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Índice
1. Introdução......................................................................................................................3

2. Conceito Família...........................................................................................................4

2.1. O ciclo vital da família e o envelhecimento...............................................................5

3. Princípio da Proteção Integral.......................................................................................7

3.1. O Papel do Idoso na Família......................................................................................8

3.2. A Função da Família................................................................................................10

3.3. A Função da Família na Vida do Idoso....................................................................10

3.4. Ambiente extrafamiliar do Idoso..............................................................................13

4. Conclusão....................................................................................................................15

Bibliografia......................................................................................................................16
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1. Introdução

Nos últimos anos, o processo de envelhecimento e as implicações decorrentes desse processo


têm motivado estudos e preocupações no mundo inteiro. Os impactos das transformações de
natureza humana, implicam em grandes mudanças na sociedade, com reflexo direto sobre o
trato para com a pessoa idosa na sociedade, na família e seus direitos, o que se estende às
estruturas dos serviços. O envelhecimento é considerado uma situação delicada e dolorosa
para muitos idosos. Com frequência, eles se veem fronte a solidão, à falta de apoio da
sociedade, à dificuldade em lidar com o próprio processo de envelhecimento, o abandono
familiar, as dificuldades para se manter financeiramente, o que também pode desencadear
patologias físicas e psíquicas.

A própria transformação social dos últimos anos, incluindo os novos princípios familiares, o
grande número de separações, o avanço tecnológico e científico de domínio dos mais jovens e
a incorporação da mulher no trabalho fora do seu lar, são causas que contribuem para a falta
de apoio aos idosos (MARIN et al., 2012).

A velhice ao longo dos séculos não foi sempre vista da mesma maneira. A posição ocupada
pelos velhos na sociedade, na literatura, nas artes, na política, na família não foi sempre a
mesma. O envelhecimento da população é um dos problemas do século XXI. Juntamente,
com a alteração da estrutura familiar, e com a perda, por vezes, de algumas das funções que
antes eram asseguradas pela família, um dos grupos da população que tem ficado mais
vulnerável, é o dos idosos. O presente trabalho tem como seu objeto de estudo, principalmente
o papel da Família e ambiente extrafamiliar no desenvolvimento do idoso. A metodologia
utilizada passou por uma revisão bibliográfica através da pesquisa de livros, artigos, teses,
notícias de jornais, documentos da web site.
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2. Conceito Família

A Família é popularmente conhecida como o conjunto de pessoas que, com algum grau de
parentesco, vivem na mesma residência e assim formam um lar. De acordo com Medeiros e
Osório (2001, p. 06) “famílias são instituições com várias características, como laços de
parentesco e normas de relacionamento que determinam direitos e obrigações de várias
espécies a seus membros”.

A família é uma instituição que, via de regra, possui grande valor em todas as camadas sociais
tendo em vista que sua função principal é cuidar, zelar e proteger seus membros; entre outras
responsabilidades. Com toda a carga social existente sobre o núcleo familiar, de forma visível
e significativa, se esquiva do compromisso e da responsabilidade com a proteção social da
população.

A família é a fonte primária de suporte social informal, onde se almeja uma atmosfera
comum, de aquisição de competência e de interação entre os membros (Pelzer & Fernandes,
1997 apud TORRES et al, 2004).

A Família faz parte da cultura desde tempos mais recentes, e é reproduzida por intermedio dos
diversos espaços de socialização e dos vários aparelhos ideológicos, como, por exemplo; a
escola e a igreja (Calderon & Guimarães, 1994 apud ALCANTARA, 2004).

Logo, a família, toma para si a responsabilidade pelos seus membros e, enfrenta uma série de
consequências naturais da evolução do ser humano. Entre elas, destaca-se o envelhecimento e
a atividade do cuidado com o idoso, doente ou não.
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2.1. O ciclo vital da família e o envelhecimento

O conceito de idoso não é totalmente claro. Não havendo, em termos jurídicos, uma definição
de pessoa idosa. Em termos estatísticos e de acordo com a Organização Mundial de Saúde,
nos países desenvolvidos é considerada idosa a pessoas com 65 anos ou mais, já nos países
em desenvolvimento é considerada idosa a pessoa com mais de 60 anos. Dentro do grupo dos
idosos, é possível dividi-lo em três subgrupos:

 O grupo dos “velhos-jovens”, que são aqueles que têm menos de 75 anos de idade;
 O grupo dos “velhos-velhos”, que são aqueles com mais de 75 anos;
 O grupo dos “velhos mais- velhos”, que são aqueles que têm 85 anos ou mais.

