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Bonapartismo e Fascismo

Leon Trotski

15 de julho de 1934

Primeira Edição: The New Internacional, revista teórica da seção norte-


americana da Quarta Internacional, em agosto de 1934. Sem assinatura.
Fonte: https://www.esquerdadiario.com.br/Bonapartismo-e-Fascismo-
por-Leon-Trotski
Tradução: Jean Ilg - da versão em espanhol disponível em
http://www.ceip.org.ar/Bonapartismo-y-fascismo
Transcrição: Calvin Borges - MRT
HTML: Fernando Araújo.

A grande importância prática de uma orientação política correta se


manifesta com mais evidência nas épocas de conflitos sociais agudos, de
rápidos giros políticos ou de mudanças repentinas na situação. Nestas
épocas, as concepções e generalizações políticas são rapidamente
superadas e exigem sua substituição por completo – o que é mais fácil –
ou sua concretização, precisão ou retificação parcial – o que é mais
difícil-. Precisamente nestes períodos surgem necessariamente todo tipo
de combinações e situações transitórias, intermediárias, que superam os
padrões habituais e exigem atenção teórica contínua e redobrada. Em
uma palavra, se na época pacífica e “orgânica” (antes da guerra) até
poderia-se viver às custas de algumas abstrações pré-concebidas, na
nossa época cada novo acontecimento forçosamente exige a lei mais
importante da dialética: a verdade é sempre concreta.

A teoria stalinista sobre o fascismo representa indubitavelmente um


dos mais trágicos exemplos das consequências práticas prejudiciais que
estão implicadas ao ter substituído, por categorias abstratas formuladas
em base a uma parcial e insuficiente experiência histórica (ou uma
estreita e insuficiente visão de conjunto), a análise dialética da realidade
em cada uma de suas fases concretas, em todas as suas etapas
transitórias, tanto em suas mudanças graduais quanto em seus saltos
revolucionários (ou contra-revolucionários). Os stalinistas adotaram a
ideia de que na época contemporânea o capital financeiro não pode se
adequar à democracia parlamentar e está obrigado a recorrer ao
fascismo. Desta ideia, absolutamente correta dentro de certos limites,
extraem de maneira puramente dedutiva e lógico-formalista as mesmas
conclusões para todos países e para todas etapas do desenvolvimento
destes. Para eles, Primo de Rivera, Mussolini, Chiang Kai-shek, Masarik,
Bruening, Dollfuss, Pilsudski, o rei da Sérvia Alexandre, MacDonald, etc,
eram representantes do fascismo.(1) Esqueceram: a) que também no
passado o capitalismo nunca se adequou à democracia “pura”,
complementando-à algumas vezes com um regime de repressão aberta
e, outras vezes, substituindo-a diretamente por este tipo de regime; b)
que o capitalismo financeiro “puro” não existe em parte alguma; c) que,
ainda que ocupe uma posição dominante, o capital financeiro não atua no
vazio, e vê-se obrigado a reconhecer a existência de outros setores da
burguesia e a resistência das classe oprimidas; d) finalmente, que é
inevitável que entre a democracia parlamentar e o regime das fascista se
interponham, uma depois de outra, seja “pacificamente” ou através de
uma guerra civil, uma série de formas transitórias. Se queremos
permanecer na vanguarda e não ficarmos para trás, devemos levar em
conta que cada uma destas formas transitórias exige caracterização
teórica correta e uma correspondente política do proletariado.

Baseando-nos na experiência alemã – apesar de que já pudéssemos


e devêssemos ter usado o exemplo da Itália– nós, bolcheviques
leninistas, analisamos pela primeira vez a forma transitória de governo
que chamamos de bonapartista (os governos de Bruening, Papen e
Schleicher). De maneira mais precisa e desenvolvida, estudamos em
seguida o regime bonapartista da Áustria. Ficou demonstrado de maneira
patente o determinismo desta forma transitória, naturalmente não no
sentido fatalista e sim no sentido dialético, isto é para os países e
períodos em que o fascismo ataca com êxito cada vez maior as posições
da democracia burguesa parlamentar, sem se chocar com a resistência
vitoriosa do proletariado, com o objetivo de estrangulá-lo em seguida.

