciam-se como representantes fazendo S
a ligação entre o Estado e a sociedade em geral. (PINTO, 2006, p. 658) P
E
C
Dessa forma, as ONGs adquirem poder, conseguem estabelecer pontes entre diferentes I
grupos. Por um lado isso é positivo, pois elas conseguem fazer ressoar as vozes daqueles A
que pouco seriam ouvidos e colocar suas demandas aos governos. Por outro lado, esse poder I
S
70 TÓPICO 4 UNIDADE 1

pode ser perigoso, quando as populações apoiadas por essas ONGs passam a depender de
sua atuação. Ou seja, as ONGs podem desenvolver territórios de domínio, não estimulando a
prática da cidadania e a busca dos direitos por si mesmo, mas uma dependência de sua atuação.

O fato é que as ONGs possuem na realidade brasileira contemporânea uma atuação


política real e que conseguem pressionar o governo por uma atuação mais social. O espaço
significa uma atuação política potencial, mas não existem limites das ações. Elas “não podem
ser vistas de maneira simplista, como substitutas de partidos políticos, do Estado ou mesmo
dos movimentos sociais. Suas ações têm limites, entre eles o fato de serem fragmentadas,
atingirem o conjunto da sociedade de forma limitada e dependerem de financiamentos pontuais”.
(PINTO, 2006, p. 667)

S!
DICA

Assista ao filme Quanto Vale ou é por Quilo?


O diretor Sergio Bianchi desenvolve uma crítica sobre a atuação
das ONGs no Brasil. Busque e assista!

O que se espera de uma sociedade que se vê desafiada pelos seus indivíduos é que
ela seja capaz de:
• orientar as pessoas e os recursos materiais e financeiros para a promoção huma-
na;
• manter uma atitude crítica frente às propostas políticas vigentes;
• vivenciar o espírito de partilha e ajuda mútua na comunidade educativa;
• realizar campanhas comunitárias diante das situações emergentes.

A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande desafio,
como forma de externar a cidadania que todos almejam. O que ainda vemos é que conceitos
T
como cidadania, os direitos e deveres do cidadão, algo que deveria estar entranhado em nossas
Ó
P vidas, sabemos, não são tão conhecidos, muito menos praticados em nossa sociedade. São
I só conceitos.
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UNIDADE 1 TÓPICO 4 71

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico vimos que:

• Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma lógica políti-


ca administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de ordem pública, ou de
ordem privada.

• O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do último quarto do


século XX.

• Exercendo um papel de pressão, as ONGs tratam de temas relativos a grupos e questões


não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas de atuação política.

• A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande desafio,
como forma de externar a cidadania que todos almejam.

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72 TÓPICO 4 UNIDADE 1


ID ADE
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1 (UNIASSELVI). Os direitos humanos são compartilhados por todos os indivíduos.


Contudo, a charge mostra a violação desses em um período específico da história
brasileira: a ditadura militar. A personagem, através de uma fala irônica, narra fatos que
aconteceram na época. A partir desse contexto, analise as sentenças a seguir:
I- A charge mostra a violação do direito à vida por conta das perseguições e mortes
ocorridas.
II- Segundo a charge, os direitos humanos são respeitados universalmente em todos
os períodos da história.
III- A charge mostra um contexto histórico de grandes liberdades para o indivíduo se
expressar, apesar das perseguições narradas.
IV- A charge mostra a violação ao direito à liberdade, tanto pela perseguição aos indi-
víduos como a censura da imprensa e intelectuais.

T
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P
I
FONTE: Disponível em: <http://historianovest.
C blogspot.com/2010/07/charges-
O declaracao-dos-direitos-humanos.html>.
S Acesso em: 3 fev. 2014

E Agora, assinale a alternativa CORRETA:


S a) (  ) Somente a sentença IV está correta.
P b) (  ) As sentenças I e III estão corretas.
E c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
C d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.
I
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UNIDADE 1 TÓPICO 4 73

2 (UNIASSELVI) Com os protestos de junho de 2013, veio à tona a insatisfação popu-


lar quanto aos rumos que a política no Brasil está sendo gestada. Entretanto, deve-se
ter conhecimento dos espaços e atores políticos para além do governo que aproxima
a sociedade civil de uma ação mais contundente. Sobre o tema, associe os itens, uti-
lizando o código a seguir:
I- Conferências de Políticas Públicas.
II- Organização Social.
III- Organização Não Governamental (ONG).

(    ) Cuidam de grande parte de temas referentes às minorias, ou seja, os indígenas,


as mulheres, os homoafetivos.
(    ) Debate políticas públicas, sendo imprescindível a participação popular.
(    ) Realizam a gestão de espaços públicos, como hospitais, museus.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) III - I - II.
b) (  ) I - II - III.
c) (  ) II - III - I.
d) (  ) III - II - I.

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UNIDADE 1

TÓPICO 5

CULTURA E ARTE

1 INTRODUÇÃO

A cultura e a arte são áreas que interagem entre si e com as demais áreas de
conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas manifestações
artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre os sujeitos no meio social. A
cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e o espaço. A cultura
e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: erudita, popular e de massa.

A cultura erudita é aquela proveniente de estudos, pesquisas e que geralmente está


associada às instituições acadêmicas, por se tratar de um processo de legitimação. A arte está
associada a esta área, pois envolve a compreensão de conhecimentos artísticos, históricos,
filosóficos e sociais. Assim, a arte erudita, também conhecida como a de vanguarda, é concebida
conhecendo lugares como galerias de arte, exposições e museus, bem como toda a estrutura
e dinâmica de mediação que ocorrem entre os locais e o espectador, propondo humanização
dos sentidos.
T
Já a cultura de massa surge com as novas tecnologias e com os meios de comunicação, Ó
P
como: jornais, televisão, rádio, cinema, música, internet, entre outros. A cultura de massa tem I
relação com o consumismo, devido à influência que a mídia exerce. A arte está relacionada C
à cultura de massa, devido à tecnologia utilizada e à grande quantidade de signos criados. O
S

E, por último, a cultura popular, que está relacionada ao que pertence à maioria do povo E
e que não é ensinada necessariamente em espaços formais de educação. É a definição de S
P
várias áreas de conhecimento, como: folclore, dança, música, festa, literatura, arte, artesanato
E
etc. O conhecimento da cultura popular é passado de geração a geração. C
I
A
Desta forma, caro acadêmico, convidamos você para primeiramente compreender a
I
cultura e a arte e como essas áreas de conhecimento interagem com o meio social. S
76 TÓPICO 5 UNIDADE 1

2 CULTURA

A cultura é um aspecto social mutante em constante questionamento, pois é considerada


por muitos pesquisadores como representação da intervenção da sociedade nos ambientes,
sendo por isso difícil de conceituar.

Para José Luiz dos Santos (1949, p. 45):

Cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como dimensão do processo
social. Ou seja, a cultura não é algo natural, não é decorrência de leis físicas e biológicas.
Ao contrário, a cultura é produto coletivo da vida humana. Isso se aplica não apenas à per-
cepção da cultura, mas também à sua relevância, à importância que passa a ter. Aplica-se
ao conteúdo de cada cultura particular, produto da história de cada sociedade. Cultura é um
território bem atual das lutas sociais por um destino melhor. É uma realidade e uma concep-
ção que precisam ser apropriadas em favor do progresso social e da liberdade, em favor da
luta contra a exploração de uma parte da sociedade por outra, em favor da superação da
opressão e da desigualdade.

Nesta perspectiva, a cultura é considerada como um movimento humano decorrente


da convivência em grupo e da interação social. Portanto, é necessária a percepção das
especificidades de cada grupo cultural, para com elas observar e descobrir os signos existentes
em busca da identidade de cada povo.

São os valores culturais que identificam um povo, uma comunidade e cada pessoa.
É através da cultura que se pode observar e caracterizar a história de vida, os costumes, as
crenças e os hábitos de um determinado grupo social.

T FONTE: Disponível em: <http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/


Ó viewFile/1038/791>. Acesso em: 8 jun. 2015
P
I
C José Luiz dos Santos (2006, p. 7) descreve que a cultura é uma preocupação do mundo
O atual, buscando “entender os caminhos que conduziram os grupos humanos às suas relações
S
presentes e suas perspectivas de futuro”. O autor, quando relata cultura e diversidade, descreve
E que:
S
P O desenvolvimento da humanidade está marcado por contatos e conflitos en-
E tre modos diferentes de organizar a vida social, de se apropriar dos recursos
C naturais e transformá-los, de conceber a realidade e expressá-la. A história
I registra com abundância as transformações por que passam as culturas, mais
A frequentemente por ambos os motivos. Por isso, ao discutirmos sobre cultura,
I temos sempre em mente a humanidade em toda a sua riqueza e multiplicidade
S de formas de existência. São complexas as realidades dos agrupamentos hu-
UNIDADE 1 TÓPICO 5 77

manos e as características que os unem e diferenciam, e a cultura as expressa.

Nesse sentido, Eduardo David de Oliveira (2006, p. 155) se manifesta dizendo que “o
homem é um ser cultural. A cultura é construída, forjada de acordo com os acontecimentos
da história e criada a partir das contingências, sempre muito singulares, das comunidades
humanas”.

A compreensão de cultura é extremamente complexa, pois recebe novas definições


com o passar do tempo, mas a partir da segunda metade do século XX cria-se uma concepção
ampliada de cultura, como descreve Marilena Chauí (2008, p. 57):

A partir de então, o termo cultura passa a ter uma abrangência que não possuía
antes, sendo agora entendida como produção e criação da linguagem, da reli-
gião, da sexualidade, dos instrumentos e das formas do trabalho, das formas
da habitação, do vestuário e da culinária, das expressões de lazer, da música,
da dança, dos sistemas de relações sociais, particularmente os sistemas de
parentesco ou a estrutura da família, das relações de poder, da guerra e da
paz, da noção de vida e morte. A cultura passa a ser compreendida como o
campo no qual os sujeitos humanos elaboram símbolos e signos, instituem
as práticas e os valores, definem para si próprios o possível e o impossível,
o sentido da linha do tempo (passado, presente e futuro), as diferenças no
interior do espaço (o sentido do próximo e do distante, do grande e do peque-
no, do visível e do invisível), os valores como o verdadeiro e o falso, o belo e
o feio, o justo e o injusto, instauram a ideia de lei, e, portanto, do permitido e
do proibido, determinam o sentido da vida e da morte e das relações entre o
sagrado e o profano.

Na perspectiva de cultura como aprendizagem de saberes cotidianos é fundamental


que se traga a posição de Waldenyr Caldas (1986, p. 13), ao dizer que o pensamento humano
cria o modo de vida, os costumes e as regras, dizendo que a cultura:

Quando aplicada ao nosso estilo de vida, ao convívio social, nada tem a ver
com a leitura de um livro ou aprender a tocar um instrumento, por exemplo. Na
realidade, o trabalho do antropólogo, estudioso da cultura humana, começa
pela investigação de culturas, ou seja, pelo modo de vida, padrões de com-
portamento, sistema de crenças, que são características de cada sociedade.
Noutras palavras, pode-se dizer que nenhuma sociedade, nenhum povo, seja T
ele atrasado ou desenvolvido, primitivo ou civilizado, jamais agirá de forma Ó
idêntica aos demais. Poderá haver, isto sim, algumas semelhanças. P
I
C
A cultura pode ser entendida como importante agente para debater o estar e ser no O
mundo, que é entendido como um movimento que está intimamente ligado a tudo e a todos S
os aspectos sociais, culturais, históricos e filosóficos. Segundo José Luiz dos Santos (1996,
E
p. 8), “cada realidade cultural tem sua lógica interna, que devemos conhecer para que façam S
sentido suas práticas, costumes, concepções e as transformações pelas quais passam”. P
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IDADE
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AUTO

Veja esta questão da prova ENADE 2007 e responda:

Jornal do Brasil, 3 ago. 2005

Tendo em vista a construção da ideia de nação no Brasil, o


argumento da personagem expressa:
a) A afirmação da identidade regional.
b) A fragilização do multiculturalismo global.
b) O ressurgimento do fundamentalismo local.
d) O esfacelamento da unidade do território nacional.
e) O fortalecimento do separatismo estadual.

Cada povo, cada região tem suas especificidades culturais que compreendem a sua
forma de pensar e de agir evidenciando a diversidade cultural existente. A partir da diversidade
cultural compreende-se a identidade cultural de cada povo. Para Oliveira (2006, p. 84): “a
identidade se constrói com relação à alteridade. Com aquilo que não sou eu. É diante da
diferença do outro que a minha diferença aparece”. Diferentes nações, etnias, identidades
regionais, comunidades ou outros tipos de grupos sociais organizam e dão sentido à sua
existência.

O Brasil, por exemplo, apresenta uma diversidade cultural ampla, pois é resultado de
uma miscigenação étnica e cultural, principalmente dos povos indígenas, africanos e europeus.
Esta miscigenação se dá devido ao processo histórico que ocorreu no Brasil.
T
Ó
P Assim, a educação no Brasil estabeleceu, nas diretrizes e bases da educação nacional,
I a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar
C
da educação básica. A lei tem como propósito o conhecimento desses dois grupos étnicos, tais
O
S como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas
no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira, o negro e o índio na formação da sociedade
E
nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes
S
P à história do Brasil.
E
C
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em seu documento, também descrevem
I
A sobre Pluralidade Cultural, explicando que o estudo das diferentes culturas deve contribuir
I para a formação de uma nova mentalidade, onde toda forma de discriminação e exclusão seja
S
UNIDADE 1 TÓPICO 5 79

superada, proporcionando ao povo brasileiro “uma vivência plena de sua cidadania” (BRASIL,
1997, p. 13).

Tal perspectiva vem ao encontro da necessidade de ampliar o conhecimento cultural,


com o propósito de banir aspectos de enxergar apenas a sua cultura específica. A partir da
concepção de que o ser humano apenas considera o seu modo de vida como o “mais correto”
e “melhor”, assim, ele age em uma lógica do etnocentrismo. De acordo com Meneses (1999,
p. 13):

Etnocentrismo é um preconceito que cada sociedade ou cada cultura produz, ao mes-


mo tempo em que procura incutir, em seus membros, normas e valores peculiares. Se sua
maneira de ser e proceder é a certa, então as outras estão erradas, e as sociedades que
as adotam constituem ‘aberrações’. Assim, o etnocentrismo julga os outros povos e culturas
pelos padrões da própria sociedade, que servem para aferir até que ponto são corretos e hu-
manos os costumes alheios. Desse modo, a identificação de um indivíduo com sua sociedade
induz à rejeição das outras.

Por meio do conhecimento da diversidade cultural é possível distanciar pensamentos


etnocêntricos que promovem o preconceito. Entende-se que conhecendo a cultura do outro em
um contexto de diversidade pode-se identificar e valorizar cada movimento cultural de forma
a promover uma vivência plena com respeito e ética social. Entende-se que conhecendo a
cultura do outro em um contexto de diversidade se pode identificar e valorizar cada movimento
cultural, de forma a distanciar preconceitos e desigualdades.

3 ARTE

“A ciência descreve as coisas como são: a arte, como são sentidas, como se sente
T
que são”. Fernando Pessoa (1986) Ó
P
Desde a pré-história o ser humano está cercado de fenômenos artísticos, como desenho, I
C
gravura, pintura, dança, escultura, música, literatura, entre outros. Atualmente percebe-se uma O
grande variedade de práticas artísticas que permeiam o universo cultural, que circundam entre S
as várias linguagens artísticas, como: artes visuais, artes cênicas, dança e música. Ao refletir
E
sobre a arte, alguns questionamentos surgem: O que é arte? Que tipo de arte conhecemos? S
A arte tem alguma função? P
E
C
O homem primitivo, por exemplo, precisou criar objetos que correspondessem a suas I
necessidades de sobrevivência, representando por meio de desenhos nas cavernas os seus A
anseios para suas caçadas. A partir da concepção de arte primitiva, Marilena Chauí (2008, p. I
S
80 TÓPICO 5 UNIDADE 1

403) questiona sobre o “que dizem os desenhos nas paredes da caverna”. A autora afirma que “o
mundo é visível, e para ser visto é que o artista dá a ver o mundo”. Com isso, a arte inicialmente
teve aspecto de utilidade. Mas com o passar do tempo, os utensílios e as representações
começaram a ser criados pelo prazer em si, desvinculando da ideia unicamente de utilidade.

Assim, a arte surge com novas compreensões, como cita Marilena Chauí (2003, p.
406-407):

A distinção entre artes da utilidade e artes da beleza acarretou uma separa-


ção entre técnica (o útil) e arte (o belo), levando à imagem da arte como ação
individual espontânea, vinda da sensibilidade e da fantasia do artista como
gênio criador. Enquanto o técnico é visto como aplicador de regras e receitas
vindas da tradição ou da ciência, o artista é visto como dotado de inspiração,
entendida como uma espécie de iluminação interior e espiritual misteriosa,
que leva o gênio a criar a obra.

O belo para a arte passa a ser concebido pela experiência artística. A partir da abordagem
do belo ou juízo do gosto, a arte também é estudada por uma disciplina filosófica que é conhecida
como estética. A palavra estética é a tradução da palavra grega aesthesis, que significa
conhecimento sensorial, experiência e sensibilidade. A estética estuda as sensações que a
arte provoca no ser humano, desde sensações boas até sensações que causam desconforto,
inquietude, aflição etc.

A partir das manifestações artísticas criadas desde a pré-história até a contemporaneidade,


percebe-se que diferentes povos culturais criam suas particularidades artísticas, como é o caso,
por exemplo, das culturas indígenas. Os povos indígenas, devido aos saberes ancestrais,
se apropriam de elementos da sua etnia para conceber o belo por meio das manifestações
culturais. A pintura corporal dos povos indígenas tem representação ritualística, desta forma,
cada sociedade assume um significado artístico diferente, como é o caso da pintura corporal
na atualidade que é representada pela tatuagem, e esta tem apenas o significado de decorar.

A arte tem inúmeras possibilidades de definição, pois se compreende como uma


T
Ó manifestação dinâmica, onde são atribuídos conceitos no tempo e espaço.
P
I A arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma transfor-
C mação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um mundo outro – mais
O bonito ou mais intenso ou mais significativo, ou mais ordenado – por cima
S da realidade imediata [...]. Naturalmente, esse mundo do outro que o artista
cria ou inventa nasce de sua cultura, de sua experiência de vida, das ideias
E que ele tem na cabeça, enfim, de sua visão de mundo [...]. (GULLAR, apud
CHAUÍ, 2003, p. 271).
S
P
E A palavra arte deriva do latim ars, artis, que significa profissão ou habilidade natural ou
C
adquirida. Também corresponde ao termo grego tékhne, “técnica”, que significa “toda atividade
I
A humana submetida a regras em vista da fabricação de alguma coisa” (CHAUÍ, 2003, p. 275).
I Este conceito também se tem na cultura greco-romana, que significava ofício. Assim, a primeira
S
UNIDADE 1 TÓPICO 5 81

definição da arte estava ligada ao propósito de fazer ou produzir. A segunda definição de arte
é compreendida como conhecimento, visão ou contemplação, isto significa que a obra pode
retratar aspectos históricos, sociais e educativos. Já a terceira definição está ligada à arte como
expressão, que é uma experiência com o sensível.

A partir destas abordagens, percebe-se que é difícil um conceito definitivo para responder
o que é arte. Pois a arte se transforma, se modifica de acordo com o contexto cultural no qual
está inserida.

A obra Mona Lisa, criada pelo artista do Renascimento Leonardo da Vinci, é tida como
um exemplo de obra de arte que é conhecida por grande parte da população mundial. Seu
misterioso sorriso é pesquisado e admirado por muitos.

FIGURA 8 - LEONARDO DA VINCI. MONA LISA. 1503–1507

T
Ó
P
Óleo sobre madeira de álamo, color. 77 cm x I
53,5 cm. Museu do Louvre, Paris. C
O
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia. S
org/wiki/Mona_Lisa#/media/
File:Mona_Lisa,_by_Leonardo_da_ E
Vinci,_from_C2RMF_retouched. S
jpg>. Acesso em: 20 maio 2015 P
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82 TÓPICO 5 UNIDADE 1

Séculos depois de Leonardo da Vinci, o artista do movimento artístico Dadaísmo,


Marcel Duchamp, atuou como um dos maiores expoentes da vanguarda artística do século XX.
Duchamp reproduziu a obra original Mona Lisa em cartões postais, desenhando na imagem
um bigode e escrevendo embaixo da mesma: L.H.O.O.Q. A obra do artista Duchamp não se
trata de uma ofensa à obra original, mas uma brincadeira irônica com reverência aos antigos
mestres da pintura.

FIGURA 9 - MARCEL DUCHAMP. MONA LISA (L.H.O.O.Q). 1919.


READY-MADE CERTIFICADO

Lápis sobre produção fotográfica. Color; 17,8


cm x 12 cm. Coleção privada.

T FONTE: Disponível em: <http://museuhoje.


Ó com/app/v1/br/arte/55-
P marcelduchamp>. Acesso em: 20
I maio 2015
C
O
S Foi com o princípio de repensar o sentido de arte do seu tempo que Duchamp colocou
em questão o que seria arte. Isto leva a pensar que conceituar arte não é definitivo, uma vez
E
S que cada um pode conceber a obra de uma forma.
P
E
Chauí (2003, p. 403) descreve que “a obra de arte dá a ver, a ouvir, a sentir, a pensar, a
C
I dizer. Nela e por ela, a realidade se revela como se jamais a tivéssemos visto, ouvido, sentido,
A pensado ou dito”. Assim, para a autora (2003, p. 407), as artes na atualidade tornam-se:
I
S
Trabalho da expressão e mostram que, desde que surgiram pela primeira vez,
UNIDADE 1 TÓPICO 5 83

foram inseparáveis da ciência e da técnica. Assim, por exemplo, a pintura e a arquitetura da


Renascença são incompreensíveis sem a matemática e a teoria da harmonia e das proporções;
a pintura impressionista, incompreensível sem a física e a óptica, isto é, sem a teoria das cores
etc. A novidade está no fato de que, agora, as artes não ocultam essas relações, os artistas
se referem explicitamente a elas e buscam nas ciências e nas técnicas respostas e soluções
para problemas artísticos.

Nesta abordagem a arte parte para a construção de um sentido novo (a obra) e o institui
como parte da cultura. Segundo Chauí (2008), “o artista é um ser social que busca exprimir seu
modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, reflete sobre a sociedade,
volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para afirmá-la, seja para superá-la”.

A obra Guernica, pintada pelo artista do Cubismo, Pablo Picasso, propaga o sentido da
arte enquanto expressão, pois revela na obra o sentido da dor, do belo, do terrível, do sublime,
ou seja, mostra por meio da arte o sentido da cultura e da história na vida em sociedade. Esta
obra retratou o bombardeio que a cidade espanhola Guernica sofreu por aviões alemães.

FIGURA 10 - PABLO PICASSO. GUERNICA. 1937

T
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Pintura a óleo. 349 cm x 776 cm. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia. P
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_%28quadro%29#/media/File:Mural_ I
del_Gernika.jpg>. Acesso em: 20 maio 2015 C
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84 TÓPICO 5 UNIDADE 1

Nota-se que a arte é uma ciência do conhecimento que representa um elo entre o
passado, presente e o futuro, pois demonstra o pensar, o agir e todos os aspectos culturais
existentes desde o homem primitivo até o homem contemporâneo.

A arte pertence à cultura erudita, que são as artes desenvolvidas a partir de um


conhecimento acadêmico, são aquelas que estão dentro de lugares como galerias de arte
e museus. Mas, também, a arte faz parte da cultura popular, e este conhecimento popular é
reconhecido como patrimônio cultural. Para Suíse Monteiro Leon Bordest:

O patrimônio cultural de um povo é formado pelo conjunto dos saberes, faze-


res, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória
e à identidade de um povo. A preservação do patrimônio cultural significa,
principalmente, cuidar (reproduzir sempre e os manter vivos) dos bens aos
quais esses valores estão associados, ou seja, cuidar de bens representativos
da história e da cultura de um lugar ou de um grupo social. A Constituição
brasileira de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio
cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e
imaterial e, também, ao estabelecer outras formas de preservação – como o
registro e o inventário – além do tombamento, instituído pelo Decreto nº 25,
de 30 de novembro de 1937, que determina especialmente a proteção de
edificações, paisagens e conjuntos históricos urbanos. O patrimônio imate-
rial cuida da preservação dos bens culturais de natureza imaterial, como os
ofícios e saberes artesanais, as maneiras de pescar, caçar, plantar, cultivar e
colher, de utilizar plantas como alimentos e remédios, de construir moradias,
mas também manifestos através das danças e músicas, incluindo também os
modos de vestir e falar, os rituais e festas religiosas e populares, as relações
religiosas, sociais e familiares que revelam os múltiplos aspectos da cultura
cotidiana de uma comunidade (IPHAN/MinC, 2012).

Nos dias atuais a arte contemporânea está associada à indústria cultural, apropriando-se
da tecnologia e das interferências da mídia, fazendo parte da cultura de massa. Os meios de
comunicação, como a televisão, fotografia, cinema, internet, rádio e redes sociais fazem com
que o conhecimento artístico seja divulgado com maior facilidade e rapidez, de forma acessível
a grande parte da população.

T


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IDADE
P AUTO
ATIV
I
C A questão 1 de conhecimentos gerais da prova Enade 2014 con-
O templa conceitos artísticos:
S

E 1 O trecho da música “Nos Bailes da Vida”, de Milton Nascimento,


S “todo artista tem de ir aonde o povo está”, é antigo, e a música, de
P tão tocada, acabou por se tornar um estereótipo de tocadores de
E
C violões e de rodas de amigos em Visconde de Mauá, nos anos de
I 1970. Em tempos digitais, porém, ela ficou mais atual do que nun-
A ca. É fácil entender o porquê: antigamente, quando a informação
I
S
UNIDADE 1 TÓPICO 5 85

se concentrava em centros de exposição, veículos de comunicação, editoras, museus


e gravadoras, era preciso passar por uma série de curadores, para garantir a publica-
ção de um artigo ou livro, a gravação de um disco ou a produção de uma exposição. O
mesmo funil, que poderia ser injusto e deixar grandes talentos de fora, simplesmente
porque não tinham acesso às ferramentas, às pessoas ou às fontes de informação,
também servia como filtro de qualidade. Tocar violão ou encenar uma peça de teatro em
um grande auditório costumava ter um peso muito maior do que fazê-lo em um bar, um
centro cultural ou uma calçada. Nas raras ocasiões em que esse valor se invertia, era
justamente porque, para uso do espaço “alternativo”, havia mecanismos de seleção tão
ou mais rígidos que os do espaço oficial. (RADFAHRER, L. Todo artista tem de ir aonde
o povo está).

FONTE: Adaptado de <http://novo.itaucultural.org.br/materiacontinuum/todo-artista-tem-de-ir-


aonde-o-povo-esta/>. Acesso em: 29 jul. 2014

A partir do texto acima, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I- O processo de evolução tecnológica da atualidade democratiza a produção e a divul-
gação de obras artísticas, reduzindo a importância que os centros de exposição tinham
nos anos 1970.
II- As novas tecnologias possibilitam que artistas sejam independentes, montem seus
próprios ambientes de produção e disponibilizem seus trabalhos, de forma simples, para
um grande número de pessoas.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa cor-
reta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma preposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas. T
Ó
P
I
A arte na atualidade ou arte contemporânea, que surgiu mais intensamente a partir C
de 1960, busca romper com aspectos tradicionais da arte. A arte contemporânea passa a O
S
ser pensada como integrante da vida e do mundo, no qual é concebida em lugares formais
e informais, buscando a participação do público. Tem como característica a apropriação de E
materiais e objetos encontrados no cotidiano. Neste sentido, a obra tem um tempo de duração S
P
determinada. E
C
A artista canadense Jana Sterbak fez uma exposição, em 1987, causando polêmica I
A
por mostrar que o corpo humano, por mais bem vestido e arrumado que esteja, não passa de
I
carne e osso. S
86 TÓPICO 5 UNIDADE 1

FIGURA 11 - JANA STERBAK, VANITAS. VESTIDO


DE CARNE PARA ALBINO ANORÉXICO.1987

FONTE: Disponível em: <http://performatus.net/jana-


sterbak/>. Acesso em: 20 maio 2015

A arte contemporânea proporcionou aos artistas maior liberdade de criação, sendo


que ampliou o conceito das linguagens artísticas do que pode ou não ser considerado como
arte. Desta forma, podemos dizer que a arte contemporânea é uma arte conceitual, pois a
ideia proposta pelo artista é mais importante que o objeto em si, valorizando a experiência
que irá causar no público. Desta forma, pode-se pensar a arte na atualidade como uma área
do conhecimento em uma relação com a natureza, com a realidade urbana e com o mundo
tecnológico. Com isso surgem diferentes linguagens contemporâneas que se articulam, como
T a pintura, gravura, escultura, desempenho, happening, instalação, assemblage, ready–made,
Ó fotografia, literatura, video-art, body-art, land-art etc.
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UNIDADE 1 TÓPICO 5 87

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico vimos que:

• Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas manifestações artísticas


possibilita a compreensão da vida e das relações entre os sujeitos no meio social. A cultura e
a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: erudita, popular e de massa.

• A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e espaço, e são
duas áreas de conhecimento de difícil definição, porém elas interagem entre si e com as de-
mais áreas de conhecimento.

• A cultura é considerada como um movimento humano decorrente da convivência em grupo


e da interação social. Portanto, é necessária a percepção das especificidades de cada grupo
cultural, para com elas observar e descobrir os signos existentes em busca da identidade de
cada povo.

• É por meio do conhecimento e da valorização da cultura que se pode observar e caracteri-


zar a história de vida, os costumes, as crenças e os hábitos de um determinado grupo social
a fim de distanciar preconceitos e desigualdades.

• A arte tem sua definição a partir de três concepções: do fazer, do conhecimento e da expe-
riência com o sensível. A arte pode ser representada por meio das artes visuais, artes cênicas,
música e dança.

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88 TÓPICO 5 UNIDADE 1


ID ADE
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AUTO

Veja a questão 8, da prova ENADE 2008:

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), talvez o pensador moderno mais


incômodo e provocativo, influenciou várias gerações e movimentos artísticos. O Ex-
pressionismo, que teve forte influência desse filósofo, contribuiu para o pensamento
contrário ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através do embate entre a
razão e a fantasia. As obras desse movimento deixam de priorizar o padrão de beleza
tradicional para enfocar a instabilidade da vida, marcada por angústia, dor, inadequa-
ção do artista diante da realidade. Das obras a seguir, a que reflete esse enfoque
artístico é:
A B C

Homem idoso na poltrona. O grito. Edvard Munch,


Figura e borboleta. Milton
Rembrandt van Rijn – Oslo.
Dacosta.
Louvre, Paris. Disponível em: <http://
Disponível em: <http://www.
T Disponível em: <http://www. members.cox.
unesp.br>
Ó allposters.com> net>.
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UNIDADE 1 TÓPICO 5 89

D E

Menino mordido por um lagarto. Abaporu. Tarsila do Amaral.


Michelangelo Merisi (Caravaggio), Disponível em: <http://tarsiladoamaral.com.
National Gallery, Londres. br>
Disponível em: <http://vr.theatre.ntu.edu.tw>

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90 TÓPICO 5 UNIDADE 1

IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da


Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.

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UNIDADE 2

POLÍTICA, TECNOLOGIA E
GLOBALIZAÇÃO: OS IMPACTOS SOBRE
A SOCIEDADE

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade você será capaz de:

• compreender os fundamentos e concepções sobre Ciência,


Tecnologia e Sociedade;
• ampliar a percepção acerca das relações entre Ciência, Tecnologia
e Sociedade;
• conceber as tecnologias da informação e comunicação como
fator determinante no advento da sociedade da informação;
• contribuir para o debate sobre a sociedade da informação;
• compreender as práticas de inovação, as comunidades virtuais
e seus impactos e conhecer novidades tecnológicas existentes;
• compreenda o processo político, social e histórico contemporâneo;
• refletir sobre relações de trabalho.

PLANO DE ESTUDOS

Esta segunda unidade está dividida em cinco tópicos. No


final de cada tópico, você encontrará atividades que contribuirão na T
Ó
reflexão e análise dos estudos realizados.
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TÓPICO 1 - CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
O
TÓPICO 2 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E S
COMUNICAÇÃO (TIC)
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TÓPICO 3 - AVANÇOS TECNOLÓGICOS S
P
TÓPICO 4 - GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA E
INTERNACIONAL C
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TÓPICO 5 - RELAÇÕES DE TRABALHO A
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UNIDADE 2

TÓPICO 1

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE

1 INTRODUÇÃO

Caro acadêmico, para adentrarmos nos assuntos relacionados à Ciência, Tecnologia


e Sociedade é necessário entendermos os fundamentos de cada tema, e, somente então,
relacionarmos com o todo.

Desta forma, convido você a discutir ciência sob diferentes óticas, analisar definições
e pensamentos acerca da tecnologia e algumas formas de interpretar a sociedade.

A seguir, abordaremos algumas relações sobre ciência e tecnologia, tratando sob o


contrato de neutralidade desta parceria; trataremos ainda do processo de análise da evolução
da sociedade sob algumas perspectivas; e, assim, analisar a entrada da participação da
sociedade nas discussões da, então, falida parceria ciência e tecnologia.

Somente então abordaremos a nova formatação da CTS com embasamento nas


discussões levantadas pelo trabalho dos pesquisadores Milton Santos e Wiebe Bijker. E para
finalizar, algumas considerações acerca de modernidade, pós-modernidade e globalização. T
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2 CIÊNCIA
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Entender eventos, situações ou fatos novos é sempre uma tarefa fácil para você? P
Se fosse designado para a incrível tarefa de defender um determinado episódio, como você E
procederia? Essas indagações fazem-se necessárias para que ampliemos nossos horizontes C
I
sobre o fato de que as pessoas constroem formas próprias para compreender a realidade, seja A
observando pelo viés cultural, histórico, geográfico, ambiental, enfim. I
S
94 TÓPICO 1 UNIDADE 2

A mitologia, a arte, a religião e até mesmo a ciência são observadas quando o foco é
explicar as situações que cercam os seres humanos. Você, com certeza, já deve ter ouvido
sobre Isaac Newton! Não se recorda? E sobre Isaac Newton e a história da maçã que caiu
sobre sua cabeça, originando assim a teoria da gravidade? Ficou mais fácil, não? Pois bem,
é desta forma que a sociedade explica situações do cotidiano: apoiando-se em diferentes
pensamentos para defender o que acontece ao seu redor.
Quando contrapomos a ciência natural à ciência humana podemos perceber o jogo de
conflitos, pois, conforme Omnés (1996), a ciência é capaz de explicar a realidade bastando para
isso, princípios, regulamentos e normas. De qualquer maneira, tais conflitos são indissociáveis
da epistemologia e da política, uma vez que ocorre a tentativa de autoridade de uma ciência
sobre a outra. Desta forma, a realidade é comumente explicada pela ciência.

A ciência apresenta características que a fazem singular; é cumulativa, ou seja, não se


costuma descartar informações ou dados obtidos; é computável, permite o devido registro de
tais informações ou dados, e, além disso, é irrevogável. Segundo Abbagnano (2000), além de
utilizar sua própria linguagem, é baseada em métodos e fundamentos epistemológicos, o que
faz com que seja clara e objetiva.

Diversos são os métodos utilizados para explicar o cotidiano através da ciência.

Severino (2007, p. 102) nos diz que um método científico pode ser “um conjunto de
procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que permitem o acesso às relações causais
constantes entre os fenômenos”. Já para Omnés (1996, p. 272), é “um conjunto de regras
práticas que permitem garantir a qualidade da correspondência entre a representação científica
e a realidade”.

Nessa mesma perspectiva, Omnés (1996) também propõe que o método deve cumprir
ainda algumas etapas que visam diminuir a distância entre a cientificidade do conhecimento e
a proposta de explicação do mesmo, que seriam:
T QUADRO 5 - ETAPAS PARA EXPLICAÇÃO DO COTIDIANO ATRAVÉS DA CIÊNCIA
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S FONTE: Adaptado de OMNÉS (1996)
UNIDADE 2 TÓPICO 1 95

Faz-se de suma importância a compreensão sobre ciência e o conhecimento gerado por


ela. Porém, não se pode deixar de lembrar que o conhecimento científico avança pelo campo
da prática e não só pelo patamar teórico.

3 TECNOLOGIA

O que surge no seu pensamento ao ouvir a palavra tecnologia? Porventura seriam


máquinas sofisticadas, ou, quem sabe, computadores de última geração? Exatamente, esses
são sinônimos de tecnologia, mas convido você a aprofundar seus conhecimentos ainda mais.
Veja, pelo menos, outras três vertentes possíveis para a utilização dessa palavra, segundo
Ferreira (2004):

1. Linguagem peculiar a um ramo determinado do conhecimento, teórico ou prático. 


2. Conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria.
3. Aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral.

Por mais simplificadas que sejam estas três conceituações, elas permitem a análise
inicial acerca da discussão sobre tecnologia.

Vamos iniciar falando sobre conjunto de processos utilizados em uma determinada


área, neste estamos falando de teoria e prática aliadas a fim de atingir um objetivo. Isso nos
faz inferir que o conhecimento científico não ocorre somente na academia, mas também no
ambiente de trabalho, ou seja, não só há produção de conhecimento científico no ambiente
acadêmico, mas nas prestadoras de serviço, as quais testam a teoria promovida pela ciência,
agora no campo da prática.

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A!
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NOT
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Sobre isso há de se destacar uma situação relevante nas questões O
tecnológicas, no âmbito de país, a capacidade de produção de tecnologia S
também diferencia os países desenvolvidos dos em desenvolvimento.
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96 TÓPICO 1 UNIDADE 2

Você consegue perceber, nessa explanação inicial, a ação do ser humano em tudo o
que se refere à tecnologia? Normalmente, quando se fala nesse assunto, logo se pensa em
tecnologia de ponta, sondas espaciais, nanotecnologia, enfim; porém, a própria transformação
das peles de animais em roupas, dos elementos da natureza em utensílios domésticos, o uso
do fogo, entre outros ao longo da história, são exemplos de tecnologia. E, sim, a tecnologia
está presente desde muito cedo na vida do ser humano.

FIGURA 12 - A PRIMEIRA RODA

FONTE: Disponível em: <http://waz.com.br/


blog/2013/08/26/cinco-tecnologias-que-
mudaram-o-mundo/>. Acesso em: 15 maio
2015.

T Maior complexidade há quando analisamos a tecnologia do ponto de vista técnico, pois


Ó incluímos o campo de atuação da atividade humana e aumentamos os dados acerca do que
P
I vem a ser tecnologia. Como já exposto, a tecnologia está em todos os meios, seja científico,
C cultural, social; com isso, ratificamos as colocações de que em todas as ações humanas há
O técnica e, portanto, a tecnologia está amplamente disseminada, como preconiza Abbagnano
S
(2000). Outrossim, é relacionada às implicações sobre todo esse conhecimento desenvolvido;
E segundo Claval (2005), o uso, o aproveitamento e os resultados são de acordo com o objetivo
S para o qual foi desenvolvida e o meio em que está inserida.
P
E
C Pode-se perceber que a técnica está tão enraizada entre a natureza e o ser humano
I que, para Santos (2006), é quase impossível separá-la, pois o homem já não se vê mais sem
A
I o uso de tecnologia, que facilita, medeia e auxilia em muitos processos. Talvez possa surgir
S
UNIDADE 2 TÓPICO 1 97

aí um fator de preocupação: substituição (em demasia) dos elementos naturais por processos
artificiais. Fica a deixa para você pesquisar e analisar o que se apresenta de prós e contras
nessas questões.

Agora, partimos para a análise do último item sobre tecnologia, este pode ser traduzido
como tecnocracia, ou seja, o uso do conhecimento científico nos demais meios, porém, com
a divulgação exclusiva a partir do que a ciência e a técnica propõem como resultado. Neste
último, tal ação elimina as demais análises feitas a partir da concepção política, ideológica
e social, o que, por sua vez, pode causar o determinismo tecnológico. Não se esqueça, tais
ações terão reflexo direto nas questões relacionadas à sobreposição das ciências humanas
às ciências da natureza.

Pelo que foi apresentado nesta breve explanação, pode-se perceber que as ações são
interligadas e que agem como reação em cadeia. Nesse processo, faz-se necessário entender
a sociedade como agente integrante e mediador de todos esses processos.

4 SOCIEDADE

Ao entender a importância de discutir a sociedade como parte integrante de todo o


processo relacionado à tecnologia, abre-se precedente para muitas indagações. As discussões
seriam inúmeras, pois seria necessário abrir alinhamentos no mais amplo sentido a fim de
ajustar as arestas para que se forme o conhecimento acerca do assunto. Seja no âmbito
político, econômico, social, cultural, ambiental, faz-se necessário apurar o contexto em que
ocorrem, a fim de compreender seu impacto. Lembrando que a ciência humana apresenta
grande diversidade de pressupostos metodológicos e epistemológicos, e estes serão abordados,
através de alguns autores e suas perspectivas, a seguir.
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98 TÓPICO 1 UNIDADE 2

QUADRO 7 - PERSPECTIVAS DE TEORIAS E SEUS AUTORES SOBRE SOCIEDADE

FONTE: Adaptado de Tello e Mainardes (2012)

Pode-se perceber que cada autor defende uma linha de pensamento, ora específica, ora
compartilhada por outro autor, porém, divergentes; no entanto, nas propostas de conceituação
sobre sociedade, cada um nas suas perspectivas defende seus pontos de vista. Vejamos, por
exemplo, Comte, em cuja teoria fez uso de leis e métodos das ciências naturais, entendendo a
sociedade como um grande organismo vivo, interligado e interdependente. O principal conceito
defendido por Comte era de que a sociedade evoluía apenas em uma direção, ou seja, sua
T
Ó postura frente às mudanças era conservadora. Com base nesta teoria surgiram outras, nesta
P mesma linha de pensamento, denominadas como Neopositivismo.
I
C
O Por outro lado, Spengler entendia que a sociedade evoluía em ciclos que se encerravam
S em grandes períodos, citando como exemplos as sociedades babilônica, egípcia, romana.

E
S Marx, por sua vez, defendia a ideia de que a sociedade, como capitalista, começara a
P dividir as classes sociais e tal divisão proporcionava observar a evolução da sociedade num
E viés de produtividade e capitalismo.
C
I
A Husserl tinha grande preocupação com a essência dos objetos e não com o materialismo.
I Desta forma, considerava mais importante a experiência da consciência do que os demais
S
UNIDADE 2 TÓPICO 1 99

fatores materiais ou ideias.

Michel Foucault defendia a ideia de que o saber estava fortemente ligado ao poder,
e propunha uma genealogia para analisar a sociedade com a ideia de que o saber estaria
presente nas relações humanas e nas instituições disciplinadoras.

Assim, diversas são as teorias acerca da evolução da sociedade, que não se encerram e
tampouco foram todas apresentadas, mas que permitem dar-nos base para analisar, no contexto
da sociedade atual, a implicação da sociedade nas práticas atuais. Acertadamente, podemos
inferir que nenhum fator até aqui estudado age sozinho ou de maneira isolada, é no conjunto
da obra que a sociedade evolui, a ciência melhora e a tecnologia se adapta. (BAZZO, 2010)

5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Já vimos a definição de tecnocracia, pela qual a ciência passa a ter razão sobre
tudo e todos. Pois bem, esta visão apresenta um modelo de progresso linear, pelo qual o
desenvolvimento social é apenas consequência do desenvolvimento proposto pela ciência,
que, por sua vez, geraria o desenvolvimento tecnológico e, somente então, chegaria no
desenvolvimento social.

FIGURA 13 - O PROGRESSO DO PONTO DE VISTA DA TECNOCRACIA

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FONTE: Adaptado de Auler e Delizoicov (2006)
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Quando se trata do modelo linear apresentado, a perspectiva é de que tanto a ciência


quanto a tecnologia determinam as ações e melhorias, e a sociedade, por sua vez, somente
as recebe sem possibilidade de interação. Nesse modelo, a relação entre o desenvolvimento
científico e o social é casual, o que é fortemente criticado; outro fator de desagrado nesse
modelo, conforme Bourdieu (1983a) é da neutralidade da ciência. Segundo ele, esse fator é
tido como “utopia de interesses”, ou seja, coloca a ciência como melhor explicação da real
condição da sociedade.

Conforme pudemos observar, a tecnocracia, ou seja, a decisão de manter apenas


uma vertente entre ciência, tecnologia e sociedade não é neutra, pois age sobre interesses
políticos. O movimento ciência e tecnologia, ainda nos anos 60 e 70, foi duramente criticado
por promover, além do já exposto, problemas ambientais, além da aplicação da tecnologia
bélica, como, por exemplo, nas guerras mundiais.

