Você está na página 1de 32

Geologia 11

Identificação de minerais
A composição química e a organização estrutural da matéria cristalina
conferem aos minerais determinadas propriedades físicas e químicas que
Processos e materiais geológicos importantes em auxiliam na sua identificação.

ambientes terrestres A identificação de minerais é feita a partir da análise das suas propriedades.
A observação de algumas destas propriedades pode ser feita em campo mas
Rochas sedimentares há outras que requerem equipamento de laboratório. Podem utilizar-se
Minerais quatro tipos de técnicas para identificar um mineral.
Rocha – Material, geralmente no estado sólido, que ocorre naturalmente na
 Análise dos caracteres físicos macroscópicos;
crosta terrestre, constituído por um ou mais minerais (macroscópicos ou
microscópicos).  Estudo das propriedades óticas com o microscópio petrográfico;
 Estudos por raios X;
Mineral – corpo sólido, natural, com composição química definida ou variável  Ensaios químicos para determinar a sua composição.
dentro de certos limites, inorgânico e com textura cristalina característica.
Propriedades físicas
Minerais herdados – minerais que fazem parte de rochas sedimentares e Cor dos minerais:
que provieram de rochas preexistentes, tendo sido modificados fisicamente
Mineral idiocromático – mineral que apresenta cor constante
devido ao transporte. (quartzo, feldspatos e micas, anfíbolas, piroxenas,
calcite, etc…) Mineral alocromático – mineral que apresenta cor variável (quartzo)

Minerais de neoformação – minerais novos, que fazem parte de rochas A diversidade da cor pode ser devido à mistura de pequenas quantidades de
sedimentares e originados devido a reações químicas ocorridas na fase de certos pigmentos ou devido a variações na composição química, em que
sedimentogénese ou de diagénese. (calcite, dolomite, sílica, minerais de certos elementos são substituídos na rede cristalina por outros diferentes.
argila, halite e gesso) No entanto, a cor raramente é única para cada mineral, portanto a cor não
é uma propriedade muito fiável na identificação de minerais.
Cristal – corpo sólido homogéneo, formado por matéria mineral, com
estrutura geométrica específica (poliedro). Sob condições favoráveis de Risca ou traço:
formação apresenta partículas elementares agregadas de forma ordenada,
em três dimensões do espaço. Um cristal forma-se quando um mineral dispõe A risca é a cor do mineral quando reduzido a pó, ao contrário da cor é uma
de tempo e de espaço para ordenar as suas partículas, ou seja, quando a propriedade constante e diferentes variedades da mesma espécie mineral
matéria mineral não está sob a ação de fatores perturbadores. exibem sempre o traço da mesma cor. A cor do traço nem sempre coincide
com a sua cor.

1
 Os minerais idiocromáticos de brilho metálico produzem traços com Diafaneidade/ Translucência:
cores fortes, habitualmente negra;
É a propriedade dee alguns minerais de se deixarem atravessar pela luz.
 O minerais incolores têm risca branca;
 Os minerais corados de brilho não metálico, no geral alocromáticos, Materiais hialinos – transparentes e incolores, os objetos vistos através
ou têm risca branca ou da cor do mineral mas mais clara; deles não perdem os seus contornos nem a cor.
 A hematite, mesmo as variedades mais negras, metálicas, deixam
Segundo esta propriedade os minerais podem ser:
um traço vermelho cor de sangue.
 Transparentes, quando é possível identificar objetos através deles;
A cor do traço pode ser determinada, caso o mineral tenha uma dureza
 Translúcidos, quando deixam atravessar a luz mas não é possível
inferior à porcelana, por se riscar com o mineral uma superfície não polida
identificar objetos;
polida de uma porcelana.
 Opacos, quando mesmo em lâminas delgadas não se deixam
Brilho ou lustre: atravessar pela luz.

Consiste no efeito produzido pela qualidade e intensidade da luz refletida Hábito:


numa superfície de fratura recente do mineral. O brilho pode ser de vários
As espécies minerais são muitas vezes caracterizadas pelo facto do
tipos:
exibirem formas que lhes são próprias, os hábitos.
 Metálico, intenso, semelhante ao observado em metais;
Maclas – Associação de cristais que se formam a partir de um único núcleo
 Submetálico, brilho do tipo metálico mas sensivelmente mais fraco;
de cristalização.
 Não metálico/ Vulgar, característico dos minerais transparentes ou
translúcidos: Clivagem:
 Sedoso ou acetinado, semelhante a seda;
A clivagem é a tendência de alguns minerais se fragmentarem, quando
 Vitreo, como o vidro;
aplicada uma força mecânica, segundo uma, duas ou três superfícies planas,
 Adamantino, intenso como o diamante;
brilhantes, de direções bem definidas e constantes. Pode ser perfeita,
 Nacarado, semelhante a pérolas;
distinta ou boa, ou indistinta ou pobre.
 Resinoso, lembrando o brilho da resina;
 Ceroso, como a cera;
 Gorduroso, lembrando o brilho de uma superfície
engordurada.

2
Fratura:  Dois minerais têm a mesma dureza se se riscam ou não se riscam
mutuamente;
Revela que todas as ligações são igualmente fortes, qualquer que seja a
 Os termos da escala devem ser percorridos no sentido decrescente
direção considerada. As superfícies de fratura não se repetem
de dureza para se evitar o desgaste dos minerais mais duros;
paralelamente a si mesmas e podem apresentar diferentes aspetos.
 Quando não se dispõe de uma escala de Mohs, podem utilizar-se
Dureza: diferentes materiais:
A escala de Mohs apenas proporciona valores
É a resistência que o mineral oferece ao ser riscado (sulcado) por outro
relativos, sendo a determinação de valores
mineral ou por determinados objetos. É condicionada pela estrutura e pelo
absolutos complexa e implica a utilização de
tipo de ligações entre as partículas e, por isso, pode variar com a direção
aparelhos muito especializados. Na escala de
considerada. A sua determinação é feita em relação aos termos de uma
Mohs, o aumento da dureza absoluta entre os
escala de dureza, sendo a mais conhecida a escala de Mohs:
diferentes termos não é sempre o mesmo:

Densidade:
A densidade absoluta, ou massa volúmica. de uma substância traduz a massa
por unidade de volume. Depende da dureza das partículas que constituem o
mineral e do tipo de arranjo destas partículas. Para a identificação dos
minerais, recorre-se à densidade relativa, podendo utilizar-se qualquer um
dos métodos utilizados em física.

