UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE CAMPUS FLORESTA CURSO DE LETRAS VERNÁCULO

DIENES DO NASCIMENTO LIMA

RESENHA CRÍTICA

Cruzeiro do Sul 2009

Cleide Vilanova Hanisch Cruzeiro do Sul 2009 . Orientadora: Profa.DIENES DO NASCIMENTO LIMA RESENHA CRÍTICA DO LIVRO A COERÊNCIA TEXTUAL Trabalho disciplina de graduação apresentado do à Organização Trabalho Acadêmico – Curso de Letras Vernáculo da Universidade Federal do Acre – Campus Floresta. Msc.

Adotou o Brasil como pátria. São Paulo: Martins Fontes. ed.. é docente do Departamento de Linguística do IEL/UNICAMP. Os autores Ingedore Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia tiveram. A Coerência Textual. SAO PAULO: CONTEXTO. SP: Contexto. Campinas. tendo lecionado nos cursos de Língua e Literatura Portuguesas. 2000. 4. ao longo de suas vidas. obteve licenciatura plena em Letras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Linguística Textual: Introdução (coautoria com Leonor Lopes Fávero). SAO PAULO: CORTEZ. ed. 89 p. Foi professora do Departamento de Português dessa universidade. Formou-se em direito pela USP e. e A Coesão Textual. em 1983.SP: EDUNICAMP/FAPESP. SAO PAULO: CONTEXTO. uma formação acadêmica e atuação profissional ampla. 2009. . Ed. Língua e Literaturas Inglesas – opção Tradutor. em 1984. 1992. Cognição. (Repensando a Língua Portuguesa). 1989. É mestre e doutora em Ciências Humanas: Língua Portuguesa pela PUC/SP. As tramas do texto (Série Dispersos). A autora Ingedore Grunfeld Villaça Koch nasceu na Alemanha e veio para o Brasil com quatro anos de idade.KOCH. 1984. Publicou inúmeras obras. 1997. discurso e interação. v. 1. Desvendando os segredos do texto. O Texto e A Construção do Sentido. A Inter-Acão Pela Linguagem. 2008. Morfologia e Linguística Aplicada ao Português: Sintaxe (ambas em co-autoria com Maria Cecília Pérez de Souza e Silva). São Paulo: Editora Contexto. Gramática do Português Falado: Desenvolvimentos. 124 p. em cujos cursos de pós-graduação trabalha na área de Linguistica Textual. 2002. pela editora Contexto. 1992. São Paulo: Contexto. Atualmente. Ingedore Villaça.. Campinas. em 1988. São Paulo: Cortez. Secretariado Executivo Bilíngue e Jornalismo. São Paulo: Contexto. Argumentação e Linguagem. também em 1983. naturalizando-se brasileira. dentre elas: Línguística Aplicada ao Português. Luiz Carlos. Ler e Escrever: estratégias de produção textual (prelo). 4a. todas pela editora Cortez. 1992. Introdução à Lingüística Textual: trajetória e grandes temas. mais tarde. TRAVAGLIA. Argumentação e Linguagem. A Coesão Textual. Foi professora de 1º grau no Externato Ofélia Fonseca e de Língua Portuguesa e Técnica e Metodologia de Redação em Português na Logos – escola de 2º grau. Foi coordenada do curso de Jornalismo e membro da comissão didática do curso de Língua e Literatura Inglesas.. 2004. 1997.

