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Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais

Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

Guia da Formação de Tutores


PROJETO
SAÚDE EM REDE

Belo Horizonte
2021
Romeu Zema Neto Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais
Governador do Estado de Minas Gerais
Jordana Costa Lima
Paulo Eduardo Rocha Brant Diretora Geral
Vice-Governador do Estado de Minas Gerais
Flávia Gomes de Carvalho Cerqueira
Superintendente de Educação e Pesquisa em Saúde
Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
Alexandre Santana da Silva
Fábio Baccheretti Vitor Superintendente de Planejamento, Gestão e Finanças
Secretário de Estado de Saúde
Oelde de Oliveira Costa Filho
André Luiz Moreira dos Anjos Assessor de Educação a Distância
Secretário de Estado Adjunto de Saúde
Anísia Valéria Chaves e Silva
Luiza Hermeto Coutinho Campos Coordenadora de Educação e Trabalho em Saúde
Chefe de Gabinete
Lucas Rodrigues Albionti de Castro
Naila Marcela Nery Ferrari Coordenador de Política, Planejamento e Gestão
Subsecretaria de Políticas e Ações de Saúde em Saúde

Juliana Ávila Teixeira Michelle Souza Costa


Subsecretaria de Regulação do Acesso a Serviços e Coordenadora de Promoção, Cuidado e Vigilância
Insumos de Saúde em Saúde

Janaína Passos de Paula (interinamente)


Subsecretaria de Vigilância em Saúde
Produção ASCOM/ESP-MG
André de Andrade Ranieri
Subsecretaria de Inovação e Logística em Saúde Jean Alves de Souza
Assessor de Comunicação Social
Darlan Venâncio Thomaz Pereira
Subsecretaria de Gestão Regional Jacqueline Castro
Diagramação/ Design Gráfico
Raquel Guieiro Cruz
Gerência do Projeto Estratégico Saúde em Rede

Amanda Guias Santos Silva


Superintendência de Redes de Atenção à Saúde

Grazielle Dias da Silva


Superintendência de Assistência Farmacêutica

Camila Hellen de Almeida Silva Oliveira


Superintendência de Atenção Primária à Saúde

Minas Gerais. Escola de Saúde Pública.


M663g Guia da formação de tutores: projeto Saúde em Rede. / Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais - Belo
Horizonte: ESP-MG, 2021.
249 p.
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: 978-65-89122-10-4
1. Saúde em Rede. 2. Educação em Saúde. 3. Capacitação de Recursos Humanos em Saúde. I. Título
NLM WA 18

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim
comercial.
SUMÁRIO

O DESAFIO DE FORTALECIMENTO DA REDE DE ATENÇÃO


À SAÚDE NO ESTADO DE MINAS GERAIS: A PROPOSTA DO
PROJETO SAÚDE EM REDE  07

APRESENTAÇÃO DO PROJETO SAÚDE EM REDE 09

1. PROPOSTA PEDAGÓGICA DO PROJETO SAÚDE EM REDE  12

2. ENCONTROS DE FORMAÇÃO DE TUTORES:


OBJETIVOS, ATIVIDADES E TEXTOS DE APOIO 19
2.1. Encontro Formativo 01 20

2.2. Encontro Formativo 02 45

2.3. Encontro Formativo 03 75

2.4. Encontro Formativo 04 101

2.5. Encontro Formativo 05 128

2.6. Encontro Formativo 06 170

2.7. Encontro Formativo 07 196

2.8. Encontro Formativo 08 222

REFERÊNCIAS249
EQUIPE DE TRABALHO

Organizadores

Amanda Nathale Soares


Fernanda Jorge Maciel
Rodrigo Martins da Costa Machado
Thais Lacerda e Silva

Equipe de revisão técnica

Adriana Alves de Andrade Melo Franco (ESP-MG)


Alice Werneck Massote (ESP-MG)
Christina Coelho Nunes (SES-MG)
Elizabeth Regina Gomes Franqueira (SES-MG)
Ludmila Brito e Melo Rocha (ESP-MG)

* Material produzido a partir dos Guias das Oficinas Tutoriais da APS e


da AAE, elaborados para fins do Projeto Saúde em Rede.
O desafio de fortalecimento da rede de atenção
à saúde no estado de Minas Gerais: a proposta
do Projeto Saúde em Rede

O Projeto Saúde em Rede surgiu como uma resposta às mudanças no perfil demográfico, na
transição epidemiológica e nos estilos de vida da população, que trazem à atualidade uma
prevalência das condições crônicas de saúde. Essas transformações geraram a necessidade de
que o sistema de saúde se organizasse de forma integrada e a partir da consolidação das Redes
de Atenção à Saúde (RAS), entendendo a Atenção Primária à Saúde (APS) como ordenadora
do cuidado.

O Projeto Saúde em Rede tem como objetivo principal promover a estruturação da RAS em
Minas Gerais, por meio da organização dos processos de trabalho da atenção primária e atenção
ambulatorial especializada (AAE) na linha de cuidado prioritária materno infantil, ofertando
subsídios para a organização dos serviços das demais linhas de cuidado como Hipertensão
Arterial Sistêmica/Diabetes Mellitus, de forma integrada e orientada, para gerar valor para o
cidadão e eficiência para o sistema de saúde.

Com base na literatura de RAS e em evidências observadas nas experiências da planificação em


todo o Brasil, podemos observar que até 85% das condições de saúde podem ser manejadas
na APS. Dessa forma o que se pretende é a mudança de um modelo de atenção à saúde hoje
focado nos níveis de atenção à saúde mais complexos e de maior densidade tecnológica, para
um modelo que promova a integração entre os serviços e o atendimento às necessidades de
saúde da população.

Pode-se dizer que o projeto promove a (re)organização dos processos de trabalho por meio
da qualificação e do desenvolvimento das competências das equipes para o planejamento
e organização da atenção à saúde com foco nas necessidades dos usuários sob a sua
responsabilidade, baseando-se em diretrizes clínicas, de acordo com o Modelo de Atenção às
Condições Crônicas e tendo como referência teórica a construção social da atenção primária à
saúde, a educação permanente em saúde e o trabalho em equipe e colaborativo.

Nesse sentido, as atividades do Projeto Saúde em Rede podem ser compreendidas como um
momento de discussão e mudança no modus operandi das equipes e dos serviços, com vistas
ao fortalecimento da RAS.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 7


Organizar o sistema de saúde sob a forma de Rede de Atenção, coordenado pela APS com
integração dos pontos de atenção municipal, micro e macrorregional, é fundamental para
garantir respostas às necessidades de saúde da população mineira.

No âmbito da SES/MG, além do Projeto Saúde em Rede, estão sendo desenvolvidas várias
iniciativas e políticas com o objetivo de estruturar a RAS. Dentre elas, podemos destacar:

• Projeto de ampliação e qualificação do acesso aos medicamentos do Componente


Especializado da Assistência Farmacêutica: objetiva ampliar e qualificar o acesso aos
medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica em Minas Gerais,
contribuindo para a integralidade da atenção à saúde, além de fomentar a governança
pública na gestão da Assistência Farmacêutica em Minas Gerais;

• Valora Minas: objetiva reestruturar o financiamento e a organização da rede de atenção


hospitalar do estado de Minas Gerais, levando em consideração o perfil epidemiológico
das regiões de saúde e a vocação de cada serviço de saúde de acordo com as necessidades
da população;

• Aprimora Saúde: objetiva organizar os processos de trabalho da Atenção Primária à


Saúde e fortalecer seu papel de coordenadora do cuidado à saúde e ordenadora da Rede
de Atenção à Saúde;

• Plano de Enfrentamento à Mortalidade Materno-infantil: se organiza de forma


transversal e intersetorial, a fim de impactar de forma efetiva nas mortes evitáveis, por
meio da oferta de um melhor atendimento aos usuários, consequentemente impactando
os indicadores assistenciais.

Gerência do Projeto Estratégico Saúde em Rede

8 PROJETO SAÚDE EM REDE


Apresentação do Projeto Saúde em Rede

O Projeto Saúde em Rede tem como propósito reorganizar a Rede de Atenção à Saúde (RAS)
no estado de Minas Gerais, por meio da realização de mudanças nos processos de trabalho
da Atenção Primária à Saúde (APS) e dos serviços de referência da Atenção Ambulatorial
Especializada (AAE). Para tanto, é proposta a criação de espaços de ensino e aprendizagem
que buscam ampliar a capacidade das equipes da APS e da AAE de analisarem seus processos
de trabalho e reorganizá-los em busca do atendimento às necessidades de saúde dos usuários
do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os objetivos do Projeto, estão:

• Estruturar a rede de atenção à saúde, por meio da reorganização de processos de


trabalho;
• Incorporar e aprimorar os espaços de discussão e redefinição de práticas e processos de
trabalho em saúde, sob a perspectiva da Educação Permanente em Saúde;
• Fortalecer o trabalho em equipe e as práticas interprofissionais colaborativas, no âmbito
da RAS;
• Fortalecer o papel das Unidades Regionais de Saúde (URS) da Secretaria de Estado de
Saúde de Minas Gerais (SES/MG), junto aos municípios, na conformação e na consolidação
das RAS no âmbito regional;
• Reorganizar e aprimorar as ações e os serviços que envolvem a linha de cuidado materno-
infantil, no âmbito da APS e da AAE.

O Projeto Saúde em Rede iniciou-se em 2019, em uma etapa piloto, nos 29 municípios da
macrorregião de Jequitinhonha, com a condução da Secretaria de Estado de Saúde de Minas
Gerais (SES/MG), em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e
com o Hospital Israelita Albert Einstein. A expansão do Projeto Saúde em Rede para o território
mineiro está sendo realizada pela SES/MG em parceria com a Escola de Saúde Pública de Minas
Gerais (ESP-MG), com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS),
com o CONASS, com as secretarias municipais de saúde e, sobretudo, com os trabalhadores do
SUS que atuam na APS e nos serviços ambulatoriais especializados.

A implementação do Projeto Saúde em Rede envolve um conjunto de processos formativos


que, fundamentados na Educação Permanente em Saúde (EPS), produzem crescentes níveis de

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 9


aprendizagem, a partir de interações entre distintos trabalhadores do SUS, com seus saberes
e suas práticas. São eles:

• Curso “Organização do Cuidado em Rede”, com carga horária de 45 horas, desenvolvido


pela ESP-MG em parceria com a SES/MG e ofertado na plataforma UaiTec a todos os
trabalhadores do SUS vinculados à microrregião em que o projeto está sendo desenvolvido.
O objetivo é introduzir os fundamentos teóricos e os conceitos-chave que apoiam a
reorganização dos processos de trabalho na APS e na AAE, com vistas à integração da rede
de atenção à saúde. Pode-se dizer que o alinhamento conceitual é o ponto de partida da
implementação do projeto.

• Oficinas Tutoriais cujo objetivo é discutir e problematizar os processos de trabalho na


unidade para fortalecer o trabalho em equipe e colaborativo na rede de atenção à saúde
e para melhor atender às necessidades de saúde da população:
» Na APS: 16 Oficinas Tutoriais, realizadas quinzenalmente, com carga horária de
quatro horas cada, nas próprias unidades da APS participantes do projeto (Quadro 1).

» Na AAE: 12 Oficinas Tutoriais, realizadas com periodicidade quinzenal ou mensal,


com carga horária de quatro horas cada, nas próprias unidades da AAE participantes
do projeto (Quadro 1).

Quadro 1 – Carga horária e distribuição das Oficinas Tutoriais da APS e da AAE por mês
Oficinas Tutoriais da APS Oficinas Tutoriais da AAE
Carga Carga
Mês Oficinas horária Mês Oficinas horária
mensal mensal
Mês 01 Oficinas 01 e 02 8h Mês 01 Oficina 01 4h
Mês 02 Oficinas 03 e 04 8h Mês 02 Oficina 02 4h
Mês 03 Oficinas 05 e 06 8h Mês 03 Oficina 03 4h
Mês 04 Oficinas 07 e 08 8h Mês 04 Oficinas 04 e 05 8h
Mês 05 Oficinas 09 e 10 8h Mês 05 Oficinas 06 e 07 8h
Mês 06 Oficinas 11 e 12 8h Mês 06 Oficinas 08 e 09 8h
Mês 07 Oficinas 13 e 14 8h Mês 07 Oficina 10 4h
Mês 08 Oficinas 15 e 16 8h Mês 08 Oficinas 11 e 12 8h
Carga horária total 64h Carga horária total 48h

• Formação dos diferentes atores que subsidiam o desenvolvimento das Oficinas


Tutoriais: Tutores (profissionais de saúde da APS e da AAE que conduzem as Oficinas
Tutoriais) e Analistas Regionais (referências técnicas das Unidades Regionais de Saúde da
Secretaria de Estado de Saúde que realizam a formação e o acompanhamento dos tutores).

Como é possível perceber, o Projeto Saúde em Rede pressupõe a participação de diferentes


atores locais e regionais implicados com as mudanças nos processos de trabalho necessários para

10 PROJETO SAÚDE EM REDE


fortalecer a rede de atenção à saúde. Entretanto, sabemos que existem problemas relacionados
ao trabalho em saúde sobre os quais a equipe técnica não tem governabilidade, o que exige o
envolvimento de gestores municipais, instâncias regionais ou, até mesmo, a gestão estadual.
Nesse sentido, no Projeto Saúde em Rede, propomos a incorporação de gestão colegiada para o
debate e o encaminhamento de questões que extrapolam a governabilidade da equipe técnica
da unidade. Os espaços de governança que compõem o projeto são constituídos, no âmbito
estadual, pelo Grupo Condutor Estadual; no âmbito regional, pelas Comissões Intergestores
Bipartite Microrregionais (CIB Micro); e, no âmbito local, pelos Colegiados Gestores.

Este Guia da Formação de Tutores integra um conjunto de materiais de apoio pedagógico


desenvolvido no âmbito do Projeto Saúde em Rede. O seu objetivo é apoiar os Analistas
Regionais na formação dos Tutores, ou seja, dos profissionais da APS e da AAE que conduzirão
as Oficinas Tutoriais nas respectivas unidades de saúde. Para isso, neste guia, é apresentada a
proposta pedagógica do Projeto Saúde em Rede, bem como a matriz de conteúdos e atividades
que subsidiará a realização dos encontros formativos entre Analistas Regionais e Tutores.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 11


1. PROPOSTA PEDAGÓGICA DO PROJETO SAÚDE
EM REDE

O Projeto Saúde em Rede traz consigo a marca da complexidade. Na medida em que passamos
a conhecer os seus objetivos e a compreender a sua proposta, é possível perceber que este
projeto nos desafia a colocar em movimento nossos saberes e nossos modos mais próprios de
desenvolver o trabalho em saúde no SUS. Colocar o trabalho em movimento significa ampliar
as possibilidades de diálogo entre os distintos profissionais que compõem a rede de cuidado
em saúde e, sobretudo, problematizar e colocar sob reflexão as ações que desenvolvemos
no cotidiano do trabalho. Isso, claramente, impõe um cenário de complexidade, seja porque
envolve distintos atores, inseridos em diferentes contextos e instituições do SUS, seja porque nos
exige reconhecer e problematizar, sob outras perspectivas, as questões que surgem e habitam
o nosso cotidiano de trabalho.

No âmbito do Projeto Saúde em Rede, o cotidiano do trabalho em saúde assume centralidade,


ou seja, se conforma como a base dos processos pedagógicos que envolvem o projeto. Isso
exige pensarmos em como concebemos o nosso cotidiano de trabalho. Você já parou para
pensar sobre isso? Muitas vezes, quando pensamos em algo cotidiano, em um trabalho que
produzimos dia a dia, há aí um sentido do que já é conhecido, do que é repetido, do que já está
dado e do que, por vezes, não carrega em si um potencial de transformação. Por isso, muitas
vezes, temos a tendência de não considerar as experiências e as práticas de trabalho cotidianas
como fonte de aprendizagem e de conhecimento para a equipe.

Entretanto, reconhecemos que no cotidiano de trabalho são produzidos conhecimentos e


experiências que podem e precisam ser compartilhados e discutidos entre os profissionais
que atuam em um mesmo serviço e/ou em serviços que compõem a rede de atenção à saúde.
Isso significa que cada equipe de saúde, considerando a realidade que vivencia todos os dias,
traz consigo a capacidade de pensar sobre o cotidiano de trabalho, analisar as práticas que
desenvolve e operar mudanças nos processos de trabalho. São os próprios trabalhadores que
sabem dizer e pensar sobre o seu trabalho; é a própria equipe que sabe das dificuldades e
das potencialidades que possui. Por isso, é no cotidiano de trabalho que se encontram as
possibilidades de transformação das práticas de cuidado e da organização do trabalho em
saúde. E isso só se torna possível quando colocamos o cotidiano de trabalho aberto para o
diálogo entre os diferentes profissionais e para a problematização das práticas desenvolvidas
individual e coletivamente.

12 PROJETO SAÚDE EM REDE


Em outras palavras, queremos dizer que abrir o cotidiano para o diálogo e para a análise do
trabalho em saúde é a principal estratégia para operarmos mudanças na organização dos
serviços e nas práticas desenvolvidas. E isso é a base da Educação Permanente em Saúde (EPS),
referencial teórico-metodológico que sustenta o desenvolvimento dos processos pedagógicos
do Projeto Saúde em Rede. A EPS nos convoca a reconhecer a importância da problematização,
da reflexão e da análise das práticas de trabalho cotidianas que são desenvolvidas pelos
profissionais nos diferentes serviços que compõem a rede de atenção à saúde, sobretudo
nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) e nos serviços de atenção ambulatorial
especializada, conforme proposta deste projeto.

Se aqui reconhecemos que são os próprios trabalhadores da equipe que trazem consigo a
capacidade de analisar seus processos de trabalho e de operar mudanças nas práticas cotidianas
do trabalho em saúde, como seria o papel do tutor no Projeto Saúde em Rede? Como seria o
papel dos outros atores envolvidos no projeto que não necessariamente fazem parte da equipe,
como o Analista Regional, o Apoiador da ESP-MG, o Analista Central e o Apoiador do COSEMS?

Sobre o Tutor

O tutor é um ator do próprio município que pode compor ou não a equipe de saúde da unidade
em que o projeto será desenvolvido. É quem vai conduzir os momentos de discussão com a
equipe, denominados de Oficinas Tutoriais, desempenhando o papel de ativador de processos
de EPS. Cabe ao tutor apoiar a problematização das práticas cotidianas de trabalho, levantar
questões que podem contribuir para a análise do trabalho desenvolvido na unidade de saúde e
acompanhar o desenvolvimento das ações pactuadas coletivamente, com vistas à reorganização
de processos de trabalho e ao fortalecimento do trabalho colaborativo e em rede.

Embora o tutor tenha um papel estratégico junto


à equipe, é necessário compreender que não se Tutor: ativador de Educação
trata de uma posição de hierarquia diante dos Permanente em Saúde, que conduz
as Oficinas Tutoriais, fomentando a
trabalhadores. Como já vimos, os processos de
discussão e a problematização das
EPS pressupõem compartilhamento e construção
práticas da equipe e da organização do
coletiva de saberes, o que só se torna possível por
trabalho na unidade de saúde.
meio de relações horizontais entre os distintos
trabalhadores.

É importante destacar que o Projeto Saúde em Rede prevê a participação de, preferencialmente,
dois tutores em cada unidade (APS e AAE), que atuarão juntos no desenvolvimento das Oficinas
Tutoriais.

Vamos conhecer as principais atribuições do tutor no Projeto Saúde em Rede?

• Participar integralmente dos encontros formativos de tutores, realizados pelos Analistas


Regionais;

• Fomentar a participação dos trabalhadores de saúde de seu município ou serviço no


Curso “Organização do Cuidado em Rede”, ofertado na modalidade à distância;

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 13


• Identificar e organizar os espaços destinados à realização das Oficinas Tutoriais na
unidade de saúde;

• Atuar como ativador de EPS nas Oficinas Tutoriais realizadas na unidade de saúde;
• Acompanhar e apoiar a equipe no desenvolvimento das atividades pactuadas
coletivamente e na implementação dos instrumentos que compõem o Projeto Saúde em
Rede;

• Acompanhar o desenvolvimento das atividades previstas no plano de ação da equipe,


identificando pendências e propondo estratégias para realização;

• Atuar, em conjunto com a gestão do serviço, na implementação de estratégias de


fomento à articulação entre a APS e a AAE para conformação das redes de atenção à saúde;

• Monitorar, em conjunto com o Analista Regional, o desenvolvimento do projeto na


unidade de saúde;

• Identificar, discutir e encaminhar pautas relacionadas à operacionalização do projeto


nos espaços decisórios da unidade de saúde e/ou do município.

Onde e quando serão os encontros entre o tutor e a equipe?

Os encontros entre o tutor e a equipe acontecem na própria unidade de saúde em que os


profissionais estão inseridos, aqui denominada de Unidade Laboratório. No âmbito da APS, a
Unidade Laboratório é a primeira UAPS na qual o projeto será implantado no município. Na AAE,
a Unidade Laboratório é o serviço de referência de cuidados especializados na microrregião
para a linha de cuidado materno-infantil, considerada prioritária neste projeto. O serviço de
referência de cuidados especializados corresponde ao Centro Estadual de Atenção Especializada
(CEAE) no caso dos municípios participantes da primeira onda de expansão do Projeto Saúde
em Rede.

Os encontros entre o tutor e a equipe, denominados de Oficinas Tutoriais, são espaços de


discussão protagonizados pelos trabalhadores da equipe, com o apoio/condução do tutor.
Durante as Oficinas Tutoriais, as questões que envolvem o cotidiano do trabalho na unidade
de saúde são discutidas e problematizadas, considerando as diferentes temáticas abordadas
no Projeto Saúde em Rede. Ao longo das Oficinas, são apresentados instrumentos que podem
favorecer a mudança ou a implantação de processos de trabalho na unidade. Outro objetivo
importante das Oficinas Tutoriais é a construção e a pactuação coletiva de estratégias para
reorganização dos processos de trabalho, que devem ser registradas em um plano de ação da
equipe. Entre os encontros das Oficinas Tutoriais, o tutor e a equipe desenvolvem, durante o
próprio cotidiano de trabalho, as ações previstas no Plano de Ação e aquelas denominadas de
atividades de dispersão, que são propostas no Guia das Oficinas Tutoriais e que também devem
compor o Plano de Ação da equipe.

As discussões realizadas nas Oficinas Tutoriais podem ser potencializadas pelos conteúdos
abordados no Curso “Organização do Cuidado em Rede”, desenvolvido pela ESP-MG em parceria
com a SES/MG e ofertado na plataforma da UaiTec, como formação inicial do Projeto Saúde

14 PROJETO SAÚDE EM REDE


em Rede. Quando oportuno, nas Oficinas Tutoriais, os conteúdos apresentados ao longo do
curso podem ser discutidos e problematizados à luz dos contextos de trabalho das equipes,
em um processo de integração entre teoria e prática. Tal discussão pode subsidiar o processo
permanente de análise das práticas desenvolvidas, assim como as propostas para a sua melhoria.

No caso da APS, as Oficinas Tutoriais acontecem de quinze em quinze dias, com carga horária
de quatro horas cada, durante o próprio horário de trabalho da equipe. No caso da AAE, as
Oficinas Tutoriais acontecem quinzenal ou mensalmente, também com carga horária de quatro
horas cada e durante o horário de trabalho.

Como é prevista a participação de todos os profissionais, a unidade de saúde precisará ser


fechada durante as Oficinas Tutoriais. O Projeto Saúde em Rede prevê o desenvolvimento das
Oficinais Tutoriais ao longo de oito meses.

Oficinas Tutoriais: espaços de discussão protagonizados pelos trabalhadores


da equipe, com o apoio/condução do tutor. Na APS, são realizadas
quinzenalmente e, na AAE, são realizadas quinzenal ou mensalmente. As
Oficinas Tutoriais possuem carga horária de 4 horas cada, são realizadas
durante o horário de trabalho da equipe e devem envolver a participação de
todos os profissionais da unidade. Serão realizadas ao longo de oito meses.

Onde e quando acontece a formação do tutor?

Sabemos que é um desafio para o tutor construir um lugar de ativador de EPS junto à equipe
de saúde e, ainda, subsidiar e acompanhar estratégias para reorganização dos processos de
trabalho em saúde na unidade. Por isso, durante o Projeto Saúde em Rede, propomos que
referências técnicas das Unidades Regionais de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, aqui
denominadas de Analistas Regionais, realizem a formação dos tutores da APS e da AAE e os
acompanhem durante o projeto.

A proposta é que Analistas Regionais atuem como


ativadores de EPS junto aos tutores, discutindo Analistas Regionais: referências
conceitos, instrumentos e estratégias que podem técnicas das Unidades Regionais de
Saúde da Secretaria de Estado de Saúde
ser utilizados na condução das Oficinas Tutoriais;
que realizam a formação dos tutores
iniciativas que podem ser desenvolvidas nos
da APS e da AAE e os acompanham
contextos locorregionais; e encaminhamentos de
durante o Projeto Saúde em Rede.
questões que estão além da governabilidade do
tutor e da equipe de saúde da unidade.

Para isso, são previstos encontros presenciais mensais entre Tutores e Analistas Regionais, com
carga horária de oito horas cada, que acontecerão preferencialmente no município sede da
Unidade Laboratório Microrregional da AAE. É importante ressaltar que haverá também um
acompanhamento constante por meio de contatos telefônicos e virtuais e/ou visitas técnicas,
se necessário.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 15


Formação dos Tutores pelos Analistas Regionais: realizada em encontros
presenciais mensais, com carga horária de 8 horas cada. Além disso, terá
acompanhamento constante por meio de contatos telefônicos e virtuais e/
ou visitas técnicas, se necessário.

Como ativador de EPS, são previstas as seguintes atribuições para os Analistas Regionais:

• Realizar o Curso “Organização do Cuidado em Rede”, de modo a contribuir para a


condução da formação dos tutores;

• Participar integralmente dos encontros formativos de Analistas Regionais, realizados


pelos Analistas Centrais e pelos Apoiadores da ESP-MG;

• Atuar como ativador de Educação Permanente em Saúde (EPS) nas Oficinas de formação
dos tutores da APS e da AAE das Unidades Laboratório;

• Discutir com os tutores da APS e da AAE conhecimentos e ferramentas para a


reorganização dos processos de trabalho nas unidades de saúde, de modo a promover a
integração entres os pontos de atenção;

• Acompanhar a produção e a execução dos Planos de Ação das equipes das unidades
laboratório, junto aos tutores da APS e da AAE, e a Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede.

Além da atuação como ativador de EPS junto aos tutores, há outras atribuições previstas para
os Analistas Regionais no Projeto Saúde em Rede, relacionadas à governança regional. São elas:

• Apresentar o Projeto Saúde em Rede na CIB Micro e informar as atribuições dos


municípios, da SES/MG, da ESP-MG e do COSEMS;

• Apoiar e acompanhar os municípios na indicação dos tutores da APS e da AAE e na


definição das Unidades Laboratório;

• Discutir junto aos municípios as recomendações relacionadas à estrutura física para


realização dos encontros presenciais das equipes das Unidades Laboratório;

• Identificar e organizar os espaços destinados à realização da formação dos tutores,


atentando-se às recomendações para o contexto da pandemia da COVID-19;

• Pactuar, junto aos municípios envolvidos no projeto, o cronograma para a formação dos
tutores e para a realização das Oficinas Tutoriais;

• Divulgar o Curso “Organização do Cuidado em Rede” (EAD) destinado a todos os


profissionais da APS, da AAE e da Unidade Regional de Saúde da SES/MG;

• Monitorar, em conjunto com o Analista Central e com os Apoiadores da ESP-MG, o


desenvolvimento do projeto no território;

• Identificar, discutir e encaminhar pautas relacionadas à operacionalização do projeto nos


espaços de governança do SUS de sua região (Nível Central, URS, CIB Macro e CIB Micro);

16 PROJETO SAÚDE EM REDE


• Apoiar os municípios de sua região para a conformação de uma rede regionalizada e
integrada para a linha de cuidado prioritária, no âmbito da APS e da AAE;

• Atuar, em conjunto com os municípios, no processo de formulação e implementação de


políticas regionais e locais, voltadas para o fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde.

Como e quando acontece a formação dos Analistas Regionais?

Durante o Projeto Saúde em Rede, também


Formação dos Analistas Regionais:
está prevista a formação e o acompanhamento
realizada pelos Analistas Centrais e por
dos Analistas Regionais, a serem realizados por
Apoiadores da ESP-MG, em encontros
referências técnicas do nível central da SES/MG, presenciais mensais, com carga
aqui denominados de Analistas Centrais, e por horária de 8 horas cada, e por meio de
Apoiadores da ESP-MG. A formação acontecerá em acompanhamento à distância.
encontros presenciais mensais, com carga horária de
oito horas cada, e também por meio de estratégias
de acompanhamento à distância.

Atribuições do Analista Central

• Atuar, juntamente ao Apoiador da ESP-MG, na formação dos Analistas Regionais,


constituindo-se como referência para discussão técnica relacionada à organização das
redes de atenção à saúde;

• Monitorar, em conjunto com os Analistas Regionais e com os Apoiadores da ESP-MG, o


desenvolvimento do Projeto Saúde em Rede nos territórios;

• Acompanhar os Analistas Regionais na formação de tutores;


• Identificar, discutir e encaminhar pautas relacionadas à operacionalização do projeto
no âmbito da SES/MG;

• Atuar, em conjunto com os Analistas Regionais e com os municípios, no processo de


formulação e implementação de políticas regionais e locais voltadas para o fortalecimento
das redes de atenção à saúde;

• Apoiar os Analistas Regionais nos processos de governança regional do Projeto Saúde


em Rede;

• Participar, por meio de representação, do espaço de governança do projeto em âmbito


estadual – o Grupo Condutor Estadual.

Atribuições do Apoiador da ESP-MG

• Desenvolver e atualizar os materiais técnico-pedagógicos de apoio à formação dos atores


envolvidos no Projeto Saúde em Rede;

• Atuar como ativador de EPS na formação dos Analistas Regionais;

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 17


• Acompanhar os Analistas Regionais na formação de tutores;
• Monitorar, em conjunto com os Analistas Regionais e com os Analistas Centrais, o
desenvolvimento do Projeto Saúde em Rede nos territórios;

• Identificar, discutir e encaminhar pautas relacionadas às questões pedagógicas do Projeto


Saúde em Rede;

• Contribuir para a avaliação de processos e resultados decorrentes da implantação do


Projeto Saúde em Rede.

É importante destacar que Apoiadores Regionais do COSEMS também participarão do Projeto


Saúde em Rede, durante a formação de tutores, contribuindo com a mobilização de atores e
de processos no território, dada a importância do COSEMS nas instâncias de pactuação do SUS
e a sua atuação nos processos de construção de políticas públicas.

Atribuições do Apoiador Regional do COSEMS

• Realizar o Curso “Organização do Cuidado em Rede”, de modo a contribuir no processo


de implementação do Projeto Saúde em Rede;

• Participar da formação de tutores da APS e da AAE das unidades laboratório;


• Participar das discussões de monitoramento do Projeto Saúde em Rede;
• Promover o intercâmbio de informações sobre o Projeto Saúde em Rede junto aos
gestores municipais;

• Realizar mediação entre a normatização e a prática nos territórios, objetivando a


construção de políticas de saúde;

• Atuar como mediador nas mudanças dos processos de trabalho a serem implementadas
nos municípios;

• Atuar como mobilizador junto às Secretarias Municipais de Saúde a fim de debater a


saúde no território;

• Fomentar discussões para o fortalecimento do Projeto Saúde em Rede nos espaços de


governança (CIB-Micro).

18 PROJETO SAÚDE EM REDE


2. ENCONTROS DE FORMAÇÃO DE TUTORES:
OBJETIVOS, ATIVIDADES E TEXTOS DE APOIO

Para o desenvolvimento dos encontros formativos de tutores, é importante considerarmos


algumas questões:

• Como vimos, os encontros formativos acontecerão mensalmente e as Oficinas Tutoriais,


realizadas entre tutor e equipe de saúde da Unidade Laboratório, acontecerão a cada quinze
dias (duas vezes por mês), no caso da APS, e quinzenal ou mensalmente, no caso da AAE.
Nesse sentido, cada encontro formativo de tutores precisará contemplar questões, temas e
discussões necessários para que os tutores desenvolvam com a equipe de saúde as Oficinas
Tutoriais previstas para o mês. Por exemplo: o primeiro encontro formativo entre analistas
regionais e tutores abordará discussões capazes de contribuir para que, posteriormente, ao
longo do mês, o tutor da APS desenvolva com a equipe as duas primeiras Oficinas Tutoriais
previstas e o tutor da AAE desenvolva com a equipe a primeira Oficina Tutorial.

• Como tutores da APS e da AAE participarão dos encontros formativos, serão previstos
momentos de formação conjunta, em que serão discutidos temas comuns e questões que
envolvem o trabalho em ambos os serviços, e momentos de formação separada, em que
serão abordadas as especificidades de cada serviço. Nesse sentido, há momentos em que
os Analistas Regionais atuarão conjuntamente e momentos em que precisarão se dividir
para realizarem as discussões com os tutores da APS e da AAE separadamente.

• É importante destacar que os encontros formativos de tutores não devem ter a intenção
de ser um exemplo a ser replicado pelos tutores com a equipe nas Oficinas Tutoriais.
Subsidiar a atuação do tutor não significa realizar com ele as mesmas atividades que
deverão ser desenvolvidas com a equipe da unidade de saúde. Portanto, é muito importante
que, durante os encontros formativos, seja destacado o caráter singular e próprio de cada
espaço formativo, seja entre analistas regionais e tutores, seja entre tutores e equipes de
saúde. Isso significa que cada tutor construirá colaborativamente com a equipe de saúde
modos próprios de atuar e de desenvolver as discussões e as atividades propostas para
as Oficinas Tutoriais.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 19


2.1. ENCONTRO FORMATIVO 01

O Encontro Formativo 01, com carga horária de 12 horas, tem os seguintes objetivos:

• Promover a interação entre os tutores das Unidades Laboratório da APS e da AAE dos
diferentes municípios;
• Compreender o Projeto Saúde em Rede, as suas estratégias de monitoramento e os seus
espaços de governança;
• Discutir os conceitos de Educação Permanente em Saúde (EPS) e de Educação Continuada
(EC), com destaque para suas semelhanças e suas diferenças;
• Discutir o papel do tutor como ativador de EPS;
• Discutir a importância do trabalho em equipe e colaborativo no âmbito da rede de
atenção à saúde;
• Discutir a organização do SUS em redes de atenção à saúde;
• Discutir o papel da APS e da AAE nas redes de atenção à saúde;
• Apresentar a proposta das atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede;
• Apresentar orientações relacionadas à gestão acadêmica no Projeto Saúde em Rede;
• Conhecer o Modelo de Construção Social da APS;
• Apresentar o Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório.

20 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 01


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente.
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade
Tutores da APS e da Local
1 – Promovendo
30 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
a interação entre 2 barbantes
Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de
os tutores da APS
Apoiadores do COSEMS tutores
e da AAE

Realizar atividade Tutores da APS e da Local


2 – Apresentando Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à Apresentação em
45 min
o Projeto Saúde Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de power point
em Rede Apoiadores do COSEMS tutores

Realizar atividade Tarjetas


3 – Educação
Canetinhas
Continuada
e Educação Tutores da APS e da Local Fita crepe
Permanente em 1h Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
Texto de Apoio
Saúde: do que Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de
“Educação
estamos falando? Apoiadores do COSEMS tutores
Permanente em
(Primeira Parte) Saúde e Educação
Continuada”

Intervalo 15 min

Realizar atividade
3 – Educação
Continuada Tutores da APS e da Local
Orientações no
e Educação 20 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
Guia da Formação
Permanente em Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de
de Tutores
Saúde: do que Apoiadores do COSEMS tutores
estamos falando
(Segunda Parte)

Realizar atividade Papel kraft/quadro


4 – Discutindo Tutores da APS e da Local para registro
a importância 20 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à Orientações da
do trabalho em Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de atividade no Guia
equipe (Primeira Apoiadores do COSEMS tutores de Formação de
Parte) Tutores
Realizar atividade
Tarjetas do grupo
4 – Discutindo Tutores da APS e da Local
01 e do grupo 2
a importância 50 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
disponíveis no Guia
do trabalho em Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de
de Formação de
equipe (Segunda Apoiadores do COSEMS tutores
Tutores
Parte)

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 21


Promovendo a interação entre os tutores e apresentando o Projeto Saúde
em Rede

No primeiro Encontro Formativo entre analistas regionais e tutores da APS e da AAE, é


fundamental promover um momento inicial de interação entre os participantes. Para isso,
propomos a “Dinâmica do Barbante”.

ATIVIDADE 01

Promovendo a interação entre os tutores da APS


e da AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, é necessário que o analista regional providencie


um rolo de barbante.

No momento da atividade, o analista regional deve


informar que o objetivo da dinâmica é construir uma
rede entre os participantes, por meio do barbante.
Para isso, é necessário que os participantes fiquem
em pé e em círculo.

Para iniciar a dinâmica, um analista regional deve Fonte: https://atividadespedagogicas.


net/2019/05/dinamica-do-barbante-para-voltar-
segurar a ponta do barbante, dizer o seu nome, onde as-aulas.html
trabalha e falar o que, na sua opinião, é necessário
para o desenvolvimento de um trabalho em rede. Em seguida, ainda segurando a ponta do
barbante, o analista regional deve lançar o rolo para outro participante, o qual deve segurar
um ponto do barbante e também se apresentar e dizer o que é necessário para o trabalho
em rede. E assim sucessivamente, até o último participante. Todos os participantes, à medida
que receberem o barbante, devem continuar segurando-o, de modo a formar uma rede/teia,
conforme ilustrado na figura ao lado.

Ao final da dinâmica, é importante o analista regional destacar que a construção de um


trabalho em rede deve ser um objetivo dos distintos profissionais envolvidos no Projeto
Saúde em Rede.

Após a dinâmica inicial, é necessário que o analista regional apresente o Projeto Saúde em
Rede, a sua proposta pedagógica, as suas estratégias de monitoramento e os seus espaços de
governança.

22 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02
Apresentando o Projeto Saúde em Rede

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Propomos que o analista regional realize a apresentação do Projeto Saúde em Rede,


utilizando o power point disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde
em Rede. Destaca-se que o analista regional pode fazer adaptações e acréscimos de
informações na apresentação para discutir o projeto junto aos tutores.

Esta atividade é abordada na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pags.
17 e 18) e na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 19).

ATENÇÃO

É importante que o Analista Regional lembre os tutores sobre a sugestão de criação do colegiado
gestor nas Unidades Laboratório da APS e da AAE. O tema do colegiado aparece na Oficina 02 do
Guia das Oficinas Tutoriais da APS e na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

Discutindo a Educação Permanente em Saúde (EPS) e a Educação Continuada (EC):


semelhanças e diferenças

Um dos referenciais teórico-metodológicos que orienta a implementação do Projeto Saúde


em Rede é a Educação Permanente em Saúde (EPS). Por isso, é fundamental que possamos
conhecer e discutir as compreensões que os tutores possuem sobre o conceito de EPS. Muitas
vezes, nós, profissionais de saúde, compreendemos que EPS e Educação Continuada (EC) são
sinônimos. No entanto, quando temos a oportunidade de aprofundar as discussões sobre esses
conceitos, percebemos que tanto o conceito como as práticas de EPS e de EC podem ser (e
muitas vezes são) desenvolvidos com intenções, enfoques, públicos e até mesmo com recursos
pedagógicos distintos.

No Curso “Organização do Cuidado em Rede”, ofertado à distância como parte da formação


no Projeto Saúde em Rede, nós tivemos uma primeira aproximação com o que entendemos
sobre EPS e suas diferenças em relação à EC. Neste momento, propomos uma atividade que
tem o objetivo de discutir os conceitos de EPS e de EC, a partir das experiências formativas já
vivenciadas pelos tutores.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 23


ATIVIDADE 03

Educação Continuada e Educação Permanente em


Saúde: do que estamos falando? (Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, é necessário que o Analista Regional providencie


tarjetas de papel, fita crepe e canetinhas.

Propomos que sejam formados dois grupos de tutores. Cada grupo ficará com um tema:

Grupo 1: Educação Permanente em Saúde


Orientação para a atividade: escolham e discutam uma boa experiência de EPS que
vivenciaram ou conheceram. Registrem em tarjetas as características que, na opinião
do grupo, a tornam uma experiência de EPS. É importante que cada característica seja
apresentada em uma tarjeta.

Grupo 2: Educação Continuada


Orientação para a atividade: escolham e discutam uma boa experiência de Educação
Continuada que vivenciaram ou conheceram. Registrem em tarjetas as características que,
na opinião do grupo, a tornam uma experiência de Educação Continuada. É importante
que cada característica seja apresentada em uma tarjeta.

Após discussão e registro, cada grupo deverá afixar as tarjetas em um local visível para
todos e compartilhar as discussões realizadas, explicitando as características elencadas para
a experiência de EPS ou de EC. É importante que todos discutam o que foi apresentado
por cada grupo, de modo a identificar as características que são comuns e aquelas que
distinguem uma ação de EPS de uma ação de EC. Vale destacar que, durante a discussão
no grupo maior, as tarjetas podem ser realocadas a partir da compreensão e do debate
em torno de cada conceito.

Após a realização da atividade, é importante o analista regional apoiar o grupo na realização


de uma síntese sobre os conceitos, podendo, para isso, utilizar o texto de apoio “Educação
Permanente em Saúde e Educação Continuada” e o quadro 01 “Síntese sobre EC e EPS”.

Importante!

Os diferentes processos formativos voltados para os trabalhadores do SUS podem


apresentar características tanto da EPS quanto da EC. Pode-se dizer que são processos
que cumprem objetivos diferentes e são complementares entre si.

Esta atividade é abordada na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag.
18) e na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag.25).

24 PROJETO SAÚDE EM REDE


TEXTO DE APOIO

Educação Permanente em Saúde e Educação Continuada

O termo “educação permanente” ou “EPS” é conhecido por muitos trabalhadores do SUS e


sempre aparece quando o assunto é o processo de formação que envolve os profissionais de
saúde. Entretanto, é comum trabalhadores identificarem como EPS situações que não podem
ser consideradas exatamente como um processo de EPS. É também comum trabalhadores
do SUS vivenciarem situações de Educação Continuada e denominá-las de EPS. Isso mostra
que os conceitos de Educação Continuada e EPS ainda são pouco claros para boa parte dos
trabalhadores do SUS. Vamos conhecer as semelhanças e as diferenças entre eles?

A EC tem o objetivo principal de ampliar e atualizar os conhecimentos técnico-científicos do


profissional de saúde para que sejam aplicados em seu trabalho. Por isso, a EC refere-se a
processos formativos mais estruturados, ou seja, que abordam conteúdos previamente definidos
e que, geralmente, contam com a participação de profissionais, externos ou do próprio serviço,
com conhecimentos especializados para atuação como professor/palestrante. São exemplos de
processos formativos fundamentados na EC: cursos e/ou palestras sobre determinado tema,
capacitações que abordam algum procedimento técnico próprio de uma categoria profissional
e especializações em alguma área de conhecimento. A ESP-MG oferta alguns cursos baseados
na EC, como, por exemplo: o Curso de Agente Comunitário de Saúde (ACS) no enfrentamento
da COVID-19, ofertado na modalidade à distância, e o Curso de Qualificação de Profissionais
da APS para realização de teste rápido de HIV, sífilis e hepatites B e C.

Podemos dizer que a EC caracteriza-se por processos de formação muitas vezes vinculados
à determinada categoria profissional, visando, portanto, à melhoria do trabalho de cada
profissional e não à mudança das práticas do trabalho coletivo. A proposta da EC é que o
profissional de saúde se atualize, técnica e teoricamente, nos cursos, nas capacitações e nas
especializações e utilize o contexto de trabalho para aplicar os conteúdos aprendidos. Nesse
sentido, a EC é importante para superar, em alguma medida, a lacuna existente entre a formação
inicial dos profissionais de saúde e o avanço contínuo dos conhecimentos técnico-científicos.

A EPS possui outros pressupostos, cujo objetivo principal é a transformação das práticas
profissionais e da organização do trabalho, em um sentido mais coletivo. Para isso, a participação
em cursos, capacitações e especializações que possuem como enfoque somente a atualização
do conhecimento técnico-científico não é suficiente. Um processo de EPS deve necessariamente
incorporar os saberes e as experiências dos profissionais, fomentar a análise sobre as práticas
desenvolvidas e sobre as formas de organização dos processos de trabalho das instituições e
possibilitar a troca de experiências entre os trabalhadores. Para a EPS, o local de trabalho é
um espaço de produção de conhecimentos e não somente um lugar em que se aplicam teorias
aprendidas, como é o caso da EC. Nos espaços de EPS, os trabalhadores discutem, problematizam
e analisam coletivamente as questões que surgem no cotidiano do trabalho, construindo novas
formas de trabalhar em equipe e de desenvolver o cuidado em saúde. O cotidiano de trabalho é
também uma “escola” e o que se produz aí tem muito valor. É nos momentos em que a equipe se
dispõe a discutir e a refletir sobre o trabalho que a transformação das práticas se torna possível...

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 25


mas não se trata de uma transformação qualquer. Falamos de transformações que atendem às
necessidades da equipe e que buscam responder, principalmente, às necessidades de saúde
das pessoas e das coletividades que vivem nos territórios. Por isso, é importante pensarmos
que a EPS pressupõe uma conexão direta entre os próprios trabalhadores e, também, uma
conexão com a população.

Quadro 01 – Síntese sobre Educação Continuada e Educação Permanente em Saúde


Perguntas norteadoras Educação Continuada Educação Permanente em Saúde
No contexto de trabalho, por meio
Cursos baseados em temáticas/ da análise e da problematização
Como se desenvolve?
conteúdos específicos coletiva de questões do cotidiano
do trabalho
Ampliação e atualização do Mudanças das práticas e da
Qual o enfoque?
conhecimento técnico-científico organização do trabalho em saúde
Qual o objeto? Conhecimento científico Situações vividas no trabalho
Profissional de saúde de
Qual o público a que se destina? Todos os trabalhadores do SUS
determinada categoria

ATIVIDADE 03

Educação Continuada e Educação Permanente em


Saúde: do que estamos falando (Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Após a realização da síntese sobre as compreensões dos tutores em relação à EPS e à EC,
o analista regional deve provocar um debate, a partir da seguinte questão:

• Quais são os desafios de ser/atuar como um ativador de Educação Permanente em


Saúde, no âmbito do Projeto Saúde em Rede?

É importante que o analista regional esteja atento aos relatos dos tutores para que possa
apoiá-los ao longo do projeto, em um processo de aprendizagem mútua e construção
permanente dos modos de atuar como ativador de EPS.

Outro referencial teórico-metodológico que orienta a implementação do Projeto Saúde em Rede


é o trabalho em equipe e colaborativo. Por isso, é muito importante que possamos discutir junto
aos tutores as compreensões sobre o tema e as estratégias para fortalecimento do trabalho em
equipe e colaborativo na APS e na AAE, com vistas à integração entre os diferentes profissionais
e serviços.

26 PROJETO SAÚDE EM REDE


Trabalho em equipe e colaborativo

Como podemos observar na charge


ao lado, embora o trabalho em equipe
seja importante em diversos contextos
e áreas de atuação, há uma dificuldade
em compreender o que isso significa e,
principalmente, em colocar em prática os
seus pressupostos. Em muitos serviços
de saúde, por exemplo, é comum que os
profissionais desenvolvam parte e até
mesmo grande parte do seu trabalho isoladamente. Isso significa, entre outras questões, que
o simples fato de termos diferentes profissionais em uma mesma unidade de saúde não garante
que o trabalho em equipe aconteça.

O trabalho em equipe envolve diferentes profissionais que, juntos, compartilham o senso de


pertencimento à equipe e trabalham de maneira integrada e interdependente para atender às
necessidades de saúde dos usuários e da comunidade. É um processo dinâmico e permanente,
em que os profissionais precisam se conhecer e aprender a trabalhar juntos; se organizar
para identificar e discutir as características e as necessidades das pessoas e da população do
território; definir os objetivos comuns e as ações prioritárias; e realizar, de forma compartilhada,
o planejamento das ações e dos cuidados em saúde (PEDUZZI; AGRELI, 2018).

ATIVIDADE 04

Discutindo a importância do trabalho em equipe


(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Para iniciarmos as discussões sobre o trabalho em equipe, propomos que, em roda, sejam
discutidas as seguintes questões:

• O que vocês compreendem por trabalho em equipe?


• Por que é importante fortalecer o trabalho em equipe para a consolidação das redes
de atenção em saúde?

É importante o analista regional envolver os diferentes tutores na discussão e registrar em


um papel kraft ou em um quadro os principais pontos discutidos.

Esta atividade é abordada na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag.
22) e na Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 85).

Nesse primeiro momento de discussão, vocês puderam conversar sobre algumas compreensões
que os tutores possuem sobre o trabalho em equipe e a sua importância para a consolidação das

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 27


redes de atenção. Agora, na segunda parte da atividade, a proposta é que possam se aproximar
um pouco mais das características que compõem o trabalho em equipe, discutindo se estão
presentes na realidade dos serviços da APS e da AAE.

ATIVIDADE 04

Discutindo a importância do trabalho em equipe


(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o analista regional precisa imprimir as tarjetas


abaixo apresentadas, cortar cada uma delas e separar as que serão entregues ao Grupo 1
e as que serão entregues ao Grupo 2.

No momento da atividade, os tutores devem ser divididos em dois grupos e o analista


regional deve distribuir as tarjetas referentes ao Grupo 1 e ao Grupo 2, respectivamente.
Cada grupo deve ler as tarjetas e discutir se as características apresentadas fazem parte
do cotidiano de trabalho das equipes dos serviços em que atuam.

Após a discussão das tarjetas nos grupos, o analista regional deve conduzir um debate
ampliado sobre o que foi discutido em cada grupo e sobre estratégias para fortalecimento
do trabalho em equipe na APS e na AAE.

É importante destacar que a discussão sobre o trabalho em equipe e sobre as estratégias


para seu fortalecimento no cotidiano de trabalho das unidades será abordada nas Oficinas
Tutoriais, a serem realizadas pelos tutores juntamente aos profissionais que atuam no
serviço. A proposta é que possam discutir, no âmbito dos serviços da APS e da AAE, pontos
fortes e pontos frágeis do trabalho em equipe, além de definirem e implementarem ações
para melhorar e fortalecer o trabalho em equipe e colaborativo.

Esta atividade é abordada na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pags.
23) e na Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 86).

Tarjetas – Grupo 01

Nós temos a atitude “estamos nesta juntos”.


As pessoas se sentem compreendidas e aceitas umas pelas outras.
Os pontos de vistas de cada um são ouvidos mesmo se estiverem em minoria.
Há muita colaboração entre os membros da equipe.
Os membros da equipe se reúnem frequentemente para conversas formais e informais.
A equipe está sempre buscando o desenvolvimento de melhorias em seus processos de
trabalho.

28 PROJETO SAÚDE EM REDE


As pessoas na equipe cooperam para ajudar a desenvolver e aplicar mudanças nos processos
de trabalho.
Os membros da equipe apoiam novas ideias e sua aplicação nos processos de trabalho.
Na equipe dedicamos o tempo necessário para desenvolver ideias novas.

Tarjetas – Grupo 02

Nós geralmente buscamos compartilhar informações na equipe ao invés de guardá-las para


nós mesmos.
A equipe é aberta a mudanças.
As pessoas na equipe estão sempre procurando novas maneiras de analisar os problemas.
A equipe discute os propósitos/objetivos do serviço em que atua.
A equipe compartilha os propósitos/objetivos do trabalho na unidade em que atua.
Os colegas de equipe contribuem com ideias úteis e apoio prático para possibilitar que você
realize o trabalho da melhor maneira possível?
A equipe avalia, de maneira crítica, possíveis fragilidades no que está fazendo para atingir o
melhor resultado possível?
Os membros da equipe complementam as ideias, uns dos outros, de modo a alcançar o
melhor resultado possível?
A equipe tem critérios claros que os membros tentam desenvolver para alcançarem um
trabalho em equipe de qualidade?

Para finalizar a atividade, é importante que o analista regional retome as principais características
do trabalho em equipe abordadas no Curso “Organização do Cuidado em Rede”, ofertado na
modalidade à distância aos profissionais de saúde.

Entre as características, estão:

• Compartilhamento de objetivos comuns;


• Reflexividade, ou seja, capacidade de a equipe refletir sobre sua prática,
corresponsabilizar-se pelas ações e acompanhar, de modo compartilhado, as atividades
realizadas pelos colegas da equipe;
• Qualidade da comunicação entre os integrantes da equipe;
• Valorização social do trabalho desenvolvido pelas diferentes categorias profissionais;
• Construção de um projeto assistencial comum (PEDUZZI; AGRELI, 2018; PEDUZZI, 2008).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 29


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 01


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente.
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Vídeo “Por que
Realizar atividade
trabalhar em
5 – Discutindo a Tutores da APS e da Local
rede?”, disponível
organização do 40 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
na Plataforma de
SUS em rede de Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de
Monitoramento do
atenção à saúde Apoiadores do COSEMS tutores
Projeto Saúde em
(Primeira Parte)
Rede.
Realizar atividade
5 – Discutindo a Tutores da APS e da Local Orientações e texto
organização do 1h e Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à de apoio para a
SUS em rede de 30 min Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de atividade no Guia da
atenção à saúde Apoiadores do COSEMS tutores Formação de Tutores
(Segunda Parte)
Intervalo 15 min

Orientações no Guia
da Formação de
Realizar atividade Tutores da APS e da Local Tutores
6 – Apresentando 35 min Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à
as atividades de Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de Orientações no
dispersão Apoiadores do COSEMS tutores Guia das Oficinas
Tutoriais da APS e
da AAE
Orientações no Guia
de Formação de
Tutores
Realizar atividade
7 – Conhecendo Tutores da APS e da Local Apresentação
aspectos da Analista AAE; Analistas Centrais, destinado à “Gestão Acadêmica
1h
gestão acadêmica Regional Apoiadores da ESP-MG e formação de no Projeto Saúde em
no Projeto Saúde Apoiadores do COSEMS tutores Rede”, disponível
em Rede na Plataforma de
Monitoramento do
Projeto Saúde em
Rede

30 PROJETO SAÚDE EM REDE


Organização do SUS em Rede de Atenção à Saúde

No Projeto Saúde em Rede, um dos nossos objetivos é fortalecer as redes de atenção à saúde,
ampliando a integração entre os profissionais e entre as equipes que atuam em diferentes
pontos de atenção. Para isso, é necessário aprofundarmos o debate sobre o tema, retomando
algumas ideias principais sobre a organização do SUS em redes de atenção.

ATIVIDADE 05

Discutindo a organização do SUS em redes de atenção


à saúde (Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Para iniciarmos a discussão sobre a organização do SUS em redes de atenção à saúde,


propomos que, em roda, seja discutida a seguinte questão:

• Por que organizar o SUS em rede de atenção?

Posteriormente, propomos que os participantes assistam ao vídeo “Por que trabalhar em


rede?”, disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. No vídeo,
que possui duração de 16 minutos, Eugênio Vilaça Mendes apresenta os fatores que nos
levam a repensar o modo de organizar os sistemas de saúde, buscando incorporar a lógica
das redes de atenção.

Esta atividade é abordada na Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag.27). No Guia
das Oficinas Tutoriais da APS, a discussão sobre redes de atenção à saúde é realizada na Oficina
04, utilizando um texto de apoio, conforme pode ser verificado no volume I (pag. 61)

A organização do SUS em redes de atenção nos exige repensar a atuação da APS e da AAE e
rediscutir a relação entre ambos os serviços.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 31


ATIVIDADE 05
Discutindo a organização do SUS em rede de atenção
à saúde (Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Após assistirem ao vídeo, propomos que os tutores sejam divididos em dois grupos,
cada qual responsável pela leitura de um texto de apoio e pela discussão das questões
correspondentes. É importante que cada grupo seja composto por tutores da APS e da AAE.

Grupo 01:
Leitura do texto de apoio “APS nas redes de atenção à saúde” e discussão das seguintes
questões:
• O que é esperado da APS na rede de atenção à saúde?
• Os tutores consideram que a equipe da APS trabalha na lógica das redes de atenção?
• Quais são as principais dificuldades e potencialidades identificadas para o trabalho
em rede?

Grupo 02:

Leitura do texto de apoio “AAE nas redes de atenção à saúde” e discussão das seguintes
questões:
• O que é esperado da AAE na rede de atenção à saúde?
• Que mudanças a adoção do modelo de redes de atenção à saúde provoca no modo
de funcionamento da AAE?

• Os tutores consideram que a equipe da AAE trabalha na lógica das redes de atenção?
• Quais são as principais dificuldades e potencialidades identificadas para o trabalho
em rede?

• Atualmente, o serviço da AAE realiza outras funções, além da assistencial? Quais?


Após as discussões, propomos que cada grupo compartilhe com todos o que foi discutido,
de modo que seja amplamente debatido o papel da APS e da AAE nas redes de atenção
à saúde. É importante que, ao final, o analista regional faça uma síntese das discussões,
destacando os principais pontos referentes ao papel da APS e da AAE nas redes de atenção
à saúde.

No Guia das Oficinas Tutoriais da AAE, a discussão do papel da APS nas redes de atenção é
abordada na Oficina 1 (pag.30) e do papel da AAE nas redes, na Oficina 2 (pag. 37).

No Guia das Oficinas Tutoriais da APS, é trabalhado o papel da APS e da AAE no âmbito da rede
de atenção à saúde materno-infantil na Oficina 05 (pag. 70).

32 PROJETO SAÚDE EM REDE


TEXTO DE APOIO

A APS nas redes de atenção à saúde

Na literatura nacional e internacional, vemos que a Atenção Primária à Saúde (APS) possui
papel essencial nas redes de atenção à saúde. Para pensarmos mais sobre isso, lembremos,
primeiramente, que é na APS que é realizado o cadastramento, a identificação/estratificação dos
riscos e das vulnerabilidades dos indivíduos e das famílias. Além disso, a APS funciona como porta
de entrada prioritária dos usuários no sistema de saúde e é o serviço que as pessoas buscam de
forma regular para resolver a maioria dos seus problemas de saúde, ao longo da vida. Ou seja,
podemos dizer que a equipe da APS reconhece de forma mais próxima e mais abrangente as
necessidades da população, considerando os contextos sociais e culturais em que vive.

Diversas evidências científicas apontam que esse modo de funcionamento da APS, caracterizado
pelo trabalho em equipe multiprofissional, pela relação próxima com o território e com a
comunidade e pelo desenvolvimento de estratégias terapêuticas de base comunitária, produz
melhores resultados de saúde, a exemplo da redução de internações por condições sensíveis
à APS e da redução da mortalidade infantil, materna e por causas preveníveis (OPAS, 2018;
MACINKO; MENDONÇA, 2018).