Com a mudança nos arranjos familiares e o desenvolvimento de novas perspectivas, a família


inicia uma nova fase no seu ciclo vital. O envelhecimento, como processo multidimensional
num todo, integra as mudanças associadas com a passagem do tempo e que, em muitos casos,
alteram a capacitação funcional individual do idoso, sua personalidade, bem como a
afetividade em relação aos familiares e ao meio em que vive. As alterações da estrutura
familiar inerentes à última etapa do ciclo vital da família são caracterizadas por transições
interligadas ao envelhecimento, como processo novo e único. A reconstrução relacional com
as gerações mais novas, aliada às mudanças necessárias decorrentes do envelhecimento,
constitui-se como desafios fundamentais às famílias nesta etapa do seu ciclo. Sendo assim, o
ciclo vital da família é uma sequência de transformações na organização familiar, ou seja, é a
evolução histórica da família, onde as mudanças têm a ver com o desenvolvimento dos seus
membros. No geral, a família desempenha dois papéis principais que caracterizam o ciclo
vital, que são:

 A função interna – proteção dos familiares que a compõem.


 A Função externa, que é a socialização e transmissão de tradições e culturas.

Quando a família assume o cuidado de uma pessoa idosa, ela encontra-se no ciclo da fase
madura ou fase última. De acordo com Cerveny e Berthoud (1997, p.118):

Na fase de maturidade, adultos, pais e filhos desenvolvem suas interações,


organizam e desorganizam, integram e desintegram, constroem e
desconstroem padrões, normas, regras, valores e crenças familiares.
Preenchem as lacunas de seu desenvolvimento com fatos que se perpetuam
intergeracionalmente, transmitidos pelas lealdades de vínculos, afetos e
sangue.
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O envelhecimento representa essa última fase do ciclo vital, as relações familiares nessa fase
serão marcadas por uma nova estruturação de papéis, com a saída de alguns integrantes e a
inserção de novos. Essa intergeracionalidade representa o movimento da família, não sendo
algo parado no tempo, mas circula entre o passado e o futuro, estando ligada num tempo
histórico que sempre explica ao sujeito o seu estar em um grupo fundamental: a família.

Quando o envelhecimento passa a ser visto como um problema, e para o idoso ter significado
de morte, este se coloca ou acaba sendo colocado em uma posição negativa de sua existência;
com isso, a perspectiva de presente e de futuro se fecha e faz nascer um sentimento de perda
da própria existência. O processo do envelhecimento torna-se difícil quando a pessoa idosa é
acometida de alguma doença crônica, grave ou degenerativa, com isso é necessário um
cuidado intenso; pois a perda de autonomia para as atividades da vida diária, geralmente, é o
primeiro fator a ser verificado. Quando isso ocorre, a família se vê, por incumbência das
circunstâncias, obrigada a tomar as providências necessárias quanto aos procedimentos a
serem definidos que nem sempre são os mais precisos ou cabíveis para o momento. Mas, sem
auxílio e sem o respaldo do Estado, geralmente as famílias se veem abandonadas e sem apoio
do setor público quando o assunto é cuidado familiar.

Os estudos sobre o envelhecimento mostram que a saúde na velhice depende muito de


hábitos de vida saudáveis e de cuidados que a pessoa recebeu ao longo de toda a vida,
a partir da infância e até mesmo antes de nascer. Esses estudos permitem afirmar que
velhice não é doença. No entanto, sabemos também, que as pessoas idosas são, em
geral, mais vulneráveis, isto é, ficam mais sujeitas a adoecer e, quando adoecem,
demoram mais para sarar. Numa população envelhecida, isto é, onde há grande
proporção de pessoas de 60 anos e mais, em relação aquelas que têm menos de 15
anos, há aumento de doenças crônicas, isto é, doenças que não tem cura, como pressão
alta, diabetes, reumatismos, doenças do coração, do pulmão, do fígado, demência,
câncer etc. que podem deixar marcas e complicações, levando a incapacidades,
dependência, necessidade de cuidados de longa duração e instituições de longa
permanência. (BORN, 2008 p. 113).

