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Nota de Aula 07

AÇÃO PENAL

Processo penal i – AÇÃO PENAL


1) CONCEITO
 É o direito que o Estado-Administração, representando pelo Ministério Público (e eventualmente
por particulares), tem de requerer ao Estado -Juiz (Poder Judiciário) a aplicação do direito penal
objetivo para a satisfação da pretensão punitiva.

2) CLASSIFICAÇÃO – Art. 100 do CPB


 No processo penal, a classificação das ações penais leva em consideração a qualidade do sujeito
que detém sua titularidade.
 Assim, as ações penais serão :
1. Públicas, quando o seu titular é o MP, ou;
2. Privadas, quando o titular é o ofendido ou quem o represente legalmente, conforme
determina o art. 100, caput, do CP.
 Registre-se que a ação penal de titularidade do MP sofre, ainda, uma subdivisão (art. 100 § 1°):
A. Ação penal púbica incondicionada  independente da vontade ou interferência de
qualquer pessoa.
B. Ação penal púbica condicionada  dependente, conforme o caso, de representação do
ofendido (ou representante legal) ou do Ministro da Justiça.
a. EXEMPLOS DE CRIMES:
i. Perigo de Contágio Venéreo (art. 130, §2º., do CP);
ii. Crime contra Honra do Funcionário Público em razão de suas funções (art.
141, inciso II, do CP);
iii. Crime de Ameaça (art. 147, do CP);
iv. Crime contra os Costumes, quando a parte for pobre na forma da lei;
v. Violação de comunicação t elegráfica, radioelétrica ou telefônica (art. 151,
§4º., do CP);
vi. Correspondência comercial (art. 152, § Único, do CP);
vii. Furto de coisa comum (art. 156, §1º. Do CP);
viii. Outras fraudes (art. 176, § Único, do CP).

Att.: Nos crimes CONTRA A HONRA praticados CONTRA A HONRA DE FUNCIONÁRIOS


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PÚBLICOS NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO , entendimento do STF em fórmula simulada, o


funcionário tem a opção de entrar com uma Ação Penal Privada ou oferecer uma
representação ao MP para que o mesmo possa oferecer denúncia, ou seja, Ação P enal Pública
Condicionada à Representação (Notícia Crime Postulatória) – onde o Titular da Ação é a
parte ofendida. Natureza Jurídica: Mera Condição de Procedibilidade da Ação . Súmula 714
do STF.
 Representação (Postulação em Juízo) de uma Pessoa Jurídica – Quem oferece a
representação é a pessoa que está elencada no Estatuto ou no Contrato Social da Pessoa
Jurídica. Se não apresentado, o mesmo será requerido pelo Juiz, ou pelo Promotor ou ainda
pela outra parte. Sendo o contrato omisso, o direito à representação passa para seus diretores
ou sócios-gerentes (art. 37, do CPP).

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Att1.: Cabe ao Ofendido oferecer a representação. (art. 24, C aput, do CPP).

Att2.: O prazo para representação é de 6(seis) meses e, se inicia na data em que o ofendido, se capaz
ou seu representante legal vier a saber quem foi o autor do crime. Sendo o fendido menor de 18
anos, ou mesmo doente mental, ainda que maior de 18 anos, é evidente que o prazo para a
representação não fluirá para ele, posto que é incapaz de exercita -la.

Fluirá o prazo que é de natureza decadencial para quem o represente legalmente e soube quem fora
o autor do crime e, a partir da data que teve tal ciência, quando o prazo começará a correr
ininterruptamente.

Se o representante legal só veio ter ciência quando o ofen dido possuía mais de 18 anos e 6 meses,
este não poderá exercer a representação apesar de que há entendimento em contrário dominante no
sentido de conferir esse direito, assim entende Frederico Marques e também numerosos acórdãos.
Magalhães Noronha preceit ua não ser possível a representação tardia, no que é acompanhado por
Tourinho Filho, pois a ofendida ao completar 18 anos já é capaz para fazer a representação ou
exercer o direito de queixa, mesmo contrariamente à vontade de seu representante legal (arts. 34 e
50, parágrafo único do CPP). Prazo de contagem penal e decadencial, ou seja, uma vez inspirado o
prazo para a dar entrada à representação, ocorre a extinção da punibilidade, conforme previsto no
(art. 107, do CP).

Pois do contrário, haveria inusitad amente dois prazos decadenciais, o que é inconcebível.

Observe-se que o prazo decadencial de seis meses é ditado pela imperiosa necessidade de ordem
social e jurídica não se deixar abalar indefinidamente, permanecendo em suspenso a procedibilidade
e, ainda por ser razoável a presunção de ter cessado o interesse da pessoa ofendida.

Assim o STF já decidiu que a lei não pode dar ao representante legal direito que a vítima já não o
tenha e, não exerceu em tempo oportuno.

A Súmula 594 do STF acrescenta que “os d ireitos de queixa e de representação podem ser
exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal”. Prevalece o mesmo
prazo se morto o ofendido ou declarado judicialmente ausente.
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Como o direito de queixa ou de representação estão intimamente ligados ao direito de punir, pois o
seu não-exercício acarreta a decadência que corresponde a uma causa de extinção da punibilidade, e
como tudo que impeça ou dificulte o jus puniendi se insere portanto no âmbito da lei penal material.