Hoje é professor titular de Linguística e Língua Portuguesa do Departamento de Letras da mesma universidade. 3a. Tem também vários artigos publicados em revistas especializadas.Luiz Calos Travaglia fez seus estudos superiores na Universidade Federal de Uberlândia. A coerência textual é o instrumento que o autor vai usar para conseguir encaixar as “peças” do texto e dar um sentido completo a ele. Ao lado da coerência textual. portanto. Encontro na linguagem: Estudos lingüísticos e literários. Portanto. para que o mesmo fique inteligível e coerente. 3a. 2007.. ed. para o estabelecimento da coerência. a coerência é fundamental na hora da construção de um texto. Primeiro de tudo. O aspecto verbal no Português: A categoria e sua expressão. ed. vale lembrar o conceito de coerência. É doutor em Linguística pela Universidade estadual de Campinas. ed. Minas Gerais. ed. 1a. Se a quantidade de informações . O conhecimento dos elementos lingüísticos e sua relação com o contexto e a situação também é importante para o cálculo do sentido e a percepção de um texto como coerente. É importante também para o cálculo de coerência o conhecimento de mundo. 13a. Uberlândia: EDUFU (Editora da Universidade Federal de Uberlândia). dentre eles: Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. Mestre em Letras – Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. e que esse conhecimento de mundo seja partilhado entre produtor e receptor para que ambos possam estabelecer as relações entre os elementos do texto através das inferências. Convém lembrar. a qual revela a importância do conhecimento linguístico para a produção do texto e sua compreensão e.Editora da Universidade Federal de Uberlândia.infoescola. 2006. Uberlândia: EDUFU . ed. 2006. 1981. ainda. São Paulo: Cortez. 2009. segundo o site Info escola (<disponível em: http://www. 4a. Já publicou muitos livros. há a coesão textual. São Paulo: Cortez. onde cursou Licenciatura Plena em Letras: PortuguêsInglês. Uberlândia: Editora da Universidade Federal de Uberlândia.com/redacao/coerencia-textual/>) A construção textual deve ser a construção de um todo compreensível aos olhos do leitor. que o conhecimento partilhado vai estruturar o texto em termos das informações como novas ou não. O aspecto verbal no Português: A categoria e sua expressão. Gramática: Ensino Plural.

então a base da coerência é a continuidade de sentidos entre os conhecimentos ativados pelas expressões do texto. que caracterizam a coerência na medida em que dão os usuários a possibilidade de criar um mundo textual que pode ou não concordar com a versão estabelecida do “mundo real”. embora a continuidade relativa a um dado tópico discursivo seja uma condição para estabelecer a coerência. cada texto tem suas particularidades e. A relação que tem de ser estabelecida pode ser não só semântica. Porém. seja ele oral ou escrito. uma boa formação em termos da interlocução comunicativa. apesar das características diversas dos textos. Além disso. ou seja. nem sempre a descontinuidade será incoerente. Também é preciso lembrar que o sentido que damos a um texto pode depender do conhecimento de outros textos. ainda. mas um conjunto aleatório de elementos. Textos sem continuidade são considerados incoerentes. Convém notar. Beaugrande & Dresser (1981) e Marcushi (1983). Outro fator são os processos cognitivos operantes entre os usuários do texto. e. com os quais ele se relaciona. entre atos de fala. Além disso. pode levar alguém a ver uma sequência linguística como um texto incoerente. pois o mesmo não fará sentido para essa pessoa.novas em um texto for muito alta. ou seja. afirmam que se há uma unidade de sentido no todo do texto quando este é coerente. aquilo que se fala no texto. Charroles (1979) afirmou que a coerência seria a qualidade que têm os textos pela qual os falantes reconhecem como bem formados. por isso. dentro de um mundo possível. que . entre as ações que realizamos ao falar. mas também pragmática. não seriam considerados textos. por exemplo. sempre se pode estabelecer um sentido unitário global para cada texto. que a coerência se estabelece na interlocução entre usuários do texto (produtor/receptor). Esta unidade resulta numa forma de organização superior que relaciona os elementos entre si. a continuidade dos conhecimentos ativados pelas expressões lingüísticas termina por constituir o que chamados de tópico discursivo. A coerência tem a ver com a boa formação do texto num sentido diverso da noção de gramaticalidade usada pela gramática gerativo-transformacional no nível da frase.

