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Orientação de Estudos

APRESENTAÇÃO

Sobre o curso

Seja bem-vindo ao curso Orientação de Estudos! Para começar, assista ao vídeo de


apresentação que contém informações importantes para você: https://youtu.be/Vgy
uQq9vxHY.
Os objetivos gerais do curso são:

Relacionar o ideal formativo do PEI ao componente Orientação de Estudos.

Compreender o conceito e os objetivos da Orientação de Estudos.

Conhecer e vivenciar as aulas de Orientação de Estudos.

Reconhecer a importância de hábitos e rotinas de estudo.

Aplicar a organização para os estudos por meio de metodologias e estratégias.

Compreender o processo da autoavaliação na Orientação de Estudos.

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Para alcançar esses objetivos, este curso está estruturado em quatro módulos:

Orientação de Estudos na trama do PEI

Aspectos avaliativos para Orientação de Estudos

Ações norteadoras para Orientação de Estudos

Explorando as abordagens metodológicas

Importante

Prezados cursistas, este curso traz como metodologias de aprendizagem a utilização


de diferentes estratégias e recursos didáticos, como situações-problema, cenários in-
terativos, contextualização de temas por meio de casos concretos, com foco na roti-
na de trabalho das escolas. O objetivo é possibilitar que você possa compreender as
ações a serem tomadas nos diversos contextos e interações com os estudantes no que
tange a Orientação de Estudos e reconhecer situações possíveis no ambiente esco-
lar, com as quais já tenha se deparado ou até mesmo ouvido falar em conversas com
outros profissionais da educação, podendo, assim, subsidiá-lo nas ações que precisa
desempenhar no dia a dia.
A SEDUC-SP ressalta que as personagens, assim como os casos relatados, são fictícios,
cujo propósito é proporcionar a reflexão e apoiar os profissionais na tomada de decisão.
Neste curso, você encontrará indicações com sugestões para anotação e rubricas de au-
toavaliação para tomar nota em seu Diário de bordo.

Rubricas de autoavaliação: São esquemas explícitos para classificar ou categorizar


comportamentos ou níveis de desenvolvimento ao longo de um processo, permitindo
que o avaliado tenha uma clara noção sobre seu desempenho e/ou desenvolvimento
em um processo.

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Diário de bordo

O Diário de bordo é uma prática que permitirá a você, cursista, organizar de forma con-
cisa suas ideias sobre as informações aqui tratadas, acompanhar o seu desenvolvimento,
identificando pontos a serem aperfeiçoados e, ao final do curso, poderá revisitá-las e es-
tabelecer um plano personalizado para futuras formações. Tudo isso é importante para
você desenvolver e aprimorar as habilidades de autoavaliação.
É no Diário de bordo que anotamos informações, dados, algo que chamou a atenção,
soluções e dicas para que sejam analisados, adequados ou replicados por você e sua
equipe conforme a realidade da escola em que atua.
Você pode utilizar um caderno, um bloco de anotações, uma agenda ou, então, se você
tem habilidades em tecnologia e recursos digitais, poderá fazer um Diário de bordo
on-line, utilizando computador, tablet ou smartphone.

Ao longo dos módulos, o curso dispõe de diversas atividades para que você possa che-
car seus conhecimentos. Essas atividades não possuem caráter avaliativo e não serão
contabilizadas para aprovação.
Bons estudos!

Fale Conosco

Importante

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo Fale Conosco: http://escoladeformacao.sp.


gov.br/portais/Default.aspx?tabid=8913.
As dúvidas serão encaminhadas por meio do Portal de Atendimento, que é o canal de
comunicação da Secretaria da Educação do Estado (SEDUC-SP).
Nesse canal, é possível visualizar perguntas e respostas mais frequentes, tutoriais, abrir
ocorrências para esclarecer problemas, solicitar dados, entre outros.

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Orientação de Estudos

MÓDULO 1
ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS NA TRAMA DO PEI

Apresentação do Módulo

Cursista, estudar de forma adequada é essencial para qualquer estudante conhecer


seu processo de aprendizagem e desenvolver competências e habilidades cognitivas
e socioemocionais. Para tanto, a Orientação de Estudos (OE) permite ao estudan-
te fazer parte desse processo, uma vez que o componente é estruturado a partir da
competência de aprender a estudar. Desse modo, é possível incentivar a autonomia,
a responsabilidade, a consciência, o gosto pelo estudo e a postura protagonista do
estudante em relação à própria aprendizagem. Nessa perspectiva, os Quatro Pilares
da Educação norteiam o desenvolvimento do Protagonismo Estudantil, uma vez que
aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser são com-
petências que auxiliam o(a) professor(a) a orientar e apoiar os estudantes para desco-
brir, compreender e construir conhecimento.

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Componente: Componente da parte diversificada/itinerário.
Quatro Pilares da Educação: Aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e
aprender a conviver de acordo com o documento da Unesco – DELORS (1998, p. 89-102).

Nesse entendimento, este primeiro Módulo apresenta, de forma detalhada, as con-


cepções da Orientação de Estudos, construindo uma trilha formativa para apresentar
a estrutura, os conceitos, os objetivos, os responsáveis, o ideal formativo e os possíveis
desdobramentos desse componente, por meio de recursos que envolvam o cursista
em atividades dinâmicas e reflexivas.
O percurso deste módulo tem a intenção de aproximar você, cursista, da Orientação
de Estudos, convidando-o a interpretar narrativas, analisar cenários, realizar atividades
e conhecer um pouco mais essa prática por meio de animações, podcasts ou vídeos.
Com isso, você tem a oportunidade de compreender o sentido do componente Orienta-
ção de Estudos como ferramenta para conexão entre as áreas de conhecimento em que
professor e estudante construam uma visão mais ampla sobre a interdisciplinaridade.
Por fim, o módulo traz a base de um ambiente favorável para o(a) professor(a) com-
preender seu papel como mediador(a) no desenvolvimento integral do estudante au-
tônomo, responsável e crítico, impactando diretamente o desempenho escolar.
Os objetivos específicos desse módulo são:

Compreender o componente Orientação de Estudos.

Relacionar o ideal formativo do PEI à Orientação de Estudos.

Conhecer a relação entre metacognição e Orientação de Estudos.

