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Curso técnico em Meio Ambiente

• Trilhas do saber
• CEM - Centro Educacional de Manhuaçu

• Disciplina: Direito e Legislação Ambiental


SURGIMENTO DO DIREITO
AMBIENTAL
• Revolução Industrial ocorrida no Século XVIII, desencadeia e introduz uma
nova forma de produção e consumo que altera significativamente práticas
comerciais desde então consolidadas
• A transformação no consumo foi seguida por uma explosão demográfica
sem precedentes. Como decorrência, o direito teve que passar por uma
necessária adaptação e evolução para regular e controlar os impactos nas
relações sociais e, mais tarde – potencializado pela revolução tecnológica e da
informação –, nas relações com consumidores e com o meio ambiente
natural.
• O aumento da pressão sobre os recursos naturais,
relacionado também com o acelerado crescimento
demográfico do último século, chamaram a atenção da
comunidade internacional.
• Países com avançado estágio de desenvolvimento
econômico passaram a testemunhar com frequência
desastres ambientais em seus próprios territórios.
• É em decorrência desta sucessão de eventos e fatos
resumidamente explorados no presente tópico que, em
1972, sob a liderança dos países desenvolvidos e com a
resistência dos países em desenvolvimento, a comunidade
internacional aceita os termos da Declaração de
Estocolmo sobre Meio Ambiente.
• Constituindo-se como uma declaração de princípios (soft
law – na terminologia do direito internacional), a
Declaração de Estocolmo rapidamente se estabelece
como o documento marco em matéria de preservação e
conservação ambiental.
• Apesar da resistência da delegação brasileira – que à época defendia irrestrito
direito ao desenvolvimento, alegando que a pobreza seria a maior causa
de degradação ambiental – os conceitos e princípios da Declaração de
Estocolmo vão sendo paulatinamente internalizados pelo ordenamento
jurídico pátrio.
• Sensível às pressões internacionais, o Brasil cria a Secretaria Nacional do
Meio Ambiente (SEMA) em 1973 (Decreto n. 73.030, de 30 de outubro) e
aprova a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6.938/81)
• A Declaração de Estocolmo passaria a orientar não
apenas o desenvolvimento de um direito ambiental
brasileiro, mas muitos ao redor do mundo.
Direito Ambiental:
Princípios
• (

• Princípios Fundamentais do Direito Ambiental

• Professora: Ms. Marli Deon Sette/adaptado


Princípios
• Conceito:
• Princípio é “uma regra geral e abstrata que se
obtém indutivamente, extraindo o essencial de
normas particulares, ou como uma regra geral
preexistente”. Lorenzetti (1998, p. 312), in DEON SETTE, MARLI T. Direito ambiental. Coordenadores: Marcelo
Magalhães Peixoto e Sérgio Augusto Zampol Pavani. Coleção Didática jurídica, São Paulo: MP Ed., 2009, p. 54. ISBN 978-85-97898-023-8.
Princípios

• Os princípios, em regra, são simples, de fácil compreensão e


servem como norteadores para entender a essência de
fundamentos de determinados ramos do Direito, facilitando tanto
a construção do próprio ordenamento jurídico do referido ramo
quanto a sua aplicação e utilização.
• Os princípios a seguir relacionados são aqueles que possuem mais
relevância no direito ambiental, mas não esgotam o rol de
princípios inerentes ao mencionado ramo de direito.
Princípio do direito humano fundamental (P. do
ambiente ecologicamente equilibrado):

- Idéia de direitos que devem ser protegidos inclusive contra o próprio


estado;
- Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (artigos.
5°, 6 ° e 225 caput, da CF e 2° da lei 6938/81).
- Decorre do primeiro princípio da Declaração de Estocolmo –reafirmado
pela RIO 92: “Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com
o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia
com o meio ambiente”.
b) Princípio da ubiquidade
• Significado:
• faculdade divina de estar concomitantemente presente em toda parte.(teologia)
• fato de estar ou existir concomitantemente em todos os lugares, pessoas, coisas.
• “onipresente”.