Sendo o prazo para o exercício da representação ou queixa decadencial, este é fatal não sujeito a
interrupções e nem suspensões e quiçá admite prorrogação.
Att3.: EXCEÇÃO - Crimes de Imprensa – Tanto a contagem do prazo como o prazo decadencial
para o oferecimento da representação são diferentes, a Lei 5.250/67 é extravagante e trata da
Representação dos crimes de imprensa, estabeleceu o prazo de 03 meses quer para representação,
quer para queixa que começa a fluir a partir da data de publicação do escrito incrimi nado ou da
retransmissão da notícia incriminada.

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Att4.: Formas de Representação – art. 39, CPP.

Att5.: EFICÁCIA OBJETIVA DA REPRESENTAÇÃO – A representação é do FATO. Está ligado


diretamente aos crimes que envolvem mais d e uma pessoa (mais de um autor). Basta o promotor
oferecer a representação contra um autor do fato típico para que possa suprir a representação contra
os demais.

 Em síntese, ocorrendo os pressupostos e as condições da ação penal, nos casos de crimes de


ação pública incondicionada, o MP poderá agir sem a necessidade de qualquer autorização.
 Nos crimes em que a ação é condicionada, o órgão do Parquet só agirá depois de manifestado o
interesse de quem de direito (do ofendido ou do Ministro da Justiça, conforme o caso).
 De regra, todos os crimes são de ação pública incondicionada. Só será de outra natureza se a lei,
de forma expressa, prescrever o contrário.

3) CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL


 O direito de ação, quando proposto pelo particular ou pelo Estado -Administração (MP), é o
instrumento pelo qual se faz valer em juízo uma pretensão. Portanto, ninguém ingressa em juízo
sem um motivo, mesmo que esse seja aparente.
 Para que o direito de ação não se torne uma fonte inesgotável de abusos, a lei impõe, antes da
análise do mérito, antes de se ditar se a ação é ou não procedente, que se examine o interesse do
autor na contenda, se o pedido deduzido é juridicamente possível, e se há interesse de se valer dos
Órgãos Jurisdicionais.
 Ou seja, para evitar maiores tormentos, a lei disciplina o jus actionis (direito de ação), impondo
o respeito a certas condições, que devem ser analisadas logo que apresentada a ação penal.
 Uma ação penal só poderá ser proposta, exigindo -se a prestação jurisdicional para o caso
concreto, quando as exigências seg uintes forem cumpridas:

3.1) CONDIÇÕES GERAIS DE PROCEDIBILIDADE


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A) POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO – ART. 43, I, CPP.


 É a necessidade do autor solicitar providência que esteja prevista em nosso ordenamento
jurídico, algo que seja abstratamente admiss ível segundo as normas existentes em nosso
ordenamento jurídico.
 Em suma, o que se pretende deve ser juridicamente possível. O fato imputado deve ser crime em
tese, ou seja, fato típico, antijurídico e culpável. .
 Por exemplo, não é juridicamente possí vel a propositura de uma ação penal imputando -se ao réu
o crime de incesto. Esse fato não representa um tipo legal.
Obs.: O adultério deixou de ser crime, assim como a sedução (Lei 11.106/05).
 O art. 43, I, CPP é bem específico: “A denúncia ou queixa se rá rejeitada, quando o fato
narrado evidentemente não constituir crime .”

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B) LEGITIMIDADE PARA AGIR ( legitimatio ad causam)
 Titularidade: A ação só poderá ser exercida pelo titular de uma situação jurídico material.
 Legitimidade e interesse: São legítimas apenas as partes que têm interesse no conflito.
 Tipos de legitimidade: a) ativa (para promover); b) passiva (contra quem deve ser proposta).
 Ações Penais Públicas: É o MP quem tem legitimidade para propor as ações penais públicas
(condicionadas e incondicionadas). Seu interesse decorre de lei (art. 100, § 1° do CP).
 Ações Penais Privadas: Nas ações privadas, a legitimidade para agir, por razões de política
criminal, é do ofendido ou de seu representante legal.
 Substituição Processual: Nas ações privadas, há o fenômeno da substituição processual. É que
o jus puniendi continua sendo exclusivo do Estado, que, excepcionalmente, concede ao particular o
jus acusationis.

C) INTERESSE DE AGIR (adequação, necessidade e utilidade)


 Idoneidade: O interesse de agir descansa exatamente na idoneidade do pedido. O titular da ação
deve, pois, formular pedido idôneo, fundamentado em elementos que convençam o magistrado da
seriedade do que se pede.
 Acusações temerárias: Com isso, procurou o legislador evitar acusações temerárias, sem
fundamento.
 Suporte probatório mínimo: Não basta, assim, uma simples denúncia ou queixa, narrando o
fato criminoso e dizendo quem foi seu autor. É imprescindível que haja suporte probatório à
acusação, a fim de que o pedido for mulado na inicial seja digno de apreciação. Desnecessário, por
outro lado, que a prova seja esmagadora. Basta a existência do fumus boni juris.
 Autoria e materialidade: “Para que seja possível o exercício do direito de ação, é indispensável
haja, nos autos do inquérito, ou nas peças de informação, ou na representação, elementos sérios,
idôneos, a mostrar que houve uma infração penal, e indícios, mais ou menos razoáveis de que o seu
autor foi a pessoa apontada no procedimento informativo ou nos elementos d e convicção.”
(Tourinho Filho)
 Viabilidade: “...um mínimo de viabilidade de satisfação futura da pretensão que informa o seu
conteúdo.” (Eugênio Pacelli)
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OBS: Prescrição Virtual - Antecipada