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Importante

Todas as vezes que aparecerem os ícones “Importante”, “Tome nota” ou encontrar algu-
ma informação interessante, anote no seu Diário de bordo. Além disso, registre as ideias
que forem surgindo durante o percurso dos módulos e não economize na criatividade!

Minuto Formativo

Fique atento à seção do Minuto Formativo, na qual você encontrará informações inte-
ressantes, novidades, temas para aprofundar o conhecimento e fazer reflexões.
Não deixe de visitar!

Tome Nota

Expectativa Inicial
Cursista, que tal registrar seus conhecimentos prévios e suas expectativas a respeito do
Módulo 1 de Orientação de Estudos?

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Unidade  1

Orientação de Estudos: objetivos e diretrizes

Para iniciarmos nossos estudos, acompanhe um diálogo entre duas professoras, no


qual elas trocam suas experiências e nos relatam as primeiras noções do que é a
Orientação de Estudos: https://youtu.be/gFFgMJVqCOk.

Tome Nota

Agora que você já sabe o que é a Orientação de Estudos, seus objetivos e as diretrizes
para assegurar um bom trabalho, propomos que:
• anote em seu Diário de bordo os pontos mais relevantes;

• em seguida, acesse o link da Resolução SEDUC no 85, de 19/11/2020 (http://siau.edu


net.sp.gov.br/ItemLise/arquivos/RESOLU%C3%87%C3%83O%20%20SE%2085-1911-
2020%20MATRIZ%20SEDUC%20-%202021.PDF?Time=25/05/2021%20), comentada pe-
las professoras na animação que acabamos de assistir;

• fique atento à carga horária do componente para cada segmento, disponível a seguir.

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CARGA HORÁRIA DO COMPONENTE ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS (2020)
PEI – Turno único de 9h
ANOS INICIAIS: 2 aulas – 1o ao 5o ano. (O turno dos Anos Iniciais no PEI é de 8h40.)
ANOS FINAIS: 4 aulas – 6o ao 9o ano.
ENSINO MÉDIO: 3 aulas – 1a, 2a e 3a séries.
PEI – Dois turnos de 7h
ANOS FINAIS: 2 aulas – 6o e 7o anos; 1 aula – 8o e 9o anos.
ENSINO MÉDIO: 1 aula – 1a e 2a séries.

Vamos praticar

Vamos checar sua aprendizagem sobre os objetivos e as diretrizes da Orientação de


Estudos no PEI?

1. Indique os itens que representam os objetivos da OE e aqueles que são referentes às


diretrizes.
O – Objetivos
D – Diretrizes

( ) Planejamento do trabalho.
( ) Orientar a utilização de materiais.
( ) Atividades bem planejadas e bem organizadas.
( ) Hábitos e rotinas.
( ) Habilidades de autoavaliação.
( ) Trabalho simultâneo nos grupos de estudantes.
( ) Conhecer agendas de trabalho.
( ) Avaliar processos.
( ) Fortalecer organização pessoal.
( ) Orientar sobre técnicas e estratégias.
( ) Autonomia e Protagonismo Juvenil.
( ) Competências Socioemocionais.
( ) Dialogar sobre dificuldades e potencialidades.
( ) Responsabilidade pessoal.
( ) Orientar além do componente.

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Unidade  1.1

Orientação de Estudos: responsáveis

O papel do(a) professor(a) de Orientação de Estudos é incentivar a curiosidade e a


criticidade do estudante a fim de que seja protagonista de sua aprendizagem. Sen-
do assim, é muito importante que o professor seja um facilitador, mediador, articula-
dor do conhecimento que chega ao estudante.
Ao conhecer as dificuldades e o potencial de cada estudante, o(a) professor(a) de
Orientação de Estudos deve direcioná-lo para que adquira hábitos de estudos, levan-
do-o a reconhecer quais estratégias são mais adequadas para seu desenvolvimento e
aprimoramento.

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Nos Anos Iniciais, o(a) Professor(a) Coordenador(a) de Alfabetização (PCA) está encar-
regado(a) de realizar as ações formativas dos professores, assim como ministrar as au-
las do componente Orientação de Estudos. Essas aulas também podem ser ministra-
das pelos professores colaborativos e os professores especialistas de Língua Inglesa.

O(a) Professor(a) Coordenador(a) de Área (PCA) dos Anos Finais e Ensino Médio tem a
função de acompanhar o planejamento e os resultados obtidos por meio da Orienta-
ção de Estudos com a intenção de fazer um alinhamento entre os professores do com-
ponente, os professores de cada área e o(a) Professor(a) Coordenador(a) Geral (PCG).

Em todos os segmentos de ensino, os gestores são os responsáveis por atribuir as au-


las, acompanhar o planejamento e monitorar os resultados alcançados.

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Os pais e/ou responsáveis, por sua vez, têm o papel de acompanhar e apoiar os estu-
dantes para que mantenham uma rotina de estudos, visando o aprimoramento de
seu desempenho escolar.
Agora, visualize a síntese da função de cada um no componente.

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Unidade  2

Relação dos objetivos do PEI com a Orientação de Estudos

O Programa Ensino Integral (PEI) foi concebido com o objetivo de formar estudantes
de forma integral, envolvendo a educação do indivíduo em suas múltiplas dimensões,
considerando os aspectos físicos, cognitivos, socioemocionais e culturais. Dessa for-
ma, o programa se estrutura em torno de Princípios e Premissas, que possibilitam que
se alcance o ideal formativo que é contribuir para a formação de um cidadão autôno-
mo, solidário e competente.

Princípios e Premissas: No Programa Ensino Integral, o Modelo Pedagógico e o Modelo


de Gestão se articulam, respectivamente, a partir de Princípios (Protagonismo, Pedago-
gia da Presença, Educação Interdimensional e os Quatro Pilares da Educação) e Premis-
sas (Excelência em Gestão, Protagonismo, Formação Continuada, Corresponsabilidade e
Replicabilidade). Saiba mais acessando o website do PEI: https://efape.educacao.sp.gov.
br/ensinointegral/ (acesso em: 30 jun. 2021).

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O que queremos dizer ao mencionar um cidadão autônomo, solidário e
competente?

Um cidadão autônomo é capaz de:

avaliar e decidir;

ser protagonista de sua aprendizagem;

assumir riscos e responsabilidades pelas suas ações;

tomar decisões e ter iniciativas para mudar o lugar onde vive.