Foi a partir das décadas de 60 e 70 que o movimento de neutralidade da dupla ciência


e tecnologia perdeu força e a sociedade passou a exercer seu papel de analisar criticamente
a parceria entre as duas frentes e participar das discussões técnico-científicas propostas pelo,
agora, grupo (ANGOTTI; AUTH, 2001 e AULER; BAZZO, 2001). A partir desse movimento,
outras frentes foram incorporadas às discussões sobre o que seria conhecimento científico e
tecnológico, bem como suas evoluções.

Como fora visto, mais precisamente após a II Guerra Mundial, a parceria entre ciência e
tecnologia passou por profundas mudanças, principalmente por começar a levar em conta o bem-
estar social. O primeiro avanço foi no sentindo de considerar o desenvolvimento tecnológico um
dos impulsionadores do progresso. A ciência, de certa maneira, também passou por mudanças,
ganhando a cada período maior importância. Passemos, agora, a analisar algumas reações
entre a parceria da ciência, da tecnologia e da sociedade, que se deu após essas grandes
adequações e modificações.

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I
C 6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
O
(CTS) – INTERPRETAÇÕES SOBRE
S
A NOVA FORMAÇÃO

E Sob a nova ótica de formação, agora com o criticismo social, ciência e tecnologia
S passam a ter uma conotação diferente e menos isolada. Para isso, convido-o para analisarmos,
P
juntos, duas interpretações, baseadas nos filósofos Wiebe Bijker e Milton Santos.
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6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS

Ao debater o tema CTS, procuramos trazer para a conversa a contribuição dos


seguintes pesquisadores: Wiebe Bijker e Milton Santos.

Wiebe Bijker (1951- ) é um construtivista social que trabalhou visando estabelecer


novas bases teóricas e metodológicas entre a CTS. O elo para esta nova parceria seria a
sociedade e, no momento em que assume este ponto de vista, começa a trabalhar com o
também construtivista social Trevor Pinch. Ambos envolvidos na divulgação de documentos
que debatem o relacionamento entre ciência e tecnologia, e destacando a importância da
essência social (BENAKOUCHE, 2005).

Outro pesquisador que traremos para a discussão é Milton Santos (1926-2001), um


geógrafo brasileiro que, por sua vez, tratou das questões relacionadas à CTS sob a ótica da
informação.

6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS

Milton Santos traz à luz a discussão do meio ambiente e sua relação com CTS. Aborda
questões como o espaço e a sucessão de relacionamento entre o homem e a natureza, bem
como, a da organização humana. Desta forma, faz uma interessante análise sobre a divisão
do espaço geográfico. Para entender melhor, trazemos um trecho do texto “A natureza do
espaço”, que trata sobre as considerações do autor sobre meio natural, meio técnico e meio
técnico-científico-informacional.

O meio natural
T
Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas partes Ó
ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando, diferentemente, P
segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que constituíam a base material I
C
da existência do grupo.
O
S
Esse meio natural generalizado era utilizado pelo homem sem grandes transformações.
As técnicas e o trabalho se casavam com as dádivas da natureza, com a qual se relacionavam E
S
sem outra mediação.
P
E
O que alguns consideram como período pré-técnico exclui uma definição restritiva. As C
transformações impostas às coisas naturais já eram técnicas, entre as quais a domesticação I
A
de plantas e animais aparece como um momento marcante: o homem mudando a Natureza,
I
impondo-lhe leis. A isso também se chama técnica. S
102 TÓPICO 1 UNIDADE 2

Nesse período, os sistemas técnicos não tinham existência autônoma. [...]. A harmonia
socioespacial assim estabelecida era, desse modo, respeitosa da natureza herdada, no
processo de criação de uma nova natureza. Produzindo-a, a sociedade territorial produzia,
também, uma série de comportamentos, cuja razão é a preservação e a continuidade do
meio de vida. Exemplo disso são, entre outros, o pousio, a rotação de terras, a agricultura
itinerante, que constituem, ao mesmo tempo, regras sociais e regras territoriais, tendentes
a conciliar o uso e a “conservação” da natureza: para que ela possa ser outra vez utilizada.
Esses sistemas técnicos sem objetos técnicos não eram, pois, agressivos, pelo fato de serem
indissolúveis em relação à Natureza que, em sua operação, ajudavam a reconstituir.

O meio técnico
O período técnico vê a emergência do espaço mecanizado. Os objetos que formam
o meio não são, apenas, objetos culturais; eles são culturais e técnicos ao mesmo tempo.
Quanto ao espaço, o componente material é crescentemente formado do “natural” e do
“artificial”. Mas, o número e a qualidade de artefatos variam. As áreas, os espaços, as regiões,
os países passam a se distinguir em função da extensão e da densidade da substituição,
neles, dos objetos naturais e dos objetos culturais, por objetos técnicos.

Os objetos técnicos, maquínicos, juntam à razão natural sua própria razão, uma lógica
instrumental que desafia as lógicas naturais, criando, nos lugares atingidos, mistos ou híbridos
conflitivos. Os objetos técnicos e o espaço maquinizado são lócus de ações “superiores”,
graças à sua superposição triunfante às forças naturais. Tais ações são, também, consideradas
superiores pela crença de que ao homem atribuem novos poderes, o maior é a prerrogativa de
enfrentar a Natureza, natural ou já socializada, vinda do período anterior, com instrumentos
que já não são prolongamento do seu corpo, mas que representam prolongamentos do
território, verdadeiras próteses. Utilizando novos materiais e transgredindo a distância, o
homem começa a fabricar um tempo novo, no trabalho, no intercâmbio, no lar. Os tempos
sociais tendem a se superpor e contrapor aos tempos naturais. [...].

O meio técnico-científico-informacional
T O terceiro período começa praticamente após a Segunda Guerra Mundial, e sua
Ó firmação, incluindo os países de terceiro mundo, vai realmente dar-se nos anos 70. É a fase a
P
que R. Richta (1968) chamou de período técnico-científico, e que se distingue dos anteriores
I
C pelo fato da profunda interação da ciência e da técnica, a tal ponto que certos autores preferem
O falar de tecnociência para realçar a inseparabilidade atual dos dois conceitos e das duas
S práticas.

E
S Essa união entre técnica e ciência vai dar-se sob a égide do mercado. E o mercado,
P graças exatamente à ciência e à técnica, torna-se um mercado global. A ideia de ciência, a
E ideia de tecnologia e a ideia de mercado global devem ser encaradas conjuntamente, e desse
C
modo podem oferecer uma nova interpretação à questão ecológica, já que as mudanças que
I
A ocorrem na natureza também se subordinam a essa lógica.
I
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UNIDADE 2 TÓPICO 1 103

Neste período, os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e


informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de sua localização,
eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal de seu funcionamento
é também a informação. Já hoje, quando nos referimos às manifestações geográficas
decorrentes dos novos progressos, não é mais de meio técnico que se trata. Estamos diante
da produção de algo novo, a que estamos chamando de meio técnico-científico-informacional.

Da mesma forma como participam da criação de novos processos vitais e da produção


de novas espécies (animais e vegetais), a ciência e a tecnologia, junto com a informação,
estão na própria base da produção, da utilização e do funcionamento do espaço e tendem a
constituir o seu substrato. [...].

Podemos então falar de uma cientificização e de uma tecnicização da paisagem. Por


outro lado, a informação não apenas está presente nas coisas, nos objetos técnicos, que
formam o espaço, como ela é necessária à ação realizada sobre essas coisas. A informação
é o vetor fundamental do processo social e os territórios são, desse modo, equipados para
facilitar a sua circulação. [...].

Os espaços assim requalificados atendem, sobretudo, aos interesses dos atores


hegemônicos da economia, da cultura e da política e são incorporados plenamente às
novas correntes mundiais. O meio técnico-científico-informacional é a cara geográfica da
globalização.
FONTE: Santos (2006, p. 157-161)

Após esta leitura, você conseguiu identificar os aspectos importantes da relação entre
CTS que Milton Santos aborda? Como você pôde ver, essa questão é analisada na perspectiva
de que as relações foram sendo estabelecidas ao longo do tempo e de maneira dialética. O
autor destaca questões que merecem ser reanalisadas, como: a necessidade de determinar
as características do mundo atual (como modernidade, pós-modernidade e globalização),
assim como a história das relações entre CTS. Outro ponto que merece ser revisitado são as
relações entre CTS em uma lógica de mercado, ou seja, buscar reflexões sobre o sistema
T
produtivo como um todo. Ó
P
I
C
6.3 CTS SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER O
S

Um dos principais incentivadores do movimento construtivista social foi Wiebe Bijker. E


Para entendermos melhor suas ideias e ideais, gostaria de compartilhar um pequeno trecho S
P
do artigo “Tecnologia é Sociedade: contra a noção de impacto tecnológico”, de Benakouche E
(1999), que aborda os principais vieses deste pesquisador. C
I
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104 TÓPICO 1 UNIDADE 2

Sustentando que os vários elementos envolvidos no processo de inovação tecnológica


constituem uma teia contínua (“seamless web”), Bijker pretende dar conta dessa realidade
através da elaboração de uma teoria que:
a) explique tanto a mudança quanto a estabilidade das técnicas;
b) seja simétrica, ou seja, possa ser aplicada tanto às técnicas que dão certo como às
que falham; c) considere tanto as estratégias inovadoras dos atores como o caráter limitador
das estruturas; e, finalmente
d) evite distinções a priori entre o social, o técnico, o político ou o econômico.

Diante de tal agenda, propõe o uso de alguns conceitos básicos e operacionais, postos
inclusive à prova nos vários estudos de caso que realizou, dentre os quais se destacam
os de grupos sociais relevantes, estrutura tecnológica (“technological frame”), flexibilidade
interpretativa (“interpretative flexibility”) e estabilização ou fechamento (“closure”).

Os “grupos sociais relevantes” são aqueles mais diretamente relacionados ao


planejamento, desenvolvimento e difusão de um artefato dado; na verdade, seria na interação
entre os diferentes membros desses grupos que os artefatos são constituídos. Nesse processo,
os atores não agem aleatoriamente, mas segundo padrões específicos, isto é, agem a partir
das “estruturas tecnológicas” às quais estão ligados; esta noção – central, neste quadro
analítico-descritivo – é ampla o suficiente para incluir teorias, conceitos, estratégias, objetivos
ou práticas utilizados na resolução de problemas ou mesmo nas decisões sobre usos, pois
não se aplica apenas a grupos profissionais especializados, mas a diferentes tipos de grupos
sociais. Segundo Bijker, existiriam diferentes graus de inclusão nessas estruturas, isto é, de
envolvimento.

Na medida em que os grupos atribuem diferentes significados a um mesmo artefato,


sua construção supõe um exercício de negociações entre esses mesmos grupos, onde o
uso da retórica é um recurso poderoso, ou seja, é objeto de uma “flexibilidade interpretativa”.
Quando esta atividade de ajustes se estabiliza e um significado é fixado ou aceito, diz-se que o
T artefato atingiu o estágio de “fechamento”. É justamente a prática da flexibilidade interpretativa
Ó que retira dos artefatos sua obturacidade; é ela que explica porque os mesmos não têm uma
P identidade ou propriedades intrínsecas, as quais seriam responsáveis por seu sucesso ou o seu
I
C fracasso, seus “impactos” positivos ou negativos. Em outras palavras, o não reconhecimento
O da importância desse processo é que leva à crença equivocada do determinismo da técnica.
S Assim é que tudo, numa tecnologia dada, do seu planejamento a seu uso, estaria sujeito a

E variáveis sociais, e portanto, estaria aberto à análise sociológica. No entanto, pode-se perguntar:
S ao se adotar essa perspectiva não se corre o risco de se cair num reducionismo social? Não,
P respondem os pesquisadores identificados com a mesma. O reconhecimento da existência de
E
C estruturas tecnológicas evitaria esse risco: na medida em que as mesmas influenciam a ação
I dos diferentes grupos sociais relevantes, essas estruturas seriam justamente as pontes que
A ligam tecnologia e sociedade, levando à constituição de conjuntos sociotécnicos (BIJKER, 1995).
I
S FONTE: Benakouche (1999, p. 11-13)
UNIDADE 2 TÓPICO 1 105

Após esta leitura, você pode traçar os principais pontos elencados pelo autor?
Se você citou a questão da importância de debater as ações do trio CTS em conjunto,
com o enfoque nas ações sociais, você fez uma excelente leitura. Wiebe Bijker foi um dos
grandes defensores da participação da sociedade nas discussões relacionadas à ciência,
e como consequência, demonstra em todos os seus discursos o repúdio à parceria entre
sociedade e tecnologia.

A partir das colocações proporcionadas pelos dois autores é possível elencar pontos
que merecem ser revistos, como, por exemplo, a forma com que as comunicações de massa
são disponibilizadas e utilizadas pela sociedade, assim como a importância da tecnologia no
cotidiano e a dependência tecnológica.

7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL

Ao caracterizar o mundo atual, faz-se necessário observar três vertentes singulares:


modernidade, pós-modernidade e globalização. É importante analisar esses três pontos para
que se possa avançar nos estudos sobre CTS. Vamos lá?

QUADRO 8 - PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS CONCEITOS DE MODERNIDADE, PÓS-


MODERNIDADE E GLOBALIZAÇÃO

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FONTE: Adaptado de David Harvey (2003)
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106 TÓPICO 1 UNIDADE 2

O que vem a ser a modernidade? Para muitos, o conceito de modernidade refere-se a


ideias bastante controversas, compreendendo desde pequenas práticas a formas de perceber,
conceber e viver o mundo. Para melhor situá-lo, relembramos três grandes eventos: Revolução
Industrial, Revolução Francesa e Revolução Científica.

A pós-modernidade ainda é complexa e a ideia não é amplamente aceita por todos


os cientistas e pensadores. As dúvidas e diferenças surgiram em torno de 1970 e 1990, mas
ainda assim pode-se verificar duas linhas de discursos, quando o termo é pós-modernidade:
a da continuidade e a do rompimento.

Agora, quando o assunto é globalização, o termo é mais conhecido, tendo em vista


que é assunto atual e amplamente divulgado e trabalhado na mídia. Como todo conceito,
este também apresenta seus prós e contras, pois está fortemente ligado à maneira como foi
apreendida pela sociedade. O marco inicial da globalização é fracamente indicado, como no
período da Revolução Tecnocientífica, porém, viu-se nesse uma importante ferramenta de
longo alcance, com ligações para diferentes partes do mundo.

A globalização está amparada, principalmente, nos avanços tecnológicos, assim


como nas relações sociais e econômicas, no mercado da conectividade e da virtualidade. A
compressão da globalização, conhecida como compressão tempo-espaço, é abordada como
sendo a responsável por alterar a forma de comunicação entre as pessoas, como a telefonia
móvel. (HARVEY, 2003). Porém, como tudo tem seu outro lado, assim também é na globalização,
podendo proporcionar tanto a inclusão como a desigualdade social.

Uma importante observação precisa ser feita sobre esse ponto: deve-se cuidar para que
os avanços tecnológicos não venham a causar o determinismo tecnológico, o que ocasionaria
o mesmo pensamento de que a ciência e a tecnologia são neutras. Nesse momento, o que se
deve buscar é usar a tecnologia como ferramenta e não como base.

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UNIDADE 2 TÓPICO 1 107

RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico você viu que:

• A ciência, como forma de explicar a realidade, apresenta as seguintes características:


linguagem própria; conhecimento acumulável, registrável e refutável; e articulação entre
procedimentos metodológicos e fundamentos epistemológicos.

• A tecnologia, como sinônimo de técnica, nos permite pensar das tecnologias mais simples até
as mais avançadas, como roupa, ferramentas e celulares; e, quando falamos em tecnocracia,
podemos entender como ideologização da técnica.

• A sociedade pode ser analisada e interpretada de diversas formas e são vários os autores
que apresentam algum parecer sobre o tema sociedade.

• A ciência e a tecnologia apresentam um modelo de crescimento e evolução linear.

• O movimento que engloba ciência, tecnologia e sociedade está baseado em uma visão
mais crítica sobre a parceria entre ciência e tecnologia, o que permitiu inserir outros pontos
para debate das questões sociais, políticas, culturais e econômicas acerca da ciência e das
tecnologias.

• Há várias interpretações acerca das relações CTS, e as de Milton Santos e Wiebe Bijker são
duas delas.

T
• Os conceitos de modernidade, pós-modernidade e globalização são importantes para Ó
a discussão acerca de ciência, tecnologia e sociedade, mas apresentam concepções e P
interpretações bastante controversas. I
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108 TÓPICO 1 UNIDADE 2


IDADE
ATIV
AUTO

1 Leia a charge a seguir:

FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/>. Acesso em: maio 2015.


A análise da charge nos remete ao fenômeno da insegurança no emprego, vivido,
nos dias atuais, por muitas pessoas. Esta insegurança também está atrelada ao
desenvolvimento de novas tecnologias, o que, por sua vez, tornou-se mais evidente
nos últimos anos. Com base nos efeitos nocivos, é correto afirmar que:

a) Produz sensação de apreensão quanto à continuidade futura de um cargo e/ou de


um papel dentro do ambiente de trabalho.
b) O maior aumento da insegurança no trabalho ocorreu em meados dos anos de
1990, entre os trabalhadores que exercem atividades manuais.
c) Trata-se de um fenômeno recente causado por profundas alterações no contexto do
mercado de trabalho.
d) Os estudos apontam que a insegurança no emprego é restrita ao ambiente de
T
trabalho, não afetando a saúde e a vida pessoal dos empregados.
Ó
P
I 2 Com referência à comunicação de massa, identifique a opção correta.
C
a) A comunicação de massa engendra um tipo de comunicabilidade do “entre nós”, que
O
S se reporta aos telespectadores, ouvintes e aos brasileiros, em geral, gerando a ilusão
de pertencerem a uma comunidade.
E
b) A comunicação de massa caracteriza-se pela divisão entre a figura do emissor e a do
S
P receptor autorizado e pela negligência do monopólio comunicativo e do cerceamento
E de práticas populares.
C c) A comunicação de massa fundamenta-se na premissa de que tudo pode ser mostrado
I
A e dito, não estabelecendo critérios sobre quem pode dizer e quem pode ouvir.
I
S
UNIDADE 2 TÓPICO 1 109

d) O receptor autorizado tem um espaço da fala para opinar e contradizer, não sendo
necessário que suas funções sejam definidas na estrutura do campo comunicativo.
e) Na comunicação de massa, o espaço social sui generis é transformado em um espaço
social heterogêneo, em que emissor e receptor têm papéis bem definidos.

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UNIDADE 2

TÓPICO 2

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO (TIC)

1 INTRODUÇÃO

Caro acadêmico, ao falarmos das tecnologias da informação e comunicação como fator


determinante no advento da sociedade da informação, estamos a falar das transformações
resultantes do processo da globalização de mercados e dos avanços do uso dos processos
tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos. Desse mosaico de transformações exercidas
pelos meios tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos emerge o conceito de sociedade da
informação. Sob este prisma, o que iremos apresentar nas próximas páginas busca assinalar
as tecnologias da informação e comunicação como fator determinante no advento da sociedade
da informação. Portanto, esperamos que este tópico possa contribuir, de certa forma, para
inseri-lo no debate sobre a sociedade da informação e que sirva de uma ferramenta que possa
expandir o seu horizonte pensante.

2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO T
E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR Ó
DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE DA P
INFORMAÇÃO I
C
Nos últimos anos do século XX, o mundo vem adquirindo uma nova configuração, O
S
fundamentada nas tecnologias da informação e da comunicação. A sociedade pós-industrial
vem sofrendo modificações de forma acelerada, reestruturando o capitalismo, na medida em E
que todas as economias do planeta passam a interdepender umas das outras, em escala global. S
P
E
Diante disto, observa-se que as grandes organizações mundiais passam por um C
processo de descentralização e interconexão das empresas, exemplos desse processo são: o I
A
aumento do capital frente ao trabalho, com o declínio do sindicalismo e crescente desemprego
I
e a incorporação massiva da mulher no mundo do trabalho. S
112 TÓPICO 2 UNIDADE 2

FIGURA 14 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

FONTE: Disponível em: <http://webquests.edufor.pt/webquest/soporte_horizontal_w.php?id_


actividad=2826&id_pagina=1>. Acesso em: maio 2015.

Com o crescente aumento do uso das Tecnologias da Informação e de Comunicação


nos diversos setores da atividade humana, bem como a sua integração às facilidades das
telecomunicações, tornou-se evidente a possibilidade de ampliar cada vez mais tanto o acesso
à informação, bem como o desenvolvimento de novos meios que proporcionassem de forma
rápida sua distribuição no campo das pesquisas científicas. As atividades tradicionais, como a
leitura, a escrita, o correio, o comércio, a publicidade ou o ensino, em atividades realizadas em
ambientes virtuais, passam agora a ser capturadas por estes novos dispositivos tecnológicos
de informática, cada vez mais avançados.
T
Ó
P Este processo, que teve a sua origem no fim dos anos 60 e início dos anos 70, não foi,
I por si só, responsável pela nova forma de organização social. Centrado na ideia de informação
C e comunicação, o uso das TIC resultou da interação de três processos independentes: revolução
O
S da tecnologia da informação; da economia (crise econômica do capitalismo e do estatismo e a
consequente reestruturação de ambos); e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como
E a afirmação das liberdades individuais, dos direitos humanos, do feminismo e do ambientalismo
S
(CASTELLS, 2001).
P
E
C Na escala societária, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) constituíam um
I
limiar sobre o qual se sucediam os acontecimentos políticos, militares ou científicos, tornando-
A
I se desta forma uma expressão de competição global, cuja lógica encontrava-se inserida dentro
S
UNIDADE 2 TÓPICO 2 113

de uma economia informacional/global; e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real,


onde a sociedade e a cultura estão subjacentes à ação e às instituições sociais em um mundo
interdependente. A interação entre esses processos e as reações por eles desencadeadas fez
surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede.

Na época atual, as chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)


constituem ferramentas indispensáveis no processo de fortalecimento e integração das nações
na nova cadeia global. Segundo Castells (2001), este processo foi de extrema importância,
pois seu papel conferiu uma dinâmica e formação de redes das diversas esferas da atividade
humana. Esta nova lógica preponderante de redes, sobre a qual a nova sociedade se assenta,
transformou todos os domínios de vida social e econômica.

Por intermédio da tecnologia, redes de capital, de trabalho, de informação e de


mercados conectaram funções, pessoas e locais valiosos ao redor do mundo,
ao mesmo tempo em que desconectaram as populações e territórios despro-
vidos de valor e interesse para a dinâmica do capitalismo global. Seguiram-se
exclusão social e não pertinência econômica de segmentos de sociedades, de
áreas urbanas, de regiões e de países inteiros, constituindo o que chamo de
‘o Quarto Mundo’. A tentativa desesperada de alguns desses grupos sociais
e territórios para conectar-se à economia global e escapar da marginalidade
levou a uma situação que chamo de ‘a conexão perversa’, quando o crime
organizado em todo o mundo tirou vantagem de sua condição para promover o
desenvolvimento da economia do crime global. O objetivo é satisfazer o desejo
proibido e fornecer mercadorias ilegais à contínua demanda de sociedades e
indivíduos abastados. (CASTELLS, 1999, p. 411).

A fim de compreender o surgimento das novas formas de organização social por conta
das tecnologias informacionais, devemos observar os resultados dessa “revolução tecnológica
na estrutura social”, a saber:
• informação e conhecimento estão profundamente inseridos na cultura das sociedades;
• as novas tecnologias da informação agregam processos de produção, distribuição
e direção, permitindo diferentes tipos de atividades interligadas de acordo com o modo
organizativo que se ajusta melhor à estratégia da empresa ou à história da instituição. Três
conceitos surgem dessa transformação fundamental do modo em que o sistema de produção
T
opera e, juntos, formam as bases atuais da nova economia e forçarão a redefinição da Ó
estrutura ocupacional, além do sistema de classes da nova sociedade: articulações entre P
as atividades; redes que configuram as organizações; e fluxos de fatores de produção e de I
C
mercadorias; flexibilidade e adaptabilidade são necessidades fundamentais para a direção O
de organizações, pois complexidade e incerteza são características essenciais do novo meio S
ambiente organizacional;
E
• as novas tecnologias de comunicação têm um impacto direto sobre os meios de S
comunicação e sobre a formação de imagens, representações e opinião pública em suas P
sociedades, resultando em uma tensão crescente entre globalização e individualização no E
C
universo dos audiovisuais; I
• as fontes de poder na sociedade e entre as sociedades são alteradas pelo caráter A
estratégico das tecnologias e da informação na produtividade da economia e na eficácia I
S
114 TÓPICO 2 UNIDADE 2

das instituições sociais. A habilidade de promover a mudança tecnológica está relacionada


diretamente com a habilidade de uma sociedade para difundir e intercambiar informações e
relacioná-las com o restante do mundo.

3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO – TIC

Desde os primórdios da humanidade, o homem sempre sentiu a necessidade de se


comunicar com os outros homens. As novas tecnologias vêm efetuando mudanças sociais
drásticas nos diversos segmentos da sociedade. As chamadas Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC) têm se apresentado como um fator decisivo na nova organização social,
sem precedentes na história.

O próprio capitalismo passa por um processo de profunda restauração, carac-


terizado por maior flexibilidade de gerenciamento; descentralização das empre-
sas e sua organização em redes tanto internamente quanto em suas relações
com outras empresas; considerável fortalecimento do papel do capital vis-à-vis
o trabalho, com o declínio concomitante da influência dos movimentos de tra-
balho; incorporação maciça das mulheres na força de trabalho remunerada,
geralmente em condições discriminatórias; intervenção estatal para desregular
os mercados de forma seletiva e desfazer o estado do bem-estar social com
diferentes intensidades e orientações, dependendo da natureza das forças e
instituições políticas de cada sociedade; aumento da concorrência econômica
global em um contexto de progressiva diferenciação dos cenários geográficos
e culturais para acumulação e a gestão de capital. (CASTELLS, 1999, p. 21)

Primeiramente, para melhor compreender o conceito de Tecnologias da Informação e


Comunicação - TIC e o seu papel nas sociedades atuais, de forma a dar uma “robustez” mais
ampla às nossas reflexões, faremos um pequeno aporte histórico sobre o conceito de tecnologia
em Manuel Castells. Neste sentido, segundo afirma o autor (1999, p. 24):

T Para dar os primeiros passos nessa direção, devemos levar a tecnologia a


Ó sério, utilizando-a como ponto de partida desta investigação; devemos localizar
P esse processo de transformação tecnológica revolucionária no contexto social
I em que ele ocorre e pelo qual está sendo moldado; e devemos lembrar que
a busca pela identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e
C
tecnológica no registro da nova história.
O
S
O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa "técnica, arte, ofício"
E juntamente com o sufixo "logia", que significa "estudo", portanto, o conhecimento prático que
S
P almeja alcançar um determinado fim concreto.
E
C O Dicionário de Sociologia, de Alan Johnson (1997), indica a palavra “tecnologia” como
I
A o repositório acumulado de conhecimento cultural sobre ambientes físicos e seus recursos
I materiais, com vistas a satisfazer desejos e vontades. Contudo, segundo afirma Johnson
S
UNIDADE 2 TÓPICO 2 115

(1997), tecnologia não pode ser confundida com a ciência, na medida em que ela consiste de
conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo que a ciência consiste
de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do conhecimento se constrói.

Na sociedade industrial, o conceito de tecnologia esteve associado à forma de produto,


passando, portanto, a não mais designar a forma de produção, ou seja, concentra-se nos
produtos, nos processos, nos equipamentos e nas operações.

Assim, na visão de Masi (1999), esta lógica, onde a tecnologia torna-se uma ferramenta
indispensável nas relações de produção, obrigou o mundo da produção industrial a sofrer
grandes mudanças, tanto no processo de regulamentação da empresa, como na organização
do trabalho, de forma a responder aos imperativos que a própria tecnologia trouxe para o
aperfeiçoamento das condições de vida do homem. Nesse sentido, para Masi (1999, p. 158),
as principais transformações provocadas por esses imperativos são as seguintes:

• Um intervalo de tempo mais longo exigido pelo processo produtivo para levar
até o fim a realização de um produto.
• Um aumento da necessidade de capital para a produção.
• Maior especialização e definição de funções, operações, processos e mate-
riais, com uma consequente rigidez que impede conversões de uma operação
para outra.
• Maior necessidade de mão de obra especializada.
•Maior exigência de organização de todas as atividades especializadas
envolvidas, o que resulta na posterior exigência de outros especialistas: os
especialistas em organizações.
• A necessidade de planejamento, em face do tempo e dos capitais empregados,
da rigidez dos processos, das exigências organizacionais e da instabilidade
do mercado em relação aos sistemas industriais que utilizam tecnologias
avançadas.

Já no século XX, a tecnologia passa a ser descrita como um campo do conhecimento


que, além de usar o método científico, cria e/ou transforma processos materiais. Assim, segundo
Masi (1999), a tecnologia passa a ser o motor do desenvolvimento da sociedade, elevando
o padrão de vida de uma determinada sociedade, reduzindo desta forma as desigualdades.
Neste sentido, na visão de Masi (1999, p. 159), a tecnologia passa a ser: T
Ó
uma nova forma de racionalidade funcional que modifica os modelos educa- P
cionais, ‘os sistemas de especulação, tradição e razão’; revolucionando os I
transportes e as comunicações, cria novos tipos de relações sociais (onde, por C
exemplo, as relações de parentesco são substituídas por ligações de trabalho O
e profissionais) e de interdependência econômica. A tecnologia, enfim, modifica S
a percepção (também estética, como testemunham as novas tendências das
artes figurativas) do espaço e do tempo.
E
S
Na visão de Castells (2001, p. 49), a tecnologia corresponde: P
E
(ao) uso de conhecimento científico para especificar as vias de se fazer as C
coisas de uma maneira reproduzível. Entre as tecnologias da informação I
incluo, como todo o conjunto convergente de tecnologias em microeletrônica, A
computação (software e hardware), telecomunicações/radiodifusão, e optoe- I
S
116 TÓPICO 2 UNIDADE 2

letrônica. Além disso, diferentemente de alguns analistas, também incluo nos


domínios da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente
conjunto de desenvolvimento e aplicações.

Com base nessa citação, torna-se claro que a tecnologia não determina a sociedade,
nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica. Portanto, para Castells (2001),
a tecnologia e a sociedade são categorias interdependentes, na medida em que a sociedade
não pode ser entendida ou representada sem suas “ferramentas tecnológicas”. Neste sentido,
para Castells (2001), a tecnologia é uma condicionante, e não determinante, da sociedade.

Por conseguinte, a relação entre tecnologia e sociedade está marcada pela presença
do papel do Estado, podendo estimular ou constranger ambientes de inovação tecnológica,
organizando as forças sociais dominantes em determinado tempo e espaço. Em grande medida,
o grau de tecnologia existente numa sociedade é a representação de sua capacidade coletiva
de controle sobre o meio político, isto é, de determinação sobre o formato das instituições, ou
seja, do próprio Estado, no sentido de que este permita o melhor desenvolvimento das iniciativas
e o uso das tecnologias a favor dos indivíduos. Desta feita, “o processo histórico em que esse
desenvolvimento de forças produtivas ocorre assinala as características da tecnologia e seus
entrelaçamentos com as relações sociais” (CASTELLS, 2001, p. 31).

Sob esta ótica, a tecnologia não pode ser vista como uma “ferramenta” que busca
resolver problemas imediatos que se apresentam numa determinada sociedade, mas sim como
um meio integrante e compatível com a sociedade em que está inserida. Para o sociólogo
espanhol, Manuel Castells Oliván, o suposto dilema do determinismo tecnológico é falso.
Portanto, não se trata de perguntar se a tecnologia determina comportamentos na sociedade
ou se a sociedade é quem controla a tecnologia. Como diz Castells (2001, p. 25), “a tecnologia
é a sociedade e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas
tecnológicas”. Isso não impede de admitir que no começo é uma parte da sociedade que dá o
start, para depois os outros se apropriarem das inovações. Foi o que aconteceu nos EUA, quando
um setor específico da sociedade introduziu essas novas formas de produção, comunicação,
T gerenciamento e vida (CASTELLS, 2001).
Ó
P
I Nessa medida, tanto a informação como o conhecimento criam um novo sistema baseado
C num complexo integrado de rede global de interação, onde a produtividade e a competitividade
O das suas unidades dependem basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar
S
de forma eficiente a informação baseada no conhecimento.
E
S Sem dúvida, informação e conhecimento sempre foram elementos cruciais no
P crescimento da economia, e a evolução da tecnologia determinou em grande
E parte a capacidade produtiva da sociedade e os padrões de vida, bem como
formas sociais de organização econômica [...]. A emergência de um novo pa-
C
radigma tecnológico organizado em torno de novas tecnologias da informação,
I mais flexíveis e poderosas, possibilita que a própria informação se torne o
A produto do processo produtivo. Sendo mais preciso: os produtos das novas
I indústrias de tecnologia da informação são dispositivos de processamento
S
UNIDADE 2 TÓPICO 2 117

da informação. Ao transformarem os processos de processamento da infor-


mação, as novas tecnologias da informação agem sobre todos os domínios
da atividade humana e possibilitam o estabelecimento de conexões infinitas
entre diferentes domínios, assim como entre os elementos e agentes de tais
atividades (CASTELLS, 2001, p. 88).

Assim, para Castells (2001), o que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a
centralização do conhecimento e da aplicação, senão o uso da informação para a gestão de
todo o processamento da informação e gerenciamento, num processo de retroalimentação
eterno, promovendo a passagem de três estágios das novas tecnologias de telecomunicações
nas últimas décadas, quais sejam: a automação das tarefas, as experiências de usos e a
reconfiguração das aplicações. “Nos dois primeiros estágios, os avanços tecnológicos se
caracterizam pelo learn by using, isto é, pelo aprender usando. No último, são os usuários que
aprenderam a tecnologia fazendo o que acabou resultando na configuração das redes e na
descoberta de novas aplicações” (CASTELLS, 2001, p. 51).

Desta feita, seria incorreto falar de uma Sociedade Informacional, implicando uma
inadequada “homogeneidade das formas sociais” em qualquer lugar do globo sob o novo
sistema. Não se trata de reduzir os povos da Terra ao novo paradigma informacional. Mas,
segundo o pensador espanhol, poderíamos falar de uma sociedade informacional assim como
falamos da “sociedade urbano-industrial, cujas características são bem definidas e algumas
de suas principais estão difundidas mundialmente” (CASTELLS, 1999, p. 38).

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118 TÓPICO 2 UNIDADE 2

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você viu que:

• As novas tecnologias da informação e comunicação têm um impacto direto na vida social


dos indivíduos.

● Os novos dispositivos de informação constituem verdadeiras fontes de poder nas sociedades,


e são alterados de acordo com o caráter estratégico da produtividade da economia e na
eficácia das instituições sociais.

● O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa criar, produzir, significando,
portanto, o conhecimento prático que almeja alcançar um determinado fim concreto.

● O que caracteriza a renovação tecnológica não é a centralidade do conhecimento e nem da


informação.

● Tecnologia não pode ser confundida com ciência, na medida em que ela consiste de
conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo que a ciência consiste
de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do conhecimento se constrói.

● A expressão Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC refere-se ao conjunto de


recursos tecnológicos capazes de produzir e disseminar informações, ou seja, ferramentas que
permitem arquivar e manipular informações em forma de textos, imagens e sons, permitindo,
desta forma, que nos comuniquemos uns com os outros.

T
Ó ● São cinco os elementos que caracterizam o novo paradigma das tecnologias da informação
P e comunicação.
I
C
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UNIDADE 2 TÓPICO 2 119


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE, 2011) Exclusão digital é um conceito que diz respeito às extensas camadas
sociais que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da extensão
das redes digitais. O problema da exclusão digital se apresenta como um dos maiores
desafios dos dias de hoje, com implicações diretas e indiretas sobre os mais variados
aspectos da sociedade contemporânea.

Nessa nova sociedade, o conhecimento é essencial para aumentar a produtividade


e a competição global. É fundamental para a invenção, para a inovação e para a
geração de riqueza. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem
uma fundação para a construção e aplicação do conhecimento nos setores públicos
e privados. É nesse contexto que se aplica o termo exclusão digital, referente à falta
de acesso às vantagens e aos benefícios trazidos por essas novas tecnologias, por
motivos sociais, econômicos, políticos ou culturais.

Considerando as ideias do texto acima, avalie as afirmações a seguir.

I- Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos gestores de políticas


públicas escolherem o público-alvo de possíveis ações de inclusão digital.
II- O uso das TICs pode cumprir um papel social, ao prover informações àqueles que
tiveram esse direito negado ou negligenciado e, portanto, permitir maiores graus de
mobilidade social e econômica.
III- O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais, uma vez que esses estão
focados nas relações entre os indivíduos e, aqueles, na relação entre o indivíduo e o
conhecimento. T
Ó
IV- O maior problema de acesso digital no Brasil está na deficitária tecnologia existente
P
em território nacional, muito aquém da disponível na maior parte dos países de primeiro I
mundo. C
O
S
É correto apenas o que se afirma em:
a) ( ) II e IV. E
b) ( ) I e II. S
P
c) ( ) III e IV. E
d) ( ) I, II e III. C
e) ( ) I, III e IV. I
A
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S
120 TÓPICO 2 UNIDADE 2

2 (ENADE 2011) A cibercultura pode ser vista como herdeira legítima (embora distante)
do projeto progressista dos filósofos do século XVII. De fato, ela valoriza a participação
das pessoas em comunidades de debate e argumentação. Na linha reta das morais
da igualdade ela incentiva uma forma de reciprocidade essencial nas relações
humanas. Desenvolveu-se a partir de uma prática assídua de trocas de informações
e conhecimentos, coisa que os filósofos do Iluminismo viam como principal motor do
progresso.

[...] A cibercultura não seria pós-moderna, mas estaria inserida perfeitamente na


continuidade dos ideais revolucionários e republicanos de liberdade, igualdade e
fraternidade. A diferença é apenas que, na cibercultura, esses “valores” se encarnam
em dispositivos técnicos concretos. Na era das mídias eletrônicas, a igualdade se
concretiza na possibilidade de cada um transmitir a todos; a liberdade toma forma nos
softwares de codificação e no acesso a múltiplas comunidades virtuais, atravessando
fronteiras, enquanto a fraternidade, finalmente, se traduz em interconexão mundial.
O desenvolvimento de redes de relacionamento por meio de computadores e a expansão
da internet abriram novas perspectivas para a cultura, a comunicação e a educação. De
acordo com as ideias do texto acima, a cibercultura:

a) Representa uma modalidade de cultura pós-moderna de liberdade de comunicação


e ação.
b) Constituiu negação dos valores progressistas defendidos pelos filósofos do Iluminismo.
c) Banalizou a ciência ao disseminar o conhecimento nas redes sociais.
d) Valorizou o isolamento dos indivíduos pela produção de softwares de codificação.
e) Incorpora valores do Iluminismo ao favorecer o compartilhamento de informações e
conhecimentos.

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UNIDADE 2

TÓPICO 3

AVANÇOS TECNOLÓGICOS

1 INTRODUÇÃO

Caro acadêmico, ao falarmos de avanços tecnológicos se torna importante


compreendermos sobre as práticas de inovação, compreender comunidades virtuais e seus
impactos e conhecer um pouco das novidades tecnológicas existentes.

A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e vem se expandindo cada vez mais. Neste
tópico queremos apenas trazer algo sobre as novas tecnologias, mas fique antenado nos
noticiários, todos os dias temos o lançamento de uma nova tecnologia.

2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI

Muitas pessoas não conseguem trabalhar sem seu laptop ou smartphone. Além disso,
para muitos é impossível imaginar o dia sem o Google ou, para outros, mensagens de texto,
T
WhatsApp ou Facebook para ficar em contato com uma grande rede de colegas. Em apenas Ó
uma década a tecnologia mudou muito a forma como trabalhamos e nos comunicamos. E na P
I
próxima década, com o aumento da velocidade das conexões da internet, haverá mudanças mais
C
profundas para o trabalho do que qualquer coisa vista até o momento. Todas as informações O
serão mais fáceis de visualizar e analisar. S

E
As empresas enfrentam mudanças mais abrangentes e com maior alcance em suas S
implicações do que qualquer coisa desde a Revolução Industrial moderna, que ocorreu no P
E
início de 1900 (BALTAZAN; PHILLIPS, 2012).
C
I
Vejamos, a seguir, uma nova tecnologia que já vem sendo utilizada por empresas e A
I
pela educação, chama-se: comunidades virtuais.
S
122 TÓPICO 3 UNIDADE 2

FIGURA 15 – COISAS QUE VAMOS DIZER PARA NOSSOS NETOS

FONTE: Baltazan e Phillips (2012)

3 COMUNIDADES VIRTUAIS

Você já ouviu falar em comunidade virtual? Também encontramos com o nome de grupo
virtual, mas perante a bibliografia vamos trabalhar com comunidade virtual.

As comunidades virtuais são redes virtuais de comunicação interativa, organizadas em


interesses compartilhados. Se analisarmos o passado, na origem das primeiras civilizações, o
ser humano era nômade, vivia de caça, pesca e coleta de produtos na natureza. Com o passar
dos anos o ser humano aprendeu a se organizar em grupos, assim nascendo as primeiras
comunidades, as quais deram origem às civilizações. Esses grupos humanos definiram formas
T de expressar valor moral e cultural, de acordo com cada época. Com as novas tecnologias
Ó constituíram-se grupos de sujeitos ligados por vínculos não formalizados, com características
P
comuns, formando-se as comunidades virtuais. (MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).
I
C
O De fato, as comunidades virtuais se constituem de grupos de pessoas interconectadas
S
em busca da inteligência coletiva. Uma comunidade virtual é uma inteligência coletiva em
E potencial. Um grupo humano se interessa em constituir-se como comunidade virtual para
S aproximar-se do ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais capaz de aprender e
P
inventar. A virtualização ou desterritorialização das comunidades no ciberespaço são condições
E
C para haver inteligência coletiva em grande escala. A inteligência coletiva é o terceiro princípio
I da cibercultura. O ciberespaço é a ferramenta de organização de comunidades de todos os
A
tipos, o melhor uso do ciberespaço pode ser alcançado ao se colocar em sinergia os saberes,
I
S as imaginações e as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele. A cibercultura é
UNIDADE 2 TÓPICO 3 123

a expressão da aspiração de construção de um laço social, fundado sobre a reunião em torno


de centros de interesses comuns, no compartilhamento de informações, na cooperação e nos
processos de colaboração (MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).

S!
DICA

Quer conhecer mais sobre a Cibercultura? Então leia o livro de


Pierre Lévy. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.

As comunidades virtuais podem ter diversidade de pessoas, como de assuntos. Para


educação, uma comunidade virtual cria uma relação de professor-aluno que dialogam e
estabelecem regras juntos. O professor, nesta situação, é o mediador, orientador, instigador
do processo.

Palloff e Pratt (2004) apresentam técnicas instrucionais centradas no aluno para que o
professor tenha sucesso nas interações das comunidades.

• Acesso e habilidade: O professor deve utilizar apenas tecnologias que sirvam aos
objetivos da aprendizagem; a tecnologia deve ser mantida em um nível simples,
para que seja transparente ao aluno; o professor deve se certificar de que o aluno
tenha habilidade necessária para usar a tecnologia.
• Abertura: Sempre comece a atividade com apresentação; use atividades de
aprendizagem que levem em consideração a experiência e a resolução de problemas.
• Comunicação: deixe claro ao aluno as diretrizes para a comunicação, incluindo
a netetiqueta; exemplifique como realizar uma boa comunicação; estimule a
participação; acompanhe os alunos que não participam.
• Comprometimento: explique suas expectativas em relação à utilização do tempo;
T
explique a realização de trabalhos, prazos de entrega e meios pelos quais a Ó
avaliação será elaborada; crie uma agenda de publicação junto aos alunos; apoie P
o desenvolvimento de boas habilidades de gerenciamento de tempo. I
C
• Colaboração: trabalhe com estudos de caso, trabalhos em pequenos grupos, O
simulações e utilização do pensamento crítico; faça com que os alunos enviem seus S
trabalhos para a comunidade, para maior interação com os demais colegas; faça
E
perguntas abertas para estimular a discussão. S
• Reflexão: coloque regras quanto ao tempo de postagem da mensagem; estimule P
os alunos a refletir, escrever off-line e depois transcrever para a comunidade; faça E
C
perguntas abertas e estimule a reflexão sobre o material utilizado.
I
• Flexibilidade: varie as atividades para atender todos os estilos de aprendizagem e A
oferecer um interesse adicional; negocie as diretrizes da atividade com os alunos, I
S
124 TÓPICO 3 UNIDADE 2

assim promovendo maior engajamento; use a internet como uma ferramenta e


um recurso de ensino e estimule os alunos a buscar referências que possam
compartilhar.