Durante o período Bruening-Schleicher, Manuilsky e


Kuusine(2) proclamaram: “o fascismo já está aqui”; declararam que a
teoria da etapa intermediária, bonapartista, era uma tentativa de
disfarçar o fascismo para facilitar a política de “mal menor” da social-
democracia. E por fim, chamavam de social-fascistas os social-
democratas, e os social-democratas de “esquerda” do tipo Ziromsky-
Marceau Pivert-Just eram considerados, depois dos “trotskistas”, como
os mais perigosos dos social-fascistas. Agora tudo mudou. No que
concerne à França, os stalinistas não se animam a repetir: “O fascismo
está já está aqui”; pelo contrário, para evitar a vitória do fascismo neste
país aceitaram a política da frente única, que até ontem rechaçavam. Se
viram obrigados a diferenciar o regime de Doumergue e o regime
fascista. Mas não chegaram nesta conclusão por causa do marxismo, e
sim pelo empirismo. Nem sequer tentaram dar uma definição científica
do regime de Doumergue. Aquele que se move no terreno da teoria em
base a categorias abstratas está condenado a capitular cegamente diante
dos acontecimentos.

Porém, precisamente na França o passo do parlamentarismo ao


bonapartismo –ou mais exatamente a primeira etapa deste passo- deu-
se de maneira particularmente notória e exemplar. Basta lembrar que o
governo Doumergue apareceu em cena entre o ensaio da guerra civil dos
fascistas (6 de fevereiro) e a greve geral do proletariado (12 de
fevereiro). Assim que os lados irreconciliáveis assumiram suas posições
de luta nos polos da sociedade capitalista, ficou claro que o aparato
relacionado ao parlamentarismo perdia importância. É certo que o
gabinete Doumergue, igual ao de Bruening-Schleicher em seu momento,
parece, à primeira vista, governar com o consenso do Parlamento. Mas
trata-se de um Parlamento que abdicou, que sabe que em caso de
resistência o governo se desfaria dele. Devido ao relativo equilíbrio entre
o campo da contra-revolução que ataca e o da revolução que se defende,
devido a sua temporária neutralização mútua, o eixo do poder elevou-se
por cima das classes e de sua representação parlamentar. Foi necessário
buscar uma cabeça de governo fora do Parlamento e “fora dos partidos”.
Este chefe de governo pediu a ajuda dos generais. Esta trindade se
apoiou simetricamente nos vassalos parlamentares tanto pela direita
quanto pela esquerda. O governo não aparece como um organismo
executivo da maioria parlamentar, senão como um juiz-árbitro entre dois
bandos em luta.

Porém, um governo que se eleva por cima da nação não está


suspenso no ar. O verdadeiro eixo do governo atual passa pela polícia,
pela burocracia e a camarilha militar. Estamos confrontados por uma
ditadura militar-policial apenas dissimulada por trás do cenário do
parlamentarismo. Um governo do sabre como juiz-árbitro da nação:
precisamente isso se chama bonapartismo.

O sabre não dá à si próprio um programa independente. É o


instrumento da “ordem”. Está chamado a salvaguardar o existente. O
bonapartismo, ao elevar-se politicamente por cima das classes como seu
predecessor, o cesarismo, representa no sentido social, sempre e em
todas as épocas, o governo do setor mais forte e mais firme dos
exploradores. Em consequência, o atual bonapartismo não pode ser
outra coisa que o governo do capital financeiro, que dirige, inspira e
corrompe os setores mais altos da burocracia, a polícia, a casta de
oficiais militares e a imprensa.
O único objetivo da “reforma constitucional”, sobre a que tanto se
fala no transcurso dos últimos meses, é a adaptação das instituições
estatais às exigências e conveniências do governo bonapartista. O capital
financeiro busca os recursos legais que lhe permitam impor, cada vez
que seja necessário, o juiz-árbitro mais adequado, com o consentimento
obrigado do quase parlamento. É evidente que o governo Doumergue
não representa o ideal de “governo forte”. Estão reservados melhores
candidatos a Bonaparte. São possíveis novas experiências e combinações
neste terreno se o curso futuro da luta classes lhes der tempo suficiente
para tentar aplicá-las.