Um cidadão solidário é capaz de:

envolver-se como parte da solução e não como parte do problema, atuando como fon-
te de iniciativa, liberdade e compromisso;

promover seu próprio desenvolvimento e o da sociedade em posição de igualdade


com os outros atores sociais;

atuar como voluntário, como promotor de ações sociais;

atuar como multiplicador de conhecimentos adquiridos.

Um cidadão competente é:

preparado para compreender as características e exigências do novo mundo do trabalho;

detentor das habilidades básicas e da gestão requeridas para um bom desempenho;

apto para a aquisição das habilidades específicas requeridas pelo caminho profissio-
nal que desejar seguir.

Mas como isso pode ser possível?

Autonomia, solidariedade e competência são fundamentais para a formação plena


dos estudantes e o papel da escola é considerar o desenvolvimento de diversas com-
petências por meio da construção, desenvolvimento e realização dessa formação.
Nesse sentido, o Programa foi estruturado em Eixos Formativos que permitem alcan-
çar o Ideal Formativo do PEI.

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E quais são esses eixos?

Os três eixos formativos estão relacionados à formação do estudante:

Formação acadêmica de excelência: Visa assegurar a construção de conhecimentos


para que os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade.

Formação para a vida: Visa formar adultos éticos, responsáveis e conscientes de seus
direitos e deveres.

Formação para o desenvolvimento das competências do século XXI: Prepara o es-


tudante para enfrentar os desafios e as mudanças do mundo contemporâneo de for-
ma crítica, atuando positivamente em seu meio.

Essa estrutura possibilita o desenvolvimento de um estudante protagonista, que res-


ponda aos desafios do mundo contemporâneo, indo ao encontro do princípio dos
quatro pilares da educação (DELORS, 1998, p. 89-102) que indicam as aprendizagens
fundamentais para o desenvolvimento pleno que considera a progressão da poten-
cialidade de cada um ao longo da vida.

Minuto Formativo

Saiba mais sobre os Quatro Pilares da Educação: https://midiasefape.educacao.sp.gov.


br/ava/pei/013_Os_4_pilares_v3_legendado.mp4.

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Unidade  2.1

Ideal formativo e Orientação de Estudos

E o que a Orientação de Estudos tem a ver com o ideal e com os eixos


formativos do PEI?

A Orientação de Estudos possibilita que o estudante se reconheça como um sujei-


to responsável pela construção do seu conhecimento, tornando-se, aos poucos, um
protagonista, ciente da importância de suas ações para o sucesso de sua vida pes-
soal, escolar, social e produtiva. A consciência sobre a responsabilidade quanto às
suas aprendizagens leva o estudante a uma formação acadêmica de excelência,
apoiando-o para a vida, adquirindo Competências que impactam na solução de
problemas, com uma visão ampla sobre os desafios do século XXI.
Dessa forma, ele entende que a escola não é o único espaço propício para seu desenvol-
vimento como protagonista, porém, é nela que ele irá explorar e vivenciar experiências
que o ajudem nessa caminhada. Os educadores – professores, gestores, coordenado-
res, pessoal de apoio e pais ou responsáveis – são essenciais para potencializar as ações
necessárias para que o estudante vislumbre as oportunidades de avançar, sentindo-se
acolhido e orientado por toda a equipe escolar em seu processo de aprendizagem.

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A Orientação de Estudos vem como uma “chave mestra” para indicar aos estudantes
qual é a trajetória mais assertiva e quais atitudes permitem que estudem de forma
qualitativa e não quantitativa, com intenções e percursos bem definidos. Dessa for-
ma, a escola pode levar os estudantes a se interessarem e a se envolverem nos proces-
sos educativos, a partir daí tomam iniciativas, fazem escolhas livremente e compro-
metidas com seus objetivos.
A iniciativa pode levar o indivíduo a ser competente; a liberdade o leva a agir com au-
tonomia e o compromisso o torna solidário e ciente de suas ações.
Desse modo, é possível pensar na articulação entre o ideal e os eixos formativos do
PEI, como representada no diagrama a seguir. Isso nos permite fazer uma reflexão so-
bre o impacto da Orientação de Estudos na formação integral do estudante.

Reflexão

Pare por um instante e observe a intersecção das figuras a seguir com as palavras-cha-
ves, perceba como o conceito e significado de cada uma estão interligados.

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Diagrama de Venn – Relação entre Orientação de Estudos, os quatro pilares, eixos
e ideal formativo do PEI. Produção da Equipe de Orientação de Estudos (2021).

Tome Nota

Anote, em seu Diário de bordo, suas reflexões e os pontos relevantes do diagrama a par-
tir dos questionamentos a seguir.
• O que você conclui sobre a importância da OE na formação do estudante?

• O que você pode dizer sobre o componente Orientação de Estudos e sua relação com
o ideal e os eixos formativos do PEI?

Para que o estudante perceba como a Orientação de Estudos pode auxiliá-lo a agir como
protagonista de sua aprendizagem, o(a) professor(a) precisa estar ciente de seus desafios,
considerar cada situação como única, de acordo com a realidade sociocultural em que
ele está inserido. Nesse sentido, erros e acertos devem ser analisados como experiências,
pois mesmo uma atividade que não gerou engajamento pode ser replanejada e até as
dúvidas que os estudantes apresentam são pontos muito importantes e servem de base
para avaliar propostas e observar resultados. Já as atividades que provocaram reflexões
e trouxeram participação significativa podem ser discutidas com os próprios estudantes
para que se levante o perfil do grupo e se ampliem as possibilidades de aprofundamento.
A tarefa não é fácil, mas possível, e o(a) professor(a) pode iniciá-la, pensando em
como incentivar o estudante e atraí-lo para a Orientação de Estudos. Mesmo sen-
do um componente da Parte Diversificada/Itinerário Formativo da matriz curricular
das escolas que integram o PEI, a Orientação de Estudos tem características parti-
culares que podem servir para a reflexão sobre as práticas pedagógicas em todas
as escolas da rede, pois, por meio dela, o estudante vai adquirir o hábito de estudar
e compreender como aprimorar suas competências cognitivas e socioemocionais.

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Antes disso, porém, é preciso que ele manifeste interesse pelo estudo.
Pensando nisso, apresentamos um cenário do cotidiano escolar e uma proposta de
interação.