Considerando essas características do trabalho na APS, qual seria o seu papel nas redes de
atenção à saúde? Espera-se que a APS atue na ordenação da rede e na coordenação do cuidado.
Mas o que isso significa?

Ordenar as redes de atenção à saúde pressupõe, a partir das necessidades de saúde da


população, planejar o uso dos recursos financeiros, identificar a necessidade de formação
profissional e programar, estruturar e organizar as ações e os serviços que conformam as
redes de atenção à saúde. Como a responsabilidade de identificar as necessidades de saúde
da população é prioritariamente da APS, assim como a demanda por outros serviços e ações
nos demais pontos de atenção, é a partir da APS que a gestão deve ordenar as redes de atenção
à saúde (CHUEIRIA et al., 2017).

A função de coordenar o cuidado, por sua vez, refere-se à organização da atenção à saúde
ofertada a cada pessoa, de modo a integrar e dar continuidade às ações prestadas por diferentes
profissionais e/ou em diferentes serviços da rede. Mas em quais situações é necessário que a APS
coordene o cuidado? Podemos citar como exemplo o cuidado às pessoas com doenças crônicas.
Se pensarmos no perfil de adoecimento atual no Brasil, iremos perceber que há uma hegemonia
das doenças crônicas. O cuidado às pessoas com doenças crônicas, frequentemente, envolve
diversos serviços de saúde, durante um longo período de tempo, o que amplia a possibilidade
de novas solicitações de exames, aumenta o risco de interações medicamentosas, necessita
do envolvimento de vários profissionais e maior comunicação entre eles, além de exigir que
as equipes de diferentes serviços se corresponsabilizem pelo cuidado do usuário. Diante da
complexidade das ações e dos serviços necessários para a atenção às pessoas com doenças
crônicas, a coordenação do cuidado pela APS é considerada fundamental para a organização
das redes de atenção à saúde (CHUEIRIA et al., 2017).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 33


Para a APS coordenar o cuidado, é preciso, entre outras coisas, registrar e ter acesso às
informações clínicas do usuário (prontuário clínico), haver um fluxo definido para o usuário
utilizar os serviços na rede de atenção, assim como é necessária uma comunicação efetiva entre
profissionais e equipes de serviços distintos. A coordenação do cuidado implica buscar garantir
que o usuário receba, nos outros pontos de atenção da rede, o cuidado de que necessita, com
efetividade (STARFIELD, 2002; CHUEIRIA et al.​, 2017).

Podemos imaginar que não é simples as equipes da APS colocarem em prática a coordenação
do cuidado, pois depende de questões estruturais, financiamento, organização dos serviços e
formação dos profissionais. Assim, nas diversas realidades locais e regionais, o que observamos
são diferentes graus de coordenação coexistindo no SUS. Quando há um nível menos avançado de
coordenação do cuidado, observamos que a equipe da APS apenas encaminha o usuário a outro
serviço, como a atenção especializada, por exemplo, sem que seja garantido ao especialista o
acesso a todas as informações referentes às ações de cuidado realizadas na APS. Quando existe um
nível mais avançado da coordenação do cuidado, podemos observar um diálogo entre profissionais
da APS e de outros serviços sobre a situação de saúde do usuário e a construção conjunta de um
plano de cuidados. Também pode haver acordos entre as equipes da APS e de outros pontos da
rede sobre os exames complementares a serem realizados, para evitar duplicações.

Percebemos, então, que mesmo a APS resolvendo grande parte dos problemas de saúde da
população, algumas pessoas, em determinado momento, podem necessitar do cuidado ofertado
em outros pontos de atenção, como a atenção especializada. Sabemos que isso é necessário
quando há maior gravidade clínica e/ou maior dificuldade diagnóstica (SOLLA, CHIORO, 2012;
CONASS, 2016; TESSER; POLI NETO, 2017).

Na lógica das redes de atenção à saúde, quando o usuário é atendido em outro serviço da rede,
como em um ambulatório de especialidades, por exemplo, espera-se que ele continue sendo
acompanhado pela equipe da APS. Ou seja, mesmo utilizando outro serviço, o usuário continuará
tendo a unidade de APS como serviço de referência. Nesses casos, como estamos falando
de uma atenção em rede, o cuidado ofertado ao usuário precisará ser construído de forma
conjunta entre a equipe da APS e a equipe do outro serviço. Isso significa que os profissionais
de ambos os pontos de atenção precisarão se comunicar para discutir e decidir conjuntamente
a conduta terapêutica e a forma de acompanhamento do usuário ao longo do tempo. Além
disso, é importante que se desenvolvam agendas e espaços de apoio e de aprendizado conjunto,
como estratégia para ampliar a capacidade de prover um cuidado resolutivo e contínuo aos
usuários do SUS.

Como podemos observar, a organização do cuidado baseada nas redes de atenção à saúde
está diretamente relacionada com um modo de a APS funcionar e isso impacta também no
funcionamento de outros pontos da rede, como, por exemplo, os serviços destinados ao
cuidado especializado. Para pensarmos mais sobre isso, é importante colocarmos em questão
o funcionamento dos serviços da Atenção Ambulatorial Especializada (AAE): como característica
geral, a atenção especializada oferta um conjunto de ações de saúde especializadas e realizadas
em ambiente ambulatorial, a partir de processos de trabalho que envolvem saberes específicos
dos profissionais de saúde para a prestação de um cuidado em média e alta complexidade.

34 PROJETO SAÚDE EM REDE


Além disso, os processos de trabalho da AAE possuem maior densidade tecnológica, o que
significa maior uso de equipamentos e instrumentos médico-hospitalares no cuidado, também
denominados de tecnologias duras, que não estão disponíveis na APS. Por esse motivo, o
cuidado da AAE deve ser preferencialmente ofertado de forma regionalizada, para garantir
escala adequada, tanto em relação ao custo, quanto à qualidade (SOLLA, CHIORO, 2012;
CONASS, 2016).

Na perspectiva das redes de atenção à saúde e considerando o papel de ordenação e de


coordenação do cuidado desempenhado pela APS, mudanças substanciais na organização da
AAE devem ser operadas, buscando romper com a tradicional fragmentação com a qual esses
serviços funcionam. Ao falarmos de uma AAE integrada com a APS, estamos apontando para um
modelo que: se organiza a partir de um território de abrangência, com vínculo com as equipes
de atenção primária; é programado com base nas necessidades da população do território;
possui acesso regulado pela APS, orientado pela estratificação de riscos das condições de saúde;
compartilha as mesmas diretrizes clínicas, com base em evidências que determinam os critérios
de sua utilização; possui equipe multiprofissional que atua de maneira integrada; pressupõe
atuação conjunta entre AAE e APS para promover um cuidado compartilhado, por meio de
planos de cuidado, apoio matricial; e opera processos comunicacionais e educacionais efetivos
entre profissionais da AAE e da APS (MENDES, 2012).

Diante do exposto, podemos perceber que a organização do SUS em redes de atenção à saúde
reorienta o funcionamento dos diferentes pontos de atenção, a partir do papel desempenhado
pela APS junto aos diferentes serviços da rede.

Referências do texto de apoio

CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE (CONASS). Debate – Inovação na Atenção Ambulatorial


Especializada. ​CONASS Debate N. 5. ​Brasília: CONASS, 2016.

CHUEIRIA,P.S.; HARZHEIMA, E.;TAKEDA, S.M.P. Coordenação do cuidado e ordenação nas redes de atenção pela
Atenção Primária à Saúde – uma proposta de itens para avaliação destes atributos. R
​ ev Bras Med Fam Comunidade,
Rio de Janeiro, v.12, n.39, 2017.

MACINKO, L.; MENDONÇA, C. S. Estratégia de Saúde da Família, um forte modelo de Atenção Primária à Saúde
que traz resultados. ​Saúde Debate, R
​ io de Janeiro, v. 42, n. spe1, set. 2018.

MENDES, E. V. ​O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação da
estratégia da saúde da família​. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012. 512 p.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS)​. Relatório 30 anos de SUS, que SUS para 2030? B
​ rasília: OPAS; 2018.

SOLLA, J.; CHIORO, A. Atenção Ambulatorial Especializada. In: GIOVANELLA, L. et al. (org.). ​Políticas e Sistemas de
Saúde no Brasil. ​Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.

STARFIELD, B. ​Atenção Primária​: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: Unesco,
Ministério da Saúde; 2002.

TESSER, C. D.; POLI NETO, P. Atenção especializada ambulatorial no Sistema Único de Saúde: para superar um vazio
Ciênc. saúde coletiva​, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, mar. 2017.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 35


TEXTO DE APOIO

A AAE nas redes de atenção à saúde

Na perspectiva das redes de atenção à saúde e considerando o papel de ordenação e de


coordenação do cuidado desempenhado pela APS, espera-se que uma unidade da AAE
(SBIBAE, 2019):

• Se organize a partir de um território de abrangência, com vínculo com as equipes de


atenção primária dos municípios da região de saúde em que atua como referência;
• Seja programada com base nas necessidades da população do território;
• Possua acesso regulado pela APS, orientado pela estratificação de riscos das condições
de saúde;
• Compartilhe as diretrizes clínicas com os outros pontos de atenção da rede, com base
em evidências que determinam os critérios de sua utilização;
• Possua equipe multiprofissional que atue de maneira colaborativa e interdisciplinar;
• Pressuponha atuação conjunta com a APS para promover um cuidado compartilhado;
• Desenvolva, de modo permanente, processos comunicacionais e educacionais juntos
aos usuários, à própria equipe e aos profissionais da APS (MENDES, 2012).

Para que essas mudanças na forma de atuação da AAE sejam possíveis, é proposta a incorporação
de algumas funções que tradicionalmente não fazem parte do cotidiano de trabalho de um
serviço especializado. Você conhece quais papeis um serviço de atenção especializada pode
exercer para uma atuação mais integrada e em rede? De acordo com Mendes (2011), para que a
equipe da AAE atue em rede, compartilhando o cuidado com as equipes da APS, é fundamental
que incorpore funções relacionadas à assistência, ao processo de aprendizagem das equipes
envolvidas no cuidado, ao apoio institucional e à pesquisa investigativa (SBIBAE, 2019). Vamos
conhecer um pouco mais sobre cada uma dessas funções?

A função educacional significa incorporar práticas de Educação Permanente em Saúde (EPS) no


cotidiano das equipes da AAE e, ainda, em conjunto com as equipes da APS da região. Buscando
a qualificação do manejo clínico na rede de atenção, as práticas de EPS podem envolver, por
exemplo, momentos entre profissionais da AAE e da APS destinados a estudo de diretrizes
clínicas, discussão de casos ou de temas relevantes ao cuidado ofertado na região. Podem ser
presenciais ou à distância, nas unidades da APS ou da AAE, e requerem horário protegido na
agenda dos profissionais (SBIBAE, 2019).

É importante destacar que todos os profissionais da equipe devem participar dos momentos
educacionais, considerando que o cuidado especializado envolve avaliação e manejo clínico
que demandam saberes específicos de cada profissional.

A função educacional envolve, ainda, a realização de ações educacionais voltadas para os


usuários do serviço.

A função de supervisão envolve ações de apoio às equipes da APS na gestão do cuidado,

36 PROJETO SAÚDE EM REDE


considerando as linhas de cuidado. Essa função pode ser desempenhada durante as reuniões
conjuntas ou por outras formas de comunicação pactuadas pelas equipes da APS e da AAE
(SBIBAE, 2019).

A vinculação entre os processos de EPS e de supervisão pode potencializar a capacidade de


gestão do cuidado na APS, na medida em que aumenta as alternativas para o enfrentamento
das dificuldades vivenciadas pelos profissionais em seu cotidiano.

A função de pesquisa investigativa é importante em qualquer serviço de saúde e, no âmbito


da AAE, se refere à produção de evidências sobre o manejo de usuários com condição crônica
e o seu impacto na estabilização clínica e nos indicadores de morbimortalidade (SBIBAE, 2019).

A função assistencial é a mais conhecida e esperada de qualquer serviço de saúde.


Diferentemente do que às vezes podemos imaginar, a organização dos serviços especializados
para a oferta do cuidado pode variar. No sistema de saúde organizado em redes de atenção,
propõe-se a reorganização das atividades assistenciais a partir do Modelo do Ciclo de Atenção
Contínua, caracterizado por atendimentos individuais sequenciais destinados à avaliação clínica
do usuário por todos os profissionais e à definição de condutas e recomendações a serem
sistematizadas em um único plano de cuidados (SBIBAE, 2019). Essa reorganização busca superar
o modelo centrado na consulta médica individual, na direção de uma atenção integrada entre
os profissionais da AAE.

Referências do texto de apoio


MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: OPAS, 2011.

MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação da
estratégia da saúde da família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012. 512 p.

SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA ALBERT EINSTEIN (SBIBAE). PLANIFICASUS: Workshop 1 – A


integração da Atenção Primária e da Atenção Especializada nas Redes de Atenção à Saúde. São Paulo: Hospital
Israelita Albert Einstein: Ministério da Saúde, 2019.

Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

Ao longo do Projeto Saúde em Rede, será proposta aos tutores e às equipes da APS e da AAE
a realização de atividades de dispersão nos intervalos entre as Oficinas Tutoriais. Trata-se de
atividades que contribuirão para a problematização e a reorganização dos processos de trabalho.
No plano de trabalho do município definido no acordo de cooperação celebrado com o Estado
para a realização do projeto, está previsto horário protegido de 16 horas para desenvolvimento
das atividades de dispersão.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 37


ATIVIDADE 06

Apresentando as atividades de dispersão

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Neste Encontro Formativo 01 entre analistas regionais e tutores, é importante que sejam
apresentadas as atividades de dispersão que serão propostas ao final das Oficinas Tutoriais
01 e 02 da APS e ao final da Oficina Tutorial 01 da AAE.

• Mapa de Pessoal – APS e AAE

A proposta é que o tutor, juntamente ao coordenador da APS do município ou ao gerente


do serviço de AAE, preencha o Mapa de Pessoal da unidade, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. O Mapa de Pessoal permite aos profissionais
de saúde, ao tutor e à gestão conhecer e consolidar os dados referentes aos trabalhadores
da Unidade Laboratório, tais como: categoria profissional, formação, tipo de vínculo, carga
horária de trabalho semanal, tempo de atuação na APS ou na AAE.

A atividade de dispersão de Mapa de Pessoal é explicada ao final da Oficina 01 do Guia das


Oficinas Tutoriais da APS (pag.27) e ao final da Oficina 01 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE
(pag. 34)
• Avaliação do Microprocesso de Vacinação – APS

A proposta é que o tutor da APS, juntamente ao coordenador de imunização do município,


ao(s) enfermeiro(s) da UAPS e ao(s) técnico(s) de enfermagem que atua(m) na sala de
vacina, realize uma visita à sala de vacina da UAPS Laboratório e preencha o instrumento
de Avaliação do Microprocesso de Vacinação, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede.

A atividade de dispersão de Avaliação do Microprocesso de Vacinação é explicada ao final da


Oficina 02 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag.38)
• Leitura e análise dos Procedimentos Operacionais Padrão (POP) utilizados na UAPS
relacionados à vacinação e dos modelos de POP propostos para o Projeto Saúde em
Rede – APS

A proposta é que o tutor da APS conheça os POP relacionados à vacinação para subsidiar
a discussão sobre a organização da sala de vacina, na Oficina Tutorial 03.

A atividade de dispersão de POP relacionados à vacinação é explicada ao final da Oficina 02 do


Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag. 38).
• Acesso aos dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações
(SI-PNI) e emissão do relatório de cobertura vacinal do município

A proposta é que o tutor da APS conheça os dados do SIPNI e gere um relatório da cobertura
vacinal do município para subsidiar as discussões sobre o tema, a serem realizadas na

38 PROJETO SAÚDE EM REDE


Oficina Tutorial 03.

A atividade de dispersão de acesso aos dados sobre cobertura vacinal no SIPNI é explicada ao
final da Oficina 02 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag. 38).

É importante destacar que as atividades de dispersão devem ser inseridas no plano de


ação das equipes, conforme sinalizado na apresentação sobre o Projeto Saúde em Rede.

Orientações sobre o processo de gestão acadêmica do Projeto Saúde


em Rede

Como já vimos, as Oficinas Tutoriais são processos formativos desenvolvidos pelo tutor junto
à equipe, ao longo do Projeto Saúde em Rede. Dada a relevância desta formação para todos
os trabalhadores da APS e da AAE, é importante que sejam devidamente certificados pela
participação, após a finalização do Projeto. Nesse sentido, é muito importante que o tutor
conheça o funcionamento da gestão acadêmica do Projeto, bem como o seu papel para
assegurar a certificação dos trabalhadores da equipe.

ATIVIDADE 07

Conhecendo aspectos da gestão acadêmica no Projeto


Saúde em Rede

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

O Analista Regional deverá apresentar aos tutores aspectos relacionados à gestão


acadêmica no Projeto, utilizando a apresentação em power point “Gestão Acadêmica no
Projeto Saúde em Rede”, disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde
em Rede. É importante que sejam destacados os seguintes aspectos:

• como devem ser feitas as matrículas dos profissionais das equipes, participantes das
Oficinas Tutoriais;

• como devem ser feitos os registros de presença durante as Oficinas Tutoriais;


• quando devem ser entregues as documentações (matrículas e listas de presença)
ao apoiador da ESP-MG;

• quais são os requisitos para que o participante receba seu certificado de participação
nas Oficinas Tutoriais.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 39


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 01


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, separadamente.
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Apresentação
Realizar atividade
Tutores da APS e da AAE em power point
8 – Apresentando Local
2 separadamente; Analistas disponível na
e discutindo o Analista destinado à
horas Centrais, Apoiadores da Plataforma de
Diagnóstico da Regional formação de
ESP-MG e Apoiadores do Monitoramento do
Rede de Atenção tutores
COSEMS Projeto Saúde em
à Saúde
Rede
Local
Realizar atividade 2 Orientações no Guia
Analista Tutores da APS e da AAE, destinado à
9 – Planejando os horas de Formação de
Regional separadamente formação de
próximos passos Tutores
tutores

40 PROJETO SAÚDE EM REDE


Apresentação e discussão do Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde

No Projeto Saúde em Rede, propomos um Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde, que


constitui um conjunto de macro e microprocessos que nos ajudarão a avaliar e acompanhar
a implementação das mudanças nos processos de trabalho das equipes da APS e da AAE, ao
longo do Projeto.

No caso da APS, especificamente, a definição baseou-se nos macro e microprocessos que


compõem o Modelo de Construção Social da APS, outro referencial teórico-metodológico que
fundamenta a implementação do Projeto Saúde em Rede. Trata-se de processos que, de algum
modo, já estão presentes no cotidiano de trabalho da UAPS e que podem ser analisados e
aprimorados pela equipe para ampliar a capacidade de atendimento às demandas da população
que vive no território.

ATIVIDADE 08

Apresentando e discutindo o Diagnóstico da Rede de


Atenção à Saúde

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

Para a apresentação e a discussão do Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde, propomos


que os tutores da APS e da AAE sejam divididos, de modo que os macro e microprocessos
da APS sejam apresentados para os tutores da APS e os macro e microprocessos da AAE
sejam apresentados para os tutores da AAE.

Para isso, sugerimos a utilização da apresentação em power point disponível na Plataforma


de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. Destaca-se que o analista regional pode
fazer adaptações e acréscimos de informações na apresentação para melhor discutir o
Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde junto aos tutores.

Esta atividade sobre os micro e macroprocessos é abordada na Oficina 02 do Guia das Oficinas
Tutoriais da APS (pag. 32) e na Oficina 02 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 42).

IMPORTANTE

O monitoramento do Projeto Saúde em Rede envolve o acompanhamento do Diagnóstico da


Rede de Atenção à Saúde, das atividades de dispersão, bem como das atividades previstas nos
planos de ação das equipes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 41


Planejamento dos próximos passos

Durante os encontros formativos, haverá momentos em que os tutores poderão planejar


os próximos passos a serem desenvolvidos em seu município e/ou na unidade laboratório
participante do Projeto Saúde em Rede.

ATIVIDADE 09

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar que as duplas de tutores de cada Unidade Laboratório
discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das Oficinas
Tutoriais em seu município/serviço. Para isso, neste primeiro momento, é importante que
considerem os seguintes aspectos:

• a organização proposta para a realização das Oficinas Tutoriais, apresentada no Guia


das Oficinas Tutoriais da APS e da AAE. É importante que o Analista Regional apresente
e discuta com os tutores a lógica de organização do Guia das Oficinas Tutoriais da APS
e da AAE;

• o local e a data para realização das Oficinas Tutoriais já estão definidos? Os


profissionais estão cientes dessas informações? Já foi comunicado com a gerência do
serviço e/ou com a gestão local o cronograma das Oficinas Tutoriais ao longo de todo
o projeto?

• quais estratégias de comunicação sobre o Projeto precisam ser desenvolvidas junto


à população que utiliza o serviço?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre os
tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduzirá cada
atividade ou qual o papel de cada um nas atividades durante a próxima Oficina Tutorial);

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar aos tutores que compartilhem com
os demais participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem
importantes.

42 PROJETO SAÚDE EM REDE


ENTRE ENCONTROS
Tarefas entre encontros

As “Tarefas entre Encontros” são aquelas que deverão ser realizadas pelo Analista
Regional e/ou pelo Tutor como preparação para o próximo encontro da Formação de
Tutores. É importante destacar que essas tarefas são diferentes daquelas denominadas
de Atividades de Dispersão, que ocorrem entre as Oficinas Tutoriais da APS ou da AAE e
que envolvem prioritariamente os profissionais das equipes das Unidades Laboratórios.

1. Exposição “Meus afetos e o SUS”:

No Encontro Formativo 02, será organizado um cantinho para a exposição “Meus afetos e o
SUS”. Para isso, Analista Regional e tutores deverão trazer no próximo encontro um objeto
de afeto, que represente a relação que possuem com o trabalho que realizam na APS ou
na AAE. Para a escolha do objeto, cada um pode buscar responder à seguinte questão:
“o que me faz estar e continuar no SUS?”. Esse objeto pode ter qualquer forma: pode ser
um objeto de lembrança de algum momento, pode ser um trecho de um texto ou poesia,
uma foto, uma imagem...

Lembrete!

Será necessário que o Analista Regional escolha um espaço na sala que possa ser usado
para a montagem da exposição “Meus afetos e o SUS”.

2. Levantamento de informações pelo Analista Regional sobre a abrangência regional


da unidade de AAE

Também será necessário que o Analista Regional elabore uma apresentação a ser utilizada
no Encontro Formativo 02, em uma atividade sobre a abrangência regional da AAE, que
será desenvolvida especificamente com os tutores da AAE.

A apresentação deverá conter informações sobre:

• número de cotas pactuadas por cada município na AAE, relativo ao cuidado à


gestante, no período de 12 meses;

• número de cotas utilizadas por cada município na AAE, relativo ao cuidado à gestante,
no período de 12 meses;

• número de gestantes no período de 12 meses;

• estimativa do quantitativo de usuárias com gestação de alto risco, no período de 12


meses (considerar como gestação de alto risco 15% do número total de gestantes);

• indicador de percentual de produção assistencial dos municípios, calculado para o


período de 12 meses;

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 43


• indicador de abrangência regional, calculado para o período de 12 meses.

3. Levantamento de informações pelos tutores da AAE

O Analista Regional deverá solicitar aos tutores da AAE que realizem o cálculo da proporção
de usuárias com gestação de alto risco atendidas por município de residência em relação
ao total de usuárias com gestação de alto risco atendidas no período de 12 meses, no
serviço de AAE.

Para calcular esse indicador, é necessário:

• realizar o levantamento do quantitativo de usuárias com gestação de alto risco que


utilizaram o serviço de AAE no período de 12 meses (3 quadrimestres), identificando
os respectivos municípios de residência;

• realizar o levantamento do total de usuárias com gestação de alto risco atendidas


no período pela unidade de AAE;

• fazer o cálculo, seguindo a fórmula descrita abaixo:

Nº de usuárias com gestação de alto risco atendidas por município de residência


Nº total de usuárias com gestação de alto risco atendidas na unidade de AAE

As informações poderão ser organizadas conforme o modelo sugerido abaixo, o qual pode
sofrer as adaptações que a equipe entenda serem necessárias.

Modelo de Tabela: Levantamento de usuárias com gestação de alto risco atendidas no


serviço de AAE por município de residência

Período (12 meses): _____________/_______ a _____________/_______

Quantidade de usuárias com


Município de Origem % (em relação ao total)
gestação de alto risco
Município 1

Município 2

Município 3

Município 4

Município “n”

Total 100%

44 PROJETO SAÚDE EM REDE


2.2. ENCONTRO FORMATIVO 02

O Encontro Formativo 02, com carga horária de 12 horas, tem os seguintes objetivos:

Formação de Tutores da APS

• Contribuir para a construção e para o fortalecimento de vínculo entre os Tutores da APS


e da AAE e os Analistas Regionais;
• Discutir características da relação entre as equipes da APS e da AAE;
• Analisar e discutir aspectos relacionados à cobertura vacinal dos municípios da região;
• Discutir processos de trabalho que envolvem a vacinação;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE

• Contribuir para a construção e para o fortalecimento de vínculo entre os tutores da APS


e da AAE e os Analistas Regionais;
• Discutir características da relação entre as equipes da APS e da AAE;
• Discutir a abrangência regional da unidade de AAE e os fatores condicionantes da sua
regionalização;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 45


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 02


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS e da
AAE, conjuntamente; Local Orientações da atividade no
Realizar atividade Guia de Formação de Tutores
Analista Analistas Centrais, destinado à
1 – Exposição: Meus 45 min
Regional Apoiadores da ESP- formação de Objetos trazidos pelos
afetos e o SUS
MG e Apoiadores do tutores participantes
COSEMS

Tutores da APS e da Orientações da atividade no


Realizar atividade AAE, conjuntamente; Local Guia de Formação de Tutores
1 hora
2 – Discutindo a e 15 Analista Analistas Centrais, destinado à Texto de apoio “Articulação
integração entre a min Regional Apoiadores da ESP- formação de entre equipes da APS e da AAE:
APS e a AAE MG e Apoiadores do tutores características, perspectivas e
COSEMS caminhos para a integração
Realizar atividade Tutores da APS e da
3 – Preparando para AAE, conjuntamente; Local
identificar e discutir 30 min Analista Analistas Centrais, destinado à Orientações da atividade no
as características da Regional Apoiadores da ESP- formação de Guia de Formação de Tutores
relação entre APS e MG e Apoiadores do tutores
AAE junto às equipes COSEMS
Intervalo 15 min

Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente


O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações da atividade no
Guia da Formação de Tutores
Tutores da APS, Texto de apoio “E agora,
1 hora exclusivamente; Local Zé? Baixa cobertura das
Realizar atividade
1 – Discutindo a e 15 Analista Analistas Centrais, destinado à principais vacinas compromete

cobertura vacinal min Regional Apoiadores da ESP- formação de programa brasileiro de


MG e Apoiadores do tutores imunizações, reconhecido
COSEMS internacionalmente”,
disponível no Guia das Oficinas
Tutoriais da APS – Volume I
Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Realizar atividade Tutores da AAE, Orientações da atividade no


1 – Discutindo a exclusivamente; Local Guia de Formação de Tutores
1 hora
regionalização e 15 Analista Analistas Centrais, destinado à Texto de apoio “Regionalização
da atenção min Regional Apoiadores da ESP- formação de da saúde e Atenção
especializada MG e Apoiadores do tutores Ambulatorial Especializada
(Primeira Parte) COSEMS regionalizada”

46 PROJETO SAÚDE EM REDE


Exposição: Meus afetos e o SUS

ATIVIDADE 01
Exposição: Meus afetos e o SUS

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: conforme sugerido ao final do Encontro Formativo 01,


o Analista Regional deverá organizar um espaço para que os objetos trazidos pelos
participantes sejam expostos. Na medida em que as pessoas forem chegando ao local do
Encontro Formativo, podem ir acomodando seus objetos no cantinho da exposição.

No momento da atividade, o Analista Regional deverá convidar as pessoas que se sentirem


à vontade para apresentarem o seu objeto e para contarem de que modo ele representa
a relação com o seu trabalho no SUS.

Vale fazer registros fotográficos da exposição!

Aproximações entre AAE e APS no território

Como vimos no Encontro Formativo 01, a lógica das redes de atenção à saúde pressupõe a
articulação entre os diferentes pontos de atenção, com destaque aqui para os serviços da AAE
e da APS. Sobre isso, observamos, na prática, inúmeras dificuldades relacionadas, por exemplo,
à relação, à comunicação e ao compartilhamento do cuidado entre as equipes de ambos os
serviços. Por isso, é muito importante que os profissionais da APS e da AAE possam discutir sobre
o assunto, identificando as características da relação estabelecida entre as equipes na região.

ATIVIDADE 02
Discutindo a integração entre a APS e a AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Para esta atividade, iremos retomar um texto disponível no curso EaD “Organização do
Cuidado em Rede” que aborda a articulação entre as equipes da APS e da AAE. Propomos
que seja realizada a leitura coletiva do texto de apoio “Articulação entre equipes da APS e
da AAE: características, perspectivas e caminhos para a integração” e, em seguida, sejam
discutidas as seguintes questões:

• Que aspectos do texto de apoio chamaram a atenção?


• Os tutores percebem que há maior valorização do trabalho dos especialistas na AAE
em relação ao trabalho dos generalistas na APS? Isso influencia na relação entre ambos
os serviços? De que modo?
• Que iniciativas são possíveis de serem desenvolvidas para uma atuação mais intregada
entre as equipes da APS e da AAE no território?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 47


TEXTO DE APOIO

Articulação entre equipes da APS e da AAE: características, perspectivas e


caminhos para a integração1

Quando o assunto é a integração com equipes que atuam em outros serviços da rede de atenção
à saúde, seja na APS, seja na AAE, o que vem à sua cabeça? Talvez você possa pensar, neste
momento, sobre as especificidades do trabalho que as equipes do outro serviço desenvolvem,
sobre alguma experiência que você já vivenciou na relação com profissionais de outros serviços
ou, ainda, sobre as percepções que você tem a respeito da atuação dos profissionais que lá
trabalham. São muitas as representações que temos sobre os profissionais que atuam em
outros pontos da rede de atenção e sobre o trabalho que é desenvolvido nos diferentes serviços
de saúde. O que você pensa sobre o trabalho dos profissionais da APS? E da AAE? É possível
perceber que, em geral, há uma ideia de que o trabalho desenvolvido pelos especialistas tem
mais valor, porque é fundamentado em conhecimentos mais especializados, o que confere um
lugar de maior saber e poder. Distintamente, há uma representação de que o trabalho realizado
pelos profissionais da APS é menos valoroso, porque se ampara em conhecimentos menos
especializados e utiliza tecnologias menos sofisticadas. Isso gera como efeito uma relação de
hierarquia, em que se atribui aos profissionais da AAE uma supervalorização e aos profissionais
da APS um suposto lugar de inferioridade. Em outros termos, podemos perceber que o trabalho
dos especialistas na AAE ocupa lugar de maior prestígio e o trabalho dos generalistas na APS é,
em geral, desprivilegiado socialmente.

É muito importante compreendermos que essas representações não são construções


individuais, ou seja, não nascem das percepções isoladas de cada profissional ou de cada pessoa.
Ao contrário, são resultados da força de um modelo que é muito maior que nós, o modelo
biomédico, que define modos de pensar e de atuar nos serviços de saúde. O modelo biomédico,
definido como um conjunto de concepções e de procedimentos que orienta a oferta de cuidados
em saúde, fundamenta-se em uma lógica mecanicista, que nos conduz à compreensão de que o
corpo humano é uma máquina; possui um caráter analítico, que nos faz isolar o corpo em partes
para analisá-lo e compreender o seu funcionamento; e define uma atuação generalizante, que
parte do entendimento de que as mesmas ações se aplicam igualmente a todos (NEPOMUCENO;
ROMANO, 2014). Você consegue perceber como essas características do modelo biomédico
estão presentes na relação hierarquizada entre especialistas e generalistas? Por exemplo, quando
se predomina uma lógica mecanicista do corpo, todos os conhecimentos que os trabalhadores
da APS possuem sobre os determinantes sociais de saúde e sobre o contexto em que vivem
os usuários e as famílias ficam em segundo plano. Quando a atuação profissional enfatiza o
caráter analítico, podemos perceber que o conhecimento, cada vez mais especializado, sobre
cada parte do corpo humano ganha destaque e valor. E quando se atua de modo generalizante,
as especificidades sobre as condições de vida e de saúde das pessoas, reconhecidas pelos
profissionais da APS, perdem lugar e são sobrepostas por um cuidado padronizado e focado
em procedimentos, característica mais identificada na atenção ambulatorial.

1 Texto “Articulação entre equipes da APS e da AAE: características, perspectivas e caminhos para a integração”, disponível no Curso EAD
Organização do Cuidado em Rede – Módulo V: integração e comunicação entre a atenção primária em saúde e a atenção especializada. Belo
Horizonte: ESP-MG, 2021.

48 PROJETO SAÚDE EM REDE


Como é possível imaginarmos, a atuação em saúde fundamentada no modelo biomédico
distancia as equipes da APS e da AAE, legitima uma hierarquia entre os profissionais que aí
atuam e, por consequência, define uma fragmentação do cuidado ofertado aos usuários e às
famílias na rede de atenção à saúde. São muitos os efeitos que isso produz para o cuidado à
saúde do usuário, para a relação entre os profissionais dos distintos serviços e, ainda, para a
própria forma de organização dos serviços. Vamos conhecer alguns efeitos?

Em relação aos efeitos de uma atuação fragmentada na rede de atenção para o cuidado à saúde
do usuário, destacamos (MENDES et al., 2019):

• A possibilidade de o especialista indicar manejo clínico e práticas de autocuidado


distantes da realidade sociocultural do usuário;

• A possibilidade de o usuário se sentir abandonado ou inseguro quando chega à unidade


de AAE, por falta de um acompanhamento mais próximo para realizar a transição entre
os serviços;

• A perda na qualidade do cuidado ofertado, porque, muitas vezes, o usuário retorna do


serviço especializado sem que tenha ocorrido uma comunicação prévia entre o especialista
e o profissional da APS e/ou sem o compartilhamento de orientações para a continuidade
do cuidado;

• A possibilidade de o usuário realizar exames que já tinham sido feitos na APS;

• A perda de acompanhamento do usuário pela equipe da APS quando está sob os cuidados
do serviço de AAE.

Sobre a relação entre os profissionais da APS e da AAE, a atuação fragmentada na rede de


atenção produz (MENDES et al., 2019):

• Impessoalidade: muitas vezes, o médico da APS que encaminha o usuário para a AAE não
conhece o especialista e vice-versa e o encaminhamento é feito por meio de um processo
burocrático, por fichas de referência ou por meio de sistemas de regulação;

• Desconfiança mútua: por um lado, é comum ouvirmos relatos de profissionais da APS


que indicam que a AAE não está preparada para conduzir o cuidado do usuário, porque
está distante das suas condições de vida e de saúde e das dificuldades e dos fatores que
influenciam as suas práticas de autocuidado. Por outro lado, o especialista se queixa que o
médico da APS realiza, muitas vezes, encaminhamentos desnecessários de usuários à AAE,
que poderiam ser atendidos e acompanhados nas próprias unidades de APS.

• Ausência ou baixo compartilhamento de informações e/ou de diretrizes clínicas: observa-


se que os profissionais da APS e da AAE raramente compartilham as informações sobre
a condição de vida e de saúde do usuário necessárias para o cuidado, além de pouco
conversarem ou promoverem discussões entre as equipes sobre as diretrizes clínicas que

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 49


devem orientar a estratificação de risco e o encaminhamento do usuário à AAE, bem como
sobre as intervenções dos especialistas.

No âmbito da organização dos serviços que compõem a rede de atenção à saúde, a atuação
fragmentada entre as equipes que integram a APS e a AAE gera as seguintes consequências
(MENDES et al., 2019):

• A APS não funciona como reguladora do acesso aos serviços da AAE, o que é feito por
centrais de regulação impessoais e burocráticas;

• Não há estratégias e ações definidas para uma comunicação fluida e um trabalho mais
integrado e colaborativo entre os profissionais da APS e da AAE;

• A atenção especializada oferece, em geral, um serviço centrado no protagonismo médico,


sem uma atuação conjunta e colaborativa entre as diferentes categorias profissionais que
compõem as equipes;

• A atenção especializada opera o planejamento da oferta a partir de parâmetros


populacionais gerais ou de séries históricas, estabelecendo quotas de procedimentos que
muitas vezes não atendem às necessidades de saúde das pessoas da região de abrangência.

É importante destacar que a integração entre os diferentes serviços da rede de atenção à saúde
tem sido debatida em muitos espaços e pelos diversos atores envolvidos na consolidação do SUS
(gestores, profissionais de saúde, controle social, pesquisadores, etc.). Embora seja considerada
fundamental para a oferta de um cuidado mais integral à saúde, ainda observamos, na prática,
muitas dificuldades para operar a integração entre as equipes dos diferentes serviços de saúde.
Um estudo desenvolvido no estado da Paraíba, por exemplo, demonstrou uma fragilidade na
integração entre APS e cuidados especializados, que funcionavam como estruturas de gestão
separadas. Os resultados apontaram que grande parte das equipes de Saúde da Família não
mantinha registros dos usuários que apresentavam maior risco e que foram encaminhados para
outros pontos de atenção; 75% das equipes também referiram não possuir protocolos com
definição de diretrizes terapêuticas e priorização de casos para referenciar a outros pontos da
rede de atenção. Ademais, a maior parte das equipes relatou nunca haver troca de informações
com os especialistas sobre os pacientes encaminhados. As poucas equipes que trocavam
informações com os especialistas sobre o cuidado do usuário referiram que o contato era feito,
na maioria das vezes, pelos profissionais da APS. É importante mencionar, ainda, que somente
25% das equipes possuíam uma lista com os contatos, de telefone ou e-mail, dos especialistas
da rede SUS (PROTASIO et al., 2014).

Precisamos considerar que, embora muitos efeitos produzidos pela atuação fragmentada entre
as equipes da APS e da AAE envolvam questões para além do trabalho de cada profissional,
reconhecê-los e compreendê-los é urgente e necessário para que possamos construir outros
modos de atuar na rede de atenção à saúde. Isso porque os problemas e as demandas de
saúde das pessoas e das coletividades são complexos e exigem um trabalho integrado entre
os profissionais e os serviços de saúde. Para isso, por exemplo, é necessário reconstruímos

50 PROJETO SAÚDE EM REDE


os modos como enxergamos o nosso próprio trabalho e o trabalho do outro. Por um lado,
precisamos construir a compreensão de que, embora você atue na APS e não seja especialista, é
necessário entender quais são as propostas, as expectativas e as contribuições dos especialistas
para a situação de determinado usuário da comunidade. Por outro lado, há que se perceber
que, embora você atue na AAE e seja especialista, é necessário reconhecer as informações e os
recursos que os profissionais da APS podem dispor para ajudá-lo a cuidar melhor dos usuários.

Referências do texto de apoio


NEPOMUCENO, T. B.; ROMANO, V. F. Tabagismo e relações de poder na produção da saúde. Saúde e Sociedade,
São Paulo, v. 23, n. 2, p. 701-710, jun. 2014.

MENDES, E. V. et al. A construção social da Atenção Primária à Saúde. 2 ed. Brasilia: CONASS, 2019.

PROTASIO, A. P. L. et al. Avaliação do sistema de referência e contrarreferência do estado da Paraíba segundo os


profissionais da Atenção Básica no contexto do 1º ciclo de Avaliação Externa do PMAQ-AB. Saúde em Debate, Rio
de Janeiro, v. 38, n. especial, p. 209-220, out. 2014.

ATIVIDADE 03
Preparando para identificar e discutir as características
da relação entre APS e AAE junto às equipes

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Compreendendo a importância de aprimorarmos a integração entre a APS e a AAE, na


Oficina Tutorial 04 da APS e na Oficina Tutorial 02 da AAE, os tutores e os profissionais
deverão discutir de forma mais aprofundada as características da relação entre as equipes
da APS e da AAE no território e propor ações para fortalecimento do trabalho integrado.

Nesse sentido, o Analista Regional deverá apresentar aos tutores a “Matriz de apoio à
discussão sobre a relação entre AAE e APS” e a “Matriz de ações para fortalecimento do
trabalho integrado entre APS e AAE”, disponíveis no Guia das Oficinas Tutoriais da APS
– Volume I (Atividade 02 – Oficina Tutorial 04) e no Guia das Oficinas Tutoriais da AAE
(Atividade 2 – Oficina Tutorial 02).

O Analista Regional deverá orientar os tutores sobre a necessidade de realizar os registros


nas matrizes de forma clara, preferencialmente utilizando os modelos disponíveis na
Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. O produto das discussões
realizadas nas Oficinas Tutoriais da APS e da AAE será retomado no Encontro Formativo
03. Ressaltamos que haverá continuidade dessa discussão tanto na APS quanto na AAE ao
longo do projeto, a saber: na Oficina Tutorial 05 da APS e na Oficina Tutorial 07 da AAE.

Esta atividade sobre as características da relação entre APS e AAE é abordada nas Oficinas 04 e
05 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag. 64 e pag. 69) e na Oficina 02 do Guia das Oficinas
Tutoriais da AAE (pag. 39).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 51


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Aspectos relacionados à cobertura vacinal nos municípios

O Programa Nacional de Imunização (PNI) foi fundamental para o controle das doenças
transmissíveis que podem ser prevenidas por meio da imunização. Criado em 1973, o programa
enfrentou vários desafios, como as baixas coberturas vacinais nos segmentos mais carentes da
população durante a década de 1980, quadro que foi revertido no final dos anos 1990 e que
apontou para o alcance da equidade de acesso à vacinação. O aumento das coberturas vacinais foi
percebido até meados da década de 2010. A partir de 2016, no entanto, observou-se queda nas
coberturas vacinais, levando o Brasil a enfrentar surtos de febre amarela silvestre e de sarampo.

O ano de 2021 se iniciou com o desafio da realização da maior campanha de imunização


já realizada no país. A operacionalização da vacinação contra a COVID-19 demanda o
estabelecimento de ações e de estratégias que envolvem as três esferas de gestão, desde a
elaboração de planos de contingência até a reorganização dos serviços de saúde, principalmente
os da APS, para a vacinação contra o coronavírus.

ATIVIDADE 01

Discutindo a cobertura vacinal

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação da atividade: o Analista Regional e os tutores da APS precisarão ter em mãos o


texto de apoio “E agora, Zé? Baixa cobertura das principais vacinas compromete programa
brasileiro de imunizações, reconhecido internacionalmente”, disponível no Guia das Oficinas
Tutoriais da APS – Volume I (p. 50 a 55).

O Analista Regional deverá dividir os participantes em cinco grupos, cada qual responsável
pela discussão de um dos motivos que explica a diminuição da cobertura vacinal no país.

Grupo 1: Falsa sensação de segurança gerada pela vacinação


Grupo 2: Complexidade do PNI e mudanças no SI-PNI
Grupo 3: Gestão, funcionamento e processo de trabalho das UAPS
Grupo 4: Baixa cobertura nas classes sociais mais altas
Grupo 5: Fake News e movimento anti-vacina

Cada grupo deverá ler a introdução do texto e o trecho relacionado ao seu respectivo
motivo, discutindo como isso ocorre nas diferentes realidades locais e quais estratégias
têm sido desenvolvidas junto à população. Em seguida, os grupos deverão compartilhar
suas discussões com os demais participantes. É importante que todos discutam o que foi
apresentado por cada grupo.

Esta atividade é abordada na Oficina 03 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag. 49).

52 PROJETO SAÚDE EM REDE


TEXTO DE APOIO

“E agora, Zé? Baixa cobertura das principais vacinas compromete programa


brasileiro de imunizações, reconhecido internacionalmente”2

Introdução

Pela primeira vez, o Zé Gotinha não sorri. A personagem – conhecida pelo sorriso simpático que
a torna cativante para as crianças, desde que foi criada, em 1986 – aparece com a expressão
triste e preocupada nas peças publicitárias da campanha divulgada pelo Ministério da Saúde
em outubro de 2018. O motivo: as baixas coberturas alcançadas para as principais vacinas do
Calendário Nacional de Vacinação representam uma ameaça real de retorno de doenças comuns
no passado, como o sarampo e a poliomielite (paralisia infantil). As feições descontentes da
personagem traduzem uma inquietação que também incomoda profissionais e estudiosos da
saúde: por que o Brasil — que tem um Programa Nacional de Imunizações (PNI) reconhecido
internacionalmente — vive um contexto em que aumenta a parcela da população sem vacinação
adequada?

O retorno do sarampo em 2018 — com o registro de 10.163 casos no país, até o fim de novembro
— coloca em risco o título recebido pelas Américas, em 2016, de área livre da doença, por um
Comitê Internacional de Especialistas da Organização Pan-americana da Saúde (Opas). A vacina
que previne a doença encontra-se disponível gratuitamente nas unidades básicas do SUS, em
duas doses — é a tríplice viral, que também combate a caxumba e a rubéola, ofertada no
calendário desde 1995. Porém, em 2017, a cobertura da primeira dose ficou abaixo da meta de
95% (90,1%, de acordo com o último levantamento), enquanto a da segunda ficou em 74,9%,
segundo dados do PNI encaminhados à Radis. Com baixas coberturas vacinais, basta que uma
pessoa infectada entre no país para ocorrer a transmissão, ameaçando a proteção da população.

Outras vacinas seguem o mesmo caminho da do sarampo. A curva de queda nas principais
vacinas ofertadas gratuitamente à população começou em 2016 e repetiu-se nos anos seguintes,
em descompasso com os anos anteriores. Tal cenário faz com que o PNI tenha tido, em 2017,
as piores coberturas desde 2000 para as principais vacinas do calendário.

O que explica essa diminuição na parcela da população que se vacinou corretamente — se o


país oferece 19 vacinas gratuitamente no calendário nacional, com imunizantes para crianças,
adolescentes, adultos, idosos e povos indígenas? Diante da circulação crescente de notícias
falsas sobre vacinas, nas redes sociais, este fator teria algum peso para que as pessoas deixem
de procurar os postos de saúde para se prevenir contra doenças que podem matar? Mesmo com
as evidências científicas de que as vacinas são seguras, por que alguns pais e responsáveis não
vacinam seus filhos? Profissionais e estudiosos da epidemiologia e da saúde pública buscaram
responder a estas e outras questões.

2 Fonte: Adaptado de Stevanim, LF. E agora, Zé? Baixa cobertura das principais vacinas compromete programa brasileiro de imunizações,
reconhecido internacionalmente. Revista RADIS, 196, jan 2019

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 53


Grupo 1 – Falsa sensação de segurança gerada pela vacinação

A primeira razão apontada para a queda recente nas coberturas vacinais é a falsa sensação
de segurança contra doenças comuns no passado — como a poliomielite, que podia matar ou
deixar sequelas, mas que foi eliminada do país por conta da vacinação. Para a epidemiologista
Carla Domingues, com o sucesso do PNI, os pais deixaram de ver as doenças em seu cotidiano
e começaram a relaxar na vacinação dos filhos, ao acreditar que se imunizar não seria mais
necessário. “Quando as vacinas foram disponibilizadas, todos os pais sabiam da importância,
pois reconheciam a gravidade dessas doenças”, explica. Segundo ela, à medida que o programa
evoluiu e aumentaram as vacinas e as coberturas, algumas doenças deixaram de existir — e com
isso, deixaram de ser temidas pela população. “A geração atual de pais, que foi beneficiada no
passado por terem recebido as vacinas, não reconhecem mais esse risco”, completa.

O médico e professor José Cássio de Moraes, colaborador da Opas para a área de imunização,
concorda. “Várias doenças imunopreviníveis estão hoje eliminadas, não têm o perigo imediato de
ocorrerem. Isso gera uma falsa segurança a respeito das doenças e uma falsa insegurança quanto
aos possíveis efeitos adversos da vacina”, destaca. Esse “conforto” é falso porque, se a população
deixar de estar imunizada, o agente causador pode retornar. Foi o que ocorreu com o sarampo
em 2018: com as baixas coberturas nos estados de Roraima e Amazonas, bastou a chegada de
venezuelanos com doença para que o vírus se espalhasse para brasileiros. “O surto entrou pela
região Norte com a vinda para o Brasil de venezuelanos doentes. Mas é importante que a gente
reforce que a culpa não é dos venezuelanos. Se a gente tivesse elevadas coberturas vacinais na
nossa população, não haveria transmissão entre brasileiros”. Carla enfatiza que a prioridade deve
ser imunizar a população brasileira contra as doenças imunopreveníveis, já que a entrada de
pessoas no Brasil sempre vai ocorrer, assim como a ida de brasileiros para o exterior.

Grupo 2 – Complexidade do PNI e mudanças no SI-PNI

Outra razão apontada pelos especialistas tem a ver com a própria complexidade do PNI.
“Quando ele foi criado, na década de 1970, só eram quatro vacinas, para aquelas doenças
endêmicas e que causavam mortes para milhares de crianças”, lembra a epidemiologista Carla
Domingues. Atualmente, são 19 vacinas no calendário — 14 para as crianças, que exigem pelo
menos nove idas aos serviços de saúde. Falta de informação adequada quanto às doses e às
vacinas também tem que ser colocada na balança, como considera o médico e professor José
Cássio de Moraes. “Há 10 anos, a gente já publicou um estudo qualitativo que mostrava que a
diminuição da cobertura vacinal não era por uma rejeição à vacina, mas por falsa informação a
respeito do calendário. Ou seja, a pessoa achava que estava em dia, quando na verdade havia
vacinas incompletas”, recorda. Nos últimos 15 anos, foram introduzidos novos imunizantes: por
exemplo, contra varicela (catapora), hepatite A e rotavírus.

Para registrar todas as vacinas que tomou ao longo da vida, cada cidadão brasileiro possui um
documento pessoal e intransferível: a carteira de vacinação, em que são anotados o nome do
imunobiológico e a quantidade de doses recebidas. Para saber se está em dia, basta procurar um
posto de saúde do SUS. “Hoje com um elenco maior de vacinas, pode ser que uma das causas
da redução é que a população talvez não saiba que determinada vacina está disponível na rede

54 PROJETO SAÚDE EM REDE


pública”, reflete José Cássio. Para o epidemiologista, a ampliação do calendário, embora seja o
ideal, porque protege a população contra mais doenças, também dificulta sua execução. “Com a
falta de treinamento do pessoal nas salas de vacina, o aumento do número de comparecimentos
que a população tem que fazer para cumprir o calendário acaba atrapalhando o seu pleno
cumprimento”, avalia.

Outro fator que pode ter influenciado na queda foi a mudança no Sistema de Informações do
Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), que passou a registrar as vacinas não mais pelas
doses administradas e sim por doses individualizadas. Com isso, foi necessária a instalação de
um computador em cada sala de vacina do país — o profissional faz o registro assim que aplica
o imunizante. “É como se tivesse uma caderneta de vacinação virtual, onde se registra as doses
de vacina de cada pessoa. Por isso pode haver dificuldade de implementação nos municípios, por
problemas de internet, manuseio do sistema ou transferência de dados”, ressalta José Cássio.

Grupo 3 – Gestão, funcionamento e processo de trabalho das UAPS

A queda da cobertura vacinal também está relacionada ao funcionamento das unidades de


saúde: algumas delas têm horários restritos ou funcionam apenas em horário comercial, o que
prejudica o comparecimento. “Para uma mãe ou pai manterem seu filho vacinado, precisam
comparecer nove vezes aos serviços de saúde. Se este não funciona no horário que eles
podem ir, acabam deixando de vacinar ou pelo menos postergando a vacinação”, conclui a
epidemiologista Carla Domingues, ressaltando a importância das campanhas — que ocorrem
nos finais de semana — como estratégia para alcançar os faltosos.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) apontou em documento divulgado em


2018 que a redução das coberturas é complexa e explica-se por muitos fatores, dentre eles:
o contexto de fragilidade política e econômica; a falsa sensação de segurança em relação às
doenças; o crescente movimento anti-vacinas, com divulgação de informações falsas; e questões
operacionais dos serviços de saúde. Porém, a associação considera que “a crise de financiamento
e a piora dos serviços do SUS” — agravadas com a Emenda Constitucional 95, aprovada em
2016 — foram determinantes na limitação do acesso à vacinação. E exemplifica: “A falta e alta
rotatividade de profissionais, a estagnação das equipes de Estratégia Saúde da Família, más
condições de trabalho que dificultam ações de vigilância, como a busca ativa e investigação
epidemiológica, e o desabastecimento de vacinas na rede pública” (ABRASCO, 2018).

De fato, em 2018, notícias sobre falta de vacinas foram frequentes na mídia em diversas cidades
do país. Em março, a Agência Brasil (23/03/18) destacou o desabastecimento da pentavalente
em todos os postos de saúde do Rio de Janeiro. O médico e professor José Cássio de Moraes
considera que a crise financeira do SUS deve ser levada em conta para entender o porquê das
baixas coberturas. “A crise repercute porque se reduz o número de funcionários nas salas de
vacina. Aqueles que eram específicos para a vacinação passam a exercer outras atividades
dentro da unidade de saúde, como curativos e atenção a pacientes”, relata. Ele também aponta
que, sem recursos, não há como fazer ações além dos muros das unidades, como vacinar em
escolas ou realizar busca por faltosos.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 55


Grupo 4 – Baixa cobertura nas classes sociais mais altas

Muito antes da queda recente nas coberturas vacinais, o último Inquérito Domiciliar sobre
o tema, organizado pelo Ministério da Saúde em 2007, já sinalizava para uma tendência
preocupante: as coberturas baixas nas camadas da sociedade com melhores condições de vida.
A pesquisa levantou informações em todas as capitais brasileiras e revelou que, diferente do
passado em que os mais pobres enfrentavam dificuldades para conseguir acessar os serviços
de vacinação, agora eram os brasileiros mais escolarizados e de classes mais altas que deixavam
de vacinar seus filhos ou selecionavam quais vacinas iriam administrar. São pais e responsáveis
pelas crianças com escolaridade e acesso à internet, que são expostos a notícias e depoimentos
falsos principalmente a respeito dos efeitos adversos e riscos das vacinas — e assim tomam
uma decisão também arriscada: não vacinar.

São diferentes percepções que as pessoas possuem sobre a imunização, como explica a pediatra
Carolina Barbieri: alguns pais optam por comprar a vacina em uma clínica particular, mesmo
que ela esteja disponível gratuitamente no SUS, muitas vezes orientados pelo próprio pediatra
ou reproduzindo discursos aos quais tiveram acesso na internet. Os argumentos são variados:
“a vacina tal no particular dá menos reação”; “fulano disse que no SUS dói mais”.

Para a pediatra, a vacinação não é responsabilidade somente dos pais — os próprios


órgãos de saúde também falham em difundir mais informações sobre a função coletiva da
imunização. “Atitudes contrárias existem desde a primeira vacina no final do século 18, por
medo, desconhecimento ou contra medidas autoritárias”, lembra. Porém, para ela, o que há de
diferente no contexto atual é que não faltam evidências que comprovem a segurança e a eficácia
da imunização — e mesmo assim, surgem reações contrárias em alguns grupos ou pessoas.
“Há grande perda da confiança pública da vacina. Esse é um movimento que não acontece só
no Brasil; ao contrário, começou nos países desenvolvidos e a gente agora está vendo também
nos países em desenvolvimento, como o nosso”, aponta.

Grupo 5 – Fake News e movimento anti-vacina

“MPF proíbe vacina contra o HPV em todo Brasil”. “Bill Gates diz que vacinas servem para
esterilizar, matar e reduzir população mundial”. “Garota virgem engravida após tomar vacina
contra febre amarela”. Todas essas são notícias falsas sobre vacinação que foram desmentidas
pelo site Boatos.org, especializado em verificar as chamadas fake news (Radis 190). Informações
incorretas como essas, compartilhadas na internet e nas redes sociais, tiveram um impacto
negativo na campanha de vacinação da febre amarela, em 2018, de acordo com a pediatra
Carolina Barbieri. Para ela, as mentiras reforçam os medos das pessoas. “Aquele pai que já está
hesitante ou em dúvida, se ele encontra uma rede de outros pais questionando a vacina ou com
informações equivocadas, isso reforça nele o que já havia de insegurança”, reflete.

Para a epidemiologista Carla Domingues, é preciso distinguir as fake news dos grupos contrários
à vacinação. Grupos antivacina são formados por pessoas com convicção de que elas não
devem vacinar seus filhos. É muito diferente de pessoas que ficam com receio de vacinar
porque receberam uma notícia falsa e não sabem se aquilo é verdade ou não. Os movimentos
antivacinas não são uma novidade. Em 1998, o médico britânico Wakefield publicou um artigo
56 PROJETO SAÚDE EM REDE
em que apontava para uma associação entre o autismo e a vacina do sarampo. Tempos depois,
foi provado que a pesquisa era uma fraude e o autor tinha ligações com escritórios de advocacia
interessados em mover processos de indenização de familiares. Mesmo com o desmentido,
o estrago já estava feito. Vinte anos depois ainda existem grupos que se baseiam nessas
informações para questionar a vacina.

Na visão de Carolina, é preciso rever o modo como o campo da saúde lida com a comunicação.
“A comunicação com a qual os órgãos de saúde e os profissionais tradicionalmente trabalhavam
a vacina era mais persuasiva, chamando para as campanhas, com uma oratória militante de
‘combater as doenças’ e ‘lutar contra’”, avalia. Para ela, a internet colocou esse modelo em
xeque tanto por ampliar a difusão para uma escala global quanto por trazer outros tipos de
falas, com apelos mais emocionais. “As redes sociais começaram a propagar relatos a partir
de outra forma de comunicação: é aquele pai ou aquela mãe que coloca um apelo emocional
muito grande ao contar de um distúrbio do filho e diz ‘foi depois da vacina’”, detalha.

Para o médico e professor José Cássio de Moraes, os profissionais de saúde ainda sabem pouco
como lidar com os boatos e a desinformação. “Temos que adquirir conhecimento a respeito de
como essas informações estão circulando entre a população para que a gente possa atuar de
forma adequada. Se não vamos ficar só no achismo”, defende. “O envolvimento da sociedade
civil e dos profissionais de saúde fez diferença nas campanhas no passado. O que nós estamos
discutindo agora é como continuar mobilizando a sociedade a entender a importância da
vacinação”, conclui Carla Domingues. Esse é o desafio para que o Brasil continue a ser referência
quando o assunto é imunização.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 57


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Abrangência regional da unidade de AAE

Um dos principais atributos de uma unidade da AAE é a sua vinculação a um território de


abrangência, a qual deve permitir a programação de sua oferta com base nas necessidades
de saúde da população que ali reside. Diferentemente da APS, o território de abrangência
da atenção especializada ultrapassa as fronteiras municipais, fazendo com que a unidade de
AAE seja referência para a prestação de serviços em uma escala regional. Isso não significa
que a AAE esteja afastada da realidade da população para quem oferta suas ações, pois
o serviço especializado deve constituir vínculo com as equipes de APS dos municípios de
sua região de abrangência, de modo que possa integrar melhor uma rede regionalizada de
atenção à saúde.