• As questões ambientais devem ser examinadas em todas as atividades e políticas. Ex.


art. 170, VI da CF - (ordem econômica - observar a defesa do meio ambiente).
c) Princípio da responsabilidade social:

• Atribui responsabilidade solidária aos agentes financiadores, que


devem avaliar o aspecto social – ambiental – dos projetos,
exigindo critérios mínimos para a concessão de crédito.
d) Princípio da função socioambiental da
propriedade:

• Limita o exercício do direito de propriedade ao atendimento da sua função


social, sob pena de intervenção judicial (artigos 5º XXII e XXIII, 183 e 184
da CF/88). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
C:\Users\Hp\Desktop\CURSO_TECNICO\AULAS\Constituição.pdf
e) Desenvolvimento Sustentável
• Harmonizar a suposta dicotomia “crescimento e meio ambiente” com
trade-off eficiente. C:\Users\Hp\Desktop\CURSO_TECNICO\AULAS\O que é trade off.docx

• É necessário crescer e para isso é preciso produzir e qualquer forma de


produção gera poluição para o meio ambiente.
• Então temos que fazer o crescimento de tal forma que não se comprometa a
possibilidade de que as gerações futuras também possam dispor do meio
ambiente equilibrado e sadio.
f) Poluidor pagador ( PPP): Tributação ambiental.

Ex. art.. 225, § 3º, CF/88 e art. 14, da Lei 6938/81.


C:\Users\Hp\Desktop\CURSO_TECNICO\AULAS\lei-6938-31-agosto-1981-366135-normaatualizada-pl.pdf

• Cunho:
• Preventivo – incentiva os agentes econômicos a internalizar as
externalidades - Ex. bateria de celular, pneus, tributos;
• Repressivo – quando se agir fora dos padrões determinados por lei.
Responsabilidade civil - reparar o dano e/ou indenizar.
• Poluiu tem que pagar => responsabilidade objetiva => prioridade de
reparação do dano específico => indenização => solidariedade.
g) Princípio do usuário pagador: tributação ambiental.

• Cobrança pelo uso do recurso natural ( ex. Lei 9433/97, art. 1º, I e II, da
Política Nacional de Recursos Hídricos). EX(conta de agua)

- O uso gratuito causa enriquecimento ilegítimo, onerando a sociedade.

- Deve-se levar em conta o princípio da equidade e só cobrar pelas


externalidades e raridade - custo real.
h) Princípio Protetor-Recebedor
Princípio Protetor-Recebedor: Assegura que o agente publico ou privado que
protege um bem natural em benefício da comunidade deve receber uma
compensação financeira como incentivo pelo serviço de proteção ambiental
prestado.

• Incentiva economicamente quem protege uma área, deixando de utilizar seus


recursos, estimulando assim a preservação.

• Pode ser considerado o avesso do princípio usuário-pagador.


Continuação: Princípio Protetor-Recebedor

• Serve para implementar a justiça econômica, valorizando os serviços


ambientais prestados generosamente por uma população ou sociedade, e
remunerando economicamente essa prestação de serviços.

• Se tem valor econômico, é justo que se receba pelo serviço.

• Atualmente, no mundo, muitas sociedades prestam serviços ambientais


gratuitos, ao preservarem áreas indígenas, parques, unidades de conservação,
áreas de mananciais, sem entretanto receberem a justa remuneração por eles.
(DEON SETTE e NOGUEIRA, POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SOLIDOS: Uma avaliação inicial acerca dos aspectos jurídicos e econômicos., 2010,
http://www.ladesom.com/marli/artigos/artigos/Politica-Nacional-Residuos-Solidos.pdf ).c
i) Princípio da prevenção:

• Obrigação de evitar o dano ambiental, utilizando medidas mitigadoras e


preventivas ( Art. 225, caput e § 1º, IV – EIA/RIMA).
• Risco => busca da minimização dos impactos.
j) Princípio da Precaução: decorre do princípio 15 da
Declaração do Rio 92.

• Não havendo conhecimento suficiente sobre os danos causado


pela atividade, evita-se exercê-la.
• Risco: cautela.

• PREVENÇÃO ≠ PRECAUÇÃO
Esclarecimentos para fins didáticos:

• Prevenção = tomar medidas que mitiguem a possibilidade de danos ambientais.

• Precaução = Na dúvida a respeito dos danos que possam ser causados ao MA, deixa-se de agir.

• Preservação (usada na CF) = proibição da exploração econômica dos recursos naturais.

• Conservação (usada na legislação infraconstitucional) = permitir a exploração econômica dos recursos


naturais de maneira racional e sem desperdício.

• (Etimologicamente preservar e conservar tem o mesmo sentido).


k)Princípio da Participação: (relaciona-se ao art. 9º, incisos
VII, XI e XII, da Lei n. 6.938/1981).C:\Users\Hp\Desktop\CURSO_TECNICO\AULAS\lei-
6938-31-agosto-1981-366135-normaatualizada-pl.pdf

• 1) Informação ambiental: Direito de informação de eventos significativamente


danosos ao meio ambiente por parte dos Estados. - Ex.: concessão de licenças,
EIA/RIMA, audiências públicas, etc (art. 225, § 1, IV, da CF/88 – Lei n.\
10.650/2003).