Em uma Escola Estadual de Anos Finais do Programa de Ensino Integral do interior


de São Paulo, a professora Bete ministra aulas de Orientação de Estudos. Após co-
nhecer a realidade de suas turmas, por meio da escuta ativa e do direcionamento de
perguntas a respeito das áreas de interesse dos estudantes, ela percebeu que alguns
demonstravam grande desinteresse pelos estudos.

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Então, Bete resolveu planejar algumas ações para envolver os estudantes em suas
aulas. A professora decidiu trabalhar com as Competências Socioemocionais, conside-
rando que os diversos recursos do mundo contemporâneo — tais como a internet, as
redes sociais, os games e os smartphones — competem fortemente com os estudos
e, por isso, motivar o estudante a criar hábitos de estudos se torna um grande desafio
para os educadores.

Competências socioemocionais: São um conjunto de habilidades voltadas às nossas


emoções, as quais se articulam com os desafios cotidianos e estão ligadas à nossa capa-
cidade de conhecer, conviver, trabalhar e ser.
INSTITUTO AYRTON SENNA. Competências e habilidades socioemocionais – Cap. 2.
Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/guia-educacao-integral-na-alfa
betizacao/guia-educacao-integral-na-alfabetizacao-socioemocionais.html. Acesso em:
30 jun. 2021.

Para dar andamento a suas ações, a professora pesquisou maneiras de como lidar
com tudo isso e promover a motivação, tão importante para desenvolver o interesse
dos estudantes. Assim, Bete concluiu que é preciso muita inovação e adaptabilidade.
Mas como colocar isso em prática?

Vamos praticar

Nesta atividade, você vai encontrar como podem ser algumas dessas práticas.

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2. Escolha a competência socioemocional que mais se relaciona com cada um dos ce-
nários propostos pela professora Bete para promover a motivação dos estudantes.
A – Responsabilidade

B – Entusiasmo

C – Criatividade

( ) Cenário 1: A professora Bete levou alguns memes para a aula e pediu aos estu-
dantes que, a partir deles, elaborassem um vídeo para ser colocado no Tik Tok. Ela
fez combinados com relação ao respeito entre os colegas e professores da escola.

( ) Cenário 2: A professora Bete solicitou que os estudantes trouxessem qualquer


objeto que desse uma pista sobre coisas que gostam para, com isso, construírem
uma história na qual todos seriam os personagens. A professora pediu para nin-
guém esquecer de trazer o objeto, pois fariam uma roda de conversa na hora de
construir a história, sendo que a participação de todos era essencial para atingir
os objetivos da atividade. Para reforçar a importância dessa tarefa, Bete deixou
dois estudantes encarregados de enviarem um lembrete no WhatsApp da tur-
ma, um dia antes da aula de OE.

( ) Cenário 3: Em uma das aulas de OE, a professora Bete pediu para que os estu-
dantes se agrupassem em duplas. Em seguida, distribuiu dois pedaços de papel
pardo para cada dupla para que desenhassem na folha o contorno um do outro.
Cada estudante escreveria elogios, frases e características que representassem
o seu par, de forma positiva. A professora orientou as duplas que poderiam ex-
por elogios, pontos fortes de cada um e, ao falarem de características físicas, se-
riam respeitosos, uma vez que o respeito é fundamental entre todas as pessoas.
Depois disso, pediu para que cada estudante apresentasse o seu colega/par. Em
seguida, a professora realizou uma roda de conversa em que foi discutido se era
possível os estudantes se reconhecerem por meio da visão apresentada pelo seu
par e como eles se sentiram diante das descrições feitas pelos colegas.

Meme: Termo grego que significa imitação. Trata-se de um termo bem conhecido na
internet, associado a grande propagação e compartilhamento da informação (viraliza-
ção), podendo se apresentar em vários formatos, tais como vídeo, imagem, frase, ideia,
música etc.

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Reflexão sobre a atividade

Notamos que todas as atividades propostas pela professora Bete a partir das compe-
tências socioemocionais geraram a motivação pessoal, a positividade e a flexibilidade,
elementos que nos ajudam a enfrentar as mudanças e as situações inesperadas do
cotidiano, permitindo que o indivíduo se torne consciente do próprio valor.
Não há uma receita pronta para lidar com as adversidades encontradas no ambiente
escolar. Entretanto, é fundamental incentivarmos os estudantes para que desenvol-
vam o senso de pertencimento e sejam agentes transformadores de suas vidas e do
seu meio social. Sabemos que essa tarefa exige algumas competências socioemocio-
nais do(a) professor(a) que, mesmo não tendo sido formado com atenção a elas, tem
experiência para observar que essas competências já fazem parte da sua vida. É im-
portante que o(a) professor(a) encontre maneiras de associá-las às atividades e ações
propostas aos seus estudantes.
Sob essas reflexões, a Orientação de Estudos vem ao encontro dos desafios e das ne-
cessidades dos estudantes, levando-os a compreender que é possível aprender de
diversas maneiras: lendo, escrevendo, resumindo, assistindo, esquematizando, ence-
nando, entre outros, de forma remota ou presencial e que o(a) professor(a) é media-
dor, responsável por criar condições e oportunidades que facilitem o seu processo de
aprendizagem.

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Unidade  3

Desdobramentos da Orientação de Estudos

Muito já falamos até aqui sobre a Orientação de Estudos e sua relação com o ideal for-
mativo do PEI. Então, vamos realizar uma tarefa para consolidar nosso entendimento
sobre essa importante conexão.

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3. Relacione os itens a seguir, de modo que as afirmações se tornem verdadeiras.
A – O PEI pretende o desenvolvimento de jovens protagonistas que se revelem...

B – Os quatro pilares da educação propõem a construção de conhecimento para


que os jovens dele se apropriem e construam...

C – Para buscar seus sonhos, os estudantes necessitam de bases sólidas em todas


as etapas de sua formação escolar, isso é possível com uma adequada...

D – Para atingir-se a plena excelência acadêmica, é essencial ter como base da


ação pedagógica os quatro pilares da educação, especialmente...

E – O “aprender a aprender” é o eixo condutor da...

( ) aprender a conhecer, aprendendo a aprender.

( ) Projetos de Vida.

( ) Orientação de Estudos.

( ) autônomos, solidários e competentes.

( ) formação acadêmica.