 Jurisprudência

STJ: CRIMINAL. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. JU LGAMENTO DAS CONTAS PELO


TRIBUNAL DE CONTAS. REGULARIDADE. ELEMENTO SUBJETIVO. DENÚNCIA.
REJEIÇÃO. 1) O entendimento pretoriano é no sentido de que a falta de observância das

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formalidades à dispensa ou à inexigibilidade do procedimento licitatório de que t rata o art. 89 da
Lei 8.666/93, apenas será punível “quando acarretar contratação indevida e retratar o intento
reprovável do agente”. “Se os pressupostos da contratação direta estavam presentes, mas o agente
deixou de atender à formalidade legal, a condut a é penalmente irrelevante”. 2) O julgamento pelo
Tribunal de Contas, atestando a regularidade do procedimento do administrador, em relação ao
orçamento da entidade por ele dirigida, ou seja, a adequação à lei das contas prestadas, sob o
exclusivo prisma do art. 89 da Lei 8.666, é, em princípio, excludente da justa causa para a ação
penal, quando nada pela ausência do elemento mínimo da culpabilidade que viabiliza seja alguém
submetido a um processo criminal, dada a falta de probabilidade ainda que potencia l de uma
condenação. Somente a intenção dolosa tem relevância para efeito de punição. O dolo no caso é
genérico, mas uma consciência jurídica mais apurada não pode e nem deve reconhecer, quando da
dispensa da licitação, como no caso, movida pelo justificad o açodamento na conclusão e
inauguração das obras, motivação ilegítima que a acusação não aponta e cifrada em vantagem
pecuniária ou funcional imprópria. 3) Denúncia rejeitada. (APN 323/CE – 2002/0047794-9 – Rel.
Min. FERNANDO GONÇALVES – Corte Especial – DJU 13/02/2006, p. 642)

STJ: APROPRIAÇÃO INDÉBITA E REPARAÇÃO DO DANO ANTES DO


RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. O ressarcimento do dano, após a consumação do crime de
apropriação indébita (CP, art. 168) e antes de oferecida a denúncia, não extingue, por falta de
previsão legal, a punibilidade. Com base nesse entendimento, a Turma indeferiu habeas corpus em
que se pretendia, sob a alegação de falta de justa causa, o trancamento de ação penal proposta
contra o paciente pela suposta prática do delito de apropriação i ndébita, consistente no fato de, na
condição de advogado, ter deixado de repassar quantia que recebera, procedente de ação cível, ao
detentor da titularidade do direito substancial. HC 86649/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 8.11.2005 .
(HC-86649)

3.2) CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DE PROCEDIBILIDADE – Art. 43, III, CPP


 Processo Civil: Saliente-se que essas condições são exatamente as mesmas exigidas para o
processo civil.
 Para o processo penal, dependendo do caso, exigem -se outras condições, que foram
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denominadas pela doutrina de CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DE PROCEDIBILIDADE , que


são:
a) a representação do ofendido ou requisição do Ministro da Justiça, nos crimes de ação pública
condicionada;
b) a entrada do agente no território nacional – Extraterritorialidade condicio nada – Art. 7º, II, §2º,
CPB.
c) a autorização do legislativo para instauração de processo contra o Presidente e Governadores, por
crimes comum;
d) o trânsito em julgado da sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento,
no crime de induzimento a erro essencial ou ocultação do impedimento (art. 236, p.ú., do CP).
 Carência de ação: Inexistindo alguma da condições necessárias à interposição da ação penal,

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deve o juiz julgar o autor CARECEDOR DE AÇÃO, impedindo, assim, que a relação proc essual
se desenvolva.

4) AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA


4.1) TITULARIDADE
 Sistema Acusatório: A CF/88 adotou, expressamente, para o processo penal, o sistema
acusatório, havendo, portanto uma clara separação nas funções de acusar, de defender e de j ulgar.
 Ação Penal Pública: A função acusatória propriamente dita cabe, nas ações penais públicas
(incondicionadas e condicionadas), ao Ministério Público (art. 129, I da CF e art. 100 §1° do CP).
 Titulalidade do MP: Quer dizer, é do MP a titularidade para propor as ações penais cujos
crimes são de natureza pública incondicionada e condicionada.
 Ação Penal Privada Subsidiária da Pública: Há, todavia, uma única exceção, ressalvada pela
própria Constituição e pelo Código Penal: quando o MP não oferece a denúncia no prazo legal (5
DIAS REU PRESO e 15 DIAS REU SOLTO – Art. 46 do CPP), o ofendido ou seu representante
legal poderão provocar a prestação jurisdicional do Estado em seu lugar, propondo, assim, a ação
penal privada subsidiária da pública (art. 5°, LIX da CF e art. 100, §1° do CP).