Propriedades químicas
Alguns testes podem ser utilizados para fazer o diagnóstico de minerais
como o teste do sabor salgado para a halite (NaCl) ou o teste da reação aos
Escala de Mohs - Escala de dureza constituída por 10 termos, colocados por
ácidos.
ordem crescente de dureza, começando pelo talco e terminando com o
diamante que é o corpo natural mais duro que se conhece. Reação aos ácidos:
A calcite e outros carbonatados reagem com o ácido clorídrico, fazendo
 Qualquer mineral da escala risca todos os que estão abaixo dele, não
efervescência devido à libertação de CO2 durante a reação. No caso da
sendo riscado por eles;
calcite e a aragonite, a efervescência é abundante quando reagem a frio, já
 Um mineral é mais duro que outro se, e só se, o riscar, sem se deixar
na dolomite só se verifica efervescência a quente ou quando o mineral é
riscar por ele;
reduzido a pó.

3
propriedades

químicas físicas

reação aos
densidade óticas mecânicas
ácidos

influenciada diafaneidade/
não reagem risca ou traço cor brilho dureza fratura hábito clivagem
por... translucência

da cor do varia entre 1 e concoidal, cúbica,


massa atómica
reagem a frio mineral em alocromático metálico 10 na escala de escamosa, octaédrica,
dos elementos
massa Mohs laminar... romboédrica...

só reagem a branca ou quase


rede estrutural idiocromático submetálico
quente branca

escura ou quase
vulgar
preta

4
Rochas sedimentares detríticas Meteorização
Formação das rochas sedimentares Tipos de meteorização física:
A formação de uma rocha sedimentar envolve várias etapas:
 Crioclastia (quando a água congela nas diáclases, o seu volume
•É o conjunto de fenómenos que leva à alteração das características iniciais das
aumenta, fazendo aumentar a dimensão das fraturas);
rochas  Atividade biológica (ex: raízes de árvores);
•Física ou mecânica - origina partículas cada vez mais pequenas
•Química - modifica os minerais das rochas  Haloclastia (crescimento de minerais nas fraturas e nos poros das
Meteorização •Há formação de clastos/ detritos que irão constituir os sedimentos. rochas);
 Ação da água;
 Termoclastia (variações no volume das rochas provocadas por
variações na temperatura);
•Separação de pedaços de rocha da rocha-mãe  Alívio de pressão (pode fazer com que a rocha se expanda e se
Erosão quebre)

Principais agentes da meteorização química:

•Geralmente, os materiais resultantes da meteorização não permanecem no seu  Água (com diferentes substâncias dissolvidas;
local de formação
•A força exercida pelos agentes erosivos é, geralmente, suficiente para iniciar o
 Oxigénio e dióxido carbono atmosféricos;
Transporte transporte  Temperatura (influencia a velocidade das reações);
 Seres vivos (produção de substâncias) – meteorização bioquímica.

Tipos de meteorização química:


•Deposição dos sedimentos
•Dá-se em camadas sobrepostas - estratos - horizontas e paralelas, sobretudo Designação Descrição Exemplo
quando ocorre em ambiente aquático Dissolução O material rochoso passa diretamente Dissolução da halite:
Sedimentação
para uma solução. NaCl + H2O ⟶ Na+ + Cl-
Hidratação Hidratação: combinação química de Desidratação do gesso para
minerais com água formar anidrite:
desidratação
Desidratação: remoção química da água CaSO4●2H2O ⟶ CaSO4 +
de minerais 2H2O
•Transformação de sedimentos soltos em rochas sedimentares consolidadas/ coesas Hidrólise Reação lenta em que os iões dos minerais Hidrólise de um feldspato
reagem com os iões H+ e OH- da água, (em águas acidificadas):
Diagénese
podendo originar novos minerais. 2KAISi3O8 + H2CO3 + H2O
⟶ K2CO3 + Al2Si2O5(OH)4 +
4SiO2

5
Oxidação O oxigénio atmosférico dissolvido na Oxidação da pirite Sedimentação
água reage com os iões dos minerais (transformando-se em
redução A deposição dos materiais ocorre quando deixa de haver ação dos agentes
produzindo óxidos. A oxidação é o hematite)
processo pelo qual um átomo ou ião perde 4FeS2 + 3O2 ⟶ 2Fe2O3 + de transporte. Quando os sedimentos se depositam. Vão formando
eletrões. Este processo tem importância 8S superfícies horizontais mais ou menos paralelas – estratos ou camadas.
na alteração de minerais com teores de
ferro elevados. Diagénese
Erosão A diagénese compreende:
Os principais agentes erosivos são a água e o vento. A água pode originar
 Compactação (diminuição do volume);
estruturas como as chaminés de fada e como as ravinas (sulcos profundos
 Desidratação (diminuição da quantidade de água);
no solo. A ação erosiva do vento é feita, principalmente de dois modos:
 Cimentação (agregação de sedimentos, com ajuda de uma substância
remoção de partículas sedimentares, deixando a rocha sã sujeita a
precipitada);
meteorização; desgaste das rochas pelo vento e pelos materiais soltos por
 Recristalização (alteração da estrutura cristalina; ocorre devido a
ele movidos.
alterações das condições de pressão e temperatura, e circulação da
água e outros fluidos onde estão dissolvidos iões; ex:
recristalização da argonite, formando a calcite).

Sedimentos e as rochas consolidadas a que dão origem:

Designação do Designação Rocha


Dimensões
detrito do sedimento consolidada
Grosseiro Cascalheira de Brecha
Chaminés de Fada (esquerda) e ravinas (direita) > 2mm elementos
angulosos
Transporte Balastros Cascalheira de Conglomerado
Os principais agentes de transporte são a gravidade, o vento e a água. elementos
rolados
Médio Areia Arenito ou grés
Areia 1⁄ a 2 mm
16
Silte Silito
Fino
Silte ou limo 1⁄ a 1⁄
16 256mm
Argila Argilito
Muito fino
Argilas <1⁄256 mm

6
5. Crivagem (separação dos sedimentos segundo a escala
granulométrica)
Areias
6. Pesagem das frações
As areias variam em vários aspetos:
7. Morfoscopia
 Cor – dependendo dos sedimentos que as constituem e da sua 8. Análise dos resultados
abundância, que por sua vez são dependentes das rochas-mãe dos
Alteração do granito e paisagens graníticas
sedimentos;
O granito é composto por minerais de Feldspato, quartzo, biotite e
 Grau de arredondamento – as arestas dos sedimentos vão ficando
moscovite.
mais arredondadas devido ao atrito e a choque, logo, quanto maior
for a duração do transporte, maior o grau de arredondamento. O granito é um plutonito – formou-se pelo arrefecimento lento do magma
 Granulometria – varia conforme a natureza da fonte e o regime em profundidade.
hidrodinâmico.
Com o afloramento do maciço granítico, as tensões litosféricas a que estava
sujeito diminuem, podendo provocar o surgimento de planos de fratura em
que não há movimento relativo dos blocos – diaclases. As diaclases também
podem ter origem tectónica ou no arrefecimento do magma e na sua
consolidação (como resultado da diminuição do volume).