Ao fazer estes prognósticos, nos vemos obrigados a repetir o que já


disseram uma vez os bolcheviques leninistas à respeito da Alemanha: as
possibilidades políticas do atual bonapartismo francês não são muitas;
sua estabilidade está determinada pelo momentâneo e, em última
instância, instável equilíbrio entre o proletariado e o fascismo. A relação
de forças entre estes bandos tem que mudar rapidamente, em parte por
influência da conjuntura econômica, mas fundamentalmente segundo a
política que venha assumir a vanguarda proletária. O processo se medirá
em meses, não em anos. Só depois do choque, e de acordo com seus
resultados, poderá ser implantado um regime estável.

O fascismo no poder, igual ao bonapartismo, só pode ser o governo


do capital financeiro. Neste sentido social, o primeiro não se diferencia
do bonapartismo e nem sequer da democracia parlamentar. Os
stalinistas o vêm redescobrindo isto à cada nova oportunidade,
esquecendo que os problemas sociais se resolvem no terreno político. A
força do capital financeiro não reside em sua capacidade de estabelecer
qualquer tipo de governo em qualquer momento de acordo com seus
desejos; não possui este poder. Sua força reside no fato de que todo
governo não proletário se vê obrigado a servir o capital financeiro; ou
melhor dizendo, que o capital financeiro conta com a possibilidade de
substituí-lo, à cada sistema de governo que decai , por outro que se
adeque melhor às condições em mudança. Porém, a mudança de um
sistema para outro implica em uma crise política que, por consequência
da atividade do proletariado revolucionário, pode-se transformar em um
perigo social para a burguesia. Na França, a passagem da democracia
parlamentar ao bonapartismo esteve acompanhada pela efervescência da
guerra civil. A perspectiva de mudança do bonapartismo ao fascismo está
carregada de conturbações infinitamente mais formidável, e, como
consequência, também de possibilidades revolucionárias.

Até ontem, os stalinistas consideravam que nosso “erro principal”


consistia em ver no fascismo o pequeno burguês e não o capital
financeiro. Neste caso eles colocam novamente as categorias abstratas
no lugar da dialética das classes. O fascismo é um meio específico de
mobilizar e organizar a pequena burguesia em defesa do interesse social
do capital financeiro. Durante o regime democrático, o capital
inevitavelmente trata de incutir nos trabalhadores a confiança na
pequena burguesia reformista e pacifista. Ao contrário, a mudança para
o fascismo é inconcebível sem que previamente a pequena burguesia se
encha de ódio contra o proletariado. Nestes dois sistemas, a dominação
da mesma super-classe, o capital financeiro, se apoia em relações
diretamente opostas entre as classes oprimidas.

Porém, a mobilização política da pequena burguesia contra o


proletariado é inconcebível sem esta demagogia, que, para a burguesia
implica brincar com fogo. Os recentes acontecimentos da Alemanha
confirmam como a reação desenfreada da pequena burguesia coloca em
perigo a “ordem”(3). Por isso, apesar de apoiar e financiar a bandidagem
reacionária de uma de suas alas, a burguesia francesa não quer levar as
coisas até a vitória política do fascismo, mas apenas até estabelecer um
poder “forte”, o que em última instância significa disciplinar a ambos
lados extremos.
O que dissemos demonstra suficientemente a importância de
distinguir entre a forma bonapartista e a forma fascista de poder. No
entanto, seria imperdoável cair no extremo oposto, converter o
bonapartismo e o fascismo em duas categorias logicamente
incompatíveis. Assim como o bonapartismo começa combinando o
regime parlamentar com o fascismo, o fascismo triunfante se vê obrigado
a constituir um bloco com os bonapartistas, e, o que é mais importante,
a se aproximar cada vez mais, por suas características internas, de um
sistema bonapartista. A dominação prolongada do capital financeiro
através da demagogia social reacionária e do terror pequeno burguês é
impossível. Uma vez chegando ao poder, os dirigentes fascistas vêem-se
forçados a amordaçar as massas que os seguem, usando para isso o
aparato estatal. O mesmo instrumento lhes faz perder apoio de amplas
massas da pequena burguesia. Destas, o aparelho burocrático assimila
um setor reduzido. Outro cai na indiferença. Um terceiro setor passa
para a oposição, aderindo à diferentes bandeiras. Mas, enquanto for
perdendo sua base social massiva ao apoiar-se no aparelho burocrático e
oscilar entre as classes, o fascismo se converte em bonapartismo.
Também aqui, episódios violentos e sanguinários interrompem a
evolução gradual. Diferentemente do bonapartismo pré-fascista
ou preventivo (Giolitti,(4) Bruening-Schleicher, Doumergue, etc), que
reflete o equilíbrio extremamente instável e breve entre os lados em
luta, o bonapartismo de origem fascista (Mussolini, Hitler, etc), que
surge da destruição, desilusão e desmoralização de ambos setores das
massas, se caracteriza por uma estabilidade muito maior.