ATIVIDADE 01

Discutindo a regionalização da atenção especializada


(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Para iniciar as discussões sobre a regionalização da AAE, propomos que o Analista Regional
discuta com os tutores as seguintes questões:

• O que significa ser um serviço de abrangência regional? Quais são os fatores


facilitadores e dificultadores para se operar a cobertura de ações e serviços ofertados
pela AAE aos municípios de abrangência?

Sugerimos que o Analista Regional registre as dificuldades e as facilidades para que possam
ser retomadas posteriormente.

Em seguida, sugerimos a leitura coletiva do texto de apoio “Regionalização da saúde e


Atenção Ambulatorial Especializada regionalizada” e a discussão das seguintes questões:

• De que forma a modalidade de gestão (se consórcio intermunicipal ou administração


direta do município, po exemplo) da nossa unidade de AAE influencia a atuação junto
aos municípios da área de abrangência?

• A programação da oferta da unidade de AAE é baseada nas necessidades de saúde da


população da área de abrangência? Quais dificuldades em relação a essa programação
podem ser identificadas?

• Quais os principais fatores que dificultam o acesso dos usuários dos municípios da
região às consultas ofertadas pela unidade?

• A equipe conhece a forma de financiamento da unidade de AAE? Qual o impacto do

58 PROJETO SAÚDE EM REDE


atual financiamento para a abrangência regional do serviço?

• Como a disponibilidade de profissionais especialistas na região impacta a produção do


serviço da unidade de AAE? Há dificuldades relacionadas à qualificação dos profissionais
na região?

Esta atividade é abordada na Oficina 03 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 46).

TEXTO DE APOIO

Regionalização da saúde e Atenção Ambulatorial Especializada regionalizada

As redes de atenção à saúde (RAS) existem em função das necessidades de saúde da população.
É para uma população adscrita que os diferentes pontos de atenção, de forma integrada, atuam
em rede (BRASIL, 2010). Uma característica das RAS, relacionada à organização do sistema, é a
regionalização. Como surgiu o modelo de regionalização do sistema de saúde brasileiro?

Ao longo de 30 anos de implementação do SUS, observamos a criação de diferentes estratégias


para aprimorar a sua organização e buscar garantir acesso universal e integral à população.
Dentre elas, destacamos a diretriz de regionalização do sistema, que passou a ter destaque a
partir do início dos anos 2000. A principal justificativa para o fomento à organização regional
da atenção à saúde foi a percepção, por parte de especialistas e gestores da saúde pública,
de que o processo de descentralização do SUS com foco na municipalização, apesar de ter
ampliado o direito à saúde dos brasileiros, não foi suficiente para reduzir iniquidades no acesso
aos serviços (ALMEIDA et al, 2019). Mas como o processo de descentralização da saúde pôde
ter gerado efeitos positivos e negativos ao mesmo tempo? Por um lado, a municipalização do
sistema de saúde, implementada após a criação do SUS, promoveu a proximidade dos cidadãos
com a política de saúde, a ampliação dos serviços, a universalização da APS e a melhoria de
diversos indicadores de saúde. Paim e colaboradores (2011) mostraram que, em 27 anos, o
SUS fomentou um aumento de cerca de 450% no número de pessoas que buscam a atenção
primária à saúde. Isso é resultado da implantação de serviços e unidades de APS em todo o
território nacional e a constituição de um número expressivo de equipes de trabalhadores de
saúde que compõem a força de trabalho do SUS. Entretanto, também surgiram o que podemos
chamar de ‘efeitos adversos’ da intensa descentralização das ações e dos serviços de saúde aos
municípios. Na base desses efeitos negativos, encontramos um contexto bem característico de
nosso território: a enorme heterogeneidade existente entre os nossos municípios, em termos
populacionais, sociais, culturais e econômicos. Apenas para exemplificar, cerca de 75% dos
5.568 municípios brasileiros são de pequeno porte. Esse contexto também se relaciona com a
capacidade econômica e administrativa dos municípios (BARROS, 2018). Isso implica dificuldades
para investimentos em estruturas de serviços de saúde, aquisição de medicamentos e insumos,
contratação de pessoal e gestão dos programas e projetos de saúde. Em outras palavras, há
diferentes capacidades para operar o SUS em âmbito municipal, o que gera desigualdade na
oferta e no acesso aos serviços e às ações de saúde entre os municípios.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 59


A partir desse cenário paradoxal, novas regulamentações para a organização da atenção à saúde
foram instituídas, buscando contribuir com a cooperação entre os municípios e fortalecer o
papel dos governos estaduais na coordenação e na conformação de regiões de saúde. Por meio
do processo de regionalização, o SUS passou a considerar as regiões de saúde como o recorte
geográfico principal para seu planejamento e sua governança. Mas é importante destacar que,
para além de se constituir como uma regra ou uma norma de funcionamento do sistema, a
regionalização deve ser compreendida como um processo vivo que busca promover o acesso
à saúde baseado nos princípios do SUS.

Assim, de forma complementar à descentralização, a regionalização é uma diretriz da


organização político-territorial do sistema de saúde. Ela se operacionaliza por meio do
uso compartilhado entre municípios de um conjunto de ações e serviços de saúde, num
determinado território regional. Não há descentralização do SUS sem a organização de redes
regionalizadas para prestar atenção à saúde. Isso significa dizer que o SUS precisa se organizar
considerando que os fatores que determinam os problemas de saúde e a capacidade do SUS
para resolvê-los não se restringem aos limites político-administrativos de cada município.
E, nesse caso, haverá interdependência entre os níveis de governo (federal, estadual e
municipal) que possuem responsabilidade compartilhada para o provimento da política de
saúde. Ao mesmo tempo, a regionalização não anula as fronteiras dos municípios, mas implica
transcendê-las para o planejamento e a conformação de uma rede de atenção integral à
saúde no território (LIMA, 2013).

Do ponto de vista técnico, a regionalização na saúde visa à constituição de regiões geográficas


que vão contemplar a oferta de um determinado conjunto de ações e serviços de saúde, segundo
a sua densidade tecnológica e as necessidades do território. Esse processo busca racionalizar a
distribuição espacial dos serviços em regiões que reúnem conjuntos de municípios, de forma
a melhorar a eficiência do sistema. Um exemplo no estado de Minas Gerais de um serviço
regionalizado é o Centro Estadual de Atenção Especializada (CEAE). Responsáveis pela oferta
de ações ambulatoriais especializadas em linhas de cuidado prioritárias, os CEAE possuem
uma abrangência regional definida, devendo atender a usuários de mais de um município. Os
Hospitais Regionais também são exemplos de serviços regionais, assim como alguns Centros
de Atenção Psicossocial que são referências para atenção especializada e urgência em saúde
mental em âmbito regional. Mas o conceito de regionalização não é apenas técnico e não
se limita a apenas um desenho de fluxo e à definição de serviços que atendem a mais de
um município. Esse processo possui uma profunda característica política, já que demanda o
estabelecimento de relações entre diferentes atores e instituições responsáveis pela gestão
e pela prestação de serviços do SUS. O compartilhamento dos serviços demanda intensa
negociação e o estabelecimento de pactos entre os gestores, o que envolve o reconhecimento
dos diferentes interesses que cada umas das partes possuem em relação à provisão das ações
de saúde (LIMA, 2013; CONASEMS, 2019).

60 PROJETO SAÚDE EM REDE


Figura 1: Conceituando a regionalização na saúde

Conformação de regiões geográficas na Processo político amplo, condicinado pelas


saúde de modo a conter uma dada densidade relações estabelecidas entre diferentes atores
tecnológica e autossuficiência de ações e nos espaços regionais: entes governamentais,
serviços, visando cobertura e acesso. organizações públicas e privadas, cidadãos.
Racionalidade que visa melhor disposição e Deve incluir dispositivos de planejamento,
distribuição técnica e espacial dos serviços, integração, gestão, regulação e financiamento
maximizando eficiência institucional e social de uma rede regionalizada de ações e serviços
do sistema. de saúde.

Fonte: elaboração pelos autores

A definição das regiões de saúde e dos seus respectivos fluxos assistenciais, expressos no que
se convencionou chamar de Plano Diretor de Regionalização (PDR), é feita por cada estado, por
meio das Secretarias Estaduais de Saúde, em conjunto com a representação dos Secretários
Municipais de Saúde. Esse processo deve considerar aspectos geográficos, demográficos, sociais,
assistenciais, econômicos, culturais, entre outros que caracterizam os territórios. E, como destacado
anteriormente, demanda intensa negociação e permanente cooperação entre diferentes atores
e instituições responsáveis pela gestão do sistema e dos serviços.

Em termos práticos, podemos pensar, por exemplo, que para uma usuária com gestação de alto
risco residente em um município de pequeno porte acesse um serviço de cuidado especializado
do SUS, o gestor municipal deve realizar previamente a pactuação de consultas para as usuárias
com gestação de alto risco de seu município, em espaços e instâncias de gestão compartilhada do
SUS – as Comissões Intergestores Bipartite. Para essa pactuação da oferta de serviços regionais,
são utilizados mecanismos específicos do SUS, como a Programação Pactuada Integrada (PPI).
Aí, podemos perguntar: o gestor municipal pode pactuar consultas em serviços especializados de
qualquer município que o tenham? A resposta para isso está justamente no desenho do PDR, que
vai informar a qual região o município pertence. Cabe destacar que a própria definição do PDR
e, portanto, da regionalização, é feita de forma pactuada entre a Secretaria de Estado de Saúde
e as Secretarias Municipais de Saúde.

Para a promoção da articulação e do fomento à cooperação entre os gestores, as normatizações do


SUS previram espaços institucionais, também reconhecidos como uma das instâncias de governança
do sistema, em que o estado e os municípios podem dialogar e negociar a operacionalização da
regionalização. Em âmbito estadual, temos a Comissão Intergestores Bipartite (CIB SUS-MG), arena
mais ampla em que se encontram a gestão estadual e a representação das Secretarias Municipais
de Saúde, organizada por meio do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais
(COSEMS). Em âmbito regional, a regulamentação do SUS prevê as Comissões Intergestores
Regionais. Em Minas Gerais, possuímos dois espaços regionais de negociação entre gestores:
(a) a Comissão Intergestores Bipartite Macrorregional (CIB Macro) e a Comissão Intergestores
Bipartite Microrregional (CIB Micro). Em ambos os espaços, há a participação da gestão estadual
e da gestão municipal do SUS, também com o apoio do COSEMS. As pautas relacionadas a cada
uma dessas arenas se relacionam com o que é ofertado em cada nível regional, de acordo com o
estabelecido no PDR. Vale destacar que essa lógica de negociação do SUS foi sendo construída ao

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 61


longo dos mais de 30 anos de existência do sistema. O que temos hoje é fruto de uma acumulação
da experiência dos gestores no compartilhamento das funções entre governos federal, estadual
e municipal para garantir o direito à saúde.

Dito isso, vamos explorar um pouco mais sobre os motivos que fundamentam a regionalização dos
serviços de saúde de média e alta complexidade e que fazem com que um serviço ambulatorial
especializado, por exemplo, seja referência para cidadãos residentes em diversos municípios.

Primeiramente, podemos citar a concentração espacial da infraestrutura de saúde existente. Os


serviços ambulatoriais e os hospitais de referência, por sua complexidade e por seu custo, não
estão presentes em todos os municípios. Geralmente, estão localizados em um município polo,
de maior porte, que atrai serviços com maior densidade tecnológica, dada as suas vantagens em
termos econômicos, estruturais e de força de trabalho quando comparado aos demais municípios
da região. Dessa forma, podemos perceber que a implantação de serviços especializados também
é condicionada pela busca de uma melhor relação custo-benefício. Nesse sentido, é de se esperar
que a distribuição de serviços de saúde de caráter regional busque garantir uma escala mais
otimizada de oferta de ações. Esse fator também se relaciona com a qualidade dos serviços
prestados, já que os profissionais de saúde se aprimoram mais quanto maior for o exercício
de suas funções de cuidado. Em termos práticos, podemos dizer que uma equipe que faz mais
procedimentos técnicos especializados (como, por exemplo, uma cirurgia cardíaca) desenvolverá
com maior aptidão e qualidade esse procedimento, pois aprende e se aprimora com a própria
atividade. Portanto, quanto melhor a escala da oferta, maior a qualidade da atenção prestada.

A questão da escala e do custo-benefício também nos remete a outro motivo. O financiamento


do SUS não é infinito. Há limites orçamentários que precisam ser considerados para a implantação
e o custeio dos serviços de saúde. Dessa forma, a regionalização se constitui como mecanismo
para gerar eficiência no sistema.

Por fim, devemos considerar a própria distribuição da força de trabalho nos territórios. A oferta
de cursos de profissionalização, graduação e especialização dos profissionais da saúde também se
encontra concentrada em determinados municípios e regiões. Essa situação influencia a fixação
de profissionais em determinados territórios, o que se relaciona com a distribuição da capacidade
da oferta de serviços.

É possível observar muitos problemas e desafios relacionados à oferta e ao acesso aos serviços
regionalizados. No cotidiano da atenção especializada, convive-se com grande fila de espera
para consultas com os especialistas, baixa articulação do cuidado com a APS, sobreposição de
prescrições e intervenções médicas, vazios assistenciais que demandam o uso de serviços de
outras regiões, dentre outros problemas. Por que ainda não conseguimos superar obstáculos
vivenciados na garantia de acessos a esses serviços?

O sucesso da regionalização depende de inúmeros fatores e questões que perpassam a organização


e a gestão do SUS. Segundo Lima (2013), o caminho para o aprimoramento das redes e da
regionalização depende de:

62 PROJETO SAÚDE EM REDE


• Fortalecimento do planejamento no âmbito regional, com incorporação de tecnologias
de informação. Como exemplo, citamos a necessidade de desenvolvimento de sistemas
informatizados de gestão de informações clínicas (prontuários eletrônicos) interoperáveis
em âmbito regional e estadual;

• Definição mais estratégica das pautas a serem negociadas em âmbito regional: envolve o
reconhecimento do caráter estratégico e não apernas formal das Comissões Intergestores
Regionais, que podem contribuir com um processo mais qualificado de discussão,
deliberação e decisões, bem como de planejamento regional;

• Inovação e diversificação dos instrumentos de pactuação entre os níveis de governo:


novos mecanismos de planejamento e pactuação da oferta de serviços compartilhados que
precisam ser criados, mesmo reconhecendo a contribuição da PPI ao longo da implantação
do SUS;

• Adequação e coerência do financiamento e do modelo de repasse de recursos à proposta


de redes de atenção à saúde regionalizadas; e

• Reconhecimento de que o nosso sistema de saúde possui diferentes estágios de


maturidade e implementação da regionalização entre os estados e mesmo dentro dos
estados.

E em relação aos serviços ambulatoriais de atenção especializada, quais seriam os fatores que
mais influenciam sua oferta regionalizada? Um estudo de caso, desenvolvido em um estado
do nordeste brasileiro para avaliar uma rede regionalizada em relação à atenção especializada,
identificou aspectos relevantes sobre essa questão (ALMEIDA et al, 2019), que consolidamos no
quadro abaixo:

Quadro 1 – Fatores condicionantes da regionalização da atenção especializada


Fatores Detalhamento
Atores, Refere-se ao papel da Secretaria Estadual de Saúde como coordenadora do processo de
instituições organização da rede; a atuação inovadora e regionalizada do Conselho de Secretarias de
e espaços Saúde de Minas Gerais (COSEMS) na representação das Secretarias Municipais de Saúde; e
decisórios a utilização qualificada e estratégica das Comissões Intergestores em âmbito regional.
Envolve os diferentes tipos ou modalidades de gestão do serviço especializado. Há
Gestão do unidades que estão sob gestão direta dos municípios da região, outras geridas por meio de
serviço consorciamento intermunicipal e, também, com gestão realizada por prestadores privados
especializado de serviços contratados. A modalidade adotada deve permitir maior vinculação do serviço
com a rede e com a APS do território, bem como maior qualidade do cuidado prestado.
Refere-se à forma como é realizada a programação da oferta do serviço especializado,
devendo valorizar o planejamento regional e considerar as necessidades de saúde
Acesso da população. Além disso, deve levar em conta as condições de acesso ao serviço
especializado, que possui relação direta com os meios logísticos adequados para que os
usuários acessem o serviço.
Diz respeito às formas de regulação do acesso ao serviço especializado, incluindo a
Regulação e regulação pela APS, os critérios e os requisitos de acesso dos usuários, a adoção de
informação diretrizes clínicas para compartilhamento do cuidado e a existência de sistema de
regulação informatizado.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 63


Fatores Detalhamento
Recursos Refere-se à fixação e à qualificação dos profissionais do serviço especializado e à sua
Humanos relação com as equipes da APS.
Envolve a sustentabilidade e a adequação do modelo de financiamento do serviço
Financiamento
especializado à proposta das redes de atenção.
Fonte: Almeida et al (2019).

Por fim, cabe ressaltar que nenhum modelo de organização de redes de atenção à saúde
regionalizadas se fará apenas com a edição e o estabelecimento de normas e regulamentos.
Como destacado por Reis e colaboradores (2017):

A construção de redes vivas de cuidado que coloquem em conexão os vários


serviços existentes nos territórios, produzindo o encontro de trabalhadores e
usuários, com potência para elaborar e executar projetos terapêuticos singulares,
é um dos objetivos centrais e um dos maiores desafios da construção regional.
Requer ir além da estruturação da rede física e de regras de acesso e uso, e
considerar a dinâmica micropolítica da rede de cuidados, que desafia os espaços
de gestão do SUS e pede um olhar singular regionalizado. Para isto o debate
sobre necessidades em saúde deve ser central na agenda dos espaços de gestão
compartilhada regional (REIS et al, 2017, p. 1050).

Referências do texto de apoio


ALMEIDA, P. F. et al. Redes regionalizadas e garantia de atenção especializada em saúde: a experiência do
Ceará, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 24(12):4527-4539, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/csc/
v24n12/1413-8123-csc-24-12-4527.pdf. Acesso em: 16/03/2021.

BARROS, F. P. C. A municipalização da saúde no Brasil: uma visão crítica. Anais do IHMT. v. 17. 2018: Desempenho
e história nos sistemas de saúde: municipalização, recursos humanos e cooperação. Universidade Nova de Lisboa:
Lisboa. Disponível em: https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/270. Acesso em: 24/03/2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para
a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: https://
conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2011/img/07_jan_portaria4279_301210.pdf. Acesos em: 17/03/2021.

CONASEMS. Regionalização da saúde: posicionamentos e orientações. Brasília: CONASEMS, 2019. 61 p.


Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/02/Documento-T%C3%A9cnico-
regionaliza%C3%A7%C3%A3o-DIAGRAMADO-FINAL-1.pdf. Acesso em: 16/03/2021.

LIMA, L. D. A coordenação federativa do sistema público de saúde no Brasil. In FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ.
A saúde no Brasil em 2030 - prospecção estratégica do sistema de saúde brasileiro: organização e gestão do
sistema de saúde [online]. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ipea/Ministério da Saúde/Secretaria de Assuntos Estratégicos
da Presidência da República, 2013. Vol. 3. pp. 73-139. Disponível em: http://books.scielo.org/id/98kjw/pdf/
noronha-9788581100173-05.pdf. Acesso em: 16/03/2021.

PAIM, J. et al. The Brazilian health system: history, advances, and challenges. Lancet 2011; 377: 1778-1797.
Disponível em: http://www6.ensp.fiocruz.br/repositorio/sites/default/files/arquivos/The%20Brazilian_Celia%20
Almeida_2011.pdf. Acesos em: 24/03/2021.

REIS, A. A. C. et al. Reflexões para a construção de uma regionalização viva. Ciência & Saúde Coletiva, 22(4):1045-1054,
2017. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/csc/v22n4/1413-8123-csc-22-04-1045.pdf. Acesso em: 16/03/2021.

64 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 02


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS,
Realizar atividade exclusivamente; Local
2 – Conhecendo a 1h Analista Analistas Centrais, destinado à Orientações da atividade no
cobertura vacinal do 30min Regional Apoiadores da ESP- formação de Guia da Formação de Tutores
município MG e Apoiadores do tutores
COSEMS
Intervalo 15 min

Orientações da atividade no
Guia de Formação de Tutores
1 cópia dos 14 POP
Tutores da APS, relacionados à vacinação,
Realizar atividade
exclusivamente; Local disponíveis na Plataforma de
3 – Avaliando o 2h Analista Analistas Centrais, destinado à Monitoramento do Projeto
microprocesso de 15min Regional Apoiadores da ESP- formação de Saúde em Rede
vacinação e os POP
MG e Apoiadores do tutores
da UAPS Instrumento de Avaliação do
COSEMS
Microprocesso de Vacinação,
preenchido durante a
atividade de dispersão da
Oficina Tutorial 02
Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
[continuação...]
Tutores da AAE, Orientações da atividade no
Realizar atividade exclusivamente; Local Guia de Formação de Tutores
1 – Discutindo a 1h Analista Analistas Centrais, destinado à Texto de apoio
regionalização 15min Regional Apoiadores da ESP- formação de “Regionalização da saúde
da atenção MG e Apoiadores do tutores e Atenção Ambulatorial
especializada COSEMS Especializada regionalizada”
(Primeira Parte)
Intervalo 15 min

Realizar atividade Tutores da AAE,


– Discutindo a exclusivamente; Local
regionalização 2h Analista Analistas Centrais, destinado à Orientações da atividade no
da atenção 30min Regional Apoiadores da ESP- formação de Guia de Formação de Tutores
especializada MG e Apoiadores do tutores
(Segunda Parte) COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 65


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Aspectos relacionados à cobertura vacinal nos municípios

Dando continuidade à discussão sobre cobertura vacinal iniciada com os tutores da APS, no
período da tarde, serão desenvolvidas a atividade que segue abaixo.

ATIVIDADE 02

Conhecendo a cobertura vacinal do município

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Para esta atividade, sugerimos que o Analista Regional acione a referência técnica de
imunização da Unidade Regional de Saúde para apresentar e/ou discutir os dados da
cobertura vacinal dos municípios e da região junto aos tutores da APS. Caso não seja
possível, o Analista Regional deverá, juntamente com os tutores, acessar os dados de
cobertura vacinal do SIPNI.

* Para saber como gerar relatórios de vacinação no Sistema de Informações do Programa


Nacional de Imunizações (SIPNI), acesso o documento “Passo a passo para consulta de
cobertura vacinal” disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Após o levantamento dos dados de todos os municípios da(s) microrregião(ões), os tutores


devem discutir as seguintes questões:

• Qual a situação da cobertura vacinal dos municípios?


• Há vacinas cuja cobertura está abaixo da meta estabelecida? Quais as possíveis causas
para a baixa cobertura vacinal nestes casos?
• Como os tutores podem abordar essas questões junto às equipes?
Essa atividade é abordada na Oficina 3 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS (pag. 57).

IMPORTANTE

O Analista Regional deve relembrar o tutor de que será necessário elaborar uma apresentação
para a Oficina Tutorial 03 da APS (Atividade 04) com os dados da cobertura vacinal do seu
município. É importante que os tutores considerem os dados das vacinas do Calendário Nacional
de Vacinação referentes ao município nos últimos 12 meses. A análise deve dar ênfase à cobertura
vacinal de menores de 1 ano e de gestantes. Para além desses dados, caso haja alguma outra
vacina com indicadores inadequados, o tutor poderá inclui-la na apresentação.

66 PROJETO SAÚDE EM REDE


Organização da sala de vacina na UAPS

A utilização de Procedimentos Operacionais Padrão (POP) na sala de vacina visa a contribuir


para que os profissionais que executam a mesma tarefa o façam de maneira uniforme. Trata-se
de uma descrição detalhada de todas as etapas necessárias para a realização de uma tarefa, ou
seja, é um roteiro para a realização de uma atividade. O Projeto Saúde em Rede possui alguns
modelos norteadores para a elaboração de POP que podem ser utilizados como material de
apoio e consulta caso a UAPS necessite de atualizar ou implantar algum POP.

ATIVIDADE 03
Avaliando o microprocesso de vacinação e os POP
da UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deve imprimir uma cópia
de cada POP relacionado à vacinação, disponível na Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede.

No momento da atividade, inicialmente, o Analista Regional deve provocar uma discussão


com os tutores da APS sobre os resultados da avaliação do microprocesso de vacinação,
realizada como atividade de dispersão da Oficina Tutorial 02.

Posterioremente, o Analista Regional deve apresentar aos tutores o quadro com os nomes
dos 14 modelos de POP disponibilizados no Projeto Saúde em Rede. Em seguida, propomos
que os tutores sejam divididos em dois grupos. É importante que os tutores de cada
município estejam em grupos distintos.

Cada grupo ficará responsável pela leitura e pela discussão de sete POP, considerando as
seguintes questões:

• A UAPS já possui implantandos os POP em análise?


• Os modelos sugeridos no Projeto Saúde em Rede contribuem para a melhoria dos
microprocessos em análise?
• Como os tutores podem trabalhar o aprimoramento dos POP relacionados à vacinação
na UAPS Laboratório?
Essa atividade é abordada na Oficina 3 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – Volume I (pag. 46).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 67


Quadro – Modelos de POP disponibilizados no Projeto Saúde em Rede
POP Resultados esperados
Apresentar de modo esquemático a sequência do fluxo desde a chegada
01 - Fluxograma Vacina UAPS
até a saída do usuário da UAPS no que se refere à vacinação.
02 - Instrumento de Avaliação Avaliar os processos da sala de vacina durante o início, término da jornada
dos processos de sala de Vacina de trabalho e durante a aplicação de imunobiológicos
Assegurar a correta limpeza da sala de vacina de acordo com as normas
03 - Limpeza da Sala de Vacina estabelecidas. Garantindo assim a segurança dos pacientes e dos
profissionais de saúde.
04 - Higienização das mãos Reduzir a microbiota resistente e principalmente a microbiota transitória
05 - Monitoramento e Controle
Garantir a qualidade e potencial imunizante das vacinas.
de Temperatura
Assegurar a correta limpeza da câmara de vacina sala de vacina de acordo
06 - Limpeza Câmara de Vacina com as normas estabelecidas. Garantindo assim segurança dos pacientes e
dos profissionais de saúde.
Otimizar o uso dos imunobiológicos com data de vencimento mais
07 - Organização de
próxima para que sejam utilizados primeiro, evitar administração trocada
Imunobiológicos na Câmara de
de imunobiológicos devido semelhança entre os frascos, correto registro
Vacina
do lote no sistema de informação e no cartão de vacina do usuário
Conservação dos imunobiológicos na temperatura padronizada entre 2ºC
08 - Manejo da Caixa Térmica
e 8ºC mantendo qualidade potencial imunizante dos imunobiológicos
Evitar perda de imunobiológicos e/ou desvio de qualidade dos mesmos,
09 - Plano de Contingência
quando o equipamento de refrigeração deixar de funcionar por quaisquer
Queda de Energia
motivos
10 - Imunológico sob Suspeita Garantir a qualidade e potencial imunizante das vacinas.
11 - Administração de
Prevenir doenças imunopreviníveis com segurança e correta indicação
Imunobiológicos
12 - Fluxo para CRIE Estabelecer o fluxo para solicitação de imunobiológicos especiais.
Minimizar a produção de resíduos gerados e proporcionar um
13 - Manejo de Resíduos encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando à proteção dos
Sólidos trabalhadores, à preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do
meio ambiente.
14 - Busca ativa de faltosos Melhorar cobertura vacinal

68 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Abrangência regional da unidade de AAE

Dando continuidade à discussão sobre abrangência regional, propomos que, no período da


tarde, seja finalizada a primeira parte da Atividade 1 e que seja desenvolvida a segunda parte
desta atividade, que segue abaixo.

ATIVIDADE 01
Discutindo a regionalização da atenção especializada
(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: conforme solicitado no Encontro Formativo 01, o Analista


Regional deve elaborar uma apresentação contendo informações sobre as cotas pactuadas
por cada município e sobre a sua utilização, no período de 12 meses. Além disso, o Analista
Regional deve calcular o número de gestantes para o período de 12 meses (estimar a
quantidade de usuárias com gestação de alto risco), o indicador de percentual de produção
assistencial dos municípios e o indicador de abrangência regional, utilizados para o
monitoramento do serviço de AAE, para o período de 12 meses (3 quadrimestres). Ainda
como preparação para a atividade, os tutores deverão calcular o indicador de proporção
de usuárias com gestação de alto risco atendidas por município de residência em relação
ao total de usuárias com gestação de alto risco atendidas no quadrimestre no serviço de
AAE. O detalhamento sobre os indicadores solicitados encontra-se abaixo.

No momento da atividade, Analistas Regionais e Tutores deverão apresentar os dados


levantados e discutir as seguintes questões:

• A previsão de usuárias com gestação de alto risco de cada município está em


conformidade com as cotas pactuadas?

• As cotas pactuadas correspondem ao número de gestantes atendidas na unidade


de AAE?

• O que os indicadores sinalizam em termos de abrangência regional do serviço da AAE?

• A atual oferta da unidade de AAE é suficiente para atender à demanda dimensionada


no levantamento do número de gestantes da região?

• De que forma podemos ampliar o acesso das usuárias com gestação de alto risco ao
serviço da AAE? Como a equipe da AAE pode contribuir para que a oferta do serviço
especializado possa se adequar à demanda? Quais as dificuldades para isso?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 69


Após a discussão, é importante que sejam definidas ações a serem desenvolvidas e/ou
pactuadas para o atendimento às demandas da usuárias com gestação de alto risco do
território.

Essa atividade é abordada na Oficina 3 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 53).

Indicador “Proporção de usuárias com gestação de alto risco atendidas na unidade de AAE
por município de residência”

Para calcular esse indicador, é necessário:

• realizar o levantamento do quantitativo de usuárias com gestação de alto risco que


utilizaram o serviço de AAE nos últimos 12 meses (3 quadrimestres), identificando os
respectivos municípios de residência;

• realizar o levantamento do total de usuárias com gestação de alto risco atendidas no


mesmo período pelo serviço de AAE;

• fazer o cálculo, seguindo a fórmula descrita abaixo:

Nº de usuárias com gestação de alto risco atendidas por município de residência


Nº total de usuárias com gestação de alto risco atendidas na unidade de AAE

Indicador “Percentual da produção assistencial dos municípios de abrangência”

Este indicador é preconizado pela Política dos Centros Estaduais de Atenção Especializada,
que prevê seu acompanhamento quadrimestralmente. Para fins do exercício aqui proposto, o
indicador deverá ser calculado para o período de 12 meses, conforme informações disponíveis
no Anexo III da Resolução SES/MG nº 6.946, de 04 de dezembro de 2019, que seguem abaixo:

70 PROJETO SAÚDE EM REDE


Percentual da produção assistencial dos municípios de abrangência
Avaliar se a assistência efetivamente prestada pelo Centro Estadual de Atenção
Descrição do
Especializada está em acordo com as metas pactuadas anualmente com os municípios
indicador
da área de abrangência por meio da produção assistencial (PA).
Fonte Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA-SUS)
Meta >85%
Descrição da
Todos os procedimentos pactuados anualmente em CIR/CIRA devem ser executados
meta
O indicador assistencial será apurado por meio da produção mensal de exames e
Processo de consultas conforme o lançamento no Boletim de Produção Ambulatorial Individualizado
avaliação (BPA-I) do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA-SUS), considerando os limites das
metas pactuadas por procedimento em CIR/CIRA.
produção do período apurável no SAI de consultas e exames
Método de executados até o limite da meta por procedimento
cálculo
total pactuado para o período

Fonte: MINAS GERAIS, 2019

Indicador de Abrangência Regional

Este indicador é preconizado pela Política dos Centros Estaduais de Atenção Especializada,
que prevê seu acompanhamento quadrimestralmente. Para fins do exercício aqui proposto, o
indicador deverá ser calculado para o período de 12 meses, conforme informaçõess disponíveis
no Anexo III da Resolução SES/MG nº 6.946, de 04 de dezembro de 2019, que seguem abaixo:

Indicador de Abrangência Regional


Descrição do Verificar o acesso dos municípios de abrangência regional (AR) do Centro de Estadual de
indicador Atenção Especializada
Fonte Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA-SUS) – (BPA-I)
Meta >85%
Descrição da Todos os municípios de abrangência do serviço devem utilizar pelos menos 50% da cota
meta de consultas médicas
Processo de Verificar por meio de dados extraídos do SIA/PBA-I a produção do Centro Estadual de
avaliação Atenção Especializada por município de origem.
Nº de municípios que utilizaram pelo menos 50%
Método de da cota de consultas médicas previstas no periodo
cálculo Nº total de municípios de abrangência dos Centros
Estaduais de Atenção Especializada
Fonte: MINAS GERAIS, 2019

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 71


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 02


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade 1 Tutores da AAE e da
Local
– Compartilhando as 2 APS, separadamente;
Analista destinado à Orientações no Guia de
ações desenvolvidas horas Analistas Centrais,
Regional formação de Formação de Tutores
na Unidade Apoiadores da ESP-MG e
tutores
Laboratório Apoiadores do COSEMS
Local
Realizar atividade 2 Analista Tutores da AAE e da APS, destinado à Orientações no Guia de
2 – Planejando os horas Regional separadamente formação de Formação de Tutores
próximos passos
tutores

72 PROJETO SAÚDE EM REDE


Monitoramento do Projeto Saúde em Rede e planejamento dos próximos
passos

Em todos os Encontros Formativos, haverá um momento dedicado ao monitoramento do Projeto


Saúde em Rede, no qual os tutores poderão compartilhar entre si e com o Analista Regional
como está o andamento das atividades junto à equipe da unidade, quais estratégias estão
sendo desenvolvidas junto aos profissionais e junto à gestão, quais dificuldades estão sendo
enfrentadas, entre outros aspectos.

É importante lembrar que o monitoramento tem uma dimensão local, relacionada ao


acompanhamento das ações voltadas para as mudanças de processos de trabalho nas unidades
de APS e AAE, com a utilização do Plano de Ação como ferramenta de sistematização das
diversas intervenções planejadas no âmbito do projeto. Além disso, o monitoramento possui,
também, uma dimensão Regional/Estadual, relacionada ao acompanhamento das estratégias
de gestão locorregionais que emergem com o desenvolvimento do Projeto nos territórios e
visam ao fortalecimento, à integração e à reorganização das RAS. Essa dimensão estabelece-se
na conexão entre os momentos de formação e o monitoramento do plano de ação de cada
município e destes com os dispositivos de governança regional e estadual do Projeto. Isso poderá
ocorrer, por exemplo, por meio da identificação e da discussão de pautas a serem direcionadas
para pactuação na CIB Micro, bem como para processamento no Nível Central da SES/MG.
Nesta dimensão, o Analista Regional passa a ser protagonista do processo – compondo com
Analista Central e com Tutores – para apontar, identificar, discutir e levar as pautas aos espaços
decisórios, que são pertinentes à região de saúde e à organização da rede de atenção.

ATIVIDADE 01
Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade
Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: as oficinas ocorreram? Houve dificuldades? Como


foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a oficina?

• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas no


plano de ação? Há dúvidas no uso das ferramentas? A equipe tem se apoiado para a
realização das atividades previstas no plano?

• papel do tutor: como tem sido a experiência como tutor? Quais dificuldades têm sido
enfrentadas? Quais estratégias têm sido realizadas junto à equipe e à gestão?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:
• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 73


a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?
• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?
• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser
utilizado na próxima Oficina Tutorial?
• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre
os tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada
atividade ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina)

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

ATENÇÃO

O período da tarde deste segundo dia da Formação de Tutores poderá ser utilizado para dar
continuidade ao monitoramento do Projeto e ao planejamento dos próximos passos para realização
das Oficinas Tutoriais, conforme as necessidades surgidas em cada região. Nesse sentido, o Analista
Regional deverá avaliar essa necessidade previamente e informar com antecedência aos tutores.

Caso o período da tarde seja utilizado, é necessário que a presença dos tutores seja registrada
nas listas fornecidas pela ESP-MG.

74 PROJETO SAÚDE EM REDE


2.3. ENCONTRO FORMATIVO 03

O Encontro Formativo 03, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Apresentar e discutir as compreensões das diferentes equipes sobre as características


da relação entre a APS e a AAE e sobre as estratégias para fortalecer o trabalho integrado
em rede;
• Discutir os papeis da APS e da AAE no âmbito da rede de atenção à saúde, com foco no
cuidado materno-infantil;
• Discutir fluxos e critérios de compartilhamento do cuidado à gestante entre APS e AAE;
• Analisar o território de atuação da equipe e a sua relação com o processo de saúde e
doença da comunidade;
• Discutir a importância da territorialização para o trabalho das equipes de saúde no
planejamento das ações locorregionais;
• Discutir a importância do cadastramento familiar e analisar como tem sido feito na UAPS;
• Discutir e pactuar a realização das atividades de dispersão;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Apresentar e discutir as compreensões das diferentes equipes sobre as características


da relação entre a APS e a AAE e sobre as estratégias para fortalecer o trabalho integrado
em rede;
• Discutir os papeis da APS e da AAE no âmbito da rede de atenção à saúde, com foco no
cuidado materno-infantil;
• Discutir fluxos e critérios de compartilhamento do cuidado à gestante entre APS e AAE;
• Analisar o território de atuação da equipe e a sua relação com o processo de saúde e
doença da comunidade;
• Discutir a importância da territorialização para o trabalho das equipes de saúde no
planejamento das ações locorregionais;
• Mapear o território de abrangência da AAE;
• Discutir e pactuar a realização das atividades de dispersão;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 75


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 03


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente.
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações no Guia de
Tutores da Formação de Tutores
AAE e da APS,
Realizar atividade “Matriz de apoio à discussão
conjuntamente; Local
1 – Discutindo a sobre a relação entre APS
1 hora Analista Analistas Centrais, destinado à
integração entre e AAE” e “Matriz de ações
Regional Apoiadores formação de
as equipes da para fortalecimento do
da ESP-MG e tutores
APS e da AAE trabalho integrado entre
Apoiadores do
COSEMS APS e AAE”, preenchidas
durante a Oficina Tutorial
Tutores da
Realizar atividade
AAE e da APS,
2 – Discutindo Orientações no Guia de
conjuntamente; Local
a integração Formação de Tutores
1 hora Analista Analistas Centrais, destinado à
entre a APS e a
Regional Apoiadores formação de Guia das Oficinas Tutoriais
AAE no cuidado
da ESP-MG e tutores da APS (vol. I)
à gestante
Apoiadores do
(Primeira Parte)
COSEMS
Intervalo 15 min

Orientações no Guia de
Formação de Tutores
Realizar atividade Tutores da
2 – Discutindo AAE e da APS, “Critérios para estratificação
a integração conjuntamente; Local de risco gestacional –
entre a APS e a Analista Analistas Centrais, destinado à Estratificação de risco da
45 min
AAE no cuidado Regional Apoiadores formação de SES/MG”, presentes na Nota
à gestante da ESP-MG e tutores Técnica Saúde da Mulher na
(Segunda Parte) Apoiadores do Gestação, Parto e Puerpério,
COSEMS disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Tutores da Orientações no Guia de
AAE e da APS, Formação de Tutores
Realizar atividade
conjuntamente; Local
3 – Discutindo o Texto de apoio “O Território
1 hora Analista Analistas Centrais, destinado à
território sob a como Processo e o Processo
Regional Apoiadores formação de
perspectiva da Saúde Doença”, disponível
da ESP-MG e tutores
APS e da AAE no Guia das Oficinas
Apoiadores do
COSEMS Tutoriais da APS (vol. I)

76 PROJETO SAÚDE EM REDE


Relação entre as equipes da APS e da AAE: características e estratégias para
fortalecimento do trabalho integrado

Em nosso Encontro Formativo 02, iniciamos uma discussão sobre a articulação entre as equipes
da APS e da AAE da região e sobre as perspectivas para a integração entre os profissionais de
ambos os serviços. Posteriormente, os tutores puderam discutir junto às equipes questões
mais específicas sobre a relação entre a APS e a AAE e também ações para o fortalecimento
do trabalho integrado.

Neste momento, a proposta é que os tutores da APS e da AAE compartilhem os produtos das
discussões com as equipes e construam, coletivamente, consensos e estratégias para ampliar
e fortalecer a atuação integrada na rede de atenção à saúde.

ATIVIDADE 01
Discutindo a integração entre as equipes da APS e
da AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Propomos que os tutores da APS e da AAE apresentem uma síntese das discussões
realizadas junto às equipes, destacando tanto as características da relação entre APS e da
AAE, quanto as ações para fortalecimento do trabalho integrado. Para isso, podem utilizar
a “Matriz de apoio à discussão sobre a relação entre APS e AAE” e a “Matriz de ações para
fortalecimento do trabalho integrado entre APS e AAE”, preenchidas durante a Oficina
Tutorial e disponibilizadas na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Após as apresentações, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• As compreensões das diferentes equipes apontam convergências sobre a relação


entre APS e AAE na região?

• Analisando as “Matrizes de apoio à discussão sobre a relação entre APS e AAE”,


preenchidas pelas equipes, quais as principais fragilidades identificadas? E as principais
potencialidades?

• Analisando as “Matrizes de ações para fortalecimento do trabalho integrado entre


APS e AAE”, preenchidas pelas equipes, de que forma os tutores podem apoiar a
implementação de estratégias para ampliar/fortalecer a atuação integrada?
Esta atividade é abordada na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 64)
e na Oficina 02 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 40).

Para aprofundarmos o debate sobre a relação entre as equipes da APS e da AAE, sugerimos a
leitura e a discussão do caso “Os caminhos de Andréia pela rede de atenção à saúde”, o qual
foi abordado no Curso “Organização do Cuidado em Rede”, ofertado na modalidade à distância,
no âmbito do Projeto Saúde em Rede.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 77


Sabemos que a continuidade do cuidado é um princípio que deve ser garantido a todas as
gestantes que vivem nos territórios de atuação das equipes, como é o caso de Andréia. Para
a continuidade do cuidado à Andréia, que apresenta gestação de alto risco, os profissionais
da APS e da AAE devem atuar como uma única equipe, “falando a mesma língua” no que diz
respeito aos critérios para manejo da condição clínica, com canais de comunicação e de apoio
que permitam uma gestão compartilhada e integrada do caso. Para isso, é fundamental que
as equipes da APS e da AAE tenham clareza sobre as atribuições de cada serviço no cuidado
à gestante e definam estratégias de comunicação que permitam maior aproximação entre os
profissionais e um cuidado integrado à gestante.

ATIVIDADE 02
Discutindo a integração entre a APS e a AAE no cuidado
à gestante (Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir, para tutores
da APS e da AAE, cópias do caso “Os caminhos de Andréia pela rede de atenção à saúde”,
disponível abaixo. Também deverá imprimir, para os tutores da AAE, cópias das “Atribuições
da APS na Saúde da Mulher na gestação, no parto e no puerpério” e das “Atribuições da
AAE na Saúde da Mulher na gestação, no parto e no puerpério”, disponíveis abaixo. As
atribuições estão disponíveis nas páginas 71 e 72 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS –
volume I.

Sugerimos que os tutores sejam divididos em grupos para leitura do caso “Os caminhos de
Andréia pela rede de atenção à saúde” e discussão das seguintes questões:

• Considerando o caso Andréia e na lógica das redes de atenção à saúde, quais seriam
as atribuições da APS e da AAE no cuidado à gestante?

É importante que o Analista Regional registre as atribuições levantadas pelos grupos e faça
um exercício comparativo em relação às atribuições estabelecidas na Nota Técnica para a
Saúde da Mulher na Gestação, Parto e Puerpério, disponibilizadas abaixo.

• Vimos no caso Andréia que as equipes da APS e da AAE pactuaram a utilização de


diferentes canais de comunicação. Na percepção dos tutores e considerando a realidade
dos serviços, quais são os principais recursos de comunicação que podem ser adotados
por ambas as equipes? Como implementá-los no cotidiano de atuação dos profissionais?

Após as discussões, cada grupo deve compartilhar com os demais os principais pontos
debatidos.

Esta atividade é abordada na Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 70).

78 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO ANDREIA

“Os caminhos de Andréia pela rede de atenção à saúde”

Andréia é uma jovem gestante no primeiro trimestre de gestação. Ela mora com os pais, porque
seu namorado, Jubiratan, não conseguiu emprego e não tinha como custear a casa para viverem
juntos.

Há 15 dias a Agente Comunitário de Saúde (ACS) Fernanda soube pelo vizinho da Andréia
que ela estava grávida e foi fazer uma visita para saber como estava a gestação e o pré-natal.
Durante a visita, a ACS Fernanda tomou conhecimento de que Andréia não havia procurado
a Unidade de Atenção Primária em Saúde (UAPS) para iniciar o pré-natal. Segundo a usuária,
ela não costuma ir à unidade de saúde e, quando passa mal, busca o pronto atendimento do
município localizado em outro bairro.

Sabendo do fato, a ACS Fernanda levou para a reunião de equipe na manhã seguinte o caso
de Andréia, preocupada se não existiriam outras gestantes que também não tinham sido
identificadas no território. Inquieta, a equipe questionou se toda a população adscrita estava
de fato cadastrada.

ACS Fernanda: Acho que nós deveríamos verificar se as gestantes da área foram cadastradas,
se não há gestante nova que deixamos passar.

Enfermeira Marta: Bem lembrado. Precisaremos conversar com a equipe toda para fazermos
a territorialização e verificarmos os cadastros novos e antigos.

Diante das falas, a médica Gabriela pontuou que o importante é que agora Andréia seria
acompanhada e agendou uma consulta para ela e para o parceiro na sexta-feira seguinte.

Durante a consulta com a médica Gabriela e com a enfermeira Marta, perguntou-se à Andréia
quais eram os antecedentes individuais e obstétricos, além de questões sobre a gestação atual,
os hábitos alimentares, a rotina diária, a relação familiar e se ela bebia ou fumava. Andréia
relatou que não tem se alimentado corretamente, porque tem sentido muito enjoo, além
de dores de cabeça constantes e dor ao urinar. As profissionais realizaram os testes rápidos;
fizeram aferição da pressão, do peso e da altura; verificaram o cartão de vacina; e solicitaram
exames de rotina do primeiro trimestre. Andréia foi convidada a participar de grupos educativos
sobre cuidados durante a gestação. Também foi agendado atendimento odontológico e
foram compartilhadas orientações quanto aos sinais de alerta durante a gestação e quanto à
maternidade de referência, que poderia ser buscada caso Andréia manifestasse algum sinal de
alerta fora do horário de funcionamento da UAPS.

Após receber os resultados dos exames laboratoriais e da ultrassonografia de Andréia, a equipe


da APS confirmou as hipóteses diagnósticas de infecção urinária, sífilis e diabetes. A equipe, com
base na diretriz clínica de atenção à saúde da gestante, procedeu ao manejo recomendado, fez
nova estratificação de risco, por meio da qual Andréia passou a ser considerada como gestante

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 79


de alto risco, e agendou o atendimento na UAPS para seu companheiro, Jubiratan. Diante da
situação, a equipe da AAE foi contactada para a discussão do caso e se concluiu que a conduta
adequada seria o cuidado compartilhado.

Após receber as devidas orientações, a equipe de APS realizou o agendamento de Andréia no


ambulatório especializado em tempo hábil para que fosse dado seguimento ao seu plano de
cuidado, conforme o quadro clínico atual. Já na AAE, ela foi acolhida e foi explicado o fluxo de
atendimento e o propósito do cuidado compartilhado. Após os esclarecimentos e a conferência
de dados cadastrais em prontuário eletrônico, Andréia foi atendida pelos diferentes profissionais
da equipe de pré-natal de alto risco, conforme a carteira de serviços pactuada na região. Após
os atendimentos, ela realizou novos exames e procedimentos, recebeu um plano de cuidado
elaborado pela equipe que a atendeu e foi orientada quanto à continuidade dos seus cuidados.
No plano de cuidados, estavam as medidas e as ações para estabilizar o seu quadro clínico e a
proposta do seu atendimento subsequente na APS.

Ao retornar para o acompanhamento na UAPS, Andréia apresentou o plano que lhe foi entregue
pela equipe da AAE. Com isso, a AAE e a APS passaram a monitorar e a dialogar sobre a evolução
do caso, viabilizando a continuidade do cuidado, conforme o planejado. Ficou pactuado entre
as equipes que, no caso de intercorrências, a APS poderia contar com o suporte da AAE para
o manejo adequado, via telefone, chats de discussão, aplicativos de mensagens instantâneas,
e-mail ou deslocamento dos profissionais da AAE até as unidades da APS, caso houvesse
necessidade.

Fonte: Adaptado de SBIBAE (2019a).

Atribuições da APS na Saúde da Mulher na gestação, no parto e no puerpério


Garantir cobertura a todas as gestantes e as puérperas do território de abrangência da UAPS
Realizar captação da gestante residente na área de abrangência da UAPS e estratificar o risco gestacional
Utilizar diretrizes clínicas baseadas em evidências adotadas na rede de atenção à saúde para o cuidado às
gestantes e às puérperas
Acompanhar pré-natal e puerpério de gestantes de risco habitual e alto risco
Coordenar o cuidado e realizar acompanhamento compartilhado com a atenção especializada do pré-
natal e do puerpério de gestantes de alto risco
Monitorar plano de cuidados das gestantes de alto risco, com foco na estabilização das condições e das
morbidades diagnosticadas
Ordenar os fluxos e os contrafluxos na rede de atenção à saúde para o cuidado à gestante e à puérpera
Discutir e propor plano de cuidados único, com distintas categorias profissionais, para os casos das
gestantes em situação de vulnerabilidade
Mobilizar recursos para apoio às gestantes em situação de vulnerabilidade
Utilizar tecnologias voltadas para o fortalecimento da capacidade de autocuidado
Disponibilizar e utilizar a Caderneta da Gestante como principal ferramenta para o autocuidado apoiado
Desenvolver ações educacionais voltadas para a gestante e a puérpera
Elaborar e monitorar o plano de cuidado à saúde da gestante e da puérpera

80 PROJETO SAÚDE EM REDE


Apoiar a gestante e a família para a elaboração do plano de parto, considerando, entre outros aspectos, o
deslocamento até o município sede, onde está localizada a maternidade de risco habitual ou alto risco de
referência, previamente ao início do trabalho de parto
Realizar exames laboratoriais de rotina para o pré-natal, de acordo com as diretrizes clínicas,
dimensionados para todas as gestantes acompanhadas, com coleta realizada preferencialmente nas
UAPS, controle de qualidade do processamento do material biológico e tempos de resposta oportunos
para a definição de condutas necessárias
Participar de ações de educação permanente e supervisão clínica propostas pela equipe especializada ou
outras possibilidades
Realizar vinculação da gestante às maternidades de referência
Realizar testes rápidos, vacinação, medicamentos e outros serviços de apoio
Fonte: adaptado de SBIBAE (2019b)

Atribuições do Ambulatório de Referência para o pré-natal de alto risco, referência para


as UAPS de todos os municípios da microrregião

Organizar sua capacidade operacional a partir da necessidade de saúde, ou seja, considerando o número
de gestantes acompanhadas pelas equipes de APS dos municípios da microrregião de saúde
Utilizar diretrizes clínicas baseadas em evidências adotadas na rede de atenção à saúde
Realizar acompanhamento compartilhado com as equipes da APS para o pré-natal de gestantes de alto
risco
Possuir mecanismos de compartilhamento do cuidado, com canais de comunicação diretos com as
equipes da APS, critérios claros e modalidades de agendamento ágeis
Realizar manejo da gestante de alto risco por equipe multiprofissional com atuação interdisciplinar, de
acordo com roteiros de atendimento padronizados para o pré-natal de alto risco a partir das diretrizes
clínicas
Realizar exames especializados para a gestação de alto risco
Elaborar plano de cuidados compartilhado com as equipes da APS
Apoiar as equipes da APS por meio de ações de educação permanente, matriciamento e outras iniciativas
voltadas para a gestão da condição de saúde da mulher na gestação e no puerpério
Fonte: adaptado de SBIBAE (2019b)

Como vimos no caso Andréia, foi necessário o compartilhamento do cuidado entre as equipes da
APS e da AAE. Considerando que, em geral, 15% das gestantes possuem gestação de alto risco,
é importante que as equipes conheçam os critérios para a estratificação de risco gestacional e
definam formas de desenvolvimento do cuidado compartilhado entre os serviços.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 81


ATIVIDADE 02

Discutindo a integração entre a APS e a AAE no cuidado


à gestante (Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias dos
“Critérios para estratificação de risco gestacional – Estratificação de risco da SES/MG”,
presentes na Nota Técnica para organização da rede de atenção à saúde, com foco na APS e
na AAE, denominada de “Saúde da Mulher na Gestação, Parto e Puerpério”. A Nota Técnica
está disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Novamente divididos em grupos, propomos que os tutores discutam as seguintes questões:

• Os tutores conhecem o fluxo e os critérios de compartilhamento do cuidado da


mulher com gestação de alto risco entre as equipes da APS e da AAE? No caso Andréia,
qual ou quais critério(s) clínico(s) apontou(aram) a necessidade de compartilhamento
do cuidado entre os serviços?

Em seguida, cada grupo deverá ler e discutir os critérios para estratificação de risco
gestacional – Estratificação de risco da SES/MG, definidos na Nota Técnica. É importante
que os tutores discutam os critérios à luz da realidade dos serviços em que atuam. Para
isso, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• No cotidiano de trabalho das UAPS, os critérios definidos na Nota Técnica são


utilizados para encaminhamento da gestante ao cuidado ambulatorial especializado?
Há dificuldades no acesso ao cuidado especializado na região? Se sim, quais?

A temática do compartilhamento do cuidado é abordada também na Oficina 05 do Guia das


Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 73) e na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da
AAE (pag. 103).

O território e as redes de atenção à saúde

Para que os serviços de saúde da APS ou da AAE possam se (re)organizar considerando as


necessidades de saúde da população, é importante que suas equipes conheçam a multiplicidade
de elementos que constituem os territórios. Não há como compreendermos e nos apropriarmos
do território sem refletirmos mais amplamente sobre o seu contexto social e sobre o seu
cotidiano.

Nas Oficinas Tutoriais da APS e da AAE, as equipes serão convidadas a refletir sobre o território
em que atuam e sobre o trabalho que desenvolvem, considerando os modos de viver, adoecer e
morrer dos usuários. Para subsidiar a discussão a ser realizada com as equipes, neste momento,

82 PROJETO SAÚDE EM REDE


iremos fomentar uma primeira aproximação dos tutores com o conceito de território e com as
suas implicações para a organização dos processos de trabalho em saúde.

ATIVIDADE 03

Discutindo o território sob a perspectiva da APS e


da AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir, para os


tutores da AAE, cópias do texto de apoio “O Território como Processo e o Processo Saúde
Doença”, disponível abaixo e na página 82 do volume I do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

No momento da atividade, propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto


de apoio “O Território como Processo e o Processo Saúde Doença”, de autoria de Maurício
Monken e Christovam Barcellos. O texto integra o livro “O território e o processo saúde-
doença”, organizado por Angélica Ferreira Fonseca e Anamaria D’Andrea Corbo e publicado
pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, em 2007.

Após a leitura, sugerimos que os tutores discutam as seguintes questões:

• Entre os elementos do território citados no texto, quais influenciam mais intensamente


os modos de adoecer e morrer da população vinculada ao serviço onde vocês atuam
(APS ou AAE)?

• Que características do território em que vocês atuam ampliam as possibilidades de


saúde da população?

• As características do território do seu município ou da sua região influenciam a forma


de organização do serviço de saúde em que vocês atuam (APS ou AAE)? De que modo?

Durante o debate, o Analista Regional deverá garantir que os participantes compartilhem


com o grupo questões tanto da APS quanto da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 81).
No Guia das Oficinas Tutoriais da AAE, esse tema é abordado na Oficina 03, durante as discussões
sobre a abrangência regional do serviço da atenção ambulatorial especializada.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 83


TEXTO DE APOIO

O Território como Processo e o Processo Saúde Doença3

Todos nós vivemos em um espaço geográfico e nesse espaço existem diversas coisas que
usamos para facilitar nossa vida: nossa casa, nosso local de trabalho, um lugar para encontrar
os amigos, para comprar alimentos etc. Da mesma forma, para que a sociedade exista, é
necessário adaptar esse espaço em que ela se desenvolve. Basta olhar pela janela e ver todas
as construções feitas no espaço, como as ruas, as estradas, os prédios, as casas. Todas essas
obras são modificações na natureza, feitas para criar um novo ambiente que seja mais adaptado
para a vida humana. Em alguns momentos, é possível até acompanhar essas transformações
como o desmatamento, a demolição de um prédio antigo, a construção de uma estrada. Essas
ações humanas mudam a paisagem e o modo de as pessoas viverem. Em vários locais, existem
ainda características naturais de épocas passadas que foram pouco modificadas pela sociedade:
os rios, as montanhas, as florestas. Em geral, quanto mais moderna uma sociedade, mais ela
transforma o espaço.

No Brasil, como a sociedade é muito desigual e injusta, as pessoas vivem de maneira diferente
e em condições diferentes. Os bairros onde moram pessoas com menos renda têm um aspecto
diferente dos bairros onde moram as pessoas de maior renda. As transformações afetam a todos
do lugar. Mas elas não são feitas por todos e para todos. Existem mudanças que beneficiam um
grupo de pessoas, mas prejudicam outras. Basta ver os problemas gerados com a construção
de represas, por exemplo. A decisão de construí-las surge porque existe uma demanda de
energia ou de água, isto é, a sociedade precisa desse produto para realizar suas atividades
cotidianas. Mas quem mora perto da área que vai ser alagada geralmente sofre com esse tipo
de obra. Durante a construção, existem trabalhadores (migrantes) vindos de toda parte do país
que modificam a vida da cidade. Depois de construído, o lago pode servir de criadouro para
caramujos da esquistossomose e mosquitos da malária. Outras pessoas que passam a usar esse
mesmo lago para turismo ou pesca podem melhorar de vida com essa obra. Além disso, a obra
pode ser feita em vários lugares e de diversas maneiras. Existem represas que prejudicam mais
os habitantes do local e outras menos. Quem tomou essa decisão? Como foi decidido realizar
a obra de um jeito e não de outro? Isso depende das pressões que existiam para fazer a obra
e, claro, da situação política do país.

Como vimos, os lugares estão sempre se transformando e essas transformações podem ser
mais harmoniosas ou mais conflituosas. Isso porque nem todos são iguais. Cada um vive de um
modo, tem um tipo de trabalho, tem uma relação com o ambiente. No mesmo lugar existem
diferentes atores sociais que têm diferentes interesses e forças políticas. Para uns, o lugar
deveria ser de uma maneira e, para outros, ele deveria ser de outra. Por isso, existem conflitos
entre esses grupos e o lugar é sempre o resultado desses conflitos. Além disso, o mesmo lugar
é usado de forma diferente pelos grupos. Mesmo que não estejam escritas, existem regras
para a vida e para os lugares, isto é, regras que regulam o uso do lugar. Casas servem para

3 Texto de autoria de MONKEN, Maurício; BARCELLOS, Christovam. O Território como Processo e o Processo Saúde Doença. In: Fonseca,
Angélica Ferreira (Org.). O território e o processo saúde-doença. / Organizado por Angélica Ferreira Fonseca e Ana Maria D’Andrea Corbo. Rio
de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007.