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Unidade  3.1

“Aprender a aprender” e a metacognição

Neste momento de nosso curso, vamos entender a relação do “aprender a aprender”


com a metacognição. Na proposta de orientação dos rumos para a educação no sé-
culo XXI contida no relatório da Unesco, os quatro pilares da educação indicam uma
trilha a ser percorrida para que os estudantes possam desenvolver competências que
extrapolem o âmbito de conceitos meramente memorizáveis, buscando sua forma-
ção integral e se apropriando dos conhecimentos como ferramentas de consolidação
dos seus Projetos de Vida. Em cada um dos pilares da educação, são esclarecidas im-
portantes estruturas de apoio à formação integral dos estudantes.

Metacognição: É a capacidade de identificar o que sabemos e o que não sabemos. É a


habilidade de planejar meios para produzir as informações necessárias a um determina-
do fim, estar consciente dos próprios passos e processos durante o ato de resolução de
problemas, refletindo e avaliando a produtividade do próprio pensamento.

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Agora, vamos nos dedicar ao primeiro pilar, que será norteador do componente Orien-
tação de Estudos: aprender a conhecer (DELORS, 1998, p. 89-102).

Aprender a conhecer

Seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer e de descobrir.

Supõe que, para “aprender a conhecer”, é preciso “aprender a aprender”, aprimorando


a atenção, a memória e o pensamento.

Visa a aquisição de instrumentos do conhecimento para compreender o mundo que


o rodeia.

Pretende que o saber extrapole o âmbito utilitário e que os estudantes tenham acesso
às metodologias científicas de modo a tornar-se, para toda a vida, “amigos da ciência”.

Incentiva a sinergia entre os componentes curriculares, especialmente em matéria de


pesquisa, pois os avanços do conhecimento se dão nos pontos de interseção das diver-
sas áreas do conhecimento.

Desenvolve a curiosidade intelectual, o senso crítico, a autonomia e a capacidade de


discernimento para escolhas conscientes.

Incentiva uma educação focada na cultura geral, nas múltiplas formas de linguagens,
no desenvolvimento da comunicação e na abertura a novos campos do conhecimento.

Considera que o processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado


e pode enriquecer-se com qualquer experiência, sendo necessário que continuem a
aprender ao longo de toda a vida, no trabalho, mas também fora dele.
O pilar “Aprender a Conhecer” remete ao conceito da metacognição, desenvolvido
pelo psicólogo e professor universitário John Flavell (Stanford University), na década
de 1970.
A metacognição, no entendimento de Flavell (FIGUEIRA, 2003), é uma habilidade que
se manifesta por meio do autoconhecimento e do automonitoramento dos proces-
sos cognitivos que favorecem a capacidade de aprender. Mais especificamente, a ha-
bilidade da metacognição permite a alguém pensar a respeito de uma missão que
deva executar, decidir qual seria a estratégia mais adequada para resolvê-la, conforme
sua própria maneira de entender tal desafio.
Enquanto professor, você certamente já se deparou com inúmeras situações em que
propôs uma determinada tarefa às turmas e os resultados esperados ou a realização
de desafios ocorreram simultaneamente de maneiras diferentes e apresentando os
mesmos e satisfatórios resultados. Isso ocorre porque os processos mentais de execu-
ção de tarefas nem sempre são iguais e, mesmo assim, podem conduzir a uma mes-
ma conclusão, embora por caminhos diferentes.

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A metacognição ocorre enquanto um sujeito analisa, planeja, escolhe sua estratégia e
executa uma determinada missão que lhe foi apresentada.

Desenvolver a metacognição é extremamente importante para que os estudantes pensem


sobre as diversas possibilidades que têm para “aprender”, sobre as múltiplas estratégias de
aprendizagem, para que, conscientemente, encontrem aquela mais adequada às suas es-
truturas mentais. Pode-se, então, considerar que a metacognição é a forma como se “Apren-
de a Aprender”, sendo a base do componente Orientação de Estudos.
A partir do conceito que apresentamos sobre metacognição, construímos um mapa mental.

Tome Nota

Mapa mental é uma ferramenta de gestão de informações. Eles são usados para otimi-
zar a memorização a partir de representações visuais de conceitos e ideias, de maneira
simplificada, organizando informações e, assim, colaborando com o aprendizado.

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Minuto Formativo

Assista ao vídeo da Professora Doutora em Educação pela Universidade Federal de Mi-


nas Gerais (UFMG), Marcia Ambrósio, abordando aspectos da metacognição: https://you
tu.be/S949gSsi6Sg.

A seguir, apresentamos um trecho do Currículo Paulista (SÃO PAULO, 2019, p. 31;


https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2019/09/cu
rriculo-paulista-26-07.pdf) para que você faça uma leitura atenta e, em seguida, rea-
lize a atividade proposta.
“Essas competências gerais contemplam integradamente conceitos, procedi-
mentos, atitudes e valores, enfatizando a necessidade de desenvolvimento de
competências socioemocionais. Em tempos de tantas e rápidas mudanças, a
escola vem se fortalecendo como espaço privilegiado para a experiência do
autoconhecimento, da construção identitária e de projetos de vida; para a au-
toria, a crítica e a criatividade na produção de conhecimentos; e para práticas
participativas, colaborativas e corresponsáveis com o âmbito local e planetá-
rio. Dessa maneira, o desenvolvimento da empatia, da colaboração e da res-
ponsabilidade supõe processos intencionais vivenciados nas interações, em
que essas habilidades são mobilizadas simultaneamente aos processos cog-
nitivos. A esse respeito, esclarece Mahoney (2000):
‘[...] Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda
disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação
mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias
têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa.’ (MAHONEY, A. A. Introdução.
In: ALMEIDA, L. R. de; MAHONEY, A. A. Henri Wallon: psicologia e educação.
São Paulo: Loyola, 2000)” – (SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação.
Currículo Paulista. São Paulo: SEDUC, 2019. p. 31.)

Vamos praticar

A partir da leitura e das palavras em destaque, convidamos você a elaborar um mapa


mental para otimizar sua compreensão sobre o conteúdo estudado. Para facilitar a cons-
trução do mapa, disponibilizamos o esquema a seguir; daí é só encaixar as palavras onde
você considerar o local adequado!

27
4. Complete o mapa mental a seguir colocando cada termo abaixo em um círculo vazio.
– motora

– afetiva

– disposição afetiva

– atividade motora

– cognitiva

– motora

Diário de bordo

Observe na seção Gabarito como estruturamos o mapa mental, compare com seu
resultado, faça reflexões a respeito de outras possibilidades e anote-as em seu Diário
de bordo.