Analisando ao nosso redor, temos diversas formas de comunidades virtuais, e você


deve conhecer muitas delas. Veremos no próximo subtópico essas formas, conhecidas por
redes sociais.

3.1 REDES SOCIAIS

As redes sociais podem ser vistas como uma tecnologia com menos seguidores para
a sua utilização como uma ferramenta de trabalho, mas não deve ser, devido ao número de
assinantes desta tecnologia. Esses sites permitem que o usuário faça várias atividades, tais
como: postar um perfil, fotos, vídeos, chat, blog, e se conectar com seus pares através de
boletins individuais, grupos privados e fóruns.

Quais são os aspectos críticos que definem uma tecnologia de rede social?
Tradicionalmente, os traços dessas ferramentas incluem a criação de um login no site, que
fornece uma página de perfil, onde muitas vezes você pode adicionar fotos e outros conteúdos.
Você pode se conectar com outras pessoas que conhece ou pode ter encontrado através deste
site, tornando-se o seu "amigo". Este título serve para designar, no site, que duas pessoas
estão ligadas de alguma forma. Isto proporciona a capacidade de receber atualizações em
suas páginas "de amigos", se comunicar com eles através de e-mail no local/comentários/chat,
e criar grupos específicos no site em torno de temas ou conteúdo. A seguir veremos algumas
novidades tecnológicas.

S!
DICA
T
Ó
P Alguns sites que você deve acessar para ficar dentro das
atualidades tecnológicas:
I
C
<http://www.cienciahoje.pt/3445>
O
<http://olhardigital.uol.com.br/home>
S <http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia>

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UNIDADE 2 TÓPICO 3 125

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico você viu:

• Algumas tendências para as empresas perante as tecnologias.

• O que são comunidades virtuais e para que servem.

• E o que são redes sociais.

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126 TÓPICO 3 UNIDADE 2


IDADE
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1 (ENADE, 2014) O trecho da música “Nos bailes da vida”, de Milton Nascimento, “todo
artista tem de ir aonde o povo está”, é antigo, e a música, de tão tocada, acabou por
se tornar um estereótipo de tocadores de violões e de roda de amigos em Visconde
de Mauá, nos anos de 1970. Em tempos digitais, porém, ela ficou mais atual do que
nunca. É fácil entender o porquê: antigamente, quando a informação se concentrava
em centro de exposição, veículos de comunicação, editoras, museus e gravadoras,
era preciso passar por uma série de curadores, para garantir a publicação de um
artigo ou livro, a gravação de um disco ou a produção de uma exposição. O mesmo
funil, que poderia ser injusto e deixar grandes talentos de fora, simplesmente porque
não tinham acesso às ferramentas, às pessoas ou às fontes de informação, também
servia como filtro de qualidade. Tocar violão ou encenar uma peça de teatro em um
grande auditório costumava ter um peso muito maior do que fazê-lo em um bar, um
centro cultural ou uma calçada. Nas raras ocasiões em que esse valor se invertia, era
justamente porque, para uso do espaço “alternativo”, havia mecanismos de seleção
tão ou mais rígidos que o espaço oficial.

A partir do texto acima, avalie as asserções a seguir e a relação entre elas.


I- O processo de evolução tecnológica da atualidade democratiza a produção e a
divulgação de obras artísticas, reduzindo a importância que os centros de exposição
tinham nos anos de 1970.
PORQUE
II- As novas tecnologias possibilitam que artistas sejam independentes, montem seus
próprios ambientes de produção e disponibilizem seus trabalhos, de forma simples,
T para um grande número de pessoas.
Ó
P
I A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
C a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da
O
I.
S
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa
E correta da I.
S c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
P
E d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
C e) As asserções I e II são proposições falsas.
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UNIDADE 2 TÓPICO 3 127

2 (ENADE, 2013) Uma revista lançou a seguinte pergunta em um editorial: “Você pagaria
um ladrão para invadir sua casa?”. As pessoas mais espertas diriam provavelmente
que não, mas companhias inteligentes de tecnologia estão, cada vez mais, dizendo
que sim. Empresas como a Google oferecem recompensas para hackers que consigam
encontrar maneiras de entrar em seus softwares. Essas companhias frequentemente
pagam milhares de dólares pela descoberta de apenas um bug, o suficiente para
que a caça a bugs possa fornecer uma renda significativa. As empresas envolvidas
dizem que os programas de recompensa tornam seus produtos mais seguros. “Nós
recebemos mais relatos de bugs, o que significa que temos mais correções, o que
significa uma melhor experiência para nossos usuários”, afirmou o gerente de programa
de segurança de uma empresa. Mas os programas não estão livres de controvérsias.
Algumas empresas acreditam que as recompensas devem apenas ser usadas para
pegar cibercriminosos, não para encorajar as pessoas a encontrar as falhas. E também
há a questão de double-dipping, a possibilidade de um hacker receber um prêmio por
ter achado a vulnerabilidade e, então, vender a informação sobre o mesmo bug para
compradores maliciosos.
Considerando o texto acima, infere-se que:

a) Os caçadores de falhas testam os softwares, checam os sistemas e previnem os


erros antes que eles aconteçam e, depois, revelam as falhas a compradores criminosos.
b) Os caçadores de falhas agem de acordo com princípios éticos consagrados no
mundo empresarial, decorrentes do estímulo à livre concorrência comercial.
c) A maneira como as empresas de tecnologia lidam com a prevenção contra ataques
dos cibercriminosos é uma estratégia muito bem-sucedida.
d) O uso das tecnologias digitais de informação e das respectivas ferramentas
dinamiza os processos de comunicação entre os usuários de serviços das empresas
de tecnologia.
e) Os usuários de serviços de empresas de tecnologia são beneficiários diretos dos
trabalhos desenvolvidos pelos caçadores de falhas contratados e premiados pelas
T
empresas. Ó
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TÓPICO 4

GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA
INTERNACIONAL

1 INTRODUÇÃO

Os elementos que compõem o repertório da civilização ocidental em termos de


instituições, códigos jurídicos, leis, estatutos reguladores e pacificadores, por muito tempo
encontraram-se centrados em favorecer o poder político e os sistemas econômicos, os quais,
no momento presente, encontram-se em situação de crise e mal-estar dos indivíduos, e a
alternativa diante deste cenário tem sido a retomada das formas de viver e fazer, dos costumes,
valores, relações e vínculos de interdependência e reciprocidade no interior das comunidades.

Vivemos em um momento de crises e impasses, isso encontra-se diretamente


relacionado com as matrizes e modelos teóricos que legitimavam o crescimento econômico
equilibrado (crença no mercado autorregulado), o modelo de organização política (Estado
neoliberal), o sistema monetário internacional (baseado no padrão-ouro) e o equilíbrio de poder
na geopolítica internacional (hegemonia norte-americana e europeia).

Sem sombra de dúvidas, representamos uma civilização centrada no otimismo do


progresso e do trabalho capitalista, e cada vez mais é reconhecida a afirmação do individualismo. T
Ó
À medida que avança o processo de conquista da propriedade e da individualização dos P
sujeitos, faz-se necessário cada vez mais constituir normas e um conjunto de outros valores I
éticos, sociais e de regulamentação que garantam equidade e paz nas relações dos indivíduos. C
O
S
Bem, você deve estar se perguntando: como chegamos a este estado de coisas?! Ao
longo dos próximos dois subtópicos procuramos apresentar elementos para que se compreenda E
S
o processo político, social e histórico deste quadro.
P
E
C
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A
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S
130 TÓPICO 4 UNIDADE 2

2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

Trata-se de um fenômeno de organização e circulação política, econômica, comercial e


cultural, que foi praticado pelas mais diversas sociedades e desde os mais antigos mercadores
(fenícios) da antiguidade, que se organizavam em caravanas por terra e expedições de
navegadores por mares e oceanos.

FIGURA 16 - GLOBALIZAÇÃO

T
Ó
P FONTE: Disponível em: <http://queconceito.com.br/wpcontent/uploads/
Globaliza%C3%A7%C3%A3o.jpg>. Acesso em: 7 jun. 2015.
I
C
O Alguns autores situam o fenômeno no final do século XV e ao longo do século XVI,
S quando se dá início às grandes navegações que partiam do continente europeu em direção a
E regiões como a América, África, Oceania e Ásia.
S
P A globalização também é apresentada como sendo resultante das concepções e
E
C direitos/deveres que existiam no interior da Revolução Francesa e da Revolução Industrial
I inglesa do século XVIII, ao desenvolvimento do capitalismo em escala mundial, bem como uma
A continuidade da lógica civilizacional que tem sido designada por modernidade (concentração da
I
S população nas cidades, industrialização da produção, racionalização do pensamento, laicidade
UNIDADE 2 TÓPICO 4 131

do Estado) que se acentuará ao longo do século XIX.

As possibilidades de atuação da economia, em favor dos interesses de mercado,


foram potencializadas pelo espírito capitalista, que estava amparado na livre circulação de
mercadorias das doutrinas do “deixe ir, deixe vir e tudo se autorregulará”. Esta fórmula e lei
foram responsáveis por conferir ao sistema financeiro a dinâmica da “oferta e da procura” de
produtos, a transitoriedade e a flutuação de preços, de lucros e de taxas de impostos, que por
sua vez atribuiu ampla independência, liberdade nas relações comerciais e na prestação de
serviços.

O mercado preocupou-se também em perceber o potencial de consumo/mercado,


passando a intercambiar produtos entre as regiões que não eram capazes de produzi-los. A
esta prática pode-se exemplificar com os produtos ingleses e franceses, que eram negociados
com produtos e as populações dos países indianos, americanos, africanos.

Resumidamente, o mercado atendia às demandas de economia (comércio, circulação


e consumo de produtos); o Estado, por sua vez, atendia a necessidades de serviços junto à
população (serviços educacionais, infraestrutura, habitação, saúde e lazer).

A globalização, que se apresenta ao nosso momento histórico, ganhou ênfase no final


dos anos de 1980, quando foi reconhecido o fim do cenário da Guerra Fria, com as experiências
da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e foi desfeito o muro de Berlim que
separava a Alemanha Oriental (comunista/socialista) da Alemanha Ocidental (capitalista).

Ocorreu também a formação da OMC: Organização Mundial do Comércio (que conta


com a adesão de mais de 150 países) e os blocos econômicos da UNIÃO EUROPEIA, NAFTA,
MERCOSUL, APEC, ASEAN, entre outros. Na América Latina estruturou-se a CEPAL (Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão para pensar o desenvolvimento econômico,
social e sustentável. Esta articulação de países indica um forte movimento de regionalização
das relações econômicas e políticas, assim como das relações sociais e culturais entre os T
mesmos, e por sua vez, dos conceitos de fronteira, espaço, nação, Estado, entre outros. Ó
P
I
Ianni (1994) foi categórico quando refletiu que a fábrica global é tanto metáfora quanto C
realidade, altamente determinada pelas exigências da reprodução ampliada do capital. O
S
No âmbito da globalização, os interesses de mercado revelam-se ávidos por processos E
que sejam capazes de promover cada vez mais a concentração e centralização do capital, S
para tanto articulam em torno de si empresas, mercados, forças produtivas, centros decisórios, P
E
alianças, estratégias e planejamentos de corporações, que se estendem e ultrapassam C
províncias, nações e continentes, ilhas e arquipélagos, mares e oceanos. (IANNI, 1994). I
A
I
Os Estados, em vez de desaparecer, adquirem uma nova lógica de operação, onde S
132 TÓPICO 4 UNIDADE 2

seu poder é limitado frente à expansão das forças transnacionais que reduzem a capacidade
dos governos de controlar os contatos entre as sociedades e os indivíduos, por sua vez são
forçados a impulsionar as relações transfronteiriças. Nessa perspectiva, os problemas políticos
nem sempre são resolvidos de forma adequada e satisfatoriamente, então, eis que se faz
necessário buscar a cooperação com outras nações e agentes não estatais a fim de atender
tais demandas (KEOHANE; NYE, 1989).

2.1 O TERCEIRO SETOR

O terceiro setor ganhou espaço de constituição e atuação a partir dos anos de 1990.
E instalou-se como alternativa em meio ao setor industrial (primeiro setor) e o poder público/
estatal (segundo setor), no sentido de intermediar, gerenciar e prestar serviços de interesse
público em situações e contextos que os dois outros setores não atingem/alcançam.

Por meio desta formulação e composição de setores, cria-se um vácuo de poder e ação
que favorece a constituição de organizações coletividades internacionais e transnacionais,
governamentais e não governamentais, que se propõem a apresentar decisões políticas e
ações sociais.

O terceiro setor constitui uma espécie de sociedade civil de caráter jurídico. Os órgãos
que compõem o terceiro setor podem ser sociedades, associações, fundações, institutos, ONGs
(Organismos Não Governamentais), OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público). As ONGs que compõem uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos
ou econômicos, encontram-se pautadas nas normas e legislações da Declaração Universal
dos Direitos Humanos e na Constituição Federal. Estas associações recebem doações de
empresas e pessoas físicas que procuram deduzir impostos que devem ser pagos ao governo
federal, para tanto precisam atuar em atividades que se caracterizam como: entidades de
interesse público, como fundos de direitos da criança e do adolescente; instituições de ensino
T
Ó e pesquisa; e atividades culturais e audiovisuais.
P
I Entre as críticas que são feitas a esta modalidade, encontram-se as situações em que se
C
O caracterizam espaços que favorecem a atuação de grupos que se utilizam de verbas públicas
S em nome de grupos privilegiados.

E
S
P
E
C 3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO
I
A
I A globalização pode apresentar sua face mais bem-sucedida, que reside no fato de
S
UNIDADE 2 TÓPICO 4 133

que foi capaz de favorecer a intercomunicação entre povos e as pessoas das mais diferentes
e inusitadas regiões do planeta, diminuir as fronteiras no campo dos transportes e promover
intercâmbios nas atividades de comunicação e informações.

A formação dos grupos regionais é capaz de conferir aos seus membros uma melhor
possibilidade de negociação e barganhas no jogo das relações que se dão no cenário mundial.
Por outro lado, quando interpretadas nas relações internas, em especial com os membros
que compõem o grupo do qual fazem parte, evidenciam-se realidades sociais, culturais,
condições de produção e capacidade de consumo desigual, de forte dependência tecnológica
e vulnerabilidades política e econômica (a exemplo disso pode-se considerar o grupo NAFTA,
que é composto pelos países do Canadá, Estados Unidos da América e México).

Todavia, acabou por prevalecer o caráter de fazer com que as relações políticas, os
governos, os grupos sociais e movimentos culturais fossem colocados a favor dos interesses da
economia. Acabou-se por padronizar cada vez mais os processos de produção, os desejos de
consumo, os estilos de vida e as culturas, anulando cada vez mais as diferenças, identidades,
as especificidades, as tradições locais e regionais, qualquer tipo de fronteiras e valores morais
tradicionais.

Os modelos ideais de globalização que foram postulados garantiam que os indivíduos


poderiam abrir-se a uma imensa variedade e riqueza de coisas, tanto materiais como imateriais.
Munidos destas, a vida ganharia uma dinâmica e a criatividade dos ares de liberdade, que por
sua vez contagiariam com imensa alegria e colocariam em movimento o ambiente cultural e
intelectual dos hábitos, dos costumes, das mentalidades de todos e a todos em toda face da
Terra (BERMAN,1986).

A partir das formulações de produção, trabalho e economia postuladas pelos teóricos do


século XIX, acabou por gerar uma espécie de novo modelo antropológico de homem, o Homo
economicus, que tem como centro e modo de vida os princípios da economia, que se revela
pelos aspectos de um comportamento de individualismo exacerbado, competição desenfreada T
e o consumismo sem sentido, numa espécie de busca pelo ter e ter cada vez mais, e obtido Ó
a qualquer custo. P
I
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ATIVIDA S
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1 (ENADE, 2014) Com a globalização da economia social E


S
por meio das organizações não governamentais, surgiu uma
P
discussão do conceito de empresa, de sua forma de concepção E
junto às organizações brasileiras e de suas práticas. Cada C
vez mais é necessário combinar as políticas que priorizam I
A
modernidade e competitividade com incorporação dos setores
I
S
134 TÓPICO 4 UNIDADE 2

atrasados mais intensivos de mão de obra. A respeito desta temática, avalie as


afirmações a seguir:
I- O terceiro setor é uma mistura dos dois setores clássicos da sociedade, o público
representado pelo Estado, e o privado representado pelo empresariado em geral.
II- É o terceiro setor que viabiliza o acesso da sociedade à educação e ao
desenvolvimento de técnicas industriais, econômicas, financeiras, políticas e
ambientais.
III- A responsabilidade tem resultado na alteração do perfil corporativo e estratégico
das empresas, que têm reformulado a cultura e a filosofia que orientam as ações
institucionais.

Está correto o que se afirma em:


a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
a) ( ) I e III, apenas.
b) ( ) II e III, apenas.
c) ( ) I, II e III.

4 A POLÍTICA INTERNACIONAL

A política ganhou um caráter internacional a partir do século XVIII, quando do surgimento


do Estado Moderno, em que o sistema capitalista irá se instalar a fim de obter condições
e favorecimentos para expandir seus alcances em termos de matérias-primas, frentes de
investimento e mercado consumidor. Ela pode ser identificada ainda quando da vigência do
regime de Colonialismo, que vigorou na era das grandes navegações, quando a Espanha e
Portugal estabeleciam e organizavam politicamente suas colônias de exploração nos continentes
T
Ó americano e africano.
P
I
C
O
S

E 5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO


S
P
E Surge no contexto em que ocorre o enfraquecimento do antigo regime (marcado
C pelas monarquias), das aristocracias, do clero, da Igreja Católica como um todo, diante do
I fortalecimento crescente do Estado moderno, da burguesia comercial, do liberalismo e do
A
I capitalismo.
S
UNIDADE 2 TÓPICO 4 135

O Estado moderno possuía como principal intento reestruturar os governos de forma


laica/secular, de forma a estabelecer regulação política, jurídica e institucional das relações
entre religião e política, Igreja e Estado, ou seja, conferir emancipação do Estado e do ensino
público dos poderes eclesiásticos e de toda referência e legitimação religiosa. Neste contexto,
caberia ao Estado garantir a neutralidade em matéria religiosa (ou a concessão de tratamento
estatal isonômico às diferentes agremiações religiosas), a tolerância religiosa e as liberdades
de consciência, de religião (incluindo a de escolher não ter religião) e de culto. (CASANOVA,
1994).

A busca por um novo/outro conjunto de valores morais, o exercício de métodos


sofisticados de pensar e sentir, a racionalidade desprendida de uma matriz religiosa dogmática,
o reconhecimento da subjetividade inerente às relações humanas, a defesa da liberdade de
pensar e agir conforme uma ética particular/interiorizada, tudo isto vai reforçar a crítica aos
resquícios que ainda persistiam do mundo feudal, do Antigo Regime e dos sistemas monárquicos
que perduraram ao longo dos séculos XVII e XVIII.

O Estado Moderno e o Liberalismo concatenam todo um processo histórico, com


múltiplas determinações: a ideia moderna de indivíduo (que não se restringe à do ideário
liberal) e que surgiu em meio a mudanças profundas e que abrangiam as mais diversas
relações humanas, tais como religião, política, economia, trabalho, família, ideias, artes: tudo
convergindo e reforçando mutuamente para produzi-la.

O Imperialismo que surgiu foi uma formação de governo e política, que se praticou muito
no século XIX, e foi exercido pelos países europeus para com os países de regiões como a
África, América e Ásia, de onde obtinham matérias-primas para empreender sua produção
industrial, consolidavam relações comerciais e mercados consumidores e exerciam influência/
dominação cultural.

T
Ó
P
6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA I
C
O
O neoliberalismo forjou-se a partir dos elementos já existentes no interior do liberalismo S
clássico do século XVIII, porém, agora privilegiou os ideais econômicos, em especial os
E
princípios de liberdade de empreendimento, de propriedade e de lucro, em detrimento das S
demandas/necessidades políticas e sociais (legitimidade, direitos e serviços) dos indivíduos. P
E
C
Dentre as críticas que são feitas ao neoliberalismo tem-se as políticas que promovem
I
a redução da interferência/regulação do Estado nas atividades econômicas/financeiras, A
permitindo o livre funcionamento do mercado, inclusive na distribuição da riqueza; assim como I
S
136 TÓPICO 4 UNIDADE 2

na promoção de bem-estar, em prol da privatização por grupos privados na oferta de serviços


de saúde, educação, cultura, pensões, entre outros.

No contexto de política econômica, os governos deveriam atuar no sentido de favorecer


mudanças tecnológicas e a rentabilidade das empresas, favorecendo cada vez mais o mercado
livre e a redução da taxa de acumulação.

As principais experiências de governos neoliberais podem ser identificadas com o caso


da Inglaterra, sob o governo da primeira ministra Margareth Thatcher, e dos Estados Unidos,
com o presidente Ronald Reagan; do ditador Augusto Pinochet, no Chile; e em termos de bases
teóricas, a Escola de Chicago, liderada pelos economistas Milton Friedman e George Stigler.
A ‘terceira via’ foi apresentada como alternativa frente às crises que emergiam das
políticas neoliberais, que propõe uma espécie de humanização do capitalismo, nos aspectos
do malefício do Estado neoliberal e da sociedade de livre mercado. Na qual estariam engajados
tanto dirigentes políticos de países ricos e representantes de empresas transnacionais, que
em meio às crises econômicas se dedicariam a amenizar os impactos sociais, as injustiças,
revoluções e caos, no sentido de manter a paz e coesão social.

Anthony Giddens (1938), um dos principais estudiosos e defensores da ‘terceira via’,


a explica como sendo uma estratégia de âmbito mais global, a fim de favorecer e melhorar as
sociedades burguesas e democráticas, uma perspectiva de que os Estados/governos devem
se reformar e a sociedade civil se qualificar/educar no sentido de os indivíduos exercerem a
cidadania para participar e decidir diante das demandas de caráter coletivo.

Os defensores da ‘terceira via’ interpretam que grande parte dos problemas que
acometem os países pobres e subdesenvolvidos não são fruto da economia global ou das
práticas de exploração das nações ricas, e sim das condições internas das próprias sociedades.

A terceira via pode ser observada quando partidos políticos de esquerda, ou de cunho
T social, trabalhista e democrático, procuram ajustar suas políticas aos moldes neoliberais e, por
Ó outro lado, criar modos particulares de amenizar os problemas sociais e os riscos de degradação
P sociopolítica de seus países, em meio ao capitalismo que se torna cada vez mais global e ao
I
C mercado que se faz cada vez mais onipresente, ambos processos de pouca probabilidade de
O reversão.
S

E
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UNIDADE 2 TÓPICO 4 137

7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À


POLÍTICA INTERNACIONAL

Existem impasses que se abatem sobre as mais diversas nações e países do globo, tais
como governos e os sistemas políticos altamente burocratizados e quase falidos, e incapazes
de conseguirem proporcionar justiça e bem-estar social, envolvidos em redes profundas de
corrupção.

O estudioso Ladislau Dowbor procura fazer uma síntese da trajetória e do perfil do


conceito de governo, levando em consideração o caráter que este apresentou em termos de
princípios na responsabilidade pela administração, na relação com os cidadãos e no atributo
que norteia os espaços, os processos e as instâncias que compõem um governo.

Observe o quadro abaixo com atenção, fazendo as devidas distinções, estabelecendo


comparações e reflexões:

QUADRO 9 - EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE GOVERNO - LADISLAU DOWBOR

ADMINISTRAÇÃO NOVA GESTÃO GOVERNANÇA


PÚBLICA PÚBLICA PARTICIPATIVA
Responsabilidade,
PRINCÍPIOS Cumprimento de Eficiência e
transparência e
ORIENTADORES leis e regras resultados
participação

RESPONSABILIDADE
DA ADMINISTRAÇÃO
Políticos Clientes Cidadãos, atores
SUPERIOR

RELAÇÃO CIDADÃO-
Obediência Credenciamento Empoderamento
ESTADO
ATRIBUTO-CHAVE Imparcialidade Profissionalismo Participação T
Ó
FONTE: World Public Sector Report (2005, p. 7) P
I
C
Estabelecendo relação com o quadro geral dos modelos econômicos que influenciaram
O
e configuraram os sistemas políticos, pode-se situar os modelos de liberalismo à estrutura de S
governo denominada de ‘administração pública’, modelo de governo que vigorou ao longo do
E
neoliberalismo na categoria de ‘nova gestão pública’ como que sendo pertencente à terceira
S
via, identificado também como ‘governança participativa’. P
E
C
Nesse contexto de mudanças de modelos de Estado/governo, cada vez mais o Estado
I
é chamado a ampliar os investimentos em recursos humanos e infraestrutura local, sendo de A
responsabilidade do Estado proteger os grupos vulneráveis e o meio ambiente, aproximar o I
S
138 TÓPICO 4 UNIDADE 2

Estado da população, criar meios e políticas que favoreçam a inclusão e participação efetiva
dos cidadãos, reduzir as oportunidades de corrupção, garantir estabilidade macroeconômica,
favorecer parcerias entre o setor público e privado, gerir os processos de privatização, fortalecer
redes industriais em nível nacional, regional e internacional; apoiar as exportações, entre outros.

S!
DICA

Acesse a página do professor da Universidade de São Paulo/USP


Ladislau Dawbor. Aprofunde seus conhecimentos sobre política, governo,
economia, tecnologia e sociedade com as dicas e sugestões de livros,
artigos e filmes lá indicados. Disponível em: <http://dowbor.org/>. Acesso
em: 4 jun. 2015.

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UNIDADE 2 TÓPICO 4 139

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico você viu:

● A globalização consiste em um fenômeno antigo em meio às sociedades que procuravam


intercambiar produtos, tecnologias e informações, porém, ganhou forte impulso ao final da
década de 1980, quando ocorreu a queda do Muro de Berlim e do fim da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS).

● O fenômeno da mundialização das relações financeiras e da globalização favoreceu alguns


grupos regionais que buscam tanto favorecer como proteger os processos industriais que
existem no interior dos países membros, e neste contexto os governos desempenham papel
fundamental.

● Dentre os desafios que ocorrem no interior dos grupos econômicos está a heterogeneidade
das bases produtivas, a vulnerabilidade econômica, instabilidades políticas e a diversidade
sociocultural de cada país membro.

● A terceira via consiste em uma união de representantes de órgãos políticos e financeiros


que pretendem apresentar soluções no sentido de amenizar e humanizar os impactos do
sistema neoliberal em meio à sociedade e às populações.

● O perfil de Estado/governo que se faz necessário no cenário político atual é o de um


governo capaz de proteger os grupos vulneráveis e o meio ambiente, criar meios e políticas
que favoreçam a inclusão e participação efetiva dos cidadãos, reduzir a corrupção, garantir
estabilidade macroeconômica, gerir os processos de privatização, fortalecer redes industriais
T
em nível nacional, regional e internacional. Ó
P
I
C
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140 TÓPICO 4 UNIDADE 2


IDADE
ATIV
AUTO

1 (ENADE, 2014) Ideais liberais e métodos democráticos vieram, gradualmente, se


combinando num modo tal que, se é verdade que os direitos de liberdade deram
início à condição necessária para a direta aplicação das regras do jogo democrático, é
igualmente verdadeiro que, em seguida, o desenvolvimento da democracia se tornou
o principal instrumento para a defesa dos direitos de liberdade.

De acordo com a orientação teórica expressa no texto acima, avalie as afirmações a


seguir.
I- Liberalismo e democracia, doutrinas políticas distintas, exercem grande influência no
ordenamento político das sociedades atuais.
II- Liberalismo e democracia são doutrinas políticas que surgiram em momentos
diferentes e convergiram para dar origem à democracia liberal.
III- Liberalismo é uma doutrina política incongruente com o ideal igualitário, que
caracteriza a tradição democrática.

É correto o que se afirma em:


a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas.
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

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UNIDADE 2

TÓPICO 5

RELAÇÕES DE TRABALHO

1 INTRODUÇÃO

Um indivíduo/trabalhador, consciente de si e de seu fazer profissional, geralmente


pergunta-se sobre aspectos inerentes ao ofício, tais como: saber fazer, técnica, matéria-prima
e energia, os meios de produção, o produto, custo, margem de lucro, jornada de trabalho,
remuneração, condições de trabalho, comércio, consumo, categoria de trabalho, reconhecimento
e valor/sentido social e a realização, a satisfação/sentido pessoal, os âmbitos e as instituições
que intermedeiam seu fazer profissional.

2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO

Ao pensar e refletir sobre relações de trabalho, parece que se toca em uma questão
que é responsável por causar entusiasmo e resistência aos indivíduos, ao mesmo tempo as
T
pessoas se sentem dispostas e se dedicam a certa atividade e, por outro lado, recuam diante Ó
das condições, regramentos e normatizações em que precisarão estar alinhadas e adequadas. P
I
Percebe-se também uma espécie de um relutar diante do fato da exploração do homem pelo
C
próprio homem, no sentido de obter e gerar riqueza. O
S
Conta-se com todo um processo e imaginário histórico para que isto ocorra, no sentido
E
de que as relações de trabalho encontram-se forjadas em meio a elementos religiosos, sociais, S
econômicos e políticos, e procura-se apresentar as principais concepções e dinâmicas que o P
E
homem atribuiu ao trabalho ao longo de sua jornada histórica, bem como as possibilidades do
C
momento presente e vislumbrar tendências que as relações de trabalho podem trilhar. I
A
Albornoz (2008) apresenta que a expressão trabalho contém muitos significados, tais I
S
142 TÓPICO 5 UNIDADE 2

como esforço, fadiga, sofrimento, labuta, castigo, realização, sacrifício; que existem muitas
expressões, nas mais diferentes línguas, como labor e operare no italiano, travailler no francês,
work no inglês; bem como comporta correlações entre as mesmas, como no caso da palavra
latina arvum, que significa terreno arável, que surgiu da noção do alemão arbeit, que significa
trabalho.
Na Grécia antiga pode ser associada à noção de poiesis, que significava o fazer, a
fabricação, o que o ser humano produz tanto material: uma obra de arte executada por um
artista, escultor, ceramista; como não material: instituições sociais, referências culturais etc.

A expressão trabalho, tal como é escrita e utilizada na língua portuguesa, deriva da


expressão latina tripalium, que ao longo da Idade Média era o nome dado a um instrumento de
tortura que apresentava três paus reunidos, utilizado pelos camponeses e servos para bater o
trigo, as espigas de milho, e para desfiar e esfiapar o linho; certa vez foi adaptado e utilizado
como instrumento de tortura (ALBORNOZ, 2008).

O missionário católico Raimundo Lélio (1232-1315), que atuou entre os povos catalães
no século XIII, foi o responsável por reabilitar a expressão e concepção ‘trabalho’, que foi
amplamente difundida na sociedade moderna industrial e capitalista (GANDILLAC, 1995). A
concepção de trabalho também é identificada na denominação de tripalium, que foi extraída
do latim e designava um instrumento de tortura reservado aos escravos. Lélio a substituiu pela
expressão treballan, que é oriunda do idioma catalão, que designa a habilidade em elaborar
a matéria bruta, transformando-a em obra, realização e propriedade humana, e dignificadora
do próprio homem.

Labor e trabalho são expressões muito utilizadas e até sinônimos, porém Arendt (2007)
nos propõe que se faça distinção entre elas. Por labor a autora relaciona o ato de trabalhar,
que está na labuta, numa lógica de estar em curso, na disposição de verbo no gerúndio, está
ocorrendo, não comporta a noção de produto final. Por trabalho designa as atividades feitas
com as mãos, a noção de produto, trata-se de um trabalho que é apresentado como acabado.
T
Ó Os estudiosos são unânimes ao apresentar que a palavra trabalho deve ser identificada
P e compreendida ainda nas sociedades ágrafas (sociedade sem escrita), quando ocorreu a
I
C passagem das atividades de caça, coleta e pesca à prática da agricultura e na domesticação
O dos animais.
S

E Durante muitos séculos, a moral e a ética do “trabalho” e da “conquista” permaneceram,


S em grande parte, como um fato circunscrito ao universo rural, ao lavrar e semear a terra,
P colher e armazenar alimentos, domesticar e tratar animais, construir pontes, moinhos, celeiros,
E
C castelos, palácios, igrejas, minerais, metais preciosos, entre outros.
I
A As concepções foram alteradas, inclusive as mais antigas, quando reunidas nos livros
I
S da Bíblia Sagrada, em que o trabalho não é mais visto como um indício da maldição de Deus
UNIDADE 2 TÓPICO 5 143

a Adão e Eva, com a expulsão do paraíso, sendo que teriam que ganhar o pão com o suor do
próprio rosto. Os gregos distinguiam entre esforço do trabalho na terra, a fabricação do artesão
que servia ao usuário, e a atividade livre do cidadão que discutia os problemas da cidade. De
modo muito semelhante na Idade Média, trabalhar com as mãos era sinônimo de ser escravo
ou servo, um indício de que o indivíduo pertencia aos grupos inferiores da sociedade.

A partir da reforma protestante, empreendida pelo teólogo Martinho Lutero (1483-1546),


a concepção de trabalho foi profundamente reformulada no sentido de que o trabalho, como
vocação, conduziria os indivíduos à salvação da alma. João Calvino (1509-1564), teólogo
francês, apresentava a noção de que o trabalho, o êxito e a prosperidade material em vida
deveriam ser compreendidos como uma forma de conquistar a benevolência Deus. Ambas as
teorias favoreceram o contexto no qual implantavam-se políticas de mercantilismo e capitalismo.

O sociólogo Max Weber (1864-1920) defendeu, em seus estudos, que os valores


religiosos do protestantismo favoreceram e coincidiam com o espírito do capitalismo, no
sentido de que superavam a moral católica de renúncia ao mundo material, do acúmulo de
bens financeiros e ao lucro, na vida religiosa de devoção contemplativa e de renúncia ao
mundo material.

A noção de vocação para o trabalho foi associada também à ideia de amor ao próximo,
e quanto mais intensa a atividade profissional, maior a aproximação da salvação. Por outro
lado, a falta de vontade de trabalhar passou a ser compreendida como ausência do estado de
graça e do não merecimento da salvação de Deus. Assim, estava autorizado que todo indivíduo
empreendesse a busca pela riqueza material, podendo realizar grandes ações e assim galgar
sua própria salvação.

Uma das principais alterações que a modernidade realizou foi a de apropriar-se da


concepção positiva de trabalho e mudar o ambiente de realização do mesmo, que do interior
das casas ou no interior das corporações de ofício passou a ser realizado em cidades, no
interior dos espaços das fábricas. T
Ó
Foi nesta época que surgiram as noções de divisão de trabalho, na qual cada indivíduo, P
I
com a fração/parte que desempenha, na sua especialidade, contribui à soma de trabalho C
coletivo, que por sua vez gera a riqueza de cada nação, o que se tornaria uma espécie de O
consciência e interesse coletivo e comum a todo indivíduo. É neste momento que a mudança S
de percepção da noção de trabalho passa a ocorrer, no sentido de que as pessoas passam a E
trabalhar para poder consumir, e não mais para produzir algo. S
P
E
A partir do século XVIII, os economistas Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772- C
1823) reforçam os valores de atividades produtivas e de riqueza material, e defendem que o I
trabalho é o grande responsável pela riqueza social, o que por sua vez supervalorizou a ideia A
I
de homem operário, Homo economicus, que produz riqueza, que contribui para que o sistema S
144 TÓPICO 5 UNIDADE 2

econômico continue a alcançar seus objetivos e lançar novas possibilidades de investimentos e


lucratividade. Foi neste contexto que o estudioso alemão Karl Marx (1818-1883) defendeu que
a essência do homem é o trabalho e não a sua vida espiritual. Passou a observar mais de perto
a relação do homem e do trabalho, ao ponto de analisar dimensões peculiares e subjetivas da
relação do homem com o trabalho e a mercadoria, e se engajar ativamente em fazer o processo
de crítica e denúncia das contradições que envolviam trabalhadores, proprietários dos meios
de produção e burgueses comerciantes, abrangendo o sistema capitalista como um todo.

No entanto, a perspectiva de Marx era a de que o exercício crítico, através da


intelectualidade, não era suficiente, para ele o mundo não se transforma com o pensamento
e leis, o mundo deveria ser transformado pela práxis, na organização dos trabalhadores e na
realização de atos revolucionários. A divisão do trabalho era responsável pela alienação do
homem na sociedade capitalista, que por sua vez se revelava em face à perda da totalidade e
da dignidade humana. Caberia ao proletariado a responsabilidade pelo ato de fazer a revolução
e transformar a sociedade, tomar o poder e abolir a relação capitalista de produção. Em meio
ao campo de luta e revoluções, os trabalhadores deveriam estar conscientes de si e de sua
classe/categoria e empreender as revoluções que fossem necessárias a fim de desfazer o
quadro de desigualdade, injustiças e exploração que o trabalho favorecia. Marx defendia a
superação do sistema capitalista pelo comunismo, numa espécie de sociedade associativa
em que o livre desenvolvimento individual seria a condição do livre desenvolvimento de todos.
(MARX; ENGELS, 2010).

Segundo Abbagnano (2007), a relação do trabalho com a existência humana passa a


ser lugar-comum na cultura contemporânea. Mesmo fora do âmbito marxista, o caráter penoso
atribuído ao trabalho não é atribuído ao trabalho em si, mas às condições sociais em que ele
é realizado nas sociedades industriais.

O trabalho passa a ser visto como parte fundamental da natureza humana. O trabalho é
ainda hoje visto como um valor social, sendo o trabalhador um personagem social merecedor
T de respeito, admiração e dignidade pelas obras que faz a si, a seus familiares e semelhantes.
Ó
P A nova concepção que foi atribuída ao trabalho combina com os valores das mudanças
I
C no interior da fabricação de produtos. O homem, reconhecendo que o trabalho não era mais
O motivo de sofrimento e castigo, mas sim uma atividade que o tornaria socialmente reconhecido,
S se sentiu motivado e disposto a se dedicar e doar a fim de preencher as oportunidades e a

E demanda da manufatura e indústria nascente, bem como o campo das invenções de máquinas
S e técnicas e o próprio sistema capitalista, que estavam exigindo.
P
E
C Trabalho, geralmente, pode ser definido como atividade coordenada de caráter físico
I ou intelectual, necessária a qualquer tarefa, serviço ou empreendimento, ocupação, ofício,
A exercício de profissão. Um aspecto que distingue o trabalho humano do trabalho dos outros
I
S animais está no fato de que o trabalho e esforço humanos são atribuídos à intencionalidade,
UNIDADE 2 TÓPICO 5 145

além da operação instintiva e programada que é reconhecida nas atividades dos animais. No
homem é percebido o grau de especialização, complexidade, tanto das atividades, como dos
meios dos quais eles se utilizam para realizar o trabalho.

A produção artesanal, produção familiar em espaços domésticos ou pequenas oficinas,


como alfaiates, ceramistas, sapatarias, na qual importa fazer um bom trabalho, um produto
único, com maestria e arte de fazê-lo. O trabalhador encontrava-se livre para organizar seu
trabalho, a seleção de sua matéria-prima, o começo, a forma, a técnica, o ritmo, os detalhes,
o acabamento, a entrega. Não ocorre a distinção de trabalho e lazer, divertimento e cultura,
ambos fundem-se.

A Europa viveu seu momento de desenvolvimento industrial ainda no século XIX, na


América Latina ocorreu somente na segunda metade do século XX, realidades nas quais o
processo de aprimoramento da produção acabou por se modificar, não seguindo a lógica de
fases e processos que ocorreram na Europa. O quadro industrial desta região apresenta-se ora
como que ainda na segunda revolução industrial, e ora na produção que se utiliza de tecnologia
de ponta e robotização, em especial a migração e empregabilidade no setor de serviços. Ao
mesmo tempo, encontram-se inúmeros desafios em termos de dependência em relação a
tecnologias e desigualdades no que diz respeito ao acesso ao emprego.

No século XIX pode-se falar que a produção capitalista, que introduziu a máquina a
vapor e a modernização dos métodos de produção, desintegrou costumes e introduziu novas
formas de organização da vida social. A transição da produção artesanal para a manufatureira
e desta para a produção fabril, a migração do campo para a cidade; o fim da servidão; o
desmantelamento da família patriarcal; a introdução do trabalho feminino e infantil.

A individualização da produção, a programação das atividades, linhas de montagem,


produção em série e o consumo em massa (fordismo e taylorismo) almejavam articular o
acesso a matérias-primas, à mão de obra, ao fácil escoamento da produção e obter maiores
margens de lucros entre os custos e a comercialização da produção, que por sua vez acarretam T
deslocamentos que desperdiçavam tempo significativo na vida dos trabalhadores, além da Ó
produção de poluição e impactos ao meio ambiente. P
I
C
A maquinização e a mecanização da produção conferiram ao trabalhador a percepção O
da perda do saber fazer, a perda da noção de produtor. Diante disto, o trabalhador se sentiu S
pressionado a se adaptar para poder operar as máquinas que estavam sendo introduzidas E
nos espaços de trabalho. A separação, divisão, especialização da produção fizeram com que o S
produtor não conseguisse mais reconhecer a totalidade do produto depois de pronto. Mudanças P
E
da concentração da população em relação às atividades econômicas e oportunidades de C
trabalho, o trabalho na indústria acabou por concentrar a população em determinadas regiões I
e cidades, tornando-as superpovoadas. A
I
S
146 TÓPICO 5 UNIDADE 2

O que Marx procurou definir como ‘alienação’ encontrava-se nascente nestes processos,
e depois poderia ainda ser verificada em situações como a do consumo dos produtos que
estavam sendo produzidos/consumidos, no contexto industrial em que a produção se dava
em grande escala e para consumo em massa. Trabalhadores como alfaiates, costureiras,
sapateiros, eram os testemunhos mais expressivos deste processo.

Diante da reflexão de Arendt (2007), podemos afirmar que, desde o século XIX, o
Homo faber foi perdendo sua aura e passou a ser valorizado o “princípio da felicidade”. De
fato, o progresso da civilização não produziu uma sociedade de indivíduos políticos ou de
trabalhadores que amam seu ofício, e sim uma sociedade de consumidores, de indivíduos
isolados e desenraizados, uma cultura de massa imersa em futilidade. E a construção da
identidade deixou de ser pautada em atividades criativas e produtivas, à medida que o trabalho
se tornou apenas um meio de satisfazer necessidades ou desejos de consumo.

3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

As mulheres participaram da produção de utensílios, alimentos e mercadorias desde


os tempos mais remotos, que envolviam desde as atividades no interior da casa, família e
comunidade. A alimentação, o artesanato e a educação das crianças foram inseridos no interior
dos espaços de trabalho com fortes projetos a partir da Revolução Industrial. Os maiores
problemas surgem quando as mulheres passam a ser empregadas no interior das indústrias
modernas, em meio a longas jornadas de trabalho, com a presença de maquinários, em que
os salários pagos às mulheres passam a ser inferiores.

A gradual introdução das mulheres no campo de trabalho favoreceu a mudança de


hábitos e costumes por parte das mesmas. O fato de trabalhar no interior das fábricas exigia
T novos comportamentos, posturas e até uma indumentária que favorecesse a realização das
Ó
P atividades e evitasse possíveis acidentes de trabalho. Os vestidos longos e rodados, os chapéus
I e demais acessórios ofereciam risco de acidentes se usados nos espaços de trabalho em meio
C às máquinas.
O
S
As roupas que deveriam ser usadas no interior das indústrias precisavam ser justas, retas
E e que cobrissem o corpo o máximo possível. A condição e imposição do meio de trabalho foram
S
P responsáveis por depreciar a feminilidade, fragilidade e sensibilidade da mulher e favorecer
E uma postura rígida, tenaz e ereta. Foi neste contexto que a estilista francesa Coco Chanel
C (1883-1971) começa a projetar roupas com design mais favorável às atividades no interior
I
das fábricas e empresas, nas quais se destacam cortes e precisão geométrica das roupas e
A
I modelos ajustados ao corpo, ausentes de babados, volumes, acessórios, entre outros.
S
UNIDADE 2 TÓPICO 5 147

ÇÃO!
ATEN

1º de Maio: Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional


dos Trabalhadores
Esta data, que é comemorada em diversos países, como Brasil, Portugal,
Austrália, Angola, França, Suécia, Moçambique, é resultante de uma
greve geral de trabalhadores que ocorreu no ano de 1886, no interior de
Chicago, nos Estados Unidos da América. A paralisação foi responsável
por envolver diversos parques industriais da cidade. Dentre as causas da
paralisação encontrava-se a redução da jornada de trabalho. A presença
dos manifestantes na rua se estendeu por diversos dias e acabou por ser
reprimida com violência pelas tropas do governo, causando inúmeras mortes.