84 PROJETO SAÚDE EM REDE


morar. Igrejas para rezar. Áreas de lazer para se divertir. Tente imaginar se essas regras fossem
trocadas. Uma pessoa, para viver, precisa trabalhar, fazer compras, encontrar outras pessoas,
ter lazer etc. No dia-a-dia, as pessoas estabelecem relações com outras pessoas e, por isso,
com o seu lugar. Imagine uma fábrica. Ela é um lugar que produz alguma coisa que será depois
vendida para outras pessoas. Para tanto, precisa de trabalhadores, de materiais que serão
usados na fabricação de equipamentos etc. Todo dia, nessa fábrica, chegam e saem coisas
e pessoas. Quando identificamos uma fábrica no território, na verdade estamos apontando
para um lugar que tem uma localização, uma forma e também uma função. Qualquer objeto
geográfico tem fluxos. Milton Santos (1999) dizia que a geografia de um lugar é formada por
fluxos e fixos. Quando se elabora um mapa ou quando simplesmente se observa o campo de
trabalho, são destacados os fixos, representados por casas, ruas, fábricas, igrejas etc. Mas é
preciso saber que nesses fixos existem também fluxos. A mesma coisa acontece com os outros
objetos, tais como: um domicílio, um bar, um posto de saúde. Quando falamos em função dos
objetos geográficos, estamos falando dos fluxos e das regras existentes. Esses objetos só têm
razão de ser se tiverem fluxos que lhes dão vida. Até mesmo um recipiente com água só tem
importância para nós se tiver um fluxo e estiver inserido no território. Quando pensamos nesse
recipiente, lembramos que uma fêmea de mosquito pode depositar ovos nele e que, depois
de alguns dias ou semanas, podem sair desse recipiente muitos novos mosquitos. Esses são os
fluxos que queremos estudar, trabalhar ou interromper (no caso do controle da dengue, por
exemplo). Mas esses mosquitos e os recipientes não são importantes por si só. Vão ser mais
perigosos se estiverem em um lugar onde existam pessoas já doentes (infectadas pelo vírus da
dengue), pessoas não doentes (suscetíveis) e se essas pessoas estiverem próximas umas das
outras. Somente assim a dengue pode ser transmitida: se houver um criadouro de mosquitos,
se o vírus estiver presente no território, com alguma pessoa doente ou portadora do vírus,
e se existirem outras pessoas próximas do caso de dengue que sejam também picadas pelo
mosquito.

Isso quer dizer que um objeto pode ser ou não perigoso dependendo de onde e como ele está,
isto é, do seu contexto. O contexto são as condições objetivas e subjetivas da vida de um lugar,
que podem influenciar ou condicionar de forma direta ou indireta as pessoas e os objetos,
dependendo de como elas estão localizadas no território, do ponto de vista social, econômico,
político, cultural etc. As ações de saúde devem, assim, ser guiadas pelas especificidades dos
contextos dos territórios da vida cotidiana que definem e conformam práticas adequadas a essas
singularidades, garantindo com isso uma maior e mais provável aproximação com a produção
social dos problemas de saúde coletiva nos diversos lugares onde a vida acontece.

Cada território tem uma população. Mas isso não quer dizer que ela esteja uniformemente
distribuída no território. As principais diferenças de populações dentro de um território são
as populações rurais e urbanas. Nas áreas urbanas, o povoamento é mais denso e nas rurais
mais disperso e rarefeito. Isso pode ser percebido por meio de indicadores, como a densidade
demográfica, mas também através da observação dos modos de vida. As pessoas, nessas
áreas, vivem e trabalham de formas bastante diferentes. Em geral, a localização de populações
em um território não é uma escolha das pessoas. Participam desse processo a história da
ocupação e da apropriação do território e as desigualdades sociais, que têm o efeito de juntar
os semelhantes. Dessa forma, em uma cidade, a urbanização será mais ou menos completa,

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 85


segundo as circunstâncias da vida das pessoas, como o nível econômico e a sua inserção nos
processos produtivos. Assim, mesmo em um município em que toda a população é urbana,
podem ser identificadas grandes desigualdades, de forma que, nos melhores lugares, do ponto
de vista ambiental e de infraestrutura de saneamento, redes de transporte e outras, localizam-
se as famílias com mais recursos econômicos – os grupos de classes altas. Para aqueles mais
pobres, restam os lugares de piores condições para a urbanização, em geral distantes ou mal
servidos. Esse processo é denominado de segregação espacial. Segregar quer dizer separar ou
isolar e, portanto, a segregação espacial é uma separação que se realiza no espaço geográfico.
Nas cidades brasileiras, coexistem condomínios ou residências de alto padrão construtivo e de
serviços, com outros espaços de moradias improvisadas, com grandes restrições no acesso a
serviços.

Todos nós vivemos em vários níveis do território, ou seja, no Brasil, no estado do Amazonas,
no município de Coari; ou no estado do Rio de Janeiro, no município de Duque de Caxias; ou
no estado do Rio Grande do Sul, no município de Caxias do Sul. Mas as nossas condições de
vida e de saúde não são condicionadas pelo estado, nem tanto pelo município. Essas condições
dependem muito mais dos espaços próximos que utilizamos todo dia, isto é, dos lugares onde
desenvolvemos nossas atividades cotidianas. Podem também existir características comuns
a uma grande maioria das pessoas que vivem num estado ou em uma região e que também
condicionam as condições de vida e de saúde. Por exemplo, na região Norte (Amazônia),
consome-se muito peixe e, na região Sul, bebe-se vinho. Essas são especificidades da dieta de
grande parte da população de cada uma dessas regiões, assim como as condições de clima.
Na região Norte, as variações de temperatura são pequenas, quase sempre faz calor. No Sul,
existem épocas do ano de muito frio e outras épocas de muito calor. Essas populações estão
expostas a diferentes problemas de saúde. E essas diferenças devem ser reconhecidas para que
possamos atuar sobre os seus determinantes. Além das questões ligadas ao clima e aos hábitos
da população, persistem no Brasil grandes desigualdades de renda. Essas desigualdades também
têm consequências importantes para as condições de saúde. Por exemplo, enquanto alguns
municípios têm problemas de saneamento, devido à pequena capacidade de investimento,
outros têm melhores condições. Essas diferenças se refletem nas diferentes manifestações de
doença da população.

86 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 03


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da AAE e da Orientações no Guia de
Local
Realizar atividade APS, conjuntamente; Formação de Tutores
4 – Mapeando o 2 horas Analista Analistas Centrais,
destinado
Regional à formação Papel kraft
território Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
Apoiadores do COSEMS Canetinhas

Intervalo 15 min

Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente


O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade
Tutores da APS, Orientações no Guia de
1 – Discutindo a Local
1h exclusivamente; Formação de Tutores
importância do Analista destinado
15min Regional Analistas Centrais,
cadastramento à formação Guia das Oficinas Tutoriais
Apoiadores da ESP-MG e
das famílias e dos de tutores da APS (vol. I)
Apoiadores do COSEMS
domicílios
Tutores da APS,
Realizar atividade Local
exclusivamente;
2 – Apresentando 30min Analista destinado Orientações no Guia de
Analistas Centrais,
as atividades de Regional à formação Formação de Tutores
Apoiadores da ESP-MG e
dispersão para a APS de tutores
Apoiadores do COSEMS
Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Tutores da AAE, Orientações no Guia de


Realizar atividade 1 Local Formação de Tutores
1h exclusivamente;
– Orientação para a Analista destinado
Analistas Centrais, Texto de apoio
construção do Mapa 15min Regional à formação
Apoiadores da ESP-MG e “Mapeamento das
Inteligente da região de tutores
Apoiadores do COSEMS informações do Território”.
Tutores da AAE,
Realizar atividade Local
exclusivamente;
2 – Apresentando 30min Analista destinado Orientações no Guia de
Analistas Centrais,
as atividades de Regional à formação Formação de Tutores
Apoiadores da ESP-MG e
dispersão para a AAE de tutores
Apoiadores do COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 87


O território e as redes de atenção

ATIVIDADE 04

Mapeando o território

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá providenciar papel kraft
e canetinhas para os tutores utilizarem na elaboração de um desenho do mapa da região.

Primeiramente, propomos que o Analista Regional apresente aos tutores os elementos a


serem observados no território de abrangência dos serviços da APS e da AAE. Para isso,
poderá utilizar o quadro “Síntese dos elementos de caracterização do território local e
regional”, disponível abaixo. O quadro apresenta as informações contidas no “Roteiro para
caracterização do território de atuação das equipes da APS”, disponível na Oficina 06 do
Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 86), e nos Roteiros de Mapeamento do
Território de Abrangência da AAE, disponíveis na Oficina 03 do Guia das Oficinas Tutoriais
da AAE (pag. 56 e pag. 59).

Em seguida, a partir dos elementos apresentados, propomos que a dupla de tutores de cada
Unidade Laboratório identifique as principais potencialidades e fragilidades do território
de abrangência do serviço em que atua, a saber:

• Tutores da APS: apresentação das características do território municipal


• Tutores da AAE: apresentação das características do território regional

Posteriormente, as duplas deverão apresentar os elementos identificados a todos os


participantes. Sugerimos que, para o compartilhamento das informações, os tutores
desenhem e/ou utilizem um mapa ampliado da região. Neste mapa (ou em um desenho
que represente a região), as potencialidades e as fragilidades identificadas pelos tutores
poderão ser registradas, possibilitando melhor visualização das características de todo o
território regional.

O tema do mapeamento do território é abordado na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da


APS – volume I e na Oficina 03 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

88 PROJETO SAÚDE EM REDE


Quadro: Síntese dos elementos de caracterização do território local e regional
Elemento de
Serviço/
caracterização Descrição
Abrangência
do território
• Histórico da UAPS;
• Tipos de equipe;
Conformação • Extensão territorial de abrangência da UAPS;
da Unidade de
APS (UAPS) • Horário de atendimento;
• Recursos humanos;
• Existência de conselho de saúde e relação com as lideranças comunitárias
• Existência de: rios ou córregos, canalizados ou em leito natural; lagos e
represas, naturais ou artificiais; de área de proteção ambiental; de fontes
de água naturais;de áreas de risco (sujeitas a deslizamento, com esgoto a
céu aberto, lixão, sujeitas à inundação);
Relação • Existência de formas de contaminação ambiental nas comunidades;
território-
• Existência de espaços e atividades produtivas (ferro velho, borracharia,
saúde-trabalho
depósitos, fábricas, entre outras)
e ambiente
• Relação entre as atividades produtivas presentes no território e o
adoecimento de usuários/comunidade;
• Transformações percebidas no território local e impactos na saúde da
comunidade
Infraestrutura • Pavimentação das ruas e das avenidas; sistema de esgotamento
urbana sanitário; transporte público; iluminação pública; coleta de lixo; habitação.
APS / Local
• Existência de centros de referência/especialidades, consultórios/
ambulatórios privados, hospitais, laboratórios, residências terapêuticas,
pronto-atendimentos e outros.
Pontos de
atenção • Outros espaços de cuidado existentes no território (exemplo:
à saúde e organizações não governamentais, projetos mantidos por instituições
equipamentos religiosas etc.
sociais • Equipamentos e serviços sociais existentes: escolas, creches, cursos
profissionalizantes, associações, ambulatórios, hortas comunitárias etc.
• Áreas de lazer: campos de futebol, pistas para caminhada, parques etc.
• Espaços construídos no território e que as pessoas frequentam
regularmente (exemplo: feira livre, clubes, praças, igrejas, escolas,
associação de bairro etc.)
• Práticas coletivas desenvolvidas em espaços públicos do território
Práticas (exemplo: futebol em campo do bairro; jogo de baralho em praças públicas;
comunitárias lian gong em praças do bairro etc.)
e populações
específicas • Existência de populações específicas (assentadas, quilombolas,
ribeirinhas, indígenas, povo cigano, população de rua, população privada
de liberdade etc.)
• Dinâmicas socioculturais da comunidade (crenças, práticas religiosas,
dinâmicas familiares, benzeção, práticas de cuidado tradicionais etc.)

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 89


Elemento de
Serviço/
caracterização Descrição
Abrangência
do território
Características
• Limites geográficos, vulnerabilidades socioeconômicas e culturais,
da região de
possíveis barreiras de acesso.
saúde
• População (por faixa etária, sexo, urbana/rural);
• Cobertura da APS e das equipes de Saúde Bucal;

Características • Distância até o serviço de AAE, condições das vias de acesso e tempo
dos municípios médio de deslocamento;
• Identificação de outros serviços que compõem a rede, tais como
serviços de reabilitação, CRAS, Centros de Especialidades Odontológicas,
serviços de saúde mental;
Características
AAE / • Disponibilidade de veículos para o transporte dos usuários até o serviço
do Transporte
Regional de AAE;
Sanitário
• Tipo de coleta (centralizada ou descentralizada);
Características
dos serviços • Carteira de exames disponíveis;
de apoio • Fluxos para acesso ao serviço de apoio diagnóstico;
diagnóstico
• Tempo para liberação dos resultados.
• Adequação da Relação Municipal de Medicamentos (REMUME) à linha
de cuidado materno-infantil;
Características
da assistência • Disponibilidade dos medicamentos e insumos para a linha de cuidado
farmacêutica materno-infantil;
• Existência de serviços de cuidado farmacêutico
Fonte: ESP-MG (2021a; 2021b)

ATENÇÃO

É importante que o Analista Regional aponte que, além do levantamento dos elementos do
território local e regional listados no quadro acima, será necessário que os tutores da AAE façam
levantamento e sistematizem as informações que possibilitem à equipe da atenção especializada
conhecer e se vincular aos profissionais que atuam no seu território de abrangência. Esse
levantamento é trabalhado nos Roteiros 1, 2 e 3 da Oficina Tutorial 03 da AAE e é composto por:

• relação das referências, com seus respectivos contatos, da Unidade Regional de Saúde
da SES/MG e das Secretarias Municipais de Saúde;
• relação de Unidades de APS, gerentes e/ou referências, com seus respectivos contatos;
• relação de referências das Secretarias Municipais de Saúde para o transporte em saúde,
o apoio diagnóstico e a assistência farmacêutica, com seus respectivos contatos.

Essas informações serão fornecidas pelos tutores da APS dos municípios da região.

90 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

O processo de cadastramento familiar

Sabemos que, para desenvolver ações de cuidado na APS que considerem as especificidades do
território e o contexto social e familiar da comunidade, é necessária a utilização e a discussão
de distintos instrumentos e abordagens que possibilitam conhecer as características sociais,
demográficas e epidemiológicas dos usuários e das famílias. O preenchimento das fichas de
cadastro domiciliar e territorial, bem como da ficha de cadastro individual, realizado pelo
ACS durante a visita domiciliar, é um exemplo de estratégia que possibilita às equipes acessar
um conjunto de informações que poderão subsidiar o planejamento e o desenvolvimento do
cuidado na APS.

ATIVIDADE 01

Discutindo a importância do cadastramento das


famílias e dos domicílios

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e discutam as seguintes questões:

• Qual a importância de realizarmos o cadastramento das famílias e dos domicílios do


território de abrangência da UAPS? Como o cadastramento organiza/orienta o trabalho
na APS?
Em seguida, ainda em grupos, sugerimos que os tutores leiam o texto de apoio “O processo
de cadastramento familiar”, disponível no Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I
(pág. 93), e discutam sobre:
• A situação atual do cadastramento das famílias do território da UAPS
• Aspectos a serem aprimorados no processo de cadastramento
• Estratégias de apoio às equipes no processo de cadastramento ou na sua atualização
Esta atividade é abordada na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 90)

ATENÇÃO

No momento da discussão sobre o cadastramento/atualização do cadastro dos usuários e das


famílias, é importante que a equipe discuta se todas as mulheres com suspeita de gravidez e
todas as gestantes do território foram identificadas e estão sob o acompanhamento na UAPS,
considerando que a linha materno-infantil é prioritária no Projeto Saúde em Rede.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 91


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 02
Apresentando a atividade de dispersão para a APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da APS a atividade de dispersão
que será proposta ao final da Oficina Tutorial 06.

• Mapas Inteligentes

A proposta é que o tutor discuta com a equipe a elaboração do mapa inteligente de


cada microárea. O mapa inteligente nos possibilita compreender melhor o território, as
diferenças existentes entre as áreas e as microáreas e as características ou os elementos
que podem influenciar o processo saúde-doença das pessoas e da comunidade.

Nesta atividade de dispersão, sugere-se que os ACS construam ou atualizem o mapa


inteligente da sua microárea, com o apoio da equipe. Os ACS de uma mesma área podem
se reunir e elaborarem um mapa único da área, considerando todas as microáreas que a
compõem.

A atividade de dispersão de Mapas Inteligentes é explicada ao final da Oficina 06 do Guia das


Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 95).

É importante destacar que as atividades de dispersão devem ser inseridas no plano de


ação das equipes.

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 05 e 06, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 06, deverá ser destinado um tempo para discutir com a equipe
o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 03. Neste momento, tutores
e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/monitorados
na Oficina 06.

92 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Mapa Inteligente do território de abrangência do serviço de AAE

Sabemos que o processo de regionalização da AAE demanda vinculação do serviço


especializado com um território de abrangência e com todos os componentes da rede de
atenção que integram o cuidado aos usuários com a condição crônica a que se destina. Esse
processo permitirá, posteriormente, o estabelecimento de formas de comunicação direta
e de integração entre os serviços e as equipes, possibilitando a continuidade do cuidado.
Para isso, a equipe técnica e gestora da unidade de AAE deverá conhecer o território e
a sua população. No Projeto Saúde em Rede, estimularemos que as equipes de atenção
especializada construam o Mapa Inteligente de seu território de abrangência e cadastrem
os serviços com os quais compartilharão o cuidado.

ATIVIDADE 01

Orientação para a construção do Mapa Inteligente


da região

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias do texto


de apoio “Mapeamento das informações do Território”, disponível abaixo.

Primeiramente, o Analista Regional deverá destacar que esta atividade tem como objetivo
preparar os tutores para a construção do Mapa Inteligente da região de abrangência da
unidade de AAE.

Em seguida, propomos que seja realizada a leitura coletiva do texto de apoio “Mapeamento
das informações do território” e que sejam discutidas as seguintes questões:
• Os tutores possuem experiência prévia com a utilização de mapas para organização
do serviço de saúde?

• Os profissionais da unidade da AAE realizam o mapeamento de sua área de


abrangência regional? Se sim, esse mapeamento tem apoiado a organização dos
processos de trabalho da equipe?

Após a discussão, o Analista Regional deverá apresentar a Atividade 2 da Oficina Tutorial 03


da AAE (p. 55 do Guia das Oficinas Tutoriais) e, junto aos tutores, preparar sua realização,
considerando as questões abaixo:
• As informações referentes aos municípios e à região, levantadas e apresentadas
na Atividade 4 deste Encontro Formativo, são suficientes para a construção do Mapa
Inteligente?

• Há mais informações que precisam ser levantadas previamente para a construção do

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 93


Mapa Inteligente durante a Oficina Tutorial 03 da AAE? Onde e como obtê-las?

• Que materiais serão necessários para que os profissionais da equipe possam elaborar
o Mapa Inteligente (papel kraft, canetinha, tinta, barbante, etc.)?

Para a elaboração do Mapa Inteligente, é importante que os tutores considerem também


os dados relacionados à subpopulação de usuárias com gestação de alto risco da região,
que foram abordados na Oficina Tutorial 02 da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 03 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 55)

TEXTO DE APOIO

Mapeamento das informações do território4

Mapa é uma representação gráfica na qual podem ser organizados e comunicados dados que
dizem respeito aos territórios, como os objetos (casas, fábricas, parques, quadras de esporte,
escolas), as redes que ligam esses objetos (ruas, ciclovias, rede de água, rede de esgoto), os fluxos
das pessoas, as fontes de contaminação ambiental, os
grupos populacionais segundo suas vulnerabilidades, Chamamos de escala uma relação
a distribuição de eventos – relacionados ou não à entre o mapa e o mundo real. Quanto
produção de saúde ou doença –, entre outros. menor a escala, maior será a área
abrangida pelo mapa e menores serão
Os mapas representam uma simplificação da os detalhes que esse mapa poderá
realidade. Essa simplificação depende tanto da escala conter. Nas análises espaciais em
em que estamos representando o local quanto do saúde, quanto menor a escala, mais
objetivo que pretendemos com o mapa. gerais serão os processos retratados.

O mais importante quando falamos de mapas, no setor saúde, diz respeito à possibilidade
de sobrepor os diferentes dados que permitam uma melhor identificação do problema,
possibilitando um planejamento mais eficaz.

Os mapas podem ser desenhados pelos próprios profissionais de saúde, chamados de mapas
esquemáticos, croquis ou sketch maps, ou podemos conseguir mapas de bases cartográficas
já existentes no município, chamados de mapas-base ou base maps.

Os croquis são desenhos à mão livre em que se utiliza o conhecimento local para a identificação
e a representação de objetos espaciais de interesse para uma comunidade, não requerendo
qualquer tipo de mensuração, cálculo ou técnica cartográfica, apresentando, assim, uma baixa
acurácia. Esse tipo de ilustração tem como desvantagens a falta de escala e a impossibilidade
de sobreposição de mapas com diferentes características para a análise espacial do território
(GOLDSTEIN et al., 2013).

4 Adaptado de: Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Departamento de Saúde Pública. Territorialização como
instrumento do planejamento local na Atenção Básica. Claudia Flemming Colussi; Katiuscia Graziela Pereira (org.). Florianópolis: UFSC, 2016.

94 PROJETO SAÚDE EM REDE


Os mapas-base ou base maps são mapas construídos sobre bases cartográficas que apresentam
referenciais cartográficos e geodésicos (que se relacionam às coordenadas no mapa). Têm sido
utilizados para realizar correlações geográficas, já que permitem sua sobreposição a outros mapas
(GOLDSTEIN et al., 2013). Em geral, a confecção desse tipo de mapa pressupõe: definição da escala
que será utilizada para reduzir os processos a miniaturas; generalização das informações espaciais;
codificação por meio de símbolos convencionados para a comunicação dos dados.

A escolha da escala é de suma importância, porque dela depende a quantidade de detalhes que
queremos comunicar. Assim, de certo modo, a depender da escala definida, podemos mostrar
alguns processos e omitir outros. De acordo com Goldstein et al. (2013), o método cartográfico
não pode ser considerado como meramente descritivo, mas como instrumento de análise,
interpretação, comunicação e construção de cenários. Por exemplo, sabemos que a leptospirose
é transmitida principalmente por meio do contato com a urina de ratos, especialmente na
ocorrência de enchentes urbanas. Se mapearmos áreas urbanas com concentração de lixo
e sujeitas à ocorrência de enchentes, teremos uma boa aproximação dos locais de risco de
transmissão dessa doença.

O mapeamento, portanto, permite realizar a síntese, aproximando-se e reconstruindo-se a


totalidade do espaço geográfico. Além disso, o uso de mapas estimula a aprendizagem sobre
as interações humanas e os objetos geográficos.

Você já ouviu falar em mapa inteligente?

É assim que chamamos o produto da representação dos aspectos do território em mapas. Além
de ser um recurso didático pedagógico e reflexivo, tem a capacidade de evidenciar informações
que antes a equipe de saúde desconhecia.

O Mapa Inteligente é uma ferramenta, tradicionalmente utilizada pelo Agente Comunitário de


Saúde, no mapeamento de sua microárea, no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Nele ilustram-
se as áreas e as microáreas de atuação das equipes, com riqueza de detalhes, permitindo a
visualização das características e a identificação espacial dos problemas existentes no território.

No Mapa Inteligente de uma microárea, podem ser apresentados, por exemplo, o fluxo da
população através das ruas, os transportes utilizados e as barreiras geográficas que dificultam
o acesso da população ao serviço de saúde; as características das moradias; as condições de
saneamento básico; as características da ocupação do espaço urbano, das ruas, das calçadas,
das praças, dos espaços de lazer e paisagismo; as condições do meio ambiente; os principais
equipamentos sociais no território, como escolas, creches, centros comunitários. Também
podem ser identificadas áreas de grupos em situação de risco ou vulnerabilidade, dados
demográficos e epidemiológicos. Essa ferramenta possibilita evidenciar informações que antes
constavam ocultas para a equipe (BVS, 2016).

No Projeto Saúde em Rede, estamos propondo a utilização do Mapa Inteligente como estratégia
de mapeamento e de conhecimento do território de abrangência regional, vinculado à unidade
de AAE. Nesse sentido, o Mapa Inteligente de uma região, diferente do que ocorre em uma

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 95


microárea, apresentará informações mais gerais dos municípios e que sejam relevantes para a
atenção especializada, sem detalhar, por exemplo, a condição de vida de cada família que vive
naquela região. Para sua construção, é importante que a equipe da unidade de AAE identifique os
elementos presentes nos roteiros de conhecimento e vinculação ao território sugeridos no Projeto,
com destaque para aqueles que se relacionam à linha de cuidado materno-infantil, e que também
incorpore em seu mapa outros aspectos que sejam considerados relevantes em sua região.

Referências do texto de apoio


GOLDSTEIN, Roberta Argento et al. A experiência de mapeamento participativo para a construção de uma alternativa
cartográfica para a ESF. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 45-56, jan. 2013.

BVS. Biblioteca Virtual de Saúde. Segunda Opinião Formativa. Qual o objetivo e como elaborar o mapa do território
adscrito pela equipe de saúde da família no contexto da Atenção Básica? Nucleo de Telessaúde de Santa Catarina,
2016. Disponível em: https://aps.bvs.br/aps/qual-o-objetivo-e-como-elaborar-o-mapa-do-territorio-adscrito-pela-
equipe-de-saude-da-familia-no-contexto-da-atencao-basica/ Acesso em: 10/06/2021.

Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 02

Apresentando a atividade de dispersão para a AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da AAE a atividade de dispersão
que será proposta ao final da Oficina Tutorial 03.

Roteiros para conhecimento e vinculação com o território


A proposta é que, sob mediação dos tutores, o Colegiado Gestor da unidade de AAE aplique
os roteiros abaixo apresentados para mapear e cadastrar as unidades de APS e os demais
pontos de atenção que constituem a rede regionalizada de seu território:

• Roteiro 2 – Atenção Primária à Saúde


• Roteiro 3 – Transporte sanitário, apoio diagnóstico e assistência farmacêutica

Para esta atividade, os tutores deverão apresentar a proposta ao Colegiado Gestor, que
encaminhará os responsáveis por sua realização.

É importante que o Analista Regional destaque que todas as informações sistematizadas a


partir dos roteiros poderão ser incluídas no Mapa Inteligente da região de abrangência da
unidade de AAE, a ser construído pela equipe, caso considerem necessário. Além disso, as
informações levantadas sobre os cadastros de gerentes, profissionais e serviços deverão

96 PROJETO SAÚDE EM REDE


estar disponíveis para acesso de toda a equipe.
A atividade de dispersão de Mapas Inteligentes é explicada ao final da Oficina 03 do Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 58).

É importante destacar que as atividades de dispersão devem ser inseridas no plano de


ação das equipes.

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final da Oficina Tutorial 03, deverá ser destinado um tempo para repassar com a
equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É necessário
que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os respectivos
responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 03, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 03. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 03.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 97


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 03


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da AAE e da
Realizar atividade 1 Local
2 APS, separadamente;
– Compartilhando as Analista destinado Orientações no Guia de
Analistas Centrais,
ações desenvolvidas na horas Regional à formação Formação de Tutores
Apoiadores da ESP-MG e
Unidade Laboratório de tutores
Apoiadores do COSEMS
Tutores da AAE e da
Local
Realizar atividade 2 – 2 APS, separadamente;
Analista destinado Orientações no Guia de
Planejando os próximos horas Analistas Centrais,
Regional à formação Formação de Tutores
passos Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
Apoiadores do COSEMS

98 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 01

Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade


Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: a(s) oficina(s) ocorreram? Houve dificuldades? Como
foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a(s) oficina(s)?

• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas


no plano de ação? A equipe tem se apoiado para a realização das atividades previstas
no plano?

• como tem sido a implementação das ações propostas pelo projeto? Há dificuldades
para mudança de algum processo de trabalho? Que estratégias tem sido utilizadas para
promover essas mudanças?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:

• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com


a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 99


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?

• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre os
tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada atividade
ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina ou que considerem
necessário convidar outros trabalhadores do município para apoiarem em algum tema
da oficina).

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

100 PROJETO SAÚDE EM REDE


2.4. ENCONTRO FORMATIVO 04

O Encontro Formativo 04, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Discutir o funcionamento dos serviços da AAE como um sistema fechado, nas redes de
atenção à saúde;
• Problematizar as formas de regulação do acesso aos serviços de AAE;
• Discutir como (re)organizar o processo de agendamento na unidade de AAE;
• Discutir como têm sido realizadas as visitas domiciliares;
• Discutir e compreender a classificação de risco familiar;
• Discutir formas de organização dos prontuários das famílias;
• Discutir estratégias para a apresentação dos mapas inteligentes construídos pelos ACS
e para a análise e a discussão da distribuição de áreas/microáreas entre os profissionais
da equipe;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Discutir o funcionamento dos serviços da AAE como um sistema fechado, nas redes de
atenção à saúde;
• Problematizar as formas de regulação do acesso aos serviços de AAE;
• Discutir como (re)organizar o processo de agendamento na unidade de AAE;
• Discutir aspectos do acolhimento e da ambiência no serviço de AAE;
• Analisar as características do trabalho em equipe no serviço de AAE;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 101


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 04


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações no Guia de
Formação de Tutores
Realizar atividade Tutores da AAE e da
Local Texto de apoio “O
1 – Discutindo sobre 1 hora e APS, conjuntamente;
Analista destinado funcionamento da Atenção
o funcionamento 15 min Regional Analistas Centrais,
à formação Ambulatorial Especializada
da AAE como um Apoiadores da ESP-MG e
de tutores como um sistema fechado”,
sistema fechado Apoiadores do COSEMS
disponível no Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE
Orientações no Guia de
Formação de Tutores

Realizar atividade 2 Tutores da AAE e da “Caso 1: Central de


Local Marcação de consultas
– Discutindo sobre a 1 hora e APS, conjuntamente;
Analista destinado na região do Vale” e do
regulação do acesso 30 min Analistas Centrais,
Regional à formação “Caso 2: Regulação do
à AAE nas redes de Apoiadores da ESP-MG e
de tutores acesso à unidade da AAE da
atenção à saúde Apoiadores do COSEMS
região Agreste pela APS”,
disponível no Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE
Intervalo 15 min

Realizar atividade Tutores da AAE e da


Local
3 – Discutindo APS, conjuntamente;
1 hora Analista destinado Orientações no Guia de
sobre o processo Analistas Centrais,
Regional à formação Formação de Tutores
de agendamento na Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
unidade de AAE Apoiadores do COSEMS

102 PROJETO SAÚDE EM REDE


O acesso à AAE nas redes de atenção à saúde

Com base nas discussões que realizamos anteriormente sobre os papeis da APS e da AAE em
um sistema de saúde organizado na lógica das redes de atenção, é possível compreendermos
que ambos os serviços estabelecem relações distinas com o território. Enquanto os serviços da
APS se responsabilizam por toda a população de sua área de abrangência dentro do município,
a AAE possui uma abrangência que é regional, ou seja, deve responsabilizar-se pela população
de vários municípios e atuar como referência para as equipes da APS de toda a região (SOLLA;
CHIORO, 2012).

Com base nisso, cabe perguntar: um serviço da AAE deve funcionar tal qual a APS, com porta
aberta?

ATIVIDADE 01

Discutindo sobre o funcionamento da AAE como um


sistema fechado

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá fazer, para os tutores da


APS, cópias do texto de apoio “O funcionamento da Atenção Ambulatorial Especializada
como um sistema fechado”, disponível abaixo e na página 64 do Guia das Oficinas Tutoriais
da AAE.

No momento da atividade, sugerimos que os participantes realizem a leitura coletiva do


texto de apoio e discutam as seguintes questões:

• Quais são as vantagens e as desvantagens de um serviço de atenção ambulatorial


especializada funcionar como um sistema fechado?

• Na região, a unidade de AAE funciona como um sistema fechado? Em caso positivo,


como esse processo tem se dado? Há dificuldades? Quais?

• Caso a unidade de AAE não funcione com porta fechada, quais seriam os fatores
facilitadores e dificultadores para a implementação deste modelo?

Esta atividade é abordada na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 63).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 103


TEXTO DE APOIO

O funcionamento da Atenção Ambulatorial Especializada como um sistema


fechado

Para que possamos entender por que a AAE deve funcionar como um sistema fechado,
primeiramente, temos que lembrar que o SUS é composto por diferentes tipos de serviços que
devem ser acionados a depender da condição de saúde que o usuário apresenta.

Os serviços de saúde mais voltados para o atendimento às condições agudas são diferentes
daqueles envolvidos no cuidado às pessoas com condições crônicas. Uma pessoa que, por
exemplo, apresenta um infarto ou uma fratura no braço – situações correspondentes a eventos
agudos – poderá ser atendida nos serviços do SUS que funcionam como porta aberta e que
se dedicam a atender urgências (menores ou maiores), tais como as unidades de APS, de
pronto atendimento ou hospitais de referência. O serviço mais adequado para atender cada
um desses eventos agudos, na rede de atenção à saúde, relaciona-se com o tipo de agravo/
doença e também com a gravidade da situação do usuário. É importante lembrarmos que os
eventos agudos apresentam manifestação abrupta e de curta duração, o que explica por que os
atendimentos em serviços de urgência são pontuais, uma vez que precisam dar uma resposta
imediata àquela condição que se apresenta.

Já pessoas que apresentem uma condição crônica, que possui um curso de duração longo,
como hipertensão ou diabetes, serão acompanhadas por serviços do SUS que possam ofertar
tecnologias de cuidado adequadas às suas necessidades, numa lógica que não é pontual e que
deve ser contínua no tempo. Quando pensamos no cuidado contínuo, ao longo do tempo, logo
nos remetemos à APS, que, como sabemos, possui a função de acompanhar as pessoas ao
longo da vida. No entanto, quando o usuário, portador de uma condição crônica, apresenta em
determinado momento situação clínica de maior gravidade, que exige um cuidado especializado
e acesso a procedimentos de maior densidade tecnológica, é necessário que a equipe da APS
acione o serviço de atenção especializada.

Assim, a AAE deve ser acionada apenas para aqueles usuários que apresentam uma situação
mais complexa ou de maior gravidade. Podemos perceber que o serviço de atenção ambulatorial
especializada possui uma função específica dentro das redes de atenção à saúde no SUS,
relacionada ao cuidado às pessoas com condições crônicas, especificamente, àquelas pessoas
que possuem risco ou gravidade aumentados.

Se em casos mais graves a AAE é necessária, é preciso que a equipe da APS identifique mudanças
na situação de saúde do usuário e estratifique o seu risco, com base em critérios e diretrizes
clínicas. Como podemos imaginar, os critérios que definem a gravidade de uma condição crônica
são diferentes a depender da linha de cuidado. Imaginemos a linha de cuidado à saúde do
idoso. O idoso considerado robusto deve ser atendido e acompanhado na atenção primária,
enquanto o idoso frágil, com declínio funcional iminente ou já estabelecido, deve ter o seu
cuidado compartilhado com a unidade de AAE que atua como referência para a atenção à
saúde do idoso na rede de atenção. A avaliação da fragilidade do idoso deve ser realizada na

104 PROJETO SAÚDE EM REDE


APS que, para identificar, por exemplo, o declínio funcional iminente para o idoso frágil, deve
observar diversos aspectos, tais como: ter mais de 80 anos; possuir cinco ou mais diagnósticos
(polipatologia); utilizar cinco ou mais medicamentos (polifarmácia); apresentar subnutrição ou
emagrecimento significativo recente; apresentar risco psico-socio-familiar elevado (insuficiência
familiar). Em uma situação como essa, identificada na APS, pode-se considerar necessário que
o idoso tenha o cuidado compartilhado com um ambulatório de especialidades de referência
para a atenção ao idoso (MORAES, 2012).

Em relação à linha de cuidado materno-infantil, sabemos que a maioria das gestantes realizará
o pré-natal na APS. No entanto, uma gestação de alto risco necessita de um acompanhamento
por equipe especializada. Os profissionais da atenção primária à saúde deverão identificar
as condições clínicas e/ou socioeconômicas que tornam aquela gestação como de alto risco,
considerando critérios, tais como: dependência ou uso abusivo de drogas; presença de agravos
alimentares ou nutricionais; doença psiquiátrica grave; cardiopatias; doenças neurológicas ou
autoimunes; diabetes gestacional; entre outros (SBIBAE, 2019b). A análise de um conjunto de
critérios definidos nas diretrizes clínicas apontará qual usuária deve ser também acompanhada
pela unidade de AAE e quando isso deverá ocorrer.

Percebemos então que, em um sistema organizado em Redes de Atenção à Saúde, os serviços


possuem funções distintas e podem funcionar como porta aberta ou como porta fechada. A
APS, por exemplo, é um serviço de porta aberta e considerada a principal porta de entrada
do usuário na rede. Deve funcionar como coordenadora do cuidado e reguladora do acesso
do usuário ao serviço ambulatorial especializado, que deve funcionar como porta fechada. Os
serviços de porta fechada são aqueles que o usuário não consegue acessá-los diretamente,
devendo, portanto, ser encaminhado por outro serviço da rede.

Em Minas Gerais, espera-se que o ambulatório especializado de referência para determinadas


linhas de cuidado de uma região, tal qual a materno-infantil, seja acessado pela população
com condições crônicas de alto ou muito alto risco somente a partir das equipes da APS. A
captação do usuário, a sua confirmação diagnóstica e a estratificação de risco são processos
desenvolvidos na APS, a partir dos quais é identificada a demanda para compartilhamento do
cuidado com a atenção especializada. Por isso, é fundamental conhecer o público dos serviços
ambulatoriais especializados; discutir os critérios a serem utilizados para estratificar o risco da
condição crônica; e preparar as equipes da APS para identificar os diferentes graus de risco da
condição crônica de saúde daquela linha de cuidado específica.

Referências do texto de apoio


MORAES, E.N. Atenção à saúde do idoso: aspectos conceituais. Brasília: OPAS, 2012.

SBIBAE. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Nota técnica para organização da rede de
atenção à saúde com foco na atenção primária à saúde e na atenção ambulatorial especializada – saúde da
mulher na gestação, parto e puerpério. São Paulo: SBIBAE/Ministério da Saúde, 2019.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 105


ATIVIDADE 02

Discutindo sobre a regulação do acesso à AAE nas


redes de atenção à saúde

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá fazer, para os tutores da


APS, cópias do “Caso 1: Central de Marcação de consultas na região do Vale” e do “Caso
2: Regulação do acesso à unidade da AAE da região Agreste pela APS”, disponíveis abaixo
e nas páginas 66 e 67 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

Propomos que os tutores da APS e da AAE sejam divididos em grupos e realizem a leitura
dos dois casos. Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Na percepção dos tutores, quais são as vantagens e as desvantagens de se adotar


cada um dos modelos de regulação de acesso apresentados nos casos?

• Como essas formas de regulação do acesso interferem na qualidade do cuidado


ofertado ao usuário?

• Qual das duas formas de regulação apresentadas nos casos mais se aproxima da
utilizada na região?

• Quais são os desafios para implementar a regulação do acesso à unidade de AAE


pelas equipes da APS? Que estratégias poderiam ser adotadas na região para que a
regulação do acesso à AAE seja feito diretamente pela APS dos municípios?

Após as discussões, cada grupo deverá compartilhar com os demais os principais pontos
debatidos. É importante que as estratégias para implementação do modelo de regulação
pela APS, levantadas no debate, sejam registradas pelos tutores da AAE. Tais informações
podem ser consideradas nas discussões a serem realizadas na Oficina Tutorial 04 da AAE,
junto à equipe da atenção especializada.

Esta atividade é abordada na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 66).

106 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO 1: CENTRAL DE MARCAÇÃO

Central de marcação de consultas na região do Vale

No município polo da região do Vale, há uma central de marcação de consultas que recebe as
diversas fichas de encaminhamento de usuários, enviadas, semanalmente, pelas secretarias
municipais de saúde, por meio de envelopes.

Nessa central, o processo de trabalho dos profissionais se reduz à gestão da fila de espera e ao
agendamento de consultas, conforme as demandas apresentadas nas fichas recebidas. Eles têm
pouco ou nenhum conhecimento do usuário correspondente a cada ficha analisada, seja em
relação à situação específica de vida, seja em relação aos aspectos da condição de sua saúde.
Além disso, não há na rotina desses profissionais nenhum tipo de comunicação com as equipes
da APS dos municípios da região ou com a equipe da unidade de AAE para discutir a situação
específica de um determinado usuário ou para compreender se há maior ou menor necessidade
de priorização no atendimento. Em geral, os usuários são encaixados para atendimento por um
profissional que está com a agenda livre, sem verificar se ele que atendeu o usuário na última
consulta realizada na AAE. Além disso, o agendamento não considera o horário do transporte
e o tempo de deslocamento do usuário do seu município de residência até o município sede
do serviço de AAE.

Assim, os processos de trabalho dos profissionais dessa central são marcados predominantemente
por uma perspectiva burocrática e bastante distanciada das questões que influenciam no
cuidado à saúde ofertado aos usuários da região do Vale.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 107


CASO 2: REGULAÇÃO PELA APS

Regulação do acesso à unidade da AAE da região Agreste pela APS

Na região Agreste, a unidade de AAE está localizada no município polo de Arueira e atende
outros 10 municípios. Há mais ou menos dois anos, a secretaria de saúde de Arueira decidiu
mudar a forma de regulação do acesso à unidade de AAE para a linha de cuidado materno-
infantil, de modo que as equipes da APS dos municípios da região passassem a realizar o
agendamento diretamente.

Diante disso, o município Azul Celeste, que possuía quatro equipes de Saúde da Família, passou
a adotar a nova forma de regulação do acesso à AAE. No entanto, primeiramente, o que se
observou foi um excesso de agendamentos de gestantes de risco habitual na unidade de
AAE, ultrapassando a cota pactuada com o município de Arueira. Ao observar essa situação,
a coordenação da APS de Azul Celeste resolveu criar um protocolo que possibilitasse aos
profissionais da APS identificar as situações em que a gestante apresentasse risco aumentado
e que, por isso, necessitasse de ser atendida no ambulatório de especialidades. Isso reduziu o
tempo de agendamento e começou a criar mais proximidade entre as equipes da APS de Azul
Celeste e a equipe da unidade de AAE de Arueira.

Como o caso de Azul Celeste foi apresentado na CIB Micro, os outros gestores municipais
também resolveram aderir à nova forma de regulação. Gradualmente e pactuando diretamente
com cada município da região, foi sendo implantado o agendamento dos casos de maior risco
da linha de cuidado materno-infantil diretamente pelas equipes da APS – tudo seria feito por
e-mail, com posterior confirmação da unidade da AAE.

Isso facilitou muito o acesso dos usuários da região, que antes tinham que levar o pedido
pessoalmente no serviço da AAE ou na secretaria municipal de saúde de seu município. Mas
outras questões começaram a surgir em Azul Celeste. Com essa forma de agendamento direto
na atenção especializada, usando como base o protocolo, muitos médicos da APS questionavam
quem havia elaborado o protocolo; perguntavam que respaldo teriam de não encaminhar uma
paciente que não se encaixava nos critérios de acompanhamento na atenção especializada
definidos no protocolo; não aceitavam o protocolo como uma diretriz e seguiam utilizando seus
próprios critérios para encaminhamento.

Percebendo a resistência no uso do protocolo, a coordenação da APS de Azul Celeste teve que
dar um passo atrás. Percebeu que o protocolo havia sido criado por apenas duas pessoas, sem
envolvimento dos médicos e dos enfermeiros das equipes de saúde da família. Foi proposta
então a realização de uma revisão do protocolo, por meio de uma discussão ampla com as
equipes de saúde da família. Isso mudou tudo! Ainda havia coisas para serem repensadas,
mas o fluxo de agendamento pelas equipes da APS junto à unidade de AAE de Arueira estava
funcionando muito bem!

108 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 03

Discutindo sobre o processo de agendamento na


unidade de AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Propomos que os tutores da APS e da AAE discutam sobre o processo de agendamento na


unidade de AAE, considerando os seguintes elementos:

• Critérios de agendamento
• Estratégias de comunicação entre os serviços para agendamento
• Informações e documentos para consulta/exames
• Cancelamento
• Usuários fora dos critérios de compartilhamento

Sugerimos que o Analista Regional utilize as questões do quadro disponível abaixo para
orientar a discussão.

Caso sejam pensadas estratégias para a organização do agendamento na AAE na região, é


importante que sejam registradas pelos tutores da AAE para serem utilizadas em atividade
a ser realizada no período da tarde.

Esta atividade é abordada na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 68).

Quadro sobre questões orientadoras para a discussão sobre o processo de


agendamento na AAE
Sobre o agendamento Questões para discussão
Todas as equipes da APS conhecem os critérios para o agendamento de
consultas e exames na unidade da AAE na linha de cuidado materno-infantil?
Critérios de agendamento
Esses critérios estão claros para todos os municípios da região? De que forma
essa informação é compartilhada?
Estratégias de comunicação
Quais são os canais de comunicação usados para o agendamento na AAE? Há
entre os serviços para
dificuldades no agendamento em decorrência das vias de comunicação?
agendamento
Informações e documentos Os municípios/usuários são informados dos documentos necessários para a
para consulta/exames realização da consulta/exame?
Como são feitos os cancelamentos (pelos municípios e pela unidade de AAE)
Cancelamento
das consultas/exames agendados?
Qual o procedimento adotado quando algum usuário é agendado fora
Usuários fora dos critérios
dos critérios de compartilhamento do cuidado? Há necessidade de
de compartilhamento
aprimoramento desse procedimento?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 109


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 04


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS,
Realizar atividade
exclusivamente; Local
1 – Discutindo a
Analista Analistas Centrais, destinado Orientações disponíveis no
importância da visita 40 min
Regional Apoiadores da ESP- à formação Guia da Formação de Tutores
domiciliar para o
MG e Apoiadores do de tutores
cuidado na APS
COSEMS
Orientações disponíveis no
Guia da Formação de Tutores
Apresentação em
Tutores da APS,
Realizar atividade power point, disponível
exclusivamente; Local
2 – Discutindo a na Plataforma de
ferramenta de 1 hora Analista Analistas Centrais, destinado
Monitoramento do Projeto
Regional Apoiadores da ESP- à formação
classificação de risco
MG e Apoiadores do de tutores Texto de apoio “Escala de
familiar
COSEMS Risco Familiar de Coelho e
Savassi”, disponível no Guia
das Oficinas Tutoriais da APS
– volume I
Realizar atividade Tutores da APS, Orientações disponíveis no
3 – Discutindo sobre exclusivamente; Local Guia da Formação de Tutores
a importância de 20 min Analista Analistas Centrais, destinado
(re)organização Regional Apoiadores da ESP- à formação Apresentação em power point
do prontuário das MG e Apoiadores do de tutores disponível na Plataforma de
famílias COSEMS Monitoramento do Projeto

Realizar atividade
4 – Discutindo os Tutores da APS,
mapas inteligentes exclusivamente; Local Orientações disponíveis no
e analisando 15min Analista Analistas Centrais, destinado Guia da Formação de Tutores
a distribuição Regional Apoiadores da ESP- à formação Guia das Oficinas Tutoriais da
das famílias por MG e Apoiadores do de tutores APS (vol. I)
microáreas (Primeira COSEMS
Parte)
Realizar atividade
4 – Discutindo os Tutores da APS,
mapas inteligentes exclusivamente; Local
e analisando 40 min Analista Analistas Centrais, destinado Orientações disponíveis no
a distribuição Regional Apoiadores da ESP- à formação Guia da Formação de Tutores
das famílias por MG e Apoiadores do de tutores
microáreas (Segunda COSEMS
Parte)

110 PROJETO SAÚDE EM REDE


O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS,
Realizar atividade
exclusivamente; Local
5 – Analisando
os caminhos 30 min Analista Analistas Centrais, destinado Orientações disponíveis no
Regional Apoiadores da ESP- à formação Guia da Formação de Tutores
percorridos e as
MG e Apoiadores do de tutores
mudanças em curso
COSEMS
Tutores da APS,
Realizar atividade exclusivamente; Local
6 – Apresentando 20 min Analista Analistas Centrais, destinado Orientações disponíveis no
as atividades de Regional Apoiadores da ESP- à formação Guia da Formação de Tutores
dispersão para a APS MG e Apoiadores do de tutores
COSEMS
Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações disponíveis no
Tutores da AAE, Guia da Formação de Tutores
Realizar atividade
exclusivamente; Local
1 – Discutindo a Texto de apoio “Como (re)
(re)organização do 1 hora Analista Analistas Centrais, destinado
Regional Apoiadores da ESP- à formação organizar o processo de
agendamento na
MG e Apoiadores do de tutores agendamento da unidade de
AAE AAE?” do Guia das Oficinas
COSEMS
Tutoriais da AAE
Orientações disponíveis no
Tutores da APS, Guia da Formação de Tutores
Realizar atividade
exclusivamente; Local Vídeo “HumanizaSUS –
2 – Discutindo o
acolhimento aos 1 hora Analista Analistas Centrais, destinado Maior que o infinito é a
Regional Apoiadores da ESP- à formação encomenda”, disponível
usuários do serviço
MG e Apoiadores do de tutores na Plataforma de
de AAE
COSEMS Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Intervalo 15 min

Tutores da AAE,
exclusivamente; Local Orientações disponíveis no
Realizar atividade Guia da Formação de Tutores
Analista Analistas Centrais, destinado
3 – Discutindo sobre 45min
Regional Apoiadores da ESP- à formação Texto de apoio “O que é
ambiência na AAE
MG e Apoiadores do de tutores ambiência?”
COSEMS

Realizar atividade Tutores da AAE, Orientações disponíveis no


4 – Discutindo exclusivamente; Local Guia da Formação de Tutores
as dimensões 1 hora Analista Analistas Centrais, destinado Texto de apoio “Trabalho
do trabalho Regional Apoiadores da ESP- à formação interprofissional e
interprofissional e MG e Apoiadores do de tutores colaborativo” do Guia das
colaborativo COSEMS Oficinas Tutoriais da AAE

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 111


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Visita Domiciliar

A visita domiciliar é uma abordagem frequentemente utilizada pelas equipes da APS para o
cuidado à saúde dos usuários e das famílias. É por meio da visita domiciliar que os profissionais
da APS buscam conhecer as condições de vida e de saúde das famílias sob sua responsabilidade,
identificando as necessidades de saúde das pessoas, reconhecendo as famílias em maior ou menor
situação de risco e de vulnerabilidade e ajudando a construir possibilidades para a melhoria da
situação de vida dos indivíduos, das famílias e da comunidade.

ATIVIDADE 01

Discutindo a importância da visita domiciliar para o


cuidado na APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e discutam as seguintes questões:

• De que forma a visita domiciliar contribui para o cuidado em saúde ofertado à


população do território?
• No serviço em que os tutores atuam, em quais situações a equipe se organiza para
realizar a visita domiciliar?
• Que critérios clínicos, epidemiológicos e de condições de vida a equipe utiliza para
priorizar as visitas domiciliares?
• Que categorias profissionais realizam visitam domiciliares com maior frequência?
• A equipe consegue se reorganizar para realizar visita domiciliar na casa de famílias
que se encontram em situação de maior risco? A equipe utiliza alguma escala para a
estratificação de riscos das famílias como apoio ao planejamento de visitas domiciliares?

É importante que cada grupo eleja uma pessoa para registrar os principais pontos debatidos
e para compartilhá-los, em seguida, com todos os participantes.

Esta atividade é abordada na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 108).

Classificação de risco familiar

Durante as visitas domiciliares e no contato cotidiano com a população do território, é possível


perceber as famílias que estão em situação de maior ou menor risco, considerando suas
condições de vida e seu contexto sociocultural. No entanto, podemos imaginar que fazer uma
análise de risco, de modo a priorizar aquelas famílias que necessitam de maior frequência de
visita domiciliar e/ou aquelas que necessitam de um plano de cuidado familiar, não é fácil,

112 PROJETO SAÚDE EM REDE


sobretudo pela dificuldade de classificar e valorar situações de risco. Para facilitar a classificação
dos graus de risco familiar, utilizamos escalas padronizadas, a exemplo da Escala de Risco Familiar
de Coelho e Savassi, que usaremos no Projeto Saúde em Rede.

ATIVIDADE 02

Discutindo a ferramenta de classificação de risco


familiar

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Primeiramente, propomos que o Analista Regional apresente aos tutores o que é a escala de
risco familiar de Coelho e Savassi e como é contabilizada a pontuação para identificação do
grau de risco familiar, utilizando a apresentação em power point disponível na Plataforma
de Monitoramento do Projeto. O Analista Regional também pode utilizar o texto de apoio
“Escala de Risco Familiar de Coelho e Savassi”, disponível no Guia das Oficinas Tutoriais da
APS – volume I (pag. 102).

Em seguida, sugerimos que os tutores sejam divididos em três grupos. O Analista


Regional deve orientar que cada grupo se lembre de alguma família do território com um
determinado risco e discuta suas características, considerando os elementos avaliados na
Escla de Risco Familiar de Coelho e Savassi.

Grupo 01: Família de baixo risco


Grupo 02: Família de médio risco
Grupo 03: Família de alto risco

Posteriormente, cada grupo deverá preencher a escala de risco familiar de Coelho e Savassi,
considerando as características da família em análise, e discutir as seguintes questões:
• Na percepção dos tutores, o resultado da aplicação da escala coincide com o grau
de risco daquela família?

• Há outros aspectos sobre a família que os tutores identificam como sendo de risco
e que não estão contemplados na escala utilizada? Se sim, quais?

• Os tutores consideram que a escala pode ser útil para definir a priorização em relação
às visitas domiciliares e à definição de maior ou menor frequência de visitas?

• Como o tutor pode organizar junto às equipes a incorporação da escala no cotidiano


de trabalho?

Esta atividade é abordada na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 101).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 113


Organização e arquivamento do prontuário da família

A classificação de risco das famílias, discutida anteriormente, permite, além de apoiar o


planejamento das visitas domiciliares, potencializar a abordagem familiar na APS. No entanto,
é essencial que as informações relacionadas à classificação de risco familiar sejam incorporadas
ao prontuário da família como estratégia para ampliar a identificação de famílias em situação
de risco ou de usuários com condições ou patologias mais graves. Portanto, a organização e o
arquivo do prontuário de papel por critérios discutidos no âmbito da UAPS são importantes
para acesso e manuseio mais ágil pelos profissionais da equipe.

ATIVIDADE 03

Discutindo sobre a importância de (re)organização do


prontuário das famílias

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que o Analista Regional realize uma apresentação sobre a importância do


prontuário das famílias e sobre as formas de implementação e/ou aprimoramento da sua
organização na UAPS. Para isso, sugerimos a utilização da apresentação em power point
disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Após a apresentação, é importante que o Analista Regional sensibilize os tutores da APS


sobre a necessidade de discutirem com a equipe, na Oficina Tutorial, estratégias para a
(re)organização dos prontuários das famílias.

Esta atividade é abordada na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 109).

Apresentação e discussão sobre os mapas inteligentes

Na Oficina Tutorial 06, os tutores da APS puderam discutir com as equipes as características do
seu território de atuação e também o processo de cadastramento e de classificação de risco
das famílias. Além disso, foi proposta a construção e/ou a atualização dos mapas inteligentes
como estratégia para visualização de informações importantes sobre o território e sobre as
famílias que nele vivem. Embora os mapas inteligentes sejam construídos pelos ACS, é muito
importante que toda a equipe os utilizem para o planejamento e a oferta do cuidado à saúde
dos usuários, das famílias e da comunidade.

114 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 04

Discutindo os mapas inteligentes e analisando a


distribuição das famílias por microáreas (Primeia Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que o Analista Regional contextualize os tutores da APS sobre a apresentação


dos mapas inteligentes, que deverá acontecer durante a Oficina Tutorial 08. Essa atividade é
bastante produtiva e gera diversos debates em torno das especificidades de cada microárea
e do trabalho dos ACS, além de contribuir para a análise da distribuição das famílias por
áreas. Sugerimos que Analista Regional e tutores discutam as potencialidades dos mapas
inteligentes para a organização do trabalho da equipe da UAPS.

O Analista Regional deve incentivar que os tutores da APS, ao final da apresentação dos mapas
inteligentes, analise junto à equipe as diferenças e as semelhanças entre as microáreas.

ATENÇÃO

É importante que, para a apresentação e a discussão dos mapas inteligentes, os tutores convidem
todos os profissionais da UAPS, o gerente e até mesmo o coordenador da APS do município.
É interessante que os mapas inteligentes sejam afixados em local de fácil visualização para os
participantes da oficina.

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 113).

A discussão sobre as características do território e da população por meio dos mapas inteligentes
nos permite analisar a adequação do quantitativo de pessoas/famílias acompanhadas pelos
ACS em cada microárea. Embora a distribuição das pessoas/famílias por ACS deva considerar
um conjunto de critérios, observamos, muitas vezes, que determinados aspectos não são
considerados, como, por exemplo, áreas com grande dispersão territorial, comunidades com
alta vulnerabilidade social, entre outros. Por isso, é muito importante problematizarmos como
e quais fatores têm sido considerados na organização das microáreas.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 115


ATIVIDADE 04

Discutindo os mapas inteligentes e analisando a


distribuição das famílias por microáreas (Segunda
Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e leiam as três situações disponíveis
nas páginas 114 a 116 do volume I do Guia das Oficinas Tutoriais da APS. Em seguida,
sugerimos a discussão das seguintes questões:

• De que forma as situações apresentadas contribuem para a distribuição de famílias


por áreas de atuação das equipes? Na equipe em que os tutores da APS atuam, há
alguma situação semelhante?

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 116).

Os caminhos percorridos e as mudanças em curso

“Quando os ventos da mudança sopram, algumas pessoas levantam barreiras,


outras constroem moinhos de ventos”

(Érico Veríssimo)

Chegamos à metade do caminho de nosso processo formativo. Como em toda caminhada, uma
pausa faz-se necessária: para olharmos para trás, analisarmos o que foi possível realizar, as
barreiras que levantamos e, principalmente, os moinhos de ventos que criamos; para olharmos
para o lado, percebermos o quão potente é – ou pode ser – o trabalho construído coletivamente
e identificarmos as dificuldades experimentadas para o diálogo com a equipe e, principalmente,
as possibilidades que se abriram para a integração entre os diferentes trabalhadores; e para
olharmos para frente, planejarmos o que ainda podemos e desejamos fazer, as pendências que
ficaram no caminho e, principalmente, as mudanças que exigem novas rotas.