os nexos que se estabelecem entre os elementos que constituem a superfície textual. A incoerência local não impede totalmente o cálculo do sentido. que é . que é observada em uma pequena parte do texto. Pragmática: tem a ver com o texto visto como uma sequência de atos de fala.determina não só a possibilidade de estabelecer o sentido do texto. etc. referente a partes do texto ou a frases ou a sequência de frases dentro do texto. Estilística: pela qual um usuário deveria usar em seu texto elementos linguísticos pertencentes ou constitutivos do mesmo estilo ou registro lingüístico. mas é preciso ter cuidado ao escrever. há ainda a incoerência local. Apesar do já explicitado. o uso de pronomes. Sintática: se refere aos meios sintáticos para expressar a coerência semântica. a relação. os quais devem satisfazer as mesmas condições presentes em uma dada situação comunicativa. pois tudo trata-se de interação. que diz respeito ao texto em sua totalidade. Ao contrario da coerência. É importante observar que a coerência se relaciona com a coesão textual. uma vez que a coerência é um princípio de interpretabilidade e compreensão do texto. não se deve pensar que a questão de estabelecimento de sentido esteja apenas no lado do receptor. e em coerência global. pois por coesão se entende a ligação. como os conectivos. de sintagmas nominais definidos e indefinidos. Dentro do assunto. Van Dijk e Kintsch (1983) falam de coerência local. pois o acúmulo dessas pode tornar todo o texto incoerente. Vale ressaltar que a coerência é um fenômeno que resulta da ação conjunta de todos esses níveis e de sua influência no estabelecimento do sentido do texto. Van Dijk e Kintsch (1983) também falam de diversos tipos de coerências: Semântica: se refere à relação entre significados de elementos das frases em sequência em um texto ou entre os elementos de um texto como um todo. mas também qual sentido se estabelece.

mas que constituem um texto porque são coerentes e por isso tem o que se chama de textualidade. nem suficientes para que a coerência seja estabelecida. ou pela reiteração (sinônimos. há muitas seqüências lingüísticas com pouco ou nenhum elemento coesivo. em muitos casos. os mecanismos coesivos se baseiam numa relação entre os significados de elementos da superfície do texto. hiperônimos. para as quais o receptor não pode ou dificilmente consegue estabelecer um sentido global que a faça coerente. há seqüências lingüísticas coesas. quando dizem respeito à linearidade e à ordenação de partes do texto – ou por conexidade – conectores de tipo lógico ou operadores de discurso). pois. Embora a coesão auxilie no estabelecimento da coerência. como já foi observado. nomes genéricos. ao se explicar o que é coerência textual. de conteúdos semânticos. uma vez que se manifesta na organização seqüencial do texto. pelo uso de um mesmo campo lexical ou encadeamentos que podem se dar por justaposição – partículas sequenciadoras que podem ser temporais ou ordenadoras ou continuativas de enunciados ou seqüências textuais. criando uma unidade. de estruturas. Da mesma forma. Assim. como a coesão não é necessária. a coesão é explicitamente revelada através de marcas lingüísticas. expressões nominais definidas. Já a coesão seqüencial se faz através da recorrência (recorrência de termos. mas também semântica.subjacente. de recursos fonológicos segmentais e suprassegmentais e de aspectos e tempos verbais). Ela é obtida pela substituição (quando um componente da superfície textual é retomado ou precedido por uma pró-forma). A mesma é sintática e gramatical. pois p que é fundamental para a coerência é a possibilidade de estabelecer uma relação entre os elementos da sequência. índices formais na estrutura da seqüência lingüística e superficial do texto. pois. como a coesão não é suficiente. e através da progressão (manutenção temática. o que lhe dá um caráter linear. Há duas grandes modalidades de coesão: A coesão referencial é a que se estabelece entre dois ou mais componentes da superfície textual que remetem a um mesmo referente. repetição do mesmo item lexical e nominalizações). os elementos lingüísticos da coesão não são nem necessários.. . ela não é garantia de se obter um texto coerente. Então.