Sendo assim, conclui-se que superar os preconceitos e oferecer garantias de um


envelhecimento mais pleno, satisfatório e com respeito, é obrigação de todos. Logo, é
necessária uma reflexão sobre a própria velhice do indivíduo, bem como a construção de um
futuro com vivência mais positiva, tranquila e facilitada. Afinal, pressupõe-se que será uma
etapa a ser vivida por todos.
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3. Princípio da Proteção Integral

Assim, como uma criança que necessita de cuidados, proteção, amor e carinho, uma pessoa
idosa também o necessita. O envelhecimento como já dito, não é apenas um processo
biológico, em que a pessoa perde massa muscular, tem os cabelos embranquecidos pela ação
do tempo, expressões na face, mas algo que ultrapassa os limites da senescência, atingindo o
psicológico e o social.

Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem incluiu, no seu artigo 25.º, a
primeira referência aos direitos das pessoas idosas:

Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a
saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à
assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança
no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou outros casos de perda de
meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

Há idosos que dado o ritmo de vida, as precauções que tiveram com a saúde ao longo dos
anos e até mesmo a fé que professaram, não necessitam de tantos cuidados, possuindo
capacidade física, para se locomoverem, e psíquica, para a prática dos atos da vida civil. No
entanto, outros por questões relacionadas à genética e pelo modo de vida, encontram-se
dependentes em todos os aspectos de seus entes familiares.

Com a aposentadoria, o sujeito até então ativo, processa suas atividades e conseqüentemente,
seus planos de vida. Surge o sentimento de que já não tem função alguma, que o seu lar não
condiz com as suas idéias e que o tempo de se entregar a morte chegou.

O mercado de trabalho e os padrões de beleza divulgados pela mídia os excluem. A aparência


e os conhecimentos exigidos não são os desejados, o que acarreta em uma frustração interior,
levando a depressão. É necessário que se proteja integralmente os idosos, desde o aspecto
físico até o psicológico, proteção essa, que não deve ser sufocante ao ponto de desconsiderar
as opiniões e os gostos dos idosos.

No ano de 1991, são aprovados, através da Resolução das Nações Unidas 46/91, os Princípios
das Nações Unidas sobre as pessoas idosas. Esta resolução contém normas de carácter
universal, para as pessoas idosas, em cinco campos principais:

 Princípio da dignidade, que garante condições dignas de vida, de segurança e justiça;


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 Princípio da autonomia, cujo objetivo consiste em reforçar a autonomia das pessoas


idosas, proporcionando rendimento digno, acesso à formação pessoal e uma
participação ativa na família e na sociedade;
 Princípio do desenvolvimento pessoal, que se destina a reescrever a terceira idade
como fase de desenvolvimento a ser promovida ao nível da educação, da cultura, dos
tempos livres;
 Princípio do acesso aos cuidados básicos, que foca a dimensão da saúde;
 Princípio da participação ativa na sociedade, que tenta materializar as ideias expressas
nos enunciados anteriores, nomeadamente ao nível da emancipação pelo envolvimento
dos indivíduos na definição e aplicação das políticas que, direta ou indiretamente,
interferem na sua qualidade de vida.

3.1. O Papel do Idoso na Família 

A sociedade impõe imperativos de produção, agilidade e modernidade. O idoso, por questões


biológicas, pode apresentar algumas limitações ou pequenas dificuldades, mas isso não
significa a incapacidade de realizar tarefas. Porém, na perspectiva social atual, o idoso é
considerado muitas vezes como um incômodo, por não atuar na velocidade e na maneira que
os jovens julgam mais corretas ou mais adequadas. Segundo Beauvoir (1990, p. 265), “é a
classe dominante que impõe às pessoas idosas seu estatuto; mas o conjunto da população ativa
se faz cúmplice dela”.

O idoso não pode ter o seu papel na família definido pelas expressões que traz no rosto, por
feições resultantes dos longos anos, mas pelas suas experiências e conhecimentos. A idade é
algo meramente físico, não constituindo fator para que se desrespeite e os exclua da
sociedade, até mesmo porque se pode ser idoso psicologicamente e não ter tantas primaveras.

Na antiguidade, os idosos desempenhavam um papel de suma importância, era respeitado


pelos conhecimentos que possuía, pelas marcas deixadas pelo tempo. Atualmente, a figura do
idoso é como uma “faca de dois gumes”.