1. O Ministério Público nessas ações pode oferecer denúncia substitutiva – Art. 29 do CPP.
2. Nestas ações não cabe perdão, que só é admissível nas ações privadas exclusivas – Art. 105,
CPB
3. O Ministério Público atua como ass istente litisconsorcial – Art. 16 e 29 do CPP.

 Inércia do MP: Observe-se, entretanto, que só caberá a “ queixa subsidiária” quando o órgão
do Ministério Público quedar -se inerte. “A Ação Privada Subsidiária da Pública, sendo a única
exceção, prevista constitucionalmente à regra da titularidade exclusiva do Ministério Público sobre
a Ação Penal Pública, só se mostra cabível em casos de ausência de manifestação ministerial. Em
tendo sido pedido o arquivamento do inquérito, eventual seguimento à persecução c riminal somente
se apresenta possível, caso haja novas provas a embasar a abertura do mesmo, conforme disposto na
Súmula 524, do STF, segundo a qual, ‘arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a
requerimento do promotor de justiça, não pode a a ção penal ser iniciada sem novas provas.’ (STF,
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HC nº 84.659)
OBS: DILIGENCIAS PROTELATÓRIAS
OBS: MESMO APÓS O PRAZO O MP AINDA PODE OFERECER DENÚNCIA. O MP
SOMENTE PERDE O DIREITO DE OFERECER DENÚNCIA COM A PRESCRIÇÃO DO
CRIME.
OBS: O PARTICULAR TEM 06 ME SES PARA ADENTRAR COM A AÇÃO.
 Ação penal ex officio: Diante da regra insculpida na Constituição, de que ação penal é de
titularidade exclusiva do Ministério Público, ficaram, então, revogados os artigos 26 e 531
(REVOGADOS) do CPP, que admitiam a ação p enal instaurada ex officio pelo delegado de polícia
e pelo magistrado, nos casos de contravenções.

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4.2) PRINCÍPIOS REITORES
a) OBRIGATORIEDADE
 Requisitos: Presentes os requisitos autorizadores da propositura da ação penal pública
incondicionada, tem o M P a obrigação de propô -la, independentemente de critérios de
conveniência.
 Exceção – Transação Penal: A possibilidade de transação penal, trazida pela Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais, suavizou o absolutismo do princípio (art. 76 da Lei
9.099/95). Observe-se, todavia, que referida norma obedece a preceitos constitucionais (art. 98, I).

b) INDISPONIBILIDADE
 Desistência: trata-se de consectário lógico do princípio da obrigatoriedade. Proposta a ação
penal, dela não pode o Ministério Públic o dela desistir (art. 42 do CPP).
 Recursos: Referido princípio abrange a matéria recursal, isto é, interposto o recurso, dele
também não pode o MP desistir (art. 576 do CPP).
 Exceção – Supensão Condicional do Processo : A Lei dos Juizados Especiais tro uxe uma
exceção ao princípio. Trata -se do instituto da Suspensão Condicional do Processo (art. 89), que
autoriza ao MP a requerer, mesmo após o oferecimento da denúncia, o sobrestamento do Processo
nos casos ali especificados.

c) OFICIALIDADE
 Órgão Oficiais: por esse princípio, os órgãos incumbidos da persecução criminal devem ser
criados pelo próprio Estado. Órgãos oficiais, portanto. Nas ações públicas incondicionadas, quem
tem a titularidade da persecutio criminis in judicio é justamente o MP.

d) AUTORITARIEDADE
 Autoridade: decorre do princípio da oficialidade, devendo ser uma autoridade o encarregado de
promover a ação penal. Nesse caso, o órgão do MP.

e) OFICIOSIDADE
 Iniciativa ex officio: os órgãos encarregados da persecução devem agir de o fício, sem a
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necessidade de incitação, de provocação, ou seja, tomando conhecimento de uma infração penal de


natureza pública, deve o órgão do MP propor a respectiva ação, sendo desnecessário esperar por
provocação da parte interessada, o que somente ocorr e nas ações penais públicas condicionadas.

f) INDIVISIBILIDADE
 Ação dirigida a todos: necessidade de a ação abranger todos aqueles que praticaram o delito.
 Vingança: pelo princípio, não pode o MP, por qualquer motivo, exercer seu direito de ação
contra uns, deixando de lado outros. Seria, inclusive, uma investida ao princípio da obrigatoriedade.
 Divisibilidade: há, todavia, na doutrina e na jurisprudência (principalmente nessa), opiniões no
sentido de que o princípio em vigor é o da divisibilidade, pois consoante a dicção do art. 28 do
CPP, pode o MP deixar de promover a ação penal contra certo alguém, desde que apresente

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justificativas.

g) INTRANSCENDÊNCIA
 Responsabilidade penal: a ação só pode ser proposta contra quem cometeu o delito. Ou seja , o
responsável civil, segundo nosso ordenamento jurídico, não será responsabilizado penalmente pela
infração cometida por quem ele se responsabiliza.

5) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA

 Condições específicas de procedibilidade: o exercício da ação penal pública condicionada está


sujeita, para que possa ser regularmente exercida, a certas condições de procedibilidade (além das
condições gerais).
 Condições: dependerá da representação do ofendido (ou de quem legalmente o represente), ou
da requisição do Ministro da Justiça.
 Titularidade do MP: embora haja a necessidade de manifestação do ofendido ou do Ministro da
Justiça, essa espécie de ação continua sendo pública, de titularidade do MP.