o receptor seja capaz de reconstituir ou identificar a intenção comunicativa. permitindo construí-la e percebê-la como constituindo uma unidade significativa global. em cada uma podem ocorrer falhas causadoras de incoerência: 1) O produtor do texto tem uma intenção comunicativa. cumpre não esquecer que são duas faces distintas do mesmo fenômeno.ou tentar determiná-la em um texto. o texto será incoerente. Além do mais. através das estruturas superficiais. de maneira que. Portanto. embora do ponto de vista analítico seja interessante separá-las. distingui-las. a separação entre coerência e coesão tem relação com a coerência na medida em que é um dos fatores que permite calculá-la e. há seqüências lingüísticas incoerentes que seriam aquelas que o receptor não consegue descobrir qualquer continuidade de sentido. mas esse tipo de incoerência dificilmente acontecerá. desde a intenção comunicativa do produtor do texto até as estruturas lingüísticas em que se manifesta finalmente esta intenção. Sabe-se ainda que a coerência tem fundamental importância no sentido do texto. para a situação. Bernardez (1982) propõe que um processo de formação de um texto coerente se dá em três fases e que. 2) O produtor do texto desenvolve um plano global que lhe possibilite conseguir que seu texto cumpra sua intenção comunicativa. como se pode notar. . 3) O produtor do texto realiza as operações necessárias para expressar verbalmente o plano global. mas é preciso considerar o processo total. que permite estabelecer relações entre os elementos da sequência. não é suficiente apontar as relações que existem entre os elementos que representam superficialmente o texto. porque é a coerência. pois é a coerência que faz com que uma sequência lingüística qualquer seja vista como um texto. Além disso. o mau uso dos elementos de coesão pode provocar incoerências locais pela violação de sua especificidade de uso e função. e se essa intenção for impossível. através de vários fatores.

dependendo da situação. levando em conta intenção comunicativa. necessariamente. Como já foi dito. criar incoerência.Uma observação interessante é que mesmo os que admitem a existência de textos incoerentes ou de determinadas incoerências locais não colocam a incoerência apenas na sequência lingüística. portanto. mas fazem-na depender do usuário e da situação. Se todos os textos são em princípio aceitáveis. Assim. passou-se à construção de uma lingüística do texto. dos usuários do texto. destinatário. será coerente. pois. como a possibilidade de estabelecer um sentido para uma sequência lingüística. Todavia. temos que especificar as condições de incoerência. etc. etc. o texto será incoerente se o seu produtor não souber adequá-lo à situação. não existe sequência lingüística incoerente em si e. calculando sua coerência. mas o texto pode ser incoerente em/para determinada situação comunicativa. ainda. na verdade. cumpre observar que a coesão é uma manifestação da coerência na superfície textual. isto é. . da intenção comunicativa. objetivo. mas permitir representar os processos e mecanismos de tratamento dos dados textuais que os usuários põem em ação quando buscam compreender e interpretar uma sequência lingüística. portanto. Convém lembrar. ao dizer que um texto é incoerente. estabelecendo o seu sentido e. não existe o não-texto. Por isso. como querendo consumar uma intenção comunicativa. Vale ressaltar que não existe o texto incoerente em si. Caso contrário. o que ocorre é que os que interagem numa situação comunicativa sempre se tomam como mutuamente cooperativos. que é constituída de princípios e/ou modelos cujo objetivo não é predizer a boa ou má formação dos textos. Da mesma forma. mesmo fatores definidores da coerência podem ser violados sem. outros elementos da situação. não é possível uma gramática com regras que distinguem entre textos e não-textos. regras sócio-culturais. que não se pode falar em diferentes tipos de coerência já que a entendemos como um princípio de interpretabilidade. Portanto. que os elementos lingüísticos da superfície do texto funcionam como pistas que o produtor do texto escolheu em função de sua intenção comunicativa e do sentido que desejava que o receptor do texto fosse capaz de recuperar.

