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CUSTEIO POR ABSORÇÃO CONTÁBIL

Custeio por Absorção é o método derivado da aplicação dos Princípios


Fundamentais de Contabilidade, é aquele que faz debitar ao custo dos
produtos todos os custos da área de fabricação, sejam esses custos definidos
como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou
operacionais. O próprio nome do critério é revelador dessa particularidade, ou
seja, o procedimento é fazer com que cada produto ou produção ou serviço
absorva parcela dos custos diretos e indiretos, relacionados à fabricação.
Esse método foi derivado do sistema desenvolvido na Alemanha no
início do século XX conhecido por RKW (Reichskuratorium für
Wirtschaftlichkeit).
Todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos
(rateados) para todos os produtos feitos. A distinção principal do custeio por
absorção é entre custos e despesas, uma vez que as despesas são jogadas
imediatamente contra o resultado do período, enquanto os custos de produtos
em elaboração e dos produtos acabados que não forem vendidos serão
ativados nos estoques destes produtos.
Esse critério é amplamente adotado, sendo um procedimento contábil
aceito pela legislação do imposto de renda e por auditores porque atende ao
Princípio Contábil da Competência.

Exemplo:

Admitindo-se os seguintes custos para produção de XYZ, pelo método do sistema de


absorção, teremos:

DESCRIÇÃO VALOR R$
Matérias Primas transferidas para produção 25.000,00
Custo da Mão de Obra da Produção apurada no mês 10.000,00
Gastos Gerais de Produção apurados no mês 8.000,00
TOTAL DO CUSTO DE PRODUÇÃO DO MÊS 43.000,00
Unidades Produzidas no mês 5.000
Custo Unitário de Produção de XYZ 8,60

As principais características do custeio por absorção:

1. Engloba os custos totais: fixos, variáveis, diretos e/ou indiretos.

2. Necessita de critério de rateios, no caso de apropriação dos custos indiretos


(gastos gerais de produção) quando houver dois ou mais produtos ou
serviços.

3. É o critério legal exigido no Brasil. Entretanto, nem sempre é útil como


ferramenta de gestão (análise) de custos, por possibilitar distorções ao
distribuir custos entre diversos produtos e serviços, possibilitando mascarar
desperdícios e outras ineficiências produtivas.
4. Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de produção.
Observa-se na figura abaixo que as despesas são contabilizadas diretamente
ao resultado do período, enquanto os custos somente são lançados ao
resultado na parte correspondente aos produtos vendidos, permanecendo o
resto no estoque.

FLUXO DE CUSTOS E DESPESAS NO CUSTEIO POR ABSORÇÃO

Dessa forma teríamos a seguinte estrutura para fazer a apuração dos custos:

ESQUEMA BÁSICO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS

Para apuração dos custos Para apuração do resultado


Estoque inicial de material direto Vendas líquidas
(+) Compras de material direto (-) Custo do produto vendido
(-) Estoque final de material direto (=) Lucro bruto
(=) Material direto consumido (-) Despesas operacionais
(+) Mão-de-obra direta (+) Outras receitas operacionais
(+) Gastos gerais de fabricação (=) Lucro operacional líquido
(=) Custo de produção do período
(+) Estoque inicial de produtos em processo
(-) Estoque final de produtos em processo
(=) Custo da produção acabada
(+) Estoque inicial de produtos acabados
(-) Estoque final de produtos acabados
(=) Custo do produto vendido
Segundo o Decreto-lei 1598/77, deverão integrar o custo dos bens ou
serviços vendidos:
a) O custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou
serviços aplicados ou consumidos na produção;
b) O custo de pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta,
manutenção e guarda das instalações de produção;
c) Os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de
depreciação dos bens aplicados na produção;
d) Os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção;
e) Os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.

Vantagens do custeio por absorção são:

• Considera o total dos custos por produto;


• Formação de custos para estoque,
• Permite a apuração dos custos por centros de custos.

Desvantagens do custeio por absorção

• Poderá elevar artificialmente os custos de alguns produtos;


• Não evidencia a capacidade ociosa da entidade;
• Os critérios de rateio são sempre arbitrários, portanto nem sempre justos;
• Apresentar pouca quantidade de informações para fins gerenciais. (Leoni,
1996).