5.1) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO

 Autorização: Conforme o que já ficou amplamente consignado, o Ministério Público, titular da


ação penal pública, nos casos de crime de ação pública condicionada à representação, só poderá
propor a ação penal se houver autorização do ofendido ou de seu representa nte legal.
 É que nos crimes de ação pública condicionada, como o ofendido é atingido de forma aguda no
seu íntimo, a lei lhe confere o direito de escolher entre a impunidade do ofensor e a inconveniência
psicológica de uma ação penal.
 Inquérito Policial: se não houver permissão da vítima, nem o inquérito policial pode ser
instaurado.
 Infrações penais:
a) perigo de contágio venéreo (art. 130, §2º, CP);
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b) crime contra a honra de funcionário público, em razão de suas funções (art. 141, II, c/c o art. 145,
par. único);
c) ameaça (147, par. único);
d) violação de correspondência (art. 151, §4º), correspondência comercial (art. 152, par. único);
e) furto de coisa comum (art. 156, §1º);
f) tomar refeição em restaurante, alojar -se em hotel ou utilizar-se de transporte sem ter recursos (art.
176, par. único);
g) corrupção de preposto e violação de segredo de fábrica ou negócio (art. 196, §1º, X a XII, c/c o
§2º);
h) crimes contra o costume quando os pais da vítima não tiverem condições para arcar com as

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despesas do processo (art. 225, §2º). Obs.: Caso os pais da vítima passem a ter capacidade
financeira, deverão reassumir a ação, sob pena de perempção;
i) lesão corporal leve e culposa (art. 88 da lei 9.099/95).
 Crime contra honra de servidor público em raz ão do exercício de suas funções:
Súmula 714 do STF  “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação por crime contra a honra
de servidor público em razão do exercí cio de suas funções.”

A) CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO OU DELATION CRIMINIS POSTULATÓRIA


 Manifestação de vontade do ofendido, ou de seu representante legal, autorizando a persecutio
criminis in judicio.

B) NATUREZA JURÍDICA DA REPRESENTAÇÃO:


 Condição específica de procedibilidade: ou seja, sem ela a ação penal não pode ser proposta.
 Além das condições gerais de procedibilidade, há essa condição específica para que se possa
instaurar a persecução criminal.

C) TITULAR DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO


 Ofendido maior de 18 anos e mentalmente sadio: o próprio ofendido exercerá o direito de
representação.
 Ofendido menor de 18 anos: o direito de representação caberá a seu representante legal (art.
33).
 Ofendido mentalmente enfermo: o direito de representação caberá a seu representante legal
(art. 33).
 Morte do ofendido ou declarado ausente judicialmente: o direito de representação caberá ao
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 24, §1°). Trata -se de rol taxativo, assim, o curador
do ausente nomeado no juízo cível não tem direito de representação, nem o(a) amante da vítima. Já
com relação à companheira, numa união estável, pensamos ser possível o cabimento de direito de
representação, haja vista ter a CF ter equiparado a união estável ao casamento .
OBS: Havendo divergência, prevalecerá a vontade daquele que quer a representação.
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 Ofendido incapaz: saliente-se que a incapacidade, agora, só pode decorrer de enfermidade.


Nesses casos, não tendo o ofendido representante legal ou havendo conflito de in teresses entre os
dois, o Juiz deverá, de ofício ou a requerimento do MP, nomear curador ao mesmo, a quem caberá,
se for o caso, oferecer a representação (art. 33).
 Pessoas jurídicas: o direito de representação caberá àquelas pessoas indicadas no contra to ou no
estatuto social. No silêncio destes, os sócios -gerentes ou os diretores ficarão responsáveis por
exercer o direito de representação (art. 37).
 Representação concorrente e revogação do art. 34 do CPP: referido dispositivo, que
autorizava a representação tanto pelo menor de 21 e maior de 18 anos quanto por seu representante,
foi revogado pelo novo Código Civil, que definiu a maioridade civil em 18 anos. Quando ainda

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vigente o art. 34, a oposição de um não impedia o exercício da representação pelo o utro (art. 50,
p.ú.).

D) PRAZOS PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO


 Regra geral: seis meses a partir do dia que se toma conhecimento de quem é o autor do crime
ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da den úncia (art. 38).
 Prazo decadencial: trata-se de prazo decadencial, que se inicia a partir da data do conhecimento
da autoria do delito, sendo, portanto, causa extintiva da punibilidade (art. 107, IV do CP).
 Contagem do prazo: conta-se o dia do início, excluindo-se o último dia. PRAZO DE
NATUREZA PENAL
 Hipótese de suspensão do prazo: Se ao ofendido, por enfermidade mental, não couber o direito
de representação, o prazo não correrá enquanto não findar a incapacidade. O prazo para o
representante legal, desde que tenha conhecimento da autoria da infração penal, corre a partir desse
instante.
 Lei de Imprensa: A Lei de Imprensa prescreve que para os crimes inseridos em seu rol o prazo
para a representação é de 3 meses, contados da data do fato, ou seja, da publicação ou transmissão
da notícia (art. 41, §1ª da Lei 5.250/67). A Lei de Imprensa fala, erroneamente, em prescrição.
 Morte ou ausência do ofendido: no caso de morte ou de ausência judicial do ofendido
(devidamente declarada), o prazo só começa a fluir da data em que o cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão tomarem conhecimento da autoria (art. 38, p.ú.).