que se subdividem em: a) Os frames: conhecimentos armazenados na memória debaixo de um certo “rótulo”. Esses elementos servem como pistas para a ativação dos conhecimentos armazenados na memória. que se denominam modelos cognitivos. O conhecimento de mundo também desempenha um papel decisivo no estabelecimento da coerência: se o texto falar de coisas que absolutamente não conhecemos. sem que haja qualquer ordenação entre eles. será difícil calcularmos o seu sentido e ele nos parecerá destituído de coerência. compreensão e coerência textuais. O lingüista deve. para exprimir a continuidade ou a sequência do discurso. . discursivos. constituem o ponto de partida para a elaboração de inferências. recebendo contribuições da Psicologia. compreensão e coerência textuais tornou-se um campo inter e pluridisciplinar. Há inúmeros fatores que estabelecem a coerência. da Filosofia. etc. além da lingüística em geral e de alguns dos seus ramos. ajudam a captar a orientação argumentativa dos enunciados que compõem o texto.O estudo da produção. da teoria da Computação e Informática. b) Os esquemas: conhecimentos armazenados em sequência temporal ou casual. da Sociologia. cognitivos. assim. c) Os planos: conhecimentos sobre como agir para atingir determinado objetivo. Adquirimos o conhecimento de mundo a medida que vivemos e vamos armazenando-os em blocos. Portanto. Percebe-se que é indiscutível a importância dos elementos lingüísticos do texto para o estabelecimento da coerência. na constituição e composição textuais. qual é a parte e a natureza das determinações que resultam dos diferentes meios que existem nas diferentes línguas. culturais e interacionais. É evidente que a construção da coerência decorre de uma multiplicidade de fatores das mais diversas ordens: lingüísticos. fazer a análise das marcas de relação entre as unidades de composição textual. cumpre perguntar o que cabe à Linguística fazer no estudo da produção. Charroles (1987) afirma que cabe aos lingüistas delimitar.

para que possamos estabelecer a coerência de um texto é preciso que haja correspondencia ao menos parcial entre os conhecimentos nele ativados e o nosso conhecimento de mundo. nao teremos condiçoes de construir o mundo textual. É por isso que é comum. principalmente na conversação. que produtor e receptor possuam. e) As superestruturas ou esquemas textuais: conhecimentos sobre os diversos tipos de textos. ele seria altamente redundante. se contivesse somente iformação dada. . Portanto.d) Os scripts: conhecimentos sobre modos de agir altamente estereotipados em dada cultura. Os elementos textuais que remetem ao conhecimento partilhado entre os interlocutores consistuem a informação “velha” ou dada. Um outro fator de coerência é a inferência. Quanto maior o grau de familiaridade ou intimidade entre os interlocutores. compete ao receptor ser capaz de atingir os diversos níveis de implícito. ainda. pois se um texto contivesse apenas informação nova. que vao sendo adquiridos à proporção que temos contato com esses tipos e fazemos comparação entre eles. Convém observar que é a partir dos conhecimentos que temos que vamos construir um modelo do mundo representado em cada texto – é o mundo textual. especialmente no caso de diálogos. dentro do qual as palavras e expressões do texto ganham sentido. omitirmos informações que podem ser facilmente iferidas. ao menos. seria ininteligível.o receptor de um texto estabelece uma relação nao explícita entre dois elementos desse texto que ele busca compreender e interpretar. ao passo que tudo aquilo que for introduzido a partir dela constiruirá a informação nova trazida pelo texto. se quiser alcançar uma compreensão mais profunda do texto que ouve e lê. utilizando seu conhecimento de mundo. pois. Além disso. menor a quantidade de informações explícitas. Mas. a qual é a operação pela qual. Quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de inferências para podermos compreende-los integralmente. para que un texto seja coerente é preciso haver um equilibrio entre informação dada e informação nova. caso contrário. uma boa parcela de conhecimentos comuns. É preciso.