A existência de diáclases facilita tanto a meteorização química por ação da


água, como a meteorização física (exemplo: água que congela e aumenta de
volume; formação de sais). Tal verifica-se pois as diaclases aumentam a área
da rocha exposta a agentes de meteorização.

Granosseleção – a variação da energia do agente transportador seleciona os Os feldspatos são mais suscetíveis à meteorização do que os restantes
sedimentos pelo tamanho e densidade. minerais primários do granito. A meteorização química dos feldspatos é
traduzida na seguinte equação química:
Estudo das areias:
2KAISi3O8 + H2CO3 + H2O ⟶ K2CO3 + Al2Si2O5(OH)4 + 4SiO2
1. Recolha da amostra
2. Quarteamento Junto da rocha podem acumular-se areias graníticas – saibro.
3. Lavagem
4. Secagem

7
Formação de Caos de blocos: Principais características das paisagens graníticas:

1. A alteração do granito é mais intensa ao longo das superfícies mais  Afloramentos graníticos de grande extensão afetados por sistemas
expostas aos agentes de meteorização, que com o tempo rão de fraturas – diáclases;
desaparecer, tornando os blocos graníticos mais arredondados.  Relevos com declive acentuado;
2. O arredondamento dos blocos de granito aumenta a área de  Substrato rochoso despido ou coberto por finas camadas de solo
circulação das águas e o seu tempo de permanência em contacto com arenoso;
os mesmos, intensificando-se a meteorização química da rocha.  Blocos graníticos arredondados, sobrepostos, e espalhados de
3. Os blocos tornam-se mais pequenos, arredondados e espalhados forma caótica na paisagem – caos de blocos.
pela paisagem.
Princípios da Estratigrafia
Estratigrafia – ramo da geologia que se ocupa do estudo, descriçã,
correlação de idades e classificação de rochas sedimentares.

Os princípios da estratigrafia são úteis na datação relativa de formações


geológicas

Princípio da sobreposição – numa sucessão sedimentar não modificada, os


estratos mais recentes sobrepõem-se aos mais antigos.

Princípio da horizontalidade original – os sedimentos depositam-se em


camadas horizontais, sendo as inclinações ou deformações originadas por
eventos posteriores.

Princípio da continuidade lateral – uma camada sedimentar tem registo em


todas as direções, podendo ter um grande desenvolvimento lateral o qual
pode terminar lateralmente contra outra camada. As camadas
correspondentes a episódios sedimentares localizados terminam muitas
vezes em cunha, assumindo um aspeto lenticular. Permite estabelecer
correlação de idades e de posições entre estratos localizados em lugares
eventualmente distanciados.

Princípio da interseção – uma estrutura ou rocha que é intersetada por


outra é mais antiga que a estrutura que a interseta.
8
Princípio da inclusão – os fragmentos de rochas incluídos numa camada de Ambientes de sedimentação detríticos:
sedimentos são mais antigos que a rocha que os contém.
Ambiente Meio de Sedimentos
Princípios da identidade Paleontológica – dois estratos têm a mesma idade transporte
Continental Aluvial ou fluvial Rios Areias, balastros,
se apresentarem os mesmos fósseis de idade.
siltes e argilas
Discordâncias estratigráficas/ lacunas – descontinuidades no registo Deserto Vento Areias
Lago Correntes e Areias, siltes e
geológico devido à ausência de camadas (explicadas por erosão ou falta de
ondas argilas
sedimentação)
Glaciar Gelo Areias, balastros,
siltes e argilas
Nas juntas de estratificação encontram-se frequentemente marcas de
Transição Delta ou estuário Rio, ondas, marés Areias, siltes e
acontecimentos passados (fendas de dessecação, marcas de ondulação,
(Continente – argilas
etc…). oceano) Praia Ondas, marés Areias e
balastros
Quando as rochas contêm fósseis dizem-se fossilíferas.
Marinho Plataforma Ondas, marés Areias siltes e
É por vezes possível identificar Paleoambientes – ambientes antigos que continental argilas
Margem Correntes Siltes, argilas e
retratados pela interpretação de sequências estratigráficas permitindo
continental oceânicas areias
recriar as condições ambientais reinantes aquando da formação da rocha Mar profundo Correntes Siltes e argilas
sedimentar. (planície abissal) oceânicas

Fáceis sedimentar – características texturais, mineralógicas, químicas,


paleontológicas e estruturais que permitem definir o ambiente de Ambientes de sedimentação quimiogénicos:
sedimentação da rocha.
Ambiente Processo químico Sedimento
Mar pouco Precipitação por Calcite
profundo variação das
Marinho condições físico-
químicas das
águas marinhas
Lagos salgados Evaporação de Halite, gesso
Continental
(zonas áridas) águas salgadas

9
Ambientes de sedimentação biogénicos:  Soterramento do cadáver por sedimentos finos que protegem o
cadáver de predadores e da decomposição e fixam com mais detalhe
Ambiente Processo químico Sedimento
as formas do organismo;
Mar profundo Organismos com Sílica
(Planície abissal) concha  Existência de partes duras no organismo – são mais fáceis de
Marinho
Mar pouco Organismos com Calcite fossilizar;
profundo concha  Temperatura baixa – dificulta a decomposição.
Continental Pântanos Plantas Turfa
Fósseis Tipos de fossilização:
Paleontologia – ciência que estuda os fósseis. Mineralização – substituição da matéria orgânica por matéria mineral
Somatofóssil – resto do corpo dos seres vivos. (impregnação das partes esqueléticas dos organismos com sais minerais
transportados pelos fluídos que circulam nas rochas sedimentares), sendo
Icnofóssil – vestígios da atividade dos seres vivos. frequente a manutenção da forma e detalhe do organismo inicial. É o