A partir dos anos de 1990 o toyotismo, idealizado pelo engenheiro-mecânico Taiichi Ohno
(1912-1990), tornou-se tendência no interior dos sistemas produtivos. Este rearranjo produtivo
apresenta, como princípios, a otimização da produção em todas as fases e a integração de todos
os setores no interior dos espaços produtivos; no campo deliberativo requer a descentralização
da tomada de decisões; produção de itens diferenciados; formação de alianças e redes de
atividades empresariais; por parte dos indivíduos requer trabalho em equipe, proporciona a
participação nos resultados, subcontratação e exige qualificação constante.

4 O TRABALHO NOS TEMPOS


CONTEMPORÂNEOS

O homem contemporâneo possui uma relação com o trabalho, que foi instaurada ainda
no século XIX e que ganhou desenvolvimento e aprofundamento ao longo do século XX. Trata-
se da produção industrial, tecnológica e a prestação de serviços no interior de grandes cidades.
O espaço primordial de realização dos indivíduos torna-se o espaço no interior das cidades, T
os espaços das indústrias e o âmbito público das relações. Ó
P
I
A era industrial deixou de cumprir sua ‘grande promessa’: fabulosas realizações materiais C
e intelectuais. O sonho de sermos senhores independentes de nossas vidas terminou quando O
S
despertamos para o fato de que todos nos tornamos peças ínfimas da máquina burocrática,
com nossos pensamentos, sentimentos e gostos manipulados pelo governo, pela indústria e E
pelas comunicações de massa que controlam tudo. (FROMM, 1987). S
P
E
Uma das questões cruciais de tal processo diz respeito à passagem do regime fordista C
(século XIX) ao regime chamado de produção toyotista. A técnica tornou cada vez mais I
A
fragmentado o processo de trabalho e, consequentemente, independente dos indivíduos, bem
I
S
148 TÓPICO 5 UNIDADE 2

como aleatório com quem o faz, em que já não importa como cada um o faz; importa sim que
cada indivíduo mantenha-se submetido ao todo, mantenha os laços, as passagens, o fluxo do
processo, com o mínimo de interferência criativa, inovação que possa tornar os fluxos ainda
mais eficientes.
Trabalhar em uma mesma empresa por muitos anos, ser homenageado e receber
condecorações de três, cinco, dez, 15, 20 anos de empresa, faz parte da geração anterior à
qual nos encontramos e que tende a se tornar cada vez mais raro. Especialmente no ramo do
terceiro setor.

No interior das grandes organizações descortinam-se tendências à rotatividade, à


terceirização, cooperativas de trabalho, atividades autônomas, grupos de voluntariado, economia
solidária, entre outras. No panorama atual de sistemas de governos, grupos empresariais
e relações de trabalho, se cadencia a internacionalização dos processos de produção e
comercialização e a mercantilização/financeirização das relações econômicas e sociais, no
sentido de que reforçam o sistema capitalista e o poder do mercado, dimensões em que a noção
de competição e propriedade prevalecem como moral e finalidade última, o que por sua vez
acaba por fragilizar as estruturas de Estado, as relações sociais e culturais entre os indivíduos.

A tecnologia da informação, a descoberta e desenvolvimento de novos materiais, as


mudanças e oscilações nas estruturas de mercado e a capacidade de competitividade e as
relações intra e interpessoais parecem ser os elementos que mais permeiam as relações de
trabalho. No interior destas novas tendências identifica-se a busca dos indivíduos em vivenciar
experiências que aliem trabalho, moradia, realização de projetos pessoais, formação continuada,
vivências familiares, sociais e de lazer.

4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL

O trabalho informal é o que ocorre nas experiências de trabalho artesanal e prestação


T
Ó de serviços, em que envolve intensa dedicação de mão de obra, de caráter temporário,
P geralmente apresenta pouco montante de capital envolvido e acaba apresentando acordos à
I parte das legislações trabalhistas; o que por sua vez acaba não concorrendo como linhas de
C
O financiamentos, seja de bancos ou governos; como exemplo, pode-se relacionar as práticas
S de trabalho no ramo do vestuário e alimentação.

E
S Como economia solidária pode-se entender as atividades que ocorrem de forma
P coletiva e em estruturas suprafamiliares, articuladas em associações, cooperativas, empresas
E autogestadas, grupos de produção, clubes de trocas etc., cujos participantes tanto podem ser
C
I trabalhadores dos meios urbano e rural.
A
I Os envolvidos nas atividades de economia solidária exercem forte controle e
S
UNIDADE 2 TÓPICO 5 149

gerenciamento das atividades e dos resultados. Realizam atividades econômicas de produção


de bens, de prestação de serviços, de fundos de crédito (cooperativas de crédito e os fundos
rotativos populares), de comercialização (compra, venda e troca de insumos, produtos e
serviços) e de consumo solidário. As atividades econômicas devem ser permanentes ou
principais, ou seja, a razão de ser da organização.

4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS


PROCESSOS LEGAIS NO BRASIL

O trabalho livre e assalariado ganhou espaço após a abolição da escravidão aplicada


aos trabalhadores negros no Brasil em 1888 e com a gradual vinda dos imigrantes europeus. As
condições impostas eram ruins, acabaram por gerar no interior do país as primeiras discussões
sobre leis trabalhistas. Os imigrantes traziam consigo a experiência do movimento operário
e sindical no interior dos países europeus, o que por sua vez favoreceu a estruturação de
organizações de trabalhadores, círculos operários, sindicatos e demais frentes de representação.

No final do século XIX surgem as primeiras normas trabalhistas, por meio do Decreto
nº 1.313, de 1891, que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. Em 1912
foi fundada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), durante o 4º Congresso Operário
Brasileiro. Dentre as causas defendidas pela Confederação estavam: a jornada de trabalho
de oito horas, fixação do salário mínimo, indenização para acidentes, contratos coletivos ao
invés de individuais.

No cenário internacional do pós-1ª Guerra Mundial, em 1919, surge a Organização


Internacional do Trabalho (OIT), órgão internacional que por sua vez impulsionou a formação
de um Direito do Trabalho. O surgimento deste órgão, naquele momento histórico, visava
intermediar o conflito entre o capital e o trabalho, e que era visto como uma das principais
causas dos desajustes sociais e econômicos, inclusive motivadores de guerras. T
Ó
P
I
C
S!
DICA O
S

Caro estudante, procure saber mais sobre a atuação da E


Organização Internacional do Trabalho-OIT. Trata-se do órgão S
responsável pelas convenções e recomendações que norteiam as
P
questões relacionadas ao trabalho em nível internacional.
D i s p o n í v e l e m : < h t t p : / / w w w. o i t b r a s i l . o r g . b r / c o n t e n t /
E
apresenta%C3%A7%C3%A3o>. Acesso: 3 jun. 2015 C
I
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150 TÓPICO 5 UNIDADE 2

A política trabalhista brasileira se consolida, de fato, após a Revolução de 30, quando


Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. A Constituição de 1934
foi a primeira a tratar de Justiça do trabalho e Direito do Trabalho, assegurando a liberdade
sindical, salário mínimo, jornada de oito horas, repouso semanal, férias anuais remuneradas,
proteção do trabalho feminino e infantil e igualdade salarial.

No Brasil de 1964, com o golpe militar e a instalação da ditadura, ocorreram fortes


medidas de repressão à classe trabalhadora, com o Decreto nº 4.330, as intervenções atingiram
sindicatos em todo o Brasil. Este decreto é conhecido como a lei antigreve, que impôs tantas
regras para realizar uma greve que, na prática, elas ficaram proibidas.

Depois de anos sofrendo cassações, prisões, torturas e assassinatos, em 1970 um


novo movimento sindicalista se reestrutura no interior do Estado de São Paulo, no chamado
ABCD paulista. No ano de 1978 ocorre uma grande greve em São Bernardo do Campo (SP)
e que ganhou aderência de trabalhadores de todo o país.

Após o fim da ditadura militar, em 1985, e em meio às mudanças no cenário econômico,


com a promulgação da Constituição de 1988, as conquistas dos trabalhadores foram
restabelecidas; por exemplo, a Lei nº 7.783/89, que restabelecia o direito de greve e a livre
associação sindical e profissional, a aposentadoria rural; Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT); Benefício de Prestação Continuada (BPC); Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
(PETI); bolsa escola e, ulteriormente, bolsa família, entre outros.

S!
DICA

Conheça o site do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Lá encontrarás


resoluções sobre o funcionamento das centrais sindicais, leis e convenções
ao exercício das profissões, orientações sobre os trâmites contratuais
e demissionais, seguro-desemprego, trabalho temporário, políticas de
T microcrédito, trabalho decente, entre outros.
Ó MTE. Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: <http://portal.mte.
P gov.br/portal-mte/>. Acesso em: 3 jun. 2015.
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UNIDADE 2 TÓPICO 5 151

LEITURA COMPLEMENTAR

A TERCEIRIZAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO

Grupos de empresários e empregadores apresentam argumentos no sentido de que a


geração de emprego formal, e até a abertura de empresas, no Brasil, são dificultadas diante
dos custos que as leis trabalhistas acabam acarretando. Alegam que em torno de 67% do
salário consiste em tributos, que são pagos ao governo, que procura atender a leis de descanso
remunerado, 13º salário, FGTS, adicionais em casos de horas extras, insalubridade e trabalho
noturno. E diante deste cenário é que ganham espaço as ideias de terceirização no interior
dos postos de trabalho.

Terceirização é o processo pelo qual uma empresa deixa de executar uma ou mais
atividades realizadas por trabalhadores diretamente contratados e as transferem para outra
empresa. A terceirização se realiza de duas formas, não excludentes. Na primeira, a empresa
deixa de produzir bens ou serviços utilizados em sua produção e passa a comprá-los de
outra - ou outras empresas -, o que provoca a desativação, parcial ou total, de setores que
anteriormente funcionavam no interior da empresa.

A outra forma é a contratação de uma ou mais empresas para executar, dentro da


“empresa-mãe”, tarefas anteriormente realizadas por trabalhadores contratados diretamente.
Essa segunda forma de terceirização pode referir-se tanto a atividades-fim como a atividades-
meio. Entre as últimas podem estar, por exemplo, limpeza, vigilância, alimentação. Tem-se
observado também que vem ocorrendo o processo de quarteirização, a contratação de uma
empresa pela empresa-mãe, que deverá gerir as relações com o conjunto das empresas
terceiras contratadas no interior da mesma.

O processo de terceirização da produção e da prestação de serviços no Brasil, e em


quase todos os países capitalistas, desenvolveu-se como parte do rearranjo produtivo, iniciado
na década de 70 do século XX, a partir da terceira Revolução Industrial, e que se prolonga até T
Ó
os dias de hoje. São mudanças importantes na organização da produção e do trabalho e, no
P
caso específico da terceirização, na relação entre empresas. I
C
O
A adoção deste processo foi intensificada e disseminada no âmbito da reestruturação
S
produtiva que marcou os anos 90. A partir do ano 2000, a economia brasileira iniciou um lento
processo de recuperação, com taxas de crescimento positivas, porém o cenário do mercado E
S
de trabalho já é o da difusão generalizada da terceirização da mão de obra. Se, inicialmente,
P
as empresas precisaram enxugar os custos para garantir sua sobrevivência, o processo de E
terceirização não apresentou retrocesso diante da melhora do cenário econômico, tendo C
I
permanecido como um elemento fundamental da mudança do processo produtivo e do mercado
A
de trabalho brasileiros. I
S
152 TÓPICO 5 UNIDADE 2

Em nível internacional destaca-se que as atividades mais atingidas pela terceirização,


em suas diferentes formas, são aquelas próprias da Tecnologia da Informação (TI), o que inclui o
trabalho de programadores, de processamento de dados e de desenvolvimento de softwares. O
avanço rápido e constante nesses processos tecnológicos facilita a troca de dados, a execução
de projetos e a entrega de produtos, independentemente do local onde o trabalho é executado.

A maior preocupação constatada a partir das fontes de informação sobre os Estados


Unidos é a possibilidade de demissão em massa de trabalhadores americanos qualificados em
decorrência de processos de terceirização nos quais as contratantes são empresas americanas.
Nesse caso, o mais comum tem sido a adoção do international outsourcing (compra do
componente ou serviço em outro país), do offshoring (realocação da empresa em outro país)
ou ainda do on-site offshoring (contratação de trabalhadores estrangeiros imigrantes ou de
trabalhadores em seus países de origem). Os países europeus, quando comparados com os
Estados Unidos, demandam menos serviços terceirizados e adotam algumas barreiras culturais
que dificultam a transferência de atividades de um país para outro.

Dentre os setores mais vulneráveis à terceirização no continente, tem-se que


a maioria está relacionada à área de TI, que atuam nos ramos de desenvolvimento de
softwares, processamento de dados, vendas, serviços de atendimento ao cliente, pesquisa,
desenvolvimento e designs, finanças, recursos humanos e gerenciamento. Estima-se que os
trabalhadores indianos da área de computação, por exemplo, recebam entre 1/5 e 1/10 do que
é pago a um americano pela mesma função.

No Brasil os ramos de atividades que mais registram processos de terceirização são o


setor público, no interior das unidades de governo, o setor financeiro, como bancos, os setores
elétrico, químico, de petróleo e petroquímico e da construção civil.

Diante das formas mais explícitas de precarização das condições de trabalho e de


vulnerabilidade da condição do trabalhador que resultam dos processos de privatização, tem-se
T um novo relacionamento sindical entre empregador e empregado, que aponta a desmobilização
Ó dos trabalhadores para reivindicações e greves, eliminação das ações sindicais e trabalhistas
P que reclamam pelos direitos sociais.
I
C
O Texto adaptado de DIEESE. Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
S Socioeconômicos. O processo de terceirização e seus efeitos sobre os trabalhadores no Brasil.

E Convênio SE/MTE nº 04/2003, Processo nº 46010.001819/2003-27.


S
P FONTE: Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BA5F4B7012BAAF91A9E060F/
E Prod03_2007.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2015.
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UNIDADE 2 TÓPICO 5 153

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico você viu:

• A palavra trabalho tem origem nas práticas e atividades das mais antigas sociedades,
comporta muitas diferenças de escrita em especial na forma como as sociedades concebiam
e ao valor moral que atribuíram à mesma.

• No interior da forma de produção artesanal o trabalhador detém o conhecimento de todas


as fases de produção, pode atender à vontade pessoal de quem procura pelo produto, o
produto consiste em um exemplar único e o artesão acompanha também o processo de
comercialização do produto.

• No interior do processo de produção de forma manufaturada se dá a especialização e


divisão de funções, a produção passa a ocorrer fora do local de moradia dos responsáveis
pela produção, o que por sua vez favorece os primórdios das grandes indústrias.

• No interior dos modos organização industrial do século XVIII e XIX prevaleceram os


modelos Fordista e Taylorista que se caracterizam pelo perfil de produção organizadas em
linhas de produção, em série e consumo em grande escala, e obedecem à organização e
administração científica.

• O toyotismo consiste numa forma de organização no interior de empresas e processos


produtivos que contempla a descentralização do poder e formação de redes de trabalho,
a diferenciação da produção, forte controle da produção e qualificação constante dos
trabalhadores.
T
Ó
• A terceirização pode ocorrer de diferentes formas: pela contratação de uma empresa que
P
subcontrata trabalhadores para exercer funções no interior de uma empresa-mãe, como I
também quando uma empresa passa a comprar parte dos processos e dos produtos de outra C
O
empresa para compor o seu produto final.
S

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154 TÓPICO 5 UNIDADE 2


IDADE
ATIV
AUTO

1 Karl Marx (1818-1883), pensador alemão que se dedicava a denunciar as contradições


no interior do sistema capitalista, ao longo de sua vida precisou mudar-se por diversas
vezes de país, pois o teor de suas ideias acabava por lhe render inimigos de forte
influência e poder político. Além disso, também passou por problemas com renda,
sendo socorrido pelo amigo e colega/escritor F. Engels. Pergunta-se: no que consistiam
as principais ideias e teorias de Marx?

I- A ideia principal estava em explicar, denunciar e combater as contradições que


estavam disfarçadas e camufladas no interior do regime comunista.
II- Argumentava que a divisão do trabalho era responsável por alienar o trabalhador,
assim como, por lhe extorquir a sua dignidade.
III- Defendia que estaria única e exclusivamente nas mãos do proletariado conduzir a
revolução que substituiria o capitalismo pelo comunismo.
IV- As teorias de Marx apresentavam que o proletariado deveria fazer a revolução e
transformar a sociedade, tomar o poder e abolir a relação capitalista de produção.

Agora, assinale a alternativa correta:


a) As sentenças I, II e III estão corretas.
b) Somente as sentenças III e IV estão corretas.
c) Somente as sentenças II e III estão corretas.
d) As alternativas II, III e IV estão corretas.

2 (ENADE, 2014) O debate sociológico acerca das novas relações de trabalho


e consumo no capitalismo se intensificou desde a segunda metade do século XX,
T especialmente a partir de um novo modelo de acumulação, marcado pela “flexibilização
Ó dos processos produtivos”. Como aponta David Harvey a este respeito, a acumulação
P flexível “é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na
I flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos
C
O padrões de consumo”. E, ainda, mais importante do que isso é a redução aparente do
S emprego regular, em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário
ou subcontratado. (HARVEY, D. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992).
E
S
P De acordo com a afirmação acima, a acumulação flexível:
E I- Gerou cada vez mais trabalho especializado, responsável pelo aumento da
C racionalidade do processo produtivo.
I II- Pode ser considerada uma expansão do princípio fordista de produção.
A
I
S
UNIDADE 2 TÓPICO 5 155

III- Aumentou a precarização das relações de trabalho no capitalismo contemporâneo.


IV- Implica crescente heterogeneidade dos mercados de trabalho e dos padrões de
consumo.

É correto apenas o que se afirma em:


a) ( ) I e II.
b) ( ) I e III.
c) ( ) II e III.
d) ( ) II e IV.
e) ( ) III e IV.

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156 TÓPICO 5 UNIDADE 2

IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da


Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.

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UNIDADE 3

POLÍTICAS PÚBLICAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade você será capaz de:

 conhecer e analisar as principais características das políticas


públicas do Brasil;
 refletir sobre a organização do sistema educacional brasileiro;
 caracterizar os pilares de alicerce do desenvolvimento
sustentável;
 refletir sobre o contexto de desenvolvimento sustentável;
 retratar sobre as ferramentas de gestão socioambiental para a
sustentabilidade;
 conhecer as ações nacionais de segurança e defesa pública;
 refletir sobre como o aumento populacional e o avanço
tecnológico impactam sobre os ecossistemas;
 perceber a importância do sistema de transportes no
desenvolvimento econômico do país;
 conhecer as políticas nacionais para a habitação e o saneamento;
 identificar os modos de vida urbano e rural, sua organização
social, semelhanças e diferenças e sua interdependência;
 destacar as características que identificam o meio urbano e o
meio rural.

PLANO DE ESTUDOS

Esta unidade está dividida em sete tópicos. No final de cada


um deles você encontrará um resumo e atividades que reforçarão o
seu aprendizado.
T
Ó
TÓPICO 1 - POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO P
I
TÓPICO 2 - POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE C
O
TÓPICO 3 - HABITAÇÃO E SANEAMENTO
S
TÓPICO 4 - TRANSPORTES E SEGURANÇA
E
TÓPICO 5 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM S
ÂMBITO NACIONAL P
E
TÓPICO 6 - VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA C
I
TÓPICO 7 - MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO A
SUSTENTÁVEL
I
S
T
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UNIDADE 3

TÓPICO 1

POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

Quando falamos em políticas públicas, estamos nos referindo aos direitos e deveres
do Estado para com as pessoas que compõem a sociedade e, assim como o Estado, gozam
de seus direitos civis e políticos. Estamos também sujeitos ao conjunto de normas jurídicas
e sociais, formando assim um marco regulatório previamente fixado no que diz respeito à
distribuição harmônica dos elementos que formam os direitos, deveres e responsabilidades
em prol do desenvolvimento educacional, econômico e social. A vida em sociedade está ligada
à política e não há ação social sem ação política, quer seja promovida pelo Estado ou pela
sociedade (RAMOS; BREZINSKI, 2014).

2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL

O termo política possui várias definições, as quais denotam a organização e o estudo T


das ações a serem realizadas para o bem-estar da população. Percebemos que a política é Ó
algo complexo, mas que se bem administrado ou exercido poderá ter efeitos positivos junto à P
I
população. C
O
As primeiras reflexões sobre o que é política surgiram na Grécia antiga, com os S
filósofos, a quem eram atribuídos os dons do pensamento, das ideias e, consequentemente, E
do conhecimento. S
P
Pode-se citar Sócrates e dois de seus principais sucessores, Platão e Aristó- E
teles, como sendo os primeiros a tratarem das questões da ética e da política. C
A Grécia era considerada o berço da democracia, ainda que nem todos os I
seus iluminados viam no modelo democrático a melhor maneira de conduzir A
o povo. Ao aproximar-se das leituras sobre a vida e obra desses pensadores,
I
percebe-se, por conclusão, que para eles a solução para os problemas da
S
160 TÓPICO 1 UNIDADE 3

sociedade deve passar, necessariamente, pela educação. Passados mais


de dois mil anos, continua-se lutando pelos mesmos direitos à igualdade e
combatendo-se os mesmos problemas relacionados à ética e à moral, sem as
quais não se exercita a verdadeira política. (RAMOS; BREZINSKI, 2014, p. 9)

Portanto, “o cotidiano (político) é construído por aqueles que interagem nesse contexto.
Fazer política é interagir nos acontecimentos e participar criticamente da sua história” (RAMOS;
BREZINSKI, 2014, p. 9).

A política sempre está ligada ao exercício do poder em sociedade, seja em


nível individual, quando se trata das ações de comando, seja em nível coletivo,
quando um grupo (ou toda sociedade) exerce o controle das relações de poder
em uma sociedade (SANTOS, 2012, p. 2).

Assim, as políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em


organismos políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou seja,
se estabelece um processo de tomada de decisões, nossa legislação. Ao iniciarmos nossos
estudos sobre a organização da educação no Brasil, precisamos ter em mente que a educação
é intencional, principalmente no que diz respeito ao sistema escolar. Os atores que permitem
discussões sobre um determinado problema da sociedade são: a sociedade civil organizada;
os servidores públicos e os políticos.

As etapas ou fases do processo da política distinguem-se de acordo com o entendimento


de cada autor, mas comumente podem se classificar como:
• Identificação do problema: é a primeira etapa e consiste na identificação, ou le-
vantamento do problema a ser considerado como foco da política pública.
• Agenda: é a etapa em que se definem os focos de atuação do governo. É o con-
junto de problemas e demandas que comporão o plano de ação. A formação da
Agenda de Governo consiste numa fase tumultuada e competitiva, com os envol-
vidos dedicados na conquista de espaço para os interesses que defendem.
• Tomada de decisão: adoção da política, em consenso (de comum acordo), as
partes decidem sobre os diversos aspectos, ou focos, que a política abrangerá.
T • Implementação: é a etapa em que as decisões deixam de ser intenções e pas-
Ó
sam a ser intervenções na realidade.
P
I • Monitoramento, Avaliação, Ajustes: são etapas de acompanhamento do processo
C de formulação/elaboração da política, oferecendo informações para possíveis
O ajustes na direção dos resultados esperados. (RAMOS; BREZINSKI, 2014, p. 14-
S
15).
E
S Com base nesses argumentos, a educação no contexto brasileiro está prevista, é regida
P
(legislada) por normas jurídicas que compelem os cidadãos e o poder público a cumpri-las. De
E
C acordo com Motta (1997, p. 75), a educação é a:
I
A [...] manifestação cultural que, de maneira sistemática e intencional, forma e
I desenvolve o ser humano. [...] A educação é a ação exercida pelas gerações
S adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a
UNIDADE 3 TÓPICO 1 161

vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança certo número
de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela sociedade política no
seu conjunto e pelo meio especial que a criança, particularmente, se destina.

Estes princípios e fins aparecem no texto da Constituição Federal de 1988 e


posteriormente são reafirmados na Lei de Diretrizes e Bases - LDB, Lei 9.394, de 20 de dezembro
de 1996, direcionando a educação brasileira, e que em seu Art. 2˚ trata “Dos Princípios e Fins
da Educação Nacional” (BRASIL, 1996).

Desta forma, a LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação na
Constituição Federal abordando a educação escolar. O Título V trata dos Níveis e das
Modalidades de Educação e Ensino; em seu Capítulo I, demonstra a composição dos
níveis escolares, formada pela Educação Básica; Educação de Jovens e Adultos; Educação
Profissional; Educação Superior e Educação Especial.

Educação Básica é formada de três etapas: Educação Infantil, Ensino Funda-


mental e Ensino Médio. Conforme a LDB, são finalidades da Educação Básica
‘[...] desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável
para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho
e em estudos posteriores’ (art. 22).
As modalidades importam em atendimentos afeitos a peculiaridades que podem
dizer respeito a uma população específica ou a objetivos de formação mais
especializada ou complementar. No primeiro caso, encontramos a educação
de jovens e adultos e a educação especial. No segundo caso, a educação
profissional.
A educação de jovens e adultos (EJA) enseja a escolarização daqueles que
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental ou
Médio. Contempla cursos de EJA e exames supletivos. Os cursos e os exames
são acessíveis para estudantes maiores de 15 anos (Ensino Fundamental) e
de 18 anos (Ensino Médio).
A educação especial destina-se aos educandos portadores de necessidades
especiais e deve estar contemplada em todas as etapas da educação. A le-
gislação estabelece a sua oferta preferencial na rede regular de ensino e em
classes comuns, embora possibilite a oferta desta modalidade em classes e
escolas especiais.
Pode-se identificar a inserção da educação profissional na Educação Básica de
três modos: ensino técnico - concomitante, integrado ou sequencial ao Ensino
Médio, inclusive EJA; formação inicial e continuada de trabalhadores articulada T
ao Ensino Fundamental ou Médio, inclusive EJA; preparação básica para o
Ó
trabalho no Ensino Fundamental e Médio, inclusive EJA (FARENZENA, 2010).
P
I
Como podemos ver, a preocupação em fortalecer a educação como um direito, um C
O
currículo integrado, é o ponto de partida para assegurar os direitos fundamentais da sociedade.
S
Para que essa proposta ocorresse na educação brasileira tivemos mudanças significativas,
principalmente a partir da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei no 9.394, de 1996, E
S
que marcou a educação e fez com que gerasse muito investimento, tanto no sentido intelectual
P
como financeiro. Um dos princípios da LDB é a valorização do profissional da educação escolar, E
a qual defende que C
I
A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especifici- A
dades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes I
S
162 TÓPICO 1 UNIDADE 3

etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos:


I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos
fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados
e capacitação em serviço;
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições
de ensino e em outras atividades (BRASIL, 1996, art. 61).

A partir daí, muitos acordos e reformas foram realizados na educação, priorizando a


qualidade da mesma. O Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 indica algumas
diretrizes que demonstram esse interesse, enfatizando a melhoria da qualidade de ensino,
a formação para o trabalho, a valorização dos profissionais da educação, entre outras que
indiretamente também enfocam a formação docente. Dentre as 20 metas traçadas do PNE
para até 2020, seis (da 13 até a 18) pretendem aumentar a qualidade do ensino com base na
formação inicial e principalmente continuada, em diferentes níveis.


DE
ATI VIDA
AUTO

(IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão


Escolar 2012)
A concepção curricular que articula o Ensino Médio à formação
técnica, além de estabelecer o diálogo entre os conhecimentos
científicos, tecnológicos, sociais, humanísticos, habilidades
relacionadas ao trabalho e de superar o conceito da escola dual
e fragmentada, pode representar, em essência, a quebra da
hierarquização de saberes e colaborar, de forma efetiva, para a
educação brasileira como um todo, no desafio de construir uma
nova identidade para essa última etapa da educação básica. A
proposta curricular a que esse enunciado se refere é:

a) Currículo integrado.
b) Currículo tecnicista.
c) Currículo tradicional.
d) Currículo profissionalizante.
T
Ó


P
I E!
T
C IMPO
RTAN
O
S Desafios não faltam para o novo governo do país
Conhecidos de quem atua na área, os problemas precisam ser
E enfrentados com seriedade para que o ensino avance
S Bruno Mazzoco (bruno.mazzoco@fvc.org.br)
P
E
C
I
A
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 1 163

No último ciclo presidencial, a principal conquista no campo educacional foi


a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). Depois de quase quatro anos de
idas e vindas nas duas casas legislativas, sucessivas alterações e a participação da
sociedade civil no processo de discussão, temos finalmente um plano que norteia,
com força de exigência constitucional, as políticas públicas da área para o próximo
decênio. O documento, no entanto, não garante a implementação das metas.
São necessárias leis específicas e medidas efetivas para que elas saiam do papel.
Mesmo assim, é certo que a execução do PNE irá pautar o setor nos próximos anos.
Resumimos a seguir os principais desafios a serem enfrentados pelo novo governo. 

A promoção de uma educação pública de qualidade é uma tarefa que deve envolver,
de forma articulada, União, estados e municípios, conforme previsto no artigo 211 da
Constituição. Na situação atual, porém, secretarias estaduais e municipais de Educação
atuam de maneira desconectada. Para diminuir as lacunas entre os diferentes sistemas
de ensino, a lei do PNE estabelece a criação, até junho de 2016, do Sistema Nacional
de Educação (SNE), que deve organizar e articular as metas estabelecidas no plano e
as medidas complementares necessárias para a implementação. Cabe à Presidência da
República enviar a proposta de lei ao Congresso Nacional e acompanhar a tramitação.
As questões relativas a financiamento dividem o debate público em duas correntes.
De um lado estão os que defendem mais recursos para a educação pública. De outro,
os que sustentam que o problema é apenas a má gestão do dinheiro. Se levarmos em
conta que o gasto do Brasil por aluno é equivalente a um terço do investido pelos países
desenvolvidos, conforme dados do relatório Education at Glance, divulgados este ano
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e que a
infraestrutura das escolas, a formação e a valorização de professores ainda deixam a
T
desejar, chegamos à conclusão de que melhorar a gestão é necessário, mas aumentar
o aporte de recursos é fundamental.
Ó
P
FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/desafios-nao-faltam-
I
novo-governo-pais-ensino-educacao-832920.shtml?page=0>. Acesso em: C
O
S
Outro documento importante são os Parâmetros Curriculares Nacionais. Sua história
E
começa a partir da década de 80, com as mudanças econômicas e sociais de nível mundial e S
a abertura da política nacional. A partir desse momento, as discussões políticas passaram a P
privilegiar o tema da democracia. Com base nesse tema, as reflexões propiciaram a instauração E
C
e consolidação de um governo e de um regime democrático.
I
A
Em decorrência dos debates e dada a importância da democracia, a Assembleia Nacional I
S
Constituinte, em 1988, institui o Estado Democrático de Direito, regulamentado pela Constituição
da República Federativa do Brasil, denominada Constituição Cidadã. Ela estabelece como
164 TÓPICO 1 UNIDADE 3

princípios fundamentais: “I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana;


IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político” (BRASIL, 1988,
Título 1).

FIGURA 17 - CONSTITUIÇÃO CIDADÃ DE 1988

FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/upload/


conteudo_legenda/8e426990caf5533da936acd858c65f32.
jpg>. Acesso em

O artigo 5º dispõe sobre os direitos e deveres individuais e coletivos, segundo o qual


“todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (BRASIL, 1988, Título II -
Dos Direitos e Garantias Fundamentais). Desse modo, no artigo 6º são indicados os direitos dos
cidadãos; constam como “direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança,
a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988, Capítulo II - Dos Direitos Sociais).

T A defesa do exercício da cidadania na escolarização está deliberada no artigo 205: “a


Ó educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com
P a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para
I
C o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (BRASIL, 1988)
O
S Para a disseminação da educação cidadã, outros documentos são produzidos a partir
E de reuniões e pactos mundiais, como a Declaração Mundial sobre Educação para Todos,
S ocorrida em Jomtien – Tailândia.
P
E
Em 1990 reuniram-se representantes dos seguintes países: Indonésia, China,
C
I Bangladesh, Brasil, Egito, México, Nigéria, Paquistão e Índia, para discutir sobre a satisfação
A das necessidades básicas de aprendizagem, considerando que todo cidadão tem direito à
I educação, e ainda, que a educação favoreça “o progresso social, econômico e cultural, a
S
UNIDADE 3 TÓPICO 1 165

tolerância e cooperação internacional”. (UNESCO, 1998, s/p). Para suprimir os problemas da


educação, melhorar a qualidade e disponibilidade, a Declaração traça objetivos como medidas
necessárias à educação para todos. Assim, os países citados comprometeram-se em cooperar
e responsabilizar-se com as metas construídas. A partir desse documento, cada país construiu
planos e metas para alcançar os objetivos educacionais.

ÇÃO!
ATEN

Você imagina quais foram as metas traçadas no encontro


mundial que resultou na Declaração Mundial sobre Educação
para Todos?
As finalidades traçadas são: 1 Satisfazer as necessidades
básicas de aprendizagem; 2 Expandir o enfoque; 3
Universalizar o acesso à educação e promover a equidade;
4 Concentrar a atenção na aprendizagem; 5 Ampliar os
meios de e o raio de ação da educação básica; 6 Propiciar
um ambiente adequado à aprendizagem; 7 Fortalecer as
alianças; 8 Desenvolver uma política contextualizada de
apoio; 9 Mobilizar os recursos; e 10 Fortalecer a solidariedade
internacional (UNESCO, 1998).

Ao encontro desse documento, o governo brasileiro inicia discussões a respeito da


educação nacional e a construção de políticas de educação, que discorrem sobre a atualização
de processos formativos, processos de avaliação, a formação docente, a relação aluno-
professor, a gestão escolar, o currículo escolar e a criação de projetos, de reformas e de planos.
O PCN é um documento norteador formulado a partir dessas políticas de educação.

Assim, em 1995, a elaboração dos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais é iniciada,


sendo concluída somente em 1997, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Fique atento, acadêmico, ao estudo desse documento, pois as políticas de educação têm
T
objetivos traçados, como toda a prática docente possui. Ó
P
I
O objetivo dos PCN (BRASIL, 1997a) é estabelecer à equipe pedagógica uma referência
C
curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto pedagógico. Conforme os PCN, O
esse documento é o resultado de um trabalho que contou com a participação de um grupo S
de especialistas ligado ao Ministério da Educação (MEC), produzido a partir de estudos e
E
do contexto das discussões pedagógicas atuais, no decurso de seminários e debates com S
professores que atuam em diferentes graus de ensino. P
E
C
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166 TÓPICO 1 UNIDADE 3

FIGURA 18 – CONSTRUÇÃO DOS PCN

O documento dos PCN consiste em uma referência nacional para o Ensino Fundamental
e Médio. Sua elaboração é de primeiro nível de concretização curricular, seguido de propostas
curriculares dos Estados e municípios, que poderão ser utilizados como recurso para adaptações
ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias de Educação (BRASIL, 1997a).

O texto dos PCN tem função definidora do currículo mínimo, orienta práticas pedagógicas
e organiza a estrutura escolar. Estabelece o plano curricular indicando conteúdos, objetivos,
práticas educativas e sugestões de avaliação. Como é um documento de nível nacional, tenta
abranger e ter aplicabilidade em todo o território nacional, de maneira homogênea. (BARBOSA;
FAVERE, 2013).

Os PCN do Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, são compostos de módulos


divididos em: Volume 1: Introdução; Volume 2: Língua Portuguesa; Volume 3: Matemática;

T Volume 4: Ciências Naturais; Volume 5: História e Geografia; Volume 6: Arte; Volume 7:


Ó Educação Física; Volume 8: Apresentação dos Temas Transversais e Ética; Volume 9: Meio
P Ambiente e Saúde; e Volume 10: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.
I
C
O Já os PCN do Ensino Médio são assim distribuídos: Bases legais; Linguagens, Códigos
S e suas tecnologias; Ciências da natureza, Matemática e suas tecnologias; Ciências humanas
e suas tecnologias.
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UNIDADE 3 TÓPICO 1 167

NOT
A!

Caro acadêmico, a Educação Infantil também tem documentos
norteadores do currículo, que são: Referencial Curricular Nacional
para Educação Infantil – RECNEI e Parâmetros Nacionais de
Qualidade para a Educação Infantil. O primeiro documento pretende
orientar o professor, além de discutir conceitos importantes como
educar e cuidar, entre outros. O RECNEI está dividido em unidades,
que são: Introdução, Formação Pessoal e Social e Conhecimento de
Mundo, Identidade e Autonomia das crianças e Movimento, Música,
Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade
e Matemática. Já o segundo documento está disponível em dois
volumes e apresenta recomendações para promover a igualdade
de oportunidades educacionais.
Para conhecer melhor os documentos, respectivamente, acesse:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf>

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol1.pdf>

Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, da formação cidadã.
Mais do que o ensino de conteúdos básicos, hoje, na escola, a aprendizagem da cidadania
é legitimada e indispensável. A disseminação dessa aprendizagem transita em documentos
oficiais, em autores que escrevem sobre educação e em projetos pedagógicos das escolas.
Os PCN defendem que o fundamento da sociedade democrática é reconhecer o sujeito de
direito (BRASIL, 1997b).

Com base na Constituição de 1988 e na LDB, os Parâmetros Curriculares Nacionais


propõem uma educação comprometida com a cidadania, sendo pautados em princípios que
devem orientar a educação escolar: dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos,
participação e corresponsabilidade pela vida social. Conforme os PCN, “a educação para a
cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e
a reflexão dos alunos”. (BRASIL, 1997b, p. 25) T
Ó
P
Os conteúdos dos PCN, de acordo com Barbosa (2000, p. 71), partem
I
C
do princípio de que os conteúdos de ordem cognitiva veiculados pela escola
O
– de forma fragmentada, em razão da especialização do conhecimento de
S
cada área – não seriam suficientes para atender às demandas da atualidade
em relação ao perfil ideal do novo homem, para que este homem pudesse
inserir-se no mundo do trabalho, exercer a sua cidadania e participar na cons- E
trução do bem comum. A educação deveria voltar-se, a partir de então, para S
a formação integral dos alunos. Foi, assim, proposta a ampliação da concep- P
ção de conteúdo escolar, que deveria agora incorporar o ensino de hábitos, E
atitudes, valores, normas e procedimentos que pudessem contribuir para o C
desenvolvimento e socialização dos alunos. I
A
A inclusão dos temas transversais é um assunto novo, possível na sociedade atual, I
S
168 TÓPICO 1 UNIDADE 3

visando uma nova formação comparada a formações anteriores, trazendo assuntos de fora,
da sociedade, para dentro da escola. Assim, além de objetivos cognitivos, os PCN traçam
objetivos morais e atitudinais.

Os PCN foram elaborados com a contribuição de um professor espanhol, César Coll. A


proposta brasileira pretendeu implantar uma reforma curricular, dar direcionamento ao trabalho
do professor, bem como o que se deve esperar do aprendizado do aluno, ou seja, o que deve
conter no currículo escolar. (BARBOSA; FAVERE, 2013)

Os PCN pretendem atender às deliberações da Constituição Federal de 1988 e assim


fixar conteúdos mínimos para o ensino, construindo uma formação básica e respeitando as
especificidades regionais.

Citando Barreto (2000, p. 35), “o governo federal passa pela primeira vez, em meados
dos anos noventa, a fazer ele próprio prescrições sobre currículo, que vão muito além das
normas e orientações gerais que caracterizaram a atuação dos órgãos centrais em períodos
anteriores”.

Com o intuito de transformar a realidade educacional, o documento defende que “faz-


se necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da formação a ser
oferecida a todos os estudantes”. (BRASIL, 1997a, p. 27).

A intenção dos PCN é que o professor tenha um auxílio em sua ação de reflexão sobre
o cotidiano da prática pedagógica, que continuamente esse cotidiano transforma-se e exige
novas competências docentes. Nesse sentido, com esse documento se prevê que seja possível:

- rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das atividades, ex-


pectativas de aprendizagem e maneiras de avaliar;
- refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência com os
objetivos propostos;
- preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em sala de
T aula;
Ó - discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem
P maior ou menor participação nas atividades escolares;
- identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem contextos
I
mais significativos de aprendizagem;
C
- subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e responsáveis.
O (BRASIL, 1997a, p. 12)
S

E A proposta apresentada pelos PCN não tem uma concepção rígida de currículo; é
S flexível, com o objetivo de considerar a diversidade brasileira e respeitando a autonomia do
P
professor e equipe pedagógica.
E
C
I Acadêmico, apresentamos aqui uma imagem disponibilizada em outro documento
A
importante do MEC, “Ensino Fundamental de Nove anos”, que contribui para percebermos a
I
S organização desse nível de ensino:
UNIDADE 3 TÓPICO 1 169

QUADRO 10 - ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS

FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>.


Acesso em:

A figura acima nos indica uma organização que atualmente deve ser planejada em seu
conjunto, ou seja, projetando essa prática para o trabalho do professor, em que “esta é uma
oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo primordial que ela aborde
os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho, na perspectiva das reflexões
antes tecidas”. (BRASIL, 2004, p. 18)

Assim, temos que dar continuidade na definição e redefinição das práticas e das ações,
que devem ser realizadas com a mesma rapidez e complexidade com que ocorre o processo
de transformação, não só no Brasil, mas em escala mundial.

A importância que adquirem, nessa nova realidade mundial, a ciência e inova-


ção tecnológica tem levado os estudiosos a denominar a sociedade atual de
sociedade do conhecimento, sociedade técnico-informacional ou sociedade
tecnológica, o que significa que o conhecimento, o saber e a ciência assumem
papel muito mais destacado do que anteriormente. Na atualidade, as pessoas
aprendem na fábrica, na televisão, na rua, nos centros de informação, nos
vídeos, no computador, e cada vez se ampliam os espaços de aprendizagem.
(LIBÂNEO, 2012, p. 62-64, grifos do autor)

A instituição escolar, portanto, já não é considerada o único meio ou o meio mais


eficiente e ágil de socialização dos conhecimentos técnico-científicos e de desenvolvimento
de habilidades cognitivas e competências sociais requeridas para a vida prática.

A tensão em que a escola se encontra não significa, no entanto, seu fim como instituição
T
socioeducativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. Indica, antes, Ó
o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da instituição tal como a P
I
conhecemos. A escola hoje precisa não apenas conviver com outras modalidades de educação
C
não formal, informal e profissional, mas também, articular-se e integrar-se a elas, a fim de O
formar cidadãos mais preparados e qualificados para um novo tempo. Para isso, o ensino S
escolar deve contribuir para:
E
S
a) Formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente (capacitação P
E
permanente) em um contexto de avanço das tecnologias de produção e de modificação da
C
organização do trabalho, das relações contratuais capital/trabalho e dos tipos de empregos. I
b) Prover formação global que constitua um patamar para atender à necessidade de A
I
maior e melhor qualificação profissional, de preparação tecnológica e de desenvolvimento de
S
170 TÓPICO 1 UNIDADE 3

atitudes e disposições para a vida numa sociedade técnico-informacional.


c) Formar cidadãos éticos e solidários.

Assim, pensar o papel da escola nos dias atuais sugere levar em conta questões
relevantes. A primeira e, talvez, a mais importante é que as transformações mencionadas
representam uma reavaliação que o sistema capitalista faz de seus objetivos.

No entanto, quando o autor Libâneo (2012) faz o alerta de que o ensino escolar deve
contribuir para formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente dentro do
contexto tecnológico e das relações capital/trabalho, poderia, aí, ser acrescentado o termo
“harmonização das relações trabalhistas”.