28
Unidade  3.2

A importância do desenvolvimento do raciocínio, da leitura, da


interpretação e da escrita

É relevante para a implementação adequada da Orientação de Estudos no PEI tecer


considerações sobre o desenvolvimento do raciocínio, da leitura, da interpretação e da
escrita, relacionando-os aos contextos da metacognição.
Para ilustrarmos essa relação, você vai conhecer a história do estudante Breno por
meio de três cenários prováveis no cotidiano de escolas.

Cenário 1 – Breno na sala de aula

Estação 1

Assista à animação: https://youtu.be/R7zW2LPiXbc.

Estação 2

“O estudante Breno se recusa a ler, chora, demonstra-se envergonhado e apresenta


muita resistência na hora de fazer uma leitura.”

29
Refletindo sobre essa situação, percebe-se que há entraves a serem investigados para
traçar estratégias que permitam ao nosso estudante seguir em frente no seu desen-
volvimento cognitivo. Vale questionar por quais motivos esse estudante manifestaria
tamanha aversão à prática da leitura. Será que a leitura foi proposta a ele de maneira
adequada?
Na perspectiva metacognitiva, é conveniente que as vivências positivas em relação
à leitura estejam presentes desde a primeira infância, estendendo-se durante todo o
percurso escolar. Assim, espera-se que o ato de ler se configure num hábito que leve
as pessoas a buscarem novos e relevantes conhecimentos ao longo de toda a vida.
O “ler” é instrumento de potencialização da criatividade, pois estimula a imaginação
e exige o desenvolvimento do raciocínio, favorecendo a concepção de tramas men-
tais necessárias à interpretação das ideias, imagens, circunstâncias e fatos contidos
nos enredos dos textos. Além disso, a leitura é uma ferramenta para a construção de
argumentos com base na criação de memórias a serem mobilizadas em momentos
oportunos para fundamentar posições e opiniões.
O “aprender a conhecer”, pilar da educação que sustenta a Orientação de Estudos, re-
quer do estudante o “aprenda a aprender”, sendo a leitura um instrumento essencial
para se atingir esse objetivo.

Estação 3

E agora? Como a Orientação de Estudos pode auxiliar estudantes como Breno, que
apresentam dificuldades com leitura, a restabelecer a confiança em relação às suas
potencialidades como leitor?

30
FÓRUM ON-LINE

PCA Simonni – São Paulo


Uma boa ideia é construir uma agenda de estudos em que, rotineiramente, apareçam mo-
mentos para leitura de textos curtos, incentivando a criação do hábito de ler. Outra coisa que
funciona são momentos de leitura em atividades que se desenvolvam por meio das mídias
digitais que estão intimamente relacionadas ao interesse das novas gerações de estudantes.

Prof. Leandro – Limeira


Eu costumo envolver o estudante em atividades lúdicas que o façam relacionar a leitura a
um momento divertido, descontraído e prazeroso. Gosto muito de apresentar gêneros va-
riados aos estudantes para quebrar a monotonia do ato de ler e incentivar a observação das
múltiplas possibilidades de aquisição de conhecimentos por meio da leitura.

PCG Sandi – Piracicaba


É bom conduzir uma formação de linhas de raciocínio sobre a importância da leitura como
ferramenta para a compreensão de todos os componentes curriculares.

Diário de bordo

Quais intervenções você faria diante desse cenário? Faça essa reflexão e anote em seu
Diário de bordo.

Cenário 2 – Conversas da sala dos professores

Estação 1

Assista à animação: https://youtu.be/n-NQh49AIew.

31
Estação 2

Ao analisar esse novo contexto em relação ao desempenho escolar de Breno, perce-


be-se que, apesar de não ter desenvolvido a competência leitora de maneira apropria-
da, no que se refere ao raciocínio lógico, o estudante mobiliza muito bem seus conhe-
cimentos, articulando saberes para dar respostas corretas a desafios complexos.
Vamos entender este caso sob uma ótica de construção do raciocínio pela metacog-
nição, ou melhor, vamos entender de que forma Breno aprendeu a aprender.

Na fala da professora de Matemática há um momento muito esclarecedor em que ela


afirma ter percebido que “ele gosta desses desafios”. Por essa razão, Breno mostra in-
teresse em dar respostas imediatas ao que ela propõe. Um estudante curioso, criativo,
observador é capaz de desenvolver esquemas mentais para a resolução de desafios,
mobilizando outras possibilidades de linguagem. Pode-se dizer que ele consegue ler
o mundo, apesar de não ler os textos, porque a partir do seu “gostar”, realiza men-
talmente uma mediação entre aquilo que aprende de suas vivências e a vontade de
superar o desafio.
Essa é a principal chave que a escola deve utilizar para abrir a caixa mental das po-
tencialidades junto a estudantes como Breno, levando-o a perceber que, se ele pode
aprender a resolver desafios, também pode se apropriar dessas mesmas estruturas
mentais para ler e interpretar os textos sem que isto lhe cause desconfortos. Asso-
ciar momentos prazerosos às atividades escolares é uma estratégia muito importante
para que os estudantes melhorem seu desempenho em áreas do conhecimento que
deixaram de lado em virtude de vivências desagradáveis.
É muito comum entender o raciocínio lógico como uma construção mental que remete
apenas às competências e habilidades ligadas prioritariamente à área da Matemática,
no entanto, entendemos que seu desenvolvimento é instrumento essencial para a so-
lução de muitas outras incógnitas que serão apresentadas durante a vida. Por isso, tor-
na-se essencial instigar a curiosidade, os questionamentos, a dedução e a síntese para
que o estudante aprenda a aprender.

32
Estação 3

Como a Orientação de Estudos poderia auxiliar Breno a mobilizar suas estruturas


mentais, aprendendo a aprender por meio da construção de linhas de raciocínio que
permitam o domínio de habilidades de leitura e interpretação aplicando-as em outras
áreas do conhecimento?

FÓRUM ON-LINE

PCA Simonni – São Paulo


Vamos desenvolver atividades escolares que permitam aos estudantes estabelecer relação
entre os saberes de várias áreas do conhecimento, aplicando a metodologia de projetos que
é muito eficiente para atingir este objetivo.