Fósseis de fácies – permitem obter informações sobre os paleoambientes. processo mais comum de fossilização, sendo que os fósseis mais comuns
apresentam apenas partes duras.
São fósseis de organismos que viveram em ambientes com condições muito
específicas. Exemplo: corais. Moldagem – os seres vivos/ vestígios são cobertos por sedimentos. Após a
degradação dos tecidos, resta o molde. Pode ser externo ou interno.
Fósseis de idade – fósseis que permitem datar rochas; São fósseis de seres
Também existem moldes dos moldes externos/internos.
vivos que existiram em grande número durante intervalos de tempo
relativamente curtos na história da Terra e que tiveram um ampla Conservação – muitos tecidos do organismo, incluindo os mais moles, podem
distribuição geográfica. Exemplo: Trilobite – Paleozoico; Amonite - ser conservados no gelo ou no âmbar.
Mesozoico
Fósseis vivos – casos em que os organismos não sofreram grandes
Fossilização - conjunto de fenómenos físicos e químicos que permitem a transformações e portanto as suas formas fossilizadas são praticamente
formação de um fóssil. Dependo do tipo de ser vivo e do ambiente onde viveu, idênticas a seres vivos atuais.
e da quantidade de oxigénio.
Rochas sedimentares quimiogénicas
Condições ideais de fossilização: Evaporitos – rochas sedimentares geradas pela precipitação de sais de
 Ambiente aquático calmo, ou qualquer outro ambiente em que haja metais alcalinos (essencialmente sódio e potássio) e alcalino-terrosos
um soterramento rápido do cadáver que impede a (cálcio e magnésio), motivada pela evaporação de águas hipersalinas.
destruição/predação do cadáver;

10
A precipitação química ocorre quando uma substância se separa do liquido Ca2+ + 2HCO3- ⟶ CaCO3 + H2O + CO2
em que se encontrava dissolvida ou suspensa.
A diminuição do teor de CO2 nas águas (em consequência do aumento da
Evaporitos de água livre – resultantes da evaporação da água no fundo de temperatura da água, da diminuição da pressão atmosférica ou da agitação
bacias marinhas, lagunares ou lacustres das águas – determina que o equilíbrio químico se desloque no sentido da
formação de CO2 e, consequentemente, da precipitação de calcite.
Evaporitos capilares – evaporitos formados por ascenção capilar de
aquíferos ricos em sais dissolvidos e subsequente evaporação subaérea. O CO2 pode reagir com a água formando ácido carbónico, fazendo com que
as águas fiquem mais ácidas. As águas acidificadas provocam a meteorização
Evaporitos primários – gerados na fase de sedimentação
química dos calcários, formando o hidrogenocarbonato de cálcio, que é
Evaporitos secundários – resultam da diagénese, quer precoce quer tardia solúvel.
por efeitos de variações de pressão e/ou temperatura e da percolação de
soluções intersticiais.

Os evaporitos apresentam elevada solubilidade.

A temperatura e a pressão são fatores dos quais depende a solubilidade e


a precipitação dos evaporitos.

Os evaporitos representam cerca de 3% das rochas sedimentares e são


bons marcadores paleoclimáticos, são fontes importantes de matérias
primas essenciais e constituem ótimas coberturas de retenção de
hidrocarbonetos – armadilhas.
Dolina (depressões circulares onde se acumulam argilas/ água)
Minerais dos evaporitos: gesso (sulfato de cálcio hidratado); anidrite
A- Uvala – estrutura semelhante às dolinas mas com forma irregular,
(sulfato de cálcio anidro); halite (cloreto de sódio); silvite (cloreto de
resultam da coalescência de duas ou mais dolinas.
potássio)
B- Lapiás
Calcários e morfologia cársica
O calcário (de precipitação) é um evaporito essencialmente constituído por C- Gruta
calcite (CaCO3). Quando puro é branco, mas devido a impurezas pode
D- Estalactite
apresentar variadas cores. A formação de calcite ocorre segundo a seguinte
equação química: E- Estalagmite

11
F- Coluna Fatores que conduzem à diminuição do teor de CO 2: Aumento de
temperatura; diminuição da profundidade (diminução da pressão e aumento
G- Algar
de luminosidade); agitação das águas; evaporação.
H- Ressurgência do rio

Terra rossa – acumulação de uma argila residual com calcário solubilizado


Esqueléticos
(bioclastos)
Aloquímicos Oólitos

Não esqueléticos
Componentes
das rochas Pisólitos
carbonatadas Micrite (Calcite
microcristalina)
Ortoquímicos
Esparite (Calcite
espática)

Oólitos – fazem lembrar pequenos ovos de peixe; formam-se sobretudo em


águas tépidas, pouco profundas, ricas em CaCO3 agitadas por correntes de
ondulação, de maré ou por ventos fortes muito frequentes nas regiões
intertropicais; crescem por acreção de carbonato de cálcio, sob a forma de
capas concêntricas em torno de núcleos.

12
Pisólitos – semelhantes, em termos de tamanho, a ervilhas; alguns são de reagissem com o oxigénio. Lenta e progressivamente, foram-se formando
origem microbiana, marinhos de água pouco profundas ou lacustres, outros camadas de materiais vegetais mortos, que iniciou o processo de
são de origem algal, gerados em plataformas carbonatadas, em águas frias decomposição e submergiu nas águas ácidas dos pântanos circundantes. A
e a profundidade até 100m. escassez de oxigénio impediu a continuação da decomposição por bactérias
aeróbias. Ao fim de milhares de anos, esta matéria, por estar exposta a
elevadas temperaturas e pressões, transformou-se em turfa.

Turfa – material de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado


em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sobre montanhas.
Sob condições geológicas adequadas, transformam-se em carvão, através
de emanações de metano, vindo das profundezas e da preservação em
ambiente anaeróbio.

Travertino – Calcário toscamente laminado, de tom amarelo acastanhado,


vacuolar; depositados em relação com fontes hidrotermais, mais compactos
e zonados que os tufos.

Tufos – depósitos carbonatados muito porosos, friáveis e, regra geral, ricos


em restos vegetais, gerados em águas frias.