O que quer dizer que a educação pode e deve ter uma relação próxima e significativa
com o capitalismo, uma vez que o desenvolvimento educacional deixou de ser estável, isto
é, com hora e local predeterminado. Hoje, a informação e o conhecimento não têm fronteira,
eles estão em toda parte, principalmente nas organizações produtoras de bens e serviços.
Ainda segundo o autor, “a escola deixou de ser o único meio de socialização do conhecimento”,
seguindo a mesma linha de raciocínio com relação ao capital/trabalho. Liedke (2002, p. 345-
346) afirma que:

No limiar do século 21, os avanços da tecnologia microeletrônica e da racio-


nalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho, orientados
por conceitos como produção flexível, produção enxuta e especialização fle-
xível, em um contexto de competição capitalista global, colocam em xeque a
centralidade do trabalho. Decorridos três séculos de predomínio da sociedade
industrial, o trabalho passa a assumir um conteúdo crescentemente intelectual,
em contraposição ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a impor-
tância da informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito
convencional de trabalho, centrado na ideia de transformação da natureza.
Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na história da humanidade,
de separarem-se, novamente, os conceitos de trabalho, emprego e identi-
dade social e individual. Outras formas de socialização, de construção das
identidades sociais e individuais deverão voltar-se para atividades de cunho
comunitário, como escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de infraes-
T trutura nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário (KUMAR,
Ó 1985: CACCIAMALI, 1996). Estudos recentes apontam para a importância de
P políticas voltadas ao estímulo das atividades intensivas em mão de obra, ao
I mesmo tempo em que defendem a necessidade de diminuição da jornada de
C trabalho semanal (MATTOSO, 1996; ANTUNES, 1996). Mais do que simples
O especulação, os desafios são amplos e incertas as alternativas. Porém, pare-
ce certo que as formas precárias de ocupação da força de trabalho (trabalho
S
temporário, desregulamentação do trabalho, rebaixamento dos salários) estão
longe do conceito aristotélico de trabalho humano como obra criativa, livre da
E esfera da necessidade.
S
P
E No entanto, a Revolução Tecnológica vai além do fenômeno relacionado com a dinâmica
C da informação e comunicação, pois ela é também o objeto de dinamização dos saberes,
I
A conceitos e dos valores individuais e sociais. Sendo assim, essas tecnologias têm se mostrado
I eficientes e flexíveis em todos os aspectos da vida cotidiana, seja no âmbito das relações sociais,
S
UNIDADE 3 TÓPICO 1 171

econômicas e educacionais, principalmente por oferecerem uma gama de alternativas que


podem e devem ser utilizadas na busca de soluções e na melhoria dos métodos e das formas
de ensinar e aprender. Isto porque, como sabemos, não existe uma homogeneidade regional,
isto é, as políticas públicas não conseguem equacionar ou resolver os problemas relacionados
à distribuição dos meios e recursos necessários ao desenvolvimento do indivíduo, do processo
educativo e do desenvolvimento econômico, onde todos esses conceitos fazem parte da cadeia
produtiva como um todo, pois um país só se desenvolve com educação, emprego e distribuição
equitativa de renda, o que vai ao encontro dos princípios da igualdade.

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172 TÓPICO 1 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 1

• A vida em sociedade está ligada à política e não há ação social sem ação política,
quer seja promovida pelo Estado ou pela sociedade.

• As políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em organismos


políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou seja, se
estabelece um processo de tomada de decisões, nossa legislação.

• A criação de documentos nacionais norteadores foi possível a partir da década de


80, com a abertura política e com a instituição de um Estado democrático, com a
Constituição Federal de 1988, como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacio-
nais.

• A LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação na Constituição Fe-
deral, abordando a educação escolar. O objetivo dos PCN é estabelecer à equipe
pedagógica uma referência curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto
pedagógico.

• Os PCN têm função definidora do currículo mínimo, orientam práticas pedagógicas e


organizam a estrutura escolar.

• Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, que deve resultar
em uma formação cidadã.

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UNIDADE 3 TÓPICO 1 173


IDADE
ATIV
AUTO

1 Para retomar o que aprendemos até o momento, aponte as características principais


e o contexto histórico no qual foram construídos os PCN:

2 (IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão Escolar 2012)


A partir do que estabelece a Lei nº 9.394/1996, analise as afirmativas a seguir.
I- A educação profissional técnica de nível médio articulada, segundo essa lei, será
desenvolvida nas formas integrada e concomitante.
II- A educação de jovens e adultos deverá ser oferecida, preferencialmente, articulada
à educação profissional.
III- As instituições de educação profissional e tecnológica oferecerão cursos regulares
e cursos especiais, abertos à comunidade.
IV- Na educação profissional técnica de nível médio, a preparação geral para o tra-
balho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos
próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou em cooperação com instituições espe-
cializadas em educação profissional.
V- A educação profissional técnica de nível médio, por ter total autonomia pedagógica,
prescinde de organizar cursos seguindo as orientações contidas nas diretrizes curricu-
lares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.

Das afirmativas acima, estão corretas, apenas:


a) ( ) I - II - III e IV.
b) ( ) II - III - IV e V.
c) ( ) I e V.
d) ( ) II e IV.
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UNIDADE 3

TÓPICO 2

POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE

1 INTRODUÇÃO

O acesso universal, integral e equânime à assistência em saúde é um direito


de todos e um dever do Estado, garantido pela Constituição. Contudo, para
além das obrigações do governo, a saúde também é uma responsabilidade
coletiva, que implica na participação da população nos processos de melhoria
e no progresso da qualidade de serviços. (SCHMIDT, 2015, p. 12)

Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao estudo que faremos sobre o Sistema de Saúde
brasileiro. Este tema levará você a refletir sobre a realidade da saúde pública em nosso país e
os seus desafios para assegurar o atendimento a todo cidadão com dignidade e em igualdade
de condições.

A gestão do sistema nacional de saúde é bastante complexa, se pensarmos em atingir


de forma equânime todas as pessoas que dependem do serviço público num contexto com
desigualdades e desafios sociais aos governos. Concorda Zetzsche (2014, p. 3) ao dizer que
“Cuidar da saúde significa manter a nação em condições de progresso e trabalho, com uma
população saudável e menores índices de adoecimento e transmissão de doenças”. T
Ó
P
O sistema de saúde brasileiro engloba uma rede de serviços prestados por instituições I
públicas e privadas aos cidadãos que se utilizam de uma multiplicidade de atendimentos. C
Considerado exemplo de política pública pelo acesso universal à população, demanda ainda O
S
maior participação da sociedade nos conselhos e conferências municipais de saúde para o
efetivo controle social na administração pública. E
S
P
O fortalecimento da política pública de saúde depende, sobretudo, de investimentos
E
que assegurem as ações e programas que impulsionem os indicadores de saúde a um nível C
favorável; é fundamental a melhora da infraestrutura, com a ampliação e modernização dos I
A
locais de atendimento, qualidade dos serviços oferecidos e capacidade técnica dos profissionais
I
S
176 TÓPICO 2 UNIDADE 3

contratados para a gestão.

Competência administrativa, visão política e gerencial, profundo conhecimento


da história do país e de sua dinâmica social, visão epidemiológica e crítica, e
visão ontológica – visão de respeito e reconhecimento do ser humano – (alvo
dos programas e políticas de saúde) são requisitos mais que necessários
àquele ou àquela que vai trabalhar em gestão de saúde, quer seja de caráter
público ou privado. (ZETZSCHE, 2014, p. 4)

A saúde para os brasileiros, segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisas Datafolha


(2014), é considerada o serviço público mais importante; mas diariamente o usuário se depara
com problemas, como a falta de médicos, filas de espera nas emergências e nos hospitais,
demora para realização de cirurgias e hospitais sem recursos financeiros.

FIGURA 19 – AÇÕES E SERVIÇOS PÚBLICOS

FONTE: Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/PDF/apresentao-integra-datafolha203.pdf>.


Acesso em: 6 jun. 2015.

T A partir desta reflexão, podemos enfatizar a importância da política pública de saúde no


Ó contexto social brasileiro e a necessidade de gestão técnica com profissionais habilitados. A
P relevância do tema foi abordada no Exame Nacional do Estudante – ENADE (2013) e propomos
I
C a você que leia e responda.
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UNIDADE 3 TÓPICO 2 177


IDADE
ATIV
AUTO

A questão da saúde no Brasil é complexa e dependente da atuação


dos vários agentes que a compõem. Cada um desses agentes,
governo, organizações e sociedade, têm suas responsabilidades
sobre a qualidade da saúde no Brasil. Ao governo cabe
desenvolver políticas e realizar investimentos adequados,
dentro de um planejamento ao longo do tempo; às organizações
compete executar essas políticas, como também prestar serviços
à população com qualidade; e a sociedade, por seu lado, deve
aderir às ações preventivas promovidas pelo governo e pelas
organizações, assim como deve ter uma postura ativa, autônoma
e corresponsável, em relação à sua qualidade de vida.

FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Win8/Desktop/16_TEC_


GESTAO_HOSPITALAR.pdf>. Acesso em: 3 maio 2015.

FONTE: Disponível em: <http://www.ivancabral.com>. Acesso em: 23


ago. 2013.

Considerando a figura e o trecho acima, redija um texto


dissertativo sobre o papel e (ou) funções do gestor público no
contexto da qualidade da saúde no Brasil.

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2 CONCEITO DE SAÚDE I
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Temos como conceito de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (USP, 2015):
S
“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na
ausência de doença ou de enfermidade”. E
S
P
Esta concepção de saúde induz a novas condutas quanto à promoção de saúde e E
prevenção de doenças. O indivíduo é inserido numa rede de cuidados permanentes, visando C
I
maior qualidade de vida, mesmo que aconteça a doença. A vida mais saudável demanda novos
A
hábitos que incluem a alimentação adequada, lazer, convívio social, esportes e atividade física I
S
178 TÓPICO 2 UNIDADE 3

como práticas diárias.

Mesmo o doente crônico aprende a conviver melhor com a doença, tornando-se menos
dependente da assistência médica, adquirindo hábitos que ajudam na melhora do estado de
saúde. É o que Zetzsche (2014, p. 13) define como “comportamentos mais saudáveis e que
desenvolva o seu autocuidado, possibilitando que, desta forma, este acabe vivendo mais e
melhor depois de seu adoecimento, por mais incrível que isto pareça, à primeira vista”. Neste
contexto, percebe-se que a população está adotando um estilo de vida mais saudável, com
atitudes de prevenção para a saúde física e mental; este movimento se estende a outros
ambientes, como exemplo, no trabalho e na educação, visto que a qualidade de vida está
diretamente relacionada ao modo como as pessoas vivem.

As cidades devem oferecer espaços coletivos, parques, praças, centros de convivência,


para que a comunidade usufrua de qualidade de vida, o que comprovadamente vem reduzindo
os custos em serviços médicos e assistenciais nos municípios.

FIGURA 20 – ESPAÇO DE LAZER

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C FONTE: Disponível em: <http://brubrinq.com.br/noticias/parques-publicos-valorizam-espacos-nas-
O cidades>. Acesso em:
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UNIDADE 3 TÓPICO 2 179

Esta é uma realidade possível, de acordo com Zetzsche (2014, p. 9):

[...] a amplitude do escopo de ações em saúde vai abranger intervenções e


estratégias nos mais variáveis setores, como meio ambiente, sustentabilida-
de, manejo agrícola, controle de endemias e pandemias, definição dos níveis
aceitáveis de desenvolvimento e qualidade de vida, saneamento básico, ma-
nejo de recursos hídricos e naturais, ambientes de trabalho, acesso ao lazer,
educação, moradia, entre tantos outros, pois é nestas boas condições de vida
que a saúde é mais fácil de se obter e de se conservar.

A transformação social, a partir da saúde, busca incutir nas pessoas atitudes frente a
fatores de influência negativa, como, por exemplo, a mídia com a demasiada publicidade de
produtos alimentícios industrializados, que não trazem benefícios à saúde e contribuem para a
obesidade e sobrepeso; ou ainda, o álcool e cigarro, que levam a problemas comportamentais
e afetam a família.

[...] a obesidade na população brasileira está se tornando bem mais frequente


do que a própria desnutrição infantil, sinalizando um processo de transição
epidemiológica que deve ser devidamente valorizado no plano da saúde co-
letiva. As doenças [...] estão relacionadas, em grande parte, com a obesidade
e com práticas alimentares e estilos de vida inadequados. (BRASIL, 2008, p.
14 apud ZETZSCHE, 2014, p. 265)

Além dos problemas decorrentes da vida moderna que afetam a saúde da população,
temos ainda doenças epidemiológicas como dengue, malária e tuberculose, por exemplo, e
que causam a morte de milhões de pessoas no mundo todo e são decorrentes da miséria, da
precariedade no abastecimento de água potável, do saneamento básico e pela falta de acesso
aos serviços públicos de saúde e educação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),
a globalização fortaleceu esse processo de disseminação de doenças ao redor do mundo,
principalmente pelo contingente de populações imigratórias.

Frente a este conhecimento, trouxemos a questão do Exame Nacional do Estudante


– ENADE (2013) que trata deste tema, para que possas refletir a partir destas considerações
apresentadas, compreender as relações entre saúde pública e as desigualdades sociais e suas
T
terríveis consequências para a humanidade. Leia e responda a questão que segue: Ó
P
I
C


ADE
O
ID
AUTO
ATIV S

A Organização Mundial de Saúde (OMS) menciona o saneamento E


básico precário como uma grave ameaça à saúde humana. S
Apesar de disseminada no mundo, a falta de saneamento básico P
ainda é muito associada à pobreza, afetando, principalmente, E
a população de baixa renda, que é mais vulnerável devido C
à subnutrição e, muitas vezes, à higiene precária. Doenças I
relacionadas a sistemas de água e esgoto inadequados e a
A
deficiências na higiene causam a morte de milhões de pessoas
I
S
180 TÓPICO 2 UNIDADE 3

todos os anos, com prevalência nos países de baixa renda (PIB per capita inferior a
US$ 825,00). Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 88% das
mortes por diarreia no mundo são causadas pela falta de saneamento básico. Dessas
mortes, aproximadamente 84% são de crianças. Estima-se que 1,5 milhão de crianças
morra a cada ano, sobretudo em países em desenvolvimento, em decorrência de
doenças diarreicas. No Brasil, as doenças de transmissão feco-oral, especialmente
as diarreias, representam, em média, mais de 80% das doenças relacionadas ao
saneamento ambiental inadequado (IBGE, 2012).

Com base nas informações e nos dados apresentados, redija um texto dissertativo
acerca da abrangência, no Brasil, dos serviços de saneamento básico e seus impactos
na saúde da população. Em seu texto, mencione as políticas públicas já implementadas
e apresente uma proposta para a solução do problema apresentado no texto acima.

FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Win8/Desktop/16_TEC_GESTAO_HOSPITALAR.pdf>.


Acesso em: 6 maio 2015.

3 SAÚDE: DIREITO DE TODOSE DEVERDO ESTADO

A Constituição da República Federativa de 1988 dispõe em seu art. 196: “A saúde é


direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que
visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

No Brasil temos um sistema de saúde garantido pela Constituição Federal, que se


constitui no Sistema Único de Saúde – SUS.

Para Campos et al. (2006, p. 531 apud ZETSZCHE, 2014, p. 87), o SUS é:

[...] o arranjo organizacional do Estado Brasileiro que dá suporte à efetivação


da política de saúde no Brasil, e traduz em ação os princípios e diretrizes
desta política. Compreende um conjunto organizado e articulado de serviços
T e ações de saúde, e aglutina o conjunto das organizações públicas de saúde
Ó existentes nos âmbitos estadual, municipal e nacional, e ainda os serviços
P privados de saúde que o integram funcionalmente para prestação de serviços
I aos usuários do sistema, de forma complementar, quando contratados ou
C conveniados para tal fim. O SUS foi instituído com o objetivo de coordenar e
O integrar as ações das três esferas de governo e pressupõe a articulação de
S subsistemas verticais (de vigilância e assistência à saúde) e subsistemas de
base territorial – estaduais, regionais e municipais – para atender de maneira
funcional às demandas por atenção à saúde.
E
S
P Historicamente, a população brasileira era desassistida de assistência médica e,
E
quando acometida de doença, recorria às crenças e à medicina natural; o auxílio ao povo era
C
I feito pelas Santas Casas de Misericórdia. Somente a partir da industrialização no país e dos
A movimentos sindicalistas é que o Estado passa a atuar na área da saúde, com a criação das
I
caixas de aposentadoria e pensão, mas que permitiam somente aos contribuintes o acesso
S
UNIDADE 3 TÓPICO 2 181

à assistência médica, enquanto a maior parcela da população ficou à margem deste direito.
Durante o período militar, a iniciativa privada passa a ter participação no sistema com os
convênios e planos de saúde.

Estas medidas contribuíram para a Reforma Sanitária que levou à criação do SUS, que,
segundo Arouca (1998) apud Zetzsche (2014, p. 79),

[...] nasceu na luta contra a ditadura, com o tema Saúde e Democracia, e


estruturou-se nas universidades, no movimento sindical, em experiências
regionais de organização de serviços. Esse movimento social consolidou-se
na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, na qual, pela primeira vez,
mais de cinco mil representantes de todos os segmentos da sociedade civil
discutiram um novo modelo de saúde para o Brasil. O resultado foi garantir
na Constituição, por meio de emenda popular, que a saúde é um direito do
cidadão e um dever do Estado.

Posteriormente, em 1990, foi promulgada a Lei Orgânica do SUS, com as Leis nº 8.080
e nº 8.142, que têm como base de sustentação os princípios norteadores do Sistema Único
de Saúde brasileiro:

• Princípio da Universalidade: estabelece a todos o direito de atendimento pelo Sistema


Único de Saúde.
• Princípio da Integralidade: relaciona dois aspectos do SUS, o primeiro refere-se à
compreensão do ser humano biopsicossocial que requer um atendimento em sua
integralidade; e o segundo aspecto integra as ações do Sistema Único de Saúde para
este atendimento integral entre os diferentes níveis de complexidade de atenção à saúde.
• Princípio da Igualdade: possibilita as mesmas condições de acesso ao Sistema Único de
Saúde neste país, onde ninguém pode solicitar um atendimento diferenciado, seja um
pedido por apadrinhamento político, ou pelo nível social, raça, gênero.

Na visão de Cony (2014), o SUS pode ser considerado como direito humano: “[...] é
a maior conquista do povo brasileiro em política pública e é um sistema que é referência em
saúde para o mundo, sob a ótica gravada na Constituição de que o SUS é um direito de todos T
e um dever do Estado e evoluindo para a compreensão de que é um direito humano”. Ó
P
I
C
O
S
4 AS REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE
E
S
O funcionamento do Sistema Único de Saúde conjuga uma rede de serviços denominada
P
Rede de Atenção à Saúde, que classifica os atendimentos em níveis de atenção primária, E
secundária e terciária, conforme a exigência do serviço que será prestado ao usuário. A rede C
I
compreende-se em âmbito estadual e regional, numa articulação interfederativa, onde serviços
A
de saúde são executados em uma região de Saúde determinada por um espaço geográfico I
S
182 TÓPICO 2 UNIDADE 3

de municípios limítrofes, que segundo o Decreto nº 7.508/2011, será “delimitado a partir de


identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de
transportes compartilhados [...]”.

Trata-se de uma organização complexa, que identifica os diversos atendimentos por


meio de um Mapa da Saúde, que segundo decreto, faz a distribuição “[...] de recursos humanos
e de ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-
se a capacidade instalada existente, os investimentos e o desempenho aferido a partir dos
indicadores de saúde do sistema”.

A Rede de Atenção à Saúde (RAS) atua a partir da Unidade Básica de Saúde ou USF
– Unidade de Saúde da Família, onde inicia o trabalho junto à comunidade. As consultas são
realizadas pelo médico generalista e, se for necessário, encaminha aos médicos especialistas
que integram o setor de atenção secundária.

A Unidade Básica de Saúde realiza os atendimentos em nível de atenção primária “[...]


enfatizando a função resolutiva dos cuidados primários sobre os problemas mais comuns de
saúde e a partir do qual se realiza e coordena o cuidado em todos os pontos de atenção”.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010, p. 4 apud ZETZSCHE, 2014, p. 32)

A pesquisa do Instituto Datafolha (2014) mostra que o usuário busca o atendimento na


Unidade de Saúde.

FIGURA 21 – SAÚDE PÚBLICA

T
Ó
P
I
C
O
S

E
S
P
E
C
I
A FONTE: Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/PDF/apresentao-integradatafolha203.pdf>.
I Acesso em: 6 jun. 2015.
S
UNIDADE 3 TÓPICO 2 183

No setor de atenção secundária, adentramos em Policlínicas de especialidades,


Ambulatórios e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Do setor terciário fazem parte
os hospitais especializados, Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), Centros de Hemodiálise,
entre outros. Os encaminhamentos feitos aos usuários são formais, por meio de referências
e contrarreferências, que são os registros das consultas e procedimentos utilizados pelos
médicos e agentes de saúde. 

NOT
A!

Pontos de atenção à saúde são entendidos como espaços onde se ofertam
determinados serviços de saúde, por meio de uma produção singular.
Os domicílios, as unidades básicas de saúde, as unidades ambulatoriais
especializadas, os serviços de hemoterapia e hematologia, os centros de
apoio psicossocial, as residências terapêuticas, entre outros. Os hospitais
podem abrigar distintos pontos de atenção à saúde: o ambulatório de
pronto atendimento, a unidade de cirurgia ambulatorial, o centro cirúrgico, a
maternidade, a unidade de terapia intensiva, a unidade de hospital/dia, entre
outros. Todos os pontos de atenção à saúde são igualmente importantes para
que se cumpram os objetivos da rede de atenção à saúde e se diferenciam,
apenas, pelas distintas densidades tecnológicas que os caracterizam.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010, p. 4 apud ZETSCHE, 2014, p. 32).

Vejamos um exemplo de atendimento em rede:

O sr. José é portador de doença mental leve diagnosticada durante a infância, mas os
pais não procuraram um tratamento na época; a partir da visita do agente comunitário a domicílio,
o sr. José foi encaminhado para a Unidade Básica de Saúde (que faz seu acompanhamento
clínico, e o reencaminhou também para o CAPS - Centro de Atenção Psicossocial). Foi feito o
cadastro na ESF (Estratégia de Saúde Familiar) e no CAPS, e as crises puderam ser cuidadas
sem internação. O sr. José também tem hipertensão e por isso é acompanhado pela Unidade
de Saúde Básica e consulta-se com a médica deste, que prescreve os seus medicamentos.
T
Como o sr. José é viúvo e mora sozinho, o agente comunitário tem feito visitas com frequência, Ó
para saber se está tomando a medicação corretamente. P
I
C
Neste exemplo, podemos verificar como um usuário pode ter o seu cuidado compartilhado O
entre uma equipe de atenção primária, a unidade de saúde da família, e uma equipe de atenção S
secundária, a equipe do CAPS.
E
S
Para conhecer melhor os princípios que norteiam a legislação orgânica de saúde, P
trouxemos este tema, que também foi abordado no Exame Nacional do Estudante – ENADE E
C
(2013) e ajuda a entender o funcionamento da saúde pública e pensar sobre a qualidade de I
atendimento em saúde na sua cidade. A
I
S
184 TÓPICO 2 UNIDADE 3


IDADE
ATIV
AUTO

Mais de 20 anos após a criação do SUS, surge a necessidade


de regulamentação de dispositivos da Lei Orgânica da Saúde,
em face de lacunas legais quanto à organização do sistema, ao
planejamento da saúde, à assistência à saúde e à articulação
interfederativa. A regulamentação, pelo Poder Executivo Federal,
da Lei nº 8.080/1990, por meio do Decreto nº 7.508/2011,
surge no momento em que os gestores, profissionais de saúde
e trabalhadores detêm maior compreensão sobre a organização
constitucional e legal do SUS e o usuário sobre o seu direito à
saúde.

De acordo com o decreto citado acima, avalie as afirmações a


seguir.
A integralidade da assistência à saúde se inicia e se completa
na rede de atenção à saúde, mediante referenciamento do
usuário na rede regional e interestadual, conforme pactuado
nas comissões intergestoras.
Mapa da Saúde é a descrição geográfica da distribuição de
recursos humanos e de ações e serviços de saúde ofertados pelo
SUS e pela iniciativa privada que será utilizada na identificação
das necessidades de saúde e orientará o planejamento integrado
dos entes federativos, contribuindo para o estabelecimento de
metas de saúde.
Região de Saúde é o espaço geográfico contínuo constituído
por agrupamentos de municípios limítrofes, delimitado a partir
de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de
comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados,
com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a
execução de ações e serviços de saúde.

É correto o que se afirma em:


a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Win8/Desktop/16_TEC_


T GESTAO_HOSPITALAR.pdf>. Acesso em: 6 maio 2015.
Ó
P
I
C
O
S 5 DIVERSOS ATENDIMENTOS EM SAÚDE

E
Para desenvolver a política pública de saúde é preciso, inicialmente, diagnosticar a
S
P condição de saúde da população brasileira. Segundo as informações divulgadas pelo Ministério
E da Saúde, a estimativa de vida do brasileiro aumentou para 72,7 anos em média, passando a
C viver mais tempo; em contrapartida, a taxa de natalidade decresceu de 6,2 filhos por mulher
I
A nos anos 60 para 1,8 filhos por mulher até 2009.
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 2 185

Nesta perspectiva, constatamos que a população no Brasil está envelhecendo, as


pessoas vivem mais tempo e nascem menos crianças; e o índice de mortalidade aumentou
devido a doenças crônicas que afetam 79,1% dos idosos de 65 anos ou mais, segundo Mendes
(2012, p. 34-35 apud ZETSCHE, 2014, p. 21). “Ademais, 31,3% da população geral, em torno
de 60 milhões de pessoas, têm doenças crônicas, e 5,9% dessa população total têm três ou
mais dessas doenças crônicas”.

Diariamente, o SUS presta atendimento a milhares de usuários que furtivamente


adoecem, necessitando de intervenção médica, realização de exames, cirurgias e internações
em hospitais; são considerados atendimentos de problema agudo, pois quando solucionado,
o paciente é liberado. Para o atendimento de gestantes ou usuários de drogas, álcool e/ou
portadores de doenças sexualmente transmissíveis, que necessitam de acompanhamento, é
requerido o agendamento da consulta.

O atendimento a domicílio feito pelo médico da Unidade Básica de Saúde visa atender
as pessoas impossibilitadas de deslocamento em virtude de graves acidentes, por exemplo.
São realizados os procedimentos mais comuns de recuperação, por meio de curativos e
fisioterapia; além destes, também se incluem aqui o atendimento a pacientes acometidos das
doenças ocupacionais como LER e DORT, o que leva um grande número de trabalhadores à
incapacidade funcional.

No entanto, muitos atendimentos seguem uma inversão do modelo de atenção à saúde,


“[...] demandado pela maioria das pessoas e denominado de queixa conduta”, como afirma
Zetzsche (2014, p. 23). Após a consulta e a prescrição de exames, o paciente sente-se melhor
e desiste dos exames. Os sintomas ressurgem e a doença se instala com gravidade, e o retorno
ao médico é inevitável, o que representa um alto custo para o SUS, e maior ganho para a
iniciativa privada pela quantidade de exames de alto custo, e para a indústria farmacêutica,
pela quantidade de medicamentos.

T
Ó
P
5.1 POLÍTICAS DE SAÚDE E PROGRAMAS ESPECÍFICOS I
C
Pela complexidade de atuação do SUS em todo o território nacional, criaram-se políticas O
S
nacionais para o combate de doenças e prevenção em saúde, coordenadas pelo Ministério da
Saúde e operacionalizadas em programas específicos no combate a doenças. E


S
TE! P
RTAN
IMPO E
O Brasil detém a tecnologia para a fabricação de muitas das vacinas C
utilizadas nas campanhas de saúde pública do país. A Fiocruz – Fundação I
Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e o Instituto Butantã, em São Paulo, são A
considerados centros de excelência para a fabricação de imunobiológicos. I
Ambas as instituições são órgãos públicos. (ZETZSCHE, 2014, p. 244) S
186 TÓPICO 2 UNIDADE 3

No Brasil, temos a política de saúde operacionalizada por programas presentes em


todo o país, vejamos alguns destes programas no quadro a seguir:

QUADRO 11 – DEMONSTRATIVO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS ESPECÍFICOS DE


SAÚDE

POLÍTICA PÚBLICA/
OBJETIVO
PROGRAMA
Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica
(PROVAB) - Estimular a formação do médico para a real
PROVAB
necessidade da população brasileira e levar esse profissional
para localidades com maior carência para este serviço.
Desde 2011, o Ministério da Saúde vem promovendo a
implantação e implementação de polos da Academia da Saúde
PROGRAMA
nos municípios brasileiros. Os polos são espaços físicos dotados
ACADEMIA DA
de equipamentos, estrutura e profissionais qualificados, com o
SAÚDE
objetivo de contribuir para a promoção da saúde e produção do
cuidado e de modos de vida saudáveis da população.
O Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de
melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de
MAIS MÉDICOS Saúde, que prevê mais investimentos em infraestrutura dos
hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para
regiões onde há escassez e ausência de profissionais.
Melhorar e ampliar a assistência no SUS a pacientes
MELHOR EM CASA com agravos de saúde, que possam receber atendimento
humanizado, em casa, e perto da família.
O Governo Federal criou o Programa Farmácia Popular do Brasil
para ampliar o acesso aos medicamentos para as doenças mais
FARMÁCIA POPULAR comuns entre os cidadãos. O Programa possui uma rede própria
de Farmácias Populares e a parceria com farmácias e drogarias
da rede privada, chamada de "Aqui tem Farmácia Popular".

Cartão Nacional de Saúde é um instrumento que possibilita a


T vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema
Ó
P Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os
I CARTÃO NACIONAL realizou e também à unidade de saúde onde foram realizados.
C DE SAÚDE Para tanto, é necessária a construção de cadastros de usuários,
O de profissionais de saúde e de unidades de saúde. A partir
S
desses cadastros, os usuários do SUS e os profissionais de
E saúde recebem um número nacional de identificação.
S As Unidades de Pronto Atendimento - UPA 24h são estruturas
P PRONTO de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de
E
C ATENDIMENTO Saúde e as portas de urgência hospitalares, onde, em conjunto
I UPA 24h com estas, compõe uma rede organizada de Atenção às
A Urgências.
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 2 187

A Política Nacional de Humanização existe desde 2003 para


efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de
HUMANIZASUS atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e
incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e
usuários.
O Sistema Nacional de Transplantes (SNT), instituído pelo
Decreto n° 2.268, de 30 de junho de 1997, é a instância
DOAÇÃO DE
responsável pelo controle e pelo monitoramento dos
ÓRGÃOS
transplantes de órgãos, de tecidos e de partes do corpo humano,
realizados no Brasil.
A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), aprovada
no ano de 1999, integra os esforços do Estado brasileiro, que
por meio de um conjunto de políticas públicas propõe respeitar,
PNAN – POLÍTICA proteger, promover e prover os direitos humanos à saúde e à
NACIONAL DE alimentação. A completar-se dez anos de publicação da PNAN,
ALIMENTAÇÃO E deu-se início ao processo de atualização e aprimoramento das
NUTRIÇÃO suas bases e diretrizes, de forma a consolidar-se como uma
referência para os novos desafios a serem enfrentados no
campo da alimentação e nutrição no Sistema Único de Saúde
(SUS).

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192 tem


como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido
alguma situação de urgência ou emergência de natureza clínica,
cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre
SAMU
outras, que possa levar ao sofrimento, a sequelas ou mesmo à
morte.  Trata-se de um serviço pré-hospitalar, que visa conectar
as vítimas aos recursos que elas necessitam e com a maior
brevidade possível.

O câncer de mama é o mais incidente na população feminina


PROGRAMAS DE mundial e brasileira, excetuando-se os casos de câncer de
T
CONTROLE DE pele não melanoma. Políticas públicas nessa área vêm sendo Ó
CÂNCER- desenvolvidas no Brasil desde meados dos anos 80 e foram P
POLÍTICA NACIONAL impulsionadas pelo Programa Viva Mulher em 1998. O controle I
DE ATENÇÃO do câncer de mama foi reafirmado como plano de fortalecimento C
O
ONCOLÓGICA da rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, S
lançado pela presidente da República em 2011.
E
QualiSUS - Rede é um projeto formalizado a partir de Acordo de
QualiSUS - REDE S
Empréstimo com o Banco Mundial, com a finalidade de contribuir P
para a organização de redes regionalizadas de atenção à saúde E
no Brasil. C
I
A
I
S
188 TÓPICO 2 UNIDADE 3

O Programa tem como objetivo reduzir a prevalência de


fumantes e a consequente morbimortalidade relacionada
ao consumo de derivados do tabaco, seguindo um modelo
CONTROLE DO no qual ações educativas, de comunicação, de atenção à
TABAGISMO saúde, associadas às medidas legislativas e econômicas, se
potencializam para prevenir a iniciação do tabagismo, promover
a cessação de fumar e proteger a população da exposição à
fumaça ambiental do tabaco.

A Rede BLH tem por missão a promoção da saúde da mulher e


BANCOS DE LEITE
da criança mediante a integração e a construção de parcerias
HUMANO
com órgãos federais, a iniciativa privada e a sociedade.

POLÍTICA DE
PREVENÇÃO Estratégia criada pelo INCA visando à ampliação da assistência
AO CÂNCER oncológica no Brasil pela implantação de serviços que integram
GINECOLÓGICO E os diversos tipos de recursos necessários à atenção oncológica
DA PREVENÇÃO DA de alta complexidade em hospitais gerais.
DST

FONTE: Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/profissional-e-gestor/gestao-da-


saude-publica>. Acesso em: 5 jun. 2015.

Neste cenário, o trabalho da Vigilância Epidemiológica é fundamental para prever as


ações que o Estado deve realizar a partir da coleta de informações do perfil epidemiológico
da população. A Vigilância Epidemiológica acompanha a evolução de determinadas doenças
e adota medidas que impedem que as pessoas sejam expostas ao contágio de doenças
transmissíveis.

Trouxemos para você, acadêmico, um pouco do contexto que foi construído durante
longos anos por nosso sistema de saúde brasileiro. Ele ainda está em construção, adaptação,
com novas propostas surgindo diariamente, afinal, é um grande desafio a concepção de saúde
T de qualidade para todos.
Ó
P
I
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S

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UNIDADE 3 TÓPICO 2 189

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico vimos:

• O que é saúde e como promovê-la.

• A concepção de saúde pública a partir da promoção de saúde e prevenção a partir de


condicionantes sociais.

• A interferência de ações de promoção de saúde nos diferentes meios sociais.

• No Brasil a saúde é um direito constitucional e dever do Estado.

• O SUS é o sistema de saúde nacional que funciona em rede, norteado pelos princípios de
universalidade, integralidade e igualdade determinados na Lei Orgânica da Saúde.

• Como funciona o sistema de saúde e os diversos aspectos no atendimento ao usuário.

• A atenção básica nos níveis primário, secundário e terciário, conforme a exigência do


atendimento.

• A importância da Vigilância Epidemiológica como provedora de informações para políticas


públicas e programas específicos de combate e prevenção de doenças.

• Conhecemos algumas políticas públicas e programas desenvolvidos para o combate e


prevenção de doenças. T
Ó
P
I
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S

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C
I
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S
190 TÓPICO 2 UNIDADE 3


IDADE
ATIV
AUTO

1 Determinado pela Constituição Federal de 1988, a questão da saúde pública é


dever do Estado, sendo operacionalizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Sem dúvida, atender a esta demanda é um enorme desafio pelas dimensões e
complexidades existentes em nosso país para garantir a todos qualidade nas
políticas públicas de saúde. Neste contexto, analise as sentenças a seguir:

I- O SUS (Sistema Único de Saúde) precisa estar em constante evolução, sendo um


processo contínuo de construção.
II- O SUS é um dos maiores programas de saúde do mundo.
III- A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que o sistema de saúde
não fosse estatizado, ou seja, deverá ser assegurado pela iniciativa privada.
IV- A ESF (Estratégia de Saúde da Família) é considerada a porta de entrada no sistema
SUS.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas.
b) (  ) Somente a sentença III está correta.
c) (  ) As sentenças III e IV estão corretas.
d) (  ) As sentenças I e III estão corretas.

2 No contexto do atendimento ao usuário do sistema de saúde, a estrutura para promover


estes procedimentos está dividida em níveis de atenção. Considerando o assunto,
analise as sentenças a seguir:

T I- A atenção básica é caracterizada por ser a porta de entrada dos tratamentos do SUS.
Ó
II- O usuário que for atendido no nível de atenção básica não poderá receber tratamento
P
I nos demais níveis de atenção.
C III- É considerada como atenção secundária os serviços realizados pelo SAMU (Serviço
O
de Atendimento Móvel de Urgência) e UPAS (Unidades de Pronto-Atendimento).
S
IV- Os serviços de atenção terciária são realizados nos consultórios médicos.
E
S
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
P
a) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
E
C b) (  ) As sentenças II e IV estão corretas.
I c) (  ) As sentenças II e III estão corretas.
A d) (  ) As sentenças I e IV estão corretas.
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 2 191

3 No contexto do modelo de saúde, existe a classificação de níveis de atenção, que


estão divididos em primário, secundário e terciário. Sabemos que o maior número de
atendimentos aos usuários do sistema de saúde concentra-se no nível de atenção
primário. Desta forma, disserte sobre o que trata a Política Nacional de Atenção Básica.

4 O sistema de saúde pode ser definido como um conjunto de relações econômicas,


políticas e institucionais, que refletem na condução das atividades que promovem a
saúde, com serviços que visam a alcançar esses resultados. Como o Sistema de Saúde
Brasileiro é considerado?
a) ( ) Universal.
b) (  ) Parcial.
c) (  ) Privado.
d) (  ) Público.

T
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192 TÓPICO 2 UNIDADE 3

T
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S
UNIDADE 3

TÓPICO 3

HABITAÇÃO E SANEAMENTO

1 INTRODUÇÃO

A grande concentração populacional nos centros urbanos exige o atendimento de


necessidades básicas à dignidade humana. A moradia é um elemento essencial ao homem.
Entretanto, a construção de aglomerados habitacionais é responsável por grandes impactos
ambientais. Inicialmente, as áreas são desmatadas, os solos desprotegidos, dá-se lugar às
construções e, caso não haja condições adequadas de saneamento, ocorre o acúmulo de lixo
e a contaminação das fontes de água. Este é um panorama simplificado e didático, apenas,
pois outras tantas alterações ocorrem simultaneamente.

A fim de garantir condições dignas para as moradias, a Organização Mundial da Saúde


definiu parâmetros mínimos de qualidade das áreas destinadas às habitações:

• As habitações devem apresentar estrutura mínima para acomodar todos os


moradores.
• Capacidade para fornecer proteção térmica e proporcionar a redução de ruídos e
poeira. T
• Possibilitar o acesso ao abastecimento de água e qualidade adequada ao consumo Ó
P
humano. I
• Apresentar estrutura para a disposição e manejo adequado de resíduos sólidos e C
líquidos. O
S
• Estar localizada em área adequada a moradia.
• Evitar a poluição no ambiente doméstico. E
• Ser livre da presença de vetores e/ou hospedeiros intermediários de agentes S
P
etiológicos. E
C
Conhecendo os parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, I
A
observamos que nossas cidades ainda estão longe de atender a todos os requisitos necessários I
ao bem-estar social. S
194 TÓPICO 3 UNIDADE 3

2 DIREITO À MORADIA

Ainda dentro do contexto da habitação, são comuns os problemas ambientais advindos


da concentração desordenada de construções, muitas vezes irregulares (clandestinas):

• A ocupação das encostas e a consequente destruição da vegetação que protege o


solo são responsáveis pelas tragédias registradas nos períodos chuvosos.
• As construções à beira de córregos e rios causam, pelo menos, dois grandes
problemas: as enchentes e a contaminação das águas por falta de saneamento
básico.

Por tudo isso, é legítimo que o movimento pela reforma urbana foi incluído no texto
constitucional, através da emenda popular da reforma urbana, encaminhada ao Congresso
Nacional em 1988 e que inseriu o capítulo de Política Urbana da Constituição, prevista nos
artigos 182 e 183 (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2007).

Apesar de não atender aos anseios de todos, a inclusão destes dispositivos significou
um avanço, pois pela primeira vez uma política pública voltada à questão urbana foi garantida
através de sua inserção no texto constitucional.

Com essa abertura e com a necessidade de regulamentar o capítulo da política pública


urbana inserida na Constituição, foi editado o Projeto de Lei n° 5.788/90, que tramitou por
cerca de uma década e somente foi aprovado pelo Congresso Nacional com a edição da Lei
nº 10.257, de 10 de julho de 2001, conhecida como Estatuto da Cidade.

O direito à moradia passou a ser tratado constitucionalmente como um dos direitos


do trabalhador. A Constituição de 1988, no seu artigo 7º, ao apresentar os direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais, estabelece em seu inciso IV que o salário mínimo deve atender
T
às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, entre as quais se inclui o direito
Ó
P à moradia.
I
C
A Emenda Constitucional nº 26/2000, contudo, veio expandir esse direito, alterando a
O
S redação do artigo 6º da Constituição Federal, o qual originalmente tutelava o direito social, um
tipo de direito fundamental. Nesta expansão, junto com a educação, a saúde, o trabalho, o
E
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência
S
P aos desamparados, acresce-se o direito à moradia, incluindo-o dentre os direitos sociais a
E serem fomentados pelo Estado para a coletividade.
C
I
A Vejamos na Tabela 1 o déficit habitacional do ano de 2007 a 2012, anos de pesquisa
I realizada pelo IBGE, que mostra pouco avanço percentual na diminuição desse grande problema
S que é a falta de moradia.
UNIDADE 3 TÓPICO 3 195

TABELA 1 - DÉFICIT HABITACIONAL

FONTE: Disponível em: <http://www.cbicdados.com.br/menu/deficit-habitacional/deficit-habitacional-


no-brasil>. Acesso em: 21 maio 2015.

Sabemos que o acesso ao direito da moradia depende também da terra, do espaço


físico, ou seja, do direito de propriedade (COSTA, 2007), e não só de políticas públicas. A
propriedade resulta do trabalho e deve ser exclusiva do trabalhador.

Com a inclusão da Política Urbana, e com a aprovação da Lei nº 10.257, de 10 de julho


de 2001, conhecida como Estatuto da Cidade, que instituiu as diretrizes e os instrumentos de
cumprimento da função social da cidade, como também da propriedade urbana, descentralizaram-
se as políticas públicas de planejamento urbano, ficando estas a cargo dos municípios.

Entretanto, para a instituição desta política é preciso reunir todas as informações


necessárias a subsidiar a elaboração do projeto de regularização, seja nas esferas municipal,
estadual e federal, o que torna lento o andamento do processo. Nesse processo, outras T
Ó
dimensões devem ser consideradas. Direitos como a saúde, a educação, o saneamento básico
P
e a segurança compõem, junto com a moradia, todo um contexto a ser considerado. I
C
O
Quanto ao conceito de moradia, Costa (2007) a define como uma das principais
S
necessidades básicas do ser humano e está ligada à disponibilidade de trabalho, lazer e livre
circulação. A moradia representa o abrigo, o lar em família. Mesmo sendo um direito de todos, E
S
o direito à moradia se configura como um dos principais problemas da sociedade atual, visto
P
que nem todos contam com uma moradia digna. E
C
Costa (2007) complementa apontando que o aumento de concentração de pessoas no I
A
meio urbano pede por políticas voltadas à disponibilização de habitações dignas, de maneira
I
S
196 TÓPICO 3 UNIDADE 3

ampla e regular, para assim suprir as demandas encontradas em várias cidades do mundo,
em especial, nas cidades brasileiras.

FIGURA 22 – MORADIA DIGNA?

FONTE: Disponível em: <://jopbj.blogspot.com.br/2012/05/moradia-direito-de-todos-dever-do.html>.


Acesso em: 29 maio 2015.

O cenário atual se apresenta através do surgimento de núcleos habitacionais em


reservas ambientais, agredindo o planeta e colocando em perigo a integridade física dos
cidadãos. Em sua maioria, o problema habitacional acontece com a população de baixa renda,
carente de moradia e de acesso a outros serviços essenciais.

O direito à moradia está intimamente ligado à dignidade do cidadão. Ireno Júnior (2008)
enfatiza que o direito à moradia procede do direito à vida, e deve ter prioridade ao se planejar,
elaborar e executar as políticas públicas.

T Portanto, é responsabilidade do Estado promover e proteger o direito à moradia,


Ó regulamentar e interferir nas ações do setor privado direcionadas à política habitacional. Porém,
P
em alguns casos, o próprio Estado dificulta, com tanto entrave burocrático que impede que o
I
C cidadão tenha acesso a esse direito.
O
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UNIDADE 3 TÓPICO 3 197

FIGURA 23 – DIREITO À MORADIA

FONTE: Disponível em: <http://www.agoraamazonas.com/i-seminario-nacional-de-direito-a-moradia-


da-dpe-am/>. Acesso em: 29 maio 2015.

Considerada uma das necessidades fundamentais do ser humano, a habitação mostra


variações decorrentes das condições culturais, espaciais e temporais. Dessa forma, interfere
na população, meio ambiente e instituições sociais.

Para atender a essas necessidades, as políticas públicas exercem papel fundamental,


pois elas devem ser responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento da nação e
dos cidadãos. Assim, buscam melhorar a qualidade de vida e respeitar o direito à cidadania
(ZANLUCA, 2011).