116 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 05

Analisando os caminhos percorridos e as mudanças


em curso

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que o Analista Regional convide os tutores da APS para uma análise dos caminhos
percorridos e das mudanças em curso nos processos de trabalho das UAPS, por meio da
discussão das seguintes questões:

• Quais foram as contribuições das Oficinas Tutoriais para o desenvolvimento de


mudanças nas formas de organização do trabalho e nas práticas de cuidado?

• Quais as dificuldades enfrentadas pela equipe para a realização das atividades e para
a implementação das mudanças no cotidiano de trabalho?

• Que novos acordos podem ser feitos para o aprimoramento desse processo?

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 117).

Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 06

Apresentando as atividades de dispersão para a APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da APS as atividades de


dispersão que serão propostas ao final das Oficinas Tutoriais 07 e 08.

Classificação do risco familiar nas microáreas

Ao final da Oficina Tutorial 07, a proposta é que o tutor discuta e pactue com a equipe
a realização da classificação de risco das famílias da área de abrangência. Para apoiar a
identificação do risco familiar, pode ser utilizada a “Ficha para cálculo do risco familiar”,
disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. Para o registro
das informações de cada microárea, poderá ser utilizado o modelo do quadro abaixo.

Quadro – Modelo de levantamento dos riscos das famílias por microárea

Microárea População total Nº de famílias R1 Nº de famílias R2 Nº de famílias R3


Microárea 1
Microárea 2
...

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 117


A atividade de dispersão de Classificação do risco familiar nas microáreas é explicada ao final da
Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 109).

Avaliação do acesso pelo usuário

Ao final da Oficina Tutorial 08, o tutor deverá apresentar à equipe o instrumento “Entrevista
para Avaliação do Acesso pela Pessoa Usuária”, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede. Trata-se de um instrumento de avaliação da percepção do
usuário sobre alguns elementos relacionados ao acesso às ações e aos serviços da unidade
de saúde.

É importante que, na apresentação do instrumento, o tutor aborde as orientações a


respeito da metodologia de aplicação das entrevistas no período de dispersão:
• Deve ser realizada por algum profissional da equipe após o atendimento;
• Devem ser realizadas 03 entrevistas por turno de atendimento (incluindo turno da
noite, se houver), em todos os dias de uma semana completa (5 dias).

Os resultados consolidados das entrevistas serão apresentados e discutidos em oficina


posterior. Por isso, é necessário que o tutor encaminhe junto à equipe o(s) responsável(eis)
por sua realização. Sugerimos que seja utilizada a primeira semana da dispersão para a
realização das entrevistas e as semanas posteriores para a consolidação e a sistematização
dos dados obtidos, conforme orientações contidas no instrumento. Para a consolidação,
pode ser utilizada a planilha excel “Resultado das entrevistas de avaliação do acesso da
pessoa usuária”, disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

A atividade de dispersão de Avaliação do acesso pelo usuário é explicada ao final da Oficina 08


do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 117).

Análise do balanço de atendimento semanal na UAPS

Ao final da Oficina Tutorial 08, o tutor deverá apresentar à equipe uma segunda atividade de
dispersão, que se refere à aplicação do instrumento denominado de “Matriz para análise do
balanço de atendimento semanal na UAPS”. A matriz possibilita realizar um levantamento
sobre o tipo e o volume de demandas (por turno e dias da semana) dos usuários que
procuram a unidade. Além disso, a matriz possibilita identificar o quantitativo e o tipo de
demandas que não foram atendidas pelas equipes, no mesmo período de tempo.

A matriz deve ser preenchida pelo trabalhador da recepção da UAPS, durante todo o
período de funcionamento da unidade e ao longo de duas semanas. É importante que o
tutor discuta a matriz com os trabalhadores que ficarão na recepção ao longo das duas
semanas, de modo a identificar possíveis dúvidas nos campos a serem preenchidos. Como
a matriz tem como objetivo principal registrar as demandas que chegam à UAPS no dia a
dia de trabalho e essas são de naturezas diversas, o tutor, juntamente ao trabalhador, pode
acrescentar outros campos que considerar necessários. Os dados obtidos no registro da

118 PROJETO SAÚDE EM REDE


matriz devem ser utilizados pelo tutor na Oficina Tutorial 09.

A atividade de dispersão de Análise do balanço de atendimento semanal na UAPS é explicada ao


final da Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume I (pag. 119).

É importante destacar que as atividades de dispersão devem ser inseridas no plano de


ação das equipes.

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 07 e 08 da APS, deverá ser destinado um tempo para
repassar com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação.
É necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e
os respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 08 da APS, deverá ser destinado um tempo para discutir
com a equipe o diagnóstico completo da rede de atenção à saúde. Neste momento, tutores
e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/
monitorados na Oficina 08.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 119


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

A organização do agendamento na AAE

Um dos principais aspectos que precisam ser compreendidos quanto à regulação do acesso
à atenção especializada pela APS refere-se, de forma concreta, ao processo de agendamento
dos usuários no serviço de AAE.

ATIVIDADE 01

Discutindo a (re)organização do agendamento na AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que o Analista Regional convide os tutores da AAE para uma análise detalhada
das ações iniciais necessárias à (re)organização do processo de agendamento em sua
unidade. Para isso, sugerimos que os tutores leiam o texto de apoio “Como (re)organizar
o processo de agendamento da unidade de AAE?”, disponível na página 69 do Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE.

Durante a leitura, é importante que sejam: (a) discutidas as dúvidas junto ao Analista
Regional; (b) levantados os pontos de fragilidade para a (re)organização do agendamento;
e (c) identificados possíveis profissionais para apoiar essa discussão durante a Oficina
Tutorial 04 da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 68).

Acolhimento dos usuários e ambiência no serviço de AAE

O acolhimento é uma importante estratégia de humanização, que parte do pressuposto de


que a relação entre profissionais de saúde e usuários precisa ser fundamentada na escuta,
na construção de vínculo e na resolutividade. Trata-se de uma tecnologia do encontro, que se
constrói a partir de um “estar com” e de um “estar perto de”, o que implica, necessariamente,
a inclusão e o reconhecimento do usuário como participante ativo do processo de produção
da sua saúde (OLIVEIRA, 2017). O acolhimento opera-se, por exemplo, em momentos de fala,
escuta e interpretações, caracterizados pela acolhida das intenções trazidas pelos usuários;
em momentos de cumplicidade, em que o profissional se responsabiliza com o usuário no
enfrentamento da sua situação de saúde; e momentos de confiabilidade e esperança, nos quais
são produzidas relações de vínculo e de aceitação (MERHY, 2013).

120 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02
Discutindo o acolhimento aos usuários do serviço de
AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá providenciar, no local


destinado à formação dos tutores, equipamentos necessários para a apresentação do
vídeo utilizado nesta atividade.

Propomos que os tutores da AAE assistam ao vídeo “HumanizaSUS – Maior que o infinito
é a encomenda”, produzido pelo Ministério da Saúde e com duração aproximada de 23
minutos. O vídeo está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=xAmW3ghyzds
e na Plataforma de Monitoramento do Saúde em Rede.

Após a apresentação do vídeo, sugerimos que sejam discutidas as seguintes questões:

• Em quais momentos do vídeo, podemos identificar abertura dos profissionais de


saúde para realizarem uma escuta qualificada e para construírem relações de vínculo
com as usuárias e com as famílias atendidas pelos diferentes serviços de saúde? Havia
apenas um profissional responsável pelo acolhimento nos serviços de saúde?

• O que foi necessário para que os profissionais de saúde, nas diferentes situações
apresentadas no vídeo, pudessem realizar o acolhimento das usuárias?

• Qual a importância do acolhimento para realizar o cuidado das mulheres e das


crianças nos diversos serviços de saúde da rede de atenção? Como isso influencia na
qualidade do cuidado?

• Na unidade da AAE, podemos afirmar que o acolhimento faz parte do cotidiano dos
atendimentos de todos os profissionais de saúde? Na percepção dos tutores, quais são
os desafios para implantar essa tecnologia em saúde?

Ao final da discussão, sugerimos que o Analista Regional faça, junto aos tutores, a leitura da
Atividade 1 da Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE, que aborda o acolhimento
nas unidades de AAE. Nesse momento, poderão ser discutidas dúvidas dos tutores sobre
o tema e sobre a sua abordagem na oficina.

Esta atividade é abordada na Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 81).

O acolhimento também está relacionado com a ambiência da unidade, a qual pressupõe a


criação de espaços acolhedores, saudáveis e confortáveis para os encontros entre trabalhadores
e usuários e entre os próprios trabalhadores. A ambiência nos convida a atentarmos às
intervenções necessárias no ambiente para promovermos um cuidado mais humanizado e
resolutivo (BRASIL, 2013).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 121


ATIVIDADE 03
Discutindo sobre ambiência na AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias do texto


de apoio “O que é ambiência?”

No momento da atividade, sugerimos que os tutores leiam o texto de apoio “O que é


ambiência?” e discutam como percebem a ambiência da unidade da AAE em relação ao
acolhimento aos usuários, aos processos de trabalho da equipe, à inclusão e à acessibilidade.

Em seguida, é importante que o Analista Regional repasse junto aos tutores a atividade
que trata da ambiência “Revisitando o espaço físico da AAE”, a ser realizada na Oficina
Tutorial 05 da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 05 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 83).

TEXTO DE APOIO

O que é ambiência?5

Ambiência na saúde compreende o espaço físico, social, profissional e de relações interpessoais


que deve estar em sintonia com um projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora,
resolutiva e humana.

A Política Nacional de Humanização (PNH) tem como uma de suas diretrizes a valorização da
ambiência, com organização de espaços saudáveis e acolhedores de trabalho, compreendendo-a
como mais um dispositivo para contribuir na mudança das relações de trabalho. Essa
compreensão de ambiência como diretriz da PNH é norteada por três eixos principais:

1. O espaço que visa à confortabilidade;


2. O espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho;
3. A ambiência como espaço de encontros entre os sujeitos.

Confortabilidade

É importante conceber ambiências confortáveis e acolhedoras, de modo a favorecer a


privacidade e a individualidade dos usuários do serviço e dos trabalhadores que usam o
espaço, valorizando a utilização de componentes do ambiente que interagem com as pessoas,
em especial, a cor, a luz, as texturas, os sons, os cheiros e a inclusão da arte nas suas mais
diferentes formas de expressão. Esses componentes atuam como qualificadores e modificadores

5 Texto adaptado de BVS. Biblioteca Virtual de Saúde. Dicas de Saúde. O que é ambiência? 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/
bvs/dicas/170_ambiencia.html Acesso em: 10/06/2021.

122 PROJETO SAÚDE EM REDE


do espaço, estimulando a percepção ambiental. Quando utilizados com equilíbrio e harmonia,
criam ambiências acolhedoras que podem contribuir no processo de produção de saúde e de
espaços saudáveis.

Espaço como facilitador do processo de trabalho

A ambiência isoladamente não altera o processo de trabalho, mas pode ser usada como uma
ferramenta que contribui para as mudanças, por meio da co-produção dos espaços aspirados
pelos profissionais de saúde e pelos usuários, com funcionalidade, possibilidades de flexibilidade,
garantia de biossegurança relativa à infecção hospitalar, prevenção de acidentes biológicos e
com arranjos que favoreçam o processo de trabalho.

Ambiência e inclusão

A PNH aposta que a discussão sobre o espaço físico pode ser usada como algo que reúne
as pessoas, possibilitando a criação de espaços coletivos para a concepção dos projetos
arquitetônicos e das intervenções na ambiência. Interferir num espaço físico vai além da
arquitetura prescritiva, que diz o que pode ou não ser feito. A produção do projeto arquitetônico
para as mudanças nos espaços deve ser pautada na discussão coletiva e na problematização do
processo de trabalho, favorecendo a co-produção desse espaço de produção de saúde.

A ambiência que a PNH difunde é aquela que inclui os gestores, os trabalhadores e os usuários
na discussão e na construção do projeto, aproveitando para explorar outros registros e
problematizar o processo de trabalho e os modelos de atenção, que podem implicar, inclusive,
mudanças nas concepções e nas normas instituídas.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 123


Trabalho em equipe e colaborativo

Dando continuidade às discussões sobre trabalho em equipe, iniciadas no Encontro Formativo


01, a proposta é que agora sejam discutidas as dimensões do trabalho interprofissional na AAE.

ATIVIDADE 04

Discutindo as dimensões do trabalho interprofissional


e colaborativo

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Sugerimos que os tutores realizem a leitura do texto de apoio “Trabalho interprofissional


na AAE”, disponível na página 92 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE. Após a leitura do
texto, propomos que os tutores identifiquem, a partir de sua experiência na unidade de
AAE, uma ou mais situações em que foi possível observar:

• Profissionais compartilhando objetivos comuns;


• Equipe refletindo sobre sua prática, corresponsabilizando-se pelas ações e
acompanhando, de modo compartilhado, as atividades realizadas pelos colegas;
• Comunicação de qualidade entre os integrantes da equipe;
• Valorização do trabalho desenvolvido pelas diferentes categorias profissionais;
• Construção de um projeto assistencial comum pela equipe que atua na unidade.

Em seguida, sugerimos que o Analista Regional repasse com os tutores a Atividade 1 da


Oficina Tutorial 06 da AAE, que aborda o trabalho interprofissional e colaborativo.

O tema do trabalho em equipe é abordado na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE
(pag. 90).

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 04 e 05, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 05, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 04. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 05.

124 PROJETO SAÚDE EM REDE


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 04


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade 1 Tutores da AAE e da APS,
Local
– Compartilhando as 2 separadamente; Analistas
Analista destinado Orientações no Guia de
ações desenvolvidas horas Centrais, Apoiadores da
Regional à formação Formação de Tutores
na Unidade ESP-MG e Apoiadores do
de tutores
Laboratório COSEMS
Local
Realizar atividade 2 Analista Tutores da AAE e da APS, destinado Orientações no Guia de
2 – Planejando os horas Regional separadamente; à formação Formação de Tutores
próximos passos
de tutores

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 125


ATIVIDADE 01

Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade


Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: a(s) oficina(s) ocorreram? Houve dificuldades? Como
foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a(s) oficina(s)?
• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas
no plano de ação? A equipe tem se apoiado para a realização das atividades previstas
no plano?
• como tem sido a implementação das ações propostas pelo projeto? Há dificuldades
para mudança de algum processo de trabalho? Que estratégias tem sido utilizadas para
promover essas mudanças?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:
• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com
a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

126 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?

• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre os
tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada atividade
ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina ou que considerem
necessário convidar outros trabalhadores do município para apoiarem em algum tema
da oficina).

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 127


2.5. ENCONTRO FORMATIVO 05

O Encontro Formativo 05, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Analisar e discutir fatores relacionados ao acesso às ações ofertadas pela UAPS;


• Compreender e discutir barreiras de acesso à saúde existentes para populações
minoritárias;
• Conhecer e discutir algumas ferramentas de compartilhamento do cuidado entre as
equipes da AAE e da APS;
• Discutir possibilidades de utilização de ferramentas de compartilhamento do cuidado
entre AAE e APS;
• Analisar e discutir a ambiência na UAPS;
• Analisar a demanda por ações e serviços da UAPS;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Analisar e discutir fatores relacionados ao acesso às ações ofertadas pela UAPS;


• Compreender e discutir barreiras de acesso à saúde existentes para populações
minoritárias;
• Conhecer e discutir algumas ferramentas de compartilhamento do cuidado entre as
equipes da AAE e da APS;
• Discutir possibilidades de utilização de ferramentas de compartilhamento do cuidado
entre AAE e APS;
• Analisar e discutir o desenvolvimento de práticas educativas para o cuidado aos usuários
com condições crônicas na AAE;
• Conhecer o Modelo do Ciclo de Atenção Contínua;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

128 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 05


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS e da AAE,
Realizar atividade 1 Local
conjuntamente; Analistas Orientações disponíveis
– Analisando fatores 30 min Analista destinado
Centrais, Apoiadores da no Guia da Formação de
de acesso à saúde na Regional à formação
ESP-MG e Apoiadores do Tutores
UAPS de tutores
COSEMS
Realizar atividade
2 – Discutindo e Tutores da APS e da AAE, Orientações disponíveis
Local no Guia da Formação de
superando barreiras conjuntamente; Analistas
Analista destinado Tutores
de acesso à saúde 50 min Centrais, Apoiadores da
Regional à formação
entre populações ESP-MG e Apoiadores do
de tutores Guia das Oficinas Tutoriais
minoritárias (Primeira COSEMS da APS (vol. II)
Parte)
Realizar atividade
2 – Discutindo e Tutores da APS e da AAE, Orientações disponíveis
Local
superando barreiras conjuntamente; Analistas no Guia da Formação de
Analista destinado
de acesso à saúde 40 min Centrais, Apoiadores da Tutores
Regional à formação
entre populações ESP-MG e Apoiadores do
de tutores Tiras impressas e cortadas
minoritárias (Segunda COSEMS
Parte)
Intervalo 15 min

Realizar atividade 3 – Tutores da APS e da AAE, Orientações disponíveis


Local no Guia da Formação de
Discutindo o cuidado conjuntamente; Analistas
30 min Analista destinado Tutores
compartilhado Centrais, Apoiadores da
Regional à formação
entre APS e AAE na ESP-MG e Apoiadores do
de tutores Guia das Oficinas Tutoriais
gestação de alto risco COSEMS da APS (vol. II)
Orientações disponíveis
Realizar atividade no Guia da Formação de
4 – Conhecendo Tutores da APS e da AAE, Tutores
Local
e discutindo conjuntamente; Analistas Texto de apoio
ferramentas para 30 min Analista Centrais, Apoiadores da destinado
Regional à formação “Ferramentas de
compartilhamento do ESP-MG e Apoiadores do compartilhamento do
de tutores
cuidado entre AAE e COSEMS cuidado entre AAE e
APS (Primeira Parte) APS” do Guia das Oficinas
Tutoriais da AAE.
Realizar atividade Orientações disponíveis
4 – Conhecendo Tutores da APS e da AAE, no Guia da Formação de
Local
e discutindo conjuntamente; Analistas Tutores
45 min Analista destinado
ferramentas para Centrais, Apoiadores da
Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais
compartilhamento do ESP-MG e Apoiadores do
de tutores da AAE
cuidado entre AAE e COSEMS
APS (Segunda Parte)

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 129


Acesso às ações e aos serviços da APS

Em nosso último Encontro Formativo, pudemos discutir aspectos relacionados ao acesso à


unidade da AAE, como, por exemplo, seu funcionamento como um serviço de porta fechada,
estratégias para regulação do acesso à atenção especializada pela equipe da APS e processos
de agendamento de consultas na AAE. Neste encontro, a proposta é que exploremos aspectos
relacionados ao acesso à unidade de APS. Como o serviço de AAE é responsável pelo
atendimento da população de abrangência das diferentes equipes de APS da região, propomos
que a discussão seja realizada conjuntamente entre tutores da APS e da AAE. Além disso, a
participação dos tutores da AAE nas discussões sobre o acesso às ações e aos serviços da UAPS
também pode contribuir para uma reflexão sobre o atendimento às populações minoritárias
realizado no serviço especializado.

ATIVIDADE 01

Analisando fatores de acesso à saúde na UAPS

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Para iniciarmos a análise dos diferentes fatores que interferem no acesso às ações ofertadas
pela UAPS, propomos que os tutores sejam divididos em grupos e discutam as seguintes
questões:

• Que características do território limitam o acesso às ações ofertadas pela UAPS?


• Que características da UAPS e da forma de organização do trabalho da equipe limitam
o acesso às ações ofertadas pela UAPS?
• No território de abrangência da UAPS, há grupos populacionais específicos que
possuem maior dificuldade de acessar o serviço e as ações ofertadas? (exemplos:
populações rurais, quilombolas, populações de rua, populações indígenas, ribeirinhas,
LGBT, entre outras). Se sim, quais são as principais dificuldades de acesso?

Após as discussões, é importante que cada grupo compartilhe com os demais as principais
questões debatidas.

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag.
18). O tema do acesso à saúde foi abordado na Oficina 04 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

A literatura técnico-científica tem evidenciado, cada vez mais, os diversos obstáculos que
populações minoritárias – por etnia, identidade de gênero, orientação sexual, condição
socioeconômica, local de moradia, entre outros aspectos – enfrentam para acessarem as ações
e os serviços de saúde, no âmbito do SUS. Os obstáculos enfrentados para o acesso à saúde são
de naturezas distintas e envolvem, por exemplo, questões culturais, relacionais, geográficas etc.
É muito importante que possamos identificar e discutir as diferentes situações que impõem
dificuldades de acesso à saúde pelas populações que demandam atenção e cuidado específicos.

130 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Discutindo e superando barreiras de acesso à saúde


entre populações minoritárias (Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deve imprimir, para os


tutores da AAE, cópias das situações disponíveis abaixo e nas páginas 19 a 23 do Guia das
Oficinas Tutoriais da APS.

Propomos que os tutores sejam divididos em três grupos, cada qual responsável pela leitura
de uma situação e pela discussão das questões correspondentes.

Grupo 01: População rural


Grupo 02: População transexual
Grupo 03: População indígena

Após as discussões, cada grupo deverá compartilhar com os demais os principais pontos
debatidos.

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 19).

CASO DE UMA ACS RURAL

Os caminhos de uma ACS: desafios para o acesso à saúde na zona rural

O.G.F., ACS há 14 anos em um município do Norte de Minas Gerais, trabalha em uma das áreas
mais distantes e de difícil acesso do município. Não existe linha de ônibus que liga a comunidade
dessa área à sede e, inclusive, alguns moradores desconhecem a sede do município.

Em um momento de apresentação do mapa de sua microárea aos demais ACS, O.G.F. relatou
as dificuldades que enfrenta no deslocamento e contou que tem que atravessar de canoa pelo
rio e andar dentro de um cafezal sozinha para chegar até parte das famílias que acompanha. Ela
narrou uma situação que vivenciou em um dia que, atravessando o rio com uma das moradoras
da região, a canoa furou:

“Quando estava no meio do rio, a senhora me falou: a canoa furou. Essa canoa
começou a encher de água e ela falava: tira a água. Eu só tinha uma garrafinha
pet. E eu fui tirando a água e a mulher remando, remando... Gente... quando
chegou do outro lado do rio a água já estava tomando conta da canoa”.

Diante do relato de O.G.F., os outros ACS foram tomados por uma comoção geral. Seguem
alguns relatos:

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 131


“Eu achava que a minha realidade era mais complicada. Agora eu acho que a
minha realidade em vista da dos outros é bem mais fácil, por mais que eu tenha
157 famílias. A minha área é na cidade, meu acesso às famílias é bem mais fácil.
Enquanto O.G.F. colocava que ela precisa atravessar o rio de canoa, passar no
cafezal sozinha... Ah, aqui é bem mais fácil, o acesso a meu local de trabalho
é muito bom… muita das vezes a gente ouve alguém que trabalha na saúde e
mesmo o usuário falar que o agente de saúde não faz nada, mas não entende
as dificuldades que o agente tem para chegar até as famílias, o acesso, o risco
que corre de vida, a dificuldade é grande.”

“Tem um ponto também que me chamou a atenção é que às vezes falam assim:
tem agente de saúde que trabalha com 20 e poucas famílias, mas quando eu
fui ouvir a realidade de cada um, eu falei: nossa! Cada pessoa tem que saber
distinguir isso, porque as dificuldades dela são bem maiores, como a distância.
Por isso a gente não pode comparar o número de famílias de agentes um com
o outro. Na cidade uns são próximos dos outros. Pelo que O.G.F. relatou, nossa,
é muito complicado.”

Caso adaptado e extraído do livro “Sobre vivências de agentes do SUS: travessias pelo Norte de Minas”, publicado
pela Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), em 2018.

Questões para discussão:

Quando pensamos no acesso à saúde, logo vem à cabeça a ideia de o usuário conseguir chegar a
um serviço de saúde e de ser atendido. A situação acima, entretanto, nos mostra as dificuldades
de a equipe de saúde, em especial o ACS, chegar até o usuário. Inspirados nessa situação,
discutam:

• Como a equipe tem se organizado para chegar aos usuários que precisam do serviço de
saúde, mas que apresentam grandes dificuldades de acessá-lo?

• Que estratégias a equipe desenvolve ou pode desenvolver para ampliar o acesso dos
usuários que vivem em áreas remotas e/ou que estão impossibilitados de se deslocarem
até a UAPS?

CASO MIKELY

Faces do acesso à saúde e a população transexual

Mikely Thifani Oliveira Barbosa, mulher trans, 23 anos, solteira, negra, estudante de enfermagem,
moradora da área urbana de Cruzeirinho. Há três dias, tem tido diarreia persistente e, como
é estudante da área da saúde, iniciou a hidratação caseira e monitorou a evolução do seu
quadro. Como não teve melhora, optou por procurar orientação médica na UAPS próxima à
sua residência.

132 PROJETO SAÚDE EM REDE


Ao chegar à UAPS, Mikely foi atendida pela recepcionista da unidade e, na sequência,
encaminhada para triagem. É de rotina dessa UAPS reservar os primeiros horários do dia para
atendimento às demandas espontâneas. Após a triagem, Mikely passou pela pré-consulta e,
posteriormente, foi direcionada para o atendimento do Romelúzio, médico da UAPS. Dr Romeu,
como é chamado pela comunidade, realizou a consulta e, com base na anamnese, prescreveu
medicamentos para tratamento de infecção intestinal. Na receita, tinha o medicamento
Sulfametoxazol + Trimetoprima 400mg + 80mg. Mikely deveria tomar um comprimido a cada 12
horas, durante cinco dias. Dr Romeu recomendou, ainda, que ela continuasse com a hidratação
em casa.

Ao sair do consultório, Mikely agradeceu pelo atendimento da equipe e se dirigiu à Unidade


Farmácia de Minas para receber o medicamento. A farmacêutica Alyne Souza, recém-chegada
à cidade, foi contratada pela secretaria municipal de saúde há pouco menos de dois meses. A
cidade havia ficado 45 dias sem farmacêutico e recebeu uma autuação do Conselho Regional
de Farmácia, devido à ausência do profissional em tempo integral.

Chegando à farmácia, Mikely se dirigiu até o balcão de atendimento e apresentou a receita


para a farmacêutica. Alyne informou que, por ser um medicamento “controlado”, faria a
retenção da segunda via da prescrição e que, para dispensar o medicamento, era necessária
a apresentação da carteira de identidade. Mikely pegou sua identidade e apresentou à
farmacêutica. Rapidamente, a farmacêutica devolveu o documento e informou que seria
necessário o documento da própria pessoa e não de um terceiro. Mikely, sorrindo, olhou para
a farmacêutica e disse que o documento era seu e que em seu cadastro o nome constante era
Mike Oliveira Barbosa, conforme o RG.

Alyne se deu conta de que se tratava de uma mulher trans e percebeu a tamanha gafe que
havia cometido. Logo se lembrou do conteúdo do curso à distância que estava fazendo,
denominado de “Organização do Cuidado em Rede”, em que foi abordada a barreira de acesso
à saúde à população trans. Prontamente, ela contornou a situação e conseguiu deixar Mikely à
vontade. Ela perguntou se Mikely gostaria de incluir o nome social em seu cadastro no Sistema
Integrado de Gestão da Assistência Farmacêutica (SIGAF). Alegre com a possibilidade, ela
respondeu afirmativamente e agradeceu. Alyne realizou a inclusão no cadastro, dispensou o
medicamento via SIGAF, retirou o medicamento na prateleira, entregou à Mikely e repassou
todas as orientações sobre o seu uso.

Questões para discussão:

• As especificidades do acesso à saúde pela população trans é pauta de discussão da


equipe?
• Vocês reconhecem que há especificidades no acesso e no cuidado à saúde da população
trans? Se sim, quais?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 133


CASO ARUANA

Acesso à saúde e a população indígena

Aruana Bayara, indígena da etnia Pataxó, aldeada, alfabetizada, casada, 37 anos, 3 filhos. Há
alguns dias, vem apresentando sintomas gripais leves e, por isso, iniciou o uso de chás da própria
aldeia. Sem melhoras, procurou a UAPS de Chrisópolis.

Ao entrar na UAPS, Aruana aproximou-se do balcão da recepção e pediu informação sobre


atendimento. A profissional da recepção, que se encontrava no celular, sem oferecer a devida
atenção, logo informou à Aruana que, por ser indígena, deveria procurar o atendimento na
UAPS da própria aldeia.

Aruana tentou explicar sua necessidade e, em resposta, a profissional disse que a população
indígena não poderia ser atendida naquela UAPS, porque o cadastro é realizado em outro
Sistema, no caso o Sistema de Informações da Atenção à Saúde Indígena (SIASI). Sem conseguir
dialogar com a recepcionista, Aruana chamou pela responsável da unidade. A enfermeira Suzana
apareceu e novamente explicou à Aruana que, infelizmente, devido à diferença de sistemas de
informação, ela deveria ser atendida na própria aldeia.

Inconformada, Aruana retornou à aldeia com os mesmos sintomas. A UAPS da aldeia estava
sem médico naquele dia. Sem atendimento, Aruana teve piora em seus sintomas e, após quatro
dias com febre e dificuldade respiratória, pediu ajuda à vizinha. Sua vizinha ligou para o Distrito
Sanitário Especial Indígena (DSEI) pedindo um carro para levar Aruana ao hospital. A atendente
do serviço respondeu que o único carro disponível havia saído para resolver uma demanda
administrativa, mas que, quando retornasse, encaminharia o chamado.

Após três horas, o funcionário responsável pelo transporte chegou à aldeia de Aruana, que
deixou seus três filhos com a vizinha, esposa do Cacique, e se dirigiu ao hospital.

Chegando ao hospital, ao passar pela triagem, Aruana foi atendida seguindo o fluxo de
sintomático respiratório. O médico Josemar que estava de plantão acolheu a demanda da
usuária, prescreveu medicamento de controle dos sintomas e orientou que agendasse o exame
para o diagnóstico de COVID-19. Além disso, orientou sobre os cuidados que deveriam ser
realizados nos próximos 14 dias. Poucos dias depois, saiu o resultado do exame de Aruana, que
testou negativo para COVID-19.

Questões para discussão:

• A equipe de saúde já vivenciou situação semelhante?


• O que a situação vivenciada por Aruana nos faz pensar sobre as barreiras de acesso
aos serviços de saúde pelas populações indígenas? E por outras populações que ficam à
margem dos serviços?

134 PROJETO SAÚDE EM REDE


Considerando as discussões realizadas, é possível dizer que as equipes, tanto da APS quanto
da AAE, reconhecem, acolhem e lidam com os diferentes contextos socioculturais dos usuários
e das populações específicas para o cuidado à saúde? É importante aprofundarmos o debate,
discutindo e reconhecendo alguns aspectos que devem ser considerados na relação entre
profissional e usuário para ampliarmos e melhorarmos o cuidado à saúde, considerando as
singularidades e as especificidades de quem cuidamos.

ATIVIDADE 02

Discutindo e superando barreiras de acesso à saúde


entre populações minoritárias (Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deve imprimir e recortar


as tiras abaixo apresentadas. Caso o número de participantes seja superior ao número
de tiras, o Analista Regional deve imprimir mais de uma cópia, assegurando que todos os
participantes recebam, pelo menos, uma tira.

No momento da atividade, o Analista Regional deve distribuir, aleatoriamente, as tiras


entre os participantes. Cada participante deve ler a(s) tira(s) recebida(s) e comentá-la(s). É
importante que o Analista Regional fomente a discussão sobre cada tira, ouvindo a opinião
e a experiência dos tutores.

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 24).

Tiras para a atividade

Acolho o usuário adequadamente, sem preconceito e discriminação por cor, raça, etnia,
orientação sexual e/ou condição socioeconômica
Em meu trabalho, ouço e acolho as falas de cada um dos usuários e das famílias que atendo,
tentando não colocar juízo de valor
Discuto com o usuário alternativas para o cuidado à saúde, considerando suas preferências,
suas condições socioeconômicas e culturais, seu gênero e sua orientação sexual
Reflito sobre minhas práticas e meus valores que interferem no cuidado ao usuário e no
respeito a sua idade, etnia, cultura, crenças, gênero, orientação sexual e/ou deficiência
Reconheço que meus valores, minhas crenças e minhas suposições possuem impacto nas
ações de cuidado que oferto aos usuários
Reconheço que os valores, as crenças e as suposições dos usuários influenciam no modo
como cuidam de sua saúde
Incluo o Nome Social do usuário nos prontuários/formulários que preencho
Respeito o nome social do usuário, mesmo quando ele não tenha feito a alteração no registro
civil

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 135


Tenho dificuldade de lidar com pessoas que possuem cor, orientação sexual e identidade de
gênero distintas das minhas
Reconheço a importância dos saberes populares e das práticas dos povos tradicionais no
cuidado à saúde
Reconheço que há especificidades no acesso e no cuidado à saúde de determinadas
populações
Na equipe, discutimos situações e temas relacionados ao cuidado à saúde de grupos
minoritários e populações vulnerabilizadas

ATENÇÃO

PARA TUTORES DA APS!

Além das discussões sobre as percepções da equipe em relação a diferentes aspectos que
envolvem o acesso à saúde, na Oficina Tutorial 09 da APS, é também proposta uma discussão sobre
como os usuários da UAPS percebem questões relacionadas ao acesso às ações e aos serviços
de saúde de que necessitam. Por isso, na Oficina Tutorial 09 da APS, o tutor deve apresentar e
discutir, junto à equipe, os resultados sistematizados dos questionários de avaliação do acesso
à saúde aplicados junto aos usuários da UAPS (resultado da atividade de dispersão proposta ao
final da Oficina Tutorial 08 da APS).

Após o tutor apresentar as informações sistematizadas, propomos que a equipe discuta as


seguintes questões:

• Quais foram os itens com pior avaliação pelos usuários? A equipe identifica possibilidade
de mudanças na forma como essas ações são ofertadas?
• Quais foram os itens com melhor avaliação pelos usuários? A equipe reconhecia que
esses eram pontos fortes da UAPS?
• Quais ações a equipe pode desenvolver para ampliar o acesso dos usuários às ações e
aos serviços ofertados pela UAPS?

As ações identificadas deverão ser registradas no plano de ação da equipe.

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 25).

136 PROJETO SAÚDE EM REDE


Cuidado compartilhado entre equipes da AAE e da APS

As diferentes discussões propostas ao longo do Projeto Saúde em Rede visam à efetivação do


cuidado compartilhado entre equipes da AAE e da APS, uma das principais marcas da organização
do cuidado em redes de atenção à saúde. Compartilhar o cuidado significa ter profissionais da
AAE e da APS atuando juntos no cuidado aos usuários, construindo coletivamente estratégias
de manejo clínico e assumindo conjuntamente a responsabilidade sobre o caso.

No contexto do cuidado à saúde da gestante, por exemplo, sabemos que a gravidez de alto risco
exige uma abordagem multiprofissional e pressupõe um compartilhamento do cuidado entre
a APS e a AAE, sobretudo porque, além do manejo clínico, requer maior suporte psicossocial.

ATIVIDADE 03

Discutindo o cuidado compartilhado entre APS e AAE


na gestação de alto risco

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente o Analista Regional deverá imprimir cópias das
falas disponíveis nessa atividade para os tutores da AAE.

Propomos que os tutores sejam divididos em quatro grupos para a discussão de algumas
questões relacionadas às experiências de gestantes de alto risco na APS e na AAE. A
proposta é que cada grupo leia algumas falas reais de mulheres com gestação de alto
risco e discuta as questões propostas.

As falas utilizadas nesta atividade foram extraídas do artigo “Interagindo com a equipe
multiprofissional: as interfaces da assistência na gestação de alto risco”, de autoria de
Virgínia Junqueira Oliveira e Anézia Moreira Faria Madeira6. As falas estão disponíveis nas
páginas 131 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

Grupos 01 e 02: Comunicação entre equipe da APS e usuária com gestação de alto risco

“(...) ninguém me explicou direito. Tive que vir pro lado de cá, pro alto risco”

“(...) o médico passou, mas assim, só mandou, mas não esclareceu muito quais os
riscos”

“(...) quando eu fiquei sabendo que eu tava grávida e que era de risco (...) eu fiquei
muito transtornada, me senti muito isolada (...) eu sofri muito (...) falava que eu não
queria (...) minha ficha não caía (...)”.

6 OLIVEIRA, V.J; MADEIRA, A.M.F. Interagindo com a equipe multiprofissional: as interfaces da assistência na gestação de alto risco. Rev.
Escola Anna Nery, v.15, n.1. 2011.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 137


Questões para discussão:

• Ao identificar uma gestante de alto risco, os profissionais da APS que providenciam


o compartilhamento do cuidado com o serviço especializado explicam à gestante sobre
sua condição e sobre o porquê da necessidade do encaminhamento?

• Como os profissionais de saúde da UAPS podem aprimorar sua capacidade de


compartilhar informações técnico-científicas com a gestante, de maneira clara,
compreensível e acolhedora?

Grupos 03 e 04: Acompanhamento da usuária com gestação de alto risco pela APS e
pela AAE

“(...) eu tive que sair de um lugar (UAPS) onde todas as mulheres estavam fazendo
pré-natal porque a médica disse: você não tem condições para ficar fazendo o pré-
natal normal. Requer um pouco mais de cuidado, de dedicação, mais seriedade nos
exames”.

“(...) o acompanhamento que a gente tem aqui (...) por ser alto risco, parece que é
uma atenção mais voltada pra gente e pro bebê. Tem acompanhamento da psicóloga,
da nutricionista. Eu fico cercada de gente. Então a gente fica mais tranquila né”.

“(...) aqui na policlínica o problema está sendo resolvido. Estou tendo um tratamento
melhor. Estou recebendo muito apoio, podendo contar com muitos profissionais pra
mim poder ficar mais informada (...)”

Questões para discussão:


• A equipe da UAPS realiza algum tipo de acompanhamento da gestante de alto risco
após o compartilhamento do cuidado com a atenção ambulatorial especializada?

• A equipe da UAPS reconhece a importância da atuação multiprofissional para o


cuidado à gestante de alto risco? Como fortalecer o cuidado ofertado por profissionais de
diferentes categorias e dos diferentes serviços, na perspectiva do cuidado compartilhado?

• A equipe da UAPS acompanha e/ou monitora o plano de cuidado proposto pela


equipe da atenção especializada?

Após as discussões, cada grupo deve compartilhar com os demais os principais pontos
debatidos.

Esta atividade é abordada na Oficina 16 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 130).

Algumas ferramentas podem contribuir para o desenvolvimento do cuidado compartilhado


entre as equipes da AAE e da APS, como, por exemplo, a Educação Permanente em Saúde (EPS),
o Apoio Matricial, a segunda opinião formativa, o prontuário eletrônico integrado e o plano de
cuidado compartilhado.

138 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 04

Conhecendo e discutindo ferramentas para


compartilhamento do cuidado entre AAE e APS
(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir, para os


tutores da APS, cópias do texto de apoio “Ferramentas de compartilhamento do cuidado
entre AAE e APS”, disponível na página 105 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

Propomos que os tutores sejam novamente divididos em quatro grupos, cada qual
responsável pela leitura e pela discussão de uma das ferramentas para compartilhamento
do cuidado entre equipes da AAE e da APS.

Grupo 01: Educação Permanente em Saúde e Apoio Matricial


Grupo 02: Segunda opinião formativa
Grupo 03: Prontuários clínicos eletrônicos
Grupo 04: Plano de cuidado compartilhado

Questões para discussão em cada grupo:

• A ferramenta descrita é de conhecimento do grupo? É importante que todos


compartilhem suas impressões sobre a ferramenta.
• A ferramenta já é utilizada no cotidiano de trabalho da equipe da AAE, em interface
com as equipes da APS?
» Se sim, que contribuições essa ferramenta traz para o cuidado aos usuários?
Há aspectos que precisam ser aprimorados no desenvolvimento da ferramenta no
serviço?
» Se não, quais seriam os desafios e as facilidades de implantá-la no cotidiano de
trabalho do serviço?

Após as discussões, cada grupo deverá apresentar aos demais participantes da oficina a
ferramenta de cuidado compartilhado pela qual ficou responsável e a síntese dos debates
realizados. É importante que o Analista Regional estimule a participação de todos e garanta
que as cinco ferramentas apresentadas sejam amplamente discutidas na equipe.

Para o encerramento da discussão, o Analista Regional poderá utilizar como apoio o Quadro
– “Síntese das estratégias para integrar as equipes da APS e da AAE”, disponível abaixo.

Esta atividade é abordada na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 104).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 139


TEXTO DE APOIO

Ferramentas de compartilhamento do cuidado entre AAE e APS

Educação Permanente em Saúde (EPS)

Uma das marcas da EPS é a possibilidade de os trabalhadores discutirem, problematizarem e


analisarem coletivamente as questões que surgem no cotidiano do trabalho, construindo novas
formas de trabalhar em equipe e de desenvolver o cuidado em saúde colaborativamente com
profissionais de outros serviços que compõem a rede de atenção.

A EPS pode e deve ser uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento de um cuidado
compartilhado, permitindo, por exemplo, a discussão de casos, a análise coletiva de processos
de trabalho e a definição conjunta de encaminhamentos entre equipes da APS e AAE. Em
espaços formais ou informais, a produção de trocas de saberes, orientações e entendimentos
sobre diretrizes clínicas, por exemplo, são basilares para um trabalho cada vez mais integrado
e resolutivo.

Apoio Matricial

O Apoio Matricial (AM) pode ser compreendido, ao mesmo tempo, como uma forma de
organização e uma metodologia para a gestão do trabalho que envolvem especialistas e
profissionais da APS. Trata-se de um caminho potente para ampliar as possibilidades de oferta
de um cuidado compartilhado e integrado entre as diferentes equipes, a partir de retaguarda
especializada e apoio técnico-pedagógico às equipes da APS (CAMPOS; DOMITTI, 2007).

Nesse contexto, em que estamos tratando de possíveis formas de se desenvolver o trabalho


integrado entre APS e AAE, o apoiador é um especialista que atua na AAE e possui saberes
e habilidades específicas que irão contribuir para aumentar a capacidade de resolução das
demandas e dos problemas de saúde dos usuários que estão sob a responsabilidade das equipes
da APS. O cuidado pode começar a ser compartilhado entre os profissionais da APS e da AAE
quando as equipes dos dois serviços passam a monitorar casos e a dialogar sobre o cuidado
ofertado. O AM se consolida com o apoio de especialistas da AAE, que disponibilizam seus
saberes específicos para construírem com os profissionais da APS estratégias de cuidado e
de manejo clínico da condição de saúde do usuário. O apoio matricial é, portanto, uma das
formas de se colocar em prática as funções de educação e de supervisão da AAE junto à APS,
podendo ser realizado por meio de reuniões periódicas e/ou interconsultas, desenvolvidas
presencialmente e/ou com a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Segunda opinião formativa

Outra ferramenta que pode ser utilizada para favorecer a integração entre as equipes da APS e
da AAE é a segunda opinião formativa. Trata-se de uma função pedagógica importante da equipe
da atenção especializada junto à equipe da APS, desenvolvida por meio de diferentes tecnologias
de informação e comunicação, como telefone, chat de discussão, aplicativos de mensagens

140 PROJETO SAÚDE EM REDE


instantâneas, e-mail, entre outros. A segunda opinião formativa é definida como um conjunto de
informações e/ou respostas que os especialistas oferecem aos profissionais das equipes de Saúde
da Família acerca de dúvidas e questões que surgem no cotidiano de trabalho, relacionadas, por
exemplo, a diagnóstico, planejamento e execução de ações, processos de trabalho e casos clínicos
atendidos e acompanhados na UAPS (BRASIL, 2011; LUSTOSA et al., 2015).

A segunda opinião formativa tem o objetivo de (re)orientar a atuação dos profissionais da


APS e contribuir para a tomada de decisão clínica, ampliando a capacidade resolutiva das
equipes e dos serviços. As ações relacionadas à segunda opinião podem contribuir, ainda, para
a descentralização do cuidado e para a oferta de maior acesso à saúde em lugares distantes
(PADILHA; SILVA; PONTES, 2013), o que se torna ainda mais importante em um estado tão
amplo e diverso como Minas Gerais. Como as informações fornecidas pelos especialistas são
baseadas na realidade de cada equipe da APS, a segunda opinião pode atender às necessidades
específicas dos profissionais que atuam nas diferentes regiões do estado (WEN, 2012).

Um exemplo de situação que pode acontecer é um profissional e/ou a equipe de APS enviar
e-mail a um especialista da AAE questionando sobre alguma questão específica da condição de
saúde de uma usuária e solicitando apoio para a tomada de decisão clínica. Dependendo das
circunstâncias, pode-se, inclusive, anexar ao e-mail algumas fotos sobre a condição que deseja
explorar junto ao especialista. Nesse caso, cabe ao especialista responder ao profissional
da APS, com indicação de manejo clínico da condição e, se for o caso, algum texto (artigo,
capítulo de livro etc.) que possa ajudar na compreensão da situação pelo profissional e/ou
pela equipe da APS.

IMPORTANTE

A segunda opinião formativa é uma ferramenta que integra o Programa Telessaúde Brasil,
instituído por meio de portaria em 2010 e redefinida pela Portaria nº 2.546, de 27 de outubro
de 2011. Conforme consta nessa Portaria, a segunda opinião formativa é

“resposta sistematizada, construída com base em revisão bibliográfica, nas


melhores evidências científicas e clínicas e no papel ordenador da atenção
básica à saúde, a perguntas originadas das teleconsultorias, e selecionadas
a partir de critérios de relevância e pertinência em relação às diretrizes do
SUS” (BRASIL, 2011).

Em Minas Gerais, temos o Centro de Telessaúde, ligado ao Hospital das Clínicas da


Universidade Federal de Minas Gerais, que oferta assistência à distância na área da
saúde, por meio de tecnologias de informação e de comunicação, facilitando o acesso de
pacientes aos serviços de saúde e dos profissionais ao conhecimento de saúde. O Centro de
Telessaúde coordena a Rede de Teleassistência de Minas Gerais, formada pela parceria de
sete universidades públicas do estado. A equipe de especialistas do Centro de Telessaúde
oferta diversos serviços, entre os quais destacamos: Teleconsultorias (serviços de consulta
à distância entre profissionais de saúde para discussão de dúvidas ou casos clínicos),
Telediagnóstico (emissão de laudos à distância) e Tele-educação (educação permanente

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 141


ofertada com diferentes metodologias).

Embora a segunda opinião formativa integre o Telessaúde, por meio da atuação de


diferentes especialistas que fazem parte do programa, a proposta no Projeto Saúde em
Rede é que os especialistas atuantes na AAE vinculada aos serviços de APS desenvolvam
essa ferramenta, considerando-a como uma importante estratégia para o apoio ao
desenvolvimento do cuidado no âmbito da APS.

Prontuários clínicos eletrônicos

Como sabemos, o nosso sistema de saúde organiza-se em redes de atenção, cuja estrutura
operacional inclui os sistemas logísticos, definidos como soluções tecnológicas fortemente
ancoradas nas tecnologias de informações. O prontuário clínico é um dos principais sistemas
logísticos das redes de atenção à saúde, juntamente aos cartões de identificação dos usuários,
aos sistemas de transportes sanitários e aos sistemas de acesso regulado à atenção à saúde
(MENDES, 2019).

Os prontuários clínicos podem ser de papel, como tradicionalmente conhecidos, ou eletrônicos.


Quando eletrônicos, os prontuários podem contribuir para a comunicação das informações
de saúde dos usuários atendidos na rede de atenção. Além disso, é muito importante que os
prontuários sejam integrados entre os diferentes serviços que compõem a rede de atenção,
o que pode contribuir para a coordenação do cuidado realizada pela APS, considerando a
possibilidade de compartilhamento das informações sobre o atendimento dos usuários nos
diversos serviços de saúde.

O sistema de prontuário eletrônico integrado pode contribuir de forma decisiva no cuidado


ofertado à usuária com gestação de alto risco, por exemplo. Ele possibilita que, durante o
acompanhamento do pré-natal da gestante, realizado pela médica e pela enfermeira da UAPS
e, também, por especialistas da AAE, todos os dados coletados e produzidos nas consultas e
nos exames sejam registrados e compartilhados, o que permite acompanhar a sua condição de
saúde e o seu atendimento desde a primeira consulta até o retorno da consulta especializada.

A partir dos dados existentes no prontuário, a comunicação entre a APS e a AAE torna-se mais
fácil e ágil. Nele, profissionais podem acessar informações prévias sobre a condição de saúde
da gestante e, ainda, produzir intercomunicações, otimizando o atendimento e contribuindo
para um maior compartilhamento do cuidado entre as equipes de ambos os serviços. Essa é
uma vantagem dos prontuários eletrônicos integrados: mostrar, dinamicamente, os caminhos
que os usuários percorrem nos serviços e facilitar o ordenamento do cuidado integrado entre os
pontos da rede de atenção à saúde. Quando implantados, favorecem a qualidade da assistência,
pois geram facilidade, agilidade e segurança tanto para os profissionais de saúde, quanto para
os usuários (GONÇALVES et al., 2013).

Segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, atualmente, dos


853 municípios mineiros, 698 utilizam o Prontuário Eletrônico Cidadão (PEC) e/ou algum

142 PROJETO SAÚDE EM REDE


outro sistema de informação próprio. Apesar da importância de os prontuários eletrônicos
integrarem os diferentes serviços, no estado, os PEC não são integrados à rede de atenção, o
que se torna um desafio para os profissionais das equipes de APS, que acabam não possuindo
acesso às informações dos atendimentos realizados em outros pontos de atenção, dificultando
a coordenação do cuidado na rede de atenção à saúde.

Plano de cuidado compartilhado

O plano de cuidado compartilhado é utilizado para organizar o cuidado entre os diferentes


serviços que compõem a rede de atenção à saúde. Nele são colocados os problemas de saúde
do usuário, as intervenções mais apropriadas para o seu caso, os profissionais e os equipamentos
de saúde necessários para a implementação das intervenções e para a melhoria de sua saúde.
É importante que sua elaboração seja feita a partir de um diagnóstico multiprofissional
e multidimensional que considere todas as demandas do usuário e que leve em conta a
estratificação de risco, pois é a partir dela que as intervenções terapêuticas serão propostas
e realizadas (MORAES, 2012). É fundamental que as intervenções considerem as evidências
científicas disponíveis e aplicáveis ao caso e, sobretudo, as necessidades, os desejos e os
valores do usuário e da sua família. Outra questão igualmente importante é a necessidade de
estabelecer um diálogo aberto e compreensível para que o usuário entenda sua situação de
saúde e os cuidados sugeridos para sua condição.

Vamos a um exemplo: a partir da estratificação de risco, que permite a definição de uma gestação
como sendo de alto risco, surge a demanda de criação de um plano de cuidado compartilhado.
Mas o que isso significa? Significa que a gestante continua sua agenda de atendimentos na
APS, mas também são incluídos os atendimentos no pré-natal de alto risco da AAE (SBIBAE,
2019). Nesse sentido, todos os dados coletados e produzidos durante as consultas, as avaliações
clínicas e os exames diagnósticos e, ainda, todas as prescrições terapêuticas e as recomendações
realizadas pelos profissionais são sistematizadas em um único plano de cuidados (SBIBAE, 2019).
No Projeto Saúde em Rede, propomos um modelo de plano de cuidados que pode ser adaptado
e utilizado pelas equipes da AAE.

O plano de cuidado contribui para a continuidade do diálogo entre os profissionais dos diferentes
serviços e para o cuidado compartilhado do usuário, constituindo ferramenta fundamental para
a integração do trabalho desenvolvido pelas equipes da APS e da AAE.

Para que o plano seja efetivo, é necessário que sejam estabelecidas modalidades de
comunicação entre os profissionais das duas equipes: telefone, chats de discussão, aplicativos
de mensagens instantâneas, e-mail e até mesmo o deslocamento dos profissionais. Essa
comunicação é importante para que as equipes possam discutir o caso e revisar o plano de
cuidado compartilhado sempre que necessário e com prontidão (SBIBAE, 2019).

A seguir apresentamos um quadro que sintetiza estratégias que podem potencializar o uso das
ferramentas de compartilhamento de cuidado, trazendo possibilidades para integração entre
as equipes da APS e da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 143


Quadro 1 – Síntese das estratégias para integrar as equipes da APS e da AAE
Estratégias
para integrar as
Descrição
equipes da APS e
da AAE
É muito importante que os trabalhadores, sejam da APS, sejam da AAE, ampliem os
espaços de discussão sobre os casos que chegam ao serviço e sobre a dinâmica de
relações próprias da equipe, tal como propõe a Educação Permanente em Saúde.
Um exercício muito importante que pode ser realizado nos espaços de discussão
Fortalecer
envolve três questões: aprender com o outro, sobre o outro e para o outro. Esse
o trabalho
exercício pode contribuir para o fortalecimento do trabalho em equipe, permitindo a
em equipe
discussão sobre o papel de cada trabalhador, sobre os objetivos e as prioridades da
(internamente às
equipe e sobre as dificuldades a serem superadas coletivamente.
equipes)
Uma equipe que já tem a prática do trabalho colaborativo tem maior potencial de
desenvolver uma atuação integrada junto a outros serviços da rede de atenção à
saúde. Por isso, o movimento interno de discussão sobre o trabalho em equipe em um
determinado serviço é condição fundamental para fortalecermos as redes de cuidado.
Fortalecer o
vínculo entre os É fundamental que as equipes da APS e da AAE se conheçam nominalmente, reconheçam
profissionais da o papel uns dos outros e compartilhem o cuidado mais colaborativamente.
APS e da AAE
Conforme a Educação Permanente em Saúde e o Apoio Matricial propõem, é muito
importante que as equipes da APS e da AAE ampliem as possibilidades de discutirem
diferentes questões que envolvem os casos mais complexos e a integração do trabalho
entre os profissionais dos dois serviços. Algumas ações que as equipes podem fazer em
conjunto:
• Momentos de estudo entre as equipes de APS e AEE com discussão de casos e/ou
de diretrizes clínicas específicas;
• As equipes podem entrar em acordo a respeito do protocolo que será utilizado nos
Ampliar os dois serviços (um serviço não pode tentar impor um protocolo ao outro ou trabalhar
espaços de com protocolos diferentes para a mesma condição/doença);
discussões entre
• Podem ser promovidos cursos rápidos e específicos para as situações mais
as equipes da APS
prevalentes no território/região de saúde;
e da AAE
• As equipes podem se deslocar para realizar atendimentos em conjunto: ora a
equipe de APS vai ao ambulatório para acompanhar os atendimentos, ora a equipe
do ambulatório vai à APS atender junto e, ali mesmo, elaborar ou rever o plano de
cuidados. Esse contato é importante também para minimizar a relação hierárquica
estabelecida entre equipes e serviços;
• É fundamental que as equipes mantenham contato regular entre si. Isso pode
acontecer por meio de documentos formais, como relatórios de pacientes, mas pode
também ocorrer por telefone, aplicativos de mensagens instantâneas, e-mail, etc.

144 PROJETO SAÚDE EM REDE


Estratégias
para integrar as
Descrição
equipes da APS e
da AAE
A forma mais efetiva de atuação integrada entre a APS e a AAE é o compartilhamento
do cuidado e da responsabilidade sobre a saúde dos usuários. A equipe da APS,
quando apoiada pela equipe da AAE, tem potencial para assumir, com mais segurança,
Construir o cuidado a usuários com condição de alto risco que estejam com estabilidade clínica.
estratégias para o É necessário descentralizar o cuidado do médico e ampliá-lo à equipe multiprofissional
compartilhamento da unidade de saúde e à toda a rede de atenção que o usuário utiliza, trabalhando de
do cuidado entre forma colaborativa e interdisciplinar.
APS e AAE A forma tradicional da referência e da contrarreferência é necessária, mas não
suficiente para que a APS possa coordenar o cuidado na rede. Para isso, recomenda-se
que o agendamento de atendimentos especializados seja realizado diretamente pela
equipe da APS.

Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS (2021)

Referências do texto de apoio


BRASIL. Portaria Nº 2.546, de 27 de outubro de 2011. Redefine e amplia o Programa Telessaúde Brasil, que passa
a ser denominado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Telessaúde Brasil Redes). 2011.

CAMPOS, G. W. S.; DOMITTI, A.C. Apoio Matricial e Equipe de Referência: uma metodologia para gestão do trabalho
interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 2, p. 399-407, fev. 2007.

GONÇALVES, J. P. P. et al. Prontuário Eletrônico: uma ferramenta que pode contribuir para a integração das Redes
de Atenção à Saúde. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 37, n. 96, p. 43- 50, mar. 2013.

LUSTOSA, M. et al. Tecnologia da informação no apoio à segunda opinião formativa em saúde pública. Revista
Bahiana de Odontologia, Salvador, v. 6, n. 2, p. 89-101, ago. 2015.

MENDES, E. V. et al. A construção social da Atenção Primária à Saúde. 2 ed. Brasilia: CONASS, 2019.

MINAS GERAIS. ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Organização do Cuidado em Rede –
Módulo V: integração e comunicação entre a atenção primária em saúde e atenção especializada. Belo Horizonte:
ESP-MG, 2021.

MORAES, E. N. Atenção à saúde do Idoso: Aspectos Conceituais. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde,
2012.

PADILHA, E. Z.; SILVA, F. R. D.; PONTES, F. S. Segunda opinião especializada educacional no Telessaúde Brasil: uma
revisão. PUBLICATIO UEPG: Ciências Biológicas e da Saúde, Ponta Grossa, v. 19, n. 1, p. 39-46, jan./jun. 2013.

SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA ALBERT EINSTEIN (SBIBAE). PLANIFICASUS: Workshop 5 –


Integração e Comunicação na Rede de Atenção à Saúde. São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein: Ministério
da Saúde, 2019.

WEN, C. L. Telemedicina e telessaúde: inovação e sustentabilidade. In: Mathias, I.; Monteiro A (orgs.). Gold book:
inovação tecnológica em educação e saúde. Rio de Janeiro: UERJ; 2012.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 145


Para entendermos melhor como as ferramentas para compartilhamento do cuidado podem
ser utilizadas no cotidiano de trabalhos das equipes de AAE e APS, apresentamos um caso para
discussão.

ATIVIDADE 04

Conhecendo e discutindo ferramentas para


compartilhamento do cuidado entre AAE e APS
(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir, para os


tutores da APS, cópias do Caso AAE Campo Verde, disponibilizado abaixo e na página 114
do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

Para a realização da atividade, propomos que os tutores sejam novamente divididos em


quatro grupos, cada qual responsável pela atividade especificada abaixo.

Grupos 01 e 02: O grupo deverá elaborar uma proposta de apoio matricial a ser desenvolvida
entre a equipe da AAE e a equipe da UAPS de Tapirangi. A proposta deve conter: objetivos;
atividades a serem desenvolvidas; temas iniciais a serem discutidos.

Grupos 03 e 04: O grupo deverá analisar o plano de cuidado proposto para a usuária Marilda
e destacar pontos importantes a serem discutidos entre as equipes da AAE e da UAPS.