Rochas sedimentares biogénicas


Os combustíveis fósseis carvão, petróleo e gás natural, tiveram a sua origem
geológica há cerca de 300 milhões de anos: são o resultado de uma lenta
sedimentação de organismos vivos.

Carvão
Quanto maior o teor em carbono, maior a energia libertada por combustão.
Formação do carvão:

Há 300 M.a. folhas, raízes, troncos e árvores inteiras (ricas em lenhina e


celulose) caíam nos pântanos onde a água os protegia, impedindo que
13
Carvão – sólido de origem natural, formado por plantas fossilizadas de cor detritos orgânicos. Esses detritos, recobertos por depósitos argilosos finos,
castanho-escuro e negra, usado como combustível com as seguintes podem evoluir para carvões. Quando a subsidência é rápida, diminui a
vantagens: vegetação e também a deposição de detritos orgânicos, mas, pelo contrário,
aumenta a deposição de detritos terrígenos, formando depósitos detríticos,
 Preço;
primeiro grosseiros e depois sucessivamente mais finos. Vários episódios do
 Queima relativamente limpa;
tipo descrito podem alternar ao longo do tempo, formando extensos jazigos.
 Disponibilidade imediata.
Petróleo
O carvão forma-se por incarbonização da turfa, ou seja, pelo aumento da
Petróleo - hidrocarbonetos líquidos que se formam essencialmente em
quantidade relativa de carbono (com perda relativa de oxigénio e hidrogénio)
marinho a partir de plâncton rico em ácidos gordos, que perdem o oxigénio.
na rocha que ocorre pela intervenção de bactérias anaeróbias.
Gás natural – hidrocarbonetos gasosos
O carvão é o combustível fóssil mais abundante no nosso planeta, o principal
elemento constituínte é o carbono sólido, mas a maioria dos carvões contém
compostos de carbono líquido e gasoso.

As minas de carvão encontram-se, geralmente, entre os 200 e 300 metros


de profundidade, mas muitas vezes é necessário escavar poços de 1000
metros ou mais. A sua exploração pode, portanto, ser feita a céu aberto
(mais nociva em termos paisagisticos e ambientais) ou não, sendo feita em
galerias dispostas horizontalmente, que servem de
vias de transporte.

Tendo em conta que o teor de carbono aumenta com


a profundidade, quanto mais profunda a jazida,
melhor é a qualidade do carvão.

Num corte vertical de jazigos de carvão observam-


se várias camadas de carvão alternadas com
depósitos detríticos. A disposição em camadas
As jazidas de petróleo encontram-se a profundidades superiores às de
sugere que os depósitos se repetem de uma maneira
carvão.
cíclica. Em períodos de subsidência lenta, a
vegetação é abundante e há grande quantidade de

14
Rocha-mãe – É a rocha na qual ocorre todo o processo evolutivo que leva Calcários biogénicos
à transformação dos detritos orgânicos em hidrocarbonetos. Observação Tipo de Caracterização
macroscópica rocha
Rocha-armazém ou rocha-reservatório – São formações geológicas A maioria do calcário presente nas águas pouco
(arenitos, conglomerados, rochas carbonatadas) porosas e permeáveis que profundas é formado a partir de bioclastos. O
calcário foi inicialmente secretado pelos organismos
recebem e armazenam o petróleo e o gás natural que migram da rocha-mãe.
para produzir os seu revestimento, sendo depois
Calcário
fragmentado pelas correntes e acumulado como
Rocha-cobertura – são formações geológicas impermeáveis, geralmente
detrito de origem biológica. Os organismos também
conhecidas por rochas argilosas, que impedem a migração e a dispersão do podem modificar as condições do meio e causar a
petróleo até à superfície. Também pode ser chamada de teto precipitação dos minerais carbonatados.

Armadilha petrolífera – estruturas geológicas favoráveis a acumulações Calcário Formado a partir dos recifes, por acumulação dos
consideráveis de petróleo. recifal esqueletos e revestimentos dos organismos.

Resultam da deposição de revestimentos externos,


principalmente conchas de moluscos e
Calcário
foraminíferos. O material pode encontrar-se
conquifero fragmentado, revelando a existência de transporte
antes da deposição.

15
Rochas magmáticas A junção da água aos materiais mantélicos desloca o ponto de fusão para
Magma temperaturas mais baixas. Este processo pode ocorrer em limites
convergentes das placas em que a água é conduzida juntamente com os
Magma – material de origem profunda, formado por uma mistura complexa
sedimentos da placa subductada.
de silicatos em fusão, com uma percentagem variável de gases dissolvidos,
podendo conter cristais em suspensão. O material fundido, por ser menos denso, ascende e origina rochas
magmátcias extrusivas ou cristaliza em profundidade gerando rochas
Formação de magmas:
magmáticas intrusivas.
Em regiões tectonicamente ativas, o aumento de temperatura com a
Gradiente geotérmico - variação da temperatura (ºC) por kilómetro de
profundidade é muito acentuado. Para além disto, a diminuição da pressão
profundidade (ºC/km)
e a hidratação dos materiais constituintes do manto e da crusta pode
contribuir para a sua fusão. Grau geotérmico - profundidade necessária para a temperatura aumentar
por 1ºC (m/ºC)
Quer a diminuição de pressão
resultante do movimento Tipos de magma
divergente das placas nas Os tipos de magma são definidos com base na sua acidez que é determidada
zonas de rifte, quer a pela percentagem de sílica que compões o magma. Quanto mais sílica tiver o
diminuição de pressão que se magma, mais ácido será.
verifica nas plumas térmicas,
ao atingirem níveis mais
superfíciais, conduzem à fusão
das rochas originando magmas.

No caso da fusão por


hidratação, a temperatura de
fusão da rocha baixa devido à
presença de água, apesar de os
materiais constituintes do
manto permanecerem à mesma
temperatura e profundidade.
(basáltico ou básico) (andesítico ou intermédio) (riolítico ou ácido)

16
Os diferentes tipos de magma também são distinguíveis pela quantidade de Deste modo é possível associar os diferentes tipos de magma a diferentes
gases neles dissolvidos: tipos de vulcanismo, e portanto, a diferentes condições de formação:

Tipicamente, os magmas basálticos são expelidos ao logo dos riftes e em


pontos quentes, e têm origem nas rochas do manto (peridotitos).

Por outro lado, os magmas andesíticos formam-se, geralmente, em zonas de


subducção altamente vulcânicas, pelo que sua composição varia
acentuadamente dependendo do material do fundo oceânico subductado.