teremos estabelecido a coerência do texto. . Assim. É preciso. etc. Os referentes textuais não são idênticos aos do mundo real. Portanto. etc. verificar o que é adequado àquela situação específica: grau de formalidade. A situação comunicativa tem interferência direta na maneira como o texto é construído. vale ressaltar que os elementos contextualizadores ajudam a situar o texto e. outro fator responsável pela coerência. timbre. mas são recosntruídos no interior do texto. início do texto. interesses. ao construir um texto. que são aqueles que “ancoram” o texto em uma situação comunicativa determinada. então. crenças.Há ainda os fatores de contextualização. etc. convicções. É por isso que se tem dito que a leitura (compreensão) de um texto é uma atividade de solução de problemas. variedade dialetal. Um texto que é coerente em dada situação pode não sê-lo em outra: daí a importância da adequação do texto à situação comunicativa. É por esse motivo que os fatores de contextualização desempenham um papel muito importante no estabelecimento da coerência. autor. na construção da coerência.). Segundo Marcushi (1983) podem ser de dois tipos: os idealizadores ou contextualizadores propriamente ditos (data. pode ser vista atualmente em duas direções: a) Da situação para o texto: trata-se de determinar em que medida a situação comunicativa interfere na produção/recepção do texto e no estabeleciemento da coerência.) e os perspectivos ou prospectivos (aqueles que avançam expectativas sobre o conteúdo – e a forma – do texto: título. e sem eles dica difícil decodificar a mensagem. ao descobrirmos a solução final. Portanto. A situacionalidade. assinatura. há sempre uma mediação entre o mundo real e o mundo textual. a situacionalidade exerce também um papel de relevância. b) Do texto para a situação: o mundo real não pode é jamais idêntico ao mundo textual. portanto. local. O mundo cirado pelo texto não é uma cópia fiel do mundo real. propósitos. elementos gráficos. etc. estabelecer-lhe a coerência. o produtor recria o mundo de acordo com seus objetivos. Assim. tratamento a ser dado ao tema.

portanto. Já a focalização tem a ver com a concentração dos usuários em apenas uma parte do seu conhecimento e com a perspectiva da qual são vistos os componentes do mundo textual. Um dos meios mais importantes de evidenciar a focalização é o uso de descrições ou expressões definidas. de uma mesma cultura. isto é. portanto. que a focalização tem relação direta com a questão do conhecimento de mundo e de conhecimento partilhado. grupos nominais introduzidos por artigo definido. Um mesmo texto. aquelas sobre as quais se deseja chamar a atenção. O conhecimento dos tipos textuais. evidentemente. para o processamento cognitivo de um texto recorre-se ao conhecimento prévio de outros textos. na medida em que. que diz respeito ao grau de previsbilidade da informação contida no texto. dependendo da intenção do produtor de construir um texto mais ou menos hermético. Tais expressões selecionam. pode ser lido de modo totalmente diferente. da dependência da situação comunicativa e do tipo de texto a ser produzido. permitirá ao leitor “enquadrar” o texto em determinado esquema. Verifica-se. o texto .Há também a informatividade. É a informatividade.. de uma mesma área de conhecimento. Deferenças de focalização podem causar problemas sérios de compreensão. b) De conteúdo: os textos de uma mesma época. Outro importante fator da coerência é a intertextualidade. o que está. impedindo. de modo que o receptor possa calcular-lhe o sentido com maior ou menor facilidade. Vale lembrar qye a informatividade também interfere na construção da coerência. por vezes. dentre as propriedades e características do referente. A intertextualidade pode ser: a) De forma: ocorre quando o produtor de um texto repete expressões. Na intertextualidade explícita. mais ou menos polissêmico. Um texto será tanto menos informativo. dependendo da focalização. o estabelecimento da coerência. que vai determinar a seleção e o arranjo das alternativas de distribuição da informação no texto. dialogam uns com os outros de maneira implícita ou explícita. portanto. quanto mais previsível ou esperada for a informação por ele trazida. enunciados ou trechos de outros textos. etc.

que os enunciados sejam interpretáveis como falando seobre um mesmo tema. Para desenvolver um bom trabalho. já a aceitabilidade constitui a contraparte da intencionalidade. e . textos adequados à obtenção dos efeitos desejados. Dois requisitos básicos para que um texto possa ser tido como coerente são a consistência e a relevância. mas também o de expressão oral. Já na implícita. baseando-se nas descobertas da Linguistica Textual sobre coesão e coerência. A consistência exige que cada enunciado de um texto seja consistente com os enunciados anteriores. emprego de pró-formas pronominais e da elipse. produzindo. já a relevância exige que o conjunto de enunciados que compõem o texto seja relevante para um mesmo tópico discursivo subjacente. A intencionalidade tem relação estreita com o que se tem chamado de argumentatividade. que refere-se ao modo como os emissores usam textos para prosseguir e realizar suas intenções. o professor pode se valer de inúmeros recursos.contém a indicação da fonte do texto primeiro. O ensino de vocabulário apareceria como fundamental tanto para a produção quanto para a compreensão de textos. O trabalho com a compreensão de textos ampliaria o trabalho de compreensão de textos escritos e orais. isto é. emprego de formas diferentes de dar atributos dos seres. de modo que o receptor deverá ter os conhecimentos necessários para recuperá-la. não se tem indicação da fonte. de leitura e de vocabulário. Em se tratando do ensino da coerência. ensino de expressão oral. ensino de redação. Normalmente. a qual manifesta-se nos textos por meio de uma série de marcas ou pistas que vão orientar os seus enunciados no sentido de determinadas conclusões. o professor pode fazer grandes modificações em sua metodologia de ensino de produção e compreensão de textos. O trabalho de produção de textos englobaria não só o ensino de redação. o ensino de língua materna apresenta-se assim dividido: ensino de gramática. sem fazer qualquer referência teórica sobre o assunto para seus alunos. como acontece com o discurso relatado. Outro fator é a intencionalidade. dentre os quais: recursos de conexão variados. para tanto.

