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Centro Federal de Educação Tecnológica

de Minas Gerais

Fı́sica Experimental 1

Relatório
Momento de inércia

Gabriel Francisco Ferreira, CEFET Divinópolis MG Engenharia Mecatrônica


Rafael Lucas Madureira Silva, CEFET Divinópolis MG Engenharia Mecatrônica

01 de dezembro de 2021
1 Fundamentação Teórica
1.1 Centro de massa
É frequente o estudo de situações complexas que exigem uma análise mais elaborada de
um determinado problema. Para facilitar estes estudos, muitas vezes, são adotadas simpli-
ficações que só são possı́veis através do entendimento da fı́sica. No estudo da mecânica, por
exemplo, a análise do movimento de determinados corpos pode ser mais ou menos compli-
cada dependendo das dimensões e do formato deste objeto. Quando uma vara é arremessada,
por exemplo, cada parte da vara segue uma trajetória diferente, então não é possı́vel supor
seu movimento como o de uma partı́cula, ou ponto material, visto que suas dimensões não
são desprezı́veis.
Qualquer objeto possui um ponto em especial, chamado de centro de massa, que irá
sempre descrever uma trajetória simples comparado aos demais pontos do corpo. O centro
de massa de um sistema de partı́culas é o ponto que se movimenta como se toda massa do
sistema estivesse concentrada naquele ponto. Além disso, pode-se considerar também, que
todas as forças atuantes estejam aplicadas neste único ponto.

1.2 Momento de inércia


É uma medida quantitativa da inércia rotacional de um corpo, ou seja, a oposição que o
corpo exibe para ter sua velocidade de rotação em torno de um eixo alterada pela aplicação
de um torque (força de rotação). O eixo pode ser interno ou externo e pode ou não ser
fixo. O momento de inércia (I), entretanto, é sempre especificado em relação a esse eixo e é
definido como a soma dos produtos obtidos pela multiplicação da massa de cada partı́cula
de matéria em um determinado corpo pelo quadrado de sua distância ao eixo.

1.3 Torque
O torque desempenha, para os movimentos de rotação, um papel similar àquele desem-
penhado pelas forças que são capazes de alterar o estado dos movimentos de translação.
Quando se aplica uma força resultante não nula sobre um corpo, esse corpo desenvolve uma
aceleração, no caso do torque, por sua vez, sua aplicação resulta no surgimento de uma
aceleração angular. Em resumo, dizemos que o torque é o agente dinâmico da rotação.

1.4 2ª lei de Newton


A Segunda lei de Newton explica que força resultante aplicada a um corpo, é igual ao
produto da massa da matéria pela aceleração adquirida. Ou seja, a soma da força vetorial
sobre um corpo produzirá uma aceleração desse corpo diretamente proporcional ao seu mo-
mento linear. Nesse sentido, a aceleração adquirida, após a aplicação da força, terá a mesma
direção e sentido da força resultante.

1.5 Princı́pio da conservação da energia mecânica


A energia mecânica é a soma da energia cinética com a energia potencial. Nessa soma
percebe-se a conservação durante o movimento sob ação exclusiva de forças conservativas.
O princı́pio da conservação da energia mecânica diz que num sistema isolado constituı́do
por corpos que interagem apenas com forças conservativas, a energia mecânica total perma-
nece constante.

1
1.6 Movimento de rolamento sem deslizamento de um corpo cilı́ndrico rı́gido
Dos conceitos básicos revistos nas subsecções anteriores, pode-se relacionar que para um
corpo rı́gido cilı́ndrico, o momento de inércia é dado por:
I
β =1+ (1)
M R2
na qual I é o parâmetro dependente da simetria de distribuição de massa do objeto; M é a
massa do objeto; e R é o raio do objeto.
De acordo com a segunda lei de Newton, a força resultante sobre um corpo é igual à sua
massa multiplicada pela aceleração obtida pelo corpo. De maneira similar, a segunda lei de
Newton para rotações afirma que o torque resultante sobre um corpo é igual ao produto do
momento de inércia pela aceleração angular obtida pelo corpo. A partir disso, tem-se que:
F = ma (2)

τr = Iα (3)
em que τr é o torque resultante; I é o momento de inércia; e α é a aceleração angular.
Para o rolamento sem deslizamento de um haltere de massa m e raio R sobre uma rampa
com inclinação de um ângulo θ, tem-se uma aceleração angular, essa que por sua vez tem
ação sobre o centro de massa do objeto. Nesse sentido, tem-se que:
acm = αR (4)
Há também a ação da força gravitacional sobre o haltere, que tem ação tanto na componente
vertical y quanto na componente horizontal x. Como o movimento é ao longo da rampa,tem-
se que:
Fgx = mgsen(θ) , (5)
e existe também a força normal e força de atrito.
Pode-se agora então, definir a força resultante do sistema, dada por:
Fr = macm + mgsen(θ) (6)
A força de atrito resulta num torque atuante a uma distância R do objetivo, que faz com
que o objeto gire, descrito por:
RFr = Icm α (7)
O movimento em estudo é de rolamento sem deslizamento, na Equação (4) pode-se isolar
α
acm
α= (8)
R
e substituir então na Equação (7), obtendo-se:
Icm acm
Fr = (9)
R2
Aplicando agora o valor de Fr na Equação (6), é possı́vel descobrir a acm , dada por:
gsen(θ
acm = (10)
β
É possı́vel também, a partir disso, relacionar a acm com a equação de deslocamento
1at2
d = d0 + v0 t + , (11)
2
em que d0 é 0; v0 é 0, obtendo-se então:
gsen(θ) 2
d(t) = t (12)

2
2 Objetivos
Tem-se como objetivo nesse experimento: aplicar as leis de Newton e o princı́pio da
conservação da energia mecânica ao movimento de rolamento sem deslizamento de um corpo
rı́gido; e determinar o momento de inércia deste corpo rı́gido.