• 2) educação ambiental: Utilizar programas objetivando mudanças de valores –


sensibilização/consciência ecológica (Art. 225,§ 1ª, VI e Lei 9.795/99).
• Transversal e interdisciplinar.
• Formal e informal.
l) Princípio democrático:
Assegura aos cidadãos a possibilidade de participar das políticas públicas ambientais.

l.1) Na esfera legislativa: ex. plebiscito, referendo(art. 14, I, II e III, da CF/88).

l.2) Na esfera administrativa: ex. direito de petição, direito ao estudo prévio de impacto
ambiental (art. 5°, XXXIII, XXXIV e art. 225, IV, CF/88).

l.3) Na esfera processual: ex. ação popular, ação civil pública, mandado de segurança individual
e coletivo. (art. 129, III, art. 5°, LXX, LXXI, LXXIII; art. 37, § 4º e art. 103, da CF/88).
m) Princípio do equilíbrio

• Devem ser pesadas todas as implicações de uma intervenção no


MA, adotando-se a solução que melhor concilie um resultado
global positivo.
n) Princípio do limite

• A administração deve fixar parâmetros para a emissão de


partículas, de ruídos e demais corpos estranhos ao MA, levando
em conta a proteção da vida e do próprio MA. (art. 225, § 1°, V,
CF/88).
Principio da proibição do retrocesso
constitucional ambiental/ecológico
• A proibição de retrocesso diz respeito a uma garantia de proteção dos direitos
fundamentais (e da própria dignidade da pessoa humana) contra a atuação do
legislador, tanto no âmbito constitucional quanto infraconstitucional , bem como,
contra a atuação da administração pública.
• A proibição de retrocesso consiste (à míngua de expressa previsão no texto
constitucional) em um princípio constitucional implícito, tendo como fundamento
constitucional, entre outros, o princípio do Estado (Democrático e Social) de
Direito, o princípio da dignidade da pessoa humana, o princípio da máxima eficácia
e efetividade das normas definidoras de direitos fundamentais, bem como o
princípio da segurança jurídica e seus desdobramentos.
Principio da proibição do retrocesso constitucional
ambiental/ecológico(continuação)

• Por uma questão de justiça entre gerações humanas, a geração presente tem a
responsabilidade de deixar, como legado às gerações futuras, pelo menos
condições ambientais tendencialmente idênticas àquelas recebidas das gerações
passadas, estando a geração vivente, portanto, vedada a alterar em termos
negativos as condições ecológicas, por força do princípio da proibição de retrocesso
socioambiental e do dever (do Estado e dos particulares) de melhoria progressiva da
qualidade ambiental.
Principio da proibição do retrocesso constitucional
ambiental/ecológico (continuação)
• No caso especialmente da legislação ambiental que busca dar operatividade
ao dever constitucional de proteção do ambiente, há que assegurar a sua
blindagem contra retrocessos que a tornem menos rigorosa ou flexível,
admitindo práticas poluidoras hoje proibidas, assim como buscar sempre um
nível mais rigoroso de proteção, considerando especialmente o déficit legado
pelo nosso passado e um “ajuste de contas” com o futuro, no sentido de
manter um equilíbrio ambiental também para as futuras gerações
• Não se admite, até por um critério de justiça entre gerações humanas, é que sobre as
gerações futuras recaia integralmente o ônus do descaso ecológico perpetrado pelas
das gerações presentes e passadas.

• A noção da limitação dos recursos é pertinente, uma vez que boa parte dos recursos
naturais não é renovável, e, portanto, tem a sua utilização limitada e sujeita ao
esgotamento. Assim, torna-se imperativo o uso racional, equilibrado e equânime dos
recursos naturais, no intuito de não agravar de forma negativa a qualidade de vida e
o equilíbrio dos ecossistemas, comprometendo a vida das futuras gerações.
• Assumindo como correta a tese de que a proibição de retrocesso não pode
impedir qualquer tipo de restrição a direitos socioambientais,
• parte-se aqui da mesma diretriz que, de há muito, tem sido adotada no plano
da doutrina especializada, notadamente a noção de que sobre qualquer
medida que venha a provocar alguma diminuição nos níveis de proteção
(efetividade) dos direitos socioambientais

• recai a suspeição de sua ilegitimidade jurídico-constitucional, portanto - na gramática
do Estado Constitucional -, de sua inconstitucionalidade, acionando assim
um dever de submeter tais medidas a um rigoroso controle de constitucionalidade,
onde assumem importância os critérios da proporcionalidade (na sua dupla
dimensão anteriormente referida), da razoabilidade e do núcleo essencial dos
direitos socioambientais, sem prejuízo de outros critérios.

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