posso afirmar que a metodologia empregada pelos autores Ingedore Koch e Luiz Carlos Travaglia atingiu o objetivo esperado: fazer com que as pessoas que recorram ao livro Coerência Textual sejam esclarecidos de suas dúvidas sobre o assunto. sempre. Os autores utilizaram um método de procedimento estruturalista. Todo esse trabalho foi resultado de um trabalho intenso de pesquisa dos autores. o professor deverá trabalhar a produção de textos. onde explicitaram todo o assunto de maneira bem clara e concisa.ainda poderá mostrar que diferentes relacionamentos criam diferentes sentidos. ainda. Usaram. onde estruturaram todo o conteúdo durante a explanação das ideias no livro. às vezes muito vagamente. Todo o livro apresensou coerência do início ao fim. fazendo com que os autores obtivessem êxito na obra. Então. coletando o máximo possível de informações para que todo o livro pudesse ficar dinâmico. Utilizaram também a técnica de exemplos. As técnicas e métodos utilizados na apresentação das ideias foram excelentemente adequadas. à medida que o conteúdo anterior era ao máximo assimilado por meio de exemplos. informativo e bastante esclarecedor. descrevendo todas as particularidades da coerência textual. Tal consciência servirá também para torná-lo mais eficiente no trabalho de compreensão de textos.que recorreram a inúmeros livros. o que esclareceu todo o conteúdo durante todo o desenvolvimento do trabalho. Por fim. Os conteúdos foram explanados gradualmente. tendo por parâmetro todos os elementos de adequação a tal situação e não uma situação que estava na mente do professor. A avaliação se fará. fazendo com que fique muito bem ilustrado e esclarecido todo o assunto abordado. deixar muito claro em que situação o texto a ser produzido deve ser encaixado. mas que ele não explicitou com e para os seus alunos. Todos esses recursos servem para conscientizar o aluno de que o trabalho de produção de um texto é um trabalho de escolha e utilização dos recursos linguísticos que permitam melhor viabilizar os recursos linguisticos que se tem. pois o livro é rico em exemplos. buscando. então. uma modalidade descritiva. .

o que é fundamental para diferentes momentos de nossas vidas. necessitam tirar as dúvidas sobre o assunto e aprofundar os seus conhecimentos. o livro A Coerência Textual apresenta uma grande importância na vida acadêmica de todos nós. em especial aos acadêmicos de Letras Vernáculo. . Todo o estilo empregado durante o desenvolvimento do livro imprime à obra uma caráter singular e original. pois a mesma oferece subsídios para o estudo do português. e na vida estudantil em geral de pessoas que. seja na escola ou fora dela. mérito ibtido apenas pelos autores Ingedore Grunfeld Villaça Koch e Luiz Carlos Travaglia. que necessitam tirar todas as suas dúvidas sobre coerência textual. vez ou outra. Essa resenha é indicada e dirigida para estudantes em diferentes áreas de conhecimentos.Por tudo isso.

(Repensando a Língua Portuguesa). Ed. 89 p. A Coerência Textual. Ingedore Villaça.REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: KOCH. 4. São Paulo: Contexto.. Luiz Carlos. 1992. TRAVAGLIA. .

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