As limitações, incapacidades e dificuldades não são problemas apenas dos idosos. Há muitas
crianças, adolescentes, jovens e adultos que possuem dificuldades, devido a diversas causas
patológicas. Assim, torna-se ingênuo considerar a velhice como uma limitação ou deficiência.
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Muitos idosos se aposentam e continuam desenvolvendo alguma atividade, de modo a


complementar a renda familiar e da mesma forma, ter o sentimento de que são úteis. Outros,
porém, ao se aposentarem atingem significativamente a família, comprometendo as finanças.

Denota-se que o papel que o idoso desempenhava nas sociedades primitivas perdeu o seu
prestígio e que sua sabedoria e experiências já não servem pra nada. É como se os sentimentos
de amor e carinho nunca houvessem existido, e que o dinheiro fosse a porção da felicidade.

O impacto de estereótipos negativos para auto percepção levam o idoso a crer que suas
possibilidades de ação se esgotam (LEVY, 2002). Estas considerações trazem impactos
negativos, que resultam na não-aceitação ou distorção desta etapa de vida.

Para que os fatores negativos da velhice sejam ultrapassados ou ao menos amenizados, torna-
se fundamental reconhecer qual é a representação do idoso na sociedade e na família, tal
como seu papel social, exercido ao longo de sua existência, como também nesta etapa. O
papel do idoso foi determinado por costumes e ações provenientes na cultura, como também
no contexto histórico no qual está inserido. “O estatuto da velhice é imposto ao ser humano
pela sociedade à qual pertence, sendo influenciado pelos valores culturais, sociais,
econômicos e psicológicos de uma sociedade que determina o papel e o „status‟ que o velho
terá” (SILVA, 2003, p. 96).

Assim, a função social que é atribuída ao idoso, foi culturalmente constituída. Conforme
afirma Ferrigno (2006) a construção social das gerações se concretiza através do
estabelecimento de valores morais e expectativas de conduta para cada uma delas, em
diferentes etapas da história.

A existência social do idoso representa que este não é apenas um indivíduo, sujeito biológico,
que se restringe a um processo de evolução do nascimento até a morte, pois como afirma
Bazo (1996), “a velhice, mais que um conceito biológico, é uma construção social”. E por se
tratar de uma construção social, deve revestir-se de valor.

3.2. A Função da Família

As funções da família são históricas, elas foram se constituindo ao longo da história,


ganhando peculiaridades em cada formação socioeconómica. Na sociedade burguesa
predomina a família nuclear, apesar dos vários arranjos e experiências familiares.
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Essas funções vão desde a reprodução biológica, material à reprodução social de seus
membros, e logo, de manutenção da estrutura familiar e da sociedade, além de ser também o
lócus da estrutura psíquica do indivíduo, como espaço de geração de afeto, cuidado,
segurança, sentimento de pertença, de grupo, espaço de solidariedade primária.

Mas também é espaço de reprodução da hierarquia, da autoridade, de dominação pela idade e


sexo, logo, local de conflitos e relações de forças, de lutas pelo poder.

As relações de solidariedade como elo que unem os indivíduos no interior das famílias, apesar
dos abalos sofridos pela modernização dos costumes, pelas condições de vida e trabalho da
maioria dos trabalhadores pobres, na sociedade capitalista contemporânea, são
constantemente reconstruídas em novos patamares, como condição de sobrevivência, de
cuidados entre gerações, como as coabitações entre várias gerações e outros arranjos.

Fundamentados nessas reconstruções das relações solidárias de auto-ajuda, ajudas mútuas


espontâneas, os neoliberais ou reformistas, apostam no seu retorno como instância de
proteção social e redução da demandas do Estado, desobrigando-o ou responsabilizando-o
com as refrações da questão social.

Todavia, as famílias estão cada vez mais vulnerabilizadas, em decorrência da luta pela
sobrevivência, o desemprego ou emprego informal, a situação de pobreza, o aumento de
famílias monoparentais, acesso precário aos serviços públicos, limitando seu papel na
proteção social, e tornando imprescindível a intervenção social.

3.3. A Função da Família na Vida do Idoso

Hernandis (2005) refere-se à família como fonte de apoio e ajuda de maior importância,
sobretudo para aqueles idosos com alguma dependência. A família, os amigos e vizinhos são
elementos importantes no cuidado das pessoas idosas. O cônjuge é o elemento preferido pelo
idoso ou pela idosa. Quando o cônjuge está ausente, aí sim, buscam ajuda nas filhas ou filhos,
ou em outros familiares ou ainda em amigos.