Já os magmas riolíticos podem formar-se por fusão parcial de rochas da


crosta continental, ricas em água e dióxido de carbono, ocorrendo em zonas
de choque de placas, com deformação, onde surgem cadeias montanhosas.

Os diferentes tipos de magma originam diferentes rochas:

Magma Basáltico Andesítico Riolítico


Rocha vulcânica Basalto Andesito Riólito
Rocha plutónica Gabro Diorito Granito
Solidificação do magma: formação das rochas magmáticas
Formação de minerais
A cristalização é condicionada por fatores externos como a agitação do
meio, o tempo, o espaço disponível e a temperatura, e por fatores internos
O comportamento da lava também depende do teor de sílica:
como a estrutura cristalina característica de cada mineral.

Isomorfismo – minerais de composição diferente que apresentam estrutura


e/ou forma cristalina igual ou variando continuamente em decorrência da
substituição de elementos com raios iónicos semelhantes, mantendo a
mesma rede cristalina. Ex: série das plagioglases.

Polimorfismo – minerais com a mesma composição química mas com


estruturas cristalinas diferentes. Ex: grafite e diamante.

17
Formação de cristais em profundidade
Diferenciação magmática – processo, que, a partir do mesmo magma, leva à
formação de magmas com diferentes composições químicas.

Cristalização fraccionada – processo de diferenciação magmática


decorrente da cristalização progressiva de vários minerais a partir de um
mesmo magma parental, devido a temperaturas de cristalização distintas;
depende da pressão e da composição do magma.

Assimilação magmática – processo de diferenciação magmática em que o


magma assimila partes da rocha envolvente. Se o magma estiver a uma
temperatura superior à do ponto de fusão dos minerais dessas rochas,
funde-os e, ao incorporá-los, altera a sua composição.

Mistura de magmas – processo de diferenciação magmática caracterizado


pela mistura de magmas com diferentes composições químicas.

Diferenciação gravítica – processo de diferenciação magmática em que


ocorre a separação da fração cristalina do restante líquido, por diferenças
de densidade. No final, podem encontrar-se na câmara magmática rochas
em diferentes locais: Soluções hidrotermais – As últimas frações do magma (água, voláteis, sílica,
…). Podem preencher fendas das rochas e solidificar formando filões de um
só mineral ou de vários minerais associados.

18
Séries de Bowen Após a cristalização completa dos minerais que constituem os dois ramos, a
fração magmática resultante pode apresentar elevadas concentrações de
sílica e de metais leves como o potássio e o alumínio. Assim, até ao
esgotamento do magma residudal, cristalizam o feldspato potássico, a
moscovite e o quartzo.

Alguns termos da série descontínua cristalizam ao mesmo tempo que alguns


termos da série contínua pois têm a mesma temperatura de cristalização.

Os minerais formados a altas temperaturas são mais instáveis quando


sujeitos à meteorização na superfície.

Classificação de rochas magmáticas


Quanto à textura:
 Textura fanerítica – Os minerais são mais desenvolvidos com
dimensões que nos permitem distingui-los a olho nu; textura

Série contínua – minerais do grupo das plagioclases, verificando-se uma característica das rochas intrusivas pois há tempo para o
alteração nos iões das plagioclases, sem alteração da estrutura cristalina. desenvolvimento dos minerais no processo de arrefecimento e
solidificação do magma no interior da crusta; exemplos: gabro,
Plagioclases - minerais constituídos por alumínio, silíca e quantidades diorito, granito.
variáveis de sódio e cálcio. São os dois últimos que se substituem na rede  Textura afanítica – os minerais não são visíveis a olho nu; é
cristalina formando vários tipos de plagioclases. característica de rochas extrusivas uma vez que os minerais não
têm tempo para se desenvolverem (a lava arrefece e solidifica
Anortite – plagioclase 100% cálcica (primeira a cristalizar)
rapidamente); exemplos: basalto, andesito e
Albite – plagioclase 100% sódica (última a cristalizar) riólito.
 Textura vítrea – sem desenvolvimento
Série descontínua – minerais ferromagnesianos; à medida que se dá o
cristalino; decorre de um arrefecimento
arrefecimento, o mineral anteriormente formado reage com o magma
brusco que ocorre à superfície; exemplo:
residual dando origem a um mineral com uma composição química e com uma
obsidiana.
estrutura cristalina diferentes. Terminada a cristalização da biotite, o
magma residual, caso exista, já não tem ferro e magnésio: a partir deste
patamar térmico, os minerais que se formarem não têm ferro nem magnésio.

19
Quanto à cor Deformação das rochas
 Rocha leucocrata – rocha rica em minerais félsicos (de cor clara)
Deformação das rochas
resultante da solidificação de magma rico em sílica (magma ácido)
A deformação das rochas é, juntamente com o vulcanismo e os sismos, uma
 Rocha melanocrata – rocha rica em minerais máficos (de cor escura)
manifestação do dinamismo interno da Terra. É originada por tensões que
resultante da solidificação de magma básico
afetam o volume e/ou a forma das rochas. 𝜀 = ∆𝑙/𝑙
 Rocha mesocrata – Rocha que não apresenta predominância de
minerais félsicos ou máficos (resultante de magma intermédio)

Quanto à composição mineralógica

Tipos de tensão
Tensão – força exercida por unidade de área

Tensão de compressão – condizem à redução do


volume da rocha na direção paralela à atuação das
forças e ao seu alongamento na direção
perpendicular. Podem provocar a sua fratura.