Zanluca (2011) explica que o processo de urbanização e implementação das políticas


públicas no país faz referência ao período colonial. É no período pré-capitalista que a ocupação
do espaço urbano sofre forte influência da Igreja. Esta instituição mantinha influência na vida
T
da população e também valorizava o solo urbano. Assim, começava a divisão territorial por
Ó
classes de renda. P
I
C
A mudança do regime imperial para o republicano apresentou-se como um período de
O
modernização das áreas urbanas do país. Por outro lado, contribuiu para aumentar a crise S
habitacional, já que com a República vieram muitos imigrantes. Alguns trabalhavam no meio
E
rural e outros na área urbana, acelerando o processo de industrialização. Além disso, esses
S
trabalhadores saíram do espaço rural e foram para o urbano, criando um aumento populacional P
nas áreas urbanas (ZANLUCA, 2011). E
C
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198 TÓPICO 3 UNIDADE 3

FIGURA 24 – MORADIA, DIREITO DE TODOS

FONTE: Disponível em: <http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2012/06/


Manifesta%C3%A7%C3%A3o-da-Assembleia-Popular-pelo-direito-%C3%A0-moradia_2011.
JPG>. Acesso em: 29 maio 2015.

Este cenário brasileiro começou a mudar através da integração da Secretaria de


Planejamento Habitacional (SERPHAN), em 1964, por meio do Plano Nacional de Habitação.
Dessa forma, proporcionou ao Estado tomar consciência do desequilíbrio ocupacional do
território brasileiro – como mencionam Azevedo e Prates (2001), entre outros –, do crescimento
desenfreado das cidades e, por consequência, do caos nas áreas urbanas.

Conforme Zanluca (2011), nos espaços urbanos o governo realizou diversas obras
estruturais, valorizando o solo urbano, o incremento do mercado imobiliário e a construção
de prédios. Assim, o processo de construção do território urbano no Brasil ocorreu sem
planejamento. A partir do início do século XX, outros acontecimentos propiciaram a criação de
T políticas públicas direcionadas ao espaço urbano. Deu-se início ao processo de acumulação
Ó de capital mediante a exploração da mão de obra. Com condições de vida precárias e s’alário
P baixo, muitos trabalhadores procuraram espaços mais baratos para morar, iniciando o processo
I
C de favelização.
O
S Foi durante a década de 1970, no governo da ditadura militar, que foram criados o Banco
E Nacional da Habitação (BNH) e o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU), tendo
S por objetivo estimular a indústria e atender às necessidades habitacionais. No entanto, este
P processo atendeu, em especial, às classes média e alta, deixando de lado as mais carentes.
E
C Depois, na década de 1980, o Brasil enfrentou um crescimento muito abaixo do esperado,
I acompanhado do crescimento das dívidas externa e interna. Grande parte dos trabalhadores,
A sem ter qualificação especializada e carente de atendimento aos serviços básicos do Estado,
I
S como o direito à moradia, sofreu com a revolução microeletrônica, o que gerou o fechamento
de vários postos de trabalho (ZANLUCA, 2011).
UNIDADE 3 TÓPICO 3 199

FIGURA 25 – NOVAS MORADIAS

FONTE: Disponível em: <http://ipco.org.br/ipco/noticias/igual-sem-personalidade-estagnante#.


VWhTD89Viko>. Acesso em: 25 jun. 2015.

Para tentar estruturar a questão habitacional no país, foi instituído em 16 de junho de


2005, através da Lei nº 11.124, o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS),
sendo criados o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor
do FNHIS.

Conforme o Capítulo I, seção I, artigo 2º da referida lei, fica instituído o Sistema Nacional
de Habitação de Interesse Social (SNHIS), com o objetivo de:

I – viabilizar para a população de menor renda o acesso à terra urbanizada e


à habitação digna e sustentável;
II – implementar políticas e programas de investimentos e subsídios, promoven- T
do e viabilizando o acesso à habitação voltada à população de menor renda; e Ó
III – articular, compatibilizar, acompanhar e apoiar a atuação das instituições e P
órgãos que desempenham funções no setor da habitação. (BRASIL, 2012d). I
C
O
A partir de uma legislação mais específica sobre o tema em apreço, o governo federal S
passou a se envolver de forma mais incisiva na implementação de programas voltados à área
de habitação, mesmo porque, organismos mundiais, como a Organização Mundial da Saúde, já E
S
preconizam parâmetros mínimos que venham a dar garantias de moradia digna para as pessoas: P
E
• As habitações devem apresentar estrutura mínima para acomodar todos os C
moradores. I
A
• Capacidade para fornecer proteção térmica e proporcionar a redução de ruídos e
I
poeira. S
200 TÓPICO 3 UNIDADE 3

• Possibilitar o acesso ao abastecimento de água e qualidade adequada ao consumo


humano.
• Apresentar estrutura para a disposição e manejo adequado de resíduos sólidos e
líquidos.
• Estar localizada em área adequada à moradia.
• Evitar a poluição no ambiente doméstico.
• Ser livre da presença de vetores e/ou hospedeiros intermediários de agentes
etiológicos.

Há muito que se fazer. Há muito que se cobrar das políticas públicas para que se coloque
em prática o que preconiza a legislação.

O resultado dessa mobilização, dessa cobrança da sociedade, pode ser exemplificado


pelo Estatuto da Cidade. Este Estatuto da Cidade é resultado de um movimento multissetorial
e de abrangência nacional, que lutou para incluir no contexto constitucional instrumentos que
levem à instauração da função social da cidade e da propriedade no processo de construção
das mesmas.

O Estatuto, como é definido em sua própria apresentação, é considerado um dispositivo


legal e de suprema importância:

O Estatuto abarca um conjunto de princípios – no qual está expressa uma


concepção de cidade e de planejamento e gestão urbanos – e uma série de
instrumentos que, como a própria denominação define, são meios para atingir
as finalidades desejadas. Entretanto, delega – como não podia deixar de ser
– para cada um dos municípios, a partir de um processo público e democráti-
co, a explicitação clara destas finalidades. Neste sentido, o Estatuto funciona
como uma espécie de ‘caixa de ferramentas’ para uma política urbana local.
É a definição da ‘cidade que queremos’, nos planos diretores de cada um dos
municípios, que determinará a mobilização (ou não) dos instrumentos e sua
forma de aplicação. É, portanto, no processo político e no engajamento amplo
ou não da sociedade civil, que repousará a natureza e a direção de intervenção
e uso dos instrumentos propostos no Estatuto. (BRASIL, 2001).

T O Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001) não foi criado apenas para ser mais um
Ó instrumento regulamentador de urbanização e regularização da situação habitacional nas
P
I cidades brasileiras, ele é resultado de lutas, negociações e articulações entre o poder público,
C os movimentos sociais e a sociedade civil.
O
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E 3 SANEAMENTO
C
I
A O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no seu relatório de 2011, apresenta a
I universalização da rede de abastecimento de água, coleta de esgoto e de manejo de resíduos
S
UNIDADE 3 TÓPICO 3 201

sólidos. Sabemos que essa condição constitui parâmetro mundial de qualidade de vida já
alcançado em grande parte dos países mais ricos. Infelizmente, no Brasil a desigualdade
verificada no acesso da população a esses serviços ainda constitui o grande desafio posto ao
Estado e à sociedade em geral nos dias atuais.

A natureza relacional do saneamento reporta, necessariamente, tanto a compreensão


mais ampla da saúde humana quanto do meio ambiente no qual o ser humano vive e se reproduz
em sociedade, projetando, por esta via, o próprio estilo de desenvolvimento dominante em
um dado território. Nesse sentido, dentro da temática ambiental é apresentada a distribuição
espacial de algumas doenças, procurando exemplificar os diferentes tipos de relacionamento
estabelecidos entre meio ambiente, doenças e saneamento.

Ao lado de temas diretamente ligados à saúde humana, como a incidência de doenças


de veiculação hídrica, compõem esse capítulo aqueles outros referentes ao destino do lixo, à
poluição na captação de água, ao destino das embalagens de agrotóxicos e às inundações.
Nesse contexto, a espacialização de alguns temas da pesquisa, segundo a bacia hidrográfica,
adquire também uma importância central na atualidade, dada a dimensão estratégica que
adquiriu o tema da gestão dos recursos hídricos para o planejamento do uso dos recursos
naturais no país.

Diretamente ligadas ao aprofundamento da cidadania no Brasil, a institucionalização e


a gestão dos serviços de saneamento evidenciam não só a difusão no território nacional das
várias esferas de competência política que administram esses serviços, como, principalmente,
a espacialização das diversas formas de manifestação dos movimentos locais reivindicando o
acesso ao saneamento e/ou à melhoria dos serviços.

Cabe observar que na contemporaneidade o direito ao saneamento se confunde, cada


vez mais, com o próprio direito ao meio ambiente e à qualidade de vida, tornando-se um dos
indicadores mais sensíveis do grau de organização da sociedade civil em busca do acesso à
cidadania e da própria diminuição das desigualdades existentes na sociedade brasileira. T
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4 SANEAMENTO BÁSICO
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A política pública de saneamento básico foi promulgada através da Lei n° 11.445, de
P
5 de janeiro de 2007, que estabeleceu diretrizes nacionais para esta área em específico. Sob E
os efeitos desta lei, considera-se saneamento como o conjunto de serviços, infraestruturas e C
I
instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza
A
urbana e manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. I
S
202 TÓPICO 3 UNIDADE 3

Alochio (2007) define cada um destes conjuntos de serviços da seguinte maneira:

a) quanto ao abastecimento de água potável, temos todas as atividades, infraestruturas


e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, abrangendo desde a
captação até as ligações prediais e os respectivos instrumentos de medição;
b) quanto ao esgotamento sanitário, temos todas as atividades, infraestruturas e
instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos
esgotos sanitários, compreendendo desde as ligações prediais até o seu lançamento final no
meio ambiente;
c) quanto à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos, temos todas as atividades,
infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino
final do lixo doméstico e do lixo orgânico, da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas;
d) quanto à drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, temos todas as atividades,
infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte,
detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição
final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas.

Assim, o saneamento básico busca fornecer qualidade de vida para o crescimento


sustentável e a promoção da saúde humana. “Dessa forma, a universalização do acesso
aos serviços de água e de esgoto é um objetivo legítimo das políticas públicas porque tem
impactos importantes sobre a saúde, o ambiente e a cidadania”. (GALVÃO-JÚNIOR, 2009
apud PELLIZZETTI, 2010, p. 144).

FIGURA 26 – TRATAMENTO DE ESGOTO

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S FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfkR4AI/projeto-final-energia>.
Acesso em 29 maio 2015.
UNIDADE 3 TÓPICO 3 203

Vamos iniciar a nossa revisão histórica pela década de 1970. Naquela época não se dava
a devida atenção aos serviços de saneamento básico e não havia um órgão específico para
execução do serviço, que era realizado por diver­sos órgãos. As entidades que realizavam esse
trabalho eram contratadas pelo município, porque a responsabilidade da atividade cabia a ele.
As políticas de saneamento eram elaboradas pelos órgãos federais, estaduais, municipais, junto
com a Fundação SESP — Fundação Serviços de Saúde Pública, uma entidade supervisionada
pelo Ministério da Saúde. A supervisão maior sempre acontecia sobre os estados e municípios
com maiores receitas e os serviços prestados eram: abastecimento de água e coleta e tratamento
de esgoto. A contratação dessas entidades para a execução do trabalho se dava por meio de
autarquias e pelos órgãos públicos.

No ano de 1971 criou-se o Planasa (Plano Nacional de Saneamento), que tinha por
finalidade determinar fontes de financiamento e criar formas de melhorias para a situação do
saneamento no país.
A ação do plano se dava basicamente no abastecimento de água e esgotamento
sanitário, usando os recursos do FGTS gerados pelo BNH (Banco Nacional da Habitação). A
criação de companhias estaduais de saneamento (água e esgoto) era de responsabilidade do
BNH, controladas por empresas públicas.

O Planasa tinha como atributo defender a ideia de que o sistema de saneamento


deveria gerar recursos, por meio de tarifas, uma forma de autofinanciar e também ressarcir
os investimentos realizados. No primeiro momento o atrativo do Planasa estava no retorno
financeiro trazido por ele e não na qualidade da saúde da população.

A economia no Brasil entrou em crise nas décadas de 1980 e 1990, quando os estados
trabalham de forma seletiva a solicitação pelo serviço, que, apesar da crise, encontrava-se em
um bom momento e crescia continuamente. Naquela época houve um grande deslocamento
de pessoas que viviam no campo e buscavam nas cidades condições melhores de moradia.
Foi então que o Planasa definiu metas de atendimento, e 90% da meta de abastecimento de
água foi alcançada. Para os serviços de esgoto sanitário foi estipulada a meta de 60%, mas T
não foi atendida. Ó
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204 TÓPICO 3 UNIDADE 3

TABELA 2 – INVESTIMENTOS DO PLANASA

Subtotal Subtotal

FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/goassociados/poltica-nacional-de-saneamento-


fiesp7novembro2011-c-rosito>. Acesso em: 29 maio 2015.

Na década de 1990 constatou-se o fracasso e foi extinto o Planasa; então, na época


do governo de Fernando Henrique Cardoso, fomentou-se campanha para a privatização do
setor. O argumento dado pela privatização era a melhoria dos serviços e custo baixo, vantagens
competitivas nas quais quem ganhava eram os cidadãos brasileiros, uma máscara usada
pelos parlamentares para justificar o investimento não realizado para melhoria dos serviços; o
T governo também alegava ausência de recursos.
Ó
P
I O governo importou-se com saneamento de tal modo que criou a Secretaria de
C Saneamento Ambiental, responsável por formular e articular políticas de saneamento para
O
estados e municípios em conjunto com o governo federal.
S

E Salientamos a importância na nova lei da Política Nacional de Saneamento, que tem


S como conceito de saneamento básico os chamados saneamentos ambientais, incluindo em
P
E sua política águas pluviais, resíduos sólidos e controle de vetores.
C
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UNIDADE 3 TÓPICO 3 205

QUADRO 12 – SANEAMENTO AMBIENTAL

Atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao


estabelecimento público de água potável, desde a captação até
as ligações prediais e respectivos instrumentos de mediação.

Abastecimento de água

Atividades, infraestruturas e instalações operacionais de


coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados
dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu
lançamento final no meio ambiente.

Esgotamento sanitário

Atividades, infraestruturas e instalações operacionais de


coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do
lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de
logradouros e vias públicas.

Limpeza pública e manejo dos


resíduos sólidos

Atividades, infraestruturas e instalações operacionais de


drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção
ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias,
tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas
áreas urbanas.
Drenagem e manejo das águas
pluviais

FONTE: Disponível em: <http://www.portalresiduossolidos.com/politica-federal-para-o-saneamento-


basico/>. Acesso em: 29 maio 2015.

5 PRECARIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO T


Ó
P
Parece estranho falarmos em doenças causadas por falta de saneamento básico em I
pleno século XXI, mas infelizmente elas ainda existem e, para considerarmos esse contexto, C
abordaremos neste tópico algumas doenças causadas pela não prestação do serviço de O
S
saneamento básico. As doenças causadas na população procedentes de ausência de
saneamento decorrem de: E
• Qualidade e quantidade das águas de abastecimento. S
P
• Destinação inadequada dos esgotos sanitários. E
• Destinação dos resíduos sólidos. C
• Ausência de drenagem adequada para as águas pluviais. I
A
• Falta de educação sanitária. I
S
206 TÓPICO 3 UNIDADE 3

FIGURA 27 – SANEAMENTO BÁSICO

FONTE: Disponível em: <http://mgmeinteragindocomcienciasnaturais.blogspot.com.br/>. Acesso em:


29 maio 2015.

Toda água a ser consumida precisa ser tratada, pois a saúde do ser humano é o seu
bem maior, e o consumo e uso inadequados de água causam sérios problemas à saúde do
homem. Pode parecer estranho, porém há situações nas quais encontramos doenças infecciosas
trazidas pela água até quando a usamos para higienizar os ambientes, bem como no preparo
dos alimentos.

São doenças causadas por agentes microbianos e agentes químicos. Pode-se contrair
essas doenças na ingestão da água ou por algum alimento já contaminado. As doenças
relacionadas com a água são:
• Cólera.
• Febre tifoide.
• Disenteria bacilar.
• Hepatite infecciosa.

T As doenças trazidas pela água não ocorrem somente por ingestão ou contato com
Ó alimentos, elas aparecem também quando não há higienização correta. Várias pesquisas
P
I foram realizadas em comunidades carentes e foi concluído que a quantidade de água tem tanta
C importância quanto a qualidade, em destaque a importância maior à quantidade. Foi provado
O que o aumento de volume de água usado pela comunidade reduz a incidência de algumas
S
doenças do trato intestinal; constatou-se também que a falta de água influencia diretamente
E na higiene pessoal e doméstica, provocando doenças como:
S • Diarreias.
P
E • Infecções de pele e olhos.
C • Infecções causadas por piolhos.
I
A
I O lixo é um assunto bastante comentado. O lixo tem como conceito ambiental ser
S
UNIDADE 3 TÓPICO 3 207

resíduos sólidos e a não disposição destes resíduos atrai moscas, que são as responsáveis pela
transmissão de inúmeras doenças. O lixo acumulado traz insetos de todo tipo, bem como ratos,
sendo estes agentes transmissores de doenças como: peste bubônica, leptospirose e febres.

FIGURA 28 - LIXO

FONTE: Disponível em: <https://jogadacerta.files.wordpress.com/2012/10/emidio-batista.jpg>. Acesso


em: 26 maio 2015.

O lixo também favorece o acúmulo de água, o qual pode facilitar a reprodução do


mosquito transmissor da dengue.

Para evitar o aparecimento de seres tão indesejados é preciso:


• Haver uma coleta de lixo eficiente.
• Manter as latas e acondicionamentos de lixo sempre tampados.

6 AVANÇOS NO SANEAMENTO T
Ó
P
A Política Nacional de Saneamento Básico dá as diretrizes necessárias para o
I
cumprimento das atividades nos quatro eixos do saneamento. Para alguns desses serviços C
também já foram criadas políticas nacionais específicas, que visam delimitar ainda mais as O
S
práticas que deverão nortear as ações nesses âmbitos.
E
A Figura 29 contempla o contexto esperado na implementação e implantação da S
P
gestão do saneamento básico.
E
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208 TÓPICO 3 UNIDADE 3

FIGURA 29 – GESTÃO DE SANEAMENTO BÁSICO

FONTE: Disponível em: <http://www.portalresiduossolidos.com/politica-federal-para-o-saneamento-


basico/>. Acesso em: 29 maio 2015.

Uma delas é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sendo esta instituída pela Lei nº
12.305, de 2 de agosto de 2010, e que representa um marco histórico na evolução das diretrizes
do saneamento básico brasileiro. Com a nova legislação, conforme o Capítulo II em seu artigo
3º, inciso XVI, os resíduos sólidos são denominados como:

[...] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades


humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proce-
der ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem
T como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem
inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água,
Ó
ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face
P da melhor tecnologia disponível. (BRASIL, 2012b)
I
C
O Complementando, trazemos ainda a definição que abrange o gerenciamento de resíduos
S sólidos, assim disposto no inciso X do mesmo artigo:
E
Conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta,
S transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada
P dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos,
E de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou
C com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta
I Lei. (BRASIL, 2012b).
A
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UNIDADE 3 TÓPICO 3 209

Quanto ao plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, é importante


ressaltar que este, conforme a legislação da política de resíduos, é condição para que o Distrito
Federal e os municípios possam ter acesso aos recursos da União, ou por ela controlados,
voltados “a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos
sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais
de crédito ou fomento para tal finalidade”. (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2012a)

Desta forma, além de ser imprescindível a formulação do plano para que se possam
delimitar as ações a serem implementadas nos municípios, a sua criação permitirá que estes
possam buscar incentivos para a realização de tais ações.

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210 TÓPICO 3 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico vimos:

• Direito à moradia se configura como um dos principais problemas da sociedade atual, visto
que nem todos contam com uma moradia digna.

• A mudança do regime imperial para o republicano apresentou-se como um período de


modernização das áreas urbanas do país.

• Foi durante a década de 1970, no governo da ditadura militar, que foram criados o Banco
Nacional da Habitação (BNH) e o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU),
tendo por objetivo estimular a indústria e atender as necessidades habitacionais.

• Em 16 de junho de 2005, através da Lei nº 11.124, foi instituído o Sistema Nacional de


Habitação de Interesse Social (SNHIS), sendo criados o Fundo Nacional de Habitação de
Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do FNHIS.

• As habitações devem apresentar estrutura mínima para acomodar todos os moradores.

• A Política Nacional de Saneamento tem como conceito de saneamento básico os chamados


saneamentos ambientais, incluindo em sua política águas pluviais, resíduos sólidos e controle
de vetores.

• Infelizmente, ainda é comum termos doenças causadas pelo mau uso da água e também
pela pouca abrangência do saneamento básico.
T
Ó
P • A Política Nacional de Saneamento Básico é que estabelece as diretrizes necessárias para
I o cumprimento das atividades nos quatro eixos do saneamento.
C
O
S • Foram criadas políticas nacionais específicas, pela Política Nacional de Saneamento
Básico, que visam delimitar ainda mais as práticas que deverão nortear as ações nesses
E
S âmbitos.
P
E • A importância do controle de resíduos sólidos em todas as esferas do poder público.
C
I
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S
UNIDADE 3 TÓPICO 3 211


IDADE
ATIV
AUTO

1 (UNIASSELVI) No ano de 2005 entrou em vigor a Lei 11.124, que veio para estruturar
as ações voltadas à habitação no Brasil. A partir disso, criou-se o Sistema Nacional
de Habitação de Interesse Social (SNHIS), com o Fundo Nacional de Habitação de
Interesse Social (FNHIS).
Com relação aos objetivos do SNHIS, classifique V para as sentenças verdadeiras e
F para as falsas:
( ) Implementação de políticas e programas públicos de investimentos habitacionais,
visando atingir a população de baixa renda.
( ) Procura a constante viabilização do acesso à terra urbanizada e à moradia
sustentável à população carente.
( ) Intermedeia e apoia as ações de instituições e órgãos que desempenham
atividades voltadas à habitação.
( ) Incentiva políticas públicas habitacionais à população por melhores condições de
vida, deixando em segundo plano a população de baixa renda.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V - V - V - F.
b) (  ) F - F - V - V.
c) (  ) V - F - F - V.
d) (  ) F - V - F - F.

2 (UNIASSELVI) Sobre o Conselho de Habitação, analise as sentenças a seguir:


I- Decorrente do modo de produção capitalista, as famílias de baixa renda necessitam
do auxílio dos movimentos sociais que lutam pelo direito à moradia, para reivindicar a
efetivação do direito e instalação de unidades habitacionais.
T
II- Os conselhos e os órgãos públicos não necessitam estar integrados para o Ó
desenvolvimento das ações e atribuições, pois as instituições públicas devem prestar P
I
suporte administrativo, operacional e financeiro, possibilitando um corpo técnico-
C
administrativo para o Conselho. O
III- O Conselho de Habitação deve ser considerado como órgão colegiado administrativo, S
sendo um órgão integrante da administração pública. Apesar de estar integrado ao
E
ministério, secretaria, departamento, não significa que o Conselho deva ter uma S
subordinação hierárquica no exercício de suas atribuições. P
E
IV- O Conselho de Habitação é um instrumento para efetivar o controle social no que
C
tange aos serviços habitacionais e ao planejamento urbano das cidades. I
A
I
S
212 TÓPICO 3 UNIDADE 3

Agora, assinale a alternativa CORRETA:


a) (  ) As sentenças I, II e III estão corretas.
b) (  ) As sentenças II e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
d) (  ) As sentenças I, II e IV estão corretas.

3 (UNIASSELVI) O Estatuto da Cidade criou uma série de instrumentos para que a


cidade pudesse buscar seu pleno desenvolvimento urbano, sendo que seus princípios
básicos estão alicerçados pelo planejamento participativo e a função social da
propriedade. Refletindo sobre o Estatuto da Cidade, classifique V para as sentenças
verdadeiras e F para as falsas:
( ) O Estatuto, na realidade, é um código que foi criado por cada município, a fim de
ser mais um instrumento de regularização da situação habitacional nas cidades e nos
campos.
( ) O Estatuto da Cidade não surgiu ao acaso, ele foi criado em função de muita
mobilização e reivindicação social, incluindo a pressão dos movimentos sociais.
Ele compreende o resultado de diversas negociações e articulações entre o poder
público e a sociedade civil.
( ) Além de estabelecer a função social da cidade e da propriedade, o Estatuto
procura definir uma nova regulamentação para o uso do solo urbano para a melhoria
da qualidade da vida urbana.
( ) O Estatuto da Cidade, também chamado de Código Habitacional, institui
princípios, regras e normas no âmbito público e no privado, regulando o uso da
propriedade urbana e rural, ou seja, no campo e na cidade.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) F - V - V - F.
b) (  ) V - V - F - V.
c) (  ) F - F - V - V.
d) (  ) F - V - F - F.

4 (UNIASSELVI) Entre os diversos impactos ocasionados pela ação do homem, pode-se


T
Ó citar aqueles provenientes dos resíduos sólidos resultantes das atividades industriais,
P domésticas, hospitalares, agrícolas, entre outras. Com relação aos resíduos sólidos e
I
à sua destinação, analise as sentenças a seguir:
C
O I- Atualmente, grande parte dos resíduos sólidos produzidos pelas atividades humanas no
S Brasil é destinada aos aterros sanitários, não sendo mais uma preocupação governamental.
II- O aterro controlado é considerado a melhor opção com relação ao aterro sanitário
E
S e lixão, uma vez que a camada de resíduo é sempre coberta, evitando o contato com
P vetores de doenças.
E III- Um dos grandes problemas atuais relacionados ao estabelecimento e manutenção
C
I de aterros sanitários diz respeito aos elevados custos envolvidos.
A IV- Atualmente já existem alternativas mais modernas de destinação de resíduos,
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 3 213

sendo, inclusive, possível gerar energia a partir desse produto.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
b) (  ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
c) (  ) As sentenças I, II e IV estão corretas.
d) (  ) As sentenças I, II e III estão corretas.

5 (UNIASSELVI) O saneamento básico em centros urbanos é um tema que vem sendo


discutido com mais detalhes. Apesar do aumento, nos últimos anos, dos investimentos e
programas, o problema ainda não foi resolvido em níveis aceitáveis. Uma das formas nas
quais podemos identificar problemas de saneamento urbano é quando se multiplicam
as doenças causadas pelo ambiente. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
I- Doenças podem ser veiculadas pela água e pelo esgoto quando não há tratamento. 
II- A poluição atmosférica das grandes cidades afeta principalmente a população de
baixa renda. 
III- O mau cheiro e impactos visuais na água não apontam riscos de disseminação de
doenças. 
IV- As faixas sociais de menor renda normalmente estão mais expostas à água
contaminada e aos resíduos sólidos urbanos.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
b) (  ) As sentenças I e II estão corretas.
c) (  ) As sentenças II e IV estão corretas.
d) ( )   As sentenças II e III estão corretas.

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214 TÓPICO 3 UNIDADE 3

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UNIDADE 3

TÓPICO 4

TRANSPORTES E SEGURANÇA

1 TRANSPORTES

A palavra “transporte” é originária do latim, onde trans significa “de um lado a outro”
e portare significa “carregar”. Assim, podemos dizer que transporte é o nome dado à
movimentação de pessoas ou objetos de um local a outro.

Segundo Torre (2002), os transportes foram desenvolvidos graças à evolução do homem


nas atividades de semeadura e à descoberta do fogo. Estes dois fatores possibilitaram o fim
da vida nômade e o início da vida em sociedade, onde houve uma melhora na alimentação
e a possibilidade de domesticação de animais. Assim, o homem percebeu que os animais
poderiam ter mais utilidade além de aproveitar a carne, o leite e a pele. Desta forma, os animais
começaram a ser utilizados para puxar e carregar coisas.

FIGURA 30 – ANIMAIS PARA CARREGAR COISAS

T
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FONTE: Disponível em: <http://br.monografias.com/ S
trabalhos3/processo-aprendizagem-aluno-paralisia- P
cerebral/image016.jpg> Acesso em: 29 maio 2015. E
C
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216 TÓPICO 4 UNIDADE 3

Com a vida em sociedade vieram também as atividades comerciais e a necessidade de


aprimorar a forma de se transportar. Era preciso transportar mais peso e em uma velocidade
maior, surgindo veículos providos de roda, bem como a necessidade de vias adequadas para
que estes veículos pudessem rodar.

FIGURA 31 – VEÍCULOS PROVIDOS DE RODA

FONTE: Disponível em: <http://br.monografias.com/trabalhos3/processo-


aprendizagem-aluno-paralisia-cerebral/image016.jpg> Acesso
em: 29 maio 2015.

Estas necessidades primárias do ser humano deram origem aos meios de transportes
que conhecemos hoje e, consequentemente, aos três elementos: infraestrutura, veículos e
operações.

FIGURA 32 – TRANSPORTES ATUAIS

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FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/
E
upload/conteudo_legenda/3ebd751eeeb19d5f4d4a720
C 1627f6d2d.jpg> Acesso em: 27 maio 2015.
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UNIDADE 3 TÓPICO 4 217

2 CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSPORTES

Podemos movimentar pessoas ou cargas de um local a outro por meios terrestres


(carros, ônibus, trens, dutos – no caso de cargas – etc.), aquaviários (navios, canoas, barcos
etc.) ou aéreos (aviões, helicópteros, balões etc.).

2.1 TERRESTRES

Os  transportes terrestres  são os mais essenciais para o ser humano, pois através
deles o homem pode se locomover tanto para locais com pouca distância, como para grandes
distâncias, bem como transportar cargas. Podemos classificar os transportes terrestres em:
rodoviários, ferroviários e dutoviários.

O transporte rodoviário é responsável pelo deslocamento de pessoas e mercadorias,


acontece em motos, carros, caminhões ou ônibus e são utilizadas ruas, rodovias ou estradas
para os deslocamentos.

FIGURA 33 - TRANSPORTE RODOVIÁRIO

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C
FONTE: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2012/06/ O
sao-paulo-congestionamento-radial-leste-transito-ibge-20120427- S
size-620.jpg>. Acesso em: 9 maio 2015.
E
Apesar de ser o meio de transporte mais utilizado no Brasil no deslocamento de cargas,
S
ele apresenta o preço de frete superior ao hidroviário e ao ferroviário. Desta forma, é mais P
adequado para mercadorias de alto valor ou perecíveis. E
C
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218 TÓPICO 4 UNIDADE 3

IMPO
RTAN
TE!

Segundo o Boletim Estatístico de 2014 da Confederação Nacional do
Transporte (CNT), o meio de transporte rodoviário tem uma participação
superior a 60% no transporte de cargas no Brasil.

FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/User/Downloads/201403%20


%20Boletim%20Estatistico%20CNT%20-%20Fevereiro.pdf>
Acesso em: 20 maio 2015.

O transporte ferroviário é uma modalidade de transporte terrestre, em que o deslocamento


é feito em trens que se movem sobre trilhos. Ele é muito vantajoso para o transporte de cargas
pesadas, sobretudo de matérias-primas. 

FIGURA 34 - TRANSPORTE FERROVIÁRIO

T
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P
I
C
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E
S
P FONTE: Disponível em: <http://www.revistadigital.com.br/wp-
E content/uploads/2013/04/train1.jpg>. Acesso em: 9 maio
C 2015.
I
A
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 4 219

As mercadorias transportadas pelo modal ferroviário são de baixo valor agregado e


em grandes quantidades, como: minério, produtos agrícolas, fertilizantes, carvão, derivados
de petróleo etc.

O transporte dutoviário é o transporte realizado por meio de tubos, para mercadorias


específicas, podendo ser gasodutos (substâncias gasosas), oleodutos (líquidas) ou minerodutos
(substâncias sólidas).

FIGURA 35 - TRANSPORTE DUTOVIÁRIO

FONTE: Disponível em: <http://www.cnt.org.br/Imagens%20


CNT/dutos_transpetro17072012_edited-1.jpg>.
Acesso em: 9 maio 2015.
T
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I
2.2 AQUAVIÁRIOS
C
O
De acordo com Novaes (2004, p.151), “o transporte aquaviário, como sua denominação S
indica, envolve todos os tipos de transportes efetuados sobre a água. Inclui o transporte fluvial,
E
lacustre e o transporte marítimo”. S
P
O fluvial é um transporte aquaviário, realizado em barcos ou balsas, que se movimentam E
C
sobre os rios. I
A
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S
220 TÓPICO 4 UNIDADE 3

FIGURA 36 - TRANSPORTE FLUVIAL

FONTE: Disponível em: <http://i304.photobucket.com/albums/nn172/lrfoga/


EMPURRADOR%20FLUVIAL/barcaca_petrobras_zpscb394a82.jpg>.
Acesso em: 9 maio 2015.

O transporte marítimo consiste em uma modalidade de transporte aquaviário, em que


ocorre o deslocamento intercontinental de cargas e passageiros por mares ou oceanos.

FIGURA 37 - TRANSPORTE MARÍTIMO

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S
P FONTE: Disponível em: <http://www.elmensajerodiario.com.ar/fotografias/56302_flu.jpg>.
E Acesso em: 9 maio 2015.
C
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UNIDADE 3 TÓPICO 4 221

O transporte lacustre é restrito a lagos navegáveis para transportar qualquer carga, mas
sua característica é ligar cidades e países vizinhos. É um meio de transporte bastante restrito,
em razão de existirem poucos lagos navegáveis, especialmente em termos de profundidade.

2.3 AÉREO

É o meio de transporte mais rápido do planeta, sendo mais comum em aviões e


helicópteros, mas também pode ser feito em balões. É eficaz para o transporte de passageiros,
porém, em razão dos elevados custos, não é o mais adequado para o transporte de cargas
pesadas.

FIGURA 38 - TRANSPORTE AÉREO

FONTE: Disponível em: <http://sesi.webensino.com.br/sistema/webensino/


aulas/3084_168/09_677_ENS_FUN_03_09/imagens/FIG_005.jpg>.
Acesso em: 9 maio 2015.
T
Para cumprir sua função, os meios de transporte se utilizam das vias aéreas, aquáticas Ó
P
ou terrestres, ou seja, necessitam de infraestrutura. Assunto este que abordaremos a seguir. I
C
O
S

E
3 INFRAESTRUTURA S
P
A infraestrutura de uma localidade é composta por um conjunto de programas e ações E
que possam proporcionar condições de bem-estar social e de desenvolvimento econômico. C
I
Uma dessas ações é o serviço de transporte, que, conforme estudamos, é essencial para o
A
deslocamento de pessoas e cargas. I
S
222 TÓPICO 4 UNIDADE 3

Estudamos também que existem diversos meios de transportes, e a infraestrutura


necessária para a realização de um transporte varia, dependendo do público ou carga a serem
transportados.

Para o desenvolvimento da infraestrutura dos transportes, no Brasil, existe o Ministério


dos Transportes, que é o órgão da administração pública federal que gerencia a política nacional
de transportes (ferroviário, rodoviário e aquaviário), bem como participa da coordenação dos
transportes aeroviários e serviços portuários.

O Ministério dos Transportes formula, coordena e supervisiona as políticas nacionais para


o setor de transportes, realizando o planejamento estratégico e a elaboração de diretrizes para
a sua implementação e a definição das prioridades dos programas de investimento. Conheça,
a seguir, a relação de ações e programas do Ministério dos Transportes:

Programa de Investimento em Logística – PIL


• PIL – Rodovias
• PIL – Ferrovias

Este programa tem como objetivo propiciar ao Brasil um sistema de transporte adequado
às suas dimensões e, para isso, busca um modelo de investimento que privilegia a parceria
entre o setor público e o privado.

Programa de Aceleração do Crescimento – PAC


• PAC - Rodovia
• PAC - Ferrovia
• PAC - Hidrovia

Iniciou em 2007 e teve a sua segunda fase em 2011. O Programa de Aceleração do


Crescimento (PAC) visa o planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social,
T urbana, logística e energética do país, no intuito de promover um desenvolvimento acelerado
Ó e sustentável.
P
I
C Planos Estratégicos
O • PNLT - Plano Nacional de Logística e Transportes
S • PHE - Plano Hidroviário Estratégico

E • BR Legal - Programa Nacional de Segurança e Sinalização Rodoviária


S • PNCV - Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade 
P • ProPass - Projeto da Rede Nacional de Transporte Rodoviário Interestadual e
E
C Internacional de Passageiros
I
A Os planos estratégicos buscam conciliar os aspectos logísticos, de custos e de
I
S sustentabilidade, visando o desenvolvimento econômico do país, através da racionalização
UNIDADE 3 TÓPICO 4 223

dos gastos públicos e da eficiência nos serviços executados.

Serviços ao Cidadão
• Passe Livre
• O Passe Livre é um programa em que pessoas carentes portadoras de deficiência
podem viajar, entre os estados brasileiros, sem pagar passagem.
• Consultas Públicas: são discussões de temas relevantes sobre os investimentos
no setor de transportes abertas à sociedade.

Incentivos Fiscais
• Debêntures
• REIDI - Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura
• CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
• FMM - Fundo da Marinha Mercante

São programas que auxiliam as empresas interessadas em investir no desenvolvimento


da infraestrutura do setor de transportes.

Política Ambiental para o Setor de Transportes

A Política Ambiental do Ministério dos Transportes tem como referência as diretrizes


ambientais nacionais e suas ações são pautadas na viabilidade ambiental dos empreendimentos
de transportes, o respeito às necessidades de preservação ambiental e a sustentabilidade
ambiental dos transportes.

ÇÃO!
ATEN
T
Ó
Acadêmico, conheça mais sobre cada um dos programas para o
desenvolvimento do setor de transportes em: <http://www.transportes.gov. P
br/acoes-e-programas.html> I
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224 TÓPICO 4 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico vimos que:

• Transporte é o nome dado à movimentação de pessoas ou objetos de um local a outro.

• Os meios de transportes são classificados em: terrestres (carros, ônibus, trens, dutos, no
caso de cargas, etc.), aquaviários (navios, canoas, barcos etc.) ou aéreos (aviões, helicópteros,
balões etc.).

• O Ministério dos Transportes é o órgão da administração pública federal que gerencia a


política nacional de transportes (ferroviário, rodoviário e aquaviário), bem como participa da
coordenação dos transportes aeroviários e serviços portuários.

• Existem diversos programas federais que visam o desenvolvimento dos transportes no


país e todas as suas ações são pautadas na viabilidade ambiental dos empreendimentos
de transportes, o respeito às necessidades de preservação ambiental e a sustentabilidade
ambiental dos transportes.

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UNIDADE 3 TÓPICO 4 225


IDADE
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1 (ENADE 2014) Os desafios da mobilidade urbana associam-se à necessidade de


desenvolvimento urbano sustentável. A ONU define esse desenvolvimento como aquele
que assegura qualidade de vida, incluídos os componentes ecológicos, culturais,
políticos, institucionais, sociais e econômicos que não comprometam a qualidade de
vida das futuras gerações.
O espaço urbano brasileiro é marcado por inúmeros problemas cotidianos e por várias
contradições. Uma das grandes questões em debate diz respeito à mobilidade urbana,
uma vez que o momento é de motorização dos deslocamentos da população, por meio
de transporte coletivo e individual.

Considere os dados do seguinte quadro.

Mobilidade urbana em cidade com mais de 500 mil habitantes


Modalidade Tipologia Porcentagem (%)
A pé 15,9
Não motorizado
Bicicleta 2,7
Ônibus municipal 22,2
Motorizado coletivo Ônibus metropolitano 4,5
Metroferroviário 25,1
Automóvel 27,5
Motorizado individual
Motocicleta 2,1

Tendo em vista o texto e o quadro de modalidade urbana apresentados, redija um texto


dissertativo, contemplando os seguintes aspectos:
a) consequências, para o desenvolvimento sustentável, do uso mais frequente do
transporte motorizado;
b) duas ações de intervenção que contribuam para a consolidação de políticas públicas
T
de incremento ao uso de bicicleta na cidade, assegurando-se o desenvolvimento Ó
sustentável. P
I
C
2 (ENADE 2014) O quadro a seguir apresenta a proporção (%) de trabalhadores por faixa O
de tempo gasto no deslocamento casa-trabalho, no Brasil e em três cidades brasileiras. S

E
Tempo de deslocamento Brasil Rio de Janeiro São Paulo Curitiba S
Até cinco minutos 12,70 5,80 5,10 7,80 P
De seis minutos até meia hora 52,20 32,10 31,60 45,80 E
Mais de meia hora até uma C
23,60 33,50 34,60 32,40 I
hora
A
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S
226 TÓPICO 4 UNIDADE 3

Mais de uma hora até duas


9,80 23,20 23,30 12,90
horas
Mais de duas horas 1,80 5,50 5,30 1,20

Tendo em vista o texto e o quadro de modalidade urbana apresentados, redija um texto


dissertativo, contemplando os seguintes aspectos:
a) consequências, para o desenvolvimento sustentável, do uso mais frequente do
transporte motorizado;
b) duas ações de intervenção que contribuam para a consolidação de políticas públicas
de incremento ao uso de bicicleta na cidade, assegurando-se o desenvolvimento
sustentável.

2 (ENADE 2014) O quadro a seguir apresenta a proporção (%) de trabalhadores por faixa
de tempo gasto no deslocamento casa-trabalho, no Brasil e em três cidades brasileiras.

Tempo de deslocamento Brasil Rio de Janeiro São Paulo Curitiba


Até cinco minutos 12,70 5,80 5,10 7,80
De seis minutos até meia hora 52,20 32,10 31,60 45,80
Mais de meia hora até uma
23,60 33,50 34,60 32,40
hora
Mais de uma hora até duas
9,80 23,20 23,30 12,90
horas
Mais de duas horas 1,80 5,50 5,30 1,20
CENSO 2010/IBGE (adaptado).
Com base nos dados apresentados e considerando a distribuição da população
trabalhadora nas cidades e as políticas públicas direcionadas à mobilidade urbana,
avalie as afirmações a seguir.
I- A distribuição das pessoas por faixa de tempo de deslocamento casa-trabalho na
região metropolitana do Rio de Janeiro é próxima à que se verifica em São Paulo, mas
não em Curitiba e na média brasileira.
II- Nas metrópoles, em geral, a maioria dos postos de trabalho está localizada nas
T
áreas irregulares ou na periferia, o que aumenta o tempo gasto por esta população no
Ó
P deslocamento casa-trabalho e o custo do transporte.
I III- As políticas públicas referentes a transportes urbanos, como, por exemplo, Bilhete
C Único e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ao serem implementadas, contribuem para a
O
S redução do tempo gasto no deslocamento casa-trabalho e do custo do transporte.

E É correto o que se afirma em:


S
P a) ( ) I, apenas.
E b) ( ) III, apenas.
C c) ( ) I e II, apenas.
I
A d) ( ) II e III, apenas.
I e) ( ) I, II e III.
S
UNIDADE 3

TÓPICO 5

POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA


EM ÂMBITO NACIONAL

1 INTRODUÇÃO

Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao estudo sobre políticas públicas de segurança em


âmbito nacional. Este tema levará você a refletir sobre a realidade das políticas públicas em
relação à segurança, seja em nível municipal, estadual e federal.

A segurança pública é um dos temas mais debatidos e pesquisados nos últimos anos
no Brasil. Entretanto, as discussões e a visibilidade pública do problema ainda não tiveram
impacto definitivo na produção de conhecimento acadêmico na área. Evidentemente, muitos
pesquisadores vêm se debruçando sobre o assunto e a bibliografia nacional sobre segurança
não para de ampliar-se e de se aprofundar. Mas as políticas públicas voltadas para a segurança
ainda carecem de uma reflexão mais sistemática e a produção acadêmica necessita conversar
com a produção que emerge dentro das instituições voltadas para segurança.

A dificuldade reside, em grande medida, à tradição jurídica e policial brasileira, que


coloca a segurança como um problema afeto mais a juristas e a profissionais.
T
Ó
A segurança pública continua sendo uma área de pouca penetração para outras áreas P
do conhecimento, como as Ciências Sociais, a Psicologia, a Administração, a Economia, a I
História e a Geografia. C
O
S
O predomínio do Direito (bem como a formação policial em academias insuladas do
contexto universitário mais amplo) tornam a segurança pública basicamente um problema de lei E
S
e ordem, cujos efeitos se traduzem numa discussão estéril sobre mecanismos mais apropriados
P
para aumentar o grau de punitividade de nossas instituições, particularmente aquelas ligadas E
tradicionalmente ao direito penal e à administração da justiça criminal. A própria composição C
I
profissional das instituições de segurança pública reflete essa tradição. Em grande parte,
A
delegacias de polícia, instituições correcionais, fóruns e unidades de cumprimento de medidas I
S
228 TÓPICO 5 UNIDADE 3

socioeducativas são concebidas, geridas e controladas por profissionais da área do direito


e com formação técnica específica, proporcionada pelas instituições. Em vários lugares do
mundo, particularmente no contexto anglo-saxão, os profissionais da área da justiça criminal
têm procurado formação complementar em universidades e encontrado espaço e abertura para
construir seu conhecimento de forma transdisciplinar.