O problema “bonapartismo ou fascismo” provocou, entre nossos


camaradas poloneses,algumas diferenças sobre o regime de
Pilsudski.(5) A possibilidade mesma de tais diferenças é o melhor atestado
de que não estamos lidando com categorias lógicas inflexíveis, senão
com formações sociais vivas, que apresentam peculiaridades
extremamente pronunciadas nos distintos países e etapas.
Pilsudski chegou ao poder depois de uma insurreição baseada em um
movimento de massas da burguesia que tendia diretamente à dominação
dos partidos burgueses tradicionais em nome do “estado forte”; este é
um traço fascista característico do movimento e do regime. Mas o
elemento que mais pesava politicamente, a massa do fascismo polonês,
era muito mais débil que a do fascismo alemão; Pilsudski teve que apelar
em maior medida aos métodos da conspiração militar e encarar com
muito mais cuidado o problema das organizações operárias. Basta
lembrar que o golpe de estado de Pisudski contou com a simpatia e o
apoio do partido stalinista polonês. A sua vez, a crescente hostilidade da
pequena burguesia judia e ucraniana dificultou que este regime
conseguisse lançar um ataque geral contra a classe operária.

Como consequência desta oscilação, Pilsudski oscila muito mais que


Mussolini e Hitler, nos mesmos períodos, entre as classes e os setores
nacionais da classe, e recorre muito menos ao terror massivo do que os
outros dois: este é o elemento bonapartista do regime de Pilsudski. No
entanto, seria evidentemente falso comparar Pilsudski com Giolitti ou
Schleicher e supor que será substituído por um novo Mussolini ou Hitler
polonês. É metodologicamente falso formar a imagem de um regime
fascista “ideal” e opô-la a este regime fascista real que surgiu, com todas
suas peculiaridades e contradições, da relação entre as classes e as
nacionalidades tal como se dá no estado polonês. Poderá Pilsudski, levar
até as suas últimas consequências a destruição das organizações
proletárias? A lógica da situação o leva inevitavelmente por este
caminho, mas a resposta não depende da definição formal de “fascismo”
como tal, e sim da relação de forças real, da dinâmica do processo
político que vivem as massas, da estratégia da vanguarda proletária, e,
finalmente, do curso dos acontecimentos na Europa ocidental, sobretudo
na França.

Pode-se dar o fato histórico de que o fascismo polonês seja derrotado


e reduzido à pó antes de conseguir expressar-se de maneira “totalitária”.
Já dissemos que o bonapartismo de origem fascista é
incomparavelmente mais estável que os experimentos bonapartistas
preventivos aos quais apela a grande burguesia com a esperança de
evitar o derramamento de sangue implicado no fascismo. Porém, é ainda
mais importante – desde o ponto de vista teórico e prático- enfatizar
que o fato mesmo da conversão do fascismo em bonapartismo implica no
começo de seu fim. Quanto tempo levará a liquidação do fascismo e em
que momento sua enfermidade se transformará em agonia depende de
muitos fatores externos e internos. Mas o fato de que a pequena
burguesia terá reduzido sua atividade contra-revolucionária, de que
estará desiludida, desintegrando-se, e terá debilitado seus ataques
contra o proletariado, abre novas possibilidades revolucionárias. A
história demonstra que é impossível manter o proletariado acorrentado
valendo-se apenas do aparato policial para esta tarefa. É certo que a
experiência da Itália ensina que a classe trabalhadora conserva a
herança psicológica da enorme catástrofe sofrida durante muito mais
tempo do que a duração da correlação de formas que originou esta
mesma catástrofe. Mas a inércia psicológica da derrota é um apoio muito
fraco. Pode ser derrubado de uma vez só sob o impacto de uma forte
convulsão. Para Itália, Alemanha, Áustria e outros países essa convulsão
poderia ser o êxito da luta do proletariado francês.