PROBLEMAS DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO

1. Fixação de preços sem um conhecimento real da margem de


contribuição mais efetiva do produto vendido.
2. Fixação de preços de forma menos eficiente em termos de identificação
do mix mais adequado de produção e vendas.
3. Controle de custos fixos a nível de produção específica, através da
utilização de critérios de rateios.
4. Aplicação de conceitos de custo médio ponderado de materiais e
produtos.
Diante de um mercado cada vez mais competitivo, as informações sobre
custos tem sido consideradas um elemento estratégico dentro das
organizações. A utilização de sistemas de custeio pelas empresas vem
auxiliando os gestores no momento de definir estratégias e gerenciar os custos
incorridos nos processos e atividades.
Sendo assim ao escolher um sistema de custeio, os gestores devem
posicionar-se em buscar um conjunto de preceitos, coordenados entre si, que
atenda a empresa, seja funcional e que respeite o principio da relação custo-
benefício, ou seja, de nada adianta implantar um sistema de custeio muito
detalhado em que as informações geradas não justificam os valores gastos
para produzi-las.
Contudo a necessidade imposta pelo mercado, os custos de implantação e
acompanhamento, o recurso humano necessário, os produtos envolvidos e as
necessidades dos gestores, devem ser analisados para que se dimensionem
as vantagens e desvantagens para cada instituição.
Assim as empresas podem aprimorar os custos ao produto por meio do
sistema de custeio, entre eles: o custeio por absorção alem de ser um dos mais
antigos sistemas, é o único aceito para fins fiscais, consiste na apropriação de
todos os custos de produção aos bens elaborados.
O custeio direto é um sistema que só considera como custo do produto os
custos variáveis utilizados no processo produtivo, sendo assim, os custos fixos
são considerados como despesas do período, pois estes independem do
volume de produção.
Deste modo, os gestores devem analisar as características especificas de
cada sistema de custeio a fim de verificar aquela que mais condiz com a
realidade da empresa para o oferecimento das informações, que possam
auxiliar de forma clara a tomada de decisão nas organizações.
O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA

O Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente ligado ao entendimento


das variações patrimoniais e sua natureza. O Princípio da Competência
determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento
ou dimi-nuição no patrimônio líquido. Nestas encontramos duas grandes
classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos
componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio
Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de
"qualitativas", ou "permutativas",enquanto as segundas são chamadas de
"quantitativas", ou "modificativas". Cumpre salientar que estas últimas sempre
implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que
permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial.
A COMPETÊNCIA é o Princípio que estabelece quando um determinado
componente deixa de integrar o patrimônio, para transformar-se em elemento
modificador do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre valor final dos
aumentos do Patrimônio Líquido - usualmente denominados "receitas"- e das
suas diminuições - normalmente chamadas de "despesas"-, emerge o conceito
de "resultado do período": positivo, se as receitas forem maiores do que as
despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. No princípio da
competência, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do
resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente, quando se
correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento.
Observa-se que o Princípio da Competência não está relacionado com
recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas
geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação
temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e do
desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado
contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos
princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais. Quando
existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele
deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes
devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão.

O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando


correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua
geração.

REALIZAÇÃO DAS RECEITAS

As receitas consideram-se realizadas:

a) nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento


ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na
propriedade de bens anteriormente pertencentes à entidade, quer pela fruição
de serviços por esta prestados;
b) quando do desaparecimento, parcial ou total, de um passivo, qualquer
que seja o motivo;
c) pela geração natural de novos ativos independentemente da
intervenção de terceiros.

Assim, por exemplo, a simples emissão de pedido comercial não é


considerada receita, pois a transação com o terceiro não foi completada,
faltando para tanto a investidura na propriedade de bens. Somente quando
houver a tradição (entrega) do bem solicitado, é que se registrará a receita
respectiva.

REALIZAÇÃO DAS DESPESAS

Consideram-se incorridas as despesas:

a) quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por


transferência de sua propriedade para terceiros;
b) pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo;
c) pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.

Assim dispõe o Princípio da Competência: “as receitas e as despesas


devem ser incluídas na apuração do resultado no período em que ocorrerem,
sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de
recebimento ou pagamento.”
Portanto, despesas e receitas devem ser contabilizadas no momento de
sua ocorrência (fato gerador), independentemente da data do pagamento ou
recebimento. Assim, pode-se afirmar que pelo Princípio da Competência,
receitas e despesas não se correlacionam com recebimentos e pagamentos,
mais sim, com o conhecimento das receitas auferidas e despesas
incorridas.
Para seguir de modo correto os preceitos deste Princípio Contábil, o
contabilista deverá buscar o fato gerador das receitas e despesas. No
momento do fato gerador da receita poderá ocorrer a entrada de recursos
financeiros, ou constituição de direitos. E no fato gerador da despesa,
poderemos ter a saídas de recursos financeiros ou constituição de obrigações
(exigibilidade).

Bibliografia:

www.administradores.com.br
http://www.contabilizando.com
www.portaldecontabilidade.com.br