E) FORMA DA REPRESENTAÇÃO
 Ausência de forma específica: Embora não tenha a representação forma especial ou específica,
o CPP determina que certos preceitos sejam seguidos (art. 39).
 Informalidade: O STF já determinou, em inúmeros julgados, que a representação não deve se
pautar por formalismo extremo, sendo bastante a demonstração inequívoca do ofendido de que
pretende ver o infrator proce ssado. Serve, portanto, como representação, as declarações do ofendido
apontando quem é o ofensor, o boletim de ocorrência.
 Eficácia Objetiva da representação: se o ofendido ou seu representante legal representa contra
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somente um infrator, o MP estará au torizado, em virtude do princípio da indivisibilidade, a propor a


ação contra todos os demais ( eficácia objetiva da representação ). Há, todavia, posicionamentos
em contrário, que defendem que a ação não será aceita contra nenhum, havendo, aí, uma espécie d e
renúncia.
 Representação por escrito: quando feita por escrito, deve ter a firma autenticada, caso
contrário, deverá ser reduzida a termo por quem a recebeu (juiz, promotor ou delegado). Deverá
ser reduzida a termo, ainda, quando for prestada oralmente (art. 39, §1º).

F) DESTINATÁRIO DA REPRESENTAÇÃO
 Juiz, MP e Autoridade Policial: Conforme o art. 39, caput, do CPP, a representação poderá ser

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dirigida ao Juiz, ao Ministério Público ou à Autoridade Policial.
 Juiz: Feita a representação ao Juiz, haven do elementos de convicção satisfatórios para a
instauração da ação penal, este deverá encaminhá -la ao MP. Não havendo, o magistrado deverá
requisitar a abertura de IP.
 Ministério Público: Dirigida ao órgão do MP, havendo elementos, a denúncia deverá ser
proposta num prazo de 15 dias (art. 39, §5º). Não havendo os tais elementos, o promotor deverá
requisitar a abertura do Inquérito Policial. Poderá, ainda, dependendo do caso, solicitar o
arquivamento das peças de informação.
 Autoridade Policial: Enviada à autoridade policial, essa, sendo competente (aliás, tendo
atribuição), deverá instaurar o respectivo inquérito policial. Não tendo atribuição para a instauração
do IP, encaminhará a representação a quem tenha.

G) RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO
 Deve se dar de forma expressa, apesar de existir uma corrente minoritária que admite a tácita
 Até o oferecimento da denúncia: A retratação da representação só poderá ser efetuada antes do
oferecimento da denúncia (art. 25 do CPP), e somente será aceita se realiza da exatamente por quem
a fez.
 Retratação da retratação: a lei processual penal não prevê tal hipótese, razão porque boa parte
da doutrina não a admite. Guilherme de Sousa Nucci, Mirabete Lauria Tucci e Damásio aceitam,
desde que dentro do prazo decadenc ial dos 06 meses para o oferecimento da representação e que se
dê de boa-fé. Tourinho Filho nega, pois, afirma que a retratação tem o mesmo efeito do perdão
judicial, logo extingue a punibilidade.

H) NÃO-VINCULAÇÃO DO MP À REPRESENTAÇÃO
 Opinio delicti: feita a representação, não significa que a ação penal será obrigatoriamente
proposta. Deverá o órgão do MP debruçar -se sobre os elementos de informação existentes e formar
sua convicção. Dependendo do caso, poderá requisitar diligências à autoridade polic ial, propor a
ação penal ou, até mesmo, requerer o arquivamento das peças de informação.
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5.2) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA


JUSTIÇA
 Exige a requisição, tendo e vista a complexidade do fato e o interesse e a conveni ência política.
 Nesses casos, a ação continua de natureza pública, porque promovida pelo MP, entretanto, para
que possa ser proposta há que se ter requisição do Ministro da Justiça .
 Trata-se de ato essencialmente político, já que a persecução criminal fica sub ordinado a essa
conveniência.

A) INFRAÇÕES PENAIS QUE EXIGEM A REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA


a) Crime cometido por estrangeiro contra brasileiro, fora do Brasil: art. 7°, § 3°, “b” do CP;
b) Crimes contra honra cometidos contra chefe de governo estran geiro: art. 141, I c/c art. 145 p.ú.,

Processo penal i – AÇÃO PENAL


do CP;
c) Crimes contra honra praticados contra o Presidente da República: art. 141, I c/c art. 145 p.ú., do
CP;
d) Crimes contra honra cometidos contra chefe de Estado ou governo estrangeiro ou seus
representantes diplomáticos, por meio da imprensa: art. 23, I c/c art. 40, I, “a” da Lei n° 5.250/67;
e) Crimes contra honra praticados por meio da imprensa contra ministro do STF: art. 23, I da Lei n°
5.250/67;
f) Crimes contra honra praticados por meio da imprensa contra Ministro de Estado: art. 40, I, “a” da
Lei n° 5.250/67;
g) Crimes contra honra praticados por meio da imprensa contra Presidente da República, Presidente
do Senado e Presidente da Câmara do Deputados: art. 23, I, c/c art. 40, I, “a” da Lei n° 5.250/67.