Os grupos deverão registrar a síntese das discussões, que deve ser apresentada
posteriormente a todos os participantes. É muito importante que sejam discutidas
estratégias para incorporação de ferramentas de compartilhamento do cuidado no
cotidiano de atuação das equips da APS e da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 114).

146 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO AAE CAMPO VERDE

A microrregião de Campo Verde7 estava participando da 1ª Onda do Projeto Saúde em Rede


e o CEAE localizado no município de Cachoeira das Pedras, referência na linha de cuidado
materno-infantil para 10 municípios, foi escolhido como Unidade Laboratório. Simone,
coordenadora da unidade, acreditando na importância do projeto, se prontificou a apoiar
o desenvolvimento das atividades previstas nas Oficinas Tutoriais. Dentre as estratégias
abordadas no projeto e implementadas na rotina do serviço, estão a realização de reuniões
de equipe para a discussão de casos e para a análise coletiva dos processos de trabalho, além
da implantação do Colegiado Gestor.

Na última reunião, a Coordenadora Assistencial do Serviço, enfermeira Cláudia, dividiu com


a equipe que, nos últimos meses, ao realizar os atendimentos e confirmar a estratificação de
risco, utilizando o Formulário de Compartilhamento do Cuidado entre AAE e APS, percebeu um
aumento do número de casos em que as gestantes encaminhadas não preenchiam os critérios
para o atendimento no CEAE.

A equipe considerou importante entender melhor a situação e decidiu realizar um levantamento


sobre o número de usuárias com gestação de alto risco que tiveram seu cuidado compartilhado
com o serviço do CEAE nos últimos seis meses. Como Simone tinha mais facilidade para esse
tipo de trabalho, foi combinado que ela iria coletar as informações necessárias e trazer para a
discussão da equipe na próxima reunião.

Após coletar os dados, Simone verificou que 40% das gestantes compartilhadas não se
enquadravam nos critérios de estratificação de risco definidos para atendimento no CEAE. A
análise demonstrou que esse número aumentou progressivamente ao longo dos últimos meses.
Intrigada, Simone calculou o percentual de gestantes nessa situação por município e percebeu
que mais da metade dos casos eram encaminhados pelo município de Tapirangi.

Na reunião de equipe, Simone apresentou os dados e todos ficaram impressionados com os


resultados encontrados, se perguntando o que teria causado esse aumento. Então, o nutricionista
Bruno se lembrou de que houve substituição do gestor municipal de saúde na cidade. Com a
troca da gestão, vários profissionais da UAPS, que tinham participado das Oficinas do Projeto
Saúde em Rede, foram dispensados. A assistente social Elisângela cogitou a possibilidade do
desconhecimento por parte dos profissionais da APS do município em relação aos critérios
de estratificação de risco baseado nas diretrizes clínicas atualizadas, bem como aos fluxos de
compartilhamento pactuados com o ambulatório.

Ao final da reunião, o encaminhamento principal foi a proposta de realização de matriciamento


junto à equipe da UAPS de Tapirangi. Para tanto, Simone entrou em contato com a coordenação
da UAPS para propor uma agenda mensal fixa de reuniões de matriciamento.

7 Adaptado de SBIBAE (s/a).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 147


A coordenação da UAPS acolheu a proposta da equipe do CEAE e se comprometeu a pautá-la
já na próxima reunião de equipe. Tal fato se deu no dia seguinte e os trabalhadores receberam
bem a ideia. A ACS Joana comentou que as reuniões de matriciamento seriam também uma
ótima oportunidade para a discussão de casos de usuários que eram encaminhados pela APS
para a AAE, citando o exemplo da usuária Marilda, que havia comparecido ao CEAE para primeira
consulta na semana anterior. Ao retornar à UAPS, a usuária apresentou o Plano de Cuidado
Compartilhado elaborado pelo CEAE, que registrava a insuficiência de suporte familiar e a baixa
aderência terapêutica, além de questões clínicas que demandavam atenção especial de todos
os envolvidos no cuidado.

Informações sobre a usuária Marilda


Marilda Martins Silva, nascida em 05/02/1975, tem 46 anos, é branca, alfabetizada,
está desempregada e mora sozinha em uma casa simples na área rural do município
de Tapirangi. É solteira, tabagista, etilista, tem histórico de internação em casa de
recuperação por dois anos e prisão por roubo. A usuária possui histórico de abortos
provocados. Gravidez atual: IG de 21 semanas e dois dias na data da consulta, peso
40kg, altura 1,55cm, normotensa, ausculta BCF 197bpm, UF 16cm. Nega alergias
medicamentosas e refere uso de sulfato ferroso. Nega outras comorbidades. Relata
que a mãe e 2 irmãs residem na zona urbana do município de Tapirangi. Exames
laboratoriais sem alterações. Gravidez não planejada e desejada.

Plano de Cuidados proposto para Marilda

148 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATENÇÃO

PARA TUTORES DA AAE!

• No início das discussões sobre o compartilhamento do cuidado entre APS e AAE, durante
a Oficina Tutorial 07 da AAE, é proposto o resgate da síntese das discussões realizadas na
Oficina Tutorial 02, na “Atividade 2 – Identificando características da relação entre a AAE
e a APS”, bem como a síntese dos debates realizados durante o Encontro Formativo 03,
em que tutores da APS e da AAE puderam discutir sobre as perspectivas de cada equipe
em relação à integração entre os serviços. Portanto, é importante que os tutores da AAE
se organizem para isso.
• No contexto das discussões sobre as ferramentas de compartilhamento do cuidado,
durante a Oficina Tutorial 07 da AAE, é proposta uma atividade além das abordadas neste
Encontro Formativo. Trata-se da Primeira Parte da atividade “Discutindo ferramentas
para compartilhamento do cuidado entre AAE e APS: o uso no cotidiano de trabalho”, a
qual propõe uma discussão sobre as potencialidades da implantação de ferramentas de
compartilhamento do cuidado nos serviços, por meio da leitura do Caso Helena e do Caso
Olívia.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 149


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 05


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade Orientações disponíveis
Tutores da APS,
1 – Discutindo Local no Guia da Formação de
exclusivamente;
ambiência e 1 hora Analista destinado Tutores
Analistas Centrais,
intervenções no Regional à formação
Apoiadores da ESP-MG e Guia das Oficinas Tutoriais
espaço físico da de tutores
Apoiadores do COSEMS da APS (vol. II)
UAPS
Orientações disponíveis
Realizar atividade no Guia da Formação de
Tutores da APS, Tutores
2 – Discutindo Local
1 hora e Analista exclusivamente;
informações sobre destinado Apresentação em
30 min Regional Analistas Centrais,
demandas dos à formação power point, disponível
Apoiadores da ESP-MG e
usuários da UAPS de tutores na Plataforma de
Apoiadores do COSEMS
Vento Norte Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Intervalo 15 min

Tutores da APS, Orientações disponíveis


Realizar atividade Local no Guia da Formação de
exclusivamente;
3 – Apresentando 1 hora e Analista destinado Tutores
15 min Regional Analistas Centrais,
as atividades de à formação
Apoiadores da ESP-MG e Guia das Oficinas Tutoriais
dispersão para a APS de tutores
Apoiadores do COSEMS da APS (vol. II)

150 PROJETO SAÚDE EM REDE


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade
1 – Discutindo as Orientações disponíveis
Tutores da AAE,
contribuições da Local no Guia da Formação de
exclusivamente;
educação em saúde 45 min Analista destinado Tutores
Analistas Centrais,
para o cuidado Regional à formação
Apoiadores da ESP-MG e Guia das Oficinas Tutoriais
aos usuários com de tutores
Apoiadores do COSEMS da AAE
condições crônicas
(Primeira Parte)
Realizar atividade Orientações disponíveis
1 – Discutindo as no Guia da Formação de
Tutores da AAE,
contribuições da Local Tutores
exclusivamente;
educação em saúde 1 hora Analista destinado
Analistas Centrais,
para o cuidado Regional à formação Texto de apoio “ Educação
Apoiadores da ESP-MG e
aos usuários com de tutores em Saúde na AAE” do Guia
Apoiadores do COSEMS das Oficinas Tutoriais
condições crônicas
(Segunda Parte) da AAE

Intervalo 15 min

Orientações disponíveis
Realizar atividade no Guia da Formação de
Tutores da AAE,
2 – Conhecendo Local Tutores
exclusivamente;
uma estratégia de 45 min Analista destinado
Analistas Centrais,
educação em saúde Regional à formação Vídeo “Atenção por pares”,
Apoiadores da ESP-MG e
para usuários com de tutores disponível na Plataforma de
Apoiadores do COSEMS Monitoramento do Projeto
condições crônicas
Saúde em Rede

Realizar atividade Tutores da AAE, Orientações disponíveis


Local no Guia da Formação de
3 – Conhecendo a exclusivamente;
1 hora Analista destinado Tutores
proposta do modelo Analistas Centrais,
Regional à formação
do ciclo de atenção Apoiadores da ESP-MG e Guia das Oficinas Tutoriais
de tutores
contínua na AAE Apoiadores do COSEMS da AAE
Tutores da AAE,
Realizar atividade Local
exclusivamente; Orientações disponíveis
4 – Apresentando 15 min Analista destinado
Analistas Centrais, no Guia da Formação de
a atividade de Regional à formação
Apoiadores da ESP-MG e Tutores
dispersão para a AAE de tutores
Apoiadores do COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 151


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Ambiência e espaços de cuidado na UAPS

Além das questões já abordadas no primeiro turno deste Encontro Formativo, discutir acesso à
saúde também significa nos atentarmos ao ambiente físico da UAPS. Isso porque a compreensão
que os usuários constroem sobre o cuidado ofertado no serviço baseia-se em diferentes
aspectos, inclusive na experiência com o espaço físico da unidade, que nos remete ao conceito
de ambiência.

A ambiência refere-se à criação de espaços saudáveis, acolhedores, confortáveis e capazes


de promover encontro entre as pessoas (BRASIL, 2013). Trata-se de produzir intervenções no
espaço físico da unidade de saúde, o qual precisa ser compreendido como um espaço social,
profissional e de relações interpessoais. A ambiência nos convida a pensar, por exemplo, na
possibilidade de tornar o espaço físico interativo para os diferentes públicos e na necessidade
de torná-lo acessível para todo e qualquer usuário.

ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA AS ATIVIDADES SOBRE AMBIÊNCIA

Durante a Oficina Tutorial 10 da APS, são propostas duas atividades para discussão sobre a
ambiência da UAPS. A primeira propõe uma “atividade-passeio”8 pelos espaços da unidade, com
o objetivo de os trabalhadores explorarem os cantos e os arredores da UAPS, convocando a
sensibilidade, a curiosidade e a construção de outros modos de olhar e de perceber o espaço. A
intenção é que a equipe se direcione para a porta da UAPS e de lá vá percorrendo cada espaço
da unidade, atentando-se para as seguintes questões:

• Todo e qualquer usuário consegue acessar o espaço físico da UAPS?

• Quando eu entro na unidade e busco reparar nos detalhes do seu espaço físico, como
me sinto? Sinto-me acolhido neste espaço?

• Há muitos cartazes/informações afixados nas paredes? Se sim, são informações


necessárias? Tornam o ambiente “poluído”? São direcionados somente para um público
específico? Por exemplo, os cartazes são destinados mais para as mulheres? Para mães? Ou
são destinados para diferentes públicos? Isso pode gerar algum sentimento de “exclusão”
por parte da diversidade de usuários? Por exemplo, os homens se sentirem pouco
representados porque as informações são mais destinadas às mulheres.

• A organização física da recepção é convidativa para o usuário que chega à UAPS?

• A sala de espera possibilita a criação de interação com os usuários? Tem algum


recurso para a interação com as crianças? A sala de espera é aproveitada para outras

8 Termo inspirado no conceito de “aula-passeio” de Celestin Freinet.

152 PROJETO SAÚDE EM REDE


intencionalidades que não só a espera, como, por exemplo, para a realização de ações
educativas em saúde?

• As informações sobre a localização de cada espaço da unidade e sobre a direção do


deslocamento para cada setor são claras para os usuários? São localizadas em lugar visível?

• Há algum objeto nos espaços da UAPS que simboliza as características culturais da


comunidade?

• Que outros aspectos no espaço físico da unidade chamam atenção?

A segunda atividade propõe que a equipe discuta as percepções sobre o espaço físico da UAPS
e as anotações realizadas durante a “atividade-passeio”. Considerando que a ambiência é um
aspecto fundamental para o cuidado ofertado na APS, é importante que sejam discutidas possíveis
intervenções no espaço de modo a ampliar as possibilidades de acolhimento e de interação com
os usuários. As estratégias de intervenção discutidas e definidas pela equipe podem ser inseridas
no plano de ação.

Estas atividades são abordadas na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II
(pag. 29).

Para subsidiar a atuação dos tutores da APS junto às equipes sobre o tema da ambiência da
unidade, propomos a leitura e a discussão de duas experiências interessantes de intervenção
em ambientes de UAPS.

ATIVIDADE 01

Discutindo ambiência e intervenções no espaço físico


da UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos, cada qual responsável pela leitura e
pela discussão das duas experiências, disponíveis abaixo e nas páginas 31 e 32 do volume
II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

A discussão pode ser orientada pelas seguintes questões:

• Como os tutores avaliam a ambiência da UAPS em que atuam? Quais aspectos do


espaço físico da unidade limitam e/ou potencializam o cuidado ofertado aos usuários
do serviço?

• Que aspectos chamaram atenção nas experiências apresentadas? Há intervenções


desenvolvidas nas experiências que podem ser realizadas na UAPS em que atuam?

• Como os tutores podem apoiar as equipes para a realização de intervenções no


espaço físico da UAPS, considerando a proposta do conceito de ambiência?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 153


Experiência 1

Em uma UAPS do município de Jundiaí/São Paulo, foram realizadas várias intervenções


no espaço físico da unidade para promover a ambiência e a interação com os usuários,
conforme descrito abaixo:

“Na área de espera dos usuários para consultas em pediatria, as paredes foram
decoradas com motivos infantis. A doação de mesinhas e cadeiras para as crianças
motivou ações para estimular o pensamento criativo, sendo promovido um concurso
de desenhos, por faixa etária, com premiações conseguidas junto à própria equipe.
Para as crianças de 6 a 12 anos, foi proposta a criação de um “mascote” para a
unidade. Para os menores, o desenho era livre. A eleição do melhor desenho e do
mascote será feita pelos próprios usuários, que escolherão após exposição das
produções em painel. O mascote será utilizado para ilustrar as ações de saúde
promovidas na unidade, proporcionando o reconhecimento da participação da
comunidade nas atividades. Também para incrementar o envolvimento entre usuários
e equipe foram instalados murais com fotos ilustrando as principais ações realizadas
na unidade, como campanhas de vacinação, grupos de alimentação saudável na
infância e as crianças participando ativamente das consultas de pediatria”.

Fonte: BORTOTTO, M.G. Cuidando da ambiência da unidade básica: adequação para criar espaços de
acolhimento e integração. I Fórum de Saúde: o foco é você. Jundiaí: Prefeitura de Jundiaí, 2011.

Experiência 2

Em uma UAPS da cidade de São Paulo, trabalhadores e usuários realizaram, coletivamente,


intervenções no espaço físico da unidade, conforme descrito abaixo:

“Na primeira fase, foram elaboradas as novas propostas decorativas para a ambiência.
Houve participação dos trabalhadores, dos usuários (que receberam papeis e lápis de
cores para desenhar projetos enquanto aguardavam o atendimento na própria sala
de espera) e dos adolescentes do bairro (que foram convidados, por intermédio dos
educadores das escolas, a comparecer à unidade, tirar fotos e criar os seus projetos).

Na segunda fase, os três melhores projetos escolhidos pelo grupo (considerando


beleza, criatividade e possibilidade de viabilização) foram colocados na sala de
espera para votação dos usuários e dos trabalhadores. O projeto mais votado foi
o desenvolvido pela filha de uma agente comunitária de saúde (ACS), que propôs
que as paredes da sala de espera fossem pintadas com portas e janelas, simulando
a arquitetura de uma casa. O segundo projeto mais votado foi o de uma ACS, que
havia cursado um ano de design de interiores e imaginou a parede principal da
unidade pintada de lilás com o desenho de uma árvore, embaixo da qual haveria
uma mensagem escrita. O grupo decidiu que o segundo projeto mais votado seria o
mais viável para a execução, já que não dependia de grandes habilidades técnicas.
Algumas ideias propostas em outros projetos também puderam ser aproveitadas: a
criação de um espaço infantil mais colorido, com mãos de crianças estampando as

154 PROJETO SAÚDE EM REDE


paredes (idealizado por uma auxiliar administrativa e por uma dentista) e o desenho
de pássaros saindo pela janela (idealizado por um adolescente do bairro).

Na terceira fase, houve um mutirão de trabalhadores voluntários para efetivar a


transformação da sala de espera.”

Fonte: SATO, M.; AYRES, J. R. C. M. Arte e humanização das práticas de saúde em uma Unidade Básica.
Interface (Botucatu), v. 19, n. 55, 2015.
Estas experiências são apresentadas na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II
(pag. 31)

Características da utilização de serviços na UAPS: aproximando do perfil de


demandas dos usuários

A garantia de acesso à saúde também está relacionada com a capacidade de as UAPS atenderem,
com qualidade e resolutividade, às mais diversas demandas dos usuários. Como porta de entrada
preferencial para os usuários no SUS e com a atribuição de resolver a maioria dos problemas
e das demandas de saúde, a APS enfrenta o grande desafio de equalizar as ações ofertadas na
unidade com as diversas necessidades e demandas da população, sejam elas programadas,
sejam sem agendamento prévio.

Sabemos que as unidades de APS possuem, em geral, um volume grande de pessoas que as
procuram diariamente, com demandas diversificadas e, muitas vezes, sem agendamento prévio.
“A busca do usuário pela unidade de saúde, independente do motivo ou do tempo de evolução
do problema, de forma não esperada pelo serviço, é denominada de demanda espontânea”
(PBH, 2014, pag. 8). A demanda espontânea pode ser uma demanda com queixa clínica, advinda
de agravos e de condições agudas ou crônicas, e também pode ser uma demanda sem queixa
clínica, como, por exemplo, demandas administrativas (entrega de um pedido de exame
complementar, agendamento de consulta de controle, renovação de receita, entre outras).

Nesse sentido, equalizar as demandas da população com as ofertas da UAPS exige, entre outras
questões, conhecer o perfil de morbidade da população, os motivos de busca por atendimento,
o conjunto de ações e serviços que são ofertados pela equipe da APS e outras variáveis que
subsidiem o (re)equilíbrio entre a demanda e a oferta e a (re)organização dos fluxos e dos
processos de trabalho que envolvem o atendimento às demandas semelhantes.

Sobre o perfil de demandas dos usuários que chegam à UAPS, são diversas as estratégias pelas
quais a equipe de saúde pode conhecer e sistematizar informações. Na Oficina Tutorial 10, a
proposta é que os tutores apresentem e discutam com a equipe duas delas. A primeira estratégia
refere-se à sistematização de informações sobre demandas dos usuários na UAPS, coletadas
pelos trabalhadores que atuam na recepção da unidade.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 155


ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A SISTEMATIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE DEMANDAS


DOS USUÁRIOS NA UAPS

Na Oficina Tutorial 10, o tutor deve apresentar aos participantes a “matriz de análise do balanço de
atendimento semanal”, preenchida ao longo de duas semanas pelo(s) trabalhador(es) da recepção
(produto da atividade de dispersão proposta ao final da Oficina Tutorial 08). Juntamente ao tutor,
a equipe deve identificar:

• Número total de atendimentos realizados nas duas semanas


• Proporção de demanda espontânea com condição aguda atendida
• Proporção de demanda espontânea com queixa não aguda atendida
• Proporção de atendimentos de consultas previamente agendadas
• Proporção de demanda por vacinação atendida
• Proporção de demandas administrativas atendidas (atestado médico, renovação de
receita, entre outras)
• Número total de demandas não atendidas
• Proporção de demandas não atendidas por cada motivo especificado

Após levantamento dos itens acima, é importante que o tutor e a equipe discutam sobre o
perfil das demandas que chegam à UAPS, sobre como podem se (re)organizar para otimizar o
atendimento às demandas mais frequentes e sobre estratégias a serem desenvolvidas para o
atendimento às demandas não atendidas. As ações discutidas e definidas podem ser registradas
em local visível a todos os participantes (quadro ou papel kraft) para serem incluídas no plano
de ação.

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 33).

Outra estratégia que pode ser utilizada para identificar e analisar informações sobre o perfil de
demandas dos usuários em uma UAPS refere-se aos formulários do e-SUS.

O e-SUS é um sistema de informação em saúde nacional que permite que informações do


cadastro e dos atendimentos dos usuários sejam registradas de forma individualizada. Esse
sistema possibilita, além disso, gerar relatórios por UAPS, com informações agregadas, ou seja,
relatórios que reúnem todas as informações preenchidas em cada campo das fichas, em um
determinado período (dia, semana, mês, etc.) (BRASIL, 2018).

A análise de relatórios com informações sobre visitas domiciliares, atendimentos realizados,


atividades coletivas desenvolvidas e perfil das pessoas que utilizam esses serviços pode ajudar
a equipe a identificar características relacionadas ao perfil das demandas dos usuários de uma
determinada UAPS. Por meio dos relatórios, as equipes podem conhecer, por exemplo, se a UAPS
é mais utilizada por mulheres ou homens; qual a faixa etária e a escolaridade dos usuários que

156 PROJETO SAÚDE EM REDE


frequentam a unidade em maior e menor proporção; a proporção de atendimentos realizados
de demanda programada e de demanda espontânea; os problemas e as condições de saúde
mais recorrentes; os tipos de exames mais solicitados e/ou avaliados, entre outros.

Embora o preenchimento dos formulários de produção das equipes seja, muitas vezes,
considerado pelos profissionais como uma atividade meramente burocrática, a sistematização,
a análise e a discussão dos relatórios de produção são fundamentais para a compreensão
das características dos usuários que acessam a UAPS, bem como do tipo de demanda que
apresentam. Essas informações podem contribuir para que as equipes reorganizem seus
processos de trabalho para melhor atendimento às demandas que chegam à unidade.

ATIVIDADE 02

Discutindo informações sobre demandas dos usuários


da UAPS Vento Norte

Para esta atividade, propomos que o Analista Regional apresente as características


das demandas dos usuários da UAPS Vento Norte, identificadas a partir da análise de
relatórios extraídos dos formulários de cadastro individual, cadastro domiciliar/territorial
e atendimentos diários do e-SUS. Para isso, poderá utilizar a apresentação de power point
disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Após a apresentação, os tutores devem discutir as seguintes questões:

• O que mais despertou a atenção nos dados apresentados sobre a UAPS Vento Norte?
• Considerando o tipo de atendimento (programado/espontâneo), a faixa etária, o
sexo e as principais condições avaliadas nos atendimentos, de que forma a UAPS Vento
Norte deveria se organizar para atender à população?

• Na percepção dos tutores, o perfil de demandas da UAPS Vento Norte se aproxima


ou se distancia do perfil de demandas da UAPS em que atuam?

• A equipe da unidade em que os tutores atuam utiliza os relatórios do e-SUS para


discussão e planejamento das ações da UAPS?

• Sobre as informações que não foram preenchidas nas fichas pelos profissionais da
UAPS Vento Norte, elas seriam importantes para conhecer o perfil de demandas dos
usuários?

• Na percepção dos tutores, como a equipe da UAPS pode incorporar a utilização dos
dados do e-SUS para o planejamento das ações ofertadas?
É importante que sejam discutidas iniciativas que podem ser desenvolvidas para aprimorar
os registros dos formulários do e-SUS e estratégias a serem realizadas para conhecer as
demandas de grupos de usuários que não buscam a UAPS.

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 35).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 157


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 03

Apresentando as atividades de dispersão para a APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias do


Caso UAPS Sergio Arouca disponível abaixo.

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da APS as atividades de


dispersão que serão propostas ao final das Oficinas Tutoriais 09 e 10.

Cálculo da “Taxa de Absenteísmo” e do “Tempo de Espera para o Terceiro Agendamento


Disponível para Consulta Programada”

Após a Oficina Tutorial 10, a proposta é que o tutor realize o cálculo de indicadores para
a realização da análise do sistema de agendamento da UAPS, a ser realizada na Oficina
Tutorial 11. Os indicadores deverão ser calculados para consultas médicas e para consultas
odontológicas, caso possua. Os resultados encontrados para cada um dos indicadores
deverão ser apresentados para a equipe na Oficina Tutorial 11. É importante que, no
momento da apresentação, o tutor contextualize os resultados com base nos dados
levantados, apresentando, portanto, a fórmula de cálculo que levou ao resultado.

Neste Encontro Formativo, sugerimos que os tutores, com o apoio do Analista Regional,
façam um exercício fictício de cálculo dos indicadores, com base em dados apresentados
no Caso UAPS Sergio Arouca, disponível abaixo. Para a realização da atividade, devem ser
consultadas as fichas dos indicadores disponíveis abaixo e também nas páginas 37 a 40 do
volume II do Guia das Oficinas Tutorias da APS.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da
APS – volume II (pag. 36).

158 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO UAPS SÉRGIO AROUCA

A UAPS Sérgio Arouca, no município de Campo Estrela, está iniciando uma reorganização do
processo de agendamento das consultas médicas e odontológicas. Uma das etapas iniciais
contempla a realização de um diagnóstico da situação atual em relação ao absenteísmo dos
usuários e ao tempo de espera para consultas programadas. O Colegiado Gestor da unidade
organizou um encontro para analisar esses indicadores. Para tanto, a enfermeira Bárbara e o
recepcionista Ivo ficaram responsáveis pelo cálculo e pela apresentação dos indicadores (a)
Taxa de Absenteísmo e (b) Tempo de Espera do 3º Agendamento ao Colegiado Gestor. Assim,
Bárbara e Ivo levantaram dados relativos às agendas das médicas e do dentista que atuam
na unidade, tanto no módulo ‘Agenda’ do e-SUS, quanto nas próprias agendas que ficam na
recepção (Tabelas 1 e 2). Com base nessas informações, puderam explorar a situação da UAPS
em relação aos indicadores citados.

Tabela 1: Informações sobre consultas agendadas e faltas da UAPS Sérgio Arouca

Nº total de consultas agendadas


Profissional Nº de faltas (01/03 a 30/06)
(01/03 a 30/06)
Margareth (médica) 1056 128
Paulo (dentista) 782 45
Izabel (médica) 987 325
Total 2825 498

Tabela 2: Informações sobre 3ªs vagas disponíveis na UAPS Sérgio Arouca


Profissional Data da coleta Data da 3ª vaga disponível
Margareth (médica) 10/07 24/07
Paulo (dentista) 10/07 07/08
Izabel (médica) 11/07 14/07

Ficha do Indicador “Taxa de Absenteísmo”


Nome do
• Taxa de Absenteísmo
indicador
Tipo de
• Proporção
indicador
• Percentual de consultas agendadas não realizados por falta dos usuários em relação ao
Definição
total de consultas agendadas da unidade
• O absenteísmo nas consultas da APS previamente agendadas é um problema que interfere
no acesso e na efetividade dos serviços de saúde, prejudicando a continuidade do cuidado.
• Calcular a taxa de absenteísmo na UAPS tem como objetivo monitorar o comprometimento
Objetivo e da agenda de consultas decorrente das faltas dos usuários.
interpretação • O acompanhamento periódico da taxa de absenteísmo na unidade permite identificar
medidas mais assertivas para reduzir o fenômeno.
• Não há uma prevalência uniforme do absenteísmo no âmbito da APS, podendo ser
observadas diferentes taxas a depender do contexto territorial e do período do ano.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 159


• Estudos realizados no âmbito da APS no Brasil encontraram distintas taxas de absenteísmo
em consultas previamente agendadas: 13,5% e 11,8%(1); 48,9%(2); e 19,2%(3).
• Compreender a perspectiva do usuário sobre o serviço é muito importante para
conhecermos os motivos do seu não comparecimento às consultas previamente agendadas(2).
Objetivo e
• O absenteísmo foi associado a algumas causas, como esquecimento, falhas na comunicação
interpretação
entre o serviço e o usuário, melhora dos sintomas de adoecimento, agendamento em horário
(continuação)
de trabalho, falta de transporte, dia da semana agendado, bem como tempo de espera(3, 4).
• A reorganização da oferta da UAPS pode promover a redução do absenteísmo. São exemplos
de ações possíveis de serem realizadas: facilitar a desmarcação e o agendamento; ampliar
as formas de comunicação da população com a unidade por meio de telefones e correio
eletrônico; ouvir o usuário e marcar a consulta em horário conveniente para ele, entendendo
seu cotidiano, inclusive o que precisa organizar para comparecer à consulta(2).

Fonte dos • Agendas da UAPS (por profissional)


dadosA • e-SUS (módulo “Agenda”)
• Verificar na agenda o número de faltas às consultas agendadasB no período.
• Verificar na agenda o número total de consultas agendadasB no período.
• Aplicar os números à fórmula: (Número de faltas às consultas agendadas ÷ Número total
Metodologia
de consultas agendadas) x 100
de cálculo
• O resultado é apresentado como uma unidade proporcional (%)
• Realizar o cálculo por: (a) profissionalC; (b) tipo de consulta; (c) ciclo de vida; e (d) geral
da UAPS.
Responsável
• Gerente ou enfermeiro da unidade
pela coleta
Periodicidade
• Mensal
da medição

Referências:
1.TRISTÃO, F.I. et al. Acessibilidade e utilização na atenção básica: reflexões sobre o absenteísmo dos usuários. Rev
Bras Pesq Saúde. Vitória, 18(1): 54-61, jan-mar 2016.

2.IZECKSOHN, M.M.V.; FERREIRA, J.T. Falta às consultas médicas agendadas: percepções dos usuários acompanhados
pela Estratégia Saúde da Família, Manguinhos, Rio de Janeiro. Rev Bras Med Fam Comunidade. Rio de Janeiro,
9(32):235-241, jul-set 2014.

3.SILVEIRA, G.S. et al. Prevalência de absenteísmo em consultas médicas em unidade básica de saúde do sul do
Brasil. Rev Bras Med Fam Comunidade. Rio de Janeiro, 13(40):1-7, jan-dez 2018.

4.BELTRAME, S.M. et al. Absenteísmo de usuários como fator de desperdício: desafio para sustentabilidade em
sistema universal de saúde. Saúde debate, Rio de Janeiro, 43(123):1015-1030, out 2019.

Notas:
A. O número de consultas agendadas, a especificação do tipo de consulta e o comparecimento ou a ausência dos usuários constituem os dados
coletados para esta pesquisa e estão inclusos na agenda administrativa da UAPS. É importante estabelecer como rotina das equipes o registro
das faltas a consultas previamente agendadas.
B. Excluir visitas domiciliares.
C. Incluir a agenda do odontólogo, se houver.

160 PROJETO SAÚDE EM REDE


Ficha do Indicador “Tempo de Espera para o Terceiro Agendamento Disponível para
Consulta Programada”
Nome do
• Tempo de espera para o Terceiro Agendamento Disponível para consulta programada
indicador
Tipo de
• Número absoluto
indicador
• Intervalo de tempo entre a apresentação da demanda e a terceira vaga disponível para
Definição
agendamento de consulta com determinado profissional.
• O Terceiro Agendamento Disponível é um indicador validado na literatura, sobretudo
para a organização do agendamento médico, que pode ser aplicado também para outros
profissionais, como enfermeiro, dentista e demais profissionais da unidade. Considera- se
que a primeira e a segunda vagas disponíveis na agenda sofrem flutuações imprevisíveis,
ocasionadas pela desistência ou pelo não comparecimento de usuários. A terceira vaga
indica melhor a existência de sobrecargas ou demandas reprimidas, inclusive em função da
organização inadequada da agenda e do cuidado.
• Medir o tempo de espera, em dias, para a terceira vaga disponível para consulta
programada, na agenda do profissional.
• Registrar o nome e a categoria do profissional, a data e o dia da semana, o responsável
Objetivo e pela medição e o resultado da medição.
interpretação • Identificar e registrar os fatores que podem influenciar no tempo de espera: modalidade
de agendamento, carga horária do profissional, ausência do profissional devido a licença de
saúde, reuniões ou atividades educacionais, surtos ou epidemias e outros.
• Analisar se o tempo medido é oportuno, considerando o contexto da medição.
• Analisar a variação do tempo de espera para as consultas programadas ao longo do
tempo, permitindo o planejamento da agenda para diferentes linhas de cuidado, de forma
individualizada para cada profissional.
• Não existem parâmetros pré-estabelecidos para a análise comparativa. Algumas
experiências consideram oportuno um tempo de espera de até 48 horas. A equipe pode
considerar também: a própria avaliação, mesmo que subjetiva; a manifestação de satisfação
ou insatisfação do usuário; o tempo médio de outras unidades com um perfil semelhante
de atendimento.
Fonte dos
• Agenda do profissional.
dados
• Verificar na agenda de cada profissional qual a terceira vaga disponível para o agendamento
de consulta programada.
• Calcular o tempo entre a data da coleta e a data da terceira vaga, em dias, para cada
Metodologia
profissional separadamente.
de cálculo
• Realizar a medição simulando uma solicitação de consulta em diferentes situações não
urgentes como: um adulto que deseja fazer uma consulta de controle (check-up); a primeira
consulta de pré-natal; um diabético egresso recente de internação.
Responsável
• Gerente da unidade
pela coleta
• Deve ser realizada uma coleta de dados na fase inicial para servir como linha de base de
Periodicidade comparação após a implementação de ações de melhoria.
da medição • Sugere-se realizar uma coleta no início de cada semana ou quinzena, da agenda de todos
os profissionais médicos, enfermeiros e dentistas.
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Projeto Gestão do Cuidado no Território, 2018.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 161


ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 09 e 10, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 10, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 05. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 10.

162 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Educação em saúde e o cuidado aos usuários com condições crônicas na AAE

A literatura técnico-científica e as experiências nos diferentes serviços de saúde têm apontado


que o manejo das condições crônicas exige, necessariamente, a participação do usuário em
todo o processo, de modo que ele entenda sobre sua condição de saúde e possa tomar decisões
cotidianas sobre si. É igualmente importante o envolvimento da família, considerando, muitas
vezes, sua lida cotidiana com os processos de cuidado. Nesse sentido, cabe ressaltarmos a
importância do desenvolvimento de ações de educação em saúde junto a usuários e familiares,
no âmbito da AAE, que, como já vimos, é uma atribuição das equipes multiprofissionais que
atuam nos serviços especializados.

ATIVIDADE 01

Discutindo as contribuições da educação em saúde


para o cuidado aos usuários com condições crônicas
(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores discutam as seguintes questões:

• Como a educação em saúde pode contribuir para o cuidado aos usuários com
condições crônicas?

• A equipe do serviço de AAE desenvolve ações de educação em saúde no cotidiano


do trabalho? Se sim, como têm sido desenvolvidas?

• Na opinião dos tutores, as práticas educativas realizadas no serviço têm contribuído


para a melhoria das condições de saúde dos usuários com condições crônicas?

Esta atividade é abordada na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 96).

Para subsidiar as discussões dos tutores com a equipe da AAE sobre a educação em saúde e
as suas contribuições para o manejo das condições crônicas, apresentamos aspectos teórico-
conceituais sobre o tema.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 163


ATIVIDADE 01

Discutindo as contribuições da educação em saúde


para o cuidado aos usuários com condições crônicas
(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores leiam o texto de apoio “Educação em Saúde na AAE”, disponível
na página 97 do Guia das Oficinas Tutorias da AAE. Em seguida, sugerimos que discutam
as seguintes questões:

• O texto possibilitou ampliar a compreensão da equipe sobre educação em saúde?


• O texto aponta novas possibilidades para o desenvolvimento de práticas educativas
em saúde destinadas ao manejo das condições crônicas, no âmbito da AAE? Quais?

O Analista Regional pode retomar os aspectos discutidos na primeira parte da atividade,


propondo a análise entre as compreensões iniciais dos tutores e as contribuições trazidas
pelo texto de apoio.

Esta atividade é abordada na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 96).

ATIVIDADE 02

Conhecendo uma estratégia de educação em saúde


para usuários com condições crônicas

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

A atenção por pares tem sido destacada como uma importante estratégia para realizar
atividades grupais envolvendo usuários com condições e doenças crônicas. A estratégia
pressupõe a condução e/ou a mediação do grupo por usuários portadores de determinada
condição crônica que possuem melhor conhecimento sobre sua condição de saúde, sobre
as circunstâncias sociais em que a condição se dá e maior experiência no cuidado à sua
saúde.

Para conhecerem um pouco mais sobre a atenção por pares, sugerimos que os tutores
assistam ao vídeo que relata a experiência de Santo Antônio do Monte no desenvolvimento
da atenção por pares. O vídeo está disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede.

Em seguida, propomos que os tutores discutam se essa estratégia é utilizada no serviço da


AAE, quais suas potencialidades para o cuidado à saúde e quais os desafios para colocá-la
em prática.

Esta atividade é abordada na Oficina 06 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 100).

164 PROJETO SAÚDE EM REDE


Modelo do Ciclo de Atenção Contínua para a AAE

No Projeto Saúde em Rede, propomos a (re)organização dos processos de trabalho dos serviços
de AAE, com base em uma atuação multiprofissional e interdisciplinar da equipe. Para isso,
sugerimos a implementação do modelo do ciclo de atenção contínua, cuja proposta envolve
o manejo clínico dos usuários por uma equipe multiprofissional, o desenvolvimento de uma
avaliação interdisciplinar e o compartilhamento do cuidado com a equipe da APS, com vistas à
oferta de um cuidado mais integral e resolutivo.

ATIVIDADE 03

Conhecendo a proposta do modelo do ciclo de


atenção contínua na AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Para conhecermos a proposta do modelo do ciclo de atenção contínua, sugerimos a leitura


do Caso Augusto, disponível na página 120 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE, e, em
seguida, a discussão das seguintes questões:

• Na opinião dos tutores, quais características da organização dos processos de trabalho


da AAE identificadas no caso contribuem para um cuidado mais integrado e resolutivo?

• Algumas características dos processos de trabalho da AAE abordadas no caso são


comuns ao serviço em que vocês atuam? Se sim, quais?

• Que características de organização da AAE abordadas no caso não fazem parte do


serviço em que vocês atuam? Quais seriam os desafios para colocá-las em prática?

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 119).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 165


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 04

Apresentando a atividade de dispersão para a AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da AAE as atividades de


dispersão que serão propostas ao final das Oficinas Tutoriais 06 e 07.

Elaboração de proposta de fortalecimento da integração entre equipes da AAE e da APS

Ao final da Oficina Tutorial 07, sugerimos que o tutor pactue com os integrantes do
colegiado gestor da unidade a elaboração de uma proposta para fortalecimento da
integração com as equipes da APS de todos os municípios do território de abrangência.
Podem ser importantes, neste caso, conversas com coordenadores da APS dos municípios,
com tutores das unidades laboratórios da APS, com os Analistas Regionais, entre outros
movimentos de discussão e de articulação.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina 07 do Guia das Oficinas Tutoriais da
AAE (pag. 116).

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 06 e 07, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 07, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 05. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 07.

166 PROJETO SAÚDE EM REDE


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 05


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Tutores da AAE e da APS,


Realizar atividade 1 Local
2 separadamente; Analistas
– Compartilhando as Analista destinado Orientações no Guia de
horas Regional Centrais, Apoiadores da à formação Formação de Tutores
ações desenvolvidas ESP-MG e Apoiadores do
na Unidade de tutores
COSEMS
Laboratório
Local
Realizar atividade 2 Analista Tutores da AAE e da APS, destinado Orientações no Guia de
2 – Planejando os horas Regional separadamente à formação Formação de Tutores
próximos passos
de tutores

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 167


ATIVIDADE 01

Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade


Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: a(s) oficina(s) ocorreram? Houve dificuldades? Como
foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a(s) oficina(s)?

• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas


no plano de ação? A equipe tem se apoiado para a realização das atividades previstas
no plano?

• como tem sido a implementação das ações propostas pelo projeto? Há dificuldades
para mudança de algum processo de trabalho? Que estratégias tem sido utilizadas para
promover essas mudanças?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:
• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com
a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

168 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?

• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre
os tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada
atividade ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina ou se consideram
necessário convidar outros trabalhadores do município para apoiarem em algum tema
da oficina).

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 169


2.6. ENCONTRO FORMATIVO 06

O Encontro Formativo 06, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Analisar o sistema de agendamento da UAPS;


• Analisar e discutir o cuidado a pessoas que buscam a UAPS frequentemente;
• Discutir a oferta de ações e serviços da UAPS e as estratégias de apresentação da carteira
de serviços à comunidade;
• Compreender o redesenho dos fluxos assistenciais da UAPS;
• Discutir processos de trabalho relacionados à recepção da UAPS;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Discutir estratégias de implantação do Modelo do Ciclo de Atenção Contínua no serviço;


• Conhecer e discutir uma experiência de implantação do Modelo do Ciclo de Atenção
Contínua em Minas Gerais;
• Conhecer a Carteira de Serviços da unidade de AAE, preconizada pelo estado de Minas
Gerais;
• Retomar o processo de (re)organização do agendamento de atendimentos na unidade
de AAE;
• Compreender os elementos necessários ao dimensionamento da capacidade operacional
da unidade de AAE e ao estudo de capacidade de vinculação da unidade de AAE;
• Compreender as diretrizes para estruturação operacional da agenda da AAE;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

170 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 06


Atividades a serem desenvolvidas, com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações disponíveis
Tutores da APS, no Guia da Formação de
Realizar atividade Local Tutores
1 hora e Analista exclusivamente;
1 – Discutindo a destinado
30 min Regional Analistas Centrais, Texto de apoio “A
reorganização da à formação
Apoiadores da ESP-MG e reorganização da agenda
agenda da UAPS de tutores
Apoiadores do COSEMS da UAPS na perspectiva
do acesso avançado”
Intervalo 15 min

Orientações disponíveis
no Guia da Formação de
Tutores da APS, Tutores
Local
Realizar atividade 2 – 1 hora e Analista exclusivamente;
destinado Vídeo “Unidade Básica
Discutindo o uso muito 15 min Regional Analistas Centrais,
à formação Vídeo 04_alcoolismo”,
frequente dos serviços Apoiadores da ESP-MG e
de tutores disponível na Plataforma
da UAPS Apoiadores do COSEMS
de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede

Tutores da APS, Orientações disponíveis


Local no Guia da Formação de
Realizar atividade 3 – exclusivamente;
1 hora Analista destinado Tutores
Discutindo a carteira de Analistas Centrais,
Regional à formação
serviços da APS Apoiadores da ESP-MG e Guia das Oficinas
de tutores
Apoiadores do COSEMS Tutoriais da APS (vol. II)

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 171


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Realizar atividade 1 – Local Orientações no Guia de


Tutores da AAE,
Discutindo o modelo Analista destinado Formação de Tutores
1 hora exclusivamente;
do ciclo de atenção Regional à formação
Analistas Centrais, Guia das Oficinas
contínua e a sua
Apoiadores da ESP-MG e de tutores Tutoriais da AAE
implementação no
Apoiadores do COSEMS
serviço da AAE
Realizar atividade 2 –
Discutindo a experiência
Tutores da AAE, Orientações no Guia de
de implantação do Local
1 hora e exclusivamente; Formação de Tutores
modelo do ciclo de Analista destinado
15 min Regional Analistas Centrais,
atenção contínua no à formação Guia das Oficinas
Apoiadores da ESP-MG e
CEAE localizado em de tutores Tutoriais da AAE
Apoiadores do COSEMS
Santo Antônio do
Monte
Intervalo 15 min

Orientações no Guia de
Formação de Tutores
Tutores da AAE,
Realizar atividade 3 – Local “Carteira de Serviços dos
1 hora e exclusivamente;
Conhecendo a carteira Analista destinado CEAE – linha de cuidado
Analistas Centrais,
de serviços da unidade 30 min Regional à formação materno-infantil”,
Apoiadores da ESP-MG e
de AAE de tutores disponível na Plataforma
Apoiadores do COSEMS
de Monitoramento do
Saúde em Rede

172 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Estratégias para ampliação do acesso à UAPS na perspectiva do acesso


avançado

No Encontro Formativo 05, os tutores conheceram duas estratégias que contribuem para que
a equipe conheça o perfil de demandas dos usuários que chegam à UAPS. A coleta de dados
relacionados às demandas que os usuários apresentaram ao procurar a unidade, realizada na
recepção ou pelo e-SUS, foi abordada nas Oficinas Tutorias da APS. A partir desse primeiro
passo, é possível intervir para que seja alcançado um maior equilíbrio do que se oferta na UAPS
com o que a população demanda. Esse movimento passa necessariamente pela reorganização
dos processos internos da APS, especialmente da estruturação da agenda, na perspectiva do
acesso avançado.

No Projeto Saúde em Rede, as equipes serão convidadas a explorar algumas iniciativas nessa
direção. Apesar de não serem suficientes para implantar o modelo de agenda baseado no
acesso avançado, as propostas contribuem para a problematização de questões que influenciam
o sistema de agendamento e, por consequência, para a ampliação do acesso dos usuários a
ações ofertadas na UAPS.

ATIVIDADE 01

Discutindo a reorganização da agenda da UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias do


texto de apoio “A reorganização da agenda da UAPS na perspectiva do acesso avançado”,
disponível abaixo.

Propomos que os tutores realizem a leitura do texto de apoio e, em seguida, discutam


sobre os desafios para reorganizar o sistema de agendamento da UAPS, considerando as
seguintes questões:

• Quais os pontos fracos relacionados aos sistemas de agendamento de consultas


adotados nas UAPS da região?
• Existem experiências de aprimoramento e reorganização da agenda nas UAPS da
região? Quais são elas? Como foram desenvolvidas?
• Qual a percepção dos tutores sobre o modelo de acesso avançado apresentado
no texto? Quais os desafios para adotar um modelo de agenda que possibilita que o
atendimento na UAPS seja realizado num curto espaço de tempo?
• Qual a percepção dos tutores sobre o modelo de organização da agenda por bloco de
horas? Quais as vantagens e as desvantagens de adotá-lo, considerando as diferentes
realidades da APS na região?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 173


Importante!
Ao final desta atividade, sugerimos que o Analista Regional lembre aos tutores que, na
Atividade 1 da Oficina Tutorial 11 da APS, eles farão uma análise do sistema de agendamento
da UAPS, tomando como base dois indicadores que foram apresentados anteriormente:

• Taxa de Absenteísmo
• Tempo de Espera para o Terceiro Agendamento Disponível para Consulta Programada

Orientações sobre o cálculo dos indicadores foram realizadas ao final do Encontro Formativo
05 e nas orientações para as atividades de dispersão da Oficina Tutorial 10. O Analista
Regional deverá perguntar se os tutores conseguiram realizar o cálculo dos indicadores
a serem trabalhados na Oficina Tutorial 11 e se possuem alguma dificuldade em fazê-lo.

Esta atividade é abordada na Oficina 11 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 45).

TEXTO DE APOIO

A reorganização da agenda da UAPS na perspectiva do acesso avançado

A melhor organização da agenda de uma UAPS está diretamente relacionada com o acesso
dos usuários às ações e aos serviços ofertados. Existem diferentes modos de organizar o
agendamento dos atendimentos em uma unidade. O modelo do acesso avançado é uma opção.
Tal modelo possui como premissa principal a ideia “faça hoje o trabalho de hoje”. Também
conhecido como acesso aberto ou agendamento no mesmo dia, o modelo do acesso avançado
possibilita que o atendimento seja realizado no mesmo dia em que o usuário se apresenta
na UAPS ou em uma agenda futura bem próxima. A definição do limite de tolerância para os
agendamentos futuros pode variar. São encontradas experiências na literatura que definem o
período de 48 a 72 horas (MENDES, 2019; PIRES FILHO, 2019). Os objetivos do acesso avançado
são: iniciar o dia com vagas suficientes para suprir a demanda do dia; não fazer restrição para
agendamentos futuros necessários; e priorizar a longitudinalidade (VIDAL, 2018).

Independente da demanda ou da condição de saúde apresentada – condições crônicas, eventos


agudos, demandas administrativas, medidas preventivas, entre outras – as consultas são
agendadas seguindo o mesmo método, não sendo preconizada a divisão da agenda por períodos
reservados a condições de saúde ou a grupos específicos, como hipertensos, idosos, diabéticos
ou tabagistas. Essa regra elimina, assim, a distinção entre consultas de urgência e consultas
de rotina/seguimento. A agenda da UAPS se mantém aberta e os horários são preenchidos
diariamente, conforme a demanda que chega (MENDES, 2019; PIRES FILHO, 2019).

O processo de organização da agenda da unidade baseado no acesso avançado envolve uma


série de mudanças, como, por exemplo, o aumento da capacidade de oferta das equipes, a
redução do acúmulo de atendimentos atrasados, a otimização dos fluxos, da recepção e dos

174 PROJETO SAÚDE EM REDE


atendimentos, entre outras. Algumas evidências demonstram que o acesso avançado reduz
o tempo de espera e aumenta a satisfação da equipe de APS e dos usuários (MENDES, 2019).

Como todo modelo, o acesso avançado também possui desafios. Sua implantação requer um
intervalo mínimo de três meses, bem como mudanças estruturais para adequar a capacidade do
serviço à demanda populacional. Além disso, exige grande comprometimento da equipe clínica
e administrativa, compartilhamento de responsabilidades e garantia de agenda protegida para
educação permanente em saúde dos profissionais (VIDAL, 2018).

No dia a dia da APS, não é difícil se deparar com unidades que possuem agenda comprometida
para os próximos dois meses, o que evidencia um acúmulo de demandas atrasadas e dificuldades
concretas para atender os usuários no momento em que procuram o serviço. Nesses casos, à
primeira vista, a perspectiva do acesso avançado pode parecer inviável. Por isso, a tendência,
muitas vezes correta, é apontar a necessidade de ampliação do número de profissionais e/
ou de rediscussão da população de abrangência. Entretanto, há intervenções relacionadas à
reorganização de processos de trabalho e ao modo de agendamento que contribuirão para
ampliar e qualificar o acesso.

Uma experiência interessante para essa reorganização foi desenvolvida pela Secretaria Municipal
de Saúde de Curitiba, no Paraná (CURITIBA, 2014). Algumas diretrizes que fundamentaram sua
implementação podem orientar outros municípios a realizarem essa mudança. Vamos conhecê-las:

• Abrir mão de agenda fragmentada em função de grupos por patologias ou por faixas
etárias: agendas organizadas a partir de dias específicos para gestantes, crianças,
hipertensos ou diabéticos levam as equipes a dedicarem enormes recursos (tempo dos
profissionais) para as pessoas que conseguem se adequar à agenda e, por conseguinte,
dificultam o acesso de quem mais precisa.

• Evitar pré-agendamentos prolongados: para isso, sugere-se que a equipe defina, a partir
de sua realidade, qual o tempo necessário para uma consulta pré-agendada, considerando
que esta se dará para, no máximo, uma semana.

• Reorganizar a disposição dos consultórios: disponibilização de consultório próprio


para enfermeiro, preferencialmente disposto ao lado do consultório médico (facilitando
interconsultas entre os profissionais), e organização dos consultórios por equipe de saúde;

• Reorganizar os fluxos de recepção e de acolhimento: direcionar os usuários que procuram


atendimento no dia para as suas próprias equipes, evitando uma etapa no fluxo de acesso
(usuário acessa a recepção para identificar sua equipe e ser encaminhado/agendado para
atendimento com profissionais de sua equipe de referência);

• Organizar horário de cuidado ofertado pela equipe para sua população: possibilitar a
presença da equipe durante todo o horário de funcionamento da UAPS, com horários
de atendimento diferenciados entre os profissionais da mesma equipe, o que favorece a
construção do vínculo e a resolutividade. Usar estratégia de apoio mútuo entre equipes
em horários de agenda sem a presença do médico em uma delas para oferecer cobertura.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 175


Agendamento por Bloco de Horas

Outra iniciativa que possibilita a ampliação do acesso às ações e aos serviços da UAPS é a
adoção de um modelo de agendamento que permite a otimização dos atendimentos clínicos.
Em algumas realidades, é adotado o agendamento por bloco de horas. No agendamento por
bloco de horas, as pessoas usuárias são agendadas em hora específica e atendidas, em geral,
por ordem de chegada. Nesse método, considerando como base um atendimento médio de 15
minutos, grupos de quatro pessoas são agendados para cada hora do dia.

Vejamos um exemplo: todos os dias, às 7h, deverão estar presentes quatro pessoas que
serão atendidas em um bloco de consultas entre 7h e 8h. O bloco de horas introduz uma
flexibilidade que permite atender às quatro pessoas com tempos diferenciados, conforme as
naturezas singulares de suas demandas. Isso significa que dois dos atendimentos desse primeiro
bloco podem ser realizados em 10 minutos e os outros dois em 20 minutos. Espera-se que a
implantação do bloco de horas reduza os efeitos do absenteísmo, bem como o tempo de espera
dos usuários (MENDES, 2019).

No contexto da organização dos serviços da APS, é observado maior número de faltas dos
usuários às consultas agendadas no período da manhã. Por isso, na organização da agenda
com base no modelo de bloco de horas, geralmente são reservados os primeiros horários do
dia para atendimento às demandas espontâneas. O modelo de agendamento por bloco de
horas também pode ser utilizado para consultas odontológicas, considerando as altas taxas de
absenteísmo igualmente observadas em relação às consultas de odontologia.

Referências do texto de apoio


CURITIBA. Secretaria Municipal de Saúde. Departamento de Atenção Primária à Saúde Coordenação do Acesso e
Vínculo. Novas possibilidades de organizar o Acesso e a Agenda na Atenção Primária à Saúde. Cartilha – Curitiba:
Secretaria Municipal de Saúde. 2014. 29.

MENDES, E.V. et al. A construção social da Atenção Primária à Saúde. 2 ed. Brasília: CONASS, 2019.

PIRES FILHO, L. A. S. et al. Acesso Avançado em uma Unidade de Saúde da Família do interior do estado de São
Paulo: um relato de experiência. Saúde Debate, v. 43, n. 121, p. 605-613, 2019.

VIDAL, T. B. Modelos de agendamento e sua relação com a qualidade da Atenção Primária à Saúde no município
de Florianópolis. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Florianópolis, 2018. 244 p.

176 PROJETO SAÚDE EM REDE


Abordagem dos usuários que utilizam muito frequentemente os serviços
da UAPS

A utilização frequente dos serviços da UAPS por alguns usuários pode ser uma das barreiras
a ser superada para maior equilíbrio entre a demanda e a oferta dos serviços na unidade.
Muitas vezes, esses usuários são denominados de diferentes formas pelos profissionais e são
percebidos como alguém que “ocupa muito o tempo da equipe”. Isso pode gerar um processo
de penalização e de estigmatização do usuário e dificultar o acolhimento e o atendimento às
suas necessidades. Por isso, é necessário (re)significarmos o modo como percebemos a busca
frequente pela unidade para que consigamos ofertar ações de cuidado mais acolhedoras e
resolutivas.

ATIVIDADE 02

Discutindo o uso muito frequente dos serviços da


UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional precisará providenciar, no


local destinado à formação dos tutores, equipamentos necessários para a apresentação
do vídeo utilizado nesta atividade.

Propomos que os tutores assistam ao vídeo “Unidade Básica Vídeo 04_alcoolismo”,


disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, que possui
aproximadamente 26 minutos. Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Quais situações vivenciadas pelos personagens do vídeo mais chamaram atenção


dos tutores em relação ao uso muito frequente dos serviços da UAPS?

• O uso muito frequente dos serviços da UAPS por determinados usuários é uma
realidade das unidades da região? Quais os seus impactos para a organização do
trabalho nas unidades?

• Na realidade da APS da região, que estratégias de abordagem das pessoas que


buscam a UAPS com muita frequência são utilizadas? Elas têm sido suficientes para
reduzir os efeitos negativos desse uso? Baseiam-se em uma perspectiva de atenção
integral e acolhedora?

Esta atividade é abordada na Oficina 11 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 49).

A carteira de serviços da UAPS

Outro fator importante que contribui para um desequilíbrio entre a demanda dos usuários e a
oferta da UAPS é uma carteira de serviços limitada. O Ministério da Saúde, mais recentemente,
com o objetivo de fortalecer a oferta de cuidados da APS, propôs a Carteira de Serviços da Atenção

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 177


Primária à Saúde (CaSAPS). Uma das intenções da proposta é disponibilizar, de modo transparente,
claro e objetivo, para todas as pessoas, as ofertas e as ações sob responsabilidade da APS.

De modo geral, a carteira de serviços pode ter diferentes usos: pode servir como uma forma de
a equipe comunicar claramente aos usuários quais serviços e ações estão disponíveis na UAPS;
pode servir de instrumento que orienta a organização da rotina de atendimento das equipes; e
pode ser utilizada como ferramenta que subsidia a gestão municipal no provimento de aspectos
estruturais (equipamentos, insumos, financiamento) e na gestão do trabalho (organização dos
processos de trabalho, dimensionamento das equipes, estratégias de formação dos profissionais)
(CUNHA et al., 2020).

ATIVIDADE 03

Atividade 3 – Discutindo a carteira de serviços da APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Inicialmente, propomos que os tutores tomem conhecimento da Carteira de Serviços da


APS, sugerida pelo Ministério da Saúde, disponível no Anexo I do Guia das Oficinas Tutoriais
da APS (pag. 144 – volume II). Para tanto, devem folheá-la e explorar, brevemente, o seu
conteúdo. Não será preciso fazer uma leitura completa da carteira de serviços.

Posteriormente, sugerimos que os tutores realizem uma discussão sobre o tema da Carteira
de Serviços da APS, considerando as seguintes questões:

• Quais as contribuições do uso da carteira de serviços para organização da oferta das


ações na APS? As UAPS da região utilizam a carteira de serviços como ferramenta para
organização de sua oferta? Se sim, quem participou da construção da carteira nessa(s)
experiência(s)?

• Na percepção dos participantes dessa(s) experiência(s), o uso da carteira de serviços


na UAPS propiciou redução ou ampliação do acesso dos usuários à APS?

• Quais estratégias são utilizadas nessa(s) experiência(s) para divulgar e comunicar a


carteira de serviços junto aos usuários?

Importante!

O Analista Regional deverá destacar que, na Oficina Tutorial 11, os tutores analisarão,
junto à equipe da UAPS, a carteira de serviços da APS sugerida pelo Ministério da Saúde.
Para tanto, devem conhecer a proposta da carteira e se preparar para a discussão. Entre as
questões que devem ser trabalhadas, está a avaliação da necessidade ou não de ampliação
da oferta da UAPS, considerando o perfil de demandas dos usuários identificado na Oficina
Tutorial 10.

Esta atividade é abordada na Oficina 11 (pag. 50) e na Oficina 12 (pag. 62) do Guia das Oficinas
Tutoriais da APS – volume II.