Nas universidades, centros de pesquisa (que recebem recursos públicos e privados) têm
se tornado espaço importante para formação complementar e para a realização de pesquisas
acadêmicas ou aplicadas em decorrência dos problemas e questões que interferem na qualidade
do serviço das instituições.

FONTE: Disponível em: <http://www.observatoriodeseguranca.org/seguranca/politicas>. Acesso em:


14 maio 2015.

2 A SEGURANÇA PÚBLICA E AS
CONTRIBUIÇÕES COMUNITÁRIAS

A segurança pública, nesse contexto, tem passado por uma mudança importante de
referencial. Tem deixado de ser vista como um problema restrito do Estado, das instituições
criminais e do direito. O novo referencial tem apontado para uma nova visão da segurança
como espaço de participação comunitária (pública, mas não apenas estatal), que afeta a
outras áreas de governo (social e não apenas criminal), sendo ligada a uma abordagem que
concilia diversas disciplinas (particularmente das Ciências Humanas) e como problema de
ordem regional ou global.

Além disso, a segurança pública tem sido vista como espaço de experimentações sobre
a questão fundamental da garantia da ordem social num contexto de globalização que aporta
problemas novos que demandam soluções novas.
T
Ó FONTE: Disponível em: <http://www.observatoriodeseguranca.org/seguranca/politicas>. Acesso em:
P 14 maio 2015.
I
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FIGURA 39 – ORDEM SOCIAL E LIBERDADE
O
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A
I
S FONTE: Disponível em: <http://kdfrases.com/frase/108215>. Acesso em: 8 jun. 2015.
UNIDADE 3 TÓPICO 5 229

Por exemplo, a internacionalização do crime, a nova configuração do crime eletrônico, a


desestruturação do mercado de trabalho interno, a nova fluidez das fronteiras e novos marcos
do crime como empreendimento lucrativo são problemas que exigem uma nova configuração
da segurança pública que desafia nossa tradição criminal, essencialmente inquisitorial. Em
grande parte, a morosidade do processo, um policial ainda fortemente cartorial, a falta de
comunicação entre as instituições da segurança, a formação pouco flexível dos profissionais,
a baixa capacitação, a incitação ao crime e à violência policial como forma de controle social,
o baixo arejamento das estruturas estatais, a dificuldade com que a informação é produzida
e circula no contexto institucional, e mesmo uma concepção militar da segurança dificultam
a assimilação das experiências internacionais e impedem a presença de pesquisadores no
cotidiano das instituições.

Espera-se, no cenário da segurança pública, nesse começo de milênio, que os desafios


sejam enfrentados e que novos espaços de participação e de transparência na administração
pública sejam solucionados. Não se trata apenas de aprimorar os mecanismos de detecção do
crime e de apreensão de criminosos, no novo cenário das políticas de segurança, trata-se de
aprimorar as estratégias preventivas e ampliar o controle social sobre as instituições públicas.
Estamos apenas no começo dessa nova realidade. Para mudarmos o quadro limitado da
segurança, legado por uma visão estatizante e populista em que o crime é alvo de políticas
repressivas padronizadas e de baixo impacto, é preciso conceber que os chamados crimes
sem vítimas devem ser o desafio para superar o abismo entre segurança e cidadania, entre
segurança e defesa dos direitos humanos.

FONTE: Disponível em: <http://www.observatoriodeseguranca.org/seguranca/politicas>. Acesso em:


14 maio 2015.

3 SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA CRIMINAL

Nas duas últimas décadas, o Brasil presenciou uma crescente preocupação com as T
questões relativas à segurança pública e à justiça criminal. Uma verdadeira obsessão securitária Ó
P
refletiu-se num nível jamais visto de debates públicos, de propostas legislativas e de produção I
acadêmica. Esta última se debruçou sobre as práticas de segurança e de justiça, ao menos C
no contexto da redemocratização do país. Não obstante, pouco tem sido feito, no âmbito O
S
político, para que se tornasse tangível uma efetiva reforma dessas instituições, tendo como
preâmbulo pesquisas e conhecimentos provenientes, tanto da maior participação coletiva na E
formulação, implantação e acompanhamento de políticas públicas, quanto da disponibilidade S
P
sem precedentes de pesquisadores aptos a discutir com o universo da política e das instituições E
criminais as alternativas de reforma dentro de um contexto de aumento do quantum de cidadania C
e participação democrática. Em outros termos, como bem lembrou Paulo Sérgio Pinheiro, a I
A
redemocratização política do Brasil não foi ainda capaz de lançar suas luzes sobre as práticas de
I
S
230 TÓPICO 5 UNIDADE 3

nossas instituições criminais – estas, ao contrário, parecem resistir à democratização, formando


um enclave autoritário no cerne do Estado democrático. Toda essa violência, inclusive contra
o Estado de Direito, não é privilégio do Brasil.

FONTE: Disponível em: <http://www.observatoriodeseguranca.org/seguranca/politicas>. Acesso em:


14 maio 2015.

FIGURA 40 – A VIOLÊNCIA PELO MUNDO

FONTE: Disponível em: <http://agencianota.blogspot.com.br/2013_10_01_archive.


html>. Acesso em: 3 jun. 2015.

A violência letal, a superlotação dos presídios, rebeliões e mortes, os horrores vividos


T pelos jovens em instituições como a Febem, o virtual abandono das instituições manicomiais
Ó
sem a contrapartida de um atendimento ambulatorial, o desalento e a descrença nas medidas
P
I de recuperação dos presos e de cura dos esquecidos dos manicômios judiciários, a tortura
C em delegacias de polícia e a eterna lentidão e alheamento das autoridades judiciárias são
O
faces terríveis que apontam para uma crise de longa data em nosso sistema criminal. Neste
S
momento, estamos nos perguntando sobre as razões para todas estas dificuldades e vendo,
E por toda parte, a expansão da segurança privada, a disseminação de dispositivos eletrônicos
S
de segurança, o aumento do sentimento de insegurança e a constituição de verdadeiros
P
E enclaves fortificados em que a tolerância em relação às violações das liberdades civis corre
C de par com a aceitação das hierarquias e das múltiplas faces da exclusão social. As políticas
I de segurança pública são parte integrante do contexto político, social, econômico, cultural em
A
I que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da elaboração de planos nacionais,
S estaduais e municipais.
UNIDADE 3 TÓPICO 5 231

Na implementação de políticas públicas são realizados projetos e ações através da


articulação entre a sociedade civil, polícias, instituições públicas e privadas na esfera da
segurança pública.

FONTE: Disponível em: <http://www.observatoriodeseguranca.org/seguranca/politicas>. Acesso em:


14 maio 2015.

A proposição de políticas públicas de segurança, no Brasil, consiste num movimento


pendular, oscilando entre a reforma social e a dissuasão individual. A ideia da reforma decorre
da crença de que o crime resulta de fatores socioeconômicos que bloqueiam o acesso a meios
legítimos de se ganhar a vida. Esta deterioração das condições de vida traduz-se no acesso
restrito de alguns setores da população a oportunidades no mercado de trabalho e de bens e
serviços, assim como na má socialização a que são submetidos nos âmbitos familiar, escolar
e na convivência com subgrupos desviantes. Consequentemente, propostas de controle da
criminalidade passam, inevitavelmente, tanto por reformas sociais de profundidade, como
por reformas individuais voltadas a reeducar e ressocializar criminosos para o convívio em
sociedade.

A par das políticas convencionais de geração de empregos e combate à fome e à miséria,


ações de cunho assistencialista visariam minimizar os efeitos mais imediatos da carência, além
de incutir em jovens candidatos potenciais ao crime, novos valores através da educação, da
prática de esportes, do ensino profissionalizante e do aprendizado de artes e na convivência
pacífica e harmoniosa com seus semelhantes. Quando isto já não é mais possível, que se
reformem então aqueles indivíduos que caíram no mundo do crime através do trabalho e da
reeducação nas prisões.

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid


=S0102-88391999000400003>. Acesso em: 14 maio 2015.

FIGURA 41 - DESPERDÍCIO

T
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FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-wreCnfeuiig/UD85Z56293I/ I
AAAAAAAAIqY/4hJTgqI6-n4/s1600/dinheiro_no_ralo.jpg>. Acesso em: 14 A
maio 2015.
I
S
232 TÓPICO 5 UNIDADE 3

De outro lado, é igualmente forte a crença de que a criminalidade encontra condições


ideais de florescimento quando é baixa a disciplina individual e o respeito a normas sociais.
Consequentemente, políticas de segurança pública enfatizam a necessidade de uma atuação
mais decisiva do Poder Judiciário e das instâncias de controle social. Isto significa legislações
mais duras e maior policiamento ostensivo, de forma tal que as punições dos delitos sejam
rápidas, certas e severas.

Se necessário, até mesmo a atuação das Forças Armadas é requisitada, merecendo


o aplauso da população. Não se descarta, ainda, o efeito dissuasório que soluções finais,
como a pena de morte, teriam sobre o comportamento criminoso. O argumento é que não se
trata de vingança, mas exemplo para que homens de bem não caiam em tentação. Discursos
inflamados dão suporte a ambas as versões, cujo grau de combustão é tanto maior quanto
mais aferrados a questões de princípio ideológico.

Do ponto de vista da modificação de valores das pessoas, reconhece-se hoje como isso
é extremamente difícil mediante políticas públicas. Os educadores de rua e profissionais que
lidam com menores infratores sabem muito bem como é árdua essa tarefa com meninos de
rua. E isto porque se acena com soluções de médios e longos prazos para garotos (às vezes
nem tão garotos assim) que obtêm satisfações imediatas de sua atividade nas ruas.

Além disso, sabe-se que nem todos os meninos de rua ou jovens desempregados são
candidatos naturais a uma carreira criminosa. Estudos que acompanharam jovens de uma
cidade americana ao longo de suas vidas mostram que, se um número significativo deles teve
problemas com a polícia alguma vez em suas vidas, o número dos que reincidiram outras vezes
é muito menor — menos de 6%. O mais curioso, entretanto, é que este pequeno número de
criminosos era responsável por mais de 50% das queixas criminais. Isto significa que apenas
uma parcela muito pequena desses jovens seguiu uma carreira criminosa (WOLFANG et al.,
1972).
No outro extremo do movimento pendular estão aqueles que acreditam que o problema
T do crime é fundamentalmente uma questão de polícia e de legislação mais repressivas. A
Ó dissuasão do comportamento criminoso, então, passaria necessariamente por uma atuação
P mais intensiva do sistema de justiça criminal.
I
C
O Mais recentemente, a orientação oficial do governo federal tem se calcado na sociologia
S crítica (TAYLOR e YOUNG, 1980), cuja concepção de crime baseia-se nos direitos humanos

E (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 1996). Isto abriu a possibilidade de incluir, dentre as modalidades


S de crime, aqueles cometidos pelo Estado. Daí a importância de se controlarem as organizações
P componentes do aparato repressivo, que parece ter sido a tônica da atual política de segurança
E
C em âmbito federal.
I
A Um exame mais atento, entretanto, mostra que tais modelos e teorias não são
I
S necessariamente excludentes, mas complementares. Um modelo de segurança que se
UNIDADE 3 TÓPICO 5 233

preocupe com a contenção e controle do Estado em relação ao direito dos cidadãos não pode
furtar-se à constatação de que segurança é igualmente um direito humano, aliás, consagrado
na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Por outro lado, o sistema de Justiça Criminal em geral e a atuação policial, em


particular, serão tanto mais eficientes no exercício de suas funções de dissuasão quanto
mais amparados pelas pessoas e comunidades nas quais atuam. O que tem sido eficaz são
programas e estratégias de segurança baseados numa articulação multi-institucional entre
Estado e sociedade (SHERMAN, 1997; SHORT, 1997; GREENWOOD et al., 1996; FELSON
e CLARKE, 1997).

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid


=S0102-88391999000400003>. Acesso em: 14 maio 2015.

4 SEGURANÇA PÚBLICA E O PAPEL DO ESTADO

O crime é uma coisa muito séria para ser deixada apenas nas mãos de policiais,
advogados ou juízes, pois envolve dimensões que exigem a combinação de várias instâncias
sob o encargo do Estado e, sobretudo, a mobilização de forças importantes na sociedade.

O Estado deve mobilizar organizações que atuam nas áreas da saúde, educação,
assistência social, planejamento urbano e, naturalmente, da segurança. Muitos poderiam
argumentar que o que se propõe é, na verdade, quase um modelo do "bom governo". Um
Estado que conseguisse simultaneamente responder às demandas sociais nesses diversos
setores estaria respondendo às atribuições que lhe cabem minimamente. Isto é verdade.

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65551998000300007&script=sci_


T
arttext>. Acesso em: 3 jun. 2015.
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234 TÓPICO 5 UNIDADE 3

FIGURA 42 – FUNÇÕES DO ESTADO

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65551998000300007&script=sci_


arttext>. Acesso em: 3 jun. 2015.

A diferença está em que a alocação desses recursos se daria não em torno de prioridades
governamentais (educação, saúde ou segurança), mas da identificação de locais e grupos no
interior da sociedade que mereceriam um tratamento prioritário. Por outro lado, isto não significa
que o Estado devesse paralisar suas atividades nessas áreas em favor do atendimento de
populações e áreas assoladas pela criminalidade violenta, mas simplesmente reconhecer que
o atendimento nessas áreas é realmente prioritário.

O fenômeno da criminalidade urbana violenta não é distribuído aleatoriamente pela área


urbana, mas está localizado em alguns poucos grupos e locais (SHERMAN, 1997). Daí não
haver combate efetivo ao crime que não leve em conta a recuperação das áreas degradadas
T
Ó pela violência nos grandes centros urbanos.
P FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65551998000300007&script=sci_
I arttext>. Acesso em: 3 jun. 2015.
C
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A
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UNIDADE 3 TÓPICO 5 235

ÇÃO!
ATEN

Surgem aqui alguns questionamentos pertinentes: qual nível de


governo é responsável no trato e na prioridade pela segurança
pública? O que é de responsabilidade do governo federal quando
concentra a maior fatia da arrecadação de impostos?

Além das atribuições definidas constitucionalmente, são centrais na formulação e


implementação dessas políticas, tais como as de construção e manutenção de um sistema de
indicadores sociais de criminalidade, ou o estímulo a pesquisas sobre determinados "problemas"
que preocupam o governo federal. Isto seria feito através da indução à pesquisa sobre estes
problemas identificados pelo governo federal. Atenção especial deveria ser dada não apenas
ao estímulo às pesquisas, cuidando para que elas também tenham recomendações práticas,
com especial atenção aos mecanismos de avaliação de implementação das políticas sugeridas.

Em bases estritamente cognitivas, a formulação de políticas públicas de segurança pode


perfeitamente prescindir de quaisquer abordagens culturalistas para a formulação de programas
e projetos. Não é necessário, para se controlar a criminalidade, reformar a personalidade das
pessoas.

É fato que temos hoje uma onda de violência sem controle efetivo do Estado. E todos
nós exigimos que o Estado se utilize da repressão como se fosse a melhor solução dos conflitos.
Isso ocasiona um emaranhado de normas penais visivelmente ineficazes, fruto de uma clara
predileção vingativa adotada por nosso ordenamento proveniente desde épocas remotas.
Dessa forma, a criminalidade continuará aumentando, porque está ligada a uma estrutura social
profundamente injusta e desigual. Caso não se atue nesse ponto, será inútil punir e continuará
sendo um engano a ideia de que se pode corrigir castigando.

Torna-se urgente, portanto, um aprimoramento da política de segurança pública, pois T


Ó
enquanto a sociedade não se conscientizar da importância da prevenção, será muito difícil
P
implantar uma atuação correta em resposta à criminalidade. I
C
Não acreditamos que a mudança de valores das pessoas deva ser objeto de O
S
políticas governamentais. O que deve ser oferecido às pessoas são orientações acerca das
consequências de suas ações, tanto em direção ao crime como em relação ao não crime E
(WILSON, 1983; CLARKE, 1997; CLARKE e CORNISH, 1985). S
P
E
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65551998000300007&script=sci_
C
arttext>. Acesso em: 3 jun. 2015.
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236 TÓPICO 5 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 5

Neste tópico vimos que:

• Nas duas últimas décadas, o Brasil presenciou uma crescente preocupação com as
questões relativas à segurança pública e à justiça criminal.

• A violência letal, a superlotação dos presídios, rebeliões e mortes, os horrores vividos pelos
jovens em instituições como a Febem, o virtual abandono das instituições manicomiais sem
a contrapartida de um atendimento ambulatorial, o desalento e a descrença nas medidas de
recuperação dos presos e de cura dos esquecidos dos manicômios judiciários, a tortura em
delegacias de polícia e a eterna lentidão e alheamento das autoridades judiciárias são faces
terríveis que apontam para uma crise de longa data em nosso sistema criminal.

• As políticas de segurança pública são parte integrante do contexto político, social,


econômico, cultural em que são formuladas, apresentadas e implantadas por meio da
elaboração de planos nacionais, estaduais e municipais.

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UNIDADE 3 TÓPICO 5 237


IDADE
ATIV
AUTO

1 O ciclo da política pública pode ser interpretado da seguinte forma:


1) percepção e definição de problemas; 2) agenda-setting (inserção ou exclusão do tema
da pauta); 3) elaboração de programas e decisão; 4) implementação de políticas; e 5)
avaliação de políticas e eventual correção da ação. Conforme este modelo, o processo
de resolução de um problema político consiste de uma sequência de passos, que, na
prática, não são seguidos à risca pelos atores político-administrativos. Os processos
de aprendizagem política e administrativa encontram-se em todas as fases do ciclo, ou
seja, a avaliação e correção da ação pode ser feita em todas as etapas, conduzindo a
adaptações permanentes dos programas.

FONTE: FREY, K. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da


análise de políticas públicas no Brasil. Planejamento e Políticas Públicas, Brasília, v.
21, 2000.

O texto trata do ciclo de políticas públicas, o qual:

a) Inclui, implicitamente, todos os temas relevantes para a sociedade civil.


b) É um modelo padrão, utilizado pelo Legislativo para fiscalizar obras executadas pelos
governos.
c) Induz ao erro político, pois não há espaço para a construção de políticas públicas com
efetividade para a população.
d) É um modelo padrão, utilizado pelos governos para a implementação de políticas
públicas, independentemente do contexto.
e) Oferece um quadro de referência para a análise processual da política pública,
servindo como um modelo para a avaliação da política pública. T
Ó
P
2 Muitos problemas tornaram-se imediatamente globais, impossíveis de serem resolvidos I
por meio de políticas nacionais isoladas. Os mercados se globalizaram, o meio ambiente C
O
não conhece fronteiras, os meios eletrônicos de comunicação, muito menos. Inúmeros
S
tratados internacionais foram aprovados nesta segunda metade do século XX nas
áreas ambiental, científica, cultural, econômica, social, criminal etc., enfraquecendo a E
S
tradicional e dominante visão realista que explica as relações internacionais apenas
P
pela força e pelo conflito. E
C
FONTE: VIEIRA, L. Cidadania, Sociedade Civil e Globalização. Revista Eletrônica Polêmica, I
n. 5, 2002. A
I
S
238 TÓPICO 5 UNIDADE 3

Para Liszt Vieira, o fenômeno da globalização causou mudanças nas formas de os


Estados Nacionais estabelecerem suas relações. Nesse sentido, a globalização:
a) Oferece a possibilidade cada vez maior de os Estados Nacionais formularem as suas
políticas exercendo livremente a sua soberania.
b) É fenômeno tipicamente econômico, em que as grandes empresas multinacionais se
instalam em países mais pobres objetivando o desenvolvimento destes locais.
c) Oferece riscos irreversíveis ao planeta, ao promover formas perversas de produção
que não visam à sustentabilidade do meio ambiente e, portanto, esgotam os recursos
que a natureza oferece aos indivíduos.
d) Tem caráter multifacetado e sua explicação ultrapassa as determinações econômicas,
pois gera impactos no meio político, social, ambiental e cultural dos Estados Nacionais.
e) Gera padronização cultural, já que países melhor estruturados econômica e
politicamente apresentam ao mundo as suas formas de vida e consumo como o ideal a
ser alcançado.

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UNIDADE 3

TÓPICO 6

VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA

1 INTRODUÇÃO

O ser humano, desde os seus primórdios na Terra, enfrentou desafios das mais
diferentes formas, diferentes momentos, diferentes situações. E tanto o ser humano quanto
os desafios foram modificando o meio, o espaço ocupado por este ser e tantos outros seres.
Assim, podemos nos perguntar: Quais os novos paradigmas que se apresentam para o ser
humano? Como acontecerá o desenvolvimento humano respeitando a natureza em meio a
tantos desafios e o que pode facilitar esse processo de desenvolvimento, tanto para o ser
humano como para tudo o que o circunda, de modo especial a natureza, seja ela presente no
meio urbano ou no meio rural? Como avançar no desenvolvimento sem prejudicar ainda mais
o próprio ser humano e o seu meio? O primeiro passo é conhecendo onde ele vive. É o que
queremos fazer nesse pequeno estudo.

Vamos lá!

T
Ó
P
2 VIDA URBANA I
C
Urbano tem origem no latim urbanus, que significa “pertencente à cidade”. Segundo O
S
o Dicionário Web, “urbano é tudo aquilo que está relacionado com a vida na cidade e com os
indivíduos que nela habitam, por oposição a rural, que é relativo ao campo e ao interior”. E
S
P
Repare que o rural e o urbano mexem com a vida, com o modo de vida das pessoas, E
da qualidade de vida. Vemos então que o urbano se formou a partir do rural, e criou tal C
separação, dicotomia e função. O antagonismo de um mesmo espaço só pode ser percebido I
A
no entendimento do que é, e qual a relação deste com o homem e com outros espaços.
I
S
240 TÓPICO 6 UNIDADE 3

Segundo o IBGE (2013), a cidade é a parte de um lugar localizada na malha urbana,


dentro do perímetro urbano. O senso comum aponta a vida urbana como uma vida por vezes
estressante, conturbada, rápida, desordenada, barulhenta, em detrimento da vida rural, pacata,
silenciosa, aprazível. Para melhor caracterizar a vida urbana, recorremos ao IBGE, que classifica
as cidades pelo número de edificações/habitantes:
• Cidade pequena, de até 50.000 habitantes.
• Cidade média-pequena, de 50.000 a 100.000 habitantes.
• Cidade média, de 100.000 a 300.000 habitantes.
• Cidade média-grande, de 300.000 a 500.000 habitantes.
• Cidade grande, com mais de 500.000 habitantes.

FIGURA 43 – IMOBILIDADE URBANA?

FONTE: Disponível em: <http://www.ongcidade.org/site.php?/noticia/id/1657>. Acesso em: 14 maio


2015.

Há termos empregados não necessariamente à parte urbana de um município, mas


sim à malha urbana ou economia:
T • Cidade global: grandes centros econômicos. São divididos em alfa, beta e gama.
Ó • Metrópole: principal cidade dentre várias que ocupam o mesmo perímetro.
P
• Megacidade: cidade ou região com mais de 10.000.000 de habitantes.
I
C • Megalópole: conjunto de várias metrópoles e cidades grandes.
O
S
Como vimos, a cidade é uma realidade bastante difícil de definir. Por estranho que
E possa parecer, não há nenhuma definição universal de cidade. Cada país adapta os seus
S critérios de definição.
P
E
C
I
A
I
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UNIDADE 3 TÓPICO 6 241

A definição de zona urbana varia de um país a outro. De uma forma geral, é considerada
urbana qualquer zona que apresentar uma população igual ou superior a 2000 habitantes. A
atualização dos modelos de crescimento urbano tem feito com que a densidade da população,
a extensão geográfica e o desenvolvimento de infraestruturas se combinem para serem pilares
na delimitação deste tipo de zonas.

Embora seja difícil generalizar, as zonas urbanas costumam apresentar um maior preço
em termos de superfície (o custo de vida é mais caro, nomeadamente os próprios terrenos e
aluguéis) e uma menor presença de emprego no setor primário comparando com as zonas rurais.
Por outro lado, as zonas urbanas oferecem uma maior gama de recursos para a sobrevivência
das pessoas.

As zonas urbanas, como as cidades, caracterizam-se pelo desenvolvimento do seu


setor secundário (industrial) e terciário (serviços). Se, por um lado, os produtos e os serviços da
cidade têm influência no comportamento do campo, já este, por sua vez, abastece as regiões
urbanas com mercadorias agrícolas e pecuárias.

Em geral, o espaço urbano excede os próprios limites da cidade, já que se formam


grandes áreas metropolitanas periféricas agrupadas em seu redor. Convém destacar que a taxa
de urbanização é o índice demográfico que expressa a relação percentual entre a população
urbana (os habitantes das cidades) e a população total de um país. Quanto maior o valor, maior
é o nível de desenvolvimento.

Desde a Revolução Industrial, a população urbana tem vivido a experiência de um


crescimento constante. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (FPNUA),
em 2008, a população mundial foi de 50% na zona rural e de 50% na urbana, ano a partir do
qual se registrou uma ocupação cada vez maior das cidades.
FONTE: Disponível em: <http://conceito.de/zona-urbana>. Acesso em: 2 jun. 2015.

O olhar sobre o urbano em nosso país chega à ONU (Organização das Nações Unidas),
T
que aponta que até 2050 o Brasil terá aproximadamente 93% de sua população vivendo nos Ó
centros urbanos. Já a população no meio rural terá um decréscimo, com moradores neste meio P
de aproximadamente 16 milhões de habitantes. I
C
O
S

E
S
3 VIDA RURAL P
E
Caro acadêmico! Todos nós sabemos que há pessoas que moram na cidade, outras C
I
no campo, ou no meio rural. É preciso desmistificar aquela imagem que temos do meio rural A
bucólico, como descrito em filmes ou em poesia. O agronegócio não nos deixa mentir, o meio I
rural alcançou grau de desenvolvimento ímpar nos últimos anos. S
242 TÓPICO 6 UNIDADE 3

FIGURA 44 – VIDA TRANQUILA NO CAMPO

FONTE: Disponível em: <http://www.vende4.com/wp-content/uploads/2011/04/vida-no-


campo.jpg>. Acesso em: 14 maio 2015.

Visto isso, de forma conceitual podemos assim descrever:


• A população que vive no campo ou na zona rural recebe o nome de população rural
(do latim rural, is).
• Já aquela que vive em meio aos grandes centros urbanos é denominada população
urbana (do latim urbe, que significa cidade).

Para definir o termo “rural”, devemos recorrer à sua origem vinda do latim “rural, is”.
Segundo o Dicionário Web, “é um adjetivo que corresponde ao que pertence ou relativo ao
T campo” (um terreno extenso que se encontra fora das regiões mais povoadas e são terras de
Ó cultivo). É exatamente o oposto do que conhecemos como zona urbana, de cidades.
P
I
C Graziano da Silva (1999) nos dá o conceito de meio rural como um conjunto de regiões
O ou zonas (território) cuja população desenvolve diversas atividades ou se desempenha em
S
distintos setores, como a agricultura, o artesanato, as indústrias pequenas, o comércio, os
E serviços, o gado, a pesca, a mineração, a extração de recursos naturais e o turismo, entre outros.
S
P
Segundo este mesmo autor, em tais regiões ou zonas há assentamentos que se
E
C relacionam entre si e com o exterior, e nas quais interagem uma série de instituições públicas
I e privadas.
A
I
S O rural transcende o agropecuário, e mantém elos fortes de intercâmbio com o urbano.
UNIDADE 3 TÓPICO 6 243

Na provisão, não só de alimentos, mas também de grandes bens e serviços, entre os quais
vale a pena destacar a oferta e cuidado de recursos naturais, os espaços para o descanso, e
as contribuições à manutenção e desenvolvimento da cultura. Disponível em: <http://artigos.
netsaber.com.br/resumo_artigo_7430/artigo_sobre_novos_conceitos_de_urbano_e_rural >.
Acesso em: 27 ago. 2013.

Para Balsadi (2001), o meio rural é então uma entidade socioeconômica em um espaço
geográfico com quatro componentes básicos:

• Um território que funciona como fonte de recursos naturais e matérias-primas, receptor


de resíduos e suporte de atividades econômicas.
• Uma população que, com base em certo modelo cultural, pratica atividades muito
diversas de produção, consumo e relação social, formando um ripado socioeconômico complexo.
• Um conjunto de assentamentos que se relacionam entre si e com o exterior mediante
o intercâmbio de pessoas, mercadorias e informação, através de canais de relação.
• Um conjunto de instituições públicas e privadas que articulam o funcionamento
do sistema, operando dentro de um marco jurídico determinado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008) define zona rural como o
contrário da zona urbana. São regiões não urbanizadas ou destinadas à limitação do crescimento
urbano, utilizadas em atividades agropecuárias, agroindustriais, extrativismo, silvicultura e
conservação ambiental. Atualmente, muitas das áreas rurais estão protegidas como área de
conservação, terras indígenas, turismo rural. Zona rural (campo) é o oposto de zona urbana
(região destinada a habitação, trabalho e outras funções básicas da população), ou seja, quando
comparadas à zona urbana, com a zona rural, são muitas vezes caracterizadas como carentes
e precárias. No entanto, no meio rural está presente o conceito de ruralidade, contato com a
natureza e animais, ar puro, sossego, vida tranquila e mais saudável.

Muitas pessoas buscam sair da rotina estressante da zona urbana e encontram na


zona rural uma forma de descanso. Entre as atividades realizadas no campo estão: trilhas
T
ecológicas, cavalgadas, banhos em cachoeiras etc. Ó
P
A zona rural também tem as importantes funções de preservar a biodiversidade de um I
C
determinado local, garantir a qualidade da água e manter as terras indígenas. Nesse sentido,
O
as unidades de conservação foram criadas com o intuito de preservar o patrimônio ambiental S
e cultural do país.
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244 TÓPICO 6 UNIDADE 3

4 SEMELHANÇAS OU DIFERENÇAS

Quando for decidir onde morar e qual estilo de vida é apropriado para você, existem
diversos fatores que devem ser considerados, como empregabilidade, interação social e saúde.
Os estilos de vida rural e urbano variam de muitas formas e os indivíduos podem fazer uma
escolha entre os dois baseados naquilo que conhecem de si mesmos e na qualidade de vida
que apreciam.

A cidade e o campo proporcionam às pessoas diferentes oportunidades que nos


permitem distinguir o modo de vida rural do modo urbano.

Enquanto no campo, de uma forma geral:


• persistem muitas ocupações, com horários diferentes de trabalho mais ou menos
flexíveis;
• há pouca oferta de ocupação de tempos livres;
• valorizam-se as tradições: trajes, pratos típicos, festas populares;
• todas as pessoas se conhecem e se ajudam em caso de necessidade;
• o ambiente é sossegado e há pouca poluição sonora e visual;
• as deslocações das pessoas são curtas, o ritmo de vida é calmo.

Já na cidade, geralmente temos algumas das realidades descritas a seguir, que você,
acadêmico, poderá confirmar ou não:
• a esmagadora maioria das pessoas cumpre horários muito rígidos, a oferta de
atividades de ocupação de tempo livre é muito diversificada;
• não há um conjunto de valores comuns, mas uma grande diversidade de hábitos.
Aceita-se a diversidade e valoriza-se o que é moderno;
• cada um sente os seus problemas. As relações entre as pessoas são pouco familiares;
T
• as ruas estão repletas de painéis publicitários e a intensa circulação de automóveis
Ó
P deteriora a qualidade do ar;
I • o ritmo de vida é agitado.
C
O
S O gráfico a seguir nos dá uma visão da evolução da população rural e urbana no Brasil.

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UNIDADE 3 TÓPICO 6 245

GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO ENTRE 1940 E 2006

FONTE: IBGE. Anuário estatístico do Brasil, 1986, 1990, 1993 e 1997; Censo demográfico, 2000;
Síntese de indicadores sociais, 2007

Ao falar de rural e de urbano é necessário que se tenha claro o que podemos deferir por
rural ou campo e por urbano ou cidade. A vigente definição de cidade é fruto do Estado Novo
e “foi o Decreto-Lei nº 311, de 1938, que transformou em cidade todas as sedes municipais
existentes, independentemente de suas características estruturais e funcionais”. (VEIGA,
2003, p. 1).

Segundo Veiga (2003, p. 2), a partir disso, da noite para o dia, “ínfimos povoados” ou
“simples vilarejos” se tornaram cidades.

Para as futuras cidades seria exigida a existência de pelo menos 200 casas e
para as futuras vilas (sede de distritos) um mínimo de 30 moradias. Mas todas
as localidades que àquela data eram cabeça de município passaram a ser
consideradas urbanas, mesmo que suas dimensões fossem muito inferiores
ao requisito mínimo fixado para as novas. T
Ó
No Brasil, mesmo com diversas modificações posteriores, essa discrepância de divisão P
I
territorial brasileira permanece. Só no ano de 1991 houve mudanças significativas, em que o C
IBGE passou a distinguir três tipos de categorias definidas como urbanas e quatro tipos de O
aglomerados rurais. S

E
Urbanas: áreas urbanizadas e não urbanizadas de acordo com a intensidade
de ocupação humana e áreas urbanas isoladas, definidas pelas leis municipais, S
estando separadas por sede municipal, distrital, área rural ou outros limites P
legais. E
Rurais: aglomerados rurais do tipo extensão urbana, situados fora do perí- C
metro urbano, nem que seja uma extensão de uma cidade com vila; povoado, I
aglomerado rural isolado sem caráter privado ou empresarial que disponha do A
mínimo de serviços e equipamentos e que os moradores exerçam atividades I
econômicas; núcleo aglomerado rural isolado que pertença a um único pro- S
246 TÓPICO 6 UNIDADE 3

prietário e outros aglomerados, os quais não representam as características


de nenhum dos outros três. (VEIGA, 2003, p. 3, grifos do autor)

FIGURA 45 – CIDADE E CAMPO SE TRANSFORMARÃO

FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-bdKDXxZfKbg/UIwsa3_9m9I/


AAAAAAAAEYc/86bFn35HAno/s1600/rural_urbano.jpg>. Acesso em: 14 maio 2015.

Desse modo, em suas análises, Graziano da Silva (1999, p. 1, grifo do autor) tem
enfatizado que:

A diferença entre o rural e o urbano é cada vez menos importante. Pode-se


dizer que o rural hoje só pode ser entendido como um ‘continuum’ do urbano
do ponto de vista espacial; do ponto de vista da organização da atividade eco-
nômica, as cidades não podem mais ser identificadas apenas com a atividade
industrial, nem os campos com a agricultura e a pecuária; e, do ponto de vista
social, a organização do trabalho na cidade se parece cada vez mais com a
do campo e vice-versa.
T
Ó
P Nas últimas décadas, tem-se destacado uma nova percepção do campo, relativo a um
I modo de vida “alternativo” e ambientalmente sustentável, correspondente a um resgate da
C
natureza pelos hábitos da cidade que se dirige ao campo.
O
S
Com a inserção das novas atividades no campo, sobretudo as não agrícolas, que vêm
E
crescendo também no Brasil, diminui a supremacia das atividades agrícolas no meio rural. Essas
S
P mudanças advêm do contínuo declínio da capacidade da agricultura de manter e gerar postos
E de trabalho, além do crescimento de atividades geradoras de ocupações rurais não agrícolas.
C
I
A Essas atividades não agrícolas fazem com que o rural assuma novas funções. Entre as
I “novas funções” do campo que ganham cada vez mais destaque estão as atividades de lazer,
S
UNIDADE 3 TÓPICO 6 247

como o turismo em área rural, segundas residências e aposentadorias rurais.

Dessa forma, crescem cada vez mais atividades de lazer, que buscam um resgate às
tradições culturais de determinadas áreas e valorizam os costumes da vida rural.

5 ECOLOGIA

Ecologia ou eco-logia, do grego oikos = “casa” e logos = “estudo”; literalmente significa


o estudo da casa. Que casa? Nossa única casa, o planeta Terra. (ODUM; BARRET, 2008)

Nossa casa, a Terra, é formada por vários ecossistemas complexos que apenas existem
porque estão interligados e inter-relacionados, ou seja, não podem viver isoladamente. Quais
são estes ecossistemas?

Fazem parte dos ecossistemas os fatores bióticos e abióticos. Os fatores bióticos são
os que possuem vida, tais como: vegetais, animais e bactérias que interagem e se sustentam
mutuamente. Os fatores abióticos são: água, solo, vento, gelo. A interdependência entre estes
fatores forma os ecossistemas terrestres e aquáticos que sustentam a vida em nosso planeta,
do qual a vida humana faz parte, pois a urbanização e o avanço tecnológico de nossa sociedade
afastaram o ser humano da natureza, criando a falsa ideia de que a humanidade pode viver
sem a natureza.

O planeta Terra tem idade aproximada de 4,5 bilhões de anos. O surgimento da vida
ocorreu 1 bilhão de anos depois, ou seja, há 3,5 bilhões de anos. A espécie humana iniciou
sua evolução entre 2 e 3 milhões de anos.

Entretanto, a humanidade viveu todo este tempo em harmonia com todos os animais
T
e ecossistemas, domesticando alguns, matando outros para sobrevivência; mas jamais Ó
exterminando espécies inteiras como tem ocorrido nas últimas décadas. P
I
C
A humanidade multiplicou-se de forma desordenada, sem medir os impactos sobre os O
ecossistemas naturais. Somos hoje mais de 7 bilhões de pessoas que necessitam se alimentar, S
morar, vestir; e, para manter essas necessidades básicas, além do luxo e desperdício de alguns,
E
precisamos trabalhar para produzir, utilizando as matérias-primas extraídas dos ecossistemas, S
levando à extinção de espécies inteiras de animais e vegetais. P
E
C
Quais as consequências de tamanha devastação e impactos sobre os ecossistemas? I
Já estamos presenciando inúmeras consequências, como o aumento de enxurradas, tufões, A
tornados ou secas prolongadas em regiões de clima úmido. I
S
248 TÓPICO 6 UNIDADE 3

6 ECOSSISTEMA

Segundo Odum e Barret (2008), um sistema ecológico ou ecossistema é qualquer


unidade que inclui todos os organismos (a comunidade biótica) em uma dada área, interagindo
com o ambiente físico de modo que um fluxo de energia leve a estruturas bióticas claramente
definidas e à ciclagem de materiais entre componentes vivos e não vivos.

O termo sistema, segundo definição padrão do College Dictionarys 10ª edição, é:


“componentes regularmente interativos e interdependentes formando um todo unificado” (apud
ODUM;BARRET, 2013).

Sistemas formados pela interação entre os organismos vivos ou bióticos e seu ambiente
abiótico, tais como: solo, água, sol, neve, vento, gelo, formam um biossistema, que abrange
desde sistemas genéticos até sistemas ecológicos.

Os sistemas ecológicos se organizam em hierarquias. Dentro dos sistemas os seres


vivos se organizam em diferentes níveis ecológicos: Célula; Tecido; Órgão; Sistemas de órgãos;
Organismo; População; Comunidade; Ecossistema; Paisagem; Bioma; Ecosfera. (ODUM;
BARRET, 2013)

FIGURA 46 - HIERARQUIA DOS NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO ECOLÓGICA

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FONTE: Odum e Barret (2013, p. 5)
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UNIDADE 3 TÓPICO 6 249

6.1 ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS

Espécie: é o conjunto de indivíduos semelhantes estruturalmente, funcionalmente e


bioquimicamente que se reproduzem naturalmente, originando descendentes férteis. Apresenta
uma propagação genética própria em resposta às pressões do ambiente ao longo da evolução.
Exemplo: todos os equinos pertencem a uma mesma espécie.

Organismo: é a unidade (indivíduo) fundamental da ecologia. É qualquer corpo vivo


(unicelular ou pluricelular), ou seja, é um ser vivo, como, por exemplo, um peixe, um cavalo,
um boi, ou mesmo uma célula.

População: é o conjunto de indivíduos da mesma espécie que vivem em uma mesma


área em um determinado período, e abrange a taxa de natalidade, a taxa de mortalidade, a
proporção de sexos, a distribuição de idades, a emigração e imigração. Podemos citar, como
exemplo, a população de tainhas dos mares do sul, ou boto-cor-de-rosa dos rios da Amazônia
ou, ainda, as várias espécies de mamíferos e aves que vivem nas florestas.

Comunidade: é o conjunto de populações de várias espécies que sofrem interferência


uma das outras, e que habitam um determinado espaço (região) em um determinado tempo
(período).

Ecossistema ou sistema ecológico: “Um sistema ecológico ou ecossistema é qualquer


unidade que inclui todos os organismos (comunidade biótica), em uma dada área, interagindo
com o meio físico de modo que um fluxo de energia leve a estruturas bióticas claramente
definidas e à ciclagem de materiais entre componentes vivos e não vivos”. (ODUM; BARRET,
2008).

Habitat: é o lugar preciso onde uma espécie vive, isto é, sua morada dentro do
ecossistema que determina o comportamento de sobrevivência e reprodutivo da comunidade T
Ó
(local de abrigo, alimentação e reprodução).
P
I
Biótopo: é a área física na qual determinada comunidade vive. Exemplo: o habitat do C
tucunaré, peixe da Amazônia, ou da traíra. O
S
Nicho ecológico: o nicho ecológico pode ser definido como o total de necessidades E
e condições necessárias à sobrevivência de um organismo. É um espaço n-dimensional, no S
sentido de que há uma infinidade de propriedades envolvidas. (ODUM; BARRET, 2008) P
E
C
Ecótono: é a região de transição entre duas ou mais comunidades/ecossistemas. Nesta I
área de transição (ecótono) encontramos grande número de espécies e, consequentemente, A
grande número de nichos ecológicos. Como exemplo disso podemos citar a mata dos cocais, I
S
250 TÓPICO 6 UNIDADE 3

vegetação de transição entre a floresta amazônica e a caatinga.

Biosfera: é o conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja, de todas as formas


de vida, que inclui a litosfera, a hidrosfera e a atmosfera. Nesta faixa se encontram os gases
oxigênio e nitrogênio, importantes para a vida. (ODUM; BARRET, 2008)

Atualmente, além de ecólogos, cientistas físicos e sociais estão considerando a ideia


de que sociedades naturais e humanas funcionam da mesma maneira que sistemas.

Por que é importante estudar e compreender as sociedades naturais e humanas na


forma de sistemas? Qual a importância deste estudo/tema para compreender a ecologia? O
que nossas vidas têm a ver com a ideia de sistemas ou ecossistemas? O que este tema tem
a ver com os exames do ENADE?

O que fez a humanidade, e sobretudo a ciência, ignorar a interdependência da teia


da vida? Como não perceber que o rompimento da teia, com a morte em massa de algumas
espécies, comprometeria a sobrevivência de toda a teia?

A resposta está na forma como aprendemos a fazer ciência. O conhecimento humano


fragmentou-se, tornando-se especializado, formando profissionais que sabem muito sobre sua
formação e trabalho, perdendo a noção do todo.

Para compreender a Ecologia e os ecossistemas é fundamentalmente necessário ter


uma noção mínima da interdependência entre as florestas com o clima e sua influência no ciclo
das chuvas, a diversidade da vida, a manutenção das nascentes.

Vamos recordar o conceito de sistemas: “componentes regularmente interativos e


interdependentes formando um todo unificado” (ODUM; BARRET, 2008).

O que define uma região como floresta equatorial, mata atlântica, deserto, pântano,
T geleira, mar, rio etc., é uma conjuntura de fatores que evolve a latitude, altitude, climas, solo,
Ó regime hídrico. Nenhum destes sistemas é fechado, todos interagem e são interdependentes.
P
I Não é possível destruir um sem afetar toda a ecosfera, ou o planeta como um todo.
C
O A ecologia tem a função de ensinar, por exemplo, que a retirada de recursos naturais do
S
planeta para suprir as necessidades de sobrevivência de mais de 7 bilhões de habitantes está
E ultrapassando a capacidade da natureza de repor o que é tirado. Florestas estão desaparecendo,
S rios secando, chuvas cada vez mais escassas, secas prolongadas.
P
E
C Um ecossistema se alimenta de entradas e saídas, ou seja, uma floresta recebe a luz
I solar das chuvas e os nutrientes da Terra; em contrapartida, esta sustenta a vida de milhares
A
ou milhões de espécies vivas, plantas, animais, incluindo a humana, fornece oxigênio, ajuda
I
S a regular o regime de chuvas etc.
UNIDADE 3 TÓPICO 6 251

As secas do Sudeste, afirmam especialistas, é consequência do desmatamento da


Amazônia e do próprio desaparecimento da Mata Atlântica que cobria a região Sudeste
originalmente. Sem florestas não há água e sem água não há vida. Isto é um ecossistema, um
todo interdependente que necessita ser compreendido em sua totalidade.

Para exercitar sua compreensão sobre a capacidade do nosso planeta de sustentar a


vida, leia com atenção uma questão sobre ecologia que caiu numa das provas do ENADE. O
assunto é pegada ecológica. Você sabe do que se trata?