Segundo Cabral (1998:18), a idéia da família como refúgio e porto seguro se apresenta no
imaginário de todos nós e aparece de forma recorrente ao longo do tempo, especialmente,
em relação aos grupos mais necessitados de proteção e apoio.

A família como entidade pautada na solidariedade e na afetividade tem o dever de proteger os


seus idosos. É no seio familiar que o idoso encontra forças para superar seus medos e aflições,
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perpassar limites e encarar barreiras. No aconchego do lar é que se sente protegido e amado e
acima de tudo, respeitado por aquilo que representa.

O carinho dos netos, bisnetos e filhos é o bálsamo para os seus conflitos interiores, é o elixir
que faz com que não se sintam seres imprestáveis, cujo único objetivo é a espera da morte.
Geralmente o papel da família é prestar cuidados aos idosos fragilizados, isso insere-se no
âmbito dos valores culturais, que norteiam o curso de vida social e individual.

Consorte Debert (1999:47) o ideal de independência representado pela recusa dos pais
idosos em morar com os filhos, quando gozam de boa saúde, vigora há mais tempo do que
geral se imagina. Muitas vezes, mesmo sendo dependente, quando tem boa situação
econômica o idoso prefere continuar morando em sua residência e pagar um cuidador, do que
ir morar com os filhos.
É necessário destacar a importância que a família tem no processo de prestação de cuidados
aos seus idosos, porém, à medida que aumenta o grau de complexidade dos cuidados que
devem ser prestados, a insegurança pode se fazer presente no núcleo familiar, levando à busca
da figura denominada de cuidador formal. Tal situação é observada também quando na
família ninguém assume para si a tarefa de cuidar do idoso.

Segundo Neri (2002), os cuidadores familiares criam várias estruturas de cuidado que diferem
de acordo com o tipo e a combinação de apoios oferecidos. Os idosos mais dependentes e os
mais pobres provavelmente são cuidados por estruturas mais complexas, que envolvem filhas,
noras, netos, sobrinhos, vizinhança e amigos; não em virtude das características dos idosos ou
dos cuidados prestados, mas por causa da co-residência, das necessidades de sobrevivência,
que dificilmente permitem que uma só pessoa se dedique em tempo integral ao cuidado.
A prestação de cuidados por uma rede restrita ou por uma rede mais ampla depende também
de valores culturais, do estilo de vida das famílias e da personalidade dos envolvidos, o que
determina.
Já Chauí (1994) considera que proporcionar cuidados pode acarretar demandas econômicas,
físicas, afetivas e sociais, interferindo nas relações Inter geracionais, se constituindo um
momento delicado e particular na vida de uma família.
Na convivência familiar, surgem frequentemente impasses e bloqueios, desencadeando
sintomas emocionais que podem levar a conflitos entre os membros da família, causando um
desconforto que irá afetar a rotina diária, e em conseqüência a esse desconforto, o estresse
familiar.
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Nesses momentos críticos de transição, a família passa a enxergar a situação presente como
eterna. Quando se auxilia a família a perceber a relação entre os sintomas de uma doença e a
atual crise vital, introduzindo a noção de transitoriedade e impermanência, vive-se uma
experiência que ajuda a família a entender a real situação em que se encontra.
Através da descrição das vivências dos idosos, a família assume a expressão em três formas,
no contexto do envelhecimento condigno:

 A Família é expressa como fonte de dignidade. É através da família que o idoso sente
que a sua dignidade é preservada. Dignidade esta que assume diversas expressões.
 A Família é também vista como fonte de relações e sentimentos controversos. Por
vezes, o próprio ambiente familiar e o conjunto de relações entre os diversos
elementos gera relações e sentimentos controversos, quer sentidos pelo idoso, quer
pela sua família, originando desta forma sentimentos menos positivos.
 A Família é encarada como um ponto de equilíbrio na vida do idoso. Quando a
experiência familiar se demonstra menos positiva, o idoso, por vezes, procura outro
ambiente familiar de modo a encontrar esse ponto de equilíbrio. Este equilíbrio está
relacionado com a afectividade e a diversa expressão de afectos.

Contudo, as relações familiares estão formadas em afeto, sentimentos de reciprocidade e de


obrigação. Apesar das transformações e das diferenças entre as famílias, elas ainda atendem
funções básicas para os idosos. Para estes, a família ainda é a principal fonte de ajuda e de
apoio tanto nas atividades domésticas como nas da vida diária: companhia, e afetos entre
outras.