178 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Modelo do Ciclo de Atenção Contínua para a AAE

Dando continuidade à discussão sobre o modelo do Ciclo de Atenção Contínua, iniciada no


Encontro Formativo 05, agora buscaremos discutir e compreender como esse modelo pode
ser implementado na Unidade Laboratório da AAE.

ATIVIDADE 01

Discutindo o modelo do ciclo de atenção contínua e


a sua implementação no serviço da AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Para avançarmos na discussão sobre o modelo do ciclo de atenção contínua e a sua


implementação no serviço, propomos que os tutores da AAE realizem a leitura do texto de
apoio “O Modelo do Ciclo de Atenção Contínua para a AAE”, disponível na página 123 do Guia
das Oficinas Tutoriais da AAE. Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Que aspectos do modelo do ciclo de atenção contínua mais chamam a atenção?


• Considerando o modo de funcionamento atual do serviço, o que o modelo traz de
novidade? A proposta é capaz de qualificar o cuidado ofertado aos usuários do serviço?

• Como o serviço pode incorporar o modelo do ciclo de atenção contínua para a oferta
do cuidado na unidade? Que estratégias precisam ser desenvolvidas?

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 122).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 179


ATIVIDADE 02

Discutindo a experiência de implantação do modelo


do ciclo de atenção contínua no CEAE localizado em Santo
Antônio do Monte

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores leiam a experiência da equipe do Centro Estadual de Atenção


Especializada (CEAE) de Santo Antônio do Monte, disponível na página 127 do Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE, e, em seguida, discutam as seguintes questões:

• O que chama atenção no modo de organização do cuidado à saúde dos usuários do


CEAE de Santo Antônio do Monte?

• De que forma a experiência do CEAE de Santo Antônio do Monte pode contribuir


para o desenvolvimento de estratégias de implantação do modelo do ciclo de atenção
contínua na unidade da AAE em que atuam?

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 127).

Carteira de Serviços de uma unidade de AAE

Uma das formas de (re)organização da unidade de AAE é a definição de uma Carteira de Serviços,
instrumento cujo objetivo é orientar a organização de um determinado serviço, de um nível de
atenção ou mesmo de um sistema, delimitando o que será ofertado à população. Na Carteira
de Serviços, devem estar explícitas as principais atividades, os exames, os procedimentos e
os serviços disponíveis para cada condição atendida, bem como os respectivos profissionais
responsáveis pela produção do cuidado.

Uma Carteira de Serviços de uma unidade de AAE deve respeitar alguns princípios propostos
nas redes de atenção à saúde, a saber:

• Dispor de uma equipe multiprofissional, com atuação clínica interdisciplinar, com


competência para o manejo clínico na linha de cuidado para a qual é referência e com
disponibilidade para integração com as equipes da APS;

• Dispor de equipamentos e realizar exames especializados;


• Ser coerente com as evidências apontadas pelas diretrizes clínicas, em relação à avaliação
clínica, ao diagnóstico, à prescrição de cuidados e ao monitoramento clínico;

• Utilizar novas tecnologias para o cuidado às condições crônicas.

Durante as Oficinas Tutoriais da AAE, para a discussão e a análise da carteira de serviços das
unidades de AAE utilizada como referência para a linha de cuidado materno-infantil do estado
de Minas Gerais, consideraremos a regulamentação dos CEAE, definida na Resolução SES/MG
Nº 6.946, de 04 de dezembro de 2019.

180 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 03

Conhecendo a Carteira de Serviços da unidade de AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá providenciar cópias


do documento “Carteira de Serviços dos CEAE – linha de cuidado materno-infantil”,
disponível na Plataforma de Monitoramento do Saúde em Rede.

Propomos que os tutores realizem a leitura da Carteira de Serviços, discutindo as dúvidas


que possam surgir acerca dos elementos e dos itens preconizados.

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores que todos os itens serão analisados
pela equipe durante a Oficina Tutorial 08 para identificar aqueles que não são contemplados
na unidade da AAE. Os tutores podem avaliar se é necessário convidar outros profissionais
da unidade para colaborar com a análise da carteira de serviços.

Esta atividade é abordada na Oficina 08 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 133).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 181


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 06


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Realizar atividade 4 Tutores da APS, Orientações disponíveis no


Local
– Compreendendo exclusivamente;
2 hora Analista destinado Guia da Formação de Tutores
o redesenho Analistas Centrais,
Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais da
de fluxos de Apoiadores da ESP-MG e
de tutores APS (vol. II)
atendimento Apoiadores do COSEMS
assistencial
Intervalo 15 min

Tutores da APS,
Local
Realizar atividade exclusivamente;
1 hora Analista destinado Orientações disponíveis no
5 – Discutindo a Analistas Centrais,
Regional à formação Guia da Formação de Tutores
recepção da UAPS Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
Apoiadores do COSEMS
Realizar atividade Tutores da APS,
Local
6 – Apresentando exclusivamente;
as atividades de 45 min Analista Analistas Centrais,
destinado Orientações disponíveis no
Regional à formação Guia da Formação de Tutores
dispersão para a Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
APS Apoiadores do COSEMS

182 PROJETO SAÚDE EM REDE


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações no Guia de
Formação de Tutores
Quadros “Síntese das
diretrizes, ações e atores
envolvidos na preparação do
Realizar atividade processo de (re)organização
Tutores da AAE,
4 – Relembrando Local do agendamento na unidade
exclusivamente;
as estratégias para 1 hora Analista destinado de AAE” e “Estratégias
Analistas Centrais,
reorganização Regional à formação para reorganização do
Apoiadores da ESP-MG e
do processo de de tutores processo de agendamento”,
Apoiadores do COSEMS
agendamento ambos preenchidos pela
equipe da unidade de
AAE e disponibilizados
na Plataforma de
Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Orientações no Guia de
Formação de Tutores
Dados sobre a subpopulação
de gestantes levantados na
Oficina Tutorial 03 da AAE
Texto de apoio “Capacidade
Tutores da AAE, operacional da AAE” e “Caso
Realizar atividade Local
exclusivamente;
5 – Dimensionando 1 hora e Analista destinado UAAE Planópolis (Parte 1)”,
Analistas Centrais,
a capacidade 15 min Regional à formação do Guia das Oficinas Tutoriais
Apoiadores da ESP-MG e da AAE
operacional da AAE de tutores
Apoiadores do COSEMS
Planilha “Dimensionamento
da Capacidade Operacional
da Atenção Ambulatorial
Especializada”, disponível
na Plataforma de
Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Intervalo 15 min

Realizar atividade Tutores da AAE, Orientações do Guia de


Local Formação de Tutores
6 – Vinculando a exclusivamente;
45 min Analista destinado
equipe da AAE a Analistas Centrais,
Regional à formação Caso UAAE Planópolis (Parte
usuários e equipe Apoiadores da ESP-MG e 2), no Guia das Oficinas
de tutores
de APS Apoiadores do COSEMS Tutoriais da AAE

Realizar atividade 7 Orientações do Guia de


Tutores da AAE, Formação de Tutores
– Compreendendo Local
exclusivamente;
sobre as diretrizes 45 min Analista destinado Texto de apoio “O desenho
Analistas Centrais,
para estruturação Regional à formação da agenda de atendimentos
Apoiadores da ESP-MG e
operacional da de tutores da AAE”, no Guia das Oficinas
Apoiadores do COSEMS
agenda da AAE Tutoriais da AAE

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 183


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Análise e redesenho dos fluxos assistenciais da UAPS

A ampliação do acesso às ações e aos serviços da UAPS também se relaciona com a proposição
de melhorias nos fluxos de atendimento dos usuários. A gestão de fluxos assistenciais oferece
a oportunidade para que as equipes eliminem inconformidades e etapas desnecessárias nos
fluxos, com vistas à redução dos tempos de espera e à maximização do tempo que o usuário
gasta com o atendimento direto com o profissional. Para isso, no Projeto Saúde em Rede,
utilizaremos duas ferramentas complementares entre si: o Mapa de Fluxos e o Ciclo de Tempo
de Atendimento.

ATIVIDADE 04

Compreendendo o redesenho de fluxos de


atendimento assistencial

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto de apoio “As Tecnologias de
Alisamento dos Fluxos do Atendimento”, disponível na página 52 do volume II do Guia das
Oficinas Tutoriais da APS.

Após a leitura, sugerimos que os tutores esclareçam suas dúvidas em relação ao


mapeamento e ao redesenho dos fluxos assistenciais a serem desenvolvidos nas Oficinas
Tutoriais, considerando:

• Compreensão sobre os instrumentos sugeridos (Mapa de Fluxo e Ciclo de Tempo de


Atendimento);

• Definição do(s) fluxo(s) prioritários a serem mapeados e redesenhados;


• Estratégias de redesenho dos fluxos;
• Recursos necessários para a realização da tarefa;
• Planejamento e apresentação dos resultados na Oficina Tutorial 12.

Importante!
O Analista Regional deve destacar para os tutores que o desenho do(s) fluxo(s)
assistencial(ais) mapeado(s) é uma das atividades de dispersão a serem desenvolvidas
após a Oficina Tutorial 11. Portanto, a execução desta atividade também depende de uma
leitura atenta das orientações para a atividade de dispersão, contidas na página 51 do
volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS. O(s) fluxo(s) desenhado(s) será(ão) objeto
de análise e redesenho, na Oficina Tutorial 12.

As propostas de melhoria no(s) fluxo(s) analisados na Oficina Tutorial 12, bem como as

184 PROJETO SAÚDE EM REDE


estratégias definidas para divulgação do(s) novo(s) fluxo(s) deverão ser incluídas no plano
de ação.

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag.
63). As orientações para sua preparação estão explicitadas na Oficina 11 do mesmo Guia (pag. 50).

Reorganização dos processos de recepção da UAPS

A recepção da UAPS também constitui um espaço que influencia o acesso dos usuários aos
serviços e às ações ofertados na unidade. Portanto, no Projeto Saúde em Rede, oferecemos a
oportunidade para que seja realizada a análise crítica dos processos do setor, com identificação
de procedimentos próprios e não próprios da recepção. O objetivo é produzir melhorias na
organização dos processos que envolvem a recepção.

ATIVIDADE 05

Discutindo a recepção da UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores realizem uma discussão coletiva sobre aspectos relacionados à
recepção das UAPS, considerando as seguintes questões:

• Qual a influência da recepção na garantia do acesso aos serviços de uma UAPS?


• Quais os principais problemas vivenciados em relação à organização dos processos
de recepção nas UAPS?

• Que experiências de melhoria dos processos de trabalho da recepção foram


desenvolvidas nas UAPS da região?

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 64).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 185


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 06

Apresentando as atividades de dispersão para a APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da APS a atividade de dispersão
que será proposta ao final da Oficina Tutorial 11.

Mapa de Fluxo e Ciclo de Tempo do Atendimento

Ao final da Oficina Tutorial 11, é apresentada atividade de dispersão que visa à construção
de mapas de fluxo(s) assistencial(ais) da UAPS a serem analisados e redesenhados na
Oficina Tutorial 12. O tutor e mais um dos membros da equipe serão responsáveis por
sua realização. Esta atividade de dispersão possui relação direta com a Atividade 1 deste
Encontro Formativo.

É importante que o Analista Regional discuta com os tutores estratégias para o


desenvolvimento da atividade no tempo adequado. Para isso, é importante apresentar os
passos que devem ser seguidos pelos tutores no período de dispersão entre as Oficinas
11 e 12, a saber:

1.Realizar o acompanhamento de 3 usuários, em cada turno de atendimento da unidade,


durante uma semana, para elaboração de Mapas de Fluxo e dos Ciclos de Tempo do
Atendimento.

2.Registrar as informações de cada um dos acompanhamentos (atividades, horário de


início e término e observações), utilizando o modelo de registro intitulado “Instrumento
para Avaliação de Mapa de Fluxo e de Ciclo de Tempo do Atendimento”, disponível na
Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

3.Elaborar desenho do fluxo de movimentação dos usuários na UAPS (fluxograma), que


contempla todas as etapas referentes à permanência do usuário na UAPS. Para a priorização
de quais fluxos desenhar, é importante considerar as demandas mais críticas na unidade,
seja pelo alto volume de atendimentos, seja pela baixa resolutividade.

4.Apresentar os fluxogramas desenhados na Oficina Tutorial 12.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina 11 do Guia das Oficinas Tutoriais da
APS – volume II (pag. 50).

186 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 11 e 12, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 12, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 06. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 12.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 187


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

(Re)organização do agendamento de atendimentos na unidade de AAE

No Encontro Formativo 04, o Analista Regional teve a oportunidade de discutir junto aos tutores
da AAE as estratégias de preparação para a (re)organização do processo de agendamento na
AAE, considerando sua necessária integração com outros serviços da rede de atenção à saúde.
Essa atividade foi realizada na Oficina Tutorial 04 da AAE, quando foi possível à equipe planejar
e executar diferentes ações iniciais que permitirão, a partir de agora, avançar na implementação
de um novo processo de agendamento na unidade.

Antes de iniciarmos esta nova etapa, iremos resgatar tais estratégias de reorganização do
processo de agendamento.

ATIVIDADE 04

Relembrando as estratégias para reorganização do


processo de agendamento

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá buscar os quadros


“Síntese das diretrizes, ações e atores envolvidos na preparação do processo de (re)
organização do agendamento na unidade de AAE” e “Estratégias para reorganização do
processo de agendamento”, ambos preenchidos pela equipe da unidade de AAE na Oficina
Tutorial 04 e disponibilizados na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.
Além disso, é importante que busque as estratégias e as ações que foram registradas no
plano de ação referente ao processo de agendamento.

No momento da atividade, propomos que o Analista Regional analise e discuta com os


tutores da AAE como está o andamento das ações definidas para essa primeira etapa de
reorganização do processo de agendamento. É importante que abordem os avanços e as
dificuldades vivenciadas até o momento. O produto dessa análise poderá ser levado pelos
tutores da AAE para a equipe da unidade, no momento da Oficina Tutorial 09.

Considerando que as ações preparatórias para (re)organização do agendamento tenham


sido implementadas, iniciaremos agora o processo de estruturação operacional do novo
modelo de agendamento da atenção especializada. Para isso, serão analisados alguns
fatores que devem ser considerados neste processo, a saber:

a) a capacidade operacional da equipe da unidade de AAE e as metas de acompanhamento,


conforme demandas do território de abrangência;

b) a convergência entre o modo como se realiza o processo de agendamento na unidade


de AAE e o modelo do ciclo de atenção contínua;

188 PROJETO SAÚDE EM REDE


c) a necessidade de vinculação do usuário aos profissionais da AAE;

d) o mapa de atendimentos dos profissionais da unidade de AAE, considerando as


funções assistenciais, educacionais e supervisionais; e

e) o monitoramento do processo de agendamento para sua contínua melhoria, em


diálogo com os municípios da região.

a) Capacidade operacional da AAE

Umas das estratégias para promovermos maior equilíbrio entre a demanda de atenção que
o território apresenta e a oferta dos serviços especializados envolve o dimensionamento da
capacidade operacional da unidade de AAE. Essa análise contribui para o processo de pactuação
da distribuição de atendimentos da atenção especializada – e consequentemente da sua agenda
– conforme a programação assistencial vinculada às necessidades do território. A análise da
capacidade operacional oferece, também, subsídios para o processo de adequação da agenda
da unidade às funções da AAE na rede de atenção e à carteira de serviços preconizada para sua
respectiva linha de cuidado.

ATIVIDADE 05

Dimensionando a capacidade operacional da AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá buscar os dados


levantados na Oficina Tutorial 03 da AAE sobre a subpopulação de gestantes acompanhadas
nos municípios do território de abrangência da unidade. Além disso, precisará buscar
a Planilha “Dimensionamento da Capacidade Operacional da Atenção Ambulatorial
Especializada”, disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

No momento da atividade, propomos que os tutores realizem a leitura do texto de apoio


“Capacidade operacional da AAE”, disponível na página 138 do Guia das Oficinas Tutoriais
da AAE, e, em seguida, que o Analista Regional apresente a Planilha “Dimensionamento da
Capacidade Operacional da Atenção Ambulatorial Especializada”, disponível na Plataforma
de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede. Para isso, recomendamos que apresentem
também as orientações contidas na aba “Apresentação”.

Após a apresentação da planilha, sugerimos que os tutores realizem a leitura do “Caso


UAAE Planópolis (Parte 1)”, disponível na página 139 do Guia das Oficinas Tutoriais da
AAE. Após a leitura, os tutores deverão fazer um exercício de cálculo da capacidade
operacional da unidade de AAE em que atuam, utilizando a Planilha “Dimensionamento
da Capacidade Operacional da Atenção Ambulatorial Especializada”. Para esse exercício,
poderão considerar os dados levantados na Oficina Tutorial 03 sobre a subpopulação de
gestantes acompanhadas nos municípios do território de abrangência da unidade.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 189


Atenção!
Considerando que a ênfase do Projeto Saúde em Rede é a linha de cuidado materno-
infantil, o cálculo deverá ser realizado utilizando-se apenas as abas “Pop. Alvo” e “Gestante/
Criança”. Essa orientação é relevante, porque, além dessa rede de atenção prioritária, a
planilha também oferece parâmetros para cálculo de serviços relacionados às linhas de
cuidado “Hipertensão e Diabetes” e “Câncer de Mama e de Colo do Útero”.

O Analista Regional deverá apontar aos tutores que o preenchimento da planilha possibilita
analisar os atendimentos esperados e confrontar com a carga horária de cada profissional
da unidade. Dessa maneira, permite dimensionar:
• Carga horária demandada por profissional;
• Número de exames necessários;
• Subsídios para análise de suficiência de espaços de atendimento na unidade.
Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 137).

b) Vinculação entre equipe da AAE, usuários e equipes da APS de referência

Outra estratégia que contribui para maior adequação da agenda de atendimentos da unidade
de AAE com o modelo de cuidado às condições crônicas nas redes de atenção é o estudo da
capacidade de vinculação da equipe especializada com os usuários e com as equipes de APS de
referência. Esse processo está diretamente relacionado com a análise da capacidade operacional
da equipe e considera como base a expectativa de atendimentos calculada para cada município.

A vinculação deve ser mantida na presença de mais de um médico da mesma especialidade.


Cada um deles deve ser referência para um grupo de equipes da APS dos municípios da região
de saúde. No momento do agendamento, é importante identificar a UAPS em que o usuário é
acompanhado para vinculá-lo ao especialista responsável por aquela área.

ATIVIDADE 06

Vinculando a equipe da AAE a usuários e equipe


de APS

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Inicialmente, propomos que o Analista Regional discuta com os tutores da AAE como
é feito atualmente o processo de agendamento para consultas com os profissionais da
equipe: busca-se manter o acompanhamento da usuária pelo mesmo profissional daquela
especialidade? Quais as vantagens de se manter essa vinculação entre a usuária e os
profissionais?

Em um segundo momento da atividade, propomos que os tutores realizem a leitura do

190 PROJETO SAÚDE EM REDE


Caso UAAE Planópolis (Parte 2), disponível na página 142 do Guia das Oficinas Tutoriais
da AAE. Nele, poderão observar como foi realizada a vinculação dos usuários das equipes
de APS e dos municípios por profissional médico especialista.

Em seguida, com base nos atendimentos esperados calculados na atividade anterior, os


tutores deverão realizar um exercício inicial de estudo da capacidade de vinculação da
unidade. Para tanto, devem-se seguir as memórias de cálculo abaixo (retiradas do caso),
utilizando, agora, os dados reais da unidade. Ao final, deve-se confrontar os resultados
obtidos com os cálculos realizados na atividade anterior.

Atenção!

Como esta atividade será realizada com toda a equipe, neste momento, é importante que
os tutores exercitem o cálculo e a análise, sem que seja necessário finalizarem todo o
estudo, o qual ocorrerá durante a Oficina Tutorial 09.

Como calcular o número de atendimentos por ano por médico:


[(Horas assistenciais por semana x 4 semanas) / 0,333 horas ] x 11 meses

Número de gestantes acompanhadas por ano por médico:


Número de atendimentos por ano por médico / 5 atendimentos para cada gestante

Total de atendimentos no ano da AAE:


Soma dos atendimentos/ano de cada médico

Total do número de gestantes no ano da AAE:


Soma do número de gestantes acompanhadas/ano de cada médico

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 141).

c) O desenho da agenda de atendimentos da AAE

As agendas de acesso à unidade de atenção especializada são denominadas de agendas


externas, correspondendo à porta de entrada do ambulatório. O critério de acesso é definido
pelas especialidades médicas – no caso do Projeto Saúde em Rede, a ginecologia e a obstetrícia –
mas implica imediatamente o agendamento da equipe multiprofissional padronizada na carteira
de serviços.

Até o momento, trabalhamos o desenvolvimento de estratégias preparatórias para a (re)


organização do processo de agendamento, realizadas junto à equipe da unidade de AAE na
Oficina Tutorial 04, bem como analisamos e dimensionamos a capacidade operacional e a sua
vinculação com as usuárias e com as suas respectivas equipes da APS nos municípios. Agora,
avançaremos no processo de estruturação operacional da agenda da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 191


ATIVIDADE 07

Compreendendo as diretrizes para estruturação


operacional da agenda da AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto de apoio “O desenho da


agenda de atendimentos da AAE”, disponível na página 145 do Guia das Oficinas Tutoriais
da AAE. Durante a leitura, poderão ser discutidas dúvidas e outras questões colocadas
pelos tutores, especialmente relacionadas às diretrizes para o agendamento apresentadas
no quadro “Síntese das diretrizes para (re)organização da agenda de atendimentos da AAE
em consonância com o Ciclo de Atenção Contínua”.

Esta atividade é abordada na Oficina 09 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 144).

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 08 e 09, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 09, deverá ser destinado um tempo para discutir com
a equipe o diagnóstico da rede de atenção à saúde correspondente ao ciclo 06. Neste
momento, tutores e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem
analisados/monitorados na Oficina 09.

192 PROJETO SAÚDE EM REDE


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 06


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade 1 Tutores da AAE e da APS,
Local
– Compartilhando as 2 separadamente; Analistas
Analista destinado Orientações no Guia de
ações desenvolvidas horas Centrais, Apoiadores da
Regional à formação Formação de Tutores
na Unidade ESP-MG e Apoiadores do
de tutores
Laboratório COSEMS
Tutores da AAE e da APS,
Local
Realizar atividade 2 separadamente; Analistas
Analista destinado Orientações no Guia de
2 – Planejando os horas Regional Centrais, Apoiadores da à formação Formação de Tutores
próximos passos ESP-MG e Apoiadores do
de tutores
COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 193


ATIVIDADE 01

Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade


Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: a(s) oficina(s) ocorreram? Houve dificuldades? Como
foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a(s) oficina(s)?

• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas


no plano de ação? A equipe tem se apoiado para a realização das atividades previstas
no plano?

• como tem sido a implementação das ações propostas pelo projeto? Há dificuldades
para mudança de algum processo de trabalho? Que estratégias tem sido utilizadas para
promover essas mudanças?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:
• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com
a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

194 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?

• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre
os tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada
atividade ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina ou se consideram
necessário convidar outros trabalhadores do município para apoiarem em algum tema
da oficina).

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 195


2.7. ENCONTRO FORMATIVO 07

O Encontro Formativo 07, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Compreender as características das condições agudas e as suas diferenças em relação


às condições crônicas;
• Discutir o atendimento a eventos agudos na APS;
• Analisar e discutir situações de acolhimento à demanda espontânea e a adoção do
Protocolo de Classificação Geral dos casos de demanda espontânea na APS;
• Discutir o cuidado aos usuários com condições crônicas na APS e o Modelo de Atenção
às Condições Crônicas (MACC);
• Compreender a importância da estratificação de risco para a organização do cuidado
aos usuários com condições crônicas;
• Analisar e discutir o desenvolvimento de práticas educativas para o cuidado aos usuários
com condições crônicas;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Monitorar os planos de ação das Unidades Laboratório da APS;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Discutir as competências da equipe da AAE no cuidado à usuária com gestação de alto


risco;
• Discutir o manejo das morbidades mais prevalentes na gestação;
• Discutir aspectos da atenção à saúde bucal da usuária com gestação de alto risco;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Monitorar o plano de ação da Unidade Laboratório da AAE;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais na Unidade Laboratório da AAE.

196 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 07


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Tutores da APS,
Realizar atividade exclusivamente; Orientações disponíveis no Guia da
Local Formação de Tutores
1 – Discutindo Analistas Centrais,
Analista destinado
sobre a atenção 30 min Apoiadores
Regional à formação Texto de apoio “Atenção aos eventos
aos eventos agudos da ESP-MG e agudos na APS”, no Guia das
de tutores
(Primeira Parte) Apoiadores do Oficinas Tutoriais da APS (vol. II)
COSEMS
Orientações disponíveis no Guia da
Formação de Tutores
Tutores da APS,
Realizar atividade exclusivamente; Checklist de medicamentos e
Local
1 – Discutindo Analistas Centrais, materiais para urgência/emergência,
Analista destinado
sobre a atenção 45 min Apoiadores disponível na Plataforma de
Regional à formação
aos eventos agudos da ESP-MG e Monitoramento do Projeto Saúde
de tutores
(Segunda Parte) Apoiadores do em Rede
COSEMS
“Caso da UAPS Serra Azul”, no Guia
das Oficinas Tutoriais da APS (Vol.II)
Orientações disponíveis no Guia da
Formação de Tutores
Escalas de avaliação de dor, nível
de consciência, temperatura e
termos na área da saúde e “Ficha de
classificação de risco”, disponíveis
na Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede
Tutores da APS, Texto de apoio “Classificação de
Realizar atividade exclusivamente; Risco na APS”, no Guia das Oficinas
Local
2 – Aplicando o Analistas Centrais, Tutoriais da APS (vol.II)
Acolhimento com 1 hora Analista Apoiadores
destinado
Regional à formação Caso “Maria do Rosário”, no Guia
Classificação de da ESP-MG e
de tutores das Oficinas Tutoriais da APS (vol.II)
Risco na UAPS Apoiadores do
COSEMS Fluxograma para a organização do
processo de trabalho das equipes
de APS para o atendimento da
demanda espontânea
Apresentação em power point
“Acolhimento com classificação
de risco (ACCR)”, disponível na
Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede
Intervalo 15 min

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 197


O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia da


Realizar atividade exclusivamente; Formação de Tutores
Local
3 – Discutindo Analistas Centrais,
45 min Analista destinado Checklist para implantação do ACCR
ferramentas de Apoiadores e matriz de gerenciamento do
Regional à formação
apoio à implantação da ESP-MG e processo de ACCR, disponíveis na
de tutores
do ACCR Apoiadores do Plataforma de Monitoramento do
COSEMS Projeto Saúde em Rede
Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia da
Realizar atividade
exclusivamente; Formação de Tutores
4 – Discutindo Local
Analistas Centrais,
o cuidado aos 45 min Analista destinado Texto de apoio “O cuidado em
Apoiadores
usuários com Regional à formação saúde aos usuários com condições
da ESP-MG e
condições crônicas de tutores crônicas”, do Guia das Oficinas
Apoiadores do
na APS Tutoriais da APS (vol. II)
COSEMS

198 PROJETO SAÚDE EM REDE


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Realizar atividade Tutores da AAE, Orientações disponíveis no Guia da


1 – Discutindo as exclusivamente; Formação de Tutores
Local
competências da Analistas Centrais,
45 min Analista destinado Nota Técnica da Saúde da Mulher na
equipe da AAE no Apoiadores
Regional à formação Gestação, no Parto e no Puerpério,
cuidado à usuária da ESP-MG e disponível na Plataforma de
de tutores
com gestação de Apoiadores do Monitoramento do Projeto Saúde
alto risco COSEMS em Rede
Orientações disponíveis no Guia da
Tutores da AAE, Formação de Tutores
Realizar atividade
exclusivamente; “Manejo das morbidades mais
2 – Discutindo Local
Analistas Centrais, prevalentes na gestação” que
aspectos do manejo 1 hora Analista destinado
Apoiadores
das morbidades Regional à formação consta na Nota Técnica da Saúde da
da ESP-MG e
mais prevalentes na de tutores Mulher na Gestação, no Parto e no
Apoiadores do Puerpério, disponível na Plataforma
gestação
COSEMS de Monitoramento do Projeto Saúde
em Rede
Intervalo 15 min

Realizar atividade Orientações disponíveis no Guia da


Tutores da AAE,
3 – Discutindo a Formação de Tutores
exclusivamente;
importância da Local
Analistas Centrais, Texto de apoio “Saúde Bucal e as
atenção à saúde 45 min Analista destinado
Apoiadores Gestações de Alto Risco: é preciso
bucal no cuidado Regional à formação
da ESP-MG e
à usuária com de tutores garantir a integralidade do cuidado”
Apoiadores do e “Caso Juliana” do Guia das
gestação de alto
COSEMS Oficinas Tutoriais da AAE
risco
TTutores da AAE,
Realizar atividade exclusivamente;
Local
4 – Apresentando Analistas Centrais,
30 min Analista destinado Orientações disponíveis no Guia da
as atividades de Apoiadores
Regional à formação Formação de Tutores
dispersão para a da ESP-MG e
de tutores
AAE Apoiadores do
COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 199


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Demanda espontânea na APS e atenção aos eventos agudos

O atendimento à demanda espontânea deve ser realizado pelas UAPS, principalmente nos
casos de pacientes crônicos em episódios de agudização e urgências de menor gravidade. Nas
situações de emergência, a equipe deve estar capacitada para diagnosticar precocemente os
casos graves, iniciar manobras de suporte básico de vida e acionar o serviço de remoção para
que haja a adequada continuidade do atendimento pelos serviços de urgência.

ATIVIDADE 01

Discutindo sobre a atenção aos eventos agudos


(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e realizem a leitura do texto de apoio
“Atenção aos eventos agudos na APS”, disponível na página 69 do volume II do Guia das
Oficinas Tutoriais da APS. Após a leitura, sugerimos que discutam as seguintes questões:

• Que tipos de eventos agudos chegam à UAPS?


• Como os fluxos de atendimento aos eventos agudos são organizados na UAPS?
• Na percepção dos tutores, a equipe da UAPS está preparada para o atendimento aos
eventos agudos? Se não, que dificuldades são observadas?

Após as discussões, cada grupo deve compartilhar com os demais as principais questões
debatidas.

Esta atividade é abordada na Oficina 13 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 68).

200 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 01

Discutindo sobre a atenção aos eventos agudos


(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias do


checklist de medicamentos e materiais para urgência/emergência, disponível na Plataforma
de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Novamente em grupos, propomos que os tutores realizem a leitura do caso da UAPS


Serra Azul, disponível na página 73 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS, e
preencham o quadro da página 71 com as informações do caso. Em seguida, sugerimos
que discutam as seguintes questões:

• Assim como na situação relatada na demanda 2, a equipe da UAPS em que os tutores


atuam possui dúvidas sobre as demandas espontâneas que devem ser atendidas na
APS? Como essas dúvidas são resolvidas?

• A situação relatada na demanda 3 revela o encaminhamento de uma condição aguda


que poderia ter sido resolvida na UAPS Serra Azul. Essa situação ocorre nos serviços
em que os tutores atuam?

• Na demanda 5, foi necessário utilizar a caixa de medicamentos de emergência,


em que não possuía o medicamento solicitado. As UAPS em que os tutores atuam
possuem caixa de medicamentos de emergência? Qual a percepção dos tutores sobre
a importância de organização da caixa de medicamentos de emergência? Para essa
discussão, sugerimos a observância do checklist de medicamentos e materiais para
urgência/emergência.

Atenção!

Para aprofundamento dos estudos dos tutores sobre o atendimento à demanda espontânea
e de urgência/emergências na APS, o Analista Regional poderá sugerir a leitura do Caderno
da Atenção Básica “Acolhimento a Demanda Espontânea: queixas mais comuns na Atenção
Básica” (volume II), disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Esta atividade é abordada na Oficina 13 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 71).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 201


Acolhimento à demanda espontânea na APS

ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A DISCUSSÃO SOBRE O ACOLHIMENTO À DEMANDA


ESPONTÂNEA NA APS

São diversas as formas e as estratégias utilizadas nos serviços de APS para o acolhimento à
demanda espontânea. Para a discussão de algumas situações, na Oficina Tutorial 13 da APS,
é proposta a leitura do texto de apoio “Acolhimento” e a realização da atividade “Analisando
situações de acolhimento à demanda espontânea na UAPS Recanto das Flores (Primeira e Segunda
Parte)”.

Para a condução dessa atividade, é importante que o tutor da APS leia previamente o texto de
apoio e as situações de acolhimento na UAPS Recanto das Flores, disponíveis nas páginas 75 a 78
do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS. Também é importante que o tutor conheça e
apresente à equipe a “Matriz de Análise da UAPS Recanto das Flores” e a “Planilha de solicitação
de transporte sanitário”, disponíveis na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Estas atividades são abordadas na Oficina 13 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II.

Acolhimento com Classificação de Risco na APS

O acesso com equidade deve ser uma preocupação constante no acolhimento da demanda
espontânea. Como fazer isso no cotidiano da UAPS, aonde muitas vezes chegam, ao mesmo
tempo, várias pessoas com necessidades distintas? Uma estratégia importante para a garantia
de acesso com equidade é a adoção do Acolhimento Com Classificação de Risco (ACCR), que
possibilita identificar as diferentes gradações de risco, reconhecer as situações de maior urgência
e proceder às devidas priorizações.

202 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Aplicando o Acolhimento com Classificação de Risco


na UAPS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deve imprimir algumas cópias
da Ficha de Classificação de Risco e das Escalas de avaliação de dor, nível de consciência,
temperatura e termos na área da saúde, disponíveis na Plataforma de Monitoramento do
Projeto Saúde em Rede.

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e realizem as seguintes tarefas:

• Leitura do texto de apoio “Classificação de Risco na APS”, disponível nas páginas 83


a 88 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS;

• Leitura o caso “Maria do Rosário”, disponível na página 83 do mesmo Guia;


• Exercício preliminar de classificação do risco da Maria do Rosário, utilizando a ficha
de classificação de risco, disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde
em Rede;

• Descrição da trajetória do cuidado de Maria do Rosário na UAPS, a partir da


classificação de risco e da conduta sugerida para o caso, utilizando o “Fluxograma
para a organização do processo de trabalho das equipes de APS para o atendimento
da demanda espontânea”, disponível na página 87 do volume II do Guia das Oficinas
Tutoriais da APS.

Em um segundo momento, com todos os tutores, sugerimos que o Analista Regional


provoque uma discussão sobre a possibilidade de apropriação e de adoção do ACCR e do
Protocolo de Classificação Geral dos casos de demanda espontânea no cotidiano das UAPS.

É importante que o Analista Regional avalie se o grupo compreendeu a proposta de


classificação geral dos casos de demanda espontânea. Caso seja necessário, o Analista
poderá fazer uma síntese da proposta, utilizando a apresentação em power point
denominada de “Acolhimento com classificação de risco (ACCR)”, disponível na Plataforma
de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Esta atividade é abordada na Oficina 13 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 81).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 203


ATIVIDADE 03

Discutindo ferramentas de apoio à implantação do ACCR

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir uma cópia
do checklist para implantação do ACCR e da matriz de gerenciamento do processo de
ACCR para cada dupla de tutores da APS. Os documentos encontram-se na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

No momento da atividade, propomos que o Analista Regional entregue uma cópia de


cada um dos documentos para a dupla de tutores da APS. Os tutores devem ler, discutir
cada um dos itens e preencher o checklist para implantação do ACCR, considerando suas
percepções e seus conhecimentos sobre a UAPS em que atuam.

Após o preenchimento do checklist, sugerimos que os tutores, coletivamente, relacionem


os itens de acordo com o que foi assinalado (conforme e não conforme) com as ações
descritas na “Matriz de gerenciamento do processo de ACCR”. Cada item do checklist
pode ser elencado para mais de uma ação da matriz. Ao final, é importante que o Analista
Regional pergunte aos tutores sobre os principais itens considerados como críticos para a
implantação do ACCR na UAPS em que atuam.

Atenção!

O Analista Regional deve informar aos tutores que esta atividade é proposta como atividade
de dispersão no Guia das Oficinas Tutoriais da APS com o objetivo de apresentar as
ferramentas que podem ser utilizadas pelas equipes para um diagnóstico inicial sobre a
implantação do ACCR.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina Tutorial 13 do Guia das Oficinas
Tutoriais da APS – volume II (pag. 88).

204 PROJETO SAÚDE EM REDE


O cuidado aos usuários com condições crônicas na APS

As condições crônicas são circunstâncias na saúde das pessoas que, em geral, estão relacionadas
com causas múltiplas. Caracterizam-se por um início gradual, com longa ou indefinida duração,
requerem distintas respostas dos sistemas de saúde e desafiam, cotidianamente, as equipes
da APS para a oferta de um cuidado integral.

ATIVIDADE 04

Discutindo o cuidado aos usuários com condições


crônicas na APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores da APS sejam divididos em grupos e realizem a leitura do texto de
apoio “O cuidado em saúde aos usuários com condições crônicas”, disponível nas páginas 94
a 96 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS. Em seguida, sugerimos a discussão
das seguintes questões:

• Por que é importante organizar o cuidado aos usuários com condições crônicas, no
âmbito da APS?

• Considerando que a atenção às condições crônicas requer cuidado contínuo, atuação


em equipe multiprofissional e participação ativa do usuário, como as UAPS em que
os tutores atuam se organizam para cuidar das pessoas com condições crônicas? Que
estratégias são utilizadas? Na percepção dos tutores, essas estratégias são suficientes
para lidar com a complexidade do cuidado às condições crônicas?

• Quais dificuldades os tutores identificam no cuidado às pessoas com condições


crônicas vinculadas à UAPS?

Após as discussões, cada grupo deve apresentar aos demais os principais pontos debatidos,
as estratégias e as ações desenvolvidas para o cuidado às condições crônicas na UAPS em
que atuam, bem como as dificuldades encontradas.

Esta atividade é abordada na Oficina 14 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 93).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 205


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

O cuidado à usuária com gestação de alto risco na AAE

Como sabemos, no âmbito do Projeto Saúde em Rede, a linha de cuidado materno-infantil é


prioritária. Por isso, cabe discutirmos, mais detalhadamente, diferentes aspectos da atuação
da equipe da AAE no cuidado à usuária com gestação de alto risco, a saber:

• Competências da equipe da AAE no cuidado à usuária com gestação de alto risco;


• Manejo das morbidades mais prevalentes na gestação;
• Atenção à saúde bucal da usuária com gestação de alto risco;
• Tecnologia da gestão de caso como estratégia para o cuidado à usuária com gestação
de alto risco;
• Educação em saúde para gestantes usuárias do serviço de AAE;
• Cuidado à mulher durante o puerpério;
• Análise/estudo de óbito materno-infantil.

Competências da equipe da AAE no cuidado à usuária com gestação de


alto risco

A redução da morbimortalidade materna e perinatal está diretamente relacionada com o acesso


das gestantes ao atendimento pré-natal de qualidade e em tempo oportuno, de acordo com suas
necessidades. Sabemos que as morbidades diagnosticadas durante a gravidez ou previamente
existentes significam situações de risco para a gestante e para a criança e exigem uma assistência
especializada, mais conhecida como “pré-natal de alto risco”. O intuito da assistência pré-natal
de alto risco é interferir no curso de uma gestação que possui maior chance de ter um resultado
desfavorável. Existindo riscos para a gestante e para o feto, todas as ações de cuidado tomam
caráter de alerta contínuo para todos os profissionais e os serviços da rede de atenção à saúde
(BRASIL, 2010).

A usuária com gestação de alto risco segue a rotina de acompanhamento na APS, realizando
todos os exames de rotina, imunização, medicação profilática e orientações, e também é
acompanhada pela equipe especializada da AAE, que deve realizar o manejo das morbidades
e de outras situações que caracterizam o alto risco, com foco no tratamento adequado e na
estabilização até o momento do parto. Para isso, o serviço de AAE deve contar com uma equipe
multiprofissional, cujas competências precisam ser amplamente discutidas e compreendidas
pelos profissionais, com vistas à atuação integrada e à oferta de manejo mais adequado nas
várias situações clínicas, funcionais e sociofamiliares apresentadas pela gestante (BRASIL, 2019).

206 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 01

Discutindo as competências da equipe da AAE no


cuidado à usuária com gestação de alto risco

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir uma cópia
da Nota Técnica da Saúde da Mulher na Gestação, no Parto e no Puerpério, disponível na
Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, para apoiá-lo nas discussões
com os tutores e servir de consulta para informações necessárias.

Primeiramente, propomos que o Analista Regional inicie uma conversa com os tutores
da AAE sobre a Nota Técnica da Saúde da Mulher na Gestação, no Parto e no Puerpério,
com enfoque nas atribuições e nas competências prescritas para o cuidado à usuária com
gestação de alto risco.

Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Na opinião dos tutores da AAE, as competências definidas na Nota Técnica da Saúde


da Mulher na Gestação, no Parto e no Puerpério aproximam-se do trabalho já realizado
no cotidiano do serviço?

• Que competências apresentadas da Nota Técnica ainda precisam ser desenvolvidas


e/ou fortalecidas no trabalho da equipe? Por que? Quais são as principais dificuldades
vivenciadas para desenvolvê-las no serviço?

• Que estratégias podem ser implementadas para o fortalecimento das diferentes


competências da equipe da AAE no cotidiano do serviço?

As competências gerais da equipe da AAE encontram-se na página 160 do Guia das Oficinas
Tutoriais da AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 159).

Além das competências gerais da equipe da AAE no cuidado à usuária com gestação de alto
risco, é igualmente importante discutirmos a atuação de cada profissional do serviço na atenção
à gestante.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 207


ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A DISCUSSÃO SOBRE A ATUAÇÃO DAS CATEGORIAS


PROFISSIONAIS DA AAE NO CUIDADO À USUÁRIA COM GESTAÇÃO DE ALTO RISCO

Na Oficina Tutorial 10, para a abordagem sobre a atuação das distintas categorias profissionais
no cuidado à gestação de alto risco, é proposta a leitura do Caso Eneida e discussão das seguintes
questões: De que forma a equipe multiprofissional da AAE poderia contribuir para o cuidado da
Eneida? Quais seriam as atribuições de cada categoria profissional para a condução do caso?

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 160).

Manejo das morbidades mais prevalentes na gestação

ATIVIDADE 02
Discutindo aspectos do manejo das morbidades mais
prevalentes na gestação

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deve imprimir uma cópia para
cada tutor da AAE do conteúdo “Manejo das morbidades mais prevalentes na gestação”,
presente na Nota Técnica da Saúde da Mulher na Gestação, no Parto e no Puerpério,
disponível na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Propomos que os tutores leiam o conteúdo sobre o manejo das morbidades mais
prevalentes na gestação e escolham uma morbidade para discussão das seguintes questões:

• A equipe da AAE utiliza diretrizes clínicas e/ou protocolo específico para o manejo da
morbidade na gestação? Se sim, essas mesmas diretrizes e/ou protocolos são utilizados
pelos profissionais da APS?
• Como a equipe da AAE pode oferecer apoio técnico-especializado às equipes da APS
para a identificação e o acompanhamento do pré-natal de alto risco?
• O serviço da AAE possui horário protegido para que os profissionais discutam sobre
diretrizes clínicas e formas de aprimoramento do cuidado à usuária com gestação de
alto risco?

Atenção!

Ao final da Oficina Tutorial 10, para discussão sobre o manejo das morbidades mais
prevalentes na gestação, é proposta como atividade de dispersão a busca de artigos
científicos que possam contribuir para o aprimoramento do cuidado na AAE.

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 164).

208 PROJETO SAÚDE EM REDE


Atenção à saúde bucal no cuidado à usuária com gestação de alto risco

A doença periodontal é uma das morbidades mais prevalentes durante a gestação. Isso porque as
mudanças no padrão e nos hábitos alimentares, frequentemente apresentadas pelas gestantes,
podem impactar nas suas condições de saúde bucal. Por isso, torna-se muito importante discutir
aspectos relacionados à atenção à saúde bucal das usuárias com gestação de alto risco.

ATIVIDADE 03

Discutindo a importância da atenção à saúde bucal no


cuidado à usuária com gestação de alto risco

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores leiam o texto de apoio “Saúde Bucal e as Gestações de Alto
Risco: é preciso garantir a integralidade do cuidado”, disponível na página 167 do Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE, e o Caso Juliana, disponível na página 169 do mesmo Guia. Em
seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Como os tutores avaliam a integralidade do cuidado ofertado à Juliana?


• Na percepção dos tutores, como a equipe do serviço de AAE pode fortalecer o
compartilhamento do cuidado de Juliana com a APS?

• Que estratégias poderiam auxiliar no apoio e no acolhimento de gestantes como


Juliana, que apresentam medo e crenças em relação à realização de consultas
odontológicas no período gestacional?

Esta atividade é abordada na Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 167).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 209


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 04

Apresentando as atividades de dispersão para a AAE

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da AAE a atividade de dispersão
que será proposta ao final da Oficina Tutorial 10.

Evidências cien�ficas para o cuidado às gestantes com morbidades

Conforme já apontado na Atividade 2 deste Encontro Formativo, considerando as funções


de pesquisa e educação do serviço de AAE, ao final da Oficina Tutorial 10, o tutor deve
propor que cada dupla/subgrupo busque em bases de dados científicas (PubMed, Scielo,
Bireme, etc.) estudos que abordem a temática/morbidade em discussão e selecionem,
juntos, dois artigos científicos que contribuem para o aprimoramento do cuidado na AAE.
Tais artigos serão lidos e discutidos na Oficina Tutorial 11. É importante que o Analista
Regional apresente aos tutores as principais bases de dados para a busca de artigo
científicos, demonstrando como pode ser realizado o acesso e a busca.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina 10 do Guia das Oficinas Tutoriais da
AAE (pag. 169).

210 PROJETO SAÚDE EM REDE


Trabalho integrado entre APS e AAE: preparação para a pactuação de fluxos,
instrumentos e estratégias de organização do compartilhamento do cuidado

Para subsidiar o fortalecimento do trabalho integrado entre APS e AAE, consideramos importante
que os tutores de ambos os serviços possam pactuar questões que envolvem o cuidado na rede
de atenção à saúde. Para isso, propomos que os tutores da AAE elaborem uma apresentação
em que constem um conjunto de informações e propostas que serão discutidas com os tutores
da APS no próximo Encontro Formativo.

ATIVIDADE 05

Fortalecendo o trabalho integrado entre APS e AAE:


elaboração de apresentação para discussão com os tutores
da APS

Propomos que os tutores da AAE, com o apoio do Analista Regional, organizem uma
apresentação em power point que contemple as seguintes questões:

• A carteira de serviços da AAE;


• A composição da equipe da unidade da AAE (nome e categoria profissional);
• Uma proposta de fluxos para o compartilhamento do cuidado entre APS e AAE;
• Uma proposta de instrumento padronizado para o compartilhamento do cuidado de
usuários entre APS e AAE;

• Uma proposta de vinculação das equipes de APS por médicos especialistas da AAE
(definição dos médicos especialistas de referência para as UAPS);

• Uma proposta para o agendamento de consultas na AAE pela equipe da APS.


Para a elaboração desta apresentação, os tutores da AAE devem considerar as pactuações
e as definições realizadas ao longo do Projeto Saúde em Rede.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 211


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 07


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações disponíveis no Guia
Tutores da APS, da Formação de Tutores
exclusivamente; Apresentação em power
Local
Realizar atividade 5 – Analistas Centrais, point “Estratificação de risco:
Estratificando o risco 45 min Analista Apoiadores
destinado
Regional à formação ferramenta para a gestão
das condições crônicas da ESP-MG e das condições crônicas”,
de tutores
Apoiadores do disponível na Plataforma de
COSEMS Monitoramento do Projeto
Saúde em Rede
Realizar atividade Tutores da APS,
6 – Discutindo as exclusivamente; Orientações disponíveis no Guia
Local da Formação de Tutores
contribuições da Analistas Centrais,
Analista destinado
educação em saúde no 30 min Apoiadores
Regional à formação Texto de apoio “Educação em
cuidado aos usuários da ESP-MG e
de tutores Saúde”, disponível no Guia das
com condições crônicas Apoiadores do Oficinas Tutoriais da APS (Vol.II)
(Primeira Parte) COSEMS
Realizar atividade Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia
6 – Discutindo as exclusivamente; da Formação de Tutores
Local
contribuições da Analistas Centrais,
1 hora Analista destinado “Caso Roda de Conversa sobre
educação em saúde no Apoiadores
Regional à formação Diabetes” e “Caso Lian Gong”,
cuidado aos usuários da ESP-MG e
de tutores do Guia das Oficinas Tutoriais
com condições crônicas Apoiadores do
(Segunda Parte) COSEMS da APS (vol. II)

Intervalo 15 min

Realizar atividade Tutores da APS,


6 – Discutindo as exclusivamente; Orientações disponíveis no Guia
Local
contribuições da 1 hora e Analista Analistas Centrais, da Formação de Tutores
destinado
educação em saúde no 30 min Apoiadores
Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais da
cuidado aos usuários da ESP-MG e
de tutores APS (vol. II)
com condições crônicas Apoiadores do
(Terceira Parte) COSEMS
Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
[...] continuação
Realizar a atividade Tutores da AAE,
5 – Fortalecendo o exclusivamente;
Local
trabalho integrado Analistas Centrais,
4 horas Analista destinado Orientações disponíveis no Guia
entre APS e AAE: Apoiadores
Regional à formação da Formação de Tutores
elaboração de da ESP-MG e
de tutores
apresentação para Apoiadores do
discussão com os COSEMS
tutores da APS

212 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Estratificação de risco das condições crônicas

A estratificação de risco é considerada uma ferramenta fundamental para orientar a gestão do


cuidado aos usuários com condições crônicas. Segundo Mendes (2012), a estratificação deve
considerar pelo menos dois critérios: (a) a severidade e a complexidade da condição crônica; e
(b) as práticas de autocuidado que os indivíduos possuem em relação à sua condição de saúde,
que envolvem os aspectos socioeconômicos e culturais, o grau de confiança e o apoio que as
pessoas têm para cuidar de si mesmas (BRASIL 2014).

A estratificação da população por estrato de risco permite que a equipe de APS defina condutas
e estratégias diferenciadas para cada um dos estratos, aproximando o cuidado às necessidades
de saúde. Seguem alguns exemplos (SBIBAE, 2019c):

• Portadores de condições crônicas de menores riscos: tecnologias de autocuidado apoiado


e foco no cuidado na APS.
• Portadores de condições de alto e muito alto risco: tecnologias de autocuidado
apoiado; presença mais significativa de atenção profissional; e coparticipação da atenção
ambulatorial especializada.

ATIVIDADE 05

Estratificando o risco das condições crônicas

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Inicialmente, propomos que o Analista Regional apresente aos tutores aspectos sobre
a estratificação de risco, utilizando a apresentação em power point “Estratificação de
risco: ferramenta para a gestão das condições crônicas”, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Em seguida, sugerimos que os tutores sejam divididos em grupos e discutam as seguintes


questões:

• Qual a importância de se realizar a estratificação de risco das condições crônicas da


população adscrita da UAPS?

• A equipe da UAPS em que os tutores atuam realiza o processo de estratificação de


risco dos usuários cadastrados? Para quais condições crônicas? Como esse processo é
utilizado para organizar os atendimentos?

• Quais dificuldades os tutores observam para a realização da estratificação de risco


das condições crônicas no território?

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 213


• Quais estratégias precisam ser implementadas para maior organização do processo
de estratificação de risco na UAPS?

É importante que o Analista Regional faça uma síntese sobre o tema da estratificação de
risco de condições crônicas e sinalize para os tutores a necessidade de adoção das diretrizes
clínicas.

Esta atividade é abordada na Oficina 14 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 97).

Educação em saúde e o cuidado aos usuários com condições crônicas

O manejo das condições crônicas na APS exige, necessariamente, o envolvimento e a participação


do usuário em todo o processo, de modo que ele entenda sobre sua condição de saúde e possa
tomar decisões cotidianas sobre si. Nesse sentido, a educação em saúde constitui uma atribuição
fundamental das equipes da APS no cuidado aos usuários com condições crônicas.

Sabemos que a natureza do trabalho na APS oferece muitas possibilidades para o


desenvolvimento de práticas educativas destinadas ao manejo das condições crônicas. O
acompanhamento longitudinal e mais próximo dos usuários permite que a equipe conheça
as condições de saúde e de vida das pessoas com condições crônicas e desenvolva práticas
educativas que considerem as distintas realidades.

ATIVIDADE 06
Discutindo as contribuições da educação em saúde
no cuidado aos usuários com condições crônicas
(Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em grupos e discutam as seguintes questões:

• Como a educação em saúde pode contribuir para o cuidado aos usuários com
condições crônicas?

• Que objetivos uma prática educativa precisa ter para contribuir com o manejo das
condições crônicas?

• As práticas educativas realizadas nas UAPS em que atuam têm contribuído para a
melhoria das condições de saúde dos usuários com condições crônicas?
Esta atividade é abordada na Oficina 14 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II
(pag. 102).

Para subsidiar as discussões dos tutores sobre a educação em saúde e as suas contribuições para
o manejo das condições crônicas, apresentamos aspectos teórico-conceituais sobre o tema.

214 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 06
Discutindo as contribuições da educação em saúde
no cuidado aos usuários com condições crônicas
(Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores, novamente em grupos, leiam coletivamente o texto de apoio


“Educação em Saúde”, disponível nas páginas 103 a 106 do volume II do Guia das Oficinas
Tutoriais da APS, e, em seguida, discutam as seguintes questões:

• O texto possibilitou ampliar a compreensão da equipe sobre educação em saúde?


• O texto aponta novas possibilidades para o desenvolvimento de práticas educativas
em saúde destinadas ao manejo das condições crônicas na APS? Quais?

O Analista Regional pode retomar os aspectos discutidos na primeira parte da atividade,


propondo a análise das relações entre as compreensões iniciais dos tutores e as
contribuições trazidas pelo texto de apoio.

Esta atividade é abordada na Oficina 14 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II
(pag. 103).

No texto de apoio, vimos que a prática educativa está mais relacionada com o encontro entre
profissional de saúde e usuário do que restrita a um espaço ou a um momento. Por isso,
para que possamos aprofundar a análise sobre as práticas educativas desenvolvidas na APS,
é importante refletirmos sobre os modos de interação que estabelecemos com os usuários.

ATIVIDADE 06
Discutindo as contribuições da educação em saúde
no cuidado aos usuários com condições crônicas
(Terceira Parte)

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Um estudo9 se dedicou a analisar práticas educativas desenvolvidas na APS e identificou


alguns padrões de interação, ou seja, modos de os profissionais de saúde construírem a
relação educativa com o usuário. Destacaremos nesta atividade duas situações educativas
que apresentam padrões de interação distintos. As situações estão disponíveis nas páginas
108 a 110 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

Propomos que os tutores sejam divididos em quatro grupos, cada qual responsável pela
leitura e pela discussão de um caso abaixo apresentado. As questões orientadoras da

9 GAZZINELLI et al. Práticas educativas grupais na atenção básica: padrões de interação entre profissionais, usuários e conhecimento. Revista
da Escola de Enfermagem da USP, v.49, n.2, 2015.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 215


discussão estão ao final de cada caso.

Grupos 01 e 02: Roda de Conversa sobre Diabetes (Questiona – Ouve – Informa)


Grupos 03 e 04: Grupo de Lian Gong (Questiona – Ouve – Problematiza – Produz
conhecimento)

Após a discussão, cada grupo deve apresentar aos demais os casos e as principais questões
debatidas.

Esta atividade é abordada na Oficina 14 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II
(pag. 107).

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 13 e 14, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 14, deverá ser destinado um tempo para discutir com a equipe
o diagnóstico da rede de atenção à saúde referente ao ciclo 07. Neste momento, tutores
e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/
monitorados na Oficina 14.

216 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS COM OS TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Trabalho integrado entre APS e AAE: preparação para a pactuação de fluxos,


instrumentos e estratégias de organização do compartilhamento do cuidado

Para subsidiar o fortalecimento do trabalho integrado entre APS e AAE, consideramos importante
que os tutores de ambos os serviços possam pactuar questões que envolvem o cuidado na rede
de atenção à saúde. Para isso, propomos que os tutores da AAE elaborem uma apresentação
em que constem um conjunto de informações e propostas que serão discutidas com os tutores
da APS no próximo Encontro Formativo.

ATIVIDADE 05

Fortalecendo o trabalho integrado entre APS e AAE:


elaboração de apresentação para discussão com os
tutores da APS

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores da AAE, com o apoio do Analista Regional, organizem uma
apresentação em power point que contemple as seguintes questões:

• A carteira de serviços da AAE;


• A composição da equipe da unidade da AAE (nome e categoria profissional);
• Uma proposta de fluxos para o compartilhamento do cuidado entre APS e AAE;
• Uma proposta de instrumento padronizado para o compartilhamento do cuidado de
usuários entre APS e AAE;

• Uma proposta de vinculação das equipes de APS por médicos especialistas da AAE
(definição dos médicos especialistas de referência para as UAPS);

• Uma proposta para o agendamento de consultas na AAE pela equipe da APS.


Para a elaboração desta apresentação, os tutores da AAE devem considerar as pactuações
e as definições realizadas ao longo do Projeto Saúde em Rede.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 217


ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final da Oficina Tutorial 10, deverá ser destinado um tempo para repassar com a
equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É necessário
que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os respectivos
responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 10, deverá ser destinado um tempo para discutir com a equipe
o diagnóstico da rede de atenção à saúde referente ao ciclo 07. Neste momento, tutores
e equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/
monitorados na Oficina 10.

218 PROJETO SAÚDE EM REDE


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 07


Atividades a serem desenvolvidas pelos Tutores da APS e da AAE, separadamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade 1 Tutores da AAE e da APS,
Local
– Compartilhando as 2 separadamente; Analistas
Analista destinado Orientações no Guia de
ações desenvolvidas horas Centrais, Apoiadores da
Regional à formação Formação de Tutores
na Unidade ESP-MG e Apoiadores do
de tutores
Laboratório COSEMS
Local
Realizar atividade 2 Analista Tutores da AAE e da APS, destinado Orientações no Guia de
2 – Planejando os horas Regional separadamente à formação Formação de Tutores
próximos passos
de tutores

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 219


ATIVIDADE 01

Compartilhando as ações desenvolvidas na Unidade


Laboratório

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar a cada dupla de tutores que compartilhem sua
experiência em relação a:

• realização das Oficinas Tutoriais: a(s) oficina(s) ocorreram? Houve dificuldades? Como
foi a participação dos profissionais nas discussões promovidas durante a(s) oficina(s)?

• utilização do Plano de Ação: as ações a serem desenvolvidas têm sido registradas


no plano de ação? A equipe tem se apoiado para a realização das atividades previstas
no plano?

• como tem sido a implementação das ações propostas pelo projeto? Há dificuldades
para mudança de algum processo de trabalho? Que estratégias têm sido utilizadas para
promover essas mudanças?