Designação % de sílica Tensão de distensão – conduzem ao alongamento


Ácidas >65% da rocha, na direção paralela à atuação das forças,
Intermédias 65% a 52% ou à sua fratura.
Básicas 52% a 43%
Ultrabásicas <43% Tensão de cisalhamento – causam a deformação da
rocha por movimentos paralelos em sentidos opostos.
20
Tipos de deformação: Limite de elasticidade/ ponto de cedência - ponto a partir do qual a rocha
Deformação elástica – a deformação é reversível, isto é, quando a tensão se deforma permanentemente.
é removida, o material rochoso regressa à sua forma original. Verifica-se
Ponto de rutura – ponto onde o corpo cede as tensões e se fratura.
quando a tensão aplicada pela rocha não ultrapassou o seu limite de
elasticidade. A tensão e a deformação são diretamente proporcionais. As As rochas podem ser consideradas:
rochas apresentam comportamento elástico.
 Plásticas/dúcteis, se acomodam a deformação sem perder coesão;
Deformação plástica – o corpo não retoma a sua forma original depois de  Semifrágeis, quando apresentam fraturas associadas a dobras;
removida a tensão. Ocorre quando a tensão excede o limite de  Rígidas/frágeis, se acomodam a deformação com perda de coesão.
elasticidade/ponto de cedência, mas não ultrapassa o limite de plasticidade.
Condicionantes da deformação
As rochas apresentam comportamento plástico/dúctil.
O comportamento das rochas é variável e depende:
Deformação frágil – o corpo parte e apresenta fraturas. Ocorre quando a
 Do tipo de rocha;
tensão excede o limite de plasticidade (resistência máxima) chegando ao
 Das condições de pressão e temperatura;
ponto de rutura, e dando origem a deformações descontínuas. As rochas
 Intensidade da tensão;
apresentam comportamento frágil.
 Conteúdo em fluidos;
 Tempo de atuação das forças.

Deformação das rochas em função das condições físicas:

Temperatura Tempo Esforço Comportamento Estruturas


geradas
Baixa Curto espaço Repentino Frágil Fraturas/falhas
de tempo
Média Curto espaço Repentino Frágil Fraturas/falhas
de tempo
Média Grande espaço Gradual Dúctil Dobras
de tempo
Alta Intermédio a Pequeno a Dúctil Dobras
grande e curto grande

21
Comportamento dos materiais rochosos Elementos característicos das falhas

Comportamento frágil: falhas


Comportamento frágil – as rochas fraturam facilmente, quando são sujeitas
a tensões, em condições de baixa pressão e de baixa temperatura. Este
comportamento relaciona-se com a formação de falhas.
Plano de falha – superfície de fratura
Falha – superfície de fratura ao longo da qual ocorreu o movimento relativo
Teto – bloco que se sobrepõe ao plano de falha
dos blocos fraturados. Podem resultar da atuação de qualquer tipo de
tensão em rochas com comportamento frágil. Muro – bloco que se situa abaixo do plano de falha

Rejeto ou rejeito – movimento relativo entre os dois blocos da falha

Inclinação – ângulo formado entre o plano de falha e um plano horizontal


que o interseta

Direção da falha – alinhamento horizontal do plano de falha

Escarpa de falha – parte do plano de falha exposta

22
Tipos de falhas Dobra – deformação em que se verifica o encurvamento de superfícies
Falha inversa – o teto sobe em relação ao muro; forma- originalmente planas. Resultam da atuação de tensões de compressão em
se num estado de tensão compressivo rochas com comportamento dúctil.

Falha normal – o teto desce em Elementos característicos das dobras


relação ao muro; forma-se num
estado de tensão distensivo

Falha de desligamento – os
movimentos dos blocos são
essencialmente horizontais e paralelos à direção do
plano de falha; forma-se em regime de deformação de
cisalhamento.

Falhas associadas
Graber – fossa tectónica

Horst – maciços tectónicos de maior altitude

Charneira – linha que une os pontos de maior curvatura da dobra

Flancos da dobra – vertentes da dobra, situam-se de ambos os lados da


charneira

Plano axial – plano de simetria da dobra

Eixo da dobra – linha de interseção da charneira com a superfície axial


Comportamento dúctil: dobras
Comportamento dúctil – as rochas sofrem alterações permanentes de Núcleo – conjunto das camadas mais internas da dobra
forma e/ou volume, sem fraturarem em condições de elevada pressão e
elevada temperatura. Este comportamento relaciona-se com a formação de
dobras.

23
Atitude das camadas da dobra

Tipos de dobras
Critério de
Classificação Características
classificação
Diretriz – interseção do
Antiformas (dobras Concavidade da dobra
positivas) orientada para baixo plano da camada com um
Disposição espacial plano horizontal
Sinformas (dobras Concavidade da dobra
dos elementos da
negativas orientada para cima
dobra Direção da camada –
Concavidade orientada
Dobras neutras ângulo formado pela
na horizontal
diretriz com a direção
As camadas no núcleo
Anticlinal N-S geográfica
Idade relativa dos são as mais antigas
estratos da dobra As camadas no núcleo Inclinação dos estratos – ângulo formado pela pendente (linha de maior
Sinclinal
são as mais recentes declive) com o plano horizontal

24
Rochas metamórficas Fatores de metamorfismo
Metamorfismo – conjunto de processos físicos e/ou químicos através dos Temperatura
quais rochas pré-existentes são modificadas, no estado sólido, em rochas Por ação do calor, sem que haja fusão, certos minerais tornam-se instáveis.
metamórficas, com constituições mineralógicas e/ou texturais e/ou Nestas condições ocorre a quebra de algumas ligações e a formação de
químicas diferentes das que existiam originalmente. Ocorre no interior da outras dando origem a minerais mais estáveis nas temperaturas mais
terra em condições de pressão e temperatura elevadas (superiores às de elevadas. Assim há uma modificação da estrutura cristalina sem fusão da
diagénese e inferiores às de magmatismo). Se houver alteração da rocha, havendo, por isso, metamorfismo
estrutura cristalina sem que haja variação da composição química há uma
Pressão/ tensão
situação de polimorfismo.
Tensão litostática – a intensidade das forças é igual em todas as direções,
ocorre, por exemplo, como resultado da deposição de camadas. Há uma
diminuição do volume e um aumento da densidade da rocha.

Tensão não litostática – A intensidade da força aplicada não é igual em


todas as direções (tensões compressivas, distensivas e de desligamento. A
rocha sofre deformação e estas tensões conduzem a uma orientação
preferencial de certos minerais, ou seja, modifica o seu arranjo.

Em tensões de compressão os minerais orientam-se perpendicularmente à


direção da força, e em tensões de cisalhamento, paralelamente à direção da
força.
Ultrametamorfismo – fronteira metamorfismo /magmatismo
25
Tempo Metamorfismo Cataclástico
O metamorfismo é um processo extremamente lento, sendo por isso
pertinente considerar o tempo como um fator de metamorfismo,
considerando rochas nas mesmas condições de pressão e temperatura, o
tempo que estas estão expostas a estas condições influencia o grau de
metamorfismo das mesmas.