PCG Sandi – Piracicaba


Gostei muito dessa ideia e acredito que propor desafios para os quais seja necessário realizar
pesquisas criando respostas por meio de outras linguagens que oferecem novas possibilida-
des de comunicação.

Prof. Leandro – Limeira


Sandi, vamos começar usando mídias digitais para a construção de infográficos, mapas
mentais, desenhos, charges, memes, HQs, produção de imagens, entre outras possibilida-
des que são excelentes para essa finalidade.

33
PCG Sandi – Piracicaba
Temos outras possibilidades: criar momentos de troca de experiências e saberes entre os es-
tudantes para que possam dialogar com outras pessoas da comunidade escolar, levando-os
a compreenderem que há várias formas de pensar e resolver desafios e promover a realização
de fóruns, enquetes, palestras, debates, mostras de vídeos, feiras, entrevistas, entre outras pos-
sibilidades de encontros entre pessoas que são ótimas opções para estabelecer interações.
Promover vivências para além do ambiente escolar, podendo ser síncronas ou assíncronas,
realizando estudos do meio, visitas a centros culturais e museus, investigações dos locais por
onde o estudante transita e espaços onde haja maior contato com a natureza preservada.
Criar condições para que os estudantes construam novas experiências é importante para
que elaborem novas possibilidades de raciocínio e ampliem sua visão de mundo.

Diário de bordo

E você? Qual seria sua sugestão de intervenção? Faça essa reflexão e anote em seu
Diário de bordo.

Cenário 3 – Durante o conselho de classe

Estação 1

Assista à animação: https://youtu.be/zxFa_Fp5ki4.

Estação 2

A escrita é uma das nuances da comunicação. Ela se opera quando alguém traduz em
palavras e/ou textos as ideias que elabora, transmitindo-as por meio da escrita. Para
escrever com sentido e fazer-se entender, é necessário o domínio de códigos e símbo-
los que deem significado aos textos elaborados.

34
Contemporaneamente, a escrita extrapolou o lápis e o papel, adquirindo amplos con-
tornos que a tecnologia e as mídias digitais trouxeram, sendo necessário compreender
outros códigos próprios do mundo digital para alcançar essa comunicação. A expres-
são oral e corporal é muito mais simples, uma vez que, desde o nascimento, somos
cotidianamente educados para nos expressar e o domínio dos códigos de linguagem
foi sendo assumido como parte da rotina de nossas vidas.

Estação 3

Em que a Orientação de Estudos poderia, então, contribuir para que nossos estudan-
tes aprendam a aprender construindo suas competências escritoras a partir da pro-
dução de estruturas mentais de metacognição?

FÓRUM ON-LINE

Prof. Leandro – Limeira


Vamos começar criando momentos de leitura, interpretação e escrita coletiva em que todos pos-
sam opinar e expressar dúvidas para a construção de textos que representem a turma. Propor
elaboração de roteiros para encenação, podcast, vídeos, dentre outras sugestões que possam
surgir entre os próprios estudantes. Incentivar os estudantes a escreverem, individualmente, so-
bre circunstâncias relacionadas à sua própria vivência ou sobre temas que eles mesmos propo-
nham. Em geral, eles sentem-se motivados quando escrevem sobre assuntos de seu interesse.

35
PCG Sandi – Piracicaba
Leandro, que tal propor atividades em grupo para que os estudantes produzam algo con-
creto, recorte e colagem de letras e palavras para compor uma carta, recado ou anúncio e
afins, para que depois troquem impressões? Leandro, isso leva o estudante a ter consciência
de que falar e escrever são formas de comunicação que se operam por diferentes códigos
e, quando essa reflexão é mediada num grupo, as adequações ficam mais claras porque
extrapolam o indivíduo para alcançar um sentido mais abrangente, considerando o lado do
escritor e o lado do leitor.

PCA Simonni – São Paulo


Já trabalhamos com a apresentação de trechos de livros, notícias, HQs, aos estudantes, ensi-
nando-os a parafrasear, porque reescrever com as próprias palavras aquilo que outras pessoas
criaram é um ótimo exercício de interpretação e escrita. Sandi, isso leva o estudante a pensar
que há inúmeras possibilidades de se relatar um mesmo fato por caminhos diferentes.

Diário de bordo

Qual seria sua contribuição durante o conselho de classe? Reflita e anote em seu Diário
de bordo.

Encerramento dos cenários

Diário de bordo

Anote em seu Diário de bordo os pontos relevantes, as ideias e os conceitos que mais lhe
chamaram a atenção nas estações de estudo dos três cenários.

É importante ter em mente que as sugestões de intervenção podem ser adaptadas


para qualquer segmento escolar, considerando o grau de complexidade de cada uma
e as especificidades das turmas.

36
5. Todo esse estudo feito nas estações pode ser sintetizado nas afirmações a seguir.
Leia-as atentamente e preencha as lacunas tornando as frases verdadeiras. Use
uma destas opções: raciocínio; metacognição; “aprender a aprender”; Orientação
de Estudos.
a) A deve ser desenvolvida com os estudantes com o objetivo de
levá-los a pensar sobre a construção de conhecimentos, a fim de que formulem
estratégias personalizadas ao seu modo de aprender.

b) A maneira como construímos estruturas mentais pode potencializar o desem-


penho em múltiplas instâncias da nossa vida, para isso, é importante orientar o
no sentido do “aprender a aprender”.

c) O desenvolvimento das competências de leitura, da interpretação e da escri-


ta é imprescindível para , pois é o cerne do pilar da educação,
“aprender a conhecer”.

d) É papel da guiar os estudantes na construção de vivências po-


sitivas para mobilizarem suas estruturas mentais aplicando-as em todas as áreas
do conhecimento.

37
Encerramento do módulo

Diário de bordo

Expectativa Final
Cursista, no início deste módulo sugerimos que você registrasse seus conhecimentos
prévios e suas expectativas a respeito do Módulo 1 de Orientação de Estudos. Depois de
todo esse percurso, você criou outras expectativas? Registre-as em seu Diário de bordo.

Chegamos ao final do Módulo 1! Percorremos temas importantes sobre o componen-


te Orientação de Estudos na trama do Programa Ensino Integral, seu significado e
sua importância tanto para os estudantes quanto para os professores. Conhecemos
os tempos, os objetivos, as diretrizes e os responsáveis que regem esse componente,
bem como aspectos relacionados à metacognição.
Em seguida, vamos aprofundar os conhecimentos no Módulo 2!
Bons estudos!