Posteriormente, a turma deverá ser dividida em pequenos grupos para que Analistas
Centrais, Regionais e Apoiadores da ESP-MG possam discutir e acompanhar:
• o preenchimento do Plano de Ação e o desenvolvimento das ações pactuadas com
a equipe, incluindo as atividades de dispersão;

• o preenchimento do Diagnóstico da Rede de Atenção;


• o preenchimento/utilização dos instrumentos sugeridos no Projeto Saúde em Rede.

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento para a realização das Oficinas


Tutoriais subsequentes.

220 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório


que discutam e registrem quais os próximos passos para o desenvolvimento das oficinas
em seu município/serviço. Para isso, é importante que considerem os seguintes aspectos:

• a data para a(s) próxima(s) Oficina(s) Tutorial(is) já está definida? Os profissionais


estão cientes?

• há alguma atividade de dispersão que precisa ser finalizada antes da próxima Oficina
Tutorial?

• há alguma informação ou dado que precisa ser levantado/consolidado para ser


utilizado na próxima Oficina Tutorial?

• está claro como será a dinâmica de condução da(s) próxima(s) oficina(s) entre os
tutores? (pode ser interessante que os tutores já combinem quem conduz cada atividade
ou qual o papel de cada um nas atividades durante a oficina ou que considerem
necessário convidar outros trabalhadores do município para apoiarem em algum tema
da oficina).

Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores compartilhem com os demais
participantes dúvidas e/ou aspectos do planejamento que considerarem importantes.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 221


2.8. ENCONTRO FORMATIVO 08

O Encontro Formativo 08, com carga horária de 12 horas, tem como objetivos:

Formação de Tutores da APS:

• Discutir sobre a importância da realização da programação local;


• Conhecer um instrumento de apoio à realização da programação local;
• Exercitar o preenchimento da planilha de programação local, com base no caso da UAPS
Santo Antônio;
• Refletir sobre o acolhimento da gestante na APS;
• Discutir a importância da atenção à saúde bucal no cuidado à gestante;
• Discutir as potencialidades da educação em saúde para o cuidado à saúde da gestante;
• Discutir a programação local do cuidado à saúde das gestantes do território;
• Discutir e pactuar a realização da atividade de dispersão;
• Discutir e pactuar fluxos, instrumentos e estratégias de organização para o
compartilhamento do cuidado entre APS e AAE;
• Analisar as contribuições do Projeto Saúde em Rede e discutir estratégias para
continuidade das discussões sobre os processos de trabalho, no cotidiano de atuação
da equipe;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais e do encerramento do Projeto Saúde em Rede
nas Unidades Laboratório da APS.

Formação de Tutores da AAE:

• Discutir artigos científicos para o aprimoramento do cuidado à saúde de gestantes com


morbidades mais prevalentes;
• Discutir a tecnologia da gestão de caso para o cuidado à usuária com gestação de
alto risco;
• Discutir o desenvolvimento de práticas educativas em saúde para gestantes usuárias do
serviço de AAE;
• Discutir o cuidado à saúde da mulher durante o puerpério;
• Compreender as principais causas de morte de mulheres durante o puerpério em
Minas Gerais;
• Compreender a importância da investigação e da análise de óbitos materno, infantil
e fetal;
• Discutir e pactuar fluxos, instrumentos e estratégias de organização para o
compartilhamento do cuidado entre APS e AAE;
• Analisar as contribuições do Projeto Saúde em Rede e discutir estratégias para
continuidade das discussões sobre os processos de trabalho, no cotidiano de atuação
da equipe;
• Planejar a realização das Oficinas Tutoriais e do encerramento do Projeto Saúde em Rede
na Unidade Laboratório da AAE.

222 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 08


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Orientações disponíveis no Guia
da Formação de Tutores
Realizar atividade
1 - Discutindo a Tutores da APS, Apresentação em power point,
Local
importância da exclusivamente; disponível na Plataforma de
Analista destinado
programação local 40 min Analistas Centrais, Monitoramento do Projeto
Regional à formação
e compreendendo Apoiadores da ESP-MG e Saúde em Rede
de tutores
o uso da planilha de Apoiadores do COSEMS
Texto de Apoio “A Programação
programação local
Local”, disponível no Guia das
Oficinas Tutoriais da APS (vol. II)
Orientações disponíveis no Guia
da Formação de Tutores
Realizar atividade Tutores da APS, Planilha de programação local,
Local
2 - Realizando a exclusivamente; disponível na Plataforma de
1 hora Analista destinado
programação local Analistas Centrais, Monitoramento do Projeto
Regional à formação
a partir do caso da Apoiadores da ESP-MG e Saúde em Rede
de tutores
UAPS Santo Antônio Apoiadores do COSEMS
Caso “UAPS Santo Antônio”,
disponível no Guia das Oficinas
Tutoriais da APS (vol. II)
Orientações disponíveis no Guia
Tutores da APS, da Formação de Tutores
Realizar atividade Local
exclusivamente; “Caso Andréia” e Texto de
3 - Refletindo sobre 35 min Analista destinado
Analistas Centrais, apoio “O acolhimento da
o acolhimento da Regional à formação
Apoiadores da ESP-MG e gestante na APS”, disponíveis
gestante na APS de tutores
Apoiadores do COSEMS no Guia das Oficinas Tutoriais
da APS (vol. II)
Intervalo 15 min
Orientações disponíveis no Guia
Tutores da APS, da Formação de Tutores
Realizar atividade Local
exclusivamente;
4 - Discutindo a 40 min Analista destinado Casos Ludymilla, Bárbara e
Analistas Centrais,
atenção à saúde Regional à formação Maria Flor, disponiveis no Guia
Apoiadores da ESP-MG e
bucal na gestação de tutores das Oficinas Tutoriais da APS
Apoiadores do COSEMS
(vol. I)
Realizar atividade Tutores da APS,
Local
5 - Discutindo as exclusivamente;
Analista destinado Orientações disponíveis no Guia
ações educativas no 40 min Analistas Centrais,
Regional à formação da Formação de Tutores
cuidado à saúde da Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
gestante Apoiadores do COSEMS
Realizar atividade Tutores da APS,
Local
6 - Apresentando exclusivamente;
as atividades de 10 min Analista Analistas Centrais,
destinado Orientações disponíveis no Guia
Regional à formação da Formação de Tutores
dispersão para a Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
APS Apoiadores do COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 223


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da AAE, exclusivamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade
1 – Discutindo Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia
Local
a tecnologia da exclusivamente; da Formação de Tutores
Analista destinado
gestão de caso para 45 min Analistas Centrais,
Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais
o cuidado à usuária Apoiadores da ESP-MG e
de tutores da AAE
com gestação de Apoiadores do COSEMS
alto risco
Realizar atividade
2 – Discutindo as
causas de morte de Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia
Local
mulheres durante exclusivamente; da Formação de Tutores
o puerpério em 45 min Analista Analistas Centrais,
destinado
Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais
Minas Gerais Apoiadores da ESP-MG e
de tutores da AAE
Apoiadores do COSEMS

Realizar atividade Tutores da APS,


Local
3 – Discutindo o exclusivamente;
Analista destinado Orientações disponíveis no Guia
cuidado à mulher 30 min Analistas Centrais,
Regional à formação da Formação de Tutores
durante o puerpério Apoiadores da ESP-MG e
de tutores
na AAE Apoiadores do COSEMS
Intervalo 15 min
Realizar atividade 4
– Compreendendo
Tutores da APS, Orientações disponíveis no Guia
a importância da Local
exclusivamente; da Formação de Tutores
investigação e da 45 min Analista destinado
Analistas Centrais,
análise de óbitos Regional à formação Guia das Oficinas Tutoriais
Apoiadores da ESP-MG e
maternos, infantis de tutores da AAE
Apoiadores do COSEMS
e fetais (Primeira
Parte)
Realizar atividade 4 Orientações disponíveis no Guia
– Compreendendo da Formação de Tutores
Tutores da APS,
a importância da Local
exclusivamente; Ficha de investigação
investigação e da 1 hora Analista destinado
Analistas Centrais,
análise de óbitos Regional à formação ambulatorial de óbito materno,
Apoiadores da ESP-MG e disponível na Plataforma de
maternos, infantis de tutores
Apoiadores do COSEMS Monitoramento do Projeto
e fetais (Segunda
Parte) Saúde em Rede

224 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS COM TUTORES DA APS, EXCLUSIVAMENTE

Programação Local

Ao longo das Oficinas Tutoriais, os tutores e as equipes puderam levantar várias informações que
permitem ampliar o conhecimento sobre a população adscrita à UAPS, sobre o território, sobre
os tipos de demanda que chegam até a unidade e sobre determinados grupos populacionais
que requerem um cuidado mais intenso e próximo. O levantamento e a análise das informações
sobre o território em que a equipe atua e sobre a população que vive na área de abrangência
são fundamentais para o planejamento e a reorganização das ações e dos serviços ofertados
pela UAPS.

A programação local é uma das etapas fundamentais do planejamento local em saúde e tem
como objetivo principal melhorar o atendimento prestado à população de um determinado
território, por meio da definição de um conjunto de ações de saúde (ESP-MG, 2008). Para sua
operacionalização, estamos propondo a utilização da planilha de programação local, que permite
realizar, de forma mais rápida, a programação da quantidade de atendimentos, atividades,
visitas domiciliares e exames que são necessários, considerando cada ciclo de vida, condição
de saúde ou patologia.

ATIVIDADE 01

Discutindo a importância da programação local e


compreendendo o uso da planilha de programação local

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Em um primeiro momento, propomos que o Analista Regional apresente aspectos sobre a


programação local e discuta com os tutores questões referentes à planilha de programação.
Para isso, poderá utilizar a apresentação em power point, disponível na Plataforma de
Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, e também o texto de apoio “A Programação
Local”, disponível na página 115 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

Na apresentação, recomendamos que sejam destacados os seguintes aspectos:

• O que é a programação local;


• Que tipo de parâmetros são utilizados para realizar a programação;
• De onde são retirados os parâmetros utilizados na planilha;
• Etapas necessárias para utilização da Planilha de Programação (cadastro, levantamento
da situação de saúde, definição das metas de atendimento, construção da agenda);

• Forma de organização da planilha: por ciclo de vida, patologia ou condição e


estratificação por grau de risco;

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 225


• O uso dos parâmetros epidemiológicos para dimensionar uma subpopulação com
determinada condição de saúde e os estratos de risco de cada subpopulação;

• O uso dos parâmetros assistenciais para dimensionar a resposta às necessidades de


saúde levantadas (nº de atendimentos, visitas, atividades coletivas, etc.).

Esta atividade é abordada na Oficina 15 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 115).

Após a apresentação, propomos que os tutores realizem um exercício de preenchimento da


planilha de programação local a partir de um caso fictício.

ATIVIDADE 02

Realizando a programação local a partir do caso da


UAPS Santo Antônio

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Preparação da atividade: previamente, o Analista Regional deverá ler os tutoriais de


preenchimento da planilha de programação local e, se possível, fazer o exercício de
preenchimento, considerando os dados do caso “UAPS Santo Antônio”, disponível na página
119 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

No momento da atividade, sugerimos a leitura coletiva do caso “UAPS Santo Antônio”.


Em seguida, com a planilha visível para todos os participantes, sugerimos que o Analista
Regional e os tutores realizem conjuntamente o preenchimento dos campos disponíveis, a
partir dos dados fornecidos no caso da UAPS Santo Antônio. Destaca-se que é necessário
preencher os dados de todas as abas, ou seja, de todas as condições de saúde e/ou ciclos
de vida.

Ao final do preenchimento, a planilha de programação terá dimensionado o número de


atividades/atendimentos semanais programados para cada subpopulação trabalhada. O
quantitativo de atividades/atendimentos estará detalhado por categorias profissionais
(médico, enfermeiro, dentista, ACS, demais profissionais).

Esta atividade é abordada na Oficina 15 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 118).

ATENÇÃO

Sugerimos que as equipes da APS insiram no plano de ação o preenchimento da planilha de


programação com os dados reais encontrados no cadastro das famílias da sua área de abrangência e
no levantamento da situação de saúde dos principais ciclos de vida e/ou patologias encontrados na
sua população. É importante lembrar que os dados a serem inseridos na planilha de programação
devem ser periodicamente atualizados.

226 PROJETO SAÚDE EM REDE


Cuidado à saúde da gestante

Como sabemos, um dos enfoques do Projeto Saúde em Rede é a linha de cuidado da mulher
na gestação, no parto e no puerpério. Nas Oficinas Tutoriais realizadas até então, tutores e
equipes da APS puderam discutir aspectos relacionados à organização do cuidado à gestante,
como, por exemplo, a identificação das gestantes que vivem no território, a vacinação e o
cuidado na rede de atenção à saúde. Neste momento, propomos a abordagem de outros temas
que são importantes para o fortalecimento da linha de cuidado materno-infantil. São eles: o
acolhimento; a atenção à saúde bucal; a educação em saúde; e a programação local para o
cuidado à saúde das gestantes.

Acolhimento às gestantes na UAPS

Sabemos que o acolhimento humanizado à gestante, com o atendimento adequado às suas


necessidades, contribui, em muito, para a sua participação nas ações de cuidado propostas pela
equipe ao longo do pré-natal. É importante lembrarmos que o acolhimento é uma atribuição de
todos os profissionais da equipe da UAPS. Por isso, é fundamental que a equipe como um todo
possa refletir e discutir sobre como tem sido realizado o acolhimento das gestantes na unidade.

ATIVIDADE 03
Refletindo sobre o acolhimento da gestante na APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Para a discussão sobre o acolhimento da gestante na UAPS, sugerimos que os tutores sejam
divididos em grupos, cada qual responsável pela leitura e pela discussão do Caso Andréia,
disponível na página 127 do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

A discussão pode ser orientada pelas seguintes questões:


• Quais sentimentos o Caso Andréia despertou nos tutores?
• Como os tutores percebem o acolhimento realizado pela médica que atendeu Andréia?
• Vimos que a história de vida de Andréia influenciou sua relação com a gestação atual.
Sabemos que há inúmeros outros fatores que precisam ser observados e acolhidos
durante o acompanhamento da gestante. Como podem ser incorporados esses fatores
no cuidado ofertado à gestante?
• Algum tutor lembra de algum caso em que fatores sociais, econômicos e/ou culturais
influenciaram diretamente no cuidado à saúde da gestante?

Após as discussões, cada grupo deverá apresentar aos demais os principais pontos
debatidos. É importante que o Analista Regional estimule o diálogo em torno dos desafios
para o acolhimento da gestante na UAPS. Para isso, pode utilizar como base o texto de
apoio “O acolhimento da gestante na APS”, disponível na página 128 do volume II do Guia
das Oficinas Tutoriais da APS.
Esta atividade é abordada na Oficina 16 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 126).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 227


Atenção à saúde bucal na gestação

Sabemos que a condição de saúde bucal durante a gravidez interfere diretamente na saúde
geral da mulher e também na saúde do bebê. Por isso, a atenção à saúde bucal deve ser parte
integrante do cuidado pré-natal.

ATIVIDADE 04
Discutindo a atenção à saúde bucal na gestação

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em três grupos, cada qual responsável pela leitura
e pela discussão de um caso. Os casos estão disponíveis nas páginas 73 a 78 do volume I,
do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

As discussões nos grupos podem ser orientadas pelas seguintes questões:

Grupo 01: Caso Ludymilla


• Como os tutores analisam a atuação da equipe de saúde bucal no cuidado à saúde
da gestante Ludmylla?
• Que estratégias os tutores consideram necessárias para intervir no abandono do
tratamento odontológico observado no Caso Ludmylla?
Grupo 02: Caso Bárbara
• Que estratégias podem ser realizadas para a efetiva inserção da equipe de saúde
bucal no trabalho multiprofissional da equipe da UAPS, visando ao cuidado integral à
saúde da gestante?
• Que estratégias a equipe da UAPS poderia realizar para apoiar e acolher gestantes
como Bárbara, que apresentam medo e receio em relação às consultas odontológicas?

Grupo 03: Caso Maria Flor


• Como os tutores avaliam a conduta da cirurgiã-dentista frente às necessidades
odontológicas apresentadas por Maria Flor, considerando que a gestante apresentava
uma condição renal crônica?

• Que estratégias podem ser realizadas para a garantia do cuidado integral à saúde
bucal das gestantes do município de Juazeiro de Cima?

Após a discussão, os grupos devem apresentar aos demais os casos e as principais questões
debatidas. Para a síntese da atividade, o Analista Regional pode utilizar como apoio o texto
“A integralidade do cuidado à gestante: saúde bucal presente!”, disponível na página 134
do volume II do Guia das Oficinas Tutoriais da APS.

Esta atividade é abordada na Oficina 16 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 133).

228 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO LUDYMILLA

Ludmylla Fausta Pereira, 35 anos, branca, residente na área rural de Palmital do Norte, ensino
médio completo, casada, vendedora em uma loja de eletrodomésticos. Ao suspeitar que estava
grávida, procurou a UAPS mais próxima à sua residência, onde iniciou o pré-natal. Em uma
consulta com Leonardo, o médico da UAPS, em junho de 2020, Ludmylla relatou que a data da
sua última menstruação (DUM) foi 04 de março e que o seu peso antes da gravidez era de 60
kg. O médico Leonardo mediu a sua altura, a pesou, calculou o Índice de Massa Corporal (IMC
31 kg/m2) e registrou todas as informações no cartão de pré-natal. Percebendo que Ludmylla
havia perdido um pouco de peso, o médico perguntou como estava a sua alimentação. Ela disse
que estava se alimentando bem, que comia muitas frutas e verduras, mas que nos últimos
dias estava se sentindo muito enjoada. Ao final da consulta, Leonardo solicitou os exames
necessários, deu orientações à Ludmylla, esclarecendo suas dúvidas, e pediu que ela passasse
na recepção da UAPS para agendar o retorno do pré-natal para o próximo mês. Na recepção,
Ludmylla foi informada sobre a atenção em saúde bucal às gestantes ofertada na UAPS e teve
sua consulta odontológica agendada para a mesma data do seu retorno do pré-natal.

No início do mês de julho, Ludmylla apresentou complicações na gestação e necessitou de


internação devido à hiperêmese gravídica10. Logo após a sua alta hospitalar, ela compareceu à
UAPS, com os encaminhamentos da médica obstetra e com os documentos de contra referência
para o compartilhamento do cuidado com o serviço de Atenção Ambulatorial Especializada
(AAE), no caso o Centro Estadual de Atenção Ambulatorial (CEAE) da região de abrangência. A
enfermeira da UAPS verificou os documentos e logo agendou a consulta para Ludmylla no CEAE.
Aproveitando a presença de Ludmylla na UAPS, a enfermeira verificou com a equipe de Saúde
Bucal (eSB) a possibilidade de atender a gestante. Como um dos pacientes agendados com a
eSB faltou, Ludmylla conseguiu ser atendida. Durante a consulta odontológica, ela foi orientada
sobre o impacto da hiperêmese no esmalte dental, sobre o autocuidado em saúde bucal e sobre
o acompanhamento odontológico necessário para o quadro de gengivite já instalado.

No dia da consulta de Ludmylla no CEAE, a assistente social realizou uma análise inicial da sua
documentação e, em seguida, a encaminhou para a equipe de enfermagem. A enfermeira
obstetra, durante o atendimento, realizou nova estratificação de risco de Ludmylla e identificou
que, apesar das queixas, o quadro de hiperêmese não preenchia os critérios para o atendimento
no serviço ambulatorial especializado. A gestante recebeu todas as orientações da equipe
multiprofissional do CEAE, as quais foram compartilhadas com a APS para que o seu pré-natal
fosse realizado na UAPS de referência.

Ludmylla retornou à sua UAPS decepcionada com o atendimento, ou melhor, com o não
atendimento no CEAE, e se desentendeu com a enfermeira da unidade, rompendo o vínculo
com a equipe. No seu pensamento, houve uma negativa do serviço de AAE no seu atendimento
e um compartilhamento de cuidado equivocado por parte da APS, o que levou a um descrédito
em relação a ambos os serviços.

10 Hiperêmese gravídica é a ocorrência de náuseas e vômitos incontroláveis durante a gestação, que resulta, por exemplo, em desidratação
e perda acentuada de peso.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 229


Ludmylla voltou para sua residência, decidiu não fazer mais o pré-natal e o acompanhamento
odontológico na APS e procurou um médico clínico da sua confiança. Nas consultas sequenciais,
Ludymilla teve seu quadro gestacional agravado com ameaça de parto prematuro e, ao ter seu
risco reestratificado pelo médico, passou a se enquadrar nos critérios de compartilhamento do
cuidado com AAE. Ao ser comunicada pelo médico que deveria procurar a enfermeira da UAPS
próxima à sua casa, Ludymila se negou e ainda completou que não mais procuraria a UAPS e
nem o CEAE e que quando chegasse a sua “hora” iria direto para maternidade municipal.

Com o passar dos dias, Ludymila, que já tinha um exame de ultrassonografia agendado, se
direcionou ao serviço e, durante a realização do exame, teve a triste notícia de ausência de
batimentos cardíacos fetais. Ela foi encaminhada para avaliação médica.

CASO BÁRBARA

Bárbara Linda de Oliveira, 35 anos, negra, em união estável, histórico de cirurgia bariátrica,
residente da área urbana do município de Juatã, ensino superior completo, atualmente não
exerce atividade remunerada. Durante o ano de 2020, na pandemia do novo coronavírus,
recebeu o auxílio emergencial do governo, pois teve que fechar seu espetinho, o point da
cidade, em virtude do decreto municipal que proibiu, por muito tempo, o funcionamento de
bares e outros estabelecimentos não essenciais.

Bárbara teve acesso ao pré-natal na UAPS após ser abordada por sua ACS, que detectou
precocemente sua gestação durante uma visita domiciliar. Ao iniciar o pré-natal, Bárbara foi
atendida primeiramente pela enfermeira da equipe e, em seguida, pelo médico da família. Em
consulta com o médico, Bárbara relatou que a data da sua última menstruação (DUM) foi 04
de junho. Na avaliação, foi identificado IMC 29,5kg/mg2 e pressão arterial de 120 x 90 mmHg.
Após solicitar os exames necessários, o médico realizou a estratificação de risco, por meio da
qual identificou a necessidade de encaminhamento da Bárbara ao especialista, devido ao seu
estrato de risco.

A gestante compareceu à secretaria municipal de saúde com o pedido de consulta com o


especialista e aguardou marcação da consulta especializada pela central de regulação. No
dia da consulta, durante a anamnese, Bárbara relatou à ginecologista obstetra do Centro de
Especialidades Médicas (CEM) que ultimamente estava sentindo secura na boca, sangramento
incomum nas gengivas e dor de dentes frequente. Ela contou que sua última consulta
odontológica havia sido antes da bariátrica. No final do relato, Bárbara começou a chorar e disse
que não ia ao dentista porque sentia muito medo e passava mal só de pensar em entrar em um
consultório odontológico, ainda mais agora que estava grávida. A ginecologista avaliou Bárbara
e percebeu a necessidade de atendimento pela equipe de Saúde Bucal (eSB) da UAPS Boa Vista
e pelos profissionais nutricionista, psicólogo e educador físico do CEM. Os atendimentos foram
em dias diferentes e, depois de todas as consultas, os profissionais registraram as considerações
em um prontuário. Posteriormente, se reuniram a nutricionista, o médico e a enfermeira para
elaborarem a contra-referência que seria enviada à UAPS Boa Vista para a continuidade do
cuidado à gestante, incluindo a consulta de avaliação odontológica pela eSB da UAPS.

230 PROJETO SAÚDE EM REDE


CASO MARIA FLOR

Maria Flor Oliveira Barbosa, 24 anos, casada, parda, residente na área urbana de Juazeiro de
Cima, ensino médio completo, manicure, mãe de 3 filhos, insuficiência renal crônica estágio V,
em hemodiálise 5 vezes na semana e histórico familiar de doenças renais.

Durante a visita do ACS José de Faria, a sogra da Maria Flor, que morava em outra microárea,
perguntou a ele sobre a possibilidade de agendar uma consulta de rotina para a nora, pois havia
uma suspeita de gravidez. O ACS, ao retornar à UAPS, repassou a informação à enfermeira,
que acionou a Glória Maria, ACS responsável pela microárea à qual Maria Flor está vinculada,
para que fosse realizada uma busca ativa. Como Maria Flor realiza hemodiálise em Juazeiro de
Baixo, a 200 km da cidade, a ACS Glória Maria teve que adaptar o horário de visita para que
fosse possível encontrar a paciente em casa. Maria Flor recebeu a ACS com muito carinho, ficou
encantada com a preocupação e com o serviço prestado e logo se interessou em marcar uma
consulta na UAPS próxima da sua casa.

Durante a consulta com a enfermeira Kelly, Maria Flor relatou que a data da sua última
menstruação (DUM) foi 11 setembro de 2020 e que, devido à pandemia do novo coronavírus,
acabou não procurando a UAPS. A enfermeira solicitou o exame de gravidez, porém já deixou
a consulta subsequente agendada com o Frederico, médico da equipe. Ao retornar à unidade
com o exame de gravidez em mãos, Maria Flor foi atendida pelo médico da UAPS, o qual fez as
orientações necessárias, incluindo as orientações sobre a importância do acompanhamento
odontológico nas mesmas datas das consultas médicas e/ou de enfermagem. O médico também
prescreveu os medicamentos necessários e disse que encaminharia um relatório ao médico
da hemodiálise para que ambos acompanhassem a sua gestação, porque em Juazeiro de Cima
há somente um médico ginecologista obstetra que não estava realizando atendimentos nem
partos durante a pandemia. Maria Flor saiu da consulta com o documento do médico Frederico
direcionado para o médico Joaquim, do serviço de Hemodiálise. Ela passou na recepção da UAPS
para o agendamento da próxima consulta de pré-natal e da consulta odontológica e se dirigiu à
Unidade de Farmácia de Minas para buscar seus medicamentos, assim como faz mensalmente.

Maria Flor foi recebida pela farmacêutica Ana, que, ao avaliar a receita médica, questionou se
ela se sentia bem com o tratamento prescrito. Maria Flor disse que às vezes se esquecia de
tomar os medicamentos e se queixou de alguns sintomas que surgiram após iniciar o tratamento.
Além disso, contou à Ana sobre a gravidez. Ana explicou à Maria Flor que aquela unidade do
Farmácia de Minas oferecia um serviço conhecido como acompanhamento farmacoterapêutico.
Nesse serviço, as consultas farmacêuticas são realizadas com o objetivo de elaborar um plano de
cuidado, levando em consideração todos medicamentos utilizados pelo usuário e suas condições
de saúde. Como Maria Flor vai à Farmácia todos os meses buscar seus medicamentos, ela
entendeu que ter uma profissional farmacêutica orientando e monitorando o seu estado de
saúde poderia contribuir ainda mais para o seu tratamento. Por isso, agendou sua consulta
com Ana.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 231


Educação em saúde para o cuidado à saúde da gestante

A educação em saúde constitui uma ação fundamental das equipes da APS. No cuidado à saúde
da gestante, as práticas educativas em saúde podem contribuir para que a gestante conheça,
analise e decida aspectos fundamentais sobre a sua condição, o seu parto e o cuidado ao seu filho.

ATIVIDADE 05
Discutindo as ações educativas no cuidado à saúde
da gestante

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

Propomos que os tutores sejam divididos em quatro grupos.

Abaixo há um breve perfil sobre sete gestantes que foram convidadas pelos Agentes
Comunitários de Saúde para participarem de uma prática educativa coletiva na UAPS.

A proposta é que cada grupo leia o perfil das gestantes e discuta as seguintes questões:
• Considerando a heterogeneidade das histórias e das condições de vida das gestantes,
em uma prática educativa coletiva, que questões os tutores consideram importante
abordar? E como as questões seriam abordadas?

• Na unidade em que os tutores atuam, a equipe oferta práticas educativas coletivas


voltadas para as gestantes? Se sim, como são realizadas? Que profissionais participam?
O planejamento envolve uma discussão prévia entre os diferentes profissionais? As
gestantes participam da definição dos temas a serem abordados?

Perfil das Gestantes

Gestante 1: Gyovanna Stafanny Constantine, 14 anos, negra, residente na área urbana do


município, em bairro de vulnerabilidade e risco social, estudou até o sexto ano do ensino
fundamental e atualmente não exerce atividade remunerada, tendo trabalhado por cerca
de um ano como garçonete. Em união estável com Antônio Silvino, 59 anos, motorista. Não
conheceu seu pai. A mãe tem 29 anos, é diarista, mora em um barracão de dois cômodos,
com os outros quatro filhos mais novos, é tabagista e etilista crônica. Primeira gestação,
está na terceira semana gestacional, ex-usuária de drogas ilícitas (crack). Gravidez não
planejada e não desejada. Sem comorbidades associadas.

Gestante 2: Eneida Cloves Rosalis, 39 anos, negra, residente na área rural, ensino superior
completo, professora da rede municipal de ensino. É casada há 10 anos com João Lima
Rosalis, 45 anos, agricultor. Está na sua quinta gestação, todos os outros quatros filhos
moram com ela. Está na sexta semana gestacional, IMC de 31kg/m2, pressão arterial
monitorada diariamente, mantendo entre os valores 110x90mmHg e 130x90. Mapa
glicêmico com realização de três medições ao dia, com valores em jejum de 94 a 119

232 PROJETO SAÚDE EM REDE


mg/dL; após o almoço de 235 a 280mg/dL; e após o jantar de 132 a 172mg/dL. Gravidez
planejada e desejada.

Gestante 3: Joana Vitória Marquezim, 30 anos, branca, moradora da área urbana, ensino
médio completo, vendedora em uma loja de eletrodomésticos. Em união estável com
Maria Joice, 43 anos, contadora. Está na segunda gestação, o ultimo parto foi cesária.
Está entrando na trigésima semana de gestação, IMC de 23 kg/m2, sem queixas e/ou
comorbidades. Gravidez planejada e desejada.

Gestante 4: Xarisma Chicras, 25 anos, indígena, analfabeta, moradora na tribo Xipó da


Rolancan, cerca de 170km da área urbana, vive da agricultura familiar. Casada há 9 anos
com Palejó Chicras, 26 anos. Está na sua sétima gestação, teve um aborto espontâneo
e os seus outros 5 partos foram naturais. Última gestação há 10 meses. Gestação atual
aproximada de 25 semanas e 4 dias. IMC de 20kg/m2. Sem comorbidades associadas e/
ou queixas no momento. Gravidez planejada e desejada.

Gestante 5: Maria Turmalina Miles, 25 anos, parda, ensino fundamental completo, moradora
do bairro Abrigo do Sol, área urbana, é frentista em posto de gasolina. É solteira, mora em
uma república com outras duas pessoas com quem não tem vínculo. Primeira gestação,
está com 20 semanas. Peso 42kg, altura 1,64m, PA 130x100mmHg. Sem comorbidades
associadas e/ou queixas. Exames laboratoriais e ultrassonográfico sem alterações. Gravidez
não planejada e não desejada.

Gestante 6: Lavínia Ludmila Ermelix, 24 anos, parda, ensino fundamental incompleto,


funcionária pública, moradora do bairro Além do Vale. Casada com Clodoalmiro Ermelix,
40 anos, borracheiro. Lavínia está na segunda gestação, teve um aborto espontâneo há
um ano e está muito ansiosa por medo de perder esse filho também. Gestação atual
com 15 semanas e 6 dias. Peso 82kg, altura 1,60m, PA 100x80mmHg, BCF 133bpm. Sem
histórico de comorbidades. Apresenta queixa de dor lombar, nas pernas e nos dentes
superiores. Exames laboratoriais do primeiro trimestre mostram resultado reagente para
sífilis. Gravidez não planejada e desejada.

Gestante 7: Tattielys Tamilla Denozete, 18 anos, branca, ensino médio completo, estudante,
solteira, mora com os pais e os dois irmãos na área rural. Primeira gestação. Gestação
atual: DUM 24 de março de 2020, peso 61kg, altura 1,59m, PA 80x60mmHg, TAX 37ºC,
SpO2 98%, PR 67bpm e BCF 128bpm. Relata dor em baixo ventre, náuseas, tonteira, dor
ao urinar. Exames laboratoriais sem alterações, exceto o resultado da cultura de urina, que
novamente acusou infecção urinária. É o terceiro episódio de infecção urinária na gestação.
Gravidez não planejada e desejada.
Fonte: Casos adaptados da Oficina de Estratificação de Risco das Condições Crônicas Caderno de casos. Julho, 2020.

Após a discussão, os grupos devem apresentar aos demais uma síntese das questões
debatidas.

Esta atividade é abordada na Oficina 16 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II (pag. 136).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 233


Atividades de dispersão no Projeto Saúde em Rede

ATIVIDADE 06

Apresentando as atividades de dispersão para a APS

Quem participa: Tutores da APS, exclusivamente. APS

É importante que o Analista Regional apresente aos tutores da APS as atividades de


dispersão que serão propostas ao final das Oficinas Tutoriais 15 e 16.

Programação local para a saúde da gestante

Ao final da Oficina Tutorial 15, a proposta é que o tutor preencha a “Aba de cadastro” da
planilha de programação local, com informações do SINASC do último ano e dos estratos
da população por ciclo de vida, faixa etária e sexo.

Esta atividade de dispersão é explicada ao final da Oficina 15 do Guia das Oficinas Tutoriais da
APS – volume II (pag. 122).

ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A DISCUSSÃO DA PROGRAMAÇÃO LOCAL PARA A SAÚDE DA


GESTANTE

No contexto das discussões sobre o cuidado à gestante, durante a Oficina Tutorial 16 da APS, é
proposta a atividade “Discutindo a programação local para a saúde da gestante”. Para a realização
dessa atividade, é necessário que o tutor esteja com a planilha de programação local com os
dados da “Aba de Cadastro” preenchidos (produto da atividade de dispersão proposta ao final
da Oficina Tutorial 15).

Durante a atividade, o tutor deve projetar a planilha de programação e preencher junto à


equipe, na “Aba da Gestante”, os campos referentes aos parâmetros para a programação (por
gestante), considerando o que a equipe pratica no cuidado à gestante. Recomendamos que para
o preenchimento da planilha sejam considerados os dados referentes a uma equipe da UAPS.

Após o preenchimento, a equipe deve discutir as seguintes questões:

• De acordo com os parâmetros de referência, o número total de gestantes acompanhado


pela UAPS está próximo do número de gestantes estimado na planilha?
• O número estimado de gestantes de alto risco está superior, igual ou inferior ao número
de gestantes de alto risco acompanhado pela equipe da UAPS? As gestantes de alto risco
identificadas pela equipe estão com cuidado compartilhado com a AAE?

234 PROJETO SAÚDE EM REDE


Importante!

Caso o número de gestantes acompanhado pela equipe da UAPS seja inferior ao número de
gestantes estimado, é importante que a equipe realize busca ativa no território.

Caso o número de gestantes de alto risco acompanhado pela equipe da UAPS seja inferior ou
superior ao número estimado, é importante que a equipe discuta a necessidade de rever a
estratificação de risco.

Esta atividade é abordada na Oficina 16 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume II.

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da APS que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 15 e 16, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 16, deverá ser destinado um tempo para discutir com a
equipe o diagnóstico completo da rede de atenção à saúde. Neste momento, tutores e
equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/
monitorados na Oficina 16.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 235


ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS COM TUTORES DA AAE, EXCLUSIVAMENTE

Manejo das morbidades mais prevalentes na gestação

ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A DISCUSSÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS NECESSÁRIA AO


APRIMORAMENTO DO CUIDADO À SAÚDE DE GESTANTES COM MORBIDADES MAIS
PREVALENTES

Na Oficina Tutorial 11, será proposta a atividade “Discutindo artigos científicos para o
aprimoramento do cuidado à saúde de gestantes com morbidades mais prevalentes”. Trata-se
de uma atividade a ser realizada a partir da leitura e da análise de artigos científicos, cuja busca
e seleção são propostas como atividade de dispersão ao final da Oficina Tutorial 10.

Durante a atividade, na Oficina Tutorial 11, o tutor deverá propor que cada dupla/subgrupo
realize a leitura e a discussão conjunta dos dois artigos selecionados e prepare uma síntese a ser
compartilhada com o grupo todo. O tutor deve garantir que os participantes tenham o tempo
necessário para a leitura, a discussão dos artigos e o registro dos pontos principais a serem
compartilhados com toda a equipe.

Na apresentação da síntese sobre os artigos, os profissionais devem contextualizar os estudos para


os participantes, explicitando as principais questões abordadas, e apontar possíveis contribuições
para o cuidado à saúde de usuárias com gestação de alto risco. Cada dupla/subgrupo terá 20
minutos para a apresentação.

Ao final da apresentação de cada dupla/subgrupo, sugerimos que a equipe discuta as seguintes


questões:

• Quais as morbidades de maior prevalência das usuárias-gestantes atendidas no serviço


da AAE?
• Que iniciativas e/ou estratégias a equipe da AAE pode desenvolver para aprimorar o
cuidado ofertado no serviço às usuárias com gestação de alto risco?

O tutor e a equipe devem inserir no plano de ação as iniciativas/estratégias definidas.

Esta atividade é abordada na Oficina 11 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 172).

236 PROJETO SAÚDE EM REDE


Tecnologia da gestão de caso como estratégia para o cuidado à usuária com
gestação de alto risco

Ainda que todas as gestantes acompanhadas pela unidade de AAE possuam gestação de
alto risco, sabemos que algumas apresentam condições muito complexas, que merecem um
acompanhamento mais próximo, contínuo e integrado entre equipes de diferentes pontos
da rede de atenção à saúde. Nessas situações, torna-se importante utilizar a tecnologia da
gestão de caso, que permite o desenvolvimento de um processo cooperativo para planejar,
monitorar e avaliar opções de cuidados e de coordenação da atenção à saúde, de acordo com
as necessidades da gestante.

ATIVIDADE 01

Discutindo a tecnologia da gestão de caso para o


cuidado à usuária com gestação de alto risco

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto de apoio “Gestão de Caso”,
disponível na página 174 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE, e do Caso Sabrina, disponível
na página 178 do mesmo Guia.

Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• A tecnologia da gestão de caso é de conhecimento dos tutores?


• A tecnologia da gestão de caso ou alguma estratégia semelhante já é utilizada no
cotidiano de trabalho do serviço da AAE?

» Se sim, que contribuições traz para o cuidado aos usuários? Há aspectos que
precisam ser aprimorados nesse processo?

» Se não, quais seriam os desafios e as facilidades de implantá-la no cotidiano de


trabalho do serviço?

Esta atividade é abordada na Oficina 11 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 173).

Educação em saúde para gestantes usuárias do serviço de AAE

Um estudo apontou a importância da realização de grupos como estratégia de educação em


saúde para usuárias com gestação de alto risco. Embora tenha sido realizado no contexto
hospitalar, o estudo nos sinaliza importantes contribuições do grupo educativo para o cuidado
a usuárias com gestação de alto risco, como, por exemplo, informação e discussão de questões
relacionadas à condição de alto risco e ao parto; expressão e compartilhamento de medos e
ansiedades; convivência e troca entre gestantes em situação semelhante; e construção de
vínculo entre gestante e equipe de saúde (ALVES, et al., 2019).

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 237


ATENÇÃO

ORIENTAÇÕES PARA A DISCUSSÃO E A DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIAS DESTINADAS


À REALIZAÇÃO DE AÇÕES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE JUNTO A GESTANTES
USUÁRIAS DA AAE

Na Oficina Tutorial 06, tutores e equipe puderam conhecer e discutir aspectos gerais relacionados à
educação em saúde para o cuidado aos usuários com condições crônicas na AAE. Neste momento,
com base nos debates já realizados, a proposta é construir com a equipe uma discussão mais
voltada à realização de práticas educativas com gestantes usuárias do serviço de AAE.

Propomos que tutor e equipe da AAE discutam e definam estratégias para incorporação e/ou
desenvolvimento de ações educativas grupais junto às gestantes usuárias do serviço de AAE.
Algumas questões podem contribuir para esta atividade:

• Que profissionais da equipe participarão da ação educativa?


• Como será realizado o planejamento da ação educativa? É importante que seja realizado
previamente, a partir de uma discussão entre os diferentes profissionais da equipe.
• Como envolver os interesses e as necessidades das gestantes no planejamento e no
desenvolvimento da ação educativa?
• Como considerar, na ação educativa, a heterogeneidade das histórias e das condições
de vida das gestantes?
• Que estratégias pedagógicas serão utilizadas? É importante que favoreçam a troca
de experiências, a construção conjunta de conhecimentos, a escuta e a discussão sobre
crenças, medos e ansiedades relacionadas à condição de saúde, etc.

As estratégias definidas para a incorporação e/ou o desenvolvimento das ações educativas com
as gestantes devem ser inseridas no plano de ação da equipe.

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 182).

Cuidado à saúde da mulher durante o puerpério

O período do pós-parto, também denominado de puerpério, é um momento em que a mulher


passa por diversas mudanças, tais como as hormonais, as corporais (relativas, por exemplo, ao
corpo uterino, ao períneo e às mamas) e as psicoemocionais, em um processo de recuperação
do seu organismo (GOMES; SANTOS, 2017).

Os estudos em Minas Gerais sobre mortalidade de mulheres relacionada à gravidez demonstram


que a mortalidade materna que ocorre durante o período puerperal (até 42 dias após o parto)
representa a maioria dos óbitos (MINAS GERAIS, 2019b). Isso nos aponta a importância de
conhecer quais são as principais causas de morte das mulheres no puerpério e de garantir o
cuidado à saúde da mulher durante esse período.

238 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02

Discutindo as causas de morte de mulheres durante


o puerpério em Minas Gerais

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto de apoio “Mortalidade


materna em Minas Gerais”, disponível na página 184 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

Em seguida, sugerimos que discutam os dados e as informações apresentados, a partir


das seguintes questões:

• Os dados apresentados no texto de apoio já eram de conhecimento dos tutores?


A equipe da AAE discute, em seu cotidiano de trabalho, indicadores relacionados à
morbimortalidade de gestantes e puérperas dos municípios de sua área de abrangência?

• Na percepção dos tutores, que fatores podem estar relacionados à maior proporção
de mortes maternas na população negra e indígena?

• Quais ações/iniciativas podem ser desenvolvidas pela equipe do serviço ambulatorial


de referência para a prevenção de mortes maternas no período do puerpério?

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 183).

Vimos a importância do acompanhamento da mulher durante o puerpério e como isso pode


evitar mortes maternas. Nesse sentido, uma usuária com gestação de alto risco, além de
ser acompanhada durante o pré-natal pela equipe da unidade de AAE, também precisa ser
monitorada, mesmo que à distância, no parto e na alta hospitalar. Isso significa que a mulher e
o recém-nascido (RN) devem receber, em até 48 horas após a alta, visita domiciliar pela equipe
da APS, que já deverá agendar na AAE a consulta puerperal na primeira semana pós-alta e a
segunda consulta puerperal (entre 30 e 40 dias após o parto).

Ambas as consultas devem focar na identificação e no tratamento de complicações comuns


nesse período, principalmente hemorragias e infecções, que são, com frequência, causas do
óbito materno. Concluído o período puerperal, a mulher deve ser orientada em relação à
continuidade do cuidado com sua saúde, ao planejamento familiar, ao acompanhamento
das condições crônicas diagnosticadas durante a gestação e ao fortalecimento da capacidade
de autocuidado (SBIBAE, 2019b). Considerando a relevância do cuidado à mulher durante o
puerpério, torna-se importante uma discussão mais aprofundada sobre como a equipe da AAE
pode atuar nesse período.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 239


ATIVIDADE 03
Discutindo o cuidado à puérpera na AAE

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores discutam as seguintes questões:

• Quais os principais desafios do cuidado à puérpera na unidade de AAE?


• Considerando as principais causas de óbitos durante o puerpério identificadas
na região, como a equipe da unidade de AAE poderia atuar de modo a reduzir as
complicações nesse período?

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 186).

ATENÇÃO

Na Oficina Tutorial 12, para a realização desta atividade sobre o cuidado à puérpera na AAE,
o tutor deverá levantar previamente as informações sobre o acompanhamento das mulheres
após o parto pela unidade de AAE. É importante que nesse levantamento seja identificado o
percentual de mulheres acompanhadas no puerpério em relação ao total de gestantes atendidas
no ambulatório. Além disso, o tutor deverá buscar, com apoio do Analista Regional, os dados
atualizados de mortalidade materna da região de saúde, com foco nas causas de morte durante
o período puerperal.

No momento da atividade, antes de discutir as questões propostas, o tutor deverá apresentar


aos participantes da oficina os dados sobre as puérperas atendidas pela unidade de AAE e sobre
as causas de óbitos maternos durante o puerpério.

Prevenção da mortalidade materna, infantil e fetal

Uma das estratégias para redução não apenas da mortalidade materna, mas também da
mortalidade infantil e fetal é a realização da análise e do estudo dos processos de investigação
epidemiológica pela equipe de vigilância. Isso contribui para que sejam feitas recomendações
aos serviços de saúde envolvidos na linha de cuidado materno-infantil.

É importante ressaltar que a responsabilidade pela investigação dos óbitos é da vigilância


epidemiológica, que elabora relatórios. O comitê de prevenção de mortalidade materna, infantil
e fetal atua, então, com base na análise dos relatórios de investigação e propõe recomendações
aos serviços de saúde. Tais comitês devem ser compostos de forma multiprofissional e
interinstitucional e se configuram como uma importante iniciativa para prevenção da
mortalidade.

240 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 04
Compreendendo a importância da investigação e da
análise de óbitos maternos, infantis e fetais (Primeira Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Propomos que os tutores realizem a leitura coletiva do texto de apoio “A prevenção de


óbitos maternos, infantis e fetais em Minas Gerais”, disponível na página 187 do Guia das
Oficinas Tutoriais da AAE.

Em seguida, sugerimos a discussão das seguintes questões:

• Há um comitê de prevenção da mortalidade materna, infantil e fetal em funcionamento


na região? Profissionais da unidade de AAE atuam nesse comitê?

• Se esse comitê se encontra em funcionamento, a equipe acompanha quais são


as recomendações feitas, de modo a orientar mudanças e melhorias na atuação da
unidade de AAE?

• Se esse comitê não se encontra em funcionamento, que ações podem ser pensadas
para implantá-lo e/ou fortalecê-lo como estratégia de prevenção óbitos maternos e
infantis?

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 187).

ATIVIDADE 04

Compreendendo a importância da investigação e da


análise de óbitos maternos, infantis e fetais (Segunda Parte)

Quem participa: Tutores da AAE, exclusivamente. AAE

Preparação para a atividade: previamente, o Analista Regional deverá imprimir cópias da


ficha de investigação ambulatorial de óbito materno, do Ministério da Saúde, disponível
na Plataforma de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede.

Propomos que os tutores realizem as seguintes tarefas:

• Leitura do Caso Magali, disponível na página 192 do Guia das Oficinas Tutoriais da
AAE, em que constam os dados do prontuário de Magali, uma usuária com gestação
de alto risco;

• Preenchimento da ficha de investigação, a partir dos dados apresentados no


Caso Magali;

• Identificação das fragilidades da assistência prestada à Magali e discussão das


recomendações de melhoria para o serviço de AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 241


Ao final, propomos a discussão das seguintes questões:
• Situação semelhante ao Caso Magali já ocorreu na unidade da AAE?
• As fragilidades da atenção especializada identificadas no caso também ocorrem na
unidade de AAE em que atuam?

• As recomendações feitas com base no caso também poderiam ser aplicadas na


unidade de AAE?

• O que esse caso traz de reflexões para o modo como a equipe tem atuado na unidade
de AAE?

Esta atividade é abordada na Oficina 12 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE (pag. 192).

ATENÇÃO

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO E PREENCHIMENTO DO DIAGNÓSTICO


DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE

É importante que o Analista Regional lembre aos tutores da AAE que:

• Ao final das Oficinas Tutoriais 11 e 12, deverá ser destinado um tempo para repassar
com a equipe as atividades discutidas, pactuadas e registradas no plano de ação. É
necessário que o tutor junto à equipe defina o cronograma de entrega das atividades e os
respectivos responsáveis.
• Ao final da Oficina Tutorial 12, deverá ser destinado um tempo para discutir com a
equipe o diagnóstico completo da rede de atenção à saúde. Neste momento, tutores e
equipe deverão responder ao formulário, disponível na Plataforma de Monitoramento
do Projeto Saúde em Rede, em que constam os microprocessos a serem analisados/
monitorados na Oficina 12.

242 PROJETO SAÚDE EM REDE


1º DIA – TARDE

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 08


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio

Realizar atividade
1 – Discutindo e
pactuando fluxos, Tutores da APS e da Local
Orientações disponíveis
instrumentos e 3 horas Analista AAE conjuntamente; destinado
no Guia da Formação de
estratégias de Regional Analistas Centrais, à formação
Tutores
organização para o Apoiadores da ESP-MG e de tutores
compartilhamento Apoiadores do COSEMS
do cuidado entre
APS e AAE
Intervalo 15 min

Realizar atividade 2– Tutores da APS e da


Local
Orientando sobre AAE conjuntamente; Orientações disponíveis
Analista destinado
o encerramento do 45 min Analistas Centrais, no Guia da Formação de
Regional à formação
Projeto Saúde em Apoiadores da ESP-MG e Tutores
de tutores
Saúde Apoiadores do COSEMS

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 243


Pactuações para a organização do compartilhamento do cuidado entre
APS e AAE

Como se trata do último Encontro Formativo e considerando que estamos próximos do


encerramento do Projeto Saúde em Rede, propomos um momento conjunto entre tutores da
APS e da AAE para que sejam compartilhados e discutidos fluxos, instrumentos e estratégias
de organização do compartilhamento do cuidado entre APS e AAE.

ATIVIDADE 01

Discutindo e pactuando fluxos, instrumentos e


estratégias de organização para o compartilhamento do
cuidado entre APS e AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Conforme orientado ao final do Encontro Formativo 07, propomos que os tutores da AAE
façam uma apresentação aos tutores da APS em relação a:

• A carteira de serviços da AAE;


• A composição da equipe da unidade da AAE (nome e categoria profissional);
• Uma proposta de fluxos para o compartilhamento do cuidado entre APS e AAE;
• Uma proposta de instrumento padronizado para o compartilhamento do cuidado de
usuários entre APS e AAE;

• Uma proposta de vinculação das equipes de APS por médicos especialistas da AAE
(definição dos médicos especialistas de referência para as UAPS);

• Uma proposta para o agendamento de consultas na AAE pela equipe da APS.

É importante que os tutores da APS e da AAE discutam cada um dos aspectos apresentados
e definam juntos os fluxos, os instrumentos e as estratégias de agendamento para a
organização e a efetivação do cuidado compartilhado entre os profissionais de ambos os
serviços.

Importante!

Os tutores da APS e da AAE deverão definir qual ou quais espaços de pactuação e/ou
canais de comunicação serão utilizados, caso haja necessidade de mudanças em relação
às questões apresentadas.

244 PROJETO SAÚDE EM REDE


ATIVIDADE 02
Orientando sobre o encerramento do Projeto Saúde
em Saúde

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Propomos que o Analista Regional apresente aos tutores da APS e da AAE as orientações
para o momento de encerramento do Projeto Saúde em Rede nas Unidades Laboratório. Tal
momento deverá ocorrer após a realização de todas as Oficinas Tutoriais, com os objetivos
de preencher o Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde e de proporcionar um espaço de
partilha entre a equipe.

a) Diagnóstico final da Rede de Atenção à Saúde

O preenchimento final do Diagnóstico da Rede de Atenção à Saúde, disponível na Plataforma


de Monitoramento do Projeto Saúde em Rede, é importante para que os resultados finais
do projeto possam ser mensurados no âmbito local, regional e estadual. Neste momento, a
equipe responderá ao formulário referente a todos os macro e microprocessos de trabalho
destinados à organização do serviço.

b) Momento de encerramento

O momento de encerramento com a equipe da Unidade Laboratório também visa a discutir


e compartilhar percepções sobre as contribuições do projeto para o trabalho em equipe
e em rede. Para isso, sugerimos a realização da “Dinâmica do Barbante”, para a qual é
necessário que o tutor providencie um rolo de barbante.

No momento da atividade, o tutor deve informar que o objetivo da dinâmica é construir


uma rede entre os participantes, por meio do barbante. Para isso, é necessário que os
participantes fiquem em pé e em círculo. Para iniciar a dinâmica, o tutor deve segurar a
ponta do barbante e dizer como ele compreende que as discussões realizadas ao longo do
Projeto Saúde em Rede contribuíram e/ou podem contribuir para o trabalho em equipe
e em rede. Em seguida, ainda segurando a ponta do barbante, o tutor deve lançar o rolo
para outro participante, o qual deve segurar um ponto do barbante e também dizer das
contribuições do projeto para o trabalho em equipe e em rede. E assim sucessivamente,
até o último participante. Todos os participantes, à medida que receberem o barbante,
devem continuar segurando-o, de modo a formar uma rede/teia.

Ao final da dinâmica, é importante que a equipe discuta e defina estratégias para


continuarem mantendo momentos de discussão sobre os processos de trabalho na unidade
e também para fortalecer o diálogo com os profissionais de outros serviços da rede de
atenção à saúde.

A dinâmica do barbante é abordada na página 143 do Guia das Oficinas Tutoriais da APS – volume
II e na página 201 do Guia das Oficinas Tutoriais da AAE.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 245


2º DIA – MANHÃ

Matriz de gerenciamento - Encontro Formativo 08


Atividades a serem desenvolvidas com Tutores da APS e da AAE, conjuntamente
O que? Tempo Quem? Participantes Onde? Material de apoio
Realizar atividade
1 – Analisando as
contribuições do
Tutores da AAE e da
Projeto Saúde em Local
APS, conjuntamente;
Rede e discutindo 2 horas Analista destinado Orientações no Guia de
Analistas Centrais,
estratégias para Regional à formação Formação de Tutores
Apoiadores da ESP-MG e
continuidade dos de tutores
Apoiadores do COSEMS
diálogos e da
integração entre APS
e AAE
Intervalo 15 min

Local
Realizar atividade
1 hora Analista Tutores da AAE e da APS, destinado Orientações no Guia de
2 – Planejando os
Regional separadamente à formação Formação de Tutores
próximos passos
de tutores

246 PROJETO SAÚDE EM REDE


Reflexões sobre as contribuições do Projeto Saúde em Rede

Além das discussões e das pactuações já realizadas para a organização do compartilhamento do


cuidado, propomos, ainda, que tutores da APS e da AAE compartilhem e discutam percepções
sobre as contribuições do Projeto Saúde em Rede para o trabalho em equipe e em rede e
definam estratégias destinadas à continuidade dos diálogos e da integração entre os profissionais
de ambos os serviços.

ATIVIDADE 01
Analisando as contribuições do Projeto Saúde em
Rede e discutindo estratégias para continuidade dos
diálogos e da integração entre APS e AAE

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, conjuntamente. APS AAE

Propomos que os tutores façam uma análise das contribuições do Projeto Saúde em
Rede para as mudanças dos processos de trabalho da equipe e para a integração entre os
profissionais da APS e da AAE, considerando as seguintes questões:

• Na percepção dos tutores, o que mais os marcou durante o desenvolvimento do


Projeto Saúde em Rede?

• Como os tutores percebem e analisam a sua atuação junto à equipe? E a participação


da equipe nas atividades propostas durante o projeto? E o envolvimento da gestão
municipal, da coordenação da unidade e de outras instâncias deliberativas?

• Algumas mudanças foram possíveis nos processos de trabalho da equipe e da


unidade, a partir das discussões realizadas durante o projeto? Se sim, quais?

• Os tutores compreendem que as relações entre os profissionais da equipe se


fortaleceram com a realização das Oficinas Tutoriais?

• Sobre o cuidado ofertado na unidade, foram observadas melhorias? Quais?


• Em relação à integração com outros serviços da rede (APS ou AAE), foram observadas
melhorias? Quais?

• Que aspectos ainda merecem atenção cuidadosa da equipe da unidade?


• Que estratégias podem ser utilizadas para fortalecer o diálogo com outros serviços
da rede de atenção à saúde?

O momento de monitoramento contempla, ainda, o planejamento dos próximos passos diante


do encerramento do Projeto Saúde em Rede.

GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 247


ATIVIDADE 02

Planejando os próximos passos

Quem participa: Tutores da APS e da AAE, separadamente. APS AAE

O Analista Regional deverá solicitar às duplas de tutores de cada Unidade Laboratório que
discutam e registrem quais os próximos a serem realizados, diante do encerramento do
Projeto Saúde em Rede:

• Como os tutores podem fomentar junto a suas equipes a manutenção de discussões


periódicas sobre o trabalho desenvolvido na unidade?

É importante que sejam registradas as estratégias e as articulações necessárias para


implementá-las. Em seguida, o Analista Regional deverá solicitar que os tutores
compartilhem com os demais participantes.

248 PROJETO SAÚDE EM REDE


REFERÊNCIAS

ALVES, F. L. C. et al. Grupo de ESP-MG. Escola de Saúde Pública do 2008. (p.419- 426). Disponível em:
gestantes de alto-risco como Estado de Minas Gerais. Implantação http://www. sites.epsjv.fiocruz.br/
estratégia de educação em saúde. do Plano Diretor de Atenção Primária dicionario/Dicionario2.pdf. Acesso
Rev. Gaúcha Enferm., v. 40, à Saúde: Redes de Atenção à em: 19 jun. 2020.
e20180023, 2019. Saúde/ Escola de Saúde Pública do
PEDUZZI, M.; AGRELI, H. F. Trabalho
Estado de Minas Gerais. Oficina 4 –
BRASIL. Ministério da Saúde. em equipe e prática colaborativa na
Programação Local e Municipal. Belo
Secretaria de Atenção à Saúde. Atenção Primária à Saúde. Interface
Horizonte: ESPMG, 2008.
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MG no Documento consolidado pelo MENDES, E. V. O cuidado das
Projeto Saúde em Rede: Nota Técnica condições crônicas na atenção PREFEITURA DE BELO HORIZONTE
para organização da Rede de Atenção primária à saúde: o imperativo da (PBH). Secretaria Municipal de Saúde.
à Saúde com foco na atenção primária consolidação da estratégia da saúde Demanda espontânea na atenção
à saúde e na atenção ambulatorial da família. Brasília: Organização Pan- primária à saúde em Belo Horizonte:
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Gestação, Parto e Puerpério. São Paulo: processo de trabalho no nível local.
MERHY, E. E. Um ensaio sobre o
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BRASIL. Ministério da Saúde. Política contribuições da análise do território SBIBAE. SOCIEDADE BENEFICENTE
Nacional de Humanização – PNH. 1ª tecnológico do trabalho vivo em ato ISRAELITA BRASILEIRA ALBERT
ed. Brasília: MS, 2013. em saúde para compreender as EINSTEIN. PLANIFICASUS: Workshop
reestruturações produtivas do setor 1 – A integração da Atenção Primária
BRASIL. Ministério da Saúde.
saúde. In: FRANCO, T. B.; MERHY, E. e da Atenção Especializada nas
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GUIA DA FORMAÇÃO DE TUTORES 249

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