Fluídos e modificações da composição química


Os fluidos que circulam nos poros das rochas podem reagir com os minerais
da rocha levando à alteração da sua composição mineralógica. Estes fluidos
podem ter origem na desidratação de certas rochas durante o
metamorfismo ou podem ser libertados por magmas próximos. Conduz a
fenómenos de metassomatismo.

Metassomatismo – processo geológico onde um mineral é substituindo


quimicamente, transformando-se num outro mineral.

Tipos de metamorfismo
Metamorfismo de impacto

Metamorfismo de Contacto
Metamorfismo de contacto - Tem caráter localizado, ocorre a baixas
pressões numa zona de contacto com intrusão magmática, que aquece e
liberta fluidos para as rochas adjacentes, alterando a sua composição
mineralógica. O grau de metamorfismo diminui com a distância à intrusão.
Os fatores dominantes de metamorfismo são a temperatura e os fluídos.

Auréola de metamorfismo – região de rochas alteradas junto à intrusão


magmática.

26
Metamorfismo de afundamento

A variedade das rochas resultantes do metamorfismo de contacto depende


das rochas que estão na auréola de metamorfismo.

Corneanas – rochas metamórficas que se formas nas zonas mais próximas


do corpo intrusivo.
Metamorfismo regional
Metamorfismo hidrotermal
Metamorfismo regional – afeta grandes áreas; ocorre em profundidade;
está associado a fenómenos tectónicos, nomeadamente colisão de placas; os
fatores de metamorfismo dominantes.

27
Minerais metamórficos:

 Comuns às rochas ígneas:quartzo, feldspatos, moscovite…


 Comuns às rochas sedimentares: calcite, dolomite…
 Exclusivos das rochas metamórficas: clorite, granada, cianite,
silimanite, andaluzite…

Mineralogia do metamorfismo
Ao serem expostos a condições de pressão e temperatura mais elevadas,
alguns minerais tornam-se instáveis, transformando-se em minerais
diferentes, mais estáveis nessas mesmas condições.

Minerais como o quartzo e a calcite são bastante estáveis permanecendo


durante o processo de metamorfismo. Alguns minerais reaparecem com a
alteração das condições, como é o caso dos feldspatos e da biotite. Há ainda
a formação de minerais característicos das rochas metamórficas: distena,
andaluzite, silimanite e granada.

28
Grau de metamorfismo (paleobarómetros e paleotermómetros), e identificar diferentes graus de
metamorfismo.

A andaluzite, a cianite e asilimanite são polimorfos de Al 2SiO5 e minerais


índice:

Andaluzite – baixa pressão e baixa a média temperatura

Cianite – elevada pressão

Silimanite – elevada temperatura

O aumento do grau de metamorfismo sinónimo do aumento da intensidade


das transformações, ou seja, há maiores modificações mineralógicas e
texturais da rocha

O aumento da intensidade do metamorfismo é acompanhado do aumento da


granularidade da rocha (intensa recristalização) e pelo aparecimento de
determinados tipos de minerais-índice.

Pela textura e composição mineralógica sabe-se o grau de metamorfismo.


Grau de
Baixo Intermédio Elevado
Minerais-índice metamorfismo
Minerais-índice – formam-se num intervalo muito restrito de pressão e Clorite,
Granada e
temperatura e são exclusivos das rochas metamórficas. Permitem distinguir Minerais-índice moscovite e silimanite
ataurolite
biotite
rochas metamórficas de outro tipo de rochas, caracterizar as condições de
pressão e temperatura presentes quando a rocha se formou

29
Isógradas – linhas que delimitam diferentes zonas metamórficas; definidas Textura
pelos pontos onde ocorrem pela primeira vez determinados minerais-índice. Textura – determinada pelo tamanho, forma e arranjo dos minerais que
constituem a rocha.
Rochas metamórficas
Rochas metamórficas – formadas por recristalização no estado sólido de Textura não foliada/granoblástica - Os minerais não apresentam nenhuma
materiais pré-existentes) Frequentemente as rochas metamórficas orientação preferencial, e são, normalmente, equidimensionais. Exemplo:
encontram-se dobradas, o que sugere génese num estado de deformação maioria das rochas resultantes de metamorfismo de contacto.
dúctil

Protólito – rocha que origina uma rocha metamórfica

Anatexia – rochas metamórficas que iniciam o processo de fusão parcial


quando ultrapassados certos limites de temperatura e pressão

Textura foliada – Orientação de minerais laminares em camadas ou


existência de bandas alternadas de diferentes minerais, resultado da ação
de tensões não litostáticas.. Exemplo: maioria das rochas resultantes de
metamorfismo regional.

Migma – material rochoso parcialmente sólido, parcialmente fundido.

Migmatitos – rochas resultantes da consolidação de migma.


Fissilidade – facilidade de a rocha se dividir em lâminas paralelas, lisas ao
tato.

30
Tipos de foliação Sequência quartzo-feldspática – originada a partir de rochas graníticas e
riolíticas
Tipo de Clivagem Bandado
Xistosidade
foliação ardosífera gnáissico Gnaisses > magmatitos
Grau de
Baixo grau Médio grau Elevado grau Sequência carbonatada – originada a partir dos calcários
metamorfismo
Granularidade Fina Média-alta Média-alta Calcários > mármores (metamorfismo regional)/ corneanas carbonatadas
Menor fissilidade (metamorfismo de contacto
Apresenta
Fissilidade que clivagem Reduzida
fissilidade
ardosífera Sequência carbonácea – desenvolvida a partir de carvões fósseis
Orientação Fenómenos de Os minerais de
paralela de recristalização e cor clara são Antracite > grafite
moscovite e maior separados dos
Exemplos de rochas metamórficas:
minerais de desenvolvimento dos minerais de cor
Organização
argila, cristais de micas, escura, formando
formando quartzo e feldspatos. bandas
folhas finas e Superfícies alternadas destes
baças brilhantes minerais.
Exemplos Ardósia, filito micaxisto gnaisse

Sequências metamórficas
Sequência metamórfica – conjunto de rochas metamórficas derivadas do
mesmo tipo de rocha original, correspondentes a sucessivos graus
crescentes de metamorfismo.

Sequência argilosa – originada a partir de argilitos ou de siltitos:

Ardósia > filádios ou xistos luzentes > micaxistos > gnaisses

Sequência básica – originada a partir de basaltos, gabros…

Xistos verdes > anfibolitos

31
Exploração sustentada de recursos geológicos
Recursos geológicos
Recursos energéticos
Recursos minerais

32

Você também pode gostar