A chave revolucionária da situação da Europa e de todo o mundo


reside, fundamentalmente, na França!

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Notas de rodapé:

(1) Trotski não tinha nenhuma dúvida que o líder italiano Benito
Mussolini e o marechal e chefe de estado polonês Josef Pilsudiski eram
fascistas, mas por diversas razões considerava incorreto usar o mesmo
termo para caracterizar o ditador espanhol Miguel Primo de Rivera, o
ditador nacionalista chinês Chiang Kai-shek, o presidente liberal da
Tchecoslovaquia Thomas Masarik, o chanceler católico conservador da
Alemanha Heinrich Bruening, o ditador chanceler socialista-critão da
Áustria Engelberto Dollfuss, o rei sérvio Alexandre I, o ministro social-
democrata do interior para Prússia Karl Severing, ou o reformista inglês
Ramsay MacDonald. (retornar ao texto)

(2) Dimitri Manuilski (1883-1952): junto com Trotski foi membro da


organização marxista independente Mezhraiontzi (Grupo Interdistrital),
que em 1917 se fundiu com o partido Bolchevique. Na década de 20,
Manuilski apoiou a fração de Stalin e foi secretário da Comintern de 1931
até 1943. Otto Kuusinen (1881-1964): social-democrata finlandês que
fugiu para a União Soviética após o colapso da revolução finlandesa de
abril de 1918. Converteu-se em porta-voz do stalinismo e foi secretário
da Comintern de 1922 até 1931. (retornar ao texto)

(3) Na “purga sangrenta” de 30 de junto de 1934, Hitler liquidou


dirigentes nazistas que lhe inspiravam pouca confiança e figuras políticas
não nazistas. (retornar ao texto)

(4) Giovanni Gioltti (1842-1928): predecessor de Mussolini como premier


italiano. (retornar ao texto)

(5) Em 1934 Isaac Deutscher era um dos bolcheviques leninistas


poloneses que sustentava estas diferenças. Décadas mais tarde escreveu
em uma nota de rodapé, de seu livro O Profeta Banido: “Em sua época
Trotski foi o único teórico político que deu uma definição precisa do
fascismo. No entanto, em algumas ocasiões à aplicou muito
imprecisamente. Previu a iminência do fascismo na França e insistiu em
rotular de fascista a ditadura pseudo bonapartista de Pilsudski na
Polônia, apesar de Pilsudki não governar de maneira totalitária e ter que
aceitar a existência de um sistema multipartidário. Por outro lado, de
maneira bem pouco convincente descreveu como bonapartistas os
efêmeros governos de Schleicher e Papen e também o débil governo
Doumergue de 1934. (E só em 1940 caracterizou ao regime de Petain
como pseudo bonapartista mais do que como fascista.)Discuti estes
pontos com Trotski na década de 30, mas o tema historicamente é
demasiado insignificante para ser retomado aqui.” Seja qual for a posição
de Deutscher sobre Pilsudski, a de Trotski está claramente apresentada
neste artigo. A explicação de Deutscher é confusa pelo menos em dois
aspectos: dado que o regime de Petain se instaurou em 1940, é difícil
compreender como Trotski poderia tê-lo definido antes. E sua
caracterização de “forma senil de bonapartismo na época da decadência
imperialista” e não “fascismo no verdadeiro sentido da palavra” (ver O
bonapartismo, o fascismo e a guerra nos Escritos 1939-1940) está
totalmente de acordo com sua posição sobre o problema na década de
30 e de nenhuma maneira implica, como parece querer dizer Deutscher,
em uma ruptura com esta posição. (retornar ao texto)

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