3.4. Ambiente extrafamiliar do Idoso

A importância da qualidade do relacionamento entre o idoso e a sua família é salientada por


Gaiarsa (1986) e Mazo (2001), ao afirmarem que um idoso esquecido ou com tratamento
inadequado em muitos casos sugere uma vingança inconsciente por parte das pessoas do seu
convívio, relativas às vivências anteriores, embora também possam ocorrer devido a não
adaptação do idoso à família após dedicar toda sua vida ao mundo do trabalho, ao conflito de
gerações, às divergências de comportamento, à dependência química e ou alcoólica por parte
do ancião, às limitações financeiras e à escassez de relacionamentos sociais, dentre outras
possibilidades.
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Ao deixar a habitação familiar, o idoso vivencia um processo de adaptação que pode ser mais
ou menos impactante, conforme a maneira como ele vier a lidar com essa nova realidade
(IMAGINÁRIO, 2004). Para a maior parte dos idosos, o ingresso em uma instituição
“significa uma ruptura com uma comunidade e a adoção de outra” (CAMARANO, 2007,
p.182), neste âmbito o impacto familiar, tem um enorme peso, pois é dela a responsabilidade
de fazer um verdadeiro acompanhamento ao idoso para uma ligeira e devida adaptação.

Tavares (2007) demonstra que, por alguns casos, sem o devido apoio familiar, grande parte
dos idosos isola-se das pessoas ao redor e ficando numa defensiva de convivência social e
emotiva.

Embora o período de adaptação à instituição, pessoas ou lugares seja bastante delicado,


Lemos (2005) afirma que o processo de integração do idoso à estes locais de extra
convivência familiar, pode ser amenizado consideravelmente se forem mantidas as relações
com o que o autor chama de “mundo exterior”, ou seja, com a sua família e os seus amigos. A
seu ver, a presença constante das pessoas que compõem seus círculos familiar e social afasta o
sentimento e solidão por parte do idoso e contribui para que ele evite o isolamento e, assim,
tenha uma adaptação amena à instituição.

Sousa (2012), a família quando é participativa e se interessa por assuntos relacionados ao


idoso, mantém bom relacionamento com ele e está sempre pronta para atender às demandas
dele. A família quando é pouco participativa não visita ou dá atenção o idoso com frequência,
demora em atender às solicitações do idoso. Já a família desinteressada, não visita o idoso ou
o faz raramente e não mantém bom relacionamento com a instituição.

Como bem colocam Bastiani e Santos (2000), a família segue sendo o centro da vida dos
idosos, mesmo quando esses estão fora do seu convívio. É a família que transmite ao idoso o
sentimento de ser aceito, amado, e lhes agrega o incentivo e o ânimo necessários à retomada
de perspectivas positivas, mas nem todos eles têm a felicidade de ter uma família acolhedora e
equilibrada. Logo, como resumem Coutinho e Saldanha (2006), o papel da família é
fundamental para que o idoso se sinta amparado, sendo que a perda desses laços
frequentemente agrava a limitação da capacidade física e piora seu estado de saúde.
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4. Conclusão

A velhice é uma das fases da vida que leva o ser o humano a lidar com situações de difícil
enfrentamento, das quais, considera-se a mais importante: a ausência familiar, mesmo estando
com eles. A perda da autonomia gera a necessidade de cuidados alheios, levando os idosos a
serem esquecidos e a institucionalização em casas de longa permanência se torna a única
saída.

Observamos o quanto é importante a família para o idoso. É na família que o idoso irá
encontrar todo o apoio que precisa, suporte emocional, afetivo, amparo e segurança. Porém,
ela deve estar preparada para enfrentar as mudanças que acompanham o processo de
envelhecimento, só assim, poderá haver harmonia no ambiente familiar.

A família possui características específicas, que não se encontra em outras associações ou


grupos humanos, características que derivam de sua própria natureza, fundamentais para o
desenvolvimento harmônico da pessoa humana e, conseqüentemente, para o bem da
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sociedade. Há um relativo consenso de se manterem ambientes familiares mesmo entre


aqueles idosos que não possuem vínculos parentais, pois, segundo especialistas, a manutenção
de ambientes familiares é a forma mais adequada para se promover o bem-estar dos idosos.

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