B) PRAZO PARA O OFERECIMENTO DA REQUISIÇÃO


 O CPP é omisso quanto ao prazo para o oferecimento da Requisição, devendo se concluir,
portanto, que a qualquer tempo pode o Ministro da Justiça requisitar a instauração da ação penal,
desde, evidentemente, que nã o esteja extinta a punibilidade.

C) RETRATAÇÃO DA REQUISIÇÃO
 A Requisição é irretratável, justamente porque a lei não prevê o instituto, ao contrário do que
faz expressamente com a representação do ofendido (art. 25 do CPP).
OBS: Guilherme de Sousa Nucc i aceita, entendendo ser possível aceita -la por analogia.

D) NÃO-VINCULAÇÃO DO MP À REQUISIÇÃO
 Da mesma forma com o que ocorre com a representação do ofendido, não há qualquer
obrigatoriedade do órgão do MP em propor a ação penal só porque houve a requi sição do Ministro
da Justiça.
 A opinio delicti continua sendo de exclusividade do MP que, conforme sua convicção, instaurará
a ação penal, requisitará diligências, ou, até mesmo, poderá pedir o arquivamento do inquérito.
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E) EFICÁCIA OBJETIVA DA REQUIS IÇÃO


 Assim como na representação, apresentando o Ministro da Justiça requisição contra apenas um
ofensor, o MP estará apto a propor ação penal contra todos os demais (quando existentes), mesmo
que não tenham sido mencionados na requisição.
F) CONTEÚDO DA REQUISIÇÃO
 O CPP também foi omisso quanto a esse aspecto, entretanto, é de se supor que deva constar a
qualificação da vítima e do autor do delito, bem como a exposição do fato considerado criminoso.

G) DESTINATÁRIO DA REQUISIÇÃO
 O Ministério Público, por ser o titular da ação penal, é o destinatário da requisição.

Processo penal i – AÇÃO PENAL


H) INQUÉRITO POLICIAL
 O CPP silenciou a respeito de como se inicia o inquérito policial quando o crime for dependente
de requisição do Ministro da Justiça.
 TOURINHO FILHO defende q ue a requisição deve ser encaminhada ao Chefe do Ministério
Público e esse, analisando sobre a necessidade de diligências, requisita -las-á à Autoridade Policial.
6) AÇÃO PENAL PRIVADA

6.1) CONCEITO
 Como se sabe, o Estado é o exclusivo titular do jus puniendi.
 Na ação privada, o Estado transfere a legitimidade para propor a ação à vítima ou ao seu
representante legal.
 Ação Privada x Ação Pública: A diferença fundamental entre ambas está na legitimidade
ativa.
 Ação penal pública: legitimidade ativa é do MP.
 A ação Penal privada: a legitimidade é do ofendido ou do seu representante legal.
 Jus puniendi do Estado: Registre-se que o Estado continua sendo o titular do jus puniendi, só
que, por questões de política criminal, outorga ao particular o direito de ação.
 Substituição processual: Ocorre, no caso, uma legitimação extraordinária, uma substituição
processual.

6.2) FUNDAMENTO
 Strepitus Judicii: impedir que o escândalo do processo cause ao ofendido um mal ainda maior
que a eventual impunidade do infrator.

6.3) TITULAR
 Regra geral: na dicção do art. 100, §2° do CP, o titular do direito de queixa pertence ao
ofendido ou ao seu representante legal.
 Art. 33 do CPP: Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado
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mental, e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito de
queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a requerimento do
Ministério Público, pelo Juiz competente para o processo penal.
 Art. 31 do CPP: No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial,
o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou
irmão
 A doutrina e a jurisprudência tem considerado o rol do art. 31 taxativo, não podendo ser
ampliado para, por exemplo, incluir o curador do ausente ou o amásio da ofendida.
 Art. 37 do CPP: As fundações, associações, ou sociedades legalmente constituídas poderão
interpor ação penal, devendo ser representadas p or quem os respectivos contratos ou estatutos
designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores e sócios -gerentes.
 De se salientar, conforme maciço entendimento doutrinário e jurisprudencial, que o art. 35, que

Processo penal i – AÇÃO PENAL


vincula o direito de queixa da mulher à autorização do marido, não foi recepcionado pela CF/88
(art. 226, §5°).
 Agora, homem e mulher têm os mesmos direitos e deveres na sociedade conjugal.

6.4) PRINCÍPIOS REITORES

a) OPORTUNIDADE OU CONVENIÊNCIA:
 O ofendido pode escolher entre propor ou não a respectiva ação penal, de acordo com suas
conveniências e interesses pessoais.
 Decadência e Renúncia: formas pelas quais o ofendido deixa de propor a ação penal privada.