Pegada ecológica é um conceito criado para definir a necessidade que cada indivíduo ou
a população de uma região, país ou a humanidade inteira tem de terra, água e outros recursos
naturais para sustentar a geração atual.

Analise a questão abaixo e responda:


(Questão SINAES – ENADE 2014) Pegada ecológica é um indicador que estima a
demanda ou a exigência humana sobre o meio ambiente, considerando-se o nível de atividade
para atender ao padrão de consumo atual (com a tecnologia atual). É, de certa forma, uma
maneira de medir o fluxo de ativos ambientais de que necessitamos para sustentar nosso
padrão de consumo. Esse indicador é medido em hectare global, medida de área equivalente
a 10.000 m². Na medida hectare global são consideradas apenas as áreas produtivas do
planeta. A biocapacidade do planeta, indicador que reflete a regeneração (natural) no ambiente,
é medida também em hectare global.

Uma razão entre pegada ecológica e biocapacidade do planeta, igual a 1 (um), indica
que a exigência humana sobre os recursos do meio ambiente é reposta em sua totalidade pelo
planeta, devido à capacidade natural de regeneração. Se for menor que 1 (um), indica que o
planeta se recupera mais rapidamente

T
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FONTE: Prova SEINAES/ ENADE 2014 S
252 TÓPICO 6 UNIDADE 3

O aumento da razão entre pegada ecológica e biocapacidade representado no


gráfico evidencia:
a) Redução das áreas de plantio do planeta para valores inferiores a 10.000 m² devido ao
padrão atual de consumo de produtos agrícolas.
b) Aumento gradual da capacidade natural de regeneração do planeta em relação às
exigências humanas.
c) Reposição dos recursos naturais pelo planeta em sua totalidade frente às exigências
humanas.
d) Incapacidade de regeneração natural do planeta ao longo do período de 1961 a 2008.
Tendência a desequilíbrio gradual e contínuo da sustentabilidade do planeta.

Analisando o gráfico da questão, constata-se que desde 1975 a pegada ecológica do


planeta entrou no vermelho, ou seja, a Terra está perdendo gradativamente sua capacidade
de repor o que está sendo tirado. Quais serão as consequências deste desequilíbrio para as
gerações futuras? Podemos criar várias teorias, mas a realidade só o futuro dirá.

6.2 EXEMPLOS DE ECOSSISTEMAS

Um lago, rio, pântano, floresta, bacia hidrográfica, ou mesmo um cultivo abandonado


constituem um ecossistema.

A questão é como estudar tais ecossistemas e compreender a ecologia. Para Odum


e Barret (2008, p. 26), “um modo de estudar ecologia é observar uma pequena lagoa e um
cultivo abandonado onde as características básicas dos ecossistemas podem ser examinadas
de maneira adequada – e a natureza dos ecossistemas aquáticos e terrestres pode ser
contrastada”.

Para Odum e Barret (2008), bastaria uma amostra de água de um lago, um punhado

T de lodo do fundo ou solo de um prado para constituir uma mistura de organismos vivos, tanto
Ó de plantas como de animais, além de inúmeros elementos inorgânicos.
P
I
C
O
S 6.3 DIVERSIDADE DO ECOSSISTEMA

E A diversidade do ecossistema pode ocorrer por vários fatores. Entre os mais importantes
S
estão: diversidade genética; diversidade das espécies; diversidade de habitat e diversidade
P
E dos processos funcionais que mantêm os sistemas complexos. (ODUM; BARRET, 2008).
C
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UNIDADE 3 TÓPICO 6 253

7 OS GRANDES BIOMAS

Uma floresta, como a amazônica, por exemplo, possui grandes comunidades de plantas
e animais influenciados pela latitude, o regime hídrico, solo e altitude, formando assim um
bioma. (ODUM; BARRET, 2008).

7.1 FATORES QUE DETERMINAM OS BIOMAS

O clima, influenciado pela latitude e altitude, é o fator mais importante para determinar
um bioma. Além disso, fatores como regime hídrico e solo são outros elementos que influenciam
ou determinam a formação do bioma em determinada região geográfica.

Os biomas se desenvolvem em ambientes como: planícies, planaltos, campos, praias,


montanhas e desertos. Estes podem ser florestas, campos, campina, pântanos, mangues etc.
As florestas podem ser equatoriais, tropicais e temperadas.

Entre as florestas equatoriais úmidas podemos citar, como exemplo, a floresta


amazônica, floresta do Congo e floresta equatorial da Indonésia.

Estas são matas exuberantes, ricas em biodiversidade e normalmente muito fechadas,


em algumas regiões quase impenetráveis.

As temperadas têm como exemplo a Mata de Araucária no sul do Brasil, já as florestas


de Coníferas são comuns nas zonas temperadas do hemisfério norte. Este tipo de vegetação
possui menor biodiversidade, pois em geral poucos tipos de árvores conseguem crescer em
ambientes frios, o que influencia diretamente a fauna.

T
O Cerrado brasileiro, a Savana africana e a Mata Atlântica são exemplos de biomas
Ó
de clima tropical. P
I
C
O Cerrado e a Savana são formados por vegetação arbustiva, intercalada com campos e
O
gramíneas. Já a Mata Atlântica é vegetação de clima tropical úmido, comum no litoral brasileiro. S

E
No clima árido e semiárido aparece vegetação como a caatinga, no Nordeste brasileiro,
S
e vegetação de desertos, como o de Gobi, Saara e do Arizona etc. P
E
C
Os biomas lacustres aparecem em ambientes de transição entre o mar e o continente,
I
tais como mangues, restingas etc. A
I
S
Nas regiões glaciares, nas proximidades do círculo polar, aparece a vegetação de tundra.
254 TÓPICO 6 UNIDADE 3

FIGURA 47 - MAPA DOS PRINCIPAIS BIOMAS TERRESTRES

predaria e savana floresta temperada


deserto floresta tropical

talga (ou floresta boreal) tundra

FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=mapa+dos+principais+biomas&>.


Acesso em: 1º jun. 2015.

Como afirmamos, o clima é o fator determinante na formação de um bioma, determinando


o aparecimento de florestas fechadas, gramíneas, vegetação arbustiva etc.

O clima determina a flora, que por sua vez atrai animais adaptados àquele ambiente.
Sobre estes biomas a civilização se estabeleceu e criou raízes, extraindo os recursos
naturais necessários à sobrevivência.

Cidades, rodovias, portos e aeroportos foram construídos sobre estes biomas, muitos
dos quais foram totalmente destruídos ou existem apenas fragmentos, como a Mata Atlântica
brasileira, da qual hoje restam apenas 7% das áreas originalmente ocupadas por este bioma.

A devastação sobre os biomas e recursos naturais é tão intensa que a ONU criou

T o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, “atender às necessidades da geração


Ó presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras”.
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UNIDADE 3 TÓPICO 6 255

RESUMO DO TÓPICO 6

Neste tópico vimos que:

• Em geral, o espaço urbano excede os próprios limites da cidade, já que se formam grandes
áreas metropolitanas periféricas agrupadas em seu redor.

• A cidade e o campo proporcionam às pessoas diferentes oportunidades que nos permitem


distinguir o modo de vida rural do modo de vida urbano.

• A cidade é uma realidade bastante difícil de definir. Por estranho que possa parecer, não
há nenhuma definição universal de cidade. Cada país adapta os seus critérios de definição.

• As semelhanças e diferenças entre a vida rural e a urbana aproximam um fator do outro


quando há uma complementaridade das características que os definem.

• Segundo Odum e Barret (2008), “um sistema ecológico ou ecossistema é qualquer unidade
que inclui todos os organismos (a comunidade biótica) em uma dada área interagindo com
o ambiente físico, de modo que um fluxo de energia leve a estruturas bióticas claramente
definidas e à ciclagem de materiais entre componentes vivos e não vivos”.

• Os sistemas ecológicos se organizam em hierarquias. Dentro dos sistemas os seres vivos


se organizam em diferentes níveis ecológicos: Célula; Tecido; Órgão; Sistemas de órgãos;
Organismo; População; Comunidade; Ecossistema; Paisagem; Bioma; Ecosfera. (ODUM;
BARRET, 2008)

T
• Pegada ecológica é um conceito criado para definir a necessidade que cada indivíduo ou a Ó
população de uma região, país ou a humanidade inteira tem de terra, água e outros recursos P
naturais para sustentar a geração atual. I
C
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E
S
P
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C
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S
256 TÓPICO 6 UNIDADE 3


ID ADE
ATIV
AUTO

1 (UNIASSELVI) O enorme crescimento urbano dos últimos anos teve graves


consequências na qualidade das cidades brasileiras. Inúmeros problemas daí
decorreram, aumentando o problema da segregação espacial. Diante deste quadro,
é imprescindível uma reforma do espaço urbano. Quanto às medidas propostas neste
sentido, analise as seguintes afirmativas:
I- Para diminuir a violência, propõem-se programas de geração de renda e emprego.
II- Para melhorar a qualidade de vida, é preciso a remoção de pessoas sem qualificação.
III- Para diminuir o déficit habitacional, existe o confisco compulsório de imóveis
excedentes.
IV- Para estancar o êxodo rural, são adotadas medidas de fixação das pessoas no
meio rural.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:


a) (  ) Somente a afirmativa I está correta.
b) ( ) As afirmativas I e IV estão corretas.
c) (  ) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) (  ) As afirmativas I e III estão corretas.

2 (UNIASSELVI) A zona rural é habitada pela população que vive no campo e, por
isso, é chamada de população rural, significando aquilo que é relativo ou pertencente
ao campo. Do ponto de vista conceitual, o termo “meio rural” apresenta características
específicas. Com base nestas características, analise as afirmativas a seguir:
I- A população do meio rural envolve-se com atividades, como comércio, pequenas
indústrias, artesanato, extrativismo.
II- O meio rural resume-se a atividades econômicas relacionadas com a produção de
T
Ó alimentos, sobretudo com o ramo agropecuário.
P III- O meio rural é caracterizado pelo povoamento de uma região que apresenta solos
I
férteis, cuja população subsiste apenas a partir do plantio.
C
O
S Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a afirmativa I está correta.
E b) (  ) Somente a afirmativa III está correta.
S c) (  ) As afirmativas I e II estão corretas.
P d) (  ) As afirmativas II e III estão corretas.
E
C 3 (UNIASSELVI) A zona urbana é caracterizada pela sua relação com a cidade e
I
o modo de vida urbano. De modo geral, apresenta população igual ou superior a
A
I
S
UNIDADE 3 TÓPICO 6 257

2000 habitantes, embora esta delimitação considere também extensão geográfica e


infraestrutura. Acerca das características das zonas urbanas, classifique V para as
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O custo de vida nas zonas urbanas é maior do que nas zonas rurais, mas a área
urbana apresenta mais possibilidades profissionais.
( ) Nas zonas urbanas predominam atividades econômicas dos setores secundários e
terciários, ou seja, indústrias e serviços.
( ) A produção econômica primária é superior nas áreas urbanas, se comparadas com
as áreas rurais.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) (  ) F - F - V.
b) (  ) V - V - V.
c) (  ) F - F - F.
d) ( ) V - V - F.

4 (QUESTÃO SINAES – ENADE 2011) A definição de desenvolvimento sustentável mais


usualmente utilizada é a que procura atender às necessidades atuais sem comprometer
a capacidade das gerações futuras. O mundo assiste a um questionamento crescente
de paradigmas estabelecidos na economia e também na cultura política. A crise
ambiental no planeta, quando traduzida na mudança climática, é uma ameaça real ao
pleno desenvolvimento das potencialidades dos países.
O Brasil está em uma posição privilegiada para enfrentar os enormes desafios que se
acumulam. Abriga elementos fundamentais para o desenvolvimento: parte significativa
da biodiversidade e da água doce existentes no planeta; grande extensão de terras
cultiváveis; diversidade étnica e cultural e rica variedade de reservas naturais.
O campo do desenvolvimento sustentável pode ser conceitualmente dividido em
três componentes: sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e
sustentabilidade sociopolítica.

Nesse contexto, o desenvolvimento sustentável pressupõe: T


a) A preservação do equilíbrio global e do valor das reservas de capital natural, o Ó
P
que não justifica a desaceleração do desenvolvimento econômico e político de uma I
sociedade. C
b) A redefinição de critérios e instrumentos de avaliação de custo-benefício que reflitam O
S
os efeitos socioeconômicos e os valores reais do consumo e da preservação.
c) O reconhecimento de que, apesar de os recursos naturais serem ilimitados, deve E
ser traçado um novo modelo de desenvolvimento econômico para a humanidade. S
P
d) A redução do consumo das reservas naturais com a consequente estagnação do E
desenvolvimento econômico e tecnológico. C
e) A distribuição homogênea das reservas naturais entre as nações e as regiões em I
A
nível global e regional. I
S
258 TÓPICO 6 UNIDADE 3

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UNIDADE 3

TÓPICO 7

MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO


SUSTENTÁVEL

1 INTRODUÇÃO

As demandas ambientais vêm se configurando em demandas socioambientais com o


passar do tempo, o que exige mudança de atitude e do seu contexto político, tanto no espaço
quanto no tempo, tornando-se necessário e urgente adotar novas medidas e novos olhares.

No Brasil, país em desenvolvimento e caracterizado, em sua maioria, por democracias


não consolidadas, as particularidades sociais, econômicas, ambientais e políticas exigem uma
adaptação do conjunto de instrumentos que englobam principalmente a dinâmica político-
decisória, de modo a consolidar práticas participativas, acessíveis e realizáveis em todos os
níveis sociais.

É partindo desse contexto socioambiental e político que iremos nos aprofundar,


abordando as questões sobre o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente.
Vamos lá!

T
Ó
P
I
2 QUESTÕES AMBIENTAIS – UMA REFLEXÃO
C
SOCIOAMBIENTAL
O
S
À medida que a população mundial aumenta, cresce também sua capacidade de intervir
E
na natureza na busca de satisfazer suas necessidades e desejos crescentes. Paralelo ao fato,
S
surgem conflitos e tensões quanto ao uso do espaço e dos recursos. P
E
C
I
A
I
S
260 TÓPICO 7 UNIDADE 3

IMPO
RTAN
TE!

Recurso é qualquer coisa que podemos obter do meio ambiente para
satisfazer nossas necessidade e demandas. Em geral são classificados
como:
- Renováveis (ar, água, solo, floresta), desde que não os utilizemos mais
rapidamente do que a natureza possa renová-los.
- Não renováveis (cobre, petróleo, carvão), que somente se tornam úteis
após passarem por processos de engenharia tecnológica, como, por
exemplo, o petróleo, que se converte em gasolina, óleo para aquecimento
e outros produtos (MILLER; SPOOLMAN, 2012).

ÇÃO!
ATEN

Meio ambiente é um conjunto de unidades ecológicas, ou seja, um


sistema natural formado por plantas, animais, micro-organismos, solo,
rochas, ar, água, clima e os fenômenos naturais que podem interferir no
seu equilíbrio dinâmico.

Nesse contexto, chamamos de produção sustentável a maior taxa em que podemos


utilizar um recurso renovável indefinidamente sem reduzir sua oferta. Dentre os recursos não
renováveis está o petróleo, que ameaça se tornar escasso. E não somente esse recurso vem
se destacando na economia mundial, mas também as florestas: se em tempos atrás se retirava
uma árvore, hoje retiram-se centenas por dia. Tempos atrás havia poucas famílias, consumindo
pouca quantidade de água e produzindo poucos detritos. Hoje, nesse mesmo espaço moram
milhões de famílias, logo, toda essa relação se ampliou significativamente, com o consumo de
imensos mananciais e geração de milhares de toneladas de lixo por dia.

Como resultado de tudo isso, temos a degradação ambiental, com perdas da


T
Ó biodiversidade, da vida animal e vegetal, tanto terrícolas quanto aquáticas. E a essa degradação
P ainda se somam as consequências, como: a poluição das águas, o empobrecimento e até
I desertificação do solo, as alterações no clima, a poluição do ar, a crescente violência nos
C
O centros urbanos, entre tantas outras. Entretanto, o modelo econômico que gera riqueza e
S renda, muitas vezes é contraditório, pois não impede o aumento da miséria e da fome (MILLER;
SPOOLMAN, 2012).
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UNIDADE 3 TÓPICO 7 261

IMPO
RTAN
T E!

Degradação ambiental: esgotamento ou destruição de um recurso
potencialmente renovável, como solo, pastagem, floresta ou vida selvagem,
que é usado mais rapidamente do que pode ser naturalmente regenerado.
Se tal uso continuar, o recurso torna-se não renovável (em uma escala de
tempo humano) ou inexistente (extinto). (MILLER; SPOOLMAN, 2012).

ÇÃO!
ATEN

As maiores causas dos problemas ambientais estão no crescimento


populacional, no uso insustentável e pouco eficiente de recursos, na
pobreza e a falta de inclusão dos custos ambientais do uso dos recursos,
nos preços de mercado e bens e serviços.

A exploração dos recursos naturais se intensificou nas últimas décadas e adquiriu


características diferenciadas com a Revolução Industrial, sendo somadas ao desenvolvimento
de novas tecnologias. A demanda mundial pelos recursos provém de uma formação econômica
cuja base é a produção e o consumo desenfreado. E o que se tem atrelado a isso é a exploração
da natureza, de fato responsável por boa parte da destruição dos recursos naturais, base da
economia mundial.

O modelo de desenvolvimento econômico, por muitos anos, decorreu como aquele que
valoriza o aumento de riqueza sem preocupação com a conservação dos recursos naturais. Hoje,
a necessidade vital de conservação do meio ambiente aparece em discussão com parâmetros
sobre as formas de viabilizar o crescimento econômico, explorando os recursos naturais de
forma racional, ou seja, sustentável. (SACHS, 2004)
T
Há muitos questionamentos quanto a esse modelo, tais como: É possível atrelar Ó
desenvolvimento e sustentabilidade? E sem o aumento da destruição? De que tipo de P
I
desenvolvimento se fala? Existe desenvolvimento sustentável ou é um mito? (MONTIBELLER- C
FILHO, 2004). O
S

De forma geral, em todos os espaços os recursos naturais e o próprio meio ambiente E


são prioridades e componentes importantes para o planejamento político e econômico dos S
governos, passando então a ser analisados em seu potencial econômico e vistos como fatores P
E
estratégicos. (SACHS, 2004; ASSADOURIAN, 2010). É nesse contexto que se iniciaram as C
grandes reuniões mundiais sobre o tema, no qual se instituiu o fórum internacional em que os I
países, apesar de suas divergências, passam a estar politicamente obrigados a se posicionar A
I
quanto a decisões ambientais de alcance mundial e a legislar de forma que os direitos e os S
262 TÓPICO 7 UNIDADE 3

interesses de cada nação possam ser detalhadamente equacionados em função do interesse


maior da sociedade e para com o meio ambiente como um todo.

É fundamental que a sociedade atribua regras ao crescimento, à exploração e à


distribuição dos recursos de modo a garantir a qualidade de vida das atuais e futuras gerações
e demais formas de vida. Umas das alternativas para tal se deu ao estabelecer um limite a esse
consumo sustentável. Para isso, realizou-se a primeira Conferência Internacional promovida
pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Estocolmo, em 1972. A segunda foi no Rio
de Janeiro, em 1992, a Rio/92, após aconteceu a Rio+10, em Johanesburgo, África do Sul em
2002, e recentemente a Rio+20 no Rio de Janeiro, em 2012.

3 SUSTENTABILIDADE: SURGIMENTO

O tema da sustentabilidade começou a ganhar corpo em 1968, quando um pequeno


grupo de líderes da academia, indústria, diplomacia e sociedade civil se reuniu num pequeno
vilarejo em Roma, Itália. Esse grupo passou a ser chamado de Clube de Roma. A partir deste,
o tema sustentabilidade foi pauta em conferências mundiais específicas em que se delinearam
conceitos, ações, diretrizes e ementas na busca de promover o chamado desenvolvimento
sustentável. Veja a sequência cronológica dessas importantes trajetórias em âmbito mundial.

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UNIDADE 3 TÓPICO 7 263

QUADRO 13 - HISTÓRICO DAS PRINCIPAIS CONFERÊNCIAS SOBRE


SUSTENTABILIDADE

FONTE: Os autores

T
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3.1 RELATÓRIO BRUNDTLAND OU P
“NOSSO FUTURO COMUM” I
C
O
A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento recomendou que S
se criasse uma nova declaração universal sobre a proteção ambiental e o desenvolvimento
E
sustentável. De tal forma, esse documento foi elaborado e intitulado Relatório Brundtland,
S
também conhecido como “Nosso Futuro Comum”. O relatório trouxe à comunidade global o P
conceito de desenvolvimento sustentável e delineou medidas propostas para integrar a questão E
C
ambiental e o desenvolvimento econômico (CMMAD, 1991). Dentre as medidas propostas no
I
Relatório podemos citar: A
I
S
264 TÓPICO 7 UNIDADE 3

QUADRO 14 - MEDIDAS PROPOSTAS PELO RELATÓRIO DE BRUNDTLAND

Prevensão da biodiversidade e ecossitema Diminuir o consumo de energia

Aumentar a produção industrial nos


Limitar o crescimento populacional países não industrializados à base de
tecnologias limpas

Criar estratégias de adaptação para o


Garantir alimentação em longo prazo desenvolvimento sustentável

Promover o desenvolvimento de tecnologias Implantar um programa de


que admitem o uso de fontes energéticas desenvolvimento sustentável
renováveis

FONTE: Adaptado de CMMAD (1991)

3.2 AGENDA 21

A “Agenda 21” criada pela Cúpula da Terra, organizada pela ONU em 1992, é utilizada
no mundo todo para nortear discussões de políticas públicas e também para ser um “guia para o
planejamento de ações locais que fomentem um processo de transição para a sustentabilidade”,
conforme relatado pela ONU.

Além das questões ambientais e suas problemáticas, a Agenda 21 inclui outros


importantes assuntos, tais como: a pobreza e a dívida externa dos países em desenvolvimento;
padrões insustentáveis de produção e consumo; pressões demográficas e a estrutura da
economia internacional.

A Cúpula da Terra ainda adotou a Convenção sobre a Diversidade Biológica (1992)


T
Ó e a Convenção da ONU de Combate à Desertificação em países que sofrem com a seca,
P particularmente a África (1994).
I
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3.3 CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS
E SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – RIO+20
S
P A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, também
E
C conhecida como Rio+20, foi realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, e teve como temas
I principais:
A
I
S A economia verde no contexto do desenvolvimento econômico sustentável e da
UNIDADE 3 TÓPICO 7 265

erradicação da pobreza; e

A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Como objetivo central, a Rio+20 definiu em seu relatório a seguinte questão: “A


renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação
do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas
sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes”. (CGEE, 2012).

IMPO
RTAN
TE!

A conferência foi intitulada como “Rio + 20” porque marca o vigésimo
aniversário da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).

UNI

Veja relatório completo da Conferência Rio+20 no site: <http://www.rio20.


gov.br>

4 SUSTENTABILIDADE: CONCEITUAÇÃO

Há uma gama de autores que descrevem e conceituam sustentabilidade. Para


Ruscheinski (2003), sustentabilidade possui uma perspectiva dinâmica, o que não a caracteriza
como estática. Para Miller e Spoolmann (2012), é a capacidade dos sistemas naturais da Terra
e dos sistemas culturais humanos de sobreviver e se adaptar às mudanças nas condições
ambientais a longo prazo, conceito que também se refere a pessoas preocupadas em transmitir
um mundo melhor para as gerações vindouras. T
Ó
P
Se formos analisar todas as conceituações, certamente ficaríamos um bom tempo I
discutindo a respeito, pois são distintas as conotações para esse termo, quase sempre em C
comunhão com os desejos e interesses. No entanto, possui um significado intrínseco, histórico, O
S
que revela muito mais do que uma palavra “politicamente correta”. Vejamos como a ONU
aborda a sustentabilidade no seu relatório, associando ao Desenvolvimento Sustentável. E
S
P
UNI E
C
Desenvolvimento Sustentável: “é o desenvolvimento que encontra as I
necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações A
de atender suas próprias necessidades”. Disponível em: <http://www.onu. I
org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/>. S
266 TÓPICO 7 UNIDADE 3

Conforme você pode perceber, o ONU não trata de sustentabilidade como termo
isolado, e sim agregado ao desenvolvimento e com esse os demais índices, por isso a tem
como desenvolvimento sustentável, mas o contexto conceitual da sustentabilidade não para por
aqui. A sustentabilidade está alicerçada em pilares centrais, os quais veremos a partir desse
momento, ampliando assim seu entendimento sobre esse tema.

4.1 OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE

Vamos começar o estudo e entendimento dos importantes pilares da sustentabilidade


de uma forma diferente. Analise a figura a seguir e reflita que dimensões você encontra para
formar os pilares da sustentabilidade. Vamos lá!

FIGURA 48 - REPRESENTAÇÃO DAS DIMENSÕES E SUA RELAÇÃO COM A SUSTENTABILIDADE

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C
FONTE: Disponível em: <http://www.santacruz.br/v4/download/revista-academica/13/cap5.pdf>.
O
Acesso em: 20 mar. 2013.
S

E Vamos nos aprofundar mais a respeito das dimensões identificadas nessa figura que
S alicerçam o desenvolvimento sustentável (SACHS, 2002). Vamos abordar os seguintes pontos:
P
econômico, social, ambiental, cultural, espacial, político e psicológico.
E
C
I • Sustentabilidade econômica (conhecida pelo dito popular economicamente viável):
A significa uma alocação eficiente dos recursos, respeitando o meio ambiente e o
I
S bem-estar das pessoas. A principal medida dessa dimensão é dada justamente por
UNIDADE 3 TÓPICO 7 267

critérios sociais, que pressupõem o investimento equilibrado de recursos privados


e públicos na economia.
• Sustentabilidade social (conhecida pelo dito popular socialmente justo): consiste
em um desenvolvimento que reduza as desigualdades sociais e promova a igualdade.
As ações devem abranger não só as necessidades materiais das pessoas, mas
também as não materiais.
• Sustentabilidade ecológica e ambiental (conhecida pelo dito popular
ambientalmente correto): A ecológica implica em ações que respeitem a
biodiversidade, permitindo o equilíbrio dos ecossistemas. Pressupõe a manutenção
da vida na Terra, permitindo sua continuidade. Atitudes que, além de atender às
necessidades dos indivíduos, preservam os recursos naturais. A ambiental trata-se
de respeitar e realçar a capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais.
• Sustentabilidade espacial ou geográfica ou territorial: as ações buscam
desenvolver equitativamente todas as regiões, inclusive com ações que evitem a
concentração excessiva de população em determinadas regiões, em detrimento de
outras. Procura ainda equilibrar a população urbana com a do campo e desenvolver
ações locais.
• Sustentabilidade cultural: pressupõe um desenvolvimento que respeite a
pluralidade cultural existente. As ações devem respeitar a especificidade de cada
sistema, de cada local, inclusive na resolução dos problemas.
• Sustentabilidade política (nacional e internacional): tem por base a democracia e a
apropriação universal dos direitos humanos; além do desenvolvimento da competência
do Estado para implementar os projetos em parceria com empreendedores. No
aspecto internacional, tem sua eficácia na prevenção de guerras, garantia da paz,
aplicação do princípio da precaução na gestão do meio ambiente, recursos naturais
e preservação da biodiversidade e da diversidade cultural; gestão do patrimônio
global como herança da humanidade.

Ressalta-se, por fim, que a dimensão psicológica é incorporada ao estudo devido ao


relacionamento com o ser humano e com as dimensões culturais, sociais, políticas e econômicas T
(MENDES, 2009). Ó
P
I
Esse é um momento de refletir, discutir com os colegas e ampliar a visão a respeito C
do tema em questão. Para ampliar sua discussão, analise a figura a seguir e discuta sobre O
sustentabilidade. S

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268 TÓPICO 7 UNIDADE 3

FIGURA 49 - DESEMPENHO DAS NAÇÕES COM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO


SUSTENTÁVEL – QUANTOS PLANETAS?

Obs.: Ecológique = ecológica.


FONTE: Louette (2007)

5 AS FERRAMENTAS PARA A GESTÃO


SUSTENTÁVEL

Dentre algumas ferramentas e organismos internacionais e as normas brasileiras que


auxiliam as organizações a desenharem seu caminho para o desenvolvimento sustentável,
T
Ó temos as seguintes.
P
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UNIDADE 3 TÓPICO 7 269

QUADRO 15 - ORGANISMOS E FERRAMENTAS INTERNACIONAIS E NORMAS DE


CERTIFICAÇÃO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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FONTE: Adaptado de Louette (2007) C
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270 TÓPICO 7 UNIDADE 3

5.1 PACTO GLOBAL

O Pacto Global adotou dez princípios universais, derivados dos direitos humanos,
dos direitos do trabalho e do conceito de sustentabilidade, que fazem parte da Declaração
Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho, da
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992) e de Copenhague (2004).
Os dez princípios do Pacto Global constam na Figura 50.

FIGURA 50 - PRINCÍPIOS DO PACTO GLOBAL

socioambiental

FONTE: Disponível em: <http://relatorioanual2010.oi.com.br/wp-content/uploads/2011/05/D2_01_tabela-


pacto-global.gif>. Acesso em: 14 maio 2015.

T
Ó
P 5.2 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO
I DO MILÊNIO - ODM
C
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S É uma ferramenta estabelecida na forma de um documento que estabelece um conjunto
de oito objetivos, 18 metas e 48 indicadores para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza
E
em todos os países do mundo. Esses devem ser cumpridos até 2015, conforme definido pelos
S
P países membros da ONU no ano de 2000. (LOUETTE, 2007).
E
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UNIDADE 3 TÓPICO 7 271

FIGURA 51 - OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO

FONTE: Disponível em: <http://www.portalodm.com.br/images/noticias/2011-01-20_especialista-


propoe-novos-objetivos-do-milenio-pos-2015_gg.jpg>. Acesso em: 14 maio 2015.

5.3 PROTOCOLO DE QUIOTO

O Protocolo de Quioto é um tratado internacional com compromissos compulsórios para


a redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa, legitimados por crescentes
pesquisas científicas, como causa do aquecimento global e consequente variabilidade climática.

UNI
Os seis gases de efeito estufa monitorados pelo Protocolo de Quioto
são: o dióxido de carbono (CO2); metano (CH4); óxido nitroso (N2O);
hidrofluorocarbonos (HFCs); perfluorocarbonos (PFCs); e hexafluoreto de
enxofre (SF6).

O tratado originou-se em Toronto em 1988, seguido pelo IPCC (Painel Intergovernamental T


sobre Mudanças Climáticas) e culminou com a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Ó
P
a Mudança Climática (UNFCCC) na Rio-92. O objetivo do Protocolo de Quioto é obrigar os I
países desenvolvidos a reduzirem a quantidade de gases poluentes com metas de curto, médio C
e longo prazo. (LOUETTE, 2007). O
S


E
A!
NOT S
P
E
O IPCC é o principal organismo internacional responsável pelas pesquisas
e informações sobre a evolução das mudanças climáticas no mundo, seus C
potenciais impactos ambientais e socioeconômicos. Foi estabelecido pela I
Organização das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e a Organização A
Meteorológica Mundial (OMM). I
S
272 TÓPICO 7 UNIDADE 3

5.4 ABNT NBR 14064 – INVENTÁRIO DE


EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA

A ABNT NBR ISO 14064 é uma série de normas que estabelecem diretrizes e
procedimentos para ações, a saber:
• Projetos MDL: Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
• Inventários de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE): documento que relata as
fontes e sumidouros de gases de efeito estufa e quantifica-os em uma organização.
• Projetos de redução de emissões de gases e a verificação e gestão dos GEE.

NOT
A!

MDL: projetos previstos no Protocolo de Kyoto, criados para ajudar os
países Anexo I (países desenvolvidos com grandes emissões de GEE
históricas e que aderiram ao Protocolo de Kyoto) a atingirem suas metas
de reduções de emissões de gases de efeito estufa a menores custos
e com maior efetividade. Os projetos de reduções de emissões de GEE
são realizados em Países Não Anexo I (países em desenvolvimento com
reduzida emissão histórica de GEE) sendo financiados pelos Países
Anexo I, por meio da compra dos créditos de carbono (valor monetário
correspondente a um volume determinado de emissões de GEE que são
reduzidos por meio da implementação de Projetos MDL).

LEITURA COMPLEMENTAR

Segurança Pública brasileira é improdutiva, violenta e reproduz desigualdades

Relatório final da Comissão da Verdade paulista sistematiza historicamente o viés


repressivo da polícia e pede a desmilitarização e a unificação das polícias

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UNIDADE 3 TÓPICO 7 273

Apenas a polícia brasileira foi responsável por seis mortes por dia, em 2013, reflexo da
ideologia militar da corporação, segundo o relatório da Comissão. Hoje, o Brasil é responsável
por um em cada dez homicídios no mundo.

"A Polícia Militar tem uma organização e formação preparada para a guerra contra um
inimigo interno e não para a proteção. Desse modo, não reconhece na população pobre uma
cidadania titular de direitos fundamentais, apenas suspeitos que, no mínimo, devem ser vigiados
e disciplinados, porque assim querem os sucessivos governantes, ontem e hoje." Essa é a
conclusão do capítulo sobre a militarização da polícia brasileira, presente no relatório final da
Comissão da Verdade "Rubens Paiva", divulgado nesta quinta-feira 12.

Através de um estudo histórico, que recupera a formação das polícias brasileiras


desde o período colonial, o relatório sistematiza o modelo escolhido pelo Brasil para formar
seus policiais e sugere uma profunda reforma da Segurança Pública a fim de acabar com o
crescimento recorde de mortes de civis e policiais e com a "improdutividade" das corporações,
que hoje estão divididas em duas polícias, cada uma com duas carreiras.

O debate sobre a necessidade de reformar a Segurança Pública brasileira não é


exclusividade da Comissão da Verdade. Segundo pesquisa Datafolha de 2014, a segurança
já é a segunda maior preocupação dos brasileiros. E não é à toa. Hoje, o Brasil é responsável
por um em cada dez assassinatos cometidos no mundo. Diariamente, 154 pessoas são mortas
no país. Por outro lado, fontes extraoficiais estimam que o número de pessoas presas no Brasil
já beira 600 mil, o que faz do país o terceiro maior em população carcerária do mundo, apenas
atrás de Estados Unidos e China. Em 12 anos, o crescimento carcerário brasileiro foi de mais
de 620%, enquanto o populacional foi em torno de 30%.

Uma das causas deste cenário de caos reside, segundo o relatório, na incapacidade
da Polícia Militar se adaptar ao regime democrático. "A Polícia Militar foi e continua sendo
um aparelho bélico do Estado, empregada pelos sucessivos governantes no controle de seu
inimigo interno, ou seja, seu próprio povo, ora conduzindo-o a prisões medievais, ora produzindo T
uma matança trágica entre os residentes nas periferias das cidades ou nas favelas", afirma o Ó
texto. Segundo o documento, a concepção militar da polícia é voltada para o controle político P
I
e não para a prevenção da violência e criminalidade. A avaliação do relatório é reforçada por C
levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Anistia Internacional. Segundo O
estas organizações, a polícia brasileira matou, em média, seis pessoas por dia, em 2013. No S
ano anterior, 30 mil jovens brasileiros foram mortos, sendo 77% deles negros. E
S
A alta letalidade policial e suas práticas repressivas não foram, no entanto, as únicas P
E
marcas deixadas pela ditadura na gestão da segurança pública brasileira. Em depoimento C
prestado à Comissão, o ex-funcionário da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Luiz I
Eduardo Soares, revelou que até meados dos anos 2000, policiais militares ainda recebiam A
I
aulas de tortura nas corporações. "Nós nos esquecemos de que a transição (democrática) S
274 TÓPICO 7 UNIDADE 3

passou de forma insuficiente pelas áreas da Segurança Pública", disse. “Até 1996, na formação


da Polícia Civil do Rio de Janeiro havia aulas sobre como bater. Não é defesa pessoal, porque
é indispensável, é como bater. O Bope oferecia, até 2006, aulas de tortura. E não estou me
referindo, portanto, apenas às veleidades ideológicas de um e de outro, nós estamos falando
de procedimentos institucionais”, completou Soares, que também é ex-secretário de Segurança
Pública do Rio de Janeiro.

Assim como no período ditatorial, os assassinatos e a tortura exercidos pelos agentes


públicos seguem, na maioria dos casos, impunes. A ONG Conectas Direitos Humanos analisou,
em 2014, 455 decisões de todos os Tribunais de Justiça do Brasil sobre denúncias de torturas.
Ao final, o levantamento constatou que policiais e funcionários do sistema prisional condenados
em um primeiro julgamento foram absolvidos, na segunda instância, em 19% dos casos. Entre
agentes privados, o índice de absolvição cai praticamente pela metade (10%).

A dependência da polícia por parte de órgãos investigativos e de perícia, como o


Instituto Médico Legal (IML), é uma das razões para a impunidade em casos de violência
policial. "É como se um colega produzisse provas contra outro, o que implica em conflitos de
interesse", afirma Vivian Calderoni, advogada da Conectas. O mesmo raciocínio é utilizado
pelo documento da comissão em relação às mortes decorrentes de conflito com a polícia,
os chamados autos de resistência. "Não há investigação  sobre os autos de resistência, o
que garante, através da impunidade, a  permissividade dos crimes, com aval e promoção
institucional", afirma o documento. Atualmente, existem diversos projetos pelo fim dos autos
de resistência no Congresso, porém, todos estão emperrados na burocracia do parlamento.

Levantamentos, como o da ONG Conectas, revelam que a cultura de uma polícia


repressiva e, muitas vezes, impune, é uma realidade nacional. De acordo com o Fórum Brasileiro
de Segurança Pública, a tropa mais letal do país é a do Rio de Janeiro, seguida pela de São
Paulo, depois Bahia e Pará, "estados governados por partidos políticos diferentes, o que sugere
que essa cultura carcerária é compartilhada por diversas forças políticas", diz a comissão.
T
Ó Por outro lado, o Brasil também possui o recorde de policiais assassinados no mundo:
P 490 em 2013, 43 a mais do que em 2012. Por conta disso, a proposta de desmilitarização policial
I
C encontra grande aceitação entre os policiais de baixa patente. Uma pesquisa da FGV, de 2014,
O mostra que 73,7% dos policiais apoiam a desmilitarização. Segundo a mesma pesquisa, entre
S os policiais militares, o índice sobe para 76,1%.

E
S Ao todo, estima-se que os custos ligados à violência, em 2013, giraram em torno
P de 258 bilhões de reais, sendo que a maior decorreu da perda do capital humano, com mortes
E
C e invalidez, representando 114 bilhões de reais.
I
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UNIDADE 3 TÓPICO 7 275

Uma história de repressão

Do ponto de vista da organização e instrução, a polícia brasileira, do Brasil Colônia até


a República, se constituiu como uma força militar, com a finalidade de garantir a ordem interna
e, por vezes, ser o exército da elite do Estado ou província. No Brasil colônia, por exemplo,
uma das funções da polícia era garantir a submissão dos escravos. Já na República, a polícia
paulista era caracterizada como uma força militar estadual, ou seja, um pequeno exército a
serviço da elite cafeeira.

No entanto, foi em 1967, com o decreto da Doutrina de Segurança Nacional, que se


fortaleceu a ideia das polícias como forças repressivas com o intuito de combater um inimigo
interno, no caso, o comunismo ou a subversão. "Com a criação da Doutrina de Segurança
Nacional se criou a figura do inimigo interno. O Exército tem o seu inimigo externo, mas na
Doutrina de Segurança Nacional se cria a figura do inimigo interno, que é para fazer o combate
à luta armada", afirma o coronel reformado da Polícia Militar Fábio Gonçalves, em depoimento.

Em 1969, o presidente ditador Costa e Silva, outra vez por meio de decreto, reorganiza
as polícias militares. No mesmo ano, tem início a  Operação Bandeirante,  um  órgão de
repressão política criado por acordo entre as Forças Armadas e a Polícia Militar paulista, sob
ordem do governo estadual e com apoio político e material de empresários. No ano seguinte,
a relação entre militares e policiais militares se intensifica e cria-se o DOI-Codi (Destacamento
de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), que posteriormente
terá sua atuação nacionalizada com órgãos semelhantes fora do Estado de São Paulo.

Segundo o relatório, é neste bojo que acontece a unificação da Força Pública e Guardas
Civis Estaduais, consolidando a Polícia Militar como a conhecemos hoje. "[Graças ao] golpe
dentro do golpe [AI-5] que se militarizam ao extremo as forças de segurança, centraliza-se o
comando, o controle, a coordenação do sistema", diz o relatório.

Nesse sentido, o relatório sugere a desmilitarização e unificação das polícias, com o T


fim da duplicidade das carreiras policiais, como medida fundamental para reverter o caráter Ó
repressivo das forças de segurança civil. Além disso, pede-se a revogação dos decretos P
I
que  integram a  P/2 das Polícias Militares ao Serviço Secreto do Exército, produtos legais C
também da ditadura civil-militar. O
S
FONTE: Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/seguranca-publica-brasileira-e-
improdutiva-violenta-e-reproduz-desigualdades-3055.html>. Acesso em: 30 maio 2015. E
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276 TÓPICO 7 UNIDADE 3

RESUMO DO TÓPICO 7

Neste tópico vimos:

• Recurso é qualquer coisa que podemos obter do meio ambiente para satisfazer nossas
necessidades e demandas. Em geral são classificados como renováveis (ar, água, solo,
floresta) e não renováveis (cobre, petróleo, carvão).

• A exploração dos recursos naturais se intensificou nas últimas décadas e adquiriu


características diferenciadas com a Revolução Industrial, somadas ao desenvolvimento de
novas tecnologias.

• As maiores causas dos problemas ambientais estão no crescimento populacional, no uso


insustentável e pouco eficiente de recursos, na pobreza e a falta de inclusão dos custos
ambientais do uso dos recursos nos preços de mercado e bens e serviços.

• Para se discutir os problemas ambientais se instituiu o fórum internacional, em que os


países, apesar de suas divergências, passam a estar politicamente obrigados a se posicionar
quanto a decisões ambientais.

• Os importantes movimentos que abordaram a sustentabilidade:


• Relatório Brundtland ou “Nosso Futuro Comum”
• Agenda 21
T • Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20
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UNIDADE 3 TÓPICO 7 277


IDADE
ATIV
AUTO

1 A sustentabilidade não está atrelada unicamente à área ambiental e sim essa somada
ao equilíbrio dinâmico do conjunto das relações sociais, econômicas, culturais, espaciais e
psicológicas, ou seja, é esse conjunto que alicerça o desenvolvimento sustentável de fato.
Com relação às diretrizes e ferramentas que auxiliam as organizações a desenharem seu
caminho para o desenvolvimento sustentável, relacione as colunas:
Ferramenta para desenvolvimento de inventários
A – PACTO GLOBAL ( ) de emissões de gases de efeito estufa e projetos
para sua mitigação.
Estabelece um conjunto de objetivos para o
B – PROTOCOLO DE
( ) desenvolvimento e a erradicação da pobreza no
KYOTO
mundo.
Resposta às ameaças que assolam o planeta,
C - AGENDA 21
( ) principalmente com a terra, como forma de se pensar
articuladamente os muitos problemas socioambientais.
D- RELATÓRIO Compromissos com a redução das emissões dos
( )
BRUNDTLAND gases que provocam o efeito estufa.
Diretriz utilizada no mundo todo para nortear
discussões de políticas públicas, sendo um
E – RIO+20 ( ) “guia para o planejamento de ações locais que
fomentem um processo de transição para a
sustentabilidade”.
Conferência em que ocorreu a renovação do
F – NBR ISO 14064 ( ) compromisso político com o desenvolvimento
sustentável.
Ferramenta ou acordo para empresas que pretende T
G - CARTA DA TERRA conciliar a força do mercado aos ideais dos direitos Ó
( ) P
humanos, levando-se em conta os impactos sociais e
I
ambientais. C
Relatório que trata da declaração universal O
H – METAS DO MILÊNIO ( ) sobre a proteção ambiental e o desenvolvimento S
sustentável (Nosso Futuro Comum).
E
S
2 O termo sustentabilidade é flexível, dinâmico e não consensual na academia. Em P
meio às inúmeras definições e controvérsias do termo, esse ainda possui um sentido E
C
próprio, o qual nós (empresas, organizações, sociedade) buscamos alcançar. Fale a
I
respeito de seu real significado. A
I
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278 TÓPICO 7 UNIDADE 3

3 A palavra sustentabilidade traz consigo a relação do desenvolvimento sustentável.


Dessa forma, pergunta-se: o que é uma sociedade sustentável? É possível atrelar
desenvolvimento sustentável e sociedade sustentável?

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UNIDADE 3 TÓPICO 7 279

IAÇÃO
AVAL

Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final


da Unidade 3, você deverá fazer a Avaliação referente a esta
unidade.

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280

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