3 Material
Os materiais utilizados no experimento são: haltere; software iHany Level ; tábua com
marcações de distância com intervalo de 10cm; cronômetro; toco de madeira para determinar
com mais exatidão a posição inicial do haltere; e objeto metálico para o haltere fazer barulho
ao percorrer toda a rampa.

4 Procedimentos
4.1 Métodos
A partir da Equação (12) e de dados coletados para o experimento, tais como a distância
d(t) percorrida pelo haltere, o valor da aceleração da gravidade g, o valor do ângulo θ da
inclinação da rampa e o tempo t necessário para percorrê-la, nota-se que é possı́vel calcular
a variável β.
Feito isso, volta-se para a Equação (1) a fim de determinar o momento de inércia I do
haltere. Para tal, há a necessidade de ter conhecimento das dimensões do objeto em estudo,
sabendo assim o raio R necessário e o valor de sua massa M . Assim, finalmente será possı́vel
descobrir o momento de inércia I do haltere.

4.2 Procedimentos experimentais


Com os materiais listados, monta-se o sistema onde ocorrerá o experimento. Inicialmente,
posiciona-se a rampa, já demarcada com distâncias de 10cm em 10cm, com um ângulo θ ao
chão. Posiciona-se o objeto metálico no final da rampa para obter o barulho do choque
com o haltere para auxiliar na marcação do cronômetro. Feito isso, com auxı́lio do bloco de
madeira para mais exatidão na posição inicial do haltere, é possı́vel começar o experimento.
Erguendo o bloco de madeira, torna-se possı́vel o rolamento do haltere a partir da posição
inicial determinada, obtendo os dados experimentais contidos na Tabela 2. A partir disso,
seguindo os métodos descritos na Subseção 4.1, será possı́vel a criação de gráficos com auxı́lio
do software Sci Davis para melhor análise do sistema e experimento, tais quais serão anali-
sados na Seção 5.
Para determinar o momento de inércia do haltere serão utilizados métodos diferentes.
Um desses métodos necessita-se de informações sobre o objeto em estudo no experimento, o
haltere, tais quais que foram fornecidos previamente pelo orientador, encontrados na Tabela
1 Dados dado pelo professor:

Tabela 1: Dados do halter para o experimento

Massa (g) R (cm) r (cm) L1 (cm) L2 (cm)


447,12 ±0, 05 - - -

3
5 Resultados
A tabela 2 fornece os dados obtidos no experimento fı́sico, no qual o ângulo da rampa
(θ) é 6,0 ±0, 2◦ .

Tabela 2: Dados experimentais, com suas respectivas incertezas.

d(cm) t1 (s) t2 (s) t3 (s) t4 (s) tm (s)


40,00 0,90 0,86 0,93 0,88 0,89 ±0, 02
50,00 1,03 1,10 1,10 1,05 1,07 ±0, 03
60,00 1,20 1,22 1,17 1,16 1,19 ±0, 03
70,00 1,35 1,25 1,32 1,31 1,31 ±0, 05
80,00 1,35 1,40 1,43 1,36 1,39 ±0, 04
90,00 1,41 1,45 1,53 1,48 1,47 ±0, 06
100,00 1,63 1,57 1,63 1,62 1,61 ±0, 03
110,00 1,65 1,77 1,75 1,65 1,71 ±0, 06
120,00 1,80 1,77 1,73 1,87 1,79 ±0, 07
130,00 2,02 1,94 1,92 1,95 1,96 ±0, 05

A partir das medidas do tempo em relação a distância de soltura da tabela 2 foi produzido
o gráfico 1.

Figura 1: Distância em função do tempo.

Podemos perceber no gráfico que o tempo foi aumentando de forma inconstante a cada 10
cm formando quase que uma reta, mostrando que as velocidades também foram aumentando
pouco a pouco de acordo com a distância.

4
Figura 2: Linearização da distância em função do tempo.

Com o auxı́lio do software SCIDAVIS, obtivemos o coeficiente angular A e o coeficiente


linear B, juntamente com suas respectivas incertezas, tem o seguinte resultado:

A = v = 89, 73 ± 2, 75

B = −44, 13 ± 4, 06
Temos que a energia mecânica inicial do sistema é dada apenas pela energia potencial
EM F = Mgh, pois o halter se encontra sem movimento e que a energia mecânica final do
2 2
sistema é EM F = Mgh + Iω2 + M2v . Tendo a conservação da energia mecânica dada por:

Iω 2 M v 2
M ghm = + , (13)
2 2
v 2hm
sendo ω = R
, v= tm
, R o raio dado na tabela 1 e tm , temos que:

gt2m
I = M R2 ( − 1) (14)
2hm
Realizando os cálculos a mão o momento de inércia encontrado experimentalmente através
desse primeiro método foi I = 0,19.
A partir de medidas diretas das dimensões e da massa do objeto como podemos ver na
tabela 1, sabendo que o momento de inércia teórico deduzido através da equação 9140 é
dado por:
M R2
Iteo = (15)
2
O resultado encontrado através desse segundo método foi I = 1,16.
Sabendo que o desvio percentual é calculado por:

|Iteo − I|100%
l% = , (16)
Iteo
substituindo os dados encontrados resulta no valor de desvio percentual de l% = 83%.

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Referências
[Halliday e Resnick 2004] Resnick, Robert and Halliday, David and Krane, Kenneth Fı́sica
Vol. I. Journal I.

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