b) DISPONIBILIDADE:
 Ao contrário da ação pública, o ofendido tem a fa culdade de escolher se deseja ou não prosseguir
com a ação penal.
 Perdão e Perempção: forma pela quais o ofendido poderá dispor da ação penal privada.
 Perdão aceito: o perdão, para surtir efeito, precisa ser aceito.
 Extinção da punibilidade: aceito o perdão ou ocorrida a perempção, extingue -se a punibilidade
do agente

c) INDIVISIBILIDADE: o ofendido pode escolher, apenas, entre propor ou não a ação penal. (Art.
48 e 49 do CPP)
 Contra todos: optando pela queixa, deverá dirigi -la contra todos os ofensores, não podendo,
assim, escolher somente um ou alguns para processar
 Aditamento da queixa pelo MP - Impossibilidade: O MP, nos crimes de ação penal privada,
não poderá aditar a queixa para incluir co -autores ou partícipes, pois lhe falta legitimidad e ativa
para tanto.
 Aditamento da queixa pelo MP - Possibilidade: só será possível para incluir dados
importantes, mas não essenciais como data do fato, qualificação precisa do querelado etc. Esse, sim,
o verdadeiro teor do art. 45.
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 Prazo: de 3 dias (art. 45 e 46 § 2º); nos crimes de imprensa o prazo é de 10 dias.


 Aditamento da queixa pelo querelante: O querelante, não havendo renúncia tácita ou expressa,
poderá aditar a ação penal. Assim, se depois de instaurada a ação penal surgem elementos contra
alguém, o querelante poderá aditar a queixa.
 Aditamento e decadência: só ocorrerá a decadência 6 meses após o conhecimento desses novos
fatos.
 Renúncia tácita: quando existir elementos contra certo autor e o querelante mesmo assim não o
incluir na queixa.
 Aditamento da queixa pelo MP e Ação penal privada subsidiária da pública: nessas ações
será possível o aditamento pelo MP, que pode, se for o caso, incluir fatos novos, co -autores,
partícipes.
 Nova denúncia: dependendo do caso, se já estiver muito adiantado, ou com sentença de 1º grau

Processo penal i – AÇÃO PENAL


prolatada, talvez seja mais interessante a propositura de uma nova denúncia (lembrar que,
originariamente, a ação penal é pública).
 Litisconsórcio ativo – MP e Querelante – Crime de Ação Pública e de Ação Privada: Nesses
casos (conexão e continência – art. 79), deve ser oferecida a denúncia pelo MP e a queixa pelo
querelante.
 Entendimento do STF: Em recente decisão, tomada em 18/04/2006, a 2ª Turma do STF deferiu
habeas corpus para trancar ação penal e declarar ex tinta a punibilidade de jornalista processado pela
suposta prática de delito contra a honra, consistente na veiculação, em jornal, de matéria
considerada, pelo querelante, difamatória e ofensiva a sua reputação. Considerou -se que, em razão
de a queixa-crime ter sido oferecida apenas contra o paciente, teria havido renúncia tácita quanto
aos outros jornalistas que, subscritores da referida matéria, foram igualmente responsáveis por sua
elaboração. Ressaltou-se, ainda, que transcorrera in albis, sem que se tivesse aditada a inicial, o
prazo previsto na Lei de Imprensa (Lei 5.250/67, art. 41, § 1º) [ HC 88165/RJ, rel. Min. Celso de
Mello – Inf. STF nº 423]

d) INTRANSCENDÊNCIA: a ação penal só poderá ser dirigida contra o autor ou partícipe da


infração. Não pode ser dirigida ao responsável civil do acusado (art. 5°, XLV da CF).

6.5) ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA


A) EXCLUSIVAMENTE PRIVADA, OU PROPRIAMENTE DITA
 Titularidade: poderá ser proposta por todos aqueles previstos nos artigos 34 e 31 do CPP.

B) AÇÃO PRIVADA PERSONALÍSSIMA


 Titularidade: é exclusiva do ofendido.
 Intransferibilidade: Trata-se de direito personalíssimo e intransferível, mesmo com a morte.
 Exemplo único: no nosso ordenamento, há apenas um caso: o induzimento a erro essencial ou
ocultação de impedimento (art. 236, p.ú. do CP).
 Adultério: o crime de adultério foi banido do nosso ordenamento jurídico penal pela Lei nº
11.106/2005.
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C) SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA
 Cabimento: Se o MP, nos crimes de ação pública condicionada e incondiciona da não oferecer a
respectiva denúncia no prazo legal, o ofendido poderá, em seu lugar, apresentar a queixa -crime
(arts. 5°, LIX, e 129, I da CF).
 Inércia do MP: a queixa só terá lugar no caso de inércia do MP. Assim, na hipótese de
requerimento de arquivamento do inquérito ou de requisição de diligências investigatórias não há
que se falar em “queixa subsidiária”.

6.6) PRAZOS PARA A AÇÃO PENAL PRIVADA


 Regra geral: O CPP prevê, via de regra, o prazo de seis meses para o exercício do direito de

Processo penal i – AÇÃO PENAL


queixa (art. 38).
 Exceções: o próprio Código, entretanto, prevê a possibilidade de exceções, quais sejam:
a) Lei de Imprensa: 3 meses da data do fato (art. 41, §1° da Lei 5.250/67)
b) Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento: 6 meses, contados a partir do
trânsito em julgado da sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento:
art. 236, p. ú.)
c) Crimes contra a propriedade imaterial que deixar vestígios, sempre que for requerida a
prova pericial: 30 dias, contados a partir da homologação do laudo (art. 529, caput).
Obs.: Quando o adultério ainda era considerado crime, o prazo para o oferecimento de queixa pelo
cônjuge ofendido era de 1 mês, contados da data do conhecimento do fato.

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