38
Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Co-


mum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.
gov.br. Acesso em: 30 jun. 2021.
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Mais que uma lei. São Paulo: Instituto Ayrton
Senna, 1997.
COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e
participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000.
DELORS, Jacques. Os quatro pilares da educação. In: DELORS, Jacques (coord.). Edu-
cação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez/Unesco, 1998. p. 89-102.
INSTITUTO AYRTON SENNA. Competências e habilidades socioemocionais – Cap. 2.
Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/guia-educacao-integral-na-
alfabetizacao/guia-educacao-integral-na-alfabetizacao-socioemocionais.html. Acesso
em: 30 jun. 2021.
INSTITUTO AYRTON SENNA. Competências socioemocionais para contextos de crise.
Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/socioemocionais-para-crises.
html. Acesso em: 30 jun. 2021.
FIGUEIRA, Ana Paula Couceiro. Metacognição e seus contornos. Revista Iberoameri-
cana de Educación, Universidade de Coimbra, Portugal, 2003. Disponível em: https://
rieoei.org/RIE/article/view/2947/3861. Acesso em: 30 jun. 2021.

39
MAHONEY, A. A. Introdução. In: ALMEIDA, L. R. de; MAHONEY, A. A. Henri Wallon: psi-
cologia e educação. São Paulo: Loyola, 2000.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo em Ação. Caderno do pro-
fessor – Orientação de estudos. EFAF/EM. vol. 1. 2021. Disponível em: https://efape.
educacao.sp.gov.br/ensinointegral/wp-content/uploads/2021/03/PEI_PR_OE_06-
09_01-03_VOL1_2021-Diagramado.pdf. Acesso em: 30 jun. 2021.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista. São Paulo: SEDUC,
2019. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/
uploads/2019/09/curriculo-paulista-26-07.pdf. Acesso em: 30 jun. 2021.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Resolução Seduc no 85, de 19 de no-
vembro de 2020. Estabelece as diretrizes da organização curricular do Ensino Fun-
damental, do Ensino Médio e das respectivas modalidades de ensino da Rede Esta-
dual de Ensino de São Paulo e dá providências correlatas. Disponível em: http://siau.
edunet.sp.gov.br/ItemLise/arquivos/RESOLU%C3%87%C3%83O%20%20SE%2085-1911-
2020%20MATRIZ%20SEDUC%20-%202021.PDF?Time=25/05/2021%20. Acesso em: 30
jun. 2021.

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Gabaritos

1. A sequência correta é: D; O; D; O; O; D; D; D; O; D; O; O; D; O; D.

2. A sequência correta é: C; A; B.
Comentários:
No cenário 1, os estudantes sentiram-se motivados, a intencionalidade da ação da professora
foi incentivar a criatividade. A criatividade é uma competência ligada à abertura ao novo, que
é uma macrocompetência socioemocional (macrocompetência composta por três compe-
tências socioemocionais: curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico;
é a paixão pela aprendizagem e exploração intelectual, relacionada à investigação, à pesquisa,
ao pensamento crítico e à resolução de problemas).
No cenário 2, os estudantes podem se sentir motivados e, provavelmente, se empolgariam em
falar sobre o que mais gostam. Todavia, o foco da atividade proposta pela professora é o tra-
balho com a responsabilidade, competência ligada à autogestão, que é uma macrocompe-
tência socioemocional (macrocompetência que diz respeito à capacidade de ser organizado,
esforçado, ter objetivos claros e saber como alcançá-los de maneira ética; relaciona-se com a
habilidade de fazer escolhas em relação à vida profissional, pessoal ou social, estimulando a
liberdade e a autonomia). A responsabilidade permite que o indivíduo perceba como ela in-
terfere na vida social de todos e compreenda quais são seus direitos e deveres. Esses direitos
e deveres nem sempre nos agradam e a responsabilidade é que nos torna conscientes e ca-
pazes de cumprir nossas obrigações e compromissos de forma natural, assim nos tornamos
pessoas confiáveis, aquelas com as quais se pode contar sempre.
No cenário 3, a intenção da professora foi motivar os estudantes por meio do entusiasmo,
essa competência faz parte da macrocompetência engajamento com os outros (macrocom-
petência que diz respeito à motivação e à abertura para interações sociais e ao direcionamen-
to de interesses e energia ao mundo externo, pessoas e coisas.). A professora ainda pesquisou
a BNCC para complementar suas necessidades e percebeu que a competência 8 (“Conhecer-
-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade
humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para
lidar com elas” [BRASIL, 2017, p. 10]), autoconhecimento e autocuidado, a auxiliaria no traba-
lho que pretendia desenvolver com suas turmas, pois ela acredita que, ao se reconhecer e se
valorizar, os estudantes passam a conviver com suas potencialidades e fragilidades de ma-
neira mais natural e confiante e isso faz com que gostem de si mesmos, compreendam suas
limitações e apostem em seus pontos fortes, aumentando a autoestima e desenvolvendo o
autoconhecimento.

3. A sequência correta é: D; B; E; A; C.

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4. Possibilidade de resposta, a partir dos itens propostos no texto do Currículo Paulista:

5. a) A metacognição deve ser desenvolvida com os estudantes com o objetivo de levá-los


a pensar sobre a construção de conhecimentos, a fim de que formulem estratégias per-
sonalizadas ao seu modo de aprender.

5. b) A maneira como construímos estruturas mentais pode potencializar o desempenho


em múltiplas instâncias da nossa vida, para isso, é importante orientar o raciocínio no
sentido do “aprender a aprender”.

5. c) O desenvolvimento das competências de leitura, da interpretação e da escrita é im-


prescindível para “aprender a aprender”, pois é o cerne do pilar da educação, “aprender
a conhecer”.

5. d) É papel da Orientação de Estudos guiar os estudantes na construção de vivências


positivas para mobilizarem suas estruturas mentais aplicando-as em todas as áreas do
conhecimento.

Imagem do diagrama de Venn (p. 17) produzida pela Equipe de Orientação de Estu-
dos (2021); imagens de mapa mental (p. 26, 28 e 42) elaboradas para o curso. Demais
imagens: Getty Images.

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